Principais sintomas da brusone no arroz e como controlá-la na lavoura

Brusone no arroz: entenda o ciclo da doença, prejuízos que ela pode causar e como fazer o manejo adequado 

A brusone é considerada a principal doença da cultura do arroz, impactando a produção de forma qualitativa e quantitativa.

A lavoura afetada pode ser totalmente comprometida, com perdas de 100%.

Mas como identificar os primeiros sinais da doença no campo? E quando a aplicação de fungicidas deve ser efetuada para um controle efetivo?

Neste artigo, separamos as informações para que você precisa saber para evitar e controlar a brusone no arroz. Confira!

Importância da brusone no arroz

A brusone no arroz é causada pelo fungo Magnaporthe oryzae, sendo considerada a doença mais importante para a cultura em várias partes do mundo. No Brasil, sua distribuição é bastante ampla, sendo encontrada do sul até o norte do país.

A doença é um fator limitante para a produtividade do arroz. Se ocorrer na fase vegetativa (nas folhas), causa redução na altura da planta, no número de perfilhos, no número e na qualidade de grãos.

Além disso, dependendo das condições locais da área, pode ocasionar até 100% de perdas da produção.

Principais sintomas da brusone

A brusone pode ocorrer nas plantas de arroz desde o início do desenvolvimento até a produção de grãos, podendo causar sintomas nas folhas, colmos, panículas e grão.

Como sintomas típicos nas folhas temos pequenos pontos de coloração castanha que evoluem para manchas elípticas. 

Essas manchas podem aumentar de tamanho no sentido da nervura, tendo o centro cinza e os bordos de coloração marrom, podendo apresentar um halo amarelo.

imagem de brusone em uma folha de planta de arroz

(Fonte: Matzenbacher e Funck em Planeta Arroz)

Esse sintoma leva à redução da área fotossintetizante da planta, provocando queda na produção de grão. Se a infecção ocorrer no início do desenvolvimento da planta, pode levá-la à morte.

Já nos entrenós dos colmos, podemos observar manchas elípticas com centro cinza e bordos de coloração marrom. Essas manchas podem atingir grandes proporções do colmo

Além disso, as lesões podem provocar, na região dos nós (região nodal), uma ruptura do tecido, o que causa a morte dessa parte da planta.

Os sintomas podem ainda ser visualizados nas raques ou ramificações, com manchas de coloração marrom. Os grãos originados de partes infectadas ficam chochos.

Também podem ocorrer manchas marrons nas sementes ou grãos.

brusone no arroz

(Fonte: APS)

Se a brusone ocorrer antes do aparecimento de grãos leitosos, podemos observar panículas esbranquiçadas. Esse é um sintoma facilmente identificável no campo.

Mas, se a infecção ocorrer mais tardiamente, pode ocorrer redução no peso dos grãos e quebra da panícula, o que é chamado de “pescoço quebrado”.

O patógeno também pode infectar a semente e ser transmitido internamente, podendo causar sintoma nas plântulas. 

Ciclo da brusone no arroz

O fungo causador da brusone é disseminado por conídio, normalmente, levado pelo vento. Isso é um fator importante para a infecção de novas plantas dentro da mesma lavoura e para lavouras de arroz próximas de uma área infectada.

São condições ideais para seu desenvolvimento temperaturas entre 20℃ e 25℃, com água livre nas folhas (molhamento).

Outro ponto importante do ciclo da doença é que o fungo pode sobreviver em restos culturais, sementes e em plantas de arroz que permaneçam no campo.

A brusone pode ocorrer desde a fase de plântula até a maturação da cultura do arroz, em todos os estádios de desenvolvimento da planta. Mas, a fase de enchimento dos grãos é a mais suscetível à doença.

A severidade da brusone aumenta quando há desequilíbrio nutricional das plantas, principalmente de doses excessivas de nitrogênio.

A brusone pode ocorrer também em outras gramíneas, principalmente trigo e gramados.

Agora que já conhecemos a doença, veja como controlar a doença.

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Controle da brusone do arroz

Quando pensamos em qualquer manejo para as doenças de plantas cultivadas devemos pensar em um manejo integrado, ou seja, que compreenda várias medidas de controle.

Por isso, para te ajudar a reduzir os prejuízos com a brusone do arroz e realizar esse manejo integrado, veja algumas medidas recomendadas:

Uso de variedades resistentes ou moderadamente resistentes

Em sistema irrigado, deve-se utilizar variedades com bom nível de resistência e manter uma lamina de água sobre o solo durante todo o ciclo. Isso pode reduzir o risco da doença.

Já no sistema de sequeiro, pode ocorrer deficiência hídrica, o que torna as plantas mais suscetíveis à brusone. Por isso, é importante a escolha das variedades corretas para cada sistema de cultivo e local.

Atenção às práticas culturais

A aração mais profunda permite o enraizamento mais aprofundado das plantas, reduzindo o efeito de estresse hídrico.

Também deve-se utilizar sementes sadias e certificadas, livres do patógeno.

O excesso de nitrogênio pode aumentar a suscetibilidade da doença, mas a deficiência também pode predispor a planta à brusone. Por isso, é necessário realizar uma adubação nitrogenada balanceada.

Outros pontos que devem ser considerados são a densidade e espaçamento de plantio. Alta densidade de plantas e menor espaçamento podem favorecer o estresse hídrico e a doença na cultura do arroz.

Uso de fungicidas 

Os fungicidas podem ser utilizados no tratamento de sementes (carboxina + tiran) e para pulverização na parte aérea das plantas de modo preventivo.

Efeito do tratamento de sementes de arroz para o controle de brusone. Tratamento químico com 3 fungicidas diferentes (A, B e C) e parcela sem tratamento (figura D).

Efeito do tratamento de sementes de arroz para o controle de brusone. Tratamento químico com 3 fungicidas diferentes (A, B e C) e parcela sem tratamento (figura D)
(Fonte: Lobo)

Caso a lavoura apresente algum sintoma da doença na fase vegetativa, a aplicação de fungicida deve ser realizada imediatamente. 

A proteção das plantas com aplicação de fungicida deve ser realizada quando se utiliza variedades suscetíveis ou moderadamente suscetíveis.

No Agrofit existem 78 produtos comerciais registrados para brusone no arroz.

Lembrando que, caso precise utilizar mais de uma aplicação de fungicida, utilize produtos com modo de ação diferente para reduzir a probabilidade de resistência do fungo.

Para o manejo integrado e para tomar a decisão no momento correto, é necessário que a lavoura seja constantemente monitorada para a diagnose correta.

E, para te auxiliar com o manejo dessa doença, você pode consultar um(a) engenheiro(a) agrônomo(a) para as recomendações.

Conclusão 

A brusone é considerada a doença mais importante do arroz e pode causar grandes prejuízos na lavoura.

Nesse artigo você conheceu os principais sintomas, ciclo da doença e como fazer um controle mais efetivo.

Agora que você tem essas informações, realize o manejo integrado para o controle da doença e proteja sua lavoura!

>> Leia mais:

Dicas para a plantação de arroz: colheita e pós-colheita

Você já teve problemas com brusone no arroz? Como realiza o manejo dessa doença? Adoraria ver seu comentário abaixo!

Principais pragas do arroz: como identificar e combatê-las na cultura

Pragas do arroz: saiba quais as principais pragas, como identificá-las, técnicas de amostragem e mais. 

Na safra de 2018/2019 foram plantados 1,69 milhões de hectares no Brasil, sendo 79,5% de áreas de arroz irrigado e 20,5% de arroz de sequeiro, produzindo um total de 10,44 milhões de toneladas.

Sabemos que o arroz faz parte da alimentação básica do brasileiro, compondo inúmeros pratos típicos do país. 

Como seus grãos são consumidos diretamentes ou com alguns processos de beneficiamento, o manejo de pragas implica diretamente sobre a produtividade e qualidade final do produto. 

Desta forma, é muito importante que os agricultores conheçam as principais pragas e saibam identificá-las. 

Neste artigo, separei para você informações importantes sobre as principais pragas do arroz.

Gorgulho aquático ou bicheira do arroz (Oryzophagus oryzae)

Considerada uma das pragas mais importante da cultura do arroz irrigado. 

Seus adultos possuem coloração cinza e começam seu ataque no início do período quente, nos meses de setembro a dezembro

Assim, os adultos do gorgulho aquático atacam as folhas da cultura sem provocar grandes danos, deixando cicatrizes longitudinais brancas nas folhas. Mas após isso, as fêmeas depositam seus ovos nas folhas

Quando os ovos eclodem, surgem as larvas que vão ocasionar os verdadeiros danos ao se alimentarem das folhas e irem para as raízes do cultivo. Nas raízes, estas se tornarão pupas.  

As larvas preferem as raízes novas para sua alimentação, por isso, geralmente cortam a parte central delas. 

Durante o ciclo da cultura, geralmente, ocorrem duas gerações larvais: uma próximo à irrigação (20 dias após irrigação) e outra 70 dias após emergência. 

Para o controle desta praga o monitoramento é muito importante, iniciando-se 20 dias após a irrigação.

Desta forma, percebe-se os danos ocasionados pelas larvas pela ocorrência de plantas menores de coloração amarelada e que podem ser facilmente arrancadas (consequência dos danos nas raízes). O dano econômico ocorre a partir de cinco larvas por amostra. 

Foto de gorgulho aquático

Gorgulho-aquático: inseto adulto (A); larva (B); raiz danificada (C)
(Fonte: Embrapa Clima Temperado, Pelotas – RS, 2009)

No mês de março, retornam ao período de hibernação que ocorre na própria lavoura ou em áreas adjacentes. Demonstrando assim, a importância do manejo de plantas daninhas na lavoura e áreas próximas. 

Lagarta da panícula (Pseudaletia sequax e P. adultera)

A fase adulta desta praga é uma mariposa que possui um ponto escuro no centro das asas anteriores. 

Assim, o início do ciclo desta praga ocorre pela oviposição nas folhas e colmo do arroz. Após 8 dias aparecem as lagartas com coloração pardo-escura para a espécie P. adultera e rosada para P. sequax

Essa praga ataca as folhas nos estádios iniciais do arroz e, com o passar do tempo, as panículas da cultura. 

A lagarta da panícula pode iniciar sua ocorrência na fase de afilhamento, porém é mais frequente na fase de emissão da panícula, permanecendo até a colheita

Ela possui hábitos alimentares noturnos, ficando abrigadas na parte inferior das plantas na maior parte do dia. 

Por isso, as amostragens devem ser realizadas ao entardecer e com maior frequência (se possível diariamente) na formação da panícula, verificando a presença da lagarta e a ocorrência de grãos ou parte das panículas no solo.

Foto de mariposa, praga do arroz

Mariposa de Pseudaletia sequax
(Fonte: Agrolink)

Pragas do arroz: Percevejo do colmo (Tibraca limbativentris)

Estes percevejos quando adultos possuem coloração marrom e, quando jovens, coloração preta. 

Seu ciclo de vida inicia pela oviposição nas folhas e, após 8 dias, surgem as ninfas. 

O ataque do percevejo ocorre logo após a emergência, quando a praga se alimenta da seiva proveniente do colmo, ocasionando pontuações marrons na planta e podendo evoluir para o sintoma de coração morto. 

Já em plantas mais desenvolvidas, o ataque do colmo pode resultar na má formação da panícula, apresentando coloração da panícula branca ou esterilidade parcial dos grãos. 

Atenção: a amostragem deve ser feita com cuidado, pois 70% dos insetos se encontram abrigados na parte inferior da planta. Caso ocorram, seu controle deve ser realizado o quanto antes para evitar danos à panícula. 

Além disso, essa praga possui um período de hibernação, em que a partir no mês de março pode se abrir na resteva ou em plantas hospedeiras, como a planta daninha rabo de burro  (Andropogon sp.). 

Demonstrando assim, que o manejo de plantas daninhas pode interferir sobre o controle de pragas em sua lavoura.  

Foto de percevejo do arroz

Percevejo do colmo
(Fonte: Agrolink)

Lagarta-da-folha (Spodoptera frugiperda)

A lagarta-da-folha possui três fases de vida: larva, lagarta e mariposa, apresentando coloração marrom-acinzentada.

Em todos os estágios essa praga é prejudicial à cultura, causando danos desde o estabelecimento do estande adequado até na diminuição da área foliar.

Além disso, pode diminuir consideravelmente a produtividade dos grãos e, quando não manejada a tempo, a lagarta pode levar à morte da planta.

Na prática, cada lagarta pode reduzir cerca de 1% no rendimento de grãos por m² e ela  costuma atacar as plantas o início da manhã, por isso, fique atento!

Foto de lagarta do arroz

Lagarta-da-folha
(Fonte: Bayer)

Percevejo-do-grão (Oebalus poecilus e O. ypsilongriseus)

Os percevejos causam danos em diversas culturas, no arroz não é diferente.

Assim como o percevejo-do-colmo, se alimenta da sucção de seiva e influencia diretamente na qualidade dos grãos.

O percevejo-do-grão causa o chochamento e gessamento dos grãos, os deixando extremamente frágeis, o que é prejudicial no beneficiamento. 

Fique atento: pois plantas daninhas podem ser hospedeiras dessa praga!

Então, o fundamental é realizar a amostragem com frequência porque tanto as ninfas quanto os adultos se deslocam com facilidade. 

Foto de percevejo-do-grão

Percevejo-do-grão (Oebalus poecilus)
(Fonte: Agrolink)

Pragas do arroz: Pulgão-da-raiz (Rhopalosiphum rufiabdominale)

Essa praga apresenta uma coloração escura, por isso talvez você tenha dificuldade de encontrá-lo, pois pode até se confundir com o solo.

Mas apesar de pequena, pode ocasionar danos consideráveis em sua produtividade.

Para encontrar o pulgão-da-raiz, minha dica prática é a seguinte:

  • Arranque as plantas e divida as raízes em partes, assim você conseguirá verificar com maior facilidade a presença do pulgão;
  • Outra dica é colocar um papel branco e agitar as plantas, para que os pulgões possam se soltar das plantas.

Contudo, antes de pensar em qualquer medida de controle realize o monitoramento da área para te auxiliar na tomada de decisão. 

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Conclusão

A cultura do arroz desempenha um papel muito importante no mercado interno do país, compondo a alimentação básica do brasileiro. 

Por isso, o controle de insetos-praga deve ser eficiente para evitar redução na produtividade e qualidade final dos grãos. 

Neste artigo, você viu as principais pragas do arroz, suas características e o período ideal de controle. 

Com essas informações, você poderá melhorar seu planejamento pré-safra e evitar gastos desnecessários. 

Espero que consiga prevenir o ataque das pragas em sua lavoura de arroz

Têm problemas com pragas do arroz em sua lavoura? Realiza as medidas de prevenção para evitar essas pragas? Adoraria ver seu comentário abaixo!

Secagem do arroz: tudo sobre esse processo

Secagem do arroz: Veja a umidade ideal para a colheita, qual secador utilizar e como realizar o processo de secagem para melhor produtividade.

Sabemos de todos os cuidados que o produtor rural precisa ter desde o plantio de sua safra e sua busca constante por aprimoramento para melhorar a produtividade da sua lavoura de arroz

E na hora dos processos de pós-colheita não é diferente.

A armazenagem dos grãos tem um papel importante na produtividade e, uma das etapas mais importantes nesse processo, é a secagem dos grãos de arroz. Confira!

Qual o teor de umidade ideal para a colheita?

Para uma boa colheita de arroz, o produtor deve acompanhar o ponto de maturidade fisiológica, que está principalmente ligado ao teor de umidade nos grãos.

Na prática o produtor pode se basear na coloração da casca do arroz, sendo o ponto ideal quando dois terços dos grãos da panícula apresentarem cascas (glumelas) com coloração amarelo dourado.

Além disso, é possível apertar os grãos e sentir sua textura: caso o grão fique amassado ele é considerado imaturo, já se o grão quebrar provavelmente estará no ponto de colheita.

Como o teor de umidade tem influência direta sobre a qualidade industrial dos grãos, é fundamental aferir a umidade constantemente. 

Sendo assim, o ideal é que a colheita seja realizada na faixa de 18% a 23% de umidade.

Além disso, o produtor deve acompanhar a previsão do tempo para evitar que os grãos fiquem expostos no campo a condições adversas como alta umidade relativa do ar, presença de orvalho e alternância entre chuvas e dias quentes.

Caso os grãos sejam colhidos acima da faixa ideal de umidade, ocorrerá maior presença de grãos imaturos e mal formados na colheita, aumentando o índice de quebra durante o beneficiamento do arroz.

Já se o arroz for colhido com umidade abaixo da faixa ideal, especialmente se for menor de 15%, ocorrerá maior incidência de perdas pelo desprendimento natural dos grãos e dano mecânico na colheita, o que diminuirá sua qualidade.

Como é feita a secagem do arroz?

Para que estejam adequados para o armazenamento, os grãos devem ter a sua umidade reduzida para uma faixa de 12% a 13%, o que é fundamental para a preservação de sua qualidade e para evitar o crescimento de fungos.

Esse processo de secagem pode ser realizado de duas maneiras: secagem artificial e secagem natural.

A secagem natural é um processo bastante simples, que consiste na utilização da radiação solar e temperatura do ar ambiente para redução do teor de água dos grãos.

Na prática, os grãos são espalhados sobre uma superfície de lona, cimento ou asfalto e revolvidos constantemente para facilitar a perda de umidade.

Esse método tem baixo custo e é bastante utilizado por produtores que não possuem orçamento para realizar a secagem artificial.

Contudo, vale lembrar que esse método depende muito das condições climáticas e pode ser bastante demorado!

Além disso, é um processo de maior exposição dos grãos, o que aumenta a ocorrência de microrganismos e pragas agrícolas.

secagem do arroz

Secagem natural de arroz
(Fonte: Planeta Arroz)

Já a secagem artificial é um processo um pouco mais elaborado, que consiste no emprego de técnicas para uma secagem rápida e uniforme com a utilização de silos secadores.

As principais vantagens dos secadores artificiais são a praticidade, melhor qualidade do produto final e maior capacidade de secagem. 

Ainda que tenha um custo maior, é a prática mais utilizada no mercado justamente pelos seus benefícios. 

Um dos fatores mais importantes na hora de escolher um sistema de secagem, é estimar com precisão os custos envolvidos. 

Se você não sabe quanto gasta com a secagem ou pretende implantar um novo sistema em sua fazenda e quer saber mais sobre os custos, aqui no blog já explicamos como fazer esse cálculo. 

Confira em: “Secagem e armazenamento de grãos: diferentes tipos e seus custos”.

Secadores de arroz: qual utilizar

Para a cultura do arroz, tanto para sementes quanto para os grãos, os secadores mais indicados são do tipo intermitentes.

A secagem intermitente consiste na passagem dos grãos diversas vezes pelo secador, evitando assim choques térmicos e perda acelerada de água dos grãos.

Nesses secadores intermitentes, os grãos passam pela ação do fluxo de ar aquecido na câmara de secagem a intervalos de tempo definidos.

Assim, ocorre a homogeneização da umidade e resfriamento (quando não estão passando pelas áreas de aquecimento).

secador de fluxo intermitente

Exemplo de secador de fluxo intermitente
(Fonte: Nunes)

Contudo, antes de utilizar os secadores, é necessário efetuar a pré-limpeza dos grãos e saber qual o teor de água deles.

Secagem do arroz: Armazenamento de grãos

Logo após a secagem, o próximo passo é o armazenamento de seus grãos.

Essa etapa deve ser planejada desde a semeadura, evitando assim problemas na pós-colheita e garantindo sucesso em sua comercialização.

Se você tem dúvidas sobre essa etapa, não deixe de conferir nosso artigo sobre armazenagem de grãos e este mais específico sobre armazenagem do arroz.

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Conclusão

Entender sobre os cuidados durante a secagem de grãos de arroz é fundamental para a manutenção da qualidade da safra, então esperamos ter ajudado você a entender melhor esse processo.

Além disso, não se esqueça: mapear os custos de secagem e armazenamento são essenciais para a saúde financeira da fazenda e precisam estar previstos no custo de safra.

E você, tem alguma dica sobre secagem do arroz? Restou alguma dúvida? Deixe o seu comentário abaixo!

Tudo que você precisa saber sobre armazenagem do arroz

Armazenagem do arroz: a importância dessa atividade, umidade e temperatura ideais, silos para armazenamento e controle de pragas.

Podendo ser cultivado em todo o país com destaque para os estados do Sul (81% da produção safra 2020), Norte (9%) e Centro-Oeste (6%), o arroz é uma cultura importante que precisa ser armazenado para que possa ser comercializado e consumido o ano inteiro. 

Assim, o produtor também pode aumentar a sua renda com um preço melhor de comercialização.

Essa atividade precisa ser bem planejada e executada e ter os seus custos mapeados em caso de armazenagem própria. Assim, a qualidade do grão e a lucratividade da safra são preservadas.

Preparamos este texto com tudo que é preciso entender sobre armazenagem do arroz. Confira!

A importância de uma boa armazenagem do arroz

Todas as atividades do plantio à colheita da cultura do arroz são importantes para ter uma boa produção do grão e a colheita é um momento muito esperado na rotina na fazenda. 

Mas, todo esse trabalho precisa ser preservado por uma boa armazenagem.

armazenagem do arroz

Do plantio à colheita do arroz
(Fonte: Arquivo pessoal da autora)

Lembrando que a qualidade dos grãos não pode ser melhorada, apenas preservada durante um bom armazenamento.

Pode haver uma variação de 1,5% a 4% de perdas na armazenagem em silos nos estados de maior produção nacional do arroz como Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Tocantins.

Mas se ocorrer um armazenamento incorreto, esses valores podem ser ainda mais elevados.

Para não ter complicação, é importante ter todas as atividades planejadas antes do plantio: transporte, secagem e armazenamento.

Transporte e secagem dos grãos de arroz

Após a colheita do arroz, este precisa ser transportado para o armazenamento ou para a venda do grão, caso o agricultor opte por vender a produção ou parte dela logo após a colheita.

Essa decisão de armazenar ou vender o produto após a colheita depende da situação atual de cada propriedade, da parte econômica da empresa rural e de qual decisão irá compensar.

armazenagem do arroz

(Fonte: Arquivo pessoal da autora)

O arroz deve ser transportado até a unidade de armazenamento e neste processo deve-se evitar as perdas.  

Ao chegar à unidade de armazenamento, há o processo de recepção do grão, em que ocorrem a pesagem, a identificação da carga e a coleta de amostras para a avaliação de sua qualidade inicial.

Após o arroz ser descarregado na moega, são removidas as impurezas e materiais estranhos em relação ao grão de arroz no processo de pré-limpeza.

Depois da limpeza acontece a secagem dos grãos, que pode ser realizada de diversas formas desde a natural até a secagem forçada. 

Vamos falar um pouco mais sobre esta etapa no próximo tópico sobre a umidade do grão.

Armazenagem do arroz: Temperatura e Umidade ideais

Fatores que são importantes na armazenagem do arroz para manter sua qualidade são temperatura e umidade.

Para a colheita, recomenda-se que o teor de umidade do grão esteja entre 18% a 22%. Mas para armazenar o grão, deve-se reduzir essa umidade.

Para isso, existem secadores para realizar essa operação de conservação do grão.

Alguns desses secadores podem ser

  • Estacionário (com ar em fluxo radial ou axial); 
  • Convencional (contínuo ou intermitente); 
  • Misto (seca-aeração).

O grão é considerado seco com teor de umidade entre 12% e 13%. Assim, para armazenar deve ter essa faixa de umidade com mínimas impurezas, reduzida população de pragas e baixa temperatura.

Temperatura baixa é uma medida de manejo para o armazenamento que evita o desenvolvimento de pragas, o recomendado é 18°C. 

Ter esses parâmetros de umidade e temperatura nos silos é importante para que o ambiente seja desfavorável ao surgimento de pragas, que podem gerar perdas muito significativas de grãos.

Após a secagem, antes de colocar o grão no silo para armazenamento, é importante ter uma etapa de resfriamento dos grãos para evitar perdas, como as trincas.

E antes do grão chegar ao armazém, também é necessário limpar a unidade armazenadora para eliminar qualquer possível praga presente no ambiente.

Silos para armazenagem do arroz

Os grãos de arroz podem ser armazenados em silos na própria propriedade ou em silos de vizinhos, cooperativas e armazéns conjuntos com outros produtores ou de empresas. 

Por isso, é importante realizar o planejamento para determinar se é viável armazenar o arroz e onde armazenar, caso você não tenha silos na propriedade.

Mais de 90% do arroz armazenado nas principais microrregiões produtoras nos estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Tocantins, Maranhão e Mato Grosso são armazenados em silos a granel.

Capacidade dos tipos de armazéns das principais microrregiões produtoras de arroz nos estados: RS, SC, TO, MA e MG
(Fonte: Conab)

Um tipo de silo que é bastante indicado para a armazenagem do arroz para pequeno produtor é a unidade armazenadora com silo secador. No entanto, existem outros que você pode utilizar para a sua propriedade.

Determinar onde armazenar o grão e qual tipo de unidade de armazenamento depende da sua propriedade, região, custo e dos benefícios de cada opção.

Controle de pragas em grãos armazenados

Como vimos até aqui, é fundamental o controle das pragas de armazenamento, veja algumas mais comuns:

  • Oryzaephilus surinamensis
  • Cryptolestes ferrugineus
  • Ephestia kuehniella
  • Sitophilus oryzae
pragas da armazenagem do arroz

Sitophilus oryzae
(Fonte: Pacific Pests and Pathogens)

Para o controle das pragas no armazenamento do arroz, você pode utilizar algumas dessas medidas de manejo:

  • Controle químico indicado para armazenamento (exemplo: inseticidas à base de fosfeto de alumínio);
  • Manipulação da umidade relativa e da temperatura nos locais de armazenamento;
  • Utilização de pó inerte à base de terra de diatomáceas (atua por contato nos insetos e remove as camadas de cera da cutícula, o que causa a morte do inseto);
  • Controle físico: radiação e outros;
  • Armadilhas para monitorar as pragas nos silos de armazenamento.
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Conclusão

Após a colheita do arroz, você pode optar por vender o grão imediatamente ou armazenar.

Se optar por armazenar o arroz, esta é uma etapa muito importante para ter o grão durante todo o ano e possibilitar que o produto seja comercializado com um melhor preço.

Por isso, para ter um bom armazenamento do arroz e manter a qualidade do produto, realize um planejamento desta operação. 

Além disso, conheça os processos realizados desde a saída do grão da fazenda até o seu armazenamento. E não se esqueça de controlar as pragas durante esse período.

E você, realiza armazenagem do arroz em sua propriedade? Quais cuidados você tem com esse processo? Deixe o seu comentário abaixo!

Colheita de arroz: estratégias para otimizá-la e ganhar rentabilidade

Colheita de arroz: ponto ideal para colher, regulagem do maquinário, como contabilizar e perdas e outras orientações para seu arrozal

Colher o arroz na época certa e adequadamente é fundamental para se obter um produto de qualidade e uma operação com maior rendimento.

Isso se traduz em rentabilidade, a qual pode ser prejudicada se tudo não for feito corretamente.

Por exemplo, cerca de 70% das perdas da colheita de arroz se deve à plataforma de corte.  

Nesse artigo vamos mostrar estratégias para otimizar a colheita de arroz e alcançar uma melhor produtividade! Confira!

Como definir a melhor época e o ponto de colheita do arroz

Definir o ponto ideal da colheita é muito importante, pois impacta diretamente a produtividade da sua lavoura.

Colher cedo demais pode representar grãos imaturos, gessados e malformados.

Isso afeta significativamente a qualidade industrial do grão.

Ou seja, representa menos rendimento de grãos inteiros, grãos que se quebram facilmente durante o beneficiamento, descasque e polimento.

Para definir o ponto ideal de colheita no monitoramento da lavoura de arroz, considere:

  • O tempo de ciclo de desenvolvimento da plantação;
  • Mudança visual da casca do grão: quando dois terços da panícula estiverem maduros, já é o ideal;
  • Amostragem de tato: se o grão quebrar, está no ponto de colheita; se amassar, ainda precisa amadurecer mais um pouco;
  • O teor de umidade adequado para a colheita de arroz está entre 18% e 23%.

Qual é o período de colheita do arroz?

A época de colheita do arroz varia de acordo alguns fatores:

  • data de plantio;
  • ciclo do material genético (dias entre plantio e colheita);
  • condições climáticas;

Além disso, a colheita varia nas diferentes regiões do país, e mesmo especificamente em cada estado. 

No Sul, a maior região produtora do país, a colheita acontece normalmente entre Fevereiro e Maio. O mesmo acontece nas regiões Sudeste e Norte. 

2-colheita-de-arroz
Calendário agrícola de plantio (cor verde) e colheita do arroz (em laranja)
(Fonte: Conab)

Como é o ciclo da cultura do arroz?

O ciclo de desenvolvimento da cultura do arroz é bastante parecido com outras gramíneas. Ele é divido em fases, como semeadura, fase vegetativa e fase reprodutiva.

Dentro dessas fases os estágios são definidos de acordo com características específicas de partes da planta. Esses estágios são os mesmos em arroz de sequeiro ou irrigado, mas a duração de cada fase pode variar.

O ciclo total do arroz irrigado varia entre 100 a 140 dias e o de sequeiro entre 110 e 155 dias.

São fases características do ciclo do arroz: emergência, perfilhamento, crescimento vegetativo (medido em número de folhas), diferenciação floral, florescimento, enchimento de grãos e maturação.

Fenologia do arroz
Fenologia do arroz (Fonte: Embrapa)

Como deve ser a regulagem do maquinário para colheita de arroz?

Definido o perfeito momento de colheita, entramos na parte operacional.

Ter um dimensionamento da necessidade de mão de obra e tempo de passagem de colheita entre os talhões é fundamental.

Assim, evita-se que alguma área se perca devido a uma colheita prematura ou tardia. E isso será reflexo do planejamento da lavoura desde o plantio.

Na colheitadeira, precisamos da regulagem correta para obter máxima eficiência na trilha, com mínimo dano e perda de grão.

Por isso é necessário adequar a abertura entre o côncavo e o cilindro batedor de plantas.

Além disto, a velocidade do molinete precisa ser ligeiramente superior à velocidade de avanço da máquina, de forma a puxar as plantas ceifadas para dentro da máquina.

Para o arroz irrigado as seguintes recomendações são importantes:

  • Equipar a colhedora com rodado de esteira para operar terrenos de baixa sustentação
  • Controlar a velocidade do molinete para não ultrapassar de avanço da máquina
  • Usar cilindro batedor de dentes com rotação entre 500 rpm e 700 rpm
  • Regular adequadamente a abertura entre o côncavo e o cilindro batedor para obter máxima eficiência na trilha e mínimo dano e perda de grãos
  • Evitar velocidades de operação excessivas, já que isso aumenta substancialmente as perdas

Evite perdas na colheita de arroz

Quando se fala em perdas, podemos classificar de duas formas: pela condição do grão em si e pela qualidade do processo de colheita.

No processo de colheita, o impacto das plantas com a plataforma provoca perdas, dependendo da facilidade de degrana da cultivar, da umidade do grãos e da presença de plantas daninhas.

Regulagem inadequada causa trilha deficiente, fazendo com que boa parte dos grãos fique presa às panículas.

Isso dificulta a operação de separação nas peneiras ou provoca trinca dos grãos, reduzindo a porcentagem de grãos inteiros no beneficiamento.

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Determinação das perdas de grãos

A prática já é padrão, mas é bom reforçar a importância de realizar a amostragem da perda de grãos após a colheita de arroz.

Seja fazendo a coleta naquele 1 m², contando grãos ou através do peso, que é a forma mais prática.

Além disso, é válido considerar em que local a máquina pode estar registrando o maior desperdício.

Essa perda pode ser proveniente de três locais diferentes da colheitadeira: plataforma de corte, saca palha ou peneiras da colhedora.

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Pontos de coletas de grãos perdidos por uma colhedora
(Fonte: Embrapa)

4 dicas para otimizar a colheita de arroz

Como engenheira agrônoma, entendo que, para além da prática, a gestão das informações faz muita diferença na execução de uma produção.

As informações te ajudam a ter um melhor planejamento da safra!

A tecnologia dos maquinários trazem muitos dados que, várias vezes, são subutilizados.

Para te auxiliar na colheita e na utilização desses recursos tecnológicos disponíveis, vou te dar 4 dicas:

1 – Criar roteiros para otimizar os dados da colheita

Aqui entra o planejamento de cada área das lavouras. Esse roteiro é muito importante para comparações.

Comece padronizando a nomenclatura das áreas, para todos os manejos, para que não ocorra sobreposição ou troca de informações entre elas.

Depois, faça o cronograma com a ordem de semeadura das áreas, informações do solo e outras questões fitossanitárias que vão ser levadas em consideração.

Mantenha esse planejamento em local seguro e de fácil visualização para sua equipe de campo.

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2 – Precisão de dados na hora da colheita

É fundamental conferir a calibragem de suas máquinas agrícolas, inclusive durante a operação de colheita.

Realizar a contagem das perdas e a distribuição da palhada também fazem a diferença.

Caso seja cultivo de arroz irrigado, é importante verificar a drenagem correta para que as máquinas não atolem.

Isso tudo garante que os dados entre os talhões sejam precisos, ou seja, sem influência de diferenças do processo de colheita.

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(Fonte: Planeta Arroz)

3 – Limpar e padronizar arquivos

Quando você baixa os dados das máquinas para seu computador, como costuma salvá-los?

É importante que você padronize os nomes dos arquivos e confira se as nomenclaturas estão corretas.

Essa padronização é importante para todos os manejos da sua propriedade, para que eles sejam identificados por numeração de talhão ou outro nome.

Tudo isso facilita o acesso posterior a informações que são muito úteis. Parece simples, mas é algo que falha muito nas propriedades.

4 – Analise os dados pós-colheita e entenda melhor seus resultados

Após a limpeza dos dados, é momento de analisar, tirar conclusões e tomar decisões.

E, como sugestão, foque em:

  • produtividade
  • considere fatores como condições climáticas, solo da área, manejo nutricional e fitossanitário utilizados
  • considere outras práticas que você experimentou, como um manejo diferenciado que você utilizou

A produtividade é um grande indicador, é claro! Mas compreender como você atingiu esse resultado é o diferencial para manter e melhorar essa produtividade.

Quais foram as práticas que te ajudaram a chegar no resultado esperado?

Cheque com sua equipe, abra manejos realizados, resgate informações e mapeie os erros e acertos no programa planejado.

Ajuste para melhorias e planeje com informações vinculadas ao que quer para o futuro.

Assim também fica muito mais fácil colocar em números o programa de controle utilizado. Planilhas e software de gestão agrícola vão te ajudar!

Quais as principais etapas de pós-colheita para o arroz?

Após a colheita do arroz, é necessário o processo de pós-colheita para comercialização do produto que chega às nossas mesas. As principais são:

  • Transporte: retirada do produto trilhado até a unidade armazenadora. Esse passo deve ser feito o mais rápido possível, de acordo com a infraestrutura do produtor, pois o produto pode estar em umidade não ideal para armazenamento, o que pode aumentar a chance de deteriorar os grãos;
  • Recebimento: o arroz é recebido e pesado na unidade de recebimento e amostras são recolhidas para verificação de impurezas e da umidade da amostra;
  • Pré-limpezas: por meio de jogos de peneiras e fluxo de ar são retiradas impurezas e objetos estranhos presentes na massa de grãos após a colheita;
  • Secagem: a secagem pode ser natural ou forçada, sendo que existem várias técnicas de secagem forçada. A temperatura não deve atingir mais de 40 graus e não se deve baixar mais de 2% de umidade por hora na massa de grãos. A umidade ideal para armazenamento é de cerca de 13%;
  • Armazenamento: o arroz deve ser preferencialmente armazenado antes de ser beneficiado e comercializado, pois isso auxilia em suas características culinárias. O armazenamento pode ser feito à granel ou em sacaria e deve-se atentar para temperatura, umidade e presença de pragas;
  • Beneficiamento: essa etapa transforma o arroz bruto (com casca) em um produto comercializável. Inicialmente faz-se a limpeza e retirada da casca, resultando no arroz integral. Posteriormente, para o arroz comum, faz-se a brunição e homogeneização para retirada do farelo de arroz. Finalmente o arroz é classificado de acordo com a porcentagem de grãos inteiros e quebrados.

Conclusão

O momento mais esperado da produção é a colheita. E planejar bem essa operação é essencial.

Neste texto, falamos sobre o momento ideal para colheita, regulagem de máquina e como analisar melhor alguns dados da lavoura.

Espero que essas informações e dicas estratégicas te ajudem no próximo planejamento de safra e na gestão de sua propriedade. Tenha uma boa colheita de arroz!

>> Leia mais:
“Pragas do arroz: como identificar e combatê-las na cultura”

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Atualizado em 31 de julho de 2023 por João Paulo Pennacchi.

João Paulo é engenheiro eletricista formado pela Unifei e engenheiro-agrônomo formado pela UFLA. Ele é mestre e doutor em agronomia/fisiologia vegetal pela UFLA e PhD em ciências do ambiente pela Lancaster University.

Como ter sucesso no cultivo de arroz em rotação com soja

Cultivo de arroz em rotação com soja: Vantagens e desvantagens, principais pontos para se atentar e 3 dicas essenciais para transformar essa prática em rentabilidade.

São 300 mil hectares plantados de rotação com soja, no Rio Grande do Sul.

A contribuição dessa rotação são muitas: redução de plantas daninhas, fertilidade do solo e, claro, maior rentabilidade.

Mas fazer essa rotação de culturas dar certo pode não ser tão fácil, já que estamos trabalhando com culturas muito diferentes.

Neste artigo mostramos em detalhes os benefícios e desvantagens dessa prática, além de 3 dicas fundamentais para a rotação dar resultados. Confira:

Por que fazer o cultivo de arroz em rotação com soja?

O cultivo de arroz (Oryza sativa) com outras culturas, especialmente soja, começou em meados dos anos 90, mas ganhou forças na última década.

Isso foi devido principalmente aos ganhos de produção no arroz, e a maior rentabilidade pela venda de soja.

É também uma decisão estratégica, segundo o sojicultor Felipe Reichsteiner:

“Como a soja vira dinheiro na hora da colheita, a gente ganha tempo para vender o arroz por melhor preço mais tarde”.

Assim, surgindo como uma opção aos orizicultores, a rotação de arroz com soja tem sido cada vez mais rentável.

cultivo de arroz
(Fonte: Foto de Paulo Rossi, Cachoeira do Sul (RS), em Globo Rural)

A rentabilidade acontece também devido ao melhor uso do espaço. Estima-se que apenas um terço da área de arroz em várzea é efetivamente utilizada.

As áreas costumam ficar em pousio por até dois anos, sendo, às vezes, subutilizada pela pecuária.

No entanto, com exigências de condições tão diferentes, da várzea ao sequeiro, o manejo só é possível com um bom planejamento, conhecimento dos custos de produção, e técnica.

Vantagens do cultivo de arroz em rotação com soja

Em termos gerais, a cultura da soja em rotação com o arroz  favorece o solo. Ela promove a estruturação do mesmo e a maior fertilidade.

Além de um complemento financeiro na renda, essa rotação contribui ainda em outros aspectos no ambiente, como:

  • Ciclagem de nutrientes, pela rotação de cultura e preparo de solo
  • Controle de ervas daninhas, como o arroz vermelho
  • Diminuição da degradação do solo
  • Rotação de produtos, como o sistema Clearfield (rodízio de mecanismos de ação) com o uso de sementes geneticamente modificadas, lançado em 2003
  • Diminuição de pragas e inóculos de patógenos
  • Aumento de produtividade de 4 para 8 mil kg de arroz por hectare

Desvantagens do cultivo de arroz em rotação com soja

É claro que os desafios são muitos para manejar dois ciclos de culturas com exigências de ambientes distintos.

O arroz é uma planta comumente cultivada em solos inundados. Então, especialmente nesses casos, a condição física da área é o principal desafio.

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Ecossistema da produção de arroz na América Latina: Pontos azuis são lavouras irrigadas e os pontos laranjas são cultivos de sequeiro
(Fonte: Zeigler)

É necessário considerar a drenagem natural, o que tem contribuição direta da topografia, a qual, se plana, terá drenagem dificultada.

Outro fator é o adensamento do horizonte superficial, ou seja, alta relação dos micro e macroporosidade (relação da água e ar no solo), que pode prejudicar a nutrição da soja.

Abaixo discutimos melhor as soluções para esses desafios em cada sistema de cultivo de arroz:

Entenda os sistemas de cultivo de arroz e melhore sua rotação

Produção de sequeiro (ou terras altas)

Esse sistema de produção de arroz de terras altas é cultivado predominantemente como cultura de abertura e, justamente, em rotação de culturas.

Além disso, em áreas de pastagens degradadas é comum utilizar essa cultura porque a planta de arroz pode tolerar bem solos ácidos, recuperando assim os solos.

Variedades lançadas pela Embrapa , inclusive algumas em parceria com IRGA, foram desenvolvidas pensando na rotação com o feijão, milho, algodão e a soja.

No entanto, é preciso lembrar que essas variedades, especialmente de soja, são tolerantes, mas isso não significa que a produção ficará a mesma em um solo muito úmido.

Nesse caso, provavelmente, a cultura poderá apresentar menor produção, mas não vai morrer, enquanto que se a umidade foi intensa há risco de se perder a cultura.

Arroz em terras baixas (ou cultivo de arroz irrigado)

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(Fonte: Técnico do Agronegócio)

No sistema de plantio em rotação com arroz em terras baixas, a rotação pode ser tanto na primeira ou na segunda safra, no lugar do milho safrinha. Também é muito rotacionado com pastagens.

O cultivo de arroz irrigado por inundação e depois o cultivo da soja exige alguns cuidados, como já citamos.

O principal deles é sobre o manejo cultural. É importante realizar até duas adubações verdes entre a cultura do arroz e a cultura da soja.

Essa prática deve ser feita com diversidade de espécies de adubo verde, que vão estruturar o solo com suas raízes, possibilitando adequada aeração para soja, especialmente para possibilitar sua apropriada nodulação.

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3 Cuidados para obter sucesso no cultivo de arroz em rotação com a soja

Como já falamos, a necessidade de dois ambientes tão distintos para a rotação exige certo manejo para criar as condições ideais.

1. pH do solo

No cultivo de arroz com inundação do solo ocorre a correção da acidez naturalmente.

Com o solo alagado, ocorre um processo químico de redução do solo, resultando o fenômeno conhecido como “autocalagem”.

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Processo de redução do solo, o qual corrige a acidez
(Fonte: Aula de solos alagados, UFSM.)

No entanto, nos cultivos em sequeiro (após o arroz), esse processo de redução não ocorre mais.

A agrônoma Claudia Lange, do Irga, relata que cerca de 75% das terras baixas do Estado do Rio Grande do Sul têm pH abaixo de 6, se traduzindo em deficiência nutricional para a soja.

Por isso, é importante se atentar ao pH do solo sem estar alagado, para que ele seja corrigido pela calagem adequadamente.

É recomendado fazer a calagem para um pH de 6,0, pela maior exigência dessas culturas anuais, como a soja.

O pH nesse valor também minimiza os efeitos da toxidez por Ferro, proveniente do arroz irrigado.

2. Drenagem do solo

Os solos de várzea pela alta densidade e baixa porosidade possuem velocidade baixa de infiltração.

Nesse sentido a construção de drenos externos a lavoura que facilitem a rápida drenagem são muito importantes.

Sendo que a prática de nivelamento da superfície do terreno e entaipamento são fundamentais.

Sistema sulco/camalhão

Esse sistema de sulco/camalhão é feito em terras baixas do delta do Mississipi/USA.

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(Fonte: Smdema e Rycroft (1983), Beauchamp (1952) em Silva et al.)

Também chamado de microcamalhão, o mais utilizado são aqueles com 15 centímetros, levando duas linhas de soja.

Esse sistema tem sido eficiente para a drenagem da água em solos alagados.

São dois os parâmetros que devemos considerar em relação a remoção e drenagem da água, que são, os macro e microdrenagem do sistema.

Macrodrenagem

São os drenos escavados para coletar os excedentes de águas de chuvas e da irrigação.

De acordo com a microbacia no qual as lavouras estão inseridas, devem ser adequadamente dimensionados.

Os drenos coletores destinados a receber as águas de outros drenos e conduzi-las ao ponto de descarga da microbacia.

Além de bem dimensionados, devem ser limpos, ter reformas e/ou desobstrução, para que sejam eficientes e cumpram sua função.

Microdrenagem

São os drenos internos da lavoura.  Eles são compostos por drenos secundários e de outras adequações.

O dimensionamento desses se dá de acordo com vários fatores, antecipados pelo aplainamento do solo, tão importante para as plantações de arroz.

Além disto, a cultura da soja apresenta uma evapotranspiração máxima total no ciclo de aproximadamente 830 mm, sensível ao encharcamento

3. Planejamento agrícola e gestão de custos

O planejamento agrícola é essencial para uma boa rotação entre soja e arroz. Por meio dele, as outras atividades vão acontecer no período certo e de modo adequado.

Nesse sentido, programe a época de semeadura adequada e ajustada às previsões climáticas.

Semear a soja em dezembro e janeiro, promove uma vantagem em relação a ferrugem asiática, por exemplo.

Manter a gestão dos custos sob controle também é fundamental para conhecer o custo dessas mudanças de manejo e verificar o que compensa mais fazer.

Veja como começar sua gestão neste artigo:

Conclusão

A rotação de arroz com soja exige um preparo maior do sistema para receber culturas com necessidades de ambientes tão distintos.

Apesar disso, os retornos econômicos e ambientais são muito compensatórios. Além de que a soja possui maior liquidez (dinheiro mais rápido) que o arroz.

E com isso, você pode se especializar mais, otimizar seu sistema produtivo e ganha a vantagem de ter uma garantia a mais para a sua renda.

Para isso, mantenha um bom planejamento das culturas e uma boa gestão financeira para administrar esses manejos distintos.

Com isso e nossas dicas, com certeza a rotação do cultivo de arroz e soja será um ótimo negócio!

>>Leia mais: 

Tudo que você precisa saber sobre armazenagem do arroz

Como você faz o cultivo de arroz em rotação com soja hoje? Tem mais alguma dica que não citamos aqui? Alguma dúvida? Deixe seu comentário abaixo!