Principais sintomas da brusone no arroz e como controlá-la na lavoura

Brusone no arroz: entenda o ciclo da doença, prejuízos que ela pode causar e como fazer o manejo adequado 

A brusone é considerada a principal doença da cultura do arroz, impactando a produção de forma qualitativa e quantitativa.

A lavoura afetada pode ser totalmente comprometida, com perdas de 100%.

Mas como identificar os primeiros sinais da doença no campo? E quando a aplicação de fungicidas deve ser efetuada para um controle efetivo?

Neste artigo, separamos as informações para que você precisa saber para evitar e controlar a brusone no arroz. Confira!

Importância da brusone no arroz

A brusone no arroz é causada pelo fungo Magnaporthe oryzae, sendo considerada a doença mais importante para a cultura em várias partes do mundo. No Brasil, sua distribuição é bastante ampla, sendo encontrada do sul até o norte do país.

A doença é um fator limitante para a produtividade do arroz. Se ocorrer na fase vegetativa (nas folhas), causa redução na altura da planta, no número de perfilhos, no número e na qualidade de grãos.

Além disso, dependendo das condições locais da área, pode ocasionar até 100% de perdas da produção.

Principais sintomas da brusone

A brusone pode ocorrer nas plantas de arroz desde o início do desenvolvimento até a produção de grãos, podendo causar sintomas nas folhas, colmos, panículas e grão.

Como sintomas típicos nas folhas temos pequenos pontos de coloração castanha que evoluem para manchas elípticas. 

Essas manchas podem aumentar de tamanho no sentido da nervura, tendo o centro cinza e os bordos de coloração marrom, podendo apresentar um halo amarelo.

imagem de brusone em uma folha de planta de arroz

(Fonte: Matzenbacher e Funck em Planeta Arroz)

Esse sintoma leva à redução da área fotossintetizante da planta, provocando queda na produção de grão. Se a infecção ocorrer no início do desenvolvimento da planta, pode levá-la à morte.

Já nos entrenós dos colmos, podemos observar manchas elípticas com centro cinza e bordos de coloração marrom. Essas manchas podem atingir grandes proporções do colmo

Além disso, as lesões podem provocar, na região dos nós (região nodal), uma ruptura do tecido, o que causa a morte dessa parte da planta.

Os sintomas podem ainda ser visualizados nas raques ou ramificações, com manchas de coloração marrom. Os grãos originados de partes infectadas ficam chochos.

Também podem ocorrer manchas marrons nas sementes ou grãos.

brusone no arroz

(Fonte: APS)

Se a brusone ocorrer antes do aparecimento de grãos leitosos, podemos observar panículas esbranquiçadas. Esse é um sintoma facilmente identificável no campo.

Mas, se a infecção ocorrer mais tardiamente, pode ocorrer redução no peso dos grãos e quebra da panícula, o que é chamado de “pescoço quebrado”.

O patógeno também pode infectar a semente e ser transmitido internamente, podendo causar sintoma nas plântulas. 

Ciclo da brusone no arroz

O fungo causador da brusone é disseminado por conídio, normalmente, levado pelo vento. Isso é um fator importante para a infecção de novas plantas dentro da mesma lavoura e para lavouras de arroz próximas de uma área infectada.

São condições ideais para seu desenvolvimento temperaturas entre 20℃ e 25℃, com água livre nas folhas (molhamento).

Outro ponto importante do ciclo da doença é que o fungo pode sobreviver em restos culturais, sementes e em plantas de arroz que permaneçam no campo.

A brusone pode ocorrer desde a fase de plântula até a maturação da cultura do arroz, em todos os estádios de desenvolvimento da planta. Mas, a fase de enchimento dos grãos é a mais suscetível à doença.

A severidade da brusone aumenta quando há desequilíbrio nutricional das plantas, principalmente de doses excessivas de nitrogênio.

A brusone pode ocorrer também em outras gramíneas, principalmente trigo e gramados.

Agora que já conhecemos a doença, veja como controlar a doença.

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Controle da brusone do arroz

Quando pensamos em qualquer manejo para as doenças de plantas cultivadas devemos pensar em um manejo integrado, ou seja, que compreenda várias medidas de controle.

Por isso, para te ajudar a reduzir os prejuízos com a brusone do arroz e realizar esse manejo integrado, veja algumas medidas recomendadas:

Uso de variedades resistentes ou moderadamente resistentes

Em sistema irrigado, deve-se utilizar variedades com bom nível de resistência e manter uma lamina de água sobre o solo durante todo o ciclo. Isso pode reduzir o risco da doença.

Já no sistema de sequeiro, pode ocorrer deficiência hídrica, o que torna as plantas mais suscetíveis à brusone. Por isso, é importante a escolha das variedades corretas para cada sistema de cultivo e local.

Atenção às práticas culturais

A aração mais profunda permite o enraizamento mais aprofundado das plantas, reduzindo o efeito de estresse hídrico.

Também deve-se utilizar sementes sadias e certificadas, livres do patógeno.

O excesso de nitrogênio pode aumentar a suscetibilidade da doença, mas a deficiência também pode predispor a planta à brusone. Por isso, é necessário realizar uma adubação nitrogenada balanceada.

Outros pontos que devem ser considerados são a densidade e espaçamento de plantio. Alta densidade de plantas e menor espaçamento podem favorecer o estresse hídrico e a doença na cultura do arroz.

Uso de fungicidas 

Os fungicidas podem ser utilizados no tratamento de sementes (carboxina + tiran) e para pulverização na parte aérea das plantas de modo preventivo.

Efeito do tratamento de sementes de arroz para o controle de brusone. Tratamento químico com 3 fungicidas diferentes (A, B e C) e parcela sem tratamento (figura D).

Efeito do tratamento de sementes de arroz para o controle de brusone. Tratamento químico com 3 fungicidas diferentes (A, B e C) e parcela sem tratamento (figura D)
(Fonte: Lobo)

Caso a lavoura apresente algum sintoma da doença na fase vegetativa, a aplicação de fungicida deve ser realizada imediatamente. 

A proteção das plantas com aplicação de fungicida deve ser realizada quando se utiliza variedades suscetíveis ou moderadamente suscetíveis.

No Agrofit existem 78 produtos comerciais registrados para brusone no arroz.

Lembrando que, caso precise utilizar mais de uma aplicação de fungicida, utilize produtos com modo de ação diferente para reduzir a probabilidade de resistência do fungo.

Para o manejo integrado e para tomar a decisão no momento correto, é necessário que a lavoura seja constantemente monitorada para a diagnose correta.

E, para te auxiliar com o manejo dessa doença, você pode consultar um(a) engenheiro(a) agrônomo(a) para as recomendações.

Conclusão 

A brusone é considerada a doença mais importante do arroz e pode causar grandes prejuízos na lavoura.

Nesse artigo você conheceu os principais sintomas, ciclo da doença e como fazer um controle mais efetivo.

Agora que você tem essas informações, realize o manejo integrado para o controle da doença e proteja sua lavoura!

>> Leia mais:

Dicas para a plantação de arroz: colheita e pós-colheita

Você já teve problemas com brusone no arroz? Como realiza o manejo dessa doença? Adoraria ver seu comentário abaixo!

O que são fungicida sistêmico e de contato e qual utilizar?

Fungicida sistêmico: confira quais as diferenças entre os principais grupos de fungicidas, sua ação e em qual situação cada um deve ser utilizado 

Você sabia que há mais de 2.000 anos já se usavam produtos naturais como fungicidas!? Pois é! Os fungos já dão dor de cabeça ao produtor há muito tempo!

Mas, nesse tempo todo, fungicidas foram evoluindo – e os problemas com fungos também. Desde o uso da calda bordalesa, lá em 1.885, até o surgimento dos primeiros fungicidas sistêmicos no pós-guerra, muita coisa mudou.

Existem fungicidas sistêmicos, de contato, protetores, curativos e por aí vai. Mas será que são todos a mesma coisa e podem ser aplicados para as mesmas doenças?

Separei algumas dicas sobre fungicidas sistêmicos e fungicidas de contato, sobre como eles agem e em que situação devem ser aplicados. Acompanhe!

Como são classificados os fungicidas?

Antes de entrarmos no assunto de fungicidas sistêmicos e de contato, é preciso entender melhor a classificação dos fungicidas para evitar confusão nos nomes e entender por que é melhor utilizar determinado fungicida.

A divisão entre fungicidas sistêmicos e fungicidas de contato é relativa à mobilidade deles na planta. Os sistêmicos são considerados móveis. Já os de contato, imóveis.

Mas os fungicidas também podem ser classificados pelo seu princípio de controle, alvo biológico e modo de ação. Como veremos a seguir, a mobilidade pode interferir nesses outros aspectos. 

Princípio de controle

Essa classificação diz respeito a como o fungicida atua na planta. Nesse sentido, eles podem ser:

  • Protetores: são fungicidas que impedem a penetração do fungo na planta;
  • Curativos: atuam após a penetração do fungo, ou seja, após a infecção ter ocorrido, mas com sintomas ainda não visíveis;
  • Erradicantes: quando já existem sintomas os fungicidas erradicantes seriam os mais indicados, eliminado o inóculo culo (na lesão, nas sementes ou no solo).
infográfico com princípios de controle de fungicidas e fases da infecção por fungos - fungicida sistêmico

Princípios de controle de fungicidas e fases da infecção por fungos
(Fonte: Menten & Banzato, 2016)

Espectro ou alvo biológico

Nesse caso, os fungicidas podem ser uni-sítio (sítio específico) ou multissítio. Em outras palavras, os fungicidas podem atuar em um único ponto ou em vários pontos da via metabólica dos fungos.

Modo de ação

O modo de ação dos fungicidas refere-se ao processo metabólico do fungo no qual o composto químico irá atuar, por exemplo, respiração celular, síntese de substâncias, inibição de enzimas, etc.

Nesse caso, o modo de ação dos fungicidas e os respectivos grupos químicos podem ser divididos como:

  • alteração em processos do núcleo celular (Benzimidazóis e Acilalanina)
  • alterações nas funções da membrana celular (Triazóis e Morfolinas)
  • inibição da respiração – complexos 3 e 2 (Estrobilurinas e Carboxamidas)
  • alterações nas funções da parede celular (Dimetomorfe)

O que são fungicidas sistêmicos?

Fungicidas sistêmicos são móveis na planta, ou seja, eles são absorvidos no local de aplicação, mas podem ser translocados pela planta. 

A absorção se dá pelas raízes ou através da cutícula da planta, quando aplicado via foliar. Sua translocação acontece pelos vasos condutores da planta,  preferencialmente via xilema, mas alguns se movem pelo floema. 

Fungicidas sistêmicos têm grande capacidade de penetração e translocação e podem ser  imunizantes, protetivos, curativos ou erradicantes. Ou seja, têm uma amplitude maior de usos em relação aos de contato.

Contudo, a eficácia depende da aplicação no início da infecção ou de forma preventiva. Aplicações tardias têm pouca efetividade.

Os principais fungicidas sistêmicos são os benzimidazóis, carboxamidas, triazois, imidazóis, morfolinas e algumas estrobilurinas. Porém, existem diferentes graus de mobilidade/sistemicidade dentro dos fungicidas sistêmicos, como ilustram as imagens abaixo para triazóis e estrobilurinas.

gráfico com mobilidade e sistemicidade de fungicidas do grupo químico dos triazóis

Mobilidade e sistemicidade de fungicidas do grupo químico dos triazóis 
(Fonte: Menten & Banzato, 2016)

tabela com mobilidade e sistemicidade de fungicidas do grupo químico das estrobilurinas

Mobilidade e sistemicidade de fungicidas do grupo químico das estrobilurinas  
(Fonte: Menten & Banzato, 2016)

Vantagens e desvantagens do uso de fungicidas sistêmicos

Os  fungicidas sistêmicos geralmente são usados em doses menores e em menor número de aplicações se comparados aos fungicidas de contato. 

Por serem móveis, apresentam baixa fitotoxicidade. Eles também têm alta especificidade, atuando sobre patógenos específicos, causando menos desequilíbrio no sistema e menor contaminação ambiental. 

Contudo, os sistêmicos são mais caros e podem causar aparecimento de resistência no patógeno se usados indiscriminadamente e fora das recomendações. 

Vale destacar que isso pode ser evitado seguindo as recomendações e alternando entre grupos químicos distintos e fungicidas de contato. 

O que são fungicidas de contato?

Os fungicidas de contato não penetram na planta, são apenas adsorvidos e permanecem no local de aplicação. Desse modo, a maioria (mas nem todos) desses compostos não tem ação sobre os tecidos que crescem após a aplicação.

Por essa razão, esses fungicidas podem ser lavados pela chuva, por exemplo, têm ação restrita à proteção e devem ser aplicados de forma preventiva, antes da germinação de esporos e penetração dos fungos. Após a infecção esses produtos não terão efeito. 

Os principais fungicidas de contato são os cúpricos, sulfurados, ditiocarbamatos (Mancozeb) e isoftalonitrila (Clorotalonil). Eles têm amplo espectro de ação, tendo atividade em multi-sítios. Dada a sua baixa especificidade, esses produtos podem causar toxicidade na planta, mas tem menor probabilidade de gerar resistência nos patógenos.

Qual fungicida utilizar?

Dependendo da cultura que se está trabalhando, os fungicidas disponíveis, bem como o manejo para aplicação, será distinto, seguindo as especificidades de cada cultura e suas doenças.

De qualquer maneira, todo manejo de fungicidas deve ser integrado e seguindo as recomendações para evitar problemas de ineficácia e resistência de patógenos.

Assim como no manejo de defensivos agrícolas, as doses recomendadas e a frequência de aplicação dos fungicidas devem ser respeitadas.

Além disso, é importante o uso de diferentes grupos químicos e mecanismos de ação diferentes, bem como mesclar no manejo os fungicidas sistêmicos e os de contato.

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Conclusão

Como pudemos conferir ao longo do texto, os fungicidas sistêmicos e de contato são assim classificados dada a sua mobilidade na planta, mas existem outras classificações também

Os fungicidas sistêmicos são absorvidos, translocam na planta e apresentam alta especificidade. Eles têm princípios de controle mais amplos, podendo ser aplicados logo após a infecção. Contudo, seu uso indiscriminado pode gerar resistência nos fungos. 

Por outro lado, os fungicidas de contato ficam na superfície em que foram aplicados. Por essa razão, têm apenas ação de proteção e devem ser aplicados de maneira preventiva para que tenham eficácia. 

O manejo correto deve usar os dois tipos de fungicidas, respeitando as doses e frequência de aplicação recomendadas conforme a cultura. Com isso, tem-se um controle mais efetivo e reduz-se a probabilidade de induzir resistência nos fungos.

>> Leia mais:

“Biofungicidas: quando vale a pena usá-los para o controle de doenças na lavoura?”

Restou alguma dúvida sobre fungicida sistêmico e de contato? Adoraria ler seu comentário!

Como ter um controle de estoque rural mais eficiente

Controle de estoque rural: otimize o armazenamento de produtos na fazenda com ajuda de um sistema inteligente

Ninguém quer correr o risco de atrasar uma aplicação porque a revenda está com o defensivo esgotado.  Pior ainda seria adiar a semeadura ou colheita porque falta uma peça do trator.

Para evitar esses problemas no decorrer da safra, toda empresa rural mantém produtos em estoque.  Mas um controle eficiente de itens estocados pode ter maior impacto sobre os seus resultados do que você imagina.

Neste artigo, mostramos a você por que vale a pena manter a organização do estoque em dia com um sistema inteligente. Confira a seguir!

Conheça benefícios do controle de estoque rural

Acompanhar a movimentação de mercadorias na sua fazenda usando uma agenda, ou até mesmo planilhas, pode ser bastante trabalhoso.

É preciso registrar a data de entrada ou saída do produto, sua quantidade, valor, fornecedor, etc. Com o tempo, as suas anotações tendem a ficar desatualizadas e não condizentes com a realidade. 

E sem saber a situação real do seu estoque, é fácil de errar a mão na compra. Comprar de menos e acabar sem o produto necessário, ou comprar demais e desperdiçar dinheiro.

Por isso que um controle de estoque rural eficiente perpassa pelo uso de uma ferramenta inteligente. A seguir, conheça os principais benefícios de realizar um controle sistematizado do seu estoque.

Minimize o capital imobilizado

Sim, é importante ter peças e produtos guardados para evitar que faltem num momento crítico. Porém, o estoque é capital imobilizado. Em outras palavras, é dinheiro parado que poderia ser investido de outras formas para aumentar os seus ganhos.

Saber exatamente qual é a quantidade mínima que você deve ter estocada de cada item maximiza o uso do capital, sem afetar a produtividade da lavoura. 

Esse é um conhecimento que só se obtém analisando com cuidado o histórico de itens usados nas últimas safras. Para isso, você precisa ter um controle cuidadoso do seu estoque.

Consulte o estoque com rapidez

Você sabe dizer quais produtos tem em estoque? E qual é a quantidade disponível de cada item? Se, para responder essa pergunta, você precisa ir ao local de armazenamento ou mesmo pegar o caderno e as notas fiscais e fazer somas e subtrações, está perdendo tempo.

Com um sistema automatizado de controle de estoque rural, você tem essas informações todas com poucos cliques e sem erros.

Acessar os dados de estoque rapidamente também permite que você tome decisões com agilidade quando está longe da fazenda, em uma visita à revendedora de insumos, por exemplo.

Compre mais barato

Em uma baixa repentina no dólar, comprar um produto importado pode ser um investimento muito interessante, mesmo que com bastante antecedência. Assim como promoções ou expectativa de aumento no custo de um produto podem fazer com que valha a pena estocar.

Um controle de estoque detalhado possibilita que você antecipe quanto e quando vai precisar de mais produto. 

Além de ajudar a manter a produtividade alta, sem riscos de atrasar atividades do manejo por falta de peça ou insumo, o controle te ajuda a minimizar os gastos, identificando boas oportunidades de compra.

Calcule custos sem dificuldade

Um proprietário faz três compras de ureia durante a safra: uma de 10 toneladas, custando R$ 1.050 a tonelada, outra de 15 toneladas, custando R$ 1.100 e outra de 25 toneladas, com um custo de R$ 1.250 a tonelada. 

No talhão 1 são usadas 22 toneladas e no talhão 2 são usadas 28 toneladas. Quanto foi o custo da ureia em cada talhão? 

A conta é uma regra de três relativamente simples, mas que, se ampliada para mais talhões e diversos insumos, aumenta muito a chance de erros nos cálculos feitos à mão. 

Um sistema de controle do estoque rural e de custos faz essa conta automaticamente, reduzindo a zero a chance de erro.

Monitore o estoque do fornecedor

Muitos produtores optam por comprar um produto com antecedência e deixá-lo armazenado no fornecedor até o momento do uso.

O grande problema está na retirada fracionada – por exemplo, quando se compra um produto para várias aplicações, em quantidades diferentes, ao longo da safra. 

Nossa memória é pouco confiável e papel e caneta nem sempre estão disponíveis para saber o quanto ainda temos nesse estoque.

Com apoio de um sistema informatizado, fica mais simples de saber o que foi comprado e o que foi retirado do fornecedor. Você garante que uma falha no controle do fornecedor, por má-fé ou desorganização da parte dele, não lhe prejudique.

Sistema inteligente para controle de estoque rural

Como você viu até aqui, um controle de estoque eficiente contribui para o uso mais consciente de insumos e peças. Afinal, o inventário auxilia no planejamento de compras para que não sobre e nem falte produto nas atividades de safra. 

Para desfrutar desses benefícios na sua fazenda, você pode contar com um software agrícola como o Aegro.

Foto de tela do Aegro, com aba de estoque aberto

O Aegro oferece um sistema de controle de estoque completamente integrado à gestão rural.  Ou seja, todas as informações da fazenda ficam centralizadas em um único lugar: estoque, financeiro, caderno de campo, máquinas, comercialização, entre outras. 

Portanto, você tem um rastreamento preciso dos itens estocados no decorrer de todo o ciclo produtivo. Veja como o software torna seu controle mais prático e eficiente!

Integração com o financeiro

Ao lançar uma nota fiscal de produto no seu financeiro, você pode adicionar imediatamente um insumo no estoque.  Desta forma, você evita qualquer retrabalho no cadastro das suas compras.

Outra vantagem da integração entre financeiro e estoque é o registro detalhado de valores retidos em estoque.

Descubra quanto capital você tem imobilizado e verifique até mesmo o preço que você pagou por determinada mercadoria na última compra, para ganhar margem de negociação com o fornecedor.

Tela do Aegro mostrando a aba de estoque, com notificações abertas

Baixa automática no estoque

Os insumos que você adiciona no estoque por meio do financeiro são retirados do inventário a partir das suas atividades de safra. Basta registrar a realização da atividade, sinalizando a quantidade de produto que foi utilizada. 

O Aegro desconta essa quantia do estoque automaticamente e assegura que o seu inventário permaneça atualizado. 

Como resultado, você obtém um controle minucioso de produtos aplicados em cada talhão. Este dado é extremamente útil na hora de analisar a produtividade das áreas em função dos insumos escolhidos.

Histórico de movimentações

Desde a compra até a retirada, você pode acompanhar pelo Aegro todas as movimentações de um item. Este recurso ajuda a monitorar a transferência de insumos do estoque do fornecedor para o seu, bem como transferências internas entre as suas próprias unidades de armazenamento.

Além disso, você pode conferir no sistema qual foi a quantidade de produto retirada do estoque, quem retirou e com que finalidade. É uma ótima forma de auditar, por exemplo, se a peça ou o combustível foram de fato destinados à máquina.

Acesso pelo celular

A listagem de itens em estoque pode ser consultada pelo aplicativo Aegro no seu celular, mesmo que não haja internet.

Assim, você consegue verificar a disponibilidade de um insumo enquanto está na lavoura, sem conexão, e planejar as próximas aplicações. Ainda pelo aplicativo móvel do Aegro, é possível conferir os valores estocados por categoria de produto.

Logo, fica mais fácil de entender o quanto cada tipo de insumo pesa no seu bolso.

Tela do celular com Aegro aberto, onde é possível ver o estoque da fazenda

Custo orçado e realizado

Conforme comentamos anteriormente, um controle de estoque eficiente propicia o planejamento das próximas safras.  Veja a quantidade de produto usada no ano anterior e monte o orçamento com todos os insumos que serão necessários para a produção.

Esta é uma forma de se programar financeiramente para evitar surpresas e compras de última hora. Conforme os gastos da safra se concretizam, você também pode acompanhar como está o custo realizado em relação ao custo orçado inicialmente.

Armazenamento da colheita

Além de fazer o seu controle de estoque com o Aegro, você pode usá-lo para gerenciar o armazenamento da colheita.

Primeiro, cadastre os locais de armazenamento da sua propriedade ou silos de terceiros. Depois registre o envio da produção para o local escolhido.

Também é possível registrar a venda da produção pelo sistema e emitir a Nota Fiscal Eletrônica do Produtor Rural. Estes recursos oferecem um monitoramento detalhado das movimentações das sacas para garantir que cheguem em segurança no seu destino.

Teste grátis do software Aegro

Quer tornar o seu controle de estoque rural mais eficiente com o Aegro? Comece a testar o sistema hoje mesmo na sua fazenda, de graça. É só criar uma conta para utilizar a versão completa do Aegro durante 7 dias, sem compromisso.

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Confira você mesmo como é simples de dar entrada em produtos no estoque e monitorar o seu uso na lavoura. Temos certeza de que, com a ferramenta certa, você vai otimizar custos com insumos e melhorar a rentabilidade da sua safra!

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Conclusão

Um sistema inteligente para controle de estoque rural não só facilita o dia a dia na fazenda como também lhe auxilia a tomar decisões mais lucrativas.

Com processos automáticos de entrada e saída de itens, você mantém o inventário atualizado sem dificuldades e sabe exatamente o que está armazenado na sua propriedade ou no seu fornecedor.

A compra e o uso de insumos passa a ser feita de forma planejada, evitando a sobra de produtos no estoque e até mesmo desvios de materiais.

Acima de tudo, este controle oferece uma visão estratégica sobre a demanda da sua produção agrícola. É possível prever gastos, negociar preços e investir o seu dinheiro onde é mais necessário. 

>>Leia mais:

“Estoque de insumos: como fazer uma gestão eficiente?”

“Saiba aproveitar ao máximo os programas de pontos do produtor rural”

Como você faz o controle de estoque rural hoje? Teste o Aegro agora mesmo: peça aqui uma demonstração gratuita!

3 indicadores agrícolas que sua consultoria precisa analisar

Indicadores agrícolas: o que considerar para trazer resultados mais efetivos para o produtor e mostrar valor em sua consultoria

Toda empresa precisa estar atenta a indicadores de desempenho de sua área, os chamados KPIs (Key Performance Indicators). São eles que vão mostrar o que vai bem ou mal na atividade e quais os rumos que devem ser tomados para se ter um negócio mais lucrativo.

No agro, alguns indicadores são bem específicos para medir os resultados da produção e nortear os caminhos que uma propriedade pode tomar para ser mais rentável.

Por isso, elencamos aqui alguns indicadores agrícolas que a sua consultoria precisa analisar e como fazer isso de forma mais ágil para ter resultados efetivos e mostrar valor ao produtor rural. Confira a seguir!

Indicadores agrícolas 

Indicadores agrícolas de desempenho, também conhecidos como KPIs, são ferramentas de gestão utilizadas para medir o nível de desempenho ou de sucesso da produção rural.

Eles indicam se o negócio está no caminho certo para conseguir rentabilidade, maior competitividade e qualidade na produção agrícola.

Sem eles, a análise e o planejamento das próximas estratégias de trabalho ficam mais difíceis.

Por isso, a aplicação de uma pesquisa agro que seja capaz de promover uma boa captação de dados e análise precisa é um grande diferencial para colocar sua consultoria em lugar de destaque no mercado.

A adoção destes indicadores promove mais objetividade e assertividade na execução de práticas de diversas áreas do negócio rural. Eles podem nortear os rumos da produção, vendas, utilização de insumos, compras e investimentos, por exemplo.

O consultor agrícola Marco Antônio Santana reforça a importância de se ter uma atuação em 360 graus, ou seja, aquela realizada de todos os ângulos do negócio, porque enxerga as áreas da fazenda de forma integrada. 

Pedimos para que ele destacasse alguns dos principais indicadores agrícolas que devem ser considerados no trabalho de consultoria para se ter resultados mais promissores!

3 indicadores agrícolas fundamentais no trabalho do consultor

Orçamento

É um indicador financeiro que demonstra as despesas básicas para fazer rodar a produção durante o ano safra. Nele está contida a margem de lucro

Muitas vezes, não se tem tudo anotado, detalhe por detalhe. Mas é fundamental saber quais foram os custos diretos e indiretos para entender o lucro que o produtor terá na hora da comercialização. 

A contabilização dos valores utilizados para custear despesas regulares como energia elétrica, água, combustível, defensivos agrícolas, por exemplo, ajuda na produção do relatório de rentabilidade. 

Com as métricas corretas, a partir disso, cabe ao consultor conhecer o mercado e fazer análises precisas para otimizar o que foi investido na produção. 

Se os dados estiverem em um software de gestão agrícola, por exemplo, você pode ter resultados automatizados em mãos, o que facilita muito o trabalho de análise desse indicador. 

Exemplo de controle de custo possível com uso do software rural Aegro

Controle de estoque

Conhecer o volume do que é produzido garante que se saiba o valor viável e competitivo de uma produção. Com base neste indicador é possível identificar as falhas e também as oportunidades para ampliar o rendimento da lavoura.

“Primeiro, é preciso fazer um controle bastante detalhado das atividades a serem executadas em cada talhão da lavoura. Para isso, é preciso ter um conhecimento técnico livre, independente de interesses comerciais, focado no resultado do cliente. Desta forma, consultor e produtor conseguem fazer um planejamento certeiro das atividades”, cita Marco Antônio Santana.

Ele complementa que, assim, é possível ter um controle de uso do estoque de acordo com a real necessidade do produtor. 

“Se ele tem um bom planejamento, terá um mínimo possível de estoque ao final da safra”, diz. 

A partir de então, reforça Santana, é possível determinar um estoque básico para a fazenda. Assim, o produtor não fica com um grande capital imobilizado em insumos desnecessários para o momento, o que representaria prejuízo. 

Qualidade e quantidade de pedidos

Quem não avalia, está propenso a errar muito mais do que o previsto. O consultor precisa saber a qualidade e quantidade que seu cliente pretende produzir para traçar ações precisas para a fazenda. 

Um bom planejamento das atividades, aliado ao controle do estoque, faz com que o cliente, no caso o produtor rural, consiga comprar os insumos de acordo com a safra esperada

Isso permite que ele negocie melhores preços na aquisição dos produtos e acompanhe o planejado versus realizado na fazenda. Desta forma, não há alterações discrepantes descobertas no meio da safra.

“Se o planejado é usar 10 mil litros de glifosato e o produtor precisar de 18 mil, está claro que não houve um pedido bem dimensionado”, cita Marco Antônio Santana. 

Diante disso, pode ser que a aquisição de mais herbicida seja muito mais cara que a projetada no momento do planejamento. Isso, é claro, vai se refletir na lucratividade da safra. 

Como analisar os indicadores agrícolas de forma efetiva

Para Marco Antônio Santana, os indicadores agrícolas demonstram, na prática, o quanto se está próximo de agregar valor e de quanto se consegue gerar em produtividade com os principais produtos. 

“Eu preciso saber que a rentabilidade de uma safra deve me mostrar exatamente o quanto foi gerado de receita e despesa. Diante desse cálculo, serei capaz de saber o meu real valor,” explica o consultor.

Depois de tudo anotado, comparado e avaliado, a etapa seguinte é a tradução dos dados para que se construa o cenário atual e, assim, apontar as oportunidades de melhorias.

O consultor pode fazer isso através de planilhas de Excel ou de um software de gestão agrícola, como o Aegro.

A vantagem do uso de aplicativos ou softwares dedicados é que a automação dos procedimentos facilita a visualização dos resultados, reduzindo o trabalho de análise de horas para minutos.

Santana cita que o uso de um software como o Aegro traz assertividade ao planejamento que propõe aos clientes. Assim, é possível ter mais controle sobre os investimentos e os processos produtivos do negócio.

O Aegro integra as informações da fazenda em tempo real, cruzando dados automaticamente. Assim, os relatórios são gerados em poucos cliques e pode ser acessado tanto pelo consultor quanto pelo produtor, com fácil visualização e acompanhamento dos indicadores.

“A gestão é um fator muito importante para o sucesso no agronegócio. Por isso, a boa gestão de indicadores agrícolas é indispensável para que o negócio cresça e aumente a rentabilidade da lavoura, trazendo os resultados positivos desejados”, cita. 

Alguns dos indicadores e relatórios disponíveis para gestão no Aegro

Com uso do Aegro, relatórios são automatizados e podem ser acompanhados em tempo real por consultor e produtor

planilha para gestão de clientes

Conclusão

Elementos importantes no trabalho de um consultor rural, os indicadores agrícolas são utilizados para mensurar o nível de desempenho ou de sucesso da produção rural.

Essas métricas devem ser acompanhadas de perto pelo consultor para orientar o produtor quanto a seus resultados, visando mais rentabilidade na atividade agrícola.

Nesse artigo apresentamos alguns dos indicadores que devem ser considerados e como fazer uma análise mais precisa desses resultados. Isso pode ser feito com base em planilhas ou, de forma mais ágil, através de um software de gestão agrícola.

O importante é garantir que esses indicadores agrícolas sejam monitorados de perto!

Marco Antônio Santana é consultor agrícola em Mato Grosso e parceiro Aegro.

>> Leia mais:

Como produtor e consultor garantiram margem de lucro histórica na negociação antecipada da safra

Quer qualificar sua consultoria e garantir uma análise mais ágil dos indicadores agrícolas? Experimente gratuitamente o aplicativo de gestão agrícola Aegro pelo nosso programa de parcerias

Entenda as regras da Norma Regulamentadora 31 para trabalhadores do agro

Norma Regulamentadora 31: veja os principais pontos da norma e conheça as mudanças após atualização do governo

A Norma Regulamentadora 31 estabelece regras relacionadas à saúde e segurança das atividades e operações ligadas à agricultura, pecuária, silvicultura e exploração florestal. 

Por isso, conhecê-la é muito importante para garantir o bom funcionamento da sua propriedade, evitar acidentes e problemas judiciais.

Pensando nisso, separei algumas informações relevantes sobre a normativa e os principais pontos da atualização. Confira!

O que é a Norma Regulamentadora 31 – NR 31?

A NR 31 (Norma Regulamentadora 31) foi criada em 2005 pelo Ministério do Trabalho para estabelecer regras que devem ser observadas em qualquer atividade da agricultura, incluindo atividades industriais desenvolvidas no ambiente agrário.

Se você atua no meio rural, é essencial que tenha familiaridade com essa norma e a cumpra, pois nossa Constituição prevê que “ninguém pode justificar o não cumprimento da lei alegando que não a conhece”.

Para seguir os deveres de ambas as partes (empregadores e trabalhadores), a norma detalha inúmeras ações que devem ser realizadas. A seguir, listamos as principais delas:

Quais os deveres do empregador rural (ou semelhante) na NR 31?

  • Cumprir e fazer cumprir as disposições legais e regulamentares sobre segurança e saúde no trabalho rural, garantindo adequadas condições de trabalho, higiene e conforto.
  • Adotar medidas de prevenção e proteção para garantir que todas as atividades, locais de trabalho, máquinas, equipamentos e ferramentas sejam seguros.
  • Adotar os procedimentos necessários sobre a ocorrência de acidentes e doenças do trabalho, incluindo a análise de suas causas.
  • Assegurar que se forneça aos trabalhadores instruções compreensíveis em matéria de segurança, saúde, direitos, deveres e obrigações, bem como a orientação e supervisão necessárias ao trabalho seguro.
  • Informar aos trabalhadores os riscos decorrentes do trabalho e as medidas de prevenção implantadas, inclusive em relação a novas tecnologias adotadas pelo empregador.
  • Comunicar resultados dos exames médicos e complementares a que foram submetidos, quando realizados por serviço médico contratado pelo empregador.
  • Informar os resultados das avaliações ambientais realizadas nos locais de trabalho.
  • Permitir que representante dos trabalhadores, legalmente constituído, acompanhe a fiscalização das normas legais e regulamentares sobre segurança e saúde no trabalho.
  • Disponibilizar à Inspeção do Trabalho todas as informações relativas à segurança e à saúde no trabalho.

Quais os deveres do trabalhador previstos na NR 31?

  • Cumprir as determinações sobre as formas seguras de desenvolver suas atividades, especialmente quanto às ordens de serviço emitidas para esse fim.
  • Adotar as medidas de prevenção determinadas pelo empregador, em conformidade com a NR, sob pena de constituir ato faltoso a recusa injustificada.
  • Submeter-se aos exames médicos previstos na Norma Regulamentadora.
  • Colaborar com a empresa na aplicação da NR.
  • Não danificar as áreas de vivência, de modo a preservar as condições oferecidas;
  • Cumprir todas as orientações relativas aos procedimentos seguros de operação, alimentação, abastecimento, limpeza, manutenção, inspeção, transporte, desativação, desmonte e descarte das ferramentas, máquinas e equipamentos.
  • Não realizar qualquer tipo de alteração nas ferramentas e proteções mecânicas ou dispositivos de segurança de máquinas e equipamentos, de maneira que possa colocar em risco sua saúde e integridade física ou de terceiros.
  • Comunicar seu superior imediato se alguma ferramenta, máquina ou equipamento for danificado ou perder sua função.

Para ter acesso ao conteúdo completo dos deveres de empregadores e empregados, acesse a NR 31 na íntegra aqui.

O que mudou com a atualização da NR 31?

A NR 31, como diversas outras Normas Regulamentares, passou por diversas atualizações ao longo dos anos, sendo a mais recente em 2022.

Portaria SEPRT nº 22.677

Em outubro de 2020, a NR 31 foi atualizada, visando a simplificar e desburocratizar o texto, que passou a vigorar a partir de outubro de 2021. Essa atualização se deu pela Portaria SEPRT nº 22.677, de 22 de outubro de 2020, que aprovou a nova redação da NR 31.

Segundo o governo, a atualização da norma trouxe mais harmonia com outras normativas relacionadas (ex: normas urbanas), com a proposta de ter fácil entendimento mesmo por pessoas fora da área jurídica e eliminar algumas exigências que fogem da realidade prática.

A modificação da NR 31 teve o objetivo de descrever o que deve ser feito acima de como deve ser feito. Assim, o produtor pode adotar diferentes estratégias, desde que atinja os objetivos propostos. À época, o governo previu economia de R$ 4,3 bilhões anualmente para o setor rural.

Estrutura da norma 

Houve redução e reestruturação de capítulos na norma, reduzindo de 23 para 17 capítulos. Para o setor agrícola, somente será aplicável as determinações da NR 31 ou as citações de outras normas presentes nela. 

O PGRTR (Programa de Gerenciamento de Risco no Trabalho Rural) substituirá o PGSSMATR (Programa de Gestão de Segurança e Saúde no Meio Ambiente do Trabalho Rural). 

Além disso, o governo disponibilizou uma ferramenta para auxiliar no desenvolvimento do PGRTR do pequeno produtor (até 50 trabalhadores), visando à redução de custos e simplificação do processo.

Essa ferramenta gera um relatório descrevendo os riscos inerentes às atividades realizadas e quais as medidas de prevenção a serem seguidas de maneira específica para esse produtor. 

Agora a normatização possui especificação diferente para cada atividade realizada. 

É o caso das pausas de trabalho, por exemplo, que não são mais padronizadas. Elas têm recomendações de acordo com a atividade do trabalhador.

bot diagnóstico de gestão agrícola Aegro

Treinamento e capacitação

Quanto ao treinamento e capacitação, será possível haver um reaproveitamento de conteúdo. Assim, um trabalhador que já realizava a mesma função ou muito semelhante em outra empresa poderá aproveitar cursos realizados no prazo de 2 anos, desde que essa capacitação tenha sido realizada de acordo com a norma.

Além disso, a NR 31 abre a possibilidade da capacitação semipresencial, em que a parte teórica da capacitação poderá ser realizada a distância. As partes práticas continuarão sendo presencias. 

Máquinas e implementos

Com a atualização da NR 31, foram excluídas as exigências exclusivas para fabricantes de máquinas e equipamentos. Agora o fabricante deverá ver o anexo da NR 12.

Haverá uma linha temporal nas exigências das máquinas em que máquinas anteriores ao ano de 2011, mesmo não seguindo exatamente as especificações, poderão ser utilizadas desde que se comprove a segurança em sua utilização.

Além disso, para o transporte de cargas nas vias internas agora será necessário seguir as especificações do fabricante e não o código de trânsito. 

Áreas de vivência e alojamento 

Também houve mudanças quanto às áreas de vivência, que agora são denominadas áreas móveis. 

Para atividades itinerantes, não será mais obrigatória as áreas móveis, desde que sejam descritas quais áreas fixas poderão ser utilizadas em substituição. 

Além disso, houve uma flexibilização quanto ao alojamento dos trabalhadores, sendo possível alocar  trabalhadores em casas e hotéis por exemplo. 

Armazenamento de defensivos agrícolas

Com a atualização da NR 31, será modificada a distância do local de armazenamento de defensivos de 30 m para 15 metros de distância de outras construções. 

Isso ajudará a evitar roubos praticados principalmente em pequenas propriedades. 

No caso de produtores que utilizam pequenas quantidades de produtos químicos (100 kg ou litros), haverá a possibilidade de armazenamento em armários (com normas próprias) dentro ou próximo de construções específicas. 

Dispositivos de Proteção Pessoal

Foram criados os Dispositivos de Proteção Pessoal, uma nova classe que engloba, por exemplo, chapéus de boiadeiro, perneiras e boné árabe, que deverão ser fornecidos pelo empregador e não necessitam de certificado de aprovação. 

Portarias 4.219 e 4.223, de 20 de dezembro de 2022

Em 20 de dezembro de 2022, o então Ministério do Trabalho e Previdência publicou no Diário Oficial da União duas novas portarias: a 4.219 e a 4.223.

A Portaria 4.219 altera a nomenclatura da Comissão Interna de Prevenção de Acidentes – Cipa nas Normas Regulamentadoras, trouxe importantes avanços quanto à prevenção e ao combate do assédio sexual e demais formas de violência no ambiente de trabalho. A Cipa passou a ser denominada Comissão Interna de Prevenção de Acidentes e de Assédio.

Em relação à NR 31, a Portaria ganhou, em seus artigos 16, 17 e 18, novas inclusões e modificações do texto original. O art. 16 trouxe nova redação para a alínea “b” do item 31.2.5 e para o capítulo 31.5, sobre o dever do empregador em adotar medidas de prevenção ao assédio. Além disso, a Cipa, no caso do trabalho rural, passa a se chamar Comissão Interna de Prevenção de Acidentes e de Assédio do Trabalho Rural – Cipart.

O art. 17 inseriu a alínea “n” no item 31.5.10 e a alínea “h” no item 31.5.24 da NR, em que a Cipart deve incluir temas de prevenção e combate ao assédio sexual e a outras formas de violência no trabalho em suas atividades, práticas e treinamentos.

Já o art. 18 inseriu um novo item (item 31.2.6) na NR 31, descrevendo as medidas que as organizações obrigadas a constituir Cipa devem adotar. Entre elas, estão regras de conduta a respeito do assédio sexual e outras formas de violência nas normas das empresas e a realização de capacitação a cada 12 meses.

Esta Portaria entrou em vigor no dia 20 de março de 2023.

Portaria nº 4.223

A Portaria nº 4.223 alterou a redação do item 31.7.4 e incluiu alguns subitens na NR 31. Esta norma trata da aplicação de agrotóxicos utilizando máquina com cabine fechada original do fabricante ou adaptada.

Esse tipo de aplicação precisa seguir uma série de normas técnicas oficiais, devendo ser interrompida imediatamente se a névoa gerada na aplicação atingir o operador.

Ainda, é obrigatório adequar a máquina com cabine fechada original ou adaptada dentro dos seguintes prazos:

  • 120 meses, para propriedades com área abrangida pela aplicação com atomizador mecanizado de até 25 hectares;
  • 96 meses, para propriedades com área abrangida pela aplicação com atomizador mecanizado de até 50 hectares;
  • 84 meses, para propriedades com área abrangida pela aplicação com atomizador mecanizado de 51 até 100 hectares;
  • 60 meses, para propriedades com área abrangida pela aplicação com atomizador mecanizado de mais de 100 hectares.

Esta Portaria entrou em vigor no dia 3 de janeiro de 2023.

Portaria MTP nº 4.371

A Portaria MTP nº 4.371, publicada em 28 de dezembro de 2022, alterou a Portaria nº 4.223, de 20 de dezembro de 2022, inserindo a definição de cabine fechada no Glossário da NR 31. Esta Portaria entrou em vigor no dia 3 de janeiro de 2023.

Conclusão 

Neste texto entendemos a importância da Norma Regulamentadora n° 31 para o setor agrícola. Também vimos quais o principais deveres dos empregadores e trabalhadores do meio rural. 

Além disso, falamos sobre a recente atualização da norma, destacando os objetivos e principais mudanças. 

Espero que com esse texto você tenha aprendido mais sobre essa legislação do setor agrícola e como se adequar às novidades. 

>> Leia mais:

O que é gestão de pessoas e como isso beneficia sua fazenda

Qual sua maior dificuldade no cumprimento da NR31? Assine nossa newsletter para ficar por dentro de mais conteúdos como este!

O guia do manejo eficiente do picão-preto

Picão-preto: entenda como controlar essa planta daninha e impedir que se torne um problema ainda maior na lavoura.

O picão-preto já foi uma das plantas daninhas mais importantes em área produtoras de grãos.

Com o surgimento de culturas RR, ele se tornou menos problemático. Mas agora um novo alerta se acendeu para os produtores, após a divulgação de população de picão-preto resistente a glifosato no Paraguai.

Quer saber como identificar corretamente e fazer o manejo eficiente dessa planta daninha? A seguir, explicarei tudo isso, além do período ideal para controle e os herbicidas mais indicados. Confira!

Entenda pontos importantes sobre a biologia do picão-preto

O picão-preto (Bidens pilosa ou Bidens subalternans) é uma planta daninha de ciclo anual, com reprodução por sementes, que pode ser encontrada em quase todo o território brasileiro.

É possível realizar a diferenciação entre as duas principais espécies presentes no Brasil pela quantidade de arestas nos aquênios (B. pilosa 2-3 aristas e B. subalternans 4 aristas).

Além disso, a espécie B. pilosa possui flores periféricas com lígulas bem maiores.

fotos das principais características para diferenciação das espécies de picão-preto B. pilosa (figuras à esquerda: A, C, E, G) e B. subalternans (figuras B, D, F, H)

Principais características para diferenciação das espécies de picão-preto B. pilosa (figuras à esquerda: A, C, E, G) e B. subalternans (figuras B, D, F, H)
(Fonte: Hrac)

Essa ampla disseminação está associada a uma grande produção de sementes (3 mil a 6 mil sementes planta-1) e a um mecanismo de dormência. Isso possibilita as sementes emergirem em períodos mais favoráveis. 

As sementes do picão-preto são consideradas grandes e são disseminadas principalmente por animais, máquinas e implementos agrícolas.

A temperatura ideal para germinação é de 15℃, sendo que temperaturas acima de 35℃ podem ser letais.

Essa planta daninha é indiferente à presença de luz para germinar, porém, a luz pode melhorar seu percentual de germinação.  

As sementes podem emergir de grandes profundidades (próximas a 10 cm), além de possuírem uma grande longevidade, germinando mesmo após 5 anos.  

Devido a essas características germinativas, o acúmulo de palhada na área e cultivo do solo não são eficientes para controle de picão-preto.

Apesar da baixa capacidade competitiva com relação aos cultivos, o nível alto de infestação é comum em algumas áreas e pode refletir perdas no rendimento da lavoura. 

Por isso, é muito importante realizar o correto controle do picão na entressafra, pois ele pode ser “ponte verde” para pragas e doenças que afetam as culturas que vem em seguida. 

O picão-preto é uma das principais hospedeiras de nematoides do gênero Meloidogyne.

Picão-preto: histórico da resistência no Brasil 

O picão-preto já foi uma planta que trouxe muita dor de cabeça para os produtores mais experientes, sendo o primeiro caso de resistência de plantas daninhas registrado no Brasil. 

  • 1993 – B. pilosa resistente à ALS (Imazethapyr, imazaquin, pyrithiobac, chlorimuron e nicosulfuron);
  • 1996 – B. subalternans resistente à ALS (Imazethapyr, chlorimuron e nicosulfuron);
  • 2006 – B. subalternans resistente à ALS (Iodosulfuron e foramsulfuron) e à Fotossistema II (Atrazina);
  • 2016 – B. pilosa resistente à ALS (Imazethapyr) e à Fotossistema II (Atrazina).

Antes da utilização da soja RR, os mecanismo de ação ALS e Fotossistema II eram muito importantes para o controle de folhas largas na cultura da soja e do milho, principalmente em pós-emergência. 

Com ampla adoção a soja RR (a partir de 2006), o picão-preto deixou de ser um grande problema nas lavouras de grãos, pois o glifosato forneceu um excelente controle mesmo em plantas mais desenvolvidas. 

Mas uma luz de alerta que se acendeu para os produtores brasileiros foi o registro de picão-preto resistente a glifosato no Paraguai. Por ser fronteira com o Brasil, há alto tráfego de máquinas e implementos agrícolas na região.  

foto com vários vasos que demonstram Dose resposta para populações de picão-preto resistente a glifosato no Paraguai. Dose base 720 g e.a. ha-1 ou 1,95 L ha-1 de Roundup original®

Dose resposta para populações de picão-preto resistente a glifosato no Paraguai. Dose base 720 g e.a. ha-1 ou 1,95 L ha-1 de Roundup original®
(Fonte: Kzryzaniak et al., 2018)

Mesmo que as populações resistentes no Brasil tenham sido controladas por vários anos pelo glifosato, ao coletarmos populações de diversas regiões do Brasil, encontramos padrões muito próximos aos visto no passado para resistência a ALS e/ou Fotossistema II. 

Como evitar a seleção de resistência

Para garantir que não haja seleção de resistência para novos herbicidas ou disseminação de populações resistentes para novas áreas, é muito importante que o você siga estas dicas:    

  • conheça o histórico de resistência da sua área e região; 
  • realize rotação de mecanismo de ação de herbicidas;
  • inclua herbicidas pré-emergentes no manejo; 
  • siga os princípios básicos da tecnologia de aplicação
  • realize aplicações em pós-emergência sobre plantas pequenas; 
  • realize corretamente aplicações sequenciais; 
  • priorize controle na entressafra
  • realize rotação de culturas e adubação verde; 
  • realize a limpeza correta de máquinas ou implementos antes de utilizá-los em novas áreas.

Manejo de picão-preto na entressafra do sistema soja e milho

A entressafra é período ideal para um bom manejo de picão-preto, pois existe um número maior de herbicidas que podem ser utilizados.

É ideal que a aplicação ocorra em plantas de 2 a 4 folhas, pois as chances de sucesso são maiores!

Herbicidas pós-emergentes: 

2,4 D

Utilizado em primeiras aplicações de manejo sequencial, geralmente associado a outros herbicidas sistêmicos (ex: glifosato) ou pré-emergentes, na dose de 1,0 a 1,5 L ha-1

Cuidado com problemas de incompatibilidade no tanque (principalmente graminicidas). 

Quando utilizar 2,4 D próximo à semeadura de soja, deve-se deixar um intervalo entre a aplicação e a semeadura de 1 dia para cada 100 g i.a. ha-1 de produto utilizado. Cuidado com deriva em áreas vizinhas.

Glifosato 

Possui ótimo controle de plantas pequenas (2 a 4 folhas). Pode ser utilizado na primeira aplicação do manejo sequencial (associado a pré-emergentes), na dose de 2,0 a 3,0 L ha-1.

Glufosinato de amônio

Pode ser utilizado em plantas pequenas (2 folhas) ou em manejo sequencial para controle de rebrota de plantas maiores, na dose de 2,5 a 3,0 L ha-1.

Saflufenacil

Pode ser utilizado em plantas pequenas (2 folhas) ou em manejo sequencial para controle de rebrota de plantas maiores, na dose de 35 a 70 g ha-1.

Para manejo em solos arenosos com menos de 30% de argila e menos de 2% de matéria orgânica, é necessário um intervalo mínimo de 10 dias entre a aplicação e o plantio da soja. Não ultrapassar a dose máxima de 50 g/ha.

Triclopir 

Utilizado em primeiras aplicações de manejo sequencial, geralmente associado a outros herbicidas sistêmicos (ex: glifosato) ou pré-emergentes, na dose de 1,5 a 2,0 L ha-1

Quando utilizar triclopir próximo à semeadura de soja, deve-se deixar um intervalo entre a aplicação e a semeadura de no mínimo 20 dias. Cuidado com deriva em áreas vizinhas. 

Herbicidas pré-emergentes:

Flumioxazin

Herbicida com ação residual para controle de banco de sementes utilizado na primeira aplicação do manejo outonal associado a herbicidas sistêmicos (ex: glifosato e 2,4 D) ou no sistema de aplique-plante da soja. Recomendável dose de 40 a 100 g ha-1.

Sulfentrazone

Herbicida com ação residual para controle de banco de sementes utilizado na primeira aplicação do manejo outonal associado a herbicidas sistêmicos (ex: glifosato e 2,4 D). 

Recomenda-se dose de até 0,5 L ha-1, pois apresenta grande variação na seletividade de cultivares de soja

Recomendado principalmente para áreas onde também ocorre infestação de tiririca!

Manejo na pós-emergência das culturas de soja e milho

O manejo de picão-preto na pós-emergência da soja convencional é pouco recomendado, pois existem poucas opções que podem ser utilizadas e, devido ao estádio de desenvolvimento do picão-preto, apenas seguram o seu crescimento.

No caso de soja e milho RR, o glifosato ainda exerce um ótimo controle do picão-preto na pós-emergência. Entretanto, recomenda-se uma boa rotação de princípios ativos e atenção a escapes após aplicação do produto.  

Cloransulam

Utilizado em pós-emergência da soja, na dose de 35,7 g ha-1.

Na pós emergência do milho safrinha, pode-se utilizar bentazon na dose de 1,2 L ha-1 e mesotrione na dose de 0,3 a 0,4  L ha-1

Perspectivas futuras

Nos próximos anos, existe previsão da liberação comercial de novos “traits” de resistência a herbicidas para as culturas soja e milho que poderão auxiliar no controle picão-preto. 

  • Soja: Enlist (2,4D colina, glifosato e glufosinato de amônio) e Xtend (dicamba, glifosato).
  • Milho: Enlist (2,4D colina, glifosato, glufosinato de amônio e haloxyfop).

Conclusão

Neste artigo, você viu a importância econômica que o picão-preto possui em nosso país e como realizar um manejo eficiente em lavouras de grãos. 

Conferiu os principais herbicidas e as recomendações de dose para aplicações na entressafra e na pós-emergência das culturas de soja e milho.

Viu ainda que a realização de algumas práticas são essenciais para não agravar os problemas de plantas daninhas resistentes.

Espero que com essas dicas passadas aqui você consiga realizar um manejo eficiente de picão-preto!

>> Leia mais: “Saiba como a mucuna-preta pode ser uma boa opção para adubação verde”

Como você controla a infestação de picão-preto na lavoura hoje? Já enfrentou casos de resistência? Baixe também aqui o Guia gratuito para manejo de plantas daninhas de difícil controle!

Como os relatórios agrícolas valorizam o trabalho do consultor

Os relatórios agrícolas trazem indicadores importantes para o acompanhamento da safra e da gestão financeira da fazenda. Veja como montar um.

Os relatórios agrícolas são ferramentas essenciais para o trabalho do consultor. Eles reúnem informações úteis para o acompanhamento da safra e gestão do negócio.

Com esses dados, consultor e produtor qualificam sua tomada de decisão, tornando a lavoura cada vez mais produtiva e rentável.

Neste artigo, falaremos sobre os tipos de relatórios agrícolas, principais indicadores que eles trazem e como estruturar o documento. Boa leitura!

Tipos de relatórios agrícolas

Existem relatórios agrícolas técnicos, produzidos por engenheiros agrônomos, que detalham questões como umidade do solo, desenvolvimento das plantas, ocorrência de pragas, entre outras.

Essas informações são valiosas pois direcionam a aplicação de insumo e outras decisões importantes para o bom andamento da safra.

Aqui, no entanto, abordaremos os relatórios de gestão e produção. Nessa categoria, entram relatórios como:

  • Relatório de rentabilidade: informa os custos e o lucro da safra ao longo do tempo.
  • Relatório de custo orçado: traz a previsão de custos da safra.
  • Relatório de custo realizado: permite avaliar a participação de cada insumo no custo total da safra.
  • Relatório de atividade da safra: mostra todas as atividades planejadas ou realizadas durante a safra.
  • Relatório de evolução de safra: com ele, o produtor acompanha o percentual de área realizada para determinada atividade ao longo do tempo.
  • Relatório de colheita: serve para acompanhar a área colhida, produção e produtividade da safra.
  • Relatório de insumos: informa a quantidade total planejada e realizada de todos os insumos.
  • Relatório de silos: lista as sementes armazenadas nos silos e sua respectiva quantidade.
  • Relatório específico de atividade: reúne informações sobre uma atividade específica, como a aplicação de um insumo em determinada área.
  • Relatório de estoque: facilita o controle do estoque de produção e insumos e sua movimentação.
  • Relatório de patrimônio: reúne informações sobre as máquinas da propriedade e seus custos.

A importância do relatório de rentabilidade

Para Marco Antônio Pinheiro Santana, consultor da parte organizacional e financeira em lavouras de soja e milho no Mato Grosso, o mais importante é o de relatório de rentabilidade.

“No meu ponto de vista, é o relatório de maior valia, porque demonstra a saúde financeira da fazenda”, opina.

Santana destaca que o relatório de rentabilidade mostra um quadro geral, mas também o detalhe, informando sobre quais talhões geraram mais receita.

A partir daí, consultor e produtor podem explorar outros relatórios, que ajudam a entender por que determinado talhão rendeu mais que outro. A investigação ajuda a entender melhor o solo e identificar os defensivos e cultivares que valem mais a pena, por exemplo.

“Olhamos o relatório de rentabilidade e depois procuramos entender o que foi feito de diferente nos talhões mais rentáveis. Esse é o ponto”, completa o consultor.

Principais indicadores agrícolas

Os indicadores são números que relacionam duas métricas diferentes, com o objetivo de revelar alguma informação importante.

O percentual de área colhida, por exemplo, relaciona o que já foi colhido com o total que tem para ser colhido. Isolados, esses números não ajudam a entender o status da colheita.

Nos relatórios agrícolas, os indicadores são essenciais, pois permitem uma rápida e fácil compreensão de alguns aspectos da lavoura. A seguir, apresentamos os principais.

Indicadores de produtividade

Relacionam números da produção com o tamanho de uma área. As unidades mais usadas são sacas e hectares. Quanto maior a produção em relação à área, maior a produtividade.

Pode ser feito um relatório de produtividade geral da safra ou específico por cultura, talhão, cultivar, período de plantio, etc.

Ele é calculado com uma simples divisão do total de sacas colhidas pelo total de hectares da área analisada.

Indicadores de rentabilidade

Relaciona as despesas com as receitas. O indicador pode ser expresso em um percentual.

Para calculá-lo, pegue a receita total e subtraia as despesas. O resultado deve ser dividido pelo total das despesas e multiplicado por 100 para chegar ao percentual.

Por exemplo, se uma fazenda teve R$ 800 mil de receita e R$ 650 mil de despesa em uma safra (uma diferença de R$ 150 mil), a conta fica assim:

Rentabilidade = (150 / 650) x 100

Rentabilidade = 23%

Se a conta der negativa, quer dizer que a safra deu prejuízo, claro. Também é possível filtrar os indicadores de rentabilidade por cultura, talhão, cultivar, etc.

Indicadores de atividades e colheita

Os relatórios de acompanhamento da safra devem trazer indicadores que mostram o status de cada fase, como o percentual da área que foi semeada, que recebeu fertilizantes e defensivos e de área colhida.

Como estruturar um relatório agrícola?

Para não se perder diante de tantos números, é preciso superar o caderninho e as planilhas do Excel e contar com um sistema de gestão agrícola, como o Aegro.

“Todo relatório passa pela inserção de dados. Quando está tudo em uma plataforma só, a análise é mais rápida e baseada em informações mais fiéis”, reflete Santana.

Isso é possível porque o software integra as informações em tempo real, cruzando os dados automaticamente.

No momento que o usuário insere a informação sobre a aplicação de um defensivo, por exemplo, com poucos cliques já é possível gerar um relatório.

“A credibilidade da informação é maior, porque quando você usa várias planilhas, acaba se perdendo. Hoje, quase não uso planilhas de Excel por fora do sistema”, acrescenta o consultor.

Além disso, os relatórios gerados por um software de gestão especializado já incluem gráficos que tornam a informação mais fácil de visualizar e entender.

Relatórios são automatizados com uso do Aegro e podem ser acompanhados por produtor e consultor em tempo real

Avaliação periódica dos indicadores

Como gerar um relatório pelo software praticamente não dá trabalho algum, é possível fazer reuniões de acompanhamento dos indicadores com maior frequência.

“Eu planejo reuniões quinzenais com meus clientes, para analisarmos os dados”, conta Santana. Nessas reuniões, ele faz uma avaliação financeira, considerando o fluxo de caixa da fazenda.

Depois da colheita, é feita uma reunião diferente, em que consultor e produtor analisam o relatório de rentabilidade. “Daí já sai a reunião de planejamento da safra. Com base no que fizemos na anterior, projetamos o que vamos fazer na próxima”, explica.

A análise do relatório de rentabilidade, do estoque e do fluxo de caixa é fundamental para tomar decisões sobre aportes financeiros.

“Quanto vamos precisar de custeio ou de investimento? Quanto temos em caixa e quanto temos de contas para pagar? Se está faltando, onde eu vou buscar isso?”, exemplifica o consultor.

Conclusão

O agronegócio brasileiro cresceu bastante, em grande parte graças à implementação de alta tecnologia no campo. Mas tecnologia não são só as máquinas robustas, produtivas e precisas, é também processo e gestão.

Contar com soluções tecnológicas para registrar e acompanhar as informações da safra traz dois benefícios enormes:

  • mais agilidade na gestão financeira e da produção
  • menos erros e mais confiabilidade nas informações

E também permite gerar relatórios agrícolas com poucos cliques, o que agrega valor ao serviço do consultor e traz ótimos resultados para seus clientes.

Marco Antônio Santana é consultor agrícola em Mato Grosso e parceiro Aegro.

>> Leia mais:

Como produtor e consultor garantiram margem de lucro histórica na negociação antecipada da safra

Restou alguma dúvida sobre os relatórios agrícolas? Quer qualificar sua consultoria com tecnologia e eficiência? Experimente gratuitamente o aplicativo de gestão rural Aegro pelo nosso programa de parcerias.

5 dicas de regulagem da semeadora para melhorar seu desempenho

Regulagem da semeadora de forma correta pode trazer benefícios à sua lavoura

O conjunto trator-semeadora pode ser comparado a um automóvel que, se estiver desregulado, comprometerá os custos e eficiência durante a operação.

Se uma semeadora de 10 linhas estiver com 1 linha entupida e falhar, as perdas na produtividade de soja poderão chegar a centenas de reais por hectare.

A regulagem correta da semeadora promove melhores resultados na produtividade das lavouras, além de economizar combustível e assegurar um plantio mais uniforme.

A seguir, separei 5 dicas para melhorar o desempenho da semeadora na lavoura. Confira!

Por que realizar a regulagem da semeadora?

A correta semeadura é um dos principais fatores que assegura boas produtividades nas lavouras. E isso vale para diversas culturas. 

A distribuição correta das sementes propicia uniformidade na emergência das plantas e estande ideal, fatores que são fundamentais para o sucesso das lavouras.

Dessa forma, é importante checar e regular todos os sistemas da semeadora. Dentre eles, os principais são:

  • discos corta-palha;
  • sistemas para abertura dos sulcos;
  • sistemas de deposição de sementes;
  • sistemas de deposição de adubo (quando presentes);
  • sistemas de fechamento do sulco (mecanismo compactador).

Como regular corretamente sua semeadora

As principais manutenções de máquinas necessárias antes e durante o plantio são:

  • velocidade de semeadura (normalmente entre 4 km/h a 6 km/h);
  • calibragem dos pneus;
  • limpeza e lubrificação das engrenagens do conjunto;
  • lubrificação das correntes;
  • checagem dos tubos condutores de sementes e adubos;
  • verificação de pinos e contrapinos;
  • lubrificação geral da máquina e graxeiras;
  • checagem das regulagens dos carrinhos;
  • análise da população de estande final desejada;
  • análise da germinação do lote de sementes utilizado;
  • cálculo do número de sementes/hectare;
  • regulagem do espaçamento entre linhas.

É fato que existe uma grande variedade de modelos de semeadoras presentes no mercado, sejam elas de sementes graúdas ou miúdas, e que para cada modelo existe uma regulagem ideal.

Mas alguns pontos são importantes de serem checados e se aplicam a uma boa parte das máquinas existentes no mercado.

As regulagens e limpezas são rotineiras e também devem ser realizadas nas semeadoras.

Limpezas de filtros e lavagem da máquina para evitar possíveis contaminações de daninhas e sementes de safras passadas também são simples de serem feitas e essenciais quando pensamos em boas práticas agrícolas.

Manutenções

Manutenções preventivas são sempre mais recomendadas que as corretivas, pois as janelas de plantio são curtas na maioria das regiões brasileiras e a máquina não pode parar durante a operação para troca de peças que já deveriam ter sido substituídas.

A quebra da semeadora durante o plantio pode causar atrasos operacionais e perdas em produtividade devido a semeaduras realizadas fora do período ótimo.

A manutenção de um estoque de peças de reposição pode ser ideal para fazendas que estão mais distantes das concessionárias e podem perder muito tempo esperando uma peça. 

Para isso, uma gestão correta da fazenda e dos maquinários te ajuda a levantar quais são as peças de reposição mais utilizadas.

A utilização de um software agrícola como o Aegro colabora para que você tenha em mãos esse controle. Você pode registrar a realização das manutenções pelo seu celular e ter um histórico detalhado das peças que foram trocadas na máquina.

Além disso, você pode programar alertas periódicos de manutenção para ser lembrado de revisar o maquinário.

Adequação do conjunto trator-semeadora-adubadora

A escolha do conjunto trator-semeadora corretos é fundamental para melhor rendimento operacional, economia de combustível, vida útil e redução de custos no campo.

Alguns pontos que você deve considerar na aquisição do conjunto trator-semeadora são:

  1. potência requerida do trator para operar a semeadora a ser utilizada;
  2. potência disponível do trator a ser utilizado na operação;
  3. analise se o conjunto está bem dimensionado.

A potência necessária para tracionar uma semeadora irá depender da quantidade de carrinhos que a semeadora possui, do espaçamento, hastes sulcadoras, peso da máquina carregada e profundidade de semeadura.

foto de uma semeadora em uma lavoura

(Fonte: John Deere)

O conjunto bem dimensionado pode ser visualizado quando a diferença entre a potência disponível no motor do trator e a exigida pela semeadora não for maior que 15%. Esses valores são utilizados como nível de segurança.

Regulagens dos sistemas da semeadora

Para início da regulagem da semeadora você deve escolher corretamente os discos e anéis que serão utilizados para a semeadura das sementes graúdas.

Alguns fabricantes fornecem anéis e discos com nomenclatura específica para cada tipo de sementes.

Após a escolha dos anéis, é recomendada a realização de um teste prático, onde será necessário inserir as sementes desejadas e avaliar seu comportamento de deposição.

Para checagem de possíveis falhas no plantio, faça o seguinte teste:

  1. Escolha o anel com friso para sementes redondas ou os anéis lisos para sementes chatas.
  2. Separe 2 sementes menores e veja se elas cabem no mesmo furo. Se sim, provavelmente esse anel acarretará plantas duplas na semeadura e deve ser trocado.
  3. Separe 2 sementes maiores e veja se elas passam com alguma folga pelos furos. Se não passarem, esse anel provocará falhas na semeadura e deve ser substituído.

Para saber mais sobre como fazer a escolha dos anéis e discos, leia este artigo do Blog do Aegro: “Como fazer a regulagem de plantadeira de soja e garantir a lavoura”.

Depois da escolha dos anéis da semeadora, a regulagem deve ser realizada nas engrenagens das máquinas que possuem esses sistemas de distribuição.

A combinação das engrenagens garante o número correto de sementes desejadas por metro linear.

As semeadoras possuem tabelas de regulagens que entregam os números de sementes por metro desejado de acordo com cada máquina e modelo.

A seleção deve ser realizada conforme a cultura a ser semeada e o estande desejado no plantio.

Uma primeira regulagem pode ser realizada com a semeadora ainda no galpão.

Vale ressaltar que pisos duros de concreto podem afetar a correta regulagem das máquinas. Por isso, a checagem e regulagem no campo é a mais correta.

6 pontos da semeadora que você deve checar em campo:

  1. quantidade de sementes que está sendo depositada por metro;
  2. distribuição e uniformidade de sementes no solo;
  3. profundidade de semeadura;
  4. profundidade e deposição do adubo;
  5. regulagens dos carrinhos e checagem da posição;
  6. regulagem e checagem dos discos de corte.

A semeadura e as regulagens podem ser alteradas dependendo do tipo de solo que será semeado. 

É importante realizar as aferições em campo e ir alterando as regulagens até mesmo durante o plantio se os parâmetros não estiverem dentro dos estabelecidos.

Regulagens dos sistemas de adubos

Assim como o sistema dosador de sementes, os sistemas dosadores de adubos, quando presentes, também podem possuir regulagens por meio de engrenagens ou sistemas pneumáticos.

A quantidade de adubo a ser depositada por hectare normalmente é expressa em quilogramas por hectare.

A deposição e profundidade do adubo precisam ser corretas para evitar efeitos de salinização e possíveis problemas iniciais de estande.

O adubo deve ser depositado ao lado e abaixo das sementes.

Cheque na tabela da semeadora as relações de engrenagens necessárias a dose a ser depositada de adubos.

Da mesma forma que nas sementes, os testes em campo devem ser avaliados para verificação da deposição da dose correta e nos locais desejados do adubo em campo. Se necessário, novas regulagens devem ser realizadas no sistema.

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Conclusão

A regulagem correta das semeadoras pode garantir melhor produtividade e maior ganho nas lavouras.

Máquinas bem dimensionadas e reguladas da maneira correta economizam combustível, possuem melhor rendimento operacional e asseguram um plantio mais uniforme.

Se você ainda não realiza manutenções e substituições de peças preventivamente em suas semeadoras, pode estar perdendo dinheiro no manejo de seu maquinário.

As avaliações e checagens dos parâmetros de semeadura são tão importantes quanto a condução correta das lavouras.

Se você iniciar o plantio da maneira errada, sua lavoura poderá estar comprometida desde o início.

>> Leia mais:

Cálculo de semeadura da soja: 5 passos para a população ideal de plantas no seu sistema

Você realiza a regulagem da semeadora e acompanha em campo o plantio das lavouras? Realiza alguma outra regulagem que não mencionei? Adoraria ver seu comentário abaixo!