Como a agricultura digital facilita e otimiza o planejamento da próxima safra

A agricultura digital está revolucionando o manejo agrícola, proporcionando ferramentas e tecnologias que permitem uma avaliação detalhada do desempenho de produtos e práticas de manejo em cada região do talhão. 

O planejamento é crucial para o sucesso da safra, por prevenir possíveis problemas, traçar ações futuras e melhorar o custo-benefício do produtor.

Mas a estruturação de um plano de safra requer investimento de tempo para se entender as necessidades específicas da lavoura. 

Para isso, o agricultor precisa de um insumo fundamental: dados sobre a fazenda, que precisam ser fidedignos, organizados e acessados com facilidade.

Confira nesse artigo, escrito em parceria com a Climate FieldView™, como a tecnologia pode ser aliada do processo de construção do planejamento e conheça diferentes ferramentas que a agricultura digital oferece ao produtor nesse importante momento da safra.

O que é o planejamento agrícola?

O planejamento é o estágio em que se definem estratégias para a gestão da lavoura, com objetivos variados, adaptados às necessidades de cada realidade e de cada fazenda, considerando fatores como a redução de custos, o aumento da produtividade e a busca pela sustentabilidade do negócio.

Por isso, planejar a safra é momento de tomar decisões importantes que consideram o exercício de analisar ações anteriores e compreender seus impactos, tudo isso visando ser mais assertivo em: 

  • definir tipo de cultivo, materiais genéticos, bem como janelas ideais de plantio;
  • avaliar o estoque remanescente de produtos;
  • comprar insumos e verificar a relação custo-benefício;
  • avaliar performance do maquinário e operadores;
  • contratar pessoas e treiná-las;
  • realizar análises de solo

>>Leia mais: “Como as ferramentas da Agricultura Digital impactam o seu negócio”

A agricultura digital potencializa o planejamento da safra

A agricultura 4.0 se consolida como o braço direito do produtor no alcance de melhores tetos produtivos em sua lavoura. Não se limita apenas às operações de campo, como plantio e colheita, mas se estende a todos os momentos do ciclo produtivo.

O uso de diferentes tecnologias facilita e otimiza a gestão do planejamento, abrangendo processos administrativos, operacionais e de armazenamento, bem como análises de desempenho de produtos e manejos. Nessa linha, diversas plataformas de agricultura digital podem ser decisivas no planejamento de todo o ciclo produtivo.

Ter à disposição dados detalhados das últimas safras, gerados a partir da realidade do campo de cada agricultor, é fundamental para embasar um bom curso da safra e cumprir os objetivos traçados. 

Isso permite ao produtor avaliar o que foi feito adequadamente, as correlações entre a produtividade e os manejos realizados, o aprendizado nas zonas menos produtivas em termos de fertilidade, o que não deve ser repetido na próxima safra e em que parte do talhão se obteve maior retorno.

Ao planejar a próxima safra, três ferramentas digitais se destacam: imagens de satélite, mapeamento de operações e relatórios automatizados.

Ao planejar a próxima safra, dentre as várias existentes, podemos destacar três ferramentas digitais: imagens de satélite, mapeamento de operações e relatórios automatizados

>>Assista: “Histórias de Sucesso mostram resultados positivos com agricultura 4.0

foto de um satélite visto do espaço - Imagens de satélite permitem melhor gestão e acompanhamento da lavoura

Imagens de satélite permitem melhor gestão e acompanhamento da lavoura

Como as imagens de satélite podem apoiar no planejamento?

Muitas empresas e plataformas do mercado estão apostando nas imagens de satélite para auxiliar produtores em uma melhor gestão e acompanhamento do desenvolvimento de sua lavoura.

Funcionalidades como o Diagnóstico FieldView™ acabam sendo fundamentais no período de preparação da safra, basicamente por dois motivos: 

  1. Existe um banco de imagens históricas que os agricultores podem receber, viabilizando uma análise mais embasada de seus talhões; 
  2. Por meio dos mapas recebidos da última safra colhida, é visualmente mais simples entender, com a variabilidade na escalada de cores, se existiu algum fator que impactou no desenvolvimento ideal do cultivo e, consequentemente, na produtividade.

Com esses dados em mãos, o produtor pode identificar comportamentos recorrentes, como manchas e reboleiras, conseguindo mensurar o tamanho do impacto e se preparar para minimizá-lo na próxima safra. 

foto de três tablets que exigem imagem real, mapa de vegetação e mapa de monitoramento. Imagens atuais e históricas da lavoura são importantes para traçar um plano assertivo para a safra

Imagens atuais e históricas da lavoura são importantes para traçar um plano assertivo para a safra

Imagens históricas também apoiam na avaliação, por exemplo, de manchas de deficiência nutricional, uma vez que, ao compará-las com mapas de análises de solo, pode-se verificar se o problema é um ponto antigo ou recente no campo, permitindo o investimento correto na quantidade e tipo de adubo.

Por meio delas, pode-se constatar as causas da baixa performance do talhão, que podem ser: 

  • fertilidade, aplicações e manejos equivocados; 
  • janela de plantio e colheita não ideais.

Possibilitar esse entendimento permite ao produtor desenvolver uma estratégia customizada em cada parte de sua fazenda e preparar sua equipe.

As imagens apoiam ainda na compra de insumos corretos para cada área do talhão, como defensivos, fertilizantes e sementes/híbridos.

>>Saiba mais: “Benefícios do Diagnóstico FieldView™ no Plano de Entrada da Climate

Mapeamento das operações auxilia na gestão assertiva do campo

No dia a dia da lavoura, diferentes operações do campo podem ser mapeadas, como plantio, pulverização e colheita

 Isso significa que, através de plataformas da agricultura 4.0, um grande volume de dados agronômicos pode ser gerado nas lavouras por meio de maquinários como plantadeiras, pulverizadores e colheitadeiras.

Essas máquinas, uma vez conectadas a dispositivos digitais como o FieldView™ Drive, coletam e processam os dados, gerando mapas e relatórios diversos, apoiando o produtor não somente quando a lavoura está instalada, mas também em decisões para a próxima safra, como na definição de:

  • quais variedades/híbridos plantar em cada talhão;
  • qual é a melhor janela de plantio para cada material;
  • quais são os melhores tratamentos de sementes;
  • quais são os defensivos mais eficientes;
  • quais operadores precisam ser treinados ou substituídos;
  • quais maquinários não tiveram bom desempenho e precisam ser trocados ou enviados para manutenção, etc.
foto de soja em desenvolvimento, foco em mudas crescendo no solo

As tecnologias digitais ajuda definir quais variedades/híbridos plantar em cada talhão

Esse mapeamento permite ter o registro de todos os dados, uma vez que ficam armazenados em segurança, em nuvens. Isso facilita o acesso às informações, como a visibilidade de mapas de colheita, compostos por diferentes dados, como produtividade e velocidade do equipamento.

Ademais, a esse exemplo, ao considerar o Mapa de Produtividade no planejamento de safra, é possível avaliar a performance do híbrido ou da variedade plantados em uma área, e também se a população semeada foi adequada. 

Esses dados podem ser comparados entre siou com outros mapas e imagens históricas de satélite, permitindo verificar:

  • se houve alguma falha; 
  • avaliar o desempenho dos produtos escolhidos e das aplicações; 
  • fazer ajustes para a nova safra.

Desse modo, o agricultor consegue verificar como cada fator influenciou nos seus resultados e se planejar para as safras seguintes em vários aspectos, baseando-se em dados precisos para escolha do produto A ou B, como fertilizantes, defensivos, tratamento de sementes, tratores, etc.

>> Leia mais: Qual é o segredo da fazenda que colheu 11 sacos de soja a mais de uma safra para outra?

três máquinas agrícolas realizando pulverização em uma lavoura de soja com destaque para o horizonte e pôr do sol. Agricultura digital e planejamento safra

A escolha de defensivos para a próxima safra deve ser embasada em dados, o que permite escolher os que tiveram melhor desempenho em cada ponto da lavoura

Relatórios automatizados otimizam o planejamento da lavoura?

Você viu que o mapeamento das operações possibilita a geração de relatórios automatizados, tanto gerais quanto específicos, para cada ponto do talhão, o que possibilita uma análise profunda de fatores que impactaram a produtividade da fazenda.

Esses relatórios podem apresentar, de forma automática, o compilado dos dados do campo, como o ranking de produtividade, trazendo os híbridos ou variedades que performaram melhor, auxiliando a definir quais materiais devem ser plantados novamente.

Nessa linha, de posse dessa ferramenta, é possível ainda ter um olhar mais granular de cada parte do talhão, trazendo para a gestão da lavoura uma visão personalizada quanto ao potencial produtivo.

>> Conheça: O que o Plano Plus pode fazer por você?”

foto de homem de camisa xadrez azul e cinza mexendo em um celular em uma lavoura de arroz. Em volta do celular saltam vetores tecnológicos.

Serviços e soluções inovadoras baseadas em ciência de dados permitem o melhor gerenciamento das operações no campo

Quais plataformas podem fazer isso pela sua fazenda?

Para ter acesso a funcionalidades como as descritas neste artigo, plataformas como Climate FieldView™ podem ser uma boa escolha por parte dos agricultores brasileiros. 

Composta por serviços e soluções inovadoras baseadas em ciência de dados, FieldView™ apoia o produtor na integração de diferentes informações agronômicas e no gerenciamento de suas operações, proporcionando maior eficiência durante toda a safra, permitindo agilidade e assertividade na tomada de decisão sobre seu manejo e otimizando seus resultados.

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Conclusão

Ter um bom planejamento é fundamental para o sucesso da safra!

Neste artigo, mostramos como a tecnologia pode ser aliada no processo de construção desse planejamento e como diferentes ferramentas podem ajudar o produtor a organizar os dados da fazenda e a entender as necessidades específicas da lavoura.

Com essas dicas, temos certeza que, ao utilizar a agricultura digital no planejamento da sua próxima safra, otimizar recursos e assegurar a boa performance serão desafios superados com maior facilidade. 

Restou alguma dúvida sobre como utilizar a agricultura digital no planejamento da safra? Divida sua experiência nos comentários!

Por que investir na rotação de culturas com girassol pode ser uma opção vantajosa para sua fazenda

Rotação de cultura com girassol: saiba o que é e como essa ótima opção pode te ajudar a recuperar o solo da sua lavoura

Você está procurando uma boa alternativa para iniciar a rotação de culturas na sua fazenda? Que tal o girassol?! 

Essa oleaginosa de ciclo curto é uma excelente alternativa para safrinha nas regiões produtoras de grãos!

A inserção do girassol no sistema produtivo proporciona a diversificação de culturas e de renda, além de aumentar a oportunidade de comercialização.

Separei neste artigo alguns motivos pelos quais você deve investir na rotação de culturas com girassol e como fazer um manejo adequado dessa cultura na propriedade. Confira!

Quando e como o girassol pode ser cultivado

Em decorrência da janela de semeadura mais curta na safra 2020/2021, muitos produtores procuram alternativas além do milho safrinha.

A atitude não ameaça a predominância do milho, que representa mais de 90% da safrinha, mas abre espaço para culturas como o girassol. E ele é uma excelente alternativa de cultura de inverno para a rotação nas regiões produtoras de grãos.

A época de semeadura varia de acordo com a região. No Rio Grande do Sul, a cultura se adapta bem ao cultivo da primeira safra. Já na região Centro-Oeste (maior produtora), adapta-se ao cultivo de inverno (safrinha).

O girassol pode ser cultivado em sistema solteiro, após a colheita da cultura principal (entressafra) ou em consórcio com a cultura de interesse comercial.

Além disso, também pode ser cultivado em associação com outras espécies, como o nabo forrageiro

Essa associação aumenta a proteção do solo devido ao maior aporte de resíduos vegetais, reduzindo assim a incidência de plantas daninhas.

Culturas como o girassol passaram a ser mais atrativas a partir da criação do PNPB (Programa Nacional de Biodiesel) em 2004, pois se tornaram mais uma opção de cultivo comercial. 

Por que fazer a rotação de cultura com girassol?

Como se sabe, a sucessão soja-milho safrinha não é, a longo prazo, uma alternativa benéfica para o sistema produtivo.

Com a inserção do girassol na rotação de culturas com a soja, milho e outros grãos, o cultivo pode ser muito vantajoso.

Essa cultura tem baixo custo de implantação e um bom retorno econômico.

Abaixo há alguns benefícios do cultivo do girassol:

  • ciclo curto de produção (90 a 130 dias);
  • seu sistema radicular pivotante permite reciclar os nutrientes do solo;
  • ótima tolerância à seca;
  • absorve mais água e nutrientes;
  • amplas possibilidades em esquemas de sucessão, consorciação e rotação de culturas;
  • melhor aproveitamento da mão de obra da propriedade;
  • produz óleo comestível;
  • tem efeito alopático (inibidor) sobre várias plantas daninhas;
  • tem ampla adaptação a diferentes condições climáticas;
  • cultura de baixo investimento.

Grande parte da planta de girassol pode ser aproveitada. 

O sistema radicular pivotante permite a ciclagem de nutrientes do solo, as hastes e folhas têm boa produção de massa verde, as flores atraem polinizadores para as áreas de plantio e os aquênios (principal parte comercializada) são fontes de óleo. 

rotação de cultura com girassol - O sistema radicular do girassol, bastante ramificado e profundo auxilia na descompactação de solos adensados e na absorção de água e nutrientes

O sistema radicular do girassol, bastante ramificado e profundo auxilia na descompactação de solos adensados e na absorção de água e nutrientes
(Fonte: Michael Palomino, 2018)

Com preços aquecidos e uma grande versatilidade de comercialização, o girassol se apresenta como uma excelente alternativa para a segunda safra (safrinha).

Aspectos importantes de manejo

Ninguém quer perder a lucratividade, seja na safra verão ou na safrinha! 

O girassol é uma cultura que se desenvolve bem na maioria dos solos brasileiros e pode ser cultivado em praticamente todo o país.

Um dos maiores problemas do cultivo do girassol está no estabelecimento e uniformidade das plantas.

A população adequada varia de 40 mil a 45 mil plantas por hectare, com espaçamento entre linhas entre 50 cm e 90 cm. 

Assim, é buscado o estabelecimento de três plantas por metro linear, devendo ser a semeadura uma operação cuidadosa.

Veja alguns cuidados que devem ser tomados na implantação da cultura para evitar perdas.

  • sementes de qualidade e de cultivares adaptados à região;
  • escolha de áreas sem problemas de acidez e compactação;
  • época de semeadura, baseada no zoneamento agroclimático da região;
  • correta adubação;
  • cuidados na semeadura para um bom estabelecimento e uniformidade de plantas.

Outro desafio a ser enfrentado no cultivo do girassol está na pequena quantidade de defensivos agrícolas registrados para a cultura.

Além disso, áreas com alta incidência de aves podem ser alvos de ataques, prejudicando a produtividade da lavoura.

Apesar desses riscos, existe um bom mercado para a venda. A  inserção do girassol na rotação de culturas é uma alternativa rentável e sustentável para a sua propriedade.

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Conclusão

O girassol é uma oleaginosa com grande potencial energético. Por isso, é uma ótima alternativa para a rotação de culturas nas regiões produtoras de grãos.

Seu sistema radicular pivotante auxilia na descompactação de solos adensados.

A cultura pode ser utilizada no outono-inverno, na rotação e/ou sucessão de culturas com soja, milho e algodão.

É utilizada na produção de óleos para alimentação humana, para a produção de biodiesel e para produção de farelo para a alimentação animal. Além disso, possui flores que enchem os olhos de todos que se deparam com a cultura.

Agora que você tem essas informações, pese vantagens e desvantagens para cogitar o plantio de girassol em sua próxima safra ou safrinha!

>> Leia mais:

“Por que realizar a cobertura de solo no inverno”

Restou alguma dúvida sobre rotação de cultura com girassol? Quais espécies agrícolas você utiliza para a rotação em sua propriedade? Adoraria ler seu comentário abaixo!

Tudo sobre tombamento da soja e como fazer o melhor manejo

Tombamento da soja ou Damping off:  entenda quais são as causas, sintomas, importância e manejo dessa doença.

O tombamento da soja é uma doença que pode causar perda de produtividade, afetar a qualidade dos grãos, promover a morte das plantas e falhas na lavoura.

Para evitar esses problemas, é importante conhecê-la melhor e saber quais medidas de manejo são mais adequadas. Isso vai ajudar a reduzir as perdas na lavoura já em sua fase inicial. 

Confira tudo isso e mais a seguir!

O que é tombamento da soja e damping off? 

O tombamento da soja é uma doença causada principalmente por alguns fungos presentes no solo, que habitam os restos vegetais e se alimentam deles.

Damping off é um termo genérico para designar doenças que atingem as sementes (fase de germinação) e as plântulas (após a emergência). Nessa fase, sementes e brotos ainda estão desenvolvendo os tecidos vegetais e dependem das reservas da semente. 

Essas doenças são consideradas doenças da fase inicial do ciclo da soja.

Os efeitos do tombamento na soja geram redução e falha no estande da lavoura, podendo causar redução na produtividade de 30% a 60% em áreas e lavouras infestadas. 

Em ataques severos, pode ser necessário realizar a ressemeadura da área, elevando extremamente o custo da lavoura.

Agentes causadores

Vários patógenos de solo podem causar o tombamento da soja, como os fungos Rhizoctonia sp., Phytium sp.,   Rhizoctonia sp., Colletotrichum sp., Sclerotium rolfsii  e Fusarium sp. Esses são extremamente agressivos e causam a morte das plântulas rapidamente.

Alguns podem causar sintomas durante o ciclo da cultura da soja e não só na fase inicial, mas neste texto, vamos considerar somente os ataques na fase inicial do ciclo da cultura.

Os patógenos que causam damping off possuem grande adaptabilidade em relação ao solo e são considerados bastante agressivos

Eles produzem enzimas que causam a decomposição das plântulas/sementes, que servirão de nutrientes para esses patógenos.

Como a distribuição desses patógenos pode não ser homogênea na área, podem ser observados sintomas em reboleiras

Além disso, esses patógenos não apresentam especificidade em relação ao hospedeiro, ou seja, os fungos podem afetar mais de uma cultura.

Principais sintomas do tombamento da soja

Os patógenos podem afetar as sementes antes do estágio de plântula, causando apodrecimento mole nas sementes. Esse sintoma faz com que o broto não consiga sequer emergir. 

Outros sintomas que podem ser observados são o escurecimento dos tecidos e perda de turgidez, manchas marrons encharcadas na extremidade da raiz principal em pré-emergência, que escurecem e sofrem apodrecimento flácido. 

Como consequência, a planta morre ou as plântulas têm seu crescimento reduzido.

Quando as plântulas já estão em pós-emergência, um sintoma muito característico é o escurecimento do colo da plântula (estrangulamento parcial do colo da planta). 

Além disso, as folhas cotiledonares ficam amareladas e caem com o tempo. A plântula fica enfraquecida, tomba e morre. Também é possível observar o escurecimento das raízes.

Plântulas com sintomas típicos (lesões deprimidas marrom-avermelhadas no hipocótilotombamento de pós-emergência) com ataque de Rhizoctonia solani

Plântulas com sintomas típicos (lesões deprimidas marrom-avermelhadas no hipocótilotombamento de pós-emergência) com ataque de Rhizoctonia solani
(Fonte: Augusto César Pereira Goulart em Research gate)

O ataque de Rhizoctonia solani ocorre entre a pré-emergência e até 30 dias depois desse estágio. Temperatura e umidade elevadas são favoráveis ao patógeno. 

Inicialmente, ocorrem estrias nas raízes, que progridem para podridão seca. Também pode ocorrer o estrangulamento da haste ao nível do solo (como observado na foto acima). 

Vale lembrar que os sintomas de cada fungo podem ser diferentes.

Além da presença do patógeno e da cultura, é importante haver as condições adequadas para o desenvolvimento do patógeno, de acordo com o triângulo da doença (ambiente-patógeno-hospedeiro).

Normalmente, as condições favoráveis para a doença são temperatura e umidade elevadas. Altos volumes de chuva e alta temperatura podem causar essas condições.

Outro contribuinte para a ocorrência da doença é o solo mal drenado. Discutiremos esse assunto a seguir!

Medidas de manejo para o tombamento da soja 

Utilizar várias medidas de manejo em vez de uma é interessante, principalmente se for de modo integrado e consciente.

Variedades resistentes e controle químico são alternativas de manejo difíceis de serem utilizadas para esta doença.

Os patógenos que causam o tombamento não são específicos para a cultura, e é difícil acertar o produto químico e as variedades resistentes para esse grupo.

Assim, algumas medidas de manejo que podem ser utilizadas para o tombamento da soja são:

Um ponto importante que deve ser observado é o tempo que a semente leva para germinar. Quanto mais demora para ocorrer a germinação, maior o contato da semente com os patógenos no solo. 

Deve-se ter uma estratégia para  um processo de germinação mais rápido, podendo utilizar cultivares de soja com rápida germinação para reduzir o tempo de disponibilidade ao ataque dos patógenos.

Lembrando que para te auxiliar nas recomendações de manejo do tombamento da soja consulte um(a) agrônomo(a).

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Conclusão 

Muitas doenças afetam a cultura da soja e podem causar sérios prejuízos. Mas, uma doença que pode não ser identificada e passar despercebida pelo produtor é o tombamento da soja.

Neste texto, discutimos as características da doença e como ela pode afetar sua produtividade.

Também mostramos os principais sintomas e as medidas de manejo que tendem a ser mais eficientes.

Assim, após conhecer sobre o tombamento da soja, espero que você consiga evitar esse problema em sua lavoura!

>> Leia mais:

“Como o Manejo Integrado de Doenças pode reduzir custos e aplicações no seu cultivo”

Restou alguma dúvida sobre o tombamento da soja? Quais medidas de manejo você utiliza para evitar esta doença? Adoraria ver seu comentário.

Pivô central: entenda tudo sobre esse sistema de irrigação (+ planilha grátis)

Pivô central: entenda os princípios de funcionamento, os tipos de pivô, vantagens e desvantagens para fazer a melhor escolha!

A irrigação por sistemas de pivô central é a técnica de maior uso no Brasil atualmente: cerca de 1,6 milhão de hectares foram irrigados através desse sistema em 2020.

Mas o pivô central tem vantagens e desvantagens que precisam ser bem analisadas antes de se fazer um investimento – que costuma ser elevado.

Quer entender melhor o funcionamento desse sistema e saber quanto pode custar essa implantação de fato? 

Neste artigo, separamos essas informações e também uma planilha gratuita para que você estime os custos e decida se vale ou não a pena ter essa opção em sua fazenda. Confira a seguir!

Princípio de funcionamento do sistema de pivô central

O sistema de pivô central é baseado em três etapas principais: a captação de água, seu transporte para a torre central e sua distribuição por aspersão na lavoura.     

A etapa da captação consiste no bombeamento de água de uma fonte hídrica, seja ela superficial (rios, lagos, represas) ou subterrânea (poços, lençol freático).

Essa etapa é importante para a definição do potencial de área a ser irrigada, uma vez que, no pedido de outorga de água, são definidos vazão e  volume disponíveis para a irrigação.

O processo seguinte é o transporte da água da captação para a torre central através de uma adutora equipada, geralmente, com uma motobomba. 

O comprimento da adutora e a potência da motobomba são definidos de acordo com a distância e o desnível do terreno entre o ponto de captação e a torre do pivô.

A última fase do processo é a distribuição de água pelos aspersores através de uma tubulação aérea, sustentada pelas torres centrais e móveis.

No sistema típico de pivô central, as torres são movimentadas por um motor propulsor e giram ao redor da torre central, formando a clássica área circular de irrigação.

Diagrama esquemático das partes de um sistema de pivô central

Diagrama esquemático das partes de um sistema de pivô central
(Fonte: Adaptado de Testezlaf, 2015)

Porém, existem outras variações do sistema, como você verá em seguida.

3 principais tipos de sistemas de pivô

Em termos de estrutura e operação, existem 3 tipos principais de sistema de pivô central:

Pivô central fixo

É o sistema em que a torre central é ancorada em uma superfície de concreto. O sistema fica fixo em uma área específica, e forma uma superfície circular ao redor da torre central.

Pivô central rebocável

É um sistema similar ao fixo. Porém, a torre central é montada sobre dispositivo móvel, o que permite seu transporte para outras áreas, conforme necessário.

Pivô lateral

É um sistema de torres móveis que pode percorrer grandes áreas lineares, cobrindo uma área quadrada.

Exemplos de sistemas de irrigação pivô fixo e lateral

Exemplos de sistemas de irrigação pivô fixo e lateral
(Fonte: adaptado de Free3D)

Vantagens e desvantagens dos sistemas de pivô

Quando comparado a outros métodos de irrigação, os sistemas de pivô central apresentam vantagens e desvantagens.

Em termos da área coberta, o pivô central pode alcançar áreas grandes comparadas a outros sistemas. 

Uma limitação dos sistemas de pivô fixo ou rebocável é que há uma perda na área por causa da forma circular da aplicação. Além disso, um relevo menos plano pode limitar o uso desses sistemas.

Em relação à precisão da aplicação, o sistema de pivô apresenta alta eficiência e precisão de lâmina aplicada se comparado, por exemplo, ao sistema de canhão. Porém, é menos preciso que sistemas de gotejo.

As condições ambientais, como o vento, podem ser limitantes à irrigação por pivô central devido à deriva, diminuindo a precisão.

A mão de obra necessária para controle e operação dos sistemas de pivô é baixa se comparada a outros sistemas. Além disso, um sistema pode ter vida útil de 15 a 20 anos, mas recomenda-se manutenção preventiva antes da safra.

Uma vantagem adicional do sistema de pivô é a possibilidade de fazer a fertirrigação (adição de fertilizantes à água de irrigação). Porém, a aspersão de água na planta toda pode aumentar a incidência de doenças, por criar um microclima favorável.

O uso da irrigação por pivô central utilizando o método Lepa pode trazer vantagens ao sistema de pivô convencional. 

Ele diminui o requerimento de energia, aumenta a precisão de aspersão da lâmina, diminui a deriva por vento, o molhamento das plantas e os riscos de doenças.

Custos de implantação de um pivô central 

O sistema de pivô apresenta um custo de implantação mais elevado que outros sistemas. Ainda, os custos de manutenção e energia são geralmente mais elevados devido à necessidade de movimentação do sistema pelo campo. 

Para que você possa fazer um planejamento desse investimento com mais segurança, preparamos uma planilha gratuita com o que você precisa considerar para cada área a ser irrigada. 

O que considerar para investir em um sistema de irrigação

Tenha em mente que, além dos valores estimados, dentre os fatores mais importantes para o bom desempenho de um sistema de irrigação, destacam-se: 

  • projeto inicial de qualidade
  • água disponível
  • tipos adequados de solo e topografia
  • disponibilidade e uso de energia
  • tipos de cultura.

A escolha por um pivô central ou outro método de irrigação que seja de fato eficiente para sua lavoura também envolve fatores como características topográficas, climáticas, tecnológicas e de mão de obra da propriedade, bem como o perfil financeiro do produtor.

Por isso, vale contatar um profissional capacitado para te ajudar nesse processo!

>> Leia mais: “Plantação de milho irrigado: quando compensa?”

Conclusão

O sistema de pivô central apresenta vantagens e desvantagens em comparação a outros. Porém, a extensão de seu uso no país mostra sua eficiência. 

Neste artigo, vimos os princípios de funcionamento do pivô central e diferentes tipos.

Lembre-se que, por se tratar de um sistema de alto custo de implantação, ter um projeto inicial bem feito é decisivo para o sucesso do investimento.

Aproveite essas informações e a planilha gratuita para fazer a melhor escolha do sistema de irrigação para sua fazenda!

>> Leia mais:

“Como a irrigação de precisão pode otimizar o uso da água e gerar economia na fazenda”

“Tudo o que você precisa saber sobre os tipos de irrigação na agricultura para acertar na escolha”

Você utiliza o pivô central na sua lavoura? Restou alguma dúvida? Assine nossa newsletter e receba mais artigos por e-mail!

As melhores práticas para o reúso da água na agricultura

Reúso da água na agricultura: saiba como algumas práticas simples podem preservar e otimizar esse recurso primordial para a produção agrícola.

Os recursos hídricos são muito valiosos para a produção agrícola. Planejar o seu uso e a sua preservação é muito importante para a atividade e, claro, para o meio ambiente em geral.

O campo demanda milhares e milhares de litros de água por dia e promover um uso mais consciente desse recurso dribla a escassez e ainda pode diminuir os custos em sua propriedade.

Neste artigo, separamos algumas das principais práticas que podem te ajudar a fazer o reúso da água na agricultura. Confira a seguir!

Onde está localizada a água doce?

Antes de falar sobre o reúso da água na agricultura, vale lembrar como é a distribuição da água doce no mundo. 

Cerca de  12% de toda a água doce disponível para consumo no planeta está no Brasil.  Além do Rio Amazonas ser o maior em vazão no mundo, há também dois significativos aquíferos: o Guarani e o Alter do Chão. 

Nove países concentram cerca de 60% de todo o suprimento de água doce do mundo: Brasil, Rússia, China, Canadá, Indonésia, EUA, Índia, Colômbia e a República Democrática do Congo.  

Outros países buscam alternativas para suprir suas necessidades. É o caso de Israel, com cerca de 60% do território localizado no deserto. Atualmente, é líder em tecnologias de reúso de águas dessalinizadas e de esgoto doméstico e assim abastece a necessidade de sua agricultura.  

O processo produtivo da agricultura é o que mais consome água, segundo dados do Programa Mundial de Avaliação da Água da ONU (Organização das Nações Unidas).

Setenta por cento de toda a água é utilizada exclusivamente na agricultura. No Brasil, a distribuição ocorre da seguinte maneira: 72% destinada à agricultura, 11% à produção animal, 9% distribuída nas cidades e 1% distribuição para consumo em áreas rurais. 

A quantidade de água no planeta é sempre a mesma, mas seu ciclo é constante. Se está ocorrendo uma seca em algum local, a água está em outro lugar do planeta ou em outro momento de seu ciclo.

O que é considerado água de reúso? 

A água de reúso é aquela usada mais de uma vez antes de voltar para seu ciclo natural.

Nós temos o reúso potável e reúso não potável, de acordo com o fim da sua utilização, além do reúso direto ou indireto, potável planejado ou não planejado. 

O que as práticas de reúso fazem é promover a disponibilização de água de uma forma mais prática e localizada. Vamos entender um pouco melhor como essas práticas podem ajudar na agricultura.

Sistemas de captação da água da chuva para reúso na agricultura

O índice pluviométrico no Brasil, mesmo com suas variações ao longo do território, apresenta uma situação bem confortável de chuvas. Aqui você pode ver um mapa interativo da precipitação média anual no país. 

As águas de chuva são encaradas atualmente pela legislação brasileira como efluentes, pois usualmente vão dos telhados e dos pisos para os bueiros. Ali, como “solventes universais“, carregam todo tipo de impurezas.

Essa água pode ser encaminhada a algum córrego direcionado ao rio, que vai suprir uma captação para tratamento de água potável. 

No campo, os sistemas de captação de água da chuva (como as cisternas) são uma das formas de aproveitamento. 

As vantagens do uso desses sistemas de captação são redução de custo, operação simples e sustentabilidade

Confira os principais sistemas:

Cisternas Calçadão e de Enxurrada

A infraestrutura é um calçadão de cimento construído na parte mais baixa do terreno. Através de canos, a água da chuva que cai no calçadão escoa para a cisterna. 

A captação da água da chuva se dá por meio do leito de enxurradas, escorrendo para um decantador e, após uma filtragem, para a cisterna.

Barragem subterrânea 

A infraestrutura é uma vala forrada por uma lona de plástico e depois fechada novamente. A vala vai até a camada de rocha, parte impermeável do solo. Com isso, cria-se uma barreira que mantém a água da chuva escorrendo por baixo da terra. 

Tanques de pedra

São fendas largas, barrocas ou buracos naturais, normalmente de granito, construídas em áreas de serra ou lajedos. 

Podem ser construídas paredes de alvenaria na parte mais baixa ou ao redor do caldeirão natural, e servem como barreira para acumular mais água. 

Curvas de nível

Em locais com declividade superior a 45%, as curvas promovem um cordão em infiltração da água de chuva no solo de forma lenta, trazendo de volta o fornecimento de água em quantidade e qualidade.

Barreiros Trincheira

São tanques longos, estreitos e fundos escavados no solo, como as pequenas barragens (barraginhas) desenvolvidas pela Embrapa Milho e Sorgo

A captação de água de chuvas impede o aparecimento de erosões e recupera áreas degradadas.

foto de barraginha, tanque estreito e fundo escavado no solo - artigo sobre reúso de água na agricultura

Barraginha
(Fonte: Embrapa Milho e Sorgo)

Reúso de água de esgoto

A reciclagem, recuperação e reutilização de águas residuárias é uma alternativa que já é realidade em muitos países.

Também é uma realidade que, segundo o Relatório de Desenvolvimento Mundial da Água das Nações Unidas de 2015, 80% das águas residuais do mundo são despejadas no ambiente sem tratamento

O tratamento é indispensável para a reutilização por evitar exposição a patógenos e doenças, além da contaminação do ambiente devido a metais pesados no solo.

No uso com fins agricultáveis, as situações de maior exposição à contaminação são em água de irrigação de hortaliças e frutas. Nesse processo, o tempo do contato e manipulação da colheita interferem ou não no risco. 

Existem pequenas estações que possibilitam a instalação local de tratamento da água na propriedade. 

foto de estação de tratamento de esgoto no campo

Estação de tratamento de esgoto
(Fonte: Embrapa)

Outras práticas para o reúso de água na agricultura

A proteção da fonte é mais que necessária. O modelo de construção de um dique para locais declivosos, chamado Sistema Caxambu, tem como objetivo realizar o armazenamento da água. 

Assim, a água é protegida e canalizada direto da fonte para as residências ou para fins agricultáveis, além de ser uma medida fácil e eficiente.

Na mureta, são instaladas 3 saídas com cano PVC. A inferior realiza a limpeza da fonte; a segunda canaliza a água para o local de consumo; e a superior serve para drenar o excedente, para que o fluxo natural da água não seja totalmente interrompido.

As bitolas devem ser dimensionadas de acordo com a capacidade de vazão da fonte. A parte superior é revestida com lona 200 micras e coberta com terra (mínimo 20 cm). 

Esse sistema é importante para terrenos com granulometria arenosa ou areno-argilosa

Filtro utilizado em propriedades agropecuárias com o propósito de purificar a água oriunda de lagoas naturais com vegetação aquática e a água das chuvas

Filtro utilizado em propriedades agropecuárias com o propósito de purificar a água oriunda de lagoas naturais com vegetação aquática e a água das chuvas 
(Fonte: Epagri)

Outra prática para o manejo de água de uma parte mais baixa do terreno para uma alta é o carneiro hidráulico, uma ótima opção, de baixo custo e simples.

Exemplos e legislação para reaproveitamento de água

A indústria sucroalcooleira foi uma das primeiras a realizar as práticas de reutilização de água residuárias, através da reciclagem das águas originárias das destilarias de álcool para uso na irrigação dos canaviais. 

Para que se avance nas práticas de reúso da água com fins agricultáveis no Brasil é necessária a criação de um legislação federal mais específica para a prática, com parâmetros e normas claras. 

Somente algumas legislações estaduais e municipais são modelo, como o estado do Ceará e o município de Maringá (PR).

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Conclusão

Os recursos hídricos são muito valiosos para a produção agrícola. Planejar o seu uso e a sua preservação é muito importante para a atividade. 

Pequenas ações podem promover a sustentabilidade da sua propriedade. 

Por exemplo, o  armazenamento de água pluvial fornece a demanda necessária e sana complicações, como as enfrentadas com as constantes crises no fornecimento e disponibilizando água para a sua produção. 

Espero que, com as informações adquiridas aqui, você possa pensar em mais práticas para reutilização da água em sua propriedade!

>> Leia mais:

“Agricultura irrigada e produtiva”

“Irrigação com drip protection: conheça as vantagens e cuidados necessários”

Restou alguma dúvida sobre reúso de água na agricultura? Você utiliza algum dos métodos citados aqui? Deixe um comentário!

O que é a mancha alvo do algodoeiro e como ela pode afetar a sua lavoura

Mancha alvo do algodoeiro: saiba quais são os sintomas, como ela afeta a lavoura e como manejar a doença no algodoeiro.

A mancha alvo é uma doença de grande impacto econômico para a agricultura e que tem preocupado muitos produtores de algodão nos últimos anos.

Seu controle não é tão simples, já que a disseminação do fungo na lavoura ocorre pela ação do vento e pelas gotas de água da chuva. Isso favorece a repetição de ciclos da doença na área.

Nesse artigo, vou te mostrar os principais sintomas da mancha alvo do algodoeiro e como fazer o manejo ideal da doença. Confira a seguir!

Importância da mancha alvo do algodoeiro

A mancha alvo é uma doença causada pelo fungo Corynespora cassiicola. Ela tem ampla ocorrência nas áreas agricultáveis e causa prejuízos em diversas culturas, principalmente na soja. Nos últimos anos, também tem ganhado notoriedade na cotonicultura.

O patógeno tem a capacidade de sobreviver em restos culturais e em hospedeiros alternativos, favorecendo repetidos ciclos da doença na área, o que dificulta seu controle. 

Os esporos do fungo podem ser disseminados na lavoura pelo vento e por gotículas de água da chuva.

Principais sintomas da doença

Os sintomas iniciais da mancha alvo no algodoeiro podem ser observados nas folhas do terço inferior da planta. 

É comum que a doença se manifeste após o fechamento da entrelinha. O elevado número de folhas do algodoeiro e os espaçamentos adensados favorecem o desenvolvimento do fungo Corynespora cassiicola, uma vez que as folhas do baixeiro estão sob condições de alta umidade e temperatura. 

Na fase inicial, é possível observar pequenas pontuações escuras com halo amarelo nas folhas. Com o agravamento da doença, essas lesões evoluem e assumem formatos maiores, podendo ser irregulares ou circulares.

As lesões circulares apresentam anéis concêntricos de tecido necrosado em seu interior, o que lembra o formato de um alvo. Por esse motivo, o nome da doença: mancha alvo.

foto de lesão sintomática típica da mancha alvo em folha do algodoeiro

Lesão sintomática típica da mancha alvo
(Fonte: University of Tennessee Institute of Agriculture)

foto de sintomas de mancha alvo nas folhas e brácteas do algodão

Sintomas de mancha alvo nas folhas e brácteas do algodão
(Fonte: University of Tennessee Institute of Agriculture)

Outro sintoma observado é a queda prematura das folhas. A desfolha e as lesões foliares diminuem a capacidade da planta de realizar a fotossíntese. Por consequência, há prejuízos no desenvolvimento das plantas e redução da produtividade. 

foto de desfolha do algodoeiro causada pela mancha alvo

Desfolha do algodoeiro causada pela mancha alvo
(Fonte: University of Tennessee Institute of Agriculture)

Considerando os danos causados pelo fungo, a queda da produtividade está relacionada à perda da área fotossintética da planta. 

Em outras palavras, o tecido necrosado das folhas não é mais capaz de impedir a radiação solar e realizar fotossíntese. Dessa forma, há queda na produção de fotoassimilados e, consequentemente, da produtividade. 

Doenças, nematoides, ataque de insetos e toxidez por fertilizantes ou pelo uso incorreto de produtos fitossanitários também provocam alterações nas folhas, como clorose ou queima

Assim, é importante ter uma diagnose correta da doença para fazer o manejo adequado, como vou explicar melhor a seguir. 

Como fazer o manejo da mancha alvo do algodoeiro

O manejo da mancha alvo no algodoeiro requer monitoramento constante para evitar que a doença evolua e cause prejuízos. 

Dessa forma, o método químico de controle é um dos utilizados no combate a essa doença.

Dentre as moléculas registradas para o controle da mancha alvo no algodão, podemos citar:

  • epoxiconazol + fluxapiroxade + piraclostrobina 
  • protioconazol + trifloxistrobina
  • bixafem + protioconazol + trifloxistrobina
  • fluxapiroxade + piraclostrobina 
  • azoxistrobina + mancozebe + tebuconazol
  • azoxistrobina + mancozebe 

No controle químico, é importante seguir as recomendações técnicas quanto à forma de uso do produto, época e tecnologia de aplicação, dose e volume de calda.

Outra sugestão é a rotação de produtos com diferentes mecanismos de ação para evitar a pressão de seleção na área. 

Além disso, algumas práticas podem ser adotadas junto ao uso de fungicidas para evitar que a doença se estabeleça, como:

  • manejo da altura das plantas de algodão com reguladores de crescimento;
  • controle de plantas daninhas (hospedeiras alternativas);
  • incorporação dos restos culturais;
  • evitar espaçamentos adensados;
  • seguir as recomendações quanto à população de plantas;
  • parcelamento da adubação nitrogenada;
  • rotação de culturas com espécies não hospedeiras;
  • evitar a sucessão de plantio algodão-soja, uma vez que são culturas suscetíveis à mancha alvo.

Ainda não há cultivares de algodão resistentes à mancha alvo. Dessa forma, o manejo deve ser voltado para práticas que desaceleram ou interrompam o desenvolvimento da doença. 

Vale lembrar que quanto antes a doença for detectada, mais eficiente será o controle e menores serão os danos. 

Como o NDVI pode ajudar a monitorar a doença na lavoura?

O NDVI (Normalized Difference Vegetation Index) vem sendo amplamente utilizado para monitorar diferentes aspectos das lavouras. Como a mancha alvo é uma doença que ataca a parte aérea do algodão, essa tecnologia permite observar o comportamento e a evolução da doença pelos mapas. 

É possível também avaliar o nível de desfolha, identificar o foco da doença na área, plantas mortas, quantificar danos e determinar o melhor momento da aplicação de fungicidas. 

A presença da mancha alvo no algodão diminui a cobertura foliar da planta, e consequentemente, altera o valor NDVI. Essa modificação irá resultar em mapas diferentes daqueles gerados para a mesma lavoura antes da presença da doença.

Assim, é possível traçar estratégias de manejo adequadas para o controle da doença, uma vez que irregularidades no campo podem ser detectadas ainda em fase inicial.

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Monitore mais facilmente a saúde da sua lavoura com o Aegro Imagens. Receba mapas atualizados em uma frequência de 3 a 5 dias e visualize os índices de vegetação de cada talhão, juntamente com as operações agrícolas que foram realizadas no local.

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Conclusão

A mancha alvo é uma doença fúngica causada pelo patógeno Corynespora cassiicola e que ataca culturas de interesse agronômico, como o algodão. Os principais sintomas são visíveis nas folhas: lesões e desfolha precoce.  

O manejo da mancha alvo no algodoeiro inclui ações combinadas de modo a preservar a sanidade da lavoura e evitar ou retardar a disseminação da doença na área. 

Tendo em vista os sintomas causados, os mapas NDVI também podem ser uma importante ferramenta no gerenciamento das lavouras. Eles reúnem informações que possibilitam observar padrões na área, avaliar a condição dos plantios e se antever aos problemas. 

Espero que com essas informações você possa fazer um manejo eficiente da doença em sua lavoura!

>> Leia mais:

“6 principais doenças do algodão e como controlá-las na lavoura”

Você já teve problemas com mancha alvo do algodoeiro? Conte pra gente sua experiência nos comentários! 

Semeadora mecânica ou pneumática: qual é a melhor opção para a sua lavoura?

Semeadora mecânica e pneumática: confira as vantagens, desvantagens e recomendações para o uso em sua propriedade

O processo de semeadura é uma das etapas mais importantes na formação de cultivos agrícolas. Ele impacta na taxa de germinação de sementes, na população inicial e no vigor de plântulas, além de influenciar muito nos resultados de produtividade.

Existem dois tipos básicos de maquinários para semeadura que normalmente são utilizados na atualidade: as semeadoras mecânicas e as pneumáticas.

Ambas apresentam vantagens e desvantagens e podem ser indicadas de acordo com as características da área e da propriedade.

Neste artigo, você verá as principais diferenças técnicas entre as duas opções de semeadoras, suas recomendações, custos e impactos na formação da lavoura. Confira!

Qual a importância da semeadura na atividade agrícola?

A semeadura é uma atividade inicial do processo de produção agrícola, essencial para a definição da produção potencial ao final do ciclo de cultivo.

É durante a semeadura que se define:

  • o estande inicial;
  • a distância entre plantas e linhas de semeadura;
  • a população total por área.

Isso definirá o grau de competição entre plantas por luz, nutrientes e água, podendo potencializar a produção de biomassa, quando feito de maneira correta.

Além da necessidade de entregar sementes em quantidade e espaçamento ideal, condições ótimas para a germinação de sementes são criadas através da profundidade de semeadura, aumentando a taxa de germinação e o vigor de plântulas.

O que interfere na qualidade da semeadura?

A semeadura, junto aos processos e insumos utilizados nela, é responsável por grande parte dos custos de produção de um cultivo, desde o preparo do solo até a colheita. 

Esses valores podem variar de acordo com a cultura, mas estão entre 40% e 50% do custo total de produção em grãos.

Esse fato aumenta a necessidade de uma semeadura de qualidade e com o mínimo de falhas possíveis. 

Dentre os fatores que mais afetam a qualidade da semeadura, podemos listar os seguintes:

  • semente: a qualidade da semente deve ser julgada não só por seu potencial de germinação e pelas suas características fisiológicas. É importante ressaltar a homogeneidade de características físicas e morfológicas como tamanho e forma, o que pode impactar no desempenho das semeadoras;
  • semeadora: a escolha da semeadora acontece em função da cultura, do tipo de plantio e das características do solo. Algumas atividades executadas pela máquina semeadora são: corte de palhada, abertura de sulco, distribuição e cobertura de sementes e disposição de fertilizantes;
  • solo: a cobertura do solo, sua umidade e características físicas como granulometria, estrutura, densidade, constituição e topografia podem alterar a qualidade de semeadura e interferir na decisão do maquinário.

Diferenças entre semeadoras mecânicas e pneumáticas

Ao longo do tempo, muitas foram as formas utilizadas por agricultores para a execução da  semeadura. Atualmente, as principais opções para semeadoras são as mecânicas e as pneumáticas.

As semeadoras mecânicas funcionam com base na distribuição de sementes por meio da gravidade. Essas sementes são colocadas em discos que podem ser dispostos na direção vertical, horizontal e inclinada.

Já as semeadoras pneumáticas são mais modernas e funcionam com base na distribuição de sementes através de vácuo. As sementes são retidas em furos pela pressão negativa gerada.

Sistemas de distribuição de sementes em semeadoras mecânicas (esquerda) e pneumática (direita)

Sistemas de distribuição de sementes em semeadoras mecânicas (esquerda) e pneumática (direita)
(Fonte: Mais Soja, 2018)

Hoje em dia, nas propriedades brasileiras, 70% das semeadoras são mecânicas. Porém, a maior disponibilidade de semeadoras pneumáticas, em conjunto com preços mais acessíveis, deve gerar uma igualdade, em porcentagem, em um futuro próximo.

Vantagens e desvantagens dos dois sistemas

Podemos comparar as semeadoras mecânica e pneumática usando vários parâmetros. A seguir, mostramos alguns dos mais importantes:

Custo

As semeadoras mecânicas são, em geral, mais baratas que as pneumáticas. São mais acessíveis para produtores com menores áreas ou investimentos, também por apresentar menor depreciação. 

Já as pneumáticas são mais caras em preço de aquisição e manutenção e, pela tecnologia envolvida, têm maior depreciação.

Tecnologia

As semeadoras pneumáticas apresentam um grau de tecnologia maior que as mecânicas. Isso se dá pela presença de um sistema mais moderno de controle de distribuição da semente. 

Operação

As semeadoras mecânicas necessitam de ajuste e adequação de discos dependendo do tipo da cultura a ser semeada. Isso demanda um maior cuidado e gasto de tempo na operação.

A semeadora pneumática, por sua vez, tem menor necessidade de ajustes durante a operação, pois o sistema de vácuo se adequa a diversos tamanhos e tipos de semente.

Energia

As semeadoras pneumáticas precisam, normalmente, de tratores de maior potência e apresentam maior gasto de energia pela presença da turbina de vácuo. 

As mecânicas são mais robustas e necessitam de menor energia para a operação.

Qualidade

Ambos os tipos são capazes de executar a semeadura com alta qualidade quando bem reguladas e operadas. Porém, com a semeadora mecânica, há uma maior chance de dano mecânico na semente ao passar pelo sistema de discos.

Rendimento

Em termos de rendimento, a semeadora pneumática tende a cobrir uma área maior que a mecânica no mesmo tempo de trabalho. Isso porque a velocidade recomendada para as semeadoras pneumáticas é cerca de 2 km/h a mais que para as mecânicas.

Modelos de semeadoras mais usadas no país

Os maquinários agrícolas para semeadura são normalmente disponibilizados nos tipos de distribuição, mecânico ou pneumático. 

Além disso existem múltiplas opções como semeadoras para plantio convencional ou plantio direto, com ou sem adubadora, de acordo com o número de linhas, para sementes graúdas (milho, soja, algodão, feijão, sorgo e girassol) ou sementes finas (trigo, aveia, arroz, cevada e canola).

Aqui destacamos as marcas e modelos mais utilizados para plantio direto de sementes graúdas no Brasil.

Uma das marcas de maior uso no mercado nacional é a Tatu Marchesan, com os modelos mais comuns sendo o PST4 (mecânica) e o PST4 Suprema (pneumática). 

foto de semeadora azul e amarela da Tatu Marchesan

(Fonte: Tatu Marchesan)

Outra opção é a marca Jumil, sendo os modelos Exacta Air JM 8090 (pneumática) ou Magnum JM 8080 (mecânica) as mais comumente utilizadas.

Outras marcas são a John Deere em que a Série 1113 apresenta opções mecânica e pneumática para um número menor de linhas ou a série DB para maior número de linhas. 

Outra marca disponível é a Stara com a linha Prima (mecânica) e Victória (pneumática).

Além disso, existem outras opções como a Massey Ferguson com os tipos MF 512 MM (mecânica) e XH (pneumática), por exemplo. 

Uma opção adicional é a marca New Holland com a linha Sol Tower com as duas opções, mecânica e pneumática.

Conclusão

A semeadura é responsável por grande parte dos custos de produção de um ciclo de cultura. Sua qualidade é dependente de fatores como a escolha da máquina semeadora mais adequada, sendo que, atualmente, as mais usadas são as mecânicas e pneumáticas.

Essas semeadoras apresentam modos de funcionamento diferentes, assim como múltiplas vantagens e desvantagens, como vimos ao longo do texto. 

A escolha da semeadora deve ser feita de acordo com o tamanho da área, nível tecnológico e capacidade financeira do produtor.

Para áreas maiores e com altas demandas tecnológicas, as semeadoras pneumáticas podem ser mais efetivas devido à maior velocidade de operação e menor necessidade de manutenção. 

Já as semeadoras mecânicas podem ser recomendadas para áreas menores ou para produtores com menor condição financeira.

De qualquer modo, ambas são soluções viáveis, principalmente quando apresentam boas práticas de uso, como manutenção atualizada, regulagem apropriada e operação criteriosa. 

>>Leia mais:

Moderfrota: veja o que é preciso para conseguir recursos

“Regulagem de semeadora: 5 dicas para melhorar seu desempenho”

“Depreciação de máquinas: todos os cálculos de forma prática”

ferramenta Aegro para calcular custos operacionais com maquinário agrícola, calcule agora

Restou alguma dúvida sobre semeadora mecânica e pneumática? Qual você utiliza em sua fazenda hoje? Adoraria ler seu comentário!

O que você precisa saber sobre fenologia do milho

Fenologia do milho: o que é, como é dividida, fatores que interferem nos estádios fenológicos e mais.

A fenologia é o estudo das relações entre os processos biológicos e o clima, e inclui as diferentes fases do crescimento da planta.

Conhecer a fenologia das plantas te ajuda a determinar as necessidades da lavoura, saber quais fatores são críticos durante o ciclo e a realizar um planejamento de produção adequado às necessidades da cultura.

Confira neste artigo os estádios fenológicos da cultura do milho, aprenda a diferenciá-los e saiba o que afeta cada fase.

Aspectos gerais da fenologia do milho 

O ciclo da cultura do milho pode ser dividido em três grupos:

  1. superprecoce: até 110 dias;
  2. normal: entre 110 e 145 dias;
  3. tardio: maior que 145 dias.

Independente do ciclo, o desenvolvimento da cultura do milho (como o da maioria das culturas anuais) pode ser dividido em dois estádios: o vegetativo e o reprodutivo.

O que muda na fenologia da planta de milho em relação ao ciclo é o tempo de duração dos estádios fenológicos. 

ilustração com fases de desenvolvimento do milho desde vegetativo até reprodutivo

Fases de desenvolvimento do milho
(Fonte: adaptado da Universidade de Kansas)

O estádio vegetativo começa com a germinação e emergência e termina com o pendoamento. A partir do pendoamento, começam os estádios reprodutivos, que terminam no ponto de maturidade fisiológica do grão.

No geral, os estádios vegetativos são diferenciados pela quantidade de folhas da planta, e os reprodutivos pelo desenvolvimento da espiga.

A importância de conhecer estes estádios é saber quais são as principais fases que determinam o potencial produtivo da cultura, além de quais fatores interferem nessas fases.

Assim, é possível adotar as melhores práticas de manejo para que você consiga ter o máximo potencial da sua lavoura.

Estádio vegetativo

Os estádios vegetativos começam no VE e terminam no VT. Ocorrem vários estádios entre o início e o final da fase vegetativa. 

Vale lembrar que a definição da fase vegetativa é a quantidade de folhas totalmente desenvolvidas.

tabela com exemplos dos estádios vegetativos da cultura do milho

Exemplos dos estádios vegetativos da cultura do milho
(Fonte: adaptado de Embrapa)

A folha desenvolvida é composta pela lâmina foliar, bainha, aurículas, lígulas e colar. Quando o colar fica visível, é considerado uma folha totalmente desenvolvida.

infográfico com componentes de uma folha desenvolvida - fenologia do milho

Componentes de uma folha desenvolvida
(Fonte: Ufal)

Por exemplo, o estádio V1 é caracterizado pela presença da primeira folha totalmente desenvolvida e vai até V18, V20, dependendo da cultivar ou híbrido utilizado. 

Abaixo vamos destacar os estágios vegetativos mais importantes para cultura do milho:

VE

VE compreende a germinação das sementes e a emergência das plântulas de milho.

Nessa fase, é preciso ficar atento à profundidade e uniformidade de semeadura, temperatura (ideal entre 25°C e 30°C) e à disponibilidade de água adequada. Estes são fatores fundamentais para uma emergência rápida e uniforme das plântulas.

V3 a V5

De V3 a V5, a planta ainda é pequena, com o ponto de crescimento abaixo do solo.

Neste período ocorre a definição do potencial produtivo da planta. No estádio V4, a perda de folhas pode reduzir a produtividade em 6% a 14%.

Em V5 já foi definida a quantidade de folhas e espigas que a planta irá formar, e a base de crescimento ainda se localiza abaixo da superfície do solo. Por isso, a temperatura do solo muito baixa pode prolongar o ciclo da cultura.

Falta e excesso de água são fatores importantes nesse momento. A falta irá prolongar mais os estádios vegetativos, e o excesso pode levar a planta à morte caso afete a gema apical (ponto de crescimento).

V6 a V10

No estádio V6, com seis folhas totalmente desenvolvidas, o ponto de crescimento e o pendão estão acima do nível do solo.

Isso reflete no crescimento mais rápido da planta. Além disso, o sistema radicular está em pleno funcionamento.

A adubação nitrogenada em cobertura deve ser realizada até estes estádios, pois no período entre V9 e V10 há maior necessidade da cultura.

Em V8, é definido o número de fileiras de grãos na espiga, e o excesso de água nesse período pode trazer prejuízos na produção.

Caso ocorra chuva de granizo, geada, ataque de pragas ou doenças que afetam grande parte da área foliar, há perda de produtividade de 38% a 62%.

De V9 a  V10, os órgãos florais iniciam um rápido desenvolvimento. E, a partir de V10, o tempo de um estádio a outro diminui, além de aumentar a necessidade por água.

V12 a V18

Em V12, o tamanho e o número de grãos em potencial de cada espiga é definido. Os estilos-estigmas, que são os cabelos do milho, começam a se desenvolver em V17.

A falta de água nessas duas semanas antes e duas semanas depois do florescimento e enchimento de grãos pode causar redução de 22% de produtividade.

VT ou pendoamento

O estádio VT (ou pendoamento) é definido quando o último ramo do pendão está completamente visível e os “cabelos” ainda não tenham emergido da espiga.

 A duração deste estádio até R1 depende do cultivar ou do híbrido utilizado.

Falta de chuva e temperaturas acima de 35℃ podem reduzir a formação de grãos de pólen. Isso causa falha na formação de grãos na espiga.

Representação dos estádios V3 (A); V9 (B); V18 (C) e VT (D) da cultura do milho

Representação dos estádios V3 (A); V9 (B); V18 (C) e VT (D) da cultura do milho
(Fonte: adaptado de Ritchie e colaboradores)

Estádio reprodutivo

Os estádios reprodutivos começam quando estilos-estigmas (cabelos) estão visíveis. São divididos em 6 estádios, descritos abaixo.

Exemplos dos estádios reprodutivos da cultura do milho

Exemplos dos estádios reprodutivos da cultura do milho
(Fonte: adaptado de Embrapa)

R1

No estádio R1 ou de embonecamento e polinização, os grãos de pólen são liberados para que ocorra a polinização. 

A quantidade de óvulos que serão fecundados é definida. Alguns fatores ambientais interferem nessa fecundação, causando baixa granação da espiga.

Temperaturas muito elevadas e falta de água causam problemas de desidratação dos grãos de pólen e dos cabelos da espiga. Nesse momento, deve haver uma atenção especial ao controle da lagarta-da-espiga que se alimenta dos estilos-estigmas.

R2

O estádio do grão bolha d’água tem essa denominação porque os grãos são basicamente um fluido, composto de açúcares.

De R2 a R5, falta de água, ataque de pragas e doenças da área foliar, desequilíbrio nutricional e falta de luminosidade afetam o acúmulo de matéria seca nos grãos. O peso e a produtividade dos grãos são afetados.

R3

Em R3, os açúcares dos grãos já estão se transformando em amido. Por isso, a denominação desse estádio é de grão leitoso.

Começa neste estádio a diferença de coloração da parte mais leitosa da parte mais dura (amido), comumente chamada de linha do leite.

O peso do grão é definido e este estádio ocorre entre 12 e 15 dias após a polinização.

R4

No estádio de grãos pastosos, a formação do amido é intensa e há ganho de peso do grão.

Ele já é mais consistente (cerca de 70% de umidade), com aproximadamente metade do peso que terá na maturidade fisiológica. 

R5

O teor de umidade do grão neste estádio está em torno de 55%. Os grãos começam a ficar farináceos e a linha do leite fica nítida neste ponto.

Neste estádio aparece uma concavidade na parte superior do grão, denominada “dente”.

Estresse, como o causado pela geada, causará redução da produtividade por afetar o peso dos grãos, além do aparecimento prematuro da camada preta, que indica a maturidade fisiológica.

R6

Esse estádio é caracterizado pela formação completa dos grãos na espiga. A camada do leite reduziu, apresentando o grão completo de amido. A camada preta, localizada na base dos grãos, indica a maturidade fisiológica

Os grãos apresentam o máximo acúmulo de matéria seca. Dependendo das condições ambientais, eles possuem 30%-35% de umidade e começa a acontecer a senescência natural das folhas.

Caso a colheita ocorra no início deste estádio, há necessidade de secagem dos grãos para o armazenamento. O teor de umidade ideal é de 13%-15% para milho em espiga.

Representação dos estádios reprodutivos da cultura do milho

Representação dos estádios reprodutivos da cultura do milho
(Fonte: adaptado de Fahl e colaboradores)

Conclusão

Neste artigo, você conheceu todos os estádios da fenologia do milho.

Viu que o tempo de ocorrência de cada estádio varia em função da cultivar e do híbrido utilizado. Aprendeu ainda a diferenciar os estádios fenológicos, tanto os vegetativos quanto os reprodutivos.

Além disso, viu os fatores que afetam os estádios fenológicos e que podem prolongar o ciclo do milho, além de afetar a produtividade.

Restou alguma dúvida sobre a fenologia do milho? Deixe seu comentário abaixo!