About João Leonardo Corte Baptistella

Sou Engenheiro Agrônomo pela ESALQ/USP em Piracicaba-SP. Mestre em Fitotecnia na mesma instituição com pesquisa voltada ao consórcio café-braquiária. Atualmente estou no doutorado.

Além da produção agrícola: liderança e gestão de pessoas na fazenda

Liderança e gestão de pessoas na fazenda: como melhorar essas habilidades e ter pessoas comprometidas para o sucesso do negócio rural.

Uma empresa rural precisa ser eficiente para se destacar no mercado. Mais do que dominar as técnicas e ter as melhores máquinas, é preciso focar em algo além da produção agrícola: seus colaboradores.

Uma boa liderança e gestão de pessoas é fundamental para que seu pessoal se torne mais eficiente e comprometido com o trabalho.

O sucesso da empresa rural depende disso!

Confira a seguir algumas dicas de como se tornar um líder e fazer uma boa gestão de pessoas na fazenda.

Liderança e gestão de pessoas na fazenda: o que são?

As funções de liderar e gerir devem sempre andar juntas, mas não necessariamente um mesmo perfil reúne tais características.

A figura do gestor propriamente dita, que focava em processos e resultados, esquecendo muitas vezes das pessoas que comandava, está saindo de cena.

Apesar da importância inegável dessa figura no passado, hoje o mercado  e o sucesso das empresas exigem outro perfil: o de líder.

Bons líderes conhecem muito bem os processos que compõem as atividades da empresa. Mas, acima de tudo, sabem lidar com pessoas: os seus colaboradores.

É função da liderança fazer com que seus colaboradores entendam os valores e o objetivo da empresa rural. Assim, cria-se o ambiente de trabalho ideal para que sua equipe atinja potencial máximo.

Como melhorar sua liderança e gestão de pessoas

Certas habilidades são exigidas em quem ocupa cargos de liderança.

Organização, disciplina, bons relacionamentos interpessoais, resolução de conflitos, inteligência emocional… e por aí vai.

Engana-se quem pensa que alguém nasce com todos esses requisitos. Tais habilidades podem ser desenvolvidas e trabalhadas, desde que se queira melhorar.

A seguir, trago alguns pontos importantes para melhorar a liderança e gestão de pessoas na sua fazenda.

liderança e gestão de pessoas
Líder é visto como um exemplo a ser seguido pelos colaboradores
(Fonte: CPB Educacional)

1. Conhecer a empresa e a si mesmo muito bem

As ações da liderança devem estar ligadas ao objetivos da empresa, por isso, conhecer detalhadamente a empresa é essencial.

Além disso, um bom líder deve conhecer a si mesmo e como isso pode afetar o funcionamento da empresa rural.

O líder deve entender que ele mesmo possui limitações, e portanto, precisa de ajuda para supri-las.

Conseguimos isso com um bom time de liderados.

2. Comece com o pé direito: Contrate as pessoas certas

Ao formar uma equipe, devemos escolher os colaboradores com perfis que não apenas estejam alinhados com os objetivos da empresa, mas que podem suprir as limitações do próprio líder.

As grandes empresas do agro já utilizam plataformas de recursos humanos que auxiliam neste direcionamento de colaboradores com perfil adequado à vaga disponível.

Essa tecnologia pode parecer um pouco distante ainda nas propriedades rurais, mas fato é que contratar a pessoa correta para a sua equipe faz toda diferença.

O perfil do colaborador é importante principalmente no modo como se relaciona com outras pessoas.

É mais fácil capacitá-lo com conhecimentos técnicos que lhe faltam do que mudar más condutas que ele possa apresentar.

Um mal funcionário pode criar um péssimo ambiente  de trabalho e ainda “piorar” seus colegas.

liderança e gestão de pessoas
Processo de contratação é fundamental para uma boa liderança e gestão de pessoas
(Fonte: Hinc)

3. Desenvolvimento pessoal é essencial

Quanto mais capacitadas forem as pessoas, melhores serão os frutos de todo o trabalho. Isso vale tanto para os líderes como para colaboradores.

Como já falamos, o líder é visto como exemplo por seus liderados. Para se tornar uma melhor liderança, invista em conhecimento sobre o assunto. Busque cursos livres ou uma pós-graduação, troque experiências com outros líderes e gestores, etc.

Desenvolva suas habilidades tanto para as atividades do dia a dia no campo como para melhorar sua gestão de pessoas.

Da mesma maneira, invista no seu pessoal: dias de campo, treinamentos, dicas, etc. Assim ele estará contente com o papel que desempenha e proporcionará os melhores resultados para a empresa.

liderança e gestão de pessoas
(Fonte: Revista Exame)

4. Informe a equipe sobre o desempenho

É fundamental mostrar resultados aos seus colaboradores também. Indique como estão desempenhando suas funções; onde devem melhorar; e onde devem seguir com o bom trabalho.

Nesse sentido, invista em processos e tempo para que as funções e atividades do período estejam bem definidos, bem como as datas de início e término das tarefas.

liderança e gestão de pessoas
Com o Aegro você pode registrar atividades agrícolas com datas de início e término, além de colocar um responsável pela tarefa

Institua um feedback mensal sobre o desempenho de seus colaboradores, com dicas de como melhorar e cumprimentos pelo bom trabalho.

Desse modo, cada um consegue compreender como seu trabalho está sendo avaliado e tem oportunidades para mudar e fazê-lo da melhor forma possível.

O contato direto com seus colaboradores facilita a realização das atividades. Facilita também a comunicação entre as partes e a avaliação dos resultados, o que nos leva ao próximo passo….

5. Diminua as distâncias: Aproxime-se de seus liderados

Liderar pessoas não é dar ordens. É também ouvir as sugestões que seus liderados tem a dar sobre determinado assunto.

Encurte as distâncias entre você e seus colaboradores. Dê espaço para as ideias deles.

Ser mais acessível a novas ideias torna o ambiente mais produtivo e eficiente, pois seus colaboradores sentem que são parte fundamental da empresa. Isso também facilita na hora de resolver conflitos.

A palavra final pode até ser sua, mas uma ajuda para planejar e prever possíveis problemas é sempre bem-vinda!

Lembre-se que você não é capaz de analisar tudo e que duas cabeças (ou mais) pensam melhor do que uma.

liderança e gestão de pessoas
(Fonte: Dinheiro Rural)

6. Organize-se

Enquanto a parte da liderança se ocupa mais com as pessoas da empresa, a gestão se preocupa mais com fazer os ajustes para que tudo siga no caminho correto até os objetivos da empresa.

Devemos ter cada vez mais disciplina e organização para manter a empresa nos trilhos.

Designar as atividades que cada colaborador ou equipe deve realizar de forma clara é necessário.

É possível fazer isso através de cronogramas e planilhas, mas além de trabalhoso, pode ser confuso.

Existem softwares de gestão agrícola que podem facilitar sua vida.

O Aegro permite que você planeje e direcione cada atividade, detalhando os talhões, a equipe e as máquinas e insumos utilizados. Tudo de forma organizada e de fácil acesso.

liderança e gestão de pessoas
Exemplo de controle de atividades fácil e rápido com uso do software de gestão agrícola Aegro (dados ilustrativos)

Divulgação do kit de 5 planilhas para controle da gestão da fazenda

Conclusão

Como pudemos conferir, as pessoas são parte fundamental de uma empresa. As atividades que elas desempenham determinam o sucesso do empreendimento.

Um pessoal competente e que gosta do trabalho que faz é fundamental para isso.

Sendo assim, é essencial uma liderança focada em pessoas e que sirva de referência.

Como líder e gestor, você deve criar o melhor ambiente para que essas pessoas desempenhem seu papel.

Isso permite aumentar a eficiência e diminuir a rotatividade de funcionários dentro da empresa.

>>Leia mais: “3 maneiras de lucrar mais com um software de gestão agrícola

Gostou do texto? Já pensou como melhorar a liderança e gestão de pessoas na sua fazenda? Qualquer dúvida, deixe nos comentários. Grande abraço!

Como utilizar a entressafra de maneira produtiva em sua fazenda

Entressafra: aproveite o momento menos ocupado para melhorar sua gestão e alcançar maior rentabilidade e eficiência na atividade rural.

Na entressafra, temos menos atividades de campo para realizar na fazenda. Sobra mais tempo, mas também não ficamos parados.

É nessa hora que devemos nos organizar, colocar a “casa” em ordem e nos prepararmos para a safra que virá.

Confira comigo como utilizar o período de entressafra de forma produtiva e nos prepararmos para colher bons frutos na safra seguinte!

O que é o período de entressafra

A entressafra é o período entre o fim da colheita – da principal ou das principais culturas –  e o início do novo ciclo produtivo. Como cada cultura tem um ciclo (algumas são anuais e outras perenes), elas podem diferir quanto ao período que caracteriza a entressafra.

Embora o cronograma de atividades seja mais folgado durante esse período, não é hora de ficar parado!

Utilizar essa maior disponibilidade de tempo de maneira produtiva na fazenda pode fazer toda a diferença no final das contas.

entressafra
(Fonte: Adaptado de Heringer)

Em vez de deixarmos tudo para última hora, um bom planejamento pode determinar o sucesso ou fracasso de uma safra.

Isso requer tempo e organização.

Nada melhor que aproveitar a entressafra para planejar as atividades de sua fazenda, garantindo melhores resultados nas safras seguintes.

Listei 4 coisas para você fazer durante essa época. Confira:

4 dicas essenciais para planejamento na entressafra

1. Organize as finanças da fazenda

Precisamos registrar tudo o que foi gasto com insumos, serviços, impostos e demais custos, e o que recebemos pela venda dos produtos.

E não há momento melhor para fazer isso que na entressafra. Afinal, todo o ciclo de cultivo anterior já foi finalizado.

Devemos elaborar um fluxo de caixa detalhado, mantendo um histórico da saúde financeira da propriedade.

Para te ajudar, deixo uma planilha gratuita para elaborar seu fluxo de caixa. Aproveite!

Finalizado o balanço da safra anterior, devemos começar os preparativos para a safra seguinte.

Com essas informações, somos capazes de planejar a próxima safra de acordo com o orçamento e melhorar nossa gestão.

2. Organize o estoque

A entressafra é a melhor hora para organizar o estoque da fazenda! Ninguém quer chegar na hora do plantio e descobrir que está faltando alguma coisa, não é mesmo?

A ideia é planejar para não fazer falta depois. Desde sementes e fertilizantes, até peças de reposição do maquinário e defensivos, tudo deve ser monitorado.

Mantenha o controle sobre o estoque da sua fazenda. Organize um fluxo de entrada e saídas dos insumos: a data da compra, vendedor, valor pago, quantidade disponível, quanto já foi utilizado, etc.

Separei aqui uma planilha gratuita de controle de estoque. Com certeza ela te ajudará nesse controle!

Essas informações do estoque já vão alimentando nosso fluxo de caixa, tornando tudo mais organizado conforme as operações são realizadas.

3. Planejamento das atividades

Com nosso estoque e fluxo de caixa em dia, podemos planejar melhor as atividades e fazer a gestão da fazenda.

A ideia é começar revisando todas as máquinas e equipamentos, realizando a manutenção do que for necessário.

Troca de óleo, pneus, regulagens… Tudo deve ser levado em conta. Para isso, é fundamental ter um estoque organizado e abastecido.

Previna-se! Pode parecer perda de tempo, mas na hora que precisarmos do maquinário, ele não nos deixará na mão.

Perceba que as coisas estão sempre interligadas: a parte financeira com o estoque, e, por sua vez, o estoque com a manutenção.

Não adianta apenas melhorar um ponto, devemos melhorar o nosso gerenciamento rural como um todo.

Por isso é tão importante organizar-se e planejar as atividades de sua fazenda.

entressafra
Exemplo de planejamento de atividades fácil e rápido com uso do software de gestão agrícola Aegro

4. Atualização

Conhecimento nunca é demais! Utilize o tempo da entressafra para realização de cursos e participar de eventos da área.

Vale atualizar seus conhecimentos sobre a produção agrícola, finanças e sobre o mercado.

Ah, e quem sabe até aprender mais sobre o funcionamento das máquinas para facilitar a manutenção e regulagem delas. Quem fica parado acaba ficando para trás!

Estudando um pouquinho sobre os fatores que afetam sua propriedade, você é capaz de tomar melhores decisões e tornar sua propriedade mais eficiente.

Lembre-se: ampliar o conhecimento não é gastar dinheiro, é investir no futuro.

Aproveite a entressafra para melhorar seu manejo

Buscamos sempre maior eficiência tentando aproveitar ao máximo o potencial produtivo de nossa propriedade.

Contudo, o efeito do clima sobre a culturas agrícolas torna a produção sazonal: a variação anual das condições ambientais faz com que o desenvolvimento das culturas também varie ao longo do ano.

Assim, conforme passa a estação chuvosa, as culturas tornam-se limitadas por um ou mais fatores climáticos, como água, temperatura e fotoperíodo.

O risco de insucesso torna-se maior e, portanto, as opções para ocupar a terra e tirar algum proveito são reduzidas.

A entressafra será tanto maior, quanto maiores forem as limitações para o desenvolvimento das culturas.

De qualquer maneira existem meios de aproveitar esse tempo improdutivo e alguns detalhes que podem ajudar em sua propriedade. Veja:

Uso de culturas de inverno

É uma possibilidade para expandir a janela de produção e garantir uma renda extra ou alimentação animal em locais onde não há limitação hídrica.

Diversificação de atividades

Adicionar a pecuária como atividade pode garantir a produtividade da fazenda durante a entressafra.

Devemos levar em conta que os animais precisam de pasto, silagem e/ou ração, os quais têm sua disponibilidade afetada pelo período de entressafra também.

Um bom planejamento é essencial! Não se faz nada da noite para o dia, ainda mais iniciando uma nova atividade na fazenda.

Manter o solo coberto

É inadmissível deixar o solo descoberto durante a entressafra. Além dos danos causados por erosão, temos uma infestação elevada de daninhas.

Seja com os resíduos da safra anterior ou alguma cultura de cobertura adaptada, mantenha o solo coberto.

Uma opção é o uso do consórcio milho-braquiária, onde a forrageira é mantida para a formação de pasto após a colheita do milho, em sistemas de integração lavoura pecuária (ILP) ou como cultura de cobertura apenas.

entressafra
(Fonte: Embrapa)

>>Leia mais: “Adubação verde e cultura de cobertura: como fazer?”

Oportunidades de negócio: Não se esqueça do mercado de preços agrícolas na entressafra

A sazonalidade da produção concentra a oferta de produtos agrícolas nas águas, quando a maioria das culturas são implantadas.

Isso faz com que o mercado seja inundado com a oferta do mesmo produto, o que derruba o preço.

Da mesma forma, na entressafra, o preço sobe, pois a oferta é mais baixa, já que não há grande produção nesse período.

A ideia aproveitar a entressafra para vender seus produtos, obtendo maior preço.

Claro que não é tão simples assim… É necessário ter uma estrutura de armazenamento da produção para vendê-la depois. Isso requer investimentos.

Pode não ser uma solução em curto prazo, mas é algo para se pensar. Isso pode fazer toda a diferença no futuro.

planilha de fluxo de caixa

Conclusão

Conferimos como o período de entressafra pode ser usado de forma proveitosa para a melhoria da fazenda.

Desde planejar a próxima safra e fazer o balanço da anterior, a entressafra pode ser utilizada para ampliar seus conhecimentos e preparar-se para o futuro.

Desse modo, utilizamos a entressafra de forma produtiva em nossa fazenda e conseguimos extrair o máximo potencial dela!

>> Leia mais: 

Apaga-fogo (Alternanthera tenella): como manejar essa planta daninha

Safra e safrinha: diferenças, dicas e cuidados para o produtor

Manejos pré-plantio: o que você precisa saber para começar bem a próxima safra

E você, tem aproveitado a entressafra para tirar o máximo do potencial de sua propriedade? Conte nos comentários! Abraços e até o próximo texto!

5 maneiras de melhorar seu gerenciamento rural

Gerenciamento rural: entenda como ele pode contribuir para uma fazenda mais eficiente e produtiva!

O setor agropecuário é muito competitivo. Não há espaço para amadorismo.

O produtor rural, que já era muito bom da porteira para dentro, agora tem de ajustar seu sistema de acordo com as exigências da porteira para fora.

Para isso, é fundamental que se tenha uma boa gestão das atividades da propriedade rural.

Reuni algumas dicas que vão facilitar o gerenciamento rural, ajudando a tornar seu sistema mais eficiente. Confira comigo!

Gerenciamento rural: como funciona o sistema

O cenário em que a produção agropecuária está inserida é complexo.

Temos as propriedades rurais em si, o mercado e os recursos que utilizamos para produzir.

Hoje já não adianta apenas conhecer muito bem o que acontece porteira adentro. É preciso saber o que acontece fora dela também!

Fatores externos à propriedade, como a economia global, câmbio e mesmo as leis e impostos, afetam diretamente o agronegócio brasileiro.

Mais que produzir, precisamos gerenciar e administrar bem essas informações para obtermos os melhores resultados em nossa propriedade.

Muitas vezes isso requer grandes mudanças no sistema produtivo.

Esteja aberto a mudar seu ponto de vista para não ficar para trás!

Um bom gerenciamento rural exige que o modo como se encara a atividade agrícola mude: os produtores rurais devem ver sua propriedade como uma empresa rural.

Aplicando o conceito de empresa rural, seremos capazes de gerenciar todas as atividades e ter controle das finanças.

Além disso, podemos analisar melhor o mercado e avaliar o desempenho da empresa, tornando-a mais eficiente e rentável a longo prazo.

Isso requer um bom gerenciamento rural.

Mas antes de falar do gerenciamento propriamente dito, temos que nos familiarizar com alguns conceitos chave: empresa rural, gestão agrícola e administração rural.

Calma, meus amigos! Parece muita coisa, mas não é! Aqui no Blog do Aegro temos muito material para te ajudar, como nos dois textos que sugiro abaixo:

>>“O que é administração rural e como usar em sua propriedade”

>>“Como negociar preços mesmo sendo pequeno produtor através da gestão de fazendas”

Isso vai te ajudar a entender a importância de se organizar e gerenciar para melhorar os resultados de sua empresa rural.

gerenciamento rural
Exemplo de gerenciamento rural fácil e ágil do Aegro

5 maneiras para melhorar seu gerenciamento rural

1. Tenha sempre um bom plano

Nossa empresa rural deve ser dinâmica, como se fosse um veículo em movimento fazendo a rota de entrega.

O planejamento são os detalhes dessa viagem: as rotas disponíveis até o destino, as possíveis paradas, o quanto vamos gastar, o que devemos levar na viagem, etc.

No percurso, podemos errar o caminho ou aparecer um obstáculo na pista e termos que desviar. Nessas horas, conhecer rotas diferentes para chegar ao destino final é importante!

Um bom planejamento faz isso: te mostra os melhores caminhos a seguir e como contornar adversidades caso elas apareçam durante o percurso!

Controle de atividades agrícolas no Aegro
Exemplo de cronograma de atividades dentro do planejamento no Aegro

Mas, para decidir qual caminho é o melhor naquele momento, precisamos de um bom motorista… Por isso:

2. Gerenciamento rural: “você no volante”

O gerenciamento rural permite que você assuma o volante deste veículo. Você passa a controlar cada detalhe da sua empresa durante a jornada até a venda da produção.

Gerenciar é controlar as diversas atividades que compõe o dia a dia de nossa empresa. Faz parte disso manter um histórico detalhado de todos os processos que auxiliem na tomada de decisão.

Em outras palavras: sabendo onde estamos, podemos, então, decidir para onde ir.

Como ao dirigirmos, é necessário prestar atenção ao redor antes de tomar as decisões. Ou seja, ficar atento às coisas que estão acontecendo no ambiente em que sua empresa está inserida.

O modo como o mercado funciona, que produto ele exige e quanto paga por esse produto são coisas que o empresário rural deve se perguntar e entender.

Essas perguntas são importantes para avaliarmos o desempenho da nossa empresa e podem definir tudo que acontece dentro da porteira.

gerenciamento rural
(Fonte: Datacoper)

3. Estoque: O “tanque de combustível” da nossa empresa

De maneira simplificada, o estoque é o tanque de combustível do nosso veículo.

O combustível da nossa empresa são os insumos que utilizamos para produzir: sementes, adubos, produtos fitossanitários, diesel, peças de trator, etc.

Ninguém quer parar no meio do caminho porque acabou a gasolina, não é mesmo?  

Quantidades insuficientes de insumos podem atrasar ou inviabilizar o plantio, a cobertura e os tratos culturais.

É necessário mantermos um estoque organizado e um fluxo de entradas e saídas detalhado: de onde compramos, quanto pagamos, quantidade disponível em estoque e onde estão guardados (qual galpão, por exemplo).

Para te ajudar, vou deixar uma planilha gratuita de controle de estoque para você pôr a mão na massa!

4. Não deixe para última hora

Com o estoque em ordem, podemos agora planejar melhor as atividades da propriedade, buscando maior eficiência nas operações.

Inicialmente programamos e realizamos a revisão e manutenção do maquinário.

Em seguida, detalhamos o que cada operação irá precisar, desde insumos, máquinas, operadores e época correta de realização.

A ideia é planejar cada operação!

Desse modo, as máquinas ficam prontas para o trabalho e, para cada atividade, a quantidade de insumos e pessoal estará ajustada.

Além disso, as operações ficam organizadas ao longo do ano para que não haja problemas.

Com essas medidas, é possível maximizar a qualidade das operações, o uso de insumos e de pessoal. Evitamos contratempos e gastos desnecessários.

5. Fluxo de caixa: será que a conta vai fechar?

O fluxo de caixa consiste no monitoramento das entradas e saídas de dinheiro do empreendimento.

Voltando à analogia do nosso veículo: precisamos manter um registro de todos os custos e despesas para que eles não sejam maiores que o valor que receberemos pelo frete ao chegar no destino.

A ideia é manter um histórico detalhado do que foi gasto com sementes, adubos, serviços de terceiros, fretes, imposto, entre outros; e do que recebemos pelas vendas de nossos produtos.

Assim podemos elaborar um fluxo de caixa e descobrir se estamos realmente obtendo lucro ou mesmo como reduzir custos.

Separei uma planilha gratuita de fluxo de caixa que, com certeza, facilitará seu dia a dia!

Simplifique seu gerenciamento rural

Existem várias maneiras de realizar o gerenciamento rural.

Podemos anotar em cadernos e planilhas, mas são tantas informações que fica difícil manter organizado. E, pior, fica difícil quando o produtor precisa extrair algo de útil para o futuro da empresa.

Além disso, quando queremos um maior nível de detalhamento, talhão a talhão, por exemplo, a coisa se complica.

Mas um software de gestão agrícola, como o Aegro, facilita esse gerenciamento da nossa empresa rural!

Com ele, conseguimos controlar o estoque detalhadamente, planejar as atividades da fazenda, manter um fluxo de caixa automatizado, a ainda obter relatórios de custos e rentabilidade.

gerenciamento rural
Exemplo de análise de rentabilidade em uma fazenda pelo Aegro

Confira algumas opções para começar a gerenciar sua propriedade com o Aegro agora mesmo:

  • Teste grátis do sistema completo por 7 dias (clique aqui);
  • Aplicativo gratuito para celular Android (clique aqui);
  • Aplicativo gratuito para celular iOS (clique aqui);
  • Utilize seus Pontos Bayer para contratar a versão completa do Aegro (clique aqui).

Conclusões

Conferimos como o gerenciamento rural é fundamental para conduzirmos nossa empresa. E ele não precisa ser um bicho de sete cabeças!

Com um bom gerenciamento, conhecemos a fundo nosso sistema e controlamos cada passo para melhorarmos o desempenho e alcançar nosso objetivo.

Nossa empresa passa a ser mais eficiente e dinâmica, pronta para enfrentar as adversidades que possam surgir.

Você pode começar o seu gerenciamento rural com as planilhas de controle de estoque e fluxo de caixa. Mas vale a pena investir em um software de gestão agrícola para agilizar esses processos na sua fazenda.

>> Leia mais:

“Como utilizar a entressafra de maneira produtiva em sua fazenda”

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Poda do cafezal: como fazer para aumentar sua produção

Cafezal: esqueletamento, decote e outras… Saiba quando é melhor fazer e qual tipo de poda é mais adequado para alcançar ganhos de produtividade.

Na cafeicultura moderna, as podas são essenciais para um bom manejo do cafezal.

São vários tipos de podas possíveis e a mais adequada para cada talhão pode ser diferente.

É preciso conhecer detalhadamente seu cafezal para escolher a poda correta e não sair “quebrando galho por aí”.

A seguir, confira algumas dicas de como realizar as podas no seu cafezal e mantê-lo produtivo por mais tempo!

Tipos de podas: como escolher a melhor para a lavoura

Podas como decote e desponte são consideradas leves, enquanto o esqueletamento e a recepa são mais drásticas.

O ideal é que se comece pelas podas mais leves, progredindo até podas mais drásticas, conforme a necessidade da lavoura.  

Mas cada caso é específico. Dependendo da situação do cafezal, medidas mais drásticas devem tomadas imediatamente.

Vou falar mais sobre as indicações e como fazer cada uma dessas podas:

Decote

O decote é uma “poda alta” e leve, onde os cortes são feitos na parte superior da copa da planta.

A altura de corte depende do estado da lavoura e da cultivar utilizada, mas geralmente é feita entre 1,2 m e 2 m de altura.

Quanto mais alto o corte, maior será a produção no ano seguinte.

O decote é utilizado principalmente reduzir a altura da planta e facilitar a mecanização, além de corrigir deformações e diminuir o fechamento.

Dependendo do decote executado, a produção seguinte será mais baixa e, portanto, o custo de colheita relativo a esses frutos será alto. O produtor deve se atentar.

Caso as plantas estejam com produção apenas nas pontas dos ramos laterais, o decote não terá bom resultado.

Nesse caso, é necessário partir para outro tipo de poda: esqueletamento/desponte.

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Cafeeiro decotado (A) e cafeeiro decotado com condução dos brotos (B)
(Fonte: Boletim Técnico Cati em Esalq/USP)

Esqueletamento/Desponte

Ambos consistem no corte dos ramos plagiotrópicos em direção ao ortotrópico (tronco).

Enquanto no esqueletamento o corte é mais drástico, feito a cerca de 30 cm de distância, no desponte ele é mais leve, feito a cerca de 60 cm.

A finalidade dessa poda é renovar os ramos produtivos e diminuir o fechamento da rua no caso de lavouras mais adensadas.

A dica é associar essas podas a um decote. Assim, quebra-se a dominância apical da planta e estimula-se brotações laterais.

Após um ano de safra alta, realiza-se esqueletamento/desponte.

No primeiro ano, a safra será zerada e o cafezal terá apenas seu crescimento vegetativo.

cafezal

Cafeeiro após esqueletamento (A) e cafeeiro após brotação (B)
(Fonte: Boletim Técnico Cati em Esalq/USP)

No segundo ano, devido a todo esse crescimento, o cafezal irá produzir uma safra alta.

Essa combinação: safra zero, seguida de safra alta reduz as operações de colheita pela metade e, consequentemente, os custos dessa operação.

Ao mesmo tempo, ela mantém uma média de produtividade elevada para os dois anos, o que pode compensar financeiramente.

Isso porque colheita e mão de obra podem representar mais de 30% dos custos anuais de uma lavoura.

Esse comportamento é a base do chamado “Sistema Safra Zero ou Safra Cem”, adotado por muitos produtores. Vou falar especificamente sobre isso mais a frente!

Recepa

A recepa é uma poda drástica e consiste no corte do tronco próximo ao solo para renovar toda a copa do cafeeiro.

Na recepa baixa, corta-se a 30 cm a 40 cm do solo; na alta, a 60 cm.

Ela deve ser utilizada somente quando o cafezal estiver com poucos ramos produtivos da saia ou danos severos de geada.

A recepa bem-feita garante bom rebrote do café, sem morte de plantas.

Recomenda-se a realização do corte inclinado, para que não acumule água no tronco, o que pode ser porta de entrada para patógenos.

O cafezal só voltará a produzir no segundo ano após a realização da recepa, portanto deve-se avaliar muito bem a necessidade dessa poda, talhão a talhão.

A recepa é o último recurso do cafeicultor antes da renovação do cafezal.

Em casos onde a lavoura é velha ou tem histórico de baixa produtividade, a renovação terá melhor custo-benefício.

cafezal
Primeira produção após a recepa
(Fonte: Humberto Filho, Aiba)

Sistema safra zero

Esse sistema consiste na utilização da prática do esqueletamento periódica, a cada dois anos, como forma de manejo.

Para evitar ficar um ano sem produzir na propriedade, a dica é escalonar a poda nos talhões para que se tenha uma parte da propriedade em alta e outra na safra zero.

Desse modo, colhemos café todo ano e ainda temos os benefícios do sistema safra zero.

A adoção do safra zero deve ser avaliada caso a caso, pois nem sempre ele será vantajoso.

Depende de cada sistema de produção, por isso é necessário conhecer bem seu cafezal.

cafezal

Florada no segundo ano do cafezal submetido ao sistema safra zero
(Foto: Giovani Voltolini, em Revista Agronegócios)

Quando optar pela poda do cafezal

As podas não podem ser realizadas ao acaso. No planejamento, alguns pontos devem ser observados para se obter o resultado esperado.

Lavouras velhas não respondem bem às podas, portanto, a idade da lavoura de café deve ser considerada.

Cultivares mais vigorosas exigem podas mais frequentes e se recuperam melhor de podas mais drásticas.

Também temos que observar a sanidade da lavoura.

O ataque de pragas, doenças, a presença de plantas daninhas e o depauperamento  (enfraquecimento) podem prejudicar a recuperação do cafezal após a poda.

No caso de lavouras antigas ou onde já existem falhas e a população de plantas é baixa, provavelmente a renovação do cafezal será o melhor caminho.

E qual a melhor época do calendário agrícola para fazer a poda do cafezal?

As podas do cafezal devem ser realizadas preferencialmente em anos de alta produção, logo após o fim da colheita.

Quanto mais cedo elas forem realizadas, mais tempo o café tem para se recuperar, crescer e produzir.

Em locais onde há risco de geada, indica-se a realização das podas no mês de maior risco, para evitar perdas.

cafezal

Época ideal para poda esqueletamento + decote
(Fonte: Garcia, 2007, em Epamig)

Além da melhor época, algumas outras práticas são necessárias para o sucesso da poda do cafezal:

Desbrota: prática fundamental para o sucesso das podas

A desbrota deve ser realizada desde o início da lavoura, com a retirada de ramos ladrões.

Ela também garante o sucesso das podas, eliminando as brotações excessivas que possam aparecer.

A desbrota deve ser realizada com as brotações ainda jovens, deixando-se apenas o número adequado de hastes por planta.

Geralmente conduz-se apenas uma haste, mas esse número pode variar com espaçamento.

Um caso à parte: Poda no café conilon

Por ser uma planta multicaule, não há emprego da desbrota e, embora as finalidades das podas possam ser as mesmas, o café conilon tem podas distintas das do arábica.

Isso seria um tema para outro texto!

Para mais informações sobre poda em café conilon você pode acessar aqui a publicação da Embrapa sobre o assunto.

Atenção após a poda do cafezal

A poda, apesar de ser uma ferramenta de manejo, também causar estresse ao cafeeiro.

A planta tem que mobilizar suas reservas para retomar o crescimento das partes podadas, o que acarreta na morte de raízes e até de plantas, se já estiverem depauperadas.

Isso é tanto pior, quanto mais drástica for a poda.

Cafezais podados recentemente devem ter cuidado especial quanto à nutrição e controle fitossanitário.

cafezal
(Foto: Claudio Bezerra Mello em Embrapa)

Importância da poda para seu cafezal

A cafeicultura passou por um processo de modernização a partir dos anos 1970/80.

Foram introduzidas variedades mais vigorosas e produtivas e o cafezal passou a ser cultivado em renques.

Isso gerou um grande aumento na população de plantas e na produtividade.

Contudo, alguns problemas que não ocorriam com frequência começaram a aparecer: perda dos ramos produtivos inferiores, exaustão das plantas devido à alta produção, fechamento da lavoura, entre outros.

Nesse cenário, a técnica da poda passou a ser uma importante aliada do produtor.

Se no início de sua adoção a finalidade era apenas corrigir o erro de manejo, hoje ela já é incorporada ao planejamento do cafezal.

Ela ajuda a corrigir os problemas, mas principalmente, auxilia na condução e renovação da lavoura como forma de prevenção.

cafezal
Poda do cafezal é estratégica para alcançar melhor produtividade
(Fonte: Revista Globo Rural)

Finalidade das podas do cafezal

O uso das podas como ferramenta de manejo tem várias finalidades:

  • Renovar os ramos produtivos;
  • Adequar a arquitetura da planta para tratos culturais;
  • Atenuar a bienalidade;
  • Reduzir os danos causados por eventos climáticos (geadas, vento, etc), pragas agrícolas e doenças;
  • Alterar o microclima (luminosidade, aeração);
  • Revigorar plantas debilitadas.

Cada tipo de poda irá atuar em alguns desses pontos. A escolha do tipo de poda correta para o cafezal é fundamental! Mais adiante, vou explicar melhor cada uma delas.

Peça auxílio a um consultor agrícola de sua confiança a fim realizar as podas corretamente e alcançar o objetivo desejado.

planilha adubação de café

Conclusão

Como pudemos conferir, cada tipo de poda representa uma ferramenta com finalidade distinta.

A ferramenta correta deve ser utilizada para alcançar o objetivo do trabalho.

Por isso, o cafeicultor deve conhecer cada um dos tipos de poda, sua finalidade e a utilizá-la na época correta. Assim, obtemos os melhores resultados.

Vimos aqui que o manejo correto das podas promove a renovação do cafezal, ganhos em vida útil e até melhorias na produtividade do cafezal!

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Acerte no adubo líquido para café e não jogue dinheiro fora

Pós colheita do café: Tendências e perspectivas para cafés de qualidade (+ cuidados com a lavoura)

“Como o uso de drones na pulverização do cafeeiro pode trazer economia e eficiência nas aplicações”


Restou alguma dúvida sobre as podas do cafezal? Conte pra nós nos comentários abaixo! Forte abraço e até a próxima.

Contabilidade do agronegócio: como funciona e benefícios

Contabilidade do agronegócio: por que a conta da fazenda não fecha? Veja 5 passos para organizar as finanças e outras informações para ter maior eficiência na propriedade.

Qual será o custo de produção dessa safra? Que atividade gera mais lucro?

Por que a colheita é farta, mas sempre é um “Deus nos acuda” para pagar as contas?

Se você se identifica com alguma dessas perguntas, você pode ter um problema nas mãos…

Mas uma boa contabilidade rural pode te ajudar a responder essas perguntas e ainda ter controle sobre as finanças e desempenho do seu negócio. Confira como a seguir!

O que é a contabilidade do agronegócio

A contabilidade agrícola ou do agronegócio é o processo em que são organizadas as contas e outras obrigações fiscais e tributárias das empresas rurais.

A contabilidade do agronegócio controla toda a parte econômica e financeira das propriedades rurais, registrando compras, vendas, recebimentos e pagamentos.

Com essas informações, são gerados demonstrativos e relatórios da situação atual da empresa.

A análise desses relatórios funciona como um “exame de sangue”, apontando o que há de errado com a saúde financeira da propriedade rural.

Com a apuração dos resultados fazemos o planejamento da empresa rural e implementamos mudanças, buscando maior eficiência e melhoria da situação econômica.

O impacto das mudanças adotadas é avaliado novamente pela contabilidade e todo o processo é repetido para a nova realidade.

A ideia é melhorar sucessivamente e a contabilidade é fundamental para isso!

Como funciona a contabilidade do agronegócio

Para fazer a contabilidade do agronegócio, é necessário realizar o registro de todas as compras, vendas, recebimentos, pagamentos de fornecedores, fluxo de caixa, impostos, entre outros.

Ter todos esses registros fica mais fácil de controlar a propriedade rural, estruturando estratégias que irão ajudar na manutenção do negócio.

Esses dados ajudarão a verificar como está a saúde financeira da propriedade e onde estão os problemas. 

Com os problemas identificados, pode ser feito um planejamento para a correção de erros e implementação de mudanças. 

É importante destacar que um profissional de contabilidade pode dar todo o suporte, trazendo maior confiabilidade para as finanças do agronegócio.

Qual a importância da contabilidade no agronegócio

A contabilidade no agronegócio é fundamental, pois permite às empresas do setor se adequarem ao sistema tributário brasileiro, que é bastante complexo.

Dessa forma, são mantidas a estabilidade e a saúde financeira, preservando, assim, a capacidade de investimento e a maximização de lucros.

Como a produção do agronegócio está diretamente relacionada a produtos vivos, como plantações ou animais, esse fato por si só torna a contabilidade rural ainda mais complexa.

Além de todas as questões tributárias, o clima também influencia muito no faturamento, ainda mais quando existem mudanças climáticas que causam grandes perdas.

Portanto, se você tem um bom planejamento, é possível gerenciar bem as finanças e trazer mais facilidade para o dia a dia da gestão.

Qual é o principal objetivo da contabilidade da empresa rural

O principal objetivo da contabilidade do agronegócio é direcionar e planejar as operações agrícolas e pecuárias, de modo que seja possível medir corretamente a performance financeira de cada atividade realizada na fazenda.

Na prática, uma boa contabilidade rural desempenha tarefas de registro, interpretação e análise de dados, que possibilitam um controle de custos melhor e mais eficaz.

Dessa forma, consegue fornecer insight valiosos que podem contribuir para uma gestão fiscal e tributária melhor.

Como se realiza a contabilidade em uma propriedade rural

Para aplicar a contabilidade do agronegócio, primeiramente, é preciso ser feito um estudo sobre a terra, equipamentos, fertilizantes, entre outros ativos e passivos.

Deve-se verificar, inclusive, empréstimos bancários, financiamentos e o patrimônio líquido da propriedade rural.

Para melhor controle e gestão desses dados, é recomendável que as informações estejam especificadas em uma planilha ou software de gestão agrícola, como o Aegro.

Contabilidade do agronegócio: quando a conta não fecha

É muito comum acharmos que o nosso negócio dá lucro, quando na verdade está nos colocando no vermelho!

Mas por que isso ocorre? Como diria um professor meu: “o cara não faz a conta!”

É realmente esse o problema. Mas não é tão simples: isso é consequência de falhas anteriores como:

  • Não registrar corretamente os custos, despesas e receitas
  • Desorganização financeira
  • Não separar o que é “da casa” do que é “da empresa”

A contabilidade rural pode te auxiliar a corrigir essas falhas,  conhecer melhor o seu negócio e como ele está inserido no mercado.

Isso possibilita a avaliação da viabilidade financeira e melhoria da empresa.

     contabilidade do agronegocio
Exemplo de controle de operações de uma fazenda pelo Aegro

Benefícios da contabilidade rural

A contabilidade rural é essencial, é uma atividade que vai além da simples organização financeira e de uma ferramenta de organização fiscal e tributária.

Trata-se de uma forma de compreender qual é a realidade econômica do seu negócio. Com a análise do balanço patrimonial e a demonstração do resultado do exercício, a empresa consegue mergulhar na sua situação financeira a partir de várias perspectivas, entendendo sua liquidez, o retorno sobre investimento e a confiabilidade de sua estrutura.

Além disso, auxilia o produtor a ter uma visão macro do empreendimento. Essa visão sobre a situação financeira permite ao produto fazer um planejamento com maior eficiência.

Ou seja, com base nas informações contábeis, é possível criar planos de ação e adotar estratégias capazes de impactar o negócio. A visão macro possibilita que o empreendedor identifique rapidamente os pontos positivos e negativos sobre sua operação, permitiando uma tomada de decisão ágil e precisa.

Com isso, os resultados da sua empresa rural melhoram. O motivo para isso é simples, as atividades contábeis permitem medir o desempenho econômico-financeiro da empresa e de cada atividade realizada.

Com maior conhecimento acerca de sua capacidade financeira e de suas obrigações de curto e longo prazo, é possível planejar os investimentos da melhor maneira, contribuindo com o seu planejamento financeiro.

5 passos para aplicar a contabilidade na sua fazenda

1º passo: Mude seu ponto de vista

A contabilidade agrícola está inserida no contexto de empresa rural.

Sua utilização passa por uma mudança no modo como se encara a atividade: sai de cena a desorganização, entram o planejamento, as avaliações e as decisões conscientes.

A falta de organização financeira dificulta a vida do produtor.

Ele não é capaz de identificar os custos de cada plantio, a receita e nem a rentabilidade de cada atividade.

E a situação piora quando mais de uma atividade agropecuária é realizada na propriedade rural…

Sem o conhecimento sobre a situação financeira atual, fica cada vez mais difícil dar um passo à frente.

A contabilidade do agronegócio mostra os vários caminhos e te dá embasamento para decidir qual deles é melhor seguir.

2º passo: Cada detalhe importa na hora de fazer as contas

É importante que você registre detalhadamente todos os custos, despesas e receitas de cada atividade rural.

Por exemplo, se produzimos milho para grãos e também leite.

As informações contábeis das duas atividades rurais devem ser organizadas de forma que não se misturem.

Os gastos com sementes, adubos e etc., vão para a contabilidade do milho; os gastos com ordenha e ração, para a do leite.

Com o tempo vamos aumentando o grau de detalhamento e anotando os dados de cada atividade em grupos menores, em talhões ou lotes de animais, por exemplo.

Desse modo, temos como calcular a rentabilidade de cada atividade e saber qual delas é o carro chefe ou se temos prejuízo em alguma delas.

contabilidade do agronegócio
Com Aegro você consegue visualizar os custos por operação de modo fácil e automatizado.
Saiba mais sobre o software agrícola aqui.

3º passo: Não misture casa e trabalho

A maioria dos produtores é de pequeno e médio porte.

Como as atividades são comandadas e executadas pela própria família, é comum que as coisas se misturem.

O que foi gasto nos afazeres da casa se mistura com o que foi gasto na lavoura e vice-versa.

Fica difícil extrair alguma informação útil ao negócio.

Por isso, é extremamente importante que o registro das informações contábeis seja organizado e individualizado.

Devemos elaborar um fluxo de caixa para casa e outro para a empresa. São atividades completamente distintas.

Fazendo essa discriminação, entende-se exatamente como o negócio está financeiramente.

Tem-se o controle sobre ele e se consegue tomar melhores decisões.

Por isso, não leve o trabalho para casa (nem a casa para o trabalho)!

Você pode começar baixando gratuitamente nosso kit de controle de caixa e finanças da fazenda, contendo uma planilha de fluxo de caixa e de conciliação bancária. Clique na imagem para baixar!

4º passo: Tudo a seu tempo

A principal diferença da contabilidade do agronegócio para a de outras empresas é a sazonalidade.

A renda se concentra no período após a colheita dos produtos agrícolas.

Enquanto a maioria da empresas encerra seu exercício social no final do ano, a empresa rural deve fechar a contabilidade ao final do ano agrícola. E isso geralmente ocorre no meio do ano.

No caso de quem realiza diferentes atividades, o ideal é que se finalize o exercício após a colheita/venda da atividade que gera maior valor no período.

5º passo: Separe o que é despesa e o que é custo

Os custos dizem respeito aos gastos que podem ser associados ao produto final, seja para sua produção ou prestação de serviços.

Por exemplo: sementes, adubo, diesel, manutenção de máquinas agrícolas e mão de obra, etc.

As despesas se relacionam mais com consumo de bens ou serviços. Contas de água, luz, aluguel, salário de funcionários e impostos.

contabilidade do agronegócio
(Fonte: Capello em Cepea/USP)

Os impostos representam uma parte significativa dos gastos de uma propriedade rural e precisamos contabilizá-los. Vou explicar melhor abaixo.

Contabilidade do agronegócio: impostos

Para falarmos de impostos, primeiro precisamos definir as formas de exploração do agronegócio: pessoa física ou pessoa jurídica.

A pessoa física corresponde ao indivíduo, a cada produtor individualmente.

A maioria dos produtores rurais adota a pessoa física, pois a tributação e a contabilidade é mais simples.

Já os grandes produtores (alto faturamento) estão sujeitos à mesma tributação de pessoas jurídicas.

Você pode ter alguns benefícios ao se tornar uma pessoa jurídica, sobretudo na questão do imposto para produtor rural. Veja neste artigo mais sobre isso.

A pessoa jurídica pode representar um empresário rural individual ou corresponde à união de indivíduos perante a lei para constituir uma nova pessoa.

Assim, são formadas as empresas, cooperativas e associações.

(Fonte: Coopertradição)

>> Leia mais: “Conheça os 4 principais impostos obrigatórios na tributação do produtor rural

E quais impostos preciso considerar?

O Imposto Territorial Rural é calculado sobre o valor do imóvel rural e leva em conta também a produtividade do imóvel.

No caso de venda do imóvel, temos também que separar o que é terra nua e o que são benfeitorias, pois são tributadas de forma diferente.

Para pessoa física, as principais tarifas são o ICMS, o Imposto de Renda (IR) e o Funrural.

O produtor pode ser isento de pagar ICMS em alguns casos, mas sempre estará sujeito ao IR.

A tabela do Imposto de Renda para o produtor rural varia de 7,5% a 27,5%.

Ela é aplicada sobre o lucro (ou de forma arbitrada sobre 20% da receita bruta) mais os rendimentos tributáveis (salários, pró-labores, aluguéis, etc).

O produtor que possui trabalhadores empregados e que comercializa seus produtos, deve pagar o Funrural. 

Se o produtor optar por calcular o Funrural sobre o valor da produção agrícola, a alíquota total é de 1,5%, sendo 1,2% referente ao INSS, 0,1% para o RAT e 0,2% para o SENAR.

Caso o produtor opte por calcular o Funrural pela folha de pagamento, a alíquota total é de 23% sobre o valor dos salários, sendo 20% referente ao INSS e 3% para o RAT.

Para atividades realizadas por pessoa jurídica, a tributação é mais complexa.

Os tributos nesse caso são:

  • Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ)
  • Contribuição Social sobre Lucro Líquido (CSLL)
  • Programa de Integração Social (PIS)
  • Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins)
  • Fundo de Assistência ao Trabalhador Rural (Funrural)

Cada um deles tem condições específicas que podem ser consultadas no site da Receita Federal.

No caso do Funrural, o produtor que tem trabalhadores contratados e comercializa sua produção, deve pagar o imposto. Sobre o valor da produção, a alíquota é de 2,05%, sendo 1,7% referente ao INSS, 0,1% para o RAT e 0,25% para o SENAR.

Caso o produtor opte pelo recolhimento sobre a folha de pagamentos, a alíquota é a mesma do produtor pessoa física.

Não podemos nos esquecer desses impostos na hora de realizar a contabilidade do agronegócio.

banner de chamada para gestão fiscal

Plano de contas: o que é?

A definição de plano de contas se confunde com a da própria contabilidade.

O plano de contas é o registro detalhado dos dados e de forma padronizada, permitindo a gestão de custos de produção e o valor dos insumos no estoque.

Com ele, podemos verificar a viabilidade financeira da nossa empresa.

O plano de contas é igual para qualquer empresa, o diferencial é o detalhamento dos itens para as empresas rurais.

As plantas e animais são considerados estoques (ativo biológico) e devem ser contabilizados de forma individual para cada categoria.

Peças de reposição, óleo diesel, benfeitorias, entre outros, têm categorias específicas que devem ser detalhadas no plano de contas.

Pra tudo é dado um valor e esse valor é utilizado para calcular os custos e a rentabilidade de cada atividade e da empresa como um todo.

Falando em estoque, clique na figura para baixar gratuitamente uma planilha para controle mais preciso do seu estoque.

Banner para baixar o kit de planejamento tributário rural

Ajuda é sempre bem-vinda

É sempre bom contar com a ajuda de alguém na lida no campo, não é mesmo?

Na contabilidade é a mesma coisa!

Não tente fazer tudo sozinho. Mexer com números pode parecer difícil, mas com a ajuda certa você ficará craque no assunto.

Planilhas agrícolas e software de gestão agrícola te ajudam a deixar tudo mais organizado, sem perda de tempo e permitindo acesso rápido às suas informações.

Assim, sua contabilidade ficará organizada e acessível, permitindo que seja usada no processo de tomada de decisão e melhoria de sua empresa agrícola.

Facilite a gestão agrícola com o Aegro

Centralizar e armazenar as informações do negócio em um único sistema, evita a perda de dados e torna mais fácil a análise dessas informações.

O Aegro centraliza todas as informações, desde o planejamento, produção, financeiro até o pós-venda. Mas apenas armazenar, não garante a análise dos dados, correto? 

Para simplificar, o sistema gera relatórios baseados nestes dados, simplificando a análise de os resultados por safra e por talhão.

Centralizar e armazenar as informações do negócio em um único sistema, evita a perda de dados e torna mais fácil a análise dessas informações.

O Aegro centraliza todas as informações, desde o planejamento, produção, financeiro até o pós-venda. Mas apenas armazenar, não garante a análise dos dados, correto? 

Para simplificar, o sistema gera relatórios baseados nestes dados, simplificando a análise de os resultados por safra e por talhão.

O indicador de Rentabilidade do Aegro ajuda a analisar a relação de despesas e receitas da safra
(Fonte: Aegro)

Com o histórico das safras anteriores e análise dos custos, fica mais fácil identificar oportunidades de economia e redução de custos, tornando cada safra cada vez mais produtiva e rentável.

Mesmo que você tenha um contador para ajudar na gestão contábil da fazenda, o sistema facilita a comunicação e troca de informações com a contabilidade. Você pode transmitir relatórios e dados do sistema direto para o seu contador, ganhando tempo e evitando falta de dados. E se quiser facilitar ainda mais, basta dar acesso ao seu contador criando um perfil para ele no Aegro.

Conclusão

A contabilidade do agronegócio é uma ferramenta que auxilia o produtor ou empresário rural a entender como vai o seu negócio.

Com uma contabilidade bem feita controlamos nosso patrimônio e temos informações precisas sobre o desempenho econômico da empresa.

Assim, é possível planejar o próximo passo e tomar decisões melhores para o futuro de nossa empresa.

>> Leia mais:

“Livro caixa digital do produtor rural (LCDPR): Tudo o que você deve saber

“Como fazer administração rural com essas 3 ferramentas mesmo não sabendo nada de tecnologia”

Nota fiscal eletrônica de produtor rural obrigatória? Veja o que fazer

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Foto da autora Mariana, sorrindo com uma parede vermelha no fundo

Atualizado em 10 de outubro de 2023 por Mariana Rezende

Sou formada em Economia e mestre em Economia Aplicada pela Universidade Federal de Juiz de Fora. Atualmente sou doutoranda no Programa de Pós-Graduação em Economia e graduanda de Ciências Contábeis na mesma instituição.

Conceito de empresa rural: use em sua fazenda e melhore seu negócio

Conceito de empresa rural: Saiba como tratar sua fazenda desse modo te ajuda a entender o mercado e impulsionar seus negócios.

O mercado agrícola está cada vez mais competitivo. Isso significa que não há mais espaço para desorganização e amadorismo.

Sua propriedade deve ser encarada como uma empresa e, para isso, é necessário conhecer todos os fatores de produção e mercado. Em outras palavras: é preciso administração e gestão!

Entender o conceito de empresa rural ajuda a administrar melhor seu negócio e orienta sua produção para o mercado.

Isso garante maior lucratividade, eficiência e profissionalismo. Confira como a seguir:

O conceito de empresa dentro do ambiente agrícola

A produção agrícola está inserida em um ambiente de incertezas e muitos riscos.

Como em qualquer outra atividade econômica, há diversos fatores que nós não conseguimos controlar. São questões, por exemplo, de mercado interno e externo, alterações na legislação vigente e política econômica. Mas, no caso do setor rural, temos ainda um agravante: o clima!

De nada adianta o mercado e as políticas estarem favoráveis se o clima não colaborar. Isso não quer dizer que você pode ignorar os fatores que não controla – muito pelo contrário! É preciso estar atento e monitorá-los.

Dessa forma, você consegue entender melhor como o sistema produtivo funciona e passa a ser o protagonista em seu negócio! É nesse contexto que se encaixa o conceito de empresa rural. Vou te explicar melhor:

O conceito de empresa rural orienta sua produção para o mercado

De forma resumida, a empresa rural é definida como aquela que realiza atividades agrícolas com produção voltada ao mercado visando lucro. Atividades de subsistência não estão inclusas.

O empresário rural tem foco na administração e gestão do sistema e sempre busca melhorias para seus colaboradores e consumidores.

O objetivo de uma empresa rural não é apenas produzir. É obter o melhor custo-benefício dentro do mercado que se deseja explorar.

Portanto, é necessário conhecer o ambiente em que sua empresa está inserida, os detalhes da produção e comercialização do produto para obter os melhores resultados.

O conceito de empresa rural pode ajudar você a melhorar seu negócio, torná-lo mais organizado e lucrativo. Vou te dar algumas dicas!

Como aplicar o conceito de empresa rural na fazenda?

Aplicar o conceito de empresa rural em sua fazenda passa por uma mudança no modo como se encara a atividade.

Aquela imagem de uma fazenda desorganizada, onde não há planejamento e as decisões são tomadas sem embasamento precisa ser deixada de lado!

Em uma empresa rural tudo é feito de acordo com as exigências do mercado, com planejamento embasado nos conhecimentos técnicos, nos dados climáticos e com as finanças sempre controladas.

É fundamental, portanto, uma boa administração e uma boa gestão rural!

Ambas são ferramentas que auxiliam os empresários rurais na tomada de decisão, visando melhorias na empresa rural.

Enquanto a administração se refere ao conhecimento mais amplo da empresa, com foco nas finanças e no pessoal, a gestão é mais detalhada e foca principalmente nas operações da fazenda.

2-conceito-de-empresa-rural
Exemplo de controle das operações agrícolas pelo Aegro

Aqui nós explicamos melhor o que é administração rural e como usar em sua propriedade!

Existem quatro grandes áreas dentro de uma empresa rural que precisam ser administradas e geridas. São elas: produção, recursos humanos, finanças e comercialização.

Para isso, um bom planejamento é importante.

Conhecendo a empresa, as oportunidades de mercado e as finanças, é possível definir o objetivo de sua empresa e, a partir dele, realizar um planejamento eficiente.

Para te ajudar nesse planejamento agrícola e na aplicação do conceito de empresa rural temos 3 dicas imprescindíveis:

1 – Aplicando o conceito de empresa rural: Conheça sua fazenda

É preciso conhecer cada detalhe da sua empresa rural.

Desde o ambiente em que ela está inserida, passando pelas técnicas de produção, gestão de pessoas e vendas. Além do imóvel rural e também dos custos de insumos e produção.

3-conceito-de-empresa-rural
Painel de controle de uma fazenda pelo software agrícola Aegro

Com esses dados em mãos, identificam-se as fraquezas e pontos forte da empresa. Isso possibilita que ajustes sejam feitos para que se tenha maior eficiência e lucratividade.

Essas mudanças devem ser feitas buscando adequar a realidade da empresa ao mercado que se deseja explorar.

2 – Conheça o mercado para aplicar o conceito de empresa rural

A ideia é encurtar a distância entre produtor e mercado, fazendo com que se saiba exatamente como o mercado funciona, as oportunidades e quais produtos têm demanda.

Por meio de um estudo de mercado você será capaz de:

  1. Identificar oportunidades de mercado
  2. Entender e identificar os requisitos de mercados já existentes e potenciais

Assim, você reduz a incerteza e o risco de se aventurar por um novo mercado ou de expandir seu negócio. A produção passa a ser equilibrada com a demanda, sem excessos ou déficits.

Conhecendo o mercado, você sabe exatamente o que produzir, como produzir e quando produzir.

Produzir mais do mesmo não é o bastante. O mercado exige qualidade e estratégia. Uma tendência é a diferenciação do produto e o foco em mercados menores.

Outra estratégia é fazer o armazenamento de alguns produtos agrícolas, como grãos, para a venda em momentos melhores do mercado.

No caso de produtos com maior valor agregado, como os hortícolas, frutíferas, café e  produção animal, o caminho é mais amplo.

Você pode adotar práticas mais sustentáveis e visar qualidade final, vendendo inclusive pequenos lotes diferenciados, mas obtendo maior preço.

Lembre-se: qualquer produto preenche uma lacuna no mercado.

Se o mercado já está saturado, quem estiver disposto a correr mais riscos e ser criativo para oferecer um outro produto ou atender a um novo nicho, terá vantagem competitiva.

Cabe ressaltar que, ao explorar um novo mercado, a empresa rural deverá ser reformulada para atender aos novos requisitos.

Para isso é preciso ter domínio sobre a empresa e tomar a decisão alinhada como as suas finanças e avaliação da lucratividade do negócio.

3 – Cuide das finanças para aplicar o conceito de empresa rural

Na maioria dos casos, há pouco controle sobre as finanças de uma fazenda. E esse talvez seja o ponto mais complicado para mudanças.

Para pequenos produtores é difícil separar o que é dinheiro da casa do que é dinheiro do negócio.  Para os grandes, o volume de operações financeiras é o que dificulta o controle.

Para ambos, o fundamental é a organização!

Inicialmente um simples quadro com a data, descrição e valor recebido ou desembolsado já é suficiente. Com o tempo a gente vai pegando o jeito e as coisas ficam mais fáceis.

Aspectos que merecem ser monitorados:

  • Lucro e perdas da empresa como um todo (rentabilidade total)
  • Lucro e perdas de cada produto individualmente e de cada talhão (rentabilidade específica)
  • Flutuações de preços de insumos e vendas
  • Demanda do mercado
  • Necessidade de empréstimo
  • Concorrência
5-conceito-de-empresa-rural

Com o Aegro você consegue visualizar a sua rentabilidade total e por talhão de modo muito mais fácil e automatizado. Saiba mais sobre o software agrícola aqui.

Com um histórico de dados detalhado, você será capaz de montar um fluxo de caixa da empresa e aprender a manejar os custos e os riscos de seu negócio.

Você pode começar baixando gratuitamente uma planilha para fluxo de caixa: basta clicar na imagem abaixo!

Conclusão

Como você pôde conferir, o conceito de empresa rural pode ajudar a entender o funcionamento da sua empresa e como ela se insere no mercado.

Na prática, aplicação desse conceito requer uma mudança de mentalidade no modo como se vê o negócio, dedicação e organização por parte do empresário rural.

Com boa administração e gestão, você será capaz de realizar o planejamento de sua empresa, levando em conta aspectos financeiros, técnicos e pessoais.

Assim, você terá condições de tomar decisões conscientes e acertadas, tornando sua empresa mais eficiente e lucrativa!

>>Leia mais:

“Sucessão familiar da fazenda: Como fazer esse processo sem maiores problemas”

“5 passos para realizar o fechamento de safra de forma prática e rápida”

Você tem aplicado o conceito de empresa rural na administração da sua fazenda? Quais as suas dificuldades? Compartilhe suas experiências e dicas nos comentários!

10 dicas para melhorar a gestão de sua lavoura de café

Lavoura de café: planejamento, adubação, podas e outras orientações para melhorar sua gestão e conseguir rendimentos ainda maiores!

Produzir café no Brasil é desafiador, o clima nem sempre colabora e o mercado consumidor exige mais qualidade e sustentabilidade para produzi-lo.

Cada detalhe pode fazer a diferença no resultado final!

Desde antes do plantio até a venda do café é importante que se tenha tudo bem organizado para alcançar seus objetivos.

Para isso é necessário uma boa gestão de sua lavoura.

A seguir, listo 10 dicas para melhorar sua gestão que podem fazer toda a diferença na sua lavoura de café.

1) Tenha um bom plano.

Um planejamento agrícola bem feito pode garantir o sucesso de sua lavoura, da implantação até a venda do café.

É necessário que você conheça detalhadamente a sua área (dados de condições climáticas, análise de solo, produtividade, disponibilidade de irrigação, condição do meio ambiente da região, etc) e saiba qual mercado pretende explorar (commodity, orgânico e cafés especiais).

Com esses dados em mãos e auxílio de um engenheiro(a) agrônomo(a) você poderá montar e seguir um cronograma de suas atividades, aumentando a eficiência e alcançando melhores resultados.

É lógico, dificuldades podem surgir pelo caminho. Mas com um bom plano você será capaz de encontrar as melhores soluções e superar qualquer problema.

Se atente para o fato de que o planejamento contempla a parte agrícola e financeira. Para te ajudar na gestão financeira você pode baixar gratuitamente a planilha de fluxo de caixa aqui.

2) Atenção para a implantação da lavoura do café

A implantação deve ser feita corretamente! Alguns erros nessa etapa só poderão ser corrigidos na renovação do cafezal.

Para começar com o pé direito a sua lavoura cafeeira as dicas são:

I. Realizar as correções necessárias com base na análise de solo da área;

II. Preparar o solo e ter bem definido o tipo de colheita, se mecânica ou manual, pois isso irá determinar o espaçamento da lavoura. Atenção quanto ao espaçamento, já que você deve ter em mente se irá optar pela lavoura convencional ou adensada (se em uma área comporta 3 mil mudas, na adensada esse número pode ser até 5 vezes maior);

III. Orientar o plantio de acordo com o relevo e a exposição ao sol;

IV. Realizar corretamente a adubação para café no sulco/cova. É o momento de adicionar nutrientes em profundidade para o café;

V. Escolher cultivares de café resistentes à ferrugem, o que evitará gastos com o controle dessa doença neste ano e nos anos futuros;

VI. Outro fator importante, é ter atenção e treinamentos adequados quanto à sua mão de obra.

2-lavoura-de-café
(Fonte: Cambucitros)

3) Conheça sua lavoura de café

A ideia aqui é mostrar a importância de se monitorar a lavoura, coletando o maior número de informações possível.

Dados climáticos, análises de solo e folha, incidência de pragas e doenças, produtividade, tempo até a colheita…e por aí vai.

É ideal monitorar cada talhão individualmente no dia a dia da lavoura.

Com o passar do tempo teremos um histórico detalhado do cafezal que definirá ações de manejo como adubação, aplicação de defensivos, podas e renovação.

Isso se traduz em maior eficiência de uso de recursos e dos tratos culturais.

4) Atenda a demanda do seu café

A época de maior demanda por energia e nutrientes é durante a fase reprodutiva do café.

Ao mesmo tempo em que está frutificando, o cafeeiro também está produzindo folhas, ramos e raízes que serão responsáveis por nutrir os frutos da safra seguinte.

A dose aplicada deve atender a demanda do cafeeiro e ser embasada na análise de solo, foliar, além  da expectativa de produção agrícola.

Os nutrientes devem estar disponíveis em quantidades adequadas no início da fase reprodutiva. Sendo assim, a adubação deve ser antecipada a esse período.

Para saber mais sobre esse tema você pode conferir este artigo e baixar esta planilha de recomendação de adubação para café gratuitamente.

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5) Fique de olho na incidência de daninhas, pragas e doenças

As condições ambientais e a época em que cada praga/doença é favorecida e causa maiores danos já são bem conhecidas. O mesmo vale para as daninhas.

O produtor precisa monitorar antecipadamente para na infestação crítica tome as devidas ações de manejo.

No caso das plantas daninhas, embora não elimine o uso de outros métodos de controle, recomenda-se o uso de plantas de cobertura na entrelinha. Além de reduzirem a incidência do mato, controlam a erosão e reduzem a temperatura do solo.

Com monitoramento e seguindo o cronograma corretamente obtém-se melhor controle, reduz-se gastos desnecessários, tornando o sistema mais lucrativo, sustentável e produtivo.

6) Capriche na colheita! E varra toda a sujeira…

A dica é monitorar cada talhão, mantendo um histórico de produtividade da área, do tempo até o ponto de colheita e, se possível, da qualidade.

Assim, você será capaz de planejar melhor a colheita, evitando problemas de logística e colhendo no ponto certo.

Outra questão importante é a eficiência do processo de colheita.

Todos os frutos devem ser retirados do pé, fazendo repasse quando necessário e varrição dos frutos caídos no solo.

4-lavoura-de-café
(Fonte: BBMNet)

Colheita e varrição bem feitas reduzem as perdas e diminuem de infestação de broca na safra seguinte, sendo uma medida importante no controle dessa praga.

Como vimos, a colheita pode maximizar o potencial de qualidade do café ainda no campo e tornar a próxima safra menos problemática.

Mas o trabalho não acaba aí. Agora temos que tratar corretamente de todo esse café colhido…

7) Tome uma decisão consciente sobre o grão colhido

Temos um leque de opções para decidir o que fazer com café recém colhido.

Não existe uma única receita certa!

Para o objetivo de cada produtor, para cada lavoura ou lote, a melhor opção a se seguir pode ser diferente. Afinal, mesmo lote de café pode gerar bebidas diferentes se processado de maneira distinta.

Por isso é tão importante o planejamento!

Com base no histórico de cada área, na infraestrutura da propriedade e sabendo-se o mercado que se deseja explorar, você poderá decidir por uma ou outra técnica de processamento do café, escolhendo aquela que melhor atende os seus objetivos.

8) Conheça suas ferramentas: o manejo de podas da lavoura de café

Após a colheita e decisão de processamento, a poda é a atividade da lavoura de café que devemos prestar atenção.

A poda é uma importante ferramenta para auxiliar os produtores de café. Como qualquer ferramenta, ela deve ser usada do modo correto para que se obtenha os melhores resultados.

Cada tipo de poda tem uma finalidade distinta. Eles também diferem entre café arábica e café conilon.

Confira a poda do café arábica passo a passo no vídeo abaixo:

(Fonte: Incaper – Todos os direitos reservados)

Você pode ver como realizar a poda programada de ciclo para café Conilon aqui.

Devemos avaliar cada talhão e agir somente quando necessário, pois dependendo do tipo de poda, a lavoura só voltará a produzir café no segundo ano após sua realização.

A época de realização também é importante. A pesquisa mostra que quanto mais próximo após fim da colheita forem realizadas as podas, melhor será a recuperação da lavoura de café.

9) Devo renovar a lavoura de café?

Essa pergunta deve ser respondida avaliando o histórico individual do talhão, especialmente para cafezais mais velhos.

Vale a pena manter cafezais com bons índices de produtividade, do contrário a renovação se faz necessária.

Lembre-se que a área renovada só voltará a produzir após o terceiro ano aproximadamente e por isso a decisão deve ser bem fundamentada.

Por isso, tenha em mente a sua gestão de custos e todas as informações das últimas produções de café, além do orçamento de quanto ficará a renovação da lavoura de café.

Comparando essas informações você saberá se compensa ou não a renovação.

10) Gestão de risco: a venda do café

O levantamento mais recente feito pela CNA indicou que mais de 60% dos cafeicultores optam por vender o café no momento da colheita, ou optam pelo armazenamamento do café para vender no mercado físico.

Nesse caso, corre-se o risco excessivo de perder dinheiro caso o preço pago pelo café na época da colheita estiver em baixa .

Uma forma de minimizar o risco é fazer a venda no mercado futuro.

Como o preço é fixado antecipadamente, o produtor já sabe exatamente quanto vai receber independentemente do mercado.

A dica é fazer a venda futura para a maior parte da sua produção de café, mas guardar uma parcela para vender no mercado físico, para o caso de o mercado estar em alta.

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Conclusão

Como você pôde conferir, uma gestão bem feita aumenta as chances de sucesso da lavoura de café permitindo alcançar melhores resultados desde o campo até a xícara.

Na agricultura sempre podemos interferir para melhorar o sistema. Até mesmo quanto ao clima, melhor do que “combinar com São Pedro” é ter um planejamento e uma boa gestão, os quais permitem alguns atrasos e modificações, garantindo a sua lavoura.

Isso permite que as ações de manejo sejam as mais adequadas para cada situação, aumentando a eficiência de uso dos insumos e fazendo com que seu tempo e esforço produzam os melhores resultados.

>> Leia mais:

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Pós-colheita do café: tendências e perspectivas para cafés de qualidade (+ cuidados com a lavoura)

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Saiba as vantagens da Cafeicultura de Precisão e como aplicá-la

E você, como faz a gestão da sua lavoura de café? As dicas lhe foram úteis? Tem mais alguma orientação que não comentei aqui? Conte pra gente nos comentários abaixo!

Acerte no adubo líquido para café e não jogue dinheiro fora

Adubo líquido para café: Veja como utilizá-lo corretamente, conseguir máxima eficiência e saber se essa prática irá valer a pena na sua fazenda.

A adubação pode representar 20% dos custos de produção de café. Como você faz a sua?

O uso de adubos líquidos na cafeicultura iniciou-se na década de 80 e se expandiu, ganhando espaço no mercado brasileiro.

Eles prometem maior eficiência na nutrição da planta, redução nos custos da fertilização e outros benefícios.

Mas é preciso atenção para que essa técnica realmente compense financeiramente.

Por isso, entenda mais sobre os adubos líquidos, sua utilização correta e como saber se eles vão valer a pena.

O que são adubos líquidos? Quais as diferenças para os adubos convencionais?

O adubo líquido para café é um fertilizante fluído, segundo a legislação brasileira.

Contudo, a maioria do produtores e técnicos envolvidos na produção de café os trata como adubos líquidos, o que facilita o entendimento.

Os adubos líquidos são basicamente adubos convencionais dissolvidos em água, embora possam diferir na fonte do nutriente utilizada para formulação.

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(Fonte: G1)

Eles podem ser fonte de um nutriente específico, mas geralmente fornecem desde os macronutrientes N, P e K, até micronutrientes. Alguns também contêm bioestimulantes como aminoácidos e ácidos orgânicos.

Vantagens e desvantagens dos adubos líquidos

Adubação básica de NPK pode ser reduzida em até 15% em produto, já que a eficiência de absorção é maior do adubo líquido em relação ao sólido.

Outra vantagem é a aplicação nos períodos exatos em que o café precisa, sem depender da água da chuva para que os nutrientes sejam aproveitados pelas plantas.

Os nutrientes dissolvidos em água estariam prontamente disponíveis ao cafeeiro, o que garantiria rápida absorção, reduzindo as perdas como volatilização e lixiviação, e daria maior eficiência ao adubos líquido para café.

A distribuição mais uniforme também é outro lado positivo dessa técnica.

Mas nem tudo são maravilhas. Muitos vendem adubos líquidos prometendo doses muito menores do que as indicadas, resultando em uma nutrição totalmente inadequada.

Além disso, é preciso prestar atenção no produto que você utiliza pois pode ocorrer a formação de borras no tanque, entupimentos e incompatibilidade entre alguns fertilizantes.

Por isso, sempre consulte um profissional e compre fertilizantes de confiança, sempre questionando quais produtos agrícolas podem ser misturados.

Como realizar a adubação do seu cafezal corretamente

A eficácia de qualquer adubação, seja ela líquida ou convencional, depende de fatores básicos: fonte do nutriente, dose, época e local de aplicação.

No caso dos adubos líquidos, a fonte do nutriente deve ser solúvel em água. Isso é um problema no caso do P, pois as fontes mais comuns têm baixa solubilidade.

Para se obter os melhores resultados, os nutrientes devem estar disponíveis para o cafeeiro na época de maior demanda, o que ocorre durante o período reprodutivo de floração.

Cada nutriente tem um comportamento específico no solo e na planta. Portanto, a escolha do local de aplicação, seja no solo próximo à planta ou via foliar pode mudar toda a eficiência da adubação.

Mas o fator mais importante é que a dose deve atender a exigência nutricional da lavoura de café.

Você vai saber qual é essa dose ao realizar a análise de solo, de folhas e no caso de cafezais em produção, também definir uma produtividade esperada.

Confira abaixo a interpretação de resultados de análise de solo para macro e micronutrientes para o cafezal em geral:

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(Fonte: IPNI)

Porém, as demandas nutricionais do cafeeiro variam se elas estão em formação ou produção.  A seguir você confere a demanda de nutrientes nesses dois casos.

Adubação para cafezal em formação

As exigências nutricionais do café em formação são menores que as do cafezal produtivo.

Por isso, até o 3º ano, o cafezal recebe os nutrientes em menores quantidades, suficientes para o crescimento vegetativo.

Vamos tomar como exemplo as recomendações de adubação para N, P e K da última atualização do Boletim 100 do Instituto Agronômico de Campinas (IAC).

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Recomendação de adubação para café em formação, segundo Quaggio et. al. 2018

Você pode encontrar a planilha com essas recomendações, e ainda o cálculo automatizado da recomendação da adubação nesta planilha gratuita.

Recomendação de adubação para cafezais em produção

Para o cafezal em produção as doses aumentam e temos que ter em mente o nível de produção que desejamos atingir.

Isso porque quanto maior for a produção de frutos grãos, maior será a demanda de nutrientes. Veja abaixo a tabela de recomendação:

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Recomendação de adubação para café em produção, segundo Quaggio et. al. 2018

Dessa forma, se considerarmos uma produtividade entre 30 a 40 sacas/ha, com teores adequados de N nas folhas e de P e K no solo, teremos a seguinte recomendação:

160 kg.ha-1 de N, 20 de P2O5 e 120 de K2O

Como você pode ver esses cálculos podem ficar complicados, especialmente se formos fazer por talhão.

Para facilitar, colocamos as recomendações e o cálculo automático das doses em uma planilha gratuita que você pode baixar aqui!

planilha adubação de café

Como utilizar um adubo líquido para café corretamente?

A adubação foliar é uma maneira comum de se empregar os adubos líquidos, mas os mesmos também podem ser associados à fertirrigação na adubação de cobertura ou aplicados juntamente herbicidas e defensivos agrícolas.  

Contudo, uma busca rápida pela internet pode revelar alguns equívocos.

Isso porque há recomendações de adubação líquida de poucos litros/ha que não supririam a demanda de macronutrientes de uma única saca de café!

Não existe milagre. A adubação deve ser bem feita e atender as demandas nutricionais do café. Qualquer recomendação que fuja disso não funcionará.

Mas não é para desacreditar de todo adubo líquido para café. Eles podem ser efetivos se utilizados de maneira correta.

A seguir trago alguns exemplos de como a adubação por via fluída pode contribuir para a produtividade do seu cafezal.

Fertirrigação

Algo interessante é associar a adubação com a irrigação do cafezal. Como os adubos são dissolvidos na água, a fertirrigação é uma forma de adubação líquida.

A vantagem da fertirrigação é a possibilidade de parcelar mais vezes a adubação. Dessa forma você proporciona nutrientes nas épocas mais exatas de exigências.

Com isso, a eficiência da sua adubação aumenta, com consequência positivas na produtividade.

A irrigação por gotejamento em conjunto com a adubação é a técnica de fertirrigação mais utilizada, já que é a mais indicada.

Ela dá maior uniformidade na fertilização, mantendo o teor de água adequado para a planta absorver os nutrientes.

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(Fonte: Hidro Sistemas)

Quanto à época de aplicação, é a mesma da adubação sólida: durante o período reprodutivo, normalmente de outubro a março.

A frequência recomendada é quinzenal para solos com textura média, sendo que em regiões mais quentes pode ser incrementada.

Boro via aplicação de herbicidas

O Boro (B) é necessário para a reprodução das plantas e transporte dos açúcares. Plantas de café com bom suprimento deste nutriente têm maior tolerância às pragas e doenças.

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Planta de café saudável à esquerda e com deficiência de boro à direita
(Fonte: Emater)

O boro deve ser aplicado no solo. Somente em alguns casos de deficiências pontuais ele pode ser fornecido via foliar para amenizar o problema.

Na forma líquida, a maneira mais prática de se fornecer B é na forma de ácido bórico junto da calda de herbicidas, especialmente o glifosato. Recomenda-se 2 a 3 aplicações de 1 kg.ha-1 de B dessa maneira.

Zinco foliar

O zinco é essencial para o crescimento da parte aérea da planta de café. Devido ao seu comportamento no solo, recomenda-se o fornecimento via foliar para melhor aproveitamento.

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Planta de café com sintomas de deficiência de zinco: ramos curtos, folha menor e mais alongada
(Fonte: Grupo Cultivar)

As doses variam de acordo com a cultivar e as análises foliares, mas ficam entre 1 e 4 kg.ha-1 de Zn fornecidos entre outubro e março, geralmente na forma de sulfato de Zn.

>> Leia mais: “Guia rápido da adubação de boro e zinco no café”

O uso de adubo líquido para café vale a pena?

Essa pergunta só pode ser respondida individualmente para cada fazenda.

E outras questões devem ser respondidas antes disso:

  • Como está a situação do seu cafezal? Se ele sofreu com seca nos anos anteriores, pode ser uma boa saída;
  • Qual seu custo real da fertilização convencional atual?;
  • Qual sua margem de lucro com o manejo atual?;
  • Quanto seria gasto a mais se fosse implementar o adubo líquido? Lembre-se que se for fertirrigação terá o custo da implantação da irrigação, tenha em mente a dose real necessária do adubo líquido para café, o custo de mão-de-obra, combustível, etc.

Anote todas essas informações e faça as contas. Você pode até mesmo pegar uma área pequena do seu cafezal e fazer um teste, verificando os ganhos na margem de lucro com o adubo líquido.

O que não vale é não medir os seus ganhos e custos e ficar “às cegas” quanto ao que vale ou não a pena fazer.

Conclusões

Como pudemos conferir, a adubação do café deve atender às demandas da planta, sempre se baseando em análises de solo, de folha e na expectativa de produção agrícola.

Partindo desse princípio, o adubo líquido para café pode ser uma alternativa interessante, especialmente quando associados a fertirrigação.

No entanto, todos esses custos devem ser bem avaliados dentro da sua gestão da fazenda, colocando tudo em dados para verificar o que compensa mais.

Agora que você conhece os benefícios, e as doses corretas para a adubação do café, pode começar essa avaliação!

>> Leia mais:

Todas as recomendações para o melhor plantio do café

“Colheita do café: Evite perdas e mantenha a qualidade co estas 7 dicas”

Pós-colheita do café: Tendências e perspectivas para cafés de qualidade (+ cuidados com a lavoura)

Como você faz a adubação do seu cafezal? Utiliza adubo líquido para café? Deseja saber mais sobre café? Deixe seu comentário abaixo!