About Ana Lígia Giraldeli

Sou Engenheira Agrônoma formada na UFSCar. Mestra em Agricultura e Ambiente (UFSCar), Doutora em Fitotecnia (Esalq-USP) e especialista em Agronegócios. Atualmente sou professora da UNIFEOB.

Tudo que você precisa saber sobre milho para silagem

Milho para silagem: veja qual espaçamento usar, melhor semente de milho para silagem e outras dicas essenciais para garantir a sua produtividade.

O milho é a planta mais utilizada para fazer silagem. Afinal, temos híbridos de milho adaptados a todas as regiões produtoras.

A planta produz muita massa verde. Sua silagem possui um bom conteúdo energético devido à presença de grãos, sendo bem consumida pelos animais

Neste artigo, veja algumas dicas que vão te ajudar a melhorar a produtividade ou começar a sua lavoura de milho silagem. Confira a seguir!

O que é silagem de milho?

A silagem é uma técnica de armazenamento que diminui as perdas de qualidade e nutrição da planta coletada. A manutenção dessas características se dá pelo processo de fermentação controlada da matéria fresca. 

Esse método permite ao produtor ter disponibilidade de material vegetal fresco, principalmente para alimentação animal. Isso sobretudo em épocas em que o clima não é favorável ao cultivo.

A silagem de milho atualmente é a mais utilizada no Brasil. Devido ao fornecimento de muita energia e proteína para o animal, além do cultivo mais fácil quando comparado a outras plantas.

Além do tipo de grão dentado e dos teores de fibras, outras características são importantes:

  • Resistência ao acamamento;
  • Estabilidade produtiva em diferentes épocas, condições de plantio e altitudes;
  • Resistência ou tolerância às principais doenças (ferrugens, enfezamentos do milho, Phaeosphaeria spp. e Cercospora spp.);
  • Alta produtividade de grãos, determinante para a maior parte da energia digestível;
  • Ciclo longo de enchimento de grãos e maior período de colheita do milho;
  • Porte médio a alto, pois assim você terá maior volume de massa seca por hectare. 

Portanto, considere três pontos para a escolha da melhor semente de milho para silagem: a boa digestibilidade da parte fibrosa das plantas, grande quantidade de massa verde produzida e alta porcentagem de grãos na forragem. 

Também considere o custo do milho silagem. O qual, depende da região e da época do ano. Entretanto, os valores mais comuns vão de 450 a 600 reais por tonelada. 

Fases da produção de silagem de milho

Para uma silagem de qualidade é importante se atentar a três etapas:

  • Plantio e condução agronômica;
  • Colheita e ensilagem;

Densilagem e fornecimento.

Ensilagem é o nome dado ao processo de produção da silagem.

Qual o melhor milho para silagem?

As cultivares usadas em milho silagem nem sempre são as mesmas utilizadas nas lavouras de grãos. Apesar dos grãos serem parte importante para a quantidade de energia provida pela silagem, há que se atentar para a sua digestibilidade.

Nesse ponto, é crucial o uso de híbridos que produzem grãos dentados e não grãos duros. Os grãos dentados apresentam características que aumentam a qualidade da 

silagem:

  • Maior proporção de endosperma farináceo em comparação ao vítreo;
  • Maior facilidade de gradação em água;
  • Maior disponibilidade ao animal, resultando em maior teor energético;
  • Maior digestibilidade.

Vale ressaltar que no endosperma farináceo (mole), o amido é frouxamente empacotado. O que facilita na quebra e digestão do milho dentado.

Além da parte de grãos da silagem, entre 55% e 65% da massa seca é composta por parte vegetativa da planta. Assim, atente-se às quantidades de fibras da cultivar, expressas em:

  • Valores de FDA (Fibra Detergente Ácido);
  • FDN (Fibra Detergente Neutro)
  • Pectina;
  • celulose;
  • Lignina;
  • Hemicelulose.

Uma boa silagem tem teor de FDN entre 38% e 45%.  Além disso, quanto maior o teor de FDA, menor a qualidade e digestibilidade da silagem. Afinal, o FDA está relacionado à lignina, que tem baixa digestibilidade

Por isso, recomenda-se sempre realizar a análise bromatológica da silagem.

Como plantar milho para silagem

A época de plantio é a mesma recomendada para a produção de grãos. Estudos realizados pela Embrapa mostram perdas de 24 kg a 30 kg de grãos/ha/dia de atraso após a época ideal de plantio do milho.  Desta forma, o atraso no plantio causa alguns problemas como:

  • Menor porcentagem de grãos;
  • Plantas estioladas;
  • Menor porcentagem de espigas viáveis;
  • Falhas de polinização;
  • Maior presença de planta daninhas, pragas e doenças (por consequência de altas temperaturas e umidade no milho);
  • Elevada possibilidade de seca no florescimento ou enchimento dos grãos.

Assim, você pode utilizar uma cultivar de ciclo longo de enchimento ou maturação para ampliar a janela de colheita. Há também a possibilidade de uso de variedades superprecoces para o plantio de milho para silagem em segunda safra (safrinha).

Além disso, a produtividade média de massa seca de milho para silagem é de cerca de 30 a 40 toneladas por hectare. Porém, já existem registros de novos híbridos que produziram até 80 t/ha em condições ideais.

O processo de silagem (fermentação) leva algum tempo. O mínimo é em torno de 25 e 30 dias. Porém, pode-se estender o processo para até 60 dias, sendo que o período de armazenagem para uso pode ser de vários meses, dependendo das condições do silo.

Espaçamento 

No caso de milho para silagem, pode-se reduzir o espaçamento entrelinhas. Porém, não aumente mais do que 10% a população de plantas. Dessa forma, você pode comprometer a qualidade da silagem, causando aumento nas porcentagens de FDN e FDA

Também é bom lembrar que o aumento de FDN reduz o consumo da silagem. O aumento da FDA, por sua vez, reduz a digestibilidade da silagem.

Adubação e correção do solo para ensilagem

A grande pergunta sobre adubação para milho e correção do solo é se são as mesmas realizadas para a produção de grãos. E a resposta é não! 

Neste caso, não existe ‘depende’. Se fosse assim, estaria retirando nutrientes do campo que ficariam na palha como cálciomagnésio e potássio. As regras de preparo do solo são diferentes para produção de silagem de milho. Por isso, fique de olho nos valores abaixo:

  • Eleve a saturação de bases (V%) para 70%;
  • Eleve o potássio para 5% da CTC do solo;
  • Adubações de 30% 50% a mais do que a utilizada para grãos;
  • Análise do solo de 0 cm a 20 cm, e de 20 cm a 40 cm;
  • Realize rotação de cultura para melhorar o desenvolvimento da cultura.

A rotação de cultura pode ser feita, por exemplo, com: sorgocrotalária, tremoço branco, guandu, girassol, canola, aveia, triticale, braquiária e milheto.

Potencial produtivo de grãos e da planta e teor de matéria seca da planta de milho silagem conforme estágio de maturação
(Fonte: Embrapa)

Ponto ideal do milho para silagem

Quando se colhe o milho silagem antes do ponto ideal, este estará com baixo teor de matéria seca (25% a 29%), além de pouco enchimento de grãos. Consequentemente, haverá perdas de qualidade nutricional e de fermentação.

O momento ideal para o processo de ensilagem deve ser baseado na matéria seca da planta ou no nível de enchimento dos grãos. No caso de você escolher a porcentagem de matéria seca como ponto de ensilagem, considere: 

  • A qualidade da fermentação;
  • A facilidade de compactação;
  • O nível nutricional, que deve estar entre 32% a 37% de matéria seca (tolerância entre 30% e 39%). 

Se você optar pelo enchimento dos grãos como ponto ideal de ensilagem, preste atenção na linha de leite.

Para a colheita com máquinas sem processador de grãos, o ideal é que a linha do leite esteja em 1/2. Já para a colheita com máquina com “cracker”, o ponto ideal é quando ela está a 1/3 do milho grão e indo até a fase de 3/4 do grão. 

Caso não veja a linha de leite, a planta já deverá estar com porcentagem de matéria seca superior a 40%
Em ambas as formas demonstradas de avaliação do ponto de ensilagem, a recomendação é realizar frequentemente esta avaliação na área. Faça isso em várias espigas e pontos da lavoura.

Linha do leite e características da forragem
(Fonte: Biomatrix)

Altura de corte ideal

Há uma grande dúvida sobre altura de corte da planta de milho para silagem.

De acordo com vários estudos que focaram na busca pelo melhor custo-benefício, os melhores resultados foram obtidos com a altura de corte em torno de 25 cm do solo. 

Os benefícios e vantagens para o corte em torno de 25 cm são:

  • Evita-se a quebra das facas e danos por pedras, paus, torrões ou materiais espalhados no solo;
  • Melhora a qualidade de fermentação;
  • Melhora o rendimento de massa/ha.

Tamanhos de partículas ideais

Outro ponto importante é o tamanho das partículas da silagem. O processamento de plantas após colheita deve buscar um tamanho de partículas entre 0,5 cm e 1,5 cm. Esse tamanho de partícula traz os seguintes benefícios:

  • Facilita a compactação da silagem e diminui os bolsões de ar;
  • Melhora a fermentação;
  • Aumenta a digestibilidade;
  • Facilita o processamento de grãos.

Densilagem e fornecimento

Alguns pontos devem ser levados em consideração, como:

  • Face de retirada do silo deve ser plana e perpendicular ao solo e laterais, diminuindo a superfície exposta;
  • Em locais com temperaturas mais elevadas, deve-se retirar de 30 a 35 cm por dia;
  • Evitar o acúmulo de silagem solta na base da face, por ser mais vulnerável a decomposição aeróbica;
  • Descarte da silagem deteriorada.

Conclusão

Neste texto, você viu alguns fatores que podem melhorar a produtividade da sua lavoura de milho silagem. Também viu o momento certo de colheita e a altura de corte da planta.

Fique sempre de olho na hora da escolha da cultivar, do híbrido, do espaçamento entrelinhas e da época de plantio para produção da ensilagem.

Em caso de dúvidas, sempre consulte um especialista ou profissional de Engenharia Agrônoma.

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Redator Alasse Oliveira

Atualizado em 14 de agosto de 2023 por Alasse Oliveira

Alasse é Engenheiro-Agrônomo (UFRA/Pará), Técnico em Agronegócio (Senar/Pará), especialista em Agronomia (Produção Vegetal) e mestrando em Fitotecnia pela (Esalq/USP).

Atualizado anteriormente, em 25 de novembro de 2022, por João Paulo Pennacchi

Como identificar e combater as 6 principais plantas daninhas da soja

Plantas daninhas da soja como o caruru, leiteiro, capim-pé-de-galinha, capim-amargoso e trapoeraba podem dificultar e encarecer o controle na lavoura. 

Dentre os diversos problemas que temos que lidar no campo, as plantas daninhas são um daqueles desafios que sempre tiram o nosso sono, não é mesmo?

Isso porque sabemos que os gastos com as práticas de manejo, principalmente com os herbicidas, podem ser de alto custo.

É por isso que separei para você cinco espécies de plantas daninhas da soja e algumas dicas para auxiliar no controle. 

E, já falando da primeira dica, um dos principais manejos é fazer uma boa dessecação antes do plantio, pois isso vai ajudar a reduzir a competição inicial entre plantas daninhas e cultivadas. Veja mais a seguir!

As 6 principais plantas daninhas da soja

A cultura da soja pode ser afetada por diversas daninhas. A seguir, listaremos as 6 principais e as formas de controle mais recomendadas:

  • Capim-amargoso
  • Capim-pé-de-galinha
  • Amendoim-bravo ou leiteira
  • Buva
  • Trapoeraba
  • Caruru

1. Capim-amargoso (Digitaria insularis)

Logo que falamos em soja, já pensamos em uma das principais espécies que vêm causando problemas no campo: o capim-amargoso.

Também conhecido por capim-flecha, capim-açu e capim-pororó, é uma planta de ciclo perene, herbácea, ereta e que forma touceiras. 

Sua reprodução ocorre via sementes e por meio de curtos rizomas, tendo seu controle dificultado. 

Na cultura da soja, as perdas de produtividade podem chegar a 20% na presença de apenas uma planta de capim-amargoso/m².

Entre os herbicidas registrados para o controle de Digitaria insularis em soja temos:

  • graminicidas: cletodim, fenoxaprop, haloxifop, quizalofop e setoxidim;
  • diclosulam, imazapir, imazetapir;
  • glifosato;
  • glufosinato;
  • s-metolachlor;
  • trifluralina;
  • flumioxazin + imazetapir.

Na 37ª Reunião de Pesquisa de Soja (RPS 2019) foi estudado o controle de capim-amargoso em soja e os pesquisados obtiveram bons controles com os herbicidas em pré-emergência:

  • diclosulam (29,4 g i.a. ha-1);
  • trifluralina (1.200 g i.a. ha-1);
  • trifluralina + imazetapir (1.200 + 160 g i.a. ha-1);
  • s-metolacloro (1.440 g i.a. ha-1).

Para plantas perenizadas ou em áreas de elevada infestação de amargoso, serão necessárias três aplicações sequenciais de herbicidas ou uma roçada e duas aplicações.

Na hora da escolha dos produtos, o ideal é usar o glifosato junto com outros herbicidas. Por exemplo:

1° aplicação: glifosato + graminicida;

2° aplicação (rebrota): produto com ação de contato;

3° aplicação: não usar o mesmo graminicida da primeira aplicação.

2. Capim-pé-de-galinha (Eleusine indica)

O capim-pé-de-galinha, também conhecido por capim-do-pomar ou pé-de-galinha, é uma planta anual ou perene, que forma touceiras e tem reprodução por sementes.

Capim-pé-de-galinha (Eleusine indica)
Capim-pé-de-galinha (Eleusine indica)

Entre os herbicidas registrados para o controle de capim-pé-de-galinha em soja temos:

  • graminicidas: cletodim, fenoxaprop, haloxifop, quizalofop e setoxidim, fluazifop, propaquizafop, tepraloxidim;
  • metribuzin;
  • sulfentrazone
  • glifosato;
  • glufosinato;
  • s-metolachlor;
  • trifluralina;
  • carfentrazone + clomazone;
  • clomazone;
  • glifosato + imazethapyr;
  • glifosato + s-metolachlor.

Agora sobre as folhas largas, podemos citar as espécies de plantas daninhas da soja: carurus, o leiteiro e a buva que veremos a seguir.

3. Amendoim-bravo ou leiteira (Euphorbia heterophylla)

Também conhecida por flor-dos-poetas e café-do-diabo, o amendoim-bravo pertence à família Euphorbiaceae. É uma planta de ciclo anual, ereta, pouco ramificada, lactescente e com reprodução por sementes.

plantas daninhas da soja
Leiteiro (Euphorbia heterophylla)

O leiteiro possui algumas características que lhe garantem sucesso como: 

  • viabilidade longa das sementes, permanecendo mais tempo viáveis no solo;
  • germinação em maiores profundidades;
  • rápido crescimento vegetativo.

Antes da soja tolerante ao glifosato, o leiteiro era uma das principais plantas daninhas na cultura da soja.

Os principais herbicidas utilizados para o controle eram os inibidores da ALS. Mas, em 1993, o primeiro caso de resistência foi relatado com os herbicidas chlorimuron, cloransulam, imazamox, imazaquin e imazethapyr.

Isso dificultou o manejo que, após a aprovação da soja tolerante a glifosato, foi facilitado novamente, até que na safra 2018/19 foi verificado biótipos de leiteiro resistentes ao glifosato

Por isso, dentre os herbicidas registrados hoje para o controle de leiteiro em soja temos:

  • 2,4-D;
  • acifluorfen + bentazon;
  • chlorimuron;
  • dicamba;
  • diclosulam;
  • diquat;
  • fluazifop + fomesafen;
  • sulfentrazone;
  • saflufenacil;
  • lactofen;
  • imazethapyr;
  • imazaquin;
  • imazamox;
  • glufosinato;
  • glifosato + imazethapyr.

Estudos realizados por Ramires et al. (2010) demonstram a associação de herbicidas no controle de leiteiro com uma a três folhas, obtendo controle acima de 90% quando associado glifosato com cloransulam, flumiclorac, chlorimuron, imazethapyr, bentazon, fomesafen ou lactofen.

4. Buva (Conyza sumatrensis, C. bonariensis e C. canadensis)

A buva, também conhecida por voadeira, pertence à família Asteraceae

São espécies anuais, herbáceas, eretas, com reprodução por sementes, que se não controladas até o final de seu desenvolvimento podem produzir até 350 mil sementes.

Por conta das sementes de buva serem leves, sua dispersão ocorre principalmente pelo vento, além de permanecerem viáveis por longos períodos no solo.

Além disso, plantas de buva no final do ciclo da cultura podem servir de hospedeiras de doenças e pragas.

Plantas de buva (Conyza spp.)
Plantas de buva (Conyza spp.)

Entre os herbicidas registrados para o controle de buva temos:

  • C. sumatrensis: 2,4-D, chlorimuron e diclosulam;
  • Imazethapyr, glifosato e saflufenacil: C. canadensis;
  • C. bonariensis: 2,4-D, sulfentrazone, saflufenacil, diclosulam, dicamba, diquat, chlorimuron, flumioxazin, imazapyr, glufosinato e glifosato.

5. Trapoeraba (Commelina benghalensis)

A trapoeraba tem maior incidência na soja no período final do ciclo da cultura. Embora pareça uma folha larga, ela é classificada como folha estreita devido às suas características morfológicas e fisiológicas.

Assim, a falta de controle durante o ciclo da soja pode prejudicar a próxima cultura. 

Esta espécie é uma planta complexa, pois possui produção de sementes aéreas e subterrâneas, além de ser tolerante ao herbicida glifosato.

Entre os herbicidas utilizados para o manejo da trapoeraba estão: 2,4-D, glufosinato, chlorimuron, sulfentrazone, glifosato + imazethapyr, dicamba, clomazone, carfentrazone, lactofen, imazethapyr, s-metolachlor, fomesafen e flumioxazin.

Lembrando que a seletividade à cultura da soja deve ser consultada na bula de cada produto.

6. Caruru

Diversas espécies de caruru podem infestar as lavouras de soja, entre elas temos:

  • caruru-rasteiro (Amaranthus deflexus);
  • caruru-roxo (Amaranthus hybridus var. paniculatus);
  • caruru (Amaranthus hybridus var. patulus);
  • caruru-gigante (Amaranthus retroflexus);
  • caruru-de-espinho (Amaranthus spinosus);
  • caruru-de-mancha (Amaranthus viridis).
plantas daninhas da soja caruru
Caruru (Amaranthus hybridus var. patulus), caruru-roxo (Amaranthus hybridus var. paniculatus) e caruru-de-mancha (Amaranthus viridis)

Hoje, o uso dos herbicidas em pré-emergência é uma ferramenta fundamental no manejo de plantas daninhas.

Por que usar herbicidas em pré-emergência da soja

Podemos citar diversas vantagens no uso de herbicidas em pré-emergência como: 

  • aumento do período anterior à interferência (PAI);
  • redução do banco de sementes (propágulos) do solo;
  • rotação dos mecanismos de ação dos herbicidas, pois muitos possuem mecanismo de ação diferente dos herbicidas utilizados em pós-emergência;
  • vantagem competitiva para as plantas cultivadas.

Como vimos ao longo do texto, sempre há um herbicida recomendado em pré-emergência para o controle de plantas daninhas.

Em resumo, para a soja temos registrados os herbicidas: 

  • Diclosulam: possui ação residual, ótimo controle de folhas largas, como a buva, e também algumas gramíneas como o capim-amargoso;
  • Clomazone: possui ação residual, utilizado no sistema de aplique-plante, além de bom controle de gramíneas de sementes pequenas como capim-colchão e capim-pé-de-galinha;
  • Flumioxazin: possui ação residual, pode ser usado no sistema aplique-plante da soja e também é utilizado no controle de plantas daninhas de folhas largas e algumas gramíneas;
  • S-metolachlor: possui ação residual, usado para o controle de plantas daninhas gramíneas de sementes pequenas como capim-pé-de-galinha e capim-amargoso;
  • Sulfentrazone: possui ação residual sobre plantas daninhas de folhas largas, algumas gramíneas e tiririca;
  • Trifluralin: possui ação residual com controle de plantas daninhas de semente pequena, como o capim-amargoso e o capim-pé-de-galinha.
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Conclusão

Neste texto, vimos algumas espécies de plantas daninhas que podem prejudicar a lavoura de soja como caruru, trapoeraba, capim-amargoso, capim-pé-de-galinha e buva.

Vimos também os herbicidas registrados para o controle e a importância do uso dos pré-emergentes.

Lembre-se que os herbicidas registrados podem ou não ser seletivos para a soja. Assim, é necessário buscar sempre a bula para posicionar corretamente os produtos.

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“Capim-rabo-de-burro na lavoura? Saiba como se livrar dessa planta daninha”

Capim-rabo-de-raposa (Setaria Parviflora): guia de manejo

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Veja como evitar residual de herbicidas na sua lavoura

Residual de herbicidas no solo pode trazer prejuízos à cultura em sucessão devido ao carryover. Planeje-se com a rotação de culturas!

No campo temos diversos desafios que exigem tomada de decisões que nem sempre são tão fáceis, não é mesmo?

Você já deve ter se perguntado ou passado por alguma situação na qual teve problemas com carryover, ou seja, com residual de herbicidas no solo.

Pensando nisso, trouxe para você algumas informações sobre este tema que podem te auxiliar em sua lavoura. Confira!

Persistência de herbicidas no solo

Os herbicidas possuem diversas características e uma delas é a persistência no solo, ou seja, o período durante o qual a substância do produto permanece no meio ambiente.

Este tempo é medido por meio da meia-vida do herbicida, necessário para que um produto atinja a metade da concentração original após a aplicação.

Assim, a meia-vida pode ser curta (até 90 dias no solo), média (91 a 180 dias no solo) ou longa (acima de 180 dias no solo).

Sintomas de injúrias em soja e milho

Sintomas de injúrias em soja (cv. BMX Titan RR.) – foto da esquerda – e milho (cv. DKB 390 YG) – foto da direita – devido ao residual de metribuzin no solo
(Fonte: Alonso et al. (2013))

Como exemplo, podemos citar os herbicidas que pertencem ao grupo químico das imidazolinonas (pertencente ao inibidores da ALS), ou seja, o imazaquin, imazamox, imazapyr, imazethapyr e imazapic. 

Estes produtos apresentam persistência de moderada a longa no solo. 

Desta forma, herbicidas com maior persistência no solo podem resultar no fenômeno conhecido como carryover.

Carryover pode ser definido como: resíduos fitotóxicos que permanecem no solo e que venham a afetar culturas sensíveis em rotação, após àquelas culturas em que foi utilizado o herbicida.

residual de herbicidas

Sintomas de injúrias em milho (cv. DKB 390 YG) devido ao residual de chlorimuron – foto da esquerda – e diclosulam – foto da direita – no solo
(Fonte: Alonso et al. (2013))

Sintomas de injúrias em milho

Sintomas de injúrias em milho (cv. DKB 390 YG) devido o residual de imazethapyr – foto da esquerda – e imazaquin – foto da direita – no solo
(Fonte: Alonso et al. (2013))

No geral, quanto maior a sorção destes produtos ao solo, maior será a persistência.

A sorção dos produtos no solo também é influenciada pelas condições ambientais, aumentando quando decrescem a umidade do solo, o pH e a temperatura e, quando os teores de matéria orgânica no solo como óxidos de ferro e de alumínio aumentam. 

Isso acontece porque em condições de solo mais seco, mais herbicida é preso nos coloides do solo e menos produto fica disponível para biodegradação ou absorção pelas plantas e, consequentemente, pode haver uma maior persistência e carryover.

residual de herbicidas

Sintomas de injúrias em soja (cv. BMX Titan RR.) devido o residual de amicarbazone no solo
(Fonte: Alonso et al. (2013))

Como evitar o carryover – residual de herbicidas no solo

Algumas medidas que podem ser tomadas para evitar o efeito residual de herbicidas na próxima cultura são:

  • Redução das doses (pode não resolver o problema em alguns tipos de solos);
  • Aplicação em faixas ou dirigida ao invés da área total (reduz a quantidade total de herbicida aplicado).

Entretanto, o melhor mesmo, é conhecer o período residual do produto, saber quanto tempo ele pode permanecer no solo e sempre pensar na sua área como um sistema, planejando a cultura que você semeará posteriormente ali.

Sabendo qual será a cultura utilizada em rotação, você pode definir quais produtos podem ou não serem utilizados na cultura atual e que não afetarão a próxima em sucessão.

residual de herbicidas

Residual de herbicida aplicado na soja causando intoxicação na cultura do milho em sucessão
(Fonte: Juparanã Cultivar)

Qual o efeito do residual de herbicidas no solo?

O residual de herbicidas no solo tem um papel fundamental no campo, sendo que o principal é fazer com que a cultura fique livre das plantas daninhas até terminar o período no qual elas interferem na produtividade da cultura.

Porém, residuais muito longos têm dois problemas: o primeiro é que ele aumenta a pressão de seleção de biotipos de plantas daninhas resistentes e, o segundo, é que se este residual for muito longo pode ocorrer problemas com carryover na próxima cultura.

sintomas de injúrias em soja e milho

À esquerda, sintomas de injúrias em soja (cv. BMX Titan RR.) e à direita, milho (cv. DKB 390 YG) devido ao residual de metsulfuron no solo 
(Fonte: Alonso et al. (2013))

Residual de herbicidas e rotação de culturas

O trifloxysulfuron, por exemplo, é utilizado em mistura com o ametryn na cana-de-açúcar ou sozinho no algodão em pós-emergência inicial. 

Mas este defensivo agrícola pode apresentar problemas de carryover na cultura do feijão cultivado em sucessão, tendo que esperar em torno de 8 meses após a aplicação para a semeadura da próxima cultura. 

Outro exemplo que posso citar é o tebuthiuron

Recomendado em pré-emergência da cana-de-açúcar, também apresenta longo período residual causando intoxicação em amendoim, feijão e soja, quando cultivadas em até 2 anos após a aplicação. 

Já herbicidas, como picloram e imazapyr, apresentam efeito residual no solo e podem chegar em até 3 anos o intervalo para plantio de culturas sensíveis como algodão, tomate, batata e soja.

residual de herbicidas

Algodão com sintomas de intoxicação devido ao residual de sulfentrazone

O herbicida imazaquin, em anos secos, pode afetar a cultura do milho na safra seguinte (mais de 300 dias após a aplicação).

Em áreas onde foram utilizadas o herbicida imazamox (Raptor 70 DG), somente as seguintes culturas de inverno ou de verão podem ser semeadas em sucessão ou rotação com trigo: 

  • Culturas de inverno (sucessão): trigo, ervilha, azevém, cevada, aveia, milho, feijão, amendoim e arroz;
  • Culturas de verão (rotação): milho, algodão, soja, feijão, amendoim, arroz e sorgo.

Logo em áreas onde foram utilizadas o herbicida imazamox (Sweeper), somente essas culturas de inverno ou verão podem ser semeadas em sucessão ou rotação com soja

  • Culturas de inverno (sucessão): trigo, ervilha, azevém, cevada, aveia, milho safrinha, feijão e amendoim;
  • Culturas de verão (rotação): milho, algodão, soja, feijão, amendoim, arroz e sorgo.

Outro herbicida deste grupo que pode ocasionar carryover é o imazapic. Recomendado na cultura da cana-de-açúcar e amendoim, entretanto, para as demais culturas é necessário respeitar intervalo de 300 dias de plantio.

A atividade residual de imazaquin pode causar intoxicação em culturas de sucessão como o melão, pepino, girassol e mostarda, se não respeitado o intervalo entre aplicação e plantio de até 112 dias. 

A tabela abaixo mostra os intervalos entre a aplicação de herbicidas e a semeadura das culturas de soja, milho, trigo e feijão.

intervalos entre aplicação de herbicidas e semeadura

Intervalos entre aplicação de herbicidas e semeadura de culturas

calculo-de-pulverizacao

Conclusão

Neste texto vimos sobre os conceitos de carryover, ou seja, o efeito residual de herbicidas no solo.

Observamos que o potencial de carryover depende do herbicida utilizado, da cultura em sucessão e das condições ambientais após a aplicação. 

Vimos também que muitos produtos persistem no solo por dias, meses ou anos, o que torna essencial o planejamento da sucessão de culturas para evitar problemas com intoxicação.

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Qual o teor de umidade de armazenamento da soja?

Umidade de armazenamento da soja: entenda ainda mais sobre umidade e temperatura na hora de armazenar o grão de soja.

Quando se colhe a soja, pode ser necessário armazená-la por um determinado período. 

E para manter as boas condições do grão, precisa-se fazer o armazenamento em umidade e temperatura adequadas.

Seja qual for o seu objetivo, grão ou semente, atente-se ao teor de umidade para armazenar este produto e a quais condições de temperatura e umidade relativa do ar que vai colocá-lo.

Assim, para preservar a qualidade do grão é essencial que a colheita seja realizada com a umidade do grão adequada. Isso porque é muito comum que após a colheita da soja ocorra o processo de secagem.

Vamos ver agora como a umidade de armazenamento da soja pode afetar a qualidade do grão.

Como a umidade afeta a qualidade do grão de soja

Muitos fatores interferem na qualidade do grão de soja, entre eles podemos citar:

  • condições genéticas;
  • estrutura da semente;
  • fatores de pré e pós-colheita;
  • umidade e temperatura ambiente.

A umidade pode interferir tanto no campo, durante o processo de maturação das sementes, como também durante o armazenamento, pois a umidade do ar interfere no grau de umidade da semente. 

umidade de armazenamento da soja

Lavoura de soja no MS praticamente perdida em função de chuvas intensas
(Fonte: Ciência e Agricultura – Carlos Bortoletto)

No campo, durante a etapa final do ciclo de soja, a ocorrência de chuvas intensas e frequentes antes da colheita podem causar a deterioração da semente.

Observe pela figura abaixo que, quando ocorre chuvas antes da colheita, acontece uma oscilação no teor de água da semente.

Isso causa alterações físicas que podem ser observadas pelo aparecimento de rugas nas sementes.

umidade de armazenamento da soja

(Fonte: adaptado de França-Neto e Henning (1984))

Sementes de soja com sintomas de deterioração por umidade

À esquerda: sementes secas com enrugamento devido a esse tipo de dano; no centro: sintoma de deterioração por umidade, caracterizado no teste de tetrazólio; à direita, sementes de soja com rupturas no tegumento.
(Fonte: Embrapa Soja; França-Neto et al. (2016))

Já durante o armazenamento das sementes de soja ocorre o equilíbrio higroscópico entre a semente e a umidade relativa do ar do local armazenado, ou seja, do silo.

Por isso que pode considerar que a umidade relativa do ar é a medida do grau de umidade das sementes. 

Além disso, lembre-se que após colher a soja, os grãos começam a entrar no processo de deterioração, principalmente devido à taxa respiratória. 

Assim, a secagem tem um papel fundamental! Pois com a umidade de até 13%, a taxa respiratória é baixa, não causando problemas. 

Agora que você viu como a umidade interfere no grão de soja, vamos falar sobre a umidade ideal para armazená-lo.

Qual a umidade ideal para armazenar soja?

Quando se armazena as sementes de soja, deve-se lembrar que vai acontecer uma troca de umidade entre a semente e o ambiente em que ela está armazenada. 

Esse fenômeno, como dito anteriormente, é denominado de equilíbrio higroscópico.

Para armazenar a semente com a umidade ideal, é necessário realizar a secagem dos grãos pois este processo vai retirar a água, o que possibilitará armazenar a soja por um período maior de tempo.

A umidade de armazenamento da soja ideal vai depender do tempo que você deseja armazenar os grãos, da umidade relativa do ar e da temperatura do ambiente no qual será armazenada.

Para entender melhor, vamos observar a tabela abaixo que relaciona a umidade da soja (%) com a temperatura (°C) e apresenta o período de tempo que é possível armazenar o grão.

Por exemplo, se você armazenar o grão por um período de um ano a 32°C, a umidade da soja deverá ser de 10% ou 11%.

Observe que com o aumento da % de umidade do grão, reduzimos o tempo de armazenamento. 

Outro ponto a ser visto é que com a redução da temperatura do ambiente é possível armazenar o grão com até 16% de umidade, caso seja de 2°C.

armazenamento seguro para soja

Gráfico de armazenamento seguro para soja
(Fonte: Science of Sensing)

Como deve ser feito o armazenamento da soja

Após a colheita da soja, algumas práticas podem e devem ser utilizadas como:

  • limpeza e preparo da unidade que armazenará os grãos;
  • avaliação dos grãos na recepção, para verificar se há necessidade das etapas de pré-limpeza e limpeza;
  • manutenção dos equipamentos;
  • manejo das pragas de grãos armazenados;
  • controle das condições do ambiente de armazenamento (temperatura e umidade relativa do ar);
  • cuidados na secagem, carregamentos de silos e dos armazéns.

Como vimos, o ideal é que a porcentagem de umidade do grão seja a mais baixa possível. Entretanto, sabemos que isso não é facilmente alcançado em campo.

A maturação fisiológica da soja ocorre quando o grão está com umidade entre 45% e 50%, mas a colheita só é realizada quando a umidade atinge entre 14% e 20%.

Para armazenar por um período de até um ano, você vai precisar secar esses grãos até atingirem 11% de umidade.

Mas, caso o armazenamento seja maior que um ano, essa umidade deverá chegar entre 9% e 10%, a depender da temperatura ambiente e da umidade relativa do ar.

Processo de secagem dos grãos de soja

Já vimos que o processo de secagem dos grãos é uma etapa importante a ser realizada para o armazenamento dos grãos de soja.

Para isso, você pode optar pelos métodos:

  • naturais;
  • adaptados;
  • tecnificados.

Os métodos mais utilizados para a secagem da soja são os tecnificados, como o sistema contínuo e o seca-aeração.

Secagem contínua

Neste caso, podem ser utilizadas temperaturas do ar de 70 a 130°C na entrada do secador.

Para isso é necessário que os grãos não tenham muitas impurezas, além disso, deve ser realizada a remoção diária de poeira para evitar incêndios.

Assim, na secagem contínua deve ser feito o acompanhamento da temperatura dos grãos, para que não ultrapasse os 43°C.

Secador de fluxo contínuo

Secador de fluxo contínuo
(Fonte: Agrolink)

Seca-aeração

Neste sistema, os grãos passam por uma secagem preliminar com o objetivo de chegar a dois ou três pontos percentuais acima da umidade que se deseja. 

Na secagem por este método são utilizadas temperaturas entre 60 e 90°C.

Após esta etapa, ocorre uma secagem estacionária que acontece com ar, porém sem aquecimento.

Secador estacionário

Secador estacionário
(Fonte: Agrolink)

planilha controle de custos por safra

Conclusão

No texto de hoje você soube mais sobre a umidade de armazenamento da soja.

Vimos a importância de realizar a secagem dos grãos para armazenar, pois isso influencia diretamente no tempo de armazenamento, junto com outros fatores como: temperatura e umidade relativa do ar.

Assim, também mostramos a importância de se atentar ao período de colheita, à secagem e ao armazenamento dos grãos para garantir e manter a qualidade do seu produto.

>>Leia mais:

“Entenda melhor a classificação da soja e saiba usá-la para aumentar sua lucratividade

Gostou do texto? Tem mais dicas sobre a umidade de armazenamento da soja? Adoraria ver o seu comentário abaixo!

Big Data no agronegócio: a revolução dos dados

Big Data no agronegócio: entenda mais sobre a definição e como é utilizada na agricultura para otimizar os processos.

Cada vez mais a tecnologia está dentro das nossa lavouras, mas você sabe como utilizá-la para otimizar os processos?

A coleta de dados sempre foi feita na rotina da lavoura, mas é preciso aprender a analisar os dados corretamente para utilizá-los da forma certa.

Até porque, não adianta sair coletando uma enorme quantidade de dados se depois não saber interpretá-los, não é mesmo?

Por isso, no texto de hoje, vamos entender mais sobre como utilizar Big Data na agricultura, além das vantagens e onde ela está sendo aplicada no agro. Confira!

O que é Big Data?

Primeiro, é necessário definirmos o conceito de Big Data para entendermos como ele pode ser aplicado na agricultura.

Podemos definir Big Data como a interpretação de grandes volumes de dados.

big data no agronegócio

Big Data e a agricultura na era do conhecimento
(Fonte: Fundação Shunji Hishimura de Tecnologia)

Com as ferramentas disponíveis hoje é possível aumentar a produtividade, reduzir custos e tomar decisões mais assertivas.

Os principais aspectos do Big Data são definidos pelos 5 Vs: Volume, Variedade, Velocidade, Veracidade e Valor. 

Os aspectos de Volume, Variedade e Velocidade, referem-se à grande quantidade de dados não-estruturados. Estes dados precisam ser analisados com as soluções de Big Data em grande velocidade e, em sua maioria, em tempo real.

A Veracidade nos diz que as fontes e a qualidade dos dados precisam ser confiáveis. 

O V de Valor se refere aos benefícios que essas soluções de Big Data vão trazer para sua empresa. 

Agora que abordamos o conceito de Big Data, vamos ver como podemos utilizá-lo na agricultura.

Como a análise de dados otimiza a lavoura?

Como vimos, o Big Data é um conjunto de dados que precisa ser analisado. Agora vamos trazer o conceito para o campo. 

Você sabe como ele pode ser útil e quais as vantagens que traz?

Entre as tecnologias mais conhecidas de análise de dados no campo podemos citar o entendimento e análise de dados meteorológicos.

Com a interpretação correta de dados sobre a previsão meteorológica, o agricultor consegue administrar outras operações como a semeadura, a colheita, a irrigação e as aplicações de defensivos agrícolas.

Outro exemplo que podemos citar da agricultura digital são as tecnologias que garantem o ajuste das doses de fertilizantes que são aplicados, o que reduz custos e perdas.

Além disso, outra importante ferramenta que pode ser utilizada é o cruzamento dos dados de produtividade com os dados dos manejos adotadas em cada área, como por exemplo: adubação, análise de solo, deficiência de nutrientes, precipitação e aplicações.

(Fonte: Boas Práticas Agronômicas)

Agora que vimos alguns exemplos de como o Big Data pode ser utilizado na agricultura, vamos ver quais as vantagens para a gestão agrícola e financeira.

Big Data no agronegócio: vantagens para a gestão agrícola

Além das vantagens que já citamos em relação ao uso do Big Data no agronegócio, veja abaixo uma lista com outros benefícios em utilizá-lo na sua lavoura.

  • Dados sobre a fertilidade química do solo, por meio das análises de solo;
  • Redução de desperdícios, reduzindo os custos de produção;
  • Estande de plantas, gasto de sementes e velocidade de semeadura;
  • Ações mais assertivas após interpretação dos dados;
  • Pluviosidade, temperatura e dias nublados, que ajudam na tomada de decisão para aplicação de defensivos, fertilizantes e corretivos;
  • Possibilidade de controlar tudo isso do escritório;
  • Informações sobre monitoramento de pragas, doenças e plantas daninhas;
  • Informações sobre consumo, aplicações de defensivos agrícolas, dados de produtividade, velocidade e perdas na colheita;
  • Aumento de produtividade com tomadas de decisão mais assertivas.
big data no agronegócio
(Fonte: GeoAgri)

Vantagens para a gestão financeira

O uso do Big Data na agricultura pode nos auxiliar em diversas ações na lavoura.

Assim, na gestão financeira podemos utilizar softwares que nos ajudam a manejar estes dados e informações relevantes, a fim de otimizar os processos.

Com o uso de um aplicativo como o Aegro, por exemplo, é possível otimizar a gestão agrícola da sua fazenda. 

Desta forma, você consegue fazer o fluxo de caixa, estoque, financeiro e agrícola integrados e automatizados, reduzindo custos.

Curso de Big Data no agronegócio

Uma busca rápida na internet e você já consegue encontrar diversos cursos sobre Big Data.

Em um curso de Big Data para o agronegócio, você vai ser capacitado para manusear grandes volumes de dados de maneira rápida e eficiente. 

Também vai aprender a como interpretar os dados para ser desenvolvido no agronegócio.

Esses cursos, geralmente, abordam as disciplinas de: algoritmos avançados, arquiteturas cloud, banco de dados, cálculo, estatística, fundamentos de administração geral, geometria analítica, inglês, Internet das Coisas, matemática discreta, manejos agrícolas de solo e semeadura, monitoramento de pragas e doenças e sociedade, tecnologia e inovação.

De acordo com o Canal Rural, a demanda por um profissionais capacitados nesta área são:

  • Empresas de infraestrutura de TI (tecnologia da informação);
  • Desenvolvimento e revenda de softwares para web;
  • Empresas de desenvolvimento e revenda de softwares para dispositivos móveis;
  • Fabricantes e revendedores de equipamentos de agricultura de precisão;
  • Fabricantes e revendedores de tratores e implementos agrícolas;
  • Empresas de produção agrícola e propriedades rurais;
  • Usinas de açúcar e etanol;
  • Indústria de insumos agrícolas;
  • Prestação de serviços na área de TI;
  • Prestação de serviços na área agrícola.

Conclusão

Neste texto você viu como podemos utilizar Big Data no agronegócio, sua definição, alguns conceitos e as vantagens que as análises trazem para as lavouras.

Com a correta interpretação dos dados levantados é possível otimizar processos na lavoura, reduzir custos e tomar decisões mais assertivas sobre os manejos.

Também vimos que com o aplicativo de controle e gestão agrícola, consegue-se gerenciar diversos dados coletados do campo.

Agora que você compreendeu mais sobre como utilizar Big Data na sua empresa rural, que tal colocar em prática? 

>> Leia mais:

“Primeira antena 5G em área rural: entenda como essa tecnologia vai beneficiar sua fazenda”

“Blockchain na agricultura: conheça as 3 principais funções e seus benefícios”

“Como a agricultura preditiva e autônoma pode impulsionar sua lucratividade”

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Qual a relação entre clima e agricultura?

Relação entre clima e agricultura: entenda a seguir sobre os principais fatores climáticos que influenciam nas nossas lavouras.

Não tem como falarmos de agricultura sem falar do clima. Quase tudo o que acontece no ambiente agrícola depende direta ou indiretamente dele.

É só analisar as práticas agrícolas de plantio e colheita, por exemplo. Só se realiza o plantio se houver condições climáticas ideais para aquela cultura se desenvolver. 

Já quando falamos de colheita de campos de produção de soja ou milho, o ideal é que no final do ciclo não haja oscilações na umidade do grão. Isso é mais garantido quando essa etapa coincide com épocas mais secas.

Veja neste artigo a relação entre clima e agricultura no plantio e na colheita, além dos impactos das mudanças climáticas e ferramentas para um planejamento agrícola de precisão.

Como o clima pode interferir na atividade agrícola?

O clima é fundamental para a agricultura, pois dele dependem a maioria das práticas agrícolas.

Um dos principais fatores que são influenciados pelo clima é o zoneamento agrícola. Todas as culturas possuem um para a sua produção.

Em um zoneamento agrícola são levados em consideração o clima, o solo e o ciclo das cultivares a fim de definir os riscos climáticos envolvidos na condução das lavouras que podem ocasionar perdas na produção agrícola. 

A temperatura e a umidade são os fatores que mais podem afetar a produtividade das lavouras. 

Isso porque cada cultura tem uma condição específica na qual se desenvolve melhor e, que não depende apenas da estação do ano mais adequada para aquele cultivo, mas sim da temperatura e precipitação mais favoráveis.

Assim, é muito importante saber relacionar os dados que temos em mãos, para tomar a melhor decisão sobre os tratos culturais como plantio, irrigação e a colheita.

Zarc Embrapa

Zoneamento agrícola da cultura de milho realizado pela ferramenta Zarc
(Fonte: Embrapa)

Relação entre clima e agricultura: Clima ideal para plantio

Como vimos, cada cultura tem uma condição ideal para que sua germinação, emergência e desenvolvimento ocorram da melhor forma possível.

Para o milho, por exemplo, a melhor temperatura para germinação está entre 32 e 35°C, já para a soja, esta temperatura é de 32°C

Lembre-se que temperatura e umidade são fundamentais para a germinação das sementes, pois quanto mais tempo demorar para a semente germinar, mais sujeita ela estará a condições adversas.

A soja se desenvolve melhor em regiões onde as temperaturas ficam entre 20 e 30ºC, com temperatura ideal para o desenvolvimento em torno de 30°C. 

Já, quando pensamos nas exigências hídricas das culturas, nos referimos à quantidade de água que a cultura precisa durante todo o seu ciclo.

Para soja, por exemplo, a demanda hídrica fica entre 450 e 850 mm, dependendo das variações do clima. Para a cultura do milho, este valor fica ao redor de 650 mm.

Vale lembrar que a quantidade de água é importante, porém, ela precisa acontecer nas épocas adequadas, de acordo com a exigência da cultura.

>> Leia mais: “Como ocorre e quais os efeitos do estresse hídrico nas plantas”

Relação entre clima e agricultura: Clima ideal para colheita

A colheita de grãos como a soja e o milho deve ocorrer na época adequada.

O principal fator que leva a perdas nestas culturas é a umidade do grão. Em soja, os grãos devem ser colhidos com umidade entre 13% a 15%.

Entendemos esse fator como o ponto de colheita ideal, pois a partir deste momento os grãos estarão sujeitos a perdas. 

Caso seu objetivo seja a produção de sementes de soja, este fator é ainda mais importante, pois a partir do momento que se atinge a maturidade fisiológica e que o ponto de colheita é alcançado, as sementes ficam sujeitas às adversidades do clima, o que pode reduzir viabilidade e vigor.

Assim, em torno de 15 dias antes da colheita, comece a monitorar a umidade da semente e quando atingir 15% você já pode iniciar.

Para a colheita, dê preferência ao período da manhã, pois é quando se tem temperaturas mais amenas e a umidade do ar mais elevada, ajudando a reduzir as perdas.

Como a seca interfere na agricultura

A falta ou excesso de água prejudicam todas as culturas. Porque assim como vimos, cada etapa da cultura necessita de uma quantidade de água ideal.

A água é um fator fundamental em todas as etapas, desde a germinação até a maturação das sementes.

A falta do recurso natural no início do plantio pode afetar a germinação das sementes, pois a quantidade deve ser suficiente para todo o processo de embebição, ativação da respiração, indução do crescimento e protrusão da raiz primária. 

Por outro lado, a falta de água durante o desenvolvimento da planta reduz a área foliar, a taxa fotossintética, que por consequência leva a um menor acúmulo de fotoassimilados e ao menor desenvolvimento das sementes. 

Como resultado, a ocorrência de seca durante o florescimento das culturas leva à redução do número de sementes.

Impacto das mudanças climáticas na agricultura

Alguns estudos já foram e outros estão sendo realizados para analisar os impactos econômicos das mudanças climáticas na agricultura.

Esses estudos mostram a redução de produtividade das principais culturas afetadas pelo aumento da temperatura ou alteração no ciclo da água.

No caso do milho, o principal fator é o menor período para o enchimento dos grãos. Já no caso da soja, as perdas são relacionadas ao menor ciclo de cultivo, reduzindo também o período de enchimento de grãos.

Veja nas tabelas abaixo o impacto das mudanças climáticas nas atuais áreas de “baixo risco” adequadas ao cultivo.

relação entre clima e agricultura

RECE – Relatório Especial sobre os Cenários de Emissões
(Fonte: Margulis et al., 2010)

relação entre clima e agricultura

(Fonte: Banco Mundial)

Planejamento climático de precisão

Depois de tudo que vimos neste artigo, sabemos como é importante fazer o planejamento da lavoura levando em consideração as condições climáticas.

Para isso, deve-se alinhar cada vez mais o clima com a agricultura, contando com ferramentas que auxiliem na tomada de decisão.

Hoje, já é possível ter acesso a diversas informações sobre o clima de sua propriedade. Você pode usar diversos aplicativos para isso, como por exemplo, o Aegro que é integrado com o Climatempo. 

No software de gestão rural, além de ter o controle das operações da fazenda, é possível ter acesso aos seguintes dados meteorológicos:

  • Previsões de 24h (temperatura, velocidade e direção do vento);
  • Previsões de 15 dias (janela de pulverização, temperatura, probabilidade e precipitação de chuva, umidade e evapotranspiração, vento e rajada);
  • Históricos de 1 mês (pluviométrico, precipitação e precipitação acumulada).
Integração Climatempo Aegro

Com essa integração do Aegro, é possível gerar uma série de relatórios

checklist planejamento agrícola Aegro

Conclusão

Durante o texto, você pode acompanhar as principais relações entre o clima e a agricultura.

Vimos que as condições climáticas afetam as práticas culturais e como mudanças climáticas poderão causar prejuízos dependendo da cultura. 

Cada vez mais o planejamento da lavoura é essencial, passamos da fase de estações ideais para o plantio e agora a análise de cada dado coletado é fundamental para as tomadas de decisão. 

>> Leia mais:

Como prevenir a perda de grãos por geada

“A influência da lua na agricultura: verdades e mitos”

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Plantio cana ano-meio: Quais as particularidades e orientações para melhorar o canavial

Plantio cana ano-meio: veja dicas para auxiliar no manejo como espaçamento, uso de vinhaça e de torta de filtro, épocas de plantio e mais. 

Você sabia que o Brasil é o maior produtor de cana-de-açúcar do mundo? São mais de 8,6 milhões de hectares cultivados (SENAR, 2018).

A cana-de-açúcar é uma cultura com três épocas de plantio: cana de ano (outubro a dezembro – início da estação chuvosa), cana de ano e meio (janeiro a março) e cana de inverno (locais com disponibilidade de água).

A seguir, vamos tratar sobre o plantio cana ano-meio, suas características e dicas para melhor produtividade no canavial. Confira!

Plantio cana ano-meio: definição

A cana de ano-meio é aquela com ciclo de 18 meses, com plantio entre janeiro a março.

No entanto, de abril a agosto (devido ao inverno) o crescimento da cana de ano e meio é lento. 

Assim, a cultura começa a vegetar entre os períodos de setembro a abril, amadurecendo nos próximos meses até completar de 16 a 18 meses.

O plantio cana ano-meio é o mais utilizado pelo produtores rurais, devido às maiores produtividades, mas é necessário um tempo maior para a colheita.

plantio cana ano-meio

Ciclos da cana-de-açúcar e variações na temperatura e pluviosidade da região centro-sul do Brasil
(Fonte: Luis Fernando Sanglade Marchiori)

Vantagens do plantio de cana de ano e meio

No ano, o período de janeiro a março é o melhor para o plantio de cana-de-açúcar.

Isso porque esses meses apresentam temperatura e umidade que favorecem a brotação da cana-de-açúcar.

Essa brotação rápida reduz a incidência de doenças nos toletes, como a podridão abacaxi que é causada pelo fungo Thielaviopsis paradoxa. A doença ocorre devido ao atraso na brotação das gemas, a baixas temperaturas e seca no plantio.

Estádios de desenvolvimento da cana-de-açúcar

Estádios de desenvolvimento da cana-de-açúcar
(Fonte: YARABRASIL, 2016

Quer saber mais sobre o plantio de cana-de-açúcar? Leia também o artigo: Como plantar cana-de-açúcar para altas produtividades”.

Espaçamento do plantio cana ano-meio

O espaçamento utilizado varia de acordo com a fertilidade do solo e com a variedade de cana-de-açúcar, sendo uniforme ou combinado.

Assim, o espaçamento uniforme é aquele em que as distâncias entre os sulcos são iguais em toda área de plantio.

Já o combinado é conhecido como espaçamento abacaxi em cana-de-açúcar, feito com duas linhas de cana plantadas, a 30 cm de distância uma da outra, com espaçamento da entrelinha de 1,50 metros – num total de 1,80 metros. 

O objetivo do espaçamento combinado é de propiciar condições para o controle do tráfego.

Em solos mais arenosos, utiliza-se espaçamento de 1 m ou 1,20 m, pois permitem que a cana-de-açúcar feche mais rápido a entrelinha, reduzindo gastos com o controle de plantas daninhas.

Em solos férteis e nas áreas onde a colheita for mecanizada, o espaçamento deve ser de pelo menos 1,5 m para evitar a compactação e o pisoteamento das linhas.

plantio cana ano-meio

(Fonte: Professor Doutor Alexandrius de Moraes Barbosa)

Épocas de plantio em função dos ambientes de produção

Como sabemos, a cana-de-açúcar possui ambientes de produção e o plantio dos canaviais pode variar de acordo com este fator.

Veja na figura abaixo como o plantio pode variar de acordo com o solo, sua textura, o relevo e as épocas de plantio.

Épocas de plantio da cana-de-açúcar

Épocas de plantio da cana-de-açúcar em função dos ambientes de produção, tipos de solos, drenagem, textura e relevo
(Fonte: Boletim Técnico IAC, 2016)

Adubação de base para plantio cana ano-meio

A adubação na cultura da cana-de-açúcar vai ser diferente se for cana-planta ou cana-soca.

Na cana-planta, ou seja, no plantio da cultura, utiliza-se altas doses de fósforo e potássio, mas baixas doses de nitrogênio.

Já em cana-soca, utiliza-se altas doses de nitrogênio e potássio e baixas doses de fósforo.

Os nutrientes que devem ser fornecidos com a adubação em cana-de-açúcar são: 

  • Nitrogênio; 
  • Fósforo;
  • Potássio;
  • Cálcio;
  • Magnésio;
  • Enxofre;
  • Boro;
  • Cobre;
  • Manganês;
  • Zinco;
  • Molibdênio. 

A quantidade a ser colocada de cada nutriente varia na extração e exportação destes pela cultura. 

Extração e exportação de macronutrientes para a produção de 100 t de colmos
(Fonte: Vitti et al. (2005))

Extração e exportação de micronutrientes para a produção de 100 t de colmos
(Fonte: Vitti et al. (2005))

Quer saber mais sobre adubação de cana-de-açúcar? Leia também o artigo: Adubo para cana: principais recomendações para alta produtividade”.

Uso de vinhaça em cana-de-açúcar

A vinhaça é o resíduo da produção de álcool etílico (etanol), sendo que a cada litro de etanol produzido, 12 litros de vinhaça são gerados.

Desta forma, a vinhaça é aplicada nos canaviais com o objetivo de atingir maiores produtividades e reduzir o uso de fertilizantes nas lavouras.

Além disso, com esse método também é possível reduzir o uso de água para irrigação e aumentar a fertilidade dos solos, o que reduz custos.

Entretanto, deve-se lembrar que há um limite no uso de até 300 m³/ha. O uso em excesso pode causar danos em solos rasos e/ou arenosos, além de contaminação de água subterrânea.

A vinhaça é capaz de fornecer ao solo água e nutrientes, como cálcio, magnésio e potássio, o que contribui para altas produtividades dos canaviais.

Geralmente, é utilizada na cana-soca fornecendo parte do nitrogênio e todo o potássio necessário para o canavial.

Em doses adequadas, as principais vantagens de utilizar a vinhaça no plantio cana ano-meio são:

  • Aumento da produtividade do canavial;
  • Melhora das propriedades químicas e biológicas do solo;
  • Aumento da matéria orgânica;
  • Ajuda na melhora da fertilidade do solo;
  • Aumento do poder de retenção de água pelo solo.
plantio cana ano-meio

Plantio de mudas pré-brotadas de cana-de-açúcar
(Fonte: da autora)

Uso da torta de filtro nos canaviais

A torta de filtro, assim como a vinhaça, também é um resíduo da indústria sucroenergética.

Em sua composição podemos encontrar de 1,2% a 1,8% de fósforo, 70% de umidade, alto teor de cálcio, uma boa quantidade de micronutrientes e 50% de fósforo prontamente disponível para a planta.

Para saber mais sobre o uso de fósforo em cana-de-açúcar, leia também o artigo: Como fazer manejo de fósforo para aumentar a produção de cana”.

A alta concentração de umidade na torta de filtro é muito importante nos plantios realizados durante o inverno, porque precisam da umidade para a brotação.

O método é muito utilizado em cana-planta, na dose de 80 a 100 toneladas/ha. Em cana-soca pode ser aplicada a torta de filtro de 40 a 60 toneladas/ha nas entrelinhas.

Também pode ser utilizada na dose de 15 a 35 toneladas/ha (sulco) em área total.

planilha ponto otimo de renovacao canavial

Conclusão

Neste texto vimos mais sobre o que pode auxiliar o produtor para manter ou aumentar a produtividade dos canaviais, principalmente em plantio cana ano-meio. 

Conferimos também as épocas de plantio, adubação, espaçamento, uso de vinhaça, torta de filtro, entre outras particularidades da cultura da cana-de-açúcar.

O plantio da cana pode ser feito em três épocas e em usinas, com o devido planejamento, todas são utilizadas. Cada uma tem suas particularidades e envolvem alguns cuidados diferentes. 

>> Leia Mais:

5 passos para fazer o cultivo do consórcio cana e milho

Como fazer o melhor manejo da broca da cana-de-açúcar

E você, tem mais dicas sobre plantio cana ano-meio? Adoraria ver o seu comentário abaixo!

Sensoriamento remoto na agricultura: 7 coisas que você deveria saber

Sensoriamento remoto na agricultura: Veja como funciona, quais suas aplicações e como isso pode te auxiliar na hora da tomada de decisão.

O sensoriamento remoto vem se tornando cada vez mais presente na agricultura.

Há muitas maneiras de inserir essa ferramenta na sua propriedade, e no texto de hoje vamos ver algumas delas para você ficar mais familiarizado. 

Mas afinal, o que é essa ferramenta? E será mesmo que ela pode te ajudar na propriedade ou é só mais uma moda?

Confira os 7 tópicos mais interessantes e suas respostas sobre o sensoriamento remoto na agricultura e conheça tudo sobre o tema!

1. O que é e para que serve sensoriamento remoto?

É o conjunto de técnicas que tem como objetivo a obtenção de informações sobre alvos na superfície terrestre.

Essas informações são obtidas por meio do registro da interação da radiação eletromagnética com a superfície, que é realizado por sensores distantes (imagens de satélite) ou remotos (fotos aéreas).

Participação do sensoriamento remoto na agricultura 5.0

Participação do sensoriamento remoto na agricultura 5.0
(Fonte: Hayrton (2019))

2. Georreferenciamento e sensoriamento remoto

O sensoriamento remoto, como já comentamos, é o conjunto de técnicas que permite conseguir informações da superfície terrestre e o que há nela.

Isso ocorre através da interação eletromagnética com a superfície. Sem contato físico, a forma de transmissão de dados é pela radiação eletromagnética.

Já o geoprocessamento é o conjunto de técnicas e metodologias para obter, arquivar, processar e representar os dados georreferenciados. Tudo isso com técnicas matemáticas e computacionais.

Por isso, os dois em conjunto são consideradas técnicas fundamentais para registrar e aumentar a eficiência do uso da terra, especialmente ao longo do tempo. 

A agricultura de precisão, que contém o conceito da variabilidade do campo, é uma das áreas em que podemos aplicar essas ferramentas, já que elas permitem verificar onde e como é essa variabilidade das áreas agrícolas.

sensoriamento remoto na agricultura

Satélites e drones para monitorar sistemas de integração lavoura-pecuária-floresta
(Fonte: Senar)

3. Coleta de dados em sensoriamento remoto

A coleta de dados em sensoriamento remoto é obtida por sensores colocados em diferentes tipos de plataformas carregadoras.

A plataforma carregadora pode ser laboratório, campo, aéreo ou orbital. Vamos ver a seguir mais sobre cada uma delas:

Níveis de coletas de dados do sensoriamento remoto

Níveis de coletas de dados do sensoriamento remoto
(Fonte: Jocilene Barros (2018))

Laboratório

Utiliza radiômetros e estes registram a radiação refletida pelas plantas, folhas e solos em locais onde pode ser controlada a iluminação.

Campo

Também podem ser utilizados radiômetros. Neste caso, eles podem ficar presos em suportes acima dos alvos estudados.

Podem ser utilizados veículos com guindastes hidráulicos, que são conhecidos como cherry pickers. 

Aéreo

Neste caso, o nível de coleta é dividido em diferentes altitudes:

  • Alta altitude (ao redor de 20 km);
  • Média altitude (menos de 20 km até 5 km);
  • Baixa altitude (abaixo de 5 km).

São usados para simular diferentes condições de obtenção de dados. Quanto menor a altitude utilizada, menor a influência atmosférica.

Aqui podemos incluir o uso de drones, com a vantagem de utilizá-los quando precisar das informações.

Orbital

Nesse nível de coleta são utilizados os satélites como plataformas.

Aqui é possível realizar a cobertura de grandes áreas e a repetitividade temporal, muito importante para áreas extensas.

sensoriamento remoto na agricultura

Nível de coleta de dados orbital
(Fonte: Bernadete Prado Ramires)

4. Qual a diferença entre os sensores ativos e passivos?

Você sabia que existem sensores ativos e passivos? Sabe dizer qual a diferença entre eles?

Os sensores passivos só podem operar quando há luz solar, pois dependem disso para iluminar as imagens que captura, ou seja, dependem das condições atmosféricas. 

Já os sensores ativos não necessitam da luz solar, podendo ser utilizados também durante a noite, além de não dependerem de condições atmosféricas.

Outra diferença entre os sensores é que os passivos atuam na região espectral do óptico (400 nm a 2.500 nm), já os ativos atuam na faixa das micro-ondas. 

Utilizando as imagens tanto do sensoriamento remoto óptico quanto das obtidas nas micro-ondas, você pode obter maior riqueza de informações.

Curvas espectrais e comprimentos de onda

Curvas espectrais e comprimentos de onda – visível, infravermelho próximo e infravermelho médio
(Fonte: Rafael Briones Matheus (Parque da Ciência))

5. Aplicações do sensoriamento remoto na agricultura

Na agricultura o sensoriamento remoto pode ser usado para diversas atividades como:

  • Estimativa de área plantada;
  • Estimativa de produção agrícola;
  • Vigor vegetativo das culturas;
  • Manejo agrícola em nível de país, estado, município ou ainda em nível de microbacia hidrográfica ou fazenda;
  • Análise da cobertura vegetal, topografia, drenagem e tipo de solo;
  • Determinação das áreas de preservação de mananciais, reservas florestais e áreas agrícolas;
  • Detecção de falhas na irrigação, adubação ou preparo do solo;
  • Sintomas de injúrias por produtos fitossanitários;
  • Manchas de solo com baixa produtividade;
  • Áreas com erosão laminar;
  • Identificação de reboleiras de baixo vigor causadas por nematoides ou patógenos de solo;
  • Regiões com maiores potenciais de produção.

Como vimos acima, com o sensoriamento remoto conseguimos captar o vigor das plantas. 

Aqui vale uma explicação mais longa, já que a detecção do vigor das plantas e, consequentemente, da sua saúde, resulta em diversos outros resultados como estimativa de produção e outros.

Isso é possível pois a banda de radiação do NIR – Infravermelho Próximo, diferencia plantas vigorosas (que refletem mais o NIR) e plantas mais fracas (que absorvem a radiação). 

As imagens em NIR, que são obtidas por satélites, são tratadas em uma equação denominada de NDVI (Índice de Vegetação por Diferença Normalizada) que transforma as leituras de NIR em tons de cores.

Índice de vegetação e comportamento espectral

Índice de vegetação e comportamento espectral
(Fonte: Rayssa Viveiros Espírito Santo)

6. Sensoriamento remoto e irrigação

Já vimos os diversos usos que o sensoriamento remoto pode ter dentro da agricultura, vamos ver agora um pouco mais de como ele pode ser utilizado na irrigação das culturas.

Sensoriamento remoto na irrigação

Sensoriamento remoto na irrigação
(Fonte: Hidrodinâmica Irrigação)

O sensoriamento remoto na agricultura pode ser usado, por exemplo, para estimar a evapotranspiração real (ETr), o que ajuda a identificar se a quantidade de água aplicada é ideal, abaixo ou superior à necessária, como feito por Silva et al. (2012).

sensoriamento remoto na agricultura

Sensoriamento remoto na irrigação, anel formado por emissor entupido ou inadequado
(Fonte: Cultivar (Irriger/Farmers Edge) – Nelson Sá)

7. Sensoriamento remoto na soja

O sensoriamento remoto na cultura da soja está sendo aplicado de diversas maneiras.

Utilizando um VANT com câmeras multiespectrais, as imagens são analisadas e utilizadas para a geração de um mapa que indica a distribuição de cada campo de produção aptas para beneficiamento e eventual produção de sementes (DroneShow).

Com o uso de câmera termal será possível monitorar plantas em situação de seca e, com a ajuda de um sensor, medir a deficiência de potássio nas folhas mesmo antes dos sintomas aparecerem (Embrapa, 2019).

Perfil temporal das áreas de soja da região norte do Rio Grande do Sul

Perfil temporal das áreas de soja da região norte do Rio Grande do Sul gerado a partir de imagens NDVI (índice de vegetação) dos meses de outubro a maio, safra 2005/06. Em destaque a evolução temporal do NDVI nas etapas de semeadura (A), máximo desenvolvimento vegetativo (B) e colheita (C).
(Fonte: Santos et al. (2014))

Há também estudos com o uso do sensoriamento remoto para identificar sintomas de ferrugem em soja. 

sensoriamento remoto para identificar sintomas de ferrugem em soja.

Estágios da doença causada pelo patógeno (esquerda) e quatro tipos de folhas com os diferentes níveis de severidade da ferrugem (direita)
(Fonte: Cui et al. (2009))

Como fazer o sensoriamento remoto da sua lavoura

Existem formas muito práticas de aplicar técnicas de sensoriamento remoto nas fazendas. Uma delas é contratar soluções integradas à gestão rural.

Com o Aegro Imagens, por exemplo, você pode obter mapas NDVI para a sua lavoura durante toda a safra.

As imagens são geradas pelo satélite Sentinel-2 em uma frequência de 3 a 5 dias e ficam organizadas em ordem cronológica.

Isso te ajuda a acompanhar o desenvolvimento do cultivo com passar do tempo e identificar potenciais problemas com agilidade.

https://youtu.be/_-4LJXin1sY

Além disso, você pode analisar os resultados do sensoriamento remoto juntamente com o histórico de operações agrícolas realizadas em cada talhão.

Esse é um jeito fácil de conferir se as suas atividades de manejo estão tendo o impacto desejado na saúde da plantação.

Assim, as imagens de satélite se tornam uma ferramenta estratégica para o seu planejamento de safra, pois auxiliam você a tomar decisões mais assertivas.

Peça uma demonstração gratuita do Aegro Imagens e simplifique o uso de NDVI na sua fazenda!

Conclusão

No texto de hoje vimos alguns exemplos de como o sensoriamento está sendo utilizado na agricultura.

Você pôde conhecer também as principais diferenças entre sensores ativos e passivos, técnicas de sensoriamento remoto na irrigação e na cultura da soja.

Por último, você conferiu como uma solução para imagens de satélite integrada à gestão rural facilita a aplicação dessa tecncologia no dia a dia das fazendas.

Assim, fica claro que o sensoriamento remoto na agricultura é uma importante ferramenta que veio para auxiliar o produtor na tomada de decisão.

>> Leia mais:

O que é SIG na agricultura e como essa tecnologia pode ser útil na sua fazenda

Como realizar a aplicação localizada de insumos e otimizar os custos da sua lavoura

Saiba as vantagens da Cafeicultura de Precisão e como aplicá-la

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