Tudo que você precisa saber para escolher o milho híbrido correto

Milho híbrido: o que é, quais diferenças e tipos, como é produzida a semente, quais vantagens e desvantagens de sua utilização.

O milho é uma cultura com muita demanda mundial. Para ser possível atender a essa demanda, as plantas de milho precisam produzir muito mais grãos.

Pensando nisso, pesquisas foram desenvolvidas para buscar novas formas de aumentar a produtividade do milho. Foram dessas pesquisas que surgiram os milhos híbridos.

Neste artigo, veja qual é a diferença entre um híbrido e uma variedade de milho comum, os melhores híbridos para plantio e muito mais. Boa leitura!

O que é milho híbrido?

O milho híbrido é a primeira geração que se obtém após o cruzamento de linhagens puras de milho. Essas sementes apresentam alto vigor e elevada produtividade. As sementes derivadas desse processo possuem alto vigor híbrido e produtividade muito elevada.

As sementes de milho puras são a base da produção de híbridos. Elas são obtidas pela autofecundação em diversos ciclos, e selecionam características desejáveis até a obtenção da linhagem pura.

Ilustração de espigas de milho com diferentes tamanhos
Representação da obtenção de linhagem pura de milho 
(Fonte: Adaptado de Unesp)

Esta é a diferença entre milho híbrido e outros tipos ou cultivares de milho. As sementes das variedades são produzidas pela polinização aberta e mantém suas características nos filhos. No entanto, são plantas mais heterogêneas e menos produtivas que os híbridos.

Quais tipos de semente de milho híbrido?

Os híbridos de milho podem ser simples, duplos e triplos. Cada um possui diferenças quanto ao modo de obtenção e nível tecnológico a ser utilizado pelo produtor. Entretanto, todos  possuem uma característica igual: só podem ser produzidos com sementes compradas.

Isto quer dizer que você não pode salvar as sementes produzidas destes híbridos, pois apresentam grande variabilidade genética.

Esquema que mostra a formação do milho híbrido
Formação de híbridos e sua reprodução 
(Fonte: Seed news)

Híbrido simples

O cruzamento de duas linhagens puras resulta em sementes de híbridos simples, com alta pureza genética.

Por exemplo: a linhagem A será a planta mãe e a linhagem B a planta pai. Desse modo, retira-se o pendão da linhagem A ou utiliza uma linhagem mãe que não produz a parte masculina na flor (macho esterilidade).

A linhagem B servirá apenas para produzir grãos de pólen para fecundar a planta mãe. Após a polinização, as plantas utilizadas como pai são eliminadas.

Ilustração que mostra a formação do milho simples
Esquema de obtenção de híbridos simples
(Fonte: Geagra)

Estas linhagens puras produzem poucas sementes. Isso gera alto custo para sua aquisição e exige alto nível tecnológico para sua produção.

Entretanto, seu potencial produtivo é mais elevado dentre os híbridos. Os híbridos simples apresentam boa uniformidade de plantas e espigas, demandando maior nível tecnológico.

Híbrido duplo

Quando ocorre o cruzamento entre dois híbridos simples, as sementes produzidas serão denominadas de híbridos duplos. Portanto, o híbrido duplo é originado a partir de quatro linhagens puras.

O cruzamento da linhagem pura A com linhagem pura B irá gerar o híbrido simples AB. Do cruzamento da linhagem pura C com a linhagem pura D será formado o híbrido simples CD. Por fim, do cruzamento destes dois híbridos simples irá resultar o híbrido duplo.

Ilustração que mostra a formação do milho híbrido duplo
Esquema de obtenção de híbridos duplos
(Fonte: Geagra)

Devido sua obtenção ser de dois híbridos simples, sua produtividade não é tão elevada quanto a dos seus progenitores. Em contrapartida, o valor das sementes e o nível tecnológico necessário para semear este híbrido é menor.

Híbridos duplo

O híbrido intermediário no quesito nível tecnológico e preço de sementes é o triplo. Ele é obtido pelo cruzamento entre uma linhagem pura e um híbrido simples. Ou seja, para esse tipo de híbrido é preciso ter três linhagens puras.

Ao utilizar um híbrido para obtenção de sementes, a pureza genética é menor, se comparado com a utilização de apenas linhagens. Por este fato, o híbrido triplo apresenta o potencial produtivo menor que o simples, porém maior que o duplo.

Além disso, para que o híbrido triplo apresente a produtividade esperada, é necessário que o nível tecnológico seja médio a alto.

Ilustração que representa a formação do milho híbrido triplo
Esquema de obtenção de híbridos triplos
(Fonte: Geagra)

Saber destas informações é importante para você definir corretamente qual híbrido utilizar nas suas áreas de produção e qual será o nível tecnológico que irá empregar.

Nível tecnológico é a quantidade de investimento que a lavoura irá receber. Ou seja, quantidade de adubo que será utilizado na semeadura e em cobertura, uso de micronutrientes, aplicação preventiva para controle de pragas e doenças do milho, etc.

O nível tecnológico também envolve a saúde do solo, como uso de plantas de cobertura, adubação verde e desimpedimento físico do solo. A tecnologia também está relacionada ao manejo direto e indireto das plantas de milho.

Milho híbrido para silagem

Não é todo milho híbrido ideal para produção de silagem. Um híbrido bom para esta finalidade deve ter bom volume de massa verde e também de grãos. São estes que fornecem energia na alimentação animal.

Entretanto, não são todos os milhos que produzem grande quantidade de grãos bons para silagem. Para silagem, é preciso que o milho tenha alta digestibilidade, tanto dos grãos quanto das fibras.

Em relação à digestibilidade dos grãos, milhos híbridos com grão tipo dentado são os ideais para produção de silagem. Esses grãos apresentam o amido mais farináceo, ou seja, mais solto dentro dos grãos, o que facilita a digestibilidade.

A digestibilidade da fibra também é um fator determinante na escolha do híbrido para silagem.  O alto teor de fibra prejudica a ingestão pelos animais. O ideal é avaliar a Fibra em Detergente Neutro. Este é o melhor indicativo em relação à fibra, definido na análise bromatológica.

FDN entre 38% a 45% da matéria seca indica uma boa silagem. Além disso, o híbrido deve apresentar tolerância a pragas e doenças, principalmente a da região de utilização.

É importante escolher um híbrido que apresenta estas características para sua região. Afinal, milho destinado à silagem para região do Mato Grosso pode ser diferente do destinado para o Paraná, por exemplo.

Dentre as escolhas, empresas como DuPont Pioneer tem a Linha Nutri, que recomenda milhos híbridos para silagem em diferentes regiões. As Sementes Agroceres também possuem uma linha de milhos indicados para silagem, as sementes NK da syngenta.

Antes de comprar, pesquise na sua região os melhores preços que também te entreguem as qualidades necessárias.

Quais as vantagens e desvantagens dos híbridos de milho?

A principal vantagem do milho híbrido é a maior produtividade que possuem em relação às variedades de milho. Os híbridos também apresentam também alto vigor das sementes e maior uniformidade de plantas e espigas.

Isso gera maior eficiência na colheita do milho quando feita em  condições adequadas. Para que os híbridos expressem seu potencial, eles devem ser alocados em áreas que forneçam o que eles necessitem. Isso tanto em questões climáticas quanto na parte de manejo.

Em alguns casos, um milho variedade se comportaria melhor que os híbridos. Afinal, as variedades são mais rústicas e toleram mais condições adversas. Veja alguns exemplos em que a variedade é melhor que o híbrido:

  • em ambientes com baixa fertilidade de solo;
  • compactação do solo
  • pouca infiltração e matéria orgânica;
  • região com histórico de baixa precipitação em momentos importantes para cultura do milho;
  • clima inadequado.

Outro ponto a ser considerado é o nível tecnológico. Em propriedades onde não há grandes investimentos, a variedade será a melhor opção, pois exigem menos e suas sementes são mais baratas.

Para pequenos produtores que salvam sementes, o milho variedade também é melhor, justamente por ser o único que pode ser guardado para a próxima safra de milho

Para produtores com alto nível tecnológico na fazenda e que possuem um ambiente com qualidade de solo e clima ideal, o milho híbrido é mais indicado. Afinal, sua produtividade elevada compensa seu custo mais alto.

Entre milho híbrido simples, duplo e triplo, também há vantagens e desvantagens. Por exemplo, o milho híbrido simples possui produtividade elevada, mas custo alto. O híbrido duplo, por sua vez, possui custo mais baixo e produtividade também mais baixa.

Para simplificar, veja na tabela abaixo a comparação de alguns aspectos entre estes três híbridos:

Planilha que mostra a produtividade do milho híbrido simples, duplo e triplo.
(Fonte: adaptação da autora)

Milho híbrido para o plantio: qual escolher?

Milhos híbridos, simples, duplo ou triplo, podem ser utilizados para todo tipo de finalidade, desde alimentação humana até animal.

Outro ponto relevante a ser mencionado é o ciclo dos milhos híbridos, que interfere na escolha de época de semeadura. Isso por causa do clima ou momento de semeadura. Assim, o ciclo pode ser definido em normal, precoce e superprecoce.

No milho de ciclo normal, a emergência à maturação fisiológica é inferior a 110 dias. No grupo do milho precoce, o ciclo é maior ou igual a 110 dias e menor ou igual a 145 dias. No grupo do milho superprecoce, por sua vez, o ciclo é acima de 145 dias.

Mas fique de olho, pois pode ocorrer alteração do ciclo conforme as condições climáticas, a data de semeadura e local de plantio.

planilha de planejamento da safra de milho

Conclusão

O milho híbrido é considerado um dos melhores materiais para plantio. Há diferenças entre os híbridos mais comercializados no Brasil e no mundo, e para obter o esperado é preciso atenção às exigências de cada um

Além disso, agora você sabe mais sobre as vantagens e desvantagens de sua utilização. Essas informações serão muito úteis no momento do planejamento de safra.

A escolha entre milho híbrido ou milho variedade dependerá principalmente do investimento feito. Por isso, não deixe de se planejar bem.

>> Leia mais:

“Safra de milho: conheça as previsões para 2022/23”

“Previsão do preço do milho: o que esperar para 2023”

Está pensando em utilizar o milho híbrido na sua fazenda? Conseguiu decidir se vai utilizar o simples, duplo ou triplo? Adoraria ler seu comentário!

Beneficiamento de grãos: entenda as 7 etapas fundamentais

Beneficiamento de grãos: saiba a importância, quais são as etapas obrigatórias, cuidados que você deve ter e muito mais!

A qualidade de grãos e sementes não pode ser melhorada, apenas conservada

Por isso, todas as etapas do processo produtivo são importantes.

O beneficiamento de grãos é um processo que procura eliminar impurezas de um lote, melhorando suas características. Isso é fundamental para garantir uma boa comercialização.

Neste artigo, veja quais são as etapas do beneficiamento e quais cuidados devem ser tomados no processo. Boa leitura!

O que é o beneficiamento de grãos?

O beneficiamento é uma das últimas etapas da produção de grãos e sementes, e procura melhorar as características de um lote

Isso é feito através da eliminação de impurezas; matérias estranhas (como sementes de outras espécies e outros contaminantes); e também danos leves e graves, até que se alcancem os limites tolerados pela legislação.

Para manter a qualidade dos lotes, são retiradas as matérias estranhas. Alguns exemplos são:

  • grãos e sementes de outras culturas;
  • insetos vivos ou mortos;
  • partes de insetos;
  • torrões de solo;
  • sujidades, dentre outros.

Também são eliminados todos os materiais vegetais que pertencem à cultura, como:

  • folhas;
  • hastes;
  • colmos;
  • raízes;
  • vagens;
  • pedaços de sabugo, dentre outros.

Esses limites máximos tolerados variam conforme o produto (grão). Percentuais acima dos descritos na legislação resultam em descontos no momento da comercialização. 

Embora a legislação traga limites máximos tolerados, eles também podem ser especificados pelas empresas, UBGs (Unidades de Beneficiamento de Grãos) ou UBSs (Unidades de Beneficiamento de Sementes).

As unidades de beneficiamento de grãos (UBGs) são locais onde os grãos são encaminhados após a colheita pelo produtor. 

São localizadas normalmente próximo do local de produção. É nas UBGs que os grãos são limpos, secos, e beneficiados (retirada de matérias estranhas, impurezas, contaminações).

Quais são as etapas do beneficiamento de grãos

As etapas do beneficiamento de grãos são: recepção, amostragem, pré-limpeza, limpeza, secagem, classificação e armazenamento. O objetivo é retirar possíveis contaminações que contribuem para a deterioração dos grãos.

Esquema demonstrativo das etapas de beneficiamento de grãos.

Fluxograma operacional de uma unidade de beneficiamento

(Fonte: Silva e colaboradores, 2012)

Confira a seguir como funciona cada uma das operações envolvidas no beneficiamento de grãos!

1. Recepção

Na recepção, os grãos ficam armazenados provisoriamente na moega. Depois, são  encaminhados para a pré-limpeza, limpeza ou secagem. O destino varia de acordo com o grau de umidade, impurezas e matérias estranhas do lote.

Para que se saiba quais as operações são necessárias, é preciso retirar amostras do produto e avaliar suas condições. A primeira delas é o grau de umidade. Esta informação determina se será necessária a secagem do produto.

Quando o grau de umidade é elevado, é importante que a secagem seja realizada o mais rápido possível. Afinal, a deterioração (redução da qualidade) já estará ocorrendo.

A recepção deve ser programada para que não sejam misturados produtos diferentes. Isso vale principalmente para produtos já secos com produtos que necessitam de secagem.

2. Amostragem

A amostragem é uma etapa importante para que as condições do lote recebido sejam averiguadas. Ela deve ser realizada seguindo metodologias padrão e com auxílio de caladores, que podem ser manuais ou pneumáticos.

Os pontos para retirada das amostras também são importantes. Elas devem ser de diferentes locais e profundidades.

Etapas da amostragem de grãos

  • Tenha em mãos um calador (hidráulico ou manual), um balde plástico, caderno e caneta para anotação;
  • Colete as subamostras: elas são amostras parciais, e devem ser coletadas em diferentes pontos. Isso depende de como a carga de grãos estiver disposta.
  • Misture as amostras uniformemente: assim você terá a amostra para análise, que deve ser identificada corretamente. As subamostras devem contemplar as laterais e o centro da carga;
  • Posicione o calador no ponto, verticalmente e enterrado até o fundo da massa de grãos. Só assim a subamostra pode ser retirada. 

Para checar os sistemas e comparar a eficiência das operações, você pode retirar amostras durante o funcionamento dos equipamentos. Dessas amostras, são avaliadas a porcentagem de cada um dos danos. Nesse caso:

  • Pese a amostra total;
  • Retire os danos a serem avaliados;
  • Calcule a porcentagem desses grãos com danos em relação ao peso inicial.

Fórmula para amostragem de grãos com danos

Para calcular a quantidade de grãos com danos, você pode utilizar uma fórmula. Por exemplo, considere uma amostra de 250 gramas em que 0,8 gramas são de grãos quebrados/partidos.

Basta fazer uma regra de três:

Fórmula para amostragem de grãos com danos: 250 gramas - 100% da amostra/ 0,8 gramas - X. Esquema representado em regra de três.

(Fonte: adaptação da autora)

Essa amostra contém 0,32% de grãos quebrados/partidos. Os valores dos resultados obtidos são comparados aos limites máximos tolerados para cada uma das operações.

3. Pré-limpeza

A pré-limpeza é a retirada inicial de impurezas e matérias estranhas com percentuais próximos a 4%

No beneficiamento de sementes, são tolerados pequenos índices de outras sementes (1%), e zero material inerte. Porém, esse valor pode mudar de acordo com as classes de sementes.

Além disso, as operações de pré-limpeza têm várias vantagens

  • facilidade na operação de secagem, quando necessária;
  • melhor transporte entre os elevadores;
  • condições de armazenamento facilitadas;
  • fluxo no armazém facilitado.

A pré-limpeza é uma etapa obrigatória. Em alguns casos, ela pode ser suficiente. 

Nesta etapa, as peneiras devem ser adequadas. Além disso, o fluxo de ar do ventilador deve ser ajustado corretamente (o que depende do grão a ser beneficiado).

Na pré-limpeza e na limpeza, as sementes são beneficiadas em máquinas de ar e peneiras. Elas usam ventiladores para separar materiais contaminantes e indesejáveis de menor peso e tamanho. 

4. Secagem

A secagem de grãos é a etapa para retirar a água em excesso. Isso pode ser feito através de ar natural ou aquecido. Realize essa etapa o mais rápido possível, após a colheita dos grãos com alto grau de umidade.

O grau de umidade deve ser mais baixo para armazenamento em locais sem aeração.

Na tabela a seguir, confira o grau de umidade recomendado para o armazenamento seguro de diferentes culturas:

Grau de umidade recomendado para feijão, milho, soja, azevém, arroz e aveia.

(Fonte: Elias, 2000)

5. Classificação

A classificação de sementes em relação ao tamanho é feita para padronizar os lotes

Esta operação facilita a semeadura e distribuição no campo. Além disso, proporciona maior plantabilidade quando os equipamentos são ajustados da forma correta. 

6. Limpeza de sementes e grãos

No caso de sementes, os cuidados devem ser redobrados. Afinal, elas são armazenadas até a semeadura da próxima safra.

A retirada de impurezas, matérias estranhas, sementes danificadas e verdes é indispensável. Assim, o vigor das sementes não é reduzido

Este processo é parecido com a limpeza de grãos. Acontece através da passagem das sementes por peneiras de ar e mesa densimétrica.

A mesa densimétrica separa as sementes através da densidade ou peso. Sementes mais leves geralmente têm qualidade reduzida.

No caso de grãos, a limpeza é uma operação extra. Ela faz com que impurezas e matérias estranhas que tenham permanecido após a pré-limpeza sejam retiradas.

7. Armazenamento

Para armazenamento de grãos seguro, eles devem ser secos a uma porcentagem ideal. Assim devem ser mantidos durante o processo. 

O percentual de umidade muda conforme a cultura. Confira: 

Tabela com percentual de umidade em grãos como café, milho, soja, arroz, sorgo e trigo.

(Fonte: Senar, 2018)

Quais etapas de beneficiamento de grãos são obrigatórias?

Nem todas as operações de beneficiamento são necessárias, a depender das condições dos grãos. Em alguns casos, a pré-limpeza é suficiente e a secagem não é necessária, por exemplo.

Duas situações podem ocorrer: 

  • Se os grãos forem limpos, secos e comercializados imediatamente: você deve fazer secagem, limpeza e classificação. Isso garante que impurezas e materiais estranhos não ultrapassem 1%, e que o grau de umidade seja de 13%. Esses são os limites impostos pelo Mapa.
  • Se os grãos forem secos, limpos e armazenados: nesse caso, você deve fazer a pré-limpeza, secagem (e limpeza, quando necessário) e armazenamento. 

8 cuidados essenciais durante o beneficiamento de grãos

No beneficiamento de grãos e sementes, alguns pontos merecem atenção:

  1. Injúrias mecânicas (trincas, quebrados, partidos) são geralmente agravadas pela secagem. A temperatura do ar de secagem deve ser adequada para o teor de água inicial dos grãos;
  2. O local de armazenamento dos grãos e sementes deve ser limpo, seco e arejado. Isso evita a proliferação de pragas de armazenamento, fungos e deterioração;
  3. O ambiente de armazenamento não pode ter goteiras. O contato com a água favorece a germinação dos grãos e sementes. Além disso, acelera sua deterioração.
Foto de sementes de soja germinadas

Grãos de soja germinados devido a goteiras no telhado do silo, provocando aceleração da deterioração dos grãos armazenados.

(Fonte: De Souza, 2012)

  1. Materiais quebrados, trincados, fragmentados, arranhados e danificados são causados por choques com as superfícies durante o beneficiamento. Por isso, regule a velocidade das operações e as monitore sempre;
  2. Grãos danificados são mais suscetíveis ao ataque de fungos e insetos. Isso pode provocar o aquecimento da massa de grãos, e até mesmo gerar fogo;
  3. A conservação dos grãos pode ser comprometida a partir dos 60 a 120 dias. Isso acontece quando os valores de grãos quebrados são entre 5% e 8%.
  4. As perdas durante o beneficiamento podem ser superiores a 3%. A cada 30 mil sacos de grãos beneficiados, 900 podem ser perdidos por manuseio incorreto;
  5. Regule e monitore os equipamentos utilizados durante o beneficiamento. Eles podem trincar os grãos, agregar cinzas, odores e provocar a perda de peso da massa.

Processo de beneficiamento de soja

O beneficiamento da soja começa com a pré-limpeza e é seguida da secagem, pós-limpeza, padronização, tratamento e pesagem. Após a pesagem, os grãos são embalados, amostrados, identificados e armazenados.

É importante ressaltar que o beneficiamento destinado a grãos e a sementes tem operações diferentes. Na primeira, o foco é retirar as impurezas e matérias estranhas que afetam a qualidade do grão, para posterior processamento na indústria.

Na segunda, o objetivo é selecionar sementes de alto potencial germinativo, a depender do padrão da empresa produtora de sementes ou cultivar que está sendo produzida.

Além da máquina de peneiras, a mesa densimétrica é usada. Ela separa as sementes por densidade.

Foto de mesa densimétrica vermelha, utilizada no processo de beneficiamento de grãos de soja

Mesa densimétrica de uma unidade de beneficiamento de sementes. Na imagem à direita é possível observar os dutos de entrada de sementes de diferentes densidades.

(Fonte: Reisorfer, 2012)

Sementes mais leves estão geralmente associadas a danos provocados por insetos, fungos, ou até mesmo má formação. Sementes mais pesadas, em contrapartida, possuem a maior qualidade.

Outro processamento que ocorre é a padronização de lotes de sementes em função do seu tamanho. Isso é importante para a regulagem das semeadoras e para garantir melhor uniformidade de sementes na lavoura.

A padronização é realizada através de peneiras com diferentes tamanhos. O tamanho da semente está relacionado diretamente ao de 1000 sementes. Essa informação é utilizada para que o produtor possa calcular a quantidade de sementes necessária para a semeadura.

Esta classificação em tamanho em função de peneiras pode ser de peneira 50 a 75.

  • Sementes de soja de peneira 50 apresentam peso de 1000 sementes (a depender da cultivar), aproximados a 92 gramas, Logo, 92/1000=0,09 gramas por sementes. Na peneira 50, um grama de sementes conterá 11 sementes, e um saco de 40 kg de sementes conterá 440.000 sementes.
  • Sementes de soja de peneira 75 apresentam peso de 1000 sementes aproximado de 244 gramas. Logo, 244/1000=0,244 gramas por semente. Na peneira 75, um grama de sementes conterá 4 sementes, e um saco de 40 kg de sementes, conterá 160.000 sementes.

Em função da população de sementes desejada, você deverá escolher o tamanho de peneira mais adequado para calcular.

Se as sementes são de diversos tamanhos, na regulagem e na semeadura, mais sementes podem cair no solo. Isso prejudica a plantabilidade (distribuição uniforme de plantas na lavoura). 

Processo de beneficiamento de milho

As etapas de beneficiamento do milho incluem a amostragem inicial do produto, pré-limpeza do lote recebido (etapa que conta com as máquinas de pré-limpeza e mesa de gravidade) e secagem.

Esses processos de beneficiamento possuem o objetivo de limpar o material para ser armazenado adequadamente.

Foto de mesa de gravidade com grãos de milho

A mesa de gravidade é utilizada para realizar a separação de diferentes densidades (pesos) do produto. Os materiais de menor densidade normalmente são restos de sabugo de milho e grãos ardidos

(Fonte: Trogello, 2013)

As sementes de milho ainda são classificadas quanto ao seu tamanho e formato, e posteriormente estocadas em bags até a expedição.

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Conclusão

O beneficiamento de grãos e sementes é uma etapa importante para conservar a qualidade.

O processo é composto por 7 etapas, mas nem todas elas são obrigatórias. Vale analisar a situação dos seus grãos para definir quais das etapas serão fundamentais.

Fique de olho nos limites máximos de umidade, impurezas, matérias estranhas e danos. Assim, você não sofrerá penalidades na comercialização dos seus grãos.

Como você faz o beneficiamento de grãos na sua fazenda? Tem dificuldade em algum desses processos? Adoraria ler seu comentário.

Tudo o que você precisa saber para o manejo da mancha-branca do milho

Mancha-branca do milho: entenda o que causa, sintomas, condições favoráveis, disseminação e manejo da doença.

A mancha-branca (ou pinta-branca) é uma doença foliar de grande importância agronômica. Ela está presente nas principais regiões produtoras de milho do Brasil.

Essa doença é agressiva e acontece mais em plantios de milho safrinha

Quando não controlada ou manejada de forma ineficiente, pode causar sérios prejuízos e reduzir a produtividade da lavoura.

Neste artigo, confira mais sobre as causas e consequências dessa doença no seu milharal. Boa leitura!

O que causa mancha-branca do milho

A mancha-branca é uma doença do milho provocada por mais de um agente.

O principal microrganismo causador da mancha-branca é a bactéria Pantoea ananatis. Além dessa bactéria, alguns fungos também estão associados à doença, como:

  • Phaeosphaeria maydis;
  • Phoma sorghina;
  • Phyllosticta sp.;
  • Sporormiella sp.

Como a mancha-branca se espalha na lavoura

A disseminação dos microrganismos responsáveis pela mancha-branca ocorre pela ação do vento e por respingos de água.

Os patógenos sobrevivem nos restos culturais, constituindo a fonte primária do inóculo

As lavouras de milho em sistema de plantio direto estão mais sujeitas à ocorrência da doença. Afinal, nesses casos há aumento na concentração do inóculo.

Como identificar a mancha-branca no milho

Inicialmente, você vai observar sintomas nas folhas inferiores da planta de milho. Porém, com a evolução da doença, as folhas superiores também podem apresentar sintomas. 

As lesões começam na ponta das folhas. À medida que a doença avança, as manchas foliares progridem para a base das folhas do milho. 

Foto de uma folha de milho com manchas brancas na ponta.

Sintomas iniciais da mancha-branca na ponta da folha de milho 

(Fonte: Circular Técnica 167 — Embrapa)

As lesões foliares provocadas pela mancha-branca têm formato circular ou oval. Elas têm aspecto encharcado e coloração verde-clara.  Com o tempo, essas manchas tornam-se necróticas e adquirem coloração palha.

O tamanho das lesões varia de 0,3 cm  a 1,0 cm de diâmetro.

Foto de mancha branca em folha de milho, vista de perto

Sintomas da mancha-branca do milho

(Fonte: Agência Embrapa de Informação Tecnológica)

Dependendo da severidade da doença, os sintomas também podem ser observados na palha das espigas

A severidade da doença está relacionada ao nível de suscetibilidade do híbrido de milho. Condições ambientais também podem agravar a mancha-branca. 

A mancha-branca provoca a seca prematura das folhas. Ela também pode causar prejuízos ao processo de enchimento de grãos.

Em geral, não é comum observar sintomas de mancha-branca em plântulas de milho. Os sintomas da doença são mais severos durante a fase reprodutiva da lavoura, especialmente após o pendoamento.

Como fazer manejo preventivo da mancha-branca do milho

Melhor que cuidar da mancha-branca no milho é conseguir evitar que a doença chegue na lavoura. Isso é possível de três formas: através do manejo de resistência, da antecipação de semeadura e evitando as condições favoráveis.

Faça o manejo de resistência 

O primeiro passo do manejo preventivo é a resistência genética. Essa é uma alternativa eficiente e de baixo impacto ambiental no manejo dessa doença. 

Os híbridos desenvolvidos pela Embrapa (BRS 1010, BRS 1030 e BRS 1035) são exemplos de milho com resistência à mancha-branca.

Evite as condições favoráveis da mancha-branca

O segundo passo é evitar as condições climáticas que favorecem a doença. A mancha-branca se desenvolve em alta umidade relativa do ar (acima de 60%) e temperaturas amenas (14 °C a 20 °C).

Geralmente, as lavouras de milho plantadas na segunda safra têm maior ocorrência da mancha-branca. Nesse período, outros fatores podem contribuir para o desenvolvimento da doença:

  • elevado índice de chuvas;
  • noites com temperaturas mais baixas;
  • formação de orvalho.

A fase mais comum de início da doença é durante o estádio V9 de desenvolvimento do milho. A fase mais crítica acontece entre os estádios VT — R5.

Antecipe a semeadura

Outra boa forma de evitar a mancha-branca é a rotação com culturas não suscetíveis à doença

A antecipação da semeadura do milho também é uma boa opção.  Isso reduz as chances de que a fase de maior suscetibilidade da cultura coincida com condições climáticas favoráveis à doença.

Melhores fungicidas para mancha-branca do milho

Se você identificou a doença na lavoura, é necessário fazer o manejo químico quanto o antes. A aplicação de fungicidas para milho é indicada para plantações suscetíveis à doença.

Uma pesquisa realizada pela Embrapa concluiu que alguns produtos têm baixa eficiência no controle da mancha-branca. São eles:

  • carbendazim (fungicida);
  • triazóis (fungicida);
  • oxitetraciclina (antibiótico);
  • kasugamicina (antibiótico).

O estudo também apontou que os fungicidas do grupo químico das estrobilurinas têm muita eficiência no controle dessa doença.

No controle químico, é essencial fazer a rotação dos produtos com diferentes ingredientes ativos. Isso previne o desenvolvimento de resistência dos patógenos.

Também é fundamental seguir as recomendações do fabricante quanto à dosagem, modo e época de aplicação dos produtos. Esses fatores interferem na eficiência do defensivo agrícola no controle da mancha-branca.

Além de tudo, faça monitoramentos periódicos na lavoura. Essa ação permite identificar a doença ainda em fase inicial

Você também poderá quantificar a área afetada, estabelecer como é a distribuição na lavoura (reboleiras, bordaduras, etc) e quais os sintomas das plantas. 

O diagnóstico correto da doença, as informações coletadas no monitoramento e os dados meteorológicos são fundamentais para a tomada de decisão. 

A partir disso, é possível traçar um plano de manejo preciso para a doença. 

Vale lembrar que, no controle da mancha-branca, é fundamental a necessidade de adotar estratégias integradas de manejo

Conclusão

A mancha-branca é uma doença foliar causada por bactéria e fungos

Em geral, os sintomas são mais severos na fase reprodutiva do milho, especialmente após o pendoamento.

Alta umidade e temperaturas amenas favorecem o desenvolvimento da mancha-branca. A disseminação ocorre pela ação do vento e respingos de água.

Faça um manejo integrado para garantir sucesso no controle. Plante híbridos resistentes e aplique defensivos químicos quando necessário. Na dúvida, consulte um especialista!

>> Leia mais:

“Mancha foliar milho: como livrar a sua lavoura?”

“Como prevenir e manejar o enfezamento do milho”

“Podridão-branca da espiga: entenda mais e controle essa doença na lavoura”

Você já conhecia a mancha-branca do milho? Essa doença já foi detectada na sua lavoura? Como foi realizado o manejo? Deixe seu comentário.

Como fazer a implantação e manejo do consórcio milho-braquiária

Consórcio milho-braquiária: saiba quais os benefícios, qual espaçamento utilizar, como semear, manejo de herbicidas e mais!

Já pensou em utilizar uma tecnologia que viabiliza o sistema plantio direto e produz grãos e palha para cobertura do solo?

O consórcio milho-braquiária proporciona esses e muitos outros benefícios. Um dos principais é o aumento da produtividade da soja em sucessão.

Para saber se vale a pena investir nessa tecnologia de consorciação, você deve estar por dentro de todas as características e exigências.

Nesse artigo, você encontrará dicas de implantação e manejo do consórcio milho-braquiária. Confira a seguir!

Implantação e manejo do consórcio milho-braquiária

O cultivo consorciado de milho safrinha com braquiária é eficiente para a formação de pastagem e de palha para cobertura do solo.

Ele proporciona melhorias dos atributos químicos, físicos e biológicos do solo. A semeadura do milho e da forrageira deve acontecer ao mesmo tempo, para diminuir custos.

O milho deve ser cultivado como se fosse solteiro. Isso pode te garantir altas produtividades.

Escolha da forrageira

A escolha da forrageira dependerá do objetivo do consórcio.

Tabela com forrageiras indicadas de acordo com o tipo de consórcio milho-braquíária

Na formação de pastagem permanente, a população da forrageira deve ser aumentada.

Devem ser aplicadas subdoses de herbicida para retardar o seu crescimento inicial e reduzir sua competição com o milho.

Quanto semear por metro quadrado?

A população adequada da forrageira é um dos principais fatores para o sucesso do consórcio milho-braquiária.

Uma quantidade maior que o recomendado prejudica o desenvolvimento do milho. A população da braquiária deve estar entre 5 e 10 plantas por metro quadrado.

As sementes devem ser distribuídas uniformemente na área.

Quantidades maiores são utilizadas para formação de pastagem. As menores, para cobertura do solo.

A equação abaixo pode ser utilizada para estimar a quantidade de sementes e ajustar a quantidade de plantas da forrageira.

Veja:

Fórmula: taxa (kg/ha) = pop * PMS sobre VCG
  • Taxa: Quilos de sementes por hectare;
  • Pop: População de plantas por metro quadrado;
  • PMS: Peso de mil sementes;
  • VCG: Valor cultural de germinação.
  • Importante: o valor cultural de germinação (VCG) não é o valor cultural (VC).

O VCG é calculado pela equação abaixo:

Fórmula: VCG = %pureza * %germinação sobre 100

O resultado obtido será em quilos de sementes comerciais por hectare.

Imagine que você irá semear um hectare de B. ruziziensis, com população de 8 plantas por metro quadrado. 

Considere o peso de mil sementes de 5,55 gramas e VCG de 65%. Assim, seriam necessários 0,683 kg/ha.

Em uma propriedade de 500 hectares, seriam necessários 341 kg de sementes de B. ruziziensis.

Esse cálculo pode te ajudar  a adquirir a quantidade necessária de sementes para estabelecer a lavoura.

Veja alguns cuidados que você deve tomar:

  • adquira sementes de empresas que forneçam garantia de germinação;
  • invista em lotes com alto percentual de pureza; 
  • controle pragas iniciais, principalmente lagartas, para que não haja redução da população da forrageira.

Qual espaçamento utilizar?

O espaçamento entre plantas é definido em função do posicionamento das sementes da forrageira em relação às sementes do milho. Ele pode ser feito de diversas formas.

Linha intercalar

Nessa modalidade, a semeadura é realizada em linhas intercaladas de milho e forrageira. Pode ser utilizada para formação de palhada e cobertura do solo.

É uma modalidade de consórcio eficiente e de baixo custo. Aqui, você posiciona as sementes em profundidade adequada para a germinação (3 cm a 4 cm).

Foto de lavoura com consórcio milho-braquiária. As plantas de milho estão intercaladas com as braquiárias.

(Foto: Gessí Ceccon, 2015)

Restrito a espaçamentos de 0,70m a 0,90m entre linhas de milho. Também é restrito a espaçamentos de 2 linhas de milho e 1 de braquiária, com 0,45 m a 0,50 m entre linhas.

Em linhas

Nessa modalidade, a forrageira é semeada na mesma linha do milho.

Posicione as sementes da braquiária em profundidade adequada de germinação (2 cm a 3 cm).

As sementes da forrageira podem ser misturadas ao adubo, porém, sua emergência será afetada. É recomendada para espaçamentos de 0,45 m a 0,50 m entre linhas.

Indicada tanto para produção de palha e cobertura do solo quanto para formação de pastagem.

Em área total

As sementes de forrageira são distribuídas a lanço, em área total e antes da semeadura do milho. Por depender das condições climáticas, essa modalidade tem menor precisão no estabelecimento.

A quantidade de sementes deverá ser maior, pois há forte dependência da qualidade operacional. A implantação da forrageira em área total é indicada para qualquer espaçamento.

Como realizar a semeadura do consórcio milho-braquiária?

A semeadura do consórcio pode ser realizada de três formas:

Com disco para sementes de forrageiras nas caixas de sementes

Esse tipo é recomendado para semear a forrageira nas entrelinhas do milho.

Possui ajuste complexo. Afinal, a população da forrageira depende da população de plantas do milho, do diâmetro do furo do disco e da germinação da forrageira.

Com caixa adicional para sementes de forrageira ou “terceira caixa” acoplada à semeadora

Esse tipo é recomendado para qualquer modalidade de consórcio. O milho e a forrageira são semeados simultaneamente.

Porém, você tem autonomia para posicionar as sementes da forrageira e para regular a sua população.

Com uma operação adicional para distribuição das sementes da forrageira

A semeadura à lanço pode ser realizada com semeadora ou avião antes da semeadura do milho, como uma operação adicional.

Manejo com herbicidas

As espécies forrageiras são divididas em três grupos, de acordo com a sua sensibilidade aos herbicidas:

  • B. ruziziensis, B. brizantha cv. Paiaguás e P. maximum cv. Aruana, são muito sensíveis a herbicidas;
  • P. maximum cv. Tamani, Massai e Tanzânia e B. decumbens, B. brizantha cv. Xaraés, Marandu e Piatã são moderadamente sensíveis;
  • P. maximum cv. Mombaça e Zuri são pouco sensíveis.

Forrageiras pouco sensíveis devem receber doses maiores de herbicida para reduzir o seu crescimento e facilitar a sua dessecação.

Herbicidas em pós-emergência

Quando há excesso de plantas ou quando o consórcio objetiva a formação de pastagem, aplique herbicida para diminuir a competição com o milho.

O herbicida atrazine pode ser utilizado como pós-emergente para controlar soja tiguera, sem causar danos na forrageira.

Os herbicidas mesotrione e nicosulfuron podem ser utilizados em pós-emergência para o controle de plantas daninhas de folhas estreitas.

Tabela de doses de herbicidas

 Herbicidas e doses a serem aplicadas no consórcio em pós-emergência do milho e da forrageira

Fonte: (Adaptado de Ceccon e colaboradores)

Pontos de atenção:

  • o mesotrione tem ação rápida e permite a retomada do crescimento da forrageira;
  • o nicosulfuron tem ação prolongada e reduz o crescimento da forrageira.
  • é recomendo acrescentar 0,5% de óleo mineral ao volume de calda para aplicações em pós-emergência.

Dessecação da forrageira para semeadura da soja

O consórcio milho-braquiária possui uma vantagem importante. Ele aumenta a produtividade da soja em sucessão. 

A dessecação para o plantio da soja é determinada por fatores como:

  • sensibilidade da forrageira ao herbicida;
  • quantidade de massa verde produzida;
  • condições climáticas durante o cultivo;
  • intervalo entre a dessecação e a semeadura da cultura em sucessão;
  • dose do herbicida a ser utilizado.

Quanto mais tardia a dessecação da forrageira, maior a produção de massa verde e maior a dose do herbicida.

Para forrageiras mais sensíveis, a dose do herbicida e o intervalo entre a dessecação e a semeadura da cultura em sucessão podem ser menores.

Já para forrageiras menos sensíveis, a dose do herbicida e o intervalo entre a dessecação e a semeadura da cultura em sucessão devem ser maiores.

Tabela com tipo de forrageira e dose de produto comercial correspondente, usados no intervalo de dessecação do consórcio milho braquiária

 Doses do herbicida glifosato para dessecação de forrageiras e intervalo entre a dessecação e a semeadura da soja em sucessão

Fonte: (Adaptado de Ceccon e colaboradores)

Benefícios do consórcio milho-braquiária

  • cobertura satisfatória do solo, promovendo muita matéria orgânica;
  • favorece a infiltração de água;
  • maior exploração do perfil do solo pelas raízes;
  • menor ocorrência de processos erosivos, reduzindo a lixiviação de nutrientes;
  • acesso a água e nutrientes;
  • melhorias físico-químicas do solo;
  • maior atividade biológica do solo;
  • aumento da produtividade da soja em sucessão;
  • redução da oscilação de temperatura;
  • supressão de plantas daninhas.
Kit de Cálculo de Fertilizantes em Milho e Soja

Conclusão

O consórcio milho-braquiária aumenta a produtividade da soja em sucessão.

Essa junção produz quantidade satisfatória de palha para a cobertura do solo. Isso diminui a ocorrência de processos erosivos.

Proporciona melhorias nos atributos químicos, físicos e biológicos do solo.

Agora que você tem essas informações, avalie se o consórcio milho-braquiária  é vantajoso na sua fazenda!

>> Leia mais:

5 passos para cultivar o consorcio cana e milho

O que você precisa saber sobre cobertura do solo com nabo forrageiro

Restou alguma dúvida sobre o tema? Você utiliza ou quer utilizar o consórcio milho-braquiária em sua fazenda? Adoraria ler seu comentário!

5 passos para fazer o cultivo do consórcio cana e milho

Consórcio cana e milho: saiba quais são as vantagens, desvantagens e o que você deve considerar antes de optar por ele

A Embrapa lançou em outubro de 2021 uma tecnologia de consorciação de cana com milho.

O consórcio alia rentabilidade e sustentabilidade. Além disso, pode te ajudar no plantio da cana para um período de menor demanda.

A união da cana com o milho pode proporcionar um melhor aproveitamento da área e reduzir perdas de solo por erosão.

Neste artigo, você vai conhecer melhor essa tecnologia de consorciação que gera tantos benefícios. Confira a seguir!

5 passos para cultivar o consórcio cana e milho

1. Faça a análise química do solo

A análise química do solo é importante para a correção e adubação adequadas da área.

As doses de macro e micronutrientes recomendadas para cada cultura devem ser somadas e consideradas para a adubação de todo sistema.

somadas e consideradas para a adubação de todo sistema.

2. Prepare o solo

O plantio deve ser nivelado, sem realizar a operação de quebra-lombo.

Na fase de plantio, recomenda-se a utilização de piloto automático com correção RTK (Real Time Kinematic).

Se a área ficar desuniforme depois do plantio, com torrões ou camalhões, será necessário passar um rolo destorroador ou uma grade niveladora. Assim, você irá melhorar a qualidade de semeadura do milho.

3. Escolha as variedades de cana e milho

É recomendado o uso de variedades de cana com germinação mais lenta. Para o milho, escolha o de ciclo precoce, com alta inserção de espigas.

Foto de uma lavoura com consórcio de cana de açúcar e milho. Na imagem, é possível ver as duas culturas no mesmo estande.

Alta inserção de espiga do milho consorciado para não danificar a cana durante a colheita

(Foto: Fabiano Bastos, 2020) 

4. Plantio das culturas

Faça o tratamento dos toletes de cana com inseticidas e fungicidas. Eles devem ser distribuídos entre 15 a 20 gemas viáveis por metro linear, com espaçamento entre linhas de 1,5 m.

Após o plantio da cana, faça a semeadura do milho o mais rápido possível. Dessa forma você diminuirá a necessidade de supressão da cana com herbicida.

Foto de lavoura em fase inicial do estabelecimento do consórcio de cana e milho. Na foto, as plantas ainda estão pequenas, dispostas entre linhas

Fase inicial de estabelecimento do consórcio

(Foto: Fabiano Saggin, 2020)

As sementes de milho devem ser tratadas com fungicida e inseticida para garantir um bom estande de plantas.

Semeie o milho com piloto automático com correção RTK. O  espaçamento do milho deve ser de 0,5 m entre linhas e a 0,25 m das linhas de cana.

A semeadora do milho deve ser compatível com o espaçamento da cana.

Em uma lavoura de cana com espaçamento de 1,5 m, podem ser utilizadas semeadoras com três, seis ou doze linhas espaçadas em 0,5 m.

A semeadora deverá ser tracionada por trator com bitola entre 1,5 m e 2,4 m de largura, para trafegar nas entrelinhas da cana e não sobre o sulco de plantio.

5. Colha o milho

Acompanhe a maturação dos grãos de milho e o crescimento da cana. Caso o crescimento da cana acelere, a colheita do milho deverá ser iniciada o mais rápido possível.

A colhedora de milho não pode ter rodado duplo, para evitar o tráfego sobre o sulco de plantio da cana.

A plataforma de colheita deve ter no mínimo 9 linhas, com espaçamento de 0,5 m.

Na colheita, não é necessário o uso de piloto automático com correção RTK.

Após a colheita do milho, o manejo fitossanitário da cana consorciada é o mesmo da cana solteira.

O que considerar antes de optar pelo consórcio Canamilho

Antes de analisar as vantagens e desvantagens do consórcio, você deve considerar dois pontos:

  • você precisa ter condições de adquirir piloto automático com correção RTK;
  • você precisa ter semeadora de milho compatível com o espaçamento da cana.

Benefícios do consórcio cana e milho

A tecnologia Canamilho antecipa o plantio da cana para o início do período chuvoso (novembro). Nessa fase de implantação, seu crescimento é lento por causa da competição por luz.

O crescimento da cana só retorna no fim do período chuvoso, quando o milho é colhido.

Isso amplia a janela de plantio e desafoga a implantação do canavial. Afinal, a maior demanda ocorre em março.

A cana consorciada é cultivada como cana de ano. No entanto, apresenta rendimentos semelhantes à cana de ano-meio.

O uso do consórcio Canamilho tem vantagens em relação ao cultivo solteiro.

Tabela com informações sobre renda de lavoura de cana solteira e de cana com milho. A cana solteira rendeu 1.693 reais por hectare. A cana consorciada com milho rendeu 6.898 reais por hectare.

A tecnologia Canamilho não afeta a produtividade das culturas consorciadas

(Fonte: Embrapa, 2021)

Desta forma, a renovação do canavial através do consórcio é promissora e economicamente viável.

Veja alguns benefícios do consórcio Canamilho:

  • pode aumentar a produtividade da cana-de-açúcar no Cerrado;
  • antecipa o plantio da cana para um período de menor demanda;
  • permite ampliar a janela de semeadura do milho;
  • otimiza a produção por área;
  • evita a abertura de novas áreas de cultivo;
  • maior potencial de geração de etanol por área;
  • mesmo plantada em novembro, a cana apresenta comportamento e rendimento semelhantes a cana de ano-meio.
  • reduz perdas de solo por erosão e melhora o aproveitamento do solo;
  • potencializa a produção de etanol de cana e milho em usinas flex;
  • favorece a emissão de créditos de descarbonização, como prevê a política RenovaBio.

Desvantagens 

  • no sistema Canamilho, a adubação nitrogenada pode ser maior;
  • aumento no uso de pesticidas para o controle de pragas comuns entre as culturas;
  • solos arenosos e de baixa fertilidade apresentam pouca aptidão para o milho e necessitam de correções do solo.

Dicas de manejo de plantas daninhas 

Devem ser utilizadas estratégias para evitar a fitointoxicação ou perda de produtividade das culturas. Ela pode ser causada por herbicidas ou pela interferência das plantas daninhas.

É importante fazer um manejo que permita que o milho seja colhido sem plantas daninhas. Essa é uma forma de facilitar o manejo na cana-de-açúcar.

O herbicida a ser utilizado deve ser seletivo para as duas culturas, dentro de doses que elas tolerem.

Tenha precisão na escolha desses produtos para não haver nenhum tipo de dano no milho e na cana.

Veja algumas opções no mercado que atendem a esses critérios:

  • Pré-emergente: atrazina (seletivo e boa performance de controle);
  • Pós-emergente: atrazina + mesotrione (excelente controle e não acarreta danos para as culturas).

Caso o desenvolvimento da cana interfira no do milho, é necessário aplicar algum produto químico que trave o crescimento da cana.

Se o híbrido de milho utilizado for resistente ao herbicida glifosato, ele pode ser utilizado em dose baixa (menor que 180 g de equivalente ácido por hectare)

Dessa forma, ele inibirá apenas o desenvolvimento da cana.

Se for um híbrido de milho convencional, você pode aplicar nicosulfuron, na dose de 6 g por hectare.

Para o manejo adequado é preciso monitorar a pressão de pragas e doenças na cana e no milho.

Faça a  aplicação de inseticidas e fungicidas conforme recomendação técnica.

Planilha de Planejamento da Safra de Milho

Conclusão

O consórcio cana e milho pode aumentar a produtividade da cana-de-açúcar e potencializar a produção de etanol de cana e milho em usinas flex.

Proporciona a antecipação do plantio da cana para um período de menor demanda. Além disso, melhora o aproveitamento do solo e reduz as perdas por erosão.

Agora que você tem essas informações, avalie se o consórcio Canamilho é interessante para a realidade da sua fazenda.

>> Leia mais: “Como fazer a implantação e o manejo do consórcio milho-braquiária”

Restou alguma dúvida sobre o tema? Já pensou em utilizar o consórcio cana e milho em sua fazenda? Adoraria ler seu comentário!

Saiba como identificar e evitar os danos em grãos de milho

Danos em grãos de milho: saiba quando acontecem, o que pode ser feito para resolver,  quais os resultados desses danos e mais!

A qualidade do milho é fundamental na alimentação humana e animal. Sua perda por danos diretos ou indiretos pode trazer grandes prejuízos.

Saber o momento em que seus grãos estão em risco é fundamental para evitar dores de cabeça. 

Então, não espere chegar o momento da venda para identificar problemas!

Neste artigo, você entenderá mais sobre os tipos de dano e os períodos mais sensíveis da sua safra. Confira essas e outras informações!

Principais danos em grãos de milho

Nas culturas agrícolas, a qualidade física e nutricional dos grãos começa durante a produção. Ela se estende até o consumo.

Para você obter uma produção de grãos rentável e com alta qualidade, é necessário prestar atenção desde o manejo até a pós-colheita.

Os danos nos grãos acontecem por uma série de eventos, durante toda a produção. É possível dividir esses danos em: antes, durante e depois da colheita.

É importante conhecer todos os possíveis problemas conforme o período de produção. Assim, você pode evitar grandes perdas.

Antes da colheita

Os danos que acontecem antes da colheita refletem principalmente no peso e qualidade física dos grãos. As pragas, doenças e os microrganismos são os principais vilões nesse momento.

Pragas que atacam as espigas, como percevejo-do-milho e lagarta-da-espiga, são um problema. Elas interferem na qualidade devido à presença de manchas nos grãos, além  de reduzir seu peso.

Além disso, as espigas afetadas por pragas durante o desenvolvimento ficam mais sujeitas aos ataques de patógenos. 

Os patógenos, como os fungos, causam grãos ardidos.

Os grãos ardidos de milho apresentam descoloração. Eles podem ter cor marrom, roxa ou vermelho claro a escuro.

Geralmente são causadas por fungos que atacam as espigas durante a fase de maturação dos grãos.

Imagem de grãos ardidos em milho

Aspecto de grãos ardidos de milho

(Fonte: Embrapa)

Devido ao aspecto, os grãos ficam com preço desvalorizado. Além disso, os fungos são responsáveis por:

  • redução da qualidade do grão;
  • degradação de proteínas;
  • degradação de carboidratos;
  • degradação de açúcares;
  • produção de toxinas, que podem causar uma série de problemas a quem consome.

Para que as espigas fiquem sujeitas a produzir toxinas, devem estar em temperaturas muito baixas (geralmente, abaixo dos 15 °C). Nessas condições, há biossíntese da toxina. 

Grãos ardidos são uma grande preocupação das indústrias. 

Além dos limites máximos de grãos estabelecidos na Instrução Normativa no 60/2011, às vezes há limites ainda inferiores. O objetivo é garantir a segurança dos produtos fabricados.

Limites máximos de tolerância expressos em percentual (%) de grãos ardidos no lote de milho

Limites máximos de tolerância expressos em percentual (%) de grãos ardidos no lote de milho

(Fonte: Senar)

Ainda antes da colheita, pragas muito perigosas em grãos armazenados podem estar presentes no campo e em espigas mal empalhadas. Esse é o caso dos carunchos.

Os adultos colocam seus ovos no interior ou no exterior dos grãos.

Na colheita

Os danos durante a colheita são principalmente causados pela má regulagem da colhedora e pelo teor de água dos grãos.

A qualidade também está relacionada à quantidade de impurezas que o lote apresenta.

Quanto maior a quantidade de impurezas, menor será a qualidade do seu lote. Afinal, essas  impurezas devem ser retiradas no beneficiamento, gerando aumento dos custos.

O mau planejamento no controle de plantas daninhas, como a corda-de-viola, é um dos pontos responsáveis pelo aumento de impurezas.

As plantas daninhas também dificultam a operação das colhedoras, reduzindo seu  rendimento.

Outro ponto é a má regulagem da colheitadeira. Quando elas não retiram todas as impurezas, causam perdas quantitativas e qualitativas da massa de grãos.

Além destes fatores, o teor de água dos grãos é mais um problema. Ele pode causar amassamento, quebra e trincas nos grãos de milho durante a colheita.

Grãos muito úmidos (acima 25%) ou muito secos (abaixo de 10%), aliados à má regulagem da colhedora, causam danos mecânicos nos grãos. 

Esses danos, além de reduzirem a qualidade, são portas de entrada de insetos e fungos durante o armazenamento.

Foto de grãos de milho trincados e quebrados

Grãos trincados e quebrados de milho.

(Fonte: Dykrom)

Após a colheita

Após a colheita, os danos podem acontecer no período de armazenamento dos grãos de milho.

O teor de água nos grãos no momento do armazenamento deve estar entre 12% e 13%. Teores elevados são favoráveis para ataques de insetos e fungos.

Insetos como os carunchos podem estar presentes nos armazéns. Além dos carunchos, as traças também atacam os grãos de milho durante o armazenamento.

Assim como o que ocorre com os carunchos, as larvas se alimentam do interior do grão, reduzindo a qualidade e peso.

Grãos de milho infectados com carunchos (esquerda) e traças (direita)

Grãos de milho infectados com carunchos (esquerda) e traças (direita).

(Fonte: Agrolink)

Fungos de armazenamento, como Aspergillus e Penicillium, causam mofo nos grãos. Assim como os fungos do gênero Fusarium, são produtores de micotoxinas nos grãos de milho.

É importante colher os grãos com o teor de água o mais próximo do adequado

Se não for possível, é necessário realizar a secagem artificial dos grãos colhidos, até valores de 13% de umidade.

Grãos de milho infectados com diferentes espécies de fungos causadores de grãos ardidos e mofados

Grãos de milho infectados com diferentes espécies de fungos causadores de grãos ardidos e mofados

(Fonte: Dagma D. Silva)

Roedores e pássaros também causam danos aos grãos. No entanto, eles são menos frequentes.

Como evitar danos em grãos de milho

Para ter grãos pesados, inteiros e granados, os cuidados começam no planejamento.

Informe-se sobre os cultivares ou híbridos recomendados para sua região. Observe a ocorrência das principais pragas e doenças que afetam o milho e sua resistência a elas.

Semeie na época recomendada para o milho escolhido. Não se esqueça de fazer corretamente os manejos de pragas, doenças e plantas daninhas até o momento de colheita.

Estas são algumas práticas importantes a serem adotadas para reduzir ou eliminar os danos nos grãos de milho ainda em campo.

Existem outras práticas que podem ser úteis para manter a qualidade e garantir a produtividade. 

  • Faça rotação de culturas com outras espécies que não sejam suscetíveis aos fungos causadores de micotoxinas, como Fusarium e Stenocarpella;
  • Realize o controle de plantas daninhas durante a maturação e colheita dos grãos;
  • Controle os insetos e fungos que atacam a formação das espigas;
  • Não demore para realizar a colheita;
  • Regule corretamente a colhedora;
  • Colha com umidade adequada ou realizar secagem após a colheita;
  • Mantenha o armazém limpo;
  • Faça o expurgo dos armazéns, principalmente de locais com a presença dos insetos e pragas.
Planilha de Planejamento da Safra de Milho

Conclusão

O milho é uma cultura de grande importância mundial, e os danos nos grãos podem reduzir a quantidade e qualidade do produto.

É importante realizar corretamente o manejo da cultura antes, durante e após a colheita. Assim, você evita perdas precoces na produção.

Fique sempre de olho nos riscos, para evitá-los e não registrar prejuízos. 

Afinal, além de prejudicar a aparência, danos nos grãos de milho reduzem a qualidade nutricional, prejudicam o cheiro e sabor do alimento.

Você já se deparou com algum desses danos em grãos de milho? O que fez para resolver e recuperar sua produtividade? Deixe seu comentário!

Tudo a respeito do novo herbicida terbutilazina

Terbutilazina: saiba quando, onde e como usar esse novo herbicida que promete revolucionar o manejo de plantas daninhas no milho

O controle de plantas daninhas é um desafio nas lavouras de milho.

A terbutilazina é uma molécula nova, como ótima opção de manejo de daninhas de difícil controle.

Ela possui seletividade ao milho e bom controle de diversas espécies invasoras tolerantes ou resistentes a outros mecanismos de ação.

Neste artigo, você irá conhecer essa nova molécula, como age, recomendações de uso e muito mais. Boa leitura!

Terbutilazina: conheça o histórico do herbicida 

O princípio ativo terbutilazina foi desenvolvido na Europa, no final dos anos 1990, com uma molécula do grupo químico das triazinas.

Mas foi só em 2004, com o banimento da atrazina (devido a seu potencial de contaminação) em toda a União Europeia, que maior importância foi dada à terbutilazina.

Entre  2013 e 2016, a companhia detentora da tecnologia fez estudos no Brasil para o registro da terbutilazina para o milho. O registro foi concedido em outubro de 2020.

Os estudos dos efeitos desse herbicida no controle de plantas daninhas do milho duraram 8 anos no Brasil. Houve participação de muitos pesquisadores.

Segundo a indústria fabricante e as pesquisas, esse herbicida substitui a atrazina com alta eficiência na cultura do milho.

Já estão sendo realizados estudos para o registro da terbutilazina em outras culturas. Até o momento, ela mostrou-se eficaz no controle pré e pós emergente inicial de plantas daninhas, com alta seletividade.

Características da terbutilazina

A molécula integra um dos grupos químicos com características herbicidas mais importantes para a agricultura, as triazinas.

Imagem mostra a fórmula química molecular da terbutilazina

Fórmula molecular da terbutilazina

(Fonte: Fitogest)

Terbutilazina é um herbicida seletivo de ação sistêmica. É recomendado para o controle pré-emergente e pós-emergência inicial de plantas daninhas no milho.

É classificado em classe toxicológica 4 (produto pouco tóxico) e classe ambiental 2 (muito perigoso).

Mecanismo de ação

A terbutilazina inibe a fotossíntese no fotossistema 2.

O herbicida mantém-se ativo nos primeiros 5 cm do solo. Por isso, atua no banco de sementes das invasoras, com prolongado residual.

O produto é absorvido pelas folhas e principalmente pelas raízes. Nas folhas, ele interage com a proteína D1, inibe a transferência de elétrons.

Como resultado da ação na planta-alvo, você verá as folhas com clorose (folhas amareladas). Após isso, verá a necrose e a morte da planta daninha.

Foto de uma folha de soja, com sintoma de clorose por inibição do FS II

Sintoma de clorose por inibição do FS II em soja

(Fonte: BoosterAgro)

Eficiência na cultura do milho

O manejo de plantas daninhas do milho, especialmente das fases iniciais, é primordial para que o rendimento seja o melhor possível ao término da safra.

Mas tome cuidado, porque o erro na aplicação de alguns herbicidas faz crescer o número de daninhas resistentes.

A terbutilazina amplia o número de produtos disponíveis para o manejo integrado, com rotação de mecanismos de ação.

O uso desse produto reduz consideravelmente a população de plantas na fase inicial do desenvolvimento do milho. Isso acontece mesmo sob alta pressão de infestação.

Foto de uma lavoura de milho sob alta pressão de infestação de plantas daninhas. Na imagem, diversas daninhas estão no solo, aos pés das plantas de milho.

Lavoura de milho sob alta pressão de infestação de daninhas

(Fonte: Quimiweb)

Estudos demonstram a eficácia desse herbicida no controle de diversas espécies de difícil controle. A terbutilazina é eficiente até mesmo contra plantas daninhas resistentes a outros herbicidas comuns no manejo da cultura.

Espécies controladas pela terbutilazina

Você pode utilizar a terbutilazina para o controle de:

Faça a aplicação da terbutilazina em pré ou pós emergência inicial. Assim, você garante o controle e proporciona um campo limpo na fase crítica de desenvolvimento do milho (a fase inicial).

Como utilizar a terbutilazina?

Tenha conhecimento de quais plantas daninhas estão presentes em sua lavoura. Saiba também qual a pressão de infestação delas.

Para isto, é necessário um bom planejamento, gerenciamento de aplicações e controle da safra.

Para te ajudar a fazer um bom controle da aplicação da terbutilazina, preparamos uma planilha para você. Baixe gratuitamente clicando na imagem abaixo.

Procedimento de aplicação

Antes da aplicação, fique de olho nas condições ideais de solo e clima. Observe principalmente a umidade do solo, para que a eficácia do produto seja a maior possível.

Não aplique a terbutilazina em solo seco. Para maior eficiência do produto, o solo deve estar úmido durante a aplicação.

Aplique a terbutilazina logo após a semeadura, em pré-emergência. Faça isso em área total, via terrestre.

Podem aparecer plantas daninhas de folhas largas e estreitas após o milho germinar. Nesses casos, aplique em pós-emergência quando elas estiverem com até 6 folhas.

Não aplique terbutilazina com o solo seco. A umidade é necessária para que a molécula seja absorvida pelas plantas.

Dose

Utilize a dose de 1-3 L/ha para um volume de calda de 250 a 400 L/ha. Use esse volume para a aplicação tanto em pré quanto em pós emergência.

No preparo da calda, siga todos os procedimentos de segurança. Deixe todo o equipamento de pulverização em perfeita ordem. Aqui no blog,  nós já mostramos como fazer a limpeza do pulverizador agrícola de forma eficiente. Confira!

Durante a aplicação, use todos os equipamentos de proteção indicados e registrados para a tarefa.

Foto de um homem vestindo equipamento de proteção individual indicado para agroquímicos. Ele usa luvas, sapatos, roupa cinza e um capuz na cabeça. No fundo há um campo aberto, e ao lado, ícones em desenho que mostram cada parte da vestimenta adequada para aplicação de defensivos.

Equipamentos de proteção individual indicado para agroquímicos

(Fonte: CropLife)

Para a sua segurança, não entre nas áreas tratadas por pelo menos 24 horas após a aplicação do herbicida.

Esse intervalo de segurança serve para garantir a secagem da terbutilazina e minimizar possíveis intoxicações.

Produtos comerciais

Atualmente, estão registrados no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento três produtos comerciais à base de terbutilazina. São eles:

  • Click;
  • Sonda;
  • Terbutilazina Oxon 500 SC I.

Todos os produtos citados são seletivos para a cultura do milho e apresentam formulação suspensão concentrada.

Na classificação toxicológica, esses herbicidas são considerados pouco tóxicos (Categoria 4).

Do ponto de vista ambiental, eles são classificados como muito perigosos ao meio ambiente (Classe II). Em caso de dúvidas sobre esses produtos, consulte a plataforma Agrofit do Mapa.

Conclusão

A variação de mecanismos de ação é muito importante para reduzir o banco de sementes de espécies daninhas resistentes.

A terbutilazina é uma molécula nova, presente em dois produtos comerciais que prometem revolucionar o manejo de plantas invasoras no milho.

Nesse artigo, você ficou sabendo que o herbicida causa clorose e morte nas folhas. Conferiu qual dose utilizar, o volume de calda ideal e os cuidados que devem ser tomados no momento da aplicação.

Inicie a safra livre da infestação de plantas daninhas, faça os manejos necessários e planeje-se!

E você? Já precisou utilizar a terbutilazina em sua lavoura de milho? Percebeu a eficiência desse herbicida? Adoraria ler seu comentário abaixo!

Como funciona o herbicida tembotrione para controle de plantas daninhas

Herbicida tembotrione: conheça como funciona, a quais plantas daninhas atinge, recomendações de uso, sua eficiência em conjunto com outros herbicidas e mais!

O controle de plantas daninhas é um grande desafio na cultura do milho no Brasil.

O tembotrione é um herbicida de bom desempenho no controle dessas plantas e da resistência a certos modos de ação.

Sua alta seletividade ao milho e amplo espectro de controle e eficiência fazem dele uma importante opção de manejo.

Neste artigo, você saberá mais como o herbicida tembotrione age e quais as recomendações de uso ideais. Boa leitura!

O que é o herbicida tembotrione

O herbicida tembotrione ou tembotriona pertence à família das tricetonas.

É um agroquímico seletivo. Ele possui um amplo espectro de controle, com ação sobre várias espécies de folhas largas ou estreitas.

Tembotrione é amplamente utilizado no controle de plantas daninhas do milho. Vêm sendo uma importante ferramenta no manejo de espécies resistentes.

Como o tembotrione age nas plantas

O herbicida tembotrione age interrompendo a biossíntese de carotenóides através da inibição da enzima hidroxifenil-piruvato-dioxigenase (HPPD).

Quando ocorre essa inibição, a planta daninha fica com coloração esbranquiçada. Essa coloração evolui para secamento das folhas e morte da planta.

Aspecto de planta com injúria de tembotrione

Aspecto de planta com injúria de tembotrione
(Fonte: USP)

A coloração esbranquiçada ocorre por causa da degradação da clorofila, o pigmento que dá coloração verde às plantas.

Você verá em poucos dias a coloração esbranquiçada nas plantas. Esse aspecto claramente define a atuação do produto.

A clorofila é responsável por absorver a energia que é usada na fotossíntese

Portanto, sem clorofila não há energia; sem energia não há fotossíntese; sem fotossíntese não há meios da planta sobreviver.

Esse mecanismo de ação é o mesmo do herbicida mesotrione, bastante difundido no mercado.

Importância do tembotrione no manejo de plantas daninhas

A eficácia dos herbicidas no controle de plantas daninhas em grandes culturas é variável. Depende das condições ambientais, da planta daninha e da época de aplicação.

Muitos casos de resistência aos principais herbicidas do mercado surgiram nos últimos anos, e um manejo integrado deve ser feito.

O uso incorreto de herbicidas não controla todas as daninhas. Elas se reproduzem e expressam seus genes de resistência no banco de sementes do solo.

Faça a rotação de herbicidas com o glifosato, atrazina, 2,4-D e tembotrione, por exemplo. Esse é um manejo sustentável ambiental e economicamente.

infográfico com mecanismos de ação que podem ser usados em rotação

Mecanismos de ação que podem ser usados em rotação
(Fonte: Mais Soja)

Tembotrione é um importante herbicida recomendado para uso em pós-emergência do milho. Vêm controlando satisfatoriamente as plantas daninhas da cultura.

Não utilize o tembotrione indiscriminadamente, pois isso pode inviabilizar o seu uso no futuro.

Eficiência na cultura do milho

O sistema do milho é acometido por uma diversidade de plantas daninhas. Fique de olho para que a colheita da cultura antecessora ocorra na ausência de plantas daninhas.

Faça o manejo correto na dessecação pré-plantio do milho. Utilize herbicidas com residual no solo, para a cultura se estabelecer rapidamente sem interferências.

As plantas daninhas podem persistir na lavoura mesmo com o efeito residual pré-emergente

Quando isso ocorrer, realize o manejo químico das plantas daninhas entre os estádios fenológicos  V3 e V5. Assim você evitará a competição e, consequentemente, a redução da produtividade.

Plantas daninhas folha estreita na fase inicial do milho

Plantas daninhas folha estreita na fase inicial do milho
(Fonte: Embrapa)

O tembotrione tem sido peça chave para um efetivo sistema de rotação de mecanismos de ação de herbicidas no milho.

Utilize esse mecanismo de ação também no controle da soja guaxa ou tiguera. Ela sobrevive após a dessecação da lavoura com glifosato.

Na utilização deste mecanismo de ação, respeite o estádio de desenvolvimento da planta daninha:

  • folhas largas: até 6 folhas desenvolvidas;
  • gramíneas: até 2 perfilhos.

Sintomas de fitotoxicidade por tembotrione no milho

Em aplicações com doses maiores ou com sobreposição de produto, as plantas de milho recebem uma quantidade maior de herbicida que podem suportar. Elas podem apresentar sintomas de fitointoxicação.

Os sintomas de intoxicação por tembotrione são branqueamento das plantas de milho com posterior necrose, além de morte dos tecidos vegetais em cerca de 1 a 2 semanas. 

Plantas daninhas controladas pelo tembotrione

O herbicida tembotrione é eficaz para diversas plantas daninhas que afetam a cultura do milho. Veja quais são:

Recomendação de uso do herbicida tembotrione

Utilize este produto como uma opção no manejo de plantas daninhas resistentes a outros mecanismos de ação.

Faça a rotação de princípios ativos de acordo com um planejamento de safra. Essa é uma forma de evitar o desenvolvimento de banco de sementes de plantas daninhas resistentes.

Continue utilizando o tratamento pré-semeadura do milho. Assim as plantas irão emergir e desenvolver inicialmente “no limpo”.

Algumas daninhas podem surgir mesmo com o manejo pré-semeadura

Nesse caso, em uma nova pulverização, use o tembotrione no início do desenvolvimento do milho. Dessa forma você evita a matocompetição e não sofre perdas econômicas.

Apesar de não causar danos, não aplique o herbicida tembotrione com a cultura bem desenvolvida. Ele tem o controle reduzido pelo “efeito guarda-chuva”.

Mistura de tanque

Você pode fazer mistura de tanque com glifosato e atrazina.

Estudos indicam que a mistura com glifosato aplicada em pós-emergência do milho pode gerar algum efeito de fitotoxicidade

No entanto, há um valor máximo de 8% nos 7 dias após emergência, e sem redução de produtividade.

Fique por dentro das doses corretas, para que esse efeito não seja maior e prejudique a sua lavoura.

A mistura de tanque com glifosato e mesotrione apresenta maior fitotoxicidade e menor controle de algumas plantas daninhas importantes.

tabela de eficiência de controle do tembotrione em mistura com atrazine

Eficiência de controle do tembotrione em mistura com atrazine
(Fonte: Mais Soja)

Dose de aplicação

Use um volume de calda de 150 a 200 litros por hectare em aplicação terrestre para todas as situações. Tenha o seu pulverizador em perfeitas condições para a aplicação.

Faça todas as aplicações com segurança e seguindo as recomendações da bula e do receituário agronômico!

Pontos de atenção na aplicação de tembotrione nas plantas

Não aplique o produto em plantas daninhas ou culturas que estejam sob estresse hídrico. Além disso, procure:

  • evitar aplicações quando as plantas daninhas estiverem molhadas ou com presença de orvalho. Isso pode causar escorrimento da calda de aplicação;
  • respeitar um período de 6 horas sem ocorrência de chuvas e orvalho para o adequado funcionamento do herbicida;
  • respeitar o prazo de 30 dias para semeadura de girassol, algodão e feijão, em áreas que receberam aplicações deste herbicida.

Controle da soja guaxa

Para controle da soja guaxa, uma dose de 180 mL de produto comercial por hectare é o recomendado para um controle eficiente.

Controle de plantas daninhas de folha larga

Para demais plantas de folha larga, com duas até 6 folhas desenvolvidas, no máximo, utilize dose de 240 ml/ha.

Controle de gramíneas

No controle de plantas daninhas monocotiledôneas ou gramíneas, use a dose de 240 ml/ha em plantas com até dois perfilhos.

Use uma dose de 180 ml/ha para plantas menores, com duas a seis folhas

Tembotrione no consórcio milho-braquiária

No cultivo do milho consorciado com braquiária é comum o uso de gramicidas. O tembotrione é uma das opções disponíveis no mercado.

Afinal, esse herbicida é seletivo à cultura do milho e é efetivo no controle das gramíneas.

Porém, a aplicação do tembotrione no consórcio milho-braquiária requer um certo cuidado. Isso é necessário para que a braquiária do consórcio não seja eliminada.

Mesmo a aplicação de subdoses de tembotrione pode atrasar o estabelecimento da braquiária e prejudicar a produção de palha do consórcio.

Produto comercial

Atualmente, o Mapa (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento), em que os produtos são registrados, possui um herbicida comercial com esse princípio ativo.

O Soberan é um herbicida de detenção da empresa alemã Bayer.

Embalagem do Soberan, Tembotrione registrado no Mapa

Embalagem do Soberan, Tembotrione registrado no Mapa
(Fonte: Vila Verde Agro)

Veja as características do produto:

  • composição: Tembotriona – 420g/L; Outros – 783 g/L;
  • classe toxicológica: categoria 4 – produto pouco tóxico;
  • classificação do potencial de periculosidade ambiental: III – produto perigoso ao meio ambiente.
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Conclusão

O controle de plantas daninhas no milho é de grande importância. A utilização de variados herbicidas com diferentes mecanismos de ação é essencial.

O tembotrione age nas plantas causando o branqueamento das folhas antes das daninhas morrerem.

Você conferiu a melhor maneira de aplicar o produto: época, dose, mistura e volume de calda no tanque. Também conheceu o produto comercial que utiliza o ingrediente ativo tembotrione

Planeje-se para a aplicação do herbicida assim que notar a presença das plantas daninhas em sua lavoura.

>> Leia mais:

“Como fazer o manejo de herbicida para milho”

“Vassourinha de botão: como identificar e manejar”

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