About Bruna Rohrig

Sou agrônoma pela Universidade Federal da Fronteira Sul, mestra em fitossanidade pela Universidade Federal de Pelotas e doutoranda em fitotecnia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul na área de pós-colheita e sanidade vegetal. Tenho experiência em fitopatologia, controle de doenças de plantas e pós-colheita de grãos e sementes.

Lagarta-rosada: veja como livrar o algodoeiro dessa praga

Lagarta-rosada: veja quais são as características, fases de cultivo em que causa maiores danos, como identificar, estratégias de MIP e mais!

A lagarta-rosada é um inseto-praga que causa diversos danos na cultura do algodão. Quando adulta, a praga é uma mariposa cinza, fina e com asas. Quando está no estádio de larva, possui cor branca e tem oito pares de perna.

Essa larva possui faixas cor-de-rosa pelo corpo, o que dá origem ao seu nome popular. Ainda, ela é super pequena, com apenas meia polegada de comprimento. Conhecer bem suas características é fundamental para evitar que essa praga cause danos no seu algodoeiro.

Neste artigo, veja como identificá-la em diferentes fases de desenvolvimento e como utilizar o Manejo Integrado de Pragas para garantir um bom controle. Boa leitura!

O que é a lagarta-rosada do algodão?

A lagarta rosada também possui outros nomes científicos, como Gelechia gossypiella, Pectinophora Gossypiella e Plateydra gossypiela. No entanto, todos se referem ao mesmo inseto.

A lagarta-rosada pertence à classe Insecta, ordem Lepidoptera e gênero Pectinófora. Ela é uma das principais pragas do algodão, e está distribuída especialmente no hemisfério Sul. No Brasil, ela está presente de forma generalizada, especialmente nos seguintes Estados:

  • Alagoas;
  • Amazonas;
  • Bahia;
  • Ceará;
  • Espírito Santo;
  • Maranhão;
  • Mato Grosso;
  • Minas Gerais;
  • Pará;
  • Paraíba;
  • Paraná;
  • Pernambuco;
  • Rio de Janeiro;
  • Rio Grande do Norte;
  • Santa Catarina;
  • São Paulo;
  • Sergipe. 
Distribuição da lagarta-rosada do algodão no mundo. Os círculos amarelos correspondem ao local onde a praga já foi identificada
(Fonte: Banco de dados global, 2022)

O hospedeiro principal desta praga é a cultura do algodão (Gossypium hirsutum). No entanto, ela pode estar presente em outras espécies de algodão, bem como em plantas como quiabo e hibisco.

Alguns países importantes, como Estados Unidos, tem a lagarta rosada categorizada como praga de quarentena desde 1989. Desde 2018, ela é considerada erradicada no país.

Como identificar a Pectinophora Gossypiella em casa fase

Os ovos da lagarta são branco-esverdeados, e são postos individualmente ou em grupos de 15 ou 20 ovos.  Após esse período, os ovos mudam de cor. Após eclodirem os ovos, as lagartas têm tamanho aproximado de 2 mm, e passa por diferentes fases de desenvolvimento:

  • Primeira fase: em 3 a 4 dias após a eclosão as lagartas aumentam em tamanho, atingindo 4 mm. A coloração da cabeça da lagarta é amarela com marrom-escuro;
  • Segunda fase: as lagartas adquirem coloração branca, aumentando lentamente em tamanho até atingir 6 mm;
  • Terceira fase: as lagartas possuem marcações rosa visíveis, que podem ser visualizadas em função do contraste das marcações com a cor creme do restante do corpo;
  • Quarta fase: a lagarta adquire coloração rosa, atingindo aproximadamente 9 mm. Nesta fase, alimenta-se dentro do capulho. Após a alimentação da lagarta, ela sai do capulho e cai no solo para dar continuidade ao seu ciclo.

No solo, a lagarta-rosada do algodão responde de forma diferente às condições de temperatura. Isso pode acontecer de duas formas diferentes:

  1. A lagarta pode dar sequência ao seu ciclo, transformando-se em uma pupa marrom brilhante de 7 mm a 10 mm de comprimento;
  2. Ir para a diapausa, em que há suspensão do seu desenvolvimento em função das condições ambientais adversas. Isso permite a sobrevivência do inseto.

A duração do ciclo de vida total da lagarta é influenciado pela temperatura, podendo ser entre 21 a 45 dias. Além disso, é importante lembrar que o hábito deste inseto é noturno.

Portanto, as inspeções das áreas de produção devem ser realizadas em períodos que favoreçam maior atividade da praga. Isso facilita a sua visualização e quantificação.

Aspecto visual da lagarta-rosada reduzindo a qualidade das fibras produzidas em função da alimentação
(Fonte: Queiroga, 2017)

Danos causados pela lagarta-rosada do algodão

A lagarta-rosada (Pectinophora gossypiella) é uma praga que causa danos importantes na cultura do algodão. Ela afeta a produtividade da cultura, mas também a qualidade do algodão produzido. Afinal, a lagarta deposita seus ovos nas maçãs novas do algodoeiro.

Os prejuízos causados são variáveis. Porém, o principal problema encontra-se no seu ciclo de vida. Afinal, essa praga consegue sobreviver mesmo em condições ambientais adversas e sob a palhada ou no solo. Especialmente em plantio direto, seu controle é muito difícil.

Além disso, é bom lembrar que o principal produto do algodão são as fibras e que os danos ocorrem principalmente nos capulhos. Ou seja, há redução da produtividade e da qualidade do algodão, gerando danos duplos.

Relatos de resistência da lagarta já foram documentados em diversos países, especialmente na tecnologia Bt. Também fique de olho nos danos causados nas flores e no capulho do algodoeiro:

  • Se o ataque ocorrer no início do florescimento, as flores podem não abrir, tornando-se rosetadas.
  • Já nos frutos e logo após a eclosão, a lagarta rosada alimenta-se inclusive das sementes formadas.
Lagarta-rosada causando danos em maçãs do algodão, inviabilizando a produção de algodão.
(Fonte: Dos Santos, 2006 e Fand et al., 2019)

Fases de cultivo em que causa maior prejuízo e danos

A lagarta-rosada tem chamado atenção nas últimas safras. Embora os problemas possam ocorrer em diferentes fases de desenvolvimento da cultura, a manifestação na lavoura ocorre entre 70 a 100 dias da semeadura. Em outras palavras, no início do florescimento

No entanto, vale lembrar que o comportamento do inseto pode ser diferenciado a depender do local de produção, da cultivar utilizada e do manejo. Por isso, o monitoramento deve ocorrer em todas as fases de desenvolvimento.

Como controlar a lagarta-rosada-do-algodoeiro com MIP?

O controle eficiente da lagarta-rosada do algodão envolve a junção de diferentes métodos de controle. Isso é feito através do Manejo Integrado de Pragas, que engloba ações como:

  • cuidado com a época de semeadura do algodão;
  • manejos culturais;
  • retirada de maçãs e capulhos caídos ao chão;
  • eliminação de restos culturais após a safra;
  • controle químico e biológico.

No Agrofit, você pode consultar os defensivos recomendados para o controle da lagarta. No entanto, a escolha do defensivo deve considerar o que menos causa danos aos inimigos naturais

Quando possível, opte por inseticidas que sejam seletivos aos inimigos naturais. Afinal, a eliminação dos inimigos naturais de pragas pode aumentar a população de uma praga secundária.

Pragas secundárias podem não causar danos econômicos à cultura em um dado momento. Mas ao se tornar primária, também pode reduzir a produção e produtividade do algodoeiro. Confira outras medidas indispensáveis para controlar a lagarta-rosada.

Manejos culturais da Pectinophora Gossypiella

Dos manejos culturais, fazer a semeadura de área de refúgio para evitar a resistência na tecnologia Bt é fundamental. Você também pode usar cultivares de ciclo precoce para evitar exposição prolongada à praga.

Além disso, evite semeaduras precoces. Neste cultivo, os insetos em hibernação podem emergir. Isso aumenta a sua população para quando o cultivo principal for semeado.

Quando a cultura é semeada em época ideal, os insetos que estão sob hibernação emergem e não possuem hospedeiro para continuar o seu ciclo. Isso reduz sua população na área de cultivo, fenômeno denominado “emergência suicida”.

Armadilhas

O monitoramento da população de mariposas e da lagarta-rosada do algodão pode ser realizada também com a instalação de armadilhas. Elas devem possuir feromônio sexual feminino para atrair os insetos.

Manejos químicos e biológicos

Para controlar a lagarta-rosada, o uso de fungos entomopatogênicos pode ser uma ótima solução. Ainda, você pode realizar a liberação de ovos como espécies de Trichogramma.

Essas espécies tornam-se grandes populações de vespas adultas. Siga as instruções do fabricante do produto sobre a quantidade de ovos por hectare. Além disso, em um ano de cultivo, pesquisas indicam a necessidade de liberação de parasitóides até 12 vezes

Isso deve ser feito com intervalo de até 15 dias a partir do florescimento da cultura. Quando necessário, você também pode utilizar inseticidas com ação ovicida

Em relação ao manejo químico, a aplicação do  produto caulim, na concentração de 60 g L‑1, também é indicada.

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Manejos pós-colheita dessas principais pragas do algodão

O controle após a colheita do algodão em locais de armazenamento, galpões, depósitos, esteiras, descaroçadores deve ser realizado. Esses locais servirão como início de uma infestação para a próxima safra. 

Para isso, as iscas com feromônios também são uma boa opção.

Qual o nível de controle para a lagarta-rosada do algodoeiro?

Se você cultiva algodão e desconfia (ou já notou) da presença da lagarta-rosada, é necessário ficar de olho no nível de controle ideal. Dessa forma, é possível evitar que sua lavoura sofra grandes danos econômicos.

O controle da lagarta-rosada deve iniciar quando 5% das maçãs do algodoeiro em formação, em uma amostragem de 100 maçãs, apresentarem danos. 

Além disso, o monitoramento da lavoura deve ser constante, especialmente no período reprodutivo, fase em que os danos são mais severos.

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Conclusão

A lagarta-rosada é uma das principais pragas do algodão, e possui difícil controle por causa da redução da eficiência de inseticidas. Isso é reflexo da ausência da implantação de áreas de refúgio em cultivos Bt e no uso inadequado de inseticidas.

Nesses casos, o MIP (Manejo Integrado de Pragas) deve ser priorizado, sendo uma ferramenta importante no manejo de resistência. Ainda, diversas opções de controle biológico podem ser encontradas.

Na dúvida em relação a essas medidas de controle, não deixe de buscar o conhecimento de um(a) engenheiro(a)-agrônomo(a) sobre melhores estratégias de uso.

Você já percebeu a presença da lagarta-rosada no seu algodoeiro? Tem dificuldades sobre como fazer o manejo? Adoraria ler seu comentário.

Curuquerê-dos-capinzais: como identificar e controlar

Curuquerê-dos-capinzais: conheça as características, quais culturas são afetadas pela praga e como manter a lavoura livre dela

Também conhecida como curuquerê-do-algodão, essa lagarta desfolhadora é considerada uma das principais pragas do algodoeiro. Ela pode reduzir a produtividade da cultura em até 67%.

Por causar danos tão significativos, conhecer todas as características da praga é fundamental para controlá-la antes de sofrer prejuízos. Além disso, saber os manejos corretos te ajudará a manter a sua cultura saudável e produtiva.

Neste artigo, conheça as principais características da lagarta curuquerê-dos-capinzais, bem como culturas afetadas e danos causados por ela. Boa leitura!

O que é o curuquerê-dos-capinzais?

A lagarta curuquerê (Alabama argillacea ou mocis latipes) ou lagarta dos capinzais, é chamada de diferentes formas. No entanto, ela pertence à ordem Lepidóptera, e é uma mariposa da família Erebidae. Ela é encontrada em diversos lugares, desde América do Norte, Central e do Sul.

Ela pode atacar outras espécies além do algodão, e possui duas características importantes. A primeira é que ela possui hábitos migratórios. Ou seja, as mariposas tendem a migrar de diferentes locais. Por isso, o controle regional é extremamente importante.

Alteração de cor da mocis latipes é visualizada quando esta atinge altas populações na área de cultivo
(Fonte: F.J. Celoto/Lab. MIP – Unesp/Ilha Solteira)

A segunda característica é o hábito monófogo durante o estádio larval. Isso significa que as mariposas são encontradas majoritariamente na cultura do algodão.

Período larval e ciclo de vida da mocis latipes

A cultivar utilizada na lavoura pode responder de forma diferente ao número de ovos ovipositados pela lagarta. Ela pode influenciar em maior ou menor postura.

Cada fêmea pode ovipositar entre 6 e mais de 1700 ovos. A escolha da cultivar mais adequada à área, observando o histórico de ataque da lagarta, é fundamental.

O período de oviposição da lagarta dura aproximadamente um mês. Após, os ovos são incubados durante 4 e 6 dias, eclodindo posteriormente e liberando as novas lagartas ao ambiente.

O tempo em que a lagarta permanece em fase de lagarta é variável. Ele pode durar até 30 dias, a depender da temperatura. O período em que a lagarta entra no casulo para se transformar em mariposa, pode durar entre 10 e 30 dias.

Esse período também é influenciado pela temperatura. No verão, e consequentemente em temperaturas mais elevadas, o ciclo de vida pode ser mais rápido. Assim, o potencial de danos é maior, exigindo cuidados redobrados.

Temperaturas entre 25°C e 30°C são favoráveis à lagarta. Temperaturas acima de 35°C prejudicam o desenvolvimento da espécie, assim como temperaturas muito amenas.

Como identificar a praga

Esta lagarta tem coloração diferente das principais lagartas da soja, do algodão e do milho. Sua coloração é verde clara, e ela possui duas estrias dispostas ao longo de todo o corpo. Além disso, há pontos pretos distribuídos aleatoriamente de uma extremidade até a outra.

Característica da lagarta-caruquerê-dos-capinzais em fase larval ou de lagarta, pré-pupa (à esquerda) e pupa (à direita).
(Fonte: González et a., 2021)

Mas esta não é a única cor que esta lagarta pode ter. Em populações elevadas, elas mudam de coloração. O corpo torna-se preto, mantendo as listras brancas e os pontos pretos visíveis nas laterais do corpo. 

Desta forma, ao visualizar lagartas pretas na lavoura, produtores já podem ter ideia de que a população deste inseto está elevada. Consequentemente, os danos já estão ocorrendo em grandes proporções.

Lagarta-dos-capinzais em fase adulta, sobre folha de soja
(Fonte: González et a., 2021)

Distribuição da lagarta curuquerê nas regiões produtoras

No Brasil, a ocorrência da lagarta é principalmente entre os meses de janeiro a julho. No entanto, apresenta diferenças nas regiões. Na região Centro-Sul, a lagarta pode ser observada principalmente a partir do mês de dezembro, até julho. 

Em São Paulo, em contrapartida, o pico de maior população deste inseto ocorre próximo ao mês de abril. No Nordeste, pode ocorrer no início de janeiro até o mês de maio. 

Desta maneira, geralmente, as infestações têm origem inicial na região Centro-Norte, e posteriormente para a região Centro-Sul do país. 

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Curuquerê no algodão e em outras culturas

Na cultura do algodão, principal cultura afetada, os danos podem ocorrer em todas as partes da planta. Entretanto, os danos acontecem especialmente quando a população da praga encontra-se elevada na área. Ou, ainda, quando há pouca disponibilidade de alimento.

Inicialmente, a lagarta se alimenta de folhas novas do ponteiro, que apresentam sinais de raspagem. Com o avançar, as lagartas atacam o terço mediano da planta, provocando desfolha generalizada.

Ela pode consumir mais de 90 cm² de folhas até completar todo o seu ciclo de vida. Dada a capacidade de cada fêmea ovipositar até entre 1800 ovos, uma única lagarta pode causar redução da área foliar. Essa redução pode ser equivalente a mais de 16,2 m²

Sendo as folhas indispensáveis para a fotossíntese e para a produção, a rápida identificação desta praga para o controle é fundamental. Assim, você consegue manter o potencial produtivo da cultura frente a este inseto.

Para a cultura do algodão, as fases iniciais e a abertura das maçãs são as mais críticas. A primeira é delicada pois pouca quantidade de folhas estarão disponíveis, fazendo com que a lagarta consuma outras partes da planta. 

A segunda também é delicada, já que o ataque à maçã provoca maturação forçada. Isso causa redução da qualidade e quantidade das fibras produzidas. Até os 135 dias, a lagarta pode ainda, causar:

  • redução do peso do capulho e das sementes;
  • redução da porcentagem e uniformidade das fibras;
  • retardo do ciclo floral em aproximadamente um mês.

A lista de culturas afetadas é longa. A presença próxima destas culturas a áreas de produção de algodão podem favorecer a reprodução da praga e as infestações iniciais. A lagarta curuquerê também pode afetar significantemente a:

Além da lagarta ser um problema, as mariposas (fase posterior a lagarta), também têm potencial de causar danos. Afinal, elas podem se alimentar de diferentes espécies frutíferas.

Manejo da lagarta Alabama argillacea

O manejo da lagarta curuquerê-dos-capinzais não é tarefa fácil e exige um conjunto de medidas. Elas incluem controle preventivo, controle cultural, controle genético, controle biológico e controle químico.

Controle preventivo

Algumas medidas preventivas para evitar a ocorrência desta praga é evitar que condições ideais de desenvolvimento sejam dadas.

Nas últimas safras, os danos causados pelo curuquerê-dos-capinzais têm ocorrido no início da safra. Isso acontece muito em razão da presença contínua das plantas de algodão, que permanecem nas áreas de cultivo após a safra.

Por isso, o monitoramento da área e beiradas de lavouras e estradas é fundamental. Assim, você elimina as plantas tigueras.

Com a presença de plantas de algodão na área, a lagarta encontra condições de continuar a produzir novos indivíduos. Desta maneira, as infestações tendem a ocorrer cada vez mais cedo, visto que a lagarta já possui uma pequena população presente na lavoura.

Controle cultural

As medidas de controle cultural tem como objetivo manejar a cultura em benefício próprio, dificultando o estabelecimento da praga nas áreas de produção. 

A redução da irrigação com pivô pode auxiliar no controle. No entanto, é necessário observar que esta prática pode favorecer outras pragas importantes, como a mosca-branca.

Controle genético

Outra medida utilizada para o controle da lagarta curuquerê do algodão é a escolha de cultivares resistentes ou tolerantes. Essa é uma medida fundamental, uma vez que este inseto já apresenta relatos de resistência a alguns inseticidas químicos.

Controle com inimigos naturais

Alguns parasitóides e fungos atuam como inimigos naturais e podem ser utilizados no controle desta lagarta. 

É importante que medidas de manejo integrado de pragas sejam tomadas em conjunto. Afinal, uma única forma de controle geralmente não é eficaz a longo prazo.

Para a utilização do controle biológico e químico, é necessário que produtores e técnicos tenham conhecimento dos produtos utilizados e verifiquem a compatibilidade entre eles. 

Além disso, é necessário conhecer o período entre as aplicações, para evitar interferência na eficiência do controle.

Controle químico

Para a cultura do algodão, segundo o Agrofit, existem atualmente 277 produtos registrados para o controle desta lagarta na cultura do algodão. Dentre eles, existem opções à base dos ingredientes ativos:

  • Abamectina;
  • Acefato;
  • Beta-cipermetrina;
  • Bifentrina;
  • Fipronil;
  • Cipermetrina;
  • Clorpirifós;
  • Cipermetrina;
  • Diflubenzurom;
  • Metomil, dentre outros.

No entanto, a escolha do controle químico deve sempre ser baseada no inseticida que cause menos danos aos inimigos naturais presentes na área.

O uso contínuo de inseticidas não seletivos (que eliminam também os inimigos naturais presentes na área de cultivo) podem provocar o desequilíbrio. Isso acontece ao ponto de uma praga secundária vir atingir uma população que cause danos à cultura.

Este é o caso de inúmeras espécies de lagartas que assumiram papel de pragas primárias em diversas culturas, principalmente na cultura do milho. Por isso, o manejo integrado de pragas com a junção de diferentes métodos de controle é indispensável.

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Conclusão

A lagarta curuquerê dos capinzais ou do algodoeiro é uma das principais pragas da cultura. A identificação rápida do problema é fundamental para o controle, especialmente devido aos riscos da resistência dessa praga aos inseticidas.

Além disso, é fundamental que outros métodos de controle sejam empregados de forma conjunta. Alguns exemplos são o controle preventivo, controle cultural, genético, biológico (quando possível e disponível) e químico.

Também é importante evitar que a população da praga alcance grandes densidades. Isso principalmente devido aos riscos de pressão de seleção de indivíduos resistentes aos inseticidas químicos.

Você já percebeu a presença do curuquerê-dos-capinzais na sua lavoura? Compartilhe conosco, vamos adorar o seu comentário!

Mancha-amarela no trigo: como reconhecer e manejar a doença

Mancha amarela no trigo: entenda os impactos, principais sintomas, condições favoráveis e como evitar perdas!

A cultura do trigo é acometida por inúmeras doenças durante todo o ciclo de desenvolvimento. Essas doenças podem ser causadas principalmente por bactérias, vírus e fungos.

Dentre as doenças do trigo, as manchas foliares são as mais causam danos. A mancha-amarela, causada pelo fungo Drechslera tritici-repentis (nome científico), pode reduzir a produtividade do trigo em até 50%.

Ela é influenciada principalmente pelo sistema de plantio direto, além da interação da cultivar com as condições ambientais. Por isso, é necessário que diversas estratégias de controle sejam adotadas.

Neste artigo, conheça os impactos da mancha-amarela da folha do trigo, sintomas, condições ambientais favoráveis e estratégias de manejo para garantir a saúde da sua lavoura! Boa leitura!

O que é a mancha-amarela do trigo?

A mancha-amarela da folha do trigo é uma doença foliar da parte aérea, também comum no triticale. A doença, causada pelo fungo necrotrófico Drechslera tritici-repentis, possui alta intensidade em sistema de plantio direto com rotações de culturas inadequadas.

Esse fungo sobrevive principalmente nos restos culturais (palha) desse sistema de plantação de trigo. Ainda, ele possui duas fases de reprodução no seu ciclo de vida:

  • Fase assexuada (Pyrenophora tritici-repentis). Esta fase é a mais importante, pois é responsável pela multiplicação e dispersão do fungo. Os esporos produzidos em grande número são resistentes às condições ambientais adversas.
  • Fase sexuada (Drechslera tritici-repentis). Esta fase é responsável pela produção de variabilidade genética, o que implica em possibilidades de mutação e aquisição de resistência.

Pode parecer confuso, mas a mancha-amarela do trigo pode ser conhecida por esses dois nomes. No entanto, ambos os nomes se referem à mesma doença, com os mesmos sintomas. Apenas as estruturas fúngicas do fungo possuem outra aparência.

Em outras palavras, o que causa a mancha-amarela no trigo é o fungo Drechslera tritici-repentis e/ou Pyrenophora tritici-repentis. Essa doença é amplamente distribuída em todas as regiões tritícolas, especialmente aquelas manejadas sob sistema e plantio direto. 

O tratamento de sementes realizado de forma ineficiente ou com escolha do fungicida inadequado contribuem para o rápido desenvolvimento da doença. Outro agravante é a agressividade do patógeno e a resistência a diversos grupos químicos de fungicidas.

Como diferenciar os sintomas da mancha-amarela dos da mancha-marrom no trigo?

Embora os sintomas da mancha-amarela possam ser confundidos com os sintomas da mancha-marrom, existem características que distinguem ambas.

Os sintomas típicos da mancha-amarela podem ser observados desde as fases iniciais do desenvolvimento da cultura. Eles se apresentam em forma de pequenas manchas esbranquiçadas ou amareladas.

Com a evolução dos sintomas, o tecido necrosa na região central e torna-se pardo. Na mancha-amarela, forma-se um halo amarelado em torno das lesões necróticas, de até 12 mm de comprimento.

mancha amarela trigo
Diferentes intensidades de sintomas da mancha amarela em trigo em função da raça do patógeno e sua agressividade
(Fonte: Bertagnoli e colaboradores, 2019)

Disseminação e condições favoráveis para a doença

A principal forma de disseminação da doença é por respingos de chuva e vento. Quando ocorrem as chuvas, os respingos atingem os restos culturais. Isso acontece especialmente em áreas com ausência de rotação de culturas e com sistema plantio direto com pouca palhada. 

Se as condições ambientais forem favoráveis, rapidamente a doença terá início. O patógeno consegue realizar diversos ciclos da doença durante todo ciclo do trigo, aumentando rapidamente os danos.

Vale lembrar que os sintomas podem se manifestar de forma mais branda, especialmente em cultivares tolerantes, e de forma mais agressiva em cultivares suscetíveis. Desta forma, a escolha do material genético utilizado é primordial.

Além disso, temperaturas entre 18 °C e 28 °C associadas a pelo menos 30 horas de molhamento foliar são favoráveis a manifestação dos sintomas. Por isto, é essencial que estas condições sejam monitoradas, especialmente em áreas com histórico da doença.

ciclo da vida da mancha amarela do trigo
Ciclo de vida esquematizado da mancha-amarela em trigo
(Fonte: Flávio Santana)

Como fazer o controle da mancha-amarela em trigo?

A adoção de uma única forma de controle da mancha-amarela não é efetiva. É necessário que o manejo integrado de doenças seja adotado, com associação de diversas estratégias que pretendam reduzir a população do fungo. 

As três principais estratégias de manejo para eliminar a doença e garantir a qualidade do trigo consistem em:

  • Escolher cultivares do trigo que sejam resistentes à doença: esse é um fator-chave, especialmente em áreas ou regiões com histórico da doença. A consulta das cultivares resistentes pode ser realizada consultando as recomendações da Comissão Brasileira de Pesquisa em Trigo e da Embrapa;
  • A rotação de culturas é uma medida complementar, e espécies como canola, nabo e aveia podem ser utilizadas para quebrar o ciclo do fungo. Sem hospedeiros, ele não possui condições de continuar o seu ciclo. Assim, sua população é reduzida na área de cultivo.
  • A aplicação de fungicidas é uma medida complementar e importante para frear o rápido desenvolvimento do patógeno. Isso especialmente quando as condições ambientais forem favoráveis. No entanto, essa prática requer atenção quanto ao uso, visto que a mancha-amarela possui relatos de resistência.  As doses utilizadas devem ser recomendadas pelo fabricante, no intervalo entre aplicações e seguindo todas as recomendações da bula.
tabela sobre a eficácia na prática de manejo
Eficácia das estratégias de manejo da mancha-amarela. Sinais positivos indicam que as práticas surtem efeito. Sinais negativos indicam que as práticas não são eficientes.
(Fonte: Lau et al., 2020)

Fungicidas para trigo que controlam a mancha foliar amarela

Sobre o manejo de fungicidas, o Frac (Comitê de Ação a Resistência de Fungicidas) recomenda alguns cuidados e dicas. Veja quais são a seguir:

  • Seguir as recomendações do fabricante, atentando-se a bula;
  • A aplicação dos fungicidas deve ser realizada de forma preventiva, para evitar pressão de seleção de populações resistentes;
  • Devido ao histórico de resistência, estrobilurinas não devem ser aplicadas de forma isolada. Elas devem ser associadas a outros grupos químicos, como fungicidas mutissítios e triazóis. 
  • Os fungicidas associados devem ser eficientes à doença isoladamente. Ou seja, se o fungicida associado às estrobilurinas fosse aplicado de forma isolada, este deveria garantir bons níveis de controle à doença.
  • Realizar a rotação de grupos químicos, observando quais os mecanismos de ação utilizados.  Em muitas situações, o nome do produto utilizado pode mudar, mas os grupos químicos e/ou até mesmo os mecanismos de ação, são os mesmos. Consulte sempre um profissional para a melhor recomendação para as necessidades da sua lavoura.
  • A eficiência dos fungicidas pode ser consultada em resultados sumarizados de pesquisa, disponibilizados por instituições públicas e privadas.  Esses resultados são obtidos em diferentes regiões de cultivo, o que pode nortear a tomada de decisão.
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Conclusão

A mancha-amarela da folha do trigo pode causar redução drástica da produtividade da cultura. No entanto, a partir do reconhecimento da sua ocorrência e severidade, diversas estratégias de manejo podem ser utilizadas.

Vale ressaltar que práticas de manejo de forma isolada não são eficientes no controle da doença.  Além disso, são anualmente realizados relatos de redução da eficiência das moléculas disponíveis. 

Por isso, faça um manejo que vise prolongar a vida útil dos fungicidas disponíveis.

Tem alguma experiência com a mancha-amarela para compartilhar com a gente? Escreva pra gente, vamos adorar o seu comentário!

Fungicida para milho: guia completo de quando aplicar o produto

Fungicida para milho: quais são os principais, épocas de aplicação, cuidados que devem ser tomados e os melhores do mercado

A desfolha precoce provocada por doenças do milho causadas por fungos pode reduzir a produtividade da cultura em até 40%.

Desta forma, saber qual a época mais adequada de aplicação de fungicidas é indispensável. Quem produz milho também deve conhecer os cuidados na aplicação e os fungicidas mais eficientes.

Entenda a seguir quais as principais doenças fúngicas do milho, fungicidas utilizados e cuidados com a aplicação! Boa leitura!

Principais doenças fúngicas da cultura do milho

Diversas doenças causadas por fungos podem ocorrer no milho, mas algumas delas assumem destaque na maioria das regiões produtoras. A mancha-branca, a cercosporiose, a helmintosporiose e o complexo de enfezamentos pálidos e vermelhos são as principais.

Complexo mancha-branca

A mancha-branca no milho é causada por um complexo de microrganismos, incluindo a bactéria Pantoea ananatis e o fungo Phaeosphaeria maydis, por isto, também é conhecida como mancha de Phaeosphaeria.

As perdas na lavoura podem ultrapassar os 60%, principalmente quando híbridos suscetíveis são utilizados em áreas de grande histórico da doença.

Os sintomas incluem a formação de lesões de coloração branca, que inicialmente possuem formato circular. Com a evolução dos sintomas, a mancha torna-se cor palha e com formato elíptico a circular (variando entre 0,3 a 1 cm de diâmetro).

As lesões são encontradas principalmente nas folhas, e tem início nas folhas inferiores da planta, progredindo rapidamente. A fase de desenvolvimento mais crítica para a cultura é o pendoamento, onde as lesões também surgem na palha da espiga.

Temperaturas amenas, entre 15°C e 20°C, associadas a elevada umidade relativa do ar (superior a 60%), são condições favoráveis ao desenvolvimento da doença.

Cercosporiose

A cercosporiose no milho é causada pelo fungo Cercospora zeae-maydis, e possui enorme distribuição nas lavouras brasileiras. Ele é favorecido por temperaturas mais altas, entre 22°C e 30°C, principalmente quando acompanhadas de períodos de longo molhamento das folhas.

Ainda, essa doença é muito favorecida por técnicas de semeadura direta. Cultivos sucessivos de milho híbrido muito suscetíveis à doença aumentam a quantidade do inóculo da cercosporiose.

A manifestação da cercosporiose do milho ocorre na fase de floração. Ela causa danos em folhas do baixeiro da cultura. 

Os sintomas da doença se manifestam através de lesões necróticas paralelas às nervuras.  Além disso, as extremidades das lesões têm formato quadrado, semelhante a uma raspagem com unha. 

Helmintosporiose

A helmintosporiose é diferente da cercosporiose, pois as lesões possuem as suas extremidades mais afinadas. Além disso, a cercosporiose ocorre entre as nervuras e a helmintosporiose, além das nervuras.

A helmintosporiose é causada pelo fungo Exserohilum turcicum. Esse fungo é favorecido por locais com alta umidade relativa do ar (geralmente acima de 90%), além de temperaturas entre 18°C e 27°C. 

Um dos pontos que torna essa doença difícil de ser controlada é evitada é que o fungo se dissemina através do vento. Por isso, para controlá-la, o uso de sementes saudáveis e cultivares resistentes é fundamental.

banner da planilha de produtividade da lavoura de milho

Quando aplicar fungicida no milho?

O momento correto de aplicação de fungicidas é fundamental. Isso irá evitar a desfolha precoce e a redução da produtividade. Inicialmente, observe o histórico de doenças na área de cultivo. Com essas informações, planeje o tratamento de sementes.

Ele é indispensável para proteger as sementes dos fungos que já estão presentes nos restos culturais do solo. Esses fungos sobrevivem de uma safra para a outra. Por isso, a entrada dos fungicidas na lavoura deve ser realizada:

  • Entre os estádios V8 – 8, quando as folhas estão completamente desenvolvidas;
  • Durante o pré-pendoamento da cultura.

Estas são as fases mais críticas para a ocorrência de doenças, especialmente as manchas foliares. Além disso, a entrada nestes estádios corresponde ao momento em que as doenças não apresentam alta severidade, sendo o controle mais efetivo

Aplicações antecipadas resultam em maiores produtividades. O atraso das aplicações, em R1 e R2, reduzem a produtividade do milho pela maior severidade de doenças.

Ilustração que mostra fases de desenvolvimento do milho
Estádios vegetativos e reprodutivos da cultura do milho para identificação do momento ideal de aplicação de fungicidas. VT corresponde ao início do pendoamento.
(Fonte: Ciampitti)

Cuidados para tomar na aplicação de fungicidas

Além da época correta de aplicação, outros cuidados devem ser tomados: a boa cobertura da cultura, tecnologia de aplicação, volume de calda e condições climáticas devem ser analisados.

Boa cobertura da cultura

As aplicações devem proporcionar maior cobertura das folhas dos terços médio e superior. São essas as folhas que influenciam diretamente na produtividade.

Tecnologia de aplicação

Utilize tecnologia de aplicação correta em função dos fungicidas utilizados. É importante saber se você está usando fungicida sistêmico e com boa movimentação superficial. Isso implica em maior ou menor tamanho de gotas.

Fungicidas multissítios, por exemplo, não possuem a capacidade de adentrar os tecidos foliares. Por isso, devem ser aplicados preventivamente, antes do surgimento dos sintomas.

No início dos sintomas, os multissítios devem obrigatoriamente ser combinados a um sítio-específico, que possui a capacidade de adentrar os tecidos e curá-los. Ainda, a rotação de ingredientes ativos é indispensável, pois evita a resistência dos fungos aos fungicidas.

Volume da calda terrestre, aérea e escolha das pontas

Pontas de jato plano defletor com indução de ar refletem em menores chances de deriva de defensivos pelo vento. Ainda, causam menor influência de altas temperaturas e maior cobertura dos alvos.

Além disso, quanto menor for o volume de calda, maior atenção deve ser dada à densidade de gotas para boa cobertura. É recomendada para a cultura no mínimo 50 gotas por cm -2.

Em aplicações aéreas, o volume de calda de 30 L/hectares proporciona produtividade semelhante aos tratamentos terrestres. Essa pode ser uma solução para aplicações sem provocar danos por máquinas à cultura.

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Observação das condições climáticas

Evite aplicar poucas horas antes da ocorrência de chuvas, pois elas podem “lavar” parte do produto. Também observe a velocidade do vento durante a aplicação, que não deve ser totalmente ausente ou elevado.

Quais os principais fungicidas para tratamento de milho?

Segundo o Agrofit (Sistema de Agrotóxicos Fitossanitários), atualmente, existem 220 fungicidas registrados para milho. Os principais grupos químicos utilizados no controle de doenças fúngicas incluem:

  • Estrobilurinas (C2) + triazóis (G1) (em inúmeras combinações): ambos são fungicidas sítio-específico. Eles correspondendo a mais de 22% das opções disponíveis;
  • Triazóis: aparecem em segundo, com participação de 20% na totalidade dos produtos registrados. A aplicação isolada de triazóis não é recomendada, porque este grupo de fungicidas atua em um único sítio-específico de ação, é há alto risco de resistência;
  • Mancozebe (M): é um fungicida multissítio do grupo dos ditiocarbamatos com quase 9% da totalidade de produtos registrados.

Na lista de fungicidas para milho, são inúmeras as opções. Além da consulta, fique de olho nos percentuais de eficiência dessas moléculas. Isso vai depender do híbrido utilizado e da região de cultivo.

Ainda, vale lembrar que o uso do Carbendazim no milho e demais culturas está suspenso em todo país.

Melhores tratamentos para controle de doenças no milho

Resultados de pesquisa indicam que as combinações que resultaram em maiores produtividades em relação aos tratamentos sem fungicidas foram:

  • Tratamento 4: Piraclostrobina (estrobilurina) + Mefentrifluconazol (triazol) + Fluxapiroxade (carboxamida) – em fase de registro pela empresa BASF  na época do estudo. Composição semelhante ao Belyan): resulta em controle de 83% das manchas foliares e 19% de ganho de produtividade;
  • Tratamento 8: Difenoconazol (triazol) + Pydiflumetofen (carboxamida) (em fase de registro pela empresa Syngenta na época do estudo. Composição semelhante ao Miravis Duo): 77% de controle e 18% de ganho de produtividade;
  • Tratamento 6: Trifloxistrobina (estrobilurina) + Protioconazol (triazol) + Bixafen (carboxamida) – Fox Xpro: 77% de controle e 17% de ganho de produtividade.

A eficiência de outras moléculas e detalhes podem ser visualizados na tabela abaixo:

Tabela que mostra fungicidas para milho com melhor desempenho.
(Fonte: Custódio)

Conclusão

O melhor fungicida para milho deve ser planejado em função do histórico de doenças da área de cultivo. A eficiência do controle depende de vários fatores, sobretudo da época em que as aplicações são realizadas.

É indispensável que as doenças sejam controladas quando a sua severidade ainda é baixa.

Para o controle de doenças na sua área de cultivo, consulte sempre um(a) engenheiro(a)-agrônomo(a). Afinal, as recomendações podem variar bastante conforme as características da sua lavoura.

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Restou alguma dúvida sobre a aplicação de fungicida para milho? Deixe sua dúvida nos comentários abaixo!

Cochonilha na lavoura: entenda tudo sobre esse inseto sugador

Cochonilha: entenda o que são, principais famílias, como identificar, quais culturas são afetadas e manejo mais recomendado para o controle!

Embora as cochonilhas sejam importantes na indústria farmacêutica e alimentícia, para a agricultura são ameaças e podem limitar a produção.

As cochonilhas são umas das principais pragas do café, da cana-do-açúcar, e das forrageiras. Elas podem causar até 100% de perdas, a depender da infestação.

Por isto, entender mais sobre este inseto é fundamental para realizar um manejo mais eficiente e evitar perdas.

Veja a seguir o que são as cochonilhas, como você pode identificá-las, quais culturas são mais afetadas, como manejar e acabar com elas. Boa leitura!

O que é cochonilha?

As cochonilhas são hemípteros (um grupo de insetos) pertencentes ao filo Arthropoda, classe Insecta e a ordem Hemiptera. Elas possuem entre 3mm e 5mm de comprimento, e possuem corpo de cor castanha ou amarela. Se alimentam principalmente através da seiva de cactos e plantas no geral.

Além da seiva de cactos, essas pragas também se alimentam de folhas, caules, rosetas, flores, frutos, e raízes das plantas. As cochonilhas pertencem à mesma ordem dos pulgões e cigarrinhas. Além disso, elas possuem aparelho bucal do tipo picador-sugador

Esse inseto possui uma série de tipos ou famílias. Cada um desses tipos possui características diferentes e causam diferentes tipos de danos às produtitvidade agrícola.

Tipos de cochonilha

As principais espécies dessa praga são a cochonilha branca, cochonilha de carapaça e cochonilha de raiz. Elas são divididas em oito famílias:

  • Asterolecaniidae: causam o aprofundamento e distorção dos tecidos;
  • Coccidae: possuem corpo achatado e recoberto por escamas. São conhecidas como cochonilhas de carapaça;
  • Dactylopiidae: são as espécies utilizadas na fabricação de corantes;
  • Diaspididae: possuem formatos diferentes das cochonilhas de carapaça e farinhentas, são geralmente brancas e com variações de cores;
  • Ortheziidae: possuem dois pares de patas que são visíveis, além da prolongação do corpo, a qual é utilizada pela cochonilha fêmea para proteção dos ovos;
  • Pseudococcidae: são as cochonilhas farinhentas, possuem cerdas distribuídas ao longo do corpo e produzem uma substância cotonosa sobre o corpo e sobre os tecidos das plantas;
  • Margarodidae: incluem as cochonilhas de raiz.
Fotos de cochonilhas ao lado de uma régua, onde é possível  ver o tamanho do inseto. Ao lado, uma foto das cochinilhas em raízes de planta.
Fases da pérola-da-terra (Eurhizococcus spp.), principal cochonilha da videira. (A) cisto amarelo; (B) cisto branco; (C) fêmea móvel. À direita, cochonilhas associadas às raízes da videira
(Fonte: Zart, 2012)

Como identificar essa praga

As cochonilhas podem ser encontradas em todas as partes das plantas. Elas ficam especialmente na face inferior das folhas jovens, mais velhas e caules. A presença é constatada a partir do formato do seu corpo e dos danos.

A cochonilha de carapaça tem formato oval, arredondado, comprido/estreito e em formato de vírgula. Enquanto isso, as cochonilhas sem carapaça possuem formato arredondado, oval.

Sua coloração pode variar de esbranquiçada, amarronzada, esverdeada, ligeiramente transparente, amarelada. Também podem conter combinações de cores e formatos bastante atípicos. Ainda,  os machos possuem asas.

Elas são relatadas em maiores infestações principalmente em períodos secos ou de estiagem. Portanto, nesses períodos, fique mais de olho na lavoura.

Fotos de várias fêmeas de cochonilhas
Fêmeas adultas de diferentes espécies de cochonilhas e sua aparência distinta.
(Fonte: Wolff, 2016)

Também é importante ficar de olho no ciclo de vida das cochonilhas. A duração varia conforme a função da espécie, do hospedeiro e das condições ambientais. Em temperaturas amenas, inferiores a 15°C, a reprodução pode ser paralisada.

Cada fêmea é capaz de depositar entre 50 e 600 ovos durante toda a sua vida. Além disso, essas pragas possuem três fases de ninfa em que se assemelham a aparência na fase adulta, distinguindo em coloração e tamanho.

O ciclo de vida pode variar de 60 até 150 dias. Em geral, ele dura 100 dias

Danos causados pelo inseto

Os danos causados pelas cochonilhas ocorrem de forma direta e indireta. Os danos diretos acontecem através da sucção da seiva que seria utilizada no desenvolvimento de novos tecidos. Ela também é utilizada no enchimento de grãos e frutos

Os danos indiretos, por sua vez, acontecem através da injeção de toxinas que debilitam as plantas. Quanto maior for o ataque ou população de cochonilhas, maior é o enfraquecimento de toda a planta. Elas podem causar a queda precoce de folhas, flores e frutos

Além disso, durante a alimentação, estes insetos costumam excretar uma substância açucarada, conhecida como honeydew. Por isso, é possível em muitos casos visualizar formigas doceiras na cultura, já que elas se alimentam dessa substância.

Além das formigas, os fungos do gênero Capnodium spp. (ou fumagina) são favorecidos pelo honeydew liberado pela praga. A fumagina tem coloração escura e recobre as folhas, reduzindo a fotossíntese e a respiração da planta. 

Foto de folha com fumagina, causada pelas cochonilhas.
Aspecto visual do fungo causador da fumagina (Capnodium spp.), recobrindo folhas de cafeeiro e reduzindo a fotossíntese e a respiração da planta, afetando assim a produção da cultura
(Fonte: Costa, 2009)

No café, as cochonilhas causam danos mais severos. Dentre as principais cochonilhas consideradas pragas na cultura estão: a cochonilha branca farinhenta, a cochonilha que ataca as raízes e a cochonilha verde.

Foto de cochonilhas na terra, entre raízes de plantas.
Dysmicoccus spp. atacando raízes
(Fonte: Da silva, 2016)

Estas espécies são problemáticas, pois podem se manter nos campos, sobrevivendo e se reproduzindo em plantas daninhas do café. Alguns exemplos são caruru, capim-rabo-de-burro e tiririca.

Como acabar com a cochonilha?

Algumas medidas podem ser tomadas, como o monitoramento constante das áreas de produção, incluindo raízes. Isso deve ser feito quando as plantas apresentarem sintomas como desenvolvimento reduzido, murcha e amarelecimento.

Além disso, evitar o uso de inseticidas de amplo espectro também é uma boa estratégia para eliminar as cochonilhas. Isso acontece porque estes produtos atuam contra os inimigos naturais.

O uso do controle químico pode provocar a alteração no metabolismo da planta. Como  consequência, esse desequilíbrio faz com que a resistência da planta seja perdida.

Por fim, uma adubação equilibrada, luminosidade e disponibilidade de água são essenciais para desfavorecer as cochonilhas.

As cochonilhas podem ser disseminadas principalmente pelo vento, máquinas, solo, mudas contaminadas e por formigas. Por isso, verificar todos esses aspectos que entram em contato com a cultura é fundamental.

A depender do local de ataque, algumas táticas de manejo podem ser mais eficientes. No caso de infestações em raízes, por exemplo, o controle biológico associado ao manejo a longo prazo pode ser a alternativa mais eficaz.

Controle cultural

O monitoramento constante das áreas de produção, incluindo plantas daninhas hospedeiras, é essencial. As cochonilhas utilizam estas espécies para se reproduzir e, em seguida, migram para a cultura principal.

Ainda, a inspeção em caso de plantios de mudas deve ser rigorosa. Recuse lotes que apresentem infestação dessa praga.

Controle químico

O controle de cochonilhas de carapaça exige a utilização conjunta de produtos oleosos. Afinal, a constituição do corpo da praga é de camadas sobrepostas de cera.

Para controle da cochonilha-da-raiz, os inseticidas granulados são eficientes, principalmente em detecções de infestações em reboleiras e de forma precoce.

Lembre-se de seguir as recomendações do fabricante sobre como aplicar o produto, intervalo entre aplicações, condições ambientais e intervalo de segurança.

Os produtos utilizados devem ser recomendados por um(a) engenheiro(a)-agrônomo(a), após a avaliação da cultura e histórico da área de cultivo e podem ser consultados no Agrofit.

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Controle alternativo

Para espécies da cochonilha branca, a calda sulfocálcica em concentração 25% é uma alternativa no controle em cultivos de café. 

A calda de fumo, por sua vez, possui eficiência de 60% para as espécies de Planococcus spp. É necessário intervalo de segurança para consumo seguro. 

Por fim, óleo de neem e óleo mineral, em concentração de 3%, ocasiona 100% de mortalidade para a espécie Planococcus citri.

Controle biológico 

Os nematoides entomopatogênicos são os principais utilizados para infestações causadas pela cochonilha-da-raiz-do-cafeeiro.

Por outro lado, os fungos entomopatogênicos, como o  Beauveria bassiana, são relatados como eficiente no controle das cochonilha-da-roseta em cultivos de café conilon.

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Conclusão

Inúmeras espécies de cochonilhas podem ocorrer em diversas culturas de interesse agrícola.

O monitoramento e identificação correta das espécies incidentes são indispensáveis para o planejamento das estratégias de controle mais adequadas.

O controle químico deve sempre ser planejado, evitando a eliminação de inimigos naturais às cochonilhas e a outros insetos com potencial para se tornarem pragas. Em casos de dúvidas, sempre busque orientação de profissionais.

E você, ficou com alguma dúvida sobre os tipos de cochonilhas e de como eliminá-las? Deixe um comentário abaixo!

Lagarta-das-folhas (Spodoptera eridania): entenda como identificar e controlar esta praga na sua lavoura!

Lagarta-das-folhas (Spodoptera eridania): entenda como ela se comporta nas diferentes culturas, como identificar e fazer o manejo efetivo. 

A lagarta-das-folhas (Spodoptera eridania), também conhecida como lagarta-das-vagens, é um inseto-praga de espécie polífaga. Ela ataca culturas como soja (Glycine max), arroz (Oryza sativa), milho (Zea mays) e diversas outras. 

Essa lagarta era considerada praga secundária até pouco tempo. No entanto, nas últimas safras na região Centro-Oeste e Sul do Brasil, vem se tornando um problema. 

Isto porque além de consumir as folhas e caules das culturas, a lagarta-das-folhas causa redução da qualidade dos produtos colhidos.

Neste artigo, veja como identificar a lagarta-das-folhas na sua lavoura, em quais hospedeiros ela sobrevive na entressafra e quais os métodos de controle podem ser utilizados! Boa leitura!

Como identificar Spodoptera eridania

Algumas mariposas da lagarta-das-folhas (Spodoptera eridania) possuem pontos arredondados nas asas ou uma faixa preta larga. Já adultos de Spodoptera eridania medem entre 3,3 cm e 3,8 cm e possuem asas de cor cinza e marrom, com marcas pretas e marrons com formas irregulares.

Porém, tão importante quanto identificar a mariposa, é necessário identificar a lagarta-das-folhas em todos os estágios de desenvolvimento.

No caso dos ovos da lagarta-das-folhas, eles são redondos, com cor que varia entre amarelo e verde. Além disso, têm escamas do corpo da mariposa.

Cada fêmea é capaz de ovipositar até 800 ovos durante o seu ciclo de vida, que tem duração de até 40 dias, a depender da temperatura e do hospedeiro.

Ovos de lagarta-das-folhas

Ovos de Spodoptera eridania em laboratório. Na figura A é possível observar as escamas depositadas pela lagarta, para proteção dos ovos. 

(Fonte: Efrom, 2013)

Já o período larval da Spodoptera eridania dura entre 15 e 19 dias. Após o término do período larval, a pupa permanece no solo em profundidades de 5 cm a 10 cm.

A duração do período pupal (onde a lagarta se transforma em pupa, antes de adquirir forma de mariposa) dura entre 9 a 11 dias.

Na figura abaixo, é possível observar as diferenças entre as mariposas do gênero Spodoptera para correta identificação e manejo. Afinal, hospedeiros alternativos podem ser semelhantes ou distintos, a depender da espécie de lagarta.

Diferentes tipos de lagarta-das-folhas

Dois principais clados (grupos de espécies gerados a partir de um único ancestral comum) de Spodoptera

(Fonte: Kergoar e colaboradores,  2021)

Para identificar a lagarta-das-folhas, as plantas devem ser inspecionadas principalmente no baixeiro. Essas lagartas preferem a parte inferior das folhas para se protegerem do sol.

A atividade maior da lagarta-das-folhas pode ser observada principalmente no período da noite. Nesse horário, elas são mais mais ativas.

Como diferenciar as Spodopteras spp.

Diferenciar as Spodopteras pode ser difícil, mas algumas espécies possuem características próprias que as distinguem das demais. 

A Spodopera frugiperda possui um “Y” invertido na cabeça. Além disso, seu corpo é composto por 4 pontuações que formam um quadrado, localizadas na região posterior.

Foto da spodoptera frugiperda em todos os estágios: ovos, pupa, mariposas e lagartas.

Detalhes morfológicos que permitem a identificação da lagarta S. frugiperda a campo: (a) mariposas macho e fêmea, (b) ovos, (c) lagartas recém eclodidas, (d) (e) e (f) lagarta de último estádio, e (g) pupa.

(Fonte: Hickel, 2020)

A Spodoptera eridania possui diversos triângulos negros ao longo do comprimento de seu corpo, que podem ser facilmente observados. Além disso, seu corpo possui uma listra branca ou amarela no primeiro segmento abdominal. Essa listra não chega até a cabeça.

Foto de spodoptera eridania sobre folha de soja

Triângulos dispostos ao longo do corpo da lagarta S. eridania que permitem a sua identificação a campo.

(Fonte: Tomquelski e colaboradores, 2020)

Por fim, a lagarta Spodoptera cosmioides possui 3 listras alaranjadas ao longo do corpo, que chegam até a cabeça. Alguns pontos brancos acompanham as listras alaranjadas.

Foto de spodopera cosmioides, seguida de imagem da cabeça da lagarta em foco

Listras alaranjadas de S. cosmioides, com presença de pontuações brancas ao longo destas.

(Fonte: Phytus Group In: Agrobayer)

Danos causados pela lagarta-das-folhas

A Spodoptera eridania causa severa desfolha, além de deixar aparência de esqueletização das folhas. Ao longo do desenvolvimento, podem afetar órgãos reprodutivos das culturas, bem como frutos (como vagens da soja e cápsulas de algodão). 

A consequência disso é a redução da qualidade dos produtos colhidos. Quando estão  sob estresses, essas lagartas consomem partes de crescimento das plantas, como ramos. 

Podem causar perfurações em ramos, caules, e órgãos próximos à superfície do solo.

Lagarta-das-folhas sobre folha com danos intensos.

Danos causados pela lagarta-das-folhas (S. eridania) na cultura da soja, com aspecto de esqueletização das folhas atacadas.

(Fonte: Teodoro e colaboradores, 2013)

Desde a safra 2007, a lagarta-das-folhas tem surgido anualmente nas áreas de produção, em populações cada vez maiores, causando danos significativos.

Sua alta densidade (população de lagartas)  também é preocupante.

A alta densidade tem sido atribuída ao uso desregulado principalmente de inseticidas piretroides. Eles não são seletivos a predadores e parasitoides, e acabam eliminando inimigos naturais da lagarta-das-folhas.

Além disso, medidas de manejo inadequado também estão relacionadas. A falta de monitoramento da lagarta, rotação de princípios ativos de inseticidas e controle em populações muito altas também são perigosos.

Culturas afetadas pela Spodoptera eridania

As lagartas das folhas podem afetar uma infinidade de culturas, como soja, arroz, algodão, milho, feijão e café. Além disso, ela afeta plantas frutíferas, ornamentais e até mesmo plantas daninhas.

Outras espécies de interesse agrícola afetadas são girassol, colza, mandioca e azevém.

O conhecimento sobre quais espécies são hospedeiras da praga é fundamental para o monitoramento e controle da população. Se a sua cultura é hospedeira da lagarta, você pode fazer rotação de culturas com espécies não hospedeiras. 

Por exemplo, o milheto é uma cultura caracterizada por ser desfavorável à lagarta-das-folhas. Na presença dessa cultura, as lagartas não são capazes de se alimentar de forma adequada e se reproduzir.

Por outro lado, espécies como feijão-de-porco, nabo-forrageiro e crotalária são hospedeiras favoráveis e por isso devem ser evitadas. Outras daninhas hospedeiras incluem:

  • Lingua-de-vaca (Rumex obtusifolius);
  • Caruru (Amaranto retroflexo);
  • Crista de galo (Celosia cristata);
  • Buva (Conyza canadensis);
  • Corda-de-viola (Ipomea grandifolia, Ipomea purpurea e Ipomea tiliacea);
  • Mamona (Ricinus communis);
  • Capim-elefante (Pennisetum purpureum), dentre outras.

Como controlar a lagarta-das-folhas

Para controlar a lagarta-das-folhas na lavoura é indicado que você faça uma amostragem de pelo menos 10 plantas aleatórias. Se a quantidade de lagartas nessa amostragem foi de 30% na fase vegetativa e 15% na fase reprodutiva, é hora de começar o MIP (Manejo Integrado de Pragas).

O MIP consiste no uso de diferentes métodos de controle de forma conjunta. Por exemplo, controle cultural pela rotação de culturas, biológico, genético, químico, dentre outros.

Os controles biológico e químico têm sido utilizados de forma associada. Porém, para serem efetivos, é necessário que a compatibilidade entre os produtos biológicos e químicos seja consultada.

Para te ajudar, você pode usar nossa planilha de manejo integrado de pragas. Clique na imagem a seguir para baixar sem qualquer custo:

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Controle biológico

Para o controle biológico, podem ser utilizados fungos entomopatogênicos como Beauveria bassiana, Metharizium anisopliae e Nomuraea sp.

A adição de produtos com grandes populações desses agentes não só auxilia no controle, como o torna mais eficaz.

É importante ressaltar que a eficiência do controle biológico também está associada a outros fatores. Boas condições ambientais no momento e após a aplicação, como alta umidade relativa do ar, são essenciais.

Espécies de baculovírus também podem ser utilizadas, mas é necessário que o Baculovírus específico para Spodoptera eridania seja utilizado. Para cada espécie de lagarta, há uma espécie de baculovírus que exerce controle.

Controle químico

Para o controle químico, use produtos recomendados pelo Mapa. Estas informações devem ser consultadas no Agrofit e recomendadas por um Engenheiro Agrônomo. Isso tudo é feito de acordo com as condições específicas da sua lavoura.

As principais moléculas recomendadas fazem parte dos grupos:

  • espinosinas;
  • diamidas;
  • organofosforados (que potencializam o controle, mas devem ser utilizados com cuidado, para não reduzir a população de inimigos naturais);
  • reguladores de crescimento de insetos;
  • produtos de controle biológico, como bactérias do gênero Bacillus (Bacillus thuringiensis).

No Agrofit, existem 28 produtos disponíveis com recomendação para uso em todas as culturas.

Conclusão

A lagarta-das-folhas (Spodoptera eridania) tem grande número de hospedeiros alternativos. Por isso, o monitoramento e controle são indispensáveis.

Saiba identificar a lagarta em qualquer fase de desenvolvimento. Assim, você garante conseguir controlar no momento certo e evita danos na lavoura.

E, antes de aplicar algum produto para o controle, consultar um(a) engenheiro(a)-agrônomo(a) é fundamental. Isso garante uma aplicação de qualidade e eficaz. 

>> Leia mais:

“Tudo o que você precisa saber para controlar a larva arame”

“Como proteger sua lavoura da lagarta-rosca”

Você já identificou a lagarta-das-folhas (Spodoptera eridania) na sua fazenda? Compartilhe sua experiência com a gente, vamos adorar receber o seu comentário!

Beneficiamento de grãos: entenda as 7 etapas fundamentais

Beneficiamento de grãos: saiba a importância, quais são as etapas obrigatórias, cuidados que você deve ter e muito mais!

A qualidade de grãos e sementes não pode ser melhorada, apenas conservada

Por isso, todas as etapas do processo produtivo são importantes.

O beneficiamento de grãos é um processo que procura eliminar impurezas de um lote, melhorando suas características. Isso é fundamental para garantir uma boa comercialização.

Neste artigo, veja quais são as etapas do beneficiamento e quais cuidados devem ser tomados no processo. Boa leitura!

O que é o beneficiamento de grãos?

O beneficiamento é uma das últimas etapas da produção de grãos e sementes, e procura melhorar as características de um lote

Isso é feito através da eliminação de impurezas; matérias estranhas (como sementes de outras espécies e outros contaminantes); e também danos leves e graves, até que se alcancem os limites tolerados pela legislação.

Para manter a qualidade dos lotes, são retiradas as matérias estranhas. Alguns exemplos são:

  • grãos e sementes de outras culturas;
  • insetos vivos ou mortos;
  • partes de insetos;
  • torrões de solo;
  • sujidades, dentre outros.

Também são eliminados todos os materiais vegetais que pertencem à cultura, como:

  • folhas;
  • hastes;
  • colmos;
  • raízes;
  • vagens;
  • pedaços de sabugo, dentre outros.

Esses limites máximos tolerados variam conforme o produto (grão). Percentuais acima dos descritos na legislação resultam em descontos no momento da comercialização. 

Embora a legislação traga limites máximos tolerados, eles também podem ser especificados pelas empresas, UBGs (Unidades de Beneficiamento de Grãos) ou UBSs (Unidades de Beneficiamento de Sementes).

As unidades de beneficiamento de grãos (UBGs) são locais onde os grãos são encaminhados após a colheita pelo produtor. 

São localizadas normalmente próximo do local de produção. É nas UBGs que os grãos são limpos, secos, e beneficiados (retirada de matérias estranhas, impurezas, contaminações).

Quais são as etapas do beneficiamento de grãos

As etapas do beneficiamento de grãos são: recepção, amostragem, pré-limpeza, limpeza, secagem, classificação e armazenamento. O objetivo é retirar possíveis contaminações que contribuem para a deterioração dos grãos.

Esquema demonstrativo das etapas de beneficiamento de grãos.

Fluxograma operacional de uma unidade de beneficiamento

(Fonte: Silva e colaboradores, 2012)

Confira a seguir como funciona cada uma das operações envolvidas no beneficiamento de grãos!

1. Recepção

Na recepção, os grãos ficam armazenados provisoriamente na moega. Depois, são  encaminhados para a pré-limpeza, limpeza ou secagem. O destino varia de acordo com o grau de umidade, impurezas e matérias estranhas do lote.

Para que se saiba quais as operações são necessárias, é preciso retirar amostras do produto e avaliar suas condições. A primeira delas é o grau de umidade. Esta informação determina se será necessária a secagem do produto.

Quando o grau de umidade é elevado, é importante que a secagem seja realizada o mais rápido possível. Afinal, a deterioração (redução da qualidade) já estará ocorrendo.

A recepção deve ser programada para que não sejam misturados produtos diferentes. Isso vale principalmente para produtos já secos com produtos que necessitam de secagem.

2. Amostragem

A amostragem é uma etapa importante para que as condições do lote recebido sejam averiguadas. Ela deve ser realizada seguindo metodologias padrão e com auxílio de caladores, que podem ser manuais ou pneumáticos.

Os pontos para retirada das amostras também são importantes. Elas devem ser de diferentes locais e profundidades.

Etapas da amostragem de grãos

  • Tenha em mãos um calador (hidráulico ou manual), um balde plástico, caderno e caneta para anotação;
  • Colete as subamostras: elas são amostras parciais, e devem ser coletadas em diferentes pontos. Isso depende de como a carga de grãos estiver disposta.
  • Misture as amostras uniformemente: assim você terá a amostra para análise, que deve ser identificada corretamente. As subamostras devem contemplar as laterais e o centro da carga;
  • Posicione o calador no ponto, verticalmente e enterrado até o fundo da massa de grãos. Só assim a subamostra pode ser retirada. 

Para checar os sistemas e comparar a eficiência das operações, você pode retirar amostras durante o funcionamento dos equipamentos. Dessas amostras, são avaliadas a porcentagem de cada um dos danos. Nesse caso:

  • Pese a amostra total;
  • Retire os danos a serem avaliados;
  • Calcule a porcentagem desses grãos com danos em relação ao peso inicial.

Fórmula para amostragem de grãos com danos

Para calcular a quantidade de grãos com danos, você pode utilizar uma fórmula. Por exemplo, considere uma amostra de 250 gramas em que 0,8 gramas são de grãos quebrados/partidos.

Basta fazer uma regra de três:

Fórmula para amostragem de grãos com danos: 250 gramas - 100% da amostra/ 0,8 gramas - X. Esquema representado em regra de três.

(Fonte: adaptação da autora)

Essa amostra contém 0,32% de grãos quebrados/partidos. Os valores dos resultados obtidos são comparados aos limites máximos tolerados para cada uma das operações.

3. Pré-limpeza

A pré-limpeza é a retirada inicial de impurezas e matérias estranhas com percentuais próximos a 4%

No beneficiamento de sementes, são tolerados pequenos índices de outras sementes (1%), e zero material inerte. Porém, esse valor pode mudar de acordo com as classes de sementes.

Além disso, as operações de pré-limpeza têm várias vantagens

  • facilidade na operação de secagem, quando necessária;
  • melhor transporte entre os elevadores;
  • condições de armazenamento facilitadas;
  • fluxo no armazém facilitado.

A pré-limpeza é uma etapa obrigatória. Em alguns casos, ela pode ser suficiente. 

Nesta etapa, as peneiras devem ser adequadas. Além disso, o fluxo de ar do ventilador deve ser ajustado corretamente (o que depende do grão a ser beneficiado).

Na pré-limpeza e na limpeza, as sementes são beneficiadas em máquinas de ar e peneiras. Elas usam ventiladores para separar materiais contaminantes e indesejáveis de menor peso e tamanho. 

4. Secagem

A secagem de grãos é a etapa para retirar a água em excesso. Isso pode ser feito através de ar natural ou aquecido. Realize essa etapa o mais rápido possível, após a colheita dos grãos com alto grau de umidade.

O grau de umidade deve ser mais baixo para armazenamento em locais sem aeração.

Na tabela a seguir, confira o grau de umidade recomendado para o armazenamento seguro de diferentes culturas:

Grau de umidade recomendado para feijão, milho, soja, azevém, arroz e aveia.

(Fonte: Elias, 2000)

5. Classificação

A classificação de sementes em relação ao tamanho é feita para padronizar os lotes

Esta operação facilita a semeadura e distribuição no campo. Além disso, proporciona maior plantabilidade quando os equipamentos são ajustados da forma correta. 

6. Limpeza de sementes e grãos

No caso de sementes, os cuidados devem ser redobrados. Afinal, elas são armazenadas até a semeadura da próxima safra.

A retirada de impurezas, matérias estranhas, sementes danificadas e verdes é indispensável. Assim, o vigor das sementes não é reduzido

Este processo é parecido com a limpeza de grãos. Acontece através da passagem das sementes por peneiras de ar e mesa densimétrica.

A mesa densimétrica separa as sementes através da densidade ou peso. Sementes mais leves geralmente têm qualidade reduzida.

No caso de grãos, a limpeza é uma operação extra. Ela faz com que impurezas e matérias estranhas que tenham permanecido após a pré-limpeza sejam retiradas.

7. Armazenamento

Para armazenamento de grãos seguro, eles devem ser secos a uma porcentagem ideal. Assim devem ser mantidos durante o processo. 

O percentual de umidade muda conforme a cultura. Confira: 

Tabela com percentual de umidade em grãos como café, milho, soja, arroz, sorgo e trigo.

(Fonte: Senar, 2018)

Quais etapas de beneficiamento de grãos são obrigatórias?

Nem todas as operações de beneficiamento são necessárias, a depender das condições dos grãos. Em alguns casos, a pré-limpeza é suficiente e a secagem não é necessária, por exemplo.

Duas situações podem ocorrer: 

  • Se os grãos forem limpos, secos e comercializados imediatamente: você deve fazer secagem, limpeza e classificação. Isso garante que impurezas e materiais estranhos não ultrapassem 1%, e que o grau de umidade seja de 13%. Esses são os limites impostos pelo Mapa.
  • Se os grãos forem secos, limpos e armazenados: nesse caso, você deve fazer a pré-limpeza, secagem (e limpeza, quando necessário) e armazenamento. 

8 cuidados essenciais durante o beneficiamento de grãos

No beneficiamento de grãos e sementes, alguns pontos merecem atenção:

  1. Injúrias mecânicas (trincas, quebrados, partidos) são geralmente agravadas pela secagem. A temperatura do ar de secagem deve ser adequada para o teor de água inicial dos grãos;
  2. O local de armazenamento dos grãos e sementes deve ser limpo, seco e arejado. Isso evita a proliferação de pragas de armazenamento, fungos e deterioração;
  3. O ambiente de armazenamento não pode ter goteiras. O contato com a água favorece a germinação dos grãos e sementes. Além disso, acelera sua deterioração.
Foto de sementes de soja germinadas

Grãos de soja germinados devido a goteiras no telhado do silo, provocando aceleração da deterioração dos grãos armazenados.

(Fonte: De Souza, 2012)

  1. Materiais quebrados, trincados, fragmentados, arranhados e danificados são causados por choques com as superfícies durante o beneficiamento. Por isso, regule a velocidade das operações e as monitore sempre;
  2. Grãos danificados são mais suscetíveis ao ataque de fungos e insetos. Isso pode provocar o aquecimento da massa de grãos, e até mesmo gerar fogo;
  3. A conservação dos grãos pode ser comprometida a partir dos 60 a 120 dias. Isso acontece quando os valores de grãos quebrados são entre 5% e 8%.
  4. As perdas durante o beneficiamento podem ser superiores a 3%. A cada 30 mil sacos de grãos beneficiados, 900 podem ser perdidos por manuseio incorreto;
  5. Regule e monitore os equipamentos utilizados durante o beneficiamento. Eles podem trincar os grãos, agregar cinzas, odores e provocar a perda de peso da massa.

Processo de beneficiamento de soja

O beneficiamento da soja começa com a pré-limpeza e é seguida da secagem, pós-limpeza, padronização, tratamento e pesagem. Após a pesagem, os grãos são embalados, amostrados, identificados e armazenados.

É importante ressaltar que o beneficiamento destinado a grãos e a sementes tem operações diferentes. Na primeira, o foco é retirar as impurezas e matérias estranhas que afetam a qualidade do grão, para posterior processamento na indústria.

Na segunda, o objetivo é selecionar sementes de alto potencial germinativo, a depender do padrão da empresa produtora de sementes ou cultivar que está sendo produzida.

Além da máquina de peneiras, a mesa densimétrica é usada. Ela separa as sementes por densidade.

Foto de mesa densimétrica vermelha, utilizada no processo de beneficiamento de grãos de soja

Mesa densimétrica de uma unidade de beneficiamento de sementes. Na imagem à direita é possível observar os dutos de entrada de sementes de diferentes densidades.

(Fonte: Reisorfer, 2012)

Sementes mais leves estão geralmente associadas a danos provocados por insetos, fungos, ou até mesmo má formação. Sementes mais pesadas, em contrapartida, possuem a maior qualidade.

Outro processamento que ocorre é a padronização de lotes de sementes em função do seu tamanho. Isso é importante para a regulagem das semeadoras e para garantir melhor uniformidade de sementes na lavoura.

A padronização é realizada através de peneiras com diferentes tamanhos. O tamanho da semente está relacionado diretamente ao de 1000 sementes. Essa informação é utilizada para que o produtor possa calcular a quantidade de sementes necessária para a semeadura.

Esta classificação em tamanho em função de peneiras pode ser de peneira 50 a 75.

  • Sementes de soja de peneira 50 apresentam peso de 1000 sementes (a depender da cultivar), aproximados a 92 gramas, Logo, 92/1000=0,09 gramas por sementes. Na peneira 50, um grama de sementes conterá 11 sementes, e um saco de 40 kg de sementes conterá 440.000 sementes.
  • Sementes de soja de peneira 75 apresentam peso de 1000 sementes aproximado de 244 gramas. Logo, 244/1000=0,244 gramas por semente. Na peneira 75, um grama de sementes conterá 4 sementes, e um saco de 40 kg de sementes, conterá 160.000 sementes.

Em função da população de sementes desejada, você deverá escolher o tamanho de peneira mais adequado para calcular.

Se as sementes são de diversos tamanhos, na regulagem e na semeadura, mais sementes podem cair no solo. Isso prejudica a plantabilidade (distribuição uniforme de plantas na lavoura). 

Processo de beneficiamento de milho

As etapas de beneficiamento do milho incluem a amostragem inicial do produto, pré-limpeza do lote recebido (etapa que conta com as máquinas de pré-limpeza e mesa de gravidade) e secagem.

Esses processos de beneficiamento possuem o objetivo de limpar o material para ser armazenado adequadamente.

Foto de mesa de gravidade com grãos de milho

A mesa de gravidade é utilizada para realizar a separação de diferentes densidades (pesos) do produto. Os materiais de menor densidade normalmente são restos de sabugo de milho e grãos ardidos

(Fonte: Trogello, 2013)

As sementes de milho ainda são classificadas quanto ao seu tamanho e formato, e posteriormente estocadas em bags até a expedição.

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Conclusão

O beneficiamento de grãos e sementes é uma etapa importante para conservar a qualidade.

O processo é composto por 7 etapas, mas nem todas elas são obrigatórias. Vale analisar a situação dos seus grãos para definir quais das etapas serão fundamentais.

Fique de olho nos limites máximos de umidade, impurezas, matérias estranhas e danos. Assim, você não sofrerá penalidades na comercialização dos seus grãos.

Como você faz o beneficiamento de grãos na sua fazenda? Tem dificuldade em algum desses processos? Adoraria ler seu comentário.

Guia completo da plantação de canola + benefícios para o milho, trigo e soja

Plantação de canola: conheça o ambiente ideal de cultivo, adubação, manejo de pragas e doenças, cuidados na colheita e mais!

A canola é a terceira oleaginosa mais produzida no mundo. As oleaginosas são alimentos vegetais ricos em gorduras “boas”.

cultivo da canola é destinado para a produção de óleo para o consumo humano e de biodiesel. O farelo resultante é usado na fabricação de rações por ser rico em proteínas.

A canola é uma excelente alternativa econômica para o uso em  rotação de culturas com o trigo, a soja e o milho. Ela diminui problemas fitossanitários que afetam esses cultivos. 

Quer saber se essa é uma boa opção para a sua fazenda? Acompanhe o artigo!

Características da canola

A canola é uma espécie anual da mesma família que o repolho e a couve. No entanto, seu cultivo visa a produção de grãos

Ela é muito adaptável ao frio, e por isso tem grande potencial de cultivo em grande parte da América do Sul. Nas lavouras do Sul do Brasil, a oleaginosa tem feito sucesso. 

A área semeada com a cultura no país foi de 35,5 mil hectares em 2020. Desse número, 34,8 mil hectares concentraram-se no Rio Grande do Sul.

Nessa região, são utilizadas apenas cultivares de primavera. O cultivo se destaca na sucessão das culturas de verão, como soja e milho

A canola também é utilizada na rotação com as culturas de inverno como o trigo, centeio, cevada, aveia e triticale. 

Benefícios da plantação de canola 

O uso da canola na rotação de culturas reduz o uso de defensivos agrícolas. Consequentemente, também reduz custos e torna a produção mais sustentável

A cultura também se destaca como uma excelente alternativa econômica. Afinal, ela não exige aquisição de máquinas e equipamentos específicos para o seu manejo. 

Você pode utilizar a estrutura disponível na propriedade. Além disso, a canola possui grande produtividade (em média 1500 Kg ha-1).

A cultura da canola, quando utilizada em rotação de cultura, traz benefícios para os cultivos da soja, do trigo e do milho.

Benefícios da canola para o trigo

A rotação com canola diminui problemas de doenças na lavoura de trigo. Ela reduz as estruturas responsáveis pelas doenças causadas por fungos que sobrevivem em restos culturais.

A fusariose e septoriose estão entre as doenças manejadas pela rotação com canola. 

A canola também é importante no manejo do azevém, uma das principais plantas daninhas do trigo.  Afinal, a canola tem mais capacidade competitiva que o azevém.

Benefícios da canola para a soja

A cultura da soja não é hospedeira do nematoide do cisto. Isso quebra o ciclo de vida do nematoide e faz o manejo das áreas contaminadas.

Mas é necessário estar atento entre o período mínimo de 20 dias entre a colheita da canola e a implantação da soja. Isso por causa do efeito alelopático da canola sobre a soja, que interfere na germinação da cultura da soja.

Benefícios da canola para o milho

A canola reduz problemas causados por mancha de diplodia e cercosporiose.  Isso acontece quando o milho é cultivado em sucessão aos cultivos de inverno, na safra de verão.

Manejo da plantação de canola

Para ter sucesso e lucratividade no cultivo da canola, você precisa planejar a implantação no sistema de produção. Escolher a área mais adequada também é um passo fundamental.

A canola é sensível a uma série de herbicidas que deixam um efeito residual prejudicial à cultura.

Por isso, prefira cultivar a canola em áreas que tiveram soja resistente ao glifosato na safra anterior. Isso diminui os riscos do efeito prejudicial de herbicidas residuais no solo.

A cultura se desenvolve melhor em áreas livres de doenças como: canela-preta, sclerotinia (mofo-branco) e infestação por nabiça.

Tenha atenção com o cultivo da canola quando a soja vem em sucessão. A canola pode potencializar o aparecimento de mofo-branco nesse caso.

Ambiente de cultivo ideal para canola

A geada é muito prejudicial à canola no estádio de plântula e durante o florescimento. O período de cultivo vai de abril a novembro no Sul do Brasil.

No estádio de plântula, os danos podem resultar em morte das plantas. Isso principalmente quando a geada ocorre sem um período de pelo menos três dias de frio antes.

Esses dias de frio antes da geada tornam as plantas mais tolerantes.

A geada pode causar abortamento de flores. Isso causa queda da produção, além de  produzir o efeito chamado grão verde.

Os grãos verdes são causados pelo acúmulo de clorofila resultante da ocorrência de geadas durante o enchimento de grãos. Eles provocam o desligamento dos grãos da planta mãe, antes da maturidade. 

Além disso, a canola pode rebrotar após a geada. Dessa forma, a maturação da lavoura será desuniforme, com plantas na maturidade e plantas em estádios anteriores. 

Por isso, podem haver grãos verdes em maiores proporções.

Os prejuízos são maiores durante as fases mais avançadas. Afinal, as chances das plantas emitirem hastes laterais são menores. 

Por outro lado, a emissão de novas hastes resulta em maior desuniformidade de maturação. Como consequência, há maiores possibilidades de perdas na colheita.

Para reduzir danos causados por geadas, evite a semeadura em áreas de baixada e nas proximidades de matas fechadas.

Foto de folha de canola coberta de gelo

Geada em plantas de canola. 

(Fonte: Embrapa)

Sementes e preparo do solo para semeadura

A semeadura da canola deve ser feita apenas com sementes de híbridos registrados. Eles proporcionam benefícios como:

  • evitar a introdução de doenças na lavoura através de sementes contaminadas;
  • evitar a necessidade de ressemeadura e atraso no próximo cultivo;
  • garantir a emergência vigorosa e uniforme do cultivo, reduzindo as perdas causadas pela desuniformidade na maturação.

Você deve semear evitando a ocorrência de geadas no início do cultivo. A profundidade de semeadura ideal para a canola é de 2 cm.

Os melhores solos para canola são os mesmos aptos para o cultivo de cereais de inverno, incluindo alguns solos arenosos.  Vale destacar que solos com grande probabilidade de encharcamento devem ser evitados. 

A canola pode ser cultivada em áreas com o mesmo preparo e manejo realizados para as demais culturas de grãos.

Adubação da plantação de canola

A canola demanda uma boa adubação nitrogenada. A deficiência desse nutriente reduz a produtividade.  Doses excessivas alongam a fase vegetativa. Assim, há possibilidades de ocorrências de doenças e redução da qualidade da planta.

A canola também exige muito enxofre, devido ao alto teor de óleo e proteína nos grãos.  Portanto, esse nutriente pode aumentar a produção e o teor de óleo das sementes.

A canola tem uma eficiente utilização de fósforo e potássio. Além disso, incrementos na produção podem ser obtidos pela aplicação de boro, zinco e cobre.

Não deixe de fazer análise de solo antes de cultivar canola. Assim, a adubação e correção do solo serão baseados na interpretação dos resultados.

Manejo de pragas 

As principais pragas que incidem no cultivo da canola são:

A traça-das crucíferas é a praga que mais causa danos na canola. Eles são causados pelas lagartas, que se alimentam de hastes e sílicas da planta. Desfolhamentos também podem acontecer. 

Os danos são maiores se ocorrer um surto antes da floração.

Para um controle eficiente, faça controle químico com inseticidas reguladores de crescimento. Isso deve ser feito quando houver infestação em toda a lavoura, e cerca de 10% de desfolha.

Para algumas pragas, não existem relatos sobre o controle químico

Portanto, evite a semeadura em áreas infestadas com mais de 5 corós por metro quadrado, com grilo marrom e outras pragas de solo. 

O monitoramento da lavoura para vistoriar pragas é fundamental. Por isso, separamos uma planilha grátis para você realizar o Manejo Integrado de Pragas sem complicações. Clique na imagem abaixo para baixar:

planilha manejo integrado de pragas MIP Aegro, baixe agora

Manejo de doenças

Com relação às doenças, a canela-preta pode causar grandes prejuízos. 

Para minimizar esses danos, mantenha a área livre do cultivo de canola por dois anos. Esse fungo permanece nos restos culturais.

Escolha áreas localizadas a mais de mil metros de distância de lavouras onde havia canola infectada com canela-preta.

Para o controle do mofo-branco e da podridão negra das crucíferas, faça o manejo integrado, pois não há método de controle completamente efetivo.

No MID (Manejo Integrado de Doenças), você deve fazer:

  • Rotação de cultura com espécies não suscetíveis;
  • Usar sementes sadias;
  • Evitar áreas com ocorrência das doenças;
  • Realizar semeadura direta;
  • Controlar plantas daninhas suscetíveis.

Cuidados na colheita

O atraso na colheita resulta em grandes perdas. Portanto, a cor dos grãos serve de base para determinar o ponto de colheita ideal.

Quando 40% a 60% dos grãos no topo do caule principal mudam da cor verde para a cor marrom, as plantas estão prontas para ser colhidas.

A partir desse ponto, você pode cortar e enleirar as plantas. Isso é feito com equipamento autopropelido ou acoplado a um trator. 

Quando as plantas enleiradas tiverem cerca de 10% de umidade do grão, pode ser feita a colheita. Isso geralmente acontece alguns dias depois do corte.

A dessecação não é indicada para a cultura. A colheita direta pode ser feita quando o teor de umidade dos grãos estiver no máximo em 18%.

Você também deve regular a colheitadeira devidamente. Os pontos principais são vedar locais por onde podem vazar grãos e reduzir a velocidade de deslocamento.

Conclusão

A canola melhora o sistema produtivo da soja, milho e trigo. Ela diminui problemas com pragas e doenças nessas culturas.

A oleaginosa contribui para a redução dos custos com defensivos nas lavouras. Além disso, você não precisa fazer investimentos em máquinas e equipamentos para o manejo e a colheita. 

A canola é uma excelente alternativa para rotação de culturas, com um retorno econômico satisfatório. Considere esses e outros benefícios da planta para implantá-la na sua lavoura!

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