About Thaís Fagundes Matioli

Sou Engenheira Agrônoma formada pela Universidade Federal de Lavras (UFLA), mestre em Ciências/Entomologia pela ESALQ/USP, e doutoranda no Departamento de Entomologia da ESALQ/USP.

Como proteger sua lavoura da lagarta-rosca

Lagarta-rosca: como combater essa praga que tem sido problema no período inicial de diversas culturas

Toda praga agrícola é motivo de preocupação, mas existem aquelas que pareciam inofensivas e passam a causar mais dor de cabeça. 

É o caso da lagarta-rosca, que tem afetado diversas culturas de maneira significativa. 

A praga ataca no período inicial e, por isso, pode comprometer todo o desenvolvimento das lavouras.

Para saber como controlar, você deve conhecer as características e comportamentos dessa lagarta. Confira neste artigo os principais aspectos e formas de controle da lagarta-rosca. 

Características da lagarta-rosca

Existe um complexo de lagartas da ordem Lepidoptera que tem por nome comum “lagarta-rosca” pelo fato de se encurvarem ao se sentirem ameaçadas ou quando estão em repouso. 

Entretanto, dentre as várias espécies existentes, Agrotis ipsilon é a principal causadora de danos em diversas culturas por ser polífaga

Ela tem causado uma tensão maior aos produtores de culturas como feijão, algodão, milho e soja

É da família Noctuidae e tem hábitos noturnos. Durante o dia, as lagartas permanecem sob uma pequena profundidade do solo e, durante a noite, atacam as plantas. 

As lagartas têm coloração marrom, podendo também variar para o cinza, com linhas ao longo do corpo e tubérculos nos segmentos. Nos últimos ínstares, podem chegar a 50 mm de comprimento. 

Após o período larval, a pupa é formada e se aloja no solo para desenvolvimento do adulto.

O adulto é uma mariposa de coloração variável, sendo as asas anteriores marrom ou cinza e as posteriores mais claras. A envergadura vai de 35 mm a 50 mm e comprimento de 20 mm. 

A fêmea pode colocar cerca de 1.000 ovos, podendo ser depositados sobre folhas, hastes ou também no solo. 

O ciclo biológico dessa praga varia de 34 a 64 dias, dependendo das condições climáticas da região. 

Os períodos de cada fase de desenvolvimento variam de acordo com a temperatura e, geralmente, são de 4 dias como ovo, de 20 a 40 dias como larva e de 10 a 20 dias como pupa. 

Pupa, lagarta e adulto de Agrotis ipsilon

Pupa, lagarta e adulto de Agrotis ipsilon 
(Fonte: IPM Images)

Danos causados às lavouras

Os ataques da lagarta-rosca ocorrem na fase inicial, desde a emergência das plântulas até o início do florescimento, o que pode comprometer o estabelecimento da cultura.

Quando o solo está mais úmido e tem maior deposição de matéria orgânica, os danos se intensificam devido à preferência da praga por este tipo de ambiente. 

Lagartas menores se alimentam das folhas mais próximas ao solo e de outras plantas hospedeiras próximas à cultura, como as plantas daninhas

Associadas a essas plantas hospedeiras alternativas, as lagartas aumentam o potencial de causar maiores danos por conseguirem ambientes propícios para se manterem por mais tempo na área. 

Um período bastante crítico é quando as lagartas maiores cortam as plântulas rente ao nível do solo. Uma única lagarta é capaz de seccionar várias plantas em uma noite. 

Em plantas mais desenvolvidas, as lagartas abrem galerias na base dos colmos. Esse hábito favorece o tombamento, o sintoma de coração morto e também pode levar a morte das plantas

Dano em milho provocado por lagarta-rosca

Dano em milho provocado por lagarta-rosca 
(Fonte: IPM Images)

Como fazer o manejo da lagarta-rosca

Como o hábito dessa lagarta é noturno e durante o dia permanece sob o solo, táticas e métodos do Manejo Integrado de Pragas (MIP) contribuirão para o controle da população. 

O histórico da área deve ser analisado para que você saiba tomar as decisões corretas. Um bom manejo começa com um bom planejamento.

Um software agrícola pode lhe ajudar a monitorar a incidência da praga na lavoura para decidir o momento certo de entrar com medidas de controle.

Sabendo que há a possibilidade de se deparar com a lagarta-rosca, você poderá se preparar com alguns métodos como: 

Controle cultural

Sendo uma praga polífaga, a presença da lagarta-rosca na safra anterior já é motivo de alarde. 

Por isso, é importante que você faça um bom preparo do solo e elimine antecipadamente as plantas hospedeiras. 

Como os insetos ficam durante o dia sob o solo, um manejo com rolagem rolo-faca irá contribuir para reduzir a população que estiver na área. 

Outro ponto ideal é evitar cobertura morta e restos culturais para que a lagarta-rosca não tenha ambiente favorável para se manter até a chegada na nova safra. 

Controle químico

Existem algumas formas de utilizar o controle químico para lagarta-rosca. 

A primeira delas é fazer o tratamento de sementes com inseticidas sistêmicos para garantir a emergência e estabelecimento da cultura.

Outra maneira seria por meio das iscas tóxicas à base de farelo de trigo, açúcar, água e inseticida (piretroide ou carbamato). A aplicação deve ser distribuída na lavoura como grânulos no final da tarde. 

Além dessas, a forma convencional com aplicação de inseticidas pode ser realizada, mas deve ser feita  no final do dia, bem próximo da base das plantas. 

O registro dos inseticidas para controle de lagarta-rosca deve ser consultado no site do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), o Agrofit. Por isso, é importante que você consulte um(a) engenheiro(a) agrônomo(a) para melhores detalhamentos de acordo com a sua cultura. 

Veja abaixo alguns exemplos de inseticidas registrados no Mapa:

Algodão 

Produto Ingrediente Ativo
(Grupo Químico) 
Titular de Registro 
  Cartarys   Cloridrato de cartape (bis(tiocarbamato)) + Cloridrato de cartape (bis(tiocarbamato))   UPL do Brasil Indústria e Comércio de Insumos Agropecuários S.A. – Matriz Ituverava

Milho

Produto Ingrediente Ativo (Grupo Químico) Titular de Registro 
Capataz  clorpirifós (organofosforado)  Ouro Fino Química S.A. – Uberaba  
Ciclone 48 EC  clorpirifós (organofosforado)  Tradecorp do Brasil Comércio de insumos Agrícolas Ltda  
Cipermetrin 250 EC CCAB  cipermetrina (piretróide)  CCAB Agro S.A. – São Paulo  
Clorpiri 480 EC  clorpirifós (organofosforado)  Sharda do Brasil Comércio de Produtos Químicos e Agroquímicos LTDA  
Clorpirifós Fersol 480 EC  clorpirifós (organofosforado)  Ameribrás Indústria e Comércio Ltda.  
Clorpirifós Nortox EC  clorpirifós (organofosforado)  Nortox S.A. – Arapongas  
Clorpirifos Sabero 480 EC  clorpirifós (organofosforado)  Sabero Organics América S.A.  
Counter 150 G  terbufós (organofosforado)  AMVAC do Brasil Representações Ltda.  
Curanza 600 FS PRO  Ciantraniliprole (antranilamida)  Syngenta Proteção de Cultivos Ltda. – São Paulo  
Dermacor  clorantraniliprole (antranilamida)  Du Pont do Brasil S.A. – Barueri (Alphaville)  
Fortenza 600 FS  Ciantraniliprole (antranilamida)  Syngenta Proteção de Cultivos Ltda. – São Paulo  
Galgotrin  cipermetrina (piretróide)  Prentiss Química Ltda. – Campo Largo/PR  
GeneralBR  clorpirifós (organofosforado)  Ouro Fino Química S.A. – Uberaba  
Karate Zeon 250 CS  lambda-cialotrina (piretróide)  Syngenta Proteção de Cultivos Ltda. – São Paulo  
Karate Zeon 50 CS  lambda-cialotrina (piretróide)  Syngenta Proteção de Cultivos Ltda. – São Paulo  
Lecar  lambda-cialotrina (piretróide)  Syngenta Proteção de Cultivos Ltda. – São Paulo  
Lorsban 480 BR  clorpirifós (organofosforado)  Dow Agrosciences Industrial Ltda. – São Paulo  
Permetrin 384 EC CCAB  permetrina (piretróide)  CCAB Agro S.A. – São Paulo  
Permetrina CCAB 384 EC  permetrina (piretróide)  CCAB Agro S.A. – São Paulo  
Permetrina Fersol 384 EC  permetrina (piretróide)  Ameribrás Indústria e Comércio Ltda.  
Pounce 384 EC  permetrina (piretróide)  FMC Química do Brasil Ltda. – Campinas  
Sparviero 50  lambda-cialotrina (piretróide)  Oxon Brasil Defensivos Agrícolas Ltda.  
Wild  clorpirifós (organofosforado)  Albaugh Agro Brasil Ltda.- São Paulo  

Soja

Produto Ingrediente Ativo (Grupo Químico) Titular de Registro 
Assaris  metomil (metilcarbamato de oxima)  Sinon do Brasil Ltda. – Porto Alegre /RS.  
ÁvidoBR  metomil (metilcarbamato de oxima)  Ouro Fino Química S.A. – Uberaba  
BrilhanteBR  metomil (metilcarbamato de oxima)  Ouro Fino Química S.A. – Uberaba  
Chiave Sup  metomil (metilcarbamato de oxima)  Sipcam Nichino Brasil S.A. – Uberaba/MG  
Chiave 215 SL  metomil (metilcarbamato de oxima)  Sipcam Nichino Brasil S.A. – Uberaba/MG  
Clorpirifós 480 EC Milenia  clorpirifós (organofosforado)  Adama Brasil S.A. – Londrina  
Curanza 600 FS PRO  Ciantraniliprole (antranilamida)  Syngenta Proteção de Cultivos Ltda. – São Paulo  
Extreme  metomil (metilcarbamato de oxima)  Du Pont do Brasil S.A. – Barueri (Alphaville)  
Fortenza 600 FS  Ciantraniliprole (antranilamida)  Syngenta Proteção de Cultivos Ltda. – São Paulo  
Lannate BR  metomil (metilcarbamato de oxima)  Du Pont do Brasil S.A. – Barueri (Alphaville)  
Majesty  metomil (metilcarbamato de oxima)  Du Pont do Brasil S.A. – Barueri (Alphaville) 

Controle biológico 

O controle biológico das lagartas pode ocorrer de maneira natural na lavoura, com inimigos naturais como microimenopteros, dípteros e entomopatógenos. 

Desta maneira, é importante que você utilize inseticidas de maneira seletiva para evitar que os organismos benéficos sejam eliminados da área. 

A seletividade de inseticidas usada pode ser ecológica e fisiológica. Ecológica com o uso dos produtos em horários mais favoráveis para atingir a praga e fisiológica com o uso de inseticidas pouco tóxicos aos organismos benéficos. 

banner planilha manejo integrado de pragas

Conclusão 

A lagarta-rosca é uma praga que tem causado danos em muitas culturas nos últimos anos como feijão, milho, soja e algodão. 

Tem hábito noturno e se aloja sob a terra no período do dia, por isso existe uma dificuldade de controle.

Os danos causados podem levar à morte da lavoura se a praga não for detectada a tempo. 

Existem formas de controlar a lagarta-rosca, sendo os principais controles cultural, químico e biológico (naturalmente). 

>> Leia mais:

Não cometa erros no manejo: 5 métodos de controle da lagarta-do-cartucho

Pragas quarentenárias: entenda os tipos e o que fazer para impedir a sua presença

Perspectivas para o mercado de controle biológico

Mercado de controle biológico cresce cerca de 15% ao ano e pode ser uma alternativa eficaz para sua lavoura.

Quando o assunto é controle de pragas, a primeira solução que vem à cabeça do produtor é o uso de defensivos químicos.

Mas, ao longo dos anos, muita coisa tem mudado. Desde 2011, o mercado de controle biológico vem crescendo cerca de 15% ao ano na agricultura brasileira, de acordo com a Embrapa.

Além de ser um método que tem se mostrado eficaz em muitas realidades brasileiras, é uma forma de utilizar ferramentas mais sustentáveis, principalmente pela alta demanda de alimentos mais seguros aos consumidores.

Você sabe quais as perspectivas e quais são os produtos biológicos que estão no mercado para controle de pragas agrícolas? Confira a seguir!

Mercado de controle biológico

O objetivo do controle biológico é controlar pragas através do uso de inimigos naturais – que podem ser predadores, parasitoides, microrganismos ou outros organismos benéficos. 

Nos últimos anos, o mercado de controle biológico cresceu mais de 70% no Brasil, segundo a Associação Brasileira das Empresas de Controle Biológico (ABCBio). 

Em 2019, especulou-se uma expectativa de movimentação desse mercado de cerca de US$ 5 bilhões para 2020 em todo o mundo. 

Mesmo com esse crescimento, o consumo de produtos biológicos no Brasil corresponde a 2% do faturamento total do mercado para a proteção de plantas. 

Além de ser culturalmente aceito o uso de defensivos químicos – como a calendarização – a falta de informação contribui muito para que o controle biológico de pragas não seja implementado por muitos produtores. 

No Manejo Integrado de Pragas (MIP), preconiza-se o uso consciente de vários métodos de controle e, dentre eles, o biológico, sem eliminar o uso do controle com produtos químicos, por exemplo. 

Por isso, dentre os vários benefícios do MIP, está o uso de táticas visando a sustentabilidade do meio ambiente. Também é mais uma maneira de enfrentar os desafios da agricultura tropical

Mas, para que isso aconteça, é importante que você conheça esse mercado de controle biológico que muito tem contribuído na agricultura brasileira e pode contribuir ainda mais.

Produtos biológicos

Existem diversos defensivos biológicos produzidos por biofábricas em larga escala e comercializados para utilização no campo. 

O intuito é o mesmo com relação aos defensivos químicos: conseguir controlar as pragas agrícolas em uma velocidade ideal para não atingir níveis de dano econômico. 

São classificados como macrorganismos, microrganismos, bioquímicos e semioquímicos. 

Veja abaixo a definição de cada um deles e alguns exemplos de produtos que já são registrados pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). 

Macrorganismos

Os macrorganismos são os parasitoides e predadores – como insetos, ácaros e nematoides – que atuam em liberações massais no campo. 

Cotesia flavipes parasitando lagarta de Diatraea saccharalis

Cotesia flavipes parasitando lagarta de Diatraea saccharalis
(Fonte: Heraldo Oliveira)

  • Trichogramma spp. – parasitoide de ovos de lagartas lepidopteras de várias culturas, como de soja e milho
Trichogramma pretiosum parasitando ovo de lepidoptera

Trichogramma pretiosum parasitando ovo de lepidoptera
(Fonte: Koppert)

  • Neoseiulus californicus – ácaro predador para controle de ácaro-rajado em todas as culturas com presença da praga, principalmente milho e soja. 
Ácaro predador Neoseiulus californicus

Ácaro predador Neoseiulus californicus
(Fonte: Koppert)

Microrganismos 

Os microrganismos são fungos, bactérias e vírus que colonizam e/ou infectam os hospedeiros e os matam. A maioria deles atua em diferentes estágios dos hospedeiros. Veja alguns exemplos: 

Beauveria bassiana colonizando adultos e ninfas de mosca-branca

Beauveria bassiana colonizando adultos e ninfas de mosca-branca
(Fonte: MF Rural)

  • Bacillus thuringiensis – é uma bactéria que possui uma toxina que rompe o intestino de lagartas da ordem Lepidoptera, como Spodoptera frugiperda em milho e Anticarsia gemmatalis em soja. 
mercado de controle biológico

Produto biológico à base de Bacillus thuringiensis 
(Fonte: Simbiose)

  • Trichoderma harzianum – é um fungo que age como fungicida microbiológico para controle de fungos e nematoides presentes no solo. 
Trichoderma harzianum

Trichoderma harzianum 
(Fonte: Koppert)

Bioquímicos 

Os produtos bioquímicos são sintetizados à base de extratos vegetais, algas, enzimas e hormônios. Estes atuam como estimulantes de defesa das plantas e como pesticidas naturais. 

  • Óleo de Neem – produto à base de extrato da planta de nim (Azadirachta indica Juss). 
mercado de controle biológico

Produto à base de óleo de Neem para controle de pragas
(Fonte: Grow Plant)

Semioquímicos

Os semioquímicos são substâncias químicas produzidas por organismos que têm funções de alterar o comportamento de outros organismos. Existem dois tipos deles: 

  • Feromônios – utilizados para comunicação de uma mesma espécie (são produtos específicos para cada espécie em que se requer controle ou monitoramento). 
  • Aleloquímicos – utilizados na comunicação entre insetos de espécies diferentes. 
Feromônio sintético para Spodoptera frugiperda

Feromônio sintético para Spodoptera frugiperda
(Fonte: BioControle)

Novos produtos no mercado de controle biológico

No ano de 2019, o Mapa aprovou o registro de 474 defensivos e, dentre eles, 40 foram produtos biológicos e orgânicos. 

Recentemente, foram aprovados dois defensivos biológicos inéditos. 

Um dos produtos é à base de alho, sendo, portanto, um produto bioquímico. Este poderá ser utilizado para controle de nematoides que atacam raízes das plantas. 

O outro produto é um macrobiológico, o ácaro Amblyseius tamatavensis que controla a mosca-branca (Bemisia tabaci Biótipo B), predando ovos e ninfas da praga.  

Um ponto importante a ser comentado é que, para registro de novos fitossanitários biológicos, o processo é o mesmo que para defensivos químicos. 

Pela Lei 7.802 e Decreto 4.074, é necessário que os produtos passem pela avaliação de três órgãos federais: 

  • Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) – órgão responsável por avaliar a eficiência agronômica dos produtos;
  • Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) – avalia o impacto para a saúde humana;
  • Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama) – avalia os impactos no meio ambiente.

Com o aumento da procura pelo biológicos, tudo indica que, nos próximos anos, outros produtos serão registrados e estarão ao alcance do produtor para uso. 

Biofábricas

Se tudo que foi falado aqui é novidade para você e não sabe onde encontrar as biofábricas, o Governo Federal disponibilizou uma plataforma com a localização de todas as biofábricas no território nacional. 

Hoje são mais de 80 empresas em todo o Brasil, incluindo multinacionais. 

Mapa para localização de biofábricas no Brasil

Mapa para localização de biofábricas no Brasil 
(Fonte: Governo Federal)

planilha manejo integrado de pragas MIP Aegro, baixe agora

Conclusão

Neste artigo você viu que o mercado de controle biológico no Brasil está em crescimento, apesar do maior consumo para proteção de plantas ainda ser de defensivos químicos. 

Os defensivos biológicos podem ser classificados em macrobiológicos, microbiológicos, bioquímicos e semioquímicos. 

Todos os produtos devem ser registrados pelo Mapa e já existem mais de 80 biofábricas por todo o território nacional. 

>> Leia mais:

“O que são bioinsumos e como eles podem ajudar a reduzir custos”

Restou alguma dúvida sobre o mercado de controle biológico? Você já utiliza alguns deles na sua lavoura? Deixe seu comentário!

Como fazer o manejo integrado do bicudo-do-algodoeiro

Bicudo-do-algodoeiro: saiba como prevenir surtos, identificar os danos e fazer o manejo correto dessa praga. 

As infestações por bicudo-do-algodoeiro estão entre os pesadelos do cotonicultor. E não é para menos: essa praga, se não for controlada, tem capacidade de destruir de 70% a 100% da produção de algodão

Mesmo sendo tão voraz, é possível obter sucesso em seu controle. Mas é necessário saber identificar os danos e conhecer muito bem tudo que envolve o manejo do bicudo. 

Quer saber mais sobre essa praga? Vou explicar melhor! 

Características do bicudo-do-algodoeiro

O bicudo-do-algodoeiro, Anthonomus grandis, é um besouro da família Curculionidae, que está dentro da ordem Coleoptera.

A maior parte dos curculionídeos tem uma característica marcante que é o aparelho bucal em formato de rostro. Por isso, a atribuição a muitos de “bicudo”. 

Essa espécie não tinha ocorrência no Brasil até o início dos anos 80. Em 1983, foi encontrada no estado de São Paulo e se espalhou por outros estados ao longos dos anos. 

Atualmente, é a principal praga da cultura do algodão no país e pode causar danos severos se não for controlada. 

O adulto é um inseto pequeno, podendo medir cerca de 3 a 8 mm, de coloração variável (de castanho ao acinzentado) e alta capacidade de dispersão, embora não voe muito bem. 

É mais comum encontrar adultos em botões florais da porção mediana da planta, mas a alimentação ocorre tanto nas partes superiores como nas medianas. 

imagem do bicudo do algodoeiro
Adulto do bicudo-do-algodoeiro; praga é a principal da cotonicultura 
(Fonte: Boletim de P&D)

A larva do bicudo é ápoda, esbranquiçada e pode chegar a medir até 1 cm de comprimento. Causa sérios danos por se desenvolver no interior dos botões das flores e nas maçãs.

Larva do bicudo do algodoeiro
Larva do bicudo-do-algodoeiro 
(Fonte: Agro Bayer Brasil)

O ciclo de vida, de ovo a adulto, depende das condições climáticas. Em condições de altas temperaturas e alta umidade, o ciclo se completa em 20 dias

Assim, por ter alta capacidade reprodutiva e de destruição, ao longo de uma safra, podem ocorrer até 6 gerações da praga, causando danos irreversíveis. 

Danos causados pelo bicudo

É mais comum que os ataques do bicudo-do-algodoeiro comecem pela bordadura. E as estruturas reprodutivas são os principais alvos dessa praga.

É possível detectá-la quando ocorre separação das brácteas e dos botões florais. Em seguida, ocorre amarelecimento e queda. 

Queda e danos em botões florais de algodão
(Fonte: Agro Bayer Brasil)

Porém, antes mesmo de ocorrerem as quedas, você pode observar se há a presença do bicudo na área pelos orifícios causados tanto pela alimentação dos adultos quanto pela oviposição. 

Normalmente, eles preferem os botões florais de tamanho médios (entre 4 a 6 mm de diâmetro).

O orifício causado por oviposição fica coberto com uma camada de um tipo de cera. Já o orifício de alimentação não tem nenhuma proteção e, geralmente, são vários pontos próximos. 

Ataque do bicudo-do-algodoeiro no botão floral: orifícios de oviposição e alimentação
(Fonte: Boletim P&D)

As flores atacadas são comumente chamadas de “flor em balão”, por ficarem com aspecto de um balão. Não se abrem e apresentam pétalas perfuradas. 

Os capulhos ficam totalmente destruídos internamente, com baixa qualidade de fibras e sementes. 

Além disso, as plantas, quando muito atacadas, crescem e ficam com alto desenvolvimento vegetativo. 

Controle do bicudo-do-algodoeiro 

O Manejo Integrado de Pragas (MIP) é a melhor opção para controle de pragas, principalmente para pragas altamente severas. 

Como comentado anteriormente, o adulto do bicudo-do-algodoeiro fica, na maior parte do tempo, na região mediana da planta. E, além disso, após a oviposição, as larvas permanecem dentro das estruturas da planta. 

Esses fatores dificultam muito o controle. Por isso, existem várias táticas que vão contribuir para a prevenção de surtos e para o manejo correto desse coleóptero. Vou falar melhor sobre outras medidas de controle a seguir:

Monitoramento

Um passo muito importante – e muitas vezes deixado de lado pelos cotonicultores – é o monitoramento dessa praga.

Deve ser iniciado durante a entressafra, pois muitas vezes os insetos conseguem se manter em restos culturais que permanecem na área após a colheita. 

O período que antecede a fase de produção de botões florais é, sem dúvidas, a mais importante para monitorar. 

Uma boa opção são as armadilhas cônicas, de cor verde-limão, com dispersor de feromônio inserido em um compartimento superior, onde o inseto é atraído e aprisionado. 

Para o vistoriamento do talhão, vistoriam-se 250 botões e o nível de controle para tomada de decisão deve ser de até 5% dos botões atacados. 

Controle comportamental

No controle comportamental, pode-se utilizar a técnica atrai e mata por meio do tubo-mata-bicudo (TMB®).

O tubo é feito de papelão, com coloração verde-limão, e é revestido por um atraente alimentar mais a liberação lenta de um inseticida. Na parte superior é colocado um feromônio específico para Anthonomus grandis

Deve ser instalado na bordadura da lavoura nas fases de pré-plantio e após a colheita para atingir adultos do bicudo. 

Tubo mata bicudo
A – tubo-mata-bicudo (TMB®); B – adultos de bicudo capturados por TMB 
(Fonte: Embrapa)

Controle cultural

A época de plantio é algo importante a que o produtor deve se atentar. Em uma mesma região, o ideal é que todos os produtores plantem na mesma época. Isso encurta o período com estruturas reprodutivas viáveis à praga. 

Importante também fazer a destruição de soqueiras logo após a colheita para que não haja plantas de algodão ou rebrota na entressafra. 

Uma outra tática é a catação de botões caídos no solo e destruição dos mesmos de 5 em 5 dias. Isso vai evitar que os insetos continuem o desenvolvimento ao longo da safra seguinte. 

O preparo antecipado do solo e o uso de variedade precoces vão contribuir muito para que o bicudo não atinja níveis populacionais altos. 

Além dessas técnicas, é preciso fazer vazio sanitário de acordo com as recomendações da região produtora. 

Controle químico

O controle químico deve ser baseado nos dados de amostragens no monitoramento. Só é possível controlar a fase adulta, já que as demais fases (ovos, larvas e pupas) ficam dentro das estruturas reprodutivas. 

É muito importante seguir as recomendações do fabricante para não haver falha da tecnologia. 

Os grupos químicos utilizados devem ser rotacionados para evitar pressão de seleção. 

Prefira inseticidas seletivos aos inimigos naturais, pois estes irão permanecer na área e contribuirão para a redução da população de bicudo.

No Agrofit existem 107 produtos registrados.

Controle biológico

Embora muitos não acreditem nesse método para o controle do bicudo-do-algodoeiro, o controle biológico natural pode contribuir para a redução da população

Os parasitoides Catolaccus grandisBracon vulgaris são os que têm maior potencial de redução natural da praga.

Os entomopatógenos Beauveria bassiana e Metarhizium anisopliae também têm grande potencial de controle do bicudo.

Entretanto, nenhum desses agentes têm registro no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) para controle inundativo. Por isso, é importante manter o agroecossistema sustentável, com uso de pesticidas seletivos aos inimigos naturais. 

Software para manejo do bicudo

Uma das melhores maneiras de realizar o manejo integrado do bicudo-do-algodoeiro na sua plantação é utilizando softwares agrícolas especializados.

Com o Aegro, por exemplo, o controle desta praga se torna muito mais eficiente e organizado.

Você planeja as atividades de manejo para garantir que a sua equipe siga um cronograma preciso. Todos os funcionários da propriedade têm perfis de acesso ao software e conseguem utilizá-lo simultaneamente.

Acompanhe os resultados do armadilhamento do bicudo pelo Aegro
Acompanhe os resultados do armadilhamento do bicudo pelo Aegro

Os registros de armadilhamento e monitoramento são feitos diretamente pelo celular. Isso agiliza o trabalho no campo e evita anotações em cadernos que se perdem mais tarde.

Além de automatizar a rotina de manejo, o Aegro ainda facilita o acompanhamento dos resultados. A qualquer momento da safra, você pode checar os níveis de incidência do bicudo através dos mapas do software.

Peça uma demonstração gratuita do Aegro e veja de perto todas essas funcionalidades!

planilha de produtividade do algodão Aegro

Conclusão 

O bicudo-do-algodoeiro é um inseto pequeno, mas extremamente voraz e capaz de causar perdas significativas no algodão. 

Os ataques começam pela bordadura, onde é possível ver os danos causados nas plantas. 

As estruturas reprodutivas são os principais alvos desta praga, impossibilitando a formação dos capulhos. 

O manejo integrado do bicudo é a melhor maneira de controlar a população. 

>> Leia mais:

Principais pragas do algodão e as estratégias para seu controle

Evite a rebrota da planta de algodão com estes 2 tipos de manejo

Você tem problemas com o bicudo-do-algodoeiro em sua lavoura? Quais táticas tem usado para controle? Conte sua experiência nos comentários!

Quais as principais pragas polífagas e como controlá-las

Pragas polífagas: algumas pragas podem se adaptar a diferentes hospedeiros e se tornarem ainda mais agressivas. Entenda como isso acontece! 

Você já se deparou com uma praga que aparece sempre em sua área independente da cultura? Muito provavelmente essa praga é polífaga. 

Algumas espécies de insetos-praga atacam muitas culturas e podem causar danos econômicos em todas elas se não forem controladas.

Produtores de culturas como milho, soja e algodão geralmente se deparam com problemas com as mesmas pragas.

E como é possível controlar as pragas polífagas? Acompanhe a seguir!

Pragas polífagas

A palavra “polífaga” significa o hábito de se ingerir uma ampla variedade de fontes alimentares, no caso das pragas se refere usualmente às que se alimentam de diversas culturas.

O termo pode até ser novo para você, mas as pragas, certamente, não são. 

Elas estão entre as mais difíceis de serem controladas e causam danos ao longo de todo o ano em culturas distintas. Isso devido a características como alta variabilidade genética e alto potencial reprodutivo. 

Entretanto, nem sempre foi assim. 

O que acontece é que em consequência do sistema de plantio de forma ininterrupta ao longo do ano, os artrópodes-praga encontraram um ambiente ideal para se propagarem.

Além disso, com o plantio de lavouras sucessivas como de soja – milho e milho – algodão, criou-se as “pontes verdes” e muitos insetos herbívoros se adaptaram a diferentes plantas hospedeiras. 

Portanto, é muito importante que você tome as devidas precauções para que não ocorra um aumento ainda maior desse tipo de praga.

Um ponto relevante é que outras pragas, que ainda não são polífagas, podem se tornar ao longo do tempo devido a essa facilidade de encontrar diferentes hospedeiros e meios de adaptação ao ambiente.

Por isso, saber manejar corretamente sua lavoura não só vai te garantir melhores rendimentos e produtividade como também vai evitar o aumento desse tipo de praga.

Principais pragas polífagas

Existem muitas espécies de insetos herbívoros que completam seus ciclos em um grande número de plantas. Porém, existem aquelas que, além de se manterem nas plantas, causam maiores prejuízos em culturas com importância econômica. 

Dentre as principais pragas polífagas no Brasil, destacam-se as espécies Spodoptera frugiperda, Helicoverpa armigera, Euschistus heros e Bemisia tabaci

Saiba mais sobre elas a seguir:

Spodoptera frugiperda (lagarta-do-cartucho)

A ordem Lepidoptera de insetos comporta um grande número de pragas agrícolas, dentre elas a espécie Spodoptera frugiperda que pertence à família Noctuidae

Sendo praga-chave da cultura do milho, causa danos diretos desde o período vegetativo até o reprodutivo. Na fase inicial da cultura pode até ser confundida com a lagarta-rosca

Porém, devido à sua alta adaptabilidade e enorme número de hospedeiros, essa praga não tem preferência por plantas de folhas largas ou folhas estreitas. 

Por isso, a lagarta-do-cartucho ou lagarta-militar ataca mais de 100 hospedeiros, podendo ocorrer em culturas muito distintas e causando danos severos se não for controlada.

Helicoverpa armigera 

Assim como Spodoptera frugiperda, a Helicoverpa armigera é uma espécie da ordem Lepidoptera e família Noctuidae

É uma praga exótica, ou seja, que não tinha ocorrência no Brasil, mas desde 2013 tem sido um grande problema aos produtores em culturas como soja, milho e algodão. 

Na safra 2012/2013, por exemplo, causou um prejuízo de mais de R$ 1 bilhão na cotonicultura. 

Por isso, essa praga é considerada uma ameaça constante aos produtores, visto que já causou grandes prejuízos em safras passadas.

Euschistus heros (percevejo-marrom) 

percevejo marrom

Adulto de Euschistus heros
(Fonte: Promip)

O percevejo-marrom é um inseto sugador da ordem Hemiptera e pertence à família Pentatomidae

Sendo a soja seu principal hospedeiro, essa praga passou a causar maiores danos após o aumento do uso de cultivares transgênicas, em que o maior foco de controle era o complexo de lagartas. 

Além do mais, o percevejo-marrom passou a atacar com maior frequência outras culturas de importância econômica, devido ao manejo incorreto com uso de inseticidas

Um outro agravante é que consegue se manter até mesmo em ambientes desfavoráveis, quando a população entra em diapausa – redução do crescimento e do desenvolvimento.

Bemisia tabaci (Mosca-branca)

mosca-branca

Adultos de Bemisia tabaci
(Fonte: Perring et al., 2018)

Embora tenha nome comum de mosca-branca, essa praga é da ordem Hemiptera e família Aleyrodidae

Além dos danos diretos, os danos indiretos dessa praga são os mais preocupantes, visto que pode transmitir um enorme número de doenças de plantas. 

A mosca-branca tem causado perdas em culturas como soja, algodão, tomate e feijão.

Uma característica importante é a alta variabilidade genética, o que levou a uma diferenciação da espécie por biótipos.

Como controlar as pragas polífagas

A forma mais correta e eficaz de controle dessas pragas é por meio do uso de táticas do Manejo Integrado de Pragas (MIP).

pragas polífagas

Bases e pilares do MIP

Pragas polífagas: monitoramento

O primeiro passo, muitas vezes desconsiderado pelos produtores, é fazer o monitoramento.

É possível evitar surtos fazendo monitoramentos rotineiros, com estratégias pensadas de acordo com a região, a cultura e com o histórico da área.

Assim, o controle só deverá ser feito quando a praga atingir o nível de controle. Antes disso, é desnecessário e pode levar a gastos extras.

Uma outra questão importante é que o produtor se esquece que essas pragas conseguem se manter em hospedeiros alternativos.

Por isso, o monitoramento deve ser feito antes, durante e após a safra – visando o controle cultural como retirada de restos culturais e eliminação de plantas daninhas.

Pragas Polífagas: métodos de controle

No MIP não se desconsidera nenhum método de controle, mas visa-se o uso correto e eficiente. Vamos a alguns tópicos:

  • Como já citado, o controle cultural deve ser bem pensado de acordo com a cultura. Muitas vezes, ações simples podem evitar que as pragas se proliferem;
  • O uso de plantas geneticamente modificadas é uma boa tática, mas deve estar aliada a áreas de refúgio. Caso contrário, pode haver pressão de seleção e aumentar a população resistente da praga;
  • Controle biológico com uso de organismos benéficos potencializará as demais táticas. Aqui, é extremamente importante a conservação dos organismos que ocorrem naturalmente na área;
  • O controle químico só deve ser feito quando for detectado pelo monitoramento. Não faça aplicações calendarizadas, pois vai piorar a situação da lavoura e aumentar ainda mais os riscos;
  • Prefira inseticidas seletivos aos inimigos naturais e não utilize apenas um tipo de modo de ação: faça rotação de grupos químicos;
  • Tenha muita atenção à tecnologia de aplicação, com boas condições climáticas, pressão, bico e volumes adequados. 

Lembre-se que as pragas polífagas atacam um grande número de hospedeiros e todo cuidado é pouco para evitar surtos inesperados. 

Conclusão

As pragas polífagas atacam diversas culturas de importância econômica.

O surgimento delas se deu pela forma como todo o sistema agrícola vem sendo manejado.

Com isso, vimos que as principais pragas polífagas do Brasil são Spodoptera frugiperda, Helicoverpa armigera, Euschistus heros e Bemisia tabaci

Sendo que as melhores formas de controle dessas pragas é por meio do manejo integrado de pragas (MIP). 

>>Leia mais:

Pragas quarentenárias: entenda os tipos e o que fazer para impedir a sua presença

“Como fazer o manejo eficiente e livrar sua lavoura da cigarrinha-verde”

O que você achou do texto? Como lida com pragas polífagas? Deixe o seu comentário abaixo. 

Preparação para a safra de verão: dicas e boas práticas

Planejamento de safra: pontos necessários e fatores-chave no momento de se fazer o planejamento ideal. 

Mesmo com o acesso às informações cada vez mais facilitado pelas tecnologias, muitos produtores ainda enfrentam dificuldades para se organizar e planejar ações futuras. 

Preparar-se para a safra de verão é um passo crucial para garantir uma colheita produtiva e rentável.  


Esse período, caracterizado por temperaturas elevadas e maior incidência de luz solar, pode ser altamente favorável para o desenvolvimento de diversas culturas, desde que o planejamento seja realizado de maneira adequada. 

A preparação envolve uma série de etapas essenciais, como a escolha das sementes, o preparo do solo, a gestão hídrica e o monitoramento de pragas e doenças. 

Implementar boas práticas agrícolas, como a rotação de culturas, o uso de tecnologias modernas e a adubação correta, pode maximizar os rendimentos e a sustentabilidade da lavoura. 

Este guia oferece dicas e estratégias para ajudar os agricultores a planejar e executar uma safra de verão bem-sucedida, abordando desde o planejamento inicial até a colheita final.

Boa leitura!

O que é Planejamento de Safra?

O planejamento de safra é uma ferramenta essencial para a gestão eficiente da lavoura, sendo fundamental para definir metas e objetivos que aumentem a rentabilidade da fazenda.

Este processo deve ser iniciado durante a organização dos detalhes para uma nova safra, considerando possíveis erros e acertos que visem à sustentabilidade do plantio e ao aumento da renda.

Figura 1. Planejamento de safra agrícola. Créditos: IA | Edga

Melhores práticas para um bom planejamento de safra

Para garantir uma safra bem-sucedida, é crucial adotar um conjunto de práticas e estratégias que considerem desde a escolha das culturas até a utilização de tecnologias avançadas. 

A seguir, detalhamos os principais pontos para um planejamento eficiente:

1. Planejamento de plantio: escolha das culturas e rotação de culturas

Escolha das culturas: A seleção das culturas deve ser baseada em fatores como a demanda do mercado, condições climáticas locais e características do solo. 

É importante analisar o ciclo de crescimento de cada planta e a compatibilidade com o período de cultivo. 

Culturas que se adaptam bem ao clima e ao solo local tendem a ser mais produtivas e resistentes a doenças. 

Além disso, considere a viabilidade econômica, escolhendo culturas que tenham boa aceitação no mercado e preços favoráveis.

Figura 2. Demonstração de soja, milho e algodão para um futuro planejamento de safra. Créditos: IA | Edga

Rotação de culturas: Implementar a rotação de culturas é essencial para manter a saúde do solo e prevenir o esgotamento de nutrientes. A rotação ajuda a reduzir a incidência de pragas e doenças, além de melhorar a estrutura do solo e a biodiversidade. 

Alternar entre diferentes tipos de culturas, como leguminosas e gramíneas, pode melhorar a fertilidade do solo e reduzir a dependência de fertilizantes químicos. 

A rotação também ajuda a interromper os ciclos de vida de pragas e doenças específicas a uma cultura, diminuindo a necessidade de defensivos agrícolas.

2. Preparação do solo: análise de solo, adubação e correção

Análise de solo: realize uma análise completa do solo para identificar suas características químicas, físicas e biológicas. Essa análise é crucial para determinar a necessidade de correções e adubação.

A análise deve ser feita em diferentes pontos da lavoura para obter uma visão geral da variabilidade do solo. Parâmetros como pH, matéria orgânica, textura, capacidade de retenção de água e níveis de nutrientes (nitrogênio, fósforo, potássio, entre outros) devem ser avaliados.

Adubação e correção: com base na análise de solo, aplique os corretivos necessários para ajustar o pH e os níveis de nutrientes. Utilize adubos orgânicos e inorgânicos de forma equilibrada para suprir as necessidades das culturas. 

A calagem é uma prática comum para corrigir a acidez do solo, enquanto a aplicação de compostos orgânicos ajuda a aumentar a matéria orgânica e a atividade biológica do solo. 

A adubação deve ser feita de acordo com as recomendações técnicas, considerando as fases de desenvolvimento das plantas para otimizar a absorção de nutrientes.

3. Seleção e uso eficiente de insumos

Insumos agrícolas: escolha sementes, fertilizantes e defensivos agrícolas de alta qualidade e adequados para as condições específicas da sua lavoura. Prefira insumos certificados e de fornecedores confiáveis. 

A qualidade das sementes é um fator determinante para a produtividade. Sementes certificadas garantem maior vigor, uniformidade e resistência a doenças. Os fertilizantes devem ser escolhidos com base nas necessidades nutricionais das culturas, enquanto os defensivos agrícolas devem ser selecionados para controlar pragas e doenças específicas de maneira eficaz e segura.

Uso eficiente: planeje a aplicação dos insumos de forma racional, evitando desperdícios e reduzindo os custos. Utilize técnicas como a adubação de precisão e o manejo integrado de pragas (MIP) para otimizar o uso dos recursos. 

A adubação de precisão envolve a aplicação de fertilizantes na quantidade certa, no local certo e no momento adequado, utilizando tecnologias como GPS e sensores de solo. O MIP combina métodos químicos, biológicos e culturais para controlar pragas de forma sustentável, reduzindo a dependência de defensivos químicos.

4. Monitoramento climático: como usar previsões meteorológicas para otimizar o plantio

Previsões meteorológicas: utilize dados meteorológicos para planejar o plantio e as operações agrícolas. Ferramentas como aplicativos de clima e estações meteorológicas locais podem fornecer previsões precisas e em tempo real. Essas previsões ajudam a tomar decisões informadas sobre o melhor momento para semear, irrigar e aplicar defensivos agrícolas. É importante acompanhar não apenas a previsão do tempo, mas também tendências climáticas de médio e longo prazo, que podem afetar o desenvolvimento das culturas.

Tomada de decisões: ajuste as datas de plantio e as práticas de manejo com base nas previsões de chuva, temperatura e umidade. Um bom monitoramento climático ajuda a minimizar os riscos e maximizar a produtividade. 

Por exemplo, antecipar ou atrasar o plantio em resposta a uma previsão de seca ou chuvas intensas pode proteger as sementes e melhorar a germinação. Além disso, o monitoramento climático contínuo permite ajustar a irrigação e a aplicação de insumos ao longo da safra, otimizando o uso dos recursos e evitando desperdícios.

5. Ferramentas e tecnologias para a gestão eficiente da safra

Tecnologias digitais: adote tecnologias como software de gestão agrícola, sensores de solo e drones para monitoramento e análise da lavoura. Essas ferramentas auxiliam na coleta de dados precisos e na tomada de decisões informadas. 

Softwares de gestão agrícola permitem o registro e análise de dados de campo, facilitando o planejamento e o controle das operações agrícolas. 

Sensores de solo fornecem informações em tempo real sobre a umidade e a temperatura do solo, enquanto drones capturam imagens aéreas detalhadas para monitorar o crescimento das plantas e detectar problemas precocemente.

Automação e IoT: utilize sistemas de irrigação automatizados e dispositivos IoT (Internet das Coisas) para otimizar o uso de água e insumos, garantindo eficiência e sustentabilidade. 

Sistemas de irrigação automatizados, como a irrigação por gotejamento controlada por sensores de umidade, permitem aplicar a quantidade exata de água necessária, evitando o desperdício e melhorando a eficiência hídrica. 

Dispositivos IoT, como sensores de clima e estações meteorológicas conectadas, fornecem dados em tempo real que podem ser usados para ajustar as práticas de manejo e melhorar a precisão das operações agrícolas.

6. Planejamento de safra por estação

Estacionalidade: planeje as atividades agrícolas considerando as características de cada estação do ano. Cada estação oferece condições específicas que podem ser aproveitadas para diferentes culturas e práticas de manejo. 

O planejamento estacional envolve a adaptação das operações agrícolas às variações climáticas sazonais, como a temperatura, a precipitação e a duração do dia.

Por exemplo, culturas de estação fria, como trigo e cevada, são mais adequadas para o outono e inverno, enquanto culturas de estação quente, como milho e soja, prosperam na primavera e verão.

Calendário agrícola: desenvolva um calendário agrícola detalhado, mapeando todas as atividades desde o preparo do solo até a colheita. Este calendário deve ser ajustado conforme as condições climáticas e as necessidades da lavoura. 

Um calendário agrícola bem planejado permite coordenar todas as operações agrícolas, garantindo que cada atividade seja realizada no momento ideal. Isso inclui o preparo do solo, a semeadura, a irrigação, a adubação, o controle de pragas e doenças, e a colheita.

Ajustes podem ser feitos ao longo da safra com base no monitoramento contínuo das condições climáticas e do desenvolvimento das culturas.

Integração com planejamento financeiro e de estoque

O planejamento de safra deve estar alinhado ao planejamento financeiro e de estoque, sempre partindo dos custos de produção. 

A análise financeira contínua e o controle de estoque são fundamentais para evitar gastos desnecessários e otimizar os recursos disponíveis. 

Um bom planejamento financeiro envolve a elaboração de orçamentos detalhados, que consideram todos os custos operacionais, desde a compra de insumos até a colheita e a comercialização. 

O controle de estoque, por sua vez, garante que todos os insumos necessários estejam disponíveis no momento certo, evitando atrasos e interrupções nas operações agrícolas.

Ferramentas de Gestão: Aegro

Para otimizar o planejamento de safra, considere o uso de ferramentas digitais como o Aegro. Este aplicativo centraliza todas as informações da safra, unindo áreas operacionais e financeiras da fazenda. Entre as principais funcionalidades estão:

  • Planejamento, controle e registro de atividades no campo;
  • Mapeamento e medição de áreas dos talhões;
  • Registro de observações com geolocalização e fotos;
  • Controle de abastecimentos e manutenções de máquinas;
  • Monitoramento de pragas e doenças;
  • Administração do fluxo de caixa;
  • Gestão do estoque da fazenda.

O Aegro facilita a gestão integrada da fazenda, permitindo que o produtor acompanhe cada etapa da safra, desde a semeadura até a comercialização. 

Pelo computador ou celular, o produtor e sua equipe podem trabalhar de forma mais integrada, melhorando a eficiência operacional e a tomada de decisões. 

No final do ciclo produtivo, o Aegro oferece uma análise detalhada sobre os custos de produção e a rentabilidade de cada talhão, permitindo entender o que deu certo ou errado no plantio e otimizar os processos da lavoura.

Agende sua demonstração aqui

Conclusão

O planejamento de safra é essencial para o sucesso e sustentabilidade da produção agrícola. Envolve desde a escolha das culturas e preparação do solo até o uso eficiente de insumos e tecnologias avançadas. Estratégias como a rotação de culturas e o manejo integrado de pragas são fundamentais. 

A utilização de ferramentas digitais, como o Aegro, centraliza informações e otimiza o controle operacional e financeiro.

Alinhar o planejamento de safra ao planejamento financeiro e ao controle de estoque garante eficiência e controle de custos. A integração de práticas sustentáveis também é crucial para a longevidade e produtividade da lavoura. 

Com um planejamento bem elaborado e o uso de tecnologias adequadas, produtores podem enfrentar os desafios do campo com mais confiança e obter melhores resultados. 

Se tiver dúvidas ou quiser compartilhar suas experiências, deixe um comentário abaixo!

Restou alguma dúvida sobre planejamento de safra? Deixe seu comentário abaixo! 

Quais são as principais pragas do trigo e como combatê-las

Pragas do trigo: Conheça melhor as principais pragas da cultura desde o campo até o armazenamento 

A cultura do trigo tem importância global devido à forte demanda na produção de alimentos, sendo uma matéria-prima base. 

É um dos cereais mais abundantes mundialmente, podendo ser produzido em regiões bastante distintas.

E, como toda cultura agrícola, existem doenças e pragas que podem prejudicar a produção.

Mas você sabe quais são as principais pragas do trigo e como combatê-las? Vou te explicar a seguir.

Principais pragas do trigo 

As pragas do trigo podem variar dependendo do local em que a cultura está sendo produzida, mas, de forma geral, as principais são:

  • pulgões;
  • lagarta-do-trigo;
  • lagarta-militar;
  • percevejos;
  • corós;
  • gorgulhos.

Esses são insetos-pragas que acometem a cultura de forma geral, desde a implantação no campo até o armazenamento. Para facilitar nossa conversa, vamos dividi-las em pragas de campo e pragas de armazenamento.

Pulgões

Os pulgões do trigo são afídeos que causam danos diretos pela sucção da seiva, reduzindo o poder germinativo das sementes, o número de grãos por espiga, o tamanho e peso dos grãos. 

Mas, mesmo quando não há população significativa para causar danos diretos, os pulgões causam danos indiretos sendo vetores de doenças, principalmente de espécies de Barley yellow dwarf virus (BYDV)

As espécies pertencem à família Aphididae dentro da ordem Hemiptera, sendo que os pulgões mais frequentes na cultura são:

1. Pulgão-do-colmo-do-trigo – Rhopalosiphum padi

pragas do trigo

(Fonte: Defesa Vegetal)

2. Pulgão-da-folha-do-trigo – Metopolophium dirhodum 

Pulgão-da-folha-do-trigo

(Fonte: Defesa Vegetal)

3. Pulgão-da-espiga-do-trigo – Sitobion avenae 

 Pulgão-da-espiga-do-trigo

(Fonte: Defesa Vegetal)

4. Pulgão-verde-dos-cereais – Schizaphis graminum 

Pulgão-verde-dos-cereais

(Fonte: Defesa Vegetal)

Como controlar os pulgões?

Antes de decidir qual controle você deve fazer é recomendado realizar um monitoramento da área para a tomada de decisão.

Monitoramento e critérios para tomada de decisão no controle de pulgões em trigo
(Fonte: Informações Técnicas para Trigo e Triticale)

O controle biológico pode ser realizado para reduzir a população de pulgões que podem causar danos diretos com o uso de insetos parasitoides e predadores, como microhimenópteros e joaninhas.

Porém, devido aos danos indiretos causados pela transmissão de doenças, também existe a necessidade do uso do controle químico. 

Para isso, existem muitos produtos registrados no site do Mapa (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento), dentre eles piretroides e neonicotinoides.

Lagartas desfolhadoras

As lagartas desfolhadoras atacam desde plântulas até espigas na cultura tritícola e podem causar perdas significativas se não controladas. 

As três principais espécies que pertencem à família Noctuidae, ordem Lepidoptera, são: 

1. Lagarta-do-trigo – Pseudaletia adultera

pragas do trigo

Adulto (a) e lagarta de Pseudaletia adultera (b)
(Fonte: Agrolink)

2. Lagarta-do-trigo – Pseudaletia sequax

Lagarta-do-trigo

Adulto (a) e lagarta de Pseudaletia sequax (b)
(Fonte: Defesa Vegetal e Agrolink)

3. Lagarta-militar – Spodoptera frugiperda 

 Lagarta-militar

(Fonte: Agro Bayer Brasil)

Como controlar as lagartas desfolhadoras?

Para o controle das lagartas também é ideal que se faça monitoramento. 

Sendo assim, as amostragens devem ser semanais e é importante avaliar não somente as plantas, mas também o solo ao redor. 

Monitoramento e critérios para tomada de decisão no controle de lagartas em trigo
(Fonte: Informações Técnicas para Trigo e Triticale)

Para a lagarta-militar, o monitoramento deve ter início logo após a emergência das plantas e a tomada de decisão deve ser realizada com lagartas pequenas. 

Com o espigamento, deve-se intensificar o monitoramento para lagartas-do-trigo e ainda fazer observações da redução da folha bandeira. 

O controle biológico, tanto o natural como o aplicado, reduzirão efetivamente as lagartas desfolhadoras da lavoura. 

Caso seja necessário o uso de inseticidas, prefira aqueles específicos para as lagartas e que sejam registrados no Mapa. Além disso, devem ser seletivos aos inimigos naturais.

Percevejos

Os percevejos mais frequentes na cultura do trigo são do gênero Dichelops. Pertencem à família Pentatomidae, da ordem Hemiptera. 

Podem causar problemas no período do emborrachamento do trigo como desenvolvimento atrofiado, redução da altura da planta e má formação das espigas, deixando-as sem grãos ou com formação parcial. 

As espécies que ocorrem são Dichelops furcatus e Dichelops melacanthus, sendo conhecidos como percevejos-barriga-verde.

pragas do trigo

Dichelops furcatus (a) e Dichelops melacanthus (b)
(Fonte: Embrapa)

Como os insetos são bastante semelhantes, é recomendado que você saiba identificar cada espécie. Veja na tabela abaixo: 

Características fenológicas de adultos dos percevejos barriga-verde que permitem separar as duas espécies mais comuns
(Fonte: Embrapa Trigo)

Como controlar o percevejo-barriga-verde?

Para controlar os percevejos, você deve monitorá-los nos períodos vegetativos e reprodutivos. 

Monitoramento e critérios para tomada de decisão no controle de percevejos barriga-verde em trigo
(Fonte: Informações Técnicas para Trigo e Triticale)

Atualmente, o controle dos percevejos é basicamente realizado com uso de inseticidas. Mas reforço que existem insetos que atuam naturalmente parasitando ou predando estes percevejos.

Sempre opte por inseticidas que sejam específicos para o controle de percevejos, como os inseticidas sistêmicos. Evite inseticidas de amplo espectro.

Corós

Os corós são as pragas de solo que mais causam problemas ao triticultor. São insetos grandes que se alojam no solo a uma profundidade de cerca de 10 cm.

As infestações ocorrem em reboleiras e variam muito de um ano para o outro, devido ao ciclo reprodutivo das pragas, à mortalidade natural provocada por predadores e parasitoides e devido às condições climáticas. 

Atacam sementes, raízes e plântulas, podendo puxar as plantas para dentro do solo. 

As espécies mais comuns são:

1. Coró-das-pastagens – Diloboderus abderus

pragas do trigo

Adultos (A) e Larva (B)
(Fonte: Embrapa Trigo)

2. Coró-do-trigo – Phyllophaga triticophaga

Coró-do-trigo

Adulto (A) e Larva (B)
(Fonte: Embrapa Trigo)

Como controlar os corós?

Uma maneira de evitar surtos é saber o histórico da sua área. Esses insetos podem permanecer na área por um período maior do que o do próprio cultivo do trigo

O monitoramento deve ser realizado antes da semeadura.

Monitoramento e critérios para tomada de decisão no controle de corós em trigo
(Fonte: Informações Técnicas para Trigo e Triticale)

O controle cultural para os corós com aração e gradagem pode reduzir bastante a população. Porém, quando a realidade é plantio direto, esse método é incompatível.

O tratamento de sementes é o método mais indicado para controle destas pragas.

Pragas do trigo: armazenamento

Seria bem mais fácil se, após a colheita, o trigo estivesse totalmente seguro em um local de armazenamento. Mas não é bem isso que acontece!

Existem diversas pragas, primárias e secundárias, que atacam o trigo no armazenamento. 

Os insetos primários atacam diretamente os grãos sadios e os secundários atacam os grãos já danificados. 

Além dos danos diretos, causam danos indiretos por facilitarem a contaminação fúngica e presença de micotoxinas.

Podemos destacar insetos-praga da ordem Lepidoptera, das famílias Curculionidae e Bostrichidae. Os principais são:

1. Gorgulho-do-milho – Sitophilus zeamais

pragas do trigo

(Fonte: Termitek)

2. Gorgulho-do-arroz – Sitophilus oryzae

Gorgulho-do-arroz

(Fonte: Defesa Vegetal)

3. Besourinho-dos-cereais – Rhyzopertha dominica

Besourinho-dos-cereais

(Fonte: Defesa Vegetal)

Como controlar as pragas de armazenamento?

Neste caso, deve-se avaliar o histórico do ambiente em que se armazena o seu trigo. 

Você pode realizar medidas como:

  • Preventivas – armazenamento com teor de umidade abaixo de 13%, higienização e limpeza dos silos, eliminação de focos de infestação e pulverizações das instalações com inseticidas.
  • Monitoramento – o trigo deve ser monitorado durante todo o período em que permanecer armazenado. Deve-se amostrar as pragas e medir temperatura e umidade com frequência. 
  • Curativas – fazer expurgo dos grãos com produtos à base de fosfina, registrados pelo Mapa, e fazer vedação total.

Conclusão

A cultura do trigo tem importância mundial e pode ser cultivada em diversas regiões.

Porém, é uma cultura atacada por pragas desde o campo até o armazenamento.

Aqui você conheceu as principais pragas e como combatê-las de acordo com o MIP.

>> Leia Mais:

Tudo que você precisa saber sobre as plantas daninhas do trigo

“3 fatores que determinam a qualidade do trigo e o preço de venda dos seus grãos”

Quais as pragas do trigo que mais acontecem em sua lavoura? Restou dúvidas? Deixe seu comentário abaixo! 


Descubra como eliminar o besouro castanho

Como eliminar o besouro castanho com maneiras eficazes de controle dessa praga e, ainda, evitar prejuízos no armazenamento de grãos.

Na produção de grãos, os desafios não param após a colheita e você, como produtor, deve ficar de olho nas pragas de armazenamento.

De modo geral, as pragas secundárias não costumam ser vistas como problemas, mas as de armazenamento podem fazer um estrago e tanto. 

O besouro castanho é um desses insetos que podem causar sérios prejuízos no armazenamento de culturas como arroz, milho, soja e trigo.  

E é realmente possível acabar com essa praga? Vamos entender como eliminar o besouro castanho. Confira a seguir! 

Características do besouro castanho

A espécie é Tribolium castaneum que pertence à família Tenebrionidae, da ordem Coleoptera. O besouro castanho é popularmente conhecido como ‘caruncho’.

São besouros bastante diminutos, medindo cerca de 2 a 4 mm de comprimento, possuem coloração castanho-avermelhada e corpo achatado. 

As fêmeas ovipositam, em média, 500 ovos em locais como frestas, fendas de parede, sacarias e sobre os grãos. 

Como eliminar o besouro castanho

Adulto de besouro castanho
(Fonte: AgroBase)

Já as larvas, branco-amareladas, têm corpo alongado e cilíndrico e são do tipo elateriforme. 

Todo o ciclo de uma geração desta praga dura cerca de 20 dias em ambientes quentes com umidade alta.

Assim, o besouro castanho é tido como uma praga secundária por não ter a capacidade de romper o tegumento dos grãos. Devido a isso, ataca grãos armazenados que já haviam sido atacados por pragas primárias.

Além de causar sérios prejuízos em estoques de produtos moídos, farináceos e em grãos que não permanecem totalmente íntegros, o grande problema está no ataque do embrião dos grãos.

Como eliminar o besouro castanho

Besouro castanho – Tribolium castaneum. Larva (a, b), pupa (c) e adulto (d)
(Fotos: Adriana de Marques Freitas/Embrapa)

Manejo do besouro castanho

Para manter o controle do besouro castanho nos armazéns é essencial o Manejo Integrado de Pragas de Grãos e Sementes Armazenadas (MIPGRÃOS/ MIPSEMENTES).

E o controle dele não se dá de forma individual. 

Por isso, quando se trata de grãos armazenados existe todo um complexo de pragas em que se deve ter atenção.

No MIP, a integração de diferentes métodos e um bom sistema de monitoramento é o que vai garantir a supressão e, até mesmo, a eliminação desta praga. 

Antes de tudo, tenha em mente 6 etapas essenciais como prevenção e para manter a fitossanidade do armazém:

1. Mudança de comportamento dos armazenadores

É imprescindível que produtores e operadores estejam cientes da importância das pragas de grãos armazenados.

Não adianta você somente se preocupar com a praga quando ela já estiver lhe causando danos. 

2. Conhecimento da unidade armazenadora de grãos

Saiba qual o histórico de pragas do local nos anos anteriores e identifique problemas passados. 

A unidade deve ser conhecida por todos que estiverem envolvidos com o armazenamento, desde a colheita até o momento em que o produto será retirado do local. 

3. Limpeza e higienização local

A limpeza do local vai contribuir para que possíveis focos de infestações sejam eliminados e não prejudiquem um armazenamento adequado. 

Como mencionado, o besouro castanho tem hábito de oviposição em substrato inerte, ou seja, em fendas de parede e outros locais em que há necessidade da higienização. 

4. Fazer uma correta identificação das pragas 

As medidas de controle somente serão corretas se a identificação das pragas também estiver sido feita corretamente. 

Uma vez que tiver uso incorreto de alguma medida, o resultado só será visto quando já houver prejuízo final. 

5. Potencial de destruição das pragas 

Entender a capacidade de destruição de cada praga para que se determine a viabilidade de comercialização dos grãos armazenados. 

6. Gerenciamento da unidade armazenadora

Todas as atitudes devem ser realizadas por meio de um gerenciamento, desde a chegada dos grãos, a permanência no armazém até a saída para comercialização e consumo. 

Tudo isso garantirá diminuição de perdas e aumento da qualidade dos grãos.

E como deve ser o monitoramento?

O monitoramento do besouro castanho deve estar atrelado ao das demais pragas de grãos armazenados. Isso porque, como você viu, esta praga é secundária e sua ação será facilitada com a presença de pragas primárias no armazém.

Assim, os grãos devem ser monitorados durante todo o período de armazenamento. Isso vai garantir a detecção de possíveis focos das pragas. 

Desta forma, você deve utilizar armadilhas fixas ou fazer a coleta de grãos em vários pontos do armazém.  

As armadilhas fixas são para a captura dos insetos em pontos pré-determinados no local de armazenamento. 

E, ao optar pela coleta das amostras, você pode utilizar uma peneira de 20 x 20 cm, com malha de 2 mm com coletor para posterior identificação da praga.

Além disso, fique de olho na temperatura e umidade do local. 

Se ficar muito quente e úmido, você corre um sério risco de aumentar a população da praga caso seja detectada.

Controle de pragas em grãos armazenados

No MIP, o ideal é que não seja feito apenas o controle químico. Por isso, utilize de vários métodos ao mesmo tempo.

Como eliminar o besouro castanho: Métodos físicos

Você deve manipular os fatores físicos do ambiente de armazenamento como temperatura, umidade relativa do ar, controlar a atmosfera do ar (CO2, O2 e N2), utilizar pós-inertes, remoção física, radiação, luz e som. 

Ao ajustar todos ou apenas um dos métodos citados acima, a eliminação do besouro castanho e das demais pragas ficarão em níveis mais toleráveis ou poderão ser totalmente eliminadas.

Caso o uso dos métodos físicos não seja suficiente, você pode utilizar o método químico em conjunto.

Como eliminar o besouro castanho: Métodos químicos

O método químico é bastante empregado, mas lembre-se que não deve ser o único. Se utilizado de maneira incorreta e demasiada pode comprometer o controle e provocar resistência das pragas aos inseticidas

Podem ser feitos dois tipos de tratamentos:

1. Tratamento preventivo de grãos e sementes

Se o período de armazenamento for acima de 90 dias, os grãos e sementes devem ser secos, limpos e expurgados antes da entrada no armazém. 

Neste tratamento, aplica-se inseticidas líquidos sobre os grãos, na correia transportadora, no momento de carregar o armazém ou no momento de ensaque das sementes. 

É importante que os grãos e as sementes estejam descansados e recebam a aplicação de forma homogênea. 

2. Tratamento curativo (expurgo) de grãos e sementes 

Caso você já esteja tendo problemas com as pragas com os grãos já armazenados, é o momento de fazer um tratamento curativo com inseticidas. 

Os produtos à base de fosfeto de alumínio, precursores das fosfinas são os mais utilizados. A temperatura ideal para realizar o expurgo é cerca de 25°C. 

O local deve ficar vedado para que seja feita a fumigação do produto. 

Veja na tabela abaixo os inseticidas indicados tanto para tratamento preventivo como para curativo. Lembre-se sempre de consultar o(a) engenheiro(a) agrônomo(a).

Inseticidas indicados Embrapa

Inseticidas indicados para tratamento preventivo e/ou curativo de pragas de grãos e sementes armazenadas
(Fonte: Embrapa)

Conclusão

O besouro castanho é uma praga secundária de grãos armazenados, mas pode causar grandes perdas na produção se não for controlado. 

Portanto, algumas medidas podem ser tomadas para evitar surtos e também existem maneiras de controlar este inseto para suprimir ou eliminá-lo do armazém.

Vimos então que as medidas de controle devem ser feitas de acordo com MIP.

Quais medidas de como eliminar o besouro castanho você utiliza? Deixe seu comentário abaixo!

Como regular plantadeira de trigo e ser mais eficiente

Como regular plantadeira de trigo: Veja um passo a passo detalhado para a regulagem correta da semeadora-adubadora. 

Durante todo o cultivo do trigo existem vários entraves que vão surgindo, como ataques de pragas e doenças.

Mas no momento do plantio, você pode evitar alguns erros para garantir uma melhor produtividade. 

Um fator importante a ser considerado é a regulagem correta da semeadora-adubadora, que evita problemas como espaçamento incorreto e falta de germinação.

Vamos entender melhor cada processo de como regular plantadeira de trigo? Confira a seguir!

Semeadora-adubadora de trigo

como regular plantadeira de trigo

Semeadora-adubadora utilizada no plantio de trigo
(Fonte: Grupo Cultivar)

Você deve ter notado que o título desse artigo fala em plantadeira e, logo em seguida, em semeadora-adubadora. 

Isso porque as semeadoras são bastante conhecidas como plantadeiras pelos produtores, mas no caso do plantio do trigo, o mais correto é semeadora, pois o plantio será realizado com sementes e não com partes da planta. 

De forma geral, as semeadoras de trigo são usadas tanto para semeadura quanto para a adubação.  

Em sistemas de plantio direto, possibilitam qualidade na semeadura com sementes colocadas corretamente no solo, assim como o estabelecimento rápido e uniforme da população de plantas. 

As semeadoras devem ter uma atenção especial antes de iniciar todo o processo do plantio, pois a sua regulagem correta vai evitar a perda de produtividade. 

Aqui, mais especificamente, falaremos de como regular plantadeira de trigo – ou seja – as semeadoras-adubadoras de trigo. Vamos lá?

Passos importantes na semeadura

Alguns pontos no momento do plantio são deixados de lado por serem considerados muito simples. Mas você já parou para pensar que esses passos podem fazer toda a diferença na produtividade final da lavoura?

Conhecer bem a semeadora, velocidade em que precisa ser usada, quantidade de sementes e de adubo vai garantir uniformidade populacional e melhor rendimento dos grãos. 

Na cultura do trigo,  a semeadora-adubadora utilizada é de fluxo contínuo, o que quer dizer que a distribuição das sementes no solo e do adubo ocorre de forma contínua. 

E uma dúvida muito recorrente é sobre a regulagem da máquina para a adubação. 

É muito importante você seguir as recomendações técnicas sobre espaçamento, cálculo da quantidade de sementes e adubo.

custo operacional de máquinas

Como regular plantadeira de trigo: adubo

É necessário que você siga algumas instruções para que a regulagem seja apropriada para a cultura do trigo. Então, antes de trabalhar com a máquina é importante que você siga esses 6 passos:

1. Calcular o comprimento de sulco por hectare 

Metros/ha =   10 000 m²/ha           
                         espaçamento (m)

Para trigo, o espaçamento das linhas de plantio é de 17 cm. Sendo assim, o cálculo será:

Metros/ha =   10 000 m²/ha           
0,17 m
= 58.823,5 m sulco/ha

2. Calcular o peso de adubo desejado por metro de sulco

Se for recomendado 250 kg/ ha, dividi-se pelo comprimento de sulco por hectare:

250 000 g/58.823,5 m = 4,25 g/m

3. Coletar o adubo

Nesse passo, você precisa conhecer a quantidade de adubo que a máquina está calibrada ao dosar em um determinado espaço percorrido. 

Por isso, deve-se colocar a alavanca de regulagem em uma posição pré-determinada e um recipiente coletor sob as linhas a serem testadas. 

4. Deslocar uma distância conhecida 

Por exemplo, digamos que você decida percorrer uma distância de 20 m.

5. Pesar o adubo que cair no coletor

Após percorrer os 20 m, você deve coletar a quantidade de adubo que cair no coletor e pesar. 

Digamos que você pesou e viu que tem 60 g de adubo. Logo:

60 g/ 20 m = 3 g/ m

6. Verificar se os valores dos itens 3 e 5 estão batendo 

Como vimos no nosso exemplo hipotético, a quantidade que a máquina está aplicando é menor que a desejada para o plantio de trigo

Sendo assim, deve-se aumentar a abertura do mecanismo dosador e repetir o processo até que os valores se igualem. 

Mesmo que você tenha experiência na área, é válido fazer esse processo. 

Lembre-se que a adubação correta no momento do plantio de trigo vai garantir uma boa produtividade ao final da safra. 

Como regular sementes da semeadora?

Assim como para o adubo, a regulagem da semeadora é de acordo com o número de sementes.

É recomendado que você faça o cálculo da quantidade de sementes de trigo para que sejam distribuídas cerca de 300 a 330 sementes aptas por m². 

E quais os passos necessários para calibrar a máquina? Veja a seguir!

1. Calcular o comprimento de sulco por hectare

Essa etapa é a mesma para o cálculo de adubo, recapitulando:

Metros/ha =  10 000 m²/ha           
                  espaçamento (m)

Para trigo, o espaçamento da linha de plantio é de 17 cm. Sendo assim, o cálculo será:

                                          Metros/ha =  10 000m²/ha = 58 823,5 m sulco/ha
                        0,17 m

2. Calcular a quantidade de sementes a ser distribuída por hectare

Vamos considerar que serão 300 plantas/m², com poder germinativo de 90%. Sendo assim, deve-se calcular:

sementes/m² = 300 x 0,9 = 330 sementes/m² ou 3 330 000 sementes/ ha

Supondo que o peso de 1000 sementes seja de 40 g, deve-se calcular a quantidade de sementes em kg/ha:

kg/ha = 3 330 000 x 40 = 133,2 kg/ha

3. Calcular o peso de semente por metro de sulco

Se teremos 133,2 kg/ha, devemos calcular quanto será necessário para  58 823,5 metros de sulco. 

133 200 g / 58 823,5 m =  2,26 g/metro linear 

4. Coletar as sementes 

Assim como na regulagem para adubo, nesse passo você precisa conhecer a quantidade de sementes que a máquina está calibrada a dosar em um determinado espaço percorrido. 

Por isso, coloque a alavanca de regulagem em uma posição pré-determinada e um recipiente coletor sob as linhas a serem testadas. 

5. Deslocar uma distância conhecida 

Digamos que você decida percorrer novamente uma distância de 20 m. 

6. Pesar as sementes que caírem no coletor

Após percorrer os 20 m, colete a quantidade de sementes que caírem no coletor e pese. 

Digamos que você pesou e viu que tem 50 g de sementes. Logo:

50 g/ 20 m = 2,5 g/ metro linear

7. Verificar se os valores dos itens 3 e 6 estão batendo 

O valor determinado de peso de sementes está abaixo daquele que a máquina está dosando. 

Por isso, nesta situação recomendo que diminua a abertura do mecanismo dosador e repita o processo até que os valores se igualem. 

Todo o processo de regulagem tanto para adubo como para sementes é bastante simples, mas se você deixar esta etapa de lado, corre o risco de ter prejuízo. 

Conclusão

Como vimos até aqui, são passos simples, seis paro o adubo e sete para as sementes, que você precisa seguir para realizar a regulagem correta da semeadora-adubadora. 

E sabemos que isso está diretamente relacionado com a produção final da lavoura.

Então, vale a pena segui-los para evitar erros e ter uma melhor produtividade na sua lavoura de trigo.

>> Leia Mais:
Como fazer a regulagem de plantadeira de soja e garantir a lavoura
Plantadeira de milho: Quais são as melhores e outras dicas de uso
Como otimizar sua lavoura com pulverizador autopropelido

E você, tem alguma dica sobre como regular plantadeira de trigo? Restou alguma dúvida? Deixe o seu comentário abaixo!