About Jackellyne Bruna

Sou engenheira agrônoma e mestre pela Universidade Federal de Goiás. Atualmente, estou cursando MBA em Marketing e sou doutoranda pela ESALQ/USP na linha de pesquisa de produção vegetal.

Entenda porque você precisa saber sobre a CTC do seu solo

CTC do Solo: Confira o que você precisa entender e fazer para melhorar a fertilidade do solo.

Em geral, seja por uma razão ou outra, nós não entendemos profundamente nosso solo e suas relações com as culturas.

Desse modo, sempre contamos com os outros para nos dar uma “solução”, acreditando que isso que resultará em melhores colheitas.

A CTC do solo é um dos conceitos mais importantes para que comecemos a compreender nosso solo e sistema de produção.

A capacidade de troca catiônica (CTC) influência na estabilidade do solo, disponibilidade de nutrientes, o pH do solo e a reação do solo com fertilizantes e outros.

Entenda mais sobre a CTC do solo neste artigo, além de conhecer práticas efetivas para melhorar o solo e, consequentemente, a produtividade da sua área!

O que é CTC do solo

CTC do solo é a sigla para Capacidade de Troca Catiônica e expressa a quantidade de cargas negativas que o solo possui. Ela é uma medida da capacidade de trocas e da quantidade de cátions como Ca²+(cálcio), Mg²+(magnésio) e K+ (potássio) que o solo pode reter sob determinadas condições.

E como o solo mantém esses cátions no solo?

Pois bem, as partículas de solo, especialmente a argila ou matéria orgânica, possuem em sua superfície diversas cargas negativas.

Como os opostos se atraem, as cargas positivas (como cátions) se ligam à essas partículas.

Exemplos de cátions são: Ca²+, Mg²+ e K+. Repare que aqui temos justamente alguns nutrientes para plantas.

Portanto, a CTC refere-se à quantidade de cargas negativas que o solo possui.

Os nutrientes ligados (adsorvidos) pelas partículas de solo podem ficar disponíveis para as plantas e também não são facilmente carregados pelas águas das chuvas.

Além disso, esses cátions que são mantidos na argila ou partículas orgânicas podem ser substituídos por outros cátions e, portanto, são chamados de trocáveis.

Por exemplo, o potássio pode ser substituído por cátions como cálcio ou hidrogênio.

Você pode ver abaixo como ocorre as trocas de cátions para que a planta absorva os nutrientes do solo.

ctc-solo-nutrientes

(Fonte: McMilan  adaptado e traduzido por Aegro)

Repare que na etapa 3 os cátions podem ser liberados na solução do solo, onde as plantas podem absorver mais facilmente os nutrientes.

Outra possibilidade é que a raiz troque um H+ por algum cátion, sendo uma troca ativa, ou seja, a planta gastou energia para absorver esse nutriente.

No entanto isso não ocorre sempre, o mais comum é  a liberação para solução do solo e ali ocorrerá a absorção de nutrientes pela planta.

Essas trocas não ocorrem somente pela absorção nutrientes, sendo muito fatores envolvidos para que elas ocorram.

Desse modo, manejando o solo e CTC você pode melhorar sua fertilidade.

Mas antes de conhecer esses fatores precisamos entender mais sobre os diferentes tipos de CTC do solo.

Os tipos de CTC do solo

1. CTC Permanente

Esta CTC é chamada permanente, porque não varia com o pH, é resultado da substituição de elementos na estrutura das partículas de solo (substituição isomórfica).

Essa CTC ocorre nos solos menos desenvolvidos, predominante nas regiões temperadas, o que não é o nosso caso.

2. CTC Variável

Este tipo de CTC é chamado de CTC variável, porque o número e cargas elétricas pode aumentar ou diminuir em função do pH do solo.

Esse é o principal tipo de CTC que temos em nossos solos tropicais.

ctc do solo

(Fonte: Grain SA traduzido por Aegro)

Além desses dois tipos principais, a CTC do solo também pode classificada em CTC a pH 7 e CTC efetiva, ambas disponíveis em análises do solo:

>> Tudo que você precisa saber para acertar na escolha do laboratório de análise de solo

>> O guia da interpretação de análise de solo

CTC a pH 7

É a quantidade de cátions ligados ao solo (adsorvidos) quando o pH é igual a 7.

CTC efetiva

A CTC efetiva é obtida da soma dos cátions que efetivamente podem ser trocados.

Os cátions que são somados são: Ca2+, Mg2+,
K+ e Al3+. Não inclui, portanto, o H+ que compartilha elétrons com as cargas do solo.

Agora, podemos verificar os fatores que interferem na CTC e começar a entender como podemos modificá-lo para melhorar nosso solo:

Fatores que afetam a Capacidade de Troca Catiônica

Muitas condições do solo têm influência sobre a CTC, dentre as quais:

  • pH do solo;
  • Natureza dos cátions trocáveis;
  • Concentração dos cátions na solução do solo;
  • Natureza da fase sólida do solo.

O efeito do pH se verifica, principalmente, sobre as cargas dependentes de pH, que são as principais nos solos brasileiros, como já discutimos.

Desse modo, temos:

ctc do solo

A natureza dos cátions afeta a preferência de troca no solo dependendo da sua densidade de carga (relação entre a carga do íon e seu raio).

Os cátions com maior densidade de carga são mais retidos no solo. Por isso, os cátions polivalentes são geralmente mais fortemente retidos no solo.

Assim, temos uma seqüência de preferencialidade de troca de cátions considerando apenas os nutrientes de plantas:

K+ < Mg²+ < Ca²+

A concentração dos cátions na solução do solo também afeta a preferencialidade de troca.

Assim, à medida que se dilui a solução, com menos cátions por volume de água no solo, há aumento na preferencialidade de troca pelos cátions de menor densidade de carga, como o Na+.

A natureza do solo também influi, sendo que já vimos que solos tropicais como os nossos possuem basicamente CTC variável.

Por consequência, a matéria orgânica apresenta a maior participação no valor da CTC.

composição-solo

(Fonte: David Prado Alencar em Ciências naturais)

Como manejar a CTC do solo e aumentar sua fertilidade?

A CTC determina como o seu solo deve ser gerenciado.

Lembrando que, em geral, quanto maior a CTC do solo, melhor será sua fertilidade.

Isso porque é maior a quantidade de cátions, como cálcio, magnésio, potássio, nutrientes essenciais para as plantas.

Abaixo podemos ver a classificação da CTC do solo e as principais relações dos solos com CTC baixa e alta:

CTC-ph-7.classificacao

(Fonte: Na sala com Gismonti)

ctc-relações

(Fonte: Gisele Santos em Constituição do solo)

Um dos benefícios da calagem dos solos ácidos, como os brasileiros, é o aumento da CTC do solo.

>> Gessagem: Tudo o que você precisa saber sobre está prática agrícola

>> Como fazer calagem e gessagem nas culturas de soja, milho e pastagem

Eis o motivo: à medida que o pH aumenta, o H+ ligado à partícula do solo é neutralizado pela calagem, e o local que ocupava é liberado, resultando em uma carga negativa.

Nessa carga então, podem se ligar os nutrientes cálcio, magnésio, etc.

Por isso também, os solos com maior CTC têm menor lixiviação de nutrientes e quando a planta absorve a água, com ela vem junto o nutriente.

lixiviação-ctc

À esquerda solo com baixa CTC; à direita solo com alto valor de CTC
(Fonte: Fresh Grow)

Além disso, o método de adubação também pode ser influenciado pela CTC, assim como pode melhorá-la.

>> O que você precisa saber sobre as diferenças entre calagem e gessagem

Um solo com baixa CTC normalmente tem uma baixa matéria orgânica e conteúdo de argila, retém menos água.

Assim, é necessário mais calcário e fertilizantes, sendo mais sujeito a lixiviação.

Geralmente, os solos com baixa CTC apresentam menores rendimentos, mas um bom manejo ainda pode resultar em uma colheita bem sucedida.

>> Veja (de uma vez por todas) como fazer fosfatagem na sua fazenda

Influência da matéria orgânica na CTC do solo

A matéria orgânica do solo é constituída por compostos de carbono originados a partir da decomposição de resíduos vegetais e animais.

Além de ser fonte de nutrientes, a matéria orgânica do solo (M.O.S.) apresenta cargas de superfície que contribuem para o aumento da capacidade de troca de cátions (CTC) do solo.

ctc-alta-baixa

(Fonte: Pedologia Fácil)

Devido a sua alta reatividade, a M.O.S. regula a disponibilidade de vários nutrientes.

Essa regulagem é principalmente dos micronutrientes e elementos potencialmente tóxicos como Al3+ e Mn2+, e metais pesados.

Nos ambientes tropicais, a matéria orgânica do solo tem importância elevada, já que a argila dos nossos solos só possuem CTC variável.

A M.O.S. é amplamente reconhecida por seus efeitos benéficos aos solos devido a melhor agregação e retenção de água, maior CTC e disponibilidade de nutrientes.

Um manejo de solo com adubação verde, culturas de coberturas, plantio direto ou até cultivo mínimo colaboram com algum aumento ou manutenção da M.O.S. do solo.

>> Vantagens e desvantagens de fazer adubação verde em sua propriedade

Apesar das análises de solo trazerem os valores de CTC, você pode calculá-las facilmente:

Como calcular a CTC do seu solo?

Como citei anteriormente, a CTC do solo possui diferentes tipos, dessa forma, preste bastante atenção na composição do seu solo porque cada tipo de CTC possui um cálculo distinto.

1. CTC efetiva

Ou efetiva que corresponde a soma de bases (SB) incluindo o cálcio, magnésio, potássio e sódio; mais o alumínio, ou seja CTC efetiva = SB + Al

Essa CTC efetiva é utilizada no cálculo da retenção de cátions (RC) como um dos critérios para saber se o solo é ácrico (baixa CTC efetiva) ou não ácrico (média ou alta CTC efetiva).

2. CTC a pH 7

Corresponde a soma de bases (SB) + Al + H no pH 7

A CTC a pH 7 é utilizada para
calcular a dose de calcário.

Conclusão

O conhecimento do seu solo passa pelo entendimento da CTC, demonstrando como você pode manejar melhor o seu solo.

Se atente para os valores de CTC e procure aumentar esses valores pela correta calagem e manejo conservacionista do solo.

Com todas essas informações faça seu planejamento agrícola e tenha produtividades ainda mais altas!

Gostou do texto? Tem mais dicas sobre a CTC do solo? Como você faz o planejamento agrícola do seu solo hoje? Adoraria ver seu comentário abaixo!

Por que adubação foliar em soja pode ser uma cilada

Adubação foliar em soja pode ser utilizada em algumas estratégias, mas também pode se tornar problema se não feita adequadamente.

A ocorrência de problemas no plantio e estabelecimento das lavouras fazem com que muitos produtores corram atrás do prejuízo a todo custo.

Isso ocorreu, por exemplo, na safra 2017/18 de soja.

Diante desses contratempos as lavouras podem apresentar desenvolvimento irregular.

Assim, muitos produtores recorrem a soluções alternativas, sendo a adubação foliar muito utilizada nesse sentido atualmente.

No entanto, a escolha errada do fertilizante pode diminuir em mais de 400% a eficiência de aplicação foliar do nutriente.

Por isso, confira todas as principais dicas sobre adubação foliar a seguir:

Adubação foliar: O que é e qual sua importância

Uma das formas de auxiliarmos as plantas de soja no processo de obter os alimentos necessários para o bom desenvolvimento é através do processo de adubação.

As plantas precisam de um solo rico em nutrientes para que possam se desenvolver bem, e para que o solo se mantenha forte e rico em nutrientes é necessário que ocorra a adubação para a quantidade de nutrientes ideal seja atingida.

Porém, quando esses nutrientes não são fornecidos pelo solo, existem outras maneiras de reposição na planta, como é o caso da aplicação foliar, ou: adubação foliar.

Essa adubação de soja (foliar) consiste em um processo nutricional complementar.

Desse modo, essa adubação deve trabalhar em parceria com a do solo, inclusive a adubação foliar deve procurar fornecer nutrientes diversificados, além do NPK normalmente fornecido pelos adubos.

adubação-foliar-soja

(Foto: Adaptado de Wolf Traxx)

A opinião da adubação foliar em soja por especialistas

Áureo Lantmann, do Projeto Soja Brasil, afirmou que a adubação foliar em soja pode ser um fator que precisa ser avaliada com cuidado, não sendo uma unanimidade no setor.

Áureo também ressalta que muitas vezes os resultados dessa prática são exagerados e tratados de forma genérica, sem mencionar as particularidades que devemos nos atentar.

O especialista Dirceu Gassen afirma que a aplicação foliar pode ser viável, mas que o mais importante é a adubação via solo.

Na opinião dele, os adubos foliares são apenas estratégias de estímulo para crescimento da planta para casos específicos.

Em uma busca rápida na internet você poderá ver que a opinião de especialistas é quase unânime: a adubação foliar é complementar e mais eventual do que rotineira.

Para a adubação foliar realmente compensar, veja os cuidados e como saber seu custo-benefício a seguir:

Cuidados e custo-benefício com adubação foliar em soja

A utilização de sais e outras substâncias para a adubação foliar em soja pode resultar em queima das folhas.

Isso reduz a capacidade de fotossíntese da lavoura e pode reduzir a produtividade final ao invés de aumentá-la.

Portanto, vale a pena estudar a bula do produto, a concentração e vazão recomendadas, e consultar a empresa fabricante caso haja algum problema.

Outro cuidado fundamental para esse e outros produtos é o custo: será que compensa mesmo esse tipo de adubação?

É estimado que a aplicação foliar de micronutrientes fique entre R$ 50 e R$ 70 por ha, mas há muitas particularidades em cada fazenda que precisam ser levadas em consideração.

Desse modo, anote em um caderno ou planilha as seguintes informações para conhecer se essa adubação compensa:

  • custo do adubo foliar (R$/L);
  • dose recomendada (L/ha);
  • número de aplicações necessárias;
  • custo da aplicação por hectare (R$/ha);
  • resposta esperada em produtividade (kg/ha);
  • valor de venda do produto (R$/sc).

Multiplicando o custo do adubo foliar pela dose recomendada e pelo número de aplicações você terá o custo total do produto por hectare. Some o resultado dessa conta pelo custo da aplicação por hectare. Agora você terá o custo total da adubação foliar.

Para saber se realmente esse custo compensa, estime a resposta em produtividade e o preço que venderá sua casa de soja.

Após isso, multiplique o número de sacas esperadas em resposta a essa adubação pelo preço de venda por saca. Esse será seu ganho devido à adubação.

Subtraia o ganho que você teve por hectare pelo custo total da aplicação. Desse modo você verá se teve prejuízo ou ganhos com essa aplicação (custo-benefício).

Veja o exemplo abaixo:

contas-adubação-foliar

*Dados meramente ilustrativos.

Note que uma estimativa real dos ganhos de sacas de soja devido a adubação são essenciais para verificar o verdadeiro custo-benefício.

Você também percebeu que fazer essas contas para esses e outros produtos em um caderno ou planilha de excel é trabalhoso e sujeito à muitos erros.

Você simplificar tudo isso e ainda visualizar melhor todos os seus dados por meio de um software de gestão agrícola:

custo-realizado-gestão-rural

Adubação foliar em soja: principais nutrientes

A soja é uma cultura exigente em termos nutricionais e eficiente em absorver e utilizar os nutrientes contidos no solo, principalmente nitrogênio (N), potássio (K), cálcio (Ca), fósforo (P), magnésio (Mg) e enxofre (S).

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Sintomas de deficiência nutricional em plantas
(Fonte: Semear & Plantar)

Os micronutrientes, ou seja, aquelas que a planta precisa em menor quantidade, são os mais utilizados na adubação foliar, já que são menos encontrados em fertilizantes convencionais.

Um dos micronutrientes mais utilizados em soja é o manganês, confira o porquê:

Adubação foliar em soja: O caso do Mn

No caso da soja, temos o caso do manganês (Mn) com crescente uso de sua adubação foliar.

A redução de rendimento de soja pode chegar até 25% pela deficiência de Mn.

Diante desse quadro, há 2 fatores que interagem negativamente alterando o estado nutricional das plantas:

1. A deficiência nestas áreas tem sido atribuída à utilização de calcário dolomítico (>12% de MgO)

Em cobertura sem incorporação do produto, a maior quantidade de Mg aplicada inibe de forma significativa a absorção de Mn e Zn por efeito de inibição.

Além disso, a elevação do pH a valores próximos da neutralidade causa um novo equilíbrio dos íons na solução do solo em detrimento dos micronutrientes.

2. Uso de cultivares de soja transgênicas

Com aplicação do herbicida glifosato, existe um efeito negativo na síntese do ácido chiquímico, diminuindo a absorção alguns elementos metálicos (Cu, Mn e Zn).

Isso faz com que a cultura apresente sintomas foliares de deficiência após a aplicação do herbicida.

Quando a concentração é aumentada, pode ocorrer a queima das folhas.

Na prática, têm sido obtidos resultados muito inconsistentes quanto à sua eficiência, é necessário portanto a realização de mais estudos para a confirmação desse fato.

Assim, a aplicação de Mn via foliar é recomendada, sendo indicada nos estádios entre  estádio reprodutivo da soja V4 e R1.

No entanto, essa adubação deve ser feita de maneira adequada para realmente dar resultados positivos.

Algumas vantagens em utilizar a adubação foliar

1. Melhor aproveitamento do produto

A adubação foliar em soja é uma técnica que foca nos detalhes da nutrição de uma planta.

Isso significa que é preciso aplicar a dosagem certa no local certo, para que os resultados sejam os melhores possíveis.

Uma das consequências dessa técnica tão assertiva é, sem sombra de dúvidas, um melhor aproveitamento do fertilizante que está sendo utilizado na plantação.

Podemos afirmar que um volume do produto aplicado com a adubação foliar em soja dura muito mais tempo – e traz muito mais resultado – do que aquele aplicado com técnicas tradicionais.

As plantas conseguem assimilar algo em torno de 90% do adubo aplicado, enquanto que no caso da adubação normal no solo, as plantas absorvem em torno de 50%.

2. Resultados mais eficientes no desenvolvimento da plantação

A aplicação assertiva reproduzida na adubação foliar também é a principal responsável pelos resultados mais eficientes em grandes e pequenas produções agrícolas.

Isso acontece porque a planta, com essa técnica, recebe a dosagem ideal de nutrientes que precisa.

A adubação foliar causa estímulos ao metabolismo das plantas, ajudando na formação de aminoácidos, clorofila, proteínas e outros elementos.

Além de fornecer maior mobilização dos nutrientes pelas folhas da planta, aumentando a taxa de fotossíntese e estimulando a absorção pela raiz, entre outros.

3. Facilidade de aplicação

Por mais incrível que possa parecer, a adubação foliar é uma técnica de fácil aplicação.

A única exigência é um treinamento específico e um planejamento rígido para garantir os bons resultados que promete

4. Ocupa pouco espaço no estoque

Se você usa uma dosagem menor de fertilizantes para obter os melhores resultados, é claro que isso vai refletir significativamente na sua capacidade de estocar esse produto na sua lavoura.

Uma das grandes queixas de produtores é o grande volume de produto demandado pela plantação toma um grande espaço físico no espaço de trabalho.

A adubação foliar reduz essa perda de espaço, tornando a tarefa de estocar um produto de qualidade ainda mais fácil e eficiente.

Falando em estoque, você pode ter um maior controle do seu por meio de planilhas.

5. Custo benefício pode ser positivo

No primeiro momento você vai imaginar que a adubação foliar aparenta ser uma técnica muito mais cara do que a fertilização tradicional.

No entanto, em certos casos, o ganho de quem utiliza esse recurso é de três a dez sacas por hectare.

Mas para verificar se o lucro ocorre mesmo, é preciso colocar na ponta do lápis, ou na tela do computador, os seus custos.

Aqui neste texto você já viu como fazer esse cálculo de adubação para soja e ficar atento à essa questão.

6. Menor risco de danos ao ambiente

A adubação foliar resulta em maior segurança ao meio ambiente já que a absorção dos fertilizantes é bem maior nessa prática.

Com isso, as chances de contaminação de solo e lençol freático são significativamente menores.

Mas para que todos esses benefícios se concretizem devemos seguir algumas recomendações:

Recomendação de adubação foliar em culturas de soja

O período de aplicação dessa adubação foliar em soja deve ser quando os nutrientes são absorvidos em maior quantidade.

Isso corresponde à fase do desenvolvimento da planta, começando em V2 (primeira folha trifoliada completamente desenvolvida) até R5 (início de enchimento de grãos).

Além disso, a velocidade de absorção aumenta durante a floração e início de enchimento dos grãos.

Aliado ao aumento da velocidade de absorção, verifica-se também uma alta taxa de translocação na planta ao longo desse período.

A seguir você pode ver outras recomendações para adubação foliar em soja:

Fonte utilizada:

Diferentes fontes possuem diferentes eficiências de absorção na planta, por isso, pesquise e se atente a esse fator quando escolher seu fertilizante foliar.

Tipo de folha e arquitetura da planta:

Verifique o grau de inclinação da folha em relação ao seu eixo para determinar de que modo a aplicação pode ser mais eficaz.

Além disso, cultivares de soja que apresentam maior exposição da face inferior da folha, tamanho menor e semirreta são mais eficientes na absorção foliar de nutrientes que cultivares com folhas grandes.

Horário de aplicação foliar:

Deve ser feita entre 15h e 19h.

Estresse hídrico:

Há pouca eficiência se a aplicação for realizada quando a planta apresenta déficit hídrico acentuado.

Vento:

O excesso deste diminui a eficiência da aplicação e as plantas fecham os estômatos para reduzir a perda de água.

Como definir a necessidade de adubação foliar

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(Fonte: Adaptado de Monteiro, Carmello e Dechen)

Assim como a adubação tradicional via solo de complementar a nutrição da planta em quantidade e qualidade, a adubação foliar também precisa ser definida e utilizada com objetivos específicos e baseada em critérios técnicos/econômicos.

Com relação aos critérios técnicos, a decisão de usar ou não algum nutriente via foliar, deve estar apoiada na análise foliar.

Somente após a interpretação desta, será possível decidir pela correção de deficiências ou ainda, constatar toxicidade de nutrientes.

Na verdade, há necessidade de um diagnóstico em que se considere:

1) Resultados de análise de solo;

2) Resultados de análises foliar de anos anteriores;

3) Conhecimentos da adubação utilizada no ano e principalmente das adubações de anos anteriores;

4) Histórico de sintomas de deficiências em anos anteriores principalmente de micronutrientes;

5) Considerar a resposta apresentadas com o uso de adubos foliares em anos anteriores.

Sem esse conjunto de informações,adubação foliar em soja fica sem objetivo e sem parâmetro de referência para sua recomendação.

Nos casos de cobalto e molibdênio e do manganês, há argumentos técnicos para suas recomendações via foliar.

Cobalto e molibdênio, quando não foram adicionados via sementes, em que pese ser esta ainda a mais eficiente forma de adubação para esses dois nutrientes, pode se optar pela via foliar.

Para o manganês, quando surgirem sintomas ainda no período vegetativo, se recomenda a aplicação foliar.

Bom lembrar que de soja RR, após aplicação do glifosato, são induzidas a falta de manganês, que pode ser corrigida com adubo foliar.

Conclusão

O adubação foliar em soja é uma boa alternativa para complementar a adubação feita através do solo.

Porém, que fique claro que o adubo foliar não substitui a fertilização do solo, apenas o complementa.

Para isso, a análise foliar é fundamental para identificar as deficiências das plantas e principalmente saber se há necessidade de aplicação foliar.

Além disso, é necessário verificar se os custos compensam os ganhos, obtendo a segurança na tomada de decisão da adubação foliar em soja.

Gostou das dicas? Você usa a adubação foliar? Tem outras informações sobre essa prática que não citei aqui? Deixe seu comentário abaixo!

4 principais inseticidas para combater pragas de grãos

Tipos de inseticidas para lavouras de grãos: saiba quais os defensivos químicos certos para combater as pragas da sua lavoura de grãos eficientemente.

De acordo com a FAO, cerca de 40% da produção agrícola no mundo é perdida todos os anos devido a ataques de pragas.

No Brasil, essa importância não é menor: as pragas agrícolas causam grande apreensão. Tanto é que 25,5%  dos gastos brasileiros em defensivos agrícolas são em inseticidas.

Mas, se bem utilizados dentro do MIP, os inseticidas podem ajudar muito no alcance de altas produtividades agrícolas.

Por isso, neste artigo, vou te mostrar os principais inseticidas para as principais pragas de grãos. Confira:

Conceitos importantes sobre tipos de inseticidas

Um mesmo inseticida pode atingir vários alvos, como diferentes lagartas, percevejos e outros insetos.

Além disso, muitas vezes o mesmo produto pode ser utilizado em diferentes culturas, especialmente em grãos, onde as pragas são semelhantes.

bula-engeo-pleno

Bula do produto inseticida comercial: Engeo Pleno
Classe: Inseticida sistêmico de contato e ingestão; Grupo químico: neonicotinoide e piretroide

(Fonte: Syngenta)

No entanto, as pulverizações devem ser feitas com alternância de produtos de grupos químicos e modo de ação diferentes.

Essa rotação visa diminuir a pressão de um determinado produto sobre as populações de pragas.

Conhecimento do produto e da semente são fundamentais

Isso minimiza tempo, gastos, mão-de-obra, maquinário e principalmente produtos químicos, que em sua maioria pesam muito no bolso do produtor.

Só aí já temos uma ideia de alguns dos benefícios que inseticidas podem trazer na agricultura. Mas, diante de tantos grupos químicos, conhecer os principais deles é essencial!

Os inseticidas são comumente classificados de acordo com sua composição química.

grupo-químico-inseticidas

Grupos químicos, mecanismos de ação, processos afetados e principais ingredientes ativos de inseticidas
(Fonte: Irac)

Existem várias formas do inseticida afetar a praga. Cada grupo químico tem sua característica quanto ao seu modo de ação sobre o inseto. Confira:

ação-tipo-inseticida

(Fonte: Yamamoto adaptado de J Cooper & H Dobson)

Agora veremos os principais tipos de inseticidas por grupos químicos para as principais pragas de grãos:

1° principal tipo de inseticida: diamidas

Principais características:

  • regulam a libertação de cálcio intracelular;
  • age diretamente na contração muscular;
  • provoca um aumento rápido da concentração de cálcio;
  • leva, posteriormente, à cessação de alimentação, letargia, paralisia e, por fim, a morte da praga.

Substância química ativa: Clorantraniliprol e ciantraniliprol (comercializados pela DuPont e Syngenta). 

Alvos: Espécies da ordem de Lepidoptera, Coleoptera, Diptera e Hemiptera.

Principal praga: Helicoverpa armigera (Lepidoptera: Noctuidae)

Estudos indicaram que os inseticidas flubendiamida (Belt) e espinosade (Tracer) mostraram serem muito eficientes no controle da Helicoverpa armigera.

A dose varia de acordo com o nível de infestação e incidência da praga na área.

Geralmente a dose comercial de Belt recomendada para controle de armigera varia entre 50 ml e 70 ml/hectare.

helicoverpa-tipo-inseticida

(Fonte: Rural Pecuária em Embrapa Soja)

2° principal tipo de inseticida: organofosforados

Principais características:

  • custo relativamente baixo;
  • largo espectro de atividade e de alto impacto sobre insetos;
  • ampla gama de produtos agrícolas e sanitários;
  • existem produtos organofosforados desde extremamente tóxicos até aqueles com baixa toxicidade, como o Temephos, que tem seu uso permitido em água potável;
  • na área da Saúde, têm sido bastante usados dada sua eficiência.

Estrutura molecular: são ésteres, amidas ou derivados tiol dos ácidos de fósforo, contendo várias combinações de carbono, hidrogênio, oxigênio, fósforo, enxofre e nitrogênio,

Persistência/Degradação: são biodegradáveis, sendo, portanto sua persistência curta no solo: 1 a 3 meses.

Modo de ação: por contato e ingestão. Agem como inibidores das enzimas colinesterases, causando o aumento dos impulsos nervosos, assim podendo ocasionar a morte.

Alvos: espécies da ordem de Coleópteros, sugadores, mastigadores como: ácaros, percevejos, lagarta-da-soja, mosca-branca, etc.

Principal praga: Ácaros na cultura da soja

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(Foto: Daniel R. Sosa-Gómez em Embrapa)


Ataques severos de ácaros em lavouras de soja podem ser responsáveis por danos que variam de 4 a 8 sc/ha.

Um produto eficaz no controle de ácaros do grupo dos organofosforados é o Orthene, inseticida e acaricida da Arysta Lifescience.

Sua dosagem varia de 300 L a 400 L de calda/hectare.

3° principal tipo de inseticida: carbamatos

Principais características:

  • paralisação muscular do inseto;
  • os alvos apresentam 4 estágios sintomáticos: excitação, convulsão, paralisia e morte.

Estrutura molecular: são praguicidas orgânicos derivados do ácido carbâmico.

Temos três classes de carbamatos conhecidos: carbamatos inseticidas (e nematicidas), carbamatos herbicidas e carbamatos fungicidas.

Persistência/degradação: são compostos instáveis e muitos fatores influenciam a degradação: a umidade, temperatura, luz, volatilidade.

Carbamatos são metabolizados por microrganismos, plantas e animais ou degradados na água e no solo, especialmente em meio alcalino.

Modo de ação: com ação de contato e ingestão, são igualmente inibidores das enzimas colinesterases, embora por mecanismo diferente dos organofosforados.

Principal praga: Lagarta-do-cartucho (Spodoptera frugiperda) em milho

Seus prejuízos são estimados em mais de US$ 400 milhões anualmente, e, a lagarta-do-cartucho é considerada a pior praga do milho.

tipos de inseticidas

(Fonte: Agronomia Rústica)

Apesar de seu nome ser em referência a danos feitos principalmente no cartucho do milho, ela pode afetar todos os órgãos da planta em diferentes estágios.

Um produto eficaz no controle de ácaros do grupo dos organofosforados é o Lannate, inseticida sistêmico e de contato da Du Pont.

Sua dosagem varia de 200 L a 300 L de calda/hectare.

4° principal tipo de inseticida: piretróides

Principais características dos piretroides:

  • são atualmente os inseticidas mais utilizados;
  • apresentam baixa toxicidade em mamíferos;
  • baixo impacto ambiental, são efetivos contra um largo espectro de insetos e são necessárias baixas quantidades para exercerem sua ação;
  • agem nos insetos com rapidez causando paralisia imediata e mortalidade, efeito de choque denominado “Knock down”;
  • são geralmente usados como misturas;
  • devem respeitar um intervalo de segurança após aplicação.

Estrutura molecular: são compostos sintéticos análogos aos componentes obtidos a partir dos piretróides, extraídos do crisântemo.

Persistência/degradação:

  • intervalo de segurança de até 37 dias;
  • têm boa estabilidade sob luz e temperatura ambiente.

Modo de ação: são os compostos de mais rápida ação na interferência da transmissão de impulsos nervosos. Podem possuir efeito repelente, espantando os insetos ao invés de eliminá-los.

Principais Pragas

  • Lagarta-da-maça (Heliothis virescens);
  • Lagarta-militar (Spodoptera frugiperda);
  • Lagarta da soja (Anticarsia gemmatalis).

Um produto eficaz no controle de dessas três lagartas do grupo dos piretroides é Permetrina 384 EC, inseticida de contato e ingestão da UPL.

Sua dosagem varia de 100 L a 500 L de calda/hectare (depende do nível de infestação da praga.

Apesar dos inseticidas ajudarem muito, é fundamental fazer o Manejo Integrado de Pragas (MIP) para um controle efetivo das pragas e para não selecionar indivíduos resistentes.

Resistência de pragas a inseticidas e o MIP

O uso contínuo dos defensivos agrícolas sem rotação de seus mecanismos de ação pode afetar diretamente no seu bolso.

Isso porque, dessa maneira, há o desenvolvimento de populações de pragas resistentes a inseticidas.

Além disso, nas últimas décadas, a descoberta de novos inseticidas, de grupos químicos e modo de ação distintos dos inseticidas já existentes no mercado está se tornando cada vez menor.

Desta forma, o agricultor não tem novas opções quando o produto está apresentando falhas de controle devido à evolução da resistência. E, assim, o problema se torna evidente.

O Manejo Integrado de Pragas tem sido o principal responsável por reverter esse quadro, além de trazer mais sustentabilidade para sua fazenda.

mip-tipos-inseticidas

(Fonte: Sebastião Araújo em Embrapa)

O MIP reúne um plano de medidas que busca promover o equilíbrio no sistema.

Assim, muitas outras medidas de controle, além do químico que aqui falamos, devem ser usados.

E isso faz com que haja menor pressão de seleção de indivíduos resistentes e maior eficácia de controle das pragas.

O mais interessante é que por vezes vemos que o MIP reduz as aplicações, podendo também diminuir seus custos de produção agrícola.

Para ver mais acesse “Reduza drasticamente suas aplicações utilizando o Manejo Integrado de Pragas.”

Veja também o MIP especialmente para a cultura do milho em: Como fazer manejo integrado de pragas (MIP) na cultura do milho

Conclusão

Você pode ter prejuízos imensos se o controle de pragas não for feito corretamente.

Nesse sentido, conhecer os principais inseticidas, sejam eles químicos ou inseticidas naturais, e as pragas que combatem, é fundamental para a correta escolha e manejo.

No entanto, não devemos nos apegar somente ao controle químico, mas misturar e agregar diversas medidas de controle de insetos, seguindo as recomendações do MIP.

Esse conhecimento e definição das melhores estratégias de controle fazem parte do planejamento agrícola.

Agora que você já sabe mais sobre os principais tipos de inseticidas para grãos, já pode começar a se planejar no combate às pragas!

>> Leia mais:

“Novidade no mercado de defensivos: inseticida Plethora”

As melhores formas de controle para cigarrinha-das-pastagens

“O que você precisa saber sobre o mecanismo de ação dos inseticidas neonicotinoides, organofosforados e carbamatos”

“Inseticidas ecdisteroides: como agem nos insetos e por que são uma boa opção de manejo”

Gostou do texto? Tem mais algum tipo de inseticida que você costuma usar e não citamos aqui? Restou alguma dúvida? Comente abaixo!

Curiosidades sobre calagem em 5 casos especiais

Veja agora o que é calagem, como fazê-la e algumas curiosidades em casos especiais!

A calagem feita de forma adequada melhora a nutrição das plantas, e assim aumenta a produtividade.

O aumento de produção agrícola tem efeito direto no PIB, já que o agronegócio representa quase um quarto do PIB nacional.

Sem falar que a calagem custa apenas 5% do custo total de produção agrícola, mas pode gerar retornos incríveis!

Mas como fazer isso de forma correta? E em casos especiais como plantio direto, estiagem, etc?

Venha comigo e confira agora como fazer tudo isso.

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O que é calagem e para que serve

Vamos começar entendendo o que é calagem e porque essa prática é tão importante.

A calagem é uma etapa do preparo do solo para o cultivo agrícola em que materiais de caráter básico são adicionados ao solo para neutralizar a sua acidez.

A aplicação de calcário (calagem) atua na acidez do solo e também há o fornecimento de nutrientes como cálcio e magnésio para as plantas.

Então, a calagem atua no pH do solo. Especialmente nas primeiras camadas de solo.

Assim, a prática elimina a acidez, aumenta a CTC e melhora o aproveitamento de nutrientes pelas plantas.

Os calcários são classificadas com relação à concentração de MgO em calcíticos (menos de 5%), magnesianos (5 a 12%) e dolomíticos (acima de 12%).

A qualidade do produto será função de suas características químicas (PRNT = Poder Relativo de Neutralização Total) e físicas ( tamanho das partículas).

Você pode ter essas informações na própria embalagem do calcário.

Veja agora a calagem em casos específicos:

>> Esteja preparado e não se engane na pré-safra: saiba quais corretivos utilizar

1.Calagem em regiões muito chuvosas

Para atuar na correção da acidez do solo, o calcário necessita sofrer uma reação, que ocorre com a umidade e pelo contato com o solo.

Assim, o produto deve ser aplicado três meses antes da safra para que quando forem iniciados o plantio ou a adubação o calcário já tenha reagido com o solo.

Essas reações provocam mudanças no solo, aumentando o pH para faixa de 5,5 a 6,5, onde são disponibilizados os nutrientes essenciais para a planta:

Venha comigo e confira agora como fazer tudo isso:

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(Fonte: Malavolta, 1979 em Agronomia com Gismonti)

Assim, nas regiões com grande umidade, onde as chuvas se mantém constantes por seis meses, deve-se aplicar o calcário 3 meses antes de começar a safra.

Mas lembre-se que nunca se deve entrar com máquinas no campo se a terra estiver molhada, pois isso causa compactação do solo e pode destruir sua nutrição de plantas.

No entanto, se sua região tiver um período de muita chuva e outro de seca, faça a calagem antes de acabar o período chuvoso, mesmo que seja 4 ou 5 meses antes da safra começar.

Desse modo, haverá tempo do corretivo reagir para promover as mudanças benéficas ao solo que será cultivado no próximo período de chuvas.

>> Gessagem: Tudo o que você precisa saber sobre está prática agrícola

2. Calagem em regiões de seca

A calagem é uma grande aliada para a tolerância das plantas a períodos de estiagem.

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(Fonte: Luciano Mato Grosso em Agroreporter)

Isso porque os principais objetivos da calagem são eliminar a acidez do solo e fornecer cálcio e magnésio para as plantas.

O cálcio estimula o crescimento das raízes e resulta numa maior exploração da água e dos nutrientes do solo, auxiliando a planta na tolerância à seca.

Porém, para a calagem ter todos esses benefícios o calcário precisa encontrar água no solo e assim ocorrer as reações.

Por isso ficam as dicas:

  • Após a colheita de uma safra já faça a análise de solo de sua propriedade;
  • Após a análise defina a dose a ser utilizada e compre o calcário indicado;
  • Deixe maquinário pronto: peças, combustível, tratorista.
  • Assim que houver chuva significativa aplique o calcário, mesmo que seja antes dos 3 meses para começar a lavoura, como indicado em situações normais.

>> O que você precisa saber sobre as diferenças entre calagem e gessagem

3. Calagem em solo compactado

Algumas áreas podem apresentar compactação que  dificulta a incorporação do calcário até a profundidade recomendada.

Por isso, é necessário descompactar o solo antes da incorporação de calcário.

Assim, recomendo muito a realização de adubação verde ou cultura de cobertura antes de realizar a calagem.

O uso de subsolador é uma medida de curto prazo que pode trazer mais prejuízos financeiros, mas em certos casos pode ajudar na sua calagem.

4. Calagem em cultivo convencional

O calcário deve ser distribuído a lanço e incorporado uniformemente ao solo, até a profundidade de 17 a 20 cm.

Assim, no cultivo convencional a aplicação é incorporada: aplicação do calcário seguida de operações de aração e gradagem;

5. Calagem em plantio direto

No sistema plantio direto, a correção da acidez do solo é feita por meio da aplicação de calcário na superfície sem incorporação.

Para isso, indico que as amostragens sejam realizadas em duas profundidades (0-10 e 10-20 cm).

Isso porque o objetivo principal de se avaliar a disponibilidade de cálcio, magnésio e a variação da acidez entre as duas profundidades.

Além do mais, recomendo a utilização de um calcário mais finamente moído, facilitando a reação do calcário com o solo e , consequentemente, maior efeito da calagem.

calagem

(Fonte: Iapar)

A calagem superficial normalmente não tem efeito rápido na redução da acidez do subsolo, por isso o calcário deve ser aplicado o mais cedo possível.

A calagem também atua ao longo dos anos no plantio direto, amenizando os efeitos nocivos da acidez em camadas mais profundas do solo.

Isso é importante porque a acidez nas camadas subsuperficiais, em caso de níveis tóxicos de Al e/ou deficiência de Ca, pode impedir o desenvolvimento das raízes.

Isso pode causar em deficiência de nutrição das plantas e maior suscetibilidade das culturas ao estresse hídrico.

Abaixo são apresentados os parâmetros para a interpretação da análise do solo na cultura da soja:

o que é calagem

Saiba qual calcário comprar

Após análise de solo e definição da dose do calcário, você deve se atentar ao aspecto econômico.

Para saber se o custo de um calcário e seu transporte valem a pena calcule:

Saiba o custo total do calcário colocado na propriedade (incluindo o frete) em reais, divida esse valor pelo PRNT do calcário e multiplique o resultado por 100.

Utilize essa fórmula em várias opções de calcário com diferentes custos de transporte.

Aquele com menor valor é o que deve ser adquirido.

cálculo de calagem Aegro

Exemplo:

Calcário 1: Custo do calcário em minha propriedade (custo total dos quilos de calcário + transporte) = R$ 2200

PRNT do calcário = 80%

2200/80 = 27,5 x 100 = 2750

Calcário 2: Custo do calcário em minha propriedade (custo total dos quilos de calcário + transporte) = R$ 2350

PRNT do calcário = 90%

2350/90 = 26,1 x 100 = 2611,1

Ou seja, mesmo o calcário 2 sendo mais caro, ele compensa seu custo.

Veja agora os benefícios da calagem.

Benefícios da calagem

Todos os benefícios da calagem são relacionadas a melhora da acidez do solo e estímulo de crescimento de raízes.

Mas podemos separar em alguns tópicos para melhor entendimento e compreensão:

Benefícios da calagem para nutrientes

  • Aumenta a disponibilidade da maioria dos nutrientes;
  • Fornecer nutrientes para as plantas: como os íons cálcio e magnésio;
  • Aumentar a disponibilidade de fósforo;
  • Diminui as perdas de bases (K. Ca e Mg) por lixiviação.

Benefícios diretos da calagem para raízes

  • Diminuir a disponibilidade de alumínio (tóxico para a planta);
  • Cálcio estimula o crescimento de raízes;
  • Aumento do sistema radicular e maior exploração de água e nutrientes.

Benefícios da calagem para o solo e planta

  • Auxílio na tolerância à seca;
  • Aumentar a mineralização da matéria orgânica com conseqüente maior disponibilidade de nutrientes;
  • Favorecer a fixação biológica de nitrogênio;
  • Aumenta a agregação do solo, diminuindo a compactação;
  • Melhora as propriedades físicas e biológicas do solo;
  • Estímulo ao desenvolvimento da vida microbiana.

Benefícios econômicos da calagem

  • Prática econômica: relação custo – benefício muito interessante;
  • Garante aumentos na produtividade.

Falando em produtividade, veja como monitorá-la: “Como estas 5 tecnologias mudam a forma de monitoramento da produção agrícola”.

Controle de custos de safra no Aegro

 Com o Aegro você sabe em alguns cliques qual seu custo de produção, inclusive qual o custo que a calagem representa do seu custo de produção total

Fale agora com um de nossos consultores

Agora que você já sabe os benefícios da calagem confira dicas imperdíveis para a sua prática:

Dicas extras para calagem

  • A recomendação da calagem deve ser feita deve ser feita com base na análise de solo em profundidade de de 0-20 cm e 20-40 cm;
  • A coleta das amostras de solo deve ser efetuada de maneira que haja um tempo hábil para que as análises fiquem prontas e se possa iniciar as atividades (faça seu planejamento agrícola!);
  • A necessidade de calagem pode ser calculada por métodos distintos, você precisa saber o cálculo exato para ter uma boa calagem;
  • Os arados resultam em incorporação  mais profunda que as grades aradoras. Contudo, para culturas perenes a incorporação muito profunda é prejudicial, pois danifica o sistema radicular;
  • No entanto, a incorporação rasa leva a superdosagem nas camadas superficiais, causando deficiências de micronutrientes e limitando o desenvolvimento radicular, fique atento!
  • O Poder Relativo de Neutralização Total (PRNT) mostra a rapidez e a eficiência de reação do produto com o solo, por isso calcários com maiores PRNT são geralmente mais caros;
  • A coleta de amostras de solo para análise é feita em duas etapas:
    • 1ª etapa: logo após a colheita de verão;
    • 2ª etapa: pouco antes do preparo de solo para culturas anuais e após o fim das chuvas para culturas perenes.

Conclusão

Sem dúvida a calagem é fundamental para os solos naturalmente ácidos, que é uma característica dos solos de regiões tropicais, típicos dos solos brasileiros.

A adição de calagem na sua propriedade lhe proporciona ganhos da produtividade, e até mesmo maiores retornos econômicos.

Mas isso só acontece se você realizar a prática corretamente, o que será fácil de fazer ao seguir todas essas dicas e fizer uma boa gestão agrícola!

Gostou das dicas? Como você calcula seu custo de calagem hoje? Tem alguma dica que não citei aqui? Faz a calagem em algum momento diferente? Conte para nós! Comente abaixo!

Administração rural: entenda e conheça as melhores práticas

Administração rural: veja as definições e entenda a importância para o sucesso da sua empresa rural

Quem é do ramo agrícola sempre está preocupado com os números que a lavoura pode trazer. A cada safra que é finalizada, buscamos sempre um contínuo aumento da produção e da lucratividade, se possível batendo recordes!

Sabe qual é o caminho mais seguro para chegar a altas produtividades? Duas palavras: administração rural. Para mensurar os gastos da empresa rural, características da administração precisam ser bem conhecidas por quem irá realizar essa etapa. 

Entender os custos de produção te permite tomar decisões mais seguras quanto a investimentos, tecnologias a serem empregadas. E, em especial, por quanto vender seu produto agrícola.

Neste artigo, entenda melhor o conceito de administração rural e como fazê-la bem feita. Aproveite a leitura!

O cenário econômico do setor agro

A agropecuária ocupa papel de destaque não apenas no Brasil, mas também na economia mundial. Por muitos anos, o setor foi visto como um setor familiar e tradicional.

Contudo, nas últimas décadas, a área passou por um movimento de transformação. Empresas até então familiares passaram por um processo de profissionalização, o que abriu espaço para o desenvolvimento dos empreendimentos em estruturas e práticas corporativas.

Os avanços tecnológicos nos últimos 50 anos, levaram à expansão da escala, além de aumentar a velocidade e a produtividade dos equipamentos, fazendo com que a terra seja cultivada com mais eficiência.

O PIB (Produto Interno Bruto) da agropecuária tem crescido acima de dois dígitos nos últimos anos. O IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) prevê um crescimento do PIB do setor em 15,5% em 2023.

Esse crescimento reflete o crescimento acima do esperado no segundo trimestre do ano e pela revisão positiva das estimativas para a produção de soja, cana-de-açúcar, milho e bovinos.

Nesse contexto, a administração rural tem conquistado cada vez mais espaço. Investir em profissionais qualificados e na implementação de conselhos de gestão, por exemplo, é um passo essencial. 

O que é administração rural?

A administração rural trata do planejamento e controle das atividades a partir de uma visão ampla da fazenda. Essas atividades te ajudam a tomar decisões da sua empresa rural, com objetivo de aumentar os resultados, o lucro e a rentabilidade da fazenda.

Toda propriedade rural, seja pequena, média ou grande, envolve uma complexidade de atividades, custos de produção, problemas, e outros itens. Ou seja, é um negócio que para ter sucesso e prosperar, precisa de uma boa gestão rural.

A gestão de fazendas se modernizou ao longo dos anos. Assim, as propriedades passaram a ser administradas por profissionais especializados, treinados e capacitados. Isso porque o gestor rural precisa estar preparado para o mercado globalizado.

Esse mercado oscila em relação a valores dos insumos e custos de produção. Consequentemente, isso pode impactar o sucesso financeiro, a eficácia e a eficiência do negócio.

A importância da administração em agronegócio

Quando administramos bem, tomamos decisões com maior clareza e segurança. A administração é feita por uma visão ampla da fazenda, especialmente nas áreas financeira e de gestão de pessoas

Saber como administrar a sua empresa rural é essencial para atingir melhores resultados. A gestão agrícola possibilita administrar de forma segura o seu negócio, com informações mais precisas sobre a produção. 

Ainda, ela oferece controle adequado do uso de recursos e planejamento estratégico de decisões no futuro. Logo, a empresa rural bem administrada tende a se desenvolver e a crescer mais.

O que um administrador faz em uma fazenda

Já pensou em se tornar um administrador rural? A administração rural bem feita propicia ao agricultor uma lucratividade exponencial. Afinal, através dela se conhece todos os investimentos, custos e gastos agrícolas na propriedade.

Uma regra básica da administração rural, para que o gestor não se perca diante de tantos fatores que permeiam a função, é guiar-se por um planejamento. Esse planejamento pode seguir o ciclo de produção por safras, e começar com passos simples:

  • Objetivos ou o que fazer: são as metas específicas a serem alcançadas ao longo do período. No conjunto, elas vão responder pelos resultados da organização;
  • Estratégias ou como fazer: são as formas escolhidas pelo empreendimento para concretizar seus objetivos e a sua grande meta do período;
  • Cronograma ou quando fazer: aqui devem constar as atividades a serem executadas e o tempo previsto que cada uma delas seja realizada.
Como funciona uma administração rural
Como funciona a administração de uma fazenda
(Fonte: Lúcia Ramos/Administração Rural)

O cronograma permite identificar o tempo necessário para a execução e estimar o prazo em função dos recursos disponíveis. Ainda, permite analisar a possibilidade de sobrepor atividades ou realizá-las em paralelo.

  • Responsáveis ou quem vai fazer: nesta parte do planejamento, são nomeados os responsáveis ou o responsável pelas atividades;
  • Recursos disponíveis ou com o que faremos: aqui são identificados os recursos globais para a execução do planejamento.

Ou seja, o administrador rural precisa entender todos os setores que compõem o agronegócio para realizar uma melhor gestão:

  • Antes da propriedade rural: contato com os fornecedores, compra de insumos e maquinários;
  • Dentro da propriedade rural: preparo do solo, plantação e colheita, gestão de funcionários, controle das finanças;
  • Depois da propriedade rural: armazenamento, transporte e comercialização agrícola de produtos.

Os negócios agropecuários podem sofrer muitas oscilações. O sucesso, muitas vezes, depende das condições climáticas. Diante disso, o administrador rural deve cuidar de todos os recursos para que, em uma eventual crise, a empresa consiga prosperar.

Por exemplo, com apoio de tecnologias como os softwares de gestão rural, é possível ter uma visão completa da situação do negócio rural. Dessa forma, é possível prever crises e evitá-las a tempo.

Atividades realizadas numa administração rural
Com softwares como o Aegro, é possível ter uma visão completa de todas as áreas do negócio rural

Como ser um administrador rural?

Para ser um bom administrador rural, é preciso entender de:

  • Custo de produção: para realizar a avaliação e definição de economia rural da atividade;
  • Análise de resultado: para definir as atitudes a serem tomadas;
  • Preocupar-se com agroqualidade: menos desperdício e maior eficiência;
  • Conhecer informática: para processar um grande volume de informações;
  • Contemporaneidade: conhecer o mundo que te cerca e o reflexo disso no negócio;
  • Políticas governamentais: para saber em qual cenário ele vai produzir;
  • Meio ambiente: premissas básicas e reflexos na atividade.

Existem diversos cursos de graduação e pós-graduação na área de administração rural. Eles capacitam o profissional a administrar e gerir diferentes setores rurais. A Embrapa e o Senar oferecem cursos de capacitação para melhorar a administração do seu negócio rural.

Quais as principais competências da administração rural

Para ser um bom profissional de administração rural, é preciso desenvolver três competências:

  • Competência técnica: saber fazer o que deve ser feito, na prática. Essa competência é diferente da competência acadêmica. Nesse caso, não é necessário que o produtor rural possua um diploma ou certificado técnico, mas é preciso que ele tenha um conhecimento atualizado e abrangente, de ordem prática.
  • Competência interpessoal: saber se relacionar bem com a equipe de trabalho. Essa competência exige que a pessoa saiba lidar com o outro, em uma relação de parceria, trazendo ao trabalho qualidade de vida, saúde, prazer e felicidade.
  • Competência cultural: o saber é mais abrangente, mais amplo. Essa condição não é obrigatória, mas é recomendada para ajudar no desenvolvimento de uma equipe de trabalho. Ela facilita o contato mais qualificado e competitivo com os concorrentes no mercado nacional e internacional.

Salário de quem cuida da administração de pequenas e grandes propriedades rurais

O salário de um administrador rural é de 4 salários mínimos. Entretanto, esse valor pode variar conforme o porte da empresa e a experiência do profissional. 

Em uma pequena empresa rural, o salário pode variar de 2 salários mínimos para um candidato júnior, e até 4 salários para um profissional sênior.

Em uma grande empresa, o salário médio de um profissional no nível júnior é de 4 salários mínimos. Para um profissional mais experiente, esse valor pode chegar a até 7 salários.

Tecnologias que auxiliam na administração rural

Existe um novo paradigma para o administrador de fazendas: “Não mais buscar a máxima produção a qualquer custo, mas sim buscar a máxima relação custo x benefícios nas atividades desenvolvidas”.

É por isso que hoje, para você se adequar às necessidades de sua lavoura, é fundamental usar a tecnologia como facilitadora de tempo e administração de custos. A tecnologia também te auxilia a conhecer o mercado e os processos de produção a fundo, no detalhe.

  1. Software para administração

Atualmente, existem diversos softwares para administração de fazendas, como a Aegro. A tecnologia permite que os registros sejam realizados de forma informatizada, dinâmica e com fácil integração das informações.  Além disso, garante maior segurança e qualidade aos dados, facilitando a verificação do gestor.

Com uso de ferramentas tecnológicas, é possível lidar melhor com os principais desafios da administração rural, como:

  • Ter uma visão completa dos resultados;
  • Delegar tarefas propriamente;
  • Criar processos efetivos;
  • Entender e usar os indicadores agrícolas e financeiros;
  • Ter maior controle da produção;
  • Otimizar a logística dos processos;
  • Gerenciar o financeiro e identificar pontos de melhoria.

Se você não tem certeza de como um aplicativo de gestão pode te apoiar na administração rural, temos um material que pode te ajudar. Clique na imagem abaixo para acessar o guia de software rural, um e-book gratuito e completo que te explica tudo sobre essa ferramenta:

Pilhas de papeis ilustrando as dificuldades da administração rural para quem não usa software de gestão
  1. Máquinas e equipamentos agrícolas

Máquinas e equipamentos são precisos e permitem o ajuste de detalhes do solo, adubação, plantio e colheita, resultando em maior eficiência.

Os tratores e colheitadeiras também auxiliam na maximização da produção, garantindo uniformidade, reduzindo custos e erros.

  1. Sensores

Na agricultura os sensores podem auxiliar em informações sobre a vegetação, solo, clima e qualidade sobre o cultivo. Eles também estão presentes em tratores para alinhar melhor o plantio de sementes, no controle de estoque dos silos e no armazenamento de sementes.

  1. Drones

Os drones podem auxiliar na fiscalização das terras, permitindo a localização e o controle mais rápido das pragas. As imagens também são utilizadas para o cálculo da administração de fertilizantes e agrotóxicos. 

Como fazer a administração rural 

A administração rural, tanto na teoria quanto na prática, envolve processos que ajudam na gestão de riscos e mitigam as incertezas. 

Para aplicar a administração rural na sua propriedade, é importante seguir quatro etapas: planejamento, organização, direção e controle.

A partir dessas etapas, é possível administrar a propriedade rural com mais segurança e impactar positivamente os resultados da lavoura.

1. Planejamento

A primeira etapa é o planejamento, onde o administrador vai avaliar a situação atual do negócio e definir quais metas e objetivos pretende alcançar.

Ou seja, o planejamento consiste em um trabalho de preparação, em que o agricultor analisa o cenário da empresa rural e calcula possíveis lucros da safra.

2. Organização

Após a etapa de planejamento, será necessário organizar os processos. Neste momento, começamos a colocar em prática o planejamento.

Para auxiliar essa etapa, podemos levantar alguns questionamentos:

  • Qual será a mão de obra necessária para iniciar a produção
  • Quem trabalhará com o quê? Quais objetivos deverão atingir?
  • Quais recursos devemos utilizar?
  • Qual a quantidade de matéria-prima?

Respondendo essas perguntas, o produtor estará mais bem preparado e seguro para seguir com as demais etapas, além de economizar tempo e dinheiro.

3. Direção

A etapa de direção consiste no ato de comandar, gerir ou dirigir a propriedade rural.

Neste sentido, ela está relacionada à supervisão do uso dos recursos da propriedade rural. 

O objetivo é auxiliar na execução do planejamento, motivar os trabalhadores, dar apoio e orientação, colocar em prática as tarefas e operações planejadas.

4. Controle

O controle consiste no registro e avaliação do desempenho de todas as atividades da propriedade rural. Sendo assim, o controle deve ser contínuo, com o intuito de propor correções necessárias no tempo apropriado.

Portanto, nesta etapa, é o momento de comparar dados, analisar resultados e caso necessário, adotar medidas corretivas.

Dessa forma, se os resultados forem alcançados, há o registro das boas práticas e inicia-se um novo ciclo para identificar oportunidade de melhoria.

No caso das metas não alcançadas, será preciso diagnosticar qual é a raiz do problema para evitar a reprodução dos resultados não esperados.

Adicionalmente, existem alguns princípios para uma boa administração rural. Conhecê-los muito bem é essencial. São eles:

  • Saber utilizar princípios, técnicas e ferramentas administrativas;
  • Utilizar alguma tecnologia facilitadora dos processos;
  • Saber decidir e solucionar problemas;
  • Saber lidar com pessoas: comunicar eficientemente, negociar, conduzir mudanças, obter cooperação e solucionar conflitos;
  • Ter uma visão sistêmica e global da estrutura da organização;
  • Ser proativo, ousado e criativo;
  • Ser um bom líder;
  • Gerir com responsabilidade e profissionalismo; e
  • Ter visão de futuro.

Simplificando a administração rural

Realizar todas as funções de um administrador rural demanda tempo e organização, mas pode ficar muito mais simples com um software de gestão como o Aegro.

É possível planejar as etapas e custos do plantio, controlar as despesas e uso de insumos, planejar e delegar atividades, além de fazer a gestão financeira, identificando no processo oportunidades para reduzir custos, mantendo a qualidade da produção.

Ainda é possível acompanhar de onde estiver com a versão do Aegro para o celular, assim é possível ficar sempre atento ao que está acontecendo no campo.

Tela do Aegro para a administração rural

No painel de controle do Aegro, o administrador pode comparar o planejado x realizado.

O que esperar do setor agropecuário em 2024

Para o ano de 2024, é esperado que o setor agropecuário apresenta um resultado mais modesto em relação à 2023. 

Este resultado é esperado devido à incidência do El Niño na região, que deve se estender até o 1º semestre de 2024. Com isso, espera-se tempo mais seco no norte e nordeste do Brasil, mais chuvoso no Sul e mais quente no centro do país.

Se a intensidade do fenômeno for de fraca a moderada, os impactos na produção local não serão de grande intensidade.

Mas se o El Niño se intensificar no final deste ano, podem ocorrer prejuízos nas safras de milho, feijão, arroz e açúcar.

O que pode reduzir a safra 2023/24 e pressionar os preços dos alimentos. 

Planilha de fluxo de caixa para sucessão feminina

Conclusão

Atingir altas produtividades em lavouras vai muito além do que conduzir todo o passo a passo da “receita de bolo”.

É necessário saber administrar, conhecer as particularidades da sua fazenda, tudo o que foi gasto, e quais são os lucros.

Quando administramos bem, tomamos decisões com maior clareza. E aqui você viu o conceito de administração rural, como fazer isso e toda sua importância! Mantenha esses conceitos sempre atualizados e procure aplicá-los sempre nas propriedades.

>> Leia mais:

Planilhas agrícolas x software: O que é melhor para sua fazenda
5 planilhas de Excel para administração rural grátis

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Foto da autora Mariana, sorrindo com uma parede vermelha no fundo

Atualizado em 28 de novembro de 2023 por Mariana Rezende.

Mariana é formada em economia e mestre em Economia Aplicada pela Universidade Federal de Juiz de Fora. Doutoranda no Programa de Pós-Graduação em Economia e graduanda de Ciências Contábeis na mesma instituição.

Semente de milho: como escolher a ideal para sua lavoura

Atualizado em 22 de junho de 2022.

Semente de milho: saiba como escolher, como fazer o tratamento, recomendações antes do plantio e muito mais!

Para a lavoura de milho obter alta produção, diversos pontos devem ser observados. Um dos primeiros e principais é a escolha da semente.

Saber quais são os tipos de semente de milho, como escolher a melhor e quais cuidados tomar antes do plantio é essencial.

Neste texto, mostramos os pontos fundamentais que devem estar no seu planejamento, antes mesmo de semear o milho. Confira!

Diferença entre sementes e grãos de milho

Sementes e grãos de milho não são a mesma coisa. As sementes são armazenadas com umidade entre 10% e 12%, porque o interesse principal é a germinação. O grão de milho é o fruto da planta e, por sua vez, podem apresentar umidade abaixo de 10%. Afinal, o interesse é o consumo.

Quando sementes são armazenadas, elas podem parecer mortas, mas não estão. Sua atividade metabólica é baixa, com baixa taxa de respiração. Isso acontece para manterem as propriedades fisiológicas, químicas e metabólicas adequadas para a germinação.

Além disso, produzir sementes e produzir grãos de milho exigem manejos diferentes.

Para produzir sementes, principalmente híbridos de milho, diversos passos devem ser seguidos: retirada dos pendões, eliminação de plantas indesejadas, distância de local de produção de milho, controle rigoroso de pragas e doenças, entre outros.

Na produção de grãos há o controle de plantas daninhas, pragas e doenças, mas não é necessário a retirada do pendão. Também não há necessidade de distância entre campos de produção, e não há problema de contaminação entre os híbridos e entre as variedades.

Esquema que mostra as diferenças de porte de milho de diferentes linhagens
Exemplo de produção de híbrido duplo de milho
(Fonte: Embrapa)

Qual a melhor semente de milho para plantar?

A melhor semente de milho para plantar é aquela que apresenta vigor alto e possibilidade de germinar rápida e uniformemente. A plântula deve crescer rapidamente quando em condições climáticas normais. Além disso, atributos genéticos e sanitários também são essenciais.

Veja abaixo alguns fatores que compõem estes atributos e garantem alta qualidade de sementes:

Grau de pureza (P%)

O grau de pureza da semente de milho diz respeito à pureza física do lote. Sementes puras apresentam alta qualidade física e genética (apenas sementes com características do híbrido em análise).

Isso significa que as sementes não devem apresentar impurezas como:

  • palhas;
  • folhas;
  • sementes de plantas daninhas;
  • sementes de outras culturas;
  • sementes de milho, mas de outra variedade, etc.

Sanidade dos grãos

Sementes sadias são aquelas que não contêm insetos, fungos, vírus e bactérias. Também são aquelas que tenham passado por tratamento de sementes com produtos químicos, reduzindo a infestação e/ou infecção.

Semente de milho doente e sadia, lado a lado. As sementes doentes apresentam coloração mais escura, com manchas pretas.
A. Sementes doentes; B. Sementes sadias
(Fonte: Rodrigo Véras em Agricultura no Brasil)

Vigor da semente de milho

Para que uma semente seja considerada de alta qualidade, não basta apenas germinar. A boa semente de milho tem que ter alto vigor.

O estabelecimento final do estande de sementes vigorosas constitui alicerce para obtenção de plantas com alto grau de tolerância a estresses. As sementes com vigor também geram maior produtividade.

Germinação (G%)

É a quantidade de sementes que germinam sob condições ambientais adequadas. É expressa em porcentagem.

Viabilidade

É expressa em termos de percentagem de sementes vivas capazes de germinar. É semelhante a germinação, mas vale lembrar que nem toda semente viável irá germinar.

Tipos de sementes de milho 

As sementes de milho para o plantio podem ser híbridas (simples, duplo, triplo, híbrido simples modificado ou triplo modificado) ou variedades. Os híbridos de milho apresentam maior uniformidade da lavoura, maior tecnologia e produtividade. As variedades são aquelas geradas pelo cruzamento natural das plantas da mesma linhagem.

As variedades de milho apresentam potencial produtivo menor em comparação com os híbridos.

Uma vantagem do milho variedade é que seu material é geneticamente estável. Ele pode ser multiplicado e semeado em várias safras sem perda de produtividade. Isso não pode ser feito com milhos híbridos.

Devido à sua multiplicação, o milho variedade é indicado para pequenos produtores.

Os híbridos de milho podem ser de três tipos: simples, duplo e triplo.

Os híbridos simples são aqueles resultantes do cruzamento de 2 linhagens puras. São recomendados para produtores que utilizam alta tecnologia, e apresentam maior potencial produtivo entre os tipos de híbridos.

O híbrido duplo é resultado do cruzamento de dois híbridos simples. É indicado para produtores com média tecnologia. Dentre os três tipos de híbridos, é o que apresenta menor potencial produtivo.

Ao cruzar um híbrido simples com uma linhagem pura se obtém sementes de milho de híbrido triplo. Elas são recomendadas para altas e médias tecnologias.

Há ainda as sementes de milho transgênicas, que são entradas em híbridos de milho.

Existem sementes de milho convencional e milho transgênico. O milho transgênico é uma semente de milho convencional com a transgenia: inserção de um ou mais genes de outras espécies no genótipo escolhido.

A inserção de genes que conferem resistência ou tolerância no milho são cada vez mais usados nas lavouras.

Características de semente de milho transgênico, sendo a principal a resistencia a herbicidas e insetos.
Características dos eventos de milhos  transgênicos aprovados
(Fonte: CropLife)

Como escolher a melhor semente de milho

A escolha da semente deve considerar diversos aspectos, e o primeiro deles é a finalidade do milho. Há sementes de híbridos e variedades ideais para:

  • Grãos;
  • Milho verde;
  • Silagem;
  • Pipoca;
  • Canjica;

Com a finalidade definida, você precisa avaliar:

  • sua região;
  • qual melhor híbrido ou variedade recomendadas;
  • época de plantio do milho;
  • se o milho será safra ou safrinha;
  • duração do ciclo;
  • se o milho é precoce, médio ou tardio;
  • a resistência a pragas e doenças;
  • tolerância à geada e seca.

Estas são algumas das observações a serem feitas durante o planejamento de safra. Todos esses fatores te ajudam a determinar a melhor semente a ser comprada. Além disso, é importante investir em sementes de milho certificadas.

A certificação de sementes é o processo de produção controlado por um órgão competente. É por meio desse órgão que você tem a garantia de que sua semente foi produzida de forma correta. 

Você pode saber de onde a semente veio (origem genética), e se ela cumpre com todas as condições (fisiológicas, genéticas e sanitárias e físicas) estabelecidas.

Se você comprou uma semente certificada, pode ser certeza que elas foram produzidas dentro de um padrão confiável  de controle de qualidade garantido. A semente nesse caso é considerada própria para o uso. Evite sementes piratas.

Tratamento industrial de sementes de milho

O tratamento de sementes é o processo de aplicação de produtos químicos ou organismos às sementes. Esses produtos auxiliam na nutrição da planta e/ou previnem o ataque de doenças e pragas do solo.

O tratamento industrial de semente é mais recomendado por ser realizado em um ambiente totalmente preparado e controlado. Isso te proporciona a garantia do processo de forma eficaz.

Além disso, o tratamento industrial das sementes pode gerar economia com defensivos agrícolas e economia de tempo.

Outro ponto importante é a qualidade do tratamento industrial. Todas as sementes apresentam recobrimento uniforme.

Cuidados com as sementes no pré-plantio de milho

Antes de iniciar o plantio, para garantir que suas sementes estarão com a qualidade desejada, é necessário tomar três cuidados fundamentais: o transporte, o armazenamento e o teste de germinação.

Transporte das sementes

Após a compra das sementes, tome cuidado com o transporte delas. As sementes são vivas e necessitam de cuidados para que possam germinar e formar uma plântula saudável.

No transporte, evite danos às embalagens de sementes, não empilhe muitos sacos ou bags e  não jogue as embalagens de sementes. Isso serve para evitar danos mecânicos, que podem matar as sementes.

Além disso, proteja as sementes do calor, alta umidade e de chuvas. Tudo isso prejudica a germinação e vigor das sementes.

Armazenamento da semente de milho

Com o passar do tempo, as sementes perdem seu vigor e potencial germinativo. Existem condições apropriadas de armazenamento que prolongam sua viabilidade, como temperatura amena e umidade adequada.

Os armazéns são os responsáveis por fornecer um ambiente apropriado para guardar suas sementes. Nos locais de produção, estes ambientes são controlados rigorosamente para que a semente chegue na fazenda com alto potencial.

Entretanto, pode ocorrer da empresa, devido a logística e espaço, entregar as sementes que você comprou muito antes da semeadura. Caso isso aconteça, mantenha o espaço de armazenamento limpo e organizado.

Isso vai evitar contato com pragas e patógenos do lugar. Mas mesmo com armazenamento adequado, fique sempre de olho na proliferação de diferentes tipos de insetos, fungos e outras pragas.

pragas em sementes de milho
(Fonte: Equipe BeefPoint)

Mudança de temperatura e umidade das sementes favorecem o aparecimento de pragas onde você menos espera. Por isso, acompanhe o armazenamento de perto.

Teste de germinação

Saber a qualidade das sementes antes de semear é fundamental.

Caso as embalagens de sementes venham danificadas ou a aparência das sementes esteja incomum, é recomendável avisar à empresa que comercializou as sementes.

Neste caso, peça para mandarem uma amostra do lote de sementes para realizar o teste de germinação em laboratórios especializados. Isso vai te garantir que não houve danos nas sementes.

Se você recebeu as sementes corretamente e quer testar a germinação, você pode realizar o seguinte procedimento: 

Cuidados no Armazenamento e Teste de Emergência em Canteiros

Se a germinação for muito diferente da apresentada no certificado de análise, você tem o direito de reclamar da empresa que adquiriu as sementes. A sua produtividade depende de uma semente de alta qualidade.

banner da planilha de produtividade da lavoura de milho

Custo x benefício na compra de sementes de milho

Para a produção de sementes, o manejo deve ser rigoroso. Assim, a semente produzida terá todos os atributos adequados para comercialização. Isso gera um custo mais elevado de venda, principalmente de híbrido simples, triplo e duplo, respectivamente.

Porém, esse custo gera resultados no final da produção. Estudos realizados com uso de sementes com alto vigor e baixo vigor mostraram que a produtividade foi superior para sementes vigorosas, com plantas homogêneas.

Com maior produção, o gasto na compra de sementes certificadas irá retornar para o seu bolso.

Mas atenção! Não basta somente comprar sementes de qualidade. O manejo durante o desenvolvimento da lavoura é fundamental para que a planta expresse seu potencial produtivo.

Como plantar milho

Independente da época de semeadura, o espaçamento mais utilizado no milho é 45 cm a 50 cm entre linhas. A densidade varia de acordo com a recomendação de cada híbrido ou variedade, sendo geralmente de 30 a 90 mil plantas por hectare.

Outro ponto importante no momento da semeadura é a profundidade. Em solos arenosos, é recomendado colocar as sementes de 5 cm a 8 cm. Já nos solos argilosos, a semeadura pode ser mais superficial, entre 3 cm a 5 cm.

É importante lembrar que o milho é uma cultura que no Brasil é cultivada em duas épocas, a época da safra e da safrinha. Na safra, as condições de luminosidade, umidade e temperatura são ideais para a cultura. 

Na maioria das regiões, a época de semeadura do milho safra é realizada de outubro a dezembro. Na região Sul, a semeadura ocorre no final de agosto, e no Nordeste, apenas em janeiro.

A safrinha acontece logo após a safra.  Nesta época, as condições não são ideais iguais às obtidas na safra. Porém, com avanço tecnológico, houve aumento da área de produção e de produtividade do milho segunda safra.

Conclusão

As sementes de milho analisadas, certificadas e com garantia de germinação determinam, sem dúvida, o êxito da sua plantação.

Existem diferentes tipos de sementes de milho e para diferentes finalidades. Acertar nessa escolha é importante. O custo pode ser elevado em comparação com sementes não certificadas, mas vale a pena pela rentabilidade que você  terá.

No momento da compra de suas sementes, considere esses cuidados antes da tomada de decisão e boa safra!

Gostou do artigo? Tem mais alguma coisa que você verifica na compra de sementes que não citei? Adoraria ver seu comentário abaixo!

Foto da redatora Carina, no meio de uma plantação

Atualizado em 22 de junho de 2022, por Carina Oliveira.

Carina é engenheira-agrônoma formada pela Universidade Estadual Paulista (Unesp), mestre em Sistemas de Produção (Unesp), e doutora em Fitotecnia pela Esalq-USP.

9 plantas daninhas resistentes a herbicidas (+3 livros e guias)

Conheça agora as principais plantas daninhas do brasil resistentes a herbicidas, saiba como evitá-las, combatê-las, e não fique no prejuízo!

Lavouras de soja com ervas daninhas resistentes a glifosato possuem custos de 42 a 222% maiores, segundo a EMBRAPA.

É frustrante o momento em que monitoramos a lavoura alguns dias após a aplicação de herbicidas e percebemos que a área ainda está infestada.

Para não falar desesperador!

Apesar de seguirmos todos os protocolos de aplicação (produto adequado, condições climáticas ideais de pulverização, etc.), porque não houve 100% de controle das plantas daninhas?

Isso é um indício que pode haver plantas daninhas resistentes a herbicidas na sua propriedade.

Como plantas daninhas resistentes se apresentam?

3 indícios de plantas daninhas resistentes a herbicidas no campo

plantas daninhas do Brasil

Por isso, confira a seguir as principais plantas daninhas resistentes a herbicidas do Brasil e esteja preparado se alguma delas estiver na sua área:

Plantas daninhas resistentes: O que são?

Resistência de uma planta daninha a herbicida é a capacidade adquirida por uma planta em sobreviver e se reproduzir mesmo com a aplicação de um herbicida na dose registrada (dose indicada na bula) em condições normais e adequadas de aplicação.

Aliás, você pode conferir como acertar nas aplicações de defensivos com planejamento agrícola lendo esse artigo aqui.

Essa resistência é desenvolvida devido a:

O uso repetido de herbicidas com mesmo mecanismo de ação…

…em um mesmo ciclo da cultura

…usado como controle durante anos

sem adição de práticas de manejo e rotação de culturas.

Para maiores informações sobre o que você deve saber sobre, leia aqui resistências a defensivos agrícolas.

Plantas daninhas resistentes ao glifosato

As culturas resistentes ao glifosato resultaram em utilização massiva desse herbicida, levando ao desenvolvimento de resistência em várias espécies.

As principais culturas que possuem plantas daninhas resistentes a esse herbicida são a soja e a cultura do milho.

Além disso há os pomares diversos, que são naturalmente tolerantes a esse herbicida.

Como já citamos, segundo Embrapa, os custos de produção em lavouras de soja com plantas daninhas resistentes ao glifosato podem subir, em média, de 42% a 222%.

Para saber mais sobre custos de produção  recomendo fortemente que você leia o artigo

>> Entenda os custos de produção agrícola e esteja no comando de sua fazenda

Doses maiores de glifosato do que aquelas recomendadas em bula podem até controlar as infestações em um primeiro momento.

Mas essa prática seleciona plantas que podem sobreviver em doses ainda maiores, e o problema vai se agravando.

É claro que o uso de glifosato nas lavouras vai continuar, devido a sua eficiência e baixo custo. Mas é muito importante associar outros herbicidas também.

Em geral, na dessecação utilize herbicidas de contato não seletivos, como glufosinato de amônio (Liberty) e paraquat.

Apenas se atente que, para glufosinato, as plantas daninhas devem ser jovens (com altura por volta de 10 cm).

A utilização de herbicidas pré-emergentes também ajudam na diversidade de produtos.

Por isso, faça uso dos pré-emergentes além da aplicação de glifosato em associação com graminicidas ou latifolicidas em pós-emergência.

Baixe grátis o Guia para Manejo de Plantas Daninhas

Conheça agora as principais plantas daninhas do Brasil resistentes ao herbicida glifosato:

daninhas-problema-info

(Fonte: Syngenta)

Buva (Conyza spp.)

Existem 3 espécies de buva no Brasil: Conyza bonariensis, Conyza canadensis e Conyza sumatrensis.

A Conyza bonariensis apresenta as folhas sem recortes nas margens, diferente da C. canadensis.

Já foi relatado no Brasil C. sumatrensis também resistente a herbicidas da ALS, do fotossistema I (como paraquat) e inibidores da PROTOX.

Conyza spp. é fotoblástica positiva, ou seja, só germina com luminosidade.

Por isso, áreas de plantio direto ou que utilizam vegetação nas entrelinhas (consórcio milho-braquiária, por exemplo) são ótimas alternativas de manejo.

>> Como fazer o controle da buva resistente a glifosato

Capim-amargoso (Digitaria insularis)

O capim-amargoso possui sementes com alto poder germinativo e que se espalham pelo vento, o que pode pegar de surpresa os produtores.

É muito comum plantas dessa espécie possuírem resistência ao glifosato, o que dificulta ainda mais seu controle.

Além disso, foi relatado também no Brasil, capim-amargoso resistente aos herbicidas inibidores da ACCase.

Plantas jovens (até 15 cm) são mais facilmente controladas com o uso de herbicidas. Já plantas adultas com touceiras tem seu controle dificultado.

Por isso, se atente ao campo e verifique o tamanho do capim-amargoso no momento da aplicação.

Azevém (Lolium multiflorum)

No Brasil, o azevém resistente a glifosato é um grande problema, especialmente na região Sul do país.

Após o relato de azevém resistente ao glifosato, foi utilizado somente inibidores da ALS ou de somente inibidores da ACCase de forma repetida, o que selecionou plantas de azevém também resistentes a esses mecanismos de ação.

Mas há outras opções além de herbicidas para controlar o azevém.

O uso de aveia-preta ou nabo como plantas de cobertura é uma prática eficiente para reduzir a presença do azevém nas lavouras.

Você pode utilizar também o centeio como planta de cobertura ou na entressafra.

Falando em entressafra, confira como fazer o controle de plantas daninhas na pré-safra.

O centeio apresenta alelopatia (liberação de substâncias que podem afetar outro organismo) que impede o aparecimento de azevém na área, e que ainda pode gerar lucro com a colheita dos grãos ao final do ciclo.

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(Fonte: Go Botany)

Capim-pé-de-galinha (Eleusine indica)

Em 2016 foi relatado no Brasil o primeiro caso de resistência a glifosato dessa espécie, sendo que já foi relatado também resistência aos inibidores da ACCase.

É uma das plantas daninhas mais comuns em cultivos anuais e perenes do Brasil, especialmente em área com solos compactados.

Após o perfilhamento, o controle dessa espécie fica ainda mais díficil.

capim-pe-de-galinha-resistente

(Fonte: FNA em Nature Search)

Capim-branco (Chloris elata)

Comum em lavouras perenes, o capim-branco possui casos de resistência relatados em 2014 no Brasil, não apresentando resistência a outros mecanismos de ação.

(pelo menos por enquanto e vamos trabalhar para continuar assim, não é mesmo?!)

A espécie é bastante encontrada nas regiões Norte e Centro Oeste,  onde pode ser visto quase o ano todo em floração, mas também é encontrada nas fazendas do Sul do país.

capim-branco

(Fonte: Ian Heap)

Caruru-palmeri (Amaranthus palmeri)

O primeiro relato dessa espécie no Brasil foi em 2015 no Mato Grosso e já causou muita dor de cabeça.

Estima-se que  tem potencial de reduzir a produtividade de lavouras de soja, milho e algodão em até 90%.

O mais provável é que sementes dessa planta tenham vindo em colhedoras usadas dos Estados Unidos que foram importadas por produtores aqui do Brasil.

Isso reforça a importância da limpeza de máquinas e planejamento das atividades.

Saiba onde está o gargalo de seu planejamento agrícola clicando aqui.

A espécie aqui introduzida já apresenta resistência ao glifosato e também aos inibidores da ALS.

Visualmente se diferencia dos outros Amaranthus spp. (carurus) por alguns detalhes, como p pecíolo ser igual ou maior que sua folha, o que não ocorre em outras espécies de caruru.

caruru-amaranthus-palmeri

(Fonte: Foto Arnaldo Borges em IMAMT)

Plantas daninhas resistentes no Brasil

Infelizmente, há diversas pragas (insetos, doenças e plantas daninhas) resistentes a defensivos agrícolas no Brasil.

Para saber mais sobre e estar preparado veja “5 pragas agrícolas resistentes a defensivos agrícolas e como combatê-las”.

No Brasil temos espécies resistentes a outros herbicidas além do glifosato que são muito importantes nos sistemas de produção. Confira algumas dessas plantas :

Caruru (Amaranthus  retroflexus e Amaranthus viridis)

Do mesmo gênero que caruru-palmeri, essas espécies possuem resistência aos inibidores da ALS e fotossistema II, além de que A. retroflexus apresenta também aos inibidores da PROTOX.

Picão-preto (Bidens subalternans e Bidens pilosa)

As duas espécies de picão-preto apresentam resistência aos herbicidas inibidores da ALS e fotossistema II.

Capim-arroz (Echinochloa crus-galli var. crus-galli)

Muito comum em lavouras de arroz, o capim-branco foi relatado com resistência múltipla (resistência a diferentes mecanismos de ação de herbicidas) aos produtores inibidores da ALS, da celulose e da ACCase.

A prevenção dessa espécie pelo uso de sementes de boa qualidade e limpeza de máquinas e equipamentos antes depois de usá-las, é essencial.

caruru-picão-capim-branco

A: Caruru (Amaranthus viridis); B: Picão-preto (Bidens pilosa); C: Capim-branco (Echinochloa crus-galli var. crus-galli)
(Fonte: Ian Heap)

Para todas as plantas daninhas, especialmente as resistentes a qualquer herbicida, algumas medidas de manejo são essenciais como:

  • rotação de culturas;
  • rotação e diversidade de mecanismos de ação de herbicidas;
  • manejo de plantas daninhas na entressafra;
  • uso de plantas de cobertura;
  • monitoramento constante da área.

3 livros de plantas daninhas do Brasil que você precisa ler

Há 3 livros essenciais para quem quiser se aprofundar um pouco mais sobre a questão de plantas daninhas no Brasil.

Eu uso e recomendo esses livros:

Manual de controle e identificação de plantas daninhas:

– 7° Edição;

– Oferecido pelo Instituto Plantarum;

-Mostra as plantas daninhas mais comuns nas lavouras brasileiras e quais os herbicidas recomendados.

manual-plantas-daninhas-brasil

(Fonte: Agro Livros)

Plantas daninhas do Brasil:

– 4° Edição;

– Oferecido pelo Instituto Plantarum;

– Mostra uma quantidade incrível de plantas daninhas existentes no Brasil e suas características principais.

plantas-daninhas-do-brasil

(Fonte: Livraria UFV)

Guia de herbicidas

– 6° Edição;

-Mostra os herbicidas registrados no Brasil e suas principais características, as culturas em que a aplicação é recomendada, além de informar as doses e momentos adequados de aplicação.

guia-de-herbicidas

(Fonte: PDL)

Conclusão

A explicação de que mesmo após ter aplicado herbicidas na sua lavoura, você ainda observar a presença de plantas daninhas, isso é sinal que na sua área pode ter casos de resistência.

Aqui você pode aprender como identificar a resistência em sua lavoura, quais são as principais plantas daninhas resistentes a herbicidas, e como combatê-las.

É de fundamental importância uma visão crítica do sistema de produção, com planejamento das medidas de manejo, considerando a diversificação dos mecanismos de ação dos herbicidas utilizados.

Agora que você já tem esse conhecimento, faça seu planejamento e esteja preparado para combater essas plantas e obter sucesso na safra!

>> Leia mais:

“Planta tiguera: Quais os manejos mais eficientes para sua lavoura”

Guanxuma: 5 maneiras de livrar sua lavoura dessa planta daninha

Guia para o controle eficiente da trapoeraba

Já teve problemas com plantas daninhas resistentes? Quais? Gostaria de saber mais sobre o assunto? Tem mais algum método de controle que você faz e eu não citei? Adoraria ver seu comentário!

Lagarta-do-cartucho (Spodoptera frugiperda): como livrar sua lavoura dessa praga

Atualizado em 29 de agosto de 2022.

Lagarta-do-cartucho (Spodoptera frugiperda): saiba como identificar, quais culturas ela afeta, tipos de monitoramento e mais!

A lagarta Spodoptera frugiperda (ou lagarta-do-cartucho) é uma praga com grande potencial de dano agrícola. Ela é um inseto polífago, que se alimenta de diversas culturas, como milho, soja e algodão. Sua incidência nas lavouras cresce a cada ano.

Ela pertence à ordem Lepidoptera, e é uma espécie de mariposa que possui estágio de vida larval característico. Ela também pode ser conhecida como “armyworm” ou lagarta-militar, já que possui comportamento invasivo e em grande escala.

Além disso, a lagarta-do-cartucho é assim conhecida por atacar o cartucho (parte central) do milho, além de diversas outras partes dessa e de outras plantas.

Confira a seguir como identificar a lagarta-do-cartucho na sua lavoura, quais culturas ataca e quais estratégias e cuidados você deve ter para um controle eficiente. Confira!

Como identificar a lagarta-do-cartucho (Spodoptera frugiperda)

O ciclo de vida da lagarta-do-cartucho inclui as fases de ovo, seis estágios de larva, pupa e fase adulta. Identificar a lagarta em cada uma dessas fases é essencial para evitar danos e conseguir realizar o controle o quanto antes.

Isso é possível através das características biológicas da lagarta em cada uma das fases do seu ciclo de vida. Veja esses detalhes a seguir:

Fase de ovo

Nessa fase, a lagarta-do-cartucho possui coloração verde-clara, logo após a oviposição pela mariposa. Após 12 horas, o ovo fica alaranjado, e a cor fica escura próximo ao momento da eclosão (em função da coloração da cabeça da lagarta).

Cada fêmea pode ovipositar até 1000 ovos. O período de incubação deles (até a eclosão) é entre 2 a 4 dias, a depender da temperatura (temperaturas mais altas aceleram o processo).

Fotos das ovas da lagarta-do-cartucho
Na imagem A é possível visualizar a cor alaranjada dos ovos de Spodoptera frugiperda 12 horas após a oviposição (postura). Na figura B, os ovos adquirem coloração escura, e é possível observar as lagartas eclodidas.
(Fonte: Da Rosa, Barcelos 2012)

Estágios de larva

A alimentação inicial das lagartas é a partir da casca dos ovos recém eclodidos. No total, ocorrem seis ou sete ínstares na fase larval (aumento do tamanho da lagarta). A duração do período larval é de aproximadamente 23 dias, a depender da temperatura.

Lagarta-do-cartucho sobre folha de milho
Fase larval da lagarta-do-cartucho. Na figura A, é possível observar os 5 principais estágios da fase larval e a coloração das lagartas em cada um deles. Na figura B, é possível visualizar os detalhes da lagarta, com três pares de pernas torácicas e cinco pares de falsas pernas abdominais
(Fonte: Da Rosa, Barcelos 2012)

Fase de pupa

A fase de pupa ocorre após o desenvolvimento completo da lagarta. Ele pode acontecer no solo, dentro do próprio cartucho do milho, no pendão e até mesmo nas espigas (entre a palha). Tem duração entre 6 a 55 dias, também a depender da temperatura.

Pupa da lagarta-militar em folha
O período pupal é bastante dependente da temperatura, no inverno, ou em regiões mais frias, a lagarta pode inclusive hibernar em casulos.
(Fonte: Da Rosa, Barcelos 2012)

Fase adulta (traça ou mariposa)

O aspecto visual da fase adulta é uma mariposa, de coloração cinza-escuro (machos) a marrom acinzentado (fêmeas). Ela tem aproximadamente 4 cm de comprimento.

O tempo para que o ciclo de vida seja completo é menor no verão, com média de 30 dias. Por outro lado, esse ciclo aumenta no inverno, podendo durar até 50 dias.

Quais culturas a lagarta-do-cartucho (ou lagarta-militar) ataca?

A lagarta-do-cartucho do milho, apesar de ser mais frequente na cultura do milho, pode provocar danos significativos em diversas outras culturas. Soja e algodão são atacados desde a emergência, e arroz, trigo, cana-de-açúcar, cevada e triticale também são alvos.

A lagarta-do-cartucho passou a atacar outras espécies além do milho em função da redução dos seus inimigos naturais. Isto ocorreu pelo uso desenfreado de inseticidas de amplo espectro, não seletivos

Isso provocou a redução dos inimigos naturais da lagarta em outros cultivos. Além disso, sem o uso de rotação de princípios ativos, a lagarta adquiriu resistência a diversos inseticidas. Como consequência, ocorreu comprometimento do seu controle, o que agravou a situação.

Danos causados pela lagarta-do-cartucho do milho

Os danos causados na cultura do milho são mais intensos. Os sintomas são as folhas raspadas e perfuradas, cartucho destruído, espigas danificadas e excreções das lagartas nas plantas

Além disso, as lagartas perfuram a base da planta, causando o sintoma de “coração morto”. Os danos têm maiores impactos quando o ataque ocorre em plantas com 8 a 10 folhas e em períodos de seca.

Na fase de emergência, a lagarta-do-cartucho pode danificar as plântulas, causando o seu tombamento. Consequentemente, isso reduz a população de plantas da lavoura e a produtividade da cultura.

Foto dos danos causados pela lagarta-do-cartucho em folhas e espiga de milho
Danos podem ser observados em folhas (com raspagem e perfurações), e em espigas
(Fonte: J.Crozier, PlantWise)

Como diferenciar a lagarta-do-cartucho das demais lagartas Spodoptera?

Pode ser confuso distinguir a lagarta-do-cartucho das demais espécies do complexo Spodoptera. No entanto, esta distinção é importante para direcionar o melhor controle. Veja um passo-a-passo para identificar essa praga na sua lavoura!

  • Passo 1 – Verifique se a lagarta tem cabeça escura com uma marca clara em forma de “Y” de cabeça para baixo na fronte.
Lagarta-militar, com indicação da cabeça com desenho de Y
(Fonte: PlantWise)

Passo 2 – Cada um dos segmentos do corpo deve possuir um padrão de quatro pontos elevados quando observado de cima.

Foto ampliada da lagarta-do-cartucho
(Fonte: PlantWise)

Passo 3 – Veja se a lagarta possui quatro pontos escuros que formam um quadrado no penúltimo segmento do corpo.

Cabeça da lagarta-militar, com indicações dos quatro pontos
(Fonte: PlantWise)

Passo 4 – Verifique se as lagartas jovens são verdes, mudando para a cor marrom conforme maior tempo de vida.

Lagartas-militares juntas sobre folha de milho
(Fonte: PlantWise)

Controle da lagarta-do-cartucho (Spodoptera frugiperda)

Você pode fazer o controle da Spodoptera frugiperda através de 5 métodos: tratamento de sementes, variedades transgênicas, Manejo Integrado de Pragas, controle químico ou biológico. Veja um pouco mais sobre cada um deles a seguir.

Tratamento de sementes

O tratamento da semente é considerado um método preventivo, que retarda a aplicação foliar. O custo é relativamente baixo e a economia de tempo são vantagens em comparação a uma aplicação foliar, especialmente em grandes áreas.

Se o histórico de pragas da sua área relata infestação da lagarta-do-cartucho, esse método é essencial para começar uma lavoura sadia.

A escolha do inseticida para o tratamento deve seguir alguns padrões. O produto, para ser efetivo, tem de ser sistêmico e, de preferência, de menor impacto ambiental.

Variedades transgênicas com atividade inseticida

O termo Bt, de tecnologia Bt, é composto pelas iniciais do nome científico da bactéria Bacillus thuringiensis.

Esse microrganismo, naturalmente encontrado no solo, produz uma proteína que é tóxica para alguns insetos (por exemplo, a lagarta-do-cartucho). Essa proteína não tem efeito sobre outros organismos.

Mas não se esqueça que pode ocorrer redução da eficiência do milho ou da soja Bt sobre a lagarta-do-cartucho.

Neste cenário, é fundamental manter a vigilância e o monitoramento de pragas nas lavouras, além do refúgio de plantas Bt. Veja um exemplo de como o refúgio acontece na cultura do milho.

Ilustração que msotra como deve ser feita a área de refúgio
Ilustração que msotra como deve ser feita a área de refúgio
Exemplificação de áreas de refúgio em diferentes configurações.
(Fonte: Embrapa Milho e Sorgo, 2014). 

MIP (Manejo Integrado de Pragas)

A grande preocupação no momento é o desenvolvimento de populações da lagarta-do-cartucho resistentes a produtos químicos e de tecnologia Bt.

O MIP (manejo integrado de pragas), além de ajudar a reduzir as aplicações de defensivos, te ajuda a manejar corretamente essa e outras pragas. 

O MIP visa utilizar todos os métodos de controle da lagarta-do-cartucho que estejam disponíveis. Dentro do MIP, você também pode fazer o controle químico.

planilha manejo integrado de pragas MIP Aegro, baixe agora

Controle químico: inseticida para lagarta-do-cartucho

Se você decidir utilizar inseticidas, faça rotação de inseticidas com diferentes modos de ação (grupos químicos). Isso serve para evitar que a praga desenvolva resistência a inseticidas individuais ou a grupos de inseticidas.

Evite o uso de inseticidas de amplo espectro, dando preferência àqueles seletivos aos inimigos naturais. A boa escolha do inseticida leva em consideração o nível de dano da cultura, estágio de desenvolvimento da praga e a presença de inimigos naturais.

Para consulta dos inseticidas recomendados para a cultura do milho, no combate da lagarta-do-cartucho, basta acessar o portal da Agrofit

Controle biológico da lagarta-do-cartucho

A lagarta-do-cartucho pode ser também combatida através do controle biológico, seja na fase de ovo (ideal) ou na fase de lagarta. Para o controle dos ovos, podem ser utilizadas as vespinhas Trichogramma, vendidas comercialmente no Brasil.

A espécie Trichogramma sp. parasita ovos da praga num raio de aproximadamente 10 metros a partir do ponto de liberação. Uma fêmea pode parasitar entre um e dez ovos por dia.

Produtos registrados para matar a lagarta-do-cartucho em todas as culturas (47), são encontrados a base de:

  • Trichogramma pretiosum (parasitóide);
  • Baculovírus;
  • Bacillus thuringiensis (não devem ser utilizados em áreas com tecnologia Bt);
  • Metarhizium anisopliae (fungo)

Monitoramento da lagarta-do-cartucho (Spodoptera frugiperda)

Para evitar que a lagarta-do-cartucho atinja grandes níveis populacionais, é necessário monitorar a lavoura. Você pode fazer isso de duas formas:

1. O uso de armadilhas de feromônio

A armadilha contém um dispositivo que exala substância similar ao da mariposa fêmea para atrair o macho.

Deve-se utilizar, no mínimo, uma armadilha por hectare. O nível de controle ocorre quando a armadilha captura três mariposas. A armadilha delta, com feromônio sexual sintético, é muito utilizada para o monitoramento de adultos de Spodoptera frugiperda.

2. Monitoramento em campo

É importante observar os danos na sua cultura também para fins de monitoramento. Para monitorar lavouras de milho, existe uma escala que pode te ajudar.

Você deve recorrer ao uso de inseticidas quando atingir 20% das plantas com nota maior ou igual a 3 na escala de Davis. Nas lavouras Bt, esse número é reduzido para 10%.

Conclusão

O MIP é a chave para um controle preventivo e eficaz no manejo de lagarta-do-cartucho.

A adoção de métodos de controle de forma integrada e consciente é a prática mais inteligente de diminuição do inseto numa propriedade rural.

Após conhecer mais sobre a praga e como combatê-la, escolha aqueles métodos de controle que mais se encaixam na sua propriedade. Aproveite as dicas e acabe já com essa praga na lavoura.

Você está enfrentando problemas com a lagarta-do-cartucho (Spodoptera frugiperda) na sua lavoura? Conhece algum outro método de controle que não está no artigo? Adoraria ler seu comentário.

redatora Bruna Rohrig

Atualizado em 29 de agosto de 2022 por Bruna Rohrig.

Bruna é agrônoma pela Universidade Federal da Fronteira Sul, mestra em fitossanidade pela Universidade Federal de Pelotas e doutoranda em fitotecnia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul na área de pós-colheita e sanidade vegetal.