About Ana Lígia Giraldeli

Sou Engenheira Agrônoma formada na UFSCar. Mestra em Agricultura e Ambiente (UFSCar), Doutora em Fitotecnia (Esalq-USP) e especialista em Agronegócios. Atualmente sou professora da UNIFEOB.

5 coisas para saber que evitam a deriva de defensivos

Deriva de defensivos agrícolas: tamanho de gotas, escolha do bico, altura da barra e outras orientações para você não ter perda de produtos por deriva.

Pior do que aplicar um produto e não ver resultados, é pulverizar e ver que prejudicou as culturas sensíveis de áreas próximas.

Esse é um dos problemas da ocorrência da deriva, além da perda de produtos e aplicação de doses inadequadas em campo.

O fato da deriva ser tão comum nos mostra que não é fácil controlar essa questão na tecnologia de aplicação de defensivos.

Aqui reunimos as principais maneiras de reduzir a deriva e não prejudicar suas culturas (e nem as do vizinho). Confira!

O que é deriva de defensivos agrícolas?

É quando a aplicação do defensivo agrícola não chega ao alvo. A deriva também é definida como o movimento do defensivo no ar durante ou após a aplicação, não atingindo o local desejado.

Como sabemos, é fundamental que o defensivo atinja o local desejado, pois caso isso não ocorra estaremos perdendo dinheiro, tempo e, consequentemente, reduzindo a produtividade.

Comportamento dos defensivos agrícolas no ambiente

Comportamento dos defensivos agrícolas no ambiente
(Fonte: Campos Moraes (2012))

Mesmo com tantas informações sobre tecnologia de aplicação, podemos nos perder um pouco na hora da escolha de critérios para a tomada de decisão.

Pensando nisso, Ferrer (2014) elaborou um modelo de tomada de decisão em tecnologia de aplicação de defensivos.

Modelo conceitual de decisões em tecnologia de aplicação de produtos fitossanitários

Modelo conceitual de decisões em tecnologia de aplicação de produtos fitossanitários
(Fonte: Ferrer (2014))

Se quiser saber mais sobre tecnologia de aplicação, leia também o texto: “Tecnologia de aplicação de defensivos agrícolas: as melhores práticas” e “Acerte nas aplicações de defensivos com planejamento agrícola”.

Além disso, em outro trabalho (Marasca et al. (2018)) estudaram a distância que pode chegar a deriva de produtos de acordo com a modalidade de aplicação em condições ideais e adversas. 

Observe que os valores de porcentagem de deriva podem aumentar em até 128% quando a aplicação dos defensivos ocorre em condições adversas.

deriva

Distância máxima de deriva e aumento desta em função de aplicações realizadas em diferentes modalidades e condições climáticas.
(Fonte: Marasca et al. (2018))

Agora, vamos para as principais dicas que evitam essa deriva de defensivos agrícolas!

1. Peso e diâmetro de gotas: essencial para não ocorrer deriva de defensivos

O diâmetro e peso de gotas é um dos principais fatores que afetam a deriva. Gotas com tamanho de 50 a 100 μm são classificadas como muito finas, sendo aquelas mais suscetíveis à deriva.

Manual de tecnologia de aplicação

Manual de tecnologia de aplicação
(Fonte: Andef)

Classificação das gotas e o risco de deriva

Classificação das gotas e o risco de deriva
(Fonte: Jacto)

Já, as gotas grandes são mais pesadas e por isso sua trajetória é praticamente vertical, isso confere uma maior resistência à deriva. 

Lembrando que gotas maiores resultam em menos cobertura da planta e, por isso, são mais utilizadas com defensivos sistêmicos, enquanto que gotas pequenas (finas) são recomendadas para produtos que precisam dar cobertura à planta, ou seja, àqueles de contato.

Por isso, sempre prefira usar gotas médias a grossas quando o produto permitir e as condições climáticas não estiverem propícias (como veremos na dica a seguir).

deriva

(Fonte: Jacto)

2. Condições climáticas durante as aplicações de defensivos

Para evitar a deriva, no momento da aplicação as condições climáticas precisam ser ideais. 

A recomendação é que a aplicação seja feita quando a temperatura for menor que 30°C, a umidade relativa do ar seja maior que 50%, além de velocidade do vento entre 3 e 7 km/h.

Manual de tecnologia de aplicação

Manual de tecnologia de aplicação
(Fonte: Andef)

Ventos com velocidade acima de 10 km/h contribuem para um aumento da deriva do produto, principalmente se o tamanho das gotas for fina ou muito fina, podendo atingir outras áreas de aplicação que não as desejadas. 

Entretanto, ventos com velocidade menor que 4 km/h podem reduzir a penetração dos produtos nas partes inferiores das plantas.

Para fazer a aplicação dos defensivos sempre nas melhores condições climáticas, é necessário monitorar o tempo.

3. Adjuvantes para evitar a deriva de defensivos agrícolas

Os adjuvantes podem ter diversas funções e uma delas pode ser antideriva.

Funções dos adjuvantes
(Fonte: R-TEC AGRO)

Um estudo feito por Costa et al. (2014) concluiu que o uso de óleo mineral e agente antideriva reduz a suscetibilidade à deriva em aplicação de glifosato + 2,4-D.

Adjuvantes na deriva de 2,4-D + glifosato em condições de campo
(Fonte: Costa et al., 2014)

4. Escolha corretamente a ponta de pulverização

Para escolha da ponta adequada, devemos conhecer os componentes do bico de pulverização.

Os bicos de pulverização são formados por:

  • Corpo
  • Peneira
  • Ponta
  • Capa

(Fonte: Santos e Cesar)

A escolha do bico de pulverização adequado vai ajudar a reduzir as perdas por deriva e garantir maior uniformidade na aplicação.

Vários fatores devem ser levados em consideração na hora da tomada de decisão, uma delas é qual o alvo que desejamos atingir.

Existem vários tipos de ingredientes ativos e vários alvos a serem controlados, como plantas daninhas, pragas e doenças.

Assim, primeiro defina o seu alvo, como por exemplo se ele está no solo ou na planta, como mostra a figura abaixo:

(Fonte: Agrozapp)

5. Pressão adequada, altura da barra e cobertura

Para evitar deriva e aplicar corretamente o defensivo, a altura da barra deve ser de aproximadamente 50 cm em relação ao alvo, mas o melhor é que você mude a altura dependendo do alvo, como mostramos abaixo:

Altura ideal da barra de pulverização em relação ao alvo

Altura ideal da barra de pulverização em relação ao alvo
(Fonte: Santos (2013))

Depois veja se a cobertura é a ideal, ou seja, se a quantidade de gotas do produto é suficiente.

Uma boa cobertura do alvo está relacionada a:

  • Tipo de produto
  • Tamanho de gota
  • Surfactantes
  • Volume do produto aplicado
Cobertura, pressão, deriva e vida útil dos defensivos agrícolas

Cobertura, pressão, deriva e vida útil dos defensivos agrícolas em função do tipo de bico de pulverização
(Fonte: Adegas (Embrapa Soja))

O tipo de produto envolve a formulação (granulado, pó molhável, pó solúvel, concentrado emulsionável, solução aquosa, suspensão concentrada ou grânulos dispersíveis).

Além da formulação, outras características que precisam ser observadas são:

  • Como o produto é absorvido (aplicação em pré ou pós-emergência);
  • Se o produto degrada com a luz;
  • Qual o tempo necessário para o produto ser absorvido;
  • Se ele é sistêmico ou de contato;
  • Se ele é volátil (essa é uma das principais características associados ao alto risco de deriva).
Tipos de bicos, pressão de aplicação, características e indicações de uso

Tipos de bicos, pressão de aplicação, características e indicações de uso
(Fonte: Embrapa Uva e Vinho)

Conclusão

Aqui vimos o que é deriva e quais as dicas para reduzir o risco de ocorrências.

Você viu cinco dicas importantes que podem lhe auxiliar para realmente atingir o alvo de aplicação desejado, não causando danos às outras culturas.

Com a redução da deriva, mais produtos chegam ao alvo, controlando plantas daninhas, pragas e doenças, o que consequentemente ajuda na manutenção das altas produtividades. 

Ao planejar sua aplicação, consulte sempre um engenheiro(a) agrônomo(a), leia e siga todas as instruções e precauções da bula do produto. 

Agora que você entendeu mais sobre como evitar a deriva de defensivos, que tal começar a aplicar essas dicas na hora da pulverização?

>> Leia mais:

“Entenda os princípios e benefícios da pulverização eletrostática na agricultura”

Gostou do texto? Têm mais dicas sobre como evitar a deriva de defensivos agrícolas? Adoraria ver o seu comentário abaixo!

Adubo para cana: principais recomendações para alta produtividade

Adubo para cana: nutrientes mais requeridos, recomendações das doses, principais fontes e como fazer a adubação líquida no canavial.

Já fez a adubação para cana este ano?

A adubação do canavial parece simples, mas alguns macetes fazem a diferença para conseguir uma produtividade acima da média.

Reunimos aqui os principais pontos de atenção, como a extração de nutrientes pela cana e as doses mais recomendadas. Confira!

Adubo para cana-de-açúcar

Em cana-de-açúcar, assim como nas demais culturas, para realizar a adubação precisamos saber qual a quantidade de nutriente requerida pela cultura e em qual quantidade o solo pode fornecer. 

Assim, temos a fórmula abaixo:

Adubação = (nutriente requerido pela planta – nutriente fornecido pelo solo) x F

F é o fator de aproveitamento do fertilizante.

Na figura abaixo podemos ver que a cana-de-açúcar extrai diferentes quantidades de cada nutriente, de acordo com a fase de desenvolvimento da cultura.

macronutrientes cana

(Fonte: Yara)

Vamos ver agora alguns dos nutrientes essenciais e que não podem faltar na hora da adubação.

Recomendação de adubação para cana-de-açúcar

Nitrogênio

Em relação à adubação com nitrogênio, a cana-planta apresenta normalmente respostas baixas à adubação nitrogenada. 

Por isso, em geral é recomendado a dose de 30 Kg/ha para cana-planta, independentemente da produtividade esperada.

Já as soqueiras de cana-de-açúcar respondem melhor à adubação nitrogenada. Segue abaixo a recomendação:

Adubação de nitrogênio cana-soca

Adubação de nitrogênio para cana-soca

Fósforo

O nutriente mais limitante em área de expansão de cana-de-açúcar é o fósforo.

A cana-planta pode receber até 180 kg P2O5 ha-1. Já nas soqueiras, esse valor é reduzido para 30 kg a 60 kg P2O5 ha-1. 

Adubação de fósforo cana-planta

Adubação de fósforo para cana-planta

Já na cana-soca, a recomendação mais aceita é aquela que, para fósforo resina até 15 mg/dm³, deve-se colocar 30 Kg/ha da fórmula de fósforo, como vemos abaixo:

Adubação de fósforo cana-soca

Adubação de fósforo para cana-soca

Potássio

O potássio é outro importante macronutriente tanto em cana-planta como na cana-soca. 

No entanto, o excesso de potássio ou sua falta pode diminuir a qualidade da cana-de-açúcar. Para isso, veja a recomendação:

Adubação de potássio cana-planta

Adubação de potássio para cana-planta

Adubação de potássio cana-soca

Adubação de potássio para cana-soca

Micronutrientes

No caso dos micronutrientes, em solos de menor fertilidade, o cobre e o zinco são os mais limitantes para a cultura da cana. 

Para a correção da deficiência desses micronutrientes você pode seguir a recomendação abaixo ou, segundo outros estudos, fazer a adubação no sulco de plantio, na dose de 5 a 7 t ha-1  de zinco e cobre.

Para manganês, pode ser utilizado o sulfato de ferro ou de manganês a 1%. No caso do boro, pode ser usado 20 kg a 30 kg de bórax ha-1 no solo ou pulverização com ácido bórico 0,5%. 

adubo para cana

Efeito da aplicação de micronutrientes em cana-de-açúcar
(Fonte: Mellis e Quaggio, 2009)

Extração e exportação de nutrientes na cana-de-açúcar

Além de carbono, hidrogênio e oxigênio, a cana-de-açúcar necessita de uma série de outros nutrientes.

Alguns elementos são exigidos em maiores quantidades, por isso são conhecidos por macronutrientes. São eles: nitrogênio, fósforo, potássio, cálcio, magnésio e enxofre.

adubo para cana

Extração e exportação de macronutrientes para a produção de 100 toneladas de colmo (Orlando, 1993)
(Fonte: Vitti et al.)

Outros são exigidos em menores quantidades e, por isso, são denominados micronutrientes. São eles: boro, cloro, cobre, ferro, manganês, molibdênio e zinco.

Extração e exportação de micronutrientes

Extração e exportação de micronutrientes para a produção de 100 toneladas de colmo (Orlando, 1993)
(Fonte: Vitti)

Tipos de adubo para cana

Podemos ter diferentes fontes minerais para adubação na cana-de-açúcar.

Em relação ao nitrogênio, pode ser utilizada a ureia, desde que ela seja levemente incorporada ao solo em uma profundidade de 5 cm. Isso reduz as perdas por volatilização.

Outra fonte de nitrogênio que pode ser utilizada é o sulfato de amônio, que também irá fornecer enxofre ao sistema. 

Sulfato de amônio (SA)

Vantagens do sulfato de amônio (SA)
(Fonte: Advansix)

Fontes de nitrogênio mais utilizadas

  • Ureia (45% de N);
  • Sulfato de amônio (21% de N e 23% de enxofre);
  • Nitrato de potássio (13% de N e 44% de K2O);
  • Fosfato monoamônico ou MAP (10% de N e 46 a 50% de P2O5);
  • Fosfato diamônico ou DAP (16% de N e 38 a 40% de P2O5).

No caso do fósforo, a adubação fosfatada não vai interferir na qualidade da cana-de-açúcar. Mas, os fosfatos solúveis, inclusive o termofosfato e o multifosfato magnesiano, produzem melhores resultados que os fosfatos naturais.

Principais fontes de fósforo

  • Fosfato monoamônico ou MAP (10% de N e 46 a 50% de P2O5);
  • Fosfato diamônico ou DAP (16% de N e 38 a 40% de P2O5);
  • Superfosfato simples ou super simples (16% a 18% de P2O5 e 18% a 20% de cálcio);
  • Superfosfato triplo ou super triplo (41% de P2O5 e 7 a 12% de Ca);
  • Termofosfato (18% de P2O5, 9% de magnésio, 20% de Ca e 25% de SiO4).

Fonte de potássio

O suprimento de potássio para a cana-de-açúcar pode ocorrer por meio do uso da vinhaça. 

A vinhaça e a torta de filtro são resíduos da fabricação do açúcar e do álcool. 

Na produção de açúcar, 1 tonelada de cana-de-açúcar gera 35 kg de torta de filtro. Cada litro de álcool produzido resulta em 10 a 13 litros de vinhaça. 

A vinhaça é rica em potássio; já a torta de filtro, em fósforo e cálcio.

No caso da torta de filtro, a aplicação pode ser feita em área total em pré-plantio, no sulco de plantio e nas entrelinhas.

Em área total utiliza-se de 80 a 100 t ha-1 de torta de filtro. No sulco de plantio, de 10t a 20 t ha-1; e, nas entrelinhas da cana-de-açúcar, de 40 a 50 t ha-1.

Principais fontes de potássio:

  • Cloreto de potássio, sulfato de potássio (48% a 50% ou 60% a 62% de K2O);
  • Nitrato de potássio (16% de N e 46% de K2O).

Adubo para cana: adubação líquida

A adubação líquida contribui para o aumento da produtividade dos canaviais, pois melhora o aproveitamento dos nutrientes aplicados.

Com a adubação líquida, evitam-se perdas por fixação e lixiviação, além de benefícios químicos, físicos, biológicos e fisiológicos ao solo e às plantas.

Geralmente a adubação líquida é feita via foliar para suprir uma necessidade nutricional imediata. Por isso, a adubação foliar sempre vai ser complementar.

Pode ser utilizada adubação líquida no plantio da cana, fazendo a pulverização dos nutrientes nos colmos-semente ou na soqueira, principalmente com fósforo, boro e zinco.

adubo para cana

Chave para determinar sintomas de deficiências
(Fonte: Rossetto e Dias, 2007)

Custos do adubo para cana-de-açúcar

O preço do adubo para cana vai depender da quantidade que você vai precisar e qual irá utilizar.

Assim, primeiro deve ser estudada a análise de solo para identificar quais as deficiências de nutrientes conforme a produtividade esperada.

Produtividade média de cana

Produtividade média de cana (colmos, açúcar e etanol), qualidade e viabilidade econômica em resposta à aplicação de micronutrientes em oito locais
(Fonte: Mellis e Quaggio, 2009)

planilha ponto otimo de renovacao canavial

Conclusão

A deficiência de macro e micronutrientes reduz a produtividade no campo. E, uma correta adubação se torna essencial para garantir bons resultados na lavoura.

Vimos neste artigo que a cana-de-açúcar requer quantidades diferentes de nutrientes ao longo do seu ciclo.

Também vimos que existem vários tipos de adubos minerais que podem ser utilizados, além dos adubos orgânicos, como a vinhaça e a torta de filtro.

Agora que você entendeu um pouco mais sobre a adubo para cana, que tal colocar em prática?

>> Leia mais: 

Plantação de cana-de-açúcar: Maior produtividade e ponto ótimo de renovação

Nematoides na cana-de-açúcar: Como reconhecer e manejar

Colheita de cana: 5 dicas para otimizar a sua

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Coloque a casa (e a fazenda) em ordem com a chamada “governança corporativa”

Governança corporativa: entenda como ela pode facilitar a administração o processo de transição da empresa rural de pai para filhos e entre os sócios.

Você sabia que 95% das empresas do Brasil têm origens familiares – e que destas apenas 16% chegam na terceira geração? Pois é! Essa situação se repete também na agricultura. Afinal de contas, quantas vezes os filhos ou netos não conseguem levar adiante a empresa rural…

Um dos caminhos para a transição da fazenda é justamente a governança corporativa.

Sua implantação ajuda a garantir a longevidade da empresa familiar, auxiliando na transição para outras gerações, na gestão, na agregação de valor e sucesso da empresa rural.

Com as ferramentas corretas é possível enfrentar os desafios e prevenir os altos riscos! Para te auxiliar neste processo, preparamos esse artigo. Confira a seguir:

Qual o principal objetivo da governança corporativa?

A governança corporativa pode ser definida como os processos, costumes, políticas e leis, usados na administração de uma empresa. O principal objetivo da governança corporativa é garantir a confiabilidade.

Assim, a comunicação direta e assertiva é um dos caminhos a serem tomados. Deste modo, consegue-se uma maior confiança entre os sócios. Os interesses precisam ser alinhados por meio de regras, funções e responsabilidades que precisam ser bem definidas.

Em empresas familiares rurais, um dos grandes problemas é a transição da empresa para as futuras gerações. Neste caso, a governança corporativa evita os conflitos que acabam fazendo com que todo o negócio seja perdido.

governança corporativa

O valor da governança corporativa
(Fonte: Exame)

Benefícios da governança corporativa

A prática de governança corporativa pode trazer inúmeros benefícios. Abaixo, listamos os principais:

  • Mais comunicação entre os proprietários;
  • Melhora na gestão da empresa rural;
  • Valorização da imagem;
  • Possível atração de investidores;
  • Aumento na longevidade da empresa;
  • Melhoria na administração dos conflitos;
  • Atração de novos talentos.

Nas empresas rurais familiares, a governança corporativa auxilia na criação de controles e rotinas administrativas, além de estabelecer a relação profissional entre pais e filhos e preparar para a sucessão do patrimônio em vida.

Como funciona a governança corporativa?

A governança corporativa visa profissionalizar a forma como é feita a gestão da empresa. E, com isso, assegura uma maior autonomia de cada membro.

Proporciona mais organização, agilidade e transparência aos processos da empresa, além de delimitar a estrutura, os processos gerenciais e as relações profissionais. 

Funcionamento de uma governança corporativa
(Fonte: Si Projetos)

Quais são as práticas de governança corporativa?

A governança corporativa é muito mais do que uma estratégia adotada pela empresa. É uma cultura que ela adota e, algumas práticas ajudam neste processo. Vamos ver as 5 práticas que podem ser adotadas na governança corporativa:

  • Estabeleça uma hierarquia;
  • Monte políticas organizacionais;
  • Tenha um conselho consultivo;
  • Faça tudo em etapas;
  • Tenha um bom acompanhamento.
governança na prática

Governança na prática
(Fonte: Dinheiro Rural)

A hierarquia é necessária em toda empresa: todos devem saber a quem reportar os assuntos e a quem responder. Mas, lembre-se do princípio de equidade: tratamento justo sempre.

Com a hierarquia, consegue-se definir as atividades e a prioridade de cada uma delas. Portanto, estabeleça cargos e responsabilidades.

Cada membro da equipe precisa saber qual o seu papel e, para isso, é essencial montar políticas organizacionais. Assim, cada um saberá qual sua função na tomada de decisão.

No conselho consultivo, coloque pessoas capacitadas e de confiança para que possam passar uma orientação adequada e completa.

Se você ainda não implantou um sistema de governança corporativa na sua empresa, não tenha pressa. Faça tudo aos poucos, pois toda mudança na gestão empresarial exige tempo e dedicação.

Após estabelecida a cultura organizacional, os outros passos serão apenas consequências de um bom trabalho.

Após tudo estabelecido e em andamento, faça um bom acompanhamento. Isso pode ser feito por meio de reuniões ou até de auditorias independentes. Assim você saberá como está o projeto e a situação da empresa.

Quais são os quatro pilares da governança corporativa?

A governança corporativa possui 4 pilares essenciais que são: transparência, equidade, prestação de contas (accountability) e responsabilidade.

A transparência deve garantir que todos os envolvidos no processo (proprietário, filhos, sócios e demais partes interessadas) estejam informados sobre todas as tomadas de decisão.

A equidade faz referência à forma com que todos da empresa são tratados, ou seja, não importa qual a posição que cada um ocupa ou qual função desempenha, todos devem ser tratados de forma igualitária.

A prestação de contas não diz respeito apenas à parte financeira, mas todos devem prestar contas dos seus atos e decisões.

A responsabilidade corporativa é o pilar que mostra que não são apenas os fins lucrativos que garantem a longevidade daquele negócio, mas sim todo o seu papel perante a sociedade.

quatro pilares governança corporativa

Os quatro pilares da governança corporativa
(Fonte: GACS)

Pontos essenciais para empresas familiares rurais

  • Formalize a comunicação e os papéis entre os membros para manter as relações familiares e o negócio de forma saudável;
  • A implantação da governança é um processo que deve acontecer de forma gradual, pois as vezes é preciso construir novas regras e situações que não faziam parte do dia a dia daquela família;
  • Adote boas práticas de governança;
  • Defina os papéis de cada membro, principalmente em empresas rurais, nas quais é comum cada integrante acumular mais de uma função;
  • Crie estratégias, planeje as diretrizes estratégicas, defina os investimentos e a distribuição de lucros;
  • Faça um protocolo familiar no qual deve estar registrado o compromisso dos membros da família;
  • Tenha um conselho de administração (diretoria) e de sócios, aos quais devem ser prestados as contas e atos. No caso das empresas familiares, geralmente são os pais; o conselho ajudará a organização da sucessão;
  • Formalize as operações e remunerações.
governança corporativa em empresa familiar

Governança corporativa em empresas familiares 
(Fonte: SAFRAes)

O que deve ser evitado na governança corporativa

O sucesso da governança corporativa também depende de alguns fatores que devem ser evitados. Entre essas atitudes estão:

  • Usar informações para o seu benefício ou para causar conflitos;
  • Abuso de poder;
  • Falta de atenção aos erros.

Conclusão

Neste artigo vimos como implantar a governança corporativa na sua empresa, considerando as peculiaridades das empresas rurais e familiares.

Compreendemos os objetivos, benefícios e os pilares da governança corporativa.

Vimos que ela auxilia nos processos e até mesmo no desenvolvimento econômico da empresa rural, ajudando nos processos de sucessão familiar.

Agora que você entendeu mais sobre o tema, que tal começar a utilizar os princípios e pilares para uma boa governança corporativa na sua empresa rural?

>> Leia mais:

Como fazer fluxo de caixa sem complicação na sua fazenda

Como eduzir o custo da safra com um fluxo de caixa efetivo

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Últimas notícias sobre ervas daninhas: Dicamba e Amaranthus palmeri

Ervas daninhas: Principais informações para que você possa fazer o melhor manejo da sua lavoura.

O manejo inadequado ou falta de controle das ervas daninhas pode causar sérios prejuízos em nossas lavouras.

E isso impacta a produtividade, qualidade, sem contar os problemas na hora da colheita.

Acompanhe neste artigo as últimas atualizações com relação ao Amaranthus palmeri e ao herbicida dicamba, que vem gerando várias dúvidas e preocupações sobre a correta aplicação. Confira:

Principais informações sobre o herbicida dicamba

O dicamba pertence ao mecanismo de ação das auxinas sintéticas, mesmo mecanismo do 2,4-D, picloram, triclopyr, fluroxypyr e quinclorac. 

Os herbicidas deste grupo são seletivos para gramíneas devido à baixa absorção pelas folhas e translocação limitada no floema.

Por isso, são importantes ferramentas no controle de plantas daninhas de folhas largas.

Entretanto, por não serem seletivos às culturas de folhas largas, como a soja, não podem ser utilizados

Por isso, novas tecnologias, como a soja tolerante ao dicamba, foram desenvolvidas, como a “Intacta 2 Xtend”.

ervas daninhas

(Fonte: Conselho de Informações sobre Biotecnologia)

O dicamba apresenta como principal vantagem o controle de ervas daninhas de folhas largas (dicotiledôneas), além de vir associado à tolerância ao glifosato.

Logo, poderá ser um importante aliado para o controle de ervas daninhas resistentes ao glifosato, como a buva e o caruru. 

Pode ainda ser eficiente para outras plantas daninhas de difícil controle como corda-de-viola, erva-quente e vassourinha-de-botão.

ervas daninhas

Ervas daninhas com relatos de resistência ao glifosato: Conyza sumatrensis (esquerda) e Amaranthus palmeri (direita)

(Fonte: Heap, 2019)

Controle de ervas daninhas: Preocupação com o dicamba 

A grande preocupação em relação ao uso deste herbicida está relacionada à deriva. A soja não tolerante ao dicamba, além de outras culturas, são muito sensíveis a este produto. 

A recomendação é de que o dicamba não seja aplicado em condições climáticas como:

  • Temperaturas superiores a 29°C; 
  • Umidade relativa do ar abaixo de 40%; 
  • Ventos acima de 16 km/h; 
  • Dias com inversão térmica. 

Mas sabemos que, durante a safra, essa condição de temperatura é rapidamente atingida no campo, por isso a preocupação.

ervas daninha

(Fonte: SC Cereais)

Com isso, entram em jogo as boas práticas agrícolas, que sempre devem ser utilizadas por nós. 

Especificamente para o dicamba, são essenciais as práticas voltadas ao combate da deriva, volatilidade e limpeza dos pulverizadores.

ervas daninhas

(Fonte: Canal Agrícola)

Outro ponto importante é a capacitação de produtores com relação à

  • Condições climáticas adequadas de aplicação;
  • Uso de pontas de pulverização de baixa formação de deriva;
  • Prática da limpeza de tanque para que não haja resíduo do produto após a tríplice lavagem;
  • Momento adequado de controle das ervas daninhas (estádios iniciais).

Principais características do dicamba 

Vamos ver agora alguma das principais características do herbicida dicamba, segundo o Guia de Herbicidas (2018).

  1. Mecanismo de ação: Mimetizador de Auxinas (Grupo O);
  2. Grupo químico: Ácidos benzóicos;
  3. Solubilidade em água: 4.500 mg/L (25°C);
  4. Pressão de vapor: 4,5 x 10-3 Pa (25°C);
  5. pKa: 1,87;
  6. Kow: 0,29;
  7. Koc: 2 mL/g (fracamente adsorvido no solo);
  8. Registrado para o controle de plantas daninhas de folhas largas em pré-plantio da soja e dessecação em pré-colheita;
  9. Absorção: folhas e raízes;
  10. Translocação: xilema e floema (sistêmico).

Outra erva daninha problemática e que traz grande preocupação é a Amaranthus palmeri. Sobre ela, falaremos a seguir:

Últimas notícias sobre ervas daninhas: Amaranthus palmeri

Amaranthus palmeri é uma planta daninha de crescimento rápido e muito agressiva.  É uma erva daninha anual, com emergência no verão.

Foi identificada no Brasil em 2015, no estado do Mato Grosso, e, até então, todos os esforços são para que ela não se disperse para outros lugares.

ervas daninhas

Planta de Amaranthus palmeri em soja

(Fonte: Travis Legleiter e Bill Johnson, 2013)

A principal questão sobre esta erva daninha é que, quando foi identificada, já apresentava resistência. Em 2016, estudos identificaram a resistência múltipla aos herbicidas Inibidores da ALS (chlorimuron, cloransulam e imazethapyr) e ao mecanismo de ação EPSPs (glifosato).

No mundo, existem 64 relatos de resistência desta erva daninha a herbicidas, englobando países como o Brasil, EUA, Israel, Argentina. A maioria dos casos está nos EUA (60).

No Brasil, pesquisadores relatam que o Amaranthus palmeri está relativamente controlado, mas requer ação contínua por meio de monitoramento, pois é uma planta de rápida disseminação devido à alta produção de sementes.

Preocupação com o Amaranthus palmeri

A grande preocupação com relação a essa erva daninha é impedir sua entrada pelas fronteiras da Argentina e Uruguai para a região sul do Brasil. 

Isso porque, em 2015, foi relatado um caso de resistência desta planta daninha ao herbicida glyphosate na Argentina. Este, é o primeiro caso de resistência ao glifosato em Amaranthus palmeri envolvendo exclusivamente mecanismos de NTSR (resistência ao local não-alvo).

Além disso, já foi relatado um caso dessa planta daninha resistente ao 2,4-D nos EUA, um importante herbicida utilizado para seu controle.

O que vemos aqui é que, antes de utilizarmos apenas o manejo químico desta planta daninha, temos que fazer a lição de casa:

  • Limpar máquinas e implementos agrícolas, evitando a disseminação de sementes; 
  • Fazer rotação de mecanismos de ação de herbicidas; 
  • Rotação de culturas; 
  • Diversificar as práticas de manejo;
  • Controle de plantas daninhas nos estágios iniciais: evite deixar que ela se reproduza no campo.
ervas daninhas

Plântula de Amaranthus palmeri 

(Fonte: Travis Legleiter e Bill Johnson, 2013).

Quer entender mais sobre o manejo dessa erva daninha? Recentemente publicamos no blog o “O guia completo do manejo do caruru Amaranthus palmeri. Confira!

Conclusão

O manejo correto das ervas daninhas e de herbicidas é essencial para o sucesso da lavoura. 

E no artigo de hoje vimos as principais notícias sobre o dicamba e o Amaranthus palmeri.

Com relação ao herbicida dicamba, a principal preocupação está ligada à deriva do produto. E as boas práticas agrícolas são essenciais para utilizar a nova tecnologia associado ao uso deste herbicida.

Em relação ao Amaranthus palmeri, a grande preocupação é evitar a entrada por países vizinhos. E o manejo integrado de ervas daninhas é essencial para vencermos a guerra contra essa era invasora!

>> Leia mais:

Como fazer o manejo eficiente do capim-amargoso

Guanxuma: 5 maneiras de livrar sua lavoura dessa planta daninha

“Como funciona o novo herbicida Luximo para controle de daninhas resistentes”

Restou alguma dúvida sobre o herbicida dicamba ou Amaranthus palmeri? Quer saber mais informações sobre outras ervas daninhas? Adoraria ver o seu comentário abaixo!

Produção de algodão: como está a produção global e como aumentá-la na sua propriedade

Produção de algodão no mundo: os principais desafios e o que você pode fazer para aumentar a produtividade na sua lavoura!

O algodão é uma das principais culturas do mundo, com crescimento médio anual de 2% e uma média de 35 milhões de hectares em área plantada.

Mas apesar do cenário promissor, há uma série de desafios em relação à produção da cultura.

Plantas daninhas, além de pragas como o bicudo-do-algodoeiro, e agora os preços baixos do algodão ameaçam sua rentabilidade.

Neste artigo, vamos falar sobre o cenário da produção de algodão no Brasil e no mundo e como enfrentar os principais desafios para aumentar a produtividade da sua lavoura! Confira!

Como está  mercado do algodão no Brasil

Na safra 2018/19, houve crescimento de 34,2% na produção. Isso equivale ao volume de 6,7 milhões de toneladas de algodão em caroço ou 2,7 milhões de toneladas de algodão em pluma, segundo a Conab.

O aumento da produção também é favorecido pelo aumento da demanda, principalmente na Ásia, além de uma busca maior por fibras naturais, substituindo as sintéticas. 
Entretanto, as previsões mostram que poderá haver queda no consumo de algodão em pluma, como mostra a figura abaixo.

produção de algodão

Produção, consumo e exportação de algodão em plumas (em mil toneladas)

(Fonte: Projeções do Agronegócio)

Além disso, os altos estoques de mundiais de algodão e a previsão de alto volume de colheita de algodão fizeram com que as comercializações fossem lentas nas últimas semanas, com quedas de preços.

Nos últimos dias os preços vêm oscilando, visto que ora compradores estão mais flexíveis em pagar preços maiores, ora vendedores cedem nos preços.

Hoje, no Brasil, o principal produtor de algodão em pluma é o Mato Grosso. É a quarta cultura de maior importância para o país, atrás da soja, cana-de-açúcar e milho.

Mato Grosso e Bahia concentram 89% da produção brasileira de algodão em pluma.

produção de algodão

(Fonte: Projeções do Agronegócio)

Produção de algodão: Cenário atual 

O algodão está entre as principais culturas do mundo, movimentando cerca de US$ 12 bilhões/ano, segundo a Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa).

Seu processo produtivo envolve em torno de 350 milhões de pessoas, sendo produzido por mais de 60 países, nos cinco continentes.

As cultivares de algodão podem ser divididas em três grupos de maturação, quando considerado o tempo para que 90% dos frutos estejam abertos:

  • Precoce: 120 a 130 dias;
  • Média: 140 a 160 dias;
  • Tardia: mais de 170 dias.

O Brasil é quinto maior produtor mundial de algodão e este ano conquistou o segundo lugar no ranking de maiores exportadores, com milhões de toneladas de pluma exportadas, atrás apenas dos Estados Unidos.

Mas, para chegarmos até aqui, os sistemas de produção passaram por evolução e mudanças.

Umas dessas mudanças foi a colheita mecânica do algodão. Essa inovação aconteceu junto com a migração da cultura para o cerrado, o que também permitiu melhorar a qualidade da fibra.

produção de algodão

Produtividade média das lavouras brasileiras vem melhorando nos últimos anos

(Fonte: Abrapa)

Produção de algodão: Principais desafios na cadeia produtiva

Controle de pragas

Entre os grandes desafios na produção de algodão hoje estão o manejo do bicudo do algodoeiro, a ramulária e os nematoides.

produção de algodão

Bicudo do algodoeiro (Anthonomus grandis)

(Fonte: Inquima)

O monitoramento de pragas no algodão deve ser feito muito de perto pelo produtor, com controle quase diário. E a tecnologia pode ajudar muito nesta tarefa de campo.

Um exemplo é a ferramenta para monitoramento de pragas disponível no Aegro

O dispositivo permite controlar os insetos-pragas que estão atacando a plantação e indica quando há possibilidade de danos econômicos na sua lavoura. 

Você pode utilizar planos de monitoramento diversos (ponto a ponto, pano de batida, etc.) e níveis de controle diferenciados por praga.

Com base nas suas informações, o sistema indica quando fazer a aplicação de defensivos ao atingir o nível de controle, por exemplo.

producao de algodao

Com monitoramento é possível saber a média de infestação de pragas, nível de controle e severidade do ataque em pontos específicos da lavoura

Teste o Aegro e o monitoramento de pragas, gratuitamente, por 7 dias:

Plantas daninhas

Outro importante desafio dentro da produção de algodão são as plantas daninhas.

A cultura do algodoeiro é muito sensível à interferência de plantas daninhas. Isso acontece por que:

  • O algodão possui metabolismo C3, ou seja, de baixa eficiência transpiratória, reduzida taxa fotossintética líquida em alta luminosidade, baixa capacidade de translocação de assimilados;
  • Há crescimento inicial lento, com raízes superficiais;
  • Espaçamento de plantio largo, o que favorece a incidência de luz e consequentemente das plantas daninhas;
  • Ciclo longo.

As principais espécies de plantas daninhas que interferem no ciclo do algodão são:

  • Tiririca (Cyperus rotundus);
  • Cordas-de-viola (espécies dos gêneros Ipomoea e Merremia);
  • Capim-colonião (Panicum maximum);
  • Picão-preto (Bidens), capim-carrapicho (Cenchrus echinatus) e carrapicho-de-carneiro (Acanthospermum hispidum);
  • Capim-colchão (Digitaria horizontalis), capim-pé-de-galinha (Eleusine indica);
  • Caruru (Amaranthus);
  • Trapoeraba (Commelina benghalensis);
  • Amendoim-bravo (Euphorbia heterophylla).

Agora que vimos como está a produção de algodão no Brasil e alguns dos desafios, vamos ver manejos que podem ser adotados para elevar a produtividade.

Manejos recomendados para elevar sua produção de algodão

Um dos manejos adotados pelos produtores é a rotação de culturas. Antes eram apenas soja e algodão, mas agora muitas espécies são utilizadas (como milheto; mamona; feijão; grão-de-bico; sorgo; gergelim; crotalária; estilosantes; e gramíneas forrageiras).

A rotação de cultura, além de trazer melhorias para o solo, permite reduzir a incidência de plantas daninhas, auxiliando na redução do banco de sementes. 

Este manejo também permite utilizar herbicidas de diferentes mecanismos de ação.

Alguns fatores são essenciais em todas as culturas como:

  • Planejamento das atividades;
  • Gerenciamento do estoque;
  • Manejo correto do solo;
  • Escolha de variedades adaptadas à região;
  • Compra de sementes certificadas (assim você estará garantindo vigor, germinação, sanidade e pureza varietal);
  • Monitoramento de pragas, doenças, plantas daninhas e nematoides. Assim, você saberá, por exemplo, se uma aplicação deve ou não ser feita, economizando tempo e dinheiro.

Irrigação na cultura do algodão: É necessária?

A irrigação é um outro fator que pode contribuir para o aumento da produtividade da sua lavoura de algodão.

De acordo com Edegar Matter, do Senar-MT, o aumento de produtividade pode ser de até 40% quando utilizada irrigação. 

O algodão, durante o todo o ciclo, precisa de 600 mm a 700 mm de água, sendo de 2 mm a 4 mm por dia na fase inicial; e de 4 mm a 8 mm por dia na fase reprodutiva. 

Entretanto, segundo especialistas, a irrigação contribui para evitar riscos de déficit hídrico ou, ainda, para garantir com precisão a quantidade de água.

produção de algodão

Brasil tem cerca de 1,5 milhões de hectares de algodão plantados, sendo 40 mil hectares em área com irrigação sendo a Agência Nacional de Águas

(Fonte: Jornal advogado) 

Um importante ferramenta que podemos utilizar é o plantio de algodão após o cultivo de plantas de cobertura.

Plantas de cobertura

A cobertura contribui para manutenção dos teores de água do solo, o que ajuda a prevenir o déficit de água caso ocorra algum veranico no início do desenvolvimento da cultura.

Outro ponto importante da cobertura morta é a vantagem no controle de plantas daninhas, auxiliando na redução da infestação.

Este manejo também reduz a alternância de temperatura do solo; proporciona menor incidência de luz; e é considerado uma barreira física e química para as plantas daninhas, pois a cobertura de algumas plantas podem ter efeitos alelopáticos, liberando substâncias que inibem a germinação das sementes.

Além disso, muitas plantas de cobertura são extremamente eficientes no manejo de nematoides como: Meloidogyne incognita (nematoide das galhas), Pratylenchus brachyurus (nematoides das lesões radiculares) e Rotylenchulus reniformis (nematoide reniforme),contribuindo para redução no uso de produtos químicos.


produção de algodão

(Fonte: Embrapa)

planilha de produtividade do algodão Aegro

Conclusão

O algodão está entre as principais culturas do Brasil e do mundo, com expectativa de aumento na produção mundial pelos próximos anos.

Neste artigo, vimos o cenário da cotonicultura no Brasil e no mundo e os principais desafios desse sistema produtivo.

Discutimos os desafios e alguns manejos que podem ser adotados para melhorar a produtividade da sua lavoura.

Com essas informações, espero que você melhore o manejo da sua produção, aplicando esses conhecimentos no campo!

>> Leia mais:

“Quais fatores impactam o preço do algodão para 2021?

Como evitar e combater a mela do algodoeiro na sua lavoura

“Logística da pluma do algodão: o que impacta o escoamento da produção?”

Gostou do texto? Tem mais dicas sobre a produção do algodão? Adoraria ver o seu comentário abaixo!

Agrofit: Conheça o maior banco de informações sobre defensivos do Brasil

Agrofit: Saiba como pesquisar no maior banco de informações sobre defensivos agrícolas do Brasil!

Tão comum quanto as pragas do campo são as dúvidas para combatê-las.

O Agrofit é uma importante ferramenta na hora de pesquisar pelos produtos que vamos utilizar em nossa lavoura.

Com informações de doses, formulações, marcas e tudo o que é necessário para as aplicações, o Agrofit agrupa todos os defensivos registrados no Brasil.

Mas você sabe como fazer as pesquisas de forma mais eficiente no site? Confira o passo a passo a seguir!

Agrofit: Como funciona o banco de informações de agroquímicos

O Agrofit é um site do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA)/Coordenação Geral de Agrotóxicos e Afins, que contém um banco de informações sobre os produtos agroquímicos e afins registrados no Ministério da Agricultura. 

O site permite a realização de pesquisas importantes para controle de pragas na agricultura brasileira.

Para você acessar o banco de informações, primeiramente entre no site do MAPA. A tela que aparecerá inicialmente é essa da figura abaixo! Veja:

Agrofit

Vamos ver agora um passo a passo de como pesquisar no site. Para isso, vamos supor que precisamos buscar informações sobre o controle de plantas daninhas na cultura do milho.

Passo a passo para acessar o Agrofit

1- Após entrar no site, clique em Consulta Aberta (Acesso Livre). Sua tela ficará como na imagem abaixo:

Agrofit

2- A pesquisa pode ser feita clicando nos links que aparecem na parte superior do site. 

3- Você poderá fazer a busca por pragas (insetos, doenças e plantas daninhas), ingredientes ativos, produtos formulados, produtos técnicos ou relatórios.

Vamos selecionar no item “pragas” as “plantas daninhas”. Na sua tela aparecerá a página abaixo:

Como podemos ver, neste caso, você precisará saber o nome da planta daninha que deseja obter informações.

4- Vamos procurar sobre a planta daninha conhecida por corda-de-viola. Para isso, escreva no campo “nome vulgar” o nome da planta daninha (no nosso caso, “corda-de-viola”), como na figura abaixo. 

Caso você já saiba a espécie, você poderá buscar pelo nome científico.

5- Clique em consultar! Aparecerá então a tela abaixo, com todas as espécies de cordas-de-viola.

6- Feito isso, selecione qual espécie deseja informações. No nosso exemplo, vamos clicar em Ipomoea purpurea.

Ao clicar sobre a espécie, você poderá ver informações sobre aquela planta, incluindo os produtos que atuam no seu controle.

O site apresenta as características daquela espécie como: ciclo, forma de reprodução, habitat, características botânicas das folhas, flores e frutos, regiões de ocorrência e os produtos indicados para o seu manejo.

Agora vamos ver caso você deseje encontrar informações específicas para o manejo de plantas daninhas na cultura do milho.

Agrofit: Como pesquisar informações específicas para uma cultura

1- Selecione a consulta por ingredientes ativos. Aparecerá a tela abaixo:

2- Clique em “culturas” e selecione “milho”

3- Clique em consultar e, então, em sua tela aparecerá todos os produtos registrados para a cultura do milho.

4- Selecione agora o produto que você deseja obter mais informações. No exemplo, selecionamos o herbicida atrazina.

Aparecerá em sua tela todas as informações sobre este produto, todos os produtos formulados registrados para a cultura do milho e que contenham como ingrediente ativo a atrazina.

Você também poderá obter informações sobre:

  • Classe do produto
  • Fórmula
  • Nome químico
  • Classe/categoria agronômica (no caso, herbicida)

E, no campo inferior esquerdo aparecerá a quantidade de produtos registrados com aquele ingrediente ativo – que no nosso exemplo são 56. 

Agrofit: Busca por produtos formulados

Você poderá também, fazer a busca por Produtos Formulados. Neste caso, aparecerá a tela abaixo:

Neste caso, você pode pesquisar pelo:

  • Nome da marca comercial
  • Titular do registro
  • Número do registro
  • Ingrediente ativo
  • Aplicação
  • Classe
  • Classificação toxicológica
  • Classificação ambiental
  • Cultura em que é registrado

Em Produtos Formulados você poderá consultar as doses recomendadas; o modo de ação do produto (contato ou sistêmico); como ele pode ser aplicado (terrestre ou aéreo); a classificação toxicológica e ambiental; o titular do registro; marca comercial e as culturas e plantas daninhas para quais são indicados.

Quanto mais informações você tiver, mais rápido encontrará o produto que deseja.

Lembrando que agora estamos sobre um novo marco regulatório sobre a classificação dos produtos.

A classificação da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), que antes eram 4 categorias, passam a ser 5. Além disso, inclui o item “não classificado” para aqueles produtos de baixíssimo potencial de dano.

O Brasil adotou essa reclassificação para utilizar como base os padrões do Sistema Globalmente Harmonizado de Classificação e Rotulagem de Produtos Químicos (Globally Harmonized System of Classification and Labelling of Chemicals – GHS), passando a ter regras harmonizadas com as de países da União Europeia e da Ásia.

A reclassificação fica assim:

Categoria 1 – Produto Extremamente Tóxico – faixa vermelha: 43.

Categoria 2 – Produto Altamente Tóxico – faixa vermelha: 79.

Categoria 3 – Produto Moderadamente Tóxico – faixa amarela: 136.

Categoria 4 – Produto Pouco Tóxico – faixa azul: 599.

Categoria 5 – Produto Improvável de Causar Dano Agudo – faixa azul: 899.

Não classificado – Produto Não Classificado – faixa verde: 168.

Não informado – 16.

Produtos cujo processo matriz não foi localizado: 2.

Baixe grátis o Guia para Manejo de Plantas Daninhas

Conclusão

Vimos no texto de hoje como encontrar produtos em um dos maiores bancos de informações de defensivos do Brasil, o Agrofit.

No Agrofit é possível pesquisar as informações sobre os produtos registrados para todas as culturas.

Você também pode realizar a pesquisa pela praga, doença ou planta daninha, além de consultar os ingredientes ativos e produtos formulados.

Espero que com essas informações você possa fazer melhor uso desse banco de informações tão importante como é o Agrofit!

Ainda tem dúvidas sobre o Agrofit? Tem mais dicas de como fazer a pesquisa sobre produtos utilizados nas lavouras? Adoraria ver o seu comentário abaixo!

Tecnologia de aplicação de defensivos agrícolas: as melhores práticas e todas as orientações

Tecnologia de aplicação: escolha de bicos, redução da deriva e outras dicas importantes para ter mais eficiência em suas aplicações.

Não adianta comprar a melhor semente do mercado ou o produto mais caro se você não tomar alguns cuidados no momento da aplicação.

Muitas vezes, cometemos erros ou esquecimentos na hora de aplicar os defensivos agrícolas, diminuindo a eficácia da aplicação e aumentando os efeitos negativos ao ambiente.

A simples mudança da ponta de pulverização, por exemplo, pode alterar completamente o tamanho de gotas da aplicação e aumentar a deriva.

Então, é necessário que algumas técnicas sejam realizadas e, dentre elas, o estudo da Tecnologia de Aplicação de Defensivos Agrícolas

Neste artigo, vamos abordar alguns assuntos sobre essa tecnologia de aplicação. Confira!

O que é tecnologia de aplicação?

A tecnologia de aplicação pode ser definida como o emprego dos conhecimentos científicos para que o produto utilizado atinja o seu alvo (seja uma planta ou insetos).

A aplicação do produto deve ser na quantidade necessária, com o mínimo de gastos extras e contaminação de áreas vizinhas.

Além disso, antes de tudo, é muito importante que o responsável seja devidamente equipado com os EPIs (Equipamentos de Proteção Individual) a cada aplicação, para que a exposição do aplicador ao defensivo agrícola utilizado seja a menor possível.

EPIs: equipamentos de proteção individual necessários na tecnologia de aplicação
Equipamentos de Proteção Individual
(Fonte: Rehagro Blog)

Outros dois conceitos que podemos definir para compreender melhor a tecnologia de aplicação de defensivos agrícolas são pulverização e aplicação.

Pulverização e aplicação

A pulverização é a transformação de uma substância líquida em gotas. Já a aplicação é a deposição dessas gotas sobre o alvo.

As gotas precisam estar no tamanho e densidade adequados ao objetivo da aplicação.

Para que isso aconteça, é necessário o conhecimento correto da tecnologia de aplicação.

tipos de bicos
tipos de bicos

Tipos de bico de aplicação (Fonte: Agrozapp)

Observe na figura abaixo como uma mudança na ponta de pulverização muda o tamanho das gotas de aplicação:

A) papel sensível preso à haste; b) papéis sensíveis após a aplicação: gotas produzidas pelos atomizadores rotativos, pelas pontas de cone vazio (MAG-2) e pelas pontas de jato plano duplo com indução de ar (AD/IA/D 11002), respectivamente.
(Fonte: Rodrigues et al., 2011)

Regulagem e calibração

Regular um equipamento significa ajustar os componentes da máquina de acordo com a cultura e os produtos que serão utilizados.

Por exemplo: tipos de pontas mais adequados, velocidade de aplicação, altura da barra em relação ao alvo e espaçamento entre os bicos.

Já calibrar um equipamento é verificar qual será o volume de aplicação, a quantidade de produto que será utilizada e a vazão das pontas.

Sabendo desses conceitos, alguns riscos podem ser evitados, como a deriva. Mas o que seria isso?

O que é deriva de agrotóxicos?

Deriva é definida como o deslocamento da calda do produto para fora do alvo.

A deriva pode ter três causas:

  • Ação do vento
  • Escorrimentos 
  • Volatilização
Deriva
(Fonte: Química Nova)

A deriva pode ainda ser classificada em:

  • Endoderiva
  • Exoderiva

Na endoderiva, as perdas são internas, ou seja, dentro da área. Geralmente, a endoderiva está relacionada a altos volumes de calda e gotas grandes. Neste processo, ultrapassa-se a capacidade das folhas em reter o produto.

Na exoderiva, ocorre o deslocamento das gotas para fora da área da cultura. A exoderiva é causada pela ação do vento e evaporação da água utilizada no preparo da calda e está associada a gotas pequenas.

tecnologia de aplicação
Endoderiva e exoderiva
(Fonte: Cultivar)

As gotas menores têm maior capacidade de cobertura do alvo, ou seja, maior número de gotas por cm².

Gotas menores são recomendadas quando é necessária uma boa cobertura e penetração.

Porém, quando utilizamos gotas pequenas, temos que levar em conta que elas são mais propensas à evaporação e, consequentemente, a sofrerem o processo de deriva — principalmente quando aliada a alta temperatura e baixa umidade relativa do ar.

tecnologia de aplicação
Diferença de aplicação de gotas grossas e finas
(Fonte: Jacto)

Quais fatores influenciam a deriva?

A deriva pode ocorrer devido a alguns fatores, como: 

  • Tipo de ponta
  • Condições climáticas durante a aplicação
  • Velocidade de aplicação
  • Altura de aplicação
  • Composição da calda de aplicação

Esses fatores necessitam de uma atenção especial, pois pequenos detalhes podem contribuir para a redução da deriva.

tamanho de gota defensivos
Tamanhos de gotas
(Fonte: Sabri)

Devido a alguns problemas em relação ao tipo de ponta (ou bico hidráulico), gota e deriva, atualmente existe “pontas de baixa deriva” ou “bico com injeção de ar”, que produzem gotas relativamente grandes, mas como uma cobertura adequada.

Isso porque aqueles conhecidos como cone cheio de grande abertura angular são menos propensos a ter deriva do que cone vazio ou jato leque convencional. Porém, o cone cheio não permite bom controle ao se utilizar herbicidas de contato, inseticida e/ou fungicida.

Pontas de Pulverização de Jato Plano - ULD 120º
Exemplo de ponta de baixa deriva do catálogo de pontas de pulverização HYPRO
(Fonte: EMBRAPA)

Tecnologia de aplicação: o que fazer para reduzir a deriva

As condições climáticas no momento da aplicação são fundamentais para se obter eficácia do produto.

Você se lembra quais são elas?

  • Temperatura inferior a 30°C
  • Umidade relativa do ar acima de 60%
  • Ventos na faixa de 3 km/h a 6,5 km/h, não ultrapassando os 10 km/h
compensação entre condições de temperatura e umidade relativa
Temperatura e umidade relativa do ar favoráveis e desfavoráveis para o momento da aplicação
(Fonte: Syngenta)

É importante ressaltar que essas condições geralmente são observadas antes das 10 horas e após as 16 horas. 

Um outro fator é o tamanho das gotas, pois isso está diretamente relacionado ao vento. Observe na figura abaixo — com ventos de 5 km/h, as gotas mais leves percorrem 321 metros do local aplicado. Caso haja aumento da velocidade do vento, essa distância possivelmente aumentará.

Velocidade do vento e tamanho da gota: outro cuidado necessário em se tratando de tecnologias de aplicação
Movimento da gota conforme a velocidade do vento
(Fonte: Iniciativa 2,4-D)

O tamanho das gotas também depende de outros fatores, como: 

  • Tipo de ponta
  • Vazão
  • Pressão
  • Ângulo do jato 
  • Propriedade do líquido pulverizado

Em relação ao tipo de ponta, como dito anteriormente, existem no mercado pontas antideriva ou pontas com indução de ar.

Em relação ao tipo de ponta, como dito anteriormente, existem no mercado pontas de baixa deriva ou pontas com indução de ar.

Algumas características destas pontas são:

  • Tamanho das gotas não aumenta muito com o aumento da pressão de trabalho
  • Espectro de gotas homogêneo
  • Pode superar rajadas de vento entre 15 km/h e 20 km/h
  • Recomendadas para condições meteorológicas extremamente adversas

Além dessa, existem outros tipos, como leque, cone/cônico vazio e cone/cônico cheio:

Essas pontas proporcionam gotas maiores e são conhecidas como pontas de pulverização venturi. Elas produzem gotas com bolhas de ar “misturadas” no líquido pulverizado.

Aplicabilidade das principais pontas de pulverização
Aplicabilidade das principais pontas de pulverização
(Fonte: Agronomico)

Fatores que influenciam a tecnologia de aplicação

Em relação aos produtos, por exemplo, você deve atentar para as características físico-químicas.

Um produto que possua uma elevada pressão de vapor tem um maior risco de sofrer volatilização e é, consequentemente, maior a chance de ocorrer a deriva.

Outro importante fator a ser observado é em relação à formulação do produto, pois a pressão de vapor pode ser alterada com a formulação.

Alguns exemplos são: 

  • 2,4-D amina;
  • Clomazone (Gamit 360 SC);
  • Trifuralina gold
Formulações do produto para aplicação
Formulações do produto
(Fonte: Iniciativa 2,4-D)

Esses três ingredientes ativos fazem referência a novas formulações de herbicidas, os quais possuem uma menor pressão de vapor.

Portanto, podemos chegar à conclusão de que existem três principais maneiras de reduzir o risco da deriva:

  • Calibrar a pressão do pulverizador
  • Características físico-químicas das caldas (formulação dos produtos e tipos de adjuvantes)
  • Escolha de pontas de pulverização adequadas

Lembre-se sempre de que o sucesso de uma pulverização depende de:

  • Pulverizador de boa qualidade 
  • Calibração e regulagem do equipamento 
  • Água de boa qualidade
  • Produto de boa qualidade
  • Condições climáticas favoráveis
  • pH ideal
  • Operador treinado

É importante também que o produtor tenha conhecimento dos tipos de pulverizadores que podem ser utilizados: hidráulicos, autopropelidos, hidropneumáticos e eletrostáticos.

Pulverizadores hidráulicos

Fragmentam o líquido em gotas, pela pressão exercida sobre a mistura (água + produto) decorrente de uma bomba hidráulica. Como pulverizador costal manual e de barra.

Pulverizadores autopropelidos

Possuem grande capacidade de carga e contem motor, cabine e sistema de pulverização (bombas, barras e bicos).

Pulverizadores hidropneumáticos

Conhecidos como atomizadores tipo cortina de ar. Utilizado em culturas perenes.

Pulverizadores eletrostáticos

Transferência de cargas elétricas às gotas.

Além de condições climáticas, tipos de pulverizadores, bicos e outros, existe um detalhe importante a ser considerado: o fato de que a planta apresenta uma barreira natural para a penetração de líquidos, conhecida como cutícula. 

Então, para que o defensivo agrícola consiga realizar sua função, é utilizada uma substância inerte chamada de aditivo ou adjuvante, que apresenta a capacidade de modificar a atividade dos produtos e as características da pulverização.

O aditivo pode alterar o depósito do ingrediente ativo na superfície da folha, causar efeito na difusão transcuticular e interferir na permeabilidade da membrana plasmática.

Esses adjuvantes podem apresentar outras funções, como:

Classificação e função dos adjuvantes
(Fonte: Rehagro Blog)

O mercado cresce e a demanda por novas tecnologias também. Por isso, existem algumas tendências com resultados positivos, que são:

  • Eletrovortex: pulverização com uma taxa de aplicação menor, por meio de carregamento eletrostático de gotas com assistência do ar atmosférico
  • Telemetria: coleta e compartilhamento remoto de informações
  • Spot Spray: presença de sensores que possibilitam a identificação de plantas que necessitam de aplicação de defensivos

Conclusão

A aplicação de defensivos agrícolas de maneira correta permite o devido controle de pragas, doenças e plantas daninhas.

Neste artigo, vimos como a tecnologia de aplicação nos ajuda a obter uma maior eficiência nesse controle.

Também conseguimos entender como alguns fatores interferem no sucesso da pulverização e como a tecnologia de aplicação pode nos ajudar a reduzir esses problemas.

O principal ponto tratado aqui foi a deriva, que está entre as principais perdas de defensivos que temos na agricultura hoje.

Assim, vimos que calibração, características da calda e escolha de pontas de pulverização adequadas são maneiras de reduzir essas perdas.

Com essas práticas, espero que você tenha sucesso na aplicação dos defensivos em sua lavoura!

>> Leia mais:

“Passo a passo de como fazer a limpeza de pulverizador agrícola com segurança”

“Aplicação noturna de defensivos agrícolas: quando vale a pena?”

O que achou do artigo? Se gostou, assine nossa newsletter e envie este artigo para mais pessoas gestoras de fazendas interessadas neste assunto.

Atualizado em 16 de junho de 2023 por Alasse Oliveira.

Alasse é Engenheiro-Agrônomo (UFRA/Pará), Técnico em Agronegócio (Senar/Pará), especialista em Agronomia (Produção Vegetal) e mestrando em Fitotecnia pela (Esalq/USP).


Gesso agrícola: o que é, benefícios para o solo e como usar para elevar sua produção

Gesso agrícola: o que é, qual é a sua função, diferenças entre calcário e gesso, quando aplicar e benefícios da gessagem.

A gessagem é uma prática agrícola que consiste na aplicação de gesso com o intuito de melhorar o ambiente para o desenvolvimento das raízes no perfil do solo.

O gesso tem ação condicionante e fertilizante pois também fornece alguns nutrientes para as plantas.

Muitas vezes a gessagem é confundida com a calagem, mas essas duas estratégias de manejo têm objetivos diferentes. Quer saber mais sobre o assunto? Confira a seguir. Boa leitura!

O que é gesso agrícola? Qual é a sua função

O gesso agrícola (sulfato de cálcio) é um condicionante de solo e corretivo de sodicidade. Isso quer dizer que ele melhora as propriedades físicas, químicas e biológicas do solo e reduz a saturação de sódio.

O termo gesso agrícola se refere tanto ao fosfogesso quanto ao gesso natural.

O fosfogesso é um subproduto obtido durante a produção de fertilizantes fosfatados, como o superfosfato simples. Já o gesso natural é produzido a partir do processamento da gipsita, um mineral abundante na natureza.

Independente da origem, a aplicação de gesso no solo tem a função de melhorar o ambiente em profundidade para o desenvolvimento das raízes. Ou seja, a gessagem beneficia o aprofundamento das raízes, o que favorece a absorção de água e nutrientes.

Além disso, o gesso agrícola fornece cálcio e enxofre para as plantas. Esse insumo tem em média 18% de cálcio e 15% de enxofre.

O gesso agrícola é um produto relativamente barato. Porém, o maior problema na compra desse insumo está na distância dos centros distribuidores, o que eleva o valor do frete. Em muitos casos, o frete é mais caro do que o gesso.

Diferença entre calcário e gesso agrícola

As técnicas de calagem e gessagem são fundamentais para a obtenção de altas produtividades, principalmente em áreas de cerrado. Essas práticas são complementares e uma não substitui a outra. 

O calcário é um insumo utilizado para corrigir a acidez do solo e neutralizar os efeitos tóxicos do alumínio e do manganês. Além disso, o calcário fornece cálcio e magnésio para as plantas.

No entanto, a calagem não corrige a acidez e a deficiência de cálcio em maiores profundidades. O gesso agrícola já atua nas camadas mais profundas do solo.

O gesso agrícola é considerado um condicionante do solo. Ele melhora as condições físico-químicas em subsuperfície e favorece a atividade microbiana, o que contribui para o desenvolvimento de raízes mais profundas. 

É importante dizer que a gessagem não altera o pH do solo — ou seja, essa prática não neutraliza a acidez. Ao contrário do calcário, o gesso não reage com o alumínio. Porém, ele tem a capacidade de carrear, o que significa levar o alumínio para maiores profundidades. 

O gesso agrícola também é fonte de cálcio e enxofre para as culturas.

Confira no quadro abaixo as diferenças entre a calagem e a gessagem.

comparativo entre calagem e gessagem

Quando fazer gessagem?

A gessagem é uma prática realizada após a calagem e em área total. Não há a necessidade de incorporação do gesso. 

Antes da aplicação desse insumo é preciso avaliar se a área apresenta deficiência de cálcio e alumínio em excesso nas camadas mais profundas do solo.

Nesse caso, para as culturas anuais, o recomendado é fazer a amostragem de solo nas profundidades de 20 a 40 centímetros e de 40 a 60 centímetros.

Somente a partir da análise físico-química do solo é possível determinar a necessidade de gessagem.

Benefícios da aplicação de gesso no solo

A acidez do solo e a deficiência de nutrientes, não apenas nas camadas superficiais mas também nas camadas mais profundas, é um fator limitante para a produção agrícola. 

Nesse sentido, a gessagem é uma prática de grande importância e que viabiliza o cultivo em diferentes solos. Os principais benefícios do uso do gesso na agricultura são:

  • redução da atividade do alumínio nas camadas mais profundas;
  • redução da salinidade;
  • melhora a estrutura do solo;
  • fornece cálcio e enxofre para as culturas;
  • favorece o crescimento radicular;
  • aumenta a absorção de água e nutrientes pelas plantas;
  • aumenta a tolerância das plantas ao estresse hídrico;
  • eleva a produtividade.

Confira a seguir como as raízes exploram um maior volume de solo quando é feita a gessagem.

Veja como as raízes exploram um maior volume de solo quando é feita a gessagem.
Distribuição relativa de raízes de milho no perfil de um latossolo argiloso, sem aplicação e com aplicação de gesso
(Fonte: Embrapa)

Como calcular a necessidade de gessagem?

1. Você pode utilizar essas duas fórmulas:

NG (kg/ha) = 0,30 x Necessidade de calcário (NC) recomendada para o solo

Nessa fórmula, utilize a NC recomendada para a camada de 20 cm a 40 cm.

QG = NG x (SC/100) x (PF/20), onde:

QG = quantidade de gesso em t ha-1;

NG = necessidade de gessagem em t ha-1, obtido com a fórmula anterior;

SC = superfície coberta pelo gesso em %. Se for área total, utilize SC = 100% e para aplicação em faixas como no café, SC = 75%;

PF = espessura da camada onde o gesso deverá agir, em cm. Para camada de 20 a 40, PF = 20 cm. Para camada de 30 a 60 cm, PF=30 cm.

2. Culturas anuais e perenes

Culturas anuais:

NG = 50 x %teor de argila
ou
NG = 5 x teor de argila (g kg-1)

Culturas perenes:

NG = 75 x %teor de argila
ou
NG = 7,5 x teor de argila (g kg-1)

3. Recomendação de acordo com a textura do solo

Na tabela abaixo você pode conferir a recomendação de gessagem em função da textura do solo e do tipo de cultura, se anual ou perene.

dose de gesso agrícola

Recomendação de gesso agrícola em função da classificação textural do solo
(Fonte: Vitti e Priori, 2009)

4. Capacidade de troca catiônica e saturação por bases:

Abaixo está a recomendação de aplicação de gesso de acordo com a capacidade de troca catiônica do solo e a saturação por bases.

Quantidade aproximada de gesso a ser aplicada de acordo com a capacidade de troca catiônica (T) e saturação por bases (V) do subsolo
(Fonte: Vitti e Priori, 2009)

Por fim, é importante ressaltar que a aplicação de gesso em excesso prejudica o equilíbrio nutricional do solo, principalmente no que diz respeito ao magnésio.

Em grandes quantidades, o gesso favorece a movimentação do magnésio para as camadas mais profundas, o que provoca um desequilíbrio no solo. Por isso é tão importante que a recomendação de gessagem seja orientada pela análise do solo.

planilha de planejamento para milho e soja

Conclusão

O gesso agrícola é um condicionante do solo e corretivo da sodicidade, além de ter efeito fertilizante, por fornecer cálcio e enxofre para as plantas. 

A gessagem e a calagem são práticas com objetivos diferentes e uma não substitui a outra.

Os principais benefícios da aplicação de gesso no solo são maior volume de solo explorado pelas raízes, fornecimento de cálcio e enxofre para as plantas, redução da atividade do alumínio em subsuperfície, maior absorção de água e nutrientes, aumento da produtividade.

A recomendação de gessagem deve ser sempre pautada pelos resultados da análise de solo.

>> Leia mais:

Esteja preparado e não se engane na pré-safra: Saiba quais corretivos utilizar

Como fazer calagem e gessagem nas culturas de soja, milho e pastagem

“Como fazer o cálculo de gessagem: métodos recomendados e as novas pesquisas”

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redatora Tatiza Barcellos

Atualizado em 10 de agosto por Tatiza Barcelos

Sou engenheira-agrônoma e mestra em agronomia, com ênfase em produção vegetal, pela Universidade Federal de Goiás.