BPO Contábil: como sua fazenda pode se beneficiar desse serviço

BPO contábil: conheça as rotinas, vantagens, como e quem pode fazer esse serviço e muito mais!

Para deixar a gestão mais eficiente, você pode terceirizar alguns processos secundários da sua fazenda. Um desses processos é a contabilidade rural.

A contabilidade lida com questões legais, tributárias e fiscais. Ter uma equipe especializada pode ser o menor caminho para a assertividade da gestão.

Essa equipe pode ser terceirizada por um BPO (Business Process Outsourcing), dado o nível de especificidade e complexidade da área contábil. 

Neste artigo, você vai saber o que é o BPO contábil e o que ele pode oferecer para seu negócio rural. Boa leitura!

O que é BPO Contábil?

O BPO é a terceirização de processos secundários dos negócios. Em outras palavras, é delegar algumas atividades a empresas especializadas.  Esse tipo de prática permite a redução de custos e o aumento da produtividade. Além disso, possibilita que você foque em atividades estratégicas.

O BPO contábil faz os processos contábeis do seu negócio. Em vez de você ou sua equipe interna realizarem esses processos, uma empresa terceirizada faz esse trabalho. 

Os fornecedores de BPO precisam ser empresas com conhecimentos técnicos mais específicos. Esta prática diminui muito os erros técnicos.

Quais rotinas contábeis podem ser terceirizadas?

O BPO Contábil une processos e tecnologia para proporcionar mais agilidade e eficiência às empresas. Dentre as rotinas que podem ser terceirizadas, há:

  • Elaboração do balanço do patrimônio rural;
  • Apuração dos impostos e emissão de guias;
  • Entrega de obrigações fiscais, sociais e acessórias;
  • Elaboração de folhas de pagamento;
  • Relatórios e demonstrativos contábeis;
  • Controle de vencimento de certidões e alvarás.

Vantagens do BPO Contábil

O BPO contábil garante que as obrigações fiscais serão cumpridas. Isso evita entraves com a Receita Federal. Além dessa grande vantagem, há muitas outras.

1. Mais eficiência nos processos

Contratar um BPO aumenta a eficiência dos processos internos da sua propriedade rural. Afinal, sem as obrigações contábeis nas suas mãos, você pode se dedicar ao gerenciamento de processos operacionais da fazenda. 

2. Redução dos custos operacionais 

O BPO contábil reduz os custos com a contratação de colaboradores especialistas nas áreas  de contabilidade, na gestão de pessoas e nas questões fiscais. 

Eles criam planejamentos estratégicos muito seguros. Ainda, podem reduzir os pagamentos de tributos que não são necessários na sua situação.

3. Aperfeiçoamento dos controles fiscais 

A sua empresa irá se manter atualizada sobre as alterações legislativas na área tributária, reduzindo as chances de erros ou multas. 

Os profissionais de BPO contábil vão cumprir todas as obrigações tributárias e fiscais para o seu negócio. Outra vantagem é que você sempre pode contar com o conhecimento desses profissionais para tirar quaisquer dúvidas.

4. Análise para possíveis investimentos

O profissional de BPO pode te ajudar com análises para que seus investimentos sejam mais eficazes e certeiros.  Ao optar por esse recurso, você pode obter melhores resultados e escolher os melhores investimentos.

5. Garantia de regularidade 

O BPO oferece a garantia de que sua empresa vai atuar de acordo com a legislação. 

A equipe responsável irá te orientar sobre políticas e diretrizes que devem ser seguidas no desenvolvimento das atividades. Qualquer inconformidade é detectada e solucionada de forma rápida e eficaz.

Esquema que mostra os benefícios do BPO contábil: redução de processamentos manuais, acesso às tecnologias, trabalho mais rápido, benefícios financeiros, vantagem competitiva e maior desempenho

Todos os tipos de BPO oferecem muitos benefícios para a sua empresa rural

Fonte: (Taugor)

Como fazer BPO Contábil

O primeiro passo é buscar um excelente fornecedor.  Os serviços contratados e as responsabilidades desse fornecedor devem estar claros.

Além disso, na organização interna, é necessário desenhar como funciona o processo antes do BPO. 

Na parte contábil, quase todas as atividades podem ser terceirizadas. Mas ainda assim é preciso saber como será a troca de informações e documentos com o fornecedor e quais os responsáveis por esta etapa.

Após implantado, o BPO precisa de monitoramento por parte do contratante. É importante manter os processos sob controle. Assim, você poderá identificar falhas nos resultados. 

Para ter um serviço de qualidade e com os melhores resultados, escolha uma empresa de confiança no mercado.

Quem pode fazer o BPO Contábil?

Nos serviços de BPO contábil, você pode contar com apoio na emissão e no processamento da documentação. Tudo é feito diretamente pela empresa terceirizada.

Para ser considerado BPO contábil, o serviço precisa oferecer todas as etapas da contabilidade externas à empresa, tais como: 

Vale lembrar que serviços de BPO financeiro não oferecem a parte contábil.

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Diferença entre BPO contábil, financeiro e fiscal

O BPO contábil é a realização dos processos contábeis da empresa por outra empresa.

O BPO financeiro é a contratação de uma empresa terceirizada para a gestão das finanças do seu empreendimento. Ele é responsável por toda ou parte da gestão financeira. 

Já o BPO fiscal faz o processamento e o cruzamento de informações fiscais da empresa. Ou seja, deve atender às obrigações fiscais e acessórias, além de manter os impostos sempre atualizados.

Esses três tipos de BPO oferecem um gerenciamento estratégico.  Para as empresas que não possuem um setor contábil interno, essa assessoria é a solução para que os negócios não fujam da regularidade.

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Conclusão

BPO contábil é a terceirização de serviços contábeis da empresa. 

Ao optar pelo BPO, os processos contábeis da sua fazenda são executados por especialistas externos.

O BPO possibilita que você e sua equipe interna foquem em atividades estratégicas. Isso  melhora os resultados da fazenda, reduz seus custos e aumenta sua produtividade. 

Você já conta ou pensou em contar com BPO contábil na sua propriedade? Deixe seu comentário abaixo!

Veja como calcular a margem de lucro da sua fazenda

Margem de lucro da fazenda: como calcular margem bruta e líquida, como garanti-las, dicas e muito mais!

A manutenção de um caixa saudável da atividade agrícola é o primeiro passo para uma boa gestão. 

É necessário entender, exatamente, para onde está indo o dinheiro, o trabalho e a rentabilidade da sua produção. 

A consequência disso é saber se há uma boa margem de lucro no seu negócio rural. Com essa informação, você pode tomar decisões muito mais assertivas.

Neste artigo, veja como obter a margem de lucro do seu negócio e como a tecnologia pode te ajudar nesta gestão. Boa leitura!

O que é margem de lucro?

Margem de lucro é um indicador financeiro muito utilizado para avaliar a saúde financeira das empresas. 

O lucro bruto ou líquido são a diferença entre o faturamento obtido com as vendas dos produtos e os custos da sua fazenda.

A margem de lucro, por sua vez, é o percentual obtido da relação entre o lucro bruto ou líquido com a receita total do seu negócio.

Ou seja, ela é a porcentagem do preço de um produto que corresponde ao lucro do negócio.

Ter conhecimento sobre a margem de lucro é imprescindível para o sucesso da empresa rural. Afinal, ela auxilia na formação do preço de vendas dos seus produtos, garantindo a saúde financeira da fazenda.

Como calcular a margem de lucro da fazenda?

Para garantir a margem de lucro da empresa rural, saber apenas o preço de venda do produto final não é suficiente. É preciso ir além.

É necessário conhecer profundamente os custos de produção. Isso é tão importante quanto conhecer os preços de venda do seu produto.

A margem de lucro é afetada pelos custos de produção. Assim, conhecer seu orçamento é fundamental para definir o preço de venda. A partir dessa informação, você saberá qual será o seu lucro. 

Nesse momento, contar com a tecnologia é fundamental para fazer contas precisas. Por isso, separamos um kit gratuito com duas planilhas para você.

Com uma, você irá calcular os seus custos de produção. Com a outra, vai comparar seus custos com as fazendas de todo o Brasil. Clique na imagem abaixo para baixar:

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O que é o lucro?

O lucro é a diferença entre a receita bruta e o custo total. Ele pode ser líquido ou bruto.

O custo total é composto pelo custo operacional total e o custo de oportunidade sobre todo o capital investido na fazenda.

O período considerado na análise é de um ano. Portanto, é fundamental conhecer a receita bruta e o custo total no mesmo período.

Como calcular o lucro da fazenda

Para calcular o lucro da fazenda, você deve subtrair a receita bruta do custo total de produção:

Lucro = Receita Bruta — Custo Total

Para que a atividade rural seja sustentável no longo prazo, o lucro deve ser positivo

Este lucro deve ser reinvestido para o crescimento da empresa, garantindo o sucesso econômico da empresa rural no longo prazo.

Cálculo do lucro bruto da fazenda

Agora que você já sabe calcular o lucro da sua fazenda, precisa saber também calcular o lucro bruto. Você vai precisar desse número para calcular a margem bruta da sua propriedade.

Para descobrir seu lucro bruto, você deve calcular:

Lucro bruto = receitas totais — custos operacionais

Cálculo do lucro líquido da fazenda

Você também precisará saber o lucro líquido da sua fazenda. Afinal, irá precisar desse número para encontrar a margem líquida.

Para descobrir, você precisa calcular:

Lucro líquido = receitas totais — custos totais

Margem Bruta

Se você considera o resultado da conta receita — despesa como lucro, pode estar afastando seu negócio do sucesso.

Nessa conta, são consideradas apenas as despesas diretas ou operacionais. Mão de obra, fertilizantes, água e combustível fazem parte dessas despesas. 

A margem bruta é um importante indicador gerencial que pode ser extraído da demonstração do resultado do exercício

O custo operacional efetivo são as despesas diretas ou custos variáveis. Eles são os que geraram um desembolso direto por você.

A margem bruta representa a eficiência comercial da atividade. Ou seja, indica se a sua empresa rural está comprando bem os insumos e matéria prima. Também indica se está comercializando bem a produção.

Nela, são consideradas apenas as despesas de apenas um ciclo de produção

As atividades de pecuária e agricultura têm uma alta representatividade dos custos variáveis na receita. Eles podem afetar a margem de lucro. 

Uma parte destes custos pode estar atrelada a insumos que crescem proporcionalmente ao volume de produção.

Outra parte destes custos apresenta alta volatilidade, relacionada a fatores externos à fazenda, como: câmbio, oferta, demanda e clima.

Existem outros tipos de indicadores derivados da margem bruta. 

Um exemplo é a margem bruta por hectare. Ela é utilizada para avaliar a viabilidade econômica da produção por cada hectare utilizado. 

Como calcular a margem bruta da fazenda

A margem bruta é calculada como a diferença entre a receita bruta e o custo operacional efetivo:

Margem Bruta = (lucro bruto / receita líquida) x 100 

Se a margem bruta for negativa, isto significa que a atividade é economicamente inviável a curto, médio e longo prazo.  Nesse caso, você estaria pagando para produzir.

Se a margem bruta for igual a zero é preciso ficar em alerta

Este resultado mostra que a margem paga os custos operacionais. Porém, ela não paga os demais custos com depreciação, custo de oportunidade, entre outros.  

Neste caso, a atividade pode ser inviável no médio prazo.

Margem líquida

A margem líquida é a diferença entre a receita bruta e o custo operacional total

Nela, são consideradas as despesas que não geram desembolso imediato. Depreciação de máquinas e equipamentos, custo de oportunidade do capital e mão de obra familiar são alguns exemplos.

A margem líquida é uma análise de médio prazo. Ela considera todos os custos operacionais e relacionados aos bens de produção da fazenda. O período considerado na análise é de um ano.

A análise da viabilidade econômica no médio prazo permite avaliar se a receita bruta paga o custo operacional efetivo. Também avalia se ela é suficiente para pagar os custos de depreciação e mão de obra familiar.

Como calcular a margem líquida da fazenda

Para calcular a margem líquida, você deve fazer a seguinte conta:

Margem Líquida = (lucro líquido / receita líquida) x 100

Se a margem bruta for negativa, a margem líquida também será negativa.

Se a margem líquida for positiva, a atividade está pagando as contas de custeio, custos com depreciação e mão de obra familiar no médio prazo. 

5 passos para alcançar uma boa margem de lucro da fazenda

1. Levante seus custos

O primeiro passo para entender e garantir uma margem de lucro é o levantamento de todos os custos.

Junte todos os custos relacionados ao processo de produção, dos mais complexos aos mais simples.

Este levantamento de todos os custos envolvidos deve ser realizado de forma precisa e criteriosa.  A forma com que esse levantamento é realizado depende muito das características de cada processo de produção

2. Faça a apropriação dos custos levantados

O segundo passo é a apropriação dos custos levantados em cada setor da fazenda. 

Isto é, saiba precisamente onde foi gasto cada insumo e cada hora trabalhada. Esses detalhes são  fundamentais para o entendimento dos custos.

3. Analise seus custos

O terceiro passo consiste em analisar estes custos e estudar melhorias na utilização dos insumos. A partir dessa avaliação, serão tomadas ações e decisões no processo de otimização e diminuição dos custos.

4. Faça uma boa gestão de estoque

Faça uma gestão eficaz e eficiente do estoque

Estoques mal geridos podem representar um grande obstáculo para o alcance de boas margens dentro de uma empresa rural.

Compras estratégicas podem reduzir significativamente o custo de produção da sua fazenda. Isso contribui para o sucesso na obtenção de margens de lucro satisfatórias.

5. Conte com um software de gestão

Para calcular e garantir uma boa margem de lucro na sua fazenda, muitas contas são necessárias.

Você pode facilitar esse processo através de um software de gestão agrícola como o Aegro. Com ele, controlar todos os seus custos e receitas é muito mais simples e intuitivo.

Foto de tela do aplicativo Aegro, na aba de custos. Há um gráfico redondo colorido.

Analisar os custos da sua fazenda é mais fácil com o Aegro

Afinal, todos os dados da sua fazenda, desde os da lavoura até o financeiro, ficam concentrados em um só lugar.

Outra facilidade é conseguir monitorar a rentabilidade do seu negócio. Nesses momentos, contar com a tecnologia pode te dar uma grande ajuda.

Conclusão

O conhecimento sobre os custos de produção e o cálculo correto da margem de lucro pode contribuir para o sucesso da sua atividade rural.

A correta separação e análise entre margem bruta, líquida e lucro pode auxiliar na correta avaliação dos indicadores econômicos. Isso irá embasar as tomadas de decisão na fazenda. 

Com esses conceitos bem definidos, é possível refinar a gestão da fazenda e ter melhores parâmetros para a tomada de decisão.

Como você calcula a margem de lucro da fazenda? Usa algum software ou planilha para te ajudar? Deixe seu comentário!

Importância da contabilidade rural + 7 passos para começar na sua fazenda

Importância da contabilidade rural: saiba tudo sobre inventário rural, registro de perdas, registros contábeis e as características dessa área!

A contabilidade rural é um instrumento capaz de ajudar quem produz a melhorar a gestão da fazenda. Como consequência, a lucratividade também melhora.

Toda a informação que essa área fornece sobre a fazenda pode ajudar na tomada de decisões estratégicas, especialmente com um softwares de contabilidade, que capacitam empresas rurais para serem mais competitivas.

O cumprimento das exigências fiscais também depende da contabilidade, que evita pendências e o recebimento de multas.

O que é contabilidade rural?

A contabilidade rural é responsável pela gestão financeira, econômica e patrimonial de atividades relacionadas ao agronegócio e à produção rural.

O objetivo da atividade é organizar, registrar, controlar e interpretar as operações econômicas realizadas nas propriedades rurais de todos os tamanhos.

É por conta disso que a importância da contabilidade rural é tão grande, e por especialidade considera características como:

  • Receitas;
  • Despesas;
  • Terra;
  • Equipamentos;
  • Insumos;
  • Empréstimos;
  • Patrimônio líquido da empresa rural.

A atividade rural apresenta particularidades que a diferenciam de outros setores da economia, o que torna importante contar com um profissional de contabilidade especializado em agronegócio.

Além disso, ao seguir a legislação brasileira e as normas do Comitê de Pronunciamentos Contábeis (CPC), as empresas do setor rural podem ter uma avaliação mais precisa de sua performance financeira e operacional.

Manter os registros contábeis atualizados e realizados com frequência traz diversos benefícios, como o acesso a melhores condições de crédito e financiamento.

Qual a importância da contabilidade rural?

A importância da contabilidade rural é garantir uma gestão saudável e estratégica dentro da sua propriedade rural, permitindo identificar os pontos que demandam maior atenção e as atividades mais rentáveis.

Além disso, a sua importância está em fornecer informações precisas e confiáveis para decisões assertivas e para o planejamento do negócio. Confira abaixo mais alguns motivos que fazem da contabilidade rural tão importante:

1. Controle financeiro e patrimonial

A contabilidade rural organiza e registra as movimentações financeiras e patrimoniais, como terras, maquinário, rebanhos, estoques e colheitas.

Isso permite que você saiba exatamente quais são seus ativos, passivos e o capital disponível para investimentos.

2. Tomada de decisões estratégicas

Com informações financeiras precisas, é possível realizar um planejamento de safra ainda melhor, com previsão de custos e receitas. Além disso, é fica mais fácil decidir sobre a aquisição de insumos, investir em tecnologia ou expandir a área de cultivo.

3. Gestão de custos e lucratividade

A importância da contabilidade rural também está na identificação de custos de produção por hectare, por unidade de produto ou por ciclo produtivo, permitindo calcular a rentabilidade das atividades. Isso é essencial para saber quais operações são mais viáveis economicamente.

4. Planejamento tributário

O setor rural tem particularidades tributárias, como o ITR, Funrural e regimes específicos de tributação. A contabilidade rural garante todo os cumprimento das obrigações fiscais, evitando multas e otimizando o pagamento de impostos por meio de um planejamento tributário adequado.

5. Prevenção de riscos e perdas

Ao monitorar receitas e despesas, e projetar cenários financeiros para identificar possíveis riscos e implementar estratégias de mitigação.

Entre essas estratégias está a criação de reservas financeiras para enfrentar períodos de baixa produtividade ou adversidades climáticas, garantindo maior estabilidade ao negócio.

6. Facilidade na obtenção de crédito

Os bancos e instituições financeiras exigem relatórios contábeis detalhados como parte do processo para concessão de empréstimos e financiamentos.

Com uma contabilidade bem-feita, é possível comprovar a capacidade de pagamento, apresentar histórico de resultados e justificar a viabilidade do investimento solicitado, o que pode facilitar o acesso a condições de crédito mais vantajosas.

Planilha de controle de endividamento rural

Como fazer a contabilidade rural na fazenda?

A contabilidade rural abrange as diferentes características da atividade do campo. Isso te dá uma visão para explorar os recursos de maneira muito mais eficaz.

Antes de estruturar a contabilidade, é essencial que produtores e contadores responsáveis pela área saibam dos pontos de atenção do negócio

Assim, você pode contar com informações mais precisas para precificar seus produtos e fazer um planejamento financeiro para as safras seguintes. 

Definir a reserva de caixa necessária para a produção, o orçamento de cada safra e acompanhar a evolução dos custos são algumas ações importantes.

Então, para se aprofundar no assunto, é indispensável conhecer as particularidades do negócio. Veja quais são elas:

1. Inventário rural

A contabilidade rural deve registrar o valor patrimonial da fazenda. É pelo levantamento patrimonial que você conseguirá analisar quais são os seus ativos e quais são seus passivos. Sempre registre:

  • Montante de capital em conta; 
  • Máquinas e equipamentos; 
  • Construções como galpões; 
  • Contas a pagar e receber; 
  • Estoque de produção.

Durante o processo de inventário, é fundamental não confundir as despesas pessoais com as despesas da atividade rural.

Também é necessário definir valores monetários para ativos (como árvores frutíferas), mas esse processo pode ser bem difícil.

Então, para determinar esse valor, existem técnicas específicas. Por exemplo, existem softwares que mapeiam itens e determinam seus valores.

2. Registro de perdas

O setor rural, muitas vezes, sofre perdas relacionadas a:

  • Infestação de pragas;
  • Incêndios;
  • Enchentes;
  • Inundações;
  • Tempestades com ventos fortes e granizo.

Qualquer um dos eventos deve ser registrado como despesa não operacional, já que se trata de uma variável cuja ocorrência foge do controle da gestão do negócio.

3. Culturas temporárias e permanentes

O tipo de cultura também tem interferência nos registros contábeis. As culturas temporárias, por exemplo, tem ciclos de curta ou média duração, que após a colheita precisam ser replantadas para continuar produzindo.

Nessa situação, os produtos são classificados como ativos circulantes, pois geram retornos em curto prazo. É fundamental registrar todos os custos associados, como mão de obra, insumos e combustível, garantindo uma gestão financeira precisa e eficient

Já a cultura permanente é de ciclo vegetativo longo, que permite colheitas sucessivas. Não há necessidade de novo plantio.

Nesse tipo de cultura, que o ciclo é maior que um ano, os produtos devem ser categorizados como ativos não circulantes. Ativos não circulantes dão retorno a longo prazo.

4. Ciclos operacionais

Conhecer o ciclo operacional da fazenda é outro ponto importante para o profissional da contabilidade., afinal, o tempo do ciclo de produção varia de acordo com o tipo de cultivo e rebanho.

Os ciclos operacionais, muitas vezes, não correspondem a um ano fiscal. Ou seja, eles podem ser maiores que 12 meses entre o plantio e a venda para o consumidor final.

Para que os registros contábeis sejam feitos corretamente, é fundamental entender o ciclo operacional da empresa.

5. Registros contábeis

O contador da empresa rural será o responsável pelo registro contábil.  Os registros devem englobar as contas de receita, custos e despesas. Portanto, o contador deve ser o responsável pelo cálculo dos encargos financeiros e trabalhistas, aplicações financeiras e imposto de renda da empresa.

Além disso, é recomendado que algumas informações específicas sejam observadas, como:

Atividades de criação de animais

Nessas atividades, o ideal é que os componentes patrimoniais sejam analisados da seguinte forma:

  • Estoque de animais: devem ser avaliados de acordo com a idade e com a qualidade;
  • Nascimento de animais: são calculados a partir da divisão dos custos acumulados pela quantidade de animais nascidos;
  • Custos de animais: encontram-se atrelados ao valor original, uma vez que são recorrentes e variam de acordo com a fase de desenvolvimento do animal.

Outras práticas rurais

Em outras atividade rurais, que não envolvem animais, os registros contábeis devem considerar informações como:

  • Avaliação dos bens: rendimentos vindos das culturas devem ser vinculados a cada produto pelo seu valor original, incluindo todos os custos relacionados ao ciclo operacional;
  • Custos indiretos: em casos de culturas temporárias e permanentes, eles devem ser vinculados a cada produto, individualmente;
  • Estoque de produtos agrícolas: os custos específicos de uma colheita são contabilizados, bem como seu respectivo beneficiamento, seu acondicionamento e sua armazenagem;
  • Despesas pré-operacionais: devem ser amortizadas já na primeira colheita;
  • Imobilizados: podem ser incluídos os custos que aumentam a vida útil de uma cultura permanente;
  • Despesa operacional: ganhos relacionados à avaliação dos estoques dos produtos pelo valor de mercado;
  • Ativos da empresa rural: devem incluir custos necessários para a produção, de acordo com a expectativa de concretização;
  • Ativo circulante: contém informações sobre as despesas com estoque de produtos agrícolas e todos os custos necessários para concretizar a safra no próximo exercício;
  • Ativo permanente imobilizado: trata-se de custos que trarão benefícios a longo prazo, ou seja, em mais de um exercício.

A escrituração contábil das atividades rurais é obrigatória e orientada por um plano de contas. Este plano serve de parâmetro para a elaboração das demonstrações contábeis. 

O plano de contas e a escrituração contábil devem conter os dados sobre ativos, passivos, receitas, custos e despesas

6. Elabore o fluxo de caixa

A partir da elaboração do fluxo de caixa é possível identificar as entradas e saídas financeiras de dinheiro no seu negócio. 

Além disso, o fluxo de caixa fornece informações sobre o saldo disponível e o capital de giro. Basicamente, você deve registrar todos os custos e recebimentos.

Os recebimentos consistem em toda entrada de dinheiro no caixa. Você deve considerar como recebimentos as vendas à vista e a prazo, cartões e rendimentos de aplicações.

Por outro lado, os custos representam todas as saídas de dinheiro do seu caixa.  É preciso registrar todos os pagamentos de fornecedores, custos e despesas financeiras, salários e encargos, impostos e empréstimos.

Para te ajudar nessa etapa, separamos uma planilha completa para você fazer o fluxo de caixa da sua fazenda. Clique na imagem abaixo para baixar:

planilha de fluxo de caixa

7. Conte com um software de gestão agrícola

Para ter acesso e controle de todos os dados da fazenda, é fundamental contar com a ajuda de um software de gestão agrícola

A estrutura contábil e financeira de uma fazenda é muito complexa. Fica complicado ter a percepção correta da situação financeira da empresa com dados nos papéis ou em diversas planilhas.

Muitas vezes, na correria do dia a dia, esquecemos de anotar algumas informações importantes que podem fazer diferença no fim do mês.

Com o software de gestão agrícola, como o Aegro, todas suas informações ficam concentradas em um único lugar. 

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No Aegro você tem todos os seus dados em um só lugar. É muito mais fácil visualizar sua empresa rural com todas as contas organizadas.

Incentivos fiscais para quem produz: entenda se você tem direito

Incentivos fiscais: veja o que são, as modalidades mais comuns, as diferenças entre os benefícios e muito mais!

A carga tributária no Brasil pode se tornar um peso para muitas empresas. Os governos das diversas esferas criam medidas legais para reduzir a carga tributária dos contribuintes.

Essas medidas são chamadas benefícios fiscais

O planejamento tributário dos negócios é impactado por eles, que podem reduzir ou até mesmo eliminar os gastos com contribuições.

Neste artigo, você saberá quais são os tipos de incentivos e quais são os impostos impactados. Boa leitura!

O que são incentivos fiscais

Incentivos fiscais, também conhecidos como benefícios fiscais são um regime especial de tributação que envolve uma vantagem ou redução na tributação de produtor rural

Esse benefício pode vir em forma de:  

  • isenção;
  • redução da base de cálculo;
  • crédito presumido;
  • redução de taxas;
  • deduções;
  • amortizações, entre outros.

A alta carga tributária é um dos grandes problemas para o crescimento da economia no Brasil.  Portanto, a União, os Estados e Municípios utilizam os benefícios fiscais. 

A redução de impostos e incentivos fiscais na promoção de políticas públicas são exemplos de benefícios.

Os incentivos fiscais são aplicados com duas finalidades:

  • Promover o desenvolvimento e a instalação de empresas nos locais onde eles são concedidos. Isso gera aumento da renda e mais empregos;
  • Reduzir as desigualdades sociais com a desoneração de produtos considerados essenciais para a população. 

Qual a diferença entre benefício fiscal e incentivo fiscal?

Não existe uma diferença significativa entre benefícios e incentivos fiscais. 

O benefício fiscal é mais amplo que o incentivo. Entretanto, eles estão diretamente relacionados à eliminação ou redução de tributos.

O incentivo é uma espécie de benefício fiscal. Portanto, nem todo benefício é um incentivo, mas todo incentivo é um benefício fiscal.

Benefícios fiscais: Esquema que mostra que benefício tributário é um benefício fiscal, e incentivo fiscal é um tipo de benefício tributário. Consequentemente, também é um benefício fiscal

Incentivo fiscal é um tipo de benefício fiscal

Fonte: (ReseachGate)

4 modalidades mais comuns de benefícios fiscais

Não existe apenas um tipo de benefício fiscal. É possível listar várias, mas as principais são:

1. Anistia ou redução de débitos

A anistia ou redução dos débitos é o benefício aplicado para os contribuintes com débitos tributários em aberto. 

Ou seja, se você tem tributos em aberto, o governo pode oferecer possibilidades de pagamento com multas ou juros menores.

2. Isenção

A isenção ocorre quando o crédito tributário é excluído

As regras para isenção estão descritas nos artigos 175 a 179 do CTN (Código Tributário Nacional). Nestes casos, o imposto não incide sobre as operações ou prestações especificadas.

3. Redução da base de cálculo

A redução da base de cálculo tem como objetivo a redução da tributação sobre determinadas mercadorias e operações. 

Neste caso, a alíquota de tributação não se altera. O que ocorre é uma redução na base que serve de cálculo do imposto.

4. Crédito presumido

O crédito presumido é uma hipótese de crédito com o objetivo de reduzir o imposto cobrado sobre as operações praticadas. 

É possível ter esse crédito sobre o ICMS de produtor rural. Isso unifica a cobrança do imposto em vez de o contribuinte ter que pagar um valor para cada etapa da circulação da mercadoria.

Relação dos incentivos fiscais com os impostos

Os benefícios fiscais estão relacionados com os tributos, impostos ou contribuições. 

Eles podem ser concedidos de forma geral ou sobre determinado tributo, como ICMS, PIS e Cofins.

Para que o benefício fiscal ocorra, existe sempre uma renúncia total ou um deslocamento da receita pelo Estado. Para reduzir um tributo, existem diversas estratégias:

  • dar isenção total, reduzir a alíquota a zero ou reduzir o percentual da alíquota;
  • reduzir a base de cálculo sobre a qual ele incide;
  • conceder crédito após a apuração do tributo a ser pago;
  • dar anistia ao contribuinte sobre débitos tributários.

Na esfera federal, a concessão dos incentivos considera o regime de tributação escolhido pela empresa. Neste caso, somente pessoas jurídicas optantes pelo lucro real é que podem usar os benefícios fiscais. 

Se seu agronegócio recolhe imposto pelo lucro presumido ou utiliza o Simples Nacional, não poderá aproveitar os incentivos federais.

Nas esferas municipais e estaduais, o tipo de tributação é irrelevante. 

Afinal, os impostos como ICMS, ISS (Imposto Sobre Serviços) ou IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano) não são impactados pelo regime de tributação.

Em 2021, foi aprovado o Projeto de Lei Complementar n.º5 de 2021 (PLP 5/2021). 

Ele prorroga para 15 anos (prazo final 2032) os incentivos e benefícios fiscais vinculados às operações relativas ao ICMS.

Essa Lei expandiu as disposições da Lei Complementar 160/2017  dos benefícios vinculados sobre o ICMS. 

Isso desde que destinados à manutenção ou ao incremento das atividades comerciais e prestações interestaduais com produtos agropecuários e extrativos vegetais in natura. 

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Programa Mais Leite Saudável

No âmbito federal, foi criado um programa especial para os produtores e cooperativas de leite com CNPJ. 

O Programa Mais Leite Saudável é um benefício fiscal. Os contribuintes poderão descontar os créditos presumidos da contribuição do PIS/Pasep e Cofins. 

Isso desde que relativos às operações de aquisição de leite in natura, que são insumos para produção de produtos alimentícios.

O crédito presumido pode ser utilizado para o desconto no valor das contribuições devidas em cada período de apuração. 

Mesmo que esse crédito não seja aproveitado no mês, ele poderá ser utilizado nos meses seguintes.  

Os contribuintes podem solicitar o ressarcimento do dinheiro, desde que estejam habilitados no programa.

Conclusão

Os benefícios fiscais podem contribuir para o desenvolvimento da sua fazenda. Assim, a gestão financeira do seu negócio estará alinhada com o seu planejamento estratégico.

Além disso, os incentivos fiscais podem ajudar a reduzir os impostos, de acordo com as leis do país. 

Portanto, é importante que você pesquise e conheça todos os incentivos concedidos pelos Estados e Municípios ao seu setor. 

Se tiver dúvidas, procure um profissional da área. Essa pessoa estará apta a orientar sobre os benefícios do setor e se houve alguma mudança na lei.

>> Leia mais:

“Entenda os impactos da reforma tributário no agronegócio e nas contas da sua fazenda”

Imposto de renda para produtor rural: leis e normas para ficar de olho”

Você já conhecia os incentivos fiscais? Já utilizou algum deles no seu negócio rural? Adoraria ler seu comentário abaixo!

Veja como regular sua fazenda na Operação Declara Grãos

Operação Declara Grãos: saiba o que é, quais as consequências para quem não se regularizar e regras por região

Manter sua empresa rural em dia é fundamental. Estar com o Imposto de Renda atualizado é uma das principais formas de fazer isso.

Se você deixou de apresentar as declarações de IR entre 2017 (ano-calendário 2016) e 2021, saiba que há uma forma de regularizar.

Isso, é claro, se sua receita das atividades rurais tiver sido superior a R$142.788,50 (no ano).

Neste artigo você descobrirá como se regularizar e quais os benefícios a operação traz para você e para seu negócio. Boa leitura!

O que é a Operação Declara Grãos

A operação Declara Grãos é uma ação da Receita Federal que regulariza produtores rurais com pendências na Declaração de Imposto de Renda — Pessoa Física. 

A operação possibilita que produtores rurais que não fizeram a declaração do IR nos últimos anos se regularizem.

Este trabalho acontece nos estados:

  • São Paulo;
  • Rio Grande do Sul; 
  • Minas Gerais;
  • Santa Catarina;
  • Paraná.

A ação começou com a análise de notas fiscais eletrônicas emitidas por empresas que compraram mercadorias de produtores rurais. 

Essas notas fiscais foram cruzadas com dados dos sistemas da Receita Federal. Com isso, auditores constataram um grande número de contribuintes que não apresentaram suas declarações.

No Rio Grande do Sul, mais de 12.000 contribuintes deixaram de apresentar declarações de ajuste anual do Imposto de Renda — pessoa física.

No estado de São Paulo, a omissão desses rendimentos chegou a aproximadamente R$9,7 bilhões entre os anos 2017 a 2021. Cerca de R$533 milhões em impostos provenientes do Imposto de Renda deixaram de ser recolhidos.

A operação também tem como alvo produtores que apresentaram a declaração, mas não informaram os devidos valores no anexo de atividade rural. 

Também são analisados a exploração de atividade rural em imóveis arrendados e as despesas utilizadas nas atividades rurais. São analisados principalmente os veículos classificados como utilitários e de carga.

Como fazer a regularização

A Receita Federal informa os contribuintes em débito por meio de correspondências, indicando a necessidade da regularização. 

No entanto, não há necessidade de aguardar o recebimento da carta ou ir a uma Unidade da Receita Federal para corrigir.

Caso você constate que deixou de apresentar a declaração nos anos anteriores, providencie as declarações dos exercícios faltantes. 

Se você apresentou a declaração, mas não preencheu o anexo de atividade rural, deve preenchê-lo devidamente.

A regularização das declarações é vantajosa para você. Assim, evita penalidades como o pagamento de multa e processo administrativo. A regularização muda conforme os Estados. Confira agora quais regras se enquadram na sua região.

Rio Grande do Sul — Operação Declara Grãos

No Rio Grande do Sul, a Operação Declara Grãos está na sua terceira fase. Ela começou em julho de 2021. Foram enviadas correspondências para mais de 3.100 contribuintes.

As correspondências também foram enviadas para a caixa postal dos contribuintes no (e-CAC) Centro de Atendimento Virtual da Receita Federal.

Aqueles que possuem os números de telefone ou e-mails cadastrados também receberam aviso da postagem dessas cartas. Na terceira fase, serão notificados:

  • contribuintes que tiveram receita  de atividade rural superior a R$142.788,50 (no ano) receberão notificação;
  • aqueles que exploram atividade rural em imóveis arrendados ou que arrendam seus imóveis para tal finalidade.
  • aqueles que adquiriram veículos e os classificam como despesas da atividade rural. Muitos desses veículos podem ter sido deduzidos de forma errada. Afinal, podem não ter sido utilizados exclusivamente na atividade rural.

Após o recebimento da notificação, o contribuinte tem 30 dias para enviar a Declaração do Imposto de Renda para os exercícios 2017 a 2021 (anos-calendário 2016 a 2020).

Se for o caso,  deve pagar o imposto à vista ou parcelado em até 60 vezes. Vale lembrar que a parcela mínima é de R$ 200,00. A regularização deve ser feita acessando as fichas de declaração no e-CAC e no site da Receita Federal.

São Paulo — Operação Declara Grãos

A operação no Estado é realizada em etapas. 

Os contribuintes começaram a ser notificados em setembro de 2021. Quem não entregou a declaração a partir de 2017 deve reunir toda a documentação e transmitir o documento.

Para regularizar a situação, o contribuinte deve entregar a Declaração de Imposto de Renda de Pessoa Física com o Anexo da Atividade Rural. É obrigatório declarar as receitas da atividade. 

Caso já tenha entregue, deve apresentar a declaração retificadora para informar as receitas de sua atividade.

Se esse for seu caso, você deve baixar o PGD (Programa Gerador de Dados) da Declaração de Imposto de Renda de Pessoa Física. Ele deve corresponder ao exercício e ano-calendário das receitas. 

Após isso, você deve preencher o documento. Em seguida, entregue o documento conforme as orientações contidas no próprio programa.  Para obter o Programa Gerador de Dados, acesse o site da Receita Federal.

Você pagará as diferenças através da emissão de um Darf, disponível no PGD

O programa calcula os valores para pagamento, no prazo de validade ou acrescido com juros. Os juros aparecerão caso você esteja fora do prazo de vencimento. O pagamento também pode ser parcelado. 

Este parcelamento deve ser solicitado diretamente no e-CAC, na opção “Pagamentos e Parcelamentos”. Em seguida, vá para a opção “Parcelamento — Solicitar e Acompanhar”.

O prazo para regularização é informado na correspondência enviada pela Receita Federal.

Minas Gerais — Operação Grão em Grão

Iniciada em junho de 2021, a Operação de Grão em Grão analisou as atividades de mais de 80 mil contribuintes.  Houve indícios de cerca de R$7 bilhões em receitas não declaradas, com estimativa de recuperação de R$250 milhões.

Todas as informações necessárias para a regularização podem ser acessadas no menu “Meu Imposto de Renda” no site da Receita. 

No site, você terá acesso ao download dos programas, orientações para pagamento e informações sobre atividade rural.

Santa Catarina e Paraná — Operação Declara Agro

A Operação Declara Agro nos estados de Santa Catarina e Paraná, teve início em maio de 2021.  Desde então, a Receita já identificou mais de 30.900 mil contribuintes rurais desregulados.

Nas próximas etapas da operação, serão apurados: 

  • a não emissão de notas fiscais eletrônicas de venda de produtos rurais;
  • aqueles produtores que levaram para suas declarações valores inferiores à soma das notas fiscais emitidas.

Devem declarar rendimentos os produtores rurais que:

  • tenham receita bruta acima de R$147.700,00;
  • tenham rendimentos tributáveis superiores a R$28.500;
  • possuam propriedade de bens ou direitos, inclusive terra nua, de valor superior a R$300.000. Esse valor é considerado independentemente do faturamento ou rendimentos auferidos no exercício.

Todas as informações relacionadas à regularização podem ser acessadas no site da Receita Federal, pelo menu “Meu Imposto de Renda”.

O que acontece se eu não regularizar o Imposto de Renda?

Após a notificação, se você não fizer a regularização no prazo estipulado, estará sujeito à multa.

O valor cobrado será de no mínimo 75% sobre o saldo de imposto apurado. Esse valor pode chegar até a 225%.

Além disso, você pode sofrer outras penalidades, como:

  • inscrição na dívida ativa;
  • cobrança judicial de crédito tributário;
  • correção monetária dos impostos e juros.

Ainda, seu CPF pode ser bloqueado. Assim, você não poderá obter certidões negativas para liberação de empréstimos e manutenção de contas bancárias.

planilha de controle de endividamento rural com rateio por participante

Conclusão

A regularização das pendências com a Receita Federal traz uma série de ganhos.

E ela só depende de você! Se esse for seu caso, faça a entrega da declaração quanto antes, e evite problemas futuros.

Afinal, a saúde financeira do seu agronegócio também depende de você estar em dia com o Fisco.

E você, ainda tem alguma dúvida sobre a Operação Declara Grãos? Adoraria ler seu comentário abaixo!

Baixa performance no negócio rural? Saiba analisar os indicadores financeiros da fazenda

Indicadores financeiros da fazenda: conheça todos os indicadores de performance e sua importância no agronegócio

Os indicadores de desempenho são ferramentas usadas pela gestão para medir o desempenho da sua fazenda.  Esses indicadores também são conhecidos como KPI (Key Performance Indicator).

Eles são fundamentais para acompanhar e entender os resultados do seu negócio, bem como para fazer uma boa gestão de custos.  A partir dessa análise, é possível identificar os pontos de melhoria e fazer um bom planejamento financeiro da sua fazenda.

Neste artigo, você vai saber tudo sobre os indicadores e qual a importância de cada um no desempenho do seu negócio. Boa leitura!

Importância dos indicadores da fazenda

Os indicadores podem auxiliar o seu empreendimento rural de diferentes maneiras e etapas. Ele pode ser usado não só por grandes produtores, mas também por pequenos e médios.

Os indicadores podem avaliar desde o plantio até o controle de qualidade da colheita. Diante de tantos dados e informações, é preciso saber selecionar quais são importantes. 

Esse processo deve ser feito com frequência para que a produtividade e os resultados da propriedade sejam mantidos.  Dessa forma,  você deve eleger os indicadores agrícolas mais adequados e acompanhá-los com frequência.

Os indicadores financeiros ajudam no aumento da produtividade e do lucro da fazenda. Além disso, tornam as tomadas de decisão mais conscientes.  Assim, as chances de sucesso são muito maiores. 

Indicadores financeiros da fazenda

Os indicadores financeiros te ajudam a avaliar a rentabilidade da fazenda e a reduzir os custos que afetam a produtividade.  Existem dois indicadores principais: rentabilidade e lucro operacional.

Porém, o valor da sua propriedade, seu lucro por hectare e os resultados dos investimentos também são bons indicadores. Você deve usá-los conforme a sua realidade.

A análise desses dados possibilita fazer o planejamento de cortes de custos, reajustes e investimentos para a expansão do negócio. O lucro operacional informa o quanto de receita está sendo gerada na fazenda. 

Ele pode ser expresso por hectare, calculado pela divisão da receita pela cultura que está sendo produzida.  Se o valor do lucro operacional obtido na divisão for baixo, é um sinal de que é preciso reavaliar a sua produção.

Talvez seja possível obter lucros maiores com a produção de um grão mais barato. Se o resultado encontrado for negativo, a fazenda não está gerando lucro e está apresentando prejuízo com suas atividades. 

Outros dois indicadores financeiros são o monitoramento do fluxo de caixa e a comparação entre custos fixos e variáveis. 

Se um dos custos estiver muito elevado em relação ao outro, ou se os valores variam muito entre meses, é preciso investigar e avaliar o que está causando isso. 

planilha de fluxo de caixa

Como medir os indicadores financeiros na fazenda

Por muito tempo, produtores contaram com o registro em cadernos e planilhas para avaliar o desempenho financeiro.  Com a tecnologia, surgiram soluções digitais mais práticas. Elas são seguras e completas para fazer essa análise.

Um exemplo disso são os sistemas de gestão como o Aegro, que reúnem o controle de informações operacionais e financeiras. Ao invés de gastar tempo cruzando dados, você recebe indicadores de produção e relatórios automáticos com base nas informações registradas no aplicativo. 

Eles demonstram a rentabilidade da safra, produtividade por talhão ou cultivar, os custos por maquinário, o fluxo de caixa e muito mais. Veja como é bem simples acessar todos esses dados no Aegro:

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Simplifique a gestão do seu negócio com a importação financeira de contas a pagar e receber

A importação de histórico financeiro é o jeito mais simples e prático de começar a utilizar o Aegro. 

Importe os dados de contas a pagar e receber de suas planilhas ou de outras ferramentas e ganhe agilidade no uso do sistema. Assim, você mantém o controle do seu histórico e garante a eficiência do seu time, reduzindo o tempo gasto com a digitação dos dados para outras atividades.

Seus dados são importados de uma vez, permitindo que o Aegro utilize as informações para gerar as análises necessárias para o controle do negócio.

Tela que mostra importação de histórico financeiro com Aegro

Quer saber como o Aegro pode agilizar ainda mais as atividades do seu negócio? Clique aqui e assista a uma demonstração gratuita!

5 principais indicadores agrícolas da sua fazenda

A escolha dos indicadores de desempenho do seu agronegócio deve ser feita com cuidado. Eles devem ser escolhidos conforme os dados que você quer analisar. 

Quando os indicadores não conseguem te ajudar a caminhar na direção do seu objetivo, eles não devem ser utilizados

O primeiro passo para escolher os indicadores agrícolas deve ser definir os objetivos do negócio. Só assim será possível mensurar o progresso e os resultados obtidos.

1. Indicadores de produtividade

Não existe apenas um indicador de produtividade. Também existe a lucratividade por campo, a taxa de aumento da produção e a eficiência da utilização de mão de obra.  Eles são utilizados para monitorar e medir o sucesso de cada etapa do processo produtivo. 

2. Indicador de lucratividade por campo

Este é um dos principais indicadores de produtividade. A lucratividade por campo avalia detalhadamente o desempenho de cada parte da área de plantio.

Esse indicador permite identificar as áreas com pior desempenho que necessitam de atenção. Dessa forma, você conseguirá tomar decisões mais precisas para expandir os negócios.

3. Indicador da taxa de aumento da produção

O indicador da taxa de aumento da produção ajuda a avaliar a expansão exata da produtividade da fazenda.  Para chegar ao resultado, basta subtrair o valor atual da produção pela produção obtida no ano anterior.

Por exemplo, suponha que sua safra de soja no ano de 2020 foi de 100 toneladas. Em 2021, a produção foi de 135 toneladas

Como a produção em 2021 foi maior que em 2020, teremos uma taxa de crescimento da produção de soja. Se o resultado fosse menor, teríamos a taxa de contração da produção.  Fazendo os cálculos, temos:

Diferença de produção = safra atual — safra anterior

Diferença de produção = 135 – 100

Diferença de produção = 35 toneladas

Taxa de crescimento = diferença de produção / safra anterior

Taxa de crescimento = 35 / 100

Taxa de crescimento = 0,35

Taxa de crescimento = 35%

Assim, a taxa de aumento da produção de soja entre 2020 e 2021 foi de 35%.

4. Indicador da eficiência de utilização de mão de obra

O indicador da eficiência de utilização de mão de obra permite calcular a taxa de produtividade dos colaboradores da sua fazenda. 

Neste caso, você deve considerar as unidades produzidas, a quantidade de pessoas trabalhando e as horas trabalhadas. Você pode calcular o indicador da seguinte forma:

Produtividade da mão de obra = Quantidade produzida / (quantidade de funcionários x horas de trabalho)

Assim, quanto maior for a maior quantidade produzida em relação ao número de horas trabalhadas pelos funcionários, maior a produtividade da mão de obra.  Ou seja, o aumento da produtividade acontece quando a produção aumenta e um menor período.

5. Indicadores de Administração

Os indicadores de administração são aqueles capazes de medir o desempenho da administração da propriedade rural.  Isto é, esses indicadores trazem informações importantes sobre a lavoura, a estocagem e a gestão de pessoas

Um dos principais indicadores de administração é a idade da plantação. Ele é importante para avaliar o potencial de produtividade da plantação. Existem outros indicadores, como:

  • Quantidade de plantas por hectare;
  • Número total de plantas;
  • Capacidade de estoque;
  • Capacidade de armazenamento.

Conclusão

No artigo, você viu que existem diversos indicadores para avaliar o desempenho das atividades da sua fazenda.  Esses indicadores são ferramentas utilizadas pelos gestores para auxiliar no diagnóstico do desempenho dos negócios.

Aliado aos objetivos definidos por você, produtor, os indicadores são as melhores ferramentas para acompanhar e entender os resultados obtidos na sua fazenda. 

>> Leia mais:

BPO financeiro: como ele pode ser vantajoso para o produtor rural

Contabilidade rural: 7 dicas para começar agora e efetivamente!

E você? Já avalia os indicadores financeiros na fazenda? Quais você utiliza na sua propriedade? Adoraria ler seu comentário.

Saiba o que são contratos agrários e como funciona a tributação

Contratos agrários: entenda as diferenças entre arrendamento, parceria e condomínio rural e saiba mais sobre a tributação de cada um deles!

Muitas vezes, quem tem uma propriedade rural não tem interesse em explorar uma cultura agrícola.

Através de um contrato agrário, é possível transferir a posse ou uso do espaço para outra pessoa ou empresa. 

Assim, o dono da terra pode lucrar sem produzir, e quem não possui uma terra pode realizar atividades agrícolas.

No entanto, existem algumas especificidades na tributação de cada um desses contratos agrários. Neste artigo, vamos explicá-los e sanar as principais dúvidas sobre eles. Confira!

O que são contratos agrários?

Contratos agrários servem para registrar acordos de posse ou uso de um imóvel rural para fins de atividades rurais.

Os principais tipos de contratos agrários são:

Os contratos de arrendamento e parceria podem ser escritos ou verbais, mas o fisco recomenda que os contratos sejam sempre documentados.

Nos contratos rurais, o acordo deve seguir as normas estabelecidas pelo Estatuto da Terra e pelo Decreto n.º 59.566/66 e devem estar presentes todas as informações importantes do negócio, como:

  • nome completo de ambas as partes;
  • lugar e data da assinatura do contrato;
  • características do arrendador e arrendatário;
  • objeto do contrato;
  • tipo de atividade que será exercida na terra;
  • destinação do imóvel, entre outros.  

Existem outras formas de contratos agrários, como os comodatos. Eles são presentes quando não há pagamento. Ou seja, é uma espécie de empréstimo do imóvel rural. 

Esse contrato geralmente acontece no grupo familiar. Por exemplo, quando um pai cede a terra sem custo para que o filho explore a atividade rural. 

O comodato é um exemplo de contrato atípico. Além dele, existem outros tipos, como:

  • empreitada agrária;
  • compáscuo (pacto comum de pastos);
  • cambão (troca de dias de trabalho pelo direito de plantio de roça);
  • pastoreio de invernagem.

Como no contrato de comodato não existe receita, via de regra não haverá tributação do imposto de renda.

Já em relação aos contratos pagos, existem especificidades que você verá com mais detalhes a seguir.

Contrato de arrendamento rural

O contrato de arrendamento rural ocorre quando o proprietário de um imóvel rural cede o espaço a um produtor. Esse produtor irá realizar a atividade rural através do pagamento de um aluguel.

O proprietário do imóvel recebe apenas o valor acordado do aluguel, independente do faturamento de quem produz.

O arrendatário tem direito de usar o solo para atividades agrárias permitidas por lei. Já o arrendador terá o direito de receber o aluguel pela terra.

Então, no contrato de arrendamento rural, o proprietário não está relacionado diretamente à atividade desenvolvida.

Valores do contrato de arrendamento rural

O valor do arrendamento não pode ser superior a 15% do valor do imóvel. Esse valor inclui as benfeitorias estipuladas no contrato.

Se o arrendamento for parcial e tiver exploração intensiva de alta rentabilidade na terra, o valor do arrendamento pode chegar a 30%.

O preço do aluguel pode ser ajustado em quantia fixa de dinheiro. Entretanto, o pagamento pode ser feito em quantidade de frutos em preço corrente no mercado local.

Renovação de contratos agrários

Ao término do contrato, o arrendatário terá o direito de preferência à renovação do arrendamento. 

No entanto, cabe ao arrendador notificar o arrendatário das propostas recebidas até seis meses antes do vencimento do contrato.

Não existindo esse comunicado no prazo, considera-se o contrato renovado automaticamente. 

Há uma exceção: se o arrendatário manifestar sua desistência nos 30 dias seguintes ao término do prazo.

Foto de dois homens em uma lavoura, dando as mãos em sinal de cumprimento. Um está de camisa xadrez e boné, o outro com camiseta verde,

Fonte: (Shutterstock)

Contrato de parceria rural

No contrato de parceria rural, o proprietário do imóvel cede apenas o uso da terra para que outro produtor rural possa explorar.

Neste caso, pode ou não abranger benfeitorias e instrumentos, como tratores e colheitadeiras.

Nesse modelo de contrato, existe cessão apenas do uso e não da posse da terra. Por isso, ambos partilham os riscos da atividade.

Desastres ambientais, prejuízos e lucros são divididos. O percentual deve ser acordado no contrato de parceria.

No contrato de parceria, o proprietário da terra também é um produtor rural. Ele deve ter Inscrição Estadual e Nota Fiscal de produtor.

Existem cinco modos parceria rural:

  • Agrícola: para realização de atividade de produção vegetal;
  • Pecuária: animais para cria, recria, invernagem ou engorda;
  • Agro-industrial: para atividade de transformação de produto agrícola, pecuária ou florestal;
  • Extrativa: atividade extrativa de produto agrícola, animal ou florestal;
  • Mista: quando o objeto da cessão englobar mais de uma das modalidades de parcerias.

Embora ambos sejam produtores rurais, apenas um acaba colocando a mão no campo. No entanto, os dois são responsáveis pela atividade que ali será desenvolvida. 

As parcerias têm prazo mínimo geral de 3 anos. 

Além disso, a quota do proprietário na remuneração não poderá ser superior a:

  • 20%, quando colabora apenas com a terra nua;
  • 25%, quando colabora com a terra preparada;
  • 30%, quando colabora com a terra preparada e a moradia;
  • 40%, caso contribua com o conjunto básico de benfeitorias;
  • 50%, caso contribua com a terra preparada e o conjunto básico de benfeitorias, além do fornecimento de máquinas e implementos agrícolas;
  • 75%, nas zonas de pecuária ultra-extensiva em forem os animais de cria em proporção superior a 25% do rebanho e comissão mínima de 5% por animal vendido.

Expirado o prazo do contrato, o parceiro terá preferência para firmar novo contrato.

Contrato de condomínio rural

Um condomínio rural existe quando dois ou mais produtores resolvem explorar a mesma atividade na mesma terra. A exploração acontece em conjunto.

Assim, eles formam um condomínio com uma Inscrição Estadual. Todos os documentos de compra e de venda são emitidos em nome do condomínio.

Neste caso, os produtores partilham as despesas e as receitas da atividade rural desenvolvida. No entanto, cada um na proporção acordada no contrato de condomínio.

É muito comum ver contrato de condomínio na produção familiar. Nesses casos, o pai é o proprietário da terra, mas os filhos exploram aquela propriedade com ele.

Elementos obrigatórios dos contratos agrários

A legislação estabelece alguns requisitos que devem ser aplicados nos contratos agrários. São eles:

  1. Conservação dos recursos naturais;
  2. Aplicação de prazos estabelecidos em lei;
  3. Proteção do mais fraco na relação contratual;
  4. Valores do aluguel fixados nos limites legais;
  5. Proibição de prestação de serviços gratuitos pelo arrendatário e parceiro outorgado.

Seguir todos os requisitos é fundamental para não ter problemas com o seu contrário agrário.

Como funciona a tributação dos contratos agrários

Há uma diferença dos riscos da atividade entre o contrato de arrendamento e o contrato de parceria. Além disso, há grande diferença na forma de tributação, principalmente para o imposto de renda.

É importante relembrar a tributação do produtor rural pessoa física para apurar o IR (Imposto de Renda).

Existem duas formas do produtor rural pessoa física tributar o IR: pelo lucro real ou pela presunção de 20%.

Na opção do lucro real, são usadas: receitas — despesas — investimentos.

Assim, você chega na base de cálculo do IR. Aí é aplicada a alíquota de até 27,5%. 

No caso de optar pelo lucro presumido, sobre a receita bruta será aplicada a presunção de 20% (neste caso não se deduzem despesas e investimentos).

Através dessa base de cálculo a alíquota de até 27,5% de IR será aplicada.

É importante ressaltar que, quando se fala em contrato, sempre existem pelo menos duas figuras envolvidas: o proprietário da terra e o produtor que desenvolverá a atividade rural. 

Cada um possui uma regra diferente para tributar o IR. Então, independente de qual seja a sua parte no contrato agrário, fique de olho nas regras.

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Imposto de Renda no contrato de arrendamento

No contrato de arrendamento, para o proprietário há apenas a receita recebida mediante aluguel. 

Todo o valor recebido será tributado diretamente no IR, porque o recebimento de aluguel não é considerado uma atividade rural. 

Essa tributação do IR pelo proprietário da terra deve ser feita mensalmente pelo Carnê-Leão.

Ou seja, todo valor recebido pelo proprietário será tributado diretamente pela alíquota de até 27,5% de IR. 

Por exemplo: a cada R$ 1.000 de receita, o proprietário irá pagar 27,5% de IR. Então, a cada R$ 1.000, serão pagos R$ 275 de Imposto de Renda.

Já para o produtor que explorou a terra para desenvolver a atividade rural, pode usar o valor pago referente ao arrendamento como uma despesa dedutível no cálculo do IR.

Assim, o valor pago pelo produtor rural será deduzido como despesa para a formação da base de cálculo do IR na opção do lucro real.

Imposto de Renda no contrato de parceria rural

No caso do contrato de parceria, o proprietário da terra é um parceiro do produtor rural. Então, ambos serão tributados como atividade rural para fins do Imposto de Renda. 

Um produtor pessoa física pode pagar o IR como lucro real ou optar pela presunção de 20% da receita bruta.

No caso do lucro real,a apuração de cada parceiro será respectivo às suas receitas, despesas e investimentos.

Se o proprietário optar pelo lucro presumido de 20%, sobre o percentual do seu lucro será aplicada a presunção de 20%. Só depois será aplicada a alíquota do IR de até 27,5%

Neste caso, a alíquota efetiva será de até 5,5%.

Por exemplo: a cada R$ 1.000 de receita do proprietário será aplicada a presunção de 20%, resultando numa base de cálculo de IR de R$ 200. 

Então, será aplicada a alíquota de 27,5%, totalizando R$ 55 de IR a cada R$ 1.000 de receita num contrato de parceria.

Imposto de Renda no condomínio rural

Todos os produtores são tributados pela atividade rural.

Assim, todas as despesas e receitas serão proporcionais ao percentual de cada condômino.

Se todos são considerados produtores rurais, todos devem tributar o IR como atividade rural na sua proporção de receita e despesa. 

As partes também podem optar pelo lucro real para calcular o IR ou pela presunção de 20% sobre a sua receita bruta. Desses cálculos, é possível chegar ao valor do IR devido.

Qual contrato agrário é o melhor para a fazenda?

Todos os contratos têm vantagens e desvantagens. É necessário analisar as expectativas dos envolvidos e o que de fato será feito para ser realizada a correta tributação. 

O planejamento tributário ajuda a alinhar as expectativas para saber qual contrato é mais interessante para cada envolvido. 

É muito importante respeitar o que está acontecendo na prática agrícola. Assim, não haverão surpresas desagradáveis em uma fiscalização futura.

Não deixe de consultar um profissional em caso de dúvidas. O processo de criar um contrato agrário pode ser muito mais fácil se for acompanhado por um especialista.

Fiscalizações da Receita Federal nos contratos agrários

A Receita Federal tem feito fiscalizações com foco em contratos agrários. Uma das operações mais famosas é a Declara Grãos.

A expectativa é de que essas fiscalizações sejam intensificadas e avancem pelos Estados nos próximos meses.

Para evitar problemas com a Receita Federal, é muito importante ter documentado com clareza se o contrato agrário é de arrendamento ou de parceria. 

Também é fundamental que partes envolvidas declarem corretamente a condição, pois o fisco vai conferir as informações.

O foco da operação Declara Grãos é justamente identificar se ocorreu alguma sonegação de IR pelos produtores rurais.

Muitos foram notificados pela divergência de informação prestada pelos participantes de contratos agrários.

Ou seja, o produtor rural acabou declarando como contrato de arrendamento enquanto o proprietário declarou contrato de parceria, em tese mais vantajoso para ele. 

Mas se o contrato é de fato de arrendamento, não adianta declarar o mais “vantajoso”. É importante declarar o contrato real.

Lembre-se que a Receita Federal já possui muitas informações do produtor. Movimentações bancárias e notas fiscais eletrônicas emitidas são exemplos.

Em um contrato de parceria, os dois produtores devem emitir nota fiscal referente a seus frutos. 

Então, se não existe nota fiscal emitida pelo proprietário, fica claro que o contrato vai se configurar como um arrendamento. Afinal, esse proprietário recebeu apenas os valores da operação.

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Conclusão

Neste artigo, você conferiu diferentes formas de contratos agrários e especificidades da tributação no caso do proprietário e do produtor.

Viu que os contratos podem ser de arrendamento, parceria, comodato ou até mesmo para formação de um condomínio rural.

Cada um deles tem prós e contras que precisam ser avaliados caso a caso. Isso pode ser visto com mais clareza a partir de um bom planejamento tributário.

Também é importante que o contrato seja declarado corretamente à Receita Federal, pois os dados informados tanto pelo proprietário quanto pelo produtor são cruzados.

E você, já arrendou ou efetuou uma parceria rural? Ainda tem dúvidas sobre as diferentes formas de tributação dos contratos agrários? Deixe seu comentário a seguir!

BPO financeiro: entenda como aliar este processo a gestão agrícola

BPO financeiro: saiba o que é, serviços oferecidos, vantagens para a empresa rural e muito mais!

Cuidar da rotina de uma propriedade rural não é fácil. Entre plantios, colheitas e maquinários, nem sempre quem gere a fazenda tem tempo hábil para cuidar das finanças.

Muitas vezes, a terceirização de processos financeiros pode ser uma ótima solução. Há diversas tarefas assumidas pelo contador para melhorar a saúde financeira da empresa. Cuidar das entradas e saídas do caixa é apenas uma delas.

Neste artigo, você saberá como funciona o BPO financeiro, quais as vantagens para o  produtor rural e muito mais! Confira!

O que é BPO financeiro?

BPO financeiro é a terceirização da gestão financeira de uma empresa. Ou seja, quando uma empresa contrata outra para gerenciar suas finanças. 

Quem contrata serviços de BPO financeiro irá passar para outra empresa responsabilidades como caixa, planejamento e contas.

O processo desse serviço funciona como a ponta inicial da gestão financeira. 

Após o serviço da empresa responsável pelo BPO financeiro, os relatórios com informações da empresa contratante podem ir para o setor de contabilidade rural.

Normalmente, o contador  é o braço direito do produtor rural na tomada de decisão tributária. O contador também está completamente presente na gestão financeira do agronegócio. 

Diferença entre BPO financeiro, assessoria e consultoria

Apesar de parecerem a mesma coisa, BPO financeiro, assessoria e consultoria são bem diferentes. 

No BPO financeiro, a parte financeira da empresa é completamente passada para outra empresa. Trata-se de um processo mais operacional.

A consultoria irá fornecer uma espécie de diagnóstico financeiro da empresa. Ela irá identificar os problemas existentes, mas quem os resolve é a própria empresa contratante.

A assessoria funciona de maneira diferente. Quem identifica os problemas da empresa é o próprio gestor, e a assessoria fornece suporte técnico para a resolução.

Na assessoria e na consultoria, é o gestor da empresa quem coloca a mão na massa para resolver as questões financeiras. 

Com o BPO, essas questões são resolvidas sem precisar de ações concretas do gestor, e é ideal para quem quer praticidade nos negócios.

Como escolher uma solução de BPO financeiro?

Antes de escolher a melhor solução de BPO financeiro no mercado, é importante analisar suas demandas e rotinas. Assim, será possível identificar qual empresa pode responder de maneira mais adequada ao seu negócio.

Na hora de escolher o profissional ou a empresa de BPO financeiro, considerar a possibilidade de integração do prestador de serviço com as informações financeiras da sua fazenda é importante. Dessa forma, ele vai poder conhecer a fundo a realidade financeira da sua empresa.

Quais são os serviços de BPO financeiro?

O profissional de BPO financeiro contratado pode realizar diversas funções em quatro campos diferentes:

1. Planejamento

No campo do planejamento financeiro, quem oferece o BPO pode: 

  • solicitar acesso a conta bancária do cliente para agendar pagamentos e retirar o extrato;
  • fazer o orçamento de custos e despesas fixos para os próximos 12 meses;
  • fazer análise de crédito para a empresa;
  • fazer a análise e gestão de indicadores financeiros, como faturamento e margem de lucro.

O objetivo do planejamento é entender o cenário e propor mudanças no processo que respondam às necessidades e expectativas do empreendedor rural que contratou o serviço.

2. Contas a pagar

Nesta etapa é o dia a dia do BPO Financeiro. Neste momento, é quando são geradas as informações estratégicas para a tomada de decisão da empresa. É possível:

  • organizar todos os documentos financeiros de maneira digital;
  • lançar e ajustar os sistemas de contas provisionadas e não provisionadas;
  • agendar as contas a pagar semanalmente;
  • realizar transações de pessoas via folha de pagamento;
  • pagar os fornecedores da empresa;
  • enviar relatórios de contas para o cliente realizar o pagamento no banco;
  • dar baixa dos pagamentos no sistema e no banco.

3. Contas a receber

Aqui, é possível:

  • lançar todas as contas a receber da empresa;
  • realizar a emissão de notas fiscais;
  • dar baixa dos recebimentos no sistema e no banco;
  • controlar os recebimentos do cliente.

4. Fechamento financeiro

Nesse campo, a pessoa profissional pode:

  • emitir relatórios de caixa mês a mês;
  • arquivar e organizar digitalmente os comprovantes para enviá-los à contabilidade;
  • fazer a conciliação bancária da fazenda mensal e diária;
  • fazer o fluxo de caixa.
BPO financeiro: foto de duas mãos sobre uma mesa de trabalho. Uma mão calcula em uma calculadora, a outra digita algo em um notebook. Sobre a mesa, há papeis espalhados.

(Fonte: Shutterstock)

Como saber se preciso de um serviço de BPO financeiro?

Para decidir se você precisa de um BPO financeiro, você pode analisar alguns fatores na sua gestão, como:

  1. Sobrecarga de trabalho: se a carga de trabalho estiver dificultando o desempenho eficiente das atividades financeiras, é possível contratar um profissional para a sua equipe, então o BPO financeiro pode ser uma opção.
  2. Falta de tempo para atividades estratégicas: se as atividades operacionais estão sendo concluídas, mas as atividades estratégicas estão sendo deixadas de lado, é possível passar algumas tarefas operacionais para um BPO financeiro para que a sua equipe possa focar no que realmente importa.
  3. Falta de conhecimento ou experiência: se sua equipe não tem todas as habilidades necessárias para lidar com determinadas atividades financeiras, você pode contratar um BPO financeiro para fornecer a expertise necessária na execução das tarefas.
  4. Redução de custos: o BPO financeiro pode ajudar a reduzir custos operacionais, eliminando a necessidade de contratar colaboradores, investir em equipamentos ou lidar com questões trabalhistas.

Por que contar com um serviço de BPO financeiro? 

Muitas vezes, o controle financeiro das empresas é feito à mão, o que pode gerar muitos erros no percurso. 

O serviço de terceirização/BPO financeiro otimiza e simplifica as finanças da empresa.

Outra vantagem é que quem oferece esse tipo de serviço tem conhecimento suficiente para  lidar com os mais diferentes problemas. 

Isso retira um grande peso das costas de quem gere a empresa.

Além disso, muitas empresas funcionam com pessoal reduzido. Por isso, pode não haver um profissional qualificado para lidar com as finanças – e o BPO financeiro resolve esse gargalo.

Mas, atenção: é importante contratar um profissional que conheça e entenda o agronegócio. 

Afinal, o agro possui particularidades que devem ser observadas, e um profissional especialista pode trazer um grande diferencial para a sua gestão.

Outro ponto que você deve observar é se o software que o profissional vai usar para a sua gestão está alinhado com as necessidades da sua fazenda. 

Um software voltado para a sua fazenda consegue entregar as informações necessárias para a sua tomada de decisão. 

Vantagens do BPO financeiro para o produtor rural

Para quem terceiriza as finanças da empresa, as vantagens são muitas:

  • Finanças sempre organizadas e em dia;
  • fluxo de caixa projetado e atualizado diariamente;
  • segurança das informações e dados da empresa;
  • mais liberdade e tempo para cuidar da propriedade rural;
  • Integração com a contabilidade da empresa;
  • redução de custos e recuperação de crédito;
  • aumento da produtividade;
  • mais precisão para controlar gastos;
  • tomadas de decisão estratégicas e guiadas.

Quais os cuidados que se deve ter com o BPO financeiro?

É importante tomar todos os cuidados para preservar a segurança jurídica e melhorar a experiência com o BPO financeiro. É possível listar os cuidade que devem ser tomados que vão garantir o sucesso da operação:

  • Garantir a segurança dos dados da empresa através de um ambiente único e integrado;
  • Estipular um processo de comunicação claro e direto, seguindo rituais específicos para cada tema;
  • Ser transparente nas infromações;
  • Criar processo de validação do fluxo financeiro em mais de um nível, garantindo a segurança bancária da empresa.

Qual o preço de um BPO financeiro?

A contratação de um BPO financeiro pode ser uma boa saída para pequenas empresas, que podem não ter recursos para contratar pessoas capacitadas para fazer a gestão administrativa. 

Como cada negócio é diferente, vários pontos podem influenciar o custo total de contratação de um BPO financeiro. Entre esses fatores, estão:

  • Regime tributário da empresa;
  • Volume de transações financeiras;
  • Tamanho da empresa;
  • As atividade que serão terceirizadas;
  • Nível de especialização do BPO financeiro.

A maioria dos BPOs financeiros costuma variar entre R$500 e R$ 5 mil mensais, embora esses preços possam variar com o tempo, localização e também as especificidades da sua empresa.

Planilha de fluxo de caixa para sucessão feminina

Conclusão

Terceirizar os serviços financeiros pode ser uma opção para quem precisa cuidar mais a fundo das atividades agrícolas.

Isso garante maior precisão no planejamento financeiro. Uma visão muito mais ampla das finanças e mais organização também são grandes vantagens.

Com a ajuda de softwares de gestão, todo o processo se torna mais simples e intuitivo. 

Com os serviços de terceirização do financeiro, a empresa contratante terá muito mais qualidade financeira, e o contador terá clientes fidelizados.

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Foto da autora Mariana, sorrindo com uma parede vermelha no fundo

Atualizado em 23 de novembro por Mariana Rezende.

Sou formada em economia e mestre em Economia Aplicada pela Universidade Federal de Juiz de Fora. Atualmente sou doutoranda no Programa de Pós-Graduação em Economia e graduanda de Ciências Contábeis na mesma instituição.