Por isso, é necessário usar alternativas de manejo nas culturas. Isso principalmente com grupos químicos diferentes.
As morfolinas são um bom exemplo de alternativa. No entanto, para funcionarem bem, alguns cuidados devem ser tomados.
Neste artigo, você irá conhecer o modo de ação das morfolinas nas plantas, indicações de uso e cuidados necessários para uma aplicação eficiente e segura!
O que é morfolina?
A morfolina é um fungicida que pode ser utilizado em todos os momentos do ciclo da soja.
O efeito da morfolina acontece somente depois da germinação dos esporos do fungo na planta. Ela impede a infecção e a colonização dos fungos.
Se utilizada da forma correta, a morfolina tem médio a baixo risco de resistência.
A ação causa a morte dos fungos. Por isso os fungos devem estar presentes na planta para haver efeito.
Como a morfolina funciona
A morfolina pode ser absorvida e transportada para outras partes da planta.
Modo de ação dos fungicidas conforme a sua capacidade de translocação. O fungicida sistêmico, pode ser aplicado na parte aérea, por exemplo, e ser translocado (transportado para o sistema radicular, raízes).
Por isso, a aplicação desse fungicida sistêmico pode ser via foliar, na parte aérea.
Assim, outras partes da planta também entrarão em contato com o fungicida pela capacidade de translocação.
Recomendações de uso de morfolina na soja
Alguns cuidados devem ser tomados na aplicação e na recomendação.
Esses cuidados são relacionados à eficiência e a possíveis efeitos fitotóxicos causados nas plantas após a aplicação.
Pontos importantes no uso de morfolinas:
As morfolinas não têm efeito sobre manchas foliares ou fungos que sobrevivem em restos de cultura.
Para se ter eficiência no uso, a doença causada pelo fungo deve estar presente na área.
Para que o fungicida seja efetivo, a aplicação deve ser feita no tempo correto. O tempo ideal é quando a doença está na fase inicial. Aplicações anteriores ao início da doença não tem efeito.
Limitação em uso de misturas. Triazóis e triazolintiones não são recomendados.
Morfolinas devem ser sempre aplicadas em misturas com outros princípios ativos. Assim, você evita que populações resistentes do fungo sejam selecionadas no campo.
Controle de ferrugem asiática da soja com morfolina
Na cultura da soja, a morfolina (especialmente fenpropimorfe) é recomendada para o controle da ferrugem asiática. Isso principalmente se você quer fazer manejo da resistência.
Produtividade da cultura da soja no controle da ferrugem asiática com diferentes associações de fungicidas. O tratamento 6 representado no gráfico foi realizado com associação de [trifloxistrobina + Proticonazol + Bixafem] + [Fenpropimorfe (morfolina)] e apresentou a maior produtividade, devido ao controle efetivo da doença.
(Fonte: Baldo, 2020)
O estádio de desenvolvimento da doença determinará a eficiência da aplicação.
Por isso, aplique no início dos sintomas (quando localizados no terço inferior ou “baixeiro”). Não deixe de misturar a morfolinacom outros princípios ativos.
Misturas podem ser realizadas com fungicidas multissítios, ou com triazóis + estrobilurinas.
O triazol escolhido deve ser de menor agressividade (ciproconazole + estrobilurinas + morfolina, por exemplo). Assim, você evita o efeito fitotóxico.
Diferentes doses são recomendadas de acordo com os sintomas. Sempre confira a bula dos produtos, e siga as recomendações do fabricante.
É recomendado realizar o monitoramento e aplicações após o início do florescimento.
Se os sintomas aparecerem antes deste estádio, a aplicação pode ser feita imediatamente.
Lembre-se de não ultrapassar 2 aplicações por ciclo da cultura. Faça no máximo 14 dias de intervalo.
Em doses maiores (conforme orientação do produto), realize uma única aplicação. Isso porque o risco de fitotoxicidade é alto.
Doses maiores são recomendadas exclusivamente em situações de alta pressão de fungos na área.
Sintomas e sinais observados de ferrugem asiática. A cultura deve ser monitorada constantemente, e aplicações com morfolina em misturas, só devem ser realizadas com a presença inicial da doença (terço inferior ou “baixeiro”)
A morfolina pode ser utilizada ainda para o controle de oídio. Use misturas de morfolina + estrobilurina + carboxamida, por exemplo.
Sintomas e sinais de oídio. Os sintomas se apresentam como um pó “esbranquiçado” em ambas as faces da folha (inferior e superior), podendo cobrir toda a planta, afetando hastes e vagens.
Para o controle do oídio, deve haver cerca de 20% de severidade no terço inferior da planta.
Após o estádio R5.5 da soja, aplicações já não devem ser feitas.
Faça o número de aplicações máximas conforme o que indica a bula do produto. Normalmente, o ideal é fazer uma aplicação por ciclo da cultura, a depender da evolução da doença na área.
Em caso de necessidade de mais uma aplicação, outros fungicidas recomendados para o oídio na soja devem ser utilizados.
Não se esqueça de monitorar a área, e de consultar um engenheiro agrônomo.
Recomendações de morfolina para outras culturas
Segundo o Agrofit, para outras culturas, o uso de morfolina é recomendado para as seguintes doenças:
Cevada: indicado para mancha-reticular e ferrugem-da-folha;
Trigo: indicado para oídio, ferrugem-da-folha e ferrugem-do-colmo.
É importante observar que a morfolina pode causar queimaduras em cultivares suscetíveis de trigo. Isso também depende das condições climáticas no momento da aplicação.
Não aplique em períodos de baixa umidade relativa do ar (inferiores a 60%) e temperaturas superiores a 30 °C.
Em temperaturas muito baixas ou em períodos de previsão de geadas próximas, a aplicação no trigo também não é indicada.
Fique de olho nas previsões climáticas para os dias após a pulverização. Chuvasquatro dias após a aplicação podem influenciar negativamente no desempenho do fungicida.
O orvalho também afeta a eficiência do produto.
Conclusão
O uso das morfolinas para o controle de doenças de culturas como a soja, cevada, trigo e algodão é importante no manejo de resistência.
As aplicações devem ser realizadas em misturas com outros princípios ativos. Aplique somente quando a doença já estiver na área, porque o efeito do fungicida é curativo.
Não deixe de seguir as recomendações da bula do produto. Procurar a orientação de um(a) engenheiro(a)-agrônomo(a) também é fundamental!
A Enlist tem sido associada a materiais de alta produtividade, e ainda pode ser aliada às outras tecnologias como a soja Bt.
Além disso, pode ser uma boa opção para o controle de algumas pragas.
Sistema de herbicidas da tecnologia Enlist
Esse portfólio reúne inovação em sementes, formulações químicas, manejo de plantas daninhas e insetos. Vale lembrar que você pode utilizar outros herbicidas com a tecnologia Enlist.
Os dois herbicidas do sistema Enlist são indicados para a soja quem tem a nova tecnologia.
1. Enlist Colex-D
É um concentrado solúvel sistêmico, que tem como ingrediente ativo o 2,4-D sal de Colina.
Aplique para o controle de plantas daninhas de folha larga na soja Enlist. Você pode fazer isso tanto em pré como em pós emergência.
Em pré-emergência, pulverize nos estádios iniciais de desenvolvimento (até 4 folhas) e anterior ao florescimento das plantas daninhas.
Essa soja é tolerante aos herbicidas Enlist Colex-D, glifosato e glufosinato de amônio. Ela combina genética de alta produtividade com um melhor manejo das principais plantas daninhas que preocupam sojicultores.
2. Soja Conkesta E3
As variedades de soja Conkesta E3 possuem outra tecnologia além da tolerância aos herbicidas Enlist Colex-D, glifosato e glufosinato de amônio.
A soja Conkesta E3tem proteínas Bt, e protege contra as seguintes lagartas:
Lagarta-da-soja;
Lagarta-falsa-medideira;
Lagarta-elasmo;
Lagarta-das-maçãs;
Lagarta-helicoverpa.
Essa tecnologia protege moderadamente a soja das seguintes lagartas:
Lagarta-preta;
Lagarta-das-folhas.
Como qualquer outra soja Bt, é necessário que você plante o refúgio, para proteção da tecnologia.
Se optar pela soja ConkestaE3, poderá usar variedades Enlist E3 como refúgio.
Essa prática é de extrema importância dentro do Manejo Integrado de Pragas. Além disso, ela faz com que a durabilidade das tecnologias seja prolongada.
Diferentes maneiras de plantar refúgio na lavoura
(Fonte: Boas Práticas Agronômicas)
Marcas de soja com tecnologia Enlist
As variedades com essa tecnologia serão comercializadas inicialmente nas seguintes marcas de sementes:
Brasmax;
Donmario;
Neogen;
NK;
Nidera Sementes;
Syngenta;
Stine;
TMG;
HO Genética;
Cordius;
Brevant Sementes;
Pioneer.
Vantagens e desvantagens
Essa nova tecnologia ainda é recente. É necessário ao menos terminar a primeira safra para listar as vantagens e desvantagens.
Até então, saiba que é mais uma ferramenta para o manejo integradode plantas daninhas e de pragas.
O preço desses novos produtos pode ser listado inicialmente como uma desvantagem, por serem altos.
No entanto, a tendência é que com o decorrer do tempo passe a ser mais acessível. As vantagens são inúmeras, como maior proteção contra daninhas e algumas pragas.
Conclusão
A nova tecnologia Enlist soja foi lançada para a safra 21/22. Ela promete muitas vantagens para quem produz o grão.
As sementes de soja são resistentes a três ingredientes ativos de herbicidas, além de algumas pragas.
Planeje adequadamente a sua próxima safra, e avalie a necessidade da utilização dessa nova tecnologia. Use com inteligência para obter resultados positivos.
Restou alguma dúvida sobre a tecnologia Enlist na soja? Você já está utilizando esse sistema na sua lavoura nesta safra? Adorarei ver seu comentário!
Macrophomina em soja: saiba o que é, quais os sintomas, como a doença se desenvolve e como realizar o manejo
O fungo Macrophomina phaseolina é o causador da doença podridão de carvão na cultura da soja.
Essa doença também é conhecida por podridão negra da raiz ou podridão cinzenta da raiz. Ela é bem presente nas áreas produtoras de soja no país.
Além da soja, esse fungo também ataca o feijão, milho, sorgo, algodão, girassol, café e citrus. Algumas plantas daninhas também são hospedeiras do fungo.
Confira a seguir um pouco mais sobre a podridão de carvão e aprenda a manejar a doença.
Sintomas de Macrophomina em soja
Nas lavouras de soja, a distribuição dos sintomas da podridão de carvão não é uniforme. Eles podem ser observados tanto em fileiras de plantas quanto em reboleiras.
Um sintoma característico é a presença de minúsculas partículas pretas na porção inferior do caule e nas raízes.
Dependendo do grau de severidade da doença, o sintoma pode ser observado em toda a planta. Essas partículas escuras são fonte de contaminação para a próxima safra.
A presença das partículas dá ao caule e raízes aparência empoeirada, parecido com pó de carvão.
Outro sintoma é o escurecimento dos tecidos vasculares do caule e raízes.
Sintoma característico da doença podridão de carvão quando a epiderme do caule é raspada
A infecção das plantas ocorre logo nas primeiras semanas após o plantio. No entanto, enquanto não houver condições favoráveis, a doença permanece latente, sem se manifestar.
É comum que os sintomas da podridão de carvão apareçam durante a fase reprodutiva das plantas de soja.
Apesar disso, sob condições favoráveis, mudas recém-germinadas também podem apresentar sintomas.
Esses sintomas incluem o aparecimento de lesões marrons no hipocótilo.
A podridão de carvão provoca também maturação precoce e desuniforme, e prejudica o enchimento de grãos da soja. Além disso, a doença reduz a qualidade da semente.
Como identificar
Plantas de soja doentes podem apresentar:
perda de vigor;
menor estatura;
folhas pequenas, que podem estar enroladas ou não.
Com a evolução da doença, as folhas ficam amarelas, murcham e morrem. As raízes também apodrecem, então fique de olho nesses sinais.
Mesmo após a morte das folhas, elas podem continuar presas à planta-mãe.
Esses sintomas foliares podem ser confundidos com várias outros distúrbios ou doenças da soja, como nematoides, estresse hídrico e senescência precoce.
O diagnóstico correto é essencial para traçar um plano de manejo eficiente, seja qual for a origem do problema.
As lavouras doentes têm o estande de plantas reduzido e, consequentemente, têm menor produtividade.
Plantas de soja com sintomas de podridão de carvão
(Fonte: Iowa State University)
Condições para o desenvolvimento da doença
A podridão de carvão na soja tem maior ocorrência em solos compactados e temperaturas entre 28 °C a 35 °C.
Os danos causados pela doença são mais severos quando as plantas estão sob altas temperaturas e estresse hídrico.
Períodos secos também contribuem para a incidência e a severidade da doença.
O fungo causador da podridão de carvão sobrevive no solo e em restos culturais. Essas são as principais fontes do inóculo.
A transmissão do patógeno ocorre via sementes contaminadas. Elas, geralmente, não apresentam sintomas.
Ciclo da Macrophomina
O fungo Macrophomina phaseolina pode sobreviver mesmo sob condições adversas. Ele sobrevive em forma de pequenas estruturas escuras, em restos culturais e no solo.
Microescleródios do fungo M. phaseolina causador da podridão de carvão na soja
(Fonte: Crop Protection Network)
Sob condições favoráveis, essas estruturas germinam e infectam o sistema radicular das plantas.
A partir daí, o fungo se multiplica no interior das raízes e caule das plantas.
À medida que novas estruturas e hifas são formadas, ocorre a obstrução dos tecidos vasculares das plantas. Como consequência, há interferência na absorção de água e nutrientes.
A presença de novas estruturas dá às raízes e ao caule das plantas de soja aparência parecida com pó de carvão.
Quando as plantas infectadas morrem, essas estruturas são liberadas na área. Elas são fonte de contaminação para a próxima safra.
Ciclo da doença podridão de carvão na soja
(Fonte: Traduzido de Crop Protection Network)
Manejo da Macrophomina em soja
A podridão de carvão é uma doença de difícil controle.
Até o momento, não há produtos químicos registrados no Mapa (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento) para o controle.
Também não há cultivares resistentes ao fungo no mercado. Porém, genótipos que apresentaram menor sensibilidade à doença já foram identificados.
Um aspecto que contribui para o difícil controle da doença é o fato de o fungo se alimentar de diferentes culturas.
Dessa forma, a rotação de culturas não é uma alternativa eficiente para o controle da doença.
Adotar medidas preventivas que contribuam para o bom desenvolvimento da lavoura de soja é essencial.
A data de plantio deve ser orientada segundo o calendário agrícola da região. Isso colabora para diminuir os riscos de estresse hídrico.
Uma lavoura que tenha as suas necessidades nutricionais atendidas tem maiores chances de resistir à doença. Por isso, faça uma adubação equilibrada, baseada na análise de solo da área.
O manejo de plantas daninhas também é fundamental para eliminar espécies que possam ser hospedeiras da doença.
O controle dessas plantas reduz a competição por água, luz, nutrientes e espaço. Controle as plantas daninhas também nas bordaduras e nos carreadores da lavoura.
Outro método que você pode adotar é a limpeza das máquinas e implementos agrícolas antes de transferi-los para outra área.
Isso evita que torrões de solo com restos culturais contaminados e partículas da doença sejam transportados para áreas sem o fungo.
Conclusão
A podridão de carvão é uma doença perigosa para a cultura da soja. Como não há produtos específicos para eliminá-la, você deve ter atenção redobrada na sua lavoura.
Procure eliminar as condições ideais para o desenvolvimento da podridão de carvão. Evitar altas temperaturas e períodos secos é um bom passo.
Algumas cultivares já se mostraram resistentes à doença. Procure investir nelas para, assim, garantir a produtividade da sua sojicultura.
Consórcio milho-braquiária: saiba quais os benefícios, qual espaçamento utilizar, como semear, manejo de herbicidas e mais!
Já pensou em utilizar uma tecnologia que viabiliza o sistema plantio direto e produz grãos e palha para cobertura do solo?
O consórcio milho-braquiária proporciona esses e muitos outros benefícios. Um dos principais é o aumento da produtividade da sojaem sucessão.
Para saber se vale a pena investir nessa tecnologia de consorciação, você deve estar por dentro de todas as características e exigências.
Nesse artigo, você encontrará dicas de implantação e manejo do consórcio milho-braquiária. Confira a seguir!
Implantação e manejo do consórcio milho-braquiária
O cultivo consorciado demilho safrinha com braquiária é eficiente para a formação de pastagem e de palha para cobertura do solo.
Ele proporciona melhorias dos atributos químicos, físicos e biológicos do solo. A semeadura do milho e da forrageira deve acontecer ao mesmo tempo, para diminuir custos.
O milho deve ser cultivado como se fosse solteiro. Isso pode te garantir altas produtividades.
Escolha da forrageira
A escolha da forrageira dependerá do objetivo do consórcio.
Na formação de pastagem permanente, a população da forrageira deve ser aumentada.
Devem ser aplicadas subdoses de herbicida para retardar o seu crescimento inicial e reduzir sua competição com o milho.
Quanto semear por metro quadrado?
A população adequada da forrageira é um dos principais fatores para o sucesso do consórcio milho-braquiária.
Uma quantidade maior que o recomendado prejudica o desenvolvimento do milho. A população da braquiária deve estar entre 5 e 10 plantas por metro quadrado.
As sementes devem ser distribuídas uniformemente na área.
Quantidades maiores são utilizadas para formação de pastagem. As menores, para cobertura do solo.
A equação abaixo pode ser utilizada para estimar a quantidade de sementes e ajustar a quantidade de plantas da forrageira.
Veja:
Taxa: Quilos de sementes por hectare;
Pop: População de plantas por metro quadrado;
PMS: Peso de mil sementes;
VCG: Valor cultural de germinação.
Importante: o valorcultural de germinação (VCG) não é o valor cultural (VC).
O VCG é calculado pela equação abaixo:
O resultado obtido será em quilos de sementes comerciais por hectare.
Imagine que você irá semear um hectare de B. ruziziensis, com população de 8 plantas por metro quadrado.
Considere o peso de mil sementes de 5,55 gramas e VCG de 65%. Assim, seriam necessários 0,683 kg/ha.
Em uma propriedade de 500 hectares, seriam necessários 341 kg de sementes de B. ruziziensis.
Esse cálculo pode te ajudar a adquirir a quantidade necessária de sementes para estabelecer a lavoura.
Veja alguns cuidados que você deve tomar:
adquira sementes de empresas que forneçam garantia de germinação;
invista em lotes com alto percentual de pureza;
controle pragas iniciais, principalmente lagartas, para que não haja redução da população da forrageira.
Qual espaçamento utilizar?
O espaçamento entre plantas é definido em função do posicionamento das sementes da forrageira em relação às sementes do milho. Ele pode ser feito de diversas formas.
Linha intercalar
Nessa modalidade, a semeadura é realizada em linhas intercaladas de milho e forrageira. Pode ser utilizada para formação de palhada e cobertura do solo.
É uma modalidade de consórcio eficiente e de baixo custo. Aqui, você posiciona as sementes em profundidade adequada para a germinação (3 cm a 4 cm).
(Foto: Gessí Ceccon, 2015)
Restrito a espaçamentos de 0,70m a 0,90m entre linhas de milho. Também é restrito a espaçamentos de 2 linhas de milho e 1 de braquiária, com 0,45 m a 0,50 m entre linhas.
Em linhas
Nessa modalidade, a forrageira ésemeada na mesma linha do milho.
Posicione as sementes da braquiária em profundidade adequada de germinação (2 cm a 3 cm).
As sementes da forrageira podem ser misturadas ao adubo, porém, sua emergência será afetada. É recomendada para espaçamentos de 0,45 m a 0,50 m entre linhas.
Indicada tanto para produção de palha e cobertura do solo quanto para formação de pastagem.
Em área total
As sementes de forrageira são distribuídas a lanço, em área total e antes da semeadura do milho. Por depender das condições climáticas, essa modalidade tem menor precisão no estabelecimento.
A quantidade de sementes deverá ser maior, pois há forte dependência da qualidade operacional. A implantação da forrageira em área total é indicada para qualquer espaçamento.
Como realizar a semeadura do consórcio milho-braquiária?
A semeadura do consórcio pode ser realizada de três formas:
Com disco para sementes de forrageiras nas caixas de sementes
Esse tipo é recomendado para semear a forrageira nas entrelinhas do milho.
Possui ajuste complexo. Afinal, a população da forrageira depende da população de plantas do milho, do diâmetro do furo do disco e da germinação da forrageira.
Com caixa adicional para sementes de forrageira ou “terceira caixa” acoplada à semeadora
Esse tipo é recomendado para qualquer modalidade de consórcio. O milho e a forrageira são semeados simultaneamente.
Porém, você tem autonomia para posicionar as sementes da forrageira e para regular a sua população.
Com uma operação adicional para distribuição das sementes da forrageira
A semeadura à lanço pode ser realizada com semeadora ou avião antes da semeadura do milho, como uma operação adicional.
Manejo com herbicidas
As espécies forrageiras são divididas em três grupos, de acordo com a sua sensibilidade aos herbicidas:
B. ruziziensis, B. brizantha cv. Paiaguás e P. maximum cv. Aruana, são muito sensíveis a herbicidas;
P. maximum cv. Tamani, Massai e Tanzânia e B. decumbens, B. brizantha cv. Xaraés, Marandu e Piatã são moderadamente sensíveis;
P. maximum cv. Mombaça e Zuri são pouco sensíveis.
Forrageiras pouco sensíveis devem receber doses maiores de herbicida para reduzir o seu crescimento e facilitar a sua dessecação.
Herbicidas em pós-emergência
Quando há excesso de plantas ou quando o consórcio objetiva a formação de pastagem, aplique herbicida para diminuir a competição com o milho.
O herbicida atrazine pode ser utilizado como pós-emergente para controlar soja tiguera, sem causar danos na forrageira.
Os herbicidas mesotrione e nicosulfuron podem ser utilizados em pós-emergência para o controle de plantas daninhas de folhas estreitas.
Herbicidas e doses a serem aplicadas no consórcio em pós-emergência do milho e da forrageira
Fonte: (Adaptado de Ceccon e colaboradores)
Pontos de atenção:
o mesotrione tem ação rápida e permite a retomada do crescimento da forrageira;
o nicosulfuron tem ação prolongada e reduz o crescimento da forrageira.
é recomendo acrescentar 0,5% de óleo mineral ao volume de calda para aplicações em pós-emergência.
Dessecação da forrageira para semeadura da soja
O consórcio milho-braquiária possui uma vantagem importante. Ele aumenta a produtividade da soja em sucessão.
A presença de sementes esverdeadas na hora da colheita pode inviabilizar todo um lote de sementes.
Elas têm baixa germinação e vigor. Portanto, devem ser evitadas, seja com manejo no campo ou no beneficiamento.
Apesar disso, há como reduzir e até evitar completamente as sementes esverdeadas. É o que você verá nesse artigo. Confira a seguir!
O que são sementes esverdeadas na soja?
São sementes com os cotilédones de coloração intensa verde ou esverdeados. São o resultado das plantas de soja que sofreram algum inconveniente na fase finaldodesenvolvimento.
A produção de sementes de soja com alta qualidade necessita de condições adequadas, de solo, clima e manejo.
Condições climáticas adversas causam prejuízos aos produtores de sementes. Afinal, a semente não será de boa qualidade e a presença da cor esverdeada poderá inviabilizar o lote.
A maturação será acelerada e a degradação da clorofila dos cotilédones será comprometida. Isso é uma consequência da interrupção da ação de algumas enzimas.
A presença de clorofila (pigmento verde) na semente, por causa da maturação e morte prematura das plantas, gera essa característica.
As fases críticas para as condições que aceleram a maturação são as seguintes:
A presença de percevejos em alta população ao final do ciclo da soja também pode causar maturação desuniforme, morte prematura e sementes esverdeadas. Algumas doenças que causam sementes esverdeadas são:
fusariose;
podridão radicular por macrofomina;
cancro da haste;
doenças foliares em fase de enchimento de grãos/pré-colheita.
3. Manejo
Não utilize dessecantes em momentos inapropriados. Na pré-colheita, eles podem interromper a ação das enzimas que degradam a clorofila.
Isso resulta em altos índices de grãos ou sementes esverdeadas.
Antecipar a colheita para janeiro e fevereiro (meses com bastante chuva), também é um fator importante. Isso pela utilização de cultivares de soja precoces e superprecoces.
No campo, alguns problemas ambientais vão acarretar uma maturação desuniforme. Isso reflete em folhas, hastes, vagens e grãos verdes no momento da colheita.
A colheita é prejudicada devido ao embuchamento causado pelas plantas verdes.
Estes fatores causam perdas e redução de produtividade.
Além disso, quando a maturação é antecipada, não há tempo hábil da planta desenvolver o embrião completamente.
Sem o embrião perfeito e sem reserva energética, a qualidade das sementes produzidas será baixa. Ou seja, as sementes terão baixa germinação e vigor. Lotes de sementes podem ser descartados por isso!
Segundo pesquisadores da Embrapa Soja, 9% de sementes esverdeadas em pré-colheita podem ser toleradas.
Faça a análise de pré-colheita. Caso exceda esse valor, não colha o campo para a produção de sementes. A remoção das sementes esverdeadas dos lotes no beneficiamento é um custo extra e inviabiliza o lote.
A imagem a seguir demonstra a diferença que há entre sementes amarelas (normais) e sementes esverdeadas.
Perceba a diferença que existe no teste e velocidade de germinação das sementes esverdeadas!
Problemas na indústria
As vagens e sementes esverdeadas dificultam o processo de seleção e classificação das sementes. A maturação precoce deixa as sementes menores e mais suscetíveis a danos mecânicos.
Outro problema está relacionado ao grão para produção de óleo.
Um alto percentual de grãos esverdeados causa o escurecimento do óleo. O clareamento gera muitos gastos ou até inviabiliza a comercialização. Indústrias evitam adquirir grãos com essas características.
6 dicas para evitar as sementes esverdeadas na lavoura
Utilize plantas de cobertura e faça um bom manejo do solo. Assim, você aumenta a retenção de água e ameniza as consequências de períodos de seca.
Preste atenção nas condições climáticas. Se necessário, intervenha com irrigação para amenizar os períodos de seca ao final do ciclo.
Observe a suscetibilidade genética da variedade de soja utilizada. Existem cultivares que expressam mais o problema das sementes esverdeadas.
Adote práticas corretas de dessecação em pré-colheita. Sempre desseque na fase de maturidade fisiológica (R7).
Preste atenção nos dados de qualidade de semente do lote adquirido para uma safra. Além disso, faça o teste de germinação em areia para garantir a uniformidade da lavoura.
Conclusão
A maturação e morte precoce da soja causam as sementes esverdeadas.
Essas sementes têm germinação e vigor comprometidos, e são um problema para a comercialização.
As fases de enchimento de grãos e pré-colheita são críticas para controlar essa adversidade.
Períodos de seca associados a alta temperatura, excesso de chuvas, alta incidência de pragas e doenças são fatores que fazem aparecer as sementes esverdeadas.
Fique sempre de olho nesses fatores, e procure os evitar para garantir a produtividade!
Coinoculação em soja: entenda o que é, quais são os benefícios, como realizar e os cuidados necessários nesse processo
A inoculação da soja com bactérias fixadoras de nitrogênio é uma prática bem conhecida. Ela eleva a produtividade dos grãos a um baixo custo.
Além da inoculação com essas bactérias, tem se destacado o uso de outro microrganismo associado ao Bradyrhizobium.
Essa técnica é conhecida por coinoculação ou inoculação conjunta/mista e pode trazer inúmeros benefícios para a sua lavoura.
Confira a seguir um pouco mais sobre a coinoculação em soja e como garantir a eficiência dessa prática. Boa leitura!
O que é a coinoculação e quais bactérias participam dela?
A coinoculação é uma prática que combina mais de um gênero de bactérias ao sistema de inoculação da soja.
Nesse caso, são utilizadas bactérias do gênero Bradyrhizobium e Azospirillum. As bactérias do gênero Bradyrhizobium têm grande importância econômica na agricultura.
Elas são responsáveis por captar o nitrogênio atmosférico e transformá-lo em compostos orgânicos. Esses compostos serão utilizados pela planta de soja.
As espécies de bactérias utilizadas na inoculação da soja são Bradyrhizobium japonicum e Bradyrhizobium elkanii.
Já as bactérias do gênero Azospirillum são conhecidas por promover o crescimento das plantas, atuando em processos fisiológicos e metabólicos. Elas já são amplamente utilizadas na cultura do milho e do trigo.
A espécie Azospirillum brasilense atua na produção de fitormônios e no crescimento das raízes.
Essa espécie também tem a capacidade de solubilizar o fosfato mineral. Isso eleva a concentração de fósforo disponível na solução do solo.
A associação desses dois gêneros de bactérias tem o objetivo de:
suprir o fornecimento de nitrogênio para as plantas;
Principais efeitos da coinoculação de Azospirillum brasilense e Bradyrhizobium spp. na soja, com base em 51 publicações com experimentos de campo realizados no Brasil
Os inoculantes disponíveis no mercado são encontrados na forma líquida e sólida, em turfas.
Os produtos sólidos são utilizados nas sementes. Os inoculantes líquidos podem ser aplicados tanto no sulco de plantio quanto misturados às sementes.
Já é possível encontrar fórmulas que combinam Bradyrhizobium + Azospirillum no mesmo produto. Isso garante maior eficiência e rapidez no processo de coinoculação.
Como fazer a coinoculação
Os produtos contendo as bactérias (inoculantes) podem ser aplicados no sulco de plantio ou misturados às sementes de soja.
No caso da aplicação nas sementes, é importante que o processo sejarealizado à sombra. O produto pode ser misturado às sementes em betoneira, em tambor rotativo ou em máquinas específicas.
Após esse processo, as sementes devem secar à sombra por 30 minutos.
Elas precisam estar protegidas do sol e de altas temperaturas. Essas condições podem prejudicar a eficiência da inoculação.
Para melhorar a aderência dos inoculantes sólidos às sementes é possível utilizar, de forma combinada, produtos adesivos recomendados pelo fabricante.
Também é possível usar uma solução açucarada a 10%. Existem produtos com função de proteção das bactérias que podem ser utilizados no processo de inoculação.
Após a coinoculação das sementes, é importante que toda a superfície esteja recoberta pelo inoculante.
Caso haja a necessidade do tratamento das sementes com agroquímicos, a inoculação deve ser realizada após esse processo.
Quando aplicado no sulco de plantio, a inoculação é feita com maiores doses do inoculante misturado à água.
Em relação à dosagem do inoculante, é fundamental seguir as orientações técnicas do fabricante.
Cuidados na coinoculação
Por envolver microrganismos vivos, o processo de coinoculação deve ser realizado com cuidado. Além disso, atenção especial deve ser dada ao transporte e à armazenagem dos produtos.
Abaixo, você pode conferir algumas medidas para garantir a eficiência da coinoculação:
● utilizar produtos registrados pelo Mapa (Ministério da Agricultura);
● transportar e armazenar os produtos de acordo com as orientações do fabricante;
● seguir as recomendações da bula do inoculante quanto à dosagem e manipulação;
● conferir o prazo de validade dos produtos;
● evitar que os inoculantes e as sementes tenham contato direto com o sol e à altas temperaturas;
● realizar a semeadura no mesmo dia da coinoculação;
● não realizar a coinoculação dentro da caixa de semeadura;
● não realizar a semeadura em condições de solo com baixa umidade (não plantar no pó).
Vantagens da coinoculação em soja
Dentre as vantagens da coinoculação em soja com Bradyrhizobium + Azospirillum, podemos citar:
● técnica de baixo custo e alto retorno;
● técnica ambientalmente segura e sustentável;
● diminui custos com insumos, principalmente em razão da economia com adubos nitrogenados;
● lavouras bem desenvolvidas;
● aumento na produtividade.
É importante ressaltar que essa tecnologia não apresenta desvantagens. No entanto, somente a coinoculação não é garantia de sucesso.
Fatores que influenciam o resultado
Vários fatores podem interferir no resultado da coinoculação.
Por exemplo, é preciso traçar um bom plano de manejo do solo, adubação equilibrada, controle de plantas invasoras e doenças.
Esteja também de olho na época de semeadura, na qualidade da semente de soja, nas condições climáticas e na cultivar plantada.
Conclusão
A coinoculação é uma técnica em que são utilizadas bactérias dos gêneros Bradyrhizobium e Azospirillum na soja.
Essa prática garante o fornecimento de nitrogênio para as plantas, contribui para o desenvolvimento das plantas e aumenta a produtividade.
Para a melhor eficiência do processo de coinoculação em soja, não deixe de seguir as recomendações do fabricante dos inoculantes. Em casos de maiores dúvidas, procure um engenheiro-agrônomo.
Sementes de soja: como escolher a variedade mais produtiva, importância do uso de sementes certificadas, manejo de produção, beneficiamento e doenças associadas a sementes
Fazer uma boa escolha da semente de soja é fundamental e um dos primeiros passos para obter uma lavoura de sucesso. Afinal de contas, o uso de sementes de alta qualidade pode aumentar em até 20% sua produtividade. Não é pouca coisa!
E diante de centenas de cultivares de soja disponíveis no mercado, escolher a melhor semente nem sempre é tarefa simples. É preciso conhecer bem as características e considerar quais pontos são mais importantes para o seu caso: mais resistência a pragas e doenças, ciclo mais longo ou mais curto, por exemplo.
Para alcançar o melhor potencial produtivo é preciso ter atenção a vários pontos, a começar pela alta qualidade das sementes. Saiba mais sobre todo esse processo no artigo a seguir!
O que é uma semente de soja de alta qualidade?
Escolher uma semente de alta qualidadeé fundamental para uma boa produção de soja. As sementes são responsáveis pelo estabelecimento adequado do estande inicial das plantas e, consequentemente, por altas produtividades.
Sementes de alta qualidade são aquelas que apresentam todos os atributos fisiológicos, físicos, sanitários, genéticos e de pureza.
No momento da escolha, opte por sementes certificadas. Elas estão dentro do padrão de qualidade estabelecido pela legislação.
Apesar da qualidade da semente ser estabelecida no campo de produção de sementes, alguns cuidados são essenciais para a manutenção dessa qualidade. Isso envolve a escolha da cultivar e outros pontos que veremos neste artigo.
A chave para o sucesso da semeadura é planejamento. Planejar e analisar qual a melhor cultivar para sua fazenda, é essencial.
Alguns produtores deixam de lado as recomendações para estar de olho no que o vizinho vai semear; outros estão ligados nas novas tecnologias e há até os que esperam o que a cooperativa vai indicar.
Mas para todos eles e, tenho certeza que para você também, o que mais importa é a produtividade da variedade de soja e adaptação para a região de cultivo. Então esteja muito atento a esses fatores listados e também a questões da sua região.
Quais as variedades de soja mais produtivas para cada região?
Anualmente, ensaios para avaliação da produtividade dos materiais genéticos disponíveis no mercado são publicados. Eles podem ser consultados em sites como Embrapa Soja, Fundação Pró-sementes, Fundação MT e Fundação MS.
A partir desses materiais, é possível consultar quais variedades de soja são mais produtivas nas diferentes regiões sojícolas do país.
Ano agrícola e oscilações de precipitações e temperaturas também são considerados.
As cultivares de soja utilizadas devem ser recomendadas para a sua região, de acordo com o zoneamento agrícola.
Manejo das sementes para plantio
Como já dito, a escolha das sementes é fator-chave para o sucesso produtivo da lavoura. Por isso, há pontos muito importantes que devem ser considerados, como:
Sementes certificadas passam por processos rigorosos de produção, controle de pragas, insetos e doenças. Além disso, passam por controle de qualidade, e possuem material genético de elevada pureza.
A germinação mínima que um lote de sementes de soja deve ter para ser comercializado é de 80%.
Porém, lotes com germinação de 90% ou 80% podem ter o vigor semelhante. Por isso, testes são importantes para conhecer o vigor do lote de sementes.
Sementes podem apresentar elevada germinação no teste, mas possuírem baixo vigor.
Inoculação da semente de soja com bactérias como Bradyrhizobium, fixadoras de nitrogênio e o tratamento industrial de sementes (TSCI) são indispensáveis.
Esses cuidados servem para fornecer um bom estande, uniformidade da lavoura e proteção às sementes no solo, que estarão suscetíveis a patógenos.
Nós falamos mais sobre a inoculação de sementes neste vídeo:
Aplicação de micronutrientes como molibdênio e cobalto, via foliar, no estádio V4 da soja, são importantes para garantir o sucesso da fixação biológica de nitrogênio.
Mas atenção: o tratamento de sementes de soja deve ser realizado imediatamente antes do plantio. O armazenamento das sementes após o tratamento não é recomendado, pois há redução na qualidade.
Optesempre pelo tratamento de sementes industrial. Ele oferece maior uniformidade, economia de produtos, menor poluição ambiental, alvo mais controlado e controle de qualidade.
O tratamento de sementes on-farm, ou seja, dentro da fazenda, não é recomendado. Ele pode causar problemas com recobrimento uniforme das sementes, descarte de embalagens, intoxicação, além da falta de controle de qualidade da aplicação.
Danos por estresse em sementes de soja
É indispensável conhecer quais estresses climáticos podem estar relacionados aos danos observados no campo. Esses estresses podem ser causados por:
Especialmente na fase de pré-colheita, o estresse hídrico provoca enrugamento das sementes. Isso acontece por causa da expansão e contração dos tecidos.
A temperatura e umidade relativa influenciam no processo de maturação das sementes.
A rápida secagem não degrada a clorofila das sementes no mesmo grau que a secagem lenta. Isso deixa as sementes esverdeadas.
Sementes esverdeadas devido ao déficit hídrico e elevadas temperaturas durante o enchimento dos grãos (Fonte: Danilo Estevão, 2015)
Essas condições durante o enchimento de grãos causam sementes com menor germinação e vigor, pequenas, menos densas, imaturas ou verdes, enrugadas ou deformadas.
Temperaturas elevadas
As temperaturas elevadas podem causar sementes com depressões nos cotilédones. Além disso, podem gerar abertura parcial dos cotilédones do lado oposto ao eixo embrionário.
Sementes com cotilédones abertos, esverdeadas e sementes com depressão nos cotilédones, danos causados principalmente por altas temperaturas (Fonte: Zorato, 2019)
Umidade
Colheita de sementes com alto grau de umidade (a partir de 18%) provoca amassamento.
Colheita com grau de umidade muito baixo (abaixo de 13%) provoca trincamentos.
Esses trincamentos diminuem o tempo de armazenamento e facilitam a entrada de insetos e fungos.
Há muitas situações que só são visualizadas através do teste de tetrazólio.
Esse teste é realizado por laboratórios de análise de sementes, e é um dos mais importantes para avaliação da qualidade de sementes de soja.
Ele analisa o poder germinativo e o vigor, além de verificar aspectos como:
a perda do poder germinativo e vigor;
rachaduras no tegumento;
quebra das sementes;
lesões no eixo embrionário (de onde serão emitidas as raízes e a parte aérea das plântulas);
cortes;
amassamentos.
A emergência em campo também é um teste bastante utilizado para avaliar o vigor das sementes e seu estande.
Teor de água das sementes e temperatura de secagem
A cultura da soja é colhida com diferentes umidades ou teores de água. Isso acontece de acordo com a disponibilidade ou finalidade de secadores.
A colheita é realizada assim que as sementes atingem teor de água entre 15% e 18%.
Para que a qualidade da semente de soja seja garantida, realize a secagem artificial.
Para essa operação, você deve se atentar para a temperatura da massa de sementes, de acordo com o teor de água dos grãos. Confira na tabela abaixo!
Grau de umidade da semente (%) e temperatura da massa de sementes (ºC) (Fonte: Krzyzanowski et al., 2015)
Danos por percevejos
Os percevejos são os insetos que mais causam danos na cultura da soja. Afetam significativamente a qualidade fisiológica do lote de sementes e a qualidade sanitária.
Quando os percevejos picam as sementes, injetam em seus tecidos enzimas e a levedura Nematospora coryli, associada a fungos como Alternaria spp. e Fusarium spp.
A consequência é a deterioração e a redução da viabilidade das sementes durante o armazenamento.
Os danos por percevejo podem ser visualizados diretamente ou pelo teste de tetrazólio.
O teste fornece informações importantes sobre a saúde da lavoura, norteando a tomada de decisão sobre quais estratégias de manejo devem ser adotadas.
Lesões necróticas em sementes de soja, resultante da picada por percevejos (Fonte: Krzyzanoeski et al., 2015)
Qual teste é o mais adequado para o monitoramento dos danos na lavoura?
O teste de tetrazólio é o mais indicado, porque fornece informações valiosas.
Por meio dele, é possível verificar se:
a velocidade de colheita está adequada;
as sementes estão sendo colhidas com a umidade adequada;
a lavoura apresenta infestação por pragas e doenças.
A maioria dos danos não pode ser visualizada a olho nu.
Pelo teste de tetrazólio, as sementes absorvem (a depender de sua qualidade) o sal que colore seus tecidos, indicando quais fatores estão associados a sua deterioração.
Cuidados com os danos mecânicos
Danos mecânicos influenciam diretamente na qualidade das sementes. Para evitá-los, alguns cuidados devem ser tomados:
teor ou grau de umidade em que as sementes são colhidas;
velocidade e o tipo de máquina utilizada.
Colhedoras de sistema de trilha axial ou longitudinal podem causar menos dano mecânico às sementes.
Em sistemas tangenciais de trilha, podem ser utilizados sistemas de polias. Isso reduz ainda mais a velocidade do cilindro batedor, a níveis de rotação abaixo de 300-400 rpm.
Colheita entre 12% e 14% de graus de umidade causam menores danos mecânicos.
Beneficiamento e armazenamento de sementes de soja
Há casos de maiores volumes de sementes, onde sementes maiores provocam a retenção de sementes menores e com boa qualidade. Os descartes podem ser superiores a 5%.
Nesses casos, alterne as posições entre o separador em espiral e o padronizador (peneiras de classificação).
O armazenamento seguro das sementes deve ser realizado em temperaturas inferiores a 25 °C . A umidade relativa do ar deve ser inferior a 70%.
A limpeza das sementes e a remoção de matérias estranhas e impurezas são de extrema importância para a conservação ao longo do armazenamento.
O controle de temperatura e umidade também é indispensável.
Em armazenamento de longo prazo, recomenda-se temperaturas entre 10°C e 15°C, e umidade relativa do ar entre 50% e 60%.
7 principais cuidados no armazenamento das sementes de soja
Após a compra, as sementes provavelmente ficarão armazenadas em sua fazenda até o momento ideal para a semeadura.
Este armazenamento deve ser realizado de maneira adequada para preservar a qualidade inicial das sementes, evitando sua deterioração.
Você sabe quais cuidados deve ter durante esse período?
opte por um galpão bem ventilado e com piso;
realize a dedetização do ambiente, deixando-o livre de fungos e roedores;
não deixe suas sementes em contato direto com o chão. Você pode colocar os sacos em estrados de madeira;
evite o contato direto de suas sementes com as paredes do galpão;
evite armazenar neste mesmo galpão outros materiais como adubos, calcários e defensivos agrícolas;
evite deixar suas sementes no sol. Lembre-se: sementes são seres vivos;
a temperatura dentro da unidade de armazenamento não deve ultrapassar 25ºC e a umidade do ar deve ficar na faixa de 70%.
Em regiões muito quentes, o indicado é que as sementes sejam armazenadas em unidades construídas para essa finalidade, com controle de umidade e temperatura.
Outra opção é a utilização de galpões com material isolante de calor para evitar elevação acentuada de temperatura.
O maior problema durante o armazenamento é acombinação inadequada de alta temperatura + alta umidade.
Essa situação diminui a qualidade da semente e, consequentemente, a porcentagem de germinação e o vigor.
Quanto melhores as condições de armazenamento, maior a longevidade das sementes.
Durante o período de armazenamento, a inspeção periódica é fundamental para evitar a proliferação de insetos e pragas.
Doenças associadas às sementes de soja
Diversos patógenos podem ser transmitidos por sementes. O controle de qualidade, o tratamento de sementes industrial e a aquisição de sementes certificadas são fundamentais.
Esses cuidados evitam o estabelecimento de patógenos na cultura, e até mesmo para áreas consideradas livres.
Além disso, fungos de armazenamento podem se desenvolver nas sementes. Isso ocorre especialmente quando elas não possuem controle de qualidade, como no caso das sementes salvas.
Fungos como Cladosporium sp., Aspergillus sp., Fusarium sp.e Penicillium sp., podem reduzir o vigor do lote de sementes. Posteriormente, impactam no estabelecimento das plântulas no campo.
Vale lembrar que sementes vigorosas e de boa qualidade podem tolerar condições adversas durante o processo germinativo e de estabelecimento de plântulas.
Dentre os principais patógenos transmitidos por sementes, destacam-se:
Podridão seca/seca da haste (Phomopsis spp. anamorfo Diaporthe spp.);
Fusariose (Fusarium pallidoroseum (syn. F. semitectum));
Mancha púrpura (Cercospora kikuchii);
Mofo branco (Sclerotinia sclerotiorum (confundido com matérias estranhas e impurezas)).
Sementes de soja infectadas pelos fungos Phomopsis sp. (A); Colletotrichum truncatum (B); Fusarium pallidoroseum (sin. F. semitectum) (C) e Cercospora kikuchii (D) (Fonte: Ademir Assis Henning e José de Barros França-Neto, 2018)
É possível avaliar na propriedade o vigor do lote de sementes?
A resposta é sim, pelo teste de canteiro ou emergência em canteiro. Para que os resultados expressem o potencial verdadeiro do lote de sementes, ele deve ser conduzido seguindo rigorosamente a metodologia padrão.
Além disso, os testes devem ser realizados em temperaturas na faixa de 20°C a 30°C.
Temperaturas inferiores a 15°C e superiores a 30°C poderão comprometer os resultados reais do vigor dos lotes.
A metodologia na íntegra pode ser consultada no Comunicado Técnico 136, elaborado pela Embrapa.
Veja algumas informações que podem te ajudar a realizar o teste de emergência em canteiros:
não utilize canteiros de hortas domésticas (podem conter patógenos, causando interferência no teste);
utilize solo coletado em lavoura, em camada superficial de 0-20 cm de profundidade;
não reaproveite o mesmo solo para outros testes. O solo deve ser trocado.
a profundidade de semeadura deve ser a mesma para todas as sementes: 3 centímetros;
utilize quatro repetições de 100 sementes para cada lote/amostra testada;
cada repetição com 100 sementes deverá ser semeada em um único sulco contínuo, respeitando o espaçamento entre si (para facilitar, você pode usar uma régua guia ou uma trena, para que a semeadura seja em espaçamentos iguais);
atente-se para a irrigação, que não deve ser realizada imediatamente a semeadura, evitando assim danos por embebição das sementes;
a irrigação deve ser realizada na manhã seguinte (cerca de 10 mm), e nos dias seguintes;
as contagens da emergência das plântulas pode ser realizada entre o 5º e 6º dia, correspondendo ao índice de vigor, e do 8º ao 9º dia, calculando a média entre as quatro repetições de sementes. Assim, obtém-se a porcentagem média de emergência de plântulas a campo.
Interpretação dos resultados
média igual ou superior a 90%: vigor muito alto;
média entre 85% e 89%: vigor alto;
média entre 75% a 84%: vigor médio;
média igual ou inferior a 74%: vigor baixo.
Em lotes de sementes com vigor baixo, recomenda-se a substituição das sementes. A cada 100 sementes deste lote, aproximadamente 24 serão inviáveis.
Tecnologias utilizadas para aumento da produção
Anualmente, há lançamentos no mercado com o objetivo de melhorar os processos produtivos e incrementar a produção das culturas.
Novas tecnologias, aperfeiçoamento do manejo, materiais genéticos disponíveis, insumos e defensivos são alguns exemplos. Dentre as tecnologias utilizadas, a agricultura de precisão vem se destacando.
Ela utiliza dados das áreas de produção ao longo dos anos, imagens e softwares geoestatísticos, em uma série de aplicações:
análise de solo localizada, com aplicação de fertilizantes em taxa variada, garantindo economia e aproveitamento do potencial produtivo dos diferentes talhões;
densidade de semeadura e população de plantas, de acordo com as características e potencial produtivo da área;
mapeamento de pragas e doenças, com aplicação localizada de defensivos, conferindo economia e menor impacto ambiental;
uso de drones para aquisição de imagens, monitoramento do seu estado nutricional e sanitário, além de utilização na aplicação localizada de defensivos.
Outra tecnologia que vem ganhando notoriedade é o BiomaPhos.
Ele é um inoculante desenvolvido com tecnologia nacional para a absorção de fósforo pelas culturas, elemento essencial para o desenvolvimento das plantas.
Na última safra, lavouras tratadas com o inoculante produziram 4 sacas por hectare a mais do que as não tratadas.
Podridão radicular em soja: conheça os sintomas, as condições de desenvolvimento, transmissão e disseminação para realizar o melhor método de controle
A podridão radicular por fitóftora é uma das doenças da soja mais importantes.
Em cultivares altamente suscetíveis, pode causar a redução de até 100% no rendimento de grãos.
A doença está presente na maioria das áreas produtoras de soja do país e já causou muitos prejuízos.
Neste artigo, você verá como identificar essa doença e quais as melhores práticas para evitá-la. Boa leitura!
O que causa a podridão radicular em soja?
A podridão radicular em soja (ou podridão da raiz e haste por fitóftora) é causada pelo oomicetoPhytophthora sojae.
É comum que se refiram à podridão radicular por fitóftora como uma doença fúngica. No entanto, o patógeno dessa doença (oomiceto) não é considerado um fungo verdadeiro.
De origem grega, Phytophthora significa “destruidor de plantas” (Phyto = planta e phthora = destruidor).
Os Phytophthorasão conhecidos por causar danos a culturas como soja, tomate, batata e citros.
Sintomas da doença
Os sintomas da podridão radicular na soja podem ser observados da pré-emergência à fase adulta da cultura.
O grau de severidade da doença está relacionado ao nível de resistência da soja. Plantas jovens são mais suscetíveis que plantas adultas.
No solo, as sementes infectadas podem apodrecer e a germinação pode ser retardada. Plântulas infectadas na fase inicial apresentam tecidos de coloração marrom.
É comum que as plântulas morram durante a emergência.
Sintomas de podridão radicular por fitóftora em mudas de soja: (A) leve descoloração das raízes e lesão com aspecto encharcado no caule; (B) lesão de coloração marrom no caule e raízes; (C1-C3) danos no hipocótilo e cotilédone; (D) podridão da semente (Fonte: Traduzido de Chang et al., 2017)
Em plantas adultas, é possível observar o apodrecimento da haste e dos ramos, que exibem coloração marrom. Esse sintoma avança da base da haste até as ramificações.
A podridão radicular da soja também ataca severamente o sistema radicular.
As raízes secundárias são destruídas e a raiz principal apodrece, adquirindo coloração marrom.
A doença provoca a redução do vigor da planta, clorose e a murcha das folhas. As folhas, mesmo secas, não se desprendem da planta.
Sintomas de podridão da raiz e haste por fitóftora em soja (Fonte: Daren Mueller)
A podridão radicular por fitóftora diminui a uniformidade da lavoura e o estande de plantas.
Em alguns casos é necessário realizar operações de ressemeadura, o que aumenta os custos de produção. A doença também diminui o rendimento e a produtividade de grãos.
Os sintomas da doença podem aparecer em plantas isoladas na lavoura. Também podem se manifestar em reboleiras, geralmente onde há acúmulo de água no solo.
Reboleira de soja com sintomas de podridão da raiz e haste por fitóftora (Fonte: Cary Hicks)
Em síntese, os principais sintomas da podridão radicular em soja são:
apodrecimento do sistema radicular;
lesões de coloração marrom em sentido ascendente na haste principal;
clorose;
murcha das folhas;
redução no rendimento e produtividade de grãos.
Transmissão e disseminação
Só ocorre um ciclo da podridão radicular durante o ciclo da soja. As plantas infectadas serão fonte de inóculo somente na próxima safra.
O patógeno Phytophthora sojae consegue sobreviver por longos períodos, mesmo na ausência do hospedeiro.
O solo e os restos culturais de soja contaminada são considerados as principais fontes de inóculo.
Além disso, o patógeno da podridão radicular em soja não é transmitido e disseminado por sementes de soja.
Ciclo da podridão radicular por fitóftora (Fonte: Traduzido de Crop Protection Network)
Condições para o desenvolvimento da podridão radicular em soja
As condições ambientais favoráveis ao desenvolvimento da podridão por fitóftora são temperaturas em torno de 25 °C e 30 °C, além de elevada umidade do solo.
O principal manejo da podridão radicular consiste no plantio de cultivares de soja resistentesà doença.
Mesmo utilizando cultivares resistentes, fique de olho na ocorrência da doença na área. Existe a possibilidade de quebra da resistência da cultivar pelo patógeno.
Além do plantio de cultivares resistentes, adote práticas que melhorem as condições de drenagem e a descompactação do solo.
Tenha em vista as condições de desenvolvimento da doença nesse momento.
Outra medida a ser adotada é a rotação de culturas. Essa prática evita o aumento da quantidade do patógeno no solo.
Segundo a Embrapa, a aplicação de fungicidas na parte aérea da planta não apresenta efeito contra a podridão radicular por fitóftora.