Entenda como a umidade do grão de café pode impactar a qualidade do produto final

Umidade do grão de café: saiba como e quando determiná-la e quais cuidados devem ser tomados durante a secagem para obter um café de qualidade

A qualidade do café é determinante para a comercialização e, consequentemente, para a sua rentabilidade.

A umidade dos grãos é considerada para o processamento e armazenamento do café, e impacta diretamente a qualidade do produto

Você sabe como obter grãos de qualidade? Sabe quais cuidados devem ser tomados durante a secagem? A seguir eu te mostro tudo isso e muito mais!

Por que determinar a umidade dos grãos de café?

A umidade representa a quantidade de água presente nos grãos de café. Assim como para os demais tipos de grãos, a água é responsável pelos processos metabólicos. Então, grãos com maior umidade podem sofrer degradação mais rapidamente, perdendo qualidade.

Além disso, a umidade serve de parâmetro principalmente para as operações de processamento e armazenamento de grãos

Portanto, saber a umidade em que os grãos de café se encontram é importante. Grãos com umidade fora da faixa adequada ou lotes com umidade desuniforme resultarão em um produto de baixa qualidade.

Qual a umidade ideal para o café?

Após a secagem, os grãos de café  devem apresentar umidade entre 10 a 12%. Esse detalhe é importante, pois o teor de umidade correto proporciona acidez equilibrada e aroma agradável ao produto.

Grãos armazenados com elevada umidade branqueiam mais rapidamente, perdendo  o aroma e o sabor.

A presença de maior umidade nos grãos facilita o ataque de fungos, que causam perdas em quantidade e qualidade do produto, além de poderem contaminar os grãos com micotoxinas.

Por outro lado, grãos muitos secos geram perdas, pois diminuem de tamanho e pesam menos, sendo necessária uma maior quantidade para completar a saca. Além disso, grãos muito secos quebram com maior facilidade no beneficiamento.

Também, grãos com baixa umidade aceleram o processo de torra. Isso não é desejável porque pode haver desuniformidade de torra entre o interior e o exterior do grão, promovendo aroma e gosto desagradável ao produto.

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Quando e como determinar a umidade do café?

A umidade dos grãos de café deve ser determinada principalmente durante a secagem, visando a uniformidade. Ao final do processo, todos os grãos devem apresentar umidade similar.

Além do processo de secagem, a umidade deve ser monitorada durante o armazenamento. Mesmo sendo armazenados com baixa umidade (10% a 12%), os grãos podem reabsorver água e ficar suscetíveis à perda de qualidade.

A determinação da umidade pode ser realizada com medidores eletrônicos de forma indireta, baseados na constante dielétrica dos grãos, que varia com a umidade.

Mas atenção, pois o equipamento deve ser calibrado constantemente de acordo com as normas do fabricante. Este detalhe é importante para evitar medições erradas e o comprometimento do produto.

Medidor de umidade portátil para grãos de café
Medidor de umidade portátil para grãos de café
(Fonte: Gehaka)

Outro ponto importante para a medição da umidade, tanto na secagem quanto no armazenamento, é a amostragem. Amostrar corretamente o lote é vital para saber a umidade mais próxima da realidade.

A amostragem deve ser representativa do lote, ou seja, deve ser coletada aleatoriamente, em diferentes pontos e alturas.

Secagem do café

Após a colheita, os grãos de café apresentam elevada umidade (45% e 55%). Portanto, devem ser secos até a umidade ideal para conservação da qualidade.

A secagem do café, de maneira geral, pode ser realizada de duas formas: natural em terreiros ou mecânica. A adoção de cada forma varia conforme a capacidade de investimento de cada propriedade e o tipo de café produzido.

Secagem natural em terreiros

A secagem natural em terreiros é uma das mais adotadas no Brasil, porque apresenta menor custo e maior facilidade de operação. No entanto, depende das condições ambientais para promover a secagem dos grãos e de maior mão-de-obra.

Neste sistema, os grãos são esparramados em terreiros suspensos ou no solo, e revolvidos pelo menos a cada 1 h durante o dia até atingirem a umidade adequada.

Esse processo é dividido em três etapas:

Etapa 1: redução da umidade inicial até os grãos atingirem 30% de umidade (meia-seca);

Etapa 2: redução da umidade de meia-seca até os grãos atingirem entre 18 e 20% de umidade;

Etapa 3: até os grãos atingirem entre 10% e 12% de umidade (secagem final).

Os principais cuidados a serem tomados são:

  • não misturar diferentes lotes de café;
  • promover o esparrame e o revolvimento dos grãos de forma adequada;
  • realizar o enleiramento, visando facilitar a secagem;
  • fazer as leiras no sentido da declividade do terreno, visando facilitar o escoamento da água em caso de chuvas;
  • antes de atingir o ponto de meia-seca (30% de umidade) nunca amontoar os grãos;
  • após atingir o ponto de meia-seca, amontoar os grãos e cobrir com lona ao final do dia.

Secagem mecânica

A secagem mecânica é realizada em secadores mecânicos, com ar aquecido. Esse método é utilizado para realizar a secagem final do produto. Os grãos devem ser pré-secados em terreiros.

Como fonte de energia para o aquecimento podem ser utilizadas lenha e a casca do café. Porém, os grãos não devem ter contato direto com a fumaça, então utilize trocadores de calor.

Secador mecânico rotativo de café  e secagem de café em terreiros
Secador mecânico rotativo de café e secagem de café em terreiros 
(Fonte: Palini Alves e G37)

Os principais cuidados neste método estão relacionados à temperatura e a umidade inicial dos grãos.

A temperatura da massa de grãos nunca deve ser superior a 45 °C, e a temperatura do ar de secagem não deve ultrapassar os 80 °C na entrada do secador. 

Se houver uma porcentagem elevada de frutos verdes no lote, a temperatura da massa de grãos não deverá ser superior a 30 °C, visando a evitar defeitos como o café verde-escuro e preto-verde.

O processo deve ser realizado de forma lenta para haver uniformidade da secagem e a redução dos danos aos grãos. Por este motivo, grãos com umidade muito elevada não devem ser submetidos a este método de secagem.

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Conclusão

Como vimos, a umidade dos grãos de café impacta diretamente na qualidade final do produto.

A umidade ideal para grãos de café é entre 10% e 12%. Grãos com umidade fora desta faixa, para mais ou para menos, não são interessantes para a obtenção de um café de qualidade.

A determinação da umidade dos grãos pode ser realizada em equipamentos eletrônicos. O monitoramento durante a secagem e armazenamento é muito importante para evitar a perda de qualidade.

A secagem dos grãos de café deve ser lenta e gradual até atingir a umidade ideal. Assim, você obterá lotes de grãos com umidade uniforme e de elevada qualidade.

Espero que essas dicas possam te ajudar a entender melhor a importância da umidade dos grãos de café para a qualidade da sua produção!

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“Tudo o que você precisa saber sobre a produção de cafés especiais”

“10 dicas para melhorar a gestão de sua lavoura de café”

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O que fazer para minimizar os impactos da geada no café e evitar prejuízos

Geada no café: como ocorre, como identificar os tipos, como pode afetar suas plantas e quais as melhores medidas preventivas

O café é uma cultura importante no Brasil, o maior produtor e exportador do grão.

Vários dos estados destaques em grandes áreas cafeeiras são localizados em regiões propensas à geada.

E a ocorrência desse fenômeno climático pode provocar até 100% de perdas no cafezal.

Neste artigo, tire suas maiores dúvidas sobre a geada no café e entenda como proteger sua lavoura para evitar prejuízos. Confira!  

Impactos da geada no café

A geada causa sérios prejuízos à agricultura por poder gerar morte da planta ou de parte dela (folhas, ramos e frutos).

Ela possui dois tipos: a branca e a negra, classificadas pelo aspecto visual.

A geada branca ocorre devido à baixa temperatura e alta umidade do ar. O vapor da água presente na atmosfera condensa e forma o orvalho. O orvalho (gotículas de água na superfície das folhas) congela e há formação de gelo.

A geada negra não forma cristais de gelo na superfície das folhas, pois as condições de ocorrência são de baixa temperatura e baixa umidade do ar. A água presente no interior das células congela, causando a morte da célula, do tecido vegetal e de toda a planta. 

É o tipo mais severo. 

fotos de geada branca (A) e geada negra (B) em plantas de café
Geada branca (A) e geada negra (B) em plantas de café 
(Fonte: CaféPoint e Londrinando)

As geadas podem ser classificadas como de canela ou de capote, de acordo com a parte da planta que afetam.

A geada de canela ocorre com temperaturas do ar abaixo de -2 °C. O ar frio desce para a superfície terrestre, para perto do tronco das plantas. Por isso, esse tipo de geada é presente em áreas de plantio em morros.

Essas condições na base das plantas, principalmente de cafezais de até 1,5 anos, causam o congelamento da seiva nos vasos condutores. Assim, não há fornecimento de nutrientes para a parte aérea da planta, ocasionando sua morte.

Na geada de capote, somente a parte externa das plantas é atingida, queimando as folhas e os ramos superiores.

duas fotos com rebrota da planta atingida pela geada de canela (A) e uma de capote (B) em plantas de café
Rebrota da planta atingida pela geada de canela (A) e capote (B) em plantas de café
(Fonte: Unesp e Jornal Dia de Campo)

Riscos nos cafezais do Brasil

A geada é um fenômeno atmosférico natural que ocorre devido à queda da temperatura do ar. Existem plantas mais suscetíveis a ela, como o café.

Atualmente, alguns dos principais estados produtores de café ainda sofrem com as geadas, como Minas Gerais (principalmente o Sul de Minas), São Paulo e Paraná.

Veja as principais regiões brasileiras afetadas:

mapa com frequência das geadas nas regiões do Brasil
Frequência das geadas nas regiões do Brasil
(Fonte: Esalq)

Para as plantas de café, a temperatura ideal é entre 18 °C e 22 °C. Elas não suportam temperaturas abaixo de 10 °C.

Temperaturas abaixo de 18 °C  prejudicam a floração por causa da prolongação da fase vegetativa, o que reduz a produção.

Além disso, as geadas causam amarelecimento das folhas, e dependendo da intensidade, pode ocasionar a morte, assim como dos galhos. Se a geada for leve, somente as folhas e ramos secundários são afetados.

Se for intensa, pode causar queda da parte aérea da planta (folhas e ramos secundários), rebrota (como no caso da geada de canela) ou morte de toda a planta, como na ocorrência de geada negra.

Desse modo, se você não realizar medidas para evitar ou prevenir a ocorrência nos seus cafezais, certamente perderá produtividade.

Onde há maior e menor ocorrência de geadas?

A geada no café ocorre com maior frequência em algumas regiões e em determinadas épocas do ano. Para evitar que elas afetem sua lavoura, é necessário realizar o planejamento antes mesmo do plantio das mudas.

Áreas de baixadas e espigões muito planos e extensos devem ser evitados, porque o frio fica estagnado nesses locais e propicia a ocorrência das geadas.

gráfico com locais com acúmulo de ar frio com alta probabilidade da ocorrência de geada
Locais com acúmulo de ar frio com alta probabilidade da ocorrência de geada
(Fonte: Unesp)

Em regiões de morros, se houver vegetação alta e densa abaixo da lavoura de café, você deve fazer corredores nessas vegetações para que o frio não seja mantido.

Por outro lado, se a vegetação for alta e densa acima da lavoura, você deve mantê-las para que o frio não desça para as plantas.

Disposição correta da lavoura de café, com vegetação densa acima e vegetação rala abaixo das plantas
Disposição correta da lavoura de café, com vegetação densa acima e vegetação rala abaixo das plantas
(Fonte: Esalq)

Locais em que a face do terreno está voltada para sul ou sudeste, no inverno, ficam menos expostos à radiação solar. Dê preferência a terrenos voltados para norte ou nordeste.

ilustração de recomendação da área com face do terreno voltada para norte ou nordeste
Recomendação da área com face do terreno voltada para norte ou nordeste
(Fonte: Gonçalves)

Como evitar os riscos da geada na lavoura de café

Em áreas onde a lavoura está com plantas de até 6 meses, em caso de alerta de geada, você deve fazer o enterro das mudas em campo

Veja como fazer o procedimento:

Enterro de mudas de café na véspera da geada e desenterro no dia posterior
Enterro de mudas de café na véspera da geada e desenterro no dia posterior
(Fonte: adaptado de Fundação Procafé)

Quando as plantas já estão maiores, para evitar a ocorrência de geada de canela, você deve colocar terra na base do caule do café. Essa prática é conhecida como chegamento de terra.

Exemplo de chegamento de terra em plantas de café
Exemplo de chegamento de terra em plantas de café
(Fonte: Caramori e colaboradores)

Em áreas de cafezal já formado, mantenha as entrelinhas limpas, sem palhada e plantas daninhas, deixando o solo exposto para retenção de calor do sol. Essas práticas reduzem seus efeitos.

Faça adubação foliar com potássio antes da ocorrência de geada, porque este nutriente aumenta o ponto de congelamento da seiva. Assim, a planta fica mais tolerante à massa de ar frio.

Se houver sistema de irrigação em sua área, o funcionamento em noite de geada é uma prática que evita e reduz seus efeitos, pois a água da irrigação umidifica o ar e eleva o ponto de congelamento da seiva.

Outro aspecto importante são os ventos que carregam as massas de ar frio. Utilizar barreiras de vento, como árvores, pode ser viável.

Em áreas de maior acúmulo de frio, a utilização de árvores ou plantas de porte alto como o guandu, quando o café ainda é pequeno, também é uma alternativa.

Arborização em cafezal
Arborização em cafezal
(Fonte: Emater-MG)

Caso a geada tenha afetado sua lavoura de modo leve, realizar desbrotas pode ser o suficiente.

Se ocorreu uma geada severa e grande parte da planta foi comprometida, talvez seja necessária a recepa

Mas antes de tomar qualquer decisão, veja o nível de dano causado na sua lavoura.

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Conclusão

A geada no café pode causar sérios prejuízos nas lavouras, porque gera perda ou redução drástica de produtividade.

É importante que você saiba quais são os diferentes tipos de geada e as áreas de maior probabilidade de ocorrência, para poder evitar seus efeitos na planta.

Além disso, lembre-se das medidas necessárias para prevenir os danos e o que fazer caso as plantas já tenham sido afetadas.

Ficar por dentro das previsões climáticas da sua região também te ajuda a estar preparado(a) para tomar as medidas preventivas! 

>> Leia mais:

Entenda como a umidade do grão de café pode impactar a qualidade do produto final

Você já teve perdas devido à geada no café? O que você fez para resolver o problema? Adoraria ler o seu comentário aqui em baixo.

Guia rápido da adubação de boro e zinco no café

Boro e zinco no café: entenda a importância desses nutrientes para a sanidade, vigor e produtividade do cafeeiro e as opções de produtos 

A nutrição de plantas é, junto do clima e da interação de microrganismos, um dos fatores primordiais para a produção vegetal. 

Cada tipo de nutriente apresenta particularidades com relação às suas fontes, modo de absorção, teores recomendados, mobilidade no solo e na planta, pH ideal para absorção, dentre outros.

Por isso, fazer o manejo adequado de micronutrientes pode te ajudar a garantir a produtividade do café.

Neste artigo, você verá  a importância de micronutrientes específicos como boro e zinco para a cultura do cafeeiro e as suas formas de correção na lavoura. Acompanhe!

O que são micronutrientes e qual a sua importância?

Os nutrientes minerais se dividem entre macro e micronutrientes, conforme a quantidade necessária para o desenvolvimento vegetal.

Apesar de serem requeridos em menores quantidades, os micronutrientes são tão limitantes para a produtividade quanto os macronutrientes. 

Conforme a lei do mínimo, a produção é definida pelo elemento mais limitante no solo, seja ele um macro ou micronutriente.

foto de um barril de madeira com as siglas dos nutrientes  e no meio onde estão N, P e K tem uma abertura saindo grãos de soja e espalhando para fora - Lei do mínimo para a produção vegetal
Lei do mínimo para a produção vegetal
(Fonte: AgroFácil)

Nutrientes podem ser considerados essenciais para as plantas quando se encaixam nos critérios de essencialidade. São eles:

  • ser parte de um composto vital para a planta; 
  • ser necessário para que a planta complete seu ciclo de vida;
  • não pode ser substituído por outro nutriente ou elemento.

Os micronutrientes vegetais são: boro (B), cloro (Cl), cobre (Cu), ferro (Fe), manganês (Mn), molibdênio (Mo) e zinco (Zn). 

Cada um desses elementos tem funções específicas no metabolismo de plantas. As deficiências de boro e o zinco são frequentes na agricultura brasileira.

O boro no cafeeiro

Funções

O boro é um micronutriente essencial para plantas e atua em múltiplas funções, como:

  • germinação do grão de pólen e crescimento do tubo polínico: isso faz com que o boro seja primordial para o desenvolvimento e pegamento de florada, influenciando no potencial de produção de frutos;
  • divisão e diferenciação celular, síntese de celulose e lignina, e síntese de parede celular: isso aumenta a resistência das plantas ao ataque de pragas e doenças;
  • translocação de açúcares da folha para outros órgãos;
  • crescimento de meristemas.

Sintomas da deficiência

A deficiência de boro nas plantas é comum em condições de campo devido à sua alta mobilidade no solo e potencial lixiviação.

Os principais sintomas dessa deficiência nutricional no cafezal aparecem em folhas novas e regiões de crescimento. Os mais comuns são: 

  • folhas menores, verde-claras e com deformações;
  • diminuição do crescimento radicular; 
  • morte da gema apical e superbrotação;
  • baixo pegamento de florada.
três fotos com sintomas da deficiência de boro em café: folhas verde-claras, deformadas e superbrotação
Sintomas da deficiência de boro em café: folhas verde-claras, deformadas e superbrotação
(Fonte: Emater)

Correção

O boro é um nutriente com alta mobilidade no solo, porém com baixa mobilidade na planta, sendo imóvel no floema. Sendo assim, a recomendação é de correção de boro via solo.

Os teores ideais desse nutriente são de 40-80 ppm em nível foliar, ou acima de 0.5 mg/dm3 no solo. Em valores abaixo desses, a correção é recomendada.

As principais fontes de boro para aplicação no solo são o ácido bórico, o Boráx e a ulexita. Os dois primeiros são solúveis em água, e a solubilidade da ulexita depende da razão entre sódio e cálcio, que também fazem parte desse composto.

As recomendações para a produção do cafeeiro são de 6,5g de B por saca de café ou, para 30 sacas/ha, seriam necessários cerca de 200 g/ha de B, o que representa cerca de 1 kg/ha de ácido bórico. 

Porém, devido à alta lixiviação e perda, não é incomum que doses maiores sejam recomendadas, como de 2 a 6 kg/ha de boro.

Toxidez

Níveis de boro com cerca de 100 ppm em nível foliar são considerados tóxicos. Os sintomas de toxidez são folhas rajadas de verde e amarelo com bordas deformadas.

O zinco no cafeeiro

Funções

O zinco também é um micronutriente essencial para plantas e atua em múltiplas funções, dentre elas:

  • componente de enzimas: são importantes como facilitadores de reações da fotossíntese durante a formação da glicose;
  • atua na síntese do triptofano: esse aminoácido é precursor da molécula de auxina, um importante regulador do crescimento de plantas;
  • importante na síntese de proteínas.

Sintomas da deficiência

A deficiência de zinco é comum no cafeeiro. Os sintomas aparecem normalmente em folhas novas, devido à sua baixa mobilidade na planta, assim como o boro. Os mais comuns são: 

  • folhas alongadas, finas e com bordas enroladas;
  • destaque das nervuras verdes pelo amarelecimento do limbo foliar; 
  • encurtamento de internódios nas pontas dos ramos com formação de roseta;
  • redução de tamanho dos frutos.
Sintomas da deficiência de boro em café: folhas alongadas e finas, nervuras verdes e limbo amarelado
Sintomas da deficiência de boro em café: folhas alongadas e finas, nervuras verdes e limbo amarelado
(Fonte: Yara)

É importante ressaltar que os sintomas de deficiência de zinco são semelhantes aos sintomas de toxidez por glifosato, sendo primordial detectar sua origem para decidir o melhor manejo.

Correção

A correção de zinco pode ser feita via solo ou foliar no cafeeiro. Os teores ideais são de 8 a 20 ppm em folhas e em torno de 3 mg/dm3 no solo.

A recomendação de 6 kg/ha de zinco é comum para a adubação via solo. Nesse caso, você deve se atentar a alguns fatores que podem diminuir a disponibilidade de zinco para a planta. São eles:

  • presença de fósforo (P) em excesso;
  • solos mais arenosos;
  • aumento do pH do solo.

Toxidez

Os níveis de toxidez de zinco podem variar conforme a fase de desenvolvimento da cultura. Porém, valores acima de 20 ppm nas folhas são normalmente considerados como tóxicos. 

O excesso de zinco em época de florada pode causar abortamento de flores

O monitoramento das quantidades de zinco no solo e na folha, assim como o acompanhamento preciso das atividades de manejo da lavoura, são importantes para detectar a possibilidade de toxidez desse nutriente.

A importância do manejo correto de boro e zinco no café

O manejo dos teores de nutrientes no solo é crucial para o bom andamento da lavoura e expressão máxima do potencial produtivo da cultura.

No caso dos micronutrientes, seu uso tem que ser ainda mais cuidadoso visto que, por serem requeridos em menor quantidade, um erro de cálculo ou falha na aplicação pode facilmente causar deficiência ou toxidez.

gráfico com relação entre disponibilidade de nutrientes e produção de plantas
Relação entre disponibilidade de nutrientes e produção de plantas
(Fonte: Faquin, 2002)

Isso acontece normalmente com o zinco e o boro, e suas concentrações têm de ser bem manejadas e monitoradas através de análises de solo e foliares.

Abaixo, você verá valores de referência para teores foliares dos dois nutrientes ao longo do ano, para café arábica em produção

Valores adequados de boro e zinco, em teores foliares, para cafezais com produção de 30 a 40 sacas/ha
Valores adequados de boro e zinco, em teores foliares, para cafezais com produção de 30 a 40 sacas/ha
(Fonte: Potafos)
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Conclusão

O manejo adequado de nutrientes no solo é fator primordial para o sucesso do cultivo

Realize o manejo no momento da correção dos teores presentes no solo ou na fertilização para viabilizar o crescimento, desenvolvimento e produtividade do cafeeiro.

As recomendações de produtos, doses e épocas de aplicação também são muito importantes para o manejo de micronutrientes, principalmente o zinco e o boro.

Uma consulta a seu assistente técnico é o procedimento ideal para sanar dúvidas e obter os melhores resultados em sua lavoura.

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“Acerte no adubo líquido para café e não jogue dinheiro fora”

“Tudo o que você precisa saber sobre a produção de cafés especiais”

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Quando a irrigação de café pode ser uma alternativa rentável para sua lavoura?

Irrigação de café: entenda os benefícios e desafios, custos envolvidos, potencial de ganho e compensação econômica do investimento

O déficit hídrico é um dos fatores de maior impacto na cafeicultura, prejudicando a sobrevivência, o crescimento e a produtividade das plantas. 

Contar apenas com a variação de chuva ao longo do ano aumenta a incerteza e os riscos da cultura do café. 

Por isso, o uso da irrigação tem se tornado uma alternativa bastante interessante, permitindo o aumento da produção do cafeeiro e também da qualidade das bebidas.

Mas quando vale a pena investir na irrigação de café? Qual método pode ser o mais adequado para a sua lavoura? Confira essas e outras respostas a seguir!

Por que irrigar o cafeeiro?

A principal intenção de irrigar o cafeeiro é fornecer uma quantidade de água ideal para o bom crescimento e desenvolvimento das plantas. 

Ao  corrigir a umidade do solo, a planta pode se aproximar do seu potencial produtivo, diminuindo perdas e aumentando a produção.

Essa técnica diminui o risco da atividade agrícola, que passa a não depender apenas dos níveis de chuva naturalmente acumulados. 

Ao manter o fornecimento de água ideal, a planta aumenta a eficiência do seu processo de fotossíntese, que é a sua maior fonte de biomassa.

Além disso, a cultura do café tem seu florescimento estimulado pela precipitação após um período de seca. Nesse caso, o uso de irrigação pode induzir floradas mais homogêneas, gerando maior produtividade, grãos de maior peneira e maturação mais igualitária de frutos.

A cafeicultura irrigada representa 12% da área total de café do país, mas responde por 30% da produção. Isso mostra a vantagem do uso da irrigação na produtividade quando comparada à cultura de sequeiro.

6 principais métodos de irrigação na cultura do café

Existem alguns métodos mais empregados para a irrigação do café. São eles:

  1. canhão hidráulico: é um sistema com alto consumo de energia e pode ainda causar desuniformidade de aplicação e desperdício de água;
  2. malha: é um método simples e efetivo, com baixo custo de implantação;
  3. pivô central: é um sistema preparado para irrigar uma área circular de lavoura e com boa uniformidade;
  4. microaspersores: é um sistema de irrigação localizada com alto rendimento e precisão;
  5. Gotejamento: usado para irrigação localizada, possui custo mais elevado, mas com alto rendimento e precisão;
  6. Tripas: é um sistema de irrigação localizada de custo mais baixo que os microaspersores e gotejamento.

A recomendação do método de irrigação depende de fatores como:

  • topografia da área;
  • disponibilidade de água na propriedade;
  • porosidade do solo;
  • nível tecnológico da fazenda;
  • condições climáticas como pluviosidade, temperatura e velocidade do vento.
gráfico com custo de implantação de sistemas de irrigação de café
Custo de implantação de sistemas de irrigação
(Fonte: Esalq, 2013)

Quando utilizar irrigação no cafeeiro?

As condições climáticas ideais para a cultura do café são temperaturas entre 19℃ e 21℃ e precipitação anual acumulada de 1.400 mm. 

Na maioria das regiões, onde a cultura é mais presente, as condições se aproximam das ideais.

Porém, tem-se verificado a alteração de padrões climáticos em algumas regiões, o que pode ocasionar aumento de temperatura e regime hídrico mais variável. 

O déficit hídrico a partir de 150 mm passa a causar danos no vigor e produtividade de plantas de café.

A recomendação de irrigação está muito ligada às condições climáticas de cada região.  Quanto maiores as limitações climáticas – como temperaturas altas e disponibilidade hídrica baixa – mais benéfica se torna a irrigação. 

Qual o potencial de ganho com uso da irrigação de café?

Assim como a recomendação do uso, o potencial da irrigação do café também depende das limitações climáticas da região.

Em regiões quentes e secas, o uso de irrigação pode aumentar a produtividade em 100%. Nas demais regiões o ganho pode variar de 25% a 60%.

Além disso, a irrigação proporciona uma florada mais homogênea, que pode garantir uma frutificação mais robusta, com grãos maiores e de maior qualidade. Isso aumenta a qualidade do café em termos de classificação de peneira e quantidade de defeitos.

Finalmente, a irrigação pode aumentar a qualidade de bebida do café pelo acúmulo de qualidades sensoriais do produto final.

Compensação econômica

A compensação econômica da implantação de um sistema de irrigação de café vai depender das limitações climáticas da região, da capacitação técnica da propriedade e do sistema escolhido.

Isso definirá os custos de produção e operação e também os ganhos em produtividade e qualidade do café

A tabela a seguir mostra um comparativo financeiro da implantação e produção de cafeeiros em sequeiro e irrigado.

O ganho com o sistema de irrigação no estudo de caso apresentado abaixo foi de 41% de aumento no lucro final por hectare. Esse índice, entretanto, pode ser maior ou menor de acordo com os fatores acima citados. 

Em alguns casos, o investimento na irrigação pode ser pago já na primeira safra  ou em um período maior, de até 2,2 anos, dependendo das realidades dos estudos de caso.

tabela com custos de produção de cafeeiros em sequeiro e irrigado obtidos em estudo de caso
Custos de produção de cafeeiros em sequeiro e irrigado obtidos em estudo de caso
(Fonte: Educampo, 2015)

Quais os desafios para a implementação da irrigação?

Os principais desafios para a implementação da irrigação no cafeeiro estão relacionados ao uso racional de água e energia

O planejamento e execução da irrigação deve ser feita por um profissional especializado. Além disso, a automatização de cálculos de lâmina de irrigação podem auxiliar na eficiência do processo. 

Outro ponto importante é a constante verificação e manutenção dos equipamentos de irrigação para evitar possíveis danos e problemas.

Finalmente, a boa escolha do sistema de irrigação e o conhecimento das legislações referentes à outorga e uso de água são fundamentais para aumentar a porcentagem de sucesso do empreendimento.

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Conclusão

A irrigação do cafeeiro tem se mostrado uma opção viável e rentável. Ela contribui para diminuir os riscos da atividade agrícola, contornar as variações climáticas regionais, aumentar a produtividade da lavoura e racionalizar o uso de recursos vitais como água e energia.

A escolha do sistema de irrigação, sua instalação, manejo e manutenção são atividades primordiais para o sucesso do empreendimento.

Além disso, as recomendações de lâminas de água de acordo com a fase fenológica da cultura, das características climáticas e de solo também são importantes.

Como você viu, essa técnica se apresenta financeiramente viável através do pagamento de investimento por meio do aumento da produtividade do cafeeiro, da qualidade dos grãos e da bebida.

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“Poda do cafezal: como fazer para aumentar sua produção”

“Adubação para café: simples e prática (+ planilha)”

Você tem alguma experiência com relação à irrigação de café? Deixe seu comentário e vamos continuar essa conversa!

Tudo o que você precisa saber sobre a mancha de mirotécio no café

Mancha de mirotécio no café: sintomas, condições favoráveis da doença, medidas preventivas e de controle

Pragas e doenças são sempre uma dor de cabeça para o produtor rural. Na cultura do café, a ferrugem e a broca do cafeeiro são conhecidas pelo impacto que podem causar na produção das plantas.

Agora, uma nova doença preocupa os produtores de mudas de café: a mancha de mirotécio. Você já ouviu falar sobre ela?

Para que você entenda a doença e tenha mais condições de fazer um manejo adequado, preparamos este artigo. Confira tudo a seguir!

O que é a mancha de mirotécio no café?

A mancha de mirotécio é uma doença identificada recentemente no Brasil, na cultura do café. Foi constatada pela primeira vez em 2003, no viveiro experimental no Rio de Janeiro, em mudas de café arábica com idades entre 2 e 5 meses.

Em 2013, também houve a ocorrência da doença em mudas de café conilon em um viveiro no Espírito Santo.

A doença foi registrada ainda em países como Índia, Indonésia, Colômbia e Costa Rica.

O patógeno que causa a mancha de mirotécio é o fungo Myrotecium roridum. Ele pode causar a desfolha das mudas de café, levando-as à morte, principalmente quando plantadas em solo contaminado com o fungo e em condições favoráveis a seu desenvolvimento.

Mas como observar essa doença nas plantas de café? Vou explicar melhor a seguir.

Sintomas da mancha de mirotécio no cafeeiro

Inicialmente, as lesões são arredondadas e irregulares, de coloração verde-claro e aspecto oleoso, podendo apresentar um halo amarelo.

Depois, as lesões progridem e há formação de anéis concêntricos de diferentes tonalidades em ambas as superfícies da folha, com cerca de 3 cm de diâmetro. A doença pode ser observada em mudinhas até os 5 meses.

Também podem ser observados esporodóquios (estrutura do fungo) superficiais salientes e com micélio de coloração branca, cobertos de massa negra de esporo.

Lesões foliares iniciais (A); lesões foliares necróticas extensas, apresentando anéis concêntricos (B); sinais típicos do patógeno em lesão necrótica, os quais constituem esporodóquios com bordas de micélio branco e, ao centro, com massa negra de esporos (barra 200 µm) (C); e conídios maduros de M. roridum produzidos em fiálides (D)
Lesões foliares iniciais (A); lesões foliares necróticas extensas, apresentando anéis concêntricos (B); sinais típicos do patógeno em lesão necrótica, os quais constituem esporodóquios com bordas de micélio branco e, ao centro, com massa negra de esporos (barra 200 µm) (C); e conídios maduros de M. roridum produzidos em fiálides (D)
(Fonte: Da Silveira, Mussi-dias, Ponte e Dias em Reserach gate)

A mancha de mirotécio pode causar o abortamento das folhas das mudas de café e atraso em seu desenvolvimento. Tal condição acaba prejudicando o uso das mudas para o plantio, além de reduzir a área foliar para fotossíntese pelas manchas necróticas. Em situações extremas, pode haver até a morte da muda.

Essa doença também pode ocorrer no algodoeiro, onde também são observados sintomas em plantas jovens e perdas na lavoura. 

O fungo já foi identificado em outras plantas como abóbora, pepino, melancia, melão, berinjela, soja e várias outras.

O fungo Myrotecium roridum é saprofítico, sobrevivendo no solo e em restos culturais. Além disso, possui ampla gama de hospedeiros e há relatos de que pode sobreviver em sementes em alguns casos.

Um ponto muito importante dessa doença é que os sintomas foliares podem ser confundidos com a mancha de Phoma.

Para diferenciar as duas doenças, tenha em mente que as lesões da mancha de mirotécio apresentam formato regular nas bordas das folhas e rápida expansão e tamanho.. 

Já a mancha de Phoma (causada pelos fungos do gênero Phoma) causa lesões de coloração escura na margem das folhas, com formato irregular, podendo apresentar anéis concêntricos.

Condições favoráveis para a mancha de mirotécio no café

Há relatos de que a doença se manifeste em viveiro de mudas com alta umidade e irrigações frequentes. 

Temperaturas de 18℃ a 30℃ são favoráveis à doença, ou seja, condições de alta umidade e temperatura são favoráveis ao patógeno. Além disso, ferimentos podem predispor as mudas ao ataque do fungo.

Assim, a mancha de mirotécio precisa de longos períodos de molhamento foliar, associada a altas temperaturas, para se manifestar nas plantas.

A doença pode ocorrer em reboleiras e o fungo pode ser disperso por água, vento e pela irrigação nos viveiros.

Medidas preventivas para evitar a mancha de mirotécio

É sempre muito importante evitar a entrada de doenças na cultura e, no caso da mancha de mirotécio, deve-se evitar também a entrada nos viveiros de mudas de café, realizando o manejo preventivo.

Algumas medidas preventivas que podem ser adotadas são:

  • substratos livres de alta quantidade de matéria orgânica e livres do patógeno;
  • controlar a irrigação das mudas;
  • evitar o excesso de umidade;
  • eliminar mudas e folhas mortas do viveiro;
  • manter mudas com boa nutrição e livres de estresse;
  • evitar hospedeiros do fungo Myrotecium roridum próximos do viveiro.
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Como controlar a mancha de mirotécio no café

Quando falamos em controle de doenças, é sempre importante pensar em todas as medidas que são disponíveis para o manejo. Não vise apenas um tipo de controle, utilize um manejo integrado.

Para a mancha de mirotécio no café, não existem cultivares resistentes e ainda não há fungicidas específicos registrados. 

Em alguns estudos, fungicidas como triazóis e estrobilurinas têm apresentado bons resultados de controle.

Por isso, utilize as medidas preventivas que comentamos no tópico anterior e procure auxílio de um(a) agrônomo(a) para as recomendações de manejo.

Conclusão

A mancha de mirotécio é uma doença recente no país, mas já preocupa os produtores de mudas de café.

Como discutimos neste texto, o fungo que causa a doença apresenta muitas plantas como hospedeiras. Por isso, é importante conhecer a doença e adotar as medidas preventivas e de controle para reduzir os prejuízos.

Agora que você conhece um pouco mais sobre o problema, não espere perder as mudas de café por mirotécio.

>> Leia mais:

“O que você precisa saber para definir o melhor espaçamento para plantio de café”

Você já teve problemas com a mancha de mirotécio no café? Quais medidas de manejo você costuma adotar na fazenda? Adoraria ver seu comentário abaixo!

6 dicas para aumentar sua produtividade de café

Produtividade de café: do plantio à colheita, veja as dicas que podem influenciar os resultados da sua lavoura!

A cafeicultura nacional vem evoluindo muito nos últimos anos e parte disso se deve ao melhor conhecimento do sistema produtivo.

Esse entendimento da cultura somado ao planejamento da lavoura é fundamental para se obter ganhos de produtividade.

Neste artigo, separei algumas dicas para que você melhore seu planejamento e possa também aumentar a produtividade de café! Confira a seguir!

A cultura do café

O cafeeiro é uma planta da família das Rubiáceas, tem porte arbustivo e é originário da África. 

O gênero Coffea, segundo o ICO (International Coffee Organization), se divide em ao menos 25 espécies diferentes, sendo Coffea arabica e Coffea canephora (também conhecido como C. robusta e Conillon) as mais importantes no Brasil.

Coffea arábica é menos produtivo e mais suscetível à ocorrência de pragas e doenças que Coffea canephora, porém, produz grãos de maior qualidade e a bebida é mais saborosa. Portanto, o valor de venda dos grãos desta espécie é maior. 

Independentemente da espécie, há uma característica de sazonalidade, sendo que parte dos processos fenológicos da cultura se iniciam em um ano e se completam no ano seguinte, como podemos observar na imagem abaixo. 

Esse fenômeno justifica a queda de produtividade após um ano com bons números e será uma característica de 2021, um ano de produções menores.

tabela com Fenologia do cafeeiro sobre primeiro e segundo ano
Fenologia do cafeeiro
(Fonte: extraído de Mattielo, 2015)

Perspectivas para a cafeicultura em 2021

Segundo dados da Conab, considerando a sazonalidade da cultura e aspectos climáticos negativos em alguns locais durante o ano de 2020, é esperada redução do rendimento médio das lavouras, bem como queda na área de produção.

A expectativa é uma produção entre 43.854 e 49.588 mil sacas de café beneficiado, o que corresponde a uma queda de até 30,5% em relação ao ano anterior, em uma área total de 1.753,3 mil hectares.

Do total estimado para a produção, de 29.719,3 a 32.990,5 mil sacas serão de café arábica e de 14.134,7 a 16.598,1 mil sacas de café conilon.

Estes dados ainda são uma estimativa da produção da cultura para esta safra e temos que agir para que a perspectiva se mantenha ou ainda melhore. 

Mas o que pode ser feito para melhorar a sua produtividade de café? Confira as dicas abaixo.

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5 dicas para melhorar a produtividade de café

1. Conheça bem a área onde a cultura está ou será implantada

Antes de mais nada, é preciso conhecer a área onde a cultura está ou será implantada. Uma análise de solo completa, com análise física e química, contemplando micro e macro nutrientes, é fundamental.

Faça um planejamento completo da implantação para evitar possíveis problemas e garantir o máximo de saúde possível para a sua cultura. Temos uma planilha gratuita para te ajudar nesse momento, e você pode baixar clicando na imagem abaixo:

2. Planeje o plantio

Pode parecer óbvio, mas nem sempre o plantio é planejado

O ideal é adotar um espaçamento que permita movimentação de máquinas, aeração da cultura e o manejo.

Na implantação, o estabelecimento inicial da lavoura é fundamental. Atualmente existem diversos produtos que permitem um enraizamento mais adequado, melhora da retenção de água no solo e melhor arranque, protegendo a cultura no momento em que é mais sensível. 

Outro ponto fundamental é escolher bem a cultivar e espécie que se plantará e utilizar mudas sadias, de produtores idôneos, para não introduzir pragas e doenças na lavoura. 

Como vimos, café arábica tem uma bebida de melhor qualidade e maior valor de venda, mas é mais suscetível ao ataque de pragas e doenças em comparação ao café conilon.

Importante também fazer adubação adequada nesse momento. A partir da análise, deve ser feita a adubação adequada, conforme recomendação.

Aqui no blog, você encontra uma planilha bastante completa e de fácil operação, que pode ser muito útil para sua lavoura! Para baixar gratuitamente, clique na imagem a seguir:

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3. Monitore a lavoura

Uma vez implantada, é preciso monitorar a lavoura constantemente, avaliando a incidência de pragas e doenças que podem impactar sua produção. 

O ideal é adotar medidas de controle quando as pragas ou doenças estiverem acima do nível de dano econômico

Quando usado o controle químico, é importante fazer alternância de grupos químicos e modos de ação para evitar pressão de seleção de população de pragas resistentes ao controle químico. 

Consulte também os comitês de fungicidas, inseticidas e herbicidas para informações sobre ocorrência de resistência a ingredientes ativos e formas de mitigar risco.

Aproveite também a tecnologia nesse monitoramento. O software de gestão agrícola Aegro permite que você tenha um MIP (Manejo Integrado de Pragas) mais eficaz em sua lavoura, registrando o monitoramento e armadilhamento pelo celular. 

Você pode gerar relatórios sobre a incidência de pragas-alvo e verificar o momento certo para pulverizar, o que pode gerar inclusive redução de seus custos com defensivos.

Saiba mais sobre o Aegro: fale com nossos consultores e peça uma demonstração gratuita!

4. Atenção à florada

Como falamos, o café tem a característica de sazonalidade e o manejo da florada é fundamental para a produtividade da lavoura.

Nessa fase, é necessário cuidado redobrado com pragas e doenças e também com a nutrição. Em lavouras bem nutridas, o pegamento das flores é maior. 

É importante ter cuidado no uso de inseticidas nessa fase de floração. Dê preferência para inseticidas específicos para o alvo e seletivos para inimigos naturais, uma vez que o café necessita de polinização por abelhas e alguns inseticidas são bastante tóxicos a esses insetos.

5. Manejo da frutificação

Passada a fase da florada, é hora de ter cuidados com os frutos. 

Da mesma forma que nas flores, precisamos ter certeza de que os frutos serão formados e retidos. Novamente, lavouras bem nutridas e sadias originam mais frutos e frutos de maior qualidade.

O controle de pragas e doenças nessa fase é fundamental.

6. Planejamento da poda

A poda também tem um impacto significativo na produtividade do cafezal. Ela é fundamental para renovar a lavoura e estimular a produção de ramos novos. 

Mas, assim como outros manejos, não pode ser feita ao acaso: é preciso ser bem planejada. Confira neste artigo tudo o que você precisa saber sobre a poda do cafezal.

A adubação correta no momento da poda deve considerar macronutrientes como nitrogênio, fósforo e potássio, além de micronutrientes essenciais, principalmente zinco e boro.

A disponibilidade desses nutrientes é essencial para o desenvolvimento das gemas que darão origem aos ramos. E, a qualidade dos ramos formados, irá refletir diretamente na produtividade da lavoura.

Colheita e comercialização do café

Na fase da colheita, o monitoramento continua. 

O ideal é manter dados de produtividade por talhão, incluindo dados de valor de venda, qualidade do grão e, se possível, da bebida. Tais informações serão úteis no planejamento da safra seguinte.

Com base nos dados da lavoura, é possível decidir a melhor forma de comercialização. Nesse momento, ter o histórico da área é fundamental para saber de onde vêm os grãos com melhor potencial de bebida e qual mercado se busca atingir. 

Cafés de boa bebida atingem melhores preços e tudo o que foi feito na lavoura até o momento, desde a escolha do local de plantio, tem impacto na qualidade final.

E aí, o planejamento acabou? A resposta é não. Ainda temos que continuar monitorando e coletando dados da lavoura para tomar decisões cada vez mais assertivas.

>> Leia mais: “Como a colheita mecanizada do café pode reduzir os custos da sua operação”

Conclusão

O planejamento da lavoura e o conhecimento da cultura são essenciais para atingir uma boa produtividade.

Neste artigo, abordamos as perspectivas de produção para o café e as dicas que podem interferir positivamente na produtividade da sua lavoura.

Lembre-se: tudo começa com um bom planejamento e, para que ele seja eficiente, é preciso haver monitoramento constante da lavoura, coleta e análise dos dados obtidos.

Desta forma, é possível tomar decisões mais estratégicas para alcançar melhor produtividade e também uma bebida de mais qualidade e mais alto preço!

Como está a produtividade da sua lavoura de café? E o seu planejamento? Deixe seu comentário!

>> Leia mais:

Guia de controle das principais plantas daninhas do café”

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Saiba as vantagens da Cafeicultura de Precisão e como aplicá-la

Como estimar o custo de produção do café (+ calculadora rápida)

Custo de produção do café: entenda quais fatores devem ser considerados para o cálculo

O custo de produção é sempre motivo de preocupação. É preciso saber quanto se gastou com adubação, manejo fitossanitário e com a colheita.

Mas será que colocamos todas as informações necessárias na hora de calcular o custo?

Existem informações que não podem faltar para que se tenha o custo de produção corretamente. Do contrário, podemos estar perdendo dinheiro e nem saber!

Confira a seguir algumas dicas de como calcular o custo de produção do café.

Cálculo do custo de produção do café

O custo de produção do café deve englobar todos os fatores que foram utilizados. São mudas, adubos, hora/máquina, diesel, pessoal… e até outros fatores que podemos esquecer como depreciação, encargos trabalhistas, impostos, etc.

Fica claro também que o custo de produção do café depende do nível de tecnologia empregado, pois a quantidade de insumos/máquinas utilizada pode variar de acordo com isso.

Pode parecer muita coisa, mas sem essas informações podemos ter a falsa ideia de que nossa atividade está sendo rentável quando, na verdade, estamos perdendo dinheiro.

Frequentemente esse é o caso. Sempre pensamos que o nosso custo é mais baixo, mas quando se coloca na ponta do lápis, não é bem por aí. Fique atento!

Tipos de custo

Os custos de uma lavoura de café podem ser divididos em: custo variável, custo fixo, custo operacional e custo total. O que cada custo desses engloba está exemplificado nas tabelas abaixo.

tabela com composição dos custos de produção
Composição dos custos de produção
(Fonte: Conab)

Esses dados devem ser computados e somados para compor cada um dos tipos de custo da propriedade, como ilustra a tabela abaixo:

Exemplo de planilha de custo de produção para café arábica obtida no site da Conab, na seção "Planilhas de custo de produção”.
Exemplo de planilha de custo de produção para café arábica obtida no site da Conab, na seção “Planilhas de custo de produção”.

Para se ter informações mais palpáveis e fáceis de entender, é comum dividir o custo de produção do café para cada hectare, por saca produzida ou ainda transformá-lo em “número de sacas”. 

Assim, é mais fácil ter uma ideia prática de quanto se deve produzir para pagar as contas.

Fazendo o rateio dos custos

Perceba que as informações necessárias para os cálculos geralmente são obtidas ao nível de propriedade. No caso da existência de mais uma atividade na propriedade, é necessário fazer o rateio dos custos

Por exemplo, o mesmo trator que realiza pulverizações pode ser utilizado na propriedade para puxar uma carreta ou pulverizar outras culturas que não o café. Como dividir o custo para que somente o que foi utilizado com o café seja computado?

Isso pode ser feito dividindo o valor total obtido pela área de cada atividade – ou então contabilizando as horas trabalhadas com cada atividade na hora da divisão. Desse modo, temos o cálculo correto do custo de produção do café.

Organizando a casa

Você deve ter notado que são muitas informações necessárias para o cálculo correto do custo de produção do café. 

Por isso, antes de mais nada, é necessário que se tenha organização para  lidar com esses dados.

Seja no caderninho, em planilhas ou em softwares de gestão, devemos ter rigor ao manter o histórico desses dados. Valor, local de compra, data, estoque, são algumas das coisas que devemos controlar.

Para os dados mais complexos, como depreciação  e remuneração sobre capital, é preciso buscar fontes confiáveis para realizar o cálculo.

Custo de produção do café: onde encontrar informações confiáveis?

Quando não sabemos exatamente onde conseguir o preço de determinado insumo, como realizar o cálculo do custo de produção ou, ainda, se queremos comparar com o custo de outros lugares, precisamos de informações confiáveis.

No portal da Conab podemos encontrar muitas dessas informações de forma gratuita, inclusive os métodos para estimar depreciação, por exemplo.

Caso precisemos de informações sobre o preço de insumos agropecuários, podemos encontrá-las aqui. Nesse site, encontramos preços de fertilizantes, fitossanitários, máquinas e implementos, etc. 

Exemplo de planilha de preços de fertilizantes obtida no site da Conab, na seção “Preços de insumos agropecuários”.
Exemplo de planilha de custo de produção para café arábica obtida no site da Conab, na seção “Planilhas de custo de produção”

Além disso, caso você queira um modelo de planilha de custos do café, também pode encontrá-lo na Conab, na seção de “Planilhas de custo de produção”. Tem para café arábica e conilon.

Agora, se você precisa de algo mais prático e rápido, pode usar também essa calculadora de custo de produção da Aegro. Basta indicar seus custos com defensivos, fertilizantes, mão de obra, entre outros, e o cálculo é feito de forma automatizada. É simples e rápido. 

Vale lembrar que, se você possuir as informações de preços/custos referentes à sua cidade ou região, é sempre melhor usá-los no cálculo para dar detalhamento, desde que sejam de fontes confiáveis.

Custo de produção agrícola: Controle tudo pelo Aegro!

Conclusão

Como pudemos conferir ao longo do texto, o custo de produção do café não é um bicho de sete cabeças para se calcular. No entanto, algumas informações não podem faltar e muitas vezes passam despercebidas por nós.

É essencial considerar os custos relacionados à depreciação de maquinário e benfeitorias, além de impostos. Não precisamos saber os mínimos detalhes, mas entender o que são custos variáveis e fixos e como chegar ao custo total.

Neste artigo, mostramos algumas planilhas que podem ser utilizadas como modelo e uma calculadora gratuita para facilitar a vida.

De qualquer modo, mantenha sempre um histórico detalhado de suas compras para que possa calcular corretamente o seu custo de produção do café.

>>Leia mais:

“Todas as recomendações para o melhor plantio do café”

Restou alguma dúvida sobre o cálculo de custo de produção do café? Conte pra gente os comentários. Grande abraço e até a próxima.

O que você precisa saber para definir o melhor espaçamento para plantio de café

Espaçamento para plantio de café: entenda quais fatores considerar na hora de escolher o espaçamento do seu cafezal.  

Ao longo dos últimos anos, a cafeicultura nacional vem evoluindo, adotando novas práticas e, por consequência, produzindo mais.

Isso acontece porque passamos a entender melhor o sistema produtivo como um todo,  desde a população de plantas até o manejo. Em outras palavras, estamos cuidando melhor dos nossos pés de café.

Uma das mudanças que contribuíram de maneira mais significativa para essa evolução foi a mudança do espaçamento para o plantio do café. Pode parecer um detalhe apenas, mas isso contribuiu, e muito!

Separei algumas informações sobre o espaçamento do cafezal, como isso pode influenciar no dia a dia da propriedade e na produtividade da lavoura. Confira a seguir!

Espaçamento para plantio do café: um pouco de história 

Antigamente, media-se o espaçamento para plantio de café em palmos. Depois, adotaram-se os espaçamentos bem largos, de 3 m x 4 m, 4 m x 4 m e por aí vai, similar a um pomar de laranja. 

Eram poucas plantas por hectare, às vezes, mais de uma planta por cova.

foto em preto e branco de cafezal antigo com espaçamentos mais largos
Cafezal antigo com espaçamentos mais largos
(Fonte: IBGE cidades)

Aos poucos, foi adensado o cafezal e passou-se a produzir em renques (linhas de café). 

Isso gerou enormes ganhos na população de café por área plantada – passamos de menos de 1.000 planta/ha para 3.000 ou mais –  e, consequentemente, na produtividade do cafezal.

foto de cafezal plantado em renques, espaçamento atual - espaçamento para plantio de café
Cafezal plantado em renques, espaçamento atual
(Fonte: Valor Econômico)

Passamos a produzir menos por planta, mas mais por área. E isso foi uma grande vantagem, que culminou nos espaçamentos para plantio de café atuais. 

Mas você já se perguntou o que muda com um espaçamento mais ou menos adensado? Como a cultivar de café influencia nisso ou ainda as implicações no manejo?

Bem, é isso que pretendemos responder a seguir. 

O que considerar na escolha do espaçamento para plantio de café?

De forma resumida, é preciso ter em mente que quatro coisas andam juntas: o espaçamento, a população de plantas, a cultivar de café e a mecanização da lavoura. 

Esses pontos devem ser considerados e ponderados para que o espaçamento para  plantio de café seja o melhor possível para evitar problema indesejados ao longo da vida útil do cafezal.

População de plantas 

O espaçamento refere-se à distância entre plantas na linha e à distância entrelinhas (o tamanho da rua). Geralmente a distância das plantas na linha varia entre 50 cm e 1 metro; e de 1,5 m a 4 metros na entrelinha, de acordo com o sistema.

Isso dá uma variação entre 2.500 e 13.000 plantas por hectare!

O espaçamento para plantio de café define, portanto, a população de plantas da área e o adensamento do cafezal. 

Podemos classificar os sistemas quanto à população de plantas e adensamento da seguinte maneira:

  • tradicional: até 3.000 plantas/ha.
  • semiadensado: de 3.000 a 5.000 plantas/ha.
  • adensado: de 5.000 a 10.000 plantas/ha.
  • superadensado: até 10.000 a 20.000 plantas/ha.
  • hiperadensado: acima de 20.000 plantas/ha.

Sistemas mais adensados usam espaçamentos menores e tem maior população. Os menos adensados, espaçamentos maiores e menores populações.

Cabe lembrar que uma mesma população de plantas pode ser resultado de espaçamento diferentes. 

Para calcular a população de plantas a partir do espaçamento basta multiplicar a distância entre plantas na linha pela distância na entrelinha, tudo em metros. E dividir 10.0000 por esse valor. Por exemplo:

cálculo da população de plantas a partir do espaçamento, sendo espaçamento de 70 centímetros por 3,5 metros. 0,7 x 3,5 = 2,45
10.000/2,45 = 4081 plantas por hectare

Cultivar de café

Existem inúmeras cultivares de café disponíveis no mercado, já comentamos sobre a escolha delas em outro artigo aqui no blog da Aegro. Confira: “Variedades de café mais produtivas: como escolher a melhor para a sua propriedade”

Quanto a sua influência sobre o espaçamento, o mais importante é considerar o porte e vigor da cultivar.

Cultivares mais altas e vigorosas, como Mundo Novo, necessitam de maior espaçamento entre plantas na linha, acima de 70 cm.  Se usarmos espaçamentos menores, a tendência da planta é estiolar e ficar ainda mais alta. 

Isso aumenta a necessidade de podas para adequar a arquitetura da planta e também os riscos de quebra/tombamento com ventos. 

O problema é maior em regiões mais quentes onde a taxa de crescimento é mais elevada.

Cultivares de porte menor podem ser utilizadas em uma faixa mais ampla de espaçamentos entre plantas.

Mecanização da lavoura

Bem, para uma lavoura mecanizada, o espaçamento entrelinhas deve permitir o tráfego das máquinas

Deve-se considerar o diâmetro da copa da cultivar e o tamanho do trator e implementos. Nesses casos, geralmente adota-se algo entre 3 m e 4 m.

Por outro lado, em locais onde não é possível a mecanização e propriedades que colhem manualmente, talvez a melhor opção seja diminuir o espaçamento entrelinhas, adensando o cafezal e colhendo mais, na área. Nesse caso, o espaçamento seria 2 m a 2,5 m.

Esse maior adensamento aproveita melhor a área, aumenta a reciclagem de nutrientes, a produtividade e o retorno do capital investido é mais rápido.

Por outro lado, o investimento inicial é maior, os custos com colheita e podas também, além da maior incidência de doenças.

Espaçamento para plantio do café canephora 

O que conversamos até agora é válido para café arábica e canephora. Mas algumas particularidades do canephora devem ser ressaltadas.

Nas lavouras de café canephora, bons resultados têm sido obtidos com espaçamento de 3 m entrelinhas e 1 m a 1.2 m entre plantas, o que resulta em 2.700 a 3.300 planta/ha. Uma média de 3.000 plantas/ha, abaixo do utilizado para arábica.

Contudo, a planta de café canephora – robusta ou conilon – é multicaule, isso significa que mais de um ramo ortotrópico é conduzido por planta e isso contribui para a produtividade da lavoura. 

Por essa razão, definido o espaçamento ideal, é mais importante controlar a população de hastes ortotrópicas na área. Geralmente são 4 a 5 hastes por planta, resultando em uma população de 12 mil a 15 mil hastes/ha.

Em locais mais férteis e de alta tecnologia, pode-se aumentar a população de plantas e diminuir de hastes (3 a 4/planta) o que dá bons resultados e facilita o manejo, segundo a Incaper. 

Por outro lado, locais menos férteis podem trabalhar com populações de hastes mais altas, de 16 a 20 mil/ha.

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Conclusão

Como pudemos conferir ao longo do texto, o espaçamento para plantio de café não é uma simples receita de bolo a ser seguida em todas as situações. 

É preciso prestar atenção nos fatores que influenciam ou sofrem influência do espaçamento para escolher.

De antemão, o clima local, a declividade da área, bem como se a colheita é manual ou mecanizada podem determinar o espaçamento. Além disso, o porte da cultivar também deve ser considerado nessa hora.

O espaçamento define a população de plantas da área. E, adotando-se um espaçamento mais ou menos adensado, o manejo de podas, sanitário e até nutricional do cafezal será diferente e deve ser ajustado de acordo.

A determinação do espaçamento para plantio de café deve ser feita de maneira consciente, pois determinará grande parte do manejo ao longo da vida útil do cafezal. Fazendo da maneira correta, não teremos dor de cabeça!

>> Leia mais:

“10 dicas para melhorar a gestão de sua lavoura de café”

Como melhorar a plantabilidade e corrigir falhas e duplas na lavoura”

“Broca-do-café: veja as principais alternativas de controle”

E você, o que achou do texto? Restou alguma dúvida sobre espaçamento para plantio do café? Conte para gente nos comentários. Grande abraço e até a próxima!