ASG na agricultura: saiba como se beneficiar dessas práticas

ASG na agricultura: conheça o significado da sigla, quais são os pilares que devem ser implementados na fazenda e muito mais!

Com grandes avanços no Brasil, o ASG no agronegócio possibilita gerenciar de forma mais responsável a fazenda. Ele a torna cada vez mais sustentável sob todos os aspectos. 

As mudanças climáticas têm afetado a economia global e ameaçado a segurança alimentar. Por isso, ações de mitigação desses efeitos são cada vez mais cobradas pela sociedade. 

No agronegócio, há também uma cobrança para que sejam cada vez mais difundidas as práticas da empresa ASG.

Neste artigo, veja quais práticas já estão presentes no Brasil e como implementar cada um desses pilares na sua propriedade rural. Boa leitura!

O que é ASG no agronegócio?

O ASG na agricultura reúne um conjunto de ações e critérios de governança, sociais e ambientais para o desenvolvimento dos negócios. A sigla faz referência às palavras governança, social e ambiental, em inglês.

A sigla ASG já tem quase 20 anos, desde que apareceu pela primeira vez num relatório da ONU (Organização das Nações Unidas), em 2005. O relatório trazia recomendações do setor financeiro para uma melhor integração com questões ambientais, sociais e de governança.

As preocupações eram basicamente as mesmas de hoje: aquecimento global, desmatamento, fome, pobreza e mudanças climáticas. Foram traçadas diretrizes para uma maior consciência das práticas em uma empresa ASG.

Através dessas práticas, seria possível estender o poder de competição e longevidade das empresas. O ESG, ao ser praticado, buscava antecipar os riscos e a busca por soluções. Assim, o planejamento das empresas e governos foi aperfeiçoado cada vez mais.

Mas aconteceu desde lá o que ainda ocorre hoje: muita promessa e poucos avanços no que se refere ao cumprimento dos acordos estabelecidos.

Um dos principais acordos internacionais voltado para o cumprimento das metas foi o Acordo de Paris, em 2015, para limitar o aquecimento global a menos de 2°C até 2030.

À beira da COP27 (Conferência do Clima), o relatório da ONU mostra o pouco progresso das ações para reduzir as emissões de gases de efeito estufa. Eles são os causadores do aquecimento global.

O relatório aponta que os países não estão no caminho nem mesmo para cumprir as altamente insuficientes metas climáticas. Ele também fala em efeitos irreversíveis. Por isso, o ASG na agricultura precisa ser levado cada vez mais a sério por governos e empresas.

Empresa ASG: o que significa cada um dos pilares?

Os fatores ASG estão relacionados às práticas de preservação do meio ambiente, responsabilidade social e de boa governança. Veja abaixo os detalhes de cada um deles.

Fatores ambientais

O ASG ambiental é um dos fatores ambientais estão entre os mais cobrados pela sociedade e por investidores de grandes empresas quando se refere ao ASG.

Isso porque a preservação do meio ambiente é essencial para que seja possível prolongar a vida do ser humano na terra. Afinal, a natureza ajuda a sequestrar o carbono que favorece ao aumento do aquecimento global.

Não à toa, ações voltadas para intensificar o sequestro de carbono pela natureza estão entre as principais metas do Acordo de Paris. Na COP26, realizada na Escócia, finalizou a proposta para a criação de um mercado global de créditos de carbono.

Na finalização deste acordo, o Brasil teve grande protagonismo, já que teve sua proposta aprovada para a criação desse mercado.

Além disso, publicou o Decreto 11.075/2022, passo inicial para regulamentar o mercado nacional de créditos de carbono. Ele tem incentivado as fazendas sustentáveis por meio do aumento de recursos do Plano Safra para esta finalidade.

estação meteorológica na fazenda, um dos pilares da ASG na agricultura
Criar estações meteorológicas na fazenda é uma forma de tornar a lavoura mais sustentável
(Fonte: Blog da Aegro)

O ASG no agronegócio do Brasil é incentivado por meio do Plano ABC, que estimula a agricultura de emissão de baixo carbono. O plano tem uma linha de crédito chamada Programa ABC (agricultura de baixo carbono), que teve disponibilizado no Plano Safra R$ 6,19 bilhões.

Há ainda produções sustentáveis por meio de programas voltados para a agricultura regenerativa, agricultura orgânica, agrofloresta e agricultura biológica. Outras práticas de sustentabilidade ambiental no agronegócio já difundidas no país são:

Fatores sociais

As relações sociais no ASG na agricultura também ganham cada vez mais força, diante da constante valorização do ser humano. Seja ele um colaborador da empresa, integrante de comunidades que residem no entorno ou os próprios clientes.

A sociedade moderna é composta por pessoas diferentes em vários aspectos. Cada uma deseja ser respeitada pelo que é, desde que não prejudique o outro em sua prática.

Neste sentido, as práticas sociais em uma empresa, seja ela rural ou urbana, devem prezar pelo respeito à diversidade e oportunidade igual para todos. Isso tudo independente de gênero, cor, raça ou orientação sexual.

Outro ponto essencial é o respeito às leis trabalhistas e aos direitos dos colaboradores. Eles devem ser incentivados pela empresa a se desenvolverem cada vez mais profissionalmente. Isso serve para o bem dele próprio e da própria companhia. 

Ainda sobre os aspectos sociais, as empresas precisam praticar sempre o respeito aos direitos humanos, aprimorar a proteção de dados dos colaboradores e dos clientes.

Fatores de governança

As ações de sustentabilidade ambiental e de responsabilidade social não podem ser dissociadas da governança. Ela é responsável por estruturar todas as ações da empresa rural e fazê-las acontecer.

A governança deve cuidar para que todas as regras da empresa sejam voltadas para o ESG. Além disso, outras estratégias de atuação também devem ser executadas pelos colaboradores.

Da mesma forma, a governança deve dar todo o suporte necessário ao desenvolvimento de ações fora da empresa. Isso pode ser feito junto a comunidades do entorno e ações de preservação ambiental.

Na gestão da empresa rural, é necessário que a governança atue com a mitigação de riscos. Sejam eles relacionados aos mercados ou às mudanças climáticas.

Promover, junto aos colaboradores, o bem-estar no serviço também é fundamental. Assim, eles podem desenvolver melhor suas atividades e fazer a empresa crescer.

Deve ser feito o uso de tecnologias digitais que favoreçam a maior agilidade na execução dos serviços, na sustentabilidade ambiental e eficiência na gestão.

diagnostico de gestao

Conclusão

As boas práticas relacionadas ao ASG, seja no agronegócio ou qualquer outro setor da economia, precisam se tornar cada vez mais realidade no dia a dia.

Elas práticas favorecem o melhor convívio, e ainda prolonga a existência humana na terra.

Mesmo que seja uma ação pequena, de alguma forma haverá um impacto positivo. Esse impacto, ao se juntar com outras ações positivas, vão fazer uma grande diferença na humanidade.

Você tem alguma dúvida sobre a implantação da ASG na agricultura? Quais práticas você já utiliza na sua empresa rural? Adoraria ler seu comentário!

Saiba como fazer um projeto de fazenda sustentável

Fazenda sustentável: saiba o que é, quais são as bases, o que fazer para implementar novas práticas e mais!

A sustentabilidade se tornou assunto comum, principalmente no meio agrícola. 

Isso tanto nas discussões na Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima de 2021 quanto nas empresas que prestam serviços no meio agrícola.

Porém, quando se trata de agricultura sustentável, a maioria das pessoas conhece pouco os conceitos em que ela é usada.

Nesse artigo, saiba o que é fazenda sustentável e veja práticas e soluções que podem ser empregadas na sua propriedade rural. Boa leitura!

O que é fazenda sustentável?

Uma fazenda sustentável é a propriedade que utiliza técnicas integradas, usando de forma racional e eficiente recursos como solo, água, energia, fauna, flora e biodiversidade com o menor impacto ambiental possível. 

O objetivo é reduzir a poluição, consumo de água, energia, adubos químicos, pesticidas, fertilizantes e outros produtos que podem trazer impacto ambiental.

Ou seja, em uma fazenda sustentável, são utilizadas técnicas que não causam grande dano ambiental. Ainda, elas permitem seu ganho econômico, além de serem justas do ponto de vista social.

Esquema que mostra como funciona a agricultura sustentável
Bases da agricultura sustentável

É importante diferenciar agricultura sustentável de agricultura orgânica, porque esses conceitos são bastante confundidos. A agricultura orgânica é um modelo de agricultura que proíbe o uso de produtos sintéticos, sementes modificadas e maquinário pesado.

Apesar de algumas dessas técnicas apresentarem potencial para a diminuição de riscos ambientais, não há relação entre agricultura orgânica e agricultura sustentável. Afinal, a produtividade da agricultura convencional é maior do ponto de visto econômico. 

Além disso, o preço final de produtos orgânicos tende a ser maior, devido ao nicho de mercado. Isso pode ser socialmente injusto, uma vez que ele não é acessível a toda a população. 

Ou seja, uma fazenda orgânica pode ser sustentável, mas essa não é a única maneira de se alcançar a sustentabilidade da atividade.

O que fazer para ter uma fazenda auto sustentável no Brasil?

Existem algumas práticas que devem ser buscadas em um projeto de fazenda sustentável. Abaixo, veja algumas dessas bases e técnicas que podem ser usadas para alcançá-las.

1. Construa um perfil de solo 

A construção do perfil de solos saudáveis e a prevenção de degradação e erosão é feita através de algumas técnicas. Rotação de culturas, plantio direto, uso de plantas de cobertura e adubação verde são alguns dos exemplos.

Elas podem aumentar a matéria orgânica do solo e a microbiota natural. Além disso, podem diminuir perdas de nutrientes por lixiviação e evitar a alteração brusca de temperatura no solo.

2. Faça um manejo consciente da água

Os processos de captação de água podem auxiliar na estocagem desse recurso primordial para a fazenda. O manejo de água junto de tecnologias de agricultura de precisão podem aumentar a eficiência do seu uso.

Isso acontece tanto na irrigação quanto na aplicação de defensivos agrícolas. Além disso, a melhora do perfil do solo auxilia na retenção de água e na diminuição de sua perda.

3. Minimize a poluição do ar e da água

A diminuição da necessidade de defensivos agrícolas e da queima de combustíveis fósseis são dois fatores cruciais para minimizar a poluição. Algumas técnicas podem diminuir muito o uso de defensivos agrícolas, como: 

Além disso, a mecanização agrícola pode diminuir a necessidade de entrada de máquinas na área. A consequência disso é a diminuição do gasto de combustível.

4. Promova biodiversidade

A biodiversidade é importante em termos de fauna e flora. 

A rotação de culturas e o uso de sistemas de integração lavoura-pecuária-floresta  são formas inteligentes e rentáveis de aumentar naturalmente a biodiversidade. Elas aumentam a microfauna do solo, da flora e da fauna.

5. Aumente a resiliência a eventos climáticos extremos

A diminuição de perdas relacionadas a estresses abióticos aumenta a sustentabilidade, porque evita o desperdício de recursos naturais em anos de baixa produção. 

Existem várias práticas que tendem a diminuir o impacto dos eventos climáticos na sua propriedade. Algumas das principais são:

  • tecnologias de previsão climática, como estações meteorológicas na fazenda;
  • aumento da capacidade de absorção de água e nutrientes no solo;
  • uso de plantas geneticamente modificadas e produtos fisiológicos.

6. Faça estoque de carbono na fazenda

Ao aumentar a produção, principalmente em processos de integração lavoura-pecuária-floresta, a propriedade passa a ser um estoque ainda maior de carbono.

Isso diminui ou anula a sua “pegada” de carbono, e pode ser fonte de renda na venda de reservas através do sequestro de carbono. Todas as técnicas citadas acima contribuem para isso. 

7. Faça um balanço de energia

A energia é um dos desafios futuros das fazendas, e a possibilidade de geração de energia em combinação com a agricultura será crucial para a sustentabilidade. 

Isso pode ser alcançado por meio do uso de energia solar na agricultura. Ainda, o uso de energia eólica, hidroelétrica, de biodigestores ou culturas energéticas também pode ser muito vantajoso.

Benefícios de um modelo de fazenda sustentável

Ao utilizar técnicas de sustentabilidade, você pode se beneficiar de diversas maneiras:

  • Diminuição de custos, possibilidade de vendas a maior preço e aumento do lucro;
  • Capacidade da obtenção de selos e certificações ambientais e de mercado;
  • Aumento da eficiência de processos e do uso de recursos naturais ou industrializados;
  • Diminuição do uso de recursos com maior potencial de poluição, como combustíveis e defensivos agrícolas;
  • Longevidade da atividade por menor impacto ambiental e desgaste de recursos finitos, como o solo;
  • Acúmulo e venda de créditos de carbono;
  • Impacto positivo na imagem da empresa frente a concorrentes e ao mercado.

Para que esses benefícios possam ser ainda maiores, é necessário que todas essas atividades que aumentem a sustentabilidade sejam bem executadas e contabilizadas. 

Para isso, as técnicas e soluções de gestão são cada vez mais necessárias para o controle e organização de tantas variáveis na propriedade. 

Uma fazenda sustentável obrigatoriamente necessita de um sistema de gestão da propriedade, de seus empregados e maquinários.

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Conclusão

A adoção de técnicas que podem aumentar a capacidade de exploração sustentável de recursos é, além de uma tendência, uma realidade do agronegócio.

Esse movimento será ainda mais presente nas próximas décadas, se expandindo para diversas cadeias da agricultura. 

Uma fazenda sustentável é possível através da adequação de processos e implantação gradativa de técnicas e manejos. Elas tornam a atividade mais ambientalmente neutra, economicamente viável e socialmente justa.

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“ASG na agricultura: como se beneficiar dessas práticas”

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Como usar e obter lucros com a energia solar na agricultura

Energia solar na agricultura: saiba como funciona, os diferentes tipos, quanto tempo dura a estrutura implantada na sua fazenda e muito mais!

A energia solar na agricultura ganha cada vez mais importância em todo o mundo. Ela reduz os efeitos das mudanças climáticas, tem baixo custo de produção e é sustentável.

Ela é uma das principais opções para viabilizar a irrigação no campo. E o melhor de tudo: atende desde as pequenas propriedades até grandes fazendas equipadas com pivôs centrais.

Neste artigo, confira como a energia solar te ajuda a aumentar seus lucros e como usá-la na sua fazenda.

Quais os benefícios de usar a energia solar na agricultura?

A energia solar pode ser uma grande aliada na agricultura! Não importa o tamanho da sua propriedade rural. Se você tem uma horta de 0,5 hectare ou uma fazenda equipada com pivôs centrais, a energia solar trará diversos benefícios, como:

  • autonomia com a geração de energia;
  • redução de custos com energia elétrica;
  • uso de energia para irrigação ou demanda doméstica na fazenda;
  • você pode fazer a venda do excedente de energia para o Sistema Elétrico Brasileiro;
  • baixo custo de manutenção;
  • mais sustentabilidade, pois é fonte de energia renovável e limpa.

A desvantagem desse sistema de energia é o alto investimento inicial para instalação. No entanto, após dois ou cinco anos, você recupera esse valor de investimento e começa a lucrar.

O sistema dura cerca de 25 anos.

Foto de usina de energia solar em campo. As placas de energia solar são azuis, posicionadas no chão cercado. Atrás, é possível ver a propriedade rural.

Usina de energia solar em área rural

(Fonte: Canal Solar)

Você pode fazer uma simulação de custos neste link do Simulador Solar, baseado no seu consumo atual de energia.  

Outra opção é obter parâmetros mais técnicos de investimentos e custos neste estudo acadêmico sobre uso de energia fotovoltaica.

O estudo foi feito em área irrigada com pivô central no estado de Goiás. Nesse caso, o custo ultrapassou R$ 1 milhão.

No entanto, o estudo apontou que o sistema de energia fotovoltaica é viável economicamente. Isso mesmo centrando-se apenas na relação custo de produção, investimento e manutenção do sistema. 

Não foram inclusos lucros com a venda da energia para o Sistema Elétrico Brasileiro. 

Custos para implantação da energia solar na fazenda

Os custos para investimento vão depender de vários fatores, sendo os principais:

  • demanda hídrica da cultura agrícola e a área a ser irrigada;
  • tipo de sistema de captação de água que consumirá a energia;
  • tipo e quantidade de placas fotovoltaicas necessárias para atender a demanda;
  • quantidade de baterias utilizadas para armazenamento;
  • estrutura necessária para instalar os equipamentos.

O custo de implantação depende de vários fatores além da demanda de energia. 

Como funciona o sistema de energia solar

A energia solar vem da luz e do calor do sol, por ondas emitidas por ele. Existem duas formas de energia solar: a térmica e a fotovoltaica, a mais utilizada na cidade e no campo.

Energia solar térmica

Esse tipo de energia também é chamada fototérmica. Nela, a energia do sol é utilizada na forma de calor para aquecer outro corpo, por meio de placas solares.

Também podem ser utilizados tubos à vácuo para transferir o calor para um meio líquido. Esse tipo de energia é muito utilizado em áreas residenciais urbanas.

Energia solar fotovoltaica

A energia solar fotovoltaica utiliza módulos solares. O calor e a luz do sol são transformados em energia elétrica.

Por isso, quanto maior a radiação solar nas placas solares, maior a quantidade de energia elétrica que será gerada.

Quando a energia solar é ligada ao Sistema de Energia Brasileiro, ela se chama “on-grid” e quando não é, “off-grid”.

Crescimento do uso de energia solar na agricultura brasileira

O uso da energia solar na agricultura cresceu 1,3 mil vezes nos últimos 5 anos, segundo a Absolar (Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica).

Centenas de empresas nacionais e estrangeiras têm oferecido serviços e equipamentos diversos para atender as mais diversas demandas.

Isso favorece a diversidade na qualidade dos equipamentos e nos preços.

Em 2021, houve no Brasil o dobro da importação de painéis solares, em comparação com 2020, segundo a Abinee (Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica).

A compra dos equipamentos para energia solar em outros países deve chegar este ano a cerca de R$ 11,2 bilhões, aumento de 98% em relação ao ano passado. 

Isto resulta também em novas oportunidades no agro, como a instalação no Brasil, por uma empresa multinacional, do primeiro pivô central movido à energia solar do mundo

O sistema tem potência de 128 kWp e pode irrigar quase 100 hectares por uma média de 6 a 8 horas por dia.

Foto de área de irrigação com pivô central com energia solar. Na foto, três placas grandes de energia solar estão posicionadas no solo, levemente inclinadas.

Área de irrigação com pivô central que funciona com energia solar

(Fonte: Valmont

Investir em energia solar fotovoltaica pode ter um custo alto. Porém, o lado bom é que a implantação do sistema pode ser financiada por meio do Plano Safra, do Governo Federal.

No Plano Safra, há o Programa ABC (Agricultura de Baixo Carbono). 

Através do programa, é possível ter acesso a projetos que incluem energia solar, como a Proirriga (financia projetos de irrigação) e Inovagro (de inovação e tecnologia).

Energia solar e os novos desafios do agronegócio

O agronegócio brasileiro tem sido cada vez mais cobrado pela comunidade internacional a desenvolver práticas sustentáveis.

Além disso, internamente, o setor é obrigado a lidar com mudanças climáticas. Em 2021, elas causaram diversos danos nas regiões Sul e Centro-Sul, com secas e geadas.

Cada vez mais é preciso buscar meios de reduzir riscos na atividade agrícola. 

Uma das formas de fazer isto é por meio da energia solar, pois ela favorece a implantação ou expansão das áreas irrigadas.

Segundo a ANA (Agência Nacional de Águas), há no Brasil 8,2 milhões de hectares com sistemas de irrigação.

Desses, 5,3 milhões de hectares são com água de mananciais e 2,9 milhões de hectares com fertirrigação com água de reúso.

Assim, o fortalecimento da competitividade do agronegócio brasileiro passa também pela expansão das áreas com energia solar

Conclusão

A energia solar na agricultura apresenta diversos benefícios. Apesar de seu custo inicial ser alto, ela se torna lucrativa com o tempo e promove a sustentabilidade na fazenda.

Busque informações sobre como implantar a energia solar em sua fazenda. Antes disso, consulte preços dos equipamentos, além de buscar financiamentos.

Eu nunca ouvi falar de alguma pessoa que se arrependeu por implantar a energia solar e você, muito provavelmente, não será a primeira.

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E você, já pensou em implantar energia solar na agricultura? Já usa esse tipo de energia e gostaria de contar sua experiência? Adoraria ler seu comentário!

Saiba o que é o sequestro de carbono na agricultura e como se beneficiar dele

Sequestro de carbono na agricultura: saiba quais são as melhores práticas e como lucrar com isso

O sequestro de carbono na agricultura é uma prática que tende a ser ampliada. Afinal, o agronegócio brasileiro é cada vez mais cobrado por ações relacionadas às práticas ambientais, sociais e de governança, conhecidas como ESG.

Dentre os objetivos, está a redução da emissão de gases de efeito estufa na atmosfera.

A grande liberação desses gases provoca mudanças climáticas que impactam diretamente o agro, a exemplo da seca e geada que dizimaram lavouras em 2021.

Neste artigo, você saberá mais sobre algumas práticas que sequestram carbono e como se beneficiar delas. Confira!

Emissão de carbono e o agronegócio

A dependência da sociedade por combustíveis fósseis aumenta cada vez mais as emissões dos gases de efeito estufa na atmosfera. Dentre esses gases, estão o gás carbônico (CO2) e o metano (CH4), que vêm  de atividades industriais e agropecuárias.

Por isso, o Brasil tem sido cada vez mais cobrado para desenvolver práticas de ESG no agronegócio.

Relatório recente aponta que adotar modelos de negócios alinhados com práticas ESG serão o diferencial do mercado. Também serão a base para o crescimento e perpetuidade.

Atento a esta cobrança, o Governo Federal tem estimulado o produtor brasileiro à sustentabilidade ambiental por meio do Plano ABC, que faz parte do Plano Safra

Dentre as práticas, estão as relativas ao sequestro de carbono na agricultura. Elas auxiliam na captura de gás carbônico da atmosfera. Saiba mais sobre essas ações a seguir.

O que é sequestro de carbono na agricultura?

O sequestro de carbono é o termo usado para indicar o processo de exclusão do gás carbônico na atmosfera. Isso ocorre na agricultura através da fotossíntese das plantas. Elas captam dióxido de carbono no ar e o transforma em fotoassimilados. 

Utilizados como fonte de energia por bactérias que fixam nitrogênio nas raízes das plantas, os fotoassimilados são resultados da fotossíntese dos vegetais.

Ilustração que mostra como acontece o ciclo do carbono em ecossistemas conservacionistas
Ilustração de como ocorre o ciclo do carbono
(Fonte: Embrapa)

Durante a decomposição, de 15% a 25% desses resíduos são convertidos em carbono orgânico no solo. O restante vai para a atmosfera.

Mas a quantidade de carbono que sai do solo depende do manejo.

O sequestro ocorre quando as entradas de resíduos culturais são maiores que as saídas do carbono, por meio da atividade microbiana.

Porém, como saber se isso está ocorrendo, em que quantidade e como ganhar dinheiro com a geração de créditos de carbono? Acompanhe para saber mais!

Créditos de carbono no agronegócio

Os estudos sobre o sequestro de carbono e sua monetização ainda estão em estágio inicial em todo o mundo. No entanto, já há quem lucre com a captura de carbono na fazenda.

Recentemente, nos Estados Unidos, 267 produtores foram remunerados pela Indigo

Isso aconteceu por adotarem práticas agrícolas que resultaram na redução das emissões e sequestro de carbono. O valor da remuneração não foi informado.

As medições foram realizadas com base numa metodologia particular da Climate Action Reserve, uma organização não governamental.

Um estudo da Imaflora (Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola) apontou que 34 fazendas de café em Minas Gerais emitem uma quantidade de carbono por hectare/ano 7 vezes menor que a média global de fazendas de café.

Os cafeicultores mineiros ainda não estão sendo remunerados. 

No entanto, aproveitam o estudo para comprovar boas práticas e utilizá-las como marketing de venda. Dessa forma, atraem clientes dispostos a pagar mais caro pelo café.  

A monetização dos créditos de carbono deve ser o principal tema da COP26 (Conferência das Nações Unidades sobre o clima). 

A tendência é que os créditos de carbono virem a próxima commodity do agronegócio. Em 2020, o mercado internacional de créditos de carbono movimentou R$ 53 bilhões

3 práticas de manejo para o sequestro de carbono na agricultura

Dentre as principais práticas de manejo que resultam em sequestro de carbono da atmosfera, as que mais se destacam são:

  • o plantio direto na palha;
  • a rotação de culturas;
  • o sistema ILPF (Integração Lavoura Pecuária-Floresta).

Essas práticas podem ou não ser reconhecidas por empresas certificadoras (nacionais ou internacionais), já que não há metodologia única de avaliação.

Sistema de Plantio Direto

O sistema de Plantio Direto é uma das principais inovações dos últimos 50 anos no agronegócio brasileiro.

Esse sistema permite que o plantio/semeadura seja feito diretamente na palha (restos das plantas utilizadas para tal fim). 

Há possibilidade de até três safras no mesmo local, em um ano.

No plantio direto, você aproveita a matéria orgânica de uma plantação como cobertura do solo. A prática provoca maior umidade e reduz o aquecimento

Essa técnica faz com que o processo de decomposição da planta de cobertura seja mais lento. 

Consequentemente, o carbono é estocado no solo, e há redução de perdas para a atmosfera.

Pesquisas mostram que no clima tropical do Brasil, um hectare pode sequestrar até 0.8 toneladas de dióxido de carbono.

Esquema que mostra a dinâmica do carbono no sistema de preparo convencional e no sistema plantio direto
Dinâmica do carbono no sistema de preparo convencional e SPD 
(Fonte: Esalq)

Rotação de culturas

A rotação de culturas é outra técnica estratégica para a diminuição do efeito estufa na atmosfera.

A rotação protege o solo e possibilita a imersão de culturas de cobertura, como as gramíneas e as leguminosas.

A ideia é procurar culturas que possam produzir bastante palha, como o milho e a aveia. 

Outra opção são culturas de compensação, como soja e trigo, que fazem os balanços de carbono no solo.

Nas linhas da produção de café, tem sido muito utilizada a plantação de capim braquiária, como meio de obter cobertura verde do solo.

São feitas roçagens periódicas que resultam na formação de uma “cama verde”. Com a decomposição, é possível que se tenha de 15% a 25% convertidos em carbono.

Sistema ILPF

Desenvolvido pela Embrapa, o ILPF é considerado uma das alternativas mais apropriadas quando se fala em sustentabilidade.

Ele consorcia a criação de bovinos com a exploração florestal, geralmente de plantios de eucaliptos.

Estudos mostram que as sombras proporcionadas pelas árvores proporcionam bem-estar aos animais. 

Estes, por sua vez, reduzem a emissão de gás metano pela boca — o gás vem do processo digestivo dos bovinos, que são animais ruminantes.

O ILPF favorece a geração de serviços ambientais, como o sequestro de carbono, mas as medições sobre quantidades de emissões ainda são alvo de pesquisas.

checklist planejamento agrícola Aegro

Conclusão

O sequestro de carbono na agricultura é uma ação de grande importância para o agronegócio brasileiro e mundial.

Atrelado às práticas ambientais, sociais e de governança (ESG) no agro, a tendência é de crescimento cada vez maior.

Por isso, é importante que você se atente às discussões sobre a monetização dos créditos de carbono. Elas serão a principal pauta do COP26, no final do ano.

Desenvolver práticas de ESG na fazenda é algo que você deve fazer sempre, tanto para a sustentabilidade ambiental quanto da sua própria permanência na atividade.

Além disso, as mudanças climáticas estão acontecendo e não dá para falar mais em futuro. Elas já exigem que a humanidade mude sua forma de viver no mundo

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“Agricultura de baixo carbono: o que é e como fazer?”

Você conhecia as práticas que fazem sequestro de carbono na agricultura? Faz o uso de alguma delas? Deixe seu comentário!

Como a irrigação de precisão pode otimizar o uso da água e gerar economia na fazenda

Irrigação de precisão: entenda como ela funciona, quais tecnologias utiliza e quais benefícios pode trazer para a sua fazenda

A irrigação é indispensável para obter boas produtividades nas culturas de interesse agrícola. Nos últimos anos, a água tem estado escassa, devido a longos períodos sem chuvas

Quando esses períodos acontecem em fases críticas das culturas, reduzem suas produtividades em mais de 50%.

As culturas necessitam de água e os reservatórios  precisam se manter em níveis operacionais. Dessa forma, é importante o uso racional. A irrigação de precisão é uma alternativa de uso controlado desse recurso.

Neste artigo, você saberá mais sobre a irrigação de precisão, como ela funciona e quais as tecnologias disponíveis para melhor aproveitamento da água nos cultivos da sua lavoura!

Importância da irrigação dos cultivos

O estresse hídrico restringe a produtividade das culturas no Brasil. Ele é caracterizado por períodos prolongados de estiagem em épocas críticas.

Na safra 2019/2020, no Sul do país, as culturas da soja e milho tiveram grandes reduções na produtividade devido a esse problema

Para a cultura da soja, por exemplo, houve impacto na qualidade das sementes produzidas. A combinação de altas temperaturas e seca interferiram no enchimento dos grãos.

A safra foi marcada pela produção de sementes verdes. Esse fenômeno foi causado pelo estresse hídrico e pelas altas temperaturas.  Como consequência, houve a morte precoce das plantas.

Suplementar a água para as culturas é indispensável, principalmente nas fases críticas, como o enchimento dos grãos. Além disso, a água é fundamental para que a planta faça a fotossíntese corretamente.

Outro agravante é o impacto da escassez de chuvas nos recursos hídricos disponíveis. Com as chuvas restritas os reservatórios também diminuem, tornando essencial o uso inteligente da água, através da irrigação de precisão.

O que é irrigação de precisão?

A irrigação de precisão é a prática de fornecer água às culturas de forma eficiente

Isso acontece através de sistemas automatizados que levantam dados ao longo da lavoura, considerando a variabilidade da área.

As plantas recebem água na quantidade, momento e local da lavoura mais adequado. Custos consideráveis são reduzidos com a prática, quando comparado a sistemas manuais de acionamento das águas, que não consideram a variabilidade da área.

Atualmente, mais de 8,2 milhões de hectares estão equipados para irrigação, (em 2017 eram 7 milhões). Esse número equivale a 8,2 milhões de estádios de futebol. 

Dessa quantidade, 35% é irrigada com águas de reúso e 65% com água de mananciais. Isso exige dos sistemas produtivos o uso de tecnologias que permitam maior eficiência e racionalidade no uso da água.

A eficiência e racionalidade podem ser obtidas pela irrigação de precisão, utilizando ferramentas da agricultura 4.0

Inteligência artificial com sistemas automatizados e sensores são exemplos, porque acionam a irrigação em função das condições ambientais e necessidades da cultura.

Como a irrigação de precisão funciona

A irrigação de precisão funciona por sensores plugados ao solo, plantas, equipamentos e máquinas. Eles coletam informações que vão além da percepção humana.

A internet das coisas ajuda na conexão dos dados coletados pelos sensores

A inteligência artificial, presente nos equipamentos e controladores, analisa rapidamente o grande volume de dados gerados a partir de algoritmos. Ela toma decisões com rapidez e precisão

Fluxograma que explica o funcionamento de um algoritmo de controle de irrigação.

Fluxograma de um algoritmo de controle de irrigação

(Fonte: Adaptado de Casadeus e colaboradores, 2012. Em: Vasconcelos, 2013)

Nos diferentes pontos da lavoura, estão localizados sensores em profundidade. 

Eles cruzam os dados das condições da lavoura com os dados obtidos pelas previsões meteorológicas. Assim, acionam a irrigação em pontos específicos da lavoura.

O que os sensores utilizados no campo incluem

  • Estações meteorológicas: para avaliação da radiação solar, evapotranspiração da cultura, umidade relativa do ar, velocidade e direção do vento, temperatura, precipitação e pressão atmosférica;
  • Telemetria: comanda, rastreia e mede as informações à distância, através de dispositivos de comunicação sem fio. Incluem os rádios, celulares, notebooks e satélites.
  • Sensores de umidade do solo: medem o conteúdo volumétrico de água indiretamente. Além disso, medem textura, densidade do solo e das partículas, porosidade total, aeração, condutividade hidráulica e retenção de água no solo. São importantes, pois a umidade é um fator de decisão no acionamento da irrigação.
  • Sensores multiespectrais, hiperespectrais e térmicos: podem ser empregados a partir do monitoramento adicional das áreas com veículos aéreos não tripulados (VANTs). Eles identificam quais locais do cultivo sofrem maior estresse hídrico (fornecem dados para cálculo de índices de vegetação, como o NDVI).

Em sistemas tradicionais, a água é acionada em quantidades uniformes ao longo da lavoura.

Na irrigação de precisão, a água é disponibilizada em pontos estratégicos, economizando energia elétrica e a própria água.

localização onde os pivôs são acionados, em função das características do solo (topografia, tipo de solo, etc.). Alguns locais não recebem água e outros recebem em quantidades variáveis.

Esquema de funcionamento de pivôs de irrigação inteligente. É possível observar haver distinção da quantidade e localização onde os pivôs são acionados, em função das características do solo (topografia, tipo de solo, etc.). Alguns locais não recebem água e outros recebem em quantidades variáveis

(Fonte:  Lindsay, em: Venancio, 2019).

Vantagens da irrigação de precisão inteligente 

  • Fornecimento inteligente de água em local, quantidade e momento adequados;
  • Economia elétrica, como redução no custo de bombeamento;
  • Redução no uso da água de irrigação;
  • Aumento da produtividade pelo fornecimento de água em estádios críticos da cultura;
  • Lucro de cerca de U$ 87 dólares/hectare, equivalente a mais de R$ 448.

Desvantagens da irrigação de precisão

  • Custo alto com instalação. São necessárias grandes extensões de tubulação para implantação em toda área de cultivo;
  • É necessário acompanhamento técnico e monitoramento do sistema para correção de eventuais problemas;
  • A depender do sistema, há ainda possibilidades de entupimento. Por isso, é preciso fazer acompanhamento diário;

Você também deve consultar a legislação vigente para obtenção de licenciamento do órgão ambiental. Além disso, o início da implementação de projeto de irrigação dependerá de prévia concessão de outorga de direito de uso de recursos hídricos.

Quais tecnologias podem ser utilizadas na irrigação de precisão

Em superfície

Neste sistema, são utilizadas:

  • sondas de solo em diferentes profundidades; 
  • drones com câmeras térmicas ou multiespectrais (que também coletam dados dos demais sensores);
  • estação climatológica.

Os dados são interligados e processados em nuvem. Em seguida, são transmitidos para a sede da fazenda através da internet.

Depois, os dados são processados e interpretados por algoritmos inteligentes. 

Eles  consideram o histórico da produção agrícola, os dados meteorológicos e os modelos de culturas (evapotranspiração e estádio de desenvolvimento da cultura).

Esquema demonstrativo de um sistema de irrigação baseado em pivô central. Estes sistemas podem ser com ou sem monitoramento por drones.

Esquema demonstrativo de um sistema de irrigação baseado em pivô central. Estes sistemas podem ser com ou sem monitoramento por drones

(Fonte: Kamienski; Visoli, 2018)

Áreas irrigadas por pivôs centrais acionados por controladores que coletam e processam dados dos sensores de solo e estações meteorológicas

Áreas irrigadas por pivôs centrais acionados por controladores que coletam e processam dados dos sensores de solo e estações meteorológicas

(Fonte: Lindsay)

Aqui no blog, nós já falamos quando vale a pena investir em um pivô central

Se quiser também estimar os custos dessa forma de irrigação na sua lavoura, clique na imagem a seguir para baixar uma planilha gratuita! 

planilha custos de pivô Aegro

Rega por aspersão

Na rega por aspersão, são instalados aspersores ao longo da área, conectados a sensores de umidade do solo. 

Através da análise de dados complementares (meteorológicos), como nos demais sistemas, são acionados conforme a necessidade.

Esquema do funcionamento de um aspersor automático sequencial de precisão. Internamente ao sensor existe uma boia acionada na liberação da água, quando necessário. Desta forma, o sistema permanece em operação por tempo relacionado à necessidade da cultura.

Esquema do funcionamento de um aspersor automático sequencial de precisão. Internamente ao sensor existe uma boia acionada na liberação da água, quando necessário. Desta forma, o sistema permanece em operação por tempo relacionado à necessidade da cultura

(Fonte: Grah, 2011)

Gotejamento superficial e gotejamento enterrado

Através de sistemas com sensores e controladores automatizados, é possível identificar os locais que exigem acionamento da irrigação. Assim, você pode fornecer água racionalmente às culturas. 

O gotejamento pode ser controlado para maior ou menor vazão e também em relação à localização no campo de produção. Isso pode depender das condições de umidade do solo e das previsões meteorológicas vigentes.

Exemplo do funcionamento de um sistema de gotejamento inteligente. Cada linha possui um controlador acionado através da análise de dados de sensores de umidade do solo, por exemplo. O controlador restringe ou permite a passagem da água, realizando a irrigação da área quando necessário e no tempo (quantidade de água) necessária.

Exemplo do funcionamento de um sistema de gotejamento inteligente. Cada linha possui um controlador acionado através da análise de dados de sensores de umidade do solo, por exemplo. O controlador restringe ou permite a passagem da água, realizando a irrigação da área quando necessário e no tempo (quantidade de água) necessária

(Fonte: Duarte, 2010)

Outro exemplo prático é o servogotejador, desenvolvido pela Embrapa.

Ele é um sistema de gotejadores ligados a sensores pneumáticos do estado da água no solo e das plantas. O sistema vem sendo aperfeiçoado especialmente em culturas perenes, como citros e videira e em cultivos hortícolas.

O sistema de gotejamento tem o menor índice de desperdícios. No entanto, a irrigação de precisão pode otimizar ainda mais essa tecnologia

Conclusão

O estresse hídrico, cada vez mais frequente nos anos agrícolas, é problemático. Ele reduz a  produção e a qualidade das culturas.

A otimização deste recurso necessário para a manutenção da vida humana, animal e vegetal pode se dar na agricultura, através da irrigação de precisão.

O aumento da demanda de alimentos e de água para os cultivos agrícolas vem acompanhada de soluções inteligentes

Elas permitem utilizar a água na agricultura de forma localizada, em quantidade e tempo necessários em função das condições meteorológicas e uso de sensores.

A irrigação de precisão é uma alternativa viável, que permite reduzir muito os custos de utilização da água e de energia elétrica. Por isso, vale a pena considerar seu uso na sua propriedade.

>> Leia mais: “Saiba como usar e lucrar com a energia solar na agricultura

“Irrigação por superfície: veja se a prática é boa para sua fazenda”

“Proirriga: saiba como financiar a irrigação da fazenda”

Ficou com alguma dúvida sobre a irrigação de precisão? Já faz o uso das tecnologias  na sua lavoura? Adoraria ler seu comentário!

O que é irrigação de precisão?

A irrigação de precisão é a prática de fornecer água às culturas de forma eficiente através de sistemas automatizados que levantam dados ao longo da lavoura, considerando a variabilidade da área. Com isso, as plantas recebem água na quantidade, momento e local da lavoura mais adequado.

Quais as vantagens da irrigação de precisão?

As principais são: fornecimento inteligente de água em local, quantidade e momento adequados; economia elétrica, como redução no custo de bombeamento; redução no uso da água de irrigação; aumento da produtividade pelo fornecimento de água em estádios críticos da cultura; lucro de cerca de U$ 87 dólares/hectare, equivalente a mais de R$ 448.

Quais tecnologias podem ser utilizadas na irrigação de precisão?

Algumas delas são, em superfície, rega por aspersão, gotejamento superficial e gotejamento enterrado.

O que é o Plano ABC e como ele impacta na sua produção agrícola

Plano ABC: entenda a importância dessa política pública para o agronegócio e saiba como se beneficiar do programa e sua nova versão, o ABC+

O Plano ABC (Agricultura de Baixa Emissão de Carbono), lançado em 2012, é uma das principais políticas públicas voltadas para o agronegócio no Brasil.

Ele possui uma linha de crédito, o Programa ABC. Através dela, você consegue financiamento para a adoção de tecnologias sustentáveis na fazenda.

Até o final de 2021, o Plano ABC será atualizado com o ABC+. A atualização trará novas tecnologias e orientações para o avanço da agricultura de baixa emissão de carbono no país.

Saiba neste artigo o que é o Plano ABC, como ele impacta na sua produção agrícola e o que fazer para ter acesso ao crédito do programa. Boa leitura!

O que é o Plano ABC e qual sua importância para o agronegócio

No Brasil, a principal política pública voltada ao agronegócio para reduzir as emissões de gás carbônico é o Plano ABC. 

Ele foi criado em 2009, após o país assumir o compromisso de reduzir as emissões de gases de efeito estufa.

O relatório mais recente sobre o tema (de 2019) aponta que o Brasil lança na atmosfera 2,17 bilhões de toneladas de dióxido de carbono. Deste total, 72% dessas toneladas vêm de atividades agrícolas.

Somente entre julho e dezembro de 2020, o programa financiou R$ 1,958 bilhão. Isso elevou para mais de 750 mil hectares as áreas rurais do país com tecnologias sustentáveis.

É grande a pressão internacional sobre o Brasil para a redução de emissão de carbono. O Plano ABC é o principal aliado do agro neste sentido.

O Plano ABC já fez com que mais de 50 milhões de hectares em todo o país adotassem as tecnologias propostas por ele.

Em comparação com o mesmo período de 2019, o aumento é de 47%

Destaque no Plano Safra 2021/2022

Os financiamentos se dão por meio do Programa ABC, linha de crédito do Plano ABC aprovada pela Resolução Bacen nº 3.896 de 17/08/10.

O programa teve aumento de 101% no volume de recursos do Plano Safra 2021/2022, em relação ao Plano Safra anterior.

São R$ 5,05 bilhões em recursos, com taxa de juros de 5,5% e 7% ao ano. A carência é de até 8 anos e o prazo máximo de pagamento é de 12 anos.

Além do Programa ABC, o Mapa (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento) fortaleceu o Proirriga (projetos de irrigação) e o Inovagro (de inovação e tecnologia).

Infográfico que mostra que dados demonstram que governo deu prioridade ao programa ABC no Plano Safra.

Dados mostram que governo deu prioridade ao Programa ABC no Plano Safra
(Fonte: Mapa)

>> Leia mais: “Saiba como será o Plano Safra 2022/23”

Como se beneficiar do Programa ABC

O Programa ABC está disponível para produtores rurais (pessoa física e jurídica) e cooperativas. No total, são nove projetos dentro do Programa ABC: 

  1. ABC Recuperação (recuperação de pastagens degradadas);
  2. ABC Orgânico (para sistemas orgânicos de produção agropecuária);
  3. ABC Plantio Direto (de sistemas de plantio direto na palha);
  4. ABC Integração (sobre sistemas de integração lavoura-pecuária, lavoura-floresta, pecuária-floresta ou lavoura-pecuária-floresta e de sistemas agroflorestais);
  5. ABC Florestas (implantação, manutenção e melhoramento do manejo de florestas comerciais);
  6. ABC Ambiental (adequação ou regularização das propriedades rurais frente à legislação ambiental);
  7. ABC Tratamento de dejetos (implantação, melhoramento e manutenção de sistemas de tratamento de dejetos e resíduos da produção animal, para geração de energia e compostagem);
  8. ABC Dendê (implantação, melhoramento e manutenção de áreas de dendezais degradadas);
  9. e ABC Fixação (para fixação biológica do nitrogênio).

Segundo o Mapa, a quantidade de recursos para financiar a agricultura sustentável no país é de mais de R$ 20,8 bilhões.

Parte desses recursos possibilitaram que 26,8 milhões de hectares de pastagens degradadas fossem recuperadas.

Integração lavoura-pecuária-floresta, um dos programas do Plano ABC. Imagem mostra seis bois no meio do pasto, com uma floresta atrás.

Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (iLPF), um dos programas do Plano ABC 
(Fonte: Embrapa/Divulgação)

Financiamentos e prazos

Pelas regras do Banco Central, o Programa ABC financia até R$ 5 milhões por pessoa, por ano agrícola. Também financia R$ 150 milhões de forma coletiva, observando o limite individual. 

O limite individual também é considerado no caso de financiamentos a cooperativas que farão repasse aos cooperados.

O limite poderá ser excedido somente quando a atividade em questão necessitar. Além disso, deve ficar comprovada a capacidade de pagamento da pessoa que acessou o crédito.

Prazos

Os prazos do Programa ABC variam de acordo com o projeto. São 8 anos de carência e até 12 anos para concluir o pagamento dos seguintes projetos:

  • Implantação e manutenção de florestas comerciais e para produção de carvão vegetal;
  • Implantação e manutenção de florestas de dendezeiro, açaí, cacau, oliveiras e nogueiras;
  • Recomposição e manutenção de áreas de preservação permanente ou de reserva legal.

Os demais projetos têm carência de até 5 anos e prazo máximo de pagamento de 10 anos.

O seguro é obrigatório para bens oferecidos em garantia da operação.

ABC+: renovação para reduzir a emissão de carbono

Até o final de 2021, o Mapa pretende lançar o ABC+. O objetivo é fortalecer a política de redução de carbono.

O ABC+ deve ser executado até 2030. Também até o final do ano, o Mapa deve lançar o Plano Operativo do ABC+. 

O plano contém informações detalhadas e complementares, relacionadas às ações e metas quantitativas necessárias à operacionalização do ABC+.

No novo ciclo (2020-2030), o Mapa pretende fortalecer a governança institucional com monitoramento e avaliação da gestão integrada de dados e acesso às ações adotadas. Isso  favorece a transparência.

“Ao promover conjuntamente ações miradas à adaptação e mitigação no setor, o ABC+ mantém-se como uma das mais importantes políticas públicas para o enfrentamento da mudança do clima, dentro do contexto de desenvolvimento sustentável”, afirma o Mapa.

banner que convida o leitor para baixar um informativo, de diagnóstico de gestão 360º da propriedade rural

Conclusão

O Plano ABC deve servir como instrumento de ações integradas dos governos federal, estadual e municipal, setor produtivo e sociedade civil.

Só assim, será possível promover a redução das emissões dos gases de efeito estufa provenientes das atividades agropecuárias.

Ao mesmo tempo, ele é uma ótima oportunidade para, por meio do Programa ABC, você modernizar sua fazenda e torná-la mais tecnológica, sustentável e lucrativa.

>> Leia mais:

“Agricultura de baixo carbono: o que é e como fazer?”

“Como vai funcionar o bureau verde do crédito rural e como ele pode impactar os financiamentos”

“Saiba o que é sequestro de carbono na agricultura e como se beneficiar dele”

Você já conhecia o Plano ABC? Já fez algum financiamento com ele? Adoraria ler o seu comentário!

O que são bioinsumos e como eles podem ajudar a reduzir custos

Bioinsumos: o que são, vantagens e desvantagens, cuidados que devem ser tomados e como consultar produtos registrados.

Não é de hoje que os bioinsumos são utilizados na agricultura. 

Nas lavouras, atuam no controle de pragas e doenças. Também agem na fertilidade do solo, como promotores de crescimento e na fixação biológica de nitrogênio.

Eles são utilizados nos diferentes setores do agro e podem reduzir muito os seus custos de produção.

Neste artigo, você verá como os insumos biológicos podem ser seus aliados, e como consultá-los com ajuda de uma ferramenta. Confira!

O que são os bioinsumos?

Os bioinsumos são uma classe de produtos de origem biológica: animal, vegetal ou microbiana.

Dentre os produtos biológicos, há: 

●   biofertilizantes;

●   bioacaricidas;

●   bioinseticidas;

●   biofungicidas;

●   produtos fitoterápicos;

●   inoculantes.

Os produtos biológicos são eficientes. Eles contribuem para que o sistema de produção se aproxime do modelo sustentável.

Esses produtos podem ser utilizados:

  • na produção;
  • no armazenamento;
  • no beneficiamento de produtos agropecuários;
  • nos sistemas de produção aquáticos;
  • nas florestas plantadas.

Quando comparados aos defensivos e fertilizantes químicos, a disponibilidade de produtos biológicos no mercado ainda é pequena.

Em 2020, o Mapa (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento) lançou o Programa Nacional de Bioinsumos.

O programa tem o intuito de fortalecer o setor e consolidar o uso de defensivos biológicos no país.

Onde os insumos biológicos são utilizados?

É possível usar os bioinsumos na produção vegetal e animal, na pós-colheita e no processamento. 

Confira a seguir como esses insumos são aplicados em cada setor.

Produção vegetal

Na produção vegetal, os bioinsumos são usados no controle de pragas e doenças. Alguns exemplos são os feromônios de insetos, os bioacaricidas e os biofungicidas.

Os bioinsumos também são empregados na manutenção e no incremento da fertilidade do solo e nutrição das plantas

Dentre os produtos usados para essa finalidade, há os biofertilizantes e os inoculantes para soja, milho e feijão.

No Brasil, pesquisas com inoculantes são desenvolvidas há mais de 100 anos. Hoje, o país é reconhecido internacionalmente por liderar as pesquisas com esses bioinsumos.   

Modelo de armadilha de feromônio com mariposas capturadas

Modelo de armadilha de feromônio com mariposas capturadas
(Fonte: Embrapa)

Produção animal

Na produção animal, os bioinsumos são utilizados na forma de vacinas, medicamentos, antissépticos e produtos fitoterápicos.

Na alimentação animal, são fornecidos como rações, suplementos e probióticos. Na produção aquícola, são empregados na alimentação e no tratamento de doenças.

Pós-colheita e processamento

Os bioinsumos atuam na conservação e acondicionamento dos alimentos:

  • na pós-colheita de produtos de origem vegetal;
  • no processamento de produtos de origem animal e vegetal.

Revestimentos e filmes comestíveis, aplicados sobre a superfície de frutas e hortaliças, são alguns exemplos.

O objetivo é aumentar a vida útil do produto e diminuir as perdas pós-colheita, garantindo qualidade e segurança alimentar. Além disso, contribui para a redução de impactos ambientais.

Filme comestível desenvolvido a partir da polpa de manga

Filme comestível desenvolvido a partir da polpa de manga
(Fonte: Embrapa)

Vantagens dos bioinsumos

As vantagens do uso de produtos de origem biológica são:

● redução no uso de produtos químicos, como os inseticidas e os adubos nitrogenados;

menor impacto ambiental;

● maior segurança operacional, em função da baixa toxicidade dos produtos;

● redução dos custos de produção. Um exemplo é a inoculação da soja com bactérias fixadoras de nitrogênio. Nesse caso, os inoculantes substituem a adubação nitrogenada a um custo até 95% menor quando comparado à adubação convencional;

● redução da dependência do setor pela importação de insumos químicos.

Desvantagens

Os bioinsumos possuem menor prazo de validade quando comparados aos produtos químicos. Além disso, exigem maiores cuidados no transporte e armazenamento

Por exemplo, no caso dos inoculantes, a exposição ao sol e a altas temperaturas pode provocar a morte dos microrganismos.

Cuidados no uso de produtos biológicos

Apesar de garantir maior sustentabilidade da atividade, a utilização dos produtos biológicos deve ser feita com cuidado.

Ao utilizar esses produtos, lembre-se de:

●  utilizar produtos com registro no Mapa;

●  verificar o prazo de validade dos produtos;

●  aplicar, manipular, transportar e armazenar os produtos de acordo com as            recomendações do fabricante;

●  seguir as instruções da bula do produto quanto às dosagens;

●  no caso da pulverização em lavouras, respeitar as condições climáticas para aplicação dos produtos;

●  no caso do uso de inoculantes, fazer a semeadura no mesmo dia da inoculação.

Aplicativo Bioinsumos

O acesso à lista de produtos biológicos registrados pelo Mapa pode ser feito de forma rápida.

No aplicativo Bioinsumos, os produtos são divididos em duas classes: controle de pragas e inoculantes

Estão cadastrados 265 produtos para controle biológico de pragas e doenças e 321 produtos inoculantes.

Os produtos biológicos são registrados por alvo e os agroquímicos são registrados por cultura. Dessa forma, os bioinsumos podem ser utilizados em qualquer cultura em que ocorra a praga ou doença. 

Pelo aplicativo, é possível acessar informações sobre a praga ou doença. Além disso, você tem acesso a dados sobre a empresa responsável pelo bioinsumo, o número do registro no Mapa e a bula do produto. 

Ao utilizar os produtos biológicos registrados pelo Mapa, você tem a garantia de estar utilizando um produto com procedência conhecida, seguro e legal.

captura de tela do aplicativo Bioinsumos: consulta aos produtos biológicos registrados para o controle de pragas e doenças que podem ser utilizados em qualquer cultura

Aplicativo Bioinsumos: consulta aos produtos biológicos registrados para o controle de pragas e doenças que podem ser utilizados em qualquer cultura
(Fonte: aplicativo Bioinsumos)

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Conclusão

Os bioinsumos contribuem para o desenvolvimento das plantas, controlam pragas e doenças, favorecem a fertilidade do solo e a nutrição de plantas.

Para garantir a eficiência dos bioinsumos, não se esqueça de utilizar produtos com registro no Mapa e verificar se o produto se encontra dentro do prazo de validade. 

Seguir as recomendações do fabricante quanto à dosagem, modo de aplicação, manuseio, transporte e armazenamento dos produtos também é fundamental. 

Preste atenção em todos os detalhes para garantir um bom resultado. 

>> Leia mais:

“Como o inoculante BiomaPhos contribui para o aumento da produtividade

Você já conhecia os bioinsumos? Quais produtos têm sido utilizados na sua propriedade? Conte sua experiência nos comentários.

Tudo o que você precisa saber sobre dormência em sementes

Dormência em sementes:  o que é, quando ocorre, tipos, causas e as interferências na agricultura

Na maioria das espécies, as sementes são responsáveis pela propagação das plantas.

Para poderem germinar, emergir e produzir, são necessários estímulos do ambiente. Sem eles, a produção fica comprometida.

Entretanto, algumas sementes apresentam bloqueios internos e/ou externos que impedem a germinação. Esse problema é conhecido como dormência.

Quer saber mais sobre a dormência em sementes e como ela interfere na produção agrícola? Confira a seguir!

O que é dormência em sementes?

Após a maturação, se as condições de água, temperatura, oxigênio e luz forem favoráveis, as sementes iniciam o processo de germinação.

Entretanto, há espécies que mesmo em locais com condições favoráveis não germinam. São exemplos:

  • alguns cereais (aveia, cevada);
  • frutíferas;
  • arbóreas;
  • hortaliças;
  • forrageiras;
  • ornamentais, entre outras. 

Isso ocorre por causa de mecanismos de resistência que as sementes adquirem na maturação ou após ela. Esses mecanismos são induzidos por ações do ambiente.

Tipos de dormência

Há dois tipos de dormência em sementes:

  • dormência primária: se os mecanismos de bloqueio da germinação forem adquiridos durante o processo de maturidade das sementes;
  • dormência secundária: caso a dormência seja imposta após a dispersão das sementes, devido a condições ambientais desfavoráveis.

Sementes dormentes após a dispersão irão germinar ao longo do tempo. Elas apresentarão maior longevidade e resistência a condições desfavoráveis do ambiente. 

infográfico da dormência e longevidade da semente

Dormência e longevidade da semente
(Fonte: Revistaneoo)

A dormência é uma proteção.  

A semente só irá germinar quando os mecanismos de bloqueio forem removidos ou desativados naturalmente, e as condições ambientais forem ideais para aquela espécie.

Interferência da dormência na produção agrícola 

A dormência é favorável por evitar germinação da semente quando ainda está ligada à planta-mãe. Além disso, as sementes se conservam por longos períodos. Bancos de sementes e armazenagem são ideais.

Entretanto, como desvantagem, a superação natural da dormência pode ser longa. Pode levar meses ou anos, o que dificulta a avaliação da qualidade das sementes colhidas.

Muitas plantas daninhas apresentam esses mecanismos para que haja perpetuação da espécie. Como consequência, seu controle é dificultado.

A germinação de sementes dormentes é desuniforme e lenta. Isso reduz a germinação em campo, e é necessário realizar tratamento para a quebra da dormência.

Germinação desuniforme de Brachiaria devido a dormência

Germinação desuniforme de Brachiaria devido a dormência
(Fonte: Conceito Agronômico)

Como ocorre a dormência nas sementes?

A dormência pode ser primária ou secundária. As causas desses dois tipos de dormência podem ser endógenas e exógenas

Endógena

As causas endógenas da dormência também são denominadas embrionárias, pois são associadas ao embrião das sementes.

A dormência endógena pode ser subdivida em fisiológica, morfológica ou morfofisiológica.

Fisiológica 

Ocorre devido à presença de substâncias inibidoras da germinação ou falta de substâncias promotoras presentes no embrião ou endosperma. Há aí um desbalanço hormonal.

Também pode ocorrer devido à restrição no desenvolvimento do embrião, causada pelos tecidos que o envolvem.

Morfológica 

Ocorre quando as sementes são dispersas da planta-mãe, mas o embrião não está totalmente desenvolvido.

Essa dormência é perdida com o tempo. Por isso, as sementes colhidas precisam de um período para que o embrião fique pronto para ocorrer a germinação.

Morfofisiológica 

Essa é a combinação da causa fisiológica e morfológica.

Exógena 

As causas exógenas são ligadas ao impedimento físico da germinação, que começa com a protrusão da raiz primária.

Esses impedimentos são causados pelo pericarpo e tegumento das sementes. Eles são subdivididos em dormência química, física e mecânica.

Dormência química 

Ocorre pela presença de inibidores químicos presentes no pericarpo das sementes. Esses compostos impedem a germinação. Essa causa é adquirida quando as sementes ainda estão ligadas à planta-mãe.

Dormência física 

O pericarpo ou o tegumento das sementes impedem a passagem de água e gases para seu interior. Essa obstrução pode ser adquirida na dormência primária ou secundária.

Mecânica  

Ocorre quando as sementes ainda estão ligadas à planta-mãe. A consistência do mesocarpo ou endocarpo impedem o crescimento do embrião.

Principais causas da dormência por espécies

A dormência nas sementes muitas vezes é uma associação das causas apresentadas acima. Algumas causas são mais encontradas com maior frequência nas espécies de importância agrícola.

A impermeabilidade a trocas gasosas pelo tegumento impede a entrada de oxigênio no interior das sementes. Sem a entrada de oxigênio e saída de gás carbônico, as sementes não conseguem germinar. São afetados:

  • alface;
  • trigo;
  • maçã;
  • beterraba;
  • abóbora;
  • cevada;
  • e arroz.

Na dormência do embrião, as sementes são formadas de modo desuniforme. 

Algumas sementes, após se desprenderem da planta-mãe, apresentam o embrião em desenvolvimento, necessitando de um período para poderem germinar. São afetados:

A resistência mecânica da cobertura é ligada à causa de dormência mecânica. Alguns componentes da semente, como pericarpo, tegumento e endosperma, são barreiras que impedem o crescimento do embrião. Pode ocorrer em:

  • pepino;
  • pimenta;
  • tabaco;
  • tomate.

As sementes que não conseguem absorver água são conhecidas como sementes duras. Impermeabilidade do tegumento a água é uma das causas mais comuns em espécies cultivadas, como:

Substâncias inibidoras, como o ácido abscísico, podem estar presentes nos componentes internos ou externos das sementes. A semente só irá germinar quando houver um balanço hormonal adequado entre os inibidores e promotores da germinação.

São afetados:

O que fazer para superar a dormência em sementes?

Para evitar falhas de estande pela ocorrência de germinação desuniforme, é necessário realizar, em alguns casos, a superação da dormência.

Cada causa tem um ou mais tratamentos para remover os mecanismos que provocam dormência. Veja abaixo os principais tratamentos:

infográfico com tratamentos para superação das diferentes causa de dormência sendo choque de temperatura, embebição em água, exposição a ácidos, desgaste em local áspero, utilização de hormônios vegetais e imersão em água quente

Tratamentos para superação das diferentes causa de dormência
(Fonte: G1)

Armazenamento

Para sementes que apresentam dormência devido ao embrião imaturo ou alta concentração de inibidores da germinação, o armazenamento é o método para superar este bloqueio.

Com alguns meses de armazenamento, o embrião completa seu desenvolvimento. A  concentração de inibidores da germinação pode diminuir, aumentando a presença dos hormônios promotores da germinação.

O uso de giberelinas em algumas sementes têm demonstrado aumento da germinação, causado pela superação da dormência.  

Escarificação química

A escarificação química com uso de ácidos é utilizada nas sementes em que a dormência é causada pela impermeabilidade à água, gases ou inibidores químicos. Esses ácidos permitem que as sementes realizem as trocas.

Sementes de Brachiaria antes e depois da escarificação química

Sementes de Brachiaria antes e depois da escarificação química
(Fonte: Matsuda)

Uso de água quente

O uso de calor pode ser eficiente para superar a dormência, principalmente as causadas por ação de inibidores. O uso de água quente é uma boa opção.

Escarificação mecânica

Em sementes que apresentam impedimento na entrada de água, é necessário realizar a escarificação mecânica.

Esse tratamento consiste em remover parte do tegumento para que a água possa entrar. Assim, a semente ativa o metabolismo e germina.

foto de escarificação mecânica com uso de lixa

Escarificação mecânica com uso de lixa
(Fonte: Horta em casa)

Na Regra para Análise de Sementes, você encontra as espécies botânicas e os principais tratamentos recomendados para superar a dormência.

Conclusão

A dormência nas sementes é algo complexo. É muito influenciada pelo clima, durante a maturação.

O bloqueio da germinação pode ocorrer devido a uma ou mais causas de dormência. Essas causas impedem a germinação adequada das sementes.

A dormência é algo natural. O melhoramento genético retirou esse mecanismo de proteção de algumas espécies de importância econômica.

Além disso, existem diversos tratamentos para superação de dormência. Para realizá-los corretamente, é necessário saber qual dormência sua semente apresenta.

>> Leia mais:

Tratamento de sementes na fazenda ou industrial? Faça a melhor escolha!

Tratamento de sementes de trigo na fazenda: Confira as melhores práticas

Tratamento de sementes de soja ainda melhor: Todas as orientações

Restou alguma dúvida sobre a dormência em sementes? Você já teve de realizar algum tratamento para superá-la? Adoraria ler seu comentário abaixo!