Inteligência artificial no agronegócio: como isso vai beneficiar sua fazenda

Inteligência artificial no agronegócio: o que é, como pode ser utilizada, quais são as IAs já disponíveis na agricultura, vantagens e problemas para adoção destas ferramentas. 

A tecnologia vem se superando a cada dia. O lançamento de novas ferramentas principalmente digitais está acelerado, tornando obsoletas descobertas de 2 ou 3 anos antes.

Essa realidade não se restringe a celulares, computadores e empresas urbanas. A tecnologia da inteligência artificial chegou ao campo faz tempo e vem sendo aprimorada e ampliada em várias regiões produtoras.

Muitas vezes, porém, o produtor nem sabe que usa a inteligência artificial, pois muitas pessoas não conseguem compreender o significado desse termo.

Neste texto, vamos explicar o que é a inteligência artificial, como ela foi introduzida na agricultura, como está presente no dia a dia do produtor rural e quais são as vantagens da inteligência artificial no agronegócio. Venha conferir!

Inteligência artificial no agronegócio: o que é?

Inteligência artificial (IA) é a capacidade de um equipamento com sistema computacional de coletar dados, agrupar estes dados, fornecer uma solução e até mesmo executar a tarefa.

Nas cidades, a IA é uma realidade dentro das próprias casas e ao alcance na palma da nossa mão, acessando essas ferramentas pelos celulares. Mas e na agricultura, como isso surgiu?

Como primeiro passo, podemos lembrar do uso do GPS na agricultura para demarcação de áreas, e depois, na agricultura de precisão e no piloto automático dos tratores e máquinas.

Esse foi o início da IA na agricultura, pois o GPS permite realizar navegação, medir áreas, determinar coordenadas, armazenar dados e até mesmo tomar decisões, como é o caso do piloto automático.

Com o passar dos anos, novas ferramentas tecnológicas com inteligência artificial foram ganhando espaço no setor agrícola, e serão abordadas no próximo tópico.

Em resumo, a inteligência artificial está presente na agricultura em diversos equipamentos, máquinas e implementos que contribuem, principalmente, para a coleta de informações, processamentos das informações e tomada de decisões, para manejos agrícolas mais precisos.

Usos possíveis da inteligência artificial no agronegócio

Como dito anteriormente, o GPS é uma das ferramentas que podem ser consideradas inteligência artificial no agronegócio. Mas, com o avanço tecnológico, as IAs foram se aprimorando e se tornando cada vez mais independentes.

Tecnologias que auxiliam a inteligência artificial no agronegócio
Tecnologias que auxiliam a inteligência artificial no agronegócio
(Fonte: Embrapa)

Sensores

Outra ferramenta bastante utilizada na agricultura são os sensores. Muitos produtores são adeptos de sensores climáticos para previsão do tempo e medição da velocidade do vento, quantidade de chuvas, umidade do ar e do solo etc.

Os sensores são ótimos aliados para a tomada de decisões, visto que fornecem os dados em tempo real para o produtor.

A inteligência artificial nos sensores torna as tomadas de decisões mais precisas, e de modo automatizado, como é o caso da área de irrigação, por exemplo.

Em áreas irrigadas, é possível interligar os sensores a uma IA. Assim, o produtor define os parâmetros adequados à sua situação, como umidade relativa do ar, temperatura, quantidade de chuvas, umidade do solo e outros. 

Os sensores captam os dados, os armazenam e geram uma análise. Quando os parâmetros pré-definidos são alcançados, o próprio equipamento manda um comando para o pivô funcionar, já com a definição da quantidade de água a ser aplicada.

Software

Os softwares agrícolas são ferramentas que centralizam os dados do campo, analisam essas informações e as transmitem para o produtor, de modo didático e preciso, em forma de relatório. Isso contribui para a tomada de decisão em diversas áreas agrícolas.

O uso desta ferramenta é tão amplo que engloba desde aspectos burocráticos, como gestão fiscal, de pessoas e maquinários, planejamento, manejo da lavoura e clima até a definição de preços.

O software para gestão de fazendas mais completo do mercado é o Aegro, sendo capaz de fornecer dados de toda a fazenda desde o planejamento da colheita até a comercialização da safra.

Drones

Outra realidade ligada à inteligência artificial no agronegócio é o uso de drones. Os drones de imagens já vêm sendo utilizados há algum tempo nas fazendas, principalmente na demarcação de áreas e na obtenção de imagens para gerar mapas.

As imagens obtidas pelos drones ajudam a controlar pragas e doenças, verificar a saúde da lavoura, observar reboleiras, economizar na compra de produtos, por meio da aplicação localizada em determinadas situações etc.

Além dos drones de imagens, nos últimos anos, os drones de pulverização agrícola têm se tornado uma realidade.

Estes drones fazem parte da IA por realizarem a operação de modo automatizado, seguindo os parâmetros definidos pelo piloto, que controla remotamente o drone.

diagnostico de gestao

Veículos autônomos

Uma realidade não tão distante é o uso de veículo agrícola autônomo (VAA), que estão sendo estudados e implementados em algumas áreas para a validação dos resultados.

Esse tipo de veículo está sendo desenvolvido para todas as fases da lavoura, desde o plantio até a colheita, e já tem algumas empresas que lançaram pulverizadores autônomos.

Ao contrário do piloto automático, os VAAs não apresentam nem cabine para o operador — uma única pessoa pode comandar mais de um veículo à distância.

Big data

O big data ainda é menos difundido na agricultura. Porém, essa é uma ferramenta de grande auxílio para o produtor rural.

Traduzindo ao pé da letra, “big data” significa “grandes dados”, e é exatamente isto que o sistema de inteligência faz: coleta diversos dados da fazenda, armazenando e agrupando essas informações nas nuvens, com grande velocidade, e fornecendo informações mais precisas aos produtores.

Essa tecnologia consegue cruzar informações como histórico da área, cultivar semeada, produtividade, histórico de chuvas e quantidade de fertilizantes para aplicação e já presentes no solo, fornecendo um parâmetro geral e particular de cada atividade.

Com a coleta e inserção de informações por sensores, é possível prever e evitar problemas na lavoura.

Vantagens das tecnologias de inteligência artificial para os produtores

As vantagens do uso de inteligência artificial no agronegócio giram, principalmente, em torno da precisão das tomadas de decisões do produtor — mas, para isso, é preciso saber o que ocorre no cotidiano do negócio rural.

Atualmente, uma coisa que diferencia as empresas rurais de sucesso é a coleta e análise de dados necessários para gerir corretamente o empreendimento.

Diariamente, diversas informações são geradas na fazenda. Anotar, passar os dados para planilha e analisá-los, todos, é uma tarefa que exige tempo, atenção e conhecimento.

Quando se tem ferramentas inteligentes que conseguem agrupar esses dados, coletando, analisando e gerando informações relevantes, ou até mesmo enviando comandos para realização da tarefa, o planejamento se torna mais correto, a tomada das decisões melhora e o tempo de ação fica mais rápido.

Isso gera um maior controle de todas as partes que compõem a empresa rural — a gestão de pessoas e máquinas e o manejo da lavoura, dos insumos, de peças, da produção e dos preços.

Outra vantagem é que todos os dados coletados pela inteligência artificial são armazenados nas nuvens, podendo ser acessados remotamente, e também possibilitando a tomada de decisão sem exigir que o produtor esteja presente no campo.

Todas essas ferramentas têm um único objetivo: a sustentabilidade no agronegócio, reduzindo os gastos com produtos, peças e insumos desnecessários, aumentando a produtividade e, consequentemente, a rentabilidade do produtor.

Dificuldades da utilização da inteligência artificial no agronegócio brasileiro

Uma pesquisa realizada pela Embrapa mostra o retrato da agricultura digital brasileira. Esse estudo coletou informações de muitos produtores rurais quanto ao uso da tecnologia no campo.

A dificuldade para adoção de tecnologias pelos produtores foi umas das questões levantadas. Veja na figura abaixo as principais respostas:

Dificuldades para a adoção de tecnologias no campo
Dificuldades para a adoção de tecnologias no campo
(Fonte: Embrapa)

Para a maioria dos produtores, o alto investimento financeiro é o principal entrave para a adoção de tecnologias — e a inteligência artificial está inclusa nesse quesito.

Os estudos e inovações que tornam esse tipo de inteligência possível no campo acabam onerando máquinas, equipamentos e outros dispositivos que possuem essas funções.

Entretanto, tirando a parte financeira da equação (que, sim, é um fator relevante), temos um entrave nas áreas agrícolas brasileiras: a falta de internet nas áreas rurais.

Em estudo sobre conectividade em áreas rurais, foi constatado que 13 milhões de brasileiros vivem em áreas rurais onde não há cobertura de internet, e muitos ainda têm qualidade de internet ruim, prejudicada por ventos e chuvas.

Isso é uma limitação para a coleta e análise de dados, visto que a inteligência artificial utiliza dados em tempo real e utiliza a internet para transmitir esses dados para a nuvem, armazená-los e cruzar essas informações.

Superando a barreira da internet, outro ponto de atenção para a utilização da IA é o conhecimento da ferramenta que se tem ou pretende implementar na fazenda, para que se tenha o aproveitamento de todos os recursos disponíveis.

Para isso, a capacitação digital de trabalhadores do campo é fundamental, haja vista a tecnologia desses programas.

Conclusão

Neste texto, você viu o que é inteligência artificial no agronegócio e como ela teve início neste setor.

As tecnologias inteligentes já são utilizadas nas áreas rurais, agregando informações e contribuindo para a tomada de decisões, e há diferentes formas de a inteligência artificial atuar na agricultura.

Este artigo também abordou as vantagens das IAs, principalmente para a coleta e o cruzamento de dados de todas as áreas do negócio rural.  

Por fim, destacamos os principais problemas que envolvem a adoção da inteligência artificial no agronegócio brasileiro.

>> Leia mais:

“Conheça 3 principais motivos para investir em inteligência artificial na agricultura”

“Robótica na agricultura: o que é e quais inovações vão impactar o agronegócio?”

“Veja como adotar práticas de tecnologia e sustentabilidade na sua fazenda”

“O que são fazendas digitais e por que elas custam menos e valem mais”

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Como a irrigação inteligente pode trazer economia e resultados em sua lavoura

Irrigação inteligente: o que é, como funciona, importância, vantagens e desvantagens.

A agricultura é responsável pelo consumo de grande parte da água doce disponível no mundo. 

Diante disso, e da necessidade de conciliar desenvolvimento econômico com a preservação do meio ambiente, é fundamental adotar novas tecnologias que garantam o uso eficiente da água.

Nesse sentido, a irrigação inteligente é uma técnica que promove a gestão racional dos recursos, além de aumentar a produtividade. 

Quer saber mais sobre esse assunto? Confira a seguir. Boa leitura!

O que é irrigação inteligente?

Irrigação inteligente é uma estratégia de manejo que está transformando a agricultura e a forma como os recursos são utilizados.

Essa técnica disponibiliza a água em pequenos volumes, de maneira localizada e precisa para as plantas. 

Os métodos de irrigação por superfície e por aspersão se baseiam na irrigação de toda a superfície do terreno, o que provoca desperdício de água e a lixiviação de nutrientes.

Já na irrigação localizada por gotejamento e por microaspersão, a água é distribuída próxima às raízes das plantas. No entanto, também é preciso fornecê-la na quantidade e no momento adequado.

Dessa forma, o objetivo da irrigação inteligente é fornecer água no volume e tempo corretos, levando em consideração as condições ambientais e as características da cultura. 

Nesse sistema de fornecimento de água, são consideradas as diferenças espaciais dentro da área irrigada. Assim, a irrigação somente é acionada caso haja necessidade, sendo possível produzir mais e com menos água.

Na irrigação inteligente também é viável utilizar o sistema para a distribuição de insumos agrícolas, como fertilizantes (fertirrigação) e produtos fitossanitários. 

A irrigação inteligente pode ser aplicada em pequenas áreas, como hortas, estufas e jardins, bem como em áreas maiores destinadas à produção de frutíferas, café, cana-de-açúcar e tomate.

Como funciona

Na irrigação inteligente todo o processo é automatizado. As variáveis ambientais, como temperatura do ar e umidade do solo, são monitoradas por sensores e equipamentos específicos. 

Como há auxílio de softwares, os dados coletados são interpretados e é possível fazer previsões da necessidade de irrigação. Além disso, fica mais fácil armazenar os dados com segurança e acompanhar o manejo da irrigação de forma dinâmica e sistemática. 

Todos os dados mensurados são repassados em tempo real para o produtor, o que permite o acompanhamento remoto da lavoura. Dessa forma, o manejo da irrigação é pautado em dados como umidade do solo, temperatura do ar, precipitação, evapotranspiração e a exigência hídrica da cultura.

Assim, a partir das informações coletadas, a bomba de irrigação é acionada para ligar e desligar sozinha conforme a necessidade da cultura.

No sistema de gotejamento, ainda é possível associar a irrigação com a tecnologia drip protection. Essa tecnologia consiste em um sistema de injeção de produtos químicos, biológicos e orgânicos via gotejo.

Outras tecnologias também são utilizadas na irrigação inteligente, como: 

internet das coisas (IoT)

sensoriamento remoto

sistema de posicionamento global (GPS)

sistema de informação geográfica (SIG)

● veículos aéreos não tripulados (VANTs)

É importante deixar claro que cada cultura tem uma demanda particular. Assim, os projetos de irrigação devem ser planejados e dimensionados de acordo com a realidade do produtor, das características da área a ser irrigada e das necessidades da espécie cultivada. 

Importância da irrigação inteligente

A irrigação inteligente é uma técnica que assegura maior sustentabilidade da atividade agrícola pela gestão racional dos recursos. Nesse sistema há menor desperdício de água e redução do consumo de energia elétrica e tempo.

A irrigação inteligente também contribui para a redução da ocorrência de doenças foliares na lavoura

Nesse caso, a água é colocada próxima ao sistema radicular das plantas e as folhas não são molhadas. Assim, a umidade não é excedida e as doenças causadas por fungos e bactérias não são favorecidas.

Além disso, esse sistema viabiliza a aplicação de insumos como adubos e produtos fitossanitários via água de irrigação.

A irrigação inteligente também contribui para o manejo de plantas daninhas, uma vez que a superfície do solo molhada é menor.

Essa estratégia de manejo auxilia os produtores rurais no processamento dos dados e na tomada de decisão.

Por fim, com a irrigação inteligente é possível ter um controle mais confiável e eficiente do manejo hídrico, além de acompanhar de perto o desenvolvimento da lavoura.

Kit de gestão do maquinário da fazenda

Vantagens e desvantagens da irrigação inteligente

Conhecer e analisar as vantagens e desvantagens da irrigação inteligente é essencial para o sucesso da atividade agrícola.

Confira a seguir as vantagens dessa técnica:

● reduz o desperdício de água

● economia de energia elétrica e tempo

● maior eficiência no uso da água

● aplicação de produtos fitossanitários e fertilizantes via água de irrigação

reduz a ocorrência de doenças causadas por fungos e bactérias

● auxilia no manejo de plantas daninhas

● monitoramento remoto da lavoura

● maior sustentabilidade de atividade

● melhora da qualidade do produto final

● aumento da produtividade

Por outro lado, a aquisição dos equipamentos e softwares da irrigação inteligente demandam alto investimento inicial e mão de obra tecnificada para operar o sistema.

Quer saber mais sobre outros métodos e sistemas de irrigação? Confira no seguinte texto: “Tudo o que você precisa saber sobre os tipos de irrigação na agricultura para acertar na escolha”.

Conclusão

A irrigação inteligente é uma estratégia de manejo em que a água é fornecida para as plantas na quantidade e no momento adequado considerando as condições do ambiente e da necessidade hídrica da espécie cultivada.

A automação da irrigação facilita o manejo e o acompanhamento da lavoura. O manejo da irrigação é feito tendo como referência dados mensuráveis. Assim, essa técnica de irrigação ajuda na tomada de decisão, otimiza a utilização dos recursos e reduz os custos de produção.

Algumas vantagens da irrigação inteligente são a economia de água e de energia elétrica, redução na ocorrência de doenças fúngicas e bacterianas e aumento da produtividade. Apesar disso, trata-se de uma técnica que requer alto investimento inicial e mão de obra tecnificada.

>> Leia mais:

“As melhores práticas para o reúso da água na agricultura”

“Agricultura irrigada: o que é, principais métodos e vantagens”

Você já tinha lido sobre irrigação inteligente? Você sabia como é realizado o manejo da irrigação na sua propriedade? Compartilhe o artigo com quem este conteúdo possa ser útil.

O que é e como fazer adubação verde: Melhores práticas

Adubação verde: entenda o que é, como funciona, vantagens, características dos adubos verdes e muito mais

Os sistemas intensivos de produção agrícola têm acelerado o processo de degradação do solo e causado sérios impactos ambientais. Diante disso, é urgente a necessidade de se adotar práticas de manejo mais sustentáveis.

Essas técnicas possibilitam a manutenção da capacidade produtiva do solo a longo prazo. Se você produz, precisa ficar por dentro de como técnicas como adubação verde funcionam.

Confira a seguir informações sobre a adubação verde e entenda como essa prática pode ser vantajosa para sua lavoura. Boa leitura!

O que são adubos verdes?

A adubação verde é uma técnica agrícola para melhorar as condições do solo e aumentar sua capacidade produtiva. Consiste em cultivar determinadas espécies vegetais, que depois serão incorporadas ao solo ou roçadas e mantidas na superfície. 

Os adubos verdes podem ser usados como cobertura de solo na entressafra, protegendo o solo contra a radiação solar e a erosão. 

Fornecendo palha para o sistema de plantio direto, esses adubos favorecem a infiltração de água no solo.

Por terem raízes profundas, as plantas ajudam a descompactar camadas mais duras do solo e favorecem a circulação de água e nutrientes.

A técnica também pode ser utilizada para fixar nitrogênio atmosférico, contribuindo para a fertilização natural do solo e reduzindo a necessidade de adubação química.

Adubação verde: corte e deposição dos resíduos vegetais sobre o solo 
(Fonte: Universidade Estadual de Washington)

Como o adubo verde funciona?

A adubação verde pode ser realizada em rotação, sucessão ou consórcio com a cultura principal. No sistema de rotação, a área é dividida em talhões e cada talhão é plantado com o adubo verde de maneira rotacionada com a cultura de interesse comercial.

Em sucessão, o adubo verde é semeado na mesma área e antes da cultura principal. Nesse caso, as plantas utilizadas como adubo verde são manejadas antes do plantio da lavoura

Quando em consórcio, o adubo verde é plantado junto da cultura de interesse econômico, que pode ser cultivado na entrelinha em faixas intercaladas. Em alguns casos, o adubo verde é semeado no final do ciclo da cultura com o intuito de beneficiar a próxima safra.

O plantio das sementes é feito em linhas ou a lanço com posterior incorporação com grade niveladora. Na adubação verde, também pode ser feito um coquetel com sementes de diferentes espécies, como sorgo-forrageiro e crotalária

Outra alternativa de coquetel para adubação verde é a mistura de sementes de crotalária, feijão-guandu, mucuna-preta, sorgo-forrageiro e milheto.

Quais são as vantagens da adubação verde?

A adubação verde pode ajudar em vários pontos, desde a qualidade do solo até a redução de custos com insumos, promovendo uma agricultura mais eficiente e menos dependente de produtos químicos. 

Segundo a Embrapa, esse tipo de adubação promove a ciclagem de nutrientes, contribui para uma maior retenção de água no solo e melhora: 

  • Condições físico-químicas e biológicas do solo;
  • Incremento do teor de matéria orgânica;
  • Favorecimento de microrganismos que aumentam a absorção de água e nutrientes;
  • Fixação biológica do nitrogênio atmosférico;
  • Descompactação do solo, estruturação e aeração do solo;
  • Proteção do solo contra erosão (hídrica e eólica);
  • Proteção do solo contra radiação solar;
  • Manutenção da umidade das camadas superficiais do solo;
  • Controle de pragas, doenças e plantas daninhas;
  • Controle de fitonematóides;
  • Favorecimento da população de inimigos naturais;
  • Aumento da produtividade da cultura sucessora; 
  • Economia com fertilizantes;
  • Redução dos custos de produção.

As leguminosas, fixadoras de nitrogênio, são ideais para adubação verde, pois produzem biomassa rica nesse nutriente. 

Quando roçadas e incorporadas ao solo, melhoram as condições nutricionais e aumentam a matéria orgânica após a decomposição, liberando nitrogênio que é aproveitado pela cultura subsequente. 

Isso reduz a necessidade de fertilizantes nitrogenados, diminuindo custos e aumentando a produtividade. 

Além disso, as leguminosas favorecem a presença de fungos micorrízicos, que ajudam na absorção de nutrientes e água, e suas raízes criam canais no solo, melhorando sua estrutura e facilitando a infiltração e retenção de água.

Alelopatia: Qual a relação com adubação verde?

A alelopatia é o efeito efeito de substâncias químicas liberadas pelas plantas, vivas ou em decomposição, causam, inibindo o crescimento e/ou desenvolvimento de outras plantas.

Fenômeno muito importante na redução de populações de plantas daninhas e controle de nematoides, que pode ser causado por leguminosas usadas como adubo verde.

Assim, muitas espécies vêm sendo estudadas e descobertos inúmeros benefícios adicionais através da alelopatia.

A espécie leguminosa feijão-de-porco (Canavalia ensiformis), por exemplo, se mostra como inibidora da planta daninha tiririca.

feijão de porco usado na adubação verde

Feijão-de-porco (Canavalia ensiformis)

(Fonte: Useful Tropical Plants)

Como deve ser feita a adubação verde?

É importante destacar a importância de escolher espécies de adubos verdes adaptadas às condições de clima e solo de onde será cultivada. Além disso, a época de corte das plantas é outro ponto que merece atenção. 

A biomassa aérea deve ser cortada antes das plantas produzirem sementes. O corte tardio dos adubos verdes pode gerar um grande problema. Afinal, as sementes serão liberadas no solo e têm grande potencial de se tornarem plantas invasoras na próxima safra.

Algumas espécies, como a mucuna-preta, apresentam dormência e podem germinar em diferentes épocas do ano, o que dificulta o controle. Por fim, a melhor época para a semeadura dos adubos verdes é no início da temporada de chuvas

Nesse período, as plantas acumulam maior quantidade de biomassa e nutrientes. No entanto, é justamente esse o único período viável para a semeadura da cultura comercial. Os adubos verdes são, geralmente, cultivados na entressafra.

Uma alternativa é cultivar as espécies de adubos verdes no final da estação chuvosa, após a colheita da cultura de interesse. Também é possível realizar a semeadura no veranico. Nesse caso, é importante escolher espécies de adubos verdes resistentes à seca.

Quais são os principais adubos verdes?

Plantas de diferentes famílias são utilizadas na forma de adubo verde, mas leguminosas são as preferidas e ocupam lugar de destaque, por serem capazes de realizar a fixação biológica do nitrogênio.

As leguminosas têm menor tempo de decomposição (baixa relação carbono/nitrogênio). Esse aspecto favorece a rápida disponibilização dos nutrientes para as culturas seguintes. Dentre as usadas na forma de adubo verde, destacam-se:

  • Amendoim-forrageiro;
  • Crotalárias;
  • Estilosantes
  • Feijão-bravo-do-Ceará;
  • Feijão-guandu;
  • Feijão-de-porco;
  • Labe-labe;
  • Mucunas;
  • Tremoços. 

As gramíneas também têm sido cultivadas para adubação verde. Em geral, elas se decompõem mais lentamente (alta relação carbono/nitrogênio) e permanecem no solo por mais tempo. Confira a seguir algumas gramíneas cultivadas como adubo verde:

  • Aveia-preta;
  • Azevém;
  • Braquiárias;
  • Milheto;
  • Sorgo-forrageiro.

A semeadura simultânea de diferentes plantas, como leguminosas e gramíneas, possibilita a cobertura do solo por mais tempo. Isso quando comparado ao cultivo solteiro de espécies leguminosas

Além das leguminosas e gramíneas, outras plantas são empregadas na adubação verde, como o nabo-forrageiro e o girassol.

Características das plantas de adubação verde

As espécies vegetais utilizadas como adubo verde devem apresentar algumas características agronômicas. São elas:

  • Sistema radicular profundo e ramificado;
  • Eficiência nutricional;
  • Tolerância ao alumínio;
  • Tolerância ao estresse hídrico;
  • Elevada produção de fitomassa e de sementes;
  • Sementes de fácil obtenção;
  • Rápido desenvolvimento;
  • Ciclo compatível com o sistema de produção;
  • Baixa suscetibilidade ao ataque de pragas e doenças;
  • Eficiência no controle de nematoides e plantas daninhas;
  • Capacidade de realizar a fixação biológica do nitrogênio.
Banner de chamada para o download da planilha de cálculos de insumos

O que é SAF: entenda tudo sobre os sistemas agroflorestais

SAFs: o que são, qual sua importância na agricultura e na biodiversidade, o que é feito neste tipo de sistema, vantagens e desvantagens e mais. 

A agricultura tem passado por diversas modificações para reduzir os efeitos climáticos. No Brasil, vários sistemas têm sido estudados e implementados para alcançar uma agricultura sustentável.

Os sistemas como o SAFs buscam trazer melhorias sociais, econômicas e ambientais. Tudo isso acaba favorecendo o cultivo das culturas e a quem produz.

Neste artigo, vamos explicar o que é SAFs, qual seu objetivo, como realizar e mais informações importantes para produtores rurais. Aproveite a leitura!

O que significa SAFs?

A sigla SAFs significa sistemas agroflorestais. Ela se refere a uma junção de práticas agrícolas com florestais. Estes sistemas atuam na recuperação de áreas degradadas e florestas, permitindo um cultivo agrícola com um desenvolvimento sustentável.

Nestes sistemas, o plantio consorciado é feito entre plantas arbóreas nativas, frutíferas e/ou madeireiras e cultivos agrícolas anuais, bianuais ou perenes. Os SAFs ajudam na questão de melhorias de solo, microclima e biodiversidade.

Em relação à economia, os SAFs garantem renda ao longo do tempo para quem produz. Afinal, ele funciona através do cultivo de espécies diferentes com tempos de produção diferentes.

Como funcionam os sistemas agroflorestais no plantio consorciado

Em toda produção, o planejamento é o primeiro passo que você precisa dar. Para planejar corretamente um sistema agroflorestal, alguns fatores devem ser considerados. São eles:

  • Tipo de solo;
  • Clima;
  • Mercado consumidor;
  • Espécies;
  • Operações;
  • Custos;
  • Legislação;
  • Relevo;
  • Arranjo da área.

Observe esses aspectos antes da implementação. Afinal, uma definição de sistema agroflorestal errada pode trazer problemas de produção, o que pode levar a prejuízos na rentabilidade. 

Além disso, vale ressaltar que existem vários sistemas dentro dos SAFs. Eles podem ser agrossilviculturais, silvipastoris ou agrossilvipastoris. Entenda um pouco mais sobre cada um deles abaixo:

  • Agrossilviculturais: quando se tem o cultivo de árvores e plantio agrícola; 
  • Silvipastoris: cultivo de árvores associado com criação de animais;
  • Agrossilvipastoris: é a junção de árvores, culturas agrícolas e animais na mesma área, também conhecido como iLPF Integração Lavoura, Pecuária e Floresta.
Exemplificação de esquema de Sistemas Agroflorestal
Exemplificação de esquema de Sistemas Agroflorestal
(Fonte: Journals openedition)

O plantio nos SAFs deve ser feito para um maior aproveitamento do terreno. Nele, é preciso considerar o espaçamento entre plantas e entre linhas e a parte operacional, principalmente das culturas anuais.

Estes sistemas têm sido explorados principalmente em pequenas áreas, pois o sistema leva anos para ser instalado efetivamente. Em áreas menores, se tem maior controle das operações.

Entretanto, estes sistemas são possíveis em grandes áreas, com planejamento e execução adequados. 

planilha controle de custos por safra

Qual a importância da agricultura sustentável na agroecologia?

Assim como a escolha das árvores a serem implantadas deve ser correta, o uso de culturas agrícolas também deve ser planejado. Nesses sistemas, tudo é possível: árvores para extração (de madeira ou látex), árvores frutíferas, culturas bianuais ou anuais, dentre outros exemplos.

Um dos principais problemas para as culturas agrícolas nestes sistemas é a sombra das árvores maiores. Por isso, culturas que se adaptam bem a este tipo de ambiente mais sombreado já são consolidadas nestes sistemas. Esse é o caso do café, cacau e erva-mate.

Culturas como soja, milho e trigo também são utilizadas nestes sistemas. Entretanto, é necessário cuidado com o sombreamento, pois essas são culturas nas quais a falta de irradiação solar afeta diretamente a produção.

Caso você queira produzir estas culturas, o arranjo das árvores e espaçamentos devem ser feitos corretamente. Assim você evita o adensamento de árvores, dispondo-as no sentido que tenha maior entrada de luz entre as linhas.

Outra opção é realizar o cultivo destas culturas anuais somente no início do sistema. Assim, as árvores ainda estão se desenvolvendo, o que permite maior irradiação solar.

Alguns estilos de SAFs
Alguns estilos de SAFs 
(Fonte: Unesp)

Vantagens e desvantagens de utilizar o SAFs

Todos os modos de cultivo têm vantagens e desvantagens. Isso te ajuda a definir o melhor modo de cultivo para cada situação. Sabendo estes pontos, é possível programar e planejar ações que reduzam ou evitem as desvantagens e aproveitar ao máximo as vantagens.

Vantagens

  • Preservação do solo. Afinal, há sempre alguma cultura na área;
  • Redução da erosão. Isso acontece devido à presença das árvores auxiliam como barreiras;
  • Recuperação da fertilidade do solo. As folhas e cascas das árvores caem e se decompõem;
  • Controle de plantas daninhas. A área é feita de mais de um sistema de cultivo, e por isso os solos estão sempre “ocupados”;
  • Aumento da biodiversidade. Ocorre um aumento da microbiota e insetos do solo importantes para ciclagem de nutrientes e recuperação do solo;
  • Recuperação de áreas degradadas. Estes sistemas têm sido amplamente utilizados em áreas onde é necessária a recuperação do solo;
  • Rentabilidade ao longo do tempo. Por apresentam diferentes culturas com tempo de produção diferentes, os produtores geram renda ao longo de meses e anos;
  • Desenvolvimento sustentável. A fim de utilizar as áreas de modo com que evite alguns riscos ao meio ambiente, se tem uma produção sustentável, com maior infiltração de água, maior capacidade de absorção do solo;
  • Redução de custos. Em alguns casos de SAFs, é possível reduzir o uso de fertilizantes e até mesmo de agroquímicos, tornando a produção mais sustentável.

Desvantagens

  • É necessário maior conhecimento sobre as culturas implantadas na área agrícola;
  • Algumas culturas apresentam efeito alelopático em relação às outras, causando prejuízo no desenvolvimento e produção;
  • Quando as árvores estiverem altas, a luminosidade na área pode ser reduzida;
  • Competição por nutrientes, principalmente no início do sistema. Nesse momento, ainda não há equilíbrio da biodiversidade e há pouca presença de matéria orgânica, pode ocorrer competição pelos nutrientes disponíveis no solo;
  • Uma cultura pode ser hospedeira da doença ou inseto, perpetuando a sobrevivência destes na área. Isso pode gerar um complexo de pragas e doenças nos cultivos;
  • Caso não haja um bom planejamento operacional, a mecanização dos sistemas pode ser dificultada e podem haver mais gastos operacionais
diagnostico de gestao

Conclusão

Neste artigo, você ficou por dentro da importância que estes sistemas agroflorestais têm na agricultura atual. Ao implantar algum tipo de SAFs na sua área, não deixe de considerar os fatores mencionados no artigo para garantir boa produtividade. 

Por fim, você viu as principais vantagens desses sistemas, como a recuperação de áreas degradadas. Entretanto, também conferiu que há desvantagens que não podem ser ignoradas.

Na dúvida sobre implantar ou não um SAFs na sua propriedade, não deixe de contar com o apoio de uma pessoa especializada.

Você está pensando em implementar um desses sistemas na sua fazenda? Já sabia o que é SAFs? Assine nossa newsletter para ficar por dentro de mais informações como essa.

Tendências do agronegócio para 2023: o que esperar dos preços e custos?

Tendências do agronegócio: veja as principais projeções técnicas, econômicas e de mercado no agronegócio brasileiro para o ano de 2023

O agronegócio é a atividade que mais gera riqueza ao Brasil. Sua participação é vital na geração de empregos e de riqueza interna, além de liderar as exportações brasileiras.

O agro é o responsável por manter a balança comercial brasileira no verde desde 2010. 

Porém, o agronegócio é uma atividade que depende de diversos fatores para o seu bom andamento e para a definição de suas tendências

Nesse artigo, veja as principais projeções para o agronegócio nos próximos anos em termos de produção, preços e custos e participação na economia nacional. Boa leitura!

Definição de agronegócio e sua reputação

O agronegócio é definido como o negócio que engloba as atividades econômicas ligadas à:

  • agropecuária;
  • manejo florestal;
  • extrativismo vegetal;
  • indústrias de beneficiamento de produtos vindos das atividades acima citadas. 

Além da incerteza do clima, muitos fatores afetam os mercadores do agro. Por exemplo, a dependência de matéria-prima estrangeira, a variação constante dos mercados e bolsas ao redor do mundo são pontos de atenção.

Ainda, vale lembrar que o índice de Confiança no Agronegócio, conhecido como ICAgro, apresentou crescimento contínuo no final de 2022. O ICAgro é calculado trimestralmente pela Fiesp e mostra a confiança do setor.

Tendências e perspectivas do agronegócio brasileiro

As projeções para o agronegócio foram bastante afetadas nos últimos anos pela pandemia mundial, os conflitos no leste europeu e condições climáticas severas. Isso gerou diversos problemas, como:

  • oscilações bruscas nos preços das moedas estrangeiras;
  • limitações nas ofertas de matérias-primas para o agro brasileiro;
  • alteração da oferta mundial de grãos;
  • redução do poder de compra internacional;
  • interferências nos preços, custos e na margem de lucro de quem produz no Brasil.

Dentre as tendências mais recentes do agronegócio, o momento se destaca pela possibilidade de recuperação dos efeitos negativos dos últimos anos, como grande potencial de crescimento e investimentos em tecnologia.

Tendências econômicas: O PIB do agro em 2023

Em 2022, o agronegócio sofreu com aumento de custos, questões climáticas e com a guerra entre Ucrânia e Rússia. Até agora, as projeções para o agronegócio mostram que o PIB (Produto Interno Bruto) desse setor irá recuar um pouco, mas crescer ao longo de 2023.

O agronegócio tem sido o grande impulsionador do PIB brasileiro na última década. Porém, toda a incerteza que tem circundado essa atividade tem causado alterações também nos marcadores econômicos do agro.

Em termos do PIB do agro, espera-se uma tendência de alta para 2023. A previsão é de aumento entre 8% e 10% se comparado ao PIB de 2022. Isso se deve à recuperação do setor e aos resultados negativos de 2022.

O PIB do agro vinha em um crescente nos últimos anos, mas em 2022 sofreu influência do mercado e as altas de custos e juros. Confira um breve panorama dos últimos anos:

  • 2019 (2,89%);
  • 2020 (22,28%);
  • 2021 (8,51%);
  • 2022 (- 4,22%).

Espera-se que o PIB do agro aumente sua porcentagem no PIB total brasileiro. A previsão é de participação similar ao ano de 2021 (26,6% de participação), e acima dos indicadores do ano de 2022 (24,8%).

Custos e preços

A previsão para os custos dos produtos relacionados ao agronegócio não parece muito exata. Ainda há grandes incertezas sobre custos de matérias primas, bens industrializados (como máquinas agrícolas) e novas tecnologias. 

O cenário mundial segue muito volátil e espera-se que os custos de produção se mantenham em alta, além da margem de lucro seguir apertada. Em termos de preços de vendas, as tendências dos mercados internacionais são muito heterogêneas e incertas

Uma simples busca por preços de mercado futuro mostra desacordo em indicadores e flutuações diárias de preços. As informações abaixo são do fechamento das bolsas de Chicago e Nova Iorque em 23/03/2023 para previsão de preços futuros.

Indicações das flutuações de soja, milho, trigo, algodão e café

Indicações das flutuações de soja, milho, trigo, algodão e café

Produção e clima

Em termos produtivos, a safra que está sendo colhida em 2023 será recorde. Ela será puxada pelo carro-chefe da agricultura brasileira, os grãos. A previsão é de uma supersafra de grãos, com total de 310,3 milhões de toneladas.

As estimativas por cultura são apresentadas abaixo, baseadas em dados da Conab:

  • Soja: 152,9 milhões de toneladas;
  • Milho: 95  milhões de toneladas;
  • Feijão: 1 milhão de toneladas;
  • Arroz: 10,2 milhões de toneladas;
  • Algodão: 3 milhões de toneladas;
  • Trigo: 10,6 milhões de toneladas;
  • Cana: 598,3 milhões de toneladas;
  • Café: 54,9 milhões de sacas de 60 kg.

O clima, por sua vez, pode influenciar muito as previsões acima. Por exemplo, houve quebra de safra da soja por seca e dificuldades na colheita por excesso de chuva no norte do Paraná e estados centrais.

Muitas dessas características destoantes são efeitos do La Niña, que têm causado bastante influência no clima brasileiro nos últimos 3 anos. Porém, a estimativa é de que os efeitos sejam apenas sentidos até abril, quando o El Niño passa a ser mais preponderante.

Apesar dos períodos de transição entre os dois fenômenos tenderem a ser mais amenos, pode-se esperar um outono com temperaturas mais altas. Ainda, possivelmente haverá maior pluviosidade adentrando o inverno.

Agronegócio e tecnologia

Hoje, o agronegócio é composto por empresas a céu aberto que necessitam de um processo de gestão agrícola muito bem coordenado. Afinal, os riscos da atividade são cada vez mais altos e a margem de lucro, cada vez menor.

O futuro do agronegócio inclui a popularização de muitas tecnologias que possibilitarão a execução do conceito de fazenda digital. Algumas dessas tecnologias são:

Além dessas novas ferramentas, será necessário também o treinamento e formação de mão de obra especializada em maquinários tecnológicos. Além disso, será necessário investir em pessoas especializadas em sistemas de análise de dados e gestão.

Sustentabilidade

Atualmente, o rápido acesso às informações ao redor do mundo tem gerado um apelo e uma pressão mundial por atividades que sigam esses preceitos:

  • reduzido impacto ambiental;
  • sem exploração social;
  • economicamente justas

Os produtores são os maiores interessados na preservação do meio ambiente. Esse cenário de monitoramento intenso por parte da população gera oportunidades, como:

  • Mercado de crédito de carbono;
  • Manutenção de áreas de preservação;
  • Recuperação de áreas degradadas;
  • Integração de atividades como agricultura, pecuária, silvicultura e extrativismo;
  • Diminuição de uso de produtos químicos na lavoura;
  • Uso de bioinsumos e soluções biológicas;
  • Agricultura circular e reciclagem de resíduos;
  • Uso racional de água, solo e outros recursos;
  • Troca do uso de combustíveis não-renováveis;
  • Cogeração de energia na fazenda.

Muitas delas já são executadas pelos agricultores. Porém, agora elas surgem como oportunidades de remuneração extra ou de aumento da eficiência da atividade agrícola, minimizando gastos e maximizando o lucro. 

Foto de pilhas de papeis, com chamada para baixar o guia de software

Melhore a Rentabilidade do seu negócio com o Aegro

O monitoramento da fazenda garante que você controle seus custos e ganhos, encontrando oportunidades para maximizar o lucro e reduzir seus gastos.

Investindo no Aegro, você ganha acesso às informações das diversas áreas do seu negócio. Com esse software de gestão agrícola, você consegue:

  • fazer gestão do financeiro;
  • acompanhar o estoque e suas movimentações;
  • acessar relatórios de evolução da safra e produtividade;
  • monitorar o custo de abastecimento;
  • monitorar horas trabalhadas, manutenção e outras ações do seu maquinário.
Alguns dos indicadores e relatórios disponíveis para gestão no Aegro

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Aproveite funções como a análise de custo orçado x custo realizado para identificar despesas desnecessárias em sua fazenda. Assim, você reduz o consumo desenfreado de materiais.

Com o controle do seu negócio, fica mais fácil analisar seus resultados e entender onde pode melhorar para reduzir desperdício e custos desnecessários. Ainda, você consegue aumentar seus ganhos e se adaptar às novas tecnologias.  

Conclusão

É cada vez mais necessário que quem produz baseie seu empreendimento em 3 conceitos: a transparência, a qualidade e a segurança.

E é com a ajuda da tecnologia e o embasamento nestes 3 pilares que você irá alcançar seus objetivos individuais e auxiliar o Brasil a bater ainda mais recordes no campo

O Aegro faz parte dessa equipe e traz soluções inovadoras para o produtor brasileiro, auxiliando no seu dia a dia e permitindo uma maior profissionalização e rentabilidade de seu negócio.

O que você acha das tendências do agronegócio para os próximos anos? Se quiser receber mais artigos como esse, não deixe de assinar nossa newsletter.

Veja como adotar práticas de tecnologia e sustentabilidade no campo na sua fazenda

Agricultura sustentável: qual a sua importância, quais são as práticas que devem ser implementadas e como a tecnologia te ajuda nesse processo.

Nos últimos anos, o modelo convencional de agricultura tem sido alvo de duras críticas em razão dos danos ambientais e sociais. Diante disso, tem crescido a busca por modelos de exploração agrícola mais sustentáveis. 

É fundamental usar recursos naturais de forma mais racional, mantendo a capacidade produtiva a longo prazo. 

Para conseguir dar conta da produção de alimentos e sustentabilidade no campo, ao mesmo tempo, é preciso ficar por dentro das melhores práticas.

Neste artigo, saiba mais sobre o que é e como implementar práticas de sustentabilidade na agricultura na sua fazenda. Confira a seguir. Boa leitura!

O que é sustentabilidade no agronegócio?

A sustentabilidade no campo é um conceito que precisa estar sempre presente no cotidiano de quem produz. Assim, é possível unir produtividade das culturas com conservação ambiental. Isso garante que as empresas rurais atendam a demanda de alimentos sem danos à natureza. 

Afinal, um dos grandes desafios das próximas décadas se refere à produção de alimentos, fibras e energia em quantidade suficiente para a população. Esta, por sua vez, cresce de forma exponencial. 

Tendo em vista a finitude dos recursos naturais, é urgente a necessidade de repensar o modo de consumo e o modelo de agricultura atual. Somente assim será possível propor soluções que garantam a sustentabilidade no campo. 

Na agricultura, a sustentabilidade é fundamentada na valorização dos recursos internos dos sistemas agrícolas produtivos. 

A sustentabilidade se baseia em três pilares: econômico, social e ambiental. Em outras palavras, uma atividade sustentável deve ser economicamente viável, socialmente justa e ambientalmente correta.

Portanto, o desenvolvimento sustentável pode ser entendido como a busca por atender as necessidades do presente. Tudo isso, é claro, sem comprometer as necessidades das futuras gerações.

Tripé da sustentabilidade
(Fonte: Adaptação dos três pilares de Elkington, 1997)

Agricultura convencional x agricultura sustentável

A diferença básica entre o modelo de agricultura convencional e a sustentável é o fato de a agricultura sustentável se aproximar da realidade. Afinal, ela é multidisciplinar.

Enquanto isso, o modo de produção convencional valoriza a universalidade e a transferência de pacotes tecnológicos. Como resultado, tem-se maior desperdício de água, poluição do ambiente, degradação do solo, além de acentuar as desigualdades sociais.

Assim, fica claro que a agricultura sustentável é o único caminho viável para o futuro. É bom lembrar que ela também tem o objetivo de atender a demanda de alimentos, fibras, biocombustíveis, produtos madeireiros e não-madeireiros.

Ao mesmo tempo, na agricultura sustentável tem-se o uso racional dos recursos, o que contribui para a preservação do meio ambiente

Além da preocupação ambiental, a agricultura sustentável busca proporcionar boas condições de trabalho para todos os envolvidos no processo e aumentar a produtividade.

Importância da sustentabilidade no agronegócio

A palavra “sustentabilidade” tem sido bastante utilizada em diferentes setores. Na agricultura, a adoção de práticas sustentáveis garante a manutenção dos recursos naturais e da produtividade agrícola a longo prazo. 

Além disso, reduz os impactos adversos no meio ambiente e favorece a biodiversidade. A agricultura sustentável promove a conservação do solo, da água e dos recursos genéticos animais e vegetais.

O uso de ações sustentáveis também pode agregar valor aos produtos agropecuários brasileiros no mercado interno e externo. E assim, remunerar adequadamente os trabalhadores rurais. Essas práticas otimizam a produção agrícola com o mínimo de insumos químicos.

diagnostico de gestao

Quais são as práticas sustentáveis no campo?

Com o aumento da preocupação ambiental, tem crescido também o interesse por práticas agrícolas que atendam os requisitos de sustentabilidade. Isso pode ser feito de forma total ou parcial. Confira algumas práticas que garantem maior sustentabilidade das atividades:

Para garantir a sustentabilidade do agronegócio, é fundamental adotar diferentes técnicas de manejo, aliadas às inovações tecnológicas. Somente assim é possível minimizar impactos ambientais e sociais, além de melhorar a eficiência de uso dos insumos e evitar o desperdício.

As inovações tecnológicas voltadas para o agronegócio têm contribuído muito para o desenvolvimento sustentável no campo. A transformação digital da agricultura possibilitou melhorar a gestão dos recursos e aumentar a produtividade. 

A transformação digital engloba uma série de tecnologias e conceitos que devem ser postos em prática. Confira algumas delas a seguir. 

Digitalização, internet das coisas e computação em nuvem

A internet das coisas e a computação em nuvem possibilitam o acesso de informações, arquivos e serviços pela internet. De qualquer lugar, é possível acessar dados e ferramentas sem a necessidade de instalação de programas e com atualização em tempo real.

A computação em nuvem promove a redução de custos e economia de espaço, uma vez que o armazenamento é todo virtual. Além disso, o armazenamento de dados na nuvem facilita o acesso por toda a equipe de trabalho envolvida. 

O uso dessas ferramentas, pouco a pouco, ajuda a construir uma agricultura cada vez mais digital. Uma agricultura mais moderna possui inúmeras vantagens, como diminuição dos seus custos e também da sua carga de trabalho. 

Ainda tem dúvidas de como a tecnologia pode te ajudar a tornar seu negócio rural mais sustentável? Separamos para você um guia completo e gratuito, com todas as informações necessárias.

Biotecnologia e bioinformática 

São duas importantes tecnologias que garantem diversos avanços na produção animal e vegetal.  A partir delas, é possível integrar e analisar um grande volume de informações. 

Assim, é possível compreender os mecanismos biológicos e realizar análises em diferentes níveis de complexidade, criando uma extensa rede de informações.

Zoneamento agrícola de risco climático (Zarc)

O zoneamento agrícola é uma ferramenta de gestão de riscos na agricultura. Ele fornece os períodos de semeadura com menor risco climático e também os municípios com condições climáticas favoráveis para o cultivo de determinada cultura.

As informações do Zarc podem ser acessadas de três modos: aplicativo Zarc – Plantio Certo; Painel de Indicação de Riscos e Portarias de Zarc por Estado.

Agricultura de precisão e tecnologia de aplicação

Trata-se de um conjunto de tecnologias que possibilita a coleta e análise de dados, como o teor de umidade do solo, clima e características das plantas.

No meio rural, a digitalização dos dados tem contribuído para assegurar maior controle em todas as etapas da cadeia produtiva. Assim, a agricultura de precisão aumenta a eficiência no uso dos recursos e na redução dos custos.

A tecnologia de aplicação em taxa variável é uma ferramenta da agricultura de precisão que possibilita variar a taxa de insumos em diferentes pontos da área. Dessa forma, os insumos são aplicados somente quando necessário, na dosagem requerida e no momento adequado. 

Inteligência artificial

Hoje em dia, é cada vez mais comum o uso de inteligência artificial, softwares, drones e VANTs (os veículos aéreos não tripulados). Eles são usados no monitoramento de áreas e até mesmo na aplicação de defensivos agrícolas.

Nesse sentido, os benefícios da tecnologia na agricultura e no desenvolvimento sustentável no campo são indiscutíveis. No entanto, é preciso deixar claro que a adoção de determinadas tecnologias exige significativos investimentos. 

Isso acaba não sendo acessível para uma grande parcela de produtores rurais, principalmente, os pequenos. Assim, a adoção de tecnologias pode variar conforme o contexto geográfico e socioeconômico.

Conclusão

A sustentabilidade garante que as necessidades do presente e das gerações futuras sejam atendidas. Ela se baseia em três pilares: ambiental, econômico e social.

Uma atividade sustentável se preocupa com as condições de trabalho e a remuneração dos colaboradores, além de preservar o meio ambiente. Ainda, é claro, a sustentabilidade no campo ajuda a reduzir os impactos ambientais e agregar valor aos produtos agropecuários.

A inovação e a tecnologia têm contribuído muito para o desenvolvimento sustentável no campo. Porém, aderir às inovações tecnológicas demanda significativos investimentos, então procure organizar as suas finanças e avaliar quais das tecnologias se aplicam à sua realidade.

Você já conhecia essas práticas de sustentabilidade no campo? Se quer ficar sempre por dentro das novidades do agronegócio, não deixe de assinar nossa newsletter.

Irrigação por superfície: veja se a prática é ideal para sua fazenda

Irrigação por superfície: saiba como funciona, quais são os tipos existentes, as fases desse processo, vantagens e desvantagens.

A agricultura irrigada fornece água às plantas em momentos em que a precipitação natural não é suficiente para manter o solo com bons níveis de umidade. Para isso, existem 3 tipos principais de irrigação: por superfície, por aspersão e localizada.

Cada tipo e método de irrigação se adequa à realidade dos produtores. Isso varia conforme capacidade de investimento, características da área e culturas de interesse

Dentre esses tipos, a irrigação por superfície pode ser interessante para produtores em áreas planas e com solos mais pesados. Pensar em utilizar um método de irrigação te ajuda a evitar estresse hídrico e danos na cultura.

Nesse artigo, conheça as vantagens e desvantagens do método de irrigação por superfície, suas especificações e técnicas de implantação. Boa leitura!

Como funciona o método de irrigação por superfície?

A irrigação por superfície é um método que se baseia na cobertura do solo com uma lâmina de água que irá infiltrar no perfil do solo. A água é aplicada diretamente na superfície a ser irrigada, e isso acontece através da gravidade.

Por isso, esse método também é conhecido como irrigação por gravidade.

A água pode se acumular na superfície do solo, criando uma diferença de potencial hídrico entre a superfície e as camadas do perfil do solo. Isso faz com que a água seja distribuída para as camadas mais profundas pela força da gravidade.

Consequentemente, o gradiente de umidade existente é igualado. O método depende, principalmente, das características do solo, como capacidade de retenção de água na superfície, escoamento e infiltração.

Esses parâmetros devem ser considerados antes da implantação do sistema de irrigação por superfície. Você também precisa os considerar nos cálculos de quantidade de água e frequência de molhamento.

O que é irrigação por subsuperfície?

A irrigação de subsuperfície por inundação é um método que pode também ser aplicado. Ele se baseia na aplicação de água no subsolo, em em camadas mais profundas. O objetivo é aumentar artificialmente o nível natural do lençol freático.

Isso permite maior disponibilidade de água na parte mais superficial do solo. Esse método é normalmente indicado para solos e áreas onde a lençol freático é pouco profundo.

Diferença entre irrigação por faixas, sulcos e inundação

Existem 3 tipos básicos de irrigação por superfície: sulcos, faixas e inundação. Cada um possui suas características próprias e recomendações específicas. Veja mais detalhes sobre cada um deles:

  • Sulcos: o sistema por sulcos consiste na abertura de canais paralelos, normalmente sentido da linha de plantio. Esses canais são inundados, fornecendo água na região da entrelinha. Essa água é absorvida pelas raízes das plantas;
  • Irrigação por faixas: o sistema de faixas consiste na inundação de faixas demarcadas no campo, limitadas por diques paralelos. Normalmente, esses diques são definidos pelo nível do terreno;
  • Inundação: o sistema de inundação consiste na aplicação de água para inundação de área total do talhão.
Exemplo de campo com irrigação de superfície, faixas e inundação total
(Fonte: Seduc)

Fases da irrigação superficial

A irrigação superficial é feita por fases, que acontecem durante todo o processo de irrigação por superfície. Essas fases são relacionadas às etapas do processo como um todo e podem ser divididas em fases de avanço, de infiltração e de recesso. 

Fase de avanço

É a fase de inundação do sulco, das faixas ou do campo como um todo. Essa é a fase em que a água se espalha pela área a ser inundada. É importante que a água chegue com uniformidade de lâmina a todos os pontos planejados na irrigação.

Fase de infiltração

Essa fase começa no momento em que a lâmina de água se estabiliza com uniformidade sobre toda a área e termina no momento em que a aplicação de água é encerrada. 

Nesse ponto, ocorre a infiltração da água no perfil do solo. A água infiltra desde a superfície até as camadas mais profundas.

Fase de recesso

A fase de recesso começa com a interrupção do fornecimento de água, e termina com o total escoamento do campo. Nessa fase, ainda haverá absorção e transporte de água no solo e escoamento da lâmina aplicada.

Vantagens e desvantagens desse método de irrigação do solo

Os métodos de irrigação apresentam vantagens e desvantagens, e a escolha pelo mais adequado tem que ser bastante criteriosa. O mesmo acontece com a irrigação por superfície. Dentre as suas principais vantagens, temos:

  • Baixo custo de implantação;
  • Baixo custo energético;
  • Não há necessidade de água límpida para execução;
  • Operação simples;
  • Adaptável a várias culturas;
  • Baixa influência de ventos que podem causar heterogeneidade de aplicação de água.

Por outro lado, assim como os demais métodos de irrigação, há desvantagens que você precisa conhecer e considerar. As principais são: 

  • Baixa uniformidade de distribuição da água, no caso do método em sulco;
  • Menor controle da lâmina de irrigação e da quantidade de água aplicada por área;
  • Alta necessidade de mão de obra qualificada;
  • Adubação mais complexa e de maior dificuldade;
  • Maior capacidade de causar acidez do solo;
  • Baixa eficiência (entre 40% e 65%) se comparada a outros métodos;
  • Maior potencial de salinização do solo por uso de altos volumes de água e alta vazão.

Fatores para escolha de sistema de irrigação de superfície

Antes de decidir se o sistema de irrigação por superfície é o ideal para você, é necessário analisar e considerar alguns pontos. 

  • Capacidade de investimento: o sistema de superfície é um sistema de baixo custo de implementação e de operação. Isso o torna uma opção viável para produtores com menor capacidade de investimento;
  • Tipo de solo e relevo: o sistema de irrigação por superfície é mais recomendado para solos mais pesados/argilosos e com maior capacidade de retenção de água e de infiltração mais lenta. Além disso, esse método é utilizado em áreas de relevos mais planos como áreas de baixada;
  • Culturas a serem implantadas: apesar de ser bastante utilizado para a cultura do arroz em baixadas, o método pode ser aplicado para diversas culturas. Isso principalmente naquelas culturas que se adaptam bem nas áreas mais planas;
  • Tamanho da propriedade: o método de irrigação por superfície pode ser usado em propriedades pequenas e também em propriedades maiores. Porém, em maiores escalas, o controle de entrega de água deve ser mais bem planejado e monitorado; 
  • Mão de obra: esse método tem uma necessidade de mão de obra bastante elevada.

Conclusão

A irrigação por superfície é um método de baixo custo de implantação e operação. Ele é interessante para produtores em áreas planas e com solos pesados.

O método tem uma baixa eficiência do uso de água por necessitar de um alto volume aplicado à área. Entretanto, pode ser uma solução para aumento de produtividade ou diminuição de perdas em alguns casos.

Casos de baixos níveis pluviométricos e risco de déficit hídrico no solo são os principais deles. Um profissional da área pode te ajudar com mais detalhes para o processo de decisão.

Leia mais>>

“Proirriga: saiba como financiar a irrigação da fazenda”

E aí? Ficou com alguma dúvida sobre o sistema de irrigação por superfície? Já utilizou algo parecido na sua fazenda? Deixe seu comentário abaixo!

Irrigação por gotejamento: conheça as vantagens e desvantagens

Irrigação por gotejamento: saiba o que considerar antes de escolher o sistema, como ele funciona, quais são as partes que o compõem e mais!

Há vários tipos de irrigação, cada um com suas técnicas. A irrigação por gotejamento é uma delas, com vasto uso no meio do agronegócio.

A irrigação fornece água às plantas em épocas em que a precipitação não é suficiente para manter o solo em condições ótimas para a cultura. Isso evita o estresse hídrico, que pode causar perdas de produtividade.

Cada método de irrigação apresenta vantagens e desvantagens. Elas são altamente relacionadas ao declive, tipo de solo, cultura agrícola, capacidade de investimento, dentre outros.

Nesse artigo, saiba tudo sobre como funciona o gotejamento na irrigação, bem como as técnicas de implantação e manejo. Boa leitura!

Como fazer irrigação por gotejamento?

A irrigação por gotejamento é um método de micro-irrigação que economiza água e nutrientes. Afinal, a água escorre de forma lenta para as raízes das plantas (seja acima ou abaixo da superfície do solo).

Essa entrega de água para a planta é feita através de um tubo com aberturas. Esses tubos ficam na superfície do solo ou abaixo dele, através do uso de tubos enterrados.

Esse método se baseia em baixa vazão e alta frequência. Ou seja, gotas aplicadas em intervalos pequenos. A vazão irá depender de características como número e dimensão de furos, além do diâmetro do tubo.

Ele permite uma aplicação mais próxima da raiz e evita o molhamento de outras partes da planta. A irrigação por gotejamento pode entregar uma eficiência entre 90% e 100%

Os sistemas de irrigação por aspersão possuem eficiência entre 80% a 85%. Por outro lado, sistemas de inundação possuem eficiência entre 60% a 70%.

Banner de chamada para o download da planilha de controle de custos de safra

Como montar o sistema de irrigação por gotejamento

Os equipamentos necessários para o kit de irrigação de gotejamento é formado basicamente por:

  • tubo gotejador;
  • peças para conexão dos tubos entre eles;
  • sistema de fornecimento de água;
  • conectores de fim de linha.

O tubo gotejador pode ter furos em distâncias diferentes, permitindo a adequação do sistema a culturas diversas. O tipo de tubo pode depender do sistema ser de superfície ou irrigado, devido às características únicas de cada um.

Partes componentes de um kit para irrigação de gotejamento
(Fonte: Zanagro)

Qual o custo por área do sistema de gotejamento?

Um custo básico de implantação de sistema de gotejamento fica em torno de 20 mil reais por hectare. Além disso, deve-se considerar os custos com manutenção ao longo dos anos e o gasto operacional, além do preço da água de irrigação.

Os custos variam especificamente por cultura e em sistemas automatizados ou não. Estima-se que para pastagens, esse valor varie entre 6 mil e 10 mil por hectare.

Quantos litros de água o gotejamento na irrigação consome na lavoura?

O consumo de água de uma lavoura depende muito da cultura a ser usada e da capacidade evaporativa ao longo do seu ciclo. Além disso, varia de acordo com a população de plantas por área, definida pelo espaçamento entre plantas e linhas.

Por exemplo, para milho, o requerimento para o ciclo todo varia de 500 mm a 800 mm. Ou seja:

  • entre 500 L/m2 a 800 L/m2;
  • ou entre 5000 m3/ha a 8000 m3/ha

A quantidade de água a ser ministrada via gotejamento varia conforme com a quantidade requerida pela cultura e com a quantidade disponível naturalmente pela precipitação. 

É importante ressaltar que a necessidade de água das plantas não é constante. Ela varia com os estágios fenológicos. Assim, a quantidade de água através de gotejamento terá que ser calculada para cada caso específico, em curtos intervalos de tempo.

Vantagens e desvantagens do sistema

Como todo método, a irrigação por gotejamento apresenta vantagens e desvantagens quando comparado a outros métodos. Dentre as principais vantagens, temos:

  • Alta eficiência e precisão de entrega de água;
  • Irrigação localizada, com menor molhamento de plantas e risco de doenças;
  • Fácil instalação e pouca necessidade de manutenção;
  • Possibilidade de automatização do sistema;
  • Uniformidade na distribuição de água;
  • Evita formação de barro;
  • Possibilidade de uso de fertirrigação;
  • Adaptável a tipos de solo e relevo e a propriedades de diversas extensões;
  • Diminui a lixiviação de nutrientes no perfil do solo, por carreamento na água de irrigação;
  • Baixa evaporação da água de irrigação.

Como todo e qualquer método de irrigação, a irrigação por gotejamento também possui desvantagens que precisam ser consideradas.

  • Custo inicial de implantação considerável, quando comparado a outros métodos;
  • Possível necessidade de troca de mangueiras por ressecamento ou entupimento;
  • Limitação de uso de alguns produtos químicos para fertirrigação;
  • Necessidade de uso de água limpa para evitar entupimentos;
  • Dificuldade de verificação da situação da mangueira de irrigação por gotejamento enterradas, bem como da distribuição de água;
  • Possibilidade da diminuição de crescimento de raiz em profundidade por disponibilidade de água na superfície;
  • Necessidade de mão de obra especializada.

Como escolher o sistema de irrigação por gotejamento

Alguns fatores devem ser considerados na escolha do sistema de irrigação mais adequado para a realidade do produtor:

  • Capacidade de investimento: o sistema de gotejamento tem preço de instalação consideravelmente elevado. Entretanto, a sua alta eficiência traz retornos de produtividade que fazem com que o retorno sobre investimento seja alto e rápido;
  • Tipo de solo e relevo: o sistema de gotejamento se adapta bem a diversos tipos de solo e relevos. Ele consegue entregar água em pequenas quantidades e de maneira constante, evitando degradação de solos leves ou a inundação de solos pesados;
  • Culturas a serem implantadas: o gotejamento pode ser usado para uma gama de culturas. Afinal, pode ser adaptada a diferentes espaçamentos e populações de plantas, além de não ter limites com a altura de planta;
  • Tamanho da propriedade: o método de irrigação por gotejamento é bastante adaptável e pode ser implantado em propriedades de diversos tamanhos;
  • Mão de obra: a implantação, condução e manutenção requerem mão de obra. Assim, deve-se considerar o conhecimento dos funcionários sobre o sistema.
Planta de milho em estágios iniciais em campo com irrigação por gotejamento
(Fonte: Agro Galaxy)

Conclusão

A irrigação de gotejamento é um método com custo relativamente alto para instalação. Entretanto, ele traz um retorno grande na produtividade da lavoura. Por isso é usado em culturas de alto valor agregado.

O método tem alta eficiência no uso da água e possui muitas vantagens sobre outros métodos.

Sua aplicação se encaixa em diversos tipos de propriedade. Seja quanto à dimensão, capacidade tecnológica, monetária, condições edáficas e de relevo. Ou seja, a irrigação por gotejamento pode ser uma boa opção para sua fazenda.

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Restou alguma dúvida sobre a irrigação por gotejamento? Ainda não conseguiu avaliar se é uma boa opção para a sua propriedade? Deixe um comentário abaixo!