Por que a ervilhaca para cobertura do solo pode ser uma ótima opção para sua fazenda

Ervilhaca para cobertura do solo: melhores práticas para cultivo e os benefícios para a produção de grãos em sucessão 

Você está procurando uma boa alternativa para cobertura do solo no outono-inverno? A ervilhaca pode ser uma ótima opção!

Essa leguminosa é uma excelente alternativa como cobertura do solo e adubação verde, além de servir como forrageira de alta qualidade nutricional para alimentação animal.

Você sabia que a inserção dessa cultura no sistema produtivo também é interessante para as culturas sucessoras?

Neste artigo, você verá alguns motivos pelos quais você deve investir na cobertura do solo com ervilhaca, além de como e quando utilizá-la. Confira!

Quando e como a ervilhaca pode ser cultivada?

A ervilhaca é uma leguminosa anual de inverno, com hábito de crescimento trepador e boa resistência a períodos de geada. Ela não resiste à seca ou ao calor excessivo.

Sua semeadura ocorre entre os meses de março e junho. Quanto mais tardia for, menor será a produção de biomassa vegetal.

A semeadura pode ser realizada a lanço ou em linhas com espaçamento de 20 cm. A profundidade ideal de semeadura deve ser de 3 a 5 cm, distribuindo 40 a 60 kg de sementes por hectare.

A cultura  não tolera solos ácidos e encharcados. Ela se desenvolve bem em solos argilosos e férteis, e se adapta também a solos arenosos, desde que bem fertilizados.

Ela é utilizada principalmente no Sul do Brasil, antes da semeadura do milho primeira safra, e é uma ótima opção para anteceder o cultivo de grandes culturas como soja e feijão.

O cultivo da ervilhaca pode ser solteiro ou em consórcio com outras espécies como aveia, centeio e azevém.

A importância da consorciação está na decomposição mais lenta e na cobertura residual prolongada dessas gramíneas, ao passo que a ervilhaca contribui com o maior aporte de nitrogênio e rápida decomposição dos seus resíduos.

Também é interessante o consórcio da ervilhaca com plantas como o nabo forrageira, que atua na descompactação do solo e ciclagem de nutrientes.

Essa associação aumenta a proteção do solo, devido ao maior aporte de resíduos vegetais e à supressão de plantas daninhas.

Por que utilizar a ervilhaca para cobertura do solo?

Com a inserção da ervilhaca no sistema produtivo, o cultivo de culturas sucessoras pode ser muito mais vantajoso.

Alguns benefícios do cultivo da ervilhaca são:

  • proteção do solo e diminuição dos riscos de erosão;
  • minimiza os danos causados pelo uso intensivo do solo;
  • eleva as taxas de infiltração e retenção de água no solo;
  • adubação verde (leguminosa que fixa nitrogênio e incorpora ao solo);
  • maior disponibilidade de nutrientes;
  • raízes profundas e ramificadas que reduzem a compactação do solo;
  • boa resistência ao frio;
  • forrageira de excelente qualidade nutricional para alimentação animal;
  • pode ser inserida na sucessão, consorciação e rotação de culturas;
  • eficiente no controle de plantas daninhas;
  • cultura de baixo investimento.

Por ser uma leguminosa de inverno, ela mantém o solo coberto na entressafra, o protegendo de diversos problemas relacionados à erosão e lixiviação de nutrientes.

A ervilhaca, solteira ou em consórcio, produz volume considerável de resíduos vegetais para cobertura do solo.

tabela com produção de massa seca da parte aérea de ervilhaca solteira e consorciada com aveia-preta ou nabo forrageiro

Produção de massa seca da parte aérea de ervilhaca solteira e consorciada com aveia-preta ou nabo forrageiro
(Fonte: Adaptado de Forte et al. 2018)

Essa cobertura proporciona melhorias na fertilidade do solo, além de auxiliar na supressão de plantas daninhas.

A importância da consorciação com essas espécies gramíneas está na baixa relação C/N da ervilhaca, com rápida decomposição dos seus resíduos vegetais, deixando o solo descoberto e sujeito a erosão.

Por outro lado, essa rápida decomposição dos resíduos vegetais é benéfica para as culturas sucessoras, devido à rápida liberação dos nutrientes no solo.

Como a ervilhaca impacta a produção de grãos em sucessão

Manter o solo coberto durante a entressafra é a melhor forma de garantir a produtividade da lavoura em sucessão.

A ervilhaca é uma excelente planta de cobertura do solo e beneficia as culturas em sucessão, já que reduz a utilização de adubos nitrogenados devido a sua capacidade de fixar nitrogênio da atmosfera e incorporá-lo ao solo.

A utilização dessa espécie como cobertura do solo produz em torno de 20 a 30 toneladas de massa verde por hectare e 4 a 6 toneladas de massa seca por hectare. Por isso, é uma alternativa rentável e sustentável para a sua propriedade.

tabela com produção de massa verde e seca da parte aérea de ervilhaca

Produção de massa verde e seca da parte aérea de ervilhaca
(Fonte: Ademir Calegari, 2016)

Além disso, é uma ótima opção para o Sistema Plantio Direto e rotação de culturas, pois os nutrientes da planta permanecem na palhada e favorecem a fertilidade da cultura em sucessão.

Veja o aumento da produtividade de grãos de milho e feijão após o cultivo de ervilhaca.

tabela com a cobertura do solo com ervilhaca contribui consideravelmente no aumento da produtividade de grãos de milho e feijão em sucessão

A cobertura do solo com ervilhaca contribui consideravelmente no aumento da produtividade de grãos de milho e feijão em sucessão
(Fonte: adaptado de Forte et al. 2018)

Essa é uma espécie de ampla versatilidade, podendo ser utilizada como cobertura do solo, adubação verde e como forragem para alimentação animal.

Aqui no blog da Aegro também já falamos sobre outras culturas que podem ser interessantes para cobertura de solo no inverno. Faça download gratuitamente clicando na imagem abaixo!

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Conclusão

A ervilhaca para cobertura do solo é uma alternativa com inúmeras vantagens

Ela pode ser utilizada na rotação e/ou sucessão de culturas como cobertura do solo e adubação verde, além de ser uma excelente forrageira para alimentação animal.

Ela aumenta o aporte de nitrogênio pela fixação biológica e reciclagem de nutrientes. Suas raízes profundas e ramificadas auxiliam na descompactação de solos adensados.

Além disso, é ótima na supressão de plantas daninhas por formar um “colchão” sobre o solo. A produtividade das culturas geralmente é mais elevada em sucessão à ervilhaca.

Agora que você tem essas informações, utilize a ervilhaca como cobertura do solo no outono-inverno em sua propriedade e garanta a produtividade da sua lavoura!

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Perspectivas para a safra de inverno!

“Saiba como o estilosante pode ser uma boa opção para a cobertura do solo”

Restou alguma dúvida sobre o tema? Você já utilizou ervilhaca para cobertura do solo em sua propriedade? Adoraria ler seu comentário abaixo!

Por que o uso da glicina betaína na agricultura é uma aliada da produtividade

Glicina betaína na agricultura: sua importância em resposta a estresses em plantas, sua formação e o potencial uso na lavoura

A produtividade agrícola depende de diversos fatores importantes, como os estresses abióticos. Esses estresses são grandes causadores da diminuição da produtividade.

Existem duas maneiras de lidar com essa situação: prevenindo que aconteça e amenizando seus efeitos nas plantas.

Prevenir estresses não é uma prática agrícola simples, apesar de você poder usar técnicas como a irrigação em casos de seca ou altas temperaturas. 

Neste sentido, a glicina betaína pode ajudar muito!

Quer entender melhor como ela age nos cultivos agrícolas e como você pode fazer o máximo aproveitamento em sua lavoura? Confira a seguir!

O que é a glicina betaína?

A glicina betaína é uma molécula classificada como uma amina quaternária. Ela contém em sua fórmula elementos químicos como oxigênio, hidrogênio, carbono e nitrogênio.

Fórmula química de uma glicina betaína

Fórmula química de uma glicina betaína
(Fonte: FCiências)

A glicina betaína é sintetizada nos cloroplastos das plantas a partir da colina, um nutriente com metabolismo similar ao de aminoácidos.

Ela é uma molécula presente inicialmente em folhas, mas que pode ser transportada pela planta.

Ela não é o final da cadeia de reações e pode ser precursora de outras moléculas como o piruvato, o hormônio etileno e o aminoácido metionina, através de outras vias metabólicas.

Qual a função da glicina betaína?

A glicina betaína, como molécula isolada, tem função de osmoproteção nas células vegetais. 

Osmoprotetores são moléculas capazes de se acumular em células, evitando a perda excessiva de água para as células vizinhas, atuando no ajuste osmótico.

O princípio de ação dos osmoprotetores é aumentar a quantidade de solutos dentro de uma célula para evitar que a água saia dessa célula para outra, por meio da osmose.

Existem alguns tipos de moléculas com função de osmoproteção, como: as betaínas (de onde deriva a glicina betaína), os aminoácidos (como a prolina) e açúcares (como a trealose).

Quando a osmoproteção é necessária em plantas?

A osmoproteção é normalmente necessária em plantas quando, por algum motivo, o teor de água nas células vegetais vivas começa a diminuir

Esse processo evita a perda excessiva de água e a dessecação da célula vegetal.

Os estresses abióticos, como seca, temperatura alta e salinidade causam diversas reações nas plantas, desde processos bioquímicos, fisiológicos ou físicos, alterando seu metabolismo e diminuindo sua eficiência.

Esses estresses acabam sendo indutores dessas alterações, como:

  • seca: a diminuição da água no solo pode acontecer por um balanço negativo entre evapotranspiração do sistema solo-planta e a pluviosidade. Isso diminui o potencial hídrico do solo e gera diminuição da entrada de água nas células das raízes;
  • alta temperatura do ar: aumento da temperatura do ar causa maior pressão para a transpiração pelos estômatos para diminuir a temperatura foliar, além de aumentar também a evaporação de água do solo. Isso agrava ainda mais os efeitos da seca;
  • salinidade: solos com elevados níveis de sal tem um potencial hídrico reduzido, causando maior retenção de água em suas partículas e aumentando a dificuldade das raízes em retirar água do solo, causando um efeito similar ao da seca.

A combinação dos três fatores normalmente causa um estresse de maior impacto, elevando os riscos de desidratação das células das plantas e aumentando a necessidade de mecanismos de osmoproteção.

Como a água é transportada nas plantas?

O fluxo de água pela planta se dá pela diferença de potencial hídrico na trajetória solo-planta-atmosfera. Os valores, normalmente, são muito maiores no solo, depois na planta são muito menores no ar atmosférico.

O potencial hídrico é sempre um valor negativo. Abaixo você verá valores comuns para o potencial no solo, no interior da planta e na atmosfera.

Perceba que os valores são muito maiores (próximos a zero) no solo e muito mais negativos no ar, definindo o fluxo de água.

Esquema do potencial hídrico no sistema solo-planta-atmosfera

Esquema do potencial hídrico no sistema solo-planta-atmosfera
(Fonte: USP)

Qualquer diminuição no teor de água no solo poderá causar uma diminuição no conteúdo de água interno da planta. 

A diminuição nos teores internos de água inicia um processo de sinalização ao longo da planta, desencadeando a síntese de diversas moléculas e a alteração de vários processos, bioquímicos, fisiológicos e físicos.

Qual o modo de ação da glicina betaína?

A busca por soluções para uma resposta mais eficiente de plantas a estresses abióticos tem passado pelo uso de substâncias com efeito protetor aos danos causados nos processos bioquímicos, fisiológicos e físicos do metabolismo vegetal.

A síntese de glicina betaína é aumentada após a sinalização de diminuição do teor de água na planta. O aumento desses compostos causam uma série de efeitos na planta em diversos níveis e locais.

Inicialmente, esses efeitos são relacionados à manutenção da turgescência, ou seja, evitando a murcha celular, mas também apresentam funções específicas. 

Veja quais são as mais importantes:

  • diminuição de radicais livres sintetizados em resposta ao estresse;
  • proteção dos sistemas de recepção de luz das plantas;
  • manutenção da fotossíntese e da atividade de enzimas relacionadas a ela;
  • manutenção da integridade de membranas;
  • homeostase iônica;
  • proteção de órgãos de reprodução;
  • osmorregulação e osmoproteção;
  • acúmulo de outras moléculas de resposta a estresses, como a prolina.

Qual é a utilidade da glicina betaína na agricultura?

A síntese de glicina betaína é inerente às plantas em condições de estresses abióticos, mas sua aplicação no sistema pode trazer benefícios. 

Ela pode ser utilizada como um bioestimulador, causando um efeito inicial na planta.

Ao se aplicar a molécula de maneira externa, é causada uma indução de estado de alerta da planta, prévio ao evento de estresse. 

Isso pode gerar uma resposta mais rápida e eficiente dos mecanismos de proteção à diminuição do teor de água nas células, seja qual for o estresse responsável por isso.

Já foram reportados efeitos positivos da aplicação de glicina betaína na agricultura, via solo, foliar ou por fertirrigação.

Dentre elas há grãos, hortaliças, oleaginosas e forrageiras, como arroz, feijão, soja, cevada, trigo, milho, aveia e azevém.

Além disso, existem produtos registrados para aplicação de glicina betaína, como Vegetal B60, Amino Proline, e outros com presença de precursores da molécula, como o Biopower Gold.

Recomendações de uso da glicina betaína

Aqui apresentamos a recomendação de uso dos produtos Amino Proline  e Bipower Gold para algumas culturas agrícolas de interesse:

tabela com recomendações de uso de produtos

Recomendações de uso de produtos
(Fontes: Bulas de Amino Proline e Biopower Gold)

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Conclusão

O uso de bioestimulantes é uma opção viável para diminuir os impactos causados por fatores não-ideais.

A previsão futura é de que a atividade agrícola estará cada vez mais à mercê de eventos climáticos pouco previsíveis e que podem causar severas perdas à agricultura mundial. 

O uso da glicina betaína na agricultura tem sido visto como uma opção viável para reduzir os impactos da diminuição do teor de água em células vegetais. 

Sua ação pode manter o potencial produtivo de culturas agrícolas, mesmo em condições não-ideais de cultivo.

>>Leia mais:

“Saiba como funcionam os bioativadores e quais são os tipos disponíveis no mercado”

Você já conhecia os potenciais do uso da glicina betaína na agricultura? Assine nossa newsletter para receber mais conteúdos como esse!

Guia rápido da adubação de boro e zinco no café

Boro e zinco no café: entenda a importância desses nutrientes para a sanidade, vigor e produtividade do cafeeiro e as opções de produtos 

A nutrição de plantas é, junto do clima e da interação de microrganismos, um dos fatores primordiais para a produção vegetal. 

Cada tipo de nutriente apresenta particularidades com relação às suas fontes, modo de absorção, teores recomendados, mobilidade no solo e na planta, pH ideal para absorção, dentre outros.

Por isso, fazer o manejo adequado de micronutrientes pode te ajudar a garantir a produtividade do café.

Neste artigo, você verá  a importância de micronutrientes específicos como boro e zinco para a cultura do cafeeiro e as suas formas de correção na lavoura. Acompanhe!

O que são micronutrientes e qual a sua importância?

Os nutrientes minerais se dividem entre macro e micronutrientes, conforme a quantidade necessária para o desenvolvimento vegetal.

Apesar de serem requeridos em menores quantidades, os micronutrientes são tão limitantes para a produtividade quanto os macronutrientes. 

Conforme a lei do mínimo, a produção é definida pelo elemento mais limitante no solo, seja ele um macro ou micronutriente.

foto de um barril de madeira com as siglas dos nutrientes  e no meio onde estão N, P e K tem uma abertura saindo grãos de soja e espalhando para fora - Lei do mínimo para a produção vegetal
Lei do mínimo para a produção vegetal
(Fonte: AgroFácil)

Nutrientes podem ser considerados essenciais para as plantas quando se encaixam nos critérios de essencialidade. São eles:

  • ser parte de um composto vital para a planta; 
  • ser necessário para que a planta complete seu ciclo de vida;
  • não pode ser substituído por outro nutriente ou elemento.

Os micronutrientes vegetais são: boro (B), cloro (Cl), cobre (Cu), ferro (Fe), manganês (Mn), molibdênio (Mo) e zinco (Zn). 

Cada um desses elementos tem funções específicas no metabolismo de plantas. As deficiências de boro e o zinco são frequentes na agricultura brasileira.

O boro no cafeeiro

Funções

O boro é um micronutriente essencial para plantas e atua em múltiplas funções, como:

  • germinação do grão de pólen e crescimento do tubo polínico: isso faz com que o boro seja primordial para o desenvolvimento e pegamento de florada, influenciando no potencial de produção de frutos;
  • divisão e diferenciação celular, síntese de celulose e lignina, e síntese de parede celular: isso aumenta a resistência das plantas ao ataque de pragas e doenças;
  • translocação de açúcares da folha para outros órgãos;
  • crescimento de meristemas.

Sintomas da deficiência

A deficiência de boro nas plantas é comum em condições de campo devido à sua alta mobilidade no solo e potencial lixiviação.

Os principais sintomas dessa deficiência nutricional no cafezal aparecem em folhas novas e regiões de crescimento. Os mais comuns são: 

  • folhas menores, verde-claras e com deformações;
  • diminuição do crescimento radicular; 
  • morte da gema apical e superbrotação;
  • baixo pegamento de florada.
três fotos com sintomas da deficiência de boro em café: folhas verde-claras, deformadas e superbrotação
Sintomas da deficiência de boro em café: folhas verde-claras, deformadas e superbrotação
(Fonte: Emater)

Correção

O boro é um nutriente com alta mobilidade no solo, porém com baixa mobilidade na planta, sendo imóvel no floema. Sendo assim, a recomendação é de correção de boro via solo.

Os teores ideais desse nutriente são de 40-80 ppm em nível foliar, ou acima de 0.5 mg/dm3 no solo. Em valores abaixo desses, a correção é recomendada.

As principais fontes de boro para aplicação no solo são o ácido bórico, o Boráx e a ulexita. Os dois primeiros são solúveis em água, e a solubilidade da ulexita depende da razão entre sódio e cálcio, que também fazem parte desse composto.

As recomendações para a produção do cafeeiro são de 6,5g de B por saca de café ou, para 30 sacas/ha, seriam necessários cerca de 200 g/ha de B, o que representa cerca de 1 kg/ha de ácido bórico. 

Porém, devido à alta lixiviação e perda, não é incomum que doses maiores sejam recomendadas, como de 2 a 6 kg/ha de boro.

Toxidez

Níveis de boro com cerca de 100 ppm em nível foliar são considerados tóxicos. Os sintomas de toxidez são folhas rajadas de verde e amarelo com bordas deformadas.

O zinco no cafeeiro

Funções

O zinco também é um micronutriente essencial para plantas e atua em múltiplas funções, dentre elas:

  • componente de enzimas: são importantes como facilitadores de reações da fotossíntese durante a formação da glicose;
  • atua na síntese do triptofano: esse aminoácido é precursor da molécula de auxina, um importante regulador do crescimento de plantas;
  • importante na síntese de proteínas.

Sintomas da deficiência

A deficiência de zinco é comum no cafeeiro. Os sintomas aparecem normalmente em folhas novas, devido à sua baixa mobilidade na planta, assim como o boro. Os mais comuns são: 

  • folhas alongadas, finas e com bordas enroladas;
  • destaque das nervuras verdes pelo amarelecimento do limbo foliar; 
  • encurtamento de internódios nas pontas dos ramos com formação de roseta;
  • redução de tamanho dos frutos.
Sintomas da deficiência de boro em café: folhas alongadas e finas, nervuras verdes e limbo amarelado
Sintomas da deficiência de boro em café: folhas alongadas e finas, nervuras verdes e limbo amarelado
(Fonte: Yara)

É importante ressaltar que os sintomas de deficiência de zinco são semelhantes aos sintomas de toxidez por glifosato, sendo primordial detectar sua origem para decidir o melhor manejo.

Correção

A correção de zinco pode ser feita via solo ou foliar no cafeeiro. Os teores ideais são de 8 a 20 ppm em folhas e em torno de 3 mg/dm3 no solo.

A recomendação de 6 kg/ha de zinco é comum para a adubação via solo. Nesse caso, você deve se atentar a alguns fatores que podem diminuir a disponibilidade de zinco para a planta. São eles:

  • presença de fósforo (P) em excesso;
  • solos mais arenosos;
  • aumento do pH do solo.

Toxidez

Os níveis de toxidez de zinco podem variar conforme a fase de desenvolvimento da cultura. Porém, valores acima de 20 ppm nas folhas são normalmente considerados como tóxicos. 

O excesso de zinco em época de florada pode causar abortamento de flores

O monitoramento das quantidades de zinco no solo e na folha, assim como o acompanhamento preciso das atividades de manejo da lavoura, são importantes para detectar a possibilidade de toxidez desse nutriente.

A importância do manejo correto de boro e zinco no café

O manejo dos teores de nutrientes no solo é crucial para o bom andamento da lavoura e expressão máxima do potencial produtivo da cultura.

No caso dos micronutrientes, seu uso tem que ser ainda mais cuidadoso visto que, por serem requeridos em menor quantidade, um erro de cálculo ou falha na aplicação pode facilmente causar deficiência ou toxidez.

gráfico com relação entre disponibilidade de nutrientes e produção de plantas
Relação entre disponibilidade de nutrientes e produção de plantas
(Fonte: Faquin, 2002)

Isso acontece normalmente com o zinco e o boro, e suas concentrações têm de ser bem manejadas e monitoradas através de análises de solo e foliares.

Abaixo, você verá valores de referência para teores foliares dos dois nutrientes ao longo do ano, para café arábica em produção

Valores adequados de boro e zinco, em teores foliares, para cafezais com produção de 30 a 40 sacas/ha
Valores adequados de boro e zinco, em teores foliares, para cafezais com produção de 30 a 40 sacas/ha
(Fonte: Potafos)
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Conclusão

O manejo adequado de nutrientes no solo é fator primordial para o sucesso do cultivo

Realize o manejo no momento da correção dos teores presentes no solo ou na fertilização para viabilizar o crescimento, desenvolvimento e produtividade do cafeeiro.

As recomendações de produtos, doses e épocas de aplicação também são muito importantes para o manejo de micronutrientes, principalmente o zinco e o boro.

Uma consulta a seu assistente técnico é o procedimento ideal para sanar dúvidas e obter os melhores resultados em sua lavoura.

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“Acerte no adubo líquido para café e não jogue dinheiro fora”

“Tudo o que você precisa saber sobre a produção de cafés especiais”

Você já precisou realizar o manejo de boro e zinco no café? Conte sua experiência nos comentários, e assine nossa newsletter para receber mais artigos como este.

Fertilização em excesso? Entenda os riscos da overfert e saiba como evitar que ela ocorra

Overfert: saiba quais são os sintomas e as consequências que a adubação em excesso pode provocar na sua lavoura

A busca por altas produtividades agrícolas pode levar à utilização de adubos em dosagens cada vez mais pesadas.

Mas uma adubação feita em excesso e sem critérios não aumenta a produtividade e, pior, ainda compromete o desenvolvimento da lavoura, podendo também prejudicar o meio ambiente. Além disso, aumenta os custos de produção e traz risco de fitotoxicidade nas plantas.

Entenda quais são os sintomas da overfert (excesso de fertilização), suas consequências e como evitar esse problema na lavoura. Confira a seguir!

O que é overfert?

A overfert ou overfertilization é o excesso de fertilização da planta, provocada pela aplicação de doses de adubos muito acima da exigida pela cultura. Essa condição compromete o desenvolvimento da lavoura, prejudicando a produtividade e causando uma série de outros problemas.

Geralmente, as áreas destinadas ao plantio de grandes culturas, como soja e milho, apresentam solos com baixa fertilidade natural e elevada acidez. E, na busca por alta produtividade, a adubação é feita em dosagens cada vez mais pesadas.

Mas uma fertilização sem critérios e excessiva não melhora a produtividade – pelo contrário. Maiores dosagens de fertilizantes elevam os custos de produção e oferecem riscos, podendo gerar toxicidade nas plantas e queda da produtividade. 

Assim como a carência de determinados nutrientes no solo compromete o desenvolvimento da lavoura, o excesso também pode prejudicar a cultura.

Por essa razão, as recomendações de adubação devem ser feitas em função da fertilidade do solo. Precisamos conhecer a quantidade e quais são os nutrientes disponíveis para as plantas para então definir o quanto será necessário para atender as exigências da cultura. Vou explicar melhor a seguir.

Como determinar a fertilidade do solo?

A fertilidade só pode ser determinada em laboratório. A partir de uma amostra de solo podemos saber quais nutrientes estão em falta ou excesso, e assim, estabelecer um plano de manejo adequado para um bom desenvolvimento da cultura.

É importante que os nutrientes estejam em equilíbrio no solo, pois o excesso ou falta de algum afeta diretamente na disponibilidade e absorção dos demais. Sendo assim, a análise de solo é uma ferramenta indispensável para a tomada de decisão.

Leis gerais da adubação

Abaixo estão descritas duas leis que irão te ajudar a entender melhor como funciona o processo de adubação:

Lei do Máximo

Maiores dosagens de fertilizantes se tornam um limitante para o desenvolvimento da cultura. Em outras palavras, doses elevadas podem causar toxidez nas plantas. O excesso de determinado nutriente também pode levar à não absorção dos demais, causando sintomas de deficiência

A busca pelo equilíbrio dos nutrientes no solo é fundamental para o aproveitamento racional dos recursos e para obter altas produtividades.

Lei dos Incrementos Decrescentes ou Lei de Mitscherlich

A produtividade das plantas decresce à medida em que são fornecidos mais nutrientes via adubação. Maiores doses de fertilizantes resultam em incrementos de produção cada vez menores.

Inicialmente, a planta responde positivamente às doses crescentes e tem ganhos na produtividade. Porém, quando a produção máxima é atingida, não é possível observar resultados positivos e há queda de produtividade.

Vale lembrar que os custos de produção se elevam proporcionalmente ao aumento da dosagem de fertilizantes. Por essas razões, é preciso estar atento às exigências de cada cultura e à época de aplicação.

É essencial conhecer o ciclo de desenvolvimento das plantas para que as adubações sejam realizadas de acordo com as exigências nutricionais nas fases de maior demanda e, assim, explorar o máximo potencial produtivo da cultura.

Representação gráfica da Lei dos Incrementos Decrescentes

Representação gráfica da Lei dos Incrementos Decrescentes

Recomendação de adubação

As altas produtividades atingidas pelo Brasil se devem ao manejo adequado de uma série de fatores, dentre eles a adubação das lavouras

Para uma adubação correta é preciso que seja feita primeiro uma amostragem do solo, em qualquer época do ano. É preciso coletar amostras representativas da área, que variam de acordo com o tamanho e homogeneidade do solo.

Essas amostras devem ser armazenadas em sacos plásticos limpos para evitar a contaminação. Devem ser identificadas com o nome da propriedade e do produtor rural, data, local e profundidade de amostragem para posterior envio ao laboratório.

Importante ressaltar que problemas de amostragem podem implicar em recomendações equivocadas, pois os resultados podem não ser representativos. Assim, é essencial que a coleta de solo seja feita por pessoas qualificadas para essa função.

Para a interpretação dos resultados da análise de solo, consulte um engenheiro agrônomo. 

A análise de solo e os boletins regionais de adubação permitem que o engenheiro-agrônomo determine qual quantidade de fertilizantes atenderá às exigências da cultura, qual a formulação ideal, modo e época de aplicação.

O milho, por exemplo, é bastante exigente quanto aos teores de nitrogênio e potássio. Em caso de recomendações muito altas de adubação, é comum que elas sejam parceladas ao longo do desenvolvimento da cultura para atender os picos de absorção desses nutrientes pela lavoura. 

Como corrigir a overfert?

A adubação em excesso pode ser evitada, mas dificilmente poderá ser corrigida. Por isso, é preciso cautela tanto na recomendação quanto na aplicação dos fertilizantes.

É preciso pautar as recomendações de adubação na análise de solo, além de respeitar as exigências nutricionais de cada cultura. 

Também é preciso considerar a época e a técnica de aplicação dos fertilizantes, visto que a má distribuição do produto na área pode ocasionar toxicidade em pontos específicos da lavoura.  

8 consequências da overfert

Confira algumas consequências que a adubação em excesso pode causar à sua lavoura:

  • toxidez das plantas;
  • diminuição da resistência ao ataque de pragas e doenças;
  • redução da produtividade;
  • alteração do pH do solo;
  • salinização do solo, que pode levar ao estresse hídrico das plantas;
  • deficiência nutricional pela dificuldade de absorção dos demais nutrientes; 
  • contaminação ambiental em função da lixiviação, escoamento superficial e/ou volatilização dos fertilizantes;
  • elevação dos custos de produção.

Sintomas de overfert

Muitas vezes, a toxidez pelo excesso de nutrientes pode ser confundida com sintomas causados por insetos e doenças. Sendo assim, a correta identificação dos sintomas é essencial para o manejo ideal da lavoura, e para isso é preciso conhecer o histórico da área.

Os sintomas da adubação em excesso podem variar de uma espécie para outra, mas, em geral, são verificados visualmente nas folhas mais velhas, que podem apresentar clorose, pontos necróticos e encarquilhamento.

Também pode haver atraso da fase reprodutiva da planta em razão do aumento da fase vegetativa, e as folhas podem apresentar coloração verde-escura

Vale ressaltar que, embora alguns sintomas não sejam visualmente detectados, ainda pode ocorrer redução da produtividade.

Folha de soja com pontos necróticos e clorose pela toxidez por manganês overfert

Folha de soja com pontos necróticos e clorose pela toxidez por manganês
(Fonte: adaptado de Hernandez-Soriano et al.)

foto com sintomas de toxidez por boro em folhas de arroz overfert

Sintomas de toxidez por boro em folhas de arroz
(Fonte: Rice Knowledge Bank)

planilha para adubação de milho Aegro, baixe agora

Conclusão

O sistema solo-planta tem seu limite e é importante entender que não haverá aumento de produtividade com a superdosagem de fertilizantes. 

Sendo assim, a análise de solo é a ferramenta mais segura para a adoção de práticas de adubação mais sustentáveis.

Doses acima das exigidas pela cultura podem causar danos significativos e comprometer a produtividade.

Resumindo, a adubação em excesso (overfert) não contribui para o melhor e mais rápido desenvolvimento da lavoura. 

Além disso, a adequada correção da fertilidade aumenta as chances do bom estabelecimento da lavoura. 

>> Leia mais:

“9 micronutrientes das plantas: como e quando utilizá-los”

“Como o mapeamento de fertilidade do solo pode gerar economia na fazenda”

“Adubação de sistemas: como fazer para ter mais economia e alta produtividade”

Você já passou por algum problema causado pela overfert em sua lavoura? Ficou com alguma dúvida? Vamos continuar essa conversa nos comentários! 

Entenda como os aminoácidos nas plantas podem melhorar sua produção agrícola

Aminoácidos nas plantas: o que são, quais suas funções e como eles podem auxiliar na eficiência agronômica das culturas.

O grande desafio da agricultura atual é aumentar a eficiência das culturas e, consequentemente, os ganhos em produtividade

Substâncias como os aminoácidos podem ser utilizadas para aumento da eficiência do uso de fertilizantes, indução da resistência de plantas ao estresse hídrico e resistência ao ataque de pragas e doenças. 

Entenda neste artigo o que são os aminoácidos, como eles são sintetizados pelas plantas e como podem ser utilizados na agricultura. Confira!

O que são os aminoácidos?

Aminoácidos são substâncias orgânicas que formam proteínas. São moléculas formadas por um Carbono (C) central ligado a um grupamento Carboxila (COOH), um grupamento Amino (NH2), um átomo de Hidrogênio e um grupamento R. 

estrutura de um aminoácido

Estrutura de um aminoácido
(Fonte: adaptado pelo autor)

Os grupamentos orgânicos R encontrados nos aminoácidos diferenciam as moléculas existentes. 

As plantas geralmente sintetizam cerca de 20 aminoácidos que podem ser encontrados nas proteínas. Entre os principais aminoácidos sintetizados por plantas destacam-se o glutamato, a glutamina e aspartato, como veremos a seguir. 

O grupo Amino (NH2) encontrado na estrutura dos aminoácidos é originado das reações da glutamina e glutamato. 

O esqueleto de carbono dos aminoácidos pode ser resultante do 3-fosfoglicerato, do fosfoenolpiruvato ou do piruvato, ambos produzidos durante o processo de glicólise. Outra fonte seria o 2-oxoglutarato ou oxalacetato formados no ciclo do ácido cítrico

gráfico com rotas biossintéticas dos esqueletos de carbono dos 20 aminoácidos padrão

Rotas biossintéticas dos esqueletos de carbono dos 20 aminoácidos padrão
(Fonte: Fisiologia e Desenvolvimento Vegetal – Taiz e Zeiger, 2017)

Alguns aminoácidos são considerados importantes em diversas funções nas plantas. Vou explicar melhor os principais deles:

Glicina

Participa na formação de glutationa, fitoquelatinas e glicina betaína (composto que é acumulado em plantas em condições de estresse hídrico e ajuda a manter a eficiência fotossintética).

Cisteína

É fonte de enxofre (S) e atua na síntese da glutationa (molécula que auxilia na defesa de plantas).

Fenilalanina

Atua na síntese de lignina, taninos, flavonoides e na formação do ácido salicílico. A lignina, por exemplo, auxilia na resistência das plantas. Já o ácido salicílico é conhecido por atuar na resistência das plantas aos patógenos.

Glutamato 

Participa da formação dos aminoácidos (arginina, glutamina e prolina) e também é precursor da molécula de clorofila.

Triptofano

Precursor da auxina, hormônio de crescimento radicular e também da parte aérea das plantas. 

Metionina 

Precursora do etileno, hormônio que atua na maturação dos frutos. 

6 benefícios do uso de aminoácidos nas plantas

O uso de aminoácidos pode beneficiar as plantas em diversos aspectos como:

  1. auxílio no metabolismo da planta, pois são substâncias ligadas à síntese de proteínas;
  2. atuação na germinação, no estádio vegetativo, na floração e maturação dos frutos;
  3. atuação na fotossíntese, na síntese e ativação da clorofila, aumentando a eficiência do processo e na reserva de carboidratos;
  4. proteção de plantas e maior tolerância ao ataque de pragas e doenças;
  5. eficiência na absorção e translocação de nutrientes aplicados via foliar;
  6. tolerância das plantas ao estresse hídrico devido ao maior potencial de desenvolvimento do sistema radicular e outros mecanismos.

Os aminoácidos e as condições de estresse na planta

Alguns compostos são osmoticamente ativos nas células (osmose = processo de difusão da água através de uma membrana semipermeável) e mesmo em altas concentrações mantém a integridade da membrana, não interferem no funcionamento enzimático, denominados de solutos compatíveis

Moléculas que frequentemente servem como solutos compatíveis

Moléculas que frequentemente servem como solutos compatíveis
(Fonte: Fisiologia e Desenvolvimento Vegetal – Taiz e Zeiger 2017)

Alguns destes compostos incluem a prolina (um aminoácido importante para plantas em condições de estresse salino e/ou hídrico) e a glicina betaína

A prolina pode apresentar uma função de ajuste osmótico, que protege as plantas de compostos tóxicos produzidos durante períodos de escassez de água. 

Quando aplicada de forma exógena nas plantas, estudos comprovam que a prolina pode melhorar a tolerância à salinidade ao regular os processos fisiológicos, bioquímicos e enzimáticos. 

Principais efeitos da prolina exógena na tolerância aos sais vegetais (abreviaturas: CRA = conteúdo relativo de água; ERO = espécies reativas de oxigênio; MDA = malondialdeído; PE = perda de eletrólitos)

Principais efeitos da prolina exógena na tolerância aos sais vegetais (abreviaturas: CRA = conteúdo relativo de água; ERO = espécies reativas de oxigênio; MDA = malondialdeído; PE = perda de eletrólitos)
(Fonte: adaptado de How Does Proline Treatment Promote Salt Stress Tolerance During Crop Plant Development?)

Além de proporcionar um efeito positivo no crescimento, desenvolvimento e produtividade da planta em condições de estresse salino

Impactos do uso de aminoácidos nas plantas

Uma pesquisa realizada na USP/Esalq mostrou eficiência no uso de aminoácidos no desenvolvimento de raízes via tratamento de sementes de soja 25 dias após a semeadura. 

Plantas de soja aos 25 dias após a semeadura submetidas ao tratamento de sementes com aminoácidos - A = Controle; B = Glutamato ; C = Cisteína ; D = Fenilalanina; E = Glicina; F = Completo

Plantas de soja aos 25 dias após a semeadura submetidas ao tratamento de sementes com aminoácidos – A = Controle; B = Glutamato ; C = Cisteína ; D = Fenilalanina; E = Glicina; F = Completo
(Fonte: Teixeira, W.S – ESALQ/USP)

A aplicação de cisteína promoveu um aumento no volume de raízes (59%), número de raízes laterais (48%) e comprimento de raízes laterais (86%) em relação ao tratamento controle. 

A glicina auxiliou no aumento de 25% do comprimento da raiz principal e o glutamato incrementou o comprimento total da raiz em 22%. 

Foi constatado também que glutamato, cisteína, fenilalanina e glicina podem atuar como aminoácidos sinalizadores em plantas de soja. Isso porque pequenas doses foram suficientes para aumentar a atividade de algumas enzimas antioxidantes.

Alguns bioestimulantes utilizados na soja também apresentam aminoácidos em sua composição e podem trazer uma série de benefícios durante o desenvolvimento vegetal. 

Outro estudo comprovou que o uso de aminoácidos e hormônios reduz o nível de estresse das plantas de soja durante o período inicial de crescimento e aumenta a massa de produção de matéria seca. 

No tratamento das sementes com micronutrientes, hormônios e aminoácidos, observou-se incremento na produtividade

O uso de produtos com aminoácidos 

Quando complexados com os aminoácidos, os nutrientes podem ser absorvidos com uma maior facilidade, como é o caso dos quelatos (aminoácidos + micronutrientes).  

A suplementação com aminoácidos é uma forma de estimular o crescimento das plantas e aumentar a produtividade, uma vez que funciona como uma forma delas economizarem energia na realização de diversos processos metabólicos ao longo do seu ciclo. 

A empresa Kimberlit desenvolveu uma linha de produtos que combinam fertilizante e aminoácidos e apresentam produtos que podem ser utilizados via foliar ou para tratamento de sementes. 

A Exion max, por exemplo, é uma linha que fornece manganês, zinco, cobre, à base de cloreto, com boro e molibdênio, aditivado com aminoácidos selecionados para leguminosas e oleaginosas. 

Outros produtos também são comercializados pela Biosul fertilizantes que possui grande variedade de produtos contendo aminoácidos solúveis e prontamente assimiláveis pelas plantas, aumentando o potencial de crescimento e resistência.

A Dominisolo comercializa o produto AMINO-EXP MP que é um produto indicado para formulações de adubos líquidos para aplicação via solo ou foliar. 

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Conclusão

Neste artigo, você viu o que são os aminoácidos e algumas funções que eles realizam nas plantas. 

Os aminoácidos são substâncias importantes e essenciais no desenvolvimento de plantas. A aplicação destes compostos durante o ciclo das culturas pode beneficiar no aumento da produtividade. 

Algumas pesquisas já foram realizadas, mas ainda são necessários mais testes em relação a doses e recomendações adequadas para a maioria das culturas. 

Espero que este texto tenha ajudado você a entender sobre como o uso dos aminoácidos podem aumentar a produtividade da sua lavoura!

Você já utilizou compostos com aminoácidos nas plantas? Compartilhe sua experiência nos comentários!

Recomendações de adubação para o arroz: como fazer em diferentes sistemas de cultivo

Adubação para o arroz: confira as recomendações nutricionais para lavoura de sequeiro e irrigada e os impactos para sua produtividade.  

A área cultivada com arroz poderá apresentar um aumento de 1,6% nesta safra, segundo dados da Conab. Entretanto, a produtividade pode ser menor em relação à última safra. A previsão da produção nacional é de 10,9 milhões de toneladas

Diferentes técnicas de manejo do solo e adubação da lavoura podem mudar o cenário esperado para a safra atual e auxiliar no aumento da produtividade. 

Uma das formas de se aumentar a produtividade da lavoura de arroz é realizar um manejo adequado da adubação nos diferentes sistemas de cultivo utilizados. 

Confira neste artigo as exigências nutricionais do arroz, épocas de adubação e algumas recomendações gerais!

Sistemas de cultivo do arroz

No Brasil, o arroz é cultivado em diferentes sistemas: sequeiro (também denominado arroz de terras altas) e irrigado (em sistema pré-germinado e/ou com transplante de mudas). 

Veja mais detalhes sobre esses sistemas no artigo “Plantio de arroz irrigado ou sequeiro: 7 dicas para produzir mais e melhor!

Além dos sistemas, é importante saber sobre a fenologia do arroz, que é basicamente composta pela fase vegetativa (V1 a Vn) e fase reprodutiva (R0 a R9). 

Manejo da adubação no cultivo do arroz

Para um bom manejo da adubação, algumas dicas devem ser seguidas: 

Como cada sistema e regiões têm recomendações de adubação diferentes, apresentarei a seguir as principais.

Recomendação da adubação para arroz no Cerrado

A recomendação da adubação do arroz para a região do Cerrado apresentada a seguir é baseada em uma produtividade de 2,5 a 3,0 ton ha-1, conforme o boletim 5ª aproximação

Arroz de sequeiro 

A necessidade de calagem deverá ser calculada pelo método do Al3+ e do Ca2+ and Mg2+, considerando: 

NC = Y [Al3+ – (mt . t/100)] + [X – (Ca2+ + Mg2+)]

sendo: 

Y = capacidade tampão da acidez do solo

X = 2,0 cmolc dm³ (valor variável conforme o requerimento de Ca e Mg pela cultura)

mt = máxima saturação por Al3+ tolerada pela cultura (para o arroz é de 25%) 

Al3+ = acidez trocável, em cmolc dm³ 

t = CTC efetiva, em cmolc dm³ 

Se for utilizar o método da saturação por bases, o V% deverá ser elevado para cerca de 40%

Nitrogênio (N)

Aplicar 50 a 60 kg ha-1 de N. Um quinto da dose pode ser aplicada no plantio e em cobertura (na diferenciação do primórdio floral, entre 50 e 55 dias após a emergência). 

Fósforo (P)

Na adubação fosfatada corretiva para solos do Cerrado, recomenda-se aplicar no 1º ano de cultivo: 

  • 240 kg ha-1 de P2O5 (solos argilosos);
  • 150 kg ha-1 de P2O5 (solos de textura média);
  • 120 kg ha-1 de P2O5  (solos arenosos). 

Na adubação fosfatada corretiva, aplicar a quantidade recomendada de P2O5 de uma só vez, com fosfatos parcialmente solubilizados ou termofosfatos magnesianos. 

Na correção também podem ser utilizados adubos como o MAP, DAP, superfosfato simples ou superfosfato triplo de forma gradativa e parcelada. 

Além da adubação corretiva também deve ser realizada a adubação de manutenção do fósforo

A adubação de manutenção deve ser realizada no sulco de plantio com o objetivo de disponibilizar o nutriente próximo ao sistema radicular. Fontes solúveis de fósforo são recomendadas nesta etapa. 

Potássio (K)

A recomendação é que o nutriente seja aplicado no plantio, com o N e o P. 

tabela com adubação de manutenção, dependendo da não-limitação de água para a cultura. Com disponibilidade de P e de K.

Dose de adubação recomendada para o arroz de sequeiro de acordo com os teores dos nutrientes no solo
(Fonte: boletim 5ª aproximação – Recomendações para o uso de corretivos e fertilizantes em Minas Gerais)

Arroz irrigado 

A correção do solo pode ser dispensada no sistema por inundação com sementes pré-germinadas, desde que a saturação por bases (V%) no solo seja um mínimo de 50%

Na semeadura em solo seco, que é caracterizado pelo início da inundação após a emergência, a correção da acidez deve ser realizada para aumentar (V%) em 50%, cerca de quatro meses antes da semeadura. Isso auxilia no desenvolvimento inicial da cultura. 

Nitrogênio, fósforo e potássio

Aplicar 90 kg ha-1 de N de forma parcelada com 20 kg no plantio e 70 kg em cobertura (metade no perfilhamento e a outra parte no início da diferenciação da panícula). 

O N no plantio deve ser aplicado no sulco. Em cobertura pode ser realizada após retirada da água (a lanço ou em filete entre fileira de plantas) e a lanço sobre a lâmina de água. 

Para o fósforo e potássio devem ser aplicados entre 30 a 90 kg de P2O5 ha-1 e 20 a 70 kg de K2O ha-1, a depender da disponibilidade desses nutrientes no solo. 

Dose de adubação recomendada para o arroz irrigado de acordo com os teores dos nutrientes no solo

Dose de adubação recomendada para o arroz irrigado de acordo com os teores dos nutrientes no solo
(Fonte: boletim 5ª aproximação – Recomendações para o uso de corretivos e fertilizantes em Minas Gerais)

Recomendação da adubação para arroz na região Sul

O Manual de adubação e calagem para os estados do RS e SC recomenda a adubação para uma produtividade estimada em 2 ton ha-1 para o arroz de sequeiro da seguinte forma: 

Arroz de sequeiro 

A correção do solo em Sistema de Plantio Direto (SPD) deve ser realizada para ajustar o pH em 5,5. No arroz cultivado em Sistema Convencional, deverá ser adicionada quantidade de calcário para que o solo atinja pH 6,0 pelo índice SMP. 

Nitrogênio, fósforo e potássio

A recomendação da adubação de N varia de acordo com as porcentagens de matéria orgânica do solo (quando for ≤ 2,5%: aplicar 50 kg ha-1 de N; entre 2,6% e 5,0%: 40 kg ha-1 de N e > 5,0%: ≤10 kg ha-1 de N). 

Aplicar 10 kg ha-1 de N na semeadura e o restante em cobertura no início do afilhamento. 

Para cada tonelada de grãos adicional, acrescentar aos valores acima 15 kg ha-1 de N.

Na adubação de manutenção com fósforo e potássio devem ser utilizados 20 kg ha-1 de P2O5 e 20 kg  ha-1 de K2O. 

Para cada tonelada de grãos adicional, acrescentar 10 kg ha-1 de P2O5 e 10 kg ha-1 de K2O

Arroz irrigado

O boletim do Irga apresenta diversas recomendações para cultivo do arroz irrigado

Para o cultivo do arroz irrigado intercalado com culturas de sequeiro recomenda-se a correção da acidez para que o solo atinja pH 6,0. 

No cultivo do arroz semeado em solo seco, a irrigação é iniciada após a emergência e as condições favoráveis ao crescimento das plantas ocorrem de 2 a 5 semanas, o que poderá afetar o desenvolvimento das cultivares de ciclo precoce a médio. 

A recomendação de calagem ocorre em valores de pH em água < 5,5  e o V% abaixo de 65%. 

No cultivo do arroz pré-germinado e transplante de mudas a calagem não é recomendada para a correção da acidez. 

No sistema inundado, a elevação do pH acontece devido ao processo de redução do solo, denominado de “autocalagem”.

A deficiência geralmente é constatada com V% = 40% e, neste caso, a calagem pode ser recomendada para correção da deficiência de Cálcio (Ca) e Magnésio (Mg). A exceção ocorre quando o teor de Ca for maior que 4,0 cmolc dm-3 e de Mg 1,0 cmolc dm-3

A necessidade de calagem é baseada no índice SMP e informações mais detalhadas podem ser obtidas nos boletins do IRGA e no Manual de adubação e calagem para os estados do RS e SC

Solos com baixo poder tampão

Em casos de solos com baixo poder tampão, o índice SMP não é recomendado. A necessidade de calagem (NC) pode ser calculada pela equação:

NCpH 5,5 = – 0,653 + 0,480MO + 1,937Al

NC = necessidade de calcário (PRNT de 100%) em ton ha-1; MO = quantidade de matéria orgânica no solo em % e Al é o Alumínio trocável em cmolc dm3

tabela com critérios para definição da NC e a quantidade de corretivo

Critérios para definição da NC e a quantidade de corretivo
(Fonte: Instituto Rio Grandense do Arroz)

Nitrogênio, fósforo e potássio 

As recomendações para o N, P e K para o arroz irrigado são baseadas nos teores de matéria orgânica do solo (para o N) e P e K presentes no solo (verificar a análise de solo). 

Interpretação do teor de P do solo pelo Método Mehlich-1
Interpretação do teor de K do solo pelo Método Mehlich-1

Interpretação do teor de P e K do solo pelo Método Mehlich-1
(Fonte: Instituto Rio Grandense do Arroz)

Na adubação nitrogenada recomenda-se para o sistema de semeadura em solo seco, entre 10 e 20 kg ha-1 de N e o restante em cobertura. 

Para recomendações de até 100 kg ha-1de N em cobertura, ⅔ da dose total deverá ser aplicada no estádio V3/V4 e ⅓ da dose na iniciação da panícula.

No sistema pré-germinado não deve ser realizada a adubação de N em semeadura, pois há risco de perdas. Para cultivares de ciclo curto e médio, devem ser aplicados ⅔ da dose total no estádio V3/V4 e ⅓ da dose na iniciação da panícula. 

Já para as cultivares de ciclo tardio, a cobertura pode ser fracionada da seguinte forma: ⅓ em V3/V4, ⅓ no perfilhamento pleno e ⅓ na iniciação da panícula. 

Adubação nitrogenada de acordo com o teor de matéria orgânica do solo e expectativa de resposta à adubação

Adubação nitrogenada de acordo com o teor de matéria orgânica do solo e expectativa de resposta à adubação
(Fonte: Instituto Rio Grandense do Arroz)

No sistema semeadura em solo seco, os fertilizantes fosfatados e os potássicos devem ser aplicados e incorporados ao solo na semeadura. 

No sistema pré-germinado, o P e K podem ser aplicados e incorporados antes da semeadura. 

Adubação fosfatada e expectativa de resposta à adubação
Adubação potássica e expectativa de resposta à adubação

Adubação fosfatada (acima) e potássica e expectativa de resposta à adubação
(Fonte: Instituto Rio Grandense do Arroz)

Resposta de cultivares de arroz à adubação

Estudos atuais desenvolvidos no sul do Brasil mostram a resposta de cultivares de arroz ao manejo da adubação, como é o caso da IRGA 431 CL. 

Em experimentos realizados na safra 2018/2019 e 2019/2020, a cultivar foi responsiva à adubação. 

As lavouras produziram acima de 9 ton ha-1 quando foram adubadas, em média, com 147 kg ha-1 de N, 71 kg ha-1 de P e 105 kg ha-1 de K

gráfico de barras laranjas e verdes com Faixas de produtividade da cultivar IRGA 431 CL na safra 2019/2020 em função da adubação com N, P e K

Faixas de produtividade da cultivar IRGA 431 CL na safra 2019/2020 em função da adubação com N, P e K
(Fonte: Circular técnica – Irga 2020)

Na safra 2019/2020 também foram realizados experimentos de resposta à adubação nitrogenada para a IRGA 431 CL. Foi encontrada, em média, uma dose máxima de eficiência técnica (DMET) de 169 kg ha-1 de N e produtividade de 11,98 ton ha-1

gráfico com resposta da cultivar IRGA 431 CL ao Nitrogênio

Resposta da cultivar IRGA 431 CL ao Nitrogênio 
(Fonte: Circular técnica – Irga 2020)

Conclusão 

Neste artigo mostramos diferentes recomendações de adubação para o cultivo do arroz. 

O manejo da adubação do arroz deve acontecer com base no tipo de sistema utilizado (sequeiro ou irrigado), análise e correção do solo, produtividade esperada e potencial produtivo da cultura. 

Foi observado que em diferentes regiões do país, como no caso do Cerrado e Sul, ocorrem modificações nas recomendações de adubação. 

Todo o manejo nutricional também vai depender de outros fatores como: cultivar utilizada, rotação com culturas de sequeiro, potencial produtivo da região e condições de clima e solo. 

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Descubra qual o melhor adubo para sua lavoura

5 dicas no planejamento agrícola para otimizar o uso de fertilizantes

Como você realiza o manejo da adubação para o arroz? Quais foram os resultados? Ajude outros produtores deixando sua experiência nos comentários!

Bioestimulante em soja: por que você deve considerar usá-lo na lavoura

Bioestimulante em soja: o que é, como funciona, quando utilizar, qual a influência na produtividade e o custo benefício da sua utilização

O uso de fertilizante, seja de fonte mineral ou orgânico, é fundamental na produção agrícola.

Com isso, os bioestimulantes em soja têm se tornado uma alternativa para melhorar as propriedades fisiológicas, nutricionais e produtivas das lavouras.

Saber como esses produtos funcionam e os benefícios que trazem para as plantas podem influenciar na produtividade de sua área.

Pensando nisso, separei algumas informações para você conhecer mais sobre os bioestimulantes em soja e se vale a pena investir nesses produtos. Confira!

Bioestimulante em soja: o que é e como funciona? 

O uso de bioestimulante é bastante empregado no Brasil em hortaliças e frutíferas. Em grandes culturas, sua utilização é mais recente.

Um bioestimulante tem a função de auxiliar diretamente na fisiologia do vegetal, estimulando seus processos, como absorção de nutrientes.

Sua utilização confere à planta maior aproveitamento de água e nutrientes pela fotossíntese, fortalecendo o mecanismo natural de autodefesa da planta e maior tolerância a estresses abióticos, como falta de chuva e altas temperaturas.

São produtos constituídos por hormônios vegetais ou sintéticos, além de aminoácidos, vitaminas, ácido ascórbico, nutrientes e concentrado de algas marinhas.

Há diversos tipos de bioestimulantes, com formulações e concentrações diferentes. Veja na tabela abaixo alguns bioestimulantes e suas composições:

Esses produtos podem conter auxinas, citocininas, giberelinas, etileno, entre outros hormônios, por isso são classificados no grupo de hormônios vegetais. 

Por terem em sua composição um ou mais hormônios e outras substâncias que conferem à planta maior divisão, elongação e diferenciação celular, estes produtos influenciam diretamente no crescimento vegetal.

Além disso, tem sido comprovado que os bioestimulantes auxiliam na capacidade antioxidante da planta, por manter o equilíbrio hormonal. Eles reduzem a interferência dos radicais livres formados por condições abióticas (déficit hídrico e calor), proporcionando mais energia no crescimento radicular e foliar.

Desse modo, o uso de bioestimulantes durante o desenvolvimento vegetal, permite a recuperação mais acelerada das plântulas em condições desfavoráveis.

Fatores que interferem na produtividade e ação dos bioestimulantes na recuperação da planta

(Fonte: Adaptado de Van Oosten et al., 2017)

Como utilizar bioestimulantes em soja?

O uso de bioestimulantes na cultura da soja tem sido amplamente estudado em diferentes estádios fenológicos, buscando melhorar a fisiologia da planta, refletindo em aumento de produtividade.

O bioestimulante pode ser utilizado via semente de soja, com o tratamento de sementes, pouco antes da semeadura.

Também pode ser aplicado via foliar, em diferentes estádios, tanto no vegetativo quanto no reprodutivo.

A quantidade de produto a ser utilizada depende de qual bioestimulante você adquirir. Na bula há indicação da dosagem ideal.

Via semente

A aplicação de bioestimulante via semente busca estimular a germinação e emergência de maneira uniforme, favorecendo principalmente o crescimento do sistema radicular.

Com maior desenvolvimento do sistema radicular, as plantas conseguem melhorar o aproveitamento de água e nutrientes no perfil do solo. Isso impulsiona o crescimento da parte aérea, podendo refletir na produção.

Além disso, plantas com sistema radicular mais profundo suportam por mais tempo condições de déficit hídrico.

Via foliar

O uso de bioestimulante em soja via foliar tem a função de continuar o desenvolvimento radicular, além de incrementar o número de vagens, número de grãos e produção por planta.

Plântulas de soja com e sem aplicação de biorregulador via semente

(Fonte: A Granja)

Influência do bioestimulante na produtividade de soja 

Pela manutenção do equilíbrio hormonal, que reflete em uma planta com balanço nutricional adequado, os bioestimulantes têm-se demonstrado favoráveis para aumento da produtividade.

Por contribuir na maior tolerância a estresses abióticos e no sistema de autodefesa, as plantas conseguem fornecer mais energia, derivada da fotossíntese para a produção de grãos.

Com isso, aumentando o número de vagens por planta, consequentemente elevando a produtividade de grãos, tanto em aplicação via sementes quanto via foliar.

Os resultados da influência dos bioestimulantes em soja, especialmente em relação a produtividade, tem sido mais expressivos em situações de estresse.

Quando há falta de chuva, temperaturas muito elevadas, alta incidência de pragas e doenças, o uso de bioestimulante tem levado benefícios à lavoura.

Já foi relatado incremento de 37% de produtividade em uma lavoura de soja com uso de bioestimulante em relação a uma em que não foi utilizado.

Mas em lavouras onde não há situações de estresse, os reflexos do uso de bioestimulante na produtividade não são consistentes.

Apesar de não levar prejuízos, em áreas onde as condições climáticas foram favoráveis, a produtividade com o uso de bioestimulante foi semelhante em comparação com áreas sem sua utilização.

planilha de produtividade da soja

Custo-benefício do uso de bioestimulante na soja

O uso de bioestimulante em algum momento durante o desenvolvimento vegetal da soja tem se tornado uma prática cada vez mais frequente.

Mesmo que sua utilização não reflita sempre no aumento de produtividade, é favorável o uso de um produto que contém elementos que equilibram o balanço hormonal da planta. Principalmente em momentos de estresse, que é uma condição ambiental que você não consegue prever com muita antecedência.

Além disso, na prática de aplicação do bioestimulante, seja via semente ou via foliar, o custo de produção não seria tão impactado, pois utilizaria o produto em operações que você já realiza.

Se você fornecer o bioestimulante nas sementes de soja, você pode realizar a aplicação no mesmo momento da inoculação.

Caso faça via foliar, você pode utilizar o bioestimulante com as pulverizações de agroquímicos para controle de pragas e doenças.

Desse modo, no custo de produção o aumento seria apenas do valor do bioestimulante.

Veja na tabela abaixo um custo de produção estimado, em uma lavoura experimental, com uso de dois bioestimulantes, comparado com a testemunha, sem uso do produto.

Estudo do aumento da produtividade de grãos de soja e viabilidade econômica com uso de dois bioestimulantes

(Fonte: Morais, 2017)

É importante considerar os benefícios para a planta que o uso desses produtos podem levar.

Mesmo, às vezes, não existindo grandes ganhos financeiros, manter uma lavoura saudável é fundamental para uma boa produção.

Conclusão

Neste artigo você viu que os bioestimulantes em soja tem ganhado espaço nas lavouras pelos benefícios que esses produtos podem levar para as plantas.

Viu que a aplicação pode ser realizada em diferentes estádios fenológicos da cultura da soja, via semente ou via foliar.

Que as respostas em relação à produtividade ainda não são constantes, mas que há benefícios para a planta durante seu desenvolvimento.

Você também verificou que o uso de bioestimulantes na soja pode ser realizado com operações que já são realizadas.

Com essas informações, espero que você faça a melhor escolha para sua lavoura!

>>Leia mais:

“Por que o uso da glicina betaína na agricultura é uma aliada da produtividade”

“Saiba como funcionam os bioativadores e quais são os tipos disponíveis no mercado”

Você já utilizou bioestimulante em soja? Ficou alguma dúvida? Deixe seu comentário abaixo!

Entenda como a fertirrigação pode aprimorar sua produção

Fertirrigação: tire suas dúvidas sobre as vantagens e desvantagens desse processo que permite dispensar maquinários para adubação da lavoura

O processo de adubação é fundamental para a lavoura. Afinal de contas, é assim que as plantas recebem mais nutrientes que vão permitir a elas expressar melhor todo potencial produtivo.

Ter uma adubação mais eficiente e que te permita dispensar maquinário – e até horas de mão de obra – parece interessante, não é verdade?

Neste artigo, vamos apresentar a fertirrigação, método prático que une adubação à irrigação da lavoura. Entenda quais as vantagens e as desvantagens desse processo para que você tome a melhor decisão em sua propriedade. Confira!

O que é fertirrigação?

Fertirrigação é uma técnica de adubação que consiste na aplicação conjunta do fertilizante com a água da irrigação, levando nutrientes ao solo. Essa prática permite maximizar e até mesmo economizar na utilização dos fertilizantes dentro do sistema produtivo. 

A melhor eficiência quanto à utilização dos fertilizantes se deve ao fato de ocorrer o fornecimento de nutrientes de forma gradual e na presença de água. Isso melhora a absorção pelas plantas e reduz as perdas (lixiviação/volatilização) que existem pelo método convencional.

Normalmente, essa prática é utilizada em sistemas de irrigação localizada e de alta frequência, como no gotejamento e no sistema de microaspersão

Existem relatos de utilização em sistema de irrigação convencional, mas a limitação é a não homogeneidade de aplicação dos fertilizantes. 

Vantagens da fertirrigação

A fertirrigação propicia uma melhora da eficiência na utilização de fertilizantes, mas também apresenta outra inúmeras vantagens como:

  1. maximização na utilização do sistema de irrigação;
  2. fertilizante aplicado na quantidade e momento exatos;
  3. redução da mão de obra para a aplicação da adubação;
  4. redução da compactação do solo (devido ao menor trânsito de veículos);
  5. uniformidade de distribuição de micronutrientes, o que é difícil no sistema convencional;
  6. tendência à produção de itens de melhor qualidade e com maior produtividade;
  7. redução de oscilações na concentração de nutriente (devido à sua distribuição gradual);
  8. possibilidade de aplicação de outros produtos como fungicidas e nematicidas;
  9. aplicação de fertilizantes e água em uma região onde está contida a maior quantidade de raízes, o que aumenta a eficiência do fertilizante e reduz os impactos ambientais.

Agora que você já conferiu as vantagens desse método, precisamos analisar os pontos negativos que ele pode trazer. Vamos falar melhor sobre isso a seguir.

Desvantagens de aplicar fertilizantes por irrigação

Uma característica importante – e que pesa muito no momento de decidir sobre a adoção ou não desse sistema, é o preço. É relativamente alto montar a infraestrutura inicial para a fertirrigação.

Além disso, destaco mais algumas “desvantagens” desse sistema e que requerem atenção, tais como:  

  • conhecimento técnico (pessoal treinado) para manejo, escolha dos adubos e dosagens; 
  • entupimento de gotejadores e/ou microaspersores;
  • pode provocar acidificação, lavagem de nutrientes e/ou salinização do solo, se mal planejado;
  • pode causar corrosão do sistema de irrigação.

Como você viu, existem algumas desvantagens dentro dessa prática, mas as vantagens são bastante expressivas.

Como implantar a fertirrigação na lavoura

Fertilizantes 

Os fertilizantes utilizados na técnica da fertirrigação devem ser bem estudados quanto à:

  • solubilidade
  • pureza
  • índice de salinidade
  • acidez
  • condutividade elétrica (CE)
  • concentração dos nutrientes
  • densidade
  • grau de compatibilidade entre fertilizantes

Na fertirrigação, é recomendada a utilização de fontes solúveis em água e que tenham resíduos insolúveis inferiores a 0,5%. 

Quanto à pureza, sempre é melhor optar por fontes puras, com a finalidade de redução das impurezas. 

A acidez da solução, assim como o do solo para a maioria das culturas, deve se situar entre 5,5 e 6. Acima disso, pode comprometer algumas misturas, como é o caso do cálcio e do fósforo em soluções com pH acima de 6,3. 

Assim, quando o pH da água for maior que 7,5, o cálcio e o magnésio podem-se acumular nos filtros, nas linhas laterais e nos emissores do sistema de irrigação

Quando estamos falando de CE da água de irrigação, após a adição da solução de fertilizantes, ela não deve apresentar valores superiores a 2,0 dS m-1. Sua pressão osmótica deve ficar entre 70 kPa e 100 kPa. 

Outro aspecto que requer importância é a compatibilidade das fontes entre si e entre os íons presentes na água. Algumas misturas podem resultar em precipitados que causam entupimento e diminuição das eficiência do sistema. 

Orientação para mistura de alguns fertilizantes com base na compatibilidade - fertirrigação

Orientação para mistura de alguns fertilizantes com base na compatibilidade
(Fonte: Embrapa)

Tipo de solo

Em geral, solo com a textura arenosa requer maior suplementação de nutrientes para o pleno desenvolvimento vegetal. 

Porém, ao adubar de forma convencional, há riscos de muitas perdas, principalmente, por lixiviação. 

Portanto, com a fertirrigação, esse cenário pode ser revertido, pois é uma técnica que visa suprir a planta de forma gradual e que ainda está associada à irrigação, duas estratégias que solucionam a problemática desse tipo de solo.

Qualidade da água 

Como dito anteriormente, a fertirrigação utiliza o sistema de irrigação, mais precisamente da água, para direcionar os nutrientes às plantas. 

E, dentro desse contexto, é preciso estar atento à qualidade da água, solvente carregador dos fertilizantes. 

A primeira atenção que se deve ter é quanto à presença de resíduos sólidos, pois eles podem causar entupimento de emissores. 

Em sistemas de irrigação tratados como localizados, outro grande problema é a presença de íons de ferro e manganês, além dos sólidos solúveis presentes na água

Além do entupimento dos emissores, pode haver também a obstrução da tubulação, causando perda de carga e de pressão. Essas condições reduzem a vazão das emissões, não disponibilizando a quantidade exata de água e nutriente que havia sido calculada. 

E como avaliar essa água

Bem, deve-se medir a condutividade elétrica (CE) da água com o intuito de saber a quantidade de sais totais presente no líquido. 

Além disso, é recomendada a realização da análise química e física da água, propiciando o conhecimento de quais são os sais presentes ali e de como está a sua água.

Características químicas e físicas que devem ser consideradas na água utilizada via fertirrização

Características químicas e físicas que devem ser consideradas na água utilizada via fertirrização
(Fonte: Embrapa)

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Conclusão 

A fertirrigação é uma técnica que permite a otimização do recurso por meio do sistema de irrigação. 

Notamos que ela apresenta inúmeras vantagens quando adotada, mas que também apresenta pontos que devem ser bem refletidos para sua adoção, como é o caso do seu relativo investimento. 

Vimos que, para utilizar a fertirrigação, é preciso estar atento ao tipo de solo, condições da água e fertilizantes, tudo para propiciar o pleno desenvolvimento vegetal. 

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Como é feita a fertirrigação?

A fertirrigação é uma técnica de adubação que consiste na aplicação conjunta do fertilizante com a água da irrigação, levando nutrientes ao solo. Essa prática permite maximizar e até mesmo economizar na utilização dos fertilizantes dentro do sistema produtivo.

Quais são os tipos de fertirrigação?

A prática da fertirrigação é utilizada em sistemas de irrigação localizada e de alta frequência, como gotejamento e no sistema de microaspersão. Existem relatos de utilização em sistema de irrigação convencional, mas a limitação é a não homogeneidade de aplicação dos fertilizantes. 

Quais as vantagens da fertirrigação?

A fertirrigação propicia uma melhora da eficiência na utilização de fertilizantes e também apresenta outra inúmeras vantagens como redução da compactação do solo, devido ao menor trânsito de máquinas na lavoura, e uniformidade na distribuição de micronutrientes.