Como fazer o melhor uso de inseticida na dessecação da lavoura

Inseticida na dessecação: quando eles podem ser vantajosos e quais produtos usar para o controle de pragas na preparação para a safra!

Muitos insetos-praga sobrevivem de uma safra para outra e precisam ser controlados ainda na dessecação.

Mas você sabe como planejar essa operação para ter um resultado mais estratégico? 

E quanto à escolha dos produtos: o que você precisa considerar?

Confira neste artigo como fazer o melhor uso de inseticida na dessecação da lavoura e ganhe mais eficiência no controle de pragas no início da safra!

Planejamento da dessecação

A dessecação é uma prática adotada para eliminar a vegetação de uma área e iniciar a semeadura da cultura comercial “no limpo”.

Esse manejo elimina plantas daninhas e restos da cultura antecessora no pré-plantio. Isso evita que, durante a fase inicial de desenvolvimento da cultura, ocorra competição por recursos com as plantas invasoras. 

Além disso, ajuda a formar palha para plantio direto quando plantas de cobertura são utilizadas na entressafra.

As plantas que não são eliminadas na dessecação podem hospedar pragas que atacam a lavoura no início do ciclo da cultura.

A pulverização para dessecação exige um planejamento apropriado, que inclui a aplicação de herbicidas com mecanismo de ação adequado para cada tipo de planta daninha identificada. 

Outros aspectos essenciais para o planejamento são:

  • o momento correto da dessecação;
  • conhecimento do solo para obter um bom residual;
  • boas práticas para pulverização;
  • informações adequadas de condições climáticas.

Uma prática importante a ser considerada no planejamento é o uso de inseticidas na dessecação da área. Você verá mais sobre isso a seguir.

Uso de plantas de cobertura na entressafra

Considere a cultura anterior para a obtenção de boas produtividades. Muitos produtores rurais têm optado pelas plantas de cobertura verde na entressafra.

No sul do país, culturas como aveia, azevém e ervilhaca são comuns. Na região Centro-Oeste, o uso do milheto, braquiária e crotalária pode ser destacado.

Neste cenário, pragas como lagartas polífagas têm sido beneficiadas. Elas têm capacidade de se reproduzir nesses campos e se abrigar na palha junto ao solo até a cultura comercial emergir, quando cortam as plântulas.

Lagartas do gênero Spodoptera apresentam esse comportamento de sobrevivência no ano todo. Isso porque completam seu ciclo se alimentando de diversas espécies vegetais até o início do ciclo da cultura, quando comem as plântulas.

Lavoura dessecada para semeadura

Lavoura dessecada para semeadura
(Fonte: Dekalb)

Regiões produtoras das principais culturas (soja, milho e algodão), onde se utilizam plantio escalonado (sucessão de culturas e/ou uso de cobertura verde) disponibilizam alimento constante para insetos, principalmente estas lagartas.

Tendo em vista o cenário de redução de estande e a consequente redução de produtividade, você viu a importância do controle inicial das pragas.

Quando é válido usar inseticidas na dessecação?

O uso dos inseticidas na dessecação visa a eliminar pragas antes do plantio da cultura comercial.

Como todo manejo, exige a avaliação de quesitos que determinam a viabilidade ou não desta prática, pois pode não haver necessidade. 

E como saber se há real necessidade?

Existem maneiras de você saber se deve ou não aplicar o manejo, respondendo a alguns questionamentos.

  • o estande de plantas é reduzido significativamente pelas lagartas?
  • a infestação de lagartas é reduzida no ciclo inicial da cultura?
  • a produtividade é afetada pelas lagartas que sobreviveram na palha?
  • os benefícios econômicos da aplicação de inseticidas na dessecação são reais?

Antes de definir qualquer estratégia, você deve conhecer as espécies presentes e escolher fazer ou não o controle. Essa informação é obtida através do Manejo Integrado de Pragas (MIP).

Quais inseticidas usar na dessecação?

Os produtos com ação inseticida utilizados na dessecação são normalmente piretróides, carbamatos e organofosforados. Eles possuem como vantagem o menor custo, porém não são seletivos aos inimigos naturais.

Tendo em vista esse entrave, novas moléculas estão surgindo para contornar esse problema, agindo como ferramentas estratégicas do MIP.

Empresas têm apostado no metomil, se tratando de eficiência de controle e preservação contra inimigos naturais. Este inseticida pode ser utilizado com o glifosato, facilitando muito o manejo.

No entanto, estudo realizado no MT demonstrou que essa associação pode prejudicar a ação do inseticida citado acima, não recomendando essa mistura. O mesmo estudo demonstrou boa interação de tanque e bom controle do glifosato com IA espinosade.

Espinosade é um inseticida de origem natural do grupo químico espinosinas (extraído da bactéria Saccharopolyspora spinosa). Ele é seletivo aos principais inimigos naturais de pragas de lavoura.

A seletividade dos produtos preserva o controle biológico natural, prática básica do MIP. Este fator melhora o controle das pragas, embora algumas possam ser tolerantes ou resistentes a alguns IAs.

Outros IAs também podem ser utilizados em conjunto com glifosato com bons resultados, como mostra a imagem a seguir.

tabela com produtividade da soja após pulverização de diferentes inseticidas na dessecação

Produtividade da soja após pulverização de diferentes inseticidas na dessecação
(Fonte: Revista Planta Daninha)

Ambos os inseticidas citados são recomendados para as principais culturas de plantas de lavoura e possuem bons resultados no controle de lagartas. Mais informações sobre estes e outros inseticidas você pode encontrar no Agrofit.

A utilização do controle cultural é outra estratégia importante do MIP. Soja, milho e algodão com tecnologia BT auxiliam no controle das pragas que sobrevivem à pulverização na dessecação e ajudam na manutenção do estande de plantas.

Para te ajudar no processo de pulverização, separei uma planilha para você. Clique na figura a seguir para baixá-la gratuitamente.

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Conclusão

O uso de inseticida na dessecação é uma prática importante para o controle de pragas que podem atacar a lavoura no início do ciclo da cultura.

A eliminação ou redução da população de pragas (principalmente a Spodoptera) sem afetar os inimigos naturais é o objetivo dessa prática.

Avalie bem a situação de sua lavoura antes de decidir sobre usar ou não inseticidas na dessecação. Planeje bem sua safra e melhore seu plantio!

Escolha os produtos corretos para não gerar incompatibilidade e preservar os inimigos naturais e siga todas as recomendações de boas práticas agrícolas.

Isso aumenta a sua eficiência e rentabilidade. E não se esqueça: o planejamento é a chave para o sucesso de sua safra!

Ficou alguma dúvida sobre o uso de inseticida na dessecação? Conte a sua experiência sobre o assunto aqui nos comentários. 

Tudo o que você precisa saber sobre controle da broca-das-axilas

Broca-das-axilas: saiba mais sobre o ciclo de vida, época de ataque, sintomas e como fazer o manejo mais eficiente! 

Algumas pragas só são lembradas quando já estão causando danos no campo

A broca-das-axilas não gera surtos recorrentes, mas é importante que você conheça suas características principais, os males que causa e as formas de controle. 

Assim, você pode evitar o crescimento anormal das plantas e, consequentemente, a queda na produtividade da lavoura. Além disso, pode impedir a ocorrência de prejuízos econômicos.

Entenda melhor sobre essa lagarta e saiba como se livrar dela a seguir!

Características da broca-das-axilas

A espécie Crocidosema (Epinotia) aporema, popularmente conhecida como broca-das-axilas, é um tipo de mariposa. 

Pertence à família Tortricidae e à ordem Lepidoptera, e tem distribuição em todo o continente Americano, desde o sudeste dos Estados Unidos até a Argentina. 

Embora ela tenha sido encontrada em diversas regiões do Brasil, tem preocupado mais os produtores de soja das regiões de clima frio. Por isso, é considerada uma praga secundária. 

Ela ataca diversas espécies cultiváveis de leguminosas, mas principalmente a cultura da soja.

Os adultos da broca-das-axilas são microlepidópteros, medem cerca de 10 mm de comprimento, e apresentam  coloração amarronzada. Os machos são mais escuros que as fêmeas.

Adultos de Crocidosema aporema. A - fêmea; B - macho

Adultos de Crocidosema aporema. A – fêmea; B – macho
(Fonte: Vanusa Horas)

O ciclo biológico desta praga dura cerca de 30 a 40 dias, dependendo das condições climáticas. Ela passa pela fase de ovo, por cinco estádios larvais, pela pupa e pelo estádio adulto. 

Caso você queira identificar se existem ovos de broca-das-axilas no cultivo, observe os folíolos dos brotos terminais da soja. Embora muito pequenos, os ovos têm uma coloração amarelo-claro e são depositados de maneira isolada. 

Ao eclodirem, as lagartas têm coloração branca e cabeça preta. Ao longo do desenvolvimento, vão se tornando rosadas com cabeça marrom. 

No final da fase larval, as lagartas procuram o solo e ficam sob cerca de 1 cm a 2 cm de profundidade para pupar. 

O período mais favorável para o desenvolvimento dessa espécie é de setembro a abril, podendo chegar a ter até sete gerações sobrepostas.

Sintomas e danos

Como os ovos são colocados nos brotos mais novos, ao eclodirem, as lagartas passam a consumi-los e formam uma espécie de “teia”, unindo os folíolos ao produzir fios de seda. 

As lagartas permanecem dentro dessa estrutura e provocam um retardamento do desenvolvimento dos brotos, dificultando sua abertura. 

Ao longo do desenvolvimento das lagartas, os folíolos vão se deteriorando, podendo secar e morrer. Dessa forma, as lagartas vão para as axilas das folhas.

O nome comum dessa praga se dá pelo fato de penetrarem, por meio das axilas, os pecíolos e hastes, provocando uma obstrução no fluxo da seiva

Quando dentro dessas estruturas, as lagartas fazem galerias descendentes, o que causa um desenvolvimento anormal das plantas.

Quando os brotos atacados abrem, as folhas ficam com aspecto rugoso, com os contornos irregulares e encarquilhadas. O consumo dos folíolos pode provocar uma redução de 50% da área foliar nessa fase. 

três fotos, a) dano causado nos brotos; b) lagarta; c) adulto de broca-das-axilas

a) dano causado nos brotos; b) lagarta; c) adulto de broca-das-axilas
(Fonte: Embrapa)

Além disso, em estágios mais avançados da cultura, podem atacar os botões florais e também as vagens, principalmente em cultivares tardias.

Quando ocorre uma alta incidência no período vegetativo, ocorre uma redução na altura da planta, provocando a formação de ramos secundários. Em consequência, a inserção das primeiras vagens acaba ficando em uma altura em que dificulta a colheita.

Manejo da broca-das-axilas

Antes de falar sobre os controles que podem ser utilizados para reduzir as populações de broca-das-axilas, é importante salientar alguns pontos. 

Essa é uma praga considerada secundária por não causar problemas em todas as regiões produtoras de soja no país.

Porém, é fundamental lembrar que, se forem utilizadas táticas de maneira incorreta, ela pode se tornar uma praga primária. O método químico é um exemplo disso. 

Se o uso dos inseticidas for feito de maneira calendarizada, ou seja, com aplicações pré-determinadas, o risco de fazer com que se tornem primárias é maior. 

Hoje em dia, a tecnologia tem avançado e não há necessidade de utilizar os produtos químicos de maneira errada.

Depois da introdução do MIP (Manejo Integrado de Pragas) e seus conceitos, ficou ainda mais fácil usar diversos métodos sem a necessidade de fazer somente o controle com pesticidas.

Até mesmo se for utilizar inseticidas para controle desta praga, é importante que se use a dose recomendada pelo fabricante. 

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Controle varietal

Desde 2013, você pode utilizar a tecnologia da soja Intacta RR2 PRO para controle dessa e de outras pragas, como lagarta-da-soja (Anticarsia gemmatalis), a lagarta-falsa-medideira (Chrysodeixis includens), e a lagarta-das-maçãs (Chloridea virescens).

Ela confere resistência por meio da toxina da proteína Bt, Bacillus thuringiensis (Cry1Ac). Essa proteína é bastante específica para lagartas, porque age em enzimas (caderinas) localizadas no mesêntero.   

Em 2021, foi aprovada a soja Intacta 2 Xtend. Além de conferir resistência às pragas já mencionadas, também poderá controlar Helicoverpa armigera e Spodoptera cosmioides.  

Como a proteção pode variar dependendo do nível de infestação, é essencial que sejam feitas amostragens para monitoramento constante.

apresentação em infográfico das vantagens da plataforma intacta 2 Xtend

(Fonte: Plataforma Intacta 2 Xtend)

Controle químico 

O controle químico, se utilizado de maneira incorreta para pragas secundárias, pode piorar o cenário. Por isso, antes de entrar com aplicações inseticidas, realize o monitoramento.

Quando 30% dos ponteiros forem atacados, entre com as pulverizações

Existem 54 produtos registrados no site do Mapa (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento), mas existem apenas dois grupos químicos – organofosforado e metilcarbamato de oxima

captura de tela dos 54 produtos registrados no site do Mapa para controle química da broca-das-axilas

(Fonte: Agrofit)

Conclusão  

Neste artigo, você viu que apesar de não ser uma praga com sinal de alerta em todas as regiões brasileiras, a broca-das-axilas pode causar sérios danos em sua plantação. 

Você também viu que os sintomas que ela causa nas plantas são bastante característicos. Por isso, é importante que você saiba identificar na lavoura a tempo de evitar perda de produtividade.

O controle, seja químico ou varietal, não pode ser negligenciado, porque as opções de manejo são reduzidas. 

>>Leia mais:

Manejo integrado de pragas: 8 fundamentos que você ainda não aprendeu

E você, já precisou realizar o manejo contra a broca-das-axilas? Assine nossa newsletter para receber mais conteúdos como esse!

Como fazer o manejo eficiente e livrar sua lavoura da cigarrinha-verde

Cigarrinha-verde: entenda seu comportamento e confira quais práticas de manejo cultural, biológico e químico podem ser mais eficazes no controle

A cigarrinha-verde é uma praga de grande importância nas principais culturas do Brasil. Sua presença descontrolada na lavoura pode causar perdas de até 90% na produção de grãos.

Mas sua identificação nem sempre é fácil: os danos causados por ela podem ser facilmente confundidos com estresse hídrico ou deficiência de nutrientes nas plantas.

Neste artigo, você irá conhecer melhor a cigarrinha-verde e aprender como controlá-la de maneira eficiente na lavoura. Confira a seguir!

Características da cigarrinha-verde

A cigarrinha-verde (Empoasca kraemeri ROSS & MOORE, 1957) pertence à ordem Hemiptera, a mesma dos percevejos e pulgões

A família Cicadellideae, onde está inclusa, é a maior da ordem, com mais de 21 mil espécies descritas.

O inseto adulto possui coloração verde-clara e corpo de aproximadamente 3 mm. É extremamente ágil e pode se dispersar rapidamente na lavoura.

Os ovos são postos nas nervuras no lado inferior das folhas e eclodem entre uma e duas semanas. As cigarrinhas ninfas (inseto jovem) são verdes-translúcidas e tornam-se adultas com aproximadamente 15 dias.

duas fotos de Ninfa de cigarrinha-verde

Ninfa de cigarrinha-verde
(Fonte: Biodiversidadvirtual)

Ação da cigarrinha

Grãos como feijão e soja podem ter a produtividade amplamente afetada com a alta população de cigarrinha-verde.

Elas possuem aparelho bucal picador-sugador: se alimentam introduzindo o estilete no floema e sugam a seiva da planta pela parte inferior da folha (mais acessível).

Somente o fato de inserir o estilete causa injúria na planta, pois é uma porta de entrada para outros patógenos como fungos e bactérias.

Adulto de cigarrinha-verde em folha de feijão

Adulto de cigarrinha-verde em folha de feijão
(Fonte: Embrapa)

Enquanto suga a seiva, a cigarrinha injeta compostos tóxicos que podem bloquear o floema, impedindo que água e nutrientes cheguem a algumas partes da folha.

Por se tratar de uma praga polífaga, ela pode permanecer na lavoura entre cultivos. Isso acontece principalmente se houver plantas remanescentes (tiguera) ou plantas daninhas hospedeiras.

Sintomas e danos

Os danos causados pela cigarrinha-verde podem ser confundidos com estresse hídrico ou deficiência de nutrientes, justamente pelo fato do bloqueio dos vasos do floema. Só são visíveis dias após o ataque.

As lesões começam no ponto de alimentação e se desenvolvem com áreas de clorose (amarelecimento da folha). 

Além disso, as bordas das folhas apresentam leve encarquilhamento, com aspecto coriáceo e secamento.

Feijão com sintoma da injeção de toxinas pela cigarrinha-verde

Feijão com sintoma da injeção de toxinas pela cigarrinha-verde
(Fonte: Embrapa)

Com o tempo, a área de clorose se expande e vai tomando conta da folha, que se curva e finalmente cai. 

Quanto maior a população de cigarrinhas, mais rápido esse processo ocorre e maior a área foliar perdida. O rendimento da lavoura é reduzido.

Além de tudo, pode acontecer abortamento de flores. Por isso o cuidado com o inseto deve ser redobrado na época de floração.

A cultura do feijão é a mais afetada por essa praga. O feijoeiro sofre sérios danos, especialmente no cultivo de seca, época em que a gama de outros hospedeiros é escassa. 

Há relatos de que o não controle da cigarrinha-verde gera expectativa de perdas de até 90% na produção de grãos.

Como fazer o controle da cigarrinha-verde

Várias estratégias de manejo podem e devem ser adotadas para controlar a população de cigarrinhas. 

A seguir, você verá o que fazer para se livrar dos problemas causados por essa praga.

Manejo integrado de pragas (MIP)

O MIP (Manejo Integrado de Pragas) é um sistema de manejo que associa o ambiente e a dinâmica populacional da praga. 

O sistema considera todos os métodos de proteção das plantas apropriados. Ele busca manter a população da praga abaixo de um nível de dano econômico (NDE) e dentro de um nível de equilíbrio (NE) ecologicamente viável.

Dentro do MIP, delimita-se um nível de controle (NC): uma população mínima da praga, onde táticas de manejo devem ser realizadas para não alcançar o NDE. 

Algumas medidas preventivas que devem ser adotadas no MIP são:

  • amostrar e monitorar a lavoura;
  • usar armadilhas;
  • promover ambiente adequado para inimigos naturais;
  • utilizar plantas isca;
  • controlar plantas daninhas e plantas “tiguera” (manejo cultural);
  • usar controle químico quando necessário.

Monitoramento semanal:

  • da emergência até 3-4 trifólios: avaliar a parte superior e inferior das folhas em 2m;
  • a partir de 3-4 trifólios até a floração: usar pano de batida;
  • o nível de controle para ambas as amostragens é de 40 ninfas.

A avaliação de adultos é difícil pela agilidade de deslocamento do inseto.

Você pode fazer o acompanhamento do monitoramento e outras práticas do MIP através de planilhas ou de um software agrícola como o Aegro

Com o Aegro, você pode registrar o monitoramento e o armadilhamento da lavoura pelo celular, acompanhando os resultados a qualquer momento.

Também gera relatórios sobre a incidência de pragas-alvo e verifica o momento certo para pulverizar, reduzindo até mesmo os custos com defensivos.

O MIP pode ser testado gratuitamente por 7 dias. Solicite aqui uma demonstração e experiência gratuita!

Controle Biológico

Agentes como parasitoides (Anagrus spp.) e fungos entomopatogênicos que atacam ovos, além de insetos benéficos (joaninhas e crisopídeos) que atacam ovos e ninfas, são indicados.

Parasitoide Anagrus flaveolus

Parasitoide Anagrus flaveolus
(Fonte: Wikimedia)

Este tipo de controle alternativo ainda é pouco utilizado, mas ultimamente vem ganhando muitos adeptos devido a sua eficiência e baixo custo.

Controle Químico

O controle químico com inseticidas é o manejo mais utilizado. Considere fazer a rotação de ingredientes ativos e mecanismos de ação diferentes para não selecionar insetos resistentes.

Os inseticidas de contato devem ser aplicados de maneira que atinja a superfície inferior das folhas. Os inseticidas sistêmicos podem ser pulverizados na superfície superior das folhas.

Listei alguns inseticidas registrados no Agrofit, de grupos e ingredientes ativos recomendados para controle de sugadores no algodão, feijão e soja.

Neonicotinoides

  • Acetamiprido – Aceta 200SP; Acetamiprid 200SP; AutenticoBR 200SP;
  • Imidacloprido – Gaucho FS; Imidagold 700WG;
  • Tiacloprido – Calypso 480SC;
  • Tiametoxam – Actara 250WG.

Organofosforados

  • Cloropirifós – Ciclone 480EC; Catcher 480EC;
  • Terbufós – Counter 150GR.

Piretroides

  • Fenpropatina – Meothrin 300EC; Damimen 300EC;
  • Bifentrina – Brigade 25EC; Seizer 100EC;
  • Etofenpoxi – Safety 300EC.

Usar uma combinação de ingredientes ativos é uma ótima alternativa por unir ação sistêmica e de contato.

Sempre utilize produtos registrados para a cultura e na dose recomendada, de acordo com o receituário agronômico.

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Conclusão

A cigarrinha-verde tem causado infestações cada vez maiores e danos principalmente à cultura do feijão.

A praga suga a seiva na parte inferior das folhas, que apresentam sintomas de encarquilhamento, secamento e amarelamento das bordas e necrose nos pontos de injúria.

Observe atentamente e faça amostragens periódicas da emergência ao florescimento, entrando com manejo ao atingir o nível de controle (NC).

O controle biológico é bastante eficiente se feito corretamente. Já o controle químico é o mais utilizado por sua eficácia e praticidade. 

Lembre-se desses detalhes ao escolher a melhor forma de manejo!

Já enfrentou problemas com cigarrinha-verde em sua lavoura? Como fez o controle? Divida sua experiência nos comentários!

Inseticidas ecdisteroides: como agem nos insetos e por que são uma boa opção de manejo

Inseticidas ecdisteroides: entenda como contribuem para redução das pragas sem gerar efeitos colaterais como outros químicos!

A agricultura brasileira é um dos setores mais importantes para a economia do país

Está enganado quem pensa ser possível produzir a quantidade de alimentos produzida hoje sem o uso de pesticidas. Existem 33 sítios de ação registrados e diversos grupos químicos de inseticidas no mercado para controle de insetos-praga. 

É importante buscar conhecimento sobre a ação desses pesticidas

Os reguladores de crescimento agem de maneira mais seletiva. Já os inseticidas ecdisteroides são exemplos dos que agem com um espectro menor. 

Eles contribuem com a redução das pragas sem gerar grandes efeitos colaterais, como acontece com outros grupos químicos. Entenda mais sobre esses compostos a seguir! 

O que são inseticidas ecdisteroides?

Para que você possa compreender melhor o que são esses inseticidas, vamos recapitular quais são suas classificações.

Segundo o Irac-Brasil (Comitê de Ação à Resistência a Inseticidas), os inseticidas se enquadram em cinco categorias de acordo com a atuação nos seguintes aspectos:

  • sistema nervoso central;
  • sistema digestivo;
  • respiração celular; 
  • crescimento e desenvolvimento;
  • compostos com modo de ação desconhecido ou incerto. 

Aqui, o nosso foco será no grupo de inseticidas que atuam no crescimento e desenvolvimento dos insetos. 

Esse grupo é dos IRCs (Inseticidas Reguladores de Crescimento),  introduzidos no mercado na década de 70 pela empresa Bayer Cropscience. 

O grupo possui classificações e especificações diferentes para atuar no crescimento e no desenvolvimento dos insetos. Por isso, os IRCs podem ser:

  • mímicos do hormônio juvenil;
  • inibidores da biossíntese de quitina;
  • agonistas receptores de ecdisteroides

Cada um deles tem um sítio de ação e resultam em algum efeito adverso no processo de desenvolvimento e crescimento da fase jovem dos insetos-praga.

São inseticidas bastante seletivos. Isso implica em uma efetiva ação sobre as pragas, mas que não prejudica organismos benéficos. 

Os inseticidas ecdisteroides são tipos de IRC e atuam na muda dos insetos, fazendo com que eles acelerem o processo de desenvolvimento e fiquem deformados. 

A forma mais comum de rota de exposição aos insetos-praga é por meio da ingestão. 

Esses inseticidas não possuem ação de choque, por isso é comum observar que os efeitos são mais lentos que os inseticidas de amplo espectro. Entretanto, esse não é um ponto desvantajoso quando comparado com outros grupos.

Modo de ação de inseticidas ecdisteroides 

Como já citado, os inseticidas ecdisteroides estão no grupo que atua no crescimento e desenvolvimento dos insetos.

O subgrupo que representa essa classe são as diacilhidrazinas, que são agonistas dos receptores de ecdisteroides (hormônio da ecdise). 

Mas para que você entenda como esses inseticidas agem nos insetos é necessário saber como o organismo do inseto funciona sem a ação desses compostos.

Durante a fase jovem, o exoesqueleto dos insetos vai se tornando insuficiente para os tecidos e órgãos que estão em desenvolvimento dentro deles. Por isso, é necessário que ocorra a muda e a cutícula seja trocada. 

O processo de muda começa quando as células epidérmicas cuticulares são estimuladas pela exposição do hormônio 20-hidroxiecdisona (o hormônio da muda do inseto). 

ilustração de células cuticulares epidérmicas de inseto jovem no início do processo de muda com a ação do hormônio 20-hidroxiecdisona

Células cuticulares epidérmicas de inseto jovem no início do processo de muda com a ação do hormônio 20-hidroxiecdisona
(Fonte: Larry Keeley)

Esse hormônio entra nas células epidérmicas, onde estimula genes relacionados à muda e à formação de uma nova cutícula. 

Depois disso, as células epidérmicas passam por mitose ou crescem pelo alargamento celular. Esse é o período em que o inseto jovem cresce e forma uma cutícula maior para começar o próximo instar. 

A cutícula velha (exúvia) se separa da epiderme no processo de apólise e dá lugar à nova cutícula. Dessa maneira, ocorre a muda ou ecdise, onde o inseto faz a troca de exoesqueleto. 

ilustração de momento em que ocorre a muda ou ecdise do inseto para troca de exoesqueleto

Momento em que ocorre a muda ou ecdise do inseto para troca de exoesqueleto 
(Fonte: Larry Keeley)

Ação do inseticida ecdisteroide

Quando os inseticidas ecdisteroides entram em ação, eles agem como se fossem o hormônio 20-hidroxiecdisona. 

E, como você viu, esse hormônio estimula as células epidérmicas cuticulares a começarem um novo processo de muda. 

Por isso, o inseto sofre uma mudança de forma prematura. Quando o composto começa a agir, a larva sofre inanição. 

A troca do exoesqueleto fora da hora faz com que a nova cutícula seja deformada. O inseto continua sem se alimentar e acaba morrendo. 

Como eu disse, a ação desses inseticidas é mais lenta que os de amplo espectro (que agem em vários organismos), mas o processo todo não demora mais que um dia. 

Por ter uma ação específica nas pragas e pela segurança aos inimigos naturais presentes na área de cultivo, são bastante recomendados em programas de MIP (Manejo Integrado de Pragas). 

Principais pragas que controlam

Esses inseticidas têm ação específica sobre lepidópteros-praga em diversas culturas como algodão, cana-de-açúcar, citros, eucalipto, milho e soja

Veja alguns exemplos de pragas que são controladas pelas diacilhidrazinas:

Algodão 

Cana-de-açúcar

Citros

  • Larva-minadora-das-folhas (Phyllocnistis citrella)
  • Bicho-furão (Ecdytolopha aurantiana)

Eucalipto

  • Lagarta-de-cor-parda (Thyrinteina arnobia)

Milho

Soja

Produtos ecdisteroides no mercado

As diacilhidrazinas possuem quatro ingredientes ativos segundo o Irac, que são:

  • cromafenozida;
  • halofenozida;
  • metoxifenozida;
  • tebufenozida.

Entretanto, os ingredientes ativos registrados no Mapa (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento) são cromafenozida, metoxifenozida e tebufenozida

captura de tela da agrofit, Ingredientes ativos de diacilhidrazinas registrados pelo Mapa

Ingredientes ativos de diacilhidrazinas registrados pelo Mapa
(Fonte: Agrofit)

Cromafenozida

Existem dois produtos registrados com este ingrediente ativo, ambos da empresa Iharabras: Ciclone e Matric. 

captura de tela Agrofit com Produtos registrados com cromafenozida

Produtos registrados com cromafenozida
(Fonte: Agrofit)

Metoxifenozida

Existem 6 produtos registrados com este ingrediente ativo, de diferentes empresas.

Os produtos Fidele, Intrepid Edge, Intrepid 240 SC e Revolux da Dow Agrosciences; Masterole da Rainbow Defensivos; e Tecal 240 SC da Rotam do Brasil Agroquímica. 

captura de tela da Agrofit com Produtos registrados com metoxifenozida

Produtos registrados com metoxifenozida
(Fonte: Agrofit)

Tebufenozida

Existe apenas um produto registrado com este ingrediente ativo, da empresa Iharabras S.A., o Mimic 240 SC.

captura de tela Agrofit com Produto registrado com tebufenozida

Produto registrado com tebufenozida
(Fonte: Agrofit)

Cada ingrediente ativo possui as pragas-alvo principais. Por isso, é importante que você leia a bula e siga as instruções corretamente. 

Além disso, é essencial que você consulte um(a) engenheiro(a)-agrônomo(a). 

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Conclusão

Neste artigo, você encontrou informações sobre os inseticidas reguladores de crescimento, que são os que agem no crescimento e desenvolvimento dos insetos. 

Existem três sítios de ação desses produtos e o foco aqui foi sobre os agonistas dos receptores de ecdisteroides, que provocam a muda prematura em lagartas

No mercado brasileiro, você encontra 9 produtos que pertencem ao grupo das diacilhidrazinas e que podem controlar diversas pragas de diferentes culturas. 

Referência

NATION SR, James L. Insect physiology and biochemistry. CRC press, 2015. 

Restou alguma dúvida sobre os inseticidas ecdisteroides? Adoraria ler seu comentário!

Entenda como a biotecnologia no algodão pode melhorar o controle de Spodoptera e Helicoverpa na sua lavoura

Biotecnologia no algodão: como novas cultivares Bt podem ser eficientes e trazer resultados mais positivos à produção

Diversos desafios são enfrentados pelo produtor para tirar da lavoura o máximo lucro. 

Os custos com aplicações de defensivos no controle de pragas e doenças podem representar uma fatia grande do orçamento, isso sem contar com possíveis danos ambientais e de saúde dos trabalhadores. 

Na cotonicultura, a tecnologia Bt pode ajudar a controlar duas pragas que dão muita dor de cabeça: Spodoptera frugiperda e Helicoverpa.

A seguir, entenda melhor como a biotecnologia no algodão pode ser benéfica para diminuir custos e melhorar a produtividade da sua lavoura!

A biotecnologia e o controle de pragas da lavoura

A biotecnologia vem auxiliando de forma estratégica no melhoramento de diversos setores. Com o setor primário não seria diferente. 

Plantas tolerantes à seca, ao ataque de pragas, resistentes a doenças, entre diversas outras características que vemos em inúmeras cultivares, estão ligadas aos processos de melhoramento vegetal e ao avanço da biotecnologia na agricultura.

Mas e o que é biotecnologia? A biotecnologia é um conjunto de técnicas que utilizam organismos no desenvolvimento de novos produtos, em geral modificando o material genético do produto foco. Daí vem o nome Organismos Geneticamente Modificados, os famosos OGMs.

A biotecnologia ocupa espaço importante na produção de novas cultivares. Estudos na área permitem a identificação e seleção de genes de interesse que são capazes de expressar características agronômicas desejáveis e melhorar a produção e a produtividade.

Como o avanço das pragas e doenças no campo é muito rápido, assim também precisa ocorrer o desenvolvimento de plantas que sejam resistentes e/ou tolerantes a determinado organismo. 

Além desta maior rapidez, a biotecnologia auxilia em transformações mais estáveis, o que pode conferir maior duração das características desejadas no campo. 

Não podemos esquecer que pragas e doenças também evoluem com o passar dos anos e desenvolvem estratégias genéticas para superar a resposta do sistema imune das plantas.

A tecnologia Bt utiliza os genes da bactéria de solo Bacillus thuringiensis. Essa bactéria produz proteínas tóxicas que determinam a morte de determinados tipos de insetos. Quando introduzido no material genético da planta, essas proteínas conferem ação inseticida.

imagem que representa laboratório - biotecnologia no algodão

(Fonte: Tecnologia Cultura)

Biotecnologia no algodão

A cotonicultura é uma cultura de alto valor no Brasil, sendo nosso país o quinto maior produtor e segundo maior exportador do mundo. 

Diversas pragas e doenças atacam as plantas do algodoeiro, mas as que causam danos diretos, no botão floral, são as de maior importância na cultura.

A lagarta-do-cartucho (Spodoptera frugiperda) e a lagarta Helicoverpa (Helicoverpa armigera) são dois exemplos de pragas que determinam enormes perdas na lavoura.

Essas lagartas podem danificar tanto plantas jovens quanto folhas, botões florais e as maçãs em desenvolvimento. 

Esses danos irão acarretar diminuição da produção e redução da qualidade das fibras.

foto de Helicoverpa em maçã de algodão

Helicoverpa em maçã de algodão 
(Fonte: Embrapa)

O algodão Bt traz em seu material genético a resistência ao ataque destas pragas de forma mais estável e duradoura. 

Mas não é de hoje que o algodão Bt está no campo. O primeiro algodão transgênico foi aprovado no Brasil em 2005 pela CTNBio (Comissão Técnica Nacional de Biossegurança). 

De lá para cá, muitas proteínas foram descobertas e, recentemente, novas cultivares foram lançadas no mercado.

Vantagens do algodão Bt

O algodão Bt traz vantagens para quem está no dia a dia na lavoura:

  • possui ação inseticida permanente na planta;
  • menores custos de aplicações;
  • menores danos nas plantas e, consequentemente, menor a perda econômica do cultivo;
  • menor agressão ambiental e de exposição dos trabalhadores rurais devido aos menores volumes de inseticidas aplicados.

Desvantagens do algodão Bt

  • mais investimento para aquisição das sementes.
  • manejo específico na aplicação da tecnologia.

Algodão Bt e controle das pragas Spodoptera e Helicoverpa

Recentemente foi lançada a biotecnologia Widestrike®3, na verdade em sua terceira geração.

Desenvolvida pela Corteva Agriscience e a Tropical Melhoramento & Genética (TMG), chega aos produtores na safra 2020/2021 com a promessa de alta produtividade e controle de amplo espectro das lagartas que atacam a cultura. 

As cultivares trazem no código genético modificado três proteínas das bactérias Bacillus thuringiensis, ou seja conteúdo Bt. 

A ação conjunta das proteínas Cry1F, Cry1Ac e Vip3A conferem às plantas potencial inseticida à Spodoptera e à Helicoverpa, simultaneamente.

Serão duas cultivares oferecidas no mercado com esta tecnologia: 

  • TMG 50WS3 – mais precoce, alto potencial produtivo, tolerância à ramulária e qualidade de fibra
  • TMG 91WS3 – alto teto produtivo, ampla adaptabilidade e elevado peso de capulho.

Estas cultivares são indicadas para os estados do Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Bahia, Piauí, Maranhão, Minas Gerais e São Paulo.

Ao utilizar desta tecnologia, existem ainda recomendações fundamentais quanto ao manejo destas plantas no campo:

Consulte sempre o técnico responsável pelo acompanhamento da sua lavoura para maiores orientações!

Como escolher a melhor cultivar de algodão para sua lavoura

Para escolha da melhor cultivar para plantio do algodão, existem diversas características edafo-climáticas que devem ser consideradas. 

Abaixo listamos algumas das mais importantes:

  • rendimento de fibra
  • produtividade ou rendimento de pluma
  • nível de resistência e tolerância a doenças e ao ataque de insetos
  • adaptabilidade ao clima da região
  • necessidades nutricionais 
  • necessidades de rega
  • rusticidade

Uma condição bastante relevante que você pode considerar na sua tomada de decisão é a presença de ensaios técnicos e de campos experimentais na sua região. 

Observe quais cultivares deram certo nestes casos e apresentaram bons resultados das características citadas acima. Isso pode ajudar a escolher a melhor cultivar de algodão para sua propriedade.

E lembre-se: o cultivo dentro do zoneamento agroclimático também deve ser considerado na sua escolha. Isso porque, além de já atestadas as melhores condições para produção, irá influenciar na tomada de seguro agrícola no caso de sinistro.

planilha de produtividade do algodão Aegro

Conclusão

O desenvolvimento da biotecnologia vem avançando a passos largos para auxiliar os produtores de algodão no seu sucesso na lavoura. 

Como vimos neste artigo, novas cultivares já trazem tecnologia suficiente para controlar de forma eficaz pragas como a Spodoptera frugiperda e a Helicoverpa.

Discutimos ainda as características que você deve considerar para a escolha de melhor cultivar para a lavoura.

Com as informações passadas aqui, espero que você aproveite todo o esforço científico investido, otimize as atividades rotineiras no campo e maximize seus ganhos no final da safra!

Você já utilizou cultivares Bt na sua fazenda? Restou alguma dúvida sobre biotecnologia no algodão? Vamos continuar essa conversa nos comentários abaixo!

O que você precisa saber sobre o mecanismo de ação dos inseticidas neonicotinoides, organofosforados e carbamatos

Mecanismo de ação dos inseticidas neonicotinoides e outros: como eles funcionam no combate às pragas da sua lavoura

Você sabe como exatamente funcionam inseticidas do tipo neonicotinoides, organofosforados e carbamatos?

O mecanismo de ação de um inseticida neurotóxico varia de acordo com o princípio ativo e grupo químico. 

Aqui você irá compreender melhor sobre os mecanismos de ação dos neonicotinoides, organofosforados e carbamatos. Eles agem no sistema nervoso dos insetos e é importante que você entenda o que os diferencia. Confira a seguir!

O que são os inseticidas neurotóxicos?

Existem diversos inseticidas no mercado agrícola com diferentes grupos químicos, que podem atuar sobre:

  • sistema nervoso e/ou a musculatura;
  • desenvolvimento e crescimento;
  • intestino médio;
  • respiração;
  • e alguns que têm ação desconhecida.

Os inseticidas neurotóxicos são aqueles que agem no sistema nervoso dos insetos. Mas não existe somente uma forma e sim várias delas.

O sistema nervoso é composto por células nervosas chamadas de neurônios, responsáveis pelas funções de sensação, coordenação e condução

Imagem ilustrativa de um neurônio

Imagem ilustrativa de um neurônio
(Fonte: Larry Keeley – YouTube)

Além dos neurônios, existem as células gliais que dão suporte, proteção e nutrição aos neurônios. 

O sistema nervoso central dos insetos fica localizado na parte ventral do corpo e consiste do cérebro ou gânglio, localizado na região central da cabeça, e uma série de gânglios da corda nervosa ventral ao longo do corpo. 

Imagem ilustrando o sistema nervoso central de um inseto ortóptero (em amarelo) - artigo sobre mecanismo de ação dos inseticidas neonicotinoides

Imagem ilustrando o sistema nervoso central de um inseto ortóptero (em amarelo)
(Fonte: Larry Keeley – YouTube)

Os inseticidas neurotóxicos vão atuar no corpo dos insetos, perturbando as funções elétricas do sistema nervoso, como nas sinapses, por exemplo, onde agem os neurotransmissores para transmitir os impulsos nervosos. 

Dentre os inseticidas, existem vários grupos químicos com diferentes modos ou mecanismos de ação em alguma parte desse sistema. 

Além disso, dentre os grupos químicos, são diversos os ingredientes ativos, ou seja, diferentes estruturas moleculares para atuar com aquele mesmo princípio ativo.

Vou te explicar melhor sobre eles.

Mecanismo de ação dos inseticidas neonicotinoides

Os neonicotinoides são inseticidas de ação sistêmica e de contato. Devido às suas características físico-químicas, podem penetrar nos tecidos das plantas após aplicação e translocar por todas as partes por meio dos vasos condutores de seiva. 

Independente da forma de aplicação, conseguem atingir toda a planta e agem nos organismos, principalmente, naqueles que se alimentam succionando os tecidos.

O mecanismo de ação dos neonicotinoides é a atuação como agonistas da acetilcolina. 

O que acontece é que, após ocorrer a sinapse (onde ocorre comunicação entre os neurônios), as moléculas inseticidas se ligam aos receptores nicotínicos da acetilcolina localizados no neurônio pós-sináptico. 

O resultado disso, é um estímulo constante da mensagem da acetilcolina no sistema, o que gera impulsos nervosos transmitidos continuamente, levando à hiperexcitação do sistema nervoso, com consequente paralisia e morte do organismo. 

Existem diferentes ingredientes ativos no grupo químico dos neonicotinoides que são: 

  • Acetamiprido;
  • Clotianidina;
  • Dinotefuran;
  • Imidaclopride;
  • Nitenpiram; 
  • Tiaclopride;
  • Tiametoxam. 
captura de tela da tabela de ingredientes ativos de neonicotinoides registrados no site do Mapa

Ingredientes ativos de neonicotinoides registrados no site do Mapa
(Fonte: Mapa)

Os mais utilizados e que têm maior número de produtos registrados no Mapa (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento) são acetamiprido, imidaclopride e tiametoxam.  

São utilizados em culturas muito distintas pelo fato de controlarem insetos polífagos, como mosca-branca, pulgões, cigarrinhas e percevejos. 

Como agem os inseticidas organofosforados e carbamatos

São inseticidas que agem por contato e ingestão, e inibem a ação da enzima acetilcolinesterase (que é responsável pela eliminação da acetilcolina no momento no estímulo nervoso).

As moléculas destes inseticidas apresentam conformações estruturais que permitem um encaixe na molécula de acetilcolinesterase.

Organofosforados: por meio do grupamento fosfato.

Carbamatos: por meio do grupamento carbamila.

A hidrólise, ou quebra, da molécula de acetilcolina no corpo do inseto acontece de forma lenta devido ao grupamento fosfato (organofosforados) e ao grupamento carbamila (carbamatos).

Em consequência, há acúmulo de moléculas de acetilcolina na sinapse, que também leva o inseto a uma hiperexcitação, com consequente morte de maneira rápida. 

Esses inseticidas foram muito utilizados até a década de 1990. Entretanto, com a descoberta de diversas outras moléculas atuando no sistema nervoso central dos insetos, e com risco de toxicidade mais baixo, o uso desses grupos químicos foi sendo reduzido.

Hoje, no site do MAPA, é possível encontrar diversos ingredientes ativos registrados dos organofosforados, mas um número bem reduzido de carbamatos. 

Principais ingredientes ativos dos organofosforados disponíveis comercialmente no mercado:

  • Acefato;
  • Cadusafós;
  • Clorpirifós;
  • Dimetoato;
  • Etoprofós;
  • Fenamifós;
  • Fenitrotiona;
  • Fosmete;
  • Fostiazato;
  • Malation.

Para o grupo químico dos carbamatos, existe apenas um ingrediente ativo disponível que é cloridrato de propamocarbe

Todos esses inseticidas são utilizados para o controle de um vasto número de pragas por agir de maneira bastante generalizada.

Além disso, os organofosforados agem como inseticidas, acaricidas, nematicidas e formicidas. 

captura de tela com tabela de ingredientes ativos de organofosforados registrados no site do Mapa

(Fonte: Mapa)

Vantagens e desvantagens dos inseticidas neurotóxicos

Mesmo sendo muito úteis na agricultura, os neonicotinoides, os carbamatos e os organofosforados têm suas vantagens e desvantagens. 

É importante que você se atente a essas informações para não cometer equívocos ao utilizar esses produtos.

Vantagens

  • Costumam ser baratos e de fácil aquisição;
  • São rapidamente absorvidos pela camada de cera da cutícula para entrar no corpo do inseto;
  • Rápida ação em pragas-alvo;
  • A maioria dos produtos tem boa persistência no campo;
  • Têm amplo espectro de ação e podem atingir várias espécies de insetos-praga.

Desvantagens

  • Por terem amplo espectro de ação, podem atingir organismos não-alvo como predadores e parasitoides. Isso quer dizer que, em sua maioria, não são inseticidas seletivos aos inimigos naturais;
  • Podem afetar o Manejo Integrado de Pragas (MIP) se forem utilizados de maneira irracional;
  • Também podem causar distúrbios neurológicos em animais vertebrados, incluindo o homem;
  • A maioria persiste no ambiente e pode afetar os organismos não-alvo;
  • A exposição constante das pragas a esses inseticidas pode causar seleção de insetos resistentes;
  • Muitos neonicotinoides têm causado problemas em polinizadores, o que pode gerar um grande desequilíbrio. 
Banner planilha- manejo integrado de pragas

Conclusão 

Aqui você viu um pouco sobre três grupos químicos que agem no sistema nervoso dos insetos. Aprendeu sobre o mecanismo de ação dos inseticidas neonicotinoides, organofosforados e carbamatos.

São inseticidas de rápida ação, mas que o seu uso tem vantagens e desvantagens.

Por isso, é muito importante que você analise bem a sua cultura, as reais necessidades de controle das pragas e quais as doses necessárias para aplicação no campo.

Lembre-se que utilizar inseticidas sem necessidade pode te causar alguns problemas. Se utilizados da maneira correta, podem te auxiliar na redução das pragas da área. 

>> Leia mais:

“Como fazer o melhor uso de inseticida na dessecação da lavoura”

Restou alguma dúvida sobre o mecanismo de ação dos inseticidas neonicotinoides? Deixe seu comentário e também assine a nossa newsletter!

Ácaro na soja: tudo que você precisa saber

Ácaros na soja: entenda o que são, principais espécies, danos causados e como realizar o manejo eficiente para evitar a perda de produtividade da sua lavoura.

Os ácaros são pragas consideradas secundárias que, a depender das condições climáticas vigentes da safra, podem se tornar pragas primárias, requerendo seu controle adequado para evitar perdas de produtividade da soja.

Os danos causados pelos ácaros são variáveis e dependem do genótipo, região de cultivo e ano agrícola, podendo ser de mais de 400 kg/ha e representando até 33% de redução na produtividade da soja.

Isso exige atenção quanto ao seu monitoramento e ações de controle para evitar perdas maiores de produtividade na lavoura.

Mas você sabe como identificar as principais espécies de ácaros na soja? E como as amostragens de ácaros devem ser realizadas, bem como os danos causados por cada uma das principais espécies? Sabe fazer o manejo necessário para controlar as pragas na sua lavoura? 

Confira essa e outras informações a seguir!

O que são os ácaros na soja, afinal?

Os ácaros são aracnídeos, de tamanho pequeno e que podem se tornar um grande problema para as lavouras de soja.

As principais espécies de ácaros que ocorrem na soja pertencem à família Tetranychidae, incluindo:

  • Ácaro-rajado (Tetranychus urticae);
  • Ácaro-verde (Mononychellus planki);
  • Ácaro vermelho (Tetranychus desertorum, T. gigas e T. ludeni);
  • Ácaro-branco (Polyphagotarsonemus. latus).

Dessas espécies, o ácaro-rajado e o ácaro-verde são os ácaros mais encontrados nas lavouras. Mas as espécies podem variar de região para região e ano agrícola.

Os ácaros são consideradas pragas secundárias pois dependem das condições ambientais para que ocorram, no entanto, em condições favoráveis, atingem altas populações rapidamente, causando prejuízos significativos às lavouras de soja.

Quais as condições climáticas favoráveis a ocorrência de ácaros?

Essa resposta pode parecer óbvia, mas depende, pois em um cenário, em que espécies diferentes de ácaros tem causado problemas na soja, as condições ambientais de alta e baixa umidade relativa do ar podem favorecer uma ou outra espécie.

De modo geral, as principais espécies de ácaros, à exceção do ácaro-branco, são favorecidos por baixa umidade relativa do ar, associada a ocorrência de altas temperaturas, condições essas registradas em períodos de estiagem.

Essas condições aceleram não somente o ciclo dos ácaros-praga, mas também estimulam a sua alimentação, desfavorecendo por outro lado, importantes inimigos naturais, que manteriam a população de ácaros sob certo equilíbrio em condições favoráveis.

No Brasil, mais de 44 espécies de ácaros já foram relatados. Os primeiros relatos de danos ocorreram a partir da década de 1990, e desde então, danos são registrados safra após safra em diferentes regiões do país.

A maior ocorrência dos ácaros se dá por alguns motivos principais, incluindo:

  • aumento das áreas cultivadas;
  • uso de genótipos ou cultivares geneticamente modificados;
  • introdução de novos genótipos de soja;
  • ocorrência de veranicos ou secas prolongadas, associadas a altas temperaturas.

Mas quais são os danos causados pelos ácaros nas lavouras de soja? E como identificar esses pequenos aracnídeos que muitas vezes passam despercebidos aos nossos olhos?

Danos causados pelos ácaros na soja

Os ataques de ácaros em lavouras de soja podem ocorrer em diferentes momentos do desenvolvimento da cultura.

Inúmeros estudos indicam que boa parte das espécies é comumente encontrada na fase vegetativa e de enchimento de grãos, sendo favorecidos principalmente pelas condições climáticas.

Nas fases vegetativas, os ácaros prejudicam a atividade fotossintética da folha por causarem minúsculas pontuações que evoluem rapidamente para manchas contínuas. Isso influencia no crescimento e desenvolvimento das plantas.

Fios de seda característico do ácaro-rajado cobrindo o ponteiro da planta em soja em estádio reprodutivo
Fios de seda característico do ácaro-rajado cobrindo o ponteiro da planta em soja em estádio reprodutivo
(Fonte: Tamai et al., 2020)

A intensidade do ataque dos ácaros  varia de acordo com a espécie presente na lavoura.

Em áreas com a presença de ácaro-verde, por exemplo, as folhas de diferentes posições na planta podem apresentar intensidade de ataque semelhante entre si.

Já para áreas com ácaro-rajado, as folhas de uma mesma planta podem apresentar intensidades de ataques muito diferentes entre si. 

Esse pode ser um detalhe importante para auxiliar a diferenciar os ácaros no campo, apesar de ambas as espécies ocorrerem em reboleiras.

Apesar de não serem consideradas pragas primárias na maioria dos anos agrícolas, a presença de  ácaros na lavoura pode refletir em perdas acentuadas de produtividade.

Por isso, realizar o monitoramento constante da sua lavoura é fundamental para tomada de decisão a respeito do controle de ácaros.

O manejo preventivo é sempre a melhor saída, por isso utilize sementes de qualidade e realize o MIP (Manejo Integrado de Pragas).

Principais espécies de ácaros na soja 

Ácaro-verde

Os ácaros-verdes apresentam o corpo com coloração verde e pernas de cor amarelo-ouro.

Os ovos são depositados pela fêmea na superfície da folha, normalmente próximo às nervuras e possuem coloração variada de translúcida a branca.

O ataque dessa espécie ocorre em épocas de estiagem, na fase de enchimento de grãos. Normalmente, se concentra nas proximidades das nervuras e se distribui de acordo com a intensidade do ataque por toda a folha.

Ácaro-verde (Mononychellus planki) - ácaros na soja

Ácaro-verde (Mononychellus planki)
(Fonte: Agrolink)

Ácaro-rajado

O ácaro-rajado apresenta manchas dorsolaterais típicas em seu corpo, o que sugere o nome da espécie. 

Apresenta ainda setas dorsais mais longas e finas que as do ácaro-verde. 

Seus ovos são depositados pela fêmea na superfície da folha, normalmente próximo às nervuras, e tem coloração que varia de translúcida a branca. 

Essa espécie vive em colônias abrigadas sob sua teia em todas as fases de desenvolvimento.

O ataque dessa espécie também ocorre em épocas de estiagem e é bastante sensível à chuva.

Diferente do ácaro-verde, o ácaro-rajado se aloja nas plantas de forma concentrada, formando pequenas manchas.

Ácaro-rajado
Ácaro-rajado em diferentes colorações que podem ser encontradas na lavoura, padrão rajado (A) e padrão rajado (B)
(Fonte: Fasolin et al., 2015 )

Ácaro-vermelho 

Os ácaros-vermelhos apresentam o corpo com coloração vermelho-carmim que, com o passar da vida, pode se tornar vermelho-escuro.

Suas características morfológicas e hábitos se assemelham muito com o ácaro-rajado.

Ácaro-vermelho (Tetranychus ludeni)
(Fonte: Roggia, 2018 Yourlevyatwork)

Ácaro-branco

Diferentemente das demais espécies, o ácaro-branco é favorecido pela ocorrência de chuvas. Sua coloração é creme-brilhante em todas as fases de desenvolvimento.

São pequenos e difíceis de ser vistos a olho nu. Geralmente detectados apenas com lupa de aumento de pelo menos 20 vezes.

O principal diferencial entre esta espécie e as demais é a não produção de teias.

Normalmente, essa espécie ataca a face inferior de folhas novas em processo de expansão e, nas últimas safras, tem aparecido em diversas regiões de cultivo da soja.

Ácaro-branco (Polyphagotarsonemus latus) - ácaros na soja

Ácaro-branco (Polyphagotarsonemus latus)
(Fonte: Sosa-Gómez et al., 2014)

Como proteger a lavoura da soja dos ácaros?

Apesar de os ácaros serem considerados pragas secundárias na soja, eles vêm ganhando atenção em muitas regiões devido à instabilidade climática e ao uso intensivo de pesticidas, como inseticidas e acaricidas. 

Períodos prolongados de estiagem são muito favoráveis ao crescimento e desenvolvimento desta praga, e vêm sendo muito comum em algumas regiões do país nos últimos anos.

Além disso, a ausência de inimigos naturais, como ácaros benéficos (ácaros que predam ácaros-praga) e fungos (Neozygites floridana), é determinante para a ocorrência de surtos de ácaros nas lavouras. 

Por isso, a maneira mais efetiva de controlar os ácaros na soja é utilizar um manejo integrado de pragas e doenças, utilizando os defensivos de forma equilibrada, em doses adequadas, e de forma estratégica, prezando inclusive por aqueles de menor impacto aos inimigos naturais.

Manejos alternativos como controle biológico e cultural também são medidas importantes no controle da população de ácaros. 

Assim, você terá uma maior incidência de predadores naturais em sua lavoura, o que dificulta que os ácaros atinjam níveis de dano econômico.

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Controle químico

Existem alguns produtos disponíveis para o controle químico dos ácaros na cultura da soja, entre inseticidas com ação acaricida e acaricidas, que podem ser consultados no Sistema de Agrotóxicos Fitossanitários (Agrofit).

O controle de ácaros deve levar em consideração o manejo antirresistência e, para isso, é imprescindível a rotação de ingredientes ativos e a observação a campo do desempenho dos acaricidas utilizados no controle.

Para o ácaro-rajado, ainda, há a problemática da resistência. Mais informações sobre o manejo de resistência desta e demais pragas, com relatos ou atenção à sua resistência, podem ser consultados no Comitê de Ação à Resistência a Inseticidas (IRAC).

Acaricidas que contenham misturas, de abamectinas a outros grupos químicos, são frequentemente utilizados no manejo. 

Atualmente, existem mais de 44 produtos registrados para controle da cultura da soja, no caso do ácaro-rajado. Para o ácaro-branco, no entanto, a lista é mais restrita — são apenas oito.

Controle biológico

O controle biológico de ácaros com espécies como Phytoseiulus persimilis e Neoseiulus californicus é muito utilizado em outros países. 

No Agrofit é possível encontrar produtos registrados para o controle biológico – mais de 51 acaricidas classificados como microbiológicos, principalmente para o ácaro-rajado, a partir do fungo Beauveria bassiana.

Para encontrar os produtos disponíveis, é necessário clicar na aba produtos formulados (parte superior) e então em classe, e selecionar a opção Acaricidas Microbiológicos.

Controle cultural

Para evitar problemas com essas pragas, você precisa eliminar possíveis espécies hospedeiras. Nesse sentido, realize o controle dos ácaros ou sua eliminação após identificar a espécie que ocorre na sua lavoura. 

A rotação de culturas também pode ser uma alternativa para redução da população da praga. No entanto, é necessário conhecimento técnico sobre quais espécies não são hospedeiras da praga.

Conclusão

Os ácaros podem causar danos consideráveis à lavoura, podendo se tornar pragas primárias e resultando em menor produtividade da soja.

Neste artigo, você pôde conferir as características dos principais tipos de ácaros, assim como os problemas que eles podem causar.

O controle de ácaros deve seguir todas as recomendações do manejo antirresistência, para evitar a redução ou até mesmo a perda total da eficiência dos acaricidas disponíveis no mercado.

A rotação de ingredientes ativos e o uso de defensivos de forma estratégica (ou seja, quando necessário), baseado no monitoramento de pragas, priorizando o uso de acaricidas seletivos e de menor impacto aos inimigos naturais presentes na lavoura, são medidas necessárias e indispensáveis para um manejo preciso de ácaros.

>>Leia mais:

“Como identificar e realizar o controle de tripes em soja”

“Saiba tudo sobre o ácaro azul das pastagens, uma praga emergente no Brasil”

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Atualizado em 12 de junho de 2023 por Bruna Rhorig.

Bruna é agrônoma pela Universidade Federal da Fronteira Sul, mestra em fitossanidade pela Universidade Federal de Pelotas e doutoranda em fitotecnia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul na área de pós-colheita e sanidade vegetal.

Como livrar sua lavoura dos ataques do bicudo-da-soja

Bicudo-da-soja ou tamanduá-da-soja é uma das pragas que vêm ganhando importância na cultura. Conheça suas características, hábitos e formas de controle!

A expansão da cultura da soja tem contribuído para o aumento das pragas que antes eram consideradas secundárias.

Esse é o caso do bicudo-da-soja ou tamanduá-da-soja, que tem sido observado desde a década de 1980 na cultura.

Algumas mudanças no manejo fizeram com que essa praga se tornasse algo preocupante para os sojicultores de uns tempos para cá. 

Além disso, essa é uma praga de difícil controle, principalmente, por seu hábito nas plantas.

Por isso, separei algumas informações importantes para que você proteja sua lavoura do bicudo-da-soja. Confira a seguir!

Características do bicudo-da-soja

O bicudo-da-soja tem esse e outros nomes populares como tamanduá-da-soja. É um inseto da ordem Coleoptera e família Curculionidae, a qual tem como principal característica o rostro ou o “bico”, que deu origem ao nome popular da praga.

A espécie é Sternechus subsignatus e ataca a soja durante todo o ciclo da cultura.

Embora esteja causando grande alarme, é um inseto bem pequeno. Os adultos medem cerca de 8 mm de comprimento, são escuros e têm listras amarelas na cabeça e nos élitros, e as asas mais duras. 

Adulto do bicudo-da-soja
Adulto do bicudo-da-soja
(Fonte: Insetologia)

Normalmente, os adultos ficam em lugares mais estratégicos como na parte abaxial das folhas e em estruturas como hastes. Dependendo do horário do dia, podem procurar locais como folhagens ou restos de cultura no solo. 

As larvas medem cerca de 10 mm de comprimento, sendo brancas, sem pernas e com cabeça castanho-escura. Se desenvolvem dentro da haste principal da planta, na região do anelamento, em que são colocados os ovos pelas fêmeas. 

Ao final do período larval, nos últimos ínstares, os insetos vão para o solo e passam por um período de hibernação, ou seja, se mantêm inativos. Isso gera um problema no manejo, porque elas se localizam em profundidade de 5 cm a 10 cm. 

Larva de bicudo-da-soja na haste
Larva de bicudo-da-soja na haste
(Fonte: Embrapa)

Sintomas e danos

Atualmente, é possível encontrar o bicudo-da-soja causando danos em diversos estados do Brasil, principalmente em municípios de Santa Catarina, Paraná e Rio Grande do Sul. 

Tanto os adultos como as larvas causam danos na cultura da soja. O período mais crítico do ataque desses insetos é a fase inicial da cultura. 

Danos causados por adultos do bicudo-da-soja
(Fonte: Embrapa)

Os adultos fazem um tipo de “raspagem” da epiderme das hastes das plantas, o que faz com que o tecido vegetal fique com aspecto desfiado. E, devido à fragilidade das plantas, por ainda não terem uma estrutura bem lignificada, pode haver perda total da lavoura se houver presença de altas populações da praga.

A oviposição dos ovos é feita no anelamento das plantas. Quando as larvas eclodem, permanecem próximas ao local consumindo todo o conteúdo do tecido das plantas. Isso leva à formação de galhas caulinares, sintomas muito típicos de ataques do bicudo-da-soja. 

Essas galhas caulinares vão aumentando de tamanho conforme as larvas vão se desenvolvendo e, muitas vezes, ultrapassam o diâmetro das hastes ou dos ramos. 

Galha caulinar formada em haste da planta de soja devido ao ataque de larvas do bicudo-da-soja
Galha caulinar formada em haste da planta de soja devido ao ataque de larvas do bicudo-da-soja 
(Fonte: Embrapa)

Por serem canibais, é muito difícil encontrar mais de uma larva por galha. Por isso, as galhas ficam espalhadas pela planta dando proteção e condições para esses insetos se desenvolverem até o momento da hibernação. 

Além disso, os ataques normalmente acontecem em reboleiras e são mais intensos em áreas com plantio direto, justamente por dar condições ideais para os insetos se manterem na área. 

Como fazer o manejo do bicudo-da-soja

Como é possível perceber, o manejo do bicudo-da-soja não é tão simples devido aos hábitos dessa praga tanto na fase jovem quanto na fase adulta. 

A melhor recomendação é utilizar o Manejo Integrado de Pragas (MIP) para aplicar várias táticas que irão contribuir para a redução da população. 

É importante conhecer o histórico da região e entrar, desde antes do início do cultivo, com o monitoramento.

Monitoramento

O comportamento dessa praga é bastante característico, mas deve ser muito bem observado para que não ocorram surtos da população na fase mais crítica.

É muito recomendado que se faça amostragens na entressafra para observar se ainda existem insetos nas antigas fileiras de soja.

O ideal é que a cada 10 hectares sejam feitas 4 amostragens. O nível de controle para essa praga é de 0,4 adultos por metro de fileira de soja, quando as plantas de soja apresentarem entre duas (V2) e cinco (V5) folhas trifolioladas. 

Época de semeadura

Estudos realizados pela Embrapa Soja mostraram que, após o período pupal, os adultos costumam emergir no começo de novembro. Assim, ocorre um aumento populacional na segunda quinzena de dezembro.

Por isso, no momento da semeadura, é importante pensar no tratamento de sementes como aliado e a época em que se pode fazer o plantio. 

O tempo residual dos inseticidas utilizados para o controle do bicudo-da-soja deve ter eficiência para aguentar essa fase de maior população. 

Métodos de controle

Como existem algumas plantas não-hospedeiras do bicudo-da-soja, a rotação de culturas com plantas como milho, crotalária, sorgo, girassol e algodão é uma boa tática para evitar o aumento populacional na soja. 

Para melhorar a eficiência da rotação, as plantas não-hospedeiras podem ser rodeadas de plantas hospedeiras de preferência do bicudo. Essas plantas irão agir como cultura-armadilha

Essas culturas podem ser semeadas na bordadura da soja, cerca de 20 m e 30 m. 

Dessa maneira, ao atrair os insetos, pode-se utilizar dos inseticidas recomendados para o controle da praga. 

E o controle químico também poderá ser utilizado quando, após monitoramento, forem encontrados uma média de 0,4 adultos/m de fileira, como indicador para uso de inseticidas via aplicação foliar.

Existem 56 produtos registrados no Agrofit, site do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) para o controle químico do bicudo-da-soja.

captura da tela da página da Agrofit mostrando os produtos registrados para controle químico do bicudo-da-soja

O controle químico com inseticidas de contato costuma ser difícil devido ao hábito da praga. Por isso, os ingredientes ativos mais utilizados são dos grupos químicos dos organofosforados, neonicotinoides e pirazóis.  

Manejo de pragas por aplicativo

Por fim, vale destacar que você pode recorrer à tecnologia para operacionalizar com maior praticidade as estratégias de controle que mostrei neste artigo.

Um aplicativo como o Aegro permite que o monitoramento da lavoura seja planejado e registrado pelo celular, mesmo sem conexão com a internet. Desta forma, o histórico de pragas dos seus talhões fica seguro e organizado.

Após o registro das amostragens, o Aegro gera um mapa de calor que mostra a gravidade da infestação em cada ponto analisado.

Assim, você tem uma visão mais clara sobre a incidência do bicudo e consegue os aplicar diferentes métodos de controle apenas onde é realmente necessário.

Em suma, o uso desta tecnologia se reflete em menores custos com defensivos agrícolas e um manejo de pragas mais eficaz na sua plantação. Conheça agora a solução Aegro para MIP!

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Conclusão

Alguns insetos que antes eram pragas secundárias estão se tornando mais preocupantes para o sojicultor. 

Esse é o caso do bicudo-da-soja, que nos últimos anos se tornou uma praga recorrente em diversas lavouras brasileiras.

Os hábitos desse inseto facilitam sua entrada na lavoura e dificultam o manejo.

Mas existem algumas formas de controle seguindo as táticas do MIP que poderão te ajudar a proteger sua lavoura do bicudo, como o monitoramento acurado.

Espero que, com essas dicas, você possa ter eficiência no controle dessa praga em suas propriedades!

Você tem enfrentado problemas com o bicudo-da-soja nas últimas safras? Como tem feito o manejo?