About Lucas Barros

Sou Engenheiro Agrônomo formado pela Universidade Federal de Goiás, mestre em Agronomia/Proteção de Plantas pela UNESP, e doutorando em entomologia pela ESALQ/USP.

As principais orientações para se livrar do percevejo barriga-verde

Percevejo barriga-verde: As principais medidas de controle, período crítico do ataque, manejo e boas práticas para controlar essa praga-chave do milho.

O percevejo barriga-verde é uma praga importante na cultura do milho – e pode comprometer em até 50% da produtividade quando mal manejado.

Seu ataque pode prejudicar todo o planejamento agrícola e levar ao replantio em casos críticos.

Atualmente controlar essa praga é uma situação desafiadora para os agricultores, que diante de poucas ferramentas eficazes e aumento nos custos de controle se veem preocupados.

Neste artigo, vamos mostrar as características do percevejo barriga-verde e como fazer um controle eficiente, segundo preceitos do MIP (Manejo Integrado de Pragas). Saiba mais a seguir.

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Percevejo barriga-verde é uma das principais pragas do milho
(Fonte: Roundup Ready)

Percevejo barriga-verde: Conhecendo as espécies e sua importância

O percevejo barriga-verde é uma praga-chave inicial especialmente na cultura do milho safrinha, que sucede a cultura da soja.

Atualmente existem duas espécies de importância econômica: Dichelops furcatus e Dichelops melacanthus.

A primeira está mais adaptada e presente nos estados da região Sul. A segunda predomina na região Centro-Sul do Brasil, como você pode notar na imagem abaixo:

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Distribuição geográfica do percevejo barriga-verde
(Fonte: Agronômico)

Desde o seu primeiro relato, em 1995, somente nos últimos anos o percevejo barriga-verde tornou-se uma praga-chave na cultura do milho.

Mas qual a explicação para isso? Vejamos:

  • Ampla adoção do sistema de plantio direto  (palhada fornece proteção e abrigo à praga, além do efeito “guarda-chuva” aos inseticidas);
  • Falhas na dessecação no pré-plantio do milho (trapoeraba e capim-carrapicho, quando remanescentes, servem como alimento);
  • Sucessão soja-milho ou soja-trigo (os grãos perdidos na colheita da soja também atuam como fonte de alimento);
  • Plantio de milho Bt e a redução do número de pulverizações para lagarta-do-cartucho do milho (favorecimento do percevejo barriga-verde);
  • Plantio de soja Bt e redução do número de pulverizações para complexo de lepidópteros-praga (intensificação dos problemas com percevejo que se estenderam para o milho).

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Planta daninha trapoeraba servindo de alimento e proteção ao percevejo barriga-verde
(Fonte: Rodolfo Bianco)

Ataque do percevejo barriga-verde: Período crítico, sintomas e danos

O período crítico concentra-se nos 30 primeiros dias após a emergência (DAE) das plantas de milho.

Esse é o momento em que a cultura se encontra mais suscetível ao ataque da praga agrícola.

Nessa fase, o milho define o seu potencial produtivo (V3-V4). Portanto, o agricultor deve estar preparado para tomar as melhores decisões e evitar frustrações.

Quanto mais nova as plantas, menos lignificado e espesso é o caule, assim como menor o seu diâmetro.

Portanto, maior é o potencial de injúrias nas plantas de milho quando atacadas pelo percevejo barriga-verde.

Após a colheita de soja e plantio do milho, o percevejo barriga-verde ataca as plantas recém-emergidas na base do caule.

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Local de ataque do percevejo barriga-verde nas plantas de milho recém-emergidas
(Fonte: Pioneer)

Nessa região estão os tecidos meristemáticos, que são responsáveis pelo crescimento e desenvolvimento da planta.

Portanto, ao perfurar essa região, o percevejo causa danos às futuras folhas de milho, provocando alterações fisiológicas na planta.

Assim, nas folhas novas do cartucho, podemos observar pontuações escuras. E, à medida em que as folhas se desenvolvem, percebemos lesões longitudinais com os bordos amarelados.

Um outro sintoma bem típico do seu ataque é o “encharutamento” das folhas do cartucho do milho. As folhas se enrolam e não se expandem normalmente.

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Injúrias em folhas de milho com ataque do percevejo barriga-verde
(Fonte: Pioneer)

Além disso, como mecanismo de reação ao ataque da praga, a planta emite perfilhos improdutivos (“planta-ladrão”).

Seu vigor é reduzido e, em casos extremos, a planta pode morrer e comprometer o “estande” de plantas.

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Plantas de milho com perfilhos improdutivos e redução do estande de plantas após ataque do percevejo barriga-verde
(Fonte: André Shimohiro)

Amostragem e nível de controle

O período em que se deve intensificar as amostragem são os anteriores à semeadura do milho até o período crítico de ataque da praga no milho (30 DAE).

Segundo o pesquisador Rodolfo Bianco, do IAPAR, o agricultor pode utilizar iscas atrativas com soja umedecida na proporção de 10 iscas por talhão.

A mistura é feita com 300g de soja e ½ colher de sal de cozinha. Mas, para isso, os grãos devem ficar por 15 minutos em água, sendo adicionado sal somente após o escorrimento da água.

O agricultor pode avaliar a presença da praga 24 horas após a instalação.

Se o agricultor detectar 2 iscas/talhão com os percevejos, o nível é considerado baixo e não há necessidade de controle.

No entanto, se entre 3 e 5 armadilhas capturaram percevejos, o nível é considerado moderado. Assim, pode-se optar pelo tratamento de sementes (TS) ou por pulverizações foliares.

Já quando forem detectadas mais de 5 iscas com a presença do percevejo, o nível é alto. Neste caso, a recomendação é realizar o TS e a pulverização do milho em até 3 DAE.

Após a emergência das plantas e a pulverização com até 3 DAE (fases iniciais), é preciso continuar o monitoramento.

Caso o produtor detecte 1 percevejo vivo/10 plantas, é recomendável pulverizar novamente.

Na literatura, o nível de controle (NC) para o percevejo varia de 0,6 a 2,0 percevejos/m².

Vamos falar agora sobre os manejos mais efetivos para controlar o percevejo barriga-verde em sua lavoura.

Percevejo barriga-verde: como manejar

Método químico

A principal estratégia de manejo com efeito curativo é o controle químico.

O uso isolado do tratamento de sementes (TS) com inseticidas sistêmicos do grupo químico dos neonicotinóides tem dado parcial proteção às plantas na fase inicial.

Em campo, a estratégia mais efetiva tem sido combinar TS com pulverizações foliares (basicamente neonicotinóides + piretróides) logo que as plantas emergirem (até 3 DAE).

Dependendo da infestação, pulverizações após esse período não têm evitado os danos, como você pode observar na figura abaixo.

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Plantas de milho recém emergidas sendo atacadas
(Fonte: André Shimohiro)

Para maximizar as chances de controle durante a pulverização foliar, o agricultor pode iniciar a pulverização nos períodos de maior atividade e exposição da praga (das 7h às 13h e 16h às 19h).

Apesar de adotado por muitos agricultores, a associação de inseticidas na dessecação não possui resultados satisfatórios quando comparado à combinação do TS+pulverização foliar inicial.

Um dos fatores que desfavorecem esse método é o produto atingir a praga que se encontra protegida sobre a palhada (efeito “guarda-chuva”).

Os principais inseticidas comerciais para TS pertencem ao grupo dos neonicotinoides. Para aplicações foliares, a mistura de neonicotinóides e piretróides.

Apesar dos piretroides e neonicotinoides serem nocivos à maioria dos inimigos naturais, no momento, não existem moléculas específicas e seletivas disponíveis.

Métodos complementares

As boas práticas de manejo são consideradas tão importantes quanto o controle químico.

A escolha de cultivares com desenvolvimento vegetativo rápido, associadas a algum grau de resistência à praga, é uma alternativa.

O colmo espesso, por exemplo, dificulta a penetração do aparelho bucal do inseto na planta, auxiliando na redução das injúrias.

Além disso, a dessecação em pré-plantio bem feita, desfavorece o desenvolvimento do percevejo barriga-verde e os ataques no milho.

Ou seja, não deve haver falhas de aplicação, as áreas devem estar livres de plantas daninhas, tigueras ou guaxas de soja, assim como o mínimo de grãos perdidos durante a colheita.

A preservação de inimigos naturais, como tesourinhas, joaninhas e aranhas, também contribuem na redução populacional do percevejo barriga-verde.

>>Leia mais: “Todas as formas de controle para se livrar do percevejo-castanho

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Conclusão

O manejo do percevejo barriga-verde merece atenção especial do agricultor.

Seu ataque pode comprometer todo um planejamento agrícola. E, em casos críticos de ataque, é necessário o replantio.

Devido à escassez de inseticidas comerciais com diferentes mecanismos de ação, você deve se conscientizar de que as boas práticas de manejo cultural são igualmente importantes e devem ser realizadas sempre!

Você tem tido problemas com percevejo barriga-verde na sua lavoura? Restou alguma dúvida? Deixe seu comentário!

7 Pragas de armazenamento de grãos para você combater

Pragas de armazenamento: Identifique os insetos, saiba como preveni-los e conheça os manejos químico e físico para evitar perdas após a colheita.

O ataque de pragas é um problema para lavoura – e ele não termina com a colheita.

Estima-se que até 10% do que é produzido pode ser perdido durante a armazenagem de grãos devido às pragas.

No Brasil, indústrias alimentícias têm negado cargas com a presença de insetos vivos e mortos.

Além disso, requisitos fitossanitários atestando que o produto é livre de pragas têm sido cada vez mais exigido pelos países importadores.

Em unidades armazenadoras, as sementes podem se tornar inviáveis ao plantio e comprometer a safra seguinte caso sejam atacadas por insetos-praga.

Neste artigo vamos tratar as principais pragas de armazenamento e como manejá-las segundo os preceitos do MIP (Manejo Integrado de Pragas). Confira!

Pragas de armazenamento: o que fazer para evitar o ataque

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(Fonte: Unesp)

A cada safra as unidades armazenadoras de grãos e de sementes devem estar preparadas para receber novas cargas.

Esse preparo diz respeito ao local onde os grãos ou sementes ficarão armazenados, que devem estar limpos e isentos de pragas (insetos, ácaros, fungos e roedores).

Nessa etapa pode ser realizada a fumigação do local de maneira preventiva para evitar a presença de pragas de armazenamento. Vou explicar com mais detalhes adiante.

Além disso, é importante que haja ventilação e condições climáticas de temperatura e umidade relativa adequadas para o recebimento dos grãos.

Para a efetividade do MIP nas unidades armazenadoras também é preciso conscientizar os funcionários a respeito dos danos e importância das pragas de armazenamento.

Compreender a relevância das práticas de limpeza e higienização da unidade armazenadora, assim como a identificação de insetos, é essencial para prosseguimento das metas de manejo estabelecidas.

Como identificar as 7 principais pragas de armazenamento

Basicamente existem duas grandes ordens de insetos-praga que atacam os grãos armazenados: Coleoptera (caruncho, gorgulho) e Lepidoptera (traças).

Essas pragas podem ser classificadas, conforme o seu hábito alimentar, em pragas primárias (internas e externas) e pragas secundárias.

As pragas primárias danificam os grãos íntegros ou sadios.

As pragas primárias internas conseguem perfuram o grão. Elas se alimentam do conteúdo interno, se desenvolvem e completam o seu ciclo no interior do grão.

Já as pragas primárias externas se alimentam da parte externa do grão.

Além do dano direto nos grãos ou sementes, as pragas primárias facilitam o ataque de pragas secundárias, que se beneficiam dos grãos danificados para se alimentar.

Vou detalhar as principais características de cada inseto-praga:

Gorgulho dos cereais – Rhyzopertha dominica

Considerada a principal praga de armazenamento na cultura do trigo, esse inseto é popularmente conhecido como o gorgulho ou besouro dos cereais e farinhas.

É uma praga primária interna que, além do trigo, pode atacar cevada, triticale, arroz e aveia.

Adultos e larvas causam danos aos grãos e sementes que ficam perfurados e com grande quantidade de resíduos em forma de farinha.

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Adulto de Rhyzopertha dominica atacando grãos de milho
(Fonte: Adaptado de Defesa Vegetal)

Gorgulhos do arroz e milho – Sitophilus oryzae e S. zeamais

Os gorgulhos do arroz e do milho são espécies muito semelhantes quanto à morfologia e podem ocorrer juntas na massa de grãos ou sementes.

São pragas primárias internas com elevado potencial de reprodução e possuem hospedeiros como trigo, milho, arroz, cevada e triticale.

Essas pragas podem apresentar infestação tanto dos grãos em campo como no armazém.

Os danos decorrentes do ataque dessa praga são a redução de peso e qualidade do grão.

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Adultos de Sitophilus oryzae e Sitophilus zeamais
(Fonte: Defesa vegetal)

Besouro castanho – Tribolium castaneum

O besouro castanho é uma praga secundária. Sendo assim, sua presença indica que os grãos já estão infestados por pragas primárias.

Esses insetos podem causar a deterioração dos grãos e trazer prejuízos superiores quando comparados ao ataque das pragas primárias.

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Larva (a, b), pupa (c) e adulto (d) de Tribolium castaneum
(Fotos: Adriana de Marques Freitas/Embrapa)

Besourinho-do-fumo – Lasioderma serricorne

Conhecida como besourinho-do-fumo, essa praga passou a ocorrer com maior frequência em grãos e sementes de soja durante o armazenamento.

Na soja, perfuram as sementes e grãos causando prejuízos aos armazéns. Por afetar a qualidade do produto final, é uma grande ameaça aos armazenadores.

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Besourinho-do-fumo
(Fonte: Agrolink)

Oryzaephilus surinamensis

É uma praga secundária que ataca grãos de milho, trigo, arroz, soja, cevada, aveia.

Essa praga também pode infestar estruturas de armazenamento como moegas, máquinas de limpeza, elevadores, secadores, túneis, fundos de silos e caixas de expedição.

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Inseto adulto de Oryzaephilus surinamensis
(Foto: Irineu Lorini em Embrapa)

Sitotroga cerealella

É praga que ataca grãos inteiros, porém afeta a superfície da massa de grãos.

As larvas desta praga destroem o grão, alterando o peso e a sua qualidade.

Podem atacar também farinhas causando deterioração do produto final para consumo.

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Desenvolvimento de Sitotroga cerealella nos grãos  
(Fonte: Agronegócios)

Traça-dos-cereais – Ephestia kuehniella

Conhecida como traça-dos-cereais, é uma praga secundária.

Ela infesta principalmente grãos e sementes de soja, milho, sorgo, trigo, arroz, cevada e aveia, além de produtos elaborados, como biscoitos, barras de cereais e chocolates.

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Ephestia kuehniella larva (a) e adulto (b)
(Foto: Adriana de Marques Freitas em Embrapa)

Pragas de armazenamento: como fazer o controle

Entre as pragas mencionadas, de maneira geral, R. dominica, S. oryzae e S. zeamais são as mais importantes.

São as que justificam a maior parte do controle nas unidades de armazenamento.

Método químico de controle

Inseticidas inorgânicos à base de fosfeto de alumínio, precursor da fosfina, é o mais utilizado para expurgar ou fumigar.

Ele atua em todas as fases de desenvolvimento do inseto e consegue penetrar em locais inacessíveis às pulverizações.

No entanto, os fumigantes só devem ser usados ​​quando necessário, pois, além de perigoso, é um método caro e não oferece proteção residual a longo prazo.

Como a fosfina funciona

Durante o processo de fumigação, o calor e a umidade relativa do ar (UR) aceleram a liberação do gás tóxico, sendo o contrário válido para o frio e ar seco.

Assim, o tempo de exposição do produto à massa de grãos em concentrações letais varia conforme as condições ambientais durante a aplicação.

A temperatura de 25℃ é a ideal para realizar a fumigação.

Quando feita em temperaturas entre 15℃ e 25℃, deve-se acrescentar 20% do tempo recomendado na condição ideal.  

Em locais em que a temperatura encontra-se abaixo de 15℃, o expurgo torna-se inviável.

Tempo de exposição do defensivo agrícola

Locais em que há semente a granel devem ficar expostas por 96 horas, sendo 120 horas quando em sacarias.

Já em silos graneleiros, o período de exposição deve ser em média de 240 horas.

Como aplicar

O produto comercial pode vir na forma de pastilhas, comprimidos ou sachês. A dose é dada em função do volume do lote de grãos/silos e praga-alvo.

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Etapas da fumigação em um silo vertical
(Fonte: Bequisa)

Em aplicações curativas, com os silos cheios de grãos, é recomendável nivelar a superfície onde será depositada as pastilhas antes de realizar a fumigação.

O objetivo é  facilitar a vedação com lona e evitar o escape do gás.

Para isso podem ser utilizadas “cobras de areia” para o ajuste da lona junto à massa de grãos.

Além disso, deixar nesses locais pontos de liberação facilita a operação e a correta distribuição do produto sobre a massa de grãos.  

Alerta-se que, por ser altamente tóxico e incolor, é obrigatório o uso de equipamento de proteção individual (EPI) e seguir as normas de segurança durante o expurgo ou fumigação.

Métodos alternativos de controle das pragas de armazenamento

A manipulação da temperatura e umidade relativa do ar em níveis desfavoráveis às pragas é considerado um método físico de controle e pode ser empregado nas UA e UBS.

A única ressalva é com relação aos locais em que já estão armazenadas sementes.

Nesses casos, temperaturas e UR extremas, apesar favorecerem o controle das pragas de armazenamento, mas poderá comprometer a qualidade da semente.

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Efeito da temperatura sobre o desenvolvimento das pragas de grãos armazenados
(Fonte: Embrapa)

Além desses, o método físico mais estudado e eficaz tem sido o emprego do pó inerte à base de terra de diatomáceas.

A terra de diatomácea é um sedimento amorfo obtido a partir de depósitos sedimentares de sílica em organismos aquáticos. Seu efeito assemelha-se aos dos inseticidas.

Ela atua por contato nos insetos e remove as camadas de cera da cutícula. Em contato com ela, os insetos perdem água, desidratam e morrem.  

Diferente dos produtos convencionais, a terra de diatomácea controla as pragas durante longo período após aplicado.

Ela não deixa resíduos nos alimentos e é segura ao ser humano.

Entretanto alguns fatores limitam seu uso, como a aparência branco acinzentada nos grãos e a possibilidade de retirar umidade dos mesmos.

Além desse método físico, outros métodos possíveis de serem utilizados são radiação, uso da luz e do som.

Você pode obter mais detalhes na publicação Manejo Integrado de Pragas de Grãos e Sementes Armazenadas, da Embrapa.

Para fins de monitoramento, no mercado existe uma armadilha adesiva à base de feromônio sexual sintético para o monitoramento de Lasioderma serricorne (bicho do fumo).

Essa armadilha auxilia no monitoramento de pragas nas UA e UBS.

Deve-se realizar amostragens sistemáticas a cada 15 dias nas massas de grãos para verificar a densidade populacional de pragas e a necessidade de controle.

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Conclusão

As pragas de armazenamento ou pragas pós-colheita são tão importantes quanto as que ocorrem durante o desenvolvimento da cultura.

Para manejar corretamente, é necessário entender que métodos básicos e preventivos de controle são imprescindíveis e devem ser realizados.

Além disso, é importante conscientizar de que a fumigação somente será necessária quando nenhum outro inseticida ou manejo possa controlar efetivamente os insetos.

Nesse artigo, vimos também como a adoção do MIP auxilia no manejo racional e sustentável das pragas em pós-colheita.

Espero que com essas informações você possa fazer o melhor controle e evitar prejuízos decorrente dos ataque de pragas nos produtos armazenados.

>>Leia mais: “As principais orientações para se livrar do percevejo barriga-verde”
>> Leia mais: “Como fazer o manejo eficiente da mosca-branca

Pragas de armazenamento têm afetado a rentabilidade da sua lavoura? Quais manejos você utiliza? Deixe seus comentários abaixo!

Inseticidas para soja: Faça eles se pagarem

Inseticidas para soja: Veja as principais dicas de defensivos e suas aplicações para que você tenha um manejo de pragas mais eficiente e econômico.

O uso adequado dos inseticidas, com o MIP, economizaria R$ 4 bilhões na produção nacional de soja, segundo Embrapa.

Os produtos corretos, a tecnologia e o momento da aplicação são fundamentais para isso.

No entanto, ao ver a lavoura com percevejos e lagartas fica difícil estimar o quanto podemos esperar para compensar a aplicação, ou mesmo as alternativas de controle.

Por isso, aqui mostramos as mais importantes informações para embasar suas decisões na lavoura e conseguir um manejo que faça os inseticidas se pagarem. Confira:

Entendendo as realidades da soja Bt e não-Bt

Liberada para comercialização desde a safra 2013/2014, a soja transgênica, que expressa a proteína inseticida derivada de Bacillus thuringiensis (Bt), representa a maior parte das lavouras brasileiras.

A tecnologia de soja Bt, comercialmente chamada de INTACTA RR2 PRO, apresenta atividade inseticida e efetividade no controle dos insetos:

  • Lagarta-falsa-medideira (Chrysodeixis includens);
  • Lagarta-da-soja (Anticarsia gemmatalis);
  • Lagarta-das-maçãs( Chloridea (=Heliothis) virescens);
  • Helicoverpa armigera.
inseticidas

Principais pragas alvo da soja Bt
( Fonte: Pioneer)

O que isso quer dizer para o manejo de pragas na cultura da soja?

O uso da tecnologia Bt implica na realização de áreas de refúgio. Elas devem corresponder a 20% da área, e é importante que você a faça para evitar a resistência dos insetos da sua área aos defensivos agrícolas.

Essas áreas tem como objetivo de manter os insetos suscetíveis às proteínas Bt, se acasalando com os insetos resistentes da vindos da lavoura Bt.

Além disso, você preserva essa tecnologia e consegue aumentar o número de safras com ela, o que resulta em economia das pulverizações e sustentabilidade do meio ambiente.

Você pode conferir o passo a passo de como fazer a área de refúgio aqui.

Consequentemente, os insetos alvo da tecnologia Bt serão grandes problemas como pragas nas áreas cultivadas com soja não-Bt (área de refúgio).

O esperado é que nas áreas de soja não-Bt teremos mais lagartas atacando as plantas quando comparado a soja Bt.

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Área semeada com soja não-Bt à esquerda e soja Bt à direita
(Fonte: Monsanto)

No entanto, pragas em comum nas sojas Bt e não-Bt também ocorrerão, como é o caso das lagartas do gênero Spodoptera spp., os percevejos-fitófagos, mosca-branca, ácaros, entre outras pragas.

A pergunta que fica é: Será que esse ataque na parte não Bt vai afetar minha produtividade e rentabilidade?

Se você seguir as recomendações do Manejo Integrado de Pragas (MIP), inclusive as dicas aqui citadas, aplicando somente quando necessário, a resposta dessa pergunta é não.

Aliás, diversos estudos de caso e científicos mostram cada vez mais que a produtividade e economia tendem a aumentar em áreas que seguem essas recomendações do MIP.

Como fazer o manejo nas áreas de soja Bt e não-Bt

Você pode aplicar inseticidas e outros métodos de controle nas áreas de refúgio.

Mas, antes de fazer qualquer aplicação de inseticida nas áreas de soja Bt e não-Bt é fundamental o monitoramento e amostragens dos insetos-praga para verificar se há a necessidade de alguma intervenção.

Monitore sua lavoura constantemente, sendo recomendado a frequência semanal. Anote os danos ou número de inseto que você encontrou em algum lugar e verificar o Nível de Controle (NC).

O NC é o nível de danos ou de insetos que ainda não estão prejudicando economicamente sua produção, mas que indica a necessidade de tomar alguma medida de controle dentro de pouco tempo, evitando o prejuízo econômico.

Os níveis de ação ou de controle das pragas podem ser verificados na figura abaixo.

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Níveis de ação para os principais lepidópteros-praga da soja
(Fonte: IRAC-BR)

No caso dos percevejos na soja, os níveis de ação são os mesmo e podem ser verificados no post “Percevejo marrom: 7 estratégias de controle na soja”.

Para facilitar os registros do seu monitoramento de pragas e verificação do NC, nós preparamos uma planilha de Excel que automatiza mais essas informações e te dá muito mais segurança.

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Dica de manejo antes da decisão de aplicar

A cultura da soja, diferente das demais, consegue compensar níveis de desfolhas sem que haja interferência na sua produtividade.

Na fase vegetativa ela tolera até 30% de desfolha e na fase reprodutiva até 15% sem que haja implicações na produção.

Sendo assim, faça o monitoramento de pragas e também verifique o nível de desfolha na cultura.

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Escala de desfolha em folíolos de soja
(Fonte: NC Soybean)

Principais orientações sobre inseticidas para soja

Uma coisa que você deve estar ciente é que as pragas se diferenciam de local para local.

Ou seja, elas sofrem a influência da cultura anterior e das condições climáticas, entre outros, que poderão favorecer ou não determinado inseto-praga.

Portanto o “segredo” do manejo é amostrar os insetos, antes e durante o plantio, para saber o melhor inseticida a ser utilizado, e o momento correto.

Aqui vamos dividir as pragas e os principais tipos de inseticidas utilizados conforme o momento de ataque na cultura.

Antes disso, confira os grupos químicos e os principais inseticidas em cada um, entendendo melhor as dicas a seguir:

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(Fonte: IRAC)

Pragas iniciais e de solo

Considerado um dos períodos críticos da cultura, esse conjunto de pragas pode comprometer o número de plantas de soja/ha (estande).

Isso porque elas atacam a raiz, o colo da planta e seccionam o caule da planta, implicando em replantio.

As principais pragas nessa fase são:

Aqui pode-se fazer o controle químico com inseticidas do grupo químico dos carbamatos, organofosforados e piretroides no momento da dessecação da área para o plantio.

Após a dessecação da área, pode se fazer o tratamento de sementes com inseticidas do grupo químico dos fenilpirazóis, carbamatos, piretroides, neonicotinoides e diamidas conforme as pragas-alvo da área.

Pragas da parte aérea ou de folhas

Conforme mencionado anteriormente, a cultura da soja pode tolerar 30% de desfolha na fase vegetativa e 15% na fase reprodutiva.

Durante a fase vegetativa os principais grupos de pragas que atacam a cultura são os lepidópteros (lagartas), coleópteros (besouros) e hemípteros (mosca-branca).

Entre as lagartas, as principais espécies são Helicoverpa armigera e Chrysodeixis includens.

Com relação aos besouros, se destaca D. speciosa e Maecolaspis sp. Nas últimas 5 safras tem se verificado o intenso ataque de Bemisia tabaci biótipo B (mosca-branca).

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(Fonte: Mato Grosso Econômico)

Por serem espécies diferentes, com comportamentos distintos, os inseticidas aqui também deverão ser específicos para cada grupo de praga:

Lagartas

Ao atingirem o nível de controle, os principais inseticidas utilizados são representados pelos grupos químicos das benzoilfeniluréias, diamidas, diacilhidrazina, espinosina, oxadiazina e semicarbazone.

Além dos químicos, temos os inseticidas microbiológicos a base de vírus que podem ser utilizados para o controle de C. includens, H. armigera e Spodpotera spp.

Aqui cabe uma ressalva: não utilize inseticidas a base de B. thuringiensis nas áreas de soja Bt e nas áreas de refúgio.

O intuito é não aumentar a pressão de seleção das pragas-alvo da soja Bt e retardar o processo de evolução da resistência.

Vaquinha (fase adulta)

Com relação ao controle de D. speciosa na fase adulta, os principais inseticidas utilizados são do grupo químico dos piretroides e análogo ao pirazol.

Mosca-branca

Para B. tabaci os principais inseticidas são a base de diamidas, éter piridiloxipropílico, cetoenol, feniltioureia, o microbiológico a base de Beauveria bassiana e Tetranortriterpenóide (azadiractina).

Pragas das estruturas reprodutivas ou de vagens

Nessa fase os principais grupos de pragas são os lepidópteros e os percevejos pragas. No primeiro grupo tem destaque as espécies do complexo Spodoptera spp., S. frugiperda, S. eridania e S. cosmioides.

Por danificarem as vagens e os grãos, devem ser eficientemente controladas. Os principais inseticidas utilizados são os mesmos mencionados no item anterior para pragas de parte aérea.

Entre os percevejos-praga, as principais espécies são Euschistus heros, Piezodorus guildinii e Dichelops spp.

Atualmente esse grupo de pragas carece de novas moléculas inseticidas para o seu controle e está limitado basicamente a três principais grupos químicos, que são: neonicotinoides, piretróides e organofosforados.

Por isso, é importante pensar no manejo dos inimigos naturais e no uso de inseticidas naturais. Saiba mais sobre eles nestes artigos:

Como manejar os inimigos naturais de pragas agrícolas da sua área
6 Inseticidas naturais para você começar a usar na sua lavoura

Dicas para uma tecnologia de aplicação ainda melhor

Cada cultivar de soja possui uma arquitetura que favorece ou desfavorece a penetração dos inseticidas.

Assim, o sojicultor pode trabalhar com algumas estratégias de tecnologia de aplicação para maximizar o controle.

Dentre elas, se atente para:

  • Pontas de pulverização;
  • Taxa de aplicação (L/ha);
  • Pressão de serviço;
  • Assistência de ar na barra de pulverização;
  • Momento da aplicação: umidade do ar e temperatura devem ser observadas;
  • Estude o uso de adjuvantes ou surfactantes.

Uso de inseticidas seletivos e manejo da resistência

Priorize inseticidas seletivos na fase inicial da cultura para evitar o desequilíbrio biológico. Esse desequilíbrio prejudica ainda mais a infestação de pragas na sua lavoura.

Faça também o manejo da resistência de inseticidas intercalando grupos de inseticidas diferentes por janela da praga.

Atenção especial deverá ser dada às áreas de refúgio (soja não-Bt). Esteja ciente quanto ao número de aplicações permitidas por janela e o grupo químico do inseticida utilizado para não comprometer o MRI e efetividade da soja Bt.

Veja o quadro informativo abaixo:

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Esquema de manejo de pragas da soja com inseticidas
( Fonte: IRAC-BR)

Os inseticidas se pagaram?

Você utilizou novos defensivos, alguns produtos biológicos, fez talhões com manejos diferentes… mas isso se pagou?

Só a partir dos registros corretos do que foi utilizado na sua área, e do quanto foi produzido, é possível saber se o manejo foi rentável.

Para isso, softwares de gestão agrícola facilitam esses registros e as análises provenientes dos mesmos. Veja o exemplo da rentabilidade de uma safra abaixo:

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Exemplo de rentabilidade total e por talhão em uma safra. Saiba mais sobre o Aegro aqui.

Além disso, como citamos anteriormente, também temos a planilha de excel para o MIP na soja e milho gratuita que você pode baixar aqui!

Conclusão

Aqui vimos que os inseticidas estão entre as principais estratégias de manejo na cultura da soja. Mas, eles apenas deverão ser utilizados quando detectado o nível de controle da praga em questão.

Tenha em mente que a escolha de inseticidas seletivos é fundamental para preservar a comunidade de inimigos naturais e favorecer o controle biológico de pragas.

O manejo da resistência de insetos na soja Bt e não-Bt também deverá ser realizado para prolongar a vida útil e efetividade dessa ferramenta no MIP na cultura da soja.

Aproveite todas essas dicas e faça seus inseticidas, e todo seu manejo, se pagar!

Como você contabiliza a eficiência dos seus inseticidas hoje? Tem outras dicas que não citei aqui? Restou alguma dúvida? Deixe seu comentário aqui embaixo!

Como manejar os inimigos naturais de pragas agrícolas da sua área

Inimigos naturais de pragas agrícolas: Obtenha um controle melhor e mais econômico de pragas, sabendo  como manejá-los mesmo utilizando inseticidas.

Sem custos adicionais e com enormes benefícios, os inimigos naturais passam despercebidos na fazenda.

São eles os responsáveis pela mortalidade natural das pragas no campo.

A aplicação dos princípios do Manejo Integrado de Pragas, entre eles os inimigos naturais, o produtor poderia economizar até R$ 4 bilhões na produção nacional de soja.

Portanto, manejar os inimigos naturais é fundamental para sustentabilidade ambiental, agrícola e financeira.

Neste artigo abordaremos sobre a importância dos inimigos naturais e algumas estratégias em como preservá-los no contexto do Manejo Integrado de Pragas (MIP).

O que é um inimigo natural e qual a sua importância?

Inimigo natural ou agente do controle biológico é qualquer organismo (vírus, fungos,

bactérias, determinados insetos, aranhas, ácaros, etc) que exerça o controle sobre a população de insetos praga.

Eles ocorrem naturalmente no ambiente fazer o controle dos insetos, sendo que isso é o que chamamos de controle biológico natural.

Historicamente essa ideia é antiga, sendo os chineses no século III a.C. os primeiros a praticarem o controle biológico. Eles utilizavam formigas para o controle de lagartas e besouros em citros.

Assim, podemos dizer que a  mortalidade natural de pragas em campo provocada pelos inimigos naturais é considerada uma das bases do MIP.

inimigos naturais de pragas agrícolas

Bases e alicerces do MIP, com destaque para a mortalidade natural de pragas e o uso do controle biológico de pragas com inimigos naturais como grandes responsáveis
(Fonte: José Roberto Postali Parra)

Em campo, a ação de inimigos naturais sobre a população de pragas pode ser ilustrada pela figura abaixo.

Eles atuam reduzindo a população da praga e a mantém abaixo do nível de controle e/ou em uma posição geral de equilíbrio dinâmica, na qual as pragas agrícolas não podem causar danos.

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Dinâmica de pragas após a atuação de um inimigo natural
(Fonte: José Roberto Postali Parra)

Atualmente, com a falta de novos inseticidas, o controle biológico aplicado de pragas, por meio da liberação de inimigos naturais, tem crescido vertiginosamente no mercado.

Como preservar os inimigos naturais de pragas agrícolas?

O primeiro passo para conservar os inimigos naturais de pragas agrícolas na lavoura é conhecê-los. É fácil o agricultor confundi-los com outros insetos, então é preciso bastante atenção.

Na figura abaixo temos uma larva de bicho-lixeiro. Ele é um importante predador de ovos e larvas de lepidópteros-praga nos agroecossistemas.

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Larva de crisopídeo (bicho-lixeiro) amostrada durante monitoramento de pragas com pano de batida
(Fonte: Arquivo pessoal do autor)

A sua confusão com alguma praga é muito prejudicial, já que nas lavouras, se o agricultor pulverizar de forma desnecessária, poderá desfavorecer esses inimigos naturais.

Caso haja dificuldades na identificação, na cartilha desenvolvida pela Embrapa o agricultor e o técnico responsável pode identificar os principais inimigos naturais acessando esses aplicativos.

Além disso, a pesquisadora da Embrapa, Alessandra de Carvalho Silva, idealizou o aplicativo Guia InNat que também ajuda na identificação dos inimigos naturais no campo.

planilha manejo integrado de pragas MIP Aegro, baixe agora

Quem é quem entre os inimigos naturais de pragas agrícolas?

Traçando um paralelo com as pragas-chaves das culturas agrícolas, nós também temos os inimigos naturais chaves (predadores, parasitoides e entomopatógenos).

Os inimigos naturais chaves são os maiores responsáveis pela regulação populacional da praga alvo.

Na cultura do algodão, por exemplo, as joaninhas são consideradas predadores-chave da lagarta-das-maçãs. Elas provocam elevados índices de mortalidade da praga ao  alimentarem dos seus ovos.

Já na cultura da soja, Copidosoma sp. é um parasitoide da lagarta falsa-medideira. Assim como o fungo entomopatogênico Metharizium (=Nomurea) rileyi e o vírus Baculovírus anticarsia, ambos, sobre a lagarta da soja.

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Lagarta falsa-medideira da soja contaminada com baculovirus e o fungo M. riley (doença branca) e ovos de Helicoverpa infectados com o fungo Cladosporium sp.
(Fonte: arquivo pessoal do autor)

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Lagarta Helicoverpa armigera parasitada por Ophion sp. em lavoura de soja
(Fonte: arquivo pessoal do autor)

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Podisus nigrispinus predando a lagarta Spodoptera cosmioides
(Fonte: arquivo pessoal do autor)

Níveis de não-ação (NNA) de pragas

Mas enfim, qual a importância de se conhecer os inimigos naturais de pragas agrícolas e preservá-los na minha lavoura?

No Manejo Integrado de Pragas, o nível de não-ação é a relação dos inimigos naturais-chave/ praga-chave que indica a decisão de não agir contra a praga por previsão da ação do controle biológico efetivo posteriormente.

Como exemplo, temos para a lagarta das maçãs o nível de não-ação de 1 predador-chave para cada ovo da praga.

Além disso, quando 15-20% dos ponteiros da planta de algodão apresentar 1 percevejo predador da família Miridae, prevê-se que 80-100% dos ovos de lagarta das maçãs serão consumidos.

Ainda no algodão, estudo mostraram que até 0,4 formigas da espécie Solenopsis sp. amostrados por ponteiro batido de algodão provoca controle da praga em 90% das vezes.

Ainda pouco difundido e com poucas informações no Brasil, é importante compreender a importância da manutenção dos inimigos naturais na lavoura.

Manejando os inimigos naturais de pragas agrícolas através da paisagem agrícola

Sabendo a importância dos inimigos naturais de pragas agrícolas, sabemos também que devemos preservá-los.

Para isso podemos fazer de diversas maneiras, mas aqui abordarei apenas duas principais.

Assim, entre a 1ª estratégia é a manipulação do ambiente através do plantio de culturas secundárias. Essas culturas podem atrair os inimigos naturais para a cultura principal ou de interesse.

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Estratégia de manipulação ambiental para favorecer o incremento de inimigos naturais na área
(Fonte: Amtecbioagricola)

A 2ª estratégia é o consórcio da cultura principal com outra espécie vegetal (10% ou menos da área cultivada) para atração de inimigos naturais de pragas agrícolas.

Desse modo, podemos citar diversas práticas já testadas e que tiveram bons resultados, como os consórcios de: alfafa, milho e sorgo com algodão e sorgo na cultura do tomate.  Outros exemplos:

  • Milho no algodão: um estudo com milho no México mostrou que a presença de 6 linhas de milho para cada 20 de algodão aumentou a população de Chrysopa carnea 3 vezes ou mais.
  • Sorgo no algodão: o sorgo granífero permitiu a transferência de insetos predadores para o algodão. Assim, controlou mais pragas dessa cultura, como as espécies de pulgão Rhopalosiphum maidis e Schizaphis graminum, uma vez que não ocorrem no algodão mas atacam o sorgo.

Manejando os inimigos naturais de pragas agrícolas através do controle químico

Você provavelmente deve estar se perguntando se possível preservar os inimigos naturais de pragas agrícolas com os inseticidas.

Isso porque na prática sabemos da importância de fazer uso desses defensivos agrícolas no controle de pragas.

Para compatibilizar o controle com inimigos naturais e o químico, o agricultor deve priorizar o uso de inseticidas naturais ou mais seletivos. Eles são mais específicos às pragas e causam baixa toxicidade aos inimigos naturais.

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Quadro geral de seletividade dos inseticidas a favor dos inimigos naturais
(Fonte: Embrapa Agrobiologia)

A possível aplicação de agroquímicos pouco seletivos poderá causar o desequilíbrio biológico, por eliminar os inimigos naturais de pragas agrícolas, comprometendo o manejo.

Isso ocorre porque praga não possui competidores (predadores, parasitoides, entomopatógenos) e tem seu crescimento populacional facilitado.

Assim, o agricultor deve priorizar produtos seletivos, ou seja, tóxicos as pragas e inofensivos aos inimigos naturais,  especialmente na fase inicial de desenvolvimento da cultura.

Recomenda-se utilizar inseticidas pouco seletivos, como os piretróides ou organofosforados, no fim do ciclo da cultura.

No entanto, há casos emergenciais que não podemos optar por algum produto mais seletivo em fase inicial de cultivo.

Nessas situações, busque a seletividade ecológica do produto. Por exemplo, aplique em faixas ou em momentos em que o inimigo natural estará menos exposto à ação direta do agroquímico.

Conclusão

Os inimigos naturais são importantes dentro do contexto do manejo integrado de pragas e devem ser preservados por meio de medidas que lhes favoreça.

Isso inclui tal como o uso de agroquímicos seletivos e manipulação ambiental.

Além disso, é importante lembrar que um programa de controle biológico não deve ser implementado se não estiver em conjunto com outros programas que discutimos aqui.

Com todas essas dicas você conseguirá fazer um manejo muito melhor dos inimigos naturais, obtendo um controle de pragas muito mais efetivo e até mesmo econômico!

>>Leia mais:

11 pragas da soja que podem acabar com sua lavoura”

Pragas quarentenárias: entenda os tipos e o que fazer para impedir sua presença

“Biofungicidas: quando vale a pena usá-los para o controle de doenças na lavoura?”

Como você faz o manejo de inimigo naturais de pragas agrícolas hoje? Tem mais alguma dica? Deseja saber mais sobre o assunto? Deixe seu comentário abaixo!

Percevejo marrom: 7 estratégias de controle na soja

Percevejo marrom: conheça quais são as melhores estratégias de controle, incluindo os principais inseticidas, controle biológico, época de aplicação e outros.

O percevejo marrom da soja, Euschistus heros, é um grande desafio no manejo de pragas na cultura da soja.

Ao atacar as vagens de soja o percevejo afeta diretamente a produtividade e a sanidade do produto final.

Estima-se que na colheita os grãos atacados apresentam peso 40% inferior ao sadios implicando em perdas de até 10 sacas de soja por hectare.

Devido a limitação de ferramentas de manejo efetivas, essa praga tem tirado nosso sono safra após safra.

Por isso aqui vamos ver quais são as principais estratégias de controle para que você escolhas as que mais se enquadrem a sua realidade.

1ª Saiba qual o período de maior ataque do percevejo marrom na soja

Como próprio nome diz, esse inseto possui coloração marrom e mede cerca de 11 mm de comprimento.

Durante o inverno, o percevejo marrom pode entrar em diapausa. Ou seja, há redução do desenvolvimento do percevejo devido as baixas temperaturas.

Nesses períodos ele sobrevive nas palhadas/restos culturais, ou migra para áreas de refúgio e de mata.

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Atividade alimentar do percevejo marrom na safra e entressafra da cultura da soja

(Fonte: Fundação MS)

Normalmente fêmeas ovipositam nas folhas ou vagens em formato de massas ou fileiras com 5 a 7 ovos de cor amarelada.

Ao eclodir, as ninfas de 1° instar (1° estágio) ficam juntas sobre os ovos.

No 2° instar já iniciam o processo de alimentação, mas os danos são insignificantes. No entanto, no 3° instar os prejuízos da alimentação se tornam significativos.

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Percevejo marrom Euschistus heros adulto (a), ovos (b), ninfas de primeiro (c) e quinto ínstar (d)

(Fonte: Embrapa)

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Ciclo de desenvolvimento do percevejo marrom, Euschistus heros
(Fonte: Cividanes)

Assim, o período de ataque que causa maiores prejuízos é de R3 até R7 na cultura da soja, quando devemos realizar amostragens e tomar as medidas de controle necessárias.

Ainda, é bom lembrar que uma das plantas daninhas maiores hospedeiras do percevejo é o capim-rabo-de-burro. Portanto, ao notar a presença dessa planta na lavoura, você deve ficar de olho também na possível presença dos percevejos.

2ª Reconheça os danos do percevejo marrom

Em fase inicial de cultivo, ataques podem levar ao abortamento de vagens e implicar no retardamento da maturação dos grãos.

É comum observar a planta com retenção foliar e hastes verdes, distúrbio fisiológico denominada de Soja Louca I.

Já ataques no seu período mais suscetível (R3- 7), o percevejo marrom da soja ataca as vagens e reduz o peso e tamanho de grãos (g). Os grãos também ficam enrugados e chochos, apresentando coloração arroxeada a enegrecida.

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Danos nos grãos ocasionados pela alimentação do percevejo marrom da soja
(Fonte: Bayer)

Dessa forma, em lavouras para a obtenção de sementes, as mesmas se tornam inviáveis para tal devido ao seu baixo vigor.

Também pode haver danos na qualidade ou danos invisíveis ao produtor, os quais são alterações nos teores de proteína e de óleo no grão.

Por isso, após a venda da produção, penalidades financeiras poderão vir a acontecer por parte da indústria devido aos grãos escurecidos ou sujos, que dificultam o beneficiamento e produção de óleo.

3ª Utilize inseticidas apenas ao atingir o Nível de Controle (NC)

Embora o percevejo marrom se faça presente na área desde o período vegetativo da cultura, é no período reprodutivo que ocorrem os prejuízos.

O estágio fenológico de maior suscetibilidade ocorre no início do desenvolvimento das vagens – R3 (fase de “canivetinho”) e vai até a maturação fisiológica da planta – R7.

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Nível de controle para o percevejo marrom da soja pelo monitoramento por exame de plantas
(Fonte: Embrapa)

Para estimar a população do percevejo marrom na cultura da soja você pode usar o método de exame de plantas (como mostra figura acima). Mas o método mais eficaz continua sendo o pano de batida.

Recomenda-se iniciar as amostragens semanalmente nos períodos mais frescos do dia.

O controle deve ser realizado atingir a média de 2 percevejos por pano-de-batida para produção de grãos e 1 percevejo por pano-de-batida em áreas destinadas a produção de sementes.

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Com o Aegro você tem todos os dados de monitoramento de pragas agrícolas organizados, seguros e fáceis de serem visualizados.

Aqui disponibilizamos gratuitamente uma planilha para você fazer seu MIP: saiba qual o Nível de Controle de cada praga e quando você deve aplicar, mantendo tudo organizado. Clique na figura a seguir para baixar!

4ª Inseticidas para percevejo marrom

Entre as estratégias de controle do Manejo Integrado de Pragas, o controle químico por meio da pulverização de inseticidas tem sido a mais efetiva.

Infelizmente os produtos comerciais destinados ao controle do percevejo marrom se limitam basicamente a 3 grupos químicos: Organofosforado, Piretróide e Neonicotinóide.

Atualmente existem no portal Agrofit do Mapa 47 produtos registrados.

Já foi levantada a hipótese de casos de resistência do percevejo marrom ou perda da eficiência das moléculas existentes no mercado, mas nada ainda foi confirmado em campo.

Um projeto entre IRAC e PROMIP estudou as principais substâncias utilizadas no controle e que tiveram suspeita de perda de eficiência. O resultado foi de que esses produtos não perderam eficiência sobre o percevejo marrom, sendo eles:

  • Acefato;
  • Tiametoxam;
  • Imidacloprid;
  • Lambda-cialotrina;
  • Beta-ciflutrina;
  • Imidacloprid + beta-ciflutrina.

Além disso, em trabalho realizado pelo pesquisador Edmar Tuelher e colaboradores foi mapeado o risco da falha de controle do percevejo marrom em Goiás.

Também foi concluído que os produtos ainda apresentavam a eficiência mínima recomendada pelo Mapa de 80%.

Apenas foi verificada falha de controle para a beta-ciflutrina no sudoeste de Goiás e para o imidaclopride no nordeste do estado.

5ª Não promova a resistência do percevejo marrom aos inseticidas na sua área

As suspeitas de resistência na maioria das vezes são falhas na aplicação ou pulverizações em momentos inadequados, como aplicações tardias.

Mesmo assim é necessário prevenir a resistência para que os produtos continuem a ter eficiência de controle.

Para isso, tenho algumas dicas:

  • Invista em tecnologia de aplicação: barra, bicos e vazão adequada;
  • Pulverizar no momento de maior atividade da praga, normalmente nos meses mais quentes;
  • Evitar “aplicações caronas” junto aos fungicidas para o controle da ferrugem asiática. Essas aplicações são feitas em intervalos de até 21 dias, o que pode ser inapropriado ao controle do percevejo marrom;
  • Ainda nesse sentido, sempre utilize o monitoramento o Nível de Controle para direcionar suas pulverizações.

6ª Inclua o controle biológico no seu manejo

Ressalta-se que, além da eficiência dos inseticidas é importante priorizar aqueles seletivos a inimigos naturais.

Inúmeros inimigos naturais são encontrados nas lavouras de soja. Eles contribuem na redução populacional do percevejo marrom, sendo os parasitoides de ovos os mais importantes.

Destacam-se as espécies Trissolcus basalis e Telenomus podisi que atacam os ovos do percevejo marrom da soja. Já foram relatadas taxas de parasitismo de 60% para T. basalis e 80% para T. podisi.

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Parasitoides em ovos de percevejo
(Fonte: BUG/Koppert em Veja)

No decorrer da safra, os índices de parasitismo em ovos variam de 30 a 70%, sendo E. heros, o mais parasitado, especialmente por T. podisi.

Além de parasitoides de ovos, o parasitoide de ninfas e adultos do percevejo marrom Hexacladia smithii tem mostrado taxas de parasitismos de até 14%.

Dessa maneira, a escolha de inseticidas seletivos permite a sobrevivência desses inimigos naturais na área. Somados a eficiência dos inseticidas, eles maximizam as chances de sucesso no controle do percevejo marrom da soja.

>> Leia mais: “Todas as formas de controle para se livrar do percevejo-castanho” 

7ª Conheça e faça controles alternativos

Outras estratégias de controle também podem ser utilizadas e associadas aos métodos químico e biológico.

Uma das alternativas, é o uso de cultivares precoces associado à manipulação da época de semeadura. Também pense sobre o uso de plantas armadilhas.

Além disso, algumas novidades relacionadas ao manejo devem ser introduzidas no mercado em breve em forma de pacote tecnológico.

São elas a soja tolerante ao percevejo, até 4 percevejos/metro linear sem afetar sua produtividade e a armadilha iscada como feromônio sexual que auxiliará no monitoramento populacional da praga.

>> Leia mais: “Como fazer o manejo eficiente da mosca-branca

Conclusão

Apesar das dificuldades no controle do percevejo marrom, o monitoramento da praga para acertar o momento de aplicação maximiza as chances da efetividade do controle químico.

Ao lado desse, outras estratégias como medidas culturais e biológicas contribuem para minimizar o impacto do ataque de percevejos na cultura da soja.

Assim, utilize todas essas estratégias e informações para melhorar seu manejo e combater eficientemente o percevejo marrom!

Como você faz hoje o manejo do percevejo marrom? Restou alguma dúvida? Tem outra estratégia que não citei aqui? Deixe seu comentário abaixo!

Principais pragas do algodão e as estratégias certeiras para seu controle

Principais pragas do algodão: Saiba quais insetos você deve se atentar e quais são os melhores métodos e dicas cruciais para seu controle.

A dimensão das pragas de algodão é imensa: são listadas 1326 espécies de insetos, sendo que as maiores perdas são devido a 162 pragas.

As principais pragas agrícolas são aquelas que afetam as estruturas das plantas que irão resultar no rendimento da cultura.

Mas quais são as principais pragas do algodão no Brasil? E como conseguir controlá-las eficientemente?

Neste artigo separamos as pragas que mais prejudicam a cultura no país, mostrando as estratégias para seu controle eficaz! Confira!

A praga mais importante dentre as principais pragas do algodão: Bicudo-do-algodoeiro (Anthonomus grandis)

Considerada a principal praga da cultura, as larvas do bicudo se desenvolvem no interior de botões e maçãs atacadas. Já a forma adulta é encontrada em flores abertas ou protegidos pelas brácteas.

Os principais danos do bicudo-do-algodoeiro incluem botões florais abertos e amarelados com presença de perfurações escuras (orifícios de alimentação) ou com pólen aderido (orifícios de oviposição). Veja a diferença!!

principais pragas do algodão

Dano de oviposição (à esquerda) e alimentação (à direita) do bicudo-do-algodoeiro em botões florais
(Fonte: Forestry)

O botão floral atacado pode cair, assim as flores não abrem normalmente (flores balão) e as pétalas ficam perfuradas.

Além disso, observamos a destruição de fibras e sementes dentro dos capulhos atacados.

Condições favoráveis para a ocorrência do bicudo-do-algodoeiro

  • Plantio fora da janela;
  • Não destruir a soqueira na entressafra;
  • Plantas daninhas na pré-safra;
  • Presença de áreas de matas próximos à lavoura que abrigam os insetos na ausência do algodão.

Medidas utilizadas com eficiência de controle para o bicudo-do-algodoeiro

Uma das principais medidas é o plantio-isca, que atrai e elimina os bicudos com inseticidas antes do plantio definitivo.

Também é utilizado o tubo mata bicudo nas bordas da lavoura para reduzir a pressão inicial da praga e o  plantio na janela recomendada.

Como forma de controle químico, é recomendada a pulverização de inseticidas. No portal Agrofit existem 99 produtos registrados para o manejo do bicudo.

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Bicudo-do-algodoeiro atacando flores do algodoeiro
(Fonte: Arquivo pessoal do autor Lucas Barros)

No entanto, outras medidas preventivas deverão ser feitas para retardar ou diminuir a intensidade do ataque na cultura, como a destruição de soqueiras.

Outra dica, é antecipar o preparo do solo em pelo menos 40 dias. Isso faz com que seja eliminado os refúgios do bicudo, desalojando eles da área.

O controle biológico é pouco utilizado, ocorrendo predominantemente de forma natural pelos inimigos naturais da área.

Por isso, é importante escolher inseticidas seletivos, como defensivos naturais, e só realizar pulverizações quando necessário.

Nesse sentido, o professor Dr. Octávio Nakano da ESALQ/USP indica que a melhor maneira de monitorar e tomar a decisão no controle é através da contagem do número de maçãs/planta.

Para cada maçã em formação/planta ou maçã formada/planta corresponde a porcentagem (%) de infestação que podemos tolerar para o número de botões florais atacadas/planta.

Por exemplo, se observamos 2 maçãs por planta de algodão naquele estágio de desenvolvimento, significa que podemos tolerar 2% de infestação de botões florais atacados. Acima disso deve se fazer a pulverização.

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Com o Aegro você consegue ter o registro e visualização do armadilhamento e monitoramento do bicudo de forma fácil e rápida.

Dessa forma, a proteção é feita em função das maçãs formadas.

Quanto maior o número de maçãs obtidas/planta, significa que a produção já está garantida e portanto a tolerância à praga é maior.

Broca da raiz (Eutinobothrus brasiliensis)

A broca da raiz faz galerias na região do colo das plantas e pode ser ali encontrada. Nesses locais as fêmeas criam orifícios e depositam seus ovos.

As brocas da raiz causam danos de murchamento das plantas novas, sendo que as plantas desenvolvidas apresentam folhas avermelhadas e murchas.

Solo úmido e áreas de baixada, assim como áreas de plantio direto e que não faz a destruição de restos culturais favorece o surgimento da praga.

O controle da broca da raiz pode ser realizado integrando os métodos culturais e químico.

No portal Agrofit estão registrados 28 produtos para o seu controle.

Mosca branca (Bemisia tabaci biótipo B)

Considerado como a praga do século, e uma das principais pragas do algodão, essa praga está presente durante todo ano agrícola e no algodão não é diferente.

A mosca-branca tem aproximadamente 1 mm de comprimento e possui 4 estágios ninfais, sendo o primeiro móvel.

Os danos no algodão podem ser diretos e indiretos. Os danos diretos ocorrem pela sucção de seiva que pode resultar no enrolamento de folhas jovens.

Além disso causam a formação de uma substância açucarada – mela ou honeydew – e posterior queda das folhas.

Os danos da mela podem comprometer diretamente a qualidade da fibra devido o desenvolvimento de um fungo conhecido como fumagina.

Como dano indireto, a mosca-branca é vetor da virose “mosaico comum” do algodoeiro. As plantas infectadas podem apresentar redução no porte e na capacidade fotossintética.

Tempo quente, nublado e relativamente úmido são condições ideias para o desenvolvimento da mosca branca, além da ausência de inimigos naturais.

O seu controle pode ser realizado por meio de aplicações foliares inseticidas sistêmicos ou tratamento de sementes.

Pulgão do algodoeiro (Aphis gossypii)

É uma das principais pragas do algodão, ocorrendo no início da cultura, sendo que uma fêmea pode originar até 100 ninfas em 10 dias.

O pulgão do algodoeiro é um insetos que apresenta cores variando do amarelo-claro até o verde-escuro.

Normalmente eles se localizam na face inferior (abaxial) das folhas e nos brotos novos das plantas onde sugam a seiva.

Os sintomas causados incluem folhas dos ponteiros enrugadas, enroladas ou encarquilhadas; os brotos ficam deformados e nota-se a presença de mela nas folhas inferiores por consequência da sucção contínua da seiva.

Essa mela favorece o aparecimento da fumagina, que reduz a qualidade da fibra e implica no seu beneficiamento.

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Fumagina em plumas de algodão após ataque de pulgão
(Fonte: Agrolink)

Além desses sintomas, pode ocorrer a transmissão de viroses como o “vermelhão ” e “mosaico das nervuras ”.

Tempo quente, nublado e relativamente úmidos são condições ideias para o desenvolvimento dos pulgões, além da ausência de inimigos naturais.

Controle do pulgão do algodoeiro

O nível populacional tolerado do pulgão é de 1 por cm2 de folha em média, avaliando-se a quarta folha, a contar de cima para baixo; valores acima deste estimado exigem a pulverização do inseticida.

Em geral o controle deve ser feito até 60 dias de idade das plantas.

No entanto, ao final do ciclo da cultura o pulgão também precisa ser controlado para impedir que a formação de fumagina não venha afetar a qualidade da fibra.

O seu controle pode feito através de pulverizações de inseticidas sistêmicos ou mesmo utilizados no tratamento de sementes.

No portal Agrofit estão registrados 146 defensivos agrícolas para o manejo do pulgão.

Percevejo castanho da raiz (Scaptocoris castanea)

São percevejos de cor pardo escuro que utilizam plantas silvestres e gramíneas como plantas hospedeiras.

Quando realizado o preparo do solo exalam cheiro desagradável característico de sua presença.

Além disso, em períodos secos ele aprofundam-se no solo, retornando à superfície em períodos chuvosos.

Como essa praga provoca danos nas raízes, as plantas jovens se tornam amareladas e murchas. Na maior parte dos casos as plantas morrem pois a absorção de nutrientes do solo fica comprometida.

Um bom preparo do solo, com arações profundas seguidas de gradagens e correção de acidez no solo são operações que ajudam no controle dos percevejos.

No mais, uma das principais estratégias de Manejo Integrado de Pragas (MIP) utilizada tem sido o tratamento de sementes com inseticidas sistêmicos.

No portal Agrofit existe apenas um produto registrado para o manejo do percevejo castanho da raiz.

Principais pragas do algodão: Complexo de percevejos

As principais espécies são: Nezara viridula, Euschistus heros e Piezodorus guildinii .

Esses percevejos são migrantes da cultura da soja e provocam queda de botões florais, flores e maçãs novas, pontuações internas nas maçãs, deformações das maçãs em forma de bico-de-papagaio e maçãs que não se abrem normalmente.

A presença de plantios de soja nas proximidades da lavoura do algodão é condição favorável para o aparecimento desses insetos.

Curuquerê do algodoeiro (Alabama argilacea)

O dano dessa praga pode ser observado no início de desenvolvimento da cultura do algodão em decorrência de práticas culturais mal executadas, como por exemplo a não destruição de plantas de algodão da safra anterior.

As lagartas do curuquerê possuem coloração variada com listras longitudinais, mas quando em altas infestações se tornam escurecidas.

Na fase adulta, as mariposas apresentam coloração marrom avermelhada e possuem hábito noturno.

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Curuquerê do algodoeiro em folha de algodão
(Fonte: Arquivo pessoal do autor Lucas Barros)

Os danos observados são o limbo foliar atacado, com desfolha proporcional ao número de lagartas podendo ser até total.

As condições favoráveis para sua ocorrência são temperaturas elevadas e após períodos chuvosos.

A tolerância é de 25% de desfolhamento, em média, para qualquer fase de desenvolvimento das plantas. Acima desse valor deve-se pulverizar a lavoura.

Inseticidas reguladores de crescimento (“fisiológicos) e biológicos, assim como a liberação massal de microvespas parasitoides de ovos da espécie Trichogramma pretiosum são utilizados no controle da praga.

A liberação massal de T. pretiosum pode ser feita uma vez por semana ou a cada 5 dias na dose de 100.000 a 120.000 parasitoides/ha assim que se observar a presença da praga no campo.

No portal Agrofit existem um total de 208 produtos registrados para o manejo do curuquerê.

Lagarta falsa-medideira (Chrysodeixis includens)

Lagarta migrante das áreas de soja, atualmente está bem adaptada a cultura do algodão.

As lagartas possuem tipicamente coloração verde com linhas longitudinais brancas ao longo do corpo.

Os adultos apresentam sob a coloração cinza-escura com uma mancha prata na porção nas asas.

As lagartas causam a desfolha nas folhas que inicialmente apresentam-se raspadas e aspecto rendilhado, evoluindo para perfurações circulares na folhas.

São de difícil controle pelo inseticidas por terem o hábito de se localizarem no baixeiro das plantas.

No portal Agrofit existem 7 produtos registrados para da lagarta falsa-medideira.

Principais pragas do algodão: Complexo Heliothinae

Esse complexo é representado pelas espécies Chloridea (=Heliothis) virescens (Lagarta-da-maçãs) e Helicoverpa armigera (lagarta-do-velho-mundo).

As lagartas dessa espécie possuem coloração esverdeada enquanto a forma adulta são de cor parda e apresentam hábito noturno.

Entre os principais danos do ataque destacam-se botões florais e maçãs danificadas com galerias formadas pelo inseto, além de queda de botões e maçãs.

Geralmente o ataque é descendente, ou seja, com início no ponteiro das plantas.

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H. virescens atacando maçã do algodoeiro.
(Fonte: UT Crops)

Para avaliar essa praga, devemos proceder a amostragem dos ponteiros de cada planta. Quando detectarmos 10% de ponteiros ou mais atacado, iniciaremos as pulverizações.

Os métodos de controle desse complexo são os mesmos recomendados para o curuquerê.

Além disso, também pode ser feito o plantio de algodão Bt que contêm as proteínas Cry1 e Cry2, as quais conferem resistência as espécie desse complexo.

No portal Agrofit existem no total de 115 produtos registrados para o manejo de C. virescens e 35 tipos de inseticidas para Helicoverpa armigera.

Lagarta rosada (Pectinophora gossypiella)

As lagartas dessa espécie quando em estágio larval avançado possuem coloração rosada, enquanto as mariposas possuem manchas cinza-escuras.

Os danos causados pela lagarta rosada são observados quando as flores apresentam aspecto de roseta, além de murcha e queda de botões florais.

As maçãs ficam total ou parcialmente destruídas, fibras e sementes danificadas.

No campo, denominamos as maçãs atacadas e que não abrem normalmente de “carimãs”. Nesses casos, as a fibra apresenta aspecto de ferrugem.

Como estratégia de manejo, não se recomenda o plantio fora de época. Para controlá-la pode ser pulverizar inseticidas reguladores de crescimento e fazer a liberação massal de T. pretiosum.

Para monitorar a lagarta rosada, devemos amostrar 100 maçãs em formação, abri-las e observar a presença da praga no seu interior. Caso se detecte 5% de maçãs com lagartas, deve-se iniciar a pulverização.

Podemos usar a armadilha com feromônio sexual para monitorar a população da praga.

Assim, ao observarmos 10 adultos/armadilha devemos realizar o controle.

No portal Agrofit estão registrados 41 produtos para o manejo da lagarta rosada.

Complexo Spodoptera spp.

As lagartas desse complexo são representadas pelas espécies S. eridania, S. cosmioides e Spodoptera frugiperda (lagarta-do-cartucho).

São uma das principais pragas do algodão, alcançando o comprimento de 40 mm.

As lagartas apresentam coloração variada, enquanto as mariposas chegam a 35 mm de comprimento efetuando postura de ovos em forma de massa sobre as folhas.

Após o ataque, as folhas ficam perfuradas e os parênquimas raspados. Brácteas, flores e maçãs são danificadas no seu interior ou nas bases.

Os ataques geralmente ocorrem da parte mediana até o ponteiro, sendo o período crítico do início do florescimento ao surgimento do primeiro capulho.

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Lagarta do cartucho, S. frugiperda, atacando maçã do algodoeiro, sendo essa uma das principais pragas do algodão
(Fonte: Arquivo pessoal do autor Lucas Barros)

As condições favoráveis ao aparecimento dessas lagartas são os plantios vizinhos ou sucessivos de milho e milheto.

Por serem plantas hospedeiras favorecem o desenvolvimento e manutenção da praga na área.

O controle deve ser iniciado quando forem encontradas 5% de plantas com massas de ovos e eclosão de lagartas.

No portal Agrofit existem 55 produtos registrados para o manejo do complexo Spodoptera spp.

Junto as aplicações de inseticidas quando necessárias, também pode ser feito o plantio de algodão Bt que contêm a proteína vegetativa VIP que confere resistência a espécie S. frugiperda.

Uma das principais pragas do algodão atualmente: Ácaros

O surto dessa praga tem aumentado nos últimos anos no Brasil, se constituindo uma das principais pragas do algodão.

Ocorrem principalmente em locais ou anos com maior incidência de veranicos.

Além disso, outro fator diz respeito ao estímulo ao aumento populacional dos ácaros após a aplicação intensiva inseticidas piretroides e neonicotinoides, fenômeno chamado de hormoligose.

Ácaro rajado (Tetranychus urticae)

O ácaro rajado possui cor verde-amarelada na forma jovem e avermelhada na fase adulta, formando colônias nas faces inferiores das folhas.

O ácaro rajado caracteriza-se por formar colônias nas faces inferiores das folhas e produzir “teias” que servem de proteção ao ataque de predadores e dispersão.

Os principais danos ocorrem na face superior das folhas com manchas avermelhadas a partir das nervuras, áreas necrosadas e desfolha de plantas.

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Folhas de algodão com sintomas do ataque de ácaro-rajado
(Fonte: Arquivo pessoal do autor Lucas Barros)

As plantas de algodão também podem ter seu ciclo encurtado e com produção de maçãs pequenas e fibras de má qualidade.

Condições favoráveis para sua ocorrência são tempo quente e seco. O seu controle pode ser feito com uso de acaricidas específicos ou inseticidas-acaricidas.

No portal Agrofit estão registrados 54 produtos para o manejo do ácaro rajado.

Ácaro vermelho (Tetranychus ludeni)

Essa espécie também produz teias para se proteger de predadores.

Os seus danos são os mesmos visualizados pelo ataque do ácaro rajado, assim como seu controle através de uso de acaricidas específicos ou inseticidas-acaricidas.

No portal Agrofit existem 7 produtos registrados para o manejo do ácaro vermelho.

Ácaro branco (Polyphagotarsonemus latus)

São organismos pequenos e de coloração esbranquiçada que estão localizados na face inferior das folhas, principalmente em folhas novas do ponteiro, lugares sombreados e lavouras adensadas.

Como danos causados destacam-se folhas escurecidas, coriáceas com o bordo virado para baixo, enquanto a face superior da folha apresenta aspecto vítreo e a inferior brilhante.

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Folhas de algodoeiro com aspecto coriáceo atacado por ácaro branco, uma das principais pragas do algodão
(Fonte: Arquivo pessoal do autor Lucas Barros)

As condições favoráveis para seu desenvolvimento são tempo nublado ou chuvoso, locais sombreados e temperaturas elevadas.

O uso de defensivos agrícolas do tipo acaricidas específicos ou inseticidas-acaricidas são os métodos de controle recomendados.

No portal Agrofit existem 3 produtos registrados para o manejo do ácaro branco.

Conclusão

Aqui vimos as principais pragas do algodão, sendo que o bicudo-do-algodoeiro e as lagartas se constituem nos insetos mais preocupantes da cultura.

Perceba que não existe um único método de controle que possa “dar conta” de tudo.

Também não se esqueça que o manejo de pragas já começa logo após a colheita do algodão, com a destruição de soqueiras e outras medidas culturais.

É preciso um Manejo Integrado de Pragas (MIP), aliado à gestão agrícola para que possamos realmente combater as pragas sem prejuízo econômico.

Assim, aproveite as dicas e bom manejo!

>>Leia mais: “Manejo integrado de pragas: 8 fundamentos que você ainda não aprendeu
>>Leia mais: 11 pragas da soja que podem acabar com sua lavoura”
>>Leia mais: “Tudo o que você precisa saber sobre área de refúgio para plantas Bt [Infográfico]

Como você faz o manejo das principais pragas do algodão? Tem alguma dica que não citamos aqui? Restou alguma dúvida? Comente abaixo!

Como fazer um manejo efetivo de pragas do algodão

Pragas do algodão: Saiba mais sobre o manejo dentro da cultura, conheça as principais pragas e seus danos, além de outras orientações para o controle eficaz.

Os prejuízos na cultura do algodão podem chegar a até 60% da produtividade pelo ataque do bicudo do algodão.

Mas não é só o bicudo que prejudica o algodão. Pelo contrário, são muitos insetos que podem reduzir a produtividade.

Para o controle eficaz dessas pragas não basta a aplicação de inseticidas. É preciso entender como manejar o ambiente como um todo.

Pode até parecer complicado, mas não é: medidas simples podem fazer toda a diferença no seu manejo de pragas do algodão.

Aqui vamos entender melhor sobre o manejo e conhecer medidas para colocar em prática agora e obter o controle eficiente das pragas. Confira!

Por que temos tantas pragas do algodão?

Não é novidade para ninguém que manejar as pragas da cultura do algodão não é tarefa fácil.

Abaixo você pode conferir o ciclo do algodão e as principais pragas do algodão:

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Incidência de pragas ao longo do ciclo de desenvolvimento da cultura do algodoeiro
(Fonte: Monsanto)

Mas por qual motivo o algodoeiro é fortemente atacado?

A explicação óbvia é que a cultura está dentro em um sistema produtivo intenso, ou seja, durante quase o ano todo há culturas na área.

Isso propicia muito a abundância de pragas do algodão, mas existem também outras justificativas.

Uma delas é a presença de nectários nas folhas das plantas de algodão, o que atrai e favorece o desenvolvimento dos insetos.

Assim, é comum verificar durante todo o ciclo de desenvolvimento do algodão inúmeras pragas atacando e que podem limitar a sua produtividade.

Segundo o Instituto Matogrossense de Economia Agropecuária, na safra 2017/2018 o uso de inseticidas representaram 20% do custo total de produção da cultura do algodão no estado de Mato Grosso.

Sendo que, somente o bicudo do algodoeiro foi responsável por aproximadamente 10% desse custo de produção.

Estima-se que no mínimo 15 pulverizações por ciclo são realizadas nas propriedades de que cultivam algodão.

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Número de pulverizações na região do cerrado para o controle de pragas do algodão
(Fonte: Agro em Dia)

Sem dúvida alguma este controle químico está fortemente relacionada a abundância de pragas na cultura, mas do ponto de vista econômico e ambiental não é sustentável.

Sustentabilidade agrícola é o que a Associação Brasileira dos Produtores de Algodão busca na cotonicultura, e para alcançar esse objetivo um dos primeiros passos é manejar as pragas racionalmente.

Assim, precisamos entender a cultura do algodão e inserir outros métodos de controle, como o cultural, como não deixar restos culturais na entressafra, ou mesmo o controle biológico e defensivos naturais.

Pensando nisso, abordaremos aqui sobre as principais pragas do algodão e como iniciar o Manejo Integrado de Pragas (MIP).

Manejo Integrado de Pragas do algodão (MIP)

Um dos princípios básicos do manejo é conhecer a praga no campo, seus estágios de desenvolvimento, o momento que ela ataca a planta e quando ela começa a se tornar um problema econômico.

Além disso, conhecer os principais inimigos naturais das pragas do algodão e os inseticidas seletivos são igualmente importantes.

Muito pouco ou quase nada se dá importância aos inimigos naturais, mas eles são responsáveis por controlar naturalmente 60 a 70% das pragas do algodão. Portanto, devemos preservá-los com inseticidas seletivos.

Entendendo a planta do algodoeiro para aplicar ao MIP

É importante você saber que a cultura do algodão perde naturalmente 60 a 70% das suas estruturas reprodutivas.

Dessa forma, nem todo botão floral ou maçã atacada irão resultar em prejuízos econômicos.

Além disso, nem toda desfolha é prejudicial já que área foliar em excesso poderá sombrear as folhas do baixeiro e reduzir a fotossíntese das folhas.

Assim, nem toda folha raspada ou desfolhada implicará em perda de produtividade.

Além do que, as maçãs mais pesadas, ou aquelas que irão resultar em maior produtividade se encontram na 1ª posição ou 1º nó do ramo do ramo frutífero..

Assim, você deve obedecer o nível de ação ou controle (NC) estabelecido para cada praga.

Para isso o monitoramento de pragas e o acompanhamento da evolução de pragas e inimigos naturais na área é essencial!

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Como fazer o monitoramento das pragas do algodão?

De modo geral, devemos dividir áreas grandes em talhões de 100 ha e tomar amostras de 100 plantas/talhão, escolhendo 20 pontos com 5 plantas.

Levando em consideração a distribuição da praga na área, dos 20 pontos devemos escolher 4 pontos na periferia e os demais no interior.

A freqüência de amostragens poderá ser de 3 a 7 dias podendo ser aumentada caso a densidade de pragas se encontre próxima do nível tolerado.

O resultado da amostragem anterior nos indicará com que frequência ou intensidade devemos adotar.

Além das pragas, também devemos anotar a presença de inimigos naturais. Eles nos indicarão o nível de não-ação (NNA).

Nessa situação a população do inimigo natural será capaz de controlar a praga e mantê-la abaixo do NC.

Além disso, é essencial que você tenha os dados de monitoramento registrados em local seguro, para que você possa realmente ter o controle e fazer o MIP.

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Com o Aegro você tem seus dados de MIP georreferenciados, sabendo exatamente onde estão as maiores infestações. Os dados ficam seguros, fáceis de serem visualizados e interpretados.

Para começar sua gestão deixamos disponível gratuitamente uma planilha para que você estime a sua produtividade da cultura do algodão. Baixe aqui!

Assim, após esclarecer alguns preceitos básicos vamos as pragas do algodoeiro, seus danos e Nível de Controle (NC).

Principais pragas da cultura do algodão

A partir de agora vamos comentar as principais pragas do algodão e como são os sintomas (danos) desses insetos na cultura.

Desse modo, você pode identificar melhor quais são as pragas presentes na sua lavoura. Veja:

Coleópteros-praga: os besouros que atacam o algodoeiro

Bicudo do algodoeiro – Anthonomus grandis

É a principal praga do algodão, sendo que as fêmeas (que possuem longevidade de 20 a 30 dias) depositam seus ovos no interior dos botões florais, onde as larvas se desenvolvem. O adulto é encontrado nas flores abertas ou protegidos pelas brácteas.

Com isso, os botões podem cair, as flores não abrem (flores balão) e as pétalas ficarem perfuradas.

O prejuízo na cultura do algodão também se deve à destruição de fibras e sementes.

Você pode identificar os danos do bicudo em botões florais abertos e amarelados com presença de perfurações escuras (orifícios de alimentação) ou com pólen aderido (orifícios de oviposição).

Você pode ver abaixo a diferença desses danos:

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Danos em botões florais: À esquerda o de oviposição, à direito o de alimentação
(Fonte: Forestry images)

Nível de Controle (NC): Cada maçã (formada ou em formação) corresponde a porcentagem (%) de infestação que podemos tolerar. Assim, se houver 2 maçãs por planta em média na lavoura, podemos tolerar 2% de infestação de botões florais atacados.

A Embrapa também fala sobre NC em 5% de plantas com botões atacados ou com presença do adulto.

Broca da raiz – Eutinobothrus brasiliensis

As brocas da raiz são encontradas na região do colo da planta de algodão, onde os ovos são colocados pelas fêmeas.

Os danos na cultura se caracterizam pelo murchamento de plantas novas e folhas avermelhadas e/ou murchas em plantas desenvolvidas.

Hemípteros: pulgões e cochonilhas do algodão

Mosca-branca – Bemisia tabaci biótipo B

Os danos diretos são causados pela mosca-branca sugar a seiva, provocando o enrolamento de folhas jovens, além de formar uma substância açucarada e causar queda das folhas do algodão.

Essa substância açucarada também afeta a qualidade da fibra, já que ela favorece o fungo fumagina.

Já os danos indiretos ocorrem pela transmissão da virose “mosaico comum” do algodoeiro.

Pulgão do algodoeiro – Aphis gossypii

Os pulgões se localizam na parte inferior da folha ou em brotos e folhas novas, causando ponteiros enrugados, além de folhas enrugadas e encarquilhadas.

Também observamos brotos deformados e mela nas folhas devido a sucção contínua da seiva. Essa mela favorece a fumagina, a qual prejudica a qualidade da fibra.

Os pulgões do algodoeiro também causam danos indiretos pela transmissão das viroses “vermelhão ” e “mosaico das nervuras ”.

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Fumagina em plumas de algodão após ataque de pulgão
(Fonte: Agrolink)

Nível de Controle (NC): 1 pulgão por cm² de folha em média, avaliando-se a quarta folha, contando de cima para baixo.

Além disso, a Embrapa recomenda o NC de 5 a 15% de plantas com colônias no caso de cultivares suscetíveis à virose, enquanto que em cultivares resistentes, 60 a 70% de plantas com colônias.

Percevejo castanho da raiz – Scaptocoris castanea

Esse percevejo ataca as raízes, prejudicando a absorção de nutrientes e provocando sintomas de folhas amareladas e murchas.

Complexo de percevejos

As principais espécies são: Nezara viridula, Euschistus heros e Piezodorus guildinii .

Eles ocasionam a queda de botões florais, flores e maçãs novas. Você também pode observar pontuações e deformações nas maçãs (em forma de “bico de papagaio”).

Nível de Controle (NC) para todos os percevejos: 20% das plantas com botões atacados.

Lagartas que atacam a cultura do algodão

Curuquerê do algodoeiroAlabama argilacea

É uma praga de início do ciclo do algodão, e ocorre normalmente devido a não destruição de soqueiras de algodão da safra anterior.

Com o ataque, as folhas ficam cortadas e pode ocorrer desfolha intensa das plantas.

Nível de Controle (NC): Média de 25% de desfolhamento, para qualquer fase de desenvolvimento das plantas de algodão.

Lagarta falsa-medideira – Chrysodeixis includens

Essa lagarta ocorre normalmente na cultura da soja, mas está se adaptando ao algodoeiro.

A falsa-medideira causa desfolha, sendo que inicialmente você observa a folha rendilhada e depois perfurada, como na imagem abaixo.

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(Fonte: Claudinei Kappes em Campo e Negócios)

Lagartas Heliothinae

Essas lagartas foram o “complexo Heliothinae”, sendo formado pelas espécies Heliothis virescens (Lagarta-da-maçãs) e Helicoverpa armigera.

Com o ataque das lagartas os botões florais e maçãs são danificadas, podendo ocorrer a queda dos mesmos.

Nível de Controle (NC): 10% ou mais dos ponteiros atacados na lavoura.

Veja mais: Você conhece o ciclo de vida da Helicoverpa armigera?”.

Lagarta rosada – Pectinophora gossypiella

O nome dessa lagarta é devido a sua cor rosada, já quando adulta a mariposa possui manchas cinza-escuras.

Os principais danos são a murcha e queda de botões florais, além das maçãs destruídas, com as fibras e sementes prejudicadas.

Nível de Controle (NC): 5% de maçãs com lagartas, sendo recomendado a amostragem de 100 maçãs em formação.

Complexo Spodoptera spp.

As lagartas desse complexo são representadas pelas espécies S. eridania, S. cosmioides e S. frugiperda (lagarta-do-cartucho).

Essas lagartas podem ser extremamente agressivas para as espécies vegetais, como o algodão, chegando a até 40 mm de comprimento.

Dessa forma, com a infestação as folhas ficam perfuradas e raspadas, sendo que as flores e maçãs sofrem danos no seu interior ou nas bases.

Nível de Controle (NC): 5% de plantas com massas de ovos e eclosão de lagartas.

Veja também sobre Spodoptera frugiperda:
O que você precisa saber para livrar sua lavoura da Spodoptera frugiperda
“Passo a passo de como combater a lagarta-do-cartucho”

Ácaros que atacam a cultura do algodão

Essa praga tem sua frequência aumentada nos últimos anos no Brasil, principalmente em locais ou anos com mais secos. Assim, temos três ácaros principais que atacam o algodoeiro:

1.Tetranychus urticae – Ácaro-rajado

Com o ataque do ácaro-rajado, as folhas ficam com manchas avermelhadas a partir das nervuras, há também necrose e desfolha de plantas.

2. Tetranychus ludeni – Ácaro vermelho

Os danos são muito similares ao do ácaro-rajado

3. Polyphagotarsonemus latus – Ácaro branco

Os sintomas são folhas escuras e mais duras, com as bordas viradas para baixo, enquanto a face superior da folha apresenta aspecto vítreo e a inferior brilhante.

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Ácaro branco na cultura do algodão
(Fonte: FMC)

Nível de Controle (NC) para todos os ácaros: Detecção de reboleira ou 30% de plantas com colônias.

8 Dicas essenciais no manejo de pragas do algodão

Deixaremos 8 dicas para que você tenha sucesso no manejo das pragas do algodão a curto e longo prazo:

Na entressafra controle plantas daninhas e as soqueiras do algodão;

Escolha cultivares de ciclo curto e plante na janela recomendada;

Faça o tratamento de sementes para se preparar ao ataque de pragas iniciais;

Invista no monitoramento de pragas e nos Níveis de Controle de pragas (NC);

Caso necessário, no início de cultivo dê prioridade à inseticidas seletivos aos inimigos naturais;

Faça a rotação dos mecanismos de ação;

Ao plantar algodão com tecnologia Bt, plante áreas de refúgio estruturado (algodão não-Bt);

No refúgio e nas áreas de algodão Bt, somente aplique mediante a detecção do NC.

Assim, para te ajudar no monitoramento com Nível de Controle (NC) das pragas do algodão, a Embrapa possui esta tabela:

8-pragas-do-algodão-NC
(Fonte: Embrapa)

Conclusão

A cultura do algodão possui algumas particularidades que favorecem as pragas, e aqui você pode entender como isso ocorre.

Vimos também como iniciar o Manejo Integrado de Pragas (MIP), lembrando sempre que essa gestão exige guardar e interpretar os dados de população de insetos adequadamente.

Com as principais pragas do algodão, seus danos e níveis de controle será possível identificar mais facilmente esses insetos da lavoura e começar um manejo mais consciente e eficaz.

>>Leia mais: “Como fazer manejo integrado de pragas (MIP) na cultura do milho
>>Leia mais: “11 pragas da soja que podem acabar com sua lavoura”
>>Leia mais: “Tudo o que você precisa saber na pré-safra sobre as principais pragas de milho e sorgo

Como você faz o manejo de pragas do algodão hoje? Usa algum sistema para guardar suas informações de campo? Ficou alguma dúvida? Conte para nós deixando seu comentário abaixo!

Como se preparar para as principais pragas agrícolas

Principais pragas agrícolas: um compilado completo das pragas de soja, algodão e milho. Respondemos também as perguntas mais frequentes para o manejo eficiente.

Como se preparar para as principais pragas agrícolas

Antes mesmo de colocar as semeadoras em campo, devemos estar preparados para enfrentar as adversidades.

E uma das grandes preocupações é o ataque de pragas.

Até porque a presença de insetos-praga na lavoura se faz presente antes, durante e depois do plantio.

Pensando nisso, fizemos um compilado sobre as principais pragas agrícolas das culturas da soja, algodão e milho. Assim, você pode se preparar para enfrentar as pragas agrícolas da melhor maneira possível. Confira!

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Quando devo me preocupar com as principais pragas agrícolas? 

Em vista do sistema sucessivo de cultivo, com culturas sobrepondo culturas, as chamadas pontes verdes, observamos pragas a qualquer momento do ano.

Assim, para evitar frustrações após o plantio, um bom manejo de pragas para a safra deve ser iniciado ainda na entressafra.

Mas por que a entressafra é um período crítico e determinante para os cultivos?

Isso se deve ao fato de que a fase de estabelecimento da cultura é a mais suscetível/sensível ao ataque de pragas e doenças.

Sendo assim, a presença de inóculos iniciais e/ou altas densidades populacionais das principais pragas agrícolas pode comprometer todo o planejamento da safra.

Portanto, é na entressafra que devemos fazer o “dever de casa”, como o controle de plantas daninhas e tigueras.

Isso porque elas servem de abrigo e alimento para as pragas, permitindo a reprodução das mesmas na entressafra.

Aqui vão algumas dicas para esse controle de plantas daninhas e voluntárias:

Caso contrário, você pode ter alguns problemas e danos, conforme veremos a seguir:

Qual é o risco de não fazer o manejo da entressafra corretamente?

Ao deixar na área plantas daninhas ou tigueras – que são hospedeiros alternativos -, você permite o aumento da população da praga e o seu ataque em altas densidades populacionais no início de cultivo.

Isso pode reduzir o número de plantas por unidade de área e, em consequência, afetar diretamente a produtividade.

Além disso, os danos iniciais de um ataque intenso das principais pragas agrícolas afeta todo o desenvolvimento da planta, prejudicando a produção.

O que devo fazer para minimizar os riscos do ataque das principais pragas agrícolas?

Isso implica na adoção do Manejo Integrado de Pragas (MIP). Assim, devemos seguir alguns passos simples na entressafra:

  • proceder amostragem com identificação do inseto-praga;
  • verificar sua densidade populacional;
  • tomar a decisão da melhor ferramenta a ser utilizada, incluindo controle biológico, químico e cultural.

Abaixo disponibilizamos gratuitamente uma planilha para você fazer seu MIP. Clique na imagem para baixar agora!

planilha manejo integrado de pragas - mip Aegro

Entre as medidas a serem adotadas, podemos citar o uso correto da dose do produto à praga-alvo, rotacionar os mecanismos de ação e priorizar o uso inseticidas seletivos aos inimigos naturais de pragas agrícolas.

Tendo em vista a entressafra, também vale pensar no uso de culturas de cobertura ou adubos verdes não hospedeiros das principais pragas agrícolas da sua área. Tudo isso, além do controle de plantas daninhas, como já comentamos.

Principais pragas agrícolas de soja, milho e algodão

Percevejo barriga-verde (Dichelops spp.)

As duas espécies principais são Dichelops melacanthus e Dichelops furcatus.

Apesar de atacar a soja, na maioria das regiões produtoras, não tem sido essa a espécie mais preocupante.

No entanto, no milho, esse percevejo pode causar danos consideráveis, sendo uma das principais pragas agrícolas da cultura.

O percevejo barriga-verde pode atacar as plantas em seu período crítico, que vai desde a germinação até a emissão do quinto par de folhas (VE- V5).

Repare abaixo a migração do percevejo das safras anteriores para o milho, ressaltando a importância do monitoramento na entressafra:

Ele penetra seus estiletes na região do colo, injeta toxinas e perfura as folhas ainda em formação.  As plantas que sofrem o ataque dessa praga apresentam halos amarelados.

Além disso, a planta pode produzir perfilhos improdutivos, o que resulta em perda de produtividade.

A medida que a planta de milho vai se desenvolvendo, você pode observar pequenos orifícios nas folhas que ficam dispostos transversalmente. 

Também é possível notar o enrolamento anormal das folhas do cartucho do milho e, em casos mais severos, pode ocorrer a morte das folhas. 

Atualmente, o principal método de controle da praga tem sido o tratamento de sementes e a pulverização foliar com inseticidas sistêmicos.

No Agrofit, existem cerca de 50 produtos registrados para o manejo do percevejo-barriga-verde no milho para as duas espécies do gênero Dichelops

Helicoverpa spp.

A Helicoverpa zea e Helicoverpa armigera são algumas das principais pragas agrícolas nas culturas de importância econômica do Brasil.

Enquanto a H. zea é originária da região do México, a H. armigera é originária da Oceania.

Por isso, a H. zea possui maior adaptação ao milho e a H. armigera mais adaptada às culturas do algodão e da soja.

Veja detalhes dessas pragas no artigo “Você conhece o ciclo de vida da Helicoverpa armigera?

Bicudo-do-algodoeiro (Anthonomus grandis)

O bicudo-do-algodoeiro é considerado uma das principais pragas do algodão desde a sua detecção, em 1983.

Essa praga tem o hábito de se alimentar dos botões florais, flores e maçãs do algodoeiro.

foto de Bicudo-do-algodoeiro atacando maçã do algodoeiro - principais pragas agrícolas

Bicudo-do-algodoeiro atacando maçã do algodoeiro
(Fonte: Boas Práticas Agronômicas)

As fêmeas têm o hábito de fazer as posturas dos ovos nesses locais, especialmente nos botões florais. 

Portanto, é importante que você saiba a diferença entre os danos de alimentação e os danos de oviposição (ato de depositar os ovos).

Quando há o dano de oviposição podemos observar a presença de uma substância cerosa, parecido com um calo pequeno, no orifício criado quando a fêmea deposita seus ovos.

Já o dano de alimentação, o orifício não é coberto com essa secreção e observam-se somente as pontuações enegrecidas ou necrosadas.

Na prática, os dois tipos de danos podem trazer prejuízos, no entanto, o dano de oviposição é mais prejudicial.

Isso ocorre porque as larvas do bicudo se desenvolvem nessas estruturas reprodutivas e impossibilitam o desenvolvimento do capulho. 

Além disso, temos o aumento da população da praga, pois, com as larvas protegidas dentro do botão floral e maçã do algodoeiro, o inseticida não consegue penetrar.

Medidas de manejo para o bicudo-do-algodoeiro

  • O plantio-isca para atrair os bicudos e eliminá-los com inseticidas antes do plantio definitivo;
  • O uso de armadilhamento, no qual em um tubo de papelão biodegradável é colocado o feromônio sintético para atração do bicudo e também é pincelado óleo de algodão com inseticida de efeito de choque;  
  • A eliminação dos restos culturais após a colheita, pois nesse momento o bicudo se dispersa para refúgios e pode permanecer em diapausa durante a entressafra;
  • Pulverização de inseticidas em área total.

É importante ressaltar a importância do armadilhamento para essa praga que, assim como na mosca-das-frutas, vem trazendo bons resultados.

No portal Agrofit existem 112 produtos registrados para o manejo do bicudo.

Mosca-branca (Bemisia tabaci – biótipo B)

Assim como a lagarta do cartucho, a mosca-branca Bemisia tabaci é um tipo de praga cosmopolita e polífaga.

Já foi detectada se desenvolvendo em plantas de milho, cultura que anteriormente era uma alternativa para “quebrar” o seu ciclo biológico.

foto de Presença de Bemisia tabaci biótipo B em plantas de milho

Presença de Bemisia tabaci biótipo B em plantas de milho
(Quintela et al., 2016)

Ao longo de um ano, a mosca-branca pode produzir até 15 gerações e é uma das principais pragas agrícolas atualmente.

Nas culturas hospedeiras, se localiza preferencialmente na face inferior das folhas. Ali ovipositam, em média, de 150 a 300 ovos.

Uma característica dessa praga é que, após se alimentar nas folhas, é comum observar a presença de uma substância açucarada e pegajosa, conhecida como “honeydew”.

Os danos da mosca-branca podem ser agrupados em diretos e indiretos.

Danos diretos da mosca-branca

Na soja, o dano direto é causado tanto pelas ninfas como pelos adultos, que sugam a seiva, e as folhas infestadas podem apresentar manchas cloróticas. Além disso, podem ocorrer reduções na produtividade e antecipação do ciclo em até 15 dias.

Em períodos de veranico, os danos podem ser potencializados, pois a população da praga aumenta, a planta encontra-se fragilizada, e o dano pode ser potencializado.

Na cultura do algodão e da soja, é comum observarmos a formação da fumagina sobre as estruturas vegetativas e reprodutivas:

No algodão, o grande problema da formação da fumagina é a contaminação do línter, que prejudica diretamente a qualidade da fibra e, até mesmo, a colheita.

Danos indiretos da mosca-branca

Com relação ao dano indireto, este é caracterizado pela transmissão de vírus nas culturas hospedeiras.

No algodão, os vírus do grupo geminivírus são os mais comuns. Na cultura da soja, a mosca-branca é transmissora do vírus da “necrose-da-haste”, do grupo dos carlavírus.

Ainda na soja, é possível observar o enrolamento e clorose das folhas. Esse conjunto de fatores impacta diretamente na produtividade.

Atualmente no portal Agrofit existem mais de 55 produtos registrados para o manejo da mosca-branca na soja e 49 no algodão.

Lagarta-do-cartucho do milho (Spodoptera frugiperda)

Existe um complexo de lagartas do gênero Spodoptera e a espécie Spodoptera frugiperda, lagarta-do-cartucho, é a praga-chave da cultura do milho, além de ser um sério problema nas culturas da soja e do algodão.

É uma praga polífaga, ou seja, consegue se alimentar de diferentes espécies de plantas. Por isso, está associada à maioria das culturas anuais de importância econômica.

No milho, as lagartas preferem alimentar-se de folhas novas, mas também podem atacar as espigas.

Devido ao canibalismo dessa praga, é comum observar no cartucho do milho apenas uma lagarta. 

Sintomas típicos de seu ataque no milho são folhas raspadas e/ou desfolhadas no cartucho. Em casos severos, verificamos o cartucho destruído e espigas danificadas.

Tanto no milho quanto na soja e no algodão, as lagartas podem atacar a base/colo das plantas recém emergidas, semelhante o comportamento típico da lagarta-rosca (Agrotis ipsilon).

Além disso, na soja e no algodão essa lagarta também pode atacar suas estruturas reprodutivas: vagens, capulhos e maçãs. Ao danificá-las, comprometem diretamente a produtividade.

foto de Spodoptera frugiperda atacando maçãs do algodoeiro

Spodoptera frugiperda atacando maçãs do algodoeiro
(Fonte: Senar)

No portal Agrofit existem 213 produtos comerciais registrados para a cultura do milho, 34 para a essa praga na soja e 70 para o algodão.

Você pode ver mais sobre a Spodoptera frugiperda nestes artigos:

Passo a passo de como combater a lagarta-do-cartucho

“As tecnologias que você precisa saber para controlar “Spodoptera frugiperda”

Cigarrinha-do-milho (Dalbulus maidis)

Atualmente, a cigarrinha-do-milho Dalbulus maidis é considerada uma das principais pragas na cultura do milho.

Uma característica comportamental marcante dessa praga é sua agilidade em se movimentar.

Ela está entre as pragas mais importantes do milho e isso se deve pela capacidade em transmitir doenças.

Assim, plantas infectadas podem manifestar a doença do enfezamento pálido, vermelho e o raiado fino:

três fotos, uma ao lado da outra, mostram Cigarrinha-do-milho e as doenças enfezamento pálido e vermelho

Cigarrinha-do-milho e as doenças enfezamento pálido e vermelho
(Fonte: Pioneer)

As plantas doentes apresentam entrenós encurtados e ficam definhadas, com menor porte. Assim como a mosca-branca, a cigarrinha-do-milho também produz a substância açucarada “honeydew”.

A principal estratégia de manejo adotada para essa praga é o tratamento de sementes com inseticidas sistêmicos e a pulverização foliar com inseticidas com ação de choque e com efeito residual. 

No portal Agrofit existem 27 produtos registrados para seu manejo.

Percevejo-marrom (Euschistus heros)

Euschistus heros possui ciclo biológico – fase de ovo até a fase adulta – médio de 29 dias. Em geral, os adultos dessa praga possuem longevidade média de 116 dias.

Nas vagens ou folhas são observadas pequenas massas de ovos, na média de 5 a 8 ovos. Ali as ninfas permanecem ao redor dos ovos até atingirem o segundo ínstar.

A partir dessa fase é que podemos observar os danos. Ao penetrar seu aparelho bucal nas vagens para se alimentar, eles atingem as sementes.

Em consequência, o ataque desse percevejo danifica diretamente os tecidos da semente ou grão, que ficam praticamente todos chocos e enrugados.

Assim, há perda de massa do grão, de qualidade e sua inviabilização para ser comercializado como semente.

Além disso, é comum notarmos retenção foliar e vagens murchas devido à intensa sucção de seiva.

No Agrofit existem 58 produtos registrados para o manejo do percevejo marrom na cultura da soja e 3 produtos na cultura do algodão.

Ácaro-rajado (Tetranychus urticae)

Outra praga muito comum e polífaga é o ácaro-rajado. Embora tenha características muito semelhantes aos insetos, essa praga é uma aracnídeo (classe Arachnida).

A espécie Tetranychus urticae pode atacar muitas culturas. Dentre elas, algodão, soja e feijão são as que mais sofrem. 

Ela tem o hábito de formar teias nas folhas, o que cria um ambiente propício para seu desenvolvimento e ainda protege as ninfas e os adultos de possíveis ataques de predadores. 

Além disso, essa teias prejudicam o controle químico e a solução é aplicar jatos de água na lavoura para que sejam destruídas.

O ciclo desse ácaro varia de acordo com as condições ambientais, mas, em média, costuma ser de 7 a 20 dias. 

fotos de adultos de ácaro-rajado e teia que produzem na planta: principais pragas agrícolas

 Adultos de ácaro-rajado e teia que produzem na planta
(Fonte: University of Florida)

Os ataques são mais comuns em épocas com altas temperaturas e clima seco. Os danos são diretos com perfurações das células superficiais e redução da capacidade fotossintéticas das plantas. 

É importante fazer o manejo integrado desse ácaro, pois o manejo convencional tende a selecionar as populações resistentes. 

Os principais métodos são controle biológico com ácaros predadores e entomopatógenos; controle cultural, com destruição de restos culturais e manejo de plantas invasoras; além de controle químico com a rotação de diferentes modos de ação. 

No portal Agrofit existem 32 produtos registrados para o manejo de ácaro-rajado na cultura da soja, 72 produtos para a cultura do algodão, 12 para feijão e 1 para milho. 

Manejo Integrado de Pragas (MIP) 

É importante que você tenha em mente que o controle de todas essas pragas deve seguir preceitos do Manejo Integrado de Pragas (MIP).

O MIP não visa eliminar as pragas, mas mantê-las abaixo do nível de controle, de maneira equilibrada, após verificação com monitoramento. 

Dessa maneira você conseguirá evitar a resistência de pragas-chave a pesticidas, o uso irracional dos pesticidas, ressurgência de pragas em níveis muito mais altos, contaminação do ambiente e pesticidas incompatíveis com o controle biológico. 

Perguntas frequentes sobre as principais pragas agrícolas e o Manejo Integrado de Pragas (MIP)

Próximo ao plantio, posso usar inseticida na dessecação?

No momento da dessecação da área, poderá ser feita a aplicação de inseticidas junto ao herbicida.

Antes disso, é preciso fazer amostragens na área para verificar a densidade populacional.

Spodoptera frugiperda, Helicoverpa armigera e Dichelops melacanthus são as principais pragas-alvo nessa fase. Entre os inseticidas utilizados nesse momento estão os pertencentes aos grupos químicos metilcarbamato e organofosforado (grupo 1A e 1B do IRAC).

Quais outras medidas posso tomar?

Paralelo a isso, você também pode fazer o tratamento de sementes com inseticidas de contato e sistêmico.

O intuito é garantir o estande de plantas na área, prevenindo os danos de insetos de solo e parte aérea.

Os principais inseticidas utilizados são do grupo químico dos neonicotinoides (grupo 4A do IRAC), piretroides (grupo 3A do IRAC), metilcarbamatos (grupo 1A do IRAC) e pirazol (grupo 2B do IRAC).

Como manejar a resistência das principais pragas agrícolas?

Fase inicial de plantio

Se for necessário, aplique um inseticida foliar até 25 dias após a semeadura.

Os produtos devem ter mecanismos de ação diferente do inseticida utilizado no tratamento de sementes.

Portanto, inseticidas com o mesmo mecanismo de ação utilizado para tratar as sementes não deverão ser utilizados por pelo menos 30 dias.

Pós-fase inicial de plantio

Caso mais de uma aplicação de inseticida seja necessária durante o período de 30 dias após a semeadura, opte por inseticidas com mecanismo de ação diferente.

É importante saber que é possível fazer aplicações múltiplas do mesmo mecanismo de ação dentro de um período de 30 dias.

Veja o exemplo abaixo os usos de inseticidas divididos em três momentos:

Esquema demonstrando como fazer a rotação com diferentes mecanismos de ação por janela ou geração da praga (30 dias)

Esquema demonstrando como fazer a rotação com diferentes mecanismos de ação por janela ou geração da praga (30 dias)
(Fonte: IRAC)

Conclusão

As pragas listadas aqui são polífagas, altamente adaptadas ao sistema agrícola, de extrema importância econômica e quase sempre de difícil controle.

Para isso, é importante planejarmos e fazer o uso correto das ferramentas de MIP disponíveis.

Se as medidas preventivas, na entressafra, não forem realizadas adequadamente, sem a destruição de plantas daninhas e tiguera, essas pragas vão causar prejuízos econômicos.

Tendo isso em vista, faça seu planejamento agrícola, coloque em prática nossas dicas e boa safra!

“Inseticidas ecdisteroides: como agem nos insetos e por que são uma boa opção de manejo”

Quais as principais pragas agrícolas que te dão mais dor de cabeça? Tem mais dicas sobre essas pragas? Restou alguma dúvida? Deixe seu comentário!

Atualizado em 05 de novembro de 2020 por Thaís Fagundes Matioli
Agrônoma formada pela Universidade Federal de Lavras (UFLA), mestra em ciências/entomologia e doutoranda no Departamento de Entomologia da Esalq-USP.