Potencialize a adubação do cafezal com palha de café (+ planilha grátis)

Palha de café: veja como obter, quais os nutrientes presentes, como utilizar na adubação e todos os benefícios

O Brasil é o maior produtor e exportador de café no mundo.

A produção dos grãos gera, na mesma proporção, a palha do café.

Este subproduto pode ser um grande aliado na produção de café para os produtores. Afinal, ele é rico em nutrientes que podem ser devolvidos para a lavoura.

Neste artigo, entenda mais sobre como a palha pode te ajudar a economizar e trazer benefícios para seu solo. Confira!

O que fazer com a palha de café? 

A palha do café é a casca dos grãos. Ela é retirada durante o beneficiamento do café.

Após a colheita, os grãos são levados para os terreiros. Ali eles permanecem até estarem secos e prontos para serem beneficiados.

Em alguns lugares, o beneficiamento é feito na própria fazenda, com máquinas móveis que descascam e ensacam os grãos. 

Isso também pode ser realizado em beneficiadoras. Mas, para isso, é necessário levar o café em casca até o local.

Fotos do momento de beneficiamento do café. Na primeira foto, há uma grande máquina amarela e muitas sacas brancas de café no chão. Há alguns trabalhadores presentes na foto. Na seguida, apenas uma máquina amarela dentro de um silo.
Beneficiamento de café (A) móvel e (B) fixo
(Fonte: Civarc e Rolnews)

Após obter a casca, seu uso pode ser imediato ou utilizado após um tempo. Pra isso, é importante armazená-la. Afinal, a chuva pode causar a lixiviação dos nutrientes.

Se a palha estiver em local aberto, como terreirões, basta cobrir com lona. O importante é evitar a entrada de água.

Outro modo de utilizar a casca do café é fazer compostagem com esterco de gado ou de galinha, por exemplo.

Quais nutrientes são encontrados na casca de café?

Geralmente, o teor médio dos macronutrientes na casca é:

  • de 1,5% a 2,5% de nitrogênio;
  • de 0,08% a 0,09% de fósforo;
  • de 2,7% a 2,75% de potássio.

A composição mineral dos grãos e da casca muda em função dos tratos culturais realizados na lavoura. Adubação química, matéria orgânica do solo e outros fatores influenciam.

Em toda atividade agrícola, como a produção de grãos, ocorre a exportação de nutrientes.

Esta exportação é a quantidade de nutrientes retirados da área através dos grãos produzidos. 

No caso do café, a exportação é a combinação dos nutrientes contidos nos grãos e na casca

Usar a casca do café é importante justamente para devolver alguns nutrientes necessários para as plantas.

Faça a análise da palha do café, ao menos uma vez, para saber quais nutrientes estão presentes e a quantidade de cada. Assim será possível balancear corretamente a adubação no cafezal.

Uso da palha como adubação orgânica

Com a composição mineral definida, a aplicação da palha é uma boa opção complementar de adubação do café. Afinal, ela é um adubo orgânico rico em nutrientes.

O custo da sua utilização é extremamente baixo, se comparado com a adubação química.

Seu uso não anula a aplicação de adubo químico nas plantas. 

É interessante fazer uma análise de nutrientes da palha do café antes de adubar. Assim, você pode tentar diminuir o uso do adubo químico.

Também é sempre válido controlar de perto a adubação que você faz no seu cafezal. Por isso, separamos uma planilha grátis para te ajudar nesse processo.

Clique na imagem abaixo para baixar!

banner-adubacao-cafe

Como adubar o café com a palha

A recomendação de adubação com a palha varia entre 5 a 10 t ha-1.

Faça uma cobertura dos dois lados da saia do café, com faixa de 50 cm a 80 cm. É importante fazer uma camada fina de 2 cm.

A aplicação é recomendada em cobertura, com distância de 10 cm do tronco

Afinal, a concentração alta de potássio e a liberação de calor podem causar a queima do tronco e a  morte da muda.

Na utilização da casca de café, fique de olho na quantidade de potássio a ser aplicada.

Como a palha tem elevada concentração do nutriente, o excesso pode prejudicar as raízes das plantas novas. Ele também pode desequilibrar a quantidade de outros nutrientes.

Vale lembrar que casca do café é um adubo orgânico com decomposição lenta

A associação com adubo químico é uma forma de acelerar o processo de decomposição e liberação dos nutrientes.

Estudos conduzidos por Fernandes e colaboradores, em 2013, verificaram esta associação de palha com adubação química reduzida. 

Eles mostraram que a produção foi maior com a combinação destes dois tipos de adubos.

Tabela que mostra resultados de diferentes tratamentos de café.
Produção de 3 safras em sacas 60 kg ha-1 de café beneficiado em função dos diferentes tratamentos utilizados
(Fonte: Fernandes e colaboradores)

Benefícios do uso da casca de café na lavoura 

Além da economia, o uso da casca do café apresenta uma série de outros benefícios. Por exemplo:

  • Proteção do solo;
  • Retenção da umidade do solo;
  • Diminuição da temperatura do solo;
  • Liberação lenta dos nutrientes;
  • Controle de plantas invasoras, seja pela barreira física ou pelo efeito alelopático.
  • Melhor desenvolvimento dos microrganismos do solo, que trazem vários benefícios estruturais do solo e consequentemente para as plantas.
  • Efeito alelopático: liberação de substâncias que interferem na germinação e/ou desenvolvimento de outras plantas daninhas do café, como picão-preto e mata-pasto.
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Conclusão

A palha de café é um adubo orgânico, rico em nutriente.

A associação da adubação química com a casca de café traz benefícios. Maior produção e economia são apenas alguns exemplos.

Fique de olho na quantidade de casca que deve ser aplicada por hectare. Assim, você evita o desequilíbrio de nutrientes no solo.

Você utiliza a palha de café na sua lavoura? Já pensou em todos os benefícios que esse subproduto pode te fornecer? Deixe seu comentário abaixo!

Tudo o que você precisa saber sobre cobre nas plantas

Cobre nas plantas: qual a importância para a agricultura, como e quando aplicar, sintomas de deficiência ou excesso e mais!

O cobre é um dos elementos necessários para o crescimento, desenvolvimento e reprodução das plantas.

Seu excesso ou sua falta podem causar danos sérios à sua lavoura. Por isso, estar de olho nos sintomas é a primeira medida para evitar problemas.

Você sabe identificar se o nutriente está em equilíbrio? Confira essa e outras informações neste artigo!

Importância do cobre nas plantas 

Os nutrientes exigidos em maiores quantidades pelas plantas são denominados macronutrientes. Os que são exigidos em menores quantidades são os micronutrientes.

O cobre é um micronutriente. As plantas precisam de pouca quantidade dele para suprir as necessidades. Porém, sua falta causa prejuízos na parte nutricional, fisiológica e protetora das plantas.

O cobre participa nos seguintes processos e modos nas plantas:

  • participação em enzimas;
  • fotossíntese;
  • distribuição de carboidratos;
  • metabolismo de proteínas;
  • redução e fixação do nitrogênio;
  • respiração;
  • reprodução das plantas;
  • lignificação da parede celular;
  • aumento da resistência à seca;
  • influência na permeabilidade dos vasos do xilema;
  • influência na floração e frutificação;
  • ajuda no mecanismo de resistência a doenças.

Além de afetar o desenvolvimento das plantas, o cobre está presente em algumas enzimas que interferem na qualidade do produto final.

Uma delas é a polifenoloxidase, em que o cobre está presente no centro ativo. Nos grãos de café, sua presença é essencial para a qualidade da bebida.

São várias as funções desempenhadas pelo cobre nas plantas. 

Você precisa saber se sua área consegue fornecer a quantidade necessária para suprir a necessidade da sua cultura.

Tabela demonstra os teores de cobre nas plantas considerados adequados para as culturas do milho, algodão, café, citros, milho, soja e cana-de-açúcar.

Teores de cobre considerados adequados para algumas culturas

(Fonte: adaptado de Esalq)

Influência do manejo na disponibilidade do cobre

Se o solo tiver a quantidade adequada de cobre disponível, as plantas conseguem absorver o necessário.

Entretanto, devido à sua baixa mobilidade, 98% do cobre fica retido como quelato.

Assim, retém o cobre os:

  • solos de várzea;
  • solos de plantio direto;
  • solos com elevada quantidade de matéria orgânica;
  • ácidos húmicos;
  • ácidos fúlvicos.

O pH é outra característica do solo que afeta a disponibilidade desse micronutriente. Quando pH é acima de 7, há menor disponibilidade e solubilidade do cobre no solo.

Gráfico mostra disponibilidade dos nutrientes em função do pH do solo

Disponibilidade dos nutrientes em função do pH do solo

(Fonte: Sementes Biomatrix)

O tipo de solo também interfere no teor de cobre.  

Solos arenosos tendem a lixiviar este micronutriente. Os solos argilosos tendem a ter maior concentração, devido à retenção dele pela argila.

Entretanto, não são apenas fatores do solo que interferem na disponibilidade e absorção do cobre nas plantas. Há também a relação com outros nutrientes.

Quando as plantas necessitam de cobre, os sintomas da deficiência são agravados quando há altos níveis de nitrogênio.

Pode ocorrer redução na absorção de cobre pelas plantas, seja da raiz ou folhas, devido ao excesso de ferro, alumínio, fósforo e zinco.

Além da falta, pode ocorrer excesso de cobre. Existem produtos que são utilizados nas plantas que contêm o nutriente.

O cobre presente nesses produtos pode acumular no solo, elevando sua concentração a níveis que causam toxidez.

Como identificar a deficiência ou excesso do cobre nas plantas?

Conhecer os sinais através dos sintomas nas folhas, caule e raízes é fundamental para saber o que está em falta ou excesso. Quanto mais rápida a identificação do sintoma, sua ação será mais rápida e efetiva. Veja abaixo os principais sintomas que as plantas apresentam com a falta ou excesso de cobre.

Deficiência de cobre

  • Os sintomas aparecem inicialmente nas folhas novas das plantas. Elas ficam murchas e enroladas.
Imagem de uma planta de trigo com sintomas de deficiência de cobre. A planta está amarelada e enrugada nas pontas.

Sintoma da deficiência de cobre em planta de trigo

(Fonte: Ipni)

  • O pecíolo e talos das folhas mais novas ficam curvados para baixo.
Sintoma de deficiência de cobre na planta de café. As folhas da planta estão curvadas para baixo.

Sintoma da deficiência de cobre em planta de café

(Fonte: Yara)

  • As folhas não apresentam a mesma coloração verde. Ficam com tons amarelados ou verde mais claro, e depois sofrem amarelecimento.
Foto de duas plantas. A primeira mostra uma folha de milho amarelada, e a segunda, uma folha de soja com coloração verde-clara.

Sintoma da deficiência de cobre em planta de (A) milho folha amarelada e (B) soja folha com coloração verde clara

(Fonte: (A) Esalq e (B) Biosoja)

  • Em algumas culturas, como o café, as plantas podem apresentar elevação nas nervuras secundárias. Isso causa deformação na nervura central, que fica em forma de S.
Imagem de uma folha de café com sintoma de deficiência de cobre. A folha está enrugada, e a nervura central está em formato de "s"

Sintoma da deficiência de cobre em planta de café

(Fonte: Yara)

  • Ocorre diminuição do transporte de água e solutos pelo xilema, devido à redução da lignificação.
  • Ocorre abortamento de flores, o que interfere na produção.
Imagem de plantas de milho com deficiência de cobre, ao lado de espigas saudáveis.

Sintoma da deficiência de cobre em planta de trigo, da esquerda espigas saudáveis e direita espiga com deficiência de cobre

(Fonte: Ipni)

Excesso de cobre

Os sintomas de excesso de cobre ocorrem nas raízes, devido à elevada concentração do elemento no solo.

Um indicativo da ocorrência é a lentidão no crescimento das plantas. O desenvolvimento das raízes é afetado, levando à morte dos tecidos.

A planta tem dificuldade para absorver água e nutrientes, refletindo no baixo porte e até morte das plantas.

Foto de plantas de videira em solos com diferentes teores de cobre. Em baixo, há uma imagem de raízes de plantas com excesso de cobre, todas enrugadas e necrosadas.

Plantas de videira em solos com diferentes teores de cobre (A) parte aérea e (B) sintomas de excesso de cobre nas raízes 

(Fonte: Gazeta-RS)

Pode ocorrer também fitotoxicidade nas folhas devido ao uso de produtos feitos à base de cobre. Isso acontece principalmente com os fungicidas cúpricos, causando queima, necrose e deformação das folhas.

Foto de folhas de uva com excesso de cobre, todas enrugadas.

Fitotoxidade em folhas de uva causadas por fungicida cúprico

(Fonte: Embrapa)

O excesso de cobre, além dos sinais visíveis nas plantas, prejudica a fotossíntese. Afinal, o excesso afeta o transporte de elétrons, a formação de enzimas, proteínas e carboidratos.

Outro ponto é saber a sensibilidade da cultura ao excesso ou falta de cobre. Algumas são mais sensíveis, outras mais tolerantes à presença do elemento no solo.

Tabela mostra níveis de sensibilidade das culturas à deficiência de cobre. Está dividida entre alta, média e baixa sensibilidade.

Sensibilidade das culturas à deficiência de cobre

(Fonte: Ipni)

Áreas propensas à deficiência de cobre

A deficiência de cobre não é extremamente comum em todas as áreas. Algumas regiões são mais propensas a ter essas ocorrências. 

Mapa mostra frequência relativa das deficiências de cobre no Brasil. Minas Gerais, São Paulo e Pernambuco possuem muita frequência dessas deficiências.

Frequência Relativa das Deficiências de Cobre no Brasil

(Fonte: Esalq)

São Paulo, Minas Gerais e Pernambuco são os principais lugares sujeitos à deficiência de cobre.

No entanto, há vários fatores que afetam sua disponibilidade. Sempre fique de olho nos sintomas para que sua cultura não seja prejudicada.

Quando aplicar o cobre na lavoura? 

Constatada a deficiência do cobre, existem produtos que podem ser utilizados na lavoura em casos de emergência.

O cobre é um nutriente com pouca mobilidade na planta. Assim, as aplicações foliares, independentemente do tipo de produto, não serão muito eficientes.

Tabela com as principais fontes de cobre existentes no mercado brasileiro.

Principais fontes de cobre existentes no mercado brasileiro

(Fonte: Esalq)

Em caso de culturas perenes, como café e laranja, realizar análise foliar para verificar a concentração deste e outros nutrientes é uma alternativa para evitar a deficiência.

A época de aplicação da adubação foliar, portanto, é quando há presença de sintomas de deficiência ou em uma aplicação preventiva planejada.

A aplicação do nutriente via solo, nas linhas de plantio ou nas áreas perto das raízes, é mais eficiente. Mas tome cuidado, pois as doses não podem ser muito elevadas.

A dosagem dependerá da concentração de cobre no produto aplicado.

De modo geral, para sulfato de cobre, a dose é de 3 kg/ha a 5 kg/ha de cobre. Para os quelatos, a dose é de 0,5 kg/ha de cobre.

Sua disponibilidade pode aumentar durante os anos devido à sua retenção no solo. Por isso, faça a análise do solo com frequência.

Para evitar problemas, busque sempre o acompanhamento e recomendações do engenheiro-agrônomo na sua lavoura!

O que fazer para corrigir o excesso de cobre?

Se o seu problema for o excesso de cobre na área, realize a calagem. Ela causa elevação do pH do solo. Como consequência, reduz a disponibilidade do elemento.

planilha calculo fertilizante milho e soja

Conclusão

Neste artigo você viu que o cobre nas plantas é fundamental para diversas reações, metabolismos, desenvolvimento e prevenção.

Viu que o manejo do solo influencia diretamente na disponibilidade deste micronutriente para as plantas.

Seu excesso é tão prejudicial quanto sua deficiência, e aprender a reconhecer os principais sintomas de cada um destes cenários é fundamental.

Acompanhe a quantidade desse elemento no solo para definir as estratégias de aplicação.

>> Leia mais:

“Boro nas plantas: manual rápido do manejo desse micronutriente”

“Enxofre para as plantas: recomendações de adubação e manejo”

“Potássio nas plantas: tudo que você precisa saber para fazer melhor uso dele”

Você já precisou realizar alguma prática de manejo devido à falta ou excesso de cobre nas plantas em sua área? Ficou com alguma dúvida? Deixe seu comentário abaixo!

Adubação de sistemas: como fazer para ter mais economia e alta produtividade

Adubação de sistemas: entenda o que é, como implantar e as vantagens dessa estratégia quando aplicada na sucessão soja-milho-soja!

A adubação é o item mais custoso do custo de produção

Por isso, é essencial adotar medidas que otimizem o aproveitamento de nutrientes, evitem o desperdício de insumos, reduzam custos e causem menor impacto ambiental.

A adubação de sistemas é uma prática que contribui com tudo isso, além de cooperar com a sustentabilidade da atividade.

Neste artigo, você irá conferir como funciona a adubação de sistemas e quais são as vantagens ao adotar essa prática de manejo.

O que é a adubação de sistemas

A adubação de sistemas é uma estratégia de manejo da fertilidade do solo. Ela busca melhorar o aproveitamento dos nutrientes pelas plantas. 

Essa prática busca atender as exigências nutricionais de todas as espécies envolvidas no sistema.

Na adubação tradicional, a recomendação é realizada de forma isolada. Ela tem em vista somente as necessidades da cultura que será implantada

Na maioria das vezes, são utilizadas quantidades fixas de nitrogênio, fósforo e potássio. Como resultado, há adubações superdimensionadas

Isso tem impacto direto no meio ambiente e nos custos de produção.

Na adubação de sistemas, os fertilizantes não são destinados para uma única cultura, mas sim para todo o sistema de produção.

Como implantar a adubação de sistemas

É importante ter em mente que a adoção da adubação de sistemas implica em rotação de culturas e em plantio direto.

O primeiro passo para implantar essa técnica é realizar a análise físico-química do solo. Somente assim é possível conhecer a real fertilidade do solo.

Para estabelecer práticas de correção de acidez e adubação do solo, é necessário ter informações como:

  • a qualidade da palhada presente na superfície do solo;
  • a exigência nutricional das plantas cultivadas;
  • a taxa de exportação de nutrientes pelas culturas.

Conhecer o histórico das safras anteriores é fundamental.

A partir dessas informações, são determinadas as épocas das adubações, as fontes dos fertilizantes, as dosagens e os métodos de aplicação. 

Como é realizada a adubação de sistemas

Na adubação de sistemas, as culturas mais exigentes e responsivas à adição de fertilizantes recebem doses maiores de nutrientes, acima das exigidas pela cultura.

Milho, feijão e algodão são culturas que exigem adubações mais pesadas.

As culturas de verão geralmente são menos responsivas à adubação. Elas se beneficiam pelas condições deixadas pela safra anterior.

A soja, plantada em sucessão com o milho, se beneficia dos nutrientes pelo efeito residual das adubações e pela reciclagem da matéria.

O manejo racional da adubação:

  • evita o desperdício de insumos;
  • reduz o trânsito de máquinas na lavoura;
  • reduz os custos de produção;
  • tem menor impacto ambiental.

A sucessão soja-milho-soja

A sucessão soja-milho-soja é o sistema de produção de grãos mais adotado em plantio direto. Nesse sistema, a cultura da soja é plantada na primeira safra e o milho na segunda safra.

Por ser altamente responsiva à adubação, a cultura do milho pode receber doses acima da sua exigência nutricional

A soja é plantada com uma adubação de arranque e se beneficia da adubação residual e da matéria orgânica deixada pelo milho. 

Essa adubação de arranque é essencial em solos de textura arenosa, para não prejudicar o desenvolvimento das plantas.

A soja, por sua vez, beneficia o milho pelos resíduos de nitrogênio deixados no solo.

Além de otimizar as condições de solo, a sucessão soja-milho-soja em sistema de plantio direto também apresenta vantagens operacionais. Ela otimiza a mão de obra e o maquinário. 

Embora a sucessão soja-milho-soja esteja bastante consolidada, é fundamental diversificar a produção

Você pode fazer isso através da rotação de culturas com espécies que tenham propósito comercial e de recuperação do solo.

imagens que demonstram sucessão de soja-milho safrinha-soja

Sucessão de soja-milho safrinha-soja
(Fonte: Constantin et al., 2013)

Rotação de culturas

A rotação de culturas é uma prática que precisa ser planejada para beneficiar as espécies envolvidas. 

A ideia é que a espécie implantada seja favorecida pelas condições deixadas pelas culturas passadas.

A escolha das espécies envolvidas no sistema de rotação deve ser baseada na viabilidade técnica e econômica da atividade.

É importante escolher espécies adaptadas às condições climáticas da região de plantio e com diferentes sistemas radiculares. Isso promove a exploração do solo em profundidade variada. 

A rotação com plantas forrageiras eleva o teor de matéria orgânica do solo e favorece a ciclagem de nutrientes.

Além de melhorar as propriedades do solo, a rotação de culturas também contribui para o manejo de pragas, doenças e plantas daninhas

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Vantagens e desvantagens da adubação de sistemas

Veja a seguir as vantagens da adubação de sistemas:

  • maior eficiência no uso de nutrientes;
  • redução da quantidade de adubos aplicados;
  • redução dos custos de produção;
  • menor impacto ambiental;
  • evita o desperdício de insumos;
  • aumento da produtividade.

Apesar de todos os benefícios que a adubação de sistemas pode trazer, existe um ponto negativo.

A sucessão de culturas pode provocar a degradação do solo ao longo do tempo, seja física, química ou biológica.

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Conclusão

A adubação de sistemas é uma estratégia de manejo que promove maior aproveitamento dos nutrientes pelas plantas. A cultura mais responsiva à adubação recebe doses maiores de fertilizantes

A cultura menos responsiva é beneficiada pela ciclagem de nutrientes e pelo efeito residual das adubações realizadas na cultura anterior.

O sistema de plantio direto, a rotação de culturas e a adubação de sistemas contribuem para a sustentabilidade da atividade.

É  importante lembrar que não existe receita de adubação. Avalie seu caso individualmente, e considere todas as características e peculiaridades dos seus sistemas de produção.

Você conhecia a adubação de sistemas? Sabia de todas as vantagens? Conte sua experiência nos comentários.

Como garantir uma melhor nutrição da soja?

Nutrição da soja: conheça os sintomas da deficiência de NPK, como é feita a avaliação nutricional da lavoura e a marcha de absorção de nutrientes

O manejo correto da adubação da soja é um dos fatores que contribuem para maximizar a produtividade. Além disso, uma nutrição balanceada contribui para proteger a planta do ataque de pragas e doenças.

É importante fornecer esses nutrientes para as plantas nos períodos de maior demanda nutricional. Por isso, ter conhecimento da marcha de absorção de nutrientes da soja permite melhorar a eficiência da adubação.

Neste artigo, você lerá sobre como identificar a falta de alguns elementos na soja, sobre análise foliar e muito mais. Confira!

Como identificar a deficiência nutricional na soja

Considerando as áreas destinadas à produção de grãos, os solos brasileiros apresentam baixa fertilidade natural e elevada acidez. 

É mais comum que apareçam sintomas decorrentes da deficiência nutricional do que do excesso

A deficiência de NPK diz respeito à carência de nitrogênio, fósforo e potássio nas plantas. 

Cada um desses elementos desempenha um papel na cultura, e sua deficiência pode comprometer a produtividade e a qualidade do produto.

Nitrogênio

O nitrogênio é o nutriente demandado em maior quantidade pela cultura da soja. A maior parte desse elemento é obtida pelo processo de fixação biológica. 

controvérsias quanto ao uso de nitrogênio mineral na soja. A recomendação para o manejo do nitrogênio é a inoculação das sementes com bactérias do gênero Bradyrhizobium

É importante frisar a importância da presença de cobalto e molibdênio para a eficiente fixação biológica do nitrogênio.

A deficiência de nitrogênio afeta primeiro as folhas mais velhas da soja. Elas apresentam clorose seguida de necrose. A clorose pode ser distribuída de forma uniforme ou em áreas internervais da folha. 

A carência desse elemento também pode levar à redução do porte da soja, aumentar a  susceptibilidade das plantas ao ataque de pragas e doenças, além de diminuir os teores de proteínas nos grãos.

Clorose decorrente da deficiência de nitrogênio na soja

(Fonte: Yara Brasil) 

Fósforo 

Na adubação da soja, o fósforo é o elemento que tem o maior custo para o produtor.

Algumas fontes de fósforo utilizadas na agricultura são o superfosfato simples (20% de P2O5) e o  fosfato monoamônio (48% de P2O5).

Os sintomas de deficiência desse elemento são visíveis primeiro nas folhas mais velhas, em razão da alta mobilidade do fósforo na planta

As plantas com sintomas de deficiência de fósforo apresentam folhas de tamanho reduzido, além de terem seu crescimento prejudicado. 

Nesse caso, também há presença de clorose e necrose internerval. As folhas podem exibir coloração que varia do verde-escuro ao azulado.

Clorose seguida de necrose em função da deficiência de fósforo na soja

(Fonte: Yara Brasil)

Potássio 

Depois do nitrogênio, o potássio é o elemento mais exigido pela soja. A principal fonte de potássio utilizada na agricultura é o cloreto de potássio.

Os sintomas da deficiência desse elemento incluem clorose internerval seguida de necrose das folhas mais velhas. Esse sintoma tem início na margem foliar e, com o avanço da deficiência, a clorose-necrose avança para o centro dos folíolos. 

Além disso, a deficiência de potássio afeta diretamente a qualidade dos grãos. Plantas carentes desse elemento produzem grãos de menor tamanho e peso, enrugados e deformados.

Clorose seguida de necrose, iniciando nas margens das folhas, pela deficiência de potássio na soja

(Fonte: Yara Brasil) 

Avaliação do estado de nutrição da soja

A análise foliar é uma importante ferramenta auxiliar no manejo nutricional da cultura da soja. 

Ela permite inferir sobre a fertilidade do solo, uma vez que há relação entre os nutrientes acumulados nos tecidos foliares e os nutrientes disponíveis no solo para as plantas.

A avaliação do estado nutricional da planta é feita pela análise química de uma amostra de folhas, coletadas entre o início do florescimento e a plena floração da cultura (R1 – R2). 

De acordo com o ciclo fenológico da soja, a amostragem deve ser realizada no estádio R1 (início do florescimento). 

É nesse período que ocorre o máximo acúmulo de nutrientes pela cultura. As folhas  apresentam maiores concentrações de nutrientes que serão expressos na análise foliar. 

A quantidade de folhas amostradas irá depender de fatores como a homogeneidade da lavoura, cultivar e tipo de solo. A Embrapa recomenda uma amostragem de 35 folhas trifolioladas por talhão. 

As folhas coletadas precisam ser recém-maduras e sem pecíolos. Devem corresponder à quarta ou à terceira folha a partir do ápice da haste principal.

Terceira ou quarta folhas de soja que podem ser colhidas para análise do tecido no início do florescimento

(Fonte: Agência Embrapa de Informação Tecnológica)

Interpretação dos resultados 

Abaixo, você pode conferir as concentrações de alguns macro e micronutrientes que são utilizadas para a interpretação dos resultados das análises foliares da soja.

Classes e teores de nutrientes utilizados na interpretação dos resultados das análises de folhas (sem pecíolo) de soja de tipos de crescimento determinado e indeterminado

(Fonte: Embrapa Soja)

A análise das folhas possibilita diagnosticar a “fome ou toxidez oculta”, que é quando a planta ainda não apresentou visualmente os sintomas ocasionados pela carência ou excesso de determinado nutriente.

Caso seja diagnosticada a deficiência de algum nutriente, e este for disponibilizado no período de maior exigência nutricional, a lavoura pode se recuperar e não ter sua produtividade afetada. 

No entanto, é importante salientar que antes do aparecimento dos sintomas nas plantas, sejam eles por deficiência ou excesso de nutrientes, o desenvolvimento e a produtividade da cultura já podem ter sido afetados. 

Além de disponibilizar o fertilizante no momento certo, é preciso estar atento às dosagens, fontes, métodos de aplicação, mobilidade do elemento no solo e condições ambientais.

Marcha de absorção de nutrientes

O conhecimento das curvas da marcha de absorção de nutrientes é muito importante no manejo da cultura, pois permite identificar os períodos de maior exigência nutricional

Na fase inicial, a soja apresenta baixa absorção de nutrientes. A exigência nutricional aumenta ao longo do desenvolvimento da cultura e atinge seu pico máximo na fase de enchimento de grãos

O início do florescimento da soja compreende a fase de maior velocidade de absorção de nutrientes pelas plantas. 

A partir desses conhecimentos, você consegue melhorar a eficiência da adubação pelo fornecimento dos nutrientes nas fases de maior demanda, de acordo com a quantidade extraída pela cultura e pela mobilidade de cada elemento no solo.

A seguir você pode conferir a marcha de absorção dos macronutrientes nitrogênio (N), fósforo (P), potássio (K), cálcio (Ca), magnésio (Mg) e enxofre (S) pela soja.

Marcha de absorção de macronutrientes pela soja

(Fonte: Adaptado de Embrapa Soja)

Abaixo, está apresentada a marcha de absorção dos micronutrientes boro (B), cobre (Cu), manganês (Mn) e zinco (Zn) pela soja.

Marcha de absorção de micronutrientes pela soja

(Fonte: Adaptado de Embrapa Soja)

Conclusão

Toda recomendação de adubação deve ser orientada pelos teores de nutrientes determinados na análise de solo

Na soja, o nitrogênio é o elemento absorvido em maiores quantidades, seguido do potássio. Os sintomas de deficiência de NPK são visíveis, primeiramente, nas folhas mais velhas.

A análise foliar é uma ferramenta auxiliar importante no manejo nutricional da soja. Recomenda-se que a análise das folhas seja feita no início do florescimento (R1) da cultura.

Conhecer a marcha de absorção de nutrientes da cultura da soja te permite melhorar a eficiência da adubação, pelo fornecimento dos nutrientes no momento de maior exigência.

Espero que esse artigo tenha te ajudado a saber qual o momento exato de realizar a adubação na soja!

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Como evitar perdas na adubação nitrogenada no cafeeiro

Adubação nitrogenada no cafeeiro: como favorecer a liberação controlada do nutriente no solo e realizar a análise foliar em menor tempo

O nitrogênio é o nutriente mais exigido pelo cafeeiro e influencia diretamente a produtividade. No entanto, são diversos os desafios de manejo na adubação nitrogenada

O controle de perdas do nutriente por volatização e a avaliação dos níveis de absorção da planta, realizada pela análise foliar, são impasses que você pode enfrentar em sua lavoura.

No entanto, há maneiras de tornar o manejo da adubação nitrogenada no cafeeiro mais eficiente, conforme pesquisas recentes. Conheça algumas delas neste artigo!

Importância da adubação nitrogenada no cafeeiro

Estima-se que haja 85% de nitrogênio na matéria orgânica do solo, mas seu teor depende do processo de mineralização.  Normalmente, apenas entre 2 e 3% do nitrogênio no solo está disponível para as plantas. 

Esse nutriente tem relação direta com a produtividade do café: ele influencia no desenvolvimento vegetativo e reprodutivo da planta. Uma boa fonte de nitrogênio é a palha do café.

Além disso, ele também favorece o crescimento das folhas novas e dos ramos plagiotrópicos (ramos laterais produtivos), o aumento da área foliar e a produção de carboidratos essenciais para os frutos. A ausência desse elemento pode causar deficiência nutricional no cafeeiro.

Absorção de nitrogênio pelos grãos

O nitrogênio é o segundo nutriente mais translocado e o mais exportado pelos grãos de café.

A recomendação varia conforme a produtividade no ano/safra e o teor foliar do nutriente. Geralmente, num estande com 4.000 plantas, você deve usar 450 kg ha-1.

Para essa quantidade utilizada, a produção esperada é de 8,8 litros de grãos por planta. Porém, há casos em que a quantidade de fertilizante nitrogenado utilizada chega a 800 kg ha-1.

Normalmente, a adubação de nitrogênio no solo é feita de forma parcelada (a cada 15 dias) entre setembro e março, durante o período chuvoso, para maior absorção pela planta.

Nessa época, ocorrem as fases de floração, frutificação (quando aumenta a absorção do nutriente pela planta) e desenvolvimento vegetativo.

Até chegar a fase de produção, há diferentes níveis de exigência nutricional, resultando em um parcelamento da adubação do cafeeiro.

Mobilidade do nitrogênio no solo

Um fator importante na adubação nitrogenada é a mobilidade do nitrogênio no solo, que pode ser perdido por lixiviação, volatização, nitrificação, desnitrificação, imobilização e mineralização

Segundo pesquisadores, em solos de regiões de clima tropical úmido ocorre grande mobilidade do nutriente e intensa mineralização da matéria orgânica.

Dentre os fatores que interferem no aproveitamento do nitrogênio pelas plantas, estão a disponibilidade de água no solo, o pH, o tipo e a fertilidade do solo, além da presença de alumínio.

Uma das formas mais usuais de fornecer o nutriente para o cafeeiro é por meio da adubação com fertilizantes nitrogenados, como ureia e o sulfato de amônio.A adubação é feita em três ou quatro parcelas a partir do quarto mês de florescimento, concomitante à época de granação e maturação dos frutos.

Ureia agrícola com 44% de N

(Fonte: MFRural

Perdas e absorção de nitrogênio pelas plantas

Pesquisas mostram que as perdas do nitrogênio no solo ocorrem, quase sempre, por volatização na forma de gás amônia, quando aplicado na superfície do solo em ambiente úmido. Essas perdas podem chegar a até 35%.

Nessa situação, a ureia reage com a água, o que resulta na formação do gás amônia (ou forma amônia).

Na aplicação da ureia em solo seco, quando o insumo é molhado pela chuva ou por irrigação (ou fertirrigação), há formação do amônio.

A formação do amônio  possibilita a absorção, mas ele pode ser convertido também em nitrito ou nitrato, absorvido com mais facilidade em solos com pH superior a 5,5.

De acordo com pesquisadores, o nitrogênio em qualquer forma em solos com pH próximo de neutro é transformado em nitrato pela ação de bactérias nitrificadoras.

Métodos para controle de perdas do nitrogênio 

1. Ureia revestida com polímeros

Uma das formas de controle de perdas do nitrogênio no solo é a aplicação parcelada, mas ela também implica em mais gastos com mão de obra, além da compactação do solo.

Estudo recente sugere o uso de inibidores de urease (NBPT) e de nitrificação, com adição de acidificantes e ureia revestida com polímeros ou gel para evitar perdas de N.

Por esse método, ocorre a liberação lenta ou controlada do nutriente no solo, o que pode favorecer o aumento da produtividade e economia de serviços.

Teste de comparação

A título de comparação, a pesquisa fez a adubação nitrogenada com ureia de forma convencional (45% de N) e revestida com polímeros (39% de N) num cafezal em Minas Gerais.

Foram aplicados 450 kg ha-1 (em três parcelas) na aplicação convencional, com intervalo de 60 dias e em dose única para a ureia revestida com polímeros.

Os resultados apontaram perdas de 18,5% do total de nitrogênio aplicado de forma convencional, ou seja: dos 450 kg ha-1 aplicados, 83,5 kg foram perdidos por volatização.

Com a ureia revestida com polímeros, houve perda de 10,46% de N, mesmo aplicado em dose única.

O estudo concluiu que houve perda de 8% a menos do nutriente na adubação com ureia revestida, em comparação com o modelo convencional de adubação.

2. Análise foliar por meio de sensoriamento remoto

Uma ferramenta importante para maior eficiência do manejo nutricional do nitrogênio no cafeeiro é a análise foliar.

É por meio da análise foliar que é possível saber o quanto de fato a planta está absorvendo de nutriente, e se necessário fazer alguma intervenção nutricional. 

Contudo, geralmente, os resultados são conhecidos 30 dias após coletar as amostras e as analisar em laboratório, com custo de R$ 950, numa área de 5 ha, por exemplo. 

Um estudo realizado na Bahia, com o uso do sensoriamento remoto (sensores manuais e drones), mostra que é possível reduzir esse tempo a apenas um dia.

Teores de nitrogênio foliar medido com sensores

(Foto: Crislaine Ladeia/Divulgação)

Tecnologia para sensoriamento remoto

Uma possibilidade para realizar o sensoriamento remoto é através do sensor óptico ativo manual terrestre GreenSeeker®, da Trimble.

O equipamento emite radiação eletromagnética na banda do vermelho a 660 ± 12 nanômetros e do infravermelho, próximo de 770 ± 12 nm.

A medição é realizada a 0,5 metro da cultura no terço médio da planta.

Também pode ser utilizado um drone equipado com sensor que capta a radiação do comprimento de ondas do visível (400 – 700 nm).

planilha adubação de café

Conclusão 

A adubação nitrogenada do cafeeiro pode ser realizada de forma mais eficiente, como você viu ao longo do artigo.

A adubação nitrogenada em dose única, com ureia revestida com polímeros, é uma boa alternativa para maior eficiência, redução de custos e redução da compactação do solo.

Igualmente benéfica, a análise foliar por meio do sensoriamento remoto permite uma atuação ainda no mesmo ano/safra, caso sejam necessárias correções nutricionais.

Tais ações, se bem executadas, resultarão em boa produtividade de café para a sua lavoura.

>> Leia mais:

“Tudo o que você precisa saber sobre a cercosporiose no café”

Quais métodos você costuma utilizar para fazer a adubação nitrogenada no cafeeiro? Relate sua experiência aqui nos comentários, e assine nossa newsletter para receber mais artigos parecidos!

Por que a adubação com silício pode ser sua aliada na produtividade

Adubação com silício: a importância dessa estratégia de manejo e os benefícios no desenvolvimento das plantas.

O aumento da produtividade agrícola se deve ao manejo adequado de fatores como a adubação. A fertilização promove muitos benefícios no desenvolvimento das lavouras.

Os efeitos positivos da adubação com silício podem ser observados principalmente nas gramíneas  como arroz, cana-de-açúcar, milho e trigo, consideradas acumuladoras desse elemento.

Além de minimizar os efeitos do déficit hídrico, essa substância aumenta a resistência das plantas ao ataque de pragas e doenças.

Quer saber como a adubação com silício pode te ajudar a aumentar a produtividade da sua lavoura? Confira a seguir!

O que é o silício?

O silício é um mineral que promove melhorias no desenvolvimento das plantas, encontrado naturalmente na maioria dos solos. Os solos brasileiros apresentam cerca de 5% a 40% de silício em sua composição. 

Embora faça parte da constituição da solo, este elemento está presente em maiores quantidades em ambientes pouco intemperizados. Em geral, solos arenosos apresentam baixa disponibilidade de silício assimilável pelas plantas.

Sua absorção está diretamente relacionada ao pH do solo. Em condições de pH mais elevado, há maior quantidade de silício disponível. Dessa forma, ocorre maior absorção do elemento pelas plantas.

O silício é absorvido pelas plantas na forma de ácido silícico (H4SiO4) e esse processo ocorre, preferencialmente, pelas raízes. No entanto, a adubação silicatada pode ser feita tanto via solo quanto via foliar.

Fontes de silício para as plantas

Segundo a legislação brasileira que regulamenta a produção e comercialização de fertilizantes e corretivos, a adubação com silício é considerada benéfica para as plantas

O silício pode ser comercializado na forma isolada ou misturado a outros nutrientes. Dentre os materiais utilizados como fonte de silício para as plantas, há:

  • escórias da indústria siderúrgica
  • metassilicato de cálcio;
  • termofosfato;
  • wollastonita;
  • silicato de potássio; 
  • silicato de cálcio;
  • silicato de magnésio.

O silicato de cálcio é um exemplo de adubo aplicado diretamente no solo, enquanto o silicato de potássio é um fertilizante foliar

Além disso, o silicato de sódio, bastante empregado no modelo de agricultura convencional, é uma substância liberada para uso na produção de orgânicos. 

Importância da adubação com silício

Várias pesquisas científicas demonstram a importância do silício na relação planta-ambiente. 

Esse elemento atua como protetor, fornecendo condições para que a lavoura tenha maior resistência a estresses bióticos (pragas e doenças) e abióticos (déficit hídrico, salinidade e estresse térmico).

Silício no controle de pragas e doenças

Ao ser absorvido, o silício é depositado na epiderme das folhas e nos colmos, que ficam mais espessos. O acúmulo desse elemento nas células epidérmicas funciona como uma barreira física que dificulta o ataque de insetos e o desenvolvimento de doenças.

tabela com pragas controladas com a utilização de silício em diversas culturas

Pragas controladas com a utilização de silício em diversas culturas
(Fonte: International Plant Nutrition Institute)

O silício também atua induzindo mecanismos naturais de defesa das plantas, como a produção de compostos fenólicos, enzimas e acúmulo de lignina

Essa resposta metabólica das plantas interfere negativamente no desenvolvimento de agentes fitopatogênicos, por exemplo. 

tabela com efeito do silício na supressão de doenças fúngicas em grandes culturas e hortaliças

Efeito do silício na supressão de doenças fúngicas em grandes culturas e hortaliças
(Fonte: International Plant Nutrition Institute)

A deposição de silício nas folhas também melhora a arquitetura foliar. Isso quer dizer que as folhas ficam mais eretas, o que favorece a penetração da luz no dossel das plantas e evita o auto-sombreamento. 

Com isso, há melhora na capacidade fotossintética das plantas e há aumento da produtividade. O enrijecimento das paredes das células também reduz o acamamento das plantas.

Silício na correção da acidez do solo

O silicato de cálcio e o silicato de magnésio são substâncias que contêm silício em sua composição. Elas podem ser usadas na correção da acidez do solo, além de fornecer os nutrientes para as plantas.

As escórias siderúrgicas (subprodutos da indústria do ferro e do aço) também são utilizadas na agricultura para correção da acidez do solo. 

Elas aumentam a saturação por bases (V%) e a capacidade de troca de cátions (CTC do solo). Além disso, sua ação como corretivo da acidez do solo pode ser comparada à do calcário

No entanto, é bom destacar a importância desse material não apresentar substâncias contaminantes, principalmente metais pesados. Isso evita a contaminação do solo, dos cursos d’água e protege o ecossistema.  

O silício contribui ainda na redução da toxicidade de alumínio, manganês e ferro presentes no solo.

Silício e a adubação NPK

Os fertilizantes silicatados têm importante papel no aumento da eficiência da adubação feita com nitrogênio, fósforo e potássio. 

Como o silício contribui para o aumento da taxa fotossintética, ocorre maior incorporação do nitrogênio nas atividades metabólicas. Além disso, o silício aumenta o teor de fósforo no solo e diminui a lixiviação de potássio e outros nutrientes móveis. 

Silício no aumento da resistência ao estresse hídrico e salino

Em condições de déficit hídrico, a adubação silicatada contribui para minimizar os efeitos negativos. 

O espessamento da epiderme das folhas, em decorrência da deposição de silício, reduz a transpiração da planta e diminui a abertura estomática. Isso resulta em menor perda de água pela planta

Em condições de salinidade, o silício atua na preservação da parede celular. Ele estimula o sistema antioxidante da planta que garante a integridade e estabilidade da membrana celular. 

10 benefícios da adubação com silício

Você viu todas as vantagens que a adubação com silício pode promover. Confira a síntese desses benefícios e considere essa possibilidade!

  • maior resistência ao ataque de pragas e doenças;
  • aumento da capacidade fotossintética em função do melhor arranjo foliar;
  • maior resistência ao acamamento;
  • indução de mecanismos naturais de defesa, como a produção de polifenóis e enzimas;
  • correção da acidez do solo;
  • aumento dos teores de cálcio e magnésio trocáveis;
  • redução da toxicidade do alumínio, manganês e ferro;
  • contribui para a melhoria do estado nutricional da planta;
  • aumento da resistência ao estresse hídrico e salino;
  • aumento da produtividade.
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Conclusão

O silício é um mineral com influência positiva sobre o desenvolvimento das plantas, principalmente as gramíneas. Pode ser aplicado via solo ou via foliar.

O silicato de sódio não apresenta restrição de uso na agricultura orgânica, sendo utilizado no controle de pragas e doenças.

A adubação silicatada é uma estratégia de manejo importante no aumento da produtividade e que contribui para a maior resistência a pragas e doenças, melhora o estado nutricional da lavoura, além de aumentar a resistência à salinidade e a falta de água.

O silício funciona como corretivo da acidez do solo e, além disso, fornece cálcio e magnésio para as plantas

Com quais produtos você realiza a adubação do solo da sua lavoura? Já fez adubação com silício? Quais foram os resultados? Conte sua experiência aqui nos comentários!

Saiba como funcionam os bioativadores e quais são os tipos disponíveis no mercado

Bioativadores: o que são, como utilizar e qual a diferença entre eles, os bioestimulantes e os biorreguladores

O potencial genético é um fator determinante no desenvolvimento e na produtividade das culturas, mas sua expressão precisa de condições favoráveis.

Não é possível eliminar o estresse das plantas no campo. No entanto, o desenvolvimento de ferramentas como os bioativadores te auxiliam a mitigar essas condições e a aumentar a qualidade e vigor das plantas.

Nesse artigo, você terá as principais informações sobre essa ferramenta e seus benefícios. 

Fisiologia da planta

O segredo para o melhor desenvolvimento da cultura é o equilíbrio ambiental.

Os principais fatores para o desenvolvimento da planta são o potencial genético, o equilíbrio fisiológico funcional, além de condições de solo e ambientais adequadas. 

Por isso, ao implantar uma lavoura, é desejável que ela tenha todas as condições ideais para o alcance do seu potencial genético. 

Para se desenvolver, a planta baseia-se em seu metabolismo primário: fotossíntese, respiração e o acúmulo de carbono. 

O metabolismo secundário é promovido por condições ambientais, como respostas morfológicas via sistemas enzimáticos e não enzimáticos.

A planta se adapta e realiza esses metabolismos de acordo com estresse térmico e outros tipos de estresse. Além disso, durante o desenvolvimento da cultura, as concentrações de hormônios vegetais se modificam.

Substâncias como os bioativadores são capazes de atuar contra condições de estresse e promover o desenvolvimento genético potencial.

infográfico dos hormônios vegetais no ciclo de vida das plantas

(Fonte: Planeta Biologia)

Bioativadores

Bioativadores são substâncias orgânicas que atuam no equilíbrio fisiológico da planta, auxiliando em sua proteção. 

A aplicação em baixa concentração modifica, promove ou inibe os processos morfológicos e fisiológicos vegetais. O objetivo é favorecer a fotossíntese, promover maior resistência aos estresses e aumentar a produtividade.

A aplicação de aminoácidos promove uma menor necessidade energética da planta para a formação de proteínas. Assim, ela permite que a fotossíntese siga o fluxo natural de perpetuação da espécie.

Em resposta às condições de estresse hídrico e salinidade, é produzido o ABA (ácido abscísico), um hormônio natural. Ele promove o acúmulo de carbono e o fechamento dos estômatos da planta.

Os biorreguladores entram nesse momento para  manter o equilíbrio da planta. Não é possível falar de equilíbrio hormonal sem lembrar o papel que os nutrientes cumprem. Por isso, preparar e corrigir o solo é fundamental. 

A falta de nutrientes (Boro, Fósforo, Cálcio) e o solo compactado afetam diretamente o desenvolvimento, desde as raízes até a parte aérea.  Há muita interferência dos nutrientes no  equilíbrio hormonal.

Bioativadores, bioestimulantes e biorreguladores são a mesma coisa?

Os biorreguladores são os hormônios vegetais como: 

  • auxinas;
  • giberelinas;
  • citocininas;
  • retardadores;
  • inibidores;
  • etileno;
  • brassinosteróides;
  • ácido salicílico;
  • jasmonatos;
  • poliaminas.  

Os bioativadores são compostos de biorreguladores e de macro e micronutrientes. 

Os bioestimulantes são substâncias naturais ou microrganismos que melhoram a resposta a estresses abióticos e a eficiência nutricional. 

A diferença é que os bioestimulantes são constituídos de misturas de grupos hormonais no mesmo produto. São precursores hormonais ou hormônios em si. Entender melhor como funcionam e o posicionamento na cultura é muito importante.

O produto utilizado deve ser recomendado à cultura, pois nos estudos de liberação dos produtos todos os testes são realizados e ajustados às recomendações, são identificados seus efeitos e indicadas as dosagens corretas. 

Para os bioativadores e biorreguladores, existem legislações específicas para o registro no Mapa (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento).

Quais os tipos de bioativadores?

O portfólio disponível no mercado é grande. Você deve ter as informações principais dos princípios ativos e a sua concentração no produto.

Assim, você saberá qual o melhor posicionamento para a  aplicação, que promova alterações em processos vitais e estruturais em busca de maior produção.

Veja quais são os tipos de bioativadores disponíveis no mercado!

Extrato de algas

Produtos à base de extrato de algas podem reduzir o estresse nas plantas e causar condições favoráveis ao seu desenvolvimento. Os principais gêneros encontrados no mercado são:

  • Phaeophyceae;
  • Ascophyllum nodosum;
  • Macrocystis pyrifera;
  • Durvillea potatorum;
  • Ecklomia maxima;
  • Lithothamnium calcareum. 

Aminoácidos

Eles são os reguladores de expressão e repressão genética, interferindo na susceptibilidade e tolerância às condições adversas. 

As plantas naturalmente produzem seus aminoácidos, mas a contribuição do uso em alguns momentos na cultura tem apresentado resultados surpreendentes na tolerância ao estresse.

Eles têm sido aplicados em tratamentos de sementes e na fase vegetativa de culturas como a soja. Apresentam resultados no desenvolvimento de raiz, acúmulo de matéria seca e redução de estresse. 

Seu uso na fase vegetativa para o controle do efeito fitotóxico tem apresentado resultados muito positivos em restituir e estimular o desenvolvimento da planta. 

Quando o triptofano (percursor do ácido indolacético) é aplicado na fase vegetativa, há desenvolvimento radicular e aumento da vida microbiana do solo.

Ácidos orgânicos

O uso de ácidos húmicos e fúlvicos, produtos da decomposição da matéria orgânica, promove melhoria da estrutura física e química do solo.

Isso contribui diretamente para o aumento da microbiologia do solo e consequentemente na melhoria do metabolismo da planta.

O seu uso causa aumento significativo da absorção de íons, potencializa a respiração e a velocidade das reações enzimáticas do ciclo de Krebs, além de aumentar a produção de ATP nas células radiculares e os níveis de clorofila

Pode ser empregado como um condicionador de solo e também tem efeitos positivos sobre a germinação

O uso de ácido húmico e fúlvico em ambientes salinos permite que o sódio fique mais diluído no solo. Ele pode ser perdido pela lixiviação (promovida pela presença de cálcio, magnésio e potássio em sua composição) que mantém os sítios de troca catiônica ativos. 

Modelo proposto do efeito da aplicação de substâncias húmicas (SH) em solos salinos - bioativadores

(Fonte: Biorreguladores e bioestimulantes agrícolas)

Posicionamento em algumas principais culturas

No que se refere às aplicações agrícolas dos biorreguladores, algumas plantas cultivadas no Brasil já atingiram estágios de evolução que exigem nível técnico avançado para alcançar a produtividade.

Na cultura da soja, o uso de bioestimulantes e biorreguladores tem apresentado ótimos resultados, atingindo mais de 30% de aumento de produtividade. Eles têm sido empregados no tratamento de sementes e em aplicação foliar na fase vegetativa.

E esses resultados são bem entendidos, se, por exemplo, uma cultivar precoce de ciclo de cerca de cem dias for exposta a estresse ambiental por pouco mais de uma semana.

Isso corresponde a 10% do ciclo do vegetal que não está funcionando adequadamente.

O uso de bioestimulantes e biorreguladores promove resultados muito positivos.  

Na cultura do algodoeiro, os resultados com o uso têm sido observados na resistência da cultura e até mesmo na qualidade da fibra produzida. O seu uso no tratamento de semente melhora o vigor das plantas.

Na cultura de cana-de-açúcar, bioestumulantes e biorreguladores também têm sido utilizados para favorecer o brotamento, além de promover a fixação biológica de nitrogênio.

O uso de bioativadores ainda é um campo amplo de pesquisa, visto que respostas vegetais nem sempre são atribuídas à aplicação de um único regulador, porque é preciso considerar que existam hormônios que contribuam para as respostas obtidas. 

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Conclusão

Ao longo do artigo, você viu que há diferenças entre biorreguladores, bioativadores e bioestimulantes. 

Biorreguladores são hormônios vegetais, bioativadores são compostos de biorreguladores, macro e micronutrientes. Os bioestimulantes são substâncias naturais que melhoram a resposta a estresses e a nutrição das plantas.

Os resultados com bioativadores são muitos, mas é importante lembrar que utilizar somente um tratamento de semente ou um produto foliar é relativamente simples.

O posicionamento correto do produto dentro do seu planejamento agrícola e das condições da sua lavoura são a chave para você obter a produtividade final

Você já utilizou bioativadores e bioestimulantes na sua lavoura? Como foi a experiência e o seu retorno com o uso?  Compartilhe sua experiência comigo nos comentários!

O que você precisa saber sobre a cobertura do solo com nabo forrageiro

Cobertura do solo com nabo forrageiro: quando e como cultivar, benefícios da produção e seu impacto na cultura seguinte

Manter o solo coberto no outono-inverno é uma alternativa benéfica para o sistema produtivo.

O nabo forrageiro é uma opção que traz benefícios a mais. Além de poder descompactar o solo da sua propriedade, ele pode inibir a emergência e desenvolvimento de plantas daninhas.

Ele possui alta capacidade de reciclar nutrientes e é muito utilizado na sucessão e/ou rotação de culturas com soja, milho e algodão.

Se você deseja melhorar a qualidade do solo e a produtividade da sua lavoura, utilizar o nabo forrageiro pode ser interessante.

Neste artigo, você verá alguns dos motivos pelos quais você deve investir nessa opção. Confira!

Quando e como cultivar o nabo forrageiro?

O nabo forrageiro é uma cultura anual de inverno, com hábito de crescimento ereto, herbáceo e muito ramificado. É tolerante à seca e ao frio, além de ser pouco exigente em fertilidade e tolerante a solos ácidos.

Por ser uma cultura de inverno, sua semeadura deve ocorrer entre os meses de março e abril, quando ainda há disponibilidade hídrica.

A semeadura pode ser realizada a lanço ou em linhas, com espaçamento de 20 cm a 40 cm, distribuindo de 3 kg a 15 kg de sementes por hectare.

Devido ao pequeno tamanho das sementes, é recomendado misturá-las com calcário ou superfosfato simples, na proporção de 1 kg de sementes para 50 kg de corretivo ou fertilizante, com objetivo de facilitar a semeadura.

Por ser muito vigorosa, sua altura varia entre 1 m e 1,8 m. Pode produzir de 5 a 10 toneladas de massa seca por hectare.

Seu sistema radicular pivotante pode atingir até 2 metros de profundidade, sendo capaz de romper camadas compactadas do solo.

Seus restos culturais decompõem rapidamente (baixa relação C/N). Por isso, faça sua consorciação com espécies gramíneas como aveia, centeio e azevém, que possuem decomposição mais lenta e cobertura prolongada do solo.

gráfico com distribuição da massa seca (%) em plantas de nabo forrageiro com 50% das plantas em florescimento

Distribuição da massa seca (%) em plantas de nabo forrageiro com 50% das plantas em florescimento
(Fonte: adaptado de Lima et al. 2007)

Por ser precoce e agressiva, a cultura cobre cerca de 70% do solo em até 60 dias após a semeadura, e é uma excelente opção para cobertura do solo.

Utilização

O nabo forrageiro é uma alternativa para produtores que não conseguiram acompanhar a janela de semeadura do milho safrinha.

Também pode ser utilizado para adubação verde, na rotação ou sucessão de culturas com soja, milho e algodão.

Seu sistema radicular é agressivo. Por isso, funciona como um subsolador natural, por romper as camadas compactadas do solo. Também possui efeito alelopático, que inibe a germinação de plantas daninhas.

Em razão da sua alta capacidade de produção de massa verde, pode ser utilizado na alimentação animal na forma de pastejo direto ou corte para fornecimento no cocho.

Suas flores brancas e roxas enfeitam o campo e funcionam como fonte de alimento para as abelhas no outono-inverno.

A partir de seus grãos pequenos, arredondados e marrons, é possível extrair óleo de excelente qualidade para produção de biodiesel.

A torta, oriunda da prensagem dos grãos para extração de óleo, pode ser utilizada na formulação de rações para alimentação animal.

Por que cultivar o nabo forrageiro?

Recapitulando, a utilização do nabo forrageiro é um método biológico de descompactação do solo, que apresenta diversas vantagens, como:

  • rápido crescimento inicial;
  • cobertura total e rápida do solo;
  • supressão de plantas daninhas;
  • rápida decomposição devido à baixa relação C/N;
  • excelente capacidade de reciclagem de nutrientes (N e P);
  • sua raiz pivotante melhora as condições físicas do solo, atuando sobre sua descompactação;
  • cultura de baixo investimento;
  • suas flores são fontes de alimentos para as abelhas no outono-inverno;
  • seus grãos funcionam como matéria-prima para a produção de biodiesel.

Entretanto, considere alguns pontos antes de utilizar o nabo forrageiro, já que do ponto de vista fitopatológico, o cultivo da cultura pode ser problemático.

Por exemplo, em áreas com histórico e ocorrência recente de mofo-branco (Sclerotinia sclerotiorum), evite o cultivo do nabo forrageiro.

Ele é uma planta hospedeira do mofo-branco, e pode aumentar o inóculo da doença na área.

Além disso, o seu cultivo também não é recomendado em áreas com histórico de nematoides de galhas (Meloidogyne javanica), por ser uma cultura suscetível.

Nessas condições, evite o nabo forrageiro e opte por espécies gramíneas como aveia, centeio, azevém, entre outras.

Invista no cultivo do nabo forrageiro em sua propriedade, pois as vantagens são muitas.

Impactos na produção de grãos em sucessão 

Como você sabe, manter o solo coberto durante a entressafra é uma alternativa benéfica para o sistema produtivo.

Os benefícios do nabo forrageiro nas culturas são evidentes. Seu cultivo prepara o solo para a semeadura de culturas como soja, milho e algodão.

O nabo forrageiro, solteiro ou em consórcio com aveia-preta, produz volume considerável de massa seca para cobertura do solo.

tabela com produção de massa seca da parte aérea do nabo forrageiro solteiro e consorciada com aveia-preta

Produção de massa seca da parte aérea do nabo forrageiro solteiro e consorciada com aveia-preta
(Fonte: adaptado de Forte et al. 2018)

Essa cobertura proporciona diversos benefícios ao solo e às culturas em sucessão, devido à rápida decomposição dos seus resíduos vegetais. Há disponibilização, de imediato, dos nutrientes no solo.

Veja o aumento da produtividade de grãos de milho após o cultivo de nabo forrageiro.

tabeça com cobertura do solo com nabo forrageiro contribui para o aumento da produtividade de grãos do milho em sucessão

 A cobertura do solo com nabo forrageiro contribui para o aumento da produtividade de grãos do milho em sucessão
(Fonte: adaptado de Forte et al. 2018)

O milho cultivado após o nabo forrageiro pode produzir mais de uma tonelada por hectare em relação ao seu cultivo em área de pousio.

Culturas como soja, feijão, algodão, entre outras, também se beneficiam com a inserção do nabo forrageiro no sistema produtivo.

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Conclusão

O nabo forrageiro é muito utilizado como cobertura do solo e adubação verde, na rotação e/ou sucessão de culturas e na alimentação animal.

Por ser tolerante à seca e à geada é uma ótima opção de cultura de outono-inverno.

Suas raízes descompactam o solo, permitindo um preparo biológico do mesmo. Possui alta capacidade de reciclagem de nutrientes, principalmente nitrogênio e fósforo.

A partir dessas informações, você sabe que fazer a cobertura de solo com nabo forrageiro traz inúmeros benefícios para a sua lavoura.

>> Leia mais: Saiba como o estilosante pode ser uma boa opção para a cobertura do solo”

Já tentou fazer a cobertura do solo com nabo forrageiro? Como você costuma fazer em sua propriedade? Deixe sua experiência aqui nos comentários.