About João Leonardo Corte Baptistella

Sou Engenheiro Agrônomo pela ESALQ/USP em Piracicaba-SP. Mestre em Fitotecnia na mesma instituição com pesquisa voltada ao consórcio café-braquiária. Atualmente estou no doutorado.

Plantação de café: 7 passos fundamentais + planilhas grátis

Atualizado em 16 de agosto de 2022.

Plantação do café: escolha da área, espaçamento certo, melhor cultivar, calagem, adubação, preparo do solo e custos de plantação

Cafezal é o nome da plantação do café, que como toda cultura precisa de um bom planejamento e uma boa execução para seu sucesso.

O primeiro passo para execução é o plantio, que tem que ser realizado com cuidado.

Erros neste momento podem prejudicar toda sua produção, necessitando, às vezes, de renovação total da lavoura de café.

Para evitar problemas na plantação, confira neste artigo algumas recomendações para alcançar boas produtividades no cafezal. Boa leitura!

Plantação de café: importância de um plantio bem feito

Para uma plantação de café de sucesso, as exigências climáticas precisam ser atendidas. O cafezal se desenvolve melhor em temperaturas entre 18 °C e 23 °C, e temperaturas acima dos 30 °C podem causar danos na cultura. Além dessas, há outras exigências.

A escolha da área, espaçamento (população de plantas), cultivar, altitude e topografia também são pontos fundamentais para evitar a morte das plantas. Isso tudo também garante uma boa implantação da lavoura.

Erros nesta etapa só serão corrigidos na renovação do cafezal.  Considerando uma vida útil de 20 anos para a lavoura, é muito tempo e dinheiro investidos de maneira errada. Esses erros levam à redução da produtividade e consequentemente do seu rendimento.

O planejamento, tanto da implantação quanto da renovação do cafezal, é fundamental para garantir sucesso na safra. Para te ajudar, disponibilizamos uma planilha gratuita para essa etapa tão importante. Clique na imagem abaixo para baixá-la.

Para iniciar a plantação do café, alguns passos devem ser seguidos. Veja-os a seguir.

1. Escolha da área para plantio de café

O cultivo de café se inicia pelo planejamento. O primeiro passo é a escolha de uma área para plantio do café. Para isso, você deve considerar, em primeiro momento, o clima da região e a topografia (ou topoclima) da área. 

Em áreas onde já se cultivavam plantas de café, teoricamente, as áreas de renovação já seguiram esses critérios quando foram instaladas.

No entanto, caso seja preciso (em casos de implantação de um novo cafezal), avalie muito bem essas condições. Elas são definidas pelo clima, altitude, solo e topoclima.

Clima

Para o cafezal ter bom aproveitamento, pelo zoneamento agroclimático do café arábica, a faixa de temperatura ideal é de 18°C a 23°C. Para o café conilon/robusta, a temperatura pode ser superior, entre 22°C e 26°C. A precipitação anual deve ser entre  1.200 mm e 1.800 mm.

A plantação de café tem exigências climáticas para que a cultura tenha o melhor desenvolvimento. Quanto mais adequado for o clima da região, melhor aproveitamento energético das plantas, que refletem na produção.

Isso não significa que não seja possível cultivar café em áreas que não se enquadrem nesses parâmetros. Afinal, no Brasil há cultivos de café até na Bahia, que está bem fora desses limites climáticos.

Isso significa dizer que áreas marginais ou inaptas terão maior chance de insucesso, pois o cafeeiro “sofre” mais.  Em alguns casos, será necessário irrigação, noutros, sombreamento, preparo profundo de solo, dentre outras medidas.

Em outras palavras: no plantio realizado em áreas fora do zoneamento recomendado para o café, serão maiores os gastos com tratos culturais, e a produtividade e a qualidade podem ser afetadas.

Os dados climatológicos para sua cidade/região podem ser encontrados no site do Inmet ou Agritempo.

Altitude

A altitude influencia diretamente na temperatura. A cada 100m de altitude a mais, menos 1°C na temperatura média.

Se a temperatura é mais amena, maior será a umidade e mais lenta será a maturação do café. Ainda, maior será a incidência de pragas e doenças favorecidas por essas condições. 

Além disso, o acúmulo de ar frio e ocorrência de geadas no café pode ser maior. Mas isso também depende de fatores do topoclima.

Topografia e fatores do topoclima

O topoclima diz respeito aos fatores climáticos condicionados pelo relevo. Geralmente, é relacionado à configuração do terreno e exposição ao sol.

Embora quase 40% da produção de café brasileira possa vir de áreas montanhosas, é preferível que se escolha áreas mais planas para o plantio do café. Além de facilitar a mecanização, o controle de erosão e a proteção do solo são facilitados.

A cafeicultura em áreas de alta declividade demanda mais mão de obra e aumenta os riscos de erosão. No entanto, hoje existem técnicas de microterraceamento que viabilizam a cafeicultura nas montanhas e podem aumentar a lucratividade nesses sistemas. 

Nas áreas mais baixas, há acúmulo de ar frio, o que favorece a ocorrência de geadas. No caso de encostas, a face sul também sofre desse problema, principalmente no sul e sudeste do Brasil.

Foto de plantação de café com danos por geada
Danos provocados pela geada
(Fonte: Abic)

O ideal é evitar áreas de baixada, plantar na face norte e, após ocorrência de uma geada, observar a linha da geada. Plante sempre nas áreas acima dela para evitar riscos. A arborização pode ajudar em alguns casos.

Segundo o Iapar, a adição de 30 a 70 árvores de café por hectare de Grevilha (Grevillea robusta) é capaz de reduzir os efeitos negativos da geada. Isso ainda contribui com a produtividade do cafeeiro.

Para o café canephora o ideal são altitudes de até 800m. Para o café arábica, são recomendadas maiores altitudes.

Exposição à luz solar

O relevo também regula a exposição à luz solar. Isso interfere em dois aspectos práticos: a exposição ao sol poente e o acúmulo de ar frio. O caminhamento do sol se dá de leste para oeste. 

Sendo assim, ao fim da tarde – período mais quente e seco do dia – o sol incide vindo do oeste. É importante que se evite que esse sol incida diretamente sobre um dos lados do café. Isso causa escaldadura nas folhas e frutos.

plantio do café
Danos por escaldadura 
(Fonte: CN Café)

As linhas de plantio do café devem estar no sentido leste-oeste, paralelas à incidência do sol. Isso evita que o sol poente se concentre sobre um lado da planta.

Solo

Solos profundos, bem drenados e aerados são os ideais para a plantação do café. Entretanto, se o solo não apresentar estas características ainda pode ocorrer o plantio. 

Porém, há maior necessidade de manejo, como por exemplo realizar a descompactação a 120 cm.

2. Variedades de café

Coffea arabica L. e Coffea canephora Pierre, este último também conhecido como robusta ou conilon, são as duas variedades de cafés mais produzidas no Brasil e no mundo.

Para definir qual variedade plantar, é necessário saber das condições onde cada uma se desenvolve e produz melhor. A temperatura do café arábica e do canephora são diferentes, assim como a altitude.

No Brasil, o café arábica é o mais produzido, principalmente nos estados de Minas Gerais e São Paulo. O canephora é mais presente no Espírito Santo e Bahia. O café arara também tem sido cada vez mais plantado no país.

Escolhido a variedade, dentro de cada uma existem diferentes tipos de cultivares, como você pode ver na figura abaixo.

Tabela com exemplos de cultivares de café
Exemplo de alguns cultivares de C. arabica e canephora
(Fonte: Adaptado de Consórcio Pesquisa Café)

As especificidades de cada cultivar são muitas. Busque informações para utilizar os cultivares mais adaptados na sua área.

Escolha das mudas para plantio de café

Definida a cultivar, é necessário adquirir mudas sadias e vigorosas, sem misturas com mudas de outras cultivares. 

Na cafeicultura brasileira, a plantação do café ocorre por mudas feitas por viveiristas. Eles ficam responsáveis por realizar todos os processos de formação das mudas.

Prefira viveiristas registrados, que sejam idôneos, com boas práticas na produção de mudas de café. O uso de solo para produção de mudas é um grande responsável pela disseminação de doenças e pragas

Com o substrato autoclavado, isso é reduzido drasticamente. No estado de São Paulo, o uso de solo na produção e comercialização de mudas de café já é proibido.  Dê preferência às mudas produzidas em substrato sem solo.

3. Amostragem de solo 

Seja na instalação da lavoura ou durante a produção, conhecer a fertilidade do perfil do solo te ajuda a corrigir problemas. Isso te ajuda até a explorar esse solo em maior profundidade.

As recomendações de correção e adubação para o café estão todas pautadas na camada entre 0 cm e  20 cm do solo. Em alguns casos, pode ficar entre 20 cm e 40 cm

Por ser uma planta perene, as raízes do cafeeiro podem se aprofundar mais de 1 metro. Desse modo, com o desenvolvimento da cultura, pode-se fazer de 60-80 cm ou até mesmo de 80-100 cm.

profundidade para plantio do café

Faça análise de solo pelo menos até a camada de 40 cm a 60 cm. Como veremos a seguir, isso pode ser muito importante para a produção e resiliência de sua lavoura de café.

Essas amostras mais profundas não precisam ser feitas todo ano. Elas podem ser feitas a cada 2 ou 3 anos para fins de monitoramento da fertilidade. Uma amostragem de solo bem feita vai direcionar as correções e adubações de plantio do café.

4. Preparo profundo de solo

Como as raízes das plantas de café conseguem explorar em profundidade o solo, o ideal é prepará-lo corretamente para que o desenvolvimento radicular seja facilitado.

A ideia é aplicar calcário, gesso e nutrientes como fósforo em profundidade. Isso vai facilitar o crescimento radicular do cafeeiro. Por isso a amostragem de solo em profundidade maior que 40 cm é tão importante.

Com o preparo do solo, as mudas recém-plantadas conseguem se desenvolver melhor e, ao longo do tempo, explorar o solo em profundidade. Em longo prazo, você terá uma lavoura em produção que sentirá menos os efeitos de uma seca ou veranico.

5. População de plantas e mecanização da lavoura de café

Outro passo importante antes da plantação do café é a definição da população de plantas, com base no espaçamento utilizado. Pode-se ter um espaçamento de plantas de café de 50 cm – 100 cm e de entrelinhas variando de 1,5 m – 4,0 m.

Desse modo, a população de plantas de café pode variar de 3 a 20 mil pés de café por hectare. O sistema de plantio influencia diretamente no método de colheita.

Em sistemas mais adensados, com menores espaçamentos e maior população de plantas, a colheita é praticamente toda manual. Em sistemas mais espaçados, já é possível a colheita mecanizada do café.

Definida a área de plantio do café, variedade/cultivar plantar, o espaçamento e população de plantas, podemos então começar o preparo do solo. Para isso, é necessário uma correta amostragem.

6. Correção e adubação para plantar café

Com a análise de solo em mãos, você poderá avaliar a necessidade de calagem e gessagem, bem como as adubações. 

Calagem e gessagem

O novo Boletim 100 recomenda elevar a saturação por bases (V%) para pelo menos 70% na camada 0 cm – 20 cm. Para isso, é necessário usar calcário dolomítico, para fornecer mais magnésio.

A dose deve ser aumentada se o V% estiver abaixo de 25% nas camadas mais inferiores. A calagem deve ser feita em área total. Além dela, deve-se aplicar mais 500g de calcário por metro de sulco.

O gesso agrícola deve ser aplicado de acordo com a análise de solo das camadas abaixo dos 20 cm, baseando se na saturação por alumínio e no V%. Alguns produtores vêm tendo bons resultados com uso de altas doses de gesso (> 10 ton.ha-1). 

Seu efeito condicionador no subsolo possibilita que as raízes se desenvolvam mais em profundidade. Isso favorece o crescimento do cafeeiro.

Adubação na cafeicultura

Com as correções feitas, é necessário cuidar dos nutrientes disponíveis no solo. O ideal é que se mantenha os níveis de nutrientes na faixa adequada, como indicado na tabela abaixo. Acima desses teores, não há resposta do cafeeiro.

Foto de tabela com interpretação de nutrientes do solo
Interpretação nutrientes no solo para café
(Fonte: Adaptado de Novo Boletim 100 (Quaggio e colaboradores 2018) 

No plantio ou renovação do cafezal, é possível colocar fósforo em profundidade. Afinal, esse nutriente é praticamente imóvel nos nossos solos.

Assim, independentemente da análise química de solo, recomenda-se aplicar 60g de P2O5, em formas solúveis, por metro de sulco de plantio.

No sulco, também é indicado o uso de adubação orgânica. Escolha a opção de maior disponibilidade e melhor custo-benefício em sua região/propriedade. Abaixo, veja as recomendações para cada adubo orgânico. 

Nesse caso, a dose se refere à aplicação de cada adubo separadamente.

Tabela com recomendação de adubação no sulco
Recomendação de adubação no sulco
(Fonte: Adaptado de Novo Boletim 100 (Quaggio e colaboradores, 2018) 

Após estabelecido o plantio do café, o produtor deve fornecer nutrientes para a formação da lavoura. 

Preparamos para você uma planilha gratuita, que te ajudará no cálculo das recomendações de adubação do cafezal de forma precisa.

7. Controle de plantas daninhas e doenças no cafeeiro em formação

Plantas daninhas

A muda de café é sensível à competição por plantas daninhas. Seu sistema radicular ainda é pequeno, a taxa de crescimento é relativamente lenta se comparada a das daninhas e há pouco sombreamento na rua.

Deixar a entrelinha sem plantas de cobertura, como por exemplo braquiária, não é concebível. Isso acontece porque aumentam-se os riscos de erosão e diminui-se a infiltração de água, por exemplo.

O que se faz, geralmente, é limpar uma faixa próxima ao café e manter o centro da rua controlado.

Na prática, isso se faz com uso de enxadas ou aplicações de herbicidas, geralmente Verdict, Select, Clorimuron e Goal, além do glifosato.

Verdict mais Select (500ml/ha) e Clorimuron (200ml/ha) são uma boa opção para esse fim quando o mato está pequeno. O Goal (3L/ha) é uma boa opção como pré-emergente.

Com plantas um pouco maiores, pode-se utilizar o glifosato, com aplicação protegida.

A aplicação deve ser feito com cuidado para evitar a fitotoxidade por herbicidas no cafezal.

O consórcio com braquiária também é uma alternativa, pois a forrageira abafa o mato. Para evitar que ela compita com o café, mantenha uma faixa de 50 cm a 70 cm da linha, controlando com glifosato.

A braquiária é perene e fica todo o ano cobrindo o solo. Periodicamente, é roçada e seus resíduos depositados próximos à saia do cafeeiro.

Foto de plantação de café
Consórcio café-braquiária desde o plantio até a produção
(Fonte: Arquivo pessoal do autor)

Os problemas físicos do solo podem ser corrigidos pelas raízes da forrageira também, pois elas favorecem a agregação, a infiltração de água e oxigênio. Além disso, favorecem a vida microbiana do solo.

Doenças

Outro ponto de atenção é a presença de pragas e doenças do café, tanto na área quanto nas mudas adquiridas.

Ao comprar as mudas, algumas doenças e pragas já podem vir junto. Do mesmo modo, sua lavoura pode conter nematoides que poderão levar à morte das suas mudas.

Como principais doenças que podem estar presentes nas mudas e vir a causar danos, há:

  • Cercosporiose / Mancha de Olho Pardo ou Olho de Perdiz causado pelo fungo Cercospora coffeicola;
  • Mancha aureolada ou bacteriana, causada por Pseudomonas syringae pv. garcae;
  • Rhizoctoniose, causado por Rhizoctonia solani;
  • Escaldadura das folhas ou queima abiótica;
Foto de danos em plantas de café
(Fonte: Adaptado de Embrapa)

Estas doenças podem ocorrer tanto em viveiros como em campo, em cafezais novos ou adultos. O controle das doenças citadas acima, com exceção da última, deve ser feito com produtos recomendados para seu controle.

Os nematoide-das-galhas (Meloidogyne incognita; Meloidogyne spp.) são uma das principais nas lavouras cafeicultoras.

Se sua área já tem a presença de nematoides, faça um bom manejo. Nas entrelinhas do café, você pode realizar o plantio de plantas que reduzem a população dos nematoides, como algumas espécies de crotalaria.

O uso de mudas enxertadas também é outra opção em áreas que já têm a presença dos nematoides.

Quanto custa para plantar café?

O custo de implantação e formação do cafezal, considerando até o segundo ano, gira entre 20 e 30 mil reais. Este custo varia conforme o preço dos produtos e local de produção, podendo se tornar mais barato ou mais caro.

Diversos itens devem ser considerados nos custos da plantação de café. Alguns exemplos são:

  • valor do óleo diesel utilizado nas operações de preparo do solo;
  • custo do calcário e gesso
  • fertilizantes e produtos;
  • mudas;
  • mão de obra, etc.

Outro fator que tem que considerar é que uma planta de café demora dois anos para começar a produzir. O custo gasto para implantação e formação neste período deve ser diluído no custo de produção ao longo dos anos.

Para te ajudar, separamos uma planilha de custos de safra. Nela, você poderá contabilizar todos os seus custos com o cafezal de forma mais fácil.

Recomendações de colheita

Após os grãos se encontrarem no ponto ideal de colheita de café, é o momento de retirá-los do campo. O ponto ideal é o estádio de cereja, quando os grãos encontram-se avermelhados.

A colheita pode ocorrer de três modos: mecanizado, semi mecanizado e manual

A escolha do modo de colheita irá depender de alguns fatores. Declividade do terreno, espaçamento entre linhas e mão de obra são pontos que precisam ser avaliados antes da decisão sobre o método de colheita.

Independente do método escolhido, planeje bem a colheita para que ela aconteça no momento correto, quando o grão tiver os teores de umidade ideais (entre 55% e 70%). A colheita adiantada ou tardia pode influenciar negativamente no sabor dos grãos colhidos.

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Conclusão

Para cada localidade, as recomendações de plantação do café podem mudar. As boas práticas que envolvem a instalação da lavoura devem ser respeitadas em qualquer circunstância.

Seja na renovação de uma lavoura de café ou na plantação em uma nova área, fique de olho nas características do local e nas boas práticas de manejo.

Não se esqueça dos gastos durante a plantação do café e sua formação, e de controlá-los com cuidado.

Este artigo foi útil para você? Restou alguma dúvida sobre a plantação de café? Deixe seu comentário abaixo!

Atualizado em 16 de agosto de 2022 por Carina Oliveira.

Carina é engenheira-agrônoma formada pela Universidade Estadual Paulista (Unesp), mestre em Sistemas de Produção (Unesp), e doutora em Fitotecnia pela Esalq-USP.

Florada do café: cuide bem das flores e colha bons frutos

Florada do café: os principais cuidados nesta etapa, como controle de doenças, irrigação e outros para garantir melhor produção na próxima safra.

“Meu cafezal em flor, quanta flor, meu cafezal…” Imortalizada na música de Cascatinha e Inhana, a florada do café é mesmo um momento sublime!

As flores brancas e perfumadas embelezam o campo e nos dão esperança de uma colheita farta.

Mas, como diz o ditado, “nem tudo são flores”. Muitos são os cuidados que o produtor deve ter para garantir que a florada do café venha a dar bons frutos. Confira comigo no artigo!

A florada do café

A florada do café é resultado de uma série de processos que acontecem na planta e também da interação com fatores ambientais.

Nas axilas foliares dos ramos plagiotrópicos do cafeeiro existem gemas seriadas vegetativas que, com o estímulo ambiental adequado, são evocadas a se tornarem reprodutivas.

Isso ocorre a partir de janeiro e se intensifica com a chegada do outono. Quando maduras, as gemas reprodutivas entram em dormência, permanecendo nesse estado até que as primeiras chuvas cheguem.

florada do café
Escala fenológica do cafeeiro no momento da floração. O auge da florada dura três dias
(Fonte: Pezzopane et. al., 2003)

Com as águas, as gemas se hidratam, os botões florais crescem e, cerca de 11 dias depois, temos a abertura floral propriamente dita. 

Em anos normais, a florada do café arábica geralmente ocorre entre setembro e novembro.

Mas engana-se aquele que pensa que o manejo visando a florada começa só aí. Ele deve começar muito antes, de forma preventiva. Vamos falar sobre a importância desse manejo a seguir.

Cuidados com a florada do café

A época da florada é crítica para a determinação do potencial produtivo da lavoura de café. De modo geral, quanto mais nós nos ramos, maior quantidade de flores pode surgir. E, quanto mais flores, mais frutos podemos produzir.

É lógico que até a colheita muita coisa pode acontecer, mas o potencial produtivo é definido assim, simplificadamente.

florada do café
Ramo plagiotrópico de café. Quanto mais nós nos ramos, maior quantidade de flores que darão origem aos frutos
(Fonte: Pinterest)

Mas calma, nem tudo que reluz é ouro…

Embora a florada seja muito bela, deixando a lavoura toda branca, “nevada”,  sabemos que nem sempre é um bom sinal quando as flores ficam muito visíveis.

Isso porque flores muito à mostra indicam que as plantas estão pouco enfolhadas. 

Se temos poucas folhas, temos menor área fotossintética na planta e, portanto, menos suprimento aos grãos. No fim das contas, o pegamento daquelas flores que estão aparecendo não será tão alto e a produção de café será menor. Fique atento!

Principais doenças da florada

As duas principais doenças da florada do café são a mancha-de-phoma, causada por fungos do gênero Phoma; e a mancha-aureolada, causada pela bactéria Pseudomonas syringae pv. Garcae. 

mancha-de-phoma
Mancha-de-Phoma
(Fonte: Vicente Luiz de Carvalho/Epamig)
mancha-aureolada
Mancha-aureolada 
(Fonte: CN Café)

São vários órgãos atacados e sintomas distintos, como podemos ver nas figuras acima. 

Ambas doenças podem impactar diretamente na produção, pois causam a morte ascendente dos ramos produtivos (die-back) e a mumificação dos chumbinho no pós-florada. 

chumbinhos
Mumificação dos chumbinhos 
(Fonte: Vicente Luiz de Carvalho/Epamig)

Elas são favorecidas por temperaturas amenas e alta umidade. Portanto, regiões mais altas e amenas, terão mais problemas.

Formas de controle

Geralmente é utilizado o controle químico para essas duas doenças.

Em áreas onde as condições são favoráveis para o desenvolvimento dessas doenças, o controle deve visar a pré-florada, iniciando já no outono-inverno, de forma preventiva.

Como o cafeeiro pode apresentar várias floradas, esse controle deve seguir até a fase de chumbinho para uma boa proteção no pós-florada.

Qual produto utilizar?

No caso da Phoma, o ingrediente ativo mais utilizado é a Boscalida (Cantus) na dose de 150 g do produto por hectare. 

Com a presença da mancha-aureolada, recomenda-se adicionar cobre na mistura a 0,3%, realizando assim o controle simultâneo das duas doenças.

Não é raro que existam focos de ferrugem (Hemileia vastatrix) já ocorrendo na lavoura durante a florada. Assim, se faz necessário utilizar outros fungicidas, geralmente misturas de estrobilurinas, triazóis e/ou carboxamidas. 

Como aplicar?

Vale lembrar que a frequência de aplicações depende de monitoramento, do residual do fungicida e das condições de cada lavoura, utilizando um volume mínimo de calda de 400 L para  aplicação.

As aplicações devem visar a pré-florada, para atingir os botões florais e o pós-florada, quando as pétalas já caíram, a fim de proteger os chumbinhos que virão.

Devemos evitar a aplicação com as flores presentes, pois as pétalas impedem que o fungicida atinja o alvo adequadamente.

Considerações sobre a adubação na florada do café

O cafeeiro deve estar equilibrado nutricionalmente, sem exageros e desequilíbrios entre N (nitrogênio) e K (potássio). Só esse cuidado já reduz a incidência de várias doenças, por exemplo.

Além disso, a fase reprodutiva, mais especificamente a frutificação, exige atenção especial quanto à nutrição, pois é a fase de maior demanda do cafeeiro.

Os nutrientes devem estar à disposição do cafeeiro quando o mesmo entrar nessa fase.

Quando adubar?

Com a chegada das águas, começa a florada do café, o que marca o início da fase reprodutiva propriamente dita.

Portanto, o momento ideal de adubação para café é anterior à florada, quando temos a expectativa da chegada das águas. Em outras palavras: o adubo deve estar esperando as chuvas no campo! Assim, o fertilizante terá melhor aproveitamento pela planta, atendendo o momento de maior demanda desde o início.

Uniformizando a florada do café: o controle de irrigação

A abertura e uniformidade da florada, o pegamento e a boa frutificação são totalmente dependentes de água. 

É também na fase reprodutiva que temos a maior demanda do cafeeiro por água (evapotranspiração).

Em lavouras irrigadas, onde há o controle fino sobre a quantidade de água aplicada, temos oportunidade de interferir nisso, visando maior potencial produtivo e uniformidade da florada.

A ideia é diminuir ou suspender a irrigação nos meses de inverno, a fim de uniformizar a maturação das gemas florais. Após esse período, retornamos com a irrigação, mantendo-a durante a frutificação.

Com isso, “forçamos” a planta à abertura floral uniforme, evitando vários fluxos de floração por conta de chuvas espalhadas.  

É lógico, podem ocorrer chuvas que interfiram nesse processo, mas o controle da irrigação pode, sim, trazer bons resultados.

Com a continuidade da irrigação, garantimos um melhor pegamento e enchimento de grãos de café também.

Assim, os produtores de café irrigado têm a oportunidade de conseguir um café de mais qualidade e uniforme, com o mesmo custo de produção, apenas regulando a irrigação. 

>> Leia mais: “Broca-do-café: veja as principais alternativas de controle

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Conclusão

Pudemos conferir no artigo como é importante o cuidado com o cafezal em flor.

Mesmo antes das flores aparecerem, o produtor deve estar atento e atuar preventivamente, principalmente em áreas que favoreçam a incidência de doenças como phoma e mancha-aureolada.

A irrigação e adubação podem ser diferenciadas na época da florada, sempre visando a obtenção de melhores colheitas e eficiência.

Com um bom manejo na florada do café, a possibilidade de se ter uma lavoura saudável e produtiva são maiores. Fique sempre atento!

>> Leia mais:

Poda do cafezal: Como fazer para aumentar sua produção

Pós-colheita do café: Tendências e perspectivas para cafés de qualidade (+ cuidados com a lavoura)

Todas as recomendações para o melhor plantio do café

E você, que cuidados toma na florada do café? Conte para a gente nos comentários. Grande abraço!

Pós-colheita do café: tendências e perspectivas para cafés de qualidade (+ cuidados com a lavoura)

Atualizado em 04 de agosto de 2020.
Pós-colheita do café: como ela pode contribuir para a qualidade da bebida e quais cuidados tomar com a lavoura nesta fase.

A fase de pós-colheita do café é crítica para a qualidade da bebida (e também de sua rentabilidade)!

São várias as opções de processamento e, portanto, pode-se obter cafés dos mais variados tipos e qualidades.

Mas de nada adianta caprichar na colheita e errar no processamento de café depois dela!

Confira comigo algumas perspectivas, além de alguns cuidados essenciais com a lavoura de café nessa época.

A pós-colheita do café

A pós-colheita do café compreende as etapas de processamento e armazenamento do café.

Enquanto no armazenamento as recomendações são bem definidas, no processamento existe uma infinidade de opções disponíveis.

Essas dicas são aplicáveis para café arábica e robusta, embora ainda não haja um mercado que priorize a qualidade do segundo.

Como veremos a seguir, a escolha por um ou outro método depende do objetivo de cada produtor. É um mundo a ser explorado.

A qualidade do café

A qualidade do café é estabelecida lá na roça. Ela é definida por características como o tamanho, cor e integridade do grão, além da qualidade na xícara, é claro.

Isso é fruto de uma interação complexa entre variedade, clima, manejo da lavoura,  processo de colheita e pós-colheita.

O clima é próprio do local, não temos controle sobre ele – muito embora variações climáticas entre os anos possam alterar a qualidade.

Todo o resto – variedade, manejo, colheita e pós-colheita – são decisões do produtor: 

A escolha da variedade, nutrição, controle de pragas e doenças, a colheita de frutos cereja e uma pós-colheita adequada devem ser bem avaliados se quisermos produzir com qualidade.

O processamento de café

É recomendável que se comece a processar o café logo após a colheita, para evitar perdas e manter a qualidade!

Mas… a pós-colheita cria qualidade? Essa pergunta é muito comum. Então, vamos esclarecer as coisas:

A pós-colheita não cria qualidade. Embora não a crie, ela pode alterar ou destruir a qualidade do café.

Etapas do processamento de café

Imagem ilustrativa com etapas do processamento de café
Etapas do processamento de café 
(Fonte: QNInt)

Um bom processamento é fundamental para a qualidade do produto, mas dentre as etapas do processamento, a maioria apenas preserva a qualidade ou retira impurezas/defeitos.

Somente as etapas de despolpamento, remoção da mucilagem e secagem alteram a qualidade. Essas etapas afetam diretamente a qualidade do café na xícara, alterando corpo, aroma, acidez, além de outras características. 

Devido a esse efeito sobre a qualidade do café, existem inúmeras possibilidades de atuar sobre essas etapas. Vou explicar a seguir:

Possibilidades do processamento de café

Há um mundo de possibilidades à nossa disposição para cafés especiais. A ideia é passar alguns pontos básicos, afinal, esse assunto é extenso e, para cada realidade, uma técnica pode se encaixar melhor que outra. 

Não existe uma decisão perfeita, nesse caso. Cada tipo produz cafés diferentes de um mesmo café colhido. Tudo dependerá do mercado que se deseja atender. Também podemos optar por fazer vários tipos na propriedade.

Mas, antes de tudo, devemos optar pela separação dos frutos maduros dos cafés verdes. A partir daí, temos alguns caminhos a seguir:

Despolpar ou não? Os cafés naturais

Podemos optar pelo processamento dos frutos via seca, sem despolpamento, obtendo cafés naturais. Nesse caso, os café são secos com “casca e tudo”, como na figura abaixo.

foto de grãos de café processados por via seca
Processamento por via seca é uma das possibilidades para o produtor
(Fonte: Ensei Neto – Paladar Estadão)

A bebida gerada pelos cafés naturais geralmente tem maior corpo e doçura, pois os grãos de café absorvem mais características do fruto. Esse tipo de processamento de café é bastante utilizado no Brasil.

Despolpamento

Ao despolpar o café, temos um dilema: removo a mucilagem ou não? Quanto removo? Depende!

Existe uma variedade de cafés que podemos produzir a partir disso, cada qual com uma característica diferente.

Com o despolpamento, removemos a casca e obtemos outros tipos de café, como o cereja descascado (CD) ou os cafés desmucilados/lavados.

Ao despolpar, também é possível separar os frutos verdes, regulando o despolpador para que eles não sejam despolpados e se misturem.

Cereja descascado

O cereja descascado seria um meio termo entre o natural e o desmucilado, pois retira-se a polpa (casca)  mecanicamente, mas o café é colocado para secar com toda ou alguma mucilagem. 

Assim, o cereja descascado seca mais rápido que o natural e tem bebida mais encorpada que os desmucilados.

É bom ressaltar que o cereja descascado é uma inovação do processamento de café nacional, mas que depois foi adotado como outro nome em outros países, os tais “honeys”, o que particularmente tem grande apelo no mercado internacional de cafés.

foto com diferentes tipos de café - descascados, naturais e lavados
Diferentes tipos de café – descascados, naturais e lavados
(Fonte: Di Bartoli)

Cafés desmucilados ou lavados

O processo de remoção de mucilagem pode ser feito com uso de desmucilador (remoção mecânica) ou com a fermentação dos grãos (com ou sem água). 

Geralmente, o café que resulta desse processamento tem menos corpo e acidez pronunciada.

Fermentação de cafés

É bom lembrar que fermentações podem ocorrer naturalmente nos cafés colhidos ou ainda no pé. Mas aqui vamos tratar das fermentações controladas, que têm mostrado bons resultados para cafés especiais.

Esse tipo de processamento de café pode ser feito em tanques de fermentação específicos, mas muitos acabam optando por colocar naquelas bombonas de 200l.

Para consistência no processo, é necessário que se monitore a temperatura, pH, brix, tempo de fermentação e outros parâmetros. Se não, é apenas sorte e talvez não se obtenha aquele café novamente.

É importante lembrar que podem ocorrer fermentações indesejadas, que acabam com o café. Por isso, alguns parâmetros devem ser respeitados.

Geralmente queremos fermentações anaeróbicas (sem oxigênio no tanque), portanto, não podemos deixar que o oxigênio entre e cause problemas. 

Por isso, colocam-se “air lockers” na tampa do fermentador para evitar a entrada. Pode ser feita uma versão caseira com basicamente um pedaço de mangueira e uma garrafinha.

Ilustração do sistema de um “airlocker” caseiro. A água na garrafinha impede a entrada do ar no tanque de fermentação
Ilustração do sistema de um “airlocker” caseiro. A água na garrafinha impede a entrada do ar no tanque de fermentação
(Fonte: Blog do Breda)

Além disso, o tempo máximo de fermentação deve ficar entre 48h e 72h dependendo da temperatura do local, pois fermentações indesejadas podem ocorrer fora desse período.

Respeitadas essas regras, temos mais liberdade para sermos criativos. Tem gente fermentando café com polpa de maracujá, com leveduras de cerveja, de vinho… Em cada caso obtém-se um perfil sensorial para um mesmo café! 

Por isso, as oportunidades para o produtor são imensas e o mercado está aceitando novos cafés. Fique atento e não tenha medo de fazer testes em lotes pequenos!

Secagem do café

Assim como nas etapas anteriores, temos mais de um caminho a seguir na fase de secagem do café. Podemos optar pela secagem ao sol, como tradicionalmente se faz em terreiros ou optar por secadores rotativos ou secagem à sombra.

terreiro para secar café
Terreiros para secar café
(Fonte: Canal Rural)
ilustração de um secador rotativo
Secadores rotativos 
(Fonte: Pinhalense)

Uma nova tendência (nova pelo menos aqui no Brasil) é o uso de terreiros suspensos, como as chamadas camas africanas. Nesse caso, eles podem ficar ao sol ou à sombra. Veja:

foto de terreiros suspensos
Terreiros suspensos, também chamados de camas africanas
(Fonte: Perfect Daily Grind)

Se o objetivo é rapidez, talvez o secador seja a melhor opção. 

Se o volume é muito grande, talvez valha usar o terreiro.

Mas, caso o foco seja a qualidade, resultados promissores vêm sendo obtidos com terreiros suspensos

A circulação de ar nos terreiros suspensos é facilitada, evitando fermentações indesejadas. Além disso, como está afastado do solo, menores são os riscos de contaminação.

A torra do café

A torra do café deve ser realizada o mais próximo da venda possível, isso porque após esse processo podem haver perdas de qualidade do grão.

Uma torra errada pode pôr a perder todo o trabalho, desde a lavoura até o pós-colheita e  processamento de café. Dito isso, é necessário que a torra seja uniforme, sem passar do ponto.

O sabor do café é definido pela interação entre o processamento em si e a torra. Existem basicamente três tipos de torra e cada uma pode ser escolhida para satisfazer determinada necessidade ou bebida que se deseja obter. 

  • Torra clara: produz menos amargor nas bebidas, que ficam suaves, com acidez acentuada e menos encorpadas. Bom para café expresso.
  • Torra média: cafés mais equilibrados, com mais corpo. Geralmente dão melhores resultados para cafés coados.
  • Torra escura: cafés menos ácidos e encorpados, com amargor – o tal do café forte.  Cuidado para não torrar demais.
Foto de grãos de café apresentando pontos de torra do café, da clara para a escura
Pontos de torra do café, da clara para a escura 
(Fonte: Grão Gourmet)

Logicamente, entre esses três tipos básicos de torra podem existir nuances e variações. Fica a critério seu qual utilizar.

A qualidade como diferencial de mercado

Em tempos de baixos preços pagos pelo café, como os atuais, a busca pela qualidade pode ser uma solução para o cafeicultor.

Enquanto o mercado é inundado com cafés comerciais de qualidade, há todo um mercado de cafés especiais e diferenciados à espera.

Os compradores nesses mercados prezam pela qualidade do café e fidelidade do produtor, e, por isso, estão dispostos a pagar muito mais pelo produto.

Podem pagar desde algumas centenas a mais pela saca até algumas centenas de reais pelo quilo, no caso dos especiais. O céu é o limite, nesse caso.

Como vimos, a qualidade de um café é complexa. 

Portanto, o produtor que quiser a qualidade como um diferencial do café deve planejar cada passo, desde da escolha da variedade até – e principalmente – seu pós-colheita e processamento.

Armazenamento do café

Existem regras e recomendações para o armazenamento de cafés bem estabelecidas. 

Contudo, o mercado de cafés especiais e novas técnicas de processamento podem alterar isso.

Tradicionalmente, o café é armazenado em sacaria de juta ou em big bags. Mas, embora possamos controlar o ambiente do armazém, perdas de qualidade são inerentes ao processo.

Ao longo de um ano de armazenamento, por exemplo, um café pode deixar de ser especial devido a essas perdas. 

Assim, há uma tendência em buscar novas embalagens ou uso de atmosfera modificada para o armazenamento de cafés especiais.

São novas tendências e possibilidades! Cada qual pode atender a um nicho distinto, mas com certeza veremos algumas novidades neste sentido nos próximos anos.

Cuidados com a lavoura após a colheita do café

Nosso café já está colhido e sendo processado, logo estará pronto para a venda. Mas o que fazer com a lavoura após a colheita?

Primeiramente, devemos fazer a varrição, para coletar os grãos caídos e evitar que a broca se multiplique.

Próximo ao término da colheita, também devemos realizar as podas. O tipo de poda adequado deve se indicado por um engenheiro agrônomo. Aqui no blog nós já falamos sobre a “Poda do cafezal: Como fazer para aumentar sua produção”. Confira!

Monitore o ataque de pragas e doenças do cafeeiro e realize as aplicações caso seja necessário. 

Fique atento também aos danos causados pelas podas, os quais facilitam a entrada de patógenos. Nesses casos, pode-se fazer o uso de cúpricos.

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Conclusão

Como pudemos conferir, a qualidade do café é fruto da interação de alguns fatores, dentre eles o pós-colheita.

O pós-colheita do café pode não criar qualidade, mas pode mantê-la ou alterá-la.

As várias opções disponíveis permitem que um mesmo produtor tenha diversos tipos de café em sua propriedade e devem ser vistas com uma oportunidade de diferencial para o nosso café.

Além disso, não podemos nos esquecer de cuidados importantes com a lavoura após a colheita. Isso possibilitará o bom desenvolvimento e uma melhor safra seguinte!

Leia mais

Florada do café: Cuide bem das flores e colha bons frutos

Adubação para café: Simples e prática (+ planilha)

E você, amigo, como é sua pós-colheita do café? Já pensou nas várias opções que podemos seguir? Deixe sua dúvida ou comentário abaixo. Grande abraço e até a próxima!

Como fazer o rateio de custos simples e efetivo

Rateio de custos: saiba como fazê-lo de forma prática para ajudar a tornar a gestão financeira da propriedade mais eficiente

Com muitas atividades para gerenciar, às vezes fica complicado administrar todos os custos da fazenda. 

Mais difícil ainda é saber qual atividade tem dado lucro ou prejuízo…

É o rateio de custos de sua propriedade rural que te ajuda a entender e solucionar esse problema! 

Dúvidas sobre o rateio, especialmente com duas ou mais safras ou atividades econômicas na fazenda? Confira todas as dicas de como fazê-lo.

O que é rateio de custos e sua importância

Dentro de uma propriedade rural, geralmente, temos mais de uma atividade sendo realizada: produção de grãos e criação de animais, por exemplo.

Cada uma dessas atividades tem um custo associado, que somados, compõem o custo total da propriedade.

Rateio de custos é dividir o custo proporcionalmente a cada atividade, área ou categoria. Desse modo, é possível fazer o cálculo da lucratividade de cada coisa e avaliar o retorno que cada uma dá.

Sem saber os custos, não conseguimos saber o lucro da propriedade. 

Pode ser que uma das atividades esteja no vermelho, prejudicando o orçamento no final do mês. 

Analisando tudo junto, fica difícil saber o que está errado. Em outras palavras, de pouquinho em pouquinho, vamos perdendo dinheiro sem nem perceber.

Isso ninguém quer, não é mesmo?

O rateio de custos favorece a análise individual de cada atividade, identificando os problemas e possibilitando que se tomem medidas para solucioná-los.

Primeiros passos para começar o rateio de custos

Primeiramente, é necessário que se tenha organização. Sua propriedade deve ser como uma empresa rural.

Os estoques de insumos e peças devem estar organizados, as contas e o fluxo de caixa em ordem.

Em outras palavras, você precisa conhecer sua propriedade como a palma de sua mão, nos mínimos detalhes.

Pode parecer complicado e trabalhoso no início, mas o tempo investido nesse detalhamento poupará esforços depois.

Com tudo organizado, podemos então começar o rateio de custos. Para isso, precisamos nos familiarizar com alguns conceitos.

rateio de custos

Rateio de custos permite saber a participação de cada produto ou atividade no custo total da empresa rural 

(Fonte: Acceasa

Diferentes custos e tipos de rateio

De modo simplificado, podemos definir dois tipos: custos diretos e indiretos.

Os custos diretos são aqueles inerentes à realização de determinada atividade. Ou seja, são os insumos (adubos, agroquímicos, vacinas, rações, etc), mão de obra e outros materiais que se sabe exatamente para qual atividade foram utilizados.

Por exemplo, as vacinas do gado não poderiam ser usadas na lavoura de milho, não é mesmo? Portanto, são custos diretos da bovinocultura. Mas os herbicidas usados na lavoura são custos direto da produção de milho.

Por outro lado, se utilizarmos um trator para o manejo do milho, mas também o usarmos para tratar do gado, os custos de diesel e hora máquina não são bem definidos para cada atividade.

Esse tipo de custo é chamado indireto, pois várias atividades fazem uso de um insumo, máquina ou funcionário em comum.

Nesse caso, o rateio por custos indiretos irá definir quanto desse custo vai para cada atividade. Mas isso veremos mais pra frente.

rateio de custos

(Fonte: Fortes Tecnologia)

Separando as atividades

Cada atividade desenvolvida na empresa deve ser tratada de forma independente, salvo em situações em que estão diretamente ligadas. 

Por exemplo, a fazenda produz grãos para venda e silagem para alimentar o gado leiteiro. Nesse caso, a produção de grãos é totalmente independente das outras duas atividades.

Por outro lado, a produção da silagem é direcionada para alimentação do rebanho, faz parte da atividade leiteira. Portanto, os custos da produção de silagem entram no rateio de custos da pecuária leiteira.

Lembre-se que nada impede de se fazer o rateio somente da produção de silagem, mas que o objetivo final é a produção de leite.

rateio de custos

(Fonte: Indústria Hoje)

Separando os custos

Como vimos anteriormente, devemos prestar atenção nos custos indiretos de nossa propriedade. 

Aqueles custos que são compartilhados por mais de uma atividade da fazenda, como óleo diesel, horas máquina, energia elétrica e funcionários que atuam em mais de um tipo de serviço.

Nesses casos, é ideal se que calcule a quantidade de insumo foi gasto para cada atividade ou quantas horas dos funcionários ou máquinas foram dedicadas a cada uma.

Esses custos devem ser divididos proporcionalmente para cada atividade:

Por exemplo: de um total de 8 horas/dia, um funcionário dedica 6 horas para tratar do gado e o restante (2h) para a irrigação da lavoura de grãos. Ele dedica 75% do seu tempo para a criação do gado e 25% para a lavoura.

Assim, o custo correspondente ao salário desse trabalhador deve ser dividido nessa proporção nos centros de custo!

Supondo que ele ganhe R$ 2.000, R$ 1.500 (75%) seriam rateados para a pecuária e R$ 500 (25%) para a lavoura.

O mesmo raciocínio é válido para saber quanto cada atividade deveria pagar dos gastos com máquinas e óleo diesel.

Com isso, a divisão fica proporcional ao trabalho realizado em cada projeto ou atividade, sem que haja desbalanços como ocorreria se utilizássemos um valor igual para todos.

Os 3 métodos de rateio de custos

De modo prático, o rateio de custos é separar os custos de cada atividade. A partir disso podemos calcular a lucratividade de cada uma, levando em conta a receita bruta delas.

Além disso, a dica é ganhar tempo já fazendo a contabilidade de sua empresa rural de forma detalhada, já separando para cada atividade. 

Assim, o “grosso” do rateio de custos diretos já estará feito ao fim da safra.

Acrescentamos a isso os custos indiretos, fazendo o rateio proporcional de todos os processos da fazenda.

A partir disso, podemos analisar a lucratividade ao fazer o balanços dos custos rateados com as receitas brutas também rateadas.

Abaixo temos os 3 métodos de rateio mais utilizados na agricultura:

Rateio por Absorção

É um dos métodos mais usados, uma vez que divide custos igualmente pelos itens analisados. É o mais intuitivo de todos e é aquele sobre o qual já comentamos aqui.

Rateio por Atividade

É um método um pouco mais complexo e abrangente. Nesse tipo de rateio, você precisa realmente mensurar o uso de um determinado custo para fazer a separação posterior. Por exemplo o quanto cada atividade usa uma máquina por mês.

Rateio por Faturamento

O faturamento também é um tipo comum de critério para divisão dos custos. Supondo que você tenha dois produtos agrícolas (A e B). Se o item B fatura o dobro, ele também será responsável pelo dobro de custos.

Rateio de custos com um software agrícola

Não é preciso quebrar a cabeça para fazer o rateio de custos na sua fazenda. Com um software agrícola, esse cálculo se torna muito mais automatizado.

No Aegro, por exemplo, cada despesa lançada no seu financeiro pode ser facilmente atribuída como um custo de safra, estoque ou fazenda.

Além disso, você consegue ratear o valor de uma nota fiscal entre diferentes safras. O gasto será divido automaticamente pelo sistema, de acordo com a extensão das suas áreas de plantio.

Depois, ao realizar as suas atividades no campo, você registra no software a quantidade de produto que aplicou e até mesmo a máquina ou implemento agrícola que utilizou.

Assim, a divisão de custos de insumos e combustível pelos talhões da lavoura fica ainda mais precisa.

A qualquer momento, a participação de cada categoria de despesas nos custos da sua propriedade pode ser visualizada em detalhes, de forma rápida.

Custo de produção agrícola no Aegro

Simples, não é mesmo? Clique aqui para testar o Aegro gratuitamente por 7 dias e ter uma gestão financeira mais eficiente.

planilha de controle de endividamento rural com rateio por participante

Conclusão

Para sabermos se nossa propriedade rural é lucrativa, precisamos conhecer nossos custos.

Melhor ainda se soubermos como é a lucratividade de cada atividade da fazenda.

O rateio de custos atua exatamente aí, facilitando a análise da nossa propriedade, caso a caso.

Assim é possível identificarmos possíveis problemas e agirmos para solucioná-los e retomar a lucratividade.

>> Leia mais:

Gestão de custos da fazenda: O que é e como fazer

Planilha de gastos agrícolas: Como fazer e como contê-los (+ planilha grátis)

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Planejamento operacional da fazenda: aprenda a fazer e torne sua propriedade mais lucrativa!

Planejamento operacional: Aprenda os principais pontos para planejar suas atividades e tornar sua propriedade mais eficiente. 

Você já teve aquela sensação de que poderia estar extraindo mais de sua fazenda?

A falta de organização geralmente é uma das principais causas de ineficiência e altos custos nas propriedades agrícolas.

O planejamento operacional pode te ajudar a organizar melhor suas atividades e tornar sua fazenda mais eficiente e lucrativa.

Entenda no texto a seguir!

Os tipos de planejamento

Ao realizar o planejamento de uma empresa, temos várias esferas e níveis de detalhamento. Assim, tem-se os diferentes planejamentos: estratégico, tático e operacional.

planejamento operacional

(Fonte: Marcocontabilidade.com.br)

No planejamento estratégico, definimos os objetivos de nossa empresa, numa visão mais ampla e de longo prazo. É o “destino da nossa viagem”.

Já o planejamento tático são os meios que serão utilizados até o nosso objetivo. Seria o carro e as várias rotas até o nosso destino.

Mas então, o que é o tal planejamento operacional?

O planejamento operacional é o mais específico dos três, onde o nível de detalhamento é maior. Ele é o motor e as engrenagens que fazem nosso carro funcionar corretamente e nos levar ao nosso destino.

Em nossa empresa rural, o planejamento operacional corresponde ao detalhamento das diversas operações que compõem o dia a dia. 

Por que realizar o planejamento operacional?

Processos básicos como controle de estoque e das operações podem representar uma boa parte dos custos de uma empresa rural.

Como é extremamente detalhado, o planejamento operacional permite um controle fino da nossa propriedade. 

Além disso, proporciona maior eficiência em nossa gestão, minimizando custos e maximizando nosso lucro.

Começando os planos…

Enquanto o foco dos outros dois planos é no médio e longo prazos, o plano operacional foca no curto prazo. É mais ou menos assim: 

“O que nós podemos fazer hoje (curto prazo) que permitirá atingir nossos objetivos no futuro (médio/longo prazo) da melhor maneira possível?”.

Essa pergunta tem todos os elementos que resumem a essência do planejamento operacional. Nós a usaremos como exemplo a seguir.

Quando realizamos o planejamento operacional, devemos ter algumas questões em mente. Respondê-las significa detalhar cada operação e tornar o nosso planejamento mais robusto e correto.

1. O que fazer?

É cada uma das operações de sua propriedade que precisam ser realizadas a fim de alcançar os objetivos e metas de nossa empresa.

Desde avaliar os recursos disponíveis, organizar as finanças e os estoques até planejar as operações de plantio e colheita da fazenda.

De um ponto de vista mais prático, e partindo do pressuposto a empresa rural já está organizada, nosso foco seria nas atividade do dia a dia da fazenda como o plantio, as adubações, controle de daninhas, etc.

Planejamento operacional da empresa é fundamental para atingir objetivos futuros

(Fonte: EESC Jr – USP)

2. Por que fazer o planejamento operacional?

É uma pergunta simples mas que nunca deve ser esquecida. Todas as operações devem ser direcionadas para atingir os objetivos definidos previamente e/ou adaptar-se a um novo planejamento.

3. Como fazer?

São os detalhes de cada operação propriamente dita, com os insumos e os meios utilizados. Suponhamos que iremos iniciar o plantio de uma área de milho, tudo deve ser especificado:

  • Qual será a área plantada
  • Qual semente e a quantidade utilizada.
  • Quanto de adubo será usado no plantio.
  • Qual trator e plantadeira iremos utilizar.
  • Qual a população de plantas.

A lista poderia continuar, mas já deu pra entender a ideia, não é? Esses detalhes todos entram no planejamento e são avaliados após a realização de cada operação. Quanto mais detalhes, maior será seu controle sobre sua empresa. Mas sua dedicação terá que ser maior também.

4. Quem vai fazer?

Definidas as operações, devemos designar quem irá realizá-las.

No planejamento operacional, isso é muito importante. Cada operação está alinhada com os recursos humanos – um colaborador ou um grupo de colaboradores.

É importante que isso fique claro! Seja em um quadro onde todos possam ver as atividades que lhe cabem ou de uma maneira mais sofisticada, com uso de softwares.

planejamento operacional

Planejamento das atividades da fazenda pode ser facilmente visualizado com uso do Aegro

5. Quando faremos o planejamento operacional?

Há um momento certo para a realização das operações, obedecendo critérios técnicos e/ou econômicos.

Para que tudo siga o cronograma, é importante que se estabeleçam datas e prazos para as atividades.

Sabemos que imprevistos que atrasem as operações podem ocorrer (chuvas, por exemplo). Por isso, é importante darmos um prazo para a conclusão das atividades e avaliar o resultado depois desse prazo.

(Fonte: Ideal Marketing)

6. Quanto isso vai custar?

As diversas operações que compõe uma empresa rural têm sempre um custo associado. Seja o gasto com insumos em si ou a própria depreciação do equipamento, tudo deve ser levado em conta na hora de calcular esses gastos.

O planejamento bem feito permite que façamos um orçamento prévio dos custos das operações, o qual podemos comparar com o custo atual da mesmas operações.

Assim, somos capazes de controlar melhor os recursos financeiros, avaliar a eficiência atual de nossa empresa e melhorar a cada planejamento.

Recapitulando as ideias

Lembra da nossa pergunta lá do início? “O que nós podemos fazer hoje (curto prazo) que permitirá atingir nossos objetivos no futuro (longo prazo) da melhor maneira possível?”.

Vamos agora respondê-la de maneira mais detalhada, para resumir a ideia do planejamento operacional.

“O plantio do milho (o que) será realizado na terça de manhã (quando) pela equipe do senhor José (quem) com o trator X e a plantadeira Y (como). Isso irá nos custar R$ (quanto) e nos permitirá seguir com os cronograma da empresa (o porquê)”.

De maneira simplificada, com o planejamento operacional é possível responder a essas perguntas.

Detalhes são a chave para o sucesso

Ao realizar o planejamento operacional, é fundamental que tenhamos nossa empresa “na palma da mão”. Devemos conhecer os recursos disponíveis e termos definição de metas de nossa empresa rural. 

Desse modo, cada operação é planejada dentro do orçamento e da maneira que melhor atenda nossos objetivos.

Um bom planejamento pode e deve ser atualizado! O mercado é dinâmico e sua empresa deve estar sempre pronta para se adaptar a eventuais mudanças.

Por isso, é necessário que constantemente façamos a reavaliação dos nossos projetos, fazendo os ajustes necessários.

Para correta avaliação e controle das operações, é muito importante que sejam feitos relatórios de cada atividade. 

Assim, garantimos que o resultado de cada operação seja o desejado. E, caso algo dê errado, sabemos exatamente o que ocorreu e dispomos das ferramentas para consertar o erro. Fique ligado!

A tecnologia é uma grande aliada do planejamento operacional

Como você pode perceber, são muitos detalhes que devemos controlar para que tenhamos sucesso no planejamento.

Tomar conta de tudo isso é trabalhoso e muitas vezes não conseguimos visualizar as informações facilmente. 

Softwares de gestão agrícola, como o Aegro, facilitam todo esse processo. Com ele é possível integrar todas as informações de sua propriedade, desde o estoque até a rentabilidade de cada área ou atividade.

O planejamento operacional fica muito mais fácil, pois é possível programar cada operação, designando o operador, a máquina e a área que será utilizada.

planejamento operacional

Com Aegro você consegue visualizar facilmente as operações e os custos de cada categoria em sua propriedade

Teste por você mesmo o software de gestão agrícola Aegro. Temos algumas opções grátis para você começar agora:

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planilha para planejamento da safra de soja Aegro

Conclusão

Neste artigo, vimos a importância do planejamento operacional e como ele pode trazer inúmeros benefícios à nossa fazenda, desde maior fluidez das atividades até maior lucratividade.

Para sua realização correta, é necessário que tenhamos nossa empresa organizada, desde o estoque até a parte financeira. 

Também é fundamental que conheçamos nosso planejamento e como cada atividade é realizada.

Assim, podemos traçar um planejamento operacional sob medida para nossas necessidades, sem elevar os custos e maximizando a eficiência de nossa propriedade.

Você já tentou melhorar o planejamento operacional da sua fazenda? Restou alguma dúvida? Deixe seu comentário abaixo! Grande abraço!

Calagem em plantio direto: dúvidas frequentes e suas respostas

Calagem em plantio direto: Quando aplicar e reaplicar, fazer ou não a incorporação do calcário, como conseguir equilíbrio entre Ca e Mg e outras respostas para dúvidas frequentes!

Quando  o assunto é calagem em plantio direto, garanto que você já se se questionou:

“Devo ou não incorporar? Como fazer a calagem em superfície? Vale a pena corrigir o solo em profundidade?

Essas e outras perguntas são corriqueiras e mostram como o assunto é controverso e existe desinformação.

Por isso, separamos aqui as dúvidas mais comuns e suas respostas para que você consiga o melhor manejo e, portanto, a melhor produção dentro do sistema de plantio direto! Confira!

Calagem em plantio direto: o calcário

O calcário é um corretivo da acidez do solo. Pode fornecer cálcio (Ca) e magnésio (Mg), além de ajudar na melhoria de atributos físicos do solo.

Com a ascensão do sistema de plantio direto, algumas questões surgiram quanto à execução da calagem no PD.

Aqui no blog, nós já falamos sobre as principais características desse corretivo, o cálculo de calagem e princípios básicos da correção do solo. Confira!

Agora, o intuito é responder a algumas dessas perguntas que surgem quando o assunto é calagem em plantio direto.

1. Como amostrar o solo?

A principal diferença entre o plantio convencional e o plantio direto é o local de amostragem de solo.

Como não há revolvimento de solo no PD, a tendência é que o adubo se concentre nos mesmos locais. 

Além disso, cria-se um gradiente de fertilidade entre a superfície e as camadas mais profundas. E isso é mais problemático para nutrientes pouco móveis no solo, como o fósforo.

Em sistemas de PD já consolidados, a dica na hora de amostrar o solo é retirar 15% das amostras na linha e o restante na entrelinha, misturando tudo para formar uma única amostra.

Para facilitar ainda mais, uma regra prática: retire amostras a cerca de um palmo da linha, assim, ela representará bem o que ocorre tanto na linha quanto na entrelinha.

A dica é avaliar não somente a camada 0-20 cm, mas também a 20-40 cm pelo menos. Assim, temos ideia de como está o ambiente em que nossas raízes irão se desenvolver.

2. Qual dose deve ser aplicada?

Existem várias maneiras de se calcular a dose da calagem.Não importa o método utilizado, o importante é que se obedeça a recomendação de calagem.

Alguns produtos, como o tal “calcário líquido” ou calcários granulados, prometem uma maior eficiência e por isso poderiam ser utilizados em doses mais baixas, o que nem sempre é verdade. Portanto, cuidado com promessas “milagrosas”.

Cuidado com essas promessas! Não existe milagre. Atenda à recomendação de calagem e não terá problemas.

Da mesma forma, como a calagem é superficial e de reação lenta, pode causar a “supercalagem” na camada mais superficial (0-5 cm), reduzindo a disponibilidade de micronutrientes catiônicos e indisponibilizando o P.

calagem plantio direto

(Fonte: Interpretti)

3. Como e quando aplicar? 

Em condições ótimas, o calcário demora pelo menos menos 3 meses para reagir no solo.  Portanto, quanto mais próximo ao fim da safra anterior, melhor.

A aplicação pode ser parcelada em doses de 2,5 ton/ha cada parcelamento.

E quando reaplicar?

O critério que tem sido utilizado para a reaplicação de calcário no Paraná é o seguinte:

A partir do monitoramento da camada 0-5 cm, realizar nova calagem quando o pH em CaCl2 estiver inferior a 5,6 e o V% menor que 65. 

Situações diferentes dessa não respondem bem à calagem.

Solos com mais argila devem demorar mais para ser necessário reaplicação. Os arenosos, por outro lado, necessitam de calagem mais frequentemente.

calagem plantio direto

(Fonte: Vitti e Priori)

4. Todo calcário é igual?

Não. Existem vários tipos de calcários. Cada um deles pode servir para uma função diferente.

Lembre-se: a calagem é baseada em critérios técnicos e econômicos.  Aquele corretivo que te proporcionar maior lucro ao longo dos anos deve ser o escolhido.

Temos que avaliar os calcários pelo seu Poder Relativo de Neutralização Total (PRNT).

Ele é resultado do produto do Poder de Neutralização (PN) e Reatividade (RE).

calagem

Interpretação de PRNT em calcários 

(Fonte: Alcarde et. al., 1992)

O valor do PRNT representa qual porcentagem do potencial de neutralização será expresso nos primeiros 3 meses. O restante é chamado Efeito Residual (ER) e terá sua ação ao longo do tempo no solo.

Essa informação é importante pois pode direcionar o uso de um ou outro tipo de calcário para determinadas situações.

5. Qual tipo de calcário devo utilizar?

Como regra geral, a recomendação é a seguinte:

Na adoção do PD, prefira calcários com maior efeito residual. Assim, garantimos uma ação mais duradoura.

Em áreas estabelecidas, queremos que a reação do calcário ocorra o mais rápido possível. Portanto, escolha aqueles que tem o PRNT mais elevado, com baixo residual.

6. Vale a pena incorporar o calcário?

Estudos mostram que o custo adicional da incorporação do corretivo não se traduz em lucro ao sistema já estabelecido.

Também devemos nos atentar aos danos causados à estrutura do solo (infiltração, aeração, etc), microbiologia do solo, além da degradação da matéria orgânica.

Portanto, a calagem em plantio direto deveria ser superficial.  

Mas o tema é controverso…

O CESB (Comitê Estratégico Soja Brasil) cuida de pesquisas relacionadas à cultura da soja e promove competições anuais de produtividade.

Em suas publicações disponíveis, eles encontraram correlação entre os teores de matéria orgânica, Ca, Mg, V% e CTC e baixo Al até 1 metro de profundidade. 

Ou seja, os recordes de produtividade ocorriam em sistemas onde o subsolo estava corrigido e fértil.

Como em PD o solo não deve ser revolvido, após a adoção do sistema é difícil atingir o subsolo. Apenas após muitos anos a calagem superficial terá efeito sobre essa camada.

Mas existe uma única época em que é recomendada a incorporação de calcário em PD: na adoção do sistema.

Ao adotar o PD podemos aproveitar a oportunidade e incorporá-lo ao solo. É a única chance de revolver o solo e corrigi-lo diretamente em profundidade. Fica a dica.

7. Como maximizar a eficiência da calagem em plantio direto?

A eficiência da calagem é função da dose, do tipo de calcário, do tempo de reação do calcário no solo, das condições edafoclimáticas (solo + clima) da região e do manejo da área.

Portanto, lembre-se que uma mesma dose de calcário terá comportamento diferente em diferentes locais e sob diferentes manejos.

Mas existe outra maneira de extrair o máximo dessa correção: culturas de cobertura.

O uso de culturas de cobertura com grande produção de biomassa de raízes pode ajudar no caminhamento do calcário para o subsolo, pois melhora a estruturação e cria bioporos com a morte de raízes.

Além disso, a exsudação de ácidos orgânicos nas raízes pode complexar o Al tóxico e auxiliar no caminhamento do  calcário no perfil também. Desse modo, a calagem superficial pode atingir camadas inferiores.

calagem plantio direto

Estudos em Latossolos indicam que o melhor é a manutenção do sistema plantio direto com semeadura direta e calagem superficial sem revolvimento do solo, associado a rotação de culturas, inclusive melhorando a produção de grãos

(Fonte: Fidalski et al., 2015)

8. Não esqueça do Mg!

O Mg tem grande importância na translocação de açúcares na planta e é integrante da molécula de clorofila, mas geralmente esquecemos dele. Coitado!

Na briga com Ca e K no solo, o Mg sai perdendo. Nas quantidades adicionadas via calcário e gesso, também.

Por isso, é importante utilizar o calcário dolomítico quando os teores de Mg estiverem abaixo de 5 mmolc.dm-3. Ele tem maior quantidade de Mg na formulação.

Isso é tão mais importante quanto maiores forem as doses de K e de gesso. O gesso agrícola, além de fornecer Ca, lixivia Mg das camadas superficiais. 

Em casos onde a dose de gesso aplicada foi alta, somente o calcário dolomítico não será capaz de resolver o problema. Nesse caso, recomenda-se utilizar o óxido de magnésio como corretivo e fonte de Mg.

>> Leia mais: “Como fazer calagem e gessagem nas culturas de soja, milho e pastagem

Como comprar calcário?

O critério econômico para compra do calcário é baseado no valor pago por unidade de PRNT. 

Esse cálculo leva em conta o preço pago por tonelada de calcário e o frete para entrega:

Compra de Calcário = [(Custo do calcário + frete)/PRNT ] x 100

Assim, temos a informação do calcário economicamente melhor, já dentro da propriedade. Vamos ver um exemplo para entender melhor:

Exemplo:

Calcário 1: Custo do calcário em minha propriedade = R$ 2200

PRNT do calcário = 80%

2200/80 = 27,5 x 100 = 2750

Calcário 2: Custo do calcário em minha propriedade = R$ 2350

PRNT do calcário = 90%

2350/90 = 26,1 x 100 = 2611,1

Ou seja, mesmo o calcário 2 sendo mais caro, ele compensa seu custo.

Conclusão

Como pudemos observar, a dose e a frequência de aplicação de calcário devem obedecer critérios técnicos e também econômicos para trazer os melhores resultados.

Uma calagem bem feita garante que os nutrientes serão melhor aproveitados e a planta terá um ambiente mais amigável para desenvolver suas raízes.

Assim, temos um maior potencial produtivo para nossa lavoura.

>> Leia mais:

Plantio direto na soja: Como fazer ainda melhor na sua lavoura

E você, o que achou do texto? As dicas te ajudaram a entender melhor sobre calagem em plantio direto? Deixe suas dúvidas e comentários! Grande abraço! 


Consultor agrícola: 5 dicas para melhorar seus serviços e expandir sua consultoria

Consultor agrícola: como se organizar e se planejar para ter resultados mais efetivos para você e seus clientes.

A extensão nem sempre chega onde mais deveria: ao produtor. Ele muitas vezes se encontra distante das universidades e centros de pesquisa agrícola.

Nesse contexto, o consultor agrícola é a ponte que liga produtor e pesquisa, levando o conhecimento e inovação até o campo.

Mas mesmo um consultor experiente pode melhorar seu negócio e ser mais eficiente em sua consultoria.

Listei 5 dicas que podem te ajudar a expandir seus serviços de consultor agrícola. Confira comigo!

O papel do consultor agrícola

Todos os envolvidos com o agro conhecem a figura do consultor agrícola.

Essa profissão encurta as distâncias entre o conhecimento e o produtor, trazendo inovação ao campo e possibilitando que a produção agrícola siga sempre avançando.

Muitas vezes fica difícil competir com alguém com maior experiência e já estabelecido como consultor. Mas o mercado está cada vez mais competitivo e com profissionais capacitados.

É imprescindível ter um diferencial em seus serviços a fim de melhorar e expandir sua consultoria.

Não importa se você já é consultor agrícola há muito tempo ou se está apenas começando na atividade, sempre há como melhorar!

5 dicas para melhorar seus serviços e expandir sua consultoria agrícola

Algumas coisas simples podem ser adotadas a fim de melhorar sua consultoria. Confira:

1. Organização é tudo para o consultor agrícola

Você deve encarar a sua consultoria como uma empresa. Para isso, a organização é fundamental!

Muitas vezes, o que define o sucesso financeiro de uma empresa é o controle refinado de todas as suas atividades, despesas e receitas.

Para um consultor agrícola não é diferente. Ou pelo menos não deveria ser…

Afinal, se você não sabe quanto gasta ou quanto ganha, pode ser que esteja “vendendo o almoço pra pagar a janta”. Cuidado.

Mantenha um histórico detalhado de suas atividades como consultor, seus custos e quanto ganha com cada serviço.

Desse modo, você terá maior controle sobre sua consultoria e poderá decidir de maneira consciente como expandir seus serviços.

Com o Aegro, você armazena todas atividades e informações durante a visita a fazenda ou na estrada, sem perder dados ou ficar preso ao computador.

2. Planejamento é o melhor caminho

Agora que já organizou a “sua casa”, é hora de planejar os próximos passos.

Se você tem planos de expandir sua consultoria ou mesmo contratar consultores para te auxiliar, tudo deve ser planejado.

Por exemplo, não é novidade que os consultores “rodam” muito para atender seus clientes. Planejar suas rotas para ser mais rápido ou gastar menos no trajeto pode trazer economia no fim do mês.

Da mesma forma, avalie a real necessidade de expandir o seu negócio. É melhor manter a qualidade do serviço do que expandi-lo e correr o risco de não atender a todos com a mesma eficiência.

Caso decida expandir seu negócio, o Aegro pode ajudar a otimizar suas atividades e ganhar tempo para atender novos clientes. 

Centralize as informações de todos os clientes em um único lugar, de onde estiver, online e offline, garantindo a tomada de decisões assertivas baseadas em seu histórico, detecção de problemas e monitoramento da lavoura.

O Aegro é o investimento certo para você que não tem tempo para registrar informações entre uma visita e outra, que está cansado de ter retrabalho e quer aumentar sua produtividade e de seus clientes, para atender mais e melhor.

3. Cuide bem da clientela (e de seus colaboradores)

Nunca é o bastante lembrar: embora o trabalho do consultor agrícola seja com plantas e/ou animais, ele primeiramente lida com pessoas.

Seja diretamente com o produtor ou com consultores contratados na sua empresa, o jeito como você os trata pode definir o sucesso ou o fracasso do trabalho.

Como qualquer prestador de serviços, a palavra final é do contratante, do cliente. Nesse caso, do produtor rural.

Saber conquistá-lo e fidelizá-lo exige mais do que competência, também é necessário comunicar-se bem e trazer as informações de forma que o produtor entenda.

Como disse, a competição no mercado é feroz, por mais que seja competente e experiente, saber “vender o seu peixe” e tratar bem seus clientes é pré-requisito para se manter no mercado.

Um bom consultor agrícola sabe disso e usa a seu favor.

4. Conheça seus clientes

Da mesma forma que devemos organizar nosso negócio, é fundamental manter os dados de nossos clientes em ordem.

Culturas, talhões, aplicações, níveis de infestação, implementos agrícolas disponíveis, etc.

A ideia é manter um registro e histórico de todas essas informações de modo que seja fácil acessá-las para que sejam utilizadas na tomada de decisão.

Dessa maneira, fica mais fácil relembrar como está a situação de cada propriedade. Além disso, facilita para designar as operações que cada produtor deve fazer.

Com isso, otimizamos o tempo e tomamos melhores decisões.

O problema é quando temos que lidar com um número muito grande de informações. Fica complicado…

5. Invista em tecnologia

Hoje temos o mundo na palma de nossas mãos, tudo está conectado. No agro não é diferente.

Existem apps e softwares de gestão agrícola que facilitam a vida do administrador, do empresário e também do consultor agrícola.

Mexer com planilhas pode ser complicado, confuso e muitas vezes os dados acabam se perdendo. Então por que não investir em um software?

consultor agricola


Aegro permite ao consultor visualizar informações gerais das fazendas e fazer observações a campo

O Aegro é um software de gestão agrícola que torna mais amigável o controle de sua consultoria. Seja no aplicativo de celular ou no computador, tudo fica conectado e sincronizado.

Com ele é possível organizar todos os dados de uma propriedade, talhão a talhão, atividade por atividade.

Além dos dados financeiros, podemos também programar as operações necessárias e designar o que cada colaborador deve fazer.

Isso é interessante principalmente quando temos um grande número de dados para trabalhar.

Conclusão

O consultor agrícola é de extrema importância para o agronegócio brasileiro.

Mas como ocorre em outros setores, na consultoria agrícola a concorrência também é elevada e o mercado é muito competitivo.

Como pudemos conferir no texto, medidas simples como organização e planejamento podem fazer toda a diferença para se ter um diferencial no mercado.

É importante lembrar que o consultor deve saber lidar com pessoas e tratar muito bem seus clientes.

Investir em um software para agricultura pode facilitar a vida e tornar seus serviços ainda mais organizados e eficientes.

Não importa como, o importante é sempre buscar melhorias para atender melhor seus antigos e novos clientes, os produtores rurais.

>> Leia mais:

Como vender a consultoria rural: o que você precisa saber para conseguir alcançar mais clientes

“Entenda por que o consultor deve incentivar a diversificação de culturas na fazenda”

E você, o que achou do texto? Quais suas dúvidas enquanto consultor agrícola? Conte para gente. Grande abraço.

Planilha de gastos agrícolas: como fazer e como contê-los (+planilha grátis)

Planilha de gastos agrícolas: as principais dicas de como fazer uma, o passo a passo para controlar os gastos e ainda uma planilha modelo grátis.

Controlar os gastos é importante para o sucesso financeiro de sua propriedade.

Se você não sabe quanto gastou, como vai saber quanto ganhou?

Existem várias maneiras de se fazer o controle, seja com o uso de planilha de gastos, software agrícola ou até mesmo um caderno.

Mas é necessário coletar os dados de forma organizada, para otimizar o processo e obter informações importantes sobre a propriedade.

Confira como ter uma boa planilha de gastos agrícolas e baixa uma versão gratuita para iniciar seu controle financeiro hoje mesmo!

Saiba quanto você gastou

Um dos maiores erros que podemos cometer em um empreendimento é não ter controle financeiro.

Uma empresa rural tem inúmeros gastos mês a mês: insumos, serviços, impostos e por aí vai.

Não fazer a gestão de custos, mantendo um histórico detalhado desses gastos mensais pode dar a falsa ideia de que o negócio está voando, quando, na verdade, está afundando em prejuízos.

Planilha de gastos agrícolas podem te ajudar a manter o controle sobre a propriedade, mas alguns detalhes são importantes na hora de elaborá-las.

Confira comigo algumas alguns detalhes que não podem faltar em sua planilha.

Como começar uma boa planilha de gastos agrícolas

1. Tenha tudo sobre controle

Se você nunca fez o controle de seus gastos, pode parecer complicado no começo. Mas, fique calmo, não é nenhum bicho sete cabeças.

Primeiramente, devemos ter muita organização!

Tudo deve ser levado em conta na hora de organizar suas despesas: impostos, salários, manutenção de máquinas e por aí vai.

Mas lembre-se que finanças pessoais não devem ser misturadas às finanças da empresa.

Cada um desses itens são dados de entrada de uma planilha de gastos. Quanto mais detalhes, melhor.

A ideia é conhecer detalhadamente as finanças de sua propriedade. Só assim podemos tomar decisões conscientes para guiar o futuro de nossa empresa.

Mas como e quando fazer uma planilha de gastos?

planilha de gastos
(Fonte: Guia do Milhão)

2. Aproveite a entressafra

A melhor época para fazer o planejamento financeiro e colocar a casa em ordem é a entressafra.

Use esse período de forma produtiva! Feche o balanço (receitas e despesas) da safra anterior e aproveite para planejar a próxima.

Arrume o seu estoque, dê manutenção no maquinário e planeje as operações.

Se você nunca fez isso, aproveite para começar a fazer também!

Como dito anteriormente, devemos conhecer detalhadamente a nossa propriedade e não misturar a parte financeira pessoal.

Dividir a fazenda em talhões facilita na organização das informações. Da mesma forma, um estoque organizado pode ajudar na hora do planejamento da safra e elaboração da planilha de controle de gastos.

Além disso, lembre-se: quanto melhor a qualidade dos dados de entrada, melhores serão os resultados obtidos com a planilha.

>> Leia mais: “5 passos para realizar o fechamento de safra de forma prática e rápida”

O que você precisa saber para elaborar sua planilha de gastos agrícolas

Algumas informações não podem faltar para elaborar uma boa planilha de gastos agrícolas.

Usarei como exemplo os custos com insumos. Eles representam grande parte dos gastos de uma fazenda, por isso merecem atenção especial.

Os números utilizados são fictícios, meramente para ilustrar a situação!

Como você pode observar na figura abaixo, algumas informações devem ser levadas em conta:

  • Tipo de insumo: Detalhe cada insumo utilizado, desde sementes, adubos, inoculantes, etc.
  • Área: Divida sua área em talhões e mantenha o histórico de cada talhão individualmente.

Dessa maneira, podemos fazer a contabilidade por talhão e descobrir se a conta está fechando individualmente.

Muito importante é definir a área que iremos utilizar. No exemplo, coloquei 20 ha.

  • Quantidade utilizada por hectare: cada insumo tem uma quantidade correta a ser utilizada em determinada área. Certifique-se de adotar a quantidade recomendada e introduzir na planilha de gastos.
  • Preço e quantidade comprada para cada produto: por exemplo, R$ 248 por 60 kg de sementes.

Essa informações são básicas, mas servem para calcular os gastos com insumos. Com elas podemos entender onde seu dinheiro está indo, talhão a talhão.

O cálculo é simples, mas essa planilha programada já faz automaticamente, gerando inclusive gráficos. Veja na figura abaixo:

Nesse exemplo, conseguimos ver onde você está gastando seu dinheiro, com a porcentagem de cada insumo nos gastos.

Dessa maneira fica fácil visualizar e administrar os maiores “vilões” nas suas finanças.

Com isso, você pode direcionar suas negociações de compras, visando pagar menos por aquele insumo que te dá maior dor de cabeça.

Comprar bem os insumos é uma das maneiras de reduzir os gastos totais. Vale a pena “perder um tempo” com orçamentos e negociando. Pense nisso!

Modernize sua fazenda: softwares de gestão agrícola

Hoje em dia tudo está na palma da mão, nos nossos celulares. Por que não ter um gerenciador financeiro de nossa fazenda também?

Os softwares e aplicativos de gestão agrícola facilitam a sua vida nesse sentido.

Eles sincronizam os dados e os integra de forma automática, facilitando o acesso e a visualização das informações mais importantes para a vida financeira de sua empresa rural.

O Aegro é um software de gestão agrícola que pode te ajudar desde o controle do custo de produção e estoque até a organização das operações de sua fazenda.

planilha de gastos
Com Aegro, você consegue comparar custo orçado e custo realizado, por exemplo, de forma automatizada e acessível a qualquer momento (dados ilustrativos)

Ainda não conhece o software agrícola Aegro? Você pode começar a usar o software pelo aplicativo grátis disponível em:

Para a versão completa, fale com um de nossos consultores aqui!

planilha de controle dos custos com insumos Aegro, baixe grátis

Conclusão

É fundamental controlar os gastos de sua propriedade, seja com planilhas financeiras, software agro ou mesmo no caderninho.

A planilha de gastos agrícolas é uma ferramenta de baixo custo e que pode auxiliar o controle dos gastos da propriedade.

Mas é necessário organização para anotar todas operações de compra e venda da fazenda e tempo para tabulá-las.

Empresas rurais que geram grande quantidade de informações podem ter dificuldade em trabalhar com planilhas. Nesses casos, softwares de gestão que conseguem lidar com todos esses dados de forma automatizada e de mais fácil visualização são opções!

Aproveite as informações passadas aqui e comece a organizar agora mesmo o controle financeiro da sua fazenda!

>>Leia mais:

Todas as dicas para fazer a contabilidade de custos da fazenda sem mistérios!

Como fazer o rateio de custos simples e efetivo

Você já usou uma planilha de gastos em sua fazenda? Como você controla seus custos hoje? Deixe sua dúvida ou comentário. Grande abraço!