O que é evapotranspiração e como ela pode te ajudar a explorar o potencial máximo de produção

Evapotranspiração: o que é, como é sua participação no ciclo da água e qual a sua importância para agricultura

Conhecer a movimentação da água no planeta, assim como sua influência na vegetação, te auxilia a tomar decisões mais assertivas

A evapotranspiração é um fator que está diretamente ligado à presença da água na lavoura, e pode te ajudar a realizar a irrigação de maneira mais sustentável e econômica.

Seu entendimento a respeito pode ajudar a explorar o potencial máximo de sua produção, porque a falta de água durante o desenvolvimento da cultura gera queda de produtividade.

Quer entender melhor tudo isso e saber por que determinar esse parâmetro é importante na agricultura? Veja a seguir!

O que é evapotranspiração? 

A evaporação é a somatória de dois processos: a evaporação e a transpiração das plantas.

Evaporação é o processo de passagem de um líquido ao estado de vapor. Por exemplo, a água superficial (como de rios e lagos) é aquecida pela radiação solar e evapora.

Já a transpiração acontece quando a água que as plantas absorvem do solo é eliminada pelas folhas na forma de vapor d’água, por meio dos estômatos.

A evapotranspiração é toda a movimentação da água da forma líquida retornando à atmosfera.

É a combinação da passagem da água para o ar, que ocorre com a água presente tanto no solo (rios, lagos, mares, entre outros), quanto nas plantas.

Exemplificação de evapotranspiração

Exemplificação de evapotranspiração
(Fonte: Árvore, ser tecnológico)

Relação com o ciclo hidrológico 

A água do mundo está em constante mudanças de estado, seja líquido, sólido ou gasoso.

Essas mudanças de estados e sua movimentação no planeta configuram o ciclo hidrológico (ciclo da água).

O ciclo hidrológico, como você verá na figura abaixo, envolve vários processos que fazem a movimentação da água no subsolo, solo e ar.

infográfico com ciclo hidrológico

Ciclo hidrológico
(Fonte: USGS)

A evapotranspiração tem grande importância no ciclo hidrológico, porque é nesse processo que a água passa do estado líquido para o de vapor.

Além disso, estudos indicam que aproximadamente 70% da água precipitada é devolvida para a atmosfera em seu processo.

O conhecimento da evapotranspiração é importante para vários estudos da água no planeta.

Determiná-la tem diversos propósitos, como verificar o rendimento de bacias hidrográficas, acompanhar a capacidade de reservatórios ou aquíferos, além de ser de grande necessidade na agricultura pela irrigação.

Influência da evapotranspiração na agricultura 

Na agricultura, o conhecimento da evapotranspiração é fundamental, pois é a movimentação da água no solo e na planta.

O solo e a planta são os elementos chaves de produção, e desse modo, não ocorreria produção sem a quantidade de água mínima exigida pelas culturas.

É pela evapotranspiração que se estima a exigência de água pelas culturas, e por esse conhecimento é possível definir com maior precisão a irrigação.

Saber a demanda hídrica das culturas é importante para conseguir explorar o potencial máximo de produção. Isso porque a falta de água durante o desenvolvimento, na maioria das culturas, resulta em quedas de produtividade.

tabela com demanda hídrica aproximada de algumas culturas

Demanda hídrica aproximada de algumas culturas
(Fonte: adaptado de Carvalho et al., 2013)

Assim, conhecer a demanda hídrica das culturas, sabendo regularmente os dados de precipitação, evapotranspiração, temperatura, umidade relativa do ar, torna a irrigação mais eficiente.

A irrigação desempenha um grande papel no uso da água. Cerca de 67% da água consumida no Brasil é utilizada nos sistemas de irrigação.

Desse modo, para fazer uma irrigação de modo sustentável e econômico, a determinação da evapotranspiração é uma das medidas fundamentais. 

Fatores como tipo e manejo do solo, dossel das plantas, velocidade do vento, temperatura e umidade do ar interferem nela.

Sendo assim, essa relação pode variar conforme a área, a época, o clima, entre outras influências.

infográfico com total de água consumida no Brasil (média anual)

Total de água consumida no Brasil (média anual)
(Fonte: ANA)

Determinação da evapotranspiração

Há fatores que interferem na evapotranspiração, como você acabou de ler, sendo principalmente consideradas as condições climáticas.

4 tipos diferentes usualmente presentes na agricultura brasileira, dependendo das condições calculadas. Você os verá a seguir.

1. Evapotranspiração de referência (ETo) ou potencial (ETp) 

A evapotranspiração de referência e potencial são iguais. Antigamente o termo utilizado era potencial, hoje é de referência.

Para ela são consideradas condições climáticas como radiação solar, temperatura, umidade relativa do ar e velocidade dos ventos, além da cobertura vegetal de referência.

Para a determinação da evapotranspiração de referência, a cultura vegetal de referência não tem restrição hídrica, e apresenta uma área de bordadura para evitar perda de calor no solo.

Desse modo, a ETo considera apenas as condições climáticas do momento.

Representação da evapotranspiração de referência (ETo)

Representação da evapotranspiração de referência (ETo)
(Fonte: Decivil)

2. Evapotranspiração real (ETR)

É determinada pelas condições reais de evaporação e transpiração.

Sua determinação é realizada da mesma forma que a ETo, com a diferença de que a cultura de referência pode ou não estar em deficiência hídrica.

A área de determinação também é delimitada com uma área de bordadura, assim como na evapotranspiração de referência.

Representação da evapotranspiração real (ETR)

Representação da evapotranspiração real (ETR)
(Fonte: Decivil)

3. Evapotranspiração da cultura (ETc)

É a fase de desenvolvimento em que a cultura se encontra, em ótimas condições de crescimento e desenvolvimento.

Para a determinação, os parâmetros são: sem restrição e ampla área de bordadura.

A a ETc é calculada pela ETo x KcKc é o coeficiente de cultura, que varia conforme a área foliar da cultura.

Ou seja, valores de Kc menores geralmente são de início e final de ciclo, onde a área foliar é menor.

Representação da evapotranspiração da cultura (ETc)

Representação da evapotranspiração da cultura (ETc)
(Fonte: Decivil)

4. Evapotranspiração da real da cultura (ETr)

Como diz o nome, esse tipo é determinado pela condição real de campo.

Assim, a cultura pode estar com ou sem restrição hídrica, e não há área de bordadura, ocorrendo a influência do solo.

Para o cálculo, é considerado, além da ETo e Kc, o Ks: o coeficiente de solo, sendo ETr = ETo x Kc x Ks.

Para resumir os tipos possíveis na agricultura, temos:

  • Evapotranspiração de referência (ETo): considera apenas as condições meteorológicas, sem restrição hídrica;
  • Evapotranspiração real (ETR): considera as condições meteorológicas reais, ou seja, com ou sem restrição hídrica;
  • Evapotranspiração da cultura (ETc): considera condições meteorológicas e condições da cultura;
  • Evapotranspiração da real da cultura (ETr): considera condições meteorológicas, condições da cultura e manejo do solo.
Representação dos tipos de evapotranspiração

Representação dos tipos de evapotranspiração
(Fonte: UTFPR)

Conclusão

Como você viu ao longo do texto, a evapotranspiração é a combinação dos processos da transpiração e evaporação.

Determiná-la é fundamental na tomada de decisão de modo rentável e sustentável da irrigação.

Ela ocorre a todo momento na sua lavoura e é dependente da quantidade de área foliar da cultura. 

E, por fim, existem vários modos de calcular esse parâmetro – e cada um tem algo a ser considerado.

Espero que as informações aqui apresentadas te ajudem a conhecer melhor a evapotranspiração e, assim, aumentar a produtividade da sua lavoura.

>> Leia mais:

“Entenda como a fertirrigação pode aprimorar sua produção”

“Como ocorre e quais os efeitos do estresse hídrico nas plantas”

Restou alguma dúvida sobre este assunto? Você já conhecia esse efeito? Deixe sua experiência aqui nos comentários e assine nossa newsletter para receber mais conteúdos semelhantes.

Como combater o estresse térmico nas plantas?

Estresse térmico nas plantas: saiba como ele pode afetar a produtividade da sua lavoura e o que fazer para contornar esse problema!

Todos nós já passamos por situações estressantes em algum momento da vida, não é mesmo? E as plantas também podem passar por estresses. É claro que o estresse nas plantas não é o mesmo que o nosso, mas a ideia e os efeitos são parecidos.

Quando estamos estressados, muitas vezes não conseguimos pensar ou agir direito, o que afeta diretamente nosso rendimento nas atividades diárias.

O mesmo acontece com as plantas! Quando submetidas a estresses, principalmente por longos períodos, as plantas perdem rendimento. Isso reflete diretamente na produtividade.

Um dos principais estresses pelos quais as plantas passam é o estresse térmico, e você pode aprender um pouco mais sobre ele no texto a seguir!

O que é o estresse térmico?

Estresses são fatores externos que exercem influências desvantajosas sobre as plantas.

O estresse térmico nada mais é que o efeito negativo das condições térmicas, ou seja, da temperatura do ar sobre as plantas.

É natural pensarmos logo nas altas temperaturas e como elas podem causar estresse nas plantas – e isso realmente acontece! 

Também as baixas temperaturas podem ser uma forma de estresse térmico, embora isso seja menos comum para os climas tropicais e subtropicais do Brasil.

Sejam temperaturas altas ou baixas, a duração do estresse também é importante.

Quando o período de estresse é muito prolongado, as lavouras sentirão seus efeitos e isso vai refletir na colheita e na produtividade.

Vamos ver agora como o estresse térmico atua nas plantas?

Como o estresse térmico afeta a lavoura?

Os efeitos do estresse térmico nas plantas podem variar de acordo com o estágio de desenvolvimento em que elas se encontram.

Confira na tabela que preparei para vocês:

Possíveis danos causados pelo estresse térmico nas plantas nos estágios de desenvolvimento

Possíveis danos causados pelo estresse térmico nas plantas nos estágios de desenvolvimento
(Fonte: Tabela elaborada pelo autor, baseada em Ali et al., 2020)

Como podemos ver, independente do estágio em que as plantas se encontram, o estresse térmico traz grandes prejuízos.

Além dos efeitos citados, plantas sob condições de estresse tornam-se mais suscetíveis a doenças, reduzindo ainda mais a produtividade da lavoura.

A influência dos estresses na incidência de doenças

Quando pensamos em doenças de plantas, a primeira coisa em que devemos pensar é no famoso triângulo da doença.

Com base nele, sabemos que a doença é um resultado da interação de 3 fatores: o ambiente, o hospedeiro e o patógeno.

Assim, podemos concluir que mudanças ambientais vão influenciar na relação de nossas plantas com as doenças. E, nesse caso, não só o estresse térmico nas plantas irá afetar a incidência de doenças, mas também outros tipos de estresse, como o hídrico.

ilustração com o triângulo da doença, influências dos estresses na incidência de doenças sendo ambiente, hospedeiro e patógeno.

O triângulo da doença

Estresse hídrico

O estresse hídrico pode ocorrer de duas formas: pelo excesso ou pela falta de água para as plantas.

No caso da falta de água, as plantas crescem menos e tornam-se subdesenvolvidas.

Consequentemente, apresentam menores taxas fotossintéticas, de síntese proteica, de atividade metabólica e enzimáticas.

foto de área com irrigação e área de sequeiro com plantas submetidas a estresse hídrico

Área com irrigação e área de sequeiro com plantas submetidas a estresse hídrico
(Fonte: Café Point)

Muitas dessas enzimas e proteínas têm função primordial no processo de defesa das plantas contra os patógenos. Dessa forma, plantas submetidas a estresses tornam-se mais suscetíveis a doenças.

o excesso de água no solo também torna as plantas mais vulneráveis à ação de patógenos. 

Quando em situação de excedente hídrico, os tecidos radiculares se tornam mais suculentos, o que facilita a penetração dos patógenos.

Se o encharcamento for muito prolongado, as plantas começam a ficar sem oxigênio nas raízes, e isso afeta diretamente a respiração aeróbica (dependente de oxigênio), causando:

  • redução do metabolismo celular;
  • perda da integridade da membrana celular;
  • acúmulo de gases como dióxido de carbono e etileno.

Tudo isso deixa as plantas cada vez mais atrativas aos agentes patogênicos!

Claro que cada patógeno é favorecido por um cenário. Há patógenos que se desenvolvem melhor no excedente do que na escassez (e vice-versa).

Estresse térmico

O estresse térmico nas plantas, assim como o hídrico, favorece a incidência das doenças quando as temperaturas são muito elevadas ou muito baixas.

De modo geral, as plantas que crescem sob condições de estresse térmico têm um desenvolvimento debilitado

Além disso, o estresse térmico nas plantas afeta diretamente a expressão gênica, o que  pode favorecer e/ou inibir genes que atuam diretamente na resistência aos patógenos.

Os estresses térmicos podem influenciar também no ciclo de vida dos patógenos, os acelerando! 

Isso significa que as infestações podem se tornar mais severas do que o normal, e o controle, mais difícil.

Como amenizar os efeitos do estresse térmico nas plantas?

O controle dos causadores do estresse térmico nas plantas é impossível, pois não podemos controlar o clima, não é mesmo?

Existem algumas estratégias que podemos adotar na lavoura para reduzir os efeitos ou a ocorrência do estresse térmico nas plantas.

Se nossa região de plantio apresentar histórico de elevadas temperaturas que podem causar estresse térmico, devemos “de cara” buscar por cultivares de maior tolerância.

Programas de melhoramento genético de diversas culturas de grãos já selecionaram e desenvolveram cultivares mais resistentes.

Nos últimos anos, estudos vêm mostrando efeitos positivos da aplicação de substâncias chamadas osmólitos, como o ácido abscísico, jasmonatos e ainda o ácido ascórbico, para a redução do estresse em plantas.

Claro que essas substâncias não são milagrosas, e podem não surtir efeito em condições extremas de estresse.

O manejo do solo, com aplicação de compostos orgânicos e corretivos de solo (orgânicos e inorgânicos), e outras técnicas agrícolas (culturas de cobertura, mulching e a rotação) podem também promover a redução do estresse térmico nas lavouras.

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Conclusão

Como vimos no decorrer do texto, os estresses das plantas podem causar danos irreversíveis e, como consequência, reduzir a produtividade.

O estresse térmico é um dos mais comuns e com grande potencial de interferir no sucesso das lavouras do Brasil afora. Além dos prejuízos que ele traz, pode servir como facilitador para a incidência de doenças nas lavouras.

Por isso, é importante conhecer como ele pode afetar a lavoura para que possamos combatê-lo da melhor forma possível.

>> Leia mais:

“Como minimizar os impactos e prejuízos da geada no milho”

“Agricultura irrigada ideal e produtiva”

“Entenda os principais fenômenos meteorológicos na agricultura e planeje melhor sua produção”

E você, tem observado perdas por estresse térmico em sua região? Conte pra gente nos comentários como você contorna a situação.

Entenda os principais fenômenos meteorológicos na agricultura e planeje melhor sua produção

Fenômenos meteorológicos na agricultura: tire suas dúvidas sobre El Niño, La Niña e microclima e o que fazer para preparar sua lavoura!

O bom desenvolvimento da atividade agrícola é dependente do clima. Além do solo, a umidade e a temperatura impactam diretamente na germinação ou não da semente e no andamento da lavoura. 

As mudanças climáticas alteram todo o desenvolvimento das culturas, com ventos, falta ou excesso de chuva e temperatura aumentando. 

Mas quais são os fenômenos meteorológicos na agricultura aos quais você deve atentar?

Neste artigo, separamos o que você deve conhecer sobre o “tempo” e qual é sua principal influência nas atividades agrícolas. Confira!

Impacto dos fenômenos meteorológicos na agricultura

Acompanhar as previsões climáticas ao longo de toda a safra pode fazer a diferença para acertar nos manejos da propriedade.

Monitorar o clima diariamente até já é rotina para grande parte dos produtores, mas existem processos climáticos mais amplos que são muito importantes de serem considerados quando se planeja uma safra.

Um dos fenômenos meteorológicos na agricultura que causa variabilidade climática na América do Sul é o chamado fenômeno Enos (El Niño e La Niña), que afeta diretamente o regime de chuvas de várias regiões. 

Vou explicar melhor esses e outros eventos climáticos a seguir.

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Chuvas

As chuvas são um dos fenômenos meteorológicos na agricultura mais possíveis de se prever. Elas são fundamentais para a lavoura, principalmente quando bem distribuídas.   

As chuvas são divididas em:

  • orográficas: geradas quando há um impedimento da massa de ar úmida por uma montanha.
  • convectivas: são as chuvas decorrentes de altas temperaturas.
  • frontais: ocorre pelo choque de uma massa de ar fria com uma massa de ar quente.

Em cada região do Brasil, as chuvas também são influenciadas por zonas diferentes como ZCAS (Zona de Convergência do Atlântico Sul) e ZCIT (Zona de Convergência Intertropical). 

Nesse caso, as regiões Sudeste e Centro-Oeste são influenciadas pela ZCAS e as regiões Nordeste e Norte pela ZCIT. 

A expectativa, segundo o Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia), para o verão de 2021 são chuvas frequentes em praticamente todo o país. 

São exceções o extremo sul do Rio Grande do Sul, leste da região Nordeste e a faixa nordeste de Roraima, onde geralmente o total de chuva é inferior a 400 mm. 

Volumes mais altos de precipitação devem ser observados sobre as regiões Norte e Centro-Oeste, com totais na faixa entre 700 mm e 1.100 mm. 

E falando em chuvas, um fenômeno meteorológico que ocorre no Brasil e influencia o clima do país é o chamado rios voadores, que são cursos de água atmosféricos. 

Segundo o pesquisador da Fapesp, Antônio Donato Nobre, este é um fenômeno que ocorre na Amazônia e influencia outras regiões do Brasil em seu regime de chuvas, como o Centro-Oeste, o Sudeste e o Sul. 

Vale muito conferir essa entrevista do professor sobre o assunto no vídeo a seguir!

https://www.youtube.com/watch?v=uxgRHmeGHMs

Fenômenos Enos

Esse fenômeno é o aquecimento ou resfriamento das águas do oceano Pacífico Equatorial, promovidos pelas duas famosas variações: El Niño (águas mais quentes) ou La Niña (águas mais frias). 

Ele impacta o regime de chuvas, embora o regime térmico também possa ser afetado. 

Sua influência ocorre em cerca de 20 regiões no mundo. No Brasil, as regiões mais afetadas são a parte nordeste e leste da Amazônia (na faixa tropical) e a região Sul (na faixa extratropical).

Vale a pena dar uma conferida nesse vídeo que explica claramente como funciona essa dinâmica na zona tropical do oceano:

Entenda o que é El Niño

El Niño

Os efeitos do El Niño vão do aumento de chuvas ao aumento de temperaturas. Em cada região do país, os efeitos são sentidos de forma diferente.  

No Sul e Sudeste, ocorre um aumento da temperatura média. No sul, as precipitações também ficam mais abundantes. 

Já no Nordeste e Norte, há aumento das secas. 

No Centro-Oeste, a tendência é de aumento de temperatura, mas sem efeitos pronunciados nas chuvas.

La Niña

De modo geral, o La Niña tem efeito contrário ao El niño. Em 2021, o Instituto Americano de Meteorologia e Oceanografia manteve o cenário de La Niña para o verão, chegando ao fim no decorrer do outono.

O La Niña tende a favorecer as culturas de inverno (trigo, cevada, aveia, canola, etc) e prejudicar as culturas de verão (soja, milho, feijão, pastagem). Já o El Niño tem efeito inverso.

Microclima

O microclima é o agrupamento de fenômenos meteorológicos na agricultura que acontecem na camada de ar junto à cultura ou ao solo, influenciado diretamente pela localização da lavoura, o tipo de solo e altura da cobertura do solo.

O que promove algumas condições melhores para evitar muito calor ou escassez de água, por exemplo, são práticas como: 

Assim como o fenômeno dos rios voadores, a vegetação próxima às suas lavouras e a cobertura do solo fazem toda a diferença tanto na proteção das áreas quanto a adversidades como ondas de frio e calor, secas e geadas.

Sobre esse assunto, vale a pena conferir também o artigo “Como prevenir a perda de grão por geada”

Outros pontos a serem considerados

Para minimizar os impactos das condições climáticas, alguns pilares podem ser trabalhados:

  • aumento do perfil do solo
  • maior exploração do sistema radicular
  • escolha de genética adequada, genética mais produtiva; 
  • posicionamento.

Por isso, a construção de um bom solo é necessária, com boa capacidade de armazenamento de água. 

As mudanças climáticas trazem tendências como o aumento da temperatura, o que consequentemente altera a taxa de sobrevivência de pragas, parasitas, patógenos de plantas e micróbios do solo, além de estações de cultivo mais longas. 

Nesse cenário, é preciso planejar melhor a produção, utilizar soluções inteligentes como a agricultura digital e manejos mais sustentáveis do solo.

Além disso, não deixe de analisar o zoneamento climático agrícola: ele é fundamental!

Dicas para planejar melhor a sua produção

No planejamento da safra, é preciso manter o hábito de verificar os boletins de previsão de tempo, como os do Inmet.

Além disso, vale acompanhar diariamente e realizar o ajuste do manejo da lavoura de produção de grãos, aguardando as melhores condições para plantio, manejos de aplicações, irrigação e a colheita.

Planilha de Planejamento da Safra de Milho

Conclusão

Vamos precisar nos adaptar e inovar nos próximos anos para melhor manejar nossas lavouras de acordo com os fenômenos meteorológicos na agricultura. 

Quase todos reconhecem que os padrões climáticos estão mudando e a agricultura sente de maneira profunda essa mudança. Talvez seja um dos maiores desafios da nossa atualidade. 

Acompanhar as previsões no planejamento da safra é básico. E saber o impacto dos fenômenos meteorológicos na agricultura é fundamental.

Espero que, com as informações passadas aqui, você consiga ter um melhor entendimento e ações em sua lavoura!

>> Leia mais:

“As melhores práticas para o reúso da água na agricultura

“A influência da lua na agricultura: verdades e mitos”

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Como reduzir os impactos da seca no plantio de café

Impactos da seca no plantio de café: entenda como a seca afeta o cafeeiro e quais atitudes podem contornar essa situação.

Historicamente, a cafeicultura brasileira sofre com episódios de seca severa. Isso vem se agravando dada a expansão dos cultivos para áreas marginais e as mudanças climáticas que acontecem no planeta.

A seca e as temperaturas inadequadas são as principais limitações climáticas da produção de café. Geralmente, elas andam de mãos dadas, o que agrava ainda mais seus impactos negativos.

Os impactos da seca no café podem ser mais ou menos severos dependendo do tipo de solo, sistema de cultivo, espécie, variedade e estágio da produção de café.

Separei algumas dicas sobre os impactos da seca na produção cafeeira, o que podemos esperar nos próximos anos e medidas para lidar com esse problema. Confira!

Impactos da seca sobre as espécies de café

Antes de falarmos sobre os impactos da seca sobre o café, precisamos entender um pouco sobre o ambiente de origem do cafeeiro e como ele molda as respostas das plantas às adversidades climáticas.

O ambiente de origem do cafeeiro

A produção mundial e brasileira de café é baseada em duas espécies: café arábica (Coffea arabica L.) e canephora (C. canephora Pierre). Contudo, essas espécies têm ambientes de origem distintos.

O café arábica tem origem na Etiópia, em condições de temperatura mais amena e altitude superior a 1.600 m. 

O canephora, por outro lado, vem de regiões equatoriais bacia do Rio Congo, mais quentes e com ar saturado de umidade

Mas, por que isso é importante para o manejo nos dias atuais?

Embora o melhoramento genético de café tenha possibilitado a produção de café a pleno sol e em áreas marginais, é certo que as condições em que a planta evoluiu têm influência direta sobre seu comportamento frente a estresses como a seca.

Dada a grande disponibilidade de água em sua origem, o cafeeiro não desenvolveu mecanismos robustos para lidar com déficit hídrico. Isso significa dizer que os cafeeiros, de modo geral, não lidam bem com o déficit hídrico.

Existe variabilidade entre variedades quanto à tolerância à seca, mas dificilmente a produção não é afetada. Ressalta-se que o impacto negativo da falta de água pode variar com as cultivares, estádio fenológico e as condições do local de produção.

Impactos da seca sobre o café

No ambiente tropical, a seca é agravada por altas temperaturas e alta incidência de radiação solar. Dependendo do tipo de solo, haverá mais ou menos água armazenada também.

Fato é, que quanto mais tempo durar o déficit hídrico e menos água armazenada o solo tiver, maiores serão os danos. Dependendo da fase de desenvolvimento da cultura, os danos podem ser piores.

Os impactos da seca sobre o plantio do café são grandes, já que podem levar as mudas recém-plantadas à morte. 

As lavouras em formação, embora maiores e mais resistentes, podem sofrer com desfolha, seca de ramos e até morte de plantas.

Já em lavouras em produção, dependendo do estádio fenológico (ilustrados na figura abaixo), os danos podem ser distintos. 

Esquematização das seis fases fenológicas do cafeeiro arábica, durante 24 meses, nas condições climáticas tropicais do Brasil.
Esquematização das seis fases fenológicas do cafeeiro arábica, durante 24 meses, nas condições climáticas tropicais do Brasil.
(Fonte: Camargo & Camargo, 2001)

A seca na fase vegetativa pode comprometer a produção da safra seguinte e a atual, dependendo da severidade, perdendo folhas e ramos.

Embora um período de déficit moderado seja importante para maturação das gemas florais, uma seca severa pode abortar/secar as gemas e as flores, comprometendo a produção que viria. 

Na fase de chumbinho, o pegamento pode ser reduzido e os grãos podem ser pequenos e chochos caso a seca venha na fase de enchimento de grãos. 

Medidas para minimizar os efeitos da seca

Existem medidas que podem minimizar os efeitos da seca. Sua efetividade depende do momento de uso da técnica, mas principalmente da severidade dos danos já causados pela seca.

Irrigação

Quando o assunto é seca, com certeza a primeira coisa que vem à cabeça para resolver o problema é irrigação, não é mesmo?

Pois bem. É claro que a irrigação é uma medida para conviver com a seca, que permite o fornecimento de água na quantidade certa e na época correta para o cafeeiro. 

Contudo, nem sempre é possível instalar um sistema de irrigação, dada a indisponibilidade de fontes de água no local ou o alto custo envolvido. 

Existem medidas que devem ser tomadas antes mesmo de se pensar em irrigar e que podem beneficiar todos os sistemas de produção, sejam eles de sequeiro ou irrigados. 

Preparo profundo de solo

Enquanto as camadas mais superficiais do solo podem estar secas, o subsolo pode representar um reservatório de água ainda disponível. Para que essa água seja acessada, é necessário que as raízes do cafeeiro cheguem até essas camadas mais profundas

No entanto, as recomendações de correção e adubação são focadas nas camadas mais superficiais do solo e as camadas mais profundas podem apresentar limitações químicas e físicas ao desenvolvimento de raízes.

Uma solução possível seria o preparo profundo de solo na hora do plantio do café. Esse assunto foi abordado em mais detalhes no nosso artigo sobre o plantio do café. Dê uma conferida lá, pois vale a pena!

Uso de culturas intercalares e arborização

Como geralmente as entrelinhas do café ficam expostas ao sol, a perda de água por  evaporação é alta. 

Uma maneira de evitar essa perda, aumentar a infiltração de água e manter mais água disponível no solo é o uso de culturas intercalares. 

Nesse aspecto, é preferível utilizar culturas perenes, com sistema radicular vigoroso e boa produção de biomassa, mas que ao mesmo tempo sejam de fácil manejo e não atrapalhem o cafeeiro se bem manejadas. 

Nesse quesito, as braquiárias são campeãs.

Há ainda a possibilidade de produzir café sombreado, sistema no qual o cafeeiro está submetido a condições mais similares a de seu ambiente de origem e, portanto, sofre menos estresses. 

A arborização pode ser benéfica principalmente em áreas marginais à produção. Contudo, sua adoção deve considerar outros critérios para ser viável. Falamos com mais detalhes sobre isso no nosso texto sobre o plantio do café também.

Café e mudanças climáticas: o que o futuro nos reserva?

Considerando as previsões científicas quanto ao aquecimento global, o cenário não era muito agradável para a produção de café. 

Contudo, em recente revisão publicada pelo professor Fabio DaMatta e colaboradores, o cenário apresentado parece mais otimista. 

Os dados mostram que o CO2 elevado pode ajudar a reduzir os efeitos negativos das elevadas temperaturas e estresse hídrico sobre a produtividade do cafeeiro.

Entretanto, as incertezas do clima, a possibilidade de maior ocorrência de eventos extremos (tempestades, altas temperaturas, etc.) e a interação disso com pragas, doenças e genótipos de café tornam qualquer previsão complicada e mais estudos são necessários sobre o assunto.

De qualquer maneira, fica o registro do que se tem de recente na literatura científica e sobre a necessidade de pesquisas futuras quanto à produtividade e qualidade de café no contexto de mudanças climáticas.

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Conclusão

Como pudemos acompanhar no texto, os cafeeiros arábica e canephora podem sofrer impactos negativos com a seca, principalmente em regiões marginais, onde as condições são naturalmente mais estressantes à planta de café.

Dependendo da severidade da seca, duração e do estádio fenológico no qual a planta se encontra, a produção atual e a da safra seguinte podem ser comprometidas.

Além da irrigação, existem medidas que podem ajudar a reduzir os impactos negativos da seca e tornar o sistema de produção mais resiliente. 

Entre essas medidas destacam-se o preparo profundo de solo, o uso de culturas de cobertura nas entrelinhas dos cafezais e em alguns casos, a adoção da produção arborizada.

>> Leia mais:

“Tudo o que você precisa saber sobre a produção de cafés especiais”

“Acerte no adubo líquido para café e não jogue dinheiro fora”

“Como estimar o custo de produção do café (+ calculadora rápida)”

Restou alguma dúvida sobre os impactos da seca no plantio de café? Conte para gente nos comentários. Grande abraço!

Como prevenir a perda de grãos por geada

Perda de grãos por geada: saiba como se planejar, como obter o histórico climático da sua área e acertar a janela de plantio.

Todo ano, as geadas tiram o sono de muitos produtores. Embora esse fenômeno seja mais comum na região Sul, São Paulo, sul de Minas Gerais e Mato Grosso do Sul também sofrem com geadas.

Existe mais de um tipo de geada e seus danos dependem da região, relevo e cultura em questão. 

Mas existem medidas que podem ser tomar e, quando usadas em conjunto, ajudam na prevenção e redução de danos nas lavouras.

Reuni alguns pontos que devemos considerar quando o assunto é prevenção das perdas de grãos por geada. Confira!

O que é a geada?

A geada é um fenômeno meteorológico que ocorre quando a temperatura atinge 0℃ e há umidade no ar. Os danos podem ser causados por ventos frios soprando por várias horas ou mesmo pelo acúmulo de ar frio. 

Por esse motivo, conforme se caminha para o inverno, maiores são as chances de ocorrência de geada. 

Do ponto de vista da produção vegetal, considera-se que ocorreu geada quando a temperatura no abrigo meteorológico fica abaixo de 2℃ e representa morte da planta ou de suas partes devido ao congelamento. 

Tipos de geada

As geadas podem ser classificadas quanto à sua formação:

  • advecção;
  • radiação;
  • mista; 
  • de canela. 

ou por seu aspecto visual: 

  • geada branca; 
  • geada negra. 

No Brasil, o mais comum é que ocorram geadas brancas de radiação, em geral, menos severas. 

duas fotos ilustrativas de geada negra e geada branca em lavouras

Geada negra e geada branca
(Fonte: adaptado de Marco Hisatomi e Gaúcha Zh)

3 passos para prevenir a perda de grãos por geada

Os danos causados pela geada podem ser minimizados ou prevenidos com um bom planejamento, escolha de variedades e manejo adequado:

1- Observe o histórico de geadas da região

Para um bom planejamento visando minimizar a perda de grão por geada é necessário conhecer o histórico de ocorrência desse fenômeno no seu local. Existe mais de uma base de dados que fornece essas informações.

Veja abaixo três exemplos de onde você pode acessar informações sobre geadas e se planejar.

Na primeira imagem, há o mapa de previsão de geadas do Sisdagro, do Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia). Note que ele informa um maior risco de geada no Rio Grande do Sul e parte de Santa Catarina, enquanto o Paraná tem menos riscos.

Ilustração com exemplo de mapa de risco de geada no Brasil

Exemplo de mapa de risco de geada no Brasil
(Inmet)

O Cptec/Inpe também tem um sistema de previsão de geadas que gera um mapa mostrando as condições de ocorrência. Os pontos vermelhos indicam maior probabilidade de ocorrência de geada.

Mapa de ocorrência de geada, no exemplo para a madrugada do dia 30 de julho de 2020 com pontos vermelhos na região Sul e azul na região Sudeste.

Mapa de ocorrência de geada 
(Cptec/Inpe)

Mais especificamente para o estado do Paraná, o Iapar disponibiliza um histórico de geadas e gera mapas como o abaixo:

Mapa de geada no estado do Paraná, no exemplo temperatura mínima no abrigo em 08 de julho de 2019.

Mapa de geada no estado do Paraná
(Fonte: Iapar)

Independentemente da base de dados utilizada, essas informações são úteis para o planejamento do plantio de culturas de inverno. Outro fator a se levar em conta, são as espécies de planta.

2- Escolha cultivares adequadamente

As perdas nas lavouras por geada dependem da espécie e cultivar, estádio de desenvolvimento, fitossanidade e estado nutricional da plantação. 

A tabela abaixo mostra a temperatura letal para diferentes culturas. Observe:

Tabela com a temperatura letal de culturas anuais sendo trigo, aveia, feijão, soja, milho, sorgo e arroz.

Temperatura letal de culturas graníferas 
(Fonte: adaptado de Sentelhas e Angelocci)

Veja que trigo e aveia têm mais tolerância à geada. Mas isso não quer dizer que uma lavoura de trigo não sofra perdas por geada! Elas só “aguentam mais o tranco”.

Mas isso também depende da cultivar, pois dentro de uma mesma espécie existem cultivares mais ou menos resistentes ao frio. 

Milho e soja, culturas tipicamente de verão, são menos tolerantes às baixas temperaturas e não dispõem de cultivares que sejam resistentes à geada. 

Para o trigo, existem opções de cultivares mais resistentes ao frio. 

Em locais onde o risco de geada é maior, opte por variedades mais resistentes.

Note também, que mesmo para trigo e aveia, a fase de floração e enchimento de grãos é crítica, pois as plantas são menos tolerantes ao frio. Por isso, para evitar dor de cabeça, outro fator é importante de se levar em conta: a data de semeadura.

3- Não erre na data (nem no local) de semeadura

Data de semeadura

Baseado no histórico de ocorrência de geadas, mês a mês, e no ciclo da cultivar, é possível escalonar o plantio para que a fase reprodutiva não caia na época de maior ocorrência de geadas do local. 

O governo disponibiliza o Zoneamento agrícola de risco climático (Zarc), onde é possível encontrar a janela de plantio ideal para minimizar os riscos da cultura e região em que se deseja plantar. O aplicativo desenvolvido pela Embrapa facilita a visualização dessas informações do Zarc.

Plantar na janela ideal é primordial para obtenção de crédito rural e seguro agrícola também. Fique atento!

Topoclima e relevo

A intensidade e frequência de geadas também está relacionada às condições do topoclima ou relevo. As geadas são mais intensas e frequentes em locais onde há pouca circulação da massa de ar frio, como nas baixadas

Ilustração sobre problema do acúmulo de ar frio de acordo com relevo e vegetação

O problema do acúmulo de ar frio de acordo com relevo e vegetação 
(Fonte: Sentelhas e Angelocci)

Além disso, quando a face Sul/Sudoeste dos terrenos está menos exposta à luz do sol no inverno, os riscos são maiores!

Considerando a combinação de fatores – relevo, data de semeadura e cultivar – o ideal é que se deixe as cultivares menos resistentes para o fim da  janela de plantio e para as partes mais altas do relevo, reduzindo, assim, a perda de grãos por geada. 

Como alternativa de manejo na lavoura já instalada, a irrigação por aspersão durante a noite da geada ajudar a minimizar os danos.

banner e-book guia de planejamento para milho e soja

Conclusão

Como acompanhamos no texto, a geada é um fenômeno meteorológico como qualquer outro e, como tal, sua ocorrência está fora do alcance do produtor. 

Mas existem “cartas na manga” que, quando utilizadas em conjunto, podem facilitar o convívio com esse fenômeno

Dentre as possibilidades, o maior impacto na redução da perda de grãos por geada vem do bom planejamento na instalação da lavoura. É preciso evitar áreas de baixada – onde o ar frio se acumula –  e plantar na época correta do zoneamento de risco climático

Além disso, recomenda-se escolher cultivares que tenham maior tolerância nas áreas onde o histórico de ocorrência de geada for maior. A cultura do trigo dispõe de várias alternativas. Já milho e soja, não. Fique atento! 

>>Leia mais:

Qual a relação entre clima e agricultura?

“Como combater o estresse térmico nas plantas?”

“Como minimizar os impactos e prejuízos da geada no milho”

Como você se previne da perda de grãos por geada na sua propriedade? Deixe suas dúvidas ou comentários no espaço abaixo. Grande abraço, se cuide e até a próxima!

Agricultura irrigada: o que é, principais métodos e vantagens

A irrigação é o ato de fornecer água às plantas, para que elas possam se desenvolver e produzir.  Sua aplicação no campo demanda precisão e técnica para ser financeira e agronomicamente eficiente. 

A agricultura irrigada é uma atividade complexa que requer elevados níveis de tecnificação, planejamento e investimento. Conhecer todos os detalhes é fundamental.

Nesse texto, você verá os principais métodos de irrigação e suas recomendações, os principais benefícios e possíveis problemas. Confira a seguir!

O que é agricultura irrigada?

Agricultura irrigada é a prática de aplicar água diretamente na raiz das plantas, ou seja, empregar a irrigação, com o objetivo de melhorar a aplicação de água e fertilizantes, mantendo baixo consumo energético.

A irrigação é capaz de suprir a deficiência total ou parcial de água para as plantas. Para isso, são usados equipamentos e técnicas específicas para fornecer água de forma artificial, garantindo a produção da lavoura mesmo quando não há uma oferta natural de água. 

Porém, apenas o fornecimento de água às plantas não é garantia de uma lavoura de sucesso! Uma boa agricultura irrigada é feita com planejamento, monitoramento e gestão da irrigação. 

Esse planejamento está relacionado a uma série de fatores como cultura, solo e clima. As necessidades de quem produz e as particularidades dos diferentes métodos de irrigação também precisam ser considerados.

Por que irrigar a lavoura?

A irrigação consiste na técnica de se fornecer água às lavouras quando há limitação desse recurso de forma natural.

O ciclo de pluviosidade depende da região do país e de outros efeitos naturais como o El Niño e La Niña, por exemplo.

Além disso, as práticas de manejo e conservação do solo são importantes na manutenção da água no solo e sua disponibilidade para a planta.

Por vezes, a quantidade acumulada de chuva é insuficiente para as plantas, ou sua distribuição é irregular durante a safra

Para isso, é preciso lançar mão de técnicas como a irrigação para evitar que a limitação hídrica cause perdas de produtividade.

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Vantagens da irrigação para a agricultura

A agricultura irrigada se adapta a vários tipos de solo, além de ser muito eficiente. Por ser um processo que pode ser automatizado, garante facilidade ao seu trabalho. 

Entre as principais vantagens, está a redução dos impactos da seca, garantindo maior crescimento e desenvolvimento das culturas. 

Além disso, a irrigação aumenta a produtividade, reduz riscos climáticos e melhora o vigor e a uniformidade das plantas, proporcionando uma floração homogênea.

Outro grande benefício é a flexibilidade no plantio e na colheita, permitindo o cultivo em períodos estratégicos e a expansão para áreas que antes não eram aptas à agricultura de sequeiro. 

Com maior estabilidade hídrica, você pode diversificar culturas, aproveitar o solo por mais tempo e aumentar sua renda, tornando a atividade mais rentável e sustentável. 

A adoção da técnica ainda pode ser utilizada para proteção contra geadas, aumentando a segurança da produção. 

Desafios na agricultura irrigada

Atualmente, o Brasil está entre os 10 países do mundo com as maiores áreas equipadas para irrigação, com quase sete milhões de hectares.

Destes, cerca de 50% está destinado ao cultivo de arroz irrigado e cana-de-açúcar.

Por isso, as projeções futuras para a agricultura irrigada no Brasil são as melhores. É esperado um crescimento de 47% até 2030, passando para 10 milhões de hectares.

Porém, a agricultura irrigada apresenta também alguns aspectos negativos preocupantes. Com o aumento da agricultura irrigada, a demanda por água também aumentará.

Portanto, é importante a busca constante por métodos eficientes no uso racional da água para evitar desperdícios.

Além disso, a associação da aplicação de fertilizantes com a irrigação ou fertirrigação pode, com o passar do tempo, levar à salinização e deterioração dos solos.

Esquema do território do Brasil e áreas de agricultura irrigada

Detalhe das áreas irrigadas por municípios (em hectares) no Brasil

(Fonte: Agência Nacional das Águas, 2015)

Como escolher métodos de irrigação? 

A escolha dos métodos de irrigação deve levar em conta alguns fatores importantes em termos de condições climáticas, de solo, da propriedade e da capacidade técnica, e de investimento do produtor.

  • Cultura agrícola: As culturas a serem utilizadas são determinantes para o tipo de irrigação, principalmente no que diz respeito a seu porte e profundidade de raiz, espaçamento, demanda hídrica e ciclo anual ou perene;
  • Tipo de solo e declividade: O tipo de solo, sua estrutura e capacidade de retenção de água, a altura do lençol freático e a declividade podem ser limitantes para alguns tipos de sistemas de irrigação;
  • Disponibilidade hídrica na região: Conhecer o ciclo de chuvas na região, bem como a capacidade de armazenamento de água é importante para se definir o potencial de irrigação;
  • Capacidade técnica e financeira: Alguns sistemas de irrigação necessitam de maior investimento e de maior nível técnico de funcionários da propriedade, podendo influenciar no método a ser usado.

Métodos como gotejamento e microaspersão, por exemplo, oferecem maior economia de água e precisão na distribuição, mas exigem maior investimento inicial. 

Já a irrigação por aspersão ou sulcos pode ser mais acessível, porém com eficiência menor em determinadas condições.

Por isso, antes de definir o sistema ideal, é recomendável realizar um planejamento detalhado, levando em conta o custo-benefício e a viabilidade técnica para sua lavoura. 

Qual a diferença entre método e sistema de irrigação?

Método é o modo de agir ou fazer a irrigação na lavoura. Os sistemas se relacionam com a disposição e funcionamento das partes dos métodos.  São um conjunto de equipamentos que funcionam juntos para fazer a irrigação acontecer.

Um método de irrigação pode estar relacionado a um ou mais sistemas de irrigação. 

É importante lembrar que não existe um método ou um tipo de sistema perfeito. Cada um apresenta vantagens e desvantagens.

Sem dúvidas, o melhor será sempre aquele que sem desperdícios e exageros apresenta os melhores resultados a um custo acessível.

plantação de soja sendo irrigada. Imagem mostra em primeiro plano um sistema de irrigação.

Principais tipos de irrigação

Existem vários tipos e sistemas de irrigação diferentes: por superfície, por aspersão, localizada, por subsuperfície, por gotejamento, microaspersão, pivôs e autopropelidos. Veja um pouco mais sobre cada um deles.

1. Irrigação por superfície

Na irrigação por superfície, a água é aplicada diretamente sobre a superfície do solo da área que precisa ser irrigada. Nesse método, a água é distribuída através da gravidade pela superfície. 

Seus principais sistemas de execução são por sulcos ou inundação. As principais vantagens são a simplicidade de aplicação, a necessidade de  poucos equipamentos e o baixo custo de instalação quando comparado aos demais.

Entretanto, a irrigação por superfície utiliza muita água e depende muito da declividade e textura do solo. Por isso, é um método que não pode ser implementado em qualquer região. 

2. Irrigação da lavoura subterrânea

Consiste na aplicação de água para as raízes de maneira subterrânea. Isso se dá por meio da instalação de tubulações abaixo do nível do solo que permitem o controle do nível do lençol freático.

Esse tipo de irritação tem instalação de maior custo, maiores problemas com entupimentos e necessidade de manutenção e troca de filtros mais frequente.

Porém, a distribuição de água é bastante homogênea e o sistema pode se adequar a diversas culturas e tipos de solos. 

3. Irrigação por aspersão

A irrigação por aspersão simula a chuva através de um aspersor que joga água para o ar, e consequentemente, para as plantas e para o solo. É um método que se adapta bem a diferentes relevos

Porém, seu custo aumenta conforme o nível de mecanização e de tecnologia aplicada. Dois dos principais sistemas de irrigação por aspersão são os pivôs centrais e os canhões autopropelidos

4. Irrigação da lavoura localizada

As formas de irrigação localizada são bastante utilizadas, sendo os mais comuns os métodos de gotejamento ou microaspersão, baseados na entrega de água à planta em baixos volumes e alta frequência.

Ambos são de maior custo e necessitam de mão de obra mais qualificada e tem alta manutenção para evitar problemas de entupimento de tubos de distribuição.

Porém, tem bastante precisão e que podem entregar água diretamente nas raízes ou na superfície do solo sem molhamento da parte aérea, diminuindo o risco de doenças.

5. Fertirrigação

A fertirrigação é um método bastante utilizado na cultura da cana e hortaliças, que consiste na adição de fertilizantes à água de irrigação.  

Pode ser adequada para diversos métodos, principalmente na irrigação por gotejamento, sendo vantajoso em culturas como a cana-de-açúcar e hortaliças, que demandam altos níveis de nutrientes em períodos específicos. 

A fertirrigação não só melhora o aproveitamento de fertilizantes, mas também pode contribuir para uma redução no custo de insumos e um melhor gerenciamento da água

Foto de sistema de irrigação por gotejamento e microaspersão

Exemplo de sistema de irrigação por gotejamento (esquerda) e microaspersão (direita)

(Fonte: Embrapa)

6. Irrigação por subsuperfície

A irrigação por subsuperfície acontece através da aplicação da água abaixo ou direto no sistema radicular das plantas. 

É uma técnica um pouco menos comum e pode ser aplicada para produção de algumas hortaliças em ambiente protegido.

Quando em condições adequadas, seu custo é reduzido, porém, em regiões mais planas são necessárias para a irrigação acontecer.

Ao contrário do gotejamento convencional, a manutenção é difícil pelo fato da irrigação estar abaixo do solo.

7. Irrigação por gotejamento

A irrigação por gotejamento é um dos métodos mais eficientes de irrigação, usado, principalmente, em diversas culturas que exigem um fornecimento preciso e controlado de água, como hortaliças e frutas.

No gotejamento, a água é fornecida diretamente nas raízes das plantas por meio de emissores ou gotejadores, localizados ao longo de tubos ou mangueiras, com vazão muito baixa.

Com isso, é possível que a água seja liberada em pequenas quantidades, de forma contínua e controlada, sendo uma solução cada vez mais popular em práticas agrícolas sustentáveis e de precisão.

8. Irrigação pivô

A irrigação pivô central é um dos sistemas mais comuns e eficazes para irrigação de grandes áreas agrícolas.

A técnica consiste em uma estrutura circular, geralmente composta por tubos metálicos que formam um braço articulado e são suportados por rodas, permitindo que se mova ao redor de um ponto central, que é a fonte de água.

O pivô gira ao redor desse ponto, cobrindo uma área de formato circular e aplicando água de forma uniforme sobre a cultura.

planilha custos de pivô Aegro

Tendências na agricultura irrigada

Dentro do contexto de Agricultura 4.0, os sistemas automatizados estão cada vez mais presentes na propriedade agrícola. Isso não é diferente com os métodos e sistemas de manejo de água, através da irrigação de precisão.

A irrigação de precisão usa tecnologias modernas para mapear as diferenças de umidade do solo e do estado hídrico das plantas. O objetivo é aumentar a eficiência da irrigação. Para isso, o uso de sistemas de irrigação mais localizados e que possam ser controlados com certa individualidade é essencial.

Isso permite a irrigação diferencial em áreas dentro de uma mesma gleba que estejam com diferentes requerimentos de água. 

Fatores como declividade, incidência de sol, face de exposição, temperatura e correntes de vento causam essas diferenças. A irrigação de precisão também utiliza tecnologias como: 

  • Sensores sem fio ou de funcionamento remoto;
  • Sistema de localização;
  • Informações atuais de estações meteorológicas, etc. 

A irrigação de precisão facilita a tomada de decisões mais informadas, contribuindo para um manejo mais eficiente dos recursos hídricos, especialmente em regiões com limitações de água.

Ao integrar esses dados e tecnologias, a agricultura irrigada se tornam mais inteligentes, oferecendo uma resposta rápida às mudanças nas condições do campo e garantindo que cada planta receba a quantidade exata de água necessária para seu desenvolvimento ideal.

Qual a relação entre clima e agricultura?

Relação entre clima e agricultura: entenda a seguir sobre os principais fatores climáticos que influenciam nas nossas lavouras.

Não tem como falarmos de agricultura sem falar do clima. Quase tudo o que acontece no ambiente agrícola depende direta ou indiretamente dele.

É só analisar as práticas agrícolas de plantio e colheita, por exemplo. Só se realiza o plantio se houver condições climáticas ideais para aquela cultura se desenvolver. 

Já quando falamos de colheita de campos de produção de soja ou milho, o ideal é que no final do ciclo não haja oscilações na umidade do grão. Isso é mais garantido quando essa etapa coincide com épocas mais secas.

Veja neste artigo a relação entre clima e agricultura no plantio e na colheita, além dos impactos das mudanças climáticas e ferramentas para um planejamento agrícola de precisão.

Como o clima pode interferir na atividade agrícola?

O clima é fundamental para a agricultura, pois dele dependem a maioria das práticas agrícolas.

Um dos principais fatores que são influenciados pelo clima é o zoneamento agrícola. Todas as culturas possuem um para a sua produção.

Em um zoneamento agrícola são levados em consideração o clima, o solo e o ciclo das cultivares a fim de definir os riscos climáticos envolvidos na condução das lavouras que podem ocasionar perdas na produção agrícola. 

A temperatura e a umidade são os fatores que mais podem afetar a produtividade das lavouras. 

Isso porque cada cultura tem uma condição específica na qual se desenvolve melhor e, que não depende apenas da estação do ano mais adequada para aquele cultivo, mas sim da temperatura e precipitação mais favoráveis.

Assim, é muito importante saber relacionar os dados que temos em mãos, para tomar a melhor decisão sobre os tratos culturais como plantio, irrigação e a colheita.

Zarc Embrapa

Zoneamento agrícola da cultura de milho realizado pela ferramenta Zarc
(Fonte: Embrapa)

Relação entre clima e agricultura: Clima ideal para plantio

Como vimos, cada cultura tem uma condição ideal para que sua germinação, emergência e desenvolvimento ocorram da melhor forma possível.

Para o milho, por exemplo, a melhor temperatura para germinação está entre 32 e 35°C, já para a soja, esta temperatura é de 32°C

Lembre-se que temperatura e umidade são fundamentais para a germinação das sementes, pois quanto mais tempo demorar para a semente germinar, mais sujeita ela estará a condições adversas.

A soja se desenvolve melhor em regiões onde as temperaturas ficam entre 20 e 30ºC, com temperatura ideal para o desenvolvimento em torno de 30°C. 

Já, quando pensamos nas exigências hídricas das culturas, nos referimos à quantidade de água que a cultura precisa durante todo o seu ciclo.

Para soja, por exemplo, a demanda hídrica fica entre 450 e 850 mm, dependendo das variações do clima. Para a cultura do milho, este valor fica ao redor de 650 mm.

Vale lembrar que a quantidade de água é importante, porém, ela precisa acontecer nas épocas adequadas, de acordo com a exigência da cultura.

>> Leia mais: “Como ocorre e quais os efeitos do estresse hídrico nas plantas”

Relação entre clima e agricultura: Clima ideal para colheita

A colheita de grãos como a soja e o milho deve ocorrer na época adequada.

O principal fator que leva a perdas nestas culturas é a umidade do grão. Em soja, os grãos devem ser colhidos com umidade entre 13% a 15%.

Entendemos esse fator como o ponto de colheita ideal, pois a partir deste momento os grãos estarão sujeitos a perdas. 

Caso seu objetivo seja a produção de sementes de soja, este fator é ainda mais importante, pois a partir do momento que se atinge a maturidade fisiológica e que o ponto de colheita é alcançado, as sementes ficam sujeitas às adversidades do clima, o que pode reduzir viabilidade e vigor.

Assim, em torno de 15 dias antes da colheita, comece a monitorar a umidade da semente e quando atingir 15% você já pode iniciar.

Para a colheita, dê preferência ao período da manhã, pois é quando se tem temperaturas mais amenas e a umidade do ar mais elevada, ajudando a reduzir as perdas.

Como a seca interfere na agricultura

A falta ou excesso de água prejudicam todas as culturas. Porque assim como vimos, cada etapa da cultura necessita de uma quantidade de água ideal.

A água é um fator fundamental em todas as etapas, desde a germinação até a maturação das sementes.

A falta do recurso natural no início do plantio pode afetar a germinação das sementes, pois a quantidade deve ser suficiente para todo o processo de embebição, ativação da respiração, indução do crescimento e protrusão da raiz primária. 

Por outro lado, a falta de água durante o desenvolvimento da planta reduz a área foliar, a taxa fotossintética, que por consequência leva a um menor acúmulo de fotoassimilados e ao menor desenvolvimento das sementes. 

Como resultado, a ocorrência de seca durante o florescimento das culturas leva à redução do número de sementes.

Impacto das mudanças climáticas na agricultura

Alguns estudos já foram e outros estão sendo realizados para analisar os impactos econômicos das mudanças climáticas na agricultura.

Esses estudos mostram a redução de produtividade das principais culturas afetadas pelo aumento da temperatura ou alteração no ciclo da água.

No caso do milho, o principal fator é o menor período para o enchimento dos grãos. Já no caso da soja, as perdas são relacionadas ao menor ciclo de cultivo, reduzindo também o período de enchimento de grãos.

Veja nas tabelas abaixo o impacto das mudanças climáticas nas atuais áreas de “baixo risco” adequadas ao cultivo.

relação entre clima e agricultura

RECE – Relatório Especial sobre os Cenários de Emissões
(Fonte: Margulis et al., 2010)

relação entre clima e agricultura

(Fonte: Banco Mundial)

Planejamento climático de precisão

Depois de tudo que vimos neste artigo, sabemos como é importante fazer o planejamento da lavoura levando em consideração as condições climáticas.

Para isso, deve-se alinhar cada vez mais o clima com a agricultura, contando com ferramentas que auxiliem na tomada de decisão.

Hoje, já é possível ter acesso a diversas informações sobre o clima de sua propriedade. Você pode usar diversos aplicativos para isso, como por exemplo, o Aegro que é integrado com o Climatempo. 

No software de gestão rural, além de ter o controle das operações da fazenda, é possível ter acesso aos seguintes dados meteorológicos:

  • Previsões de 24h (temperatura, velocidade e direção do vento);
  • Previsões de 15 dias (janela de pulverização, temperatura, probabilidade e precipitação de chuva, umidade e evapotranspiração, vento e rajada);
  • Históricos de 1 mês (pluviométrico, precipitação e precipitação acumulada).
Integração Climatempo Aegro

Com essa integração do Aegro, é possível gerar uma série de relatórios

checklist planejamento agrícola Aegro

Conclusão

Durante o texto, você pode acompanhar as principais relações entre o clima e a agricultura.

Vimos que as condições climáticas afetam as práticas culturais e como mudanças climáticas poderão causar prejuízos dependendo da cultura. 

Cada vez mais o planejamento da lavoura é essencial, passamos da fase de estações ideais para o plantio e agora a análise de cada dado coletado é fundamental para as tomadas de decisão. 

>> Leia mais:

Como prevenir a perda de grãos por geada

“A influência da lua na agricultura: verdades e mitos”

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El Niño e suas consequências na agricultura brasileira

O fenômeno El Niño deve ocorrer a partir do segundo semestre de 2023. Entenda como ele pode afetar a sua lavoura. Bônus: conheça 5 formas de proteger a sua produtividade! 

Excesso ou falta de chuvas, temperaturas acima da média e períodos com fortes restrições hídricas. Esses são alguns dos reflexos provocados pelo El Niño no Brasil.

Esse fenômeno climático pode resultar em grandes prejuízos, como já pudemos observar em outros anos: maior volume de chuvas na região Sul do país, temperaturas mais elevadas de forma geral, secas severas na região Nordeste e outros inúmeros reflexos negativos. 

Apesar dos efeitos inevitáveis no clima, existem formas de preparar a fazenda para mitigar os efeitos do El Niño, mantendo uma boa produtividade e evitando maiores prejuízos às culturas e à rentabilidade dos cultivos.

Para isso, é indispensável que se entenda o que é o fenômeno El Niño, seus impactos na agricultura e como o manejo pode ser um aliado para obter bons resultados da lavoura. Confira a seguir!

El Niño: entenda o que é esse fenômeno

El Niño é um fenômeno climático que causa aumento nas temperaturas da superfície do Oceano Pacífico Tropical e enfraquecimento dos ventos alísios.

Os ventos alísios são um tipo de vento considerado estável e úmido, que incide nas zonas subtropicais em baixas altitudes. 

Eles são resultado do deslocamento das massas de ar frio dos trópicos (de alta pressão) em direção à zona de baixa pressão, a zona equatorial. Por isso, quando enfraquecidos, esses ventos resultam em aumento das temperaturas.

Com isso, há diminuição das águas mais frias que afloram próximo à costa oeste da América do Sul. Esse aquecimento pode alterar o regime de chuvas em muitas regiões, impactando, consequentemente, a agricultura.

O El Niño registrado na safra de 2015/16 teve temperaturas recordes, com destaque para a força do fenômeno em 2016. Porém, um dos piores anos foi 1982, quando o El Niño causou vastas mudanças na circulação atmosférica.

O Brasil sofreu com tempestades torrenciais e, nos Estados Unidos, houve tempestades ao longo da costa da Califórnia.

Além do El Niño, também pode ocorrer a La Niña. Neste caso, acontece o contrário: há resfriamento das águas do Pacífico Equatorial, o que altera a dinâmica das chuvas no país e provoca secas, especialmente na região Sul.

Há também os anos neutros — quando as águas do Pacífico estão com temperatura próxima ao normal, não ocorrendo nem resfriamento nem aquecimento.

O último El Niño havia ocorrido no ano de 2020 e, depois de três anos de predomínio do fenômeno La Niña, que resultou em quebras acentuadas da produção de soja do Rio Grande do Sul, o El Niño deve voltar ao cenário nos próximos meses, segundo a Organização Meteorológica Mundial (OMM).

Quando o El Niño vai acontecer?

Após três anos de La Niña, que se encontra em estado de neutralidade, a previsão da OMM é que o El Niño ocorra nos próximos meses.

As previsões indicam que há chances de o fenômeno ocorrer ainda em maio (60% de probabilidade), mas é entre julho e setembro que as probabilidades alcançam 80%. Ou seja, nesse período, poderemos ter mudanças significativas na ocorrência de chuvas, bem como de temperaturas em todo o mundo, incluindo as diferentes regiões produtoras do Brasil. 

Tanto El Niño quanto La Niña podem ser classificados por intensidade: forte, moderado e fraco. Nas safras de 2020/21 e 2021/22, por exemplo, o La Niña foi considerado moderado.

O El Niño tem aumentado de intensidade, atingindo seu pico nas safras 1982/83, 1997/98 e 2015/16. Já a La Ninã, por outro lado, teve seus picos nas safras 1973/74, 1988/89 e 2007/08. 

Diferente do La Niña, registrado de forma forte menos vezes ao longo dos anos (8 desde 1950), o El Niño tem sido registrado mais vezes como forte (4 vezes) ou muito forte (5 vezes). Isso acentua os impactos das mudanças climáticas, provocando temperaturas recordes, chuvas torrenciais em partes do planeta (com temporais), aumentando as queimadas e muitos outros efeitos — incluindo, é claro, os benéficos.

Quais os efeitos esperados do El Niño no Brasil?

Como eu comentei acima, o fenômeno El Niño pode afetar a temperatura e a quantidade de chuvas em muitas regiões do mundo. Normalmente, com o El Niño, as temperaturas ficam um pouco acima do normal no Brasil.

Assim, as altas temperaturas em algumas áreas do país, que chegaram a registrar 4 a 5 graus acima da mesma época em outros anos, já podem estar relacionadas às mudanças no cenário climático. 

De modo geral, nas regiões Norte e Nordeste do Brasil, pode ocorrer redução das precipitações.

No Sudeste costuma haver aumento das temperaturas. Na região Sul as chuvas podem ser mais abundantes. Já no Centro-Oeste pode haver irregularidade das chuvas.

Veja o que acontece nas regiões brasileiras com o fenômeno El Niño, de acordo com o CPTEC/INPE:

(Fonte: Cptec/Inpe)

Esse fenômeno pode influenciar nas temperaturas e nas chuvas pelo mundo, conforme os gráficos abaixo. À esquerda, previsões da temperatura do ar nos meses de maio, junho e julho e, à direita, precipitações para a mesma época do ano no mundo. Veja:

(Fonte: World Meteorological Organization, 2023).

O gráfico a seguir ilustra o comportamento típico das chuvas durante o El Niño nas diferentes regiões do planeta.

No Brasil, é possível observar maior volume de chuvas na região Sul do país (principalmente no Rio Grande do Sul) e menor volume de chuvas nas regiões Norte e Nordeste do país. Confira à direita do mapa mundi:

(Fonte: Cptec/Inpe)

Efeitos do El Niño na agricultura brasileira

Estima-se que 80% da variação da produtividade agrícola dependa das condições climáticas. Áreas com redução das chuvas podem desacelerar o desenvolvimento das culturas, ocorrendo queda da produtividade.

Já em regiões com aumento da precipitação, pode haver inundações nas culturas, o que também tende a reduzir a produtividade.

Além disso, chuvas em excesso no momento da colheita podem diminuir a qualidade dos produtos e, ainda, inviabilizar o escoamento da safra.

Culturas anuais podem ser altamente afetadas por essas variações, como é o caso das lavouras de grãos.

As culturas perenes também podem ter redução na produtividade. Mas, como elas ficam por mais tempo no campo, há possibilidade de se recuperarem após essas variações. No entanto, elas devem ser monitoradas da mesma forma, para mitigação dos efeitos do fenômeno, sejam eles aumento das precipitações ou redução.

Para você entender melhor, veja algumas consequências do último El Niño na agricultura brasileira.

Impactos do último El Niño no Brasil

Nos estados do Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia), houve falta de chuva no início do plantio de soja. Isso reduziu a germinação das sementes e causou redução do stand das plântulas;

No Mato Grosso houve irregularidade nas chuvas no início do plantio. Assim, houve grandes perdas em uma mesma região e em outras isso não ocorreu;

Na região Sul, a chuva abundante pode ter favorecido a produtividade dos grãos. Porém, o excesso de umidade pode ter desfavorecido outras culturas, como o arroz e o trigo (este último principalmente no momento de colheita, e impactando também o aumento das temperaturas).

Não podemos esquecer que o El Niño também pode trazer benefícios, como o aumento da umidade em localidades impactadas pelo La Niña e que estejam com baixos volumes acumulados de água no solo e em reservatórios (caso da região Sul do país).

Isso favorece o plantio e o desenvolvimento das culturas — desde que o aumento das chuvas não seja em excesso — e aumenta as temperaturas médias do ar durante os estágios mais sensíveis de desenvolvimento das culturas (polinização e enchimento de grãos).

El Niño também pode aumentar a incidência de doenças em culturas importantes, como o trigo.

Falta ou excesso de chuva causado pelo El Niño no Brasil — o que fazer?

Pesquisadores da Embrapa orientam sobre como proceder quando um desses dois fenômenos ocorre. Confira:

Excesso de chuva

  • Realizar o preparo do solo para a semeadura – assim, quando as condições permitirem, o solo já estará preparado para realizar a semeadura
  • Semeadura no início do período recomendado
  • Não semear em solos encharcados
  • Realizar rotação de culturas, pois alta umidade pode favorecer o desenvolvimento de doenças
  • Utilizar cultivares resistentes a doenças que podem se desenvolver com alta umidade (com base no histórico da área de cultivo)
  • Atenção ao realizar adubação nitrogenada, pois, com excesso de chuva, o nitrogênio pode ser facilmente lixiviado
  • Realizar a colheita quando o produto atinge umidade adequada, pois chuvas podem reduzir a qualidade do produto agrícola
Excesso de chuva pode levar à erosão do solo, lavagem de nutrientes e até mesmo à necessidade de ressemeadura das culturas, pela redução do estande de plantas.

Falta de chuva

  • Utilizar sistema de plantio direto. Este sistema pode favorecer a germinação das sementes pela umidade do solo por causa da palhada
  • Utilizar cultivares mais resistentes ao estresse hídrico
  • Utilizar cultivares com sistema radicular mais profundo
  • Plantio ou semeadura mais profundos
  • Utilizar irrigação quando possível e necessário
  • Não utilizar uma população de plantas acima da recomendada

E é claro: você precisa monitorar as condições meteorológicas da sua região tanto em caso de excesso de chuva como em caso de seca.

5 dicas para ter uma boa produtividade na lavoura mesmo com o El Niño no Brasil

1. Fique de olho nas condições meteorológicas e fenômenos climáticos na sua região

Como a agricultura é muito dependente das condições meteorológicas, você precisa estar de olho nas previsões climáticas de sua região. Isso é muito importante para o planejamento das suas atividades.

Para te auxiliar nessa atividade, você pode utilizar aplicativos de celular, como Cptec/Inpe, Agritempo, Tempo Agora, entre outros.

Você também precisa saber se há algum fenômeno, como El Niño ou La Niña, afetando a temperatura e a precipitação em cada época do ano.

Além disso, conheça os efeitos desses fenômenos em sua região. Assim você poderá se planejar com base em todos os efeitos causados.

2. Conheça bem sua propriedade e sua lavoura

Você precisa conhecer a sua propriedade — ou seja, você precisa conhecer o clima da região e o tipo de solo da sua lavoura, dentre outras informações importantes para o cultivo. 

E, mais uma vez, não deixe de construir um histórico sobre as pragas e doenças que ocorrem, em que culturas e quais épocas são as mais críticas. 

Esse histórico pode ser mapeado por meio da plataforma Aegro. Assim você consegue entender a dinâmica e como manejar a praga ou doença de forma mais eficiente, observando ainda o desempenho dos defensivos no controle.

Além disso, ter conhecimento a respeito das plantas que você cultiva ou vai cultivar é essencial.

Conheça o hábito de crescimento das plantas e quais são as condições ideais para seu desenvolvimento. Conheça também as pragas, doenças e daninhas que podem afetar a sua lavoura.

3. Realize um bom planejamento da sua atividade agrícola

Os itens 1 e 2 deste tópico te auxiliam no planejamento das atividades agrícolas. Esses conhecimentos são importantes para o dia-a-dia da fazenda e para obter lucro com sua lavoura.

Ter um planejamento e uma boa gestão agrícola é essencial. Para isso, você pode utilizar anotações, planilhas e até softwares. Mas não confie na memória para realizar seu planejamento.

Para te ajudar com isso, aqui você pode encontrar um comparativo entre planilhas agrícolas x software: o que é melhor para sua fazenda.

4. Anote ou registre suas atividades agrícolas

Você precisa registrar todas as atividades: custos, estoque, produção e outros dados da propriedade.

Isso te ajuda a calcular o custo de produção agrícola e ter o histórico da atividade agrícola, além de te auxiliar no planejamento da próxima safra.

5. Monitore sua lavoura e a proteja dos efeitos do El Niño no Brasil

É importante realizar o monitoramento da lavoura, pois, como já comentei, o El Niño pode causar efeitos que favorecem doenças, pragas e daninhas.

Caso necessário, realize o controle de pragas, doenças e plantas daninhas na sua lavoura.

planilha - monitore e planeje a safra de soja de forma automática

Conclusão

Como vimos, o El Niño no Brasil provoca mudanças na temperatura e no regime de chuvas em diversas regiões. E os efeitos desse fenômeno climático impactam a produção agrícola. Mas você pode conseguir uma boa produtividade, mesmo com influência do El Niño. 

Uma das dicas mais importantes é realizar o planejamento e monitoramento das suas atividades agrícolas e das previsões climáticas, semana após semana. Lembre-se que o planejamento é essencial para lucrar com sua empresa rural.

Então, não deixe que o El Niño cause efeitos negativos na sua propriedade!

Você já sentiu as interferências do El Niño no Brasil? O que tem feito para contornar falta ou excesso de chuva e manter a produtividade da sua lavoura?

Atualizado em 29 de maio de 2022 por Bruna Rhorig.

Bruna é agrônoma pela Universidade Federal da Fronteira Sul, mestra em fitossanidade pela Universidade Federal de Pelotas e doutoranda em fitotecnia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul na área de pós-colheita e sanidade vegetal.