6 dicas para aumentar sua produtividade de café

Produtividade de café: do plantio à colheita, veja as dicas que podem influenciar os resultados da sua lavoura!

A cafeicultura nacional vem evoluindo muito nos últimos anos e parte disso se deve ao melhor conhecimento do sistema produtivo.

Esse entendimento da cultura somado ao planejamento da lavoura é fundamental para se obter ganhos de produtividade.

Neste artigo, separei algumas dicas para que você melhore seu planejamento e possa também aumentar a produtividade de café! Confira a seguir!

A cultura do café

O cafeeiro é uma planta da família das Rubiáceas, tem porte arbustivo e é originário da África. 

O gênero Coffea, segundo o ICO (International Coffee Organization), se divide em ao menos 25 espécies diferentes, sendo Coffea arabica e Coffea canephora (também conhecido como C. robusta e Conillon) as mais importantes no Brasil.

Coffea arábica é menos produtivo e mais suscetível à ocorrência de pragas e doenças que Coffea canephora, porém, produz grãos de maior qualidade e a bebida é mais saborosa. Portanto, o valor de venda dos grãos desta espécie é maior. 

Independentemente da espécie, há uma característica de sazonalidade, sendo que parte dos processos fenológicos da cultura se iniciam em um ano e se completam no ano seguinte, como podemos observar na imagem abaixo. 

Esse fenômeno justifica a queda de produtividade após um ano com bons números e será uma característica de 2021, um ano de produções menores.

tabela com Fenologia do cafeeiro sobre primeiro e segundo ano
Fenologia do cafeeiro
(Fonte: extraído de Mattielo, 2015)

Perspectivas para a cafeicultura em 2021

Segundo dados da Conab, considerando a sazonalidade da cultura e aspectos climáticos negativos em alguns locais durante o ano de 2020, é esperada redução do rendimento médio das lavouras, bem como queda na área de produção.

A expectativa é uma produção entre 43.854 e 49.588 mil sacas de café beneficiado, o que corresponde a uma queda de até 30,5% em relação ao ano anterior, em uma área total de 1.753,3 mil hectares.

Do total estimado para a produção, de 29.719,3 a 32.990,5 mil sacas serão de café arábica e de 14.134,7 a 16.598,1 mil sacas de café conilon.

Estes dados ainda são uma estimativa da produção da cultura para esta safra e temos que agir para que a perspectiva se mantenha ou ainda melhore. 

Mas o que pode ser feito para melhorar a sua produtividade de café? Confira as dicas abaixo.

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5 dicas para melhorar a produtividade de café

1. Conheça bem a área onde a cultura está ou será implantada

Antes de mais nada, é preciso conhecer a área onde a cultura está ou será implantada. Uma análise de solo completa, com análise física e química, contemplando micro e macro nutrientes, é fundamental.

Faça um planejamento completo da implantação para evitar possíveis problemas e garantir o máximo de saúde possível para a sua cultura. Temos uma planilha gratuita para te ajudar nesse momento, e você pode baixar clicando na imagem abaixo:

2. Planeje o plantio

Pode parecer óbvio, mas nem sempre o plantio é planejado

O ideal é adotar um espaçamento que permita movimentação de máquinas, aeração da cultura e o manejo.

Na implantação, o estabelecimento inicial da lavoura é fundamental. Atualmente existem diversos produtos que permitem um enraizamento mais adequado, melhora da retenção de água no solo e melhor arranque, protegendo a cultura no momento em que é mais sensível. 

Outro ponto fundamental é escolher bem a cultivar e espécie que se plantará e utilizar mudas sadias, de produtores idôneos, para não introduzir pragas e doenças na lavoura. 

Como vimos, café arábica tem uma bebida de melhor qualidade e maior valor de venda, mas é mais suscetível ao ataque de pragas e doenças em comparação ao café conilon.

Importante também fazer adubação adequada nesse momento. A partir da análise, deve ser feita a adubação adequada, conforme recomendação.

Aqui no blog, você encontra uma planilha bastante completa e de fácil operação, que pode ser muito útil para sua lavoura! Para baixar gratuitamente, clique na imagem a seguir:

banner-adubacao-cafe

3. Monitore a lavoura

Uma vez implantada, é preciso monitorar a lavoura constantemente, avaliando a incidência de pragas e doenças que podem impactar sua produção. 

O ideal é adotar medidas de controle quando as pragas ou doenças estiverem acima do nível de dano econômico

Quando usado o controle químico, é importante fazer alternância de grupos químicos e modos de ação para evitar pressão de seleção de população de pragas resistentes ao controle químico. 

Consulte também os comitês de fungicidas, inseticidas e herbicidas para informações sobre ocorrência de resistência a ingredientes ativos e formas de mitigar risco.

Aproveite também a tecnologia nesse monitoramento. O software de gestão agrícola Aegro permite que você tenha um MIP (Manejo Integrado de Pragas) mais eficaz em sua lavoura, registrando o monitoramento e armadilhamento pelo celular. 

Você pode gerar relatórios sobre a incidência de pragas-alvo e verificar o momento certo para pulverizar, o que pode gerar inclusive redução de seus custos com defensivos.

Saiba mais sobre o Aegro: fale com nossos consultores e peça uma demonstração gratuita!

4. Atenção à florada

Como falamos, o café tem a característica de sazonalidade e o manejo da florada é fundamental para a produtividade da lavoura.

Nessa fase, é necessário cuidado redobrado com pragas e doenças e também com a nutrição. Em lavouras bem nutridas, o pegamento das flores é maior. 

É importante ter cuidado no uso de inseticidas nessa fase de floração. Dê preferência para inseticidas específicos para o alvo e seletivos para inimigos naturais, uma vez que o café necessita de polinização por abelhas e alguns inseticidas são bastante tóxicos a esses insetos.

5. Manejo da frutificação

Passada a fase da florada, é hora de ter cuidados com os frutos. 

Da mesma forma que nas flores, precisamos ter certeza de que os frutos serão formados e retidos. Novamente, lavouras bem nutridas e sadias originam mais frutos e frutos de maior qualidade.

O controle de pragas e doenças nessa fase é fundamental.

6. Planejamento da poda

A poda também tem um impacto significativo na produtividade do cafezal. Ela é fundamental para renovar a lavoura e estimular a produção de ramos novos. 

Mas, assim como outros manejos, não pode ser feita ao acaso: é preciso ser bem planejada. Confira neste artigo tudo o que você precisa saber sobre a poda do cafezal.

A adubação correta no momento da poda deve considerar macronutrientes como nitrogênio, fósforo e potássio, além de micronutrientes essenciais, principalmente zinco e boro.

A disponibilidade desses nutrientes é essencial para o desenvolvimento das gemas que darão origem aos ramos. E, a qualidade dos ramos formados, irá refletir diretamente na produtividade da lavoura.

Colheita e comercialização do café

Na fase da colheita, o monitoramento continua. 

O ideal é manter dados de produtividade por talhão, incluindo dados de valor de venda, qualidade do grão e, se possível, da bebida. Tais informações serão úteis no planejamento da safra seguinte.

Com base nos dados da lavoura, é possível decidir a melhor forma de comercialização. Nesse momento, ter o histórico da área é fundamental para saber de onde vêm os grãos com melhor potencial de bebida e qual mercado se busca atingir. 

Cafés de boa bebida atingem melhores preços e tudo o que foi feito na lavoura até o momento, desde a escolha do local de plantio, tem impacto na qualidade final.

E aí, o planejamento acabou? A resposta é não. Ainda temos que continuar monitorando e coletando dados da lavoura para tomar decisões cada vez mais assertivas.

>> Leia mais: “Como a colheita mecanizada do café pode reduzir os custos da sua operação”

Conclusão

O planejamento da lavoura e o conhecimento da cultura são essenciais para atingir uma boa produtividade.

Neste artigo, abordamos as perspectivas de produção para o café e as dicas que podem interferir positivamente na produtividade da sua lavoura.

Lembre-se: tudo começa com um bom planejamento e, para que ele seja eficiente, é preciso haver monitoramento constante da lavoura, coleta e análise dos dados obtidos.

Desta forma, é possível tomar decisões mais estratégicas para alcançar melhor produtividade e também uma bebida de mais qualidade e mais alto preço!

Como está a produtividade da sua lavoura de café? E o seu planejamento? Deixe seu comentário!

>> Leia mais:

Guia de controle das principais plantas daninhas do café”

Entenda como a umidade do grão de café pode impactar a qualidade do produto final

Saiba as vantagens da Cafeicultura de Precisão e como aplicá-la

Como calcular a estimativa da produtividade de arroz antes da colheita

Estimativa da produtividade de arroz: veja o passo a passo do cálculo e saiba em que estágio de desenvolvimento da lavoura ele pode ser realizado!

A Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) prevê uma diminuição de 4,5% na produtividade da cultura do arroz nesta safra em relação à anterior.

As oscilações climáticas, especialmente no sul do país, afetaram as expectativas de rendimento médio da rizicultura.

Mas como ficará a produtividade média da sua lavoura? Quer saber sua estimativa de produtividade antes da colheita e ver um passo a passo destes cálculos? Confira a seguir!

Panorama da produção de arroz no Brasil e no mundo

Segundo a Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), a estimativa revisada para a  safra 20/21 de arroz é de aproximadamente 10,9 milhões de toneladas, incluindo arroz irrigado e de sequeiro.

Na safra 20/21, espera-se redução da produção de 2,2% em comparação com a safra anterior, fator atribuído às projeções estatísticas e aos níveis dos reservatórios de água principalmente. 

Já a produtividade da cultura nas lavouras deve ter redução de 4,5%, estimada em 6.414 kg por hectare (ha), representando diminuição de 364 kg/ha.

O Brasil conta com diferentes regiões produtoras de norte a sul, sendo a região sul responsável por aproximadamente 76% da produção nacional.

O país é responsável ainda por 1% da produção mundial total da cultura, sendo considerado o maior produtor de arroz não asiático do mundo.

Entenda a importância de estimar sua produtividade 

Nos últimos anos, o levantamento de dados das áreas de produção agrícola no país e no mundo vem aumentando consideravelmente. 

Estima-se inclusive que, em um futuro próximo, as áreas sejam precificadas de acordo com o volume de dados e informações coletadas ao longo do tempo.

Essas informações são valiosas do ponto de vista agronômico, pois norteiam o manejo e a tomada de decisão. Tudo isso para que sejam mais assertivos, menos custosos e mais eficientes no uso dos recursos disponíveis.

Além de conferir autonomia e precisão quanto aos manejos a serem adotados, a estimativa da produtividade de arroz contribui:

  • na correção da fertilidade do solo;
  • na aplicação de fertilizantes quando a cultura já está implantada e nas suas fases mais críticas de desenvolvimento;
  • na observação das condições da lavoura quanto ao potencial produtivo dos diferentes talhões e até mesmo das diferentes cultivares;
  • planejamento da safra subsequente;
  • operações de pós-colheita;
  • organização e planejamento quanto à aquisição de insumos, contratação de mão de obra e estimativa de custos e rentabilidade.

Modelos utilizados para o cálculo da produtividade do arroz 

Modelos matemáticos podem estimar a produtividade da cultura, permitindo ainda descrever as interferências dos elementos meteorológicos e seu impacto nos componentes de rendimento da cultura.

Estudos identificaram o componente de rendimento da massa de mil grãos com maior efeito sobre a produtividade do arroz

Em contrapartida, o número de espiguetas chochas obteve maior influência na redução da produtividade.

Diversos modelos são descritos para realizar os cálculos de estimativa de produtividade da cultura do arroz, incluindo o Oryza2000 e o InfoCrop

O Oryza utiliza parâmetros bioquímicos e ecofisiológicos relacionados à fotossíntese, por exemplo, assimilação de moléculas de CO2, dentre inúmeros outros. 

Já o InfoCrop é considerado um modelo de menor complexidade, utilizando parâmetros mais robustos como eficiência do uso da radiação solar pela cultura (EUR) e temperatura acumulada, dentre outros.

Mas a utilização de tais modelos não é um processo fácil para muitos produtores. Isso porque exige levantamentos prévios de dados como temperatura nos diferentes estádios de desenvolvimento da cultura e precipitação acumulada, sendo geralmente realizado por técnicos especializados. 

Desta forma, metodologias mais simples podem ser utilizadas. Vou explicar melhor a seguir!

Componentes de rendimento e estimativa da produtividade de arroz com amostragem a campo

Confira a seguir os principais componentes de rendimento da cultura do arroz e estágios de desenvolvimento em que são definidos na lavoura:

  • número de panículas por m², definido ainda durante o período de germinação até dez dias após o início da visualização da panícula (MACHADO, 1994); 
  • Número de espiguetas por panícula, influenciado por fatores genéticos e condições  como fertilidade do solo e disponibilidade hídrica, especialmente nas fases reprodutivas até cinco dias que antecedem o florescimento (YOSHIDA, 1981a; YOSHIDA, 1981b);
  • Massa de mil grãos (peso em gramas), determinada durante as duas semanas posteriormente à abertura dos botões florais, sendo os primeiros sete dias dependentes da translocação de carboidratos no comprimento do grão; e, nos outros sete dias, há aumento da largura e da espessura dos grãos, sendo extremamente importante que as condições climáticas sejam favoráveis, especialmente nesta fase.

Para o cálculo da estimativa da produtividade de arroz, tanto em plantio irrigado quanto de sequeiro, pode-se determinar o peso dos grãos colhidos em torno de pontos amostrais, corrigindo a umidade para 14% (teor em que geralmente o arroz com casca é comercializado).

Passo a passo para estimar sua produtividade de arroz: metodologia conforme Durigon (2007)

1 – Identifique o estágio de desenvolvimento da lavoura

A lavoura deve estar em fase de maturação fisiológica, onde os grãos já atingiram o máximo acúmulo de matéria seca. 

Nesta fase, geralmente a umidade gira em torno de 30% a 40%.

Teoricamente, já poderia ser realizada a colheita. Porém, devido à necessidade de secagem posterior dos grãos, a umidade deve chegar em 18%  a 22% ainda na lavoura;

Mas como identificar o estágio de maturação fisiológica?

A fase de maturação fisiológica é dependente das condições ambientais do ano agrícola (temperatura, precipitação e eficiência do uso da radiação solar) e da genética da cultivar, podendo variar amplamente em relação ao número de dias. 

Por isso, o número de dias após a semeadura não se aplica para determinação das fases de desenvolvimento da cultura do arroz. 

No estágio de maturação fisiológica  80% dos grãos da lavoura já se encontram maduros. Para identificar, amostre 10 plantas aleatórias em diferentes pontos da lavoura e avalie.

Nessa fase, pelo menos um grão do colmo principal apresenta-se com pericarpo (parte externa) de coloração marrom.

2 – Escolha 10 pontos amostrais representativos da lavoura

3 – Retire as plantas

Com auxílio de um quadro de 1 metro quadrado (de metal ou madeira) de área útil, faça a retirada das plantas.

Demonstração de um quadro para amostragem de plantas de arroz para estimativa da produtividade por hectare

Demonstração de um quadro para amostragem de plantas de arroz para estimativa da produtividade por hectare
(Fonte: Reges Durigon, 2007 Aplicação de técnicas de manejo localizado na cultura do arroz irrigado (Oryza sativa L.))

4 – Separe as amostras

Acomode as amostras em embalagens correspondentes a cada ponto amostrado. Se for possível, os pontos podem ser demarcados em GPS.

5 – Debulhe as espiguetas manualmente

6 – Pese os grãos correspondentes a cada ponto amostral

7 – Corrija a umidade 

Corrija a umidade dos grãos com casca para 14% para cada ponto amostral. 

Importante avaliar a umidade de cada ponto amostral para realização da correção (umidade em que geralmente é comercializado), vide exemplo abaixo:

Peso do Ponto coletado 1 – 0,83 kg a 30% de umidade, necessário corrigir para 14%:

fórmula para correção da umidade - estimativa da produtividade de arroz

8 – Estime a produtividade dos pontos e da área

Com todos dados em mãos, agora, basta uma regra de 3 para extrapolar os valores levantados de cada metro quadrado para um hectare, que possui 10.000 metros quadrados.

Para que você entenda melhor, fiz uma tabela com alguns exemplos hipotéticos, considerando que obtivemos a pesagem dos seguintes pontos da lavoura:      

Exemplo do peso de 10 amostras representativas de uma lavoura de arroz para cálculo da estimativa de produtividade

Exemplo do peso de 10 amostras representativas de uma lavoura de arroz para cálculo da estimativa de produtividade

Assim, no Ponto 1 temos:

estimativa da produtividade de arroz

Basta você realizar a conta para todos os pontos e, posteriormente, calcular a média (soma de todas as estimativas individuais dos pontos amostrados, dividido pelo número de amostras – 10).

Assim, você terá a estimativa de produtividade da sua lavoura de arroz.

Outros métodos como cálculo do índice de vegetação, além do emprego de imagens de satélite, também podem ser bastante eficientes para obtenção da estimativa de produtividade do arroz. 

Banner para baixar o kit comparativo de custos de safra

Como melhorar a produtividade do arroz

Para que a produtividade da cultura do arroz atinja seu potencial máximo, diversas necessidades específicas devem ser supridas, incluindo o manejo da cultura antes mesmo da sua implantação:

  • correção prévia do pH do solo;
  • escolha da cultivar adaptada à região de cultivo (respeitando o zoneamento agrícola e suas indicações);
  • época de semeadura, para que as fases críticas de desenvolvimento coincidam com as condições ideais de temperatura, radiação principalmente;
  • população de plantas adequada de acordo com a cultivar;
  • lâmina de água (para cultivo irrigado);
  • controle adequado de pragas, doenças e plantas daninhas, especialmente nas fases críticas de desenvolvimento;
  • adubação equilibrada durante os diferentes estádios de desenvolvimento.

Variações da temperatura do ar e da radiação solar durante fases críticas de desenvolvimento, especialmente a ocorrência de períodos prolongados de sombreamento, estão relacionados com a variabilidade da produtividade do arroz nos diferentes anos agrícolas. 

Em resumo, um bom planejamento é extremamente importante nas respostas produtivas e expressão do potencial da cultura.

Conclusão

Estimar corretamente a produtividade de arroz é fundamental para tomar decisões de manejo acertadas na lavoura.

Ao longo desse artigo, você viu os panoramas da produção de arroz e os fatores que interferem na produtividade da cultura. Conferiu ainda os estágios de desenvolvimento em que são definidos os componentes de rendimento na lavoura e o passo a passo para realização do cálculo.

O cálculo da estimativa da produtividade é simples e pode ser um importante aliado no planejamento dos resultados produtivos ao longo da área de cultivo e em diferentes anos agrícolas.

As 6 principais plantas daninhas do algodão e como controlá-las

Plantas daninhas do algodão: confira as espécies mais problemáticas para a cultura e o que fazer para ter um manejo adequado!

O controle das plantas daninhas é de extrema importância, principalmente quando se trata de uma cultura tão sensível à competição quanto o algodoeiro.

Além dos problemas durante a safra e a colheita, as invasoras também podem prejudicar a qualidade da fibra do algodão, contribuindo para o aumento da umidade nos fardos. E isso pode prejudicar significativamente seu lucro com a lavoura, não é verdade?

Quer saber mais sobre as principais plantas daninhas do algodão e como fazer um controle mais efetivo dessas espécies em sua lavoura? Confira essas e outras informações a seguir!

6 principais plantas daninhas do algodão

1. Buva

Muito agressiva e amplamente disseminada por todo o Brasil, a buva (Conyza spp.) também é conhecida por voadeira, rabo-de-foguete e margaridinha-do-campo.

Produz quantidades elevadas de sementes que se dispersam com facilidade na área, o que justifica sua presença em grande parte do país.

A buva é uma das plantas daninhas que já apresentaram resistência ao glifosato, o que a torna de difícil controle.

foto de Buva (Conyza bonariensis)

Buva (Conyza bonariensis)
(Fonte: Manual de Identificação e Controle de Plantas Daninhas, 2006)

2. Corda-de-viola

Também conhecida por corriola, campainha e jetirana, a corda-de-viola (Ipomoea sp.) é uma planta daninha de grande importância econômica na agricultura. 

De hábito trepador, ela se enrola no algodoeiro, podendo causar estrangulamento e acamamento da planta. 

Durante a colheita do algodão, a corda-de-viola também compromete o funcionamento dos componentes móveis da colhedora, causando mau funcionamento da máquina. 

foto de planta daninha Corda-de-viola com flor vermelha (Ipomoea hederifolia)

Corda-de-viola (Ipomoea hederifolia)
(Fonte: Herbário Vale do São Francisco)

3. Capim-amargoso

O capim-amargoso (Digitaria insularis) é uma gramínea que causa danos a diversas culturas de interesse econômico. Dependendo da região, pode ser conhecido como capim-flecha e capim-milhã.

Trata-se de uma planta com metabolismo fotossintético C4, que tem a capacidade de se desenvolver durante todo o ano.

Essa planta daninha forma volumosas touceiras a partir de rizomas e, assim como a buva, é de difícil controle por já ter apresentado resistência ao glifosato.

foto de planta daninha Capim-amargoso (Digitaria insularis)

Capim-amargoso (Digitaria insularis)
(Fonte: Manual de Identificação e Controle de Plantas Daninhas, 2006)

4. Caruru

O caruru (Amaranthus spp.), também conhecido por bredo e crista-de-galo, é outra planta daninha com ampla janela de adaptação, ou seja, se desenvolve mesmo em situações adversas. 

Essa planta tem rápido crescimento e elevada produção de sementes, o que garante sua disseminação por todo o território. É também uma planta de difícil controle devido à resistência ao glifosato.

duas fotos de caruru (Amaranthus hybridus var. paniculatus e Amaranthus hybridus var. patulus), plantas daninhas do algodão

Caruru (Amaranthus hybridus var. paniculatus e Amaranthus hybridus var. patulus)
(Fonte: Adaptado de Manual de Identificação e Controle de Plantas Daninhas, 2006)

5. Leiteiro

Também conhecido por amendoim-bravo e café-do-diabo, o leiteiro (Euphorbia heterophylla) tem trazido grandes prejuízos às lavouras. Sua presença causa diminuição da produção e da qualidade do produto colhido. 

O leiteiro apresenta deiscência explosiva (bolocoria). Isso quer dizer que seus frutos têm a capacidade de lançar as sementes longe da planta-mãe, o que facilita sua disseminação.

Também é uma planta daninha que, ao longo dos anos, adquiriu resistência ao glifosato. 

planta daninha Leiteiro (Euphorbia heterophylla)

Leiteiro (Euphorbia heterophylla)
(Fonte: Embrapa)

Plantas daninhas que interferem na qualidade da fibra do algodão 

Algumas espécies de plantas daninhas também interferem diretamente na qualidade da fibra do algodão, como é o caso do picão-preto (Bidens pilosa), capim-carrapicho (Cenchrus echinatus), carrapicho-de-carneiro (Acanthospermum hispidum) e capim-colchão (Digitaria horizontalis)

As sementes dessas plantas apresentam estruturas que aderem à fibra, reduzindo a qualidade do produto e, consequentemente, seu valor de mercado. 

Além disso, a presença de impurezas aumenta os custos de beneficiamento do algodão.

Da direita para a esquerda: sementes de picão-preto (Bidens pilosa), capim-carrapicho (Cenchrus echinatus), carrapicho-de-carneiro (Acanthospermum hispidiu.) e capim-colchão (Digitaria horizontalis)

Da direita para a esquerda: sementes de picão-preto (Bidens pilosa), capim-carrapicho (Cenchrus echinatus), carrapicho-de-carneiro (Acanthospermum hispidiu.) e capim-colchão (Digitaria horizontalis
(Fonte: Adaptado de Manual de Identificação e Controle de Plantas Daninhas, 2006)

Quando controlar as plantas daninhas do algodão?

É fundamental conhecer o histórico da área em que será implantada a lavoura. O conhecimento prévio da comunidade infestante permite estabelecer um plano de ação eficiente, que deve ser iniciado antes da semeadura e se estender até o momento da colheita. 

Tendo em vista que o algodoeiro é muito sensível à competição, qualquer interferência externa pode comprometer a produtividade. Assim, o cultivo e a colheita devem ser feitos com a área sem plantas invasoras, ou seja, “no limpo”.

Métodos de controle das daninhas do algodão

Controle preventivo

O controle preventivo tem intuito de evitar que novas sementes procedentes de outros locais sejam introduzidas na área cultivada. 

Para isso, é preciso:

  • fazer a limpeza de máquinas e implementos antes de transferi-los de uma área a outra. Essa medida evita que torrões de solo contendo sementes de plantas daninhas sejam levados para outra área de cultivo;
  • utilizar sementes de algodão certificadas;
  • fazer o controle das plantas daninhas também na bordadura das lavouras e nos carreadores, pois o trânsito de animais e até mesmo o vento podem levar sementes indesejadas para a área cultivada.

Controle químico

No mercado, é possível encontrar diversos produtos para o controle de espécies daninhas na cultura do algodão. No entanto, a escolha do herbicida deve ser pautada em alguns fatores, como: 

  • cultivar do algodão;
  • grau de seletividade;
  • espécie e estágio de desenvolvimento das plantas daninhas;
  • tipo de solo;
  • condições climáticas;
  • tecnologia de aplicação.

Também é importante evitar o uso de produtos isolados com resistência comprovada.

Dentre as moléculas disponíveis para o controle de plantas daninhas na cultura do algodão temos:

  • haloxifope-P-metílico;
  • carfentrazona-etílica;
  • diurom;
  • dibrometo de diquate;
  • cletodim.

Mas, o processo de escolha de herbicidas é complexo, o que remete à necessidade de acompanhamento por um engenheiro agrônomo.

Práticas de manejo integrado 

A rotação de herbicidas com diferentes mecanismos de ação é uma das técnicas que deve ser adotada pelo cotonicultor. 

Essa medida amplia o número de espécies controladas, diminui o banco de sementes do solo e dificulta a seleção de biótipos resistentes. 

Outra técnica é a rotação de culturas, que traz inúmeros benefícios como a diversificação da produção, melhoria das qualidades físico-química e biológica do solo e controle de plantas infestantes. 

Cada cultura requer um manejo específico e os efeitos dos diferentes sistemas de produção contribuem para a diminuição do banco de sementes.

Na entressafra, deve ser dada atenção especial ao manejo das plantas daninhas. As medidas adotadas nesse período refletirão diretamente na próxima safra tanto no que se refere ao tamanho da população invasora quanto ao número de aplicações de herbicidas.

planilha de produtividade do algodão Aegro

Conclusão

Buva, corda-de-viola, capim-amargoso, caruru, leiteiro, picão-preto, capim-carrapicho, carrapicho-de-carneiro e capim-colchão são algumas das plantas daninhas que causam sérios prejuízos à cultura do algodão.

Como você viu neste artigo, o controle eficiente das plantas daninhas está pautado na adoção de práticas de manejo integradas. Utilize controle preventivo e químico, faça um bom manejo na entressafra, aposte na rotação de culturas e de produtos com mecanismos de ação diferentes.

Vale lembrar que cada área produtora deve ser avaliada isoladamente, considerando fatores técnicos, ambientais e econômicos. Dessa forma, você garante maior produtividade e reduz os custos de produção do algodão!

>>Leia mais:

Capim-rabo-de-raposa (Setaria Parviflora): guia de manejo

Restou alguma dúvida sobre plantas daninhas do algodão? Quais as espécies que dão mais dor de cabeça aí em sua lavoura? Aproveite e baixe aqui um e-book gratuito sobre o controle de plantas daninhas!

Referências

Lorenzi, H. Manual de identificação e controle de plantas daninhas: plantio direto e convencional. 6ª Edição. Nova Odessa, São Paulo. Instituto Plantarum, 2006.

Tudo que você precisa saber sobre dimensionamento da frota agrícola

Dimensionamento da frota agrícola: você sabe como fazer e quais são os benefícios? Confira a seguir!

As máquinas agrícolas são essenciais para praticamente todas as operações no campo, e precisamos delas a postos para a realização das atividades previstas na safra. 

O dimensionamento dessa frota está diretamente relacionado aos gastos e à lucratividade das empresas agrícolas e fazendas.

Falhas de dimensionamento, tanto para mais quanto para menos, poderão provocar prejuízos financeiros como custos excessivos e menor lucratividade.

Ficou curioso e quer entender melhor como o correto dimensionamento da frota agrícola pode melhorar sua lucratividade? Confira!

O sistema mecanizado agrícola e o dimensionamento da frota

Antes de partirmos para o dimensionamento da frota agrícola em si, precisamos entender a dinâmica de planejamento do sistema mecanizado agrícola.

O sistema mecanizado agrícola nada mais é do que o conjunto de equipamentos, máquinas e implementos que realizam todos os processos de uma lavoura comercial. São tratores, arados, grades, subsoladores, semeadoras, colhedoras, etc.

Dependendo da cultura agrícola, valores de 20% a 40% dos custos da produção podem ser oriundos do sistema mecanizado agrícola. Deu para perceber, então, a importância do correto dimensionamento da frota agrícola, não é?

O processo de planejamento pode ser realizado de diversas formas e o dimensionamento da frota agrícola, assim como a seleção de equipamentos e previsão de custos, faz parte desse processo.

Pode parecer simples, mas o planejamento do sistema mecanizado é uma tarefa complexa, pois se trata de uma atividade multidisciplinar, que engloba aspectos das áreas de engenharia, biologia e até economia!

Fluxograma esquemático de processo geral de algoritmos para seleção de sistemas mecanizados agrícolas

Fluxograma esquemático de processo geral de algoritmos para seleção de sistemas mecanizados agrícolas
(Fonte: Adaptado de Mialhe, 1974)

Com o avanço da informática atrelado à elevada capacidade de processamento de dados pelos computadores, algoritmos têm sido criados para auxiliar no processo de planejamento e dimensionamento da frota agrícola.

As etapas utilizadas por esses algoritmos são os pontos-chave que devemos seguir a fim de fazer o correto dimensionamento da frota agrícola.

Vamos agora analisar esses pontos de forma individualizada, mas tenha em mente que estão interligados.

Análise operacional

De uma forma muito simples, a análise operacional é base para definir o sistema de produção da fazenda.

O sistema de produção nada mais é do que o conjunto sequencial das atividades que serão realizadas para viabilizar a produção agrícola.

Em outras palavras, trata-se de um cronograma das atividades que devem ser realizadas na fazenda, em ordem cronológica, para garantir o bom desenvolvimento das lavouras.

Esquema da análise operacional: operações e suas respectivas épocas de realização em um sistema de produção em cenário imaginário

Esquema da análise operacional: operações e suas respectivas épocas de realização em um sistema de produção em cenário imaginário
(Fonte: Adaptado de Milan, 2013)

Nesta análise, é possível ter uma visão completa das atividades e do tempo previsto para sua finalização no decorrer da safra.

Com isso, podemos realizar o planejamento para a seleção – e este planejamento influenciará diretamente o dimensionamento da frota agrícola.

Planejamento para a seleção 

Durante o planejamento para a seleção, baseado na análise operacional, é necessário definir três estimativas primordiais:

  • tempo disponível para cada operação,
  • ritmo operacional (RO) necessário, e
  • estimativa do número de conjuntos (NC).

Todas essas estimativas são baseadas em inúmeros outros fatores e são interdependentes, ou seja, uma depende do valor da outra.

O tempo disponível para cada operação depende muito das condições de clima e solo.

Portanto, para calculá-lo, precisamos analisar desde o número de domingos e feriados, duração da jornada de trabalho, até o número de dias impróprios para o trabalho da frota agrícola (dias com chuva ou muita umidade), etc.

É com base nesse tempo e na área total que obtemos o ritmo operacional (RO).

O ritmo operacional, por sua vez, dividido pela capacidade de trabalho das máquinas, nos dá o número de conjuntos necessários, ou seja, a dimensão da nossa frota agrícola.

É um pouco complexa a determinação do dimensionamento da frota agrícola, não é?

Porém, uma vez feito corretamente, ele deverá potencializar o uso de cada equipamento!

Se a frota for subdimensionada, poderá haver sobrecarga de equipamentos e, consequentemente, aumento do custo de manutenção.

Confira neste artigo mais sobre como gerenciar as máquinas agrícolas.

Caso seja superdimensionada, haverá ociosidade operacional e um maior custo!

Vale ressaltar que nessa fase de planejamento para seleção entram também aspectos de capacidade de trabalho e eficiência operacional.

Eles estão intimamente relacionados aos custos diretos e indiretos, que serão abordados na próxima etapa.

Seleção e aquisição de máquinas

A última etapa, mas não menos importante, é a de seleção e aquisição das máquinas que irão compor a frota agrícola.

Esta etapa deve ser feita de acordo com as características técnicas do maquinário e as necessidades de potência para a realização das atividades propostas. Tais fatores influenciam diretamente no custo operacional!

O custo operacional atrelado ao número de conjuntos nos dará informações preciosas sobre o dimensionamento da frota agrícola: se ele está adequado, super ou subdimensionado.

Apenas pela descrição escrita pode parecer um processo simples, mas envolve cálculos relativamente complexos que não abordarei neste artigo. Você pode ver parte deles aqui no blog, no artigo “Como calcular o custo operacional de máquinas agrícolas (+ ferramenta grátis)”.

Aproveite, inclusive, a ferramenta gratuita para esse cálculo operacional!

ferramenta para calcular os custos operacionais de máquinas agrícolas

Conclusão

Com o avanço da tecnologia, a mecanização do campo se tornou uma realidade que, a cada dia, tende a ser mais e mais acessível.

Entretanto, não deixa de ser onerosa e necessita de muita atenção e cuidado.

A má gestão do sistema mecanizado agrícola pode levar a falhas no dimensionamento da frota agrícola. E uma frota agrícola mal dimensionada significa prejuízos para você, produtor! 

Apesar de parecer simples e fácil, a correta adequação da frota agrícola é uma atividade extremamente complexa e que muitas vezes requer auxílio de profissionais capacitados, como você viu aqui!

>> Leia mais:

“Como produtora economizou em manutenção de máquinas a partir de ação estratégica”

“Telemetria na agricultura: como ela melhora a gestão de máquinas na sua fazenda”

Você sabe como está o dimensionamento da sua frota agrícola? Conte para a gente nos comentários!