About Mário Bittencourt

Jornalista e pós-graduado em Agricultura de Precisão e Ciência de Dados

Seguro soja: por que você deve fazer

Seguro soja: saiba a importância desse recurso, como é a subvenção, como contratar, quanto custa e muito mais!

Devido aos fatores climáticos, sobretudo a falta de chuvas, fazer o seguro da soja é uma ação estratégica para a gestão rural que ajuda a se manter na atividade 

Na safra 2021/2022, a produção de soja foi marcada pela falta de chuvas e altas temperaturas em regiões produtivas. Houve perda de 10% em relação à safra anterior.

A soja teve sua produção afetada, principalmente, nos estados do Sul e Centro-Sul. Só no Rio Grande do Sul, a quebra foi de mais de 50%.

Neste artigo, saiba o que é o seguro soja, como funciona, como é a subvenção e quais os benefícios de contratá-lo. Confira!

O que é o seguro rural?

O seguro rural é um instrumento de política agrícola criado para minimizar as perdas decorrentes de eventos climáticos e sanitários que podem afetar a atividade no campo.

A sua utilização deve sempre fazer parte das estratégias de gestão rural (previsão de riscos e eliminação de prejuízos). Isso evita danos causados à lavoura e ao financeiro do seu negócio.

Além do clima, você precisa lidar com as pragas, cada vez mais destrutivas e resistentes aos defensivos químicos. Outro problema são as oscilações do mercado, causadas por questões geopolíticas, guerras e de saúde da população, dentre outros.

Por isso, o seguro soja representa uma ferramenta para evitar perdas, contribuindo para a estabilidade financeira. Ele atua como transferência do risco da agricultura para o mercado securitário, minimizando a necessidade de socorro financeiro do governo.

Através da subvenção econômica ao prêmio do seguro rural, o Governo Federal apoia financeiramente os que contratarem essa modalidade de garantia. Ele arca com parcela dos custos de aquisição do seguro.

A operação oficial se dá por meio do PSR (Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural), cujas diretrizes estão no PTSR (Plano Trienal do Seguro Rural).

Além de minimizar perdas, o seguro agrícola no Brasil auxilia a conseguir taxas mais baixas na obtenção do crédito rural. Ele também estimula o aumento de áreas cultivadas e o uso de tecnologias.  

Por isso, o orçamento do PSR tem sido priorizado: no exercício 2022, foram R$ 990 milhões para auxiliar o produtor no momento da aquisição do seguro. No 1º trimestre de 2022, foram pagos R$ 5,8 bilhões em indenizações, por conta de sinistros relativos ao clima.

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Importância do seguro soja

O seguro agrícola para a soja objetiva te tranquilizar no que se refere aos problemas que podem ocorrer na lavoura devido a fatores climáticos ou sanitários.

A soja, por ser a principal cultura agrícola produzida no Brasil, tem grande participação na economia do país. É tanto que a redução de 10% na safra 2021/2022 foi o principal fator para a queda de 0,3% do VBP (Valor Bruto da Produção Agropecuária) em 2022, em relação a 2021.  

Assim, além de ser bom para o produtor rural, a contratação do seguro agrícola é importante para a economia nacional. Afinal, isso garante o pagamento de tributos, a manutenção dos empregos e a geração de renda.

Como funciona o seguro soja

O seguro soja segue regras específicas. A primeira delas é que cobre apenas os dados causados pela influência do clima na agricultura:

  • seca;
  • geada;
  • chuva excessiva;
  • tromba d’água;
  • granizo;
  • ventos frios/fortes;
  • incêndio/raio;
  • variação excessiva de temperatura.

Outra regra é que a cobertura da soja inicia quando 70% ou mais da lavoura atinge a 2ª folha ou 15 cm de altura. Pode ser contratada toda a área plantada ou por talhão.

O seguro soja não cobre problemas relacionados a pragas, doenças, ervas daninhas, falhas de estande e lavouras implantadas sem obediência ao Zarc (Zoneamento Agrícola de Risco Climático).

Já o seguro de produtividade é calculado conforme o valor investido para custear a lavoura segurada. Sendo assim, o valor é definido na contratação da apólice.

Aplica-se uma indenização quando a produtividade é menor que a garantida na apólice. Isso garante a você a capacidade de permanecer custeando a atividade.

Subvenção federal para o seguro

No PSR, a subvenção federal para a soja é de 20%. Esse valor pode chegar a 25% se você aderir ao Programa ABC, de agricultura de baixo carbono

A cobertura de replantio, no seguro soja, é feita somente em caso de ter ocorrido tromba d’água, chuva excessiva ou granizo. A vigência inicia 24h após o plantio e acaba quando as plantas atingem da  2ª até a 8ª folha. Isso varia entre as seguradoras.

Os eventos climáticos devem ser comunicados desde o início do plantio às corretoras ou diretamente à seguradora. 

Em caso dos eventos climáticos citados, o prazo máximo da comunicação é de 8 dias corridos, e de 5 dias para coberturas de seca e chuva excessiva.

As vistorias são feitas de forma preliminar (20 dias corridos a contar do aviso) e final (no máximo em 15 dias antes da colheita). Os prazos podem ser alterados em casos de eventos catastróficos, e a área não pode ser colhida antes da vistoria do perito.

Outras vistorias podem ser feitas a qualquer momento pela seguradora. O perito deve ser sempre acompanhado por você ou por outro responsável por essa área da fazenda, de posse da apólice e do croqui da área para conferência dos dados.

O laudo deve ser assinado por essas mesmas pessoas, mesmo se houver discordância sobre as informações constantes. Caso isso ocorra, é possível fazer anotações relativas às dúvidas ou críticas, que serão analisadas pela seguradora.

Focos de pragas, doenças e falhas de estande são passíveis de penalização pelas seguradoras, por exemplo.

Como contratar o seguro agrícola no Brasil?

O seguro agrícola no Brasil é contratado diretamente junto a uma das 16 seguradoras credenciadas para este fim no Mapa (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento). 

Ao manter contato, você deve conferir quais são as coberturas e valores da apólice. Em seguida, você escolhe a que mais se adequa para o seu objetivo com o seguro soja.

Em média, o custo do seguro soja por estado está em média de 6,28% do custo de produção. Essa porcentagem pode variar conforme a área de produção e a cobertura. Por isso, é sempre bom se informar bem antes de contratar.

Planilha de custos dos insumos da lavoura

Conclusão

Com os efeitos das mudanças climáticas atingindo cada vez mais a produção agrícola em todo o mundo, fazer o seguro soja é algo que deve estar no planejamento da produção.

Atualmente, o governo federal tem buscado simplificar as regras de contratação para que mais produtores possam adquirir esse importante serviço. Também surgem novas alternativas para a contratação rápida e prática de seguro. Esse é o exemplo da corretora Aegro.

Procure um especialista na área de seguros e veja qual a melhor forma de proteger a sua lavoura de soja. Fazendo isso, você estará garantindo a sua sobrevivência na atividade.

>> Leia mais:

“Estoque sob controle: como sojicultor melhorou seus indicadores”

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Pronaf: como funciona o programa de crédito rural

Pronaf: como funciona, quem se enquadra, quais os valores e limites de crédito, como conseguir o financiamento em 2022 e mais!

Criado inicialmente como uma das linhas de crédito rural, o Pronaf envolve um conjunto de ações voltadas para aumentar a capacidade produtiva de agricultores familiares.

O acesso ao crédito é uma das principais necessidades dos agricultores, em especial dos que fazem parte da agricultura familiar. São cerca de 12 milhões no Brasil.

Para esses agricultores, o financiamento das atividades agropecuárias se dá por meio do Pronaf (Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar).

Saiba neste artigo o que é o programa, quem pode ter acesso ao programa e como fazer o financiamento. Boa leitura!

O que é Pronaf e quais são as linhas de crédito?

O Pronaf é um programa de crédito rural que financia o custeio e investimento das diversas necessidades dos agricultores familiares.

Dentre elas, a implantação, ampliação ou modernização da estrutura de produção, beneficiamento, industrialização e de serviços na propriedade rural.

O objetivo do programa é a geração de renda e a melhoria do uso da mão de obra familiar, principal característica deste segmento de produtor rural. Dentro do Pronaf, existem os subprogramas:

  • Pronaf Custeio: financia itens de custeio relacionados às atividades agropecuárias;
  • Pronaf Agroindústria: voltado para o investimento em beneficiamento, armazenagem, processamento e comercialização agrícola, extrativista, artesanal e de produtos florestais, além do turismo rural;
  • Pronaf Mulher: auxilia a mulher agricultora, independentemente do estado civil;
  • Pronaf ABC+ Agroecologia: visa ao investimento em sistemas de produção agroecológicos ou orgânicos, incluindo-se os custos relativos à implantação e manutenção do empreendimento;
  • Pronaf ABC+ Bioeconomia: financia o investimento na utilização de tecnologias de energia renovável e tecnologias ambientais;
  • Pronaf Mais Alimentos: voltado para investimento em estrutura de produção e serviços, visando ao aumento de produtividade e à elevação da renda da família;
  • Pronaf Jovem: objetiva o investimento nas atividades de produção, desde que beneficiários sejam maiores de 16 anos e menores de 29 anos;
  • Pronaf Microcrédito (Grupo “B”): financiamento a agricultores e produtores rurais familiares, pessoas físicas, que tenham obtido renda bruta familiar de até R$ 23 mil, nos 12 meses de produção normal que antecederam a solicitação da DAP;
  • Pronaf Cotas-Partes: faz a integralização de cotas-partes por beneficiários do Pronaf associados a cooperativas de produção rural e aplicação pela cooperativa em capital de giro, custeio, investimento ou saneamento financeiro.

Veja abaixo como saber se você pode ter acesso ao Pronaf. Acompanhe!

Banner do Guia de Crédito Rural. à esquerda a descrição do ebook e à direita uma foto com moedas e uma planta.

Quem se enquadra no crédito Pronaf?

Podem acessar o crédito os agricultores das unidades familiares de produção rural e suas formas organizativas, mediante apresentação da DAP (Declaração de Aptidão ao Pronaf).

Além da DAP, é possível ser enquadrado como agricultor familiar por meio do CAF-Pronaf (Cadastro Nacional da Agricultura Familiar do Pronaf).

A DAP e o CAF-Pronaf são emitidos por entidades públicas e privadas, associações e sindicatos credenciados pelo Mapa (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento).

Os critérios do enquadramento para obtenção da DAP ou do CAF-Pronaf estão na Lei 11.326/2006, regulamentada pelo Decreto nº 9.064/2017.

São candidatos a obter a DAP ou o CAF-Pronaf pequenos produtores, integrantes de povos e comunidades tradicionais, assentados da reforma agrária, silvicultores, aquicultores, extrativistas e pescadores.  Veja abaixo os principais critérios:

  • explorar parcela de terra na condição de proprietário, posseiro, de arrendamento rural, de comodato rural, parceria rural, concessionário do PNRA (Programa Nacional da Reforma Agrária) ou permissionário de áreas públicas;
  • residir no estabelecimento rural ou em local próximo;
  • deter, a qualquer título, área de até 4 módulos fiscais, contíguos ou não (o módulo fiscal varia de 5 a 110 hectares);
  •  ter ao menos 50% da renda bruta familiar deve ser obrigatoriamente originada de exploração agropecuária e não agropecuária no estabelecimento;
  • utilizar ao menos metade da força de trabalho familiar no processo produtivo e geração de renda;
  • ter o trabalho familiar como predominante na exploração do estabelecimento;
  • obter renda bruta familiar nos últimos doze meses de produção normal que antecedem a solicitação da DAP ou do CAF-Pronaf, de até R$ 500 mil.

Qual é o valor de crédito disponibilizado?

O Pronaf teve disponibilizado, no Plano Safra, R$ 53,61 bilhões para o ano agrícola 2022/2023. Isso significa um aumento de 36% em relação a 2022.

Por conta da alta demanda, houve  a destinação de mais R$ 6,54 bilhões. Isso representa um aumento de 12%, passando de R$ 53,6 bilhões para R$ 60,1 bilhões.

A maior parte dos valores, R$ 4,74 bilhões, é da alocação de mais R$ 126,8 milhões de recursos orçamentários em 2022 para o Plano Safra 2022/23. A outra parte, R$ 1,8 bilhão, é vinda de remanejamentos no âmbito dos bancos públicos federais (Caixa, BNDES e do Banco do Brasil).

Esses recursos foram destinados aos bancos que operam o Pronaf Custeio. Assim, R$ 6,07 bilhões foram para o Banco do Brasil e R$ 474 milhões ao BNDES. 

Lançado em julho, o Plano Safra 2022/2023 obteve o total de R$ 340,9 bilhões para financiar a produção agropecuária nacional até junho de 2023.

Qual o limite de crédito rural Pronaf?

O Pronaf possui limites de crédito conforme o ano agrícola, e são diferentes para financiamentos individuais e coletivos.

Limite individual

São R$ 400 mil para as atividades de suinocultura, avicultura, aquicultura, carcinicultura e fruticultura. São R$ 60 mil para construção, reforma de moradias no imóvel da propriedade rural ou de terceiro cujo CPF conste na DAP.

Ainda, são R$ 200 mil para as demais finalidades.

Limite coletivo

No limite coletivo, o teto é de R$ 20 milhões, exclusivamente para financiamentos de construção, reforma ou ampliação de benfeitorias e instalações permanentes, máquinas e implementos agrícolas, além de estruturas de armazenagem.  

Qual a taxa de juros do Pronaf?

A taxa de juros do Pronaf varia entre 5% e 6% ao ano, tanto para custeio quanto para investimento. A carência é de três anos e o prazo máximo de pagamento é de dez anos

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Como conseguir financiamento rural no Pronaf em 2022?

A obtenção do crédito se dá por meio de agências bancárias físicas e cooperativas credenciadas pelo Banco Central do Brasil.

O acesso aos recursos se dá após a definição de quais são as necessidades para financiar a atividade rural. Os principais bancos que operam o crédito rural são:

  • Banco da Amazônia, com atuação na região Norte e em parte do Mato Grosso e Maranhão;
  • Banco do Brasil, com atuação em todo o território nacional;
  • Banco do Nordeste, com atuação na região Nordeste, no norte de Minas Gerais e no norte do Espírito Santo;
  • Sicredi;
  • Sicoob;
  • Cresol;
  • Banrisul;
  • BRDE;
  • E diversas outras instituições financeiras.

O tempo estimado de espera é de até 1 mês. A documentação em comum para todos os casos é: 

  • DAP ativa ou CAF-Pronaf válido;
  • Outros documentos serão solicitados pelo banco, como documento de identificação, CPF e registro no Cadastro Ambiental Rural.

De posse da DAP ou CAF-Pronaf, você deve procurar um profissional para orientá-lo ou entidade de assistência técnica e extensão rural mais próxima para elaboração de projeto técnico de investimento, e o apresentará ao banco.

Os governos estaduais possuem órgãos de assistência técnica que podem orientar os agricultores na elaboração do projeto técnico.

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Conclusão

A obtenção do crédito é essencial tanto para se manter na atividade quanto para se desenvolver e ampliar a produção agrícola.

Os recursos, no entanto, precisam ser bem aplicados, seguindo o que foi planejado. Assim, haverá o menor risco possível em relação ao pagamento das parcelas.

Para haver mais segurança em suas operações, conte sempre com o auxílio de um especialista para orientar sobre a aplicação dos recursos em sua propriedade rural.  

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Consórcio rural: veja o que é e conheça as vantagens

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Você tem alguma dúvida sobre como conseguir financiamento do Pronaf? Já deu entrada no processo de obtenção? Adoraria ler seu comentário.

Previsão para o preço do feijão: saiba quais são as expectativas para 2024

Previsão para o preço do feijão: entenda o mercado, estimativas de produção, tendências e muito mais!

A produção agrícola sofre impactos de diversos fatores, desde o clima até a economia. Isso não é diferente em relação ao feijão, que tem seus preços afetados pelos mesmos fatores.

A partir do segundo semestre de 2023, o feijão apresentou uma redução nos preços, devido às  colheitas de segunda e terceira safra. 

Veja abaixo como tem se comportado o preço do feijão ao longo dos anos e confira neste artigo a previsão para o preço do feijão para 2023/24. Boa leitura!

Qual a previsão para o preço do feijão?

A queda no preço do feijão na segunda metade de 2023 inibiu os aumentos da área de plantio no verão. O preço do feijão carioca recuou 24,2% em 2023. 

Em Minas Gerais, as negociações atingiram R$ 330,00, enquanto no Paraná, as referência indicam valores entre R$ 320,00 e R$ 325,00 para o feijão carioca.

A  manutenção da área plantada em relação a 2022/23 e o El Niño tem gerado um cenário de incertezas para a plantação e o preço do feijão em 2024.

Esse cenário de incertezas sobre a oferta e os preços do feijão nos primeiros meses do ano, tem indicado uma subida intensa dos preços até março.

É importante estar atento ao movimento ascendente dos preços. O valor de US$ 70,00 por saca de 60 quilos, que atualmente é considerado excelente, só ocorreu em janeiro de 2023, tornando o cenário atual muito favorável.

Preço do feijão carioca de 2014 a janeiro de 2024 no Brasil e em Goiás

(Fonte: Agrolink)

Produção de feijão de 2024

O Brasil possui três épocas distintas de plantio do feijão, favorecendo a oferta constante do produto ao longo do ano.

Tem-se o feijão da primeira safra, semeado entre agosto e dezembro, o de segunda safra, cultivado entre janeiro e abril, e o de terceira safra, semeado de maio a julho.

De acordo com a Conab, a área plantada na safra 2023/24 é semelhante à de 2022/23, mas 19% menor que a de cinco anos atrás.

A cultura se encontra em entressafra, e o país conta apenas com os estoques remanescentes da terceira safra e das lavouras paulista na oferta de feijão novo, pelo menos até meados de janeiro de 2024.

A partir de meados de janeiro, poderá contar com volumes mais robustos do grão produzido no Paraná, Minas Gerais e Goiás.

Além disso, o plantio do feijão tem sofrido com os efeitos do El Niño. Em Minas Gerais e São Paulo, o tempo seco e o calor reduziram a taxa de germinação. No Sul, o problema é o excesso de chuvas.

Por outro lado, a safra da Bahia deve ter um desempenho melhor.

Para 2024, a estimativa era de que a colheita de feijão fosse de aproximadamente 3 milhões de toneladas, mas a safra deve registrar retração de mais ou menos 2,5%. 

De acordo com o Portal do Agronegócio, a colheita da primeira safra de feijão para o período de 2023/24 no Paraná atingiu 40% da área total estimada. Este número representa uma redução de 2% em comparação à plantação da safra anterior.

Produção, área e produtividade de feijão de 2012 até 2023

Comparação entre as safras de feijão entre 2012 e 2022/23 (Fonte: Conab)

Como estará o mercado do feijão em 2024?

No Brasil, a maior parte das ofertas do feijão recém-colhido continua sendo dos estados de Minas Gerais, Paraná, São Paulo e Goiás. 

As projeções para 2024 indicam um cenário inédito, sugerindo que o Brasil pode enfrentar um dos menores volumes de feijão em estoque da história nos primeiros meses do ano.

A escassez de produto armazenado indica dificuldades significativas no abastecimento futuro, principalmente, ao considerar a calamidade pública declarada em municípios do Norte e Nordeste, devido à seca. 

Esperava-se uma maior demanda no início do mês, período típioc de reposição de estoques, porém, o volume de negócios tem sido limitado pela quantidade de feijão ofertado.

As perspectivas de melhoria dos preços dependem do término do período de férias escolares, quando se espera uma eventual recuperação do consumo.

Planilha para controle de estoque da fazenda

Vai faltar feijão em 2024?

O plantio de feijão da safra das águas de 2023/2024 começou em agosto, nos estados de São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

A primeira safra tem sofrido com as adversidades climáticas como, falta/excesso de chuva e baixas temperaturas durante o ciclo da cultura. Esse cenário tem influenciado negativamente a produtividade e, consequentemente, a produção.

O volume a ser colhido não será suficiente para manter o mercado em equilíbrio e impedir, no curto prazo, preços em patamares mais elevados.

A segunda safra está em início de semeadura. A tendência é que a superfície a ser cultivada seja próxima da safra anterior. 

Caso as condições climáticas sejam adequadas, a produção será superior à colheita registrada em 2023, o que manterá elevada a oferta interna do produto.

Conclusão

O preço do feijão carioca para os próximos meses deve se manter nos patamares elevados atuais, com leve queda no final de 2024, quando está prevista expansão da safra.

Para o início de 2024, espera-se que os preços ainda estejam elevados, o que é bom para o produtor.

Fique sempre de olho no mercado e nas variações de preços dessa cultura. Assim, você garante deixar seus preços competitivos, lucrando bem mesmo com as mudanças mais recentes.

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Compensação ambiental: saiba o que é e como funciona

Compensação ambiental: conheça os tipos, os valores, como calcular, como é feita e muito mais!

A compensação ambiental é uma ferramenta que possibilita às empresas suavizar danos ao meio ambiente. Isso tudo é feito conforme previsto nos fundamentos do Princípio do Poluidor-pagador.

Para quem produz, ficar por dentro de como funciona a compensação é essencial. Com ela, é possível eliminar o caráter de ilicitude do dano causado ao meio ambiente, desde que seja paga uma indenização

Neste artigo, veja quais são os tipos de compensação, valores, como calcular e muito mais. Boa leitura!

O que é compensação ambiental?

A compensação ambiental é um instrumento financeiro que contrabalanceia possíveis impactos ambientais ocorridos, ou previstos no processo de licenciamento ou cadastro ambiental. Boa parte desses impactos são causados por atividades que usam recursos ambientais.

A compensação é uma forma de flexibilização da regulação ambiental, e foi regularizada depois da criação do Novo Código Florestal. Depois dela, a compensação da reserva legal passou a ser um processo mais seguro.

Essas atividades podem ser consideradas efetivas ou potencialmente poluidoras. Elas também podem ser capazes, sob qualquer forma, de causar degradação ambiental. Para cada ação de impacto ambiental, é possível uma recompensa em dinheiro.

Objetivos da legislação

O mecanismo financeiro da compensação é amparado pela Lei de Compensação Ambiental 9.9985, de 18 de julho de 2000. Ela institui o Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza e dá outras providências.

Conforme a legislação sobre o tema, a compensação ambiental não tem por objetivo compensar impactos do empreendimento que a originou.

Ela serve para compensar a sociedade e o meio ambiente pelo uso autorizado de recursos naturais. Sobretudo por empreendimentos de significativo impacto ambiental.

A compensação ambiental é a obrigação de apoiar a implantação ou a manutenção de unidades de conservação pelo Grupo de Proteção Integral.

No caso de dano ambiental ou em virtude do interesse público, a compensação ambiental pode ser utilizada também em unidades de conservação do Grupo de Uso Sustentável. Neste último caso, a unidade de conservação beneficiária deve ser de posse ou domínio públicos.

Quais são os tipos de compensação ambiental?

A compensação ambiental pode ser preventiva ou corretiva. A compensação preventiva acontece antes do dano. Ela é verificada durante os procedimentos, com objetivo de obter licenciamento ambiental para o empreendimento.

Por meio desse procedimento, é possível obter o valor que o empreendimento vai pagar, bem como qual unidade de conservação receberá os recursos.

No caso da compensação corretiva, o dano ambiental já ocorreu. Pode ser, por exemplo, o vazamento de substância tóxica no leito de um rio, degradação do solo, rejeitos de minério ou de agrotóxicos.

Na compensação ambiental corretiva, a empresa é responsável por compensar o dano. Isso pode ser feito através do investimento em uma ação que gere impacto positivo no meio ambiente.

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Qual o valor da compensação ambiental?

O valor da compensação corresponde entre 0% e 0,5% do custo total previsto para a implantação do empreendimento. Esses números são conforme o Decreto 6.848, de 14 de maio de 2009.

Assim, ela vai variar conforme o tamanho do empreendimento e o grau de impacto que ele vai causar ao meio ambiente. Os critérios para determinação das unidades elegíveis também influenciam no valor.

Por exemplo, o replantio em áreas degradadas pode custar cerca de R$ 40 mil por hectare. A compensação por servidão ambiental, por sua vez, pode custar cerca de R$ 20 mil reais por 15 anos, quase a metade do replantio.

Conforme a legislação, o ICMBio (Instituto Chico Mendes de Biodiversidade) é responsável por executar os recursos destinados para as unidades de conservação.

Como calcular o valor

A compensação ambiental é calculada em reais (R$) com a fórmula: CA = VR x GI/100.

  • CA é o valor da compensação ambiental (em R$);
  • VR é o custo total da implantação do empreendimento (também em R$);
  • GI é o grau de impacto, adimensional.

O GI corresponde à somatória dos pontos atribuídos aos impactos ambientais que se relacionam com o porte (P), à localização (L) e os fatores ambientais (FA).

Assim, GI = P + L + FA.

Segundo a legislação, os componentes P, L e FA são determinados a partir de tabelas e cálculos adimensionais, sendo: 

Componente Porte (P):

  • Índice relacionado diretamente com as características físicas do empreendimento e com a potencialidade poluidora da atividade a ser desenvolvida.

Componente Localização (L):

  • Este é um critério geográfico, relacionado ao nível de sensibilidade ambiental do local onde será instalado o empreendimento. Ele é acentuado pelo potencial poluidor (PP) da atividade a ser desenvolvida. 
  • Para a análise desse componente, será considerada a área diretamente afetada (ADA) pelo empreendimento.

O valor de L é determinado pela fórmula L= Fl + PP. Considere Fl como fator de localização e PP como potencial poluidor da atividade.

Basicamente, os cálculos do impacto da compensação seguem essas fórmulas.  A inserção de outras variáveis e cálculos relativos à flora, fauna, recursos naturais e fatores atmosféricos e climáticos depende da situação específica.

Como fazer compensação ambiental?

A compensação ambiental é feita por meio do Princípio do Poluidor-pagador. Nesse processo, uma empresa utiliza recursos naturais e retorna recursos para o ambiente, como forma de prevenção ao dano ambiental.

A compensação pode ser feita em áreas preservadas por meio de arrendamento rural, sob regime de servidão ambiental, ou cadastramento de condomínio de outra área.

O mais comum, no entanto, é a compensação das perdas ser feita por meio da destinação de recursos financeiros para manutenção. A criação de Unidades de Conservação também é uma opção.

Assim, o empreendedor é obrigado a viabilizar a existência de uma unidade de conservação de proteção integral. Ele também pode ser obrigado a apoiar a implantação e manutenção de uma unidade de conservação semelhante à área que sofreu o impacto ambiental.

Compensação ambiental e compensação de Reserva Legal

O Novo Código Florestal prevê a utilização de áreas preservadas em processos de licenciamento ambiental para compensação de Reserva Legal, que, conforme o código, é uma área da fazenda onde deve ser mantida a vegetação nativa para preservar o meio ambiente.

A Reserva Legal é obrigatória em todo o Brasil e o seu tamanho varia conforme o tipo de bioma em que está inserida a propriedade rural, independente do tamanho.

Na região da Amazônia Legal, a Reserva Legal corresponde a 80% dos imóveis rurais, e em áreas de Cerrado a 35% da propriedade. Nos demais biomas do país, a porcentagem é de 20%.

Caso essa porcentagem não seja atingida, é possível fazer uma compensação ambiental por meio da compra ou arrendamento de terras, o que resulta na compensação de reserva legal.

Além disso, a Reserva Legal pode ser usada também  para compensação de supressão de vegetação nativa.

Mas a utilização desse procedimento fica a critério dos órgãos ambientais estaduais. Eles podem optar por outras ações, como a compensação por replantio de vegetação, em caso de supressão de áreas com mata nativa.

Geralmente, a compensação por servidão ambiental é mais vantajosa economicamente para o produtor rural, porque as árvores já estão desenvolvidas. O oposto acontece no caso do replantio, quando há o risco de não haver o crescimento das plantas.

Para que esses procedimentos sejam encaminhados, é preciso que seja assinado o Termo de Compromisso de Compensação Ambiental. No termo, são descritas as condicionantes de licença ambiental de instalação ou de funcionamento.

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Conclusão

Os impactos ambientais causados por atividades do agronegócio podem ser compensados de forma satisfatória por meio da compensação.

Quanto menos impacto a atividade causar ao meio ambiente, melhor. Por isso, é necessário que todo empreendimento seja pautado na ideia de sustentabilidade econômica e ambiental.

Assim, será possível conciliar o desenvolvimento que a sociedade necessita para atender às demandas por alimentos ou serviços. Ficar por dentro dessas possibilidades é fundamental para quem produz.

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Você está pensando em utilizar a compensação ambiental? Ainda tem alguma dúvida sobre o assunto? Deixe seu comentário abaixo!

Drones agrícolas: Guia completo de uso

Drones agrícolas: conheça os principais tipos, funções na agricultura, valores médios e como conseguir crédito para financiar um.

Com diversas possibilidades de uso, os drones agrícolas podem trazer mais eficiência na gestão da fazenda.

Eles estão entre as principais ferramentas de agricultura de precisão. Afinal, favorecem o aumento da produtividade, a redução de custos e a sustentabilidade ambiental.

O uso de drones agrícolas na aplicação de agroquímicos, fertilizantes, adjuvantes e afins é regulamentado desde 2021 pela Portaria nº 298.

Mas há ainda diversas outras finalidades de uso dos drones agrícolas. Neste artigo, você conhecerá todas elas, os custos e como conseguir financiar um drone agro. Boa leitura!

Qual a função dos drones na agricultura?

A função do drone na agricultura é tornar a gestão da fazenda mais eficiente. Isso é possível por meio dos seus diversos usos. Um exemplo é a aplicação de insumos em taxa variada, monitoramento do índice de vegetação e mapeamento de áreas de plantio.

Mas esta eficiência vai depender de como você utiliza o drone. Por isso, há diversos modelos de drones agrícolas, com finalidades distintas. Tecnicamente, os drones estão incluídos entre os equipamentos chamados mundialmente de Vants (veículos aéreos não tripulados). 

Eles são definidos pela ABA (Associação Brasileira de Aeromodelismo) como veículos capazes de voar na atmosfera, fora do efeito do solo. Eles são projetados ou até mesmo modificados para não receber piloto humano, já que é operado por controle autônomo ou remoto.

Os Vants incluem uma grande variedade de aeronaves autônomas, semiautônomas ou remotamente operadas. No último grupo, enquadram-se os drones, cujos tipos você confere a seguir.

Tipos de drones agrícolas

Os tipos de drones são classificados conforme sua categoria funcional como alvos, sistemas de reconhecimento ou monitoramento, combate, logística ou pesquisa. Com relação aos alcance, os tipos de drones são os seguintes:

  • De mão: alcança 600 m de altura e possui raio de 2 km;
  • De curto alcance: vai a 1.500 m e tem raio de 10 km;
  • Otan: vai a 3.000 m, com raio de 50 km;
  • Tático: 5.500 m e raio de 160 km;
  • Male: 9.000 m e 200 km de raio;
  • Hale: acima de 9.100 m e alcance de raio indefinido;
  • Hipersônico: 15.200 e raio acima de 200 km;
  • Orbital: opera em baixa órbita;
  • CIS: capaz de fazer o transporte lua-terra.   

Além disso, os drones se diferenciam também pelo modelo da asa. Eles podem ser equipamentos de asa fixa ou rotativa.

1. Drones de asa fixa

Os drones de asa fixa são aqueles que se parecem com avião ou asa delta. Eles possuem motor tipo hélice na parte traseira, que o impulsiona para a frente.

Por isso, realizam voos lineares e por maior período de tempo, já que possui sistema de bateria integrado. Geralmente, eles têm 80 minutos de autonomia de voo.

Drones de asa fixa precisam de maior área para pouso e decolagem. Isso confere também maior chance de redução de impactos em uma queda, já que pode deslizar no solo.

Foto de drone agrícola de duas asas pousado sobre grama
(Fonte: Pocket-lint)

2. Drones de asa rotativa

Os drones de asa rotativa podem ser do tipo helicóptero ou multirotor. Eles possuem tecnologia embarcada com diferentes sistemas de captura de imagem. Esses drones de asa rotativa pode ser do tipo:

  • rotor único;
  • tricóptero;
  • quadcóptero;
  • hexacóptero;
  • e octocóptero;

Como você vê, esses drones de asa rotativa são mais variados. Por isso, preste atenção na descrição a seguir sobre cada um deles. 

Drones agícolas sobrevoando campo, com quatro asas
(Fonte: Sensix)

3. Drones de rotor único

São drones semelhantes aos helicópteros, só que numa versão reduzida e não tripulada.  Eles estão entre os mais populares do mercado, e possuem um rotor no interior e uma hélice para estabilização.

Por terem boa capacidade de carga e longa duração de voo, são muito utilizados para voos pairados

4. Drone tricóptero

Os drones tricóptero dividem-se em três tipos, conforme o motor: há os que possuem três controladores, quatro giroscópios e um suporte de pilotagem.

Nesses drones, os motores ficam nas extremidades dos três braços, sendo que em cada um deles há um sensor de localização integrado.

A tecnologia embarcada nesses drones permite fazer com que ele se mantenha estabilizado durante o trajeto, sem necessidade de correções manuais

5. Drone quadcóptero

Os drones quadricópteros possuem quatro lâminas de rotor. Duas movem-se no sentido horário e as outras no anti-horário.

Essa forma de rotação é o que auxilia o quadcóptero a ter uma aterrissagem mais segura. Por ser de fácil fabricação, esse tipo de drone está entre os mais vendidos no mercado.

Além disso, ele apresenta como vantagem boa velocidade em comparação aos demais. Ele também tem força suficiente para carregar alguns assessórios, sem ajustes adicionais. Outra vantagem é que requer baixa manutenção.

6. Drones hexacóptero

Esses tipos de drone têm seis motores: três trabalham no sentido horário e três no anti-horário. Atinge maior altitude, têm mais potência e maior capacidade de carga.

Também são mais velozes e suportam condições desfavoráveis, como ventanias. Por outro lado, possuem um preço mais elevado e necessitam de manutenção frequente.

7. Drones octocóptero

Os drones octóptero têm oito motores, que transmitem a potência para as oito hélices.

A capacidade de voo desses drones é superior em comparação aos demais, além de serem mais estáveis e possuírem alta performance e estabilidade. Ele também é mais pesado que os anteriores. A autonomia de voo varia com a carga e velocidade.

Os octópteros, geralmente, são os mais utilizados para realização de pulverização agrícola com drone. Isso acontece devido a sua capacidade de suportar peso, afinal, seus reservatórios podem ser de até 20 litros.

Quais são os usos do drone agrícola?

O uso de drones agrícolas tem se expandido cada vez mais nos últimos anos, oferecendo benefícios para a gestão de lavouras e a melhoria da eficiência na agricultura.

Por conta da popularidade, os dispositivos estão mais acessíveis e populares, permitindo a otimização das operações e tomada de melhores decisões. Com isso, os drones podem ser usados para:

  • Monitoramento de culturas;
  • Acompanhamento de culturas em tempo real;
  • Mapeamento de áreas;
  • Análise de saúde das plantas;
  • Aplicação de insumos;
  • Planejamento de irrigação;
  • Avaliação pós-colheita;
  • Criação de mapas de solo e levantamento de dados;
  • Análise de crescimento e desenvolvimento da cultura;
  • Gestão e planejamento da lavoura;
  • Detecção de pragas e doenças.

Essa tecnologia não só contribui para o aumento da produtividade, mas também permite um manejo mais sustentável, com uso mais eficiente de recursos como água e insumos, reduzindo impactos ambientais e melhorando a rentabilidade dos produtores.

Drone agrícola para pulverização: Como funcionam?

Na agricultura de precisão, os drones agrícolas multirotores são chamados também de RPA, sigla em inglês que significa aeronaves remotamente pilotadas.

Esses aparelhos são muito utilizados para aplicação de agrotóxicos, adjuvantes, fertilizantes, inoculantes, corretivos, sementes e introdução de agentes biológicos na lavoura.

Os drones utilizados na pulverização pertencem à classe 2 (peso de decolagem maior que 25 kg e até 150 kg) e à classe 3 (peso de decolagem até 25 kg).

Uma das vantagens dos drones agrícolas multirotores é que as aplicações deles podem ser feitas em taxas variadas. Isso pode ser feito conforme a necessidade de cada parte da lavoura.

A pulverização com drone agro possui as seguintes vantagens:

  • Vôo entre 3 e 5 metros de altura;
  • Economia de água e produtos químicos;
  • Aplicação mais eficiente, com bicos abaixo das hélices;
  • Redução da deriva de defensivos, com possibilidade de aplicação com ventos de até 30 km/h;
  • Baixo custo (R$ 40 a R$ 150/ha) e eficiência operacional;
  • De 20 até 100 vezes mais rápido que o trabalho manual;
  • Opera em áreas de difícil acesso.

Essas operações favorecem a eficiência na gestão da fazenda com a economia de custos.

A pulverização com drone custa, em algumas regiões do Brasil, entre R$ 40 e R$ 150 por hectare, a depender do que for feito.  O custo pode incluir ainda deslocamento dos profissionais que farão o serviço.  

Banner de chamada para o download da planilha de cálculos de insumos

Drones de pulverização: segurança nas operações

Os drones ou ARP (aeronaves remotamente pilotadas) dão mais eficiência aos trabalhos no campo, gerando mais economia de tempo e custos, além de menor impacto ambiental.

A operacionalização, independente do modelo ou finalidade do uso, requer cuidados especiais. Esses cuidados vão desde cursos específicos às autorizações oficiais.

A aplicação de insumos com drones deve ser feita por pessoa treinada. Além disso, a aplicação deve ser baseada em procedimentos específicos para garantir a segurança operacional.

Por isso, a Portaria n.º 298 estabelece o que precisa ser feito para operar drones de pulverização. Ela também dá a nomenclatura de cada profissional envolvido na atividade.

  • Caar é um curso do Mapa. É oferecido por entidade de ensino registrada no Mapa para formação de aplicadores aeroagrícolas remotos;
  • Os aplicadores aeroagrícolas remotos são profissionais maiores de 18 anos, aprovados em Caar. Eles acompanham e auxiliam o piloto nas operações aeroagrícolas;
  • Operador de ARP (ou de drone) pode ser pessoa física ou jurídica, agricultor ou empresa rural, cooperativa, consórcio de produtores rurais, prestadores de serviço e órgão governamental, proprietário ou arrendatário de ARP. É quem realiza as operações aeroagrícolas;
  • O piloto remoto é a pessoa que manipula os controles de voo da ARP.

Regras para operadores de drones na agricultura

Segundo a Portaria nº 298, é obrigatório aos operadores de drones possuírem registro junto ao Mapa.

O registro deve ser feito por requerimento ao Sipeagro (Sistema Integrado de Produtos e Estabelecimentos Agropecuários). Os requerimentos deverão ser instruídos com:

  1. Contrato social ou documento de comprovação de posse da área rural, no caso de agricultores e empresas rurais operadores de ARP;
  2. Certificado de conclusão do Caar de cada aplicador aeroagrícola remoto;
  3. comprovante de registro do responsável técnico no Conselho Profissional, nos casos de pessoas jurídicas operadoras de ARP; e
  4. Documento comprobatório da situação regular da aeronave da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil).

A exigência para ter responsável técnico com registro profissional que coordenará as atividades é apenas para as pessoas jurídicas operadoras de ARP.

Conforme a Portaria nº 298, coordenadores ou técnicos executores em aviação agrícola não precisam apresentar certificado de conclusão do Caar de cada aplicador.

Regras para aplicações de agrotóxicos com drones

A Portaria nº 298 proíbe que agrotóxicos, adjuvantes, fertilizantes, inoculantes, corretivos e sementes sejam a aplicados com drones, em áreas a menos de 20 metros de:

  • Povoações;
  • Cidades;
  • Vilas;
  • Bairros;
  • Moradias isoladas;
  • Agrupamentos de animais;
  • Mananciais de captação de água para abastecimento de população, inclusive reservas legais e áreas de preservação permanente, além de outras áreas ambientais.

Além disso, o local da aplicação precisa ter avisos sobre a atividade, locais de primeiros socorros, números de telefones de emergência e uso obrigatório o uso de EPI (Equipamento de Proteção Individual).

A aplicação de produtos registrados para a agricultura orgânica ou agentes biológicos não precisa seguir as regras acima. Todos os detalhes sobre o voo com a ARP devem ser informados:

  • Local;
  • Horários (início e término do trabalho);
  • Produto utilizado;
  • Dose aplicada;
  • Altura do voo;
  • Tamanho da área;
  • Receituário agronômico;
  • Mapa do local.

Quanto custa um drone agrícola?

Há modelos de drones que custam entre R$ 3 mil a R$ 60 mil, equipados com câmeras RBG ou bandas especiais multiespectrais.

Os drones com sensores hiperespectrais e sistema RTK de georreferenciamento podem variar entre R$ 150 mil e R$ 400 mil.

Geralmente, os modelos de asa fixa possuem preços mais elevados. Porém, o que vai influenciar mesmo no preço dos drones é o seu tamanho e, sobretudo, a tecnologia embarcada. Confira:

ModeloPreço MédioIndicação de Uso
DJI Agras T10R$ 8.000Pulverização de pequenas áreas, ideal para propriedades de pequeno porte.
DJI Agras T30R$ 90.000Pulverização de grandes áreas, com capacidade de carga e autonomia superiores.
F809R$ 10.000 a R$ 15.000Modelos básicos para mapeamento e monitoramento, adequado para iniciantes.
DJI Agras T40R$ 60.000 a R$ 80.000Pulverização de médio a grande porte, com tecnologia avançada e alta capacidade de carga.

IMPORTANTE: A compra de um drone agro pode ser feita com o uso de recursos do Plano Safra, por meio do crédito rural oferecido pelo Inovagro (Programa de Incentivo à Inovação Tecnológica na Produção Agropecuária)

Saiba como obter capital de giro rural para sua fazenda

Capital de giro rural: como é calculado, quais são os tipos, elementos que o compõem, como fazer financiamento rural e mais!

O capital de giro rural é necessário para custear as diversas atividades da fazenda. Isso vale para desde as mais simples às mais complexas, para as quais nem sempre há dinheiro.

Diversos bancos oferecem capital de giro rural, que pode ser investido em implantação e ampliação da produção, beneficiamento, industrialização e serviços rurais, etc. Por isso, ele é de grande relevância para a gestão da sua empresa rural.

Saiba neste artigo como obter recursos para o capital de giro, quais são os tipos e onde usar esse dinheiro. Boa leitura!

O que é capital de giro?

O capital de giro de uma empresa rural é um recurso financeiro que custeia atividades agrícolas. Ele é o dinheiro necessário para custear atividades relacionadas a insumos, salários e manutenções de máquinas, implementos, além da manutenção e investimentos na atividade rural.

Ele pode ser aplicado de várias formas em sua fazenda, sobretudo em despesas de curto prazo. Além disso, o capital de giro também funciona como uma reserva de dinheiro que será utilizada para suprir necessidades financeiras que aparecem ao longo da atividade agrícola.

O capital de giro é calculado da seguinte maneira: a soma das contas a receber, menos as contas a pagar.

  • Capital de giro = (contas a receber + estoque disponível na propriedade) – (soma das contas a pagar + impostos e despesas de um período ou safra).

Por meio dessa conta simples, você consegue saber se sua empresa rural está com a situação financeira confortável. Quanto maior for o resultado positivo da conta acima, melhor.

Onde usar o capital de giro

O dinheiro do capital de giro pode ser aplicado em:

  • despesas de rotina: peças ou consertos de equipamentos, compra de ferramentas, maquinários de pequeno e grande porte, contas de energia;
  • manutenção de atividades realizadas em campo, no escritório ou na sede da fazenda ou agroindústria;
  • geração de fluxo de caixa e balanceamento do ativo e do passivo financeiro;
  • compra de insumos (corretivos de solo, adubos, fertilizantes, agrotóxicos);
  • pagamento de fornecedores, impostos, salários de colaboradores e outras despesas.

Muitas dessas despesas podem ser custeadas por meio do dinheiro do crédito rural. Esse é o exemplo do crédito de custeio, que pode ser utilizado na agricultura e na pecuária.

O capital de giro rural serve também como complemento de recursos para ser utilizado nas despesas da fazenda com certa limitação de uso por conta das regras do MCR (Manual de Crédito Rural).

Como gerir o capital de giro

Obter o capital de giro rural é essencial para a sua fazenda, mas ele também precisa ser bem gerido para que o gasto não saia do controle.

Veja abaixo algumas dicas de gestão eficiente do capital de giro:

  • Já que você está com o dinheiro, o ideal é fazer compras à vista, que geralmente saem mais em conta que a prazo. Lembre-se de pegar a nota fiscal ou recibo da compra;
  • No acompanhamento do fluxo de caixa, é essencial também que você verifique o aumento do preço dos produtos ou serviços, de modo que estabeleça, com base nisso, uma maior margem de lucro na venda da sua produção;
  • Tenha cuidado também com o excesso de empréstimos e financiamentos. Além de ter mais trabalho para gerir todos eles, você precisa honrar cada um e se atrasar as parcelas ainda paga com juros maiores se fosse pago em dia;
  • Evite gastos excessivos e reduza seu custo de produção: você não vai deixar de investir onde precisa, mas sim no que realmente é necessário.

Como se planejar para manter o capital de giro

O planejamento de como será investido o seu capital de giro deve seguir como é feito com o crédito rural. Nele, o projeto precisa ser seguido conforme foi apresentado ao banco.

No capital de giro, esse planejamento exige mais disciplina da sua parte porque o único fiscal que averigua se o dinheiro está sendo aplicado conforme o programado é você.

No planejamento, devem constar ampliação do capital de giro por meio da margem de lucro e o que pode ser feito por meio do aumento da produtividade. Essa ampliação também pode acontecer através da melhoria na qualidade do seu produto e da busca por novos mercados.

Com isso, você tem muito mais possibilidade de criar até o seu próprio capital de giro para a próxima safra, sem precisar depender de financiamentos para isso.

Quais são os tipos de capital de giro na agricultura?

Existem quatro categorias de capital de giro: 

  • capital de giro líquido;
  • capital de giro negativo;
  • capital de giro próprio;
  • e capital de giro associado a investimentos.

Veja abaixo mais detalhes sobre cada um deles.

Capital de giro líquido

O capital de giro líquido é a quantia que sobra após subtrair o passivo circulante (obrigações a serem pagas no período de um ano) do ativo circulante (bem ou direito que pode ser convertido em dinheiro em curto prazo).

Capital de giro negativo

O capital de giro negativo ocorre quando o valor das dívidas em determinado período é maior do que os valores disponíveis em caixa e os bens de capital.

O capital de giro negativo deve ser temporário e de curto prazo. Caso contrário, resulta em desorganização do andamento das atividades, impossibilitando a realização das mesmas.

Para ele ser saneado logo, é preciso ter uma arrecadação futura de curto prazo.    

Capital de giro próprio

O capital de giro próprio é o mais apropriado para se ter. Uma empresa rural com capital de giro próprio é aquela que segue um nível de excelência em gestão.

Com isso, a empresa rural não necessita pegar dinheiro emprestado para ter capital de giro: a cada safra, ela já separa um valor determinado para isso, conforme o planejamento.

Capital de giro associado a investimentos 

O capital de giro associado a investimentos é aquele utilizado na cobertura de despesas com os variados investimentos necessários para a fazenda. Um exemplo é a compra de maquinários, ampliação de galpões ou da estrutura de beneficiamento da agroindústria.

planilha de fluxo de caixa

Quais elementos compõem o capital de giro?

Diversos elementos compõem o capital de giro rural. A finalidade desses elementos é possibilitar que sua fazenda continue realizando as atividades normalmente.

Assim, podemos citar como elementos do capital de giro rural:

  • valores de dinheiro em caixa;
  • valores a receber de contratos;
  • bens de capital (móveis e imóveis);

Geralmente, o capital de giro rural é composto por 50% dos ativos da empresa agrícola. 

Como financiar capital de giro para produtor rural

O financiamento rural de capital de giro  pode ser feito por meio de instituições financeiras, como bancos oficiais, a exemplo do Banco do Brasil, BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) e Banco da Amazônia.

Veja detalhes de cada uma dessas instituições a seguir: 

BB Agro

No Banco do Brasil, o capital de giro rural funciona por meio do BB Giro Agro, crédito rotativo de capital de giro para a atividade agropecuária.

Com o BB Giro Agro, é possível adquirir bens ou insumos utilizados na atividade rural. Isso tanto na fase de produção, comercialização, beneficiamento ou industrialização.

Podem ter acesso ao BB Giro Agro produtores rurais pessoa física, exceto inscritos no Pronaf (Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar).

As taxas de juros aplicadas são as do mercado, com prazo de pagamento para 360 dias e possibilidade de renovação automática do crédito.

Capital de giro rural no BNDES

No BNDES, o capital de giro rural está disponível por meio do Pronaf Cotas-Partes.

Esse tipo de financiamento rural destina-se à integralização de cotas-partes por beneficiários do Pronaf associados a cooperativas de produção rural. Também é destinado à ampliação pela cooperativa em capital de giro, custeio, investimento ou saneamento financeiro.

Para solicitar, é preciso ter a Declaração de Aptidão ao Pronaf ativa e ser associado a cooperativas de produção agropecuária com no mínimo 60% dos sócios beneficiários do Pronaf. Também é preciso ter patrimônio líquido mínimo de R$ 25 mil e mínimo de 1 ano de funcionamento.

O interessado deve procurar uma instituição financeira credenciada pelo Banco Central do Brasil para emitir esse tipo de empréstimo. A taxa de juros é de 4,5% ao ano, com prazo de até 6 anos.

Giro Produtor Rural no Banco da Amazônia

O Giro Produto Rural no Banco da Amazônia é para aquisição de bens, matérias-primas, insumos e produtos, com prazo de pagamento em até 2 anos.

O bando dispensa garantias nas operações de até R$ 100 mil, com “taxas de juros atrativas”. Pessoas físicas e jurídicas correntistas do banco podem ter acesso ao Giro Produtor Rural.

Conclusão

Ter um capital de giro rural é essencial para manter a regularidade das atividades da sua empresa agrícola e possibilitar uma gestão correta da propriedade rural.

Há vários meios de obter o capital de giro rural, conforme mostramos acima. Empresas particulares, como as agfintechs (startups do agronegócio que atuam com crédito rural) também são uma boa opção para obter os recursos.

Procure se informar o máximo possível sobre o capital de giro rural, e assim fazer negócios seguros. Assim você terá o seu próprio capital de giro, fruto dos lucros com a sua atividade.  

Como você controla o capital de giro rural da sua empresa? Você conta com ajuda de contadores ou faz esse controle por conta própria? Deixe seu comentário!

Custeio agrícola: saiba o que é e como conseguir financiamento

Custeio agrícola: veja como funciona, quais são as taxas de juros, limites de financiamentos, quem pode fazer e muito mais!

O custeio agrícola é uma das principais modalidades de Crédito Rural. Ele possibilita financiar cada fase do ciclo de produção, seja na agricultura ou pecuária.

O financiamento da produção agrícola está entre os principais desafios da maior parte dos produtores rurais do Brasil. Afinal, nem sempre há dinheiro para cobrir as despesas.

Devido a essa dificuldade, o Governo Federal criou o custeio agrícola, que pode financiar até 100% dos custos de produção agrícola.

Saiba neste artigo como funciona o custeio agrícola, quais são as linhas de crédito e como obter financiamento. Boa leitura!

O que é o custeio agrícola?

O custeio agrícola (ou custeio rural) é uma modalidade de Crédito Rural voltada para custear as despesas normais da produção da agricultura e da pecuária. Ele é oferecido por bancos e instituições financeiras, e possui diversas linhas de crédito.

Ele faz parte das modalidades de crédito rural. Portanto, suas regras estão no MCR (Manual do Crédito Rural), do BCB (Banco Central do Brasil). O MCR entende como despesas normais as:

  • despesas do ciclo produtivo de lavouras periódicas, da entressafra de lavouras permanentes ou da extração de produtos vegetais espontâneos ou cultivados;
  • despesas de exploração pecuária.

Pessoas físicas, jurídicas ou cooperativas agrícolas podem ter acesso ao custeio rural junto a instituições financeiras autorizadas pelo BCB a conceder crédito rural.

A apicultura, a avicultura, a piscicultura, a sericicultura, a aquicultura e a pesca comercial são consideradas exploração pecuária, conforme o MCR.  Nesse sentido, produtores rurais que atuam nessas áreas podem ter acesso ao custeio.

Como funciona o custeio agrícola?

O financiamento de custeio agrícola pode ser solicitado quando você precisa de crédito de produção. Você precisa buscar uma instituição financeira autorizada pelo BCB a conceder crédito rural, além de verificar as condições de financiamento e documentos necessários.

Na agricultura, o custeio agrícola pode ser usado para:

  • a compra antecipada de insumos, como corretivos de solo, fertilizantes, adubos, sementes e agrotóxicos;
  • despesas de soca e ressoca de cana-de-açúcar, abrangendo os tratos culturais, a colheita e os replantios parciais;
  • e a aquisição de silos (bags), limitada a 5% do valor do custeio.

Na pecuária, o custeio rural cobre as despesas com a compra de vacinas para animais, medicamentos, rações e animais para recria e engorda (produtores rurais independentes). Além disso, pode ser usado para comprar insumos em qualquer época do ano. 

Ainda de acordo com o MCR, existem as despesas consideradas como das duas atividades, agrícola e pecuária. São elas:

  • despesas de aquisição de insumos para a restauração e recuperação das áreas de reserva legal e das áreas de preservação permanente. Controle de pragas e espécies invasoras, manutenção e condução de regeneração natural de espécies nativas e prevenção de incêndios;
  • aquisição de bioinsumos definidos no âmbito do Programa Nacional de Bioinsumos, inclusive de inoculantes para a fixação biológica de nitrogênio.

Também está incluso nas despesas com custeio agrícola a assistência técnica em operações vinculadas ao Pronamp (Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor).

Banner do Guia de Crédito Rural. à esquerda a descrição do ebook e à direita uma foto com moedas e uma planta.

Limite de financiamento, juros e taxas do custeio agrícola

Seguindo o MCR, o custeio agrícola financia até 100% das despesas do custo de produção. Ele limita a 70% da receita bruta prevista para o empreendimento a ser financiado. Porém, há um teto de financiamento:

  • R$ 4 milhões por ano agrícola: crédito destinado à produção de milho e sorgo, além de suinocultura, avicultura, piscicultura, pecuária leiteira e de corte em confinamento;
  • R$ 3 milhões por ano agrícola: destinado às demais lavouras e atividades.

O valor do crédito de custeio agrícola poderá ser ampliado em até 10%, desde que:

  • o valor adicional seja utilizado no financiamento das despesas de custeio agrícola e pecuário;
  • o plano ou projeto do financiamento do custeio agrícola seja apresentado de forma separada do custeio para a atividade produtiva;
  • o beneficiário apresente o CAR (Cadastro Ambiental Rural)

Você pode, ainda, obter financiamentos para custeio agrícola de mais de um produto e para custeio pecuário. Entretanto, desde que o valor não ultrapasse o limite por produtor.

Até 15% do valor total do orçamento, quando destinado a pequenos e médios produtores, pode incluir verbas para atendimento de pequenas despesas, tais como:

  • reparos ou reformas de bens de produção e de instalações;
  • aquisição de animais de serviço;
  • desmatamento;
  • destoca e similares, inclusive aquisição;
  • transporte;
  • aplicação;
  • e incorporação de calcário agrícola.

As taxas de juros e prazo para o custeio agrícola variam de acordo com os bancos que oferecem esse tipo de crédito rural. Veja algumas das principais linhas de custeio agrícola!

Custeio agropecuário Banco do Brasil

No Banco do Brasil, para recursos controlados, os juros são de 7,5% ao ano. Nos recursos controlados, são aplicadas taxas de mercado.

O prazo para pagamento é de 2 anos, de acordo com a cultura ou atividade explorada. Para estudos de operações rurais, as tarifas são de 0,5% sobre o valor financiado.

O Banco do Brasil também oferece diversos produtos para o crédito de custeio:

  • Custeio Agropecuário: cobre despesas agrícolas e pecuárias;
  • Funcafé Custeio: para a produção de café;
  • Pronaf Agroindústria: promove o beneficiamento e a industrialização da produção;
  • Crédito Rural Pronaf Custeio: cobre custos agrícolas e pecuários;
  • BB CPR: com a cédula de produtor rural, é possível financiar a produção com a antecipação de crédito;
  • Pronamp Custeio: para custear as despesas do médio produtor.

Custeio Antecipado safra verão 2022/2023 Caixa Econômica Federal 

Na Caixa Econômica, os juros e prazo de pagamento variam de acordo com as linhas de crédito para custeio rural. Ela permite que o agricultor faça aquisições para o próximo ciclo produtivo.

As taxas de juros variam conforme o público alvo:

  • Pronaf (Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar), de 3% a 4,5%;
  • Pronamp: a partir de 4,5%;
  • Demais produtores: a partir de 6,5%. 

Os prazos para pagamento são de 12 a 18 meses, com vencimento até 60 dias após o término da colheita, já incluídos nos respectivos prazos máximos.

Custeio de Integração – Agroindústria

O custeio de Integração é voltado para cobrir despesas com insumos e serviços das atividades exploradas sob regime de parceria entre produtores e agroindústrias.

Ele atende ao custeio pecuário: piscicultura, suinocultura e avicultura de corte.

Possui limite de até R$ 200 mil por produtor integrado, com prazo de até 1 ano para pagamento. As taxas de juros são de 8% ao ano.

Custeio Geral

Pode ser usado na agricultura e pecuária para cobrir despesas gerais, com limite de crédito de R$ 3 milhões. As taxas são prefixadas ou pós-fixadas por livre acordo entre a Caixa Econômica e o proponente nas operações com recursos livres.

Para o custeio agrícola, o prazo varia de 14 a 24 meses, e para o custeio pecuário, de 12 a 24 meses.

Fornecimento a cooperados

Esse crédito de custeio serve para cooperativas que adquirem insumos em grande escala, tanto para a atividade agrícola quanto para a pecuária.

Limita-se a R$ 800 milhões por cooperativa e a R$ 1 milhão por cooperado, sendo R$ 500 mil por cooperado se:

  • o financiamento for voltado para a avicultura, suinocultura e piscicultura em regime de integração;
  • tratar de financiamento para as demais atividades.

O prazo para o custeio agrícola e pecuário é de até 1 ano, com taxa de juros de 6% ao ano.

Pronaf Custeio

Destinado a beneficiários do Pronaf, tem limite de crédito de R$ 250 mil por beneficiário/ano agrícola, com taxas de juros de 4,5% ao ano.

Os prazos para custeio agrícola são de 14 meses para culturas permanentes (café, cana-de-açúcar, laranja, maçã e uva) e de 1 ano para as demais culturas. Para o custeio da pecuária, o prazo para pagamento é de 1 ano.

Pronamp Custeio

Essa linha de crédito de custeio é voltada para custear despesas da produção dos médios produtores rurais, com renda bruta anual de até R$ 2,4 milhões. É considerado neste limite a soma de:

  • 100% do valor bruto da produção;
  • 100% do valor da receita recebida de entidade integradora e demais rendas;
  • e 100% das demais rendas não agropecuárias. 

O limite de crédito é de R$ 1,5 milhão, com taxa de juros de até 5,5%. Os prazos variam de acordo com a atividade.

  • Custeio agrícola: para recursos controlados, 12 meses até 24 meses; e excepcionalmente para as culturas de café, laranja, cana-de-açúcar, maçã e uva o prazo é de 14 meses;
  • Custeio pecuário: para aquisição de bovinos para engorda em regime de confinamento, o prazo varia de 6 meses (bovinos em confinamento) a 2 anos (recria e engorda).

Custeio agrícola Santander

No Banco Santander, você paga o empréstimo 60 dias após a colheita. Os prazos são definidos em função do ciclo produtivo da sua atividade agrícola e capacidade de pagamento. Ele financia até 100% do orçamento.

O seguro é obrigatório para operações até R$ 300 mil para cada empreendimento.

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Conclusão

Financiar a produção agrícola tem sido um dos principais desafios dos produtores rurais nos últimos dois anos. Isso acontece por causa da alta dos insumos, que subiram quase 300%.

Por isso, buscar o financiamento para produtor rural é algo cada vez mais recorrente. Porém, é preciso também saber que o dinheiro deve ser bem empregado para que possa ser devolvido depois ao banco no prazo correto.

Com o financiamento do custeio agrícola, você pode conseguir obter boa produtividade na lavoura e se desenvolver mais em sua atividade agrícola

Gestão rural e crédito sem burocracia para alavancar seu negócio rural é com Aegro

Está pensando em solicitar custeio agrícola? Ficou com alguma dúvida sobre esse tipo de investimento rural? Adoraria ler seu comentário!

Saiba a previsão do preço do café para 2023

Previsão do preço do café para 2023: veja como está o mercado de café neste momento, confira os preços da saca, tendências, valores e mais!

A previsão do preço do café para 2023 será influenciada pelo excedente de estoques, estimado em 7,9 milhões de sacas. Segundo especialistas, variações do clima, como La Niña e o El Niño, também podem interferir.

O mercado do café, nos últimos anos, tem passado por diversas oscilações. Tudo isso é efeito do clima, mudança nos hábitos de consumo, pandemia de Covid19 e guerra na Ucrânia. Mas o principal fator que você deve estar atento para saber como vai ficar o preço do café é o excedente de estoque.

Neste artigo, confira detalhes sobre a previsão do preço do café para 2023 neste artigo. Boa leitura!  

Previsão do preço do café para 2022

O preço da saca de café (60 kg) em 2022 deve variar entre R$ 1.250 e R$ 1.300 nos próximos meses. Isso pode depender da região de produção, segundo analistas do setor.

Esses são os preços da saca atualmente. Portanto, os próximos meses devem ser de estabilidade nos valores pagos ao produtor, pelo menos até o último trimestre do ano. 

O cenário apontado é dentro de contexto de normalidade da produção, com o aumento natural da oferta. Afinal, a fase atual é de colheita de café nas regiões produtoras.

Também dentro de um cenário normal, espera-se que as condições climáticas sejam favoráveis ao término da colheita. A principal preocupação é o La Niña.

Os meteorologistas do Noaa (agência de clima e meteorologia dos Estados Unidos) preveem 52% de chances de La Ninã e 46% de Enso neutro (El Niño-Oscilação do Sul) de julho a setembro de 2022.

A avaliação é de que, se o La Niña surgir durante o período de colheita no Brasil, ele não afeta a quantidade da safra 2022/2023. Porém, atrasa a disponibilidade do café ao mercado.

Gráfico que demonstra previsões de eventos climáticos
Previsões do Noaa para os fenômenos climáticos La Niña, Enso e El Niño
(Fonte: Stonex)

De acordo com o Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), muitos produtores estão preocupados com a colheita por conta do clima e da falta de mão de obra. Em locais onde a colheita é feita de forma manual, os grãos estão secando nos pés. 

O que explica a alta do café?

Em 2021, o preço da saca de 60 kg de café começou em R$ 640 e fechou em R$ 1.446. Isso significa alta de 126,31%, segundo a Cooxupé (Cooperativa Regional de Cafeicultores em Guaxupé). 

Em 2022, o preço da saca de café chegou a ser negociada por R$ 1.550 pela Coopama (Cooperativa Agrária de Machado). Esse foi um valor recorde para o arábica.

De acordo com especialistas das cooperativas, a alta dos preços é explicada pelo aumento dos custos de produção com insumos, sobretudo os fertilizantes e combustível. No geral, o aumento dos custos para os produtores no Brasil é estimado entre 50% e 60%.

A inflação também é outro fator de grande importância para a previsão do preço do café para 2023. No Brasil, a inflação do café aumentou impressionantes 67% no ano passado.

Previsão do preço do café para 2023: estimativa de inflação no Brasil, EUA e Europa.
Evolução da inflação do café torrado e moído no Brasil, EUA e Europa
(Fonte: StoneX)

Os preços do café e a inflação na Europa não aumentaram tanto quanto nos EUA e no Brasil. Para analistas da StoneX, “isso é uma indicação da recuperação mais lenta da demanda e do mercado competitivo, permitindo que os varejistas mantenham os preços mais baixos”.

Qual a safra do café em 2022?

De acordo com a Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), a safra de 2022 de café deve ter produção total de 53,43 milhões de sacas.

Essa quantia representa queda de 15,3%, frente às 63,08 milhões de sacas de 2020, último ano de bienalidade positiva do café arábica. O arábica é a principal variedade produzida no país, ficando na frente do conilon.

Em comparação a 2021 (bienalidade negativa), o resultado é 12% superior.

A Sincal (Associação Nacional dos Cafeicultores do Brasil), no entanto, prevê 40 milhões de sacas para a safra de 2022.

A principal razão para a queda da safra de 2022 (em relação a 2020) são a estiagem e a geada. Eles antecederam a florada do café de 2021, conforme analistas da Conab.

Somente a geada afetou mais de 200 mil hectares de cafezais em Minas Gerais em 2021.

A produção mundial de café para a temporada 2022/2023 está estimada entre 175 milhões de sacas, de acordo com o Usda (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos). Segundo o departamento, os estoques mundiais estão em 32,7 milhões de sacas.

Qual a demanda do café para 2022?

A previsão do preço da saca de café para 2022, com impactos em 2023, pode ser influenciada pela demanda. Nos Estados Unidos, maior consumidor mundial, teve queda de 3,6% em 2020 e de 1,3% em 2021, por conta da pandemia de coronavírus.

O esperado para 2022 é que a demanda americana de café se recupere. É esperado um aumento de 6,9% e estabilização em 2023.

A StoneX prevê demanda global de 24,5 milhões de sacas em 2022 e aumento de 4,1% no consumo em 2023. Também é previsto 1 milhão de sacas a mais.

Já o Usda estima que a demanda mundial crescerá 1,8 milhão de sacas em 2022. 

Houve um agravamento da guerra na Ucrânia, com a entrada da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) nos combates contra a Rússia, apoiada pela China. Isso causaria outro impacto ainda mais grave no consumo.

A Ucrânia consumiu 1,235 milhão de sacas em 2021 e não deve comprar um grão do café brasileiro em 2022, segundo especialistas do CoffeeNetwork.

A Rússia, e ainda num cenário sem a entrada da Otan na guerra, deve ter 50% de queda no consumo este ano. Em 2021, os russos compraram quase 4 milhões de sacas. 

O agravamento da guerra na Ucrânia representa uma preocupação em relação ao consumo de café, na análise de especialistas da Conab. Tudo isso explica o por que o preço do café subiu em 2022.

“O conflito bélico no leste europeu intensificou a inflação global, ameaçando a demanda do café e favorecendo a migração de investidores para outras commodities com maior perspectiva de valorização”, avaliam especialistas do CoffeeNetwork.

A demanda prevista para o Brasil em 2022/2023 é de 19 milhões de sacas, o mesmo da atual temporada.

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Qual a previsão do preço do café para 2023?

A previsão do preço do café para 2023 é que ele deve se manter nos mesmos patamares de 2022. Isso, é claro, caso não ocorram eventos extremos na economia global, relacionados ao consumo ou à oferta.

Problemas com o La Niña no Brasil e o atraso das chuvas de final de ano pode ter problemas para o desenvolvimento da florada. Isso pode impactar negativamente a oferta em ano de bienalidade negativa do arábica.

Outro fator importante para a previsão do preço do café para 2023 é a oscilação do valor do dólar em relação ao real.

Em 2022, o dólar chegou a ultrapassar R$ 5, o que é muito positivo para quem exporta café. Porém, a tendência do café para 2023, apontada por especialistas, é a de que o real se valorize frente ao dólar, como vem ocorrendo nos primeiros quatro meses do ano.

Na demanda, o superávit de 7,9 milhões apontado pelo Usda pode também reduzir os preços da saca do café, para o ano cafeeiro 2022/2023. Confira abaixo a evolução dos preços do café nos últimos anos:

Previsão do preço de café para 2023: preços do arábica e do conilon
Preços de café nas bolas de Nova Iorque (arábica) e Londres (conilon)
(Fonte: Conab)

Conclusão

As previsões do preço do café para a temporada 2022/2023 apontam para uma estabilidade dos preços. Porém, há uma preocupação geral com a queda no consumo, em decorrência do agravamento da guerra na Ucrânia.

Nesse sentido, a geopolítica deverá ditar nos próximos meses as tendências para os preços do café, com interferência em toda a economia global.

A previsão do preço do café para 2023 é a de que fique entre R$ 1.250 e R$ 1.300 a saca de 60 kg. Fique sempre de olho no mercado do café e nas mudanças para garantir acertar no preço das suas sacas.

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