5 passos para acertar na semeadura do feijão

Semeadura do feijão: como se planejar e quais cuidados adotar quanto ao manejo da cultura para obter altas produtividades

O feijão é um dos grãos mais cultivados do Brasil, com uma média estimada em 3 milhões de toneladas por ano.

Mas nem sempre a rentabilidade da lavoura é boa, pois a flutuação de preços no mercado também é alta.

Alguns cuidados na semeadura podem te ajudar a ter uma produção melhor e mais lucrativa.

Neste artigo, vou explicar os 5 principais passos para acertar na semeadura do feijão, entre eles como calcular a quantidade de plantas que poderá te dar um ótimo resultado produtivo. Acompanhe!

1- Método de manejo do solo

Adequar as condições de solo é essencial para uma boa semeadura, garantindo uma boa germinação e estabelecimento da cultura. Isso faz parte dos cuidados antes da semeadura do feijão.

Existem três métodos de manejo do solo, sendo eles:

O método que será adotado irá depender das condições do solo, da declividade e até mesmo do tipo de solo. 

O manejo a ser seguido também é baseado na quantidade de resíduo vegetal e na população de plantas daninhas, tudo com enfoque na melhor plantabilidade. 

foto de semeadura de feijão em sistema de plantio direto

Semeadura de feijão em sistema de plantio direto
(Fonte: Embrapa)

Confira também “Como fazer o preparo do solo para plantio de feijão”!

2- Atenção às épocas de semeadura do feijão

Para a semeadura do feijão, existem três épocas, sendo chamadas de feijão das águas, feijão da seca e feijão de inverno. 

Vou explicar melhor cada uma delas a seguir:

Feijão das águas

Semeado normalmente entre os meses de setembro a novembro, podendo ter uma pequena variação de região para região devido às variações pluviométricas.

O feijão semeado nessa época está exposto a condições de veranicos e falta de água no plantio

Quando plantado tardiamente, corre o risco de umidade excessiva na colheita, o que compromete a qualidade do produto final, pois acarretar em muitos grãos brotados. 

Feijão da seca 

Conhecido também por feijão safrinha, o feijão da seca é plantado entre os meses de janeiro a março (também pode haver uma pequena variação). 

Uma das principais dificuldades dessa época é o excesso de chuva na semeadura, diminuindo a eficiência da operação.  

Há ainda possibilidade de sofrer com veranicos em meados do ciclo da cultura (má distribuição da chuva), o que pode comprometer a produtividade esperada.

Quando plantado antecipadamente, pode ter grande umidade na colheita. Quando plantado tardiamente, pode sofrer com geadas. 

Feijão de inverno

O feijão de terceira época é plantado na estação outono-inverno, entre os meses de maio e julho. Ou seja, em uma época de escassez de chuva, requerendo irrigação

Nesse caso, o cultivo do feijão deve ser realizado em regiões onde o inverno é mais brando, com pouca ou nenhuma ocorrência de geadas. 

Nessa época, o feijoeiro apresenta ótima condições para a produção de semente devido à menor incidência de pragas e doenças

Além disso, o feijão de inverno propicia um melhor uso do solo, pois, no inverno, poucas culturas que se adaptam às condições climáticas. E ainda tem bom preço no mercado! 

tabela com épocas de semeadura para a cultura do feijão nos estados da região Central brasileira

Épocas de semeadura para a cultura do feijão nos estados da região Central brasileira
(Fonte:adaptado de Paula Junior et al., 2008, disponível em e-Tec Brasil

Agora que você viu os cuidados que devem ser tomados antes da semeadura, veja agora os cuidados na semeadura do feijão!

3- Velocidade e profundidade da semeadura

A velocidade e profundidade de semeadura são pontos importantes para uma boa produtividade da cultura do feijoeiro. Isso irá garantir homogeneidade de emergência e boa distribuição de semente e adubo.

As velocidades que asseguram boa plantabilidade estão em torno de 4 km/h a 6 km/h. Velocidades inferiores a 4 km/h comprometem o rendimento da máquina. Acima de 6 km/h, provocam não uniformidade de semeadura.  

Existe também diferença de velocidade de plantio quando o cultivo é feito de modo convencional ou pelo SPD.

No SPD, o plantio deve ser mais lento para que haja menor movimentação de solo possível, pois é sabido que, quanto mais rápido a semeadora passar, maior deslocamento lateral de solo. 

Quanto à profundidade, o feijão é semeado, em geral, a profundidades de 3 cm a 6 cm. As oscilações vão variar de acordo com a textura do solo. 

Em um solo arenoso, a semeadura é mais profunda: de 5 cm a 6 cm, com objetivo da semente estar alocada em regiões mais úmidas. 

Já em solo argiloso, a semeadura do feijão pode ser mais superficial: de 3 cm a 4 cm, pois é um solo que segura mais a umidade. 

4- Defina a densidade de plantio adequada

A densidade adequada para uma área é importante pois, com o número ótimo de plantas, conseguimos altas produtividades e rentabilidades. 

Quantidades de plantas inferiores às adequadas significa falhas na lavoura. Já quantidades superiores podem reduzir a produção, tendo em vista a disputa entre as plantas por água, luz e nutrientes.

No caso do feijoeiro, a densidade de plantio adequada é aquela em que as plantas, quando em período de florescimento, possam recobrir toda a área. 

A densidade é reflexo dos espaçamento entre linhas e do número de plantas por metro linear. 

O espaçamento é influenciado pelo hábito de crescimento do feijoeiro, como mostra a imagem abaixo: 

ilustração com hábitos de crescimento do feijoeiro: tipo I Ereto, tipo II Semiereto, tipo III Prostado e tipo IV Trepador.

(Fonte: Embrapa)

O feijão de hábito de crescimento do tipo 4 não é usado em grandes áreas, tendo em vista a sua dificuldade de condução, requerendo um tutor. 

Os maiores espaçamentos são vistos em feijões do tipo 3,  variando de 50 a 60 cm entre linha. Já os do tipo 1 e 2 requerem, normalmente, um espaçamento em torno de 40 a 50 cm entre linha. 

O número de plantas por hectare varia em média de 250 mil a 300 mil plantas/ha. 

Pesquisadores da Embrapa relatam que os melhores rendimentos têm sido obtidos com espaçamentos de 40 a 60 cm entre linhas e com 10 a 15 plantas/m. 

Cálculo de uso de sementes

Para calcular a quantidade de semente necessária em Kg/ha é essencial o levantamento dos seguintes dados: 

  1. Nº de plantas por metro linear (D);
  2. Peso de 100 sementes (gramas) do feijão plantado, lembrando que varia de cultivar para cultivar (P); 
  3. Qual o poder germinativo da semente (%) (PG);
  4. Qual o espaçamento utilizado entre linha, em metro (E). 

Desta forma, torna-se possível a utilização da fórmula que permite a obtenção da quantidade de sementes em Kg/ha (Q):

fórmula de Q(Kg/ha) igual D vezes P vezes 10 dividido por PG vezes E
Características de algumas cultivares de feijão indicadas para o estado de Minas Gerais

Características de algumas cultivares de feijão indicadas para o estado de Minas Gerais
(Fonte: Adaptado de Paula Junior et al., 2008, disponível em e-Tec Brasil)

5- Previna-se com o tratamento de sementes

Sabemos que a antracnose, bacteriose e a mancha angular são doenças bastante comuns no feijoeiro e que são transmitidas por sementes. 

Há também os insetos de solo que podem comprometer severamente o estande plantas em sua lavoura. 

Porém, existe uma forma de lidar com essas enfermidade que é através dos tratamento de sementes

O tratamento de semente é uma forma preventiva de assegurar que a plântula/planta possa crescer e se desenvolver sem que haja empecilho logo no início do seu crescimento. 

Desta forma, conseguimos assegurar o estande de planta ao qual foi planejado uma determinada produção. 

Conclusão

A semeadura do feijão é uma etapa que requer todo cuidado e zelo, pois é o início de todo um sistema produtivo. 

Desta maneira, planejar a semeadura, saber a quantidade de plantas por hectare e tomar os devidos cuidados da operação podem assegurar sucesso produtivo. 

Planeje-se bem, conheça sua propriedade e faça sua semeadura de uma forma segura, sem contratempos. 

>> Leia mais:

Manejos essenciais em cada um dos estádios fenológicos do feijão

Conheça as melhores práticas de adubo para feijão

Você já planejou sua semeadura do feijão? Deixe seu comentário!

Mosaico dourado do feijoeiro e o seu manejo

Mosaico dourado do feijoeiro: como identificar os principais sintomas da doença na lavoura, o vetor e as principais medidas de manejo.

As doenças são fatores limitantes para a produção e causas de grandes prejuízos na lavoura.

O mosaico dourado é uma das mais importantes doenças da cultura do feijoeiro no Brasil e pode provocar perdas de até 100% da produção.

Para te ajudar a minimizar os riscos dessa virose na lavoura de feijão, preparamos este texto com os sintomas, vetor e o manejo adequado para o mosaico dourado do feijoeiro. Confira!

Importância da cultura do feijoeiro no Brasil

O Brasil é um dos principais produtores de feijão do mundo, sendo o grão utilizado como base alimentar da população.

O feijão pode ter até três ciclos de cultivo no país: 1ª safra, 2ª safra e 3ª safra ou safra de inverno.

Calendário agrícola da primeira safra de feijão no Brasil com a cor verde que corresponde ao período de plantio e a laranja ao da colheita
Calendário agrícola da segunda e terceira safra de feijão no Brasil com a cor verde que corresponde ao período de plantio e a laranja ao da colheita

Calendário agrícola das safras de feijão no Brasil; a cor verde corresponde ao período de plantio e a laranja ao da colheita
(Fonte: Conab)

A estimativa da Conab é de que, neste ano, sejam plantados 2,9 milhões de hectares de feijão nas três safras, com produção de 3,15 milhões de toneladas e produtividade de 1,07 tonelada/ha.

Para evitar os prejuízos com as doenças na lavoura, conheça a principal virose da cultura: o mosaico dourado do feijoeiro.

Importância e sintomas do mosaico dourado do feijoeiro

O mosaico dourado é a principal virose na cultura do feijoeiro. É causada pelo vírus Bean golden mosaic virus (BGMV), que pertence ao gênero Begomovirus, que tem genoma bipartido, ou seja, dois componentes de DNA circular (DNA A e DNA B).

ilustração da organização do genoma do mosaico dourado do feijoeiro

Organização do genoma do Bean golden mosaic virus
(Fonte: Vinicius Bello em Unesp,  adaptada de Rojas et al., 2005)

A doença foi identificada no Brasil em 1961, mas ganhou importância a partir da década de 70. Há estudos que mostram que pode ocorrer incidência de 100% da lavoura com o vírus do mosaico dourado e causar perdas de produção de até 100%. Por isso, é considerada uma virose de grande importância para o feijoeiro.

Como o próprio nome da doença indica, o sintoma principal são as folhas com mosaico amarelo ou dourado

Mas, além desse sintoma, você também pode encontrar folhas enrugadas, encarquilhadas, enroladas e de tamanho reduzido.

foto da doença mosaico dourado do feijoeiro

(Fonte: IPM Images)

Também podem ocorrer sintomas de nanismo e superbrotação, com caules e ramos deformados, com muitas brotações laterais e a planta de tamanho reduzido. Os sintomas podem variar em relação à variedade e idade da planta.

Se nas plantas infectadas ocorrer a formação de vagens, elas normalmente são deformadas, com tamanho reduzido e menor número de grãos. Além disso, os grãos podem ficar mal formados, prejudicando a qualidade.

Outro aspecto muito importante desse vírus que é que ele é transmitido pela mosca branca (Bemisia tabaci) de maneira persistente circulativa. Vou explicar melhor sobre isso:

Vetor do vírus

A mosca branca é vetor de muitas viroses importantes para as culturas agrícolas, podendo transmitir cerca de 300 espécies de vírus diferentes.

foto da mosca branca vista de telescópio

Bemisa tabaci MEAM1
(Fonte: arquivo pessoal da autora)

Além disso, ela tem excelente capacidade de reprodução, dispersão e coloniza várias espécies de plantas, sendo considerada uma praga polífaga.

Ciclo de vida da mosca branca

Ciclo de vida da mosca branca
(Fonte: Promip)

A relação persistente circulativa que comentei acima é quando o vírus é adquirido pelo vetor durante um período prolongado de alimentação nos vasos do floema. O vírus circula no corpo do vetor, mas não se propaga.

Além disso, nesse tipo de transmissão, há o período de latência, que é um período até que o vetor seja capaz de transmitir o vírus para outra planta, ou seja, período entre a aquisição e a transmissão do vírus.

tabela com característica e persistência do vírus do mosaico dourado do feijoeiro

(Fonte: Fitopatologia)

Vale lembrar que esse vírus não é transmitido por sementes ou contato manual, é somente transmitido pelo vetor.

Agora que você sabe mais sobre o mosaico dourado, veja como realizar o manejo dessa doença na sua propriedade.

Medidas de manejo do mosaico dourado do feijoeiro

Para o manejo do mosaico dourado, como ocorre para outras viroses, é recomendada a redução do inóculo inicial

E uma dessas medidas é o vazio sanitário para feijoeiro, que ocorre por 30 dias. Isso é adotado em Goiás, Minas Gerais e Distrito Federal.

Além disso, recomenda-se o plantio do feijão em época com baixa população de mosca branca e, se possível, longe de áreas com espécies hospedeiras da mosca branca e também do vírus.

O uso de inseticidas para reduzir a população de mosca branca tem sido adotado por muitos produtores. Porém, um inconveniente é a seleção de espécies do vetor resistente ao inseticida. Por isso, é preciso ter cautela nesse método de manejo e utilizar a rotação de moléculas.

Por isso, procure um(a) engenheiro(a)-agrônomo(a) para te auxiliar com o manejo dessa virose.

A maioria das variedades de feijoeiro é suscetível ao vírus do mosaico dourado, mas algumas variedades são consideradas tolerantes ou com resistência parcial, apresentando um sintoma leve da virose e menores taxas de perdas.

Além disso, já foi lançada uma variedade de feijão transgênica resistente ao mosaico dourado do feijoeiro. A Embrapa lançou essa tecnologia denominada RDM (resistente ao mosaico dourado) para o feijão carioca.

Essa tecnologia pode proporcionar maior rendimento na cultura do feijoeiro, menor aplicação de inseticida para a mosca branca (vetor do vírus) e, consequentemente, lucro.

Veja a cartilha da Embrapa sobre essa tecnologia e o manejo antes, durante e após a cultura de feijão no campo!

Conclusão

A cultura do feijoeiro é muito importante para o Brasil, sendo um dos países em que mais se produz a cultura.

E a virose mosaico dourado, uma das principais doenças do feijoeiro, pode provocar perdas extremamente elevadas na lavoura.

Por isso, neste texto falamos sobre os sintomas e o vetor da doença, além de dar dicas do manejo da virose para reduzir perdas com a doença na sua lavoura. 

Agora que você sabe tudo sobre o manejo, pratique-o na sua lavoura e reduza as perdas!

>> Leia mais:

Como fazer o preparo do solo para o plantio de feijão

Manejos essenciais em cada um dos estádios fenológicos do feijão

Você tem problema com o mosaico dourado do feijoeiro na sua lavoura? Como realiza o manejo da doença? Adoraria ver seu comentário abaixo.

Manejos essenciais em cada um dos estádios fenológicos do feijão

Estádios fenológicos do feijão: confira o que fazer em cada fase de cultivo para alcançar alta produtividade deste grão.

Erros de manejo são um problema para qualquer lavoura – mas o prejuízo é muito maior quando se trata de uma cultura com ciclo curto, como o feijão.

Além disso, o cultivo é tido como um dos mais arriscados pela grande flutuação de preços no mercado.

Por isso, preparamos este artigo com tudo que você precisa saber a respeito dos estádios fenológicos do feijoeiro para garantir o melhor manejo, produtividade e lucro com sua lavoura. Confira a seguir!

Importância do feijão

O feijão é uma das bases da alimentação do brasileiro, acumulando quase 3 milhões de hectares semeados na safra 2019/20.

Como é uma planta de ciclo curto, o feijoeiro pode ser comumente semeado em três épocas aqui no Brasil: safra de verão, segunda safra (outono) e safra de inverno.

Na safra deste ano, a estimativa é produzir 3,1 milhões de toneladas do grão, sendo que as maiores produtividades ficam para as safras de inverno (1,3 ton/ha) seguida das safras de verão (1,2 ton/ha) e da safra de outono (0,8 ton/ha).

Todos os estádios fenológicos do feijão

O ciclo de vida das plantas pode ser dividido de acordo com as fases de crescimento delas. A divisão mais simples é entre a fase vegetativa e reprodutiva da planta.

Na fase vegetativa podemos dizer que as plantas são “jovens”: elas ainda não atingiram a maturidade reprodutiva, mas estão se preparando para ela, produzindo folhas e raízes

Desta forma, todo a energia produzida vai para garantir uma maior capacidade de gerar energia no futuro. Isso acontece porque a planta logo entrará na fase reprodutiva e então terá de arcar com mais um custo energético, que são os grãos (no caso do feijão). E, para produzi-los, a planta precisa de muita energia! 

Estádios fenológicos do feijão

Escala fenológica do feijoeiro
(Fonte: Embrapa, 2018)

Existem quatro tipos de feijoeiro, divididos de acordo com o hábito de crescimento. Veja:

  • Tipo 1

Tem crescimento ereto e determinado, ou seja, quando entra na fase reprodutiva ele cessa por completo a fase vegetativa.

  • Tipos 2, 3 e 4

Têm crescimento indeterminado e, quando entram na fase reprodutiva, continuarão vegetando e emitindo novas folhas.

Os tipos de crescimento indeterminado variam o quanto irão vegetar após a planta entrar na fase reprodutiva, variando assim a duração do ciclo e a uniformidade da produção.

Variação do ciclo do feijoeiro em diferentes cultivares
(Fonte: CIAT, 1985)

No tipo 4, por exemplo, de crescimento trepador, a planta continua produzindo vagens e folhas por um longo período. Se por um lado a planta pode se recuperar de erros de manejo, por outro, isso torna a produção desuniforme.

A seguir, vou explicar melhor os estádios fenológicos do feijão (fases vegetativa e reprodutiva) e qual a importância no manejo da lavoura.

Estádios vegetativos na escala fenológica do feijoeiro

V0 – Germinação

Começa com a absorção de água pela semente, iniciando o processo de germinação. 

Nesta fase, a lavoura está mais suscetível a pragas como a lagarta-rosca, a larva das sementes, gorgulho-do-solo e larva-alfinete, que atacam diretamente as sementes.

Quanto a doenças, é importante se precaver contra as podridões radiculares com um bom tratamento de sementes, visando fungos e insetos.

Nesse estádio, a lavoura é muito sensível ao estresse hídrico, requerendo 1,3 mm de lâmina d’água diariamente em média. 

V1 – Emergência

Começa com a aparição dos cotilédones até a abertura das folhas primárias (folhas cotiledonares/simples).

O foco de manejo aqui ainda são as pragas que atacam sementes e plântulas e as podridões-radiculares. 

Um bom tratamento de sementes garante que a lavoura passe por esta fase ilesa e saudável. 

V2 – Folhas Primárias

Essa fase se inicia com a abertura das folhas primárias e termina com a abertura da primeira folha trifoliolada

Aqui começam os cuidados com pragas desfolhadoras e sugadoras/raspadoras, que podem atacar a planta até o final do enchimento de grãos (R8).

Nesta fase, o cuidado deve ser redobrado, pois as plantas apresentam pouca área foliar que, se comprometida, pode prejudicar severamente a produtividade.

O foco aqui deve ser as vaquinhas, que podem atacar os meristemas apicais, além da mosca-branca que, apesar de apresentar dano direto baixo, transmite o vírus do mosaico dourado do feijoeiro.

Deste estádio até V4, a cobertura do solo por palha reduz em até 30% a evapotranspiração da lavoura, reduzindo a demanda por água.

V3 – Primeira folha composta aberta

Começa com a abertura da primeira folha trifoliolada (composta) e termina com a abertura da terceira folha.

Da fase V3 a R8, as plantas ficam suscetíveis a ataques de nematoides como o Meloidogyne incognita e javanica, além do famoso P. brachyurus

É importante ficar de olho nas pragas sugadoras, que afetam grande parte do ciclo da cultura, como a cigarrinha-verde, o ácaro-rajado a tripés e o ácaro-branco.

Pragas desfolhadoras como os minadores, as lagartas enroladeira das folhas e a cabeça de fósforo também podem causar grande dano nesse momento.

Em estádios mais avançados, o feijoeiro pode tolerar até 30% de desfolha, mas, como vimos aqui, nos estádios iniciais, essas pragas podem comprometer seriamente a produtividade.

V4 – Terceira folha composta aberta

Inicia-se com a abertura completa da terceira folha trifoliolada.

Esta fase é menor nos feijoeiros de crescimento determinado e maior nos de crescimento indeterminado. 

Aqui começam os ataques de pragas dos caules, como a broca-das-axilas e o bicudo-da-soja.

As principais doenças para iniciar o controle de infestação nessa fase são a antracnose, o mosaico-dourado, o mosqueado-suave e a mela.

Durante esta fase, a planta apresenta uma área foliar maior, o que irá demandar mais água, sendo aqui um dos picos de consumo, com uma média de 56 mm (ao todo) durante a fase.

No início desta fase é recomendado verificar a nodulação das plantas, sendo que, se forem menor que 15 nódulos/planta, é recomendado entrar com adubação nitrogenada de cobertura.

Também é nesta etapa que se inicia o período crítico de prevenção de interferência. De V4 até R6, a lavoura pode sofrer grandes perdas de produção devido à presença de plantas daninhas.

Então, é fundamental realizar o controle de daninhas nesse período para garantir altas produtividades. 

Ainda que esta seja a fase ideal para o controle, o acompanhamento da infestação deve ser feito desde o início do ciclo da cultura, pois caso haja plantas daninhas mais desenvolvidas neste momento, isso iria diminuir o efeito dos herbicidas de controle.

Estádios reprodutivos do feijoeiro

R5 – Pré-floração

Começa com o surgimento dos primeiros botões florais. Desta fase até R7 há outro pico de demanda hídrica do feijoeiro.

Efeito da deficiência hídrica nos diversos estádios de desenvolvimento do feijoeiro sobre a produtividade relativa

Efeito da deficiência hídrica nos diversos estádios de desenvolvimento do feijoeiro sobre a produtividade relativa
(Fonte: Embrapa, 2018)

Os botões florais e as flores são extremamente sensíveis ao clima. Temperaturas maiores que 35℃ e menores que 12℃ podem provocar abortamento das flores.

A época de semeadura deve ser alocada de maneira que a floração ocorra, preferencialmente, com uma temperatura média do ar de 21℃.

A partir desta fase o feijoeiro fica mais suscetível à murcha do fusarium, à ferrugem, ao oídio e à mancha-angular.

O mofo-branco começa sua ocorrência também no início da fase reprodutiva, sendo essencial o controle de infestação dessas doenças.

R6 – Floração

Ocorre quando a planta apresenta pelo menos 50% das flores abertas. Nesta fase, pragas da vagem são a maior preocupação.

Percevejos em geral, lagarta das vagens e a helicoverpa podem ser um problema nesse estádio fenológico.

Nessa época termina o período crítico de prevenção da interferência das plantas daninhas, sendo que, de V4 até aqui (R6), é importante que haja um controle efetivo com herbicidas.

Efeito do controle de daninhas nos diversos estádios de desenvolvimento do feijoeiro sobre a produtividade

Efeito do controle de daninhas nos diversos estádios de desenvolvimento do feijoeiro sobre a produtividade
(Fonte: Kozlowski, 2002)

R7 – Formação das vagens

Neste estádio ocorre a murcha das flores e a formação das primeiras vagens, que irão definir o crescimento em comprimento.

Deficiência hídrica nesta fase induz à queda das vagens novas (canivetinhos) e prejudica a formação de grãos nas vagens, podendo representar perdas de até 68% na produtividade. 

estádios fenológicos de feijão

(Fonte: Embrapa)

R8 – Enchimento das vagens

Esta fase se inicia com o enchimento dos grãos e, consequentemente, do aumento das vagens em volume. 

Ao final desta fase, os grãos perdem a cor verde e mostram as cores características da cultivar.

Inicia-se a queda das folhas, sendo que esse é o momento ideal para a dessecação visando uniformizar e padronizar os grãos.

R9 – Maturação 

Nesta fase as vagens já estão secas e adquirem cor e brilho. Aqui é importante se atentar à aparição de carunchos que prejudicam e desvalorizam o produto durante o armazenamento.

Um dos grandes inimigos climáticos nesse estádio é a chuva, que pode depreciar a qualidade dos grãos e atrasar a colheita. Quando isso ocorre, pode se tornar um problema para a semeadura da próxima safra.

diagnostico de gestao

Conclusão

Conhecer bem os estádios fenológicos do feijão é extremamente importante no manejo da lavoura, já que a partir deles programamos os tratos culturais necessários.

Neste artigo falamos sobre diversas pragas e doenças que, junto com fatores climáticos, podem prejudicar a produtividade do feijão.

Esse é um dos motivos da cultura ser vista como arriscada. Mas, com conhecimento do ciclo da planta, você poderá diminuir os riscos da lavoura para alcançar lucros ao final da safra!

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Em quais estádios fenológicos do feijão você tem mais dificuldade de manejo? Restou alguma dúvida? Deixe seu comentário abaixo!

Plantas daninhas em feijão: principais espécies, manejo e combate

Plantas daninhas em feijão: saiba como posicionar os principais herbicidas para garantir o controle na lavoura.

Plantas daninhas na lavoura podem dar muita dor de cabeça, não é mesmo? Além de reduzir a produtividade da cultura, elas podem hospedar pragas, doenças, nematoides e prejudicar a colheita.

E o controle nem sempre é fácil. O ideal é sempre monitorar a lavoura para entender quais espécies predominam e dar prioridade na hora do controle.

Neste artigo, vou mostrar as principais plantas daninhas em feijão e também as opções para se livrar delas! Confira a seguir!

Importância das plantas daninhas em feijão

As plantas daninhas causam redução na produtividade da cultura por meio da competição das plantas com o feijão por recursos como água, nutrientes e luz. 

Além disso, podem interferir indiretamente, hospedando pragas, doenças e nematoides, dificultar a colheita e reduzir a qualidade do produto. 

O ideal é sempre monitorar a lavoura para entender melhor quais espécies predominam, pois assim damos prioridade a elas na hora do controle.

Temos à disposição cinco métodos de manejo: preventivo, controle cultural, mecânico, físico, biológico e químico.

Quanto mais métodos utilizar, melhores os resultados. Entretanto, sabemos que alguns métodos, como o biológico, não trazem muitas alternativas. 

Mas podemos e devemos sempre nos atentar aos métodos preventivos e culturais que, aliados ao químico, geram ótimos resultados. 

Veja a seguir as principais espécies que interferem na lavoura de feijão:

Principais plantas daninhas em feijão

Entre as gramíneas, temos:

Foto de planta daninha em plantação de feijão
Capim-colonião (Panicum maximum)
(Fonte: Arquivo da autora)

Já entre as espécies de folhas largas temos: 

  • leiteiro (Euphorbia heterophylla);
  • quebra-pedra (Phyllanthus niruri);
  • erva-de-santa-luzia (Chamaesyce hirta);
  • guanxuma (Sida spp.);
  • cordas-de-viola (Ipomoea spp.);
  • picão-preto (Bidens pilosa e B. subalternans);
  • carrapicho-rasteiro (Acanthospermum australe);
  • mentrasto (Ageratum conyzoides);
  • poaia-branca (Richardia brasiliensis);
  • fedegoso (Senna spp.);
  • buva (Conyza spp.);
  • apaga-fogo (Alternanthera tenella);
  • caruru-de-espinho (Amaranthus spinosus).
Foto de capim (leiteiro) em feijão
Leiteiro (Euphorbia heterophylla)
(Fonte: Arquivo da autora)

Também temos espécies um pouco mais difíceis de serem controladas, como a trapoeraba (Commelina benghalensis) e a tiririca (Cyperus spp.).

Controle químico de plantas daninhas em feijão

Muitos herbicidas são registrados para o manejo de plantas daninhas na cultura do feijão. 

Na tabela abaixo estão todos os herbicidas registrados.

Note que temos herbicidas seletivos e não-seletivos. A seletividade depende do modo de aplicação, dentre outros fatores.

Por isso, alguns herbicidas são recomendados apenas para a dessecação antes do plantio, como os herbicidas não-seletivos e de amplo espectro de ação (como glifosato, glufosinato, diquat e saflufenacil).

Tabela que mostra principais plantas daninhas em feijão

Pela tabela, você pode observar que temos várias opções de graminicidas (inibidores da ACCase) na cultura do feijão. 

Além dos graminicidas, alguns produtos também controlam gramíneas em pré-emergência.

Foto de lavoura de feijão com algumas plantas daninhas
Escape de gramíneas após o manejo apenas com glifosato
(Fonte: Arquivo da autora)

Vamos ver agora alguns herbicidas registrados na cultura do feijão para o controle de folhas estreitas e largas:

Herbicidas para controle de plantas daninhas em feijão

S-metolacloro

Quando aplicar: logo após o plantio, ou no máximo 1 dia depois, na pré-emergência do feijão e das plantas daninhas.

Espectro de controle: Digitaria horizontalis; Eleusine indica; Urochloa plantaginea; Echinochloa crusgalli; Amaranthus viridis; A. hybridus; e Commelina benghalensis.

Dose recomendada: em solo médio a pesado aplicar 1,25 L/ha 

Cuidados: não aplicar em solos arenosos. Não recomendado para controle de E. indica, E. crusgalli e C. benghalensis em Sistema de Plantio Direto.

Variedades de feijão na qual é recomendado o Dual Gold: Carioquinha, IAPAR 44, IAPAR-14, Minuano e Itaporé.

Foto de planta daninha trapoeraba, uma das principais invasoras da espécie
Trapoeraba (Commelina benghalensis)
(Fonte: Arquivo da autora)

Pendimetalina

Quando aplicar: aplicar em pré-plantio incorporado (PPI). A incorporação ao solo pode ser feita após a aplicação ou em até 5 dias. 

Espectro de controle: gramíneas anuais e algumas folhas largas.

Dose recomendada: em solo arenoso, usar 2 a 2,5 L/ha para o controle de Eleusine indica; Digitaria horizontalis; e Amaranthus hybridus.

Em solo médio, usar 2,5 a 3 L/ha, para o controle de Galinsoga parviflora; Eleusine indica; e Alternanthera tenella.

Em solo argiloso, usar 3 a 4 L/ha, para o controle de Sida rhombifolia; Urochloa plantaginea; e Sonchus oleraceus

Cuidados: realizar apenas uma aplicação por ciclo. Aplicar em solo bem preparado, livre de torrões, restos de culturas e detritos. 

Incorporar a uma profundidade de 3 cm a 7 cm. A incorporação pode ser feita de forma mecânica com implementos ou pode ser dispensada caso ocorra uma chuva de 10 mm após a aplicação.

Foto de amaranthus hybridos, planta daninha rasteira e com algumas flores
Amaranthus hybridus
(Fonte: Arquivo da autora)

Trifluralina

Quando aplicar: pré-emergência, pré-plantio incorporado e plantio direto.

Espectro de controle: Alternanthera tenella; Amaranthus hybridus; A. retroflexus; A. viridis; Urochloa decumbens; Echinochloa colona; E. crus galli; Digitaria ciliaris; Cenchrus echinatus; U. plantaginea; Richardia brasiliensis; Portulaca oleracea; Spergula arvensis; Silene gallica; Sorghum halepense; Setaria geniculata; Pennisetum setosum; Panicum maximum; Lolium multiflorum; Eleusine indica; D. insularis; D. sanguinalis.

Foto da planta daninha apaga-fogo
Apaga-fogo (Alternanthera tenella)
(Fonte: Arquivo da autora)

Dose recomendada: 

Pré-emergência no plantio convencional: usar 1,2 L/ha em solos arenosos (leves), 1,8 L/ha em solos areno-argilosos (médios) e 2,4 L/ha em solos argilosos (pesados) (Trifluralina Nortox Gold).

Em plantio direto: usar 3 L/ha em solos arenosos (leves), 4 L/ha em solos areno-argilosos (médios) e 5 L/ha em solos argilosos (pesados) (Trifluralina Nortox Gold).

Pré-emergência em solo médio e pesado: usar 3 – 4 L/ha (Premerlin 600 CE). A maior dose deve ser utilizada para solos com teores de matéria orgânica acima de 5%. 

Pré-plantio incorporado (Premerlin 600 CE):

  • Incorporação normal (10 – 12 cm): 0,9 a 1,2 L/ha em solo leve; 1,2 a 1,5 L/ha em solo médio; 1,5 a 1,8 L/ha em solo pesado.
  • Incorporação superficial (2 cm): 1,5 a 2,0 L/ha em solo médio e pesado.

Cuidados: para Alternanthera tenella; Amaranthus retroflexus; Cenchrus echinatus; Richardia brasiliensis; Setaria geniculata; Lolium multiflorum; Digitaria insularis. Fazer o controle apenas em pré-emergência em solo leve e pesado.

Imazetapir

Quando aplicar: pós-emergência.

Dose recomendada: produto Vezir e Vezir 100, aplicar em pós-emergência, na dose de 0,3 a 0,4 L/ha, para controle de Euphorbia heterophylla; Portulaca oleracea; Acanthospermum hispidum; A. australe; Amaranthus hybridus; Emilia fosbergii; Raphanus raphanistrum; e Commelina benghalensis.

Cuidados: aplicar em pós-emergência sobre o feijão no estádio do segundo para o terceiro trifólio, em uma única aplicação. As plantas daninhas devem estar com até 4 folhas. Nas variedades precoces (ciclo de no máximo 80 dias) usar 0,3 L/ha. Em variedades tardias (ciclo maior de 90 dias), usar 0,3 a 0,4 L/ha.

No caso de utilizar Vezir WG use 40 g/ha para para variedades precoces e 40 a 50 g/ha para as tardias. 

Imazamox

Quando aplicar: pós-emergência.

Espectro de ação: folhas largas.

Dose recomendada: produto Raptor 70 DG e Sweeper: 40 – 60 g/ha, aplicar do 1º até o 3º trifólio. 

Cuidados: as plantas daninhas devem estar com 2 a 4 folhas. Utiliza-se surfactante não iônico na proporção de 0,25 – 0,5% v/v de calda. 

Conclusão

As plantas daninhas em feijão podem trazer grandes prejuízos em produtividade e qualidade.

Neste artigo, vimos algumas das principais espécies que prejudicam a cultura do feijoeiro.

Você pôde aprender quais herbicidas são recomendados na cultura do feijão e como posicionar s-metolachlor, imazamox, imazetapir, trifluralina e pendimetalina. 

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Como fazer o preparo do solo para plantio de feijão

Conheça as melhores práticas de adubo para feijão

Gostou do texto? Tem mais dicas sobre como controlar as principais plantas daninhas em feijão? Baixe gratuitamente o Guia para Manejo de Plantas Daninhas aqui!

Inoculante para feijão caupi: por que e como utilizar

Inoculante para feijão caupi: Entenda a importância da prática e confira as recomendações de como fazê-la em sua lavoura

O Brasil é o maior produtor mundial de feijão. Segundo a Conab, a safra 2019/20 está estimada em 687,4 mil toneladas.

O feijão, por seu elevado teor de proteína na semente, exige uma alta quantidade de nitrogênio para se desenvolver. A prática de inoculação auxilia no processo de fixação biológica de nitrogênio.

Vamos entender um pouco mais sobre o uso de inoculante para feijão caupi (Vigna unguiculata), também conhecido como feijão de corda, macassa, fradinho ou miúdo. Confira a seguir!

O feijão caupi e a inoculação

A melhor opção para um bom estabelecimento da lavoura ainda é o tratamento bem feito da semente. Isso resulta em produtividade.

O inoculante é um produto que conta com microrganismos de ação benéfica ao crescimento das plantas.

Os microrganismos mais utilizados são os fixadores biológicos de nitrogênio, que realizam a fixação do nitrogênio atmosférico. Essa reação é catalisada pela enzima nitrogenase, através de estruturas formadas nas raízes do feijoeiro, os nódulos, onde o corre a fixação biológica de nitrogênio.

Os 78% dos gases da atmosfera são formados por N. É simples perceber que tem muita fonte livre de N por aí. O objetivo desses microrganismos é disponibilizar o nitrogênio à planta em troca do carbono gerado na fotossíntese das plantas.

O inoculante intensifica o processo natural da fixação biológica de nitrogênio, promovendo a associação de outras bactérias com a planta. Elas captam o nitrogênio do ar e o disponibilizam para o feijoeiro.

inoculante para feijão caupi

(Fonte: Embrapa)

Um dos principais microrganismos utilizados para a inoculação do feijão é o Rhizobium spp., especialmente o Rhizobium tropici.

Algumas outras bactérias também fixam nitrogênio sem a necessidade de formação de nódulos nas raízes. Essas são as bactérias diazotróficas. 

A mais conhecida delas é o Azospirillum brasilense, que também pode ser utilizado na cultura como inoculante.

A utilização conjunta de mais de um microrganismo no processo de inoculação tem se mostrado com ótimos resultados produtivos.

Quais os benefícios do inoculante para feijão caupi?

O uso de um inoculante para feijão caupi está relacionado ao aumento do rendimento de grãos do feijão.

Sua utilização também reduz o uso de adubo nitrogenado e diminui significativamente o custo da lavoura.

Segundo a Embrapa, com uso de inoculante, o ganho médio no rendimento do feijão pode chegar a 25%.

A necessidade de nitrogênio na lavoura de feijão para obter altas produtividades fica em torno de 80 kg a 150 kg de N/ha. 

Em lavouras de larga escala, pode-se chegar à redução de 50% ou total do adubo nitrogenado aplicado após a inserção da prática de inoculação, com os mesmo índices de produtividade.  

A prática da inoculação é uma alternativa para a substituição, total ou parcial, dos adubos nitrogenados.

Passo a passo de como utilizar inoculante para feijão caupi

Como em qualquer tratamento de semente, são necessários alguns cuidados para uso do inoculante para feijão caupi:

Para garantir a qualidade, é preciso verificar o registro do Mapa na embalagem do produto, bem como se ele é específico para a cultura do feijão.

Recomendações específicas para a inoculação do feijão são:

  • utilize produtos de qualidade e dentro da validade;
  • siga a dosagem recomendada do inoculante para o procedimento;
  • a distribuição do produto precisa ser completa, pegando toda a superfície da semente.
  • garanta que o produto seja conservado, até seu uso, em local fresco e arejado;
  • identifique uma ou duas das quatro estirpes de bactérias que são recomendadas para o Brasil;
  • realize a operação de inoculação sempre à sombra;
  • proteja as sementes inoculadas do sol e calor;
  • não faça a inoculação dentro das caixas da semeadora;
  • não utilize menos de 100 ml de inoculante líquido por saca de 50 kg de sementes;
  • ao usar inoculante turfoso, você pode utilizar uma solução açucarada a 10% para aumentar a aderência;
  • após o procedimento de inoculação, as sementes devem ser semeadas o mais breve possível. 

Para garantir que o máximo de inoculante viável chegue ao solo na semeadura, a uniformidade da distribuição dele na superfície da semente fará toda a diferença.

inoculação para feijão caupi

(Fonte: Embrapa)

O que é importante considerar no uso de inoculante para feijão caupi

O feijão caupi é plantado em grande parte da região nordeste do Brasil, que possui condições climáticas favoráveis como altas temperaturas, alta salinidade e baixa umidade.

A recomendação do tipo de inoculante para o feijão caupi é diferente da recomendação para o feijão comum (Phaseolus). Por isso, é importante verificar essa questão no momento da compra do produto.

A Embrapa Agrobiologia vem, há anos, desenvolvendo pesquisas utilizando estirpes locais que já são adaptadas às condições ambientais como inoculantes. 

É uma alternativa mais barata para os produtores familiares, que são responsáveis por cerca de 70% da produção de feijão caupi. 

Nesse material você encontra mais informações sobre a recomendação da Embrapa. 

Durante meu estágio da graduação tive a oportunidade de acompanhar o trabalho da Dra. Norma Gouvêa Rumijanek, da Embrapa Agrobiologia. O procedimento é simples e traz resultados bem significativos na fixação biológica de nitrogênio na cultura.

Embrapa Agrobiologia
Embrapa Agrobiologia

(Fonte: Arquivo pessoal)

Custo do inoculante para feijão caupi

O custo das doses disponíveis no mercado fica em torno de R$ 5. Comparado ao custo do fertilizante nitrogenado para suprir a necessidade de 80 a 150 kg/ha, a prática é bem acessível.

Faça a sua escolha pelo custo, qualidade e dose de microrganismos presente no produto. 

Os produtos disponíveis no mercado são do tipo turfoso ou líquido.

O inoculante turfoso necessita da preparação de uma solução açucarada a 10% para promover a aderência à semente. Já o inoculante líquido vem na quantidade correta para ser colocado no tratamento de semente.

Lembre-se que utilizar sementes de boa qualidade faz toda diferença!

A Embrapa Meio-Norte alerta que implantar lavouras com grãos salvos promove uma baixo rendimento por hectare, enfraquece a genética da cultura, trazendo sérios riscos de introduzir pragas.

Ao utilizar a prática de adubação nitrogenada em conjunto com a inoculação, é importante ter cuidado com a dosagem. Segundo Cardoso e Andreote (2016), a disponibilização do N-mineral em altas doses pode prejudicar a fixação biológica.

Conclusão

A inoculação é um investimento barato para a sua produção e mais sustentável para sua lavoura. 

O investimento nesse manejo vale para garantir o suprimento de nitrogênio à cultura do feijão caupi. Ele pode garantir a qualidade da produção e redução dos custos, além de ser uma prática simples e eficaz. 

Você deve planejar bem, escolher um bom produto e fazer a inoculação para o feijão de forma correta. Aproveite as dicas e boa inoculação!

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Melhore seu plantio de feijão (Phaseolus vulgaris L.)

Como fazer o preparo do solo para plantio de feijão

Restou alguma dúvida sobre o uso do inoculante para feijão caupi? Adoraria ver seu comentário abaixo!

Veja como identificar as principais pragas do feijão

Pragas do feijão: saiba como identificar as principais pragas dessa cultura e em quais estádios causam maiores problemas. 

Além de realizar um bom planejamento, um bom gestor de fazenda deve estar preparado para solucionar questões sob pressão.

O manejo de pragas, por exemplo, é uma tarefa que tira o sono de muitos agricultores pois exige que sua recomendação seja rápida e precisa para minimizar ao máximo os danos à cultura. 

No caso do feijão, as pragas podem variar dependendo do local em que a cultura está sendo produzida.

Para te ajudar nesta tarefa, separei informações importantes das principais pragas do feijão que atacam em diversas regiões de nosso país.

Estádio fenológico do feijão 

O primeiro passo para realizar um bom manejo de pragas é saber identificar em qual estádio fenológico a cultura do feijoeiro estará mais suscetível ao ataque de uma praga. Assim, você e seu engenheiro agrônomo podem posicionar o produto certo no momento certo. 

Para facilitar, dividi as pragas de acordo com os estádios de desenvolvimento da planta de feijoeiro.

Contudo, antes de iniciar, vamos relembrar as fases dos estádios fenológicos?!

  • Vo: Germinação;
  • V1: Emergência;
  • V2: Folhas primárias;
  • V3: Primeira folha composta aberta;
  • V4: Terceira folha trifoliolada aberta;
  • R5: Pré-floração;
  • R6: Floração;
  • R7: Formação de vagens;
  • R8: Enchimento das vagens;
  • R9: Maturação.

A seguir, conheça as pragas que afetam as fases iniciais, pragas desfolhadoras, pragas sugadoras e raspadoras, pragas das hastes e axilas e pragas das vagens.

Pragas do feijão de fases iniciais

Essas pragas, geralmente, afetam as sementes, raízes e plântulas do feijão, podendo ser encontradas na cultura de Vo a V3. Elas influenciam consideravelmente na germinação das sementes e no estabelecimento do estande adequado.

Ainda são responsáveis pelas falhas de emergência nas linhas de plantio, dando aquela dor de cabeça ao produtor após a semeadura. Separei algumas dessas pragas do feijão que podemos encontrar nas fases iniciais de desenvolvimento:

Lagarta-rosca (Agrotis ipsilon)

A espécie mais comum nas lavouras de feijão é a Agrotis ipsilon que ataca as sementes no sulco de plantio e plântulas recém-emergidas.

Por atacar a cultura em seu crescimento inicial, os danos causados pela lagarta-rosca muitas vezes são irreparáveis.

pragas do feijão

Lagarta-rosca
(Fonte: Agrolink)

Lagarta-elasmo (Elasmopalpus lignosellus)

Esse tipo de lagarta costuma atacar o caule das plântulas, normalmente próximo ao colo. Em alguns casos, essa espécie também costuma atacar sementes e raízes. Quando não manejada a tempo, pode ocasionar enfraquecimento das plântulas e levá-las à morte.

As lagartas do tipo elasmo costumam atacar em épocas de seca, por isso, fique de olho!

Larva-alfinete (Diabrotica speciosa)

A larva-alfinete ataca raízes e sementes e, além disso, é possível observar perfurações nas folhas cotiledonares. Na prática, as raízes não absorvem bem água e nutrientes, deixando a planta debilitada.

Para evitar a presença dessas e outras pragas do feijão semelhantes em sua lavoura, utilize sementes de qualidade, variedades resistentes e um bom tratamento. E não deixe de lado o Manejo Integrado de Pragas (MIP).

Pragas do feijão: desfolhadoras

Essas pragas podem ser encontradas na cultura logo após a sua fase inicial, quando a planta apresenta folhas primárias até o enchimento de grãos, ou seja, de V2 a R8. Desta forma, podem ocasionar perdas significativas na produtividade caso não controladas.

Vaquinha (Diabrotica speciosa, Cerotoma arcuata)

Essa é uma das pragas mais problemática para a cultura,  pois ocasiona grande desfolha, prejudica a área fotossintética e influencia no crescimento do feijoeiro. Na prática, podemos observar danos mais significativos quando a planta apresenta suas folhas primárias.

Após esse estádio, o dano é menor, pois a cultura consegue tolerar a perda de até 30% das folhas. Caso não controlada no momento certo, pode refletir em grande prejuízo ao produtor rural.

Lagarta-falsa-medideira (Chrysodeixis includens)

Essa praga do feijão também pode influenciar consideravelmente na produtividade da cultura.

Apesar de não consumir as nervuras das folhas, também apresenta desfolha e é possível diferenciá-la por seus aspectos rendilhados em toda folha.

pragas do feijão

Lagarta-falsa-medideira
(Fonte: Grupo Cultivar)

Para o controle das pragas desfolhadoras, o ideal é que se faça monitoramento. 

Sendo assim, as amostragens devem ser semanais e é importante avaliar não somente as plantas, mas também o solo ao redor. 

O controle químico certamente é o que lhe veio à cabeça, certo? Mas que tal levar em consideração o controle biológico, físico e cultural? Eles podem ser uma ótima saída para evitar a resistência.

Pragas do feijão: sugadoras e raspadoras

Essas pragas também podem ser encontradas na cultura logo após a sua fase inicial.  Cada espécie pode aparecer em um momento, por exemplo, a cigarrinha-verde (Empoasca kraemeri) pode ser encontrada após o surgimento das folhas primárias até a pré-folhação, ou seja, de V2 a R5.

Já o ácaro-branco (Polyphagotarsonemus latus) pode ser observado logo após a primeira folha composta aberta até o enchimento de grãos, ou seja, de V3 a R8. Por isso, é importante sempre realizar a amostragem na cultura em cada estádio fenológico.

Diferente das pragas desfolhadoras, as pragas sugadoras e raspadoras se alimentam da sucção de seiva das plantas. Além das já citadas, separei alguns exemplos para você:

Mosca-branca (Bemisia tabaci)

A mosca-branca, encontrada entre os estádios V1 a R5, ataca a planta sugando a seiva, porém esse dano é considerado pouco expressivo.

Sendo que a maior problemática dessa praga do feijão é a transmissão do vírus do mosaico dourado do feijoeiro e do vírus do mosqueado suave do caupi, que podem ocasionar perdas consideráveis na produtividade.

Ácaro-rajado (Tetranhychus urticae)

Essa praga é de fácil identificação! É comum o aparecimento de pontos brancos na face superior das folhas e em seguida são observadas necrose.

O ácaro-rajado escarifica o tecido da planta e na sequência se alimenta dessa seiva.

Caso não controlado no momento correto pode ocasionar danos consideráveis de rentabilidade.

pragas do feijão

Ácaro-rajado
(Fonte: Agrolink)

Minha dica é utilização de armadilhas atraentes, elas podem auxiliar tanto no monitoramento quanto no controle das pragas.

Mas sempre consulte um(a) agrônomo(a)!

Pragas do feijão: hastes e axilas

Essas pragas podem ser encontradas na cultura quando a planta apresenta a terceira folha trifoliolada aberta até o enchimento de grãos. Como as demais, quando não manejada pode refletir em perdas na produtividade.

Broca-das-axilas (Crocidosema aporema)

Essa praga normalmente ataca pelo ponteiro das plantas do feijoeiro, na sequência as larvas penetram no caule. As plantas atacadas podem apresentar desenvolvimento anormal ou, em casos mais severos, levar à morte da cultura.

Tamanduá-da-soja ou bicudo-da-soja (Sternechus subsignatus)

Apesar do nome popular ligado à cultura da soja, essa praga também ataca o feijoeiro, principalmente os pecíolos e a haste principal.

Já suas larvas conseguem se desenvolver dentro das hastes, levando a quebra ou a morte das plantas do feijoeiro. Caso opte pelo controle químico das pragas das hastes e axilas, faça a rotação dos mecanismos de ação de seus inseticidas.

Pragas do feijão: vagens

Essas pragas podem ser encontradas na cultura logo após a pré-floração até a maturação dos grãos. As vagens ocasionam perdas consideráveis nos grãos de feijão, influenciando na qualidade do produto final.

Lagarta-das-vagens (Spodoptera eridania, S. cosmioides, Thecla jebus, Maruca testulalis e Etiella zinckenella)

Essa praga, como o próprio nome sugere, ataca as vagens e os grãos afetando sua formação e desenvolvimento. A lagarta perfura as vagens e deprecia seus grãos e pode ser facilmente reconhecida!

Lagarta-helicoverpa (Helicoverpa armigera)

Conhecida por inúmeros agricultores, a Helicoverpa já trouxe dor de cabeça para muitos produtores! Por se alimentar dos órgãos vegetativos e reprodutivos da planta, danifica flores, vagens e grãos.

Para o manejo adequado, realize o planejamento! Essa praga do feijão possui um tempo para cada geração que é de aproximadamente 30 dias, por isso, estabeleça janelas de aplicação com aproximadamente 30 dias de duração.

>> Leia mais: Conheça as melhores práticas de adubo para feijão

Banner planilha- manejo integrado de pragas

Conclusão

Após todo o esforço com sua lavoura, você não pode perder tudo por conta da presença de pragas na cultura.

Neste artigo, você viu as principais pragas do feijão e em que estádio fenológico podem afetar sua lavoura. 

Assim, você pode realizar um planejamento pré-safra eficiente e evitar gastos desnecessários no futuro.

>> Leia Mais:

Inoculante para feijão caupi: Por que e como usar

Plantas daninhas em feijão: principais espécies, manejo e combate

Você tem problemas com pragas do feijão na sua lavoura? Quais medidas de prevenção realiza para evitar essas pragas?

Conheça as melhores práticas de adubo para feijão

Adubo para Feijão: veja que adubar de forma correta, com estratégias certeiras, pode permitir as produções esperadas.

Todo sucesso na produção está vinculado ao estado nutricional da planta e no feijão isso não é diferente! 

O feijão é uma cultura de ciclo rápido, por isso fazer uma adubação assertiva é o caminho para boas produtividades. 

Assim, aqui vamos relatar a importância do adubo para feijão e como o cultivo pode se tornar mais produtivo quando essa adubação é fornecida no momento certo e de forma exata.

O que devo fazer antes de adubar?

Sabemos que não adianta adubar sem que haja condições ideais, desta forma, a seguir demonstro os passos que devem ser feito antes da adubação.

1- Amostragem do solo

Conhecer a real situação do solo é um fator importante para quem busca respostas produtivas. 

Mas como se consegue averiguar isso? Por meio de amostras de solo que serão submetidas à análise. 

Assim, a amostra enviada ao laboratório (amostra composta) pesando 500 gramas deve ser provinda da mistura de 15 sub-amostras.

Recomenda-se também que sejam coletadas de áreas consideradas homogêneas quanto ao tipo de solo, vegetação, topografia e histórico da área e que não ultrapasse de 10 a 20 hectares

Além disso, aconselha-se realizar a amostragem com dois meses de antecedência à adubação, com a possibilidade de fazer possíveis correções necessárias.

2- Calagem 

Se com o resultado da análise de solo em mãos, você notar que apresenta elevada acidez, altos teores de alumínio trocável e deficiência de cálcio, magnésio e fósforo, será necessário calagem

Entre os benefícios da calagem estão: 

  • Aumento da eficiência dos fertilizantes;
  • Aumento da atividade microbiana (liberação de nutrientes);
  • Melhora das propriedades físicas do solo; 
  • Aumento da produtividade;
  • Elevação do pH; 
  • Fornecimento de Ca e Mg como nutrientes; 
  • Diminuição ou eliminação dos efeitos tóxicos do Al, Mn e Fe; 
  • Diminuição da “fixação” de P;
  • Aumento da disponibilidade do N, P, K, Ca, Mg, S e Mo do solo.

Quando aplicar? Em qualquer época do ano, com 3 meses de antecedência à semeadura.

Quando esse tempo é inferior, recomenda-se a utilização de calcário com maior PRNT para que reaja mais rápido. 

E sua distribuição? Deve ser a mais uniforme possível e incorporada a maior profundidade que conseguir. 

Em sistemas de plantio direto já estabelecido, o calcário é distribuído na superfície do solo sem que haja incorporação, acarretando em efeito mais lento.  

Como determinar a necessidade de calcário (NC)? A NC pode ser calculada por dois métodos: da neutralização da acidez trocável e elevação dos teores de cálcio e magnésio trocáveis e, pelo método da saturação por bases. 

Confira a equação do método da neutralização da acidez trocável e elevação de Ca e Mg:

NC=Y[Al3+– (mt . t/100)] + [X – (Ca2++Mg2+)]

E a equação do método da soma de bases: 

NC= T(Ve – Va)/100

Então, qual quantidade aplicar de calcário (QC)? Calculando a NC, não levamos em consideração a porcentagem da superfície do terreno a ser coberta (SC), qual a profundidade de incorporação (PF) e o poder relativo de neutralização total do calcário (PRNT). Dessa forma, a quantidade de aplicação será feita pela seguinte fórmula:

QC= NC x (SC/100) x (PF/100) x (100/PRNT)

3- Gessagem 

O gesso é um sulfato de cálcio di-hidratado responsável por condicionar a subsuperfície do solo. 

As vantagens em sua utilização são: 

  • Diminuição do alumínio trocável nas camadas mais profundas, aumentando assim o cálcio;
  • Fornecimento de enxofre a baixo custo;
  • Propicia condições para o crescimento radicular em subsuperfície, permitindo que a planta explore maior volume de solo, acessando mais água e nutrientes. 

Quando aplicar? No momento em que o solo apresentar em análise de 20 a 40 cm, valores de cálcio menor que 4,0 mmol/dm-3  e/ou saturação por alumínio (m%) maior que 30%. 

E quanto aplicar? A quantidade a aplicar pode ser feita com base na textura do solo, no teor de fósforo remanescente e no NC calculado pelo método de neutralização da acidez (equações contidas na 5ª aproximação – recomendações para uso de corretivos fertilizantes em MG).

Qual o melhor adubo para feijão?

É fundamental que os adubos sejam colocados à disposição para as plantas em local e tempo certo. 

No feijão isso é bem pontual devido ao seu ciclo curto e por seu sistema radicular ser pouco profundo. 

Relata-se que a cada 1000 kg de grãos de feijão são exportados:

  • 35,5 kg de N
  • 4,0 kg de P
  • 15,3 kg de K
  • 3,1 kg de Ca
  • 2,6 kg de Mg 
  • 5,4 kg de S
adubo para feijão

Marcha de absorção do feijoeiro 
(Fonte: Haag et al. (1967))

Nitrogênio 

O nitrogênio é absorvido durante todo o ciclo do feijoeiro, mas em maior quantidade entre o 35º e 50º dia após emergência (DAE). 

Diferente da soja, no feijão somente a fixação biológica de nitrogênio não é suficiente – demandando assim adubação. 

Desta forma, normalmente a adubação é feita com ⅓ na semeadura e ⅔ na cobertura de 25 a 30 DAE

As doses de N variam de 40 a 120 kg/ha, dependendo do nível de tecnologia e produtividade esperada.

Fósforo

A época de maior velocidade de absorção de fósforo vai desde aproximadamente 30 dias até os 55 dias da emergência, acentuando-se no final do florescimento e no início de formação das vagens. 

Por isso, recomenda-se que sua aplicação seja toda na semeadura, ao lado e abaixo das sementes. 

Suas dosagens variam de 30 a 110 kg/ha a depender da produtividade esperada, do nível de tecnologia empregado e dos teores desse nutriente no solo.

Potássio 

O potássio tem comportamento de absorção diferente dos nutrientes anteriores. 

Desta maneira, existem dois picos de absorção: um marcado pela diferenciação dos botões florais (25 a 35 DAE) e outro no florescimento e formação das vagens (45 a 55 DAE).

A recomendação desse nutriente varia de 20 a 50 kg/ha, de acordo com a produtividade, tecnologia e teor presente no solo. 

Em solos arenosos, por exemplo, existem recomendações de parcelamento, sendo feito metade da dose na semeadura e a outra metade na cobertura de 25 a 30 DAE. 

Para outros solos, a dosagem pode ser fornecida toda no plantio

Cálcio e Magnésio 

Ambos são fornecidos pela aplicação de calcário, que além de corrigir o pH disponibiliza esses dois nutrientes.

Enxofre 

O feijoeiro responde bem a adubações de enxofre quando o solo apresenta baixos teores, por isso, recomenda-se aplicar 20 kg/ha desse nutriente, podendo ser fornecido por adubos nitrogenados ou fosfatados que o contém. 

Esse elemento também é disponibilizado pelo gesso, enfatizando mais uma vez a importância de fazer a gessagem.

Zinco e Boro 

Constatando baixo teores de boro no solo, deve-se realizar a aplicação de 1 kg/ha

E, se notar a de zinco, também deve-se aplicar de 2 a 4 kg/ha, preferencialmente junto com a adubação de plantio.

Condições do solo e Fórmula de adubo para feijão

Quando o solo apresenta condições nutricionais adequadas, outra estratégia é a adubação trabalhada em valores de extração e exportação, como mostra a tabela a seguir. 

nutrientes feijão

Extrações e exportações de nutrientes segundo diferentes autores
(Fonte: Brasil IPNI)

No mercado é possível encontrar inúmeras formulações de adubo e diferentes fontes de adubos. 

A escolha deve ser baseada no nível de tecnificação adotada, na produção esperada, nos teores de nutrientes no solo e, além disso, no valor que o produtor pretende investir. 

A seguir elenco algumas formulações de NPK utilizadas no feijoeiro: 

08-24-12
06-26-12
08-20-15

Adubação orgânica para feijão

A cultura do feijão responde bem à adubação orgânica.

Com adubações de 15 a 20 t/ha de esterco de curral e até 4 a 8 t de esterco de galinha ou cama de frango de corte, percebe-se o efeito residual dessa adubação em até o 3º ano. 

Adubos orgânicos devem ser aplicados a lanço e, em seguida, serem incorporados com o auxílio da grade.

Adubo foliar para feijão

A adubação foliar é importante no diagnóstico de qualquer deficiência, principalmente de micronutrientes.

Porém, não pode ser tratada como substituta da adubação via solo e nem é muito recomendada para culturas anuais, como é o caso do feijão.

Mas em casos pontuais e para respostas rápidas, essa pode ser uma estratégia que não provoca efeito algum sobre a cultura subsequente. 

Atente-se à dosagem dessas aplicações, pois podem provocar fitotoxicidade severas quando muito altas. 

Na cultura do feijão, pode ser efetuada aplicação via foliar de 60 g/ha de molibdênio (154 g/ha de molibdato de sódio ou 111 g/ha de molibdato de amônio) entre 15 e 25 DAE.

Conclusão

Vimos que antes de adubar deve ter atenção a várias práticas, tudo para aumentar a eficiência dos fertilizantes. 

Além disso, destacamos a importância das dosagens e aplicações dos nutrientes no feijoeiro e informamos algumas formulações utilizadas. 

Citamos também a importância da adubação orgânica e da adubação via foliar para o sucesso produtivo do feijoeiro. 

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Veja como identificar as principais pragas do feijão

Inoculante para feijão caupi: Por que e como utilizar

Plantas daninhas em feijão: principais espécies, manejo e combate

E você, como realiza a adubação do seu feijoeiro? Tem alguma dica? Deixe nos comentários abaixo. 

Como fazer o preparo do solo para plantio de feijão

Preparo do solo para plantio de feijão: confira os tipos de solos, condições ideais para cultivo e outras dicas para uma boa produção. 

Nos últimos anos, o feijão esteve entre os cinco grãos mais produzidos no Brasil, com uma média de 3 milhões de toneladas por ano

Toda essa produção é dividida, basicamente, em três safras ao longo do ano.

  • safra de verão ou “das águas”, semeada entre outubro e novembro;
  • – safra outonal ou “da seca”, que é plantada entre fevereiro e março;
  • – safra de inverno entre abril e junho.

Isso garante uma oferta constante de feijão para o mercado, sendo consumido ao longo de todo o ano. 

Essas três safras só são possíveis graças ao ciclo curto da cultura e ao uso da irrigação.

Desta forma, o cultivo de feijão pode ter altos retornos financeiros, o que viabiliza uma agricultura mais intensiva com cada vez mais investidores e produtores para o setor.

Veja neste texto como tudo começa nesse cultivo, aprendendo mais sobre o preparo do solo para plantio de feijão, a época ideal e das características ambientais exigidas pela cultura.

Tipo de solo para plantar feijão

O feijoeiro é uma planta que se adapta a diferentes características do solo, podendo ser cultivado desde texturas arenosas até uma textura argilosa pesada. 

Contudo, o principal aqui é observar a drenagem do solo.

Solos com texturas mais argilosas e tendência de má drenagem devem ter a semeadura evitada na safra de verão, evitando assim um possível problema nas raízes da planta.

Isso porque a má drenagem propicia o ataque da semente por fungos do solo, o que diminui a emergência das plântulas, afetando a população do feijoal. 

Outra característica que afeta muito o feijoeiro é a compactação de solo

A planta apresenta um sistema radicular modesto, que limita a exploração do solo por água e nutrientes e, por essa razão, solos compactados podem reduzir a produtividade em até 75%!

preparo do solo para plantio de feijão

Produtividade do feijoeiro em função do grau de compactação do solo
(Fonte: Alves et al. (2003))

Quanto à fertilidade e acidez do solo, o feijoeiro não é diferente da maior parte das nossas culturas, sendo até de maior importância dado a falta do desenvolvimento do sistema radicular vigoroso, que apresenta 85% das raízes nos primeiros 20 cm de solo.

Agora uma consideração extremamente importante: a sucessão do cultivo de feijão sobre feijão ou sobre soja (quando feito logo em sequência) deve ser evitada ao máximo.

Essa prática pode aumentar a incidência de doenças como antracnose, podridão radicular, Rhizoctonia, mofo-branco e também de pragas.

Preparo do solo para plantio de feijão

Bom, temos três principais meios para o preparo do solo para plantio de feijão ou de qualquer cultura anual.

O primeiro deles é o velho conhecido preparo convencional, que tem o objetivo de revolver a camada superficial do solo. 

Esse preparo é realizado normalmente com discos como arados, grades pesadas ou arado de aiveca.

O importante é evitar o uso recorrente da mesma profundidade dos implementos e trabalhar o solo com o teor de umidade ideal. Tudo isso para evitar camadas de compactação que, como vimos, prejudicam muito a produtividade do feijoeiro.

O segundo método é o preparo reduzido, que visa reduzir o número de operações e dos problemas com erosão. 

O principal implemento para a realização da operação é o arado escarificador que deve ser utilizado com o solo de 30% a 40% da capacidade de campo.

E o terceiro método de manejo do solo é a semeadura direta ou plantio direto na palha, da qual já falei bastante aqui no blog.  

A semeadura direta visa o não revolvimento do solo e também a cobertura total do solo por resíduos vegetais.

Componentes da produtividade do feijoeiro

Componentes da produtividade do feijoeiro em cinco sistemas de preparo do solo (médias de quatro anos)1
(Fonte: Stone & Moreira (2000))

Como podemos ver na tabela, a semeadura direta tende a aumentar os teores de matéria orgânica do solo.

Além de reduzir a erosão causada pelas chuvas, aumentar a disponibilidade de água e diminuir a compactação do solo. 

Mas os benefícios desse sistema de plantio direto acontecem apenas quando temos constantemente uma camada de palha cobrindo todo o solo.

Quais as condições ideais para plantar feijão?

O feijoeiro pode ser cultivado praticamente em todo o Brasil, porque suas exigências de temperatura são enquadradas em pelo menos 1 de suas 3 safras em quase todo o território nacional.

As temperaturas críticas da planta ficam na faixa de 15 a 29º C, sendo considerada uma faixa ótima entre 20 e 22º C – importantes na época de florescimento da cultura.

Por outro lado, a ocorrência de baixas temperaturas pode reduzir ou atrasar a germinação e a emergência de plântulas, consequentemente reduzindo a produção. 

Já as altas temperaturas prejudicam especialmente no florescimento da cultura do feijoeiro.

Portanto, temperaturas acima de 29º C provocam o abortamento das flores e acima disso há a esterilização do grão de pólen. 

É possível evitar essa situação planejando a semeadura para que o florescimento da planta não corresponda a altas temperaturas médias.

Conclusão

Vimos os passos iniciais para a instalação de uma lavoura de feijão, as características de solo desejáveis, opções de preparo de solo até a influência do clima no feijoal.

A cultura do feijão pode se adaptar a praticamente todas as regiões do Brasil, sendo preciso apenas planejar o ciclo da cultura com as condições climáticas locais.

O cultivo de feijão pode ser uma ótima opção no sistema de produção, principalmente em sistemas irrigados onde conseguimos colher três safras no ano!

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Qual tipo de preparo do solo para plantio de feijão você utiliza? Restou dúvidas ou tem alguma dica para compartilhar? Deixe nos comentários abaixo!