About Denise Prevedel

Sou engenheira-agrônoma e mestra em agronomia pela Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS). Atualmente, sou doutoranda em agronomia pela Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD).

Como vai funcionar o bureau verde do crédito rural e como ele pode impactar os financiamentos

Bureau verde do crédito rural: entenda quais vantagens você terá se adequar sua produção a critérios sustentáveis

Você já ouviu falar sobre o bureau verde do crédito rural, anunciado em julho de 2021 pelo Banco Central? 

O bureau é baseado em diretrizes que agregarão sustentabilidade nas operações de crédito rural no Brasil.

Sua implementação permitirá que as instituições financeiras verifiquem critérios socioambientais para a concessão de crédito rural. Cabe a você ficar de olho e regularizar a sua propriedade.

Quer entender mais sobre a importância e sobre o funcionamento do bureau verde? Confira!

O que é o bureau verde do crédito rural

O bureau verde do crédito rural é uma regulamentação criada pelo Banco Central, com previsão de implementação em 2022

Sua criação foi motivada pela necessidade global de adequação do crédito rural às questões socioambientais

Também houve cobrança dos investidores estrangeiros para que o Brasil dê maior atenção a elas.

No bureau verde, o Banco Central ligará operações com características sustentáveis a tecnologia de georreferenciamento. Assim, a concessão de crédito a quem não segue critérios sustentáveis será dificultada.

Se você adequar sua produção à sustentabilidade, poderá receber vantagens.

O Banco Central não está criando normas, mas consolidando o que já está previsto em lei: uniformizando e democratizando as informações.

Essa iniciativa será um importante centro de gerenciamento de risco de crédito e incentivo a práticas sustentáveis. 

Como vai funcionar o bureau verde?

O bureau verde irá integrar sete bases de dados do governo:

  • SFB (Serviço Florestal Brasileiro):  disponibilizará informações sobre Reserva Legal, Área de Preservação Permanente, Reserva Particular do Patrimônio Natural e número do CAR (Cadastro Ambiental Rural);
  • ANA (Agência Nacional de Águas): disponibilizará informações sobre outorga da Água;
  • MMA, Ibama e ICMBio: disponibilizarão informações sobre Unidades de Conservação, áreas embargadas, entre outras;
  • Funai: disponibilizará informações sobre terras indígenas;
  • Incra: disponibilizará informações sobre áreas de reforma agrária e terras quilombolas.

Essa integração de dados irá checar se a área a ser financiada segue critérios sustentáveis aplicáveis na concessão do crédito.

Após essa análise dos dados, a área poderá se enquadrar em uma das três classificações do bureau verde.

1. Áreas que não poderão receber crédito por impedimentos legais

Alguns desses impedimentos legais são:

  • localização em terras indígenas;
  • localização em terras quilombolas;
  • localização em unidades de conservação;
  • ausência de coordenada geodésica;
  • ausência de Cadastro Ambiental Rural.

2. Áreas que poderão receber crédito, mas apresentam risco socioambiental

  • áreas embargadas pelo Ibama ou ICMBio;
  • áreas localizadas em APP (Área de Preservação Permanente) e Reserva Legal;
  • áreas que usam trabalho infantil ou escravo.

3. Áreas que poderão receber crédito, classificadas como de operação sustentável 

Essas informações poderão ser disponibilizadas mediante autorização do produtor para consulta pública. As informações seguirão os princípios do open banking.

Se você autorizar o compartilhamento de seus dados, poderá receber ofertas de crédito mais atrativas e voltadas para empreendimentos sustentáveis. Isso acontece devido à competição entre as instituições financeiras.

No sistema open banking, suas informações poderão ser consultadas por diferentes instituições financeiras.

Além disso, o crédito rural verde será incentivado. A consequência é uma maior preservação ambiental, através de uma produção mais sustentável.

Foto mostra mão de um homem dada à uma mão fictícia, feita de madeira

(Fonte: Envolverde)

Importância do bureau verde do crédito rural

O crédito rural será mais difundido e fluido através da uniformização e democratização de informações com o bureau verde.

A consolidação das informações impedirá a concessão de crédito para produtores com irregularidades graves em suas propriedades.

O bureau verde foi criado para aprimorar as diretrizes da Política de Responsabilidade Socioambiental, já praticada pelas instituições financeiras.

Ou seja, ele servirá como um parâmetro nacional de padronização de informações.

Sua importância está em minimizar riscos de crédito. Além disso, ele também irá padronizar os critérios de análise de crédito nas instituições financeiras.

Para minimizar os riscos, as instituições financeiras terão maior segurança na concessão de crédito rural.

A adequação aos critérios socioambientais é uma ferramenta para o manejo de risco de crédito. Também é um pontapé para adequação das operações ao bureau.

Quem pode usá-lo

O bureau verde poderá ser utilizado por produtores rurais que estiverem em dia com as obrigações legais e com a sustentabilidade.

Quanto antes você regularizar sua propriedade, maiores serão suas chances de:

  • acesso ao crédito rural;
  • liberação de linhas de créditos mais atrativas e voltadas para empreendimentos sustentáveis;
  • maior rapidez na certificação de práticas sustentáveis;
  • maior possibilidade de emissão de títulos verdes.

Se você se adequar aos critérios, poderá se beneficiar do aumento previsto de 20% dos recursos. Eles serão destinados às operações de crédito sustentáveis. O não cumprimento dos requisitos impostos dificultará seu acesso ao crédito rural.

Banner do Guia de Crédito Rural. à esquerda a descrição do ebook e à direita uma foto com moedas e uma planta.

Conclusão

O bureau verde do crédito rural dará maior segurança a quem concede o crédito. Ele reforçará  a importância da regularização da sua propriedade rural.

As instituições financeiras poderão verificar critérios socioambientais para a concessão de financiamentos. Essas instituições podem não conceder crédito para produtores com irregularidades graves na propriedade rural.

Ou seja, o produtor que não regularizar sua propriedade terá dificuldade de acesso ao crédito rural.

Regularize sua propriedade para ter acesso a linhas de créditos mais atrativas e voltadas para empreendimentos sustentáveis.

>> Leia mais:

Elaboração de projetos de crédito rural: entenda pra que serve e como fazer

Conheça os 6 títulos de crédito do agronegócio e suas finalidades

“Consórcio rural: veja o que é e conheça as vantagens”

Você tem utilizado ou pensa em utilizar critérios sustentáveis de produção? Pensa em adequar sua propriedade aos critérios impostos pelo bureau verde do crédito rural? Adoraria ler seu comentário abaixo! 

Como melhorar a qualidade do solo com o terraceamento

Terraceamento: conheça a prática conservacionista que visa ao controle da erosão e à conservação do solo e da água

Você já pensou em usar o terraceamento para evitar a erosão do solo e melhorar a infiltração de água na lavoura? Além de ajudar na compensação ambiental por preservar o solo, essa técnica ajuda nas altas produtividades da cultura.

Além desses benefícios, essa prática também ajuda a manter o solo fértil e produtivo.  Conhecer o tipo de solo é essencial para escolher qual técnica utilizar.

Neste artigo, você vai aprender a fazer o terraceamento e a definir o tipo ideal para a sua propriedade. Confira a seguir!

O que é o terraceamento agrícola?

O terraceamento é uma prática que evita a erosão do solo, retém a água no terreno e mantém a produtividade e a fertilidade do solo

A técnica consiste na construção de terraços para reduzir o escoamento da água da chuva. 

Ilustração que demonstra a função do terraço: reter a água da enxurrada.

A função do terraço é reter a água da enxurrada

(Fonte: Lombard Netto et al., 1994)

Ilustração que mostra as partes que compõem um terraço: o aterro, o corte e o nível original do terreno.

Partes componentes de um terraço

(Fonte: Bertolini & Cogo, 1996)

A área da lavoura é dividida em curvas de nível. Nelas, são construídos os terraços no sentido transversal ao escoamento da água. O objetivo é reduzir a velocidade da enxurrada. Os benefícios podem ser potencializados com a utilização de outras práticas conservacionistas do solo, como:

Como fazer o terraceamento?

Seguindo as recomendações da Embrapa, é possível realizar um terraceamento com trator e arado. Bastam apenas cinco etapas.

Alguns materiais e equipamentos são necessários. Você precisará de uma trena com 30 metros, de piquetes de madeira para cada 15 metros da sua lavoura e de uma mangueira de pedreiro com 35 metros.

Além disso, um trator agrícola 75 cavalos e arados de três discos são essenciais.

1ª etapa: definição da textura do solo

É preciso definir se a textura do solo da sua propriedade é arenosa ou argilosa. Afinal, ela é importante para definir a distância entre os terraços.

2ª etapa: definição da declividade do solo

  1. Pegue um piquete de madeira e coloque na parte mais alta do terreno. Você deve medir 30 metros no sentido morro abaixo. Então, coloque o segundo piquete.
  2. Encha a mangueira de pedreiro com água. 
  3. Coloque uma ponta da mangueira no piquete de cima e a outra ponta no piquete de baixo.
Esquema que demonstra como colocar a mangueira com água nos piquetes de madeira

Esquema de como colocar a mangueira com água nos piquetes de madeira

(Fonte: Embrapa, 2016)

  1. Meça a distância de onde se encontra a extremidade da água na mangueira até a superfície do solo nos dois piquetes.
  2. Para calcular a declividade, basta subtrair o valor encontrado no piquete de baixo pelo valor encontrado de cima.

Por exemplo: 

  • piquete de baixo = 2,0 m; 
  • piquete de cima: 0,5 m 
  • (2,0 – 0,5 = 1,5 m). 

Pegue o valor (1,5 m), multiplique por 100 e divida por 30. Essa é a distância entre os piquetes. Agora, encontre a declividade deste ponto do terreno, que é de 5%.

Se observar mudança na declividade do terreno, repita o procedimento.

3ª etapa: definição da distância entre os terraços

Com a textura e o valor da declividade do passo anterior (5%), é possível definir a distância entre os terraços. Use a tabela abaixo como referência:

Tabela que demonstra a declividade dos tipos de solo (arenoso e argiloso), e a melhor distância entre os terraços, de acordo com esses dados.

(Fonte: Embrapa, 2016)

Se o solo for arenoso, o espaçamento entre os terraços será de 19,20 metros. Se o solo for argiloso, será de 21,95 metros. Por fim, marque as distâncias entre os terraços com o uso da trena e dos piquetes.

4ª etapa: piqueteamento da curva de nível

  1. Pegue a mangueira de pedreiro com água e os piquetes.
  2. Coloque uma ponta da mangueira no primeiro piquete que já está posto no terreno. 
  3. Em seguida, procure o mesmo nível da mangueira para colocar o segundo piquete, a 30 metros ao lado. Faça isso até o fim do terreno.
  4. Com a primeira curva em nível já marcada, marque as demais curvas pelo mesmo procedimento no terreno abaixo. 
  5. Como foram colocados piquetes a cada 30 metros, é preciso suavizar a curva. Isso é possível ao colocar piquetes intermediários a cada 15 metros, sem que seja necessário o uso da mangueira.
Esquema que mostra a marcação das curvas em nível do terraço, através dos piquetes de madeira.

Marcação das curvas em nível com piquetes de madeira

(Fonte: Embrapa, 2016)

Assim, você terá as curvas em nível marcadas no terreno.

5ª etapa: construindo terraço com trator e arado

Finalizadas as etapas anteriores, comece a construção dos terraços. Você precisa regular o arado no trator da seguinte forma:

  • o terceiro disco deve cortar mais profundamente o solo, em torno de 30 centímetros;
  • o primeiro disco deve cortar mais superficialmente, em torno de 10 centímetros.

O arado deve ficar inclinado, com a parte de trás mais para baixo.

Ilustração que demonstra a inclinação adequada do arado de discos do trator, a fim de construir os terraços.

Inclinação adequada do arado de discos para construção dos terraços

(Fonte: Embrapa, 2016)

Corte o terreno, jogando o solo da parte de cima para a parte de baixo. Faça isso até o final da curva em nível. Em seguida, volte cortando o solo, jogando de baixo para cima.

Faça isto o quanto for necessário. A base do terraço deve ter:

  • entre 1,5m e 2,0m de largura;
  • 70 cm de altura no meio do terraço.
Ilustração de um terraço finalizado, com 1,5 a 2 metros de largura por mais de 70 centímetros de de altura.

Terraço finalizado com altura e largura adequadas

(Fonte: Embrapa, 2016)

Enfim, o seu terraço estará pronto.

Tipos de terraços

Os terraços podem ser classificados das seguintes maneiras:

  • quanto à função;
  • à largura da base ou faixa de terra movimentada;
  • ao processo de construção;
  • à forma do perfil do terreno.

Quanto à função

Terraço em nível ou infiltração

Este tipo de terraço é recomendado para solos com até 12% de declividade e com boa permeabilidade.

Ele deve ser construído com o canal em nível, e suas extremidades bloqueadas devem impedir a interceptação da água da chuva. Assim, haverá posterior infiltração no perfil do solo.

Sua principal função é facilitar a infiltração da água da chuva no perfil do solo.

Terraço em desnível ou de escoamento

Este tipo de terraço é recomendado para solos com até 20% de declividade e com permeabilidade lenta.

Ele deve ser construído com o canal em pequeno desnível. Uma de suas extremidades devem estar abertas para o escoamento da água para bacias de captação.

Sua principal função é escoar e conduzir a água da chuva para fora da área.

Quanto à largura da base ou faixa de terra movimentada

Terraço de base estreita

A faixa de movimentação de terra é de até 3 metros de largura. Uso restrito a pequenas propriedades com terrenos muito íngremes.

Ilustração da seção transversal do terraço, com base estreita

Seção transversal de terraço base estreita

(Fonte: Pedro Luiz Oliveira de Almeida Machado, 2014)

Terraço de base média

A faixa de movimentação de terra é de 3 a 6 metros de largura. Recomendado para pequenas ou médias propriedades, e para solos com declividades de 10% a 12%.

Ilustração da seção transversal do terraço de base média

Seção transversal de terraço base média

(Fonte: Pedro Luiz Oliveira de Almeida Machado, 2014)

Terraço de base larga

A faixa de movimentação de terra é de 6 m a 12 m de largura. Esse tipo de terraço é adequado para declividades entre 6% e 8%.

Ilustração da seção transversal do terraço de base larga

Seção transversal de terraço base larga

(Fonte: Pedro Luiz Oliveira de Almeida Machado, 2014)

Quanto ao processo de construção

Tipo Nichol’s ou Canal

É construído pela movimentação do solo de cima para baixo, formando um canal triangular. Pode ser construído em declividades de até 18%.

Ilustração do canal do tipo Nichol's ou canal

(Fonte: Pedro Luz, 2018)

Na faixa de construção do canal, não é possível o cultivo agrícola.

Tipo Mangum ou camalhão

É construído pela movimentação do solo de cima para baixo e de baixo para cima, formando um canal largo e raso. Indicado para solos de menor declividade.

Ilustração do terraço do tipo camalhão ou magnum

(Fonte: Pedro Luz, 2018)

Quanto à forma do perfil do terreno

Tipo comum

Constituído por um canal com camalhão construído em nível ou em desnível. É o tipo de terraço mais utilizado no Brasil, recomendado para solos com declividade inferior a 18%.

Ilustração de um terraço do tipo comum

Terraço tipo comum

(Fonte: Bertolini et al. 1989)

Tipo Patamar

Recomendado para solos com declividade maior que 18%. Também é recomendado para culturas de alto retorno econômico, devido ao alto custo de construção.

Ilustração de um terraço do tipo patamar

Terraço tipo patamar

(Fonte: Bertolini et al. 1989)

No patamar do terraço,é feita a semeadura da cultura. A parte do talude deve ser recoberta com uma planta de cobertura.

Tipo Comum Embutido

Pode ser construído com motoniveladora ou com trator de lâmina frontal, para formar um canal triangular. Forma um talude que separa o canal do camalhão na vertical.

Ilustração de um terraço do tipo comum embutido

(Fonte: Pedro Luz, 2018)

Apenas uma pequena área fica inutilizada para o cultivo. Muito utilizado em áreas com cana-de-açúcar.

Tipo Murundum ou Leirão

São caracterizados pela grande movimentação de solo. Precisam de trator de lâmina frontal, e por isso os custos são mais altos.

Esse tipo de terraço dificulta a movimentação de máquinas agrícolas. Devido a altura, a área do camalhão não pode ser cultivada.

Ilustração de um terraço do tipo murundum ou leirão

(Fonte: Pedro Luz, 2018)

Recomendado apenas para áreas que necessitam reter um grande volume de água.

Qual tipo de terraceamento escolher?

Diante dos inúmeros tipos de terraços, existem algumas características que auxiliam na escolha do tipo adequado para a sua propriedade. Veja:

  • topografia do terreno;
  • características do solo;
  • condições climáticas;
  • cultura a ser implantada;
  • sistema de cultivo;
  • disponibilidade de máquinas agrícolas na propriedade.

Vantagens do terraceamento

Veja algumas vantagens do terraceamento agrícola:

  • é uma prática que conserva o solo;
  • provoca maior infiltração de água no solo;
  • controla a erosão do solo;
  • evita o carregamento de adubo e matéria orgânica;
  • mantém o solo fértil e produtivo;
  • favorece o desenvolvimento das culturas.

Desvantagens

Apesar de todas as vantagens, existem desvantagens importantes:

  • custos com maquinários para construção dos terraços;
  • contratação de mão de obra especializada para construção dos terraços;
  • em alguns tipos de terraço a área útil de cultivo pode ser diminuída;
  • necessário a manutenção adequada dos terraços.

Software para o dimensionamento de terraços

Software para o dimensionamento de terraços

A nova metodologia é realizada por meio do software Terraço for Windows, desenvolvido pela UFV (Universidade Federal de Viçosa). Ele foi validado pela Embrapa de Passo Fundo e difundido pela Epagri.

O software utiliza como base a declividade do terreno, a infiltração de água no solo e o histórico de chuvas da região.

O objetivo da metodologia é construir terraços em nível para concentrar toda a água da chuva dentro da lavoura.

guia - a gestão da fazenda cabe nos papéis

Conclusão

O terraceamento agrícola é uma prática conservacionista que pode trazer inúmeros benefícios. Os terraços protegem a lavoura da erosão e armazena água nos períodos de estiagem.

Antes de utilizar a técnica, não se esqueça de avaliar todas as condições da sua propriedade. Afinal, existem muitas formas de realizá-la e escolher a ideal depende de um bom planejamento.

Agora que você tem essas informações e sabe de todas as vantagens e desvantagens do terraceamento agrícola, fica mais fácil tomar uma decisão. 

>> Leia mais:

Veja como funciona a compensação ambiental e seus benefícios

“Entenda o Diagnóstico Rápido da Estrutura do Solo (DRES) e como ele pode ser útil para sua lavoura”

“Como fazer amostragem de solo com estes 3 métodos diferentes”

Restou alguma dúvida sobre o tema? Você realiza ou pensa em realizar o terraceamento em sua fazenda? Adoraria ler seu comentário abaixo!

Como tornar o cultivo em terras baixas mais eficiente e lucrativo

Cultivo em terras baixas: entenda a importância da adoção dessa estratégia e como torná-la mais produtiva

Existem grandes áreas de várzeas disponíveis para o cultivo de culturas de sequeiro, em rotação com o arroz irrigado.

Conhecer e investir em técnicas de cultivo nessas áreas é essencial para o sucesso das lavouras. Esse é um dos grandes desafios dos produtores. Através da técnica de sulcos-camalhões, grandes produtividades em terras baixas têm sido alcançadas.

Entenda como funciona essa técnica em culturas de sequeiro e como melhorar a produtividade. Confira a seguir!

O que são terras baixas

As terras baixas são áreas de várzea, com relevo plano e altitude próxima ao nível do mar. 

Essas áreas apresentam algumas características limitantes para o cultivo de culturas de sequeiro. Isso porque apresentam drenagem deficiente do solo. A drenagem do solo é uma premissa básica para iniciar o cultivo de culturas de sequeiro nessas áreas.

Quando essas limitações em terras baixas são solucionadas, a rotação de culturas de sequeiro com arroz irrigado pode proporcionar benefícios como:

Diversas culturas de sequeiro podem ser utilizadas em rotação com o arroz irrigado:

A soja é a principal cultura de sequeiro utilizada em rotação com arroz em terras baixas.

Como tornar eficiente o cultivo em terras baixas

O cultivo em terras baixas é eficiente após a correção das suas limitações. Após a correção, as culturas de sequeiro são produtivas e rentáveis nas áreas de várzea. Veja quais são os principais fatores limitantes:

  • a deficiente drenagem natural do solo;
  • a ocorrência frequente de períodos de estiagem;
  • a alternância entre o excesso e o déficit de umidade no solo;
  • a compactação do solo.

O solo precisa ter um ambiente radicular favorável e sem limitações físicas para o crescimento das plantas. Essas características tornam o cultivo em terras baixas eficiente e lucrativo.  Nesse ambiente, a planta expressa o seu máximo potencial produtivo.

gráfico de relação tridimensional entre rendimento de grãos, parâmetros físicos do solo e nodulação na soja em terras baixas

Relação tridimensional entre rendimento de grãos, parâmetros físicos do solo e nodulação na soja em terras baixas
(Fonte: Adaptado de Sartori)

Como contornar as dificuldades do cultivo em terras baixas

É importante se atentar a essas limitações. Assim, você poderá realizar uma implantação e manejo da lavoura adequados.  Nessas áreas, são necessárias técnicas de manejo que proporcionem um ambiente melhor drenado

Uma alternativa eficiente para investir em áreas de várzea é o sistema de sulco-camalhão. Conheça melhor essa técnica!

Técnica de sulco-camalhão

O sistema de sulco-camalhão é uma técnica de irrigação e drenagem. Ela é indicada para áreas de relevo pouco declivoso e com solo de baixa permeabilidade.

A técnica é baseada na construção de um “canteiro”. Na parte alta, ou camalhão, são cultivadas as culturas de sequeiro. Entre os camalhões, são formados os sulcos laterais. Eles servem para o escoamento da água de drenagem e irrigação.

Entre eles, transitam os rodados das máquinas agrícolas.

Esquema de como a cultura de sequeiro é implantada no sistema sulco-camalhão

Esquema de como a cultura de sequeiro é implantada no sistema sulco-camalhão
(Fonte: Bredemeier, 2020)

A utilização da técnica melhora a drenagem superficial do solo e, ao mesmo tempo, permite irrigação suplementar pelos sulcos. Ou seja, o mesmo sulco que irriga também drena o solo.

O principal objetivo da técnica é atingir níveis altos e estáveis de produtividade, com rentabilidade. Ela já gerou bons resultados na produtividade da soja sequeiro.

Como aplicar a técnica de sulco-camalhão?

Para construir os sulcos-camalhões, você precisa realizar a:

Para a construção, você pode utilizar os equipamentos disponíveis na propriedade. Os sulcos-camalhões podem ser adotados por pequenos, médios e grandes produtores.

Em propriedades pequenas, é possível utilizar o arado de aiveca para construção dos camalhões, no sentido da declividade da área.

Já para médias e grandes propriedades, existem no mercado implementos específicos para a construção dos camalhões.

Na figura abaixo, você pode verificar como eles são construídos.

Esquema da confecção dos camalhões

Esquema da confecção dos camalhões
(Fonte: Beauchamp, 1952; Silva et al. 2006)

Após a construção dos camalhões, são semeadas duas linhas da cultura de sequeiro na parte mais alta. Faça isso com auxílio da semeadora disponível na propriedade, com o espaçamento recomendado para a cultura.

Resultados do cultivo de soja em terras baixas e outras vantagens

Em culturas de sequeiro em áreas de terras baixas, têm surgido resultados positivos do emprego da técnica de sulco-camalhão.

Veja algumas vantagens:

  • Evita problemas relacionados ao excesso ou deficiência hídrica;
  • Os sulcos fazem drenagem e irrigação;
  • Os camalhões podem ser construídos antes ou no momento da semeadura;
  • O uso do sistema é essencial para a obtenção de renda e estabilidade produtiva da soja em terras baixas.

A safra 2019/2020 foi extremamente seca, com perdas de produtividade nas áreas não irrigadas. 

Nas áreas irrigadas por meio dessa técnica, os ganhos de produtividade chegaram a 20 sacas/ha em comparação às não irrigadas.

gráfico da produtividade da soja na safra 2019/2020 em áreas irrigadas por sulco-camalhão em comparação às não irrigadas

Produtividade da soja na safra 2019/2020 em áreas irrigadas por sulco-camalhão em comparação às não irrigadas
(Fonte: Pipe Brasil, 2021)

A safra 2020/2021 apresentou chuvas adequadas. Apesar disso, as áreas irrigadas com sulco-camalhão produziram, em média, 26 sacas/ha a mais que as áreas não irrigadas.

gráfico da produtividade da soja na safra 2020/2021 em áreas irrigadas por sulco-camalhão e áreas referências não irrigadas

Produtividade da soja na safra 2020/2021 em áreas irrigadas por sulco-camalhão e áreas referências não irrigadas
(Fonte: Pipe Brasil, 2021)

Os custos adicionais para a implantação e execução do sistema sulco-camalhão na safra 2019/2020 foram de 3,5 sacas/ha.

Na safra 2020/2021, os custos foram um pouco maiores, atingindo 4,0 sacas/ha. A técnica proporciona ótimo retorno econômico.

gráfico dos custos de produção da soja na safra 2019/2020 e 2020/2021 em áreas irrigadas por sistema sulco-camalhão

Custos de produção da soja na safra 2019/2020 e 2020/2021 em áreas irrigadas por sistema sulco-camalhão
(Fonte: Pipe Brasil, 2021)

Na soja cultivada em áreas de várzea e em rotação com o arroz irrigado, a técnica soluciona problemas de drenagem nos períodos de encharcamento.

Esses períodos são comuns no ciclo vegetativo da soja.

gráfico de comparativo de produtividade de soja cultivada em área convencional, escarificada e de camalhões de base larga

A soja cultivada em camalhões de base larga apresentou maior produtividade de grãos (kg ha-1), comparada aos sistemas de cultivo convencional, com e sem escarificação
(Fonte: Silva et al. 2020)

Desvantagens do cultivo em terras baixas

Essa técnica também apresenta algumas desvantagens, como: 

  • baixo rendimento operacional;
  • maior consumo de combustível;
  • dificuldade de uso em áreas de relevo irregular;
  • necessário o preparo do solo para implantação da cultura seguinte (arroz irrigado).
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Conclusão

A drenagem do solo é a premissa básica para o cultivo de culturas de sequeiro em terras baixas. A soja é a principal cultura de sequeiro utilizada em rotação com arroz irrigado nessas terras.

A técnica de sulco-camalhão é uma alternativa para solucionar o problema de drenagem nessas áreas. A técnica é capaz de, ao mesmo tempo, drenar e irrigar o solo.

Invista nesse sistema em terras baixas para garantir o máximo potencial produtivo da sua lavoura. 

Você tem investido ou pensa em investir em técnicas de cultivo em terras baixas? Adoraria ler seu comentário abaixo! 

Entenda a importância da construção do perfil do solo e como ela impacta sua produtividade

Construção do perfil do solo: saiba quais práticas favorecem a fertilidade e como contornar os principais desafios relacionados

Conhecer e construir o perfil do solo é essencial para o sucesso das lavouras. Esse é um dos grandes desafios para os produtores brasileiros.

Quando bem realizada, a construção pode ser uma grande aliada do aumento da produtividade das culturas.

Quem investe na construção do perfil do solo compartilha bons resultados

Quer entender melhor como funciona a construção do perfil de solo e como utilizá-la em sua fazenda? Confira a seguir!

O que é perfil do solo

O perfil do solo é formado por uma sequência de camadas horizontais, chamadas horizontes. Esses horizontes iniciam-se na camada superficial do solo até chegar à camada de rocha. E o conjunto desses horizontes constitui o perfil do solo.

Ou seja, o perfil pode ser formado de diversos horizontes, que são as camadas que o constitui. Veja abaixo as principais características dos horizontes do solo:

infográfico dos horizontes do solo

Os horizontes do solo
(Fonte: Geophild, 2020)

Algumas características diferenciam esses horizontes, como:

  • cor;
  • textura;
  • composição;
  • estrutura;
  • atividade biológica;
  • tipos de agregados.

Objetivos da construção do perfil de solo

Os solos brasileiros são geralmente ácidos e de baixa fertilidade. Eles necessitam de manejo, correção e fornecimento adequado de nutrientes em seu perfil.

O equilíbrio adequado dos atributos químicos, físicos e biológicos do solo servem para que as plantas utilizem eficientemente os recursos disponíveis (água, luz e nutrientes). Dessa forma, elas expressam seu máximo potencial produtivo.

Neste sentido, é de grande importância o manejo correto do sistema como um todo. É necessário empregar práticas conservacionistas, como:

Qualquer uma dessas práticas serve para quem busca melhorar a fertilidade do solo em suas áreas de cultivo.

Perfil químico do solo

As correções químicas melhoram as condições que restringem o desenvolvimento das culturas.

A viabilização do uso do solo por meio da incorporação de calcário e adubos minerais é conhecida como a etapa da “construção da fertilidade”.

Essa etapa serve para manter o equilíbrio químico do solo, ou seja:

  • manter o pH do solo na faixa ideal para a cultura de interesse;
  • eliminar o alumínio tóxico do solo;
  • aumentar a disponibilidade de nutrientes;
  • fornecer nitrogênio, fósforo, cálcio, potássio, magnésio e outros nutrientes. 

Perfil físico do solo

Outro ponto importante para a construção do perfil do solo está na melhoria das suas propriedades físicas.

A adoção de práticas conservacionistas pode auxiliar nessa melhoria física. Elas proporcionam condições como: 

  • maior aeração e menor compactação do solo;
  • maior crescimento radicular das plantas;
  • maior retenção e infiltração de água no solo;
  • menor escorrimento superficial de água;
  • menor lixiviação de nutrientes.

Perfil biológico do solo

A construção do perfil do solo também envolve a conservação e melhoria das suas características biológicas.

Também através das práticas conservacionistas, é possível aumentar o aporte de matéria orgânica no solo.

A presença da matéria orgânica melhora a qualidade do solo. Isso porque proporciona benefícios como:

  • maior agregação do solo;
  • maior porosidade do solo;
  • favorecimento da penetração das raízes, ou seja, menor resistência do solo;
  • maior retenção e infiltração de água;       
  • maior absorção de nutrientes;      
  • liberação de exsudados;       
  • aumento da atividade e diversidade biológica do solo.

Como a construção do perfil de solo impacta a produção agrícola

Os solos de fertilidade construída diferenciam-se dos demais pelo seu manejo. Neles, são realizadas aplicações sucessivas de corretivos e fertilizantes.

Essas aplicações proporcionam efeitos residuais cumulativos. Esses efeitos aumentam os teores de macro e micronutrientes para níveis altos ou muitos altos. 

gráfico de aplicações sucessivas de corretivos e fertilizantes proporcionam efeitos residuais cumulativos que aumentam os teores de macro e micronutrientes para níveis altos ou muito altos

Aplicações sucessivas de corretivos e fertilizantes proporcionam efeitos residuais cumulativos que aumentam os teores de macro e micronutrientes para níveis altos ou muito altos
(Fonte: adaptada de Gianello e Wietholter, 2004)

Veja algumas características de solos de fertilidade construída:

  • altas produtividades das culturas;
  • altos teores de matéria orgânica do solo;
  • solo descompactado;
  • teores adequados de nutrientes;
  • maior retenção e infiltração de água.

O solo de fertilidade construída equivale a uma poupança que precisa ser administrada, com o recebimento e retirada de aplicações

Tudo isso deve ser feito na forma e momento mais adequado ao sistema produtivo.

infográfico, explica que os solos funcionam como “contas bancárias”, que guardam a capacidade de suprimento de nutrientes e água para as plantas

Os solos funcionam como “contas bancárias”, que guardam a capacidade de suprimento de nutrientes e água para as plantas
(Fonte: Resende, 2017)

Áreas com fertilidade construída, em solos de textura média a argilosa e sob sistema de plantio direto, podem manter sua estabilidade produtiva por um tempo. 

Isso é possível com aplicação de quantidades menores de fertilizantes, em comparação com a quantidade utilizada habitualmente. 

Desafios para a construção de perfil do solo

Ao utilizar as doses fixas de fertilizantes sem examinar a análise do solo e as estimativas de exportação, você pode aumentar o risco de promover desbalanço nutricional do solo.

Isso faz com que solos de fertilidade construída fiquem propensos a desequilíbrios nutricionais, devido às aplicações super ou subestimadas.

Realizar um manejo nutricional insatisfatório das lavouras pode ocasionar prejuízos futuros ao sistema de produção.

A análise química do solo é o primeiro passo para aprimorar a gestão de solos de fertilidade construída. Ela ajuda na determinação da quantidade de cada insumo a ser aplicado.

Esses solos não estão livres da ocorrência de desequilíbrios nutricionais. A manutenção dos nutrientes é um dos principais desafios de manejo, principalmente em sistemas intensivos de produção.

Cada cultura possui padrões peculiares de extração e exportação de nutrientes durante o ciclo.

A falta de equilíbrio entre adubação e exportação de nutrientes no sistema de produção pode ocasionar o esgotamento das reservas do solo

Como consequência, a condição de fertilidade construída é prejudicada.

tabela com estimativas de exportação de nitrogênio (N), fósforo (P2O5) e potássio (K2O), em lavouras de milho safrinha

 Estimativas de exportação de nitrogênio (N), fósforo (P2O5) e potássio (K2O), em lavouras de milho safrinha
(Fonte: Simão, 2016)

O acompanhamento das flutuações de nutrientes no solo é necessário. Há um confronto de entradas via adubação, saídas pela exportação e os teores disponíveis na análise do solo.

É importante identificar esses pontos para realizar a reposição, recolocando ou utilizando os créditos de nutrientes ao longo do tempo.

Dificuldades

Você pode encontrar algumas dificuldades na construção do perfil do solo, como:

  • alto investimento para a melhoria do perfil do solo;
  • o retorno econômico não é imediato;
  • o tempo para a construção de um perfil do solo de qualidade pode ser longo;
  • demanda maior conhecimento dos agrônomos e produtores;
  • necessidade de equipamentos modernos e de alta qualidade;
  • presença e auxílio de profissionais capacitados.

Práticas que favorecem a construção do perfil do solo

A análise química do solo é crucial para aprimorar a gestão de solos de fertilidade construída. Ela determina a quantidade de cada insumo a ser aplicado.

Normalmente, solos de fertilidade construída estão associados ao manejo adequado

Sistema plantio direto, rotação de culturas e uso de plantas de cobertura são apenas alguns exemplos.

Solos manejados sob sistema plantio direto podem manter ou aumentar os teores originais de matéria orgânica. Isso depende da região e do tempo de adoção do sistema.

Normalmente, os acréscimos de matéria orgânica são pequenos. Porém, são de grande importância para a capacidade produtiva do solo.

gráfico de teores de argila em áreas agrícolas da região Oeste da Bahia e respectivas perdas de matéria orgânica do solo e da capacidade de troca de cátions, após cinco anos de preparo do solo com aração/gradagem e monocultivo de soja

Teores de argila em áreas agrícolas da região Oeste da Bahia e respectivas perdas de matéria orgânica do solo e da capacidade de troca de cátions, após cinco anos de preparo do solo com aração/gradagem e monocultivo de soja
(Fonte: adaptado de Silva et al., 1994)

Como construir a fertilidade do solo?

A construção da fertilidade do solo envolve diversas práticas, como:

  • análises frequentes do solo;
  • rotação de culturas;
  • sistema plantio direto;
  • mínimo revolvimento do solo;
  • plantas de cobertura;
  • uso racional de defensivos e fertilizantes, entre outras.
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Conclusão

A construção da fertilidade do solo possui passos bem definidos.

Para a maior eficiência na construção da fertilidade é preciso investir na qualidade dos diagnósticos, a partir de análises mais frequentes do solo.

É importante que a adubação seja regulada em quantidade e qualidade. Assim, haverá um correto balanceamento dos nutrientes.

Invista na construção da fertilidade do solo de sua propriedade para garantir o máximo potencial produtivo da sua lavoura. 

>> Leia mais:

Saiba como fazer um projeto de fazenda sustentável

Solo humífero: vantagens e desvantagens de utilizar para plantio

“Como melhorar a qualidade do solo com o terraceamento”

Você tem investido ou pensa em investir na construção do perfil do solo da sua fazenda? Realiza análises químicas, físicas e biológicas periodicamente? Adoraria ler seu comentário abaixo! 

O que é e por que investir em tecnologias poupa-terra?

Tecnologias poupa-terra: entenda como elas podem aumentar a produção agrícola sem expansão da área cultivada

Expandir a área de cultivo pode ser uma grande dor de cabeça. No entanto, existem formas de aumentar a produção agrícola, sem expansão da área cultivada.

Inserir tecnologias poupa-terra em seu planejamento pode ser interessante. Aproveite o período de entressafra para incorporá-las em sua propriedade.

Neste artigo, você vai conhecer algumas tecnologias poupa-terra e os benefícios que elas geram para o setor agrícola. Confira a seguir!

O que são tecnologias poupa-terra?

Tecnologias poupa-terra são estratégias de poupança de terra que aumentam a produção agrícola, sem expansão da área cultivada.

Essas tecnologias consistem, por exemplo, em:

Quando essas tecnologias são adotadas, não há a necessidade de abertura de novas áreas. Isso acontece devido ao aumento da produção em uma área já utilizada para o cultivo.

Algumas delas já estão consolidadas no Brasil, e são cada vez mais utilizadas pelos produtores.

Vantagens das tecnologias poupa-terra

Ocupar o solo com tecnologias que aumentem a produção em áreas já utilizadas garante a sustentabilidade do setor agrícola.

Em vez de aumentar a produção pela incorporação de novas áreas, a produção é mais intensa em áreas já cultivadas.

A adoção dessas tecnologias traz diversas outras vantagens, como:

  • redução da área cultivada;
  • podem ser adotadas por pequenos, médios e grandes produtores;
  • auxiliam no crescimento do setor agrícola;
  • aumentam a produção agrícola;
  • revertem impactos negativos de práticas agrícolas que empobrecem o solo;
  • contribuem para a preservação de áreas nativas.

Caso esses recursos não fossem utilizados, os impactos ambientais seriam negativos.

O que é preciso para incentivar a adoção de tecnologias poupa-terra no Brasil?

É necessária a criação e aperfeiçoamento de políticas públicas, como o Plano ABC (Programa de Agricultura de Baixo Carbono).

Nesse contexto, é necessária a criação de estratégias e políticas públicas que favoreçam o incentivo e divulgação dessas tecnologias aos produtores rurais.

Abaixo algumas tecnologias acessíveis e de fácil aplicabilidade pelos produtores: 

  • fixação biológica de nitrogênio;
  • sistema plantio direto;
  • rotação de culturas;
  • mix de plantas de cobertura;
  • consórcio milho-braquiária.

Impactos na produção de grandes culturas

Soja

O uso de tecnologias poupa-terra no cultivo da soja foi capaz de poupar milhões de hectares de área cultivada.

Na cultura da soja, é possível destacar:

gráfico comparativo entre a área cultivada e a área poupada, caso a produtividade da soja permanecesse constante ao longo dos anos

Comparativo entre a área cultivada e a área poupada, caso a produtividade da soja permanecesse constante ao longo dos anos
(Fonte: Conab, 2020; Gazzoni et al., 2021)

Caso a produtividade da soja atual fosse a mesma do início do cultivo da cultura no Brasil, hoje, a área cultivada seria 195% superior à área atual.

As tecnologias poupa-terra utilizadas no cultivo da soja foram capazes de poupar cerca de 71 milhões de hectares de áreas cultivadas.

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Milho

A intensificação do uso do solo foi possível devido à sucessão soja-milho safrinha. Mas também há outras tecnologias poupa-terra utilizadas nessa cultura, como:

A produção do milho primeira safra (verão) permaneceu estagnada nos últimos anos. 

O milho segunda safra (safrinha) é o grande protagonista do crescimento da produção do cereal no Brasil.

Segundo os dados da Conab, entre as safras 1989/1990 e 2019/2020, a produção de milho no Brasil passou de 22,2 milhões de toneladas para 102,1 milhões de toneladas. O aumento foi de 359%.

Esse aumento é resultado da:

  • maior produtividade média da cultura, que passou de 1.841 kg ha-1 para 5.520 kg ha-1;
  • maior área cultivada, que passou de 12,1 milhões de hectares para 18,5 milhões de hectares.
gráfico de evolução da produção na primeira e segunda safra de milho no Brasil, 1989/1990 a 2019/2020

Evolução da produção na primeira e segunda safra de milho no Brasil, 1989/1990 a 2019/2020
(Fonte: Conab, 2020; Miranda et al., 2021)

Para se produzir os 102,1 milhões de toneladas de milho colhido em 2019/2020, com a produtividade média de 1989/1990, seriam necessários 55,5 milhões de hectares.

Apesar do aumento da área cultivada, foram poupados 37 milhões de hectares pelos ganhos de produtividade.

Algodão

O algodão brasileiro passou por uma intensa transformação ao longo de quatro décadas. Também houve o aumento da produção com redução da área cultivada.

Esse resultado é fruto da adoção de tecnologias como:

gráfico que mostra que entre 1976 e 2020, a produção de algodão aumentou de 0,6 milhão de toneladas para 2,5 milhões de toneladas de fibra e a área plantada foi reduzida de 4,1 milhões de hectares para 1,7 milhão de hectares

Entre 1976 e 2020, a produção de algodão aumentou de 0,6 milhão de toneladas para 2,5 milhões de toneladas de fibra e a área plantada foi reduzida de 4,1 milhões de hectares para 1,7 milhão de hectares
(Fonte: Conab, 2021; Severino, 2021)

O aumento da produtividade da cultura sem expansão da área cultivada demonstra a sustentabilidade das tecnologias poupa-terra.

Café

O emprego de tecnologias e boas práticas agrícolas contribuíram para o avanço da cafeicultura. Também foi possível expandir a produção e reduzir a área de cultivo.

As tecnologias poupa-terra utilizadas no cultivo do café são:

  • o sequenciamento do genoma do café;
  • a utilização de cultivares mais produtivas;
  • a adequação da fertilidade e nutrição do cafeeiro;
  • a micropropagação;
  • a braquiária como planta de cobertura;
  • o manejo integrado de pragas do café, doenças e plantas daninhas, entre outras.
tabela com evolução da cafeicultura brasileira, nos anos 1997, 2019 e 2020

Evolução da cafeicultura brasileira, nos anos 1997, 2019 e 2020
(Fonte: Associação Brasileira da Indústria de Café, 2021)

De acordo com a Associação Brasileira da Indústria de Café, em 1997, o Brasil produziu 18,9 milhões de sacas.

Isso em uma área de 2,4 milhões de hectares, com produtividade média de 8 sacas por hectare.

Já em 2020, esse número saltou para uma produção de 63,1 milhões de sacas

Houve redução de cerca de 20% da área de cultivo e aumento da produtividade média para 33 sacas por hectare.

Conclusão

Tecnologias poupa-terra permitem o aumento da produção agrícola em uma mesma área. Graças ao seu uso, evita-se a abertura de novas áreas de cultivo.

Elas têm alcançado resultados impressionantes de produção em todo o território brasileiro. São fundamentais para o crescimento do setor agrícola.

É necessário ampliar a adoção dessas tecnologias de poupança de terra por meio do incentivo e divulgação aos produtores rurais.

Você utiliza, já utilizou ou pensa em utilizar alguma tecnologia poupa-terra em sua fazenda? Adoraria ler seu comentário abaixo! 

O que é e por que investir na análise microbiológica do solo?

Análise microbiológica do solo: entenda a importância dos indicadores microbiológicos e como eles te ajudam a garantir a qualidade do solo

Além das análises químicas e físicas, existe outra aliada para avaliar a qualidade do solo: a análise microbiológica. 

Ela permite detectar com antecedência alterações na qualidade do solo.

Quer descobrir se vale a pena inseri-la em seu planejamento?

Entenda melhor como funciona a análise microbiológica do solo e como utilizá-la em sua fazenda. Aproveite a leitura!

O que é a análise microbiológica do solo?

A MOS (Matéria Orgânica do Solo) é o principal componente e indicador de fertilidade do solo. Os microrganismos constituem a sua parte viva e mais ativa.

Qualquer alteração que afete a MOS também afetará os microrganismos presentes nela.

Com a análise microbiológica, é possível verificar precocemente alterações na comunidade microbiana do solo.

Os principais parâmetros avaliados nas análises microbiológicas são:

  • o carbono da biomassa microbiana;
  • a respiração basal;
  • o quociente metabólico;
  • a atividade das enzimas β-glucosidase, arilsulfatase e fosfatase ácida.

Essas análises são importantes para entender o comportamento da matéria orgânica do solo. Algumas vantagens são:

  • simples determinação analítica;
  • as análises são ligadas à ciclagem de nutrientes;
  • maior sensibilidade na detecção;
  • as análises não são influenciadas por adubos;
  • a amostragem é feita em pós-colheita;
  • baixo custo de análise;
  • reagentes baratos.

Veja as classes de interpretação de bioindicadores para Latossolos Vermelhos Argilosos de Cerrado, em cultivos anuais em plantio direto e convencional. 

tabela com valores referência que podem fornecer informações sobre os impactos de sistemas de manejo na qualidade do solo

Valores referência que podem fornecer informações sobre os impactos de sistemas de manejo na qualidade do solo
(Fonte: adaptado de Lopes et al. 2018)

Bioindicadores com valores baixos podem indicar um manejo do solo com práticas inadequadas. Valores elevados indicam que práticas adequadas estão sendo adotadas.

Esses valores são referências para te auxiliar a decidir qual sistema de manejo do solo será adotado na área de cultivo.

Como coletar as amostras para análise

Colete o solo com trado do tipo holandês, na profundidade de 0 – 10 cm

Faça isso após a colheita das culturas, coincidindo com a amostragem química do solo.

ilustração de como as amostras de solo devem ser coletadas na camada de zero a dez centímetros

As amostras de solo devem ser coletadas na camada de 0 – 10 cm
(Fonte: Laborsolo)

Para coletar as amostras no campo, utilize um pedaço de madeira (semelhante a uma régua). Ela deve ter uma marca no centro e duas marcas equidistantes para cada lado.

O importante é que a marca central seja no centro da linha de semeadura. As demais devem cobrir até a metade do espaçamento da entrelinha, como demonstrado abaixo.

ilustração de representação de coleta em cada ponto de amostragem

Representação de coleta em cada ponto de amostragem
(Fonte: Laborsolo)

Cada conjunto de amostras (linha e entrelinha) constitui um ponto de amostragem.

A quantidade de pontos amostrados dependerá do tamanho da área que você deseja avaliar. Porém, o ideal é coletar de 10 a 15 pontos.

Após a coleta de todos os pontos, o solo deve ser homogeneizado para formar uma amostra de aproximadamente 500 gramas.

Essa amostra deve ser acondicionada em saco plástico com identificação, mantida em refrigeração e encaminhada diretamente para o laboratório de análise de solo.

As coletas devem ser feitas em áreas homogêneas da propriedade, evitando períodos de estiagem para não prejudicar os resultados.

Por que investir na análise microbiológica do solo?

A maior vantagem da análise microbiológica do solo está em sua maior sensibilidade em detectar, com antecedência, alterações que ocorrem no solo em função do seu uso e manejo.

Para ilustrar, veja como as propriedades químicas do solo não permitiram diferenciar as áreas de cultivo:

tabela de como características químicas não permitem diferenciar as áreas de cultivo por tratamentos, soja/pousio e soja/braquiária.

Características químicas não permitem diferenciar as áreas de cultivo
(Fonte: Mendes et al. 2018)

Já com as análises microbiológicas de biomassa microbiana e atividade enzimática do solo, foi possível diferenciar as áreas de cultivo.

tabela com visão microbiológica do solo, além do excesso e falta de nutrientes

Visão microbiológica do solo, além do excesso e falta de nutrientes
(Fonte: Mendes et al. 2018)

Embora as duas áreas apresentem características químicas semelhantes, os atributos microbiológicos são completamente distintos.

O maior aporte de resíduos vegetais proporciona maior atividade microbiológica do solo. Isso eleva a sustentabilidade ambiental do sistema produtivo. A inclusão desses bioindicadores nas análises permite um maior conhecimento sobre o funcionamento do solo.

Como construir um solo biologicamente ativo?

A construção de um solo biologicamente ativo envolve diversas práticas de manejo, como:

Sistemas de cultivo com maior aporte de resíduos vegetais proporcionam o aumento da atividade biológica do solo.  Isso acontece devido à alta disponibilidade de carbono para o crescimento populacional dos microrganismos.

infográfico que mostra que o aporte de resíduos vegetais possibilita o aumento da atividade biológica que é o ponto inicial para melhoria de um solo

O aporte de resíduos vegetais possibilita o aumento da atividade biológica que é o ponto inicial para melhoria de um solo
(Fonte: Mendes et al. 2018)

Os atributos microbiológicos do solo estão relacionados à quantidade, qualidade e diversidade de resíduos vegetais depositados a longo prazo. Desta forma, o aumento da atividade biológica do solo se torna possível, principalmente em sistemas integrados de produção.

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Conclusão

A análise microbiológica é fundamental para detectar alterações na qualidade do solo em função do seu sistema de manejo.

Conservar o solo é usá-lo de forma sustentável. Respeitar suas características e aplicar técnicas de manejo que permitam preservar a sua qualidade é essencial.

Atente-se à qualidade microbiológica do solo. Assim, você poderá garantir o máximo potencial produtivo da sua lavoura. 

Qual tipo de análise você realiza em sua fazenda? Já realizou a análise microbiológica do solo? Adoraria ler seu comentário abaixo! 

Como analisar o DNA do solo pode te ajudar a prevenir problemas e fazer um manejo mais efetivo da lavoura

DNA do solo: saiba como a análise de uma pequena amostra de terra pode te ajudar a prevenir problemas e a realizar um manejo efetivo

Você sabia que é possível conhecer e quantificar os microrganismos existentes no solo da sua fazenda? Essa é uma forma de descobrir quais deles auxiliam na retenção de água, na ciclagem  e na disponibilidade de nutrientes.

A consequência é a melhora da produtividade e qualidade do solo e ela é possível através da análise genética de uma pequena amostra. 

Quer entender melhor como funciona essa técnica e como recolher uma amostra para análise? Confira a seguir!

O que é o DNA do solo?

A análise do DNA do solo é uma ótima forma de estudar o conjunto de microrganismos que ali habitam, como fungos, bactérias, vírus, protozoários e microalgas. 

Por meio do sequenciamento desse DNA, é possível descrever e identificar tais seres de maneira completa.

Você também pode analisar a funcionalidade deles. É possível averiguar se eles estão associados à sanidade, ciclagem de nutrientes, tolerância a estresse, síntese de hormônios, etc.

Essa descrição pode ser utilizada de forma preventiva ou para o gerenciamento de vários problemas do solo. Também é possível identificar se os microrganismos que habitam o solo da lavoura são benéficos ou prejudiciais às atividades agrícolas.

Com isso, é possível recomendar sistemas de produção que melhorem ou estimulem a atividade microbiológica. A técnica da extração do DNA revela uma maior biodiversidade do microbioma do solo em relação às demais técnicas de análise do solo.

As técnicas tradicionais são baseadas no cultivo laboratorial dos microrganismos.  Na última década, houve uma grande redução de custos do sequenciamento genético. Isso proporcionou a ampliação dessas análises para fins comerciais, e não apenas acadêmicos.

A análise genética é o futuro para as análises microbiológicas do solo.  Provavelmente, técnicas antigas serão, aos poucos, substituídas pela precisão e agilidade da análise de DNA.

Como a análise é feita

A análise do DNA do solo é feita pelo método de detecção por RT – PCR, mesma tecnologia que detecta a Covid-19.

Essa técnica identifica, quantifica e diferencia os microrganismos da amostra de solo. RT – PCR significa teste molecular de Transcrição Reversa – Reação em Cadeia Polimerase.  Além de rápida, essa técnica tem um custo muito mais baixo que as metodologias tradicionais.

Desta forma, a análise informa a presença e quantidade dos microrganismos na amostra. O resultado revela o que o solo precisa através desta avaliação genética completa.

Como coletar as amostras para análise

O solo deve ser coletado em quatro pontos da área, na profundidade 0 – 10 cm, para compor uma amostra composta de aproximadamente 200 gramas.

As amostras de solo devem ser coletadas na camada de 0 - 10 cm

As amostras de solo devem ser coletadas na camada de 0 – 10 cm
(Fonte: Laborsolo)

Mantenha as amostras refrigeradas e as encaminhe diretamente para o laboratório de análise de solo. Com apenas 0,25 gramas de solo é possível aplicar o teste RT – PCR e conhecer o DNA de todos os microrganismos presentes na amostra.

As informações obtidas podem ajudar na escolha de práticas agrícolas que minimizem as perdas da biodiversidade de um solo. Isso é fundamental para a manutenção da produtividade das lavouras.

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Benefícios de analisar o DNA do solo

Realizar apenas a correção do solo, seja química ou física, não traz resultados em produtividade para o agricultor. Neste cenário, se encaixa a análise do DNA do solo. Toda a vida presente no solo é essencial para o seu bom funcionamento e qualidade. 

Conhecer, preservar e potencializar esses microrganismos é uma forma de construir uma agricultura sustentável. Os microrganismos do solo são fundamentais para:

  • desenvolvimento vegetal;
  • estruturação do solo;
  • degradação da matéria orgânica do solo;
  • ciclagem e disponibilidade de nutrientes;
  • fixação biológica de nitrogênio;
  • proteção contra doenças.

Quanto mais se conhece esses microrganismos, mais eficiente é a gestão do uso do solo e o resultado na produtividade das lavouras. São muitos os motivos para avaliar os microrganismos que habitam o solo. Além de explorar todo o potencial do local de plantação, você obtém:

  • ganho de eficiência na aplicação dos compostos químicos e biológicos no solo;
  • melhoria das propriedades do solo por redução do estresse e prevenção de surgimento de novas doenças;
  • identificação de microrganismos maléficos presentes no solo, visando a uma maior proteção das plantas;
  • escolha consciente dos produtos microbianos para aprimorar a produtividade da lavoura;
  • redução de perdas pelo aumento da resistência de plantas e microrganismos;
  • a avaliação da biodiversidade dos microrganismos presentes no solo pode auxiliar o produtor na tomada de decisões e gestão do solo.

Relação da qualidade da argila com o DNA do solo

Outra forma de avaliar o potencial genético do solo é por meio do seu mapeamento mineralógico. O mapeamento detecta a qualidade das argilas por meio do magnetismo do solo. Esse mapa te orienta a tomar as decisões agronômicas corretas.

A qualidade é um indicativo do potencial agrícola, de fatores e processos de formação do solo. O objetivo da técnica é fornecer a você o mapa genético da área de cultivo. O mapeamento do DNA do solo é uma técnica versátil, acessível e de ótimo custo benefício.

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Conclusão

O DNA do solo permite analisar se os microrganismos beneficiam ou prejudicam as atividades agrícolas e te ajuda a melhorar a produtividade da lavoura.

Através da análise, é possível recuperar a qualidade do solo e reestruturar e atender às suas demandas.  Com o conhecimento da biodiversidade ali presente, é possível aproveitá-la de maneira mais eficiente e sustentável.

Agora que você tem essas informações, invista na análise genética do solo em sua fazenda!

>> Leia mais:

“O guia da interpretação da análise de solo”

“Entenda o Diagnóstico Rápido da Estrutura do Solo (DRES) e como ele pode ser útil para sua lavoura”

“O que é e por que investir na análise microbiológica do solo”

Qual tipo de análise do solo você realiza em sua fazenda? Já extraiu o DNA do solo? Adoraria ler seu comentário abaixo!

Por que o mix de plantas de cobertura é uma boa opção para sua lavoura?

Mix de plantas de cobertura: como cultivar, melhores épocas para cada espécie e as vantagens para o solo e para as culturas sucessoras

Que tal aproveitar a entressafra para melhorar o solo com o mix de plantas de cobertura?

Essa é uma estratégia de manejo do solo que pode trazer diversos benefícios para a sua fazenda, como uma maior diversidade de biomassa vegetal e melhorias em diversos atributos do solo.

Você lerá alguns motivos neste artigo para investir nesta opção de cobertura, além de saber quais são as desvantagens para conseguir realizar um bom planejamento. Confira!

Benefícios da implantação do mix de plantas de cobertura

O mix de plantas de cobertura é a mistura de espécies gramíneas, crucíferas e leguminosas, e pode tornar o cultivo de culturas sucessoras muito mais vantajoso.

A utilização do mix e a adubação verde apresentam vantagens em relação ao cultivo de uma única espécie.

Isso porque as espécies utilizadas no mix apresentam diferentes hábitos de crescimento, exploração radicular, composição nutricional e florística.

As opções de espécies são classificadas em três famílias botânicas:

Os benefícios da espécie de uma família são complementados pelos benefícios das espécies de famílias diversas.

Como exemplo, veja um mix de plantas muito usado no sistema de plantio direto, com espécies de outono-inverno:

Essa combinação inteligente proporciona múltiplos benefícios ao solo, renovando os nutrientes de forma natural, melhorando aspectos físicos, químicos e biológicos.

A prática de manter a mesma espécie de planta de cobertura, ano após ano, pode ser um equívoco.

A mistura de espécies de diferentes famílias botânicas traz diversas vantagens, como:

  • ampla adaptabilidade nos diversos ambientes produtivos;
  • liberação escalonada dos nutrientes para a cultura comercial;
  • cobertura do solo por longos períodos, o que aumenta a qualidade física do solo;
  • material rico e diversificado para o aumento dos teores de matéria orgânica do solo;
  • cobertura permanente com raízes diversificadas;
  • melhor exploração das camadas do solo, favorecendo a maior ciclagem dos nutrientes;
  • alta produção de matéria seca em curto espaço de tempo;
  • supressão de plantas daninhas.

Essa prática pode resultar no aumento expressivo do potencial produtivo das culturas em sucessão.

Desvantagens do mix

Apesar de todas as vantagens, é inevitável que você possa enfrentar algumas dificuldades ao realizar a mistura de plantas de cobertura. Veja alguns exemplos:

  • dificuldades na identificação e junção de espécies que irão se complementar;
  • necessidade de um melhor planejamento, devido à maior complexidade de implantação;
  • o mix de plantas de cobertura não proporciona retorno econômico imediato;
  • dificuldade em adquirir sementes de algumas espécies devido à baixa disponibilidade no mercado;
  • as espécies apresentam diferentes taxas de crescimento inicial, e algumas podem se sobressair em relação às outras;
  • devido a grande produção de massa seca gerada no mix, é necessário que haja equipamentos adequados para manejá-las;
  • caso não seja realizado o manejo correto do mix, com a dessecação e roçada da palhada, o agricultor pode enfrentar dificuldades na semeadura da cultura sucessora.

Vale a pena ressaltar que as vantagens de cultivar um mix de plantas de cobertura são maiores que as desvantagens. Realizar um planejamento de qualidade e um manejo correto te ajudam a evitar muitos pontos negativos.

Quando e como cultivar o mix de plantas de cobertura

As plantas de cobertura devem ser adaptadas para atender às necessidades e/ou benefícios esperados na área de cultivo. Desta forma, a seleção correta das espécies é o primeiro passo.

Ao realizar o planejamento, tenha em mente espécies de três famílias botânicas:

  • gramíneas: aveia, cevada, centeio, azevém, sorgo, milheto, entre outras;
  • crucíferas: nabo forrageiro, rabanetes e outras espécies relacionadas;
  • leguminosas: ervilha, ervilhaca, mucuna, crotalária, feijão de porco, são alguns exemplos comuns.

A seleção das espécies que irão compor a mistura dependerá do clima da região e da época de implantação.

No período do inverno, as coberturas do solo mais recomendadas para o mix de plantas são: 

Já no verão, são indicados o cultivo de:

As espécies de inverno são semeadas entre março e junho; as de verão entre setembro e dezembro.

A semeadura pode ser realizada a lanço ou em linhas com espaçamento de 20 cm. A profundidade ideal de semeadura deve ser de 2 cm a 3 cm. Caso seja a lanço, aumente a taxa de semeadura em 25%.

Para qualquer espécie, época de semeadura e região, é indispensável que a umidade do solo esteja adequada para que ocorra a germinação das sementes e desenvolvimento das plantas.

Quais espécies de plantas de cobertura utilizar?

Veja alguns esquemas de cobertura para utilizar em sua fazenda:

 Opções de mix de plantas de cobertura mais recomendados para as regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste do país, com melhores resultados para os cultivos de milho, soja e feijão em sucessão

Fonte: (Adaptado de Ademir Calegari, 2016)

Abaixo, você pode verificar o aumento da produtividade de grãos de milho após o cultivo do nabo forrageiro + aveia preta.

 A cobertura do solo com nabo forrageiro + aveia preta contribui para o aumento da produtividade de grãos do milho em sucessão

Fonte: (Adaptado de Santi et al. 2013)

Essas combinações de diferentes espécies têm como objetivo produzir palhada, melhorar o solo em profundidade e aumentar a matéria orgânica do solo.

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Conclusão

Devido aos diversos benefícios, a mistura de espécies gramíneas, crucíferas e leguminosas é uma excelente alternativa para formação de uma boa cobertura do solo.

A mistura dessas espécies fornece material rico e diversificado para o aumento dos teores de matéria orgânica do solo.

Desta forma, o mix de plantas de cobertura auxilia na renovação do solo, permitindo o aumento da produtividade das culturas em sucessão.

Agora que você tem essas informações, você pode considerar essa opção em sua propriedade.

Veja mais>>>

“Adubação de cobertura: como e quando fazer”

Restou alguma dúvida sobre o tema? Você já utilizou algum mix de plantas de cobertura? Deixe sua experiência aqui nos comentários!