About Giuliana Rayane Barbosa Duarte

Sou Agrônoma e Mestre em Fitotecnia pela Universidade Federal de Lavras (UFLA). Atualmente também trabalho como Técnica em Agropecuária na UFLA.

5 passos para acertar a aplicação do regulador de crescimento no algodão

Regulador de crescimento no algodão: vantagens do uso, época mais adequada de aplicação, dosagem e parcelamento ideal para a lavoura

O algodoeiro é uma planta perene e de ciclo indeterminado, por isso, podemos notar a importância do manejo do equilíbrio entre o crescimento vegetativo e reprodutivo.

No momento da colheita, é fundamental que a planta tenha no máximo 1,30 m de altura, condição que facilita e traz praticidade nas operações de manejo. 

Por isso, o uso de reguladores de crescimento pode trazer ganhos produtivos e também no que se refere à qualidade da fibra.

Para entender como tirar o melhor proveito deles, confira a seguir! 

O que é regulador de crescimento?

Regulador de crescimento é uma substância produzida que interfere no balanço hormonal da planta. Assim, afetam diretamente a forma como elas crescem e se desenvolvem. 

Na planta de algodão, o regulador é utilizado com enfoque nas máximas produções, estabelecendo um equilíbrio entre a fase vegetativa e reprodutiva. 

O crescimento e o desenvolvimento do algodoeiro pode ser controlado por fatores exógenos (luz, temperatura, água, dentre outros) e endógenos(hormônios). 

Solos com excesso de nitrogênio (N), solos úmidos e com temperaturas superiores a 32 ºC, por exemplo, favorecem o crescimento vegetativo da planta, o que diminui o índice de colheita. 

Desta forma, a utilização do regulador de crescimento no algodão é de grande valia, tendo em vista que permite ter controle sobre a fase vegetativa, possibilitando incrementos quanto à produtividade.

Reguladores de crescimento como o cloreto de mepiquat e o cloreto de clormequat atuam sob a síntese de ácido giberélico. Isso permite um certo controle sob o elongamento celular (diminuindo os entrenós), diminuindo, consequentemente, o porte das plantas. 

Esses reguladores conseguem reduzir a altura das plantas e o tamanho do dossel. Assim, há melhor interceptação de luz e de produtos nas partes baixeiras da planta, propiciando sanidade e qualidade das fibras.

planilha de produtividade do algodão Aegro

Vantagens do uso dos reguladores de crescimento no algodão 

Quanto às principais vantagens do uso desse produto, podemos destacar as seguintes:

  • controle do crescimento excessivo do algodoeiro, possibilitando um controle entre o desenvolvimento de parte vegetativas e reprodutivas;
  • redução da altura e o comprimento dos ramos, facilitando as operações de manejo e colheita;
  • proporciona um microclima impróprio para os patógenos (dossel mais arejado), além de facilitar a deposição de caldas de aplicação no terço inferior da planta;
  • redução da abscisão e do apodrecimento das estruturas reprodutivas, possibilitando ganhos produtivos;
  • redução o ciclo por diminuir o excesso de número de nós; 
  • melhora na qualidade da fibra (pureza), pois reduz a formação excessiva de galhos, folhas e casca de ramos. 
fotos de controle eficiente (A) e controle ineficiente (B) de altura por meio do uso de regulador de crescimento

Controle eficiente (A) e controle ineficiente (B) de altura por meio do uso de regulador de crescimento
(Fonte: Alexandre Cunha de Barcellos Ferreira em Embrapa)

5 dicas para fazer uma aplicação adequada 

1ª – Análise da taxa de crescimento

Para saber se há condição de aplicação dos reguladores, é importante se atentar a dois critérios: 

  • a correspondência do número de nós da haste principal com a altura da planta (como você pode ver na imagem abaixo); 
  • comprimento médio dos últimos 5 nós do ponteiro. 
gráfico de crescimento ideal de plantas de algodão em relação à altura da planta e ao número de nós na haste principal

Crescimento ideal de plantas de algodão em relação à altura da planta e ao número de nós na haste principal
(Fonte: Manual de boas práticas do algodoeiro em MT)

Quanto ao comprimento médio dos ponteiros, você avalia os 5 nós do ponteiro e, em seguida, divide a medida total por 5. 

Lembre-se que o primeiro nó só é considerado passível de contagem quando alocado a 1,2 cm do segundo, no mínimo.  

Depois dessa medição e já obtida a média da taxa de crescimento, faça a comparação com os dados padrões já estabelecidos. 

tabela com valor médio e tipo de crescimento - regulador de crescimento no algodão

(Fonte: Manual de boas práticas do algodoeiro em MT)

2ª – Dosagem

A dose recomendada do regulador de crescimento no algodão é baseada no porte da cultivar e na condição de desenvolvimento da cultura.

A seguir apresento duas sugestões de cálculo de dosagem:

tabela de sugestão de doses de reguladores de crescimento em diferentes condições de crescimento

(Fonte: Manual de boas práticas do algodoeiro em MT)

tabela com sugestão de doses de reguladores de crescimento em diferentes condições de crescimento

Sugestão de doses de reguladores de crescimento em diferentes condições de crescimento
(Fonte: Embrapa)

3ª – Primeira aplicação

Relata-se que a primeira aplicação deve ser feita entre o aparecimento dos primeiros botões florais até o pleno florescimento

Isso é justificado pelo fato da taxa de crescimento ser bem reduzida a partir da formação das maçãs, momento em que ocorre muita redistribuição para o desenvolvimento dessas estruturas reprodutivas. 

Em média, a primeira aplicação será quando as plantas atingirem:

  • de 30 cm a 35 cm de altura em cultivares de porte alto;
  • entre 35 cm e 40 cm nas cultivares de porte médio; 
  • de 40 cm a 45 cm de altura nas cultivares mais baixas. 
tabela com porte, ciclo e necessidade de regulador de crescimento, de cultivares de algodoeiro da Embrapa, recomendadas para o cerrado brasileiro

Porte, ciclo e necessidade de regulador de crescimento, de cultivares de algodoeiro da Embrapa, recomendadas para o cerrado brasileiro
(Fonte: Embrapa)

4ª – Parcelamento da aplicação

Sabe-se que doses muito baixas de reguladores de crescimento podem não apresentar efeito sobre o crescimento do algodoeiro. As doses muito elevadas, por sua vez, também podem provocar o travamento da planta, tendo como consequência a perda de produção. 

Desta maneira, recomenda-se o parcelamento da aplicação deste produto. 

Em geral, é recomendado que a aplicação seja parcelada em 4 vezes, sendo:

  • 10% da dosagem recomendada na primeira aplicação;
  • 20% na segunda;
  • 30% na terceira;
  • restante na quarta aplicação. 

Mas, e quando fazer a próxima aplicação? Deve-se sempre fazer um monitoramento da taxa de crescimento da planta. 

Esse monitoramento é feito 5 a 8 dias após a última aplicação e, se a altura atual menos a altura anterior dividida pelo número de dias transcorridos for maior que 1,5 cm/dia, deve-se proceder a próxima aplicação. 

Equação: (altura atual-altura anterior)/dias após a aplicação 

Para facilitar nesse controle das aplicações, existe atualmente um aplicativo chamado “Regula”, que permite esse controle de uma maneira dinâmica. 

5ª – Cautelas na aplicação

Para não afetar a eficácia dos reguladores de crescimento é recomendada a pulverização do produto no período da manhã, desde que não esteja com muito orvalho. 

Além disso, para assegurar a eficiência, é aconselhável que fique sem chover por pelo menos 4 horas após a aplicação. Caso chova, é provável que seja necessária a reaplicação. 

Também não é aconselhável fazer a aplicação de reguladores quando a planta passa por um momento de estresse hídrico. 

E, por fim, não é recomendada a aplicação junto com outros produtos como, por exemplo, herbicidas

Conclusão 

A utilização dos reguladores de crescimento é uma realidade nas propriedades algodoeiras.

Isso se deve, principalmente, às suas vantagens, destacando aqui a facilidade de colheita e melhora na qualidade da fibra. 

Neste artigo, mostramos como chegar à dosagem e parcelamento ideais. Assim, com a aplicação no momento correto, os resultados produtivos deverão ser mais satisfatórios.

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Como fazer um manejo efetivo de pragas do algodão

“O que é a mancha alvo do algodoeiro e como ela pode afetar a sua lavoura

Você utiliza regulador de crescimento no algodão? Consegue fazer o planejamento certinhos das aplicações? Comenta aqui!

Entenda como a fertirrigação pode aprimorar sua produção

Fertirrigação: tire suas dúvidas sobre as vantagens e desvantagens desse processo que permite dispensar maquinários para adubação da lavoura

O processo de adubação é fundamental para a lavoura. Afinal de contas, é assim que as plantas recebem mais nutrientes que vão permitir a elas expressar melhor todo potencial produtivo.

Ter uma adubação mais eficiente e que te permita dispensar maquinário – e até horas de mão de obra – parece interessante, não é verdade?

Neste artigo, vamos apresentar a fertirrigação, método prático que une adubação à irrigação da lavoura. Entenda quais as vantagens e as desvantagens desse processo para que você tome a melhor decisão em sua propriedade. Confira!

O que é fertirrigação?

Fertirrigação é uma técnica de adubação que consiste na aplicação conjunta do fertilizante com a água da irrigação, levando nutrientes ao solo. Essa prática permite maximizar e até mesmo economizar na utilização dos fertilizantes dentro do sistema produtivo. 

A melhor eficiência quanto à utilização dos fertilizantes se deve ao fato de ocorrer o fornecimento de nutrientes de forma gradual e na presença de água. Isso melhora a absorção pelas plantas e reduz as perdas (lixiviação/volatilização) que existem pelo método convencional.

Normalmente, essa prática é utilizada em sistemas de irrigação localizada e de alta frequência, como no gotejamento e no sistema de microaspersão

Existem relatos de utilização em sistema de irrigação convencional, mas a limitação é a não homogeneidade de aplicação dos fertilizantes. 

Vantagens da fertirrigação

A fertirrigação propicia uma melhora da eficiência na utilização de fertilizantes, mas também apresenta outra inúmeras vantagens como:

  1. maximização na utilização do sistema de irrigação;
  2. fertilizante aplicado na quantidade e momento exatos;
  3. redução da mão de obra para a aplicação da adubação;
  4. redução da compactação do solo (devido ao menor trânsito de veículos);
  5. uniformidade de distribuição de micronutrientes, o que é difícil no sistema convencional;
  6. tendência à produção de itens de melhor qualidade e com maior produtividade;
  7. redução de oscilações na concentração de nutriente (devido à sua distribuição gradual);
  8. possibilidade de aplicação de outros produtos como fungicidas e nematicidas;
  9. aplicação de fertilizantes e água em uma região onde está contida a maior quantidade de raízes, o que aumenta a eficiência do fertilizante e reduz os impactos ambientais.

Agora que você já conferiu as vantagens desse método, precisamos analisar os pontos negativos que ele pode trazer. Vamos falar melhor sobre isso a seguir.

Desvantagens de aplicar fertilizantes por irrigação

Uma característica importante – e que pesa muito no momento de decidir sobre a adoção ou não desse sistema, é o preço. É relativamente alto montar a infraestrutura inicial para a fertirrigação.

Além disso, destaco mais algumas “desvantagens” desse sistema e que requerem atenção, tais como:  

  • conhecimento técnico (pessoal treinado) para manejo, escolha dos adubos e dosagens; 
  • entupimento de gotejadores e/ou microaspersores;
  • pode provocar acidificação, lavagem de nutrientes e/ou salinização do solo, se mal planejado;
  • pode causar corrosão do sistema de irrigação.

Como você viu, existem algumas desvantagens dentro dessa prática, mas as vantagens são bastante expressivas.

Como implantar a fertirrigação na lavoura

Fertilizantes 

Os fertilizantes utilizados na técnica da fertirrigação devem ser bem estudados quanto à:

  • solubilidade
  • pureza
  • índice de salinidade
  • acidez
  • condutividade elétrica (CE)
  • concentração dos nutrientes
  • densidade
  • grau de compatibilidade entre fertilizantes

Na fertirrigação, é recomendada a utilização de fontes solúveis em água e que tenham resíduos insolúveis inferiores a 0,5%. 

Quanto à pureza, sempre é melhor optar por fontes puras, com a finalidade de redução das impurezas. 

A acidez da solução, assim como o do solo para a maioria das culturas, deve se situar entre 5,5 e 6. Acima disso, pode comprometer algumas misturas, como é o caso do cálcio e do fósforo em soluções com pH acima de 6,3. 

Assim, quando o pH da água for maior que 7,5, o cálcio e o magnésio podem-se acumular nos filtros, nas linhas laterais e nos emissores do sistema de irrigação

Quando estamos falando de CE da água de irrigação, após a adição da solução de fertilizantes, ela não deve apresentar valores superiores a 2,0 dS m-1. Sua pressão osmótica deve ficar entre 70 kPa e 100 kPa. 

Outro aspecto que requer importância é a compatibilidade das fontes entre si e entre os íons presentes na água. Algumas misturas podem resultar em precipitados que causam entupimento e diminuição das eficiência do sistema. 

Orientação para mistura de alguns fertilizantes com base na compatibilidade - fertirrigação

Orientação para mistura de alguns fertilizantes com base na compatibilidade
(Fonte: Embrapa)

Tipo de solo

Em geral, solo com a textura arenosa requer maior suplementação de nutrientes para o pleno desenvolvimento vegetal. 

Porém, ao adubar de forma convencional, há riscos de muitas perdas, principalmente, por lixiviação. 

Portanto, com a fertirrigação, esse cenário pode ser revertido, pois é uma técnica que visa suprir a planta de forma gradual e que ainda está associada à irrigação, duas estratégias que solucionam a problemática desse tipo de solo.

Qualidade da água 

Como dito anteriormente, a fertirrigação utiliza o sistema de irrigação, mais precisamente da água, para direcionar os nutrientes às plantas. 

E, dentro desse contexto, é preciso estar atento à qualidade da água, solvente carregador dos fertilizantes. 

A primeira atenção que se deve ter é quanto à presença de resíduos sólidos, pois eles podem causar entupimento de emissores. 

Em sistemas de irrigação tratados como localizados, outro grande problema é a presença de íons de ferro e manganês, além dos sólidos solúveis presentes na água

Além do entupimento dos emissores, pode haver também a obstrução da tubulação, causando perda de carga e de pressão. Essas condições reduzem a vazão das emissões, não disponibilizando a quantidade exata de água e nutriente que havia sido calculada. 

E como avaliar essa água

Bem, deve-se medir a condutividade elétrica (CE) da água com o intuito de saber a quantidade de sais totais presente no líquido. 

Além disso, é recomendada a realização da análise química e física da água, propiciando o conhecimento de quais são os sais presentes ali e de como está a sua água.

Características químicas e físicas que devem ser consideradas na água utilizada via fertirrização

Características químicas e físicas que devem ser consideradas na água utilizada via fertirrização
(Fonte: Embrapa)

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Conclusão 

A fertirrigação é uma técnica que permite a otimização do recurso por meio do sistema de irrigação. 

Notamos que ela apresenta inúmeras vantagens quando adotada, mas que também apresenta pontos que devem ser bem refletidos para sua adoção, como é o caso do seu relativo investimento. 

Vimos que, para utilizar a fertirrigação, é preciso estar atento ao tipo de solo, condições da água e fertilizantes, tudo para propiciar o pleno desenvolvimento vegetal. 

>> Leia mais:

“Fertilização em excesso? Entenda os riscos da overfert e saiba como evitar que ela ocorra”

“Quando vale a pena investir em pivô central e quais os custos para sua fazenda? (+ planilha grátis)

Você utiliza a fertirrigação em sua propriedade? Consegue perceber diferença em sua lavoura? Divida sua experiência nos comentários!

Como é feita a fertirrigação?

A fertirrigação é uma técnica de adubação que consiste na aplicação conjunta do fertilizante com a água da irrigação, levando nutrientes ao solo. Essa prática permite maximizar e até mesmo economizar na utilização dos fertilizantes dentro do sistema produtivo.

Quais são os tipos de fertirrigação?

A prática da fertirrigação é utilizada em sistemas de irrigação localizada e de alta frequência, como gotejamento e no sistema de microaspersão. Existem relatos de utilização em sistema de irrigação convencional, mas a limitação é a não homogeneidade de aplicação dos fertilizantes. 

Quais as vantagens da fertirrigação?

A fertirrigação propicia uma melhora da eficiência na utilização de fertilizantes e também apresenta outra inúmeras vantagens como redução da compactação do solo, devido ao menor trânsito de máquinas na lavoura, e uniformidade na distribuição de micronutrientes.

Guia rápido da adubação nitrogenada para altas produtividades

Adubação nitrogenada: confira as recomendações para potencializar a produção da sua lavoura de milho, arroz, feijão e trigo.

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O nitrogênio é um dos nutrientes mais demandados para o desenvolvimento das plantas.

E, com índices de produtividades cada vez mais altos, estratégias de manejo que permitam explorar o total potencial das plantas são sempre bem-vindas! Neste cenário, podemos destacar a adubação nitrogenada.

A seguir, explicarei melhor a importância dessa adubação e algumas estratégias que auxiliam no sucesso produtivos de algumas culturas. 

Importância da adubação nitrogenada nas culturas

O pleno desenvolvimento vegetal é pautado na disponibilidade de todos os nutrientes tratados como essenciais. 

Dentro desse grupo podemos destacar o nitrogênio (N), elemento essencial e ainda caracterizado como macronutriente. Isto é, um nutriente requerido pelas plantas em maior quantidade

Essa maior demanda é justificado pelo fato do N ser utilizado para a síntese de proteínas e outros compostos orgânicos.

Sua baixa disposição pode acarretar diminuição drástica da produção, pois limita o crescimento vegetal, reduz a expansão e divisão celular, além de comprometer a área foliar e diminuir a taxa fotossintética. 

Desta forma, os fertilizantes nitrogenados têm sido usados para o suprimento adequado desse nutriente, sustentando os altos índices de produtividade. 

Demanda da adubação nitrogenada nas culturas 

Devido ao uso intensivo dos solos, é preciso fazer a reposição dos nutrientes, incluindo o N. 

A seguir mostro a adubação nitrogenada das culturas do milho, arroz, feijão e trigo

Adubação nitrogenada do milho 

O milho, uma gramínea, pode apresentar variação quanto à absorção de N devido à quantidade de raízes, condições ambientais e, logicamente, a seu estágio fenológico. 

O manejo do nitrogênio para a produção de grãos de milho deve ser feito considerando aspectos como:

Em geral, a absorção de N nessa gramínea é mais acentuada no começo do crescimento vegetativo, chegando ao maior valor no início da fase reprodutiva, decaindo em seguida. 

A dosagem depende de muitos fatores como: estado de fertilidade do solo, cultivar utilizada, expectativa de produção e condições climáticas, dentre outras. 

tabela com expectativa de produtividade do milho de acordo com os nutrientes - adubação nitrogenada
(Fonte: Pionner Sementes)

A adubação nitrogenada para milho é recomendada tanto na semeadura como na cobertura.

Na semeadura, é recomendável utilizar até 30 kg/ha de nitrogênio. Estudos relatam que dosagens superiores a isso podem apresentar efeito tóxico para as plantas devido ao nitrato. 

Quanto à aplicação na cobertura, como já dito, deve ser aplicado no momento de maior absorção desse nutriente. Dependendo da dosagem, pode-se aplicar em dose única quando as plantas encontram-se em V3 e V4

Porém, se há uma expectativa de produção alta e é preciso fazer uma alta reposição de N, é aconselhável fazer o parcelamento com objetivo de reduzir as perdas e aumentar a eficiência na utilização dos fertilizantes

A época recomenda para a aplicação da segunda cobertura gira em torno de V7 e V8, fase essa que as plantas ainda estão exigindo e absorvendo bastante N. 

Adubação nitrogenada do arroz

A adubação nitrogenada no arroz requer alguns cuidados, pois sua falta pode acarretar redução direta na produtividade por afetar o desenvolvimento vegetal

O excesso de N também é prejudicial nessa cultura, pois causa problemas de acamamento e esterilidade das espiguetas, além de favorecer o aparecimento de doenças

Segundo o  Irga (Instituto Rio Grandense do Arroz), é recomendável a aplicação de 10 kg/ha a 20 kg/ha de N no momento do plantio. 

Já na adubação nitrogenada de cobertura, recomenda-se que o restante da dosagem seja parcelada, sendo ⅔ quando a planta estiver com três a quatro folhas e ⅓ com oito a nove folhas expandidas.

ilustração de aplicação de nitrogênio no arroz
(Fonte: Unifértil)

Adubação nitrogenada do feijão

O feijoeiro é considerado uma planta exigente em nutrientes em função do ciclo curto e do pequeno e pouco profundo sistema radicular.

A absorção de nitrogênio ocorre praticamente durante todo o ciclo da cultura, mas a época de maior exigência e absorção ocorre dos 35 aos 50 dias após a emergência (DAE) da planta (florescimento). Neste período, relata-se que a planta absorve de 2 kg a 2,5 kg N/ha por dia.

No feijoeiro é comum ocorrer a associação simbiótica, porém a quantidade de N fixado só é considerável a partir de 35 DAE, requerendo um suprimento antecipado de N visto que as plantas irão demandar antes deste período. 

Desta maneira, depois de analisar os parâmetros de solo, de cultivar, de condições climáticas, da extração/exportação, da expectativa de produção da lavoura, tem-se a dosagem. 

É recomendável a aplicação de ⅓ da dose no sulco de plantio. O restante (⅔) deve ser aplicado até os 20 dias de emergência. 

Em solos arenosos, pode-se parcelar essa dose da cobertura em até duas vezes, aplicando a primeira até os 20 DAE e o restante até uns 35 dias.

Adubação nitrogenada do trigo

No trigo, a maior parte da absorção do nitrogênio acontece entre as fases de alongamento do caule e de espigamento, chegando ao máximo na antese. 

A dose de adubo a aplicar na planta de trigo varia de 60 kg a 120 kg/ha de N em função do teor de matéria orgânica do solo, cultura anterior, condições climáticas e expectativa de produção.

É bastante usual aplicar de 15 kg a 20 kg/ha de N na semeadura, com o intuito de estimular o vigor inicial. 

O restante deve ser aplicado nos estádios de perfilhamento e alongação do colmo da cultura 

A aplicação nessa fase é crucial por ser o momento em que a planta de trigo está definindo os componentes de produção como, por exemplo, o número de espiguetas por espiga e número de afilhos. 

Inoculação da soja supre a demanda da planta?

De acordo com estudo da Embrapa, a adubação nitrogenada da soja é desnecessária, seja na semeadura como em qualquer fase do desenvolvimento.

A inoculação bem feita garante o suprimento da demanda de N da planta de soja. 

As bactérias Bradyrhizobium que são utilizadas para a produção dos inoculantes conseguem captar o N atmosférico e deixá-lo de uma forma assimilável para as plantas. 

No caso dessas bactérias, é possível notar a sua presença por meio da formação de nódulos nos sistema radicular das plantas. 

Ainda segundo a Embrapa, o inoculante pode aportar mais de 300 quilos de nitrogênio por hectare (kg de N/ha) para a soja, com um custo até 95% menor em comparação ao fertilizante nitrogenado.

Existe inoculante em outras culturas?

Sim, o MAPA (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento) permite a utilização de bactérias Azospirillum brasiliense para a formulação de inoculantes para milho e trigo (gramíneas). 

O nitrogênio por elas fixado ocorre em menor quantidade que o fixado pelas bactérias do gênero Bradyrizobuim. Assim, não são capazes de fixar grande quantidade do nutriente requerido para o alcance de elevadas produtividades.

Portanto, nesse caso, faz-se a inoculação com o objetivo de reduzir os gastos com fertilizantes nitrogenados, mas não dispensa sua utilização. 

planilha para adubação de milho

Conclusão 

O nitrogênio assume papel fundamental quando estamos nos referindo à produtividade de diversas culturas, principalmente por ser bastante requerido para o desenvolvimento vegetal. 

Por isso, a adubação nitrogenada deve ser planejada de acordo com as peculiaridades da fazenda, sempre buscando a maior eficiência dos recursos. 

Vimos que a inoculação com microrganismos fixadores de N é uma boa estratégia, garantindo maior rentabilidade devido à redução dos gastos com adubos nitrogenados. 

>> Leia mais:

“Por que a adubação com silício pode ser sua aliada na produtividade”

Como você planeja sua adubação nitrogenada? Vem tendo resultados produtivos? Deixe seu comentário!

Como ter mais eficiência na adubação com ureia agrícola

Ureia agrícola: qual a situação ótima para sua aplicação e estratégias para evitar perdas em sua lavoura

A ureia é um dos fertilizantes mais importantes para a produção agrícola, por ter alto teor de nitrogênio e custo relativamente baixo.

Mas esse adubo requer cuidado quanto à utilização e manejo, pois é propenso a variáveis que podem acarretar grandes perdas. 

Confira neste artigo as estratégias para maximizar a eficiência na utilização da ureia agrícola em sua lavoura!

O que é a ureia agrícola?

A ureia CO(NH2)2 é um fertilizante sólido granulado tida como principal e mais eficaz fonte de nitrogênio (N) para adubação no Brasil. Apresenta-se na forma de grãos e contém concentração de 44% a 46% de nitrogênio.

Esse fertilizante apresenta como vantagem a alta concentração de N aliada a baixo custo de produção e transporte, além da facilidade de aplicação. Tem alta solubilidade e facilidade de mistura com outras fontes de fertilizantes. 

Mas, por outro lado, existe facilidade de perdas devido à sua elevada higroscopicidade (tendência de absorver umidade do ar atmosférico) e maior suscetibilidade à volatilização

Vou explicar melhor tudo isso a seguir!

Como evitar perdas de ureia durante a aplicação na lavoura

Como a ureia agrícola apresenta limitações quanto ao uso, algumas estratégias devem ser adotadas para diminuir as perdas de nitrogênio para a atmosfera, que podem ultrapassar a marca de 50%. 

A situação ótima para a aplicação da ureia agrícola na lavoura ocorre antes da chuva e/ou irrigação, ou seja, em local seco e somente depois expor a ureia à umidade

Se a ureia for aplicada sob condições de solo úmido (após chuva) e não chover em seguida, é bem provável que ela se transforme em amônia, um gás que acaba evaporando juntamente com os vapores de água

E o que ocorre quando a ureia entra em contato com as folhas molhadas?

Nesse caso, a ureia pode provocar queimaduras irreversíveis na planta devido à concentração do fertilizante.

Para maximizar a eficiência da ureia agrícola, é comum usar como estratégia o parcelamento do fertilizante, principalmente quando se trabalha com altas dosagens. Isso permite um certo “controle”, diminuindo as perdas por volatilização. 

O parcelamento da adubação nitrogenada normalmente é realizado quando ocorre condições de chuvas fortes ou muito calor e seca, casos em que a ureia pode se perder por lixiviação e volatilização.

Aplicação da ureia em milho

Na cultura do milho, recomenda-se que a aplicação seja feita quando a planta já está bem nutrida de N, o que ocorre em torno do V5. Isso porque é nessa fase que os componentes de rendimentos já foram definidos. 

Além desse componente de rendimento, a aplicação é feita nem V5 porque o milho tem crescimento acelerado de V7 até a fase de emissão de pendão, demandando altas taxas de nitrogênio.

Aplicação da ureia em feijão

O feijoeiro apresenta associação com bactérias fixadora de N, porém o que é fixado não é suficiente para o pleno desenvolvimento do feijoeiro. 

Além da quantidade provinda da FBN não suprir a demanda da planta, essa quantidade N fixado só passa a ser considerável a partir de 35 a 40 dias após a emergência (DAE), requerendo, desta maneira, adubação nitrogenada

Assim, é muito comum ocorrer a aplicação de fertilizantes nitrogenados, como é o caso da ureia. 

É recomendada a aplicação de ⅓ na semeadura e ⅔ 20 DAE. Esse N de cobertura pode ser parcelado quando ocorrem altas dosagens, podendo ser feito em 2 vezes. A primeira seria entre 15 e 20 dias e a segunda até 35 dias da emergência das plantas.

Aplicação da ureia em trigo

Sabemos que a dosagem de N aplicado é baseado na quantidade de matéria orgânica do solo na cultura precedente e na expectativa de rendimento de grãos. 

Em geral, na cultura do trigo, é recomendada a aplicação de 15 kg/ha a 20 Kg/ha de N na semeadura. 

Já na cobertura, o ideal é aplicar no início do afilhamento. Porém, quando as doses são mais elevadas, pode-se fracionar aplicando também no início do alongamento

ilustração do manejo do nitrogênio nas Fases do desenvolvimento do trigo

Fases do desenvolvimento do trigo
(Fonte: Mais Soja)

A aplicação tardia de N em cobertura, após a fase de emborrachamento, geralmente não afeta o rendimento de grãos, mas pode aumentar o teor de proteína do grão.

Aplicação da ureia em aveia 

Aveia para grãos 

Estudos trabalhando com dose de base e épocas de aplicação de cobertura relatam que as melhores produções de grão de aveia se deram quando na semeadura aplicou-se 30 kg/ha de N. 

Já na cobertura, os melhores resultados foram constatados quando a adubação nitrogenada (ureia) foi aplicada entre os 25 a 30 dias após a emergência. 

Aveia para forragem 

Já na aveia para forragem, em recomendações técnicas da Embrapa, indica-se aplicação de 20 Kg/ha de N no plantio. 

Na cobertura e após cada corte é aconselhável aplicação de 20 kg/ha de N em cobertura na fase de perfilhamento (20 a 25 DAE). 

Estratégias para reduzir perdas de N dos fertilizantes nitrogenados

Os adubos nitrogenados, como a ureia, podem apresentar grandes perdas. Assim, inúmeras pesquisas e produtos buscam aumentar a eficiência desses fertilizantes. Essas pesquisas trabalham com as seguintes classificações conforme a especificação:

Fertilizante de liberação lenta ou controlada 

Nessa situação, o elemento apresenta um atraso na disponibilidade inicial ou um prolongamento na disponibilidade devido a alguns mecanismos como:

  • controle na solubilidade em água do material por camadas semipermeáveis;
  • materiais proteicos; 
  • outras formas químicas (por reduzir a hidrólise de compostos solúveis em água de baixo peso molecular).

Fertilizante nitrogenado estabilizado 

Nessa classificação, diz-se que foi adicionado uma estabilidade de N no fertilizante, o qual é responsável por manter o N por mais tempo, seja na forma da ureia ou amoniacal.  

Inibidor da nitrificação

Os fertilizantes deste grupo são aqueles que foram acrescidos de uma substância que inibe a oxidação biológica (bactérias). 

Os fertilizantes com inibidores de reações químicas são divididos em dois grupos: os inibidores de nitrificação e os inibidores da urease

Esquema da  demanda da planta versus suprimento dos fertilizantes convencionais e dos de eficiência aumentada

Esquema da  demanda da planta versus suprimento dos fertilizantes convencionais e dos de eficiência aumentada
(Fonte: Embrapa Solos)

Tecnologias que podem aumentar a eficácia da ureia

A ureia pode sofrer altas taxas de volatilização sob condições de:

  • pH acima de 7,0;
  • temperatura elevada;
  • altas doses podem acarretar maiores perdas;
  • aplicação em solos compactados e com acúmulo de água também podem incrementar esses valores de perda.

Dessa forma, alguns mecanismos têm sido trabalhados para melhorar a eficiência desse fertilizante. A seguir, elenco as principais:

Ureia de liberação controlada

A ureia de liberação controlada com grânulos revestidos tem a proposta de aumentar a eficiência de uso pelo fornecimento gradual do nitrogênio de acordo com a necessidade da planta. Além disso, visa reduzir perdas por volatilização.

Os materiais mais comuns no revestimento são: formaldeído (baixa solubilidade), fonte inorgânica (enxofre) e polímeros sintéticos.  

imagem com quatro fotos de ureia agrícola revestida com enxofre

Imagem de ureia revestida com enxofre
(Fonte: Embrapa Solos)

Esquema das camadas de revestimento

Esquema das camadas de revestimento
(Fonte: Unesp)

Ureia com inibidores de reação química

Os fertilizantes com inibidores de nitrificação atuam diminuindo a ação das bactérias que transformam o N-amoniacal em N-nítrico. 

Mas por que manter o N amoniacal? Essa forma do nitrogênio é a mais assimilável pelas plantas e menos propensa a perdas por lixiviação.  

Ureia com inibidores da urease apresenta a hidrólise mais tardia, ou seja, fica por mais tempo na forma de ureia, reduzindo as perdas. Isso ocorre mesmo sob casos de aplicação superficial na presença de resíduos vegetais e solo úmido, situações comuns no sistema de plantio direto

planilha-adubacao-milho

Conclusão 

A ureia agrícola é um dos adubos de maior importância no cenário produtivo, tendo em vista seus altos teores de N e custo-benefício compensatório. 

Mas esse fertilizante requer cuidado quanto à utilização e manejo, pois é propenso a variáveis que podem acarretar grandes perdas. 

Hoje no mercado há tecnologias que tentam aumentar sua eficiência, porém, isso ainda requer mais estudos e acessibilidade

Mesmo com as grandes perdas que a ureia agrícola pode apresentar, se bem planejado, seu uso assegura ganhos produtivos. 

>> Leia mais:

Superfosfato triplo e simples: solubilidade, formas e diferenças

Fertilizantes NPK: como obter alta eficiência das fórmulas comerciais

Como você trabalha com a ureia agrícola em sua propriedade? Já utiliza ureias de alta eficiência? Conte sua experiência nos comentários!

5 passos para acertar na semeadura do feijão

Semeadura do feijão: como se planejar e quais cuidados adotar quanto ao manejo da cultura para obter altas produtividades

O feijão é um dos grãos mais cultivados do Brasil, com uma média estimada em 3 milhões de toneladas por ano.

Mas nem sempre a rentabilidade da lavoura é boa, pois a flutuação de preços no mercado também é alta.

Alguns cuidados na semeadura podem te ajudar a ter uma produção melhor e mais lucrativa.

Neste artigo, vou explicar os 5 principais passos para acertar na semeadura do feijão, entre eles como calcular a quantidade de plantas que poderá te dar um ótimo resultado produtivo. Acompanhe!

1- Método de manejo do solo

Adequar as condições de solo é essencial para uma boa semeadura, garantindo uma boa germinação e estabelecimento da cultura. Isso faz parte dos cuidados antes da semeadura do feijão.

Existem três métodos de manejo do solo, sendo eles:

O método que será adotado irá depender das condições do solo, da declividade e até mesmo do tipo de solo. 

O manejo a ser seguido também é baseado na quantidade de resíduo vegetal e na população de plantas daninhas, tudo com enfoque na melhor plantabilidade. 

foto de semeadura de feijão em sistema de plantio direto

Semeadura de feijão em sistema de plantio direto
(Fonte: Embrapa)

Confira também “Como fazer o preparo do solo para plantio de feijão”!

2- Atenção às épocas de semeadura do feijão

Para a semeadura do feijão, existem três épocas, sendo chamadas de feijão das águas, feijão da seca e feijão de inverno. 

Vou explicar melhor cada uma delas a seguir:

Feijão das águas

Semeado normalmente entre os meses de setembro a novembro, podendo ter uma pequena variação de região para região devido às variações pluviométricas.

O feijão semeado nessa época está exposto a condições de veranicos e falta de água no plantio

Quando plantado tardiamente, corre o risco de umidade excessiva na colheita, o que compromete a qualidade do produto final, pois acarretar em muitos grãos brotados. 

Feijão da seca 

Conhecido também por feijão safrinha, o feijão da seca é plantado entre os meses de janeiro a março (também pode haver uma pequena variação). 

Uma das principais dificuldades dessa época é o excesso de chuva na semeadura, diminuindo a eficiência da operação.  

Há ainda possibilidade de sofrer com veranicos em meados do ciclo da cultura (má distribuição da chuva), o que pode comprometer a produtividade esperada.

Quando plantado antecipadamente, pode ter grande umidade na colheita. Quando plantado tardiamente, pode sofrer com geadas. 

Feijão de inverno

O feijão de terceira época é plantado na estação outono-inverno, entre os meses de maio e julho. Ou seja, em uma época de escassez de chuva, requerendo irrigação

Nesse caso, o cultivo do feijão deve ser realizado em regiões onde o inverno é mais brando, com pouca ou nenhuma ocorrência de geadas. 

Nessa época, o feijoeiro apresenta ótima condições para a produção de semente devido à menor incidência de pragas e doenças

Além disso, o feijão de inverno propicia um melhor uso do solo, pois, no inverno, poucas culturas que se adaptam às condições climáticas. E ainda tem bom preço no mercado! 

tabela com épocas de semeadura para a cultura do feijão nos estados da região Central brasileira

Épocas de semeadura para a cultura do feijão nos estados da região Central brasileira
(Fonte:adaptado de Paula Junior et al., 2008, disponível em e-Tec Brasil

Agora que você viu os cuidados que devem ser tomados antes da semeadura, veja agora os cuidados na semeadura do feijão!

3- Velocidade e profundidade da semeadura

A velocidade e profundidade de semeadura são pontos importantes para uma boa produtividade da cultura do feijoeiro. Isso irá garantir homogeneidade de emergência e boa distribuição de semente e adubo.

As velocidades que asseguram boa plantabilidade estão em torno de 4 km/h a 6 km/h. Velocidades inferiores a 4 km/h comprometem o rendimento da máquina. Acima de 6 km/h, provocam não uniformidade de semeadura.  

Existe também diferença de velocidade de plantio quando o cultivo é feito de modo convencional ou pelo SPD.

No SPD, o plantio deve ser mais lento para que haja menor movimentação de solo possível, pois é sabido que, quanto mais rápido a semeadora passar, maior deslocamento lateral de solo. 

Quanto à profundidade, o feijão é semeado, em geral, a profundidades de 3 cm a 6 cm. As oscilações vão variar de acordo com a textura do solo. 

Em um solo arenoso, a semeadura é mais profunda: de 5 cm a 6 cm, com objetivo da semente estar alocada em regiões mais úmidas. 

Já em solo argiloso, a semeadura do feijão pode ser mais superficial: de 3 cm a 4 cm, pois é um solo que segura mais a umidade. 

4- Defina a densidade de plantio adequada

A densidade adequada para uma área é importante pois, com o número ótimo de plantas, conseguimos altas produtividades e rentabilidades. 

Quantidades de plantas inferiores às adequadas significa falhas na lavoura. Já quantidades superiores podem reduzir a produção, tendo em vista a disputa entre as plantas por água, luz e nutrientes.

No caso do feijoeiro, a densidade de plantio adequada é aquela em que as plantas, quando em período de florescimento, possam recobrir toda a área. 

A densidade é reflexo dos espaçamento entre linhas e do número de plantas por metro linear. 

O espaçamento é influenciado pelo hábito de crescimento do feijoeiro, como mostra a imagem abaixo: 

ilustração com hábitos de crescimento do feijoeiro: tipo I Ereto, tipo II Semiereto, tipo III Prostado e tipo IV Trepador.

(Fonte: Embrapa)

O feijão de hábito de crescimento do tipo 4 não é usado em grandes áreas, tendo em vista a sua dificuldade de condução, requerendo um tutor. 

Os maiores espaçamentos são vistos em feijões do tipo 3,  variando de 50 a 60 cm entre linha. Já os do tipo 1 e 2 requerem, normalmente, um espaçamento em torno de 40 a 50 cm entre linha. 

O número de plantas por hectare varia em média de 250 mil a 300 mil plantas/ha. 

Pesquisadores da Embrapa relatam que os melhores rendimentos têm sido obtidos com espaçamentos de 40 a 60 cm entre linhas e com 10 a 15 plantas/m. 

Cálculo de uso de sementes

Para calcular a quantidade de semente necessária em Kg/ha é essencial o levantamento dos seguintes dados: 

  1. Nº de plantas por metro linear (D);
  2. Peso de 100 sementes (gramas) do feijão plantado, lembrando que varia de cultivar para cultivar (P); 
  3. Qual o poder germinativo da semente (%) (PG);
  4. Qual o espaçamento utilizado entre linha, em metro (E). 

Desta forma, torna-se possível a utilização da fórmula que permite a obtenção da quantidade de sementes em Kg/ha (Q):

fórmula de Q(Kg/ha) igual D vezes P vezes 10 dividido por PG vezes E
Características de algumas cultivares de feijão indicadas para o estado de Minas Gerais

Características de algumas cultivares de feijão indicadas para o estado de Minas Gerais
(Fonte: Adaptado de Paula Junior et al., 2008, disponível em e-Tec Brasil)

5- Previna-se com o tratamento de sementes

Sabemos que a antracnose, bacteriose e a mancha angular são doenças bastante comuns no feijoeiro e que são transmitidas por sementes. 

Há também os insetos de solo que podem comprometer severamente o estande plantas em sua lavoura. 

Porém, existe uma forma de lidar com essas enfermidade que é através dos tratamento de sementes

O tratamento de semente é uma forma preventiva de assegurar que a plântula/planta possa crescer e se desenvolver sem que haja empecilho logo no início do seu crescimento. 

Desta forma, conseguimos assegurar o estande de planta ao qual foi planejado uma determinada produção. 

Conclusão

A semeadura do feijão é uma etapa que requer todo cuidado e zelo, pois é o início de todo um sistema produtivo. 

Desta maneira, planejar a semeadura, saber a quantidade de plantas por hectare e tomar os devidos cuidados da operação podem assegurar sucesso produtivo. 

Planeje-se bem, conheça sua propriedade e faça sua semeadura de uma forma segura, sem contratempos. 

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Manejos essenciais em cada um dos estádios fenológicos do feijão

Conheça as melhores práticas de adubo para feijão

Você já planejou sua semeadura do feijão? Deixe seu comentário!

Enxofre para as plantas: função, adubação e outras recomendações de manejo

Enxofre para as plantas: função do nutriente, formas de absorção e exigências na cultura do milho e da soja

O enxofre é fundamental para a planta, pois é um macronutriente com papel estrutural em diversas moléculas – a exemplo do grupo dos aminoácidos, como metionina e cistina, necessárias para a formação de proteínas.

E, apesar da maior reserva do enxofre estar no solo como S-orgânico, adições desse elemento vêm demonstrando incrementos em produtividade, principalmente em solos arenosos e pobres em matéria orgânica. 

Veja como fazer o manejo do enxofre na sua lavoura e as principais recomendações a seguir!

Importância e função do enxofre para as plantas

O enxofre (S) é um dos nutrientes mais requeridos pelas plantas, fundamental em processos metabólicos e na produção de proteínas, o que influencia o desenvolvimento e enchimento dos grãos, por exemplo. Também está vinculado a processos metabólicos da fotossíntese, presente em coenzimas como a ferredoxina, e associado à fixação de nitrogênio.

Além dessas funções, o S também manifesta importância quanto às funções fungistáticas, acaricidas e inseticidas

O enxofre, assim como o cálcio e o magnésio, é conhecido como um macronutriente secundário, e precisa estar disponível à planta durante todo seu ciclo. Na maioria das culturas, a necessidade de enxofre gira em torno de 10 kg a 30 kg/ha. 

Mas existe diferença da necessidade entre leguminosas e gramíneas. Normalmente, as leguminosas são mais exigentes quando comparada às gramíneas. Isso se deve ao fato do teor de S em suas sementes ser maior.

Extração e exportação de S pelas culturas

Extração e exportação de S pelas culturas
(Fonte: Pauletti, 2004)

O solo fornece o enxofre para as plantas por meio da matéria orgânica – representando até 90% do total requerido pelas culturas agrícolas. Mas, para obter uma melhor produtividade, pode ser necessário incremento do S por meio da aplicação de fertilizantes

Esse nutriente é aplicado indiretamente, via alguns adubos como o superfosfato simples, sulfato de amônio e sulfato de potássio, por exemplo, e também através do gesso agrícola.

Na natureza, as rochas ígneas são a fonte primária de enxofre, normalmente como sulfato.

Absorção, transporte e redistribuição

As plantas absorvem o enxofre via sistema radicular, na forma de sulfato SO42+ , mas também de uma forma pouco eficiente pode ocorrer a absorção do SO2 atmosférico através dos estômatos foliares. 

Alguns ânions (como o cloreto e o selenato) podem atrapalhar o processo de absorção desse nutriente, tendo em visto que ocorre a inibição competitiva, acarretando menor eficiência quanto à absorção. 

O transporte deste nutriente é via xilema, seguindo das raízes para a parte aérea. O movimento inverso é muito pequeno, ou seja, sua redistribuição é bem reduzida. 

Por causa desse reduzido transporte via floema, a maioria da manifestação de carência de enxofre nas plantas ocorre em órgãos mais novos, como brotações e folhas mais novas.  

Tipo de solo e adsorção

Os solos argilosos, com altos teores de óxidos de ferro, apresentam grande capacidade de adsorção de SO4, o que diminui a sua movimentação no perfil do solo.

Já em solos arenosos e bastante intemperizados, a movimentação do SO4 é maior e, com isso, pode ser perdido por percolação, além de já ter menor reserva de S orgânico

Nota-se que as maiores respostas à aplicação de S são vistas em solos intemperizados, com baixo teores de matéria orgânica e baixo teor de argila.

Sintomas e problemas da deficiência de enxofre

Como o enxofre é pouco redistribuído nos tecidos vegetais, em caso de carência do elemento, os sintomas aparecem primeiro nas folhas mais novas, como uma clorose generalizada no limbo foliar.

Além dessa clorose, há o comprometimento da síntese de proteínas que requerem os aminoácidos cistina, cisteína e metionina. Também pode haver crescimento retardado e acúmulo de antocianina. 

A fixação biológica do N2 atmosférico também é bastante diminuída sob condições de deficiência de S, assim como a síntese de gorduras (óleos), que fica afetada nestas condições.

Por participar de uma série de reações e de um grande número de compostos, a carência de enxofre para as plantas provoca uma série muito grande de distúrbios metabólicos.

A deficiência de enxofre nas plantas não é comum, pois geralmente os solos possuem quantidade suficiente deste nutriente. Mas, devido à utilização intensiva dos solos, isso pode ser notado.

Fontes e opções de aplicação de enxofre para as plantas

O solo fornece de 60% a 90% do total de enxofre necessário para as plantas. Para ser aproveitado pelas plantas, o S-orgânico deve ser mineralizado, o que depende da relação C/S. 

Entretanto, sabe-se que a adição de enxofre nas plantas é feita normalmente de uma forma indireta, ou seja, via alguns adubos que o apresentam em sua constituição. 

Normalmente, os fertilizantes fosfatados estão na forma de sulfato e suas diversas combinações. 

O sulfato de amônio é uma boa opção para adição de enxofre para plantas, e também nitrogênio, sendo usado para adubação de cobertura, tendo em vista que o S contido está prontamente disponível e o N é pouco volatilizado.

O superfosfato simples apresenta como vantagem a presença de cálcio e enxofre, possibilitando a melhoria das condições subsuperficiais do solo. 

Outra fonte de S, o gesso também é uma alternativa, mas requer cautela quando usado, pois pode causar desequilíbrio de bases na camada de 0 cm a 20 cm. 

O S elementar apresenta alta concentração de enxofre, porém de uma forma ainda não disponível, dependendo da atuação de microrganismos. Mas, por seu custo ser relativamente baixo, desperta interesse a sua utilização. 

O sulfato de potássio é muito utilizado em culturas sensíveis ao cloro e que são exigentes quanto ao potássio. Também é bastante empregado em solos salinos, pois é um fertilizante com índice salino mais baixo

O sulfato de magnésio e potássio são muito utilizados em áreas com limitações quanto à chuva e/ou irrigação

Fontes de fertilizantes contendo enxofre

Fontes de fertilizantes contendo enxofre
(Fonte: Informações Agronômicas nº 129)

Exigência de enxofre em milho e soja

Adubação e manejo de enxofre para milho 

A extração de enxofre pela planta de milho é pequena: varia de 15kg a 30 kg/ha para produção de grãos em torno de 5 t/ha a 7 t/ha.

No milho, os sintomas de deficiência são amarelecimento do caule e das folhas mais novas, início nas bordas até a nervura central das folhas e as folhas mais velhas permanecem verdes.

Desta maneira, tem-se utilizado o enxofre no solo na forma de sulfato para prever respostas ao elemento. 

Assim, em solos com teores de enxofre inferiores a 10 ppm (extração com fosfato de cálcio), o milho apresenta grande probabilidade de resposta a esse nutriente. Neste caso, recomenda-se a aplicação de 30 kg de S por hectare

Para acompanhar a extração e exportação de nutrientes e obter mais produtividade na lavoura, baixe aqui a planilha gratuita de adubação do milho!

Adubação e manejo de enxofre para soja

A cultura da soja requer, em média, 10 kg de S para cada tonelada produzida.

O S é um nutriente fundamental para rendimentos maiores da soja por ser, principalmente, um elemento catalisador das principais reações que envolvem o fósforo nas transformações bioquímicas na cultura.

Plantas deficientes de S apresentam amarelo pálido nas folhas mais novas, tornando toda a planta na tonalidade amarela, além das folhas ficarem pequenas.

diferença de plantas com e sem enxofre

(Fonte: Pauletti e Sloboda)

Para conhecer os teores de enxofre na sua lavoura é importante fazer a análise de solo e, em seguida, o ajuste à quantidade produzida, como mostra a tabela a seguir: 

Indicação de adubação de correção e de manutenção com enxofre (S)

Indicação de adubação de correção e de manutenção com enxofre (S), conforme as faixas de teores de S no solo (mg dm-3), a duas profundidades no perfil do solo, para a cultura da Soja no Brasil. 2ª aproximação
(Fonte: Embrapa)

banner para baixar a planilha de cálculo de fertilizantes para milho e soja

Conclusão 

O enxofre é essencial ao desenvolvimento vegetal e está intimamente ligado à matéria orgânica do solo. 

Neste artigo, falamos sobre sua forma de absorção (SO42-) e elencamos algumas fontes desse nutriente para a lavoura.

O fornecimento em doses adequadas depende da cultura e de uma análise de solo.  

Com essas informações, espero que você consiga melhores resultados na produtividade da sua lavoura!

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9 micronutrientes das plantas: como e quando utilizá-los

Como ter mais eficiência na adubação com ureia agrícola

Como você tem manejado o enxofre para as plantas em sua lavoura? Já notou efeitos positivos em produtividade? Conte pra gente nos comentários!

Superfosfato triplo: o que é e como tirar o máximo proveito desse fertilizante fosfatado

Superfosfato triplo: saiba mais sobre a utilização, eficiência agronômica e aplicação deste e de outros fertilizantes fosfatados.

Os solos brasileiros são reconhecidos como pobres em fósforo (P), elemento que com mais frequência limita a produção agrícola. 

Atualmente, os superfosfatos simples e superfosfatos triplos correspondem a 90% ou mais de todo P2O5 utilizado na agricultura brasileira. 

O superfosfato triplo é um fertilizante fosfatado de origem mineral que pode solucionar esse problema. Conhecer detalhes desse insumo é essencial para não errar na adubação.

A seguir, veja como o superfosfato triplo funciona, como tirar o máximo de proveito dele na sua lavoura e muito mais!

Fósforo nas plantas 

O fósforo nas plantas é essencial. Isso principalmente na fase de estabelecimento das lavouras. Ele é fundamental em vários processos fisiológicos das plantas, como a respiração e a fotossíntese. 

Além disso, ele aumenta a resistência das plantas às doenças e melhora a utilização da água. Plantas deficientes em fósforo apresentam crescimento lento. O desenvolvimento da parte aérea e do sistema radicular é prejudicado. 

Os sintomas de deficiência de fósforo aparecem nas folhas mais velhas. Elas adquirem coloração arroxeada. Quando os sintomas visuais aparecem, a deficiência nas plantas já é crítica.
O fornecimento tardio de adubos fosfatados não terá efeito sob a lavoura. Disponibilizar o fósforo na dosagem e no momento certo é fundamental para garantir qualidade e alcançar altas produtividades.

Quais são as limitações do superfosfato triplo?

O superfosfato triplo é um dos adubos fonte de fósforo mais utilizados na agricultura. Apesar disso, esse insumo apresenta algumas limitações quanto a sua utilização.

Primeiramente, é preciso se atentar à compatibilidade entre os insumos utilizados na correção e fertilização do solo.

Conhecer a compatibilidade desses produtos é de extrema importância para garantir a eficiência do processo de adubação.

Abaixo você pode conferir a compatibilidade entre os corretivos da acidez do solo, os fertilizantes minerais e orgânicos.

Exemplificacão de solubilidade de adubos e nutrientes
Matriz de compatibilidade entre fertilizantes e corretivos
(Fonte: Boletim Técnico IAC)

No caso do superfosfato triplo, deve-se evitar a mistura desse fertilizante com o calcário, pois eles apresentam incompatibilidade. Isso quer dizer que a mistura compromete as propriedades físico-químicas desses insumos e, consequentemente, a sua eficiência.

O superfosfato triplo também apresenta limitada compatibilidade com a ureia, que é utilizada como fonte de nitrogênio para as plantas, e com o fosfato diamônico (DAP). 

Nesse caso, é preciso se atentar à proporção da mistura e ao momento em que ela deve ser realizada. A recomendação é que, em caso de mistura, essa seja feita pouco antes da aplicação.

Além disso, o superfosfato triplo não apresenta problemas de incompatibilidade com o cloreto de potássio, sulfato de potássio, sulfato de potássio e magnésio e com adubos orgânicos.

A acidez do solo também é um parâmetro que merece atenção na aplicação do superfosfato triplo.

Em solos ácidos, com baixo pH, é fundamental que seja feita a correção da acidez antes da aplicação de adubos fosfatados solúveis.

Essa estratégia é recomendada para diminuir os sítios de adsorção do fósforo no solo. Isso melhora a eficiência da adubação e aumenta a quantidade de fósforo disponível para as plantas. 

Adubos fosfatados que apresentam nitrogênio em sua composição, como é o caso do MAP e DAP, têm maior potencial para acidificação do solo. No entanto, essa característica não é observada no superfosfato triplo.

Outro fator limitante diz respeito ao elevado custo dos adubos fosfatados. Isso impacta diretamente no custo total de produção. 

Qual a viabilidade do superfosfato triplo?

A viabilidade da utilização do superfosfato triplo deve levar em consideração a análise de uma série de coeficientes. Para que uma prática de manejo seja viável é preciso que parâmetros técnicos, econômicos e ambientais caminhem lado a lado.

Para isso, todo o cenário deve ser estudado e cada caso deve ser avaliado individualmente.

Por isso é importante realizar a análise físico-química do solo, bem como conhecer as exigências nutricionais da cultura e a duração do seu ciclo. Apenas assim é possível determinar a dosagem correta do adubo e em qual momento deve ser disponibilizado para as plantas. 

No caso da adubação fosfatada, atenção especial deve ser dada à acidez do solo, que tem influência direta na disponibilização do fósforo para as plantas. Não se esqueça de avaliar a compatibilidade do superfosfato triplo com outros insumos. Isso pode ter um impacto direto na eficiência dos produtos.

Solubilidade do superfosfato triplo 

O superfosfato triplo (SPT) é altamente solúvel em água e CNA. Outros adubos solúveis em água e CNA são:

O superfosfato triplo é utilizado principalmente na forma de grânulos. Isso diminui a superfície de exposição do adubo com o solo, diminuindo também o processo de solubilização. 

Além disso, essa forma facilita o manejo e a aplicação.

Como tirar o máximo proveito do super triplo na lavoura

A eficiência da adubação fosfatada vai muito além do fornecimento do nutriente na dosagem correta. Vários fatores devem ser considerados e todo o cenário deve ser avaliado.

Independente do nutriente fornecido para as plantas, é preciso conhecer o histórico de cultivo da área.

O histórico deve conter informações sobre:

  • calagens realizadas na lavoura;
  • quais adubos e em qual quantidade foram utilizados;
  • quais culturas foram plantadas;
  • sistema de manejo adotado;
  • produtividades alcançadas. 

Todas essas informações contribuem com a orientação e eficiência da adubação.

Além disso, conhecer o solo é fundamental. Fatores como o pH e a umidade interferem na disponibilidade dos adubos fosfatados para as plantas, como o super triplo e simples.

A eficiência da adubação também está relacionada à fonte, a solubilidade, a granulometria e ao modo de aplicação dos produtos.

Diferença entre superfosfato triplo e simples

O superfosfato simples é um fertilizante mineral que tem em sua composição 18% de fósforo, 16% de cálcio e 10% de enxofre. 

A diferença entre ele e o superfosfato triplo está na concentração dos nutrientes, principalmente do fósforo. Eles também diferem na forma de obtenção. 

Os dois fertilizantes são produzidos a partir do beneficiamento de rochas fosfáticas

Elas são submetidas a processos químicos. Pela reação com o ácido fosfórico é produzido o superfosfato triplo.

Enquanto isso, a produção do superfosfato simples envolve a aplicação de ácido sulfúrico no processo de beneficiamento da matéria-prima. O superfosfato simples e o superfosfato triplo podem ser encontrados no mercado na forma de grânulos ou em pó

Ambos têm coloração acinzentada e apresentam elevada solubilidade. Isso significa que o fósforo se apresenta na forma mais solúvel.

Esquema que mostra os diferentes tipos de fertilizantes fosfatados
Rota de produção de alguns fertilizantes fosfatados comercializados no Brasil
(Fonte: Teixeira, P. P. de C.)

O que é adubação fosfatada?

A adubação fosfatada é o uso de fertilizantes que têm principalmente o fósforo em sua composição.

O principal objetivo dessa prática é a manutenção do potencial produtivo da área pela elevação dos níveis de fósforo  no solo. Os adubos fosfatados mais utilizados na agricultura são:

  • Fosfato monoamônico ou MAP;
  • Fosfato diamônico ou DAP;
  • Superfosfato simples;
  • Superfosfato triplo.

Solubilidade dos fertilizantes fosfatados

A legislação brasileira determina que a garantia dos adubos fosfatados seja fornecida com base na quantidade de fósforo solúvel em extratores como:

  • água;
  • ácido cítrico; e
  • citrato neutro de amônio + água (CNA + H2O).

A solubilidade de uma substância é a capacidade de se dissolver em outra. A compreensão dessa informação auxilia na tomada de decisão sobre qual a melhor fonte de fósforo e o melhor manejo de adubação a ser adotado. 

No entanto, solubilidade não é sinônimo de disponibilidade do fósforo no solo. Fatores como acidez, teor de argila, umidade do solo e outras condições ambientais interferem na disponibilidade e absorção desse elemento.

Como fazer a adubação fosfatada?

A aplicação dos adubos fosfatados é realizada, principalmente, durante o plantio e diretamente no sulco. Dependendo da cultura, a adubação fosfatada também é feita em cobertura.

O plantio é o melhor momento para que o fósforo seja disponibilizado em profundidade, próximo às raízes. Isso se deve ao fato desse elemento apresentar baixa mobilidade no solo.

Vale lembrar que toda recomendação de adubação deve ser orientada pela análise de solo e pela exigência nutricional da cultura.

Adubos fonte de fósforo

No mercado, é possível encontrar inúmeras fontes de fósforo além do superfosfato triplo. A escolha da melhor fonte de fósforo deve considerar fatores como:

  • as características físico-químicas do solo; 
  • a exigência nutricional da cultura; 
  • o sistema de plantio adotado (convencional, cultivo mínimo, plantio direto);
  • o modo de aplicação;
  • as características do fertilizante. 

Além dos aspectos técnicos, é importante avaliar a viabilidade econômica da adubação.

Confira os principais fertilizantes fosfatados utilizados nas lavouras do Brasil e sua composição:

  • Fosfato monoamônico (MAP): 48% de pentóxido de fósforo e 9% de nitrogênio;
  • Fosfato diamônico (DAP): 45% de pentóxido de fósforo e 17% de nitrogênio;
  • Superfosfato simples: 18% de pentóxido de fósforo, 16% de cálcio e 10% de enxofre;
  • Superfosfato triplo: 41% de pentóxido de fósforo e 10% de cálcio.

Diversas opções de fertilizantes fosfatados podem ser usadas para garantir o suprimento de fósforo às plantas. Porém, considere aspectos técnicos e econômicos destes insumos para definir qual usar.

Banner de chamada para o download da planilha de cálculos de insumos

Conclusão 

O fósforo é um nutriente essencial para o pleno desenvolvimento dos vegetais. 

Conhecer a composição química de fertilizantes como o superfosfato triplo e como eles reagem no solo é essencial. 

Não deixe de fornecer o fósforo na dosagem e no momento certo. Utilizando as fontes adequadas, você terá a chave do sucesso para grandes produtividades

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Você já usou o superfosfato triplo para suprir a demanda de fósforo da sua lavoura? Vem sendo eficiente? Conte sua experiência nos comentários abaixo!

Inoculante para milho silagem: por que usar e como escolher o melhor

Inoculante para milho silagem: vantagens da utilização, como aplicar e o que observar na hora de comprar.

Uma boa produção de silagem envolve três aspectos importantes: teor de matéria seca, de proteína bruta e teor de carboidratos.

E, apesar do milho ser considerado uma planta forrageira padrão, o processo de ensilamento pode ocasionar perdas acima de 20% na qualidade nutricional.

Com isso, o uso de inoculante para milho silagem pode se tornar uma alternativa interessante para o produtor. 

Saiba quando vale a pena usar esse aditivo e as dicas do que observar na hora de comprar o produto. Confira a seguir!

Qual o papel de um inoculante para milho silagem?

O inoculante é um aditivo à base de bactérias que auxilia no processo de fermentação da silagem, tornando esse processo mais rápido e eficiente.

Além disso, promove uma maior estabilidade da silagem após abertura do silo, podendo também atuar como agente antifúngico. 

Os inoculantes são preparados contendo estirpes bacterianas muito eficientes na fermentação láctica. Como exemplo podemos citar os lactobacillus buchneri, lactobacillus plantarum e enterococcus faecium.

Eles são responsáveis por aumentar as fermentações lácticas e provocar uma rápida acidificação do meio. Isso reduz as perdas e melhora a digestibilidade do milho silagem na alimentação do gado de leite.

A melhora da digestibilidade está associada à atuação dessas bactérias sob a celulose e a hemicelulose, o que aumenta a digestão da fibra no rúmen, garantindo mais energia

inoculante para milho silagem

Perdas no processo de silagem do milho podem passar de 20%, o que pode cair com uso de inoculantes
(Foto: Suino.com)

Inoculante para milho silagem: fases da ensilagem 

Já sabemos que silagem é uma maneira de conservação das forrageiras com o intuito de manter ao máximo o valor nutritivo verificado no momento da colheita.

Mas como ocorrem as fases da ensilagem?

1ª fase 

Enchimento até o fechamento do silo: ocorre picagem da planta inteira e posterior compactação.

Nesse momento ocorrerá a respiração até o esgotamento do oxigênio e modificação de estruturas devido às enzimas da planta. 

2ª fase

Início da fermentação: início da atividade dos micro-organismos, incluindo as bactérias produtoras de ácido láctico, o que conserva a silagem (pH até 4,5).

Nesta fase queremos que o pH caia mais rapidamente para diminuir a atividade de micro-organismos indesejáveis (clostrídios, clostrídios sacarolíticos e proteolíticos e coliformes fecais).

Desta maneira, utilizar inoculantes com bactérias eficientes formadoras de ácido láctico garante essa rápida queda e, portanto, maior qualidade da silagem

3ª fase

Fermentação: dizemos que chegamos no pH de estabilidade (menor que 4,5), onde temos predominantemente a atividade das bactérias lácticas. 

4ª fase

Abertura do silo: momento em que o material ensilado tem umas das faces em contato com o ar, facilitando a proliferação de fungos, leveduras e mofos. 

Por isso, a retirado do material ensilado deve ser feita como se estivesse cortando uma fatia de bolo perfeita com pelo menos 20 cm. 

Outra estratégia é a utilização de inoculantes para manter a estabilidade aeróbica da silagem, os quais contêm bactérias propiônicas. Por converter ácido lático em ácido propiônico, o qual tem propriedade fungistática, isso prolonga a qualidade da silagem.

Fases da ensilagem

Fases da ensilagem 
(Fonte: Kera Nutrição Animal)

Quais as vantagens de usar inoculante para milho silagem?

O maior benefício com a utilização de inoculante para milho silagem é a redução da perda de nutrientes do material ensilado. 

Além disso, há outras vantagens como:

  1. Redução rápida do pH, acelerando o processo de fermentação;
  2. Menores perdas de proteína e energia;
  3. Menos proliferação de fungos e leveduras;
  4. Redução na formação de gases e ácidos indesejáveis (amoniacal);
  5. Melhora na digestibilidade da fibra, consequentemente melhor conversão;
  6. Melhora da estabilidade aeróbia pós-abertura do silo. 

Mas é preciso lembrar que o inoculante não melhora a qualidade da ensilagem: ele é complementar. O processo deve ter sido feito com qualidade e utilizando forrageiras com alto teor nutritivo!

3 dicas para escolher um inoculante para milho silagem

Como já expliquei, a principal vantagem do inoculante é manter a qualidade da silagem.

Hoje, existem diversos inoculantes para milho silagem no mercado, mas como escolher o mais adequado?

A escolha deve ser baseada na sua realidade e de acordo com esses aspectos: 

  1. Esteja atento à concentração de células bacterianas. 
  2. Se a silagem contiver um teor muito alto de matéria seca, comprometendo a compactação, utilize inoculantes com atividade fungistática, além de bactérias produtoras de ácido láctico. 
  3. Observe se as cepas bacterianas são indicadas como boas produtoras de ácido nas condições normais de uma silagem (temperatura, umidade, pH, dentre outras).

Como inocular adequadamente sua silagem

Os inoculantes normalmente são pulverizados ou aspergidos no material ensilado, buscando sempre uma aplicação homogênea. Tal cuidado garante a qualidade da silagem

Para a aplicação, pode-se usar a bomba costal ou o aplicador com bomba dosadora acoplada à máquina de ensilar.

A bomba dosadora permite a aplicação mais uniforme usando em média 2 litros de calda por tonelada de silagem. 

É recomendada aplicação de, no mínimo, 106 ufc (unidade formadora de colônia)/g de forragem fresca no início do processo fermentativo.

Essa é a quantidade considerada mínima para que seja assegurada posição dominante do inoculante adicionado sobre as bactérias epifíticas já existentes.

inoculante para milho silagem

Milho é considerado forrageira padrão para ensilagem por apresentar condição favorável tanto para fermentação quanto em aspecto nutricional
(Foto: Revista Agropecuária)

E se a silagem estiver quente?

Se a silagem apresenta temperatura acima de 38℃, não é um bom sinal. Isso significa que fungos e leveduras estão oxidando seus nutrientes e convertendo em calor, gás carbônico e água. 

Mas o que provoca isso? 

Esse aumento de temperatura pode esta associado a erros no processo de fermentação, como é o caso de má compactação, e pode estar associado à abertura do silo, quando ocorre excesso de oxigenação.

E como isso tem relação com os inoculantes?

Bem, com uso de inoculantes bacterianos, as perdas no processo de ensilagem podem ser reduzidas a 13%. Isso representa 10 pontos percentuais a menos do que em condições de não utilização de inoculantes de silagem. 

Além das bactérias lácticas, alguns inoculantes têm bactérias que fazem a produção de ácido acético e propiônico que controlam a proliferação de fungos.

planilha de produtividade de milho

Conclusão

O uso de inoculante para milho silagem é complementar dentro do processo de ensilagem. Ele não é capaz de aumentar teores nutricionais da forrageira, mas conserva a qualidade do material ensilado. 

Com isso, além de minimizar perdas de proteína e energia, seu uso também diminui proliferação de fungos e leveduras na silagem.

Também discutimos as características que você deve considerar na hora de escolher o inoculante e como fazer a aplicação adequada.

Espero que, com essas dicas, você consiga garantir silagens de milho com alta qualidade!

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Você planeja usar inoculante para milho silagem? Restou alguma dúvida sobre esse assunto? Deixe seu comentário abaixo!