Potássio para milho: por que é tão importante e como fazer seu manejo

Potássio para milho: Sintomas de deficiência, parcelamento de adubação e época de aplicação na lavoura.

Para uma alta produtividade, a lavoura depende de vários fatores, entre eles a oferta adequada de nutrientes às plantas.

O potássio é um dos mais requeridos na cultura do milho e responsável pelo crescimento da plantação, formação de frutos, além da resistência a doenças fúngicas.

Fazer o manejo correto é essencial para um bom resultado. Neste artigo, vamos ver sintomas de deficiência e como fazer a correta adubação de potássio para milho. Confira a seguir:

Deficiência de potássio no milho

Sintomas de deficiência, muitas vezes são identificados por características expressas nas plantas. 

A localização de carência está relacionada à mobilidade do nutriente pela planta. No caso do potássio (K) no milho, ele é bem móvel na planta, o que permite a redistribuição facilmente para os órgãos mais novos.

Portanto, sintomas visuais de carência de potássio são notados em folhas mais velhas, que manifestam clorose nas pontas e margem das folhas, com posterior secamento, necrose (queima) e dilaceração de tecido. 

As espigas de plantas com deficiência de K são de tamanho reduzido. Geralmente, apresentam-se pontiagudas e com enchimento incompleto de grão nessa extremidade. 

Outro sintoma é o encurtamento dos internódios do colmo. Quando muito agravada a carência, as folhas novas podem demonstrar clorose internerval, sintoma parecido com a deficiência de ferro. Veja:

sintomas de deficiência milho

Sintomas de deficiência de potássio para milho
(Fonte: IPNI)  

Outro parâmetro (mais preciso) utilizado para averiguar a deficiência de potássio é a utilização de análise da folha. 

Esse método, baseia-se na comparação dos teores que contêm nas folhas com os que são adequados, como mostra a tabela abaixo: 

potássio para milho

(Fonte: CCPran) 

Mas podemos utilizar qualquer folha para fazer essa análise química?

Não! No caso do milho, utilizamos a folha inteira oposta e abaixo da primeira espiga (superior), excluída a nervura central, coletada por ocasião do aparecimento da inflorescência feminina (embonecamento). 

E porque nessa época? Devido às seguintes ponderações:

a) O estádio de desenvolvimento e a posição da folha são facilmente reconhecidos;

b) A remoção de uma simples folha não afeta a produção

c) O efeito de diluição dos nutrientes nessa fase é mínimo;

d) O requerimento de nutrientes é alto nessa fase. 

Recomenda-se a utilização de 30 folhas/ha quando 50% a 75% das plantas estiverem embonecadas. 

Para que serve o potássio no milho?

Sabemos que o potássio é o nutriente mais absorvido em quantidades pelo milho, ficando atrás somente do nitrogênio. 

O potássio para milho, em níveis adequados, propicia:

  • Formação de folhagem sadia, verde; 
  • Atua na regulação estomática;
  • Ativa inúmeras enzimas;
  • Melhora o crescimento radicular; 
  • e, por consequência de todas essas características, aumenta o rendimento. 

Além disso, o potássio no milho ainda é importante na fotossíntese, formação de frutos, resistência ao frio e a doenças fúngicas. 

O potássio possui ainda uma relação com a resistência física da planta. Em solos que suprem a demanda de K da planta, a cultura tem redução dos problemas de colmo e tombamento. 

Adubação de potássio para milho silagem

Recomendações de adubação são sempre feitas, tomando como referência os dados da análise de solo!

Com essas informações em mãos, devemos analisar em qual classe se encontra o solo quanto a esse nutriente. Veja a tabela de recomendações abaixo: 

adubação potássica milho

Recomendação de adubação potássica para a cultura do milho com base em análise de solo
(Fonte: CCPran)

Em seguida, deve-se ter em mente qual é a produtividade desejada desse milho silagem. 

As dosagens recomendadas são sempre feitas baseadas na produtividade esperada, como mostra a tabela a seguir: 

potássio para milho

Recomendação de adubação para milho destinado à produção de forragem, com base em resultados de análise de solo e produtividade esperada.
(Fonte: Embrapa

Em estudos, pôde-se notar aumento de produção de até 100% em solos com teores considerados baixos apenas adicionando de 120 kg a 150 kg de K2O/ha. 

E será que posso aplicar isso tudo de uma só vez? A seguir explico melhor!

Parcelamento da adubação e época de aplicação de potássio para milho

A absorção mais intensa do potássio para milho ocorre nos estágios iniciais de crescimento da cultura. 

No milho, percebe-se que essa absorção ocorre entre os 60 e 70 dias. Nessa fase, o milho já acumulou cerca de 50% de matéria seca e já absorveu 90% de toda a sua demanda potássica.

plantas de milho Embrapa

Acúmulo de matéria seca, nitrogênio, fósforo e potássio na parte aérea de plantas de milho.
(Fonte: Embrapa

Desta forma, recomenda-se a aplicação no máximo em até 30 dias após o plantio. Ou, se possível, todo no sulco do plantio do milho. 

Em solos muito deficientes desse nutriente, esse último tipo de aplicação permite maior concentração próximo às raízes. 

Porém, em situações onde a carência de nutriente é muito alta, a quantidade a aplicar é demasiada. 

Desta forma, recomenda-se parcelar a aplicação quando as dosagens forem superiores a 50 Kg/ha, aplicando um terço disso no plantio e o restante na cobertura.

A justificativa do parcelamento está associada ao efeito salino que esse adubo próximo à semente pode causar. Isso prejudica o estande de plantas, visto que provoca a “queima” da semente.

As adubações de cobertura podem ser fracionadas em uma ou duas aplicações, desde que esta ou estas sejam feitas entre os estágios fenológicos V3 e V6.

potássio para milho

Efeito do parcelamento do potássio e nitrogênio na produção de grãos e algumas características agronômicas do milho sob condições irrigadas .
(Fonte: INPI

Fonte mais utilizada e forma de utilização 

Em situações na qual o potássio existente no solo não supre a demanda que a planta tem de absorver, deve-se realizar aplicações com fontes de potássio.

A fonte de potássio mais utilizada tanto para cobertura quanto para plantio é o cloreto de potássio (KCl).

O KCl pode ser aplicado isoladamente ou, em casos práticos, pode ser misturado a alguma fonte nitrogenada sem que haja complicação. 

Até 50Kg/ ha, pode-se aplicar no sulco de plantio. Acima dessa quantidade, recomenda-se a aplicação a lanço.

planilha de produtividade de milho

Conclusão 

O potássio para milho tem resultado direto na produtividade da cultura. Desta forma, saber como manejar a dosagem aplicada é um ponto de sucesso de produção. 

Além de saber a quantidade, é importante conhecer os sinais de deficiência visual e interpretar os dados das análises foliares. 

E, por fim, estratégia de manejo como o parcelamento da adubação é algo que deve entrar no seu planejamento agrícola, buscando sempre a produção eficiente! 

>> Leia mais: “Calcule seu custo de produção de milho por hectare

>> Leia mais: “Recomendação de adubação para milho

Restou alguma dúvida sobre o potássio para milho? O que achou das dicas? Gostaria da sua opinião! 

Silos para grãos: vender ou guardar sua produção?

Silos para grãos: Quando vale a pena armazenar a produção, diferentes tipos de silos e seus custos.

Começa a safra, seu planejamento e começam também as dúvidas.

Uma das mais importantes é sobre o final dela: devo vender a minha produção ou armazená-la em silos?

As duas opções podem resultar em ganhos ou em perdas na rentabilidade.

Neste artigo, vamos mostrar as vantagens e desvantagens do armazenamento em silos para grãos, diferentes tipos e seus custos para que você tome a melhor decisão. Confira!

Armazenar ou vender os grãos?

O momento mais importante após a colheita é a comercialização. Todos pensam em vender seus grãos por um bom preço, mas qual seria o ponto-chave para maior rentabilidade? Planejamento!

Traçar uma estratégia de comercialização é fundamental para obter mais lucratividade.

Desde o momento da semeadura, você já deve pensar qual o melhor momento para vender seus grãos.

Para isso, a dica é colocar todos os custos de armazenamento na ponta do lápis.

Outro ponto importante é acompanhar o cenário econômico do Brasil e dos países produtores de grãos. Esse fato irá interferir diretamente no preço de venda, então fique atento.

Você pode ainda contar com a ajuda de um consultor que, analisando o mercado, pode te indicar qual o melhor momento para a venda.

Como já falamos aqui no Blog do Aegro, investir em diferentes modalidades de comercialização, de forma planejada, diminui riscos e aumenta as chances de uma venda rentável.

Mas observe com cautela quais modalidades se encaixam em seu perfil! Sobre isso, vamos falar mais a seguir.

silos para grãos

(Fonte: Bio Rural)

Armazenamento: silos para grãos

O armazenamento correto de seus grãos pode se refletir em maior lucratividade!

Mas antes de tomar essa decisão, você deve observar a situação atual de sua empresa rural

Você tem estrutura para armazenar seus grãos ou é parceiro de alguma cooperativa, por exemplo? 

O armazenamento deve ser planejado e está diretamente ligado à gestão de sua propriedade. 

Afinal de contas, não podemos perder uma boa safra no armazenamento!

Para planejar o armazenamento, conhecer as opções de mercados e custos dos silos é muito importante!

Por isso, abaixo vamos mostrar algumas opções para armazenamento de seus grãos e seus custos.

Tipos de silos para grãos e seus custos

Existem diversas formas de armazenar seus grãos. E, utilizando uma estrutura de qualidade, você terá mais tranquilidade para vender seus grãos.

Além disso, investindo em silos para armazenamento, você economiza com transporte e pode vender seus grãos na entressafra, o que se traduz em ganhos de até 55%!

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Silos metálicos

São fabricados em aço e construídos por empresas especializadas, com tempo médio de 6 meses para entrega – considerando um tamanho médio, com capacidade de 100 mil sacas.

Esses silos podem conservar seus grãos por aproximadamente um ano, não influenciando na qualidade do grão.

Possuem custo médio de R$ 2 milhões (fora os gastos com a base de concreto, que podem variar).

A durabilidade muda conforme as condições ambientais. As empresas citam por volta de 30 anos!

Silos bolsas

Essa opção é para quem busca uma solução rápida e com custo um pouco mais baixo.

Esse tipo de silo também é fabricado por empresas especializadas e o tempo de entrega normalmente é de algumas semanas.

Possui capacidade de 180t a 250 toneladas em cada bolsa. Os grãos podem ficar armazenados por até 18 meses.

Contudo, realize todos os cuidados necessários para evitar problemas com doenças.

O custo médio por bolsa é de R$ 1.500.

Apesar do baixo custo, o material tem uma durabilidade de apenas 18 meses após a armazenagem dos grãos.

Caso opte por esse tipo de silo, será necessária a utilização de uma máquina extratora de grãos, além de uma ensiladora ou embutidora.

Nesse caso, para diminuir os custos, você pode solicitar o serviço de empresas terceirizadas.

silos bolsas

(Fonte: Brasilagro)

Silo de concreto

Esse tipo de silo vem ganhando mercado principalmente nas regiões produtoras de milho e arroz!

São construídos com a supervisão de um especialista. A mão de obra pode ser contratada por você e a construção dura em média 20 dias.

Com uma capacidade de cerca de 1.800 toneladas e um custo médio de R$ 360 mil.

Quando armazenados nestes silos, em condições ideais, os grãos podem manter sua qualidade por até quatro safras. Além disso, eles têm alta resistência e durabilidade.

Contudo, antes de optar por este tipo de silo para grãos, planeje bem quais culturas pretende semear nas próximas safras!

Silos de alvenaria

Esse tipo de silo é bastante resistente, mas demanda manutenção periódica.

O tempo de construção depende muito do tamanho. Um silo pequeno (de até 600 sacas), por exemplo, leva em média uma semana para ficar pronto.

Fique atento, pois quanto menor o silo, maior é a manutenção da qualidade do grão! 

Em média, o tempo indicado para armazenagem para esse tipo de grão é de apenas um ano.

O custo varia de acordo com a região, ficando em torno de R$ 27 mil!

Se você optar por construir um destes silos em sua fazenda, confira a Instrução Normativa nº 15, do MAPA, de 09 de junho de 2004, pois seus grãos devem ser armazenados em condições ideais, conforme os padrões de comercialização.

silos para grãos

(Fonte: Cooperagri)

Silos para grãos: Armazenamento em cooperativas

Outra opção bastante utilizada por produtores é o armazenamento em conjunto nas cooperativas.

Atualmente, elas são responsáveis por 25% da capacidade estática de armazenagem no país.

Antes de optar por essa modalidade de armazenamento, observe pontos como:

  • Localização (tanto da cooperativa quanto de sua propriedade);
  • Acordos firmados para os cooperados;
  • Benefícios;
  • Obrigações;
  • Custo (transporte, taxas…).
armazenamento de silos

(Fonte: Globo Rural)

Silos para grãos: Qual escolher?

Após observar algumas das opções de silos disponíveis, é comum ter dúvidas sobre qual escolher.

Como vimos acima, existem diversos tipos de silos para grãos, com diferentes custos e especificidades.

Na hora de decidir qual silo utilizar ou implantar em sua propriedade, leve em consideração:

1. Gestão da propriedade

Quais grãos você costuma cultivar e quais pretende armazenar nesta safra e nas próximas?

Além disso, mantenha o registros das áreas colhidas, quantidade de cada uma delas e para onde foi cada produção.

aegro

Exemplo de gestão da colheita dentro do software agrícola Aegro.

2. Custo

Compare o custo de transporte de seus grãos. Observe também quais seriam seus custos caso resolva armazenar os grãos em silos de terceiros ou cooperativas. 

Além disso, leve em conta seus custos durante o armazenamento.

3. Planeje a safra

Planejando a semeadura, você consegue colher seus grãos em épocas diferentes, podendo planejar a logística de uso de seu silo. Além disso, sempre estime sua produtividade.

4. Manutenção do silo para grãos

Observe se o silo escolhido necessita de manutenção por profissionais especializados e quanto isso costuma custar.

Atenção! Antes de armazenar, lembre-se de verificar a umidade da massa de grãos. O processo de secagem é essencial para a manutenção da qualidade de seu produto.

>> Leia mais: “Entenda os diferentes métodos de amostragem de grãos e como eles podem impactar a comercialização da sua safra”

Conclusão

Após uma boa safra, escolher o momento certo para a comercialização é fundamental.

Neste artigo, você conferiu algumas dicas para definir se é melhor vender a produção logo após a colheita ou se armazenar é a melhor opção.

Mostramos os principais tipos de silos para grãos e os custos envolvidos na construção ou utilização de um silo terceirizado.

Espero que com essas informações, você consiga traçar estratégias para uma comercialização mais rentável.

>> Leia mais:
Secagem de grãos de milho: Quando vale a pena e como aprimorá-la
Secagem do arroz: tudo sobre esse processo
Qual o teor de umidade de armazenamento da soja?

Você realiza o armazenamento em silos para grãos ou vende logo após a colheita? Esperamos que este texto tenha sido útil para você. Assine nossa newsletter para receber nossos artigos em seu e-mail!

Lagartas na soja: como identificar e controlar

Lagartas na soja: principais diferenças entre elas, fases em que ocorrem danos na lavoura e os melhores métodos de controle.

Você já sabe que as lagartas causam muitos prejuízos quando não controladas. Nesta safra, por exemplo, estamos vendo surtos da Helicoverpa armigera em áreas de soja.

Você saberia identificar cada lagarta que afeta a cultura da soja, seus hábitos, coloração e danos que causam?

Tudo isso é muito importante para que você saiba exatamente quando e como agir para manter a fitossanidade da cultura.

Veja tudo isso neste artigo e faça um manejo ainda melhor na sua propriedade!

Lagartas que ocorrem na soja

As lagartas são a fase jovem dos insetos da ordem Lepidoptera, em que estão as borboletas e mariposas.

Nas lavouras, as lagartas das mariposas são as principais responsáveis por causar injúrias.

São diversas as espécies que ocorrem desde a fase inicial até a fase reprodutiva. 

As principais lagartas que atacam a cultura da soja são:

Vamos conhecer melhor cada uma delas a seguir!

Lagarta-elasmo (Elasmopalpus lignosellus

Lagarta-elasmo

Lagarta-elasmo
(Fonte: Bayer)

A lagarta-elasmo ou broca-do-colo é uma praga que ataca a soja logo no plantio. E, se não for controlada, pode danificar muito sua lavoura.

É importante saber que essa lagarta ocorre, preferencialmente, em solos mais arenosos. Além disso, ela necessita de períodos prolongados de seca para se estabelecer na fase inicial da cultura. 

As lagartas têm coloração inicial esverdeada, mas tornam-se mais amarronzadas conforme vão aumentando de tamanho (que pode chegar a 2 cm).

Possuem faixas transversais amarronzadas ou avermelhadas no dorso. 

Os sintomas de ataque são murcha e secamento das folhas, levando a planta à morte.

Isso ocorre devido ao seu hábito de fazer cortes e broqueamento nas plantas novas.

Lagarta-elasmo soja

Período de ocorrência da lagarta-elasmo
(Imagem adaptada de Instituto Phytus)

Lagarta-rosca (Agrotis ipsilon)

Lagarta-rosca

Lagarta-rosca
(Fonte: TD Monsanto) 

Assim como a lagarta-elasmo, a lagarta-rosca também ocorre na fase inicial da cultura. Porém, ela ocorre em solos mais úmidos e com grandes concentrações de matéria orgânica. 

Tanto os adultos como as lagartas possuem hábitos noturnos. As mariposas têm coloração parda ou marrom com envergadura das asas anteriores de cerca de 5 cm.

As lagartas, com coloração variável (sendo a mais comum a pardo-acinzentada), podem chegar a 4,5 cm de comprimento. Durante o dia, ficam abrigadas no solo. 

Elas se alimentam principalmente das hastes, mas atacam as sementes recém-germinadas da soja.

Podem causar sintomas como reboleiras com falhas na germinação, coração morto e plântulas com murchamento. 

Lagarta-rosca soja

Período de ocorrência da lagarta-rosca
(Imagem adaptada de Instituto Phytus)

Lagarta-da-soja (Anticarsia gemmatalis

É a lagarta desfolhadora mais comum em todo o território nacional. E, por ser desfolhadora, a lagarta-da-soja começa a aparecer no estádio vegetativo V2

As lagartas menores possuem coloração verde e podem ser confundidas com a lagarta-falsa-medideira, pois também costumam medir palmos. 

Lagartas maiores, com cerca de 1,5 cm de comprimento, podem ter coloração tanto esverdeadas como amarronzadas. Elas ainda apresentam três linhas brancas longitudinais no dorso. 

A lagarta-da-soja se alimenta do terço superior das plantas e, conforme vão se tornando maiores, a desfolha aumenta. Dependendo da densidade da população, podem se alimentar até mesmo de flores e vagens. 

lagarta-da-soja

Período de ocorrência da lagarta-da-soja
(Imagem adaptada de  Instituto Phytus)

Lagarta-falsa-medideira (Chrysodeixis includens)

Lagarta-falsa-medideira

Lagarta-falsa-medideira
(Foto: Bayer)

Outra lagarta desfolhadora é a lagarta-falsa-medideira. Ela tem sido um problema grande nas lavouras de soja, principalmente quando seus surtos ocorrem junto com a lagarta-da-soja.

Quando eclodem, as lagartas têm coloração verde-clara e, ao se alimentarem, podem apresentar uma cor mais verde-amarronzada.

Possuem listras longitudinais brancas com pontuações pretas no dorso

Esta lagartas são assim conhecidas porque se locomovem “medindo palmo”, com dois pares de pernas abdominais. 

Localizam-se no terço inferior das plantas e consomem as folhas sem atingir as nervuras, deixando um aspecto rendilhado. 

Lagarta-falsa-medideira soja

Período de ocorrência da lagarta-falsa-medideira
(Imagem adaptada de Instituto Phytus)

Lagarta-das-maçãs (Chloridea (=Heliothis) virescens)

Lagarta-das-maçãs

Lagarta-das-maçãs 
(Fonte: Pioneer Sementes)

A lagarta-das-maçãs é a principal praga do algodoeiro, mas se tornou extremamente polífaga nas últimas décadas, atacando diversas outras culturas, como a soja. 

As lagartas inicialmente têm coloração verde-claro e, com o tempo, se tornam mais amarronzadas, podendo atingir até 2,5 cm de comprimento. 

Elas se alimentam dos ponteiros das plantas, começando pelas folhas novas, passando para as brácteas até atingir flores e botões florais.

Os sintomas típicos são diminuição das flores e consequente redução da produção de vagens. 

Lagarta-das-maçãs soja

Período de ocorrência da lagarta-das-maçãs
(Imagem adaptada de Instituto Phytus)

Lagarta-do-cartucho (Spodoptera spp.)

Lagarta-do-cartucho

Complexo de Spodoptera spp.
(Fonte: Lavoro)

As lagartas do complexo de Spodoptera têm uma grande importância econômica na soja, devido à voracidade das espécies.

A espécie Spodoptera frugiperda causa danos, principalmente, nas plântulas. Spodoptera eridania e S. cosmioides atacam tanto na fase vegetativa como na reprodutiva. 

As espécies possuem características morfológicas distintas e, por isso, há a necessidade de melhor detalhamento na identificação. 

Podem atacar desde as plântulas até as vagens. Inicialmente, causam sintomas semelhantes à lagarta-rosca, pois cortam as plântulas rente ao solo.

E, quando atacam na fase reprodutiva, se abrigam no interior das plantas. 

Período de ocorrência da lagarta-do-cartucho
(Imagem adaptada de Instituto Phytus)

Como controlar as lagartas na soja?

Para controlar as lagartas na soja, não existe apenas um método que irá acabar com todas elas.

No Manejo Integrado de Pragas (MIP), você deve iniciar com a base, que é o monitoramento, e partir para o controle após a tomada de decisão

Após realizar o monitoramento, você poderá utilizar vários métodos de controle das lagartas que podem prejudicar sua lavoura.

Dentre os métodos, podemos citar controle cultural, controle genético, controle biológico e controle químico. Mas você poderá decidir por outros métodos também.

Vamos ver melhor cada um deles a seguir:

Controle cultural 

Em diversas culturas é possível realizar a rotação de culturas para controlar lagartas. Porém, na soja, as lagartas são muito polífagas e a rotação não surtiria muito efeito.

Mas você poderá utilizar técnicas que vão melhorar a sanidade da lavoura, que ficará mais resistente ao ataque dessas pragas

Algumas ações que irão te ajudar nisso:

  • Destruição de restos culturais;
  • Adubação de maneira correta;
  • Plantar na época adequada;
  • Destruição de hospedeiros alternativos;
  • Tratamento de sementes. 

Controle genético

Existem variedades de soja modificadas geneticamente, como a Intacta RR2 PRO®, e variedades selecionadas com resistência natural a insetos. 

As tecnologias com a proteína Bt (Bacillus thuringiensis) conferem resistência à maioria das lagartas aqui citadas. 

É importante lembrar que, quando você for utilizar uma variedade resistente, é necessário que se faça o plantio da área de refúgio, para não haver seleção de insetos resistentes.

Controle biológico 

O controle biológico dos lepidópteros-praga na cultura da soja pode ser feito com micro e com macroorganismos.

Pode ocorrer de forma natural, com organismos presentes na cultura, ou você pode aplicar, de forma inundativa, adquirindo em empresas especializadas na produção desses agentes. 

Alguns exemplos de organismos para controle de lagartas na soja:

  • Baculovirus;
  • Beauveria bassiana;
  • Bacillus thuringiensis
  • Trichogramma pretiosum

Controle químico

Não mais importante que os demais tipos de controle, no manejo integrado de pragas você pode realizar o controle com inseticidas, desde que seja de forma consciente. 

Aplicar de forma calendarizada de nada vai contribuir para a redução das pragas a longo prazo. Pelo contrário, você talvez irá gastar mais do que precisava e ainda poderá piorar a situação das pragas. 

Então, sempre que for utilizar um inseticida para controle das lagartas, consulte um Eng. agrônomo(a) e leia a bula.

Existem vários inseticidas registrados no Agrofit (MAPA), mas aconselho você a optar por aqueles mais seletivos aos inimigos naturais.

E também fique atento à tecnologia de aplicação, pois, como você viu, algumas lagartas ficam mais no terço inferior e outras no terço superior das plantas.

Nos artigos a seguir, temos mais orientações sobre o controle químico:

planilha manejo integrado de pragas MIP Aegro, baixe agora

Conclusão

Neste artigo, você viu as principais lagartas na soja. Algumas podem atacar apenas na fase inicial da cultura e outras atacam desde a fase inicial até a fase reprodutiva.

Foi possível ver que os sintomas são bastante característicos, o que vai te ajudar a identificar melhor as pragas.

Para controlar as lagartas, o ideal é que você faça o manejo integrado de pragas com várias táticas em conjunto para melhor resultado.

>> Leia mais:

“Novidade no mercado de defensivos: inseticida Plethora”

Como fazer o MIP da soja

Como você faz o controle das lagartas na soja hoje? Qual sua maior dificuldade? Adoraria ler seu comentário! 

Herbicidas para soja: Manejo certeiro sem prejudicar a lavoura

Herbicidas para soja: Produtos mais recomendados, dicas para manejo em tempo seco e como evitar fitotoxidade na lavoura.

Alguns grandes problemas no manejo de plantas daninhas vêm assustando os sojicultores e impedindo o aumento da produtividade

Produtores enfrentam a buva resistente a 5 mecanismos de ação, dispersão de capim-amargoso para novas áreas, só para citar alguns exemplos.

Além disso, devido à seca em diversas regiões do país, foi difícil fazer um bom manejo de daninhas na entressafra.

Saiba como fazer um manejo eficiente de herbicidas para soja, mesmo nesses casos difíceis, e evite problemas em sua área!

Herbicidas para soja: Manejo de plantas daninhas 

É primordial que o manejo de plantas daninhas na cultura da soja comece na entressafra, pois neste período temos mais ferramentas disponíveis. 

Atenção: plante no limpo a soja, pois a cultura tolera poucos dias de convivência com plantas daninhas (próximo a 12 dias). 

Devido ao padrão de seletividade de herbicidas para soja, priorize o controle de folhas largas na entressafra, como buva e picão preto. 

Existem poucos herbicidas que podem ser aplicados em pós-emergência para controle de daninhas de folha larga que não afetem a soja (ou causem pequena fito). 

Além disso, nesta safra houve inúmeros problemas com a dessecação das daninhas na entressafra. Por causa do tempo seco, muitos produtos perdem eficiência se não aplicados da maneira certa.

Devido à evolução, as plantas criaram mecanismos de impedir a perda de água excessiva em períodos de estiagem prolongada. Um exemplo é o aumento da quantidade de cera na superfície da folhas e desenvolvimento de estruturas que impeçam a perda de água. 

Além disso, a maioria dos herbicidas atua em rotas bioquímicas que, durante o período seco, tem menor atividade – diminuindo inclusive o transporte destes produtos. 

Por isso vou te dar algumas dicas para melhorar o manejo de plantas daninhas em períodos secos:

herbicidas para soja

(Foto: Ururau)

7 dicas para o manejo de plantas daninhas no período seco

Dica 1: 

Mesmo com o tempo seco, se possuir plantas daninhas de difícil controle em sua área (como buva e amargoso), faça uma aplicação no começo da entressafra. Assim, você pega essas daninhas em estádio inicial e trava seu crescimento. 

Dica 2:

Aplique herbicidas pré-emergentes para controlar os primeiros fluxos de emergência no início da chuva. 

Dica 3: 

Utilize uma boa tecnologia de aplicação e mantenha seu pulverizador sempre calibrado. 

Dica 4: 

Tente aplicar nos períodos mais favoráveis do dia, ainda que seja de madrugada. 

Atenção! Produtos que precisam de luz para agir (ex: paraquat e saflufenacil) podem ter um melhor efeito se aplicados de madrugada, mas o dia seguinte não pode amanhecer nublado! 

buva Embrapa

(Foto: Embrapa)

Dica 5: 

Espere de dois a três dias após uma chuva para que as plantas daninhas se restabeleçam antes de uma aplicação.  

Dica 6: 

Evite volumes de calda reduzidos: utilize no mínimo 100 L ha-1. Quando aplicamos herbicidas de contato, este volume deve ser ainda maior, sendo indicado no mínimo 200 L ha-1.

Dica 7:  

Ao dessecar forrageiras como Brachiaria, tenha certeza que não haverá rebrota ou que a matéria morta não prejudicará a soja (estiolamento e alelopatia).

Herbicidas aplicados na pré-emergência da soja 

Diclosulam 

Quando aplicar: herbicida com ação residual para controle de banco de sementes, utilizado nas primeiras aplicações do manejo outonal.

Espectro de controle: ótimo controle de folhas largas (ex: buva) e algumas gramíneas (ex: capim-amargoso). 

Dosagem recomendada: 29,8 a 41,7 g ha-1.

Pode ser misturado com: associado a herbicidas sistêmicos (ex: glifosato e 2,4 D).

Cuidados: o solo deve estar úmido. 

Flumioxazin 

Quando aplicar: herbicida com ação residual para controle de banco de sementes. Utilizado nas primeiras aplicações do manejo outonal ou no sistema de aplique plante da soja.

Espectro de controle: ótimo controle de folhas largas e algumas gramíneas.

Dosagem recomendada: 40 a  120 g ha-1.

Pode ser misturado com: herbicidas sistêmicos (ex: glifosato; 2,4 D e imazetapir).

Sulfentrazone

Quando aplicar: herbicida com ação residual para controle de banco de sementes, utilizado na primeira aplicação do manejo outonal.

Espectro de controle: ótimo controle de plantas daninhas de folhas largas e bom controle de algumas gramíneas. 

Dosagem recomendada: 0,5 L ha-1, pois apresenta grande variação na seletividade de cultivares de soja.

Pode ser misturado com: herbicidas sistêmicos (ex: glifosato; 2,4 D; chlorimuron e clomazone).

Recomendado principalmente para áreas onde também ocorre infestação de tiririca!

Metsulfuron

Quando aplicar: herbicida com ação residual para controle de banco de sementes, utilizado na primeira aplicação do manejo outonal.

Espectro de controle: ótimo controle de plantas daninhas de folhas largas (picão preto, leiteiro, buva e guanxuma). 

Dosagem recomendada: 3,0 a 4,0 g ha-1.

Pode ser misturado com: herbicidas sistêmicos (ex: glifosato e 2,4 D).

Cuidados: deixe um intervalo de no mínimo 60 dias, entre a aplicação do herbicida e a semeadura de soja

S-metolachlor 

Quando aplicar: herbicida com ação residual utilizado no sistema de aplique plante da soja.

Espectro de controle: gramíneas de semente pequena (ex: capim-amargoso, capim-pé-de-galinha).

Dosagem recomendada:1,5 a 2,0 L ha-1.

Pode ser misturado com: herbicidas sistêmicos (ex: glifosato).

Cuidados: não deve ser aplicado em solos arenosos. O solo deve estar úmido, com perspectivas de chuva. 

Trifluralina 

Quando aplicar: herbicida com ação residual, utilizado na primeira aplicação do manejo outonal.

Espectro de controle: gramíneas de semente pequena (ex: capim-amargoso e capim-pé-de-galinha).

Dosagem recomendada: 1,2 a 4,0 L ha-1 dependendo da planta daninha a ser controlada e nível de cobertura do solo.

Pode ser misturado com: herbicidas sistêmicos (ex: glifosato e graminicidas).

Cuidados: deve ser aplicado em solo úmido e livre de torrões. Formulações antigas têm problemas com fotodegradação (necessidade de incorporação).

Eficiência muito reduzida em solo com grande quantidade de palha ou durante grande período de seca.  

Clomazone

Quando aplicar: herbicida com ação residual no sistema de plante aplique.

Espectro de controle: gramíneas de semente pequena (ex: capim-colchão, capim-pé-de-galinha) e algumas folhas largas de sementes pequena.

Dosagem recomendada: 1,6 a 2,0 L ha-1 dependendo da planta daninha a ser controlada e nível de cobertura do solo.

Pode ser misturado com: herbicidas sistêmicos (ex: glifosato) e sulfentrazone.

Cuidado com deriva em culturas suscetíveis vizinhas! 

fitotoxicidade em soja

Sintoma de fitotoxicidade em soja
(Fonte: Gazziero e Neumaier)

Herbicidas aplicados na pós-emergência da soja

Cloransulam

Quando aplicar: herbicidas para controle de folhas largas na soja. Geralmente utilizado para segurar o desenvolvimento de buva mal dessecada na entressafra. 

Espectro de controle: folhas largas (ex: picão preto, corda de viola, trapoeraba e buva).

Dosagem recomendada: 23,8 a 47,6 g ha-1, dependendo da planta daninha a ser controlada e estádio de desenvolvimento. 

Pode ser misturado com: herbicidas sistêmicos (ex: glifosato).

Cuidado com o efeito “guarda-chuva” na soja: o produto deve chegar no alvo. 

Clethodim

Quando aplicar: herbicidas com ótimo controle de gramíneas em estádio inicial: 2 a 4 perfilhos. Pode ser usado no manejo sequencial de touceiras. 

Espectro de controle: gramíneas (ex: capim-colchão, capim-pé-de-galinha e capim-amargoso) e milho tiguera até v4. 

Dosagem recomendada: 0,6 a 1,0 L ha-1, dependendo da planta daninha a ser controlada e estádio de desenvolvimento. 

Pode ser misturado com: herbicidas sistêmicos (ex: glifosato).

Cuidados: possui antagonismo com 2,4D. Quando misturar, aumente em 20% a dose de clethodim. 

Além deste graminicida, existem vários outros produtos no mercado que possuem variação de eficiência, dependendo da planta daninha. O haloxyfop, por exemplo, é mais eficiente no controle de milho tiguera mais desenvolvido. 

Glifosato

Quando aplicar: herbicida não seletivo (amplo espectro) utilizado apenas em soja RR.

Espectro de controle: folhas largas e folhas estreitas.

Dosagem recomendada: 2,0 a 6,0 L ha-1, dependendo da planta daninha a ser controlada e estádio de desenvolvimento. 

Pode ser misturado com: herbicidas sistêmicos e pré-emergentes (ex: Clethodim e Cloransulam).

Cuidados: existem muitas plantas daninhas com resistência, porém, é uma excelente ferramenta de manejo para as demais daninhas. 

É importante que a recomendação de produtos fitossanitários seja feita por um(a) agrônomo(a), mas o produtor deve estar sempre atento a novas informações para auxiliar em sua recomendação! 

Conclusão

Neste artigo, vimos as principais dicas para um manejo eficiente em épocas secas.

Apresentamos as principais ferramentas de controle químico que podem ser utilizadas na cultura e seu posicionamento correto para não ocasionar danos ao cultivo.  

Com essas informações, tenho certeza que você irá realizar um bom manejo de herbicidas para soja!

>> Leia Mais: “Alternativas ao Paraquat de dessecar soja para colheita

Quais herbicidas para soja você utiliza hoje? Qual é a principal invasora da sua lavoura? Baixe gratuitamente aqui o Guia para Manejo de Plantas Daninhas e faça o melhor controle!

Florada do citros: 3 manejos essenciais para garantir uma boa produção

Florada do citros: Irrigação, recomendação de  adubação mineral e foliar, controle de doenças e outras recomendações para a melhor produtividade do pomar!

A ocorrência de florescimentos fracos e de doenças nas flores é um problema comum em citros.

Assim como para outras frutíferas perenes, a florada é apenas o primeiro passo em direção a uma boa produção.

Por isso, precisamos estar atentos às condições ambientais, nutricionais e fitossanitárias de nosso pomar.

Confira a seguir como podemos fazer os melhores manejos para uma boa florada e, consequentemente, para uma boa produção!

Florada do citros: Fisiologia do florescimento do citros

Para entender o manejo, precisamos conhecer um pouco a respeito da fisiologia do florescimento.

As plantas cítricas quando cultivadas em clima subtropical apresentam de 2 a 5  fluxos de crescimento durante o ano.

O fluxo de primavera, que ocorre do final de julho a meados de setembro, após o repouso fisiológico, é o precursor da principal florada dos citros.

Já em regiões de clima tropical (mais quentes), o crescimento e o florescimento podem ocorrer durante todo o ano, desde que ocorra a indução.

O principal fator responsável pela indução do florescimento das plantas cítricas é o estresse hídrico.

Apesar de simples e belo, a florada do citros é um processo complexo, que envolve a ação conjunta de fatores endógenos e exógenos

O teor de carboidratos e de hormônios, assim como a temperatura média do ar e as relações hídricas e nutricionais, são alguns deles.

As perfumadas flores cítricas se formam em inflorescências, que são conjuntos de flores que podem ou não apresentar folhas.

Isso ocorre de acordo com as condições ambientais que a planta passa durante a época de indução.

Em grande parte das cultivares cítricas, é nas inflorescências com folhas que ocorre maior fixação das flores e, consequentemente, mais frutos.

Isso acontece graças a melhor condição endógena proporcionada pela folha, presença de carboidratos, hormônios, entre outros.

florada do citros

Esquema do tipos de inflorescências formadas nas plantas cítricas: inflorescências sem folhas (1 e 2); inflorescências com folhas (3 e 4) e ramo vegetativo sem flores (5).
(Adaptado de Yair Erner e Ilan Shomer, 1996).

Desenvolvimento floral

O desenvolvimento floral apresenta 7 estágios diferentes antes da fixação e desenvolvimento do fruto, como você pode ver na figura abaixo:

estágio floral do citros

Estágio de desenvolvimento floral dos citros. (R1) botões verdes cobertos pelas folhas; (R2) botões verdes cobertos pelas sépalas; (R3) botões brancos; (R4) botões brancos alongados ‘cotonete’; (R5) flores abertas; (R6) queda das pétalas (70% de queda) e (R7) frutificação ‘chumbinho’.
(Adaptado de Silva-Júnior et al., 2014)

De forma geral, esse é o processo da florada do citros.

Agora que entendemos e conhecemos a fisiologia, confira a seguir 3 manejos essenciais para não errar e aumentar a produção!

Florada do citros: 3 manejos essenciais para aumentar a produção

1. Irrigação

Como vimos, o estresse hídrico é essencial para a indução do florescimento das plantas cítricas.

Porém, as plantas cítricas demandam cerca de 900 mm a 1.200 mm de chuvas por ano, sendo este um fator limitante para a sua produção.

A produção de citros em regiões cujo déficit hídrico anual supere 300 mm, exige a instalação de um sistema de irrigação.

Muitas vezes nos prendemos muito à quantidade de chuva e nos esquecemos da distribuição delas ao longo do ano.

Períodos de déficit hídrico superiores a 2 meses podem reduzir drasticamente nossa produção.

Para atingirmos bons níveis produtivos, a demanda hídrica nos meses de verão pode chegar a até 4 mm/dia. No inverno, isso varia de 2 a 3 mm/dia.

Lembre-se: a demanda hídrica pode variar

Além dos aspectos ambientais, ela também é alterada pela copa/porta-enxerto usado, características do solo, espaçamento, idade da planta, sanidade, entre outros.

2. Adubação

O manejo da adubação dos citros é essencial para seu ciclo produtivo. E deve ser realizado sempre com base em análises de solo e folha. 

Normalmente, a adubação é realizada na época das águas (de setembro a março), englobando a pré-florada e o pós-florada. 

Esta é a época de maior demanda nutricional da planta, onde se concentra o crescimento vegetativo, florescimento e fixação de frutos.

Normalmente, o adubo deve ser aplicado em faixas de largura igual ao raio da copa da planta, sendo dois terços dentro e um terço fora da mesma.

O parcelamento é uma técnica comum e recomendada, podendo ser feito em duas ou três vezes no período chuvoso.

Confira na tabela que eu separei:

Época de aplicação e parcelamento de nitrogênio, fósforo e potássio em plantas cítricas de 2 ou mais anos.
(Adaptado de Embrapa Informação Tecnológica, 2005).

Os micronutrientes também são essenciais para o bom desenvolvimento das plantas e falarei deles mais à frente!

Nos últimos anos, as técnicas de fertirrigação e adubação foliar se destacaram como essenciais para a melhora da florada dos citros.

>> Leia mais: “Como fazer amostragem de solo com estes 3 métodos diferentes.

Adubação foliar para florada do citros

A adubação foliar na citricultura ganhou espaço devido à crescente produtividade dos pomares cítricos, buscando complementar a nutrição via solo. 

A técnica busca a manutenção ou correção dos níveis nutricionais das plantas, principalmente no que diz respeito aos micronutrientes.

Os principais micronutrientes aplicados via foliar são: manganês (Mn), molibdênio (Mo), zinco (Zn), cobre (Cu) e boro (B).

As adubações foliares devem ser realizadas nas épocas de fluxos de crescimento (primavera – verão), sempre nas horas mais amenas do dia.

Enquanto as brotações ainda são novas, sua cutícula ainda não está completamente desenvolvida e isso permite melhor absorção dos nutrientes.

Alguns macronutrientes também podem ser aplicados via foliar buscando melhorias na florada do citros. É o caso do nitrogênio (N) e do cálcio (Ca).

Mas, lembre-se: devido à elevada demanda dos macronutrientes, estes não devem ser restritos à adubação foliar.

Muitas vezes a adubação foliar é realizada em conjunto com defensivos agrícolas, desde que haja compatibilidade entre eles.

Fertirrigação

As principais vantagens desta técnica são a aplicação localizada e em solo molhado dos fertilizantes, via água de irrigação.

A projeção da copa engloba maior quantidade de raízes ativas, portanto, otimizamos a absorção de nossos fertilizantes.

Mas, como nem tudo são flores, para usarmos a fertirrigação precisamos que nosso pomar já possua sistema de irrigação instalado.

Além disso, precisamos que nossos fertilizantes estejam completamente solubilizados na água para que não ocorram entupimentos.

O uso dessa técnica exige monitoramento constante para que não aconteça salinização do solo, especialmente na região do bulbo de molhamento.

comportamento do bulbo

Comportamento do bulbo de molhamento em solo argiloso e arenoso.
(Fonte: Solo, planta e atmosfera: conceitos, processos e aplicações. Reichardt & Timm, 2004.)

3. Controle fitossanitário

As plantas cítricas apresentam uma grande quantidade de pragas e doenças que interferem em seu desenvolvimento – e durante a florada não é diferente.

As flores cítricas são alvo do fungo chamado Colletotrichum acutatum, causador da chamada podridão-floral ou “estrelinha”.

florada do citros

Flor saudável (1)  e flor atacada pelo fungo Colletotrichum acutatum (2)
(Fontes: (1) Marcelo Brossi Santoro e (2) Fundecitrus)

Esse fungo infecta flores e frutos jovens levando à queda das flores e, consequentemente, reduzindo a produção das plantas.

As fases R3, R4 e R5 vistas no decorrer do artigo são as mais críticas à infecção do fungo.

O controle deve ser realizado preventivamente no pré-florescimento, com fungicidas do grupo das estrobilurinas e triazóis. 

Mas atenção! Longos períodos de chuva favorecem infecção.

Florada do citros: Particularidade da florada da ponkan

A ponkan (Citrus reticulata) é uma das cultivares de tangerinas mais produzidas no Brasil e no mundo.

Sua maturação, no estado de São Paulo, é considerada de precoce à meia estação, ocorrendo nos meses de abril a junho.

Apesar de ser amplamente cultivada, as tangerinas ponkan apresentam uma particularidade a qual devemos nos manter atentos.

Embora a fisiologia básica seja a mesma, as tangerinas Ponkan podem apresentar a chamada alternância produtiva.

Isso acontece devido a um desbalanço entre as fases vegetativa e reprodutiva da planta, levando a prejuízos na produtividade e trazendo impacto sobre a qualidade dos frutos.

O principal responsável por esse desbalanço é o florescimento excessivo

Esse florescimento exagerado pode esgotar as reservas energéticas das plantas, levando a uma produção muito baixa ou até mesmo nula no ano seguinte.

Portanto, o uso de técnicas que redução da florada podem e devem ser aplicadas de forma preventiva ou corretiva.

As principais técnicas comercialmente utilizadas são o uso de reguladores de crescimento, poda e raleio químico ou manual.

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Conclusão

Neste artigo, pudemos perceber que a florada dos citros pode ser afetada por diversos fatores: demanda hídrica, nutricional e aspectos sanitários.

Por isso, precisamos nos manter atentos, sempre alinhando as técnicas de manejo às necessidades fisiológicas e particularidade de nossas plantas.

Dessa forma, transformaremos uma bela florada numa bela produção!

>> Leia mais:
Como não errar na implantação do pomar de laranja valência
Tudo sobre o manejo da Laranja Hamlin

E você: qual manejo não abre mão na florada do citros? Conte pra gente nos comentários!