Entenda as causas da degradação do solo e como evitar sua ocorrência

Degradação do solo: o que causa, quais as consequências para a agricultura, como recuperar um solo degradado e mais!

O solo é a base da agricultura, onde as plantas encontram condições necessárias para crescer e se desenvolver.

Estima-se que 33% dos solos do mundo estão degradados e, por ser um recurso finito, sua perda e degradação não são recuperáveis em um curto período.

Os principais problemas de degradação enfrentados no Brasil são a erosão, perda de carbono orgânico e o desequilíbrio de nutrientes.

Apesar dos dados alarmantes, é possível agir para conservar e restaurar esse recurso através da compensação ambiental e da resolução da degradação do solo.

Reunimos neste artigo as principais informações sobre a degradação do solo para que você mantenha seu solo produtivo. Confira a seguir!

Consequências da degradação do solo para a agricultura

A degradação do solo está relacionada ao manejo inadequado do solo e da água, ocasionando:

  • perdas de solo por erosão;
  • redução da fertilidade natural devido à lixiviação de nutrientes;
  • compactação do solo;
  • acidificação e salinização do solo;
  • poucos indícios de atividade biológica e matéria orgânica;
  • menor retenção e infiltração de água;
  • assoreamento e contaminação de corpos hídricos;
  • perda da capacidade produtiva do solo;
  • destruição da fauna e da flora.

Dessa forma, torna-se essencial a adoção de práticas conservacionistas do solo para restaurar e manter a sua fertilidade, visando o aumento da produtividade das culturas.

Principais causas da degradação do solo

A degradação do solo pode ser causada por diversos fatores que ocorrem de forma natural ou pela ação do homem. Na atividade agrícola, destacam-se:

Erosão

A erosão é a causa mais visível da degradação do solo. Consiste na retirada e transporte de sedimentos da superfície do solo, principalmente por ação do escoamento superficial das águas de chuva.

Ações humanas como o desmatamento, plantio em terreno inclinado, monocultivo, uso excessivo de fertilizantes e defensivos agrícolas podem intensificar a ocorrência de processos erosivos.

foto de erosão do solo ocasionada pelo excesso de chuva e não adoção de práticas conservacionistas do solo

Erosão do solo ocasionada pelo excesso de chuva e não adoção de práticas conservacionistas do solo
(Fonte: Coagril)

Além de prejuízos ao meio ambiente, a erosão acelerada reduz o potencial produtivo do solo, acarretando perdas na produção agrícola.

A remoção da cobertura vegetal sobre a superfície do solo propicia a ocorrência de erosão, por retirar a proteção do solo contra o impacto direto das gotas de chuva, potencializando sua degradação.

Já o solo coberto apresenta menores perdas de água por evaporação, ajuda a conter a erosão e proporciona maior retenção e infiltração de água no solo.

Veja abaixo algumas práticas agrícolas que auxiliam na diminuição de processos erosivos do solo:

A adoção dessas práticas pode prevenir e/ou reduzir a ocorrência de processos erosivos do solo.

Compactação

A compactação do solo é frequentemente associada à pressão excessiva exercida por implementos agrícolas utilizados no manejo das lavouras.

As alterações físicas do solo ocasionadas por conta dessa pressão formam uma camada compactada, popularmente conhecida como “pé-de-grade”.

Esquema de um solo sem impedimentos no qual operações de revolvimento levaram à compactação limitando o crescimento radicular

Esquema de um solo sem impedimentos no qual operações de revolvimento levaram à compactação limitando o crescimento radicular
(Fonte: Embrapa)

Abaixo alguns sintomas visuais do efeito da compactação do solo:

  • presença de crosta e zonas endurecidas na superfície do solo;
  • empoçamento de água;
  • erosão excessiva;
  • maior potência para o preparo do solo;
  • baixa emergência de plântulas;
  • raízes tortas, deformadas e/ou rasas;
  • folhas com coloração anormal;
  • menor retenção e infiltração de água.

Solos compactados são impermeáveis, o que impede a penetração de água e movimentação de nutrientes.

Esse fenômeno faz com que os atributos químicos, físicos e biológicos do solo sejam alterados, influenciando de forma negativa o crescimento e desenvolvimento das plantas.

Salinização

Em regiões áridas e semiáridas, a concentração progressiva de sais é mais frequente, devido à alta taxa de evaporação da água do solo. Quando a água das chuvas ou da irrigação evapora e não carrega os sais, ocorre a salinização do solo.

Embora seja um processo natural, a baixa eficiência da irrigação e a drenagem insuficiente, podem acelerar esse processo.

foto de salinização em solo com plantação

(Fonte: Amazon Fertilizantes)

Essas ações, quando intensificadas por altas temperaturas, promovem grandes evaporações, ocasionando no acúmulo de sais. Isso torna o solo improdutivo em um curto espaço de tempo e, em casos mais graves, leva à desertificação.

Fatores químicos

Os solos podem se degradar em razão da indisponibilidade de nutrientes ou pela presença de elementos tóxicos para as plantas. Assim, esse tipo de dano se dá por falta ou por excesso de determinados elementos no solo.

A adoção de práticas agrícolas inapropriadas podem levar a desequilíbrios químicos do solo como a calagem, adubação e irrigação inadequadas.

A menor disponibilidade de nutrientes devido a alcalinidade, acidez ou alagamentos, contribuem para a degradação da fertilidade do solo. As causas principais são a salinização e a lixiviação de nutrientes no solo, o que prejudica a sua qualidade.

Uso excessivo de defensivos e fertilizantes

O uso indiscriminado de fertilizantes e defensivos agrícolas são as causas mais frequentes da degradação do solo por contaminação química.

Além de provocar alterações químicas na composição do solo, tornando-o improdutivo e prejudicando o seu funcionamento, pode contaminar o lençol freático.

A utilização de fertilizantes químicos sem análise prévia do solo desestabiliza a disponibilidade de nutrientes para as plantas e o uso indiscriminado de defensivos agrícolas pode destruir a biodiversidade do solo.

Para que isso não ocorra, é necessária a realização de análise química do solo a cada safra para repor os nutrientes extraídos pelas culturas, além da adoção do manejo integrado de pragas, doenças e plantas daninhas para diminuir o uso de defensivos agrícolas.

Como evitar a degradação do solo

Existem diversos modos de se evitar a degradação do solo ou corrigir seus efeitos. Algumas delas são: 

  • redução do desmatamento;
  • Sistema Plantio Direto;
  • rotação de culturas;
  • adubação verde;
  • terraceamento;
  • cultivo em contorno;
  • precisão na aplicação de fertilizantes;
  • irrigação de forma correta;
  • controle de queimadas;
  • controle de tráfego.

Essas práticas têm reflexos na qualidade do solo e, consequentemente, no aumento da produtividade das culturas, garantindo a sustentabilidade agrícola.

Além disso, são necessárias políticas públicas e legislações para estimular o produtor na adoção dessas práticas conservacionistas do solo.

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Conclusão

O processo de degradação do solo, bem como suas causas e consequências, ocorre por diversas razões e ocasiona perda de produtividade.

A adoção de práticas conservacionistas do solo é primordial para amenizar os efeitos críticos da degradação, que comprometem a fertilidade do solo, diminuem a área produtiva e causam poluição e assoreamento em corpos d’água.

Adote práticas conservacionistas do solo para garantir o máximo potencial produtivo da sua lavoura.

Agora que você tem essas informações, não deixe de observar sinais de degradação do solo em sua propriedade!

>> Leia mais:

“Prad: entenda o que é o plano de recuperação de áreas degradadas”

Por que a mucuna-preta pode ser uma opção vantajosa para adubação verde

Restou alguma dúvida sobre a degradação do solo? Qual a maior dificuldade em adotar práticas conservacionistas do solo em sua propriedade? Adoraria ler seu comentário abaixo!

Como manter a profundidade uniforme no plantio da soja e do milho e os impactos na produtividade da lavoura

Profundidade uniforme no plantio: entenda sua importância, os fatores que interferem no estabelecimento da lavoura e mais!

Plantio uniforme é quando as sementes são depositadas no solo com a mesma profundidade durante a semeadura.

Isto se reflete em vários aspectos da planta e da lavoura, como no estabelecimento da cultura e, consequentemente, na produtividade.

Essa afirmação parece óbvia para todos, porém, realizar o que é afirmado é bastante complexo.

Você faz o planejamento do seu plantio considerando os fatores que afetam a profundidade de semeadura? Confira o que é importante para tal operação a seguir!

Qual a importância de manter a profundidade uniforme no plantio?

As sementes utilizam inicialmente seu material de reserva para poder germinar e emergir.

Assim, a profundidade de semeadura influencia diretamente na germinação e emergência das plântulas.

A profundidade de semeadura ideal pode variar conforme a espécie, ou seja, soja, milho, feijão, trigo, aveia, entre outras plantas, têm sua regulagem de semeadura adequada.

Além da profundidade ideal, a uniformidade de plantio também é importante, pois está relacionada ao estande da lavoura.

Estandes desuniformes para algumas culturas como o milho apresentam grandes prejuízos, interferindo na produtividade.

Sobre esse assunto, se utiliza muito o termo plantabilidade, que segundo o professor da Unesp e especialista em plantabilidade de grandes culturas Paulo Arbex é: “a capacidade de distribuir sementes no sulco de plantio de modo uniforme, com a máxima equidistância possível e na profundidade adequada, com o objetivo de atingir o estande desejado de plantas”.

Sabendo da importância da profundidade uniforme de plantio, efetuar a semeadura de soja de 3 cm a 5 cm e do milho de 3 cm a 7 cm é o recomendado para uma boa germinação e emergência de plântulas.

foto de emergência de plantas de milho em relação a profundidades diferentes de plantio

Emergência de plantas de milho em relação a profundidades diferentes de plantio 
(Fonte: Cooplantio)

Problemas da desuniformidade de plantio

Com a diferença de profundidade uniforme de plantio, o estabelecimento da cultura é afetado, refletindo na área plantada da lavoura.

Sementes muito profundas não irão germinar e emergir no tempo ideal, assim como sementes sobre a superfície do solo podem não germinar por não conseguirem absorver água suficiente, além de serem atacadas por insetos e pássaros.

Outro fator do plantio em profundidade irregular é a emergência desuniforme de plântulas, gerando competição por espaço, luz, nutriente e água.

Além de ocorrer competição entre as plantas da mesma espécie, sendo mais favorável para a plântula que emergiu primeiro, há competição com as plantas daninhas.

No caso das sementes que ficaram mais profundas, sua emergência é atrasada e haverá competição com as plantas daninhas que irão emergir após a semeadura.

Falhas no estande também podem ocorrer. Se a deposição da semente for muito profunda ou ficar sobre a superfície do solo, ela pode não gerar uma planta.

Esse fator afeta principalmente espécies como milho, que não conseguem compensar essa falha, reduzindo a produtividade da lavoura.

Espécies como a soja conseguem compensar a falta de uma planta aumentando a produção de vagens das plantas ao redor da falha.

Entretanto, mesmo a soja compensando algumas falhas, há redução da produtividade, podendo, com 75% de falha no estande, perder cerca de 400 kg/ha

Já para o milho, uma diferença de 5.000 espigas/ha reduz a produtividade em média de 16 sc/ha.

Compensação das plantas de soja com falhas no estande de 25%, 50% e 75% - profundidade uniforme no plantio

Compensação das plantas de soja com falhas no estande de 25%, 50% e 75%
(Fonte: adaptado de Cunha, 2018)

5 fatores que influenciam na profundidade de semeadura

É necessário considerar alguns pontos no momento da realização da semeadura.

Vários fatores interferem na profundidade uniforme do plantio. Conhecê-los e saber como influenciam no planejamento e execução do plantio é fundamental.

Veja abaixo os principais fatores que determinam a profundidade ideal de plantio.

1. Características da semente

Como vimos acima, a profundidade ideal depende da cultura que se irá semear.

Este fator pode ter relação com o tipo de germinação epígea (soja) e hipógea (milho).

Sementes epígeas podem ser mais prejudicadas pela maior profundidade de semeadura que as hipógeas.

Isso porque as sementes epígeas elevam seus cotilédones acima do solo no momento da emergência. Já na hipógea, o cotilédone fica dentro do solo e a parte aérea sai para a superfície.

Devido a esta diferença, as sementes de germinação hipógea (milho) suportariam maiores profundidades de semeadura.  

ilustração com exemplo de germinação epígea – soja (A) e hipógea - milho (B)

Exemplo de germinação epígea – soja (A) e hipógea – milho (B) 
(Fonte: UFVJM)

Vale lembrar que a qualidade da semente também tem grande fator, se utilizado a profundidade ideal, e a semente for de alto vigor, a germinação e emergência serão uniformes.

2. Tipo de solo

Se o solo for mais pesado, argiloso ou com drenagem deficiente, a profundidade recomendada é de 3 cm a 5 cm, soja e milho.

Em solos mais leves ou arenosos, a semeadura pode ser mais profunda, como 5 cm a 7 cm, devido à perda de umidade desses solos, no caso do milho.

Cada solo tem um tipo de característica. Você precisa conhecer seu solo para planejar corretamente a semeadura.

3. Umidade do solo

Como dito no tópico anterior, o tipo de solo tem relação direta com a perda de umidade do solo.

A profundidade de plantio ideal visa colocar a semente a uma distância da superfície do solo onde ela não fique exposta aos estresses climáticos e onde o solo apresenta um armazenamento de água adequado para que ela germine e emerja rapidamente, caso não ocorra veranico.

4. Tipo de sistema de plantio utilizado

A adoção do tipo de sistema tem que ser observado, se é convencional ou sistema de plantio direto (SPD).

No sistema convencional, como não há presença de palhada, a temperatura do solo é mais elevada e a umidade é menor em relação ao SPD.

Já no SPD, devido à presença de palhada, a emergência pode ser dificultada, pois se os discos de corte não fizerem corretamente sua função, as sementes serão depositadas sobre a palhada.

5. Regulagem da semeadora

Para realizar um bom plantio, a semeadora tem que ser bem regulada e, com isso, não pode deixar para trás as peças responsáveis pela profundidade. 

Nas semeadoras, os discos de corte de palhada no SPD devem ser regulados e, principalmente, fazer a função de cortar a palhada, para evitar perdas de sementes.

Os controladores de profundidade precisam ser ideais para seu solo, assim como as rodas compactadoras, que devem estar bem reguladas para fazer um bom fechamento de linha, entre outros componentes da máquina.

>> Leia mais: “Semeadora mecânica ou pneumática: qual é a melhor opção para a sua lavoura?”

O que fazer para obter uma profundidade uniforme no plantio?

Planejamento é fundamental em todos os processos de uma lavoura e, para a semeadura, que é o início de seus trabalhos em campo, todo cuidado é favorável.

É nesse momento que você colocará no campo sua semente e, mesmo que ela tenha alta qualidade, se a deposição no solo for mal regulada, você poderá ter perdas de estande, maior presença de plantas daninhas e perda de produtividade.

O ideal é que a distribuição das sementes no sulco de plantio tenha profundidade adequada, seja homogênea e com a mesma distância de deposição de uma semente para outra.

Por isso, faça sempre uma lista de coisas que é necessário observar antes do plantio. Alguns pontos devem ser considerados, como:

  • tipo e qualidade da semente;
  • tipo e condição do solo;
  • sistema de cultivo – convencional ou plantio direto;
  • distribuição e estado da palhada (verde ou seco);
  • clima – antes e após o plantio;
  • regulagem da semeadora;
  • velocidade de plantio.

Então, faça um bom planejamento! Cada área de sua fazenda pode necessitar de uma regulagem diferenciada devido à diferença de tipo de solo ou de pedregosidade.

checklist planejamento agrícola Aegro

Conclusão

Profundidade uniforme no plantio é algo importante a ser considerado no momento de semear.

Faça uma boa regulagem de sua semeadora, pois ela irá definir a uniformidade da profundidade escolhida.

Tenha sempre em mente os fatores listados acima, especialmente o tipo e as condições do solo, pois, se muito úmidos ou muito secos, podem ocorrer diferenças na deposição das sementes.

Lembre-se que um bom estande começa por uma boa qualidade de semente e também de uma profundidade uniforme de plantio!

Você já teve problemas de estande por não ter uma profundidade uniforme no plantio? Restou alguma dúvida? Deixe seu comentário abaixo!

Tudo o que você precisa saber sobre a mancha de mirotécio no café

Mancha de mirotécio no café: sintomas, condições favoráveis da doença, medidas preventivas e de controle

Pragas e doenças são sempre uma dor de cabeça para o produtor rural. Na cultura do café, a ferrugem e a broca do cafeeiro são conhecidas pelo impacto que podem causar na produção das plantas.

Agora, uma nova doença preocupa os produtores de mudas de café: a mancha de mirotécio. Você já ouviu falar sobre ela?

Para que você entenda a doença e tenha mais condições de fazer um manejo adequado, preparamos este artigo. Confira tudo a seguir!

O que é a mancha de mirotécio no café?

A mancha de mirotécio é uma doença identificada recentemente no Brasil, na cultura do café. Foi constatada pela primeira vez em 2003, no viveiro experimental no Rio de Janeiro, em mudas de café arábica com idades entre 2 e 5 meses.

Em 2013, também houve a ocorrência da doença em mudas de café conilon em um viveiro no Espírito Santo.

A doença foi registrada ainda em países como Índia, Indonésia, Colômbia e Costa Rica.

O patógeno que causa a mancha de mirotécio é o fungo Myrotecium roridum. Ele pode causar a desfolha das mudas de café, levando-as à morte, principalmente quando plantadas em solo contaminado com o fungo e em condições favoráveis a seu desenvolvimento.

Mas como observar essa doença nas plantas de café? Vou explicar melhor a seguir.

Sintomas da mancha de mirotécio no cafeeiro

Inicialmente, as lesões são arredondadas e irregulares, de coloração verde-claro e aspecto oleoso, podendo apresentar um halo amarelo.

Depois, as lesões progridem e há formação de anéis concêntricos de diferentes tonalidades em ambas as superfícies da folha, com cerca de 3 cm de diâmetro. A doença pode ser observada em mudinhas até os 5 meses.

Também podem ser observados esporodóquios (estrutura do fungo) superficiais salientes e com micélio de coloração branca, cobertos de massa negra de esporo.

Lesões foliares iniciais (A); lesões foliares necróticas extensas, apresentando anéis concêntricos (B); sinais típicos do patógeno em lesão necrótica, os quais constituem esporodóquios com bordas de micélio branco e, ao centro, com massa negra de esporos (barra 200 µm) (C); e conídios maduros de M. roridum produzidos em fiálides (D)
Lesões foliares iniciais (A); lesões foliares necróticas extensas, apresentando anéis concêntricos (B); sinais típicos do patógeno em lesão necrótica, os quais constituem esporodóquios com bordas de micélio branco e, ao centro, com massa negra de esporos (barra 200 µm) (C); e conídios maduros de M. roridum produzidos em fiálides (D)
(Fonte: Da Silveira, Mussi-dias, Ponte e Dias em Reserach gate)

A mancha de mirotécio pode causar o abortamento das folhas das mudas de café e atraso em seu desenvolvimento. Tal condição acaba prejudicando o uso das mudas para o plantio, além de reduzir a área foliar para fotossíntese pelas manchas necróticas. Em situações extremas, pode haver até a morte da muda.

Essa doença também pode ocorrer no algodoeiro, onde também são observados sintomas em plantas jovens e perdas na lavoura. 

O fungo já foi identificado em outras plantas como abóbora, pepino, melancia, melão, berinjela, soja e várias outras.

O fungo Myrotecium roridum é saprofítico, sobrevivendo no solo e em restos culturais. Além disso, possui ampla gama de hospedeiros e há relatos de que pode sobreviver em sementes em alguns casos.

Um ponto muito importante dessa doença é que os sintomas foliares podem ser confundidos com a mancha de Phoma.

Para diferenciar as duas doenças, tenha em mente que as lesões da mancha de mirotécio apresentam formato regular nas bordas das folhas e rápida expansão e tamanho.. 

Já a mancha de Phoma (causada pelos fungos do gênero Phoma) causa lesões de coloração escura na margem das folhas, com formato irregular, podendo apresentar anéis concêntricos.

Condições favoráveis para a mancha de mirotécio no café

Há relatos de que a doença se manifeste em viveiro de mudas com alta umidade e irrigações frequentes. 

Temperaturas de 18℃ a 30℃ são favoráveis à doença, ou seja, condições de alta umidade e temperatura são favoráveis ao patógeno. Além disso, ferimentos podem predispor as mudas ao ataque do fungo.

Assim, a mancha de mirotécio precisa de longos períodos de molhamento foliar, associada a altas temperaturas, para se manifestar nas plantas.

A doença pode ocorrer em reboleiras e o fungo pode ser disperso por água, vento e pela irrigação nos viveiros.

Medidas preventivas para evitar a mancha de mirotécio

É sempre muito importante evitar a entrada de doenças na cultura e, no caso da mancha de mirotécio, deve-se evitar também a entrada nos viveiros de mudas de café, realizando o manejo preventivo.

Algumas medidas preventivas que podem ser adotadas são:

  • substratos livres de alta quantidade de matéria orgânica e livres do patógeno;
  • controlar a irrigação das mudas;
  • evitar o excesso de umidade;
  • eliminar mudas e folhas mortas do viveiro;
  • manter mudas com boa nutrição e livres de estresse;
  • evitar hospedeiros do fungo Myrotecium roridum próximos do viveiro.
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Como controlar a mancha de mirotécio no café

Quando falamos em controle de doenças, é sempre importante pensar em todas as medidas que são disponíveis para o manejo. Não vise apenas um tipo de controle, utilize um manejo integrado.

Para a mancha de mirotécio no café, não existem cultivares resistentes e ainda não há fungicidas específicos registrados. 

Em alguns estudos, fungicidas como triazóis e estrobilurinas têm apresentado bons resultados de controle.

Por isso, utilize as medidas preventivas que comentamos no tópico anterior e procure auxílio de um(a) agrônomo(a) para as recomendações de manejo.

Conclusão

A mancha de mirotécio é uma doença recente no país, mas já preocupa os produtores de mudas de café.

Como discutimos neste texto, o fungo que causa a doença apresenta muitas plantas como hospedeiras. Por isso, é importante conhecer a doença e adotar as medidas preventivas e de controle para reduzir os prejuízos.

Agora que você conhece um pouco mais sobre o problema, não espere perder as mudas de café por mirotécio.

>> Leia mais:

“O que você precisa saber para definir o melhor espaçamento para plantio de café”

Você já teve problemas com a mancha de mirotécio no café? Quais medidas de manejo você costuma adotar na fazenda? Adoraria ver seu comentário abaixo!

Entenda os diferentes métodos de amostragem de grãos e como eles podem impactar a comercialização da sua safra

Métodos de amostragem de grãos: entenda a importância, cuidados e tipos de amostragens para determinação da qualidade dos lotes de grãos e sementes.

Para a comercialização e até mesmo armazenamento seguro dos grãos, análises de qualidade devem ser realizadas.

Após a colheita, os grãos são transportados para unidades de beneficiamento, onde amostragens dos lotes recebidos são realizadas, seguindo metodologias padrões.

O objetivo da amostragem de produtos é indicar a natureza, qualidade e tipo, dando assim destinação aos grãos.

Quer entender como são realizadas as amostragens para as diferentes formas de armazenamento e como estes dados podem auxiliar sua tomada de decisões? Confira a seguir!

Importância da amostragem de grãos

O objetivo da amostragem de grãos é indicar a natureza, qualidade e tipo, dando, assim, uma destinação adequada aos produtos agrícolas.

Ao serem armazenados, especialmente a longo prazo, os grãos ficam sujeitos a alterações provocadas pelo calor, umidade e organismos associados, como insetos e microrganismos. 

Após a colheita, a qualidade dos grãos não pode ser melhorada, apenas conservada. E a interação da qualidade inicial (logo após a colheita) com o ambiente a que estes grãos serão expostos (formas de armazenamento) determinarão a sua conservabilidade, aptidão industrial, de consumo e o valor comercial.

Desta forma, as análises de qualidade dos grãos recebidos é uma etapa importante para determinar o beneficiamento necessário (pré-limpeza, limpeza, secagem). 

Também indicam sob quais condições esses grãos deverão ser armazenados, se devem ser imediatamente comercializados e para qual finalidade (industrial ou de consumo), visando diminuir perdas e otimizar processos.

O objetivo da amostragem é obter uma porção representativa das características do lote.

Quando a amostragem de grãos é realizada

A amostragem consiste na retirada de uma pequena porção de grãos, de diferentes pontos do lote, com o objetivo de determinar sua qualidade. 

A qualidade padrão dos grãos deve obedecer aos limites máximos tolerados quanto aos danos, umidade, impurezas e matérias estranhas, ataque de insetos, regidos pela legislação.

São consideradas análises importantes: 

  • umidade;
  • impurezas e matérias estranhas;
  • classificação de produtos;
  • ataque de insetos, dentre outras.

Essas características indicarão a qualidade dos lotes recebidos e influenciarão nos preços praticados no mercado. Além disso, os resultados obtidos norteiam a tomada de decisão sobre o destino do lote recebido. 

As amostragens devem ser realizadas ainda na recepção da carga, antes da pesagem, e no momento de descarga.

Já durante o armazenamento, são realizadas para verificar a ocorrência de alterações provocadas por pragas e microrganismos, por exemplo, ou alterações de umidade e temperatura.

7 cuidados importantes na amostragem de grãos 

Para que os resultados sejam representativos da realidade, alguns cuidados devem ser tomados:

  1. As coletas devem ser realizadas em diferentes pontos e profundidades. Grãos em camadas superficiais podem sofrer alterações por umidade e temperatura ambiente;
  2. Devido ao peso das impurezas ser menor, estas costumam acomodar-se no fundo da massa de grãos, reforçando a necessidade de amostragens em diferentes profundidades;
  3. Evite realizar as coletas sempre nos mesmos locais. Esta ação pode levar a resultados viciados e não representativos. 
  4. Evite fazer a coleta com equipamentos, roupas e mãos sujas. Os resultados podem sofrer alterações significativas quando não observadas as condições de higiene, principalmente de umidade para grãos e sanitárias para sementes;
  5. Os equipamentos de amostragem devem estar limpos e secos. Quando úmidos, provocam alterações, especialmente na umidade do lote;
  6. Não realize amostragens próximo às paredes/laterais da carroceria, silo e sacarias devido a possíveis interferências do ambiente nas características dos grãos mais próximos da superfície;
  7. As amostras devem ser colocadas em embalagens adequadas e identificadas assim que coletadas, para evitar erros, com envio imediato ao laboratório. Caso não seja possível, deve ser conservada adequadamente (em refrigerador preferencialmente).

Métodos de amostragem de grãos: tipos de amostras 

Segundo o manual de Regras para Análise de Sementes (RAS), diferentes tipos de amostras são realizadas até que seja formada a amostra de trabalho final (aquela analisada em laboratório).

Amostra simples

Pequena porção de sementes ou grãos retiradas de um ponto aleatório do lote.

Amostra composta

É  formada pela junção de todas as amostras simples (retiradas de cada um dos pontos amostrados). Deve ser devidamente reduzida (seguindo metodologia padrão) para envio ao laboratório, uma vez que é formada por uma quantidade superior ao necessário.

Amostra média

É a amostra recebida pelo laboratório para ser submetida à análise. Deve obedecer tamanho mínimo, especificado nas Regras para Análise de Sementes.

Amostra duplicata

É a mesma amostra obtida da amostra composta. É obtida para fins de fiscalização e para casos de reanálise. 

É armazenada nas unidades de beneficiamento e recebimento de grãos por até cinco anos, para eventuais contestações ou problemas associados ao lote comercializado.

Amostra de trabalho

É obtida por homogeneização (mistura) e redução até os pesos mínimos requeridos pelas regras, utilizada em laboratório para as análises.

Tipos de amostragem e equipamentos

As amostragens podem ser realizadas de forma manual ou pneumática.

Amostragens manuais

Para as amostragens manuais podem ser utilizados caladores ou sondas. Veja na imagem que separei: 

Caladores simples para sacarias (esquerda) e sonda manual para amostragem de grãos a granel (direita)

Caladores simples para sacarias (esquerda) e sonda manual para amostragem de grãos a granel (direita)
(Fonte: Conab)

Amostragens pneumáticas 

Comumente utilizadas em silos e graneleiros, onde, através da sucção dos grãos, as amostragens são realizadas, encaminhando diretamente para o local de análise (quando este possuir, por exemplo em portos e unidades de recebimento).

As sondas pneumáticas devem ser utilizadas conforme instruções de uso do fabricante. Caso contrário, erros relacionados principalmente a impurezas e matérias estranhas podem ocorrer, impactando no valor de venda (resultados superestimados).

Para a coleta, o calador deve ser inserido no ponto desejado, com o recipiente de amostragem fechado e com o sistema desligado. O recipiente deve ser aberto para coleta e fechado instantes depois. 

O sistema de sucção deve ser ligado para sucção da amostra e então ser desligado e reposicionado no próximo ponto. Somente quando estiver no ponto a ser amostrado, pode ser religado.

O amostrador pneumático não deve permanecer ligado durante todas as amostragens. Este procedimento não é adequado e não é considerado uma amostragem e sim uma simples coleta.

ilustrações de sonda pneumática portátil (esquerda) e sonda pneumática fixa (direita)

Sonda pneumática portátil (esquerda) e sonda pneumática fixa (direita)
(Fonte: Conab)

Peso das amostras

O peso mínimo das amostras para análise de atributos de qualidade para grãos e sementes é distinto para produtos ensacados/ou granel e para sementes. Veja na tabela abaixo os requisitos para produtos ensacados:

tabela de recomendações de amostragem em navios (carga ou descarga de produtos ensacados ou a granel) pelo Mapa

Recomendações de amostragem em navios (carga ou descarga de produtos ensacados ou a granel) pelo Mapa
(Fonte: adaptado de Mapa)

Já para análises de sementes, os pesos mínimos têm variação dentre as espécies e testes a serem realizados. Os dados podem ser consultados no manual de Regras de Análise de Sementes.

tabela de recomendações de amostras médias para análise de qualidade de sementes

Recomendações  de amostras médias para análise de qualidade de sementes
(Fonte: adaptado de RAS)

O peso mínimo exigido para envio a laboratório é o da amostra composta, devidamente reduzida ao exigido.

Como garantir amostragens aleatórias e representativas

Um procedimento comum realizado nas amostragens de grãos a granel em caminhões é amostrar cinco pontos, um em cada lateral da carroceria e outro no centro. 

Esta forma de amostragem não é a mais correta, pois se perde o critério de aleatoriedade e pode induzir a erros.

Para garantir o critério de aleatoriedade, pode-se identificar a largura de um caminhão e seu comprimento. 

A largura pode ser dividida por seis pontos, em espaçamentos iguais, numerados de 1 a 6. 

O comprimento pode ser dividido em dez pontos, de espaçamento igual, numerados do 1 ao 11.

Essa divisão pode ser realizada uma única vez para cada metragem de caminhões e, à medida que as cargas chegam, respeitando o número mínimo de amostras e peso mínimo, podem ser sorteados e então amostrados, garantindo a aleatoriedade das amostras.

Como as laterais da carga não devem ser amostradas, para a largura, eliminam-se os pontos 1 e 6, e para o comprimento os números 1 e 11, conforme a imagem abaixo:

Pontos amostrais para sorteio, considerando a largura e comprimento de um caminhão. Locais representados pela letra X não devem ser amostrados

Pontos amostrais para sorteio, considerando a largura e comprimento de um caminhão. Locais representados pela letra X não devem ser amostrados
(Fonte: elaborado pela autora)

Neste caso, são 2,60 metros de largura divididos em 6 pontos. O espaçamento necessário entre os pontos deve ser de 43,33 centímetros. 

Para o comprimento são 16 metros divididos pelos 11 pontos amostrais, exigindo distâncias de 1,45 metros entre os pontos.

Para saber quais pontos devem ser amostrados, basta sortear os números de 2 a 4 (largura), para cada ponto sorteado de 2 a 10 (comprimento).

Coleta das amostras

Para todos os métodos de amostragem, a identificação correta das amostras é indispensável.

Na etiqueta deve constar a identificação do lote, número da amostra (número, quantidade, natureza, acondicionamento), nome do proprietário, responsável, data e local de coleta.

Os tipos de amostragem são divididos em pré-amostragem, amostragem (ambos para cargas a granel ou convencionais nas unidades de recebimento), sacarias, silos e transportadores.

Confira a seguir cada uma delas!

Diferentes métodos de amostragem de grãos

Amostragem de grãos a granel: pré-amostragem

Nessa etapa, retiram-se as amostras antes da pesagem do veículo a fim de determinar o percentual de impurezas e umidade do produto recebido. 

Como as impurezas normalmente ficam no fundo da carga e há possível ação de fatores externos durante o transporte, é realizada uma pré-amostragem e, durante o descarregamento, é feita a amostragem propriamente dita.

Também avalia-se a necessidade de pré-limpeza, limpeza e secagem. Além disso, são verificadas situações de anormalidades que possam justificar a recusa do lote.

O peso mínimo para cada ponto amostral para formação da amostra composta é de 2 kg por ponto de amostragem.

Exemplo: recebeu-se uma carga de grãos de 30 toneladas. Para este volume, são necessários 8 pontos amostrais.

Sorteiam-se então as seguintes combinações, conforme exemplificado pelos círculos vermelhos na imagem abaixo:

Ponto 1: 5 para largura e 8 para comprimento;

Ponto 2: 2 para largura e 2 para comprimento;

Ponto 3: 4 para largura e 3 para comprimento;

Ponto 4: 3 para largura e 6 para comprimento;

Ponto 5: 2 para largura e 10 para comprimento;

Ponto 6: 2 para largura e 7 para comprimento;

Ponto 7: 5 para largura e 5 para comprimento;

Ponto 8: 4 para largura e 9 para comprimento.

Pontos amostrais sorteados. Locais representados pela letra X não devem ser amostrados

Pontos amostrais sorteados. Locais representados pela letra X não devem ser amostrados
(Fonte: elaborado pela autora)

Número de pontos amostrados em relação ao peso das cargas:

  • Para vagões ou caminhões de até 15 toneladas: cinco pontos amostrais;
  • Vagões de 15 a 30 toneladas: oito pontos amostrais;
  • Vagões de 30 a 50 toneladas: onze pontos amostrais.

Amostragem de grãos a granel: descarga moega

É realizada durante a descarga, utilizando canecos ou baldes. São retiradas amostras ao acaso e periodicamente nos dutos de saída até que metade da massa de grãos seja descarregada (veículos a granel).

Para caminhões convencionais, realiza-se a amostragem através da retirada de pequenas porções, em diferentes pontos e de ambas as laterais, assim que estas são abertas para o descarregamento dos grãos.

Ambas as amostragens, antes da pesagem e no momento da descarga, são importantes e devem ser homogeneizadas posteriormente para formação da amostra composta, que deve ser enviada para a análise.

ilustrações de amostragem de grãos em caminhão graneleiro e convencional

Amostragem de grãos em caminhão graneleiro e convencional
(Fonte: Conab)

O peso da amostra composta deve ser:

  • 40 kg para cargas de até 500 toneladas;
  • 40 kg para cada série de 500 toneladas, em caso de carregamentos com pesagem superior.

Amostragem de grãos em silos: durante a armazenagem

Durante a armazenagem dos grãos, é indispensável monitoramento frequente.

Pode-se estabelecer a coleta em diferentes pontos, utilizando como referência os pontos cardeais, em diferentes profundidades.

Neste tipo de coleta, é necessário que as coletas e análises posteriores sejam realizadas conforme a profundidade, com objetivo de identificar alterações de temperatura e umidade.

Amostragem de grãos em silo vertical, utilizando os pontos cardeais como referência

Amostragem de grãos em silo vertical, utilizando os pontos cardeais como referência
(Fonte: Conab)

>>Leia mais: “Vender ou guardar a produção em silo de grãos”

Amostragem de grãos: sacarias

Neste método, as amostras são obtidas através da perfuração das sacas com caladores simples.

O calador deve ser introduzido ao saco no sentido de baixo para cima, de forma a estimular o deslizamento do produto.

Os sacos a serem amostrados devem ser escolhidos aleatoriamente e as amostras devem ser realizadas no mínimo em 10% do total dos sacos, em diferentes alturas da pilha e com porções mínimas de 30 gramas por saco.

Essa avaliação deve ser realizada tanto no recebimento das sacarias como durante o período de armazenamento.

Amostragem de grãos: transportadores

Em transportadores por correia ou gravidade, as amostras devem ser coletadas em períodos específicos, utilizando canecas ou baldes.

Em transportadores de parafuso sem-fim, as coletas podem ser realizadas no alçapão localizado na parte inferior da tubulação, que se abre em determinados intervalos.

As amostras podem ser coletadas ainda na saída dos grãos ou nas extremidades do transportador.

Já no elevador de caneca, as coletas podem ser realizadas na saída da moega alimentadora, em períodos pré-determinados (a cada x minutos ou horas, a depender do fluxo de grãos).

O que os resultados das análises podem indicar?

Com os resultados em mãos sobre o real estado dos grãos colhidos, é possível realizar desde um simples beneficiamento (como limpeza) até a secagem, a fim de diminuir os descontos recebidos sobre o produto comercializado.

A secagem pode ser realizada ainda nos limites aceitos pelos estabelecimentos para que não haja perdas de peso desnecessárias dos grãos pela diminuição do teor de água (umidade).

Com umidades superiores ao ideal, há opção de secar o lote de grãos na própria fazenda, quando possível, ou planejar a secagem ainda em campo, desde que as previsões meteorológicas sejam favoráveis.

Também é possível planejar a implantação de locais para armazenamento de grãos na propriedade, calculando os custos operacionais pagos às unidades de armazenamento em relação ao investimento destas estruturas. 

Estima-se que 30% do valor do produto permaneça na unidade de beneficiamento em razão de operações de secagem e armazenamento.

Resultados das análises e comercialização

Na recepção, os preços praticados consideram a umidade da massa de grãos ou teor de água, o que influencia diretamente na conservação da qualidade ao longo do armazenamento.

Os limites máximos tolerados para defeitos na comercialização de grãos são regidos por Instruções Normativas, que estabelecem o regulamento técnico das culturas, com descontos progressivos e até mesmo descarte do lote quando não observados os limites tolerados.

Para descontos em teores de umidade e classificação, estes são praticados pelas unidades de recebimento, possuindo variação dentre as culturas e estabelecimentos.

Para as culturas do milho e trigo, por exemplo, a venda é regulada pelos defeitos de classificação.

Desta forma, a realização da correta amostragem, armazenamento e envio ao laboratório de análise é fundamental para a tomada de decisão quanto ao destino da produção.

Como mencionamos anteriormente, a qualidade do lote de grãos, após a colheita não pode ser melhorada, mas sim conservada. 

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Conclusão

Neste artigo, pudemos conhecer a importância de uma amostragem seguindo os padrões exigidos pela legislação.

Abordamos ainda métodos empregados, número e peso das amostras que devem ser coletadas e os cuidados que devem ser tomados durante o processo.

Além disso, vimos um pouco do que esses dados podem indicar para uma tomada de decisão após a colheita, a fim de diminuir descontos e garantir melhores preços de comercialização.

>>Leia mais:

“Entenda melhor a classificação da soja e saiba usá-la para aumentar sua lucratividade”

Restou alguma dúvida sobre os métodos de amostragem de grãos? Deixe seu comentário!

O que você precisa saber para acertar a lubrificação de máquinas agrícolas da sua fazenda

Lubrificação de máquinas agrícolas: diferenças entre óleos e graxas, quando e como realizar as operações e muito mais!

O que você diria que os desgastes, a redução da vida útil e a baixa eficiência operacional têm em comum? É claro que, são todos problemas que podem acometer as máquinas agrícolas, mas, além disso, a solução de todos esses problemas também é a mesma.

A simples lubrificação poderia reduzir ou até mesmo sanar todos esses problemas!

Você conhece todos os benefícios da correta lubrificação das máquinas agrícolas? Ainda tem dúvidas de como e quando fazê-la para otimizar sua eficiência operacional? Confira a seguir!

A função dos lubrificantes nas máquinas agrícolas

A lubrificação de máquinas agrícolas é um dos principais aspectos da manutenção dos equipamentos. Diversos componentes das máquinas requerem lubrificação: os mancais (de atrito ou de rolamento), eixos (sem fim e telescópicos), engrenagens, correntes, pistões até as juntas universais e bombas.

De modo geral, os lubrificantes são substâncias com múltiplas finalidades, que auxiliam as máquinas agrícolas de diversas formas. Eles

  • reduzem o desgaste de peças, amenizando a fricção;
  • auxiliam na limpeza das peças, evitando a entrada de partículas e impurezas;
  • protegem os componentes lubrificados da corrosão;
  • facilitam a vedação e reduzem a perda de pressão, e 
  • auxiliam a dissipar o calor, promovendo o resfriamento das peças.

Como podemos perceber, a lubrificação das máquinas agrícolas é bastante versátil e, justamente por isso, não pode ser feita de qualquer jeito!

Lubrificante é tudo igual?

Antes de mais nada, definitivamente, a resposta para essa pergunta é: não é tudo igual!

Quando pensamos na lubrificação de máquinas agrícolas, normalmente nos lembramos dos óleos primeiro, mas os principais lubrificantes podem ser óleos ou graxas. O tipo de lubrificante a ser utilizado depende do sistema e/ou componente a ser lubrificado.

Os óleos, menos viscosos, são indicados para os motores, para o sistema de transmissão e para o sistema de freios. As graxas, altamente viscosas, vão nas articulações, conexões, mancais e rolamentos das máquinas agrícolas.

Óleos

Atualmente, os óleos podem ser de origem mineral (petróleo), sintéticos (sintetizados artificialmente) ou semissintéticos (misturas).

E são classificados de acordo com a viscosidade, o índice de viscosidade (IV) e o nível de desempenho.

A viscosidade determina a resistência entre as moléculas do óleo, ou seja, sua capacidade de escorrer ou aderir às peças que ele lubrifica.

Na classificação SAE, a viscosidade dos óleos recebe um número: 0, 5, 10, 15, 20, 25, 30, 40, 50 ou 60. Quanto maior o valor, maior a viscosidade.

O IV, por sua vez, indica a variação da viscosidade de um óleo de acordo com a temperatura ambiente. Os óleos com elevados IV têm uma menor variação da viscosidade.

Quando seguidos da letra W (de winter, inverno em inglês) indicam que podem ser utilizados a baixas temperaturas, 0W, 5W, 10W, etc., mas é incomum no Brasil.

Já os nomes compostos, indicam que são óleos multiviscosos e, normalmente, aguentam grandes variações de temperatura!

Para facilitar o entendimento, separei a figura a seguir:

tabela com classificações SAE da viscosidade dos óleos e as faixas de temperatura ambiente adequadas para o uso

Classificações SAE da viscosidade dos óleos e as faixas de temperatura ambiente adequadas para o uso
(Fonte: NQIFS)

Por fim, o nível de desempenho é a classificação em função do tipo de serviço da máquina, feito pela classificação API.

Para motores diesel, de compressão (compression, em inglês), a classificação API é a C e ainda existe uma grande subdivisão nessa categoria.

Mas o importante é saber que cada fabricante dará a correta indicação dos óleos para a adequada lubrificação da máquina agrícola.

Graxas

Ao contrário dos óleos, as graxas são lubrificantes pastosos ou semissólidos.

Elas são utilizadas em mecanismos que não podem ser continuamente lubrificados ou nos quais os óleos não atuam corretamente no local desejado.

Assim como os óleos, existe uma grande diversidade de características das graxas, que podem ser classificadas de acordo com a consistência e substância engrossadora.

A consistência das graxas pode ser de 000, 00, 0, 1, 2, 3, 4 e 5, cada uma com uma finalidade diferenciada.

tabela com classificação, consistência e uso das graxas - lubrificação de máquinas agrícolas

Classificação, consistência e uso das graxas
(Fonte: elaborado pelo autor, adaptado de Leandro Gimenez)

Em linhas gerais, a graxa é composta da mistura de óleo com aditivo e uma substância engrossadora.

Cada substância engrossadora confere uma característica à graxa, sendo as multiuso consideradas as melhores, à base de lítio (Li) ou mistas (cálcio + sódio).

A lubrificação de máquinas agrícolas com graxa deve ser feita nos chamados pinos graxeiros que se localizam em diversos locais, variando de acordo com cada fabricante.

Como e quando fazer a lubrificação de máquinas agrícolas?

Como realizar a lubrificação do maquinário?

Para realizar a lubrificação do maquinário, precisamos elaborar um plano de lubrificação, considerando uma série de fatores, como:

  • quantidade de máquinas/implementos;
  • tipo de equipamento/implemento;
  • frequência de troca/aplicação;
  • tipo de lubrificante a ser utilizado em cada um deles;
  • estoque de lubrificantes;
  • normas industriais;
  • condições de trabalho, entre outras.

Somente assim, com planejamento, conseguimos adequar a lubrificação sem que falte maquinário em serviço ou ainda haja problemas de negligência de manutenção.

Qual o melhor momento para fazer a lubrificação?

Na verdade, isso depende! 

Quando fazer e a frequência de lubrificação de máquinas agrícolas variam principalmente de acordo com o componente em questão.

É de extrema importância seguir as recomendações detalhadas do fabricante.

Lembre-se que, quando se trata de lubrificação de máquinas agrícolas, estamos falando de manutenção preventiva, ou seja, antes de verificarmos que existe um problema!

Algumas dicas são:

  1. A troca do óleo de motor e transmissão são feitas com maior facilidade quando realizadas em temperaturas próximas às de operação. Assim, o óleo escoa com mais facilidade. Mas, cuidado, pois pode estar em elevadas temperaturas e pressão.
  2. Não só o momento para a lubrificação deve ser escolhido com cautela mas também o local para a sua realização.
  3. É muito importante tomar cuidado na hora da lubrificação de máquinas agrícolas para evitar contaminação, fazendo-as em ambientes protegidos como galpões ou oficinas. 

Conclusão

Os lubrificantes, sejam eles óleos ou graxas, são essenciais para o bom funcionamento das máquinas agrícolas.

A lubrificação de máquinas agrícolas é sem dúvida um ponto crucial para garantir a vida útil dos equipamentos.

Um bom plano de lubrificação deverá garantir uma boa eficiência operacional das máquinas no campo.

Ao cuidar bem das máquinas agrícolas, a certeza do sucesso só aumenta!

>> Leia mais:

“Tudo o que você precisa saber sobre lastragem de tratores agrícolas”

“Depreciação de máquinas: todos os cálculos de forma prática”

Qual é a sua maior dificuldade na lubrificação de máquinas agrícolas? Conta pra gente nos comentários!

3 fatores que determinam a qualidade do trigo e o preço de venda dos seus grãos

Qualidade do trigo: o que afeta sua classificação comercial e as dicas para obter melhores resultados na produção do grão.

Mesmo com uma produção alta, nem sempre o valor pago pelos grãos aumenta, não é verdade?

A qualidade do trigo conta muito na hora da negociação da safra e é determinante para alcançar um melhor preço de venda do seu produto agrícola.

Você sabe quais são esses fatores e como determiná-los? 

Entenda neste artigo os três principais indicadores e o que pode ser feito para evitar perda da qualidade do trigo colhido!

3 fatores de qualidade que impactam a venda do trigo

A qualidade dos grãos não é definida somente no momento da colheita do trigo: é a junção de práticas realizadas ao longo de todo desenvolvimento da cultura.

Desde o uso de produtos fitossanitários e do monitoramento do clima até a velocidade e regulagem da máquina na hora da colheita, são vários os fatores que podem impactar na qualidade do trigo.

Para avaliar essa qualidade do produto final, a legislação brasileira instruiu a normativa 38, de 30 de novembro de 2010, para classificação dos grãos de trigo, dividindo-os em 2 grupos, 5 classes e 3 tipos.

  • Grupo I: trigo destinado diretamente à alimentação humana, classificado apenas pelo tipo;
  • Grupo II: trigo destinado à moagem e a outras finalidades, classificado em classes e tipos. 

Para classificação, há alguns fatores a serem considerados, como você verá nas tabelas abaixo:

fatores que interferem na classificação do trigo grupo um: trigo destinado diretamente à alimentação humana, classificado apenas pelo tipo
fatores que interferem na classificação do trigo grupo dois: trigo destinado à moagem e a outras finalidades, classificado em classes e tipos

Fatores que interferem na classificação do trigo
(Fonte: Adaptado de Ministério da agricultura, pecuária e abastecimento)

Esses fatores estão ligados à qualidade do trigo e impactam diretamente na comercialização de grãos

Dentre eles, o teor de umidade, matérias estranhas e impurezas, além do peso hectolitro são os que mais influenciam no valor pago para o produtor.

A seguir, vou explicar o que são e como esses fatores podem interferir no preço que você recebe pela venda do seu trigo!

1. Matérias estranhas e impurezas 

Matérias estranhas são partículas presentes no lote e que não vêm da planta de trigo, como pedaços de plantas e sementes de outras espécies, pedras, terras, entre outros. 

Já impurezas são partículas que estão presentes no lote e que vêm da planta de trigo, como cascas, fragmentos do colmo e folhas.

Essas partículas são de grande importância no momento da comercialização, pois são valores descontados do peso do lote. E isso vale para outras culturas além do trigo.

A determinação da quantidade de impurezas e matérias estranhas presentes no lote é feita com base em uma amostra, que é passada por um jogo de peneiras para separação.

Ao menos uma das peneiras utilizadas deve ter os crivos oblongos, com medidas de 1,75 mm x 20 mm. 

O que passa pela peneira é considerado impureza presente no lote.

Exemplo de peneira utilizada para separar impurezas e matérias estranhas dos grãos de trigo

Exemplo de peneira utilizada para separar impurezas e matérias estranhas dos grãos de trigo
(Fonte: LabGrãos)

O peso das impurezas ou matérias estranhas encontradas na amostra é transformado em porcentagem e feito o desconto do peso do lote.

Cada empresa pode adotar um método de cálculo diferente, mas todas realizam o desconto. Veja um modo de cálculo realizado no exemplo a seguir:

qualidade do trigo, exemplo de método de cálculo

Desse modo, quanto maior a quantidade de impurezas, menor será a qualidade do lote de trigo e, consequentemente, haverá reflexo no preço a ser recebido.

2. Umidade ideal dos grãos 

A umidade é o percentual de água encontrado na amostra do produto já livre de matérias estranhas e impurezas.

Essa umidade é determinada por um método oficialmente reconhecido ou por um aparelho que dê resultado equivalente. 

Ter esse aparelho na propriedade é um bom investimento, pois auxilia na tomada de decisão de colheita de outras culturas além do trigo.

O ideal é sempre realizar a colheita quando a umidade for adequada para operação das máquinas e para comercialização.

Como vimos acima, na classificação do trigo, a umidade ideal é de 13%.

Mas nem sempre é possível realizar a colheita dos grãos nesse percentual devido a impedimentos como excesso de chuva, grandes áreas a serem colhidas, falta de maquinário, etc. 

Desse modo, na comercialização, é considerado o valor da umidade que o lote apresenta.

Assim como para o cálculo de impurezas, o desconto da umidade pode ser realizado de diversos modos, por fórmulas, ou tabelas pré-definidas, dependendo do local em que você comercializa.

Exemplo de tabela utilizada para desconto de impurezas e umidade de um lote de grãos

Exemplo de tabela utilizada para desconto de impurezas e umidade de um lote de grãos
(Fonte: Agais)

Informe-se da metodologia utilizada pelo local onde você entrega para saber realizar o cálculo do mesmo modo.

Veja um exemplo, com uso de fórmula, para calcular o desconto pelo grau de umidade do lote:

qualidade do trigo, exemplo de cálculo do desconto pelo grau de umidade do lote

3. Peso do hectolitro (PH)

Peso do hectolitro ou peso hectolítrico, também conhecido como PH, é a massa de 100 litros de trigo, expressa em quilos, determinado em equipamento específico.

Essa medida é um atributo indireto da qualidade dos grãos de trigo e está relacionada à moagem do cereal.

Assim, o preço pago pelo trigo leva esse fator em consideração, pois é associado também ao rendimento na extração da farinha.

Características dos grãos de trigo, como forma, textura do tegumento, peso e tamanho, além da presença de matérias estranhas e impurezas, estão associadas à determinação do PH.

O peso do hectolitro pode variar em relação à cultivar, porém, valores muito baixos podem indicar problemas, principalmente na época de enchimento dos grãos.

O ataque de pragas e doenças, especialmente na parte aérea e após a formação dos grãos de trigo, diminui o PH, pois afetar diretamente os grãos, o que reduz seu peso.

Há indícios de que, em algumas áreas, o parcelamento da adubação nitrogenada pode favorecer o aumento do peso hectolítrico. Mas isso é dependente também das condições de cultivo, como a disponibilidade de nitrogênio, especificamente, mas também de outros macro e micronutrientes importantes para a cultura, a escolha da cultivar, etc.

Efeito da aplicação de nitrogênio por ocasião do florescimento no peso do hectolitro em duas cultivares de trigo e duas fontes de nitrogênio diferentes

Efeito da aplicação de nitrogênio por ocasião do florescimento no peso do hectolitro em duas cultivares de trigo e duas fontes de nitrogênio diferentes 
(Fonte: Almeida e colaboradores por Embrapa)

Dicas para melhorar a qualidade do trigo 

  • Faça sempre a limpeza da área com herbicidas para que, no momento da colheita, a lavoura tenha poucas plantas daninhas que possam se misturar aos grãos.
  • Regule a colhedora em relação à altura de corte do material, alimentação, trilha e limpeza, para obter o melhor desempenho e para que pouca impureza vá com os grãos. 
  • Atenção ao clima! Verifique o histórico da área para plantar e colher em épocas com ocorrência adequada de chuvas. 
  • Realize um bom planejamento da área, escalonando as semeaduras, para que não necessite realizar a colheita rapidamente em todas as áreas.
  • Fique atento quanto à adubação nitrogenada, principalmente na época de florescimento e perfilhamento. 
  • Controle adequadamente as doenças e pragas, especialmente as que afetam a parte aérea da planta, para evitar perda de peso dos grãos, o que influencia diretamente no PH do trigo.
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Conclusão

Há diversos fatores que influenciam a qualidade do trigo no momento da comercialização.

Realizar um bom manejo da cultura reduz as chances de perdas pós-colheita por descontos, principalmente os relacionados a matérias estranhas e impurezas.

Nem sempre é possível colher com a umidade adequada e, caso isso aconteça, você já saberá fazer o cálculo e saber quanto será descontado.

Além dos 3 fatores citados no texto, outros podem ser considerados no momento da negociação de preços. Então, fique atento para fazer a melhor venda dos seus grãos!

>> Leia mais:

“Como garantir a qualidade durante os processos de secagem e armazenamento de trigo”

“Melhores práticas para fazer o tratamento de sementes de trigo na fazenda”

Restou alguma dúvida quanto aos fatores de qualidade do trigo? Adoraria ler seu comentário!

Logística da pluma do algodão: o que impacta o escoamento da produção?

Logística da pluma do algodão: entenda os desafios que ainda temos de enfrentar e como manter a qualidade do produto no processo de escoamento da produção.

O Brasil atualmente é o quarto maior produtor de algodão do mundo e o segundo maior exportador. Mas o escoamento da produção ainda tem grandes desafios para se tornar mais eficiente. 

Hoje, a maior parte do transporte do algodão depende do modal rodoviário e, no caso das exportações, também do porto de Santos.

Neste artigo, separamos alguns aspectos que envolvem a logística da pluma de algodão e como garantir que o produto saia do campo e chegue à indústria mantendo alta qualidade da fibra. Confira a seguir!

A produção e a qualidade da pluma do algodão

A alta qualidade do algodão é uma exigência do mercado e nela está a garantia do seu lucro. 

Por isso, os cuidados com o manejo da lavoura, como a escolha da tecnologia da semente, adubação, manejos fitossanitários e práticas sustentáveis como o MIP (Manejo Integrado de Pragas), são essenciais! 

Ter um planejamento agrícola detalhado também faz toda a diferença, visto o alto valor investido para produção da cultura. Segundo o Imea, o  custo de produção de algodão chega a R$ 7.252 por hectare atualmente. 

Para alcançar uma qualidade elevada na fibra, o monitoramento diário de pragas e doenças se faz necessário, além de uma série de cuidados na colheita, armazenamento e transporte, como veremos a seguir.

Colheita

A qualidade da fibra do algodão tem relação direta com a qualidade do manejo e a forma como é feita a colheita garante manter ou não essa qualidade.

Por isso, passos básicos devem ser considerados como:

  • realizar a colheita do algodão com tempo seco;
  • garantir uma secagem adequada;
  • realizar o processamento de descaroçamento, enfardamento em pluma e armazenamento em condições adequadas de temperatura e umidade.

E é preciso sempre estar atento a alguns erros comuns da colheita mecanizada, como:

  • velocidade inadequada da colhedora;
  • presença de daninhas;
  • altura das plantas (que deve estar entre 1 m e 1,3 m);
  • erro na utilização de desfolhantes e maturadores;
  • falta de sistema de contenção de incêndios.

Armazenamento

Com a colheita feita, é preciso garantir um armazenamento adequado e seguro do algodão. O produto exige uma qualidade de pureza para seu valor agregado.

No armazenamento, o local deve ser livre de contaminantes, da mesma forma como o controle da umidade é essencial. 

Lembrando sempre de não colocar os fardos diretamente em contato com o piso, evitando a fermentação do produto como a conhecida cavitomia.

Aqui no blog nós já falamos em detalhes tudo o que você precisa saber sobre o armazenamento do algodão. Confira!

Beneficiamento

Segundo a Abrapa, até a safra de 2019, existiam 247 algodoeiras que beneficiavam o algodão ainda em caroço proveniente das fazendas. 

Elas estão distribuídas pelos seguintes estados:

  • Bahia (49)
  • Goiás (17)
  • Maranhão (3)
  • Minas Gerais (16)
  • Mato Grosso do Sul (8)
  • Mato Grosso (139)
  • Piauí (3)
  • Rondônia (2)
  • Roraima (1)
  • São Paulo (2)
  • Tocantins (7)
galpão com beneficiamento do algodão

(Fonte: Abrapa)

Vamos entender um pouco melhor como a tecnologia tem contribuído para o setor e para a alta qualidade do produto brasileiro? 

A padronização e rastreabilidade da pluma

O Brasil tem crescido no mercado e muito se deve à tecnologia que vem adquirindo em relação à padronização e rastreabilidade do produto.

A boa classificação do nosso tipo de algodão, o pagamento de acordo com a qualidade e a centralização dessas informações de fácil acesso são alguns diferenciais.

Desde 2004, existe o Sistema Abrapa de Identificação, que centraliza as etiquetas de códigos de barras para padronização e identificação única dos fardos brasileiros de algodão.

O Programa Standard Brasil HVI – CBRA, promove uma padronização adequada do produto brasileiro medindo, com o equipamento HVI (High Volume Instrument), as características da fibra do algodão como:

  • resistência – capacidade de suportar carga até romper-se;
  • comprimento;
  • uniformidade do comprimento (%);
  • índice ou conteúdo de fibras curtas (%);
  • finura;
  • elasticidade;
  • resiliência – capacidade da fibra voltar ao seu estado original;
  • fiabilidade – capacidade da fibra se transformar em fio;
  • umidade;
  • cor, lustro e reflectância.

As vantagens da padronização são:

  • sistema único e confiável de identificação dos fardos;
  • obtenção de resultados laboratoriais ágeis de classificação;
  • venda ao mercado externo facilitada.

Tanta rastreabilidade e transparência são exigências e qualidades necessárias para o mercado de exportações. Atualmente, a China é o principal país de destino do algodão brasileiro, seguido do Vietnã e Indonésia.

dados e informações de padronização e rastreabilidade de logística da pluma do algodão

(Fonte: Abrapa)

O que impacta na logística da pluma do algodão?

Uma das atividades mais importantes e dispendiosas do processo produtivo é a logística, com influência direta das opções de modais. 

Estudo realizado por Rocha et. al (2016) mostrou que a logística do algodão em pluma chegou a representar 10,36% da receita bruta total da produção. Só o transporte rodoviário contribuiu com 7,6% do custo de produção.

Segundo a Associação Brasileira de Logística e Transporte de Carga (ABTC), as cargas em geral se distribuem entre 65% por modal rodoviário, 15% por modal ferroviário e 20% por modal aquaviário. 

No caso do escoamento da produção agrícola, especificamente, 45% depende do modal rodoviário.

Quando falamos do produto agrícola para exportação, o porto de Santos (SP) é um dos destinos principais. Segundo a Agência Nacional de Transportes Aquaviários, um em cada três produtos exportados passa por lá.

Rotas

A opção de rotas tem relação direta com a infraestrutura e os aspectos tributários. Os tributos mais expressivos e de maior impacto nas operações logísticas são: PIS, Cofins, IRPJ, CSLL e ICMS.

O principal estado produtor do Brasil, o Mato Grosso agora conta com o terminal logístico em Rondonópolis (MT), que já faz as alocações em contêineres e o escoamento via malha ferroviária para os portos.

Já a produção da Bahia ainda se desloca praticamente toda via modal até o porto de Santos para os carregamentos. 

A abertura de escoamento pelo Arco Norte via Santarém (PA) tem sido vista como opção de redução de custos. 

Assim como o porto de Salvador (BA) para a exportação da pluma baiana que ainda concentra a sua exportação via porto de Santos.

A possibilidade de melhoria de nossa infraestrutura de escoamento com redução de custo, contribuiria com um aumento da competitividade do Brasil no mercado de exportações. 

planilha de produtividade do algodão Aegro

Conclusão

O país tem crescido no mercado de exportações, a nossa tecnologia de rastreabilidade e avaliação de qualidade do produto já é muito boa.

Da porteira para dentro, somos muito bem abastecidos de tecnologias e eficientes na produção. 

Nosso maior desafio da porteira para fora ainda é a logística do escoamento da nossa produção.

As opções de modal são restritas e os custos são muito elevados. E para que uma mudança ocorra, é preciso haver melhoria da nossa infraestrutura de escoamento.

Restou alguma dúvida sobre os desafios da logística da pluma do algodão? Adoraria ver seu comentário abaixo!

Cédula de Produto Rural: entenda as mudanças e como elas impactam seu negócio rural

Cédula de Produto Rural: veja os principais pontos de alterações desde a MP do Agro e esteja preparado para as adequações necessárias!

A legislação brasileira sobre financiamento agrícola, especialmente sobre títulos de crédito do agronegócio, tem vivenciado mudanças substanciais desde a MP do Agro, atual Lei 13.986/2020. 

Essas alterações já impactam significativamente a rotina do produtor rural e de financiadores da cadeia agrícola. 

Além de entender os aspectos práticos e adequações necessárias de imediato, é importante compreender também o cenário geral destas mudanças e os prováveis impactos futuros nas operações de captação de recursos.

Por isso, a AgroSchool e a Bart Digital prepararam um artigo especial para o Blog do Aegro explicando as alterações da CPR (Cédula de Produto Rural). Confira!

O mercado de crédito no agronegócio

Antes de falarmos nas alterações da CPR, é importante pontuar que as normas em questão mudaram vários aspectos relativos aos financiamentos, com a criação de novas possibilidades de captação pelo mercado.

O agronegócio brasileiro é uma atividade com alta demanda de recursos financeiros, seja para capital de giro, investimento, comercialização ou para contratação de seguro agrícola

No caso de capital de giro, por exemplo, os recursos investidos hoje serão convertidos em receita depois de 9 meses, aproximadamente, dependendo do ciclo de desenvolvimento da cultura. 

Apesar de não existirem números oficiais a respeito, estima-se que 30% dos recursos destinados diretamente aos produtores rurais são subsidiados pelo governo brasileiro por meio do Plano Safra. Outros 40% têm origem no capital dos próprios produtores rurais. 

O restante da demanda por crédito acaba suprida pelo mercado, seja por meio de fornecedores de insumos que realizam vendas a prazo, tradings, instituições financeiras, e o mercado de capitais, que tem aumentado sua participação nos últimos anos.

As alterações recentes nos títulos de crédito do agronegócio, na verdade, são parte de um processo que já vem ocorrendo há vários anos como forma do governo incentivar a participação de empresas privadas no financiamento agrícola, diminuindo a dependência governamental do setor. 

Nesse movimento tivemos a criação da CPR em 1994 e, posteriormente, em 2000, a inclusão da possibilidade de liquidação financeira deste título. 

Já em 2004 foi publicada a Lei 11.076, que criou os novos títulos de crédito do agronegócio, dentre os quais o CRA (Certificado de Recebíveis do Agronegócio) que, alguns anos depois, abriu um novo capítulo na captação de recursos para o agro.

Vamos ver, nos próximos tópicos, alguns aspectos importantes referentes às CPRs, este importante título de crédito que fomentou o crescimento do setor agro.

O que é o que mudou na CPR?

A CPR é um título de crédito, que é um documento onde se firma o direito de receber um pagamento, seja através de dinheiro ou outro objeto de valor certo, ou a obrigação de pagar determinado valor ou prestação a alguém. Ou seja, a obrigação principal. 

Já a garantia, seja ela um penhor, uma hipoteca ou uma alienação fiduciária de bem móvel ou imóvel é algo acessório, que está vinculada ao título de crédito.

No canal da AgroSchool você pode ver o vídeo fazendo um paralelo entre a CPR e as garantias vinculadas com o dedo e a unha. Parece inusitado, mas ajuda a esclarecer muita coisa! Veja só:

AgroSchool - Mudanças nas CPRs (Cédula de Produto Rural)

De forma geral, as alterações realizadas na CPR pela Lei 13.986/2020 buscaram modernizar esses títulos agrícolas e aumentar a percepção de segurança do mercado com relação a eles. 

Ou seja, atualmente não há uma clareza sobre a quantidade de títulos de crédito emitidos pelo setor e o objetivo desta medida é de justamente reduzir esta assimetria de informações.

Partindo deste entendimento, entramos em um dos temas mais debatidos no momento quando se fala em CPR, que é o seu processo de registro em cartório. Entenda melhor a seguir:

Registro em cartório

A Lei 13.986/2020 mudou a dinâmica deste processo e estabeleceu a dispensa do registro do título no Cartório de Registro de Imóveis do domicílio do emitente para ter eficácia contra terceiros.

Permaneceu inalterado, no entanto, a necessidade de registro das garantias, como hipotecapenhor rural no Cartório de Registro de Imóveis, e alienação fiduciária de bem móvel ou imóvel no Cartório de Títulos e Documentos.

De modo resumido, se a CPR não prever nenhuma das garantias registráveis em cartórios, o título também não precisará ser submetido a este processo para valer contra terceiros. No próximo tópico, no entanto, veremos que foi instituído um novo requisito para esta eficácia.

Registro centralizado

A obrigatoriedade de registro da Cédula de Produto Rural em entidade registradora ou depositária central foi criada com o objetivo de aumentar a transparência das operações para o mercado financeiro. 

Essa talvez seja a mudança mais impactante na rotina dos elos do financiamento agrícola.

A obrigatoriedade foi escalonada e, desde 1º de janeiro de 2021, todas as CPRs emitidas com valor igual ou superior a R$ 1 milhão devem ser levadas a registro em uma das entidades autorizadas pelo Banco Central do Brasil a exercer as atividades de registro ou depósito centralizado. 

Importante ressaltar que este registro deve ocorrer em até 10 dias úteis após a emissão ou aditamento do título. 

Confira outras datas do escalonamento:

  • Em 1º de julho de 2021, a obrigatoriedade de registro será estendida às CPRs com valor igual ou superior a R$ 250 mil
  • Em 1º de julho de 2022, àquelas superiores a R$ 50 mil;
  • 1º de janeiro de 2024todas as CPRs devem ser levadas a registro centralizado. 

Apesar deste registro centralizado ter intuito de dar maior transparência ao mercado, até o momento ainda não é possível extrair certidões das CPRs registradas. 

Para sanar este gargalo, o Banco Central publicou a Resolução n.º 52/2020, que prevê que as entidades registradoras e depositárias centrais devem disponibilizar a terceiros interessados, a partir de 1º de julho de 2021, mecanismo de consulta às informações das Cédulas de Produto Rural registradas ou depositadas. 

Tais informações deverão estar disponíveis para consulta pela internet, mas condicionadas aos terceiros interessados devidamente autorizados pelo emissor dos títulos a serem consultados.

Formato eletrônico

Outro aspecto relacionado à modernização na emissão destes títulos é a menção expressa da possibilidade de adoção de assinaturas eletrônicas. 

Isso era visto com interesse, porém com grande receio pelos credores, que precisavam aumentar a eficiência operacional de suas transações sem prejudicar a validade jurídica dos títulos. 

A princípio, a legislação não limitou o tipo de assinatura que poderia ser utilizado. Entretanto, os provimentos do CNJ estabelecem que os documentos enviados para registro em cartório devem ser assinados com uso de certificado digital, segundo a ICP (Infraestrutura de Chaves Públicas Brasileira).

Dessa forma, como veremos no próximo tópico, nos casos em que a CPR não possuir uma garantia que demande registro cartorário, ela poderá ser assinada eletronicamente, sem a necessidade de certificado digital no padrão ICP-Brasil. 

Caso haja garantia real e, consequentemente, necessidade de registro cartorário, a Cédula deverá ser assinada com o uso do certificado.

As assinaturas de próprio punho continuam possíveis, mas, em vista do curto prazo para o registro centralizado (dez dias úteis da data de emissão), é recomendável que a assinatura eletrônica seja o processo padrão.

Novas informações obrigatórias

Nem sempre as CPRs trazem o seu valor em moeda corrente nacional de forma expressa no título, como no caso das CPRs físicas.

Assim, para que fosse possível avaliar a necessidade ou não de registro centralizado do título, a Resolução 4870/2020 criou a figura do Valor Referencial de Emissão. Este é obtido pela multiplicação do preço praticado para o produto, no dia útil imediatamente anterior ao da data de emissão da Cédula de Produto Rural, pela quantidade do produto especificado.

O preço praticado para o produto deve ser obtido a partir de informações de acesso público, divulgadas periodicamente, em base preferencialmente diária, por instituição idônea e de credibilidade no mercado previamente definida pelas partes. 

Caso a CPR seja Financeira, a instituição ora mencionada deve ser a mesma definida para a obtenção dos referenciais de preço necessários à liquidação da Cédula. 

Por fim, quando o preço for denominado em moeda estrangeira, o valor referencial de emissão deve ser convertido em reais com base na cotação de fechamento, da data de apuração do preço, disponível no Sistema PTAX.

Essas informações, inclusive, deverão constar na cédula: 

I – o valor referencial de emissão, com indicação do preço e da sua data de apuração; e

II – a identificação da instituição a que se refere o § 3º e da praça ou do mercado de formação do preço.

O que o produtor deve esperar

O mercado ainda está se adaptando às alterações trazidas pelos novos marcos legais. Apesar disso, é importante entender as mudanças que já estão acontecendo e saber que elas irão se intensificar nos próximos anos. Por isso, se prepare para elas.

O primeiro ponto, e talvez o mais fácil de resolver, é estar preparado para fazer negócios digitais. 

A pandemia acelerou este processo e, apesar de existirem casos em que as CPRs e outros documentos possam ser assinados sem certificação digital, a utilização dele ainda é exigida para documentos que demandam registro cartorário, bem como em outros atos formais.

Assim, é de fundamental importância que os produtores, incluindo cônjuges, providenciem a certificação digital no formato ICP-Brasil, como e-CPF. Ele está disponível em vários formatos, como cartão, token, aplicativo para celular, ou mesmo em nuvem. O processo de certificação é extremamente simples e pode ser iniciado por meio dos sites das certificadoras.

O segundo aspecto importante destas alterações é o fato de que as informações sobre endividamento do produtor rural ficarão consolidadas nas entidades registradoras. 

E, em breve, estarão disponíveis para consulta das autoridades governamentais e credores em busca de informações para análise de crédito.

O terceiro e mais importante aspecto dessa modernização legislativa é aproximar ainda mais o campo de outras fontes de financiamento, como o mercado de capitais, de forma a diminuir a dependência do setor de recursos governamentais. 

O produtor rural deve ficar atento ao fato de que precisa olhar para o mercado de capitais como financiador direto e já preparar sua governança interna para estas modalidades de captação.

Divulgação do kit de gestão financeira da fazenda. na lateral direita, uma foto com cédulas de real, calculadora e caneta

Conclusão

A legislação brasileira sobre financiamento agrícola tem vivenciado grandes mudança, e a Lei do Agro se tornou um marco importante deste processo. E tudo isso traz impactos importantes na cadeia de financiamento agrícola. 

Neste artigo, explicamos as principais alterações realizadas na Cédula de Produto Rural para modernização desses títulos agrícolas.

Também abordamos o processo de registro em cartório e do registro centralizado, que está escalonado até janeiro de 2024, quando toda CPR precisará ser registrada obrigatoriamente.

Esperamos ter conseguido esclarecer alguns pontos principais para que você se adeque a todas essas mudanças!

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“Como melhorar a gestão financeira no agronegócio”

“O que você precisa saber para fazer sua melhor venda de grãos”

Restou alguma dúvida sobre a Cédula de Produto Rural? Vamos continuar essa conversa nos comentários!