Palha de café: veja como obter, quais os nutrientes presentes, como utilizar na adubação e todos os benefícios
O Brasil é o maior produtor e exportador de café no mundo.
A produção dos grãos gera, na mesma proporção, a palha do café.
Este subproduto pode ser um grande aliado na produção de café para os produtores. Afinal, ele é rico em nutrientes que podem ser devolvidos para a lavoura.
Neste artigo, entenda mais sobre como a palha pode te ajudar a economizar e trazer benefícios para seu solo. Confira!
O que fazer com a palha de café?
A palha do café é a casca dos grãos. Ela é retirada durante o beneficiamento do café.
Após a colheita, os grãos são levados para os terreiros. Ali eles permanecem até estarem secos e prontos para serem beneficiados.
Em alguns lugares, o beneficiamento é feito na própria fazenda, com máquinas móveis que descascam e ensacam os grãos.
Isso também pode ser realizado em beneficiadoras. Mas, para isso, é necessário levar o café em casca até o local.
Beneficiamento de café (A) móvel e (B) fixo (Fonte: Civarc e Rolnews)
Após obter a casca, seu uso pode ser imediato ou utilizado após um tempo. Pra isso, é importante armazená-la. Afinal, a chuva pode causar a lixiviação dos nutrientes.
Se a palha estiver em local aberto, como terreirões, basta cobrir com lona. O importante é evitar a entrada de água.
Outro modo de utilizar a casca do café é fazer compostagem com esterco de gadoou de galinha, por exemplo.
Quais nutrientes são encontrados na casca de café?
Geralmente, o teor médio dos macronutrientes na casca é:
de 1,5% a 2,5% de nitrogênio;
de 0,08% a 0,09% de fósforo;
de 2,7% a 2,75% de potássio.
A composição mineral dos grãos e da casca muda em função dos tratos culturais realizados na lavoura. Adubação química, matéria orgânica do solo e outros fatores influenciam.
Em toda atividade agrícola, como a produção de grãos, ocorre a exportação de nutrientes.
Esta exportação é a quantidade de nutrientes retirados da área através dos grãos produzidos.
No caso do café, a exportação é a combinação dos nutrientes contidos nos grãos e na casca.
Usar a casca do café é importante justamente para devolver alguns nutrientes necessários para as plantas.
Faça a análise da palha do café, ao menos uma vez, para saber quais nutrientes estão presentes e a quantidade de cada. Assim será possível balancear corretamente a adubação no cafezal.
Uso da palha como adubação orgânica
Com a composição mineral definida, a aplicação da palha é uma boa opção complementar de adubação do café. Afinal, ela é um adubo orgânico rico em nutrientes.
O custo da sua utilização é extremamente baixo, se comparado com a adubação química.
Seu uso não anula a aplicação de adubo químico nas plantas.
É interessante fazer uma análise de nutrientes da palha do café antes de adubar. Assim, você pode tentar diminuir o uso do adubo químico.
Também é sempre válido controlar de perto a adubação que você faz no seu cafezal. Por isso, separamos uma planilha grátis para te ajudar nesse processo.
Clique na imagem abaixo para baixar!
Como adubar o café com a palha
A recomendação de adubação com a palha varia entre 5 a 10 t ha-1.
Faça uma cobertura dos dois lados da saia do café, com faixa de 50 cm a 80 cm. É importante fazer uma camada fina de 2 cm.
A aplicação é recomendada em cobertura, com distância de 10 cm do tronco.
Afinal, a concentração alta de potássio e a liberação de calor podem causar a queima do tronco e a morte da muda.
Como a palha tem elevada concentração do nutriente, o excesso pode prejudicar as raízes das plantas novas. Ele também pode desequilibrar a quantidade de outros nutrientes.
Vale lembrar que casca do café é um adubo orgânico com decomposição lenta.
A associação com adubo químico é uma forma de acelerar o processo de decomposição e liberação dos nutrientes.
Estudos conduzidos por Fernandes e colaboradores, em 2013, verificaram esta associação de palha com adubação química reduzida.
Eles mostraram que a produção foi maior com a combinação destes dois tipos de adubos.
Produção de 3 safras em sacas 60 kg ha-1 de café beneficiado em função dos diferentes tratamentos utilizados (Fonte: Fernandes e colaboradores)
Benefícios do uso da casca de café na lavoura
Além da economia, o uso da casca do café apresenta uma série de outros benefícios. Por exemplo:
Proteção do solo;
Retenção da umidade do solo;
Diminuição da temperatura do solo;
Liberação lenta dos nutrientes;
Controle de plantas invasoras, seja pela barreira física ou pelo efeito alelopático.
Melhor desenvolvimento dos microrganismos do solo, que trazem vários benefícios estruturais do solo e consequentemente para as plantas.
Efeito alelopático: liberação de substâncias que interferem na germinação e/ou desenvolvimento de outras plantas daninhas do café, como picão-preto e mata-pasto.
Conclusão
A palha de café é um adubo orgânico, rico em nutriente.
A associação da adubação química com a casca de café traz benefícios. Maior produção e economia são apenas alguns exemplos.
Fique de olho na quantidade de casca que deve ser aplicada por hectare. Assim, você evita o desequilíbrio de nutrientes no solo.
Você utiliza a palha de café na sua lavoura? Já pensou em todos os benefícios que esse subproduto pode te fornecer? Deixe seu comentário abaixo!
Terreiro suspenso: saiba quando é indicado, como montar, recomendações de tamanho, custos, vantagens, desvantagens e muito mais!
O sabor é fundamental para o café. A secagem do grão garante que o cuidado realizado durante a produção seja mantido na qualidade da bebida.
Por isso, manejos foram desenvolvidos para melhorar o método de secagem dos grãos. Os terreiros suspensos são um exemplo disso.
Neste artigo, você verá algumas informações sobre esse método e se é interessante adotar em sua propriedade. Confira!
O que é um terreiro suspenso?
Terreiro suspenso é uma estrutura feita para secagem dos grãos de café elevado. Assim, os grãos não têm contato com solo e seguem de modo mais homogêneo.
A secagem do café nacional é tradicionalmente feita em terreiros (terreirões) a céu aberto.
Porém, o aroma e qualidade sensorial da bebida são realçados com a secagem uniforme e gradual dos grãos. É por isso que os terreiros suspensos são tão importantes.
Como funciona?
A estrutura do terreiro suspenso seca pequenas quantidades de café. Por causa do espaço, é recomendada principalmente para lotes de café especiais/exportação.
A secagem é feita gradualmente, com ventilação entre os grãos. Isso acontece porque a base do terreiro suspenso é uma tela de sombrite 50%.
A fermentação dos grãos, que reduz a qualidade da bebida, é evitada dessa maneira.
A secagem do café também acontece lentamente, devido à falta de contato dos grãos com o solo.
Grãos de café secados lentamente apresentam melhor qualidade sensorial, o que é desejado em cafés especiais.
Tipos de terreiros suspensos
Existem diversos tipos de terreiro suspenso: com e sem cobertura de lona plástica; com e sem pavimentação no solo e dentro de estufas.
A pavimentação ajuda a evitar a umidade do solo. A cobertura, por sua vez, evita as chuvas e o orvalho que pode ocorrer de noite.
Terreiro suspenso sem cobertura e sem pavimentação; com cobertura e sem pavimentação; dentro de estufa (Fonte: A – Café BRB; B e C – Embrapa)
Ainda existe terreiro suspenso móvel, que não é fixo no chão.
Durante dias com temperatura muito elevada, a noite ou em dias chuvosos, o terreiro é movido para local coberto, como barracões.
Os materiais utilizados podem ser pilares de cimento ou madeira.
Os pilares devem ser colocados a cada três metros, até atingir o comprimento desejado do terreiro.
Você também vai precisar de arames ou tela hexagonal, usados para fazer viveiros de pássaros e galinhas.
Pregos e esticadores são utilizados para manter a base do terreiro o mais plana possível. Caso utilize a tela, não é necessário utilizar os esticadores.
Acima dos arames ou da tela, vai o sombrite. O recomendado é utilizar o sombrite 50%, que facilita a passagem de ar e retenção dos grãos de café.
Se você cobrir o terreiro, o plástico branco e azul são os mais indicados.
Exemplo da montagem do terreiro suspenso (Fonte: Ifes)
Independentemente do tipo, a estrutura de secagem é a mesma. Há algumas recomendações para facilitar o manejo do café, como:
Altura da estrutura deve ser entre 80 cm e 90 cm acima do solo;
Largura de 2 a 3 metros;
Comprimento variável;
Altura do pé direito para cobertura, de 2,5 m a 3,0 m;
Base do terreiro de sombrite 50%.
A altura em relação ao chão é importante para evitar que a umidade do solo atrapalhe a secagem.
Além disso, é uma altura boa para o manejo, facilitando o trabalho de revolvimento da massa de café. A altura também ajuda na passagem de ar e na secagem homogênea.
O comprimento depende do espaço disponível na propriedade, se será coberto, em estufa ou móvel.
Custo de terreiros suspensos
O custo varia conforme o tipo de terreiro escolhido.
Além disso, a quantidade de materiais utilizados no terreiro suspenso irá depender do tamanho desejado e do tipo de material usado.
Outro ponto a ser considerado são os materiais que podem ser utilizados, já disponíveis na sua propriedade, como madeira.
Outra opção é comprar diretamente com empresas que já fazem este tipo de serviço, deixando a montagem da estrutura do terreiro suspenso finalizada.
Vantagens e desvantagens do terreiro suspenso
Como todos os tipos de terreiro, o suspenso apresenta vantagens e desvantagens de sua utilização.
Desvantagens
O preço é uma desvantagem para este tipo de terreiro.
Mesmo não apresentando o custo muito elevado, o valor para montar as estruturas é maior em comparação com terreiro a céu aberto de cimento.
Outra desvantagem é o tempo de secagem bem lento, mesmo sendo o mais recomendado.
Outra desvantagem é não ser recomendado para grandes quantidades de café. A quantidade de grãos na secagem é menor, por isso é utilizado principalmente para cafés especiais.
Vantagens
Há menor risco de fermentação da massa dos grãos de café.
Pelo terreiro suspenso suportar pouca quantidade de café, é possível separar o grão verde do maduro, melhorando a qualidade do produto final.
Outra vantagem é a secagem mais uniforme dos grãos e, por isso, mais produtividade do café.
Além disso, não há contato direto dos grãos com o solo, evitando assim a troca de umidade do solo e do orvalho.
A vantagem principal é a melhor qualidade da bebida vinda dos grãos secos em terreiro suspenso.
Como manejar o café no terreiro suspenso?
O manejo deve ser realizado corretamente para que a secagem seja uniforme. Ele pode ser feito em café natural ou descascado e despolpado.
O importante é iniciar a camada de grãos com espessura entre 4 cm e 5 cm, com controle da temperatura da massa dos grãos.
A temperatura ideal é entre 35 °C a 40 °C. Revolva os grãos ao atingir essas temperaturas, para ocorrer uniformidade da umidade do café.
Se houver cobertura do terreiro, o revolvimento pode ocorrer de 3 a 4 vezes por dia. Isso também depende do clima, sem cobertura e em dia quente, essa quantidade aumenta.
Quando os grãos atingirem 18% de umidade, a espessura da camada pode ser aumentada para 10 cm.
O monitoramento deve ser constante até a umidade de 12%. Essa é a recomendada para armazenamento de café.
Conclusão
O terreiro suspenso é uma ótima opção para quem produz cafés especiais e de exportação. Afinal, essa é uma forma de obter qualidade da bebida.
A escolha da estrutura que você vai usar depende do capital inicial disponível, espaço e mão de obra.
Monte corretamente seu terreiro suspenso e realize o manejo adequado. Assim, você vai agregar valor ao seu produto final.
Ferrugem do cafeeiro: conheça os sintomas da doença, quais são as condições favoráveis para seu desenvolvimento e qual a melhor forma de manejo
A ferrugem alaranjada é considerada a doença mais importante da cultura do café. Ela se destaca por causa dos muitos danos causados à lavoura.
Essa doença está disseminada por todas as áreas produtoras de café do país. Apesar disso, o Brasil responde como o maior produtor e exportador de café do mundo.
Neste artigo, confira mais um pouco sobre a ferrugem do cafeeiro e aprenda a melhor forma de controlar a doença.
O que é a ferrugem do cafeeiro
A ferrugem do cafeeiro pode ser causada por duas espécies de fungos.
No Brasil, a espécie responsável pela ferrugem alaranjada da plantação de café é a Hemileia vastatrix. Esse é um parasita que necessita de tecido vegetal vivo do hospedeiro para se desenvolver.
A espécie Hemileia coffeicola causa a ferrugem farinhosa. Essa doença é menos agressiva que a ferrugem alaranjada. Não há relatos de sua presença nas lavouras brasileiras de café.
Sintomas da ferrugem do cafeeiro
Os sintomas são observados primeiro nas folhas da saia do cafeeiro. Com a evolução da doença, os sintomas avançam para o topo da planta.
Em qualquer fase do desenvolvimento, as folhas estão suscetíveis ao ataque do fungo.
Os primeiros sintomas da ferrugem no café são lesões claras nas folhas. Com o tempo, elas ficam necrosadas.
A redução da área foliar diminui a fotossíntese da planta. Como consequência, o desenvolvimento do café é prejudicado.
Folhas de café com sintomas de ferrugem causada por Hemileia vastatrix (Fonte: Daily Coffee News)
Na parte inferior da folha, é possível observar massas de esporos. Elas têm aspecto empoeirado e cor amarelo-alaranjada.
Face inferior da folha de café com sintomas de ferrugem (Fonte: World Coffee Research)
Outro sintoma provocado pela ferrugem é a desfolha das plantas. A queda precoce das folhas, associada à morte dos ramos, afeta a produção.
A desfolha provocada pela ferrugem prejudica o vingamento da florada do café e dos frutos na fase de chumbinho.
Os sintomas dessa doença refletem nas próximas safras, com a queda da produção de frutos.
Em casos avançados da doença, pode ocorrer a morte das plantas.
Dependendo da severidade, a doença pode reduzir a longevidade do cafezal, além de inviabilizar economicamente a atividade.
Condições ideais para a doença
Dentre os aspectos favoráveis à ocorrência da ferrugem alaranjada nos cafezais, destacam-se a umidade e a temperatura. Esses fatores interferem diretamente no ciclo de vida do fungo e no estabelecimento da doença.
As condições ideais para a ocorrência e o desenvolvimento dessa doença são:
alta umidade relativa do ar;
temperatura moderada, entre 22 °C e 24 °C;
ausência de luz direta;
presença de um filme de água na superfície das folhas.
Disseminação
A disseminação dos esporos do fungo Hemileia vastatrix acontece pela ação do vento e por respingos de água da chuva.
Os insetos, as pessoas e alguns tratos culturais também são responsáveis pela disseminação da ferrugem.
No caso da poda, é muito importante fazer a limpeza das ferramentas.
Uma lâmina de corte pode entrar em contato com uma planta infectada. Se, em seguida, ela encosta em uma planta saudável, pode disseminar uma série de doenças.
Dessa forma, mantenha as ferramentas de poda sempre limpas e afiadas.
Como fazer o manejo da ferrugem do cafeeiro
Considerando a extensão dos danos causados pela ferrugem, o monitoramento da lavoura é uma importante ferramenta no manejo.
Quanto antes ela for detectada, maiores são as chances de sucesso no seu controle.
Cultivares tolerantes e fungicidas
O controle da ferrugem do cafeeiro é realizado pelo plantio de cultivares tolerantes/resistentes e pela pulverização de fungicidas químicos.
Os fungicidas à base de cobre são utilizados no controle preventivo da doença.
Quando pulverizados na superfície das folhas, eles formam uma barreira tóxica. Isso protege a planta e evita o desenvolvimento da ferrugem.
Além disso, o cobre é um elemento essencial para a cultura do café. Seu uso melhora o estado nutricional das plantas.
Os fungicidas do grupo químico estrobilurina e carboxamida têm ação sistêmica. Eles são aplicados na parte aérea das plantas no combate à ferrugem.
Os fungicidas do grupo triazol também são sistêmicos, e podem ser aplicados via foliar ou via solo.
Esses produtos podem ser utilizados em associação com inseticidas sistêmicos, como o tiametoxan e o imidacloprido, para o controle do bicho-mineiro do café.
Os ingredientes ativos registrados no Mapa (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento) para o controle da ferrugem alaranjada na cultura do café são:
ciproconazol;
mancozebe;
tebuconazol;
azoxistrobina + ciproconazol;
azoxistrobina + benzovindiflupyr.
Faça a rotação dos produtos químicos e siga as recomendações do fabricante quanto à forma de aplicação e dosagem dos produtos. Assim, o controle da doença não terá sua eficiência prejudicada.
Por se tratar de uma cultura com potencial de ser explorada por longos períodos, os cuidados com a implantação do pomar são de extrema importância.
Por isso, escolha sempre cultivares resistentes às doenças.
As mudas devem ser adquiridas de viveiros certificados. Isso garante a sua procedência e a qualidade fitossanitária. Assim, você não coloca em risco a sanidade da sua lavoura.
Espaçamento entre plantas
O espaçamento do café também pode favorecer a doença. Quando adensado, o espaçamento favorece as doenças fúngicas devido às condições microclimáticas.
Além disso, a proximidade das plantas dificulta a chegada dos defensivos agrícolas nas folhas localizadas nas regiões internas da planta.
Isso interfere na eficácia do controle químico.
As podas são uma prática de manejo bastante utilizada na cafeicultura. Essa técnica contribui para melhorar a arquitetura da planta, promover maior luminosidade e arejamento da lavoura.
Ela também facilita a realização de outros tratos culturais, reduz a incidência de pragas e doenças, além de facilitar o controle fitossanitário.
Cuide do solo da sua lavoura
Em relação à fertilidade do solo, existe uma relação entre a deficiência de nitrogênio e a incidência de ferrugem alaranjada e cercosporiose.
A adubação equilibrada contribui para o bom desenvolvimento do plantio.
Além disso, melhora a capacidade de resposta das plantas frente às adversidades e minimiza os prejuízos causados por essas doenças.
Em resumo, as práticas que podem ser adotadas para o controle da ferrugem do cafeeiro são:
aplicação de fungicidas químicos;
plantio de cultivares resistentes/tolerantes;
evitar espaçamento adensado;
podas;
adubação equilibrada.
Conclusão
A ferrugem alaranjada do cafeeiro é uma doença presente em todas as áreas produtoras de café do Brasil.
Os sintomas da doença são muitos, e prejudicam a florada e formação dos frutos. Por isso, estar sempre de olho na sua lavoura é fundamental.
A disseminação dos esporos ocorre pela ação do vento, respingos de água, pelas pessoas, insetos e algumas práticas culturais.
O manejo da ferrugem do cafeeiro é realizado, principalmente, pela aplicação de defensivos químicos e pelo plantio de cultivares resistentes à doença. Faça o controle correto para evitar grandes danos na lavoura!
Você já conhecia a ferrugem alaranjada do cafeeiro? Já teve problemas com essa doença? Conte sua experiência nos comentários.
É uma espécie que cresce rápido e se reproduz por sementes. Uma planta produz até 6 mil sementes/ciclo. Ela é encontrada o ano todo na lavoura.
As sementes são dispersas por animais, máquinas, implementos e pelo ser humano.
Sementes de picão-preto sendo dispersas pelo ser humano (Fonte: Oficina de Ervas)
Ficam em dormência até um período favorável à germinação, e permanecem no solo por até 5 anos.
Além de competir por recursos com o café, é hospedeiro de pragas e doenças.
É interessante controlar o picão-preto na cultura do café especialmente quando a lavoura estiver sendo implantada. O cafezal novo é mais sensível à competição.
As maiores perdas ocorrem de outubro a abril, época do florescimento. Vale controlar as plantas daninhas antes dessa época.
Planta de Picão-preto florescendo (Fonte: GoBotany)
Métodos de controle
O manejo biológico é um método de controle eficiente. Manter o solo coberto com plantas ou palhada também.
Além do controle das plantas daninhas do café, a prática disponibiliza nutrientes, regula a temperatura do solo e reduz as perdas de água.
Outro método de controle é o controle químico, com a utilização de herbicidas pré ou pós emergentes.
No cafezal jovem, faça a pulverização direcionada de herbicida de pré-emergência em solo limpo ou sob baixa cobertura de plantas daninhas. Veja algumas recomendações de produtos:
Palha e cobertura verde sobre o solo desaceleram a germinação das invasoras. Elas também aumentam os teores de matéria orgânica, retendo mais água e auxiliando durante a seca.
O controle químico do capim-amargoso é realizado em pós-emergência da planta daninha.
Faça o manejo químico com herbicidas seletivos inibidores de ACCAse. O café é isento dessa enzima. Desse grupo, você pode usar:
Cletodim 240 (0,45 L p.c./ha);
Verdict Max 540 (0,2 a 0,4 L p.c./ha);
Kennox (0,5 a 0,7 L p.c./ha);
Poquer 240 (0,45 L p.c./ha).
Realize a aplicação com glifosato + óleo.
Na presença de plantas florescidas, entre com a capina (roçadeira) antes da pulverização. Aguarde haver área foliar suficiente para absorção do produto.
3. Capim-pé-de-galinha
O capim-pé-de-galinha é uma planta anual. Ela ocorre em épocas quentes e se adapta bem a solos compactados.
Os colmos podem ser eretos, com até 50 cm de altura. Também podem ser prostrados ao chão, ramificados e achatados. A planta se reproduz via semente (mais de 120 mil sementes por planta).
Estruturas reprodutivas do capim-pé-de-galinha (Fonte: Syngenta)
O vento transporta essas sementes até próximo da linha do café.
Se a população da invasora for alta, você terá prejuízos, principalmente em áreas de cafezal novo.
Além da competição por recursos, elas são hospedeiras de patógenos. Por isso, deixam a lavoura vulnerável às doenças.
Apresentam resistência a herbicidas comuns no dia a dia. Já foram identificadas populações resistentes a 8 mecanismos de ação.
Métodos de controle
Utilize a tecnologia e o manejo integrado como aliados no controle da daninha. Faça o controle biológico, físico e químico, além de rotação de mecanismos de ação.
Não permita que as plantas floresçam e produzam sementes. Isso reduzirá drasticamente a população da invasora.
Realize triação em plantas jovens na entressafra e controle químico no preparo da colheita.
Em pós-emergência, opte pela utilização de inibidores de ACCAse + glifosato. Assim, você irá proporcionar um bom controle.
Veja alguns produtos recomendados:
Inibidores de ACCAse:
AUG 126;
Fluazifop;
Haloxyfop.
Inibidores de Protox:
Galigan 240 (3 L p.c./ha);
Goal BR (2 L p.c./ha).
Pulverize em plantas com até 1 perfilho, pois as chances de sucesso são maiores!
4. Buva
A buva é uma planta anual que se reproduz por sementes. A alta produção de sementes (até 200.000 por planta por ciclo) faz dela uma grande vilã da produção agrícola.
Use o controle cultural como a cobertura do solo nas entrelinhas do cafeeiro com braquiária como primeira opção. Esta técnica é de grande importância no manejo integrado.
Assim você reduzirá a aplicação de herbicidas, visto que serão realizadas apenas triações químicas na linha.
Preste atenção ao detectar a buva na linha de plantio. Se possível, use o controle físico, arrancando as plantas que conseguir.
A aplicação de produtos químicos pode ser realizada por pulverização direcionada com inibidores de protox. A aplicação sequencial é uma opção dependendo do nível de infestação.
Veja alguns exemplos de ingredientes ativos recomendados:
Oxyfluorfen (Galigan 240EC, Goal BR 240EC)
Carfentrazona etílica (Aurora 400EC)
Saflufenacil (Heat 700WG)
Para que o controle seja mais eficiente, as plantas devem estar menores que 25 cm.
5. Caruru
Diversas espécies de caruru podem aparecer no cafezal. Além disso, essa planta daninha ataca diferentes tipos de lavouras.
Além da competição por recursos com a planta de café, o caruru é hospedeiro do nematoide Meloidogyne e do vírus do mosaico do tabaco.
A planta tem ciclo anual, altura que varia de 20 cm a 2m, produz inflorescências verdes ou arroxeadas. Ela pode produzir mais de 100.000 sementes por ciclo.
O caruru é uma planta de difícil controle por ser resistente a herbicidas. Há uma ampla lista de resistência simples e múltiplos produtos.
Para plantas resistentes a diversos princípios ativos, o manejo integrado se torna ainda mais importante.
Monitore o cafezal, e quando perceber o desenvolvimento de alguma dessas plantas utilize o controle físico. Não deixe o caruru produzir sementes.
Mantenha o solo das entrelinhas coberto com palha, restos do beneficiamento, ou cobertura verde (braquiária).
Quando necessário, entre com o controle químico com aplicação pós-emergente em plantas pequenas, com jato dirigido.
Você pode utilizar o ingrediente ativo Saflufenacil (Heat 700WG) em plantas pequenas(até 5 cm) ou em manejo sequencial para controle de rebrota de plantas maiores.
6. Tiririca
A tiririca é uma daninha perene, muito agressiva, com altura entre 10 a 60 cm e se reproduz por tubérculos. Um tubérculo pode originar várias plantas.
Por esse tipo de reprodução, é considerada uma das daninhas de mais difícil controle na agricultura.
Diversas espécies de tiririca podem ser encontradas na lavoura, com características peculiares.
Tiririca na linha de plantio de cafezal novo (Fonte: Rehagro)
Métodos de controle
A prevenção é a melhor forma de evitar a tiririca. Não permita que ela se estabeleça em sua lavoura.
Tenha especial atenção com o cafezal jovem, pois a tiririca utiliza muita água e nutrientes.
Além disso, é bastante tolerante a temperaturas altas, o que afetará muito o estabelecimento do café novo nas épocas mais quentes.
O manejo integrado continua sendo a melhor maneira de controlar, com monitoramento e utilização dos controles físico e mecânico.
Caso note infestação antes da implantação do cafezal, considere o preparo do solo. Ele expõe os tubérculos e induz a brotação.
Integrado ao controle químico, é eficiente para reduzir a população da tiririca.
O controle químico pode ser realizado com pulverização sequencial, evitando assim possíveis plantas resistentes. Não se esqueça de fazer a rotação dos herbicidas!
Pulverize dirigidamente os herbicidas glifosato e Diurom (Diuron Nortox 800WP).
Os grupos químicos halosulfuron, imazapic, imazapir e triclopir também são utilizados.
7. Corda-de-viola
A planta daninha corda-de-viola é uma planta do tipo trepadeira com flores muito vistosas.
A reprodução ocorre via sementes. A planta pode atingir até 3m de comprimento e se enrolar sobre as culturas.
Essa situação é grave, pois causa sombreamento do cafezal, além de atrapalhar a colheita e as pulverizações.
Entretanto, quando mal manejada e muito próxima das plantas de café, pode causar competição e interferência no crescimento.
Respeite sempre a distância mínima de 1 m de cada lado da linha do cafeeiro.
Braquiária nas entrelinhas do cafeeiro (Fonte: Café Point)
Métodos de controle
As plantas Mucuna, Crotalária e Lablabreduzem o crescimento da Braquiária. Portanto, são boas opções de controle quando a gramínea estiver sendo prejudicial.
Faça roçadas regularmente antes do seu florescimento, para que as sementes não germinem sob a “saia” do cafeeiro.
Os produtos recomendados para o capim-amargoso e para o capim-pé-de-galinha também controlam a braquiária.
9. Poaia-branca
A poaia-branca é uma daninha anual. Ela tem folha larga e se desenvolve via sementes.
Possui grande vigor vegetativo, e pode cobrir todo o solo com uma densa massa vegetal.
Isso gera competição por nutrientes e água, principalmente quando a poaia se desenvolve na linha das plantas de café.
Em regiões quentes, você verá a planta durante o ano todo. Ela é hospedeira de pragas e doenças que afetam o cafeeiro.
Colheita mecanizada do café: confira as vantagens, desvantagens e cuidados que você deve ter utilizando esse método!
A colheita mecanizada na cafeicultura brasileira ganhou novo impulso com a pandemia da Covid-19. A mão de obra no campo foi reduzida por conta do distanciamento social.
Os avanços em pesquisa e inovação têm mostrado diversos benefícios deste método de colheita.
Mas a colheita mecanizada do café exige diversos cuidados para que seja realizada de maneira eficiente, como você verá neste artigo. Confira!
A colheita mecanizada de café no Brasil
No Brasil, a maior parte das áreas produtivas realiza a colheita do café entre maio/junho e segue até agosto/setembro.
Líder mundial na produção, o país deve colher em 2021 pouco mais de 47 milhões de sacas de 60 kg do grão, 68% do tipo arábica e 32% da variedade conilon (ou robusta).
A colheita mecanizada do café responde por metade dos métodos empregados nessa fase da produção no Brasil:
24% dos produtores fazem a colheita manual;
22% usam a derriçadora, máquina portátil que retira o café;
A colheita mecanizada do café predomina em propriedades acima de 25 hectares. Isso principalmente nas áreas com 26 a 50 hectares, em que 59% usam este método.
Mas até em propriedades menores (entre 6 e 15 hectares), a colheita mecanizada chega a 25%. Nas áreas com 15 a 25 hectares, 38%.
Colheita mecanizada em área de produção no oeste da Bahia (Foto: Divulgação/Pinhalense)
Métodos de colheitade café
Há três tipos:
1. Manual
Neste método, são selecionados os frutos maduros por meio da catação, a dedos ou da derriça. Os grãos são jogados em uma lona ao chão, recolhidos, peneirados e ensacados.
2. Semimecanizada
É feita com o uso de derriçadores portáteis (costais). Alguns podem multiplicar por quatro a produtividade em campo.
3. Mecanizada
Utiliza máquinas automotrizes cuja eficiência depende de regulagens, conforme a topografia do terreno e o objetivo da colheita.
A colheita deve ser feita de duas a três passadas, em intervalos de até 25 dias, a depender da região.
Vantagens da colheita mecanizada do café
A principal vantagem da colheita mecanizada no café, em relação à colheita manual, é a redução de custos. Ela varia entre 30% a 40%, mas pode chegar a 62,36%.
Outra vantagem é a redução do tempo da colheita, pois o uso de máquinas multiplica o trabalho. Os custos de mão de obra também são reduzidos.
Quando a planta é liberada mais cedo da época de colheita, ela ganha tempo de recuperação para a próxima floração, o que pode resultar em maior produtividade.
Desvantagens
A exemplo de outras culturas, a mecanização na cafeicultura só não é possível em áreas de muito declive.
As máquinas conseguem atuar em áreas com inclinação de até 20% – a maioria, até abaixo disso, no máximo 15%.
Quando as condições topográficas não são favoráveis, é preciso empregar outros tipos de máquinas, geralmente de menor capacidade. Isso prolonga o tempo de colheita e eleva o custo.
O custo inicial elevado (uma colhedora custa entre R$ 300 a R$ 450 mil) é a principal desvantagem da colheita mecanizada.
Porém, a depender da área de produção, o investimento pode ser recuperado em duas ou três safras.
Principais modelos de colhedoras
No Brasil, as principais são:
Case;
Jacto;
Avery;
Matão;
Selecta;
Pinhalense;
Vn Suprema;
Maco Matao;
IH.
É importante observar que há máquinas específicas para atuação em lavouras de café conilon e arábica. A regulagem de cada uma depende das particularidades do cafezal.
As colhedoras, geralmente, trabalham com segurança em áreas com declividade de até 20%. Algumas chegam a operar com pouco mais que isso.
Detalhes dos modelos de algumas colhedoras (Foto: Grupo Cultivar)
A maioria das colhedoras opera de forma parecida na derriça e recolhimento dos frutos.
A descarga do café normalmente é feita por meio da bica lateral em carreta graneleira, ensaque ou depósito. Elas rendem em torno de 3 mil litros de café por hora.
Há fatores que interferem na regulagem das colhedoras. Veja:
condições das plantas
a temperatura;
a altitude;
chuvas;
declividade do terreno;
estágio de maturação dos frutos.
Pesquisas científicas recentes sugerem que a vibração da máquina deve ser entre 800 rpm e 1.000 rpm. A velocidade deve estar entre 1.000 metros/hora e 1.300 metros/hora.
Etapas da colheita mecanizada
O trabalho dessas máquinas, que operam por meio de sistemas hidráulicos, consiste em fazer a derriça com o trabalho de varetas vibratórias.
Em seguida, é feito o recolhimento, abanação e descarga do café.
O recolhimento mecanizado tem duas etapas. Na primeira, o café e detritos são soprados para as ruas paralelas, e são formadas as leiras, numa operação de 2h/há.
Já na segunda, entra em ação a recolhedora, cujo trabalho é o dobro do tempo.
Na abanação, o café passa por um processo de limpeza e retirada de detritos. Depois, é enviado para a descarga em sacos ou caçambas.
Regulagem da colheita mecanizada
Na avaliação sobre a regulagem ideal para a eficiência da colheita mecanizada, é essencial que você observe:
Pesquisadores recomendam utilizar vibrações menores em plantas mais novas. Assim, elas não ficarão muito danificadas.
Cada cultivar tem uma tem um tipo de maturação (pode ser precoce ou tardia). Além disso, há diferenças na arquitetura e desprendimento dos frutos.
As características climáticas de cada local, sobretudo o regime pluviométrico, influenciam na maturação dos frutos, crescimento e produtividadedo café.
Caso a irrigação do café seja feita por meio de pivô central, é necessária maior atenção na colheita. Haverá variabilidade de maturação dos dois lados da linha do café.
Café colhido de forma mecanizada (Foto: Fábio Moreira)
Café de colheita mecanizada seletiva (Foto: Fábio Moreira)
Carga de café nas plantas e maturação
Um ponto importante a se observar é a carga de café presente nas plantas. Essa carga influenciará na eficiência da colheita mecanizada.
Quanto maiores as cargas, maiores as vibrações das varetas e menores velocidades na derriça, para que os frutos sejam recolhidos no sistema de recolhimento.
A observação da maturação dos frutos é importante, sobretudo na realização da colheita seletiva do café.
Frutos verdes exigem que a vibração das varetas sejam maiores e a velocidade da colhedora reduza. Isso gera maior gasto de combustível.
O contrário ocorre com frutos cereja e secos, o que favorece a colheita seletiva. A partir dessa avaliação, é programado o intervalo para a segunda e terceira passada.
O intervalo de uma passada para outra é menor em regiões mais quentes. Em geral, fica em torno de 25 a 40 dias, a depender das condições da região da lavoura.
Para essa segunda operação, é preciso retirar as varetas da parte de baixo da máquina. Mas essa retirada não pode ser total: é preciso deixar a parte de baixo (duas linhas).
A terceira passada é recomendada para áreas com cargas muito altas de café.
Nesse caso, a colheita deve ser iniciada de forma antecipada, para os intervalos coincidirem com o tempo de colheita normal.
Conclusão
A colheita mecanizada do café promove redução de custos e influencia diretamente na qualidade da bebida.
Fique por dentro dos fatores que influenciam na eficiência da colheita mecanizada, principalmente na seletiva para cafés especiais.
Os aprimoramentos dos maquinários estão em processo constante, assim como as pesquisas sobre avaliações das condições das plantas e do amadurecimento dos frutos.
Ao escolher o tipo de máquina que você utilizará, considere as necessidades da sua área de produção e a relação custo/benefício.
Consultar um especialista no assunto é essencial para ter segurança no que será feito.
Você faz a colheita mecanizada do café em sua propriedade? Faz a regulagem da máquina de acordo com as especificações da sua área de plantio? Deixe sua experiência aqui nos comentários!
Cercosporiose no café: principais sintomas, as condições favoráveis para a doença, como controlar e muito mais!
O Brasil é um dos maiores produtores de café do mundo. Apesar disso, alguns problemas tendem a prejudicar as lavouras.
As doenças causadas por fungos, como a cercosporiose, são um desses problemas. Você sabe como evitar isso e garantir uma boa produtividade?
Conhecer as doenças do café e suas particularidades é essencial. Através desse conhecimento, você é capaz de tomar as decisões de manejo corretas.
Neste artigo, você conhecerá melhor a cercosporiose no café, como a evitar e a controlar. Confira tudo a seguir!
O que é a cercosporiose do café?
A cercosporiose no café é causada pelo fungo Cercospora coffeicola. Também é conhecida como mancha de olho pardo ou mancha-de-cercospora. Ela pode ser muito confundida com a mancha aureolada do cafeeiro, mas é uma doença diferente.
Esse fungo ataca principalmente as folhas e os frutos. Como consequência, causa perdas de produtividade e da qualidade dos grãos.
A doença foi relatada no Brasil, pela primeira vez, em 1887. Ainda hoje está presente em praticamente todas as áreas produtivas do país.
A cercosporiose pode afetar as plantas desde sua fase jovem. Ou seja, desde logo após o plantio até cafeeiros em plena produção.
Por isso, é considerada a segunda doença mais importante na cultura do café, estando atrás apenas da ferrugem do cafeeiro.
A fim de evitar perdas de produção e de qualidade do café, é necessário realizar o manejo adequado da doença.
Veja na figura a seguir as principais doenças do café, além dos períodos mais favoráveis ao desenvolvimento de cada uma.
Sintomas da doença
A cercosporiose na plantação de café pode causar danos em mudas, folhas e frutos.
Nas folhas, os sintomas inicialmente são pequenas manchas circulares de coloração marrom-escura, que vão crescendo rapidamente.
O centro dessas lesões se torna cinza-claro, com um anel amarelado em volta dela. A aparência é de um olho, daí o nome da doença.
Além disso, algumas lesões podem não formar o halo amarelado. As manchas podem ser mais escuras, sem a formação do centro cinza-claro.
Nessas condições, a doença é chamada cercospora negra. Ela é muito comum em cafeeiros com deficiência de fósforo.
As folhas atingidas caem rapidamente, causando intensa desfolha das plantas e até mesmo a seca dos ramos. Por isso, a fotossíntese da planta é prejudicada.
As mudas podem se tornar raquíticas devido à desfolha intensa. Isso as torna impróprias para a comercialização e plantio.
Já nos frutos, os sintomas começam a aparecer quando ainda estão pequenos. Eles aumentam no início da granação (80-100 dias após a florada do café).
Esses sintomas são pequenas manchas necróticas e deprimidas, de coloração marrom a preta.
Além disso, também ocorre:
a queda precoce dos frutos;
maturação acelerada;
aumento da quantidade de grãos cochos.
Esses sintomas prejudicam o descascamento e despolpamento dos frutos. Afinal, essas lesões da casca necrosada ficam aderidas à semente.
Isso causa o problema de grãos quebrados e de má qualidade, o que prejudica a qualidade da bebida.
Ciclo de vida e condições ideais para o desenvolvimento da cercosporiose no café
A disseminação do fungo ocorre através do vento, água ou até mesmo por insetos.
Após atingir a planta e sob as condições favoráveis de umidade e temperatura, ocorre a sua germinação e a penetração através da cutícula.
A ocorrência se dá pelas aberturas naturais da folha.
A doença é favorecida em temperaturas entre 18°C e 25°C, com elevada umidade relativa e elevada radiação solar.
Após períodos de chuva seguidos de veranicos ou em períodos de intensa radiação solar e déficit hídrico, a doença pode ser intensificada.
O desequilíbrio nutricional também pode influenciar na incidência dessa doença.
Em sistemas convencionais, outros fatores podem resultar em maior suscetibilidade da cercosporiose no café:
menores teores de cálcio;
magnésio foliares nas fases de granação e maturação dos frutos;
carência de nitrogênio.
Como prevenir e evitar o ataque da cercospora no cafeeiro
Evitar a entrada do patógeno na sua lavoura é sempre muito importante. Você deve evitar, primeiramente, a entrada do fungo nos viveiros de mudas de café.
Para isso, existem medidas que você pode adotar:
controle de irrigação diária, evitando excesso de água;
evitar o excesso de potássio nas adubações;
realizar a calagem no substrato, evitando assim a falta de cálcio para as mudas;
sementes limpas, sadias e devidamente tratadas;
o viveiro deve ser bem arejado e com sombreamento adequado;
uso de mudas de variedade com maturação tardia para regiões mais quentes.
Para prevenir o ataque da cercospora no cafeeiro, dosar os nutrientes corretamente é essencial.
Para tornar o processo de adubação do café mais fácil, preparamos uma planilha para você! Baixe gratuitamente clicando na imagem a seguir:
Controle da mancha de cercospora
O controle sempre será mais eficiente com auxílio do manejo integrado de doenças. Realize todas as medidas que estão disponíveis.
Por isso, nunca use apenas um tipo de controle. Em relação à cercosporiose do café, não há relatos de variedades resistentes ou tolerantes.
Utilize o controle químico com o uso de fungicidas como ferramenta de controle preventivo da doença.
O controle da cercosporiose coincide com o controle da ferrugem. Portanto, você pode usar formulações ou misturas de tanque que envolvam produtos para as duas doenças.
Entretanto, algumas lavouras apresentam elevadas cargas de frutos e estão situadas em regiões mais favoráveis à doença.
Nesses locais, as aplicações também devem ser realizadas entre final de dezembro e os meses de março e abril. Aplique especialmente se suas plantas não receberem tratamento contra ferrugem.
Além da escolha certa do ingrediente ativo, escolher a tecnologia correta é ideal. Não esqueça de considerar todos os fatores que podem afetar a aplicação sem prejudicar o controle dessa doença.
Conclusão
A mancha de cercospora em cafeeiro é causada por um fungo e está presente nas principais regiões produtoras de café do Brasil.
Esse fungo é favorecido pela alta radiação solar e pela elevada umidade. Além disso, desequilíbrios nutricionais podem intensificar os danos causados por essa doença.
Os danos da cercosporiose no café podem afetar as mudas e a qualidade da bebida. Por isso, o manejo correto é essencial.
Lembre-se que um bom planejamento do plantio pode ser muito eficaz para prevenção da doença e para o aumento da produtividade!
Drones na pulverização do cafeeiro: confira as possíveis vantagens dessa ferramenta que vem ganhando espaço nas lavouras
A utilização de drones na pulverização do cafeeiro chama a atenção de qualquer pessoa que os aviste sobrevoando os cafezais.
Eles realizam de maneira autônoma um trabalho que só era possível realizar manualmente.
Utilizada também em outras culturas, a pulverização com drones demonstra eficácia no controle de doenças do café, como a ferrugem e a cercosporiose.
Ainda é necessária validação e autorização oficial para aplicação de insumos agrícolas via drones, mas as perspectivas de benefícios são inúmeras. Confira!
[form-post-v2]
Uso de drones na pulverização do cafeeiro
Apesar de muito recente, o uso de drones na pulverização agrícola no Brasil é uma realidade que tem ganhado cada vez mais espaço no campo, inclusive na produção de café.
No Brasil, são quase 70 mil proprietários de drones cadastrados na Anac (Agência Nacional de Aviação Civil), boa parte deles voltados para serviços no agro.
Vale lembrar que o uso dos drones na agricultura devem seguir regras rígidas, então vale ficar sempre de olho nelas.
Para que servem
Chamados de RPA (aeronaves remotamente pilotadas), os drones agrícolas são usados na aplicação de agrotóxicos, adjuvantes, fertilizantes, inoculantes, corretivos e sementes.
Os drones utilizados para esses serviços pertencem à classe 2 (peso máximo de decolagem maior que 25 kg e até 150 kg) e à classe 3 (peso de decolagem até 25 kg).
Atualmente, está em discussão no Ministério da Agricultura uma legislação específica para serviços com esses drones, com padrões técnicos operacionais e de segurança.
A eficácia de muitos deles é comprovada em diversos serviços, mas os drones de pulverização agrícola ainda passam por testes de validação e formas de operação.
Uma das áreas do agronegócio que tem recebido experimentos é a da produção de café.
No Brasil, há diversas regiões produtoras, como o sul de Minas Gerais. Regiões como essa possuem topografia irregular, e por isso são um campo aberto para atuação dos drones.
Experimentos com o uso de drones na pulverização do cafeeiro apontam redução de até 80% nos gastos com insumos.
Veja algumas vantagens da pulverização com drones:
voo entre 3 e 5 metros de altura;
economia de água e produtos químicos;
aplicação mais eficiente, com bicos abaixo das hélices;
redução da deriva de defensivos, com possibilidade de aplicação com ventos de até 30 km/h;
baixo custo (R$ 40 a R$ 150/ha) e eficiência operacional;
de 20 até 100 vezes mais rápido que o trabalho manual;
Um experimento recente da Embrapa e da empresa AP Agrícola, numa área de café em Minas, mostrou que os drones são eficientes em locais de difícil acesso.
O equipamento foi testado em florestas, ribanceiras e morros. A qualidade da gota na aplicação do produto e o resultado foram considerados excepcionais. O manejo nutricional (adubação foliar) também está sendo testado.
A Embrapa avaliou, em São Roque de Minas, ser possível aplicar uma calda concentrada que reduz cinco vezes a parcela de produto que não atinge o alvo.
Combate às doenças do cafeeiro
Em Muzambinho, sul de Minas Gerais, o cafeicultor Marcelo Salomão faz a pulverização do cafeeiro com drones há 2 anos.
A tecnologia é utilizada para controlar doenças do cafeeiro, como a ferrugem e a cercosporiose. São aplicados 15 L ha-1 de defensivos, com custo de R$ 150 por hectare.
“As aplicações são feitas em duas áreas, uma de 5 hectares e outra de 11 hectares”, disse Salomão, para quem a vantagem principal é a economia de tempo.
“Com drone, fazemos a aplicação de 11 hectares em 2 horas e meia. Se fosse manual, seria um dia para cada hectare. Além disso, economiza muito mais água”, afirmou.
O cafeicultor cita ainda como vantagens o fato de não ter contato direto com agrotóxicos e de economizar água e combustível com o transporte de água para fazer as caldas.
Quem faz a pulverização nas áreas do cafeicultor Marcelo Salomão é o operador de drones Davi Elias, da Drones Solutions Brasil.
Além de atuar com prestação de serviço, Elias realiza pulverizações para pesquisas da Fundação Procafé. Ele usa drones da Agras.
“Uma das constatações sobre a eficiência é a quantidade de aplicação por hectare, para diversos produtos, de forma geral, que tem de ser de 24 L ha-1”, disse Elias.
Outra constatação é que a aplicação deve ser feita com o voo de 3 a 4 metros da copa do cafeeiro, e com ventos de no máximo 30 km/hora.
Marcelo Jordão, pesquisador da Fundação Procafé, informou que resultados mais concretos sobre a pulverização com drones serão conhecidos em setembro deste ano.
Dificuldades com drones na pulverização do cafeeiro
Agrônomo e pesquisador da cafeicultura, José Braz Matiello explica que o cafeeiro tem particularidades que precisam ser melhor observadas na pulverização com drones.
Uma delas é a área foliar. “Se formos observar, há muitos cafezais que possuem 5 mil plantas por hectare, e cada planta pode chegar a 20 m² de área foliar”, disse Matiello.
Para o pesquisador, um dos desafios da pulverização com drones é no combate à broca-do-café, pois o inseto fica “escondido” na planta, o que dificulta a pulverização.
“No controle do bicho-mineiro, por exemplo, creio que o drone terá eficiência, pois ele entra pela copa da árvore, então a pulverização já vai em cima”, comentou.
A pulverização com drones na produção de café vale a pena no combate à ferrugem e à cercosporiose do cafeeiro.
Conforme você viu neste artigo, a aplicação de insumos com drones gera economia de custos, de tempo e possibilita uma pulverização mais eficiente.
É importante você lembrar que essa é uma tecnologia cuja eficácia ainda está sendo validada para diversos serviços de pulverização do cafezal.
Assim, não é qualquer praga ou doença que a pulverização com drone conseguirá combater, e o manejo nutricional também está sendo testado.
Por isso, é interessante observar a experiência de produtores rurais que utilizam essa ferramenta, e avaliar se os drones são uma boa opção para o seu cafezal.
Você já cogitou usar drones na pulverização do cafeeiro? Já utilizou em seu cafezal? Então deixe um comentário contando sua experiência ou sua opinião.
Cafeicultura de Precisão: como técnicas inovadoras aliadas às tecnologias favorecem o aumento da produtividade, redução de custos e sustentabilidade
A cafeicultura de precisão é um modelo de gestão da fazenda que se utiliza de tecnologias para o manejo da lavoura em taxas variáveis, com baixo impacto ambiental.
Também chamada de Cafeicultura 4.0, a técnica possui diversas ferramentas que favorecem a maior eficiência na produção e a sustentabilidade econômica.
Neste artigo, saiba as vantagens que ela oferece e as metodologias de aplicação. Confira!
Pesquisas sobre a técnica e métodos de aplicação mostram a redução de custos com insumos, aumento da produtividade e baixo impacto ambiental.
Apontam também a viabilidade em pequenas, médias e grandes áreas, com cultivo do arábica ou robusta (conilon).
Essência da AP
Em sua essência, a cafeicultura de precisão é baseada em dois conceitos da AP (Agricultura de Precisão): o de variabilidade espacial e o de variabilidade temporal.
As variabilidades espacial e temporal apontam as particularidades do cafezal e fornecem dados para tomada de decisão, manejo eficiente e planejamento da safra.
Mapa de variabilidade espacial para aplicação de fósforo em taxa variável (Fonte: PrecisãoAP)
Com isso, diversas variáveis que influenciam na produtividade do cafeeiro podem ser melhores gerenciadas, tais como:
propriedades físicas e químicas do solo e das plantas;
incidência de pragas e doenças e o índice vegetativo;
Ocorre ainda redução de 7,1% no consumo de combustível e na emissão de dióxido de carbono na atmosfera, o que dá mais sustentabilidade à lavoura.
Ferramentas de AP para a cafeicultura
As ferramentas utilizadas na cafeicultura de precisão são as tecnologias (máquinas, softwares, equipamentos, etc.) e as metodologias de aplicação.
Dentre as tecnologias, estão o GNSS (Global Navigation Satellite System), o GPS (Global Position System) e os SIGs (Sistemas de Informações Georreferenciadas).
Elas atuam com monitores, pilotos automáticos, sensores, drones, aplicativos e softwares instalados em máquinas, implementos, computadores e celulares.
A regulagem da máquina é manual, mas a amostragem da variabilidade espacial sobre a maturação dos frutos pode ser por meio da AP.
Mapa de variabilidade espacial da maturação dos frutos e uma área de produção de café com pivô central em Minas Gerais (Fonte: Felipe Santinato)
Drones e sensores
Na cafeicultura, os drones são muito úteis para em áreas onde não é possível a mecanização devido à topografia irregular.
Muitos são equipados com câmeras RGB e NDVI (alta resolução) e sensores multiespectrais que identificam desde déficits nutricionais até pragas e doenças.
Há drones que sobrevoam 20 hectares em 15 minutos e coletam informações sobre a quantidade de plantas e identificam falhas de plantio.
Na pulverização, o drone reduz tempo e custos: em 10 minutos, cobre 1 hectare.
Ortomosaico georreferenciado de área de produção de café para contagem das plantas (Fonte: Plan4r)
Os sensores são uma ferramenta importante para o manejo nutricional.
Por esse método, o tempo de análise foliar, normalmente de 30 dias, caiu para 1 dia.
Análise foliar do N no cafeeiro a partir do sensoriamento remoto (Fonte: Crislaine Ladeia)
Metodologias mais utilizadas
O uso das ferramentas tecnológicas segue metodologias de aplicação. Os métodos mais conhecidos são os seguintes:
geoestatística;
malhas amostrais;
semivariograma;
índices de Moran Local (IML) e Global (IMG);
krigeagem;
mapas de isolinhas;
modelagem de SIGs.
A mais utilizada entre os pesquisadores é a geoestatística, que é fundamentada em dois conceitos: o de semivariograma e o de krigeagem.
O semivariograma tem o papel de descrever a estrutura da variabilidade espacial e a krigeagem prediz valores não medidos, sem tendenciosidade e com variância mínima.
A utilização dessas tecnologias e métodos possibilita fazer mapas de variabilidade espacial e temporal para gerenciamento eficiente da lavoura.
Os softwares realizam a leitura dos mapas e, por meio de comandos hidráulicos e eletrônicos, regulam a dose e aplicam a quantidade necessária do insumo.
Há no mercado softwares com imagens de satélite em alta resolução: as imagens são em WDRVI, mais potentes que o NDVI dos drones. A licença de utilização para 50 ha custa R$ 500/ano.
Com essas imagens, é possível verificar oíndice vegetativo, monitorar pragas e doenças, construir zonas de manejo e identificar falhas de plantio.
Como aplicar a cafeicultura de precisão
Como vimos, a cafeicultura de precisão pode ser aplicada de várias formas e sua eficiência depende das tecnologias e do método.
Mas há também maneiras de praticar a AP sem muitos recursos tecnológicos.
Por exemplo: se sua área de produção tem 20 ha, faça a divisão em 5 subáreas de 4 ha ou em 4 subáreas de 5 ha. Após isso, realize análise de solo em cada subárea.
A divisão deve ser feita com o uso de um aplicativo com GPS, a exemplo do Fields Area Measure, de fácil manuseio.
Análise de solo de uma área de 20 ha, dividida em quatro subáreas de 5 ha, mostra níveis diferentes dos atributos químicos (Fonte: Labominas)
Variabilidade espacial
Faça a análise de solo de cada subárea e crie um mapa (numa folha de papel mesmo) com as particularidades químicas das subáreas.
Dessa forma, você observará a variabilidade do cafeeiro e fará um manejo mais eficiente, pois haverá recomendações diferentes.
E, como consequência, será gasto só o necessário com insumos.
Você pode obter imagens NDVI pelo sistema, para avaliar áreas historicamente problemáticas e direcionar as suas amostragens de solo.
Além disso, o software possui um módulo especializado no monitoramento de pragas que ajuda você a mapear focos de infestação e realizar aplicações localizadas.
Todo o cronograma de manejo pode ser planejado e controlado no Aegro a partir do celular. O aplicativo utiliza tecnologia de georreferenciamento para facilitar as movimentações da equipe no campo.
Outra vantagem do Aegro é que ele computa todos os seus gastos com insumos, oferecendo uma análise de rentabilidade por talhão ao final da safra.
Assim você verá, com clareza, o retorno financeiro das técnicas de AP na sua fazenda.
Os métodos e tecnologias da cafeicultura de precisão estão em aperfeiçoamento, mas não restam dúvidas sobre os impactos positivos que ela gera no setor.
Neste artigo, mostramos como ela pode beneficiar o manejo da sua lavoura e, consequentemente, sua produtividade.
Falamos ainda sobre as principais ferramentas de AP e as dicas de como praticar a cafeicultura de precisão mesmo sem muitos recursos tecnológicos.
Então, aproveite essas informações, busque mais conhecimento sobre como aplicar a técnica em sua lavoura e se beneficie das vantagens que ela oferece. Você e o meio ambiente só terão a ganhar!
Restou alguma dúvida sobre a cafeicultura de precisão? Deixe seu comentário!