Guia completo de manutenção de máquinas agrícolas + planilha grátis

Manutenção de máquinas agrícolas: saiba quais são os principais processos, melhores épocas e cuidados que você deve tomar.

O trabalho em uma propriedade rural é baseado no uso das mais diversas máquinas

O uso inadequado do maquinário pode gerar custos desnecessários e queda de produtividade. Por isso, existem três tipos de manutenção que você pode e deve fazer: preditiva, preventiva e corretiva.

Quer conhecer todas elas e garantir uma ótima manutenção?

Neste artigo, confira os principais procedimentos de manutenção e tudo o que você precisa saber para manter sua frota em dia. Boa leitura!

Principais usos das máquinas agrícolas

São várias as atividades agrícolas que podem ser efetuadas por máquinas e implementos:

  • Preparo de solo: essa etapa consiste em revolver, descompactar, nivelar e fazer sulcos de plantio. As máquinas utilizadas são subsolador, grade, arado, sulcador;
  • Correção do solo e adubação: consiste em corrigir as propriedades químicas do solo por meio de adubos, gessagem e calagem. As máquinas utilizadas são carretas, calcareadoras, adubadoras;
  • Plantio: consiste em semear (no caso de sementes) ou plantar (no caso de plântulas ou toletes). As máquinas utilizadas são semeadoras e plantadoras;
  • Controle de plantas daninhas: consiste em diminuir ou eliminar a população de plantas que podem competir com a cultura de interesse. As máquinas utilizadas são roçadeiras, enxada rotativa, pulverizadores;
  • Controle de pragas e doenças: consiste em controlar a população de pragas e doenças que podem diminuir a produtividade das culturas. As máquinas utilizadas são pulverizadores, fumigadores, atomizadores;
  • Colheita: consiste em tirar do campo o produto agrícola de interesse como grãos, frutos ou plantas inteiras. As máquinas utilizadas são colhedora de grãos e ensiladora.

Além dos implementos mencionados, o trator agrícola  é uma máquina que está envolvida em todas essas atividades. 

Manutenção de máquinas agrícolas. Foto de vários tipos diferentes de máquinas, como trator, colhedeira de grãos, enxada rotativa, etc.

Exemplos de implementos agrícolas

(Fonte: Adaptação feita pelo autor)

Pra que serve a manutenção de máquinas agrícolas

As máquinas agrícolas podem ser muito caras e necessitar de alto investimento. 

Por isso, devem ser cuidadas e preparadas para o trabalho. Essa é uma forma de aumentar sua vida útil.

É importante  que o maquinário esteja sempre disponível e que apresente o menor número de falhas durante o funcionamento. Assim, suas tarefas na lavoura não serão atrasadas.

A manutenção prepara a máquina para estar em perfeitas condições de uso e diminui os riscos de problemas durante a atividade no campo. 

Isso aumenta a eficiência dos processos e evita perdas da sua cultura, de combustível, de tempo, de mão de obra e de insumos. Além disso, você garante um menor custo operacional das máquinas.

Porém, é importante lembrar que nem toda manutenção deve ser feita a qualquer momento. Veja um pouco mais sobre isso em seguida.

Épocas ideais para a manutenção de máquinas agrícolas

Os maquinários agrícolas são demandados em diferentes épocas do ano ou do ciclo das culturas. Pensando nisso, sempre planeje a manutenção de algumas máquinas enquanto outras estão em uso.

Por exemplo: arados e sulcadores são mais utilizados na época de estiagem, antes do plantio. 

Semeadoras são necessárias no início da safra e antes da implantação da safrinha. As colheitadeiras precisam estar disponíveis no final do ciclo das culturas

Seguindo esse exemplo, você pode planejar a manutenção das semeadoras durante o uso das colheitadeiras. Assim, para a próxima semeadura, elas estarão prontas e disponíveis.

O planejamento das épocas também deve acontecer de acordo com o tipo de manutenção. Elas são três:

Manutenção preventiva das máquinas

Esse tipo de manutenção é feito de tempos em tempos, em intervalos definidos pelos manuais das máquinas.

O objetivo é verificar o estado geral de componentes da máquina, fazer sua troca e prevenir falhas e danos ao seu maquinário. Esse tipo de manutenção pode e deve ser planejada.

As manutenções preventivas mais comuns são, normalmente, as seguintes: 

  • verificação de filtros e níveis de fluido de refrigeração;
  • lubrificação;
  • condição de pneus;
  • checar nível de combustível;
  • identificar possíveis bloqueios ou vazamentos em sistemas de circulação de ar ou fluido;
  • lubrificação de sistemas móveis;
  • verificação da fixação de peças, etc.

Apesar da manutenção preventiva evitar as manutenções corretivas, elas também podem gerar gastos desnecessários. Isso principalmente porque o desgaste ou estados de algumas peças podem depender do tipo de atividade e não apenas das horas de uso indicadas no manual.

Para evitar esse problema, a manutenção preditiva pode ser uma solução.

Manutenção preditiva das máquinas

A manutenção preditiva procura predizer a possibilidade de falhas dos sistemas de máquinas agrícolas baseados em informações provenientes de equipamentos de análise.

Por ser feita baseada em marcadores mais confiáveis, ela aumenta a confiabilidade do maquinário. Isso diminui a necessidade de manutenções corretivas e a execução de manutenções preventivas não necessárias.

Esse tipo de manutenção ainda não é muito utilizada em máquinas agrícolas, mas deve ser implementada de acordo com a possibilidade.

Elas são bastante utilizadas, por exemplo, em veículos de passeio ou de transporte, por meio de equipamentos de telemetria como:

  • ultrassom;
  • sensores de vibração;
  • escaneamento de central de injeção eletrônica;
  • testes de bateria;
  • termografia.

Manutenção corretiva das máquinas

Ela é feita quando um problema surge durante a operação da máquina. Nesses casos, é necessária a intervenção imediata.

Essa manutenção é crítica, afinal, pode causar perdas e diminuição da eficiência da atividade. Por exemplo, algumas falhas que podem gerar manutenções corretivas são:

  • sobretemperatura de motores;
  • falta de líquido de lubrificação;
  • peças emperradas ou soltas;
  • pneus murchos;
  • sistemas de ar ou fluidos bloqueados;
  • falha elétrica;
  • baterias descarregadas, etc.

É muito importante ter à disposição peças de reposição, ferramentas, equipamentos e mão de obra para a execução dessa manutenção. Assim, caso a manutenção seja necessária, o tempo de inatividade da máquina será menor.

Principais manutenções de máquinas agrícolas

Cada tipo de maquinário apresenta um nível de tecnologia e demanda um tipo de manutenção. 

Quanto maior o nível de detalhes e de peças da máquina, maior será a necessidade e a quantidade de manutenções a serem executadas.

Por isso, é normal que a atividade de manutenção em um semeadora-adubadora seja muito mais detalhada que em um arado simples.

Além disso, o tipo de manutenção dependerá da composição da máquina e se ela tem motores, sistemas hidráulicos, peças móveis, etc. 

Veja quais são as atividades mais comuns:

  • Troca de filtros de ar, óleo e combustível;
  • Verificação de níveis de água, fluidos e combustíveis;
  • Lubrificação de peças móveis;
  • Calibragem das condições de pneus e fixação de rodados;
  • Limpeza e desbloqueio de sistemas de circulação e/ou injeção de ar ou líquidos;
  • Detecção de vazamentos em tubulações;
  • Isolamento e conectividade de sistemas elétricos;
  • Teste de sistemas de freio e movimentação.

Cuidar da manutenção de máquinas não é uma tarefa fácil, sobretudo em fazendas com frota grande. Você e a equipe responsável pelo maquinário devem estar sempre na mesma página quanto aos status de manutenção.

A tecnologia pode e deve ser sua aliada nesses momentos. Por isso, separamos para você uma planilha para gerenciar a manutenção das suas máquinas de forma simples e intuitiva.

Com ela, você pode ficar sempre por dentro do que foi feito e do que precisa ser ajustado em cada máquina. Clique na imagem abaixo para baixar:

Banner da planilha de manutenção de máquinas

Cuidados a serem tomados na manutenção

Há uma série de cuidados que devem ser tomados na execução da manutenção. Esses cuidados garantem:

  • segurança de quem estiver envolvido na atividade;
  • o bom uso de ferramentas e insumos;
  • a integridade da máquina;
  • a eficiência da atividade,

Estas são algumas boas práticas importantes de serem verificadas durante a manutenção:

  • Executar manutenção sempre com as máquinas e implementos desligados;
  • Verificar a fixação da máquina em caso de necessidade de elevação do maquinário;
  • Uso de peças originais ou similares de boa qualidade;
  • Uso de insumos de qualidade e de ferramentas adequadas;
  • Controle de estoque e armazenamento de insumos para evitar indisponibilidade;
  • Planejar uma janela de tempo adequada para a execução do serviço;
  • Buscar mão de obra especializada caso não haja um  especialista na propriedade;
  • Seguir sempre o manual do fabricante;

Conclusão

Ter um maquinário sempre em bom estado e disponível para as atividades da propriedade pode definir o sucesso do seu negócio. Porém, são inúmeras as atividades que precisam ser organizadas em conjunto.

O gerenciamento de manutenções de um número grande de máquinas pode ser bastante confuso e complicado. 

Isso pode causar indisponibilidade de máquinas, gerar atrasos e perdas na atividade, além de diminuir a eficiência da propriedade. 

Por isso, conte com ferramentas como a planilha disponibilizada no artigo para tornar esse processo mais simples e intuitivo.

Como você faz a manutenção de máquinas agrícolas? Ficou com alguma dúvida? Adoraria ler seu comentário!

10 passos para uma manutenção de tratores eficiente

Manutenção de tratores: conheça os tipos, as melhores épocas para se fazer, como gerenciar, organizar a frota e muito mais!

Os tratores agrícolas são máquinas indispensáveis para quem produz. 

Eles são usados em várias atividades na propriedade e precisam estar sempre prontos para a tarefa.

Como toda máquina ou automóvel, o trator também necessita de manutenção. Ela é  necessária para diminuir a depreciação das máquinas e evitar problemas.

Neste artigo, você verá tudo sobre a manutenção dos tratores agrícolas e sua composição! Boa leitura!

Pra que serve a manutenção de tratores agrícolas?

Os tratores agrícolas, por realizarem tarefas muito desgastantes, precisam de manutenção constante.

Esse trabalho é crucial em diversos pontos, como: 

  • aumentar a vida útil do trator;
  • diminuir gastos desnecessários;
  • manter a eficiência da atividade executada;
  • diminuir o custo de consertos;
  • menor custo com abastecimento das máquinas;
  • dar mais segurança a quem realiza as operações.

Além disso, esses serviços evitam que seus tratores não estejam disponíveis para as atividades. 

As falhas e atrasos nas atividades também diminuem. Isso aumenta a eficiência geral da atividade, já que o trator precisa de menos tempo para cumprir uma tarefa. 

Composição de um trator agrícola

O trator agrícola é composto de partes externas e internas. Ele pode ser detalhado nos sistemas a seguir:

  • Carenagem, lataria ou carroceria: protege o motor e os sistemas acessórios;
  • Cabine: local de trabalho de quem opera os comandos e controle da máquina;
  • Chassi: é a parte de sustentação do trator, sobre a qual a carroceria é montada. É uma parte bastante robusta;
  • Motor: gera potência para o trabalho e a movimentação da máquina;
  • Rodado: é o sistema de rodas, normalmente divididas em rodas de direção ou rodas motrizes; 
  • Sistemas Acessórios: são os sistemas hidráulico, de direção, de transmissão, alimentação, elétrico, de lubrificação, de arrefecimento ou refrigeração.
Manutenção de tratores: foto mostrando as partes do trator: motor, cabine, carenagem, chassi e rodado..

Esquema geral de partes de um trator 

Fonte: (adaptado de Navarra)

Tipos de manutenção de tratores

A manutenção de tratores pode ser feita em diversas épocas do ano ou do ciclo agrícola. Elas são definidas de acordo com o momento em que são executadas.

Manutenção preventiva

Esse tipo de manutenção é feita de tempos em tempos, em intervalos definidos pelos manuais das máquinas.

Seu objetivo é verificar o estado geral de componentes do trator. Assim, as trocas podem ser feitas preventivamente, evitando falhas e danos ao trator.

Manutenção preditiva

Essa manutenção se baseia nas condições de marcadores como filtros, óleos e peças.

Ela evita que problemas inesperados ocorram entre os intervalos de manutenções preventivas.

Manutenção corretiva

A manutenção corretiva é feita quando um problema surge durante a operação da máquina. Ou seja, quando é necessária uma intervenção imediata.

Cada uma dessas prevenções tem um papel diferente e um impacto maior ou menor na eficiência da máquina. 

Melhor época para fazer a manutenção de tratores agrícolas

As manutenções preventivas e preditivas devem ser programadas para as épocas em que a necessidade do uso de trator seja menor. Por exemplo, nos períodos de entressafra

Essas manutenções, quando bem executadas, irão diminuir necessidade de correções. Agora, veja as atividades de manutenção e a recomendação de horas para sua execução.

Manutenção diária 

Diariamente, você precisa:

  • Checar o nível de água do radiador;
  • Checar o nível de óleo do motor;
  • Checar o nível de óleo da transmissão;
  • Avaliar a condição dos freios;
  • Drenar o sedimentador;
  • Drenar filtros de combustível;
  • Lubrificar o trator.

Manutenção semanal

A cada semana, é necessário:

  • Verificar correias;
  • Verificar o sistema elétrico;
  • Conferir o nível de óleo dos sistemas hidráulicos e de transmissão;
  • Checar e ajustar a pressão dos pneus.

Manutenção mensal

As tarefas mensais são menores. São elas:

  • Trocar o óleo lubrificante do motor e filtro;
  • Conferir o nível de óleo bomba injetora.

Manutenção semestral

A cada semestre, você precisa fazer as seguintes operações:

  • Desmontar as rodas e engraxamento;
  • Substituir a água do radiador e limpá-lo;
  • Substituir os filtros de combustível;
  • Checar o filtro primário (pré-filtro);
  • Conferir o filtro secundário (de combustível).

10 passos para uma manutenção de tratores completa

O trator é dividido em partes e sistemas. Cada um desses sistemas precisa de manutenções específicas. Confira a seguir:

1. Manutenção do sistema elétrico

O sistema elétrico fornece energia elétrica para os demais sistemas de controle do trator. Ele é composto por alternador, bateria, fiação, indicadores do painel e lâmpadas. Nesse sistema, é preciso:

  • Avaliar o estado dos cabos e conectores;
  • Checar o nível de água de fluido da bateria;
  • Analisar o estado e tensão da correia do alternador.

2. Manutenção do sistema de combustível

Esse sistema faz o transporte de combustível do tanque e sua injeção no motor. Ele é composto por tanque de combustível, tubulação, bomba, injetores e filtros. Nele, você precisa:

  • Drenar o copo sedimentador;
  • Trocar o filtro de combustível;
  • Verificar a presença de vazamentos na tubulação;
  • Conferir o estado geral e entupimentos da bomba de injeção.

3. Manutenção do sistema de resfriamento do motor

Esse sistema é responsável pelo controle da temperatura do motor. É composto por radiador e tampa, termostato, ventilador, bomba de água e mangueiras. Você precisa:

  • Limpar o radiador;
  • Conferir o nível da solução de arrefecimento;
  • Trocar os aditivos do líquido de arrefecimento;
  • Conferir vazamento na tubulação ou tampa do radiador;
  • Analisar o funcionamento e tensão da correia da ventoinha.

4. Manutenção do sistema de ar

Ele é responsável pela alimentação de ar para o motor, permitindo a combustão. É composto por pré-filtro e filtro, turbo compressor, coletor e válvulas de admissão. Você deve:

  • Fazer a regulagem de válvulas;
  • Verificar a pressão de ar;
  • Conferir a integridade dos dutos de transporte;
  • Fazer a limpeza ou troca de filtros.

5. Manutenção do sistema de lubrificação do motor

Ele diminui o atrito e desgaste das peças do motor. É composto por cárter, bomba de óleo, filtro e dutos. Os pontos de manutenção são:

  • Conferir nível e qualidade do óleo;
  • Ver a necessidade de troca de filtros;
  • Identificar a presença de vazamentos.

6. Manutenção do sistema de transmissão

Esse sistema transforma a energia produzida no motor para o sistema de rodado. É composto por embreagem, caixa de marchas, conjunto coroa/pinhão, diferencial e redução final. Os pontos de manutenção são:

  • Checar e trocar óleo;
  • Checar e trocar filtros;
  • Averiguar a presença de vazamentos;
  • Fazer a limpeza de respiros.

7. Manutenção do sistema hidráulico

Esse sistema fornece potência para sistemas de direção, freio e levante do trator. É composto por bomba hidráulica, reservatório de óleo, válvulas e atuador motriz. Aqui, você deve:

  • Conferir nível e qualidade do óleo;
  • Checar necessidade de troca de filtros;
  • Analisar a presença de vazamentos e atuação de válvulas;
  • Acoplar mangueiras.

8. Manutenção do sistema de rodado

O sistema é responsável pela movimentação do trator através da potência gerada pelo motor. É composto por aro, pneu e componentes de fixação. Nesse sistema, você deve:

  • Calibrar e conferir o estado de conservação dos pneus do trator;
  • Reapertar componentes de fixação ao eixo;
  • Conferir níveis de patinagem.

9. Manutenção do sistema de freios

O sistema controla a velocidade do trator. É composto por pedais, cabos, discos e reservatórios de fluidos. Nele, você deve: 

  • Conferir a altura dos pedais;
  • Analisar a qualidade e nível do fluido;
  • Acionar os freios.

10. Manutenção da lubrificação

A lubrificação diminui o atrito entre partes móveis do seu trator. Por isso, você deve aplicar graxa periodicamente, sempre que necessário.

Gerenciamento e organização da manutenção de tratores

O gerenciamento da manutenção pode ser feito por meio de planilhas baseadas nas recomendações dos manuais de trator. 

Porém, contar com softwares de gestão agrícola pode ser uma saída muito mais prática. O Aegro, por exemplo, permite que você ative lembretes de manutenção e faça uma checklist das atividades previstas. 

alerta de manutenção no Aegro

Fazer a manutenção dos seus tratores é mais fácil com o Aegro

Fonte: (Aegro)

Assim, você evita esquecimentos e aumenta a eficiência desse processo.

Além disso, é importante que seus funcionários tenham acesso a cursos sobre a manutenção de tratores. Isso dará à sua equipe maior capacidade de solução de problemas.

Os gastos desnecessários e falta de maquinário em etapas cruciais do ciclo da cultura também serão evitados dessa forma.

Além disso, não se esqueça de organizar o estoque para não faltarem ferramentas e peças de reposição para as manutenções.

Conclusão

Ter um maquinário sempre preparado para uso é essencial para o sucesso do manejo da sua lavoura. 

A manutenção bem executada e no tempo correto evita atrasos e possíveis perdas na lavoura. Isso também diminui custos desnecessários e evita desperdícios.

Além disso, você pode aumentar o rendimento e vida útil da máquina

Não se esqueça de fazer um bom controle do seu estoque de peças e de gerenciar bem as atividades de manutenção das máquinas. Na dúvida, sempre procure um profissional.

>> Leia mais: “Renagro: como funcionará o registro nacional de tratores e máquinas agrícolas”

E você? Como costuma se organizar para fazer a manutenção de tratores na sua propriedade? Segue todos os passos citados no artigo? Adoraria ler seu comentário!

Otimize seu maquinário com piloto automático agrícola

Piloto automático agrícola: entenda como funciona o sistema de máquinas automáticas e a possibilidade de uso em sua propriedade

A atividade agrícola deve ser executada da maneira mais profissional possível

Isso inclui o uso eficiente de recursos, máquinas, combustível, tempo e mão de obra. Os avanços tecnológicos fizeram com que muitas dessas atividades fossem automatizadas na agricultura. 

A automação agrícola envolve desde as práticas técnicas de campo até a gestão de pessoas. O piloto automático agrícola é um bom exemplo.

Neste artigo, confira os tipos de sistemas de piloto automático, quais operações podem ser realizadas com eles e muito mais! Boa leitura.

O que é o piloto automático agrícola?

O piloto automático das máquinas agrícolas funciona como um carro de controle remoto.  Isso quer dizer que o controle da máquina é remoto. Ou seja, não há contato direto do operador.

Porém, há uma diferença: um carro por controle remoto conta com um operador.

Na máquina em piloto automático, a operação acontece praticamente sem intervenção humana. Isso acontece através de uma série de processos.

A direção de deslocamento, velocidade, tempo de movimento e as paradas são coordenados com parâmetros pré-estabelecidos. A atividade a ser executada também é considerada.

Essa tecnologia também é chamada maquinário autônomo.

A evolução dos sistemas de piloto automático

Os sistemas de piloto automático começaram a se tornar possíveis a partir da década de 1990. O surgimento do GPS foi o motivo. 

A partir daí, as máquinas foram sendo adaptadas para executar de maneira automática algumas atividades. Por exemplo, andar em linha reta e seguir um trajeto pré-definido.

O papel do operador era diminuído, mas ainda necessário para atividades como: 

  • alinhamento da máquina no início do circuito;
  • controle de acionamento e levantamento do implemento acoplado;
  • manobra de retorno;
  • realinhamento à nova rota.

Alguns sistemas ainda são utilizados, baseando-se em sinais luminosos no campo ou na própria máquina. O objetivo é guiar o deslocamento do trator.

Porém, outros avanços nos últimos anos permitem que o piloto automático seja cada vez menos dependente da operação humana.

Como funciona o sistema de piloto automático?

A tecnologia de piloto automático se baseia em um sistema de georreferenciamento, como o GPS. 

A interação entre esse sistema e o sistema de controle da máquina e do implemento também são importantes.

Para isso, o sistema apresenta uma quantidade mínima de componentes:

Ilustração de máquina em preto e branco, com lupas em peças específicas

Componentes do sistema de piloto automático de um trator 

Fonte: (USP)

  • Antena (a): a antena recebe o sinal de georreferenciamento através do GNSS (Sistema de navegação global por satélites);
  • Computador (b): o computador de bordo contém o software. Através dele, é possível ajustar a rota, controlar o sistema de operação da máquina e do implemento de acordo com o sinal da antena;
  • Sensor de inércia (c): notifica oscilações e também faz a compensação da inclinação vertical;
  • Atuador da direção (d): adéqua e equaliza as rotas do trator e do implemento;
  • Sensor de esterçamento (e): acoplado às rodas do trator, permite controle automático do esterçamento da máquina.

Tipos de sistema de piloto automático

Existem dois tipos básicos de sistemas e estes são definidos de acordo com a interação entre a máquina e o implemento agrícola:

1. Sistemas passivos

Nesses sistemas, a rota é traçada baseada no deslocamento e posicionamento do implemento agrícola. 

A roda do trator é adequada para que o implemento avance de maneira correta.

Nos sistemas passivos, o trator e o implemento seguem rotas diferentes. Por isso, podem ocorrer danos em partes do cultivo pelo trator, principalmente em operações de tratos culturais.

2. Sistemas ativos

Nesses sistemas, o controle de posicionamento é feito com o trator e o implemento seguindo a mesma rota. Assim, há um maior controle sobre o deslocamento.

Nos sistemas ativos, há a necessidade de atuadores na máquina ou no implemento, ajustando suas rotas. 

Esses atuadores são normalmente mecânicos, elétricos ou hidráulicos.

Quais operações podem ser feitas com essa tecnologia?

A maior parte das atividades que envolvam tratores ou implementos agrícolas podem ser adaptadas para o uso de piloto automático

A possibilidade de ter uma máquina autônoma depende da capacidade de adequá-la para a tarefa.

O uso de máquinas com piloto automático pode ser feito para as seguintes tarefas:

  • Preparo do solo: essas máquinas podem ser usadas em conjunto com mapas de inclinação e fertilidade da área. Atuam tanto no preparo quanto na correção nutricional do solo;
  • Plantio: o piloto automático evita a sobreposição de plantio ou áreas vazias. Além disso, há melhor controle no número de sementes por área, melhorando o estande inicial;
  • Aplicação de produtos fitossanitários: o uso de piloto automático pode gerar uso mais eficiente de insumos e evitar toxicidade. Ele não permite a sobreposição de áreas. Além disso, permite que os produtos sejam aplicados em horários alternativos, com condições climáticas ideais.
  • Colheita: na colheita, o uso de máquinas autônomas pode evitar o amassamento de plantas e danos ao cultivo. Além disso, a velocidade é mais uniforme e evita perdas.
Foto de painel de bordo de máquina com piloto automático: é possível ver uma ilustração da lavoura com uma linha reta e uma seta vermelha, que indica o trajeto a ser feito pela máquina

Exemplo de tela de computador de bordo de máquina com piloto automático 

Fonte: (Hexagon)

Vantagens de utilizar o piloto automático

Existem diversas razões para investir e utilizar a tecnologia de piloto automático e máquinas autônomas. 

A maioria está relacionada ao aumento da eficiência e qualidade do serviço. A redução de custos ao longo prazo também é uma forte vantagem.

Mas existem outras:

  • Diminuição de falha humana;
  • Menor fadiga do operador;
  • Possibilidade de atuação sob baixa visibilidade devido à escuridão ou neblina;
  • Eficiência de aplicação e diminuição da sobreposição de áreas;
  • Maior homogeneidade da lavoura;
  • Diminuição do tempo de atividade e do gasto de combustíveis;
  • Redução na ociosidade do maquinário;
  • Menor possibilidade de dano à cultura ou ao maquinário;
  • Possibilidade de integração com outras técnicas de agricultura de precisão.

 Desvantagens do piloto automático agrícola

Apesar de todas as vantagens, o sistema de piloto automático exige um alto investimento.

Você também precisa de treinamento específico para uma boa utilização e aproveitamento de todas essas vantagens.

Há várias opções de marcas e modelos, com diferentes preços. Você deve verificar a viabilidade e o melhor sistema para seu maquinário.

Além disso, é importante incluir investimentos em maquinário e formação de pessoal antes de implementar o sistema.

Ao se decidir pela aquisição e uso dessa tecnologia, informe-se com o vendedor sobre as necessidades de instalação e calibragem do sistema em seu maquinário. 

Além disso, informe-se sobre custos dessas tarefas, caso não estejam incluídos.

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Conclusão

O uso de tecnologias de automação são prioridades em tarefas relativas ao cultivo e à gestão da propriedade.

As máquinas autônomas já são uma realidade no Brasil, e você também pode ter essa tecnologia na sua lavoura.

Isso poderá trazer grandes vantagens, como a redução de custos e maior facilidade no trabalho. Vale a pena considerar esse investimento na lavoura.

Leia mais >>>

“Fazendas digitais: saiba mais sobre a nova maneira de produzir”

E você, já usa piloto automático agrícola na sua fazenda? Notou facilidade no seu trabalho no campo? Adoraria ler seu comentário!

8 melhorias que a mecanização agrícola traz para a sua fazenda

Mecanização agrícola: entenda as vantagens, o uso de tecnologias mais modernas na propriedade e as principais técnicas disponíveis atualmente

O dia a dia de quem produz é desafiador

A execução das atividades no campo é definitiva para o sucesso ou fracasso do seu negócio. 

Aumentar a eficiência dos processos na propriedade é uma necessidade. A mecanização agrícola te dá mais organização, desde o preparo do solo até a pós-colheita.

Neste artigo, você conhecerá mais sobre as técnicas de mecanização agrícola, os benefícios do seu uso e os principais desafios. Confira!

O que é mecanização agrícola?

A mecanização agrícola é o conjunto de técnicas utilizadas no planejamento, execução e desenvolvimento dos processos de produção. Tudo isso acontece com o uso de máquinas, implementos, ferramentas ou qualquer outro meio mecânico. 

Em diferentes escalas, essa mecanização já vem acontecendo desde o começo das atividades agrícolas. 

Benefícios da mecanização agrícola

A invenção de ferramentas e técnicas sempre esteve ao lado de quem produz.

A mecanização é motivada por uma ou várias necessidades, e traz benefícios como:

  • economia de recursos, insumos e tempo;
  • aumento da velocidade de execução de uma tarefa;
  • menor necessidade de mão de obra;
  • aprimoramento da qualidade e eficiência da atividade;
  • menos retrabalhos;
  • sustentabilidade ambiental e econômica;

A mecanização agrícola pode solucionar grandes gargalos da atividade agrícola. Grande parte da evolução da agricultura está ligada à mecanização.

A tendência é que essa relação também seja responsável pelas alterações futuras do meio agrícola. 

Afinal, a melhoria dos processos de automação e mecanização são uma das bases da chamada Agricultura 4.0.

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Dificuldades nas atividades agrícolas

As limitações da atividade agrícola são, em geral, relacionadas a 3 pontos principais:

  • a terra;
  • a mão de obra;
  • o capital.

No Brasil, o maior gargalo está relacionado ao capital. 

Isso ocorre principalmente pelos altos custos de produção. As altas taxas tributárias para compras de insumos e máquinas também são uma causa.

Otimizações no uso e preparo da terra e maior eficiência de mão de obra podem gerar retorno positivo. 

Dessa forma, soluções que diminuem custos e aumentam o controle e a eficiência darão maior rentabilidade ao negócio.

Ilustração com fundo preto, que mostra em blocos coloridos os três fatores  da mecanização agrícola do aumento de rentabilidade: controles, eficiência, custos.

Fatores de aumento da rentabilidade

(Adaptado de: ScadiAgro)

8 melhorias que a mecanização agrícola traz para a sua fazenda

1. Preparo do solo

Ferramentas mecânicas como escarificadores, grades, arados e subsoladores auxiliam no preparo do solo. 

O uso de implementos mecanizados pode aumentar a qualidade do preparo, diminuindo os riscos de erosão e permitindo sistemas como o plantio direto.

Mecanização agrícola: foto de um arado subsolador vermelho, em um fundo branco

Arado subsolador

(Fonte: Ruralista)

2. Correção do solo

O processo de calagem é crucial para adequar condições do solo para a cultura. Usar máquinas para distribuição homogênea desses insumos diminui o desperdício e aumenta a eficiência.

Foto de um distribuidor de calcário vermelho, com uma grande caçamba e quatro rodas

Distribuidor de Calcário

(Fonte: Agriexpo)

3. Adubação

As adubadoras são máquinas primordiais para menores perdas na aplicação e homogeneidade de fertilizantes. Isso tanto em pré-plantio quanto cobertura.

4. Plantio

A operação de plantio é crucial para o desenvolvimento de um estande inicial de plantas e potencial produtivo. As semeadoras de plantio convencional e direto aumentam muito a eficiência do processo.

Mecanização agrícola: Foto de uma semeadora adubadora verde, com várias rodas pequenas no centro e duas rodas grandes nas extremidades.

Semeadora adubadora

(Fonte: Agrofry)

5. Pulverização

Máquinas pulverizadoras são muito utilizadas durante o ciclo de produção. 

Elas são úteis na aplicação de fertilizantes ou para o controle de pragas, doenças e insetos, além de manter a capacidade produtiva da lavoura

Mecanização agrícola: Foto de um pulverizador autopropelido amarelo, da marca PLA

Pulverizador autopropelido

(Fonte: Interagrovial)

6. Sistemas de irrigação

O controle da umidade do sistema solo-planta pode ser feita por diversos sistemas mecânicos de irrigação, como pivô central

Esse controle permite maiores potenciais produtivos, além do uso racional de água no cultivo.

7. Colheita

A mecanização da colheita através de colhedeiras permite a diminuição nas perdas. Além disso, há mais rapidez no processo, o que evita degeneração na qualidade do produto final.

Foto de colhedeira de grãos vermelha

Colhedeira de grãos

(Fonte: Cenep)

8. Pós-colheita

O processamento da produção pode incluir tarefas como a classificação, limpeza, secagem e ensilagem. O uso de máquinas permite maior homogeneidade e velocidade nesse processo, garantindo maior qualidade do produto final.

Técnicas modernas e o futuro da mecanização agrícola

A Agricultura Digital é um conceito que está ganhando bastante destaque no meio agrícola. Ela se baseia no uso de tecnologias de ponta em várias atividades.

A automação agrícola é uma de suas bases.

Inovações tecnológicas serão ainda mais vistas na mecanização agrícola. Dentre essas novas ferramentas, há:

  • Drones e aviões: podem ser usados tanto para o monitoramento de características das áreas como para aplicação de insumos como fertilizantes e defensivos.
  • Sistema de localização: permite mapear diferentes áreas da propriedade com alta resolução;
  • Sensores: captam de dados do solo, planta ou clima sem interrupções e de maneira mais eficiente;
  • Máquinas autônomas: dispensam a mão de obra humana e executam atividades por meio da combinação de sensores e sistema de localização. Isso acontece baseado em dados pré-coletados ou em tempo real;
  • Sistemas inteligentes: controlam atividades como irrigação, de maneira mecânica e com pouca ou nenhuma intervenção humana;
  • Agricultura de precisão: se baseia no uso das tecnologias acima mencionadas para um monitoramento da propriedade;

Conclusão

São várias as etapas da produção agrícola que podem ser melhoradas através do uso da mecanização e automação.

A mecanização agrícola permite uma maior otimização de processos por meio da economia de tempo, dinheiro e recursos

O uso combinado dessas técnicas pode levar a um aumento grandioso da eficiência da propriedade. Por isso, não deixe de considerar essas tecnologias.

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Como melhorar a plantabilidade e corrigir linhas falhas e duplas na lavoura

Plantabilidade: entenda o que é, como afeta a sua lavoura, como obter o melhor resultado em campo e muito mais!

Os grãos são o carro chefe do agronegócio brasileiro. Os dados da Conab evidenciam isso. Os manejos bem feitos reduzem perdas e otimizam processos.

Mas além deles, a plantabilidade é um dos fatores mais importantes relacionados à produtividade dos grãos, principalmente da soja.

Com certeza você já ouviu falar dela, mas você sabe como ela pode influenciar na produtividade da sua lavoura? Confira a seguir!

O que é plantabilidade

Plantabilidade é a deposição das sementes feita de forma correta pela semeadora.

Para o estabelecimento de um bom estande produtivo, é necessário ter boa qualidade das sementes.

Além disso, o posicionamento das sementes no solo (profundidade) deve ser correto. 

O fechamento do sulco, o contato das sementes com o solo e a plantabilidade também são pontos cruciais.

Nesse caso, o foco é nas linhas de plantio. Colocar a quantidade e distância correta de sementes nas linhas é fundamental.

Uma boa plantabilidade garante o espaçamento correto entre as plantas na linha e a correta formação do estande.

Foto de lavoura de milho com boa plantabilidade. As plantas estão posicionadas em uma distância padronizada, sinalizada por três setas vermelhas.

Boa plantabilidade na cultura do milho levando ao estande correto

(Fonte: Pioneer Sementes)

Estudos a respeito dos efeitos da plantabilidade na cultura do milho já existem há mais tempo. Para a cultura da soja, eles são mais recentes.

Como a plantabilidade influencia a produtividade?

A má distribuição longitudinal das sementes causa perdas diretas de produtividade. Afinal, a eficiência no aproveitamento dos recursos disponíveis (como água, luz e nutrientes) é reduzida.

Vale lembrar que os efeitos da má plantabilidade variam conforme as culturas. Mas independente da cultura, os prejuízos são causados pelas linhas duplas e falhas.

Linhas duplas e linhas falhas

Para ser considerada dupla, a distância entre as sementes tem que ser menor que a metade do espaçamento esperado entre plantas (na linha). Assim, elas ficam mais próximas umas das outras.

Representação de distância ideal de semeadura. A imagem é dividida em três quadros: no primeiro, há quatro sementes de milho separadas por distâncias iguais. No segundo, há duas sementes de milho muito juntas, ao lado de duas sementes de milho mais separadas. No terceiro, há duas sementes de milho muito separadas.

Classificações de espaçamento

(Fonte: Dias, 2013)

Imagine fazer o plantio com uma densidade de semeadura de 12 sementes por metro.

Nesse caso, quando você dividir 1 metro  pelas 12 sementes, o espaçamento adequado esperado entre plantas é de 8,3 cm

Distâncias entre plantas inferiores a 4,15 cm (menos de 50% da distância esperada) há uma linha dupla.

As falhas são o oposto, e ocorrem quando a distância entre as plantas no campo é superior a 50% da distância adequada esperada.

Estande de soja recém plantada com falhas. Na foto, há uma fileira de plântulas separadas por distâncias iguais, e outras fileiras com falhas nessas distâncias.

Exemplo de falhas de plantio de soja

(Fonte: SeedNews)

Quando a distância entre plantas é superior a 12,45 cm (8,3 + 4,15), há uma falha. Para esse número, considere ainda o exemplo anterior.

Principais prejuízos das linhas duplas e falhas

Nas linhas duplas

As plantas estão mais próximas umas das outras. Por isso, há maior competição entre elas, seja por água, luz ou nutrientes.

A competição, principalmente por radiação solar, faz com que as plantas cresçam mais  que o normal. Ao crescer mais, elas ramificam menos.

A produção acaba sendo menor dessa forma.

Na cultura da soja, ao lado da maior competição, o vigor da semente pode causar outro problema.

Uma semente mais vigorosa poderá germinar e emergir mais rápido. Dessa forma, a planta que se sobressai domina a planta vizinha. 

Quando há muitas plantas dominantes e dominadas no estande, a sua tendência pode ser  modificar a arquitetura do dossel.

Essa modificação pode causar problemas de interceptação da radiação solar. Além disso, pode gerar falhas de deposição dos produtos fitossanitários.

Nas linhas falhas

Nesse caso, faltam plantas, e por isso a produção e a produtividade serão menores.

Algo muito comentado para a cultura da soja é a questão da plasticidade e capacidade de compensação das plantas.

É verdade que as plantas da soja podem compensar algumas falhas. No entanto, essa compensação nunca é de 100%.

Para evitar grandes prejuízos na cultura da soja, é importante manter os níveis de plantabilidade acima de 70%.

A ocorrência de linhas duplas e falhas juntas não deve ultrapassar 30%.

Principais fatores que afetam a plantabilidade

A plantabilidade pode afetar a produção e a produtividade. Para evitá-la, você precisa conhecer os principais fatores que a evitam:

  • tratamento de sementes e o uso de grafite;
  • a uniformidade das sementes e escolha dos discos de plantio;
  • o equipamento dosador e a regulagem;
  • a velocidade da operação;
  • solo e sistema de plantio;
  • sementes de boa qualidade e procedência;
  • máquinas bem reguladas;
  • manutenção das máquinas em dia.

O tratamento de sementes é essencial, mas pode alterar as características superficiais da semente. Isso faz aumentar o atrito.

Usar grafite como um lubrificante seco favorece o escoamento das sementes e melhora a plantabilidade.

Gráfico que demonstra que o uso de grafite como lubrificante seco nas sementes melhora a plantabilidade. Os resultados são muito positivos.

Efeitos do uso de grafite sobre a porcentagem de falhas e duplas em soja

(Fonte: Pioneer Sementes)

Também há diferença entre semeadoras mecânicas e pneumáticas


As pneumáticas normalmente apresentam maior precisão. Entretanto, as mecânicas também são bastante adequadas para a realização dos plantios de boa plantabilidade.

A velocidade excessiva na hora do plantio pode ser um problema, fazendo com que as sementes sejam mal posicionadas no solo.

Imagem dividida em três. A primeira mostra os efeitos de plantadeira com a 18 km/h e 12 km/h, ambas deixando falhas na lavoura. A terceira imagem mostra os efeitos de plantadeira a 6km/h

Diferentes velocidades de plantio e efeitos na plantabilidade

(Fonte: Sistema Ocepar)

Todos os fatores estão intimamente relacionados e atrelados às condições do campo, como o tipo de solo e sistema de produção (com ou sem palhada).

Não existe uma única fonte de problemas, mas diversas que vão se acumulando caso não sejam bem manejadas.

Avalie a plantabilidade com um software de gestão

Felizmente, é possível identificar problemas de plantabilidade a tempo de replantar a área. 

Uma forma eficiente de fazer isso é com a visualização de mapas NDVI. Eles apontam, a partir de imagens de satélite, falhas na linha de semeadura, como no exemplo da imagem abaixo.

Imagem de mapa NDVI, com linhas vermelhas que indicam problemas de plantabilidade em dois cantos da lavoura

A linha em cor vermelha no mapa NDVI indica possível problema de plantabilidade

Com o Aegro, sistema de gestão rural, você tem acesso a esse recurso e ainda pode solicitar uma avaliação ao seu monitor ou planejar uma nova tarefa de plantio, tudo em poucos cliques.

Monitore sua lavoura com tecnologia de ponta e garanta a saúde da plantação. Clique aqui para solicitar uma demonstração gratuita das nossas soluções

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Conclusão

Os grãos, com destaque para a soja e o milho, têm potencial de crescimento conforme os manejos e tecnologias avançam.

Além de um bom manejo, você deve ficar sempre de olho na plantabilidade. Afinal, ela tem grande importância nos sistemas de plantio e pode garantir uma safra mais produtiva.

Conheça bem os principais pontos que interferem na plantabilidade. Os mantenha sob controle e bem alinhados, e na dúvida, consulte um engenheiro-agrônomo!

E você, já enfrentou algum problema de plantabilidade na sua lavoura? Deixe seu comentário e conte sua experiência!

Armazenamento de combustível: quais as melhores práticas para o agronegócio

Armazenamento de combustível: saiba como realizá-lo de maneira eficiente, além de economizar tempo e custos na fazenda.

Como é realizado o armazenamento de combustível?

O armazenamento de combustível é feito por meio de tanques ou recipientes que devem atender às normas técnicas e ambientais vigentes. 

Os tanques ou recipientes podem ser instalados acima ou abaixo do solo, dependendo das características e necessidades do negócio. 

O armazenamento de combustível requer cuidados especiais para evitar vazamentos, contaminações, incêndios e explosões, que podem causar danos à saúde, ao meio ambiente e ao patrimônio. 

Nas propriedades rurais, as regras de segurança também devem ser seguidas. Listamos alguns tópicos para você tomar todas as medidas necessárias nessa etapa tão importante para o agronegócio.

  • Escolher o local adequado para a instalação dos tanques ou recipientes, levando em conta a distância de fontes de ignição, de cursos d’água, de áreas habitadas e de outras instalações;
  • Utilizar materiais resistentes e compatíveis com o tipo de combustível armazenado, evitando a corrosão, a oxidação e a deterioração dos tanques ou recipientes;
  • Realizar a limpeza, a inspeção e a manutenção periódica dos tanques ou recipientes, verificando possíveis vazamentos, fissuras, deformações, desgastes ou defeitos;
  • Instalar sistemas de medição, de controle e de segurança nos tanques ou recipientes, como indicadores de nível, válvulas de alívio, dispositivos de bloqueio, extintores de incêndio, bacias de contenção e alarmes;
  • Seguir as normas de segurança e de prevenção de acidentes no manuseio, no transporte e no abastecimento dos tanques;
  • Treinar e capacitar os funcionários responsáveis pelo armazenamento de combustível;

Esses tópicos são de grande importância para que seu negócio rural se mantenha dentro dos conformes da legislação.

Armazenamento de produtos inflamáveis

O setor agrícola é um dos principais consumidores de produtos inflamáveis, especialmente de diesel, que é usado para abastecer tratores, colheitadeiras, irrigadores e outros equipamentos. 

O armazenamento de combustível como diesel no campo é uma necessidade para garantir a continuidade e a eficiência da produção agrícola. Você sabe como armazenar esses produtos corretamente? 

Como vimos anteriormente, eles devem ser armazenados em locais adequados, seguindo as normas técnicas e ambientais vigentes.

Segundo a legislação para armazenamento de produtos inflamáveis, os produtos devem ser mantidos em recipientes apropriados e bem fechados, alocados separados de outros artigos que colaborem para a inflamabilidade, protegidos de fontes de calor e luz solar, mantidos em temperatura adequada no galpão, com ventilação suficiente e sinalização indicando a presença de produtos inflamáveis.

Tanque de armazenamento de combustível em uma fazenda. Há dois galões de diesel em um suporte de concreto, com um grande campo no fundo.
Armazenamento de combustível
Fonte: Aegro (2023)

Além disso, os funcionários responsáveis pelo armazenamento devem usar equipamentos de proteção individual e coletiva, e receber treinamento sobre os riscos e as medidas de emergência.

Existem dois tipos principais de armazenamento de produtos inflamáveis: o armazenamento acima do solo e o armazenamento subterrâneo. 

O primeiro consiste em tanques ou recipientes instalados sobre a superfície do solo, que podem ser fixos ou móveis, metálicos ou não metálicos, aéreos ou apoiados. 

O segundo consiste em tanques ou recipientes instalados sob a superfície do solo, que devem ser impermeáveis e resistentes à corrosão. O tipo de armazenamento a ser utilizado depende do tipo de negócio e de seus objetivos.

O armazenamento de produtos inflamáveis deve seguir as recomendações da Norma Regulamentadora NR-20, que fixa as condições exigíveis para projetos de instalações de armazenagem de líquidos inflamáveis e combustíveis contidos em tanques estacionários com capacidade superior a 250 L, à pressão manométrica igual ou inferior a 103,4 kPa (15 psig), medida no topo do tanque. A frente, iremos detalhar as normas de armazenamento. 

A norma aborda aspectos como tanques de armazenamento, arranjo dos tanques na bacia de contenção, dispositivo de alívio de pressão e vácuo, dispositivo de alívio de emergência para exposição a incêndio, distância de segurança, tubulação e sistema de proteção e combate a incêndio.

O armazenamento de produtos inflamáveis é uma atividade que demanda planejamento, controle e prevenção, visando garantir a segurança e a qualidade dos produtos e das pessoas envolvidas.

Quanto tempo pode armazenar gasolina no galão?

O armazenamento de gasolina em galão é uma prática que deve ser feita com cuidado e atenção, pois o combustível é um produto inflamável e volátil, que pode sofrer alterações de qualidade e causar riscos de acidentes. Antes de armazenar esse produto, consulte sempre um profissional da área, para que não ocorram acidentes.

Porém, o tempo máximo que a gasolina pode ficar armazenada em galão é de três a quatro meses, dependendo das condições de armazenamento.

A gasolina é um produto que se degrada com o tempo, pois sofre oxidação e evaporação, perdendo suas propriedades e características originais. 

A oxidação ocorre quando a gasolina entra em contato com o oxigênio do ar, formando gomas e vernizes que podem entupir os bicos injetores e prejudicar o desempenho do motor. 

A evaporação ocorre quando a gasolina é exposta ao calor e à luz solar, reduzindo o volume e a octanagem do combustível.

Lembre-se sempre de não utilizar garrafas pet, latas, baldes ou outros recipientes impróprios para o armazenamento de gasolina, pois eles podem se romper, vazar, pegar fogo ou explodir.

O armazenamento de gasolina ou qualquer outro combustível inflamável em galão é uma prática que deve ser feita com responsabilidade e consciência, seguindo as normas técnicas e ambientais vigentes. 

Normas de Armazenamento de combustível?

As principais normas e regras da ABNT NBR que se aplicam ao armazenamento de combustível na fazenda são:

ABNT NBR 15461: Estabelece requisitos para a construção de tanques estacionários de aço-carbono, atmosféricos, de até 190 mil litros, destinados ao armazenamento aéreo de líquidos cuja densidade relativa não exceda em 110% a da água.

ABNT NBR 7821: Estabelece exigências mínimas para materiais, projeto, fabricação, montagem e testes de tanques de aço-carbono, soldados, cilíndricos ou verticais, não enterrados, com teto fixo ou flutuante, destinados ao armazenamento de petróleo e seus derivados líquidos.

ABNT NBR 15456: Dita regras para construção e ensaios de unidades de abastecimento que possuam um gabinete hidráulico, a serem instaladas em bases fixas, destinadas a abastecer combustíveis líquidos nos tanques de veículos ou em recipientes portáteis a vazões de até 400 L/min, à utilização e armazenagem a temperaturas ambientes entre − 20 °C e + 40 °C.

ABNT NBR 13787:2013: Sobre procedimentos de controle de estoque e movimentação de combustíveis do Sasc (sistema de armazenamento subterrâneo de combustíveis), fornecendo subsídios para avaliação de variação de volumes.

ABNT NBR 14606:2013: Sobre procedimentos de segurança para a entrada em espaço confinado, em quaisquer tipos de tanques de armazenamento de combustíveis líquidos em locais de abastecimento.

ABNT NBR 7505-1 e 7505-4: Fixa condições para projetos de instalações de armazenagem de combustíveis em tanques estacionários com capacidade superior a 250 L, à pressão manométrica igual ou inferior a 103,4 kPa (15 psig), medida no topo do tanque.

Além dessas normas, é importante que o produtor rural utilize equipamentos e dispositivos adequados para o armazenamento de combustível na fazenda, tais como:

Medidores volumétricos e bombas de abastecimento, para controlar a quantidade e a qualidade do combustível armazenado e fornecido.

Filtros e sistema de verificação de vazamento, para evitar a contaminação e a perda do combustível armazenado.

Tubulações metálicas e não metálicas conforme normas da ABNT, para conduzir o combustível dos tanques até os pontos de consumo, sem riscos de vazamento ou ruptura.

Como armazenar combustível na fazenda?

A primeira regra básica que você deve seguir para ter o armazenamento de combustível na fazenda é ter uma estrutura de acordo com a sua necessidade e que respeite as Normas Técnicas que mostramos acima. 

Mas, independentemente disso, ter uma estrutura de um posto para armazenamento de combustível tem diversas vantagens:

  • Melhora a segurança contra roubos e furtos;
  • Preserva a qualidade do produto e minimiza perdas;
  • Economia de tempo;
  • Redução de custos.

Com vimos, para saber qual tipo de tanque você irá usar na sua fazenda é uma parte importante. Cada modelo vai gerar um custo específico. 

Panorama sobre o mercado de Commodities agrícolas

O mercado de Commodities agrícolas é um segmento que envolve a produção, o comércio e o consumo de produtos agrícolas padronizados, como grãos, oleaginosas, fibras, açúcar, café, carne e outros. 

Esse mercado é influenciado por diversos fatores, como a oferta e a demanda globais, os estoques, os custos de produção, as políticas comerciais, as condições climáticas, as oscilações cambiais e outros. 

O mercado de Commodities agrícolas é dinâmico e competitivo, exigindo dos produtores e dos comerciantes uma constante atualização e adaptação às mudanças.

Um dos aspectos mais importantes do mercado de Commodities agrícolas é a originação dos grãos, que como vimos anteriormente, é o processo de compra e aquisição dos grãos junto aos produtores rurais, fazendo a ponte entre a fazenda e a indústria. 

A originação dos grãos tem um papel estratégico no agronegócio, pois ela permite que os produtores rurais tenham acesso a mercados mais amplos e diversificados, podendo vender seus produtos para indústrias nacionais ou internacionais. 

Além disso, a originação dos grãos permite que os comerciantes tenham acesso a produtos de qualidade e quantidade adequada para atender às demandas dos clientes. 

A originação dos grãos também contribui para a gestão de riscos e a sustentabilidade do setor, pois ela incentiva o uso de boas práticas agrícolas e ambientais.

Porém, o relatório Perspectivas dos Mercados de Commodities, publicado pelo Banco Mundial em outubro de 2023, analisa os impactos da instabilidade geopolítica no Oriente Médio e na Ucrânia nos preços globais das Commodities, especialmente dos produtos energéticos e alimentícios. 

O relatório indica que o conflito no Oriente Médio pode provocar um “duplo choque” nos mercados de energia e alimentos, elevando os custos de produção e consumo e comprometendo a segurança alimentar e a estabilidade econômica de muitos países em desenvolvimento. Ou seja, vivemos um momento de instabilidade até mesmo para o mercado de originação de grãos.  

Kit de gestão do maquinário da fazenda

Conclusão

A originação de grãos tem um papel estratégico no agronegócio, pois ela permite que os produtores rurais tenham acesso a mercados mais amplos e diversificados, podendo vender seus produtos para indústrias nacionais ou internacionais. 

Além disso, a originação de grãos permite que os comerciantes tenham acesso a produtos de qualidade e quantidade adequada para atender às demandas dos clientes. 

A originação de grãos também contribui para a gestão de riscos e a sustentabilidade do setor, pois ela incentiva o uso de boas práticas agrícolas e ambientais.

>> Leia mais:

“Custo operacional de máquinas agrícolas: como calcular a hora trabalhada”
“Implementos agrícolas: Saiba tudo sobre regulagem e manutenção”
“Patrimônio rural: gerenciando nas fazendas agrícolas”

Como você faz o armazenamento de combustível na fazenda? Para saber mais sobre este tema e muitos outros, assine a nossa newsletter!

Redator Alasse Oliveira



Atualizado em 16 de novembro por Alasse Oliveira

Alasse é Engenheiro-Agrônomo (UFRA/Pará), Técnico em Agronegócio (Senar/Pará), especialista em Agronomia (Produção Vegetal) e mestre em Fitotecnia pela (Esalq/USP).

Como a colheita mecanizada do café pode reduzir os custos da sua operação

Colheita mecanizada do café: confira as vantagens, desvantagens e cuidados que você deve ter utilizando esse método!

A colheita mecanizada na cafeicultura brasileira ganhou novo impulso com a pandemia da Covid-19. A mão de obra no campo foi reduzida por conta do distanciamento social

Os avanços em pesquisa e inovação têm mostrado diversos benefícios deste método de colheita.

redução de custos de até 62,36% em relação à colheita manual. Além disso, há ganho de qualidade do grão com a colheita seletiva, essencial para cafés especiais.

Mas a colheita mecanizada do café exige diversos cuidados para que seja realizada de maneira eficiente, como você verá neste artigo. Confira!   

A colheita mecanizada de café no Brasil

No Brasil, a maior parte das áreas produtivas realiza a colheita do café entre maio/junho e segue até agosto/setembro

Líder mundial na produção, o país deve colher em 2021 pouco mais de 47 milhões de sacas de 60 kg do grão, 68% do tipo arábica e 32% da variedade conilon (ou robusta).

A colheita mecanizada do café responde por metade dos métodos empregados nessa fase da produção no Brasil:

  • 24% dos produtores fazem a colheita manual;
  • 22% usam a derriçadora, máquina portátil que retira o café;
  • 4% realizam a colheita manual seletiva;
  • e 50% a colheita mecanizada.

A colheita mecanizada do café predomina em propriedades acima de 25 hectares. Isso principalmente nas áreas com 26 a 50 hectares, em que 59% usam este método

Mas até em propriedades menores (entre 6 e 15 hectares), a colheita mecanizada chega a 25%. Nas áreas com 15 a 25 hectares, 38%.

máquina azul e colheita mecanizada em área de produção de café no oeste da Bahia
Colheita mecanizada em área de produção no oeste da Bahia
(Foto: Divulgação/Pinhalense)

Métodos de colheita de café

Há três tipos:

1. Manual   

Neste método, são selecionados os frutos maduros por meio da catação, a dedos ou da derriça. Os grãos são jogados em uma lona ao chão, recolhidos, peneirados e ensacados. 

2. Semimecanizada

É feita com o uso de derriçadores portáteis (costais). Alguns podem multiplicar por quatro a produtividade em campo.

3. Mecanizada 

Utiliza máquinas automotrizes cuja eficiência depende de regulagens, conforme a topografia do terreno e o objetivo da colheita.

A colheita deve ser feita de duas a três passadas, em intervalos de até 25 dias, a depender da região.

Vantagens da colheita mecanizada do café

A principal vantagem da colheita mecanizada no café, em relação à colheita manual, é a redução de custos. Ela varia entre 30% a 40%, mas pode chegar a 62,36%.

Outra vantagem é a redução do tempo da colheita, pois o uso de máquinas multiplica o trabalho. Os custos de mão de obra também são reduzidos.

Quando a planta é liberada mais cedo da época de colheita, ela ganha tempo de recuperação para a próxima floração, o que pode resultar em maior produtividade.

Desvantagens

A exemplo de outras culturas, a mecanização na cafeicultura só não é possível em áreas de muito declive. 

As máquinas conseguem atuar em áreas com inclinação de até 20% – a maioria, até abaixo disso, no máximo 15%.

Quando as condições topográficas não são favoráveis, é preciso empregar outros tipos de máquinas, geralmente de menor capacidade. Isso prolonga o tempo de colheita e eleva o custo.

O custo inicial elevado (uma colhedora custa entre R$ 300 a R$ 450 mil) é a principal desvantagem da colheita mecanizada.

Porém, a depender da área de produção, o investimento pode ser recuperado em duas ou três safras.

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Principais modelos de colhedoras

No Brasil, as principais são:

  • Case;
  • Jacto;
  • Avery;
  • Matão;
  • Selecta;
  • Pinhalense;
  • Vn Suprema;
  • Maco Matao;
  • IH.

É importante observar que há máquinas específicas para atuação em lavouras de café conilon e arábica. A regulagem de cada uma depende das particularidades do cafezal.

As colhedoras, geralmente, trabalham com segurança em áreas com declividade de até 20%. Algumas chegam a operar com pouco mais que isso. 

tabela com detalhes dos modelos de algumas colhedoras
Detalhes dos modelos de algumas colhedoras
(Foto: Grupo Cultivar)

A maioria das colhedoras opera de forma parecida na derriça e recolhimento dos frutos.

A descarga do café normalmente é feita por meio da bica lateral em carreta graneleira, ensaque ou depósito. Elas rendem em torno de 3 mil litros de café por hora.

Há fatores que interferem na regulagem das colhedoras. Veja:

  • condições das plantas
  • a temperatura;
  • a altitude;
  • chuvas;
  • declividade do terreno;
  • estágio de maturação dos frutos. 

Pesquisas científicas recentes sugerem que a vibração da máquina deve ser entre 800 rpm e 1.000 rpm. A velocidade deve estar entre 1.000 metros/hora e 1.300 metros/hora.

Etapas da colheita mecanizada

O trabalho dessas máquinas, que operam por meio de sistemas hidráulicos, consiste em fazer a derriça com o trabalho de varetas vibratórias. 

Em seguida, é feito o recolhimento, abanação e descarga do café.

O recolhimento mecanizado tem duas etapas. Na primeira, o café e detritos são soprados para as ruas paralelas, e são formadas as leiras, numa operação de 2h/há.

Já na segunda, entra em ação a recolhedora, cujo trabalho é o dobro do tempo.   

Na abanação, o café passa por um processo de limpeza e retirada de detritos. Depois, é enviado para a descarga em sacos ou caçambas.

Regulagem da colheita mecanizada

Na avaliação sobre a regulagem ideal para a eficiência da colheita mecanizada, é essencial que você observe:

  • a cultivar do café;
  • a altura;
  • a idade das plantas;
  • a região da área de produção;
  • o objetivo do plantio.

Pesquisadores recomendam utilizar vibrações menores em plantas mais novas. Assim, elas não ficarão muito danificadas.

Cada cultivar tem uma tem um tipo de maturação (pode ser precoce ou tardia). Além disso, há diferenças na arquitetura e desprendimento dos frutos.

As características climáticas de cada local, sobretudo o regime pluviométrico, influenciam na maturação dos frutos, crescimento e produtividade do café

Caso a irrigação do café seja feita por meio de pivô central, é necessária maior atenção na colheita. Haverá variabilidade de maturação dos dois lados da linha do café.

Café colhido de forma manual
Café colhido de forma manual
(Foto: Fábio Moreira)
Café colhido de forma mecanizada
Café colhido de forma mecanizada
(Foto: Fábio Moreira)
Café de colheita mecanizada seletiva
Café de colheita mecanizada seletiva
(Foto: Fábio Moreira)

Carga de café nas plantas e maturação

Um ponto importante a se observar é a carga de café presente nas plantas. Essa carga influenciará na eficiência da colheita mecanizada. 

Quanto maiores as cargas, maiores as vibrações das varetas e menores velocidades na derriça, para que os frutos sejam recolhidos no sistema de recolhimento. 

A observação da maturação dos frutos é importante, sobretudo na realização da colheita seletiva do café.

Frutos verdes exigem que a vibração das varetas sejam maiores e a velocidade da colhedora reduza. Isso gera maior gasto de combustível.

O contrário ocorre com frutos cereja e secos, o que favorece a colheita seletiva. A partir dessa avaliação, é programado o intervalo para a segunda e terceira passada.   

O intervalo de uma passada para outra é menor em regiões mais quentes. Em geral, fica em torno de 25 a 40 dias, a depender das condições da região da lavoura. 

Para essa segunda operação, é preciso retirar as varetas da parte de baixo da máquina. Mas essa retirada não pode ser total: é preciso deixar a parte de baixo (duas linhas).

A terceira passada é recomendada para áreas com cargas muito altas de café.

Nesse caso, a colheita deve ser iniciada de forma antecipada, para os intervalos coincidirem com o tempo de colheita normal.  

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Conclusão

A colheita mecanizada do café promove redução de custos e influencia diretamente na qualidade da bebida.

Fique por dentro dos fatores que influenciam na eficiência da colheita mecanizada, principalmente na seletiva para cafés especiais.

Os aprimoramentos dos maquinários estão em processo constante, assim como as pesquisas sobre avaliações das condições das plantas e do amadurecimento dos frutos.

Ao escolher o tipo de máquina que você utilizará, considere as necessidades da sua área de produção e a relação custo/benefício

Consultar um especialista no assunto é essencial para ter segurança no que será feito.

>> Leia mais:

O que fazer para minimizar os impactos da geada no café e evitar prejuízos

Pós-colheita do café: Tendências e perspectivas para cafés de qualidade

Você faz a colheita mecanizada do café em sua propriedade? Faz a regulagem da máquina de acordo com as especificações da sua área de plantio? Deixe sua experiência aqui nos comentários!

Todas as dicas para fazer a manutenção de pneus agrícolas

Manutenção dos pneus agrícolas: como realizar, quais são os tipos de pneus e como saber se o momento da troca chegou!

Uma lavoura bem sucedida não depende só de insumos, sementes, fertilizantes e defensivos. Mão de obra qualificada, máquinas agrícolas, tratores, as colhedoras e os diversos implementos que as complementam também fazem parte desse sistema.

O maquinário deve estar sempre bem regulado e pronto para as atividades, e um dos pontos cruciais é a manutenção dos pneus agrícolas

Você realiza a manutenção de forma correta? Quer algumas dicas sobre como cuidar bem dos seus pneus? Confira!

Como fazer a manutenção dos pneus agrícolas

Nas fazendas e lavouras brasileiras, as despesas com os pneus podem chegar até o segundo lugar na lista de maiores despesas da frota agrícola.

Evitar desgastes desnecessários é essencial. Veja como a manutenção dos pneus agrícolas pode te ajudar.

Calibração e pressão interna 

Qual a calibração correta do pneu agrícola? A resposta é “depende”. Cada pneu tem uma calibração adequada e a pressão varia de acordo com a capacidade de carga. Para você ter certeza, o melhor é sempre consultar as recomendações dos fabricantes.

Se seu maquinário trabalhar abaixo da calibração ótima, as bandas se desgastam com rapidez e de forma irregular. Além disso, os pneus agrícolas perdem tração e pode ser que ocorra o “rim slip”, termo usado para descrever quando o pneu corre no aro.

O inverso também é indesejável. Uma calibração excessiva deixa o pneu com formato mais ovalado. Isso gera perda de tração e maior desgaste na linha central do pneu.

Além de garantir a durabilidade dos pneus agrícolas, trabalhar na correta calibração reduz a compactação do solo e garante economia de combustível!

Uma vez feita a calibragem, você deve realizar periodicamente a verificação da pressão interna dos pneus. É importante realizar as medições antes de realizar os serviços no campo, para evitar potenciais danos.

>> Leia mais: “Como produtora economizou em manutenção de máquinas a partir de ação estratégica”

Atenção ao índice de patinagem 

A patinagem é o deslizamento decorrente da transmissão da força das rodas traseiras para o solo. A patinagem zero ou maior que 20% são problemas comuns do campo, e você pode a determinar com alguns cálculos. Para começar, você precisa de um local plano para seguir as etapas:

  1. posicione o trator sem implemento e marque o local onde está a roda traseira e a parte do pneu que toca o solo naquele ponto;
  2. dirija o trator até que a roda traseira tenha completado 10 voltas;
  3. meça a distância percorrida (distância 1);
  4. engate o implemento e realize o mesmo procedimento, percorrendo a mesma distância (distância 1) obtida e verifique o número de voltas completas;
  5. faça a seguinte conta:
manutenção de pneus agrícolas, esquema com dez voltas a cem por cento, embaixo têm-se o número de voltas com implemento menos número de voltas sem implemento a Y por cento de patinagem

Suponha que você tenha verificado 11 voltas com o implemento. Esse valor de 10% de patinagem está adequado, mas você deve tomar cuidado para que não ultrapasse 20%.

Chegou a hora da troca? 

A troca pode ser um momento complicado pois, como você viu, os custos dos pneus agrícolas não são pequenos. Entretanto, caso a vida útil do pneu tenha esgotado, não hesite em trocá-los.

O comportamento das máquinas e implementos com pneus desgastados não é o mesmo, e pode colocar a vida dos operadores em risco.

Uma das principais formas de verificar a hora da troca é através da profundidade dos desenhos do pneu (sulcos, frisos e barras).

Quando o desgaste é superior a ¾ (ou 75%) do tamanho inicial, a troca é necessária.

ilustração indicando desgaste máximo de 25% da profundidade total dos sulcos dos pneus agrícolas

Desgaste máximo de 25% da profundidade total dos sulcos dos pneus agrícolas
(Fonte: Dia De Campo)

Essa atividade pode ficar mais fácil com apoio de um software de gestão agrícola como o Aegro. Com o aplicativo, você pode programar alertas de manutenção periódicos, facilitando a análise e possível troca dos pneus das suas máquinas.

Você também consegue acompanhar a data da última troca e o impacto dessas operações nos custos totais da safra.

Alerta para manutenção preventiva de máquinas agrícolas no Aegro

Tipos de pneus agrícolas

Os pneus agrícolas não são todos iguais. Basicamente, você encontra 5 tipos diferentes no mercado:

  • Diagonais: compostos por sobreposição de lonas. O topo e os flancos não são independentes.
ilustração que mostra como é o pneu diagonal

(Fonte: Michelin)

  • Radiais: compostos pela união de uma carcaça flexível e uma armadura metálica de estabilização.
ilustração que mostra como é o pneu radial

(Fonte: Michelin)

  • Alta flutuação: muito estudados para redução da compactação de solo.
  • Implementos: pneus de implementos agrícolas com raias longitudinais.
  • Florestais: específicos para máquinas florestais. São reforçados para suportar áreas com objetos cortantes.

Avalie com cuidado e escolha o mais apropriado para as suas condições.

Água nos pneus? 

É isso mesmo! É possível encher os pneus agrícolas com água para adequar a massa dos tratores.

Esse procedimento é chamado lastragem líquida e garante aumento da capacidade de tração e estabilidade.

ilustração de pneu sendo cheio com água e com opções e porcentagens de lastro

Opções e porcentagens de lastro
(Fonte: adaptado da aula do Prof. Dr. Carlos Furlani)

Porém isso tem um limite e deve ser feito de acordo com as orientações dos fabricantes.

Conclusão

Os pneus agrícolas são componentes essenciais dos tratores, máquinas e implementos agrícolas, pois fazem o contato e garantem a tração.

Escolher o pneu correto é primordial para maximizar as atividades e garantir maior lucratividade. Além da escolha correta, você precisa realizar manutenções preventivas (calibração, verificação de pressão, etc) constantemente.

Dessa forma você obterá melhor desempenho, além de garantir a durabilidade dos pneus.

Com que frequência você faz a manutenção dos pneus agrícolas da sua propriedade? Conta pra gente aqui nos comentários!