O guia do manejo eficiente do azevém

Azevém: época certa para controle, quais herbicidas utilizar e principais dicas para minimizar casos de resistências na lavoura.

Azevém na lavoura é sempre sinal de alerta! Essa planta invasora se alastra muito rapidamente e interfere no desenvolvimento de vários cultivos, chegando a diminuir em até 56% a produtividade do trigo, por exemplo.

Hoje, há poucas opções para manejo em pós-emergência e muitos casos de resistência. Por isso, é preciso planejamento para fazer um controle eficiente.

Você sabe qual é o período ideal para manejo e quais são os herbicidas mais indicados para controle do azevém? Confira a seguir!

Azevém: principais pontos sobre essa daninha

O azevém (Lolium multiflorum) é uma importante planta daninha na região sul do Brasil. 

Inicialmente, foi muito difundido pelo seu uso como forragem, pois possui características nutricionais interessantes para ruminantes e tem alta capacidade de rebrote. 

Entretanto, devido a essa ampla utilização, o azevém se espalhou e tornou-se uma da principais plantas daninhas de culturas como aveia, trigo e soja

Pertencente à família das poáceas (gramíneas), o azevém tem ciclo anual e reprodução por sementes. 

Possui uma maior taxa de crescimento e desenvolvimento com temperaturas próximas a 20℃. Como principais características morfológicas, é uma planta herbácea, glabra (sem ocorrência de “pelos”), com sistema radicular fasciculado e hábito de crescimento cespitoso ereto. 

foto com detalhe da inflorescência de azevém (Lolium multiflorum)

Detalhe da inflorescência de azevém (Lolium multiflorum)
(Fonte: Jardim Botânico)

Além disso, possui sementes pequenas que podem ser facilmente disseminadas. Cada planta de azevém pode produzir até 3 mil sementes

Estas sementes são indiferentes à luz para germinar, podendo apresentar dormência, o que pode ocasionar vários fluxos de emergência na lavoura. Essa indiferença à luz ocasiona menor suscetibilidade à cobertura do solo, por isso tem a capacidade de emergência em cultivos com ótimo fechamento de linha, como o trigo.

As sementes, porém, não possuem grande persistência no banco de sementes, não sendo capaz de persistirem por mais de 540 dias na lavoura. 

Devido à pouca reserva das sementes, o percentual de emergência é muito afetado em profundidades maiores que 5 cm.   

Além disso, esta planta daninha não possui alta capacidade competitiva por ter crescimento inicial lento. Porém, sob grande infestação, pode diminuir até 56% da produtividade do trigo

Foto que mostra interferência de azevém no cultivo do trigo

Interferência de azevém no cultivo do trigo
(Fonte: Hrac)

O problema da resistência de azevém no Brasil

A ampla utilização do glifosato para controle de azevém em cultivos como soja e frutíferas ocasionou grande pressão de seleção. Consequentemente, em 2003 houve registro da primeira população de azevém resistente a glifosato no Brasil.

Devido a falhas na implementação de práticas para conter o avanço dessas populações resistentes, associado ao uso de azevém resistente a glifosato como forrageira, houve grande disseminação dessas populações. 

Deste modo, atualmente, mais de 80% das populações de azevém são resistentes ao glifosato. 

Com essa ampla disseminação, sobraram poucas opções para manejo de escapes na pós-emergência da soja (ACCase) e cereais de inverno (ALS e ACCase). E devido ao uso indiscriminado de herbicidas dos mecanismo de ação ALS e ACCase nestes cultivos, houve seleção de novos casos de azevém resistente. 

Em 2010, relatou-se o primeiro caso de azevém resistente a ALS (Iodosulfuron) e o primeiro caso de resistência múltipla desta espécie a inibidores da EPSPs (glifosato) e ACCase (clethodim). 

Devido à falta de rotação de mecanismos de ação e manejos alternativos, houve novos relatos de populações com resistência múltipla em 2016 para ALS (Iodosulfuron) e ACCase (Clethodim) e, em 2017, para EPSPs e ALS (Iodosulfuron, pyrosulam).

A maior preocupação atualmente é com o surgimento de população resistente aos três principais mecanismos de ação utilizados em culturas de inverno (EPSPs, ALS e ACCase).

Por isso, você deve tomar muito cuidado no manejo de azevém. É preciso seguir boas práticas da tecnologia de aplicação e o manejo integrado de plantas daninhas

O que deixa claro a importância desse manejo é o aumento de custo ocasionado pela seleção de populações resistentes. A presença de populações de azevém resistentes a glifosato na soja pode ocasionar aumento de até 148% nos custos.  

Gráfico com estimativa do aumento percentual do custo para controle de daninhas com resistência a glifosato em soja

Estimativa do aumento percentual do custo para controle de daninhas com resistência a glifosato em soja
(Fonte: Embrapa)

Como fazer o manejo eficiente do azevém

Para garantir que não haja seleção de resistência para novos herbicidas ou disseminação de populações resistentes para novas áreas é muito importante que você siga estas dicas:    

  • conheça o histórico de resistência da área e região;  
  • realize rotação de mecanismo de ação de herbicidas;
  • inclua herbicidas pré-emergentes no manejo;
  • siga os princípios básicos da tecnologia de aplicação adequada;
  • realize aplicações em pós-emergência sobre plantas pequenas;
  • realize corretamente aplicações sequenciais;
  • priorize controle na entressafra;
  • realize rotação de culturas e adubação verde;
  • realize limpeza correta de máquinas ou implementos antes de utilizá-los em novas áreas.

Herbicidas para controle de azevém no período da entressafra

A entressafra é o momento ideal para realizar um manejo eficiente do azevém, pois existe um número maior de opções a serem utilizadas!

O ideal é que a aplicação ocorra em plantas com até 2 perfilhos, pois as chances de sucesso no controle são maiores!

Herbicidas pós-emergentes

Cletodim

Possui ótimo controle de plantas daninhas pequenas (até 2 perfilhos). Pode ser utilizado na primeira aplicação do manejo sequencial (geralmente associado a glifosato), na dose de 0,5 L ha-1. Adicionar óleo mineral 0,5 a 1,0 % v v-1.

Haloxyfop

Possui ótimo controle de plantas daninhas pequenas (até 2 perfilhos). Pode ser utilizado na primeira aplicação do manejo sequencial (geralmente associado a glifosato), na dose de 0,50 L ha-1. Adicionar óleo mineral 0,5 a 1,0 % v v-1.

Cuidados: cuidado com as recomendações de intervalo de segurança entre a aplicação de graminicidas e a semeadura de gramíneas (ex: trigo, arroz e milho). 

Este são os exemplos mais comuns de graminicidas utilizados no mercado. Porém, existem outros produtos para controle químico com ótimo desempenho e que seguem a mesma lógica de manejo.

Novas formulações de graminicidas vêm sendo lançadas com maior concentração do ingrediente ativo (responsável pela morte da planta) e com adjuvante incluso. (Ex: Verdict max®, Targa max® e Select one pack®).

Glifosato

Mesmo não sendo efetivo para a maioria das populações, pode ser usado no manejo para controle de outras plantas daninhas. 

Ainda que o azevém seja resistente à associação de glifosato a graminicidas, melhora o controle.

Quando forem misturados 2,4D e graminicidas, deve-se aumentar a dose do graminicida em 20%, pois este herbicida reduz sua eficiência.

Paraquat

Pode ser utilizado em plantas pequenas de até 2 perfilhos ou em manejo sequencial para controle da rebrota de plantas maiores. Recomendada dose de 1,5 a 2,0 L ha-1. Adicionar adjuvante não iônico 0,5 a 1,0% v.v.

Glufosinato de amônio

Pode ser utilizado em plantas pequenas de até 2 perfilhos ou em manejo sequencial para controle de rebrota de plantas maiores. Indicada dose de 2,5 a 3,0 L ha-1. Adicionar óleo mineral 2,0% v.v.

Herbicidas pré-emergentes

O posicionamento dos herbicidas aplicados em pré-emergência dependerá muito das características de sua área como teor de argila, teor de matéria orgânica, cobertura do solo e culturas a serem implantadas após a aplicação do herbicida. 

Por isso, dentre as opções citadas neste texto, pesquise para ter certeza que esta se enquadra no seu sistema produtivo. 

foto de um trator de pulverização de herbicida em um campo de milho em desenvolvimento

(Fonte: Assistec)

S-metolachlor

Herbicida com ação residual para controle de banco de sementes. É muito utilizado no sistema de aplique-plante dos cultivos, na dose de 1,5 a 2,0 L ha-1. Não deve ser aplicado em solos arenosos.

Trifluralina

Herbicida com ação residual para controle de banco de sementes. Utilizado na primeira aplicação do manejo outonal associado a herbicidas sistêmicos (ex: glifosato, graminicidas). 

Recomendável dose 1,2 a 4,0 L ha-1 dependendo da planta daninha a ser controlada e nível de cobertura do solo. Deve ser aplicado em solo úmido e livre de torrões.

Além desses produtos, outros herbicidas entraram no mercado como pyroxasulfone, que está em fase de registro, e o cinmethylin, que foi recentemente lançado no Brasil pela Basf.

Manejo de azevém na pós-emergência dos cultivos

Milho 

No caso do milho, a única opção disponível é o uso de atrazine+nicosulfuron. Porém, após o lançamento de híbridos de milho com tecnologia Enlist®, será possível utilizar o haloxyfop na pós-emergência do cultivo. 

Soja 

Para a cultura da soja, as únicas opções disponíveis são os graminicidas (ex: clethodim e haloxyfop), que no caso da soja RR poderão ser associados ao glifosato.  

Trigo

Para a cultura do trigo, os herbicidas disponíveis são dos grupos ALS (Iodosulfuron) e Accase (clodinafop). 

Para trigo, também será lançado o pinoxaden, que poderá ser utilizado no controle de populações resistentes. 

Conclusão 

Neste artigo vimos a importância econômica que o azevém possui em nosso país e como realizar um manejo eficiente em lavouras de grãos.

Você conheceu detalhes sobre a biologia da planta daninha e algumas estratégias de manejo para controle eficiente, evitando seleção de resistência.

Espero que com essas dicas você consiga realizar um manejo eficiente do azevém!

>> Leia mais:

“Guia completo da plantação de canola + benefícios para o milho, trigo e soja”

“Como fazer o manejo eficiente do capim-carrapicho”

Como você controla a infestação de azevém na lavoura hoje? Já enfrentou casos de resistência? Baixe gratuitamente o Guia para Manejo de Plantas Daninhas e saiba como controlar outras invasoras da lavoura!

Como identificar e fazer o controle de tiririca na lavoura

Controle de tiririca: diferentes espécies, herbicidas recomendados e casos de resistência 

Tiririca, junquinho, junça, tiririca-de-três-quinas… As plantas daninhas do gênero Cyperus são conhecidas por muitos nomes e têm alta frequência nas lavouras.

Seu controle é difícil e com tantos casos registrados de resistência a herbicidas, fazer um manejo efetivo é ainda mais desafiador! Ainda, essa planta daninha pode ser hospedeira de pragas importantes, como a cochonilha.

Para te ajudar na identificação correta e a garantir o melhor controle de tiririca na lavoura, preparei este artigo. Confira!

Controle de tiririca: diferentes espécies

A tiririca é uma planta daninha bastante nociva, com alta capacidade de reprodução e difícil controle, principalmente as espécies com reprodução por bulbos, tubérculos e/ou rizomas, além das sementes.

As espécies de tiririca do gênero Cyperus pertencem à família Cyperaceae e são facilmente encontradas nas lavouras.

A seguir, vou falar sobre as características que vão permitir identificar as principais espécies.

Cyperus difformis

Essa espécie é conhecida pelo nome de junça, junquinho, tiririca-do-brejo ou três-quinas. 

É uma planta anual, herbácea, ereta e cespitosa, que se desenvolve principalmente na região Sul do país.

Prefere ambientes úmidos ou alagados, como várzeas cultivadas. Tem um ciclo curto, o que facilita sua propagação, que é feita por meio de sementes. 

Apresenta caule aéreo (escapo), verde, sem pelos, trígono, sem ramificação. As folhas da base da planta são verdes e menores que o eixo da inflorescência.

No ápice do caule você verá 3 brácteas verdes. Uma delas é muito longa, a outra é mediana e a terceira muito curta, não ultrapassando a altura da inflorescência. A base das brácteas possui uma pigmentação avermelhada. 

A inflorescência tem cor amarelo-pálea, mas, na maturação, você verá uma coloração castanho-escuro. 

foto da planta daninha Cyperus difformis

Cyperus difformis
(Fonte: Moreira e Bragança, 2010)

Cyperus distans

Conhecida por junça, junquinho, tiririca, tiririca-de-três-quinas, é uma espécie herbácea, perene e que se desenvolve em todo o país.

Possui caule rizomatoso curto. As folhas da base da planta saem de alturas diferentes.

duas fotos, uma ao lado da outra, da espécie de tiririca Cyperus distans

Cyperus distans
(Fonte: arquivo pessoal da autora)

O eixo principal da inflorescência (escapo) é verde e triangular. No ápice, você verá 2 séries com até 10 brácteas, sendo 3 a 4 delas muito desenvolvidas.

A inflorescência tem cor castanha e está no ápice dos eixos secundários.

A propagação é feita por meio de sementes e rizoma.

Foto de Cyperus distans em lavoura

Cyperus distans
(Fonte: Moreira e Bragança, 2010)

Cyperus esculentus

Essa espécie é conhecida como junça, junquinho, tiririca, tiririca-amarela, tiririca mansa ou tiriricão.  É uma planta herbácea, ereta e perene, que se desenvolve em todo o país.

É uma das tiriricas mais indesejáveis devido à dificuldade de controle, pois apresenta caules subterrâneos: bulbo, rizoma e tubérculos. 

O caule é triangular e sem pelos. As folhas da base da planta são rosuladas, em número de 3, e quase do tamanho do eixo principal da inflorescência.

O eixo da inflorescência contém no seu ápice até 6 brácteas, sendo 2 muito longas, 1 mediana e as outras curtas.

A propagação é por meio de sementes e pelas estruturas caulinares subterrâneas.

foto de Cyperus esculentus - controle de tiririca

Cyperus esculentus
(Fonte: Moreira e Bragança, 2010)

Cyperus flavus

Conhecida por junça, junquinho, tiririca ou tiririca-de-três-quinas. É uma planta herbácea, perene, que se desenvolve em todo o país.

Apresenta caule rizomatoso curto e de crescimento radial. 

foto de uma muda Cyperus flavus segurada por uma mão

Cyperus flavus
(Fonte: arquivo pessoal da autora)

As folhas da base da planta são rosuladas em número de até 10 e mais curtas que o eixo da inflorescência.

A inflorescência contém no ápice até 10 brácteas (3 a 4 muito longas e 4 a 6 curtas). É do tipo espiga cilíndrica, de cor verde-amarelada a castanha.

A propagação é por meio de sementes e pelo crescimento do rizoma.

foto de Cyperus flavus

Cyperus flavus
(Fonte: Moreira e Bragança, 2010)

Cyperus iria

Também conhecida por junça, junquinho, tiririca, tiririca-de-três-quinas ou tiririca-do-brejo. É uma espécie herbácea, ereta, anual, medianamente entouceirada e que se desenvolve em todo o país.

Não tem rizomas, mas possui estruturas capazes de originar perfilhos. 

foto de uma muda de Cyperus iria segurada por uma mão

Cyperus iria
(Fonte: arquivo pessoal da autora)

Na base da planta você verá 2 a 3 folhas verdes e mais curtas do que o eixo da inflorescência. 

O caule é triangular, liso, e no ápice você irá ver 7 a 8 brácteas. A inflorescência tem cor amarelo-ferrugínea e a propagação é através de sementes.

foto de Cyperus iria no campo

Cyperus iria
(Fonte: Moreira e Bragança, 2010)

Cyperus odoratus

Conhecida também por capim-de-cheiro, chufa, junça, junça-de-ouriço, pelo-de-sapo, tiriricão ou três-quinas. 

É uma planta herbácea, anual ou perene, entouceirada, e que se desenvolve nas regiões Sudeste e Sul do Brasil, principalmente em locais muito úmidos.

Apresenta caule subterrâneo do tipo rizoma, curto e grosso, que exala odor agradável. As folhas da base têm tamanhos variáveis, algumas ultrapassam a altura do escapo. O caule é triangular, sem pelos, verde, com 5 a 9 brácteas no ápice de vários tamanhos.

A propagação é através de sementes e fragmentação do rizoma.

foto de Cyperus odoratus - controle de tiririca

Cyperus odoratus
(Fonte: Moreira e Bragança, 2010)

Cyperus rotundus

Conhecida por capim-dandá, junça, tiririca, tiririca vermelha ou tiririca-de-três-quinas. É uma planta herbácea, perene, ereta, tuberosa, rizomatosa e que se desenvolve em todo o país.

De todas as tiriricas, essa espécie é a mais agressiva, pois apresenta caules do tipo bulbo e rizoma.

As folhas da base da planta são um pouco menores que o eixo da inflorescência. O caule é triangular, liso, sem ramificação, com 3 brácteas no ápice, com uma delas se destacando pelo seu comprimento. 

A inflorescência é do tipo espiga de coloração vermelho-ferrugínea. A propagação é através de sementes, bulbos, tubérculos e rizomas. 

foto de Cyperus rotundus

Cyperus rotundus
(Fonte: Moreira e Bragança 2010)

Herbicidas mais recomendados para controle de tiririca

As espécies de tiriricas podem estar presentes em diversas culturas. Na tabela abaixo, separei os principais herbicidas utilizados para controle químico de diferentes tiriricas:

tabela com os principais herbicidas utilizado no controle de tiririca para cada espécie

(Fonte: adaptado de Guia de Herbicidas, 2018; Agrofit, 2020)

Abaixo também separei algumas informações sobre alguns produtos registrados para controle de tiririca.

Bentazon

O bentazon é um herbicida seletivo para soja, arroz, feijão, milho e trigo. Não tem ação sistêmica e pertencente ao mecanismo de ação dos Inibidores do Fotossistema 2.

Em lavoura de arroz irrigado, o bentazon é utilizado para o controle de tiririca Cyperus iria, C. ferax, C. difformis, C. esculentus e C. lanceolatus. As plantas daninhas devem estar com no máximo 12 cm de altura. 

Nesse caso, deve-se retirar a água antes do tratamento para expor as folhas das plantas daninhas e voltar a irrigar após 48 horas.

A dose utilizada é de 1,6 L p.c. ha-1 de Basagran® 600 ou de 2,0 L p.c. ha-1 de Basagran® 480. Lembrando que o intervalo de segurança para arroz é de 60 dias. 

Carfentrazone

O carfentrazone é um herbicida pós-emergente, seletivo condicional de ação não sistêmica, pertencente aos Inibidores da PROTOX.

Em arroz irrigado, é indicado para o controle de tiririca Cyperus difformis na dose de 100 a 125 mL/ha de Aurora® 400 EC.

Ethoxysulfuron

O ethoxysulfuron é um herbicida seletivo, pré e pós-emergente utilizado para o controle de tiririca no arroz. 

A dose recomendada em arroz irrigado é de 100 g/ha para o controle de tiririca Cyperus iria, Cyperus ferax e Cyperus esculentus com 2 a 4 folhas.

Sulfentrazone

O sulfentrazone é um herbicida pré-emergente, seletivo condicional de ação sistêmica, pertencente aos Inibidores da PROTOX.

Em cana-de-açúcar, é indicado para o controle em pré-emergência de Cyperus rotundus, na dose de 1,6 L/ha de Boral 500 SC.

Em soja, é utilizado em pré-emergência das plantas daninhas e da cultura, na dose máxima de 1,2 L/ha (solos argilosos), o que já ajuda no controle da tiririca.

Diclosulam

O diclosulam é um herbicida seletivo, aplicado ao solo, recomendado para o controle de tiririca e de algumas plantas daninhas de folhas largas e estreitas em cana-de-açúcar, podendo ser utilizado em cana-planta e na soqueira úmida.

Em cana-de-açúcar, é indicado para o controle em pré-emergência de Cyperus rotundus, na dose de 126 a 231 g/ha de Coact.

foto de Sintomas de glifosato em Cyperus flavus

Sintomas de glifosato em Cyperus flavus
(Fonte: arquivo pessoal da autora)

Como vimos, o manejo das espécies de tiririca não é tão simples, principalmente quando estamos falando das culturas de soja e milho.

Em soja, o uso de sulfentrazone pode auxiliar no manejo em pré-emergência. 

Em pós-emergência da soja e do milho tolerantes ao glifosato, o uso deste herbicida pode ajudar no controle de tiririca.

Casos de resistência de tiririca no Brasil e no mundo

No mundo são 18 casos de resistência de plantas daninhas do gênero Cyperus resistentes a herbicidas. Desses relatos, 2 são no Brasil.

Separei para vocês na tabela abaixo os casos no mundo:

tabela com casos de resistência a herbicidas - controle de tiriricas

(Fonte: adaptado de Heap, 2020)

Banner de chamada para o download da planilha de cálculos de insumos

Conclusão

Nesse artigo, abordamos as principais espécies de tiririca e como fazer a identificação correta das mais frequentes nas lavouras.

Também mostramos quais os herbicidas registrados para o controle, recomendações para algumas culturas e os casos de resistência no Brasil e no mundo.

Com essas informações, espero que você possa fazer o controle de tiririca com sucesso e livrar sua lavoura dessa daninha!

Referências

Lorenzi, H. Manual de identificação e controle de plantas daninhas: plantio direto e convencional. 7 ed. Nova Odessa, SP. Instituto Plantarum, 2014.

Moreira, H.J.C. Bragança, H.B.N. Manual de identificação de plantas infestantes cultivos de verão. Campinas, SP, 2010.

Rodrigues, B.N.; Almeida, F.S. Guia de Herbicidas. 7 ed. Londrina, PR. Edição dos Autores, 2018.

>> Leia mais:

Como fazer o controle não químico para plantas daninhas”

9 fatos primordiais para o manejo de ervas daninhas resistentes ao glifosato

Como fazer o manejo eficiente do capim-carrapicho

Qual é sua maior dificuldade no controle de tiririca em sua propriedade? Ficou com alguma dúvida? Baixe gratuitamente aqui o Guia para Manejo de Plantas Daninhas!

Aplicação noturna de defensivos agrícolas: quando vale a pena?

Aplicação noturna de defensivos agrícolas: saiba em quais situações pode ser utilizada e quais cuidados tomar para ter alta eficiência.

O aumento da eficiência da aplicação de defensivos agrícolas vem sendo muito discutida nestes últimos anos e pode ser crucial para o aumento de produtividade. 

Mas um grande problema é conciliar as recomendações de período ideal de aplicação com as condições ideais de clima. E essa situação é agravada nas regiões mais áridas do país, pois apresentam dias muito secos e quentes. 

Desta forma, as aplicações noturnas podem ser uma ótima opção, desde que sejam tomados os cuidados necessários para garantir sua eficiência. 

Quer saber mais sobre os cuidados e precauções para a aplicação noturna de defensivos? Confira a seguir! 

Boas práticas na tecnologia de aplicação de defensivos

Mesmo utilizando toda a tecnologia de aplicação de defensivos, o clima ainda possui uma influência muito grande em sua eficiência. 

Para que uma aplicação seja bem-sucedida, recomenda-se que: 

  • a temperatura no momento da aplicação esteja abaixo de 30℃;
  • a umidade relativa do ar esteja acima de 60%;
  • a velocidade do vento esteja entre 3 km h-1 e 6,5 km h-1, não ultrapassando os 10 km h-1.

Entretanto, vivemos em um país com uma variação climática muito grande nas diferentes regiões. E nas regiões mais áridas, é muito difícil a ocorrência destas condições durante o dia. 

Além disso, o momento de aplicação é fundamental para o controle eficiente de pragas, doenças e plantas daninhas

Por exemplo, para controle de plantas daninhas, recomenda-se aplicação de herbicidas em plantas de folhas largas com até 4 folhas e folhas estreitas com até 3 perfilhos. Assim, às vezes se entra em um dilema: realizar aplicação no momento ideal ou esperar as condições climáticas ideais? 

Para poder aplicar o defensivo na época ideal, uma opção é realizar aplicações noturnas, pois, nesse horário, as condições climáticas tendem a ser mais favoráveis. 

Mesmo essa aplicação sendo viável em muitos casos, é preciso responder a uma série de perguntas antes de optar por essa modalidade. E é sobre isso que falarei a seguir:

foto de aplicação noturna de defensivos agrícolas

Aplicação noturna de defensivos agrícolas 
(Fonte: FPA)

O que considerar para a aplicação noturna de defensivos agrícolas?

Tecnologia e capacitação do aplicador

A primeira dificuldade de se realizar uma aplicação noturna de defensivos é o nível de visibilidade no momento da aplicação. Por isso, para optar por esta aplicação, é preciso ter um pulverizador que se adapte a essas condições. 

Para isso, é essencial um bom sistema de iluminação, preferencialmente com implementação de sistema de iluminação complementar. Ainda assim, para o aplicador realizar a operação com sucesso, o pulverizador deve possuir luzes extras em locais estratégicos, caso ocorram falhas no funcionamento. 

Caso uma ponta de pulverização não funcione corretamente ou uma mangueira se solte, o aplicador deve ter plenas condições de visualizar o problema e consertá-lo, se for possível, no campo.

Além disso, uma importante ferramenta para essa modalidade é um bom sistema de posicionamento global (GPS). Ele vai auxiliar o operador em condições de menor visibilidade. 

O aplicador deve ser treinado para operar neste período, sabendo os procedimentos de segurança, para garantir a eficiência da aplicação e a integridade da máquina e de sua saúde.

O gestor da fazenda deve planejar a jornada de trabalho desse aplicador para que seja compatível com essa prática. Isso porque, devido ao nosso relógio biológico, nesse período o aplicador tem maior propensão a sono e cansaço. 

Posição do alvo

Antes de realizar uma aplicação noturna deve-se ter certeza de acertar o alvo neste período. Muitas lagartas, por exemplo, têm hábitos noturnos de alimentação e estão mais suscetíveis neste período. 

Já na aplicação de fungicidas que necessitam uma boa cobertura foliar, deve-se levar em conta o movimento natural das folhas (nictinastia) – elas estarão mais anguladas no período da noite, o que pode dificultar a deposição da calda. 

Por outro lado, essa angulação das folhas pode ser uma excelente oportunidade de atingir alvos na parte inferior da planta ou no solo, sendo uma boa estratégia no controle de lagartas (ex: lagarta-rosca). 

Também devido a essa maior angulação das folhas, o uso de gotas maiores ou adjuvantes com muita capacidade tensoativa (organosiliconados) podem proporcionar maior escorrimento e menor cobertura da folha. 

Movimentação das folhas de soja

Movimentação das folhas de soja
(Fonte: AgroPrecisão)

Necessidade de luz para funcionamento do produto

Alguns produtos como o glifosato tem melhor eficiência na presença de luz, pois o produto tem como característica uma rápida absorção e translocação logo após aplicação. 

Na ausência de luz, a cadeia transportadora deste produto não estará funcionando plenamente. 

Já outros produtos, mesmo precisando de luz para agir (ex: paraquat, diquat, inibidores da protox), podem ser aplicados no período noturno desde que o dia seguinte não amanheça nublado ou chuvoso. 

No caso destes produtos que possuem uma ação muito rápida, a aplicação noturna pode proporcionar um maior espalhamento do produto na folha. E, no dia seguinte, com as primeiras luzes do dia, os herbicidas irão apresentar um melhor controle. 

Condições climáticas no momento e após a aplicação noturna de defensivos

Os principais problemas na aplicação noturna de defensivos são os fenômenos de inversão térmica e ocorrência de orvalho.  

No começo da manhã e final da tarde, principalmente em áreas baixas ou próximas a matas, em situações de pouco vento, a atmosfera pode ficar estável. Isso mantém gotas pequenas em suspensão, impedindo que elas cheguem ao alvo, aumentando muito as chances de deriva em cultivos vizinhos.

Por isso, no momento de aplicação, certifique-se que ocorram ventos de pelo menos 3 km h-1.  

Além disso, a ocorrência de orvalho no momento ou logo após a aplicação pode ser muito prejudicial à deposição do produto na folha, favorecendo o escorrimento das gotas.  

Sendo assim, de modo geral, a aplicação noturna pode ser um ótima técnica, porém, certifique-se de estar atento a todos esses itens antes de utilizá-la.

Como saber a hora certa de aplicar defensivos

Para evitar gastos excessivos com defensivos agrícolas, é importante que você faça o monitoramento de pragas e doenças. Essa rotina de controle pode ser operacionalizada com a ajuda de um software de gestão agrícola como o Aegro.

O Aegro te ajuda a identificar focos de infestação na lavoura, gerando relatórios de controle das pragas-alvo. Você consegue identificar os talhões da propriedade que estão suscetíveis a dano econômico e planejar uma pulverização localizada

Além disso, você pode organizar todo o seu calendário de atividades de safra no Aegro. Defina a data de realização das operações e a quantidade de produto que será aplicada em cada área.

Exemplo de controle de atividades de safra pelo software Aegro

Exemplo de controle de atividades de safra pelo software Aegro

O registro da atividade é feito pelo celular, diretamente do campo, mesmo sem internet. Com o uso de tecnologia de georreferenciamento, você marca pelo aplicativo o ponto em que foi realizada a aplicação.

Assim, seu registro se torna mais preciso e detalhado para que você possa avaliar os resultados da aplicação noturna de defensivos na plantação. Clique aqui e comece a usar o Aegro de graça!

Conclusão 

Em muitas regiões existe um dilema entre realizar a aplicação no momento ideal ou esperar condições climáticas adequadas. Como alternativa a esse problema, há a opção das aplicações noturnas de defensivos.

Esse método pode ser excelente em algumas situações, mas é necessário se atentar a alguns fatores para obter alta eficiência. A boa capacitação do aplicador, adaptação do pulverizador à operação são alguns exemplos. 

Além disso, deve-se ter certeza de que irá atingir o alvo e o que o produto utilizado manterá sua atividade na ausência de luz.

Tendo cumprido esses requisitos, cuidado com os fenômenos de inversão térmica e formação de orvalho, e faça uma excelente aplicação!

>> Leia mais:

Como fazer o controle de estoque de defensivos agrícolas em 5 passos

5 novas tecnologias envolvendo defensivos agrícolas

Você realiza aplicação noturna de defensivos agrícolas? Já teve algum problema quanto à eficiência de produtos? Adoraria ver seu comentário abaixo!

Como identificar e controlar o capim-arroz na sua lavoura

Capim-arroz: saiba quais as espécies, como identificá-las e os herbicidas recomendados para o controle.

As plantas daninhas estão entre os principais desafios diários enfrentados no campo. 

O capim-arroz é uma das plantas invasoras que mais interferem na produção de arroz, podendo representar perdas de até 90% na produtividade. 

Além disso, também afeta outras culturas, sendo prejudicial à produção de grãos, por exemplo.

Confira neste artigo as três principais espécies de capim-arroz, os casos de resistência no Brasil e no mundo e os herbicidas que controlam esta daninha!

Importância do capim-arroz

As plantas daninhas conhecidas por capim-arroz pertencem ao complexo de espécies do gênero Echinochloa, dentre elas:

  • Echinochloa colona;
  • Echinochloa crus-galli;
  • Echinochloa crus-pavonis.

O principal problema com estas daninhas é a semelhança com o arroz cultivado. Por este motivo, o controle de capim-arroz com herbicidas seletivos na cultura do arroz é mais difícil.

Vou explicar as características das três principais espécies e como fazer o controle a seguir:

Foto da autora de Echinochloa colona (capim-arroz)

Echinochloa colona (capim-arroz)
(Fonte: arquivo pessoal da autora)

Echinochloa colona 

Esta espécie também é conhecida por angolinho-branco, capim-arroz, capim-colônia, capim-da-colônia, capim-coloninho, capim-jaú ou capituva. 

Echinochloa colona (capim-arroz)

Echinochloa colona (capim-arroz)
(Fonte: Moreira e Bragança, 2010)

É uma gramínea anual pertencente à família Poaceae.

Planta ereta, entouceirada e que se desenvolve em todo o país, ocupando áreas de baixadas, onde os solos são saturados ou com pouca umidade. 

Sendo assim, uma planta daninha comum em lavouras de arroz irrigado. 

Indiretamente, interfere sobre as plantas cultivadas pois hospeda nematoides e vírus causadores de doenças.

O colmo da planta é adaptado para áreas encharcadas e possui algumas características como:

  • presença de aerênquima;
  • chega a 80 cm de altura;
  • cilíndrico;
  • delgado;
  • muito ramificado;
  • tem capacidade de emitir raízes nos nós basais. 

As folhas possuem pequena fenda lateral, não possuem ligula, sendo substituída por um colar branco ou levemente rosado. 

A lâmina é lanceolada, glabra (sem pelos) nas duas faces e com a base arredondada, além do ápice agudo, as margens são serrilhadas. 

A inflorescência é do tipo panícula com longo eixo onde cada ramificação do colmo termina em uma unidade de inflorescência. 

A espécie pode ser identificada em campo por meio da panícula, que comporta uma associação de espigas inseridas de forma alternada, opostas e verticiladas num mesmo eixo. 

duas fotos representativas do Echinochloa colona (capim-arroz)

Echinochloa colona (capim-arroz)
(Fonte: UFSCar/CCA)

Casos de resistência no Brasil e no mundo

São 26 casos de Echinochloa colona resistente a herbicidas no mundo, mas nenhum caso registrado no Brasil.

Echinochloa crus-galli

Esta espécie também é conhecida pelos nomes de barbudinho, capim-arroz, capim-capivara, capim-da-colônia, capim-jaú, capim-pé-de-galinha, canevão, capituva, inço-de-arroz ou gervão. 

Echinochloa crus-galli (capim-arroz)

Echinochloa crus-galli (capim-arroz)
(Fonte: Moreira e Bragança, 2010)

É uma gramínea anual pertencente à família Poaceae.

Sendo, assim, ereta quando vegeta em área com lâmina d’água ou decumbente com enraizamento nos nós basais quando está em solos secos.

Forma touceiras e se desenvolve em todo o país, ocupando áreas úmidas, cultivadas ou passíveis de cultivo. 

Está entre as principais plantas daninhas em lavouras de arroz irrigado e arroz de várzea.

A planta possui colmo cilíndrico ou achatado e com ramificações basais. As folhas têm a bainha aberta, em longa fenda lateral e, lígula ausente. 

A lâmina é linear-lanceolada, glabra e com as margens inteiras ou discreta e levemente onduladas. 

Inflorescência terminal do tipo panícula, onde cada ramificação termina por uma unidade de inflorescência. Panícula piramidal constituída por numerosas espigas mais afastadas na base e menores e mais compressas no ápice ou terminando numa espiga. 

Espiguetas ovaladas sem aristas, de coloração verde ou pigmentadas de arroxeado. 

Pode ser determinada em campo por meio da morfologia da inflorescência e das espiguetas. 

Casos de resistência no Brasil e no mundo 

No mundo, são 46 casos de Echinochloa crus-galli resistente a herbicidas.

Destes, 3 casos são no Brasil, todos em lavouras de arroz:

Tabela dividida por ano e herbicida, sendo: 1999 quinclorac, 2009 bispyribac, imazethapyr, penoxsulam e quinclorac e 2015 cyhalofop, penoxsulam e quinclorac.

(Fonte: Heap, 2020)

Duas fotos representativas da Echinochloa crus-galli (capim-arroz)

Echinochloa crus-galli (capim-arroz)
(Fonte: Universidade Federal de São Carlos/CCA)

Echinochloa crus-pavonis

É também conhecida por camarão, capim-arroz, capim-canevão, barbudinho capim-canevão-do-banhado, capim-da-colônia, capim-jaú, capim-pavão, capim-pé-de-galinha, capituva, gervão, inço-de-arroz. 

Echinochloa crus-pavonis (capim-arroz)

Echinochloa crus-pavonis (capim-arroz)
(Fonte: Moreira e Bragança, 2010)

É uma gramínea anual pertencente à família Poaceae.

Também é ereta quando vegeta em área com lâmina d’água ou decumbente com enraizamento nos nós basais quando instalada em solos secos.

Forma touceiras e que se desenvolve em todo o país, ocupando frequentemente áreas úmidas ou passíveis de cultivo. 

Está entre as principais espécies de plantas daninhas invasoras na cultura do arroz irrigado.

Seu colmo é cilíndrico ou achatado e com ramificações basais. As folhas têm bainha aberta em longa fenda lateral e lígula ausente. 

A lâmina é linear-lanceolada, glabra e com as margens inteiras ou discreta e levemente onduladas. A inflorescência é terminal do tipo panícula.

Casos de resistência no Brasil e no mundo

Só há um caso no mundo de capim-arroz Echinochloa crus-pavonis resistente a herbicidas, sendo ele no Brasil, em lavouras de arroz, no ano de 1999, ao herbicida quinclorac.

Duas fotos representativas da Echinochloa crus-pavonis (capim-arroz)

Echinochloa crus-pavonis (capim-arroz)
(Fonte: UFSCar/CCA)

Como fazer o controle do capim-arroz na lavoura

Na tabela abaixo, você pode conferir os herbicidas recomendados para o controle das principais espécies de capim-arroz.

Lembrando que o uso de herbicidas deve ser associado com outras práticas de manejo de plantas daninhas como: controle preventivo, cultural, mecânico, físico ou biológico.

Assim, o uso de cada um destes herbicidas depende da cultura que você semeará.

Tabela com plantas daninhas (Echinochloa colona, Echinochloa crus-falli e Echinochloa crus-pavonis) e herbicidas correspondentes.

Na próxima tabela, veja os herbicidas registrados para o controle de capim-arroz em lavouras de arroz, soja, milho, feijão, algodão e cana-de-açúcar.

Lembrando que a seletividade do herbicida depende de vários fatores como:

  • dose;
  • época de aplicação;
  • modo de aplicação;
  • estádio de desenvolvimento da cultura.

Por isso, verifique a bula do herbicida para saber as recomendações de uso de cada um dos produtos listados.

Tabela com culturas e herbicidas correspondentes.

Conclusão

O capim-arroz é uma planta daninha muito prejudicial a diversas culturas, principalmente em lavouras de arroz, devido à dificuldade de controle com herbicidas seletivos.

Neste texto, você aprendeu como identificar três espécies de capim-arroz e os casos de resistência a herbicidas registrados.

Também viu os principais produtos usados para controle desta planta daninha em outras culturas como grãos, algodão e cana-de-açúcar.

Espero que, com essas informações, você faça um controle eficiente do capim-arroz na sua lavoura!

>> Leia mais:

“Como identificar e fazer o controle da tiririca na lavoura”

Gostou do texto? Tem mais dicas sobre controle do capim-arroz? Baixe aqui o Guia para Manejo de Plantas Daninhas e controle outras invasoras da sua lavoura!

Como funciona o novo herbicida Luximo para controle de daninhas resistentes

Herbicida Luximo: conheça o novo mecanismo de ação do mercado e seu desempenho no controle de invasoras.

Um dos maiores problemas da agricultura brasileira vem sendo o manejo de plantas daninhas resistentes a herbicidas.

Todos os anos surgem novos casos de invasoras resistentes a diferentes modos de ação, o que dificulta o controle e agrava a situação.

Um novo produto, que atua em sítio de ação diferente, acaba de ser lançado no mercado internacional: o herbicida Luximo. Neste artigo, vou explicar a importância desse lançamento e como pode ser seu posicionamento no mercado brasileiro. Confira!

Desenvolvimento de novos herbicidas

O desenvolvimento de novas moléculas herbicidas sempre gerou grande custo no orçamento das empresas de agroquímicos. Além disso, alguns acontecimentos históricos reduziram drasticamente o lançamento de herbicidas no mundo. 

O principal fator para redução desse investimento por parte das companhias foi a chegada de cultivares transgênicos com resistência a glifosato

Como o glifosato é um herbicida não seletivo, com alta eficiência de controle mesmo em plantas mais desenvolvidas, as empresas voltaram seu recursos para desenvolvimento de culturas transgênicas e para outros setores do mercado. 

Outro ponto foram as exigências ambientais e sanitárias maiores nas últimas décadas, o que também impacta nos custos de produção das empresas, pois órgãos regulatórios só liberam produtos com baixa toxicidade ao ambiente e ao ser humano. 

Além disso, nos últimos anos houve compras e fusões de grandes empresas do setor. Consequentemente, isso diminuiu a oportunidade de metodologias de pesquisas inovadoras. 

Porém, com aumento da resistência de diversas ervas daninhas ao glifosato, muitas empresas retomaram os investimentos em novas moléculas.

As companhias também têm reavaliado moléculas descobertas no passado. São substâncias que não foram lançadas na época por não serem competitivas, mas que hoje se tornaram excelentes ferramentas para manejar a resistência de daninhas. 

Um exemplo prático é o cinmethylin, justamente o princípio-ativo do herbicida Luximo. Descoberto em 1981, só agora ganhou mercado devido ao aumento de casos de gramíneas resistentes como o azevém.

Número de novos casos de espécies de plantas daninhas resistentes a herbicidas por mecanismo de ação no mundo

Número de novos casos de espécies de plantas daninhas resistentes a herbicidas por mecanismo de ação no mundo
(Fonte: Heap)

Mecanismo de ação do herbicida Luximo

O herbicida Luximo, como adiantei acima, tem a cinmethylin como ingrediente ativo. Essa molécula atua inibindo a síntese ácidos graxos Tioesterase (FAT), danificando a membrana celular e a formação de novos tecidos vegetais. 

É, portanto, um herbicida recomendado para aplicação em pré-emergência das plantas daninhas.

Ao entrar em contato com sementes de daninhas no início da germinação, ele impede a formação de membranas celulares e, consequentemente, a emergência. Assim, controla várias plantas daninhas de folha estreita e algumas de folha larga!

Mesmo possuindo ação semelhante a alguns herbicidas como trifluralina e pyroxasulfone, o Luximo tem mecanismo de ação novo. E não existem casos de resistência registrados no mundo. 

O produto foi submetido a diversos estudos na Austrália, país que tem grande problema com resistência de azevém (Lolium rigidum). Sua eficiência foi testada em 130 populações suspeitas de resistência a outros herbicidas e foi eficaz em todas as populações. 

Além disso, populações com resistência simples e múltipla aos herbicidas trifluralina, pyroxasulfone e prosulfocarb já registradas na Austrália também foram tratadas com Luximo, apresentando ótimo controle. 

Desta forma, os pesquisadores australianos consideraram o novo herbicida uma importante ferramenta no combate a plantas daninhas resistentes. 

Recomendação de manejo do herbicida Luximo na Austrália

Na Austrália, esse herbicida é recomendado principalmente para controle de folhas estreitas na cultura do trigo, fornecendo controle residual de até 12 semanas

O trigo possui seletividade bioquímica ao herbicida, ou seja, tem capacidade de metabolizar parte do herbicida por meio de um complexo enzimático chamado fitocromo p450.  

Contudo, mesmo tendo essa capacidade de metabolização, os cultivos de trigo não podem ter contato com grandes quantidades do herbicida, pois poderão ter seu desenvolvimento inicial prejudicado.

Por isso, recomenda-se que a cultura seja plantada mais fundo (no mínimo 3 cm) que o convencional. 

Para melhorar a ação do produto e diminuir sua degradação, recomenda-se que seja aplicado 3 dias antes da semeadura, incorporado no processo. 

Porém, alguns ajustes devem ser realizados para que o solo tratado não seja acumulado próximo à semente. 

Provavelmente este produto será recomendado da mesma forma no Brasil ou no sistema de plante-aplique. 

Também é importante ressaltar que, assim como para outros herbicidas aplicados em pré-emergência, alguns cuidados devem tomados: 

  • Aplicação em solo úmido e livre de torrões;
  • Aplicação em solo com com menos de 50% de cobertura por palhada ou cobertura vegetal (incluindo plantas daninhas);
  • Previsão de chuvas leves nos próximos 10 dias após aplicação.

Este produto deve ser lançado no Brasil nos próximos anos e será uma importante ferramenta para o controle de plantas daninhas resistentes!

Conclusão

Vimos neste texto o atual cenário do desenvolvimento de novos herbicidas no mundo e os fatores que diminuíram o lançamento de moléculas no últimos anos. 

Também citamos a importância da inserção de diferentes mecanismos de ação no manejo de resistência de plantas daninhas, como o Luximo. 

Você conferiu o histórico de uso do produto na Austrália, primeiro país a liberá-lo comercialmente. Assim, pode entender seu papel no controle de plantas daninhas resistentes e seu possível posicionamento de mercado no Brasil. 

>> Leia mais:

Como fazer o manejo eficiente do capim-amargoso

Você tem dúvidas sobre outros herbicidas para plantas daninhas? Já conhecia o herbicida Luximo? Adoraria ver seu comentário abaixo! 

Entenda como fazer o manejo de Amaranthus hybridus (Caruru)

Manejo de Amaranthus hybridus: Como usar os herbicidas em soja e milho para controlar essa planta daninha.

As espécies de carurus estão presentes em diversas culturas, causando prejuízos quantitativos e qualitativos.

Sempre escutamos que o ideal é realizar o manejo integrado de plantas daninhas e, principalmente, rotacionar os mecanismos de ação dos herbicidas.

Mas essa tarefa nem sempre é das mais fáceis, não é mesmo?

Por isso, no texto de hoje vou mostrar as opções de herbicidas que temos para o manejo de umas das principais espécies de carurus: o Amaranthus hybridus.

Herbicidas registrados para o manejo de Amaranthus hybridus

Temos vários produtos registrados para controlar o A. hybridus. Na tabela abaixo eu os separei para você de acordo com o mecanismo de ação. Veja:

Herbicidas registrados para o manejo de Amaranthus hybridus

Como você pôde observar pela tabela, temos várias opções para manejo do Amaranthus hybridus, com 9 diferentes tipos de mecanismos de ação.

A escolha do herbicida vai depender, primeiramente, de qual cultura você vai semear.

Assim, vamos ver o posicionamento dos herbicidas de acordo com as culturas da soja e do milho.

manejo de Amaranthus hybridus

Caruru (Amaranthus hybridus var. patulus) e caruru-roxo (Amaranthus hybridus var. paniculatus)
(Fonte: Arquivo da autora)

Manejo de Amaranthus hybridus em soja

Para a soja, os herbicidas registrados são: 

  • 2,4-D
  • clomazone
  • clorimurom
  • dicamba
  • fomesafen
  • glifosato
  • lactofen
  • fomesafen
  • trifluralina
  • sulfentrazone
  • s-metolachlor
  • metribuzin
  • imazamox
  • glufosinato
  • imazetapir

Alguns herbicidas não são seletivos para a soja, por isso, são muito utilizados na dessecação pré-plantio e no manejo das plantas daninhas durante a entressafra

Antes do plantio, os herbicidas utilizados na dessecação incluem o glifosato, o 2,4-D e o glufosinato. 

Fazendo a dessecação e plantando no “limpo”, você já estará dando vantagem competitiva para a soja e desfavorecendo as plantas daninhas.

Vamos entender agora como posicionar alguns herbicidas em pré-emergência.

caruru-roxo

Caruru-roxo (Amaranthus hybridus var. paniculatus)
(Fonte: Arquivo da autora)

Herbicidas pré-emergentes para manejo de Amaranthus hybridus em soja

Sulfentrazone

Quando aplicar: em soja, o sulfentrazone é aplicado em pós-plantio (antes da emergência da soja), em pré-emergência das plantas daninhas. 

Dose: para solos médios e leves a recomendação é de 0,8 L/ha para o controle de A. hybridus.

S-metolachlor 

Quando aplicar: pré-emergência das plantas daninhas, podendo ser aplicado até o estádio de palito de fósforo (com cotilédones fechados).

Dose: 1,5 a 2,0 L/ha.

Trifluralina 

Quando aplicar: pré-emergência ou pré-plantio incorporado.

Dose: em pré-emergência usar de 3,0 a 4,0 L/ha em solo médio e pesado. A maior dose é utilizada em solos com teor de matéria orgânica acima de 5% (Premerlin 600 CE).

Em pré-plantio incorporado, quando a incorporação for normal (10 a 12 cm), usar de 0,9 a 1,2 L/ha em solo leve; 1,2 a 1,5 L/ha em solo médio e 1,5 a 1,8 L/ha em solo pesado  (Premerlin 600 CE).

Já em incorporação superficial (2,0 cm), usar 1,5 a 2,0 L/ha em solo médio e pesado  (Premerlin 600 CE).

Clomazone

Quando aplicar: pode ser usado no sistema plante-aplique. 

Dose: 1,6 L/ha para o manejo de A. hybridus (Gamit).

Lembrando que não é recomendado aplicar clomazone a menos de 800 metros de lavouras de milho, girassol, hortas, pomares, viveiros, casa de vegetação, videiras, jardins e arvoredos.

manejo de Amaranthus hybridus

Caruru-roxo (Amaranthus hybridus var. paniculatus)

Manejo de Amaranthus hybridus em milho

Para o milho, os herbicidas registrados são: 

  • 2,4-D
  • atrazina
  • mesotrione
  • nicosulfuron
  • glifosato
  • glufosinato
  • s-metolachlor
  • trifluralina

Controle de Amaranthus hybridus em milho com herbicidas em pré-emergência

Atrazina

Quando aplicar: pré-emergência ou pós-emergência precoce. 

Dose: em pós-semeadura usar 3,0 L/ha em solo leve, 5,0 L/ha em solo médio e 6,5 L/ha em solo pesado (Atrazina Nortox 500 SC).

Temos vários produtos registrados, consulte a bula para ver a dose recomendada.

Em geral, pode ser aplicado no sistema 3 em 1, no qual em uma operação se aduba, planta e aplica o herbicida.

S-metolachlor

Quando aplicar: aplicar em pré-emergência da cultura e das plantas daninhas. 

Dose: 1,5 a 1,75 L/ha. 

Pode ser aplicado até na fase de charuto do milho, mas sempre em pré-emergência das plantas daninhas.

Trifluralina

Quando aplicar: pré-emergência.

Dose: para os Estados do Rio Grande do Sul, São Paulo e Paraná, usar 3 L/ha em solo leve, 3,5 a 4,0 L/ha em solo médio e 4 L/ha em solo pesado. Semear o milho na profundidade mínima de 5 cm e aplicar em pós-plantio (Premerlin 600 CE).

lavoura de milho com pulverizador

(Fonte: Christoffoleti et al., 2015)

Controle de Amaranthus hybridus em milho com herbicidas em pós-emergência

Nicosulfuron

Já foi muito utilizado no manejo de plantas daninhas no milho, mas o produtor deve possuir alguns conhecimentos prévios para não prejudicar o cultivo.

Quando aplicar: deve ser aplicado na pós-emergência do milho, quando as plantas estiverem com 2 a 6 folhas.

Dose: 1,25 a 1,5 L/ha. A menor dose para plantas daninhas com 2 a 4 folhas e a maior dose para plantas daninhas com 4 a 6 folhas.

No momento da aplicação o milho deverá estar com 2 a 6 folhas (10 cm a 25 cm de altura).

Os híbridos de milho apresentam diferentes padrões de sensibilidade ao nicosulfuron. Assim, é necessário pesquisar sobre a suscetibilidade do híbrido escolhido antes de aplicá-lo.

Além disso, este herbicida não deve ser misturado com inseticidas organo fosforados ou ao 2,4-D. 

Caso ocorra aplicação destes produtos na área ou adubação nitrogenada em cobertura, deve-se respeitar um período mínimo de 7 dias para aplicar o nicosulfuron.

Mesotrione

Alternativa para controle de folhas largas no milho.

Quando aplicar: aplicar de 2 a 3 semanas após semeadura do milho, sobre plantas daninhas em pós-emergência precoce (2 a 4 folhas).

Dose: 0,3 a 0,4 L/ha para o controle de A. hybridus com 2 a 4 folhas.

Lembrando que herbicidas utilizados em pós-emergência geralmente necessitam a adição de adjuvante. Por isso sempre leia a bula com cuidado para verificar qual adjuvante e dose são necessários.

Casos de resistência no Brasil e no mundo

Hoje no Brasil temos casos de Amaranthus hybridus, Amaranthus palmeri, Amaranthus retroflexus e Amaranthus viridis resistentes a herbicidas.

No caso do A. hybridus, o caso de resistência foi relatado no ano de 2018 aos herbicidas chlorimuron e glifosato.

É um caso de resistência múltipla, pois o biótipo de planta daninha é resistente a dois herbicidas de diferentes mecanismos de ação.

No mundo, são 32 relatos de biótipos A. hybridus resistente a herbicidas. 

Entre os países com casos relatados estão: Argentina, Bolívia, Brasil, EUA, Canadá, França, Israel, Itália, Espanha, África do Sul e Suíça.

Na Argentina, por exemplo, são 5 casos relatados de biótipos de A. hybridus resistentes a herbicidas, dos quais temos:

  • chlorimuron e imazethapyr (1996);
  • glifosato (2013);
  • glifosato e imazethapyr (2014);
  • 2,4-D, dicamba e glifosato (2016);
  • 2,4-D e dicamba (2016).

Conclusão

Temos muitas opções para fazer o manejo de Amaranthus hybridus, seja em pré ou pós-emergência.

Neste texto, você pôde ver o posicionamento de alguns herbicidas para manejar essa planta daninha na cultura da soja e do milho. 

Lembrando que o uso de herbicida é uma ferramenta complementar aos outros manejos que devemos praticar em nossas lavouras.

>> Leia mais: 

Entendendo o herbicida sistêmico e dicas para a eficiência máxima na lavoura

Os 5 melhores aplicativos de identificação de plantas daninhas

Ainda tem dúvidas sobre o manejo de Amaranthus hybridus? Tem outras plantas daninhas causando problemas em sua lavoura? Baixe gratuitamente aqui o Guia para Manejo de Plantas Daninhas!

Pragas quarentenárias: entenda os tipos e o que fazer para impedir a sua presença

Pragas quarentenárias: importância, tipos, estações quarentenárias, como impedir sua entrada e pragas não quarentenárias regulamentadas.

As culturas agrícolas são afetadas por muitas pragas que podem causar sérios prejuízos. Muitas delas entraram no país ao longo dos anos e há constante ameaça da entrada de novos vírus, doenças, daninhas, etc.

Por isso, é extremamente importante o conhecimento de pragas quarentenárias, assim como a fiscalização e o controle de materiais vegetais.

E você sabe o que é necessário para impedir a entrada das pragas quarentenárias? Entende as definições de A1 e A2?

Tire todas as suas dúvidas neste artigo. Confira!

Introdução de pragas quarentenárias no território brasileiro

Quando falamos de pragas, devemos ter o conceito muito bem definido de acordo com a legislação: praga é todo ser vivo nocivo a vegetais! Assim, praga compreende doenças, insetos, ácaros e plantas daninhas.

Nem todas as pragas que afetam as culturas agrícolas cultivadas no Brasil estiveram sempre presentes por aqui. 

Um exemplo disso é o cultivo da soja, que foi introduzido no país em 1961. Mas a ferrugem asiática da soja, que é um grande problema para a cultura, só foi introduzida no território nacional em 2001.

Assim, não são todos os países que têm as mesmas pragas que afetam a cultura. 

Em doenças de plantas (fitopatologia), por exemplo, falamos sempre sobre o Triângulo da Doença. Para uma doença ocorrer deve haver o hospedeiro (cultura), o patógeno e o ambiente favorável.

triângulo da doença

(Fonte: Fitopatologia)

Outro exemplo de praga introduzida no país recentemente, e que foi um grande problema para a agricultura brasileira, é a Helicoverpa armigera.

A lagarta foi identificada em 2013 no Brasil – até então era considerada uma praga quarentenária. A H. armigera causou um grande transtorno e enormes prejuízos, pois não havia preparo para seu manejo. 

Outro agravante dessa praga é que ela é polífaga, ou seja, se alimenta de várias culturas como algodão, soja, milho, tomate, feijão, sorgo, milheto, trigo, crotalária, girassol e outras.

Como vimos, pragas vindas de outros locais podem causar sérios prejuízos na agricultura brasileira. Por isso, é muito importante conhecermos melhor as pragas quarentenárias.

Tipos de pragas quarentenárias

Pragas quarentenárias são aquelas pragas de importância econômica potencial para a área posta em perigo e onde ainda não está presente ou, se está, ainda não se encontra amplamente distribuída e oficialmente controlada. 

Ou seja: são pragas que ameaçam a economia agrícola do país.

Existem dois tipos de pragas quarentenárias:

  • A1: Ausente – são as pragas que não têm ocorrência no Brasil e exóticas.
  • A2: Presente – estão presentes no país, mas não em todas as regiões, e estão sob controle oficial. Então, deve-se ter cuidado de não levar da região de ocorrência para outras que não tem a praga.

Você pode conferir a lista de pragas quarentenárias para o Brasil na Instrução normativa para A1 e A2 do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). 

Alguns exemplos de A2 são pinta preta dos citros, sigatoka negra da bananeira, HLB, entre outras.  

Para definir quais as pragas quarentenárias é realizado uma análise de risco. Nessa análise é feito levantamento dos patógenos de cada espécie de planta que ocorrem no mundo e os que já foram identificados no país. 

Dessa forma, há a relação dos que não existem no Brasil e qual a probabilidade deles se tornarem um problema econômico.

20 pragas quarentenárias ausentes para o Brasil

A Embrapa e o Mapa priorizaram as 20 pragas quarentenárias ausentes para o Brasil e lançaram um livro sobre o assunto. Confira a relação em ordem alfabética:

  1. African Cassava Mosaic Virus – vírus (mandioca)
  2. Anastrepha suspensa – inseto (goiaba)
  3. Bactrocera dorsalis– inseto (frutíferas)
  4. Boeremia foveata – fungo (batata)
  5. Brevipalpus chilensis – ácaro (kiwi, videira)
  6. Candidatus Phytoplasma palmae – fitoplasma (coqueiro)
  7. Cirsium arvense – planta daninha (trigo, milho, aveia, soja)
  8. Cydia pomonella – inseto (maçã)
  9. Ditylenchus destructor – nematoide (milho, batata)
  10. Fusarium oxysporum f.sp. cubense Raça 4 Tropical – fungo (banana)
  11. Globodera rostochiensis – nematoide (batata)
  12. Lobesia botrana – inseto (videira)
  13. Moniliophthora roreri – fungo (cacau)
  14. Pantoea stewartii – bactéria (milho)
  15. Plum Pox Virus – vírus (pessegueiro, ameixeira)
  16. Striga spp. – planta daninha (milho, caupi)
  17. Tomato ringspot virus – vírus (frutíferas e tomate)
  18. Toxotrypana curvicauda – inseto (mamão)
  19. Xanthomonas oryzae pv. oryzae – bactéria (arroz)
  20. Xylella fastidiosa subsp. fastidiosa – bactéria (videira)

Normalmente, as pragas estão associadas ao centro de origem da cultura e podem se distribuir para outros locais pelo intercâmbio de material vegetal (sendo uma das maneiras de introduzir as pragas). 

Além desse meio de introdução, há outros como: pessoas, máquinas, vento, trânsito de animais/aves e bioterrorismo.

Lembrando que, quanto mais movimento, mais pragas estão circulando e, com isso, podem entrar nas regiões. Estima-se que 65% dos patógenos introduzidos no Brasil foram devido a atividades humanas.

Por isso, é preciso realizar a inspeção fitossanitária. Isso pode ser realizado por estações quarentenárias, que podem ser públicas ou privadas, tendo de ser cadastradas e credenciadas ao Mapa.

Estações quarentenárias 

As estações são locais que recebem materiais vegetais que podem ter alguma praga quarentenária associada e fazem as devidas análises.

Isso é importante para reduzir a entrada e o estabelecimento de novas pragas, já que muitas vezes é essencial trazer material vegetal de outros países para programas de melhoramento genético, por exemplo. No Brasil existem algumas estações quarentenárias.

Como impedir a entrada das pragas quarentenárias

Uma das medidas para evitar a entrada de pragas quarentenárias é a prevenção, sendo a exclusão o princípio de controle.

Assim, para prevenir a entrada da praga em uma área, algumas medidas de manejo são: 

  • sementes e mudas sadias;
  • inspeção e certificação;
  • quarentena; e
  • eliminação de vetores.

A prevenção deve ser aplicada no âmbito internacional, pensando nas pragas ausentes, e no cenário estadual, principalmente para as pragas A2. 

Um exemplo de prevenção de pragas A2 ocorreu após a constatação do Cancro Cítrico no país, que proibiu o livre trânsito de material cítrico entre as regiões. 

É muito importante também saber quais os locais mais críticos para a entrada de pragas no país. Para isso, a Embrapa levantou os locais mais suscetíveis à entrada de pragas agropecuárias não presentes no Brasil. Veja na figura abaixo:

No Brasil, o órgão responsável pelas atividades de vigilância agropecuária internacional é o sistema de Vigilância Agropecuária Internacional – Vigiagro. 

Ele é composto por serviços e unidades de vigilância agropecuária localizados nos portos, aeroportos, postos de fronteira e aduanas especiais.

Esse sistema controla e fiscaliza animais, vegetais, insumos, inclusive alimentos para animais, produtos de origem animal e vegetal, embalagens e suportes de madeira importados, exportados e em trânsito internacional pelo Brasil.

Além das pragas quarentenárias, você já escutou sobre pragas não quarentenárias regulamentadas?

Pragas não quarentenárias regulamentadas

Pragas não quarentenárias regulamentadas (PNQR) são pragas que já estão no Brasil (não sendo quarentenárias aqui), mas não é permitido comercializar o produto agrícola com ela.

Exemplo é para batata-semente sem os vírus PVY (Potato virus Y), o PLRV (Potato leafroll virus), o PVX (Potato virus X) e PVS (Potato virus S). 

Assim, em batata-semente deve ser produzida, importada e comercializada sem esses vírus no país, além de outras pragas segundo a legislação.

Conclusão 

Pragas têm potencial de causar prejuízos bilionários à agricultura de um país.

Neste artigo falamos sobre os tipos de pragas quarentenárias e o que é feito para impedir a entrada delas no território nacional.

Você conferiu a lista de pragas quarentenárias ausentes no Brasil.  Além disso, discutimos a importância das pragas não quarentenárias regulamentadas.

>> Leia mais:

Tudo o que você precisa saber sobre Manejo Integrado de Pragas

Ficou com alguma dúvida sobre pragas quarentenárias? Adoraria ver seu comentário abaixo.

Herbicida para algodão: como fazer a melhor utilização para combate de plantas daninhas

Herbicida para algodão: Saiba quais produtos podem ser utilizados, posicionamento correto e como evitar fitotoxidade.

A cultura do algodão tem grande relevância no agronegócio brasileiro devido a seu valor agregado e potencial de exportação.

Na safra 2018/19, a cultura ocupou 1,62 milhões de hectares, com produção de 6,81 milhões de toneladas de caroço, movimentando mais de US$ 2 bilhões. E, para a safra que está maturando no campo, estima-se um aumento de 3,8% na produção de algodão

Para assegurar altas produtividades mantendo a boa qualidade final do produto, o manejo eficiente de plantas daninhas é essencial. Por isso trago agora tudo que você precisa saber sobre a aplicação de herbicida para algodão. Confira!

Manejo de plantas daninhas no algodão

Algumas características da cultura do algodão tornam o manejo de plantas daninhas um procedimento complexo e que exige muito planejamento. 

O primeiro desafio é o ciclo longo da cultura: são 170 a 200 dias. Além disso, o algodão tem um crescimento inicial lento, o que pode dar uma certa dianteira para plantas daninhas muito adaptadas. 

A cultura costuma ser cultivada com espaçamento maior que outras culturas anuais (70 a 90 cm), sendo mantida com porte baixo por meio de reguladores de crescimento

Somado a isso, o algodão possui baixa tolerância a herbicidas e precisa estar livre de plantas daninhas por ocasião da colheita (para que não haja perda na qualidade do produto).  

Devido a essas características, o cultivo possui um período crítico de prevenção a interferência de 55 dias em média, período mínimo que a cultura deve ser mantida no limpo para que não ocorram perdas no rendimento. 

Este período se inicia próximo aos 15 dias após a emergência (período anterior à interferência) e se estende até em média 70 dias após a emergência (período total de prevenção a interferência).

herbicida para algodão

Plantas de algodão sem interferência inicial de plantas daninhas
(Fonte: Notícias Agrícolas)

Principais plantas daninhas do algodão

Devido à baixa tolerância a herbicidas pelo algodão, as plantas daninhas mais problemáticas na cultura são as de folhas largas. Elas devem ser o foco do manejo entressafra. 

As plantas daninhas de maior ocorrência nas lavouras de algodão brasileira são:

Folhas largas:

Folhas estreitas:

Estas plantas daninhas são mais problemáticas, com a ocorrência de biótipos resistentes a herbicidas, como é o caso de leiteiro, picão-preto ou capim-amargoso. 

Outras são naturalmente tolerantes ao glifosato, como a trapoeraba e corda-de-viola. 

Desta forma, a primeira recomendação de manejo de plantas daninhas é realizar um bom manejo nutricional da cultura, mantendo-a com bom crescimento e competitividade. 

Além disso, o uso de rotação de culturas com cultivos que tenham alta produção de palha impede a emergência de muitas sementes de plantas infestantes, melhorando o perfil do solo. 

O milho com braquiária, por exemplo, é uma excelente opção para utilização na safrinha. 

Quanto às alternativas químicas de controle de plantas daninhas, vou falar mais a seguir!

Infestação de plantas daninhas no algodão

Infestação de plantas daninhas no algodão
(Fonte: Embrapa)

Herbicida para algodão: Manejo de plantas daninhas na entressafra

O período de entressafra, com certeza, é o período ideal para manejar plantas daninhas de difícil controle. Isso ocorre pois nessa época há mais mecanismos de ação herbicida que podem ser utilizados. 

Veja os principais herbicidas a seguir:

Glifosato

Quando aplicar: herbicida não seletivo de ação sistêmica, aplicado na entressafra ou em pós-emergência de variedades resistentes (RR). 

Espectro de controle: folhas largas e folhas estreitas.

Dosagem recomendada: 2,0 a 6,0 L ha-1 dependendo da planta daninha a ser controlada e estádio de desenvolvimento. 

Pode ser misturado com herbicidas sistêmicos e pré-emergentes (ex: Clethodim, flumioxazin e 2,4 D).

Cuidados: há muitas plantas daninhas com resistência, porém é uma excelente ferramenta de manejo para as demais plantas daninhas. 

Amônio-glufosinato

Quando aplicar: herbicida não seletivo de contato, aplicado na entressafra ou em pós-emergência de variedades resistentes (LL). 

Espectro de controle: folhas largas com 2 a 4 folhas e folhas estreitas provenientes de sementes de 1 a 3 perfilhos.

Dosagem recomendada: 2,5 a 3,5 L ha-1 dependendo da planta daninha a ser controlada e estádio de desenvolvimento. 

Pode ser misturado com: herbicidas sistêmicos e pré-emergentes (ex: Clethodim, flumioxazin e 2,4 D).

Cuidados: Para garantir a eficácia do produto, as plantas daninhas devem estar em estádio inicial. A aplicação deve ter uma boa cobertura do alvo e ser realizada com condições climáticas favoráveis.   

Carfentrazone

Quando aplicar: herbicida não seletivo de contato, utilizado em plantas pequenas ou na segunda aplicação do manejo sequencial.

Espectro de controle: folhas largas com 2 a 4 folhas, ótimo controle de trapoeraba. 

Dosagem recomendada: 50 a 75 mL ha-1 dependendo da planta daninha a ser controlada e estádio de desenvolvimento. 

Pode ser misturado com: glifosato.

Diquat

Quando aplicar: herbicida não seletivo de contato, utilizado em plantas pequenas ou na segunda aplicação do manejo sequencial.

Espectro de controle: folhas largas com 2 a 4 folhas.

Dosagem recomendada: 1,0 a 2,0 L ha-1 dependendo da planta daninha a ser controlada e estádio de desenvolvimento. 

2,4 D

Quando aplicar: herbicida de ação sistêmica, aplicado na entressafra ou em pós-emergência de variedades resistentes (Enlist). 

Espectro de controle: folhas largas.

Dosagem recomendada: 1,0 a 2,0 L ha-1 dependendo da planta daninha a ser controlada e estádio de desenvolvimento. 

Pode ser misturado com: herbicidas sistêmicos (glifosato e clethodim) e pré-emergentes.;

Cuidados: Possui problemas de incompatibilidade de calda, por isso cuidado com baixo volume de calda. Se associado com graminicidas, deve-se aumentar 20% a dose do graminicida. Devido a efeitos residuais, deve-se deixar um período mínimo de 15 dias entre a aplicação e semeadura. 

Herbicida para algodão aplicado na pré-emergência da cultura

S-metolachlor 

Quando aplicar: herbicida com ação residual utilizado no sistema de plante aplique do algodão.

Espectro de controle: gramíneas de semente pequena (ex: capim-amargoso, capim-pé-de-galinha).

Dosagem recomendada:1,25 a 1,5 L ha-1.

Pode ser misturado com: herbicidas sistêmicos (ex: glifosato).

Cuidados: não deve ser aplicado em solos arenosos. O solo deve estar úmido, com perspectivas de chuva. 

Trifluralina 

Quando aplicar: herbicida com ação residual utilizado no sistema de plante aplique do algodão.

Espectro de controle: gramíneas de semente pequena (ex: capim-amargoso e capim-pé-de-galinha).

Dosagem recomendada: 1,2 a 2,4 L ha-1 do percentual de argila do solo.

Pode ser misturado com: herbicidas sistêmicos (ex: glifosato  e graminicidas).

Cuidados: deve ser aplicado em solo úmido e livre de torrões. Formulações antigas têm problemas com fotodegradação (necessidade de incorporação). Eficiência muito reduzida em solo com grande quantidade de palha ou durante grande período de seca.  

Clomazone

Quando aplicar: herbicida com ação residual, no sistema de plante aplique, com uso de safeners.

Espectro de controle: gramíneas de semente pequena (ex: capim-colchão, capim-pé-de-galinha) e algumas folhas largas de sementes pequena.

Dosagem recomendada: 1,6 a 2,0 L ha-1 dependendo da planta daninha a ser controlada e nível de cobertura do solo.

Pode ser misturado com: diuron e glifosato.

Cuidados: Deve ser utilizado um safener (dietolathe, phorate e dissulfoton) no tratamento das sementes do algodão. Atenção com deriva em culturas suscetíveis vizinhas.

Prometryne

Quando aplicar: herbicida com ação residual, no sistema de plante aplique.

Espectro de controle: folhas largas e folhas estreitas. 

Dosagem recomendada: 1,6 a 2,0 L ha-1 dependendo da planta daninha e teor de argila do solo.

Cuidados: Usar menores doses em solo arenoso. 

Diuron

Quando aplicar: herbicida com ação residual, no sistema de plante aplique ou no sistema de jato dirigido às entrelinhas da cultura. .

Espectro de controle: folhas largas. 

Dosagem recomendada: 0,7 a 2,5 L ha-1 dependendo do sistema de aplicação. 

Cuidados: No sistema de jato dirigido, o caule do algodão deve estar lignificado e recomenda-se o uso da capota de proteção ou “casinha de cachorro”. Cuidado com residual de diuron na cultura consecutiva. 

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Herbicida para algodão aplicados na pós-emergência da cultura 

Pyrithiobac sodium

Quando aplicar: aplicação única feita entre uma e duas semanas após a emergência ou em aplicação sequencial, com 2 aplicações com intervalo de 5 a 15 dias entre aplicações. 

Espectro de controle: folhas largas (ex: caruru, picão-preto, trapoeraba e corda-de-viola) e plantas voluntárias de soja. 

Dosagem recomendada: 150 a 500 mL ha-1 dependendo da planta daninha a ser controlada.

Cuidados: Não misturar com graminicidas. 

Trifloxysulfuron sodium

Quando aplicar: aplicar após 2 a 3 semanas após emergência do cultivo, por ocasião da aplicação o algodão deve estar com no mínimo 4 folhas verdadeiras. 

Espectro de controle: folhas largas (ex: caruru, picão-preto, leiteiro, corda-de-viola) e plantas voluntárias de soja. 

Dosagem recomendada: 10 a 30 g ha-1 dependendo da planta daninha a ser controlada.

Cuidados: Não misturar com graminicidas. 

Outros herbicidas como prometryne, prometryne+MSMA, amônio-glufosinato (cultivo convencional), diuron+MSMA, atrazina, ametrina e flumioxazin. Aplicação de jato dirigido geralmente ocorre após a lignificação do caule, por volta de 45 a 50 dias após a emergência (caule marrom), usando capota de proteção ou “casinha de cachorro”. 

Cuidado com residual na cultura consecutiva!

Controle da soqueira do algodão 

Além do manejo de plantas daninhas, o produtor de algodão deve se assegurar da completa eliminação da soqueira do cultivo, respeitando a legislação e mantendo o vazio sanitário. Isso evita a disseminação de pragas como bicudo-do-algodoeiro e lagarta rosca.

Aqui no blog nós mostramos como evitar a rebrota planta de algodão com dois tipos de manejo. Confira!

herbicida para algodão

Aplicação de herbicidas para destruição de soqueira do algodão 
(Fonte: G1)

Conclusão

Neste artigo vimos a importância econômica do cultivo do algodão no Brasil e por que você precisa realizar o manejo eficiente de plantas daninhas. 

Mostramos quais ferramentas de controle químico podem ser utilizadas e o posicionamento correto para evitar causar perdas no cultivo.  

Além disso, citamos técnicas importantes que devem ser utilizadas no manejo integrado de plantas daninhas.  

Com essas informações, tenho certeza que você irá realizar um bom manejo de herbicidas para algodão!

>> Leia mais:

“5 dicas para o plantio de algodão de alta produtividade”

“Capim-rabo-de-raposa (Setaria Parviflora): guia de manejo”

Aproveite também nossa planilha de estimativa da produtividade do algodão aqui

Qual herbicida para algodão você costuma utilizar em sua lavoura? Já teve problemas de fitotoxidade? Adoraria ver seu comentário abaixo!