Lagarta-rosca: como combater essa praga que tem sido problema no período inicial de diversas culturas
Toda praga agrícola é motivo de preocupação, mas existem aquelas que pareciam inofensivas e passam a causar mais dor de cabeça.
É o caso da lagarta-rosca, que tem afetado diversas culturas de maneira significativa.
A praga ataca no período inicial e, por isso, pode comprometer todo o desenvolvimento das lavouras.
Para saber como controlar, você deve conhecer as características e comportamentos dessa lagarta. Confira neste artigo os principais aspectos e formas de controle da lagarta-rosca.
Características da lagarta-rosca
Existe um complexo de lagartas da ordem Lepidoptera que tem por nome comum “lagarta-rosca” pelo fato de se encurvarem ao se sentirem ameaçadas ou quando estão em repouso.
Entretanto, dentre as várias espécies existentes, Agrotis ipsilon é a principal causadora de danos em diversas culturas por ser polífaga.
Ela tem causado uma tensão maior aos produtores de culturas como feijão, algodão, milho e soja.
É da família Noctuidae e tem hábitos noturnos. Durante o dia, as lagartas permanecem sob uma pequena profundidade do solo e, durante a noite, atacam as plantas.
As lagartas têm coloração marrom, podendo também variar para o cinza, com linhas ao longo do corpo e tubérculos nos segmentos. Nos últimos ínstares, podem chegar a 50 mm de comprimento.
Após o período larval, a pupa é formada e se aloja no solo para desenvolvimento do adulto.
O adulto é uma mariposa de coloração variável, sendo as asas anteriores marrom ou cinza e as posteriores mais claras. A envergadura vai de 35 mm a 50 mm e comprimento de 20 mm.
A fêmea pode colocar cerca de 1.000 ovos, podendo ser depositados sobre folhas, hastes ou também no solo.
O ciclo biológico dessa praga varia de 34 a 64 dias, dependendo das condições climáticas da região.
Os períodos de cada fase de desenvolvimento variam de acordo com a temperatura e, geralmente, são de 4 dias como ovo, de 20 a 40 dias como larva e de 10 a 20 dias como pupa.

Pupa, lagarta e adulto de Agrotis ipsilon
(Fonte: IPM Images)
Danos causados às lavouras
Os ataques da lagarta-rosca ocorrem na fase inicial, desde a emergência das plântulas até o início do florescimento, o que pode comprometer o estabelecimento da cultura.
Quando o solo está mais úmido e tem maior deposição de matéria orgânica, os danos se intensificam devido à preferência da praga por este tipo de ambiente.
Lagartas menores se alimentam das folhas mais próximas ao solo e de outras plantas hospedeiras próximas à cultura, como as plantas daninhas.
Associadas a essas plantas hospedeiras alternativas, as lagartas aumentam o potencial de causar maiores danos por conseguirem ambientes propícios para se manterem por mais tempo na área.
Um período bastante crítico é quando as lagartas maiores cortam as plântulas rente ao nível do solo. Uma única lagarta é capaz de seccionar várias plantas em uma noite.
Em plantas mais desenvolvidas, as lagartas abrem galerias na base dos colmos. Esse hábito favorece o tombamento, o sintoma de coração morto e também pode levar a morte das plantas.

Dano em milho provocado por lagarta-rosca
(Fonte: IPM Images)
Como fazer o manejo da lagarta-rosca
Como o hábito dessa lagarta é noturno e durante o dia permanece sob o solo, táticas e métodos do Manejo Integrado de Pragas (MIP) contribuirão para o controle da população.
O histórico da área deve ser analisado para que você saiba tomar as decisões corretas. Um bom manejo começa com um bom planejamento.
Um software agrícola pode lhe ajudar a monitorar a incidência da praga na lavoura para decidir o momento certo de entrar com medidas de controle.
Sabendo que há a possibilidade de se deparar com a lagarta-rosca, você poderá se preparar com alguns métodos como:
Controle cultural
Sendo uma praga polífaga, a presença da lagarta-rosca na safra anterior já é motivo de alarde.
Por isso, é importante que você faça um bom preparo do solo e elimine antecipadamente as plantas hospedeiras.
Como os insetos ficam durante o dia sob o solo, um manejo com rolagem rolo-faca irá contribuir para reduzir a população que estiver na área.
Outro ponto ideal é evitar cobertura morta e restos culturais para que a lagarta-rosca não tenha ambiente favorável para se manter até a chegada na nova safra.
Controle químico
Existem algumas formas de utilizar o controle químico para lagarta-rosca.
A primeira delas é fazer o tratamento de sementes com inseticidas sistêmicos para garantir a emergência e estabelecimento da cultura.
Outra maneira seria por meio das iscas tóxicas à base de farelo de trigo, açúcar, água e inseticida (piretroide ou carbamato). A aplicação deve ser distribuída na lavoura como grânulos no final da tarde.
Além dessas, a forma convencional com aplicação de inseticidas pode ser realizada, mas deve ser feita no final do dia, bem próximo da base das plantas.
O registro dos inseticidas para controle de lagarta-rosca deve ser consultado no site do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), o Agrofit. Por isso, é importante que você consulte um(a) engenheiro(a) agrônomo(a) para melhores detalhamentos de acordo com a sua cultura.
Veja abaixo alguns exemplos de inseticidas registrados no Mapa:
Algodão
Produto | Ingrediente Ativo (Grupo Químico) | Titular de Registro |
---|---|---|
Cartarys | Cloridrato de cartape (bis(tiocarbamato)) + Cloridrato de cartape (bis(tiocarbamato)) | UPL do Brasil Indústria e Comércio de Insumos Agropecuários S.A. – Matriz Ituverava |
Milho
Produto | Ingrediente Ativo (Grupo Químico) | Titular de Registro |
---|---|---|
Capataz | clorpirifós (organofosforado) | Ouro Fino Química S.A. – Uberaba |
Ciclone 48 EC | clorpirifós (organofosforado) | Tradecorp do Brasil Comércio de insumos Agrícolas Ltda |
Cipermetrin 250 EC CCAB | cipermetrina (piretróide) | CCAB Agro S.A. – São Paulo |
Clorpiri 480 EC | clorpirifós (organofosforado) | Sharda do Brasil Comércio de Produtos Químicos e Agroquímicos LTDA |
Clorpirifós Fersol 480 EC | clorpirifós (organofosforado) | Ameribrás Indústria e Comércio Ltda. |
Clorpirifós Nortox EC | clorpirifós (organofosforado) | Nortox S.A. – Arapongas |
Clorpirifos Sabero 480 EC | clorpirifós (organofosforado) | Sabero Organics América S.A. |
Counter 150 G | terbufós (organofosforado) | AMVAC do Brasil Representações Ltda. |
Curanza 600 FS PRO | Ciantraniliprole (antranilamida) | Syngenta Proteção de Cultivos Ltda. – São Paulo |
Dermacor | clorantraniliprole (antranilamida) | Du Pont do Brasil S.A. – Barueri (Alphaville) |
Fortenza 600 FS | Ciantraniliprole (antranilamida) | Syngenta Proteção de Cultivos Ltda. – São Paulo |
Galgotrin | cipermetrina (piretróide) | Prentiss Química Ltda. – Campo Largo/PR |
GeneralBR | clorpirifós (organofosforado) | Ouro Fino Química S.A. – Uberaba |
Karate Zeon 250 CS | lambda-cialotrina (piretróide) | Syngenta Proteção de Cultivos Ltda. – São Paulo |
Karate Zeon 50 CS | lambda-cialotrina (piretróide) | Syngenta Proteção de Cultivos Ltda. – São Paulo |
Lecar | lambda-cialotrina (piretróide) | Syngenta Proteção de Cultivos Ltda. – São Paulo |
Lorsban 480 BR | clorpirifós (organofosforado) | Dow Agrosciences Industrial Ltda. – São Paulo |
Permetrin 384 EC CCAB | permetrina (piretróide) | CCAB Agro S.A. – São Paulo |
Permetrina CCAB 384 EC | permetrina (piretróide) | CCAB Agro S.A. – São Paulo |
Permetrina Fersol 384 EC | permetrina (piretróide) | Ameribrás Indústria e Comércio Ltda. |
Pounce 384 EC | permetrina (piretróide) | FMC Química do Brasil Ltda. – Campinas |
Sparviero 50 | lambda-cialotrina (piretróide) | Oxon Brasil Defensivos Agrícolas Ltda. |
Wild | clorpirifós (organofosforado) | Albaugh Agro Brasil Ltda.- São Paulo |
Soja
Produto | Ingrediente Ativo (Grupo Químico) | Titular de Registro |
---|---|---|
Assaris | metomil (metilcarbamato de oxima) | Sinon do Brasil Ltda. – Porto Alegre /RS. |
ÁvidoBR | metomil (metilcarbamato de oxima) | Ouro Fino Química S.A. – Uberaba |
BrilhanteBR | metomil (metilcarbamato de oxima) | Ouro Fino Química S.A. – Uberaba |
Chiave Sup | metomil (metilcarbamato de oxima) | Sipcam Nichino Brasil S.A. – Uberaba/MG |
Chiave 215 SL | metomil (metilcarbamato de oxima) | Sipcam Nichino Brasil S.A. – Uberaba/MG |
Clorpirifós 480 EC Milenia | clorpirifós (organofosforado) | Adama Brasil S.A. – Londrina |
Curanza 600 FS PRO | Ciantraniliprole (antranilamida) | Syngenta Proteção de Cultivos Ltda. – São Paulo |
Extreme | metomil (metilcarbamato de oxima) | Du Pont do Brasil S.A. – Barueri (Alphaville) |
Fortenza 600 FS | Ciantraniliprole (antranilamida) | Syngenta Proteção de Cultivos Ltda. – São Paulo |
Lannate BR | metomil (metilcarbamato de oxima) | Du Pont do Brasil S.A. – Barueri (Alphaville) |
Majesty | metomil (metilcarbamato de oxima) | Du Pont do Brasil S.A. – Barueri (Alphaville) |
Controle biológico
O controle biológico das lagartas pode ocorrer de maneira natural na lavoura, com inimigos naturais como microimenopteros, dípteros e entomopatógenos.
Desta maneira, é importante que você utilize inseticidas de maneira seletiva para evitar que os organismos benéficos sejam eliminados da área.
A seletividade de inseticidas usada pode ser ecológica e fisiológica. Ecológica com o uso dos produtos em horários mais favoráveis para atingir a praga e fisiológica com o uso de inseticidas pouco tóxicos aos organismos benéficos.

Conclusão
A lagarta-rosca é uma praga que tem causado danos em muitas culturas nos últimos anos como feijão, milho, soja e algodão.
Tem hábito noturno e se aloja sob a terra no período do dia, por isso existe uma dificuldade de controle.
Os danos causados podem levar à morte da lavoura se a praga não for detectada a tempo.
Existem formas de controlar a lagarta-rosca, sendo os principais controles cultural, químico e biológico (naturalmente).
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