About Carina Oliveira

Sou engenheira-agrônoma formada pela Universidade Estadual Paulista (Unesp), mestre em Sistemas de Produção (Unesp), e doutora em Fitotecnia pela Esalq-USP.

Confira a previsão do preço da soja para 2023: o que vai influenciar a commodity

Previsão do preço da soja para 2023: saiba qual é a tendência para os próximos meses, fatores que oscilam o valor no mercado, ferramentas de proteção contra variações e muito mais!

O mercado da cultura da soja tem sido muito visado nos últimos anos, principalmente pela recente alta nos preços da oleaginosa. Com diversos fatores influenciando os preços ao mesmo tempo, para baixo ou para cima, se intensificam as oscilações.

Diversos produtores brasileiros demoraram a comercializar a soja da safra 2021/22 esperando um aumento de preços. Entretanto, os valores acima de R$ 190 foram rápidos e alguns conseguiram fazer a venda, mas outros não.

Nesta última safra, o preço da soja alcançou o menor valor desde meados de 2020, com as sacas de 60 kg chegando a ser negociadas na casa dos R$130 em meados de maio.

Para ficar de olho e acompanhar as volatilidades do mercado, confira o que tem influenciado no preço da soja em 2023 e quais são as projeções do mercado para 2024. Boa leitura!

Influência do custo de produção no preço da soja em 2023

O custo de produção da soja para a safra 2022/23 foi elevado. A maioria dos produtores pagou um alto valor nos insumos, principalmente nos adubos. Com o aumento dos insumos, o valor de venda deu um salto em comparação com a safra anterior.

O custo de produção médio da soja em 2021/22, na região de Londrina-PR, foi de R$ 5.989,97 para uma produtividade de 3,6 mil kg/ha. Para a safra 2022/23, o custo total está em R$ 9.250,79 para a mesma produtividade esperada.

O custo de produção abrange todos os gastos, e é possível ver que o preço dos insumos são os grandes responsáveis por esse aumento. 

Veja na tabela abaixo os dados fornecidos pela Conab a respeito do custo de produção da soja em 2021/22 e 2022/23:

Custo de produção parcial da soja 2021/22 e 2022/23 para duas regiões brasileiras 
Custo de produção parcial da soja 2021/22 e 2022/23 para duas regiões brasileiras 
(Fonte: Conab)

Note que há aumento principalmente no valor pago de fertilizantes. O custo de produção influencia o valor da venda porque você só deve vender a soja quando o preço da saca estiver no mínimo definido pelos seus custos.

Como os mercados interno e externo definem os preços da soja?

O mercado da soja tem bastante influência da Bolsa de Chicago. Portanto, vários fatores devem ser considerados. A bolsa de mercadorias de Chicago é referência mundial no preço da soja e outras commodities agrícolas

Para formar esse valor, são considerados alguns fatores, como:

  • Condições climáticas dos principais locais produtores;
  • Oferta e demanda dos grãos no país e fora dele.

Após a definição dos preços na Bolsa de Chicago, ainda há outras interferências, como a taxa cambial do Brasil. A Bolsa de Chicago é em dólar, e você precisa converter esse valor para o real. Assim, o preço muda conforme a cotação diária da moeda.

Acontecimentos mundiais também mexem com a dinâmica da cotação da soja. Por exemplo, a pandemia da covid-19 teve uma grande influência nos preços, principalmente devido à demanda de alimentos durante este período.

A guerra entre a Rússia e a Ucrânia foi outro ponto que influenciou o preço dos grãos. Afinal, esses países estavam entre os 10 principais países produtores de soja. Com a guerra, a produção foi prejudicada e a oferta global diminuiu.

Estes e outros fatores têm feito com que os preços apresentem grandes oscilações. Em 5 anos, o preço saiu de um patamar em torno de R$ 60 para valores acima dos R$ 150 por saca.

Gráfico que mostra previsÃo do preço da soja 2023 e ao longo dos anos, desde 2017
Cotação da saca de soja dos últimos seis anos no estado do Paraná 
(Fonte: Agrolink)

Para a safra 2022/23, o preço futuro da soja já variou bastante nos últimos meses, de R$ 160 até R$ 190, seguindo a bolsa de Chicago. 

Houve redução desse preço até chegar no produtor e na região produtora, devido ao desconto de frete, impostos e outras taxas.

Estes preços vão oscilando durante o ano devido a fatores como câmbio interno e externo, clima e estoque mundiais de soja.

Quais são os tipos de venda da soja?

Você, que produz, sabe que há diversas opções diferentes de venda da soja. Cada uma delas possui suas vantagens e desvantagens, e entendê-las bem te ajuda a escolher a melhor opção para se proteger das oscilações do mercado.

Você pode vender a soja de três maneiras diferentes: venda física, venda futura ou através do mercado de opções.

Na venda física, você depende do preço do momento ou paga a armazenagem até vender o produto no momento desejado. Ainda, corre risco de sofrer danos nos grãos por causa de algumas pragas do armazenamento, caso a espera seja muito longa.

Por outro lado, na venda futura, você faz um contrato com valor fixado de determinada quantidade de sacas de soja. Nesse caso, a entrega e o recebimento do grão são feitos em datas definidas.

Por fim, no mercado de opções, não há a entrega de soja física. Entretanto, você usa os preços futuros da soja para fixar um valor de saca. Entenda mais sobre o mercado de opções a seguir.

Mercado de opções: qual será o futuro da soja?

O mercado de opções não interfere na sua produção física, pois não há entrega de grãos. Neste mercado, são negociadas as opções de venda ou compra de ações que acompanham os valores futuros. Esses valores são os preços futuros da soja na Bolsa de Chicago.

Esse trâmite ocorre no mercado futuro da soja. Usando essas ferramentas, você consegue travar um valor para sua soja e se proteger das variações de preço do mercado físico.

Veja abaixo as cotações futuras da soja na Bolsa de Chicago em maio de 2023:

Cotações no mercado futuro da soja - Bolsa de Chicago
Cotações Mercado Futuro da Soja (Fonte: Notícias Agrícolas)

Vale destacar que o mercado de opções não é comum aos produtores brasileiros. Porém, por causa das oscilações de mercados, muitos estão conhecendo estas opções para garantir o preço desejado.

Para atuar neste ramo, é preciso de um consultor de mercado. Existem no Brasil empresas idôneas que auxiliam quem produz no mercado de opções, e buscar apoio é fundamental. 

Qual a tendência da soja para os próximos meses? 

No início de maio, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) divulgou o seu relatório de oferta e demanda de produtos agrícolas, o primeiro para a safra de 2023/2024. 

No documento, o órgão estimou a safra global de soja em 2023/2024 em 370,42 milhões de toneladas. Já no Brasil, a projeção foi de 155 milhões para esta temporada. 

Nesse contexto, a previsão do preço da soja 2023/2024 é de que haja um aumento no estoque mundial do grão, o que pode exercer pressão sobre os preços, conforme já observamos nos primeiros meses do ano. 

Para se ter ideia, na parcial de maio, o preço da soja no Brasil alcançou o menor valor desde meados de 2020 (R$139,9 por saca de 60kg). Algumas regiões, como Rondonópolis (MT) e Dourados (MS), fecharam a segunda semana do mês com preços ainda mais baixos ( R$118,50 e R$123 por saca, respectivamente).

A busca por autossuficiência da China é outro fator que pode influenciar no preço da soja nos próximos meses. Um dos maiores consumidores globais da commodity, o país tem buscado aumentar sua produção interna para reduzir a dependência de importações. 

Por fim, o radar para o clima brasileiro e argentino, principais produtores do grão, também estão mexendo com os preços. 

Em algumas regiões do Paraná, o clima tem sido favorável para as lavouras. Em outros lugares, como Rio Grande do Sul e Argentina, as temperaturas elevadas têm causado preocupação. Elas podem reduzir a demanda dos grãos, também aumentando os preços.

Por outro lado, é bom pontuar uma possível queda nos preços dos insumos agrícolas, uma vez que eles interferem diretamente no valor da saca de soja.

Por exemplo, o adubo que estava custando entre R$ 4 mil e R$ 6 mil em alguns meses de 2022 está voltando aos valores inferiores pagos na safra 2021/22. 

Quanto mais esses valores caírem, mais cairá o seu custo de produção da soja e consequentemente o valor da saca.

Como se proteger das flutuações de preço da soja para 2023?

Embora as previsões atuais apontem para um aumento no estoque mundial e consequente pressão sobre os preços, é importante lembrar que o mercado da soja é influenciado por fatores que podem mudar rapidamente, como a demanda global, as condições climáticas, a produção e os estoques mundiais. 

Para se proteger dessas incertezas, é fundamental saber seu custo de produção.

Não adianta comparar o preço de venda da soja do ano passado com o deste ano. Afinal, o custo da safra atual foi bem maior.

Para facilitar esse levantamento de custos, você pode utilizar uma planilha de custos de safra por hectare. Assim, será possível saber exatamente o quanto você gastou para produzir em cada talhão da sua propriedade.

Por meio de boas práticas, como bom manejo da lavoura, monitoramento do clima por meio de estações meteorológicas na fazenda e monitoramento de pragas e daninhas, você evita perdas. Consequentemente, poderá saber quantos quilos por hectare colherá, em média, em cada área.

Com esse valor em mãos, basta fazer uma estimativa. Veja o exemplo abaixo:

Esquema que mostra previsão do preço da soja 2023

Fazendo esse cálculo, você terá definido o valor mínimo de venda de cada saca. No exemplo acima, o valor de venda mínimo é R$ 154,18/saca. Para obter um lucro de 15%, o valor de venda da saca terá que ser R$ 177,31.

Com os cálculos em mãos, tente fazer cotações da venda futura da soja junto aos compradores para os quais você costuma entregar o produto. Se o valor for dentro do adequado para você, faça uma venda futura de parte ou do total da sua soja para garantir esse preço.

Você pode calcular os custos de produção da soja de forma mais automática, utilizando nossa planilha gratuita. Para acessá-la, basta clicar na imagem abaixo.

Calcule seus custos e compare com outras fazendas

Como saber se o preço de venda da soja compensa

Saber por qual preço compensa vender sua safra de soja depende principalmente do seu custo de produção. Para conseguir aumentar ou buscar a melhor margem de lucro da sua propriedade, faça levantamento correto do custo, anotando todos os gastos diretos e indiretos.

Para isso, conte com o apoio da tecnologia. Softwares de gestão agrícola como o Aegro auxiliam desde o planejamento até o controle de custos da produção, garantindo uma visão clara do dinheiro gasto ao longo da safra em tempo real.  

Gif que mostra painel de custos com o aegro
Acompanhe o real custo por hectare de forma automatizada dentro do Aegro

Ao fazer o planejamento e registrar as atividades da safra no sistema, o Aegro permite que você verifique a possibilidade de lucro ou prejuízo antes mesmo da colheita.

Quer saber mais sobre o Aegro? Assista ao vídeo de demonstração gratuita que preparamos para você.

Conclusão

Diversos fatores influenciam no preço da soja. Os mercados interno e externo estão sempre atentos às variáveis que puxam os preços para cima e para baixo. Além disso, a Bolsa de Chicago é a principal mandante dos preços pagos da oleaginosa no Brasil. 

Por fim, o preço das commodities tende a se equilibrar em algum momento. Porém, com tantas variáveis ainda presentes, será difícil o preço não oscilar, tanto na safra atual quanto na temporada 2023/2024. 

Acompanhar de perto as tendências do mercado e as análises especializadas é fundamental para você tomar decisões informadas e estratégicas no setor da soja. Fazer corretamente o custo de produção das suas áreas também é importante. 

Assim, será possível definir com mais segurança o preço de venda e se preparar para a venda futura.

>> Leia mais:

“Previsão do preço do arroz em 2023: confira as expectativas”

“Lucro por hectare de soja: saiba como calcular”

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Redatora Isabel Rocha

Atualizado em 09 de junho de 2023 por Isabel Rocha.

Jornalista pela Faculdade Cásper Líbero, com passagens por veículos como Band News TV e EXAME e experiência nas editorias de negócios, empreendedorismo, ESG e economia.

Plantação de amendoim: tudo que você precisa saber

Plantação de amendoim: importância para o Brasil, vantagens do uso, sistemas de produção, características das plantas e principais manejos.

O plantio de amendoim no Brasil vem crescendo em área e produção. Esse resultado é devido principalmente ao uso dessa leguminosa em áreas de renovação.

Seu uso causa vantagens ao solo, a cultura posterior e a quem produz. Afinal, o valor pago pelo produto também tem sido atrativo nos últimos tempos. Porém, para se ter uma boa rentabilidade, é importante ter conhecimento da cultura em um todo.

Neste artigo, veja os principais pontos de manejo dessa cultura, quando plantar amendoim e cuidados desde o preparo do solo até o pós-colheita, venha conferir!

Importância da plantação de amendoim no Brasil

A plantação de amendoim no Brasil vem se expandindo novamente, conforme dados da Companhia Nacional de Abastecimento. A previsão de área para a safra 2022/23 é 212,1 mil hectares.

O Brasil não semeava esta quantidade de área desde a década de 80, quando o plantio de amendoim no país foi reduzido. Isso aconteceu principalmente devido a fatores tecnológicos e de mercado.

Ele voltou a subir nos últimos dez anos, por causa do aumento de tecnologia no campo e novas cultivares no mercado. O cultivo de amendoim é feito principalmente no Estado de São Paulo. 

Na safra 2021/22, este Estado apresentou 92,8% do total da produção. O volume produzido foi de 692,7 mil toneladas. Os Estados do Mato Grosso do Sul e Minas Gerais foram, respectivamente, o segundo e terceiro em produção.

Principais locais de produção de amendoim no estado de São Paulo 
(Fonte: Instituto de Economia Agrícola – IEA)

O avanço tecnológico da cultura contribuiu para sua nova expansão no território nacional. Por isso, o uso do amendoim em reforma de canaviais teve grande influência no aumento de área semeada.

Amendoim em rotação com cana-de-açúcar

Em área de plantação de cana-de-açúcar, é preciso haver rotação. Afinal, essa cultura permanece na mesma área por 6 ou 7 ciclos, se for plantada cana em cima de cana. Sem rotação, ocorre queda significativa de produção por causa da exploração contínua do solo.

Assim, o plantio de amendoim nestas áreas traz diversas vantagens, como:

  • aumento da produtividade da cana-de-açúcar;
  • boa fixação biológica de nitrogênio;
  • diminuição na população de nematoides que ocorrem na cana-de-açúcar;
  • cobertura do solo; 
  • ciclo curto;
  • PRAD (Plano de Recuperação de Áreas Degradadas);
  • ciclagem de nutrientes;
  • redução do custo de implantação do canavial.

Por este motivo, rotacionar áreas canavieiras com amendoim tem sido uma opção para os produtores. Além de melhorar o solo na parte física, química e biológica, ele aumenta a renda e reduz os custos do canavial.

Com estas vantagens, já se tem visto áreas de pastagens rotacionadas com amendoim.

Características e ciclo do amendoim

O ciclo do amendoim pode variar de 90 a 180 dias. Isso vai depender do genótipo e das condições climáticas da região durante o ciclo da cultura. Existem dois tipos de hábitos de crescimento da planta de amendoim: o tipo ereto ou tipo rasteiro.

O hábito de crescimento também tem influência na duração do ciclo da planta. Se a cultivar for de ramificação alterada (tipo rasteiro) o ciclo é mais longo. Esse tipo de amendoim é conhecido comercialmente como Virgínia Runner.

Cultivares de tipo ereto, com ramificação sequencial, precisam de um tempo mais curto para produzir suas vagens e grãos. Esse tipo é conhecido comercialmente como Valência ou Tatu.

Tipo de crescimento de cultivares de amendoim 
(Fonte: Infoamendoim)

Manejo do plantio de amendoim 

Para a cultura do amendoim, do preparo do solo até a colheita, é necessário saber alguns pontos para obter boas produções. Veja abaixo os principais manejos em diversos momentos da lavoura.

Qual é a época de plantar amendoim?

O plantio do amendoim precisa ser feito em temperaturas ideais para a cultura, além de boa umidade no solo. Nos estados de São Paulo, Minas Gerais e estados do Sul, ele é semeado na época das águas, de setembro a novembro

Na Bahia e Paraíba o plantio é feito em abril e maio, no sequeiro. O importante é semear quando a temperatura estiver entre 20 °C e 30 °C. Ainda, o solo precisa estar com umidade adequada para que ocorra a germinação e estabelecimento da plântula.

Preparo do solo

Como os grãos de amendoim são produzidos abaixo do solo, o preparo e a boa escolha da área é muito importante. Todos tipos de solo podem ser utilizados para semeadura do amendoim. 

Entretanto, para ter um bom desenvolvimento radicular e produção, solos arenosos, bem drenados e férteis são os desejados.

O preparo do solo pode ser convencional, com arações e gradagens antes do plantio. Ou, por outro lado, pode ser feito em plantio direto. Neste sistema, você tem redução de 20% a 30% do custo de produção.

Semeadura

A semeadura deve ser realizada corretamente, com regulagem da semeadora e velocidade de plantio adequada. A profundidade de plantio deve variar entre 3 cm a 8 cm, sendo mais profundos em solos arenosos.

Em relação a quantidade de sementes por metro, irá depender da recomendação de cada cultivar, mas no geral, as recomendações são as seguintes:

  • Para plantas de porte ereto, são semeadas de 18 a 20 sementes por metro. O espaçamento entre linhas deve ser de 60 cm;
  • Para plantas de porte rasteiro, são semeadas de 14 a 15 sementes por metro. O espaçamento entre linhas deve ser entre 80 cm e 90 cm.

Como adubar amendoim?

A adubação deve ser feita conforme a necessidade da cultura. A quantidade de nutrientes presentes no solo e qual sistema está sendo semeado o amendoim também precisam ser considerados. Na média das cultivares, a adubação necessária é de:

  • 190 kg/ha de nitrogênio;
  • 60 kg/ha de potássio;
  • 13 kg/ha fósforo;
  • 26 kg/ha de cálcio;
  • 20 kg/ha magnésio;
  • 9 kg/ha enxofre.

Além desses nutrientes, a cultura do amendoim tem respondido em produtividade à adubação fosfatada, com valores de 40 kg/ha e 80 kg/ha de P2O5.

Entretanto, é muito importante lembrar que é necessário fazer uma boa análise antes de fazer a adubação. Assim, você garantirá que não fornecerá nutrientes a mais ou a menos do que a sua cultura precisa.

Principais plantas daninhas da cultura

Plantas daninhas reduzem muito a produção de amendoim se não controladas no momento correto. Em cultivares de plantas de crescimento ereto, o período crítico é até os dias após a emergência. Por outro lado, para cultivares rasteiras, esse período passa para 70 dias

Em qualquer uma das etapas, as principais plantas daninhas do amendoim são:

Principais doenças 

O aparecimento das doenças depende do sistema de manejo, condições climáticas durante o ano e da susceptibilidade da cultivar. Como as principais doenças no plantio de amendoim, há:

  • mancha-castanha;
  • pinta-preta;
  • ferrugem;
  • verrugose;
  • mancha em “V”;
  • mofo-branco;
  • murcha de Sclerotium;
  • podridão de Rhizoctonia.

Principais pragas do cultivo de amendoim

A atenção com as pragas deve ser principalmente com o tripes-do-prateamento e lagarta-do-pescoço-vermelho. Essas pragas atacam as folhas, reduzindo a área fotossintética das plantas.

Outras pragas também são encontradas dependendo da região de cultivo, como:

Os ácaros rajados e vermelhos também atacam as plantas de amendoim, além de pragas de armazenamento como traça-das-vagens e gorgulho.

Colheita, pós-colheita e secagem do amendoim

A colheita do amendoim deve ser feita com cuidado. Ela começa quando 70% das vagens atingem o ponto de maturidade. O indicativo disso é o amarelecimento das folhas e/ou o preenchimento dos grãos dentro da vagem.

O arranquio tem que ser feito em dia de sol, e ele pode ser feito de maneira manual ou mecânica. Após o arranquio, você deve recolher as vagens.

Alguns cuidados devem ser observados após a colheita do amendoim, sendo o principal a umidade das vagens. Se não for feita corretamente a secagem, elas podem adquirir fungos que diminuem a qualidade dos grãos.

planilha controle de custos por safra

Quais são os custos para produzir amendoim?

De modo geral, o custo para implantação para o cultivo de amendoim varia de região para região e do tipo de tratos culturais adotados. Entretanto, o valor gasto para safra 2021/2022 foi de 12 mil reais por hectare, em média.

A maior parte do custo fica por conta das sementes. Elas precisam ter uma boa qualidade e ser originadas em locais idôneos. Ainda, o arrendamento da área vem em segundo lugar no custo, o que se for terra própria reduz este valor.

Em relação à rentabilidade de quem produz, o preço pago dos produtos tem que acompanhar o aumento dos insumos, como adubos. Porém, nem sempre isso ocorre.

Comparando os preços dos últimos 10 anos, o valor pago na saca de 25 kg de amendoim em casca tem aumentado. Isso causa uma rentabilidade maior de quem produz.

O lucro por hectare de amendoim vai depender do valor gasto com insumos, da produtividade obtida e do valor de venda por saca. Por isso, é importante fazer o custo de produção para saber qual valor mínimo de venda da sua produção. 

Valor dos últimos 10 anos da saca de 25 kg de amendoim em casca, em vermelho preço nacional e azul preço pago no estado de São Paulo 
(Fonte: Agrolink)

Conclusão

A plantação de amendoim é importante em diversos sistemas de produção. O Estado de São Paulo é o maior produtor desta cultura no Brasil, principalmente devido ao seu plantio pós cana-de-açúcar.

Cada um dos dois tipos de porte de plantas possui suas peculiaridades quanto ao ciclo e desenvolvimento de vagens. Entretanto, a rentabilidade causada por ambos é igualmente boa.

Por isso, fique de olho nos métodos de manejo para cada um desses tipos de porte para garantir boas produtividades. Na dúvida, não deixe de tirar dúvidas com uma pessoa profissional da agronomia.

E aí? Ficou com alguma dúvida sobre a plantação do amendoim? Acha que essa pode ser uma boa opção para a sua fazenda? Deixe seu comentário abaixo!

Conheça cada estádio fenológico da soja em dias e seus manejos

Estádio fenológico da soja: veja a importância de saber esses detalhes, características e manejos realizados em cada um deles.

Você provavelmente conhece todas as principais pragas da soja, doenças, tipo de solo, histórico climático e plantas daninhas da sua área. E a fenologia da sua cultura

Para fazer um manejo eficaz, você deve saber controlar os patógenos nas fases mais críticas da lavoura. Além disso, deve acertar o momento de aplicação dos produtos.

Saber quais são os estádios fenológicos das plantas de soja te ajuda a fazer um manejo mais assertivo, além de economizar com produtos.

Neste artigo, conheça todos os estádios, o que caracteriza cada um e os principais manejos a serem feitos. Boa leitura!

O que são estádios fenológicos da soja?

Estádio fenológico é o estudo das fases de crescimento de cada cultura. Isso é feito observando as principais mudanças fisiológicas, químicas e físicas das plantas. O estádio fenológico passa por diversas etapas, como:

  • fase vegetativa;
  • germinação;
  • emergência;
  • desenvolvimento da parte aérea e radicular;
  • desenvolvimento da parte reprodutiva;
  • formação de flores, vagens e grãos;
  • maturação dos grãos.

Como a duração de cada fase das plantas é influenciada pelo clima, época de semeadura e cultivar, saber os estádios fenológicos ajuda a padronizar cada ocorrência. Afinal, ele não é baseado apenas em quantidade de dias, como também no aspecto visual da planta. 

Como determinar os estádios fenológicos da soja

Para saber o estádio fenológico da cultura da soja, conhecer e observar a cultura é fundamental. É possível dividir os estádios fenológicos da maioria das culturas em dois: vegetativo e reprodutivo.

Como o próprio nome diz, nos estádios vegetativos a planta está se desenvolvendo, crescendo e produzindo folhas. Nos estádios reprodutivos, as plantas já utilizam sua energia para formação de flores, vagens e grãos.

É importante comentar que algumas cultivares continuam a produzir novas folhas mesmo após a entrada do estádio reprodutivo. Este tipo de cultivar é chamado de crescimento indeterminado.

Cultivares com crescimento determinado são aquelas que, após o início do florescimento, formam mais novas folhas.

Estádios vegetativos da cultura da soja

Os estádios vegetativos começam pela letra V, e a segunda letra muda de acordo com o avanço da planta. O estádio vegetativo da soja começa com a sigla VE e termina com a sigla VN.

Essa definição da quantidade de folhas abertas não é definida numericamente. Afinal, ela depende da cultivar utilizada, e algumas podem apresentar mais folhas que as outras.

Neste estádio é importante saber o que é considerado uma folha totalmente desenvolvida. Assim, você evita errar no momento da classificação.

Observe se os bordos dos folíolos da folha do nó imediatamente acima da planta não se tocam mais. Assim sendo, é considerado que a folha do nó abaixo está totalmente desenvolvida. Observe na figura abaixo:

Bordas dos folíolos não se tocam mais 
(Fonte: Embrapa)

Sabendo definir o que é uma folha totalmente desenvolvida, vamos definir os estádios.

VE

O estádio vegetativo da soja se inicia em VE, que é o momento de emergência da plântula. Ele começa com a emergência dos cotilédones acima do solo, formando um ângulo de 90° ou mais.

A duração dessa fase pode variar devido a temperatura. Em condições normais, dura entre 4 e 7 dias. Em clima frio, a emergência das plantas pode atrasar, havendo prolongamento dessa etapa.

Nesta fase, é o momento de ver a eficácia do tratamento de sementes. Ele deve ser feito com base nas principais pragas de solo da sua área.

Fique de olho no ataque de pragas como a lagarta-elasmo, lagarta-rosca, coró e percevejo-castanho. Elas podem prejudicar os cotilédones. Nesse estádio, eles transferem nutrientes para as plantas até a formação das folhas verdadeiras.

VC

O estádio VC é o cotiledonar, onde os cotilédones estão totalmente abertos. Isso ocorre quando as bordas das folhas unifolioladas não se tocam.

Esta fase dura entre 3 e 10 dias. Ela começa com a formação de colônias das bactérias fixadoras de nitrogênio, para formação de nódulos.

Estádio vegetativo VC, com destaque para as folhas unifolioladas não se tocando
(Fonte: Embrapa)

Assim como no estádio anterior, pragas de solo também causam danos. Entretanto, outras pragas como lagarta-da-soja e a falsa-medideira podem persistir ou aparecer até o final do ciclo da cultura.

Fungos e bactérias de solo que causam tombamento da soja são umas das principais preocupações. Estes fungos e bactérias podem afetar dos estádios VC até V2. Eles causam morte das plantas e consequente redução dos estandes. Por isso, há queda de produção.

Os que mais causam danos são:

  • Botrytis;
  • Cercospora;
  • Colletotrichum;
  • Fusarium;
  • Phoma;
  • Phytophtora;
  • Pythium;
  • Rhizoctonia;
  • Pseudomonas;
  • Xanthomonas.
Plântulas com sintomas típicos (lesões deprimidas marrom-avermelhadas no hipocótilo tombamento de pós-emergência) com ataque de Rhizoctonia solani
(Fonte: Augusto César Pereira Goulart em Research gate)

V1

É estádio quando o primeiro nó foliar se forma na planta. Somente nele as folhas são unifolioladas e opostas nas plantas. O início deste estágio é definido quando os bordos dos folíolos da primeira folha trifoliolada não estiverem mais se tocando.

Algumas doenças foliares podem começar a aparecer neste estádio fenológico da soja, e podem se prolongar até os estádios reprodutivos. Os principais exemplos são:

Desde este momento até o final do ciclo da soja, fique de olho também na ferrugem asiática da soja. O controle da doença deve ser feito para evitar grandes perdas de produção.

V2

O estádio V2 acontece quando o segundo nó foliar é formado e o primeiro trifólio está completamente desenvolvido. Para caracterizar o completo desenvolvimento, deve ser possível observar as bordas do segundo trifólio não se tocando mais.

Os nódulos se tornam visíveis nas raízes das plantas e começam a suprir as plantas com nitrogênio. Os cotilédones começam a ficar amarelados e caem entre V2 e V4.

Isso acontece devido ao início da autonomia das plantas em suprir as necessidades nutricionais pelo desenvolvimento foliar e radicular. Neste estádio, podem aparecer plantas daninhas da soja que competem por água, luz e espaço com as plantas novas.

V3 – V4

O estádio acontece com o terceiro nó foliar e segunda folha trifoliolada (V3), e com o quarto nó foliar e terceira folha trifoliolada (V4).

Nestes estádios fenológicos, principalmente em V4, ocorre maior acúmulo de matéria seca e nutrientes na parte aérea.

Como a fixação está com início de desenvolvimento entre V2 e V4, uma estratégia de manejo é a aplicação foliar de cobalto e molibdênio. Eles ajudam na fixação biológica, desfavorecendo o desenvolvimento das bactérias.

Verificando a presença de plantas daninhas em quantidade prejudicial, é o momento de fazer controle pós emergente. Faça isso antes que ocorra fechamento de linhas. 

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V5 – V6

Até V5 e V6, a duração para formação de um novo trifólio dura de 5 a 6 dias. Isso acontece porque parte da energia é utilizada também para a formação das raízes. Após este período, a duração para formação das folhas entre 3 a 4 dias, em condições ideais.  

Em V5 e V6, alguns produtores já têm utilizado como estratégia de manejo a primeira aplicação de fungicidas. Isso ajuda a manter a saúde das folhas.

Nestes estádios, pragas desfolhadoras e fungos que atacam as folhas são prejudiciais pois reduzem a área foliar. Como consequência, diminuem a produção de fotossíntese, que gera energia para as plantas. 

Se o controle for tardio, essas pragas e fungos poderão comprometer parte da produção.

VN

Com o desenvolvimento foliar ocorrendo, são definidos os estádios V7, V8, V9 e assim por diante, conforme descrito nos estádios anteriores. O estádio vegetativo da soja irá cessar após a primeira flor surgir, iniciando o início dos estádios reprodutivos.

Estádios reprodutivos da cultura da soja

Os estádios reprodutivos são representados pela letra R. Conhecê-lo bem ajuda a identificar o estádio fenológico de colheita de soja, por exemplo.

Diferente do estádio vegetativo, que varia conforme a cultivar e clima, o reprodutivo vai de R1 a R8, independente de outras variáveis. De modo geral, são 4 fases dentro do estádio reprodutivo da soja: 

  • R1 e R2: florescimento;
  • R3 e R4: formação de vagens;
  • R5 e R6: desenvolvimento dos grãos;
  • R7 e R8: maturação da planta.

R1

O primeiro estádio reprodutivo inicia com a floração. Ela ocorre com o aparecimento da primeira flor aberta na em qualquer nó presente na haste principal da planta.

R2

Em R2, a planta está em pleno florescimento. A abertura das flores na haste principal pode ocorrer simultaneamente com a fase R1 ou um dia após. Isso acontece em caso de plantas com hábito de crescimento determinado, onde a floração ocorre sincronizada.

Caso as plantas tenham hábito de crescimento indeterminado da abertura da primeira flor, pode levar entre 2 e 7 dias dependendo das condições climáticas.

Neste momento, a manutenção das flores na haste é a principal preocupação. Portanto, insetos e fungos que possam causar queda das flores devem ser controlados com uso de inseticidas e fungicidas.

Sempre faça o monitoramento da lavoura, verificando a quantidade de insetos e folhas atacadas com doenças. Assim, faça o controle no momento adequado.

É entre R1 e R2, são coletadas as folhas para realizar a análise foliar. Nesse período, ocorre maior atividade das bactérias fixadoras de nitrogênio, que se mantém alta até R6, onde atingem seu pico.

R3

O estádio R3 é caracterizado pela formação das vagens com tamanho de 5mm, em um dos últimos quatro nós da haste principal. Estresses ambientais neste período, como seca e excesso de chuvas, são prejudiciais. 

Afinal, esses fatores podem causar queda ou abortamento das flores. Se isso acontecer, a produção fica comprometida, porque o número de sementes por vagem é uma característica genética da cultivar.

Assim como estresses, deste estádio para frente, ataque de pragas e doenças devem ser monitoradas cuidadosamente. Eles afetam o desenvolvimento das vagens. Fique de olho nos seguintes: 

R4

Em R4, há a presença de uma vagem com no mínimo 2 cm localizada em um dos últimos quatro nós da haste principal. Além disso, há formação de vagens denominadas canivete.

Ainda, há início do acúmulo de matéria seca pelas vagens, que vai até a fase final do estádio fenológico R5.

R5

Nesse estádio, doenças principais de final de ciclo tem seu início e devem ser monitoradas. Além das citadas acima, fique de olho também no crestamento de cercospora e mancha-parda.

O início do enchimento de grãos ocorre em R5. Ele é subdividido em 5 fases, que correspondem a:

  • R5.1: Cerca de 10% de granação em um dos quatro últimos nós da haste principal.
  • R5.2: Cerca de 11% a 25% de granação em um dos quatro últimos nós da haste principal.
  • R5.3: Os grãos em R3 já possuem de 26% a 50% de granação em um dos quatro últimos nós da haste principal.
  • R5.4: Vagem em um dos quatro últimos nós da haste principal, com granação de 51% a 75%, caracteriza a fase R5.4.
  • R5.5: De 75% a 110% de granação em um dos quatro últimos nós da haste principal.

Durante todo o estádio fenológico R5, a atenção deve ser para insetos sugadores como os percevejos. Se o ataque for no início do enchimento, os grãos não se formam. Se for nas etapas finais, há redução de tamanho e peso dos grãos.

R6

Esse estádio corresponde ao pleno desenvolvimento dos grãos, ocupando toda a cavidade da vagem. Se ocorrer seca durante R5 e R6, os grãos ficam pouco desenvolvidos. Se ocorrer geada ou granizo, as plantas reduzem sua produção.

A fixação biológica desacelera rapidamente após o enchimento de grãos, e ocorre o início do amarelamento das folhas.

Da floração até este estádio fenológico, leva entre 25 e 35 dias para acumular matéria seca e nutrientes.

R7

Em R7, começa o desligamento dos grãos da planta mãe, pois eles já atingiram o máximo peso da matéria seca. Neste momento, os grãos começam a mudar de coloração para amarelo, porém com alto teor de umidade.

Este estádio fenológico é observado quando uma vagem na haste principal assume a coloração de madura.

R8 – como identificar o estádio fenológico de colheita da soja

É o estádio da maturação plena, onde 95% das vagens já se encontram maduras. A colheita pode ser realizada entre 5 e 10 dias se as condições climáticas forem favoráveis, sem chuvas. Assim, o teor de umidade fica entre 15% e 13%, ideal para colheita.

Os cuidados neste momento são em relação a maquinário, como na regulagem da colhedora e velocidade de colheita.

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Conclusão

Os estádios vegetativos e reprodutivos da cultura da soja precisam ser muito bem conhecidos por você, que produz o grão. Esse conhecimento é fundamental para garantir um bom manejo. 

Além disso, em cada uma dessas etapas, há os principais manejos que devem ser realizados.

É importante estar sempre de olho em cada etapa, monitorando e observando o que ocorre em cada talhão. Afinal, uma doença ou praga que ocorre em um, pode não ocorrer no outro. Em casos de dúvidas, sempre consulte um(a) engenheiro(a)-agrônomo(a).

E aí? Restou alguma dúvida sobre cada estádio fenológico da soja? Adoraria ler seu comentário sobre!

Todas informações sobre mancha aureolada do cafeeiro

Mancha aureolada: o que é, como identificar, quais sintomas, métodos de controle, diferença entre cercosporiose e phoma e mais. 

A mancha aureolada é uma das principais doenças do café. Ela vem causando grandes prejuízos nos cafezais do Paraná, São Paulo e em Minas Gerais.

Para se ter um bom controle dessa doença, é importante conhecer suas causas, clima e época favoráveis, danos causados e saber como identificar.

Neste artigo, saiba quais são os sintomas causados pela mancha aureolada na lavoura de café, como diferenciá-la de outras doenças e principais métodos de controle. Boa leitura!

O que é e como identificar a mancha aureolada no café?

A mancha aureolada é uma doença bacteriana, causada pela bactéria Pseudomonas syringae pv. garcae. Ela afeta folhas, ramos, flores e frutos do cafezal.

Identificar a mancha aureolada nas folhas de café é possível através das manchas marrons envoltas de um halo amarelado, de tamanho e formato irregulares. É dessa característica que vem o nome da doença. Depois, a mancha marrom pode necrosar, ocasionando ruptura.

Esses sinais podem ocorrer em toda parte da folha, mas geralmente aparecem na periferia. E vale ressaltar que em mudas, inicialmente, pode não haver a presença do halo.

Neste caso, a identificação nas folhas é possível ao observar manchas translúcidas quando colocadas contra a luz. Com o desenvolvimento do patógeno, as manchas ficam como descrito nas folhas mais velhas.

Nos ramos afetados pela bactéria, as lesões são escuras. Isso causa a seca deles, que progridem da ponta para base, gerando queda foliar. As flores do café e os frutos também são afetados quando ocorre a entrada do patógeno nos ramos produtivos.

Fotos de folhas de café com mancha aureolada
Sintomas da mancha aureolada em: A e B- ramos e folhas; C- frutos de café 
(Fonte: Embrapa)

Como diferenciar mancha aureolada de outras doenças 

Alguns sintomas da mancha aureolada da plantação de café podem ser confundidos com outras doenças frequentes, como a cercosporiose e a phoma.

Saber diferenciar os sintomas é importante para que o controle correto seja realizado com maior precisão e rapidez. Assim, você evita a contaminação de mais plantas na lavoura.

Veja a seguir como diferenciar os sintomas para ter maior assertividade no combate à doença.

Cercospora x mancha aureolada

A cercosporiose é uma doença conhecida também como mancha de olho pardo. Ela é  causada pelo fungo Cercospora coffeicola

Para diferenciar os sintomas causados pela mancha aureolada e cercosporiose, é importante se atentar aos ramos e ao aspecto da mancha nas folhas.

A mancha aureolada atinge os ramos, causando seca. Esse é um grande fator para diferenciar essas duas doenças, pois a cercosporiose atinge principalmente folhas e frutos.

A maior causa de confusão entre estas duas doenças é por ambas apresentarem um halo amarelado circundando as manchas nas folhas. O que diferencia as duas é que a mancha de olho pardo é marrom-escura, e o centro da lesão é cinza-claro.

Foto de folhas de café com a doença do olho pardo
Sintomas de cercosporiose em folhas de café 
(Fonte: Embrapa)

Mancha aureolada x phoma

A mancha-de-phoma é uma doença causada pelo fungo Phoma sp. O sintoma que se assemelha ao da mancha aureolada do cafeeiro é o ataque do patógeno nos ramos do café.

Os ramos atacados pela mancha aureolada secam em grande extensão ou completamente. Isso acontece pelo patógeno atingir a parte lenhosa, que progride até a base.

Na mancha-de-phoma, também ocorre ataque da ponta para a base dos ramos. Entretanto, a seca é menor e há menos agressividade. Apenas com o desenvolvimento da doença, sem o devido controle, o ramo pode secar totalmente.

O que diferencia a mancha-de-phoma da mancha aureolada é principalmente o sintoma nas folhas. O ataque do fungo que causa a phoma ocorre com maior intensidade nas folhas mais novas, ou seja, nas folhas da ponta dos ramos.

As manchas de phoma aparecem na borda do limbo foliar, com coloração escura. Com a progressão da doença, há necrose e deformação nas folhas.

Folhas de café com sintomas de phoma
Sintomas de phoma em folhas e ramos de cafeeiro 
(Fonte: Embrapa)

Condições favoráveis para desenvolvimento da doença

Para que uma doença se instale na lavoura, é preciso haver três fatores: ambiente favorável, presença do patógeno e planta suscetível. Saber destes fatores é importante para:

  • determinar quais são as portas de entrada da doença;
  • como evitá-las;
  • as condições ambientais em que o patógeno vive;
  • quais as fases mais críticas da lavoura para ocorrência da doença.

Para a mancha aureolada do cafeeiro, o triângulo da doença é o seguinte:

Patógeno

Pseudomonas syringae pv. garcae, bactéria causadora da mancha aureolada, entra nas áreas produtoras de café principalmente por meio de mudas contaminadas. A infecção do cafezal também pode acontecer por material contaminado com esta bactéria.

Ambiente favorável

As condições ideais para o desenvolvimento da bactéria ocorrem em temperaturas mais amenas, entre 18 °C e 23 °C.

Locais com alta umidade relativa do ar e alta pluviosidade também são favoráveis para a bactéria causadora da doença. Essas condições ocorrem especialmente em locais com altitude acima de 1000 m.

Nesses locais, também há mais ocorrência de ventos fortes e ar frio, que causam danos nas plantas de cafeeiro. 

Hospedeiro

As plantas de café estão suscetíveis à doença entre a fase de mudas até os 4 anos. Após as podas dos ramos e colheitas, ataque de pragas, ventos fortes e granizo deixam as plantas suscetíveis.

Nesses momentos, ocorrem ferimentos nas plantas. Esses ferimentos são portas de entrada para a bactéria.  É importante também fazer uma boa adubação do café, sem excesso e falta de nitrogênio e fósforo.

Para te ajudar nessa etapa, separamos uma planilha grátis para adubação do cafezal. Basta clicar na imagem abaixo para acessar o material:

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Danos causados pela mancha aureolada no café

Pelos sintomas causados pela doença, é possível afirmar que ocorre queda da produtividade do café, seja direta ou indiretamente. Ainda, há redução da área fotossintética, diminuindo a produção de energia. Com a progressão da doença, as folhas do café caem.

O mesmo ocorre quando o patógeno afeta os ramos, causando queda das folhas. Esses sintomas causam redução da produção de forma indireta, porque a falta de energia reduz os componentes importantes para a produção e crescimento da planta.

Além dos danos indiretos, há os danos diretos. Com a seca dos ramos na fase de produção, a bactéria interfere no desenvolvimento das flores e causa queda dos frutos, sobretudo dos frutos chumbinhos.

Estes danos ocorrem em lavouras de mais novas (com até 4 anos), em cafezais mais velhos, após a poda dos ramos, após a colheita do café, e, principalmente.

Em viveiros de mudas, os danos podem ser de 100%. Afinal, as mudas apresentam tecidos mais jovens que são facilmente colonizados pela bactéria.

Imagem de viveiro de café com sintomas de mancha aureolada
Viveiro de mudas de café com presença de mancha aureolada 
(Fonte: CafePoint)

Mancha aureolada: controle da doença no cafezal

A principal forma de combate da mancha aureolada em café é evitar a entrada da bactéria causadora da doença. Doenças causadas por bactérias são de difícil combate, por isso o principal controle é o preventivo.

Como as mudas são as principais formas de entrada em áreas produtoras de café, é importante obter mudas de viveiros idôneos, que não tem a presença da bactéria.

A principal recomendação para produção de mudas livres da mancha aureolada é evitar o desenvolvimento do patógeno no viveiro. Para isso, evite as condições favoráveis, como alta umidade dentro do local.

Ainda, é importante proteger o viveiro de ventos e granizos. Isso evita que ocorram ferimentos nas mudas.

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Havendo constatação de mudas contaminadas, elas devem ser retiradas do viveiro e destruídas. Além disso, é necessário aplicar fungicidas cúpricos a cada 15 dias, e/ou antibióticos como casugamicina, que é um bactericida e fungicida.

Estes produtos são bastante utilizados como preventivos, tanto em viveiros de mudas como em áreas de plantas de até 4 anos. Também são utilizados em plantas adultas, após podas ou antes da colheita.

A principal forma de entrada da bactéria nas plantas de café é por meio de ferimentos. Por isso, é importante evitar o plantio em locais onde há ventos fortes que causam danos nas plantas.

Caso a lavoura de café seja instalada em locais com ventos fortes, utilize cultivares com portes menores. Ainda, faça barreiras de ventos ao redor da área com plantas de porte alto, como eucaliptos.

Após o transplante das mudas, use braquiária ou crotalária no espaçamento da plantação de café, nas entrelinhas.

Conclusão

Neste texto, você viu todos os danos que a mancha aureolada causam no cafeeiro. Você também viu que é importante identificar a doença e diferenciá-la da cercosporiose e da mancha-de-phoma.

Essa doença causa danos diretos e indiretos na produção de café, e por ser bacteriana, é de difícil controle. 

Por isso, faça o manejo preventivo e preste muita atenção no cafezal, sobretudo nas mudas e em plantas com ferimentos. Na dúvida, conte com a ajuda de um(a) engenheiro(a)-agrônomo(a).

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Tudo que você precisa saber para escolher o milho híbrido correto

Milho híbrido: o que é, quais diferenças e tipos, como é produzida a semente, quais vantagens e desvantagens de sua utilização.

O milho é uma cultura com muita demanda mundial. Para ser possível atender a essa demanda, as plantas de milho precisam produzir muito mais grãos.

Pensando nisso, pesquisas foram desenvolvidas para buscar novas formas de aumentar a produtividade do milho. Foram dessas pesquisas que surgiram os milhos híbridos.

Neste artigo, veja qual é a diferença entre um híbrido e uma variedade de milho comum, os melhores híbridos para plantio e muito mais. Boa leitura!

O que é milho híbrido?

O milho híbrido é a primeira geração que se obtém após o cruzamento de linhagens puras de milho. Essas sementes apresentam alto vigor e elevada produtividade. As sementes derivadas desse processo possuem alto vigor híbrido e produtividade muito elevada.

As sementes de milho puras são a base da produção de híbridos. Elas são obtidas pela autofecundação em diversos ciclos, e selecionam características desejáveis até a obtenção da linhagem pura.

Ilustração de espigas de milho com diferentes tamanhos
Representação da obtenção de linhagem pura de milho 
(Fonte: Adaptado de Unesp)

Esta é a diferença entre milho híbrido e outros tipos ou cultivares de milho. As sementes das variedades são produzidas pela polinização aberta e mantém suas características nos filhos. No entanto, são plantas mais heterogêneas e menos produtivas que os híbridos.

Quais tipos de semente de milho híbrido?

Os híbridos de milho podem ser simples, duplos e triplos. Cada um possui diferenças quanto ao modo de obtenção e nível tecnológico a ser utilizado pelo produtor. Entretanto, todos  possuem uma característica igual: só podem ser produzidos com sementes compradas.

Isto quer dizer que você não pode salvar as sementes produzidas destes híbridos, pois apresentam grande variabilidade genética.

Esquema que mostra a formação do milho híbrido
Formação de híbridos e sua reprodução 
(Fonte: Seed news)

Híbrido simples

O cruzamento de duas linhagens puras resulta em sementes de híbridos simples, com alta pureza genética.

Por exemplo: a linhagem A será a planta mãe e a linhagem B a planta pai. Desse modo, retira-se o pendão da linhagem A ou utiliza uma linhagem mãe que não produz a parte masculina na flor (macho esterilidade).

A linhagem B servirá apenas para produzir grãos de pólen para fecundar a planta mãe. Após a polinização, as plantas utilizadas como pai são eliminadas.

Ilustração que mostra a formação do milho simples
Esquema de obtenção de híbridos simples
(Fonte: Geagra)

Estas linhagens puras produzem poucas sementes. Isso gera alto custo para sua aquisição e exige alto nível tecnológico para sua produção.

Entretanto, seu potencial produtivo é mais elevado dentre os híbridos. Os híbridos simples apresentam boa uniformidade de plantas e espigas, demandando maior nível tecnológico.

Híbrido duplo

Quando ocorre o cruzamento entre dois híbridos simples, as sementes produzidas serão denominadas de híbridos duplos. Portanto, o híbrido duplo é originado a partir de quatro linhagens puras.

O cruzamento da linhagem pura A com linhagem pura B irá gerar o híbrido simples AB. Do cruzamento da linhagem pura C com a linhagem pura D será formado o híbrido simples CD. Por fim, do cruzamento destes dois híbridos simples irá resultar o híbrido duplo.

Ilustração que mostra a formação do milho híbrido duplo
Esquema de obtenção de híbridos duplos
(Fonte: Geagra)

Devido sua obtenção ser de dois híbridos simples, sua produtividade não é tão elevada quanto a dos seus progenitores. Em contrapartida, o valor das sementes e o nível tecnológico necessário para semear este híbrido é menor.

Híbridos duplo

O híbrido intermediário no quesito nível tecnológico e preço de sementes é o triplo. Ele é obtido pelo cruzamento entre uma linhagem pura e um híbrido simples. Ou seja, para esse tipo de híbrido é preciso ter três linhagens puras.

Ao utilizar um híbrido para obtenção de sementes, a pureza genética é menor, se comparado com a utilização de apenas linhagens. Por este fato, o híbrido triplo apresenta o potencial produtivo menor que o simples, porém maior que o duplo.

Além disso, para que o híbrido triplo apresente a produtividade esperada, é necessário que o nível tecnológico seja médio a alto.

Ilustração que representa a formação do milho híbrido triplo
Esquema de obtenção de híbridos triplos
(Fonte: Geagra)

Saber destas informações é importante para você definir corretamente qual híbrido utilizar nas suas áreas de produção e qual será o nível tecnológico que irá empregar.

Nível tecnológico é a quantidade de investimento que a lavoura irá receber. Ou seja, quantidade de adubo que será utilizado na semeadura e em cobertura, uso de micronutrientes, aplicação preventiva para controle de pragas e doenças do milho, etc.

O nível tecnológico também envolve a saúde do solo, como uso de plantas de cobertura, adubação verde e desimpedimento físico do solo. A tecnologia também está relacionada ao manejo direto e indireto das plantas de milho.

Milho híbrido para silagem

Não é todo milho híbrido ideal para produção de silagem. Um híbrido bom para esta finalidade deve ter bom volume de massa verde e também de grãos. São estes que fornecem energia na alimentação animal.

Entretanto, não são todos os milhos que produzem grande quantidade de grãos bons para silagem. Para silagem, é preciso que o milho tenha alta digestibilidade, tanto dos grãos quanto das fibras.

Em relação à digestibilidade dos grãos, milhos híbridos com grão tipo dentado são os ideais para produção de silagem. Esses grãos apresentam o amido mais farináceo, ou seja, mais solto dentro dos grãos, o que facilita a digestibilidade.

A digestibilidade da fibra também é um fator determinante na escolha do híbrido para silagem.  O alto teor de fibra prejudica a ingestão pelos animais. O ideal é avaliar a Fibra em Detergente Neutro. Este é o melhor indicativo em relação à fibra, definido na análise bromatológica.

FDN entre 38% a 45% da matéria seca indica uma boa silagem. Além disso, o híbrido deve apresentar tolerância a pragas e doenças, principalmente a da região de utilização.

É importante escolher um híbrido que apresenta estas características para sua região. Afinal, milho destinado à silagem para região do Mato Grosso pode ser diferente do destinado para o Paraná, por exemplo.

Dentre as escolhas, empresas como DuPont Pioneer tem a Linha Nutri, que recomenda milhos híbridos para silagem em diferentes regiões. As Sementes Agroceres também possuem uma linha de milhos indicados para silagem, as sementes NK da syngenta.

Antes de comprar, pesquise na sua região os melhores preços que também te entreguem as qualidades necessárias.

Quais as vantagens e desvantagens dos híbridos de milho?

A principal vantagem do milho híbrido é a maior produtividade que possuem em relação às variedades de milho. Os híbridos também apresentam também alto vigor das sementes e maior uniformidade de plantas e espigas.

Isso gera maior eficiência na colheita do milho quando feita em  condições adequadas. Para que os híbridos expressem seu potencial, eles devem ser alocados em áreas que forneçam o que eles necessitem. Isso tanto em questões climáticas quanto na parte de manejo.

Em alguns casos, um milho variedade se comportaria melhor que os híbridos. Afinal, as variedades são mais rústicas e toleram mais condições adversas. Veja alguns exemplos em que a variedade é melhor que o híbrido:

  • em ambientes com baixa fertilidade de solo;
  • compactação do solo
  • pouca infiltração e matéria orgânica;
  • região com histórico de baixa precipitação em momentos importantes para cultura do milho;
  • clima inadequado.

Outro ponto a ser considerado é o nível tecnológico. Em propriedades onde não há grandes investimentos, a variedade será a melhor opção, pois exigem menos e suas sementes são mais baratas.

Para pequenos produtores que salvam sementes, o milho variedade também é melhor, justamente por ser o único que pode ser guardado para a próxima safra de milho

Para produtores com alto nível tecnológico na fazenda e que possuem um ambiente com qualidade de solo e clima ideal, o milho híbrido é mais indicado. Afinal, sua produtividade elevada compensa seu custo mais alto.

Entre milho híbrido simples, duplo e triplo, também há vantagens e desvantagens. Por exemplo, o milho híbrido simples possui produtividade elevada, mas custo alto. O híbrido duplo, por sua vez, possui custo mais baixo e produtividade também mais baixa.

Para simplificar, veja na tabela abaixo a comparação de alguns aspectos entre estes três híbridos:

Planilha que mostra a produtividade do milho híbrido simples, duplo e triplo.
(Fonte: adaptação da autora)

Milho híbrido para o plantio: qual escolher?

Milhos híbridos, simples, duplo ou triplo, podem ser utilizados para todo tipo de finalidade, desde alimentação humana até animal.

Outro ponto relevante a ser mencionado é o ciclo dos milhos híbridos, que interfere na escolha de época de semeadura. Isso por causa do clima ou momento de semeadura. Assim, o ciclo pode ser definido em normal, precoce e superprecoce.

No milho de ciclo normal, a emergência à maturação fisiológica é inferior a 110 dias. No grupo do milho precoce, o ciclo é maior ou igual a 110 dias e menor ou igual a 145 dias. No grupo do milho superprecoce, por sua vez, o ciclo é acima de 145 dias.

Mas fique de olho, pois pode ocorrer alteração do ciclo conforme as condições climáticas, a data de semeadura e local de plantio.

planilha de planejamento da safra de milho

Conclusão

O milho híbrido é considerado um dos melhores materiais para plantio. Há diferenças entre os híbridos mais comercializados no Brasil e no mundo, e para obter o esperado é preciso atenção às exigências de cada um

Além disso, agora você sabe mais sobre as vantagens e desvantagens de sua utilização. Essas informações serão muito úteis no momento do planejamento de safra.

A escolha entre milho híbrido ou milho variedade dependerá principalmente do investimento feito. Por isso, não deixe de se planejar bem.

>> Leia mais:

“Safra de milho: conheça as previsões para 2022/23”

“Previsão do preço do milho: o que esperar para 2023”

Está pensando em utilizar o milho híbrido na sua fazenda? Conseguiu decidir se vai utilizar o simples, duplo ou triplo? Adoraria ler seu comentário!

Colheita de café: quando realizar e como evitar perda de qualidade

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Veja como fazer a colheita do café e a reconhecer qual é a época correta, diferentes métodos, custo e muito mais!

A época de colheita do café é um dos fatores que mais interferem no sabor da bebida. Saber o momento correto de realizá-la é primordial.

Os tipos de colheita de café também precisam ser analisadas de acordo com a realidade da sua propriedade. Essa é outra forma de evitar perdas de qualidade dos grãos.

Neste artigo, separamos informações valiosas sobre a colheita de café, tipos e dicas que podem te ajudar. Boa leitura!

Época de colheita do café

A colheita de café deve ser feita com os frutos em maturação fisiológica, parecidos com cerejas. Esse estado ocorre entre março e abril até setembro, no período da seca. Nesse momento, a cor da casca do café fica entre o vermelho e o amarelo, e os grãos precisam ter entre 55% e 70% de umidade.

O tempo de colheita após a floração do café é de aproximadamente 7 meses. Há mais de uma floração por ano. Por isso, a colheita se estende por vários meses. No Brasil, o pico de colheita acontece entre junho e agosto.

Em países próximos à linha do Equador, pode ocorrer florada todos os meses, devido aos fatores climáticos serem favoráveis. Nesses locais, a colheita é feita durante o ano todo.

Diversos fatores interferem na qualidade dos grãos colhidos. Por exemplo, o manejo da lavoura, clima, momento de colheita, beneficiamento, secagem e armazenamento.

Colher o café no momento ideal é fundamental porque os grãos influenciam diretamente na qualidade da bebida.

Se a colheita ocorrer antes do tempo, a maioria dos frutos estão verdes e há alta concentração de fenóis, como taninos e ligninas. Essas substâncias interferem negativamente no sabor do café.

Quando são colhidos muitos secos, também sofrem alterações de sabor. Isso acontece devido a fermentação negativa, reduzindo sua qualidade.

Como a floração não ocorre somente uma vez, existem grãos em todos os estádios de maturação na mesma planta.

Assim, se a colheita do café não for manual, de grão a grão, o ideal é realizar quando estiver com maior uniformidade de maturação. Isso representa de 80%  a 90% dos frutos já maduros, com menos de 20% dos frutos verdes.

Para a  produção de cafés especiais, são utilizados grãos do tipo cereja. Isso tem gerado maior valor agregado para os produtores que buscam produzir este tipo de café.

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Classificação dos grãos de café

A coloração é um importante sinal da maturidade fisiológica dos frutos. A cor cereja dos grãos indica esse ponto. 

Os grãos começam com coloração verde. Com o avanço do processo de maturação,  eles vão adquirindo a cor do cultivar, que pode ser vermelho ou amarelo

Com o avanço do processo, os grãos vão adquirindo uma coloração escura. Eles perdem teor de água até estarem secos, no estádio conhecido como coco.

Os grãos podem ser classificados conforme seu ponto de maturidade:

  • Café verde, ou grãos verdes (teor de água de 60 a 70 %): é quando ocorre a granação dos frutos, ou seja, o endosperma fica duro, e os frutos estão com coloração verde; 
  • Grãos verde cana (teor de água de 55 a 60 %): os grãos vão mudando a coloração, se tornando mais maduros, passando a assumir a coloração do cultivar;
  • Grãos cereja (teor de água de 45 a 55 %): quando os frutos já estão totalmente com a coloração do cultivar, este é o momento ideal de colheita;
  • Grãos passa (teor de água de 30 a 45 %): quando os grãos já passaram do momento correto de colheita. O tegumento dos grãos, ou casca, começa a adquirir uma coloração escura.
  • Grãos secos/coco (menor que 25%): os frutos de café neste ponto já estão secos, com umidade baixa.
  • Grãos bóia: são grãos que flutuam na água devido ao menor peso, que pode ocorrer devido a má formação do grãos, por estar imaturo ou com ataque de pragas como da broca do café.
Estagios do café, desde gema dormente até seco
Escala para determinação de estádios fenológicos do café arábica 
(Fonte: Ciiagro)

Como é feita a colheita de café

Existem três tipos de colheita de café: manual (com trabalhadores que fazem a poda e retiram os frutos), semimecanizada (com trabalhadores e uso de máquinas em alguns processos) e mecanizada (totalmente feita através de máquinas). 

Veja mais sobre eles a seguir:

Colheita de café manual

A colheita manual ainda é bastante utilizada em áreas declivosas, em que a entrada de colhedoras é inviável. Pequenas propriedades também costumam adotar esse método.

Esse tipo de colheita consiste em retirar manualmente os grãos dos ramos. Ele exige muita mão de obra e é mais demorada.

Primeiro é feita a arruação, que consiste em limpar embaixo das plantas e nas entrelinhas. Essa operação é feita para facilitar a varrição depois da colheita e evitar mistura dos grãos com restos vegetais.

Para realizar a colheita manual de café são estendidas lonas ou panos na saia do cafezal, ou o colhedor carrega uma peneira. A colheita por este método pode ser feita de dois modos.

Os colhedores fazem a derriça total dos grãos nos panos ou peneiras, que são coletados e abanados. Isso os separa dos restos vegetais, como folhas e ramos. Em seguida, são levados para secagem.

Para este modo de colheita manual, é preciso que a lavoura esteja com a maior quantidade dos grãos cereja possível. Afinal, a colheita só ocorre uma vez por ano.

Em locais onde a colheita é feita o ano todo, ou para fabricação de cafés especiais, os colhedores retiram da planta de café somente os grãos cereja. Eles deixam os verdes para a próxima colheita.

Neste caso, os grãos apresentam maior qualidade, apesar do maior gasto com mão de obra.

Trabalhadores rurais colhendo café no campo. Todos usam boné verde e estão com braços erguidos na frente do cafezal.
Derriça manual sobre o pano 
(Fonte: Helton)

Após a colheita, é feita a varrição. Nela, os grãos que caíram no chão devem ser coletados para não servirem de local viável para broca-do-café. Essa praga pode prejudicar a próxima safra.

São utilizados rastelo e peneira para catar estes grãos e separá-los dos restos vegetais. Posteriormente, eles são comercializados por um preço menor em relação ao café colhido. 

Colheita de café semimecanizada

Na colheita semimecanizada, parte das operações são feitas manualmente e a outra parte de forma mecanizada.

Devido a falta de mão de obra para colheita do café, este método tem sido adotado por muitos produtores. Ele reduz a quantidade de mão de obra, otimiza o tempo e gera maior rendimento na operação.

Todas estas etapas podem ser feitas de modo manual ou mecanizado, gerando várias combinações de máquinas e mão de obra são possíveis como:

  • Derriça: manual ou com uso de derriçadeiras elétricas.
  • Recolhimento: no pano ou com uso de máquina que recolhe a lona.
  • Abanação: feita em peneiras ou abanador mecânico.
Trabalhadores em cafezal, realizando a colheita do café com um grande arado. Todos usam equipamentos de proteção cinza e laranja.
Derriça mecânica sobre o pano 
(Fonte: Stihl)

Na colheita semimecanizada, um ou mais processos destes citados são feitos com uso de máquinas, o que agiliza o trabalho.

Para o café conilon ou robusta, o uso de máquina que recolhe e trilha os grãos já é uma opção de uso dos produtores.

Colheita de café mecanizada

A colheita mecanizada do café vem sendo empregada em diversas regiões, principalmente nas que apresentam topografia adequada para este método. Ela pode ser realizada em grandes, médias e pequenas propriedades.

Todas as etapas de colheita citadas acima são realizadas por uma máquina, seja automotriz ou de arrasto.

Com o uso de mecanização, há aumento do rendimento operacional e redução do custo de mão de obra.

Se você vai instalar sua lavoura de café e pretende colher mecanicamente, é recomendável ajustar o espaçamento do cafezal entre linhas de 3-4 metros. Isso vai facilitar a locomoção da máquina.

Outro ponto importante neste método é a regulagem da colheitadeira, para evitar perdas de grãos ou danos nas plantas.

Máquina agrícola em cafezal, realizando a colheita.
Exemplo de colhedora de café
(Fonte: Jacto)

Pós-colheita de café

Com a colheita realizada, outro ponto que afeta a qualidade da bebida é a pós-colheita do café, feita em várias etapas. Após a retirada dos grãos do campo, o teor de água é elevado nos grãos. O próximo passo é a secagem.

Ela pode ser feita em terreirões ou em terreiros suspensos, utilizados principalmente para fabricação de cafés especiais.

O café precisa estar entre 10,5% a 11,5% de umidade para ser beneficiado. O cuidado com a temperatura é importante, por isso é preciso de tempo em tempo revolver o café durante a secagem.

Após a secagem, o próximo passo é o beneficiamento. A máquina que realiza esse processo pode ser móvel ou fixa.

Máquina amarela em campo, realizando o beneficiamento após a colheita de café
Exemplo de máquina de beneficiamento de café móvel
(Fonte: Campo e Negócio)

No beneficiamento, ocorre a separação de impurezas como pedras, restos vegetais, entre outros, e a separação dos grãos da casca seca.

Depois de beneficiados, os grãos são colocados em sacarias ou big-bags. Eles devem ser armazenados em local arejado, piso impermeável, limpo e sem iluminação solar direta.

Os sacos ou big-bags devem ser colocados sobre paletes para evitar contato direto com o chão ou paredes.

planilha para estimativa de perdas na colheita Aegro

Quanto vale uma colheita de café

Em maio, o preço do café arábica tem apresentado forte oscilação, pressionados por movimentos técnicos, incertezas relacionadas às demandas globais e pelo início da colheita 2022/23, principalmente. No dia 17, o Indicador Cepea/Esalq do arábica tipo 6, no posto da capital paulista, chegou a atingir R$ 1.308,24/sc, o maior patamar nominal desde 9 de março.

Quanto aos custos de produção do café, a mão de obra na colheita é um dos principais – e também um dos entraves da produção. Muitos produtores realizam a colheita fora do momento ideal devido à falta de trabalhadores.

Mesmo em áreas declivosas, onde a colheita não pode ser totalmente mecanizada, fazer parte da operação com uma máquina já gera economia. 

No custo de produção, tanto do café arábica quanto do café conilon, a mão de obra utilizada na colheita fica em média 20% do valor total da produção.

Pela informação fornecida pela Embrapa, a colheita manual necessita de aproximadamente 20 trabalhadores. Eles demoram mais tempo para colher em comparação com a semimecanizada.

Na colheita semimecanizada, somente 4 ou 5 trabalhadores são necessários. Na colheita mecanizada do café, esse número cai para 1 ou 2.

Isto geraria uma grande redução no custo de produção do café por mão de obra, além de colher os grãos próximos do momento ideal. Isso melhora a qualidade do produto final, resultando em maior lucro.

Mesmo havendo gasto com aluguel ou aquisição de maquinário, o investimento é pago ao longo das safras. Muitos produtores estão investindo em maquinários para colheita e prestando serviços para outros produtores, gerando mais renda.

Conclusão

A colheita de café é um fator que interfere na qualidade da bebida.

Saber o momento ideal de colher é fundamental para obtenção de grãos desejados e evitar perdas de produção.

Além disso, a colheita pode ser realizada de três métodos: manual, semimecanizada e mecanizada. Escolha o método ideal de acordo com as necessidades e a realidade da sua fazenda. Boa colheita!

Está se preparando para a colheita de café? As dicas desse artigo te ajudaram? Deixe seu comentário abaixo!

Plantação de feijão: veja as melhores práticas para sua produção

Plantação de feijão: entenda mais sobre as épocas de plantio, variedades e preparo do solo desta cultura.

A plantação de feijão tem uma grande importância para o agronegócio nacional, uma vez que o grão é uma das bases da alimentação brasileira.

Na última década, conforme dados da Conab, a produção de feijão, incluindo as três safras, foi de 3.133,8 milhões de toneladas.

Vários fatores influenciam na produtividade das lavouras. Neste artigo, vamos falar sobre como fazer o melhor plantio de feijão e os principais manejos para que você obtenha sucesso e lucro com sua produção! Confira! 

Qual é a época de plantar feijão?

As épocas recomendadas para semeadura do feijão podem ser divididas em três: período das águas (nos meses de setembro a novembro), o período da seca (de janeiro a março) e período de outono-inverno ou terceira época (que vai de maio a julho).

A melhor época para plantar feijão, no entanto, varia por ser uma cultura de ciclo curto. As recomendações também mudam conforme o Estado. 

Melhor época para plantar feijão em diferentes estados
 Épocas de semeadura para a cultura do feijão nos estados da região Central brasileira
(Fonte: adaptado de ProEdu)

Aqui no blog nós já falamos em detalhes sobre qual a melhor época para plantar feijão em cada região do país. Confira!

Como iniciar uma plantação de feijão: pré-plantio

Antes de iniciar o plantio, você precisa considerar diversos fatores que interferem na produtividade do feijão. As condições edafoclimáticas como clima, solo, temperatura e precipitação são decisivas no resultado no plantio e para evitar quebra de safra.

Veja um pouco mais sobre cada uma delas.

Temperatura

A temperatura ideal de produção de feijão é de 21 °C. A faixa de 18 °C e 24 °C é ótima para o bom desenvolvimento das plantas, vagens e grãos.

Locais onde a média de temperatura fica abaixo de 12 °C e acima de 30 °C são prejudiciais para produção de feijão. Essas temperaturas podem causar: 

  • atraso na germinação;
  • redução na porcentagem de germinação;
  • atraso no desenvolvimento;
  • abortamento de flores, grãos e vagens.

Radiação solar

Se a quantidade de luz nas plantas for reduzida, ocorre menor índice de área foliar. Isso gera menor captação de energia, afeta o metabolismo fisiológico da planta e diminui a produção.

Quando a radiação solar é intensa durante todo o ciclo das plantas, ocorre maior produção de massa foliar. A consequência disso é o auto-sombreamento. Ele causa abortamento de flores, reduzindo a quantidade de vagens e grãos.

O ideal é que as plantas de feijão consigam interceptar a maior quantidade de radiação solar possível no período vegetativo.

No manejo, procure oferecer maior intensidade luminosa até o florescimento. Fique de olho no espaçamento e na população de plantas. 

Precipitação pluvial

A quantidade de chuvas ideias durante o ciclo do feijoeiro é de 300 mm a 400 mm. Essa quantidade deve ser bem distribuída até antes da época de colheita.

Excesso de chuvas em locais de acúmulo de água reduz o tamanho das plantas e favorece doenças no feijão. As plantas podem morrer nessas condições. 

Na época de colheita, as chuvas dificultam a retirada dos grãos do campo. Isso causa acamamento de plantas e reduz a qualidade do produto.

A falta de chuvas durante o desenvolvimento das plantas também é prejudicial. Essa falta causa falha no estande, caso ocorra no período de germinação e emergência.

Durante o desenvolvimento, as plantas sem a quantidade de água necessária crescem pouco. Isso influencia na quantidade de vagens produzida. Na época da floração, a falta de água leva ao abortamento das flores, menor quantidade de vagens e de grãos.

Solo

As plantas de feijão preferem solos soltos, fofos, bem areados, ricos em matéria orgânica e livres de encharcamento.

Entretanto, regiões de várzea e de solos encharcados também servem para o cultivo de feijão, com alguns cuidados. Isso ocorre desde que sejam cultivados em épocas de seca, com baixa quantidade de chuva.

Assim, estes solos não ficam encharcados e fornecem água para o desenvolvimento das plantas. Mesmo que seja possível, o cultivo de feijão nesse tipo de solo deve ser evitado. Afinal, em casos de chuvas intensas, o sistema radicular não suporta o alagamento.

Como fazer o preparo do solo para a plantação de feijão

O feijão tem algumas exigências que precisam ser seguidas para que se possa atingir produtividades elevadas. 

No plantação de feijão, uma das principais operações é a calagem e a adubação do solo. Além disso, o pH do solo deve estar entre 6 e 7. A saturação por bases ideal é acima de 70%.

Para obter esses resultados é importante realizar a análise química do solo a cada 2 ou 3 anos, somente assim você conseguirá ter a fertilidade ideal que as plantas de feijão necessita.

Outro ponto importante é o sistema de plantio que você realiza na sua área, ele pode ser: convencional ou direto. O preparo do solo convencional é realizado normalmente com discos como arados, grades pesadas ou arado de aiveca.

É importante evitar o uso frequente da mesma profundidade dos implementos e trabalhar o solo com o teor de umidade ideal para evitar camadas de compactação que prejudicam o desenvolvimento radicular das plantas, reduzindo a produtividade do feijoeiro.

Já o plantio direto na palha visa o não revolvimento do solo e também a cobertura total do solo por resíduos vegetais. Além de reduzir a erosão causada pelas chuvas, isso aumenta a disponibilidade de água e diminui a compactação do solo. 

É importante na entressafra sempre utilizar diferentes espécies para cobertura vegetal, assim o solo terá uma camada de palha constantemente, o uso de espécies com raízes agressivas também é recomendado, como nabo forrageiro, para descompactar a camada superficial do solo.

Espaçamento, densidade e profundidade ideais de plantio

Para garantir uma plantação de feijão de sucesso, o planejamento começa antes mesmo do plantio. Por isso, você deve estar de olho em aspectos como:

Profundidade 

O tipo de solo influencia na profundidade da semeadura do feijão.

Em solos arenosos, a profundidade ideal de plantio é de 5 a 6 centímetros. Em solos argilosos, por sua vez, é ideal semear com profundidade de 3 a 4 centímetros. 

Densidade 

Outro fator importante na hora da semeadura é a densidade de plantio. A densidade ideal para o feijão é aquela em que as plantas recobrem toda a área durante o florescimento.

A média recomendada é de no mínimo 10 e no máximo 15 sementes a cada metro. O número de plantas varia em média de 250 mil a 300 mil plantas/ha. 

Entretanto, no momento de definir a densidade, é necessário considerar o histórico de doenças na lavoura. 

Espaçamento 

Feijões do tipo 1 e 2 requerem um espaçamento em torno de 40 cm a 50 cm entre linhas.  Para feijões do tipo 3,  o espaçamento varia de 50 cm a 60 cm entre linhas. 

Pesquisas da Embrapa relatam que os melhores rendimentos têm sido obtidos com espaçamentos de 40 cm a 60 cm entre linhas e com 10 a 15 plantas/m

Adubo para plantação de feijão

Dos nutrientes exigidos pelo feijoeiro, os principais são nitrogênio, fósforo e potássio. A absorção desses macronutrientes, no entanto, ocorre em épocas diferentes. 

  • Adubação nitrogenada: é essencial durante todo o ciclo do feijoeiro, com maior absorção de nitrogênio ocorrendo entre 35 e 50 dias após a emergência da planta – época do florescimento.”;
  • Fósforo para plantas: a maior absorção é entre 30 e 55 dias após a emergência do feijão. Ou seja, antes de aparecerem os botões florais, indo até o florescimento e início da formação das vagens;
  • Potássio para plantas: a máxima absorção pode ser observada em 2 períodos, o primeiro entre 25 e 35 dias (período em que ocorre a diferenciação dos botões florais) e o segundo dos 45 aos 55 dias (época final do florescimento e início da formação das vagens).

Para garantir que a planta tenha acesso a esses nutrientes essenciais em cada fase do seu desenvolvimento, é fundamental o uso de um adubo para feijão adequado. O adubo deve ser rico em nitrogênio, fósforo e potássio, fornecendo os nutrientes necessários para maximizar a produtividade da cultura e evitar deficiências nutricionais ao longo do ciclo.

Ao longo do desenvolvimento, a planta de feijão é capaz de exportar as seguintes  quantidades desses nutrientes:

  • 35,5 kg de nitrogênio;
  • 4 kg de fósforo;
  • 15,3 kg de potássio;
  • 3,1 kg de cálcio; 
  • 2,6 kg de magnésio;
  • 5,4 kg de enxofre.

Essas quantidades consideram cada 1.000 kg de grãos produzidos. Conhecer esses detalhes é fundamental para garantir uma adubação de qualidade para o seu feijoeiro.

Colheita do feijão

Por ser uma cultura semeada de pequenas a grandes áreas, a colheita de feijão pode ser feita de forma manual, semimecanizada ou mecanizada.

A época ideal de colheita é logo após a maturidade fisiológica do feijão (estádio R9) o que ocorre normalmente de 80 a 100 dias após a germinação. Um indicador de que se atingiu esse ponto é a mudança de coloração das vagens do feijão de verde para “cor de palha”.

Em pequenas áreas,  a colheita do feijão geralmente é realizada manualmente devido ao menor volume de produção.

Neste método de colheita manual, as plantas são arrancadas, secadas e trilhadas (separação do grãos da vagem) de forma manual.

Já na colheita semimecanizada, parte é feita manual e parte é mecanizada. É feito o arranquio das plantas e o enleiramento manualmente. Já o trilhamento e as etapas seguintes é feita mecanizada. Veja na figura abaixo:

Fluxograma com aspectos da colheita do feijão
Fluxograma de colheita semimecanizada de feijão
(Fonte: Unesp)

Em grandes áreas, devido à rapidez da operação, a colheita mecanizada é a mais realizada.

A colheita mecanizada pode ser dividida em colheita indireta – onde são utilizadas uma máquina para arranquio e enleiramento, e outra para trilha, abanação e ensacamento; e colheita direta – onde todas as operações são realizadas por uma única máquina.

Não é necessária grande quantidade de trabalhadores: uma ou duas pessoas realizam a operação.

Colhedora vermelha em plantação de feijão
Colhedora automotriz para colheita de feijão
(Fonte: Miac)

Armazenamento do feijão

Após a colheita, a umidade dos grãos deve estar abaixo 13% para que o armazenamento dos grãos seja seguro.

O local adequado para o armazenamento, tanto para semente quanto para grãos, deve ser limpo, arejado, frio, com pouca luminosidade, seco e as sacarias não devem ter contato direto com o chão, assim as características desejadas são mantidas.

Foto de sacas de feijão armazenado
Exemplo de armazenamento de feijão para consumo em sacaria
(Fonte: Embrapa)

Hábito de crescimento e ciclo do feijoeiro

Existem 4 tipos de hábitos de crescimento desse grão. Você deve conhecê-los antes de iniciar a plantação de feijão, porque cada um desses hábitos exige manejos diferentes.

  • Tipo 1: o porte das plantas do tipo 1 é ereto, com arquitetura arbustiva. A ramificação terminal é uma inflorescência. Como o ciclo deste tipo de crescimento é rápido, entre 60 a 80 dias, a falta de água e luz comprometem a produtividade.
  • Tipo 2: o crescimento de plantas do tipo 2 continua após o início da floração. As plantas têm porte arbustivo, semi ereto e pouco ramificação nos caules. A duração do ciclo é de 82 a 95 dias.
  • Tipo 3: as plantas do tipo 3 apresentam crescimento indeterminado com boa ramificação. Isso favorece o acamamento das plantas e dificulta os tratos culturais.
  • Tipo 4: plantas do tipo 4 exigem suporte para condução das ramificações. O crescimento é indeterminado e trepador. Sem a condução das plantas, elas formam um emaranhado de caules, aumentando a incidência de doenças e pragas do feijão, dificultando a colheita.
Ilustração de plantas com hábitos de crescimento diferentes.
Diferentes hábitos de crescimento das plantas de feijão
(Fonte: Embrapa)

Independente do hábito de crescimento do feijão, todos apresentam a mesma fenologia, ou seja, apresentam fase vegetativa e reprodutiva.

Estádios completos de desenvolvimento do feijão em ilustração
Estádios de desenvolvimento da planta de feijão
(Fonte: Embrapa)

Veja abaixo, resumidamente, cada fase da planta de feijão:

Vegetativa 

A fase vegetativa é composta por 5 etapas. Elas são classificadas de V0 até V4.

V0 – Germinação

Ocorre o início da germinação, com desenvolvimento da radícula. Termina com o rompimento do solo pelos cotilédones.

V1 – Emergência

Inicia quando 50% dos cotilédones estão visíveis e termina quando ocorre o aparecimento das folhas primárias.

V2 – Folhas primárias

Ocorre quando as folhas primárias estão totalmente expandidas e termina com a abertura da primeira folha trifoliolada.

V3 – Primeira folha composta aberta

Nesse momento, a primeira folha trifoliolada está totalmente aberta. Esse estádio vai até o início do crescimento da terceira folha trifoliolada.

V4 – Terceira folha composta aberta

Com a terceira folha trifoliolada totalmente desenvolvida, começa o desenvolvimento dos ramos secundários na planta. Esse estádio termina com o surgimento dos primeiros botões florais.

A duração desse estádio é menor nas plantas com hábito de crescimento tipo I, em comparação com as demais.

Foto de feijão germinado e em estado de plântula
Estádios vegetativos da cultura do feijoeiro
(Fonte: Embrapa)

Reprodutiva 

A fase reprodutiva também é dividida em 5 momentos, de R5 até R9.

R5 – Pré-floração

Em R5, as plantas já apresentam os primeiros botões florais. O período de duração deste estádio é menor em cultivares de hábito de crescimento tipo 1 e 2.

R6 – Floração

O final de R5 e começo de R6 ocorre quando 50% das flores estão abertas, e termina com 100% das flores abertas.

Em plantas do tipo 2, 3 e 4, a abertura das flores inicia de baixo para cima, devido ao hábito de crescimento ser indeterminado. Nas de tipo 1, ocorre de cima para baixo.

R7 – Formação das vagens

Com a fecundação, as flores murcham e ocorre a formação das vagens, este é o sinal que iniciou o estádio R7. Neste estádio, o tamanho das vagens vai desde canivete até a formação completa.

R8 – Enchimento das vagens

O enchimento de grãos ocorre neste estádio. As vagens começam a pesar, as folhas começam a cair. No final de R8, os grãos de feijão já começam a adquirir a coloração da cultivar, deixando de ser verdes.

R9 – Maturação

O último estádio de desenvolvimento do feijão ocorre quando os grãos estão prontos. Ou seja, as vagens já estão secando e os grãos já estão com coloração do cultivar semeado.

O acompanhamento quando as plantas estão em R9 é fundamental para iniciar o momento de colheita.

Fotos da floração, vagens e grãos prontos para a colheita
Estádios reprodutivos da cultura do feijoeiro
(Fonte: Embrapa)

Aqui no blog nós já falamos em detalhes sobre o ciclo do feijão. Recomendo que você confira tudo no artigo: “Manejos essenciais em cada um dos estádios fenológicos do feijão”.

Tipos de feijão

Considerar a variedade a ser plantada também é uma etapa importante. Afinal, cada variedade possui características que podem interferir no seu manejo.

  • Grupo preto BRS Esteio: ciclo de 85 a 90 dias, adaptada à colheita mecanizada devido à arquitetura ereta. Resistente ao vírus do mosaico comum e a quatro raças do agente causador da antracnose, moderadamente resistente à antracnose e ferrugem e moderadamente suscetível à murcha de fusário.
  • BRS Esplendor: adaptado à colheita mecanizada, resistente ao crestamento bacteriano comum e mosaico comum. É moderadamente resistente à antracnose, ferrugem e murchas de fusarium e curtobacterium.  
  • BRSMG Madrepérola: cultivar de grãos tipo carioca, porte ereto e hábito de crescimento indeterminado. Baixa tolerância ao acamamento, considerada como semi-precoce, resistência ao mosaico comum e a várias raças de antracnose.
  • Feijão-caupi: também conhecido por feijão-de-corda, feijão-miúdo e feijão-fradinho. Tolera temperaturas elevadas, mas não muito altas durante o florescimento.
  • Cultivar de feijão carioca BRS: alto potencial produtivo, arquitetura de planta ereta, adaptada à colheita mecânica, moderadamente resistente à antracnose, ferrugem e ao crestamento bacteriano comum, suscetível à mancha angular, ao vírus do mosaico dourado do feijoeiro e à murcha de Fusarium.
  • BRS FC104: cultivar de feijão superprecoce com ciclo abaixo de 65 dias, o que permite diminuir o risco de perdas por estiagem na safra de verão e escapar das doenças de solo. Possui moderada resistência à antracnose. 
  • Feijão-vagem: não tolera frio e geadas, a temperatura ótima para o desenvolvimento está entre 18 °C e 30 °C.
  • BRS FC402: é cultivar do grupo carioca, resistente à antracnose e à murcha de fusário, adaptada às principais regiões produtoras, ciclo normal de cerca de 90 dias, arquitetura de planta semiereta (favorece colheita manual e semimecanizada).

Conclusão

Neste texto, você viu os principais fatores edafoclimáticos que influenciam diretamente a produtividade da sua plantação de feijão.

Também viu todas as especificidades de espaçamento, densidade e profundidade, todas fundamentais para garantir ótimas produtividades.

Reúna todos esses conhecimentos para estabelecer uma plantação de feijão de sucesso na sua lavoura. Boa safra!

Gostou do texto? Tem mais dicas sobre a plantação de feijão? Adoraria ver o seu comentário abaixo!

Produção de grãos no Brasil: entenda o cenário e como ele afeta sua lavoura

Produção de grãos no Brasil: importância da agricultura brasileira, cenário de produção de arroz, feijão, soja, milho e muito mais!

Se você produz grãos, ficar por dentro do mercado é essencial.

Conhecer a  lei da oferta e demanda e o cenário de produção de grãos influencia diretamente nos preços recebidos por você. Isso também impacta nos preços que você vai colocar nos seus produtos.

Neste artigo, veja como anda a produção de grãos no Brasil e como isso afeta o seu trabalho no campo. Confira!

Quais os maiores produtores de grãos do mundo?

A alimentação mundial é muito baseada no consumo de grãos, seja de cereais ou de oleaginosas. No cenário mundial os cinco países em destaque são a China, Estados Unidos, Índia, Brasil e Rússia.

Segundo o Conselho Internacional de Grãos (IGC) a estimativa de produção de grãos em 2021/22 será de 2,287 bilhões de toneladas.

Cada país apresenta um destaque da produção. Por exemplo, a China é maior produtor de arroz. O Brasil vem assumindo a posição de maior produtor de soja, antes dos Estados Unidos.

Veja mais adiante a posição de cada país na produção de grãos no mundo.

Produção de grãos no Brasil

A participação do setor do agronegócio no PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro tem média acima de 20% do total.

Em valores reais, o PIB do agronegócio gerou nos últimos anos uma média de mais de R$ 1,2 trilhões. Somente o ramo agrícola apresenta grande parte destes ganhos.

Qual é a área cultivada com grãos no Brasil?

A área cultivada na safra 2021/22 é de 72,9 milhões de hectares. Há um aumento de área prevista para soja e milho, impulsionado pelos preços dessas commodities. Graças a essas duas culturas, a safra 2021/22 pode ser 3,8% maior que a safra 2020/21.

Qual a produção de grãos no Brasil em 2022?

A projeção de produção de grãos no Brasil para a safra 2021/22 é de até 269,3 milhões de toneladas, de acordo com a Conab (Companhia Nacional do Abastecimento).

Em comparação à safra passada, a produção aumenta cerca de 13,8 milhões de toneladas.

A produção de grãos no Brasil está aumentando?

Nas primeiras projeções da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) a produção era de 288,6 milhões de toneladas. Essa redução foi provocada pelo clima adverso em algumas regiões produtoras brasileiras.

Entretanto, observando o histórico de produção do Brasil nos últimos anos, a produção de grãos vem aumentando. Esse aumento está sendo causado por:

  • aumento de área de produção;
  • aumento de produtividade;
  • melhoramento das cultivares;
  • manejo de produção; 
  • investimento em tecnologia no campo.

Quais os grãos mais produzidos no Brasil? 

Soja, milho, arroz, feijão, trigo e algodão estão entre os principais grãos produzidos no Brasil. Na produção mundial, o país assume a quarta colocação, ficando atrás dos Estados Unidos, China e Índia.  Veja um pouco mais esse cenário para os principais grãos produzidos no Brasil.

Soja

O Brasil ganha o cenário mundial como maior produtor e exportador da cultura da soja.

A produção nacional média supera a marca de 120 milhões de toneladas. O Estado do Mato Grosso produziu mais de 34 milhões de toneladas nos últimos anos.

Área (em mil hectares) e produção (em mil toneladas) de soja nas regiões produtoras brasileiras

(Fonte: Adaptado de Conab)

O principal país importador da soja brasileira e americana é a China, com uso principal para ração animal. Logo atrás do Brasil, há os Estados Unidos lidera na produção e exportação. 

Milho

No Brasil, a semeadura do milho pode acontecer em três épocas: 

Esta produção coloca o Brasil como o terceiro maior produtor deste cereal, logo atrás dos Estados Unidos e da China. Juntos, os três produzem mais de 60% do milho do mundo.

Como destaque dos estados produtores temos Minas Gerais na safra e Mato Grosso na safrinha. Na terceira safra, o milho é produzido em poucos estados, mas o destaque é para o Sergipe.

A maior produção e área semeada desta cultura ocorre no milho safrinha. Mais de 65 milhões de toneladas são produzidas. Somando as três épocas, a média da produção nacional nos últimos anos é de 96 milhões de toneladas.

banner de chamada para download do kit de produção rentável de milho

Arroz 

O arroz é o terceiro cereal mais produzido no mundo, ficando atrás do milho e trigo.

Todos os continentes produzem arroz, com destaque para a Ásia. O principal país produtor é a China, e o Brasil assume o nono lugar.

No Brasil o arroz pode ser cultivado irrigado ou em sequeiro (também conhecido como arroz de terras altas). As maiores produções são obtidas nas plantações de arroz irrigado. 

Em sequeiro, o Brasil produz em média 1 milhão de toneladas. A produção do arroz irrigado é, em média, de mais de 10 milhões de toneladas

O estado do Mato Grosso é o principal produtor, seguido do Maranhão. O destaque para o maior produtor nacional é o Rio Grande do Sul, em seguida Santa Catarina. Juntos, esses dois estados produzem mais de 87% do total de arroz nacional.

A época de semeadura do arroz de sequeiro vai de outubro a fevereiro. O irrigado pode ser semeado de agosto a dezembro. Essas datas são definidas pelo Zarc (Zoneamento Agrícola de Risco Climático).

Tabela com áreas e produção de grãos de arroz sequeiro e irrigado, em todas as regiões do Brasil.

Área (em mil hectares) e produção (em mil toneladas) de arroz de sequeiro (amarelo) e arroz irrigado (azul), das regiões produtoras brasileiras

(Fonte: Adaptado de Conab)

Feijão 

Na produção de feijão, o Brasil está na terceira posição. Ele fica atrás de dois países asiáticos: Myanmar e Índia. No Brasil, o plantio de feijão pode acontecer em 3 épocas: 

  • 1ª safra (ou safra das águas);
  • 2ª safra (ou safra da seca);
  • 3ª safra (ou safra de inverno).

Em relação à produção, a 2ª safra é a principal época de produção no Brasil. Nela, são produzidas mais de 1 milhão de toneladas.

Na 1ª safra, os principais produtores são Paraná e Minas Gerais. 

Na 2ª safra, o Paraná segue como principal produtor, logo após o Mato Grosso. Na 3ª safra, os destaques de produção são os estados de Minas Gerais e Goiás. A melhor época para plantar feijão depende da região produtora.

Produção de feijão no Brasil nas três safras, em todos os Estados Brasileiros.

Área (em mil hectares) e produção (em mil toneladas) de feijão nas 3 épocas

(Fonte: Adaptado de Conab)

Algodão

Para a cultura do algodão, o Brasil é o quinto colocado no ranking mundial.

A produção de pluma brasileira é de mais de 2,5 milhões de toneladas. Além do aproveitamento da pluma na indústria têxtil, o caroço também é aproveitado.

Seu uso vai desde a produção de óleo comestível, até na mistura em rações animais e na na produção de biodiesel.  

Em disparada,  o Mato Grosso é o principal Estado produtor. A média dos últimos anos é maior que 1,7 milhões de toneladas.

Área (em mil hectares) e produção (em mil toneladas) de algodão das regiões produtoras brasileiras.

(Fonte: Adaptado de Conab)

Trigo

Dos principais grãos produzidos no mundo, o trigo é o único em que o Brasil não aparece entre os 10 primeiros países produtores.

O Brasil é o 16º produtor mundial deste cereal, com uma produção média de mais de 6 milhões de toneladas. 

O Brasil não produz a quantidade de trigo consumida. Por isso, é necessário importar principalmente dos Estados Unidos e Argentina quase a mesma quantia que produz.

O Paraná e o Rio Grande do Sul são responsáveis por cerca de  85% a 90% do total de trigo produzido. A época de semeadura do trigo nestes estados varia de abril e agosto, conforme o zoneamento agroclimático.

Qual a projeção de produção de grãos no Brasil até 2031?

Dos principais grãos produzidos e comercializados no mundo, o Brasil tem sua parcela de produção e comercialização, interna e externa.

A produção brasileira, mesmo em anos de intempéries climáticas, como secas e geadas, ainda consegue obter grandes volumes. Esse volume abastece o mercado interno e externo.

A demanda por alimentos é cada vez maior. Por isso, a  busca por produzir mais e com melhor qualidade tem se tornado uma realidade. Isso tudo se agravou após as consequências da pandemia de coronavírus na agricultura.

Pelas projeções realizadas pelo Mapa, até a safra de 2030/31, o Brasil deve ultrapassar a marca de 333 milhões de toneladas de grãos produzidos.

Projeções de produção de grãos no Brasil das próximas safras, até 2031, em 4 regiões: sul, centro-oeste, norte e sudeste.

Projeções da produção de grãos no Brasil entre 2020/2021 e 2030/2031

(Fonte: Mapa)

Projeção do aumento e redução da área de produção no Brasil

Há estimativas para um aumento de área de produção. Mas, segundo as projeções, nem todas as culturas participarão deste aumento de área.

Segundo o Mapa, o arroz perderá 62% de área colhida. O feijão perderá 36,9% de área. Por outro lado, o milho segunda safra ganha 35,2% de área plantada, a soja ganha 26,9% e o milho, 10,6% a mais.

A boa notícia é que não haverá redução da produção destas culturas que perdem área. Afinal, as projeções realizadas consideram vários fatores, como:

  • aumento tecnológico;
  • novas cultivares mais adaptadas e resistentes às principais doenças e pragas;
  • novos produtos para manejo e maior produtividade, etc.

Assim, mesmo com a redução da área de plantio de algumas culturas, a produtividade pode manter ou até mesmo aumentar ao longo dos anos.

planilha controle de custos por safra

Conclusão

A produção de grãos no Brasil é competitiva com demais países produtores.

Entre os seis principais grãos produzidos no mundo, em cinco deles o Brasil está entre os dez primeiros. No caso da soja, é o maior produtor do mundo.

É clara a importância da agricultura na economia mundial. E, além disso, a quantidade de área e produção do Brasil ainda tem potencial para crescimento nos próximos anos.

Você sabia o quanto a produção de grãos no Brasil é promissora? Qual ou quais desses grãos você produz? Adoraria ler seu comentário!