About Rayssa Fernanda dos Santos

Sou Engenheira Agrônoma pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), mestre em Fitotecnia pela ESALQ/USP. Atualmente, sou doutoranda em Agronomia pela Universidade Estadual de Maringá (UEM), com ênfase em produção vegetal e realizo MBA em Marketing (Pegece/ ESALQ/USP).

Como a gestão agrícola pode trazer mais lucro para sua empresa rural

Gestão agrícola: entenda porque ela é o caminho para aumentar a lucratividade e minimizar os custos em sua fazenda!

Não ter uma visão clara e estratégica do próprio negócio é um problema para você? Ao final da safra, é difícil saber com certeza quanto teve de rentabilidade com a lavoura?

Uma boa gestão agrícola permite que você tenha um controle mais preciso das operações e trace estratégias para reduzir custos e aumentar a lucratividade da fazenda.

Mas por onde começar a gestão agrícola? Quais ferramentas podem ajudar a tomar decisões mais certeiras? Confira!

Como a gestão agrícola pode trazer mais lucro para sua empresa rural

O que é gestão agrícola?

A gestão agrícola é o processo para administrar uma propriedade rural com o objetivo de otimizar todo o planejamento da produção agrícola. Isso envolve desde o preparo do solo à colheita, gestão orçamentária, controle da frota e estoque, até a venda dos produtos.

Ela auxilia na organização mais eficiente da empresa rural, visando principalmente lucratividade e minimização de custos. Além disso, possibilita um melhor controle sobre as operações da fazenda e, consequentemente, maior produtividade.

Com dados precisos em mãos, você consegue saber quais insumos comprar, quanto comprar, quando plantar e por quanto vender sua produção.

Na prática, utilizando a gestão agrícola, você transforma dados em lucro, pois, consegue traçar estratégias certeiras e realizar um melhor planejamento da safra. Isso também diminui seus riscos.

Sabendo efetivamente todos os custos envolvidos e tendo uma visualização facilitada das operações da fazenda, as etapas de produção ficam mais organizadas e ágeis. Isso simplifica o controle da propriedade, proporciona mais efetividade no manejo e mais qualidade da produção.

Levando em conta os benefícios, você já deve ter observado que a gestão agrícola não é um diferencial e sim uma necessidade de toda empresa rural, independente do tamanho. Ela deve ser vista como uma aliada, pois proporciona menores custos e maior rentabilidade a você!

Desafios da gestão agrícola

A boa gestão agrícola é uma necessidade de toda empresa rural que busca alcançar melhores resultados.

Mas, na prática, ainda há muitas dificuldades quanto à adoção de medidas que propiciem esse gerenciamento efetivo.

Estoque e armazenamento

Saber realmente o que se tem em estoque é um dos grandes desafios no campo. Afinal, é necessário ter um controle total sobre as entradas e saídas de diversos itens e estar atento quanto às futuras aplicações para garantir que não falte produto.

No dia a dia, não é fácil gerir todas as etapas da produção e ainda pensar em abastecer planilhas para gerar relatórios. Mas você pode contar com ferramentas como um software de gestão agrícola para te ajudar nessa tarefa.

Gestão Financeira

Esse certamente é um dos maiores desafios do setor! É preciso saber separar os custos da sua empresa rural dos seus gastos pessoais e fazer a administração correta.

A gestão financeira envolve desde o pagamento de impostos e funcionários, à compra de insumos. Por isso, ter bem organizada essa etapa é fundamental para gerar lucratividade para a empresa rural.

Aumento da produtividade

Alcançar uma produtividade melhor envolve diversas variáveis tanto operacionais (escolha da melhor semente, preparação adequada do solo, etc.) quanto administrativas (melhor gestão dos insumos, por exemplo).

É preciso ter uma visão clara do todo da fazenda para conseguir resultados melhores e a gestão agrícola é fundamental nesse processo.

Outros desafios que você pode ter aí na sua fazenda são:

  • Não visualizar a fazenda como uma empresa rural;
  • Falta de tempo para preencher planilhas;
  • Não ter uma pessoa com conhecimento em finanças;
  • Não realizar um planejamento para gastos e investimentos a longo prazo;
  • Ignorar o planejamento para a próxima safra e vendas futuras.

Áreas da gestão agrícola: como elas funcionam na sua fazenda?

A gestão agrícola envolve diversas áreas, cada uma delas com impacto direto na produção e nos resultados da sua empresa rural.

A fazenda deve ser encarada como um negócio que precisa ser rentável, por isso, cada área precisa de atenção!

Produção

Essa é uma das áreas dentro da gestão agrícola que merecem olhar mais atento. Nesse setor, você deve se preocupar com a parte técnica do sistema de produção. 

Quais são os recursos necessários para a implementação, desenvolvimento e colheita dos cultivos?

Planeje-se para que a produção seja eficiente e tenha os melhores resultados. Conte com apoio de engenheiros agrônomos especializados para o acompanhamento e recomendação de sua propriedade.

Cada detalhe no manejo pode fazer a diferença em sua produtividade!

Finanças

Ter um bom controle dessa área permite visualizar como está sua situação financeira da fazenda: quantas entradas, saídas, qual a rentabilidade por área e por talhão. Ou seja, é uma área fundamental para o sucesso da fazenda! 

Esse setor também é responsável por verificar a possibilidade de novos investimentos. Quando administrado de forma correta, permite alcançar mais lucratividade e atingir crescimento.

Caso você não tenha um contador, invista em uma consultoria contábil! Ela irá auxiliar muito em seu dia a dia. 

Gestão de pessoas

A gestão de pessoas está ligada à profissionalização do agronegócio! Gerir bem os recursos humanos consiste em várias estratégias para atrair e manter bons profissionais.

Uma boa gestão de pessoas envolve seleção de funcionários, programas de treinamento e desenvolvimento do capital humano.

Já dizia o professor Dirceu Gassen: a lavoura responde ao manejo e quem faz todos os manejos são pessoas. No final das contas, são as pessoas que importam!

Quando se possui uma boa gestão na fazenda, o trabalhador “veste a camisa” e possui interesse em ver a propriedade crescer. Por isso, invista em sua equipe para uma boa gestão agrícola: ela é fundamental!

infográfico sobre gestão de pessoas que envolve motivação, comunicação, trabalho em equipe, conhecimento e competência e treinamento e desenvolvimento.

(Fonte: Soften)

Comercial

Essa é a área dentro da gestão agrícola que responde pelo contato com clientes e distribuidores. É responsável por definir, juntamente com o financeiro, quais os melhores contratos de venda, além de identificar quais as melhores opções de comercialização do produto final.

Essa área deve estar atenta não apenas ao mercado interno, mas ao externo também, acompanhando as oscilações de preços, demanda dos produtos e possíveis contratos de comercialização.

Como melhorar a gestão agrícola?

Fazer a gestão da fazenda fica mais fácil quando os dados estão centralizados e podem ser visualizados de forma simples e rápida. Ferramentas digitais ajudam muito nesse processo.

O Aegro é um software que une a rotina da lavoura à gestão financeira para te oferecer mais controle sobre o processo produtivo. Com ele, você planeja e acompanha a trajetória completa da safra. 

Dados relativos a técnicas de manejo, estoque e contas a pagar ficam centralizados no mesmo sistema. A qualquer momento, você pode gerar análises detalhadas de custo e rentabilidade com base nas informações que inseriu no Aegro.

Outra vantagem do software é que ele está disponível para computadores e celulares. A versão para celular funciona mesmo sem internet, permitindo que você faça lançamentos diretamente do campo.

Conheça as principais funcionalidades do Aegro:

Confira nossa demonstração do Aegro e aproveite todas essas funcionalidades na sua fazenda.

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Conclusão

A gestão agrícola é peça-chave para alcançar altas produtividades.

Mostramos neste artigo o que é a gestão agrícola, sua importância no dia a dia do campo e como ela é necessária em sua empresa rural.

Você pode conferir também informações sobre algumas áreas que a gestão agrícola engloba e como melhorar o gerenciamento da sua fazenda!

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Entenda a biotecnologia na agricultura e confira as novidades que vêm por aí

Biotecnologia na agricultura: o que é, importância no setor, organismos geneticamente modificados e mais!

Plantas mais nutritivas, cultivares mais resistentes ao ataque de pragas… Se tudo isso já é uma realidade no campo, só é possível graças ao avanço da biotecnologia na agricultura.

Ela é uma realidade muito mais próxima do que pode parecer e não para de evoluir na busca de soluções mais sustentáveis para os problemas do campo e desafios alimentares que estão por vir.

Hoje, dezenas de produtos com biotecnologia estão em desenvolvimento e devem ser lançados em breve, como a soja tolerante à seca. Quer entender melhor tudo isso e conhecer as novidades? Confira a seguir!

O que é biotecnologia?

Conceitualmente, o termo biotecnologia consiste na união da biologia com a tecnologia. É um conjunto de técnicas que utiliza organismos no desenvolvimento de produtos ou processos.

Embora muitas vezes se pense que a biotecnologia é uma técnica recente, ela está presente em nosso dia a dia há muito tempo! A biotecnologia surgiu por volta de 1.800 a.C., com a utilização de microrganismos para os processos fermentativos para produção de vinhos, pães, queijos e cervejas.

Com o passar dos anos, essa técnica foi aprimorada e ganhou espaço em diversas áreas como a medicina, a farmácia e a agricultura.

Contudo, o fato mais marcante foi quando pesquisadores descobriram que podiam manipular o material genético dos organismos (DNA).

Mas você deve estar pensando: qual a ligação dessa teoria com a prática?

A biotecnologia veio para revolucionar diversos setores! Com ela, os pesquisadores podem manipular o DNA de uma planta ou de um microrganismo, por exemplo, retirando ou acrescentando alguma característica de importância. De modo geral, essa técnica abrange principalmente o uso do DNA. 

organograma dos principais produtos da biotecnologia

Principais produtos da biotecnologia
(Fonte: Embrapa)

Agora vamos entender a aplicabilidade e importância dessa técnica na agricultura?  

Importância da biotecnologia na agricultura

A biotecnologia na agricultura ganhou lugar de destaque por tornar a produção mais eficaz. Estudos nessa área permitem identificar e selecionar genes de interesse, obtendo características agronômicas desejáveis como tolerância a clima adverso, resistência a doenças e outras necessárias para reduzir perdas e alcançar altas produtividades.

Na prática, a biotecnologia juntamente com a engenharia genética já desenvolveu plantas tolerantes a herbicidas, como é o caso da soja RR e resistentes a insetos, como a tecnologia Bt.

A biotecnologia possibilita a criação de organismos geneticamente modificados (OGMs), ou seja, transferindo genes de uma espécie para outra. Vou explicar melhor:

Organismos geneticamente modificado (OGMs) – transgênicos

Os organismos geneticamente modificados ou transgênicos, como são popularmente conhecidos, são frutos da biotecnologia. Foram criados visando solucionar problemas do dia a dia no campo.

Trazem inúmeros benefícios como maior produtividade, maior qualidade dos produtos e, consequentemente, maior rentabilidade.

Além disso, proporcionam facilidade no manejo de plantas daninhas, pragas e doenças.

Isso se reflete em menos aplicações de herbicidas, inseticidas e fungicidas, auxiliando na preservação do meio ambiente.

O algodão, por exemplo, é uma das culturas que mais necessita de aplicação de produtos químicos. O número de pulverizações é de aproximadamente 20 aplicações por safra.

A utilização da tecnologia Bt facilitou o Manejo Integrado de Pragas (MIP) da lavoura de algodão, diminuindo o número de aplicações de inseticidas.

Estudos realizados na China indicam que essa tecnologia pode reduzir em até 67% a aplicação de inseticida.

Os cultivos transgênicos, quando bem manejados, podem ainda diminuir as perdas no campo.

Vale lembrar que, antes de chegar a você, todos os produtos transgênicos passaram por inúmeros testes, tanto de campo quanto de laboratório, para avaliar eficiência e segurança.

foto de uma espiga de milho vista com uma lupa e identificando sua fórmula - biotecnologia na agricultura

(Fonte: Tecnologia Cultura)

Biossegurança

Após os diversos testes, os produtos transgênicos devem ser aprovados legalmente. A Lei 11.105/05 é a que regulamenta as atividades com biotecnologia em geral, inclusive com plantas transgênicas.

Ela indica que um transgênico deve ser obrigatoriamente testado desde a sua descoberta até liberação como produto comercial.

Todos esses estudos levam em média 10 anos para serem concluídos e visam garantir que o produto é seguro tanto para a produção de alimentos quanto para o meio ambiente.

São inúmeras etapas, bastante criteriosas, ligadas à biossegurança. Depois de analisado e aprovado pela CTNBio (Comissão Técnica Nacional de Biossegurança), é que o produto vai para o mercado. 

organograma complexo com as etapas da biossegurança do CTNBio

(Fonte: CTNBio)

Os membros da CTNBio são pesquisadores especializados, de diversas partes do país. A Comissão avalia os organismos geneticamente modificados detalhadamente, observando as possíveis vantagens e desvantagens, além de impactos à saúde humana, animal, meio ambiente e à agricultura. 

Ao final das análises, um parecer sobre o organismo geneticamente modificado é expedido, indicando se o produto pode ou não ser liberado para comercialização.

Apesar dessas tecnologias auxiliarem muito no manejo, quando utilizadas sem planejamento, podem ser uma desvantagem no campo.

Um exemplo clássico, é a utilização da soja RR, que possibilita a utilização do herbicida glifosato no manejo de plantas daninhas da soja

Com a chegada dessa tecnologia no campo, o produtor começou a utilizar muito esse herbicida em seu manejo, sem utilizar uma rotação de mecanismos de ação. Isso acarretou na seleção de inúmeras plantas daninhas resistentes ao glifosato.

Por isso, o uso das tecnologias deve ser feito de maneira consciente para não selecionar organismos resistentes.

Próximos avanços da biotecnologia na agricultura

Existem muitos outros produtos geneticamente modificados em fase de desenvolvimento ou em fase final para comercialização.

Separei algumas informações sobre o que vem por aí:

Soja tolerante à seca

A CTNBio já aprovou essa tecnologia de soja tolerante à seca, mas o lançamento comercial da característica HB4® no Brasil depende de aprovações dos principais países importadores de grãos de soja.

Além da característica HB4® sozinha, um outro evento combinando HB4® com tolerância ao herbicida glifosato também foi aprovado. Esse processo, juntamente com o registro de variedades, está em andamento. 

Esse novo evento permitirá aos produtores de soja proteger os rendimentos sob condições de estresses climáticos, proporcionando maior estabilidade ao cultivo.

Algodão: WideStrike 3 

A CTNBio também já aprovou essa tecnologia e o lançamento comercial da empresa TMG aconteceu nesse mês de agosto de 2020.

É uma tecnologia que visa proteção contra os insetos. Contém três eventos:

proteínas Cry1Ac e Cry1F e uma proteína inseticida vegetativa (Vip3A) do Bacillus thuringiensis (Bt). 

WideStrike oferece proteção superior durante todo o ciclo da cultura do algodão, protegendo a plantação de uma grande variedade de pragas importantes.

Outras tecnologias

Outras tecnologias vêm sendo desenvolvidas pela Embrapa como: 

  • soja Cultivance resistente a herbicida AHAS;
  • método para a produção de plantas sem sementes;
  • produção de plantas transgênicas que produzem proteínas inseticidas;
  • produção de plantas transgênicas mais tolerantes ao déficit hídrico e estresse salino;
  • métodos para o biocontrole de insetos;
  • método de produzir planta de soja com composição diferenciada de ácidos graxos na semente.

Nesta página da Embrapa você consegue acompanhar essas e outras novidades que estão sendo estudadas e podem ser lançadas em breve!

Conclusão

A biotecnologia é peça-chave na agricultura moderna, sendo forte aliada para altas produtividades.

Mostramos neste artigo o que é a biotecnologia, sua importância na agricultura e como ela está inserida no dia a dia do campo.

Você pôde conferir também informações sobre a biossegurança e novas tecnologias que chegarão em breve ao campo.

>>Leia mais:

O que você precisa saber sobre o melhoramento genético do milho

Tudo o que você precisa saber sobre qualidade de sementes

“Entenda como a biotecnologia no algodão pode melhorar o controle de Spodoptera e Helicoverpa na sua lavoura

Você costuma acompanhar as novidades da biotecnologia na agricultura? Já utilizou algumas nas suas lavouras? Adoraria ver seu comentário abaixo! 

6 dicas para alcançar alta produtividade do feijão

Produtividade do feijão: pré-plantio, escolha da cultivar e outros pontos importantes para ter melhor resultado com a lavoura.

A produção de feijão é essencial para o mercado interno brasileiro, pois forma a base da alimentação nacional.

Mas as flutuações de preço nem sempre agradam o produtor e podem afetar bastante a lucratividade da fazenda. 

Melhorar a produtividade do feijão, portanto, é fundamental para assegurar uma rentabilidade melhor. Para isso, separei algumas dicas que vão te ajudar. Confira a seguir!

1ª dica: escolha da área e rotação de culturas

Para obter alta produtividade do feijão, alguns cuidados são essenciais. E o primeiro deles é a escolha da área.

Dê preferência por áreas com fácil acesso de maquinários, com boa drenagem de solo e sem compactação.

Solos com má drenagem podem favorecer o ataque por fungos de solo, o que poderá se refletir em menores produtividades. Já a compactação pode reduzir consideravelmente o crescimento e desenvolvimento da cultura e, consequentemente, o rendimento dos grãos.

A dica é: realize a rotação de culturas em seu pré-plantio. Isso pode auxiliar na estruturação do seu solo, proporcionando uma melhor drenagem, além de auxiliar ainda no controle de patógenos e pragas.

2ª dica: manejo adequado de plantas daninhas

A cultura do feijão é bastante sensível à competição. Por isso, como em outras culturas de interesse agronômico, o estabelecimento deve ocorrer no limpo.

foto de Emergência de plântulas de feijão

Emergência de plântulas de feijão

Estudos indicam que, nos primeiros 30 dias após a emergência das plântulas de feijão, deve haver ausência de plantas daninhas, evitando, assim, perdas consideráveis de produtividade.

Além disso, lembre-se que o manejo das daninhas durante todo ciclo é fundamental!

Aqui no Blog do Aegro já falamos especificamente sobre isso. Confira: “Plantas daninhas em feijão: principais espécies, manejo e combate”.

3ª dica: adubação ideal

A recomendação de adubação com macro e micronutrientes acontece em função da análise de solo.

De modo geral, a adubação pode ocorrer em diferentes momentos para suprir as necessidades da cultura.

Estudos realizados pela Embrapa indicam que a quantidade de adubação necessária depende de diversos fatores como: época de plantio, cultura anterior, histórico da área e da produtividade esperada. Por isso, a adubação da sua lavoura de feijão irá depender da realidade da propriedade.

Nitrogênio e o fósforo são considerados os nutrientes essenciais para a cultura e limitantes na produtividade.

Uma adubação realizada de modo planejado irá trazer menores custos e maior produtividade do feijão.

Leia mais sobre o assunto neste artigo do Blog: “Conheça as melhores práticas de adubo para feijão”. 

4ª dica: inoculação e tratamento de sementes para melhorar a produtividade do feijão

Inoculação

A inoculação pode ser uma ótima alternativa para aumentar a produtividade do feijão.

De acordo com pesquisa realizada na Universidade de São Paulo, a inoculação com bactérias fixadoras de nitrogênio pode diminuir em 75% a utilização de fertilizantes nitrogenados por hectare.

O estudo realizou a comparação da adubação tradicional para a cultura do feijão (com fertilizantes nitrogenados) com a inoculação de Azospirillum brasilense e Rhizobium tropici.

Verificando que a inoculação na semente ou no sulco com Azospirillum brasilense e/ou Rhizobium tropici substitui a aplicação de nitrogênio em cobertura (60 kg ha-1), além de favorecer a nodulação e o rendimento da cultura.

A utilização da inoculação pode diminuir os custos de produção em até 12%, sendo uma ótima opção de manejo, diminuindo custos e promovendo alta produtividade e maior rentabilidade!

foto de um homem de camisa azul mostrando duas mudas de feijão com inoculação

(Fonte: Embrapa)

Leia mais sobre o assunto no artigo: “inoculante para feijão caupi: por que e como utilizar”.

Tratamento de sementes

O tratamento de sementes é uma excelente técnica para garantir o estabelecimento adequado do estande de plantas.

Tem como função proteger a semente contra o ataque de doenças e pragas e pode ser mais uma estratégia no manejo para garantir altas produtividades.

Para saber qual a melhor opção de tratamento de sementes em sua propriedade, procure um engenheiro agrônomo. 

5ª dica: cultivares e espaçamento adequados

Cultivares

A escolha da cultivar é de grande importância para o sucesso da lavoura.

Opte por sementes certificadas, com alto potencial produtivo e tolerantes a pragas e doenças.

Não esqueça de observar se a cultivar escolhida tem boa adaptabilidade para sua região.

E, antes de iniciar a sua semeadura, realize um teste de emergência em um canteiro da fazenda.

Separei algumas opções de cultivares disponíveis no mercado:

Cultivares do grupo preto

BRS FP 403

IPR Gralha

BRS Esteio

BRS Esplendor

Cultivares do grupo carioca

BRS FC 104

IPR Campos Gerais

BRS FC 401

BRS Estilo

Cultivares com grãos especiais

BRS Ártico

BRS Embaixador 

Para mais opções, confira o portfólio das empresas. 

Espaçamento

O espaçamento ideal é aquele em que a planta pode expressar melhor suas características. 

Para o plantio de feijão, diversos autores dividem o espaçamento em função do seu hábito de crescimento.

  • tipo 1: crescimento determinado
  • o tipo 2: crescimento indeterminado arbustivo 
  • e tipo 3: crescimento  indeterminado prostrado 

Separei algumas opções de espaçamento geralmente indicados:

Tabela com Faixa usual de espaçamento entrelinhas em função do hábito de crescimento da planta

Faixa usual de espaçamento entrelinhas em função do hábito de crescimento da planta
(Fonte: Unesp)

Já o espaçamento entre covas pode variar de 10 cm a 30 cm.

Alguns autores indicam que a redução do número de sementes/cova pode aumentar o rendimento da cultura.

6ª dica: manejo adequado

Para o sucesso de sua lavoura, o manejo adequado é fundamental.

Por isso, realize o planejamento na pré-safra, elencando os possíveis problemas que você pode encontrar durante o ciclo, inclusive na colheita.

Faça um planejamento para monitoramento durante todo o ciclo da cultura.

Observe quais as principais pragas e doenças que podem atacar seu cultivo e como realizar o controle. Isso irá facilitar muito na tomada de decisão!

Dica extra: baixe esse checklist gratuito para realizar um bom planejamento agrícola!

Conclusão

Alguns cuidados são fundamentais para alcançar uma melhor produtividade do feijão.

Neste artigo você conferiu algumas dicas que vão auxiliar durante a produção da cultura: os cuidados pré-safra, manejo de plantas daninhas, adubação e inoculação.

Você também conferiu as recomendações para espaçamento adequado e as diferentes cultivares para os grupos de feijão preto, carioca e grãos especiais.

Espero que com essas informações você consiga realizar uma boa safra e alcançar alta produtividade na lavoura. 

>> Leia mais:

Previsão para o preço do feijão: saiba quais são as expectativas

Manejos essenciais em cada um dos estádios fenológicos do feijão

Como você tem se programado para a próxima safra? Quais dicas daqui vão te ajudar a melhorar a produtividade do feijão? Adoraria ver seu comentário abaixo!

Como evitar e combater a mela do algodoeiro em sua lavoura

Mela do algodoeiro: principais sintomas da doença, manejos preventivos e outras recomendações de controle para sua lavoura.

A lavoura de algodão pode sofrer com diversas doenças fúngicas. Uma delas é a mela do algodoeiro que vem causando muita dor de cabeça e perdas de produtividade em todo o país.

Por ser uma doença relativamente nova no Brasil, não existem muitas informações sobre o manejo. Por isso, o mais importante é prevenir sua entrada na lavoura. 

Acompanhe neste artigo as recomendações mais atualizadas para evitar, identificar e, se necessário, controlar a doença na sua propriedade!

O que é a mela do algodoeiro?

A mela do algodoeiro é uma doença ocasionada pelo agente causal Rhizoctonia solani Kuhn, grupo de anastomose AG4 (teleomorfo: Thanatephorus cucumeris (A.B. Frank) Donk).

É um patógeno de solo capaz de infectar a cultura do algodão logo em sua fase inicial de desenvolvimento e apresenta difícil controle por produzir escleródios (estrutura de sobrevivência do fungo) no solo.

Na prática, a ocorrência da mela do algodoeiro representa menor rentabilidade ao produtor, pois reduz a população de plantas no campo, sendo necessária, muitas vezes, a ressemeadura.

A presença do fungo é favorecida principalmente pelo monocultivo do algodão, juntamente com o preparo intensivo do solo.

Casos de encharcamento e alagamento de solo podem contribuir fortemente para o aumento do patógeno, se você utilizar sementes com baixo vigor e realizar a semeadura do algodoeiro fora da época.

A dica é evitar épocas muito chuvosas para o plantio, pois esse patógeno se adapta bem a ambientes úmidos (em média 80% de Umidade Relativa) e temperatura entre 25℃ a 30℃.

O primeiro relato da doença foi na safra 2004/05 no Mato Grosso. Desde então, já foi detectada em diversos estados produtores de algodão como Mato Grosso do Sul e Bahia.

ciclo fisiológico das doenças do algodoeiro

Mela do algodoeiro é uma das doenças iniciais da cultura do algodão
(Fonte: Luiz Chitarra/Embrapa em Congresso do Algodão)

Sintomas da doença no algodoeiro

Para identificar a mela do algodoeiro na lavoura, fique atento aos sintomas iniciais: lesões, com aspecto oleoso, nas bordas dos cotilédones.

Conforme o desenvolvimento da doença, podem ser observados o encharcamento (anasarca) e a destruição total dos cotilédones, levando a plântula à morte.

Plântulas de algodoeiro com sintomas de mela

Plântulas de algodoeiro com sintomas de mela 
(Fonte: Goulart e colaboradores)

Atenção para não confundir os sintomas da mela do algodoeiro com outras doenças, como a causada pelo R. solani AG4, popularmente conhecida como “tombamento”. Seus sintomas, no caso, são formações de lesões no colo e nas raízes das plântulas de algodão, que podem ser confundidos com a mela.

Como evitar a mela do algodoeiro

A cultura do algodoeiro demanda muitos cuidados para alcançar altas produtividades. Um deles é o manejo preventivo de doenças fúngicas.

O primeiro passo é justamente evitar a entrada e a proliferação de fungos na lavoura. Para isso, realize um bom planejamento dos processos da fazenda e tome atitudes bastante simples, mas eficazes, como manejo preventivo.

Veja alguns cuidados que devem ser levados em consideração:

  • realize a limpeza frequente de máquinas e implementos agrícolas;
  • utilize sementes certificadas e de alto vigor;
  • realize teste de qualidade de água (caso utilize irrigação);
  • faça o tratamento de sementes;
  • realize a rotação de culturas (utilize gramíneas que reduzam a infestação de R. Solani);
  • mantenha o solo com adubação equilibrada;
  • escolha a época de plantio (evite períodos chuvosos);
  • realize o manejo integrado de doenças;
  • elimine plantas hospedeiras;
  • realize frequentemente análises de solo em sua lavoura.

Quando o assunto é fungos, é melhor pecar pelo excesso de manejos preventivos do que pela falta!

Situação ideal de desenvolvimento da mela do algodoeiro

Situação ideal de desenvolvimento da mela do algodoeiro; doença é altamente favorecida pelo clima chuvoso na fase inicial da cultura
(Fonte: Cultivar)

Mas, e quando a lavoura já está afetada pela doença, o que fazer? Vou explicar melhor a seguir:

Formas de controle

Para o controle da mela do algodoeiro, a utilização de tratamento de sementes com fungicidas vem como um forte aliado, principalmente pela doença se manifestar nas fases iniciais de desenvolvimento.

Estudos realizados pela Embrapa Algodão, indicam que o tratamento químico com Dynasty + Cruiser proporcionaram menor número de plântulas afetadas pelo fungo. Além disso, os resultados são potencializados com a aplicação de fungicidas preventivos nos estádios iniciais da cultura.  

Estudos também indicam ótimos resultados de emergência de plântulas para sementes tratadas com tolylfluanid + pencycuron + triadimenol.

Outra opção de manejo seria a adição de fungicida PCNB (pentachloronitrobenzene), na dose de 500g/100kg de sementes às misturas padrões (fludioxonil + mefenoxan + azoxistrobina, carbendazim + tirame + pencycuron + triadimenol e carboxina + thiram), que já eram utilizados no controle do tombamento.

Contudo, antes de escolher seu tratamento de sementes, observe quais os principais problemas da sua lavoura.

Caso sua área esteja infestada com o patógeno, opte pela combinação: tratamento de sementes+aplicação foliar logo após a emergência+rotação de cultura

Sobre qual produto utilizar para aplicação foliar no manejo da mela do algodoeiro, consulte um(a) engenheiro(a) agrônomo(a)! Além disso, sempre realize o monitoramento em sua propriedade.

O manejo imediato da mela do algodoeiro irá evitar perdas consideráveis de produtividade e, principalmente, que o fungo se espalhe por todos os talhões da propriedade.

Aproveite e baixe aqui uma planilha grátis para calcular sua produtividade de algodão!

Conclusão

A mela do algodoeiro é uma doença com relatos recentes e que vem causando problemas em diversas regiões do país.

Neste artigo, você viu como reconhecê-la no campo e os cuidados para evitar a contaminação de fungos na lavoura. Também conheceu as recomendações de manejos para controle da doença.

Espero que essas informações possam auxiliar seu dia a dia no campo e no planejamento preventivo da mela na sua propriedade!

>> Leia mais:

As 6 mais importantes dicas para a colheita do algodão

Como fazer o manejo integrado do bicudo-do-algodoeiro

Você tem problemas com a mela do algodoeiro em sua lavoura? Quais medidas de prevenção utiliza para evitar essa doença? Adoraria ver seu comentário abaixo! 

Tratamento de sementes: on farm ou industrial

Tratamento de sementes: o que é, qual é a importância, como é feito, produtos utilizados e muito mais.

As sementes são um veículo de disseminação de patógenos causadores de doenças de grande relevância econômica. 

Sabendo disso, o tratamento de sementes é uma ferramenta indispensável para a produção agrícola. Essa prática assegura a sanidade das sementes e viabiliza a produção em larga escala de diferentes culturas. 

Confira a seguir um pouco mais sobre essa ferramenta agrícola e como realizá-la. Boa leitura! 

O que é o tratamento de sementes?

O tratamento de sementes é uma prática agrícola utilizada no controle de pragas e doenças na fase inicial de desenvolvimento das plantas. 

Trata-se de uma medida bastante eficiente, de caráter preventivo e de baixo custo. 

Essa prática compreende a aplicação de produtos químicos ou biológicos, inoculantes, micronutrientes, bioestimuladores e polímeros nas sementes. 

O objetivo é proteger as sementes contra o ataque de pragas e microrganismos durante o intervalo entre a semeadura e a germinação. Além disso, esse tratamento tem importante papel no manejo de pragas de armazenamento.

Essa estratégia de manejo vem sendo amplamente utilizada nas principais culturas. No Brasil, quase a totalidade das sementes de soja e de milho plantadas são tratadas, principalmente, com fungicidas e inseticidas.

Importância do tratamento de sementes

O tratamento de sementes é uma prática que garante o estabelecimento da população ideal de plantas e favorece o desenvolvimento inicial da lavoura.

A germinação das sementes atrasa quando as condições de semeadura não são favoráveis. Com o atraso desse processo, as sementes ficam expostas por mais tempo ao ataque de patógenos habitantes do solo, como os fungos Fusarium spp. e Rhizoctonia solani.

Dessa forma, o tratamento de sementes é indispensável no manejo integrado de pragas e doenças. Do ponto de vista ambiental, o tratamento apresenta baixo impacto quando comparado ao controle de pragas e doenças realizado via pulverizações foliares. 

No entanto, além dessa medida, é preciso se atentar a outras práticas de manejo, como o preparo do solo, a época adequada de semeadura, a profundidade de plantio e o vigor das sementes para assegurar o sucesso do plantio.

Essa prática impede a disseminação de fitopatógenos para áreas não infestadas. 

Produtos utilizados no tratamento de sementes

Estes são os produtos utilizados no tratamento de sementes:

● inseticidas;

● fungicidas;

● nematicidas;

inoculantes;

● micronutrientes;

● bioestimuladores;

● polímeros.

No tratamento das sementes, sempre utilize produtos com registro no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) para a cultura.

Composição do tratamento de sementes
Composição do tratamento
(Fonte: CIMMYT em AZ Agronômico)

Como tratar as sementes

Esse tratamento pode ser realizado de duas maneiras: na propriedade, também conhecido como “on farm” (na fazenda); ou de forma industrial (TSI -Tratamento de Semente Industrial).

Abaixo vou explicar melhor sobre cada um desses métodos, confira!

Tratamento de sementes on farm

O tratamento de sementes on farm é realizado na fazenda e apresenta baixo custo quando comparado ao método industrial.

Outra vantagem desse tipo de tratamento é o curto período de exposição das sementes aos produtos químicos. 

Apesar disso, tratar sementes on farm pode apresentar riscos.

Por isso, é importante seguir as normas de segurança e utilizar os equipamentos de proteção individual (EPI). Durante o tratamento das sementes, o local deve estar limpo e arejado. Também é preciso respeitar a dosagem e o modo de aplicação dos produtos. 

Essas medidas evitam a contaminação do meio ambiente, garantem a eficiência do tratamento e reduzem os riscos de contaminação do trabalhador.

Depois de tratadas, não é recomendado que as sementes sejam armazenadas. É importante que elas sejam semeadas o quanto antes. 

No caso da necessidade de realizar a inoculação das sementes, o indicado é que primeiro seja feito o tratamento químico e, então, a inoculação. Essa medida evita que as bactérias inoculadoras tenham o desenvolvimento prejudicado.

Assim, a inoculação só ocorre depois que as sementes estiverem secas.

Em sementes de soja, o tratamento com defensivos químicos, a aplicação de micronutrientes e a inoculação são operações que podem ser feitas de maneira sequenciada.

Sementes de soja tratadas na fazenda
Sementes de soja tratadas na fazenda
(Fonte: Portal do Agronegócio)

Tratamento de sementes industrial (TSI)

O tratamento de sementes industrial envolve alta tecnologia e tem como principal vantagem a eficiência do processo. 

De maneira automatizada, os produtos são distribuídos na dosagem correta e de maneira uniforme, cobrindo toda a superfície das sementes. Isso garante maior precisão do tratamento.

Além disso, o tratamento industrial reduz os danos mecânicos às sementes. 

Trata-se de um método que garante maior segurança e comodidade para o produtor rural. Além de apresentar baixo impacto ambiental.

Do ponto de vista da segurança operacional, o tratamento industrial apresenta vantagem quanto ao método on farm. Isso porque o tratamento de sementes industrial reduz os riscos de intoxicação dos trabalhadores. Porém, apresenta custo mais elevado.

Outra desvantagem diz respeito ao maior tempo de exposição das sementes aos produtos químicos. Nesse caso, as sementes são tratadas e, depois, armazenadas. Assim, se o tempo de armazenamento for prolongado, a viabilidade das sementes pode ser comprometida. 

Por fim, em nenhuma hipótese utilize sementes tratadas para o consumo animal ou humano.

Entenda a biotecnologia na agricultura e confira as novidades que vêm por aí

planilha de planejamento para milho e soja

Conclusão

As sementes estão sujeitas ao ataque de fungos, bactérias, nematóides, vírus e diferentes pragas. Além disso, elas são veículo de disseminação desses patógenos. 

Dessa forma, tratar sementes é uma ferramenta preventiva e que tem o objetivo de proteger as sementes do ataque de pragas e microrganismos. Essa medida também evita que novas áreas sejam infestadas.

O tratamento de sementes pode ser feito on farm, ou seja, na propriedade, ou de forma industrial. Alguns produtos utilizados são fungicidas, inseticidas, nematicidas, polímeros e inoculantes.

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Atualizado em 06 de julho de 2023 por Tatiza Barcellos.

Tatiza é engenheira-agrônoma e mestra em agronomia, com ênfase em produção vegetal, pela Universidade Federal de Goiás.

Veja como identificar as principais pragas do feijão

Pragas do feijão: saiba como identificar as principais pragas dessa cultura e em quais estádios causam maiores problemas. 

Além de realizar um bom planejamento, um bom gestor de fazenda deve estar preparado para solucionar questões sob pressão.

O manejo de pragas, por exemplo, é uma tarefa que tira o sono de muitos agricultores pois exige que sua recomendação seja rápida e precisa para minimizar ao máximo os danos à cultura. 

No caso do feijão, as pragas podem variar dependendo do local em que a cultura está sendo produzida.

Para te ajudar nesta tarefa, separei informações importantes das principais pragas do feijão que atacam em diversas regiões de nosso país.

Estádio fenológico do feijão 

O primeiro passo para realizar um bom manejo de pragas é saber identificar em qual estádio fenológico a cultura do feijoeiro estará mais suscetível ao ataque de uma praga. Assim, você e seu engenheiro agrônomo podem posicionar o produto certo no momento certo. 

Para facilitar, dividi as pragas de acordo com os estádios de desenvolvimento da planta de feijoeiro.

Contudo, antes de iniciar, vamos relembrar as fases dos estádios fenológicos?!

  • Vo: Germinação;
  • V1: Emergência;
  • V2: Folhas primárias;
  • V3: Primeira folha composta aberta;
  • V4: Terceira folha trifoliolada aberta;
  • R5: Pré-floração;
  • R6: Floração;
  • R7: Formação de vagens;
  • R8: Enchimento das vagens;
  • R9: Maturação.

A seguir, conheça as pragas que afetam as fases iniciais, pragas desfolhadoras, pragas sugadoras e raspadoras, pragas das hastes e axilas e pragas das vagens.

Pragas do feijão de fases iniciais

Essas pragas, geralmente, afetam as sementes, raízes e plântulas do feijão, podendo ser encontradas na cultura de Vo a V3. Elas influenciam consideravelmente na germinação das sementes e no estabelecimento do estande adequado.

Ainda são responsáveis pelas falhas de emergência nas linhas de plantio, dando aquela dor de cabeça ao produtor após a semeadura. Separei algumas dessas pragas do feijão que podemos encontrar nas fases iniciais de desenvolvimento:

Lagarta-rosca (Agrotis ipsilon)

A espécie mais comum nas lavouras de feijão é a Agrotis ipsilon que ataca as sementes no sulco de plantio e plântulas recém-emergidas.

Por atacar a cultura em seu crescimento inicial, os danos causados pela lagarta-rosca muitas vezes são irreparáveis.

pragas do feijão

Lagarta-rosca
(Fonte: Agrolink)

Lagarta-elasmo (Elasmopalpus lignosellus)

Esse tipo de lagarta costuma atacar o caule das plântulas, normalmente próximo ao colo. Em alguns casos, essa espécie também costuma atacar sementes e raízes. Quando não manejada a tempo, pode ocasionar enfraquecimento das plântulas e levá-las à morte.

As lagartas do tipo elasmo costumam atacar em épocas de seca, por isso, fique de olho!

Larva-alfinete (Diabrotica speciosa)

A larva-alfinete ataca raízes e sementes e, além disso, é possível observar perfurações nas folhas cotiledonares. Na prática, as raízes não absorvem bem água e nutrientes, deixando a planta debilitada.

Para evitar a presença dessas e outras pragas do feijão semelhantes em sua lavoura, utilize sementes de qualidade, variedades resistentes e um bom tratamento. E não deixe de lado o Manejo Integrado de Pragas (MIP).

Pragas do feijão: desfolhadoras

Essas pragas podem ser encontradas na cultura logo após a sua fase inicial, quando a planta apresenta folhas primárias até o enchimento de grãos, ou seja, de V2 a R8. Desta forma, podem ocasionar perdas significativas na produtividade caso não controladas.

Vaquinha (Diabrotica speciosa, Cerotoma arcuata)

Essa é uma das pragas mais problemática para a cultura,  pois ocasiona grande desfolha, prejudica a área fotossintética e influencia no crescimento do feijoeiro. Na prática, podemos observar danos mais significativos quando a planta apresenta suas folhas primárias.

Após esse estádio, o dano é menor, pois a cultura consegue tolerar a perda de até 30% das folhas. Caso não controlada no momento certo, pode refletir em grande prejuízo ao produtor rural.

Lagarta-falsa-medideira (Chrysodeixis includens)

Essa praga do feijão também pode influenciar consideravelmente na produtividade da cultura.

Apesar de não consumir as nervuras das folhas, também apresenta desfolha e é possível diferenciá-la por seus aspectos rendilhados em toda folha.

pragas do feijão

Lagarta-falsa-medideira
(Fonte: Grupo Cultivar)

Para o controle das pragas desfolhadoras, o ideal é que se faça monitoramento. 

Sendo assim, as amostragens devem ser semanais e é importante avaliar não somente as plantas, mas também o solo ao redor. 

O controle químico certamente é o que lhe veio à cabeça, certo? Mas que tal levar em consideração o controle biológico, físico e cultural? Eles podem ser uma ótima saída para evitar a resistência.

Pragas do feijão: sugadoras e raspadoras

Essas pragas também podem ser encontradas na cultura logo após a sua fase inicial.  Cada espécie pode aparecer em um momento, por exemplo, a cigarrinha-verde (Empoasca kraemeri) pode ser encontrada após o surgimento das folhas primárias até a pré-folhação, ou seja, de V2 a R5.

Já o ácaro-branco (Polyphagotarsonemus latus) pode ser observado logo após a primeira folha composta aberta até o enchimento de grãos, ou seja, de V3 a R8. Por isso, é importante sempre realizar a amostragem na cultura em cada estádio fenológico.

Diferente das pragas desfolhadoras, as pragas sugadoras e raspadoras se alimentam da sucção de seiva das plantas. Além das já citadas, separei alguns exemplos para você:

Mosca-branca (Bemisia tabaci)

A mosca-branca, encontrada entre os estádios V1 a R5, ataca a planta sugando a seiva, porém esse dano é considerado pouco expressivo.

Sendo que a maior problemática dessa praga do feijão é a transmissão do vírus do mosaico dourado do feijoeiro e do vírus do mosqueado suave do caupi, que podem ocasionar perdas consideráveis na produtividade.

Ácaro-rajado (Tetranhychus urticae)

Essa praga é de fácil identificação! É comum o aparecimento de pontos brancos na face superior das folhas e em seguida são observadas necrose.

O ácaro-rajado escarifica o tecido da planta e na sequência se alimenta dessa seiva.

Caso não controlado no momento correto pode ocasionar danos consideráveis de rentabilidade.

pragas do feijão

Ácaro-rajado
(Fonte: Agrolink)

Minha dica é utilização de armadilhas atraentes, elas podem auxiliar tanto no monitoramento quanto no controle das pragas.

Mas sempre consulte um(a) agrônomo(a)!

Pragas do feijão: hastes e axilas

Essas pragas podem ser encontradas na cultura quando a planta apresenta a terceira folha trifoliolada aberta até o enchimento de grãos. Como as demais, quando não manejada pode refletir em perdas na produtividade.

Broca-das-axilas (Crocidosema aporema)

Essa praga normalmente ataca pelo ponteiro das plantas do feijoeiro, na sequência as larvas penetram no caule. As plantas atacadas podem apresentar desenvolvimento anormal ou, em casos mais severos, levar à morte da cultura.

Tamanduá-da-soja ou bicudo-da-soja (Sternechus subsignatus)

Apesar do nome popular ligado à cultura da soja, essa praga também ataca o feijoeiro, principalmente os pecíolos e a haste principal.

Já suas larvas conseguem se desenvolver dentro das hastes, levando a quebra ou a morte das plantas do feijoeiro. Caso opte pelo controle químico das pragas das hastes e axilas, faça a rotação dos mecanismos de ação de seus inseticidas.

Pragas do feijão: vagens

Essas pragas podem ser encontradas na cultura logo após a pré-floração até a maturação dos grãos. As vagens ocasionam perdas consideráveis nos grãos de feijão, influenciando na qualidade do produto final.

Lagarta-das-vagens (Spodoptera eridania, S. cosmioides, Thecla jebus, Maruca testulalis e Etiella zinckenella)

Essa praga, como o próprio nome sugere, ataca as vagens e os grãos afetando sua formação e desenvolvimento. A lagarta perfura as vagens e deprecia seus grãos e pode ser facilmente reconhecida!

Lagarta-helicoverpa (Helicoverpa armigera)

Conhecida por inúmeros agricultores, a Helicoverpa já trouxe dor de cabeça para muitos produtores! Por se alimentar dos órgãos vegetativos e reprodutivos da planta, danifica flores, vagens e grãos.

Para o manejo adequado, realize o planejamento! Essa praga do feijão possui um tempo para cada geração que é de aproximadamente 30 dias, por isso, estabeleça janelas de aplicação com aproximadamente 30 dias de duração.

>> Leia mais: Conheça as melhores práticas de adubo para feijão

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Conclusão

Após todo o esforço com sua lavoura, você não pode perder tudo por conta da presença de pragas na cultura.

Neste artigo, você viu as principais pragas do feijão e em que estádio fenológico podem afetar sua lavoura. 

Assim, você pode realizar um planejamento pré-safra eficiente e evitar gastos desnecessários no futuro.

>> Leia Mais:

Inoculante para feijão caupi: Por que e como usar

Plantas daninhas em feijão: principais espécies, manejo e combate

Você tem problemas com pragas do feijão na sua lavoura? Quais medidas de prevenção realiza para evitar essas pragas?

Fungos de solo: veja as principais causas e como evitá-los

Fungos de solo: entenda o que são, veja as características dos principais tipos, as causas e como evitá-los.

A presença de fungos de solo patogênicos, frequentemente, causam muita dor de cabeça ao produtor rural.

Isso porque trazem prejuízo à lavoura, reduzindo consideravelmente a produtividade.

Por isso, é fundamental evitar a entrada de patógenos em sua propriedade e realizar um manejo adequado quando já estão presentes.

Nesse artigo, separamos algumas informações que podem te auxiliar muito na prevenção de fungos de solo. Confira!

O que são fungos de solo?

Os fungos são habitantes naturais do solo, onde podem atuar de forma benéfica ou não ao cultivo, dependendo de sua espécie.

Alguns fungos são responsáveis pela decomposição de matéria orgânica, pelo maior desenvolvimento das culturas e pelo aumento da produtividade. Estes podem estar naturalmente presentes na área ou serem incorporados via inoculação (superfície do solo).

Contudo, outras espécies podem ocasionar diversos tipos de injúrias nas culturas agrícolas, podendo reduzir a produtividade ou até mesmo matar as plantas, como é o caso do Fusarium sp. e da Scleriotinia sclerotiorum – agentes causais da podridão da raiz e do mofo branco.

Estes fungos considerados patógenos para as plantas, normalmente sobrevivem em resíduos de culturas ou em plantas hospedeiras. Mas se na área não existirem locais para abrigo, os fungos podem ser encontrados livres no solo devido à sua alta capacidade de sobrevivência

Por esse motivo os fungos de solo fitopatogênicos, uma vez introduzidos em uma lavoura, acabam gerando diversos problemas ao produtor rural.

Abaixo vou mostrar os principais fungos de solo que podem ser encontrados em sua lavoura. Acompanhe!

Conheça os principais fungos de solo

Separei para você apenas alguns dos principais fungos de solo que afetam as culturas de interesse agronômico como soja, milho, feijão e trigo

Observe as características e identifique o fungo em sua lavoura para realizar o manejo e controle adequado da doença.

Macrophomina phaseolina (podridão da raiz)

Este patógeno é capaz de infectar as culturas nos diferentes estádios de crescimento das plantas e apresenta difícil controle por produzir microescleródios (estrutura de sobrevivência do fungo) no solo.

Na prática, é capaz de ocasionar menor rentabilidade, pois além de induzir a maturação precoce, pode reduzir o estande da cultura no campo e em casos mais extremos levar à morte das plantas.

Para identificar essa doença, você pode ter um pouco de dificuldade nos estádios iniciais de infecção do patógeno, pois não apresenta sintomas visíveis.

Conforme o desenvolvimento da cultura é possível identificar alguns sintomas, que são baseados na coloração preta e empoeirada do fungo, podendo ser observada em tecidos vasculares e radiculares.

fungos de solo

Sintomas da podridão do colmo ocasionada pela Macrophomina phaseolina em milho
(Fonte: Embrapa, foto de Nicésio F. F. A. Pinto)

Fusarium sp. (podridão radicular e murcha)

Este patógeno é capaz de infectar plantas em diferentes estádios de desenvolvimento e apresenta manejo por produzir clamidósporos (estruturas de resistência), que permanecem presentes no solo por várias estações.

Na prática, é capaz de ocasionar perdas consideráveis na produção, podendo gerar baixa estatura levar à morte de plantas.

Para você identificar essa doença, fique atento à descoloração vascular e foliar, ao amarelecimento das folhas mais velhas e, principalmente, à murcha da cultura.

fungos de solo

Fusarium solani f. sp. phaseoli (podridão radicular seca) em feijoeiro
(Fonte: Embrapa)

Scleriotinia sclerotiorum (mofo branco)

Este fungo é capaz de infectar plantas de mais de 400 espécies, principalmente caule, folhas e flores por conta de sua estrutura de sobrevivência (na forma de escleródios).

Mas fique atento: as sementes são as principais fontes de inóculo!

Já a fase de maior vulnerabilidade é na floração e na formação de vagens.

Esse patógeno, como os já mostrados aqui, também influenciam diretamente a produtividade da cultura podendo levá-la à morte.

Como sintoma, você pode observar a presença de murcha e seca da planta. Também leve em consideração a presença de lesões encharcadas nas folhas (ou em outro tecido na parte aérea da planta) e, principalmente, de micélios (sua forma física lembra um algodão).

Scleriotinia sclerotiorum

Sintomas Scleriotinia sclerotiorum
(Fonte: Revista Cultivar)

Para evitar que esses e outros fungos de solo entrem em sua lavoura, separei para você quais as causas desses fungos e como evitá-los. Confira!

Fungos de solo: principais causas e como evitá-los

Os fungos que são considerados patógenos para as plantas, muitas vezes aparecem na lavoura por um pequeno descuido.

Dentre as principais causas para a entrada dos fungos de solo podemos citar a entrada na lavoura de máquinas e implementos agrícolas sujos com solos contaminados, uso de sementes não certificadas e, até mesmo, irrigação realizada com água de má qualidade.

Para evitar a entrada e a proliferação dos fungos de solo são fundamentais alguns cuidados durante o planejamento do manejo.

Por isso, realize o planejamento de sua lavoura com o devido cuidado!

E não esqueça: o sucesso no controle de qualquer doença ocasionada por fungos de solo está diretamente relacionado ao momento em que o manejo é iniciado.

Veja alguns cuidados que devem ser levados em consideração:

  • Realize a limpeza de seus maquinários e implementos frequentemente;
  • Utilize sementes certificadas;
  • Realize o tratamento de sementes;
  • Quando possível, opte por cultivares resistentes a doenças fúngicas;
  • Realize a rotação de culturas;
  • Mantenha o solo com adubação equilibrada;
  • Escolha da época de plantio;
  • Realize o manejo integrado de doenças;
  • Elimine plantas hospedeiras;
  • Realize frequentemente análises de solo em sua lavoura.

Além disso, o monitoramento de sua propriedade é fundamental, pois o manejo imediato pode fazer toda a diferença para evitar que o fungo se espalhe por todos os talhões.

E sempre que surgir qualquer dúvida sobre qual fungicida utilizar naquele momento, consulte um(a) engenheiro(a) agrônomo(a)!

Conclusão

Após todo o esforço com sua lavoura, você não pode perder tudo pela presença de um fungo de solo.

Neste artigo, vimos o que são fungos de solo, quais os principais e como reconhecê-los.

Falamos também sobre as principais causas de contaminações por fungos patogênicos e como podemos evitá-los com um bom planejamento.

Espero que essas informações possam auxiliar em seu dia a dia no campo. 

>> Leia Mais: 

“Tudo sobre tombamento da soja e como fazer o melhor manejo”

“Como identificar e manejar a podridão radicular em soja”

Você tem problemas com fungos de solo na sua lavoura? Quais medidas de prevenção utiliza para evitar essas doenças? Adoraria ver seu comentário abaixo!

Secagem do arroz: tudo sobre esse processo

Secagem do arroz: Veja a umidade ideal para a colheita, qual secador utilizar e como realizar o processo de secagem para melhor produtividade.

Sabemos de todos os cuidados que o produtor rural precisa ter desde o plantio de sua safra e sua busca constante por aprimoramento para melhorar a produtividade da sua lavoura de arroz

E na hora dos processos de pós-colheita não é diferente.

A armazenagem dos grãos tem um papel importante na produtividade e, uma das etapas mais importantes nesse processo, é a secagem dos grãos de arroz. Confira!

Qual o teor de umidade ideal para a colheita?

Para uma boa colheita de arroz, o produtor deve acompanhar o ponto de maturidade fisiológica, que está principalmente ligado ao teor de umidade nos grãos.

Na prática o produtor pode se basear na coloração da casca do arroz, sendo o ponto ideal quando dois terços dos grãos da panícula apresentarem cascas (glumelas) com coloração amarelo dourado.

Além disso, é possível apertar os grãos e sentir sua textura: caso o grão fique amassado ele é considerado imaturo, já se o grão quebrar provavelmente estará no ponto de colheita.

Como o teor de umidade tem influência direta sobre a qualidade industrial dos grãos, é fundamental aferir a umidade constantemente. 

Sendo assim, o ideal é que a colheita seja realizada na faixa de 18% a 23% de umidade.

Além disso, o produtor deve acompanhar a previsão do tempo para evitar que os grãos fiquem expostos no campo a condições adversas como alta umidade relativa do ar, presença de orvalho e alternância entre chuvas e dias quentes.

Caso os grãos sejam colhidos acima da faixa ideal de umidade, ocorrerá maior presença de grãos imaturos e mal formados na colheita, aumentando o índice de quebra durante o beneficiamento do arroz.

Já se o arroz for colhido com umidade abaixo da faixa ideal, especialmente se for menor de 15%, ocorrerá maior incidência de perdas pelo desprendimento natural dos grãos e dano mecânico na colheita, o que diminuirá sua qualidade.

Como é feita a secagem do arroz?

Para que estejam adequados para o armazenamento, os grãos devem ter a sua umidade reduzida para uma faixa de 12% a 13%, o que é fundamental para a preservação de sua qualidade e para evitar o crescimento de fungos.

Esse processo de secagem pode ser realizado de duas maneiras: secagem artificial e secagem natural.

A secagem natural é um processo bastante simples, que consiste na utilização da radiação solar e temperatura do ar ambiente para redução do teor de água dos grãos.

Na prática, os grãos são espalhados sobre uma superfície de lona, cimento ou asfalto e revolvidos constantemente para facilitar a perda de umidade.

Esse método tem baixo custo e é bastante utilizado por produtores que não possuem orçamento para realizar a secagem artificial.

Contudo, vale lembrar que esse método depende muito das condições climáticas e pode ser bastante demorado!

Além disso, é um processo de maior exposição dos grãos, o que aumenta a ocorrência de microrganismos e pragas agrícolas.

secagem do arroz

Secagem natural de arroz
(Fonte: Planeta Arroz)

Já a secagem artificial é um processo um pouco mais elaborado, que consiste no emprego de técnicas para uma secagem rápida e uniforme com a utilização de silos secadores.

As principais vantagens dos secadores artificiais são a praticidade, melhor qualidade do produto final e maior capacidade de secagem. 

Ainda que tenha um custo maior, é a prática mais utilizada no mercado justamente pelos seus benefícios. 

Um dos fatores mais importantes na hora de escolher um sistema de secagem, é estimar com precisão os custos envolvidos. 

Se você não sabe quanto gasta com a secagem ou pretende implantar um novo sistema em sua fazenda e quer saber mais sobre os custos, aqui no blog já explicamos como fazer esse cálculo. 

Confira em: “Secagem e armazenamento de grãos: diferentes tipos e seus custos”.

Secadores de arroz: qual utilizar

Para a cultura do arroz, tanto para sementes quanto para os grãos, os secadores mais indicados são do tipo intermitentes.

A secagem intermitente consiste na passagem dos grãos diversas vezes pelo secador, evitando assim choques térmicos e perda acelerada de água dos grãos.

Nesses secadores intermitentes, os grãos passam pela ação do fluxo de ar aquecido na câmara de secagem a intervalos de tempo definidos.

Assim, ocorre a homogeneização da umidade e resfriamento (quando não estão passando pelas áreas de aquecimento).

secador de fluxo intermitente

Exemplo de secador de fluxo intermitente
(Fonte: Nunes)

Contudo, antes de utilizar os secadores, é necessário efetuar a pré-limpeza dos grãos e saber qual o teor de água deles.

Secagem do arroz: Armazenamento de grãos

Logo após a secagem, o próximo passo é o armazenamento de seus grãos.

Essa etapa deve ser planejada desde a semeadura, evitando assim problemas na pós-colheita e garantindo sucesso em sua comercialização.

Se você tem dúvidas sobre essa etapa, não deixe de conferir nosso artigo sobre armazenagem de grãos e este mais específico sobre armazenagem do arroz.

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Conclusão

Entender sobre os cuidados durante a secagem de grãos de arroz é fundamental para a manutenção da qualidade da safra, então esperamos ter ajudado você a entender melhor esse processo.

Além disso, não se esqueça: mapear os custos de secagem e armazenamento são essenciais para a saúde financeira da fazenda e precisam estar previstos no custo de safra.

E você, tem alguma dica sobre secagem do arroz? Restou alguma dúvida? Deixe o seu comentário abaixo!