About Carina Oliveira

Sou engenheira-agrônoma formada pela Universidade Estadual Paulista (Unesp), mestre em Sistemas de Produção (Unesp), e doutora em Fitotecnia pela Esalq-USP.

Potencialize a adubação do cafezal com palha de café (+ planilha grátis)

Palha de café: veja como obter, quais os nutrientes presentes, como utilizar na adubação e todos os benefícios

O Brasil é o maior produtor e exportador de café no mundo.

A produção dos grãos gera, na mesma proporção, a palha do café.

Este subproduto pode ser um grande aliado na produção de café para os produtores. Afinal, ele é rico em nutrientes que podem ser devolvidos para a lavoura.

Neste artigo, entenda mais sobre como a palha pode te ajudar a economizar e trazer benefícios para seu solo. Confira!

O que fazer com a palha de café? 

A palha do café é a casca dos grãos. Ela é retirada durante o beneficiamento do café.

Após a colheita, os grãos são levados para os terreiros. Ali eles permanecem até estarem secos e prontos para serem beneficiados.

Em alguns lugares, o beneficiamento é feito na própria fazenda, com máquinas móveis que descascam e ensacam os grãos. 

Isso também pode ser realizado em beneficiadoras. Mas, para isso, é necessário levar o café em casca até o local.

Fotos do momento de beneficiamento do café. Na primeira foto, há uma grande máquina amarela e muitas sacas brancas de café no chão. Há alguns trabalhadores presentes na foto. Na seguida, apenas uma máquina amarela dentro de um silo.
Beneficiamento de café (A) móvel e (B) fixo
(Fonte: Civarc e Rolnews)

Após obter a casca, seu uso pode ser imediato ou utilizado após um tempo. Pra isso, é importante armazená-la. Afinal, a chuva pode causar a lixiviação dos nutrientes.

Se a palha estiver em local aberto, como terreirões, basta cobrir com lona. O importante é evitar a entrada de água.

Outro modo de utilizar a casca do café é fazer compostagem com esterco de gado ou de galinha, por exemplo.

Quais nutrientes são encontrados na casca de café?

Geralmente, o teor médio dos macronutrientes na casca é:

  • de 1,5% a 2,5% de nitrogênio;
  • de 0,08% a 0,09% de fósforo;
  • de 2,7% a 2,75% de potássio.

A composição mineral dos grãos e da casca muda em função dos tratos culturais realizados na lavoura. Adubação química, matéria orgânica do solo e outros fatores influenciam.

Em toda atividade agrícola, como a produção de grãos, ocorre a exportação de nutrientes.

Esta exportação é a quantidade de nutrientes retirados da área através dos grãos produzidos. 

No caso do café, a exportação é a combinação dos nutrientes contidos nos grãos e na casca

Usar a casca do café é importante justamente para devolver alguns nutrientes necessários para as plantas.

Faça a análise da palha do café, ao menos uma vez, para saber quais nutrientes estão presentes e a quantidade de cada. Assim será possível balancear corretamente a adubação no cafezal.

Uso da palha como adubação orgânica

Com a composição mineral definida, a aplicação da palha é uma boa opção complementar de adubação do café. Afinal, ela é um adubo orgânico rico em nutrientes.

O custo da sua utilização é extremamente baixo, se comparado com a adubação química.

Seu uso não anula a aplicação de adubo químico nas plantas. 

É interessante fazer uma análise de nutrientes da palha do café antes de adubar. Assim, você pode tentar diminuir o uso do adubo químico.

Também é sempre válido controlar de perto a adubação que você faz no seu cafezal. Por isso, separamos uma planilha grátis para te ajudar nesse processo.

Clique na imagem abaixo para baixar!

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Como adubar o café com a palha

A recomendação de adubação com a palha varia entre 5 a 10 t ha-1.

Faça uma cobertura dos dois lados da saia do café, com faixa de 50 cm a 80 cm. É importante fazer uma camada fina de 2 cm.

A aplicação é recomendada em cobertura, com distância de 10 cm do tronco

Afinal, a concentração alta de potássio e a liberação de calor podem causar a queima do tronco e a  morte da muda.

Na utilização da casca de café, fique de olho na quantidade de potássio a ser aplicada.

Como a palha tem elevada concentração do nutriente, o excesso pode prejudicar as raízes das plantas novas. Ele também pode desequilibrar a quantidade de outros nutrientes.

Vale lembrar que casca do café é um adubo orgânico com decomposição lenta

A associação com adubo químico é uma forma de acelerar o processo de decomposição e liberação dos nutrientes.

Estudos conduzidos por Fernandes e colaboradores, em 2013, verificaram esta associação de palha com adubação química reduzida. 

Eles mostraram que a produção foi maior com a combinação destes dois tipos de adubos.

Tabela que mostra resultados de diferentes tratamentos de café.
Produção de 3 safras em sacas 60 kg ha-1 de café beneficiado em função dos diferentes tratamentos utilizados
(Fonte: Fernandes e colaboradores)

Benefícios do uso da casca de café na lavoura 

Além da economia, o uso da casca do café apresenta uma série de outros benefícios. Por exemplo:

  • Proteção do solo;
  • Retenção da umidade do solo;
  • Diminuição da temperatura do solo;
  • Liberação lenta dos nutrientes;
  • Controle de plantas invasoras, seja pela barreira física ou pelo efeito alelopático.
  • Melhor desenvolvimento dos microrganismos do solo, que trazem vários benefícios estruturais do solo e consequentemente para as plantas.
  • Efeito alelopático: liberação de substâncias que interferem na germinação e/ou desenvolvimento de outras plantas daninhas do café, como picão-preto e mata-pasto.
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Conclusão

A palha de café é um adubo orgânico, rico em nutriente.

A associação da adubação química com a casca de café traz benefícios. Maior produção e economia são apenas alguns exemplos.

Fique de olho na quantidade de casca que deve ser aplicada por hectare. Assim, você evita o desequilíbrio de nutrientes no solo.

Você utiliza a palha de café na sua lavoura? Já pensou em todos os benefícios que esse subproduto pode te fornecer? Deixe seu comentário abaixo!

Como montar um terreiro suspenso e quando vale a pena investir nele

Terreiro suspenso: saiba quando é indicado, como montar, recomendações de tamanho, custos, vantagens, desvantagens e muito mais!

O sabor é fundamental para o café. A secagem do grão garante que o cuidado realizado durante a produção seja mantido na qualidade da bebida.

Por isso, manejos foram desenvolvidos para melhorar o método de secagem dos grãos. Os terreiros suspensos são um exemplo disso.

Neste artigo, você verá algumas informações sobre esse método e se é interessante adotar em sua propriedade. Confira!

O que é um terreiro suspenso?

Terreiro suspenso é uma estrutura feita para secagem dos grãos de café elevado. Assim, os grãos não têm contato com solo e seguem de modo mais homogêneo.

A secagem do café nacional é tradicionalmente feita em terreiros (terreirões) a céu aberto.

Foto de mulher em terreiro de café, revolvendo os grãos com ajuda de uma enxada. Atrás dela é possível ver a propriedade rural.
Terreirão de café
(Fonte: A batata integral)

Porém, o aroma e qualidade sensorial da bebida são realçados com a secagem uniforme e gradual dos grãos. É por isso que os terreiros suspensos são tão importantes.

Como funciona?

A estrutura do terreiro suspenso seca pequenas quantidades de café. Por causa do espaço, é recomendada principalmente para lotes de café especiais/exportação.

A secagem é feita gradualmente, com ventilação entre os grãos. Isso acontece porque a base do terreiro suspenso é uma tela de sombrite 50%.

A fermentação dos grãos, que reduz a qualidade da bebida, é evitada dessa maneira.

A secagem do café também acontece lentamente, devido à falta de contato dos grãos com o solo.

Grãos de café secados lentamente apresentam melhor qualidade sensorial, o que é desejado em cafés especiais. 

Tipos de terreiros suspensos

Existem diversos tipos de terreiro suspenso: com e sem cobertura de lona plástica; com e sem pavimentação no solo e dentro de estufas.

A pavimentação ajuda a evitar a umidade do solo. A cobertura, por sua vez, evita as chuvas e o orvalho que pode ocorrer de noite.

Três fotos de terreiros diferentes: o primeiro parece uma grande mesa, com os grãos de café sobre a superfície; o segundo possui uma cobertura de tela e é pequeno; o terceiro é uma grande estufa com os grãos de café sobre mesas.
Terreiro suspenso sem cobertura e sem pavimentação; com cobertura e sem pavimentação; dentro de estufa
(Fonte: A – Café BRB; B e C – Embrapa)

Ainda existe terreiro suspenso móvel, que não é fixo no chão. 

Durante dias com temperatura muito elevada, a noite ou em dias chuvosos, o terreiro é movido para local coberto, como barracões.

Foto de tábua de ferro suspensa, com grãos de café espalhados sobre a superfície.
Terreiro suspenso móvel
(Fonte: Fazenda Zona Norte)

Como construir terreiros suspensos

Os materiais utilizados podem ser pilares de cimento ou madeira.

Os pilares devem ser colocados a cada três metros, até atingir o comprimento desejado do terreiro.

Você também vai precisar de arames ou tela hexagonal, usados para fazer viveiros de pássaros e galinhas.

Pregos e esticadores são utilizados para manter a base do terreiro o mais plana possível. Caso utilize a tela, não é necessário utilizar os esticadores.

Acima dos arames ou da tela, vai o sombrite. O recomendado é utilizar o sombrite 50%, que facilita a passagem de ar e retenção dos grãos de café.

Se você cobrir o terreiro, o plástico branco e azul são os mais indicados.

Exemplo de como montar um terreiro suspenso: na foto, há duas estacas de madeira na vertical e uma outra estaca na horizontal, presa entre as duas verticais. Essa estrutura se repete várias vezes.
Exemplo da montagem do terreiro suspenso
(Fonte: Ifes)

Independentemente do tipo, a estrutura de secagem é a mesma. Há algumas recomendações para facilitar o manejo do café, como:

  • Altura da estrutura deve ser entre 80 cm e 90 cm acima do solo;
  • Largura de 2 a 3 metros;
  • Comprimento variável;
  • Altura do pé direito para cobertura, de 2,5 m a 3,0 m;
  • Base do terreiro de sombrite 50%.

A altura em relação ao chão é importante para evitar que a umidade do solo atrapalhe a secagem.

Além disso, é uma altura boa para o manejo, facilitando o trabalho de revolvimento da massa de café. A altura também ajuda na passagem de ar e na secagem homogênea.

O comprimento depende do espaço disponível na propriedade, se será coberto, em estufa ou móvel.

Custo de terreiros suspensos

O custo varia conforme o tipo de terreiro escolhido.

Além disso, a quantidade de materiais utilizados no terreiro suspenso irá depender do tamanho desejado e do tipo de material usado.

Outro ponto a ser considerado são os materiais que podem ser utilizados, já disponíveis na sua propriedade, como madeira.

Outra opção é comprar diretamente com empresas que já fazem este tipo de serviço, deixando a montagem da estrutura do terreiro suspenso finalizada.

Vantagens e desvantagens do terreiro suspenso 

Como todos os tipos de terreiro, o suspenso apresenta vantagens e desvantagens de sua utilização.

Desvantagens

O preço é uma desvantagem para este tipo de terreiro.

Mesmo não apresentando o custo muito elevado, o valor para montar as estruturas é maior em comparação com terreiro a céu aberto de cimento.

Outra desvantagem é o tempo de secagem bem lento, mesmo sendo o mais recomendado.

Outra desvantagem é não ser recomendado para grandes quantidades de café. A quantidade de grãos na secagem é menor, por isso é utilizado principalmente para cafés especiais.

Vantagens

Há menor risco de fermentação da massa dos grãos de café.

Pelo terreiro suspenso suportar pouca quantidade de café, é possível separar o grão verde do maduro, melhorando a qualidade do produto final.

Outra vantagem é a secagem mais uniforme dos grãos e, por isso, mais produtividade do café.

Além disso, não há contato direto dos grãos com o solo, evitando assim a troca de umidade do solo e do orvalho.

A vantagem principal é a melhor qualidade da bebida vinda dos grãos secos em terreiro suspenso.

Como manejar o café no terreiro suspenso?

O manejo deve ser realizado corretamente para que a secagem seja uniforme. Ele pode ser feito em café natural ou descascado e despolpado.

O importante é iniciar a camada de grãos com espessura entre  4 cm e 5 cm, com controle da temperatura da massa dos grãos.

A temperatura ideal é entre 35 °C a 40 °C. Revolva os grãos ao atingir essas temperaturas, para ocorrer uniformidade da umidade do café.

Se houver cobertura do terreiro, o revolvimento pode ocorrer de 3 a 4 vezes por dia. Isso também depende do clima, sem cobertura e em dia quente, essa quantidade aumenta.

Quando os grãos atingirem 18% de umidade, a espessura da camada pode ser aumentada para 10 cm.

O monitoramento deve ser constante até a umidade de 12%. Essa é a recomendada para armazenamento de café.

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Conclusão

O terreiro suspenso é uma ótima opção para quem produz cafés especiais e de exportação. Afinal, essa é uma forma de obter qualidade da bebida.

A escolha da estrutura que você vai usar depende do capital inicial disponível, espaço e mão de obra.

Monte corretamente seu terreiro suspenso e realize o manejo adequado. Assim, você vai agregar valor ao seu produto final.

>> Leia mais:

Pós-colheita do café: tendências e perspectivas para cafés de qualidade (+cuidados com a lavoura)

Como estimar o custo de produção de café (+calculadora rápida)”

Você produz cafés especiais ou para exportação? Já tinha ouvido falar de terreiro suspenso? Ficou alguma dúvida? Deixe seu comentário abaixo!

Conheça os 9 indicadores de fertilidade do solo e saiba usá-los ao favor da sua lavoura

Indicadores de fertilidade do solo: quais são, para que servem, sua importância para o solo e como avaliá-los

Altas produtividades são alcançadas com a junção de vários fatores

Além dos manejos culturais, é importante cuidar do solo e garantir qualidades químicas, físicas e biológicas. 

Cada um destes três fatores apresenta indicadores que dão qualidade ao solo. Conhecê-los pode garantir a saúde da sua lavoura e maior precisão na adubação.

Neste texto, você saberá mais sobre os indicadores de fertilidade importantes para uma boa produção. Confira!

A importância da fertilidade do solo na agricultura 

A fertilidade do solo é um indicador químico, principalmente quando se trata de produtividade. Ela é relacionada aos nutrientes, pH, matéria orgânica e outros aspectos.

Uma planta bem nutrida consegue aproveitar melhor a energia. Assim, ela se desenvolve adequadamente e tolera mais o ataque de doenças e pragas.

Entretanto, nem todos os nutrientes estão presentes no solo no momento e quantidade ideais para as plantas. Por isso é necessário fazer a adubação correta.

Você deve saber como está a saúde do seu solo para manter o equilíbrio. Ficar sempre de olho nos indicadores de fertilidade é a principal medida a ser tomada.

Dessa forma, é possível fornecer para sua cultura a quantidade ideal de todos os elementos essenciais para sua produção. 

9 principais indicadores de fertilidade do solo

A análise do solo é como o exame de sangue que você eventualmente faz. Os indicadores correspondem aos principais aspectos em relação à fertilidade.

Para saber como seu solo está, é importante saber ao que cada indicador corresponde e como isso interfere no manejo. Veja a seguir os principais indicadores.

1. pH

Este indicativo de fertilidade mede a acidez do solo. O manejo do solo, adubação e cultivos alteram o valor do pH ao longo do tempo. 

A mudança de valor altera a disponibilidade dos macronutrientes, micronutrientes e do alumínio ali presentes.

Gráfico mostra a disponibilidade de nutrientes e alumínio em função do pH do solo. A disponibilidade de molibdênio e cloro é maior.

Disponibilidade de nutrientes e alumínio em função do pH do solo 

(Fonte: Incaper)

2. Macronutrientes e micronutrientes 

Tanto os macro quanto os micronutrientes são fundamentais para a produção. 

Os macronutrientes são exigidos em maiores quantidades, e são:

  • nitrogênio;
  • fósforo;
  • potássio;
  • cálcio;
  • enxofre;
  • magnésio.

Os micronutrientes são exigidos em menores quantidades, e são:

  • boro;
  • cobre;
  • ferro;
  • manganês;
  • zinco.

Além de conhecer os macro e micronutrientes, há dois pontos que você deve considerar.

Se o teor de sódio for elevado, ocorre salinização do solo. Como consequência, há problemas na produção agrícola.

Outro ponto de atenção é o método de extração utilizado para avaliar a quantidade dos nutrientes, principalmente o fósforo.

O sistema IAC (mede o teor fósforo pela resina trocadora de íons) e o sistema Embrapa, que utiliza o método de Mehlich-1, são os mais utilizados.

É importante observar qual extrator foi utilizado, pois os valores representados são diferentes. 

Para calcular corretamente a quantidade de fósforo do solo, você precisa usar a tabela de recomendação do sistema utilizado.

3. Soma de bases

É a soma de potássio, sódio, cálcio e magnésio presentes na análise de solo. 

Sua função é auxiliar no cálculo de outros indicadores, como capacidade de troca e saturação por bases.

Pode ser que a soma de bases não venha na análise de solo. Caso isso aconteça, fique de olho nas unidades para realizar o cálculo. Elas precisam estar em cmolc/dm3.

Geralmente, o cálcio e o magnésio já estão na unidade necessária. Para os demais nutrientes, veja um exemplo de conversão:

Cálculo com fórmulas para analisar o teor dos nutrientes no solo

4. Alumínio trocável

Ela é a quantidade de alumínio presente na solução do solo.

Quanto maior o valor, mais danos ocorrem nas raízes das plantas. O  seu valor é reduzido pelo aumento de pH.

Imagem mostra dois conjuntos de plantas de milho ainda pequenas e suas respectivas raízes. O primeiro conjunto apresenta raízes mais longas e as plantas estão maiores, e não houve contato com alumínio, de acordo com o indicador colado no conjunto. O segundo conjunto apresenta plantas e raizes pequenas, e o indicador colado no conjunto indica que houve contato com alumínio.

Influência negativa do alumínio no crescimento de plantas de milho 

(Fonte: Biocom)

5. Acidez potencial

O indicador de acidez potencial ou acidez total é representado na análise do solo por hidrogênio + alumínio.

É a soma da acidez trocável com a acidez não trocável, sendo a acidez neutralizada representada pelo hidrogênio.

6. CTC

CTC do solo é a capacidade de troca de cátions.

É utilizado para cálculo de calagem e gessagem do solo. Isso porque a CTC indica a quantidade de cargas negativas que determinado solo pode ter em pH 7,0.

O cálculo pode ser realizado pela seguinte fórmula:

imagem com a fórmula: CTC = SB + (H + Al)

Com a CTC elevada, nutrientes como potássio, cálcio e magnésio são retidos no solo e disponibilizados às plantas.

Valores baixos indicam que esses nutrientes ficam mais suscetíveis a perdas por lixiviação.

banner-calculo-de-calagem

7. Saturação por bases

A saturação por bases é representada pelo V% nas análises de solo. Ele é um indicador usado para a necessidade de calagem e gessagem.

As culturas apresentam um V% ideal, geralmente entre 60% a 70%. Sabendo quanto seu solo tem de V%, você saberá se é necessário realizar calagem para elevar esse valor.

Com a calagem, há um aumento da saturação por bases e redução da acidez potencial. 

Isso aumenta a porcentagem de cargas negativas do solo ocupadas por potássio, cálcio e magnésio.

fórmula:  V% = SB sobre CTC

8. Índice de saturação de sódio

Este indicador é importante em solos de locais áridos, semiáridos, próximo de litorais ou com elevado teor de sais.

Nesses locais, o teor de sódio no solo é elevado, influenciando o desenvolvimento das plantas. Por isso, é necessário calcular o índice de saturação de sódio.

Somente assim você saberá a proporção de sódio em relação ao potássio, cálcio e magnésio.

fórmula: ISNa = Na em cmolc/dm3 sobre CTC vezes 100

Valores acima de 15% do índice de saturação de sódio indicam problemas.

Portanto, em caso de valores até 10%, você precisa adotar medidas para reduzir o teor do nutriente no solo.

9. Matéria orgânica 

A matéria orgânica é formada por diversos elementos, com destaque para o carbono. Eles vêm principalmente da decomposição de plantas e microrganismos.

Solo com muita matéria orgânica tem mais capacidade de fornecer nutrientes, além de apresentar valores maiores de CTC.

Por isso, a matéria orgânica é um importante indicativo do potencial produtivo de um solo.

Os indicadores de fertilidade do solo são utilizados para determinar os nutrientes em falta. Assim, você poderá suprir todas as necessidades de maneira certeira.

Importância do equilíbrio nutricional do solo

Conhecendo os indicadores de fertilidade e as necessidades nutricionais da cultura, a adubação se torna mais assertiva.

O planejamento do ano safra é importante para que as quantidades de nutrientes fornecidas se mantenham adequadas.

Um bom balanceamento também interfere na qualidade física e biológica do solo.

Como avaliar os indicadores de fertilidade do solo? 

Os indicadores de fertilidade sofrem constantes mudanças com o uso dos solos. Isso acontece principalmente com a ausência de algum nutriente.

A falta de determinado nutriente é observada nas plantas em pouco tempo. Para que o solo seja equilibrado nutricionalmente, é necessário adotar práticas por um longo tempo.

Assim, é necessário realizar a manutenção dos nutrientes no solo, e sempre realizar a sua análise para verificar como estão os indicadores químicos. 

Afinal, tanto a falta como o excesso são prejudiciais às plantas.

É importante realizar uma amostragem de solo representativa da sua área produtiva. É dessa forma que os valores dos indicadores de fertilidade serão mais precisos.

Conclusão

Os indicadores de fertilidade do solo são avaliados na análise de solo.

Cada indicador mede alguma propriedade química do solo. Eles são utilizados para recomendações de adubação, calagem e gessagem.

Avaliar os indicadores de fertilidade é algo que deve estar presente em toda a sua safra.

 Afinal, assim você estará sempre por dentro da saúde da sua lavoura, além de poder fazer adubações mais assertivas.

Você conhecia todos os  indicadores de fertilidade do solo? Faz a adubação com base nesses dados? Ficou alguma dúvida? Deixe seu comentário abaixo!

Saiba como identificar e evitar os danos em grãos de milho

Danos em grãos de milho: saiba quando acontecem, o que pode ser feito para resolver,  quais os resultados desses danos e mais!

A qualidade do milho é fundamental na alimentação humana e animal. Sua perda por danos diretos ou indiretos pode trazer grandes prejuízos.

Saber o momento em que seus grãos estão em risco é fundamental para evitar dores de cabeça. 

Então, não espere chegar o momento da venda para identificar problemas!

Neste artigo, você entenderá mais sobre os tipos de dano e os períodos mais sensíveis da sua safra. Confira essas e outras informações!

Principais danos em grãos de milho

Nas culturas agrícolas, a qualidade física e nutricional dos grãos começa durante a produção. Ela se estende até o consumo.

Para você obter uma produção de grãos rentável e com alta qualidade, é necessário prestar atenção desde o manejo até a pós-colheita.

Os danos nos grãos acontecem por uma série de eventos, durante toda a produção. É possível dividir esses danos em: antes, durante e depois da colheita.

É importante conhecer todos os possíveis problemas conforme o período de produção. Assim, você pode evitar grandes perdas.

Antes da colheita

Os danos que acontecem antes da colheita refletem principalmente no peso e qualidade física dos grãos. As pragas, doenças e os microrganismos são os principais vilões nesse momento.

Pragas que atacam as espigas, como percevejo-do-milho e lagarta-da-espiga, são um problema. Elas interferem na qualidade devido à presença de manchas nos grãos, além  de reduzir seu peso.

Além disso, as espigas afetadas por pragas durante o desenvolvimento ficam mais sujeitas aos ataques de patógenos. 

Os patógenos, como os fungos, causam grãos ardidos.

Os grãos ardidos de milho apresentam descoloração. Eles podem ter cor marrom, roxa ou vermelho claro a escuro.

Geralmente são causadas por fungos que atacam as espigas durante a fase de maturação dos grãos.

Imagem de grãos ardidos em milho

Aspecto de grãos ardidos de milho

(Fonte: Embrapa)

Devido ao aspecto, os grãos ficam com preço desvalorizado. Além disso, os fungos são responsáveis por:

  • redução da qualidade do grão;
  • degradação de proteínas;
  • degradação de carboidratos;
  • degradação de açúcares;
  • produção de toxinas, que podem causar uma série de problemas a quem consome.

Para que as espigas fiquem sujeitas a produzir toxinas, devem estar em temperaturas muito baixas (geralmente, abaixo dos 15 °C). Nessas condições, há biossíntese da toxina. 

Grãos ardidos são uma grande preocupação das indústrias. 

Além dos limites máximos de grãos estabelecidos na Instrução Normativa no 60/2011, às vezes há limites ainda inferiores. O objetivo é garantir a segurança dos produtos fabricados.

Limites máximos de tolerância expressos em percentual (%) de grãos ardidos no lote de milho

Limites máximos de tolerância expressos em percentual (%) de grãos ardidos no lote de milho

(Fonte: Senar)

Ainda antes da colheita, pragas muito perigosas em grãos armazenados podem estar presentes no campo e em espigas mal empalhadas. Esse é o caso dos carunchos.

Os adultos colocam seus ovos no interior ou no exterior dos grãos.

Na colheita

Os danos durante a colheita são principalmente causados pela má regulagem da colhedora e pelo teor de água dos grãos.

A qualidade também está relacionada à quantidade de impurezas que o lote apresenta.

Quanto maior a quantidade de impurezas, menor será a qualidade do seu lote. Afinal, essas  impurezas devem ser retiradas no beneficiamento, gerando aumento dos custos.

O mau planejamento no controle de plantas daninhas, como a corda-de-viola, é um dos pontos responsáveis pelo aumento de impurezas.

As plantas daninhas também dificultam a operação das colhedoras, reduzindo seu  rendimento.

Outro ponto é a má regulagem da colheitadeira. Quando elas não retiram todas as impurezas, causam perdas quantitativas e qualitativas da massa de grãos.

Além destes fatores, o teor de água dos grãos é mais um problema. Ele pode causar amassamento, quebra e trincas nos grãos de milho durante a colheita.

Grãos muito úmidos (acima 25%) ou muito secos (abaixo de 10%), aliados à má regulagem da colhedora, causam danos mecânicos nos grãos. 

Esses danos, além de reduzirem a qualidade, são portas de entrada de insetos e fungos durante o armazenamento.

Foto de grãos de milho trincados e quebrados

Grãos trincados e quebrados de milho.

(Fonte: Dykrom)

Após a colheita

Após a colheita, os danos podem acontecer no período de armazenamento dos grãos de milho.

O teor de água nos grãos no momento do armazenamento deve estar entre 12% e 13%. Teores elevados são favoráveis para ataques de insetos e fungos.

Insetos como os carunchos podem estar presentes nos armazéns. Além dos carunchos, as traças também atacam os grãos de milho durante o armazenamento.

Assim como o que ocorre com os carunchos, as larvas se alimentam do interior do grão, reduzindo a qualidade e peso.

Grãos de milho infectados com carunchos (esquerda) e traças (direita)

Grãos de milho infectados com carunchos (esquerda) e traças (direita).

(Fonte: Agrolink)

Fungos de armazenamento, como Aspergillus e Penicillium, causam mofo nos grãos. Assim como os fungos do gênero Fusarium, são produtores de micotoxinas nos grãos de milho.

É importante colher os grãos com o teor de água o mais próximo do adequado

Se não for possível, é necessário realizar a secagem artificial dos grãos colhidos, até valores de 13% de umidade.

Grãos de milho infectados com diferentes espécies de fungos causadores de grãos ardidos e mofados

Grãos de milho infectados com diferentes espécies de fungos causadores de grãos ardidos e mofados

(Fonte: Dagma D. Silva)

Roedores e pássaros também causam danos aos grãos. No entanto, eles são menos frequentes.

Como evitar danos em grãos de milho

Para ter grãos pesados, inteiros e granados, os cuidados começam no planejamento.

Informe-se sobre os cultivares ou híbridos recomendados para sua região. Observe a ocorrência das principais pragas e doenças que afetam o milho e sua resistência a elas.

Semeie na época recomendada para o milho escolhido. Não se esqueça de fazer corretamente os manejos de pragas, doenças e plantas daninhas até o momento de colheita.

Estas são algumas práticas importantes a serem adotadas para reduzir ou eliminar os danos nos grãos de milho ainda em campo.

Existem outras práticas que podem ser úteis para manter a qualidade e garantir a produtividade. 

  • Faça rotação de culturas com outras espécies que não sejam suscetíveis aos fungos causadores de micotoxinas, como Fusarium e Stenocarpella;
  • Realize o controle de plantas daninhas durante a maturação e colheita dos grãos;
  • Controle os insetos e fungos que atacam a formação das espigas;
  • Não demore para realizar a colheita;
  • Regule corretamente a colhedora;
  • Colha com umidade adequada ou realizar secagem após a colheita;
  • Mantenha o armazém limpo;
  • Faça o expurgo dos armazéns, principalmente de locais com a presença dos insetos e pragas.
Planilha de Planejamento da Safra de Milho

Conclusão

O milho é uma cultura de grande importância mundial, e os danos nos grãos podem reduzir a quantidade e qualidade do produto.

É importante realizar corretamente o manejo da cultura antes, durante e após a colheita. Assim, você evita perdas precoces na produção.

Fique sempre de olho nos riscos, para evitá-los e não registrar prejuízos. 

Afinal, além de prejudicar a aparência, danos nos grãos de milho reduzem a qualidade nutricional, prejudicam o cheiro e sabor do alimento.

Você já se deparou com algum desses danos em grãos de milho? O que fez para resolver e recuperar sua produtividade? Deixe seu comentário!

Tudo o que você precisa saber sobre cobre nas plantas

Cobre nas plantas: qual a importância para a agricultura, como e quando aplicar, sintomas de deficiência ou excesso e mais!

O cobre é um dos elementos necessários para o crescimento, desenvolvimento e reprodução das plantas.

Seu excesso ou sua falta podem causar danos sérios à sua lavoura. Por isso, estar de olho nos sintomas é a primeira medida para evitar problemas.

Você sabe identificar se o nutriente está em equilíbrio? Confira essa e outras informações neste artigo!

Importância do cobre nas plantas 

Os nutrientes exigidos em maiores quantidades pelas plantas são denominados macronutrientes. Os que são exigidos em menores quantidades são os micronutrientes.

O cobre é um micronutriente. As plantas precisam de pouca quantidade dele para suprir as necessidades. Porém, sua falta causa prejuízos na parte nutricional, fisiológica e protetora das plantas.

O cobre participa nos seguintes processos e modos nas plantas:

  • participação em enzimas;
  • fotossíntese;
  • distribuição de carboidratos;
  • metabolismo de proteínas;
  • redução e fixação do nitrogênio;
  • respiração;
  • reprodução das plantas;
  • lignificação da parede celular;
  • aumento da resistência à seca;
  • influência na permeabilidade dos vasos do xilema;
  • influência na floração e frutificação;
  • ajuda no mecanismo de resistência a doenças.

Além de afetar o desenvolvimento das plantas, o cobre está presente em algumas enzimas que interferem na qualidade do produto final.

Uma delas é a polifenoloxidase, em que o cobre está presente no centro ativo. Nos grãos de café, sua presença é essencial para a qualidade da bebida.

São várias as funções desempenhadas pelo cobre nas plantas. 

Você precisa saber se sua área consegue fornecer a quantidade necessária para suprir a necessidade da sua cultura.

Tabela demonstra os teores de cobre nas plantas considerados adequados para as culturas do milho, algodão, café, citros, milho, soja e cana-de-açúcar.

Teores de cobre considerados adequados para algumas culturas

(Fonte: adaptado de Esalq)

Influência do manejo na disponibilidade do cobre

Se o solo tiver a quantidade adequada de cobre disponível, as plantas conseguem absorver o necessário.

Entretanto, devido à sua baixa mobilidade, 98% do cobre fica retido como quelato.

Assim, retém o cobre os:

  • solos de várzea;
  • solos de plantio direto;
  • solos com elevada quantidade de matéria orgânica;
  • ácidos húmicos;
  • ácidos fúlvicos.

O pH é outra característica do solo que afeta a disponibilidade desse micronutriente. Quando pH é acima de 7, há menor disponibilidade e solubilidade do cobre no solo.

Gráfico mostra disponibilidade dos nutrientes em função do pH do solo

Disponibilidade dos nutrientes em função do pH do solo

(Fonte: Sementes Biomatrix)

O tipo de solo também interfere no teor de cobre.  

Solos arenosos tendem a lixiviar este micronutriente. Os solos argilosos tendem a ter maior concentração, devido à retenção dele pela argila.

Entretanto, não são apenas fatores do solo que interferem na disponibilidade e absorção do cobre nas plantas. Há também a relação com outros nutrientes.

Quando as plantas necessitam de cobre, os sintomas da deficiência são agravados quando há altos níveis de nitrogênio.

Pode ocorrer redução na absorção de cobre pelas plantas, seja da raiz ou folhas, devido ao excesso de ferro, alumínio, fósforo e zinco.

Além da falta, pode ocorrer excesso de cobre. Existem produtos que são utilizados nas plantas que contêm o nutriente.

O cobre presente nesses produtos pode acumular no solo, elevando sua concentração a níveis que causam toxidez.

Como identificar a deficiência ou excesso do cobre nas plantas?

Conhecer os sinais através dos sintomas nas folhas, caule e raízes é fundamental para saber o que está em falta ou excesso. Quanto mais rápida a identificação do sintoma, sua ação será mais rápida e efetiva. Veja abaixo os principais sintomas que as plantas apresentam com a falta ou excesso de cobre.

Deficiência de cobre

  • Os sintomas aparecem inicialmente nas folhas novas das plantas. Elas ficam murchas e enroladas.
Imagem de uma planta de trigo com sintomas de deficiência de cobre. A planta está amarelada e enrugada nas pontas.

Sintoma da deficiência de cobre em planta de trigo

(Fonte: Ipni)

  • O pecíolo e talos das folhas mais novas ficam curvados para baixo.
Sintoma de deficiência de cobre na planta de café. As folhas da planta estão curvadas para baixo.

Sintoma da deficiência de cobre em planta de café

(Fonte: Yara)

  • As folhas não apresentam a mesma coloração verde. Ficam com tons amarelados ou verde mais claro, e depois sofrem amarelecimento.
Foto de duas plantas. A primeira mostra uma folha de milho amarelada, e a segunda, uma folha de soja com coloração verde-clara.

Sintoma da deficiência de cobre em planta de (A) milho folha amarelada e (B) soja folha com coloração verde clara

(Fonte: (A) Esalq e (B) Biosoja)

  • Em algumas culturas, como o café, as plantas podem apresentar elevação nas nervuras secundárias. Isso causa deformação na nervura central, que fica em forma de S.
Imagem de uma folha de café com sintoma de deficiência de cobre. A folha está enrugada, e a nervura central está em formato de "s"

Sintoma da deficiência de cobre em planta de café

(Fonte: Yara)

  • Ocorre diminuição do transporte de água e solutos pelo xilema, devido à redução da lignificação.
  • Ocorre abortamento de flores, o que interfere na produção.
Imagem de plantas de milho com deficiência de cobre, ao lado de espigas saudáveis.

Sintoma da deficiência de cobre em planta de trigo, da esquerda espigas saudáveis e direita espiga com deficiência de cobre

(Fonte: Ipni)

Excesso de cobre

Os sintomas de excesso de cobre ocorrem nas raízes, devido à elevada concentração do elemento no solo.

Um indicativo da ocorrência é a lentidão no crescimento das plantas. O desenvolvimento das raízes é afetado, levando à morte dos tecidos.

A planta tem dificuldade para absorver água e nutrientes, refletindo no baixo porte e até morte das plantas.

Foto de plantas de videira em solos com diferentes teores de cobre. Em baixo, há uma imagem de raízes de plantas com excesso de cobre, todas enrugadas e necrosadas.

Plantas de videira em solos com diferentes teores de cobre (A) parte aérea e (B) sintomas de excesso de cobre nas raízes 

(Fonte: Gazeta-RS)

Pode ocorrer também fitotoxicidade nas folhas devido ao uso de produtos feitos à base de cobre. Isso acontece principalmente com os fungicidas cúpricos, causando queima, necrose e deformação das folhas.

Foto de folhas de uva com excesso de cobre, todas enrugadas.

Fitotoxidade em folhas de uva causadas por fungicida cúprico

(Fonte: Embrapa)

O excesso de cobre, além dos sinais visíveis nas plantas, prejudica a fotossíntese. Afinal, o excesso afeta o transporte de elétrons, a formação de enzimas, proteínas e carboidratos.

Outro ponto é saber a sensibilidade da cultura ao excesso ou falta de cobre. Algumas são mais sensíveis, outras mais tolerantes à presença do elemento no solo.

Tabela mostra níveis de sensibilidade das culturas à deficiência de cobre. Está dividida entre alta, média e baixa sensibilidade.

Sensibilidade das culturas à deficiência de cobre

(Fonte: Ipni)

Áreas propensas à deficiência de cobre

A deficiência de cobre não é extremamente comum em todas as áreas. Algumas regiões são mais propensas a ter essas ocorrências. 

Mapa mostra frequência relativa das deficiências de cobre no Brasil. Minas Gerais, São Paulo e Pernambuco possuem muita frequência dessas deficiências.

Frequência Relativa das Deficiências de Cobre no Brasil

(Fonte: Esalq)

São Paulo, Minas Gerais e Pernambuco são os principais lugares sujeitos à deficiência de cobre.

No entanto, há vários fatores que afetam sua disponibilidade. Sempre fique de olho nos sintomas para que sua cultura não seja prejudicada.

Quando aplicar o cobre na lavoura? 

Constatada a deficiência do cobre, existem produtos que podem ser utilizados na lavoura em casos de emergência.

O cobre é um nutriente com pouca mobilidade na planta. Assim, as aplicações foliares, independentemente do tipo de produto, não serão muito eficientes.

Tabela com as principais fontes de cobre existentes no mercado brasileiro.

Principais fontes de cobre existentes no mercado brasileiro

(Fonte: Esalq)

Em caso de culturas perenes, como café e laranja, realizar análise foliar para verificar a concentração deste e outros nutrientes é uma alternativa para evitar a deficiência.

A época de aplicação da adubação foliar, portanto, é quando há presença de sintomas de deficiência ou em uma aplicação preventiva planejada.

A aplicação do nutriente via solo, nas linhas de plantio ou nas áreas perto das raízes, é mais eficiente. Mas tome cuidado, pois as doses não podem ser muito elevadas.

A dosagem dependerá da concentração de cobre no produto aplicado.

De modo geral, para sulfato de cobre, a dose é de 3 kg/ha a 5 kg/ha de cobre. Para os quelatos, a dose é de 0,5 kg/ha de cobre.

Sua disponibilidade pode aumentar durante os anos devido à sua retenção no solo. Por isso, faça a análise do solo com frequência.

Para evitar problemas, busque sempre o acompanhamento e recomendações do engenheiro-agrônomo na sua lavoura!

O que fazer para corrigir o excesso de cobre?

Se o seu problema for o excesso de cobre na área, realize a calagem. Ela causa elevação do pH do solo. Como consequência, reduz a disponibilidade do elemento.

planilha calculo fertilizante milho e soja

Conclusão

Neste artigo você viu que o cobre nas plantas é fundamental para diversas reações, metabolismos, desenvolvimento e prevenção.

Viu que o manejo do solo influencia diretamente na disponibilidade deste micronutriente para as plantas.

Seu excesso é tão prejudicial quanto sua deficiência, e aprender a reconhecer os principais sintomas de cada um destes cenários é fundamental.

Acompanhe a quantidade desse elemento no solo para definir as estratégias de aplicação.

>> Leia mais:

“Boro nas plantas: manual rápido do manejo desse micronutriente”

“Enxofre para as plantas: recomendações de adubação e manejo”

“Potássio nas plantas: tudo que você precisa saber para fazer melhor uso dele”

Você já precisou realizar alguma prática de manejo devido à falta ou excesso de cobre nas plantas em sua área? Ficou com alguma dúvida? Deixe seu comentário abaixo!

Tudo o que você precisa saber sobre dormência em sementes

Dormência em sementes:  o que é, quando ocorre, tipos, causas e as interferências na agricultura

Na maioria das espécies, as sementes são responsáveis pela propagação das plantas.

Para poderem germinar, emergir e produzir, são necessários estímulos do ambiente. Sem eles, a produção fica comprometida.

Entretanto, algumas sementes apresentam bloqueios internos e/ou externos que impedem a germinação. Esse problema é conhecido como dormência.

Quer saber mais sobre a dormência em sementes e como ela interfere na produção agrícola? Confira a seguir!

O que é dormência em sementes?

Após a maturação, se as condições de água, temperatura, oxigênio e luz forem favoráveis, as sementes iniciam o processo de germinação.

Entretanto, há espécies que mesmo em locais com condições favoráveis não germinam. São exemplos:

  • alguns cereais (aveia, cevada);
  • frutíferas;
  • arbóreas;
  • hortaliças;
  • forrageiras;
  • ornamentais, entre outras. 

Isso ocorre por causa de mecanismos de resistência que as sementes adquirem na maturação ou após ela. Esses mecanismos são induzidos por ações do ambiente.

Tipos de dormência

Há dois tipos de dormência em sementes:

  • dormência primária: se os mecanismos de bloqueio da germinação forem adquiridos durante o processo de maturidade das sementes;
  • dormência secundária: caso a dormência seja imposta após a dispersão das sementes, devido a condições ambientais desfavoráveis.

Sementes dormentes após a dispersão irão germinar ao longo do tempo. Elas apresentarão maior longevidade e resistência a condições desfavoráveis do ambiente. 

infográfico da dormência e longevidade da semente

Dormência e longevidade da semente
(Fonte: Revistaneoo)

A dormência é uma proteção.  

A semente só irá germinar quando os mecanismos de bloqueio forem removidos ou desativados naturalmente, e as condições ambientais forem ideais para aquela espécie.

Interferência da dormência na produção agrícola 

A dormência é favorável por evitar germinação da semente quando ainda está ligada à planta-mãe. Além disso, as sementes se conservam por longos períodos. Bancos de sementes e armazenagem são ideais.

Entretanto, como desvantagem, a superação natural da dormência pode ser longa. Pode levar meses ou anos, o que dificulta a avaliação da qualidade das sementes colhidas.

Muitas plantas daninhas apresentam esses mecanismos para que haja perpetuação da espécie. Como consequência, seu controle é dificultado.

A germinação de sementes dormentes é desuniforme e lenta. Isso reduz a germinação em campo, e é necessário realizar tratamento para a quebra da dormência.

Germinação desuniforme de Brachiaria devido a dormência

Germinação desuniforme de Brachiaria devido a dormência
(Fonte: Conceito Agronômico)

Como ocorre a dormência nas sementes?

A dormência pode ser primária ou secundária. As causas desses dois tipos de dormência podem ser endógenas e exógenas

Endógena

As causas endógenas da dormência também são denominadas embrionárias, pois são associadas ao embrião das sementes.

A dormência endógena pode ser subdivida em fisiológica, morfológica ou morfofisiológica.

Fisiológica 

Ocorre devido à presença de substâncias inibidoras da germinação ou falta de substâncias promotoras presentes no embrião ou endosperma. Há aí um desbalanço hormonal.

Também pode ocorrer devido à restrição no desenvolvimento do embrião, causada pelos tecidos que o envolvem.

Morfológica 

Ocorre quando as sementes são dispersas da planta-mãe, mas o embrião não está totalmente desenvolvido.

Essa dormência é perdida com o tempo. Por isso, as sementes colhidas precisam de um período para que o embrião fique pronto para ocorrer a germinação.

Morfofisiológica 

Essa é a combinação da causa fisiológica e morfológica.

Exógena 

As causas exógenas são ligadas ao impedimento físico da germinação, que começa com a protrusão da raiz primária.

Esses impedimentos são causados pelo pericarpo e tegumento das sementes. Eles são subdivididos em dormência química, física e mecânica.

Dormência química 

Ocorre pela presença de inibidores químicos presentes no pericarpo das sementes. Esses compostos impedem a germinação. Essa causa é adquirida quando as sementes ainda estão ligadas à planta-mãe.

Dormência física 

O pericarpo ou o tegumento das sementes impedem a passagem de água e gases para seu interior. Essa obstrução pode ser adquirida na dormência primária ou secundária.

Mecânica  

Ocorre quando as sementes ainda estão ligadas à planta-mãe. A consistência do mesocarpo ou endocarpo impedem o crescimento do embrião.

Principais causas da dormência por espécies

A dormência nas sementes muitas vezes é uma associação das causas apresentadas acima. Algumas causas são mais encontradas com maior frequência nas espécies de importância agrícola.

A impermeabilidade a trocas gasosas pelo tegumento impede a entrada de oxigênio no interior das sementes. Sem a entrada de oxigênio e saída de gás carbônico, as sementes não conseguem germinar. São afetados:

  • alface;
  • trigo;
  • maçã;
  • beterraba;
  • abóbora;
  • cevada;
  • e arroz.

Na dormência do embrião, as sementes são formadas de modo desuniforme. 

Algumas sementes, após se desprenderem da planta-mãe, apresentam o embrião em desenvolvimento, necessitando de um período para poderem germinar. São afetados:

A resistência mecânica da cobertura é ligada à causa de dormência mecânica. Alguns componentes da semente, como pericarpo, tegumento e endosperma, são barreiras que impedem o crescimento do embrião. Pode ocorrer em:

  • pepino;
  • pimenta;
  • tabaco;
  • tomate.

As sementes que não conseguem absorver água são conhecidas como sementes duras. Impermeabilidade do tegumento a água é uma das causas mais comuns em espécies cultivadas, como:

Substâncias inibidoras, como o ácido abscísico, podem estar presentes nos componentes internos ou externos das sementes. A semente só irá germinar quando houver um balanço hormonal adequado entre os inibidores e promotores da germinação.

São afetados:

O que fazer para superar a dormência em sementes?

Para evitar falhas de estande pela ocorrência de germinação desuniforme, é necessário realizar, em alguns casos, a superação da dormência.

Cada causa tem um ou mais tratamentos para remover os mecanismos que provocam dormência. Veja abaixo os principais tratamentos:

infográfico com tratamentos para superação das diferentes causa de dormência sendo choque de temperatura, embebição em água, exposição a ácidos, desgaste em local áspero, utilização de hormônios vegetais e imersão em água quente

Tratamentos para superação das diferentes causa de dormência
(Fonte: G1)

Armazenamento

Para sementes que apresentam dormência devido ao embrião imaturo ou alta concentração de inibidores da germinação, o armazenamento é o método para superar este bloqueio.

Com alguns meses de armazenamento, o embrião completa seu desenvolvimento. A  concentração de inibidores da germinação pode diminuir, aumentando a presença dos hormônios promotores da germinação.

O uso de giberelinas em algumas sementes têm demonstrado aumento da germinação, causado pela superação da dormência.  

Escarificação química

A escarificação química com uso de ácidos é utilizada nas sementes em que a dormência é causada pela impermeabilidade à água, gases ou inibidores químicos. Esses ácidos permitem que as sementes realizem as trocas.

Sementes de Brachiaria antes e depois da escarificação química

Sementes de Brachiaria antes e depois da escarificação química
(Fonte: Matsuda)

Uso de água quente

O uso de calor pode ser eficiente para superar a dormência, principalmente as causadas por ação de inibidores. O uso de água quente é uma boa opção.

Escarificação mecânica

Em sementes que apresentam impedimento na entrada de água, é necessário realizar a escarificação mecânica.

Esse tratamento consiste em remover parte do tegumento para que a água possa entrar. Assim, a semente ativa o metabolismo e germina.

foto de escarificação mecânica com uso de lixa

Escarificação mecânica com uso de lixa
(Fonte: Horta em casa)

Na Regra para Análise de Sementes, você encontra as espécies botânicas e os principais tratamentos recomendados para superar a dormência.

Conclusão

A dormência nas sementes é algo complexo. É muito influenciada pelo clima, durante a maturação.

O bloqueio da germinação pode ocorrer devido a uma ou mais causas de dormência. Essas causas impedem a germinação adequada das sementes.

A dormência é algo natural. O melhoramento genético retirou esse mecanismo de proteção de algumas espécies de importância econômica.

Além disso, existem diversos tratamentos para superação de dormência. Para realizá-los corretamente, é necessário saber qual dormência sua semente apresenta.

>> Leia mais:

Tratamento de sementes na fazenda ou industrial? Faça a melhor escolha!

Tratamento de sementes de trigo na fazenda: Confira as melhores práticas

Tratamento de sementes de soja ainda melhor: Todas as orientações

Restou alguma dúvida sobre a dormência em sementes? Você já teve de realizar algum tratamento para superá-la? Adoraria ler seu comentário abaixo!

Como minimizar os impactos e prejuízos da geada no milho

Geada no milho: principais regiões de ocorrência, efeitos em cada estágio fenológico da cultura, como reduzir as consequências e mais!

O Brasil é o terceiro maior produtor de milho do mundo. Essa cultura pode ser produzida em duas safras nos estados brasileiros.

Em determinadas épocas do ano, as lavouras ficam sujeitas a desafios climáticos, como seca e frio.

A geada é uma das condições climáticas que influencia a produtividade do milho. Ela pode gerar grandes perdas econômicas.

Neste artigo, você lerá sobre os efeitos da geada no milho e como reduzir os efeitos dessa condição climática na lavoura. Confira!

Locais de ocorrência da geada no milho 

O clima interfere e gera risco a quem produz, e o milho segunda safra é o principal influenciado.  Quanto mais tarde o milho safrinha for semeado, maior o risco de geada em algumas regiões.

Isso pode ocorrer em alguns anos, quando a onda de frio intenso atinge o país. Os estados do Sul e Sudeste são os mais afetados.

mapa que mostra frequência das geadas nas regiões do Brasil

Frequência das geadas nas regiões do Brasil
(Fonte: Esalq)

O milho pode ser produzido em todos os estados brasileiros. A produção é dividida pelo calendário agrícola da Conab em três safras.

No Brasil são consagradas a primeira e segunda safra, conhecidas como safra e safrinha.

O plantio do milho de primeira safra (ou verão) ocorre entre outubro e dezembro. Já o  milho safrinha, entre janeiro e abril.

A época ideal de cultivo de milho é o verão. Entretanto, devido à maior competitividade com a soja por área, a maior parte do milho brasileiro é semeada na segunda safra.  

Com o investimento no milho segunda safra, a produtividade é igual ou superior ao milho de verão. 

Consequências da geada na cultura do milho

A temperatura ideal para a cultura do milho varia entre 15 °C a 30 °C, sem ocorrência de déficit hídrico e livre de geadas.

Conhecer os estágios fenológicos do milho em épocas de ocorrência de geada é importante. Assim, você consegue saber os efeitos e decidir quais ações realizar.

Estágios iniciais

Se a planta estiver nova, entre os estágios VE e V2, provavelmente ocorrerá recuperação da planta. Até o estágio V2, o ponto de crescimento está abaixo do solo.

Conforme a planta vai crescendo, a ocorrência da geada vai se tornando mais prejudicial.

Estágios V3 e V4

Em V3 e V4, a reserva da semente já foi totalmente consumida. A planta precisa produzir sua energia por meio da fotossíntese.

Com a ocorrência da geada, há o congelamento das células da planta, especialmente das folhas. Como consequência, há ruptura da célula e morte do tecido.

Plantas de milho afetadas pela geada

Plantas de milho afetadas pela geada
(Fonte: AssisCity)

A geada na cultura do milho afeta principalmente as folhas jovens. Nelas, há maior quantidade de água e menor quantidade de sais.

Estágios até 6 folhas

Se a planta se recuperar nos estágios vegetativos até 6 folhas, ocorrerá diminuição de 10 a 25% da produção, devido à diminuição da fotossíntese.

Além disso, pode ocorrer redução do crescimento da planta. Isso reduz o tamanho das espigas devido ao menor acúmulo de fotoassimilados.

Estágio de embonecamento

Se a planta estiver no estágio de embonecamento (quando o pendão e os estilos-estigmas, ou cabelos, estão aparentes), a ocorrência de geada afeta diretamente a produção de grãos, devido à má fecundação.

Estágio de enchimento de grãos

Também pode acontecer a perda de grãos por geada, caso os grãos ainda não estejam bem formados. 

Para o enchimento dos grãos, as folhas produzem fotoassimilados e encaminham os nutrientes para os grãos.

Devido à redução da área foliar, os grãos ficam pequenos e mais leves, o que reduz a produtividade do milho.

Estimativa de perda de produtividade em relação a desfolha e estágios fenológicos do milho

Estimativa de perda de produtividade em relação a desfolha e estágios fenológicos do milho
(Fonte: Dekalb)

A redução de produção em casos extremos de geada pode chegar a 100% da área semeada. Confira mais informações neste vídeo.

Como minimizar os efeitos da geada no milho? 

Não é possível mudar o clima. Mas você pode adotar medidas para reduzir os danos que podem ser causados pelas geadas. O planejamento é fundamental neste momento. 

Cultivares precoces

Em anos em que houver atraso da semeadura do milho segunda safra, utilizar cultivares mais precoces pode ser uma opção.

Adubação foliar com potássio

O ponto de congelamento da célula das plantas muda com a concentração de sais na célula.

Desse modo, outra opção para evitar grandes perdas pela ocorrência de geadas é fazer uma adubação foliar com potássio.

O potássio eleva o ponto de congelamento da seiva. Assim, as folhas toleram o frio intenso das geadas.

Irrigação

Outro fator que interfere no congelamento das folhas é a irrigação. Se há previsão de geada e você tiver sistema de irrigação em sua área, utilize-o!

A irrigação aumenta a umidade do ar, interferindo no ponto de congelamento das células. Além disso, a massa de ar frio congela primeiro as gotas de água presentes nas folhas.

Barreira natural

Se sua área é aberta e sua região está sempre com risco de geada, cercar a área com árvores pode diminuir a intensidade da geada.

Nebulização artificial

Em pequenas áreas é possível fazer a formação de uma névoa que ajuda a evitar a perda de calor pelo solo, consequentemente ajuda a minimizar os efeitos da geada.

Planejamento

Atenção ao clima sempre é importante, mesmo não havendo previsões climáticas precisas para os meses do ano.

Ainda assim, o acompanhamento das massas de ar fornece informações de como o clima pode se comportar durante o ano agrícola.

Com o conhecimento do histórico climático na sua região, aliado ao comportamento do clima no mundo, é possível traçar estratégias para prevenir ou minimizar os riscos da geada.

O que fazer quando a geada afetar a plantação de milho?

Caso sua lavoura de milho tenha sofrido danos por geada, é importante esperar de 5 a 7 dias para avaliar as perdas e tomar as ações necessárias.

Com planta ainda pequena, você deve avaliar se o ponto de crescimento foi afetado. Em caso afirmativo, a planta não cresce e provavelmente não irá produzir.

Nesses casos, avaliar as opções de ressemeadura, se a janela de plantio estiver adequada. Semear outra cultura no lugar ou derrubar as plantas e mantê-las na área também são opções viáveis.

planilha de produtividade de milho Aegro, baixe agora

Conclusão

Neste texto, você viu que as geadas no milho são mais frequentes nas regiões Centro-Sul do país.

Viu também que os danos ocorrem em qualquer estágio fenológico. O que muda de um estágio para outro é a porcentagem de perda que poderá ocorrer na lavoura de milho.

As plantas podem se recuperar da geada mesmo sofrendo perdas em sua produtividade. Porém, também é possível sofrer grandes perdas econômicas.

Além disso, você viu que é possível minimizar os efeitos da geada com planejamento,  conhecimento da área e algumas técnicas simples. Não deixe a prevenção para depois.

>> Leia mais:

Cálculo de perdas na colheita de milho: Passo a passo de como fazer

A ocorrência de geadas é frequente em sua região? Você já teve perdas ocasionadas pela geada no milho? Deixe seu comentário abaixo!

Como ocorre e quais os efeitos do estresse hídrico nas plantas

Estresse hídrico nas plantas: saiba quais são as consequências, o que pode ser feito para minimizar a falta de água e mais

A quantidade ideal de água em uma cultura existe quando as condições climáticas são favoráveis ou a irrigação é bem distribuída.

Entretanto, isso geralmente não ocorre em campo. A má distribuição de água e a falta das chuvas ocasiona o estresse hídrico nas plantas.

O estresse hídrico causa redução da produção das culturas. Saber quais estratégias você pode adotar para minimizar o problema pode ser sua solução.

Confira neste artigo o que ocorre quando a planta sofre estresse hídrico, os fatores que agravam este problema e o que pode ser feito!

Importância da água nas plantas

A água desempenha diversas funções na planta. Por exemplo, participação no processo de fotossíntese e na regulação da abertura e fechamento estomático.

O conteúdo de água de uma planta herbácea é superior a 90%. Em plantas como a alface, esse conteúdo ultrapassa 95%. Processos como a germinação só são desencadeados com a presença de água.

A água hidrolisa macromoléculas com amido em açúcares solúveis. Esses açúcares fornecem energia para germinação e desenvolvimento inicial da plântula. Além disso, as células são importantes para o crescimento vegetal e para a  sustentação da morfologia da planta. 

Para que desempenhem esses papéis, a água é fundamental por manter as células túrgidas. A principal forma de absorção da planta é através de suas raízes. Elas captam a água e nutrientes presentes no solo.

Após a entrada pelas raízes, a água tem de ser distribuída para a parte área.  Esse papel é feito por um vaso condutor denominado xilema. O xilema é responsável por distribuir a seiva bruta das raízes para os caules e folhas.

ilustração de transporte da água do solo para a planta

Transporte da água do solo para a planta
(Fonte: UFC)

Como ocorre o estresse hídrico?

A disponibilidade hídrica adequada é necessária para a produção das plantas. A irregularidade das chuvas, por exemplo, pode levar a períodos de falta de água.

O solo é o principal fornecedor de água para as plantas. Ele apresenta uma capacidade de armazenamento de água determinada. Pense no solo como uma caixa d’água que abastece uma casa. Se a caixa não for reabastecida, a casa fica sem água.

Se as chuvas forem irregulares ou o manejo de qualquer tipo de irrigação for mal planejado, o volume de água no solo reduz e as raízes das plantas não conseguem absorver. O volume adequado para as plantas absorverem água é a CAD (Capacidade de Água Disponível) completa.

Quando faltam chuvas ou a irrigação é insuficiente, a disponibilidade de água fica abaixo da quantidade ideal e chamamos isso de PMP (Ponto de Murcha Permanente).

Quando o solo está no PMP, a quantidade de água é tão baixa que a planta, mesmo gastando energia, não consegue retirar a água do solo.

Representação da capacidade de água armazenada no solo

Representação da capacidade de água armazenada no solo
(Fonte: adaptado de Unesp)

A falta de chuva, geralmente em épocas mais quentes, aumenta a perda de água pelo processo de transpiração. Isto caracteriza o déficit hídrico, que se prolongado, causa estresse nas plantas.

A deficiência hídrica ocorre quando a demanda por água pela planta é maior que a oferta de água pelo solo.

Fatores que influenciam 

A perda de água de um solo pode ocorrer de diferentes maneiras: pela absorção de água pelas plantas, evaporação, escoamento, entre outros.

O tipo de solo influencia na capacidade de retenção de água. Solos mais rasos (solos jovens), são pedregosos, que retém pouca quantidade de água. 

Em solos mais profundos (solos maduros), a presença de rochas é mais profunda. Assim, há mais espaços porosos para reter água e disponibilizá-la para as plantas.

Além disso, em solos mais rasos a evapotranspiração é maior. O tempo de armazenamento de água acaba sendo menor. 

A infiltração de solos rasos é menor. Com grandes volumes de água eles saturam-se rapidamente, e ocorre o escoamento de água superficial.

Vale lembrar que todos os solos podem saturar, mesmo os mais profundos. Se solos profundos saturam-se rapidamente, é provável que ele esteja compactado.

A compactação do solo também influencia no déficit hídrico das plantas. Com a compactação, a infiltração será reduzida e maior será a perda de água por escoamento.

Efeitos do estresse hídrico nas plantas

Como você viu, as plantas têm em sua composição a maior parte de água. Sem ela, diversas reações químicas, metabólicas e fisiológicas não ocorrem.

A água mantém a turgência das células. Então, com a falta de água, as plantas murcham. Ocorrem mudanças da estrutura, espessura e coloração das folhas com a falta de água.

foto de Planta murcha e planta normal

Planta murcha e planta normal
(Fonte: Embrapa)

A escassez de água causa o fechamento dos estômatos, locais de passagem de gases e vapor de água, geralmente localizados nas folhas.

Esse fechamento, em períodos de seca, é uma linha de defesa da planta por reduzir a transpiração. 

Porém, caso a situação de déficit hídrico se prolongue, ocorrerá redução da fotossíntese. Isso porque o fechamento causa redução do suprimento de CO2.

Com a redução da fotossíntese, a planta reduz a produção de fotoassimilados. Como consequência, seu crescimento e produção são reduzidos.

Efeito em plantas de café da falta de água adequada (sequeiro) e ideal (irrigado)

Efeito em plantas de café da falta de água adequada (sequeiro) e ideal (irrigado)
(Fonte: Embrapa)

Como minimizar a deficiência hídrica nas plantas? 

O primeiro passo para minimizar ou evitar o estresse hídrico é conhecer o histórico de chuvas da sua região.

Saiba as épocas de maior oscilação de chuvas e planeje estratégias que reduzam o efeito da falta de água no campo.

Outro ponto importante é saber a demanda hídrica da cultura que irá produzir. Sabendo qual é a necessidade, você consegue relacionar o histórico de chuvas da região com a produção.

A principal ferramenta é o uso de irrigação, mas não é possível realizá-la em todas as áreas. Nesses casos, adote outros métodos. O uso de variedades resistentes à seca é uma opção para algumas culturas, como no caso do trigo.

Evite a compactação dos solos, pois ela afeta a quantidade de água disponível para as plantas, o desenvolvimento radicular e a absorção de nutrientes. 

O sistema de plantio direto também é uma estratégia para evitar o estresse hídrico nas plantas.

A palhada no solo reduz a perda de água pela evaporação, e assim o solo consegue manter a quantidade de água por mais tempo.

planilha custos de pivô Aegro

Conclusão

Você viu qual a importância da água para as plantas e como o estresse hídrico ocorre.

Viu que existem fatores que aceleram ou retardam a deficiência hídrica. Além disso, os efeitos causados pela falta de água podem ser irreversíveis e afetar sua produção.

Existem estratégias que diminuem o efeito do estresse hídrico nas plantas. Lembrar delas é essencial para garantir que o estresse não ocorra.

Tenha atenção nas épocas mais quentes do ano e use medidas para evitar a redução da sua produção!

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“Irrigação com drip protection: conheça as vantagens e cuidados necessários”

Como é a distribuição de chuvas na sua região? Já teve perdas de sua lavoura pela deficiência hídrica? Deixe seu comentário abaixo!