Guia completo para o manejo da lagarta-preta (Spodoptera cosmioides)

Lagarta-preta: conheça as características, como identificar e quais táticas de controle cultural, genético e químico utilizar 

A lagarta-preta causa prejuízos econômicos consideráveis em várias culturas. 

Conhecer as espécies hospedeiras e o manejo são coisas fundamentais para evitar danos. Saber identificá-las no campo é o primeiro passo para evitá-los.

Neste artigo, você verá todas as características da lagarta-preta as táticas de controle mais adequadas! Confira!

Características da lagarta-preta 

A lagarta-preta é capaz de se alimentar de diversas espécies de plantas. Isso inclui plantas nativas, daninhas e grandes culturas.

Conhecer as espécies hospedeiras é muito importante para o manejo e controle da lagarta.

A semeadura de espécies hospedeiras pode gerar aumento significativo da população de lagartas na cultura e nas culturas posteriores. 

Isso causa prejuízos já no estabelecimento da população de plantas, pois o estande inicial pode ser comprometido.

Condições ideais para o desenvolvimento da lagarta

A depender da temperatura, a lagarta preta pode produzir mais ou menos gerações em um ano agrícola.  

As melhores temperaturas para a lagarta giram em torno de 25 °C a 28 °C.

Culturas atacadas pela lagarta-preta 

Os ataques da lagarta-preta podem acontecer em diversas culturas. Soja, milho, trigo, feijão e café são alguns exemplos. 

É comum que culturas sem índice de ocorrência da lagarta-preta comecem a sofrer com a praga.

O uso errado de inseticidas de amplo espectro e outras moléculas químicas faz com que esta população de inimigos naturais seja eliminada. 

Como consequência, há desequilíbrio e aumento da população das lagartas nas áreas de cultivo.

Por isso, é necessário que as aplicações visando ao controle sejam feitas racionalmente. É necessário avaliar a lavoura e a real necessidade do uso do produto.

A depender das pragas e doenças, utilizam-se critérios para avaliar se o custo da aplicação compensa os danos econômicos.

Danos causados pela lagarta-preta na lavoura

Os danos causados pela lagarta-preta são:

  • Intensa desfolha, principalmente pela capacidade de consumir o dobro de área foliar em comparação a outras espécies de lagartas;
  • Danos em vagens e grãos, afetando a qualidade do produto final e a reduzindo a produtividade da cultura.
Foto de uma lagarta-preta com listras brancas sobre uma folha de soja com muitos furos.

Danos causados pela lagarta preta na cultura da soja. Os danos são provocados pela “raspagem” e consumo do tecido foliar, provocando furos nas folhas

(Fonte: Moreira e Aragão, 2009) 

Como identificar a lagarta-preta no campo?

A lagarta-preta pertence ao gênero Spodoptera sp. Esse gênero possui 30 espécies, e 15 delas causam danos nas culturas agrícolas.

A coloração dos ovos, da larva e das mariposas são utilizados na identificação.

4 fotos em sequência: a primeira é a foto de uma mariposa, a segunda é de uma mancha preta sobre um papel (vários ovos acumulados), a quarta é uma lagarta-preta sobre terra marrom, e a última são pupas, ou casulos da lagarta.

Aspecto visual de adulto macho, dos ovos, da lagarta-preta e das pupas

(Fonte: Teodoro, 2013)

Os ovos da lagarta tem coloração amarelada. Eles são postos em massa na parte inferior das folhas das plantas hospedeiras, próximos à nervura central. 

Os ovos são recobertos pela fêmea por algo semelhante a algodão, como forma de proteção. Uma fêmea pode colocar de 30 até 300 ovos, a depender das condições ambientais.

Foto de vários ovos pequenos e rosados sobre uma folha. Sobre esses ovos, há uma espécie de algodão.

Aspecto da massa de ovos da lagarta preta 

(Fonte: Fonseca, 2006)

A lagarta preta possui o corpo escuro, a depender do seu estágio de desenvolvimento. 

A característica marcante dessa espécie é a presença de listras de uma extremidade do corpo até a outra. Essas listras são alaranjadas, e vêm acompanhadas de pontos brancos e triângulos pretos.

O ciclo de vida na cultura da soja pode ser em média 48 dias. O ciclo depende da temperatura do local.

Este período engloba desde a fase de pupa até a emergência das mariposas.  

É importante ressaltar que as mariposas têm hábitos noturnos. Elas são mais vistas durante a noite. 

As lagartas são encontradas nas partes inferiores das plantas. Isso dificulta que os produtos fitossanitários de controle a alcancem.

Além disso, as lagartas podem ser encontradas com diferentes colorações, em função a fase de desenvolvimento. Elas podem ter coloração cinza-clara, castanha ou pretas.

Foto do ciclo da lagarta-preta: os ovos viram lagartas, em seguida pupas, e por fim, adultos

Ciclo de vida da lagarta-preta

(Fonte: Batistela e Oliveira Jr, 2013)

Como diferenciar as principais lagartas do complexo Spodoptera sp. 

Spodoptera frugiperda

A Spodoptera frugiperda (lagarta-militar) possui formato de Y invertido na região da cabeça.

Ela tem quatro quadrados pretos na região posterior da cabeça. Além disso, possui listra de cor creme na lateral do corpo com pontuações.

Foto de uma spodoptera frugiperda em uma superfície branca. A lagarta tem um tom verde-escuro com listras amarelas-escuras, e alguns fiapos que saem de todo o seu corpo.

Detalhes morfológicos para identificação de S. frugiperda

(Fonte: Marsaro Júnior, 2016)

Spodoptera eridania

A Spodoptera eridania possui como característica principal triângulos negros ao longo de todo comprimento do corpo. 

Além disso, ela tem uma listra branca ou amarelada interrompida por uma mancha escura. Essa mancha não chega até a região da cabeça.

Foto de duas lagartas: uma preta e uma verde escuro com listras brancas.

Indicação dos triângulos negros distribuídos por todo corpo de S. eridania. A listra branca ou amarela é interrompida no primeiro segmento abdominal, não chegando até a região da cabeça

(Fonte: De Freitas e colaboradores, 2019)

Manejo da lagarta-preta

Além do uso equilibrado de inseticidas, o controle cultural, biológico e até mesmo químico pode ser utilizado.

Para prosseguir com esses controles, é essencial que você siga o MIP (Manejo Integrado de Pragas). Essa é uma forma de garantir um controle eficiente da lagarta-preta e de outras pragas.

Para facilitar o seu trabalho no MIP, separamos uma planilha gratuita para você. Com ela, você pode gerenciar os dados do monitoramento e ter um bom controle antes de sofrer danos econômicos.

Clique na imagem abaixo para baixar a planilha:

planilha manejo integrado de pragas MIP Aegro, baixe agora

Manejo cultural

Medidas que visem à preservação dos inimigos naturais são fundamentais para evitar altas populações da lagarta. Usar produtos fitossanitários seletivos é essencial.

Rotação de culturas e eliminação de plantas daninhas hospedeiras podem auxiliar na redução da população da praga

No entanto, é importante lembrar que muitas culturas são hospedeiras. Conhecer todas essas plantas é uma etapa importante no planejamento de rotação.

Manejo biológico

No controle biológico, utilizam-se vírus como o Baculovírus. É importante identificar corretamente a lagarta para usar o Baculovírus apropriado.

No caso da lagarta preta, estudos afirmam que o controle ocorre de forma satisfatória com o Baculovírus frugiperda

A bula do produto indicado diz que o produto é indicado para a cultura do milho, mas pode ser aplicado em todas as culturas que apresentem as pragas alvo: 

  • Spodoptera frugiperda;
  • Spodoptera cosmioides.

Mas, atenção: para um controle eficiente, as condições ambientais para aplicação devem ser favoráveis. O horário da aplicação também é relevante. Evite períodos quentes e de baixa umidade relativa do ar.

Evite aplicações antes das 17 horas. Assim, você não terá interferência da temperatura e da radiação solar intensa da tarde.

Evitar o escorrimento do produto. Fique de olho para que toda a planta seja recoberta pelo produto. Afinal, o contato entre a lagarta e o produto precisa acontecer.

Aplique o Baculovírus quando presença da lagarta for constatada entre 10 a 15 dias após a germinação. Você pode realizar uma segunda aplicação entre 17 e 22 dias após a primeira.

Durante a aplicação, a calda deve permanecer em agitação, para que o produto seja sempre diluído e distribuído na área de forma homogênea. 

O bico mais recomendado é o do tipo leque.

Manejo químico

Inseticidas do grupo dos piretróides devem ser evitados. Afinal, eles não são seletivos.

Os produtos registrados para a cultura da soja, no controle da lagarta-preta, incluem os grupos químicos:

  • metilcarbamato de oxima;
  • álcool alifático.

No entanto, esses produtos apresentam alta toxicidade ao meio ambiente. Eles podem interferir na população de inimigos naturais.

Outras opções existentes, incluem reguladores fisiológicos, como os dos grupos das diamidas e espinosinas. Esses produtos, porém, não são registrados para o controle desta lagarta.

Uso de organofosforados pode potencializar o controle. 

O tratamento de sementes pode ser uma boa tática para garantir proteção. Isso é ideal quando a semente ainda está no solo e já é constatada a presença da lagarta na área. 

Você pode usar tiametoxam e fipronil, por exemplo.

Como utilizar a tecnologia no controle de pragas na sua lavoura

A tecnologia pode ser utilizada para potencializar o controle de pragas e doenças, de diferentes formas:

  • Mapeamento na área de cultivo: dessa forma, você pode planejar se tratamentos de sementes devem ser realizados ou quais culturas podem ser utilizadas em determinadas áreas;
  • Acompanhamento das condições climáticas: analisar o clima anterior e posterior à implantação da cultura, para verificação de condições favoráveis. 

Se você for realizar uma aplicação, verifique se há previsões próximas de chuva. Ela pode poderá interferir na eficiência do controle.

Registrar as informações da sua lavoura é fundamental na tomada de decisão. Esses dados podem aumentar suas chances de sucesso no controle de pragas, doenças, plantas daninhas.

Um software de gestão agrícola como o Aegro pode ser seu aliado no controle de pragas na lavoura. Através do aplicativo, você pode monitorar sua cultura e planejar as atividades do MIP (Manejo Integrado de Pragas).

Foto de uma tela de computador com o software Aegro aberto, na seção de mapa de calor. Há um desenho da dimensão de terra da lavoura com as cores verde e laranja.

Históricos de talhões no Aegro

No Aegro, você tem acesso ao histórico de cada um de seus talhões, e pode verificar se algum deles apresenta maior incidência de pragas.

Mapas com níveis de infestação também podem ser facilmente visualizados. Assim, você saberá exatamente quando e onde agir.

Foto de tela do Aegro com a parte de mapas de calor. No desenho da lavoura, há as cores vermelho em baixo, laranja no meio e verde em cima.

Mapa de calor no Aegro

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Conclusão

A lagarta-preta pode causar a desfolha inicial da cultura e a perda de vagens e grãos. Ela reduz a qualidade e produtividade da cultura.

Diversas táticas de controle podem ser utilizadas para o controle da lagarta-preta. O Manejo Integrado de Pragas e o uso de inseticidas seletivos são os principais. 

Observe as condições ambientais favoráveis para a praga e também para a aplicação do controle, principalmente biológico.

Você já teve problemas com a lagarta-preta? Restou alguma dúvida sobre a praga? Adoraria ler seu comentário!

Como o baculovírus pode controlar as pragas da sua lavoura

Baculovírus: saiba em quais culturas pode ser utilizado, vantagens, desvantagens e cuidados necessários no uso

A demanda por produtos produzidos de forma sustentável tem crescido. 

As opções disponíveis no mercado são muitas, com controle próximo e até mesmo superior ao controle químico.

Dentre os biopesticidas utilizados no controle de pragas há os baculovírus. Eles têm alta eficiência no controle de insetos, principalmente lagartas.

Neste artigo, você entenderá mais como ele funciona, vantagens e desvantagens e como produzi-lo na sua fazenda! 

O que é o baculovírus e como ele funciona

Os baculovírus são vírus com DNA de fita dupla. Eles pertencem à família Baculoviridae

Eles possuem uma ou mais partículas do vírus que se encontram fora da célula hospedeira, com envelope em formato de bastão. Isso caracteriza a forma das partículas dessa família de vírus.

Os baculovírus tem uma característica única dentre os vírus estudados. Eles têm duas formas observáveis distintas, a depender de estarem dentro ou fora da célula hospedeira:

  • Uma extracelular (fora da célula hospedeira) conhecido como BV (budded virus);
  • Outra envolvida na transmissão do vírus, quando ele já se encontra dentro de uma célula hospedeira, denominado vírus ocluso. Ele é responsável  pela transmissão do vírus entre os demais insetos.
Na imagem à esquerda, é possível observar o formato de uma partícula viral de baculovírus fora da célula hospedeira (extracelular ou BV). Na imagem à direita, observa-se a transmissão do corpo de oclusão

Ultraestrutura de um baculovírus por microscopia eletrônica de transmissão. Na imagem à esquerda, é possível observar o formato de uma partícula viral de baculovírus fora da célula hospedeira (extracelular ou BV). Na imagem à direita, observa-se a transmissão do corpo de oclusão

(Fonte: Gramkow, 2010)

Ciclo do baculovírus no organismo das lagartas

O ciclo começa com a ingestão dos vírus aplicados na superfície das folhas. Isso acontece durante a alimentação do inseto.

O processo de transmissão do vírus no interior do corpo do inseto começa. O inseto fica debilitado e torna-se incapaz de se alimentar.

Outra característica observada é a movimentação dos insetos, especialmente das lagartas, para a parte superior da planta hospedeira.

A morte da lagarta da soja ocorre entre cinco a oito dias após a infecção.

Para saber se a morte do inseto foi causada pelo baculovírus, você deve prestar atenção em alguns detalhes.

A coloração do inseto fica amarela-esbranquiçada. No caso das lagartas, também há um aspecto leitoso.

Após alguns dias, as lagartas ficam pretas e se rompem. Depois disso, liberam partículas virais na superfície das folhas.

Esquema do ciclo do baculovírus, que vai desde a infecção primária das células até a morte do inseto-alvo

Infecção de um inseto hospedeiro de baculovírus

(Fonte: adaptado de Szewczyc e colaboradores, 2006. Em: Valicente; Tuelher, 2009)

Como funciona o controle de lagartas nas culturas do milho e soja

O modo de ação do baculovírus  é a partir da ingestão de partículas infectivas

A partir disso, elas são capazes de se multiplicar nas células do inseto hospedeiro e serem transmitidas para outros insetos.

Não há ação sobre as fases de ovo, pupa ou adulto, somente nas fases de lagarta.

As formulações disponíveis podem ser consultadas através do Agrofit (Sistema de Agrotóxicos Fitossanitários). 

Elas possuem diferenças, principalmente em relação à proporção de ingredientes que tem a função de diluir e facilitar a dispersão do vírus.

Além disso, existem diferentes espécies de baculovírus. Elas são usadas no controle de outros insetos, além das lagartas da soja e da lagarta-do-cartucho do milho.

Por isso, é sempre necessário consultar qual espécie está sendo utilizada e qual é a praga alvo.

Caso da Soja

Os principais danos observados na cultura pela lagarta-da-soja ocorrem principalmente na fase larva. Elas podem causar até 100% de perdas.

Cada lagarta tem potencial de consumir até 90 cm² de folhas, até se tornarem pupas. Para o controle biológico da lagarta-da-soja, utiliza-se o Baculovirus anticarsia.

Caso do Milho

Para a cultura do milho, a principal praga é a lagarta-do-cartucho. Ela consegue reduzir a produção em até 52%.

Embora ela cause danos severos na fase reprodutiva da cultura, têm sido relatada causando danos com frequência nas fases iniciais. A lagarta-do-cartucho afeta o estande e a população final de plantas por área.

Para o controle da lagarta, utiliza-se principalmente o Baculovírus spodoptera.

Alguns outros baculovírus também são utilizados, como:

  • Baculovirus erinnyis, desenvolvido para o controle do mandarová da mandioca;
  • Baculovirus condylorrhiza, utilizado no controle da lagarta do álamo;
  • Variações de formulações do Baculovirus anticarsia e Baculovirus spodoptera.

Vantagens, desvantagens e cuidados no uso de baculovírus na agricultura

Os biopesticidas têm vantagens, desvantagens e cuidados durante a aplicação. Confira a seguir cada um deles.

Vantagens do uso de baculovírus

  • Os baculovírus afetam especificamente seu hospedeiro (principalmente lagartas, a depender do tipo de baculovírus). Os inimigos naturais de pragas e doenças presentes no local de cultivo não são afetados;
  • São inofensivos à saúde humana e animal;
  • O uso é muito fácil;
  • Fácil formulação e aplicação. Como consequência, há economia e segurança em relação aos inseticidas químicos;
  • O controle é efetivo. No milho, quando manejado adequadamente, diminui o número de aplicação de inseticidas de 3 a apenas 1.

Desvantagens 

  • Os baculovírus atuam apenas em um pequeno grupo ou único organismo alvo. Assim, para o controle das demais pragas, é necessário usar outros inseticidas;
  • A aplicação requer cuidado no horário em que será realizada. O controle só é eficiente quando há ingestão do produto pelas lagartas

As lagartas da soja se alimentam de noite. Por isso, as pulverizações com produtos a base de baculovírus devem ser realizadas após às 16 horas.

Assim, você também evita a exposição prolongada aos raios ultravioleta, que inativam o vírus. 

Cuidados na aplicação de baculovírus

O monitoramento da lavoura com uso de armadilhas deve estar associado ao manejo das pragas nas culturas

Quando a infestação for muito alta, acima do nível de controle recomendado, há redução da eficiência do produto.

A aplicação de baculovírus na cultura da soja não é recomendada quando o percentual de desfolha for superior a 30% até o período final da floração

Também é contraindicada se a desfolha for maior que 15% após o início do desenvolvimento das vagens (para a cultura da soja por exemplo).

Além disso, as condições climáticas também devem ser observadas. 

Quando houver níveis altos de infestação no início do desenvolvimento da cultura, coincidindo com períodos de estresse hídrico, o produto não deve ser aplicado.

O inseticida à base de baculovírus pode ser fabricado na fazenda?

O bioinseticida formulado a partir do baculovírus pode ser fabricado na própria fazenda.

No entanto, você deve seguir cuidados rigorosos. Além disso, você deve aplicar um produto formulado sobre a cultura antes. Assim, as lagartas utilizadas na sua fabricação terão o vírus.

Passo a passo para fabricação de dose, correspondente para aplicação em 1 hectare:

  • Entre 7 a 10 dias após a aplicação de baculovírus na área de cultivo, colete 50 a 70 lagartas mortas (correspondente a 20 gramas do inseticida) pelo microrganismo;
  • Congele as lagartas e as mantenha assim até a sua utilização;
  • Macere as lagartas congeladas (em quantidades maiores de produto, utilize o liquidificador, quando disponível) e filtre a solução resultante;
  • A solução resultante pode ser congelada imediatamente após a trituração, mas a calda elaborada com adição da solução e da água não pode ser reaproveitada;
  • A quantidade de solução filtrada deve ser diluída em 200 litros de água, correspondente ao volume de água recomendado para aplicação;

Para a aplicação, podem ser utilizados pulverizadores de barra, canhão e avião, desde que o volume da calda não seja inferior a 100 litros. 

Afinal, volumes menores causam o entupimento dos bicos. O formulado aplicado leva em torno de 7 a 9 dias para matar as lagartas.

Planilha de custos dos insumos da lavoura

Conclusão

O controle biológico de pragas é uma alternativa eficiente.

Ele pode ser realizado em diferentes culturas, e é indispensável que você saiba quais espécies controlam a praga alvo.

Embora existam diferentes espécies de baculovírus, a lagarta da soja só é controlada com o Baculovirus anticarsia.

Além disso, não esqueça de observar as condições ambientais e momento certo de desenvolvimento da cultura. Eles são importantes para a eficiência máxima do produto na área de cultivo. 

>> Leia mais: “Guia completo para o manejo da lagarta-preta (Spodoptera cosmioides)

Você já utilizou baculovírus para controlar as pragas na sua fazenda? Compartilhe sua experiência nos comentários!

Saiba como identificar e evitar os danos em grãos de milho

Danos em grãos de milho: saiba quando acontecem, o que pode ser feito para resolver,  quais os resultados desses danos e mais!

A qualidade do milho é fundamental na alimentação humana e animal. Sua perda por danos diretos ou indiretos pode trazer grandes prejuízos.

Saber o momento em que seus grãos estão em risco é fundamental para evitar dores de cabeça. 

Então, não espere chegar o momento da venda para identificar problemas!

Neste artigo, você entenderá mais sobre os tipos de dano e os períodos mais sensíveis da sua safra. Confira essas e outras informações!

Principais danos em grãos de milho

Nas culturas agrícolas, a qualidade física e nutricional dos grãos começa durante a produção. Ela se estende até o consumo.

Para você obter uma produção de grãos rentável e com alta qualidade, é necessário prestar atenção desde o manejo até a pós-colheita.

Os danos nos grãos acontecem por uma série de eventos, durante toda a produção. É possível dividir esses danos em: antes, durante e depois da colheita.

É importante conhecer todos os possíveis problemas conforme o período de produção. Assim, você pode evitar grandes perdas.

Antes da colheita

Os danos que acontecem antes da colheita refletem principalmente no peso e qualidade física dos grãos. As pragas, doenças e os microrganismos são os principais vilões nesse momento.

Pragas que atacam as espigas, como percevejo-do-milho e lagarta-da-espiga, são um problema. Elas interferem na qualidade devido à presença de manchas nos grãos, além  de reduzir seu peso.

Além disso, as espigas afetadas por pragas durante o desenvolvimento ficam mais sujeitas aos ataques de patógenos. 

Os patógenos, como os fungos, causam grãos ardidos.

Os grãos ardidos de milho apresentam descoloração. Eles podem ter cor marrom, roxa ou vermelho claro a escuro.

Geralmente são causadas por fungos que atacam as espigas durante a fase de maturação dos grãos.

Imagem de grãos ardidos em milho

Aspecto de grãos ardidos de milho

(Fonte: Embrapa)

Devido ao aspecto, os grãos ficam com preço desvalorizado. Além disso, os fungos são responsáveis por:

  • redução da qualidade do grão;
  • degradação de proteínas;
  • degradação de carboidratos;
  • degradação de açúcares;
  • produção de toxinas, que podem causar uma série de problemas a quem consome.

Para que as espigas fiquem sujeitas a produzir toxinas, devem estar em temperaturas muito baixas (geralmente, abaixo dos 15 °C). Nessas condições, há biossíntese da toxina. 

Grãos ardidos são uma grande preocupação das indústrias. 

Além dos limites máximos de grãos estabelecidos na Instrução Normativa no 60/2011, às vezes há limites ainda inferiores. O objetivo é garantir a segurança dos produtos fabricados.

Limites máximos de tolerância expressos em percentual (%) de grãos ardidos no lote de milho

Limites máximos de tolerância expressos em percentual (%) de grãos ardidos no lote de milho

(Fonte: Senar)

Ainda antes da colheita, pragas muito perigosas em grãos armazenados podem estar presentes no campo e em espigas mal empalhadas. Esse é o caso dos carunchos.

Os adultos colocam seus ovos no interior ou no exterior dos grãos.

Na colheita

Os danos durante a colheita são principalmente causados pela má regulagem da colhedora e pelo teor de água dos grãos.

A qualidade também está relacionada à quantidade de impurezas que o lote apresenta.

Quanto maior a quantidade de impurezas, menor será a qualidade do seu lote. Afinal, essas  impurezas devem ser retiradas no beneficiamento, gerando aumento dos custos.

O mau planejamento no controle de plantas daninhas, como a corda-de-viola, é um dos pontos responsáveis pelo aumento de impurezas.

As plantas daninhas também dificultam a operação das colhedoras, reduzindo seu  rendimento.

Outro ponto é a má regulagem da colheitadeira. Quando elas não retiram todas as impurezas, causam perdas quantitativas e qualitativas da massa de grãos.

Além destes fatores, o teor de água dos grãos é mais um problema. Ele pode causar amassamento, quebra e trincas nos grãos de milho durante a colheita.

Grãos muito úmidos (acima 25%) ou muito secos (abaixo de 10%), aliados à má regulagem da colhedora, causam danos mecânicos nos grãos. 

Esses danos, além de reduzirem a qualidade, são portas de entrada de insetos e fungos durante o armazenamento.

Foto de grãos de milho trincados e quebrados

Grãos trincados e quebrados de milho.

(Fonte: Dykrom)

Após a colheita

Após a colheita, os danos podem acontecer no período de armazenamento dos grãos de milho.

O teor de água nos grãos no momento do armazenamento deve estar entre 12% e 13%. Teores elevados são favoráveis para ataques de insetos e fungos.

Insetos como os carunchos podem estar presentes nos armazéns. Além dos carunchos, as traças também atacam os grãos de milho durante o armazenamento.

Assim como o que ocorre com os carunchos, as larvas se alimentam do interior do grão, reduzindo a qualidade e peso.

Grãos de milho infectados com carunchos (esquerda) e traças (direita)

Grãos de milho infectados com carunchos (esquerda) e traças (direita).

(Fonte: Agrolink)

Fungos de armazenamento, como Aspergillus e Penicillium, causam mofo nos grãos. Assim como os fungos do gênero Fusarium, são produtores de micotoxinas nos grãos de milho.

É importante colher os grãos com o teor de água o mais próximo do adequado

Se não for possível, é necessário realizar a secagem artificial dos grãos colhidos, até valores de 13% de umidade.

Grãos de milho infectados com diferentes espécies de fungos causadores de grãos ardidos e mofados

Grãos de milho infectados com diferentes espécies de fungos causadores de grãos ardidos e mofados

(Fonte: Dagma D. Silva)

Roedores e pássaros também causam danos aos grãos. No entanto, eles são menos frequentes.

Como evitar danos em grãos de milho

Para ter grãos pesados, inteiros e granados, os cuidados começam no planejamento.

Informe-se sobre os cultivares ou híbridos recomendados para sua região. Observe a ocorrência das principais pragas e doenças que afetam o milho e sua resistência a elas.

Semeie na época recomendada para o milho escolhido. Não se esqueça de fazer corretamente os manejos de pragas, doenças e plantas daninhas até o momento de colheita.

Estas são algumas práticas importantes a serem adotadas para reduzir ou eliminar os danos nos grãos de milho ainda em campo.

Existem outras práticas que podem ser úteis para manter a qualidade e garantir a produtividade. 

  • Faça rotação de culturas com outras espécies que não sejam suscetíveis aos fungos causadores de micotoxinas, como Fusarium e Stenocarpella;
  • Realize o controle de plantas daninhas durante a maturação e colheita dos grãos;
  • Controle os insetos e fungos que atacam a formação das espigas;
  • Não demore para realizar a colheita;
  • Regule corretamente a colhedora;
  • Colha com umidade adequada ou realizar secagem após a colheita;
  • Mantenha o armazém limpo;
  • Faça o expurgo dos armazéns, principalmente de locais com a presença dos insetos e pragas.
Planilha de Planejamento da Safra de Milho

Conclusão

O milho é uma cultura de grande importância mundial, e os danos nos grãos podem reduzir a quantidade e qualidade do produto.

É importante realizar corretamente o manejo da cultura antes, durante e após a colheita. Assim, você evita perdas precoces na produção.

Fique sempre de olho nos riscos, para evitá-los e não registrar prejuízos. 

Afinal, além de prejudicar a aparência, danos nos grãos de milho reduzem a qualidade nutricional, prejudicam o cheiro e sabor do alimento.

Você já se deparou com algum desses danos em grãos de milho? O que fez para resolver e recuperar sua produtividade? Deixe seu comentário!

Tudo o que você precisa saber para controlar a larva arame

Larva arame: conheça as características, como identificar sintomas de ataque, como monitorar e fazer o controle efetivo dessa praga

A larva arame é uma praga inicial que danifica as sementes logo após a semeadura. O sistema radicular do milho e de outras gramíneas também é afetado.

Essa praga pode causar a morte de plantas. Como consequência, há grandes perdas econômicas.

As medidas do MIP (Manejo Integrado de Pragas) devem ser planejadas antes da semeadura. 

Por isso é importante conhecer bem as características e os danos causados pela larva.

Ao fim do artigo, você saberá como identificar e monitorar a larva arame e poderá tomar a decisão de quando e como controlá-la. Confira!

O que é a larva arame e quais suas características

A larva arame é uma praga perigosa para culturas de importância econômica.

Ela pertence à família Elateridae, principalmente aos gêneros Conoderus spp. e Melanotus spp.  Na fase adulta, são besouros.

Inseto adulto da larva arame

Inseto adulto da larva arame
(Fonte: Flickr)

Dependendo da espécie, o inseto adulto mede entre 6 mm e 19 mm. Possui corpo alongado e coloração marrom avermelhada, ou mais escura.

Durante o verão, as fêmeas depositam centenas de ovos brancos e esféricos no solo, agrupados de 20 a 40. Desses ovos eclodem as larvas praga.

Antes de se tornarem adultas, as larvas vivem no solo e se alimentam apenas de raízes e sementes de plantas.

No início da fase larval, possui coloração esbranquiçada. Quando completamente desenvolvida, sua cor muda para marrom-amarelada.

O corpo da larva mede até 2 cm de comprimento. É cilíndrico, fino e rígido. Por isso a denominação “larva arame”.

Larva arame em diferentes estágios

Larva arame em diferentes estágios
(Fonte: Insect Images)

Ataque da larva arame

As culturas em que esse inseto assume importância econômica são, principalmente:

  • milho;
  • trigo;
  • arroz;
  • batata.

As raízes destas culturas são afetadas pela alimentação do inseto.

Sintomas e danos 

Nas culturas do milho e do arroz, os danos são mais severos nas lavouras com sistema de integração com pastagem. Os danos acontecem majoritariamente no início da primavera.

As larvas se alimentam de sementes germinando, raízes e mudas jovens

O dano pode ser direto, com redução de crescimento e/ou morte da planta. Também pode ser indireto, deixando uma porta de entrada para patógenos no local do ferimento.

Plantas jovens são mais suscetíveis. Na lavoura, você poderá perceber plantas atrofiadas que costumam ser roxas ou escuras. 

Você também pode notar fileiras com plantas subdesenvolvidas ou mortas.

No milho, os danos ocorrem desde a semeadura até a fase V2/V3.

Uma inspeção mais detalhada revela buracos nas sementes, raízes e caules inferiores. Esses sinais confirmam o ataque da praga.

Dano da larva arame no milho

Dano da larva arame no milho
(Fonte: Universidade de Minnesota)

As plantas ficam atrofiadas, pouco desenvolvidas e o estande é reduzido. Como consequência, ocorre a perda de rendimento da cultura e perda econômica.

Monitoramento da larva arame

Utilize o MIP (manejo integrado de pragas) como rotina na sua fazenda. 

O monitoramento das pragas é a chave para controlá-las. Faça isso antes de causarem danos à plantação.

Para monitorar essa e outras pragas subterrâneas, colete uma amostra de solo de 30 cm x 30 cm a aproximadamente 10 centímetros de profundidade. 

Faça isso em alguns pontos da lavoura durante a pré-safra.

A média de uma larva por amostra é suficiente para reduzir o estande de plantas e causar danos econômicos.

Para te ajudar neste controle, preparamos uma planilha gratuita. Para baixar, clique na figura a seguir!

Você também pode automatizar esse controle com uso de um software de gestão agrícola como o Aegro

Com o sistema de monitoramento de pragas do Aegro você pode:

  • registrar o monitoramento e armadilhamento da lavoura pelo celular;
  • gerar relatórios sobre a incidência das pragas-alvo;
  • descobrir o momento certo para pulverizar, reduzindo seus custos com defensivos.

Além disso, você mantém um histórico de pragas e de aplicações feitas em cada talhão da lavoura. 

O MIP do Aegro pode ser testado gratuitamente por 7 dias. Peça agora uma demonstração e faça uma experiência gratuita!

Formas de controle

Caso identifique pelo menos uma larva arame por amostra, existem diferentes medidas de controle que podem ser tomadas:

  • manejo preventivo;
  • controle cultural;
  • controle biológico;
  • controle químico.

Proceda com o controle prontamente após detectar a presença da praga, e preferencialmente, antes da semeadura.

Entenda as medidas de controle com detalhes a seguir!

Manejo preventivo e controle cultural

Em áreas irrigadas ou com problema de excesso de umidade, controle a umidade da camada arável. 

Isso obriga o inseto a se aprofundar no solo, protegendo a raiz no início do desenvolvimento.

Elimine hospedeiros alternativos e plantas voluntárias que precedem a safra. Elimine também a destruição dos restos culturais logo após a colheita.

Prepare o solo (quando no planejamento de safra) com arado e/ou grade, expondo a praga a predadores e ao sol.

Caso utilize o plantio direto, integração pasto/lavoura ou mantiver plantas de cobertura, fique de olho. Nem sempre as duas últimas formas de manejo são possíveis. 

Planeje bem os manejos pré-plantio, para evitar danos o quanto antes.

Controle biológico

O controle biológico tem ganhado bastante força nos últimos tempos. Ele faz parte do conjunto de boas práticas no controle de pragas do MIP.

Coleópteros da família Staphylinidae, comumente chamados de “potós” ou “besouros-do-casaco”, são insetos carnívoros. Eles se alimentam de diversas pragas, incluindo a larva arame.

Besouro predador da família Staphylinidae

Besouro predador da família Staphylinidae
(Fonte: UFV)

Larvas da mosca-estilete (Therevidae) e algumas espécies de nematoides também são predadoras da praga.

Há grande expectativa no uso do fungo entomopatogênico Metharizium anisopliae para o controle da larva arame. 

Os bioprodutos hoje são formulações com estruturas de reprodução do fungo.

Use adequadamente esta tecnologia, de acordo com as recomendações do fabricante.

Bioproduto à base de Metarhizium anisopliae

Bioproduto à base de Metarhizium anisopliae
(Fonte: Koppert)

Controle químico

Antes de decidir pelo controle químico, considere uma abordagem integrada com os outros métodos citados anteriormente.

Faça o tratamento de sementes (TS) com inseticida sistêmico. Assim, você evita que a praga ataque a semente e as raízes da planta recém-emergida. 

Isso garantirá um bom controle da população da praga.

Semente de milho tratada

Semente de milho tratada
(Fonte: Pioneer)

O ingrediente ativo imidacloprido (neonicotinoide) + tiodicarbe (metilcarbamato de oxima), como o Cropstar da Bayer, é uma boa opção.

Somente o tiodicarbe (Futur 300, Luger 350, Pontiac 350) também é muito eficiente no controle de pragas iniciais na cultura do milho.

Realize tratamento químico para controle da larva arame sempre antes da semeadura ou durante no sulco, de forma preventiva. A aplicação curativa não é eficiente.

Essa prática tem a vantagem de aplicar mais ingredientes ativos próximo à semente e raízes

Ela tem maior persistência do que o tratamento de sementes, e protege as plantas por mais tempo.

Use inseticidas granulados indicados para a cultura. 

O ingrediente ativo Fipronil é uma opção com bom controle de pragas iniciais no milho. Produtos organofosforados (clorpirifós) também são eficientes no controle.

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Conclusão

A larva arame ataca sementes e raízes de milho, principalmente, batata e outras gramíneas.

O seu ataque afeta o vigor e reduz o estande de plantas, causando perdas econômicas consideráveis.

O planejamento, regularidade de monitoramento e integração de práticas de manejo é muito importante para o controle da praga.

Controle cultural, biológico e químico são recomendados para controlar a população da larva arame.

O controle químico deve ser feito de forma preventiva, aplicado no sulco de semeadura ou logo após a semeadura.

Sempre siga as recomendações da bula e instruções de um engenheiro-agrônomo para aplicação de produtos químicos.

>>Leia mais:

“5 pragas agrícolas resistentes a defensivos agrícolas e como combatê-las”

Já passou por problemas com a larva arame na sua lavoura? Espero que esse artigo ajude a planejar a próxima safra. Assine nossa newsletter para receber conteúdos semelhantes!

Saiba tudo sobre o ácaro azul das pastagens, uma praga emergente no Brasil

Ácaro azul das pastagens: conheça mais suas características, as culturas mais afetadas e a melhor forma de controle

O ácaro azul das pastagens é uma praga ainda pouco conhecida no Brasil, mas já presente em algumas lavouras. 

Seu ataque pode causar morte de folhas e de plantas inteiras.

A presença do ácaro azul gera perdas de produtividade e lucratividade. Além disso, afeta as culturas de inverno, principalmente cereais e pastagens.

Neste artigo, você irá conhecer o ácaro azul das pastagens, saber como identificar e também ver as melhores práticas de manejo e controle. Confira a seguir!

Características do ácaro azul das pastagens

O ácaro azul das pastagens (Penthaleus major) é uma espécie da classe Arachnida (mesma das aranhas e escorpiões) e da família Penthaleidae. 

Ele não é um inseto, e sim um aracnídeo.

Também conhecido como ácaro dos grãos de inverno ou ácaro azul da aveia, é uma praga presente no mundo todo.

Adulto do ácaro azul das pastagens

Adulto do ácaro azul das pastagens
(Fonte: ScienceImage)

Poucas são as informações disponíveis sobre o ácaro. Segundo estudos, duas gerações são formadas por ano e atacam principalmente no período do inverno. 

A temperatura ideal para o desenvolvimento da praga é de 8 °C a 15 °C. Confira suas principais características:

  • as larvas medem aproximadamente 0,3 mm;
  • as ninfas medem  0,5 mm;
  • o ácaro adulto mede 1 mm;
  • sua coloração é azul escura;
  • possui quatro pares de pernas, geralmente vermelhas.

Essa espécie prefere solos arenosos. Durante condições adversas, o ácaro azul das pastagens entra no solo a uma profundidade de até 40 cm para se proteger.

A praga foi detectada em 2009, no Rio Grande do Sul. Ela é recente e pouco conhecida. Houve poucos relatos até 2020, quando foi detectada no mesmo local.

Nos Estados Unidos e Europa, é uma importante praga do trigo e de pastagens no outono e inverno.

Como identificar o ataque no campo?

O ácaro azul das pastagens ataca gramíneas de inverno. Aveia, trigo, triticale, cevada e centeio são potenciais alvos.

Você pode identificar os campos infestados pela coloração cinza, prateada ou amarelada das plantas

Caso a infestação seja muito grande, as folhas ou até a planta inteira podem morrer.

Folha de trigo danificada pelo ácaro azul das pastagens

Folha de trigo danificada pelo ácaro azul das pastagens
(Fonte: Researchgate)

Você também poderá notar retardo no crescimento das gramíneas, e maior suscetibilidade às doenças foliares.

Não há muitos relatos dessa praga no Brasil. Apenas em áreas de pastagens no Rio Grande do Sul, mas sem causar danos graves.

Segundo pesquisa, o ataque severo da praga em gramíneas de inverno pode reduzir o rendimento pela metade.

Como identificar o ácaro azul das pastagens na sua lavoura

Em meados do outono e no final do inverno, avalie a lavoura para fazer o reconhecimento da praga. 

Observe cuidadosamente a folhagem das plantas e a superfície do solo. Também arranque algumas plantas em busca da praga dentro do solo.

O ácaro azul das pastagens evita a luz solar e muito vento. Por isso, faça o manejo no início da manhã ou ao final da tarde, em dias calmos, frescos e/ou nublados.

Após identificar o ácaro na sua lavoura, você pode contar com a ajuda do MIP (Manejo Integrado de Pragas). As medidas do Manejo Integrado poderão controlar melhor as pragas da sua lavoura. 

Para te ajudar nessa etapa, preparamos uma planilha de controle. Você pode baixar gratuitamente, clicando na imagem abaixo:

Manejo do ácaro azul das pastagens

Caso o ácaro azul esteja presente, intervenha quando a população atingir entre 2 e 30 indivíduos por planta, ou quando houver mudança de coloração para 10% das plantas.

Como é uma praga pouco conhecida, fique de olho caso haja registro nas proximidades de sua região.

Realize o MIP com constância, independente de observar danos. Entretanto, se observar sintomas do ataque da praga nas folhas das plantas, tenha atenção.

Se em algum monitoramento você detectar a presença do ácaro com população pequena, dispersa e houver poucos danos nas folhas, inspecione novamente após uma semana.

Utilize o controle cultural com rotação de culturas. As folhas largas, no período de inverno, são suas aliadas em caso da presença da praga.

Faça quando necessário o preparo do solo com aração e/ou gradagem como técnica de controle. Os ácaros vivem no solo e são muito expostos à luz e ao calor. Essas condições diminuem sua multiplicação.

Considere o controle químico quando a população ou os danos atingirem o limite de dano econômico.

O tratamento com controle biológico também pode ser uma boa opção. Há recomendação de ácaros predadores da família Phytoseiidae. 

Neoseiulus californicus e Phytoseiulus macropilis têm registro no Mapa (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento) e são comercializadas por biofábricas.

Predador Neoseilus californicus utilizado no MIP

Predador Neoseilus californicus utilizado no MIP
(Fonte: Koppert)

Controle químico

Não há trabalhos no Brasil que avaliem a eficiência de acaricidas no controle desta praga. Afinal, ela é uma praga emergente e até então, possui pouca importância.

Um trabalho realizado na Europa avaliou a utilização do inseticida Permetrina, um ingrediente ativo do grupo químico dos piretroides no controle da praga. 

A aplicação de 50 ml de ingrediente ativo por ha resultou em significativa redução na população de ácaros. Além disso, houve aumento no rendimento das pastagens. Porém, a cultura sofreu efeitos colaterais, como redução de potássio e de rendimento.

No portal Agrofit há diversos produtos com esse ingrediente ativo registrados para o trigo e outras gramíneas. No entanto, vale lembrar que não existem produtos registrados especificamente para controlar o ácaro azul.

Outro produto testado em pastagens na Austrália e eficiente no controle do ácaro azul das pastagens é o dimetoato. Ele é um inseticida/acaricida sistêmico do grupo químico dos organofosforados.

O dimetoato está registrado no Mapa para o trigo em dois produtos: Dimetoato 500 EC (Nortox S.A.) e Dimexion (FMC Química).

Todas as aplicações de produtos químicos devem seguir as recomendações da bula e as boas práticas de manejo na agricultura.

Dê preferência a produtos seletivos aos inimigos naturais. Assim, será menor o risco de ocorrer pressão de seleção ao ácaro.

planilha manejo integrado de pragas MIP Aegro, baixe agora

Conclusão

Culturas de inverno, principalmente cereais e pastagens são os principais alvos do ácaro azul das pastagens. No entanto, existem formas de se livrar dele.

Monitore principalmente áreas com solo arenoso, pois proporcionam as melhores condições para o ácaro azul se desenvolver.

Folhas com coloração cinza a prateada ou amarelada são indicativos da presença da praga. Uma grande população pode matar plantas e reduzir significativamente a produção.

Faça monitoramento periódico no outono e inverno, e utilize a rotação de culturas com não gramíneas nesse período.

Utilize a pulverização com inseticidas/acaricidas quando necessário para o controle do ácaro azul das pastagens. E, é claro, não se esqueça de consultar um(a) engenheiro(a)-agrônomo(a)!

>> Leia mais:

“Como proteger sua lavoura dos ácaros na soja”

“Como fazer o controle efetivo do ácaro-rajado”

Já verificou danos semelhantes aos causados pelo ácaro azul das pastagens? Como fez para identificar e controlar essa praga? Adoraria ler seu comentário!

Fungos entomopatogênicos no controle de pragas: o que são e como utilizá-los na lavoura

Fungos entomopatogênicos no controle de pragas: saiba em quais culturas eles vêm sendo utilizados e como podem ser ótimos aliados na proteção do seu cultivo

Os fungos entomopatogênicos são ótimos aliados no controle de pragas

Esses microrganismos, embora passem despercebidos na lavoura, atuam como inimigos naturais de pragas.

Sua eficiência depende de um bom manejo integrado de pragas e doenças, como aplicação de defensivos compatíveis e de forma equilibrada.

Neste artigo, você verá como esses fungos te auxiliam no controle de pragas e quais cuidados devem ser tomados para garantir a eficiência do controle biológico.  Boa leitura!

O que são fungos entomopatogênicos?

Os fungos entomopatogênicos são organismos capazes de colonizar diversas espécies de pragas, causando epizootias (enfermidades que podem causar a morte ou interferir na alimentação e reprodução de insetos e ácaros).

Na cultura da soja,  eles são responsáveis pelo controle biológico de lagartas

Eles também atuam na proteção de diferentes cultivos contra a mosca-branca, cigarrinhas, ácaros, dentre outros insetos.

Beauveria bassiana e Metarhizium anisopliae são os fungos mais estudados e aplicados no controle de pragas, em diversas culturas.

Fungos entomopatogênicos no controle de pragas: atuação e utilização

Geralmente, os fungos entomopatogênicos atacam seus hospedeiros, penetrando e colonizando seus corpos.

A infecção ocorre em 6 etapas:

  • fixação do esporo na parte externa do corpo dos insetos;
  • germinação das estruturas fúngicas sobre o corpo dos insetos;
  • penetração através da cutícula, atingindo o interior do corpo do inseto;
  • desencadeamento de respostas de defesa imunológica pelos insetos ou ácaros hospedeiros, superando-as;
  • proliferação dentro do corpo do hospedeiro, formando suas estruturas fúngicas de disseminação;
  • crescimento no hospedeiro já morto, produzindo novas estruturas de disseminação.

O sucesso da colonização dos entomopatógenos depende do estádio de desenvolvimento do hospedeiro alvo.

No caso das lagartas, por exemplo, quanto mais cedo os fungos colonizam seus corpos, mais efetivo será o controle pelos entomopatógenos.

Para que o fungo possa colonizar com sucesso o hospedeiro, é indispensável a alta umidade no ambiente. 

Em condições muito secas, a germinação dos fungos e a colonização dos hospedeiros pode não ocorrer. 

As condições ambientais no momento da aplicação dos produtos devem ser observadas.

Antes de produzir estruturas de disseminação e causar a morte do hospedeiro, os entomopatógenos podem afetar o inseto por meio de mudanças no comportamento alimentar, redução de peso, esterilidade e malformações.

Ciclo da relação patógeno-hospedeiro de Metarhizium anisopliae sobre a cigarrinha-da-raiz da cana-de-açúcar (Mehanarva fumbriolata)

Ciclo da relação patógeno-hospedeiro de Metarhizium anisopliae sobre a cigarrinha-da-raiz da cana-de-açúcar (Mehanarva fumbriolata)
(Fonte: adaptado de Alves, 1998 e Mascarin, 2010)

Utilização

A crescente demanda por defensivos agrícolas no controle de pragas têm revisitado a discussão sobre o manejo de resistência desses insetos pelas moléculas disponíveis no mercado.

Anualmente, o número de relatos de pragas (insetos e ácaros) e patógenos (doenças) resistentes às moléculas utilizadas no seu controle vem crescendo, preocupando produtores, técnicos e pesquisadores.

Utilizar microrganismos (como fungos) com potencial para controlar as pragas nas áreas de produção é uma alternativa interessante, de menor impacto ao meio ambiente, menor custo e alta eficiência.

Principais programas de controle biológico por fungos entomopatogênicos no Brasil

Os principais programas de controle biológico com fungos entomopatogênicos incluem o controle de pragas em diversas espécies agrícolas:

Cana-de-açúcar

  • cigarrinha-da-cana-de-açúcar (Mahanarva posticata e M. fimbriolata);
  • cupim da cana-de-açúcar (Cornitermes);
  • gafanhotos (Schistocerca pallens, Stiphra robusta e Rhammatocerus schistocercoides). Esses também causam danos em arroz e pastagens.
Mahanarva posticata (cigarrinha-da-cana-de-açúcar) à esquerda e M. fimbriolata  a direita, que causam danos nas folhas e raízes da cana-de-açúcar

Mahanarva posticata (cigarrinha-da-cana-de-açúcar) à esquerda e M. fimbriolata  a direita, que causam danos nas folhas e raízes da cana-de-açúcar
(Fonte: Agrolink)

duas fotos de Cornitermes cumulans (cupim-da-cana-de-açúcar)

Cornitermes cumulans (cupim-da-cana-de-açúcar)
(Fonte: Silva e colaboradores, 2021)

Schistocerca pallens - fungo entomopatogênico no controle de pragas

Schistocerca pallens
(Fonte: Moreira et al., 1999)

Pastagens 

As cigarrinhas-das-pastagens (Mahanarva, Deois e Zulia) podem afetar significativamente a oferta de alimentos na produção de gado de corte e leite em bovinos de leite.

Adulto de Deois flavopicta e sintomas de danos em milho

Adulto de Deois flavopicta e sintomas de danos em milho
(Fonte: Cruz et al., 2010)

Cafeeiro

A broca-do-cafeeiro (Hypothenemus hampei), é uma praga amplamente distribuída nas regiões produtoras de café, e pode ser controlada utilizando o fungo Beauveria bassiana.

A aplicação do produto deve ser iniciada quando 1 a 2% dos frutos estiverem broqueados, atingindo as partes da planta com maior infestação.

Hypothenemus hampei (broca-do-cafeeiro)

Hypothenemus hampei (broca-do-cafeeiro)
(Fonte:  Koppert)

Soja

A lagarta-da-soja (Anticarsia gemmatalis) e a falsa-medideira (Chrysodeixis includens), principais pragas da cultura da soja, podem causar danos em diversas espécies.

Alfafa, amendoim, arroz, ervilha, feijão, feijão-vagem e trigo são atingidos por essas lagartas, podendo sofrer até 100% de desfolha nestas culturas.

O controle de ambas as lagartas pode ser realizado com auxílio do fungo Nomuraea rileyi que, principalmente em anos úmidos, apresenta efeitos satisfatórios no controle de diversas espécies de lepidópteros na cultura da soja.

Mas atenção, Nomuraea rileyi ocorre naturalmente nos campos de produção se as condições ambientais forem favoráveis: umidade superior a 60%, e temperaturas entre 26 °C e 27 °C. 

Além disso, embora possa proporcionar até 90% de controle das lagartas, a aplicação de inseticidas, fungicidas e herbicidas pode diminuir sua efetividade.

Ovos, pupa e larva de quinto ínstar de Anticarsia gemmatalis

Ovos, pupa e larva de quinto ínstar de Anticarsia gemmatalis
(Fonte: Praça, Moraes e Monnerat, 2006.)

Lagarta, fase de pupa e mariposa (Chrysodeixis includens)

Lagarta, fase de pupa e mariposa (Chrysodeixis includens)
(Fonte: Agrolink)

Milho

Controle da lagarta-do-cartucho (Spodoptera frugiperda) a partir do fungo Beauveria bassiana.

Fases de desenvolvimento de Spodoptera frugiperda - lagarta-do-cartucho-do-milho

Fases de desenvolvimento de Spodoptera frugiperda – lagarta-do-cartucho-do-milho
(Fonte: Carneiro e colaboradores, 2004)

Como você pode utilizar os fungos a seu favor?

O controle das cigarrinhas é realizado através do fungo Metarhizium anisopliae, em concentrações de 500 g de esporos do fungo por hectare.  

Os fungos M. anisopliae e Beauveria bassiana apresentam alta efetividade no controle de cupins-de-montículo e da cana-de-açúcar. 

Aplique diretamente nos ninhos, em concentrações de 6 a 12 gramas da formulação em pó seco.

Para o controle de gafanhotos, utilize o fungo Metarhizium flavoride. Ele é produzido em arroz pré-cozido. 

As vantagens incluem menor uso de defensivos químicos, que podem causar desequilíbrios e contaminações ambientais, menos problemas para os aplicadores, e menor risco de resistência das pragas às moléculas químicas.

Diversidade de fungos entomopatogênicos colonizando diferentes insetos-praga. A) Aschersonia sp. em Bemisia tabaci, B) Lecanicillium longisporum em Orthezia praelonga, C) Isaria fimbriolata, E) Lecanicillium em Coccus viridis, F) Beauveria bassiana em Sphenophorus levis, G) B. bassiana em Hypothenemus hampei, H) B. bassiana em Anaestrpha sp

Diversidade de fungos entomopatogênicos colonizando diferentes insetos-praga. A) Aschersonia sp. em Bemisia tabaci, B) Lecanicillium longisporum em Orthezia praelonga, C) Isaria fimbriolata, E) Lecanicillium em Coccus viridis, F) Beauveria bassiana em Sphenophorus levis, G) B. bassiana em Hypothenemus hampei, H) B. bassiana em Anaestrpha sp
(Fonte: Mascarin & Pauli, 2010)

Na tabela de produtos disponíveis, que podem ser consultados no Sistema Agrofit, é possível observar que estes microrganismos podem ser utilizados para o controle de mais de uma praga de interesse agrícola, demonstrando amplo espectro de ação.

Veja na tabela a seguir os formulados biológicos a partir de fungos entomopatogênicos, recomendados para o controle de pragas.

formulados biológicos a partir de fungos entomopatogênicos, recomendados para o controle de pragas

Atenção: produtos de diferentes fabricantes, formulados a partir do mesmo agente biológico, podem conter cepas não efetivas a todas as pragas listadas.  Consulte a bula do produto previamente.

O que considerar no controle com uso de fungos entomopatogênicos 

Quando a aplicação de entomopatógenos é realizada no campo, diversos fatores podem interferir na sua capacidade de sobrevivência, propagação e infecção nos hospedeiros (pragas).

Compatibilidade com moléculas químicas

A compatibilidade dos agentes de controle biológico com agrotóxicos utilizados no manejo de pragas e doenças das culturas, como inseticidas, fungicidas e até mesmo herbicidas deve ser planejada e avaliada previamente.

Em estudos na cultura da cana-de-açúcar, por exemplo, inseticidas à base de tiametoxam foram considerados compatíveis.

Esses inseticidas não afetaram o crescimento micelial (uma das partes do fungo), a produção e viabilidade dos esporos de Beauveria bassiana e Metarhizium anisopliae.

Em contrapartida, fipronil é considerado parcialmente tóxico para ambos os fungos entomopatogênicos. Aldicarbe, um inseticida e nematicida, foi considerado tóxico para ambos os fungos.

Herbicidas como imazapir, glifosato e metribuzin foram considerados compatíveis a ambos os fungos, podendo ser utilizados no manejo das culturas aos quais são indicados.

Desta forma, em programas de MIP (Manejo Integrado de Pragas), é indispensável o conhecimento sobre a compatibilidade dos agentes de controle biológico, como os fungos entomopatogênicos e os produtos utilizados durante o ciclo da cultura.

Para realizar o MIP na sua lavoura, preparamos uma planilha que pode te ajudar. Baixe gratuitamente clicando na imagem a seguir:

Radiação solar, ultravioleta e temperatura 

A exposição à radiação solar, ultravioleta e temperaturas acima ou abaixo do ideal aos fungos, também podem influenciar no seu desempenho a campo, e devem ser observadas antes da sua aplicação.

A radiação UV pode afetar a sua eficiência, inativando os esporos do fungo, causando mutações e danos letais ao DNA. 

Além disso, causa a dessecação das estruturas dos fungos, impedindo sua germinação e posterior colonização dos insetos pragas.

Estudos simulando a radiação solar e ultravioleta aos fungos Metarhizium anisopliae e Beauveria bassiana identificaram sensibilidade à radiação, com redução da germinação dos esporos dos isolados em até 65%, comprometendo sua eficácia a campo.

Temperaturas entre 23,8 °C e 31 °C favoreceram a germinação dos conídios dos fungos, enquanto temperaturas próximas a 20 °C dificultaram a sua germinação.

Desta forma, antes da aplicação destes produtos a campo, observe as condições ambientais no dia da aplicação e nos subsequentes.

Assim você garante que os microrganismos possam se desenvolver em condições ambientais favoráveis.

Armazenamento, monitoramento da lavoura e aplicações de fungos entomopatogênicos

Os bioinseticidas (formulados a partir de fungos entomopatogênicos) devem ser armazenados em locais frescos, secos e sem luz, para melhor conservação e qualidade.

As pulverizações a campo devem ser realizadas assim que as pragas apresentarem os primeiros sinais de ataque, ou assim que sua presença for detectada.

O monitoramento da área deve ser constante. Os agentes de controle biológico serão mais efetivos se aplicados em estágios iniciais de desenvolvimento das pragas.

A bula, bem como as informações referentes às pragas as quais os produtos são efetivos, devem ser consultados. 

As pulverizações a campo devem ser realizadas preferencialmente após as 16 horas, pela menor incidência de raios ultravioletas que reduzem a efetividade dos microrganismos.

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Conclusão

Os fungos entomopatogênicos possuem um grande potencial no controle de diversas pragas de interesse agrícola.

O monitoramento e as aplicações desses ótimos aliados no tempo correto, assim que as pragas são identificadas na lavoura, é muito importante.

Lembre-se dos fatores relacionados ao sucesso deste tipo de controle: monitoramento da praga, das condições ambientais, além do cuidado no armazenamento e aplicação dos produtos.

>> Leia mais:

“Por que o controle biológico com Trichoderma pode ser uma boa opção para sua lavoura”

Você já utiliza algum fungo entomopatogênico no controle de pragas na sua fazenda? Ficou com alguma dúvida sobre o assunto? Compartilhe sua experiência com a gente! 

Cigarrinha-do-milho: danos e como fazer o controle eficiente dessa praga

Cigarrinha-do-milho: entenda sobre o potencial de dano, quais doenças pode transmitir, sintomas e como realizar o manejo preventivo e curativo

A cigarrinha-do-milho é o inseto vetor do enfezamento do milho, que tem se destacado pelo grande potencial de dano. Ela pode causar até 100% de perdas nas áreas de produção.

Você sabe quais são as causas do aumento da ocorrência dessa praga nas áreas de produção de milho safra e safrinha? Sabe como identificar e quando controlar?

Confira a seguir alguns aspectos fundamentais da biologia da praga, como identificar os  sintomas e quais boas práticas você deve adotar para evitar perdas. Boa leitura!

Características da cigarrinha-do-milho

A cigarrinha-do-milho (Dalbulus maidis) é um inseto sugador. Pertence à ordem Hemiptera e à família Cicadellidae, com distribuição geográfica restrita à América do Norte, América Central e América do Sul.

Quando adulto, mede entre 3 mm e 4 mm e possui coloração ligeiramente esbranquiçada, branco-palha ou acinzentada. Ninfas possuem coloração amarelo-pálida.

Seus ovos são depositados dentro do tecido vegetal, na nervura central. Adultos e ninfas sugam a seiva das folhas na região do cartucho, reduzindo o desenvolvimento das plântulas, do sistema radicular e transmitindo doenças.

Doenças transmitidas pela cigarrinha-do-milho

Você já observou alguns dos sintomas abaixo na sua lavoura?

A foto à esquerda mostra o enfezamento pálido. A foto à direita mostra o enfezamento vermelho

(Fonte: Embrapa, 2014)

Esses sintomas são característicos das doenças conhecidas por enfezamentos, causadas por molicutes e disseminadas para áreas de cultivo de milho pela cigarrinha-do-milho.

Enfezamento pálido e vermelho do milho

O enfezamento pálido é causado por um espiroplasma (Spiroplasma kunkelii). Ele desenvolve lesões em forma de estrias cloróticas, que percorrem a base das folhas paralelamente às nervuras.

O enfezamento vermelho é causado por um fitoplasma (Maize Bushy Stunt Phytoplasma). 

Os sintomas nas folhas são lesões avermelhadas no ápice e nas bordas, secamento da margem em direção ao centro das folhas e o desenvolvimento de brotos axilares (novas plantas).

As cultivares também podem apresentar:

  • clorose;
  • amarelecimento das folhas sem avermelhamento;
  • perfilhamento e proliferação de espigas (até seis ou mais por planta);
  • acamamento pelo desenvolvimento de poucas raízes.

Ambas as doenças são sistêmicas e vasculares. Os patógenos se alojam e colonizam os vasos condutores, circulando pelo floema da planta. 

O resultado é o “entupimento” mecânico dos vasos condutores, prejudicando o desenvolvimento da planta.

Vale destacar que no campo não é possível distinguir os dois patógenos, devido à semelhança dos sintomas provocados. Frequentemente, ambos os patógenos ocorrem simultaneamente ao longo da área de produção.

Risca: virose transmitida pela cigarrinha-do-milho

Além dos enfezamentos, a cigarrinha também pode transmitir uma virose conhecida por MRFV (Maize Rayado Fino Virus).
Os sintomas da risca incluem pequenos pontos cloróticosem formato de linhas nas folhas, ao longo das nervuras. Abortamento de gemas florais e redução do crescimento também são observadas na presença do vírus.

Folha de milho com sintomas de MRFV: riscas amareladas, paralelas às nervuras e com aparência pontilhada

(Fonte: Embrapa)

Danos causados pela cigarrinha-do-milho

Os danos são proporcionais ao número de plantas doentes e à época de infestação das plantas. Quanto mais cedo a infestação ocorrer (estádios iniciais de desenvolvimento da cultura), maiores serão danos como:

  • internódios curtos;
  • planta pequena e improdutiva;
  • espigas pequenas;
  • falhas na granação;
  • planta atacada seca precocemente;
  • grãos chochos;
  • proliferação de espigas;
  • brotamento nas axilas das folhas;
  • emissão de perfilhos na base das plantas;
  • má-formação das palhas das espigas;
  • proliferação de radículas;
  • colonização de outros patógenos, causado acamamentos;
  • perda total de produção.

Como identificar a cigarrinha-do-milho?

Existem mais de 44 espécies de cigarrinhas no Brasil. Porém, apenas uma é vetor dos enfezamentos: a Dalbulus maidis.

Ela é diferenciada das demais da espécie pelas duas manchas (pintas negras) entre os olhos.

Identificação da cigarrinha-do-milho (Dalbulus maidis) pela presença de duas pintas pretas entre os olhos, indicada pelas setas na figura

(Fonte: Charles Martins de Oliveira, 2020)

Modo de transmissão

O modo de transmissão da praga pode ser persistente ou propagativo.

No modo persistente, após a aquisição dos patógenos, o inseto permanece infectivo por toda a vida. É importante que o controle seja realizado assim que a praga for detectada na área.

No modo propagativo, os patógenos circulam e se multiplicam na cigarrinha.

Como o inseto adquire o patógeno 

O inseto se alimenta de plantas de milho infectadas, através da sucção da seiva do floema. Durante a alimentação, ele adquire os patógenos, que passam para o seu trato digestivo

Os patógenos atravessam a parede do intestino do inseto, espalhando-se. A multiplicação ocorre principalmente nas glândulas salivares.

Posteriormente, o inseto abandona a planta doente e migra para plantas sadias e mais jovens. Quando ocorre a salivação, ela inocula os patógenos na planta sadia, transmitindo a doença.

Dinâmica populacional e ciclo biológico da cigarrinha-do-milho

Os ovos eclodem aproximadamente 8 dias após a postura e as ninfas passam por 5 instares (fases até se tornarem adultas). A duração da fase jovem é de aproximadamente 17 dias, a depender da temperatura.

A longevidade dos adultos é de 50 a 60 dias. Da fase do ovo até a fase adulta, é em torno de 25 a 30 dias

Sob temperaturas ideais (entre 26 °C e 32 °C), o ciclo pode ser completo em 24 dias, sendo possível a deposição de até 14 ovos por dia.

Entre 75 e 90 dias, a cigarrinha-do-milho completa seu ciclo biológico. Cada fêmea pode depositar entre 400 e 600 ovos, a depender da temperatura.

Problemas maiores são observados em plantios tardios (safrinha), e em temperaturas mais elevadas (entre 21 °C e 26 °C). 

Nessas condições, a cigarrinha-do-milho pode produzir de 4 a 6 gerações de insetos, e população entre 42 milhões e 190 bilhões de indivíduos

ciclo da cigarrinha-do-milho

Ciclo biológico da cigarrinha do milho
(Fonte: Sementes Agroceres)

Características importantes para manejo da cigarrinha-do-milho

Quatro períodos são considerados importantes para o manejo da cigarrinha:

O inseto sobrevive e se reproduz na entressafra em plantas hospedeiras como o milho tiguera, causando maiores problemas em plantios tardios do milho safrinha.

A cigarrinha-do-milho pode permanecer em outras espécies de gramíneas, utilizando-as como abrigo, como a aveia, trigo, plantas daninhas, triticale, cana, braquiária, milheto. O monitoramento destas espécies também deve ser realizado.

Possíveis causas do aumento da ocorrência da cigarrinha-do-milho 

A oferta abundante e ininterrupta do hospedeiro pelo cultivo intensivo do milho safra e safrinha, aliado à rotação de culturas inexistente ou inadequada aumentaram a população da praga.

Temperaturas entre 26 °C e 30 °C também favoreceram a ocorrência da praga e do complexo de doenças transmitidas por ela: enfezamento pálido, vermelho e vírus da risca para novas áreas.

O não controle da cigarrinha-do-milho resulta em populações elevadas e problemas cada vez mais preocupantes.

Segundo o Cepea, o não controle desta praga pode reduzir a produção em 6,6%, impactando diretamente no aumento do preço do produto no mercado.

A identificação da praga (mesmo que em populações baixas) e dos sintomas das doenças na lavoura é fundamental, principalmente nos estádios iniciais da cultura.

Cigarrinhas em folhas jovens de milho

(Fonte: Foto de Fabiano Bastos em Embrapa)

Controle da cigarrinha-do-milho

É importante que você fique alerta, pois utilizar apenas um controle não será o suficiente em casos de altas infestações. O ideal é realizar o MIP (Manejo Integrado de Pragas).

Os manejos mais utilizados são o cultural e o químico, mas também é possível utilizar o biológico.

Vale destacar que, para as doenças, as medidas devem ser preventivas, pois não existem produtos registrados para o seu controle.

Estratégias de manejo 

  • Adeque a época de plantio;
  • evite sobreposição de ciclos da cultura;
  • evite plantios consecutivos;
  • elimine plantas hospedeiras (milho tiguera);
  • sincronize época de plantio;
  • evite semeadura próximo a áreas com plantas adultas que apresentem os sintomas dos enfezamentos ou da risca;
  • escolha híbridos com maior tolerância que seja adaptado a região de cultivo;
  • evite sementes piratas; opte pelas certificadas e com tratamento industrial;
  • faça monitoramento constante, principalmente nos estádios iniciais da cultura (VE e V8);
  • planeje a colheita do milho com regulagem minuciosa das máquinas para evitar que grãos caiam sobre a área e germinem posteriormente;
  • utilize caminhões em boas condições, para evitar a dispersão de milho na beira das estradas.

Medidas isoladas não são eficazes, e nenhuma medida é 100% efetiva. Além disso, não existe tratamento curativo para as doenças descritas, apenas é possível eliminar o inseto vetor. Medidas devem ser baseadas em prevenção!

Escolher o material mais adequado para semeadura é uma estratégia que, aliada às demais, pode reduzir as perdas na lavoura. Alguns híbridos apresentaram maior ou menor grau de suscetibilidade ao enfezamento vermelho. 

Produção de grãos (A) e notas de enfezamento (B) em genótipos de milho plantados em Sete Lagoas-MG. Genótipos com maior severidade representados pela letra D obtiveram menor produção.

(Fonte de: Cota e colaboradores, 2018. )

Controle químico

O melhor método químico é através do tratamento das sementes com inseticidas, o que vai propiciar uma maior proteção às plântulas de milho. A presença do inseto vetor requer a entrada do controle químico na área.

Neonicotinoides, dentre os químicos, possuem os melhores resultados no controle da cigarrinha.

Isso se deve a suas características de sistemicidade (mesmo quando aplicado em uma parte, é absorvido e atinge todos os tecidos da planta) e translocação translaminar (mesmo aplicado na face superior da folha, tem capacidade de penetrá-la e ter ação na face inferior). 

As ninfas se alojam principalmente no verso das folhas, exigindo produtos que possam alcançar este local. Escolha produtos com solubilidade moderada, devido ao maior tempo residual na cultura.

É indispensável rotacionar produtos químicos com modos de ação distintos (observando o número máximo e intervalo de aplicações recomendadas na bula) com produtos registrados para a cultura.

Para saber quais são os produtos químicos registrados e recomendados para a cultura, basta acessar o Agrofit.

Para consultar produtos químicos e biológicos recomendados e informações de como aplicá-los, essa planilha certamente irá te ajudar.

Controle biológico da cigarrinha do milho

Você sabia que além do controle químico, é possível utilizar o controle biológico de forma conjunta?

Ele é feito através de produtos que contenham como ingrediente ativo o fungo Beauveria bassiana. Os fungos podem penetrar na cutícula do inseto e se multiplicar no seu interior.

planilha de planejamento da safra de milho

Conclusão

Conhecer o histórico da sua área é essencial para monitorar a presença da cigarrinha-do-milho.

Apenas o controle químico não vai resolver o problema. Adote também medidas culturais e preventivas.

Quanto antes você detectar a presença da cigarrinha-do-milho e realizar o controle com os produtos recomendados, nas doses especificadas e intervalos de aplicação adequados, menores serão as suas perdas.

Aqui você viu todos os danos que esse inseto pode causar, e como evitá-los. Agora é só não descuidar da sua lavoura de milho e adotar medidas preventivas de controle! 

Leia mais >>

“Mancha-amarela no trigo: veja como manejar a doença”

Restou alguma dúvida sobre a identificação ou manejo da cigarrinha-do-milho? Tem alguma outra dica para acabar com esse problema? Adoraria ver seu comentário abaixo!

O que a cigarrinha-do-milho causa?

A cigarrinha-do-milho é o inseto vetor do enfezamento do milho e tem potencial de causar até 100% de perdas nas áreas de produção. Os danos são proporcionais ao número de plantas doentes e à época de infestação, podendo ser desde plantas pequenas e improdutivas a grãos chochos, falhas na granação, além da perda total da produção.

Como controlar a cigarrinha-do-milho?

Os manejos mais utilizados são o cultural e o químico, mas também é possível utilizar o biológico. Os neonicotinoides possuem os melhores resultados no controle da cigarrinha, mas é indispensável rotacionar produtos químicos com modos de ação distintos. No caso do controle biológico, produtos que contenham o fungo Beauveria bassiana são os mais indicados.

Como identificar e realizar o controle de tripes em soja

Tripes em soja: o que é, danos causados, transmissão de viroses e quais cuidados você deve ter durante o cultivo para evitar perdas

As tripes são pragas secundárias da cultura da soja, o que significa que, apesar de causarem danos, os prejuízos econômicos não são tão expressivos. Porém, esses insetos podem ser responsáveis por uma grande redução de produtividade, especialmente em longos períodos de estiagem e em solos de baixa fertilidade.

Essa praga pode transmitir viroses e deixar lesões que servem de porta de entrada para outros patógenos, como fungos e bactérias

Neste artigo, você lerá sobre as características das tripes e sobre aspectos importantes na tomada de decisão do controle a ser utilizado.

O que são tripes: características biológicas da praga

As tripes são pequenos insetos da família Thripidae, que possui mais de 290 gêneros e duas mil espécies. Podem ser de colorações variadas – marrons, brancas, bege-claras, amareladas ou pretas. Diversas espécies de tripes podem ser encontradas nas plantas de soja, com destaque para Caliothrips brasiliensis, C. phaseoli e Frankliniella schultzei.

As ninfas, que eclodem dos ovos, têm aparência semelhante aos insetos adultos e parte de seu ciclo de vida ocorre no solo

Costumam se abrigar em folíolos novos e interiores e na face inferior das folhas. Atingem a fase adulta entre oito e nove dias após a fase de ninfa.

Se alimentam dos tecidos vegetais e possuem um estilete em seu aparelho bucal raspador. Esse aparelho raspa a epiderme, suga a seiva e causa posterior morte do tecido.

Possuem corpo alongado e asas franjadas, ligeiramente transparentes, medindo entre 1 mm a 3 mm de comprimento.

Corpo característico das tripes: alongado e um par de antenas

Corpo característico das tripes: alongado e um par de antenas
(Fonte: SOSA-GOMEZ et al., 2013)

Caliothrips brasiliensis e Caliothrips phaseoli

Ambas as espécies são encontradas de forma mais abundante na cultura da soja no Sul do Brasil.

Caliothrips phaseoli é uma espécie polífaga, capaz de causar danos em diversas culturas de interesse agrícola, como feijão, soja e outras fabáceas.

Caliothrips brasiliensis causa danos em algodão, feijão, soja, amendoim e ervilha.

Os adultos medem cerca de 1 mm de comprimento, e possuem coloração amarelada. Ninfas e adultos se alimentam da seiva das plantas, que se tornam amareladas e deformadas e sofrem queda prematura.

Quando associados a outras pragas, como ácaros, foram relatadas reduções significativas de 50% na taxa de fotossíntese

Localizados no extrato superior no estádio R5 da cultura (início do enchimento dos grãos) 73 tripes/folíolo ocasionam perdas de 17%  no rendimento da cultura.

Caliothrips brasiliensis causando lesões características prateadas em soja. Adulto (a), ninfa (b) e sintomas de raspagem das folhas (c)

Caliothrips brasiliensis causando lesões características prateadas em soja. Adulto (a), ninfa (b) e sintomas de raspagem das folhas (c)
(Fonte: SALVADORI et al., 2007)

Frankliniella schultzei

Vem sendo relatada com frequência em infestações elevadas em regiões da Bahia, especialmente no oeste.

Ovos de Frankliniella schultzei são introduzidos no interior do tecido epidérmico das folhas, com eclosão em média quatro dias após

As fêmeas ovipositam de 20 a 139 ovos durante o seu ciclo de vida, com duração de 9 a 18 dias, a depender da temperatura e umidade relativa do ar. Em temperaturas mais elevadas, o ciclo é acelerado.

Ambas as fases, adulta e ninfa, provocam danos por raspagem na superfície foliar. Podem causar ainda, danos nas flores, causando sua esterilidade e aspecto de coloração avermelhada.

Na fase reprodutiva, atingem seu maior nível populacional, sendo indispensável o monitoramento prévio.

Vista dorsal de Frankliniella schultzei

Vista dorsal de Frankliniella schultzei
(Fonte: KAKKAR et al., 2010)

Identificação e danos causados pelas tripes em soja

Reduções entre 10% a 25% na produtividade da cultura foram registradas quando o controle adequado das tripes não foi feito.

De forma geral,  elas provocam lesões em faixas ou estrias, de coloração escura ao longo do caule das vagens, curvamento dos ponteiros e bronzeamento das folhas, além das manchas características prateadas.

São disseminadas pelo vento, e embora possuam asas na fase adulta, sua capacidade de voo é considerada baixa.

tripes em folha de soja

Tripes em soja
(Fonte: Manual de Pragas da Soja)

Danos diretos 

As tripes causam manchas esbranquiçadas no feixe, com áreas de coloração prateada, que evoluem para manchas bronzeadas, marrons e posteriormente necrosadas.

Danos e infestações de níveis populacionais diferentes podem ser observados para cultivares distintas. 

Danos indiretos

Um dano indireto é a transmissão do vírus TSV (tobacco streak vírus), responsável pela “queima-do-broto” apical da planta, que pode acarretar até 100% de perdas na lavoura

O TSV afeta o desenvolvimento das plantas, deixando-as com porte reduzido, atrofiado, reduzindo consideravelmente a produtividade. No entanto, apenas as fases adultas são capazes de transmitir o vírus ao longo da área de produção.

Infestação de cravorana em lavoura de soja

Infestação de cravorana em lavoura de soja
(Fonte: KLENJI, C. A., 2020)

A maior ocorrência do TSV é relatada nas regiões do Paraná e São Paulo, devido principalmente à presença de plantas daninhas hospedeiras perenes e semiperenes.

Essas plantas favorecem a reprodução nas demais épocas do ano, como a cravorana (Ambrosia polystachya).

Sintomas do vírus TSV, transmitido por tripes, em vagens de soja (esquerda), com lesões necróticas características em formato de estrias e em grãos (direita)

Sintomas do vírus TSV, transmitido por tripes, em vagens de soja (esquerda), com lesões necróticas características em formato de estrias e em grãos (direita)
(Fonte: MUELLER, D., 2013)

Controle de tripes em soja: quando e de que forma fazer

As tripes em soja reduzem a área fotossinteticamente ativa das plantas, especialmente no terço inferior (baixeiro), nos estádios vegetativo e reprodutivo.

Causam lesões em vagens e prejudicam triplamente o enchimento dos grãos, pela diminuição da área foliar, perda de água pelas lesões, aceleração do ciclo da cultura e redução do peso.

Esses danos diminuem a qualidade dos grãos e aceleram a sua deterioração.

A decisão de controle de tripes através de inseticidas deve considerar alguns pontos importantes, como população da praga, estádio de desenvolvimento da cultura e ingredientes ativos.

Além disso, é necessário considerar que a reinfestação pela praga é rápida, uma vez que seu ciclo é completo em aproximadamente 15 dias.

Acompanhar as previsões meteorológicas de precipitações torna-se importante. Condições de baixa umidade e estresse hídrico, favorecem a reprodução da praga. Porém, ela também pode ocorrer em temperaturas amenas em períodos de estiagem.

Para o controle do vírus da queima-do-broto, é imprescindível a remoção de plantas hospedeiras, realização da rotação de culturas, além do controle das tripes (vetor).

A época de semeadura também deve ser programada para evitar que as fases críticas da cultura coincidam com menor disponibilidade hídrica (final do vegetativo e até o final do enchimento dos grãos).

8 pontos importantes sobre o controle de tripes em soja

  1. controle com populações altas (superior a 50 tripes/folha) – utilizando o método de pano de batida para contagem dos indivíduos;
  2. controle com inseticidas devem atingir as partes inferiores das folhas trifoliadas, onde as tripes normalmente estão localizadas;
  3. em estádios reprodutivos, a população deve se manter abaixo de 25 tripes por folíolo;
  4. controle dificultado pelas características da praga: alto potencial reprodutivo, pequeno intervalo entre gerações e altas populações, especialmente em plantas submetidas a estresses hídricos prolongados;
  5. parte do ciclo de vida ocorre no solo, dificultando o controle efetivo da praga;
  6. monitoramento da população da praga em estádios vegetativos: para evitar perdas de área foliar, que são importantes no período de enchimento de grãos; 
  7. monitoramento da população da praga em estádios reprodutivos: para evitar a senescência e maturação precoce, o que diminui a fase de enchimento de grãos;
  8. planejar adequadamente as plantas utilizadas em bordaduras e plantios subsequentes. O milho é uma espécie hospedeira, e não é recomendada como barreira.

Controle químico: melhores inseticidas para tripes

Além das recomendações de manejo anteriormente citadas, o controle  químico, aliado a detecção precoce da praga antes do estádio reprodutivo são consideradas as estratégias de maior efetividade.

Produtos de ação translaminar são os mais indicados. São aplicados na superfície das folhas e capazes de translocar ao lado oposto, onde ninfas e adultos estão localizados em maiores populações.

Para as três espécies principais, ingredientes ativos como o acefato, cipermetrina, metomil e clorfenapir podem ser empregados e podem ser consultados no Sistema de Agrotóxicos Fitossanitários (Agrofit).

Estudos destacam que o MIP (Manejo Integrado de Pragas) pode ser eficiente, utilizando de uma mesma molécula para controle de diversas pragas alvo

O imidacloprido pode ser utilizado para o controle de tripes, porque apresenta alta eficiência econômica e controle de percevejo-verde, vaquinha-verde-amarela, mosca-branca, percevejo-marrom e percevejo-verde-pequeno.

Observe o momento, dose, intervalo adequado e número máximo de aplicações recomendadas na bula pelo fabricante. 

planilha Aegro manejo integrado de pragas, baixe agora

Conclusão

Neste artigo, você viu quais são as características biológicas das tripes e quais danos diretos e indiretos elas podem causar na lavoura de soja.

Realize o monitoramento e planejamento das culturas implantadas na área e a rotação ao longo do ano agrícola.

Além disso, realize o controle de plantas daninhas, para que espécies hospedeiras não estejam presentes entre os cultivos de soja. 

O MIP (manejo integrado de pragas) pode ser utilizado com sucesso. Além de controlar diversas pragas, o manejo integrado reduz o número de aplicações e aumenta a eficiência econômica dos produtos.

Você está passando por problemas com tripes em soja? Espero que esse artigo tenha te ajudado. Assine nossa newsletter para receber mais conteúdos semelhantes!