Entenda como a biotecnologia no algodão pode melhorar o controle de Spodoptera e Helicoverpa na sua lavoura

Biotecnologia no algodão: como novas cultivares Bt podem ser eficientes e trazer resultados mais positivos à produção

Diversos desafios são enfrentados pelo produtor para tirar da lavoura o máximo lucro. 

Os custos com aplicações de defensivos no controle de pragas e doenças podem representar uma fatia grande do orçamento, isso sem contar com possíveis danos ambientais e de saúde dos trabalhadores. 

Na cotonicultura, a tecnologia Bt pode ajudar a controlar duas pragas que dão muita dor de cabeça: Spodoptera frugiperda e Helicoverpa.

A seguir, entenda melhor como a biotecnologia no algodão pode ser benéfica para diminuir custos e melhorar a produtividade da sua lavoura!

A biotecnologia e o controle de pragas da lavoura

A biotecnologia vem auxiliando de forma estratégica no melhoramento de diversos setores. Com o setor primário não seria diferente. 

Plantas tolerantes à seca, ao ataque de pragas, resistentes a doenças, entre diversas outras características que vemos em inúmeras cultivares, estão ligadas aos processos de melhoramento vegetal e ao avanço da biotecnologia na agricultura.

Mas e o que é biotecnologia? A biotecnologia é um conjunto de técnicas que utilizam organismos no desenvolvimento de novos produtos, em geral modificando o material genético do produto foco. Daí vem o nome Organismos Geneticamente Modificados, os famosos OGMs.

A biotecnologia ocupa espaço importante na produção de novas cultivares. Estudos na área permitem a identificação e seleção de genes de interesse que são capazes de expressar características agronômicas desejáveis e melhorar a produção e a produtividade.

Como o avanço das pragas e doenças no campo é muito rápido, assim também precisa ocorrer o desenvolvimento de plantas que sejam resistentes e/ou tolerantes a determinado organismo. 

Além desta maior rapidez, a biotecnologia auxilia em transformações mais estáveis, o que pode conferir maior duração das características desejadas no campo. 

Não podemos esquecer que pragas e doenças também evoluem com o passar dos anos e desenvolvem estratégias genéticas para superar a resposta do sistema imune das plantas.

A tecnologia Bt utiliza os genes da bactéria de solo Bacillus thuringiensis. Essa bactéria produz proteínas tóxicas que determinam a morte de determinados tipos de insetos. Quando introduzido no material genético da planta, essas proteínas conferem ação inseticida.

imagem que representa laboratório - biotecnologia no algodão

(Fonte: Tecnologia Cultura)

Biotecnologia no algodão

A cotonicultura é uma cultura de alto valor no Brasil, sendo nosso país o quinto maior produtor e segundo maior exportador do mundo. 

Diversas pragas e doenças atacam as plantas do algodoeiro, mas as que causam danos diretos, no botão floral, são as de maior importância na cultura.

A lagarta-do-cartucho (Spodoptera frugiperda) e a lagarta Helicoverpa (Helicoverpa armigera) são dois exemplos de pragas que determinam enormes perdas na lavoura.

Essas lagartas podem danificar tanto plantas jovens quanto folhas, botões florais e as maçãs em desenvolvimento. 

Esses danos irão acarretar diminuição da produção e redução da qualidade das fibras.

foto de Helicoverpa em maçã de algodão

Helicoverpa em maçã de algodão 
(Fonte: Embrapa)

O algodão Bt traz em seu material genético a resistência ao ataque destas pragas de forma mais estável e duradoura. 

Mas não é de hoje que o algodão Bt está no campo. O primeiro algodão transgênico foi aprovado no Brasil em 2005 pela CTNBio (Comissão Técnica Nacional de Biossegurança). 

De lá para cá, muitas proteínas foram descobertas e, recentemente, novas cultivares foram lançadas no mercado.

Vantagens do algodão Bt

O algodão Bt traz vantagens para quem está no dia a dia na lavoura:

  • possui ação inseticida permanente na planta;
  • menores custos de aplicações;
  • menores danos nas plantas e, consequentemente, menor a perda econômica do cultivo;
  • menor agressão ambiental e de exposição dos trabalhadores rurais devido aos menores volumes de inseticidas aplicados.

Desvantagens do algodão Bt

  • mais investimento para aquisição das sementes.
  • manejo específico na aplicação da tecnologia.

Algodão Bt e controle das pragas Spodoptera e Helicoverpa

Recentemente foi lançada a biotecnologia Widestrike®3, na verdade em sua terceira geração.

Desenvolvida pela Corteva Agriscience e a Tropical Melhoramento & Genética (TMG), chega aos produtores na safra 2020/2021 com a promessa de alta produtividade e controle de amplo espectro das lagartas que atacam a cultura. 

As cultivares trazem no código genético modificado três proteínas das bactérias Bacillus thuringiensis, ou seja conteúdo Bt. 

A ação conjunta das proteínas Cry1F, Cry1Ac e Vip3A conferem às plantas potencial inseticida à Spodoptera e à Helicoverpa, simultaneamente.

Serão duas cultivares oferecidas no mercado com esta tecnologia: 

  • TMG 50WS3 – mais precoce, alto potencial produtivo, tolerância à ramulária e qualidade de fibra
  • TMG 91WS3 – alto teto produtivo, ampla adaptabilidade e elevado peso de capulho.

Estas cultivares são indicadas para os estados do Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Bahia, Piauí, Maranhão, Minas Gerais e São Paulo.

Ao utilizar desta tecnologia, existem ainda recomendações fundamentais quanto ao manejo destas plantas no campo:

Consulte sempre o técnico responsável pelo acompanhamento da sua lavoura para maiores orientações!

Como escolher a melhor cultivar de algodão para sua lavoura

Para escolha da melhor cultivar para plantio do algodão, existem diversas características edafo-climáticas que devem ser consideradas. 

Abaixo listamos algumas das mais importantes:

  • rendimento de fibra
  • produtividade ou rendimento de pluma
  • nível de resistência e tolerância a doenças e ao ataque de insetos
  • adaptabilidade ao clima da região
  • necessidades nutricionais 
  • necessidades de rega
  • rusticidade

Uma condição bastante relevante que você pode considerar na sua tomada de decisão é a presença de ensaios técnicos e de campos experimentais na sua região. 

Observe quais cultivares deram certo nestes casos e apresentaram bons resultados das características citadas acima. Isso pode ajudar a escolher a melhor cultivar de algodão para sua propriedade.

E lembre-se: o cultivo dentro do zoneamento agroclimático também deve ser considerado na sua escolha. Isso porque, além de já atestadas as melhores condições para produção, irá influenciar na tomada de seguro agrícola no caso de sinistro.

planilha de produtividade do algodão Aegro

Conclusão

O desenvolvimento da biotecnologia vem avançando a passos largos para auxiliar os produtores de algodão no seu sucesso na lavoura. 

Como vimos neste artigo, novas cultivares já trazem tecnologia suficiente para controlar de forma eficaz pragas como a Spodoptera frugiperda e a Helicoverpa.

Discutimos ainda as características que você deve considerar para a escolha de melhor cultivar para a lavoura.

Com as informações passadas aqui, espero que você aproveite todo o esforço científico investido, otimize as atividades rotineiras no campo e maximize seus ganhos no final da safra!

Você já utilizou cultivares Bt na sua fazenda? Restou alguma dúvida sobre biotecnologia no algodão? Vamos continuar essa conversa nos comentários abaixo!

Como acertar o cálculo de semeadura do algodão

Cálculo de semeadura do algodão: população ideal, regulagem de plantadeira e outras dicas para melhorar sua produtividade!

O planejamento da semeadura é essencial para alcançar o estande ideal de plantas e obter uma boa produtividade na cultura do algodão.

Além disso, as sementes representam uma fatia significativa dos custos de produção da lavoura, hoje estimados entre R$ 6 mil e R$ 8 mil por hectare, segundo o Imea. Portanto, minimizar os erros nesta etapa é fundamental para reduzir custos da fazenda.

Para que você acerte de uma vez por todas nos cálculos da semeadura do algodão, preparei este artigo com as principais recomendações. Você também verá algumas dicas de regulagem do maquinário e 12 pontos de atenção com a semeadora. Confira!

Cálculo de semeadura do algodão: comece pelo levantamento das áreas

O primeiro passo para acertar na semeadura do algodão é realizar o levantamento da área a ser semeada.

Um mapa com o desenho dos talhões e suas quantificações em hectares pode auxiliar na economia de milhares de reais.

Segundo os levantamentos do Imea (Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária), os custos de produção do algodão podem variar de R$ 6 mil a R$ 8 mil/hectare, dependendo das cotações do dólar e do estado brasileiro.

Tabela do Imea de custo de produção do algodão no Mato Grosso

(Fonte: Imea)

Sem o mapa das áreas, o erro de apenas 5 hectares pode acarretar um prejuízo de R$ 3.555,80 somente na compra de sementes, segundo os valores levantados pelo Imea para o estado do MT na safra 2020/21.

Com os mapas da área semeada e a correta regulagem das máquinas, a economia na semeadura pode ser superior a R$ 711 por hectare, ainda segundo o Imea.

Vale ressaltar a importância também de sempre usar sementes com boa procedência genética e qualidade fisiológica, uma vez que o sucesso no plantio é essencial para ganhos produtivos.

Vamos agora aos cálculos para atingir o estande ideal? Confira!

Quantidade de sementes de algodão por hectare

Para calcular a dose de sementes por hectares, você tem que considerar o poder germinativo das sementes e inserção de 5% ou 10% a mais do estande desejado.

Esse valor deve ser calculado sabendo que parte destas sementes inseridas no campo podem ser atacadas por pragas e doenças.

Dessa forma, iniciamos os cálculos com a seguinte fórmula:

fórmula cálculo de semeadura do algodão, Nº de plantas/ha =( estande desejado x 100 dividido pela porcentagem de germinação) x 1.1

Supondo um estande desejado de 120.000 plantas e uma % de germinação de 90:

fórmula Nº de plantas/ha =( 120.000 x 100 dividido por 90) x 1.1

O valor a ser semeado seria de 146.667 plantas por hectare para atingir o estande desejado de 120.000 plantas/ha, considerando 10% de inserção a mais devido a perdas por pragas e doenças.

O próximo passo é o cálculo de plantas por metro linear:

fórmula cálculo de semeadura do algodão, Nº de sementes/m = população de plantas/ ha  x espaçamento (m) dividido por 10.000

Para um espaçamento de 0,76 m entre linhas de plantio:

fórmula Nº de sementes/m = 146.667  x 0,76 dividido por 10.000

O número de sementes/m seria de 11,15.

Com o espaçamento de 0,76 m e uma população de plantas final de 120.000 plantas por hectare, a semeadora deverá ser regulada para distribuir 11 sementes por metro linear de sulco.

O próximo passo envolve o cálculo da necessidade em quilogramas para semear em 1 hectare e, posteriormente, a área total.

Cálculo de kg de sementes de algodão por hectare

Nessa etapa você tem que saber qual o peso de 1.000 sementes de algodão que irá utilizar.

Existem variações nos pesos de 1.000 sementes, de acordo com cada cultivar.

Esses números, geralmente, ficam por volta de 100 g a 200 g a cada 1.000 grãos de algodão.

Para calcular a quantia em kg que serão utilizados por hectare, podemos utilizar uma simples regra de 3. Supondo que o peso de 1.000 sementes seja igual a 125 g, temos:

cálculo de semeadura do algodão por hectare, sendo que mil sementes é igual a 125 gramas e 146 mil e 667 sementes é igual a x gramas.

Serão necessárias 18.333 g ou 18,34 kg de sementes de algodão por hectare

Vale ressaltar a importância de respeitar o arranjo espacial na semeadura do algodão, pois a cultura é suscetível à competição entre plantas, podendo apresentar menor produtividade.

Densidade por sistemas de cultivo

Atualmente, o algodão é semeado em dois sistemas de cultivo. O primeiro deles é o convencional, com espaçamento entre linhas igual ou superior a 0,76 m.

Nesse sistema, a semeadura é realizada como “safra principal”, ou primeira safra. São utilizadas de 6 a 12 sementes por metro linear, com população de plantas entre 70.000 e 120.000 plantas por hectare.

A colheita nesse sistema é feita por colhedora de fusos, propiciando um algodão de maior qualidade e menor contaminação das fibras.

foto de colhedora de algodão de fusos operando durante a noite  - cálculo de semeadura do algodão

(Fonte: John Deere)

O segundo sistema é o de semeadura adensada, trabalhando com espaçamentos menores que 0,76 m, geralmente, de 0,50 m e 0,45 m na entrelinha das plantas.

Esse sistema costuma ser adotado em sistemas produtivos de algodão de segunda safra, ou “safrinha”, semeados mais tardiamente (a partir de fevereiro).

Após a colheita da soja ou da cultura principal, o algodão selecionado para semeadura deve ser de ciclo curto ou médio, com o porte e os internódios reduzidos.

Devido ao pequeno porte das plantas, a população usada pode chegar a 200.000 plantas por hectare.

Nesse tipo de disposição de plantas, a colheita pode ser realizada com colhedora de fusos adaptadas ou colhedoras de pente, que são mais baratas. Porém, vale lembrar que a contaminação com colhedoras de pente é maior.

Com maior contaminação e perdas na qualidade da fibra, a lavoura conduzida em espaçamentos adensados deve estar sem a presença de plantas daninhas, com poucas maçãs imaturas e sem problemas de desfolha.

Devido a essa dificuldade na colheita, muitos produtores semeiam o algodão safrinha com espaçamento de 0,76 m entre fileiras, com populações entre 120.000 e 160.000 plantas por hectare.

Profundidade de semeadura e regulagem da plantadeira

A profundidade de semeadura das plantas do algodoeiro podem variar de 3 cm a 5 cm.

Para o caso dos solos mais argilosos e que armazenam mais água, o algodão pode ser semeado a uma profundidade de 3 cm.

Em solos arenosos e com baixa capacidade de armazenamento de água, a semeadura deve ocorrer a uma profundidade de 5 cm.

A semeadora deve estar regulada para depositar a taxa calculada de sementes por metro. Os discos devem ser selecionados de acordo com o tamanho das sementes dos híbridos utilizados.

Aqui no blog da Aegro nós já falamos sobre a regulagem correta das relações das engrenagens da semeadora. Saiba mais neste artigo: “Cálculo de semeadura da soja: 5 passos para a população de plantas ideal no seu sistema”.

Muitos fabricantes fornecem manuais de regulagem de acordo com o tipo de semeadora e equipamento utilizado no plantio.

12 pontos que você deve ter atenção na regulagem da semeadora de algodão

  1. Escolha correta dos discos e anéis de vedação;
  2. Escolha das engrenagens (em máquinas que apresentam esse sistema);
  3. Regulagem do fluxo de ar (semeadoras pneumáticas);
  4. Checagem de mangueiras de ar e óleo;
  5. Regulagem dos discos de profundidade de semeadura (carrinhos e pressão da mola);
  6. Regulagem do sistema de deposição de adubo (deve estar abaixo e ao lado da semente);
  7. Checagem dos discos de corte ou botinhas;
  8. Checar oxidações em partes de depósitos de adubo.
  9. Verificar o estado dos rotores denteados e roscas sem fim para deposição de adubo;
  10. Checar velocidade da semeadora (entre 4 km/h a 6 km/h, algumas até 10 km/h, dependendo do depositor de sementes);
  11. Calibragem dos pneus;
  12. Lubrificação da máquina e graxeiras.
planilha de produtividade do algodão Aegro

Conclusão

A semeadura correta do algodão permite que a lavoura tenha uma população ideal de plantas e melhor manejo da cultura. Isso possibilita maior produtividade e ganho com a safra.

Neste artigo, você conferiu como fazer o cálculo de semeadura do algodão para atingir o estande desejado. Também obteve recomendações de profundidade adequadas para solo arenoso ou argiloso.

Por fim, conferiu algumas dicas para a regulagem da semeadora, um passo fundamental para que o plantio seja o melhor possível!

>> Leia mais:

“Quais fatores impactam o preço do algodão para 2021?

Evite a rebrota da planta de algodão com esses 2 tipos de manejo

Você possui os mapas das suas áreas para semear o algodão? Gostou das dicas? Restou alguma dúvida? Adoraria ver seu comentário abaixo.

5 passos para acertar a aplicação do regulador de crescimento no algodão

Regulador de crescimento no algodão: vantagens do uso, época mais adequada de aplicação, dosagem e parcelamento ideal para a lavoura

O algodoeiro é uma planta perene e de ciclo indeterminado, por isso, podemos notar a importância do manejo do equilíbrio entre o crescimento vegetativo e reprodutivo.

No momento da colheita, é fundamental que a planta tenha no máximo 1,30 m de altura, condição que facilita e traz praticidade nas operações de manejo. 

Por isso, o uso de reguladores de crescimento pode trazer ganhos produtivos e também no que se refere à qualidade da fibra.

Para entender como tirar o melhor proveito deles, confira a seguir! 

O que é regulador de crescimento?

Regulador de crescimento é uma substância produzida que interfere no balanço hormonal da planta. Assim, afetam diretamente a forma como elas crescem e se desenvolvem. 

Na planta de algodão, o regulador é utilizado com enfoque nas máximas produções, estabelecendo um equilíbrio entre a fase vegetativa e reprodutiva. 

O crescimento e o desenvolvimento do algodoeiro pode ser controlado por fatores exógenos (luz, temperatura, água, dentre outros) e endógenos(hormônios). 

Solos com excesso de nitrogênio (N), solos úmidos e com temperaturas superiores a 32 ºC, por exemplo, favorecem o crescimento vegetativo da planta, o que diminui o índice de colheita. 

Desta forma, a utilização do regulador de crescimento no algodão é de grande valia, tendo em vista que permite ter controle sobre a fase vegetativa, possibilitando incrementos quanto à produtividade.

Reguladores de crescimento como o cloreto de mepiquat e o cloreto de clormequat atuam sob a síntese de ácido giberélico. Isso permite um certo controle sob o elongamento celular (diminuindo os entrenós), diminuindo, consequentemente, o porte das plantas. 

Esses reguladores conseguem reduzir a altura das plantas e o tamanho do dossel. Assim, há melhor interceptação de luz e de produtos nas partes baixeiras da planta, propiciando sanidade e qualidade das fibras.

planilha de produtividade do algodão Aegro

Vantagens do uso dos reguladores de crescimento no algodão 

Quanto às principais vantagens do uso desse produto, podemos destacar as seguintes:

  • controle do crescimento excessivo do algodoeiro, possibilitando um controle entre o desenvolvimento de parte vegetativas e reprodutivas;
  • redução da altura e o comprimento dos ramos, facilitando as operações de manejo e colheita;
  • proporciona um microclima impróprio para os patógenos (dossel mais arejado), além de facilitar a deposição de caldas de aplicação no terço inferior da planta;
  • redução da abscisão e do apodrecimento das estruturas reprodutivas, possibilitando ganhos produtivos;
  • redução o ciclo por diminuir o excesso de número de nós; 
  • melhora na qualidade da fibra (pureza), pois reduz a formação excessiva de galhos, folhas e casca de ramos. 
fotos de controle eficiente (A) e controle ineficiente (B) de altura por meio do uso de regulador de crescimento

Controle eficiente (A) e controle ineficiente (B) de altura por meio do uso de regulador de crescimento
(Fonte: Alexandre Cunha de Barcellos Ferreira em Embrapa)

5 dicas para fazer uma aplicação adequada 

1ª – Análise da taxa de crescimento

Para saber se há condição de aplicação dos reguladores, é importante se atentar a dois critérios: 

  • a correspondência do número de nós da haste principal com a altura da planta (como você pode ver na imagem abaixo); 
  • comprimento médio dos últimos 5 nós do ponteiro. 
gráfico de crescimento ideal de plantas de algodão em relação à altura da planta e ao número de nós na haste principal

Crescimento ideal de plantas de algodão em relação à altura da planta e ao número de nós na haste principal
(Fonte: Manual de boas práticas do algodoeiro em MT)

Quanto ao comprimento médio dos ponteiros, você avalia os 5 nós do ponteiro e, em seguida, divide a medida total por 5. 

Lembre-se que o primeiro nó só é considerado passível de contagem quando alocado a 1,2 cm do segundo, no mínimo.  

Depois dessa medição e já obtida a média da taxa de crescimento, faça a comparação com os dados padrões já estabelecidos. 

tabela com valor médio e tipo de crescimento - regulador de crescimento no algodão

(Fonte: Manual de boas práticas do algodoeiro em MT)

2ª – Dosagem

A dose recomendada do regulador de crescimento no algodão é baseada no porte da cultivar e na condição de desenvolvimento da cultura.

A seguir apresento duas sugestões de cálculo de dosagem:

tabela de sugestão de doses de reguladores de crescimento em diferentes condições de crescimento

(Fonte: Manual de boas práticas do algodoeiro em MT)

tabela com sugestão de doses de reguladores de crescimento em diferentes condições de crescimento

Sugestão de doses de reguladores de crescimento em diferentes condições de crescimento
(Fonte: Embrapa)

3ª – Primeira aplicação

Relata-se que a primeira aplicação deve ser feita entre o aparecimento dos primeiros botões florais até o pleno florescimento

Isso é justificado pelo fato da taxa de crescimento ser bem reduzida a partir da formação das maçãs, momento em que ocorre muita redistribuição para o desenvolvimento dessas estruturas reprodutivas. 

Em média, a primeira aplicação será quando as plantas atingirem:

  • de 30 cm a 35 cm de altura em cultivares de porte alto;
  • entre 35 cm e 40 cm nas cultivares de porte médio; 
  • de 40 cm a 45 cm de altura nas cultivares mais baixas. 
tabela com porte, ciclo e necessidade de regulador de crescimento, de cultivares de algodoeiro da Embrapa, recomendadas para o cerrado brasileiro

Porte, ciclo e necessidade de regulador de crescimento, de cultivares de algodoeiro da Embrapa, recomendadas para o cerrado brasileiro
(Fonte: Embrapa)

4ª – Parcelamento da aplicação

Sabe-se que doses muito baixas de reguladores de crescimento podem não apresentar efeito sobre o crescimento do algodoeiro. As doses muito elevadas, por sua vez, também podem provocar o travamento da planta, tendo como consequência a perda de produção. 

Desta maneira, recomenda-se o parcelamento da aplicação deste produto. 

Em geral, é recomendado que a aplicação seja parcelada em 4 vezes, sendo:

  • 10% da dosagem recomendada na primeira aplicação;
  • 20% na segunda;
  • 30% na terceira;
  • restante na quarta aplicação. 

Mas, e quando fazer a próxima aplicação? Deve-se sempre fazer um monitoramento da taxa de crescimento da planta. 

Esse monitoramento é feito 5 a 8 dias após a última aplicação e, se a altura atual menos a altura anterior dividida pelo número de dias transcorridos for maior que 1,5 cm/dia, deve-se proceder a próxima aplicação. 

Equação: (altura atual-altura anterior)/dias após a aplicação 

Para facilitar nesse controle das aplicações, existe atualmente um aplicativo chamado “Regula”, que permite esse controle de uma maneira dinâmica. 

5ª – Cautelas na aplicação

Para não afetar a eficácia dos reguladores de crescimento é recomendada a pulverização do produto no período da manhã, desde que não esteja com muito orvalho. 

Além disso, para assegurar a eficiência, é aconselhável que fique sem chover por pelo menos 4 horas após a aplicação. Caso chova, é provável que seja necessária a reaplicação. 

Também não é aconselhável fazer a aplicação de reguladores quando a planta passa por um momento de estresse hídrico. 

E, por fim, não é recomendada a aplicação junto com outros produtos como, por exemplo, herbicidas

Conclusão 

A utilização dos reguladores de crescimento é uma realidade nas propriedades algodoeiras.

Isso se deve, principalmente, às suas vantagens, destacando aqui a facilidade de colheita e melhora na qualidade da fibra. 

Neste artigo, mostramos como chegar à dosagem e parcelamento ideais. Assim, com a aplicação no momento correto, os resultados produtivos deverão ser mais satisfatórios.

>> Leia mais:

Como fazer um manejo efetivo de pragas do algodão

“O que é a mancha alvo do algodoeiro e como ela pode afetar a sua lavoura

Você utiliza regulador de crescimento no algodão? Consegue fazer o planejamento certinhos das aplicações? Comenta aqui!

6 principais doenças do algodão e como controlá-las na lavoura

Doenças do algodão: conheça os sintomas e as recomendações de manejo mais adequadas para cada uma delas 

O algodão é uma importante cultura no Brasil, com produção estimada para a safra 20/21 de 2,8 milhões de toneladas de algodão em pluma, segundo a Conab.

E, para manter essa produção, é necessário ficar atento às doenças que podem acontecer ao longo do desenvolvimento da cultura e realizar o melhor manejo.

Neste artigo, você verá 6 das principais doenças do algodoeiro, seus sintomas e como controlar para reduzir as perdas nas lavouras! Confira.

Mancha de ramulária

A mancha de ramulária é considerada a principal doença do algodoeiro, sendo causada pelo fungo Ramularia areola.

Mas nem sempre essa doença teve tanta relevância na cultura do algodoeiro. Antes, ela era considerada uma doença secundária e ocorria apenas no final de ciclo e não causava grandes perdas.

Já hoje em dia, com aumento da área cultivada com algodão principalmente nas regiões do Centro-Oeste (cerrado brasileiro), houve um ambiente favorável ao desenvolvimento do patógeno, além da utilização de mais variedades suscetíveis. Com uso de cultivares suscetíveis, a doença pode causar redução da produtividade de até 75%.

Os sintomas iniciais da doença ocorrem nas folhas mais velhas, na fase de reprodução da planta. Inicialmente, são pequenas lesões anguladas que são delimitadas pelas nervuras.

Posteriormente, você pode observar manchas angulosas de coloração branca, tendo aspecto pulverulento. Esse sintoma se inicia na fase inferior da folha e pode progredir para a superior quando as condições do ambiente forem de alta umidade.

fotos com doença da mancha da ramulária

(Fonte: Infectário departamento fitopatologia UFV)

Com o progresso da doença, você pode observar que as manchas podem se tornar necróticas. Além disso, em alta severidade, pode ocorrer a desfolha da planta, o que compromete o desenvolvimento das maçãs e a produtividade.

Essa doença inicia-se pelo baixeiro. Por isso, quando for monitorar a sua lavoura, lembre-se que é importante o monitoramento dessa região da planta.

O fungo da ramulária sobrevive em restos de cultura e em plantas voluntárias de algodão.

Medidas de manejo da ramulária

  • Uso de variedades com resistência moderada;
  • Controle químico (fungicidas).

Lembrando que para o manejo da ramulária e de outras doenças do algodoeiro, consulte um(a) agrônomo(a).

Mancha angular

A mancha angular do algodoeiro é causada pela bactéria Xanthomonas citri sp. malvacearum, que tem distribuição generalizada em todas as regiões produtoras e alto potencial destrutivo.

Você pode observar como sintoma inicial as lesões de coloração verde e aspecto oleoso. Com o progresso da doença, as lesões se tornam de coloração parda e necrosada.

As nervuras principais das folhas podem apresentar manchas angulares e, nas maçãs, lesões arredondadas.

mancha angular - doenças do algodão

(Fonte: Agrolink)

Um ponto importante relacionado à bactéria que causa a mancha angular é que ela apresenta certa resistência ao calor e radiação solar. Isso pode viabilizar a sobrevivência das bactérias em sementes e partes da planta.

A disseminação da doença na lavoura ocorre por chuvas associadas com vento, o que também favorece a infecção.

Manejo da mancha angular

  • Controle genético (variedades resistentes) – o mais recomendado;
  • Rotação de culturas;
  • Deslintamento de sementes com ácido sulfúrico (reduz inóculo inicial);
  • Controle químico.

Murcha de fusarium 

A murcha de fusarium é uma doença causada pelo fungo Fusarium oxysporum f. sp. vasinfectum e que necessitou da busca por variedades resistentes (manejo viável para a cultura).

Os sintomas iniciais são folhas com perda da turgescência, coloração amarelas e posterior queda. Em variedades suscetíveis, pode ocorrer a morte prematura dessas plantas.

Plantas afetadas pela doença se tornam menores, o que reduz o tamanho do capulho e afeta a produtividade da lavoura.

O causador da murcha é um fungo que vive no solo, por isso, a infecção começa pelas raízes do algodoeiro. Assim, as áreas podem ficar contaminadas por muitos anos, pois sobrevivem em esporos de resistência. 

O fungo se dissemina por sementes e partículas de terra.

São condições favoráveis para a doença: alta umidade, temperaturas moderadas de 25°C, solo com baixa fertilidade e a presença de nematoide Meloidogyne incognita, que predispõe fisiologicamente o algodoeiro ao ataque do fungo.

Medidas de manejo da murcha de fusarium

  • Variedades resistentes (medida mais eficiente);
  • Utilização de sementes sadias;
  • Limpeza de equipamentos;
  • Rotação de culturas com espécies não hospedeiras como mucuna, crotalária e amendoim.

Damping-off (mela ou tombamento)

Damping-off, mela ou tombamento é uma doença que pode ser causada por vários patógenos. Os mais comuns são Rhizoctonia solani e Colletotrichum gossypii, com ocorrência generalizada nas áreas produtoras de algodão.

Como o próprio nome diz, essa doença ataca as plântulas do algodoeiro, o que causa o tombamento pré e pós-emergência das plantas causando a morte, com falhas no estande de plantas.

Damping-off (mela ou tombamento)

(Fonte: Augusto César Pereira Goulart em Embrapa)

A doença é influenciada por alta umidade e temperatura de 18ºC a 30°C, sendo as sementes a principal fonte de inóculo.

Medidas de manejo para Damping-off

Ramulose

A ramulose é uma doença causada pelo fungo Colletotrichum gossypii, que pode infectar plantas de algodão de qualquer idade. Os danos podem chegar até 80%, dependendo das condições da área cultivada.

Os primeiros sintomas são observados primeiramente nas folhas mais novas, como manchas necróticas.

O tecido necrosado “cai” e forma perfurações nas folhas, denominadas de mancha estrelada. Também podem ser observadas lesões enrugadas nas folhas.

foto de ramulose - doenças do algodão

(Fonte: Alderi Emídio de Araújo em Embrapa)

Além disso, o fungo ainda pode afetar o meristema apical, o que provoca sua necrose e pode estimular o desenvolvimento de brotação lateral.

A principal forma de disseminação são as sementes e o fungo pode sobreviver no solo de uma safra para outra.

São condições favoráveis para o desenvolvimento da doença a alta umidade e o solo com baixa fertilidade. 

Medidas de manejo da ramulose

  • Variedades resistentes;
  • Rotação de cultura;
  • Controle químico.

Mofo-branco

O mofo-branco causado por Sclerotinia sclerotiorum está aumentando nos plantios de algodão, principalmente em áreas irrigadas após o plantio de soja e feijão.

O fungo pode atacar as folhas, hastes e maças. Inicialmente, ocorre a formação de lesões com aspecto encharcado na parte aérea das plantas. 

Com o progresso, há o sintoma bastante característico: crescimento do fungo com aspecto cotonoso (coloração branca). 

maçã de algodão atacada por mofo-branco

(Fonte: Amipa)

Os tecidos atacados pelo fungo acabam apodrecendo e o ataque prevalece na região baixeira da planta.

Após um período, ocorre a formação de escleródios (estrutura de resistência do fungo).

Condições que favorecem o desenvolvimento do fungo são temperatura amena e alta umidade. Além disso, plantios adensados podem favorecer essas condições.

Medidas de manejo para o mofo-branco no algodoeiro

  • Sementes sadias;
  • Uso de variedades com porte mais ereto o que desfavorece a formação de um microclima favorável ao fungo;
  • Aplicação de fungicida;
  • Rotação de culturas com espécies não hospedeiras.
planilha de produtividade do algodão Aegro

Conclusão

Muitas doenças podem interferir na produção do algodoeiro, causando perdas muito expressivas.

Para minimizar os danos com essas doenças na lavoura, citamos as 6 principais doenças de ocorrência da cultura do algodoeiro.

Também descrevemos os sintomas e as principais medidas de manejo. Agora que você conhece as principais doenças do algodoeiro não deixe sua lavoura ter perda com elas.

>> Leia mais:

“O que é a mancha alvo do algodoeiro e como ela pode afetar a sua lavoura”

“Guia completo de análise e manejo dos principais nematoides no algodão”

Como ter um algodoeiro resistente a doenças e mais econômico com nova cultivar transgênica

Você teve problemas com doenças na cultura do algodão? Quais afetam a sua lavoura? Como realiza o manejo? Adoraria ver seu comentário abaixo.

Dicas e cuidados que você precisa seguir para o armazenamento do algodão

Armazenamento do algodão: como estocar o algodão em pluma, em caroço e sementes

O processo de armazenamento do algodão é fundamental para manter a qualidade da matéria-prima.

A presença de partículas inadequadas dificulta o beneficiamento da indústria têxtil, entre outros problemas. E isso, claro, se reflete no preço pago ao cotonicultor.

Seja em caroço, fibra, ou sementes, é preciso garantir que uma série de quesitos sejam seguidos para o armazenamento seguro. Confira as dicas a seguir!

Armazenamento do algodão em pluma e em caroço 

A pós-colheita do algodão é diferente para o armazenamento em pluma e caroços. A seguir, vou especificar cada um deles.

Armazenamento do algodão em caroço

Durante a colheita e o armazenamento do algodão em caroço, é importante tomar alguns cuidados para evitar o aparecimento de matérias estranhas.

A detecção de impurezas no algodão é indesejável para a indústria têxtil, pois é um fator que dificulta e onera o beneficiamento. Isso se reflete em redução no preço final do fardo, pois pode prejudicar o comprimento, a uniformidade e o índice de fibras curtas.

Contaminantes como pelos e penas de animais são difíceis de ser separados, só aparecendo no final da industrialização. Isso tem consequências graves como um tecido defeituoso, sem valor comercial.

Assim, atente-se para armazenar o algodão em caroço em local seco, limpo, arejado e protegido do acesso de animais e da umidade.

Para a armazenagem convencional do algodão em caroço, o percentual de umidade é de 12%.

Armazenamento do algodão em pluma

Para armazenar o algodão em pluma, antes você precisará pesar os fardos em balança com capacidade mínima de 200 quilos.

Alguns cuidados durante o armazenamento no galpão incluem:

  • armazenar em espaço isolado;
  • local arejado;
  • isento de umidade;
  • longe do alcance de animais.

As pilhas de fardos precisam ser todas de fácil acesso, por isso recomenda-se:

  • largura de 4,5 m para os corredores centrais;
  • largura de 1,5 m para os corredores de acesso;
  • a distância entre os fardos e as paredes do depósito deve ser de 1,3 m;
  • os lotes de algodão devem ter no máximo 4 fardos por altura, 5 por largura e 12 por comprimento;
  • distância entre o último fardo e o teto de 2 m;
  • fazer amarrações intermediárias para garantir a segurança das pessoas que transitam entre as pilhas; 
  • colocar os fardos sobre estrados de madeira;
  • depósito deve ter portas contra fogo em todas as vias de acesso;
  • não exceder 4 mil toneladas de pluma por armazém;
  • os lotes de algodão deverão ter no máximo 1.500 fardos de modo a permitir acesso fácil a todas as faces da pilha.

Não coloque os fardos em contato direto com o piso, pois isso poderá ocasionar o fenômeno conhecido por cavitomia (quando ocorre a fermentação do algodão devido à presença de água). Como a temperatura fica elevada, a fibra pode pegar fogo.

Os fardos de algodão podem ser armazenados por tempo indeterminado, desde seja mantido isento de agentes contaminantes e de umidade.

A umidade ideal de armazenamento do algodão em pluma é de 10%. A partir de 15% de umidade nos fardos, começa o processo de fermentação.

Prejuízos do armazenamento inadequado do algodão 

Para o armazenamento de fibra de algodão, tem-se verificado que o grau de amarelamento tende a aumentar e o grau de reflexão a diminuir devido ao tempo de armazenamento.

A fibra de algodão fica mais amarelada com o tempo de armazenamento, podendo reduzir o tipo do algodão depois de 9 meses.

Além disso, a umidade pode favorecer algumas espécies de fungos que atacam a pluma como:

  • Monilia sp. 
  • Aspergillus flavus
  • Aspergillus parasiticus 
  • Aspergillus niger
  • Rhizopus stolonifer
  • Colletotrichum gossypii

Para o algodão em pluma, o maior cuidado refere-se à umidade. Para isso, recomenda-se:

  • fazer a colheita do algodão com tempo seco;
  • após a colheita, o algodão deve ser secado;
  • em seguida fazer o descaroçamento, enfardamento em pluma e armazenamento.
fotos de beneficiamento e armazenagem: algodão e fardos de algodão.

Beneficiamento e armazenagem: algodão e fardos de algodão
(Fonte: SLC Agrícola)

Já, no caso de você ser um produtor de sementes de algodão, atente-se à umidade de armazenamento da semente e do ambiente.

As sementes de algodão são classificadas como “sementes ortodoxas”, isso quer dizer que o período de viabilidade é inversamente proporcional à temperatura e ao teor de umidade. 

Portanto, cuidado, pois sementes úmidas submetidas a temperaturas elevadas deterioram-se rapidamente.

Quais os cuidados na armazenagem em ambiente externo e interno?

Para as sementes de algodão, a umidade baixa (o ideal é 40%) do ambiente é o fator mais importante para a conservação. Isso porque a semente de algodão é classificada como oleaginosa.

Caso você queira armazenar sementes de algodão por mais de 2 anos, recomenda-se que a soma da umidade relativa do ar (em %) e da temperatura (graus centígrados) do ambiente de armazenamento seja, no máximo, igual a 55,5.

A umidade da semente deve ser reduzida para 3% a 5%, pois isso permitirá uma boa conservação.

Resumindo, para armazenar de forma segura as sementes de algodão por um período de 6 meses, recomenda-se:

  • ambiente com temperatura de 20°C e 50% de umidade relativa do ar;
  • teor de umidade da semente de 7,6%.

Lembrando que, durante o processo de secagem das sementes de algodão, não devemos utilizar temperatura superior a 40°C. 

Temperaturas acima de 40°C no processo de secagem reduzem o poder germinativo da semente.

Para armazenar algodão em pluma, você deve seguir algumas recomendações no depósito como:

  • não pode ter qualquer tipo de instalação elétrica;
  • nada de lâmpadas e tomadas;
  • não pode haver linha telefônica;
  • não fumar nem usar telefone celular em seu interior.
planilha de produtividade do algodão Aegro

Conclusão

Neste artigo mostramos mais sobre o armazenamento do algodão de forma adequada.

O algodão pode ser armazenado em caroço, em fibra, ou ainda as sementes, no caso de lavouras com essa finalidade.

Entre as principais maneiras de armazenar o algodão de forma segura estão garantir a umidade do ar e temperatura adequadas durante o processo de estocagem.

Você pôde ver as principais diferenças no armazenamento do algodão como fazer um estoque mais seguro.

Guia prático da adubação para algodão

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Ramulária no algodão: entenda mais sobre essa doença

Ramulária no algodão: entenda os principais sintomas, as perdas causadas e como controlar essa doença do algodoeiro.  

A ramulária ou mancha de ramulária tem sido um dos principais problemas fitossanitários da cultura do algodão.

Essa doença tem causado grandes problemas no Cerrado e ataca folhas e até maçãs do algodão, reduzindo a sua produção e também a qualidade da fibra.

Mas em um passado não tão distante assim, a ramularia não era tão problemática. O que aconteceu?

Para te ajudar a entender, separamos algumas informações sobre como a ramulária se desenvolve, como identificá-la e controlá-la. Confira!

O que é a ramulária no algodão e qual sua importância

Ramulária, também chamada de falso-oídio, é uma doença causada pelo fungo Ramularia gossypii – conhecido antigamente como R. aureola – e está presente em todas as regiões produtoras do país desde seu primeiro relato no Brasil, em 1890.

Essa doença era característica de final de ciclo e considerada secundária nas principais regiões produtoras de algodão do passado – Sudeste e Nordeste. 

Contudo, com a migração das lavouras de algodão para o Centro-Oeste, que hoje detém 74% da produção nacional, a ramulária passou a ocorrer durante todo o ciclo e tornou-se a principal doença do algodoeiro.

E por que isso ocorreu?

Bem, de lá para cá, muita coisa mudou. Como veremos a seguir, as mudanças no sistema de produção e a mudança de região produtora favoreceram a ocorrência da ramulária.

gráfico com volume de produção de algodão pelas regiões brasileiras

Volume de produção de algodão pelas regiões brasileiras
(Fonte: Conab)

Condições favoráveis e sintomas da ramulária no algodão

Primeiramente, vamos relembrar alguns conceitos sobre o ataque de doenças nas plantas. A doença ocorre devido à interação de três fatores: o ambiente, o patógeno e o hospedeiro. Para isso, dá-se o nome de triângulo da doença.

Triângulo da doença, mostrando ambiente, patógeno e hospedeiro - ramulária no algodão

Triângulo da doença

O fungo da ramulária (patógeno) necessita de hospedeiros para sobreviver nos sistema e se desenvolver, nesse caso, o próprio algodão e seus restos culturais. Além disso, ele necessita de condições ambientais favoráveis para se disseminar e se desenvolver. A interação desses fatores determinará a intensidade do ataque da doença. 

Portanto, além da grande capacidade do patógeno se desenvolver, o ambiente do Centro-Oeste favoreceu o aumento da doença, além do uso de plantas suscetíveis e mal controle do algodão tiguera (hospedeiro).

Condições favoráveis

O fungo da mancha de ramulária do algodão é favorecido por condições de alta umidade, temperaturas entre 25℃ e 30℃ e alta pluviosidade.

Isso quer dizer que na época chuvosa é que os problemas são mais recorrentes. Além disso, em plantios com maior densidade, onde o microclima favorece a ocorrência dessas condições, os problemas serão maiores

Da mesma forma, o baixeiro da planta será mais atacado.

Sintomas e danos

A ramulária do algodão é disseminada principalmente pelo vento e se manifesta em ambas as faces das folhas da planta de algodão. Inicialmente, têm-se lesões anguladas de 1 mm a 3 mm, delimitadas pelas nervuras das folhas.

Essas lesões têm coloração branca e, conforme a infecção avança, tornam-se amarelas e com aspecto pulverulento, principalmente na face inferior das folhas.

foto de detalhe dos sintomas de ramulária no algodão

Detalhe dos sintomas de ramulária no algodão
(Fonte: Embrapa)

Sintomas de ramulária nas folhas de algodão

Sintomas de ramulária nas folhas de algodão
(Fonte: Embrapa)

Ataques mais severos levam à desfolha e podem causar apodrecimento das maçãs do baixeiro da planta. 

Nas cultivares mais suscetíveis à doença, as perdas em produtividade podem chegar a 70%. Plantas sem controle de ramulária tiveram produtividade 45% menor em relação às que receberam controle químico.

Então, como podemos manejar a mancha de ramulária no algodão?

Manejo da ramulária no algodão

O manejo de qualquer doença deve ser integrado, ou seja, usar de diversas técnicas de controle – cultural e químico, por exemplo – quando os níveis de dano forem economicamente viáveis para realização do controle. 

Vamos lembrar do triângulo da doença: podemos atuar no ambiente, no hospedeiro ou controlando o patógeno! 

Para isso, é necessário monitoramento diário da lavoura e a correta identificação do patógeno da ramulária, observando a ocorrência de seus sintomas característicos.

Controle químico

Constatado o ataque do fungo nas folhas mais velhas (baixeiro), as aplicações podem ser iniciadas. Um critério que otimiza as aplicações é realizá-las quando as lesões atingem 5% da área foliar sem atingir o terço médio da planta.

Utilizando esse critério, recomenda-se três aplicações espaçadas em 15 dias, com produtos eficientes. Isso evita que o problema se intensifique e otimiza as aplicações. 

Vale lembrar que é ideal alternar o uso de fungicidas com diferentes modos de ação para evitar a resistência do patógeno. No Agrofit, existem 136 produtos registrados para combater a mancha de ramulária no algodão.

Além disso, existem outros métodos de controle para serem usados em conjunto.  

Controle cultural

O uso de cultivares suscetíveis à ramulária do algodão é um dos principais responsável pelos grandes danos causados por essa doença. Prefira as cultivares tolerantes/resistentes disponíveis.

Essa informação você pode encontrar no site da Embrapa, que disponibiliza um catálogo das cultivares de algodão disponíveis. Além desses, as empresas de sementes também disponibilizam seus catálogos. 

Exemplo de catálogo de cultivares de algodão mostrando as recomendações e características de cada cultivar
(Fonte: Embrapa)

Lembre-se que espaçamentos mais abertos propiciam um microclima que desfavorece a doença, pois reduz a umidade do sistema. 

Um bom manejo da soqueira, evitando algodão tiguera, propicia que não haja hospedeiro para a sobrevivência do fungo para a próxima safra. Por isso, capriche no manejo! 

planilha de produtividade do algodão Aegro

Conclusão

Como você pôde acompanhar ao longo do texto, a ramulária ganhou importância nos últimos anos devido à migração do algodão para outra região produtora. 

Nessas novas condições, a ramulária encontrou um ambiente favorável para se desenvolver. Além disso, deficiências de manejo, como o uso de cultivares suscetíveis e mal manejo de soqueira possibilitaram maiores danos dessa doença.

O manejo depende de monitoramento e de medidas integradas, como o uso de cultivares resistentes, manejo da soqueira e espaçamentos maiores. 

Como alternativas de controle químico, pode-se  aplicar fungicidas no momento e frequência correta, alterando modos de ação para evitar resistência. 

>> Leia mais:

Como evitar e combater a mela do algodoeiro em sua lavoura

“6 principais doenças do algodão e como controlá-las na lavoura”

Como ter um algodoeiro resistente a doenças e mais econômico com nova cultivar transgênica

Você já teve problemas com a ramulária no algodão? Quais os principais problemas que enfrenta? Conte para gente nos comentários Grande abraço e até a próxima!

Tudo o que você precisa saber sobre qualidade da fibra do algodão

Qualidade da fibra do algodão: entenda quais são as características desejadas e quais as práticas de manejo podem influenciar.

Na cadeia produtiva do algodão, uma das exigências do mercado é a boa qualidade da fibra buscada pelas indústrias têxteis.

E o custo dessa fibra pode representar entre 40% e 60% do custo do fio. Por isso, entender mais sobre essas características e como elas estão ligadas à qualidade é essencial para você tomar algumas decisões importantes na sua lavoura.

Neste artigo, você vai entender quais fatores podem impactar na qualidade da fibra e os manejos mais recomendados para ter uma produção mais rentável na hora da venda. Confira!

Características intrínsecas e extrínsecas da fibra de algodão

A qualidade da fibra do algodão é determinada por um conjunto de características, divididas em intrínsecas e extrínsecas.

As características intrínsecas da fibra estão relacionadas a alguns parâmetros como:

  • comprimento (comprimento comercial, uniformidade e fibras curtas);
  • resistência;
  • índice micronaire (componentes de finura e maturidade);
  • cor (com brilho ou amarelo). 

Já as características extrínsecas da fibra fazem referências a:

  • regularidade da massa de fibra (preparação);
  • teor de neps (presença ou não de nós de fibra imatura e fragmentos de casca dos caroços);
  • presença ou não de contaminantes vegetais. 
tabela com as características intrínsecas e extrínsecas da fibra de algodão

(Fonte: Esalq/USP)

Qualidade exigida pelo mercado da fibra do algodão

No Brasil, as empresas de fiação demandam principalmente os tipos de fibras médios 5/6, 6/0 e 6/7. 

As principais características tecnológicas da fibra de algodão avaliadas para determinar a qualidade do produto e seu valor econômico no mercado são:

  • índice de fibras curtas;
  • comprimento;
  • uniformidade do comprimento;
  • resistência;
  • micronaire.

Para empresas que utilizam o fio de alta qualidade, o primeiro critério na hora da compra é a qualidade das características intrínsecas

Já para as empresas que utilizam o fio médio ou grosso, o principal critério é o preço. 

Para o mercado externo a busca é por:

  • abundante oferta de algodão;
  • tipos superiores;
  • características intrínsecas de alto nível.

Em relação a essas características desejáveis pelo mercado externo, o algodão brasileiro possui boas características intrínsecas.

Porém, em relação ao tipo, ainda há limitações devido à presença de contaminação de matérias estranhas como folhas, fragmentos de cascas e fibras de madeira.

Portanto, é preciso aliar as práticas culturais e industriais, aprimorando os componentes que formam o tipo da fibra e preservando as qualidades intrínsecas. 

Por isso, vamos ver agora um pouco mais sobre essas características e manejos que podem ser realizados.

Comprimento da fibra (POL ou UHML)

O comprimento da fibra é umas das características que mais interferem na qualidade. O valor mínimo de comprimento de fibra exigido pela indústria é de 28 mm. 

Esse valor pode ser menor dependendo da cultivar e das condições adversas como a falta de água durante o período de 25 a 30 dias após a fecundação das flores, pois reduz o crescimento da fibra.

Índice micronaire (MIC)

Este índice mede o diâmetro da fibra e deve estar com valores entre 3,8 e 4,5.

Ele também serve como medição indireta da combinação da maturidade da fibra (espessura) e a finura (diâmetro externo). 

A variedade determina o diâmetro externo da fibra, sendo definido de 3 a 5 dias após a floração. 

Algumas condições adversas no final do ciclo do algodão podem influenciar negativamente o índice MIC, como ataque de doenças e pragas, temperaturas baixas e falta de água.

tabela com classificação da fibra do algodão

Classificação da fibra do algodão
(Fonte: Geagra)

Maturidade da fibra (MAT)

A maturidade da fibra é a porcentagem de desenvolvimento da parede secundária da fibra. O valor deste índice deve ser superior a 0,86.

Como é um índice que mede o desenvolvimento da parede secundária, qualquer fator que interfira na celulose afetará a espessura da fibra.

A ocorrência de pragas e doenças, além de temperaturas baixas, afeta o transporte de carboidratos para conversão à celulose e, portanto, reduz a espessura da fibra. 

Resistência da fibra (STR)

A resistência da fibra do algodão é a capacidade que a fibra tem de suportar uma carga até se romper.  É uma característica que depende, em parte, da resistência do fio. Este índice deve ser maior que 28 g/tex.

Alguns fatores influenciam neste índice como:

  • cultivar;
  • seca;
  • encharcamento;
  • baixas temperaturas;
  • falta de luminosidade;
  • época de semeadura;
  • nutrição mineral;
  • população de plantas.

Uniformidade de comprimento (UI)

A uniformidade de comprimento é a relação entre o comprimento médio das fibras totais, expresso em %. Este índice representa a homogeneidade do comprimento das fibras do fardo.

A UI é uma consequência da qualidade.

Índice de fibras curtas (SF)

O índice de fibras curtas expressa a porcentagem de fibras curtas, sendo que este valor deve ser inferior a 10%. 

tabela com Índice de fibras curtas (SF) por parâmetro, instrumento, unidade e título do fio

(Fonte: Esalq/USP)

Fatores que impactam na qualidade da fibra do algodão

As cultivares de algodão possuem uma qualidade de fibra que é específica da cultivar. 

Quando a colocamos no campo, as características da qualidade da fibra vão depender dos manejos adotados.

Dentre os fatores determinantes para a qualidade da fibra (pluma) estão:

Controle de plantas daninhas e a qualidade da fibra do algodão

Entre os exemplos acima citados, a presença de plantas daninhas no final do ciclo do algodão pode causar a depreciação da matéria-prima.

Isso porque, diretamente, as plantas daninhas competem com o algodão pelos recursos do meio como água, luz e nutrientes, o que, consequentemente, leva à redução na produtividade.

Já indiretamente, as plantas daninhas no final do ciclo do algodão causam a contaminação por impurezas, pois algumas sementes podem ficar aderidas à pluma, além de atrapalhar a colheita.

Planilha algodão Aegro

Assim, dentre alguns manejos adotados no algodão para reduzir o efeito negativo das plantas daninhas sobre a qualidade da fibra são as aplicações tardias de herbicidas feitas em pós-emergência dirigida às entrelinhas da cultura (jato dirigido).

Algumas plantas daninhas que são prejudiciais no final do ciclo do algodão porque são facilmente aderidas à pluma são:

Beneficiamento do algodão e a qualidade da fibra

Durante o beneficiamento, alguns parâmetros podem ser afetados pelo descaroçamento como: comprimento, resistência e contaminantes.

O objetivo do descaroçamento é a separação entre fibra e caroço do algodão, sendo a primeira etapa do processamento.

Portanto, é uma etapa que precisa ser adaptada de acordo com as características do algodão que será tratado, dos mercados, das características do lote (matéria estranha e umidade) e das condições ambientais.

Por exemplo, a umidade do algodão em caroço é o principal fator no armazenamento, e tem grande influência sobre a qualidade da fibra e do caroço.

Uma secagem muito elevada leva à perda de tenacidade, redução do comprimento e amarelamento da fibra. 

Como durante a colheita a umidade é baixa, a técnica de umedecer o algodão em caroço é importante para a preservação da fibra. Isso também acontece depois de uma secagem excessiva.

O umedecimento restitui a umidade da fibra, assim, ela consegue suportar melhor as agressões mecânicas do descaroçador e limpador. 

Quando o algodão chega no descaroçador, o intervalo de umidade na fibra deve ser entre 6,5% e 8%, pois isso ajudará a garantir a qualidade. 

Como a genética interfere na qualidade?

A interação entre a genética e o ambiente vai influenciar na produtividade e na qualidade do algodão.

Alguns manejos podem ser adotados com o foco em produtividade e qualidade de fibra, dentre eles estão:

  • escolha de cultivar adequada para a região;
  • época de plantio adequada;
  • manejo de fertilidade do solo;
  • uso de regulador de crescimento;
  • aplicar desfolhante antes do início da colheita (evita que restos culturais fiquem presos à fibra).

Como você pode ver, algumas decisões são muito importantes e vão influenciar na qualidade da fibra.

Conclusão

Neste texto você viu quais são os índices utilizados para medir a qualidade da fibra do algodão.

Também aprendeu que alguns manejos podem interferir nestas características e reduzir a qualidade da fibra, o que reduz o preço pago pelo produto.

Agora que você já entendeu melhor sobre este assunto, que tal colocar em prática na sua lavoura?

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“Entenda como a biotecnologia no algodão pode melhorar o controle de Spodoptera e Helicoverpa na sua lavoura

“Logística da pluma do algodão: o que impacta o escoamento da produção?”

Como ter um algodoeiro resistente a doenças e mais econômico com nova cultivar transgênica

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Guia prático da adubação para algodão

Adubação para algodão: exigências nutricionais da planta, épocas favoráveis e recomendações para alcançar mais produtividade na lavoura!

Nos últimos 15 anos, a produção de algodão no Brasil saltou de 1 milhão de toneladas de plumas para quase 3 milhões na safra 2019/20.

O avanço da cotonicultura se deve a fatores como melhoramento genético e manejo das lavouras. E uma das principais partes do manejo é a adubação da cultura. 

Os cultivares de alto potencial produtivo apresentam grande sensibilidade ao estresse ambiental e a adubação correta auxilia a planta na hora de passar por condições desfavoráveis.

Então, veja a seguir as exigências nutricionais do algodoeiro, correções de solo e como fazer o manejo da adubação para o algodão!

Exigências nutricionais do algodão

A planta de algodão apresenta crescimento inicial lento, aumentando consideravelmente o acúmulo de nutrientes a partir dos 25 dias após o plantio. O pico ocorre entre as fases de primeiro botão e primeira flor.

Durante a fase de florescimento máximo, cerca de ⅓  do potássio é absorvido em um período de 14 dias. Isso nos mostra como um possível déficit de nutrientes nas épocas-chave podem afetar muito a produtividade.

De modo geral, cerca de 60% dos nutrientes são absorvidos entre o início do florescimento e a formação dos capulhos.

gráfico que demonstra acúmulo de matéria seca (A) e de nutrientes (B) pelo algodoeiro

Acúmulo de matéria seca (A) e de nutrientes (B) pelo algodoeiro
(Fonte: Embrapa, 2006)

As classes de interpretação de fósforo e potássio no solo dependem muito do teor de argila e da CTC do solo. 

De maneira geral, o teor ideal de fósforo está entre 15 e 20 mg/dm3 (para solos argilosos e arenosos respectivamente)

Já os teores ideais de potássio estão entre 30 e 50 mg/dm3 para solos com CTC menor e maior que 4 cmolc/dm3 respectivamente.

O algodoeiro é uma planta com pouco crescimento radicular, já que devido a seu complexo ciclo de desenvolvimento, apresenta um curto período vegetativo (40-45 dias), que é o principal momento de crescimento das raízes.

Durante o período vegetativo, as raízes têm menos competição com os drenos da parte aérea da planta. Mas, com o início da fase reprodutiva, as flores e frutos constituem drenos mais fortes para os fotoassimilados das folhas, diminuindo a taxa de crescimento das raízes.

Correção do solo

Um dos principais fatores relacionados à baixa produtividade de algodão é a acidez do solo, principalmente em função da sensibilidade da planta ao alumínio e pelo sistema radicular limitado.

Dessa forma, a correção do pH do solo utilizando a calagem e a neutralização do alumínio presente na CTC por meio da gessagem são duas técnicas fundamentais para garantir uma alta produtividade na lavoura de algodão.

A principal fórmula utilizada para o cálculo da necessidade de calagem (NC) é o da saturação por bases:

NC (t/ha) = (V2 -V1) x CTC/100 x f , sendo:

  • CTC (cmolc/dm3) = capacidade de troca de cátions do solo a pH 7,0 (SB + H++Al3+, em cmolc/dm3)
  • V2 = porcentagem de saturação por bases recomendada para a cultura (60% para o algodoeiro)
  • V1 = porcentagem de saturação por bases atual do solo, calculada pela fórmula: (SB/CTC) x 100
  • SB = soma de bases trocáveis (Ca2+ + Mg2+ + K+, em cmolc/dm3)
  • f = fator de correção do PRNT do calcário, f = 100/PRNT
  • PRNT = Poder Residual de Neutralização Total do calcário

Como a planta de algodão é exigente em magnésio, o recomendado é utilizar o calcário dolomítico ou magnesiano quando o teor de Mg no solo for menor que 1 cmolc/dm3.

Lembrando sempre que, para que ocorra a neutralização da acidez do solo por parte do calcário, é necessário que chova para que a água inicie a reação no solo.

Com isso em mente, é recomendado que se realize a calagem com um período de aproximadamente 30 dias antes da semeadura.

Critérios para gessagem

No caso do gesso, quando nas camadas de 20 cm a 40 cm ou 40 cm a 60 cm ocorrerem as situações abaixo, é recomendada a gessagem:

  • Cálcio inferior a 0,5 cmolc dm-3.
  • Alumínio superior a 0,5 cmolcdm-3.
  • Saturação por Al (m) superior a 30%.

A fórmula para aplicação de gesso mais simples é a multiplicação da porcentagem de argila do solo por 50. 

Por exemplo: em um solo com 50% de argila, aplicar no máximo 2.500 kg/ha de gesso.

Épocas de adubação do algodão

A adubação do algodoeiro pode ser realizada em 3 épocas, sendo elas pré-plantio, plantio e cobertura.

A adubação pré-plantio facilita o manejo da cultura, já que aumenta o rendimento da operação de semeadura, sendo comumente usada para o fósforo.

Para nitrogênio e potássio, pode-se realizar os 3 tipos de adubação. O mais seguro é a utilização da adubação de plantio mais o parcelamento da cobertura.

gráfico da produtividade de algodão em caroço em função de doses e época de aplicação de potássio, em solo com 500g/kg de argila e 63 mg/dm3 de K. Santa Helena de Goiás, safra 2003/2004.

Produtividade de algodão em caroço em função de doses e época de aplicação de potássio, em solo com 500g/kg de argila e 63 mg/dm3 de K. Santa Helena de Goiás, safra 2003/2004.
(Fonte: Embrapa, 2005)

Gráfico com produtividade de algodão em caroço em função de doses e épocas de aplicação de nitrogênio no sistema de integração lavoura-pecuária, em Montividiu, GO, safra 2002/2003.

Produtividade de algodão em caroço em função de doses e épocas de aplicação de nitrogênio no sistema de integração lavoura-pecuária, em Montividiu, GO, safra 2002/2003.
(Fonte: Embrapa, 2005)

É interessante notar que, em ambos os casos de adubação pré-plantio (nitrogênio e potássio), a qualidade do solo conta muito para a eficácia desse manejo.

Solos que necessitam corrigir teores de nutrientes e acidez podem responder de modo negativo a uma adubação pré-plantio.

Recomendações de adubação para algodão

As recomendações de adubação devem ser feitas levando em conta a condição do solo, ou seja, os teores atuais de nutrientes e a exportação de nutrientes do algodoeiro.

A adubação para elevar os teores de nutrientes do solo + a exportação é a chamada adubação de correção, que visa corrigir a fertilidade no perfil do solo.

A recomendação que leva em conta apenas a exportação dos nutrientes chamamos de adubação de manutenção, já que irá apenas suprir as demandas da planta.

Embora a adubação de manutenção pareça a opção mais lógica à primeira vista, ela nem sempre irá suprir toda a demanda da planta se os teores de nutrientes no solo estiverem abaixo do indicado.

Para as recomendações e cálculos de adubação do algodoeiro, usaremos adubação de manutenção, com base na exportação média de nutrientes por tonelada de produção.

tabela com exportação média de nutrientes para produção de uma tonelada e simulação para uma produção de 4.500 kg/ha de algodão em caroço (300 arrobas)

Exportação média de nutrientes para produção de uma tonelada e simulação para uma produção de 4.500 kg/ha de algodão em caroço (300 arrobas)
(Fonte: Embrapa, 2014)

Desse modo, uma produtividade média de 300 arrobas de algodão (4,5 toneladas/ha) irá demandar 54 kg de P2O5/ha que, convertido em supersimples (que apresenta 18% de P2O5), serão necessários 300 kg/ha do adubo.

No caso do nitrogênio, serão necessários 153 kg/ha de N – ou 340 kg/ha de ureia (que tem 45% de N).

Lembrando sempre que, no caso de adubação no sulco de plantio, o importante é se atentar à dose máxima de 50 kg de cloreto de potássio e de nitrogênio. Isso evita que ocorram queimaduras nas plântulas por conta da salinidade.

planilha de produtividade do algodão Aegro

Conclusão

A adubação é um dos manejos mais importantes de uma lavoura. Decidir o quanto, como e quando utilizar é essencial para acertar nessa etapa.

Devemos sempre nos atentar à fertilidade do solo, tentando manter os níveis de nutrientes adequados para a cultura.

Um manejo correto, no tempo certo, ajuda a planta a alcançar todo seu potencial produtivo. Para isso, devemos sempre estar atentos aos sinais das plantas e do ambiente, já que como dizem: o olho do dono é que engorda o boi.

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Como você faz o manejo de adubação para algodão na sua lavoura? Restou alguma dúvida? Deixe seu comentário!