About João Leonardo Corte Baptistella

Sou Engenheiro Agrônomo pela ESALQ/USP em Piracicaba-SP. Mestre em Fitotecnia na mesma instituição com pesquisa voltada ao consórcio café-braquiária. Atualmente estou no doutorado.

Como estimar o custo de produção do café (+ calculadora rápida)

Custo de produção do café: entenda quais fatores devem ser considerados para o cálculo

O custo de produção é sempre motivo de preocupação. É preciso saber quanto se gastou com adubação, manejo fitossanitário e com a colheita.

Mas será que colocamos todas as informações necessárias na hora de calcular o custo?

Existem informações que não podem faltar para que se tenha o custo de produção corretamente. Do contrário, podemos estar perdendo dinheiro e nem saber!

Confira a seguir algumas dicas de como calcular o custo de produção do café.

Cálculo do custo de produção do café

O custo de produção do café deve englobar todos os fatores que foram utilizados. São mudas, adubos, hora/máquina, diesel, pessoal… e até outros fatores que podemos esquecer como depreciação, encargos trabalhistas, impostos, etc.

Fica claro também que o custo de produção do café depende do nível de tecnologia empregado, pois a quantidade de insumos/máquinas utilizada pode variar de acordo com isso.

Pode parecer muita coisa, mas sem essas informações podemos ter a falsa ideia de que nossa atividade está sendo rentável quando, na verdade, estamos perdendo dinheiro.

Frequentemente esse é o caso. Sempre pensamos que o nosso custo é mais baixo, mas quando se coloca na ponta do lápis, não é bem por aí. Fique atento!

Tipos de custo

Os custos de uma lavoura de café podem ser divididos em: custo variável, custo fixo, custo operacional e custo total. O que cada custo desses engloba está exemplificado nas tabelas abaixo.

tabela com composição dos custos de produção
Composição dos custos de produção
(Fonte: Conab)

Esses dados devem ser computados e somados para compor cada um dos tipos de custo da propriedade, como ilustra a tabela abaixo:

Exemplo de planilha de custo de produção para café arábica obtida no site da Conab, na seção "Planilhas de custo de produção”.
Exemplo de planilha de custo de produção para café arábica obtida no site da Conab, na seção “Planilhas de custo de produção”.

Para se ter informações mais palpáveis e fáceis de entender, é comum dividir o custo de produção do café para cada hectare, por saca produzida ou ainda transformá-lo em “número de sacas”. 

Assim, é mais fácil ter uma ideia prática de quanto se deve produzir para pagar as contas.

Fazendo o rateio dos custos

Perceba que as informações necessárias para os cálculos geralmente são obtidas ao nível de propriedade. No caso da existência de mais uma atividade na propriedade, é necessário fazer o rateio dos custos

Por exemplo, o mesmo trator que realiza pulverizações pode ser utilizado na propriedade para puxar uma carreta ou pulverizar outras culturas que não o café. Como dividir o custo para que somente o que foi utilizado com o café seja computado?

Isso pode ser feito dividindo o valor total obtido pela área de cada atividade – ou então contabilizando as horas trabalhadas com cada atividade na hora da divisão. Desse modo, temos o cálculo correto do custo de produção do café.

Organizando a casa

Você deve ter notado que são muitas informações necessárias para o cálculo correto do custo de produção do café. 

Por isso, antes de mais nada, é necessário que se tenha organização para  lidar com esses dados.

Seja no caderninho, em planilhas ou em softwares de gestão, devemos ter rigor ao manter o histórico desses dados. Valor, local de compra, data, estoque, são algumas das coisas que devemos controlar.

Para os dados mais complexos, como depreciação  e remuneração sobre capital, é preciso buscar fontes confiáveis para realizar o cálculo.

Custo de produção do café: onde encontrar informações confiáveis?

Quando não sabemos exatamente onde conseguir o preço de determinado insumo, como realizar o cálculo do custo de produção ou, ainda, se queremos comparar com o custo de outros lugares, precisamos de informações confiáveis.

No portal da Conab podemos encontrar muitas dessas informações de forma gratuita, inclusive os métodos para estimar depreciação, por exemplo.

Caso precisemos de informações sobre o preço de insumos agropecuários, podemos encontrá-las aqui. Nesse site, encontramos preços de fertilizantes, fitossanitários, máquinas e implementos, etc. 

Exemplo de planilha de preços de fertilizantes obtida no site da Conab, na seção “Preços de insumos agropecuários”.
Exemplo de planilha de custo de produção para café arábica obtida no site da Conab, na seção “Planilhas de custo de produção”

Além disso, caso você queira um modelo de planilha de custos do café, também pode encontrá-lo na Conab, na seção de “Planilhas de custo de produção”. Tem para café arábica e conilon.

Agora, se você precisa de algo mais prático e rápido, pode usar também essa calculadora de custo de produção da Aegro. Basta indicar seus custos com defensivos, fertilizantes, mão de obra, entre outros, e o cálculo é feito de forma automatizada. É simples e rápido. 

Vale lembrar que, se você possuir as informações de preços/custos referentes à sua cidade ou região, é sempre melhor usá-los no cálculo para dar detalhamento, desde que sejam de fontes confiáveis.

Custo de produção agrícola: Controle tudo pelo Aegro!

Conclusão

Como pudemos conferir ao longo do texto, o custo de produção do café não é um bicho de sete cabeças para se calcular. No entanto, algumas informações não podem faltar e muitas vezes passam despercebidas por nós.

É essencial considerar os custos relacionados à depreciação de maquinário e benfeitorias, além de impostos. Não precisamos saber os mínimos detalhes, mas entender o que são custos variáveis e fixos e como chegar ao custo total.

Neste artigo, mostramos algumas planilhas que podem ser utilizadas como modelo e uma calculadora gratuita para facilitar a vida.

De qualquer modo, mantenha sempre um histórico detalhado de suas compras para que possa calcular corretamente o seu custo de produção do café.

>>Leia mais:

“Todas as recomendações para o melhor plantio do café”

Restou alguma dúvida sobre o cálculo de custo de produção do café? Conte pra gente os comentários. Grande abraço e até a próxima.

O que você precisa saber para definir o melhor espaçamento para plantio de café

Espaçamento para plantio de café: entenda quais fatores considerar na hora de escolher o espaçamento do seu cafezal.  

Ao longo dos últimos anos, a cafeicultura nacional vem evoluindo, adotando novas práticas e, por consequência, produzindo mais.

Isso acontece porque passamos a entender melhor o sistema produtivo como um todo,  desde a população de plantas até o manejo. Em outras palavras, estamos cuidando melhor dos nossos pés de café.

Uma das mudanças que contribuíram de maneira mais significativa para essa evolução foi a mudança do espaçamento para o plantio do café. Pode parecer um detalhe apenas, mas isso contribuiu, e muito!

Separei algumas informações sobre o espaçamento do cafezal, como isso pode influenciar no dia a dia da propriedade e na produtividade da lavoura. Confira a seguir!

Espaçamento para plantio do café: um pouco de história 

Antigamente, media-se o espaçamento para plantio de café em palmos. Depois, adotaram-se os espaçamentos bem largos, de 3 m x 4 m, 4 m x 4 m e por aí vai, similar a um pomar de laranja. 

Eram poucas plantas por hectare, às vezes, mais de uma planta por cova.

foto em preto e branco de cafezal antigo com espaçamentos mais largos
Cafezal antigo com espaçamentos mais largos
(Fonte: IBGE cidades)

Aos poucos, foi adensado o cafezal e passou-se a produzir em renques (linhas de café). 

Isso gerou enormes ganhos na população de café por área plantada – passamos de menos de 1.000 planta/ha para 3.000 ou mais –  e, consequentemente, na produtividade do cafezal.

foto de cafezal plantado em renques, espaçamento atual - espaçamento para plantio de café
Cafezal plantado em renques, espaçamento atual
(Fonte: Valor Econômico)

Passamos a produzir menos por planta, mas mais por área. E isso foi uma grande vantagem, que culminou nos espaçamentos para plantio de café atuais. 

Mas você já se perguntou o que muda com um espaçamento mais ou menos adensado? Como a cultivar de café influencia nisso ou ainda as implicações no manejo?

Bem, é isso que pretendemos responder a seguir. 

O que considerar na escolha do espaçamento para plantio de café?

De forma resumida, é preciso ter em mente que quatro coisas andam juntas: o espaçamento, a população de plantas, a cultivar de café e a mecanização da lavoura. 

Esses pontos devem ser considerados e ponderados para que o espaçamento para  plantio de café seja o melhor possível para evitar problema indesejados ao longo da vida útil do cafezal.

População de plantas 

O espaçamento refere-se à distância entre plantas na linha e à distância entrelinhas (o tamanho da rua). Geralmente a distância das plantas na linha varia entre 50 cm e 1 metro; e de 1,5 m a 4 metros na entrelinha, de acordo com o sistema.

Isso dá uma variação entre 2.500 e 13.000 plantas por hectare!

O espaçamento para plantio de café define, portanto, a população de plantas da área e o adensamento do cafezal. 

Podemos classificar os sistemas quanto à população de plantas e adensamento da seguinte maneira:

  • tradicional: até 3.000 plantas/ha.
  • semiadensado: de 3.000 a 5.000 plantas/ha.
  • adensado: de 5.000 a 10.000 plantas/ha.
  • superadensado: até 10.000 a 20.000 plantas/ha.
  • hiperadensado: acima de 20.000 plantas/ha.

Sistemas mais adensados usam espaçamentos menores e tem maior população. Os menos adensados, espaçamentos maiores e menores populações.

Cabe lembrar que uma mesma população de plantas pode ser resultado de espaçamento diferentes. 

Para calcular a população de plantas a partir do espaçamento basta multiplicar a distância entre plantas na linha pela distância na entrelinha, tudo em metros. E dividir 10.0000 por esse valor. Por exemplo:

cálculo da população de plantas a partir do espaçamento, sendo espaçamento de 70 centímetros por 3,5 metros. 0,7 x 3,5 = 2,45
10.000/2,45 = 4081 plantas por hectare

Cultivar de café

Existem inúmeras cultivares de café disponíveis no mercado, já comentamos sobre a escolha delas em outro artigo aqui no blog da Aegro. Confira: “Variedades de café mais produtivas: como escolher a melhor para a sua propriedade”

Quanto a sua influência sobre o espaçamento, o mais importante é considerar o porte e vigor da cultivar.

Cultivares mais altas e vigorosas, como Mundo Novo, necessitam de maior espaçamento entre plantas na linha, acima de 70 cm.  Se usarmos espaçamentos menores, a tendência da planta é estiolar e ficar ainda mais alta. 

Isso aumenta a necessidade de podas para adequar a arquitetura da planta e também os riscos de quebra/tombamento com ventos. 

O problema é maior em regiões mais quentes onde a taxa de crescimento é mais elevada.

Cultivares de porte menor podem ser utilizadas em uma faixa mais ampla de espaçamentos entre plantas.

Mecanização da lavoura

Bem, para uma lavoura mecanizada, o espaçamento entrelinhas deve permitir o tráfego das máquinas

Deve-se considerar o diâmetro da copa da cultivar e o tamanho do trator e implementos. Nesses casos, geralmente adota-se algo entre 3 m e 4 m.

Por outro lado, em locais onde não é possível a mecanização e propriedades que colhem manualmente, talvez a melhor opção seja diminuir o espaçamento entrelinhas, adensando o cafezal e colhendo mais, na área. Nesse caso, o espaçamento seria 2 m a 2,5 m.

Esse maior adensamento aproveita melhor a área, aumenta a reciclagem de nutrientes, a produtividade e o retorno do capital investido é mais rápido.

Por outro lado, o investimento inicial é maior, os custos com colheita e podas também, além da maior incidência de doenças.

Espaçamento para plantio do café canephora 

O que conversamos até agora é válido para café arábica e canephora. Mas algumas particularidades do canephora devem ser ressaltadas.

Nas lavouras de café canephora, bons resultados têm sido obtidos com espaçamento de 3 m entrelinhas e 1 m a 1.2 m entre plantas, o que resulta em 2.700 a 3.300 planta/ha. Uma média de 3.000 plantas/ha, abaixo do utilizado para arábica.

Contudo, a planta de café canephora – robusta ou conilon – é multicaule, isso significa que mais de um ramo ortotrópico é conduzido por planta e isso contribui para a produtividade da lavoura. 

Por essa razão, definido o espaçamento ideal, é mais importante controlar a população de hastes ortotrópicas na área. Geralmente são 4 a 5 hastes por planta, resultando em uma população de 12 mil a 15 mil hastes/ha.

Em locais mais férteis e de alta tecnologia, pode-se aumentar a população de plantas e diminuir de hastes (3 a 4/planta) o que dá bons resultados e facilita o manejo, segundo a Incaper. 

Por outro lado, locais menos férteis podem trabalhar com populações de hastes mais altas, de 16 a 20 mil/ha.

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Conclusão

Como pudemos conferir ao longo do texto, o espaçamento para plantio de café não é uma simples receita de bolo a ser seguida em todas as situações. 

É preciso prestar atenção nos fatores que influenciam ou sofrem influência do espaçamento para escolher.

De antemão, o clima local, a declividade da área, bem como se a colheita é manual ou mecanizada podem determinar o espaçamento. Além disso, o porte da cultivar também deve ser considerado nessa hora.

O espaçamento define a população de plantas da área. E, adotando-se um espaçamento mais ou menos adensado, o manejo de podas, sanitário e até nutricional do cafezal será diferente e deve ser ajustado de acordo.

A determinação do espaçamento para plantio de café deve ser feita de maneira consciente, pois determinará grande parte do manejo ao longo da vida útil do cafezal. Fazendo da maneira correta, não teremos dor de cabeça!

>> Leia mais:

“10 dicas para melhorar a gestão de sua lavoura de café”

Como melhorar a plantabilidade e corrigir falhas e duplas na lavoura”

“Broca-do-café: veja as principais alternativas de controle”

E você, o que achou do texto? Restou alguma dúvida sobre espaçamento para plantio do café? Conte para gente nos comentários. Grande abraço e até a próxima!

Como evitar e controlar a mancha de Phoma no cafeeiro

Mancha de Phoma no cafeeiro: entenda as condições para ocorrência e os principais cuidados para prevenção e controle.

Inúmeras doenças podem ocorrer em diferentes estágios da lavoura de café. Não é fácil!

Além da conhecida ferrugem, temos algumas doenças que podem causar danos na flora do cafeeiro, dentre elas, a mancha de Phoma. 

A mancha de Phoma é uma das principais doenças que atacam a florada do café, mas seu monitoramento e controle deve começar ainda antes desse período.

Separei alguns pontos importantes para entender essa doença e o que fazer para prevenir e controlá-la. Confira a seguir!

Doenças da florada do café

Antes de falar da mancha de Phoma no cafeeiro propriamente dita, é importante relembrar que existem diversas doenças que podem acometer o cafeeiro durante seu ciclo produtivo, como mostra a figura abaixo.

Se repararmos bem nessa figura, podemos observar que as principais doenças que acometem o cafeeiro durante o período da florada são a mancha de Phoma e a mancha aureolada. 

Embora o assunto desse artigo seja a mancha de Phoma, é importante destacar que essas duas doenças geralmente ocorrem ao mesmo tempo no cafeeiro. 

A mancha de Phoma no cafeeiro

O primeiro registro da mancha de Phoma no Brasil se deu nos anos 70. Desde então, ela foi disseminada pelas principais regiões produtoras do país. A doença é causada pelos fungos do gênero Phoma spp., daí vem seu nome. 

Esses fungos penetram nas folhas, frutos e brotações do café, infeccionando-os. E isso pode ser facilitado por lesões mecânicas pré-existentes, como as que a colheita mecanizada pode ocasionar. 

Condições ambientais favoráveis

A mancha de Phoma é disseminada por respingos de chuva/irrigação e é favorecida por temperaturas amenas e alta umidade. Portanto, regiões mais altas e amenas apresentam mais problemas.

Isso não significa dizer que a doença não pode ocorrer em situações de baixa altitude, já que, se as condições favoráveis ocorrerem, a doença pode se manifestar. Mas que condições são essas?

  • Temperaturas próximas a 18℃;
  • Alta umidade;
  • Ventos frios.

Períodos prolongados com essas condições, associados ao ataque de pragas e danos de geada podem favorecer a ocorrência da Phoma, mesmo em locais mais baixos ou até em viveiros.

Sintomas da mancha de Phoma

São vários órgãos atacados e sintomas distintos provocados pela Phoma, já que ela pode atacar folhas, ramos e frutos. 

Nas folhas mais novas, observa-se geralmente manchas escuras e circulares, que se expandem e tomam a folhas, encurvando-a. 

Sintomas de mancha de Phoma em folhas
Sintomas de mancha de Phoma em folhas
(Fonte: Vicente Luiz de Carvalho/Epamig)

A mancha de Phoma também pode causar danos aos botões florais, morte ascendente dos ramos produtivos (die-back) e a mumificação dos chumbinhos no pós-florada. 

Seca dos ponteiros por mancha de Phoma
Seca dos ponteiros por mancha de Phoma
(Fonte: Agrolink)
Mumificação dos chumbinhos
Mumificação dos chumbinhos
(Fonte: Vicente Luiz de Carvalho/Epamig)

Portanto, a mancha de Phoma pode impactar diretamente na produção do cafeeiro, matando o crescimento vegetativo e também as flores e os frutinhos já formados.

Formas de controle da mancha de Phoma no cafeeiro

Geralmente, é utilizado o controle químico preventivo, mas existe a possibilidade de se realizar o controle cultural da Phoma. 

Cabe destacar também que  uma nutrição correta e bem dimensionada, além do controle de pragas, são práticas fundamentais para a resiliência de qualquer lavoura. 

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Controle cultural

Como vimos anteriormente no artigo, ventos frios podem favorecer a ocorrência de Phoma. Por isso, o uso de quebra-ventos pode ser uma maneira de prevenir que isso ocorra.

Além disso, em áreas com condições favoráveis, espaçamentos mais adensados vão contribuir para o agravamento do problema. Melhor será utilizar espaçamentos maiores.

Controle químico

Em áreas onde as condições são favoráveis para o desenvolvimento da mancha de Phoma, o controle químico deve ser feito de forma preventiva, iniciando no outono-inverno, visando a pré-florada.

O controle deve seguir até a fase de chumbinho, já que o cafeeiro apresenta várias floradas. Isso garante uma boa proteção no pós-florada. 

Qual produto utilizar?

No caso da Phoma, o ingrediente ativo mais utilizado é a Boscalida, do grupo das carboxamidas, na dose recomendada em bula. Mas existem outros ingredientes ativos disponíveis:

  • triazóis: difenoconazol, epoxiconazol, flutriafol, triadimenol, ciproconazol, propiconazol, fluquinconazol, etc.
  • dicarboxamidas: iprodione.

Essa variedade, permite o uso de diferentes produtos e isso é importante, pois pode ser que existam focos de ferrugem (Hemileia vastatrix) e mancha aureolada na lavoura

Assim, se faz necessário utilizar outros fungicidas, como misturas de estrobilurinas, triazóis e/ou carboxamidas para a ferrugem; e adição de cúpricos para a mancha aureolada.

Como aplicar?

Geralmente, 4 a 5 aplicações são realizadas. Mas a frequência de aplicações depende de monitoramento, do residual do fungicida e das condições de cada lavoura.

Aplicações com as flores presentes podem atrapalhar atingir o alvo adequadamente. Por essa razão, as aplicações pré e pós-florada (quando as pétalas já caíram) são capazes de atingir e proteger os botões florais e os chumbinhos mais facilmente.

É preciso evitar a aplicação com as flores presentes, pois as pétalas impedem que o fungicida atinja o alvo adequadamente.

Conclusão

Como pudemos acompanhar ao longo do texto, a mancha de Phoma é causada por um grupo de fungos que leva esse mesmo nome e está presente nas principais regiões produtoras de café do Brasil.

Esses fungos são favorecidos por temperaturas amenas e umidade relativa alta, portanto, ocorrem em maior frequência em plantios adensados e plantios em altitudes mais elevadas. 

Os sintomas se apresentam em folhas novas, ramos, flores e frutos e podem afetar a produtividade da lavoura de café.  

Como controle, temos que começar já no planejamento do plantio de café, incluindo quebra ventos e evitando lavouras mais adensadas nas regiões com condições predominantemente favoráveis. 

Além disso, o controle químico deve iniciar antes mesmo da florada, no outono-inverno e continuar até a fase de chumbinho, já no pós-florada. 

>> Leia mais:

“Colheita do café: evite perdas e mantenha a qualidade com estas 7 dicas”

“Tudo o que você precisa saber sobre a mancha de mirotécio no café”

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Como reduzir os impactos da seca no plantio de café

Impactos da seca no plantio de café: entenda como a seca afeta o cafeeiro e quais atitudes podem contornar essa situação.

Historicamente, a cafeicultura brasileira sofre com episódios de seca severa. Isso vem se agravando dada a expansão dos cultivos para áreas marginais e as mudanças climáticas que acontecem no planeta.

A seca e as temperaturas inadequadas são as principais limitações climáticas da produção de café. Geralmente, elas andam de mãos dadas, o que agrava ainda mais seus impactos negativos.

Os impactos da seca no café podem ser mais ou menos severos dependendo do tipo de solo, sistema de cultivo, espécie, variedade e estágio da produção de café.

Separei algumas dicas sobre os impactos da seca na produção cafeeira, o que podemos esperar nos próximos anos e medidas para lidar com esse problema. Confira!

Impactos da seca sobre as espécies de café

Antes de falarmos sobre os impactos da seca sobre o café, precisamos entender um pouco sobre o ambiente de origem do cafeeiro e como ele molda as respostas das plantas às adversidades climáticas.

O ambiente de origem do cafeeiro

A produção mundial e brasileira de café é baseada em duas espécies: café arábica (Coffea arabica L.) e canephora (C. canephora Pierre). Contudo, essas espécies têm ambientes de origem distintos.

O café arábica tem origem na Etiópia, em condições de temperatura mais amena e altitude superior a 1.600 m. 

O canephora, por outro lado, vem de regiões equatoriais bacia do Rio Congo, mais quentes e com ar saturado de umidade

Mas, por que isso é importante para o manejo nos dias atuais?

Embora o melhoramento genético de café tenha possibilitado a produção de café a pleno sol e em áreas marginais, é certo que as condições em que a planta evoluiu têm influência direta sobre seu comportamento frente a estresses como a seca.

Dada a grande disponibilidade de água em sua origem, o cafeeiro não desenvolveu mecanismos robustos para lidar com déficit hídrico. Isso significa dizer que os cafeeiros, de modo geral, não lidam bem com o déficit hídrico.

Existe variabilidade entre variedades quanto à tolerância à seca, mas dificilmente a produção não é afetada. Ressalta-se que o impacto negativo da falta de água pode variar com as cultivares, estádio fenológico e as condições do local de produção.

Impactos da seca sobre o café

No ambiente tropical, a seca é agravada por altas temperaturas e alta incidência de radiação solar. Dependendo do tipo de solo, haverá mais ou menos água armazenada também.

Fato é, que quanto mais tempo durar o déficit hídrico e menos água armazenada o solo tiver, maiores serão os danos. Dependendo da fase de desenvolvimento da cultura, os danos podem ser piores.

Os impactos da seca sobre o plantio do café são grandes, já que podem levar as mudas recém-plantadas à morte. 

As lavouras em formação, embora maiores e mais resistentes, podem sofrer com desfolha, seca de ramos e até morte de plantas.

Já em lavouras em produção, dependendo do estádio fenológico (ilustrados na figura abaixo), os danos podem ser distintos. 

Esquematização das seis fases fenológicas do cafeeiro arábica, durante 24 meses, nas condições climáticas tropicais do Brasil.
Esquematização das seis fases fenológicas do cafeeiro arábica, durante 24 meses, nas condições climáticas tropicais do Brasil.
(Fonte: Camargo & Camargo, 2001)

A seca na fase vegetativa pode comprometer a produção da safra seguinte e a atual, dependendo da severidade, perdendo folhas e ramos.

Embora um período de déficit moderado seja importante para maturação das gemas florais, uma seca severa pode abortar/secar as gemas e as flores, comprometendo a produção que viria. 

Na fase de chumbinho, o pegamento pode ser reduzido e os grãos podem ser pequenos e chochos caso a seca venha na fase de enchimento de grãos. 

Medidas para minimizar os efeitos da seca

Existem medidas que podem minimizar os efeitos da seca. Sua efetividade depende do momento de uso da técnica, mas principalmente da severidade dos danos já causados pela seca.

Irrigação

Quando o assunto é seca, com certeza a primeira coisa que vem à cabeça para resolver o problema é irrigação, não é mesmo?

Pois bem. É claro que a irrigação é uma medida para conviver com a seca, que permite o fornecimento de água na quantidade certa e na época correta para o cafeeiro. 

Contudo, nem sempre é possível instalar um sistema de irrigação, dada a indisponibilidade de fontes de água no local ou o alto custo envolvido. 

Existem medidas que devem ser tomadas antes mesmo de se pensar em irrigar e que podem beneficiar todos os sistemas de produção, sejam eles de sequeiro ou irrigados. 

Preparo profundo de solo

Enquanto as camadas mais superficiais do solo podem estar secas, o subsolo pode representar um reservatório de água ainda disponível. Para que essa água seja acessada, é necessário que as raízes do cafeeiro cheguem até essas camadas mais profundas

No entanto, as recomendações de correção e adubação são focadas nas camadas mais superficiais do solo e as camadas mais profundas podem apresentar limitações químicas e físicas ao desenvolvimento de raízes.

Uma solução possível seria o preparo profundo de solo na hora do plantio do café. Esse assunto foi abordado em mais detalhes no nosso artigo sobre o plantio do café. Dê uma conferida lá, pois vale a pena!

Uso de culturas intercalares e arborização

Como geralmente as entrelinhas do café ficam expostas ao sol, a perda de água por  evaporação é alta. 

Uma maneira de evitar essa perda, aumentar a infiltração de água e manter mais água disponível no solo é o uso de culturas intercalares. 

Nesse aspecto, é preferível utilizar culturas perenes, com sistema radicular vigoroso e boa produção de biomassa, mas que ao mesmo tempo sejam de fácil manejo e não atrapalhem o cafeeiro se bem manejadas. 

Nesse quesito, as braquiárias são campeãs.

Há ainda a possibilidade de produzir café sombreado, sistema no qual o cafeeiro está submetido a condições mais similares a de seu ambiente de origem e, portanto, sofre menos estresses. 

A arborização pode ser benéfica principalmente em áreas marginais à produção. Contudo, sua adoção deve considerar outros critérios para ser viável. Falamos com mais detalhes sobre isso no nosso texto sobre o plantio do café também.

Café e mudanças climáticas: o que o futuro nos reserva?

Considerando as previsões científicas quanto ao aquecimento global, o cenário não era muito agradável para a produção de café. 

Contudo, em recente revisão publicada pelo professor Fabio DaMatta e colaboradores, o cenário apresentado parece mais otimista. 

Os dados mostram que o CO2 elevado pode ajudar a reduzir os efeitos negativos das elevadas temperaturas e estresse hídrico sobre a produtividade do cafeeiro.

Entretanto, as incertezas do clima, a possibilidade de maior ocorrência de eventos extremos (tempestades, altas temperaturas, etc.) e a interação disso com pragas, doenças e genótipos de café tornam qualquer previsão complicada e mais estudos são necessários sobre o assunto.

De qualquer maneira, fica o registro do que se tem de recente na literatura científica e sobre a necessidade de pesquisas futuras quanto à produtividade e qualidade de café no contexto de mudanças climáticas.

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Conclusão

Como pudemos acompanhar no texto, os cafeeiros arábica e canephora podem sofrer impactos negativos com a seca, principalmente em regiões marginais, onde as condições são naturalmente mais estressantes à planta de café.

Dependendo da severidade da seca, duração e do estádio fenológico no qual a planta se encontra, a produção atual e a da safra seguinte podem ser comprometidas.

Além da irrigação, existem medidas que podem ajudar a reduzir os impactos negativos da seca e tornar o sistema de produção mais resiliente. 

Entre essas medidas destacam-se o preparo profundo de solo, o uso de culturas de cobertura nas entrelinhas dos cafezais e em alguns casos, a adoção da produção arborizada.

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“Tudo o que você precisa saber sobre a produção de cafés especiais”

“Acerte no adubo líquido para café e não jogue dinheiro fora”

“Como estimar o custo de produção do café (+ calculadora rápida)”

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Principais doenças do café: como identificar os sintomas e fazer o melhor manejo

Atualizado em 19 de julho de 2021.
Doenças do café: conheça melhor os danos e como controlar a ferrugem, manchas, cercosporiose, seca dos ponteiros e nematoides de galhas

Várias doenças afetam a cafeicultura. Muitas delas causam danos sérios, reduzindo ou anulando a produtividade do cafezal se mal controladas.

Um bom manejo passa, primeiramente, pelo conhecimento dos sintomas que elas provocam nas plantas e das condições que as favorecem. Assim, você pode estabelecer os métodos de controle viáveis.

Conheça as principais doenças do café, o que observar na lavoura e como fazer um controle mais eficiente. Confira!

O que favorece a ocorrência das doenças do café?

Quando se fala em doenças, um conceito é fundamental: o do triângulo da doença. 

Esse conceito mostra que para a ocorrência de determinada doença é necessário que se tenha:

  • ambiente favorável a seu desenvolvimento; 
  • hospedeiros para o agente causal; 
  • patógeno, o responsável por causar aquela doença.

Há oportunidades de manejar os três lados desse triângulo.

Você pode alterar o ambiente escolhendo o local de plantio, os sistemas de cultivo (sombreado ou pleno sol), o espaçamento da lavoura e o manejo. 

Com isso, você altera principalmente a umidade, a temperatura, luminosidade e estado nutricional da planta.

Quanto ao hospedeiro, é possível manejar a escolha de variedades resistentes a determinadas doenças, a remoção de restos culturais e controle de invasoras que possam ser hospedeiras.

Com relação ao patógeno, você pode utilizar métodos de controle – como os defensivos agrícolas – que atuam na redução de sua população. É o controle químico, propriamente dito.

Conhecer como atuar no sistema é importante no controle de doenças do cafeeiro, como você verá a seguir.

Principais doenças do café

A importância das doenças do café pode variar de região para região, bem como a época de sua ocorrência devido às variações nas condições ambientais.

Por isso, existem inúmeras doenças que podem causar problemas. As principais são:

A ocorrência de determinadas doenças do café se relaciona com determinadas épocas do ano ou estádio fenológico do cafeeiro, pois coincide com as condições ambientais que a favorecem.

Ferrugem do cafeeiro (Hemileia vastatrix Berk. & Br)

A ferrugem do cafeeiro é favorecida por condições de:

  • alta umidade relativa;
  • temperaturas entre 20 ℃ e 24 ℃;
  • baixa luminosidade;
  • desbalanços nutricionais.

Ela causa desfolha da planta e até seca de ramos, comprometendo a produção. O monitoramento da ferrugem é feito com a coleta de 100 folhas do terço médio para cada talhão. 

Comumente, são utilizados agentes químicos para o controle de ferrugem. 

Eles podem ser aplicados de forma preventiva durante o período chuvoso ou quando constatada a doença e os danos atingirem o nível de dano econômico. Nesse caso, 5% das folhas infectadas.

Detalhe numa folha do sintoma de ferrugem do cafeeiro
Detalhe do sintoma de ferrugem do cafeeiro
(Fonte: Agrolink)

Uma alternativa para evitar os danos por ferrugem é o uso de variedades resistentes, como exemplifica a tabela abaixo. Além disso, espaçamentos maiores e nutrição adequada desfavorecem a ferrugem.

Mancha de phoma ou de ascochyta (Phoma spp.)

Também conhecida por requeima, a mancha de phoma é uma doença causada por algumas espécies de fungo do gênero Phoma

As espécies de maior importância para a cultura do café são: Phoma tarda e Phoma costarricensis.

A doença tem maior incidência em regiões com ventos fortes e altitude elevada (acima de 1000 m), alta umidade e temperaturas próximas a 20 ºC.

O florescimento do cafezal é o período mais suscetível para a ocorrência da doença.  

Os sintomas são observados em toda parte aérea da planta. São visíveis primeiro nas folhas mais novas. 

A doença causa desfolha da planta e seca dos ramos. Além disso, a mancha de phoma causa deformações e lesões necróticas nas folhas, flores e frutos.

A mancha de phoma provoca a morte de brotações novas, botões florais e a mumificação dos chumbinhos. Isso compromete diretamente a produtividade.

O controle da doença envolve a adoção de práticas culturais e o controle químico

Algumas medidas podem ser adotadas no manejo da mancha de phoma no cafeeiro:

  • uso de mudas certificadas;
  • maior espaçamento de plantio;
  • adubação balanceada;
  • instalação de quebra-ventos.
Sintomas de mancha de phoma em ramos e frutos de café (imagens A e B) e nas folhas (imagens C e D)
Sintomas de mancha de phoma em ramos e frutos de café (A e B) e nas folhas (C e D)
(Fonte: Revista Cafeicultura)

Mancha aureolada do cafeeiro (Pseudomonas syringae pv. garcae)

A doença mancha aureolada do cafeeiro também é conhecida por crestamento bacteriano ou mancha bacteriana. 

O patógeno da doença é a bactéria Pseudomonas syringae pv. garcae

A doença tem maior ocorrência em lavouras:

  • com até 4 anos de idade;
  • instaladas em áreas de elevada altitude;
  • sujeitas a ventos frios;
  • temperaturas amenas e alta umidade. 

Nas folhas, os sintomas são manchas necróticas que podem ou não serem circundadas por um halo amarelado. Ramos, flores e frutos também apresentam lesões necróticas. 

A mancha aureolada causa a queda de flores e frutos. Em estado avançado, a doença pode levar à desfolha, além de comprometer a produção.

O manejo da mancha aureolada no café consiste na aplicação de fungicidas cúpricos, no plantio de mudas sadias e na instalação de quebra-ventos.

primeira imagem com lesões de mancha aureolada em folhas de café; segunda imagem com ramo de café atacado pela mancha aureolada e terceira imagem com lavoura em primeira produção com incidência de mancha aureolada em ramos novos
Lesões de mancha aureolada em folhas de café (a); ramo de café atacado pela mancha aureolada (b) e lavoura em primeira produção com incidência de mancha aureolada em ramos novos (c).
(Fonte: Revista Visão Agrícola)

Mancha anular do cafeeiro (Coffee ringspot virus – CoRSV)

A mancha anular do cafeeiro é uma doença causada pelo vírus CoRSV. Ela pode se desenvolver em qualquer fase fenológica da cultura.

A transmissão e disseminação do vírus é feita pelo ácaro plano Brevipalpus phoenicis. Esse ácaro também é o vetor da doença conhecida como leprose nas culturas de citros.

Os sintomas da mancha anular são visíveis nas folhas e frutos do café

Nas folhas, os sintomas são manchas cloróticas circulares com a presença de anéis concêntricos.

Os sintomas são observados tanto em frutos verdes quanto maduros. Frutos maduros afetados pelo vírus apresentam manchas amareladas em baixo relevo.

Plantas infectadas podem apresentar desfolha, queda e maturação irregular dos frutos. A desfolha tem a característica de acontecer de dentro para fora, conferindo uma aparência oca à copa da planta

Como o vetor da doença é um ácaro, a principal medida de controle é o manejo com o uso de acaricidas.

primeira imagem com frutos sadios de café; outras imagens com sintomas de mancha anular: depressão na casca e maturação irregular dos frutos
Frutos sadios de café (a); sintomas de mancha anular: depressão na casca e maturação irregular dos frutos (b,c,d)
(Fonte: Boari, A. de J.; Embrapa Amazônia Oriental)

Cercosporiose (Cercospora coffeicola)

Também conhecida como mancha-olho-de-pomba, a cercosporiose é favorecida por condições quentes, úmidas e situações de déficit hídrico e/ou nutricional.

Os danos são causados em mudas e plantas adultas. Vão desde a desfolha da planta até danos diretos aos frutos. É potencializada por desbalanços nutricionais e alta carga de frutos.

Danos por cercosporiose nas folhas de café
Danos por cercosporiose nas folhas de café
(Fonte: Coopercam)
doença Cercosporiose em frutos
Cercosporiose em frutos
(Fonte: Vicente Luiz de Carvalho/Epamig)

O controle se dá pelo manejo de irrigação e aplicação de fungicidas via foliar, com acompanhamento visual dos sintomas. 

Além disso, adubações adequadas em nitrogênio e boa aclimatação das mudas antes do plantio ajudam a evitar essa doença. 

A planilha abaixo pode te ajudar a realizar uma boa adubação de café. Baixe gratuitamente clicando na imagem!

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Seca dos ponteiros

A seca dos ponteiros é causada por um complexo de agentes como Colletotrichum spp.; Phoma spp., Hemileia spp., Cercospora spp., Ascochyta spp.  

O ataque é fruto de desbalanceamento nutricional e condições úmidas. Pode causar perda de produção, pois causa a morte dos ramos.

Recomenda-se o manejo com fungicidas cúpricos, logo após a colheita em áreas com histórico da doença. Quebra-ventos e nutrição equilibrada ajudam a reduzir os problemas também.

Confira mais informações no vídeo:

Seca de Ponteiros | No Pé do Café

Nematoides das galhas (Meloidogyne spp.)

O gênero de nematoides com maior importância econômica para a cultura do café é o Meloidogyne.

Três espécies de nematoides das galhas se destacam pela patogenicidade e ocorrência nas áreas produtoras de café: 

  • Meloidogyne exigua;
  • Meloidogyne incognita;
  • Meloidogyne paranaensis. 

Na tabela abaixo, você pode conferir a distribuição geográfica das principais espécies de Meloidogyne que causam prejuízos às lavouras de café no Brasil.

tabela com principais espécies de Meloidogyne associadas ao cafeeiro no Brasil e sua distribuição geográfica
Principais espécies de Meloidogyne associadas ao cafeeiro no Brasil e sua distribuição geográfica
(Fonte: Boletim Técnico – Nematoides Parasitos do Cafeeiro

 A ocorrência dos nematoides de galhas é maior em solos arenosos e com pouca matéria orgânica.

Esses nematoides causam a formação de galhas no sistema radicular das plantas. Isso prejudica a absorção de água e nutrientes

Dependendo do nível de infestação e da susceptibilidade da cultivar, pode haver clorose, murcha e queda das folhas. Em casos de severas infestações, as plantas podem morrer.

Os sintomas do ataque por nematoides são mais evidentes em períodos de seca.

tabela de espécies de Meloidoginoses em cafeeiros no Brasil
Meloidoginoses em cafeeiros no Brasil
(Fonte: Boletim Técnico – Nematoides Parasitos do Cafeeiro)

O ideal é evitar a entrada dos nematoides na área. Para isso é essencial usar mudas de café certificadas e também limpar o maquinário agrícola ao mudar de talhão. 

Dessa forma, você evita que torrões de solo contaminados entrem em áreas isentas.

Em áreas em que os nematoides já são um problema fitossanitário, o manejo é realizado pela aplicação de nematicidas químicos e pelo plantio de cultivares de café resistentes.

Importante ressaltar que o controle de nematoides é difícil e caro. É fundamental adotar um conjunto de práticas de manejo, visando a reduzir o nível populacional de nematoides na área

Conclusão

Várias doenças podem afetar a produção de café. Para manejá-las é fundamental conhecer cada uma delas, seus sintomas, quando ocorrem normalmente e as condições que as favorecem. 

Um bom manejo das doenças do café começa pelo monitoramento, para que se possa agir na hora certa. Existem vários métodos para manejo, embora o mais comumente aplicado seja o químico.

Além disso, a prevenção ainda é o melhor remédio. Portanto, evitar condições favoráveis aos patógenos, quando possível, é sempre uma boa estratégia. 

E, na possibilidade de utilizar variedades resistentes – como no caso da ferrugem -, opte por isso.

Assim, aliando diversas técnicas de manejo, é possível tornar o sistema produtivo mais resiliente e sustentável.

>> Leia mais:

Tudo o que você precisa saber sobre a mancha de mirotécio no café

“Como o uso de drones na pulverização do cafeeiro pode trazer economia e eficiência nas aplicações”

E você, conhecia as principais doenças do café? Já precisou lidar com alguma delas? Adoraria ler sua experiência aqui nos comentários!

redatora Tatiza Barcellos

Atualizado em 19 de julho de 2021 por Tatiza Barcellos.
Engenheira-agrônoma e mestra em agronomia, com ênfase em produção vegetal, pela Universidade Federal de Goiás.

3 dicas para ter mais eficiência na colheita do feijão mecanizada

Colheita do feijão: entenda os principais passos para garantir uma colheita mais eficiente.

Existem diversas cultivares de feijão e cada região do país tem o seu preferido para colocar em cima do arroz… ou embaixo… (não vou entrar nessa discussão!).

Para chegar até a mesa do brasileiro, a colheita do feijão é um ponto crítico, tanto em termos de custo, como de eficiência do processo, pois determinadas características do feijoeiro podem dificultar o processo.

Separamos algumas dicas e pontos que devemos levar em conta para tornar a colheita do feijão mais eficiente e lucrativa. Confira comigo!

A planta de feijão e os tipos de colheita

A colheita de feijão pode ser realizada de três maneiras:

  •  colheita manual, onde se faz o arranquio, trilha e abanação das plantas manualmente, tornando o processo custoso e de baixa eficiência. 
  • sistema semimecanizado, o mais utilizado, emprega arranquio manual, mas a trilha e abanação são mecanizadas.
  • colheita mecanizada, em que todos os processos são feitos com máquinas.

O foco do texto será a colheita mecanizada, dada a maior eficiência e a dificuldade de se encontrar mão de obra para as operações manuais. 

A colheita mecanizada pode ser dividida em colheita indireta – onde são utilizadas uma máquina para arranquio e enleiramento, e outra para trilha, abanação e ensacamento; e direta – onde todas as operações são realizadas por uma única máquina, como ocorre com milho e soja, por exemplo. 

Contudo, algumas características da planta de feijão dificultam a adoção da colheita direta e o desenvolvimento de máquinas para este fim. 

O terreno também deve ser regular para que na hora da colheita não se “colha” solo junto e se perca qualidade.

Colheita do feijão: 3 dicas para ter mais eficiência 

1. Colha no ponto certo

A época ideal de colheita do feijão é logo após a maturidade fisiológica, estádio R9, como exemplifica a figura abaixo. 

Em termos práticos, um indicador de que se atingiu esse ponto é a mudança de coloração das vagens do feijão de verde para “cor de palha”.

infográfico com Fenologia do feijoeiro

Fenologia do feijoeiro
(Fonte: Coopertradição)

Pensando na produção de sementes, esse é o ponto de máxima qualidade fisiológica da semente, com máximo vigor e germinação. 

Passado esse ponto, maiores são os riscos de perdas de grãos e qualidade, além do ataque de pragas no grão como o caruncho.

A umidade das sementes deve estar em torno de 15% para colheita para evitar danos no processo e perdas após a colheita.

Para garantir a uniformidade das plantas na colheita é possível fazer o uso de dessecantes, já que muitas vezes a maturação é desuniforme. Isso também reduz as daninhas que infestam a área no momento da colheita. Outra opção é escolher cultivares mais uniformes para o plantio

As condições da lavoura e do ambiente no momento da colheita do feijão são críticas para a eficiência e os resultados do processo. 

Chuvas em excesso próximas à colheita são problemáticas para a entrada na área com o maquinário, mas também podem proporcionar que as sementes germinem ainda no pé.

2. Maquinário para colheita do feijão

No mercado, existem máquinas para a colheita de feijão de forma indireta e direta. Dada as dificuldades da realização da colheita direta, existem mais opções para colheita indireta. 

Como ocorre para milho e soja, por exemplo, uma única operação mecânica facilita o processo e reduz os gastos com a operação de colheita. Essa é uma das razões pela qual a colheita direta seria preferível.

fotos de ceifadora e enleiradora de feijão/recolhedora trilhadora para colheita indireta de feijão.

Ceifadora e enleiradora de feijão/recolhedora trilhadora para colheita indireta de feijão
(Fonte: Miac)

foto de Colhedora de feijão vermelha (colheita direta)

Colhedora de feijão (colheita direta)
(Fonte: Miack)

Para viabilizar a colheita mecânica direta é necessário escolher cultivares mais adequadas a este fim.

Aqui no blog nós já falamos em detalhes sobre “Como escolher a colheitadeira ideal para a sua lavoura”. Confira!

Manutenção de máquinas

Uma boa colheita do feijão passa primeiramente por um maquinário bem regulado e funcionando corretamente. O melhor funcionamento das máquinas precisa de manutenção constante e preventiva.

Não deixe para hora da colheita para arrumar, trocar as peças… você pode ficar na mão.

É claro que o dia a dia na propriedade rural é atarefado e temos que dar conta de várias tarefas. Por isso, devemos aproveitar quando as coisas estão mais tranquilas para cuidar dessas manutenções e do planejamento para a próxima safra.

Uma boa época para se fazer isso é na entressafra, onde há mais tempo disponível para essas atividades. Com isso, estaremos preparados para a hora em que o plantio e colheita chegarem. 

3. Escolha corretamente a cultivar/variedade 

Para viabilizar a colheita mecanizada é necessário considerar o hábito de crescimento ou arquitetura de planta. Isso porque as plantas que possuem arquitetura prostrada e vagens mais próximas ao solo inviabilizam a colheita direta, sendo necessárias duas operações. 

É importante considerar cultivares cuja altura de inserção da primeira vagem seja mais distante do solo e com maturação uniforme, reduzindo assim perdas de colheita e de qualidade.

A Embrapa Arroz e Feijão traz essas informações nos catálogos de cultivares de feijão, além de potencial produtivo, tamanho do ciclo e resistência a doenças, como mostra a figura abaixo.

Descrição das características de cultivar de feijão indicando a aptidão para cada tipo de colheita

Descrição das características de cultivar de feijão indicando a aptidão para cada tipo de colheita
(Fonte: Embrapa Arroz e Feijão)

Desse modo, é de extrema importância considerar a arquitetura da planta de feijão para se obter melhores resultados com a colheita mecanizada, especialmente se o objetivo for realizá-la em uma única operação. 

planilha para estimativa de perdas na colheita Aegro

Conclusão

Como pudemos acompanhar durante o texto, a colheita do feijão é um dos gargalos desse sistema produtivo. 

Dentre as possibilidades de colheita mecanizada do feijão, existe a colheita direta e a indireta.

Diferente de outras culturas, a colheita mecanizada do feijão é dificultada por aspectos da morfologia da própria planta, que dificulta o acesso às vagens e possibilita perdas de qualidade e de grãos.

Portanto, para se obter os melhores resultados na colheita do feijão é necessário escolher a cultivar adequada, colher no ponto certo e nas condições adequadas.

>> Leia mais: “Previsão para o preço do feijão: saiba quais são as expectativas

Qual a sua principal dificuldade na colheita do feijão? Conte nos comentários abaixo. Grande abraço!

O que são fungicida sistêmico e de contato e qual utilizar?

Fungicida sistêmico: confira quais as diferenças entre os principais grupos de fungicidas, sua ação e em qual situação cada um deve ser utilizado 

Você sabia que há mais de 2.000 anos já se usavam produtos naturais como fungicidas!? Pois é! Os fungos já dão dor de cabeça ao produtor há muito tempo!

Mas, nesse tempo todo, fungicidas foram evoluindo – e os problemas com fungos também. Desde o uso da calda bordalesa, lá em 1.885, até o surgimento dos primeiros fungicidas sistêmicos no pós-guerra, muita coisa mudou.

Existem fungicidas sistêmicos, de contato, protetores, curativos e por aí vai. Mas será que são todos a mesma coisa e podem ser aplicados para as mesmas doenças?

Separei algumas dicas sobre fungicidas sistêmicos e fungicidas de contato, sobre como eles agem e em que situação devem ser aplicados. Acompanhe!

Como são classificados os fungicidas?

Antes de entrarmos no assunto de fungicidas sistêmicos e de contato, é preciso entender melhor a classificação dos fungicidas para evitar confusão nos nomes e entender por que é melhor utilizar determinado fungicida.

A divisão entre fungicidas sistêmicos e fungicidas de contato é relativa à mobilidade deles na planta. Os sistêmicos são considerados móveis. Já os de contato, imóveis.

Mas os fungicidas também podem ser classificados pelo seu princípio de controle, alvo biológico e modo de ação. Como veremos a seguir, a mobilidade pode interferir nesses outros aspectos. 

Princípio de controle

Essa classificação diz respeito a como o fungicida atua na planta. Nesse sentido, eles podem ser:

  • Protetores: são fungicidas que impedem a penetração do fungo na planta;
  • Curativos: atuam após a penetração do fungo, ou seja, após a infecção ter ocorrido, mas com sintomas ainda não visíveis;
  • Erradicantes: quando já existem sintomas os fungicidas erradicantes seriam os mais indicados, eliminado o inóculo culo (na lesão, nas sementes ou no solo).
infográfico com princípios de controle de fungicidas e fases da infecção por fungos - fungicida sistêmico

Princípios de controle de fungicidas e fases da infecção por fungos
(Fonte: Menten & Banzato, 2016)

Espectro ou alvo biológico

Nesse caso, os fungicidas podem ser uni-sítio (sítio específico) ou multissítio. Em outras palavras, os fungicidas podem atuar em um único ponto ou em vários pontos da via metabólica dos fungos.

Modo de ação

O modo de ação dos fungicidas refere-se ao processo metabólico do fungo no qual o composto químico irá atuar, por exemplo, respiração celular, síntese de substâncias, inibição de enzimas, etc.

Nesse caso, o modo de ação dos fungicidas e os respectivos grupos químicos podem ser divididos como:

  • alteração em processos do núcleo celular (Benzimidazóis e Acilalanina)
  • alterações nas funções da membrana celular (Triazóis e Morfolinas)
  • inibição da respiração – complexos 3 e 2 (Estrobilurinas e Carboxamidas)
  • alterações nas funções da parede celular (Dimetomorfe)

O que são fungicidas sistêmicos?

Fungicidas sistêmicos são móveis na planta, ou seja, eles são absorvidos no local de aplicação, mas podem ser translocados pela planta. 

A absorção se dá pelas raízes ou através da cutícula da planta, quando aplicado via foliar. Sua translocação acontece pelos vasos condutores da planta,  preferencialmente via xilema, mas alguns se movem pelo floema. 

Fungicidas sistêmicos têm grande capacidade de penetração e translocação e podem ser  imunizantes, protetivos, curativos ou erradicantes. Ou seja, têm uma amplitude maior de usos em relação aos de contato.

Contudo, a eficácia depende da aplicação no início da infecção ou de forma preventiva. Aplicações tardias têm pouca efetividade.

Os principais fungicidas sistêmicos são os benzimidazóis, carboxamidas, triazois, imidazóis, morfolinas e algumas estrobilurinas. Porém, existem diferentes graus de mobilidade/sistemicidade dentro dos fungicidas sistêmicos, como ilustram as imagens abaixo para triazóis e estrobilurinas.

gráfico com mobilidade e sistemicidade de fungicidas do grupo químico dos triazóis

Mobilidade e sistemicidade de fungicidas do grupo químico dos triazóis 
(Fonte: Menten & Banzato, 2016)

tabela com mobilidade e sistemicidade de fungicidas do grupo químico das estrobilurinas

Mobilidade e sistemicidade de fungicidas do grupo químico das estrobilurinas  
(Fonte: Menten & Banzato, 2016)

Vantagens e desvantagens do uso de fungicidas sistêmicos

Os  fungicidas sistêmicos geralmente são usados em doses menores e em menor número de aplicações se comparados aos fungicidas de contato. 

Por serem móveis, apresentam baixa fitotoxicidade. Eles também têm alta especificidade, atuando sobre patógenos específicos, causando menos desequilíbrio no sistema e menor contaminação ambiental. 

Contudo, os sistêmicos são mais caros e podem causar aparecimento de resistência no patógeno se usados indiscriminadamente e fora das recomendações. 

Vale destacar que isso pode ser evitado seguindo as recomendações e alternando entre grupos químicos distintos e fungicidas de contato. 

O que são fungicidas de contato?

Os fungicidas de contato não penetram na planta, são apenas adsorvidos e permanecem no local de aplicação. Desse modo, a maioria (mas nem todos) desses compostos não tem ação sobre os tecidos que crescem após a aplicação.

Por essa razão, esses fungicidas podem ser lavados pela chuva, por exemplo, têm ação restrita à proteção e devem ser aplicados de forma preventiva, antes da germinação de esporos e penetração dos fungos. Após a infecção esses produtos não terão efeito. 

Os principais fungicidas de contato são os cúpricos, sulfurados, ditiocarbamatos (Mancozeb) e isoftalonitrila (Clorotalonil). Eles têm amplo espectro de ação, tendo atividade em multi-sítios. Dada a sua baixa especificidade, esses produtos podem causar toxicidade na planta, mas tem menor probabilidade de gerar resistência nos patógenos.

Qual fungicida utilizar?

Dependendo da cultura que se está trabalhando, os fungicidas disponíveis, bem como o manejo para aplicação, será distinto, seguindo as especificidades de cada cultura e suas doenças.

De qualquer maneira, todo manejo de fungicidas deve ser integrado e seguindo as recomendações para evitar problemas de ineficácia e resistência de patógenos.

Assim como no manejo de defensivos agrícolas, as doses recomendadas e a frequência de aplicação dos fungicidas devem ser respeitadas.

Além disso, é importante o uso de diferentes grupos químicos e mecanismos de ação diferentes, bem como mesclar no manejo os fungicidas sistêmicos e os de contato.

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Conclusão

Como pudemos conferir ao longo do texto, os fungicidas sistêmicos e de contato são assim classificados dada a sua mobilidade na planta, mas existem outras classificações também

Os fungicidas sistêmicos são absorvidos, translocam na planta e apresentam alta especificidade. Eles têm princípios de controle mais amplos, podendo ser aplicados logo após a infecção. Contudo, seu uso indiscriminado pode gerar resistência nos fungos. 

Por outro lado, os fungicidas de contato ficam na superfície em que foram aplicados. Por essa razão, têm apenas ação de proteção e devem ser aplicados de maneira preventiva para que tenham eficácia. 

O manejo correto deve usar os dois tipos de fungicidas, respeitando as doses e frequência de aplicação recomendadas conforme a cultura. Com isso, tem-se um controle mais efetivo e reduz-se a probabilidade de induzir resistência nos fungos.

>> Leia mais:

“Biofungicidas: quando vale a pena usá-los para o controle de doenças na lavoura?”

Restou alguma dúvida sobre fungicida sistêmico e de contato? Adoraria ler seu comentário!

Ramulária no algodão: entenda mais sobre essa doença

Ramulária no algodão: entenda os principais sintomas, as perdas causadas e como controlar essa doença do algodoeiro.  

A ramulária ou mancha de ramulária tem sido um dos principais problemas fitossanitários da cultura do algodão.

Essa doença tem causado grandes problemas no Cerrado e ataca folhas e até maçãs do algodão, reduzindo a sua produção e também a qualidade da fibra.

Mas em um passado não tão distante assim, a ramularia não era tão problemática. O que aconteceu?

Para te ajudar a entender, separamos algumas informações sobre como a ramulária se desenvolve, como identificá-la e controlá-la. Confira!

O que é a ramulária no algodão e qual sua importância

Ramulária, também chamada de falso-oídio, é uma doença causada pelo fungo Ramularia gossypii – conhecido antigamente como R. aureola – e está presente em todas as regiões produtoras do país desde seu primeiro relato no Brasil, em 1890.

Essa doença era característica de final de ciclo e considerada secundária nas principais regiões produtoras de algodão do passado – Sudeste e Nordeste. 

Contudo, com a migração das lavouras de algodão para o Centro-Oeste, que hoje detém 74% da produção nacional, a ramulária passou a ocorrer durante todo o ciclo e tornou-se a principal doença do algodoeiro.

E por que isso ocorreu?

Bem, de lá para cá, muita coisa mudou. Como veremos a seguir, as mudanças no sistema de produção e a mudança de região produtora favoreceram a ocorrência da ramulária.

gráfico com volume de produção de algodão pelas regiões brasileiras

Volume de produção de algodão pelas regiões brasileiras
(Fonte: Conab)

Condições favoráveis e sintomas da ramulária no algodão

Primeiramente, vamos relembrar alguns conceitos sobre o ataque de doenças nas plantas. A doença ocorre devido à interação de três fatores: o ambiente, o patógeno e o hospedeiro. Para isso, dá-se o nome de triângulo da doença.

Triângulo da doença, mostrando ambiente, patógeno e hospedeiro - ramulária no algodão

Triângulo da doença

O fungo da ramulária (patógeno) necessita de hospedeiros para sobreviver nos sistema e se desenvolver, nesse caso, o próprio algodão e seus restos culturais. Além disso, ele necessita de condições ambientais favoráveis para se disseminar e se desenvolver. A interação desses fatores determinará a intensidade do ataque da doença. 

Portanto, além da grande capacidade do patógeno se desenvolver, o ambiente do Centro-Oeste favoreceu o aumento da doença, além do uso de plantas suscetíveis e mal controle do algodão tiguera (hospedeiro).

Condições favoráveis

O fungo da mancha de ramulária do algodão é favorecido por condições de alta umidade, temperaturas entre 25℃ e 30℃ e alta pluviosidade.

Isso quer dizer que na época chuvosa é que os problemas são mais recorrentes. Além disso, em plantios com maior densidade, onde o microclima favorece a ocorrência dessas condições, os problemas serão maiores

Da mesma forma, o baixeiro da planta será mais atacado.

Sintomas e danos

A ramulária do algodão é disseminada principalmente pelo vento e se manifesta em ambas as faces das folhas da planta de algodão. Inicialmente, têm-se lesões anguladas de 1 mm a 3 mm, delimitadas pelas nervuras das folhas.

Essas lesões têm coloração branca e, conforme a infecção avança, tornam-se amarelas e com aspecto pulverulento, principalmente na face inferior das folhas.

foto de detalhe dos sintomas de ramulária no algodão

Detalhe dos sintomas de ramulária no algodão
(Fonte: Embrapa)

Sintomas de ramulária nas folhas de algodão

Sintomas de ramulária nas folhas de algodão
(Fonte: Embrapa)

Ataques mais severos levam à desfolha e podem causar apodrecimento das maçãs do baixeiro da planta. 

Nas cultivares mais suscetíveis à doença, as perdas em produtividade podem chegar a 70%. Plantas sem controle de ramulária tiveram produtividade 45% menor em relação às que receberam controle químico.

Então, como podemos manejar a mancha de ramulária no algodão?

Manejo da ramulária no algodão

O manejo de qualquer doença deve ser integrado, ou seja, usar de diversas técnicas de controle – cultural e químico, por exemplo – quando os níveis de dano forem economicamente viáveis para realização do controle. 

Vamos lembrar do triângulo da doença: podemos atuar no ambiente, no hospedeiro ou controlando o patógeno! 

Para isso, é necessário monitoramento diário da lavoura e a correta identificação do patógeno da ramulária, observando a ocorrência de seus sintomas característicos.

Controle químico

Constatado o ataque do fungo nas folhas mais velhas (baixeiro), as aplicações podem ser iniciadas. Um critério que otimiza as aplicações é realizá-las quando as lesões atingem 5% da área foliar sem atingir o terço médio da planta.

Utilizando esse critério, recomenda-se três aplicações espaçadas em 15 dias, com produtos eficientes. Isso evita que o problema se intensifique e otimiza as aplicações. 

Vale lembrar que é ideal alternar o uso de fungicidas com diferentes modos de ação para evitar a resistência do patógeno. No Agrofit, existem 136 produtos registrados para combater a mancha de ramulária no algodão.

Além disso, existem outros métodos de controle para serem usados em conjunto.  

Controle cultural

O uso de cultivares suscetíveis à ramulária do algodão é um dos principais responsável pelos grandes danos causados por essa doença. Prefira as cultivares tolerantes/resistentes disponíveis.

Essa informação você pode encontrar no site da Embrapa, que disponibiliza um catálogo das cultivares de algodão disponíveis. Além desses, as empresas de sementes também disponibilizam seus catálogos. 

Exemplo de catálogo de cultivares de algodão mostrando as recomendações e características de cada cultivar
(Fonte: Embrapa)

Lembre-se que espaçamentos mais abertos propiciam um microclima que desfavorece a doença, pois reduz a umidade do sistema. 

Um bom manejo da soqueira, evitando algodão tiguera, propicia que não haja hospedeiro para a sobrevivência do fungo para a próxima safra. Por isso, capriche no manejo! 

planilha de produtividade do algodão Aegro

Conclusão

Como você pôde acompanhar ao longo do texto, a ramulária ganhou importância nos últimos anos devido à migração do algodão para outra região produtora. 

Nessas novas condições, a ramulária encontrou um ambiente favorável para se desenvolver. Além disso, deficiências de manejo, como o uso de cultivares suscetíveis e mal manejo de soqueira possibilitaram maiores danos dessa doença.

O manejo depende de monitoramento e de medidas integradas, como o uso de cultivares resistentes, manejo da soqueira e espaçamentos maiores. 

Como alternativas de controle químico, pode-se  aplicar fungicidas no momento e frequência correta, alterando modos de ação para evitar resistência. 

>> Leia mais:

Como evitar e combater a mela do algodoeiro em sua lavoura

“6 principais doenças do algodão e como controlá-las na lavoura”

Como ter um algodoeiro resistente a doenças e mais econômico com nova cultivar transgênica

Você já teve problemas com a ramulária no algodão? Quais os principais problemas que enfrenta? Conte para gente nos comentários Grande abraço e até a próxima!