Índice de vegetação: o que ele pode mostrar sobre sua lavoura

Índice de vegetação: Veja como funciona, quais suas aplicações e como essa tecnologia no campo pode te auxiliar na melhor tomada de decisão.

Com o avanço da tecnologia, novas ferramentas de manejo e gestão agrícola como os índices de vegetação têm surgido para facilitar a vida no campo.

Os índices de vegetação estão cada vez mais populares, entretanto, assim como o GPS não são um novo conceito.

Esses modelos matemáticos – ou algoritmos – baseados no sensoriamento remoto, buscam avaliar e caracterizar a cobertura vegetal.

Mas isso é apenas a ponta do iceberg, confira a seguir quais são e como funcionam os principais índices de vegetação!

Entendendo mais sobre os índices de vegetação

Antes de falarmos a respeito dos índices de vegetação, precisamos entender alguns princípios do sensoriamento remoto.

O sensoriamento remoto, por definição, trata-se da coleta de dados ou de imagens por sensores para posterior análise e processamento.

Pode ser realizado através de sensores presentes nos satélites, veículos aéreos (como drones) ou até mesmo veículos terrestres.

Por ser remoto, isso significa que é possível obter informações acerca de cultivos agrícolas, por exemplo, sem o contato direto do sensor com a lavoura.

Isso tudo é possível graças à radiação eletromagnética, ou REM, que pode ser natural ou artificial. 

A representação contínua da REM, por comprimento de onda, frequência ou energia é chamada espectro eletromagnético (como mostra a figura abaixo).

O sol é a nossa principal fonte de REM, com todos os objetos expostos a ela.

Espectro eletromagnético em função da frequência e comprimento de onda

Espectro eletromagnético em função da frequência e comprimento de onda
(Fonte: Chemistry Libretexts)

As interações existentes entre a REM oriunda do sol e a superfície das plantas permite a obtenção de informações a respeito do objeto que o emitiu.

Ocorrendo de forma simultânea, essas interações podem ser classificadas em três tipos: reflectância, transmitância e absorbância.

Como as radiações absorvidas, refletidas e transmitidas são complementares e devem sempre totalizar 100%, isso permite a extração de diversas informações.

Essas interações, principalmente a refletância, ocorrem em diferentes intensidades  e comprimentos de ondas nas mais diversas superfícies.

Essas variações fazem com que cada superfície apresente uma radiação eletromagnética característica, ou assinatura espectral, como vemos nas figuras abaixo.

 Diferentes interações entre a REM (luz incidente) e a superfície foliar, representada em corte longitudinal
(Fonte: adaptado de Portz, 2011)

Diferentes assinaturas espectrais

Diferentes assinaturas espectrais folha verde (a), folha seca (b) e solo (c) frente aos comprimentos de onda do espectro visível (B,G,R) e infravermelho (IR)
(Fonte: Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE))

Dentro do espectro luminoso, as plantas apresentam grande absorbância nas faixas do  azul (400-500 nm)  e vermelho (600-700 nm).

Isso graças à presença dos pigmentos (clorofilas, xantofilas e carotenoides) e a estrutura celular da superfície das folhas. É aqui que entram os índices de vegetação.

O que são os Índices de Vegetação e como funcionam

Os índices de vegetação são modelos matemáticos que vêm sendo desenvolvidos com base na reflectância das coberturas vegetais.

Ao integrar a reflectância de duas ou mais bandas espectrais, ou comprimentos de ondas, os índices de vegetação conseguem realçar determinadas características.

Para o cálculo dos índices de vegetação é comum a utilização da reflectância das assinaturas espectrais.

Quando conhecemos as interações entre a REM e as plantas nos diferentes comprimentos de onda, podemos desenvolver e utilizar inúmeros índices de vegetação.

Tais índices de vegetação podem ser utilizados para a determinação de uma gama de parâmetros biofísicos e características da vegetação.

Diferentes padrões de reflectância de folhas com diferentes estados

Diferentes padrões de reflectância de folhas com diferentes estados, morta ou seca, estressada e saudável
(Fonte: DronEng)

O  índice  de área  foliar, a biomassa, a porcentagem de cobertura do solo, a atividade fotossintética, deficiências hídricas e até mesmo estimativas de produtividade são alguns desses parâmetros.

O sensoriamento remoto fornece a base para o desenvolvimento dos índices de vegetação, a reflectância das culturas.

As principais vantagens da utilização dos índices de vegetação estão na eficiência, rapidez e praticidade das mensurações.

Ao contrário dos monitoramentos convencionais, essas técnicas permitem a identificação de variabilidade nas lavouras durante seu desenvolvimento.

Permitindo adubações e pulverizações otimizadas, manejo preciso das pragas e doenças antes da colheita e não apenas para os cultivos subsequentes.

>> Leia mais: O que é SIG na agricultura e como essa tecnologia pode ser útil na sua fazenda

Principais índices de vegetação

Apesar de hoje em dia os índices de vegetação estarem crescendo no mercado, seu  conceito data da década de 70. São inúmeros índices de vegetação existentes como o NDVI, EVI, SAVI e VARI.

Cada um apresenta uma finalidade e funcionalidade diferente e são usados mundialmente, não apenas na avaliação de lavouras.

a) Índice de Vegetação por Diferença Normalizada (NDVI)

O NDVI é a sigla em inglês para Normalized Difference Vegetation Index e trata-se do índice mais conhecido no mercado.

Esse índice de vegetação atua com sensores infravermelho próximo (NIR), analisando a resposta espectral das plantas nas bandas do vermelho e do infravermelho próximo.

O índice de vegetação NDVI pode ser utilizado no das lavouras para detecção de déficit hídrico, danos de pragas, estimativa de produtividade e outros.

O cálculo do índice de vegetação NDVI é feito através da fórmula:

NDVI

Onde, IVP é reflectância no faixa do Infravermelho próximo e V é a reflectância na faixa do vermelho e seus valores variam de -1 a 1.

Portanto, valores próximos de 1 indicam uma vegetação ativa e saudável, enquanto próximos de 0 ou negativos outros objetos ou vegetação menos ativa ou senescente.

índice de vegetação

Plantas com diferentes características foliares, seja devido à seca, nutrição ou fitossanidade apresentam diferentes valores de NDVI
(Fonte: Earth Observatory – NASA)

A seguir separei duas imagens que mostram como os dados ficam quando processados.

Os valores mais elevados em vermelho indicam a vegetação mais ativa, que domina a imagem no período úmido (esquerda) ao contrário do período mais seco (direita).

Imagens processadas referentes ao cálculo NDVI

Imagens processadas referentes ao cálculo NDVI em dois períodos, úmido (esquerda) e seco (direta)
(Fonte: Borato & Gomide – Embrapa, 2013)

b) Índice de Vegetação Melhorado (EVI)

O índice de vegetação melhorado é calculado de forma similar ao NDVI, apresentando algumas modificações que garantem a correção de luz refletida.

Onde:

NIR = Reflectância do infravermelho próximo; 
RED = Reflectância do vermelho; }
BLUE = Reflectância do azul; 
L = ajuste de fundo; 
C1 e C2 = Coeficientes de resistência a aerossóis.

É comum que partículas em suspensão na atmosfera e sinais de fundo do dossel (cobertura do solo) levem à formação de reflexos indesejáveis.

Esses reflexos prejudicam a captura e consequentemente a interpretação dos dados.

Os dados produzidos pelo índice de vegetação melhorado não saturam tão facilmente quanto os do NDVI.

O EVI é destinado especialmente em regiões que concentram grandes quantidades de biomassa vegetal (elevados teores de clorofila) como as florestas tropicais.

c) Índice de Vegetação Ajustado ao Solo (SAVI)

Como o próprio nome sugere, o SAVI surgiu da necessidade de atenuar os efeitos causados pelo solo na captura dos dados.

Seu cálculo é realizado pela mesma fórmula do NDVI acrescido da constante L, que varia de acordo o maior ou menor grau de cobertura do solo.

O índice SAVI é muito utilizado em áreas que apresentam baixas densidades de vegetação ou de início de plantio.

c) Índice Resistente à Atmosfera na Região Visível (VARI)

O índice de vegetação VARI, assim como o EVI, foi designado para realizar correções dos efeitos atmosféricos.

O VARI é destinado principalmente para detecção de áreas de estresse nas lavouras e analisa o nível de ‘verde’ capturado dos dados (ou imagens).

Diferente dos índices de vegetação anteriores, que são baseados em sensores infravermelho próximo (NIR), as imagens VARI são geradas pelos sensores RGB.

A tendência de uso de imagens RGB não busca a substituição da tecnologia NDVI, mas sim a ampliação das técnicas de mensuração.

Analisando índices de vegetação na sua lavoura

Agora que você já conheceu os principais índices de vegetação existentes, deve estar se perguntando como aplicá-los na sua lavoura.

Uma forma prática de obter essas informações é por meio de um software de gestão rural, como o Aegro.

No Aegro, você pode contratar imagens de satélite para as áreas da sua propriedade e verificar o índice NDVI da plantação.

As imagens são geradas pelo satélite Sentinel-2, em uma frequência de 3 a 5 dias, e ficam organizadas em ordem cronológica no sistema.

https://youtu.be/Y3aajQ7Dlig

Isso te ajuda a acompanhar e evolução da safra com o passar do tempo e identificar mudanças no vigor da vegetação com facilidade.

Além disso, os dados do sensoriamento remoto podem ser analisados juntamente com o histórico de operações agrícolas realizadas em cada talhão.

Assim, você consegue entender se as suas atividades estão tendo o resultado esperado na saúde do cultivo e tomar decisões de manejo mais assertivas.

Simples, não é mesmo? Conheça a solução da Aegro para imagens de satélite e descomplique o uso de NDVI no seu dia a dia.

guia - a gestão da fazenda cabe nos papéis

Conclusão

O sensoriamento remoto e os índices de vegetação são ferramentas muito poderosas que podem auxiliar nos manejo das lavouras.

Os diferentes índices de vegetação nos permitem obter diferentes informações e formular mapas que auxiliam nas tomadas de decisão.

Ao contrário das avaliações convencionais, as informações obtidas pelos índices de vegetação permite agir nos cultivos atuais e não nos subsequentes.

>> Leia Mais: 

NDRE versus NDVI: Qual é melhor para sua fazenda
Drones na agricultura: Como eles te ajudam a lucrar mais
Drones e agricultura de precisão: 8 pontos para você considerar

E você, já utiliza os índices de vegetação para monitoramento de sua lavoura? Conte pra gente nos comentários! 

5 coisas para saber que evitam a deriva de defensivos

Deriva de defensivos agrícolas: tamanho de gotas, escolha do bico, altura da barra e outras orientações para você não ter perda de produtos por deriva.

Pior do que aplicar um produto e não ver resultados, é pulverizar e ver que prejudicou as culturas sensíveis de áreas próximas.

Esse é um dos problemas da ocorrência da deriva, além da perda de produtos e aplicação de doses inadequadas em campo.

O fato da deriva ser tão comum nos mostra que não é fácil controlar essa questão na tecnologia de aplicação de defensivos.

Aqui reunimos as principais maneiras de reduzir a deriva e não prejudicar suas culturas (e nem as do vizinho). Confira!

O que é deriva de defensivos agrícolas?

É quando a aplicação do defensivo agrícola não chega ao alvo. A deriva também é definida como o movimento do defensivo no ar durante ou após a aplicação, não atingindo o local desejado.

Como sabemos, é fundamental que o defensivo atinja o local desejado, pois caso isso não ocorra estaremos perdendo dinheiro, tempo e, consequentemente, reduzindo a produtividade.

Comportamento dos defensivos agrícolas no ambiente

Comportamento dos defensivos agrícolas no ambiente
(Fonte: Campos Moraes (2012))

Mesmo com tantas informações sobre tecnologia de aplicação, podemos nos perder um pouco na hora da escolha de critérios para a tomada de decisão.

Pensando nisso, Ferrer (2014) elaborou um modelo de tomada de decisão em tecnologia de aplicação de defensivos.

Modelo conceitual de decisões em tecnologia de aplicação de produtos fitossanitários

Modelo conceitual de decisões em tecnologia de aplicação de produtos fitossanitários
(Fonte: Ferrer (2014))

Se quiser saber mais sobre tecnologia de aplicação, leia também o texto: “Tecnologia de aplicação de defensivos agrícolas: as melhores práticas” e “Acerte nas aplicações de defensivos com planejamento agrícola”.

Além disso, em outro trabalho (Marasca et al. (2018)) estudaram a distância que pode chegar a deriva de produtos de acordo com a modalidade de aplicação em condições ideais e adversas. 

Observe que os valores de porcentagem de deriva podem aumentar em até 128% quando a aplicação dos defensivos ocorre em condições adversas.

deriva

Distância máxima de deriva e aumento desta em função de aplicações realizadas em diferentes modalidades e condições climáticas.
(Fonte: Marasca et al. (2018))

Agora, vamos para as principais dicas que evitam essa deriva de defensivos agrícolas!

1. Peso e diâmetro de gotas: essencial para não ocorrer deriva de defensivos

O diâmetro e peso de gotas é um dos principais fatores que afetam a deriva. Gotas com tamanho de 50 a 100 μm são classificadas como muito finas, sendo aquelas mais suscetíveis à deriva.

Manual de tecnologia de aplicação

Manual de tecnologia de aplicação
(Fonte: Andef)

Classificação das gotas e o risco de deriva

Classificação das gotas e o risco de deriva
(Fonte: Jacto)

Já, as gotas grandes são mais pesadas e por isso sua trajetória é praticamente vertical, isso confere uma maior resistência à deriva. 

Lembrando que gotas maiores resultam em menos cobertura da planta e, por isso, são mais utilizadas com defensivos sistêmicos, enquanto que gotas pequenas (finas) são recomendadas para produtos que precisam dar cobertura à planta, ou seja, àqueles de contato.

Por isso, sempre prefira usar gotas médias a grossas quando o produto permitir e as condições climáticas não estiverem propícias (como veremos na dica a seguir).

deriva

(Fonte: Jacto)

2. Condições climáticas durante as aplicações de defensivos

Para evitar a deriva, no momento da aplicação as condições climáticas precisam ser ideais. 

A recomendação é que a aplicação seja feita quando a temperatura for menor que 30°C, a umidade relativa do ar seja maior que 50%, além de velocidade do vento entre 3 e 7 km/h.

Manual de tecnologia de aplicação

Manual de tecnologia de aplicação
(Fonte: Andef)

Ventos com velocidade acima de 10 km/h contribuem para um aumento da deriva do produto, principalmente se o tamanho das gotas for fina ou muito fina, podendo atingir outras áreas de aplicação que não as desejadas. 

Entretanto, ventos com velocidade menor que 4 km/h podem reduzir a penetração dos produtos nas partes inferiores das plantas.

Para fazer a aplicação dos defensivos sempre nas melhores condições climáticas, é necessário monitorar o tempo.

3. Adjuvantes para evitar a deriva de defensivos agrícolas

Os adjuvantes podem ter diversas funções e uma delas pode ser antideriva.

Funções dos adjuvantes
(Fonte: R-TEC AGRO)

Um estudo feito por Costa et al. (2014) concluiu que o uso de óleo mineral e agente antideriva reduz a suscetibilidade à deriva em aplicação de glifosato + 2,4-D.

Adjuvantes na deriva de 2,4-D + glifosato em condições de campo
(Fonte: Costa et al., 2014)

4. Escolha corretamente a ponta de pulverização

Para escolha da ponta adequada, devemos conhecer os componentes do bico de pulverização.

Os bicos de pulverização são formados por:

  • Corpo
  • Peneira
  • Ponta
  • Capa

(Fonte: Santos e Cesar)

A escolha do bico de pulverização adequado vai ajudar a reduzir as perdas por deriva e garantir maior uniformidade na aplicação.

Vários fatores devem ser levados em consideração na hora da tomada de decisão, uma delas é qual o alvo que desejamos atingir.

Existem vários tipos de ingredientes ativos e vários alvos a serem controlados, como plantas daninhas, pragas e doenças.

Assim, primeiro defina o seu alvo, como por exemplo se ele está no solo ou na planta, como mostra a figura abaixo:

(Fonte: Agrozapp)

5. Pressão adequada, altura da barra e cobertura

Para evitar deriva e aplicar corretamente o defensivo, a altura da barra deve ser de aproximadamente 50 cm em relação ao alvo, mas o melhor é que você mude a altura dependendo do alvo, como mostramos abaixo:

Altura ideal da barra de pulverização em relação ao alvo

Altura ideal da barra de pulverização em relação ao alvo
(Fonte: Santos (2013))

Depois veja se a cobertura é a ideal, ou seja, se a quantidade de gotas do produto é suficiente.

Uma boa cobertura do alvo está relacionada a:

  • Tipo de produto
  • Tamanho de gota
  • Surfactantes
  • Volume do produto aplicado
Cobertura, pressão, deriva e vida útil dos defensivos agrícolas

Cobertura, pressão, deriva e vida útil dos defensivos agrícolas em função do tipo de bico de pulverização
(Fonte: Adegas (Embrapa Soja))

O tipo de produto envolve a formulação (granulado, pó molhável, pó solúvel, concentrado emulsionável, solução aquosa, suspensão concentrada ou grânulos dispersíveis).

Além da formulação, outras características que precisam ser observadas são:

  • Como o produto é absorvido (aplicação em pré ou pós-emergência);
  • Se o produto degrada com a luz;
  • Qual o tempo necessário para o produto ser absorvido;
  • Se ele é sistêmico ou de contato;
  • Se ele é volátil (essa é uma das principais características associados ao alto risco de deriva).
Tipos de bicos, pressão de aplicação, características e indicações de uso

Tipos de bicos, pressão de aplicação, características e indicações de uso
(Fonte: Embrapa Uva e Vinho)

Conclusão

Aqui vimos o que é deriva e quais as dicas para reduzir o risco de ocorrências.

Você viu cinco dicas importantes que podem lhe auxiliar para realmente atingir o alvo de aplicação desejado, não causando danos às outras culturas.

Com a redução da deriva, mais produtos chegam ao alvo, controlando plantas daninhas, pragas e doenças, o que consequentemente ajuda na manutenção das altas produtividades. 

Ao planejar sua aplicação, consulte sempre um engenheiro(a) agrônomo(a), leia e siga todas as instruções e precauções da bula do produto. 

Agora que você entendeu mais sobre como evitar a deriva de defensivos, que tal começar a aplicar essas dicas na hora da pulverização?

>> Leia mais:

“Entenda os princípios e benefícios da pulverização eletrostática na agricultura”

Gostou do texto? Têm mais dicas sobre como evitar a deriva de defensivos agrícolas? Adoraria ver o seu comentário abaixo!

Consultoria financeira no agro: amplie seus serviços como consultor

Consultoria financeira: veja como é possível ampliar e diversificar os serviços do consultor ao prestar consultoria financeira no agro.

“Trabalho de segunda a segunda, mas no fim do mês não me sobra nenhum dinheiro”. Você, como consultor, já deve ter ouvido algo parecido, não é mesmo?

Que tal se você pudesse ajudar seu cliente produtor a diversificar os serviços prestados e ainda faturar com isso?

A consultoria financeira no agro pode ser a solução!

Assim, você ajuda a saúde financeira da propriedade e, ainda, tem mais lucratividade no negócio. Sendo algo bom para o consultor e para o assessorado!

Veja a seguir que existe todo um processo de preparação para realizar essa consultoria financeira, mas que pode trazer muitos benefícios. Entenda como funciona, confira comigo!

O que é consultoria financeira e qual sua importância?

A consultoria financeira envolve análise, organização e planejamento das finanças do negócio.

Resumindo: ela analisa a situação financeira da propriedade/produtor, os fluxos de entrada e saída de dinheiro, bem como a lucratividade da empresa rural.

A partir disso, o consultor financeiro é quem consegue identificar os gargalos do negócio e propor mudanças, visando a melhoria da rentabilidade de seu cliente.

Como funciona uma consultoria financeira no agro?

Uma propriedade rural é como qualquer empresa e, portanto, deve visar a excelência em seus processos para obtenção de lucro. 

No agro ainda temos algumas peculiaridades, pois o mercado é complexo e o sistema totalmente dependente do clima. 

Grande parte dos produtores não encaram sua propriedade como uma empresa e, muitas vezes, as finanças da casa se misturam com as do negócio.

Assim, pouco controle é feito sobre o que entra e sai de dinheiro e como resultado, o dinheiro vai embora sem nem perceber.

O papel da consultoria financeira no agro é entender a realidade de cada cliente e, baseado em dados coletados, identificar problemas financeiros e propor soluções.

O passo a passo da consultoria financeira rural

A necessidade de cada cliente é diferente e depende da organização, situação financeira atual, atividade que realiza, além das aspirações que se tem para o negócio. 

Por isso, um passo de cada vez.

No início, geralmente cuidamos da organização dos dados para então analisá-los, sendo a fase de diagnóstico.

Com a atual situação da empresa rural em mãos e após a análise de mercado, é traçado o planejamento estratégico para a propriedade.

Esse planejamento é feito de acordo com os dados coletados e na sua própria experiência, mas a palavra final é do produtor e segundo seus objetivos. Por exemplo, se ele pretende expandir os negócios, focar em alguma atividade ou deixar de fazer outra.

Mas o serviço de consultoria não acaba aí! Embora a execução ou não das propostas seja inteiramente da decisão do produtor rural, cabe ao consultor agrícola acompanhar o andamento do projeto e propor as alterações necessárias de acordo com o desempenho.

Por isso, é muito importante a realização de relatórios de desempenho para criar e cumprir metas.

Tipos de consultoria financeira no agro

A consultoria financeira no agro pode ser de dois tipos: empresarial e pessoal.

Na empresarial, o foco do consultor são as finanças da empresa, ou seja, a propriedade rural. Já na consultoria pessoal, as finanças pessoais do cliente são o foco.

Dada a complexidade do meio rural e a recorrente mistura das finanças “da casa” com as do negócio, na prática a consultoria financeira deve mesclar um pouco das duas.

Primeiro, deve-se analisar a situação financeira atual e identificar a que pertence cada item. Depois com os processos identificados, faz-se análises separadas “da casa” e outra do negócio. 

É bom lembrar que o produtor vive (na maioria da vezes) exclusivamente daquela atividade, por isso é importante que o planejamento dimensione corretamente um pró-labore para o produtor.

Como prestar consultoria financeira no agro

Se você, consultor do agro, deseja ampliar seus serviços e prestar consultoria financeira, primeiro tenha em mente alguns aspectos importantes.

1. Prepare-se

A parte técnica da produção agropecuária, com certeza, é de seu domínio. Contudo, as finanças podem não ser.

Antes de mais nada, é importante se familiarizar com os termos e a teoria que envolve a parte financeira de uma empresa.

O primeiro passo é sempre o mais difícil, não desanime! Com dedicação a gente chega lá.

Existem cursos online e gratuitos que ajudam a se preparar e entender sobre finanças. Separei aqui alguns cursos online do Sebrae que podem ser úteis nessa jornada:

2. Vá devagar…

Com o conhecimento adquirido, pode-se começar a analisar as finanças da empresa de consultoria ou das finanças pessoais. Será que elas estão em dia?

Ao adquirir mais experiência, o consultor pode prestar esse serviço também aos clientes da consultoria agrícola.

3. Soluções da consultoria financeira

A experiência e análise do consultor faz enxergar coisas que muitas vezes o dono do negócio não vê.

Atividades não lucrativas, desorganização, erros em processos e conflitos entre as partes (principalmente em empresas familiares) são comuns e facilmente identificáveis para quem é “de fora”.

O fluxo de caixa – tão importante, mas tão negligenciado – é fundamental em uma consultoria financeira. Muitos dos erros empresariais estão aí!

Por isso, muitas vezes vale a pena investir em um software que traga essas soluções de maneira muito mais ágil e facilitada, dando a você uma diferenciação e mais tempo para expandir seu negócio.

Quanto ganha um consultor financeiro no agro

Não existem dados específicos para consultores financeiros autônomos do agro, mas segundo o site de empregos Vagas, o salário médio de um consultor autônomo é cerca de R$5.300, variando entre R$3 a R$9.5 mil.

Quais as vantagens de uma consultoria financeira

A consultoria financeira apresenta um raio x da saúde financeira da propriedade e permite prescrever a “medicação” correta para os males que a afligem.

Se a avaliação for bem feita, consegue-se reduzir e gerir os custos, além de avaliar as possibilidades de captação de recursos e de possíveis mercados a serem explorados.

Em casos críticos e com a estratégia correta, é possível recuperar empresas que estão no vermelho. 

Com isso, além de um plano a seguir, o produtor terá mais tempo para se dedicar à sua atividade, com liberdade para tomar decisões com mais clareza.

Um grande potencial para gerar lucro!

Para o consultor, além de auxiliar e possibilitar a geração de lucro dos clientes, pode-se ampliar os serviços e explorar uma área ainda pouco atendida no meio rural.

Ferramentas para auxiliar sua consultoria financeira

Uma consultoria financeira bem feita no agro deve manter registros e informações detalhadas sobre as finanças de seus clientes, para que possa propor soluções corretas e auxiliar a tomada de decisão.

No começo, organizar esses dados em uma planilha pode facilitar a vida. Dessa forma, cada cliente teria uma planilha específica com suas finanças.

Mas com uma cartela maior de clientes e muitas informações para lidar, dessa maneira o controle tende a ficar complicado.

Softwares de gestão agrícola como o Aegro, podem facilitar essa rotina. Com o Aegro você consegue integrar todas as informações, suas e de seus clientes, desde as finanças até as operações agrícolas que serão realizadas. São muitas as opções!

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Desse modo, os dados ficam todos sincronizados online e com fácil visualização e controle.

O que permite extrair informações mais facilmente, que auxiliam nas orientações de sua consultoria financeira e proporcionam uma tomada de decisão mais certeira.

Conclusões

Como acompanhamos no texto, a consultoria financeira no agro pode ser um diferencial para os serviços do consultor.

Atuando nessa área, você pode contribuir para a melhoria do negócio de seus clientes e também da sua própria consultoria!

Além disso, vimos também que existem ferramentas que ajudam nessa tarefa, desde simples planilhas até softwares de gestão agrícola – como o Aegro – que facilitam a sua vida e de seus clientes.

Restou alguma dúvida sobre consultoria financeira? Você presta ou gostaria de prestar serviços desse tipo? Conte pra gente nos comentários abaixo. Grande abraço!

Tudo sobre o manejo da Laranja Hamlin

Laranja Hamlin: desde a implantação do pomar até o manejo de adubação e irrigação, plantas daninhas e fitossanitário. 

Nos últimos anos, o plantio de laranjas doces precoces, como a Hamlin, aumentou nas principais regiões produtoras do país.

Essas cultivares precoces (Hamlin, Westin e Rubi) representam 23% das variedades dos pomares paulistas.

Isso garantiu aumento da produtividade dos pomares e maior oferta de frutos de qualidade para consumo in natura e para a indústria.

Mas afinal, quais as principais características dessa cultivar? E quais os manejos adequados? Confira a seguir, essas e outras informações sobre a Laranja Hamlin! 

Laranja Hamlin, uma cultivar precoce

A Laranja Hamlin (Citrus sinensis (L.) Osbeck) pertence ao grupo das laranjas doces comuns, assim como a valência.

Isso significa que quando madura apresenta níveis de acidez que podem variar de 0,9% até 1%.

Sendo considerada de maturação precoce a meia-estação, seus frutos podem entrar no mercado entre os meses de maio até agosto, dependendo da região de cultivo.

Os frutos da Laranja Hamlin são pequenos a médios, contêm poucas sementes e apresentam casca fina de coloração amarelada.

Frutos de Laranja Hamlin

Frutos de Laranja Hamlin
(Fonte: Florida Citrus Varieties)

Além disso, possuem baixos teores de suco, de açúcares (ou sólidos solúveis) e são ligeiramente ácidos.

Seu suco apresenta coloração clara quando comparado ao de outras cultivares, não sendo o ideal para processamento.

Entretanto, o principal destino para a Laranja Hamlin é a indústria de processamento para produção de suco concentrado.

Isso acontece porque as plantas, além de precoces, são muito produtivas e garantem grande quantidade de frutos em época de escassez.

Como podemos observar no gráfico abaixo:

Período de colheita por variedade SP

Período de colheita por variedade e porcentagem da produção do estado de São Paulo 
(Fonte: Markstrat – CitrusBR)

A Laranja Hamlin, como precoce, é uma das principais cultivares que alimentam a indústria de processamento para suco concentrado.

Sua precocidade permite que a indústria inicie as atividades semanas antes da maturação das demais cultivares.

Além dela, as laranjas pêra (meia-estação), valência e natal (tardias), garantem o processamento no período de maio a dezembro.

Os frutos da Hamlin também podem ser comercializados em pequena escala no mercado interno de frutas in natura.

A implantação do pomar de Laranja Hamlin

As laranjeiras são plantas perenes e permanecerão no campo por muitos anos, por isso, a implantação é um período crítico para seu sucesso.

Independente da cultivar, devemos nos atentar a pontos-chave antes e durante o plantio. 

Confira mais sobre implantação de pomares cítricos.

Manejos do pomar cítrico

A fim de alcançar elevadas produtividades, os pomares cítricos requerem manejos de adubação e irrigação, plantas daninhas, fitossanitários e outros.

1. Escolha do porta-enxerto e adensamento de plantio

Na época de obtenção das mudas, antes mesmo da implantação do pomar, precisamos determinar o espaçamento e o porta-enxerto.

Assim como para outras espécies frutíferas, o porta-enxerto tem forte influência sobre o desenvolvimento da copa da Laranja Hamlin.

Dentre os principais utilizados atualmente no Brasil, a Laranja Hamlin não apresenta incompatibilidade com nenhum deles.

Exemplos de incompatibilidade de enxertia entre copas e porta-enxertos de citros
(Fonte: Oliveira et al. (2006) – Embrapa)

Portanto, a escolha deve ser feita de acordo com as necessidades da região de cultivo e da lavoura.

Para pomares irrigados, por exemplo, não há necessidade de usar porta-enxertos resistentes à seca.

Os porta-enxertos podem influenciar no vigor, produtividade, precocidade de produção, qualidade dos frutos, tolerância seca e resistência a patógenos.

Para a Laranja Hamlin, o uso do Flying dragon – de baixo vigor, facilita o adensamento e garante produtividade superior a de outras cultivares.

Produtividade de laranjeiras Embrapa

Produtividade de laranjeiras (Citrus sinensis L. Osbeck.) Hamlin, Natal e Valência enxertadas sobre Flying dragon (Poncirus trifoliata L.) no espaçamento 4m x 2m em Bebedouro (SP). 
(Fonte: Embrapa, 2012)

2. Manejo da adubação e irrigação

A adubação e irrigação são fatores que influenciam diretamente na produtividade de pomares cítricos.

Esse processo começa com a análise de solo, continua na correção e se concretiza na adubação.

Pode ser realizado via solo ou foliar, de acordo com as necessidades do pomar no decorrer do ciclo produtivo.

Sendo assim, é um processo dinâmico que deve iniciar antes da implantação e ter acompanhamento constante, buscando atender as necessidades das plantas.

Para uma melhor adubação, confira em Adubação em Citros: 3 dicas para ser ainda mais eficiente

A irrigação, por sua vez, pode influenciar diretamente no florescimento das plantas cítricas, já que o florescimento é estimulado pelo estresse hídrico.

Em pomares irrigados, principalmente em regiões de clima tropical, podemos antecipar o florescimento regulando o fornecimento de água.

Veja mais sobre a florada do citros.

3. Manejo de plantas daninhas

Nos pomares cítricos, as plantas daninhas podem ocasionar danos diretos e indiretos.

Danos diretos são resultado da competição por água, luz e nutrientes, que leva à redução da quantidade e qualidade dos frutos colhidos.

Estima-se que as perdas de produtividade devido à competição direta com plantas daninhas possam variar de 20% até 40%.

Enquanto os danos indiretos estão relacionados ao fato das plantas daninhas serem hospedeiras em potencial para pragas, doenças e nematoides.

A Laranja Hamlin tem apresentado boa produção quando livre de plantas daninhas, principalmente nas estações mais secas.

Os manejos realizados nos pomares cítricos para o controle de daninhas, baseiam-se no uso de herbicidas na pré e pós-emergência e de roçadeira ecológica.

Outra alternativa viável é o cultivo de culturas intercalares de interesse econômico (como quiabo, berinjela e abacaxi) ou adubos verdes. 

Esses métodos integrados de manejo das plantas daninhas se destacam por evitarem a interferência, promovendo menor impacto ambiental.

Nome comumNome científico
capim-marmeladaBraquiaria plantaginea (link.) Hitchc
capim-coloniãoPanicum maximum Jacq.
capim-colchãoDigitaria horizontalis (Retz). Koel
capim-carrapichoCenchrus echinatus L.
capim-pé-de-galinhaEleusine indica (L.) Gaertn
grama-sedaCynodon dactylon (L.) Pers
capim-favoritoRhynchelitrum repens (willd.) C.E. Hubb
capim-amargosoDigitaria insularis (L.) Fedde
grama-batataisPaspalum notatum Flugee
capim-braquiáriaBraquiaria decumbens Stapf.
tiriricaCyperus rotondus L.
trapoerabaCommelina spp.
picão pretoBidens pilosa L.
guaxumasSida spp.
caruruAmaranthus spp.
falsa-serralhaEmilia sonchifolia (L.) DC.
mentrastoAgeranthum conyzoides L.
picão-brancoGalinsoga parviflora Cav
cordas-de-violaIpomoea spp.
beldroegaPortulaca oleraceae L.

Principais espécies de plantas daninhas de ocorrência nas áreas citrícolas
(Fonte: Adaptado de Victoria Filho et al. (1991))

4. Manejo fitossanitário

As laranjeiras e outras plantas cítricas são alvo de grande quantidade de pragas e doenças.

Ácaros, pulgões, lagartas, psilídeos, cochonilhas, cigarrinhas e formigas são exemplos das pragas causadoras de danos, sendo alguns deles vetores de doenças.

Doenças como a verrugose, a gomose e a pinta preta são algumas das doenças fúngicas que acometem os pomares cítricos.

Enquanto das doenças bacterianas se destacam o Huanglongbing (HLB) ou Greening, a clorose variegada dos citros (CVC) e o cancro cítrico.

Atualmente, os principais entraves da citricultura brasileira estão relacionados à ocorrência das doenças bacterianas do cancro cítrico e do HLB.

Isto porque, para estas duas doenças, há determinação legal que exige que as plantas infectadas sejam arrancadas, a fim de evitar a disseminação dos patógenos.

Portanto, para manter os pomares cítricos em bom estado fitossanitário é necessário vigilância constante e sistemática.

Monitoramento da presença do psilídeo

Monitoramento da presença do psilídeo (Diaphorina citri), inseto transmissor do HLB em pomares cítricos
(Fonte: Fundecitrus)

Amostragens e/ou inspeções periódicas são essenciais para a detecção e diagnóstico da ocorrência de pragas e doenças.

E uma vez verificado o problema, deve-se buscar a recomendação técnica adequada para a resolução do problema.

A melhor estratégia para o controle de pragas e doenças é a prevenção e isto deve acontecer desde o início do plantio.

Conclusão

A Laranja Hamlin é uma cultivar essencial para a citricultura brasileira, principalmente para a produção do suco concentrado.

Assim como outras cultivares, seu manejo requer cuidado e atenção desde as primeiras etapas do pomar até as inspeções periódicas.

Neste texto você viu características, implantação do pomar e métodos diversos de manejo. 

Um pomar bem cuidado e com os manejos adequados é garantia de longevidade e bons frutos nas colheitas.

>>Leia mais:

Como ter uma produção de mudas cítricas de boa qualidade

Tudo sobre a produção de laranja pêra

E você, quais manejos realiza em seu pomar de Laranja Hamlin? Deixe o seu comentário abaixo!

Como fazer a aplicação de fósforo para milho de altas produtividades

Fósforo para milho: doses recomendadas e mais estratégias para potencializar sua produção com este nutriente. 

O sucesso na produção é baseado no equilíbrio do solo, da planta e do ambiente. 

No solo, quando os nutrientes estão em níveis adequados as plantas conseguem completar seu ciclo com excelência, o que resulta em ganhos produtivos. 

Quando falamos de nutrientes e produção em milho, jamais esquecemos do fósforo (P), essencial para a lavoura.

A seguir vamos mostrar como fazer as recomendações de fósforo para milho, quais os fatores de interferência e mais. Vamos lá!

Importância do fósforo para o milho 

É normal que a fertilidade de solos de clima tropical seja considerada baixa, com teores de fósforo bem reduzidos. 

Desta forma, a adubação mineral fosfatada permite explorar melhor o potencial produtivo da planta de milho, conseguindo aumentar a produtividade

O P está envolvido na fotossíntese, respiração, armazenamento e transferência de energia, divisão celular, crescimento das células, além de contribuir na qualidade do grão de milho

Sua disponibilização deve ser feita desde o início da cultura, pois plantas mais jovens apresentam maiores absorções, acarretando crescimento dinâmico e bom desenvolvimento de raízes. 

Porém, no milho o fósforo é um dos macronutrientes de menos exigências, ficando somente na frente do enxofre. Em estudos, relata-se que a planta de milho extrai cerca de 10 Kg de P para cada tonelada de grão produzido. 

Mas, por que grande parte do total de gastos com fertilizantes é devido ao fósforo? 

Bom, esse nutriente tem uma forte interação com as partículas sólidas do solo, o que o torna indisponível para a planta e ainda se relata que 80% a 90% do P absorvido é exportado para os grãos, o que requer reposição constante. 

Assim, para conseguir maximizar essa aplicação de fósforo, temos algumas dicas que você pode ver a seguir.

O que conhecer antes de estabelecer as doses de adubação?

1- Expectativa de produtividade

Conforme aumenta a produtividade, tem-se maior extração de fósforo e, portanto, precisamos fornecer maiores doses.

extração média de fósforo pelo milho

(Fonte: IPNI)

2- Análise de solo em toda safra

Conhecer a disponibilidade real do fósforo no solo exige que sejam feitas análises em toda safra, considerando também as manchas de solo.

Vemos alguns agricultores que fazem só a “receita de bolo” da dose de 400 kg/ha de NPK 08 28 16, ano após ano. 

Nos primeiros anos a receita dá certo, muito provavelmente devido aos teores naturalmente baixos de fósforo nos solos brasileiros.

Porém, com o passar do tempo e dependendo do tipo de solo, os teores de fósforo vão aumentar e não será mais necessário essa fórmula (que por sinal, é cara). 

Assim, podemos chegar em outras formulações mais baratas e que vão atender plenamente a produção, além de gerar economia no final da safra.

Também é necessário conhecer seu solo por meio dessas análises.

Por exemplo, se for uma área com maior teor de matéria orgânica, já sabemos que menos fósforo estará disponível para as plantas, já que o P é fortemente ligado a essas moléculas.

3- Condições climáticas

Volume de chuvas, temperatura, dentre outras condições climáticas, interferem na disponibilidade dos nutrientes. 

Quanto mais seco estiver, menos solução do solo temos para que a planta absorva água e nutrientes.

4- Objetivo da cultura

Se o milho é para semente, apenas produção de grãos ou silagem, as doses recomendadas de fósforo podem mudar.

Para silagem, além dos grãos, a parte vegetativa também é removida. Por isso, como mostra a tabela anterior, há alta extração e exportação de nutrientes.

Consequentemente, problemas de fertilidade do solo deverá se manifestar mais cedo na produção de silagem do que na produção de grãos.

No entanto, para fósforo em silagem não muda muito em termos de doses de adubação, já que 80% deste nutriente ficam nos grãos da espiga.

Extração média de nutrientes pela cultura do milho destinada à produção de grãos e silagem, em diferentes níveis de produtividades
(Fonte: Embrapa)

5- Momentos certos de aplicação

É importante conhecer como a planta de milho exporta e acumula fósforo na sua matéria seca, para que possamos saber o momento correto de disponibilizar o nutriente.

fósforo para milho

(Fonte: INPI)

Como suprir a demanda de fósforo do milho: Recomendações de adubação

Primeiro, verifique o nível de fertilidade que deve ser feito se baseando nos valores da análise de solo, podendo inferir se os teores de fósforo estão muito baixos, baixos, médios, altos ou muito altos, de acordo com o teor de argila.

Interpretação das classes de teores de fósforo nos solos e doses recomendadas para milho

Interpretação das classes de teores de fósforo nos solos e doses recomendadas para milho
(Fonte: Coelho e França; Embrapa e IPNI)

Feito isto, o produtor poderá vincular o teor com a produtividade desejada e desta forma conseguirá obter uma quantidade em kg/ha de P2O5 como mostrado nas tabelas a seguir.

Recomendações de fósforo no sulco de plantio
Recomendações de fósforo no sulco de plantio safrinha

Recomendações de fósforo no sulco de plantio
(Fonte: IPNI)

No entanto, existem outras estratégias de adubação que o produtor pode seguir.

Quais as estratégias de manejo do fósforo na sua lavoura de milho? 

A utilização eficiente dos fertilizantes fosfatados é resultante da interação de boas práticas que afetam diretamente a disponibilidade de P no solo e seu uso pelas plantas de milho.

Tanto o milho safra, quanto o safrinha e o para silagem existem três estratégias básicas de manejo.

A primeira consiste no aumento da disponibilidade do elemento no solo através da adubação corretiva, a segunda visa manter a fertilidade do solo pela adubação de manutenção e a terceira tem o intuito de reposição

Relação entre o rendimento relativo de uma cultura e o teor de um nutriente no solo
(Fonte: Recomendações de Adubação)

Dose corretiva: esta é utilizada quando se deseja elevar os teores de fósforo no solo até condições ótimas, ou seja, elevar a classe do teor de P com o intuito de ultrapassar o teor crítico.

Esse aumento de teor de fósforo não é tão fácil, devido ao comportamento desse nutriente quando estamos tratando da sua relação com os coloides do solo.

Desta forma, nota-se que nesse tipo de adubação são exigidos dosagens pesadas, visto que essa adubação servirá tanto para aumentar a disponibilidade de P no solo quanto para a planta suprir sua demanda. É aqui que fazemos a fosfatagem.

Essa estratégia é mais voltada para solos com baixa fertilidade, o que não é difícil de verificarmos aqui no Brasil.

Dose de Manutenção: é uma adubação na qual é utilizada para manter os níveis de fertilidade do solo para os anos subsequentes, sendo uma adubação baseada na extração da planta.  

Dose de Reposição: é uma adubação baseada somente na exportação da planta de milho, isto é, o quanto daquele nutriente é colhido em forma de produto devendo ser reposto.  

Como calcular as doses nessas outras estratégias de adubação?

De maneira geral, para esse tipo de adubação você deve apenas verificar a tabela de extração e exportação abaixo, pegar um valor de extração que ache mais correto dependendo do trabalho (ou a média deles) e multiplicar para a transformação de P2O5 (multiplicar por 2,29136). 

Nutrição de Safras

(Fonte: Nutrição de Safras)

Sem contar com a eficiência desse fertilizante, o que para P geralmente é apenas 20% devido à sua fixação no solo.

Por exemplo, para a dose de reposição:

Média de exportação pelo milho = 3,15 Kg de P por tonelada de grãos de milho.

Se eu pretendo produzir 10 toneladas de milho por hectare, então a cultura exportará 31,5 Kg de P.

Mas, como o fertilizante é em P2O5, tenho que multiplicar esse valor por 2,29:

2,29 x 31,5 = 72,2 Kg/ha

Como normalmente a eficiência é de apenas 20%, temos como dose final:

(100 x 72,2)/20 = 361 Kg/ha

Adubação de fósforo para milho em plantio direto e para milho safrinha

Diversos trabalhos mostram resultados de que o fósforo também pode ser aplicado a lanço no sistema de plantio direto sem perda de produtividade, mas desde que os níveis desse nutriente estejam adequados.

Outra dúvida que sempre fica é a questão de antecipar a adubação de fósforo na cultura de verão, esperando suprir a demanda de nutriente para o milho safrinha

Ressaltamos que isso é possível também sem perda de produtividade, mas há ressalvas. Nesse caso, isso só dá certo se o solo estiver com quantidades significativas de fósforo, sendo necessário apenas a adubação de exportação.

Se esse for o seu caso, então some a adubação de seu cultivo de verão (normalmente soja, na famosa dobradinha soja-milho) com a adubação de milho.

Baixe grátis a planilha de Estimativa da Produtividade do Milho

Conclusão 

Neste artigo vimos a importância crucial do fósforo para as lavouras de milho e ainda citamos como este nutriente auxilia na potencialização de produção.

Levantamos os fatores importantes que devem ser estudados antes de realizar a adubação fosfatada. 

Além de demonstrarmos as recomendações e as metodologias utilizadas, cada qual com a sua finalidade. 

>> Leia mais: 

Potássio para milho: Por que é tão importante e como fazer seu manejo

Restou alguma dúvida quanto à adubação estratégica do fósforo para o milho? Como você realiza esse manejo em sua plantação? Deixe seu comentário abaixo!

Como melhorar a aplicação de defensivos para pragas do milho

Aplicação de defensivos para pragas do milho: Veja a melhor maneira de utilizar inseticidas, além da época e condições ideais para controle efetivo. 

A cultura do milho possui diversas pragas e, por isso, muitas vezes é necessário recorrer ao uso de defensivos agrícolas. 

As lagartas do milho, por exemplo, se não controladas podem causar até 50% de perdas na produtividade.

Mas você sabe a melhor maneira de utilizar os inseticidas? E o momento ideal da aplicação?

Essas perguntas podem até parecerem irrelevantes, mas são ideais para que se conheça todo o processo que envolve a aplicação de defensivos para pragas do milho.

Vou te explicar com mais detalhes a seguir, além do melhor manejo, o uso da tecnologia e época de aplicação. Confira! 

As pragas do milho

Na cultura do milho podemos detectar a presença de diversas pragas e doenças que prejudicam a produtividade agrícola. 

O uso de defensivos agrícolas tem o objetivo de controlar tanto insetos como ácaros, fungos, nematoides e plantas daninhas

Sendo assim, vamos falar sobre o controle de insetos-praga com o uso de inseticidas na cultura do milho. 

Os principais insetos que podem causar injúrias nesta cultura são:

  1. Corós (família Melolonthidae)
  2. Larva-arame (Conoderus scalaris)
  3. Lagarta-rosca (Agrotis ipsilon
  4. Lagarta-elasmo (Elasmopalpus lignosellus)
  5. Larva-alfinete (Diabrotica speciosa
  6. Lagarta-do-cartucho (Spodoptera frugiperda
  7. Lagarta-da-espiga (Helicoverpa zea
  8. Broca-da-cana (Diatraea saccharalis)
  9. Percevejos (Dalbulus sp. e Dichelops spp.) 

Como você já deve saber, essas pragas não ocorrem ao mesmo tempo na cultura. Algumas causam maiores problemas no período inicial, outras na fase vegetativa e outras na fase reprodutiva. 

pragas-cultura-milho

E o que isso tem a ver com o controle químico desses insetos? 

Saber a época dos ataques dessas pragas é fundamental para garantir o controle efetivo da população da espécie que se deseja reduzir. 

Quando aplicar os inseticidas?

No passado, era costume que muitos produtores rurais fizessem aplicações de inseticidas de maneira calendarizada. 

Haviam épocas pré-determinadas para realizar as pulverizações na lavoura de milho. Porém, essa forma de aplicação não é aconselhável, pois pode gerar efeitos indesejáveis ao produtor. 

Hoje, com o manejo integrado de pragas (MIP), a ideia não é excluir o uso do método, mas utilizá-lo de uma forma que não seja banalizado e que se faça o uso correto da tecnologia. 

No MIP, recomenda-se a integração de vários métodos para reduzir as populações das pragas. 

O controle químico é um desses procedimentos e pode ser utilizado com base no nível de dano da praga.

O ideal é entrar com aplicação inseticida no momento em que a população atingir o nível de controle. 

Veja abaixo alguns níveis em que há necessidade de medidas de controle das pragas, podendo optar pelo controle químico. 

níveis de controle pragas do milho

Para saber o nível de controle de cada praga é necessário fazer o monitoramento. Você pode conferir as principais formas neste texto: Por que você deve fazer monitoramento de pragas e como iniciá-lo?”.

Após o monitoramento, pode-se fazer a tomada de decisão.

Da mesma maneira deve acontecer com o controle biológico para que o uso dos produtos seja efetivo.

Aplicação de defensivos para pragas do milho: Áreas com tecnologia Bt

O uso da tecnologia Bt (Bacillus thuringiensis) para controle de lagartas na cultura requer alguns cuidados e, por vezes, é necessário complementar com a aplicação de defensivos para pragas do milho.

É muito importante que você saiba como fazer o manejo da resistência de pragas e junto  com o monitoramento e as práticas do MIP, com certeza, terá grandes chances de sucesso na lavoura.

Mas se mesmo com todos os cuidados for necessário o controle químico, fique atento a algumas diferenças do controle convencional. Como, por exemplo, o nível de dano em que se deve entrar com controle. 

Lembre-se que a tecnologia Bt não controla percevejos, por isso, o nível de controle para esses insetos deve ser o mesmo das áreas convencionais. 

aplicação de defensivos para pragas do milho

Nível de controle para lagartas em milho – em áreas de refúgio e Bt
(Fonte: Pioneer Sementes)

Condições para aplicação de defensivos para pragas do milho

Bom, você fez todos os passos, observou sua lavoura de milho, fez monitoramento e chegou à conclusão que vai utilizar inseticidas para controle da praga (ou das pragas) que está causando problemas na sua plantação

Mas qual seria a melhor forma de aplicar? Alguns aspectos importantes devem ser observados.

Estágios da planta

Como as pragas não atingem a planta ao mesmo tempo, o estágio fenológico deve ser levado em consideração no momento da aplicação. 

O melhor momento é no período para controlar a geração da praga, normalmente, chamado de janela de aplicação

Grupos químicos dos inseticidas

Os inseticidas têm modos de ação distintos que podem ser utilizados para controlar uma mesma praga. 

Para evitar que a tecnologia do produto se perca é importante rotacionar o modo de ação dos inseticidas, ou seja, não utilizar o mesmo produto por muito tempo e intercalar com aqueles de modo de ação diferentes. 

Não é recomendado que se repita a mesma mistura pronta de inseticidas e, caso utilize mistura, não use inseticidas que apresentem o mesmo modo de ação na próxima janela de aplicação. 

Prefira os defensivos seletivos aos inimigos naturais, devido à ação desses organismos no agroecossistema com o controle biológico natural.

Além disso, consulte um(a) engenheiro(a) agrônomo(a) para lhe fornecer todas essas informações. 

Veja abaixo algumas recomendações para o momento correto da aplicação (quando a praga estiver no nível de controle), para milho não-Bt (ou convencional), milho Bt e área de refúgio. 

milho não Bt
milho bt
refúgio mínimo 10% da área
aplicação de defensivos para pragas do milho

(Fonte: IRAC – Brasil (Comitê de Ação à Resistência a Inseticidas – Brasil)

Condições climáticas

Outro fator muito importante no momento de fazer as aplicações com inseticidas é saber o momento certo do dia, em que as condições climáticas favoreçam e não prejudiquem o efeito dos produtos sobre as pragas.

No momento da aplicação é ideal que a temperatura esteja entre 20 a 30 °C, a umidade do ar entre 60 a 90% e a velocidade do vento não ultrapassando os 10 km/h – para que não ocorra desperdício e deriva do produto. 

Tecnologia de aplicação dos produtos

Por último e não menos importante: esteja sempre atento à tecnologia de aplicação dos produtos. 

A deposição correta do produto sobre a planta vai garantir o controle efetivo na redução populacional da praga e também vai evitar que ocorra desperdício. 

Por isso, verifique sempre se o equipamento utilizado está com as pontas ideais para aquela aplicação e se o tamanho e a densidade das gotas estão corretas e uniformes. 

Na cultura do milho são muitos os insetos que, se não controlados no momento ideal, vão causar grandes problemas por permanecerem, em grande parte do desenvolvimento, dentro da planta. 

Como no caso das espécies Spodoptera frugiperda, a lagarta-do-cartucho, e Diatraea saccharalis, a broca-da-cana. 

Dessa forma, a tecnologia de aplicação vai contribuir, e muito, para a eficácia do controle químico. 

Conclusão

A cultura do milho possui diversas pragas que, se não controladas, podem causar sérios prejuízos ao produtor.

O controle com aplicação de inseticidas é um dos métodos que pode ser utilizado no manejo integrado de pragas.

Vimos neste artigo que para saber a real necessidade de controle das pragas, o monitoramento deve ser feito tanto nos cultivos convencionais de milho como para áreas em que se utiliza milho-Bt e áreas de refúgio

E, também, que para um controle efetivo é importante saber quando, como e quais produtos devem ser utilizados. 

>> Leia mais: 

7 dicas dos especialistas para uma safra de milho verão ainda melhor

Essas dicas te ajudaram? Como você realiza aplicação de defensivos para pragas do milho? Conte para a gente nos comentários.