Calcule sua produtividade de soja antes da colheita

Produtividade de soja: Saiba qual é a sua por talhão por um método simples e prático, além de conhecer como essa informação pode ajudar na sua gestão.

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Nesta safra de soja estima-se quebra de 5%, resultando na previsão de 114 milhões de toneladas do grão, segundo a SNA.

As condições climáticas limitaram a produção, especialmente em Paraná, Sul de Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e Goiás.

E na sua área? Qual será a produtividade média da soja?

Saiba aqui como fazer esta estimativa e entenda como usá-la a seu favor durante e após a colheita.

Importância da estimativa da produtividade de soja

Independentemente da cultura, a estimativa da produtividade pode fornecer informações valiosas.

Com elas, o produtor de soja pode tomar decisões de:

  • Frota necessária para colheita;
  • Dias necessários para a conclusão da colheita;
  • Contratação ou não de equipe adicional;
  • Logística do transporte da produção agrícola;
  • Armazenamento do grão;
  • Planejamento financeiro para a colheita e para a próxima safra, e outros.

Além disso, ao coletar essas informações por talhão esteja atento a condição da área.

Tenha o registro de plantas daninhas, cultivar de soja, defensivos agrícolas utilizados, pragas, doenças, adubação e outros.

Com esses dados você saberá como aumentar sua produtividade nas próximas safras.

Para essa estimativa é fundamental o conhecimento de três componentes da cultura da soja:

  1. População de plantas;
  2. Vagens por planta;
  3. Peso dos grãos por vagem.

A sua produtividade de soja é diretamente em função do seu manejo.

Mesmo que milhões de hectares tenham tido prejuízos por seca, pode ser que algum dos seus talhões a produtividade tenha até mesmo aumentado.

Isso porque o solo daquele local pode armazenar mais água, o manejo nutricional foi melhor, incidência de pragas menor, e outras particularidades.

Assim, veja a seguir como fazer esta estimativa para cada talhão de sua área e obter todos os benefícios dessas informações:

Passo a passo como calcular de forma simples a produtividade de soja

Passo 1 – Conte o número de plantas em uma área conhecida

Você pode contar o número de plantas em qualquer tamanho de área conhecida, como 1 m², por exemplo.

No entanto, sempre é recomendado a área de pelo menos 4 m² para que dê uma boa ideia do estande em campo.

Assim, escolha no mínimo 10 pontos diferentes e representativos do seu talhão. Em cada um desses pontos, conte o número de plantas em 4m².

Para te ajudar nisso, veja o comprimento que você deve medir em função do espaçamento, para obter 4 m²:

produtividade de soja

(Fonte: IPNI)

Faça a média de número de plantas nos 10 pontos e anote o valor em papel ou planilha de Excel.

Passo 2 – Calcule a média de vagens por planta

Colete pelo menos 20 plantas em diferentes pontos do talhão, sempre pegando aquelas porções representativas da área.

Conte o número de vagens dessas plantas e faça a média, também deixando este valor anotado em papel ou planilha.

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(Fonte: Foto por Ignacio Ciampitti, K-State Research and Extension em Agriculturewire)

Passo 3 – Calcule o número total de vagens

Para isso, pegue o número de plantas em 4 m² (passo 1) e multiplique pela média de vagens por planta (passo 2).

Por exemplo: Uma área com 160 plantas em 4 m² e com 32 vagens por planta de soja:

160 x 32 = 5.120 vagens em 4 m²

1 hectare = 10 000 m²

5.120 x 10000 m²/4 m² = 12 800 000 vagens em 1 hectare

Passo 4 – Peso dos grãos

Os grãos de uma vagem tem em média 0,4024 gramas. Assim, é só multiplicar o número de total de vagens (passo 3) por esse valor. Por exemplo:

12 800 000 vagens em 1 hectare x 0,4024 gramas = 5 150 720 gramas

5 150 720 / 1000 = 5 150, 72 Kg / 60 Kg = 85,84 sacas por hectare

No entanto, nem todas as vagens vão possuir esse peso em sua propriedade, podendo superestimar a produtividade.

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(Fonte: Foto por Ignacio Ciampitti, K-State Research and Extension em Agriculturewire)

Assim, para melhores estimativas colete as vagens de algumas plantas e pese os mesmos.

Com esse número você faz as contas acima e tem uma estimativa muito melhor.

Para facilitar esses cálculos, disponibilizamos aqui, gratuitamente, uma planilha de estimativa de produtividade de soja. Com ela, você irá conseguir estimar sua produção de forma mais automática e com menor risco de erros.

planilha de produtividade da soja

Algumas dicas para melhorar sua estimativa de produtividade de soja

Seguindo esta metodologia, podemos ter a estimativa da produtividade da lavoura, porém, a precisão dela será mais rigorosa se mais pontos dentro da área forem amostrados.

Desse modo, recomendamos que você faça essa estimativa por talhão, e no final realize a média das estimativas.

Outro ponto importante e que já citamos é sobre sempre escolher um ponto representativo da lavoura para as amostras.

Utilize espaços fora da área de amassamento por manobras de pulverização ou sobre curvas de nível e manchas de solo.

Outros fatores também interferem na estimativa de produtividade de soja, como:

  • Umidade do solo (lembrando que o sistema de plantio direto na soja colabora para uma umidade adequada);
  • Estresse por pragas e doenças (como mosca-da-haste que apresenta maiores infestações nesta safra, ou como ferrugem asiática da soja);
  • Temperaturas;
  • Outras condições ambientais.
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Mosca-da-haste (Melanagromyza sojae) foi relatado recentemente em RS, MG, GO, BA e MT.
(Fonte: Comitê Estratégico Soja Brasil – CESB)

Esses fatores podem levar à redução do valor de alguns dos componentes de rendimento, resultando em produtividades menores do que as estimadas.

Condições estressantes podem desencadear o desenvolvimento de vagens de 1 ou 2 sementes em vez de vagens de 3 ou 4 sementes, além de reduzir o desenvolvimento das mesmas.

Enquanto que condições favoráveis ​​durante o enchimento de sementes não aumenta o número de sementes, mas elevam a produção agrícola pela retenção de vagens.

Por isso, chuvas no final da safra podem aumentar o rendimento, estendendo o preenchimento de sementes e o tamanho final das sementes.

Quando devo fazer estimativas de produtividade de soja?

Ao fazer esta estimativa em um determinado estádio, estamos considerando que todos os componentes vão estar com desenvolvimento normal até a colheita, o que não acontece.

Por isso, qualquer estimativa de produtividade melhora à medida que nos aproximamos da colheita da cultura da soja.

Isso porque as plantas continuam interagindo com o ambiente após sua estimativa, então pode ocorrer efeitos externos que modifique esses valores.

Por exemplo, se houver falta de água pode ocorrer menor retenção de vagens, se algum percevejo aumentar sua população pode diminuir o peso dos grãos, etc.

Assim, as estimativas de produtividade da soja podem começar quando a soja entra em R5.

Neste ponto, uma boa parte das vagens se desenvolveu e as sementes estão se enchendo em toda a planta.

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Vagem e sementes de soja em R5 (início do enchimento dos grãos)
(Fonte: Shaun N. Casteel em Purdue University)

A floração continuará a uma taxa limitada e logo cessará. O desenvolvimento da vagem (retenção e número de sementes por vagem) ficará atrás do padrão da floração.

No entanto, as estimativas vão melhorar à medida que as plantas continuarem se desenvolvendo nos próximos 15 dias e entrarem em R6.

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Vagem e sementes de soja em R6
(Fonte: Shaun N. Casteel em Purdue University)

Nesse ponto, a retenção de vagens e as sementes por vagem  se tornam mais claras e o potencial para sementes grandes, médias ou pequenas será mais perceptível.

Portanto, considere essas diferenças de estimativa quando for fazê-la em sua propriedade.

Verifique se a estimativa de produtividade de soja coincide com o que você esperava

É importante que você verifique esses valores estimados com aqueles que você tinha como meta.

A principal razão para usar metas de produtividade é a economia.

As metas de produtividade são necessárias para que você  controle seu custo de produção agrícola, melhorando a rentabilidade da fazenda.

produtividade de soja


Exemplo de safra de soja já com a área colhida e sua comparação com as metas anteriormente estabelecidas no Aegro

Várias decisões de produção, incluindo seleção de espécies de culturas, taxa de semeadura e recomendações de fertilizantes, são diretamente impactadas pela meta de produção.

Um bom exemplo é  população de plantas que é diretamente influenciada pela sua meta.

Em ambientes mais sujeitos a seca (como solos mais arenosos e com clima de menor frequência de chuvas), as taxas de semeadura podem ser reduzidas para melhorar a tolerância à estiagem.

Isso afeta diretamente as margens de lucro, tanto por meio de custos de sementes quanto por meio dos níveis finais de produção alcançados.

Sempre lembrando que é preciso possuir metas realistas de produtividade, já que nem sempre maiores produtividades garantem melhores lucros.

planilha controle de custos por safra

Conclusão

Com a produção média da soja brasileira tendendo a cair devido às condições climáticas, é mais importante ainda ter uma ideia da sua produtividade.

Com ela, o produtor rural pode tomar medidas de planejamento da colheita, pós-colheita e comercialização, além de se preparar financeiramente e outros.

Aqui você viu um método simples e prático de fazer essa estimativa, com algumas dicas para obter mais precisão.

Saiba sua produtividade de soja antes da colheita e já comece a se preparar!

>>Leia mais:

“O que esperar dos preços da soja em 2021”

Plantação de soja na pré-colheita: Como fazer uma dessecação eficiente

Como você estima sua produtividade de soja hoje? Tem mais alguma dica que não falei aqui? Restou alguma dúvida? Deixe seu comentário abaixo!

Administração de custos da fazenda: saiba para onde seu dinheiro está indo

Administração de custos da fazenda: Veja como fazer e conseguir gastar menos com medidas simples e eficientes!

Será que administramos corretamente os nossos negócios agrícolas?

Todos sabemos que a gestão dos gastos é fundamental. Mas como fazer isso?

Muitos fazem a gestão no caderninho, em planilhas ou softwares. Não importa o lugar, o que importa é começar a registrar e controlar esses valores.

Com isso, você poderá avaliar melhor o que vale a pena ou não fazer, podendo até reduzir custos e produzindo mais.

Então, veja aqui como começar uma administração de custos eficiente:

Definindo os custos envolvidos nas fazendas

Em toda empresa, que vende produto ou serviço, é necessário fazer uma boa gestão financeira.

No caso das fazendas, os custos podem ser divididos em 5 categorias principais:

  1. Custos variáveis;
  2. Custos fixos;
  3. Custos financeiros;
  4. Custos pessoais;
  5. Custos de capital.

Sua empresa pode ser grande ou pequena, mas na agricultura sempre há inúmeras atividades.

Por isso, ter discernimento de qual categoria cada custo de produção se enquadra ajuda a tomar um ponto de partida na gestão.

Além disso, a rentabilidade global da empresa é diretamente relacionada com estes cinco itens citados. Entendendo-os melhor, você obtém melhor eficiência financeira.

Vamos explicar cada um deles a seguir.

Administração de custos variáveis da fazenda

Os custos variáveis são aqueles que variam proporcionalmente de acordo com o nível de produção ou atividades das nossas fazendas.

Os custos variáveis estão diretamente relacionados com o volume a ser produzido em um determinado período. Já os custos fixos (que falaremos mais a frente) não mudam com a variação de produção.


(Fonte: PUC Goiás)

Baseando-se em uma produção de soja, quanto mais hectares cultivarmos, maior será a necessidade de sementes a serem utilizadas na semeadura.

Consequentemente,  os gastos também vão aumentar para adquirir maior quantidade dessa “matéria-prima”.

Como exemplo, citamos as comissões de vendas, insumos produtivos, etc. Podem-se destacar alguns que estão presentes nas fazendas:

  • Sementes;
  • Pulverização;
  • Colheita;
  • Fertilizantes;
  • Herbicidas;
  • Fungicidas;
  • Inseticidas;
  • Irrigação;
  • Custo da água;
  • Frete, etc.

Exemplo prático: Por que conhecer os custos variáveis é importante?

Com os números desse tipo de custo, torna-se muito mais fácil a realização de uma boa gestão de custos e planejamento estratégico.

Saber os custos variáveis da fazenda é preciso também para o cálculo do capital de giro necessário para futuras projeções.

Por exemplo, considerando que para a produção de soja os custos fiquem por volta de R$ 2.000/ha e, para o milho R$ 1.500/ha, o plantio de soja será R$ 500/ha mais caro que o do milho.

A decisão de cultivar 200 ha a mais de soja demandará um capital de giro de: R$ 500/ha x 200 ha = R$ 100.000 adicionais.

É claro que você deve considerar também o preço esperado de venda nesse planejamento.

Assim também você conhece a margem de lucro, permitindo visualizar mais claramente as melhores tomadas de decisão, que propiciarão os resultados mais rentáveis.

Por isso, é fundamental registrar todos os custos necessários para sua produção. Verifique esses custos por talhão e por categoria para melhores análises da sua gestão agrícola.

Custos variáveis e a margem de lucro

A margem de lucro bruta pode ser calculada como (Rendimento x Preço) – Custos Variáveis.

Portanto, vejamos um exemplo para o caso da cultura da soja:

Supondo-se o rendimento da fazenda de 50 sc/ha, preço da saca a R$ 45 e os custos variáveis de R$ 1.500/ha, a Margem Bruta da Soja = (50 sc/ha x R$ 45,00/sc) – R$ 1.500 = R$ 750/ha.

A margem bruta possibilita checar onde o gerenciamento deve ser mais focado, a fim de reduzir custos e, assim, alcançar margens mais altas.

Lembre-se que a análise dessas entradas e saídas de dinheiro se trata do fluxo de caixa de sua empresa rural.

Preparamos uma planilha para controle dos custos da propriedade agrícola e você poderá baixá-la gratuitamente neste link.

fluxo de caixa Aegro

Veja essa e outras planilhas agrícolas grátis para baixar aqui.

Se você não se atentar ao fluxo de caixa e ter uma uma administração da propriedade rural, a pressão sobre as finanças surge, levando muitas vezes ao fracasso.

Administração de custos fixos

Os custos fixos são aqueles que não sofrem alteração de valor em caso de aumento ou diminuição da produção nas nossas fazendas.

Custos fixos geralmente não mudam facilmente. Eles se relacionam com a fazenda ou o negócio como um todo, independem do nível de atividade ou escala de produção.

Veja alguns exemplos:

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Exemplos de custos fixos de uma empresa rural ou não
(Fonte: Sebrae)

As variações na escala de produção provavelmente não afetarão os gastos acima, uma vez que estão, na maioria dos casos, atrelados a valores previamente fixados.

Para a maioria das fazendas é difícil alterar os custos fixos em curto prazo.

No entanto, uma vez que bem planejados, as compras e o acertos podem ser reduzidos em contratos de maiores durações.

Quando os custos gerais são conhecidos, a margem bruta total mínima necessária que deve ser gerada para equilibrar os custos poderá ser calculada.

Por fim, como medidas de melhorias e avaliação, estes valores de custos de produção podem ser comparados aos custos das fazendas vizinhas e até mesmo com os custos nacionais de produção calculados pela Conab.

Com isso, você começa a ter uma administração rural efetiva, controlando os gastos da propriedade.

Divulgação do kit de 5 planilhas para controle da gestão da fazenda

Como reduzir os custos fixos da fazenda

Reduzir os custos fixos pode parecer difícil, porém, não é impossível.

A maioria dos produtores está muito familiarizada com os custos com insumos, mas não está acostumada a rever custos fixos e identificar possíveis economias.

Os principais custos fixos que devem ser revistos são:

  • Seguro agrícola (o que realmente está segurado e é apropriado?)
  • Reparos e manutenção;
  • Depreciação (usamos um método para cálculo mais genérico ou temos valores reais da fazenda?);
  • Comunicações (poderá existir opções de baixo custo para telefone/internet).

Além disso, uma maneira comum de reduzir os custos fixos é aumentando a escala de produção.

Geralmente com a compra, compartilhamento ou arrendamento de mais terras, os custos fixos ficarão mais diluídos.

Embora isso signifique que os custos totais do negócio aumentarão, parte destes custos como contabilidade, viagens, treinamentos e afins não vão mudar com o aumento da escala.

A fazenda diminuirá, dessa forma,  os custos gerais por hectare e ganhará com a  “economia de escala”.

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(Fonte: Economicamente falando)

Mas tudo deve ser registrado em papel, planilha ou software agrícola para que você tenha certeza de que está economizando e não só aumentando sua produtividade sem controle dos custos.

Você pode ver mais sobre essa contabilidade rural aqui.

Administração de custos financeiros

A maioria dos agricultores não tem reservas de caixa adequadas para comprar terras adicionais ou mesmo capital para bancar o começo da safra.

Assim, é comum obter financiamento para a atividade agrícola.

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O Censo Agro 2017 mostra que 784 estabelecimentos agropecuários obtiveram financiamento.

Os custos financeiros incluem pagamento de juros sobre empréstimos a prazo, financiamento de equipamentos, entre outros.

Tais custos também devem ser computados nos custos totais da fazenda.

Administração de custos pessoais e de capital

Administração de custos pessoais

Normalmente, os custos pessoais estão relacionados ao estilo de vida das pessoas envolvidas no negócio, causando pouco impacto na produtividade das fazendas.

No entanto, são custos a serem contabilizados para que as empresas, geralmente familiares, possam ter ideia da quantidade de dinheiro necessária para reduzir a dívida ou reinvestir no negócio.

Administração de custos de capital

Os custos de capital geralmente devem melhorar o potencial produtivo do negócio. As despesas de capital típicas incluem a compra e venda de terrenos, maquinário, substituição de peças e etc.

Nem toda despesa de capital levará a uma melhor produtividade. Mas é muito útil preparar orçamentos com bases em suposições sólidas de resultados prováveis (como volume de vendas, etc).

Simplificando a administração de custos

Atualmente existem softwares agrícolas que auxiliam os produtores na administração de custos.

Com o Aegro, por exemplo, você monta um orçamento para o seu cultivo e estabelece metas de produção. Isso te ajuda a definir um preço ideal de venda para evitar prejuízos no final da safra.

Você também pode usar o sistema para fazer o seu fluxo de caixa, registrando as despesas e receitas da propriedade rural de forma prática, pelo computador ou celular.

Além disso, o seu controle financeiro fica completamente integrado ao estoque e ao patrimônio da fazenda, o que facilita a divisão de custos por diferentes categorias.

Custo de produção agrícola no Aegro

A qualquer momento, você pode analisar um comparativo entre os custos planejados e realizados. Assim, fica mais simples de entender onde seus gastos estão extrapolando e tomar melhores decisões no futuro.

Também é possível gerar indicadores e relatórios pelo sistema, com informações sobre a produtividade das suas áreas e a rentabilidade de cada talhão.

Dessa maneira, você tem todos os seus dados organizados e consegue enxergar a trajetória completa do seu dinheiro, desde a compra das sementes até a comercialização do grão.

Quer saber mais sobre o Aegro? Clique aqui e peça uma demonstração gratuita do software!

Conclusão

Com o passar do tempo, todos os custos tendem a aumentar e a produtividade agrícola devem seguir o mesmo ritmo.

Muitos custos são diretamente relacionados à produção devem ser analisados de forma cuidadosa para que suas reduções ou cortes não sacrifiquem a receita bruta.

Muitas vezes existem áreas da fazenda que, com uma revisão ou aumento em escala de produção, são passíveis de atingir maiores eficiências produtivas.

A administração dos custos é essencial para o sucesso das operações agrícolas e para a boa saúde financeira da empresa agrícola. É hora de começar a sua!

>> Leia mais:

Como fazer o rateio de custos simples e efetivo

Você realiza uma correta administração de custos da sua fazenda? Tem noção do capital necessário para equilibrar a margem bruta total? Restou alguma dúvida? Adoraria ver seu comentário abaixo.

Inseticidas para soja: Faça eles se pagarem

Inseticidas para soja: Veja as principais dicas de defensivos e suas aplicações para que você tenha um manejo de pragas mais eficiente e econômico.

O uso adequado dos inseticidas, com o MIP, economizaria R$ 4 bilhões na produção nacional de soja, segundo Embrapa.

Os produtos corretos, a tecnologia e o momento da aplicação são fundamentais para isso.

No entanto, ao ver a lavoura com percevejos e lagartas fica difícil estimar o quanto podemos esperar para compensar a aplicação, ou mesmo as alternativas de controle.

Por isso, aqui mostramos as mais importantes informações para embasar suas decisões na lavoura e conseguir um manejo que faça os inseticidas se pagarem. Confira:

Entendendo as realidades da soja Bt e não-Bt

Liberada para comercialização desde a safra 2013/2014, a soja transgênica, que expressa a proteína inseticida derivada de Bacillus thuringiensis (Bt), representa a maior parte das lavouras brasileiras.

A tecnologia de soja Bt, comercialmente chamada de INTACTA RR2 PRO, apresenta atividade inseticida e efetividade no controle dos insetos:

  • Lagarta-falsa-medideira (Chrysodeixis includens);
  • Lagarta-da-soja (Anticarsia gemmatalis);
  • Lagarta-das-maçãs( Chloridea (=Heliothis) virescens);
  • Helicoverpa armigera.
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Principais pragas alvo da soja Bt
( Fonte: Pioneer)

O que isso quer dizer para o manejo de pragas na cultura da soja?

O uso da tecnologia Bt implica na realização de áreas de refúgio. Elas devem corresponder a 20% da área, e é importante que você a faça para evitar a resistência dos insetos da sua área aos defensivos agrícolas.

Essas áreas tem como objetivo de manter os insetos suscetíveis às proteínas Bt, se acasalando com os insetos resistentes da vindos da lavoura Bt.

Além disso, você preserva essa tecnologia e consegue aumentar o número de safras com ela, o que resulta em economia das pulverizações e sustentabilidade do meio ambiente.

Você pode conferir o passo a passo de como fazer a área de refúgio aqui.

Consequentemente, os insetos alvo da tecnologia Bt serão grandes problemas como pragas nas áreas cultivadas com soja não-Bt (área de refúgio).

O esperado é que nas áreas de soja não-Bt teremos mais lagartas atacando as plantas quando comparado a soja Bt.

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Área semeada com soja não-Bt à esquerda e soja Bt à direita
(Fonte: Monsanto)

No entanto, pragas em comum nas sojas Bt e não-Bt também ocorrerão, como é o caso das lagartas do gênero Spodoptera spp., os percevejos-fitófagos, mosca-branca, ácaros, entre outras pragas.

A pergunta que fica é: Será que esse ataque na parte não Bt vai afetar minha produtividade e rentabilidade?

Se você seguir as recomendações do Manejo Integrado de Pragas (MIP), inclusive as dicas aqui citadas, aplicando somente quando necessário, a resposta dessa pergunta é não.

Aliás, diversos estudos de caso e científicos mostram cada vez mais que a produtividade e economia tendem a aumentar em áreas que seguem essas recomendações do MIP.

Como fazer o manejo nas áreas de soja Bt e não-Bt

Você pode aplicar inseticidas e outros métodos de controle nas áreas de refúgio.

Mas, antes de fazer qualquer aplicação de inseticida nas áreas de soja Bt e não-Bt é fundamental o monitoramento e amostragens dos insetos-praga para verificar se há a necessidade de alguma intervenção.

Monitore sua lavoura constantemente, sendo recomendado a frequência semanal. Anote os danos ou número de inseto que você encontrou em algum lugar e verificar o Nível de Controle (NC).

O NC é o nível de danos ou de insetos que ainda não estão prejudicando economicamente sua produção, mas que indica a necessidade de tomar alguma medida de controle dentro de pouco tempo, evitando o prejuízo econômico.

Os níveis de ação ou de controle das pragas podem ser verificados na figura abaixo.

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Níveis de ação para os principais lepidópteros-praga da soja
(Fonte: IRAC-BR)

No caso dos percevejos na soja, os níveis de ação são os mesmo e podem ser verificados no post “Percevejo marrom: 7 estratégias de controle na soja”.

Para facilitar os registros do seu monitoramento de pragas e verificação do NC, nós preparamos uma planilha de Excel que automatiza mais essas informações e te dá muito mais segurança.

Baixe sua planilha gratuita clicando na imagem abaixo!

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Com o Aegro você tem seu monitoramento georreferenciado e ainda mais facilitado. Veja como aqui.

Dica de manejo antes da decisão de aplicar

A cultura da soja, diferente das demais, consegue compensar níveis de desfolhas sem que haja interferência na sua produtividade.

Na fase vegetativa ela tolera até 30% de desfolha e na fase reprodutiva até 15% sem que haja implicações na produção.

Sendo assim, faça o monitoramento de pragas e também verifique o nível de desfolha na cultura.

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Escala de desfolha em folíolos de soja
(Fonte: NC Soybean)

Principais orientações sobre inseticidas para soja

Uma coisa que você deve estar ciente é que as pragas se diferenciam de local para local.

Ou seja, elas sofrem a influência da cultura anterior e das condições climáticas, entre outros, que poderão favorecer ou não determinado inseto-praga.

Portanto o “segredo” do manejo é amostrar os insetos, antes e durante o plantio, para saber o melhor inseticida a ser utilizado, e o momento correto.

Aqui vamos dividir as pragas e os principais tipos de inseticidas utilizados conforme o momento de ataque na cultura.

Antes disso, confira os grupos químicos e os principais inseticidas em cada um, entendendo melhor as dicas a seguir:

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(Fonte: IRAC)

Pragas iniciais e de solo

Considerado um dos períodos críticos da cultura, esse conjunto de pragas pode comprometer o número de plantas de soja/ha (estande).

Isso porque elas atacam a raiz, o colo da planta e seccionam o caule da planta, implicando em replantio.

As principais pragas nessa fase são:

Aqui pode-se fazer o controle químico com inseticidas do grupo químico dos carbamatos, organofosforados e piretroides no momento da dessecação da área para o plantio.

Após a dessecação da área, pode se fazer o tratamento de sementes com inseticidas do grupo químico dos fenilpirazóis, carbamatos, piretroides, neonicotinoides e diamidas conforme as pragas-alvo da área.

Pragas da parte aérea ou de folhas

Conforme mencionado anteriormente, a cultura da soja pode tolerar 30% de desfolha na fase vegetativa e 15% na fase reprodutiva.

Durante a fase vegetativa os principais grupos de pragas que atacam a cultura são os lepidópteros (lagartas), coleópteros (besouros) e hemípteros (mosca-branca).

Entre as lagartas, as principais espécies são Helicoverpa armigera e Chrysodeixis includens.

Com relação aos besouros, se destaca D. speciosa e Maecolaspis sp. Nas últimas 5 safras tem se verificado o intenso ataque de Bemisia tabaci biótipo B (mosca-branca).

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(Fonte: Mato Grosso Econômico)

Por serem espécies diferentes, com comportamentos distintos, os inseticidas aqui também deverão ser específicos para cada grupo de praga:

Lagartas

Ao atingirem o nível de controle, os principais inseticidas utilizados são representados pelos grupos químicos das benzoilfeniluréias, diamidas, diacilhidrazina, espinosina, oxadiazina e semicarbazone.

Além dos químicos, temos os inseticidas microbiológicos a base de vírus que podem ser utilizados para o controle de C. includens, H. armigera e Spodpotera spp.

Aqui cabe uma ressalva: não utilize inseticidas a base de B. thuringiensis nas áreas de soja Bt e nas áreas de refúgio.

O intuito é não aumentar a pressão de seleção das pragas-alvo da soja Bt e retardar o processo de evolução da resistência.

Vaquinha (fase adulta)

Com relação ao controle de D. speciosa na fase adulta, os principais inseticidas utilizados são do grupo químico dos piretroides e análogo ao pirazol.

Mosca-branca

Para B. tabaci os principais inseticidas são a base de diamidas, éter piridiloxipropílico, cetoenol, feniltioureia, o microbiológico a base de Beauveria bassiana e Tetranortriterpenóide (azadiractina).

Pragas das estruturas reprodutivas ou de vagens

Nessa fase os principais grupos de pragas são os lepidópteros e os percevejos pragas. No primeiro grupo tem destaque as espécies do complexo Spodoptera spp., S. frugiperda, S. eridania e S. cosmioides.

Por danificarem as vagens e os grãos, devem ser eficientemente controladas. Os principais inseticidas utilizados são os mesmos mencionados no item anterior para pragas de parte aérea.

Entre os percevejos-praga, as principais espécies são Euschistus heros, Piezodorus guildinii e Dichelops spp.

Atualmente esse grupo de pragas carece de novas moléculas inseticidas para o seu controle e está limitado basicamente a três principais grupos químicos, que são: neonicotinoides, piretróides e organofosforados.

Por isso, é importante pensar no manejo dos inimigos naturais e no uso de inseticidas naturais. Saiba mais sobre eles nestes artigos:

Como manejar os inimigos naturais de pragas agrícolas da sua área
6 Inseticidas naturais para você começar a usar na sua lavoura

Dicas para uma tecnologia de aplicação ainda melhor

Cada cultivar de soja possui uma arquitetura que favorece ou desfavorece a penetração dos inseticidas.

Assim, o sojicultor pode trabalhar com algumas estratégias de tecnologia de aplicação para maximizar o controle.

Dentre elas, se atente para:

  • Pontas de pulverização;
  • Taxa de aplicação (L/ha);
  • Pressão de serviço;
  • Assistência de ar na barra de pulverização;
  • Momento da aplicação: umidade do ar e temperatura devem ser observadas;
  • Estude o uso de adjuvantes ou surfactantes.

Uso de inseticidas seletivos e manejo da resistência

Priorize inseticidas seletivos na fase inicial da cultura para evitar o desequilíbrio biológico. Esse desequilíbrio prejudica ainda mais a infestação de pragas na sua lavoura.

Faça também o manejo da resistência de inseticidas intercalando grupos de inseticidas diferentes por janela da praga.

Atenção especial deverá ser dada às áreas de refúgio (soja não-Bt). Esteja ciente quanto ao número de aplicações permitidas por janela e o grupo químico do inseticida utilizado para não comprometer o MRI e efetividade da soja Bt.

Veja o quadro informativo abaixo:

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Esquema de manejo de pragas da soja com inseticidas
( Fonte: IRAC-BR)

Os inseticidas se pagaram?

Você utilizou novos defensivos, alguns produtos biológicos, fez talhões com manejos diferentes… mas isso se pagou?

Só a partir dos registros corretos do que foi utilizado na sua área, e do quanto foi produzido, é possível saber se o manejo foi rentável.

Para isso, softwares de gestão agrícola facilitam esses registros e as análises provenientes dos mesmos. Veja o exemplo da rentabilidade de uma safra abaixo:

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Exemplo de rentabilidade total e por talhão em uma safra. Saiba mais sobre o Aegro aqui.

Além disso, como citamos anteriormente, também temos a planilha de excel para o MIP na soja e milho gratuita que você pode baixar aqui!

Conclusão

Aqui vimos que os inseticidas estão entre as principais estratégias de manejo na cultura da soja. Mas, eles apenas deverão ser utilizados quando detectado o nível de controle da praga em questão.

Tenha em mente que a escolha de inseticidas seletivos é fundamental para preservar a comunidade de inimigos naturais e favorecer o controle biológico de pragas.

O manejo da resistência de insetos na soja Bt e não-Bt também deverá ser realizado para prolongar a vida útil e efetividade dessa ferramenta no MIP na cultura da soja.

Aproveite todas essas dicas e faça seus inseticidas, e todo seu manejo, se pagar!

Como você contabiliza a eficiência dos seus inseticidas hoje? Tem outras dicas que não citei aqui? Restou alguma dúvida? Deixe seu comentário aqui embaixo!

Como controlar o nematoide das galhas de uma vez por todas

Nematoide das galhas: Saiba como reconhecê-lo em sua lavoura, sua importância e confira 6 métodos eficientes de controle que você pode usar.

Sua lavoura está com pontos amarelos e algumas plantas parecem menores. Ao verificar as raízes, você pode ver as galhas. O que fazer agora?

Na cultura da soja, as perdas por nematoides podem chegar a 10,6% , enquanto que no algodão esse valor aumenta para 40%.

Esses prejuízos totalizam cerca de R$ 35 bilhões ao ano para o agronegócio brasileiro, segundo a Sociedade Brasileira de Nematologia (SBN).

Mas voltando a pergunta inicial: O que fazer? Como controlar algo difícil de observar a olho nu e está no solo?

Aqui separei as principais informações sobre o nematoide das galhas e os melhores manejos para evitar esses prejuízos na sua propriedade. Confira!

Nematoide das galhas: o que é e sua importância

Nematoides são vermes que tem o corpo normalmente alongado e cilíndrico e podem apresentar tamanhos variados.

A maioria dos nematoides não causam problema a outros organismos, porém alguns são parasitas.

O nematoide das galhas é um parasita de diversas culturas e tem grande importância para a agricultura do país.

Algumas culturas afetadas por nematoide das galhas são soja, cenoura, algodão, videira, cafeeiro, arroz, algumas hortaliças e outras.

Como o próprio nome diz, há uma formação de galha, ou seja, um engrossamento das raízes. Isso, afeta a translocação de água e nutrientes pela planta.

nematoide das galhas

Diferença entre raiz saudável (à direita) e com nematoide das galhas (à esquerda)
(Fonte: Tiwari,Eisenback e Youngman)

Meloidogyne é o gênero que compreende o chamado “nematoide das galhas” e apresenta várias espécies, sendo as principais:

  • M. arenaria;
  • M. incognita;
  • M. javanica;
  • M. hapla.

Nematoide das galhas na cultura da soja

Há vários nematoides que podem afetar a cultura da soja, as espécies mais importantes de nematoide das galhas nesta cultura são Meloidogyne incognita e M. javanica.

Entre essas duas espécies de nematóide do gênero Meloidogyne,  é a M. javanica que tem ocorrência generalizada no país.

Os sintomas na cultura da soja ocorrem em reboleiras com plantas menores e amareladas, podem apresentar o abortamento de vagens e raízes apresentam galhas.

As folhas das plantas afetadas às vezes apresentam manchas cloróticas ou necroses entre as nervuras, caracterizando a folha “carijó”.

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Sintoma conhecido como “folha carijó” devido a doença causada por nematoide na soja
(Fonte: Soares em SENAR – Paraná)

Nematoide de galha em algodão

O nematoide das galhas que afetam a cultura do algodoeiro é Meloidogyne incognita.

Os sintomas são semelhantes aos causados na cultura da soja, como a presença de reboleira, galha nas raízes, sintoma tipo “carijó” nas folhas e redução da planta e do sistema radicular.

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Sintomas em algodoeiro causados por Meloidogyne incognita em Campo Verde-MT. Duas linhas da esquerda, cultivar suscetível e, as duas linhas da direita, tolerante ao nematoide
(Fonte: Rafael Galbieri em IMAMT)

>> Leia mais: “Guia completo de análise e manejo dos principais nematoides no algodão”

Ciclo de vida dos nematoides das galhas

Falamos que os nematoides são geralmente alongados e cilíndricos, porém, as fêmeas deste gênero podem ter a largura do corpo aumentada em algumas fases do ciclo, por produzir muitos ovos.

Vou explicar resumidamente o ciclo desses nematoides, para entendermos a formação das galhas.

O ciclo de vida dos nematoides é dividido em ovo, jovem e adulto.

As fêmeas dos nematoides das galhas colocam os ovos nas raízes em forma de aglomerado.

Ainda dentro do ovo ocorre a fase juvenil 1° estádio (J1), que evoluiu para J2, na qual os nematoides deixam o ovo e saem no solo em busca de raízes.

Quando encontram raízes, os nematoides entram nas mesmas, liberando substâncias para favorecerem sua nutrição.

Com isso, as células das raízes aumentam de tamanho, com formação de células gigantes, formando as galhas.

Esses nematoides ainda passam por J3 e J4, que ficam imóveis nas raízes e depois se tornam adultos.

Então, quando você observa galhas nas raízes das plantas isso é formado pela própria planta em resposta à substâncias secretadas pelos nematoides.

Você pode observar diferença no tamanho das galhas em diferentes espécies de plantas.

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(Fonte: APS)

Como reconhecer e diferenciar os sintomas dos nematoides das galhas

Alguns sintomas que você pode observar nas áreas infestadas pelo nematoide das galhas:

  • Presença de galhas nas raízes;
  • Redução do volume do sistema radicular;
  • Sintomas na parte aérea podem ser de amarelamento e redução foliar;
  • Redução do tamanho das plantas;
  • Murchamento das plantas em algumas variedades de plantas;
  • Desfolha;
  • Redução da densidade populacional de plantas e produção (principalmente reduzir o número de vagens e grãos na soja).
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Sintomas de nematoides na soja
(Fonte: Edward Sikora, Auburn University)

Os sintomas podem ser facilmente confundidos com deficiência de nutrientes ou estresse hídrico, devido ao fato de que os nematoides prejudicam a absorção de água e nutrientes.

Para isso não ocorrer, lembre-se que sintomas nutricionais se dão em manchas de solo ou mais generalizado na lavoura, enquanto que os nematoides ocorrem em reboleiras.

Ter o histórico da área e o controle das atividades agrícolas também é essencial para você identificar o que foi aplicado na área e se atentar a possibilidade de problemas nutricionais ou hídrica.

Monitorar sua propriedade, arrancando algumas plantas do solo e observando as raízes também é essencial para o correto diagnóstico.

6 métodos de controle para os nematoides das galhas

O controle dos nematoides é bastante complicado por ficarem no solo, dificultando o controle.

Também é importante que você tenha em mente que a erradicação é praticamente impossível, mas que podemos manejá-los para a cultura não ser prejudicada.

Assim, para o controle de nematoides devem ser realizadas técnicas combinadas, ou seja, pensar em manejo integrado.

Veja algumas medidas de manejo para os nematoides das galhas:

1. Evite a entrada do nematoide na sua área

Você deve evitar a entrada do nematoide na sua área, assim, observe as principais formas de disseminação dos nematoides a seguir e as evite.

Disseminação dos nematoides

O deslocamento do nematoide é bastante limitado, dependendo de ações externas. As principais formas de disseminação são:

  • Deslocamento de máquinas e implementos agrícolas;
  • Utilização de mudas, porta enxerto ou material de propagação contaminados com nematoides;
  • Água de irrigação;
  • Chuva;
  • Substrato infectado.

2. Rotação ou sucessão de culturas

Realize a rotação ou sucessão de culturas com plantas não hospedeiras dos nematoides das galhas.

Por exemplo, se você cultiva soja e tem a área infectada com M. javanica, você pode realizar a rotação da soja com amendoim.

Além disso, se atentar se na área há muitas plantas daninhas que possibilitam que o nematoide complete o seu ciclo de vida.

3. Plantio de culturas armadilhas

Os nematoides são atraídos por essas plantas (sendo denominadas plantas armadilhas), nas quais eles conseguem entrar nas raízes mas não conseguem completar o seu ciclo de vida.

As plantas de braquiária, capim-mombaça, andropogon e Paspalum spp. são bons exemplos de plantas armadilhas.

4. Variedades resistentes ou tolerantes

Há diversas variedades de plantas desenvolvidas que possuem resistência ou maior tolerância ao nematoide das galhas.

Conheça os talhões mais prejudicados por esses nematoides e utilize esses tipos de variedades nos mesmos.

5. Adubação verde

A adubação verde é uma prática agrícola que algumas espécies de plantas são plantadas e depois em um determinado estágio de desenvolvimento são incorporadas no solo.

E você pode utilizar esta técnica para o manejo de nematoides.

Você pode escolher plantas para a adubação verde que não são hospedeiras para o nematoide das galhas.

Por exemplo, a Crotalaria juncea é uma planta anual e é má hospedeira para nematoide das galhas.

Além disso, ela produz grande quantidade de biomassa no menor tempo e, consequentemente, fornece nitrogênio em maior quantidade.

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(Fonte: Piraí sementes)

Veja mais sobre adubação verde em:
Vantagens e desvantagens de fazer adubação verde em sua propriedade
“Adubação verde e cultura de cobertura: Como fazer?

6. Controle biológico e químico

Meloidogyne incognita em soja

São registrados 6 defensivos agrícolas para este nematoide na cultura da soja, sendo 2 deles produtos biológicos.

Um produto biológico tem como ingrediente ativo o fungo Paecilomyces lilacinus e o outro a bactéria Bacillus firmus.

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Meloidogyne javanica em soja

São registrados 11 produtos para o manejo deste nematoide, sendo 2 produtos biológicos.

Os biológicos têm como ingredientes ativos as bactérias Bacillus subtilis e Bacillus firmus.

Isso mostra que há produtos biológicos com ação nematicida no mercado e que para cada espécie de nematoide e de acordo com a espécie cultivada, são registrados diferentes tipos de produtos.

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Meloidogyne incognita em algodão

Para a cultura do algodão, são registrados 11 produtos comerciais para o controle do nematoide das galhas, sendo apenas 1 produto biológico, que tem como ingrediente ativo o Bacillus firmus.

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Nematoide de galha X nódulos de bactérias fixadoras de nitrogênio na cultura da soja

A fixação biológica de nitrogênio (FBN) é um processo que microrganismos são capazes de quebrar a ligação do nitrogênio atmosférico , transformando em amônia, a qual é utilizada pela planta.

Nesse processo há a formação de um nódulo, cuja função é alojar a bactéria e permitir que ela realize a fixação do nitrogênio.

Este nódulo formado em leguminosas, como na soja, e não pode ser confundido com as galhas dos nematoides.

Assim, uma forma simples e fácil de diferenciar nódulos de galhas é:

Nódulos são externos nas raízes e podem ser retirados com facilidade da raiz.

Galha é um engrossamento da própria raiz, onde se alojam os nematoides em desenvolvimento, e por isso, não consegue ser retirado da raiz.

Lembrando que para identificar se um nódulo está ativo ele deve ter a cor avermelhada.

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Nódulos de soja, com interior cor de rosa, indicando a presença da leghemoglobina e, consequentemente, de um processo ativo de fixação de nitrogênio
(Fonte: Revista campo e negócios)

Planilha de manejo integrado de pragas

Conclusão

Neste texto foi discutido sobre os nematoides das galhas que afetam muitas culturas agrícolas no Brasil.

Entendemos a formação das galhas, o ciclo de vida, importância e a disseminação dos nematoides.

Assim, conhecemos como identificar os sintomas do nematoides das galhas sem confundir com outras questões da lavoura.

Aqui também você viu como realizar 6 métodos de controle diferentes, proporcionando um manejo efetivo na sua propriedade.

Agora que você sabe um pouco mais sobre o nematoide das galhas, não deixe de realizar o manejo na sua propriedade!

>> Leia mais:

Nematoides na cana-de-açúcar: como reconhecer e manejar

Nematoide de cisto: Como afeta sua lavoura e o que fazer para se livrar dele

Você tem problemas com nematoides das galhas? Quais técnicas de manejo você utiliza? Você utiliza controle biológico ou químico? Restou alguma dúvida? Adoraria ver seu comentário abaixo.