Estratégias para vender bem a produção agrícola

Descubra como vender sua produção agrícola com mais lucro! Conheça as estratégias essenciais para maximizar seus resultados na venda de produtos agrícolas. Aprenda a acompanhar os preços das commodities, diversificar sua carteira de clientes e utilizar tecnologia a seu favor.

A venda da produção agrícola é um ponto crucial para o sucesso de qualquer empreendimento no setor. 

Para garantir o máximo retorno financeiro, é essencial implementar estratégias eficazes que levem em consideração diversos fatores, incluindo o momento oportuno para a comercialização e a análise do mercado de commodities

Neste artigo, vamos explorar estratégias essenciais para vender a produção agrícola com lucratividade máxima, considerando aspectos como o acompanhamento dos preços das commodities, a diversificação da carteira de clientes e o uso de tecnologia para gerenciar a produção de forma mais eficiente. 

Vamos mergulhar nesse universo dinâmico da venda agrícola e descobrir como alcançar melhores resultados financeiros.

A importância da venda assertiva

Na jornada agrícola, da semeadura à colheita, o planejamento da comercialização é essencial para garantir eficiência e rentabilidade. 

Desde o cultivo até o momento da venda, cada etapa demanda estratégias cuidadosas para que os grãos, como soja e milho, alcancem o consumidor final, impulsionando toda a cadeia produtiva.

Para o produtor rural, além de cultivar de forma sustentável, é crucial compreender o mercado e o funcionamento da cadeia produtiva. 

No cenário atual, conhecer as nuances da comercialização de grãos é fundamental para aproveitar as oportunidades e superar os desafios, maximizando os resultados das safras.

A comercialização agrícola é um pilar essencial para a economia nacional, abrangendo desde a produção até a distribuição de produtos agrícolas, envolvendo etapas como plantio, colheita, transporte, processamento e armazenamento.

A comercialização agrícola

Este sistema complexo conta com uma série de agentes que desempenham papéis cruciais, desde o cultivo até a entrega dos produtos agrícolas. 

Desde a aquisição de insumos e o planejamento da safra, o produtor rural avalia as possibilidades de venda dos grãos que serão produzidos, considerando uma variedade de fatores para embasar suas decisões comerciais.

A comercialização não se limita à conclusão do ciclo produtivo, mas abrange todas as operações desde a aquisição dos insumos até a venda dos produtos. 

Este processo envolve uma rede de agentes, incluindo produtores rurais, cooperativas, empresas de transporte, distribuidores e varejistas, cada um desempenhando um papel específico na cadeia de comercialização.

Essa interação entre oferta (setor produtivo) e demanda (consumidor final) é crucial para a eficiência e rentabilidade do setor agrícola. A dinâmica desse sistema fundamenta os estágios da cadeia produtiva, desde a produção até a entrega dos produtos ao consumidor final.

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Modalidades de comercialização/vendas

Na comercialização agrícola, diversas atividades especializadas são desempenhadas por diferentes agentes. Aqui está uma visão geral dos principais atores envolvidos:

  1. Corretor: Atua como intermediário na aproximação entre compradores e vendedores, facilitando negociações sem estocar bens, financiar ou assumir riscos.
  2. Facilitador: Influencia o processo de distribuição sem possuir os bens ou negociar diretamente a compra ou venda.
  3. Representante de Fabricante: Empresa que vende bens de vários fabricantes de forma independente.
  4. Comerciante: Influencia a compra, assume a posse dos bens e os revende posteriormente.
  5. Varejista: Responsável por vender bens ou serviços diretamente ao consumidor final.
  6. Agente de Vendas: Procura clientes e negocia em nome de um fabricante, sem assumir a propriedade dos bens.
  7. Força de Vendas: Grupo de pessoas que vendem produtos e serviços em nome de uma empresa.
  8. Atacadista: Empresa que vende bens ou serviços adquiridos para revenda ou uso empresarial.

Esses agentes desempenham papéis específicos ao longo do canal de comercialização ou distribuição, que representa a sequência de etapas pelas quais o produto agrícola passa até chegar ao consumidor final.

Estratégias para venda eficiente

Para estabelecer uma estratégia de comercialização bem-sucedida, é essencial seguir alguns passos que garantam assertividade no processo. Aqui estão as etapas fundamentais:

  1. Conheça os Custos de Produção: Tenha em mãos os custos de produção da safra ou um orçamento detalhado. Isso inclui não apenas os custos diretos, mas também os custos operacionais, depreciação e custos econômicos associados à produção agrícola.
  2. Defina Estratégias de Venda: Considere as diferentes estratégias de venda disponíveis, levando em conta fatores como sazonalidade do mercado, demanda esperada e concorrência. Estabeleça metas claras e objetivas para orientar suas ações de comercialização.
  3. Avalie as Formas de Pagamento: Analise as diferentes formas de pagamento disponíveis, como crédito bancário, troca de produtos (barter) ou uso de capital próprio. Escolha a opção que melhor se adapte às suas necessidades e objetivos financeiros.
  4. Determine a Margem Esperada: Defina a margem de lucro esperada para sua produção, considerando os custos envolvidos e as condições do mercado. Se necessário, busque orientação de especialistas para analisar cenários de preços e tomar decisões embasadas.
  5. Aproveite Oportunidades de Mercado: Esteja atento às flutuações de preços no mercado. Quando os preços estiverem elevados, aproveite para vender sua produção, seguindo as estratégias definidas previamente.
  6. Não Espere Preços Ideais: Em alguns casos, pode ser necessário vender mesmo que o preço esteja abaixo do esperado, especialmente se houver o risco de uma queda ainda maior. No entanto, nunca comprometa seus lucros vendendo a um preço que resulte em prejuízos significativos.

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Técnicas avançadas para vendas agrícolas

As estratégias de comercialização agrícola são fundamentais para avaliar a viabilidade do sistema produtivo em uma fazenda, envolvendo desde o acompanhamento do mercado até a tomada de decisões baseadas nos custos de produção.

O produtor rural se mantém atualizado com as notícias e tendências do mercado ao longo das safras, planejando seus investimentos com base nos custos por hectare.

Uma das técnicas mais importantes nesse contexto é a estruturação e o planejamento da venda dos produtos agrícolas após a colheita.

Um exemplo comum e que proporciona segurança ao produtor é o Barter, onde ocorre a troca dos insumos utilizados no cultivo pelo pagamento em produção de grãos. 

Outra técnica relevante é o Hedge, que fixa o preço dos grãos de acordo com a cotação da bolsa de valores, permitindo ao produtor prever sua margem de lucro.

Além dessas, há outras modalidades de comercialização:

  • Comercialização pela Cooperativa: Nesse modelo, a cooperativa atua como intermediária na venda, recebendo os grãos, armazenando e realizando o escoamento da safra.
  • Pré-Fixação e Pré-Pagamento: Nessas modalidades, a negociação dos grãos ocorre com um preço pré-estabelecido. No pré-pagamento, o comprador antecipa o pagamento ao produtor, que se compromete a entregar os grãos após a colheita, com pagamento de juros.
  • Tradings e Corretoras: Empresas especializadas em commodities agrícolas facilitam a venda dos grãos, intermediando as negociações com compradores nacionais e internacionais.

Estratégias para vender bem a produção de milho e soja

A comercialização eficiente da produção de milho e soja requer uma abordagem estratégica e bem planejada, levando em consideração diversos fatores para maximizar os resultados.

Análise de Mercado

Realizar uma análise detalhada do mercado é fundamental para identificar oportunidades e tendências. É importante entender a demanda por milho e soja nos mercados local, regional e global, acompanhar as flutuações de preços e identificar potenciais compradores.

Diversificação de Clientes

Buscar diversificar a base de clientes é uma estratégia importante para mitigar riscos e aumentar as oportunidades de venda. Além de vender para grandes compradores, como indústrias e cooperativas, explorar mercados locais, regionais e internacionais pode ampliar os canais de distribuição e maximizar os lucros.

Gestão de Custos

Controlar os custos de produção é essencial para garantir uma margem de lucro satisfatória na comercialização de milho e soja. Monitorar de perto os custos relacionados ao cultivo, como insumos agrícolas, mão de obra, maquinário e logística, e buscar maneiras de otimizá-los sem comprometer a qualidade e a produtividade é fundamental.

Utilização de Contratos Futuros

A utilização de contratos futuros pode ser uma estratégia eficaz para garantir preços mais estáveis e previsíveis. Esses contratos permitem fixar o preço do milho e da soja antes da colheita, protegendo o produtor contra possíveis quedas nos preços de mercado.

Adoção de Tecnologia

A tecnologia desempenha um papel crucial na otimização da comercialização de milho e soja. O uso de sistemas de gestão agrícola, aplicativos de cotação de preços, análise de dados e monitoramento de mercado pode fornecer informações valiosas para tomar decisões mais informadas e estratégicas na venda da produção.

Investir em estratégias de marketing também pode ajudar a aumentar a visibilidade e a atratividade da produção de milho e soja no mercado. 

Ao implementar essas estratégias de forma integrada e bem planejada, os produtores podem maximizar os lucros e garantir o sucesso na comercialização de suas safras.

Como o Aegro ajuda na venda

Para planejar o preço de venda, é necessário saber todos os custos e identificar o valor ideal para venda do produto.

Com o Aegro, todas as informações da safra ficam centralizadas em um só lugar, facilitando a compreensão do valor ideal de venda. Além disso, você pode criar simulações de venda com diferentes valores para entender o lucro obtido com base nos custos registrados.

venda de grãos
Tela de colheita do Aegro

Conclusão

A comercialização agrícola não é apenas um aspecto crucial para o sucesso de um empreendimento no setor, mas também um processo estratégico que envolve diversos aspectos, desde o planejamento até a execução. Ao longo deste artigo, exploramos as estratégias essenciais para vender a produção agrícola com lucratividade máxima.

Desde o acompanhamento dos preços das commodities até a diversificação da carteira de clientes e o uso de tecnologia para gerenciar a produção de forma mais eficiente, destacamos a importância de entender o mercado e a cadeia produtiva para maximizar os resultados financeiros.

Além disso, discutimos as diversas modalidades de comercialização, como o Barter, o Hedge e a pré-fixação/pré-pagamento, que oferecem alternativas para o produtor rural garantir a segurança e previsibilidade na venda de seus produtos.

Agora, você está equipado com o conhecimento e as ferramentas necessárias para aprimorar suas estratégias de venda e impulsionar seus resultados na comercialização agrícola. Não perca tempo! Agende uma demonstração gratuita com a Aegro e descubra como podemos ajudá-lo a maximizar seus lucros e otimizar sua produção.

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Ácaro-branco na lavoura? Veja como manejar essa praga

Ácaro-branco: saiba como identificar a presença na lavoura, quais as condições ambientais favoráveis, como monitorar, qual acaricida usar e mais!

O ácaro-branco é uma praga agrícola que tem causado grandes danos em grandes culturas nas últimas safras. Essa é uma praga capaz de se alimentar de muitas espécies diferentes. Além disso, ela está presente em diversas regiões produtoras do mundo. 

Essa praga possui enorme potencial de dano, especialmente pela redução do porte das plantas. Ainda, pode ser confundida com outras pragas, doenças, fungos e vírus. Justamente por isso, é importante estar ciente das características dessa praga.

Neste artigo, entenda os sintomas causados pelo ácaro-branco e veja quais são as condições ambientais favoráveis. Aproveite a leitura!

O que é o ácaro-branco?

O ácaro-branco é uma espécie de ácaro encontrada nas mais importantes culturas agrícolas. Ele é muito semelhante ao ácaro-rajado, embora seja menor. Ainda, essa praga polífaga também pode ser reconhecido como:

  • Polyphagotarsonemus latus;    
  • Hemitarsonemus latus;
  • Neotarsonemus latus;
  • Tarsonemus latus;
  • Tarsonemus phaseoli.
acaro-rajado
Diferenças visuais entre o ácaro rajado à esquerda, e o ácaro-branco a direita 
(Fonte: Salvadori, 2007)

Embora possa parecer que o ácaro-branco seja uma das novas pragas da soja, a sua ocorrência já foi registrada em safras anteriores. Isso principalmente em função das condições ambientais favoráveis em algumas regiões do país.

No entanto, a novidade em relação à ocorrência da praga é a alta frequência e as grandes áreas em que tem sido registrada. Por isso, produtores têm estado em alerta.

Seu ciclo de vida é extremamente rápido: de ovo até a fase adulta, são entre 5 a 8 dias. A oviposição é realizada principalmente na face inferior das folhas e o ciclo de vida é composto por três fases principais: ovo, larva e adulto.

O ácaro-branco possui coloração pálida amarelada ou verde amarelada, dependendo da espécie em que é utilizada para alimentação. Ainda, o ácaro-rajado é muito pequeno. Já os ovos são alongados e transparentes, possuindo pontos brancos. 

planilha manejo integrado de pragas

Como diferenciá-lo dos outros tipos de ácaro e doenças?

Uma das características observadas no ataque do ácaro-branco, diferente das viroses, é a sua distribuição uniforme ao longo da lavoura. Ou seja, há diversas plantas próximas afetadas, distribuídas ainda em reboleiras pequenas ou grandes.

Em ataques mais severos, é possível ocorrer a queda de folíolos. Além disso, pode haver o bronzeamento das hastes, da face inferior das folhas (exceto as nervuras), dos pecíolos e das vagens. Outro diferencial do ácaro-branco é não formar teias nas folhas lesionadas.

É possível diferenciar danos causados por ácaro-branco de outras viroses ou doenças causadas por fungos cortando a haste da folha. Faça isso no sentido longitudinal e analise o aspecto visual interno. 

Quando o ataque está sendo causado pelo ácaro-branco, diferentemente das doenças, a coloração interna será normal. Já nas doenças que afetam a haste principal, pode ser observado o escurecimento interno dos tecidos.

Dada a preferência por tecidos jovens, a época de maior infestação do ácaro-branco é a época de crescimento intenso das culturas. Isso acontece principalmente na fase vegetativa.

Quais as condições ambientais favoráveis para a praga?

Para a maioria dos ácaros, as condições ambientais favoráveis para ocorrência são períodos secos. Por outro lado, para o ácaro-branco, as condições ambientais favoráveis são opostas.

Períodos de alta nebulosidade, com chuvas associadas a temperaturas elevadas favorecem a explosão da infestação em áreas de produção.

Para a cultura da soja, essas condições climáticas ocorreram especialmente em parte da Região Central do Brasil. O mesmo vale para os estados do Sul do Brasil. É importante ressaltar que o ácaro-branco pode causar problemas em estufas de produção.

Afinal, ele é sensível a baixas temperaturas, não resistindo ao frio.

Danos do ácaro-branco na soja, no café e no algodão

O ácaro-branco é uma praga de grande potencial de dano. Em outros países, por exemplo, já foi relatado causando redução de 50% da produção de feijão. Para a cultura do algodão, é considerada uma praga importante na África tropical e em regiões produtoras do Brasil.

Segundo dados da Cabi (Centro Internacional de Biociência Agrícola), o ácaro-branco está amplamente distribuído no mundo, e é capaz de afetar as seguintes culturas de interesse:

Esse ácaro na soja também reduz a distância entre os entrenós, diminuindo assim a estatura da leguminosa. Como consequência, as plantas próximas acabam por sombrear as plantas afetadas, reduzindo ainda mais o seu potencial produtivo

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Sintomas do ácaro-branco em infestação severa, com bronzeamento da haste principal e redução da estatura da planta
(Fonte: Roggia, 2023)

No algodão, o ácaro-branco é considerado uma praga importante em anos chuvosos e de altas temperaturas. O ataque ocorre principalmente após as adubações foliares ou nitrogenadas, desde que coincidam com as condições ambientais favoráveis. 

Os danos provocados pela alimentação do ácaro resultam em aspecto brilhante da face inferior das folhas e retorcimento das folhas para cima.

Em decorrência do desenvolvimento anormal das folhas, há redução do número de maçãs. Isso impacta negativamente a qualidade das fibras produzidas. 

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Aspecto das folhas de algodoeiro após o ataque do ácaro-branco
(Fonte: Tomquelski, 2020)

No ácaro-branco provoca a formação de rugosidades sobre a superfície da folha, além de distorção das folhas e brotos novos. As folhas também podem apresentar aspecto bronzeado, assim como os ramos.

Na imagem abaixo, você pode conferir o aspecto visual da presença dessa praga nas folhas de café.

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Danos causados pelo ácaro-branco em café
(Fonte: Nelson, 2023)

Como se livrar do ácaro em plantas?

O controle do ácaro-branco deve ser feito quando 20% das folhas apresentarem sintomas característicos da sua presença até o período em que a floração se inicia.  Por isso, um bom monitoramento da praga deve ser feito.

Para isso, você pode amostrar 10 plantas aleatórias em diferentes pontos da lavoura. Não se esqueça de investigar ainda aquelas plantas com crescimento anormal, principalmente presentes em reboleiras. Vale lembrar que a visualização do ácaro, mesmo com lupa, é difícil.

Existem poucos produtos registrados para controle do ácaro-branco. Entretanto, a praga ataca principalmente os pontos de crescimento da planta, o que pode ser um ponto a se considerar.

Quando a planta estiver em estádios de desenvolvimento mais avançados, o controle já não é mais tão necessário. Nesses estádios, as folhas estão expandidas e as estruturas reprodutivas já estão formadas. 

Nessa situação, com ausência de tecidos novos presentes na planta, a população da praga tende a reduzir significativamente de forma natural. No Agrofit, podem ser consultados diversos acaricidas para diferentes culturas

Além disso, fazer o MIP (Manejo Integrado de Pragas) é fundamental para garantir um bom controle na lavoura.

Consulte sempre um(a) agrônomo(a) para recomendação do melhor controle. Faça isso especialmente quando outras pragas estiverem ocorrendo, otimizando assim as aplicações. 

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Conclusão

O ácaro-branco é uma praga de ampla distribuição mundial e potencial de danos.

Seu controle é realizado principalmente com acaricidas. No entanto, deve ser realizado assim que a praga foi identificada em porcentagem que justifique o seu controle

Ainda, observe em que estádio de desenvolvimento da cultura a praga está ocorrendo. Assim, você consegue acertar na tomada de decisão sobre quando aplicar o acaricida ideal.

Restou alguma dúvida sobre o ácaro-branco? Se você conhece outros produtores com essa praga na lavoura, não deixe de compartilhar esse artigo com eles. 

Como livrar a lavoura da mancha-púrpura na soja (crestamento foliar de cercospora)?

Mancha púrpura na soja: saiba como identificar a doença, entenda os danos causados, como prevenir a lavoura e como fazer o controle tardio

Anualmente os prejuízos causados pela mancha púrpura são consideráveis. Causada pelo fungo Cercospora kikuchii, é uma das principais doenças de final de ciclo da soja

Também conhecida como cercosporiose ou crestamento foliar de cercospora, essa doença deve ser controlada muito antes do final do ciclo. Para isso, é necessário saber como identificar os sintomas e como reduzir os fungos causadores.

Neste artigo, saiba mais sobre como a mancha-púrpura reduz a qualidade dos grãos e das sementes e como fazer o manejo efetivo. Boa leitura!

O que é mancha-púrpura em soja (Cercospora Kikuchii)?

A mancha-púrpura, também conhecida como crestamento-foliar de cercospora, é uma doença de final de ciclo (ou DFC) da soja. Causada pelo fungo Cercospora kikuchii, ela reduz a produtividade e qualidade dos grãos, além de também poder afetar a germinação da soja. 

Apesar de ser uma doença conhecida por ser de final de ciclo, ela pode iniciar ainda no período vegetativo. Nessa fase, ela causa danos pouco significativos por causa da capacidade de compensação da cultura e não interfere de imediato no potencial produtivo.

Entretanto, é importante frisar que quando a doença inicia ainda no período vegetativo. Sem um controle eficiente, tende a atingir maior severidade no período reprodutivo. Além disso, sementes e grãos em contato com a doença possuem menor potencial de armazenamento.

Danos causados na cultura e no armazenamento da soja

A redução da produtividade da soja devido ao ataque da mancha-púrpura pode ser de até 50%. Isso, é claro, em condições favoráveis à doença e em cultivares suscetíveis. O fungo é causador de três problemas principais na cultura da soja:

  • Crestamento foliar, que se manifesta por meio de sintomas na parte aérea da planta;
  • Morte de plântulas durante a emergência da cultura, o que pode interferir no potencial produtivo da área em função da redução do estande inicial da cultura;
  • Danos causados em grãos e sementes, visíveis pela presença de manchas arroxeadas em sementes e grãos. Como consequência, há prejuízos na germinação e vigor da soja.

Os danos causados pelo fungo estão relacionados à fase de desenvolvimento da cultura em que a doença ocorre. No início do enchimento dos grãos de soja, os danos são mais severos. Ao final do deste período, os danos são menos acentuados e por vezes mínimos.

Foto do agente causador da mancha púrpura, também conhecida como crestamento-foliar de cercospora
Foto do agente causador da mancha púrpura, também conhecida como crestamento-foliar de cercospora
(Fonte: Chanda, 2012)

O controle deve priorizar as fases antes do período de enchimento de grãos, principalmente após o fechamento de entrelinhas, o que evita o estabelecimento do patógeno. O controle no baixeiro é mais difícil devido à dificuldade de alcance das aplicações de fungicidas.

A soja é armazenada no máximo até a próxima safra, e possui rápida deterioração quando armazenada em teor de água inadequado. A presença de fungos pode interferir na capacidade de armazenamento do produto colhido.

Durante o armazenamento, a infecção pelo fungo serve ainda como porta de entrada para outros patógenos e pode favorecer a infestação por insetos.

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Como identificar o crestamento foliar de cercospora na soja?

Os sintomas da mancha púrpura podem ser observados desde o período vegetativo. Afinal, o fungo pode sobreviver em restos culturais da soja ou no solo até o próximo cultivo. 

Os sintomas da doença ocorrem em todas as partes da planta e em qualquer estádio de desenvolvimento da soja, exceto nas raízes. Confira os principais sinais que te ajudam a identificar a doença na lavoura:

  • aspecto arroxeado nas folhas, que lembra um couro;
  • severa desfolha, principalmente no estádio reprodutivo;
  • coloração arroxeada com variações mais claras e escuras;
  • rachadura do tegumento das sementes e grãos;
  • surgimento inicial dos sintomas na haste, com escurecimento e necrose do tecido;
  • pontuações escuras castanho-avermelhadas nas folhas;
  • na haste, podem ser visualizadas lesões vermelhas-arroxeadas.

Você pode identificar a doença apenas observando os sintomas. Apesar disso, se você fez aplicações anteriores na lavoura, saiba que os sintomas da mancha-púrpura podem ser confundidos com fitotoxidez. 

A diferença entre ambos encontra-se no fato de no caso em excesso de uso de adjuvante, as características iniciais da folha de superfície lisa são mantidas. No crestamento, além da mancha de cor arroxeada, as folhas ficam enrugadas na direção das bordas para o interior.

Bronzeamento de folhas de soja em função da aplicação de adjuvantes à base de óleo. Na direita, sintomas de crestamento-foliar.
(Fonte: Forcelini, 2014)

Como controlar a mancha na soja e outras doenças de final de ciclo da soja?

Antes de tudo, é necessário ficar de olho nas condições favoráveis à doença. Temperaturas entre 23°C e 27°C associadas à alta umidade favorecem o fungo causador. Estudos já comprovaram que menores precipitações (menor molhamento foliar) também são favoráveis.  

Assim como para as demais doenças de plantas, o MID (Manejo Integrado de Doenças) deve ser priorizado. Ele consiste no uso de diferentes métodos de controle, o que reduz a população do patógeno da área de cultivo.

Isso também diminui as possibilidades de seleção de populações resistentes. Além disso, confira as mais eficientes formas de controlar a mancha-púrpura:

  • Uso de sementes certificadas: além de prevenir a mancha-púrpura, evite usar sementes piratas para afastar outras doenças disseminadas por sementes;
  • Tratamento de sementes: isso protege as plântulas do ataque inicial do patógeno que sobrevive nos restos culturais;
  • Uso de variedades resistentes ou tolerantes: opte por variedades precoces, que permanecem expostas aos patógenos por menor  tempo;
  • Rotação de culturas com milho: quando possível, essa técnica também reduz o inóculo do patógeno na área de cultivo;
  • Densidade adequada: se possível, opte por maior espaçamento entre linhas;
  • Adubação equilibrada: faça uma boa adubação principalmente potássica e de cálcio, nutrientes que tornam a planta mais rígida e resistente;
  • Aplicações de fungicidas na parte aérea da cultura: essas aplicações devem iniciar ainda no período vegetativo, estendendo-se até o enchimento dos grãos;
  • Controle químico: ele deve ser utilizado como ferramenta adicional e não de forma isolada. O uso de misturas duplas (dois mecanismos de ação) ou triplas, são recomendadas, combinadas com fungicidas multissítios.  

Além disso, vale lembrar que o controle do crestamento-foliar ou mancha-púrpura não exige controle separado das demais doenças. Afinal, as moléculas usadas para o controle da ferrugem, por exemplo, são efetivas para o controle das outras doenças de fim de ciclo.

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Quando fazer aplicações tardias para controlar manchas foliares na soja?

A aplicação tardia para controlar a mancha-púrpura é interessante para prolongar o período de enchimento de grãos em até duas semanas. O  mesmo vale para as demais manchas foliares na soja.Isso, é claro, diante das seguintes condições:

  • possuir vasta área foliar;
  • estiver em contato com baixa temperatura noturna;
  • boa incidência de sol;
  • umidade do solo elevada. 

Quando a cultura está em fase de senescência, com folhas amareladas e em fase de queda da planta, as aplicações já não são mais necessárias.

Conclusão

A mancha-púrpura da soja não provoca danos diretos aos tecidos foliares, e também aos grãos e sementes. Isso influencia o seu armazenamento e reduz a qualidade dos grãos destinados à indústria.

Além disso, é importante lembrar que o controle da doença deve ser sempre planejado em conjunto com demais patógenos presentes na área.

Conheça o histórico de doenças que ocorrem na área de cultivo, bem como épocas e condições ambientais que as favorecem. Assim, você poderá fazer um manejo mais assertivo e economicamente viável, reduzindo custos e aumentando as receitas.

Leia mais >>

“Cercosporiose no milho: saiba como manejar a doença”

Gostou de saber mais sobre a mancha-púrpura? Se você conhece outras pessoas que produzem e enfrentam essa doença na lavoura, compartilhe este artigo com elas.

Saiba como calcular o lucro por hectare de soja

Lucro por hectare de soja: o que fazer para aumentar seu lucro líquido, qual a projeção para 2023 e outras informações importantes

Quem produz quer ter sucesso em sua propriedade rural, produzir bem, vender com preço elevado e ter bons lucros. Entretanto, poucos produtores sabem o que é lucratividade, como calcular e como defini-la para cada área de produção.

Não tem sido uma tarefa fácil fechar as contas nestes últimos anos. Afinal, a volatilidade dos preços tem atrapalhado na definição da margem de lucro das lavouras de soja. Justamente por isso, entender bem sobre lucro é fundamental. 

Neste texto, conheça o principal fator que deve ser considerado para definir o lucro líquido da fazenda e como calculá-los. Assim, você poderá definir o preço da soja em 2023 e nos anos seguintes. Aproveite a leitura!

O que é o lucro de soja por hectare?

O lucro líquido é, de forma resumida, quanto sobrou para o produtor após ele pagar todos os gastos diretos e indiretos. Ou seja, o quanto sobra ao quitar o custo de produção da área de soja.

Todo comércio realizado é voltado para lucro obtido com o produto, mas o lucro na agricultura não é fixo. Nos últimos anos, foi possível observar grande oscilação de preços na venda e compra dos insumos agrícolas e dos grãos.

Essa volatilidade nos preços gera maior instabilidade na venda dos grãos colhidos. Afinal, quem produz espera preços bons no mercado comprador para poder vender. Entretanto, a pergunta que fica é: qual é o melhor preço de venda da saca de soja?

Pensando na safra 2021/22, a média de preço da saca de soja no porto de Paranaguá foi de R$ 188,89. Entretanto, o preço diário oscilou entre R$ 174,46 a R$ 207,14 ao longo dos dias.

Poucos produtores conseguiram vender sua soja ao preço de R$ 200 por saca, pois este valor se manteve por poucos dias. Outros produtores já tinham realizado a venda futura da soja em 2021 ao preço de R$ 150 por saca.

Outro questionamento  é o seguinte: será que o produtor que fez contrato futuro a R$ 150 por saca saiu no prejuízo? Por isso, é importante saber o que significa o lucro da soja por hectare. Assim você não ficará à mercê das oscilações que estão presentes nesta safra.

Sabendo quanto a lavoura custou, é possível saber se aqueles R$ 150 por saca foram ou não um bom negócio.

Assim, é importante ter um planejamento antecipado da sua lavoura. Somente com ele em mãos você poderá definir um preço de venda futura, ou até mesmo definir a lucratividade esperada da sua fazenda.

Custo de produção x rentabilidade da soja por hectare

Um custo bem feito te gera dados confiáveis e seguros para que realizar com mais confiança suas transações de venda. Um custo de produção precisa ser feito com planejamento. Nele, é preciso definir: 

  • quantidade de área;
  • cultivar utilizada;
  • formulação de adubo;
  • quantidade de adubo por hectare;
  • principais defensivos a serem utilizados.

A definição dos defensivos no planejamento é feita com base no histórico da área e da cultura antecessora. Com isso, já é possível definir alguns destes produtos, enquanto outros são adquiridos no decorrer da cultura em campo.

Assim, é possível definir os gastos diretos realizados no custo de produção, que são todos os insumos utilizados. É preciso anotar também os gastos indiretos. Eles são os valores gastos com revisões de maquinários, mão de obra, energia, fretes, combustível, peças, entre outros.

Estes gastos devem estar no custo de produção, mas divididos por hectare. Um exemplo hipotético seria: 

  • a revisão da semeadora ficou no valor de R$ 20 mil;
  • serão semeados 100 hectares;
  • Portanto, o valor deste item será de R$ 200 por hectare. 

Outra forma de fazer esse cálculo é utilizando tecnologia, através de planilhas de custo de produção por hectare. Separamos uma planilha gratuita para você calcular os insumos utilizados em cada safra, por hectare. Clique na imagem abaixo para acessar o material:

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Exemplo de lucratividade da soja

Confira um exemplo de lucratividade da soja da safra 2021/22, pelos dados de custo de produção obtidos da Conab e valor médio de venda obtido no Cepea. O valor médio de venda foi de R$ 188,89 em 2022.

Para esse cálculo, considere que o custo de produção da soja por hectare em Londrina, na safra 2021/22 foi de R$ 5.989,97. Ainda, considere que a produtividade média na região foi de 60 sacas por hectare

Nessa safra, o preço médio de venda da saca de soja nessa região foi de R$ 188,89. Para chegar ao resultado do lucro da soja, é necessário multiplicar o valor da produtividade (60 sacas) pelo valor de venda dessas sacas (R$ 188,89). 

Assim, fazendo esse cálculo, percebemos que o valor total de venda por hectare foi de R$ 11.333,40. Agora, veja como fazer esse cálculo em mais detalhes:

lucratividade da soja: forma de calcular o lucro por hectare da soja
Esquema para calcular o lucro por hectare de soja

Houve produtores da safra 2021/22 que venderam a saca de soja por R$ 150. Fazendo os cálculos citados acima, vemos que estes produtores tiveram um lucro líquido de R$ 3.010,03 por hectare. Isso significa uma lucratividade de 33,44%.

Alguns podem achar pouco, mas quem está no ramo agrícola a algum tempo sabe que este não é um valor ruim de lucro. Ainda, é preciso ter pé no chão para não deixar escapar boas ofertas de venda, na busca do que oscila tanto: o mercado de commodities agrícolas.

Ou seja, o custo de produção considera todos os gastos com a lavoura por hectare. Sabendo qual a margem de lucro desejada, é possível conseguir a melhor relação de custo x lucro.

Projeção da margem de lucro de soja por hectare em 2023

Quem produziu na safra passada (2021/22) pode lucrar cerca de R$ 1,5 mil por hectare de soja. A cotação da saca de 60 kg do grão está em cerca de R$ 156 no Estado do Mato Grosso do Sul. É um valor preocupante, e que pode gerar baixos lucros para quem produz na região.

Essa foi uma projeção feita pela Aprosoja, do MS. Agora, na safra atual, o valor dos insumos tem sido os grandes vilões da lucratividade da soja nas duas últimas safras. 

Por outro lado, a previsão para a safra 2022/23 é de que o lucro líquido será de R$ 1.387,63. Ainda, a previsão de lucratividade é de 13%.

Assim, vemos que nesta safra, quem produz tende a ter menor lucro líquido em relação ao ano anterior. Por isso, é importante estar de olho no mercado e buscar as melhores oportunidades de comercialização agrícola.

Com aumento dos preços pagos na saca de soja, os preços dos insumos deram um salto, elevando o custo de produção. Por exemplo, o lucro de soja por hectare para a safra 2021/22 foi de 47% em Londrina-PR. Entretanto, para esse ano, as projeções são menores.

Os produtores vão se lembrar da preocupação com fertilizantes para a safra 2022/23, o aumento do preço dos defensivos ao final da safra 2021/22. Isto eleva o custo de produção, e como vimos, lucratividade está diretamente relacionada com o custo.

Por quanto vender a saca de soja na safra 2022/23?

Para a safra 2022/23 é preciso ter cautela no cálculo para obter margem boas de lucro. Veja um exemplo hipotético de como definir o lucro da saca de soja por hectare para safra 2023: para isso, considere que o custo de produção da safra 2022/23 foi R$ 9.250,79.

A produtividade esperada por hectare foi de 60 sacas. Para definir o preço mínimo de venda é necessário dividir o custo de produção pela produtividade esperada (ou seja, R$ 9.250,79 dividido por 60). 

Fazendo esse cálculo, chegamos ao resultado de que o preço mínimo de venda é R$ 154,18 por saca. Se o lucro mínimo desejado por saca for de 15%, é necessário dividir o preço mínimo de venda por 0,15.

Fazendo esse cálculo, chegamos à conclusão de que para obter 15% de lucro, você deve vender sua saca de soja por pelo menos R$ 177,31.

Como aumentar a margem de lucro da soja?

Na fazenda, diversos são os fatores incontroláveis por quem produz: clima, bases de preço de compra e venda de mercadorias são apenas alguns exemplos. Entretanto, fazer corretamente aquilo que é controlável é o que faz a diferença no final da safra.

Para conseguir aumentar ou buscar a melhor margem de lucro da sua propriedade, faça corretamente o custo. Anotando todos os gastos diretos e indiretos em planilhas.

Fazer estas planilhas é uma tarefa complicada. Muitas vezes, na correria das atividades da fazenda, é possível esquecer de anotar algum gasto. Ou ainda, é possível não conseguir acompanhar os preços no mercado da soja diariamente.

Para evitar esses gargalos, busque ferramentas que te ajudem neste momento. O Aegro é uma destas soluções! Esse software de gestão rural auxilia no planejamento e controle de custos, garantindo uma visão clara do dinheiro gasto ao longo da safra em tempo real.  

Ao fazer o planejamento e registrar as atividades da safra dentro do sistema, ele permite que você verifique a possibilidade de lucro ou prejuízo antes mesmo da colheita.

Confira a previsão do preço da soja para 2023: o que vai influenciar a commodity

Previsão do preço da soja para 2023: saiba qual é a tendência para os próximos meses, fatores que oscilam o valor no mercado, ferramentas de proteção contra variações e muito mais!

O mercado da cultura da soja tem sido muito visado nos últimos anos, principalmente pela recente alta nos preços da oleaginosa. Com diversos fatores influenciando os preços ao mesmo tempo, para baixo ou para cima, se intensificam as oscilações.

Diversos produtores brasileiros demoraram a comercializar a soja da safra 2021/22 esperando um aumento de preços. Entretanto, os valores acima de R$ 190 foram rápidos e alguns conseguiram fazer a venda, mas outros não.

Nesta última safra, o preço da soja alcançou o menor valor desde meados de 2020, com as sacas de 60 kg chegando a ser negociadas na casa dos R$130 em meados de maio.

Para ficar de olho e acompanhar as volatilidades do mercado, confira o que tem influenciado no preço da soja em 2023 e quais são as projeções do mercado para 2024. Boa leitura!

Influência do custo de produção no preço da soja em 2023

O custo de produção da soja para a safra 2022/23 foi elevado. A maioria dos produtores pagou um alto valor nos insumos, principalmente nos adubos. Com o aumento dos insumos, o valor de venda deu um salto em comparação com a safra anterior.

O custo de produção médio da soja em 2021/22, na região de Londrina-PR, foi de R$ 5.989,97 para uma produtividade de 3,6 mil kg/ha. Para a safra 2022/23, o custo total está em R$ 9.250,79 para a mesma produtividade esperada.

O custo de produção abrange todos os gastos, e é possível ver que o preço dos insumos são os grandes responsáveis por esse aumento. 

Veja na tabela abaixo os dados fornecidos pela Conab a respeito do custo de produção da soja em 2021/22 e 2022/23:

Custo de produção parcial da soja 2021/22 e 2022/23 para duas regiões brasileiras 
Custo de produção parcial da soja 2021/22 e 2022/23 para duas regiões brasileiras 
(Fonte: Conab)

Note que há aumento principalmente no valor pago de fertilizantes. O custo de produção influencia o valor da venda porque você só deve vender a soja quando o preço da saca estiver no mínimo definido pelos seus custos.

Como os mercados interno e externo definem os preços da soja?

O mercado da soja tem bastante influência da Bolsa de Chicago. Portanto, vários fatores devem ser considerados. A bolsa de mercadorias de Chicago é referência mundial no preço da soja e outras commodities agrícolas

Para formar esse valor, são considerados alguns fatores, como:

  • Condições climáticas dos principais locais produtores;
  • Oferta e demanda dos grãos no país e fora dele.

Após a definição dos preços na Bolsa de Chicago, ainda há outras interferências, como a taxa cambial do Brasil. A Bolsa de Chicago é em dólar, e você precisa converter esse valor para o real. Assim, o preço muda conforme a cotação diária da moeda.

Acontecimentos mundiais também mexem com a dinâmica da cotação da soja. Por exemplo, a pandemia da covid-19 teve uma grande influência nos preços, principalmente devido à demanda de alimentos durante este período.

A guerra entre a Rússia e a Ucrânia foi outro ponto que influenciou o preço dos grãos. Afinal, esses países estavam entre os 10 principais países produtores de soja. Com a guerra, a produção foi prejudicada e a oferta global diminuiu.

Estes e outros fatores têm feito com que os preços apresentem grandes oscilações. Em 5 anos, o preço saiu de um patamar em torno de R$ 60 para valores acima dos R$ 150 por saca.

Gráfico que mostra previsÃo do preço da soja 2023 e ao longo dos anos, desde 2017
Cotação da saca de soja dos últimos seis anos no estado do Paraná 
(Fonte: Agrolink)

Para a safra 2022/23, o preço futuro da soja já variou bastante nos últimos meses, de R$ 160 até R$ 190, seguindo a bolsa de Chicago. 

Houve redução desse preço até chegar no produtor e na região produtora, devido ao desconto de frete, impostos e outras taxas.

Estes preços vão oscilando durante o ano devido a fatores como câmbio interno e externo, clima e estoque mundiais de soja.

Quais são os tipos de venda da soja?

Você, que produz, sabe que há diversas opções diferentes de venda da soja. Cada uma delas possui suas vantagens e desvantagens, e entendê-las bem te ajuda a escolher a melhor opção para se proteger das oscilações do mercado.

Você pode vender a soja de três maneiras diferentes: venda física, venda futura ou através do mercado de opções.

Na venda física, você depende do preço do momento ou paga a armazenagem até vender o produto no momento desejado. Ainda, corre risco de sofrer danos nos grãos por causa de algumas pragas do armazenamento, caso a espera seja muito longa.

Por outro lado, na venda futura, você faz um contrato com valor fixado de determinada quantidade de sacas de soja. Nesse caso, a entrega e o recebimento do grão são feitos em datas definidas.

Por fim, no mercado de opções, não há a entrega de soja física. Entretanto, você usa os preços futuros da soja para fixar um valor de saca. Entenda mais sobre o mercado de opções a seguir.

Mercado de opções: qual será o futuro da soja?

O mercado de opções não interfere na sua produção física, pois não há entrega de grãos. Neste mercado, são negociadas as opções de venda ou compra de ações que acompanham os valores futuros. Esses valores são os preços futuros da soja na Bolsa de Chicago.

Esse trâmite ocorre no mercado futuro da soja. Usando essas ferramentas, você consegue travar um valor para sua soja e se proteger das variações de preço do mercado físico.

Veja abaixo as cotações futuras da soja na Bolsa de Chicago em maio de 2023:

Cotações no mercado futuro da soja - Bolsa de Chicago
Cotações Mercado Futuro da Soja (Fonte: Notícias Agrícolas)

Vale destacar que o mercado de opções não é comum aos produtores brasileiros. Porém, por causa das oscilações de mercados, muitos estão conhecendo estas opções para garantir o preço desejado.

Para atuar neste ramo, é preciso de um consultor de mercado. Existem no Brasil empresas idôneas que auxiliam quem produz no mercado de opções, e buscar apoio é fundamental. 

Qual a tendência da soja para os próximos meses? 

No início de maio, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) divulgou o seu relatório de oferta e demanda de produtos agrícolas, o primeiro para a safra de 2023/2024. 

No documento, o órgão estimou a safra global de soja em 2023/2024 em 370,42 milhões de toneladas. Já no Brasil, a projeção foi de 155 milhões para esta temporada. 

Nesse contexto, a previsão do preço da soja 2023/2024 é de que haja um aumento no estoque mundial do grão, o que pode exercer pressão sobre os preços, conforme já observamos nos primeiros meses do ano. 

Para se ter ideia, na parcial de maio, o preço da soja no Brasil alcançou o menor valor desde meados de 2020 (R$139,9 por saca de 60kg). Algumas regiões, como Rondonópolis (MT) e Dourados (MS), fecharam a segunda semana do mês com preços ainda mais baixos ( R$118,50 e R$123 por saca, respectivamente).

A busca por autossuficiência da China é outro fator que pode influenciar no preço da soja nos próximos meses. Um dos maiores consumidores globais da commodity, o país tem buscado aumentar sua produção interna para reduzir a dependência de importações. 

Por fim, o radar para o clima brasileiro e argentino, principais produtores do grão, também estão mexendo com os preços. 

Em algumas regiões do Paraná, o clima tem sido favorável para as lavouras. Em outros lugares, como Rio Grande do Sul e Argentina, as temperaturas elevadas têm causado preocupação. Elas podem reduzir a demanda dos grãos, também aumentando os preços.

Por outro lado, é bom pontuar uma possível queda nos preços dos insumos agrícolas, uma vez que eles interferem diretamente no valor da saca de soja.

Por exemplo, o adubo que estava custando entre R$ 4 mil e R$ 6 mil em alguns meses de 2022 está voltando aos valores inferiores pagos na safra 2021/22. 

Quanto mais esses valores caírem, mais cairá o seu custo de produção da soja e consequentemente o valor da saca.

Como se proteger das flutuações de preço da soja para 2023?

Embora as previsões atuais apontem para um aumento no estoque mundial e consequente pressão sobre os preços, é importante lembrar que o mercado da soja é influenciado por fatores que podem mudar rapidamente, como a demanda global, as condições climáticas, a produção e os estoques mundiais. 

Para se proteger dessas incertezas, é fundamental saber seu custo de produção.

Não adianta comparar o preço de venda da soja do ano passado com o deste ano. Afinal, o custo da safra atual foi bem maior.

Para facilitar esse levantamento de custos, você pode utilizar uma planilha de custos de safra por hectare. Assim, será possível saber exatamente o quanto você gastou para produzir em cada talhão da sua propriedade.

Por meio de boas práticas, como bom manejo da lavoura, monitoramento do clima por meio de estações meteorológicas na fazenda e monitoramento de pragas e daninhas, você evita perdas. Consequentemente, poderá saber quantos quilos por hectare colherá, em média, em cada área.

Com esse valor em mãos, basta fazer uma estimativa. Veja o exemplo abaixo:

Esquema que mostra previsão do preço da soja 2023

Fazendo esse cálculo, você terá definido o valor mínimo de venda de cada saca. No exemplo acima, o valor de venda mínimo é R$ 154,18/saca. Para obter um lucro de 15%, o valor de venda da saca terá que ser R$ 177,31.

Com os cálculos em mãos, tente fazer cotações da venda futura da soja junto aos compradores para os quais você costuma entregar o produto. Se o valor for dentro do adequado para você, faça uma venda futura de parte ou do total da sua soja para garantir esse preço.

Você pode calcular os custos de produção da soja de forma mais automática, utilizando nossa planilha gratuita. Para acessá-la, basta clicar na imagem abaixo.

Calcule seus custos e compare com outras fazendas

Como saber se o preço de venda da soja compensa

Saber por qual preço compensa vender sua safra de soja depende principalmente do seu custo de produção. Para conseguir aumentar ou buscar a melhor margem de lucro da sua propriedade, faça levantamento correto do custo, anotando todos os gastos diretos e indiretos.

Para isso, conte com o apoio da tecnologia. Softwares de gestão agrícola como o Aegro auxiliam desde o planejamento até o controle de custos da produção, garantindo uma visão clara do dinheiro gasto ao longo da safra em tempo real.  

Gif que mostra painel de custos com o aegro
Acompanhe o real custo por hectare de forma automatizada dentro do Aegro

Ao fazer o planejamento e registrar as atividades da safra no sistema, o Aegro permite que você verifique a possibilidade de lucro ou prejuízo antes mesmo da colheita.

Quer saber mais sobre o Aegro? Assista ao vídeo de demonstração gratuita que preparamos para você.

Conclusão

Diversos fatores influenciam no preço da soja. Os mercados interno e externo estão sempre atentos às variáveis que puxam os preços para cima e para baixo. Além disso, a Bolsa de Chicago é a principal mandante dos preços pagos da oleaginosa no Brasil. 

Por fim, o preço das commodities tende a se equilibrar em algum momento. Porém, com tantas variáveis ainda presentes, será difícil o preço não oscilar, tanto na safra atual quanto na temporada 2023/2024. 

Acompanhar de perto as tendências do mercado e as análises especializadas é fundamental para você tomar decisões informadas e estratégicas no setor da soja. Fazer corretamente o custo de produção das suas áreas também é importante. 

Assim, será possível definir com mais segurança o preço de venda e se preparar para a venda futura.

>> Leia mais:

“Previsão do preço do arroz em 2023: confira as expectativas”

“Lucro por hectare de soja: saiba como calcular”

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Redatora Isabel Rocha

Atualizado em 09 de junho de 2023 por Isabel Rocha.

Jornalista pela Faculdade Cásper Líbero, com passagens por veículos como Band News TV e EXAME e experiência nas editorias de negócios, empreendedorismo, ESG e economia.

Tudo o que você precisa saber sobre a mancha olho-de-rã na soja

Mancha olho-de-rã: saiba o que causa a doença, quais são os sintomas, como ocorre a disseminação e quais as medidas de controle.

A cultura da soja é afetada por diversas doenças causadas por fungos, bactérias, nematóides e vírus. Dentre as doenças fúngicas, a mancha olho-de-rã se destaca por acontecer no final de ciclo. 

Ela foi identificada pela primeira vez no Brasil na década de 70. Graças ao desenvolvimento de cultivares resistentes, essa doença encontra-se sob controle.

Mesmo assim, conhecer suas características e entender como diagnosticá-la na lavoura é fundamental. Ainda, é preciso conhecer as formas de manejo para conseguir agir antes de sofrer danos econômicos.

Neste artigo, saiba mais sobre os sintomas da mancha olho-de-rã, entenda como ela se dissemina na cultura da soja, condições ideais para desenvolvimento e mais. Boa leitura!

Características e sintomas da cercospora na soja

A mancha olho-de-rã é uma doença foliar causada pelo fungo Cercospora sojina. Ele apresenta variabilidade genética. No Brasil, já foram identificadas 25 raças do fungo. Ela pode se manifestar em qualquer estádio da cultura

No entanto, a ocorrência dessa doença é maior no período reprodutivo da soja, a partir do florescimento. Os sintomas podem ser observados em toda a parte aérea da planta: folhas, hastes, vagens e sementes. 

Nas folhas, os sintomas surgem como pequenos pontos com aparência “encharcada”. À medida que a doença evolui, essas pontuações evoluem para manchas arredondadas, com tamanho variando de 1 mm a 5 mm de diâmetro.

É comum que esses sintomas sejam observados primeiro nas folhas jovens de soja.

Na face superior das folhas, o centro das manchas tem cor castanho-clara e margem castanho-avermelhada. Na face inferior, as manchas são acinzentadas em razão da esporulação do fungo.

Com o tempo, as manchas foliares se juntam, causando a desfolha prematura das plantas. Assim, a desfolha precoce e as lesões foliares reduzem a área fotossintética da planta, o que compromete o peso e a qualidade dos grãos.

Lesões características da mancha olho-de-rã na soja
(Fonte: Mian, 2008)

Nas hastes e nas vagens da soja, os sintomas se manifestam no final da fase de enchimento de grãos da soja. Inicialmente, aparecem pequenas lesões com aspecto aquoso que evoluem para manchas maiores. 

Nas hastes, as manchas têm formato elíptico ou alongado, e o centro da lesão é acinzentado, com borda castanho-avermelhada. Nas vagens, as manchas têm o centro deprimido, formato circular e cor castanho-escuro. 

Sintoma de mancha olho-de-rã em vagem de soja
(Fonte: Crop Protection Network)

As sementes de soja infectadas pelo fungo Cercospora sojina podem apresentar rachaduras e manchas de cor castanha, parda ou cinza. As plântulas de soja originadas a partir de sementes contaminadas apresentam lesões necróticas. 

Como diagnosticar a mancha olho-de-rã na lavoura

Em campo, o diagnóstico da mancha olho-de-rã na soja não é tão simples. Os sintomas dessa doença podem ser confundidos com os sintomas de outras doenças, e também com fitotoxicidade causada por herbicidas.

Sintomas iniciais da mancha olho-de-rã em folha de soja
(Fonte: Universidade de Nebraska – Lincoln)

Diante disso, o recomendado é enviar amostras de plantas sintomáticas a um laboratório de fitopatologia para a realização do diagnóstico, através da análise foliar. Em caso de dúvida, sempre procure um(a) engenheiro(a) agrônomo(a).

Somente a partir da correta identificação do problema é possível traçar as melhores estratégias de manejo da lavoura.

Condições para o desenvolvimento da Cercospora sojina

A incidência e a severidade das doenças estão relacionadas à presença do fungo, a suscetibilidade da cultivar e as condições ambientais. 

No caso da mancha olho-de-rã, as condições favoráveis são alta umidade, maior que 90%. Ainda, temperaturas entre 25°C e 30°C podem favorecer o fungo. A formação de orvalho e temperaturas noturnas acima de 20°C também apresentam riscos.

A monocultura da soja e o plantio direto são sistemas que beneficiam o desenvolvimento da mancha olho-de-rã. Afinal, esse fungo sobrevive em tecidos mortos da planta hospedeira

Disseminação e ciclo da doença

A cercospora na soja sobrevive nos restos culturais e nas sementes de soja, sendo considerados inóculos primários. No período da entressafra, esse patógeno também pode sobreviver em plantas de soja tiguera. 

Dessa forma, a infecção das sementes de soja garante a sobrevivência e a disseminação do fungo a longas distâncias. Nas sementes, a cercospora na soja sobrevive por um período de 6 a 7 meses.

Em campo, os esporos do fungo são dispersos por gotículas de água e pela ação do vento.

Ciclo da doença mancha olho-de-rã em soja
(Fonte: Danelli, 2010)

Manejo da mancha olho-de-rã na soja 

A estratégia mais eficiente para o manejo da mancha olho-de-rã é o plantio de cultivares de soja resistentes. O uso de material genético não suscetível à doença apresenta baixo custo, além de ser ambientalmente seguro.

Em lavouras semeadas com cultivares suscetíveis à doença, é importante que após a colheita, os restos vegetais sejam incorporados ao solo. Essa medida diminui a sobrevivência do fungo para a próxima safra. 

Outra técnica para o manejo da mancha olho-de-rã na soja é o tratamento químico das sementes com fungicidas específicos. 

Essa tática evita a entrada de fungos na lavoura e protege as sementes desses patógenos. Além disso, o tratamento químico garante melhor desenvolvimento inicial da cultura e o estabelecimento de um estande uniforme de plantas.

Para o tratamento das sementes de soja, é recomendado o uso de fungicidas do grupo químico benzimidazol associados à fungicidas de contato. O manejo dessa doença também envolve a adoção de outras boas práticas agronômicas, como: 

Essas técnicas melhoram o desempenho da cultivar plantada e aumentam a produtividade.   Depois de detectada a doença em campo, o controle é realizado pela aplicação de fungicidas. Na soja, os produtos registrados para o controle da mancha olho-de-rã são:

  • carbendazim;
  • carboxina + tiram;
  • difenoconazol;
  • fludioxonil;
  • tiram.
Banner de chamada para o download da planilha de cálculos de insumos

A mancha olho-de-rã é uma doença de final de ciclo da cultura da soja. Ela é causada pelo fungo Cercospora sojina

Os sintomas podem ser observados em toda parte aérea da planta. Inicialmente, surgem pequenas manchas com aspecto encharcado que evoluem para lesões maiores. As sementes contaminadas e os restos culturais são as principais fontes de inóculo primário.

O manejo da mancha olho-de-rã é feito, principalmente, pelo plantio de cultivares de soja resistentes. Outras formas de controle da doença envolvem o tratamento de sementes e a aplicação de fungicidas.

Você já teve problema com a mancha olho-de-rã na sua lavoura? Qual estratégia de controle foi adotada? Conte sua experiência nos comentários.

Conheça cada estádio fenológico da soja em dias e seus manejos

Estádio fenológico da soja: veja a importância de saber esses detalhes, características e manejos realizados em cada um deles.

Você provavelmente conhece todas as principais pragas da soja, doenças, tipo de solo, histórico climático e plantas daninhas da sua área. E a fenologia da sua cultura

Para fazer um manejo eficaz, você deve saber controlar os patógenos nas fases mais críticas da lavoura. Além disso, deve acertar o momento de aplicação dos produtos.

Saber quais são os estádios fenológicos das plantas de soja te ajuda a fazer um manejo mais assertivo, além de economizar com produtos.

Neste artigo, conheça todos os estádios, o que caracteriza cada um e os principais manejos a serem feitos. Boa leitura!

O que são estádios fenológicos da soja?

Estádio fenológico é o estudo das fases de crescimento de cada cultura. Isso é feito observando as principais mudanças fisiológicas, químicas e físicas das plantas. O estádio fenológico passa por diversas etapas, como:

  • fase vegetativa;
  • germinação;
  • emergência;
  • desenvolvimento da parte aérea e radicular;
  • desenvolvimento da parte reprodutiva;
  • formação de flores, vagens e grãos;
  • maturação dos grãos.

Como a duração de cada fase das plantas é influenciada pelo clima, época de semeadura e cultivar, saber os estádios fenológicos ajuda a padronizar cada ocorrência. Afinal, ele não é baseado apenas em quantidade de dias, como também no aspecto visual da planta. 

Como determinar os estádios fenológicos da soja

Para saber o estádio fenológico da cultura da soja, conhecer e observar a cultura é fundamental. É possível dividir os estádios fenológicos da maioria das culturas em dois: vegetativo e reprodutivo.

Como o próprio nome diz, nos estádios vegetativos a planta está se desenvolvendo, crescendo e produzindo folhas. Nos estádios reprodutivos, as plantas já utilizam sua energia para formação de flores, vagens e grãos.

É importante comentar que algumas cultivares continuam a produzir novas folhas mesmo após a entrada do estádio reprodutivo. Este tipo de cultivar é chamado de crescimento indeterminado.

Cultivares com crescimento determinado são aquelas que, após o início do florescimento, formam mais novas folhas.

Estádios vegetativos da cultura da soja

Os estádios vegetativos começam pela letra V, e a segunda letra muda de acordo com o avanço da planta. O estádio vegetativo da soja começa com a sigla VE e termina com a sigla VN.

Essa definição da quantidade de folhas abertas não é definida numericamente. Afinal, ela depende da cultivar utilizada, e algumas podem apresentar mais folhas que as outras.

Neste estádio é importante saber o que é considerado uma folha totalmente desenvolvida. Assim, você evita errar no momento da classificação.

Observe se os bordos dos folíolos da folha do nó imediatamente acima da planta não se tocam mais. Assim sendo, é considerado que a folha do nó abaixo está totalmente desenvolvida. Observe na figura abaixo:

Bordas dos folíolos não se tocam mais 
(Fonte: Embrapa)

Sabendo definir o que é uma folha totalmente desenvolvida, vamos definir os estádios.

VE

O estádio vegetativo da soja se inicia em VE, que é o momento de emergência da plântula. Ele começa com a emergência dos cotilédones acima do solo, formando um ângulo de 90° ou mais.

A duração dessa fase pode variar devido a temperatura. Em condições normais, dura entre 4 e 7 dias. Em clima frio, a emergência das plantas pode atrasar, havendo prolongamento dessa etapa.

Nesta fase, é o momento de ver a eficácia do tratamento de sementes. Ele deve ser feito com base nas principais pragas de solo da sua área.

Fique de olho no ataque de pragas como a lagarta-elasmo, lagarta-rosca, coró e percevejo-castanho. Elas podem prejudicar os cotilédones. Nesse estádio, eles transferem nutrientes para as plantas até a formação das folhas verdadeiras.

VC

O estádio VC é o cotiledonar, onde os cotilédones estão totalmente abertos. Isso ocorre quando as bordas das folhas unifolioladas não se tocam.

Esta fase dura entre 3 e 10 dias. Ela começa com a formação de colônias das bactérias fixadoras de nitrogênio, para formação de nódulos.

Estádio vegetativo VC, com destaque para as folhas unifolioladas não se tocando
(Fonte: Embrapa)

Assim como no estádio anterior, pragas de solo também causam danos. Entretanto, outras pragas como lagarta-da-soja e a falsa-medideira podem persistir ou aparecer até o final do ciclo da cultura.

Fungos e bactérias de solo que causam tombamento da soja são umas das principais preocupações. Estes fungos e bactérias podem afetar dos estádios VC até V2. Eles causam morte das plantas e consequente redução dos estandes. Por isso, há queda de produção.

Os que mais causam danos são:

  • Botrytis;
  • Cercospora;
  • Colletotrichum;
  • Fusarium;
  • Phoma;
  • Phytophtora;
  • Pythium;
  • Rhizoctonia;
  • Pseudomonas;
  • Xanthomonas.
Plântulas com sintomas típicos (lesões deprimidas marrom-avermelhadas no hipocótilo tombamento de pós-emergência) com ataque de Rhizoctonia solani
(Fonte: Augusto César Pereira Goulart em Research gate)

V1

É estádio quando o primeiro nó foliar se forma na planta. Somente nele as folhas são unifolioladas e opostas nas plantas. O início deste estágio é definido quando os bordos dos folíolos da primeira folha trifoliolada não estiverem mais se tocando.

Algumas doenças foliares podem começar a aparecer neste estádio fenológico da soja, e podem se prolongar até os estádios reprodutivos. Os principais exemplos são:

Desde este momento até o final do ciclo da soja, fique de olho também na ferrugem asiática da soja. O controle da doença deve ser feito para evitar grandes perdas de produção.

V2

O estádio V2 acontece quando o segundo nó foliar é formado e o primeiro trifólio está completamente desenvolvido. Para caracterizar o completo desenvolvimento, deve ser possível observar as bordas do segundo trifólio não se tocando mais.

Os nódulos se tornam visíveis nas raízes das plantas e começam a suprir as plantas com nitrogênio. Os cotilédones começam a ficar amarelados e caem entre V2 e V4.

Isso acontece devido ao início da autonomia das plantas em suprir as necessidades nutricionais pelo desenvolvimento foliar e radicular. Neste estádio, podem aparecer plantas daninhas da soja que competem por água, luz e espaço com as plantas novas.

V3 – V4

O estádio acontece com o terceiro nó foliar e segunda folha trifoliolada (V3), e com o quarto nó foliar e terceira folha trifoliolada (V4).

Nestes estádios fenológicos, principalmente em V4, ocorre maior acúmulo de matéria seca e nutrientes na parte aérea.

Como a fixação está com início de desenvolvimento entre V2 e V4, uma estratégia de manejo é a aplicação foliar de cobalto e molibdênio. Eles ajudam na fixação biológica, desfavorecendo o desenvolvimento das bactérias.

Verificando a presença de plantas daninhas em quantidade prejudicial, é o momento de fazer controle pós emergente. Faça isso antes que ocorra fechamento de linhas. 

banner-calculo-fertilizantes

V5 – V6

Até V5 e V6, a duração para formação de um novo trifólio dura de 5 a 6 dias. Isso acontece porque parte da energia é utilizada também para a formação das raízes. Após este período, a duração para formação das folhas entre 3 a 4 dias, em condições ideais.  

Em V5 e V6, alguns produtores já têm utilizado como estratégia de manejo a primeira aplicação de fungicidas. Isso ajuda a manter a saúde das folhas.

Nestes estádios, pragas desfolhadoras e fungos que atacam as folhas são prejudiciais pois reduzem a área foliar. Como consequência, diminuem a produção de fotossíntese, que gera energia para as plantas. 

Se o controle for tardio, essas pragas e fungos poderão comprometer parte da produção.

VN

Com o desenvolvimento foliar ocorrendo, são definidos os estádios V7, V8, V9 e assim por diante, conforme descrito nos estádios anteriores. O estádio vegetativo da soja irá cessar após a primeira flor surgir, iniciando o início dos estádios reprodutivos.

Estádios reprodutivos da cultura da soja

Os estádios reprodutivos são representados pela letra R. Conhecê-lo bem ajuda a identificar o estádio fenológico de colheita de soja, por exemplo.

Diferente do estádio vegetativo, que varia conforme a cultivar e clima, o reprodutivo vai de R1 a R8, independente de outras variáveis. De modo geral, são 4 fases dentro do estádio reprodutivo da soja: 

  • R1 e R2: florescimento;
  • R3 e R4: formação de vagens;
  • R5 e R6: desenvolvimento dos grãos;
  • R7 e R8: maturação da planta.

R1

O primeiro estádio reprodutivo inicia com a floração. Ela ocorre com o aparecimento da primeira flor aberta na em qualquer nó presente na haste principal da planta.

R2

Em R2, a planta está em pleno florescimento. A abertura das flores na haste principal pode ocorrer simultaneamente com a fase R1 ou um dia após. Isso acontece em caso de plantas com hábito de crescimento determinado, onde a floração ocorre sincronizada.

Caso as plantas tenham hábito de crescimento indeterminado da abertura da primeira flor, pode levar entre 2 e 7 dias dependendo das condições climáticas.

Neste momento, a manutenção das flores na haste é a principal preocupação. Portanto, insetos e fungos que possam causar queda das flores devem ser controlados com uso de inseticidas e fungicidas.

Sempre faça o monitoramento da lavoura, verificando a quantidade de insetos e folhas atacadas com doenças. Assim, faça o controle no momento adequado.

É entre R1 e R2, são coletadas as folhas para realizar a análise foliar. Nesse período, ocorre maior atividade das bactérias fixadoras de nitrogênio, que se mantém alta até R6, onde atingem seu pico.

R3

O estádio R3 é caracterizado pela formação das vagens com tamanho de 5mm, em um dos últimos quatro nós da haste principal. Estresses ambientais neste período, como seca e excesso de chuvas, são prejudiciais. 

Afinal, esses fatores podem causar queda ou abortamento das flores. Se isso acontecer, a produção fica comprometida, porque o número de sementes por vagem é uma característica genética da cultivar.

Assim como estresses, deste estádio para frente, ataque de pragas e doenças devem ser monitoradas cuidadosamente. Eles afetam o desenvolvimento das vagens. Fique de olho nos seguintes: 

R4

Em R4, há a presença de uma vagem com no mínimo 2 cm localizada em um dos últimos quatro nós da haste principal. Além disso, há formação de vagens denominadas canivete.

Ainda, há início do acúmulo de matéria seca pelas vagens, que vai até a fase final do estádio fenológico R5.

R5

Nesse estádio, doenças principais de final de ciclo tem seu início e devem ser monitoradas. Além das citadas acima, fique de olho também no crestamento de cercospora e mancha-parda.

O início do enchimento de grãos ocorre em R5. Ele é subdividido em 5 fases, que correspondem a:

  • R5.1: Cerca de 10% de granação em um dos quatro últimos nós da haste principal.
  • R5.2: Cerca de 11% a 25% de granação em um dos quatro últimos nós da haste principal.
  • R5.3: Os grãos em R3 já possuem de 26% a 50% de granação em um dos quatro últimos nós da haste principal.
  • R5.4: Vagem em um dos quatro últimos nós da haste principal, com granação de 51% a 75%, caracteriza a fase R5.4.
  • R5.5: De 75% a 110% de granação em um dos quatro últimos nós da haste principal.

Durante todo o estádio fenológico R5, a atenção deve ser para insetos sugadores como os percevejos. Se o ataque for no início do enchimento, os grãos não se formam. Se for nas etapas finais, há redução de tamanho e peso dos grãos.

R6

Esse estádio corresponde ao pleno desenvolvimento dos grãos, ocupando toda a cavidade da vagem. Se ocorrer seca durante R5 e R6, os grãos ficam pouco desenvolvidos. Se ocorrer geada ou granizo, as plantas reduzem sua produção.

A fixação biológica desacelera rapidamente após o enchimento de grãos, e ocorre o início do amarelamento das folhas.

Da floração até este estádio fenológico, leva entre 25 e 35 dias para acumular matéria seca e nutrientes.

R7

Em R7, começa o desligamento dos grãos da planta mãe, pois eles já atingiram o máximo peso da matéria seca. Neste momento, os grãos começam a mudar de coloração para amarelo, porém com alto teor de umidade.

Este estádio fenológico é observado quando uma vagem na haste principal assume a coloração de madura.

R8 – como identificar o estádio fenológico de colheita da soja

É o estádio da maturação plena, onde 95% das vagens já se encontram maduras. A colheita pode ser realizada entre 5 e 10 dias se as condições climáticas forem favoráveis, sem chuvas. Assim, o teor de umidade fica entre 15% e 13%, ideal para colheita.

Os cuidados neste momento são em relação a maquinário, como na regulagem da colhedora e velocidade de colheita.

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Conclusão

Os estádios vegetativos e reprodutivos da cultura da soja precisam ser muito bem conhecidos por você, que produz o grão. Esse conhecimento é fundamental para garantir um bom manejo. 

Além disso, em cada uma dessas etapas, há os principais manejos que devem ser realizados.

É importante estar sempre de olho em cada etapa, monitorando e observando o que ocorre em cada talhão. Afinal, uma doença ou praga que ocorre em um, pode não ocorrer no outro. Em casos de dúvidas, sempre consulte um(a) engenheiro(a)-agrônomo(a).

E aí? Restou alguma dúvida sobre cada estádio fenológico da soja? Adoraria ler seu comentário sobre!

Beneficiamento de grãos: entenda as 7 etapas fundamentais

Beneficiamento de grãos: saiba a importância, quais são as etapas obrigatórias, cuidados que você deve ter e muito mais!

A qualidade de grãos e sementes não pode ser melhorada, apenas conservada

Por isso, todas as etapas do processo produtivo são importantes.

O beneficiamento de grãos é um processo que procura eliminar impurezas de um lote, melhorando suas características. Isso é fundamental para garantir uma boa comercialização.

Neste artigo, veja quais são as etapas do beneficiamento e quais cuidados devem ser tomados no processo. Boa leitura!

O que é o beneficiamento de grãos?

O beneficiamento é uma das últimas etapas da produção de grãos e sementes, e procura melhorar as características de um lote

Isso é feito através da eliminação de impurezas; matérias estranhas (como sementes de outras espécies e outros contaminantes); e também danos leves e graves, até que se alcancem os limites tolerados pela legislação.

Para manter a qualidade dos lotes, são retiradas as matérias estranhas. Alguns exemplos são:

  • grãos e sementes de outras culturas;
  • insetos vivos ou mortos;
  • partes de insetos;
  • torrões de solo;
  • sujidades, dentre outros.

Também são eliminados todos os materiais vegetais que pertencem à cultura, como:

  • folhas;
  • hastes;
  • colmos;
  • raízes;
  • vagens;
  • pedaços de sabugo, dentre outros.

Esses limites máximos tolerados variam conforme o produto (grão). Percentuais acima dos descritos na legislação resultam em descontos no momento da comercialização. 

Embora a legislação traga limites máximos tolerados, eles também podem ser especificados pelas empresas, UBGs (Unidades de Beneficiamento de Grãos) ou UBSs (Unidades de Beneficiamento de Sementes).

As unidades de beneficiamento de grãos (UBGs) são locais onde os grãos são encaminhados após a colheita pelo produtor. 

São localizadas normalmente próximo do local de produção. É nas UBGs que os grãos são limpos, secos, e beneficiados (retirada de matérias estranhas, impurezas, contaminações).

Quais são as etapas do beneficiamento de grãos

As etapas do beneficiamento de grãos são: recepção, amostragem, pré-limpeza, limpeza, secagem, classificação e armazenamento. O objetivo é retirar possíveis contaminações que contribuem para a deterioração dos grãos.

Esquema demonstrativo das etapas de beneficiamento de grãos.

Fluxograma operacional de uma unidade de beneficiamento

(Fonte: Silva e colaboradores, 2012)

Confira a seguir como funciona cada uma das operações envolvidas no beneficiamento de grãos!

1. Recepção

Na recepção, os grãos ficam armazenados provisoriamente na moega. Depois, são  encaminhados para a pré-limpeza, limpeza ou secagem. O destino varia de acordo com o grau de umidade, impurezas e matérias estranhas do lote.

Para que se saiba quais as operações são necessárias, é preciso retirar amostras do produto e avaliar suas condições. A primeira delas é o grau de umidade. Esta informação determina se será necessária a secagem do produto.

Quando o grau de umidade é elevado, é importante que a secagem seja realizada o mais rápido possível. Afinal, a deterioração (redução da qualidade) já estará ocorrendo.

A recepção deve ser programada para que não sejam misturados produtos diferentes. Isso vale principalmente para produtos já secos com produtos que necessitam de secagem.

2. Amostragem

A amostragem é uma etapa importante para que as condições do lote recebido sejam averiguadas. Ela deve ser realizada seguindo metodologias padrão e com auxílio de caladores, que podem ser manuais ou pneumáticos.

Os pontos para retirada das amostras também são importantes. Elas devem ser de diferentes locais e profundidades.

Etapas da amostragem de grãos

  • Tenha em mãos um calador (hidráulico ou manual), um balde plástico, caderno e caneta para anotação;
  • Colete as subamostras: elas são amostras parciais, e devem ser coletadas em diferentes pontos. Isso depende de como a carga de grãos estiver disposta.
  • Misture as amostras uniformemente: assim você terá a amostra para análise, que deve ser identificada corretamente. As subamostras devem contemplar as laterais e o centro da carga;
  • Posicione o calador no ponto, verticalmente e enterrado até o fundo da massa de grãos. Só assim a subamostra pode ser retirada. 

Para checar os sistemas e comparar a eficiência das operações, você pode retirar amostras durante o funcionamento dos equipamentos. Dessas amostras, são avaliadas a porcentagem de cada um dos danos. Nesse caso:

  • Pese a amostra total;
  • Retire os danos a serem avaliados;
  • Calcule a porcentagem desses grãos com danos em relação ao peso inicial.

Fórmula para amostragem de grãos com danos

Para calcular a quantidade de grãos com danos, você pode utilizar uma fórmula. Por exemplo, considere uma amostra de 250 gramas em que 0,8 gramas são de grãos quebrados/partidos.

Basta fazer uma regra de três:

Fórmula para amostragem de grãos com danos: 250 gramas - 100% da amostra/ 0,8 gramas - X. Esquema representado em regra de três.

(Fonte: adaptação da autora)

Essa amostra contém 0,32% de grãos quebrados/partidos. Os valores dos resultados obtidos são comparados aos limites máximos tolerados para cada uma das operações.

3. Pré-limpeza

A pré-limpeza é a retirada inicial de impurezas e matérias estranhas com percentuais próximos a 4%

No beneficiamento de sementes, são tolerados pequenos índices de outras sementes (1%), e zero material inerte. Porém, esse valor pode mudar de acordo com as classes de sementes.

Além disso, as operações de pré-limpeza têm várias vantagens

  • facilidade na operação de secagem, quando necessária;
  • melhor transporte entre os elevadores;
  • condições de armazenamento facilitadas;
  • fluxo no armazém facilitado.

A pré-limpeza é uma etapa obrigatória. Em alguns casos, ela pode ser suficiente. 

Nesta etapa, as peneiras devem ser adequadas. Além disso, o fluxo de ar do ventilador deve ser ajustado corretamente (o que depende do grão a ser beneficiado).

Na pré-limpeza e na limpeza, as sementes são beneficiadas em máquinas de ar e peneiras. Elas usam ventiladores para separar materiais contaminantes e indesejáveis de menor peso e tamanho. 

4. Secagem

A secagem de grãos é a etapa para retirar a água em excesso. Isso pode ser feito através de ar natural ou aquecido. Realize essa etapa o mais rápido possível, após a colheita dos grãos com alto grau de umidade.

O grau de umidade deve ser mais baixo para armazenamento em locais sem aeração.

Na tabela a seguir, confira o grau de umidade recomendado para o armazenamento seguro de diferentes culturas:

Grau de umidade recomendado para feijão, milho, soja, azevém, arroz e aveia.

(Fonte: Elias, 2000)

5. Classificação

A classificação de sementes em relação ao tamanho é feita para padronizar os lotes

Esta operação facilita a semeadura e distribuição no campo. Além disso, proporciona maior plantabilidade quando os equipamentos são ajustados da forma correta. 

6. Limpeza de sementes e grãos

No caso de sementes, os cuidados devem ser redobrados. Afinal, elas são armazenadas até a semeadura da próxima safra.

A retirada de impurezas, matérias estranhas, sementes danificadas e verdes é indispensável. Assim, o vigor das sementes não é reduzido

Este processo é parecido com a limpeza de grãos. Acontece através da passagem das sementes por peneiras de ar e mesa densimétrica.

A mesa densimétrica separa as sementes através da densidade ou peso. Sementes mais leves geralmente têm qualidade reduzida.

No caso de grãos, a limpeza é uma operação extra. Ela faz com que impurezas e matérias estranhas que tenham permanecido após a pré-limpeza sejam retiradas.

7. Armazenamento

Para armazenamento de grãos seguro, eles devem ser secos a uma porcentagem ideal. Assim devem ser mantidos durante o processo. 

O percentual de umidade muda conforme a cultura. Confira: 

Tabela com percentual de umidade em grãos como café, milho, soja, arroz, sorgo e trigo.

(Fonte: Senar, 2018)

Quais etapas de beneficiamento de grãos são obrigatórias?

Nem todas as operações de beneficiamento são necessárias, a depender das condições dos grãos. Em alguns casos, a pré-limpeza é suficiente e a secagem não é necessária, por exemplo.

Duas situações podem ocorrer: 

  • Se os grãos forem limpos, secos e comercializados imediatamente: você deve fazer secagem, limpeza e classificação. Isso garante que impurezas e materiais estranhos não ultrapassem 1%, e que o grau de umidade seja de 13%. Esses são os limites impostos pelo Mapa.
  • Se os grãos forem secos, limpos e armazenados: nesse caso, você deve fazer a pré-limpeza, secagem (e limpeza, quando necessário) e armazenamento. 

8 cuidados essenciais durante o beneficiamento de grãos

No beneficiamento de grãos e sementes, alguns pontos merecem atenção:

  1. Injúrias mecânicas (trincas, quebrados, partidos) são geralmente agravadas pela secagem. A temperatura do ar de secagem deve ser adequada para o teor de água inicial dos grãos;
  2. O local de armazenamento dos grãos e sementes deve ser limpo, seco e arejado. Isso evita a proliferação de pragas de armazenamento, fungos e deterioração;
  3. O ambiente de armazenamento não pode ter goteiras. O contato com a água favorece a germinação dos grãos e sementes. Além disso, acelera sua deterioração.
Foto de sementes de soja germinadas

Grãos de soja germinados devido a goteiras no telhado do silo, provocando aceleração da deterioração dos grãos armazenados.

(Fonte: De Souza, 2012)

  1. Materiais quebrados, trincados, fragmentados, arranhados e danificados são causados por choques com as superfícies durante o beneficiamento. Por isso, regule a velocidade das operações e as monitore sempre;
  2. Grãos danificados são mais suscetíveis ao ataque de fungos e insetos. Isso pode provocar o aquecimento da massa de grãos, e até mesmo gerar fogo;
  3. A conservação dos grãos pode ser comprometida a partir dos 60 a 120 dias. Isso acontece quando os valores de grãos quebrados são entre 5% e 8%.
  4. As perdas durante o beneficiamento podem ser superiores a 3%. A cada 30 mil sacos de grãos beneficiados, 900 podem ser perdidos por manuseio incorreto;
  5. Regule e monitore os equipamentos utilizados durante o beneficiamento. Eles podem trincar os grãos, agregar cinzas, odores e provocar a perda de peso da massa.

Processo de beneficiamento de soja

O beneficiamento da soja começa com a pré-limpeza e é seguida da secagem, pós-limpeza, padronização, tratamento e pesagem. Após a pesagem, os grãos são embalados, amostrados, identificados e armazenados.

É importante ressaltar que o beneficiamento destinado a grãos e a sementes tem operações diferentes. Na primeira, o foco é retirar as impurezas e matérias estranhas que afetam a qualidade do grão, para posterior processamento na indústria.

Na segunda, o objetivo é selecionar sementes de alto potencial germinativo, a depender do padrão da empresa produtora de sementes ou cultivar que está sendo produzida.

Além da máquina de peneiras, a mesa densimétrica é usada. Ela separa as sementes por densidade.

Foto de mesa densimétrica vermelha, utilizada no processo de beneficiamento de grãos de soja

Mesa densimétrica de uma unidade de beneficiamento de sementes. Na imagem à direita é possível observar os dutos de entrada de sementes de diferentes densidades.

(Fonte: Reisorfer, 2012)

Sementes mais leves estão geralmente associadas a danos provocados por insetos, fungos, ou até mesmo má formação. Sementes mais pesadas, em contrapartida, possuem a maior qualidade.

Outro processamento que ocorre é a padronização de lotes de sementes em função do seu tamanho. Isso é importante para a regulagem das semeadoras e para garantir melhor uniformidade de sementes na lavoura.

A padronização é realizada através de peneiras com diferentes tamanhos. O tamanho da semente está relacionado diretamente ao de 1000 sementes. Essa informação é utilizada para que o produtor possa calcular a quantidade de sementes necessária para a semeadura.

Esta classificação em tamanho em função de peneiras pode ser de peneira 50 a 75.

  • Sementes de soja de peneira 50 apresentam peso de 1000 sementes (a depender da cultivar), aproximados a 92 gramas, Logo, 92/1000=0,09 gramas por sementes. Na peneira 50, um grama de sementes conterá 11 sementes, e um saco de 40 kg de sementes conterá 440.000 sementes.
  • Sementes de soja de peneira 75 apresentam peso de 1000 sementes aproximado de 244 gramas. Logo, 244/1000=0,244 gramas por semente. Na peneira 75, um grama de sementes conterá 4 sementes, e um saco de 40 kg de sementes, conterá 160.000 sementes.

Em função da população de sementes desejada, você deverá escolher o tamanho de peneira mais adequado para calcular.

Se as sementes são de diversos tamanhos, na regulagem e na semeadura, mais sementes podem cair no solo. Isso prejudica a plantabilidade (distribuição uniforme de plantas na lavoura). 

Processo de beneficiamento de milho

As etapas de beneficiamento do milho incluem a amostragem inicial do produto, pré-limpeza do lote recebido (etapa que conta com as máquinas de pré-limpeza e mesa de gravidade) e secagem.

Esses processos de beneficiamento possuem o objetivo de limpar o material para ser armazenado adequadamente.

Foto de mesa de gravidade com grãos de milho

A mesa de gravidade é utilizada para realizar a separação de diferentes densidades (pesos) do produto. Os materiais de menor densidade normalmente são restos de sabugo de milho e grãos ardidos

(Fonte: Trogello, 2013)

As sementes de milho ainda são classificadas quanto ao seu tamanho e formato, e posteriormente estocadas em bags até a expedição.

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Conclusão

O beneficiamento de grãos e sementes é uma etapa importante para conservar a qualidade.

O processo é composto por 7 etapas, mas nem todas elas são obrigatórias. Vale analisar a situação dos seus grãos para definir quais das etapas serão fundamentais.

Fique de olho nos limites máximos de umidade, impurezas, matérias estranhas e danos. Assim, você não sofrerá penalidades na comercialização dos seus grãos.

Como você faz o beneficiamento de grãos na sua fazenda? Tem dificuldade em algum desses processos? Adoraria ler seu comentário.