5 principais plantas daninhas do milho e tudo o que você precisa saber sobre seus manejos

Plantas daninhas do milho: conheça as principais infestantes e o que fazer para controlá-las

O milho é uma cultura extremamente responsiva ao manejo e, a cada ano que passa, são lançados híbridos mais produtivos no mercado. 

Entretanto, infestações de plantas daninhas podem causar prejuízos significativos em sua rentabilidade, podendo diminuir em até 87% a produtividade da lavoura.

Assim, é importante conhecer as principais plantas daninhas do milho e saber como manejá-las para garantir que o potencial produtivo será alcançado. Confira a seguir!

Estratégias de manejo de plantas daninhas do milho

O milho é a principal cultura utilizada em sucessão com a soja no Brasil, semeando-se soja na safra principal (verão) e milho na segunda safra (inverno). 

Para ter sucesso neste sistema de sucessão, é comum semear variedades de soja de ciclo curto logo após o final do vazio sanitário. E, logo após a colheita da soja, já é feita a semeadura do milho (muitas vezes isso ocorre no mesmo dia). 

Assim, como não existe intervalo entre os cultivos de soja e milho, o manejo de plantas daninhas do milho deve ser pensado muito antes. 

O foco deve ser sempre semear milho no limpo, principalmente sem infestação de gramíneas, pois como o milho é uma gramínea, o número de herbicidas que podem ser utilizados é muito reduzido. 

Já no milho de verão (muito semeado para silagem), o manejo é mais simples. Isso porque pode-se realizar o controle na entressafra,cuidando principalmente para não haver problemas com efeito residual de herbicidas na cultura.

Foto de plantas daninhas do milho

Lavoura de milho infestada por plantas daninhas

(Fonte: Paraquat Information Center)

Principais plantas daninhas do milho

Capim-amargoso (Digitaria insularis

O capim-amargoso é uma das principais plantas daninhas do Brasil. Ocorre em grande parte do território nacional e é considerada uma planta de difícil controle, pois possui casos de resistência a herbicidas e algumas características morfológicas que prejudicam a ação desses produtos. 

É uma planta daninha de ciclo perene, herbácea, entouceirada, ereta e que produz rizomas (estruturas de reserva). 

Sua grande dispersão está associada principalmente à grande capacidade de produzir sementes (mais de 100 mil sementes por inflorescência) e fácil dispersão através do vento. 

Uma das características que torna essa planta daninha de difícil controle é a formação de rizomas a partir de 45 dias após a emergência. Isso lhe confere uma capacidade muito grande de recuperação da injúrias de herbicidas. 

Recomendação de manejo

É muito importante que o manejo do capim-amargoso seja realizado antes da semeadura, evitando ao máximo a ocorrência de touceiras dessa daninha no milho. 

Caso ocorram touceiras em sua área, recomenda-se que atrase a semeadura do milho para controlá-las antes do plantio (tenha cuidado com o período residual dos graminicidas). Outra opção é plantar trigo, o que dará uma maior janela para manejo. 

Caso sua área já tenha apresentado um infestação muito grande de capim-amargoso nas culturas anteriores, provavelmente o banco de sementes possui muitas reservas desta planta daninha. 

Assim, recomenda-se o uso de herbicidas pré-emergentes como: trifluralina, s-metolachlor e pyroxasulfone+flumioxazin.

Caso ocorram plantas pequenas em sua área (até 3 perfilhos), os herbicidas nicosulfuron, tembotrione e mesotrione podem ter um bom nível de controle.  

Em híbridos com a tecnologia Liberty Link, o herbicida glufosinato de amônia também pode ser utilizado em plantas pequenas. 

Já para plantas maiores não há produtos que sejam eficientes no controle de capim-amargoso (devido à resistência a glifosato). 

Para os próximos anos, em híbridos com a tecnologia Enlist, será possível utilizar haloxyfop na pós-emergência do milho, o que auxiliará no manejo do capim-amargoso. 

Capim-pé-de-galinha (Eleusine indica)

O capim-pé-de-galinha (Eleusine indica) infesta quase todas as regiões do Brasil e vem ganhando mais importância no últimos anos devido aos casos de resistência a herbicidas. 

O capim-pé-de-galinha é uma planta daninha de ciclo anual (120 a 180 dias), que se reproduz por sementes, sendo capaz de produzir mais de 120 mil sementes por planta, facilmente disseminadas pelo vento. 

Além disso, essa daninha perfilha muito cedo e, a partir de 3 perfilhos, os herbicidas começarão a ter menor eficiência de controle. 

Recomendação de manejo

O manejo de capim-pé-galinha é muito semelhante ao descrito para capim-amargoso. Entretanto, é recomendável que o controle seja realizado em plantas com menos de 2 perfilhos.

Essa planta daninha, quando pequena, é bem prostrada e pode estar escondida embaixo da palha de sua área. Por isso, tome cuidado no monitoramento.  

Buva (Conyza sp.) 

A buva é uma das plantas daninhas com maior importância no Brasil, pois ocorre em grande parte do território nacional e possui vários casos de resistência a herbicidas. 

Possui grande capacidade de hibridizar (cruzar com outras plantas do gênero Conyza), por isso sua classificação correta (espécie) é feita somente em laboratório.  

Essas espécies têm ciclo anual, são eretas, xom ramos e folhas pubescentes, e propaga-se exclusivamente por sementes.  

A grande dispersão de buva em nosso país está associada à grande capacidade de produção de sementes, que podem ser facilmente disseminadas pelo vento, podendo ser carregadas a até 1,5 km de distância.

A germinação de suas sementes ocorre no período de outono-inverno, geralmente nos meses de junho a setembro, muitas vezes coincidindo com o final do ciclo do milho. 

Recomendação de manejo

Para controle da buva na pós-emergência do milho safrinha, é possível utilizar a associação de atrazina + tembotrione.

Caso o milho tenha tecnologia Liberty Link, pode-se utilizar glufosinato de amônia no manejo de buva para plantas pequenas ou no manejo sequencial. 

Nos próximos anos, para híbridos com a tecnologia Enlist, deve haver a opção de utilizar 2,4 D em doses maiores na pós-emergência do milho, o que auxiliará no manejo de buva. 

Além do manejo químico, o uso de consórcio de milho com braquiária tem sido muito efetivo no manejo da buva. 

Foto de plantas daninhas no milho, perto do solo

Infestação de buva logo após a colheita do milho

(Fonte: Albrecht, A.J.P. e Albrecht, L.P.)

Picão-preto (Bidens sp.)

O picão-preto (Bidens pilosa ou Bidens subalternans) é uma planta daninha de ciclo anual e pode ser encontrada em quase todo o território nacional.

É possível realizar a diferenciação entre as duas principais espécies presentes no Brasil pela quantidade de arestas nos aquênios (B. pilosa 2-3 aristas e B. subalternans 4 aristas).

O picão-preto se reproduz por sementes – pode produzir de 3 mil a 6 mil sementes. Estas possuem um mecanismo de dormência que possibilita emergirem em períodos mais favoráveis, o que a torna mais competitiva. 

A principal forma de disseminação destas sementes ocorre por meio de animais, máquinas e implementos agrícolas.

Recomendação de manejo

Para o controle de picão-preto em milho convencional, recomenda-se a aplicação de atrazina na pré-emergência da planta daninha. Dependendo da infestação, é necessária uma aplicação complementar em pós-emergência. 

Atualmente, em híbridos com a tecnologia RR, o glifosato tem sido muito eficiente no controle do picão-preto. Porém, fique atento, pois recentemente foi registrada resistência de picão-preto a glifosato no Paraguai.  

Caso o milho tenha tecnologia Liberty Link, pode-se utilizar glufosinato de amônia no manejo de plantas pequenas ou no manejo sequencial. 

Já nos próximos anos, para híbridos com a tecnologia Enlist, haverá a opção de utilizar 2,4 D em doses maiores na pós-emergência do milho, o que auxiliará no manejo de picão-preto.

Amendoim bravo ou leiteiro (Euphorbia heterophylla)

O leiteiro (Euphorbia heterophylla L.) é uma planta daninha de ciclo anual, com alta capacidade de multiplicação, crescimento e desenvolvimento (podendo atingir até 2 m de altura). 

As sementes do leiteiro são consideradas grandes e não são disseminadas pelo vento, tendo a capacidade de permanecer viáveis por muitos anos. 

Além disso, podem germinar o ano todo, pois estão adaptadas a uma ampla faixa de temperatura, umidade e a solos com diferentes características. 

A principal forma de disseminação das sementes ocorre por meio de animais, máquinas e implementos agrícolas.

Recomendação de manejo

Para o controle químico de leiteiro em milho convencional, recomenda-se a aplicação de atrazina, atrazine+s-metolachlor ou atrazine+simazine em sistema de plante-aplique. 

Atualmente, em culturas RR, o glifosato tem sido muito eficiente no controle desta planta daninha no milho. Porém, recentemente, foi identificada uma população de leiteiro resistente a glifosato em nosso país. Por isso, fique atento.   

Caso o milho tenha tecnologia Liberty Link, pode-se utilizar glufosinato de amônia no manejo de plantas pequenas ou no manejo sequencial. 

Com a entrada da tecnologia Enlist, também haverá a opção de utilizar 2,4 D em doses maiores na pós-emergência do milho.

planilha de produtividade de milho

Conclusão

Para garantir uma lavoura mais produtiva é preciso controlar a presença de invasoras. Neste artigo, você acompanhou as particularidades do controle de plantas daninhas do milho e a importância de semear no limpo.

Também conferiu as principais ervas daninhas que afetam a cultura, bem como suas características e indicações de manejo.

Com essas recomendações, faça o controle certeiro e obtenha resultados melhores em sua propriedade!

>> Leia mais:

“Tudo a respeito do novo herbicida terbutilazina”

“Capim-rabo-de-raposa (Setaria Parviflora): guia de manejo”

Quais plantas daninhas do milho você tem mais dificuldade em controlar? Adoraria ver seu comentário abaixo!

Guia rápido para controle das 5 principais plantas daninhas do arroz

Plantas daninhas do arroz: como planejar o manejo e os métodos de controle químicos e alternativos para sua lavoura!

Guia rápido para controle das 5 principais plantas daninhas do arroz

Fazer um controle eficiente de plantas daninhas não é tarefa simples. É preciso identificar as invasoras, saber qual o melhor momento para manejo e quais métodos são mais eficientes, não é verdade?

O ideal é sempre monitorar a lavoura para entender quais espécies predominam e dar prioridade na hora do controle. 

Especialmente no arroz, o manejo de algumas daninhas pode ser mais difícil. Por isso, separamos algumas informações que vão te ajudar a fazer esse trabalho de forma mais efetiva. Confira!

1 – Arroz vermelho (Oryza sativa L.) 

O arroz vermelho possui grande importância para a cultura do arroz, principalmente na região sul do Brasil.

Essa planta daninha pertence à mesma espécie do arroz cultivado, o que dificulta no momento do controle.

A principal diferença entre as duas espécies está na coloração do pericarpo. No arroz vermelho, ele apresenta uma cor avermelhada. 

Além disso, essa planta daninha apresenta como principais características:

  • sementes com dormência;
  • colmos finos;
  • ciclo mais longo;
  • plantas maiores;
  • pálea e lema com variação de cor;
  • folhas de cor verde-claro e decumbentes;
  • deiscência precoce das espiguetas.

Contudo, no campo, essa diferenciação é muito difícil.

Por pertencerem à mesma família botânica, as condições climáticas podem favorecer o crescimento e desenvolvimento da cultura e da planta daninha. 

Estudos demonstram que a presença de arroz vermelho na lavoura do arroz cultivado pode reduzir consideravelmente o potencial de rendimento da cultura.

Um exemplo prático é que uma população de 20 plantas de arroz vermelho por m2, convivendo com o arroz cultivado por 120 dias, pode reduzir a produtividade da cultura em 68%.

foto de Arroz vermelho (Oryza sativa L.)

Arroz vermelho (Oryza sativa L.)
(Fonte: Planeta Arroz)

Recomendações de manejo para o arroz-vermelho

Para minimizar a infestação de sua lavoura de arroz com o arroz vermelho, é fundamental alguns cuidados, como:

Uso de sementes certificadas

A utilização de sementes não certificadas é um dos principais modos de dispersão do arroz vermelho no arroz cultivado. 

Por isso, é essencial que você utilize sementes de boa procedência. Assim, você garante que está utilizando sementes de qualidade e sem a presença de plantas nocivas.

Escolha da cultivar

Escolha cultivares de ciclo precoce, visando reduzir a infestação de sementes de arroz vermelho em sua propriedade.

Assim, a colheita do arroz será realizada antes das plantas de arroz vermelho atingirem maturação fisiológica. Deste modo, você estará, inclusive, reduzindo o banco de sementes dessa planta daninha.

Outro detalhe bastante importante é a escolha de cultivares Clearfields (mutagênicos), que permitem o controle químico do arroz vermelho, uma vez que essas cultivares possuem resistência aos herbicidas do grupo das imidazolinonas.

Rotação de culturas

A rotação de culturas é essencial para melhorar qualquer sistema produtivo, auxiliando inclusive na redução de banco de sementes de arroz vermelho.

Atualmente, as culturas mais utilizadas no sistema de rotação de cultura do arroz são soja e milho.

Controle químico 

Devido à grande semelhança entre esta planta daninha e o arroz, existem poucas opções que podem ser utilizadas para controle químico. 

  • Imazapic + imazethapyr (cultivares Clearfield)
  • glifosato
  • paraquat
  • oxadiazon
  • oxyfluorfen

Os manejos alternativos, como uso de sementes certificadas, escolha da cultivar e rotação de culturas, também serão efetivos para outras daninhas. Por isso, nos próximos tópicos, vamos citar apenas o controle químico para elas.

2 – Capim-coloninho (Echinochloa colona)

O capim-coloninho é uma planta daninha de ciclo anual, herbácea, ereta, glabra (sem presença de “pilosidades”) e muito entouceirada.  

É muito frequente em solos úmidos ou inundados, porém tolera solos enxutos, como nos cultivos de sequeiro. 

É hospedeira alternativa para o nematoide Meloidogyne incognita, conhecido como nematoide das galhas

foto de Capim-coloninho (Echinochloa colona)

Capim-coloninho (Echinochloa colona)
(Fonte: Moreira e Bragança, 2010)

Recomendações de manejo para capim-coloninho

As opções de manejo químico para o capim-coloninho registradas para o arroz são: 

  • cialofope
  • quizalofop
  • clomazone
  • glifosato
  • imazapic
  • trifluralina
  • flourfiroxifen
  • oxadiazon

3 – Capim-arroz (Echinochloa crus-galli)

O capim-arroz é dividido em três variedades no Brasil: crus-galli, crus-pavonis e mitis.

Essas plantas daninhas estão entre as mais frequentes em cultivos de arroz irrigado, ocorrendo ocasionalmente em áreas de sequeiro. Possuem ciclo anual, são eretas, herbáceas, podendo ser entouceiradas ou glabras, dependendo da variedade. 

O que dificulta o controle desta planta daninha são os casos de resistência presentes nas lavouras de arroz do Brasil. Veja:

  • 1999 – resistência ao herbicida quincloraque;
  • 2009 – resistência a imazethapyr, bispyribac, quincloraque e penoxsulam;
  • 2015 – resistência aos herbicidas cialofope, quincloraque e penoxsulam. 
foto de Capim-arroz (Echinochloa crus-galli) - plantas daninhas do arroz

Capim-arroz (Echinochloa crus-galli)
(Fonte: Agrolink)

Recomendações de manejo para capim-arroz

As opções de manejo químico para o capim-arroz registradas para o arroz são: 

  • trifluralina
  • glifosato
  • cialofope
  • clomazone
  • paraquate
  • propanil
  • florfiroxifen
  • quizalofop
  • penoxsulam 
  • oxadiazon
  • quincloraque
  • bispyribac

4 – Capim-colchão (Digitaria ssp.)

No Brasil existem três espécies de gramíneas que são comumente conhecidas como capim-colchão: Digitaria horizontalis, Digitaria ciliaris e Digitaria sanguinalis, que pertencem à família Poaceae.

A espécie D. horizontalis é a mais frequente no país, infestando principalmente lavouras anuais e perenes. Ocorre, geralmente, em populações mistas com D. ciliaris. 

Já a espécie D. sanguinalis é bem menos frequente, ocorrendo em maior intensidade no sul do país.

Essas espécies tem ciclo anual, são herbáceas, eretas ou decumbentes e entouceiradas. 

Recomendações de manejo do capim-colchão

As opções de manejo químico para o capim-colchão registradas para o arroz são:

  • glifosato
  • trifluralina
  • cialofope
  • propanil
  • quizalofop
  • fenoxaprop
  • oxadiazon

5 – Trapoeraba (Commelina benghalensis)

É uma planta daninha de ciclo perene, semi-prostrada e de caules suculentos. 

A trapoeraba infesta lavouras anuais e perenes em todo o país, porém, tem preferência por solos férteis com boa umidade e sombreados. 

Recomendações de manejo para trapoeraba

A trapoeraba é considerada uma planta de difícil controle, pois possui mecanismos que prejudicam a absorção de herbicidas.

Por isso, seguir as boas práticas de aplicação, não usar baixos volumes e ter um bom adjuvante são a chave do controle dessa planta daninha. 

As opções de manejo químico para o trapoeraba registradas para o arroz são:

  • 2,4 D 
  • metsulfuron
  • bentazon
  • imazamox
banner ebook produção eficiente de arroz

Conclusão

As plantas daninhas podem ser uma dor de cabeça para a produção do arroz, mas é possível ter um controle bastante eficiente e evitar prejuízos na lavoura.

Nesse artigo, vimos as particularidades de 5 das principais plantas daninhas do arroz. Também mostramos as opções de manejo que são mais eficazes no controle dessas invasoras.

Falamos também sobre alternativas de manejo para as invasoras que já tem casos de resistência registrados.

Aproveite essas informações e faça um manejo mais eficiente em sua lavoura!

Quais plantas daninhas do arroz são mais frequentes na sua região? Aproveite e baixe aqui um guia mais completo para Manejo de Plantas Daninhas na lavoura!

O que é e para quê serve o receituário agronômico

Receituário agronômico: veja onde preencher e quais informações devem estar presentes nele

Como sabemos, agroquímicos, defensivos agrícolas ou popularmente chamados agrotóxicos, são produtos importantes para as lavouras.

Eles permitem controles diversos como o de insetos (inseticidas), fungos (fungicidas), e plantas daninhas (herbicidas), entre outros!

Entretanto, se não utilizados corretamente, os agroquímicos podem trazer problemas para a saúde humana, meio ambiente e para as próprias lavouras. E é aí que entra o receituário agronômico!

Quer saber mais sobre o que é e onde preencher um receituário agronômico? Confira a seguir!

O receituário agronômico

A Lei 7.802/89 regulamenta a compra e venda de agroquímicos no país. Segundo ela, a comercialização dos agroquímicos, de qualquer natureza, só pode ser feita mediante a apresentação de receituário próprio.

Portanto, nada mais é do que um documento com a prescrição para compra e orientação técnica para o uso de algum agroquímico.

Mas, lembre-se, esse documento só pode ser emitido por profissionais capacitados e legalmente habilitados! Ou seja, engenheiros agrônomos, florestais e técnicos agrícolas.

Assim, somente com o receituário agronômico em mãos, o usuário final poderá adquirir um agroquímico.

Outro ponto importante é que o profissional responsável pelo receituário agronômico deve emitir também uma ART (Anotação de Responsabilidade Técnica).

A emissão da ART deve ser realizada junto ao Conselho Regional, no caso o Crea de cada estado, e é obrigatória, segundo a Lei Federal 6.496/77.

Isso tudo pode parecer complicado e burocrático demais, entretanto, é necessário para evitar problemas maiores.

O uso inadequado dos agroquímicos pode levar ao aparecimento de resistência de plantas daninhas, pragas e até mesmo doenças, contaminação ambiental, assim como comprometer a segurança alimentar.

Podemos fazer uma analogia simples do receituário agronômico com as receitas para a compra de medicamentos. Sempre que apresentamos algum problema de saúde vamos ao médico, que é o profissional habilitado a prescrever medicamentos para os nossos problemas.

Dessa mesma forma, os profissionais da área de agronomia são habilitados a garantir o correto tratamento dos problemas das lavouras!

O que deve constar no receituário agronômico?

O conteúdo deve descrever, de forma detalhada, toda a situação, de forma a justificar a compra dos agroquímicos.

O modelo padrão da receita agronômica pode variar de estado para estado, mas as informações contidas devem ser as mesmas.

Detalhe de parte do modelo de receituário Crea - Paraíba

Detalhe de parte do modelo de receituário Crea – Paraíba
(Fonte: Crea – PB)

O Decreto Federal n.º 4.074/02, Artigo 66, descreve as informações que devem estar contidas no receituário agronômico:

  • Dados do Contratante
    • nome do produtor e da propriedade
    • telefone, endereço e CPF
  • Diagnóstico
    • identificação da cultura e variedades 
    • identificação do problema encontrado
  • Prescrição técnica
    • orientação para leitura da bula
    • dados sobre período de carência, classe toxicológica, formulação, entre outros
  • Recomendação técnica
    • nome dos produto comerciais que deverão ser utilizados e de eventuais equivalentes
    • cultura e área a ser aplicada
    • doses de aplicação e quantidade total a ser adquirida
    • modalidade e época de aplicação
    • intervalo de segurança, orientações gerais de manejo integrado, recomendações gerais de uso e orientação para o uso do EPI (Equipamento de Proteção Individual)
  • Dados do responsável técnico
    • nome completo, CPF e número de registro no órgão fiscalizador do responsável técnico
    • data e assinatura.

O receituário agronômico deve ser expedido em pelo menos duas vias, sendo que uma delas deverá permanecer com o usuário e a outra com o estabelecimento comercial.

Detalhe de parte do receituário agronômico padrão do Rio Grande do Sul

Detalhe de parte do documento padrão do Rio Grande do Sul
(Fonte: Crea – RS)

É importante manter tais documentos por pelo menos 2 anos a partir da emissão, em caso de fiscalizações.

Atenção profissionais! O registro da ART é obrigatório antes do início das atividades profissionais e, caso não cumprido, estará sujeito às penalidades cabíveis.

Onde encontrar o receituário agronômico para preenchimento?

Para os profissionais habilitados e registrados no Crea (Conselho Regional de Engenharia e Agronomia), basta entrar no site do Conselho de seu estado.

No caso do Crea-SP, basta acessar o CreaNET, onde o profissional deverá fazer o login para identificação. 

Para o preenchimento da ART de receituário agronômico, siga na aba “Serviços ART”, em seguida “ART” e, por fim, “Preenchimento de ART de receituário agronômico”.

Detalhe do sistema onde é possível encontrar a aba para preenchimento da ART de receituário agronômico

Detalhe do sistema onde é possível encontrar a aba para preenchimento da ART de receituário
(Fonte: Crea-SP)

Ao clicar, você será encaminhado para a página de preenchimento da ART. 

Detalhe do sistema CreaNet, na página inicial de preenchimento da ART

Detalhe do sistema CreaNet, na página inicial de preenchimento
(Fonte: Crea-SP)

A partir daí, inicia-se o processo de preenchimento da ART do receituário agronômico, em 4 etapas.

Vale lembrar aos amigos de profissão que, em caso de dúvidas, basta entrar em contato com a unidade do Crea a qual vocês estão vinculados!

planilha de compras de insumos

Conclusão

O uso de agroquímicos nas lavouras traz inúmeras vantagens para os cultivos agrícolas, seja no controle de plantas daninhas ou de agentes causadores de doenças nas plantas.

Entretanto, o uso excessivo e inadequado deles pode causar desequilíbrios ambientais, levar à contaminação de pessoas e ainda comprometer a segurança alimentar.

Por isso, sua venda só pode ser realizada mediante o receituário agronômico, que traz informações de diagnóstico e recomendações técnicas para o correto uso desse produtos.

Saber quais informações devem estar contidas neste documento é importantíssimo para o produtor rural e para o profissional que o emite.

Assim, em parceria, podemos fazer nossas lavouras crescerem e produzirem cada vez mais e de maneira ambiental e socialmente segura!

>> Leia mais:

Aplicação noturna de defensivos agrícolas: quando vale a pena?

Armazenagem de defensivos agrícolas: 7 dicas de como fazer em sua propriedade

Gostou do texto? Tem o costume de ler e acompanhar os receituários agronômicos emitidos pelos responsáveis da sua fazenda? Conte nos comentários!

O guia do manejo eficiente do picão-preto

Picão-preto: entenda como controlar essa planta daninha e impedir que se torne um problema ainda maior na lavoura.

O picão-preto já foi uma das plantas daninhas mais importantes em área produtoras de grãos.

Com o surgimento de culturas RR, ele se tornou menos problemático. Mas agora um novo alerta se acendeu para os produtores, após a divulgação de população de picão-preto resistente a glifosato no Paraguai.

Quer saber como identificar corretamente e fazer o manejo eficiente dessa planta daninha? A seguir, explicarei tudo isso, além do período ideal para controle e os herbicidas mais indicados. Confira!

Entenda pontos importantes sobre a biologia do picão-preto

O picão-preto (Bidens pilosa ou Bidens subalternans) é uma planta daninha de ciclo anual, com reprodução por sementes, que pode ser encontrada em quase todo o território brasileiro.

É possível realizar a diferenciação entre as duas principais espécies presentes no Brasil pela quantidade de arestas nos aquênios (B. pilosa 2-3 aristas e B. subalternans 4 aristas).

Além disso, a espécie B. pilosa possui flores periféricas com lígulas bem maiores.

fotos das principais características para diferenciação das espécies de picão-preto B. pilosa (figuras à esquerda: A, C, E, G) e B. subalternans (figuras B, D, F, H)

Principais características para diferenciação das espécies de picão-preto B. pilosa (figuras à esquerda: A, C, E, G) e B. subalternans (figuras B, D, F, H)
(Fonte: Hrac)

Essa ampla disseminação está associada a uma grande produção de sementes (3 mil a 6 mil sementes planta-1) e a um mecanismo de dormência. Isso possibilita as sementes emergirem em períodos mais favoráveis. 

As sementes do picão-preto são consideradas grandes e são disseminadas principalmente por animais, máquinas e implementos agrícolas.

A temperatura ideal para germinação é de 15℃, sendo que temperaturas acima de 35℃ podem ser letais.

Essa planta daninha é indiferente à presença de luz para germinar, porém, a luz pode melhorar seu percentual de germinação.  

As sementes podem emergir de grandes profundidades (próximas a 10 cm), além de possuírem uma grande longevidade, germinando mesmo após 5 anos.  

Devido a essas características germinativas, o acúmulo de palhada na área e cultivo do solo não são eficientes para controle de picão-preto.

Apesar da baixa capacidade competitiva com relação aos cultivos, o nível alto de infestação é comum em algumas áreas e pode refletir perdas no rendimento da lavoura. 

Por isso, é muito importante realizar o correto controle do picão na entressafra, pois ele pode ser “ponte verde” para pragas e doenças que afetam as culturas que vem em seguida. 

O picão-preto é uma das principais hospedeiras de nematoides do gênero Meloidogyne.

Picão-preto: histórico da resistência no Brasil 

O picão-preto já foi uma planta que trouxe muita dor de cabeça para os produtores mais experientes, sendo o primeiro caso de resistência de plantas daninhas registrado no Brasil. 

  • 1993 – B. pilosa resistente à ALS (Imazethapyr, imazaquin, pyrithiobac, chlorimuron e nicosulfuron);
  • 1996 – B. subalternans resistente à ALS (Imazethapyr, chlorimuron e nicosulfuron);
  • 2006 – B. subalternans resistente à ALS (Iodosulfuron e foramsulfuron) e à Fotossistema II (Atrazina);
  • 2016 – B. pilosa resistente à ALS (Imazethapyr) e à Fotossistema II (Atrazina).

Antes da utilização da soja RR, os mecanismo de ação ALS e Fotossistema II eram muito importantes para o controle de folhas largas na cultura da soja e do milho, principalmente em pós-emergência. 

Com ampla adoção a soja RR (a partir de 2006), o picão-preto deixou de ser um grande problema nas lavouras de grãos, pois o glifosato forneceu um excelente controle mesmo em plantas mais desenvolvidas. 

Mas uma luz de alerta que se acendeu para os produtores brasileiros foi o registro de picão-preto resistente a glifosato no Paraguai. Por ser fronteira com o Brasil, há alto tráfego de máquinas e implementos agrícolas na região.  

foto com vários vasos que demonstram Dose resposta para populações de picão-preto resistente a glifosato no Paraguai. Dose base 720 g e.a. ha-1 ou 1,95 L ha-1 de Roundup original®

Dose resposta para populações de picão-preto resistente a glifosato no Paraguai. Dose base 720 g e.a. ha-1 ou 1,95 L ha-1 de Roundup original®
(Fonte: Kzryzaniak et al., 2018)

Mesmo que as populações resistentes no Brasil tenham sido controladas por vários anos pelo glifosato, ao coletarmos populações de diversas regiões do Brasil, encontramos padrões muito próximos aos visto no passado para resistência a ALS e/ou Fotossistema II. 

Como evitar a seleção de resistência

Para garantir que não haja seleção de resistência para novos herbicidas ou disseminação de populações resistentes para novas áreas, é muito importante que o você siga estas dicas:    

  • conheça o histórico de resistência da sua área e região; 
  • realize rotação de mecanismo de ação de herbicidas;
  • inclua herbicidas pré-emergentes no manejo; 
  • siga os princípios básicos da tecnologia de aplicação
  • realize aplicações em pós-emergência sobre plantas pequenas; 
  • realize corretamente aplicações sequenciais; 
  • priorize controle na entressafra
  • realize rotação de culturas e adubação verde; 
  • realize a limpeza correta de máquinas ou implementos antes de utilizá-los em novas áreas.

Manejo de picão-preto na entressafra do sistema soja e milho

A entressafra é período ideal para um bom manejo de picão-preto, pois existe um número maior de herbicidas que podem ser utilizados.

É ideal que a aplicação ocorra em plantas de 2 a 4 folhas, pois as chances de sucesso são maiores!

Herbicidas pós-emergentes: 

2,4 D

Utilizado em primeiras aplicações de manejo sequencial, geralmente associado a outros herbicidas sistêmicos (ex: glifosato) ou pré-emergentes, na dose de 1,0 a 1,5 L ha-1

Cuidado com problemas de incompatibilidade no tanque (principalmente graminicidas). 

Quando utilizar 2,4 D próximo à semeadura de soja, deve-se deixar um intervalo entre a aplicação e a semeadura de 1 dia para cada 100 g i.a. ha-1 de produto utilizado. Cuidado com deriva em áreas vizinhas.

Glifosato 

Possui ótimo controle de plantas pequenas (2 a 4 folhas). Pode ser utilizado na primeira aplicação do manejo sequencial (associado a pré-emergentes), na dose de 2,0 a 3,0 L ha-1.

Glufosinato de amônio

Pode ser utilizado em plantas pequenas (2 folhas) ou em manejo sequencial para controle de rebrota de plantas maiores, na dose de 2,5 a 3,0 L ha-1.

Saflufenacil

Pode ser utilizado em plantas pequenas (2 folhas) ou em manejo sequencial para controle de rebrota de plantas maiores, na dose de 35 a 70 g ha-1.

Para manejo em solos arenosos com menos de 30% de argila e menos de 2% de matéria orgânica, é necessário um intervalo mínimo de 10 dias entre a aplicação e o plantio da soja. Não ultrapassar a dose máxima de 50 g/ha.

Triclopir 

Utilizado em primeiras aplicações de manejo sequencial, geralmente associado a outros herbicidas sistêmicos (ex: glifosato) ou pré-emergentes, na dose de 1,5 a 2,0 L ha-1

Quando utilizar triclopir próximo à semeadura de soja, deve-se deixar um intervalo entre a aplicação e a semeadura de no mínimo 20 dias. Cuidado com deriva em áreas vizinhas. 

Herbicidas pré-emergentes:

Flumioxazin

Herbicida com ação residual para controle de banco de sementes utilizado na primeira aplicação do manejo outonal associado a herbicidas sistêmicos (ex: glifosato e 2,4 D) ou no sistema de aplique-plante da soja. Recomendável dose de 40 a 100 g ha-1.

Sulfentrazone

Herbicida com ação residual para controle de banco de sementes utilizado na primeira aplicação do manejo outonal associado a herbicidas sistêmicos (ex: glifosato e 2,4 D). 

Recomenda-se dose de até 0,5 L ha-1, pois apresenta grande variação na seletividade de cultivares de soja

Recomendado principalmente para áreas onde também ocorre infestação de tiririca!

Manejo na pós-emergência das culturas de soja e milho

O manejo de picão-preto na pós-emergência da soja convencional é pouco recomendado, pois existem poucas opções que podem ser utilizadas e, devido ao estádio de desenvolvimento do picão-preto, apenas seguram o seu crescimento.

No caso de soja e milho RR, o glifosato ainda exerce um ótimo controle do picão-preto na pós-emergência. Entretanto, recomenda-se uma boa rotação de princípios ativos e atenção a escapes após aplicação do produto.  

Cloransulam

Utilizado em pós-emergência da soja, na dose de 35,7 g ha-1.

Na pós emergência do milho safrinha, pode-se utilizar bentazon na dose de 1,2 L ha-1 e mesotrione na dose de 0,3 a 0,4  L ha-1

Perspectivas futuras

Nos próximos anos, existe previsão da liberação comercial de novos “traits” de resistência a herbicidas para as culturas soja e milho que poderão auxiliar no controle picão-preto. 

  • Soja: Enlist (2,4D colina, glifosato e glufosinato de amônio) e Xtend (dicamba, glifosato).
  • Milho: Enlist (2,4D colina, glifosato, glufosinato de amônio e haloxyfop).

Conclusão

Neste artigo, você viu a importância econômica que o picão-preto possui em nosso país e como realizar um manejo eficiente em lavouras de grãos. 

Conferiu os principais herbicidas e as recomendações de dose para aplicações na entressafra e na pós-emergência das culturas de soja e milho.

Viu ainda que a realização de algumas práticas são essenciais para não agravar os problemas de plantas daninhas resistentes.

Espero que com essas dicas passadas aqui você consiga realizar um manejo eficiente de picão-preto!

>> Leia mais: “Saiba como a mucuna-preta pode ser uma boa opção para adubação verde”

Como você controla a infestação de picão-preto na lavoura hoje? Já enfrentou casos de resistência? Baixe também aqui o Guia gratuito para manejo de plantas daninhas de difícil controle!

O que você precisa saber para fazer a melhor aplicação de 2,4 D em trigo

2,4 D em trigo: por que utilizar, momento ideal de aplicação e principais cuidados para um manejo eficiente. 

Com o surgimento de plantas daninhas resistentes, é importante que você realize o planejamento para a utilização de herbicidas alternativos em sua área. 

Na cultura do trigo, uma importante alternativa para o manejo em pós-emergência de plantas daninhas de folhas largas é o herbicida 2,4 D

Porém, ainda há um grande receio quanto a seu uso, principalmente por parte de quem já teve problemas ao utilizá-lo na lavoura.

Por isso, separei aqui o que você deve considerar para fazer um manejo eficiente de plantas daninhas com 2,4 D, mantendo alta produtividade. Confira!

Por que utilizar 2,4 D em trigo?

Antigamente, o controle de plantas daninhas em pós-emergência na cultura do trigo era realizado prioritariamente com herbicidas do grupo ALS. 

E apesar desses herbicidas serem extremamente eficientes, seu uso indiscriminado selecionou populações resistentes de várias espécies de plantas daninhas. Por isso, foi necessária a utilização de outras opções para controle de folhas largas na pós-emergência do trigo.  

Assim, os herbicidas hormonais ou auxinas sintéticas começaram a ser utilizados com maior frequência no trigo (ex: 2,4 D e MCPA).  

Embora muito eficientes no controle de plantas daninhas, eles demandam uma série de cuidados quanto ao momento de aplicação, dosagem e tecnologia de aplicação, para que não ocorram prejuízos em sua lavoura de trigo ou em áreas vizinhas. 

Vou explicar melhor como o trigo suporta a aplicação de 2,4 D e quais cuidados você deve tomar para um manejo eficiente. 

Mecanismo de seletividade do 2,4 D no trigo

Mecanismo de ação em plantas sensíveis 

Os herbicidas mimetizadores de auxinas têm uma atuação muito semelhante aos hormônios nas plantas.

Entretanto, por serem moléculas exógenas, não possuem um sistema que regula sua atuação como os hormônios endógenos. Assim, provocam mudanças metabólicas e bioquímicas que levam plantas sensíveis à morte. 

Dentre essas mudanças, as principais estão relacionadas ao metabolismo de ácidos nucleicos e a plasticidade da parede celular. 

Essas auxinas sintéticas (ex: 2,4 D) induzem uma intensa proliferação celular em tecidos, ocasionando epinastia de folhas e caule (crescimento anormal), além de interrupção do floema, impedindo o movimento de fotoassimilados das folhas para as raízes.  

Além disso, há um grande aumento na produção de enzimas celulase, principalmente nas raízes. Por isso, o sistema radicular é muito afetado em plantas sensíveis. 

De modo geral, o mecanismo de ação dos herbicidas auxínicos, por atuar em diversos locais da planta, ainda não foi completamente explicado. 

Mecanismo de seletividade em gramíneas

Uma das principais características que possibilita a utilização de 2,4 D em cultura de folha estreita (gramíneas) é que essas espécies possuem seu tecido vascular arranjados em feixes dispersos, que são protegidos pelo esclerênquima. Tal condição previne a destruição do floema pelo crescimento desorganizado das células. 

Além dessa proteção dos feixes vasculares, as gramíneas podem possuir outro mecanismo de seletividade como menor absorção e translocação ou metabolização do herbicida. 

Contudo, no trigo, esses mecanismo de tolerância somente serão efetivados se o estádio e dose recomendados forem respeitados.

Momento ideal para aplicação e principais cuidados

Na cultura do trigo, existe uma janela de aplicação do 2,4 D para que não ocorram injúrias significativas na cultura. 

O melhor momento é durante a fase de perfilhamento até o início da fase elongação, com doses que variam de 806 g e.a. ha-1 a 1200 g e.a. ha-1

Também é importante se informar sobre a resposta da variedade de trigo escolhida ao uso do herbicida. 

infográfico de estádio ideal de aplicação de 2,4 D em trigo

Estádio ideal de aplicação de 2,4 D na cultura do trigo
(Fonte: adaptado de Mais soja)

Caso você realize aplicações antes do período ideal, podem ocorrer danos ao meristema apical da planta (principal zona de crescimento), deformações morfológicas (folhas e espigas) e nanismo (redução do porte do cultivo).

três fotos que mostram sintomas de fitointoxicação de 2,4 D no trigo

Sintomas de fitointoxicação de 2,4 D no trigo 
(Fonte: ORSementes)

Já se a aplicação ocorrer após o período recomendado, podem prejudicar a diferenciação floral do trigo. Isso pode ocasionar perdas de até 60% no rendimento da cultura.   

Além de se preocupar com o momento ideal de aplicação, é importante utilizar um boa tecnologia visando evitar deriva em culturas suscetíveis.

Esses herbicidas apresentam efeitos muito prejudiciais em algumas culturas (como uva, tomate e girassol), mesmo em doses muito reduzidas. 

Ainda que o 2,4 D seja muito efetivo no controle de muitas plantas daninhas de folha larga, não se esqueça que é importante sempre realizar um bom manejo integrado de plantas daninhas!

Utilize rotação dos mecanismo de ação herbicidas e herbicidas aplicados em pré-emergência, pois, infelizmente, já se relatou um caso de buva resistente ao 2,4 D no Brasil. 

Caso você aplique-o em sua propriedade e observe, logo após aplicação, as plantas de buva com uma rápida necrose em suas folhas (sintoma anormal para este herbicida), fique atento, pois sua buva pode ser resistente ao 2,4 D!

Conclusão

Neste artigo, você conferiu a importância da utilização de 2,4 D no trigo para manejo de plantas daninhas resistentes. Também entendeu como esse herbicida atua em plantas sensíveis e por que o trigo o tolera. 

Você agora sabe o momento ideal para aplicação sem prejudicar a produtividade do cultivo. Entendeu ainda quais os principais cuidados para evitar danos em área vizinhas e a seleção de novos casos de resistência. 

Espero que, com essas dicas, você consiga realizar o manejo efetivo de plantas daninhas em sua lavoura.

Você utiliza o herbicida 2,4 D em trigo? Já observou alguma injúria devido a essa aplicação? Aproveite e baixe gratuitamente aqui o Guia do Manejo de Plantas Daninhas!

Veja 5 formas de fazer o controle não químico para plantas daninhas

Controle não químico para plantas daninhas: aprenda a manejar as invasoras na ausência dos herbicidas.

Você já esteve diante de uma situação em que não podia recomendar ou usar herbicidas para controlar as plantas daninhas?

O que você faria se não existisse o manejo químico das invasoras?

Um dos principais métodos para prevenir a resistência de daninhas aos herbicidas é o MIPD (Manejo Integrado de Plantas Daninhas). Além disso, em sistemas orgânicos de produção, o uso de herbicidas também não é permitido.

Por isso, é essencial conhecer e saber como utilizar os métodos de controle não químicos para plantas daninhas. Confira e tire suas dúvidas a seguir!

Formas de controle não químico para plantas daninhas

Hoje, temos seis métodos de controle para plantas daninhas:

  • preventivo;
  • cultural;
  • mecânico;
  • físico;
  • biológico;
  • químico.

O uso de outros métodos de controle que não apenas o químico ajuda a prevenir ou retardar a seleção de plantas daninhas resistentes a herbicidas.

Além disso, alguns métodos de controle não químicos são muito eficientes dependendo da planta daninha que queremos controlar. É o caso do uso da palha, que ajuda a controlar invasoras que precisam de luz para germinar.

A palha também ajuda no controle por meio da liberação de aleloquímicos, que podem atuar inibindo a germinação e o estabelecimento de plantas daninhas. Além disso, atua como uma barreira física, desfavorecendo as plantas daninhas de sementes pequenas.

A seguir, vou explicar melhor cada uma das formas de controle não químicas que você pode utilizar em sua lavoura.

1. Controle preventivo de plantas daninhas

O controle preventivo deve sempre estar presente no seu planejamento, pois ele tem como objetivo evitar a entrada de plantas daninhas na lavoura.

Alguns manejos preventivos são:

  • evitar o uso de esterco, palha ou compostos com propágulos de plantas daninhas;
  • limpeza completa de equipamentos agrícolas antes e após a entrada em talhões onde existam espécies-problemas;
  • inspeção de mudas e gramados (comprar sementes e mudas sem a presença de propágulos de plantas daninhas);
  • limpeza e manutenção de canais de irrigação;
  • limpeza de roupas e equipamentos agrícolas;
  • controlar as plantas daninhas durante a entressafra;
  • evitar o florescimento das plantas daninhas e dispersão das sementes;
  • colocar animais em quarentena em área isolada logo após serem adquiridos e/ou após transferência de localidades em sistema de integração lavoura-pecuária. Este processo facilita a limpeza de sementes aderidas em suas pelagens e a saída das sementes presentes no trato digestivo.

Pelos exemplos, você pode notar que fazemos o manejo preventivo sem perceber, mas é sempre bom lembrarmos quais são estes métodos e como utilizá-los a nosso favor!

duas fotos de sementes de carrapicho-de-carneiro e picão-preto na palma de uma mão

Sementes de carrapicho-de-carneiro e picão-preto são facilmente aderidas a pelagens dos animais
(Fonte: arquivo pessoal da autora)

2. Controle mecânico 

O controle mecânico de plantas daninhas é o procedimento que envolve o uso de ferramentas específicas e pessoas para controlar as invasoras.

Os métodos utilizados no manejo mecânico são:

  • arranquio manual;
  • roçadeira;
  • enxada;
  • rolo de facas;
  • cultivador rotativo;
  • cultivador de dentes;
  • revolvimento do solo;
  • roçadeira articulada.
foto de um homem com chapéu de palha capinando com enxada uma lavoura. Controle não químico para plantas daninhas

Capina com enxada
(Fonte: arquivo pessoal da autora)

3. Controle cultural de plantas daninhas

O controle cultural tem objetivo de fazer com que a lavoura manifeste seu máximo potencial produtivo.

Todos os manejos que favoreçam a cultura em detrimento das plantas daninhas pode ser considerado um controle cultural.

Neste método de controle, vamos proporcionar à cultura todas as vantagens para uma rápida germinação, emergência e desenvolvimento, para que ela consiga sombrear as entrelinhas o mais rápido possível.

Para isso, algumas táticas culturais utilizadas são:

  • rotação de culturas;
  • consórcio de culturas;
  • culturas em faixas;
  • plantio na época adequada, de acordo com o zoneamento agrícola;
  • espaçamento e densidade de plantio adequados;
  • controle de plantas daninhas na entressafra;
  • cobertura do solo com palha;
  • plantio no limpo, ou seja, sem a presença de plantas daninhas;
  • preparo físico e químico do solo;
  • cultivares adaptadas para a região de plantio.

A manutenção da cobertura do solo com palha pode reduzir a emergência de plantas daninhas de sementes pequenas e que precisam de luz para germinar.

Plantar a cultura na época correta, na densidade e espaçamento corretos, ajuda a cultura a germinar e se estabelecer de forma mais rápida. Isso reduz a competição com as plantas daninhas no início do desenvolvimento.

A rotação de culturas faz com que outros manejos sejam adotados de acordo com o cultivo estabelecido. São outros manejos de pragas, doenças e plantas daninhas – e isso também auxilia na redução do banco de sementes.

Para aqueles que não adotam o plantio direto, o revolvimento do solo que é feito no plantio convencional estimula a quebra de dormência das sementes ou ainda expõe as sementes à superfície.

O preparo químico mantém o equilíbrio do solo, algumas plantas daninhas são favorecidas por solos ácidos e de baixa fertilidade.

Espécies como assa-peixe, capim-barba-de-bode, capim-favorito e guanxuma são favorecidas por solos ácidos.

4. Controle físico de plantas daninhas

O controle físico não é tão conhecido como os outros métodos de manejo, porém é muito importante. 

Dentre os controles físicos de plantas daninhas podemos incluir:

  • cobertura morta;
  • solarização;
  • inundação;
  • drenagem;
  • eletricidade.

Vou explicar melhor cada um deles!

Cobertura morta ou alelopatia

Os restos culturais que ficam sobre o solo podem servir como uma barreira física. Essa barreira impede a emergência de sementes pequenas de daninhas, pois elas possuem poucas reservas, que são insuficientes para que a plântula ultrapasse a cobertura morta. 

A cobertura morta também favorece sementes fotoblásticas negativas e desfavorece as fotoblásticas positivas, ou seja, as que são favorecidas pela luz no processo de germinação.

A decomposição da cobertura morta também pode liberar compostos que são conhecidos por aleloquímicos, que podem interferir negativamente na germinação e emergência de plantas daninhas. É a chamada alelopatia.

Solarização

O processo de solarização consiste na utilização de coberturas plásticas com o objetivo de aumentar a temperatura do solo e causar a morte das plantas daninhas pelo excesso de calor. 

Para a solarização ocorrer da forma adequada, é necessário um clima quente, úmido e de intensa radiação solar, com dias longos para aumentar a temperatura do solo. 

É preciso a presença de umidade no solo para aumentar a condução de calor e estimular a germinação do banco de sementes. 

Inundação

A inundação impede que as raízes das plantas sensíveis obtenham oxigênio para sobreviver.  

É um método utilizado em culturas inundadas, como o arroz. 

A inundação controla plantas daninhas como: tiririca (Cyperus rotundus), grama-seda (Cynodon dactylon) e capim-kikuio (Pennisetum clandestinum). 

Drenagem

A drenagem pode ser utilizada no controle de plantas daninhas aquáticas.

Capim-arroz e arroz-vermelho são plantas daninhas favorecidas pela inundação. Ao se fazer a drenagem de água do ambiente, as espécies hidrófitas não conseguem se desenvolver.

Eletricidade

O controle de plantas daninhas com corrente elétrica é denominado de eletrocussão

Consiste na capina por meio de descarga elétrica.

Neste sistema ocorre o contato direto dos eletrodos aplicadores com a invasora.

A eletricidade, ao atingir as plantas daninhas, provoca alteração na fisiologia das plantas de forma irreversível. Assim, elas murcham e morrem em pouco tempo.

5. Controle biológico de plantas daninhas

De todos os métodos de controle, o biológico é o menos utilizado

Sua principal vantagem é também sua principal desvantagem: a especificidade do hospedeiro.

A especificidade é uma vantagem por sabermos qual planta o organismo vivo irá controlar.

Mas, no caso das daninhas, temos uma comunidade composta por várias espécies. Dificilmente vamos ter de controlar apenas uma planta invasora.

Entretanto, este método é bem empregado com o uso de peixes que conseguem controlar a população de plantas daninhas aquáticas, por exemplo.

Conclusão

No texto de hoje você aprendeu sobre os manejos não químicos de plantas daninhas.

Vimos que temos os controles preventivos, culturais, biológicos, mecânicos, físico e químicos.

Quanto mais métodos você empregar na sua lavoura, melhor será o controle das plantas daninhas.

Lembre-se sempre de pensar em sistemas de produção e não apenas em uma safra. Com isso, você conseguirá manejar adequadamente as plantas daninhas na sua área.

Quais métodos de controle não químico para plantas daninhas você utiliza em sua lavoura? Restou alguma dúvida? Aproveite e baixe gratuitamente aqui o Guia para Manejo de Plantas Daninhas na sua lavoura.

Tudo o que você precisa saber sobre mapeamento de plantas daninhas

Mapeamento de plantas daninhas: veja o que é, a importância, os principais sistemas disponíveis no mercado, vantagens e desvantagens. 

O manejo de plantas daninhas resistentes vem provocando aumento representativo no custo de produção. Isso se deve principalmente às pulverizações realizadas na lavoura inteira e não especificamente onde estão as plantas daninhas.

Isso resulta em aumento dos gastos com defensivos, desperdício de produtos e contaminação ambiental sem necessidade.

Ferramentas de agricultura de precisão vêm se mostrando aliadas importantes na eficiência da aplicação e na economia de produtos. 

Confira neste artigo como fazer o mapeamento de plantas daninhas e como ele pode ajudar a resolver muitos problemas na sua lavoura!

O que é o mapeamento de plantas daninhas?

O mapeamento de plantas daninhas é uma técnica que visa identificar as plantas invasoras presentes na lavoura.

Inicialmente, o levantamento de plantas daninhas de uma área era realizado por meio de amostragem. Para isso, uma equipe treinada se deslocava até pontos amostrais pré-determinados, realizava a identificação e estimava a distribuição de plantas daninhas na área. 

Mas esse método tradicional necessita de grande disponibilidade de mão de obra e a realização de uma quantidade de amostras que represente fielmente a área, o que é inviável. 

Desta forma, a agricultura de precisão vem se tornando forte aliada na solução desse problema.

Os sensores facilitam o levantamento de plantas daninhas, diminuindo custos e possibilitando maior estimativa da distribuição de plantas invasoras.

Na prática, eles podem ser facilmente acoplados a implementos agrícola ou serem transportados por drones, cobrindo com maior facilidade a área em sua totalidade. 

imagem representando o voo do drone da Horus realizando o mapeamento de plantas daninhas na lavoura

Ilustração do mapeamento de plantas daninhas realizado com drones
(Fonte: Horus Aeronaves)

Qual o melhor sistema para mapear plantas daninhas na lavoura?

A escolha dos diferentes sistemas de mapeamento dependerá do objetivo de uso das informações que serão obtidas.

Se o mapeamento for utilizado para identificar em quais talhões as plantas daninhas começaram a emergir primeiro ou localizar grandes reboleiras, a precisão do sensor não necessita ser tão grande. Assim, você pode utilizar sensores orbitais com até 5 m de precisão. 

Já para identificação de pequenas reboleiras ou da distribuição de plantas daninhas na área, é mais interessante utilizar sensores com precisão maior, próximo a 5 cm, como os acoplados em aeronaves. 

Além disso, é possível utilizar sensores acoplados diretamente no equipamento de pulverização, gerando informações em tempo real. 

E qual ferramenta escolher para aproveitar esses mapas? Vou explicar melhor a seguir:

Mapeamento de plantas daninhas para aplicação de herbicidas em pré-emergência

A aplicação de herbicidas em pré-emergência é uma importante aliada no controle de plantas daninhas resistentes. 

Entretanto, você só conseguirá um controle eficiente sem prejudicar o cultivo se utilizar a dose correta para cada porção de sua área. 

Os herbicidas aplicados em pré-emergência interagem diretamente com o solo e, dependendo de características (como teor de argila, teor de matéria orgânica e pH), o ajuste de dose deve ser feito.

Uma ferramenta que ajuda na aplicação de herbicidas em taxa variável conforme as características de solo é a tecnologia HTV®, desenvolvida pela APagri em parceria com a Esalq/USP. 

Primeiramente são coletados dados das principais características do solo, o que pode ser feito junto com o mapeamento da fertilidade do solo. Depois, é realizada a recomendação de produtos de acordo com essas informações e com o histórico de infestação da área. 

Definindo quais herbicidas serão utilizados, são gerados os mapas com doses específicas para aplicação localizada!

Esses mapas deverão utilizados por um pulverizador que contenha um sistema de aplicação em taxa variável. Isso irá garantir a dose ideal de herbicida em cada ponto mapeado.

Mapeamento de uma área para aplicação de pré-emergente com o sistema HTV®

Mapeamento de uma área para aplicação de pré-emergente com o sistema HTV®
(Fonte: APagri)

Mapeamento de plantas daninhas para aplicação de herbicidas pós-emergente 

Para o controle de plantas daninhas em pós-emergência, o mapeamento pode ser realizado anteriormente, desde que o tempo de processamento das imagens seja rápido.

Outra opção é fazer esse mapeamento em tempo real por meio de sensores acoplados ao pulverizador, que podem controlar o acionamento e vazão dos bicos. 

No mapeamento prévio, as imagens podem ser geradas por satélite ou sensores acoplados a drones. Elas são utilizadas principalmente para catação de plantas na entressafra ou na pós-emergência dos cultivos (desde que no processamento da imagens seja possível diferenciar plantas daninhas e cultura). 

Já no sistema de mapeamento em tempo real, os sensores captam informações de presença de plantas daninhas alguns segundos antes da chegada do bico no alvo e comandam uma válvula de acionamento muito rápida para aplicação do produto e/ou ajuste de dose (ex: Pulse Width Modulation). 

Um sistema que já vem sendo utilizado no Brasil com mapeamento em tempo real para pulverização agrícola é o WEED – It. Confira no vídeo que eu separei:

Vantagens e desvantagens do mapeamento

Separei algumas vantagens e desvantagens do mapeamento de plantas daninhas utilizando tecnologia:

Vantagens

  • otimização da aplicação;
  • menor dano ambiental em longo prazo;
  • facilidade na tomada de decisão de qual herbicida utilizar;
  • menor gasto com herbicidas;
  • possibilidade do mapeamento durante a realização dos tratos culturais;
  • determinação prévia da quantidade de herbicidas a ser utilizado;
  • traçar estratégias de manejo antecipadamente.

Desvantagens

  • alto custo de implementação de sistemas;
  • dinamismo na população de plantas daninhas, podendo mudar suas características em pouco tempo;
  • mapeamento necessita de programas específicos;
  • equipe treinada;
  • erros na aplicação podem ocorrer devido a problemas na geração de imagens ou na elaboração do mapa de recomendação.
guia - a gestão da fazenda cabe nos papéis

Conclusão

Neste artigo, vimos como a tecnologia pode auxiliar no mapeamento de plantas daninhas.

Entendemos o que é um mapeamento e como escolher o melhor método para sua lavoura.

Vimos também as possibilidades da utilização dessa técnica pensando na pré e pós-emergência das daninhas, além das principais vantagens e desvantagens.

Espero que com essas informações você consiga realizar um bom monitoramento de plantas daninhas em sua lavoura.

>> Leia mais:

Índice de vegetação: o que ele pode dizer sobre sua lavoura

Mapas de produtividade na agricultura de precisão: como otimizar seus insumos

Você realiza o mapeamento de plantas daninhas em sua lavoura? Já enfrentou problemas? Adoraria ver seu comentário abaixo!

Como evitar a fitotoxicidade por herbicidas no café e o que fazer caso ela ocorra

Fitotoxicidade por herbicidas no café: entenda os principais pontos para evitar os danos da deriva de herbicidas e como atuar em lavouras afetadas por isso

Como evitar a fitotoxicidade por herbicidas no café e o que fazer caso ela ocorra

As plantas daninhas do café dão a maior dor de cabeça na lavoura, não é mesmo? Principalmente nas fases iniciais de implantação do café, estamos sempre de olho nas invasoras.

Para controlá-las podemos recorrer ao uso de consórcios na entrelinha, ao controle mecânico com trincha ou roçadora e, mais comumente, aos herbicidas.

Embora os herbicidas tenham facilitado o manejo de diversas daninhas no café, quando erramos o alvo, o tiro pode sair pela culatra. Com isso, essa ferramenta pode se tornar um problema, atrapalhando o crescimento e desenvolvimento da lavoura. 

Separei algumas dicas de como evitar a fitotoxicidade por herbicidas no café e como proceder caso ela ocorra. Confira!

Entenda a fitotoxicidade por herbicidas no café

Quando aplicamos herbicidas no café, nosso alvo são as plantas daninhas. Portanto, as aplicações devem atingi-las para que o controle seja efetivo.

Quando erramos o alvo, temos uma eficácia de controle reduzida, gastos desnecessários – pois estamos “jogando produto fora” – mas também podemos causar danos ao cafeeiro. É isso que chamamos de fitotoxicidade por herbicidas, aquela história de “deu uma fito na lavoura”. 

A fitotoxicidade por herbicidas no café é fruto de aplicações feitas em condições ambientais impróprias, com má regulagem do equipamento e/ou sem as devidas precauções durante o processo, causando deriva do herbicida. 

Isso é relativamente comum no caso de aplicações de glifosato, herbicida bastante utilizado e não seletivo. Mas esse problema ocorre para outros herbicidas também.

Mas, então, como evitar que a aplicação de herbicidas cause fitotoxicidade no cafeeiro? Veremos isso a seguir!

3 passos para evitar a fitotoxicidade por herbicidas no café

O alvo das aplicações de herbicida são as plantas daninhas, não o café. Mas, por mais que estejamos “mirando” o alvo, alguns pontos devem ser levados em conta para garantir o sucesso da aplicação e evitar a fitotoxicidade no café.

Fatores do ambiente, da regulagem do equipamento e da experiência do operador podem afetar a aplicação.

1 – Aplique nas melhores condições possíveis

O ambiente influencia o sucesso das aplicações de herbicida. 

Condições de umidade relativa abaixo dos 50%, temperaturas acima de 30℃ e velocidade dos ventos acima de 10 km/h inviabilizam a operação!

Os dois primeiros fatores (temperatura e umidade) podem favorecer a volatilização dos compostos, os quais podem atingir o café. Os ventos podem, por si só, causarem a deriva da aplicação até o cafeeiro

Isoladamente, cada um desses fatores afeta negativamente a operação, mas a combinação deles é pior

Por isso, prefira horas mais amenas do dia, com pouco vento e dias com umidade do ar maior. 

É claro que, na prática, dificilmente esse cenário ideal é alcançado para todos os fatores, mas é sempre necessário buscar as melhores condições.

2 – Regule bem os implementos

O ambiente é importantíssimo, mas a maior responsável pela fitotoxicidade por herbicidas no café é a má regulagem dos equipamentos ou uso de equipamentos errados. 

Seja na aplicação manual ou mecanizada, regule a vazão correta de acordo com a recomendação de aplicação. A regulagem também deve levar em conta as condições ambientais, como mostra a figura abaixo.

tabela com informações de regulagem do tamanho de gota de acordo com as condições ambientais

Regulagem do tamanho de gota de acordo com as condições ambientais
(Fonte: Jacto)

Prefira bicos antideriva com indução de ar para evitar problemas e mantenha a barra de aplicação mais baixa e próxima ao dossel das invasoras, para evitar deriva ao café.

Não comece a aplicação sem antes ter tudo bem regulado e pare a aplicação se verificar algum problema!

Proteja o cafezal

Uma maneira de evitar deriva e fitotoxicidade por herbicidas no café é o uso de protetores. Eles são utilizados principalmente em aplicações manuais e evitam que o produto se espalhe fora do local de aplicação desejado. 

imagem de Chapéu protetor para evitar a deriva da aplicação de herbicidas

Chapéu protetor para evitar a deriva da aplicação de herbicidas
(Fonte: Jacto)

3 – Utilize outros métodos de controle

É importante ressaltar que existem opções para reduzir os efeitos negativos de herbicidas que não estão diretamente relacionadas à sua aplicação. O uso de métodos de controle alternativos, reduz o uso de herbicidas e, consequentemente, as possibilidades de deriva.

O controle de plantas daninhas (assim como o de pragas e doenças) deve ser feito dentro de um programa de manejo integrado. 

Assim, o uso de herbicidas não é (ou não deveria ser…) o único método de controle de daninhas no cafezal. Podemos e devemos lançar mão, sempre que possível, de controle mecânico e cultural.

O controle mecânico está relacionado ao uso de trincha e/ou roçadora na entrelinha do cafezal. 

Já o controle cultural está relacionado ao espaçamento da lavoura e uso de culturas intercalares. 

Menor espaçamento reduz a incidência de luz e, consequentemente, de daninhas. Já as culturas intercalares “abafam” as daninhas e tornam-se as espécies dominantes. 

Existem várias opções de espécies, mas as braquiárias têm se mostrado eficientes nesse quesito, pois são perenes e tem grande produção de biomassa, reduzindo as infestações. 

Manejo pós-fitotoxicidade na lavoura

Ainda é incerto qual é o melhor manejo após a ocorrência da fitotoxicidade de herbicidas. Afinal, existem vários herbicidas que podem causar esse problema e vários graus de fitoxicidade que o cafeeiro pode ter sofrido. 

Além disso, cultivares de café têm diferentes tolerâncias aos danos por herbicidas.

Em sua dissertação de mestrado, Alecrim (2016) estudou os efeitos da aplicação de sacarose na recuperação e desintoxicação de mudas de café atingidas por deriva de glifosato

O autor conclui que a aplicação de sacarose na concentração de 2% em até uma hora após a ocorrência da deriva pode ajudar na recuperação do cafeeiro.

Outros estudos devem ser feitos para verificar outras alternativas e efeitos sobre outros herbicidas.

banner-adubacao-cafe

Conclusão

Como pudemos acompanhar ao longo do texto, existem alguns herbicidas disponíveis para serem utilizados no manejo de daninhas na cultura do cafeeiro. Todos ele têm potencial para causar fitotoxicidade no café.  

De qualquer maneira, existem boas práticas que podem ser empregadas para evitar a deriva e a fitotoxicidade por herbicidas no café. O importante é acertar o alvo, ou seja, as daninhas!

Condições ambientais ideais devem ser preferidas para a aplicação dos herbicidas. Além disso, a vazão de aplicação deve ser ajustada e os bicos devem estar bem regulados! 

Vimos que, caso ocorra danos ao cafeeiro, uma alternativa pode ser a aplicação foliar de sacarose. Mas ainda são necessários novos estudos sobre esse tema. 

De qualquer forma, por algum tempo o café irá sentir a fitotoxicidade por herbicidas até que se recupere.

>>Leia mais:

10 dicas para melhorar a gestão da sua lavoura de café

Tudo o que você precisa saber sobre a produção de cafés especiais

Você já teve problemas de fitotoxicidade por herbicidas no café? Como você faz para evitar ou remediar essa situação? Conte para gente nos comentário!