About Tatiza Barcellos

Sou engenheira-agrônoma e mestra em agronomia, com ênfase em produção vegetal, pela Universidade Federal de Goiás.

Glifosato: tudo o que você precisa saber do herbicida mais utilizado no mundo

Os herbicidas à base de glifosato têm importante papel na agricultura. Não é à toa que eles são os mais utilizados no Brasil e no mundo no manejo das plantas daninhas

Isso se deu principalmente após o desenvolvimento de culturas resistentes aos herbicidas. Além disso, o glifosato viabilizou o crescimento das áreas com sistema de plantio direto.

Confira no texto a seguir um pouco mais sobre o herbicida mais utilizado no controle de espécies invasoras. Boa leitura!

O que é glifosato?

O glifosato é uma substância química que é ingrediente ativo de vários herbicidas e defensivos agrícolas utilizados no controle de plantas daninhas. Composto por organofosforado, existem mais de 750 agroquímicos que a utilizam. 

A substância não afeta sementes no solo e é muito usada na agricultura para controlar plantas daninhas anuais, perenes e aquáticas

Aplicado em pós-emergência, é um herbicida sistêmico, não seletivo e com alta translocação, atingindo diferentes estágios das espécies-alvo.

Sua ação ocorre via pulverização, sendo absorvido pelas folhas e distribuído por toda a planta, onde interfere em sistemas enzimáticos. Após a aplicação, as plantas daninhas morrem lentamente, com efeitos visíveis em dias ou semanas.

Herbicida sistêmico: Como funcionam?

Os herbicidas podem ser classificados de acordo com a sua translocação na planta. Assim, podem ser de contato ou sistêmicos.

Os herbicidas de contato agem no local de absorção, sem se mover internamente. Exemplos incluem diquat, paraquat e lactofen.

Já os sistêmicos se deslocam pelo xilema, floema ou ambos, atingindo diferentes partes da planta. Com isso, os exemplos de herbicidas sistêmicos incluem:

  • Picloram;  
  • 2,4-D;
  • Glifosato;
  • Imazethapyr;
  • Flazasulfuron;
  • Nicosulfuron.

Como o glifosato funciona?

O glifosato é um herbicida sistêmico e não seletivo que atua inibindo a enzima 5-enolpiruvilshiquimato-3-fosfato sintase (EPSPs), essencial na rota do ácido chiquímico

Essa via metabólica é exclusiva de plantas, fungos e algumas bactérias, mas não existe em animais, o que explica sua toxicidade seletiva.

O seu mecanismo de ação funciona em 4 etapas, que são classificados como: 

  1. Absorção: É aplicado via pulverização e absorvido principalmente pelas folhas das plantas;
  2. Translocação: Após a absorção, se desloca pelo xilema e floema, alcançando diversas partes da planta, incluindo raízes e pontos de crescimento; 
  3. Interferência metabólica: Inibindo a enzima EPSPs, o glifosato impede a síntese de aminoácidos essenciais (fenilalanina, tirosina e triptofano), fundamentais para o crescimento e desenvolvimento vegetal;
  4. Efeito na planta: Sem esses aminoácidos, a planta não consegue produzir proteínas essenciais, levando à interrupção do crescimento, amarelecimento (clorose) e morte gradual em dias ou semanas.

O glifosato é eficaz contra ervas daninhas anuais, perenes e aquáticas, sendo uma das técnicas mais usadas no manejo agrícola, especialmente em culturas transgênicas resistentes ao glifosato, como soja, milho e algodão.

Como usar o glifosato corretamente?

Para usar o glifosato é preciso estar atento às condições ambientais, como a velocidade do vento, umidade relativa do ar, formação de orvalho e temperatura influenciam na eficiência da pulverização. 

Além disso, se chover nas primeiras 6 horas após a aplicação, o processo deve ser refeito. Outras condições também podem influenciar o controle de plantas daninhas, como:

  • Qualidade da água
  • Pressão do pulverizador
  • Uso de adjuvantes
  • Tipo de bico e tamanho da gota

Plantas daninhas jovens são mais fáceis de controlar do que adultas. O uso correto do herbicida exige seguir as instruções do rótulo e da bula, além do uso de EPI para segurança. 

Após a aplicação, limpe o pulverizador e descarte as embalagens corretamente. Em caso de dúvidas, consulte a NR-31 ou um(a) engenheiro(a) agrônomo(a).

Quanto ao número de aplicações, na maioria dos casos, uma basta para controlar plantas daninhas. Mas, algumas espécies, como a tiririca (Cyperus rotundus), exigem pulverizações repetidas devido à sua rede de tubérculos.

Após a aplicação, os principais sintomas incluem amarelecimento, murcha e necrose, levando à morte da planta em dias ou semanas, dependendo de fatores como:

  • Espécie-alvo;
  • Estágio de desenvolvimento;
  • Dosagem do herbicida.
Guia para manejo de plantas daninhas

Reavaliação toxicológica do herbicida sistêmico glifosato

Muito tem sido discutido sobre o impacto que agrotóxicos podem causar ao meio ambiente, à saúde humana e dos animais. A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) realizou a reclassificação toxicológica de alguns defensivos agrícolas recentemente.

A reavaliação concluiu pela manutenção do glifosato no Brasil. Não há evidências suficientes para considerar esse ingrediente ativo como sendo mutagênico, nem com potencial de causar câncer em seres humanos e animais.

Conclusões internacionais e da Anvisa sobre a carcinogenicidade do glifosato
Conclusões internacionais e da Anvisa sobre a carcinogenicidade do glifosato
(Fonte: Anvisa)

Em quais situações o glifosato pode ser utilizado?

Os produtos à base de glifosato tem seu uso aprovado em determinadas culturas e situações. Em pós-emergência das plantas daninhas, por exemplo, o glifosato pode ser utilizado para: 

O glifosato também pode ser utilizado como maturador na cultura da cana-de-açúcar, promovendo a uniformização da maturação, o aumento da concentração de sacarose nos colmos e a melhoria da qualidade da colheita.

Além disso, é empregado para eliminação de soqueira no cultivo de arroz e cana-de-açúcar, no pós-emergência de plantas invasoras em florestas de eucalipto e pinus, e no controle da rebrota do eucalipto.

O glifosato atua reduzindo o crescimento vegetativo da planta, redirecionando os nutrientes para o acúmulo de açúcar. Esse efeito é especialmente útil em períodos chuvosos ou quando a cana ainda não atingiu o ponto ideal de maturação.

No entanto, o controle químico com glifosato deve ser complementado com outras práticas de manejo para garantir eficiência e sustentabilidade. Confira algumas estratégias para o manejo integrado de plantas daninhas:

Gráfico que mostra como fazer o manejo de plantas daninhas com glifosato
Técnicas do manejo integrado de daninhas
(Fonte: Febrapdp)

Quais plantas são resistentes ao glifosato?

Algumas plantas daninhas desenvolveram resistência ao glifosato devido ao uso contínuo e repetitivo desse herbicida ao longo dos anos. 

Essa resistência ocorre por mutações genéticas ou mecanismos que impedem a ação do produto na planta. Confira a seguir quais plantas podem ter essa modificação:

  • Burruchaga (Sorghum halepense);
  • Capim-amargoso (Digitaria insularis);
  • Capim-pé-de-galinha (Eleusine indica);
  • Buva (Conyza spp.);
  • Caruru (Amaranthus spp.);
  • Nabo-bravo (Raphanus raphanistrum);
  • Leiteiro (Euphorbia heterophylla).

A resistência pode ser uma consequência do uso excessivo do glifosato sem rotação de herbicidas, da aplicação em doses abaixo do recomendado ou da ausência de manejo integrado, como uso de outros métodos de controle (rotação de culturas, cobertura vegetal e herbicidas com diferentes mecanismos de ação).

Qual o tipo de mato que o glifosato mata?

O glifosato é eficaz principalmente contra plantas dicotiledôneas (plantas com duas folhas iniciais) e monocotiledôneas (plantas com uma folha inicial), sendo bastante útil para o controle de diversas espécies de plantas invasoras.

Isso significa que o glifosato pode matar mato como: Plantas dicotiledôneas, plantas monocotiledôneas, plantas perenes e plantas aquáticas.  

O glifosato não pode matar qualquer planta que entre em contato com ele, seja planta daninha ou cultura desejada. 

A aplicação deve ser cuidadosa para evitar danos às culturas agrícolas, já que a eficácia pode variar dependendo do estágio de crescimento da planta e das condições ambientais.

Como aplicar um herbicida sistêmico? 

A aplicação de um herbicida sistêmico, como o glifosato, é diferente da aplicação de um herbicida de contato

Enquanto os de contato precisam cobrir bem a superfície foliar para serem eficazes, os sistêmicos são absorvidos pelas folhas e raízes e transportados internamente até seu local de ação.

Isso significa que os herbicidas sistêmicos não exigem cobertura total das folhas e permitem o uso de gotas maiores na pulverização. No entanto, após a aplicação, é necessário um tempo para que sejam absorvidos e translocados dentro da planta.

Como os herbicidas se movem na planta?

Os herbicidas podem ser aplicados de diferentes formas, cada uma com um mecanismo de transporte:

  • Aplicação no solo: Absorvidos pelas raízes e transportados pelo xilema até as folhas;
  • Aplicação nas folhas (sistêmicos, como o glifosato: Se movimentam pelo floema, alcançando regiões de crescimento.
  • Aplicação nas folhas (contato): Não são translocados, agindo no local onde foram absorvidos.

Os herbicidas podem se deslocar na planta por meio do apoplasto (canais entre células), do simplasto (interior das células) ou de ambos (movimento apossimplástico).

No caso do glifosato, ele é absorvido principalmente pelas folhas e transportado via floema para pontos de crescimento, interferindo na síntese de aminoácidos essenciais e levando à morte da planta. 

Por isso, sua aplicação deve ser bem planejada para garantir máxima absorção e eficiência no controle das ervas daninhas.

O que acontece quando o herbicida precisa percorrer uma longa distância na planta?

Após a absorção pelas folhas, o herbicida deve atravessar a cutícula e chegar ao xilema e floema, responsáveis por transportá-lo dentro da planta.

  • Se for absorvido pelas raízes, o herbicida se move pelo xilema, seguindo o fluxo natural da água até as folhas. Esse movimento ocorre devido às diferenças de pressão geradas pela transpiração da planta.
  • Se for absorvido pelas folhas, ele pode ser transportado pelo floema até regiões de crescimento ativo.

Agora, pense no que acontece quando a planta está sob estresse hídrico. Com pouca água disponível, os estômatos se fecham, reduzindo a transpiração e, consequentemente, o fluxo no xilema. Isso dificulta a movimentação do herbicida e reduz sua eficácia.

Por isso, muitos produtos trazem na bula a recomendação de não aplicar o herbicida quando a planta estiver estressada, garantindo assim melhor absorção e translocação do produto.

Por que o glifosato é tão usado na agricultura?

O glifosato é um dos herbicidas mais utilizados na agricultura pela eficiência, versatilidade e baixo custo de aplicação

Por ser um herbicida sistêmico não seletivo, é absorvido pelas plantas e se distribui por toda a sua estrutura, atuando diretamente em suas funções vitais. 

O seu diferencial é inibir uma enzima chamada EPSPS, essencial para a síntese de aminoácidos que as plantas necessitam para o crescimento e desenvolvimento, impedindo que as plantas realizem processos metabólicos importantes, levando à sua morte.

Além disso, acaba sendo uma alternativa viável pela eficiência e produtividade das operações agrícolas, capaz de oferecer: 

1. Ação sistêmica

O glifosato é um herbicida sistêmico, o que significa que, uma vez absorvido pelas plantas, ele se espalha por todo o sistema da planta (inclusive raízes), atacando as funções vitais e levando à morte da planta. 

Isso é especialmente útil no controle de plantas daninhas perenes, que têm sistemas radiculares extensos.

2. Amplo espectro de controle

Por ser eficaz contra uma grande variedade de plantas daninhas, tanto anuais quanto perenes, é capaz de controlar muitas espécies que dificultam o cultivo de culturas agrícolas. 

Além disso, o glifosato tem aplicação eficaz em pastagens, florestas comerciais e outros ecossistemas.

3. Compatibilidade com o manejo de culturas transgênicas

O glifosato é amplamente utilizado em culturas geneticamente modificadas (GMOs), como soja, milho e algodão resistentes ao glifosato (conhecidas como culturas RR). 

Isso permite o uso do herbicida para controlar plantas daninhas sem prejudicar a cultura principal, pois a planta transgênica tolera o produto, mas as daninhas não.

Manejo integrado da lavoura: como ele pode impulsionar sua produtividade

4. Facilidade de aplicação

O glifosato é fácil de aplicar, seja por pulverização aérea ou terrestre, em qualquer estágio do crescimento das plantas.

Uma outra vantagem do produto, é que pode ser aplicado em pré ou pós-emergência das plantas daninhas, proporcionando flexibilidade ao agricultor.

5. Baixa toxicidade para animais e humanos 

Quando aplicado corretamente, o glifosato tem baixo risco de toxicidade para seres humanos, animais e o meio ambiente em comparação com outros herbicidas, tornando-o uma escolha segura para uso generalizado. 

Mesmo assim, como qualquer produto químico, ele deve ser manuseado com cuidado e de acordo com as instruções.

Todos esses fatores fazem do glifosato uma ferramenta essencial para o manejo de plantas daninhas na agricultura moderna, facilitando a produção agrícola de forma eficiente, econômica e sustentável quando usado de forma responsável.

Vantagens e desvantagens do uso do glifosato

Antes de utilizar qualquer defensivo agrícola é preciso conhecer suas características e também considerar suas vantagens e desvantagens. Quando comparado a outros herbicidas, o glifosato apresenta algumas vantagens, como: 

  • Baixo custo;
  • Fácil aplicação;
  • Flexibilidade de uso;
  • Amplo espectro de ação, ou seja, controla diversas espécies invasoras;
  • Rapidamente degradado no solo.

Apesar disso, o glifosato é uma molécula que não atua sobre o banco de sementes. Isso pode ser considerado uma desvantagem desse herbicida.  

Vale ressaltar que qualquer herbicida utilizado de forma equivocada pode levar à seleção de biótipos de plantas resistentes. 

planilha pulverização de defensivos agrícolas

Tudo o que você precisa saber sobre a mancha olho-de-rã na soja

Mancha olho-de-rã: saiba o que causa a doença, quais são os sintomas, como ocorre a disseminação e quais as medidas de controle.

A cultura da soja é afetada por diversas doenças causadas por fungos, bactérias, nematóides e vírus. Dentre as doenças fúngicas, a mancha olho-de-rã se destaca por acontecer no final de ciclo. 

Ela foi identificada pela primeira vez no Brasil na década de 70. Graças ao desenvolvimento de cultivares resistentes, essa doença encontra-se sob controle.

Mesmo assim, conhecer suas características e entender como diagnosticá-la na lavoura é fundamental. Ainda, é preciso conhecer as formas de manejo para conseguir agir antes de sofrer danos econômicos.

Neste artigo, saiba mais sobre os sintomas da mancha olho-de-rã, entenda como ela se dissemina na cultura da soja, condições ideais para desenvolvimento e mais. Boa leitura!

Características e sintomas da cercospora na soja

A mancha olho-de-rã é uma doença foliar causada pelo fungo Cercospora sojina. Ele apresenta variabilidade genética. No Brasil, já foram identificadas 25 raças do fungo. Ela pode se manifestar em qualquer estádio da cultura

No entanto, a ocorrência dessa doença é maior no período reprodutivo da soja, a partir do florescimento. Os sintomas podem ser observados em toda a parte aérea da planta: folhas, hastes, vagens e sementes. 

Nas folhas, os sintomas surgem como pequenos pontos com aparência “encharcada”. À medida que a doença evolui, essas pontuações evoluem para manchas arredondadas, com tamanho variando de 1 mm a 5 mm de diâmetro.

É comum que esses sintomas sejam observados primeiro nas folhas jovens de soja.

Na face superior das folhas, o centro das manchas tem cor castanho-clara e margem castanho-avermelhada. Na face inferior, as manchas são acinzentadas em razão da esporulação do fungo.

Com o tempo, as manchas foliares se juntam, causando a desfolha prematura das plantas. Assim, a desfolha precoce e as lesões foliares reduzem a área fotossintética da planta, o que compromete o peso e a qualidade dos grãos.

Lesões características da mancha olho-de-rã na soja
(Fonte: Mian, 2008)

Nas hastes e nas vagens da soja, os sintomas se manifestam no final da fase de enchimento de grãos da soja. Inicialmente, aparecem pequenas lesões com aspecto aquoso que evoluem para manchas maiores. 

Nas hastes, as manchas têm formato elíptico ou alongado, e o centro da lesão é acinzentado, com borda castanho-avermelhada. Nas vagens, as manchas têm o centro deprimido, formato circular e cor castanho-escuro. 

Sintoma de mancha olho-de-rã em vagem de soja
(Fonte: Crop Protection Network)

As sementes de soja infectadas pelo fungo Cercospora sojina podem apresentar rachaduras e manchas de cor castanha, parda ou cinza. As plântulas de soja originadas a partir de sementes contaminadas apresentam lesões necróticas. 

Como diagnosticar a mancha olho-de-rã na lavoura

Em campo, o diagnóstico da mancha olho-de-rã na soja não é tão simples. Os sintomas dessa doença podem ser confundidos com os sintomas de outras doenças, e também com fitotoxicidade causada por herbicidas.

Sintomas iniciais da mancha olho-de-rã em folha de soja
(Fonte: Universidade de Nebraska – Lincoln)

Diante disso, o recomendado é enviar amostras de plantas sintomáticas a um laboratório de fitopatologia para a realização do diagnóstico, através da análise foliar. Em caso de dúvida, sempre procure um(a) engenheiro(a) agrônomo(a).

Somente a partir da correta identificação do problema é possível traçar as melhores estratégias de manejo da lavoura.

Condições para o desenvolvimento da Cercospora sojina

A incidência e a severidade das doenças estão relacionadas à presença do fungo, a suscetibilidade da cultivar e as condições ambientais. 

No caso da mancha olho-de-rã, as condições favoráveis são alta umidade, maior que 90%. Ainda, temperaturas entre 25°C e 30°C podem favorecer o fungo. A formação de orvalho e temperaturas noturnas acima de 20°C também apresentam riscos.

A monocultura da soja e o plantio direto são sistemas que beneficiam o desenvolvimento da mancha olho-de-rã. Afinal, esse fungo sobrevive em tecidos mortos da planta hospedeira

Disseminação e ciclo da doença

A cercospora na soja sobrevive nos restos culturais e nas sementes de soja, sendo considerados inóculos primários. No período da entressafra, esse patógeno também pode sobreviver em plantas de soja tiguera. 

Dessa forma, a infecção das sementes de soja garante a sobrevivência e a disseminação do fungo a longas distâncias. Nas sementes, a cercospora na soja sobrevive por um período de 6 a 7 meses.

Em campo, os esporos do fungo são dispersos por gotículas de água e pela ação do vento.

Ciclo da doença mancha olho-de-rã em soja
(Fonte: Danelli, 2010)

Manejo da mancha olho-de-rã na soja 

A estratégia mais eficiente para o manejo da mancha olho-de-rã é o plantio de cultivares de soja resistentes. O uso de material genético não suscetível à doença apresenta baixo custo, além de ser ambientalmente seguro.

Em lavouras semeadas com cultivares suscetíveis à doença, é importante que após a colheita, os restos vegetais sejam incorporados ao solo. Essa medida diminui a sobrevivência do fungo para a próxima safra. 

Outra técnica para o manejo da mancha olho-de-rã na soja é o tratamento químico das sementes com fungicidas específicos. 

Essa tática evita a entrada de fungos na lavoura e protege as sementes desses patógenos. Além disso, o tratamento químico garante melhor desenvolvimento inicial da cultura e o estabelecimento de um estande uniforme de plantas.

Para o tratamento das sementes de soja, é recomendado o uso de fungicidas do grupo químico benzimidazol associados à fungicidas de contato. O manejo dessa doença também envolve a adoção de outras boas práticas agronômicas, como: 

Essas técnicas melhoram o desempenho da cultivar plantada e aumentam a produtividade.   Depois de detectada a doença em campo, o controle é realizado pela aplicação de fungicidas. Na soja, os produtos registrados para o controle da mancha olho-de-rã são:

  • carbendazim;
  • carboxina + tiram;
  • difenoconazol;
  • fludioxonil;
  • tiram.
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A mancha olho-de-rã é uma doença de final de ciclo da cultura da soja. Ela é causada pelo fungo Cercospora sojina

Os sintomas podem ser observados em toda parte aérea da planta. Inicialmente, surgem pequenas manchas com aspecto encharcado que evoluem para lesões maiores. As sementes contaminadas e os restos culturais são as principais fontes de inóculo primário.

O manejo da mancha olho-de-rã é feito, principalmente, pelo plantio de cultivares de soja resistentes. Outras formas de controle da doença envolvem o tratamento de sementes e a aplicação de fungicidas.

Você já teve problema com a mancha olho-de-rã na sua lavoura? Qual estratégia de controle foi adotada? Conte sua experiência nos comentários.

Plantação de gergelim: tudo o que você precisa saber

Plantação de gergelim: conheça as características, principais pragas e doenças da cultura, quais são as condições para o plantio e muito mais

O gergelim é uma das principais oleaginosas do mundo. Ele foi introduzido no Brasil durante a colonização portuguesa. Trata-se de uma cultura de fácil cultivo, que apresenta resistência à seca.

Nos últimos anos, as áreas destinadas ao plantio dessa oleaginosa têm crescido expressivamente. No Brasil, onde mais há plantação de gergelim é no estado do Mato Grosso.

Para cultivá-lo, é necessário saber as características da cultura e as condições ideais para garantir boa produtividade. Além disso, é interessante saber as vantagens de se plantar gergelim.

Neste artigo, veja esses detalhes e conheça as principais pragas, doenças e plantas daninhas da plantação de gergelim. Aproveite a leitura!

Características da planta do gergelim

O gergelim ou sésamo (Sesamum indicum) é uma espécie oleaginosa da família Pedaliaceae. O ciclo dessa planta varia entre 90 e 130 dias.

O caule é ereto e tem entre 0,5 e 3,0 metros de altura. O caule pode ou não apresentar ramificações, e o sistema radicular do gergelim é pivotante. As raízes secundárias alcançam grandes profundidades, o que permite o aproveitamento da água armazenada no subsolo. 

As folhas do gergelim são alternadas e opostas. Numa mesma planta, é possível encontrá-las em diferentes formatos. Nas plantas adultas, as folhas localizadas na parte inferior são mais largas e têm as bordas irregularmente dentadas

As folhas da porção superior da planta são menores e têm formato lanceolado. As flores do gergelim estão localizadas nas axilas das folhas. Pode haver entre 1 e 3 flores por axila foliar, com cor branca ou rosada. Cada flor dá origem a um fruto com cerca de 50 sementes.

O fruto do gergelim é uma cápsula de formato alongado, com entre 2 e 8 centímetros de comprimento. Dependendo da variedade, o fruto pode se abrir de maneira espontânea quando as sementes estiverem maduras, ou pode não se abrir ao atingir a maturação. 

Vale ressaltar que o grau de frutos do gergelim que se abrem espontaneamente está relacionado à colheita mecanizada. 

As sementes de gergelim são ricas em lipídeos e proteínas. Em média, elas contém 50% de óleo de elevada qualidade nutricional. As sementes são bem pequenas, têm formato ovalado e são levemente achatadas. Dependendo da cultivar, elas podem ser pretas, amarelas ou brancas.

O peso médio de mil sementes varia entre 2 e 4 gramas. Essa variação de peso ocorre em função das características da cultivar e do ambiente em que as plantas se desenvolveram. 

Principais pragas e doenças no cultivo de gergelim

A cultura do gergelim é suscetível ao ataque de várias pragas e doenças. É importante destacar que a incidência severa de fatores bióticos reflete negativamente no desenvolvimento das plantas e na produtividade final. Isso torna o manejo integrado de pragas necessário.

As principais pragas que atacam a plantação de gergelim são:

As principais doenças dessa oleaginosa são:

  • mancha-de-cercospora (Cercospora sesami);
  • mancha-angular (Cylindrosporium sesami);
  • podridão-negra-do-caule (Macrophomina phaseolina);
  • murcha-de-fusário (Fusarium oxysporum).
  • mancha-de-alternária (Alternaria sesami);
  • podridão-do-colo (Sclerotium rolfsii);
  • mancha-bacteriana (Xanthomonas campestris);
  • filoidia (Phytoplasma asteris);
  • virose (Bean common mosaic virus – BCMV).

Interferência das plantas daninhas na cultura do gergelim

As plantas de gergelim apresentam crescimento inicial bastante lento. Esse fato faz com que a fase inicial de desenvolvimento dessa oleaginosa seja sensível à presença de espécies invasoras.

As plantas daninhas competem com a cultura do gergelim por água, luz, espaço e nutrientes. Assim, o manejo das espécies invasoras deve ser realizado com muito rigor nos primeiros 45 dias após a emergência das plântulas da plantação de gergelim.

Além disso, o manejo integrado das doenças e das pragas está diretamente relacionado ao controle das plantas daninhas. Afinal, elas podem ser hospedeiras de diferentes pragas e patógenos.

Como plantar gergelim?

O gergelim é uma cultura que pode ser explorada em sistemas solteiros ou consorciados, de sequeiro ou irrigado. A época da semeadura dessa oleaginosa é determinada com base no ciclo da cultivar e com o período de chuvas onde a lavoura será instalada.

Preparo do solo e adubação

O preparo de solo é realizado com operações de aração e gradagem. Como as sementes do gergelim são pequenas e leves e a velocidade de crescimento inicial é lenta, é muito importante que o solo esteja bem preparado. 

Isso garante boas condições para a germinação e para o estabelecimento da lavoura. Para o plantio do gergelim, as recomendações de calagem e adubação devem ser sempre orientadas pela análise físico-química de solo

Vale lembrar que o gergelim extrai muito nitrogênio, fósforo e potássio do solo. Ainda, essa espécie pode ser cultivada de forma manual ou mecanizada.

Recomendações de semeadura na plantação de gergelim

Na semeadura realizada manualmente, a indicação é distribuir de 25 a 30 sementes por metro linear, em sulcos ou covas. O consumo de sementes por hectare pode variar de 1,5 kg a 3,5 kg, dependendo do espaçamento entre plantas e entre linhas adotado.

Para o plantio de cultivares de gergelim ramificadas, a recomendação de espaçamento varia de 80 cm a 100 cm entre fileiras, e 20 centímetros entre plantas. 

Já para cultivares não ramificadas, o espaçamento é de 60 cm a 70 cm entre filas, e 10 centímetros entre plantas.

Densidade do plantio das cultivares de gergelim

É importante que as sementes de gergelim sejam plantadas a uma profundidade de 1 cm a 2 cm. A densidade de plantio indicada para a plantação de gergelim é de 100 mil plantas/hectare. Para isso, é preciso realizar dois desbastes, eliminando as plantas menos vigorosas.

O primeiro desbaste é feito quando as plantas apresentarem quatro folhas. Nesse caso, são conduzidas 20 plantas/metro

Já o segundo desbaste é realizado quando as plantas estiverem com aproximadamente 15 centímetros de altura. Aqui, o ideal é que se conduza de 8 a 10 plantas/metro.

Solo e clima adequados para o plantio de gergelim

O gergelim se desenvolve bem em solos de textura média e férteis. Outras características desejáveis são boa drenagem do solo e boa profundidade. 

Essa planta também tem preferência por solos com boa capacidade de retenção de água e pH próximo da neutralidade, em torno de 7%. Além do mais, o gergelim não tolera encharcamento, compactação do solo e salinidade.

De modo geral, condições de clima quente e seco favorecem o desenvolvimento dessa espécie. As temperaturas ideais para o desenvolvimento do gergelim situam-se entre 25°C e 30°C.

A plantação de gergelim é pouco exigente em água. Porém, é importante que as chuvas sejam bem distribuídas ao longo do ciclo da cultura. O plantio dessa oleaginosa é recomendado em áreas com precipitação média anual variando entre 400 mm e 650 mm

Durante o ciclo da cultura, 80% do total de chuva deve ocorrer até a fase do florescimento e, no máximo, 20% durante a maturação dos frutos.

Chuvas em excesso e por longos períodos são prejudiciais para o crescimento das plantas de gergelim, além de favorecer o aparecimento de doenças fúngicas. Chuvas intensas podem provocar ainda o acamamento das plantas e queda das flores.

Por que ter plantação de gergelim no Brasil?

Nos últimos anos, o interesse pela cultura do gergelim tem crescido em função do alto valor comercial da semente e do óleo. Apesar disso, quando comparada a outras oleaginosas, como a soja e o girassol, a produção de gergelim ainda é pouco expressiva no Brasil.

Diante disso, é importante reforçar que o gergelim é uma espécie resistente à seca e adaptada às condições de solo e clima brasileiro. Além disso, é uma ótima opção para diversificar a produção agrícola

Essa oleaginosa pode ser cultivada em rotação com a soja, feijão, milho, sorgo e algodão. Ainda, há a possibilidade do plantio consorciado com espécies frutíferas e florestais. 

A plantação de gergelim também é de fácil cultivo e exige práticas agrícolas simples. Isso faz dessa cultura uma excelente alternativa para pequenos e médios produtores.  Além do valor nutricional das sementes, o gergelim é usado em diversos setores da indústria cosmética, farmacêutica e oleoquímica.

planilha controle de custos por safra

Conclusão

O gergelim é uma importante oleaginosa e que vem despertando o interesse dos produtores em razão do alto valor da semente e do óleo. As sementes do gergelim são ricas em óleos, que podem ser aplicados em diferentes segmentos industriais.

Além de ser um excelente alimento, o gergelim é uma opção para a rotação de culturas e para diversificar a produção agrícola. Também é uma cultura adaptada às condições edafoclimáticas do Brasil, que não necessita de tratos culturais complexos.

Se você tem interesse em cultivar essa espécie e tem alguma dúvida sobre os manejos, não deixe de consultar um(a) engenheiro(a)-agrônomo(a).

Você já conhecia essa cultura? Já pensou em ter uma plantação de gergelim na sua propriedade? Conte sua experiência nos comentários.

Níquel nas plantas: entenda a importância do nutriente

Níquel nas plantas: veja o que é, quais são as funções, como identificar sintomas de deficiência e toxidez e mais!

Os micronutrientes são elementos essenciais para as plantas. Entretanto, eles são exigidos em pequenas quantidades. 

O níquel é um exemplo de micronutriente que, quando não fornecido na dosagem necessária, compromete o crescimento e a produtividade das plantas. Além disso, esse elemento tem relação direta com o processo de fixação biológica do nitrogênio.

Por ser um elemento importante, você precisa estar por dentro dos sintomas de deficiência e de toxidez na sua cultura. Assim, você garante boa produtividade da sua lavoura e consegue acertar na adubação com níquel.

Neste artigo, saiba a importância do níquel nas plantas e no solo, além de entender mais sobre a função desse micronutriente. Boa leitura!

O que é o níquel nas plantas?

O níquel é um metal pesado e também um micronutriente das plantas. Até pouco tempo, ele não era considerado um nutriente essencial. Ele foi o último a integrar o grupo dos micronutrientes, junto do cloro, manganês, boro, zinco, ferro, cobre e molibdênio. 

Em leguminosas, ele é fundamental para o processo de fixação biológica de nitrogênio. O níquel atende aos critérios direto e indireto da essencialidade dos nutrientes. No critério direto, ele é constituinte estrutural de algumas enzimas, dentre elas a urease e a hidrogenase.

No critério indireto, por sua vez, ele não pode ser substituído por nenhum outro nutriente.  Na ausência do níquel, as plantas não completam o ciclo de vida

O níquel é absorvido pelas raízes via difusão passiva e transporte ativo. Nas plantas, este elemento apresenta alta mobilidade. Durante a fase de senescência de plantas de soja, até 70% do níquel presente nas folhas pode se deslocar para os grãos. 

A concentração desse micronutriente varia ao longo do ciclo da planta e de acordo com o tecido vegetal. O níquel pode ser encontrado em todos os tecidos vegetais. Apesar disso, o acúmulo desse elemento é maior nos grãos, nas folhas e nas partes jovens

Confira a seguir quais são os sintomas de deficiência e toxidez causados pelo níquel na soja e nas demais culturas agrícolas.

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Sintomas de deficiência de níquel na soja e em outras culturas

Em campo, os sintomas envolvendo a deficiência de níquel não são comuns. Um dos sintomas é conhecido como “orelha de rato”, já que a ponta das folhas apresenta manchas escuras e formato arredondado, semelhante à orelha do animal.

Essa expressão foi utilizada pela primeira vez para descrever sintomas severos de deficiência de níquel em folhas jovens de nogueira-pecã. Os principais sintomas visuais da deficiência de níquel na soja e nas demais plantas são:

  • clorose;
  • redução do tamanho das folhas;
  • alteração no formato das folhas;
  • região verde-escura na ponta das folhas;
  • necrose na região apical das folhas;
  • curvatura e enrugamento das folhas;
  • crescimento anormal das plantas.

É importante deixar claro que a clorose foliar não é uma característica confiável para avaliar a deficiência de níquel na soja e em demais culturas. A carência de outros nutrientes também causa clorose.

Em plantas de soja, a carência de níquel causa sintomas de queima e necrose na ponta das folhas. Como esse elemento é constituinte da enzima urease, a deficiência de níquel impede a ação dessa enzima. Isso causa o acúmulo em concentrações tóxicas de uréia nas folhas

Sintomas de toxidez do nutriente nas plantas

As plantas toleram níveis diferentes de níquel no solo. Ou seja, a toxicidade varia de acordo com a espécie vegetal. Existem plantas sensíveis, moderadamente tolerantes e hiperacumuladoras desse micronutriente.

É comum que os sintomas de toxidez por níquel sejam confundidos com a deficiência de manganês ou ferro. Os principais sintomas de toxidez por níquel são clorose nas folhas e redução do crescimento das raízes e da parte aérea. 

A clorose ocorre em função da menor absorção de ferro pela planta. O excesso de níquel na soja e em outras culturas também pode provocar a deficiência de zinco. Em casos severos, pode ocorrer a deformação de várias partes da planta e manchas foliares.

Sintomas de toxidez de níquel na soja cultivada em solo muito argiloso, submetido à aplicação de 5,0 mg dm-3 de níquel
(Fonte: Rodak, 2014)

Função desse micronutriente no solo

O níquel é um elemento encontrado naturalmente nos solos. No entanto, a concentração depende da composição do material de origem e da intensidade da atividade agrícola. Solos formados a partir de rochas ígneas apresentam elevada concentração total de níquel.

Isso acontece principalmente em rochas máficas e ultramáficas ricas em minerais do grupo serpentina. Contudo, nem todo níquel presente no solo encontra-se disponível para as plantas. A disponibilidade desse nutriente depende das características de cada solo

Dentre as características que influenciam na disponibilidade do níquel para as plantas, há:

  • pH (potencial hidrogeniônico);
  • CTC do solo (capacidade de troca catiônica); 
  • teor de matéria orgânica;
  • classe textural;
  • composição das argilas;
  • teores de óxidos de ferro e manganês;
  • competição pelos sítios de adsorção;
  • atividade microbiana. 

O pH do solo é o fator que mais interfere no comportamento do níquel. Quanto maior o pH, menor é a disponibilidade do níquel para as plantas.  Em solos com pH menor que 5,5 e pouca matéria orgânica, a disponibilidade de níquel é maior. 

A distribuição do níquel no solo também está relacionada à textura, ou seja, ao tamanho das partículas. As partículas de solo mais finas têm maiores cargas negativas e também maior superfície específica. Por isso, essas partículas têm maiores concentrações de níquel.

Função desse micronutriente nas plantas

O níquel é um micronutriente que tem importante papel no metabolismo das plantas. Em resumo, sua função nas culturas dizem respeito à:

  • produção de etileno;
  • germinação das sementes;
  • resistência à doenças;
  • metabolismo de aminoácidos e ácidos orgânicos;
  • componente estrutural de enzimas;
  • conservação pós-colheita de frutos.

Várias enzimas são dependentes desse elemento, dentre elas a urease. A urease é responsável por transformar a uréia em amônia e gás carbônico, sendo essencial para o metabolismo do nitrogênio. 

Na cultura da soja e em outras leguminosas, o níquel está envolvido na fixação biológica do nitrogênio. Ele é constituinte da enzima hidrogenase que atua nesse processo. 

Desse modo, a deficiência de níquel limita a atividade dessa enzima e interfere na fixação simbiótica do nitrogênio. Isso quer dizer que o fornecimento adequado de níquel favorece a nodulação em espécies leguminosas e a produção de grãos.

O níquel também tem efeito no controle de doenças. Esse micronutriente atua na síntese de fitoalexinas, que são compostos produzidos pelas plantas em resposta a algum tipo de estresse. Isso contribui para o aumento da resistência das plantas ao ataque de patógenos. 

Como fazer adubação com níquel?

Apesar da grande importância do níquel na soja e nas demais plantas, ainda não há recomendações oficiais para a utilização desse elemento em programas de fertilização.

Além disso, são escassas as informações quanto à melhor forma de aplicação desse micronutriente. A exigência de níquel pelas plantas é a mesma que a de molibdênio e cobalto, cerca de 0,05 mg/kg de massa seca. 

Confira abaixo as principais fontes utilizadas para aplicação de níquel nas lavouras:

  • cloreto de níquel;
  • nitrato de níquel;
  • sulfato de níquel;
  • carbonato de níquel;
  • quelatos de níquel;
  • silicato de níquel.

O lodo de esgoto é um resíduo urbano utilizado na agricultura. Ele apresenta elevada quantidade de níquel. Além disso, o calcário e os adubos fosfatados também são insumos que podem conter níquel.

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Conclusão

O níquel é um importante micronutriente para as plantas. O suprimento inadequado desse  elemento impacta diretamente no desenvolvimento das culturas. Diversos fatores interferem na disponibilidade do níquel, como pH do solo e CTC.

Em leguminosas, o níquel favorece a fixação biológica do nitrogênio. Além disso, o níquel promove mudanças na fisiologia das plantas que aumentam a resistência à doenças.

Apesar da grande relevância desse elemento para as diferentes culturas, ainda são escassas as informações quanto às recomendações de adubação com níquel. Por isso, consulte um(a) engenheiro(a)-agrônomo(a) se tiver dúvidas.

Você sabia da importância do níquel nas plantas? Tem alguma dúvida sobre isso? Adoraria ler seu comentário abaixo.

Tudo o que você precisa saber sobre o amendoim-bravo (Euphorbia heterophylla)

Amendoim-bravo: conheça as características dessa planta daninha, como ocorre a propagação, quais são os danos causados na cultura da soja e muito mais.

O amendoim-bravo, também conhecido como leiteiro, é uma espécie invasora de grande importância. Essa planta cresce rapidamente, possui ciclo curto e elevada produção de sementes. 

É considerada uma das principais plantas daninhas em lavouras de soja transgênica. Ela está presente em todo território brasiliero e afeta culturas anuais e perenes. 

Conhecer suas características e as melhores táticas de manejo de plantas daninhas é fundamental para evitar danos na cultura.

Neste artigo, saiba como identificar o leiteiro e conheça táticas culturais, mecânicas, preventivas e químicas para livrar sua lavoura dele. Boa leitura!

Características do amendoim-bravo ou leiteiro (Euphorbia heterophylla)

O amendoim-bravo ou leiteiro (planta cujo nome científico é Euphorbia heterophylla) é uma planta daninha herbácea e que tem ciclo de vida anual. Popularmente, ela também é conhecida como leiteira, flor-de-poeta e café-do-diabo.

Essa planta libera uma substância leitosa ao sofrer algum tipo de injúria, o que justifica seu nome. A secreção de látex é uma característica das espécies da família Euphorbiaceae

Amendoim-bravo ou leiteiro (Euphorbia heterophylla)
(Fonte: Embrapa)

O caule é ereto e cilíndrico, podendo ser simples ou ramificado. A cor da base varia do verde ao vermelho. O amendoim-bravo pode atingir até 80 cm de altura. A inflorescência é do tipo ciátio. Várias flores masculinas estão dispostas ao redor de uma única flor feminina. 

As folhas dessa planta daninha são simples e possuem formatos bastante variáveis. Essa característica é conhecida por heterofilia. Numa mesma planta há folhas com diferentes formas. Elas podem ser ovaladas, lanceoladas, elípticas, obovadas ou com formato de violino.

(Fonte: Embrapa)

Propagação do leiteiro (planta daninha)

A propagação do amendoim-bravo ou leiteiro ocorre por sementes. Quando o fruto atinge a maturação, as sementes são lançadas para longe da planta-mãe. As sementes são liberadas no ambiente pelo rompimento explosivo do fruto, o que facilita a sua disseminação.

Essa planta invasora tem a capacidade de produzir elevado número de sementes. Uma única planta produz aproximadamente 490 sementes. Essa característica aumenta o seu potencial de competição com outras espécies vegetais.

As sementes do amendoim-bravo têm formato ovalado irregular e coloração castanha. O tamanho varia de 2 mm a 3 mm de comprimento, por 2 mm a 2,5 mm de largura. 

As sementes podem preservar o poder germinativo por longos períodos. Além disso, elas apresentam alto potencial de germinação mesmo em maiores profundidades de solo. Temperaturas entre 25 °C e 35 °C favorecem a germinação do leiteiro.

Sementes de amendoim-bravo ou leiteiro (Euphorbia heterophylla)
(Fonte: Manual de Identificação e Controle de Plantas Daninhas)

Danos causados pela Euphorbia heterophylla cultura da soja

O leiteiro é uma planta bastante agressiva e que apresenta rápido crescimento inicial.  À medida que se desenvolve, ele forma uma densa cobertura sobre as plantas de soja. Como a soja tem o desenvolvimento mais lento, ela é sombreada pelo amendoim-bravo

O intenso sombreamento interfere negativamente no desenvolvimento das plantas de soja e na produtividade. A Euphorbia heterophylla compete com a cultura da soja por água, nutrientes, luz e espaço. Ela afeta a quantidade e a qualidade do produto colhido. 

Em culturas anuais, o amendoim-bravo reduz em até 60% a produção de grãos. A presença de plantas daninhas na colheita da soja pode dificultar fisicamente o processo. A alta infestação de invasoras compromete o funcionamento da colhedora e interfere na eficiência da atividade.

A presença do amendoim-bravo durante a colheita também eleva o teor de umidade dos grãos. Consequentemente, há maiores gastos com o beneficiamento da soja. Como o amendoim-bravo produz látex, isso contribui para que impurezas se fixem no material colhido. 

Ainda, o amendoim-bravo ainda pode ser hospedeiro das principais pragas da soja, como o percevejo-marrom (Euschistus heros) e a mosca-branca (Bemisia tabaci).

Essa planta daninha pode ser infectada pelo vírus do mosaico-anão (Euphorbia mosaic virus – EMV). A partir da planta infectada, o vírus é transmitido pela mosca-branca às plantas de soja. 

Por isso, o vírus do mosaico-anão em soja está associado à presença do leiteiro. Em lavouras onde há grande população de mosca-branca, a incidência dessa virose é maior.

Além disso, o leiteiro é considerado hospedeiro de nematoides (Meloidogyne incognita e Pratylenchus coffeae) e do fungo Diaporthe phaseolorum, causador do cancro da haste da soja.

Como fazer o controle do leiteiro (amendoim-bravo)

O amendoim-bravo é uma planta de difícil controle, que já apresentou resistência a herbicidas. Nesse sentido, é importante que o manejo dessa planta daninha integre diferentes métodos de controle: preventivo, cultural, mecânico e químico.

Métodos preventivos

O manejo preventivo tem o objetivo de evitar que sementes de leiteiro e de outras daninhas sejam introduzidas na área cultivada.  Para isso, algumas medidas podem ser adotadas:

  • plantio da lavoura com sementes certificadas;
  • limpeza de máquinas e implementos agrícolas para evitar que torrões de terra contaminados com sementes de plantas daninhas sejam transportados de uma área infestada para outra;
  • controle das espécies invasoras não apenas na área cultivada, mas também nas estradas, carreadores e nas bordaduras das lavouras;
  • controle das daninhas no período da entressafra.

Métodos culturais

Dentre as práticas culturais que podem ser empregadas no manejo do leiteiro, temos:

  • rotação de culturas;
  • adubação equilibrada;
  • cobertura verde;
  • época de semeadura;
  • bom preparo de solo;
  • plantio de variedade/cultivar adaptada à região; 
  • variação no espaçamento e na densidade de plantas.

Métodos mecânicos

No manejo mecânico, as plantas daninhas podem ser eliminadas pelos seguintes métodos:

  • cultivo mecanizado; 
  • arranquio;
  • capina;
  • roçagem (manual ou mecânica).

Em lavouras cultivadas sob o sistema de plantio direto, a palhada tem impacto sobre a passagem de luz, temperatura e umidade do solo. Esse efeito físico exercido pela cobertura morta também contribui para o manejo das espécies invasoras

Método químico

O amendoim-bravo já apresentou resistência múltipla aos herbicidas inibidores da enzima acetolactato sintase, que são:

  • clorimuron-etil;
  • cloransulam-metil;
  • imazamox;
  • imazaquim;
  • imazethapyr.

Essa daninha também já manifestou resistência aos herbicidas inibidores da enzima protoporfirinogênio oxidase (Protox), que são:

  • acifluorfen;
  • diclosulam;
  • flumetsulam;
  • flumiclorac-pentyl;
  • fomesafen;
  • lactofen;
  • metsulfuron-methyl;
  • nicosulfuron;
  • saflufenacil.

Além disso, mais recentemente foram constatados biótipos dessa planta invasora resistente ao glifosato. No manejo do amendoim-bravo, é muito importante que o uso de herbicidas seja integrado a outros métodos de controle.

No controle químico, alguns cuidados devem ser adotados, como a rotação de produtos com mecanismos de ação diferentes. Também é importante seguir as orientações da bula dos produtos quanto à dosagem, modo e época de aplicação.

O sucesso da aplicação dos herbicidas ainda está relacionada ao estádio de desenvolvimento das plantas daninhas. Plantas jovens são mais fáceis de serem controladas do que plantas adultas.

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Conclusão

O amendoim-bravo ou leiteiro é uma planta daninha de difícil controle, ciclo curto. Ele já apresentou resistência a algumas moléculas herbicidas, dentre elas o glifosato. Uma planta de leiteiro é capaz de produzir cerca de 490 sementes

Na cultura da soja, essa planta daninha compete por recursos, promove o sombreamento, dificulta o processo de colheita e eleva os custos de produção. Além disso, ela pode ser hospedeira de pragas e doenças.

O manejo do amendoim-bravo deve ser realizado pela adoção de diferentes métodos de controle: preventivo, cultural, mecânico e químico. Na dúvida, sempre consulte um(a) engenheiro(a)-agrônomo(a).

Você já teve problemas com o amendoim-bravo na sua lavoura? Me conte sua experiência.

Como livrar a lavoura da planta erva-de-passarinho

Erva-de-passarinho: saiba o que é, quais são as características, como ocorre a disseminação e como realizar o controle no cafeeiro.

As ervas-de-passarinho são um grupo das principais plantas daninhas encontradas em todo o mundo. A maioria das espécies está distribuída em regiões tropicais e subtropicais.

No Brasil, a maior diversidade da erva-de-passarinho está presente no Cerrado e na Amazônia. Essas plantas aparecem em áreas de floresta nativa e são fonte de alimento para as aves. 

Dependendo do contexto, elas são consideradas plantas daninhas. Afinal, se desenvolvem sobre espécies alimentícias de grande importância agronômica, como o café. 

Neste artigo, saiba como reconhecer essa planta daninha e quais as táticas de manejo mais eficazes. Boa leitura!

O que é erva-de-passarinho?

A erva-de-passarinho, também conhecida como visto, é uma planta trepadeira arbustiva, pertencente às famílias Loranthaceae e Santalaceae. Ela parasita árvores de grande porte e também culturas de grande interesse econômico, como o café. 

Essa planta daninha também é conhecida como:

  • passarinheira;
  • enxerto-de-passarinho;
  • tetipoteira;
  • visco;
  • visgo; 
  • esterco-de-jurema;
  • guirarepoti. 

Essas plantas crescem em galhos de espécies lenhosas. O nome erva-de-passarinho se deve ao fato de as sementes dessas plantas serem disseminadas por pássaros

As aves se alimentam dos frutos e liberam as sementes por regurgitação ou pelas fezes nos galhos das árvores. Ao cair sobre os troncos e galhos, as sementes se fixam através de uma substância viscosa e aderente. Ali elas germinam e a erva-de-passarinho se desenvolve.

Características da passarinheira

As plantas conhecidas por erva-de-passarinho parasitam uma ampla variedade de hospedeiros, como o café, citrus, umbu, goiaba, manga e também espécies madeireiras. 

Esse grupo de plantas também representa um grande problema para a arborização urbana. As ervas-de-passarinho são perenes e parcialmente parasitas. Elas realizam fotossíntese, mas dependem parcialmente de um hospedeiro para extrair água e nutrientes.

Uma característica desse grupo de plantas são as raízes sugadoras, também chamadas de haustórios. Elas penetram na planta hospedeira e estabelecem uma conexão com o xilema.

Dele, a erva-de-passarinho extrai a seiva bruta, substância composta por água e nutrientes.

erva de passarinho
Erva-de-passarinho parasitando tronco de árvore
(Fonte: Prefeitura Municipal de Curitiba, foto de Ricardo Almeida)

De modo geral, o caule das ervas-de-passarinho apresenta nós e entrenós bem definidos e os ramos são cilíndricos, comprimidos ou angulosos. As folhas são sempre verdes e a forma varia de acordo com a espécie

A inflorescência apresenta cores diversas e pode ser racemosa, terminal ou axilar, a depender da espécie da erva-de-passarinho. A polinização dessas plantas é feita por insetos, aves e pelo vento.

Os frutos têm cores variadas. Eles podem ser em formato de globos, ovais ou em formato de elipse. Confira abaixo as características de algumas espécies de ervas-de-passarinho. 

Foto de erva-de-passarinho em  árvores
Struthanthus vulgaris Mart. A – Hábito arbustivo na copa de álamo (Populus sp.); B – Detalhe de ramos e folhas; C – Flores; D – Frutos
(Fonte: Embrapa, 2005)

É comum que as ervas-de-passarinho sejam confundidas com algumas plantas epífitas. No entanto, é bom deixar claro que as espécies epífitas não causam danos diretos ao hospedeiro. 

Elas estabelecem uma relação de inquilinismo com a planta hospedeira. Isso quer dizer que as epífitas apenas utilizam o hospedeiro como apoio, sem retirar água e nutrientes. 

erva-de-passarinho em vários estágios de desenvolvimento
Struthanthus polyrhysus Mart. A – Hábito arbustivo na copa de tipuana (Tipuana tipu); B – Detalhe de ramos enovelados e folhas; C – Flores; D – Frutos
(Fonte: Embrapa, 2005)

Como controlar a erva-de-passarinho parasita?

As ervas-de-passarinho são bastante resistentes à erradicação. No cafeeiro, o controle se resume à poda dos troncos, galhos e ramos infestados por essas plantas. A poda deve ser feita abaixo da área parasitada.

No momento da poda das plantas de café, é importante ter bastante atenção. Qualquer parte restante das ervas-de-passarinho pode se recuperar e voltar a parasitar o cafeeiro.

O constante monitoramento da lavoura de café é fundamental para a identificação e o controle dessas plantas daninhas. Também é preciso monitorar as áreas próximas às lavouras para verificar a presença de ervas-de-passarinho parasitando outras espécies lenhosas.

O período de inverno é o mais indicado para a realização da poda de limpeza do cafeeiro. A poda para o controle das ervas-de-passarinho deve ser feita antes da frutificação. Isso reduz as fontes de sementes que poderiam ser disseminadas pelas aves e infestar o cafezal.

O trabalho de controle das ervas-de-passarinho é caro e leva bastante tempo para ser executado. É necessária muita mão de obra, o que eleva os custos de produção do café.

Infelizmente, ainda faltam estudos a respeito de outros métodos eficientes de controle das ervas-de-passarinho nas culturas agrícolas.

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Danos dessa planta daninha na cultura do café

À medida que a erva-de-passarinho se desenvolve sobre os galhos do cafeeiro, ela envolve e ocupa a copa da planta

Esse processo tem impacto direto na produção do grão de café. Isso ocorre pois a cobertura da copa reduz a fotossíntese, o que afeta o crescimento e a capacidade reprodutiva do cafeeiro.

Além disso, quando a erva-de-passarinho parasita a cultura, ela limita a quantidade de água e nutrientes para o café distribuídos para o restante da planta. A carência nutricional contribui para a redução do vigor das plantas.

Isso prejudica o crescimento, a produtividade do cafezal e a qualidade dos frutos. A presença da erva-de-passarinho também pode comprometer a arquitetura das plantas, pela deformidade do caule, e também causar a seca de folhas e ramos.

Plantas infestadas por essas daninhas são mais suscetíveis a estresses ambientais, assim como ao ataque de pragas e doenças do café. Dependendo do nível de infestação, pode ocorrer a morte das plantas.

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Conclusão

As ervas-de-passarinho são plantas trepadeiras que infestam espécies lenhosas de gêneros alimentícios, ornamentais e madeireiros.

A presença dessas plantas na lavoura provoca a redução da fotossíntese e do vigor das plantas de café. Elas também podem levar à seca dos ramos e galhos. 

Os danos causados pelas ervas-de-passarinho causam ainda a redução do crescimento, da produção e da qualidade dos frutos. Em casos severos de infestação, pode ocorrer a morte prematura do cafeeiro. 

Por enquanto não há pesquisas científicas suficientes para o controle dessa daninha. Por isso, a poda dos ramos parasitados é o único método indicado para o manejo da erva-de-passarinho.

Você já teve problemas com a erva-de-passarinho na sua lavoura de café? Tem alguma dúvida sobre esse assunto? Adoraria ler seu comentário.

Saiba como identificar e manejar a vassourinha-de-botão

Vassourinha-de-botão: conheça as características da planta daninha, os danos causados nas culturas, produtos indicados para controle e mais!

A vassourinha-de-botão pertence à família Rubiaceae, e é uma planta daninha nativa da América tropical. Ela infesta lavouras, pastagens, áreas degradadas e antropizadas.

No Brasil, essa espécie tem sido considerada uma das mais danosas plantas daninhas da soja, do milho e do algodão. Ela tem ganhado destaque por já haver relatos da ineficiência do uso do glifosato no seu controle.

Neste artigo, saiba como identificar essa invasora e fique por dentro das melhores formas de manejo. Boa leitura!

Características da vassourinha (planta daninha)

A vassourinha-de-botão (nome científico Spermacoce verticillata) é uma planta invasora de difícil controle, que ocorre em todo o território brasileiro. Popularmente, ela também é conhecida por: 

  • perpétua-do-mato;
  • poaia-botão;
  • poaia-rosário;
  • falsa-poaia;
  • vassourinha;
  • erva-botão;
  • cordão-de-frade.

A vassourinha-de-botão tem porte herbáceo e ciclo de vida anual ou perene. O caule dessa planta daninha é bastante ramificado. Seu hábito de crescimento é semiprostrado ou ereto. Ainda, ela pode atingir cerca de 80 centímetros de altura

As folhas não têm pecíolos ou são curtamente pecioladas. Elas são simples e têm formato linear-lanceolado

Planta daninha vassourinha-de-botão (Spermacoce verticillata)
(Fonte: Atlas of Florida Plants)

A inflorescência dessa espécie invasora é do tipo cimeira. Isso quer dizer que as flores estão dispostas muito próximas umas das outras, o que forma um aglomerado com aparência de globo. As flores da vassourinha têm coloração branca.

Na vassourinha-de-botão, as inflorescências estão localizadas nas axilas e na porção terminal dos ramos. Os frutos dessa invasora são do tipo cápsula.

Inflorescência da vassourinha-de-botão (Spermacoce verticillata)
(Fonte: Atlas of Florida Plants)

A raiz da vassourinha é pivotante e profunda. Trata-se de uma planta muito rústica, que consegue se desenvolver mesmo terrenos ácidos e com baixa fertilidade de solo. A propagação dessa espécie ocorre por sementes.

Além da sua importância na agricultura, a vassourinha-de-botão também é bastante utilizada na medicina tradicional, no tratamento de diversas doenças. Ela apresenta propriedades anti-inflamatórias, analgésicas e antimicrobianas.

Como identificar essa planta invasora?

A correta identificação das plantas daninhas é fundamental para que o manejo seja realizado com sucesso. A vassourinha-de-botão pode ser identificada visualmente com base nas suas características. Lembre-se de observar os seguintes aspectos ao fazer a avaliação visual:

  • crescimento semi-prostrado ou ereto;
  • folhas lisas
  • folhas simples com formato linear-lanceoladas; 
  • flores nas axilas da planta;
  • flores aglomeradas e em formato de globo, com cor branca; 
  • fruto tipo cápsulas;
  • sistema radicular pivotante.

Além dessas características, para saber se a planta daninha é a vassourinha-de-botão, veja se a última inflorescência está assentada sob brácteas pendentes. 

Outro aspecto que deve ser considerado é a disposição das folhas no ramo. Ainda, as folhas ficam inseridas na mesma altura, no mesmo nó, ao redor do eixo.

Folhas de vassourinha-de-botão
Folhas de vassourinha-de-botão (Spermacoce verticillata)
(Fonte: Atlas of Florida Plants)

A identificação visual pela planta adulta é mais fácil, quando comparada a uma planta jovem. No entanto, é importante destacar que o controle é mais eficiente quando realizado nos estádios iniciais do desenvolvimento das espécies invasoras. 

Danos causados pela Spermacoce verticillata

A presença da vassourinha-de-botão interfere negativamente no desenvolvimento das espécies cultivadas. A competição por recursos (água, luz, espaço e nutrientes) reduz o crescimento das plantas, diminui a produtividade e interfere na qualidade do produto final

Além disso, a presença de espécies indesejáveis prejudica o processo de colheita. Afinal, ela aumenta a quantidade de impurezas e eleva a umidade do produto.

A vassourinha-de-botão também pode ser hospedeira de doenças, insetos-praga, ácaros e nematoides. A seguir, veja melhor como realizar o manejo dessa planta daninha.

Vassourinha-de-botão: controle da espécie invasora

Por se tratar de uma espécie de difícil controle, é importante que o manejo da vassourinha-de-botão seja pautado em esquema integrado de estratégias de controle. 

Métodos como o preventivo, cultural, mecânico e químico podem ser utilizados no manejo dessa planta invasora.

Químico

O controle químico é bastante eficiente no manejo das plantas daninhas. No entanto, é preciso deixar claro que ele deve ser adotado em associação com outros métodos de controle.

Em campo, já foi observada a resistência ao glifosato no controle da vassourinha-de-botão. Isso principalmente quando o glifosato é aplicado em plantas em estádios avançados de desenvolvimento. 

Por isso, é importante que o controle químico seja feito quando as plantas invasoras ainda são jovens. Confira a seguir as moléculas herbicidas registradas para a vassourinha-de-botão na Embrapa e no Mapa (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento):

  • diclosulam + halauxifen-metil;
  • glifosato-sal de isopropilamina;
  • glufosinato-sal de amônio;
  • glufosinato-sal de amônio + lauril éter sulfato de sódio;
  • imazapir;
  • picloram + herbicida 2,4-D;
  • picloram + 2,4-D-trietanolamina;
  • picloram-trietanolamina + 2,4-D-trietanolamina.

Ao adotar o manejo químico, é importante sempre respeitar as orientações quanto à dosagem, época e modo de aplicação dos produtos. Use os equipamentos de proteção individual no manuseio e na aplicação dos produtos.

A rotação de herbicidas com diferentes mecanismos de ação é outro ponto que merece atenção. Essa estratégia diminui a pressão de seleção, dificultando a seleção de plantas resistentes. Além disso, a rotação amplia o número de espécies controladas

Preventivo

As medidas preventivas têm o objetivo de evitar a entrada e o estabelecimento das espécies invasoras em áreas não contaminadas. Algumas das estratégias preventivas que você pode adotar são:

  • evitar que as plantas daninhas se reproduzam e disseminem suas sementes na área. Para isso, é importante que elas sejam controladas ainda na fase inicial de desenvolvimento;
  • realizar a limpeza das ferramentas, máquinas e implementos agrícolas. Isso evita que torrões de terra contendo sementes de vassourinha-de-botão e de outras espécies sejam transferidos de uma área para outra; 
  • eliminar focos de infestação de plantas daninhas;
  • realizar o controle das espécies invasoras no período da entressafra;
  • realizar o controle das plantas espontâneas nas bordaduras das lavouras, estradas e carreadores;
  • realizar o plantio da cultura com sementes de alto valor cultural.

Cultural

No controle cultural, são adotadas as boas práticas agronômicas. Essas práticas têm o objetivo de fornecer condições adequadas para o desenvolvimento da espécie cultivada.

Veja os principais métodos de controle cultural utilizados no manejo da vassourinha-de-botão:

  • época de plantio;
  • arranjo espacial das plantas;
  • rotação de culturas;
  • cobertura do solo no período da entressafra;
  • integração lavoura-pecuária;
  • consórcios de cultivos.

Mecânico

No controle mecânico, a supressão das plantas invasoras ocorre pelo efeito físico de equipamentos como enxada e cultivador. Os métodos utilizados nesse tipo de controle são:

  • capina manual;
  • roçada manual ou mecânica;
  • cultivo mecanizado.

A cobertura morta também possui efeito físico e colabora com o controle das espécies invasoras. Os restos vegetais formam uma barreira física que impede a passagem de luz, temperatura e umidade. 

Além disso, o processo de decomposição desses resíduos liberam compostos aleloquímicos. Essas substâncias podem inibir a germinação e o estabelecimento das plantas invasoras.

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Conclusão

A vassourinha-de-botão (Spermacoce verticillata) é uma planta daninha de difícil controle. Ela pode se desenvolver mesmo sob condições de baixa fertilidade e acidez do solo.

A identificação desta espécie invasora é feita principalmente pelas suas características visuais. Nesse artigo, foram apresentados vários aspectos que podem te ajudar nesse processo.

O manejo dessa daninha é realizado pela adoção de medidas preventivas, culturais, mecânicas e químicas. Na dúvida, sempre consulte um(a) engenheiro(a)-agrônomo(a).

Você conhecia a vassourinha-de-botão? Já teve problemas com essa planta daninha na sua lavoura? Adoraria ler o relato da sua experiência.

Capim-rabo-de-raposa (Setaria parviflora): guia de manejo dessa planta daninha

Capim-rabo-de-raposa: saiba como identificar, danos causados e as melhores técnicas de manejo preventivo, cultural, mecânico e químico.

O capim-rabo-de-raposa é uma gramínea encontrada desde o sul dos Estados Unidos até a Argentina e o Chile. No Brasil, ela é muito presente, encontrada principalmente em áreas de cerrado.

Trata-se de uma planta que infesta lavouras anuais e perenes, como soja, milho, algodão e cana-de-açúcar. Ela se desenvolve em diferentes condições climáticas e tipos de solo. Por isso, causa prejuízos grandes e precisa ser devidamente controlada.

Neste artigo, veja mais detalhes sobre essa planta daninha, como realizar o manejo, danos causados e mais! Confira a seguir.

Como identificar o capim-rabo-de-raposa

O capim-rabo-de-raposa (Setaria parviflora) é uma gramínea perene. Ela tem crescimento ereto, ou seja, forma touceiras. Popularmente, também é conhecida como capim-rabo-de-gato, capim-rabo-de-rato, capim setaria, bambuzinho, espartilho e esparto-pequeno.

O caule dessa gramínea é do tipo rizoma. Os colmos são levemente achatados e podem atingir 1 metro de altura. As folhas do capim-rabo-de-raposa são formadas por bainha, lígula e lâmina foliar (limbo). As folhas têm formato linear-lanceolado.

Capim-rabo-de-raposa e inflorescência (Setaria parviflora)
(Fonte: Missouri State University)

A inflorescência é do tipo espiga. Ela é constituída por várias espiguetas de cor palha ou avermelhada. Essas espiguetas estão envoltas por várias cerdas.

Essa planta pode ser identificada em campo pelas inflorescências. Na mesma planta, é possível observar espigas completas e espigas sem espiguetas, porém com a presença das cerdas.

Essa espécie invasora é propagada por sementes e pela divisão dos rizomas. Além de ocupar áreas de lavoura, essa gramínea cresce espontaneamente em áreas urbanas, terrenos baldios e margens de estradas.

Rizomas do capim-rabo-de-raposa (Setaria parviflora)
(Fonte: Missouri State University)

O capim-rabo-de-raposa pode ser confundido com o capim-custódio (Pennisetum setosum). No entanto, é importante deixar claro que o capim-rabo-de-raposa tem porte menor e a coloração da inflorescência tem tons mais claros

Danos causados pelo capim setaria (Setaria parviflora) 

A competição entre as plantas daninhas e as espécies cultivadas é um dos fatores que contribui para a redução da produtividade. O capim-rabo-de-raposa compete com a cultura principal pelos mesmos recursos: água, luz, espaço e nutrientes

Além disso, essa gramínea pode ser hospedeira de insetos-pragas, ácaros, fungos e nematoides.  Algumas consequências da presença do capim-rabo-de-raposa no momento da colheita são:

  • aumento da umidade do produto colhido (grãos e fibra de algodão);
  • aumento dos custos de beneficiamento de grãos;
  • redução da qualidade do produto final; 
  • dificuldades operacionais (como embuchamento da colhedora).

Como realizar o manejo da erva de raposa?

No caso do capim-rabo-de-raposa, a reprodução por sementes e pela fragmentação dos rizomas confere a essa gramínea um grande potencial de infestação. Isso dificulta o controle.

Diante disso, é importante fazer o manejo integrado das plantas daninhas. A associação de diferentes métodos garante maior eficiência no controle e evita o aumento da infestação.

O manejo do capim-rabo-de-raposa envolve a adoção de medidas preventivas, culturais, mecânicas (ou físicas) e químicas. Confira a seguir.

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Manejo preventivo 

O manejo preventivo tem o objetivo de prevenir que sementes e outras estruturas reprodutivas sejam introduzidas e se disseminem em uma área não infestada. Para isso, algumas práticas agrícolas podem ser adotadas, como:

  • utilizar sementes e mudas certificadas;
  • utilizar esterco de procedência conhecida e livre de patógenos e sementes;
  • realizar o controle das espécies invasoras nos carreadores, bordaduras das lavouras e beiras de estradas;
  • limpar os equipamentos, as máquinas e os implementos agrícolas, para evitar que restos vegetais e torrões de terra contaminados sejam transferidos de uma área para outra.

Manejo cultural

O manejo cultural das plantas daninhas fornece boas condições para que a espécie de interesse agronômico se desenvolva. Isso aumenta a capacidade competitiva entre as plantas cultivadas e as invasoras.  Dentre as estratégias que podem ser adotadas, temos:

  • adubação equilibrada;
  • bom preparo de solo;
  • cobertura verde;
  • densidade de plantio;
  • plantio de cultivares/variedades adaptadas às condições da região;
  • rotação de culturas;
  • sistema de plantio (convencional ou direto). 

Manejo mecânico ou físico

O manejo mecânico (ou físico) envolve arrancar ou cortar as plantas daninhas. Nesse sentido, algumas técnicas podem ser empregadas, como:

  • aração e gradagem;
  • arranquio e capina manual;
  • cobertura morta;
  • cultivo mecanizado;
  • roçagem manual ou mecânica.

Manejo químico

No mercado, é possível encontrar diversos herbicidas recomendados para o manejo do capim-rabo-de-raposa. Abaixo, você pode conferir algumas moléculas com registro ativo no Mapa (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento);

  • Alacloro;
  • Atrazina;
  • Cletodim;
  • Glifosato;
  • MSMA;
  • Pendimetalina;
  • Propanil;
  • Tebutiurom;
  • Trifluralina;
  • Quizalofope-P-etílico.

O herbicida paraquate já foi bastante utilizado no controle químico do capim-rabo-de-raposa. No entanto, é importante lembrar que desde o ano de 2020, a Anvisa determinou a proibição do uso e da comercialização dessa molécula.

Antes de usar qualquer produto químico leia com atenção o rótulo, a bula e o receituário agronômico. Sempre faça a rotação de herbicidas com diferentes mecanismos de ação. Essa técnica dificulta a seleção de plantas resistentes aos produtos químicos. 

Além disso, a rotação diminui o banco de sementes do solo e aumenta o número de espécies controladas.

Não se esqueça de utilizar os equipamentos de proteção individual (EPI) necessários para a manipulação e aplicação dos herbicidas. Eles são essenciais para garantir a segurança de todos

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Conclusão

O capim-rabo-de-raposa (Setaria parviflora) é uma gramínea perene que forma densos agrupamentos. A propagação ocorre por sementes e pela divisão de rizomas, o que dificulta o manejo.

Essa gramínea compete por recursos, reduz a produtividade, dificulta as operações de colheita, reduz a qualidade do produto colhido e eleva os custos com o beneficiamento.

O manejo deve ser realizado de maneira integrada. Lembre-se que a adoção de mais de uma estratégia aumenta a eficiência do controle e evita o aumento da infestação. 

Você já conhecia o capim-rabo-de-raposa? Está enfrentando problemas com essa espécie na lavoura? Deixe seu comentário.