About Jadiel Andognini

Sou engenheiro-agrônomo, formado no Centro de Ciências Agroveterinárias da Universidade do Estado de Santa Catarina, CAV-UDESC. Tenho mestrado em ciência do solo e atualmente sou doutorando no programa de pós-graduação em ciência do solo da mesma instituição.

5 passos para calcular o custo de produção do feijão por hectare

Custo de produção do feijão: entenda como calcular o custo com insumos, operações, transporte, armazenagem e mais!

Além de grande consumidor, o Brasil é um grande produtor do feijão. Ele está entre os cinco maiores do mundo.

Esse grão precisa de diversos cuidados e manejo que geram custos para quem produz. É necessário um bom planejamento e controle cuidadoso desses custos de produção. Assim, as despesas não vão superar a receita.

Neste artigo, veja o passo a passo para calcular o custo de produção e garantir uma lavoura mais rentável. Boa leitura!

Como calcular o custo de produção do feijão

O valor dos produtos e serviços necessários para produzir têm aumentado constantemente. É muito importante saber seus gastos por hectare. Assim, no final do ciclo da cultura, você não sairá no prejuízo.

Você deve somar todas as despesas, fixas e variáveis, de preferência com ajuda de planilhas e tecnologias. Essas ferramentas facilitarão o seu controle.

Veja agora todas as etapas para fazer esse cálculo.

1. Custo com insumos

Contabilize todos os insumos utilizados para a implantação e condução da cultura do feijão. Faça isso independente da tecnologia que você usa.

Os valores de muitos insumos são reajustados pela variação da cotação do dólar. Analisar esses custos é fundamental na hora de decidir o quanto, onde e quando plantar. Para você produzir uma lavoura de feijão, vai precisar de muitos insumos. 

Como essa é uma cultura sensível à competição, a lavoura necessita de controle eficiente de plantas daninhas. Inicialmente, você também precisa adquirir sementes, sejam elas tecnológicas ou convencionais.

É comum produtores pequenos salvarem a sua própria semente, mas isso tem um custo que não pode ser ignorado. Fique sempre de olho nas normas para sementes salvas no Ministério da Agricultura. Para a condução de uma lavoura de feijão, os seguintes insumos são essenciais:

  • Sementes;
  • Produtos para tratamento de semente;
  • Herbicidas;
  • Fungicidas;
  • Inseticidas;
  • Óleos e adjuvantes;
  • Corretivos e fertilizantes (orgânicos ou minerais);
  • Inoculante;

Cálculo de sementes de feijão por hectare

  1. Através da densidade de plantio, você sabe a quantidade de sementes que deve ser utilizada em um hectare;
  2. Use o preço por kg ou saca de sementes e transforme isso para um hectare;
  3. Multiplique o preço pela quantidade de sementes por hectare (em kg ou sc).

Cálculo de fertilizantes de feijão por hectare

Para os fertilizantes, use a mesma lógica do cálculo de sementes. 

  1. Multiplique o preço do produto (por kg) pela quantidade (em kg) utilizada por hectare.
  2. Multiplique o valor da tonelada de corretivo pela quantidade usada por hectare (em tonelada). Se for o caso, divida pela quantidade de safras até a próxima correção.

Para correção do solo, você pode fazer o rateio entre as safras em que a correção se mantém.

Cálculo de agroquímicos no feijão por hectare

  1. Saiba a quantidade de cada produto utilizada por hectare no decorrer da safra;
  2. Multiplique pelo valor do produto.

Como exemplo, se você utilizou 0,5L de abamectina em um hectare, o valor do produto é de 30 reais por litro. 

Multiplique 30 (valor por litro) por 0,5 (quantidade usada por hectare). Seu custo por hectare com esse produto foi de 15 reais. Agora, basta organizar e calcular todos esses custos. Em vez de fazer esses cálculos em um caderno, você pode contar com a tecnologia.

Foto de uma tabela de computador, com opções de descrever os insumos, unidade, quantidade e preço

Modelo de planilha para cálculo do custo de insumos por hectare

Com tecnologia, você não precisa perder muito tempo. Além disso, pode garantir que os cálculos estão todos corretos. Separamos para você uma planilha grátis de cálculo de custo com insumos por hectare! Você pode baixar clicando na imagem abaixo:

Planilha de custos dos insumos da lavoura

2. Custo com operações

Esse é basicamente o custo que você tem para aplicar os insumos na lavoura.

Nessa conta, entram os custos de:

Organizada a lista de todas as operações necessárias, você calculará o custo delas. Caso as operações sejam terceirizadas, esse cálculo é mais simples. Se você utilizar maquinário próprio, deve considerar diversos fatores:

  • Combustível (valor combustível x consumo por hora x horas por hectare);
  • Manutenção (valor médio por safra / hectares cultivados);
  • Depreciação ou desvalorização.

Para calcular a depreciação das suas máquinas, você pode usar a seguinte fórmula:

  • Depreciação anual = (valor de compra — valor residual ao final da vida útil) / anos de vida útil

O cálculo de depreciação de máquinas pode ser mais simples com a ajuda da nossa planilha gratuita! Clique na imagem abaixo para baixar:

Cada hora trabalhada tem um custo, saiba organizar suas despesas.

Use os custos de manutenção, a depreciação da máquina e custo com combustível. Divida isso pelos hectares cultivados. Esses custos são bastante variáveis. Você deve adaptar tudo de acordo com as condições da sua região.

3. Mão de obra

A mão de obra representa um custo na sua fazenda. Ela deve ser contabilizada, seja ela contratada ou familiar.  Se a mão de obra for contratada, inclua na planilha de custos os salários pagos por safra e todos os impostos inclusos.

Caso somente a família trabalhe na lavoura, você pode calcular da seguinte maneira:

  • Estipule um salário por hora trabalhada para cada membro da família ou funcionário;
  • Multiplique as horas totais trabalhadas pelo valor estimado.

Neste campo de custos, você também pode colocar o gasto com assistência técnica, caso haja.

4. Custos financeiros

O cálculo de custos financeiros por hectare deve ser feito quando você tem:

  • juros a pagar referente ao custeio da safra;
  • juros de financiamentos de máquinas e implementos;
  • custo de oportunidade (o lucro que você deixa de ganhar caso use a área com outra atividade).

5. Transporte/Armazenagem

O ideal é que os custos da pós-colheita sejam lançados separadamente dos demais. Esses custos incluem desde o transporte do grão até as despesas com secagem e armazenamento. A pós-colheita do feijão é bastante crítica. Afinal, a maior parte da produção é destinada ao consumo “in natura”.

Se o transporte do campo ao armazém for fretado, faça a seguinte conta:

  • Verifique a quantidade de horas das operações e o preço pago por hora;
  • Divida tudo pelo número de hectares.

O armazém pode ser próprio ou alugado. Se for próprio, você deve saber qual o custo do armazém, e dividir isso pelos hectares cultivados. A locação de espaço em armazém facilita o cálculo. Se esse for seu caso, apenas divida o valor cobrado pelos hectares cultivados.

É importante que a armazenagem dos grãos de feijão seja feita de forma eficaz. O local deve ter secador eficiente e um silo adaptado a esses grãos. 

Isso pode gerar um custo diferente dos grãos mais comuns (milho e soja). Esteja sempre de olho em todos os detalhes para garantir seus lucros.

Como calcular o custo de produção do feijão com software?

Muitas vezes, quem produz esquece o caderno de anotações no escritório e deixa de anotar alguns gastos. A desvantagem disso é nunca conseguir definir e entender bem os custos de produção, o que pode tornar o planejamento financeiro incerto.

Ferramentas de gestão como o software agrícola Aegro te ajudam muito nesse momento, já que cálculos ficam mais automatizados. Com essas ferramentas, você pode inserir os gastos pelo celular.

Além disso, o próprio sistema gera automaticamente gráficos e tabelas que facilitam seu entendimento e visualização:

gif que mostra a tela de custo realizado do software de gestão rural Aegro

Agora que você já sabe qual o seu custo de produção e tem tudo contabilizado, fica mais fácil definir qual será sua margem de lucro. Assim, você pode definir qual a produtividade e preço por saca de feijão necessários para chegar na sua meta.

Custo de produção agrícola: Controle tudo pelo Aegro!

Conclusão

É muito importante ter a noção do seu custo para produzir um hectare de feijão.

Para controlar esses custos, lembre-se de separar as atividades por tipo de gasto. Insumos, máquinas, operações, transporte e armazenamento devem ser calculados separadamente.

O planejamento é essencial para manter a saúde financeira da propriedade. E não se esqueça de que você sempre pode contar com a tecnologia e com planilhas nesses momentos.

>> Leia mais: Previsão para o preço do feijão: saiba quais são as expectativas

Você sabe qual é o custo de produção do feijão por hectare na sua propriedade? Deixe um comentário contando como você se organiza!

Capim-rabo-de-burro na lavoura? Veja como se livrar dessa planta daninha

Capim-rabo-de-burro: entenda como identificar, quais os danos ele causa e os melhores métodos de controle para eliminar a daninha

A presença de plantas daninhas reduz a produtividade das culturas. Afinal, elas competem por recursos e podem ser hospedeiras de doenças e pragas.

O capim-rabo-de-burro é conhecido por diversos nomes. Em todos os casos, causa sérios danos às culturas se não for manejado corretamente! Ainda, essa planta daninha pode ser hospedeira de pragas importantes, como a cochonilha.

Quer ver como eliminar o capim-rabo-de-burro da sua lavoura? Então, não deixe de ler este artigo. Confira!

Capim-rabo-de-burro: principais características

O capim-rabo-de-burro é conhecido de diversas formas: capim-vassoura, capim-de-bezerra, capim-peba, etc.

A planta tem uma estrutura que lembra plumas. Essas plumas e a estrutura da planta continuam retas mesmo depois do secamento, mas em uma coloração mais próxima do marrom palha.

Ela é muito rústica e adaptável. Essas características facilitam que ela sobreviva e se espalhe pela lavoura.

Normalmente, as duas diferentes espécies do capim-rabo-de-burro surgem juntas nas lavouras. 

Em áreas sem interferência humana (beira de estradas e de açudes), predomina a Andropogon bicornis.

Essa daninha tem porte alto e reto, e atinge até dois metros de altura. 

Capim-rabo-de-burro desenvolvida, com plumas grandes e eretas.

Planta daninha capim-rabo-de-burro

(Fonte: Wikipedia)

A daninha pode se propagar por sementes ou rizoma. Isso dificulta seu controle nas lavouras. 

Além disso, ela pode se reproduzir durante o ano todo.

Ocorrência em lavouras

O capim-rabo-de-burro pode causar grande interferência na sua lavoura se não for manejado corretamente.

A planta produz muitas sementes que se dispersam com facilidade. Além disso, ela se reproduz por touceiras.

Como as demais plantas daninhas, compete por água, luz e nutrientes com sua lavoura. Sua grande massa e porte alto causam uma grande sombra na cultura.

Como ocorre em todas as regiões e épocas, é uma daninha de todas as culturas. Fique de olho e não deixe essa planta se propagar na sua área.

Foto da planta daninha capim-rabo-de-burro na lavoura de soja. É possível ver as plumas marrons/amareladas da planta se sobressaírem na lavoura.

Capim-rabo-de-burro em lavoura de soja

(Fonte: Up.Herb)

Quando as áreas já estão infestadas por ela, as causas podem ser o manejo inadequado do solo e da própria área

Se você detectar muito tarde, os danos são ainda maiores. Afinal, o poder de infestação dessa planta é muito grande.

A disseminação é fácil na colheita, através da colheitadeira. Preste muita atenção para evitar a espécie nessa época.

As áreas periféricas da lavoura, como barrancos e beira de estradas também merecem atenção. Normalmente, nessas áreas está o início da infestação do capim-rabo-de-burro.

Danos causados pelo capim-rabo-de-burro

Essa planta pode ser hospedeira de doenças e pragas, principalmente de percevejos.

Dentre os percevejos, as principais espécies que sobrevivem nessa planta daninha são:

Monitore essas plantas durante o MIP (Manejo Integrado de Pragas). Assim, você reduz a pressão de pragas no início do desenvolvimento da sua cultura.

Aqui no blog temos uma planilha que te ajuda no controle do MIP em sua lavoura. Clique na imagem a seguir para baixar gratuitamente:

planilha manejo integrado de pragas

Como controlar o capim-rabo-de-burro

Independente do tamanho de sua lavoura, você precisa eliminar as plantas daninhas para que elas não tragam prejuízos.

O manejo pode ser preventivo, manual ou químico.

Controle preventivo

A primeira forma de eliminar plantas daninhas é o controle não químico. Ele consiste na limpeza das áreas ao redor de sua lavoura.

Monitore:

  • as divisas;
  • os barrancos;
  • as bordas dos capões de mato;
  • as beiras de estradas

Se você perceber a planta daninha em alguma dessas áreas, é preciso arrancar as plantas.

Controle manual

Ao detectar o capim na lavoura, inicie a sua eliminação imediatamente.

Arranque-as com touceira e raiz. Caso a infestação seja muito alta, o trabalho manual será inviável. Assim, uma aração poderá ser cogitada.

Veja no vídeo a seguir como o controle manual é efetivo na eliminação do capim rabo de burro:

Capim RABO de BURRO | enxadão a melhor solução |

Evite deixar a lavoura em pousio. Mantenha sempre alguma cultura ou cobertura para dificultar o desenvolvimento da daninha. 

O custo para o controle no futuro pode superar o custo de implantação da cobertura.

Controle químico

Quando a invasora estiver pequena, os herbicidas sistêmicos e de contato têm bom controle. O mesmo efeito não acontecerá quando a daninha estiver grande.

Para o controle da planta, existem indicações de uso de glifosato em dose maior de 1,8 kg por hectare

Mesmo assim, o controle será próximo de 80% nos estádios iniciais de desenvolvimento.

Em lavouras, mesmo com essa dose, o controle de espécies adultas não é eficiente.

Época de aplicação

Aplique os agroquímicos quando as plantas estiverem no estágio inicial de desenvolvimento.

Foto da planta capim-rabo-de-burro no começo do desenvolvimento. A planta tem aspecto de capim comum.

Capim rabo de burro em estádio inicial de desenvolvimento

(Fonte: Cotriel)

Há a cultura da aplicação do glifosato na primavera, na pré-safra da cultura de verão. 

No entanto, esse é um momento em que as plantas estão perenizadas inativas por causa do inverno.

Aplique os herbicidas após a colheita da cultura de verão. Nesse período, a planta daninha estará mais vulnerável.

Siga as instruções para proceder com esse manejo:

  • Espere a planta rebrotar após o corte com a colheitadeira;
  • Pulverize antes das geadas (se estiver em áreas propícias);
  • Associe glifosato com graminicidas;
  • Se necessário, faça aplicação sequencial com Paraquate;
  • Use a dose superior indicada para cada herbicida.
Banner de chamada para o download da planilha de cálculos de insumos

Conclusão

O capim-rabo-de-burro é uma daninha que ocorre durante o ano todo.

Arrancar as plantas é uma forma muito eficiente de controlar essa daninha. O controle químico com glifosato + graminicida deve ser realizado no pós-colheita.

Lembre-se de usar a dose máxima recomendada para o herbicida. Se necessário, faça aplicação sequencial com outro ingrediente ativo.

Agora, você já pode realizar o planejamento de sua safra com as melhores técnicas para o controle do capim-rabo-de-burro.

Você já teve sua lavoura infestada com capim-rabo-de-burro? Como está o seu manejo de plantas daninhas? Deixe seu comentário!

Como a tecnologia Enlist na soja pode tornar sua lavoura mais produtiva

Tecnologia Enlist na soja: saiba o que ela traz de novo para o mercado, suas vantagens e desvantagens, marcas disponíveis e muito mais! 

O mercado das commodities agrícolas se moderniza ano após ano.

A demanda pelo uso de outros herbicidas além do glifosato abriu mercado para o surgimento da soja resistente à outros mecanismos de ação. 

Além disso, uma das melhores formas de manejo da lavoura é o uso de cultivares mais resistentes.

Nesse artigo, você conhecerá a tecnologia Enlist na soja. Ela promete soluções inovadoras na sua lavoura. Acompanhe!

O que é a tecnologia Enlist na soja?

A tecnologia Enlist é um sistema que engloba vários herbicidas e as sementes de soja com a tecnologia.

A empresa Corteva Agriscience desenvolveu a tecnologia pensando em plantas que ficaram resistentes ao glifosato, após uso excessivo do herbicida.

Plantas como buva, capim-amargoso e tiririca são um desafio para quem produz. Essa tecnologia surge como mais uma opção de manejo.

Foto de lavoura de soja infestada com plantas daninhas altas

Lavoura de soja infestada com plantas daninhas

(Fonte: Pioneer)

Quais herbicidas utilizar com a tecnologia Enlist na soja

A tecnologia Enlist permite que você use três herbicidas em lavouras com soja já emergida:

A Enlist  tem sido associada a materiais de alta produtividade, e ainda pode ser aliada às outras tecnologias como a soja Bt. 

Além disso, pode ser uma boa opção para o controle de algumas pragas.

Sistema de herbicidas da tecnologia Enlist

Esse portfólio reúne inovação em sementes, formulações químicas, manejo de plantas daninhas e insetos. Vale lembrar que você pode utilizar outros herbicidas com a tecnologia Enlist.

Os dois herbicidas do sistema Enlist são indicados para a soja quem tem a nova tecnologia.

1. Enlist Colex-D 

É um concentrado solúvel sistêmico, que tem como ingrediente ativo o 2,4-D sal de Colina.

Aplique para o controle de plantas daninhas de folha larga na soja Enlist. Você pode fazer isso tanto em pré como em pós emergência.

Em pré-emergência, pulverize nos estádios iniciais de desenvolvimento (até 4 folhas) e anterior ao florescimento das plantas daninhas.

No período pós-emergência, aplique o Enlist Colex-D no estádio de desenvolvimento da soja V2, V3 ou até R2. 

2. EnlistDuo Colex-D

É um herbicida sistêmico. Seus ingredientes ativos são uma mistura pronta de 2,4-D sal de colina e glifosato sal dimetilamina.

Use em pré e pós-emergência da soja Enlist.

Você terá os melhores resultados aplicando nas mesmas condições e épocas do Enlist Colex-D.

Faça no máximo 2 aplicações em pré-emergência e 2 aplicações em pós emergência.

Esquema que mostra a época de aplicação dos herbicidas Enlist. A aplicação deve ser feita antes da emergênca, e entre os estádios V2 e R2

Época de aplicação dos herbicidas Enlist

(Fonte: DocPlayer)

Lembre-se de verificar as doses e as plantas indicadas na bula do produto.

Sempre siga o receituário agronômico e todas as normas de segurança para fazer as aplicações.

O Colex-D  é uma tecnologia inovadora e exclusiva presente nesses produtos.

Veja quais são as vantagens dessa tecnologia:

  • Confere baixa volatilidade dos herbicidas;
  • Redução considerável da deriva na aplicação;
  • Maior facilidade no manuseio do produto;
  • Menor odor.

Sementes de soja da tecnologia Enlist

Atualmente existe a soja Enlist E3 e a Enlist Conkesta E3

A grande vantagem dessas sojas é a melhora no controle de daninhas. Afinal, há uma grande possibilidade do uso de mais ingredientes ativos.

O manejo de resistência de plantas daninhas e controle de plantas voluntárias pode ser feito de forma mais eficaz.

Na safra 21/22, 14 variedades de soja com essa tecnologia foram liberadas para o plantio. 

A previsão para a próxima safra (22/23) é de 33 variedades.

Foto da embalagem de sementes com tecnologia Enlist na soja. A embalagem é retangular, nas cores verde escuro, amarelo mostarda e branco. A marca é Iberá sementes.

Sementes de soja com tecnologia Enlist E3

(Fonte: Ibera)

1. Soja Enlist E3

Essa soja é tolerante aos herbicidas Enlist Colex-D, glifosato e glufosinato de amônio. Ela combina genética de alta produtividade com um melhor manejo das principais plantas daninhas que preocupam sojicultores.

2. Soja Conkesta E3

As variedades de soja Conkesta E3 possuem outra tecnologia além da tolerância aos herbicidas Enlist Colex-D, glifosato e glufosinato de amônio.

Além de muito produtiva, ela auxilia no manejo de lagartas.

A soja Conkesta E3 tem proteínas Bt, e protege contra as seguintes lagartas:

  • Lagarta-da-soja;
  • Lagarta-falsa-medideira;
  • Lagarta-elasmo;
  • Lagarta-das-maçãs;
  • Lagarta-helicoverpa.

Essa tecnologia protege moderadamente a soja das seguintes lagartas:

  • Lagarta-preta;
  • Lagarta-das-folhas.

Como qualquer outra soja Bt, é necessário que você plante o refúgio, para proteção da tecnologia.

Se optar pela soja Conkesta E3, poderá usar variedades Enlist E3 como refúgio.

Essa prática é de extrema importância dentro do Manejo Integrado de Pragas. Além disso, ela faz com que a durabilidade das tecnologias seja prolongada.

Esquema de como adotar o refúgio na lavoura, para melhorar o uso da tecnologia Enlist na soja. É possível deixar uma borda em refúgio, faixas ou blocos.

Diferentes maneiras de plantar refúgio na lavoura

(Fonte: Boas Práticas Agronômicas)

Marcas de soja com tecnologia Enlist

As variedades com essa tecnologia serão comercializadas inicialmente nas seguintes marcas de sementes:

  • Brasmax;
  • Donmario; 
  • Neogen;
  • NK;
  • Nidera Sementes;
  • Syngenta;
  • Stine;
  • TMG;
  • HO Genética;
  • Cordius;
  • Brevant Sementes;
  • Pioneer.

Vantagens e desvantagens 

Essa nova tecnologia ainda é recente. É necessário ao menos terminar a primeira safra para listar as vantagens e desvantagens.

Até então, saiba que é mais uma ferramenta para o manejo integrado de plantas daninhas e de pragas.

O preço desses novos produtos pode ser listado inicialmente como uma desvantagem, por serem altos. 

No entanto, a tendência é que com o decorrer do tempo passe a ser mais acessível. As vantagens são inúmeras, como maior proteção contra daninhas e algumas pragas.

Banner de chamada para o kit de sucesso da lavoura campeã de produtividade

Conclusão

A nova tecnologia Enlist soja foi lançada para a safra 21/22. Ela promete muitas vantagens para quem produz o grão.

As sementes de soja são resistentes a três ingredientes ativos de herbicidas, além de algumas pragas.

Planeje adequadamente a sua próxima safra, e avalie a necessidade da utilização dessa nova tecnologia. Use com inteligência para obter resultados positivos.

Restou alguma dúvida sobre a tecnologia Enlist na soja? Você já está utilizando esse sistema na sua lavoura nesta safra? Adorarei ver seu comentário!

Saiba como calcular o custo de produção de arroz por hectare

Custo de produção de arroz por hectare: Saiba como montar um planejamento de custos e tornar sua lavoura mais eficiente e rentável

A cultura do arroz é muito importante para o Brasil, em termos de valor econômico e social.

A inflação, mudanças do câmbio monetário e outras alterações no mercado modificam os custos de produção e o preço de venda dos grãos.

Por isso, é indispensável um bom planejamento e controle de custo de produção para haver retorno econômico.

Neste artigo, saiba como controlar os custos por hectare e garanta mais rentabilidade da sua lavoura. Confira!

Como calcular o custo de produção de arroz por hectare?

Você deve ter uma ideia do seu gasto e do seu ganho com a lavoura de arroz. No entanto, é comum que gestores não saibam precisamente o custo de produção por hectare.

O cálculo exige muita organização. Você deve calcular a soma de todas as despesas fixas e variáveis criadas para implantar e manejar a lavoura.

Veja uma lista das despesas que devem entrar no cálculo do custo de produção de arroz.

1. Insumos para a produção

Para muitos, é a parte mais simples da equação. No entanto, não é tão simples quanto parece. 

Além de somar tudo que foi investido para implantar a lavoura, você deve saber o que foi realmente utilizado.

Sementes

Através da densidade de plantio, você sabe a quantidade de sementes que deve ser utilizada num hectare.

Calcule o preço por kg de sementes e transforme isso para um hectare. Multiplique o preço por kg e a quantidade de sementes por hectare (em kg).

Correção e Fertilização

Utilize a mesma lógica do cálculo para o custo de sementes.

O custo com calcário pode ser calculado descontado numa única safra. Também pode ser diluído nos anos em que dura o efeito da calagem.

Para uma safra, essa conta é realizada multiplicando o preço da tonelada do calcário pela quantidade a ser aplicada em um hectare

Se desejar diluir por mais safras, divida o valor de custo por hectare pelos anos de duração do efeito da correção.

O cálculo da adubação do arroz deve ser realizado por safra. Afinal, a adubação é feita anualmente.

Para este cálculo, você deve multiplicar o valor do kg de fertilizantes (seja ele individual ou NPK) pela quantidade aplicada por hectare.

Agrotóxicos

Aqui você irá calcular o custo de todos os defensivos utilizados na safra, utilizados no pré e pós plantio, até a colheita.

Tome cuidado ao realizar essa conta, porque é fácil se perder nela.

Use no cálculo a quantidade de produto comercial utilizada por hectare (em litros ou kg) e multiplique pelo valor do litro do produto.

Custo de produção agrícola: Controle tudo pelo Aegro!

Reduza em mais de 40% os seus custos e tenha um planejamento mais eficiente com o Aegro.

2. Operações

O gasto com operações é um pouco mais complexo. O uso de insumos está atrelado a uma ou mais operações.

O valor do insumo também conta a operação para aplicação.

As operações de preparo do solo no cultivo de arroz são muito variáveis. Elas dependem do sistema de cultivo que você utiliza.

As operações demandadas no cultivo de arroz são:

  • plantio convencional: aração, gradagem e operações de semeadura e aplicação de defensivos;
  • plantio direto: semeadura e operações com defensivos;
  • pré-germinado: aração, enxada rotativa para formação de lama, nivelamento, alisamento, semeadura e aplicação de defensivos.

As operações mecânicas para a implantação ou manutenção do sistema de irrigação também devem ser contabilizadas.

Calculando os custos de operação

Use a quantidade de horas para cada atividade.

Separe as atividades uma a uma. Assim, seu controle será mais efetivo, e você saberá onde há espaço para melhorar a performance e reduzir custos.

Listadas as operações demandadas para a implantação e condução da lavoura, calcule o custo de cada uma.

Caso as suas operações sejam realizadas com maquinário alugado, a organização dos custos é simplificada. Entretanto, se você usa maquinário próprio, são diversos fatores a considerar.

Cada hora trabalhada tem um custo. 

Considere a manutenção do equipamento, a depreciação ou desvalorização da máquina e o valor do combustível multiplicado pelo consumo por hora. Divida pelos hectares cultivados.

O cálculo de depreciação de máquinas pode ser facilitado com a ajuda dessa planilha gratuita! Clique na imagem abaixo para baixar:

Na manutenção, considere uma média do valor das manutenções necessárias por safra. Quanto mais detalhado, melhor!

A depreciação anual pode ser calculada pela fórmula:

Depreciação anual = (valor de compra – valor residual ao final da vida útil) / anos de Nvida útil

Você pode calcular essa depreciação por horas de vida útil. Basta saber a média de horas em que o equipamento é usado por ano ou safra.

Esses custos são bastante variáveis. Você deve adaptar tudo de acordo com as condições da sua região.

3. Mão de obra

Seja funcionário contratado, você mesmo ou um membro da família, a mão de obra representa um custo. Por isso, você deve contabilizá-lo.

Caso a mão de obra seja contratada, você colocará na planilha o salário por safra. Coloque também todos os impostos embutidos nos funcionários.

É muito comum nas lavouras de arroz utilizar mão de obra familiar

Mas não se esqueça: a lavoura é o seu negócio, e qualquer pessoa que trabalhar com você (e até você) deve receber por isso.

Funcionário do campo fazendo manejo da água em arroz irrigado

(Fonte: Planeta Arroz)

O cálculo pode ser feito estipulando um salário por hora trabalhada para cada membro da família ou funcionário. Ao final, multiplicam-se as horas totais trabalhadas pelo valor estimado.

Você também pode somar aqui os custos da assistência técnica.

4. Custos financeiros

Nesse item, você poderá inserir:

  • juros cobrados referente ao custeio da safra;
  • juros de financiamentos de aquisição de máquinas e implementos;
  • custo de oportunidade (o lucro que você deixa de ganhar caso use a área com outra atividade).

5. Transporte e armazenagem

Os custos de colheita podem ser inseridos em custos operacionais e de mão de obra. No entanto, o transporte deve ser separado.

A logística de colheita de arroz é delicada, e o produto deve ir para a armazenagem o mais rápido possível

Se o transporte for fretado, verifique a quantidade de horas das operações e o preço pago por hora. Divida tudo pelo número de hectares.

O custo de armazenagem varia se: tiver silo próprio ou alugar estrutura de armazenamento.

A contabilização do aluguel facilita o cálculo

Utilize o valor gasto para armazenar a produção total, dividido pelo número de hectares produzidos.

Se você trabalhar com silo próprio, deve utilizar no cálculo o investimento inicial, dividido pelos anos de retorno de investimento

Some com os custos de manutenção da estrutura de armazenagem, dividido pelos hectares colhidos e armazenados.

Conclusão

O custo de produção de arroz por hectare varia conforme a região.

Neste artigo, você viu que pode calcular de maneira simplificada separando os custos de sua lavoura em cinco categorias.

Faça um planejamento antes de iniciar a safra e utilize a tecnologia disponível. Dessa maneira, tudo ficará mais fácil e a sua gestão mais eficiente.

Com essas informações em mãos, a sua produtividade e rentabilidade serão maiores!

Como você controla os custos de produção do arroz por hectare? Conte-nos suas dificuldades e seus acertos. Adoraria ler seu comentário!

Como cultivar e garantir lucros com a cevada como cultura de inverno

Cevada como cultura de inverno: conheça a importância, onde e como cultivar, nutrição, manejo de pragas, doenças, daninhas e muito mais!

O cultivo da cevada vem ganhando força na safra de inverno, como fonte de renda alternativa.

Essa espécie ainda é pouco explorada, mas tem grande potencial econômico.

Antes de cultivar, saber como evitar as doenças das culturas de inverno e fazer o manejo correto é essencial. Assim, você garante a produtividade do grão.

Neste artigo, você saberá mais sobre como cultivar o grão e terá muitas outras informações. Confira!

Características gerais da cevada 

A cevada é uma planta típica de inverno.

Ela precisa de períodos frios para se desenvolver, e não se adapta a qualquer região. A região Sul do Brasil possui os requisitos ideais para o desenvolvimento da cevada.

O período de cultivo no Sul é entre junho e novembro. Em São Paulo, Goiás e Minas Gerais, pode ser produzida entre maio e setembro.

A germinação leva de um a três dias, e o ciclo total dura 110 dias.

Foto aproximada de espigas de cevada na lavoura

Espigas de cevada com aquênios ovalados

(Fonte: Embrapa)

É uma das culturas mais cultivadas no mundo, com área plantada de mais de 50 milhões de hectares.

Para 2022, há expectativa de produção de 427,5 mil toneladas de grãos.

A planta é utilizada principalmente como:

  • fonte de nutrientes para animais (forragem e ração);
  • alimentação humana (farinha);
  • matéria-prima da indústria cervejeira (malte).

No Brasil, a malteação é o principal uso e o maior potencial econômico da cevada. Afinal, o país produz 30% da demanda da indústria cervejeira.

Cevada como oportunidade de renda

A produtividade da cevada gira em média de 4000 kg/ha. Há um potencial produtivo de mais de 5000.

Segundo pesquisador da Embrapa trigo, os preços podem variar de 120% a 135% do preço do trigo pão quando houver boa qualidade de grãos.

A rentabilidade tende a aumentar se houver mais de 85% dos grãos na classe 1. Além disso, deve chegar a 150% a mais que o preço do trigo.

O Brasil é um dos maiores mercados consumidores de cerveja no mundo. Por isso, absorve cerca de 70% dos grãos para malteação.

Foto de grãos de cevada maltados. Dos grãos, saem pequenos fiapos claros.

Grãos de cevada maltados

(Fonte: HominiLupulo)

Quando não atende à demanda das cervejarias, a cevada é destinada para ração animal. Essa indústria absorve 30% da produção.

A cervejaria Ambev, uma das maiores do mundo, anunciou em 2021 que incentivará a produção de cevada em Santa Catarina.

A empresa fornece a semente e possui contratos de venda garantida para o produtor. 

A expectativa da empresa é haver oferta de 2000 hectares nos próximos anos. Isso é muito mais que os atuais 500 hectares aproximados.

Por ser um mercado pouco explorado, o cultivo da cevada pode te render grandes lucros. Além disso, a cultura trará benefícios à sua lavoura, como a proteção do solo no inverno. 

Cultivo da cevada como cultura de inverno

Cultive a cevada nas estações mais frias (outono e inverno).

Planeje a sua safra de acordo com as perspectivas para a lavoura. A cevada para grãos ou para malte requerem algumas particularidades.

De acordo com o zoneamento agroclimático, a cevada de sequeiro para malte é produzida em:

  • Santa Catarina;
  • Paraná;
  • Rio Grande do Sul.

O cultivo sob irrigação é indicado para os estados:

  • São Paulo;
  • Minas Gerais;
  • Goiás;
  • Distrito Federal.

Semeadura

Semeie em solo com pH e nutrientes corrigidos de acordo com a recomendação regional. Dê preferência para o sistema de plantio direto.

Utilize densidade de semeadura para estabelecer uma população de 250 plantas/m², ou 2.500.000 plantas/ha. O espaçamento entre linhas deve ser entre 15 cm e 20 cm.

Foto aproximada de plântulas da cevada na lavoura, sobre palha.

Plântulas de cevada na lavoura

(Fonte: Embrapa)

Uma cultivar com alta capacidade de perfilhamento pode ser plantada com até 30 cm com a mesma densidade de plantas.

Utilize a profundidade de 3 cm a 5 cm, depositando as sementes uniformemente.

Nutrição

A cevada é suscetível à acidez. Utilize calcário para elevar o pH do solo para 5,5 – 6,0. Essa prática também coloca cálcio e magnésio no solo.

A dose de nitrogênio varia de acordo com a quantidade de matéria orgânica no solo. Ela também varia de acordo com a cultura anterior e expectativa de rendimento.

Aplique entre 15 kg e 20 kg de nitrogênio por hectare na semeadura. O restante deve ser aplicado em cobertura entre os estádios de afilhamento e alongamento. 

Reduza a dose de cobertura em cultivares suscetíveis ao acamamento.

Doses maiores que 40 kg de nitrogênio por hectare podem ter a cobertura dividida em duas: 

  • no início do afilhamento;
  • e o restante no início do alongamento.

É necessário usar redutor de crescimento em alguns cultivares. Aplique dose de 0,4 L/ha do produto Moddus quando visualizar o primeiro nó no colmo principal.

As quantidades de fósforo e potássio são determinadas em função de dois fatores: 

  • seu teor no solo;
  • expectativa de rendimento da cultura.

Faça a interpretação da análise de solo e considere aspectos financeiros para determinar a dose e fontes de fósforo e potássio utilizar.

Manejo integrado

Dê preferência a áreas sem gramíneas no último ano, com prática do manejo integrado de pragas, doenças e plantas daninhas.

Quando for escolher a sequência de espécies para usar na rotação de culturas, considere:

  • Aspectos técnicos: fertilidade exigida, suscetibilidade a pragas e doenças, controle de plantas daninhas, disponibilidade de equipamentos adequados;
  • Aspectos econômicos: expectativa de produção, custo de produção e preço de venda.

No sul do Brasil, as espécies recomendadas para um período de três anos envolve a sequência (cultura de inverno/verão): 

  1. aveia/soja;
  2. cevada/soja e leguminosa;
  3. nabo forrageiro/milho.

Com a rotação de culturas, haverá menor incidência de doenças, pragas e plantas daninhas para todas as espécies da sequência.

Controle de plantas daninhas na cevada

Quando a infestação exigir o controle químico das plantas daninhas, lembre-se de fazer a limpeza do pulverizador agrícola. Use todos os equipamentos de proteção individual.

Use entre 100 L e 150 L de calda por hectare. Os bicos devem se adequar às condições ambientais locais.

Veja a seguir os herbicidas recomendados para a cevada:

Tabela com nomes de herbicidas indicados para o controle de daninhas na cevada

Herbicidas indicados no controle de daninhas na cevada

(Fonte: Embrapa)

Controle de pragas

Pulgões, lagartas e corós são as pragas mais comuns. Elas podem reduzir a produção de grãos.

Faça o Manejo Integrado de Pragas adequadamente para a população não atingir o nível de dano econômico. Utilize o controle biológico sempre que possível.

Caso a população de pragas exija o controle químico, use produtos indicados para a cultura. Estes produtos estão disponíveis no site Agrofit, do Ministério da Agricultura.

Controle de doenças

Diversas são as doenças que afetam a cevada. Fique de olho e faça monitoramento periódico na lavoura.

As melhores estratégias de controle são:

  • rotação de culturas;
  • eliminar plantas voluntárias e hospedeiros secundários;
  • usar sementes sadias e tratadas;
  • optar por cultivares resistentes;
  • usar produtos biológicos
  • aplicar fungicidas específicos.

Colheita

A colheita deve ser realizada em dias secos, evitando períodos de orvalho.

O grãos devem estar com 15%, para evitar a secagem artificial e a colheita de grãos verdes.

A colhedora deve estar adequadamente regulada, para evitar perdas de grãos retidos nas espigas, descascamento e quebra de grãos.

Se houver manchas de plantas ainda verdes na área de cultivo, elas devem ser colhidas separadamente.

Guia completo sobre as culturas de inverno

Conclusão

A cevada deve ser cultivada nos meses mais frios.

Ela pode ser uma boa fonte de renda para a sua propriedade, com bons preços de venda.

Os grãos são destinados principalmente à indústria cervejeira, mas também para outras finalidades.

Por isso, se você busca uma opção para a entressafra, vale a pena considerar a cevada.

Restou alguma dúvida sobre porque a cevada como cultura de inverno é uma grande oportunidade de negócio? Deixe sua dúvida ou conte sua experiência nos comentários!

Guia de controle das principais plantas daninhas do café

Plantas daninhas do café: saiba quais são, conheça seus riscos para o cafezal e aprenda a identificá-las a tempo

As plantas daninhas competem por água, luz e nutrientes. Elas causam prejuízos ao crescimento e produtividade do cafeeiro.

É comum encontrar espécies invasoras na lavoura de café, e elas devem ser controladas.

Ficar de olho na ocorrência de plantas invasoras de difícil controle é fundamental. Assim, é possível utilizar métodos eficientes para contê-las.

Nesse artigo, veja quais os diferentes métodos de controle das principais plantas daninhas do café você pode utilizar. Confira!

As principais plantas daninhas do café

1. Picão-preto

O picão-preto é uma espécie de folha larga comum nas lavouras do Brasil.

Ele preocupa muito os cafeicultores devido à descoberta de daninhas resistentes ao glifosato.

É uma espécie que cresce rápido e se reproduz por sementes. Uma planta produz até 6 mil sementes/ciclo. Ela é encontrada o ano todo na lavoura.

As sementes são dispersas por animais, máquinas, implementos e pelo ser humano.

Imagem de parte de um tecido de roupa com vários pedaços da planta picão-preto agarrados nele.
Sementes de picão-preto sendo dispersas pelo ser humano
(Fonte: Oficina de Ervas)

Ficam em dormência até um período favorável à germinação, e permanecem no solo por até 5 anos.

Além de competir por recursos com o café, é hospedeiro de pragas e doenças.

É interessante controlar o picão-preto na cultura do café especialmente quando a lavoura estiver sendo implantada. O cafezal novo é mais sensível à competição.

As maiores perdas ocorrem de outubro a abril, época do florescimento. Vale controlar as plantas daninhas antes dessa época.

Foto da planta daninha picão-preto no estágio de florescimento. Há duas pequenas flores amarelas em botão no topo da planta.
Planta de Picão-preto florescendo
(Fonte: GoBotany)

Métodos de controle

O manejo biológico é um método de controle eficiente. Manter o solo coberto com plantas ou palhada também.

Além do controle das plantas daninhas do café, a prática disponibiliza nutrientes, regula a temperatura do solo e reduz as perdas de água.

Utilize os recursos internos da fazenda como:

  • restos vegetais da poda e da desbrota do café;
  • palha gerada no beneficiamento.

Utilize mucuna-preta ou mucuna-cinza como cobertura viva nas entrelinhas do café. Essas plantas inibem o crescimento do picão-preto.

Outro método de controle é o controle químico, com a utilização de herbicidas pré ou pós emergentes.

No cafezal jovem, faça a pulverização direcionada de herbicida de pré-emergência em solo limpo ou sob baixa cobertura de plantas daninhas. Veja algumas recomendações de produtos:

  • Goal BR (5 a 6 L p.c./ha);
  • Alaclor (5 a 7 L p.c./ha);
  • Ametrina 800 (1,5 a 2,5 kg p.c./ha);
  • Ametrina 250 + Simazina 250 (5 a 8 L p.c./ha);
  • Flumyzin 500 (150-180 ml p.c./ha).

Na aplicação de pós-emergente, evite a deriva e a fitototoxidade nos cafeeiros. Use herbicidas seletivos, como:

  • Goal BR (6 L p.c./ha);
  • Ametrina 800 (até duas folhas 1,5 kg p.c./ha; mais de 2 folhas 2,5 kg p.c./ha);
  • Ametrina 250 + Simazina 250 (5 a 8 L p.c./ha);
  • Flumyizin 500 (50 ml p.c./ha).

2. Capim-amargoso

O capim-amargoso é uma planta de folha estreita e ciclo perene. Ela forma touceiras, com altura de 50 cm a 100 cm.

Além da reprodução por sementes dispersas pelo vento, também se reproduz por rizomas, o que dificulta o controle.

Foto da planta capim-amargoso na frente de um cafezal.
Capim-amargoso na entrelinha do cafezal
(Fonte: Café Point)

Métodos de controle

Antes de tudo, faça o controle não químico (físico)das plantas daninhas.

Palha e cobertura verde sobre o solo desaceleram a germinação das invasoras. Elas também aumentam os teores de matéria orgânica, retendo mais água e auxiliando durante a seca.

O controle químico do capim-amargoso é realizado em pós-emergência da planta daninha.

Faça o manejo químico com herbicidas seletivos inibidores de ACCAse. O café é isento dessa enzima. Desse grupo, você pode usar:

  • Cletodim 240 (0,45 L p.c./ha);
  • Verdict Max 540 (0,2 a 0,4 L p.c./ha);
  • Kennox (0,5 a 0,7 L p.c./ha);
  • Poquer 240 (0,45 L p.c./ha).

Realize a aplicação com glifosato + óleo.

Na presença de plantas florescidas, entre com a capina (roçadeira) antes da pulverização. Aguarde haver área foliar suficiente para absorção do produto.

3. Capim-pé-de-galinha

O capim-pé-de-galinha é uma planta anual. Ela ocorre em épocas quentes e se adapta bem a solos compactados.

Os colmos podem ser eretos, com até 50 cm de altura. Também podem ser prostrados ao chão, ramificados e achatados. A planta se reproduz via semente (mais de 120 mil sementes por planta).

Foto do capim-pé-de-galinha. A planta tem hastes finas, com diversas pequenas sementes grudadas nas hastes.
Estruturas reprodutivas do capim-pé-de-galinha
(Fonte: Syngenta)

O vento transporta essas sementes até próximo da linha do café.

Se a população da invasora for alta, você terá prejuízos, principalmente em áreas de cafezal novo.

Além da competição por recursos, elas são hospedeiras de patógenos. Por isso, deixam a lavoura vulnerável às doenças. 

Apresentam resistência a herbicidas comuns no dia a dia. Já foram identificadas populações resistentes a 8 mecanismos de ação.

Métodos de controle

Utilize a tecnologia e o manejo integrado como aliados no controle da daninha. Faça o controle biológico, físico e químico, além de rotação de mecanismos de ação.

Não permita que as plantas floresçam e produzam sementes. Isso reduzirá drasticamente a população da invasora. 

Realize triação em plantas jovens na entressafra e controle químico no preparo da colheita.

Em pós-emergência, opte pela utilização de inibidores de ACCAse + glifosato. Assim, você irá proporcionar um bom controle.

Veja alguns produtos recomendados:

  • Inibidores de ACCAse:
    • AUG 126;
    • Fluazifop;
    • Haloxyfop.
  • Inibidores de Protox:
    • Galigan 240 (3 L p.c./ha);
    • Goal BR (2 L p.c./ha).

Pulverize em plantas com até 1 perfilho, pois as chances de sucesso são maiores!

4. Buva

A buva é uma planta anual que se reproduz por sementes. A alta produção de sementes (até 200.000 por planta por ciclo) faz dela uma grande vilã da produção agrícola.

A buva é resistente ao glifosato. Seu controle é dificultado, e deve ser feito quando ainda é nova.

Foto da planta daninha buva, em foco.
Planta de Buva no cafezal
(Fonte: CaféPoint)

Métodos de controle

Use o controle cultural como a cobertura do solo nas entrelinhas do cafeeiro com braquiária como primeira opção. Esta técnica é de grande importância no manejo integrado.

Assim você reduzirá a aplicação de herbicidas, visto que serão realizadas apenas triações químicas na linha.

Preste atenção ao detectar a buva na linha de plantio. Se possível, use o controle físico, arrancando as plantas que conseguir.

A aplicação de produtos químicos pode ser realizada por pulverização direcionada com inibidores de protox. A aplicação sequencial é uma opção dependendo do nível de infestação.

Veja alguns exemplos de ingredientes ativos recomendados:

  • Oxyfluorfen (Galigan 240EC, Goal BR 240EC)
  • Carfentrazona etílica (Aurora 400EC)
  • Saflufenacil (Heat 700WG)

Para que o controle seja mais eficiente, as plantas devem estar menores que 25 cm.

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5. Caruru

Diversas espécies de caruru podem aparecer no cafezal. Além disso, essa planta daninha ataca diferentes tipos de lavouras.

Além da competição por recursos com a planta de café, o caruru é hospedeiro do nematoide Meloidogyne e do vírus do mosaico do tabaco.

A planta tem ciclo anual, altura que varia de 20 cm a 2m, produz inflorescências verdes ou arroxeadas. Ela pode produzir mais de 100.000 sementes por ciclo.

Foto da planta daninha caruru. A planta  da imagem tem hastes felpudas e avermelhadas.
Espécie de Caruru
(Fonte: Mais Soja)

Métodos de controle

O caruru é uma planta de difícil controle por ser resistente a herbicidas. Há uma ampla lista de resistência simples e múltiplos produtos.

Para plantas resistentes a diversos princípios ativos, o manejo integrado se torna ainda mais importante.

Monitore o cafezal, e quando perceber o desenvolvimento de alguma dessas plantas utilize o controle físico. Não deixe o caruru produzir sementes.

Mantenha o solo das entrelinhas coberto com palha, restos do beneficiamento, ou cobertura verde (braquiária).

Quando necessário, entre com o controle químico com aplicação pós-emergente em plantas pequenas, com jato dirigido.

Você pode utilizar o ingrediente ativo Saflufenacil (Heat 700WG) em plantas pequenas (até 5 cm) ou em manejo sequencial para controle de rebrota de plantas maiores.

6. Tiririca

A tiririca é uma daninha perene, muito agressiva, com altura entre 10 a 60 cm e se reproduz por tubérculos. Um tubérculo pode originar várias plantas.

Por esse tipo de reprodução, é considerada uma das daninhas de mais difícil controle na agricultura.

Diversas espécies de tiririca podem ser encontradas na lavoura, com características peculiares.

Foto de diversas plantas tiririca em fileira, perto de um cafezal novo
Tiririca na linha de plantio de cafezal novo
(Fonte: Rehagro)

Métodos de controle

A prevenção é a melhor forma de evitar a tiririca. Não permita que ela se estabeleça em sua lavoura.

Tenha especial atenção com o cafezal jovem, pois a tiririca utiliza muita água e nutrientes. 

Além disso, é bastante tolerante a temperaturas altas, o que afetará muito o estabelecimento do café novo nas épocas mais quentes.

O manejo integrado continua sendo a melhor maneira de controlar, com monitoramento e utilização dos controles físico e mecânico.

Caso note infestação antes da implantação do cafezal, considere o preparo do solo. Ele expõe os tubérculos e induz a brotação. 

Integrado ao controle químico, é eficiente para reduzir a população da tiririca.

O controle químico pode ser realizado com pulverização sequencial, evitando assim possíveis plantas resistentes. Não se esqueça de fazer a rotação dos herbicidas!

Pulverize dirigidamente os herbicidas glifosato e Diurom (Diuron Nortox 800WP). 

Os grupos químicos halosulfuron, imazapic, imazapir e triclopir também são utilizados.

7. Corda-de-viola

A planta daninha corda-de-viola é uma planta do tipo trepadeira com flores muito vistosas.

A reprodução ocorre via sementes. A planta pode atingir até 3m de comprimento e se enrolar sobre as culturas.

Essa situação é grave, pois causa sombreamento do cafezal, além de atrapalhar a colheita e as pulverizações.

Foto da corda-de-viola no cafezal. A planta forma uma espécie de círculo sobre as plantas de café.
Corda-de-viola cobrindo cafezal
(Fonte: Café Point)

Métodos de controle

Utilize a estratégia de controle no início das águas, com as plantas ainda de tamanho pequeno.

Pulverize herbicidas adequados. Você pode fazer uma aplicação sequencial (3 semanas após a primeira) de glifosato ou herbicida com base em 2,4-D.

Os herbicidas carfentrazina (Aurora 400EC), metsulfurom (Ally 600WG) e dicarboxamida (Flumizyn 500SC) também vêm dando bons resultados.

Use o controle físico para as plantas que escapam do controle químico, arrancando manualmente antes de produzirem sementes.

Com ervas já cobrindo os cafeeiros, faça apenas arranquio. Não tire as plantas, pois pode haver queda de frutos do café.

Imagem da corda-de-viola morta sobre o cafezal. As plantas da invasora estão marrons e secas.
Corda-de-viola seca após arranquio manual sobre o café
(Fonte: Café Point)

8. Capim braquiária

O capim braquiária é uma gramínea comum nos cafezais.

A cobertura do solo com braquiária nas entrelinhas é comum para inibir o aparecimento de outras daninhas.

Entretanto, quando mal manejada e muito próxima das plantas de café, pode causar competição e interferência no crescimento.

Respeite sempre a distância mínima de 1 m de cada lado da linha do cafeeiro.

Foto de braquiária nas entrelinhas de um cafezal. A braquiária tem aspecto de capim, e está plantada com espaçamento das plantas de café.
Braquiária nas entrelinhas do cafeeiro
(Fonte: Café Point)

Métodos de controle

As plantas Mucuna, Crotalária e Lablab reduzem o crescimento da Braquiária. Portanto, são boas opções de controle quando a gramínea estiver sendo prejudicial.

Faça roçadas regularmente antes do seu florescimento, para que as sementes não germinem sob a “saia” do cafeeiro.

Os produtos recomendados para o capim-amargoso e para o capim-pé-de-galinha também controlam a braquiária.

9. Poaia-branca

A poaia-branca é uma daninha anual. Ela tem folha larga e se desenvolve via sementes.

Possui grande vigor vegetativo, e pode cobrir todo o solo com uma densa massa vegetal. 

Isso gera competição por nutrientes e água, principalmente quando a poaia se desenvolve na linha das plantas de café.

Em regiões quentes, você verá a planta durante o ano todo. Ela é hospedeira de pragas e doenças que afetam o cafeeiro.

Foto de poaia branca com três flores brancas sobre a planta.
Planta daninha Poaia-branca florescendo
(Fonte: WeedImages)

Métodos de controle

Os controles com cobertura viva ou morta são eficientes no controle desta daninha. Utilize o controle químico em consórcio quando necessário.

Para o manejo químico em cafezal novo, use os ingredientes ativos:

  • glufosinato de amônio (Off road 200SL, Patrol BR 200SL);
  • oxyfluorfen (Galigan 240EC, Goal BR 240EC);
  • glifosato.

No cafezal adulto, além dos citados acima, outros ingredientes ativos podem ser usados:

  • diuron (Cention 500SC);
  • metsulfurom (Nufuron 600WG);
  • carfentrazona+glifosato (Fera Ultra).
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Conclusão

Você certamente já teve de lidar com alguma dessas plantas daninhas do café.

É sempre bom dar preferência aos manejos cultural e mecânico. Também é importante manter linhas do café limpas e as entrelinhas cobertas e roçadas.

As condições de pulverização são importantes. Faça aplicação dirigida ao solo, evite o contato do produto químico com o café e evite a deriva.

Com planejamento correto, seu cafezal será muito mais rentável!

Já teve problema com essas plantas daninhas do café? Conhece mais espécies importantes na cultura? Deixe seu comentário!

3 causas mais comuns das sementes esverdeadas em soja e o que fazer para evitá-las

Sementes esverdeadas: saiba o que são, quais as fases críticas para o acontecimento e quais problemas causam no campo e na indústria

A produção de soja demanda muito cuidado com a lavoura.

A presença de sementes esverdeadas na hora da colheita pode inviabilizar todo um lote de sementes.

Elas têm baixa germinação e vigor. Portanto, devem ser evitadas, seja com manejo no campo ou no beneficiamento.

Apesar disso, há como reduzir e até evitar completamente as sementes esverdeadas. É o que você verá nesse artigo. Confira a seguir!

O que são sementes esverdeadas na soja?

São sementes com os cotilédones de coloração intensa verde ou esverdeados.  São o resultado das plantas de soja que sofreram algum inconveniente na fase final do desenvolvimento.

A produção de sementes de soja com alta qualidade necessita de condições adequadas, de solo, clima e manejo

Condições climáticas adversas causam prejuízos aos produtores de sementes. Afinal, a semente não será de boa qualidade e a presença da cor esverdeada poderá inviabilizar o lote.

Três causas mais comuns das sementes esverdeadas

A ocorrência de uma ou mais destas condições pode causar queda da qualidade fisiológica de sementes.

A maturação será acelerada e a degradação da clorofila dos cotilédones será comprometida. Isso é uma consequência da interrupção da ação de algumas enzimas.

A presença de clorofila (pigmento verde) na semente, por causa da maturação e morte prematura das plantas, gera essa característica.

As fases críticas para as condições que aceleram a maturação são as seguintes:

1. Adversidades climáticas

As plantas ainda imaturas sofrem estresse. Esse estresse acelera o processo de maturação e morte, produzindo sementes esverdeadas.

Estas condições são, principalmente:

  • ocorrência de seca;
  • elevadas temperaturas;
  • excesso de chuvas;
  • umidade relativa baixa;
  • elevada intensidade luminosa.

2. Presença de pragas e doenças

A presença de percevejos em alta população ao final do ciclo da soja também pode causar maturação desuniforme, morte prematura e sementes esverdeadas. Algumas doenças que causam sementes esverdeadas são:

  • fusariose;
  • podridão radicular por macrofomina;
  • cancro da haste;
  • doenças foliares em fase de enchimento de grãos/pré-colheita.

3. Manejo

Não utilize dessecantes em momentos inapropriados. Na pré-colheita, eles podem interromper a ação das enzimas que degradam a clorofila. 

Isso resulta em altos índices de grãos ou sementes esverdeadas.

Antecipar a colheita para janeiro e fevereiro (meses com bastante chuva), também é um fator importante. Isso pela utilização de cultivares de soja precoces e superprecoces.

Nunca se esqueça de observar os boletins meteorológicos no planejamento da safra.

Problemas relacionados ao campo

No campo, alguns problemas ambientais vão acarretar uma maturação desuniforme. Isso reflete em folhas, hastes, vagens e grãos verdes no momento da colheita.

A colheita é prejudicada devido ao embuchamento causado pelas plantas verdes.

Estes fatores causam perdas e redução de produtividade.

Além disso, quando a maturação é antecipada, não há tempo hábil da planta desenvolver o embrião completamente.

Sem o embrião perfeito e sem reserva energética, a qualidade das sementes produzidas será baixa. Ou seja, as sementes terão baixa germinação e vigor. Lotes de sementes podem ser descartados por isso!

Segundo pesquisadores da Embrapa Soja, 9% de sementes esverdeadas em pré-colheita podem ser toleradas.

Faça a análise de pré-colheita. Caso exceda esse valor, não colha o campo para a produção de sementes. A remoção das sementes esverdeadas dos lotes no beneficiamento é um custo extra e inviabiliza o lote.

A imagem a seguir demonstra a diferença que há entre sementes amarelas (normais) e sementes esverdeadas.

Perceba a diferença que existe no teste e velocidade de germinação das sementes esverdeadas!

Problemas na indústria

As vagens e sementes esverdeadas dificultam o processo de seleção e classificação das sementes. A maturação precoce deixa as sementes menores e mais suscetíveis a danos mecânicos.

Outro problema está relacionado ao grão para produção de óleo.

Um alto percentual de grãos esverdeados causa o escurecimento do óleo. O clareamento gera muitos gastos ou até inviabiliza a comercialização. Indústrias evitam adquirir grãos com essas características.

6 dicas para evitar as sementes esverdeadas na lavoura

  1. Utilize plantas de cobertura e faça um bom manejo do solo. Assim, você aumenta a retenção de água e ameniza as consequências de períodos de seca.
  2. Preste atenção nas condições climáticas. Se necessário, intervenha com irrigação para amenizar os períodos de seca ao final do ciclo.
  3. Observe a suscetibilidade genética da variedade de soja utilizada. Existem cultivares que expressam mais o problema das sementes esverdeadas.
  4. Utilize o MIP (Manejo Integrado de Pragas) como aliado durante o ano todo para reduzir o aparecimento de pragas e doenças.
  5. Adote práticas corretas de dessecação em pré-colheita. Sempre desseque na fase de maturidade fisiológica (R7).
  6. Preste atenção nos dados de qualidade de semente do lote adquirido para uma safra. Além disso, faça o teste de germinação em areia para garantir a uniformidade da lavoura.
planilha - monitore e planeje a safra de soja de forma automática

Conclusão

A maturação e morte precoce da soja causam as sementes esverdeadas.

Essas sementes têm germinação e vigor comprometidos, e são um problema para a comercialização.

As fases de enchimento de grãos e pré-colheita são críticas para controlar essa adversidade.

Períodos de seca associados a alta temperatura, excesso de chuvas, alta incidência de pragas e doenças são fatores que fazem aparecer as sementes esverdeadas.

Fique sempre de olho nesses fatores, e procure os evitar para garantir a produtividade!

>> Leia mais: “Seguro soja: por que você deve fazer

E você? Já teve algum problema relacionado a sementes esverdeadas? Já programou o manejo para se prevenir nessa safra? Deixe seu comentário!

Biofungicidas: quando vale a pena usá-los para o controle de doenças na lavoura?

Biofungicidas: saiba o que são, como são produzidos, como atuam nas plantas e quais são as vantagens e desvantagens.

As doenças das plantas podem ser um obstáculo para o sucesso da sua lavoura quando não manejadas de forma eficiente. 

Associado a isso, a busca da sociedade por alimentos com menos resíduos de agroquímicos torna o manejo de doenças de plantas um desafio ainda maior. 

Biofungicidas são produtos pouco tóxicos e altamente eficientes. Eles podem ser utilizados no controle das principais doenças das plantas cultivadas.

Nesse artigo, você irá conhecer melhor os biofungicidas e como consultar os produtos disponíveis no mercado. Boa leitura!

O que são biofungicidas?

Biofungicidas são produtos químicos que controlam doenças causadas por bactérias e fungos patogênicos de inúmeras culturas.

Como as pessoas têm buscado por alimentos com cada vez menos agroquímicos, novas soluções são oferecidas, como os bioinsumos

Dentro deles estão os biofungicidas, que são:

  • microrganismos que atuam diretamente nos patógenos que atacam as plantas, fazendo com que eles não se desenvolvam;
  • fungos e bactérias não patogênicos que quando aplicados na planta, entram em contato com o patógeno e o enfraquecem. Agem como fungicidas naturais.

Como são desenvolvidos os biofungicidas?

Os biofungicidas produzidos a partir de organismos encontrados no meio ambiente. Por natureza, são predadores de outros microrganismos.

Essas espécies são estudadas em laboratório e em campo para garantir sua eficácia no controle de doenças.

O registro dos produtos desenvolvidos nas pesquisas envolve a avaliação e aprovação do Mapa, do Ibama e da Anvisa. Trata-se de um processo bastante lento.

Na imagem, bactérias Bacillus amyloliquefaciens, usadas como matéria-prima de biofungicidas.

Bactéria Bacillus amyloliquefaciens, usada como matéria-prima de biofungicida

(Fonte: Indiamart)

Quando comprovada sua eficiência e confiabilidade, ele é devidamente registrado. 

Em seguida, os microrganismos são reproduzidos industrialmente e de maneira controlada para a fabricação dos produtos comerciais.

Atuação nas culturas

Os biofungicidas podem ser aplicados no tratamento de sementes e também pulverizados diretamente na cultura.

Quando o produto entra em contato com a planta doente ou com o patógeno, começa o processo de controle da doença. Esse controle pode ser por meio de:

  • ação direta: o agente biológico produz substâncias antibióticas e antifúngicas que impedem o progresso, infecção e reprodução da doença no hospedeiro;
  • ação indireta: o agente biológico estimula a planta a se defender do patógeno.

Esses microrganismos benéficos atuam por meio da produção de metabólitos secundários, que têm ação contra bactérias e fungos patogênicos.

A ação é minuciosamente estudada para que o perfil do produto seja o mais confiável possível. Ou seja, é necessário encontrar microrganismos cujas enzimas liberadas não sejam nocivas às plantas.

Controle de doenças causadas por fungos de solo

Um dos microrganismos mais usados na produção de biofungicidas são fungos do gênero Trichoderma.

Eles controlam doenças causadas por fungos de solo em soja, cana-de-açúcar, algodão, olerícolas, etc.

Essas doenças infectam raízes, base do caule, sistema vascular. Além disso, causam murchas e podridões.

Imagem mostra fungo trichoderma em uma placa de vidro. O fungo possui coloração verde.

Fungo Trichoderma, que pode ser usado como biofungicida

(Fonte: Embrapa)

Há grande expectativa na utilização deste fungo no controle do mofo-branco da soja, da fusariose e da podridão radicular.

Além do controle de doenças, também há estudos sobre benefícios do fungo em relação ao crescimento das plantas e aumento na produtividade.

Essa ação se dá pela maior disponibilidade de nutrientes para as plantas, através da ação de enzimas que solubilizam fosfatos e material orgânico. 

Algumas linhagens de Trichoderma também produzem hormônios promotores de crescimento.

Prós e contras do uso de biofungicidas

Você irá encontrar vantagens e desvantagens na utilização de biofungicidas, como em todas as práticas de manejo. Veja algumas delas abaixo e faça sua análise.

Vantagens

  • A pulverização segue as práticas tradicionais de aplicação de fungicidas;
  • Redução na utilização de agroquímicos;
  • Redução do risco de contaminação ambiental; 
  • Redução do risco de contaminação do aplicador; 
  • Os alimentos produzidos têm menor concentração de resíduos químicos; 
  • Redução de custos no controle de doenças;
  • Controle eficiente de doenças;
  • Promotor de crescimento das plantas; 
  • Opção no manejo integrado de doenças.

Desvantagens

  • Poucas pesquisas na área de biofungicidas;
  • Menor prazo de validade dos produtos;
  • Requer maior cuidado no manuseio e transporte.

Ainda há um longo caminho a percorrer para que os biofungicidas sejam vistos como prioridade no controle de doenças no Brasil.

Com estudos científicos, maior oferta de produtos e tecnologia é possível que o agronegócio brasileiro desponte como líder nesse segmento.

Produtos no mercado nacional

São vários os produtos comerciais disponíveis no mercado. 

Pela plataforma Agrofit do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, você pode realizar a consulta dos biofungicidas. Siga o passo a passo a seguir: 

  1. Acessar o site do sistema Agrofit;
  2. Selecionar “Produtos formulados”;
  3. Em “Classe”, selecionar a opção “Fungicida microbiológico”;
  4. Selecionar “Consultar”.

Como resultado da pesquisa será apresentada uma lista com todos os biofungicidas com registro no Brasil.

Imagem mostra o site do Mapa, na aba de busca por insumos agrícolas.

Site de busca de insumos agrícolas do Mapa

(Fonte: Mapa)

Esta pesquisa lhe mostrará diversos organismos microbiológicos que já passaram pelo processo de pesquisa e autorização. Eles podem ser utilizados na formulação de produtos comerciais.

Os produtos utilizam diversas espécies de microrganismos, e dentre eles estão:

Bacillus spp.

  • Sonata: Utilize para controle de oídio, mofo-cinzento, podridão-olho-de-boi, antracnose, mancha-púrpura e pinta-preta.
  • Ataplan: Pulverize para agir em casos de antracnose, fusariose, tombamento da soja e podridão do colo.

Trichoderma spp.

  • Tricho-Turbo: Controle de tombamento, mancha-de-fusarium, mofo-branco e nematicida.

Utilize os produtos citados para o controle das respectivas doenças em todas as culturas.

Na imagem, foto da embalagem de 1 litro do biofungicida Tricho-turbo

Embalagem do biofungicida Tricho-turbo

(Fonte: Vittia)

Os biofungicidas são produtos classificados com tarja verde. Portanto, são pouco perigosos quanto à classificação toxicológica e ambiental.

No entanto, siga todos os procedimentos de segurança na aplicação dos produtos. 

Faça o uso do equipamento corretamente, e previna-se de possíveis danos utilizando todo o equipamento de proteção individual recomendado.

Siga as orientações da bula e do receituário agronômico para proceder com a pulverização!

Planilha de custos dos insumos da lavoura

Conclusão

Os biofungicidas são uma ótima opção para evitar o uso de produtos altamente tóxicos.

Apesar de ainda pouco difundidos no nosso modelo de produção agrícola, eles possuem inúmeras vantagens. Redução de custos e melhor qualidade dos alimentos são apenas algumas delas.

Não se esqueça de tomar todos os devidos cuidados ao manipular e aplicar o produto. E na dúvida, consulte um engenheiro-agrônomo.

>> Leia mais:

“Mancha-púrpura na soja: como livrar sua lavoura dela”

Você já sente segurança para utilizar biofungicidas no controle de doenças da lavoura? Já utiliza essa tecnologia no manejo integrado? Compartilhe sua experiência!