Tipos de adubos químicos na cultura da soja

Tipos de adubos químicos na cultura da soja: os principais fertilizantes, como fazer o manejo da adubação e as particularidades da soja para garantir uma boa nutrição de plantas.

Dados da Conab mostram que a produção mundial de soja foi 340,9 milhões em 2017/18, sendo que só o Brasil produziu 118 milhões.

Na safra 2018/19, o Brasil deve assumir o líder de maior produtor de soja do mundo.

Para que isso ocorra, a planta de soja deve estar bem nutrida, sendo necessária a adubação para suprir as exigências de altas produtividades.

Mesmo que você já conheça a adubação mineral, na cultura da soja há algumas particularidades que podem fazer toda a diferença na produção final.

Confira comigo todas essas questões e garanta uma cultura bem nutrida:

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Qual a importância da adubação e dos tipos de adubos químicos na cultura da soja?

Para uma planta se desenvolver ela precisa de nutrientes e muitos destes estão e serão absorvidos do solo.

Solos de regiões tropicais como ocorrem no Brasil é favorecido pelo intemperismo, tendo condições de alta temperatura e precipitações.

Intemperismo é o processo de transformação e desgaste das rochas e dos solos, através de processos químicos, físicos e biológicos.

Então, chuvas e precipitações elevadas favorecem o processo de formação do solo, assim, ficam muito intemperizados, com baixa fertilidade do solo.

Assim, muitos solos brasileiros não conseguem suprir por si só as necessidades para nutrição de plantas, sendo pouco férteis em geral.

Dessa forma, para aumentar a produtividade da agricultura brasileira é necessário o manejo cuidadoso do solo.

Por isso, a calagem (aumentando o pH do solo), bem como a gessagem e adubação são fundamentais para o nosso sistema de produção.

Além disso, os tipos de adubos químicos na cultura da soja também pode influenciar na absorção dos nutrientes e, consequentemente, na fertilidade do solo.

Isso porque cada tipo de adubo possui matéria prima diferente e tem uma dinâmica variável no solo.

E como sabemos, há uma relação entre a fertilidade do solo e produtividade da sua cultura.

Agora, veremos algumas características da cultura da soja que afetam a nossa adubação:

A adubação na cultura da soja

A adubação pode ser influenciada por diversos fatores, como:

  • Condições climáticas;
  • Chuva e temperatura;
  • Espécie e diferenças genéticas entre cultivares;
  • Teor de nutrientes no solo;
  • Tratos culturais.

Perceba que a espécie influência na adubação, pois cada uma tem uma exigência de nutrientes.

Além de que, cultivares podem possuir uma variação nessas exigências nutricionais.

Na tabela abaixo, você pode observar a quantidade de nutriente absorvida e exportada de nutrientes pela cultura da soja, para produção de 1000 kg de grãos.

Como podemos observar, o nutrientes que são exigidos em maiores quantidades na cultura da soja são: Nitrogênio (N), Potássio (K), Cálcio (Ca), Magnésio (Mg), Fósforo (P) e enxofre (S).

Especificamente sobre a soja, temos dois pontos importantes:

1. Marcha de absorção de nutrientes na soja

As culturas conseguem acumular em maior porcentagem os nutrientes até uma determinada fase no seu ciclo de cultivo. É o que chamamos de marcha de absorção.

Veja, por exemplo, o K na cultura da soja.

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(Fonte: Embrapa)

Observa-se que o maior acúmulo está entre R5.5 e R6.

Após este período a porcentagem reduz, e por isso, não adiante mais aplicar o nutriente no solo.

Em geral, a absorção de nutrientes pela soja segue mais ou menos esse padrão mostrado no potássio.

Ou seja, a planta absorve nutrientes até atingir o ponto de máximo, cerca de 80 dias após emergência em R5.

Dessa forma, a absorção é mais rápida perto dos 45 dias após emergência, no início da floração da soja.

Por isso, esse é o período crítico da cultura. Nesse período, estresses por estiagem, infestação de pragas ou doenças, ou mesmo deficiência de nutrientes, podem reduzir drasticamente a produtividade.

Depois dessa fase, o acúmulo diminui, pois começa a translocação dos nutrientes para os grãos que estão se formando.

2. Nitrogênio na soja

A soja é uma planta leguminosa e que, portanto, realiza fixação biológica de nitrogênio.

Assim, a planta se associa à bactérias que fixam o nitrogênio do ar, ofertando esse nutriente à planta.

Dessa forma, este é um nutriente que conseguimos de forma biológica na soja, por isso é assunto para outro artigo!

>> Leia mais: “Inoculante para soja de alta produtividade: Como, quando e o porquê”

Questões comuns na adubação da cultura da soja

Depois de conhecer os principais nutrientes exigidos pela cultura da soja, cuidado com o excesso ou corte da adubação na sua cultura.

Em campo, vejo muitos produtores fazendo esses dois extremos.

Você pode tentar racionalizar a utilização de adubos e pensar em práticas eficientes de manejo para reduzir o custo.

Mas, o corte total da adubação da cultura pode lhe trazer sérios prejuízos.

Lembre-se que a adubação é um investimento na sua cultura, ou seja, na sua empresa rural.

O outro lado, o excesso de nutrientes, pode ocorrer por receio da cultura não atingir o seu potencial.

Nos dois casos, a solução pode ser obtida em 3 passos:

  1. Faça a análise de solo (veja mais sobre isso aqui);
  2. Interprete a análise do solo;
  3. Siga a adubação recomendada na sua região. Você pode ver detalhes da recomendação da adubação de soja para cada região neste artigo.

Agora que já sabemos as principais informações sobre adubação, vamos aos tipos de adubos químicos na cultura da soja:

Tipos de adubos químicos na cultura da soja: principais tipos de adubos potássicos

O Potássio (K) também é um elemento bastante exigido pela cultura da soja, sendo o segundo mais absorvido por essas plantas.

Este nutriente é importante como ativador de enzimas ligadas à fotossíntese, respiração, síntese de proteínas e síntese de amido.

Para produzir 100 kg de grãos são extraídos 20 kg de K2O.

A deficiência de potássio causa a clorose em folhas velhas, evoluindo para a necrose nas margens, ocasionando a redução da área fotossintetizante da planta.

Como já comentamos, esse nutriente é absorvido pela planta até aproximadamente R5.5.

Então, não adianta colocar nutriente após este período.

Assim, o K pode ser aplicado na semeadura ou a lanço antecipadamente.

Lembrando que no sulco da semeadura é recomendado apenas 50 Kg/ha de K2O, já que doses maiores podem prejudicar a emergência.

Veja alguns tipos de adubos químicos na cultura da soja para potássio:

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(Fonte: Nutrição de safras)

O cloreto de potássio é uma das fontes mais usadas, mas devemos tomar cuidado com os excessos para não ocorrer salinização do solo.

Para saber mais sobre adubação potássica em soja veja este texto: “Como fazer adubação potássica em soja”.

Tipos de adubos químicos na cultura da soja: principais tipos de adubos fosfatados

O Fósforo (P) é um nutriente que pode ser limitante dos solos brasileiros, por isso, deve-se ficar atento a esse nutriente.

A maioria dos solos brasileiros é altamente intemperizado e, de modo geral, deficiente em P, apresentando alta capacidade de retenção desse nutriente em formas pouco disponíveis às plantas.

O P tem função na fotossíntese e respiração das plantas, participa da formação de proteínas e estimula o crescimento do sistema radicular inicial.

A deficiência de P pode causar nas plantas raquitismo, redução do porte, retarda floração e maturação das vagens.

Nas folhas mais velhas exibem manchas necróticas marrons escuras nos tecidos internervais.

Na cultura da soja, a maior porcentagem de P absorvido é entre os estádios fenológicos R5.5 e R6.

Então se atente no momento exato para realizar a aplicação dos fertilizantes fosfatados.

Veja alguns dos principais adubos fosfatados que poderão ser usados na sua lavoura:

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(Fonte: Aula de Adubos e adubação Unesp Ilha Solteira)

Veja mais sobre o fósforo e os tipos de adubos químicos envolvidos na fosfatagem neste artigo.

Outros tipos de adubos químicos na cultura da soja

Além desses três nutrientes que falamos neste texto, também são importantes para a cultura da soja e são importantes para as plantas:

  • Cálcio: faz parte da parede celular, crescimento apical de raízes e da parte aérea;
  • Magnésio: faz parte da clorofila e é ativador enzimático;
  • Enxofre: importante para as proteínas;
  • Micronutrientes.

Para saber a quantidade que deve aplicar é importante se atentar na análise do solo.

Durante a safra, também é importante observar a lavoura procurando eventuais problemas, conhecendo os sintomas de deficiências nas plantas.

Se o nutriente é móvel na planta, então, o sintoma de deficiência começará nas folhas mais velhas da planta e se for imóvel, o sintoma começa nas folhas novas.  

6-tipos-de-adubos-químicos-na-cultura-da-soja-deficiência

(Fonte: Adaptado de Monteiro, Carmello e Dechen)

Além disso, você deve se atentar na formulação dos adubos utilizados para suprir P e K, em algumas formulações, também há outros nutrientes.

Exemplo é o termosfostafo, que além de ter P, também apresenta 7% de Mg.

E falando em formulação de adubos, veja um estudo realizado com alguns tipos de adubos químicos na cultura da soja.

Resultados de produtividade de grãos (kg/ha), peso de 100 sementes (PCS), teores dos nutrientes no tecido vegetal em resposta às diferentes fontes de fertilizantes e estratégias de aplicação na cultura da soja 2012/2013 em Cruz Alta (RS) em primeiro cultivo de soja.

7-tipos-de-adubos-químicos-da-cultura-da-soja-estudo

(Fonte: Universidade Federal de Santa Maria – Vogel, 2014)

Note que os tipos de adubos químicos na cultura da soja neste estudo os quais deram as maiores produtividades foram: S9 09.46.00, S9 07.34.12 e MAP.

Agora vamos para outro tipos de adubos químicos na cultura da soja:

Tipos de adubos químicos na cultura da soja: Adubação Foliar

A adubação foliar é para complementar a adubação via solo, principalmente para suprir nutrientes que estejam em baixa quantidade.

No entanto, não se esqueça da importância da adubação via solo.

Normalmente, quando se realiza adubação foliar é para suprir os micronutrientes.

Para determinar a necessidade da adubação foliar deve-se realizar análise foliar das plantas de soja.

Assim, você deve realizar o planejamento observando a relação custo/benefício que a adubação foliar pode propiciar na sua lavoura.

Para saber mais sobre adubação foliar na soja leia: Por que adubação foliar em soja pode ser uma cilada.

Veja 5 dicas para melhorar a produtividade da sua cultura de soja com adubação

1° dica: planejamento

Como sempre falo nos textos, você precisa planejar a sua cultura, pois ela faz parte da sua empresa rural.

Então, antes de iniciar qualquer atividade na sua fazenda, realize o planejamento.

Um bom planejamento da sua fazenda pode aumentar os lucros da sua atividade agrícola.

Veja mais sobre isso em: “5 Dicas no planejamento agrícola para otimizar o uso de fertilizantes”.

2° dica: organize os dados da sua fazenda

Seja em planilhas de excel ou em software de gerenciamento de fazendas, tenha todas as atividades da sua fazenda anotados e organizados.

Esses dados podem te ajudar na tomada de decisão e no gerenciamento da sua propriedade.

E como neste texto estamos falando de adubação, anote o tipo de adubo, a quantidade, a área que foi aplicada e o custo com a atividade em cada safra.

Essas informações podem te auxiliar na tomada de decisão para a próxima safra e também para determinar o seu custo de produção.

8-painel-controle-aegro

Com o Aegro todas as suas informações ficam seguras e fáceis de serem visualizadas

3° dica: análise do solo

Ter conhecimento dos nutrientes que estão disponíveis no solo é necessário para a tomada de decisão sobre realizar ou não adubação e qual o tipo de adubação.

As recomendações de adubação, calagem ou gessagem devem ser orientadas pelos teores dos nutrientes determinados na análise de solo e pelos objetivos de produtividade.

Nesse sentido, confira o artigo: “ Tudo que você precisa saber para acertar na escolha do laboratório de análise de solo”.

Além disso, você pode ver mais sobre calagem em “Tudo o que você precisa saber sobre cálculo de calagem (+calcário líquido)”.

4° Dica: tomada de decisão

Após conhecer os tipos de adubos disponíveis para a cultura de soja, observando o seu planejamento agrícola e o seu orçamento, defina o adubo que irá utilizar.

É muito importante cada propriedade se adequar quanto ao orçamento disponível para a atividade de adubação e também quanto à análise do solo.

Também observe o histórico da sua área, a condição financeira e de crédito, a expectativa de produtividade e de preço dos produtos agrícolas.

Então, não há uma receita única de adubação para a cultura da soja, isso depende muito da propriedade agrícola.

Assim, você precisa olhar os dados e tomar a decisão sobre adubação da sua fazenda.

Nesse sentido, veja o texto: “Esteja preparado e não se engane na pré-safra: saiba quais corretivos utilizar”.

planilha para planejamento da safra de soja Aegro

5° Dica: agricultura de precisão

A Agricultura de Precisão pode te ajudar com as atividades agrícolas de adubação.

Utilizando este manejo, você pode otimizar e aproveitar melhor cada porção da sua propriedade, pois, a AP considera que cada porção da sua fazenda é diferente.

E consequentemente, tendo um melhor aproveitamento da adubação na sua lavoura.

Conclusão

Neste texto foram discutidas sobre os tipos de adubos químicos na cultura da soja, quais os nutrientes exigidos em maiores quantidades e seu manejo.

Também foram discutidos sobre as características da cultura da soja que influenciam no manejo da adubação.

Além disso, foi abordada a importância de alguns passos importantes para realizar a adubação de forma econômica e efetiva.

Dessa forma, aproveite as informações e boa adubação na sua cultura de soja!

Como você realiza a adubação de soja? Quais os tipos de adubos químicos na cultura da soja que você utiliza? Ficou alguma dúvida? Adoraria ver seu comentário abaixo!

Semeadoras plantio direto: Como encontrar a melhor para sua fazenda

Plantadeira plantio direto: as melhores do mercado, as principais funções para você se atentar e mais dicas para não ter falhas na semeadura.

Semeaduras inadequadas podem ocasionar perdas na emergência de 15% ou mais na cultura do milho.

Se cada planta de soja produz em média 18 g de grãos, com a falta de emergência de uma planta por metro linear já perdemos 6 sacas de soja por hectare.

Você pode perceber como é importante a escolha correta das semeadoras.

E existe uma infinidade de máquinas presentes no mercado que podem atender às nossas condições, especialmente em plantio direto.

Mas como saber qual é a máquina ideal?

Veja agora quais são os melhores tipos de semeadoras e outras dicas para não perder mais nenhuma saca devido ao plantio:

Quais as principais funções de uma plantadeira?

As funções básicas de uma plantadeira podem ser classificadas como:

  • Armazenamento de sementes;
  • Promover a liberação controlada das sementes;
  • Distribuir corretamente a semente no terreno;
  • Preparar o leito de semeadura;
  • Cobrir as sementes;
  • Adensar o solo ao redor das sementes.

Além disso, as máquinas podem ser divididas quanto a forma de distribuição das sementes.

Essa distribuição pode ser à lanço, aérea e terrestre ou linhas.

No caso da distribuição em linhas, há duas formas de semeadura:

  1. Fluxo contínuo: sem precisão entre sementes/sementes miúdas, conhecida convencionalmente como semeadora;
  2. De precisão: dosadas uma a uma, conhecida convencionalmente como plantadora.

Partes constituintes mais importantes das semeadoras

As partes que possibilitam que as funções das plantadeiras (citadas acima) possam ser realizadas corretamente são:

  • Mecanismos dosadores de sementes;
  • Mecanismos dosadores de adubo (se houver);
  • Sulcadores;
  • Mecanismos para corte de palha – discos de corte (plantadeira plantio direto);
  • Controladores de profundidade;
  • Cobridores de sulco;
  • Mecanismos de compactação;
  • Reservatório de sementes;
  • Mecanismos de transmissão;
  • Tubos condutores de sementes;
  • Marcadores de linha;
  • Rodados.
plantadeira plantio direto

(Fonte: Semeato em Campo e Lavoura)

Além do mais, os mecanismos devem estar calibrados corretamente para execução da boa semeadura.

Para a melhor calibração você deve se atentar ao manual da semeadora, ou mesmo consultar o revendedor ou site do fabricante.

Isso porque, as particularidades entre máquinas são muitas, e você deve adequá-las ao seu ambiente da fazenda.

Qual a diferença para uma plantadeira plantio direto?

Uma plantadeira plantio direto realiza a semeadura em áreas sem o preparo convencional do solo e com a presença de cobertura vegetal. Assim, ela deve mobilizar o mínimo necessário o solo, apenas nas linhas de semeadura.

A principal diferença de uma plantadeira plantio direto é que ela deve, além das demais funções que já comentamos, cortar a palha e abrir o sulco afastando-a.

Infelizmente, às vezes temos problemas para cortar e afastar a palha corretamente.

Por isso, vale a atenção redobrada na manutenção dessas máquinas agrícolas: as trocas de peças e regulagens não podem ser deixadas de lado.

Nesse sentido, saiba mais sobre regulagens em: “Como fazer a regulagem de plantadeira de soja e garantir a lavoura”.

A equipe de operadores também deve ser devidamente treinada, conhecendo todo o potencial da plantadeira plantio direto em questão.

Além disso, fique atento para os restos vegetais presentes na sua área antes da semeadura.

Se os restos estiverem mal distribuídos ou forem de grande tamanho, é provável que a plantadeira plantio direto “embuche”.

Por isso, a máquina que manejou a cultura de cobertura ou a cultura anterior deve ser adequada para picar e distribuir bem os restos vegetais.

As plantadeiras, ou semeadoras, podem ainda ser classificadas naquelas que realizam ou não a adubação em conjunto com a semeadura.

Semeadoras adubadoras: principais características

É comum optar por plantadeira plantio direto que possua a função de adubação também.

Para semeadoras adubadoras de sementes graúdas (milho, soja, etc.) em plantio direto, deve-se buscar:

  • Carrinhos de sementes independentes e desencontrados;
  • Sistema pantográfico, principalmente nas sementes;
  • Boa flutuação vertical nos carrinhos;
  • Sulcadores que mobilizem pouco o solo;
  • Diversas opções de regulagens;
  • Fácil troca de sulcadores.
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(Fonte: Grupo Cultivar)

Semeadoras sem adubadoras

São máquinas que realizam a semeadura, mas não possuem depósitos de fertilizantes acoplados à máquina.

Para estes casos é necessário a realização de duas operações na área: uma máquina realizará  a semeadura da cultura e outra a adubação, na maioria das vezes a lanço.

Desse modo, é possível a realização da adubação antecipada no sulco de semeadura utilizando ferramentas de agricultura de precisão disponíveis no mercado.

A vantagem dessas semeadoras sem o depósito de adubos são os ganhos em rendimento operacional. Uma vez que, retirados os depósitos de fertilizantes é possível acoplar um maior número de linhas e ganhar em escala.

São máquinas maiores e utilizadas em terrenos extensos e relativamente planos, como temos nos cerrados brasileiros.

Assim, as máquinas que vêm se destacando  neste cenário são as famosas DBs da John Deere.

Tratam-se de  plantadoras de grandes dimensões para agricultores de média e grande escala. As máquinas variam de 23 a 48 linhas.

Algumas máquinas possuem capacidade operacional de até 18 hectares por hora, o que auxilia nas curtas janelas de semeadura, encontrados em diversas regiões brasileiras.

Opções de máquinas semeadoras sem adubadoras

A DB74 (48 linhas) e a DB50 (32 linhas) da John Deere são máquinas que se destacam nesse cenário.

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Plantadeira plantio direto DB74 48 linhas
(Fonte: John Deere)

O plantio sem adubação na linha, com disco duplo na semente e o sistema VacuMeter permitem velocidades maiores no deslocamento, podendo chegar até 12 km/h.

Além disso, os carrinhos do tipo pantográfico auxiliam na melhor distribuição de sementes na profundidade correta, e com isso, tem-se uma melhor emergência de estande.

Semeadora múltipla: é possível sementes miúdas e graúdas

Esta plantadeira é conhecida como multissemeadora, semeadora 2 em 1, ou ainda semeadora múltipla.

A mesma máquina possui mecanismos que são capazes de executar semeaduras tanto de fluxo contínuo quanto de precisão.

Tais máquinas possibilitam que sejam realizadas algumas alterações nos mecanismos dosadores e distribuidores.

Com essas alterações é possível semear desde culturas de inverno, como também de verão.

Essas multissemeadoras são mais comuns nas pequenas propriedades, uma vez que com apenas uma máquina, ambas as operações podem ser executadas.

No entanto, a complexidade da regulagem das peças para as operações fazem com que elas não sejam muito utilizadas.  

Além disso, as multissemeadoras exigem certa capacitação e pessoal qualificado para realização das manutenções, substituições e troca de componentes para cada operação.

>> Leia mais: “Plantio direto na soja: Como fazer ainda melhor na sua lavoura”.

Opção de semeadora múltipla

Uma das semeadoras múltiplas presentes no mercado é a linha SHM 11/13 e 15/17 da Semeato.

Embora sejam múltiplas, são semeadoras versáteis e de fácil manuseio e regulagem. Ideais para pequenas e médias propriedades.

Assim, a distribuição de sementes miúdas é realizada por meio de rotor acanalado helicoidal, com abertura de acordo com o tamanho das sementes.

Já a distribuição de sementes graúdas é realizadas por meio de discos alveolados, que devem ser trocados dependendo do tamanho de cada semente a ser plantada.

Agora que vimos sobre essas semeadoras, vamos para outro tipo de máquina:

Semeadoras de precisão (ou de sementes graúdas)

São as plantadeiras que fazem a semeadura e adubação de sementes graúdas, como o milho ou soja.

Assim, as sementes são depositadas no solo uma a uma, com distância (em geral) uniforme.

Essa distribuição uniforme é o resultado do mecanismo dosador-distribuidor e do deslocamento da máquina.

Opções de semeadora adubadoras de precisão

Uma semeadora muito boa presente no mercado para semeadura em plantio direto é a PST3 da Tatu Marchesan de 8 a 12 linhas para o espaçamento 0,45m e 0,50m entre as linhas.

A plantadora possui chassi reforçado e resistente, corte eficiente da palhada, uniformidade da adubação, plantio do estande correto e na profundidade certa com linhas de plantio do tipo pantográfica.

Suas regulagens são fáceis de serem realizadas e possui boa capacidade tanto para sementes quanto para adubos.

São 45 litros para cada linha de sementes e 400 Kg por caixa de adubo, o que diminui o tempo para reabastecimento e aumenta os rendimentos operacionais.

Veja também: “Guia para iniciantes sobre Agricultura de Precisão (AP)

Tecnologias envolvendo semeadoras

Hoje em dia, existem uma infinidade de acessórios que auxiliam os produtores no momento da semeadura perfeita. Veja algumas delas:

Monitores de sementes

Estão presentes no mercado, sensores com fotocélula que realizam a contagem de sementes que foram introduzidas na área em cada tubo condutor de sementes.

Dessa forma, erros operacionais de entupimento de linhas de semeadura podem ser evitados em tempo real.

Um sinal sonoro é emitido sempre que existirem problemas com a semeadura, auxiliando os operadores na execução correta da atividade.

Controladores de seção no plantio

Outra tecnologia bacana para quem busca otimização e intensificação da semeadura são os controladores de desligamento de seção.

Com esta ferramenta é possível reduzir gastos extras com sementes.

Ela mantém os espaçamentos corretos de semeadura, mesmo nas bordaduras ou fechamento das quadras, aumentando a eficiência de campo operacional.

Estimativas falam sobre a margem de sobreposição de 2,6% da área total semeada, sem a utilização desse sistema.

Normalmente essas tecnologias de semeadoras existem em máquinas novas, mas será que sempre compensa uma plantadeira plantio direto nova ou melhor investir na usada?

Plantadora nova X plantadora usada

É uma dúvida de muitos produtores: compro uma plantadora nova ou usada?

Atualmente existem diversas linhas de crédito que auxiliam a compra de máquinas novas.

Um programa de financiamento é o “Moderfrota”, disponível com taxa de juros pré fixada de até 7,5% ao ano aos produtores que possuem faturamento anual de até R$ 90 milhões e 9,5%  daqueles que faturam acima de R$ 90 milhões.

A aquisição de máquinas usadas pode ser uma solução também, porém, o estado da máquina a ser adquirida deve ser muito bem avaliada.

Se os custos com manutenções e peças de reposição forem altos e o rendimento operacional for prejudicado, vale sempre buscar alternativas para aquisição de máquinas novas.

No entanto, fica difícil essa avaliação se você não tem os custos reais de toda a sua produção, especialmente as máquinas e seus abastecimentos.

Com o Aegro é possível visualizar seus custos de abastecimento de modo muito mais fácil e rápido

Veja aqui como o agricultor Elivelton descobriu, por meio de dados reais, que compensava comprar uma nova máquina devido aos custos de manutenção da antiga.

Cálculo de rendimento operacional: Quanto a máquina consegue trabalhar por dia?

Vamos aprender a calcular o rendimento operacional da plantadeira plantio direto

Exemplo de uma DB74, da John Deere, plantando soja:

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(Fonte: John Deere)

Dessa forma, conseguimos calcular o quanto em hectares conseguimos plantar em um dia de trabalho de 10h.

Se eu tenho que plantar 2000 ha e meu rendimento operacional é de 182,25 ha/dia:

2000 ha/182,25 ha/dia = 10,97 dias

Precisaremos de uma janela de plantio de aproximadamente 11 dias para realizar a operação com essa máquina.

Se a minha janela de plantio for menor que esses 11 dias, uma solução é terceirizar parte do plantio. Outra solução seria aumentar a jornada de trabalho diário.

A compra de outra máquina que fique ociosa pode acarretar em custos desnecessários, por isso o bom planejamento agrícola é essencial para o sucesso das operações.

Plantadeira plantio direto ou Plantadora? Semeadeira ou semeadora?

Você pode perceber que ao longo do texto utilizei várias denominações. Isso porque estamos em um conversa informal.

No entanto, no conceito teórico, ocorreu em 2011, um fórum para padronização destes termos no meio acadêmico.

Esse fórum ficou conhecido pelo seu tema de “Terminologia de Máquinas Agrícolas” e foi inserido na programação do Conbea (Congresso Brasileiro de Engenharia Agrícola).

As diferenças, basicamente, dependem da operação que cada máquina realiza.

A semeadora é a máquina que acoplada a um trator agrícola realiza a operação da semeadura das culturas, ou seja, introduz sementes de plantas no solo.

A plantadora é a máquina que realizará o plantio das culturas e inserção no solo de partes vegetativas de plantas como bulbos, colmos e tubérculos.

Além disso, a transplantadora é a máquina que realizará o transplantio das culturas nas nossas lavouras, inserindo plântulas ou mudas no solo em seu estágio inicial.

Como exemplos das três operações podemos citar:

  • Semeadura: soja, milho, feijão, aveia
  • Plantio: cana, mandioca, batata
  • Transplantio: eucalipto, café, tomate

Portanto, como em plantio direto normalmente temos grãos, ocorre a semeadura dos mesmos.

Qual é o correto: semeadeira ou semeadora?

Geralmente o sufixo “ora” remete a máquina agrícola que realiza a operação.

E o sufixo “eira” remete a pessoa que planta ou semeia, por exemplo plantadeira e semeadeira.

Assim, o mais correto seria “semeadora”.

Conclusão

Existe uma infinidade de máquinas presentes no mercado. Aqui neste artigo, cito algumas que estão mais presentes nas fazendas que visito. Cada máquina e cada produtor deve avaliar o que é melhor para sua fazenda.

Máquinas grandes que ficam ociosas devem ser evitadas, enquanto que máquinas pequenas que possuam baixos rendimentos operacionais também. Cada operação deve ser bem planejada, iniciando como planejamento da safra e safrinha.

Os bons gestores conseguem aumentar seus rendimentos operacionais com as máquinas certas. Os ótimos gestores conseguem fazer exatamente a mesma coisa, e ainda reduzir os custos operacionais!

>> Leia mais:

Moderfrota: veja o que é preciso para conseguir recursos

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Como fazer fluxo de caixa sem complicação na sua fazenda

E você? Já utiliza algumas dessas máquinas citadas? Utiliza alguma plantadeira plantio direto específica? Sabia que existiam semeadoras múltiplas? Assine nossa newsletter para receber outros artigos direto em seu e-mail.

Tudo o que você precisa saber sobre Plantio Direto

O Sistema de Plantio direto (SPD) é um manejo diferenciado do solo, que busca diminuir o impacto da agricultura sobre ele.

A utilização das técnicas desse sistema já é muito adotada no Brasil: segundo a Febrapdp, cerca de 35 milhões de hectares estão sobre o SPD, o que corresponde a 90% das áreas ocupadas com lavouras de grãos no país.

Em contrapartida, entre as vantagens da consolidação do sistema estão o aumento da produtividade, conservação e melhoria do sistema produtivo, além da diminuição dos custos de produção.

O que plantio direto?

O plantio direto é um sistema no qual o plantio ocorre sem revolvimento (ou como revolvimento mínimo) do solo, ou seja, sem aração ou gradagem leve niveladora como acontece no plantio convencional.

Com a utilização de semeadora específica, as sementes são depositadas em um sulco ou cova com profundidade e largura adequados e em que haja manutenção da cobertura do solo (palhada/cobertura morta).

O sistema de plantio direto é diferente do manejo do solo e é necessário para garantir as características físicas, químicas e biológicas do solo. Confira os pilares do Sistema de Plantio Direto (SPD) a seguir para entender melhor:

  • Mínimo ou não revolvimento do solo;
  • Manutenção da cobertura do solo (cobertura morta);
  • Rotação de culturas – rotação, sucessão e/ou consórcio de outras culturas de espécies diferentes.

Para consolidar o plantio direto e manter seus pilares, é preciso aprimoramento constante.

Em grandes áreas, muitas vezes se usa apenas a palha sobre o solo, ignorando os outros pilares e o potencial completo da prática.

O uso de técnicas de plantio direto completo melhora o Manejo Integrado de Pragas, doenças e controle de plantas daninhas.

O plantio direto foi adotado no Brasil no início da década de 1970 como alternativa para combater a erosão e, desde então, se tornou um dos principais sistemas de manejo conservacionista do solo.

Banner planilha- manejo integrado de pragas

Quais as vantagens do Plantio Direto?

Uma das maiores vantagens do plantio direto é a cobertura do solo com palhada, que contribui para sua estruturação, promovendo a formação de agregados e o aumento da matéria orgânica, o que melhora a fertilidade do solo.

Outras vantagens também podem ser listadas com o plantio direto, especialmente na conservação do solo e na eficiência produtiva. Confira as principais:

  • Redução da erosão hídrica e eólica;
  • Maior retenção de umidade;
  • Menor compactação do solo;
  • Redução do uso de combustível e maquinário;
  • Menos necessidade de fertilizantes e corretivos devido à melhoria da fertilidade;
  • Maior atividade biológica no solo (minhocas, micro-organismos benéficos);
  • Aumento da matéria orgânica, melhorando a fertilidade;
  • Melhor ciclagem de nutrientes;
  • Melhor aproveitamento da água da chuva;
  • Menor estresse hídrico para as plantas;
  • Maior produtividade a longo prazo;
  • Redução da emissão de CO₂ (menor revolvimento do solo);
  • Sequestro de carbono no solo;
  • Menor impacto ambiental e uso mais racional dos recursos naturais.

Além disto, a também palhada contribui com processos aleloquímicos que podem realizar o controle de doenças e favorecer os ciclos biológicos do solo.

Aleloquímicos de restos culturais

Aleloquímicos de restos culturais: processos, fatores que controlam e efeitos potenciais sobre os componentes do agrossistema
(Fonte: Adaptado de Moreira e Siqueira, 2006, p. 258)

Desvantagens do Plantio Direto

No sistema de plantio direto há mais características a serem manejadas e observadas do que as aplicadas no sistema convencional, como o não revolvimento do solo, a palhada e a rotação de culturas.

Por conta disso, existem algumas desvantagens identificadas do sistema que podemos citar, como:

  • Mais dificuldade no controle de plantas daninhas: Em um primeiro momento é possível que se invista mais em herbicidas para o controle de algumas plantas daninhas, pois o solo com palhada pode favorecer a germinação;
  • Compactação do solo: Se a drenagem ou descompactação do solo não for bem planejada antes da implantação do sistema, é possível que ocorram necessidades de revolvimento e nivelamento novamente; 
  • Dificuldade de germinação de sementes: Dependendo da época de semeadura realizada (se em momentos muito úmidos), em conjunto com a palhada no solo, é possível que ocorram alguns problemas de germinação;
  • Troca de maquinário: Alguns maquinários comumente utilizados, como arados e grades deixam de serem necessários no sistema produtivo. 

A implantação do SPD e sua manutenção antes, durante e depois da safra exigem mais conhecimento técnico e um planejamento agrícola maior do produtor.

Você vai precisar organizar a rotação de cultura, os manejos para a palhada, fazer melhor controle de plantas daninhas. Se possível, vai precisar de uma assistência técnica especializada para acertar no manejo.

Como é feito o plantio direto?

Primeiro, precisamos construir palhada e, para isso, a escolha da cobertura certa é fundamental. É essencial que na escolha da cultura de cobertura você considere a relação de decomposição da palhada. Isso está ligado à relação carbono/nitrogênio (C/N) das plantas de cobertura.

Ainda assim, vale lembrar que não existe a melhor planta para cultura de cobertura. O milheto, por exemplo, é uma das plantas que contribui na expansão do plantio direto pela sua grande produção de matéria seca tanto aérea como radicular.

Além disso, seu uso pode chegar a incrementar o sistema com quantidades de potássio que podem substituir a adubação com cloreto de potássio em soja, por exemplo.

Porém, caso o corte seja feito depois da época ideal, pode-se acabar perdendo esse aporte nutricional. O recomendado é conhecer as plantas de cobertura e realizar um planejamento agrícola efetivo para que tudo corra adequadamente.

Primeiros passos para fazer técnicas de plantio direto

  • Definição das culturas de cobertura, inclusive época de plantio e corte;
  • Definição das rotações de cobertura, como quais culturas e épocas do ano;
  • Orçamento dos insumos para esse sistema;
  • Dimensionamento da equipe de trabalho e maquinário para o sistema.

É necessário também verificar o maquinário específico para esse sistema de plantio direto. O rolo faca, por exemplo, é muito utilizado para fazer a cobertura morta. 

Se possível, faça o planejamento do sistema junto a um profissional da área, ele pode te trazer informações valiosíssimas.

Agora, é importante considerar a quantidade esperada de produtividade da cultura, que é fator importante na definição de adubação.

Além de que, as culturas de cobertura podem ser atrativos de inimigos naturais de pragas, e aqui tem um guia da Embrapa para o reconhecimento destes inimigos naturais.

A tabela abaixo apresenta os recursos “ofertados” pelas plantas atrativas aos inimigos naturais e que contribuem para o aumento da eficiência dos mesmos com o controle biológico:

tabela apresenta os recursos “ofertados” pelas plantas atrativas aos inimigos naturais

(Fonte: Embrapa)

Além disso, saiba mais sobre plantio direto na cultura da soja em: “Plantio direto na soja: Como fazer ainda melhor na sua lavoura”.

Sistema de plantio direto na palha

Proposto por Herbert Bartz na década de 70, o sistema de plantio direto na palha revolucionou a agricultura brasileira.

Foi esse sistema que permitiu que nosso país ficasse em pé de igualdade, décadas depois, com os maiores produtores de alimentos do mundo. Confira como o plantio direto se diferencia de outras práticas agrícolas:

  • Cultivo convencional: Uso intenso do revolvimento da camada arável por meio de grades, arados e subsoladores (intenso preparo do solo);
  • Cultivo mínimo: Se preza pelo não revolvimento do solo;
  • Plantio direto na palha: É baseado em três pilares: a rotação de culturas, o não revolvimento do solo e a cobertura permanente com resíduos vegetais sobre a superfície do solo.

O sistema de plantio direto tem como uma de suas bases a proteção do solo através da cobertura vegetal. Desta forma, a produção de resíduos é um dos fatores mais importantes para a adoção do sistema.

Nesse caso, a biomassa vegetal que protege o solo pode ser obtida de duas formas. A primeira é após a safra, adotando o cultivo de plantas de cobertura como milheto, sorgomilhonabo forrageiro, leguminosas como o guandu, entre outras culturas.

A segunda é através do consórcio entre cereais, como milho e sorgo, e forrageiras tropicais, como as brachiarias.

Para a cobertura permanente do solo na entressafra, é importante não só a quantidade de resíduo, mas também a relação entre carbono e nitrogênio (C/N) desse material vegetal.

Quanto maior o teor de nitrogênio no resíduo, mais rápida será a decomposição deste pelos microrganismos do solo. Veja na tabela abaixo:

plantio direto na palha
(Fonte: Adaptado de Teixeira et al. (2009))

Cobertura vegetal

Apesar de leguminosas como guandu, crotalária e lab-lab serem usadas como plantas de cobertura, seus resíduos não oferecem a persistência necessária para proteger o solo contra a erosão em climas tropicais. No entanto, pode ser usada na rotação de culturas, adubação verde e controle de nematoides.

Além da cobertura morta, outro pilar do plantio direto é o não revolvimento do solo. Com o tempo, a falta de cobertura vegetal pode levar a problemas de erosão e compactação.

Para combater a compactação em sistemas sem revolvimento, as raízes das plantas são essenciais. As forrageiras tropicais, como as do gênero Brachiaria, geram até 5 vezes mais biomassa radicular do que aérea, melhorando a estrutura do solo, sua porosidade, infiltração de água e aumentando a matéria orgânica.

Os sistemas de plantio direto com consórcio de forrageiras tropicais aumentaram os teores de matéria orgânica do solo em 2% em apenas 6 anos, tanto na superfície quanto em profundidade.

Vantagens do sistema de Plantio Direto na Palha

O não revolvimento do solo e o aporte de resíduos vegetais aumentam a matéria orgânica, protegendo o solo e reduzindo a erosão.

A cobertura vegetal diminui o impacto das gotas de chuva, e as raízes melhoram a infiltração de água, o que retém mais nutrientes e água para as culturas.

Isso favorece a atividade biológica do solo e diminui perdas por lixiviação, essencial para cultivos de sequeiro, onde a água é o principal fator limitante.

O plantio direto também tem menores custos de implantação, pois dispensa o uso de implementos que consomem combustível, representando 25% a 30% do custo no sistema convencional.

A semeadora com disco de corte e modelos adaptados, como a semeadora com terceira caixa para consórcio de braquiária, tornam o processo mais eficiente.

Plantio direto e convencional: Qual a diferença?

Os manejos agrícolas devem garantir produtividade e, ao mesmo tempo, preservar a sustentabilidade do sistema produtivo.

Neste contexto, a sustentabilidade não se refere apenas ao meio ambiente, mas também à viabilidade econômica do negócio.

O plantio convencional e o plantio direto tem diferenças significativas, principalmente no revolvimento do solo. Veja mais informações abaixo:

1. Plantio Convencional

O uso de implementos como arado e grade niveladora leve surgiu em regiões onde o solo congelava, e o revolvimento ajudava no descongelamento.

A prática é indicada para corrigir características do solo, já que a remoção das camadas superficiais proporciona:

  • Redução da compactação do solo;
  • Incorporação eficiente de corretivos e fertilizantes;
  • Aumento da porosidade e melhoria na permeabilidade;
  • Controle de plantas daninhas, por meio do corte e enterrio.

Etapas do plantio convencional

  1. Afrouxamento do Solo: O solo é descompactado, as plantas daninhas são retiradas, e a superfície é preparada para receber corretivos e fertilizantes. São usados arados, escarificadores ou grades pesadas, com atuação de até 15 cm a 20 cm de profundidade.
  2. Destorroamento e Nivelamento: Agradagem é feita para quebrar torrões e nivelar o solo. Esse processo, geralmente realizado com grades leves, é realizado em duas passadas.
  3. Adubação e Semeadura: Com o solo nivelado, é possível realizar a adubação e a semeadura da lavoura, que podem ser feitas simultaneamente para maior eficiência.
  4. Manejo da Cultura: Após o plantio, segue-se o manejo da cultura, garantindo que a lavoura receba os cuidados necessários para um bom desenvolvimento.

Essa sequência de etapas otimiza a preparação do solo, garantindo melhores condições para o plantio e desenvolvimento das culturas.

2. Plantio Direto 

O sistema de plantio direto em comparação ao plantio convencional (preparo intensivo do solo) tem impactos inferiores.

Percebemos isso especialmente quando observamos as condições físicas e de fertilidade do solo, além do aumento das condições biológicas. As etapas realizadas para a implantação do sistema são:

  • Etapa 1: Eliminação das camadas compactadas do solo. 
  • Etapa 2: Depois da eliminação das camadas compactadas, o objetivo é deixar a área homogênea, nivelando-a com sulcos ou valetas.
  • Etapa 3: REalize o manejo de adubação e correção das necessidades do solo. Caso necessário, é feita a calagem com calcário incorporado em profundidade.
  • Etapa 4: É feito o controle do crescimento das plantas daninhas.
  • Etapa 5: Deve ser espalhada a palha de resto de culturas. Pode-se usar um picador de palhas.
  • Etapa 6: Deve ser feito o manejo com herbicidas para garantir o controle das plantas daninhas;
  • Etapa 7:  É realizado o plantio com semeadoras que abrem o sulco e depositam as sementes. 
diagnostico de gestao

Plantio direto por culturas: O que muda?

O plantio direto (PD) pode variar conforme a cultura, já que diferentes plantas têm necessidades e comportamentos distintos no solo. No caso de culturas como soja e milho, por exemplo, as práticas de manejo precisam ser ajustadas para otimizar o uso do sistema.

Para cada cultura são feitos ajustes na cobertura do solo, manejo de nutrientes, controle de pragas e doenças e o controle de plantas daninhas. 

A adaptação do sistema para cada cultura é necessária para garantir a eficácia do plantio direto e maximizar a produtividade. Confira abaixo:

1. Milho 

    No plantio direto de milho,  o solo precisa estar coberto por palha, que pode ser obtida por consórcio de culturas, plantios de inverno ou outras práticas. 

    A cobertura deve ser densa e de alta relação C/N, garantindo uma decomposição lenta. A dessecação da vegetação de cobertura deve ser planejada com antecedência ao plantio, para que a palha esteja seca para evitar problemas com a semeadura. 

    Já a semeadura precisa ser feita com discos de corte ondulados e controlando a velocidade para garantir a uniformidade do plantio. 

    Enquanto a adubação deve ter aplicação de fósforo na linha de semeadura, o potássio pode ser adubado de forma antecipada, enquanto o nitrogênio deve ser parcelado para evitar perdas. 

    O SPD pode favorecer o desenvolvimento de pragas, como o coró e o percevejo barriga-verde, além de doenças como a antracnose e a mancha-branca, que podem ser controladas com rotação de culturas. 

    2. Soja

      O plantio direto de soja preserva a saúde do solo ao evitar o revolvimento, mantendo sua estrutura, biodiversidade e matéria orgânica. 

      Esse sistema pode trazer uma série de benefícios, como a redução da erosão, melhor infiltração de água, aumento da matéria orgânica, menor emissão de carbono e redução de custos, já que não é necessário arar ou gradear o solo. 

      Para que seja bem-sucedido, é aconselhado realizar o manejo adequado de plantas daninhas, controlar a compactação do solo e adotar a rotação de culturas, para a sustentabilidade da lavouras a longo prazo.

      3. Trigo 

        O plantio direto do trigo é uma técnica que segue os mesmos princípios do plantio direto em outras culturas, como a soja, onde o solo é semeado sem revolvimento, preservando sua estrutura original. 

        No caso do trigo, essa prática ajuda a conservar a umidade e evitar a erosão, além de aumentar a matéria orgânica e melhorar a infiltração de água. 

        A adoção do plantio direto no trigo também contribui para eliminação da necessidade de preparo do solo, como aragem e gradagem. 

        No entanto, o sucesso dessa prática depende do manejo adequado de plantas daninhas, controle de pragas e doenças.

        A rotação de culturas, especialmente com leguminosas, também deve entrar como uma dos cuidados da saúde do solo e produtividade.

        A técnica é indicada principalmente em regiões com solo bem estruturado e boa gestão de nutrientes.

        4. Arroz

        O plantio direto do arroz tem ganhado espaço, principalmente em áreas com sistemas de irrigação, como nas regiões de arroz de várzea, onde o solo é mantido alagado. 

        O principal desafio está relacionado à necessidade de manter a umidade do solo constante, especialmente em sistemas de irrigação.

        Para isso, é preciso o manejo adequado da água, para que o solo fique suficientemente úmido, mas sem causar encharcamento excessivo, o que pode afetar o crescimento das plantas de arroz.

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        5. Cevada

          O plantio direto da cevada é uma prática cada vez mais adotada, especialmente em regiões com clima temperado, onde a cultura é amplamente cultivada para a produção de malte e alimentação animal. 

          A cevada é plantada diretamente no solo sem a necessidade de revolvimento, o que ajuda a preservar a estrutura do solo, reduzir a erosão e melhorar a infiltração de água.

          O plantio direto acaba favorecendo o aumento da matéria orgânica no solo e reduz os custos operacionais, pois elimina a necessidade de arar ou gradear o terreno.

          Embora a cevada seja mais sensível a certos fatores climáticos e do solo, com um manejo adequado, o plantio direto pode ser uma técnica eficiente e sustentável para essa cultura.

          6. Feijão 

            O plantio direto do feijão é  mais comum em regiões de clima tropical e subtropical, onde o sistema pode trazer benefícios em termos de conservação do solo e aumento da produtividade, desde que o manejo seja adequado.

            E, assim como em outras culturas, com o feijão é preciso fazer o controle eficaz de plantas daninhas, já que o manejo sem preparo do solo pode dificultar o controle dessas espécies. 

            7. Sorgo

              O sorgo é uma cultura adaptável a condições de clima seco e solo menos fértil, por isso o plantio direto é especialmente eficaz em áreas de menor disponibilidade de água, onde a técnica ajuda a manter a umidade por mais tempo e melhora a retenção de água no solo. 

              A prática também permite que o sorgo se beneficie de uma maior infiltração de água e reduz o impacto das chuvas intensas, que podem causar erosão.

              Com um bom manejo de água e controle de plantas daninhas, o plantio direto de sorgo pode ser uma prática eficiente, que impacta positivamente a preservação do solo.

              Quais os impactos do sistema de plantio direto?

              O solo é o principal regulador do ciclo do carbono e o maior objetivo é buscar manejos que o tornem dreno de carbono da atmosfera e não fonte.

              Você sabia que 40% de C a mais pode ser sequestrado sobre SPD do que aqueles sob cultivo convencional? Veja o estudo comparativo:

              Estimativa da taxa de adição ou perda anual de C dos diferentes sistemas de manejo no Cerrado:

              Estimativa da taxa de adição ou perda anual de C dos diferentes sistemas de manejo no Cerrado

              (Fonte: Corraza et al.)

              O sistema também contribui muito na maior mineralização do nitrogênio em solo com cultivo convencional do que com sistema de plantio direto.

              Além de contribuir no aumento nos exsudatos liberados pelas raízes e da diversidade de estirpes de FBN, tem impacto positivo na diversidade de espécies de fungos micorrízicos arbusculares nativos em solo de cerrado.

              Agricultura de precisão e Sistema de Plantio Direto

              O desafio de manejar as variações das lavouras e a possibilidade de manejá-la visando aumentar a eficiência no uso de insumos é possível com a agricultura de precisão (AP).

              A partir de amostragem de solo georreferenciada pode ser gerado o mapeamento da fertilidade e, com isso, é possível a utilização da taxa variável de corretivos e fertilizantes.

              Mas é importante lembrar que nem todos os problemas da lavoura estarão resolvidos desta forma. É necessário encarar que os manejos devem ser sustentáveis para valerem a pena, com integração de todos os conceitos do plantio direto.

              Ou seja: é preciso mobilizar pouco o solo, manter palhada em boa quantidade e bem distribuída, além de realizar a rotação de culturas.

              Aí sim, com informações da diferenças dos atributos de solo e vegetação, você conseguirá otimizar os fertilizantes e outros insumos.

              Calcule seus custos e compare com outras fazendas