Tudo o que você precisa saber sobre Macrophomina em soja

Macrophomina em soja: saiba o que é, quais os sintomas, como a doença se desenvolve e como realizar o manejo

O fungo Macrophomina phaseolina é o causador da doença podridão de carvão na cultura da soja

Essa doença também é conhecida por podridão negra da raiz ou podridão cinzenta da raiz. Ela é bem presente nas áreas produtoras de soja no país.

Além da soja, esse fungo também ataca o feijão, milho, sorgo, algodão, girassol, café e citrus. Algumas plantas daninhas também são hospedeiras do fungo. 

Confira a seguir um pouco mais sobre a podridão de carvão e aprenda a manejar a doença.  

Sintomas de Macrophomina em soja

Nas lavouras de soja, a distribuição dos sintomas da podridão de carvão não é uniforme. Eles podem ser observados tanto em fileiras de plantas quanto em reboleiras

Um sintoma característico é a presença de minúsculas partículas pretas na porção inferior do caule e nas raízes. 

Dependendo do grau de severidade da doença, o sintoma pode ser observado em toda a planta. Essas partículas escuras são fonte de contaminação para a próxima safra

A presença das partículas dá ao caule e raízes aparência empoeirada, parecido com pó de carvão. 

Outro sintoma é o escurecimento dos tecidos vasculares do caule e raízes.

Foto de tronco de soja com sintomas da podridão do carvão. O tronco está descascando e o centro está necrosado.

Sintoma característico da doença podridão de carvão quando a epiderme do caule é raspada

(Fonte: Bayer)

A infecção das plantas ocorre logo nas primeiras semanas após o plantio. No entanto, enquanto não houver condições favoráveis, a doença permanece latente, sem se manifestar.

É comum que os sintomas da podridão de carvão apareçam durante a fase reprodutiva das plantas de soja. 

Apesar disso, sob condições favoráveis, mudas recém-germinadas também podem apresentar sintomas.

Esses sintomas  incluem o aparecimento de lesões marrons no hipocótilo.

A podridão de carvão provoca também maturação precoce e desuniforme, e prejudica o enchimento de grãos da soja. Além disso, a doença reduz a qualidade da semente.

Como identificar

Plantas de soja doentes podem apresentar: 

  • perda de vigor;
  • menor estatura;
  • folhas pequenas, que podem estar enroladas ou não. 

Com a evolução da doença, as folhas ficam amarelas, murcham e morrem. As raízes também apodrecem, então fique de olho nesses sinais.

Mesmo após a morte das folhas, elas podem continuar presas à planta-mãe.

Esses sintomas foliares podem ser confundidos com várias outros distúrbios ou doenças da soja, como nematoides, estresse hídrico e senescência precoce.

O diagnóstico correto é essencial para traçar um plano de manejo eficiente, seja qual for a origem do problema.

As lavouras doentes têm o estande de plantas reduzido e, consequentemente, têm menor produtividade.

Foto de lavoura de soja com estande reduzido. Algumas plantas estão amareladas e murchas.

Plantas de soja com sintomas de podridão de carvão

(Fonte: Iowa State University)

Condições para o desenvolvimento da doença

A podridão de carvão na soja tem maior ocorrência em solos compactados e temperaturas entre 28 °C a 35 °C.

Os danos causados pela doença são mais severos quando as plantas estão sob altas temperaturas e estresse hídrico.

Períodos secos também contribuem para a incidência e a severidade da doença.

O fungo causador da podridão de carvão sobrevive no solo e em restos culturais. Essas são as principais fontes do inóculo. 

A transmissão do patógeno ocorre via sementes contaminadas. Elas, geralmente, não apresentam sintomas.

Ciclo da Macrophomina

O fungo Macrophomina phaseolina pode sobreviver mesmo sob condições adversas. Ele sobrevive em forma de pequenas estruturas escuras, em restos culturais e no solo. 

Microescleródios do fungo M. phaseolina causador da podridão de carvão na soja

(Fonte: Crop Protection Network)

Sob condições favoráveis, essas estruturas germinam e infectam o sistema radicular das plantas. 

A partir daí, o fungo se multiplica no interior das raízes e caule das plantas. 

À medida que novas estruturas e hifas são formadas, ocorre a obstrução dos tecidos vasculares das plantas. Como consequência, há interferência na absorção de água e nutrientes.

A presença de novas estruturas dá às raízes e ao caule das plantas de soja aparência parecida com pó de carvão.

Quando as plantas infectadas morrem, essas estruturas são liberadas na área. Elas são fonte de contaminação para a próxima safra.

Esquema do ciclo da doença causada pela macrophomina em soja.

Ciclo da doença podridão de carvão na soja

(Fonte: Traduzido de Crop Protection Network)

Manejo da Macrophomina em soja

A podridão de carvão é uma doença de difícil controle.

Até o momento, não há produtos químicos registrados no Mapa (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento) para o controle.

Também não há cultivares resistentes ao fungo no mercado. Porém, genótipos que apresentaram menor sensibilidade à doença já foram identificados.

Um aspecto que contribui para o difícil controle da doença é o fato de o fungo se alimentar de diferentes culturas.

Dessa forma, a rotação de culturas não é uma alternativa eficiente para o controle da doença.

Adotar medidas preventivas que contribuam para o bom desenvolvimento da lavoura de soja é essencial.

A data de plantio deve ser orientada segundo o calendário agrícola da região. Isso colabora para diminuir os riscos de estresse hídrico

Uma lavoura que tenha as suas necessidades nutricionais atendidas tem maiores chances de resistir à doença. Por isso, faça uma adubação equilibrada, baseada na análise de solo da área.

O manejo de plantas daninhas também é fundamental para eliminar espécies que possam ser hospedeiras da doença.

O controle dessas plantas reduz a competição por água, luz, nutrientes e espaço. Controle as plantas daninhas também nas bordaduras e nos carreadores da lavoura.

Outro método que você pode adotar é a limpeza das máquinas e implementos agrícolas antes de transferi-los para outra área. 

Isso evita que torrões de solo com restos culturais contaminados e partículas da doença sejam transportados para áreas sem o fungo.

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Conclusão

A podridão de carvão é uma doença perigosa para a cultura da soja. Como não há produtos específicos para eliminá-la, você deve ter atenção redobrada na sua lavoura.

Procure eliminar as condições ideais para o desenvolvimento da podridão de carvão. Evitar altas temperaturas e períodos secos é um bom passo.

Algumas cultivares já se mostraram resistentes à doença. Procure investir nelas para, assim, garantir a produtividade da sua sojicultura.

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Você já conhecia a Macrophomina em soja? Já enfrentou problemas para controlar essa doença na lavoura? Adoraria ler seu comentário.

Saiba como identificar e evitar os danos em grãos de milho

Danos em grãos de milho: saiba quando acontecem, o que pode ser feito para resolver,  quais os resultados desses danos e mais!

A qualidade do milho é fundamental na alimentação humana e animal. Sua perda por danos diretos ou indiretos pode trazer grandes prejuízos.

Saber o momento em que seus grãos estão em risco é fundamental para evitar dores de cabeça. 

Então, não espere chegar o momento da venda para identificar problemas!

Neste artigo, você entenderá mais sobre os tipos de dano e os períodos mais sensíveis da sua safra. Confira essas e outras informações!

Principais danos em grãos de milho

Nas culturas agrícolas, a qualidade física e nutricional dos grãos começa durante a produção. Ela se estende até o consumo.

Para você obter uma produção de grãos rentável e com alta qualidade, é necessário prestar atenção desde o manejo até a pós-colheita.

Os danos nos grãos acontecem por uma série de eventos, durante toda a produção. É possível dividir esses danos em: antes, durante e depois da colheita.

É importante conhecer todos os possíveis problemas conforme o período de produção. Assim, você pode evitar grandes perdas.

Antes da colheita

Os danos que acontecem antes da colheita refletem principalmente no peso e qualidade física dos grãos. As pragas, doenças e os microrganismos são os principais vilões nesse momento.

Pragas que atacam as espigas, como percevejo-do-milho e lagarta-da-espiga, são um problema. Elas interferem na qualidade devido à presença de manchas nos grãos, além  de reduzir seu peso.

Além disso, as espigas afetadas por pragas durante o desenvolvimento ficam mais sujeitas aos ataques de patógenos. 

Os patógenos, como os fungos, causam grãos ardidos.

Os grãos ardidos de milho apresentam descoloração. Eles podem ter cor marrom, roxa ou vermelho claro a escuro.

Geralmente são causadas por fungos que atacam as espigas durante a fase de maturação dos grãos.

Imagem de grãos ardidos em milho

Aspecto de grãos ardidos de milho

(Fonte: Embrapa)

Devido ao aspecto, os grãos ficam com preço desvalorizado. Além disso, os fungos são responsáveis por:

  • redução da qualidade do grão;
  • degradação de proteínas;
  • degradação de carboidratos;
  • degradação de açúcares;
  • produção de toxinas, que podem causar uma série de problemas a quem consome.

Para que as espigas fiquem sujeitas a produzir toxinas, devem estar em temperaturas muito baixas (geralmente, abaixo dos 15 °C). Nessas condições, há biossíntese da toxina. 

Grãos ardidos são uma grande preocupação das indústrias. 

Além dos limites máximos de grãos estabelecidos na Instrução Normativa no 60/2011, às vezes há limites ainda inferiores. O objetivo é garantir a segurança dos produtos fabricados.

Limites máximos de tolerância expressos em percentual (%) de grãos ardidos no lote de milho

Limites máximos de tolerância expressos em percentual (%) de grãos ardidos no lote de milho

(Fonte: Senar)

Ainda antes da colheita, pragas muito perigosas em grãos armazenados podem estar presentes no campo e em espigas mal empalhadas. Esse é o caso dos carunchos.

Os adultos colocam seus ovos no interior ou no exterior dos grãos.

Na colheita

Os danos durante a colheita são principalmente causados pela má regulagem da colhedora e pelo teor de água dos grãos.

A qualidade também está relacionada à quantidade de impurezas que o lote apresenta.

Quanto maior a quantidade de impurezas, menor será a qualidade do seu lote. Afinal, essas  impurezas devem ser retiradas no beneficiamento, gerando aumento dos custos.

O mau planejamento no controle de plantas daninhas, como a corda-de-viola, é um dos pontos responsáveis pelo aumento de impurezas.

As plantas daninhas também dificultam a operação das colhedoras, reduzindo seu  rendimento.

Outro ponto é a má regulagem da colheitadeira. Quando elas não retiram todas as impurezas, causam perdas quantitativas e qualitativas da massa de grãos.

Além destes fatores, o teor de água dos grãos é mais um problema. Ele pode causar amassamento, quebra e trincas nos grãos de milho durante a colheita.

Grãos muito úmidos (acima 25%) ou muito secos (abaixo de 10%), aliados à má regulagem da colhedora, causam danos mecânicos nos grãos. 

Esses danos, além de reduzirem a qualidade, são portas de entrada de insetos e fungos durante o armazenamento.

Foto de grãos de milho trincados e quebrados

Grãos trincados e quebrados de milho.

(Fonte: Dykrom)

Após a colheita

Após a colheita, os danos podem acontecer no período de armazenamento dos grãos de milho.

O teor de água nos grãos no momento do armazenamento deve estar entre 12% e 13%. Teores elevados são favoráveis para ataques de insetos e fungos.

Insetos como os carunchos podem estar presentes nos armazéns. Além dos carunchos, as traças também atacam os grãos de milho durante o armazenamento.

Assim como o que ocorre com os carunchos, as larvas se alimentam do interior do grão, reduzindo a qualidade e peso.

Grãos de milho infectados com carunchos (esquerda) e traças (direita)

Grãos de milho infectados com carunchos (esquerda) e traças (direita).

(Fonte: Agrolink)

Fungos de armazenamento, como Aspergillus e Penicillium, causam mofo nos grãos. Assim como os fungos do gênero Fusarium, são produtores de micotoxinas nos grãos de milho.

É importante colher os grãos com o teor de água o mais próximo do adequado

Se não for possível, é necessário realizar a secagem artificial dos grãos colhidos, até valores de 13% de umidade.

Grãos de milho infectados com diferentes espécies de fungos causadores de grãos ardidos e mofados

Grãos de milho infectados com diferentes espécies de fungos causadores de grãos ardidos e mofados

(Fonte: Dagma D. Silva)

Roedores e pássaros também causam danos aos grãos. No entanto, eles são menos frequentes.

Como evitar danos em grãos de milho

Para ter grãos pesados, inteiros e granados, os cuidados começam no planejamento.

Informe-se sobre os cultivares ou híbridos recomendados para sua região. Observe a ocorrência das principais pragas e doenças que afetam o milho e sua resistência a elas.

Semeie na época recomendada para o milho escolhido. Não se esqueça de fazer corretamente os manejos de pragas, doenças e plantas daninhas até o momento de colheita.

Estas são algumas práticas importantes a serem adotadas para reduzir ou eliminar os danos nos grãos de milho ainda em campo.

Existem outras práticas que podem ser úteis para manter a qualidade e garantir a produtividade. 

  • Faça rotação de culturas com outras espécies que não sejam suscetíveis aos fungos causadores de micotoxinas, como Fusarium e Stenocarpella;
  • Realize o controle de plantas daninhas durante a maturação e colheita dos grãos;
  • Controle os insetos e fungos que atacam a formação das espigas;
  • Não demore para realizar a colheita;
  • Regule corretamente a colhedora;
  • Colha com umidade adequada ou realizar secagem após a colheita;
  • Mantenha o armazém limpo;
  • Faça o expurgo dos armazéns, principalmente de locais com a presença dos insetos e pragas.
Planilha de Planejamento da Safra de Milho

Conclusão

O milho é uma cultura de grande importância mundial, e os danos nos grãos podem reduzir a quantidade e qualidade do produto.

É importante realizar corretamente o manejo da cultura antes, durante e após a colheita. Assim, você evita perdas precoces na produção.

Fique sempre de olho nos riscos, para evitá-los e não registrar prejuízos. 

Afinal, além de prejudicar a aparência, danos nos grãos de milho reduzem a qualidade nutricional, prejudicam o cheiro e sabor do alimento.

Você já se deparou com algum desses danos em grãos de milho? O que fez para resolver e recuperar sua produtividade? Deixe seu comentário!

Biofungicidas: quando vale a pena usá-los para o controle de doenças na lavoura?

Biofungicidas: saiba o que são, como são produzidos, como atuam nas plantas e quais são as vantagens e desvantagens.

As doenças das plantas podem ser um obstáculo para o sucesso da sua lavoura quando não manejadas de forma eficiente. 

Associado a isso, a busca da sociedade por alimentos com menos resíduos de agroquímicos torna o manejo de doenças de plantas um desafio ainda maior. 

Biofungicidas são produtos pouco tóxicos e altamente eficientes. Eles podem ser utilizados no controle das principais doenças das plantas cultivadas.

Nesse artigo, você irá conhecer melhor os biofungicidas e como consultar os produtos disponíveis no mercado. Boa leitura!

O que são biofungicidas?

Biofungicidas são produtos químicos que controlam doenças causadas por bactérias e fungos patogênicos de inúmeras culturas.

Como as pessoas têm buscado por alimentos com cada vez menos agroquímicos, novas soluções são oferecidas, como os bioinsumos

Dentro deles estão os biofungicidas, que são:

  • microrganismos que atuam diretamente nos patógenos que atacam as plantas, fazendo com que eles não se desenvolvam;
  • fungos e bactérias não patogênicos que quando aplicados na planta, entram em contato com o patógeno e o enfraquecem. Agem como fungicidas naturais.

Como são desenvolvidos os biofungicidas?

Os biofungicidas produzidos a partir de organismos encontrados no meio ambiente. Por natureza, são predadores de outros microrganismos.

Essas espécies são estudadas em laboratório e em campo para garantir sua eficácia no controle de doenças.

O registro dos produtos desenvolvidos nas pesquisas envolve a avaliação e aprovação do Mapa, do Ibama e da Anvisa. Trata-se de um processo bastante lento.

Na imagem, bactérias Bacillus amyloliquefaciens, usadas como matéria-prima de biofungicidas.

Bactéria Bacillus amyloliquefaciens, usada como matéria-prima de biofungicida

(Fonte: Indiamart)

Quando comprovada sua eficiência e confiabilidade, ele é devidamente registrado. 

Em seguida, os microrganismos são reproduzidos industrialmente e de maneira controlada para a fabricação dos produtos comerciais.

Atuação nas culturas

Os biofungicidas podem ser aplicados no tratamento de sementes e também pulverizados diretamente na cultura.

Quando o produto entra em contato com a planta doente ou com o patógeno, começa o processo de controle da doença. Esse controle pode ser por meio de:

  • ação direta: o agente biológico produz substâncias antibióticas e antifúngicas que impedem o progresso, infecção e reprodução da doença no hospedeiro;
  • ação indireta: o agente biológico estimula a planta a se defender do patógeno.

Esses microrganismos benéficos atuam por meio da produção de metabólitos secundários, que têm ação contra bactérias e fungos patogênicos.

A ação é minuciosamente estudada para que o perfil do produto seja o mais confiável possível. Ou seja, é necessário encontrar microrganismos cujas enzimas liberadas não sejam nocivas às plantas.

Controle de doenças causadas por fungos de solo

Um dos microrganismos mais usados na produção de biofungicidas são fungos do gênero Trichoderma.

Eles controlam doenças causadas por fungos de solo em soja, cana-de-açúcar, algodão, olerícolas, etc.

Essas doenças infectam raízes, base do caule, sistema vascular. Além disso, causam murchas e podridões.

Imagem mostra fungo trichoderma em uma placa de vidro. O fungo possui coloração verde.

Fungo Trichoderma, que pode ser usado como biofungicida

(Fonte: Embrapa)

Há grande expectativa na utilização deste fungo no controle do mofo-branco da soja, da fusariose e da podridão radicular.

Além do controle de doenças, também há estudos sobre benefícios do fungo em relação ao crescimento das plantas e aumento na produtividade.

Essa ação se dá pela maior disponibilidade de nutrientes para as plantas, através da ação de enzimas que solubilizam fosfatos e material orgânico. 

Algumas linhagens de Trichoderma também produzem hormônios promotores de crescimento.

Prós e contras do uso de biofungicidas

Você irá encontrar vantagens e desvantagens na utilização de biofungicidas, como em todas as práticas de manejo. Veja algumas delas abaixo e faça sua análise.

Vantagens

  • A pulverização segue as práticas tradicionais de aplicação de fungicidas;
  • Redução na utilização de agroquímicos;
  • Redução do risco de contaminação ambiental; 
  • Redução do risco de contaminação do aplicador; 
  • Os alimentos produzidos têm menor concentração de resíduos químicos; 
  • Redução de custos no controle de doenças;
  • Controle eficiente de doenças;
  • Promotor de crescimento das plantas; 
  • Opção no manejo integrado de doenças.

Desvantagens

  • Poucas pesquisas na área de biofungicidas;
  • Menor prazo de validade dos produtos;
  • Requer maior cuidado no manuseio e transporte.

Ainda há um longo caminho a percorrer para que os biofungicidas sejam vistos como prioridade no controle de doenças no Brasil.

Com estudos científicos, maior oferta de produtos e tecnologia é possível que o agronegócio brasileiro desponte como líder nesse segmento.

Produtos no mercado nacional

São vários os produtos comerciais disponíveis no mercado. 

Pela plataforma Agrofit do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, você pode realizar a consulta dos biofungicidas. Siga o passo a passo a seguir: 

  1. Acessar o site do sistema Agrofit;
  2. Selecionar “Produtos formulados”;
  3. Em “Classe”, selecionar a opção “Fungicida microbiológico”;
  4. Selecionar “Consultar”.

Como resultado da pesquisa será apresentada uma lista com todos os biofungicidas com registro no Brasil.

Imagem mostra o site do Mapa, na aba de busca por insumos agrícolas.

Site de busca de insumos agrícolas do Mapa

(Fonte: Mapa)

Esta pesquisa lhe mostrará diversos organismos microbiológicos que já passaram pelo processo de pesquisa e autorização. Eles podem ser utilizados na formulação de produtos comerciais.

Os produtos utilizam diversas espécies de microrganismos, e dentre eles estão:

Bacillus spp.

  • Sonata: Utilize para controle de oídio, mofo-cinzento, podridão-olho-de-boi, antracnose, mancha-púrpura e pinta-preta.
  • Ataplan: Pulverize para agir em casos de antracnose, fusariose, tombamento da soja e podridão do colo.

Trichoderma spp.

  • Tricho-Turbo: Controle de tombamento, mancha-de-fusarium, mofo-branco e nematicida.

Utilize os produtos citados para o controle das respectivas doenças em todas as culturas.

Na imagem, foto da embalagem de 1 litro do biofungicida Tricho-turbo

Embalagem do biofungicida Tricho-turbo

(Fonte: Vittia)

Os biofungicidas são produtos classificados com tarja verde. Portanto, são pouco perigosos quanto à classificação toxicológica e ambiental.

No entanto, siga todos os procedimentos de segurança na aplicação dos produtos. 

Faça o uso do equipamento corretamente, e previna-se de possíveis danos utilizando todo o equipamento de proteção individual recomendado.

Siga as orientações da bula e do receituário agronômico para proceder com a pulverização!

Planilha de custos dos insumos da lavoura

Conclusão

Os biofungicidas são uma ótima opção para evitar o uso de produtos altamente tóxicos.

Apesar de ainda pouco difundidos no nosso modelo de produção agrícola, eles possuem inúmeras vantagens. Redução de custos e melhor qualidade dos alimentos são apenas algumas delas.

Não se esqueça de tomar todos os devidos cuidados ao manipular e aplicar o produto. E na dúvida, consulte um engenheiro-agrônomo.

>> Leia mais:

“Mancha-púrpura na soja: como livrar sua lavoura dela”

Você já sente segurança para utilizar biofungicidas no controle de doenças da lavoura? Já utiliza essa tecnologia no manejo integrado? Compartilhe sua experiência!

Como ter um algodoeiro resistente a doenças e mais econômico com nova cultivar transgênica

Algodoeiro resistente a doenças: saiba tudo sobre qualidade da fibra, produtividade e vantagens da nova cultivar

O manejo de pragas, doenças e plantas daninhas na cultura do algodão tem custo elevado para o cotonicultor. 

Em 2021, a Embrapa divulgou o lançamento da cultivar transgênica de algodão BRS 500 B2RF.  Ela apresenta resistência a algumas doenças e pragas, além de ser tolerante ao herbicida glifosato

A cultivar também promete alta produtividade e fibras com características exigidas pela indústria têxtil.

Neste artigo, você pode conferir um pouco mais sobre as principais características dessa nova cultivar, suas vantagens e quais estratégias de manejo fitossanitário devem ser adotadas. 

Como nova cultivar torna o algodoeiro resistente a doenças

A cultivar de algodão transgênico (BRS 500 B2RF) é de ciclo médio/tardio e possui porte alto. Ela combina três tecnologias:

● Roundup Ready Flex (RF);

● Bollgard II (B2);

● FRdC1.

Esse pacote tecnológico torna a nova cultivar de algodão resistente a algumas lagartas.

Além disso, o algodoeiro é parcialmente resistente ao nematoide-das-galhas, e tem tolerância ao herbicida glifosato em todas as fases da cultura.

A nova cultivar também apresenta resistência às seguintes doenças:

mancha de ramulária (Ramularia areola);

● mancha angular (Xanthomonas citri pv. malvacearum);

● doença azul típica (Cotton leafroll dwarf virus – CLRDV).

Atualmente, a mancha de ramulária é a doença mais importante do algodão. Ela está presente nas principais áreas produtoras da fibra, especialmente em regiões de Cerrado

Para o controle dessa doença, são necessárias de 4 a 8 pulverizações com fungicidas durante todo o ciclo do algodão. 

Em casos de maior severidade, o número de aplicações pode subir para 12. Isso acaba elevando bastante o custo de produção.

A resistência da nova cultivar de algodão às doenças citadas traz economia, maior produtividade e menores danos ambientais.

Afinal, há menor número de pulverizações para o controle das doenças.

Tabela que mostra nível de resistência da nova cultivar de algodão

Nível de resistência à doenças da cultivar BRS 500 B2RF

(Fonte: Embrapa Algodão)

Qualidade da fibra

Outro ponto importante se refere à qualidade da fibra da nova cultivar. Ela apresenta um conjunto de atributos importantes para a indústria têxtil. 

A cultivar de algodão produz fibra branca. A fibra também possui:

  • comprimento médio de 30,4 mm;
  • índice micronaire médio de 4,6;
  • resistência média de 30,8 gf.tex-1.

Produtividade

Segundo a Embrapa Algodão, a produtividade média da nova cultivar é de 5.667 quilos/hectare de algodão em caroço. Na fibra, o valor é de 2.579 quilos/hectare.

Ela apresenta ainda rendimento de fibra de 38,5 a 40,5. 

Áreas indicadas para o plantio

A cultivar BRS 500 B2RF é indicada para o plantio em áreas de Cerrado dos estados de Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Tocantins e parte do Maranhão, do Piauí e da Bahia.

A nova cultivar é recomendada também para áreas em que a mancha de ramulária e o nematóide-das-galhas sejam um problema fitossanitário para a produção da fibra.

Manejo de pragas, doenças e plantas daninhas

O manejo integrado de pragas, doenças e plantas daninhas do algodão é uma prática indispensável para a preservação da tecnologia transgênica. 

Algumas medidas precisam ser adotadas quanto ao plantio de organismos geneticamente modificados.

No manejo integrado, é fundamental realizar a rotação dos ingredientes ativos dos agroquímicos aplicados na lavoura. 

Isso contribui para impedir que ocorra a seleção de populações resistentes aos produtos utilizados. 

É preciso estar de olho na população de insetos que não são alvo da tecnologia transgênica. Eles precisam ser controlados de forma seletiva e eficiente. 

Outra medida a ser adotada é a rotação das cultivares de algodão com diferentes tecnologias transgênicas (rotação de genes). 

O vazio sanitário é uma medida de caráter obrigatório e que deve ser adotada para a prevenção e o controle de pragas e doenças. Nesse período não pode haver plantas vivas e resíduos de algodão na área (soqueira e tiguera).

Na cultura do algodão, o vazio sanitário tem como foco o bicudo do algodoeiro, praga de grande importância econômica.

Refúgio agrícola

A adoção do refúgio agrícola é uma estratégia de manejo de resistência de insetos-praga. A estratégia consiste em manter uma área da lavoura cultivada com plantas não transgênicas

Essa medida diminui a pressão de seleção dos insetos-pragas, retarda a quebra de resistência da cultivar e contribui para manter a eficácia da tecnologia transgênica.

As áreas de refúgio agrícola devem ser cultivadas na mesma época que a cultivar transgênica. Elas devem receber os mesmos tratos culturais (adubação e controle de plantas invasoras, por exemplo). 

Além disso, essas áreas precisam ser cultivadas com plantas da mesma espécie e com ciclo similar ao da cultivar transgênica.

Para a cultura do algodão, a recomendação é que a área de refúgio corresponda a 20% da área total plantada com transgênico. 

A área de refúgio precisa ser instalada a uma distância máxima de 800 metros da área plantada com a cultivar transgênica, independente da cultura.

As áreas de refúgio podem ser instaladas de três formas: 

● faixas;

● blocos;

● bordadura/perímetro.

Vantagens da nova cultivar 

Confira a seguir as principais vantagens da cultivar de algodão BRS 500 B2RF desenvolvida pela Embrapa: 

● tolerância ao herbicida glifosato;

● tolerância à mancha de ramulária, mancha angular e doença azul típica;

● tolerância parcial ao nematóide-das-galhas;

● resistência a algumas lagartas;

● produz fibra de qualidade para a indústria têxtil;

reduz o número de aplicações de defensivos agrícolas;

diminui custos de produção;

● melhora a competitividade do algodão brasileiro no mercado;

menor impacto ambiental;

● maior sustentabilidade da cotonicultura.

Conclusão

A nova cultivar de algodão apresenta resistência múltipla a doenças, tolerância ao herbicida glifosato e a algumas lagartas. Também tem alta produtividade e produz fibra de qualidade.

A tecnologia da nova cultivar possibilita menor impacto ambiental, maior sustentabilidade da atividade e melhora a competitividade do algodão no mercado global.

Além disso, a cultivar possibilita que você faça um menor número de aplicações de agroquímicos. Consequentemente, isso diminui os custos da sua produção!

Você já conhecia a nova cultivar de algodão? Já procurou saber mais sobre como algumas práticas de manejo contribuem para proteger a resistência do algodoeiro a doenças? Adoraria ler seu comentário abaixo!

Por que o controle biológico com Trichoderma pode ser uma boa opção para sua lavoura

Controle biológico com Trichoderma: entenda como o fungo pode auxiliar no controle de doenças, seus mecanismos de ação, cuidados e recomendações de aplicação.

O uso de biopesticidas no controle de pragas e doenças impacta positivamente na produtividade. Ele reduz perdas e custos, e garante uma produção cada vez mais  sustentável.

Fungos do gênero Trichoderma spp. podem promover crescimento às mais diversas culturas, como cereais e grãos. 

Estes microrganismos podem aumentar a produtividade em até 60%, além de melhorar a tolerância das culturas aos estresses. 

Neste artigo, você verá as características desse fungo, os mecanismos de ação, a quais doenças é recomendado e os cuidados necessários na aplicação. Boa leitura!

Características do gênero Trichoderma

Trichoderma é um fungo encontrado naturalmente nos solos, em populações variáveis. 

Eles representam um grupo de diversas espécies de interesse agrícola. São capazes de controlar uma gama de doenças de plantas.

Aspecto visual das estruturas fúngicas de Trichoderma spp. à esquerda e colônias de diferentes espécies à direita, demonstrando variação da coloração entre isolados e espécies

Aspecto visual das estruturas fúngicas de Trichoderma spp. à esquerda e colônias de diferentes espécies à direita, demonstrando variação da coloração entre isolados e espécies
(Fonte: Bhaszcyet al., 2014)

São decompositores de madeiras e matéria orgânica. 

Atualmente, existem mais de 200 espécies do gênero. Elas possuem diferentes potenciais para a proteção dos cultivos, promoção de crescimento e tolerância aos estresses.

Têm alta capacidade de colonizar a rizosfera, região do solo influenciada pelas raízes. Ela tem máxima atividade microbiana, localizada próximo às raízes das plantas.

Esses fungos também colonizam diversos outros substratos, sob diferentes condições ambientais.

Representação visual das raízes de uma planta, e do local onde localiza-se a rizosfera (em marrom). A rizosfera é rica em compostos liberados pelas raízes, atrativos aos microrganismos presentes no solo

Representação visual das raízes de uma planta, e do local onde localiza-se a rizosfera (em marrom). A rizosfera é rica em compostos liberados pelas raízes, atrativos aos microrganismos presentes no solo
(Fonte: Cardoso et al., 2016)

Esse gênero também tem a capacidade de produzir estruturas de resistência no solo. As estruturas permitem a sua sobrevivência por longos períodos e em condições adversas.

Mecanismos de ação para o controle de doenças de plantas

Os mecanismos de ação de controle de fitopatógenos por fungos do gênero Trichoderma incluem:

  • micoparasitismo;
  • antibiose;
  • competição;
  • indução de defesas ou resistência nas plantas.

A seguir, veja um pouco sobre como funciona cada um dos mecanismos de ação.

Micoparasitismo

Os fungos Trichoderma se alimentam absorvendo nutrientes por meio de estruturas chamadas hifas. 

As hifas penetram o tecido do hospedeiro e liberam enzimas que degradam a parede celular dos fitopatógenos.

A grande diversidade de enzimas degradadoras de parede celular, produzidas pelo fungo, impossibilita a defesa dos patógenos alvos.

Essas enzimas interferem na germinação de esporos, crescimento de hifas e desenvolvimento de estruturas de resistência pelos patógenos.

Antibiose

O fungo inibe os demais microrganismos fitopatógenos que também se desenvolvem no solo, a partir da produção de metabólitos secundários (tóxicos).

Os metabólitos, combinados com a ação das enzimas degradadoras, já foram relatados efetivos no controle de pulgões

Eles possuem capacidade entomopatogênica.

Competição

Caracteriza-se pelo comportamento/crescimento desigual de dois organismos.

Ambos competem por recursos essenciais à sobrevivência, como nutrientes, oxigênio, espaço, luz, dentre outros.

Fungos do gênero Trichoderma possuem vantagens no ambiente, como:

  • rápido crescimento e estabelecimento;
  • produção de enzimas (micoparasitismo);
  • produção de compostos metabólitos secundários tóxicos (antibiose).

São considerados ótimos competidores e oportunistas. Apresentam grande adaptabilidade. Eles podem crescer sobre uma gama de fontes de carbono, nitrogênio e diferentes temperaturas.

esquema de mecanismos de ação de Trichoderma no controle de fitopatógenos e produção de compostos relacionados à promoção de crescimento em plantas

Mecanismos de ação de Trichoderma no controle de fitopatógenos e produção de compostos relacionados à promoção de crescimento em plantas
(Fonte: adaptado de Konappa et al., 2020)

Confronto direto in vitro à esquerda, de isolado de Trichoderma (representado pela letra T na figura) e o patógeno Sclerotinia sclerotiorum, causador do mofo branco em diversas culturas, incluindo a soja (representado pelas letras Ss). À direita é possível observar o fungo biocontrolador Trichoderma spp. envolvendo as estruturas de S. sclerotiorum

Confronto direto in vitro à esquerda, de isolado de Trichoderma (representado pela letra T na figura) e o patógeno Sclerotinia sclerotiorum, causador do mofo branco em diversas culturas, incluindo a soja (representado pelas letras Ss). À direita é possível observar o fungo biocontrolador Trichoderma spp. envolvendo as estruturas de S. sclerotiorum
(Fonte: Eriston Vieria Gomes, 2015)

Indução de resistência e promoção de crescimento

Os fungos Trichoderma auxiliam na disponibilização de nutrientes presentes no solo que não estavam prontamente disponíveis às plantas. Como consequência:

  • aumentam a porcentagem e taxa de germinação de sementes;
  • estimulam as defesas das plantas contra estresses;
  • tornam o fósforo absorvível pelas plantas;
  • auxiliam na aquisição de nutrientes, devido ao aumento da expressão de genes relacionados;
  • promovem crescimento pela produção de auxinas e metabólitos que favorecem o desenvolvimento de raízes mais vigorosas e profundas. Através dessa característica, auxiliam na tolerância à seca;
  • incrementam a absorção de nutrientes e desenvolvimento de pêlos absorventes nas raízes laterais do sistema radicular;
  • aumentam a superfície de absorção de nutrientes pelas raízes;
  • provocam diminuição dos níveis de etileno nas plantas, favorecendo seu crescimento;
  • ajudam no incremento da massa seca, conteúdo de amido e açúcares solúveis, e eficiência fotossintética;
  • interferem positivamente na assimilação de nitrogênio;
  • ativam a resistência sistêmica induzida, a partir de fitormônios.

Aplicação de produtos à base de Trichoderma para o controle de doenças de plantas

Diversas espécies de Trichoderma spp. podem ser utilizadas no controle de doenças, especialmente aquelas causadas por fungos e nematoides

É importante que a bula, bem como a dose recomendada pelo fabricante, seja rigorosamente utilizada. 

Embora diversos produtos sejam formulados a partir da mesma espécie de Trichoderma, existem distinções quanto à gama de doenças que eles podem controlar.

Além disso, embora seja um produto biológico, doses excedentes podem causar problemas aos cultivos.

Confira a seguir alguns produtos indicados e para o controle de quais doenças são recomendados:

Espécies do gênero Trichoderma e pragas alvo a quais são recomendados.

tabela com produtos indicados e para o controle de quais doenças são recomendados

(Fonte: elaborada pela autora a partir da consulta do Sistema de Agrotóxicos fitossanitários (Agrofit))

Informações e cuidados importantes: manipulação e aplicação de Trichoderma spp.

  • O mesmo microrganismo, da mesma espécie, pode ter indicações de controle de doenças distintas, conforme o isolado e comprovação pelo fabricante;
  • Condições meteorológicas devem ser ideais para aplicação dos produtos biológicos, para garantir que eles possam se estabelecer adequadamente sobre a cultura. Evite a aplicação em dias muito quentes e secos;
  • A temperatura ideal de aplicação varia entre 20 ℃ a 35  ℃;
  • Faça a aplicação preferencialmente no final da tarde ou à noite, em dias nublados ou com garoa fina;
  • Evite a exposição a dias muito ensolarados e muito quentes ou frios (superior a 35  ℃ e inferior a 20  ℃). Essas condições podem inviabilizar as estruturas do fungo;
  • Consulte sempre a compatibilidade do formulado à base de Trichoderma spp. com defensivos químicos. Assim você evita a redução ou até mesmo ineficiência do produto biológico na cultura;
  • Existem diversos produtos que possuem em sua formulação mais de uma espécie do gênero Trichoderma;
  • Armazene o produto em local seco e fresco (4 ℃) para durabilidade máxima em prateleira (consulte a bula do produto).

Principais vantagens do controle biológico com Trichoderma

A aplicação de biopesticidas, especialmente os do gênero Trichoderma, incluem uma série de vantagens, como:

  • redução da contaminação humana e ambiental pelo uso de moléculas químicas;
  • introdução de agentes benéficos no ambiente agrícola, que ali se estabelecem e promovem uma série de benefícios;
  • controle de diversos fitonematoides, que normalmente são de difícil controle;
  • custo próximo ou inferior ao empregado no uso de defensivos químicos;
  • manejo de resistência de pragas às moléculas químicas, uma vez que esses microrganismos possuem diferentes mecanismos de ação.

Desvantagens

É necessário se atentar a algumas questões, que podem ser desvantajosas em  determinadas situações: 

  • na conduta do fabricante, para que o produto contenha o número de células ou colônias viáveis adequado, para sua correta eficiência;
  • nas condições de armazenamento, tanto enquanto o produto é distribuído entre os fornecedores quanto com o consumidor final. Nessa etapa, é importante que o produto não seja submetido a temperaturas inadequadas;
  • na durabilidade do produto depois de aberto, que é limitada;
  • no tempo de resposta no tratamento, que é variável em função de uma série de fatores, incluindo a temperatura e umidade em que o produto é aplicado. Esse tempo pode não ser imediato (quando comparado ao uso de moléculas químicas). 

Conclusão

Nesse artigo, você conheceu um pouco mais sobre os fungos do gênero Trichoderma

Conheceu os mecanismos de ação envolvidos no controle de doenças de plantas e sua aplicabilidade, inclusive no controle de pragas, como pulgões.

É importante que você tome cuidados antes da aplicação destes produtos. Armazene em locais frescos, secos e arejados conforme indicado na bula do produto, e siga rigorosamente as orientações.

Além disso, vale reforçar que a lista de patógenos que podem ser controlados é grande.

Você sempre deve conferir a bula do produto. Os patógenos que são controlados e as culturas em que a aplicação é recomendada podem variar.

>> Leia mais: “Como o baculovírus pode controlar as pragas na sua lavoura”

Você já realizou o controle biológico com Trichoderma na sua lavoura? Ficou com alguma dúvida? Deixe aqui nos comentários que terei o prazer em te auxiliar. 

Uso de Bacillus subtilis no controle de nematoides na soja

Bacillus subtilis no controle de nematoides: veja como utilizar e conheça as vantagens e desvantagens da sua aplicação 

Os nematoides são parasitas presentes no solo. Eles podem causar danos severos à lavoura.

O uso de agentes biológicos, como a aplicação de Bacillus subtilis, é uma ferramenta interessante para o manejo dessas pragas na soja. 

Neste artigo, você saberá mais sobre o Bacillus subtilis e como utilizá-la no manejo de nematoides da sua lavoura.

Nematoides na cultura da soja

Os nematoides são organismos de formato parecido com o de um verme, dificilmente visíveis a olho nu. Eles podem ocasionar danos severos à lavoura quando não controlados.

Por causa de características como formação de estruturas de resistência e por atacarem várias espécies de plantas, são de difícil controle.

Os principais nematoides que atacam a cultura da soja são os formadores de cistos e de galhas.

Os nematoides de cisto (Heterodera glycines) produzem uma estrutura de resistência (cisto). Essa estrutura permite a sobrevivência dos ovos por muito tempo no solo.

Os nematoides das galhas  (Meloidogyne javanica e Meloidogyne incognita) produzem protuberâncias denominadas galhas nas raízes.

Seu ataque na lavoura pode ser identificado pela presença de manchas ou reboleiras, contendo plantas amareladas e com crescimento irregular. 

O manejo é realizado através de técnicas como a rotação de culturas, uso de cultivares resistentes, uso de agrotóxicos e cultivo em áreas livres da praga.

Uma alternativa interessante para o manejo de nematoides na soja é o controle biológico, através do uso de organismos vivos, como bactérias.

O uso de bactérias do gênero Bacillus sp., como Bacillus subtilis, vem sendo empregado com sucesso para o controle desses patógenos

Uso de Bacillus subtilis no controle de nematoides

O Bacillus subtilis é uma bactéria que ocorre naturalmente nos solos, principalmente naqueles bem estruturados e com boa matéria orgânica.

Essa espécie tem a capacidade de colonizar as raízes das plantas, e também pode ser chamada de rizobactéria.

É uma espécie muito estudada para o controle biológico. Ela tem a capacidade de produzir compostos tóxicos aos patógenos, como compostos antimicrobianos e antifúngicos.

Essas substâncias interferem no ciclo reprodutivo da praga, além da indução de resistência na planta.

Outra característica importante desta espécie é sua ação no controle de nematoides.

Sua eficácia já foi verificada em várias culturas agrícolas, como cana-de-açúcar, tomate e soja. 

Na tabela abaixo, você pode observar a redução no número de ovos de nematoides (Meloidogyne spp.) em raízes de plantas de soja após a inoculação das sementes com Bacillus subtilis.

tabela com número de ovos de Meloidogyne spp. em raízes de dois genótipos de soja (BRS 184 e BRS 282), em função do tratamento de sementes com carbofurano e Bacillus subtilis (Alvorada do Sul, PR, 2010)

Número de ovos de Meloidogyne spp. em raízes de dois genótipos de soja (BRS 184 e BRS 282), em função do tratamento de sementes com carbofurano e Bacillus subtilis (Alvorada do Sul, PR, 2010)
(Fonte: Araújo et al.,2012)

Além do controle de patógenos e nematoides, o Bacillus subtilis é uma bactéria promotora de crescimento.

Ao se associar com as raízes das plantas, ela melhora a disponibilidade de nutrientes

Além disso, através de compostos antimicrobianos e fitorreguladores, proporciona melhor sanidade e crescimento à cultura.

Quando e como aplicar o Bacillus subtilis?

Já existem no mercado produtos à base de Bacillus subtilis para aplicação em diversas culturas.

A época e a forma de aplicação dependem do produto usado.

A aplicação pode ser feita em pré-semeadura, como tratamento de sementes ou no sulco de semeadura. 

Também pode ser feita no solo em que será realizado o plantio, no caso de mudas. 

Em pós-semeadura ou plantio, a aplicação pode ser realizada através de pulverizações diretamente sobre as culturas ou no solo.     

Vantagens e desvantagens do uso de Bacillus subtilis no controle de nematoides

Além de vantagens como ação tóxica contra patógenos e nematoides e a promoção de crescimento nas plantas, a aplicação de Bacillus subtilis apresenta outros benefícios, como:

  • baixo custo;
  • fácil aplicação;
  • boa eficiência;
  • baixa toxidez;
  • não deixam resíduos no ambiente;
  • pode ser aplicado em diversas culturas além da soja;
  • não possui período de carência.

 Por outro lado, a utilização desta ferramenta apresenta algumas desvantagens:

  • o ambiente deve ser favorável para o seu desenvolvimento. Sua eficácia depende de fatores como pH, temperatura, aeração e tipo de solo, dentre outros;
  • são necessários maiores cuidados no transporte e armazenamento;
  • pode apresentar incompatibilidade com alguns produtos, principalmente inseticidas e fungicidas utilizados no tratamento de sementes.
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Conclusão

Os nematoides são pragas de difícil controle e que podem ocasionar perdas importantes na lavoura.

O uso de Bacillus subtilis no controle de nematoides pode ser uma excelente ferramenta na soja e em muitas outras culturas.

Além do controle destas pragas, seu uso apresenta inúmeras vantagens: dentre elas a promoção do crescimento das plantas, podendo refletir em maior produtividade.

Por outro lado, por ser um organismo vivo, depende de alguns fatores para que a sua utilização seja eficiente. Também atente-se a eles no momento de realizar o manejo.

>> Leia mais:

“5 maneiras de controlar os nematoides na soja”

“Como a crotalária controla nematoides em sua lavoura”

Restou alguma dúvida sobre o uso de Bacillus subtilis no controle de nematoides em soja? Deixe seu comentário abaixo!

Tudo o que você precisa saber sobre a cercosporiose no café

Cercosporiose no café: principais sintomas, as condições favoráveis para a doença, como controlar e muito mais!

O Brasil é um dos maiores produtores de café do mundo. Apesar disso,  alguns problemas tendem a prejudicar as lavouras.

As doenças causadas por fungos, como a cercosporiose, são um desses problemas. Você sabe como evitar isso e garantir uma boa produtividade?

Conhecer as doenças do café e suas particularidades é essencial. Através desse conhecimento, você é capaz de tomar as decisões de manejo corretas.

Neste artigo, você conhecerá melhor a cercosporiose no café, como a evitar e a controlar. Confira tudo a seguir!

O que é a cercosporiose do café?

A cercosporiose no café é causada pelo fungo Cercospora coffeicola. Também é conhecida como mancha de olho pardo ou mancha-de-cercospora. Ela pode ser muito confundida com a mancha aureolada do cafeeiro, mas é uma doença diferente.

Esse fungo ataca principalmente as folhas e os frutos. Como consequência, causa perdas de produtividade e da qualidade dos grãos.

A doença foi relatada no Brasil, pela primeira vez, em 1887. Ainda hoje está presente em praticamente todas as áreas produtivas do país.

A cercosporiose pode afetar as plantas desde sua fase jovem. Ou seja, desde logo após o plantio até cafeeiros em plena produção.

Por isso, é considerada a segunda doença mais importante na cultura do café, estando atrás apenas da ferrugem do cafeeiro.

A fim de evitar perdas de produção e de qualidade do café, é necessário realizar o manejo adequado da doença.

Veja na figura a seguir as principais doenças do café, além dos períodos mais favoráveis ao desenvolvimento de cada uma.

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Sintomas da doença

A cercosporiose na plantação de café pode causar danos em mudas, folhas e frutos.

Nas folhas, os sintomas inicialmente são pequenas manchas circulares de coloração marrom-escura, que vão crescendo rapidamente.

O centro dessas lesões se torna cinza-claro, com um anel amarelado em volta dela. A aparência é de um olho, daí o nome da doença.

Além disso, algumas lesões podem não formar o halo amarelado. As manchas podem ser mais escuras, sem a formação do centro cinza-claro.

Nessas condições, a doença é chamada cercospora negra. Ela é muito comum em cafeeiros com deficiência de fósforo.

As folhas atingidas caem rapidamente, causando intensa desfolha das plantas e até mesmo a seca dos ramos. Por isso, a fotossíntese da planta é prejudicada.

As mudas podem se tornar raquíticas devido à desfolha intensa. Isso as torna impróprias para a comercialização e plantio.

Já nos frutos, os sintomas começam a aparecer quando ainda estão pequenos. Eles aumentam no início da granação (80-100 dias após a florada do café).

Esses sintomas são pequenas manchas necróticas e deprimidas, de coloração marrom a preta.

Além disso, também ocorre:

  • a queda precoce dos frutos;
  • maturação acelerada;
  • aumento da quantidade de grãos cochos.

Esses sintomas prejudicam o descascamento e despolpamento dos frutos. Afinal, essas lesões da casca necrosada ficam aderidas à semente.

Isso causa o problema de grãos quebrados e de má qualidade, o que prejudica a qualidade da bebida.

Ciclo de vida e condições ideais para o desenvolvimento da cercosporiose no café

A disseminação do fungo ocorre através do vento, água ou até mesmo por insetos.

Após atingir a planta e sob as condições favoráveis de umidade e temperatura, ocorre a sua germinação e a penetração através da cutícula. 

A ocorrência se dá pelas aberturas naturais da folha.

A doença é favorecida em temperaturas entre 18°C e 25°C, com elevada umidade relativa e elevada radiação solar.

Após períodos de chuva seguidos de veranicos ou em períodos de intensa radiação solar e déficit hídrico, a doença pode ser intensificada.

O desequilíbrio nutricional também pode influenciar na incidência dessa doença.

Em sistemas convencionais, outros fatores podem resultar em maior suscetibilidade da cercosporiose no café:

  • menores teores de cálcio;
  • magnésio foliares nas fases de granação e maturação dos frutos;
  • carência de nitrogênio.

Como prevenir e evitar o ataque da cercospora no cafeeiro

Evitar a entrada do patógeno na sua lavoura é sempre muito importante. Você deve evitar, primeiramente, a entrada do fungo nos viveiros de mudas de café.

Para isso, existem medidas que você pode adotar: 

  • controle de irrigação diária, evitando excesso de água;
  • evitar o excesso de potássio nas adubações;
  • realizar a calagem no substrato, evitando assim a falta de cálcio para as mudas;
  • sementes limpas, sadias e devidamente tratadas;
  •  o viveiro deve ser bem arejado e com sombreamento adequado;
  •  proteger as mudas de ventos frios e da insolação;
  •  eliminar mudas e folhas mortas do viveiro;

Já na lavoura, as medidas preventivas envolvem:

  •  evitar plantio em solos arenosos e compactados;
  •  fertilização equilibrada;
  •  níveis adequados de nitrogênio;
  • evitar excesso de umidade;
  • evitar plantios tardios;
  • uso de mudas de variedade com maturação tardia para regiões mais quentes.

Para prevenir o ataque da cercospora no cafeeiro, dosar os nutrientes corretamente é essencial.

Para tornar o processo de adubação do café mais fácil, preparamos uma planilha para você! Baixe gratuitamente clicando na imagem a seguir:

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Controle da mancha de cercospora

O controle sempre será mais eficiente com auxílio do manejo integrado de doenças. Realize todas as medidas que estão disponíveis.

Por isso, nunca use apenas um tipo de controle. Em relação à cercosporiose do café, não há relatos de variedades resistentes ou tolerantes. 

Utilize o controle químico com o uso de fungicidas como ferramenta de controle preventivo da doença.

O controle da cercosporiose coincide com o controle da ferrugem. Portanto, você pode usar formulações ou misturas de tanque que envolvam produtos para as duas doenças.

Entretanto, algumas lavouras apresentam elevadas cargas de frutos e estão situadas em regiões mais favoráveis à doença.

Nesses locais, as aplicações também devem ser realizadas entre final de dezembro e os meses de março e abril. Aplique especialmente se suas plantas não receberem tratamento contra ferrugem.

Além da escolha certa do ingrediente ativo, escolher a tecnologia correta é ideal. Não esqueça de considerar todos os fatores que podem afetar a aplicação sem prejudicar o controle dessa doença.

Conclusão

A mancha de cercospora em cafeeiro é causada por um fungo e está presente nas principais regiões produtoras de café do Brasil.

Esse fungo é favorecido pela alta radiação solar e pela elevada umidade. Além disso, desequilíbrios nutricionais podem intensificar os danos causados por essa doença.

Os danos da cercosporiose no café podem afetar as mudas e a qualidade da bebida. Por isso, o manejo correto é essencial.

Lembre-se que um bom planejamento do plantio pode ser muito eficaz para prevenção da doença e para o aumento da produtividade!

>> Leia mais:

“Cercosporiose no milho: saiba como manejar a doença”

“Guia rápido da adubação de boro e zinco no café”

10 dicas para melhorar a gestão de sua lavoura de café

Você já teve problemas com a cercosporiose no café? Quais medidas de manejo você precisou realizar? Deixe sua experiência aqui nos comentários!

Guia completo de análise e manejo dos principais nematoides no algodão

Nematoides no algodão: conheça as principais espécies e seus sintomas, o que é a análise nematológica e como é realizado o manejo desses parasitas nos algodoais.

Os nematoides podem causar inúmeros danos às lavouras. Além disso, sua presença pode facilitar a entrada de fungos nas plantas.

Saber identificar os nematoides e determinar seu nível populacional é essencial. Assim, você consegue traçar um plano de manejo eficiente no controle desses parasitas.

Neste artigo, você conhecerá os principais nematoides da cultura do algodão. 

Você também terá um guia completo de como realizar a amostragem para análise nematológica, e assim conseguirá se planejar melhor. Confira!

Principais nematoides no algodão

No Brasil, três espécies de nematoides causam grandes prejuízos à cultura do algodão

As espécies de maior importância econômica são:

Esses nematoides estão amplamente disseminados nas regiões produtoras de algodão. Além disso, têm causado prejuízos a diversas outras culturas como soja, feijão, milho e cana-de-açúcar.

A ausência de sintomas evidentes pelo ataque de nematoides faz com que alguns sintomas sejam confundidos com problemas de compactação do solo, desequilíbrios nutricionais e estresse hídrico

Nematoide das galhas (Meloidogyne incognita)

Os nematoides das galhas têm grande importância econômica. Eles afetam diversas espécies de plantas cultivadas e não-cultivadas.

Têm maior ocorrência em condições de clima quente e em solos arenosos e médio-argilosos.

Na parte aérea das plantas atacadas por nematoides das galhas, é possível observar o amarelecimento com aspecto mosqueado das folhas (sintoma de “carijó”). Esses parasitas prejudicam o desenvolvimento das plantas. 

Plantas afetadas apresentam sistema radicular menos desenvolvido e com menor número de raízes secundárias.

Outro sintoma é a formação de galhas nas raízes. Elas ocorrem em função da penetração e infecção pelo nematoide.

O sintoma de galha facilita a identificação em campo.

Galhas nas raízes da planta de algodão provocadas por M. incognita

Galhas nas raízes da planta de algodão provocadas por M. incognita
(Fonte: LSU College of Agriculture)

Nematoide reniforme (Rotylenchulus reniformis)

O nematoide reniforme possui um grande número de hospedeiros. 

Além disso, tem a capacidade de sobreviver em condições adversas. Isso possibilita sua sobrevivência na área mesmo na ausência do hospedeiro.

O nematoide reniforme pode ser encontrado em vários tipos de solo. 

Lavouras de algodão com sintomas provocados por esse parasita podem apresentar plantas de tamanho reduzido e menor volume de raízes.

Dependendo do nível populacional de nematoides e da suscetibilidade da cultivar, pode ser observado o sintoma de “carijó” nas folhas. 

Nesse caso, as folhas apresentam áreas amareladas que necrosam com o tempo.

Sintoma de “carijó” em folha de algodão causado pelo nematoide reniforme

Sintoma de “carijó” em folha de algodão causado pelo nematoide reniforme
(Fonte: Galbieri et al., 2015)

Nematoide das lesões radiculares (Pratylenchus brachyurus

A espécie Pratylenchus brachyurus é conhecida como nematoide das lesões radiculares

Esse nematoide tem ampla gama de hospedeiros (inclusive plantas daninhas). Tem maior ocorrência em solos de textura média.

Ele destrói o sistema radicular das plantas, provocando sintomas como podridão e necrose, diminuindo o número de radicelas. 

As plantas afetadas também podem apresentar clorose e murchamento.

 À esquerda, raízes necrosadas pelo parasitismo do nematoide das lesões radiculares. À direita, galhas provocadas por Meloidogyne incognita (plantas com 80 dias após a inoculação)

 À esquerda, raízes necrosadas pelo parasitismo do nematoide das lesões radiculares. À direita, galhas provocadas por Meloidogyne incognita (plantas com 80 dias após a inoculação)
(Fonte: Boletim P&D – IMAmt)

Interação entre nematoides e fungos de solo

A associação entre nematoides e fungos de solo é bastante comum. 

O ataque dos nematoides aos tecidos radiculares facilita a entrada de fungos fitopatogênicos na planta

Além disso, predispõe fisiologicamente as plantas de algodão a ação do fungo.

Nematoide das galhas, nematoide reniforme e nematoide das lesões radiculares apresentam associação com fungos do gênero Fusarium e Verticillium

Assim, doenças causadas por esses fungos são favorecidas na presença desses nematoides.

Análise nematológica

A análise nematológica tem por objetivo quantificar a população de nematoides e também identificar as espécies parasitas. 

A avaliação é feita somente em laboratório. O eficiente manejo de nematoides está diretamente relacionado à análise nematológica. 

É preciso ter conhecimento das espécies presentes na área e seu nível populacional para estabelecer estratégias de controle. Conhecer o histórico da área também é fundamental.

Quando fazer a amostragem

A amostragem deve ser realizada durante o florescimento da cultura

É nessa fase que as plantas estão em pleno desenvolvimento. Os nematoides podem ser encontrados em elevados níveis populacionais nas raízes e no solo.

No final da fase reprodutiva, as raízes das plantas entram em senescência e a população de nematoides diminui.

Material para amostragem

Confira quais materiais são necessários para a coleta das amostras de solo e raízes:

  • balde;
  • enxada;
  • pá;
  • tesoura de poda;
  • sacos plásticos (previamente identificados);
  • caixa térmica.

Como coletar as amostras

Para a coleta das amostras, caminhe em zigue-zague pela área. A coleta deve ser feita na linha de plantio a uma profundidade de 25 cm.

Em áreas com suspeita de ocorrência de nematoides reniformes, a profundidade de amostragem deve ser entre 20 cm e 40 cm.

O material coletado deve conter solo e raízes finas da cultura de interesse agronômico. 

O solo coletado deve ser aquele que se encontra localizado próximo ao sistema radicular da planta.

Em relação ao número de subamostras, amostre entre 20 e 25 pontos a cada 10 hectares, no máximo.

As subamostras devem ser homogeneizadas em um balde, formando uma amostra composta. 

A amostra composta deve ser formada por aproximadamente 500 g de  solo e 50 g de raiz por área amostrada.  

Armazene as amostras em sacos plásticos previamente identificados com uma ficha de coleta. As raízes e o solo devem estar acondicionados no mesmo saco plástico.

Na ficha de coleta, insira informações como:

  • número da amostra;
  • cultivar plantada;
  • sintomas;
  • tipo de solo;
  • sistema de plantio;
  • data de semeadura;
  • local;
  • data da coleta. 

Transporte as amostras até o laboratório de nematologia o mais rápido possível

Os sacos de amostras podem ser armazenados em caixas térmicas durante esse processo, para melhor conservação do material. 

Caso o material não seja levado rapidamente para o laboratório, você pode armazená-lo em geladeira por um período máximo de 4 dias.

No laboratório, é realizada a extração e isolamento dos nematoides presentes na amostra. Após esse processo, os nematoides são identificados e quantificados.

Esquema de amostragem, homogeneização, acondicionamento, identificação, transporte de amostras de solo e raiz da cultura do algodoeiro para quantificação de fitonematoides

Esquema de amostragem, homogeneização, acondicionamento, identificação, transporte de amostras de solo e raiz da cultura do algodoeiro para quantificação de fitonematoides
(Fonte: Galbieri et al., 2015)

Cuidados na amostragem

Veja alguns cuidados que você deve adotar na coleta das amostras para análise nematológica:

  • não realizar a amostragem quando o solo estiver muito seco ou muito úmido;
  • não molhar o solo para facilitar a coleta;
  • não coletar amostras no centro de reboleiras de plantas com severos sintomas;
  • na presença de reboleira de plantas com sintomas, a amostragem deve ser feita nas plantas da periferia da área afetada;
  • coletar apenas raízes vivas da cultura de interesse agronômico;
  • utilizar sacos plásticos resistentes e limpos para armazenar as amostras;
  • identificar corretamente as sacos plásticos;
  • não deixar as amostras expostas ao sol ou à condições de altas temperaturas;
  • utilizar caixas térmicas para o transporte das amostras até o laboratório;
  • os equipamentos utilizados na amostragem devem ser limpos ao mudar o talhão de coleta.

Manejo de nematoides no algodão

A primeira medida de controle é evitar a contaminação da área. 

Para isso, não esqueça de limpar os implementos agrícolas ao mudar de talhão. Isso evita que torrões de terra contendo nematoides sejam transportados para uma área isenta. 

Para a redução do nível populacional de nematoides na área, a rotação de culturas com espécies que não são hospedeiras desses parasitas é uma boa opção. 

O manejo de nematoides também envolve o uso de genótipos tolerantes e o controle de plantas daninhas no período da entressafra.

A nutrição balanceada da lavoura também é essencial para aumentar a tolerância das plantas ao ataque de nematoides.

O controle biológico com bactérias e fungos nematógafos também é indicado para o manejo. No Brasil, já é possível encontrar no mercado alguns nematicidas biológicos

Outro método de controle é o químico

Abaixo estão listados alguns produtos registrados pelo Mapa (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento) para o controle de nematoides na cultura do algodão

tabela de nematicidas registrados para a cultura do algodão no Brasil, segundo o Mapa

Nematicidas registrados para a cultura do algodão no Brasil, segundo o Mapa
(Fonte: adaptado de Boletim P&D – IMAmt)

planilha de produtividade do algodão Aegro

Conclusão

Três espécies de nematoides causam danos à cultura do algodão no Brasil: nematoide das galhas, nematoide reniforme e nematoide das lesões radiculares.

Doenças provocadas por fungos do gênero Fusarium e Verticillium são favorecidas na presença desses parasitas.

Caso encontre sinais dos nematoides em sua lavoura, faça a análise nematológica o mais rápido possível. 

Nessa análise, você terá a quantificação e a identificação dos nematoides presentes na amostra. 

Ao realizar o manejo, lembre-se que práticas culturais, controle químico e biológico, e o plantio de cultivares tolerantes são as melhores opções.

>> Leia mais:

“Como a crotalária controla nematoides em sua lavoura”

Você já enfrentou problemas com nematoides no algodão? Realizou a análise nematológica? Quais estratégias de manejo adotou? Conte sua experiência nos comentários.