Como as perdas agrícolas nas enchentes do RS podem afetar seu estado

As enchentes recentes no Rio Grande do Sul afetaram a produção agrícola e a economia nacional. Soja, trigo, milho, frango, suínos, ovos e pecuária de corte enfrentam desafios significativos. Medidas integradas são essenciais para proteger o abastecimento alimentar e a estabilidade econômica do Brasil. 


Os temporais recentes que devastaram o Rio Grande do Sul resultaram em enchentes históricas, transformando cidades inteiras em zonas de calamidade e causando prejuízos incalculáveis. 

As consequências dessas enchentes vão além das fronteiras do estado, afetando diretamente a produção agrícola e, consequentemente, a economia de todo o Brasil

As perdas agrícolas são particularmente preocupantes, uma vez que o Rio Grande do Sul é um dos principais produtores de grãos e outros produtos agrícolas essenciais para o abastecimento nacional.

Estima-se que aproximadamente 4% da produção nacional de soja, por exemplo, está em risco devido às condições adversas. Além disso, o início do plantio de grãos para a safra 2024-2025, que estava previsto para o terceiro trimestre deste ano, pode ser severamente comprometido. 

As dificuldades no escoamento da safra já colhida, bem como o transporte e armazenamento de grãos, ração animal e outros subprodutos agrícolas, estão causando gargalos significativos. 

Adicionalmente, as pastagens alagadas comprometem a produção de leite, enquanto alguns rebanhos e criadouros de aves foram dizimados pelas enchentes, elevando os custos logísticos e de produção nesses segmentos. A interrupção temporária de parte do setor de serviços também interfere na geração de empregos e na arrecadação do estado, exacerbando os desafios econômicos.

Diante deste cenário, torna-se crucial entender como as perdas agrícolas nas enchentes do Rio Grande do Sul podem afetar seu estado e quais medidas podem ser tomadas para mitigar esses impactos. Desde o mapeamento de áreas de risco até o fortalecimento de infraestruturas e o planejamento urbano resiliente, é fundamental adotar uma abordagem integrada para enfrentar os desafios futuros e proteger a economia e a segurança alimentar do Brasil. 

Boa leitura!

Enchentes e a economia do país 

As recentes enchentes no Rio Grande do Sul transformaram o estado em um verdadeiro cenário de devastação, com impactos que vão muito além das fronteiras gaúchas. 

As imagens e relatos de cidades submersas e populações deslocadas sensibilizaram o Brasil inteiro. Com as águas atingindo níveis históricos, superando o recorde de 1941, a magnitude da tragédia foi exacerbada por uma combinação de fatores climáticos e urbanísticos.

Figura 1. Situação das estradas com importante PIB agrícola para o município— Fonte: Guia da região dos lagos (2024).

A destruição não se limitou apenas às infraestruturas urbanas. O setor agrícola, vital para a economia do Rio Grande do Sul e para o abastecimento de diversos estados brasileiros, sofreu perdas incalculáveis. As lavouras de soja e trigo, fundamentais para o mercado nacional, foram gravemente danificadas, resultando em prejuízos que se estendem para além das fronteiras do estado. A produção de arroz, que representa 70% da produção nacional, também foi severamente afetada em algumas regiões.

Essas perdas agrícolas têm um efeito dominó na economia brasileira, impactando diretamente os preços dos alimentos, a oferta de produtos no mercado e até a balança comercial do país. O aumento dos custos de seguros, os danos ao maquinário e a descapitalização dos produtores são apenas algumas das consequências que afetam diretamente outros estados que dependem dos produtos agrícolas gaúchos.

Além dos impactos econômicos imediatos, há uma preocupação crescente com a segurança alimentar e a estabilidade do abastecimento de alimentos. Estados que importam grandes quantidades de grãos e outros produtos agrícolas do Rio Grande do Sul podem enfrentar “escassez e aumento de preços”, afetando desde os consumidores até os setores industriais que dependem dessas matérias-primas.

Impactos na agricultura brasileira

As recentes enchentes no Rio Grande do Sul causaram uma devastação sem precedentes, com impactos que vão além das fronteiras estaduais, afetando a economia e a segurança alimentar do país como um todo. Com base em estudos de instituições como S&P Global e Itaú Unibanco, é possível antecipar diversos danos colaterais que precisam ser considerados para entender a extensão das consequências e como elas podem impactar outros estados brasileiros.

Impacto na produção de soja

O Rio Grande do Sul é um dos principais produtores de soja do Brasil, e as enchentes recentes representam um risco significativo de perda de aproximadamente 4% da produção nacional.

Perda na safra por conta de enchente no RS é de pelo menos 1 mi de t

Figura 2. Perda na safra por conta de enchente no RS é de pelo menos 1 mi de t Fonte: Amanda Perobelli Reuters. 

Plantio de grãos comprometido

As enchentes impactaram não apenas a colheita atual, mas também o plantio de grãos da safra 2024-2025. Com o início do plantio previsto para o terceiro trimestre deste ano, a preparação do solo e as operações de plantio serão desafiadas, resultando em uma possível redução na produtividade futura. Estados ou empresas que importam grãos do Rio Grande do Sul podem enfrentar uma “escassez de suprimentos”, afetando a indústria de alimentos e a agroindústria.

Dificuldades no escoamento e armazenamento

O escoamento da safra agrícola já colhida enfrenta grandes dificuldades devido aos danos causados pelas enchentes às infraestruturas de transporte. Ferrovias, rotas alternativas e portos estão sobrecarregados ou danificados, tornando o transporte e armazenamento de grãos, ração animal e subprodutos agrícolas mais caros e ineficientes. Esses gargalos logísticos podem resultar em atrasos na entrega de produtos, afetando as exportações e a cadeia de suprimentos interna.

Impacto na produção de leite e criação de animais

As pastagens alagadas comprometem a alimentação do gado, impactando diretamente a produção de leite. Além disso, muitos rebanhos e criadouros de aves foram dizimados pelas enchentes, aumentando os custos logísticos e operacionais desses segmentos. Estados que importam leite e produtos avícolas do Rio Grande do Sul podem enfrentar aumentos de preços e dificuldades de abastecimento.

Setor de serviços e empregos

O fechamento temporário de parte do setor de serviços no Rio Grande do Sul interfere significativamente no mercado de trabalho e na arrecadação de impostos do estado. Isso pode resultar em uma diminuição da renda disponível e do consumo, afetando também outros estados que mantêm relações econômicas estreitas com o Rio Grande do Sul.

Prognóstico e medidas necessárias

Embora a dimensão total dos impactos ainda seja difícil de estimar devido às áreas ainda submersas e à previsão de mais chuvas, é evidente que o período de reconstrução será desafiador. Estados que dependem economicamente do Rio Grande do Sul precisarão se preparar para lidar com os efeitos colaterais dessas perdas agrícolas. Medidas como a diversificação das fontes de suprimento, investimentos em infraestrutura de transporte e armazenamento, e o apoio aos produtores rurais serão essenciais para mitigar os impactos e garantir a continuidade do abastecimento alimentar e a estabilidade econômica.

Às culturas agrícolas

Soja

O Rio Grande do Sul, o segundo maior produtor de soja do Brasil, está enfrentando sérios desafios devido às enchentes. A safra 2023/2024, que era projetada para ser recorde com 22,24 milhões de toneladas, sofreu atrasos no campo e há preocupações crescentes sobre a qualidade das lavouras. O excesso de umidade pode aumentar a acidez do óleo de soja, diminuindo a oferta de boa qualidade para a indústria alimentícia. Estima-se que a colheita não alcance 20 milhões de toneladas, com apenas 70% da área colhida, abaixo da média de 83% dos últimos cinco anos.

Figura 3. Colheita de soja em Tapes – RS, — Fonte: Fábio Eckert e Equipe FieldCrops 19 maio de 2024.

Trigo

Maior produtor de trigo do Brasil, o Rio Grande do Sul produziu 5,2 milhões de toneladas em 2022. A safra 2023/2024 nacional estava estimada em 9,6 milhões de toneladas. No entanto, a ampla oferta de trigo argentino resultou em preços menos atrativos, levando a uma redução da área cultivada no estado.

Milho

A colheita da safra de verão de milho está quase paralisada, com apenas 83% da área colhida até o início de maio. A previsão da Conab indicava uma produtividade 40,3% maior que a última safra, mas as enchentes impediram o progresso.

Frango, suínos e ovos

As chuvas prejudicaram severamente a logística de transporte de frango, suínos e ovos devido a estradas danificadas. Produtores enfrentam dificuldades para adquirir insumos como rações e embalagens. Em 2022, o estado tinha 573 mil cabeças de suínos, sendo o terceiro maior do Brasil. A região Sul concentra a maior parte do abate de frangos do país, que é o maior exportador mundial.

Pecuária de corte

A destruição de pontes e estradas impediu o transporte de animais para abate. Em 2023, 519 mil animais foram abatidos no estado. A falta de infraestrutura está mantendo compradores e vendedores fora do mercado enquanto aguardam a normalização da situação.

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Conclusão

Os temporais no Rio Grande do Sul causaram enchentes históricas, devastando cidades e gerando prejuízos significativos que impactam a economia nacional. As perdas agrícolas são preocupantes, pois o estado é um grande produtor de grãos essenciais para o Brasil.

O plantio de grãos para a safra 2024-2025 está comprometido. As dificuldades no escoamento e armazenamento da safra colhida estão criando gargalos logísticos, elevando os custos e ameaçando as exportações.

A produção de leite está prejudicada pelas pastagens alagadas, e os rebanhos de aves foram dizimados, aumentando os custos de produção. O setor de serviços também foi afetado, prejudicando a geração de empregos e a arrecadação do estado, agravando os desafios econômicos.

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Estratégias para vender bem a produção agrícola

Descubra como vender sua produção agrícola com mais lucro! Conheça as estratégias essenciais para maximizar seus resultados na venda de produtos agrícolas. Aprenda a acompanhar os preços das commodities, diversificar sua carteira de clientes e utilizar tecnologia a seu favor.

A venda da produção agrícola é um ponto crucial para o sucesso de qualquer empreendimento no setor. 

Para garantir o máximo retorno financeiro, é essencial implementar estratégias eficazes que levem em consideração diversos fatores, incluindo o momento oportuno para a comercialização e a análise do mercado de commodities

Neste artigo, vamos explorar estratégias essenciais para vender a produção agrícola com lucratividade máxima, considerando aspectos como o acompanhamento dos preços das commodities, a diversificação da carteira de clientes e o uso de tecnologia para gerenciar a produção de forma mais eficiente. 

Vamos mergulhar nesse universo dinâmico da venda agrícola e descobrir como alcançar melhores resultados financeiros.

A importância da venda assertiva

Na jornada agrícola, da semeadura à colheita, o planejamento da comercialização é essencial para garantir eficiência e rentabilidade. 

Desde o cultivo até o momento da venda, cada etapa demanda estratégias cuidadosas para que os grãos, como soja e milho, alcancem o consumidor final, impulsionando toda a cadeia produtiva.

Para o produtor rural, além de cultivar de forma sustentável, é crucial compreender o mercado e o funcionamento da cadeia produtiva. 

No cenário atual, conhecer as nuances da comercialização de grãos é fundamental para aproveitar as oportunidades e superar os desafios, maximizando os resultados das safras.

A comercialização agrícola é um pilar essencial para a economia nacional, abrangendo desde a produção até a distribuição de produtos agrícolas, envolvendo etapas como plantio, colheita, transporte, processamento e armazenamento.

A comercialização agrícola

Este sistema complexo conta com uma série de agentes que desempenham papéis cruciais, desde o cultivo até a entrega dos produtos agrícolas. 

Desde a aquisição de insumos e o planejamento da safra, o produtor rural avalia as possibilidades de venda dos grãos que serão produzidos, considerando uma variedade de fatores para embasar suas decisões comerciais.

A comercialização não se limita à conclusão do ciclo produtivo, mas abrange todas as operações desde a aquisição dos insumos até a venda dos produtos. 

Este processo envolve uma rede de agentes, incluindo produtores rurais, cooperativas, empresas de transporte, distribuidores e varejistas, cada um desempenhando um papel específico na cadeia de comercialização.

Essa interação entre oferta (setor produtivo) e demanda (consumidor final) é crucial para a eficiência e rentabilidade do setor agrícola. A dinâmica desse sistema fundamenta os estágios da cadeia produtiva, desde a produção até a entrega dos produtos ao consumidor final.

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Modalidades de comercialização/vendas

Na comercialização agrícola, diversas atividades especializadas são desempenhadas por diferentes agentes. Aqui está uma visão geral dos principais atores envolvidos:

  1. Corretor: Atua como intermediário na aproximação entre compradores e vendedores, facilitando negociações sem estocar bens, financiar ou assumir riscos.
  2. Facilitador: Influencia o processo de distribuição sem possuir os bens ou negociar diretamente a compra ou venda.
  3. Representante de Fabricante: Empresa que vende bens de vários fabricantes de forma independente.
  4. Comerciante: Influencia a compra, assume a posse dos bens e os revende posteriormente.
  5. Varejista: Responsável por vender bens ou serviços diretamente ao consumidor final.
  6. Agente de Vendas: Procura clientes e negocia em nome de um fabricante, sem assumir a propriedade dos bens.
  7. Força de Vendas: Grupo de pessoas que vendem produtos e serviços em nome de uma empresa.
  8. Atacadista: Empresa que vende bens ou serviços adquiridos para revenda ou uso empresarial.

Esses agentes desempenham papéis específicos ao longo do canal de comercialização ou distribuição, que representa a sequência de etapas pelas quais o produto agrícola passa até chegar ao consumidor final.

Estratégias para venda eficiente

Para estabelecer uma estratégia de comercialização bem-sucedida, é essencial seguir alguns passos que garantam assertividade no processo. Aqui estão as etapas fundamentais:

  1. Conheça os Custos de Produção: Tenha em mãos os custos de produção da safra ou um orçamento detalhado. Isso inclui não apenas os custos diretos, mas também os custos operacionais, depreciação e custos econômicos associados à produção agrícola.
  2. Defina Estratégias de Venda: Considere as diferentes estratégias de venda disponíveis, levando em conta fatores como sazonalidade do mercado, demanda esperada e concorrência. Estabeleça metas claras e objetivas para orientar suas ações de comercialização.
  3. Avalie as Formas de Pagamento: Analise as diferentes formas de pagamento disponíveis, como crédito bancário, troca de produtos (barter) ou uso de capital próprio. Escolha a opção que melhor se adapte às suas necessidades e objetivos financeiros.
  4. Determine a Margem Esperada: Defina a margem de lucro esperada para sua produção, considerando os custos envolvidos e as condições do mercado. Se necessário, busque orientação de especialistas para analisar cenários de preços e tomar decisões embasadas.
  5. Aproveite Oportunidades de Mercado: Esteja atento às flutuações de preços no mercado. Quando os preços estiverem elevados, aproveite para vender sua produção, seguindo as estratégias definidas previamente.
  6. Não Espere Preços Ideais: Em alguns casos, pode ser necessário vender mesmo que o preço esteja abaixo do esperado, especialmente se houver o risco de uma queda ainda maior. No entanto, nunca comprometa seus lucros vendendo a um preço que resulte em prejuízos significativos.

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Técnicas avançadas para vendas agrícolas

As estratégias de comercialização agrícola são fundamentais para avaliar a viabilidade do sistema produtivo em uma fazenda, envolvendo desde o acompanhamento do mercado até a tomada de decisões baseadas nos custos de produção.

O produtor rural se mantém atualizado com as notícias e tendências do mercado ao longo das safras, planejando seus investimentos com base nos custos por hectare.

Uma das técnicas mais importantes nesse contexto é a estruturação e o planejamento da venda dos produtos agrícolas após a colheita.

Um exemplo comum e que proporciona segurança ao produtor é o Barter, onde ocorre a troca dos insumos utilizados no cultivo pelo pagamento em produção de grãos. 

Outra técnica relevante é o Hedge, que fixa o preço dos grãos de acordo com a cotação da bolsa de valores, permitindo ao produtor prever sua margem de lucro.

Além dessas, há outras modalidades de comercialização:

  • Comercialização pela Cooperativa: Nesse modelo, a cooperativa atua como intermediária na venda, recebendo os grãos, armazenando e realizando o escoamento da safra.
  • Pré-Fixação e Pré-Pagamento: Nessas modalidades, a negociação dos grãos ocorre com um preço pré-estabelecido. No pré-pagamento, o comprador antecipa o pagamento ao produtor, que se compromete a entregar os grãos após a colheita, com pagamento de juros.
  • Tradings e Corretoras: Empresas especializadas em commodities agrícolas facilitam a venda dos grãos, intermediando as negociações com compradores nacionais e internacionais.

Estratégias para vender bem a produção de milho e soja

A comercialização eficiente da produção de milho e soja requer uma abordagem estratégica e bem planejada, levando em consideração diversos fatores para maximizar os resultados.

Análise de Mercado

Realizar uma análise detalhada do mercado é fundamental para identificar oportunidades e tendências. É importante entender a demanda por milho e soja nos mercados local, regional e global, acompanhar as flutuações de preços e identificar potenciais compradores.

Diversificação de Clientes

Buscar diversificar a base de clientes é uma estratégia importante para mitigar riscos e aumentar as oportunidades de venda. Além de vender para grandes compradores, como indústrias e cooperativas, explorar mercados locais, regionais e internacionais pode ampliar os canais de distribuição e maximizar os lucros.

Gestão de Custos

Controlar os custos de produção é essencial para garantir uma margem de lucro satisfatória na comercialização de milho e soja. Monitorar de perto os custos relacionados ao cultivo, como insumos agrícolas, mão de obra, maquinário e logística, e buscar maneiras de otimizá-los sem comprometer a qualidade e a produtividade é fundamental.

Utilização de Contratos Futuros

A utilização de contratos futuros pode ser uma estratégia eficaz para garantir preços mais estáveis e previsíveis. Esses contratos permitem fixar o preço do milho e da soja antes da colheita, protegendo o produtor contra possíveis quedas nos preços de mercado.

Adoção de Tecnologia

A tecnologia desempenha um papel crucial na otimização da comercialização de milho e soja. O uso de sistemas de gestão agrícola, aplicativos de cotação de preços, análise de dados e monitoramento de mercado pode fornecer informações valiosas para tomar decisões mais informadas e estratégicas na venda da produção.

Investir em estratégias de marketing também pode ajudar a aumentar a visibilidade e a atratividade da produção de milho e soja no mercado. 

Ao implementar essas estratégias de forma integrada e bem planejada, os produtores podem maximizar os lucros e garantir o sucesso na comercialização de suas safras.

Como o Aegro ajuda na venda

Para planejar o preço de venda, é necessário saber todos os custos e identificar o valor ideal para venda do produto.

Com o Aegro, todas as informações da safra ficam centralizadas em um só lugar, facilitando a compreensão do valor ideal de venda. Além disso, você pode criar simulações de venda com diferentes valores para entender o lucro obtido com base nos custos registrados.

venda de grãos
Tela de colheita do Aegro

Conclusão

A comercialização agrícola não é apenas um aspecto crucial para o sucesso de um empreendimento no setor, mas também um processo estratégico que envolve diversos aspectos, desde o planejamento até a execução. Ao longo deste artigo, exploramos as estratégias essenciais para vender a produção agrícola com lucratividade máxima.

Desde o acompanhamento dos preços das commodities até a diversificação da carteira de clientes e o uso de tecnologia para gerenciar a produção de forma mais eficiente, destacamos a importância de entender o mercado e a cadeia produtiva para maximizar os resultados financeiros.

Além disso, discutimos as diversas modalidades de comercialização, como o Barter, o Hedge e a pré-fixação/pré-pagamento, que oferecem alternativas para o produtor rural garantir a segurança e previsibilidade na venda de seus produtos.

Agora, você está equipado com o conhecimento e as ferramentas necessárias para aprimorar suas estratégias de venda e impulsionar seus resultados na comercialização agrícola. Não perca tempo! Agende uma demonstração gratuita com a Aegro e descubra como podemos ajudá-lo a maximizar seus lucros e otimizar sua produção.

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Mancha foliar no milho: como livrar sua lavoura dessas doenças

Mancha foliar no milho: quais são as principais, como identificar os sintomas, como realizar o manejo e muito mais

A denominação “mancha foliar” é utilizada em referência a algumas doenças que atacam a cultura do milho.

Elas têm grande importância econômica, pois estão presentes nas principais áreas produtoras do grão. Além disso, reduzem consideravelmente o potencial produtivo da lavoura. 

Neste artigo, saiba mais sobre como identificar e manejar cercosporiose, helmintosporiose, mancha-branca, mancha-de-bipolares e mancha-de-diplodia. Boa leitura!

Principais manchas foliares no milho

As principais doenças causadoras de manchas foliares em lavouras de milho são: 

Essas doenças reduzem a área fotossintética das plantas. Como consequência, interferem na produtividade e na qualidade do produto final. Abaixo, veja quais são e como identificar as principais doenças foliares  em milho.

Cercosporiose

A cercosporiose é uma doença foliar causada pelo fungo Cercospora zeae-maydis, e também é conhecida como cercospora do milho. 

Os sintomas se manifestam primeiro nas folhas inferiores das plantas, onde aparecem manchas alongadas e com bordas amareladas. Sob condições de elevada umidade, as lesões adquirem coloração acinzentada em função da produção de esporos pelo fungo. 

Uma característica que diferencia a cercosporiose de outras doenças foliares do milho é o fato de as lesões apresentarem formato retangular e delimitado pelas nervuras. Elas se desenvolvem mais lentamente do que as lesões provocadas por outros patógenos.

Em casos mais severos, essa doença pode provocar o acamamento das plantas. Isso acontece pois as plantas de milho ficam mais predispostas ao ataque de outros patógenos, como os que causam danos ao colmo.

Essa doença se desenvolve sob condições de elevada umidade relativa do ar (maior que 90%) e em temperaturas entre 25°C e 30°C. A disseminação da cercosporiose ocorre através dos esporos do fungo e pelos restos culturais contaminados.

Sintomas da cercosporiose em folha de milho

(Fonte: NC State Extension)

Helmintosporiose

O agente causal da helmintosporiose é o fungo Exserohilum turcicum. Essa doença tem maior incidência em lavouras de milho safrinha.  Os sintomas característicos são lesões necróticas e em formato de charuto. A coloração pode variar de verde-acinzentada a marrom. 

Nesse caso, o crescimento das lesões não é limitado pelas nervuras da folha.   

À medida que a doença se desenvolve, as lesões aumentam de tamanho, comprometendo toda a área foliar. A helmintosporiose é favorecida por condições de temperaturas amenas, entre 20°C e 25°C, umidade relativa do ar acima de 90% e pela presença de orvalho.

A disseminação ocorre pela ação do vento, que transporta o fungo a longas distâncias. Além disso, os restos culturais são fontes de inóculo do fungo, uma vez que ele sobrevive nesse ambiente por longos períodos. 

Manchas em formato de charuto característica da helmintosporiose

Manchas em formato de charuto característica da helmintosporiose

(Fonte: Crop Protection Network)

Mancha-branca ou mancha foliar de Phaeosphaeria

A mancha-branca é uma doença foliar causada pela bactéria Pantoea ananatis. Ela é conhecida por mancha-de-Phaeosphaeria, feosféria e pinta-branca. Ela é uma das doenças mais distribuídas em regiões produtoras.

Além disso, os danos dependem das condições ambientais e do estádio de desenvolvimento da planta infectada. Os sintomas aparecem primeiro nas pontas das folhas. 

À medida que a doença avança, essas manchas são visíveis também na base das folhas do milho. As lesões foliares têm formato circular ou oval, cor verde-clara e aspecto encharcado (anasarca). Com o passar do tempo essas lesões necrosam e podem coalescer. 

Além disso, essa doença pode causar a seca prematura das plantas. De modo geral, os sintomas são mais severos após o pendoamento do milho

As condições ótimas para o desenvolvimento da mancha branca são noites com temperaturas amenas (15°C a 20°C) e umidade do ar acima de 60%. Períodos chuvosos também favorecem essa doença.  A disseminação ocorre por respingos de água da chuva e pelo vento.

Sintomas típicos da mancha branca no milho

Sintomas típicos da mancha branca no milho

(Fonte: Embrapa – Circular Técnica 167)

Mancha-de-bipolaris no milho (Bipolaris Maydis)

A mancha-de-bipolaris é uma doença do milho causada pelo fungo Bipolaris maydis. Por isso, também é conhecida como mancha de bipolaris no milho.

Os sintomas variam de acordo com a raça do fungo que está infectando as plantas. De modo geral, os sintomas são lesões necróticas de formato oval, alongado e estreito. Elas não têm bordas definidas e se desenvolvem seguindo a orientação das nervuras foliares. 

Em alguns casos, os sintomas da mancha-de-bipolaris podem ser confundidos com os da cercosporiose. No entanto, é possível diferenciar as doenças com base na avaliação das lesões.

Sintomas da mancha-de-bipolaris em folha de milho

Sintomas da mancha-de-bipolaris em folha de milho

(Fonte: Crop Protection Network)

Em geral, as lesões da cercosporiose são delimitadas, na largura, pelas nervuras das folhas e apresentam bordas bem definidas. Além disso, elas são mais estreitas. Enquanto isso, as lesões da mancha-de-bipolaris apresentam bordas irregulares.

As condições ambientais que contribuem para o desenvolvimento da mancha-de-bipolaris são um ambiente úmido e quente, com temperaturas entre 22°C e 30°C

A disseminação dos conídios é feita pelo vento e por respingos de água da chuva. O fungo ainda sobrevive nos restos culturais e nos grãos de milho.

banner da planilha de produtividade da lavoura de milho

Mancha-de-diplodia

A mancha-de-diplodia é causada pelo fungo Stenocarpella macrospora. Os sintomas dessa doença são lesões alongadas e grandes, que podem atingir até 10 centímetros de comprimento.  

As lesões de mancha-de-diplodia podem ser confundidas com as da helmintosporiose. A diferença entre elas está no fato de que as lesões de mancha-de-diplodia apresentam um ponto de infecção pelo patógeno

Esse ponto de infecção é um pequeno círculo localizado em qualquer lugar da lesão e que é visível contra a luz. Além das lesões foliares, a mancha-de-diplodia causa podridão do colmo e das espigas.

A disseminação dos esporos do fungo é feita pelo vento, por respingos de chuva e por sementes infectadas. Os restos culturais também são fonte de inóculo. A doença se desenvolve melhor sob condições de alta umidade do ar e temperaturas entre 25°C e 30°C

Sintomas da mancha-foliar-de-diplodia em milho

Sintomas da mancha-foliar-de-diplodia em milho

(Fonte: American Physiological Society)

Manejo das manchas foliares do milho

O manejo das manchas foliares na cultura do milho deve ser realizado de forma integrada. A combinação de diferentes medidas garante maior sucesso no controle dessas doenças foliares em milho. Por isso, as principais estratégias de manejo recomendadas são:

  • plantio de cultivares de milho resistentes às doenças;
  • plantio de cultivares diferentes em uma mesma área;
  • escolha da época de plantio do milho;
  • evitar o plantio sequencial de milho na mesma área;
  • utilizar sementes sadias;
  • tratamento de sementes;
  • manejo adequado da lavoura: população adequada de plantas, adubação equilibrada do milho, controle de daninhas da cultura;
  • rotação de culturas;
  • controle químico com fungicidas de amplo espectro.
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No controle químico das manchas foliares do milho são indicados, principalmente, os fungicidas dos grupos químicos triazol e estrobilurina

Conclusão

As principais doenças que causam manchas foliares da cultura do milho são a cercosporiose, a helmintosporiose, a mancha-branca, a mancha-de-bipolaris e a mancha-de-diplodia.

Essas doenças ocorrem em todas as áreas produtoras de milho do país e comprometem a produtividade final. O manejo das manchas foliares é feito pela adoção de diferentes estratégias

Por exemplo, a resistência genética, o plantio de sementes sadias, a rotação de culturas e a aplicação de defensivos químicos. Na dúvida, sempre procure ajuda de uma pessoa especialista da agronomia.

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O que fazer em caso de deficiência de fósforo em milho?

Deficiência de fósforo em milho: quais são os sintomas da deficiência na cultura, como funciona o nutriente no solo e como acertar na adubação fosfatada no milho

O fósforo é um macro nutriente indispensável para o desenvolvimento da lavoura de milho.  Apesar de não ser exigido em grandes quantidades pela cultura do milho, a deficiência de fósforo compromete a qualidade do produto final e o rendimento de grãos.

Justamente por isso, saber identificar quando suas plantas precisam desse nutriente e como fazer uma boa adubação fosfatada é essencial.

Neste artigo, saiba como uma boa adubação do milho garante mais produtividade na sua lavoura e como agir corretamente em casos de carência de fósforo nas plantas. Boa leitura!

Sintomas de deficiência de fósforo nas plantas de milho

O principal sintoma de deficiência de fósforo no milho é a cor roxa ou avermelhada nas folhas. Além disso, os colmos do milho ficam improdutivos, finos e frágeis, e as espigas ficam pequenas e retorcidas. Esses sintomas aparecem quando as plantas são bem jovens.

O fósforo no milho é um nutriente essencial para a formação do sistema radicular. Além disso, ele participa da maturação das plantas e dos processos de formação das espigas e dos grãos. Ele está envolvido em vários processo metabólicos como a respiração e a fotossíntese

Esse elemento ainda contribui para conferir rigidez ao caule da planta. Isso reduz casos de tombamento das plantas e aumenta a resistência ao ataque de pragas no milho.  A carência de fósforo altera o crescimento das plantas, o que causa queda da produtividade.

Na cultura do milho, os sintomas de carência de fósforo nas plantas costumam se manifestar logo no início, quando as plantas ainda são jovens. Além disso, eles aparecem primeiro nas folhas mais velhas. Afinal, o fósforo se desloca das folhas mais velhas para as mais novas. 

Assim, as folhas mais velhas adquirem coloração verde intensa e arroxeada. As plantas deficientes em fósforo apresentam folhas mal formadas e de tamanho reduzido. A redução da área foliar interfere no rendimento final de grãos

Sintoma de deficiência de fósforo na folha do milho
Sintoma de deficiência de fósforo na folha do milho 
(Fonte: Plantwise Plus)

Em lavouras com deficiência nutricional do milho, ocorre atraso no crescimento e redução do porte das plantas. Além disso, a maturidade do milho fica atrasada, os colmos se tornam finos e frágeis, e em alguns casos, as plantas podem não apresentar espiga

Já as espigas têm grãos pouco desenvolvidos, são pequenas e retorcidas. Por fim, as plantas tendem a apresentar um sistema radicular mais superficial. Isso ocorre pois a deficiência de fósforo prejudica o desenvolvimento das raízes.

Plantas de milho com sintomas de deficiência de fósforo
Plantas de milho com sintomas de deficiência de fósforo
(Fonte: Universidade de Minnesota)

Como funciona a disponibilidade do fósforo no solo?

Os solos brasileiros possuem baixo teor de fósforo disponível para as plantas. A deficiência  nutricional do milho está relacionada ao pH ácido e à presença de minerais como o ferro e o alumínio.

Diante disso, a correção da acidez do solo favorece o desenvolvimento das raízes, a absorção de nutrientes e o crescimento do milho. A calagem é uma prática que neutraliza o alumínio do solo e fornece cálcio e magnésio para as plantas. 

No entanto, ela também contribui para aumentar a disponibilidade e a absorção de fósforo e outros nutrientes. Além de aumentar a eficiência dos adubos fosfatados, a calagem contribui para a economia de fósforo. 

Outro fator que também influencia na disponibilidade do fósforo é o teor de matéria orgânica do solo. A matéria orgânica fornece fósforo para as plantas e também reduz a adsorção desse elemento.

Quando e como aplicar os adubos fosfatados?

Geralmente, o fósforo é fornecido apenas na adubação de semeadura do milho, pois a maior demanda por esse nutriente ocorre na fase vegetativa. Nessa fase, o fósforo é fundamental para a formação e para o crescimento do sistema radicular nas plantas

A adubação fosfatada pode ser realizada de duas formas: em área total a lanço ou durante a semeadura no sulco de plantio. A escolha do método para a aplicação dos adubos depende de uma série de fatores e deve considerar a realidade de cada lavoura.

Do ponto de vista operacional, a adubação em área total garante maior eficiência no momento da semeadura. Isso é um fator muito importante quando se trabalha com estreitas janelas de plantio.

Esse método favorece as plantas daninhas no milho, justamente pela distribuição uniforme do fertilizante na área. A adubação em área total também limita a distribuição vertical do fósforo no perfil do solo, por causa da baixa mobilidade desse elemento.

Já na adubação localizada no momento da semeadura, o fertilizante é depositado abaixo e um pouco ao lado da semente da cultura. Isso favorece o desenvolvimento das raízes das plantas de milho e diminui a competição pelo fósforo com as espécies invasoras. 

calcule a adubação da cultura do milho

Quanto de fósforo aplicar em casos de deficiência no milho?

De modo geral, para a cultura do milho, devem ser aplicados de 100 kg a 120 kg de fósforo. No entanto, vale lembrar que a quantidade exata depende do tipo de solo da sua fazenda e da produtividade esperada para sua lavoura.

Quando comparado a macro nutrientes como nitrogênio e potássio no milho, o fósforo não é exigido em grandes quantidades pelo milho. Apesar disso, é comum a recomendação de altas doses de adubos fosfatados. 

As doses de fósforo aplicadas devem ser superiores àquelas exigidas pelas plantas. Afinal, uma fração do fósforo é fixada pelas argilas e não fica disponível para as plantas, reduzindo a eficiência da adubação.

A quantidade de adubo fosfatado a ser aplicada é determinada pelas características do solo e pela produtividade esperada. Por isso, é preciso que seja feita a análise físico-química do solo.  Somente a partir dela é possível definir a quantidade adequada de nutrientes. 

Na posse do resultado da análise do solo e com a ajuda da tabela abaixo, é possível determinar a classe de disponibilidade do fósforo, que varia em função do teor de argila.

Nas tabelas a seguir, você pode conferir a recomendação de adubação a ser realizada na linha de plantio para milho grão. Essa recomendação tem como referência a disponibilidade de fósforo e o rendimento esperado. Veja também como interpretar as classes de disponibilidade:

Identificação das classes de disponibilidade de fósforo e recomendação de adubação para milho destinado à produção de grãos com base nos resultados das análises de solo e na produtividade esperada
(Fonte: Embrapa)

Conclusão

A deficiência nutricional do milho é um fator de atenção, sobretudo se o nutriente for o fósforo. O fornecimento desse nutriente via adubação é indispensável, considerando a baixa fertilidade natural dos solos brasileiros.

Os sintomas da deficiência de fósforo na cultura do milho são visíveis em plantas jovens e nas folhas mais velhas. Atraso no crescimento do milho e colmos finos são apenas alguns dos sintomas da falta de fósforo

A calagem e a adubação fosfatada são importantes ferramentas na manutenção da produtividade a longo prazo. Em caso de dúvidas sobre a adubação com esse nutriente, não deixe de consultar um(a) engenheiro(a)-agrônomo(a).

Você já teve problemas com a deficiência de fósforo no milho? Se você conhece outros produtores de milho que estão em momento de adubação, não deixe de compartilhar esse artigo com eles.

Saiba como manejar a cercosporiose no milho

Cercosporiose no milho: o que causa, quais são os sintomas, como ocorre a disseminação e quais são as estratégias de controle dessa doença

A cercosporiose, causada pelo fungo Cercospora zeae-maydis, é uma das principais doenças da cultura do milho. Ela também é conhecida como mancha foliar de cercospora e mancha cinzenta, e causa tantos danos quanto a helmintosporiose e a mancha-branca no milho.

Além de estar presente em todas as regiões produtoras do grão no país, essa doença interfere na produtividade do milho por hectare. Quando a infecção acontece muito cedo, há formação de grande quantidade de lesões foliares, o que aumenta ainda mais os danos.

Geralmente, as lesões causadas pela cercosporiose cobrem a parte aérea da planta, responsável pela fotossíntese. Nesses casos, há perda de água pela planta e também a deterioração do colmo, além de acamamento da cultura. 

Neste artigo, saiba como identificar a cercosporiose do milho e como se prevenir dos danos causados. Além disso, veja como manejar a doença para garantir menos perdas. Confira!

Quais são os sintomas da cercosporiose do milho?

A cercosporiose no milho possui vários sintomas fáceis de identificar. Os primeiros aparecem nas folhas inferiores. Conforme a doença avança, eles também são visíveis na parte superior das plantas. Geralmente, eles aparecem próximo ao período do florescimento.

Os sintomas dessa doença são lesões estreitas, retangulares e delimitadas pelas nervuras das folhas. Isso quer dizer que essas manchas se desenvolvem paralelas às nervuras.  Dependendo da situação, essas manchas podem apresentar bordas irregulares e indefinidas.

Lesões de cercosporiose (Cercospora zeae-maydis) em folhas de milho
Lesões de cercosporiose (Cercospora zeae-maydis) em folhas de milho  
(Fonte: Crop Protection)

As lesões jovens de cercosporiose tem cor amarelada e podem estar circundadas por um halo aquoso. Esse halo pode ser observado colocando a folha contra a luz. Com o desenvolvimento da doença, essas lesões tornam-se necróticas, com cor marrom, e aumentam de tamanho.

Sob alta umidade do ar, as manchas foliares adquirem coloração acinzentada

A cercosporiose reduz a área fotossintetizante das plantas de milho. Isso limita a produtividade da cultura por prejudicar a produção e o enchimento de grãos. Em severas infestações, as plantas de milho enfraquecem e têm seu desenvolvimento prejudicado. 

Como consequência, elas ficam vulneráveis ao ataque de outros fungos, como aqueles causadores de podridões do colmo. O ataque desses patógenos resulta no tombamento precoce das plantas da lavoura, além da morte prematura do milho. 

Sintomas de cercosporiose na palha da espiga
Sintomas de cercosporiose na palha da espiga 
(Fonte: Crop Protection Network)

Condições favoráveis para o fungo Cercospora zeae-maydis

A severidade da cercosporiose depende da suscetibilidade do milho híbrido e das condições ambientais. Tendo em vista os aspectos ambientais, a gravidade dessa doença é maior sob condições de elevada temperatura, alta umidade relativa do ar e pela presença de orvalho.

Temperaturas entre 25°C e 30°C e umidade acima de 90% contribuem para que a cercosporiose se estabeleça. Em condições favoráveis, o fungo presente nos restos culturais produz esporos. 

Esses esporos são transportados pelo vento e respingos da chuva e infectam novas plantas. Até o momento, não há informações de que ele seja transmitido por sementes. 

Ciclo da cercosporiose na cultura do milho
(Fonte: Traduzido de Universidade Estadual de Ohio)

Como manejar essa e outras doenças foliares do milho?

No manejo de qualquer doença é importante adotar um conjunto de práticas que irão prevenir e reduzir o desenvolvimento de doenças na área. Essas práticas são conhecidas como MID (Manejo Integrado de Doenças).

Abaixo, veja quais medidas são recomendadas para o controle da cercosporiose e de outras doenças foliares do milho. Confira:

Controle genético

O principal método utilizado no manejo da cercosporiose é o plantio de híbridos de milho resistentes. A resistência genética é uma técnica eficiente, econômica e segura no controle dessa doença.

Ou seja, é uma medida de controle que começa no planejamento de safra, antes mesmo do plantio. Se a sua lavoura já teve incidência dessa doença, a escolha de um híbrido resistente é ainda mais necessária.

Controle cultural

A rotação de cultura é um recurso indicado para o controle da cercosporiose, tendo em vista que o milho é o único hospedeiro do fungo Cercospora zeae-maydis. Assim, a rotação com girassol e com soja são muito recomendadas. 

Além disso, como o fungo sobrevive nos restos culturais, é importante evitar o plantio sucessivo de milho em um mesmo local. Em áreas onde a doença se manifestou de forma severa, a destruição dos restos culturais é uma alternativa para evitar o aumento do fungo. 

Também é interessante diversificar o material genético cultivado. Isso é realizado pelo plantio de híbridos de milho diferentes, ou seja, com níveis de resistência distintos, que irão dificultar a adaptação do fungo. 

Em lavouras com histórico da doença, a recomendação é evitar altas densidades de plantio. Espaçamentos entre plantas e linhas adensados criam um microclima favorável ao desenvolvimento do fungo.

A adubação do milho é outro ponto que deve ser considerado no manejo de doenças. Em caso de desequilíbrio nutricional, seja por carência ou excesso de algum elemento, as plantas ficam mais sensíveis ao ataque de pragas e doenças.

Fornecer os nutrientes na quantidade e no momento certo garante plantas saudáveis. Para isso, é importante que as adubações sejam sempre orientadas pela análise de solo

banner para baixar a planilha de cálculo de fertilizantes para milho e soja

Controle químico: qual o melhor fungicida para cercospora?

O controle químico também é uma alternativa para o manejo da cercosporiose em lavouras de milho. No entanto, é preciso avaliar os custos envolvidos na aplicação dos fungicidas. Uma boa estratégia de controle deve ser viável do ponto de vista técnico e econômico.

No manejo químico é importante sempre seguir as orientações da bula do produto quanto a dosagem, modo e época de aplicação. A seguir, você pode conferir todos as moléculas fungicidas com registro no Mapa para o controle da cercosporiose na cultura do milho

  • azoxistrobina
  • azoxistrobina + benzovindiflupyr + difenoconazol
  • azoxistrobina + ciproconazol
  • azoxistrobina + ciproconazol + mancozebe
  • azoxistrobina + difenoconazol
  • azoxistrobina + epoxiconazol
  • azoxistrobina + flutriafol
  • azoxistrobina + flutriafol
  • azoxistrobina + mancozebe
  • azoxistrobina + mancozebe + tebuconazol
  • azoxistrobina + tebuconazol
  • azoxistrobina + tetraconazol
  • bixafem + protioconazol + trifloxistrobina
  • ciproconazol + picoxistrobina
  • ciproconazol + trifloxistrobina
  • clorotalonil + tebuconazol
  • difenoconazol + impirfluxam + picoxistrobina
  • difenoconazol + pidiflumetofen
  • difenoconazol
  • epoxiconazol + fluxapiroxade + piraclostrobina
  • epoxiconazol + piraclostrobina
  • fluazinam + tiofanato-metílico
  • fluxapiroxade + mefentrifluconazol + piraclostrobina
  • mancozebe + picoxistrobina + tebuconazol
  • mefentrifluconazol + piraclostrobina
  • metominostrobin + tebuconazol
  • pidiflumetofen
  • protioconazol + trifloxistrobina
  • protioconazol + trifloxistrobina
  • tebuconazol + trifloxistrobina
  • tebuconazol
  • tetraconazol.

Conclusão

A cercosporiose causa uma série de danos na cultura do milho, e em muitos casos pode reduzir drasticamente a produtividade. Altas temperaturas e umidade relativa do ar elevada favorecem o desenvolvimento da cercosporiose.

Por isso, se você desconfia da presença da doença na lavoura, não pense duas vezes antes de começar o manejo integrado.  Você pode utilizar híbridos resistentes, rotação de culturas, evitar plantios adensados, adubação equilibrada e a aplicação de fungicidas. 

Na dúvida de qual método utilizar, não deixe de consultar um(a) profissional da agronomia.

Você já teve problemas com a cercosporiose no milho? Se você conhece outros produtores que também lidam com a doença na lavoura, compartilhe esse artigo com eles.

Passo a passo para fazer o cálculo de semeadura de milho

Cálculo de semeadura de milho: veja como definir população de plantas, quantidade de sementes, taxa de semeadura, dicas e mais!

Um dos principais momentos na lavoura é a semeadura. No milharal, este momento é ainda mais importante por causa da fenologia do milho e outras características delicadas dessa cultura.

Não basta apenas colocar as sementes no solo, sem qualquer parâmetro. É necessário fazer alguns cálculos para que a quantidade de sementes esteja correta, garantindo assim boa produtividade do milho.

Neste artigo, veja as principais contas que você precisa fazer antes dessa etapa para obter o máximo potencial produtivo que seu híbrido pode fornecer. Assim, você consegue fazer um bom planejamento para a cultura do milho. Boa leitura!

Como fazer o cálculo de semeadura do milho?

Nessa cultura, é importante definir qual híbrido de milho irá ser semeado para aí sim calcular a semeadura do milho. Existem diversos híbridos comerciais no mercado. Antes de fazer essa escolha, considere os seguintes aspectos:

Com a definição da melhor variedade de milho a ser semeada, você precisa fazer os cálculos para saber a quantidade ideal de sementes para semear toda a área. Veja a seguir os principais cálculos de semeadura do milho a serem feitos.

Como calcular a população de plantas de milho por hectare

O primeiro passo é saber qual a recomendação do híbrido escolhido em relação a quantidade de plantas por hectare. Para todas as culturas, a população de plantas ideal já vem pré definida com o híbrido ou cultivar escolhido.

Quem faz essa predefinição são pesquisas conduzidas em diversas regiões produtoras. Assim, o material poderá expressar seu máximo potencial produtivo. Ou seja: quantos grãos de milho plantar por hectare depende da marca de híbrido escolhido por você.

A população de plantas está definida dentro de um intervalo considerado ideal. Ainda assim, é importante seguir a recomendação técnica, pois a população ideal de plantas definidas é aquela que te traz melhor aproveitamento de água, luz e nutrientes.

Como calcular a quantidade de sementes de milho por metro

Com a população de plantas definida, o próximo passo é saber a quantidade de sementes por metro. Para isso, é preciso ter os dados de população de plantas e espaçamento a ser utilizado. O espaçamento entre linhas para cultura do milho varia muito entre:

  • 0,45 m;
  • 0,50 m;
  • 0,90 m.

Segundo a Embrapa, espaçamentos mais (45 cm a 50 cm entre linhas) tem apresentado melhores resultados em comparação com espaçamentos maiores (80 cm a 90 cm). Isso acontece especialmente quando se utilizam densidades de plantio mais elevadas.

Outra vantagem destacada é a maior rapidez no fechamento de linhas quando o espaçamento é reduzido. Essa técnica é mais eficaz no controle de plantas daninhas. Sabendo estes dados, é possível definir a quantidade de plantas por metro. Veja o cálculo a seguir:

Como calcular a taxa de semeadura do milho

Feito o cálculo de sementes por metro, é preciso considerar a germinação antes de regular a semeadora. O cálculo que considera a quantidade de sementes viáveis do lote é chamado taxa de semeadura.

Para saber a porcentagem de germinação do híbrido escolhido, basta olhar no rótulo da embalagem. Se você ainda não recebeu as sementes, pergunte para o vendedor. Feito isso, você pode realizar o teste a seguir:

Pelo cálculo, é preciso ter 3 sementes/metro para obter a população de plantas definida.

Como calcular a quantidade de sementes de milho para um hectare 

Definindo a taxa de semeadura, basta saber a quantidade de sementes que você irá utilizar em um hectare e depois na área total. Há dois modos de fazer este cálculo. Veja:

Normalmente, para fazer a compra, é colocado 10% a mais de sementes a serem semeadas por causa de problemas com as máquinas ou perdas durante o abastecimento ou transporte. Por isso há na fórmula acima a multiplicação de 1,1.

O milho, atualmente, é comercializado em número de sementes. As empresas colocam 60 mil sementes em cada saco, geralmente. Com nosso exemplo, é preciso ter 1,22 sacos para semear um hectare de milho. 

Caso a área total semeada seja 100 hectares, seriam necessários 122 sacos. Caso em alguma revenda ainda seja comercializado o milho em kg, o cálculo feito é diferente. Com a conta a seguir, você consegue saber quantos quilos de milho por hectare você deve plantar.

Dicas para melhorar a semeadura do milho

Dicas para melhorar a semeadura do milho  

Após fazer os cálculos necessários de semeadura de milho e fazer a compra das sementes, o próximo passo é o momento de semear. Nessa etapa, é importante ter alguns cuidados para que a semeadora consiga colocar as sementes com espaçamento correto entre plantas.

Regulagem correta da semeadora

Antes de tudo, faça uma boa regulagem da semeadora. Faça as revisões necessárias e, antes de começar o plantio, coloque o disco de tamanho ideal para seu híbrido. Feito isso, confira se está caindo a quantidade correta de sementes por metro linear.

Para isto, ande com a semeadora por cerca de 10 metros em local limpo. Depois disso, confira em pelo menos 2 metros se está caindo a quantidade desejada de sementes. Confira também se não estão caindo duas sementes no mesmo local.

Além disso, é sempre bom saber qual é a melhor semeadora para milho no mercado. Tendo os equipamentos corretos, a produtividade do milho é ainda mais preservada. 

Quer uma ajuda para controlar melhor o status da manutenção das máquinas da sua fazenda? Separamos uma planilha ideal para esse momento, totalmente gratuita. Basta clicar na imagem abaixo e acessar.

banner-máquinas

Velocidade de plantio

A velocidade de plantio é outro ponto de atenção. Com a velocidade correta, você garante que as sementes sejam depositadas no solo de modo correto, evitando falhas e duplas. A velocidade ideal da semeadora é entre 4 km/h a 6 km/h.

Na imagem abaixo, veja como é o efeito da velocidade do plantio da densidade final da sua plantação. Além disso, você confere que a velocidade correta afeta também na produtividade da sua cultura.

Efeito da velocidade do plantio na densidade final e na produtividade do milho
Efeito da velocidade do plantio na densidade final e na produtividade do milho
(Fonte: Embrapa)

Profundidade de plantio

A profundidade é outro fator que interfere no estabelecimento das plântulas em campo. Para isso, é importante garantir que as sementes fiquem entre no máximo de 3 cm a 5 cm de profundidade.

Garantir uma profundidade uniforme no plantio de milho pode parecer trabalhoso, mas é uma das etapas mais fundamentais e que não podem ser ignoradas. Afinal, uma boa profundidade também evita alguns dos principais danos em grãos de milho.

Depois de ter semeado corretamente o milho, você precisará começar a pensar e planejar a adubação. Para te ajudar nesse processo, separamos uma planilha gratuita para facilitar o cálculo de adubação e controle dessa tarefa. Clique na imagem abaixo para acessar:

planilha calculo fertilizante milho e soja

Conclusão

Neste texto, você viu que é importante fazer os cálculos de semeadura do milho já no planejamento da cultura. Ainda, lembre-se que fazer os principais cálculos é uma etapa um tanto quanto trabalhosa, mas fundamental.

Não deixe de considerar o que influencia nos cálculos e de onde vem cada valor a ser utilizado. Feito isso, você garante ainda mais assertividade no processo.

Não deixe de relembrar as dicas importantes que demos aqui para que seus cálculos não sejam em vão. Assim, você obterá o melhor aproveitamento na operação de semeadura.

>> Leia mais:

“Previsão do preço do milho: o que esperar para 2023”

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Safra de milho no Brasil: veja as previsões para 2022/23

Safra de milho: saiba quando começa, quanto tempo dura, preços previstos para a próxima safra, estimativa de produtividade e mais!

Com cenário de oferta mundial limitada para 2023, a safra de milho brasileira pode alcançar preços melhores que em 2022, segundo a Conab.

A previsão de mais um recorde na safra do milho no Brasil e a menor oferta global do grão deverão ser muito benéficos para os produtores em 2023.  

Segundo a Conab, na safra 2022/23 serão colhidas 126,9 milhões de toneladas. Isso representa um aumento de 12,5% em relação à safra anterior. A projeção é de aumento de 3,8% na área plantada e de 8,4% na produtividade.

Com menor produção nos Estados Unidos e Ucrânia, devido à guerra da Rússia, o Brasil deve exportar milho a preços mais compensadores em 2023. 

Neste artigo, saiba quando começa a safra do milho e veja mais detalhes sobre previsão de preços e produtividade agrícola. Aproveite a leitura!

Época de colheita do milho na safra de milho 2022

Saber a época da safra desse cereal é fundamental. A plantação de milho começa em setembro e segue até dezembro. Essa é a safra de verão, conhecida também como 1ª safra.

Um boletim recente da Conab aponta que 27% da área de milho já tenha sido plantada. A previsão é a de que na safra 2022/23 sejam plantados 22,4 milhões de hectares no total.

As condições climáticas são mais favoráveis neste ano, ao contrário do ano passado. Em 2021, a produção foi prejudicada nas regiões Sul e Centro-Oeste devido à seca.

Por isso, é estimada recuperação da produtividade da 1ª safra e ampliação de área da 2ª safra de milho (plantio de janeiro a abril).   

No país, além da 1ª e 2ª safra, há ainda a 3ª safra de milho (ou safra de inverno), cujo plantio vai de abril a junho. Isso faz do Brasil o único entre os grandes produtores mundiais a colher três safras durante um ano – ou seja, o Brasil produz milho o ano todo

Até pouco tempo, o país tinha duas safras de milho. Com os avanços tecnológicos e investimentos em sistemas de irrigação, a 3ª safra tornou-se viável.

Por conta disso, os termos para se referir às safras estão mudando. A 2ª safra, conhecida como safrinha de milho, já se tornou a mais importante da produção do grão.

Na temporada 2021/22, a estimativa de produção é de 87,4 milhões de toneladas colhidas na 2ª safra. A terceira safra, por conta da seca no inverno, passou a ser chamada também de safrinha. Ela é cultivada nos estados da Bahia, Sergipe, Alagoas, Pernambuco e Roraima.

Quantos dias dura a safra do cereal?

A duração de uma safra de milho varia entre 85 e 120 dias. Esse é o tempo do ciclo completo da cultura, da semeadura à colheita do milho.

Esse tempo varia de acordo com o tipo de grão de milho, bem como a sua finalidade. Afinal, o milho pode ser plantado para produção de silagem, grãos para ração, pipoca, farinha, para subprodutos industrializados, etc.   

O plantio do milho no Brasil não é somente para finalidades comerciais. O milho é uma das culturas utilizadas no sistema de plantio direto, que conserva mais o solo. Isso acontece devido à formação da palhada que sobra após a colheita.

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Boa parte dos plantios de soja, cultivados na safra de verão no Brasil, são feitos no sistema plantio direto, com a semeadura em cima da palha do milho. Essa palha ajuda a conservar mais a umidade do solo e favorece à sustentabilidade ambiental.

É em boa parte dessas áreas de soja que é plantado o milho 2ª safra.

Preço do milho para a safra 2022/23  

O preço do milho para a safra 2022/23 deve alcançar bons níveis de rentabilidade para o produtor brasileiro, que, ao mesmo tempo, estará tendo boa produção.

De acordo com analistas de mercado, mesmo com maior oferta, o cenário de demanda interna e externa é favorável para a cultura. Afinal, há expectativa de aumento da produção de carnes nacionais para 2023, favorecendo o aumento da demanda por milho.

No início de outubro, a cotação do milho na Bolsa de Chicago, para contratos com vencimento em setembro de 2022, foi valorizada 2% em relação a setembro, com USD 6,83/bu.

O mercado, segundo avaliação do Itaú BBA Agro, foi influenciado pela intensificação das tensões entre Rússia e Ucrânia. Houve vazamentos em dois gasodutos no Mar Báltico e a ameaça de armas nucleares, o que coloca em risco as rotas de exportações da Ucrânia.

No Brasil, o indicador Cepea/Esalq para Sorriso aumentou, no início de outubro, também em 2%. A saca de 60 kg foi negociada a R$ 67. Na B3, também houve aumento de 2%, com negociações de R$ 87/sc.

Os analistas sugerem que, no curto prazo, como já ainda 37% do milho safrinha para ser comercializado, os preços devem descolar das cotações internacionais. Isso vai liberar os armazéns, que serão utilizados para a produção de soja da safra de verão.

Evolução dos preços do milho de setembro de 2019 a setembro de 2022
(Fonte: Itaú BBA Agro)

Produção para a safra de milho em 2023

No mundo, as condições climáticas dos Estados Unidos reduziram as estimativas para a produção do grão para 2022/23 em 353 milhões de toneladas. Conforme relatório do USDA, o volume é 7,5% menor ao da safra passada.

Com isso, os estoques finais devem ficar reduzidos, mesmo com o recuo do consumo interno e das exportações, que vão aumentar no Brasil.

Produção mundial de milho 
(Fonte: Itaú BBA Agro)

Haverá redução de produção de milho na Europa também por conta da guerra da Rússia na Ucrânia, além das adversidades climáticas, com a seca impactando a produção.

A safra europeia de milho está estimada em 56 milhões de toneladas pelo USDA, redução de 21%. Mas é preciso ficar atento ainda para a possível crise global da economia, especialmente em relação à China, que pode reduzir o consumo e as importações.

Conclusão

A produção da safra do milho 2022/23 tende a ser muito favorável aos produtores brasileiros, por conta da redução da produção nos EUA e Europa.

A demanda, mesmo com perspectiva de pequena redução, ainda deve permanecer alta. A  produção da safra 2022/23 será recorde, e são esperados bons rendimentos com a cultura.

Mas é preciso estar atento ao cenário global da economia. Afinal, há o risco de uma recessão, o que pode afetar o consumo e reduzir as exportações.

>> Leia mais:

“Previsão do preço do milho: o que esperar para 2023”

Banner de chamada para baixar o kit safrinha

 O que você acha sobre as perspectivas e estimativas para a safra de milho em 2022/23? Você tem boas expectativas? Adoraria ler seu comentário!

Fungicida para milho: guia completo de quando aplicar o produto

Fungicida para milho: quais são os principais, épocas de aplicação, cuidados que devem ser tomados e os melhores do mercado

A desfolha precoce provocada por doenças do milho causadas por fungos pode reduzir a produtividade da cultura em até 40%.

Desta forma, saber qual a época mais adequada de aplicação de fungicidas é indispensável. Quem produz milho também deve conhecer os cuidados na aplicação e os fungicidas mais eficientes.

Entenda a seguir quais as principais doenças fúngicas do milho, fungicidas utilizados e cuidados com a aplicação! Boa leitura!

Principais doenças fúngicas da cultura do milho

Diversas doenças causadas por fungos podem ocorrer no milho, mas algumas delas assumem destaque na maioria das regiões produtoras. A mancha-branca, a cercosporiose, a helmintosporiose e o complexo de enfezamentos pálidos e vermelhos são as principais.

Complexo mancha-branca

A mancha-branca no milho é causada por um complexo de microrganismos, incluindo a bactéria Pantoea ananatis e o fungo Phaeosphaeria maydis, por isto, também é conhecida como mancha de Phaeosphaeria.

As perdas na lavoura podem ultrapassar os 60%, principalmente quando híbridos suscetíveis são utilizados em áreas de grande histórico da doença.

Os sintomas incluem a formação de lesões de coloração branca, que inicialmente possuem formato circular. Com a evolução dos sintomas, a mancha torna-se cor palha e com formato elíptico a circular (variando entre 0,3 a 1 cm de diâmetro).

As lesões são encontradas principalmente nas folhas, e tem início nas folhas inferiores da planta, progredindo rapidamente. A fase de desenvolvimento mais crítica para a cultura é o pendoamento, onde as lesões também surgem na palha da espiga.

Temperaturas amenas, entre 15°C e 20°C, associadas a elevada umidade relativa do ar (superior a 60%), são condições favoráveis ao desenvolvimento da doença.

Cercosporiose

A cercosporiose no milho é causada pelo fungo Cercospora zeae-maydis, e possui enorme distribuição nas lavouras brasileiras. Ele é favorecido por temperaturas mais altas, entre 22°C e 30°C, principalmente quando acompanhadas de períodos de longo molhamento das folhas.

Ainda, essa doença é muito favorecida por técnicas de semeadura direta. Cultivos sucessivos de milho híbrido muito suscetíveis à doença aumentam a quantidade do inóculo da cercosporiose.

A manifestação da cercosporiose do milho ocorre na fase de floração. Ela causa danos em folhas do baixeiro da cultura. 

Os sintomas da doença se manifestam através de lesões necróticas paralelas às nervuras.  Além disso, as extremidades das lesões têm formato quadrado, semelhante a uma raspagem com unha. 

Helmintosporiose

A helmintosporiose é diferente da cercosporiose, pois as lesões possuem as suas extremidades mais afinadas. Além disso, a cercosporiose ocorre entre as nervuras e a helmintosporiose, além das nervuras.

A helmintosporiose é causada pelo fungo Exserohilum turcicum. Esse fungo é favorecido por locais com alta umidade relativa do ar (geralmente acima de 90%), além de temperaturas entre 18°C e 27°C. 

Um dos pontos que torna essa doença difícil de ser controlada é evitada é que o fungo se dissemina através do vento. Por isso, para controlá-la, o uso de sementes saudáveis e cultivares resistentes é fundamental.

banner da planilha de produtividade da lavoura de milho

Quando aplicar fungicida no milho?

O momento correto de aplicação de fungicidas é fundamental. Isso irá evitar a desfolha precoce e a redução da produtividade. Inicialmente, observe o histórico de doenças na área de cultivo. Com essas informações, planeje o tratamento de sementes.

Ele é indispensável para proteger as sementes dos fungos que já estão presentes nos restos culturais do solo. Esses fungos sobrevivem de uma safra para a outra. Por isso, a entrada dos fungicidas na lavoura deve ser realizada:

  • Entre os estádios V8 – 8, quando as folhas estão completamente desenvolvidas;
  • Durante o pré-pendoamento da cultura.

Estas são as fases mais críticas para a ocorrência de doenças, especialmente as manchas foliares. Além disso, a entrada nestes estádios corresponde ao momento em que as doenças não apresentam alta severidade, sendo o controle mais efetivo

Aplicações antecipadas resultam em maiores produtividades. O atraso das aplicações, em R1 e R2, reduzem a produtividade do milho pela maior severidade de doenças.

Ilustração que mostra fases de desenvolvimento do milho
Estádios vegetativos e reprodutivos da cultura do milho para identificação do momento ideal de aplicação de fungicidas. VT corresponde ao início do pendoamento.
(Fonte: Ciampitti)

Cuidados para tomar na aplicação de fungicidas

Além da época correta de aplicação, outros cuidados devem ser tomados: a boa cobertura da cultura, tecnologia de aplicação, volume de calda e condições climáticas devem ser analisados.

Boa cobertura da cultura

As aplicações devem proporcionar maior cobertura das folhas dos terços médio e superior. São essas as folhas que influenciam diretamente na produtividade.

Tecnologia de aplicação

Utilize tecnologia de aplicação correta em função dos fungicidas utilizados. É importante saber se você está usando fungicida sistêmico e com boa movimentação superficial. Isso implica em maior ou menor tamanho de gotas.

Fungicidas multissítios, por exemplo, não possuem a capacidade de adentrar os tecidos foliares. Por isso, devem ser aplicados preventivamente, antes do surgimento dos sintomas.

No início dos sintomas, os multissítios devem obrigatoriamente ser combinados a um sítio-específico, que possui a capacidade de adentrar os tecidos e curá-los. Ainda, a rotação de ingredientes ativos é indispensável, pois evita a resistência dos fungos aos fungicidas.

Volume da calda terrestre, aérea e escolha das pontas

Pontas de jato plano defletor com indução de ar refletem em menores chances de deriva de defensivos pelo vento. Ainda, causam menor influência de altas temperaturas e maior cobertura dos alvos.

Além disso, quanto menor for o volume de calda, maior atenção deve ser dada à densidade de gotas para boa cobertura. É recomendada para a cultura no mínimo 50 gotas por cm -2.

Em aplicações aéreas, o volume de calda de 30 L/hectares proporciona produtividade semelhante aos tratamentos terrestres. Essa pode ser uma solução para aplicações sem provocar danos por máquinas à cultura.

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Observação das condições climáticas

Evite aplicar poucas horas antes da ocorrência de chuvas, pois elas podem “lavar” parte do produto. Também observe a velocidade do vento durante a aplicação, que não deve ser totalmente ausente ou elevado.

Quais os principais fungicidas para tratamento de milho?

Segundo o Agrofit (Sistema de Agrotóxicos Fitossanitários), atualmente, existem 220 fungicidas registrados para milho. Os principais grupos químicos utilizados no controle de doenças fúngicas incluem:

  • Estrobilurinas (C2) + triazóis (G1) (em inúmeras combinações): ambos são fungicidas sítio-específico. Eles correspondendo a mais de 22% das opções disponíveis;
  • Triazóis: aparecem em segundo, com participação de 20% na totalidade dos produtos registrados. A aplicação isolada de triazóis não é recomendada, porque este grupo de fungicidas atua em um único sítio-específico de ação, é há alto risco de resistência;
  • Mancozebe (M): é um fungicida multissítio do grupo dos ditiocarbamatos com quase 9% da totalidade de produtos registrados.

Na lista de fungicidas para milho, são inúmeras as opções. Além da consulta, fique de olho nos percentuais de eficiência dessas moléculas. Isso vai depender do híbrido utilizado e da região de cultivo.

Ainda, vale lembrar que o uso do Carbendazim no milho e demais culturas está suspenso em todo país.

Melhores tratamentos para controle de doenças no milho

Resultados de pesquisa indicam que as combinações que resultaram em maiores produtividades em relação aos tratamentos sem fungicidas foram:

  • Tratamento 4: Piraclostrobina (estrobilurina) + Mefentrifluconazol (triazol) + Fluxapiroxade (carboxamida) – em fase de registro pela empresa BASF  na época do estudo. Composição semelhante ao Belyan): resulta em controle de 83% das manchas foliares e 19% de ganho de produtividade;
  • Tratamento 8: Difenoconazol (triazol) + Pydiflumetofen (carboxamida) (em fase de registro pela empresa Syngenta na época do estudo. Composição semelhante ao Miravis Duo): 77% de controle e 18% de ganho de produtividade;
  • Tratamento 6: Trifloxistrobina (estrobilurina) + Protioconazol (triazol) + Bixafen (carboxamida) – Fox Xpro: 77% de controle e 17% de ganho de produtividade.

A eficiência de outras moléculas e detalhes podem ser visualizados na tabela abaixo:

Tabela que mostra fungicidas para milho com melhor desempenho.
(Fonte: Custódio)

Conclusão

O melhor fungicida para milho deve ser planejado em função do histórico de doenças da área de cultivo. A eficiência do controle depende de vários fatores, sobretudo da época em que as aplicações são realizadas.

É indispensável que as doenças sejam controladas quando a sua severidade ainda é baixa.

Para o controle de doenças na sua área de cultivo, consulte sempre um(a) engenheiro(a)-agrônomo(a). Afinal, as recomendações podem variar bastante conforme as características da sua lavoura.

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