Como fazer o controle da buva resistente a glifosato

Controle da buva resistente a glifosato é essencial para um bom desenvolvimento da sua lavoura. Neste artigo listamos as melhores práticas e como fazer o controle efetivo desta erva daninha.

Anos atrás, a buva não assustava ninguém. Hoje, a história mudou.

Se você tem essa planta invasora na sua fazenda, sabe bem do que estou falando.

E o principal motivo desse jogo virar foi o desenvolvimento da resistência a glifosato.

Sem conseguir controlar a buva pela aplicação do herbicida, a planta se espalha rápido na lavoura.

Três plantas de buva por m² podem resultar em perdas de 4 sacas de soja por hectare.

Mas como fazer o controle da buva resistente a glifosato? E como verificar se o custo compensa?

buva-danos

(Fonte: Jornal Coamo)

Aqui eu te conto como fazer isso e muitas outras dicas e curiosidades, veja:

Como está a “grama do vizinho”: Cenário de buva resistente a glifosato e outros herbicidas no Brasil

Se você tem ervas daninhas resistentes a herbicidas na sua área, não se preocupe.

A grama do vizinho não está mais verde: infelizmente essa é uma situação comum de ser encontrada no país.

No Brasil existem 50 relatos de plantas daninhas resistentes a herbicidas.

Destes, 15 são plantas resistentes a glifosato (herbicidas inibidores da EPSPs) e 8 são de plantas de buva.

Controle da buva resistente a glifosato

Infestação de buva resistente a glifosato no Brasil

(Fonte: Prof. Michelangelo Trezzi)

No Brasil, o primeiro caso de buva resistente a glifosato foi registrado em 2005.

O mais recente deles, em 2017, que podemos considerar como um cenário preocupante é o da buva resistente a três mecanismos de ação diferentes.

Aqui você pode conferir todos os casos de resistência de buva no Brasil (Fonte: Heap, 2018):

Ano de 2005

  • Conyza bonariensis  a glifosato;
  • Conyza canadensis a glifosato.

Ano de 2010

  • Conyza sumatrensis a glifosato

Ano de 2011

  • Conyza sumatrensis a chlorimuron;
  • Conyza sumatrensis a glifosato e chlorimuron.

Ano de 2016

  • Conyza sumatrensis a paraquat;
  • Conyza sumatrensis a saflufenacil;
  • Conyza sumatrensis a glifosato, chlorimuron e paraquat.

O primeiro passo de um controle eficiente de plantas daninhas, resistentes ou não, é a sua correta identificação.

Por isso, acompanhe abaixo algumas das características mais importantes da buva.

Identificando essa planta daninha: características principais da buva

  • As plantas de buva pertencem à família Asteraceae, são anuais ou bianuais, eretas, chegando até 2,5 m de altura;
  • Possuem fácil disseminação através do vento;
  • Toleram bem condições de seca;
  • Uma planta é capaz de produzir de 100 mil a 200 mil sementes;
  • As sementes não possuem dormência;
  • Ótima germinação entre 20°C a 25°C.

As espécies de buva são difíceis de serem diferenciadas, veja na figura abaixo algumas dicas!

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(Fonte: Michelangelo Trezzi)

Para saber mais sobre a identificação das espécies de buva consulte a publicação do HRAC: “Aspectos Botânicos, Ecofisiologicos e Diferenciação de Espécies do Gênero Conyza”.

Controle da buva resistente a glifosato: Herbicidas

Muitos herbicidas podem ser recomendados para manejar a buva e ajudar na prevenção à resistência.

Para a cultura de soja, veja o quadro abaixo:

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(Fonte: Embrapa)

Verifique também os herbicidas com mecanismos de ação alternativos indicados para controle da buva resistente a glifosato:

Inibidores da ALS

Clorimuron, cloransulam, diclosulam e iodosulfuron.

Mimetizador de auxinas

2,4 D e dicamba.

Inibidores da glutamina sintetase

Glufosinato de amônio.

Inibidores da PROTOX

Flumioxazin, saflufenacil e sulfentrazone

Inibidores do fotossistema I

Paraquat

Mas não é só com herbicidas alternativos que controlamos eficientemente essa planta daninhas.

O controle cultura é igualmente importante.

Controle cultural da buva

O controle cultural é uma excelente ferramenta para reduzir a infestação. Assim, temos alguns exemplos a seguir.

Lamego et al. (2013) observaram que a infestação de buva é reduzida quando se tem coberturas vegetal (palhada) sob o solo.

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(Fonte: Lamego et al., 2013)

Os autores também viram que aliando o manejo cultural ao controle químico (por herbicidas) é possível elevar a produtividade da soja pelo controle da buva.

Eles notaram que, em alguns casos, a cobertura sozinha já foi suficiente para garantir a produtividade da soja.

No trabalho realizado por Rizzardi e Silva (2014), o manejo cultura com coberturas de inverno proporcionou a redução no número e na altura de plantas de buva.

redução-buva-cobertura

(Fonte: Rizzardi e Silva (2014))

Ou seja, quanto maior for a cobertura do solo, menor vai ser a germinação das plantas de buva. Isso porque essas plantas necessitam de luz para germinar (são fotoblásticas positivas).

Assim, com a cobertura do solo, dificultamos a germinação dessa planta daninha, evitando que ela se reproduza e que deixe mais sementes no solo.

Por isso, esse manejo cultural é importante para áreas com ou sem buva resistente a glifosato ou outros herbicidas.

Mas ainda tenho algumas indicações sobre o manejo em caso de resistência em sua área.

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Dicas indispensáveis para o controle da buva resistente a glifosato e outros herbicidas

Aqui estão as principais dicas para prevenir e manejar a resistência de plantas daninhas, incluindo a buva:

  • Arranque e destrua plantas suspeitas de resistência;
  • Faça rotação de herbicidas com diferentes mecanismos de ação;
  • Realize aplicações sequenciais de herbicidas com diferentes mecanismos de ação;
  • Não use mais do que duas vezes consecutivas herbicidas com o mesmo mecanismo de ação em uma área;
  • Faça rotação de culturas;
  • Inspecione o início do aparecimento da resistência, ou seja, faça monitoramentos constantes na sua área;
  • Use práticas para esgotar o banco de sementes, como estimular a germinação e evitar a produção de sementes das plantas daninhas;
  • Evite que plantas resistentes ou suspeitas produzam sementes, ou seja, controle essas plantas antes de seu florescimento;
  • Especialmente no caso da buva, faça o controle quando a planta apresentar 15 até 30 cm, facilitando seu manejo.

Sobre a última dica, tenho algumas considerações a fazer.

Um dos principais desafios do controle químico da buva é o tamanho da planta, porque quanto maior a altura, das plantas mais difícil é o controle.

Por isso é importante saber identificar as espécies de plantas daninhas quando pequenas para, assim, poder controlá-las quando jovens.

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Influência do tamanho da buva na eficácia do controle químico aos 28 dias após aplicação, ou 13 dias após a segunda aplicação no caso de 2 aplicações.
(Fonte: Blainski,2009)

Aqui fica nítido que quanto maior a altura das plantas de buva no momento da aplicação dos herbicidas, menor é a eficácia de controle.

Para entender mais sobre o controle da buva este vídeo da Embrapa mostra a associação de métodos culturais e químicos:

>> Leia mais: “Entendendo o herbicida sistêmico e dicas para a eficiência máxima na lavoura

O custo da buva resistente a glifosato e outros herbicidas

Quando você tem uma erva daninha resistente a glifosato em sua fazenda, seu custo para controlá-la vai aumentar, especialmente se você estiver habituado a fazer somente o controle por glifosato, que é um herbicida barato.

Nesse sentido, estudos mostraram que o custo com o manejo de plantas daninhas aumentou em 82% para produtores que possuem problemas com controle da buva resistente a glifosato e outros herbicidas.

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(Fonte: Qualittas)

Esse problema fica ainda maior quando se tem além de buva resistente, outras plantas daninhas como azevém e capim-amargoso.

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Impacto econômico da resistência de plantas daninhas a herbicidas no Brasil
(Fonte: Adegas)

No seu caso, dentro de sua fazenda, você consegue verificar qual o custo com herbicidas ou com manejo de cobertura?

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Essa observação é extremamente importante para identificar quais os melhores manejos para controle da buva resistente a glifosato e outros herbicidas e garantem rentabilidade.

Recomendo fortemente que você faça seu orçamento da safra com um planejamento agrícola bem feito.

Juntamente com o monitoramento constante da área, você saberá o que e como fazer para melhorar manejar as plantas daninhas e ainda ser economicamente viável.

Conclusão

A buva resistente a glifosato e a outros herbicidas é um grande problema na lavoura, mas o seu manejo efetivo é possível.

Para prevenção dessa resistência, é importante o manejo com outros herbicidas de diferentes mecanismos de ação, além de métodos culturais.

Aqui vimos quais os produtos e outros métodos de controle da buva resistente a glifosato são melhores.

E é no planejamento agrícola que você vai decidir, com segurança, qual a melhor combinação de medidas de controle.

Isso vai garantir o manejo efetivo dessa e de outras plantas daninhas e ainda rentabilidade na sua safra!

>> Leia mais: “Guanxuma: 5 maneiras de livrar sua lavoura dessa planta daninha
>> Leia mais: “Guia para controle eficiente da trapoeraba
>> Leia mais: “O guia completo para o controle de capim-pé-de-galinha

Gostou do texto? Tem problemas para controle da buva resistente a glifosato ou a outros herbicidas na sua área? Sabe de alguma dica importante que não citei aqui? Comente abaixo!

Como fazer o manejo de plantas daninhas em plantio direto

Você faz plantio direto na sua área mas tem problemas com o manejo de plantas daninhas?

Ou fica na dúvida do que aplicar para um controle eficiente nesse sistema?

A cobertura do solo traz muitos benefícios, podendo aumentar sua produtividade em 30%.

Os benefícios incluem o manejo de plantas daninhas, mas requer cuidados.

Além, é claro, de algumas dicas que você precisa saber para um bom manejo.

Confira todas elas aqui e agora:

Benefícios do plantio direto no manejo de plantas daninhas

Se você ainda não sabe os principais benefício do plantio direto, aqui estão eles:

  • Eliminação ou redução das operações de preparo de solo;
  • Manutenção da cobertura morta (palha): maior umidade, menor erosão, efeitos nas plantas daninhas, etc;
  • Rotação de culturas: quebra de ciclo de pragas, doenças e plantas daninhas.

Todos esses pontos têm grande influência no manejo de plantas daninhas, e todos eles podem ser utilizados a favor do controle das plantas daninhas.

Então a resposta é sim, o plantio direto como um todo podem ajudar no manejo de plantas daninhas.

A palha é o principal ponto do plantio direto que afeta o crescimento da população de plantas invasoras no sistema de plantio direto:

Os efeitos da palha no manejo de plantas daninhas em plantio direto

A palha tem 3 diferentes efeitos no manejo de plantas daninhas:

  • Efeitos Alelopáticos: há muitas substâncias que são liberadas pela palha, neste caso, impedindo a germinação do banco de sementes de plantas daninhas;
  • Efeitos Físicos: é preciso que a semente tenha reservas significativas para conseguir transpor a palha, fazendo com que somente sementes grandes germinem; com menos luz chegando ao solo, apenas as sementes fotoblásticas negativas ou neutras (que germinam no escuro ou são indiferentes) conseguem germinar;
  • Efeitos Biológicos: degeneração das sementes por macro ou micro-organismos do solo.

Mas é preciso entender que as práticas de controle precisam ser adaptadas em relação ao sistema convencional de plantio.

Assim se forem adotadas as mesmas práticas de controle, o plantio direto pode vir a atrapalhar o manejo.

Dessa forma, vemos que o principal para o sucesso no seu manejo não é o sistema em si, mas sim, deve ser feita a adoção correta e planejada das mais diferentes ferramentas de controle.

Me acompanhe agora no manejo de plantas daninhas em grandes culturas:

plantio direto com manejo de plantas daninhas

(Fonte: Senar)

Manejo de plantas daninhas no plantio direto e em grandes culturas

Vamos agora abordar alternativas de herbicidas para o controle de plantas daninhas em importantes culturas, especialmente em soja, milho e cana-de-açúcar.

Leia também: >> Devo comprar Defensivos genéricos ou de marca?

Em todas as culturas é necessário realizar uma dessecação bem feita.

Para isso ocorrer saiba quais as plantas daninhas mais problemáticas da sua área para escolher produtos adequados.

Existem algumas plantas invasoras, como grama seda, capim armagoso, trapoeraba.

O importante é saber identificá-las corretamente.

Para isso o manual de identificação e controle de plantas daninhas do Brasil.

Recomendo muito o uso de herbicidas dessecantes (como glifosato, paraquat ou glufosinato) associados a herbicidas residuais.

Assim, em uma única operação, é feito a dessecação e a aplicação do herbicida residual (ou pré-emergente), que terá o papel de manter a cultura sem invasoras durante a parte inicial do seu ciclo.

Adicionalmente, o uso de herbicidas residuais diminuem a pressão de seleção de plantas daninhas resistentes ao glifosato, o que é um grande problema do plantio direto.

Por isso, é importante ter conhecimento do seu campo e fazer o planejamento agrícola bem feito.

Assim, essas estratégias como podem ser pensadas anteriormente, contribuindo para economia de recursos sem perda de produção.

Manejo de plantas daninhas em soja no plantio direto

É claro que a palha ajuda no controle de plantas daninhas, como já vimos o efeito dela no tópico acima.

Estudo de Guerra et al. (2015), por exemplo, mostra que 6 toneladas de diferentes culturas foram eficientes no controle de amendoim-bravo, planta daninha é importante em soja, também conhecida por leiteiro.

Mas temos que nos atentar as plantas daninhas que ocorrem mesmo em plantio direto.

Desse modo, é importante o uso dos herbicidas pré-emergentes (diclosulam, chlorimuron, metribuzim, etc) na dessecação ou na pré-emergência da soja.

O capim-amargoso é uma planta daninha muito problemática no cultivo de soja, ocasionando perdas de até 40% em produtividade na cultura.

capim-amargoso-manejo-plantas-daninhas

(Fonte: Cotrijui)

Em pré-plantio e com o amargoso antes da perenização, é recomendado uma aplicação de inibidor da ACCase.

Se o capim-amargoso já estiver perenizado, faça aplicação sequencial, com a primeira com inibidor da ACCase e a segunda com um produto de contato, como o paraquat.

Após a implantação da soja, pode utilizar herbicidas pré-emergentes (como Spider ou Dual Gold) e pós-emergentes também inibidores da ACCase.

Manejo de plantas daninhas em milho no plantio direto

Para aplicação em pré-emergência na cultura do milho é recomendado a atrazina + s-metolachlor, sendo que essa associação asseguram o controle de gramíneas na área. O mecanismos de ação será mais eficiente.

>> 7 passos infalíveis do planejamento agrícola para acertar na semeadura do milho

A aplicação de amicarbazone em pré-emergente é muito eficaz, especialmente se na sua área o problema é com corda-de-viola ou outras plantas daninhas de folhas largas e sementes grandes.

Além disso, o isoxaflutole tem boa ação em gramíneas, e algumas espécies daninhas de folhas largas, mesmo sobre palha e com alguma estiagem.

O capim-amargoso também tem causado muitos problemas para os produtores de milho, sendo seu manejo em  em pré-plantio igual ao da cultura da soja, como falamos no tópico anterior.

A única diferença fica por conta da necessidade de intervalo de 15 dias entre o graminicida e plantio de milho.

Após a implantação da cultura, uso de Soberan ou Callisto associados a atrazina podem ser utilizados, enquanto que o nicosulfuron não tem boa eficácia para capim-amargoso.

>> Tudo o que você precisa saber na pré-safra sobre as principais pragas de milho e sorgo

>> Não erre mais: tudo o que você precisa saber para a compra de sementes de milho

Manejo de plantas daninhas na cultura de cana-de-açúcar

Existem diferenças entre o cultivo com palha ou sem palha na cultura da cana-de-açúcar?

Se você é produtor de cana, já sabe que sim.

Com a presença de palha do cultivo de cana anterior, devido a proibição da queima para a colheita houve uma mudança radical na comunidade infestante devido a palha.

Anteriormente havia predomínio de plantas daninhas folhas estreitas, com a palha agora temos  domínio de folhas largas, as quais possuem sementes que conseguem atravessar a palha.

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Canavial infestado por corda-de-viola

(Fonte: Raffaela Rossetto em Embrapa)

Estudos indicam eficácia no controle de controle de corda-de-viola, acima de 90% para aplicação dos seguintes herbicidas:

  • Amicarbazone (1225 g i.a. ha-1);
  • Diuron + hexazinone + sulfumeturon (1386,9 + 391 + 33,35 g i.a. ha-1);
  • Amicarbazone + isoxaflutole (840 + 75 g i.a. ha-1);
  • Sulfentrazone (900 g i.a. ha-1);
  • Imazapic (154 g i.a. ha-1);
  • Tebuthiuron + isoxafluote (900 + 75 g i.a. ha-1).

Estes e outros herbicidas, como saflufenacil e mesotrione, podem ser utilizados no controle de plantas daninhas na palha em cana-de-açúcar.

Nem tudo são flores: atenção no manejo de plantas daninhas em plantio direto

Como sabemos, o preparo de solo no plantio direto é muito reduzido.

O problema é que o preparo do solo é uma alternativa para o manejo de muitas plantas daninhas.

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Preparo do solo para controle de plantas daninhas

(Fonte: Agro Atlas)

Inclusive, em situações extremas, os produtores de grãos estão precisando entrar com o preparo de solo para controle de plantas daninhas agressivas.

É o caso de capim-amargoso, com resistência e/ou dificuldades no controle.

Assim, todo o trabalho de anos de sistema de plantio direto é interrompido.

Por isso, é preciso manejar muito bem sua lavoura e plantas daninhas mesmo com o plantio direto.

Nesse sentido, indico sempre o uso de pré-emergentes e culturas de cobertura/adubação verde na entressafra.

Essas duas práticas evitam que as plantas daninhas consigam germinar e se tornar uma planta adulta, que produz sementes e se torna difícil de controlar.

Além de evitar o desenvolvimento de plantas daninhas resistentes, especialmente ao glifosato, o que é um grande problema em áreas de plantio direto.

Não são boas práticas você sair aplicando qualquer tipo de herbicida. Eu recomendo você consultar um profissional agrícola para te ajudar neste processo.

Outra prática que nem todo mundo sabe que é fundamental no plantio direto e que traz muitos benefícios é a rotação de culturas:

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Rotação de culturas no manejo de plantas daninhas

Rotação de culturas além de um dos pilares do plantio direto, também tem grande influência no manejo de plantas daninhas.

rotação de culturas

(Fonte: Boas Práticas Agronômicas)

Principalmente por representar assim uma rotação nos herbicidas utilizados, o que é importante na prevenção da seleção de ervas daninhas resistentes a herbicidas.

Além do que as plantas daninhas têm elevada capacidade adaptativa, assim em determinado cultivo podem predominar determinadas plantas, enquanto que outro cultivo outras plantas podem ser predominantes.

Assim conhecer as principais plantas daninhas dos seus cultivos ao longo do ano agrícola é fundamental para melhor controle.

>> Leia mais:

“Como utilizar o herbicida 2,4-D e quais cuidados tomar ao usá-lo” 

“Erva-de-passarinho: como livrar a lavoura dessa daninha”

Tudo o que você precisa saber sobre plantas daninhas na pré-safra

Plantas daninhas: saiba como fazer o manejo adequado durante a pré-safra para reduzir os custos de controle na lavoura.

Você continua tendo problemas e elevados custos para manejar as plantas daninhas durante a safra? Saiba que você pode reduzir esse custo fazendo o manejo adequado durante a pré-safra!

Nos últimos anos o custo com o controle de plantas daninhas vem aumentando, e em partes, se deve ao aumento no número de casos de resistência a defensivos agrícolas, o que dificulta o manejo.

Hoje, no Brasil, temos 49 casos de resistência registrados, a maior parte deles são ervas daninhas resistentes ao herbicida glifosato.

Esse fato contribui diretamente para a elevação nos custos de produção, aumentando os gastos e reduzindo os lucros.

Mas o manejo de plantas daninhas na pré-safra pode te ajudar a evitar o desenvolvimento de resistência e no manejo em geral das plantas invasoras.

O que são plantas daninhas?

As plantas daninhas, segundo Lorenzi (2014), é qualquer planta que cresce onde não é desejado, interferindo direta e indiretamente nas culturas de interesse, causando reduções na produção em torno de 20 a 30%.

Aqui também podemos incluir a chamada tiguera de cultura, como por exemplo o milho crescendo no meio da soja.

As plantas daninhas, de acordo com Lorenzi (2014), são definidas como quaisquer plantas que crescem em locais não desejados, interferindo direta ou indiretamente nas culturas agrícolas.

Essa interferência pode causar perdas significativas na produção, geralmente variando entre 20% e 30%, dependendo do grau de infestação e do manejo realizado.

Além das espécies que crescem espontaneamente, também são consideradas plantas daninhas as chamadas tigueras (ou guaxas), que são plantas voluntárias de culturas anteriores, como o milho que surge em meio à lavoura de soja.

Essas tigueras competem pelos mesmos recursos das culturas atuais, como água, luz e nutrientes, e podem servir de hospedeiras para pragas e doenças.

7 Principais Plantas Daninhas

No Brasil, existem 7 principais plantas daninhas que variam por região, tipo de cultivo e condições ambientais, mas algumas espécies são disseminadas devido à sua alta adaptabilidade, capacidade de reprodução e resistência a métodos de controle.

Abaixo você confere um pouco mais sobre as plantas daninhas predominantes do território brasileiro e as suas problemáticas na lavoura.

1. Buva

A primeira delas é a buva (Conyza): existem três espécies, a Conyza canadensis, Conyza bonariensis e Conyza sumatrensis.

Esse tipo de daninha se dispersa facilmente pelo vento e por isso estão presentes na maior parte das lavouras.

No Brasil nós temos oito casos registrados de buva resistentes a herbicidas. Destes oito casos, dois são de resistência múltipla, no qual a planta é resistente a mais de um mecanismo de ação.

O manejo dessas espécies durante a entressafra pode ajudar na prevenção a resistência, uma vez que ela já apresenta casos de resistência em boa parte do Brasil.

buva-conyza-bonariensis

Conyza bonariensis
(Fonte: Max Licher em SEINet)

Leia também:

2. Leiteira ou Amendoim-bravo

Outra planta daninha que merece destaque é o leiteiro ou amendoim bravo (Euphorbia heterophylla).

É uma das plantas de maior dificuldade de controle, principalmente na cultura da soja. Está presente em praticamente todo o Brasil, podendo germinar o ano todo, mas principalmente nas épocas mais quentes (Brighenti e Oliveira, 2011).

Suas sementes podem ser arremessadas pela planta a uma distância de dois a cinco metros e no Brasil foi relatado plantas de leiteira com resistência a herbicidas inibidores da ALS e da PROTOX.

Essa planta ainda pode interferir indiretamente na produtividade da cultura, pois ela é hospedeira do vírus do mosaico-anão .

Apesar disso, é fácil de controlar, mas seu manejo pode ser otimizado com práticas como a rotação de culturas na entressafra.

leiteiro-amendoim-bravo

(Fonte: Plants Database)

3. Caruru

O caruru (Amaranthus spp.) é um dos gêneros de plantas daninhas mais comuns e problemáticos no Brasil. Suas espécies são disseminadas em áreas agrícolas devido à sua adaptabilidade, alta capacidade de reprodução e resistência a herbicidas.

Por conta do crescimento rápido, é capaz de produzir milhares de sementes por planta, que permanecem viáveis no solo por anos.

As espécies mais comuns incluem o caruru-roxo (Amaranthus hybridus), o caruru-de-mancha (Amaranthus viridis) e o caruru-palmeri (Amaranthus palmeri), conhecido por sua agressividade e resistência.

Você pode ter interesse por:

4. Capim-pé-de-galinha

O capim-pé-de-galinha (Eleusine indica) é encontrado em áreas agrícolas e pastagens e conhecido por sua alta resistência esistência ao glifosato, além da capacidade de competir com as culturas.

A planta se reproduz principalmente por sementes, produzidas em grande quantidade e com capacidade de germinar ao longo de várias safras. Altamente adaptável, ela se desenvolve bem em solos compactados e suporta condições adversas, como altas temperaturas e baixa umidade.

Mesmo assim, em algumas culturas locais, o capim-pé-de-galinha é usado como forragem para animais, desde que manejado adequadamente.

resistencia

Doses do herbicida glifosato em população suscetível (frente) e resistente (atrás).
A dose recomendada para o controle da espécie Eleusine indica é de 840 g e.a. ha-1
(Fonte: Chen et al. 2017)

5. Azevém

O azevém (Lolium multiflorum) pode ser tanto um problema quanto uma oportunidade no manejo agrícola. Muito comum em regiões de clima temperado, é utilizado como planta forrageira, mas, quando presente em áreas de cultivo não planejadas, acaba virando uma planta daninha competitiva.

Por conta disso, é muito fácil de ser encontradas nas lavouras do Rio Grande do Sul, sendo identificada com resistência em plantações de soja, milho e trigo.

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(Fonte: Heap, 2017)

6. Capim-branco

O capim-branco (Brachiaria decumbens) é uma planta daninha muito comum no cultivado de pastagem, e na invasão de sistemas agrícolas, competindo com culturas como como soja, milho, arroz e cana-de-açúcar.

Sua resistência a herbicidas e crescimento contínuo dificultam o controle, mas rotação de culturas, adubação adequada e controle mecânico, como gradagem e capina, podem ajudar no manejo.

7. Capim-amargoso

Em 2008, Digitaria insularis foi relatada com casos de resistência ao herbicida glifosato em lavouras de soja no Paraná.

A planta é perene, mas se adapta a solos compactados e condições adversas, como seca e alta temperatura, sendo um grande desafio no manejo. Seu controle pode ser feito por uso de herbicidas de ação diferenciada, rotação de culturas e plantio direto.

Guia para manejo de plantas daninhas

Manejo de plantas daninhas na pré-safra

Já falamos muito aqui sobre o manejo integrado e aqui mais uma vez não podemos deixar de citá-lo.

Dificilmente vamos conseguir controlar todas as plantas daninhas, mas temos vários métodos que podemos utilizar na pré-safra que vão refletir de maneira positiva na safra.

E o manejo integrado de plantas daninhas é uma boa solução para controlar. Aqui estão algumas práticas infalíveis para o manejo eficaz de plantas daninhas na pré-safra:

1. Cobertura do solo

A cobertura do solo usa materiais orgânicos ou vegetais para proteger e melhorar as condições do solo, podendo ser realizada com plantas de cobertura (como leguminosas e gramíneas) ou cobertura morta (como palha ou mulching).

Os principais benefícios incluem o controle de plantas daninhas, prevenção da erosão, retenção de umidade, aumento da matéria orgânica, regulação da temperatura do solo e redução da compactação.

No entanto, é importante escolher as plantas adequadas e gerenciar a decomposição para evitar problemas como a competição excessiva com as culturas.

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Área em pousio (esquerda) e área com planta de cobertura (direita)
(Fonte: News de Rio Verde)

2. Uso de herbicidas pré-emergentes

O uso de herbicidas pré-emergentes é indicado para controlar plantas daninhas antes de sua germinação, criando uma barreira química no solo que impede o crescimento de ervas daninhas.

Essa abordagem reduz a competição com as culturas, diminui a necessidade de capina e aumenta a produtividade.

Mas tome cuidado com a escolha adequada do produto, o risco de resistência das plantas daninhas, a necessidade de considerar as condições do solo e a possível fitotoxicidade.

O uso responsável dessa tecnologia contribui para o manejo eficiente das ervas daninhas e melhora os resultados das lavouras.

Banner planilha- manejo integrado de pragas

Conclusão

Você percebeu que todas as estratégias de controle de invasoras exige um certo planejamento.

Além disso, aqui você aprendeu o que são plantas daninhas, as principais espécies que podem te causar prejuízo e até mesmo quais as espécies com resistência a herbicidas.

Agora também você sabe qual o melhor manejo para as principais plantas daninhas e está pronto para colocar em prática tudo o que você viu! Então, faça seu planejamento e boa safra!

Saiba mais informações:

9 plantas daninhas resistentes a herbicidas (+3 livros e guias)

Conheça agora as principais plantas daninhas do brasil resistentes a herbicidas, saiba como evitá-las, combatê-las, e não fique no prejuízo!

Lavouras de soja com ervas daninhas resistentes a glifosato possuem custos de 42 a 222% maiores, segundo a EMBRAPA.

É frustrante o momento em que monitoramos a lavoura alguns dias após a aplicação de herbicidas e percebemos que a área ainda está infestada.

Para não falar desesperador!

Apesar de seguirmos todos os protocolos de aplicação (produto adequado, condições climáticas ideais de pulverização, etc.), porque não houve 100% de controle das plantas daninhas?

Isso é um indício que pode haver plantas daninhas resistentes a herbicidas na sua propriedade.

Como plantas daninhas resistentes se apresentam?

3 indícios de plantas daninhas resistentes a herbicidas no campo

plantas daninhas do Brasil

Por isso, confira a seguir as principais plantas daninhas resistentes a herbicidas do Brasil e esteja preparado se alguma delas estiver na sua área:

Plantas daninhas resistentes: O que são?

Resistência de uma planta daninha a herbicida é a capacidade adquirida por uma planta em sobreviver e se reproduzir mesmo com a aplicação de um herbicida na dose registrada (dose indicada na bula) em condições normais e adequadas de aplicação.

Aliás, você pode conferir como acertar nas aplicações de defensivos com planejamento agrícola lendo esse artigo aqui.

Essa resistência é desenvolvida devido a:

O uso repetido de herbicidas com mesmo mecanismo de ação…

…em um mesmo ciclo da cultura

…usado como controle durante anos

sem adição de práticas de manejo e rotação de culturas.

Para maiores informações sobre o que você deve saber sobre, leia aqui resistências a defensivos agrícolas.

Plantas daninhas resistentes ao glifosato

As culturas resistentes ao glifosato resultaram em utilização massiva desse herbicida, levando ao desenvolvimento de resistência em várias espécies.

As principais culturas que possuem plantas daninhas resistentes a esse herbicida são a soja e a cultura do milho.

Além disso há os pomares diversos, que são naturalmente tolerantes a esse herbicida.

Como já citamos, segundo Embrapa, os custos de produção em lavouras de soja com plantas daninhas resistentes ao glifosato podem subir, em média, de 42% a 222%.

Para saber mais sobre custos de produção  recomendo fortemente que você leia o artigo

>> Entenda os custos de produção agrícola e esteja no comando de sua fazenda

Doses maiores de glifosato do que aquelas recomendadas em bula podem até controlar as infestações em um primeiro momento.

Mas essa prática seleciona plantas que podem sobreviver em doses ainda maiores, e o problema vai se agravando.

É claro que o uso de glifosato nas lavouras vai continuar, devido a sua eficiência e baixo custo. Mas é muito importante associar outros herbicidas também.

Em geral, na dessecação utilize herbicidas de contato não seletivos, como glufosinato de amônio (Liberty) e paraquat.

Apenas se atente que, para glufosinato, as plantas daninhas devem ser jovens (com altura por volta de 10 cm).

A utilização de herbicidas pré-emergentes também ajudam na diversidade de produtos.

Por isso, faça uso dos pré-emergentes além da aplicação de glifosato em associação com graminicidas ou latifolicidas em pós-emergência.

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Conheça agora as principais plantas daninhas do Brasil resistentes ao herbicida glifosato:

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(Fonte: Syngenta)

Buva (Conyza spp.)

Existem 3 espécies de buva no Brasil: Conyza bonariensis, Conyza canadensis e Conyza sumatrensis.

A Conyza bonariensis apresenta as folhas sem recortes nas margens, diferente da C. canadensis.

Já foi relatado no Brasil C. sumatrensis também resistente a herbicidas da ALS, do fotossistema I (como paraquat) e inibidores da PROTOX.

Conyza spp. é fotoblástica positiva, ou seja, só germina com luminosidade.

Por isso, áreas de plantio direto ou que utilizam vegetação nas entrelinhas (consórcio milho-braquiária, por exemplo) são ótimas alternativas de manejo.

>> Como fazer o controle da buva resistente a glifosato

Capim-amargoso (Digitaria insularis)

O capim-amargoso possui sementes com alto poder germinativo e que se espalham pelo vento, o que pode pegar de surpresa os produtores.

É muito comum plantas dessa espécie possuírem resistência ao glifosato, o que dificulta ainda mais seu controle.

Além disso, foi relatado também no Brasil, capim-amargoso resistente aos herbicidas inibidores da ACCase.

Plantas jovens (até 15 cm) são mais facilmente controladas com o uso de herbicidas. Já plantas adultas com touceiras tem seu controle dificultado.

Por isso, se atente ao campo e verifique o tamanho do capim-amargoso no momento da aplicação.

Azevém (Lolium multiflorum)

No Brasil, o azevém resistente a glifosato é um grande problema, especialmente na região Sul do país.

Após o relato de azevém resistente ao glifosato, foi utilizado somente inibidores da ALS ou de somente inibidores da ACCase de forma repetida, o que selecionou plantas de azevém também resistentes a esses mecanismos de ação.

Mas há outras opções além de herbicidas para controlar o azevém.

O uso de aveia-preta ou nabo como plantas de cobertura é uma prática eficiente para reduzir a presença do azevém nas lavouras.

Você pode utilizar também o centeio como planta de cobertura ou na entressafra.

Falando em entressafra, confira como fazer o controle de plantas daninhas na pré-safra.

O centeio apresenta alelopatia (liberação de substâncias que podem afetar outro organismo) que impede o aparecimento de azevém na área, e que ainda pode gerar lucro com a colheita dos grãos ao final do ciclo.

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(Fonte: Go Botany)

Capim-pé-de-galinha (Eleusine indica)

Em 2016 foi relatado no Brasil o primeiro caso de resistência a glifosato dessa espécie, sendo que já foi relatado também resistência aos inibidores da ACCase.

É uma das plantas daninhas mais comuns em cultivos anuais e perenes do Brasil, especialmente em área com solos compactados.

Após o perfilhamento, o controle dessa espécie fica ainda mais díficil.

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(Fonte: FNA em Nature Search)

Capim-branco (Chloris elata)

Comum em lavouras perenes, o capim-branco possui casos de resistência relatados em 2014 no Brasil, não apresentando resistência a outros mecanismos de ação.

(pelo menos por enquanto e vamos trabalhar para continuar assim, não é mesmo?!)

A espécie é bastante encontrada nas regiões Norte e Centro Oeste,  onde pode ser visto quase o ano todo em floração, mas também é encontrada nas fazendas do Sul do país.

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(Fonte: Ian Heap)

Caruru-palmeri (Amaranthus palmeri)

O primeiro relato dessa espécie no Brasil foi em 2015 no Mato Grosso e já causou muita dor de cabeça.

Estima-se que  tem potencial de reduzir a produtividade de lavouras de soja, milho e algodão em até 90%.

O mais provável é que sementes dessa planta tenham vindo em colhedoras usadas dos Estados Unidos que foram importadas por produtores aqui do Brasil.

Isso reforça a importância da limpeza de máquinas e planejamento das atividades.

Saiba onde está o gargalo de seu planejamento agrícola clicando aqui.

A espécie aqui introduzida já apresenta resistência ao glifosato e também aos inibidores da ALS.

Visualmente se diferencia dos outros Amaranthus spp. (carurus) por alguns detalhes, como p pecíolo ser igual ou maior que sua folha, o que não ocorre em outras espécies de caruru.

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(Fonte: Foto Arnaldo Borges em IMAMT)

Plantas daninhas resistentes no Brasil

Infelizmente, há diversas pragas (insetos, doenças e plantas daninhas) resistentes a defensivos agrícolas no Brasil.

Para saber mais sobre e estar preparado veja “5 pragas agrícolas resistentes a defensivos agrícolas e como combatê-las”.

No Brasil temos espécies resistentes a outros herbicidas além do glifosato que são muito importantes nos sistemas de produção. Confira algumas dessas plantas :

Caruru (Amaranthus  retroflexus e Amaranthus viridis)

Do mesmo gênero que caruru-palmeri, essas espécies possuem resistência aos inibidores da ALS e fotossistema II, além de que A. retroflexus apresenta também aos inibidores da PROTOX.

Picão-preto (Bidens subalternans e Bidens pilosa)

As duas espécies de picão-preto apresentam resistência aos herbicidas inibidores da ALS e fotossistema II.

Capim-arroz (Echinochloa crus-galli var. crus-galli)

Muito comum em lavouras de arroz, o capim-branco foi relatado com resistência múltipla (resistência a diferentes mecanismos de ação de herbicidas) aos produtores inibidores da ALS, da celulose e da ACCase.

A prevenção dessa espécie pelo uso de sementes de boa qualidade e limpeza de máquinas e equipamentos antes depois de usá-las, é essencial.

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A: Caruru (Amaranthus viridis); B: Picão-preto (Bidens pilosa); C: Capim-branco (Echinochloa crus-galli var. crus-galli)
(Fonte: Ian Heap)

Para todas as plantas daninhas, especialmente as resistentes a qualquer herbicida, algumas medidas de manejo são essenciais como:

  • rotação de culturas;
  • rotação e diversidade de mecanismos de ação de herbicidas;
  • manejo de plantas daninhas na entressafra;
  • uso de plantas de cobertura;
  • monitoramento constante da área.

3 livros de plantas daninhas do Brasil que você precisa ler

Há 3 livros essenciais para quem quiser se aprofundar um pouco mais sobre a questão de plantas daninhas no Brasil.

Eu uso e recomendo esses livros:

Manual de controle e identificação de plantas daninhas:

– 7° Edição;

– Oferecido pelo Instituto Plantarum;

-Mostra as plantas daninhas mais comuns nas lavouras brasileiras e quais os herbicidas recomendados.

manual-plantas-daninhas-brasil

(Fonte: Agro Livros)

Plantas daninhas do Brasil:

– 4° Edição;

– Oferecido pelo Instituto Plantarum;

– Mostra uma quantidade incrível de plantas daninhas existentes no Brasil e suas características principais.

plantas-daninhas-do-brasil

(Fonte: Livraria UFV)

Guia de herbicidas

– 6° Edição;

-Mostra os herbicidas registrados no Brasil e suas principais características, as culturas em que a aplicação é recomendada, além de informar as doses e momentos adequados de aplicação.

guia-de-herbicidas

(Fonte: PDL)

Conclusão

A explicação de que mesmo após ter aplicado herbicidas na sua lavoura, você ainda observar a presença de plantas daninhas, isso é sinal que na sua área pode ter casos de resistência.

Aqui você pode aprender como identificar a resistência em sua lavoura, quais são as principais plantas daninhas resistentes a herbicidas, e como combatê-las.

É de fundamental importância uma visão crítica do sistema de produção, com planejamento das medidas de manejo, considerando a diversificação dos mecanismos de ação dos herbicidas utilizados.

Agora que você já tem esse conhecimento, faça seu planejamento e esteja preparado para combater essas plantas e obter sucesso na safra!

>> Leia mais:

“Planta tiguera: Quais os manejos mais eficientes para sua lavoura”

Guanxuma: 5 maneiras de livrar sua lavoura dessa planta daninha

Guia para o controle eficiente da trapoeraba

Já teve problemas com plantas daninhas resistentes? Quais? Gostaria de saber mais sobre o assunto? Tem mais algum método de controle que você faz e eu não citei? Adoraria ver seu comentário!

Como fazer o controle de plantas daninhas?

Controle de plantas daninhas: o que é, como fazer, métodos utilizados e muito mais!

Como está o controle de plantas daninhas na sua lavoura para a safrinha?

Você acredita que antes da safra não há nada que se possa fazer em relação às plantas daninhas? Ou que você pode chegar no campo no dia da aplicação e decidir corretamente o que fazer?

Sei que sua experiência conta muito e que você conhece sua lavoura, mas talvez seja interessante estar preparado e entender como fazer o manejo integrado de plantas daninhas

Hoje separei alguns pontos que, creio eu, terão impacto positivo no planejamento e no começo da sua safra. Vamos lá?

O que é controle de plantas daninhas? 

O controle de plantas daninhas é um  conjunto de práticas e técnicas para eliminar ou reduzir a presença de plantas indesejadas que competem com as culturas agrícolas por recursos como luz, água, nutrientes e espaço. 

Essas plantas, também chamadas de “invasoras”, podem causar prejuízos econômicos, comprometer o rendimento das culturas e até dificultar a colheita

As plantas daninhas variam dependendo da região, do clima e do tipo de cultura agrícola. Mesmo assim, algumas são conhecidas pela capacidade de competição, resistência a herbicidas e dificuldade de manejo. As mais frequentes são: 

  • Arroz-vermelho (Oryza sativa L.)
  • Braquiária (Urochloa spp.)
  • Buva (Conyza spp.)
  • Capim-arroz (Echinochloa spp.)
  • Caruru (Amaranthus spp.)
  • Ciperáceas diversas (Cyperus spp.)
  • Ciperáceas (tiriricas)
  • Cordas-de-viola (Ipomoea spp.)
  • Picão-preto (Bidens pilosa)
  • Tiririca (Cyperus rotundus)

Como controlar as plantas daninhas?

O controle de plantas daninhas é feito por estratégias para reduzir a presença das plantas indesejadas como: controle químico, controle mecânico, controle cultural, controle biológico e controle integrado. 

A escolha do controle ideal depende sempre considerar o tipo de cultura, ciclo das plantas daninhas, o histórico da área e os recursos disponíveis.

Um manejo integrado e planejado é a melhor estratégia para manter as lavouras produtivas e saudáveis.

Guia para manejo de plantas daninhas

Quais são os métodos de controle de plantas daninhas?

Os métodos de manejo integrado de plantas daninhas podem ser classificados em diferentes categorias, dependendo das práticas utilizadas para eliminar ou reduzir a presença das plantas.

Cada método tem suas vantagens e limitações, por isso, o melhor método depende do tipo de planta daninha, da cultura agrícola, do solo, do clima e dos recursos disponíveis.

Independentemente desses requisitos, é importante manter uma constância de cuidados com plantas invasoras. Confira mais informações sobre os métodos de controle de plantas daninhas abaixo: 

1. Controle químico

É uma estratégia de manejo que utiliza herbicidas para eliminar ou reduzir a presença de daninhas, especialmente em grandes áreas de cultivo, devido à sua eficiência e rapidez no controle de plantas invasoras.

  • Pré-emergente: Aplicado antes da germinação das plantas daninhas.
  • Pós-emergente: Aplicado diretamente nas plantas já germinadas.
  • Sistêmico: Absorvido pela planta e transportado para todas as partes, eliminando até as raízes.
  • De contato: Atua apenas na área onde é aplicado.
  • Vantagens: Alta eficiência em áreas grandes, reduz a mão de obra.
  • Desvantagens: Risco de resistência das plantas daninhas e pode causar impactos ambientais mal utilizados.

2. Controle mecânico

O controle mecânico de plantas daninhas é uma opção eficiente e ecológica em muitas situações, mas não é sempre o método mais prático para grandes áreas ou cultivos com grande infestação de plantas daninhas. 

O recomendado é utilizar de forma integrada com outros métodos (como controle químico ou cultural) para garantir o manejo mais eficaz e sustentável das plantas daninhas.

Além disso, inclui práticas que utilizam ferramentas ou máquinas para remover ou destruir plantas daninhas, como: 

  • Capina manual: Retirada manual com enxadas ou outras ferramentas (viável em pequenas áreas).
  • Gradagem e aração: Revolve o solo, cortando e enterrando as plantas daninhas.
  • Roçagem: Corta as plantas daninhas, controlando seu crescimento.
  • Vantagens: Não utiliza produtos químicos e é ideal para áreas pequenas.
  • Desvantagens: Alto custo de mão de obra e tempo e pode causar compactação ou erosão do solo em alguns casos.

3. Controle cultural

São práticas agrícolas que promovem condições desfavoráveis para o desenvolvimento das plantas daninhas, como:

  • Rotação de culturas: Evita a seleção de plantas daninhas específicas e melhora a saúde do solo.
  • Cobertura do solo: Uso de plantas de cobertura ou palhada para sufocar plantas daninhas.
  • Plantio direto: Mantém a palhada sobre o solo, reduzindo a emergência de plantas daninhas.
  • Densidade de plantio: Um plantio mais adensado e vigoroso dificulta a competição das plantas daninhas.
  • Vantagens: Sustentável e de baixo custo e melhora da saúde do solo.
  • Desvantagens: Resultados podem ser mais lentos.

4. Controle biológico

Uso de organismos vivos, como insetos, fungos, bactérias ou outros agentes naturais, que atacam plantas daninhas específicas, como o fungo Puccinia chondrillina para controlar a serralha.

O controle biológico para controle de plantas daninhas é natural e ainda mais eficaz quando combinado com outras estratégias de manejo integrado

  • Vantagens: Método sustentável e menor impacto ambiental.
  • Desvantagens: Pouco utilizado em larga escala e pode demorar para apresentar resultados significativos.

5. Controle integrado

O controle integrado de plantas daninhas, ou Manejo Integrado de Plantas Daninhas (MIPD), combina diferentes métodos de manejo que equilibram os aspectos agronômicos, ambientais e econômicos, reduzindo os impactos negativos e aumentando a eficácia do controle.

  • Vantagens: Redução do impacto ambiental e da dependência de herbicidas e maior eficácia no manejo, considerando diferentes condições de solo e clima.
  • Desvantagens: Requer mais planejamento e monitoramento constante e  pode ser mais trabalhoso no início, até que os métodos sejam ajustados à realidade da área.

Leia também:

Dessecação e controle de plantas daninhas: Qual a ligação?

A dessecação antes da semeadura garante que as culturas tenham condições ideais para o desenvolvimento. 

Neste sentido, para evitar fitotoxidez nas plantas, é necessário respeitar um intervalo adequado após a aplicação de herbicidas, considerando o produto, dose utilizada, cobertura vegetal, solo e condições climáticas.

A escolha do herbicida e da dose depende das características das plantas daninhas presentes e da cultura a ser implantada:

  • Plantas jovens (até 15 cm): São mais facilmente manejadas com herbicidas de contato, como diquat e glufosinato de amônio.
  • Plantas em pleno desenvolvimento: Exigem herbicidas sistêmicos, como glifosato e 2,4-D, que são capazes de translocar o composto ativo e eliminar a planta completamente.

O impacto das plantas daninhas no desenvolvimento da lavoura varia conforme a densidade populacional, as espécies e o momento de interferência. No caso do milho, por exemplo, o período crítico de prevenção à interferência ocorre entre os estágios V2 e V7 (2 a 7 folhas).

Na dessecação, uma prática comum é associar herbicidas dessecantes a herbicidas residuais (ou pré-emergentes). Essa estratégia controla a cultura de cobertura morta, evitando a infestação de plantas daninhas durante o início do ciclo da cultura seguinte e otimizando os recursos disponíveis.

Já no plantio convencional, a dessecação também pode ser realizada mecanicamente, por meio de roçadeira, grade ou arado, antes do florescimento das plantas daninhas.

Isso reduz a germinação de novas invasoras e forma uma cobertura morta sobre o solo, contribuindo para a proteção do sistema produtivo.

Condições de pré-emergência e controle de plantas daninhas 

As aplicações de herbicidas pré-emergentes são feitas antes da emergência das plantas daninhas e exigem o conhecimento das espécies presentes na lavoura. 

O uso de mapas que identifiquem as espécies pode ajudar a escolher o produto adequado, já que as infestações de plantas daninhas variam por área. 

Esses herbicidas controlam as plantas antes que comprometam com as culturas, melhorando o rendimento. No entanto, seu desempenho depende de fatores como umidade do solo, chuva, temperatura, tipo de solo e as espécies a serem controladas. 

É importante seguir as recomendações de um engenheiro agrônomo e da bula do produto, pois condições como seca, chuvas intensas e tipo de solo afetam a eficácia do herbicida. 

Solos argilosos, por exemplo, exigem doses maiores devido à sua maior capacidade de retenção do herbicida.

Métodos preventivos no manejo de plantas daninhas

O método preventivo o para manejo integrado de plantas daninhas evita a introdução, o estabelecimento e a disseminação de novas espécies de plantas daninhas.

Além de evitar prejuízos, isto vai ajudar que seus gastos com o controle destas plantas não se elevem tanto. Para isso, algumas medidas são vitais:

  • Utilização de sementes de boa qualidade, de campos controlados e certificadas;
  • Limpeza rigorosa de todas as máquinas e de todos os implementos, antes de serem transportados para áreas com diferentes espécies de plantas daninhas;
  • Evitar circulação de animais nessas diferentes áreas, para que não se tornem veículos de disseminação;
  • Manejo adequado das plantas daninhas, inclusive em cercas, beiras de estradas, canais de irrigação ou qualquer outro local da propriedade;
  • Utilizar qualquer método para o controle dos focos de infestação, desde a catação manual até a aplicação localizada de herbicida;
  • Se houver pousio, controlar as plantas daninhas também nesse momento;
  • Realizar a rotação de culturas e de herbicidas para diversificar o ambiente.
Banner planilha- manejo integrado de pragas

Plantas daninhas e o sistema de plantio direto (SPD)

O Sistema de Plantio Direto (SPD) desempenha um papel importante na redução da germinação das plantas daninhas e no controle do banco de sementes do solo, sendo uma prática essencial no manejo integrado de plantas invasoras.

O banco de sementes é composto por sementes de plantas daninhas que permanecem viáveis no solo por longos períodos, com uma média de mais de 5 anos em solos cultivados.

A cobertura do solo proporcionada pelo SPD impede a germinação dessas sementes, evitando que se tornem plantas maduras que possam produzir novas sementes. Isso contribui significativamente para o controle das plantas daninhas, especialmente na fase de pós-emergência.

Entretanto, algumas plantas invasoras, como guanxuma, trapoeraba, erva-quente, poaia-branca e buva, podem continuar a representar desafios.

A buva, por exemplo, é uma planta daninha comumente resistente a herbicidas, especialmente ao glifosato, e o SPD tem sido eficaz no seu controle, por não germinar na sombra criada pela palha sobre o solo, dificultando o crescimento em sistemas de plantio direto.

Custos de controle de plantas daninhas em SPD x convencional

Como já falamos, no sistema convencional é possível fazer a dessecação por aração e gradagem.

Já na semeadura direta, pelo não revolvimento do solo, fazemos o controle de plantas daninhas por meio dos herbicidas dessecantes.

No sistema convencional, também é possível o uso de herbicidas em pré-semeadura incorporado, mas em SPD isso não é possível.

Nas culturas de soja e feijão, o custo de herbicidas graminicidas incorporados é em torno da metade dos pós-emergentes.

Devido a isso, de início os custos com herbicidas são maiores no sistema de plantio direto. Mas lembre-se: os gastos com operações agrícolas são maiores no sistema convencional.

Além disso, com o tempo, a menor infestação devido à cobertura diminui o número de aplicações e associações de produtos, reduzindo o custo com herbicidas e aumentando a facilidade no controle de plantas daninhas.

Redator Alasse Oliveira


Atualizado em 22 de agosto de 2023 por Alasse Oliveira.

Alasse é Engenheiro-Agrônomo (UFRA/Pará), Técnico em Agronegócio (Senar/Pará), especialista em Agronomia (Produção Vegetal) e mestrando em Fitotecnia pela (Esalq/USP).

Tudo o que você precisa saber sobre resistências a defensivos agrícolas

Afinal, você sabe o que é resistência a defensivos agrícolas?

Neste artigo abordaremos tudo sobre resistência a defensivos agrícolas: insetos, plantas daninhas e doenças.

Você vai aprender porque a resistência é desenvolvida e como evitar que ocorra na sua lavoura.

O que é resistência a defensivos agrícolas?

Quando a planta daninha, o inseto ou fungo não está mais sendo controlado por um produto fitossanitário, podemos ter um caso de resistência.

Como acontece a resistência?

Nas lavouras sempre vai haver populações tolerantes e sensíveis aos produtos fitossanitários.

Uma parte dessa população (seja ela de insetos, fungos ou plantas daninhas), já é resistente a determinados ingredientes ativos, ou seja, isso é natural, já ocorre no ambiente.

Com o uso contínuo do mesmo produto na área ocorre um processo conhecido por seleção, no qual os organismos resistentes não vão morrer, é a chamada pressão de seleção!

Vamos conhecer mais sobre os casos de resistência a defensivos agrícolas  no Brasil!

Como acontece a resistência de insetos a inseticidas?

barata_resistente a inseticida

(Fonte: Fernando Gonsales em Science Blogs)

Brincadeiras à parte, agora vejamos a figura abaixo que  ilustra muito bem como realmente acontece o processo de resistência de insetos aos inseticidas.

resistencia

(Fonte: Bernardi et al.,2016)

Como podemos perceber, após o uso contínuo de inseticidas pertencentes ao mesmo mecanismo de ação, ocorre uma pressão de seleção e apenas sobrevivem os insetos resistentes.

No caso na cultura do milho, a lagarta-do-cartucho (Spodoptera frugiperda) e a lagarta-das-maçãs (Helicoverpa armigera) já foram relatadas como resistentes a alguns inseticidas.

Conhecer os mecanismos de ação é essencial para prevenirmos a resistência aos inseticidas

No caso desses produtos, os principais mecanismos podem atuar sobre: sistema nervoso e/ou musculatura, crescimento ou no desenvolvimento, no intestino médio e sobre o metabolismo respiratório.

Mas você pode conferir com calma os mecanismos de ação neste folder aqui.

lepidoptera defensivos agrícolas

(Fonte: Irac)

Com isso você pode saber exatamente como rotacionar os mecanismos de ação e ajudar na prevenção a resistência.

>> Leia mais: “Defensivos agrícolas genéricos ou de marca: a batalha definitiva do que usar na sua propriedade

E as culturas Bt?

A tecnologia Bt, no Brasil disponível para soja e cultura do milho e algodão, veio para ajudar nesses casos.

Porém, a tecnologia Bt também possui relatos de casos de resistência pelo mundo, e até mesmo no Brasil com a lagarta Spodoptera frugiperda..

Por isso é muito importante, especialmente no caso de insetos, a adoção de métodos que auxiliam no manejo.

A figura abaixo mostra o que acontece no campo quando você tem refúgio de milho com proteína Bt.

refugio do milho

(Fonte: BioGene)

Os insetos das áreas  de milho Bt (resistentes à tecnologia já que sobreviveram no campo Bt) e não Bt (não resistentes) se reproduzem, e assim a resistência é combatida.

Portanto, mais importante para as tecnologias funcionarem é você adotar as áreas de refúgios.

Segundo Ministério da Agricultura, para milho e soja o recomendado é que a área de refúgio para plantas Bt seja de 20%, enquanto que para algodão, 10%.

Olhe a figura abaixo, você pode ter várias ideias de como implantar na sua área.

manejo da resistência a defensivos agrícolas

(Fonte: Abrasem em Pioneer)

Quer saber mais sobre como manejar resistência de insetos??

Entre nesse site do IRAC, você poderá agregar mais informações.

Um exemplo preocupante de resistência é a  Helicoverpa armigera.

A espécie ataca várias culturas, como soja e milho, e pode ter seleção de indivíduos resistentes, especialmente aos inseticidas piretroides, organofosforados e carbamatos.

Além de haver indícios de sua resistência as plantas Bt no Brasil (como nas reportagens de Universo Agro e  Revista Agrícola).

helicoverpa armigera

Helicoverpa armigera é uma praga polífaga, capaz de atacar muitas culturas
(Fonte: Embrapa)

Agora que você já sabe sobre resistência de insetos, vamos entender agora como ocorre a resistência para plantas daninhas.

Saiba sobre as plantas daninhas que tem resistência a defensivos agrícolas

Existem hoje no mundo 253 espécies de plantas daninhas resistentes a herbicidas!

No Brasil temos 48 casos de resistência, dentre as espécies mais problemáticas estão o Amaranthus palmeri, as espécies de buva, capim-pé-galinha, capim-colchão, azevém, capim-arroz e capim-branco.

A figura abaixo mostra o que acontece no campo quando se utiliza por muito tempo herbicidas com os mesmos mecanismos de ação.

mudança genética

(Fonte: Christoffoleti e López-Ovejero, 2008)

Como podemos ver ano após ano temos uma pressão de seleção imposta pelos herbicidas, que controla as plantas suscetíveis deixando no campo apenas as resistentes.

Com o tempo a população de plantas resistentes fica maior que a de suscetíveis, ficando muito difícil e caro o controle!

O Amaranthus palmeri é um dos casos mais comentados atualmente.

A planta não existia no Brasil e, logo que foi identificada, já se observou resistência aos herbicidas chlorimuron, cloransulam, glifosato e imazethapyr, ou seja, a dois mecanismos de ação (inibidores da ALS e EPSPs)!

palmeri

(Fonte: Embrapa)

Nas fotos abaixo você pode verificar mais casos de plantas daninhas resistentes a herbicidas.

Buva (Conyza sumatrensis): já foram relatados casos de resistência aos herbicidas chlorimuron, glifosato, paraquat, saflufenacil.

conyza sumatrensis

(Fonte: Weeds Brisbane)

No caso da planta daninha picão-preto nós temos duas espécies que apresentam resistência: Bidens pilosa e Bidens subalternans.

bipdi resistente a defensivos agrícolas

(Fonte: IDAO CIRAD)

A Euphorbia heterophylla é conhecida por leiteiro ou amendoim-bravo e é frequentemente encontrada na cultura da soja.

Já foram relatados casos de resistência aos herbicidas chlorimuron, cloransulam, imazamox, imazaquin, imazethapyr, acifluorfen, diclosulam, flumetsulam, flumiclorac, fomesafen, lactofen, metsulfuron, nicosulfuron e saflufenacil.

euphorbia heterophylla

(Fonte: Agro Link)

A planta daninha abaixo é conhecida como capim-pé-de-galinha e recentemente foi relatado um caso de resistência ao herbicida glifosato.

eleusine indica

(Fonte: FNA Nature Search)

O azevém é muito comum nas lavouras da região sul do Brasil e já tem registros de resistência aos herbicidas glifosato, iodosulfuron, pyroxsulam e clethodim.

lolium-multiflorum-in-ahaines-a

(Fonte: Go Botany)

Assim, você vai poder rotacionar os produtos fitossanitários na sua área e manejar de forma eficiente para prevenção a resistência.

E no caso dos fungos resistentes?

Temos muitas espécies de fungos já relatadas como resistentes: Alternaria dauci, Cercosporidium personatum, Colletotrichum fragariae, , Fusarium subglutinans f.sp. ananas, Guinardia citricarpa, Glomerella cingulata, Phytophthora infestans, Plasmopara viticola, Venturia inaequalis, etc.Mas o que sempre tira o sono dos produtores de soja é ferrugem asiática, ela é causada pelo fungo Phakopsora pachyrhizie.

Esse fungo encontrou no Brasil condições ideais de clima para sua rápida disseminação.

O fungo causador da ferrugem asiática é menos sensível aos fungicidas do grupo químico dos “triazóis”.

Nessa publicação da Embrapa você pode aprender mais sobre como identificar a ferrugem da soja e quais técnicas adotar para a prevenção da resistência:

ferrugem asiática

(Fonte: Embrapa)

Assim, algumas estratégias são adotadas para prevenir a resistência como:

  1. Respeitar o vazio sanitário (você deve verificar aqui as datas de acordo com a sua região);
  2. Fazer o manejo integrado;
  3. Usar os fungicidas de modo preventivo e não quando já houver uma alta proliferação da doença;
  4. Adotar o uso de misturas comerciais que contenham ingredientes ativos de diferentes mecanismos de ação;
  5. Rotacionar os mecanismos de ação.

Você ainda pode conferir no site consórcio antiferrugem qual a situação da ferrugem asiática durante a safra da soja.

Além de conferir notícias, confira qual a ocorrência da ferrugem por estádio da soja, por estado e acumulado por data.

ferugem por estado

(Fonte: Consórcio antiferrugem)

Como podemos ver, há maior ocorrência no estado do Paraná.

Manejo integrado de pragas

Manejo integrado de pragas (MIP)  é a chave para tudo o que vimos até aqui!

Seja para manejar insetos, fungos ou plantas daninhas, ele sempre deverá fazer parte do seu planejamento.

Olha quantos manejos você pode integrar ao seu sistema de produção:

manejo integrado de pragas

(Fonte: Amici)

Conclusão

Você percebeu que ter um bom planejamento agrícola ajuda no seu dia a dia e na tomada de decisão.

Lembre-se que é extremamente importante rotacionar os mecanismos de ação dos defensivos agrícolas.

Vou deixar aqui um cheklist para você fazer o seu planejamento agrícola.Vamos juntos prevenir a resistência nas lavouras!

>> Leia mais:

Como fazer o controle de estoque de defensivos agrícolas em 5 passos

Armazenagem de defensivos agrícolas: Como fazer e o que é preciso saber

O que achou do texto? Já teve caso de resistência na sua lavoura? Tem mais dicas de como prevenir a resistência? Adoraria ver seu comentário abaixo!