Como livrar a lavoura da mancha-púrpura na soja (crestamento foliar de cercospora)?

Mancha púrpura na soja: saiba como identificar a doença, entenda os danos causados, como prevenir a lavoura e como fazer o controle tardio

Anualmente os prejuízos causados pela mancha púrpura são consideráveis. Causada pelo fungo Cercospora kikuchii, é uma das principais doenças de final de ciclo da soja

Também conhecida como cercosporiose ou crestamento foliar de cercospora, essa doença deve ser controlada muito antes do final do ciclo. Para isso, é necessário saber como identificar os sintomas e como reduzir os fungos causadores.

Neste artigo, saiba mais sobre como a mancha-púrpura reduz a qualidade dos grãos e das sementes e como fazer o manejo efetivo. Boa leitura!

O que é mancha-púrpura em soja (Cercospora Kikuchii)?

A mancha-púrpura, também conhecida como crestamento-foliar de cercospora, é uma doença de final de ciclo (ou DFC) da soja. Causada pelo fungo Cercospora kikuchii, ela reduz a produtividade e qualidade dos grãos, além de também poder afetar a germinação da soja. 

Apesar de ser uma doença conhecida por ser de final de ciclo, ela pode iniciar ainda no período vegetativo. Nessa fase, ela causa danos pouco significativos por causa da capacidade de compensação da cultura e não interfere de imediato no potencial produtivo.

Entretanto, é importante frisar que quando a doença inicia ainda no período vegetativo. Sem um controle eficiente, tende a atingir maior severidade no período reprodutivo. Além disso, sementes e grãos em contato com a doença possuem menor potencial de armazenamento.

Danos causados na cultura e no armazenamento da soja

A redução da produtividade da soja devido ao ataque da mancha-púrpura pode ser de até 50%. Isso, é claro, em condições favoráveis à doença e em cultivares suscetíveis. O fungo é causador de três problemas principais na cultura da soja:

  • Crestamento foliar, que se manifesta por meio de sintomas na parte aérea da planta;
  • Morte de plântulas durante a emergência da cultura, o que pode interferir no potencial produtivo da área em função da redução do estande inicial da cultura;
  • Danos causados em grãos e sementes, visíveis pela presença de manchas arroxeadas em sementes e grãos. Como consequência, há prejuízos na germinação e vigor da soja.

Os danos causados pelo fungo estão relacionados à fase de desenvolvimento da cultura em que a doença ocorre. No início do enchimento dos grãos de soja, os danos são mais severos. Ao final do deste período, os danos são menos acentuados e por vezes mínimos.

Foto do agente causador da mancha púrpura, também conhecida como crestamento-foliar de cercospora
Foto do agente causador da mancha púrpura, também conhecida como crestamento-foliar de cercospora
(Fonte: Chanda, 2012)

O controle deve priorizar as fases antes do período de enchimento de grãos, principalmente após o fechamento de entrelinhas, o que evita o estabelecimento do patógeno. O controle no baixeiro é mais difícil devido à dificuldade de alcance das aplicações de fungicidas.

A soja é armazenada no máximo até a próxima safra, e possui rápida deterioração quando armazenada em teor de água inadequado. A presença de fungos pode interferir na capacidade de armazenamento do produto colhido.

Durante o armazenamento, a infecção pelo fungo serve ainda como porta de entrada para outros patógenos e pode favorecer a infestação por insetos.

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Como identificar o crestamento foliar de cercospora na soja?

Os sintomas da mancha púrpura podem ser observados desde o período vegetativo. Afinal, o fungo pode sobreviver em restos culturais da soja ou no solo até o próximo cultivo. 

Os sintomas da doença ocorrem em todas as partes da planta e em qualquer estádio de desenvolvimento da soja, exceto nas raízes. Confira os principais sinais que te ajudam a identificar a doença na lavoura:

  • aspecto arroxeado nas folhas, que lembra um couro;
  • severa desfolha, principalmente no estádio reprodutivo;
  • coloração arroxeada com variações mais claras e escuras;
  • rachadura do tegumento das sementes e grãos;
  • surgimento inicial dos sintomas na haste, com escurecimento e necrose do tecido;
  • pontuações escuras castanho-avermelhadas nas folhas;
  • na haste, podem ser visualizadas lesões vermelhas-arroxeadas.

Você pode identificar a doença apenas observando os sintomas. Apesar disso, se você fez aplicações anteriores na lavoura, saiba que os sintomas da mancha-púrpura podem ser confundidos com fitotoxidez. 

A diferença entre ambos encontra-se no fato de no caso em excesso de uso de adjuvante, as características iniciais da folha de superfície lisa são mantidas. No crestamento, além da mancha de cor arroxeada, as folhas ficam enrugadas na direção das bordas para o interior.

Bronzeamento de folhas de soja em função da aplicação de adjuvantes à base de óleo. Na direita, sintomas de crestamento-foliar.
(Fonte: Forcelini, 2014)

Como controlar a mancha na soja e outras doenças de final de ciclo da soja?

Antes de tudo, é necessário ficar de olho nas condições favoráveis à doença. Temperaturas entre 23°C e 27°C associadas à alta umidade favorecem o fungo causador. Estudos já comprovaram que menores precipitações (menor molhamento foliar) também são favoráveis.  

Assim como para as demais doenças de plantas, o MID (Manejo Integrado de Doenças) deve ser priorizado. Ele consiste no uso de diferentes métodos de controle, o que reduz a população do patógeno da área de cultivo.

Isso também diminui as possibilidades de seleção de populações resistentes. Além disso, confira as mais eficientes formas de controlar a mancha-púrpura:

  • Uso de sementes certificadas: além de prevenir a mancha-púrpura, evite usar sementes piratas para afastar outras doenças disseminadas por sementes;
  • Tratamento de sementes: isso protege as plântulas do ataque inicial do patógeno que sobrevive nos restos culturais;
  • Uso de variedades resistentes ou tolerantes: opte por variedades precoces, que permanecem expostas aos patógenos por menor  tempo;
  • Rotação de culturas com milho: quando possível, essa técnica também reduz o inóculo do patógeno na área de cultivo;
  • Densidade adequada: se possível, opte por maior espaçamento entre linhas;
  • Adubação equilibrada: faça uma boa adubação principalmente potássica e de cálcio, nutrientes que tornam a planta mais rígida e resistente;
  • Aplicações de fungicidas na parte aérea da cultura: essas aplicações devem iniciar ainda no período vegetativo, estendendo-se até o enchimento dos grãos;
  • Controle químico: ele deve ser utilizado como ferramenta adicional e não de forma isolada. O uso de misturas duplas (dois mecanismos de ação) ou triplas, são recomendadas, combinadas com fungicidas multissítios.  

Além disso, vale lembrar que o controle do crestamento-foliar ou mancha-púrpura não exige controle separado das demais doenças. Afinal, as moléculas usadas para o controle da ferrugem, por exemplo, são efetivas para o controle das outras doenças de fim de ciclo.

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Quando fazer aplicações tardias para controlar manchas foliares na soja?

A aplicação tardia para controlar a mancha-púrpura é interessante para prolongar o período de enchimento de grãos em até duas semanas. O  mesmo vale para as demais manchas foliares na soja.Isso, é claro, diante das seguintes condições:

  • possuir vasta área foliar;
  • estiver em contato com baixa temperatura noturna;
  • boa incidência de sol;
  • umidade do solo elevada. 

Quando a cultura está em fase de senescência, com folhas amareladas e em fase de queda da planta, as aplicações já não são mais necessárias.

Conclusão

A mancha-púrpura da soja não provoca danos diretos aos tecidos foliares, e também aos grãos e sementes. Isso influencia o seu armazenamento e reduz a qualidade dos grãos destinados à indústria.

Além disso, é importante lembrar que o controle da doença deve ser sempre planejado em conjunto com demais patógenos presentes na área.

Conheça o histórico de doenças que ocorrem na área de cultivo, bem como épocas e condições ambientais que as favorecem. Assim, você poderá fazer um manejo mais assertivo e economicamente viável, reduzindo custos e aumentando as receitas.

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“Cercosporiose no milho: saiba como manejar a doença”

Gostou de saber mais sobre a mancha-púrpura? Se você conhece outras pessoas que produzem e enfrentam essa doença na lavoura, compartilhe este artigo com elas.

Murcha-de-Fusarium em feijão: saiba como identificar e manejar

Murcha-de-Fusarium em feijão: entenda os sintomas, condições favoráveis para a ocorrência, fases mais suscetíveis e como evitá-la

A murcha-de-Fusarium é uma das principais doenças do feijão. Ela ocorre com maior frequência em feijão-comum e feijão-caupi.

Ela pode se manifestar em todas as fases de cultivo, e sua evolução ocorre ao passar dos anos. Isso acontece especialmente porque o patógeno é um habitante de solo, o que dificulta ainda o seu controle.

Neste artigo, veja como combater a murcha-de-Fusarium em feijão, como identificar no campo, sintomas e principais medidas de controle para reduzir e evitar danos na sua lavoura! Boa leitura!

O que é a murcha-de-Fusarium em feijão?

Espécies do fungo Fusarium são os principais patógenos causadores de doenças em plantas. A murcha-de-Fusarium, também conhecida como fusariose, é causada pelo fungo Fusarium oxysporum f. sp. phaseoli.

Eles conseguem utilizar inúmeras culturas distintas como hospedeiras. Além disso, são amplamente distribuídas pelas regiões produtoras de alimentos no mundo. O gênero Fusarium possui como plantas hospedeiras principalmente o feijão-comum e o feijão-caupi.

Murcha-de-Fusarium: sintomas

Os sintomas típicos da doença são reflexos do que acontece nas raízes. Nas raízes e nos caules, há escurecimento dos vasos e é possível ver estruturas rosadas do fungo. Ainda, as folhas amarelam e secam, sintomas que aparecem muito em reboleiras, prejudicando o enchimento das vagens.

Entretanto, é a parte aérea da planta que demonstra mais problemas. Os principais em que você deve prestar atenção são:

  • Amarelecimento das folhas com murcha parcial ou total das plantas, especialmente em horários mais quentes do dia, podendo levar inclusive a morte;
  • Escurecimento do sistema vascular que pode ser observado a partir do corte e visualização interna do caule das plantas. Nem sempre este sintoma ocorre, e por isso, a ausência de escurecimento interno não é sinônimo de que o problema não esteja ocorrendo;
  • Perda de rigidez dos tecidos durante dias ou períodos mais secos;
  • Em períodos de alta umidade no solo e sintomas severos, podem ser observadas estruturas de coloração cinza a rosada;
  • Em áreas infestadas com nematoides, como o nematoide-das-galhas e das lesões, a doença pode ser mais severa. Afinal, ambos os patógenos favorecem a entrada do fungo no interior das raízes;
  • Quando a doença ocorre ainda no período vegetativo, as plantas apresentam crescimento anormal, tornando-se raquíticas e de tamanho menor;
  • Nas vagens, podem ser visualizadas lesões de aspecto aquoso, podendo inclusive contaminar as sementes. Isso agrava o problema, especialmente quando as sementes são usadas em novas semeaduras. Afinal, isso acaba contaminando outros pontos da lavoura ou introduzindo a doença em locais onde ela era ausente.

Inicialmente, é comum que os sintomas sejam observados em reboleiras. Além disso, a murcha das plantas pode ser confundida com outras doenças e com estresse hídrico.

Por isso, ao sinal de irregularidades na lavoura, é importante que a inspeção seja feita para investigar as possíveis causas.

A doença afeta o sistema responsável pela passagem e translocação de água e nutrientes pela planta). Por isso, causa problemas principalmente em raízes, prejudicando a absorção de elementos importantes para o desenvolvimento das plantas. 

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Sinais de murcha-de-Fusarium nas raízes de feijão
Fonte: (Esalq-USP)

Condições favoráveis para o fungo Fusarium sp. no feijão

Embora a doença possa se manifestar no período vegetativo, é a partir do florescimento que os danos são mais severos. Afinal, nesse período a planta demanda maior fluxo de água e nutrientes necessários para o enchimento dos grãos. 

As temperaturas amenas (entre 24°C a 28°C), quando combinadas com alta umidade do solo, favorecem o fungo causador da doença. Os solos compactados, arenosos, ácidos e com baixo teor de matéria orgânica também são favoráveis.

Por isso, o manejo dos solos é fundamental para a saúde das plantas. Vale lembrar que outros tipos de solo podem ser tão impactados pela doença quanto os arenosos e ácidos. Ou seja, é importante que a doença não seja negligenciada

Os danos e prejuízos da doença dependem da sua severidade. A severidade, por sua vez,  depende da cultivar implantada na área. Em cultivares favoráveis para a doença, os danos podem ultrapassar os 50% e causar perda total do cultivo.

murcha-de-fusarium
Sinais de murcha-de-fusarium em folhas de feijão
Fonte: (TopCropManager)

Como fazer o controle de Fusarium no feijão?

O controle de Fusarium no feijão a partir de fungicidas não é uma medida eficiente. Afinal, o patógeno é um habitante de solo e que pode permanecer viável, sobrevivendo por longos períodos. Justamente por isso, o controle genético é a principal ferramenta de controle.

Outra medida que deve ser priorizada em áreas com histórico da doença é a rotação de culturas (controle cultural). Esta prática evita que o fungo continue o seu ciclo e produza novas populações, se caracterizando como uma medida preventiva de controle.

Como o patógeno tem espécies de feijão-comum e feijão-caupi como hospedeiras, estas não devem ser cultivadas na área por determinado período. É necessário inserir espécies não hospedeiras para quebrar o ciclo da doença e reduzir a sua população na área de cultivo.

Qual o melhor fungicida para Fusarium?

Como o fungo é um patógeno de solo, o tratamento de sementes com combinação de fungicidas de contato são medidas importantes.

Atualmente, no Agrofit, podem ser encontrados cinco produtos para controle da doença na cultura do feijão. Os principais grupos químicos incluem a combinação de estrobilurina + benzimidazóis.

Opções de fungicida para Fusarium de fenilpirrol + acilalaninato + benzimidazol + neonicotinóide também podem ser usadas no controle. 

Entretanto, lembre-se que a escolha do melhor fungicida para Fusarium deve ser baseada na realidade da lavoura e na ajuda de profissionais da agronomia.

Como combater a murcha-de-Fusarium antes dela chegar na lavoura?

Neste caso, as boas práticas agrícolas como manejo de solo são cruciais para evitar os danos da doença. Além disso, o uso de sementes certificadas é indispensável. Elas são produzidas sob rigor, fiscalização e inspeções frequentes.

Em lavouras com suspeita de problemas, mesmo que não identificados devidamente, é importante que o manejo com máquinas seja feito com cuidado. Faça primeiro o manejo em  áreas com ausência de problemas, e depois, em áreas com suspeita.

Isto evita que possíveis patógenos sejam disseminados ao longo das áreas de produção através de solo contaminado aderido às máquinas. Um manejo de solo que evite a compactação da área ou que auxilie na redução do problema também pode ser útil. 

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Conclusão

A murcha-de-Fusarium ou amarelecimento-de-Fusarium é uma doença que pode reduzir significativamente a produtividade do feijão-comum e do feijão-caupi.

Como os sintomas são semelhantes a diversas outras doenças e estresses, é fundamental que a doença seja devidamente diagnosticada. Isso especialmente para que as medidas de controle mais adequadas sejam implantadas na área.

O controle genético e o tratamento de sementes, aliados a medidas que recuperem a saúde do solo, são as mais eficientes para o controle da doença.

Tudo o que você precisa saber sobre a mancha olho-de-rã na soja

Mancha olho-de-rã: saiba o que causa a doença, quais são os sintomas, como ocorre a disseminação e quais as medidas de controle.

A cultura da soja é afetada por diversas doenças causadas por fungos, bactérias, nematóides e vírus. Dentre as doenças fúngicas, a mancha olho-de-rã se destaca por acontecer no final de ciclo. 

Ela foi identificada pela primeira vez no Brasil na década de 70. Graças ao desenvolvimento de cultivares resistentes, essa doença encontra-se sob controle.

Mesmo assim, conhecer suas características e entender como diagnosticá-la na lavoura é fundamental. Ainda, é preciso conhecer as formas de manejo para conseguir agir antes de sofrer danos econômicos.

Neste artigo, saiba mais sobre os sintomas da mancha olho-de-rã, entenda como ela se dissemina na cultura da soja, condições ideais para desenvolvimento e mais. Boa leitura!

Características e sintomas da cercospora na soja

A mancha olho-de-rã é uma doença foliar causada pelo fungo Cercospora sojina. Ele apresenta variabilidade genética. No Brasil, já foram identificadas 25 raças do fungo. Ela pode se manifestar em qualquer estádio da cultura

No entanto, a ocorrência dessa doença é maior no período reprodutivo da soja, a partir do florescimento. Os sintomas podem ser observados em toda a parte aérea da planta: folhas, hastes, vagens e sementes. 

Nas folhas, os sintomas surgem como pequenos pontos com aparência “encharcada”. À medida que a doença evolui, essas pontuações evoluem para manchas arredondadas, com tamanho variando de 1 mm a 5 mm de diâmetro.

É comum que esses sintomas sejam observados primeiro nas folhas jovens de soja.

Na face superior das folhas, o centro das manchas tem cor castanho-clara e margem castanho-avermelhada. Na face inferior, as manchas são acinzentadas em razão da esporulação do fungo.

Com o tempo, as manchas foliares se juntam, causando a desfolha prematura das plantas. Assim, a desfolha precoce e as lesões foliares reduzem a área fotossintética da planta, o que compromete o peso e a qualidade dos grãos.

Lesões características da mancha olho-de-rã na soja
(Fonte: Mian, 2008)

Nas hastes e nas vagens da soja, os sintomas se manifestam no final da fase de enchimento de grãos da soja. Inicialmente, aparecem pequenas lesões com aspecto aquoso que evoluem para manchas maiores. 

Nas hastes, as manchas têm formato elíptico ou alongado, e o centro da lesão é acinzentado, com borda castanho-avermelhada. Nas vagens, as manchas têm o centro deprimido, formato circular e cor castanho-escuro. 

Sintoma de mancha olho-de-rã em vagem de soja
(Fonte: Crop Protection Network)

As sementes de soja infectadas pelo fungo Cercospora sojina podem apresentar rachaduras e manchas de cor castanha, parda ou cinza. As plântulas de soja originadas a partir de sementes contaminadas apresentam lesões necróticas. 

Como diagnosticar a mancha olho-de-rã na lavoura

Em campo, o diagnóstico da mancha olho-de-rã na soja não é tão simples. Os sintomas dessa doença podem ser confundidos com os sintomas de outras doenças, e também com fitotoxicidade causada por herbicidas.

Sintomas iniciais da mancha olho-de-rã em folha de soja
(Fonte: Universidade de Nebraska – Lincoln)

Diante disso, o recomendado é enviar amostras de plantas sintomáticas a um laboratório de fitopatologia para a realização do diagnóstico, através da análise foliar. Em caso de dúvida, sempre procure um(a) engenheiro(a) agrônomo(a).

Somente a partir da correta identificação do problema é possível traçar as melhores estratégias de manejo da lavoura.

Condições para o desenvolvimento da Cercospora sojina

A incidência e a severidade das doenças estão relacionadas à presença do fungo, a suscetibilidade da cultivar e as condições ambientais. 

No caso da mancha olho-de-rã, as condições favoráveis são alta umidade, maior que 90%. Ainda, temperaturas entre 25°C e 30°C podem favorecer o fungo. A formação de orvalho e temperaturas noturnas acima de 20°C também apresentam riscos.

A monocultura da soja e o plantio direto são sistemas que beneficiam o desenvolvimento da mancha olho-de-rã. Afinal, esse fungo sobrevive em tecidos mortos da planta hospedeira

Disseminação e ciclo da doença

A cercospora na soja sobrevive nos restos culturais e nas sementes de soja, sendo considerados inóculos primários. No período da entressafra, esse patógeno também pode sobreviver em plantas de soja tiguera. 

Dessa forma, a infecção das sementes de soja garante a sobrevivência e a disseminação do fungo a longas distâncias. Nas sementes, a cercospora na soja sobrevive por um período de 6 a 7 meses.

Em campo, os esporos do fungo são dispersos por gotículas de água e pela ação do vento.

Ciclo da doença mancha olho-de-rã em soja
(Fonte: Danelli, 2010)

Manejo da mancha olho-de-rã na soja 

A estratégia mais eficiente para o manejo da mancha olho-de-rã é o plantio de cultivares de soja resistentes. O uso de material genético não suscetível à doença apresenta baixo custo, além de ser ambientalmente seguro.

Em lavouras semeadas com cultivares suscetíveis à doença, é importante que após a colheita, os restos vegetais sejam incorporados ao solo. Essa medida diminui a sobrevivência do fungo para a próxima safra. 

Outra técnica para o manejo da mancha olho-de-rã na soja é o tratamento químico das sementes com fungicidas específicos. 

Essa tática evita a entrada de fungos na lavoura e protege as sementes desses patógenos. Além disso, o tratamento químico garante melhor desenvolvimento inicial da cultura e o estabelecimento de um estande uniforme de plantas.

Para o tratamento das sementes de soja, é recomendado o uso de fungicidas do grupo químico benzimidazol associados à fungicidas de contato. O manejo dessa doença também envolve a adoção de outras boas práticas agronômicas, como: 

Essas técnicas melhoram o desempenho da cultivar plantada e aumentam a produtividade.   Depois de detectada a doença em campo, o controle é realizado pela aplicação de fungicidas. Na soja, os produtos registrados para o controle da mancha olho-de-rã são:

  • carbendazim;
  • carboxina + tiram;
  • difenoconazol;
  • fludioxonil;
  • tiram.
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A mancha olho-de-rã é uma doença de final de ciclo da cultura da soja. Ela é causada pelo fungo Cercospora sojina

Os sintomas podem ser observados em toda parte aérea da planta. Inicialmente, surgem pequenas manchas com aspecto encharcado que evoluem para lesões maiores. As sementes contaminadas e os restos culturais são as principais fontes de inóculo primário.

O manejo da mancha olho-de-rã é feito, principalmente, pelo plantio de cultivares de soja resistentes. Outras formas de controle da doença envolvem o tratamento de sementes e a aplicação de fungicidas.

Você já teve problema com a mancha olho-de-rã na sua lavoura? Qual estratégia de controle foi adotada? Conte sua experiência nos comentários.

Mancha-amarela no trigo: como reconhecer e manejar a doença

Mancha amarela no trigo: entenda os impactos, principais sintomas, condições favoráveis e como evitar perdas!

A cultura do trigo é acometida por inúmeras doenças durante todo o ciclo de desenvolvimento. Essas doenças podem ser causadas principalmente por bactérias, vírus e fungos.

Dentre as doenças do trigo, as manchas foliares são as mais causam danos. A mancha-amarela, causada pelo fungo Drechslera tritici-repentis (nome científico), pode reduzir a produtividade do trigo em até 50%.

Ela é influenciada principalmente pelo sistema de plantio direto, além da interação da cultivar com as condições ambientais. Por isso, é necessário que diversas estratégias de controle sejam adotadas.

Neste artigo, conheça os impactos da mancha-amarela da folha do trigo, sintomas, condições ambientais favoráveis e estratégias de manejo para garantir a saúde da sua lavoura! Boa leitura!

O que é a mancha-amarela do trigo?

A mancha-amarela da folha do trigo é uma doença foliar da parte aérea, também comum no triticale. A doença, causada pelo fungo necrotrófico Drechslera tritici-repentis, possui alta intensidade em sistema de plantio direto com rotações de culturas inadequadas.

Esse fungo sobrevive principalmente nos restos culturais (palha) desse sistema de plantação de trigo. Ainda, ele possui duas fases de reprodução no seu ciclo de vida:

  • Fase assexuada (Pyrenophora tritici-repentis). Esta fase é a mais importante, pois é responsável pela multiplicação e dispersão do fungo. Os esporos produzidos em grande número são resistentes às condições ambientais adversas.
  • Fase sexuada (Drechslera tritici-repentis). Esta fase é responsável pela produção de variabilidade genética, o que implica em possibilidades de mutação e aquisição de resistência.

Pode parecer confuso, mas a mancha-amarela do trigo pode ser conhecida por esses dois nomes. No entanto, ambos os nomes se referem à mesma doença, com os mesmos sintomas. Apenas as estruturas fúngicas do fungo possuem outra aparência.

Em outras palavras, o que causa a mancha-amarela no trigo é o fungo Drechslera tritici-repentis e/ou Pyrenophora tritici-repentis. Essa doença é amplamente distribuída em todas as regiões tritícolas, especialmente aquelas manejadas sob sistema e plantio direto. 

O tratamento de sementes realizado de forma ineficiente ou com escolha do fungicida inadequado contribuem para o rápido desenvolvimento da doença. Outro agravante é a agressividade do patógeno e a resistência a diversos grupos químicos de fungicidas.

Como diferenciar os sintomas da mancha-amarela dos da mancha-marrom no trigo?

Embora os sintomas da mancha-amarela possam ser confundidos com os sintomas da mancha-marrom, existem características que distinguem ambas.

Os sintomas típicos da mancha-amarela podem ser observados desde as fases iniciais do desenvolvimento da cultura. Eles se apresentam em forma de pequenas manchas esbranquiçadas ou amareladas.

Com a evolução dos sintomas, o tecido necrosa na região central e torna-se pardo. Na mancha-amarela, forma-se um halo amarelado em torno das lesões necróticas, de até 12 mm de comprimento.

mancha amarela trigo
Diferentes intensidades de sintomas da mancha amarela em trigo em função da raça do patógeno e sua agressividade
(Fonte: Bertagnoli e colaboradores, 2019)

Disseminação e condições favoráveis para a doença

A principal forma de disseminação da doença é por respingos de chuva e vento. Quando ocorrem as chuvas, os respingos atingem os restos culturais. Isso acontece especialmente em áreas com ausência de rotação de culturas e com sistema plantio direto com pouca palhada. 

Se as condições ambientais forem favoráveis, rapidamente a doença terá início. O patógeno consegue realizar diversos ciclos da doença durante todo ciclo do trigo, aumentando rapidamente os danos.

Vale lembrar que os sintomas podem se manifestar de forma mais branda, especialmente em cultivares tolerantes, e de forma mais agressiva em cultivares suscetíveis. Desta forma, a escolha do material genético utilizado é primordial.

Além disso, temperaturas entre 18 °C e 28 °C associadas a pelo menos 30 horas de molhamento foliar são favoráveis a manifestação dos sintomas. Por isto, é essencial que estas condições sejam monitoradas, especialmente em áreas com histórico da doença.

ciclo da vida da mancha amarela do trigo
Ciclo de vida esquematizado da mancha-amarela em trigo
(Fonte: Flávio Santana)

Como fazer o controle da mancha-amarela em trigo?

A adoção de uma única forma de controle da mancha-amarela não é efetiva. É necessário que o manejo integrado de doenças seja adotado, com associação de diversas estratégias que pretendam reduzir a população do fungo. 

As três principais estratégias de manejo para eliminar a doença e garantir a qualidade do trigo consistem em:

  • Escolher cultivares do trigo que sejam resistentes à doença: esse é um fator-chave, especialmente em áreas ou regiões com histórico da doença. A consulta das cultivares resistentes pode ser realizada consultando as recomendações da Comissão Brasileira de Pesquisa em Trigo e da Embrapa;
  • A rotação de culturas é uma medida complementar, e espécies como canola, nabo e aveia podem ser utilizadas para quebrar o ciclo do fungo. Sem hospedeiros, ele não possui condições de continuar o seu ciclo. Assim, sua população é reduzida na área de cultivo.
  • A aplicação de fungicidas é uma medida complementar e importante para frear o rápido desenvolvimento do patógeno. Isso especialmente quando as condições ambientais forem favoráveis. No entanto, essa prática requer atenção quanto ao uso, visto que a mancha-amarela possui relatos de resistência.  As doses utilizadas devem ser recomendadas pelo fabricante, no intervalo entre aplicações e seguindo todas as recomendações da bula.
tabela sobre a eficácia na prática de manejo
Eficácia das estratégias de manejo da mancha-amarela. Sinais positivos indicam que as práticas surtem efeito. Sinais negativos indicam que as práticas não são eficientes.
(Fonte: Lau et al., 2020)

Fungicidas para trigo que controlam a mancha foliar amarela

Sobre o manejo de fungicidas, o Frac (Comitê de Ação a Resistência de Fungicidas) recomenda alguns cuidados e dicas. Veja quais são a seguir:

  • Seguir as recomendações do fabricante, atentando-se a bula;
  • A aplicação dos fungicidas deve ser realizada de forma preventiva, para evitar pressão de seleção de populações resistentes;
  • Devido ao histórico de resistência, estrobilurinas não devem ser aplicadas de forma isolada. Elas devem ser associadas a outros grupos químicos, como fungicidas mutissítios e triazóis. 
  • Os fungicidas associados devem ser eficientes à doença isoladamente. Ou seja, se o fungicida associado às estrobilurinas fosse aplicado de forma isolada, este deveria garantir bons níveis de controle à doença.
  • Realizar a rotação de grupos químicos, observando quais os mecanismos de ação utilizados.  Em muitas situações, o nome do produto utilizado pode mudar, mas os grupos químicos e/ou até mesmo os mecanismos de ação, são os mesmos. Consulte sempre um profissional para a melhor recomendação para as necessidades da sua lavoura.
  • A eficiência dos fungicidas pode ser consultada em resultados sumarizados de pesquisa, disponibilizados por instituições públicas e privadas.  Esses resultados são obtidos em diferentes regiões de cultivo, o que pode nortear a tomada de decisão.
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Conclusão

A mancha-amarela da folha do trigo pode causar redução drástica da produtividade da cultura. No entanto, a partir do reconhecimento da sua ocorrência e severidade, diversas estratégias de manejo podem ser utilizadas.

Vale ressaltar que práticas de manejo de forma isolada não são eficientes no controle da doença.  Além disso, são anualmente realizados relatos de redução da eficiência das moléculas disponíveis. 

Por isso, faça um manejo que vise prolongar a vida útil dos fungicidas disponíveis.

Tem alguma experiência com a mancha-amarela para compartilhar com a gente? Escreva pra gente, vamos adorar o seu comentário!

Fungicida para milho: guia completo de quando aplicar o produto

Fungicida para milho: quais são os principais, épocas de aplicação, cuidados que devem ser tomados e os melhores do mercado

A desfolha precoce provocada por doenças do milho causadas por fungos pode reduzir a produtividade da cultura em até 40%.

Desta forma, saber qual a época mais adequada de aplicação de fungicidas é indispensável. Quem produz milho também deve conhecer os cuidados na aplicação e os fungicidas mais eficientes.

Entenda a seguir quais as principais doenças fúngicas do milho, fungicidas utilizados e cuidados com a aplicação! Boa leitura!

Principais doenças fúngicas da cultura do milho

Diversas doenças causadas por fungos podem ocorrer no milho, mas algumas delas assumem destaque na maioria das regiões produtoras. A mancha-branca, a cercosporiose, a helmintosporiose e o complexo de enfezamentos pálidos e vermelhos são as principais.

Complexo mancha-branca

A mancha-branca no milho é causada por um complexo de microrganismos, incluindo a bactéria Pantoea ananatis e o fungo Phaeosphaeria maydis, por isto, também é conhecida como mancha de Phaeosphaeria.

As perdas na lavoura podem ultrapassar os 60%, principalmente quando híbridos suscetíveis são utilizados em áreas de grande histórico da doença.

Os sintomas incluem a formação de lesões de coloração branca, que inicialmente possuem formato circular. Com a evolução dos sintomas, a mancha torna-se cor palha e com formato elíptico a circular (variando entre 0,3 a 1 cm de diâmetro).

As lesões são encontradas principalmente nas folhas, e tem início nas folhas inferiores da planta, progredindo rapidamente. A fase de desenvolvimento mais crítica para a cultura é o pendoamento, onde as lesões também surgem na palha da espiga.

Temperaturas amenas, entre 15°C e 20°C, associadas a elevada umidade relativa do ar (superior a 60%), são condições favoráveis ao desenvolvimento da doença.

Cercosporiose

A cercosporiose no milho é causada pelo fungo Cercospora zeae-maydis, e possui enorme distribuição nas lavouras brasileiras. Ele é favorecido por temperaturas mais altas, entre 22°C e 30°C, principalmente quando acompanhadas de períodos de longo molhamento das folhas.

Ainda, essa doença é muito favorecida por técnicas de semeadura direta. Cultivos sucessivos de milho híbrido muito suscetíveis à doença aumentam a quantidade do inóculo da cercosporiose.

A manifestação da cercosporiose do milho ocorre na fase de floração. Ela causa danos em folhas do baixeiro da cultura. 

Os sintomas da doença se manifestam através de lesões necróticas paralelas às nervuras.  Além disso, as extremidades das lesões têm formato quadrado, semelhante a uma raspagem com unha. 

Helmintosporiose

A helmintosporiose é diferente da cercosporiose, pois as lesões possuem as suas extremidades mais afinadas. Além disso, a cercosporiose ocorre entre as nervuras e a helmintosporiose, além das nervuras.

A helmintosporiose é causada pelo fungo Exserohilum turcicum. Esse fungo é favorecido por locais com alta umidade relativa do ar (geralmente acima de 90%), além de temperaturas entre 18°C e 27°C. 

Um dos pontos que torna essa doença difícil de ser controlada é evitada é que o fungo se dissemina através do vento. Por isso, para controlá-la, o uso de sementes saudáveis e cultivares resistentes é fundamental.

banner da planilha de produtividade da lavoura de milho

Quando aplicar fungicida no milho?

O momento correto de aplicação de fungicidas é fundamental. Isso irá evitar a desfolha precoce e a redução da produtividade. Inicialmente, observe o histórico de doenças na área de cultivo. Com essas informações, planeje o tratamento de sementes.

Ele é indispensável para proteger as sementes dos fungos que já estão presentes nos restos culturais do solo. Esses fungos sobrevivem de uma safra para a outra. Por isso, a entrada dos fungicidas na lavoura deve ser realizada:

  • Entre os estádios V8 – 8, quando as folhas estão completamente desenvolvidas;
  • Durante o pré-pendoamento da cultura.

Estas são as fases mais críticas para a ocorrência de doenças, especialmente as manchas foliares. Além disso, a entrada nestes estádios corresponde ao momento em que as doenças não apresentam alta severidade, sendo o controle mais efetivo

Aplicações antecipadas resultam em maiores produtividades. O atraso das aplicações, em R1 e R2, reduzem a produtividade do milho pela maior severidade de doenças.

Ilustração que mostra fases de desenvolvimento do milho
Estádios vegetativos e reprodutivos da cultura do milho para identificação do momento ideal de aplicação de fungicidas. VT corresponde ao início do pendoamento.
(Fonte: Ciampitti)

Cuidados para tomar na aplicação de fungicidas

Além da época correta de aplicação, outros cuidados devem ser tomados: a boa cobertura da cultura, tecnologia de aplicação, volume de calda e condições climáticas devem ser analisados.

Boa cobertura da cultura

As aplicações devem proporcionar maior cobertura das folhas dos terços médio e superior. São essas as folhas que influenciam diretamente na produtividade.

Tecnologia de aplicação

Utilize tecnologia de aplicação correta em função dos fungicidas utilizados. É importante saber se você está usando fungicida sistêmico e com boa movimentação superficial. Isso implica em maior ou menor tamanho de gotas.

Fungicidas multissítios, por exemplo, não possuem a capacidade de adentrar os tecidos foliares. Por isso, devem ser aplicados preventivamente, antes do surgimento dos sintomas.

No início dos sintomas, os multissítios devem obrigatoriamente ser combinados a um sítio-específico, que possui a capacidade de adentrar os tecidos e curá-los. Ainda, a rotação de ingredientes ativos é indispensável, pois evita a resistência dos fungos aos fungicidas.

Volume da calda terrestre, aérea e escolha das pontas

Pontas de jato plano defletor com indução de ar refletem em menores chances de deriva de defensivos pelo vento. Ainda, causam menor influência de altas temperaturas e maior cobertura dos alvos.

Além disso, quanto menor for o volume de calda, maior atenção deve ser dada à densidade de gotas para boa cobertura. É recomendada para a cultura no mínimo 50 gotas por cm -2.

Em aplicações aéreas, o volume de calda de 30 L/hectares proporciona produtividade semelhante aos tratamentos terrestres. Essa pode ser uma solução para aplicações sem provocar danos por máquinas à cultura.

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Observação das condições climáticas

Evite aplicar poucas horas antes da ocorrência de chuvas, pois elas podem “lavar” parte do produto. Também observe a velocidade do vento durante a aplicação, que não deve ser totalmente ausente ou elevado.

Quais os principais fungicidas para tratamento de milho?

Segundo o Agrofit (Sistema de Agrotóxicos Fitossanitários), atualmente, existem 220 fungicidas registrados para milho. Os principais grupos químicos utilizados no controle de doenças fúngicas incluem:

  • Estrobilurinas (C2) + triazóis (G1) (em inúmeras combinações): ambos são fungicidas sítio-específico. Eles correspondendo a mais de 22% das opções disponíveis;
  • Triazóis: aparecem em segundo, com participação de 20% na totalidade dos produtos registrados. A aplicação isolada de triazóis não é recomendada, porque este grupo de fungicidas atua em um único sítio-específico de ação, é há alto risco de resistência;
  • Mancozebe (M): é um fungicida multissítio do grupo dos ditiocarbamatos com quase 9% da totalidade de produtos registrados.

Na lista de fungicidas para milho, são inúmeras as opções. Além da consulta, fique de olho nos percentuais de eficiência dessas moléculas. Isso vai depender do híbrido utilizado e da região de cultivo.

Ainda, vale lembrar que o uso do Carbendazim no milho e demais culturas está suspenso em todo país.

Melhores tratamentos para controle de doenças no milho

Resultados de pesquisa indicam que as combinações que resultaram em maiores produtividades em relação aos tratamentos sem fungicidas foram:

  • Tratamento 4: Piraclostrobina (estrobilurina) + Mefentrifluconazol (triazol) + Fluxapiroxade (carboxamida) – em fase de registro pela empresa BASF  na época do estudo. Composição semelhante ao Belyan): resulta em controle de 83% das manchas foliares e 19% de ganho de produtividade;
  • Tratamento 8: Difenoconazol (triazol) + Pydiflumetofen (carboxamida) (em fase de registro pela empresa Syngenta na época do estudo. Composição semelhante ao Miravis Duo): 77% de controle e 18% de ganho de produtividade;
  • Tratamento 6: Trifloxistrobina (estrobilurina) + Protioconazol (triazol) + Bixafen (carboxamida) – Fox Xpro: 77% de controle e 17% de ganho de produtividade.

A eficiência de outras moléculas e detalhes podem ser visualizados na tabela abaixo:

Tabela que mostra fungicidas para milho com melhor desempenho.
(Fonte: Custódio)

Conclusão

O melhor fungicida para milho deve ser planejado em função do histórico de doenças da área de cultivo. A eficiência do controle depende de vários fatores, sobretudo da época em que as aplicações são realizadas.

É indispensável que as doenças sejam controladas quando a sua severidade ainda é baixa.

Para o controle de doenças na sua área de cultivo, consulte sempre um(a) engenheiro(a)-agrônomo(a). Afinal, as recomendações podem variar bastante conforme as características da sua lavoura.

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Restou alguma dúvida sobre a aplicação de fungicida para milho? Deixe sua dúvida nos comentários abaixo!

Todas informações sobre mancha aureolada do cafeeiro

Mancha aureolada: o que é, como identificar, quais sintomas, métodos de controle, diferença entre cercosporiose e phoma e mais. 

A mancha aureolada é uma das principais doenças do café. Ela vem causando grandes prejuízos nos cafezais do Paraná, São Paulo e em Minas Gerais.

Para se ter um bom controle dessa doença, é importante conhecer suas causas, clima e época favoráveis, danos causados e saber como identificar.

Neste artigo, saiba quais são os sintomas causados pela mancha aureolada na lavoura de café, como diferenciá-la de outras doenças e principais métodos de controle. Boa leitura!

O que é e como identificar a mancha aureolada no café?

A mancha aureolada é uma doença bacteriana, causada pela bactéria Pseudomonas syringae pv. garcae. Ela afeta folhas, ramos, flores e frutos do cafezal.

Identificar a mancha aureolada nas folhas de café é possível através das manchas marrons envoltas de um halo amarelado, de tamanho e formato irregulares. É dessa característica que vem o nome da doença. Depois, a mancha marrom pode necrosar, ocasionando ruptura.

Esses sinais podem ocorrer em toda parte da folha, mas geralmente aparecem na periferia. E vale ressaltar que em mudas, inicialmente, pode não haver a presença do halo.

Neste caso, a identificação nas folhas é possível ao observar manchas translúcidas quando colocadas contra a luz. Com o desenvolvimento do patógeno, as manchas ficam como descrito nas folhas mais velhas.

Nos ramos afetados pela bactéria, as lesões são escuras. Isso causa a seca deles, que progridem da ponta para base, gerando queda foliar. As flores do café e os frutos também são afetados quando ocorre a entrada do patógeno nos ramos produtivos.

Fotos de folhas de café com mancha aureolada
Sintomas da mancha aureolada em: A e B- ramos e folhas; C- frutos de café 
(Fonte: Embrapa)

Como diferenciar mancha aureolada de outras doenças 

Alguns sintomas da mancha aureolada da plantação de café podem ser confundidos com outras doenças frequentes, como a cercosporiose e a phoma.

Saber diferenciar os sintomas é importante para que o controle correto seja realizado com maior precisão e rapidez. Assim, você evita a contaminação de mais plantas na lavoura.

Veja a seguir como diferenciar os sintomas para ter maior assertividade no combate à doença.

Cercospora x mancha aureolada

A cercosporiose é uma doença conhecida também como mancha de olho pardo. Ela é  causada pelo fungo Cercospora coffeicola

Para diferenciar os sintomas causados pela mancha aureolada e cercosporiose, é importante se atentar aos ramos e ao aspecto da mancha nas folhas.

A mancha aureolada atinge os ramos, causando seca. Esse é um grande fator para diferenciar essas duas doenças, pois a cercosporiose atinge principalmente folhas e frutos.

A maior causa de confusão entre estas duas doenças é por ambas apresentarem um halo amarelado circundando as manchas nas folhas. O que diferencia as duas é que a mancha de olho pardo é marrom-escura, e o centro da lesão é cinza-claro.

Foto de folhas de café com a doença do olho pardo
Sintomas de cercosporiose em folhas de café 
(Fonte: Embrapa)

Mancha aureolada x phoma

A mancha-de-phoma é uma doença causada pelo fungo Phoma sp. O sintoma que se assemelha ao da mancha aureolada do cafeeiro é o ataque do patógeno nos ramos do café.

Os ramos atacados pela mancha aureolada secam em grande extensão ou completamente. Isso acontece pelo patógeno atingir a parte lenhosa, que progride até a base.

Na mancha-de-phoma, também ocorre ataque da ponta para a base dos ramos. Entretanto, a seca é menor e há menos agressividade. Apenas com o desenvolvimento da doença, sem o devido controle, o ramo pode secar totalmente.

O que diferencia a mancha-de-phoma da mancha aureolada é principalmente o sintoma nas folhas. O ataque do fungo que causa a phoma ocorre com maior intensidade nas folhas mais novas, ou seja, nas folhas da ponta dos ramos.

As manchas de phoma aparecem na borda do limbo foliar, com coloração escura. Com a progressão da doença, há necrose e deformação nas folhas.

Folhas de café com sintomas de phoma
Sintomas de phoma em folhas e ramos de cafeeiro 
(Fonte: Embrapa)

Condições favoráveis para desenvolvimento da doença

Para que uma doença se instale na lavoura, é preciso haver três fatores: ambiente favorável, presença do patógeno e planta suscetível. Saber destes fatores é importante para:

  • determinar quais são as portas de entrada da doença;
  • como evitá-las;
  • as condições ambientais em que o patógeno vive;
  • quais as fases mais críticas da lavoura para ocorrência da doença.

Para a mancha aureolada do cafeeiro, o triângulo da doença é o seguinte:

Patógeno

Pseudomonas syringae pv. garcae, bactéria causadora da mancha aureolada, entra nas áreas produtoras de café principalmente por meio de mudas contaminadas. A infecção do cafezal também pode acontecer por material contaminado com esta bactéria.

Ambiente favorável

As condições ideais para o desenvolvimento da bactéria ocorrem em temperaturas mais amenas, entre 18 °C e 23 °C.

Locais com alta umidade relativa do ar e alta pluviosidade também são favoráveis para a bactéria causadora da doença. Essas condições ocorrem especialmente em locais com altitude acima de 1000 m.

Nesses locais, também há mais ocorrência de ventos fortes e ar frio, que causam danos nas plantas de cafeeiro. 

Hospedeiro

As plantas de café estão suscetíveis à doença entre a fase de mudas até os 4 anos. Após as podas dos ramos e colheitas, ataque de pragas, ventos fortes e granizo deixam as plantas suscetíveis.

Nesses momentos, ocorrem ferimentos nas plantas. Esses ferimentos são portas de entrada para a bactéria.  É importante também fazer uma boa adubação do café, sem excesso e falta de nitrogênio e fósforo.

Para te ajudar nessa etapa, separamos uma planilha grátis para adubação do cafezal. Basta clicar na imagem abaixo para acessar o material:

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Danos causados pela mancha aureolada no café

Pelos sintomas causados pela doença, é possível afirmar que ocorre queda da produtividade do café, seja direta ou indiretamente. Ainda, há redução da área fotossintética, diminuindo a produção de energia. Com a progressão da doença, as folhas do café caem.

O mesmo ocorre quando o patógeno afeta os ramos, causando queda das folhas. Esses sintomas causam redução da produção de forma indireta, porque a falta de energia reduz os componentes importantes para a produção e crescimento da planta.

Além dos danos indiretos, há os danos diretos. Com a seca dos ramos na fase de produção, a bactéria interfere no desenvolvimento das flores e causa queda dos frutos, sobretudo dos frutos chumbinhos.

Estes danos ocorrem em lavouras de mais novas (com até 4 anos), em cafezais mais velhos, após a poda dos ramos, após a colheita do café, e, principalmente.

Em viveiros de mudas, os danos podem ser de 100%. Afinal, as mudas apresentam tecidos mais jovens que são facilmente colonizados pela bactéria.

Imagem de viveiro de café com sintomas de mancha aureolada
Viveiro de mudas de café com presença de mancha aureolada 
(Fonte: CafePoint)

Mancha aureolada: controle da doença no cafezal

A principal forma de combate da mancha aureolada em café é evitar a entrada da bactéria causadora da doença. Doenças causadas por bactérias são de difícil combate, por isso o principal controle é o preventivo.

Como as mudas são as principais formas de entrada em áreas produtoras de café, é importante obter mudas de viveiros idôneos, que não tem a presença da bactéria.

A principal recomendação para produção de mudas livres da mancha aureolada é evitar o desenvolvimento do patógeno no viveiro. Para isso, evite as condições favoráveis, como alta umidade dentro do local.

Ainda, é importante proteger o viveiro de ventos e granizos. Isso evita que ocorram ferimentos nas mudas.

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Havendo constatação de mudas contaminadas, elas devem ser retiradas do viveiro e destruídas. Além disso, é necessário aplicar fungicidas cúpricos a cada 15 dias, e/ou antibióticos como casugamicina, que é um bactericida e fungicida.

Estes produtos são bastante utilizados como preventivos, tanto em viveiros de mudas como em áreas de plantas de até 4 anos. Também são utilizados em plantas adultas, após podas ou antes da colheita.

A principal forma de entrada da bactéria nas plantas de café é por meio de ferimentos. Por isso, é importante evitar o plantio em locais onde há ventos fortes que causam danos nas plantas.

Caso a lavoura de café seja instalada em locais com ventos fortes, utilize cultivares com portes menores. Ainda, faça barreiras de ventos ao redor da área com plantas de porte alto, como eucaliptos.

Após o transplante das mudas, use braquiária ou crotalária no espaçamento da plantação de café, nas entrelinhas.

Conclusão

Neste texto, você viu todos os danos que a mancha aureolada causam no cafeeiro. Você também viu que é importante identificar a doença e diferenciá-la da cercosporiose e da mancha-de-phoma.

Essa doença causa danos diretos e indiretos na produção de café, e por ser bacteriana, é de difícil controle. 

Por isso, faça o manejo preventivo e preste muita atenção no cafezal, sobretudo nas mudas e em plantas com ferimentos. Na dúvida, conte com a ajuda de um(a) engenheiro(a)-agrônomo(a).

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Tudo o que você precisa saber para o manejo da mancha-branca do milho

Mancha-branca do milho: entenda o que causa, sintomas, condições favoráveis, disseminação e manejo da doença.

A mancha-branca (ou pinta-branca) é uma doença foliar de grande importância agronômica. Ela está presente nas principais regiões produtoras de milho do Brasil.

Essa doença é agressiva e acontece mais em plantios de milho safrinha

Quando não controlada ou manejada de forma ineficiente, pode causar sérios prejuízos e reduzir a produtividade da lavoura.

Neste artigo, confira mais sobre as causas e consequências dessa doença no seu milharal. Boa leitura!

O que causa mancha-branca do milho

A mancha-branca é uma doença do milho provocada por mais de um agente.

O principal microrganismo causador da mancha-branca é a bactéria Pantoea ananatis. Além dessa bactéria, alguns fungos também estão associados à doença, como:

  • Phaeosphaeria maydis;
  • Phoma sorghina;
  • Phyllosticta sp.;
  • Sporormiella sp.

Como a mancha-branca se espalha na lavoura

A disseminação dos microrganismos responsáveis pela mancha-branca ocorre pela ação do vento e por respingos de água.

Os patógenos sobrevivem nos restos culturais, constituindo a fonte primária do inóculo

As lavouras de milho em sistema de plantio direto estão mais sujeitas à ocorrência da doença. Afinal, nesses casos há aumento na concentração do inóculo.

Como identificar a mancha-branca no milho

Inicialmente, você vai observar sintomas nas folhas inferiores da planta de milho. Porém, com a evolução da doença, as folhas superiores também podem apresentar sintomas. 

As lesões começam na ponta das folhas. À medida que a doença avança, as manchas foliares progridem para a base das folhas do milho. 

Foto de uma folha de milho com manchas brancas na ponta.

Sintomas iniciais da mancha-branca na ponta da folha de milho 

(Fonte: Circular Técnica 167 — Embrapa)

As lesões foliares provocadas pela mancha-branca têm formato circular ou oval. Elas têm aspecto encharcado e coloração verde-clara.  Com o tempo, essas manchas tornam-se necróticas e adquirem coloração palha.

O tamanho das lesões varia de 0,3 cm  a 1,0 cm de diâmetro.

Foto de mancha branca em folha de milho, vista de perto

Sintomas da mancha-branca do milho

(Fonte: Agência Embrapa de Informação Tecnológica)

Dependendo da severidade da doença, os sintomas também podem ser observados na palha das espigas

A severidade da doença está relacionada ao nível de suscetibilidade do híbrido de milho. Condições ambientais também podem agravar a mancha-branca. 

A mancha-branca provoca a seca prematura das folhas. Ela também pode causar prejuízos ao processo de enchimento de grãos.

Em geral, não é comum observar sintomas de mancha-branca em plântulas de milho. Os sintomas da doença são mais severos durante a fase reprodutiva da lavoura, especialmente após o pendoamento.

Como fazer manejo preventivo da mancha-branca do milho

Melhor que cuidar da mancha-branca no milho é conseguir evitar que a doença chegue na lavoura. Isso é possível de três formas: através do manejo de resistência, da antecipação de semeadura e evitando as condições favoráveis.

Faça o manejo de resistência 

O primeiro passo do manejo preventivo é a resistência genética. Essa é uma alternativa eficiente e de baixo impacto ambiental no manejo dessa doença. 

Os híbridos desenvolvidos pela Embrapa (BRS 1010, BRS 1030 e BRS 1035) são exemplos de milho com resistência à mancha-branca.

Evite as condições favoráveis da mancha-branca

O segundo passo é evitar as condições climáticas que favorecem a doença. A mancha-branca se desenvolve em alta umidade relativa do ar (acima de 60%) e temperaturas amenas (14 °C a 20 °C).

Geralmente, as lavouras de milho plantadas na segunda safra têm maior ocorrência da mancha-branca. Nesse período, outros fatores podem contribuir para o desenvolvimento da doença:

  • elevado índice de chuvas;
  • noites com temperaturas mais baixas;
  • formação de orvalho.

A fase mais comum de início da doença é durante o estádio V9 de desenvolvimento do milho. A fase mais crítica acontece entre os estádios VT — R5.

Antecipe a semeadura

Outra boa forma de evitar a mancha-branca é a rotação com culturas não suscetíveis à doença

A antecipação da semeadura do milho também é uma boa opção.  Isso reduz as chances de que a fase de maior suscetibilidade da cultura coincida com condições climáticas favoráveis à doença.

Melhores fungicidas para mancha-branca do milho

Se você identificou a doença na lavoura, é necessário fazer o manejo químico quanto o antes. A aplicação de fungicidas para milho é indicada para plantações suscetíveis à doença.

Uma pesquisa realizada pela Embrapa concluiu que alguns produtos têm baixa eficiência no controle da mancha-branca. São eles:

  • carbendazim (fungicida);
  • triazóis (fungicida);
  • oxitetraciclina (antibiótico);
  • kasugamicina (antibiótico).

O estudo também apontou que os fungicidas do grupo químico das estrobilurinas têm muita eficiência no controle dessa doença.

No controle químico, é essencial fazer a rotação dos produtos com diferentes ingredientes ativos. Isso previne o desenvolvimento de resistência dos patógenos.

Também é fundamental seguir as recomendações do fabricante quanto à dosagem, modo e época de aplicação dos produtos. Esses fatores interferem na eficiência do defensivo agrícola no controle da mancha-branca.

Além de tudo, faça monitoramentos periódicos na lavoura. Essa ação permite identificar a doença ainda em fase inicial

Você também poderá quantificar a área afetada, estabelecer como é a distribuição na lavoura (reboleiras, bordaduras, etc) e quais os sintomas das plantas. 

O diagnóstico correto da doença, as informações coletadas no monitoramento e os dados meteorológicos são fundamentais para a tomada de decisão. 

A partir disso, é possível traçar um plano de manejo preciso para a doença. 

Vale lembrar que, no controle da mancha-branca, é fundamental a necessidade de adotar estratégias integradas de manejo

Conclusão

A mancha-branca é uma doença foliar causada por bactéria e fungos

Em geral, os sintomas são mais severos na fase reprodutiva do milho, especialmente após o pendoamento.

Alta umidade e temperaturas amenas favorecem o desenvolvimento da mancha-branca. A disseminação ocorre pela ação do vento e respingos de água.

Faça um manejo integrado para garantir sucesso no controle. Plante híbridos resistentes e aplique defensivos químicos quando necessário. Na dúvida, consulte um especialista!

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Você já conhecia a mancha-branca do milho? Essa doença já foi detectada na sua lavoura? Como foi realizado o manejo? Deixe seu comentário.

Como a morfolina pode te ajudar no manejo de doenças da soja

Morfolina: entenda como o fungicida funciona, as recomendações de uso, cuidados que você deve seguir e muito mais!

Os relatos de resistência de fungos são cada vez mais frequentes. 

Por isso, é necessário usar alternativas de manejo nas culturas. Isso principalmente com grupos químicos diferentes.

As morfolinas são um bom exemplo de alternativa. No entanto, para funcionarem bem, alguns cuidados devem ser tomados.

Neste artigo, você irá conhecer o modo de ação das morfolinas nas plantas, indicações de uso e cuidados necessários para uma aplicação eficiente e segura!

O que é morfolina?

A morfolina é um fungicida que pode ser utilizado em todos os momentos do ciclo da soja.

O efeito da morfolina acontece somente depois da germinação dos esporos do fungo na planta. Ela impede a infecção e a colonização dos fungos.

Se utilizada da forma correta, a morfolina tem médio a baixo risco de resistência. 

A ação causa a morte dos fungos. Por isso os fungos devem estar presentes na planta para haver efeito.

Como a morfolina funciona

A morfolina pode ser absorvida e transportada para outras partes da planta. 

Ilustração de plantas sob o efeito de fungicidas. A planta que está sob efeito de um fungicida sistêmico está com coloração diferente, indicando que o produto atinge toda a planta, independente do local de aplicação.

Modo de ação dos fungicidas conforme a sua capacidade de translocação. O fungicida sistêmico, pode ser aplicado na parte aérea, por exemplo, e ser translocado (transportado para o sistema radicular, raízes).

(Fonte: adaptado pela autora de Dorrance e colaboradores., 2007)

Por isso, a aplicação desse fungicida sistêmico pode ser via foliar, na parte aérea. 

Assim, outras partes da planta também entrarão em contato com o fungicida pela capacidade de translocação.

Recomendações de uso de morfolina na soja

Alguns cuidados devem ser tomados na aplicação e na recomendação. 

Esses cuidados são relacionados à eficiência e a possíveis efeitos fitotóxicos causados nas plantas após a aplicação.

Pontos importantes no uso de morfolinas: 

  • As morfolinas não têm efeito sobre manchas foliares ou fungos que sobrevivem em restos de cultura.
  • Para se ter eficiência no uso, a doença causada pelo fungo deve estar presente na área
  • Para que o fungicida seja efetivo, a aplicação deve ser feita no tempo correto. O tempo ideal é quando a doença está na fase inicial. Aplicações anteriores ao início da doença não tem efeito.
  • Limitação em uso de misturas. Triazóis e triazolintiones não são recomendados.
  • Morfolinas devem ser sempre aplicadas em misturas com outros princípios ativos. Assim, você evita que populações resistentes do fungo sejam selecionadas no campo.

Controle de ferrugem asiática da soja com morfolina

Na cultura da soja, a morfolina (especialmente fenpropimorfe) é recomendada para o controle da ferrugem asiática. Isso principalmente se você quer fazer manejo da resistência. 

Gráfico que mostra que a produtividade  da soja com ferrugem asiática sob uso de morfolina é muito maior  em relação ao uso de outros fungicidas.

Produtividade da cultura da soja no controle da ferrugem asiática com diferentes associações de fungicidas. O tratamento 6 representado no gráfico foi realizado com associação de [trifloxistrobina + Proticonazol + Bixafem] + [Fenpropimorfe (morfolina)] e apresentou a maior produtividade, devido ao controle efetivo da doença.

(Fonte: Baldo, 2020)

O estádio de desenvolvimento da doença determinará a eficiência da aplicação. 

Por isso, aplique no início dos sintomas (quando localizados no terço inferior ou “baixeiro”). Não deixe de misturar a morfolina com outros princípios ativos.

Misturas podem ser realizadas com fungicidas multissítios, ou com triazóis + estrobilurinas

O triazol escolhido deve ser de menor agressividade (ciproconazole + estrobilurinas + morfolina, por exemplo). Assim, você evita o efeito fitotóxico.

Diferentes doses são recomendadas de acordo com os sintomas. Sempre confira a bula dos produtos, e siga as recomendações do fabricante.

É recomendado realizar o monitoramento e aplicações após o início do florescimento.

Se os sintomas aparecerem antes deste estádio, a aplicação pode ser feita imediatamente. 

Lembre-se de não ultrapassar 2 aplicações por ciclo da cultura. Faça no máximo 14 dias de intervalo. 

Em doses maiores (conforme orientação do produto), realize uma única aplicação. Isso porque o risco de fitotoxicidade é alto. 

Doses maiores são recomendadas exclusivamente em situações de alta pressão de fungos na área.

Foto de três folhas de soja com parte ampliada. A primeira apresenta alguns pontos marrons, a segunda muitos pontos e a terceira, possui coloração completamente marrom.

Sintomas e sinais observados de ferrugem asiática. A cultura deve ser monitorada constantemente, e aplicações com morfolina em misturas, só devem ser realizadas com a presença inicial da doença (terço inferior ou “baixeiro”)

(Fonte: Bayer, 2021)

Controle de oídio na soja com morfolina

A morfolina pode ser utilizada ainda para o controle de oídio. Use misturas de morfolina + estrobilurina + carboxamida, por exemplo.

Foto de folha de soja com sinais de oídio. As folhas apresentam coloração esbranquiçada e alguns furos.

Sintomas e sinais de oídio. Os sintomas se apresentam como um pó “esbranquiçado” em ambas as faces da folha (inferior e superior), podendo cobrir toda a planta, afetando hastes e vagens. 

(Fonte: Godoy e colaboradores, 2021)

Para o controle do oídio, deve haver cerca de 20% de severidade no terço inferior da planta.

Após o estádio R5.5 da soja, aplicações já não devem ser feitas.

Faça o número de aplicações máximas conforme o que indica a bula do produto. Normalmente, o ideal é fazer uma aplicação por ciclo da cultura, a depender da evolução da doença na área. 

Em caso de necessidade de mais uma aplicação, outros fungicidas recomendados para o oídio na soja devem ser utilizados.

Não se esqueça de monitorar a área, e de consultar um engenheiro agrônomo.

Recomendações de morfolina para outras culturas

Segundo o Agrofit, para outras culturas, o uso de morfolina é recomendado para as seguintes doenças:

  • Algodão: indicado para ramulária;
  • Cevada: indicado para mancha-reticular e ferrugem-da-folha;
  • Trigo: indicado para oídio, ferrugem-da-folha e ferrugem-do-colmo.

É importante observar que a morfolina pode causar queimaduras em cultivares suscetíveis de trigo. Isso também depende das condições climáticas no momento da aplicação.

Não aplique em períodos de baixa umidade relativa do ar (inferiores a 60%) e temperaturas superiores a 30 °C. 

Em temperaturas muito baixas ou em períodos de previsão de geadas próximas, a aplicação no trigo também não é indicada.

Fique de olho nas previsões climáticas para os dias após a pulverização. Chuvas quatro dias após a aplicação podem influenciar negativamente no desempenho do fungicida. 

O orvalho também afeta a eficiência do produto.

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Conclusão

O uso das morfolinas para o controle de doenças de culturas como a soja, cevada, trigo e algodão é importante no manejo de resistência.

As aplicações devem ser realizadas em misturas com outros princípios ativos. Aplique somente quando a doença já estiver na área, porque o efeito do fungicida é curativo.

Não deixe de seguir as recomendações da bula do produto. Procurar a orientação de um(a) engenheiro(a)-agrônomo(a) também é fundamental!

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