About Henrique Fabrício Placido

Sou engenheiro agrônomo pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), mestre pela ESALQ/USP e especialista em Gestão de Projetos. Atualmente, sou doutorando pela Universidade Estadual de Maringá (UEM) na linha de pesquisa de plantas daninhas.

Guia para o controle eficiente da poaia-branca

Poaia-branca: conheça a época certa para controle, quais herbicidas usar e as principais dicas para evitar o prejuízo da lavoura.

A poaia-branca vem preocupando produtores de diversas regiões do país devido à dificuldade no seu controle com o uso de alguns herbicidas.

E saber manejar essa planta daninha é fundamental para evitar futuros casos de resistência. 

Hoje, a presença dessa daninha na soja já reflete em 2,6% menos rendimento da lavoura, além de ser um grande problema na colheita devido à sua expressiva massa verde.

Quer saber o segredo para fazer um manejo eficiente de poaia-branca? Nesse artigo, explicarei o período ideal para controle e os herbicidas mais indicados. Confira!

Principais pontos sobre a poaia-branca

A Richardia brasiliensis, também conhecida como poaia-branca ou poaia-do-campo, é uma espécie de planta daninha de ciclo anual. 

Ela infesta principalmente lavouras anuais, se desenvolvendo bem em solos com boa umidade e sua reprodução ocorre via sementes.

foto de planta de Richardia brasiliensis - poaia-branca

Planta de Richardia brasiliensis
(Fonte: Weedimages)

A poaia-branca pode ser encontrada em quase todas as regiões do país, infestando os cultivos de grãos e culturas perenes.

Quando há interferência desta planta daninha nas culturas, cada planta de poaia-branca presente por metro quadrado em uma lavoura de soja pode reduzir 2,6% do rendimento da cultura. 

Além disso essa planta possui grande vigor vegetativo, cobrindo completamente o solo, sendo assim considerada um grande problema nas operações de colheita devido à sua massa vegetal.

Cobertura do solo por plantas de poaia-branca

Cobertura do solo por plantas de poaia-branca
(Fonte: Sistema Roundup Ready Plus)

Sua ampla dispersão está associada ao tamanho de suas sementes (aproximadamente 4 mm), que são facilmente disseminadas durante todo o ano.

As sementes da poaia-branca germinam em temperatura média de 25℃ e na presença de luz.

Por apresentar alta capacidade de germinação, é comum observarmos a emergência de poaia-branca o ano todo em regiões mais quentes.

Já em regiões mais frias, a planta pode entrar em repouso no inverno e retomar sua reprodução na primavera.

Por isso, fique atento ao controle correto desta planta daninha, pois ela pode ser “ponte verde” para pragas e doenças que afetam os cultivos.

Manejo da poaia-branca na entressafra do sistema soja-milho

A poaia-branca é considerada uma planta daninha de difícil controle devido a restrições de absorção e translocação de herbicidas que ocorrem em algumas situações. 

Por isso, o segredo para realizar um manejo eficiente de poaia-branca é aplicar em plantas pequenas (2 a 4 folhas), com condições climáticas ideias, e utilizando boa tecnologia de aplicação

foto de Plântula de poaia-branca

Plântula de poaia-branca
(Fonte: Pedro J. Christoffoleti)

Cuidado principalmente com aplicações de baixo volume. Devido às características morfológicas desta planta daninha, vários herbicidas podem diminuir a sua eficiência nessa condição. 

Herbicidas aplicados em pós-emergência: 

Glifosato 

O glifosato possui ótimo controle de plantas pequenas (2 a 4 folhas) ou pode ser utilizado na primeira aplicação do manejo sequencial (associado a pré-emergentes), na dose de 5,0 a 6,0 L ha-1.

Glufosinato de amônio 

Pode ser utilizado em plantas pequenas (2 a 4 folhas) ou em manejo sequencial para controle de rebrota de plantas maiores, na dose de 2,0 a 2,5 L ha-1. Adicionar óleo mineral ou vegetal 0,2% v.v.

Saflufenacil 

Pode ser utilizado em plantas pequenas (2 a 4 folhas) ou em manejo sequencial para controle de rebrota de plantas maiores, na dose de 35 a 100 g ha-1. Adicionar adjuvante não iônico 0,5% v.v.

2,4 D 

Utilizado em primeiras aplicações de manejo sequencial, geralmente associado a outros herbicidas sistêmicos (ex: glifosato) ou pré-emergentes, na dose de 1,5 L ha-1

Cuidado com problemas de antagonismo entre herbicidas (principalmente graminicidas). 

Quando utilizar 2,4 D próximo à semeadura de soja, deve-se deixar um intervalo entre a aplicação e a semeadura de 1 dia para cada 100 g i.a. ha-1 de produto utilizado.

Dicamba 

Utilizado em primeiras aplicações de manejo sequencial, geralmente associado a outros herbicidas sistêmicos (ex: glifosato) ou pré-emergentes, na dose de 1,0 a 1,5 L ha-1

Cuidado com problemas de antagonismo entre herbicidas (principalmente graminicidas). 

Quando utilizar dicamba próximo à semeadura de soja, deve-se deixar um intervalo entre a aplicação e a semeadura de no mínimo 15 dias.

Herbicidas aplicados em pré-emergência:

Flumioxazin 

Herbicida com ação residual para controle de banco de sementes, utilizado na primeira aplicação do manejo outonal associado a herbicidas sistêmicos (ex: glifosato, 2,4 D e imazetapir) ou no sistema de aplique plante da soja na dose de 50 g ha-1.

Sulfentrazone 

Herbicida com ação residual para controle de banco de sementes utilizado na primeira aplicação do manejo outonal associado a herbicidas sistêmicos (ex: glifosato, 2,4 D e chlorimuron). Recomenda-se dose de até 0,5 L ha-1, pois apresenta grande variação na seletividade de cultivares de soja

Recomendado principalmente para áreas onde também ocorre infestação de tiririca.

S-metolachlor

Herbicida com ação residual utilizado no sistema de aplique plante da soja, na dose de 1,75 a 2,0 L ha-1. Não deve ser aplicado em solos arenosos!

Manejo na pós-emergência das culturas de soja e milho

O manejo de poaia-branca na pós-emergência da soja é pouco recomendado, pois existem poucas opções que podem ser utilizadas. 

Imazetapir

Utilizado em pós-emergência precoce da poaia e na soja com até 2 trifólios, na dose de 0,8 a 1,0 L ha-1.

Caso a soja possua tecnologia transgênica para tolerância a herbicidas, outros produtos podem ser usados para controle de poaia na pós-emergência da soja:

  • soja RR: Glifosato;
  • Xtend: glifosato e dicamba;
  • soja enlist: glifosato, 2,4 D e glufosinato de amônio.    

Para controle da poaia-branca na pós-emergência do milho safrinha, pode-se utilizar os herbicidas atrazina 1,5 a 3,25 L ha-1 (dependendo do tipo de solo) e nicosulfuron 1,25 a 1,50 L ha-1.

Cuidado com a sensibilidade diferencial dos híbridos de milho ao herbicidas nicosulfuron. Antes de utilizá-lo, confirme com a empresa produtora das sementes se o mesmo tolera este herbicida. 

Conclusão

Neste artigo vimos a importância que poaia-branca ou poaia-do-campo possui nas lavouras e as principais características dessa planta daninha

Vimos algumas estratégias de manejo para controle eficiente e para evitar a seleção de resistência.

Espero que com essas dicas passadas aqui você consiga realizar um manejo eficiente da poaia-branca em sua lavoura!

Como você controla a infestação de poaia-branca hoje? Já enfrentou problemas com outras invasoras também? Aproveite e baixe aqui o Guia para Manejo de Plantas Daninhas e faça o melhor controle em sua lavoura.

Como fazer o manejo eficiente do capim-carrapicho

Capim-carrapicho: época certa para controle, quais herbicidas usar e as principais dicas para evitar prejuízos na lavoura.

Como fazer o manejo eficiente do capim-carrapicho

O capim-carrapicho é uma planta daninha que infesta muitos cultivos anuais perenes.

Além dos problemas relacionados à sua agressividade competitiva, ela pode diminuir a qualidade de produtos agrícolas, como no caso do algodão. 

Mas você sabe como fazer o controle mais adequado da lavoura? Quais herbicidas são mais recomendáveis em pré e pós-emergência das culturas?

Confira essa e outras respostas a seguir!

Capim-carrapicho: principais pontos sobre essa planta daninha

O capim-carrapicho (Cenchrus echinatus), ou capim-timbete, tem origem na América tropical, ocorrendo do sul dos Estados Unidos até a Argentina. 

No Brasil, é amplamente disseminado, principalmente na região Sudeste. 

O capim-carrapicho é uma planta daninha de ciclo anual, com reprodução por semente, que se alastra por enraizamento dos colmos, por meio dos nós em contato com o solo. 

Esta planta invasora se adapta tanto em solos férteis agricultáveis quanto em solos pobres e arenosos no litoral. Em condições favoráveis, com bom enraizamento, seu ciclo pode ser prolongar, chegando à semi-perene. 

Assim, plantas mais desenvolvidas são de fácil identificação. Já as plântulas podem ser identificadas pela base do colmo avermelhado ou, se você retirar a plântula do solo com cuidado, pode observar a semente presa às suas raízes. 

foto de plântulas de capim-carrapicho (Cenchrus echinatus)

Plântulas de capim-carrapicho (Cenchrus echinatus)
(Fonte: Sarangi e Jhala)

A temperatura ideal para seu crescimento é de 25°C, com capacidade de produzir até 1.100 sementes por planta. 

O capim-carrapicho é indiferente à luz para germinar. Mas, em condições de escuro, sua velocidade de germinação pode ser maior, sem alterar o número final de sementes germinadas. 

Devido ao tamanho das sementes, podem emergir em profundidades próximas a 10 cm, dependendo das condições de solo. 

Manejo do capim-carrapicho

A capacidade de emergir em grandes profundidades influencia no manejo do capim-carrapicho. Isso porque o manejo mecânico do solo em uma área infestada pela daninha pode ocasionar vários fluxos de emergência, o que dificulta o posicionamento de herbicidas pós-emergentes. 

Além disso, esse enterrio das sementes pode posicioná-las abaixo da faixa tratada por herbicidas aplicados em pré-emergência. E isso também dificulta seu manejo.  

Como suas sementes são grandes, não são muito disseminadas pelo vento. Deste modo, sua dispersão está muito mais relacionada ao trânsito de máquinas sem a devida higienização, por exemplo.  

Além de ser altamente competitiva com cultivos anuais, o capim-carrapicho pode ser um grande problema na colheita e beneficiamento de cultivos como o algodão.

Ela também pode ocasionar alelopatia sobre outras plantas. 

O capim-carrapicho, em estádios iniciais, poder ser utilizado como forrageira devido às suas características nutricionais e palatabilidade. Porém, a partir da frutificação, se torna impróprio ao consumo animal. 

Felizmente, até o momento não houve registro de populações resistentes de capim-carrapicho (Cenchrus echinatus) a herbicidas no mundo.

A realização de um manejo integrado de plantas daninhas é essencial para não selecionar populações resistentes. 

Para isso é preciso fazer sistema de rotação de cultivos, rotação de princípios ativos e uso de culturas de cobertura. 

Dentre as culturas de cobertura, a Urochloa ruziziensis apresenta uma ótima supressão do capim-carrapicho. 

Manejo de capim-carrapicho na entressafra do sistema soja-milho

A entressafra é período ideal para realizar um bom manejo do capim-carrapicho, pois existe um número maior de opções a serem utilizadas!

O ideal é que a aplicação ocorra em plantas com até 2 perfilhos, pois as chances de sucesso são maiores.

Além do estádio de aplicação, um ponto importante para realização de um manejo eficiente desta daninha é aplicar em planta sem estresse hídrico.

Em condições de estresse, muitos herbicidas podem ter sua eficiência reduzida nesta planta daninha. 

Herbicidas pós-emergentes

Glifosato 

O glifosato possui ótimo controle de plantas pequenas (até 2 perfilhos) ou pode ser utilizado na primeira aplicação do manejo sequencial, na dose de 1,2 a 3,0 L ha-1

Cletodim 

Possui ótimo controle de plantas pequenas (até 2 perfilhos) ou pode ser utilizado na primeira aplicação do manejo sequencial (geralmente associado a glifosato), na dose de 0,5 a 1,0 L ha-1

Adicionar óleo mineral 0,5 a 1,0 % v v-1.

Haloxyfop

Possui ótimo controle de plantas pequenas (até 2 perfilhos) ou pode ser utilizado na primeira aplicação do manejo sequencial (geralmente associado a glifosato), na dose de 0,55 a 1,2 L ha-1. Adicionar óleo mineral 0,5 a 1,0 % v v-1.

Este são os exemplos mais comuns de graminicidas utilizados no mercado, porém existem outros produtos com ótimo desempenho e que seguem a mesma lógica de manejo. 

Novas formulações de graminicidas vêm sendo lançadas com maior concentração do ingrediente ativo (responsável pela morte da planta) e com adjuvante incluso. Alguns exemplos são Verdict max®, Targa max® e Select one pack®.

Atenção quando for misturar 2,4D e graminicidas. É necessário aumentar a dose do graminicida em 20%, pois este herbicida reduz sua eficiência. 

Paraquat

Pode ser utilizado em plantas pequenas até 2 perfilhos ou em manejo sequencial para controle da rebrota de plantas maiores, na dose de 1,5 a 2,0 L ha-1

Adicionar adjuvante não iônico 0,5 a 1,0% v.v. 

Glufosinato de amônio

Pode ser utilizado em plantas pequenas até 2 perfilhos ou em manejo sequencial para controle de rebrota de plantas maiores, na dose de 2,5 a 3,0 L ha-1.  Adicionar óleo mineral 2,0% v.v. 

Herbicidas pré-emergentes

S-metolachlor 

Herbicida com ação residual, utilizado no sistema de aplique plante da soja, na dose de 1,5 a 2,0 L ha-1. Não deve ser aplicado em solos arenosos. 

Trifluralina 

Herbicida com ação residual, utilizado na primeira aplicação do manejo outonal associado a herbicidas sistêmicos (ex: glifosato, graminicidas), na dose 1,2 a 4,0 L ha-1, dependendo da planta daninha a ser controlada e nível de cobertura do solo. 

Deve ser aplicado em solo úmido e livre de torrões. 

Sulfentrazone 

Herbicida com ação residual para controle de banco de sementes, utilizado na primeira aplicação do manejo outonal associado a herbicidas sistêmicos (ex: glifosato, 2,4 D e chlorimuron). 

Recomenda-se dose de até 0,6 L ha-1, pois apresenta grande variação na seletividade de cultivares de soja

Imazetapir

Herbicida com ação residual para controle de banco de sementes. Utilizado na primeira aplicação do manejo outonal associado a herbicidas sistêmicos (ex: glifosato e 2,4 D) ou no sistema de aplique plante da soja, na dose de 0,8 a 1,0 L ha-1.

Manejo do capim-carrapicho na pós-emergência das culturas de soja e milho

Para plantas pequenas ou rebrota de plantas perenizadas na soja, temos como opção eficiente somente o uso de graminicidas (clethodim, haloxyfop e outros).

Em caso de soja RR, podem ser associados ao glifosato. 

Em áreas com grande infestação, devem ser utilizados herbicidas pré-emergentes no sistema de aplique plante para diminuir o banco de sementes e o número de aplicações em pós-emergência (imazetapir + flumioxazin ou s-metolachlor).

A inclusão de pré-emergentes em diferentes etapas do manejo é fundamental, principalmente em áreas com grandes infestações. Como diminuem a necessidade de aplicações em pós-emergência e previnem a seleção de plantas resistentes, trazem ótimo custo-benefício ao produtor. 

Já o controle de capim-carrapicho no milho convencional é mais complexo, pois o milho também é uma gramínea. E existem poucas opções que são seletivas ao milho e controlam capim-carrapicho. 

Dentre elas temos herbicidas pré-emergentes aplicados em sistema de aplique plante (ex:trifluralina, s-metolachlor e isoxaflutole) ou herbicidas utilizados em pós-emergência precoce (ex: nicosulfuron e tembotrione).

Porém, não há opções eficientes para controle de plantas mais desenvolvidas ou perenizadas em milho convencional.

Caso o milho possua tecnologia RR, o uso de glifosato pode ser eficiente no controle desta planta daninha.     

Perspectivas futuras

Para os próximos anos, existe previsão da liberação comercial de um novo “trait” de resistência a herbicidas para as culturas da soja e do milho.

  • Soja e milho: Enlist (2,4D colina, glifosato e glufosinato de amônio).

Esta tecnologia trará a opção de incluir o glufosinato de amônio no manejo de pós-emergência do cultivo. Além disso, irá possibilitar o uso de haloxyfop em pós-emergência do milho, o que trará grandes benefícios para a rotação de princípios ativos.  

Existe ainda previsão do lançamento de novos herbicidas pré-emergentes para controle de gramíneas (ex:pyroxasulfone).

Conclusão

Neste artigo, vimos a importância econômica do capim-carrapicho em nosso país e como realizar um manejo eficiente em lavouras de grãos. 

Você conferiu alguns aspectos sobre a biologia dessa planta daninha e também os herbicidas recomendados para controle.

Também citamos as próximas novidades do mercado!

Aproveite as orientações e aprimore o manejo do capim-carrapicho na sua lavoura!

>> Leia mais:

Herbicida para algodão: como fazer a melhor utilização para combate de plantas daninhas

Como você controla a infestação de capim-carrapicho? Já enfrentou problemas na colheita? Baixe gratuitamente aqui o Guia para Manejo de Plantas Daninhas e faça o controle de outras invasoras da lavoura!

O guia do manejo eficiente do azevém

Azevém: época certa para controle, quais herbicidas utilizar e principais dicas para minimizar casos de resistências na lavoura.

Azevém na lavoura é sempre sinal de alerta! Essa planta invasora se alastra muito rapidamente e interfere no desenvolvimento de vários cultivos, chegando a diminuir em até 56% a produtividade do trigo, por exemplo.

Hoje, há poucas opções para manejo em pós-emergência e muitos casos de resistência. Por isso, é preciso planejamento para fazer um controle eficiente.

Você sabe qual é o período ideal para manejo e quais são os herbicidas mais indicados para controle do azevém? Confira a seguir!

Azevém: principais pontos sobre essa daninha

O azevém (Lolium multiflorum) é uma importante planta daninha na região sul do Brasil. 

Inicialmente, foi muito difundido pelo seu uso como forragem, pois possui características nutricionais interessantes para ruminantes e tem alta capacidade de rebrote. 

Entretanto, devido a essa ampla utilização, o azevém se espalhou e tornou-se uma da principais plantas daninhas de culturas como aveia, trigo e soja

Pertencente à família das poáceas (gramíneas), o azevém tem ciclo anual e reprodução por sementes. 

Possui uma maior taxa de crescimento e desenvolvimento com temperaturas próximas a 20℃. Como principais características morfológicas, é uma planta herbácea, glabra (sem ocorrência de “pelos”), com sistema radicular fasciculado e hábito de crescimento cespitoso ereto. 

foto com detalhe da inflorescência de azevém (Lolium multiflorum)

Detalhe da inflorescência de azevém (Lolium multiflorum)
(Fonte: Jardim Botânico)

Além disso, possui sementes pequenas que podem ser facilmente disseminadas. Cada planta de azevém pode produzir até 3 mil sementes

Estas sementes são indiferentes à luz para germinar, podendo apresentar dormência, o que pode ocasionar vários fluxos de emergência na lavoura. Essa indiferença à luz ocasiona menor suscetibilidade à cobertura do solo, por isso tem a capacidade de emergência em cultivos com ótimo fechamento de linha, como o trigo.

As sementes, porém, não possuem grande persistência no banco de sementes, não sendo capaz de persistirem por mais de 540 dias na lavoura. 

Devido à pouca reserva das sementes, o percentual de emergência é muito afetado em profundidades maiores que 5 cm.   

Além disso, esta planta daninha não possui alta capacidade competitiva por ter crescimento inicial lento. Porém, sob grande infestação, pode diminuir até 56% da produtividade do trigo

Foto que mostra interferência de azevém no cultivo do trigo

Interferência de azevém no cultivo do trigo
(Fonte: Hrac)

O problema da resistência de azevém no Brasil

A ampla utilização do glifosato para controle de azevém em cultivos como soja e frutíferas ocasionou grande pressão de seleção. Consequentemente, em 2003 houve registro da primeira população de azevém resistente a glifosato no Brasil.

Devido a falhas na implementação de práticas para conter o avanço dessas populações resistentes, associado ao uso de azevém resistente a glifosato como forrageira, houve grande disseminação dessas populações. 

Deste modo, atualmente, mais de 80% das populações de azevém são resistentes ao glifosato. 

Com essa ampla disseminação, sobraram poucas opções para manejo de escapes na pós-emergência da soja (ACCase) e cereais de inverno (ALS e ACCase). E devido ao uso indiscriminado de herbicidas dos mecanismo de ação ALS e ACCase nestes cultivos, houve seleção de novos casos de azevém resistente. 

Em 2010, relatou-se o primeiro caso de azevém resistente a ALS (Iodosulfuron) e o primeiro caso de resistência múltipla desta espécie a inibidores da EPSPs (glifosato) e ACCase (clethodim). 

Devido à falta de rotação de mecanismos de ação e manejos alternativos, houve novos relatos de populações com resistência múltipla em 2016 para ALS (Iodosulfuron) e ACCase (Clethodim) e, em 2017, para EPSPs e ALS (Iodosulfuron, pyrosulam).

A maior preocupação atualmente é com o surgimento de população resistente aos três principais mecanismos de ação utilizados em culturas de inverno (EPSPs, ALS e ACCase).

Por isso, você deve tomar muito cuidado no manejo de azevém. É preciso seguir boas práticas da tecnologia de aplicação e o manejo integrado de plantas daninhas

O que deixa claro a importância desse manejo é o aumento de custo ocasionado pela seleção de populações resistentes. A presença de populações de azevém resistentes a glifosato na soja pode ocasionar aumento de até 148% nos custos.  

Gráfico com estimativa do aumento percentual do custo para controle de daninhas com resistência a glifosato em soja

Estimativa do aumento percentual do custo para controle de daninhas com resistência a glifosato em soja
(Fonte: Embrapa)

Como fazer o manejo eficiente do azevém

Para garantir que não haja seleção de resistência para novos herbicidas ou disseminação de populações resistentes para novas áreas é muito importante que você siga estas dicas:    

  • conheça o histórico de resistência da área e região;  
  • realize rotação de mecanismo de ação de herbicidas;
  • inclua herbicidas pré-emergentes no manejo;
  • siga os princípios básicos da tecnologia de aplicação adequada;
  • realize aplicações em pós-emergência sobre plantas pequenas;
  • realize corretamente aplicações sequenciais;
  • priorize controle na entressafra;
  • realize rotação de culturas e adubação verde;
  • realize limpeza correta de máquinas ou implementos antes de utilizá-los em novas áreas.

Herbicidas para controle de azevém no período da entressafra

A entressafra é o momento ideal para realizar um manejo eficiente do azevém, pois existe um número maior de opções a serem utilizadas!

O ideal é que a aplicação ocorra em plantas com até 2 perfilhos, pois as chances de sucesso no controle são maiores!

Herbicidas pós-emergentes

Cletodim

Possui ótimo controle de plantas daninhas pequenas (até 2 perfilhos). Pode ser utilizado na primeira aplicação do manejo sequencial (geralmente associado a glifosato), na dose de 0,5 L ha-1. Adicionar óleo mineral 0,5 a 1,0 % v v-1.

Haloxyfop

Possui ótimo controle de plantas daninhas pequenas (até 2 perfilhos). Pode ser utilizado na primeira aplicação do manejo sequencial (geralmente associado a glifosato), na dose de 0,50 L ha-1. Adicionar óleo mineral 0,5 a 1,0 % v v-1.

Cuidados: cuidado com as recomendações de intervalo de segurança entre a aplicação de graminicidas e a semeadura de gramíneas (ex: trigo, arroz e milho). 

Este são os exemplos mais comuns de graminicidas utilizados no mercado. Porém, existem outros produtos para controle químico com ótimo desempenho e que seguem a mesma lógica de manejo.

Novas formulações de graminicidas vêm sendo lançadas com maior concentração do ingrediente ativo (responsável pela morte da planta) e com adjuvante incluso. (Ex: Verdict max®, Targa max® e Select one pack®).

Glifosato

Mesmo não sendo efetivo para a maioria das populações, pode ser usado no manejo para controle de outras plantas daninhas. 

Ainda que o azevém seja resistente à associação de glifosato a graminicidas, melhora o controle.

Quando forem misturados 2,4D e graminicidas, deve-se aumentar a dose do graminicida em 20%, pois este herbicida reduz sua eficiência.

Paraquat

Pode ser utilizado em plantas pequenas de até 2 perfilhos ou em manejo sequencial para controle da rebrota de plantas maiores. Recomendada dose de 1,5 a 2,0 L ha-1. Adicionar adjuvante não iônico 0,5 a 1,0% v.v.

Glufosinato de amônio

Pode ser utilizado em plantas pequenas de até 2 perfilhos ou em manejo sequencial para controle de rebrota de plantas maiores. Indicada dose de 2,5 a 3,0 L ha-1. Adicionar óleo mineral 2,0% v.v.

Herbicidas pré-emergentes

O posicionamento dos herbicidas aplicados em pré-emergência dependerá muito das características de sua área como teor de argila, teor de matéria orgânica, cobertura do solo e culturas a serem implantadas após a aplicação do herbicida. 

Por isso, dentre as opções citadas neste texto, pesquise para ter certeza que esta se enquadra no seu sistema produtivo. 

foto de um trator de pulverização de herbicida em um campo de milho em desenvolvimento

(Fonte: Assistec)

S-metolachlor

Herbicida com ação residual para controle de banco de sementes. É muito utilizado no sistema de aplique-plante dos cultivos, na dose de 1,5 a 2,0 L ha-1. Não deve ser aplicado em solos arenosos.

Trifluralina

Herbicida com ação residual para controle de banco de sementes. Utilizado na primeira aplicação do manejo outonal associado a herbicidas sistêmicos (ex: glifosato, graminicidas). 

Recomendável dose 1,2 a 4,0 L ha-1 dependendo da planta daninha a ser controlada e nível de cobertura do solo. Deve ser aplicado em solo úmido e livre de torrões.

Além desses produtos, outros herbicidas entraram no mercado como pyroxasulfone, que está em fase de registro, e o cinmethylin, que foi recentemente lançado no Brasil pela Basf.

Manejo de azevém na pós-emergência dos cultivos

Milho 

No caso do milho, a única opção disponível é o uso de atrazine+nicosulfuron. Porém, após o lançamento de híbridos de milho com tecnologia Enlist®, será possível utilizar o haloxyfop na pós-emergência do cultivo. 

Soja 

Para a cultura da soja, as únicas opções disponíveis são os graminicidas (ex: clethodim e haloxyfop), que no caso da soja RR poderão ser associados ao glifosato.  

Trigo

Para a cultura do trigo, os herbicidas disponíveis são dos grupos ALS (Iodosulfuron) e Accase (clodinafop). 

Para trigo, também será lançado o pinoxaden, que poderá ser utilizado no controle de populações resistentes. 

Conclusão 

Neste artigo vimos a importância econômica que o azevém possui em nosso país e como realizar um manejo eficiente em lavouras de grãos.

Você conheceu detalhes sobre a biologia da planta daninha e algumas estratégias de manejo para controle eficiente, evitando seleção de resistência.

Espero que com essas dicas você consiga realizar um manejo eficiente do azevém!

>> Leia mais:

“Guia completo da plantação de canola + benefícios para o milho, trigo e soja”

“Como fazer o manejo eficiente do capim-carrapicho”

Como você controla a infestação de azevém na lavoura hoje? Já enfrentou casos de resistência? Baixe gratuitamente o Guia para Manejo de Plantas Daninhas e saiba como controlar outras invasoras da lavoura!

Aplicação noturna de defensivos agrícolas: quando vale a pena?

Aplicação noturna de defensivos agrícolas: saiba em quais situações pode ser utilizada e quais cuidados tomar para ter alta eficiência.

O aumento da eficiência da aplicação de defensivos agrícolas vem sendo muito discutida nestes últimos anos e pode ser crucial para o aumento de produtividade. 

Mas um grande problema é conciliar as recomendações de período ideal de aplicação com as condições ideais de clima. E essa situação é agravada nas regiões mais áridas do país, pois apresentam dias muito secos e quentes. 

Desta forma, as aplicações noturnas podem ser uma ótima opção, desde que sejam tomados os cuidados necessários para garantir sua eficiência. 

Quer saber mais sobre os cuidados e precauções para a aplicação noturna de defensivos? Confira a seguir! 

Boas práticas na tecnologia de aplicação de defensivos

Mesmo utilizando toda a tecnologia de aplicação de defensivos, o clima ainda possui uma influência muito grande em sua eficiência. 

Para que uma aplicação seja bem-sucedida, recomenda-se que: 

  • a temperatura no momento da aplicação esteja abaixo de 30℃;
  • a umidade relativa do ar esteja acima de 60%;
  • a velocidade do vento esteja entre 3 km h-1 e 6,5 km h-1, não ultrapassando os 10 km h-1.

Entretanto, vivemos em um país com uma variação climática muito grande nas diferentes regiões. E nas regiões mais áridas, é muito difícil a ocorrência destas condições durante o dia. 

Além disso, o momento de aplicação é fundamental para o controle eficiente de pragas, doenças e plantas daninhas

Por exemplo, para controle de plantas daninhas, recomenda-se aplicação de herbicidas em plantas de folhas largas com até 4 folhas e folhas estreitas com até 3 perfilhos. Assim, às vezes se entra em um dilema: realizar aplicação no momento ideal ou esperar as condições climáticas ideais? 

Para poder aplicar o defensivo na época ideal, uma opção é realizar aplicações noturnas, pois, nesse horário, as condições climáticas tendem a ser mais favoráveis. 

Mesmo essa aplicação sendo viável em muitos casos, é preciso responder a uma série de perguntas antes de optar por essa modalidade. E é sobre isso que falarei a seguir:

foto de aplicação noturna de defensivos agrícolas

Aplicação noturna de defensivos agrícolas 
(Fonte: FPA)

O que considerar para a aplicação noturna de defensivos agrícolas?

Tecnologia e capacitação do aplicador

A primeira dificuldade de se realizar uma aplicação noturna de defensivos é o nível de visibilidade no momento da aplicação. Por isso, para optar por esta aplicação, é preciso ter um pulverizador que se adapte a essas condições. 

Para isso, é essencial um bom sistema de iluminação, preferencialmente com implementação de sistema de iluminação complementar. Ainda assim, para o aplicador realizar a operação com sucesso, o pulverizador deve possuir luzes extras em locais estratégicos, caso ocorram falhas no funcionamento. 

Caso uma ponta de pulverização não funcione corretamente ou uma mangueira se solte, o aplicador deve ter plenas condições de visualizar o problema e consertá-lo, se for possível, no campo.

Além disso, uma importante ferramenta para essa modalidade é um bom sistema de posicionamento global (GPS). Ele vai auxiliar o operador em condições de menor visibilidade. 

O aplicador deve ser treinado para operar neste período, sabendo os procedimentos de segurança, para garantir a eficiência da aplicação e a integridade da máquina e de sua saúde.

O gestor da fazenda deve planejar a jornada de trabalho desse aplicador para que seja compatível com essa prática. Isso porque, devido ao nosso relógio biológico, nesse período o aplicador tem maior propensão a sono e cansaço. 

Posição do alvo

Antes de realizar uma aplicação noturna deve-se ter certeza de acertar o alvo neste período. Muitas lagartas, por exemplo, têm hábitos noturnos de alimentação e estão mais suscetíveis neste período. 

Já na aplicação de fungicidas que necessitam uma boa cobertura foliar, deve-se levar em conta o movimento natural das folhas (nictinastia) – elas estarão mais anguladas no período da noite, o que pode dificultar a deposição da calda. 

Por outro lado, essa angulação das folhas pode ser uma excelente oportunidade de atingir alvos na parte inferior da planta ou no solo, sendo uma boa estratégia no controle de lagartas (ex: lagarta-rosca). 

Também devido a essa maior angulação das folhas, o uso de gotas maiores ou adjuvantes com muita capacidade tensoativa (organosiliconados) podem proporcionar maior escorrimento e menor cobertura da folha. 

Movimentação das folhas de soja

Movimentação das folhas de soja
(Fonte: AgroPrecisão)

Necessidade de luz para funcionamento do produto

Alguns produtos como o glifosato tem melhor eficiência na presença de luz, pois o produto tem como característica uma rápida absorção e translocação logo após aplicação. 

Na ausência de luz, a cadeia transportadora deste produto não estará funcionando plenamente. 

Já outros produtos, mesmo precisando de luz para agir (ex: paraquat, diquat, inibidores da protox), podem ser aplicados no período noturno desde que o dia seguinte não amanheça nublado ou chuvoso. 

No caso destes produtos que possuem uma ação muito rápida, a aplicação noturna pode proporcionar um maior espalhamento do produto na folha. E, no dia seguinte, com as primeiras luzes do dia, os herbicidas irão apresentar um melhor controle. 

Condições climáticas no momento e após a aplicação noturna de defensivos

Os principais problemas na aplicação noturna de defensivos são os fenômenos de inversão térmica e ocorrência de orvalho.  

No começo da manhã e final da tarde, principalmente em áreas baixas ou próximas a matas, em situações de pouco vento, a atmosfera pode ficar estável. Isso mantém gotas pequenas em suspensão, impedindo que elas cheguem ao alvo, aumentando muito as chances de deriva em cultivos vizinhos.

Por isso, no momento de aplicação, certifique-se que ocorram ventos de pelo menos 3 km h-1.  

Além disso, a ocorrência de orvalho no momento ou logo após a aplicação pode ser muito prejudicial à deposição do produto na folha, favorecendo o escorrimento das gotas.  

Sendo assim, de modo geral, a aplicação noturna pode ser um ótima técnica, porém, certifique-se de estar atento a todos esses itens antes de utilizá-la.

Como saber a hora certa de aplicar defensivos

Para evitar gastos excessivos com defensivos agrícolas, é importante que você faça o monitoramento de pragas e doenças. Essa rotina de controle pode ser operacionalizada com a ajuda de um software de gestão agrícola como o Aegro.

O Aegro te ajuda a identificar focos de infestação na lavoura, gerando relatórios de controle das pragas-alvo. Você consegue identificar os talhões da propriedade que estão suscetíveis a dano econômico e planejar uma pulverização localizada

Além disso, você pode organizar todo o seu calendário de atividades de safra no Aegro. Defina a data de realização das operações e a quantidade de produto que será aplicada em cada área.

Exemplo de controle de atividades de safra pelo software Aegro

Exemplo de controle de atividades de safra pelo software Aegro

O registro da atividade é feito pelo celular, diretamente do campo, mesmo sem internet. Com o uso de tecnologia de georreferenciamento, você marca pelo aplicativo o ponto em que foi realizada a aplicação.

Assim, seu registro se torna mais preciso e detalhado para que você possa avaliar os resultados da aplicação noturna de defensivos na plantação. Clique aqui e comece a usar o Aegro de graça!

Conclusão 

Em muitas regiões existe um dilema entre realizar a aplicação no momento ideal ou esperar condições climáticas adequadas. Como alternativa a esse problema, há a opção das aplicações noturnas de defensivos.

Esse método pode ser excelente em algumas situações, mas é necessário se atentar a alguns fatores para obter alta eficiência. A boa capacitação do aplicador, adaptação do pulverizador à operação são alguns exemplos. 

Além disso, deve-se ter certeza de que irá atingir o alvo e o que o produto utilizado manterá sua atividade na ausência de luz.

Tendo cumprido esses requisitos, cuidado com os fenômenos de inversão térmica e formação de orvalho, e faça uma excelente aplicação!

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Você realiza aplicação noturna de defensivos agrícolas? Já teve algum problema quanto à eficiência de produtos? Adoraria ver seu comentário abaixo!

Como funciona o novo herbicida Luximo para controle de daninhas resistentes

Herbicida Luximo: conheça o novo mecanismo de ação do mercado e seu desempenho no controle de invasoras.

Um dos maiores problemas da agricultura brasileira vem sendo o manejo de plantas daninhas resistentes a herbicidas.

Todos os anos surgem novos casos de invasoras resistentes a diferentes modos de ação, o que dificulta o controle e agrava a situação.

Um novo produto, que atua em sítio de ação diferente, acaba de ser lançado no mercado internacional: o herbicida Luximo. Neste artigo, vou explicar a importância desse lançamento e como pode ser seu posicionamento no mercado brasileiro. Confira!

Desenvolvimento de novos herbicidas

O desenvolvimento de novas moléculas herbicidas sempre gerou grande custo no orçamento das empresas de agroquímicos. Além disso, alguns acontecimentos históricos reduziram drasticamente o lançamento de herbicidas no mundo. 

O principal fator para redução desse investimento por parte das companhias foi a chegada de cultivares transgênicos com resistência a glifosato

Como o glifosato é um herbicida não seletivo, com alta eficiência de controle mesmo em plantas mais desenvolvidas, as empresas voltaram seu recursos para desenvolvimento de culturas transgênicas e para outros setores do mercado. 

Outro ponto foram as exigências ambientais e sanitárias maiores nas últimas décadas, o que também impacta nos custos de produção das empresas, pois órgãos regulatórios só liberam produtos com baixa toxicidade ao ambiente e ao ser humano. 

Além disso, nos últimos anos houve compras e fusões de grandes empresas do setor. Consequentemente, isso diminuiu a oportunidade de metodologias de pesquisas inovadoras. 

Porém, com aumento da resistência de diversas ervas daninhas ao glifosato, muitas empresas retomaram os investimentos em novas moléculas.

As companhias também têm reavaliado moléculas descobertas no passado. São substâncias que não foram lançadas na época por não serem competitivas, mas que hoje se tornaram excelentes ferramentas para manejar a resistência de daninhas. 

Um exemplo prático é o cinmethylin, justamente o princípio-ativo do herbicida Luximo. Descoberto em 1981, só agora ganhou mercado devido ao aumento de casos de gramíneas resistentes como o azevém.

Número de novos casos de espécies de plantas daninhas resistentes a herbicidas por mecanismo de ação no mundo

Número de novos casos de espécies de plantas daninhas resistentes a herbicidas por mecanismo de ação no mundo
(Fonte: Heap)

Mecanismo de ação do herbicida Luximo

O herbicida Luximo, como adiantei acima, tem a cinmethylin como ingrediente ativo. Essa molécula atua inibindo a síntese ácidos graxos Tioesterase (FAT), danificando a membrana celular e a formação de novos tecidos vegetais. 

É, portanto, um herbicida recomendado para aplicação em pré-emergência das plantas daninhas.

Ao entrar em contato com sementes de daninhas no início da germinação, ele impede a formação de membranas celulares e, consequentemente, a emergência. Assim, controla várias plantas daninhas de folha estreita e algumas de folha larga!

Mesmo possuindo ação semelhante a alguns herbicidas como trifluralina e pyroxasulfone, o Luximo tem mecanismo de ação novo. E não existem casos de resistência registrados no mundo. 

O produto foi submetido a diversos estudos na Austrália, país que tem grande problema com resistência de azevém (Lolium rigidum). Sua eficiência foi testada em 130 populações suspeitas de resistência a outros herbicidas e foi eficaz em todas as populações. 

Além disso, populações com resistência simples e múltipla aos herbicidas trifluralina, pyroxasulfone e prosulfocarb já registradas na Austrália também foram tratadas com Luximo, apresentando ótimo controle. 

Desta forma, os pesquisadores australianos consideraram o novo herbicida uma importante ferramenta no combate a plantas daninhas resistentes. 

Recomendação de manejo do herbicida Luximo na Austrália

Na Austrália, esse herbicida é recomendado principalmente para controle de folhas estreitas na cultura do trigo, fornecendo controle residual de até 12 semanas

O trigo possui seletividade bioquímica ao herbicida, ou seja, tem capacidade de metabolizar parte do herbicida por meio de um complexo enzimático chamado fitocromo p450.  

Contudo, mesmo tendo essa capacidade de metabolização, os cultivos de trigo não podem ter contato com grandes quantidades do herbicida, pois poderão ter seu desenvolvimento inicial prejudicado.

Por isso, recomenda-se que a cultura seja plantada mais fundo (no mínimo 3 cm) que o convencional. 

Para melhorar a ação do produto e diminuir sua degradação, recomenda-se que seja aplicado 3 dias antes da semeadura, incorporado no processo. 

Porém, alguns ajustes devem ser realizados para que o solo tratado não seja acumulado próximo à semente. 

Provavelmente este produto será recomendado da mesma forma no Brasil ou no sistema de plante-aplique. 

Também é importante ressaltar que, assim como para outros herbicidas aplicados em pré-emergência, alguns cuidados devem tomados: 

  • Aplicação em solo úmido e livre de torrões;
  • Aplicação em solo com com menos de 50% de cobertura por palhada ou cobertura vegetal (incluindo plantas daninhas);
  • Previsão de chuvas leves nos próximos 10 dias após aplicação.

Este produto deve ser lançado no Brasil nos próximos anos e será uma importante ferramenta para o controle de plantas daninhas resistentes!

Conclusão

Vimos neste texto o atual cenário do desenvolvimento de novos herbicidas no mundo e os fatores que diminuíram o lançamento de moléculas no últimos anos. 

Também citamos a importância da inserção de diferentes mecanismos de ação no manejo de resistência de plantas daninhas, como o Luximo. 

Você conferiu o histórico de uso do produto na Austrália, primeiro país a liberá-lo comercialmente. Assim, pode entender seu papel no controle de plantas daninhas resistentes e seu possível posicionamento de mercado no Brasil. 

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Como fazer o manejo eficiente do capim-amargoso

Você tem dúvidas sobre outros herbicidas para plantas daninhas? Já conhecia o herbicida Luximo? Adoraria ver seu comentário abaixo! 

Nuvem de gafanhotos no Brasil: devemos nos preocupar e o que podemos aprender?

Nuvem de gafanhotos no Brasil: Entenda o contexto histórico, as principais características desses insetos e quais medidas o país tem tomado.  

Você deve ter acompanhado inúmeras reportagens na últimas semanas falando sobre a nuvem de gafanhotos que se aproximava do Brasil. 

Muitas exploraram até um lado sensacionalista, falando sobre devastação das plantações. 

Mas será que essa nuvem realmente é um perigo iminente? 

Acompanhe neste artigo o histórico das nuvens de gafanhotos no Brasil, comportamento desse inseto, situação atual da nuvem e as medidas que estão sendo tomadas pelo governo brasileiro!

Histórico de nuvens de gafanhotos no Brasil

Ao contrário do que se imagina, essa nuvem de gafanhotos não é o primeiro acontecimento do tipo que ocorre no Brasil ou em países próximos.

O Brasil possui espécies de gafanhotos nativas que tem esse mesmo hábito migratório, por exemplo, a espécie Rhamamtocerus pictus no estado de Rondônia

A diferença é que as espécies nativas no Brasil têm menor capacidade reprodutiva e não percorrem distâncias tão grandes.

Espécie de gafanhoto migratório presente no Brasil

Espécie de gafanhoto migratório presente no Brasil (Rhammatocerus pictus)
(Fonte: Agrolink)

Gafanhotos da espécie Schistocerca cancellata, presentes na nuvem atual, já tiveram ocorrência no Brasil nos anos de 1947/48

E, por mais que apresentem grande agressividade, ainda não são tão nocivos quanto os encontrados no continente africano, por exemplo. 

Nuvem de gafanhotos no continente africano

Nuvem de gafanhotos no continente africano
(Fonte: Hypeness)

Principais informações sobre os gafanhotos sudamericanos (Schistocerca cancellata)

Os gafanhotos que compõem esta nuvem, que está se movimentando próximo à região Sul do Brasil (Rio Grande do Sul e Santa Catarina), são da espécie Schistocerca cancellata provenientes da região do chaco, no Paraguai

São popularmente chamados de gafanhotos sudamericanos.  

Essa espécie, devido a padrões evolutivos, desenvolveu uma característica migratória para assegurar a sobrevivência. 

Em geral, esses gafanhotos não possuem hábitos migratórios durante seu ciclo de vida. Mas, pela interação com um conjunto de fatores, alguns indivíduos se diferenciam dos demais, adquirindo características migratórias. 

Quando isso ocorre, normalmente a espécie acaba migrando próximo à fronteira do Paraguai, Argentina e Bolívia.

 Porém, esse ano teve uma rota diferente – o que não acontecia há 70 anos

Ciclo de vida do gafanhoto sudamericano (Schistocerca cancellata)

Ciclo de vida do gafanhoto sudamericano (Schistocerca cancellata)
(Fonte: El Diario)

Os fatores que impulsionam essa mudança de habitat são:

  • falta de alimento;
  • condições climáticas desfavoráveis (temperaturas acima de  30℃).

A principal diferença entre os gafanhotos que permaneceram no local de origem e os que iniciaram a migração está na cor. Confira suas fases de desenvolvimento na figura que eu separei: 

Nuvem de gafanhotos no Brasil

Estádios de desenvolvimentos do gafanhoto sudamericano (Schistocerca cancellata) com características migratórias e não migratórias
(Fonte: Entomology Today)

Nuvem de gafanhotos no Brasil: informações importantes e trajetória

O que realmente impressiona nesta nuvem é a quantidade de indivíduos migrantes: são cerca de 400 milhões de gafanhotos, o que equivale a uma área de aproximadamente 10 km2

Considerando que um gafanhoto pode consumir aproximadamente duas gramas de matéria verde por dia, essa nuvem poderia consumir uma quantidade de matéria verde por dia semelhante a um rebanho com 20 mil bovinos.

Ataque do gafanhoto sudamericano a uma lavoura de milho

Ataque do gafanhoto sudamericano a uma lavoura de milho
(Fonte: Guía Rural del Paraguay)

Esses insetos aproveitam o dia para se deslocar e, ao entardecer, pousam em uma região para se alimentar e ovipositar. Na manhã seguinte, continuam o trajeto. 

Além do estrago ocasionado pela alimentação no local de pouso, cada fêmea pode ovipositar de 80 a 100 ovos no solo deste local.

Levando em consideração que cada fêmea poderá realizar até 6 posturas durante sua vida, muitos locais podem ser infestados. 

O inseto insere parte do seu corpo no solo e deposita os ovos. Além disso, excreta uma substância que impermeabiliza os ovos, protegendo-os da umidade. 

Postura de ovos do gafanhoto sudmericano no solo

Postura de ovos do gafanhoto sudmericano no solo
(Fonte: Senasa)

Entre 15 e 61 dias após a deposição no solo, os ovos podem eclodir, contudo, é necessário que ocorra no mínimo 25 mm de chuva.

Assim, surgem as primeiras ninfas que, inicialmente, se desenvolveram para saltões, indivíduos menores que não possuem asas, mas que continuam saltando seguindo a trajetória da nuvem.

Por isso, é de suma importância que, além de controlar a nuvem, seja feito o controle das novas gerações de insetos provenientes dos ovos. Vou explicar melhor a seguir. 

Trajetória 

No momento que esses gafanhotos iniciam a migração, a trajetória percorrida já está previamente determinada. Em alguns momentos, são feitos desvios para utilizar as correntes de ar favoráveis e evitar condições climáticas desfavoráveis. 

Alguns pesquisadores acreditam que essa trajetória seja determinada por algum tipo de atração magnética. Até o momento, porém, isso não foi provado. 

Baseados nessas informações, pesquisadores da Epagri, em parceria com outras instituições de pesquisa, calcularam as possíveis rotas que a nuvem poderia adotar, conforme a trajetória já percorrida e previsões climáticas. 

Previsão de movimentação da nuvem de gafanhotos sudamericanos em junho 
(Fonte: Epagri)

Por isso, entendeu-se que a possibilidade desta nuvem ocasionar problemas em território brasileiro é muito baixa. 

Entretanto, como medida preventiva, o Mapa (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento) disponibilizou uma portaria com aspectos legais e medidas de controle destes gafanhotos. 

Medidas de controle recomendadas pelo Brasil

O primeiro passo importante no controle destes gafanhotos é o monitoramento. Os órgão responsáveis devem acompanhar o deslocamento da nuvem e, principalmente, demarcar os locais de pouso. 

As medidas de controle recomendadas pelo Mapa são divididas em duas frentes: controle da nuvem e controle das novas gerações. 

Controle da nuvem

Recomenda-se que a nuvem seja acompanhada pelos órgãos responsáveis e que, ao pousar, imediatamente seja demarcado o local, determinando a área a ser tratada e como será a forma de aplicação. 

Após isso, deve-se fazer um levantamento dos produtos químicos disponíveis na região, para que aplicação seja realizada na primeira hora do próximo dia. 

Dependendo do local onde estes gafanhotos pousarem, algumas situações podem dificultar o manejo. Em uma área florestal, por exemplo, o método de aplicação e cobertura do alvo são mais complicados. 

Assim, para auxiliar a tomada de decisão, o Mapa disponibilizou produtos que podem ser utilizados e suas dosagem para diferentes culturas. Também há recomendações para culturas que não tem esses produtos registrados. 

Para ter acesso a essa recomendação, acesse o Manual de controle do gafanhoto sudamericano do Mapa.

Controle de novas gerações

No caso das novas gerações, após demarcação do local de oviposição, deve-se acompanhar até o momento da saída dos indivíduos da terra e determinar o trajeto que irão percorrer e as dimensões da área tratada. 

Uma primeira opção seria o cultivo mecânico da área, expondo os ovos ao sol para que se desidratam. Porém, o Mapa recomenda que essa seja última opção, sendo adotada apenas em regiões onde o manejo químico não será possível.  

Devido à menor mobilidade, pode-se realizar uma área menor de tratamentos, onde aplicam-se faixas de 30m a 50 metros, dependendo do sentido do vento, com intervalos de 150m a 500 metros, dependendo do estádio dos insetos, seguindo o sentido de deslocamento.  

Assim, uma quantidade menor de produto é necessária e os insetos serão controlados ao se deslocarem sobre o solo tratado. 

Atual situação da nuvem de gafanhotos

A nuvem de gafanhotos permanece na Argentina neste começo de julho, ainda na região de Corrientes (cerca de 130 km do Brasil), segundo monitoramento do Senasa (Serviço Nacional de Saúde e Qualidade Agroalimentar da Argentina).

Uma informação recente que tranquiliza os produtores brasileiros são as notícias da eficiência de controle da nuvem pelo governo do país vizinho. 

Os poucos indivíduos não controlados, devido às condições climáticas, tiveram um deslocamento curto (4 km) e o governo argentino já está monitorando para finalizar seu controle.  

Mesmo assim, estados do Sul do Brasil ainda mantêm alerta de risco da entrada da praga no país. 

Mas o país demonstra estar preparado para controle destes invasores, caso ocorra uma nova migração. 

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Conclusão

Vimos neste texto que nuvens de gafanhotos não são um assunto totalmente novo no Brasil, que já registrou casos inclusive da mesma espécie no passado. 

Entendemos algumas características que tornaram esses gafanhotos importantes, como sua alta taxa reprodutiva e alimentar. Além disso, entendemos por que esses gafanhotos têm esse hábito migratório. 

Vimos que a perspectiva é que esta nuvem não chegue ao Brasil, porém, se acontecer, o governo brasileiro já estabeleceu medidas de contenção da praga. 

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Como funciona o novo herbicida Luximo para controle de daninhas resistentes

Restou alguma dúvida sobre a nuvem de gafanhotos no Brasil? Já tinha ouvido falar sobre problemas do tipo? Deixe seu comentário!

Herbicida para algodão: como fazer a melhor utilização para combate de plantas daninhas

Herbicida para algodão: Saiba quais produtos podem ser utilizados, posicionamento correto e como evitar fitotoxidade.

A cultura do algodão tem grande relevância no agronegócio brasileiro devido a seu valor agregado e potencial de exportação.

Na safra 2018/19, a cultura ocupou 1,62 milhões de hectares, com produção de 6,81 milhões de toneladas de caroço, movimentando mais de US$ 2 bilhões. E, para a safra que está maturando no campo, estima-se um aumento de 3,8% na produção de algodão

Para assegurar altas produtividades mantendo a boa qualidade final do produto, o manejo eficiente de plantas daninhas é essencial. Por isso trago agora tudo que você precisa saber sobre a aplicação de herbicida para algodão. Confira!

Manejo de plantas daninhas no algodão

Algumas características da cultura do algodão tornam o manejo de plantas daninhas um procedimento complexo e que exige muito planejamento. 

O primeiro desafio é o ciclo longo da cultura: são 170 a 200 dias. Além disso, o algodão tem um crescimento inicial lento, o que pode dar uma certa dianteira para plantas daninhas muito adaptadas. 

A cultura costuma ser cultivada com espaçamento maior que outras culturas anuais (70 a 90 cm), sendo mantida com porte baixo por meio de reguladores de crescimento

Somado a isso, o algodão possui baixa tolerância a herbicidas e precisa estar livre de plantas daninhas por ocasião da colheita (para que não haja perda na qualidade do produto).  

Devido a essas características, o cultivo possui um período crítico de prevenção a interferência de 55 dias em média, período mínimo que a cultura deve ser mantida no limpo para que não ocorram perdas no rendimento. 

Este período se inicia próximo aos 15 dias após a emergência (período anterior à interferência) e se estende até em média 70 dias após a emergência (período total de prevenção a interferência).

herbicida para algodão

Plantas de algodão sem interferência inicial de plantas daninhas
(Fonte: Notícias Agrícolas)

Principais plantas daninhas do algodão

Devido à baixa tolerância a herbicidas pelo algodão, as plantas daninhas mais problemáticas na cultura são as de folhas largas. Elas devem ser o foco do manejo entressafra. 

As plantas daninhas de maior ocorrência nas lavouras de algodão brasileira são:

Folhas largas:

Folhas estreitas:

Estas plantas daninhas são mais problemáticas, com a ocorrência de biótipos resistentes a herbicidas, como é o caso de leiteiro, picão-preto ou capim-amargoso. 

Outras são naturalmente tolerantes ao glifosato, como a trapoeraba e corda-de-viola. 

Desta forma, a primeira recomendação de manejo de plantas daninhas é realizar um bom manejo nutricional da cultura, mantendo-a com bom crescimento e competitividade. 

Além disso, o uso de rotação de culturas com cultivos que tenham alta produção de palha impede a emergência de muitas sementes de plantas infestantes, melhorando o perfil do solo. 

O milho com braquiária, por exemplo, é uma excelente opção para utilização na safrinha. 

Quanto às alternativas químicas de controle de plantas daninhas, vou falar mais a seguir!

Infestação de plantas daninhas no algodão

Infestação de plantas daninhas no algodão
(Fonte: Embrapa)

Herbicida para algodão: Manejo de plantas daninhas na entressafra

O período de entressafra, com certeza, é o período ideal para manejar plantas daninhas de difícil controle. Isso ocorre pois nessa época há mais mecanismos de ação herbicida que podem ser utilizados. 

Veja os principais herbicidas a seguir:

Glifosato

Quando aplicar: herbicida não seletivo de ação sistêmica, aplicado na entressafra ou em pós-emergência de variedades resistentes (RR). 

Espectro de controle: folhas largas e folhas estreitas.

Dosagem recomendada: 2,0 a 6,0 L ha-1 dependendo da planta daninha a ser controlada e estádio de desenvolvimento. 

Pode ser misturado com herbicidas sistêmicos e pré-emergentes (ex: Clethodim, flumioxazin e 2,4 D).

Cuidados: há muitas plantas daninhas com resistência, porém é uma excelente ferramenta de manejo para as demais plantas daninhas. 

Amônio-glufosinato

Quando aplicar: herbicida não seletivo de contato, aplicado na entressafra ou em pós-emergência de variedades resistentes (LL). 

Espectro de controle: folhas largas com 2 a 4 folhas e folhas estreitas provenientes de sementes de 1 a 3 perfilhos.

Dosagem recomendada: 2,5 a 3,5 L ha-1 dependendo da planta daninha a ser controlada e estádio de desenvolvimento. 

Pode ser misturado com: herbicidas sistêmicos e pré-emergentes (ex: Clethodim, flumioxazin e 2,4 D).

Cuidados: Para garantir a eficácia do produto, as plantas daninhas devem estar em estádio inicial. A aplicação deve ter uma boa cobertura do alvo e ser realizada com condições climáticas favoráveis.   

Carfentrazone

Quando aplicar: herbicida não seletivo de contato, utilizado em plantas pequenas ou na segunda aplicação do manejo sequencial.

Espectro de controle: folhas largas com 2 a 4 folhas, ótimo controle de trapoeraba. 

Dosagem recomendada: 50 a 75 mL ha-1 dependendo da planta daninha a ser controlada e estádio de desenvolvimento. 

Pode ser misturado com: glifosato.

Diquat

Quando aplicar: herbicida não seletivo de contato, utilizado em plantas pequenas ou na segunda aplicação do manejo sequencial.

Espectro de controle: folhas largas com 2 a 4 folhas.

Dosagem recomendada: 1,0 a 2,0 L ha-1 dependendo da planta daninha a ser controlada e estádio de desenvolvimento. 

2,4 D

Quando aplicar: herbicida de ação sistêmica, aplicado na entressafra ou em pós-emergência de variedades resistentes (Enlist). 

Espectro de controle: folhas largas.

Dosagem recomendada: 1,0 a 2,0 L ha-1 dependendo da planta daninha a ser controlada e estádio de desenvolvimento. 

Pode ser misturado com: herbicidas sistêmicos (glifosato e clethodim) e pré-emergentes.;

Cuidados: Possui problemas de incompatibilidade de calda, por isso cuidado com baixo volume de calda. Se associado com graminicidas, deve-se aumentar 20% a dose do graminicida. Devido a efeitos residuais, deve-se deixar um período mínimo de 15 dias entre a aplicação e semeadura. 

Herbicida para algodão aplicado na pré-emergência da cultura

S-metolachlor 

Quando aplicar: herbicida com ação residual utilizado no sistema de plante aplique do algodão.

Espectro de controle: gramíneas de semente pequena (ex: capim-amargoso, capim-pé-de-galinha).

Dosagem recomendada:1,25 a 1,5 L ha-1.

Pode ser misturado com: herbicidas sistêmicos (ex: glifosato).

Cuidados: não deve ser aplicado em solos arenosos. O solo deve estar úmido, com perspectivas de chuva. 

Trifluralina 

Quando aplicar: herbicida com ação residual utilizado no sistema de plante aplique do algodão.

Espectro de controle: gramíneas de semente pequena (ex: capim-amargoso e capim-pé-de-galinha).

Dosagem recomendada: 1,2 a 2,4 L ha-1 do percentual de argila do solo.

Pode ser misturado com: herbicidas sistêmicos (ex: glifosato  e graminicidas).

Cuidados: deve ser aplicado em solo úmido e livre de torrões. Formulações antigas têm problemas com fotodegradação (necessidade de incorporação). Eficiência muito reduzida em solo com grande quantidade de palha ou durante grande período de seca.  

Clomazone

Quando aplicar: herbicida com ação residual, no sistema de plante aplique, com uso de safeners.

Espectro de controle: gramíneas de semente pequena (ex: capim-colchão, capim-pé-de-galinha) e algumas folhas largas de sementes pequena.

Dosagem recomendada: 1,6 a 2,0 L ha-1 dependendo da planta daninha a ser controlada e nível de cobertura do solo.

Pode ser misturado com: diuron e glifosato.

Cuidados: Deve ser utilizado um safener (dietolathe, phorate e dissulfoton) no tratamento das sementes do algodão. Atenção com deriva em culturas suscetíveis vizinhas.

Prometryne

Quando aplicar: herbicida com ação residual, no sistema de plante aplique.

Espectro de controle: folhas largas e folhas estreitas. 

Dosagem recomendada: 1,6 a 2,0 L ha-1 dependendo da planta daninha e teor de argila do solo.

Cuidados: Usar menores doses em solo arenoso. 

Diuron

Quando aplicar: herbicida com ação residual, no sistema de plante aplique ou no sistema de jato dirigido às entrelinhas da cultura. .

Espectro de controle: folhas largas. 

Dosagem recomendada: 0,7 a 2,5 L ha-1 dependendo do sistema de aplicação. 

Cuidados: No sistema de jato dirigido, o caule do algodão deve estar lignificado e recomenda-se o uso da capota de proteção ou “casinha de cachorro”. Cuidado com residual de diuron na cultura consecutiva. 

Baixe a planilha de cálculo da produtividade de algodão gratuita!

Herbicida para algodão aplicados na pós-emergência da cultura 

Pyrithiobac sodium

Quando aplicar: aplicação única feita entre uma e duas semanas após a emergência ou em aplicação sequencial, com 2 aplicações com intervalo de 5 a 15 dias entre aplicações. 

Espectro de controle: folhas largas (ex: caruru, picão-preto, trapoeraba e corda-de-viola) e plantas voluntárias de soja. 

Dosagem recomendada: 150 a 500 mL ha-1 dependendo da planta daninha a ser controlada.

Cuidados: Não misturar com graminicidas. 

Trifloxysulfuron sodium

Quando aplicar: aplicar após 2 a 3 semanas após emergência do cultivo, por ocasião da aplicação o algodão deve estar com no mínimo 4 folhas verdadeiras. 

Espectro de controle: folhas largas (ex: caruru, picão-preto, leiteiro, corda-de-viola) e plantas voluntárias de soja. 

Dosagem recomendada: 10 a 30 g ha-1 dependendo da planta daninha a ser controlada.

Cuidados: Não misturar com graminicidas. 

Outros herbicidas como prometryne, prometryne+MSMA, amônio-glufosinato (cultivo convencional), diuron+MSMA, atrazina, ametrina e flumioxazin. Aplicação de jato dirigido geralmente ocorre após a lignificação do caule, por volta de 45 a 50 dias após a emergência (caule marrom), usando capota de proteção ou “casinha de cachorro”. 

Cuidado com residual na cultura consecutiva!

Controle da soqueira do algodão 

Além do manejo de plantas daninhas, o produtor de algodão deve se assegurar da completa eliminação da soqueira do cultivo, respeitando a legislação e mantendo o vazio sanitário. Isso evita a disseminação de pragas como bicudo-do-algodoeiro e lagarta rosca.

Aqui no blog nós mostramos como evitar a rebrota planta de algodão com dois tipos de manejo. Confira!

herbicida para algodão

Aplicação de herbicidas para destruição de soqueira do algodão 
(Fonte: G1)

Conclusão

Neste artigo vimos a importância econômica do cultivo do algodão no Brasil e por que você precisa realizar o manejo eficiente de plantas daninhas. 

Mostramos quais ferramentas de controle químico podem ser utilizadas e o posicionamento correto para evitar causar perdas no cultivo.  

Além disso, citamos técnicas importantes que devem ser utilizadas no manejo integrado de plantas daninhas.  

Com essas informações, tenho certeza que você irá realizar um bom manejo de herbicidas para algodão!

>> Leia mais:

“5 dicas para o plantio de algodão de alta produtividade”

“Capim-rabo-de-raposa (Setaria Parviflora): guia de manejo”

Aproveite também nossa planilha de estimativa da produtividade do algodão aqui

Qual herbicida para algodão você costuma utilizar em sua lavoura? Já teve problemas de fitotoxidade? Adoraria ver seu comentário abaixo!

Como escolher as variedades de milho mais produtivas para sua lavoura

Variedades de milho mais produtivas: como fazer a escolha certeira da semente para grãos, milho verde ou outros interesses da cultura.

No mercado existem diversas variedades e híbridos de milho, com infinitas características fenotípicas e adaptativas. Mas nem sempre o que vai bem em uma região dará certo na sua lavoura.

É preciso saber escolher uma semente com alta taxa produtiva, que possua características de interesse dentro do seu sistema produtivo!

Por isso, preparei um roteiro com perguntas que você deve se fazer para eleger o híbrido ou as variedades de milho mais produtivas para sua realidade. Confira!

Variedades de milho mais produtivas: o que saber antes de pesquisar sua semente

Antes de pesquisar possíveis sementes de milho para compra, é muito importante que você tenha em mente certas informações…

Primeiro, como essa cultura vai se enquadrar em seu sistema produtivo? O milho será cultivado no verão? Será cultivado na segunda safra? Estará em consórcio com alguma outra cultura?

Isso vai dizer muito sobre quais características buscar no híbrido ou variedade!

Depois de determinar qual período do ano seu milho estará no campo, pense em quais problemas podem ocorrer a partir daí.

Quais pragas têm maior ocorrência? Quais doenças têm maior incidência? E quais plantas daninhas estão presentes em sua área e deverão ser controladas neste período? 

Além disso, preste muita atenção ao histórico climático durante o período. 

Já ocorreram veranicos nessa época? Eles podem coincidir com qual estádio da cultura?

Para facilitar a organização destas perguntas e te ajudar a escolher as variedades de milho mais produtivas para sua lavoura, separamos os tópicos mais importantes a seguir.

variedades de milho mais produtivas

Lavoura de milho afetada por ventos fortes
(Fonte: Canal Rural)

Variedades de milho mais produtivas: aptidão da variedade ou híbrido utilizado

Atualmente, as principais aptidões que as variedades/híbridos de milho podem apresentar são:

  • grãos;
  • silagem;
  • milho doce;
  • pipoca;
  • milho verde.

Dentro destas aptidões, as características de interesse da cultura podem variar.

Híbridos ou variedades de milho para grãos priorizam boa polinização e desenvolvimento de espiga.

Já híbridos ou variedades de milho mais produtivas para silagem priorizam desenvolvimento vegetativo e palatabilidade.

Cultivares de milho voltadas para produção de milho doce, além de palatabilidade, geralmente priorizam rusticidade e baixo investimento.

Agora os híbridos ou variedades para milho verde geralmente priorizam rusticidade e baixo investimento.

Há ainda os híbridos ou variedades utilizados para milho pipoca, que priorizam capacidade de expansão dos grãos (o que fará a pipoca estourar mais facilmente).

Colheita de milho para silagem

Colheita de milho para silagem
(Fonte: Compre Rural)

Planejamento no sistema produtivo

Milho primeira safra ou milho verão

Neste sistema, o milho está posicionado no melhor período climático para sua produção, podendo-se utilizar híbridos com ciclos maiores e mais produtivos.  

Mas este também é o período com maior desenvolvimento de plantas daninhas e pragas. Por isso, a escolha de híbridos com resistência a herbicidas e a insetos pode ser de grande valia. 

É importante lembrar que este período é muito utilizado para produção de híbridos de milho para silagem, que necessitam de maior desenvolvimento vegetativo.

Milho segunda safra ou safrinha

Milho segunda safra ou safrinha é muito utilizado para rotacionar milho com outros cultivos de verão, principalmente a cultura da soja

Neste sistema produtivo, geralmente, o principal ofensor é o clima, pois pode coincidir com períodos de déficit hídrico, geadas e ventos fortes. 

Desta forma, híbridos com ciclo curto têm sido uma excelente opção para este sistema. 

O que pode influenciar muito na escolha do material genético é o período de colheita da cultura anterior. Fique atento!

Mesmo que um híbrido de ciclo curto seja uma excelente opção para evitar problemas de final de ciclo, neste sistema, a planta tem menos tempo para se recuperar de danos no meio do ciclo. 

Por isso, escolha um híbrido com boa resistência a doenças e pragas (predominantes neste período). Além disso, priorize semear no limpo, tendo feito um bom controle de ervas daninhas na entressafra e na cultura anterior. 

Devido ao maior risco neste sistema de produção, recomenda-se que haja um escalonamento de semeadura de milho em suas diferentes áreas. 

Utilize híbridos mais resistentes para minimizar o risco e ser muito produtivo na média dos anos!

Milho consorciado com outras culturas

Atualmente o sistema de consórcio mais utilizado em nosso país é o milho safrinha com braquiária

Nesse sistema, além da escolha do híbrido, o produtor deve escolher uma boa variedade de braquiária. 

Quanto ao milho, é importante que ele seja mais rústico e com crescimento inicial rápido. 

Desde que a semeadura aconteça no limpo, não será necessário priorizar híbridos com resistência a herbicidas além do glifosato devido ao fechamento da entrelinha pela braquiária. 

Quanto à escolha da braquiária, é importante que ela tenha um crescimento inicial lento ou o sistema de semeadura retrase sua emergência. Assim, evita-se competição inicial com o milho.

Além disso, é muito importante que a braquiária seja suscetível ao glifosato para ser dessecada antes de produzir sementes. 

Outro fator muito importante na escolha da braquiária é o uso de sementes certificadas com baixo índice de impurezas. 

Uso de sementes contaminadas com sementes de plantas daninhas, por exemplo, pode trazer problemas muito grandes!

variedades de milho mais produtivas

Consórcio de milho com braquiária
(Fonte: Compre Rural)

Variedades mais resistentes a pragas, doenças e herbicidas

Resistência a pragas

Temos disponíveis no mercado as seguinte tecnologias para o controle de lagartas:

As tecnologias mais antigas, como Bt, possuem um número reduzido de proteínas que atuam no controle das lagartas. Assim, associado ao tempo de usos, há inúmeros casos de resistência. 

Por isso, se sua região possui uma incidência grande dessas pragas, dê preferência a tecnologias mais novas. Priorize as que possuem maior número de proteínas, abrangendo um maior complexo de lagartas. 

Além dos insetos, os híbridos ou variedades de milho possuem suscetibilidade diferencial a nematoides. Desta forma, em área com incidência desta praga, priorize sementes de milho que a tolerem mais.

Lagarta-do-cartucho (Spodoptera frugiperda) atacando o milho

Lagarta-do-cartucho (Spodoptera frugiperda) atacando o milho
(Fonte: Pioneer Sementes)

Os milhos podem ter diferentes graus de suscetibilidade aos seguinte nematoides:

  • Pratylenchus brachyurus;
  • Meloidogyne incognita;
  • Meloidogyne javanica.

Além das tecnologias de resistência a pragas, é importante saber identificar, conhecer o ciclo e o controle das pragas! Aqui no Blog do Aegro já falamos sobre as principais pragas de milho e sorgo. Confira!

Nematoide do milho

Meloidogyne incognita: Nematoide do milho
(Fonte: Aaas Journal)

Tolerância a doenças

Os híbridos e variedades também apresentam diferentes padrões de suscetibilidade às principais doenças do milho como:

  • Ferrugem comum;
  • Ferrugem polissora;
  • Mancha branca;
  • Mancha turcicum; 
  • Cercosporiose;
  • Enferamento.

Além do melhoramento para tolerância a doenças, é importante saber identificar, conhecer o ciclo e o controle das doenças. Saiba mais sobre as doenças na cultura do milho aqui!

variedades de milho mais produtivas

Cercosporiose do milho
(Fonte: Embrapa)

Resistência a herbicidas

  • Roundup Ready® → Resistência ao herbicida glifosato;
  • LibertyLink® → Resistência ao herbicida glufosinato de amônio;
  • Enlist® → Resistência aos herbicidas 2,4 D (em doses mais altas que milho convencional), haloxifope, glufosinato de amônio e glifosato. 

Além disso, os híbridos podem ter suscetibilidade diferencial aos resíduos de herbicida da cultura anterior ou herbicidas que podem ser usados na pós-emergência.

Já ocorreram muitos casos de injúrias ocasionadas no milho pelo herbicida nicosulfuron. 

Para alguns híbridos, esse produto é muito seletivo e não ocasiona danos à cultura. Já para outros, causa sérios danos no crescimento e folhas, diminuindo a produtividade e provocando deformações nas espigas. 

Por isso, se pretende usar este herbicida, cuidado na escolha do híbrido. Saiba como escolher o herbicida para milho mais adequado aqui!

Veja a semente escolhida no campo

A melhor forma de se assegurar de que fez a escolha certa é visitar uma lavoura no meio do ciclo do híbrido ou variedade escolhida.

Deste modo, você pode observar as características que mais lhe importam e consultar o produtor da área sobre sua experiência. 

O mais indicado é que esta área seja próxima à sua propriedade, pois haverá muitas características em comum!

Caso isso não seja possível, faça um pequeno teste em sua propriedade semeando a semente de milho escolhida em uma pequena área para ver seu desempenho!

planilha de planejamento da safra de milho

Conclusão

O milho é uma cultura muito importante e utilizada para diferentes finalidades como produção de grãos, silagem, pipoca, milho doce e milho verde. 

Além disso, pode ser inserido em diversos sistemas produtivos como cultura principal, cultura secundária ou em consórcio com outros cultivos. 

Aqui discutimos como escolher as variedades de milho mais produtivas para cada situação, considerando finalidade, sistema produtivo e características da lavoura.  

Desta forma, espero que você faça uma escolha segura e alcance todo potencial produtivo em sua área.

Quais informações você considera importante para escolher um híbrido ou variedades de milho mais produtivas? Ficou alguma dúvida? Adoraria ver seu comentário abaixo!