Como a agricultura preditiva e autônoma pode impulsionar sua lucratividade

Agricultura preditiva e autônoma: como ela pode auxiliar na detecção de pragas e doenças, na aplicação de insumos, e quais tecnologias fazem parte deste novo cenário do agro

Você já deve ter ouvido falar em agricultura 4.0, não é mesmo?! 

Os avanços e conectividade entre todas as etapas do processo produtivo e a geração de grande volume de dados fazem parte dela.

Até 2022, estima-se que estaremos na agricultura 5.0.

As novas tecnologias permitem que você e o consumidor final acompanhem todas as etapas de produção em tempo real. Isso é possível com a ajuda da inteligência artificial e de máquinas agrícolas.

Esses e muitos outros avanços tecnológicos fazem parte de uma agricultura preditiva e autônoma.

Neste artigo, você verá como ela funciona e quais tecnologias podem ser utilizadas para reduzir custos e otimizar a aplicação de insumos na sua propriedade! Boa leitura!

Mudanças nos mercados agrícolas e perspectivas futuras

São notáveis os grandes avanços do agro. 

Nos últimos dois anos, houve facilitação da conexão com os consumidores finais. 

Além disso, os modelos de mercados digitais e a aplicação de insumos na produção agrícola também vêm sendo otimizados.

Essa otimização busca aumentar a produtividade das áreas. Além disso, busca uma aplicação mais sustentável, com menores danos ao meio ambiente e maior retorno econômico.

O Mapa (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento) indica que a produção brasileira de grãos deve ultrapassar os 300 milhões de toneladas nas safras 2028/2029.

Através das novas tecnologias, você pode obter maiores produtividades e retorno econômico sem haver maior disponibilidade de áreas agricultáveis.

Com as restrições impostas pelo novo coronavírus, as mudanças que já estavam sendo implementadas a ritmo lento aceleraram.

O mercado precisou se aproximar dos consumidores, que mudaram suas percepções sobre a alimentação. Com consumidores internos e externos mais exigentes, o agro precisou avançar.

A rastreabilidade das culturas e a otimização dos processos produtivos são alguns desses avanços. Eles visam à aplicação mais eficiente de insumos e redução de danos ambientais.

Com essas mudanças, a agricultura preditiva e autônoma também sofreu avanços importantes.

O que é a agricultura preditiva e autônoma?

A agricultura preditiva e autônoma é uma técnica de análise de dados, através de algoritmos e inteligência artificial. Esses dados auxiliam no entendimento e previsão do comportamento de variáveis importantes durante o cultivo.

Essas variáveis incluem:

  • o comportamento do clima, como temperatura e precipitações;
  • ocorrência de doenças nas diferentes culturas (incluindo o comportamento destas  quando realizada a rotação de culturas);
  • fertilidade;
  • desempenho de máquinas.

O acompanhamento em tempo real dos dados gerados pelas máquinas, por exemplo, permite observar e prever problemas.

Assim, é possível realizar a manutenção prévia e evitar que problemas ocorram em épocas de maior demanda, como em semeaduras e/ou colheitas.

Além disso, é possível prever estágios vegetativos e reprodutivos da cultura (fases) e as variáveis climáticas. Dessa forma, pode-se planejar que a fase mais crítica não coincida com períodos em que estresses na cultura possam ocorrer.

A agricultura preditiva e autônoma coleta dados de máquinas e equipamentos e através da inteligência artificial e big data toma decisões.

Em condições de chuvas e temperaturas desfavoráveis, tratores autônomos podem suspender suas atividades.

Também existem os pulverizadores inteligentes

Com a junção de tecnologias baseadas em imagens e inteligência artificial, eles podem aplicar herbicidas apenas em plantas daninhas.

Quando as daninhas não são detectadas, os bicos de pulverização são desativados.  Essa é uma forma de economizar grandes quantidades de produtos e recursos. 

Além disso, também é possível controlar: 

Exemplo do funcionamento de um pulverizador com sensor de infravermelho. A máquina se desloca, detecta a planta através do infravermelho (que permite inclusive a aplicação noturna), aciona os bicos correspondentes apenas onde há presença de plantas daninhas e posteriormente desaciona o bico, economizando produtos

Exemplo do funcionamento de um pulverizador com sensor de infravermelho. A máquina se desloca, detecta a planta através do infravermelho (que permite inclusive a aplicação noturna), aciona os bicos correspondentes apenas onde há presença de plantas daninhas e posteriormente desaciona o bico, economizando produtos
(Fonte: Smartsensing Brasil)

Recursos da agricultura preditiva

Para entender melhor como a agricultura preditiva funciona na prática, alguns conceitos precisam ficar claros. Entenda a seguir a definição de cada um.

Inteligência artificial

A inteligência artificial usa um conjunto de dados para que as máquinas operem tomando decisões.

Desta forma, dados são inseridos no sistema da máquina, que é treinada. Ela aprende a executar tarefas de forma inteligente, próximo ao que a mente humana é capaz de realizar.

As máquinas também são capazes de analisar grande volume de informações.

Internet das coisas 

A Internet das Coisas é a conexão entre dois pontos. Pode ser, por exemplo, entre uma máquina agrícola e o usuário da internet. Os dados gerados na máquina são encaminhados a uma base.

Esta conexão é possível através de GPS, bluetooth e softwares. Os dados podem ser encaminhados à base sem que haja uma conexão com a internet no momento da transmissão. 

Eles ficam armazenados em uma “nuvem digital”.

Machine learning

Em tradução literal, machine learning significa aprendizado de máquinas.

Os algoritmos analisam grandes volumes de dados e identificam soluções ou padrões de comportamento. A machine learning está associada à inteligência artificial.

Algoritmos

Algoritmos são uma sequência de ações executáveis, previamente delineadas. Incluem uma série de raciocínios e instruções que resolvem um problema.

Big data

Big data é um conjunto amplo e complexo de dados. Eles só podem ser interpretados e analisados a partir do seu processamento.

Tecnologias que fazem parte da agricultura preditiva e autônoma

Transborno, logística e transporte em colheitas

Nestas operações, a agricultura preditiva e autônoma auxilia no descarregamento de caminhões e no envio para novas descargas.

O tempo entre os processos pode ser otimizado, sem que haja atrasos em operações de colheita, carga e descarga.

Sensores

Os sensores na agricultura são utilizados de forma independente, e incluem:

  • detecção do nível da água;
  • temperatura do solo;
  • teor de nutrientes e previsão do tempo.

Em função dessas variáveis, alguns acionamentos através de microcontroladores são realizados. Por exemplo, no caso da irrigação por gotejamento.

Sensores imageadores, como a tecnologia de câmeras RGB; multiespectrais (incluindo o infravermelho próximo) e hiperespectrais são utilizados.

Os sensores imageadores detectam mudanças na vegetação, e as imagens são geradas através de:

Essas imagens são posteriormente processadas por softwares computacionais. As mudanças na vegetação podem indicar e monitorar:

  • o surgimento de doenças;
  • ocorrência de pragas;
  • presença de plantas daninhas;
  • estresses nutricionais e hídricos;
  • falhas de semeadura.

Monitorando a lavoura em tempo real, as ações de correções e de tratamentos podem ser localizadas. O efeito disso é a redução de custos e dos impactos negativos ao meio ambiente.

As correções podem ser feitas no caso de pragas e doenças, e até mesmo controle de plantas daninhas.

Distribuição espacial de características de crescimento e fatores ambientais para identificação de áreas anormais no monitoramento de habitat, para avaliar as distribuições de doenças de culturas com base em imagens de satélite e processamento digital de imagens.

Distribuição espacial de características de crescimento e fatores ambientais para identificação de áreas anormais no monitoramento de habitat, para avaliar as distribuições de doenças de culturas com base em imagens de satélite e processamento digital de imagens.
(Fonte: Yuan et al., 2017)

A junção de informações de imagens com variáveis ambientais estima os locais favoráveis para ocorrência de doenças. Veja o mapa a seguir:

Mapa de habitat adequado para ocorrência de doenças, baseado em variáveis climáticas e imagens de satélites. Em verde, áreas inadequadas para ocorrência, em vermelho, áreas adequadas para ocorrência.

Mapa de habitat adequado para ocorrência de doenças, baseado em variáveis climáticas e imagens de satélites. Em verde, áreas inadequadas para ocorrência, em vermelho, áreas adequadas para ocorrência.
(Fonte: Yuan et al., 2017)

Robótica e automação

No campo da robótica e automação, há diversos exemplos de aplicação.

Com a capina a laser, uma luz infravermelha desorganiza as células das plantas daninhas. Os feixes de luz são controlados por computador;

Com sistemas de irrigação automatizados, sensores que geram dados de evapotranspiração de água no solo são acionados conforme necessidade da cultura.

Eles consideram inclusive os estádios de desenvolvimento. Em estádios reprodutivos, por exemplo, a demanda hídrica da grande maioria das culturas é maior.

Também é possível realizar o monitoramento de fazendas.

Esquema ilustrativo de como a Inteligência Artificial é utilizada em conjunto com a internet das coisas em sistemas de controle de irrigação e predição de ocorrência de pragas e doenças.

Esquema ilustrativo de como a Inteligência Artificial é utilizada em conjunto com a internet das coisas em sistemas de controle de irrigação e predição de ocorrência de pragas e doenças.
(Fonte:. Debauche et al., 2020)

Vantagens e desvantagens da agricultura preditiva e autônoma

Assim como toda tecnologia, a agricultura preditiva e autônoma possui vantagens e desvantagens.

Vantagens

Uma agricultura preditiva e autônoma possibilita prever comportamentos e eventos futuros. Assim, resoluções podem ser antecipadas. 

A possibilidade de aplicações localizadas também é vantajosa. Com o uso da agricultura de precisão, os custos e impactos ao meio ambiente são reduzidos.

Desvantagens

Essa tecnologia ainda é de difícil acesso. 

Essa dificuldade é devido à falta de recursos financeiros, de conhecimento e profissionais qualificados que possam auxiliar na implantação de ferramentas.

A utilização de uma agricultura preditiva e autônoma não é reduzida apenas ao uso de máquinas e implementos de última geração. 

Ela pode ser praticada a partir de ferramentas acessíveis. Sensores, imagens de sensoriamento remoto e dados climáticos são algumas delas.

Porém, essas ferramentas exigem que o profissional seja capaz de analisar e extrair dados relevantes. 

guia - a gestão da fazenda cabe nos papéis

Conclusão

Neste artigo, você viu o que é a agricultura preditiva e autônoma, e quais ferramentas estão associadas a ela. As tecnologias podem prever as safras e monitorar em tempo real o desenvolvimento do seu cultivo.

Essas ferramentas também fazem parte da agricultura de precisão. Sensores são utilizados na aplicação de insumos em taxas variadas e na aplicação de tratamentos fitossanitários.

A junção dessas ferramentas tecnológicas pretendem reduzir custos e impactos ambientais, aumentando em contrapartida os resultados produtivos.

É importante lembrar que a geração de grande volume de dados e ferramentas tecnológicas ainda precisarão da inteligência humana. Isso tanto no desenvolvimento e avanços, quanto na interpretação de resultados.

Restou alguma dúvida sobre a agricultura preditiva e autônoma e sua aplicação na agricultura? Você já tem adotado alguma dessas ferramentas nos seus cultivos? Deixe seu comentário.

Como o uso de drones na pulverização do cafeeiro pode trazer economia e eficiência nas aplicações

Drones na pulverização do cafeeiro: confira as possíveis vantagens dessa ferramenta que vem ganhando espaço nas lavouras

A utilização de drones na pulverização do cafeeiro chama a atenção de qualquer pessoa que os aviste sobrevoando os cafezais. 

Eles realizam de maneira autônoma um trabalho que só era possível realizar manualmente.

Utilizada também em outras culturas, a pulverização com drones demonstra eficácia no controle de doenças do café, como a ferrugem e a cercosporiose.

Ainda é necessária validação e autorização oficial para aplicação de insumos agrícolas via drones, mas as perspectivas de benefícios são inúmeras. Confira!

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Uso de drones na pulverização do cafeeiro

Apesar de muito recente, o uso de drones na pulverização agrícola no Brasil é uma realidade que tem ganhado cada vez mais espaço no campo, inclusive na produção de café

No agronegócio mundial, o mercado de drones agrícolas deve chegar a US$ 4,8 bilhões em 2024.

No Brasil, são quase 70 mil proprietários de drones cadastrados na Anac (Agência Nacional de Aviação Civil), boa parte deles voltados para serviços no agro.

Vale lembrar que o uso dos drones na agricultura devem seguir regras rígidas, então vale ficar sempre de olho nelas.

Para que servem

Chamados de RPA (aeronaves remotamente pilotadas), os drones agrícolas são usados na aplicação de agrotóxicos, adjuvantes, fertilizantes, inoculantes, corretivos e sementes.

Os drones utilizados para esses serviços pertencem à classe 2 (peso máximo de decolagem maior que 25 kg e até 150 kg) e à classe 3 (peso de decolagem até 25 kg). 

Atualmente, está em discussão no Ministério da Agricultura uma legislação específica para serviços com esses drones, com padrões técnicos operacionais e de segurança.

Enquanto a legislação não fica pronta, o que vale são as regras da Anac para operação com drones.

Drone de pulverização agrícola da linha Agra T20

Drone de pulverização agrícola da linha Agra T20
(Foto: DJI)

Vantagens do uso de drones

Há drones utilizados no agronegócio e em outras atividades profissionais, como:

A eficácia de muitos deles é comprovada em diversos serviços, mas os drones de pulverização agrícola ainda passam por testes de validação e formas de operação.

Uma das áreas do agronegócio que tem recebido experimentos é a da produção de café.

No Brasil, há diversas regiões produtoras, como o sul de Minas Gerais. Regiões como essa possuem topografia irregular, e por isso são um campo aberto para atuação dos drones.

Experimentos com o uso de drones na pulverização do cafeeiro apontam redução de até 80% nos gastos com insumos

Veja algumas vantagens da pulverização com drones:

  • voo entre 3 e 5 metros de altura;
  • economia de água e produtos químicos;
  • aplicação mais eficiente, com bicos abaixo das hélices;
  • redução da deriva de defensivos, com possibilidade de aplicação com ventos de até 30 km/h;
  • baixo custo (R$ 40 a R$ 150/ha) e eficiência operacional;
  • de 20 até 100 vezes mais rápido que o trabalho manual;
  • opera em áreas de difícil acesso.
Operação com drone pulverizador do tipo pelicano

Operação com drone pulverizador do tipo pelicano
(Foto: Daniel Bandeira Estima/Skydrones)

Um experimento recente da Embrapa e da empresa AP Agrícola, numa área de café em Minas, mostrou que os drones são eficientes em locais de difícil acesso.

O equipamento foi testado em florestas, ribanceiras e morros. A qualidade da gota na aplicação do produto e o resultado foram considerados excepcionais. O manejo nutricional (adubação foliar) também está sendo testado.

A Embrapa avaliou, em São Roque de Minas, ser possível aplicar uma calda concentrada que reduz cinco vezes a parcela de produto que não atinge o alvo.

Combate às doenças do cafeeiro

Em Muzambinho, sul de Minas Gerais, o cafeicultor Marcelo Salomão faz a pulverização do cafeeiro com drones há 2 anos.

A tecnologia é utilizada para controlar doenças do cafeeiro, como a ferrugem e a cercosporiose. São aplicados 15 L ha-1 de defensivos, com custo de R$ 150 por hectare

“As aplicações são feitas em duas áreas, uma de 5 hectares e outra de 11 hectares”, disse Salomão, para quem a vantagem principal é a economia de tempo.

“Com drone, fazemos a aplicação de 11 hectares em 2 horas e meia. Se fosse manual, seria um dia para cada hectare. Além disso, economiza muito mais água”, afirmou.

O cafeicultor cita ainda como vantagens o fato de não ter contato direto com agrotóxicos e de economizar água e combustível com o transporte de água para fazer as caldas.

Esquema de operação do drone - drones na pulverização do cafeeiro

Esquema de operação do drone
(Foto: Agras)

Pesquisas aprimoraram eficiência na aplicação

Quem faz a pulverização nas áreas do cafeicultor Marcelo Salomão é o operador de drones Davi Elias, da Drones Solutions Brasil.

Além de atuar com prestação de serviço, Elias realiza pulverizações para pesquisas da Fundação Procafé. Ele usa drones da Agras.

“Uma das constatações sobre a eficiência é a quantidade de aplicação por hectare, para diversos produtos, de forma geral, que tem de ser de 24 L ha-1”, disse Elias.

Outra constatação é que a aplicação deve ser feita com o voo de 3 a 4 metros da copa do cafeeiro, e com ventos de no máximo 30 km/hora.

Marcelo Jordão, pesquisador da Fundação Procafé, informou que resultados mais concretos sobre a pulverização com drones serão conhecidos em setembro deste ano.

Dificuldades com drones na pulverização do cafeeiro

Agrônomo e pesquisador da cafeicultura, José Braz Matiello explica que o cafeeiro tem particularidades que precisam ser melhor observadas na pulverização com drones.

Uma delas é a área foliar. “Se formos observar, há muitos cafezais que possuem 5 mil plantas por hectare, e cada planta pode chegar a 20 m² de área foliar”, disse Matiello.

Para o pesquisador, um dos desafios da pulverização com drones é no combate à broca-do-café, pois o inseto fica “escondido” na planta, o que dificulta a pulverização.

“No controle do bicho-mineiro, por exemplo, creio que o drone terá eficiência, pois ele entra pela copa da árvore, então a pulverização já vai em cima”, comentou.

Drone em operação no cafeeiro

Drone em operação no cafeeiro
(Foto: Drosol)

planilha de cálculo de pulverização, baixe agora

Conclusão

A pulverização com drones na produção de café vale a pena no combate à ferrugem e à cercosporiose do cafeeiro.

Conforme você viu neste artigo, a aplicação de insumos com drones gera economia de custos, de tempo e possibilita uma pulverização mais eficiente.

É importante você lembrar que essa é uma tecnologia cuja eficácia ainda está sendo validada para diversos serviços de pulverização do cafezal.

Assim, não é qualquer praga ou doença que a pulverização com drone conseguirá combater, e o manejo nutricional também está sendo testado. 

Por isso, é interessante observar a experiência de produtores rurais que utilizam essa ferramenta, e avaliar se os drones são uma boa opção para o seu cafezal.

Você já cogitou usar drones na pulverização do cafeeiro? Já utilizou em seu cafezal? Então deixe um comentário contando sua experiência ou sua opinião.

Saiba as vantagens da Cafeicultura de Precisão e como aplicá-la

Cafeicultura de Precisão: como técnicas inovadoras aliadas às tecnologias favorecem  o aumento da produtividade, redução de custos e sustentabilidade

A cafeicultura de precisão é um modelo de gestão da fazenda que se utiliza de tecnologias para o manejo da lavoura em taxas variáveis, com baixo impacto ambiental.

Também chamada de Cafeicultura 4.0, a técnica possui diversas ferramentas que favorecem a maior eficiência na produção e a sustentabilidade econômica. 

Neste artigo, saiba as vantagens que ela oferece e as metodologias de aplicação. Confira!

O que é cafeicultura de precisão

A cafeicultura de precisão está em evolução no país, sobretudo em Minas Gerais, maior produtor de café do Brasil, e nos estados do Espírito Santo, São Paulo e Bahia. 

Pesquisas sobre a técnica e métodos de aplicação mostram a redução de custos com insumos, aumento da produtividade e baixo impacto ambiental.  

Apontam também a viabilidade em pequenas, médias e grandes áreas, com cultivo do arábica ou robusta (conilon). 

Essência da AP

Em sua essência, a cafeicultura de precisão é baseada em dois conceitos da AP (Agricultura de Precisão): o de variabilidade espacial e o de variabilidade temporal. 

As variabilidades espacial e temporal apontam as particularidades do cafezal e fornecem dados para tomada de decisão, manejo eficiente e planejamento da safra

Mapa de variabilidade espacial para aplicação de fósforo em taxa variável
Mapa de variabilidade espacial para aplicação de fósforo em taxa variável
(Fonte: PrecisãoAP)

Com isso, diversas variáveis que influenciam na produtividade do cafeeiro podem ser melhores gerenciadas, tais como:

  • propriedades físicas e químicas do solo e das plantas;
  • incidência de pragas e doenças e o índice vegetativo;
  • quantidade de aplicação de insumos;
  • água na irrigação;
  • floração e a maturação dos frutos;
  • uso de mão de obra ou máquinas na colheita;
  • infraestrutura do pós-colheita;
  • orçamento e lucro final.

É importante conhecer bem as particularidades da lavoura, pois o café é perene e qualquer fator influencia na produtividade da planta durante anos.

Mapa de variabilidade temporal do índice vegetativo
Mapa de variabilidade temporal do índice vegetativo
(Fonte: José Diógenes Alves Silveira e outros)

DNA do solo 

Uma novidade importante da cafeicultura de precisão é o mapeamento da variabilidade dos teores de argila, considerada o DNA do solo

As pesquisas mostram redução de 68% da necessidade de área subsolada com base na qualidade das argilas em comparação ao método tradicional. 

Ocorre ainda redução de 7,1% no consumo de combustível e na emissão de dióxido de carbono na atmosfera, o que dá mais sustentabilidade à lavoura.

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Ferramentas de AP para a cafeicultura 

As ferramentas utilizadas na cafeicultura de precisão são as tecnologias (máquinas, softwares, equipamentos, etc.) e as metodologias de aplicação. 

Dentre as tecnologias, estão o GNSS (Global Navigation Satellite System), o GPS (Global Position System) e os SIGs (Sistemas de Informações Georreferenciadas). 

Elas atuam com monitores, pilotos automáticos, sensores, drones, aplicativos e softwares instalados em máquinas, implementos, computadores e celulares. 

Características das colhedoras da Cafeicultura 4.0
Características das colhedoras da Cafeicultura 4.0
(Fonte: Rouverson Pereira da Silva)

Colheita mecanizada

Na colheita do café, a mecanização ocorre com derriçadeira costal, que chega a multiplicar por quatro a produtividade em campo, ou pode ser seletiva, demanda de quem produz cafés especiais.

A regulagem da máquina é manual, mas a amostragem da variabilidade espacial sobre a maturação dos frutos pode ser por meio da AP.

Mapa de variabilidade espacial da maturação dos frutos e uma área de produção de café com pivô central em Minas Gerais
Mapa de variabilidade espacial da maturação dos frutos e uma área de produção de café com pivô central em Minas Gerais
(Fonte: Felipe Santinato)

Drones e sensores 

Na cafeicultura, os drones são muito úteis para em áreas onde não é possível a mecanização devido à topografia irregular. 

Muitos são equipados com câmeras RGB e NDVI (alta resolução) e sensores multiespectrais que identificam desde déficits nutricionais até pragas e doenças.

Há drones que sobrevoam 20 hectares em 15 minutos e coletam informações sobre a quantidade de plantas e identificam falhas de plantio. 

Na pulverização, o drone reduz tempo e custos: em 10 minutos, cobre 1 hectare. 

Ortomosaico georreferenciado de área de produção de café para contagem das plantas
Ortomosaico georreferenciado de área de produção de café para contagem das plantas
(Fonte: Plan4r)

Os sensores são uma ferramenta importante para o manejo nutricional.  

Estudo realizado na Bahia apontou correlação entre o nitrogênio e os índices vegetativos do cafeeiro, a partir do uso calibrado de sensoriamento remoto

Por esse método, o tempo de análise foliar, normalmente de 30 dias, caiu para 1 dia.

Análise foliar do N no cafeeiro a partir do sensoriamento remoto
Análise foliar do N no cafeeiro a partir do sensoriamento remoto
(Fonte: Crislaine Ladeia)

Metodologias mais utilizadas 

O uso das ferramentas tecnológicas segue metodologias de aplicação. Os métodos mais conhecidos são os seguintes:

  • geoestatística;
  • malhas amostrais;
  • semivariograma;
  • índices de Moran Local (IML) e Global (IMG);
  • krigeagem;
  • mapas de isolinhas;
  • modelagem de SIGs. 

A mais utilizada entre os pesquisadores é a geoestatística, que é fundamentada em dois conceitos: o de semivariograma e o de krigeagem. 

O semivariograma tem o papel de descrever a estrutura da variabilidade espacial e a krigeagem prediz valores não medidos, sem tendenciosidade e com variância mínima. 

A utilização dessas tecnologias e métodos possibilita fazer mapas de variabilidade espacial e temporal para gerenciamento eficiente da lavoura.

Os softwares realizam a leitura dos mapas e, por meio de comandos hidráulicos e eletrônicos, regulam a dose e aplicam a quantidade necessária do insumo.

Há no mercado softwares com imagens de satélite em alta resolução: as imagens são em WDRVI, mais potentes que o NDVI dos drones. A licença de utilização para 50 ha custa R$ 500/ano. 

Com essas imagens, é possível verificar o índice vegetativo, monitorar pragas e doenças, construir zonas de manejo e identificar falhas de plantio. 

Como aplicar a cafeicultura de precisão 

Como vimos, a cafeicultura de precisão pode ser aplicada de várias formas e sua eficiência depende das tecnologias e do método.

Mas há também maneiras de praticar a AP sem muitos recursos tecnológicos. 

Por exemplo: se sua área de produção tem 20 ha, faça a divisão em 5 subáreas de 4 ha ou em 4 subáreas de 5 ha. Após isso, realize análise de solo em cada subárea.

A divisão deve ser feita com o uso de um aplicativo com GPS, a exemplo do Fields Area Measure, de fácil manuseio.

tabela com análise de solo de uma área de 20 ha, dividida em quatro subáreas de 5 ha, mostra níveis diferentes dos atributos químicos
Análise de solo de uma área de 20 ha, dividida em quatro subáreas de 5 ha, mostra níveis diferentes dos atributos químicos
(Fonte: Labominas)

Variabilidade espacial

Faça a análise de solo de cada subárea e crie um mapa (numa folha de papel mesmo) com as particularidades químicas das subáreas. 

Dessa forma, você observará a variabilidade do cafeeiro e fará um manejo mais eficiente, pois haverá recomendações diferentes.

E, como consequência, será gasto só o necessário com insumos. 

Uma pesquisa sobre AP na cafeicultura mostrou economia de 23,76% (R$ 318,36/ha) nos custos totais com adubação em taxa variável em comparação à adubação convencional.

Software para gestão da lavoura

O uso de um software de gestão agrícola, como o Aegro, auxilia na prática da agricultura de precisão.

Você pode obter imagens NDVI pelo sistema, para avaliar áreas historicamente problemáticas e direcionar as suas amostragens de solo.

Além disso, o software possui um módulo especializado no monitoramento de pragas que ajuda você a mapear focos de infestação e realizar aplicações localizadas.

Todo o cronograma de manejo pode ser planejado e controlado no Aegro a partir do celular. O aplicativo utiliza tecnologia de georreferenciamento para facilitar as movimentações da equipe no campo.

Outra vantagem do Aegro é que ele computa todos os seus gastos com insumos, oferecendo uma análise de rentabilidade por talhão ao final da safra.

Assim você verá, com clareza, o retorno financeiro das técnicas de AP na sua fazenda.

>> Leia mais: “Como grupo cafeeiro realiza o monitoramento de pragas em 5 fazendas com apoio da tecnologia”

guia - a gestão da fazenda cabe nos papéis

Conclusão 

Os métodos e tecnologias da cafeicultura de precisão estão em aperfeiçoamento, mas não restam dúvidas sobre os impactos positivos que ela gera no setor.

Neste artigo, mostramos como ela pode beneficiar o manejo da sua lavoura e, consequentemente, sua produtividade.

Falamos ainda sobre as principais ferramentas de AP e as dicas de como praticar a cafeicultura de precisão mesmo sem muitos recursos tecnológicos.

Então, aproveite essas informações, busque mais conhecimento sobre como aplicar a técnica em sua lavoura e se beneficie das vantagens que ela oferece. Você e o meio ambiente só terão a ganhar!

Restou alguma dúvida sobre a cafeicultura de precisão? Deixe seu comentário!

Sensores no manejo integrado de pragas: por que você deve começar a usar!

Sensores no manejo integrado de pragas: entenda como essa tecnologia pode otimizar suas operações e reduzir seus custos com defensivos

A tecnologia se faz cada vez mais presente na agricultura brasileira. 

No monitoramento de pragas, que é uma das bases para o sucesso do controle efetivo, o uso de sensores tem mudado muito a forma como essa tática é implementada no campo. 

As ferramentas digitais prometem melhorar a amostragem no campo, tornar o manejo mais eficaz e fazer um controle mais eficiente!

Quer entender melhor tudo isso? Confira a seguir:

MIP e agricultura digital

Como sempre falamos aqui, o MIP (Manejo Integrado de Pragas) preconiza o uso de vários métodos de controle de pragas visando uma produção mais sustentável. 

Isso inclui uso dos controles químico, biológico, comportamental, genético, além de diversas outras maneiras de reduzir as pragas de forma integrada.  

Mas, antes mesmo de entrar com os controles, é muito importante que você faça o monitoramento das pragas. Essa é uma das principais bases para que o MIP realmente aconteça. 

bases do MIP Monitoramento Integrado de Pragas

“Casa do MIP”, com destaque para o monitoramento

Entretanto, muitas vezes, o monitoramento se torna bastante custoso ao produtor e acaba sendo deixado de lado por inúmeras dificuldades que são encontradas no caminho. 

Com isso, o risco de haver gastos desnecessários com defensivos químicos e tomadas de decisão equivocadas é grande. Então, como fazer? Qual a solução? 

A resposta não é tão simples e imediata, mas podemos dizer que a agricultura digital tem colaborado muito para que essa etapa seja um pouco mais facilitada no campo.

Com a evolução tecnológica, a coleta de dados automatizados tem sido uma realidade e pode ser aplicada no MIP para monitorar as pragas em uma velocidade que, antes, não seria possível. 

O uso de sensores promete melhorar a relação do produtor com a amostragem no campo, principalmente com o sensoriamento remoto.

O sensoriamento remoto faz aquisição das informações sem entrar em contato direto com o objeto a ser monitorado – nesse caso, as pragas.

E para que as informações cheguem nas mãos do produtor, a Internet das Coisas – IoT, em inglês Internet of Things – possibilita a conexão desses sensores à aparelhos com acesso à internet, como um tablet ou um smartphone.

Sensores no Manejo Integrado de Pragas

O sensores têm diversas aplicações que vão desde avaliação do estado nutricional da planta até a detecção de insetos-praga na lavoura. 

Os sensores mais comumente utilizados na agricultura são os térmicos, ópticos e elétricos

Para monitoramentos de pragas, os sensores podem ser acoplados a drones, fixados em implementos ou em locais específicos da lavoura para detecção das pragas.

As chamadas armadilhas inteligentes têm sensores que detectam os insetos capturados, possibilitando um acompanhamento muito preciso das pragas em tempo real. 

foto de armadilha inteligente na soja - sensores no manejo integrado de pragas

Armadilha inteligente na soja
(Fonte: Divulgação IAgro)

De forma geral, os sensores são essenciais para que a Agricultura de Precisão (AP) contribua com o MIP, principalmente em extensas áreas de produção. 

Com a AP, o manejo se torna mais eficaz por considerar pequenas áreas de forma simultânea e, na maior parte do tempo, não costumam ter um manejo homogêneo. 

Dessa forma, é possível fazer as correções necessárias em uma determinada propriedade de acordo com as necessidades de cada talhão, por exemplo. 

Assim, a tomada de decisão estará de acordo com cada área amostrada e não com a propriedade inteira – o que, em um monitoramento convencional, é algo realmente difícil de ser feito. 

Quando o controle for requisitado, será feito somente naqueles pontos específicos em que os sensores detectaram. Isso vai evitar desperdício de defensivos, desequilíbrio do agroecossistema e ainda promove economia do tempo para o manejo. 

Além de ter um controle mais efetivo e assertivo, o produtor ainda consegue realizar procedimentos agrícolas de forma otimizada, reduzir a mão de obra e se manter mais fiel aos preceitos do MIP.

Benefícios x gargalos no uso de sensores para o MIP

Existem muitos benefícios com o uso de sensores para o MIP. Podemos elencar:

  • redução de uso de defensivos;
  • controle somente onde há necessidade;
  • redução de mão de obra;
  • manejo mais sustentável;
  • preservação do agroecossistema
  • economia de tempo. 

Entretanto, existem alguns gargalos que impedem que a tecnologia esteja mais difundida, que seriam: 

  • qualidade de conexão na áreas rurais;
  • falta de capacitação dos usuários;
  • dificuldades com mão de obra;
  • maior investimento financeiro. 

Apesar de haver algumas falhas para que o uso de sensores seja mais difundido, o setor vem crescendo cada vez mais.

Diversas pesquisas em startups, universidades e grandes empresas estão voltadas para um manejo de pragas mais digitalizado com o intuito de facilitar ainda mais a vida do produtor. 

O que parecia muito distante, já está se tornando realidade e, muito brevemente, a tendência é a melhora do setor para a detecção de pragas com ainda mais precisão. 

Segundo a pesquisadora do Inpe, Ieda Sanches, as aplicações do sensoriamento remoto para o monitoramento de pragas com uso de satélites e drones é uma forte demanda tanto dos produtores quanto dos prestadores de serviço. E, futuramente, deve ser concretizado e já estará bastante acessível!

Aplicativo para o manejo integrado de pragas

Para tornar o seu manejo de pragas ainda mais eficiente, você também pode apostar em um software para o monitoramento da lavoura.

O Aegro, por exemplo, facilita as rotinas de monitoramento a partir de um aplicativo para celular que funciona mesmo sem internet. Com ele, você registra com precisão a incidência de pragas, doenças e plantas daninhas, diretamente do campo. 

Depois é só conferir, através de um mapa de calor, onde estão os focos de infestações. Assim, você consegue planejar atividades de controle somente quando for necessário.

Além disso, o Aegro oferece imagens de satélite com índice NDVI. Através desse índice, você acompanha a saúde da vegetação a distância e identifica com agilidade os talhões que estão sofrendo ataques de pragas.

Clique aqui para saber mais sobre o MIP no Aegro!

Conclusão 

O Manejo Integrado de Pragas (MIP) usa de várias táticas, principalmente o monitoramento de pragas.

O uso de sensores tem contribuído para melhorar as amostragens de pragas no campo e facilitar a tomada de decisão do produtor. 

Apesar de ser uma área nova, existem diversos sensores para essa finalidade. 

Além de obter dados com maior confiabilidade, o produtor ainda pode usar da Agricultura de Precisão para fazer o controle somente onde é realmente necessário.

Você já pensou em usar sensores no manejo integrado de pragas da sua lavoura? Restou alguma dúvida sobre o assunto? Deixe seu comentário! 

Tudo o que você precisa saber sobre mapeamento de plantas daninhas

Mapeamento de plantas daninhas: veja o que é, a importância, os principais sistemas disponíveis no mercado, vantagens e desvantagens. 

O manejo de plantas daninhas resistentes vem provocando aumento representativo no custo de produção. Isso se deve principalmente às pulverizações realizadas na lavoura inteira e não especificamente onde estão as plantas daninhas.

Isso resulta em aumento dos gastos com defensivos, desperdício de produtos e contaminação ambiental sem necessidade.

Ferramentas de agricultura de precisão vêm se mostrando aliadas importantes na eficiência da aplicação e na economia de produtos. 

Confira neste artigo como fazer o mapeamento de plantas daninhas e como ele pode ajudar a resolver muitos problemas na sua lavoura!

O que é o mapeamento de plantas daninhas?

O mapeamento de plantas daninhas é uma técnica que visa identificar as plantas invasoras presentes na lavoura.

Inicialmente, o levantamento de plantas daninhas de uma área era realizado por meio de amostragem. Para isso, uma equipe treinada se deslocava até pontos amostrais pré-determinados, realizava a identificação e estimava a distribuição de plantas daninhas na área. 

Mas esse método tradicional necessita de grande disponibilidade de mão de obra e a realização de uma quantidade de amostras que represente fielmente a área, o que é inviável. 

Desta forma, a agricultura de precisão vem se tornando forte aliada na solução desse problema.

Os sensores facilitam o levantamento de plantas daninhas, diminuindo custos e possibilitando maior estimativa da distribuição de plantas invasoras.

Na prática, eles podem ser facilmente acoplados a implementos agrícola ou serem transportados por drones, cobrindo com maior facilidade a área em sua totalidade. 

imagem representando o voo do drone da Horus realizando o mapeamento de plantas daninhas na lavoura

Ilustração do mapeamento de plantas daninhas realizado com drones
(Fonte: Horus Aeronaves)

Qual o melhor sistema para mapear plantas daninhas na lavoura?

A escolha dos diferentes sistemas de mapeamento dependerá do objetivo de uso das informações que serão obtidas.

Se o mapeamento for utilizado para identificar em quais talhões as plantas daninhas começaram a emergir primeiro ou localizar grandes reboleiras, a precisão do sensor não necessita ser tão grande. Assim, você pode utilizar sensores orbitais com até 5 m de precisão. 

Já para identificação de pequenas reboleiras ou da distribuição de plantas daninhas na área, é mais interessante utilizar sensores com precisão maior, próximo a 5 cm, como os acoplados em aeronaves. 

Além disso, é possível utilizar sensores acoplados diretamente no equipamento de pulverização, gerando informações em tempo real. 

E qual ferramenta escolher para aproveitar esses mapas? Vou explicar melhor a seguir:

Mapeamento de plantas daninhas para aplicação de herbicidas em pré-emergência

A aplicação de herbicidas em pré-emergência é uma importante aliada no controle de plantas daninhas resistentes. 

Entretanto, você só conseguirá um controle eficiente sem prejudicar o cultivo se utilizar a dose correta para cada porção de sua área. 

Os herbicidas aplicados em pré-emergência interagem diretamente com o solo e, dependendo de características (como teor de argila, teor de matéria orgânica e pH), o ajuste de dose deve ser feito.

Uma ferramenta que ajuda na aplicação de herbicidas em taxa variável conforme as características de solo é a tecnologia HTV®, desenvolvida pela APagri em parceria com a Esalq/USP. 

Primeiramente são coletados dados das principais características do solo, o que pode ser feito junto com o mapeamento da fertilidade do solo. Depois, é realizada a recomendação de produtos de acordo com essas informações e com o histórico de infestação da área. 

Definindo quais herbicidas serão utilizados, são gerados os mapas com doses específicas para aplicação localizada!

Esses mapas deverão utilizados por um pulverizador que contenha um sistema de aplicação em taxa variável. Isso irá garantir a dose ideal de herbicida em cada ponto mapeado.

Mapeamento de uma área para aplicação de pré-emergente com o sistema HTV®

Mapeamento de uma área para aplicação de pré-emergente com o sistema HTV®
(Fonte: APagri)

Mapeamento de plantas daninhas para aplicação de herbicidas pós-emergente 

Para o controle de plantas daninhas em pós-emergência, o mapeamento pode ser realizado anteriormente, desde que o tempo de processamento das imagens seja rápido.

Outra opção é fazer esse mapeamento em tempo real por meio de sensores acoplados ao pulverizador, que podem controlar o acionamento e vazão dos bicos. 

No mapeamento prévio, as imagens podem ser geradas por satélite ou sensores acoplados a drones. Elas são utilizadas principalmente para catação de plantas na entressafra ou na pós-emergência dos cultivos (desde que no processamento da imagens seja possível diferenciar plantas daninhas e cultura). 

Já no sistema de mapeamento em tempo real, os sensores captam informações de presença de plantas daninhas alguns segundos antes da chegada do bico no alvo e comandam uma válvula de acionamento muito rápida para aplicação do produto e/ou ajuste de dose (ex: Pulse Width Modulation). 

Um sistema que já vem sendo utilizado no Brasil com mapeamento em tempo real para pulverização agrícola é o WEED – It. Confira no vídeo que eu separei:

Vantagens e desvantagens do mapeamento

Separei algumas vantagens e desvantagens do mapeamento de plantas daninhas utilizando tecnologia:

Vantagens

  • otimização da aplicação;
  • menor dano ambiental em longo prazo;
  • facilidade na tomada de decisão de qual herbicida utilizar;
  • menor gasto com herbicidas;
  • possibilidade do mapeamento durante a realização dos tratos culturais;
  • determinação prévia da quantidade de herbicidas a ser utilizado;
  • traçar estratégias de manejo antecipadamente.

Desvantagens

  • alto custo de implementação de sistemas;
  • dinamismo na população de plantas daninhas, podendo mudar suas características em pouco tempo;
  • mapeamento necessita de programas específicos;
  • equipe treinada;
  • erros na aplicação podem ocorrer devido a problemas na geração de imagens ou na elaboração do mapa de recomendação.
guia - a gestão da fazenda cabe nos papéis

Conclusão

Neste artigo, vimos como a tecnologia pode auxiliar no mapeamento de plantas daninhas.

Entendemos o que é um mapeamento e como escolher o melhor método para sua lavoura.

Vimos também as possibilidades da utilização dessa técnica pensando na pré e pós-emergência das daninhas, além das principais vantagens e desvantagens.

Espero que com essas informações você consiga realizar um bom monitoramento de plantas daninhas em sua lavoura.

>> Leia mais:

Índice de vegetação: o que ele pode dizer sobre sua lavoura

Mapas de produtividade na agricultura de precisão: como otimizar seus insumos

Você realiza o mapeamento de plantas daninhas em sua lavoura? Já enfrentou problemas? Adoraria ver seu comentário abaixo!

Smart farming: 5 tecnologias que vão deixar sua fazenda inteligente e rentável

Smart farming: entenda o que é e confira algumas ferramentas que podem melhorar desde a aplicação de insumos até a análise de resultados da sua propriedade.

Uma fazenda inteligente é aquela que adota tecnologias que permitam ao produtor acompanhar as atividades do negócio rural de forma digital, em tempo quase real e gerando dados que embasam uma tomada de decisão rápida e assertiva.

Assim, ele tem condição de entender qual máquina é mais eficiente na lavoura e como melhorar a aplicação de insumos para economizar com os defensivos, por exemplo.

Com tanta tecnologia disponível – e cada vez mais acessível – no mercado, algumas se destacam. Confira a seguir as dicas para tornar sua propriedade uma smart farming!

O que é Smart Farming ou fazenda inteligente?

O termo smart farming significa fazenda inteligente ou agricultura inteligente e está relacionado ao uso de tecnologias avançadas no campo. O objetivo de tornar a fazenda inteligente é ter mais dados e informações relevantes da empresa rural para facilitar a tomada de decisão, otimizar as operações e melhorar a produtividade.

Com apoio das ferramentas certas, as atividades da fazenda ficam mais rápidas e precisas. Isso proporciona economia de tempo operacional e de dinheiro, quando se evita comprar mais do mesmo produto que já está em estoque, por exemplo.

A agricultura conectada é uma tendência real e as soluções tecnológicas voltadas ao agronegócio estão cada vez mais acessíveis, sendo que algumas delas merecem destaque:

Muitos aplicativos e ferramentas também já funcionam offline, ou seja, sem conexão com a internet, sendo muito úteis para a coleta de dados em locais que ainda não há conectividade.

A seguir, listei as principais tecnologias para uma smart farming:

5 ferramentas para tornar sua fazenda inteligente

1 – Telemetria

Sensores acoplados às máquinas agrícolas permitem ter controle das operações em tempo real. Com as máquinas conectadas, é possível ajustar as operações ainda em campo.

Inúmeros softwares e plataformas agrícolas geram relatórios personalizados que podem ser analisados para otimização das operações.

Por meio das ferramentas de telemetria é possível saber qual máquina é mais eficiente, bem como custos com combustível, quebra de peças, manutenções e eficiências operacionais, deixando a fazenda mais tecnológica.

>> Leia mais: “Big data no agronegócio: a revolução dos dados”

2 – Robótica, drones e sensores

Robôs, drones e sensores estão cada vez mais presentes no campo. Hoje, por exemplo, já é possível enxergar manchas provenientes de pragas e doenças na lavoura com imagens de satélite ou de drones.

ilustração com três drones da Horus Aeronaves

(Fonte: Horus Aeronaves)

Com as escalas de produção e o tamanho das fazendas cada vez maiores, os sensores ajudam a entender corretamente o que acontece em cada porção da lavoura.

A utilização desses equipamentos de robótica, drones e sensores permite:

  • aumento da eficiência produtiva;
  • levantamento massivo de dados do campo;
  • geração de mapas de atributos específicos das lavouras;
  • otimização da aplicação de insumos;
  • entendimento correto do que ocorre nas lavouras.

Por meio do auxílio de sensores é possível coletar uma quantidade muito grande de dados e tomar decisões mais assertivas.

Alguns equipamentos presentes no mercado, como sensores de condutividade elétrica e sensores de biomassa, coletam dados a cada 1 segundo no campo. Isso facilita uma cobertura maior das áreas de interesse da fazenda, permitindo a criação de mapas mais fidedignos das áreas.

3 – Softwares de Agricultura de Precisão

A Agricultura de Precisão é um conceito que entende que as lavouras não são uniformes e busca explorar essas manchas visando maior retorno econômico.

Hoje temos softwares gratuitos, como QGIS, que permitem que sejam criados mapas de fertilidade, mapas de produtividade e mapas gerais das fazendas, otimizando as aplicações de insumos.

Temos também algumas plataformas nacionais como Falkermap, Mappa, Inceres, que fornecem planos pagos que auxiliam quem não possui experiência em geoprocessamento dos dados. 

4 – Aplicativos gratuitos

Alguns aplicativos também podem se tornar importantes ferramentas para deixar sua fazenda inteligente! E o melhor de tudo: têm zero ou baixo custo para utilização no celular.

Separei alguns aplicativos gratuitos que você deve conhecer e utilizar em sua empresa rural:

  • C7 GPS Dados: aplicativo para coleta de solo ou dados georreferenciados nas lavouras;
  • Navegador de Campo: aplicativo de direção, com linhas paralelas para agricultura de precisão, mensuração de áreas, criação de linhas paralelas para aplicação;
  • Google Earth: contém imagens de satélite do mundo todo, auxiliando no desenho de fazendas, talhões e separação de áreas;
  • Climatempo: permite ter acesso à previsão do tempo para 15 dias, mapa de raios, radar meteorológico;
  • AgroMercado: o produtor rural também precisa ficar atento às cotações agropecuárias e, nesse aplicativo, é possível selecionar as culturas favoritas;
  • Pasto Certo: também voltado para a pecuária, é um app com informações completas sobre os principais tipos de pasto do país, os cuidados e a melhor utilização de cada um deles.

Existe uma infinidade de aplicativos gratuitos e pagos que podem ser aplicados no campo para agregar valor e otimizar os manejos realizados.

Selecione os que mais atendem às demandas da sua fazendas e que farão com que os objetivos sejam alcançados mais rapidamente.

5 – Softwares de gestão

Um software de gestão da fazenda agrega dados estratégicos que ajudam você a propor melhorias na propriedade e ganhar eficiência.

O Aegro, por exemplo, une as rotinas do campo e do escritório para te oferecer uma visão completa do processo produtivo.

Informações de manejo, maquinário, estoque e contas a pagar ficam centralizadas em um sistema fácil de usar.

Assim, você consegue gerar relatórios detalhados de custo e rentabilidade para analisar a saúde do seu negócio rural.

Outra vantagem do Aegro é que ele está disponível para computadores e celulares. No celular, o app funciona mesmo sem internet.

Além disso, a sua equipe pode acessar o software simultaneamente e trabalhar de forma muito mais sincronizada.

Veja algumas funcionalidades que o Aegro integra:

  • gestão agrícola;
  • controle financeiro;
  • gestão operacional;
  • monitoramento de pragas;
  • imagens de satélite;
  • previsão climática.
Tela com as funcionalidades do aegro

Divulgação do kit de 5 planilhas para controle da gestão da fazenda

Conclusão

As ferramentas de agricultura digital estão cada vez mais presentes nas fazendas brasileiras.

Atualmente temos ferramentas, aplicativos e softwares para cada tipo, tamanho ou objetivo da propriedade.

As otimizações estão muito relacionadas com as tecnologias empregadas nas fazendas e não se adaptar às tendências pode significar estar fora do mercado.

As fazendas digitais serão cada vez mais tecnificadas com o auxílio de softwares e sistemas de manejo diferenciados, que devem sempre prezar por ganhos em produtividade e se adequar à sustentabilidade do sistema.

>>Leia mais:

“Quais os impactos da nanotecnologia na agricultura?”

“Saiba aproveitar ao máximo os programas de pontos do produtor rural”

“5 formas de implementar a automação agrícola na sua fazenda”

“Blockchain na agricultura: conheça as 3 principais funções e seus benefícios”

“Sustentabilidade no campo: veja como adotar as práticas”

Você utiliza algumas dessas ferramentas de smart farming para deixar sua fazenda inteligente? Quer conhecer melhor o Aegro? Fale com um de nossos consultores aqui!

Como o mapeamento de fertilidade do solo pode gerar economia na fazenda

Mapeamento de fertilidade do solo: saiba como fazer a aplicação de insumos de forma eficiente nas lavouras.

Ferramentas de agricultura de precisão estão cada dia mais presentes nas propriedades.

O mapeamento da fertilidade do solo, por exemplo, é uma prática que auxilia a entender melhor as manchas nas lavouras e a fazer a aplicação mais racional dos produtos. Isso se traduz em eficiência e até mesmo economia na utilização.

Quer entender mais sobre como gerar os mapas de fertilidade e utilizá-los da melhor forma na fazenda? Confira a seguir!

O que são mapas de fertilidade do solo?

O mapeamento de fertilidade do solo é uma prática que considera a variabilidade dos elementos presentes no solo. Os mapas indicam as manchas de nutrientes conforme sua localização espacial e têm grande utilidade para a Agricultura de Precisão (AP).

Em outras palavras, os mapas de fertilidade servem para aplicação de fertilizantes e corretivos em doses variadas nas áreas. Isso faz com que a aplicação seja otimizada, baseada nos mapas de cada talhão ou lavoura.

Algumas soluções de AP utilizadas no Brasil, como os mapas de fertilidade do solo, são focadas na aplicação desses insumos, de acordo com as manchas. Porém, o conceito de agricultura de precisão vai além da aplicação de fertilizantes e corretivos em taxas variadas.

mapa de monitoramento do solo pela SLC Agrícola

(Fonte: SLC Agrícola)

Dentro dos conceitos de agricultura de precisão temos também toda a gestão da lavoura de forma diferenciada, seja para sementes, produtividade, compactação do solo, infestações de pragas, plantas daninhas, entre outras.

Os mapas de fertilidade do solo e os de produtividade são as principais estratégias para manejo das lavouras e reposição de nutrientes de forma localizada.

A maioria dos usuários de agricultura de precisão no Brasil inicia seu manejo com amostragens georreferenciadas de solo.

As amostragens geralmente são em grade, por ponto ou célula, ou amostragem inteligente, levando em consideração outros atributos dos talhões para orientar as coletas de solo.

A amostragem georreferenciada é relativamente simples e, devido a isso, é muito utilizada para criação dos mapas de fertilidade do solo.

Como realizar o mapeamento da fertilidade do solo

O primeiro passo para realizar o mapeamento da fertilidade do solo consiste na criação da grade amostral. Isso pode ser feito em aplicativos de celular ou softwares dedicados de sistema de informação geográfica (SIG), como o QGIS, entre outros.

Posteriormente à criação da grade, o usuário vai a campo realizar a retirada das amostras com trado, quadriciclos ou amostradoras elétricas, à combustão ou hidráulicas.

Essas amostras são enviadas ao laboratório que, por sua vez, realiza as análises e devolve os dados brutos ou até mesmo já processados e interpolados ao usuário.

Tais mapas podem ser utilizados para confecção dos mapas de recomendação de adubação e posterior aplicação no campo com máquinas específicas. Todo esse procedimento leva em torno de 10 a 20 dias.

A agilidade dessa metodologia satisfaz os produtores com a criação dos mapas de fertilidade. Uma vez com estes mapas, é possível aplicar os insumos de acordo com os teores e necessidades no solo.

A outra forma de realizar a aplicação é baseada nos mapas de produtividade, que além de analisar somente os nutrientes presentes nos solos, leva em consideração a produtividade das culturas e, consequentemente, extração de nutrientes.

A utilização dos mapas de produtividade requer certo conhecimento por parte do produtor, além da correta calibração dos equipamentos instalados nas máquinas. Devido a esses fatores, os mapas de produtividade ainda não são os mais utilizados no Brasil.

Como interpretar os mapas de fertilidade corretamente

Os mapas de fertilidade analisados em conjunto com os mapas de produtividade trazem melhores resultados aos produtores. O maior volume de dados facilita o diagnóstico de acordo com a variabilidade e as manchas presentes nas lavouras.

O entendimento das relações entre causa e efeito podem ser melhor interpretados com o auxílio de ambos os mapas, uma vez que áreas com fertilidades mais baixas apresentam menores produtividades.

Algumas interpretações podem ser realizadas de acordo com o modelo de gestão de cada fazenda.

Algumas fazendas buscam aumentos de produtividade. Dessa forma, analisam os mapas de fertilidade e, além de simplesmente repor os nutrientes, utilizam conceitos agronômicos para inserção de maiores doses para elevar a produtividade.

Outra estratégia de gestão pode ser a redução do uso de insumos. Nesse caso, os mapas de fertilidade do solo servirão de guia para aplicações localizadas, visando suprir o que foi extraído pelas culturas ou o que está em falta nos solos.

A economia de insumos é evidente em muitos casos, principalmente para calcário e fertilizantes, devido ao simples fato da recomendação em dose única se basear, geralmente, nas maiores necessidades dos talhões.

Como aplicar os insumos em taxas variadas 

A aplicação dos insumos em taxas variadas baseadas no mapeamento de fertilidade do solo é governada por equipamentos específicos para esta finalidade.

As máquinas possuem alguns sistemas acessórios e, dentre eles, sempre estão presentes:

  • GPS (para localização das lavouras);
  • monitor (responsável por integrar todo o sistema e ler o mapa de recomendação);
  • controladores (que governam a aplicação, atuando na velocidade da esteira ou abertura da comporta).
foto de trator digitalizado  na lavoura, com imagens de gps e monitoramento

(Fonte: Dinheiro Rural)

Mesmo quem não tem máquinas com estes kits pode aplicar de forma diferenciada e otimizada.

A aplicação de insumos pode ser realizada com a demarcação prévia de zonas dentro das lavouras, com auxílio de aplicativos de celular.

As aplicações dentro das zonas será fixa, porém, de uma zona a outra, pode-se mudar a dose e regular a máquina para nova taxa, realizando a aplicação sem a necessidade de máquinas ou equipamentos mais caros. 

Um aplicativo que pode ser utilizado nestes casos é o Field Navigator. Com o auxílio do GPS do celular, é possível demarcar as zonas no campo e realizar as aplicações baseadas nos mapas de fertilidade dos solos.

guia - a gestão da fazenda cabe nos papéis

Conclusão

O mapeamento da fertilidade do solo auxilia no correto entendimento das manchas e das necessidades dos insumos de cada porção das lavouras.

Os mapas de fertilidade do solo pode ser o início dos mapeamentos para quem quer iniciar a agricultura de precisão em suas lavouras.

Atualmente, temos inúmeros prestadores de serviço que realizam desde a amostragem georreferenciada do solo até a criação dos mapas de recomendações para aplicações otimizadas dos insumos.

Cabe a você decidir se irá realizar os mapeamentos por conta própria ou terceirizar este tipo de serviços em suas propriedades.

Uma coisa é certa: realizando ou não a amostragem, os mapas de fertilidade de cada talhão devem ser guardados e analisados ano após ano. O acompanhamento histórico pode auxiliar bastante no entendimento correto do que ocorre em cada mancha da sua lavoura!

>> Leia mais:

“Conheça os 9 indicadores de fertilidade do solo e saiba usá-los ao favor da sua lavoura”

Agricultura digital: realidade e tendências

Você realiza o mapeamento de fertilidade do solo da sua fazenda? Aplica os insumos de forma otimizada? Adoraria ver seu comentário abaixo!

Como realizar a aplicação localizada de insumos e otimizar os custos da sua lavoura

Aplicação localizada de insumos: entenda como fazer sem precisar investir em máquinas e equipamentos caros  

Hoje existem inúmeras ferramentas de agricultura digital sendo utilizadas nas fazendas para otimizar as aplicações de insumos agrícolas.

Mas você não precisa de máquinas caras para aplicar os insumos de maneira localizada nos talhões!

Com conceitos de agricultura de precisão e ferramentas tecnológicas, o manejo pode se tornar muito mais rentável. Acompanhe neste artigo como realizar as aplicações em doses variadas na sua fazenda usando ferramentas específicas ou gratuitas!

O que é aplicação localizada de insumos

A aplicação localizada é uma forma de manejar as lavouras aplicando doses diferentes de acordo com as necessidades de cada mancha presente na lavoura.

Os conceitos de agricultura de precisão nos mostram que as lavouras não são uniformes. Existem manchas de variabilidade nos talhões e a AP fornece ferramentas que auxiliam na identificação, interpretação e recomendação destes insumos de maneira diferenciada.

A agricultura de precisão visa entender as manchas nas lavouras, explorando-as e tirando proveito econômico e sustentável delas.

Com o auxílio de mapas georreferenciados é possível ir a campo coletar os dados, sejam provenientes de análise de solo, mapas de produtividade ou provenientes de sensores, e atuar aplicando insumos em taxa variável, baseando-se nessas manchas.

As aplicações localizadas podem ser realizadas de diversas maneiras dentro das lavouras.

As estratégias podem variar para atender tanto quem possui máquinas com GPS e kits de aplicação em taxas variáveis quanto quem não tem tais equipamentos, mas também deseja otimizar suas aplicações em campo.

A primeira delas e a mais conhecida é a aplicação utilizando máquinas equipadas com kits que englobam:

  • GPS para localização dentro das lavouras;
  • sensores
  • controladoras que atuam regulando a abertura da comporta ou a velocidade da esteira para mudanças nas doses aplicadas. 

Mas também é possível realizar a aplicação em doses variadas sem precisar gastar com máquinas e equipamentos caros, como você verá explicado mais a frente.

Como fazer a aplicação localizada de insumos sem comprar máquinas caras

Existem diversas estratégias que podem ser realizadas para a aplicação dos insumos em doses variadas nas lavouras.

Hoje já é possível, com o auxílio de softwares computacionais gratuitos como o QGIS, confeccionar mapas e analisar as manchas presentes em cada porção da lavoura.

Se você não possui ferramentas adequadas para aplicar os produtos automaticamente, baseados nos mapas, você pode optar por fazer a aplicação por células ou zonas.

Em softwares como QGIS é fácil simplificar o mapa e ir ao campo regular a máquina para aplicar doses fixas dentro das zonas, porém, alterar as doses de uma zona para outra.

(Fonte: Zanuncio, 2007)

Para demarcação das zonas e dos limites você pode usar um aplicativo de celular com GPS para orientação.  É possível até criar linhas paralelas de acordo com a largura de aplicação das máquinas que serão utilizadas.

Dessa forma, com a aplicadora de calcário da fazenda, é possível aplicar os insumos de maneira localizada e mais eficiente, o que resultará em maiores retornos financeiros.

O aplicativo para demarcação das zonas em campo é o Navegador de Campo ou Field Navigator.

aplicativo para demarcação das zonas em campo

(Fonte: Navegador de Campo)

Usando este aplicativo, é possível fazer as aplicações no campo de acordo com as zonas demarcadas com o auxílio do celular ou tablet.

Como analisar os dados para tomada de decisão

Conforme já citado, a primeira etapa do processo de aplicação localizada de insumos é a investigação em campo ou via sensoriamento remoto.

Com mapas e informações dos talhões em mãos fica mais fácil tomar decisões e entender melhor o que acontece na lavoura.

Mapas de fertilidade dos solos mostram quais áreas necessitam de dosagens diferentes de insumos e propiciam aplicação em doses variadas, sendo mais eficientes nas operações de campo.

Posteriormente às análises, a ação de gestão dos insumos e doses variadas pode ser realizada utilizando-se máquinas automatizadas ou não.

As aplicações em doses variadas podem ser realizadas para diversos insumos presentes nas fazendas, desde sementes, doses de herbicidas, teores de nutrientes, entre outros.

A tendência para o futuro é que sejam aplicadas populações de plantas em doses variadas, de acordo com a fertilidade dos solos em questão, e até semeadura de híbridos diferentes.

Aplicações de caldas com vazões diferentes também estarão cada vez mais presentes nas lavouras.

>> Leia mais: “Tudo o que você precisa saber sobre mapeamento de plantas daninhas

Aplicações pela média x aplicações localizadas

Na aplicação convencional, os fertilizantes e insumos são distribuídos igualmente em toda a área, com base em uma amostragem média para os talhões ou até para a fazenda toda.

Essa aplicação de forma uniforme, pela média, pode causar desperdício de insumos e quedas na produtividade.

Já por meio da agricultura de precisão temos benefícios como:

  • mais segurança na tomada de decisão;
  • economia de insumos;
  • visualização detalhada da propriedade;
  • economia financeira;
  • economia de recursos;
  • melhoria das atividades agrícolas;
  • maior controle da fazenda.

A aplicação localizada, geralmente, usa produtos simples para aplicação e não fórmulas, como muitos agricultores estão acostumados.

Além disso, os equipamentos para realização da aplicação em campo exigem um certo grau de automação e calibração dos conjuntos, o que muitos ainda desconhecem.

Por fim, a criação dos mapas – seja para levantamento de dados, criação das recomendações ou investigações das manchas presentes nas lavouras – também exige certos conhecimentos práticos e teóricos. 

Esse ponto acaba sendo um entrave para massificação desse tipo de operação nas lavouras. Mas, com tantas ferramentas e tecnologias de agricultura digital atuais, não continue realizando aplicações pela média!

Aplicação localizada de insumos com o Aegro

Um software de gestão agrícola como o Aegro te ajuda a organizar o seu cronograma de operações e controlar a quantidade de insumos que é aplicada em cada talhão. Assim, você consegue saber o custo real das suas áreas ao final da safra.

Além disso, você pode usar o Aegro para fazer o Manejo Integrado de Pragas na lavoura. Com uma visualização clara das infestações existentes, fica mais fácil saber onde e quando pulverizar. A escolha do defensivo certo para as pragas existentes também torna a sua aplicação mais eficiente. 

Outra vantagem do aplicativo é que você pode obter imagens de satélite para analisar o Índice de Vegetação Normalizada (NDVI) da lavoura. Essa é uma forma de acompanhar a saúde da sua plantação remotamente e poupar tempo na detecção de anomalias.

NDVI Aegro

O uso de um software agrícola como o Aegro ajuda a identificar talhões problemáticos e realizar aplicações localizadas

Ao descobrir quais áreas da sua propriedade apresentam problemas, você foca seus esforços de manejo onde é mais necessário e faz a aplicação localizada de insumos. 

Depois, você ainda pode acompanhar pelos mapas do Aegro se as suas aplicações geraram o resultado esperado no desenvolvimento das cultivares. As imagens NDVI ficam organizadas em uma linha do tempo para que você acompanhe a evolução da safra.

Para saber mais sobre o Aegro, peça uma demonstração gratuita do software!

planilha de compras de insumos

Conclusão

Existem diversas formas de realizar aplicações localizadas de insumos para otimizar a produção agrícola, aumentando a produtividade e a rentabilidade da lavoura.

Com as ferramentas certas e aplicativos de celular, muitas vezes gratuitos, é possível melhorar as aplicações utilizando zonas de manejo pré-determinadas. 

Então, para otimizar os custos da sua lavoura, busque ferramentas de agricultura digital, entenda os conceitos de agricultura de precisão e realize os tratamentos em doses variadas na sua fazenda também!

>> Leia mais:

Como fazer o correto monitoramento da produtividade de culturas

Índice de vegetação: o que ele pode dizer sobre sua lavoura

“Entenda os princípios e benefícios da pulverização eletrostática na agricultura”

Você tem alguma dificuldade para fazer a aplicação localizada de insumos na sua propriedade? Restou alguma dúvida? Adoraria ver seu comentário abaixo.